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Numero do processo: 10805.900736/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 36 /2 01 3- 09 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10805.900736/201309 Acórdão n.º 3201003.112 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.975, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.900736/201309 Acórdão n.º 3201003.112 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.900736/201309 Acórdão n.º 3201003.112 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.001791/00-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator, que dava provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Paulo Guilherme Deroulede - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator, que dava provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Paulo Guilherme Deroulede - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator, que dava provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Paulo Guilherme Deroulede Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório. Cuidase de Recurso Voluntário interposto em razão de divergência no ato de liquidação, restou decidido pela DRJ/CGE – Acórdão 04.27.428 de 14 de fevereiro de 2012 indeferiu o pedido de perícia, rejeitou as preliminares e, no mérito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A matéria discutida neste caderno se refere crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido por força dos Decretos nºs 2445 e 2.449, ambos de 1988. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .0 01 79 1/ 00 -8 1 Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 14 2 O contribuinte solicitou ressarcimento de valores pagos a maior ou indevido em decorrência das modificações introduzidas pelos Decretos nºs 2445 e 2.449/88, que foram considerados Inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. O pedido restou indeferido. Apresentada Manifestação de Inconformidade, fl. 155, julgada improcedente ao argumento de que incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base nas receitas e transferência do sexto mês anterior. Em razão da negativa, interposto Recurso Voluntário (fl.202), provido conforme Acórdão nº 201.75.756 de 23 de janeiro de 2002, fl.306, afastou a decadência e reconheceu o direito de pleitear o indébito, devendo ser contado da Resolução do Senado de nº 49, de 09 de outubro de 1995. A Fazenda Nacional irresignada com o provimento do Recurso Voluntário interpôs Recurso Especial, fl.330, contrarazões oferecidas à fl. 354. O “RE” foi improvido, fl. 372. Na fase de liquidação as partes, Contribuinte e Fazenda Nacional, passaram a divergir quanto à metodologia da apuração do indébito, em razão dessa discussão foi proferido o Acórdão de nº 04.27.428, do qual o Contribuinte tomou ciência em 25 de abril de 2012, motivou novo Recurso Voluntário, fls. 906/920, ora em apreciação. Aduz a Interessada, que apuração do crédito foi efetivada de modo injusto e injurídico, pois a Receita Federal constituiu a destempo, com base na Lei n 8/70, com utilização de alíquota diversa, o que deu azo à interposição da impugnação. Afirma que Órgão interno em Campo Grande não cumpriu à risca o decidido pelo CARF. A Administração negou a solicitação de perícia, e, o Acórdão configura cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual suscita nulidade da decisão recorrida. Em relação aos cálculos, assevera que a planilha elaborada pela Fazenda é incompreensível. Além dos cálculos ininteligíveis, sustenta, também, que a Fazenda está constituindo débito de PASEP relativos aos períodos anteriores àquele da homologação tácita e ao de decadência. Além do que, não pode compensar débitos não confessados nem lançados com créditos já deferidos por decisão final administrativa. Entende que deve apurar o crédito, contudo, não lançar como vem fazendo, visto que, teria decaído o direito de lançar pela decadência. Em síntese, discorda que nesse momento de apuração do valor correto do indébito a Fazenda aproveita para exigir a contribuição com base na Lei nº 8/70, sob alegação de “encontro de contas”, no entender do contribuinte isso corresponde lançamento para constituir suposto débito indubitavelmente decaído. Concluiu com o pedido de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, e, no mérito pede que seja reconhecida à homologação tácita dos valores pagos entre 1988 e 1995, alternativamente, pede que sejam expurgado do encontro de contas todos os valores indicados como créditos tributários em aberto, mas que não foram objeto de lançamento regular, e, tampouco de confissão por meio de DCTF ou por outro meio qualquer. É o relatório. Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 15 3 Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Presente os pressupostos de admissibilidade, impõe o conhecimento do recurso. O cerne da questão se refere apuração de indébito: O primeiro se refere divergência de metodologia dos cálculos elaborados pela Receita Federal, aduz que não são inteligíveis; O segundo: negativa de perícia; O terceiro: se refere a lançamento com base na Lei nº 8/70, a Administração utilizandose do pedido de compensação, que no entender do contribuinte tratase de “encontro de contas”, exigir tributo de fatos geradores passível decadência, §4º do art. 150 do CTN. NULIDADE. Argüição de nulidade, cerceamento do direito de defesa. Perícia. A incompreensão dos cálculos, mesmo diante do não conhecimento da metodologia utilizada na determinação do crédito por ausência de oportunidade de se manifestar, não causa nulidade. O cálculo de liquidação pode a qualquer tempo ser questionado, não há que se falar em matéria preclusa. Tanto é verdade que, continua o Interessado se debatendo para ver modificado o resultado em que chegou a Administração Tributária. Assim, rejeito a preliminar de nulidade. Homologação Tácita. Não há espaço para homologação tácita. O pedido versa sobre indébitos. Fazse necessário averiguar com o objetivo de conhecer a exatidão do indébito. A homologação dos valores pagos entre 1988 a 1995 é o objeto de exame, pois nesse procedimento o que se faz é adequar o fato gerador a sistemática da semestralidade, visto que, o pagamento ocorreu sob a égide dos Decretos 2.445 e 2.449 considerados inconstitucionais. Verificado pagamento a menor do que o devido, influência na determinação do indébito, pois, trata de encontro de contas, crédito contra débito. Portanto, não há como acolher o pleito, sendo assim, cabe rejeitar alegação de ocorrência de homologação tácita. Decadência. No que concerne à decadência, o julgador de Piso ao apreciar esse assunto decidiu bem a questão, pois a Fazenda não está lançando com arrimo na Lei Complementar nº 8/70 como alegado. Em verdade está apurando em processo de restituição o que o contribuinte alega ter pago a maior do que o devido. Apuração do indébito passa pelo cálculo da determinação do quanto devido sobre o faturamento. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 16 4 No caso concreto, a sistemática da semestralidade já foi observada no cálculo demonstrado, isso é, do sexto mês. Esse processo se revela inerente ao conhecimento do montante pago a maior alegado pela Interessada, mesmo em relação aos fatos geradores que não consta pagamento do tributo, pois compreende todo o período que se está pleiteando o indébito. Nesse ponto a jurisprudência administrativa não é uníssona. Há entendimento de que a Fazenda assim procedendo estaria lançando por via inversa. Não comungo desse pensamento nos casos de restituição ou ressarcimento, penso que se trata de mera apuração entre o que é devido a Fazenda e o pagamento efetivado pelo contribuinte. Com esse argumento afasto alegação de decadência. Metodologia do Cálculo do Indébito. Não há dúvida de que os cálculos de fls. 514/663 são de difícil compreensão. Por essa razão tomo como exemplo para decidir o mesmo raciocínio do Julgador de Piso ao buscar elucidar o critério e a metodologia empregada na determinação do indébito (fl.890/891). Transcrevo para melhor entendimento: “De acordo com os dados fornecidos, foram efetuados os seguintes cálculos: no mês de fevereiro de 1992, as receitas totalizaram o valor de Cr$ 128.224.435,96 (balancete à fl. 473). Em face da semestralidade da base de cálculo da contribuição, esse valor corresponde à base de cálculo do Pasep do PA (fato gerador) 08/1992. Aplicandose a essa base de cálculo a alíquota de 0,8%, o resultado é Cr$ 1.025.795,49, que, convertido, resultou em 327,14 UFIR de conversão Cr$ 3.135,62 em 1º de setembro de 1992). O vencimento deuse em 21/09/1992 (fl.517)”. “Para pagamento da contribuição foi efetuado o recolhimento do valor de Cr$ 4.895.533,47 em 1º de setembro de 1992, sendo amortizado todo o débito de Cr$ 1.025.786,72. Restou, portanto, um saldo credor de Cr$ 3.869.746,75 (fl.458 a 529). Esses procedimentos estão ainda mais bem demonstrados na fls. 532, atual 607.” O critério adotado pela Fazenda, a meu sentir, não está correto, mesmo obedecendo à regra da semestralidade como se vê nas planilhas colecionadas, tomando como exemplo o mês de fevereiro de 1992, que é a base de cálculo de agosto de 1992, aplicase alíquota correta, todavia, toma o pagamento realizado em setembro de 1992, quando deveria tomar o valor do DARF utilizado na quitação do débito de fevereiro de 1992, apurado e recolhido no mês seguinte, o débito apurado sobre o fato gerador de fevereiro de 1992 pago em março de 1992. Em primeiramente se faz necessário dizer, como é de conhecimento geral, o surgimento da obrigação dáse com a ocorrência do fato gerador – art. 113, § 1º do CTN, transcrevo como norteamento de decidir: Art. 113 – A obrigação tributária é principal ou acessória; Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 17 5 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidadade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” A Receita Federal toma o pagamento (DARF) realizado no mês seguinte (no caso de fevereiro/92, pagamento em março92) e procede o encontro de conta, se o recolhimento efetuado for maior do que o débito apura o saldo favorável ao contribuinte, se inferior, atribui o saldo negativo, segue essa metodologia até o final do períod pleiteado. Encerrado o período, se for positivo o saldo, declara o direito de restituir ou compensar o montante apurado, se negativo, nada pode fazer em razão da impossibilidade de lançar. O critério da Fazenda causa dano irreparável ao contribuinte, como se vê do exemplo dado acima, o faturamento de fevereiro de 1992 é fato gerador de agosto de 1992, cujo recolhimento deve ocorrer no mês subseqüente apuração, qual seja, setembro/1992, em verdade esse pagamento correu seis meses atrás em razão dos decretos 2.445 e 2.446, descasado da obrigação principal, que só surge com a ocorrência do fato gerador – §1º do art. 113 do CTN.. Nesse passo é preciso lembrar que a inflação naquele período era galopante e beirava a casa de três dígitos, por essa razão entendo que o critério da Fazenda de imputar qualquer pagamento ocorrido desvinculado da obrigação como quitação do débito apurado na semestralidade, sem considerar que esse recolhimento foi antecipado seis meses, desconsiderando correção monetária decorrente da desvalorização, tenho como enriquecimento ilícito, o que é vedado constitucionalmente, uma vez que atualização monetária é a reposição do valor da moeda. O critério adotado pela fazenda de descasar o fato gerador do pagamento da obrigação se revela gravíssimo, causando prejuízo ao contribuinte. É fato que os decretos considerados inconstitucionais modificaram a data do fato gerador, com isso houve pagamento antecipado, portanto, é esse recolhimento deve ser atualizado considerando o fato gerador. Por essa razão que entendo que o valor pago tem que estar atrelado ao imposto devido e recolhido pela regra dos decretos, fato que aconteceu seis meses atrás, é esse pagamento (valor recolhido) que deve ser atualizado, do qual será abatido o débito apurado sem correção da base de cálculo em agosto de 1992, no caso do exemplo aqui mencionado. Para mim a relação jurídica, de cunho patrimonial, vincula o fato gerador, sem o qual não há que se falar em obrigação (principal), por essa razão todo o pagamento efetuado antes do fator gerador, tenho como pagamento antecipado, devendo no caso de indébito incidir atualização monetária correspondente ao período antecipado, no caso concreto seis meses que antecipou apuração do fato gerador, ao qual o pagamento deve atrelado. Se assim não for, causa distorção, pois pode ser que o valor pago de certo período de apuração seja inferior como já afirmado, nesse caso o resultado será negativo. Destacase, que a correção monetária do pagamento antecipado por força dos DecretosLeis por se referir a período de infração assustadoramente alta, a atualização monetária do valor desembolsado, seis meses de antecipado, causa impacto substancial. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 18 6 No caso concreto, tomo como exemplo, e, verifico que o valor recolhido por meio de DARF do mês de fevereiro/1992 como fato gerador pela regra dos Decretos inconstitucionais, fl. 77, foi pago em 4/3/1992. Esse valor deve ser atualizado, do qual deverá ser descontado o montante devido em agosto de 1992, e, não do DARF pago em setembro de 1992 como quer a Fazenda. Já o pagamento efetivado em setembro/92, devidamente atualizado, será utilizado na extinção do débito do período de apuração de fevereiro de 1993 (faturamento de agosto/92 – base de cálculo de fevereiro/93), assim sucessivamente. Enxergo o cálculo elaborado pela Recorrente, bem como, a metodologia empregada como correta, entretanto, o valor apurado do débito foi encontrado utilizando alíquota inferior a de 0,80%, isso é, calculado à alíquota de 0,65%, em sendo assim, inferior à fixada pela Lei nº 8/70. O entendimento do contribuinte de que o emprego da alíquota de 0,80% constitui lançamento após o decurso do prazo do direito da Fazenda em constituir o crédito tributário, segundo ele configura lançamento transverso, discrepo dele, pois penso que a vedação legal se refere à constituição de crédito tributário exigindo diferença de alíquota, vez que, alíquota fixada pelos Decretos era menor do que aquelas fixadas pelas Leis Complementares nºs 07/70 e 08/70. Manifestei anteriormente sobre esse assunto em outro julgado, no caso dos autos está se apurando o débito em conformidade com a regra traçada pelas Leis Complementares nºs 07/70 e 08/70 e, fazendo o encontro de contas. O débito apurado deve, sim, ser norteado pelos diplomas legais aqui mencionados diante da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis 2.445 e 2.449/86. E sendo assim, o valor calculado demonstrado pelo contribuinte em suas planilhas, da qual tomo a título de comparação o faturamento de fevereiro/1992, que compõe a base de cálculo de agosto de 1992, anexo II – fl. 09, observando neste caso que o valor da receita é superior ao encontrado pelo auditor fiscal. O fato gerador de 02/92, o pagamento ocorreu em março de 1992, pela sistemática dos Decretos Leis, e, por essa sistemática, semestralidade, a competência 2/92 passa a ser base de cálculo de agosto de 1992. O fato gerador de 02/92 que serviu de base para o pagamento ocorrido em março de 1992, agora aplicando a regra da Lei Complementar nº 08/70, a competência 02/92 é à base de cálculo de agosto/92, cujo pagamento já ocorreu em março de 1992. Sendo assim, o valor do pagamento acontecido em de março (DARF) que deve ser objeto de atualização monetária, e, é desse mesmo valor agora atualizado que deve ser deduzida a quitação da contribuição devida em agosto/92. E, a base de cálculo de agosto/92, será igual à de fevereiro/92(Decretos Leis 2.445 e 2.449), certamente o saldo positivo se refere exclusivamente o acréscimo decorrente da atualização monetária. A fiscalização toma o fato gerador de fevereiro/92 para compor a base de cálculo de agosto/92, atendendo a sistemática da semestralidade, correto. No entanto, o emprego no cálculo do valor pago referente à competência de AGOSTO/1992 pela regra dos decretos leis inconstitucionais, tratase da base de calculo de fevereiro de 1993. Porque o valor Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 19 7 pago em setembro de 1992 é o pagamento que deverá servir para extinção do débito determinado em fevereiro de 1993. Quanto à reclamação da Recorrente relativamente à atualização monetária, assiste razão. QUANTO APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA PREVISTA PELA LEI COMPLEMENTAR Nº 08/70. A Recorrente está equivocada quando afirma que a Fazenda não pode proceder ao cálculo em procedimento de verificação da certeza do crédito pela alíquota prevista pela LC nº 08/70, que estipulava alíquota de 0,80%, superior a de 0,65% prevista pelos Decretos Leis. Quando da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis, restabeleceu a regra das Leis Complementares nºs 07/70 e 08/70. O que a Fazenda está vedada a praticar é lançar para exigir diferença decorrente de aplicação de alíquotas, é diferente no processo de verificação de indébito, aqui se calcula, a meu ver, aplicando a alíquota fixada pelas Leis vigentes. Portanto, o cálculo deve ser elaborado tomando alíquota prevista pela Lei nº. 08/70, isso é, 0,80%. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e dar provimento parcial para determinar que o valor do pagamento seja atualizado tomando como base o mês do pagamento do débito do critério estabelecido pelos decretos leis do qual deve ser deduzido o imposto determinado pela semestralidade, aplicandose alíquota de 0,80%. É como voto. Domingos de Sá Filho VOTO VENCEDOR Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Com o devido respeito aos argumentos do relator, divirjo de seu entendimento quanto ao encontro de contras efetuado pela Administração Tributária. Embora, certamente, não há decadência do direito de se apurar a liquidez e certeza do indébito tributário, como expôs o relator, concernente à alegação do encontro de contas realizado irregularmente pela autoridade administrativa, razão cabe à recorrente. Verificase no "Demonstrativo de Vinculações Auditadas de Pagamentos" que vários saldos de Darfs foram alocados em períodos subsequentes, efetuando verdadeira compensação de ofício. O valor a ser restituído deve ser a diferença positiva entre o recolhimento e o valor devido, independentemente de este valor devido ter sido confessado ou lançado de ofício, pois o próprio pagamento configura lançamento por homologação, portanto, crédito tributário já constituído, sendo desnecessário novo lançamento. Entretanto, para os períodos em que o recolhimento for inexistente ou inferior ao valor apurado, a diferença deveria ter sido objeto de lançamento de ofício, exceto no caso de o crédito tributário estar constituído mediante confissão de dívida, ou ainda, exceto na hipótese Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 20 8 de a recorrente ter realizado a compensação por conta própria nos termos da IN SRF nº 67/1992, artigo 2º. As exceções acima não estão expressamente consignadas no despacho decisório e os recursos interpostos afirmam a inexistência de constituição de crédito tributário para as parcelas "compensadas de ofício", procedimento que exige créditos previamente constituídos a sua implementação. Concluise, pois, que o procedimento de vincular saldos de Darfs a saldos de débitos posteriores não constituídos pode ter sido, em princípio, irregular, pois constatase no Demonstrativo Resumo de Vinculações Auditadas (efls. 542/664), a amortização de saldos de débitos não declarados com compensações com DARF, conforme expresso no próprio demonstrativo. No mérito, discordase da metodologia defendida pelo relator. A comparação entre o valor devido e o valor recolhido deve levar em consideração os valores recolhidos após o fato gerador, independentemente da apuração originária efetuada com base nos decretosleis declarados inconstitucionais, mas sim com base na Lei Complementar nº 08/1970 e suas alterações posteriores relativas ao prazo de recolhimentos das exações. Assim, os recolhimentos efetuados com base nos Decretosleis não se vinculam às bases apuradas conforme tais decretos, posto que os mesmos deixaram de ter eficácia no mundo jurídico. Os recolhimentos passam a se vincular às bases apuradas conforme a LC nº 08/1970, de acordo com os prazos de recolhimento atribuídos aos fatos geradores, nos termos da referida lei complementar. Aliás, tal metodologia nem foi defendida pela recorrente, cujo demonstrativo de efls. 11/12 (o darf vencido em abril/1989 foi considerado no fato gerador de abril/1989, efl. 13, utilizando o artigo 15 do Decreto nº 71.618/72), comparam os valores devidos com os recolhimentos no mesmo mês de vencimento atribuído pela recorrente ao fato gerador. Assim, a própria recorrente não comunga com esta forma de cálculo, a qual nem foi objeto do recurso voluntário, sendo levantada de ofício pelo relator. Quanto aos expurgos inflacionários, reproduzo voto proferido Acórdão nº 3302 002.163, de lavra da ilustre Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: "É sabido que a Fazenda Nacional sempre manifestouse ser descabida a aplicação dos índices expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, defendendo que somente seria possível, para este fim, a utilização de índices legalmente estatuídos e, neste sentido, foram inúmeras as decisões administrativas de 1ª instância de julgamento. Todavia, encontrase pacificado no âmbito do STJ entendimento diverso no sentido de que devem ser incluídos, para fins de correção monetária de indébitos tributários, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, com a orientação de que os índices a serem utilizados para correção dos débitos judiciais serão aqueles constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561do Conselho da Justiça Federal , de 02/07/2007. Entende o STJ que a incidência da correção monetária decorre de lei (Lei nº 6.988/81), sendo, assim, desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art. 293 do CPC. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 21 9 Exatamente neste sentido foram as decisões proferidas nos Recursos Especiais nºs. 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010) e 1.012.903/RJ (Rel. Min. Teori Zavaski), submetidos ao Rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), os quais vinculam os julgamentos deste colegiado, nos termos do art. 62A, do RICARF, cuja ementa do Recurso Especial nº 1.112.524/DF se transcreve a seguir: Recurso Especial nº 1.112.524/DF RECURSO ESPECIAL 2009/00421318 (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 01/09/2010; DJe 30/09/2010): “RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: AgRg no REsp 895.102/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 15.10.2009, DJe 23.10.2009; REsp 1.023.763/CE, Rel.Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 09.06.2009, DJe 23.06.2009; AgRg no REsp 841.942/RJ, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 16.06.2008; AgRg no Ag 958.978/RJ, Rel. Ministro Aldir Passarinho Júnior, Quarta Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 16.06.2008; EDcl no REsp 1.004.556/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 05.05.2009, DJe 15.05.2009; AgRg no Ag 1.089.985/BA, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 19.03.2009, DJe 13.04.2009; AgRg na MC 14.046/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 24.06.2008, DJe 05.08.2008; REsp 724.602/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 21.08.2007, DJ 31.08.2007; REsp 726.903/CE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 10.04.2007, DJ 25.04.2007; e AgRg no REsp 729.068/RS, Rel. Ministro Castro Filho, Terceira Turma, julgado em 02.08.2005, DJ 05.09.2005). 2. É que: "A regra da congruência (ou correlação) entre pedido e sentença (CPC, 128 e 460) é decorrência do princípio dispositivo. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 22 10 Quando o juiz tiver de decidir independentemente de pedido da parte ou interessado, o que ocorre, por exemplo, com as matérias de ordem pública, não incide a regra da congruência. Isso quer significar que não haverá julgamento extra, infra ou ultra petita quando o juiz ou tribunal pronunciarse de ofício sobre referidas matérias de ordem pública. Alguns exemplos de matérias de ordem pública: a)substanciais: cláusulas contratuais abusivas (CDC, 1º e 51);cláusulas gerais (CC 2035 par. ún) da função social do contrato (CC 421), da função social da propriedade (CF art. 5º XXIII e 170 III e CC 1228, § 1º), da função social da empresa (CF 170; CC 421 e 981) e da boafé objetiva (CC 422); simulação de ato ou negócio jurídico (CC 166, VII e 167); b) processuais: condições da ação e pressupostos processuais (CPC 3º, 267, IV e V; 267, § 3º; 301, X; 30, § 4º); incompetência absoluta (CPC 113, § 2º); impedimento do juiz (CPC 134 e 136); preliminares alegáveis na contestação (CPC 301 e § 4º); pedido implícito de juros legais (CPC 293), juros de mora (CPC 219) e de correção monetária (L 6899/81; TRF4 ª 53); juízo de admissibilidade dos recursos (CPC 518, § 1º (...)" (Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery, in "Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante", 10ª ed., Ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, pág. 669). 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes da Primeira Seção: REsp 1.012.903/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 08.10.2008, DJe 13.10.2008; e EDcl no AgRg nos EREsp 517.209/PB, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.11.2008, DJe 15.12.2008). 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 23 11 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). 6. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/05 (09.06.2005), nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada.") (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: RESP 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25.11.2009). 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, em decorrência da jurisprudência pacificada do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 2601/2008, no sentido de que fosse dispensada a apresentação de contestação, recursos, bem como autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visassem obter declaração de que era devida, como fator de atualização de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da justiça Federal, de 02 de Julho de 2007, o qual foi aprovado pelo o senhor Ministro da Fazenda para fins da Lei nº 10.522, de 19/07/2002 e do Decreto nº 2.346, de 10/10/97, conforme Despacho publicado no DOU em 08/12/2008, e do qual resultou a emissão do Ato Declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional nº 10, de 1º de Dezembro de 2008. 10 Tal Parecer e Ato Declaratório emitidos na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, igualmente respaldam a presente decisão, tendo em vista o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso II, alínea “a” do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF). 1 Registrese que esta matéria inclusive já foi objeto de apreciação pela egrégia 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,por meio do Acórdão nº 930300.248, de 21/10/2009, que mudou o sentido da jurisprudência administrativa em favor dos contribuintes, da lavra do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres." Fl. 961DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 24 12 Como destacado no voto acima proferido, a questão foi submetida à sistemática do artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão deve ser reproduzida nas decisões deste Conselho, a teor do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno. Registrese que a CSRF, no Acórdão nº 9303003.096, de 14/08/2014, referendou tal entendimento: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN no 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal. Recurso Especial do Contribuinte Provido Concernente às alegações quanto aos pedidos de compensação, com razão a decisão recorrida, uma vez que não há pedidos de compensação formulados neste processo, mas apenas pedido de restituição, consistindo a alegação estranha a este processo, da qual não se conhece. Destacase, ainda, que o Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/2008 dispôs sobre a matéria, concluindo nos seguintes termos: “Por fim, merece ser ressaltado que o presente Parecer não implica, em hipótese alguma, o reconhecimento da correção da tese adotada pelo STJ. O que se reconhece é a pacífica jurisprudência deste Tribunal Superior, a recomendar a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, eis que os mesmos se mostrarão inúteis e apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário e a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. IV 19. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomendase sejam autorizadas pelo Senhor Procurador Geral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Assim, sobre a eventual apuração de novos saldos de valores originais a serem restituíveis, devem ser aplicados os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da justiça Federal, de 02/07/2007, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 2.601/2008. Quanto às compensações, razão não assiste à recorrente. De fato, este processo trata apenas de pedido de restituição e, portanto, somente o direito creditório será aqui analisado. As compensações tratadas no processo 14112.000221/200548 devem ser ali discutidas, conforme esclarecido na decisão recorrida. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10140.001791/0081 Resolução nº 3302000.579 S3C3T2 Fl. 25 13 Diante do exposto e para evitar que nova decisão ilíquida possa ser contestada, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: 1. Refazer o demonstrativo de vinculações auditadas e demonstrativo de amortizações (efls. 521 a 663), mantendose a apuração das bases de cálculo e dos valores devidos de PASEP já calculados (demonstrativos de efls. 514/520) e as vinculações diretas de cada fato gerador com o correspondente Darf, mas desconsiderando a vinculação de saldos de Darfs com saldos devedores de períodos posteriores não constituídos, nem compensados pela recorrente em sua contabilidade ou DCTF, acostando aos autos os documentos que comprovem a constituição dos referidos débitos mediante confissão de dívida ou lançamento de ofício, ou que comprovem a sua extinção mediante compensação realizada pela recorrente; 2. Dos novos saldos credores remanescentes, se porventura surgirem, deverão incidir, se for o caso, os expurgos inflacionários; 3. Informar para cada período, os índices de conversão e atualização, incluindo neste demonstrativo os expurgos inflacionários; Ao final, a autoridade fiscal deve elaborar relatório conclusivo com os saldos valores originais líquidos a serem restituídos, com juntada dos documentos probatórios, facultando à recorrente a oportunidade de se manifestar sobre o resultado no prazo de 30 dias, conforme art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, com posterior retorno dos autos a esta Câmara. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 963DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.724511/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO
O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública.
O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial.
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO
O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública.
O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.
É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 3302-004.498
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto às matérias referentes à sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições no regime de incidência monofásica, vencidos os Conselheiros Lenisa e José Renato e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o Auditor-Fiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado.
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COFINS INCIDÊNCIA MONOFÁSICA Recorrente HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o AuditorFiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 45 11 /2 01 1- 62 Fl. 1188DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA DE CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO O procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. O contraditório e ampla defesa são plenamente assegurados na fase litigiosa, inaugurada pela apresentação da impugnação tempestiva. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTIMAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. É cabível a lavratura do auto de infração com pluralidade de sujeitos, quando na formalização da exigência, o AuditorFiscal detiver as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto às matérias referentes à sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições no regime de incidência monofásica, vencidos os Conselheiros Lenisa e José Renato e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.189 3 Tratamse de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente ao Período de Apuração de 01/12/2007 a 31/12/2010 com ciência pessoal da contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, doravante HONDA em 06/10/2011, que constituíram o crédito tributário total de R$ 25.436.483,10, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/10/2011. Os lançamentos foram efetuados contra a contribuinte acima identificada e contra o responsável solidário “ABC MOTORS LTDA”, CNPJ 01.979.916/000106, doravante ABC conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de fl. 582, o qual foi cientificado em 24/10/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 583. Dos excertos da decisão de piso a seguir transcritos, verificase a motivação da autuação: Em 19 de outubro de 2002 a empresa ABC Motors Ltda. ajuizou a ação ordinária n° 2002.61.00.0296324 junto à 13ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de antecipação da tutela, objetivando o afastamento do regime monofásico na tributação do PIS e COFINS, instituído pela Lei n° 10.485/2002, incidentes na venda de veículos pelos fabricantes e importadores. Em 18 de fevereiro de 2003 foi deferido o pedido de antecipação da tutela para: (a) afastar o regime de antecipação tributária, estabelecido pela Lei n.10.485/2002 intitulado de regime "monofásico" de recolhimento tributário, pela aparente incompatibilidade com a eleição constitucional do sujeito passivo da obrigação tributária, no tocante aos tributos de natureza pessoal, a saber o PIS e a COFINS e, de conseguinte; (b) determinar às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 3,65% sobre o valor total do veículo, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário, em razão do aqui decidido, até a solução final do feito; (c) autorizar às autoras que realizem o cálculo e o recolhimento dos tributos PIS e COFINS considerando a diferença entre o valor de venda do concedente e o valor de venda ao consumidor final, dos veículos novos, a exemplo do regime conferido aos veículos usados. Oficiese aos fabricantes e importadores relacionados nos autos, comunicandose a presente decisão, cientificandoos de que, doravante, o recolhimento tributário do PIS e da COFINS será realizado nos termos dessa decisão, devendo proceder ao desconto do percentual de 3,65% sobre o valor das notas fiscais emitidas em nome da autora e suas coligadas, referente a aquisição de veículos novos (zero quilômetros), ficando expressamente afastada a responsabilidade dos respectivos Fl. 1190DF CARF MF 4 fabricantes e importadores, pelos valores devidos pelas concessionárias referente aos tributos mencionados. Em 18 de fevereiro de 2003 foi publicada a sentença de 1ª instância que julgou procedente o pedido do contribuinte, confirmando a antecipação da tutela (...). Em 17 de janeiro de 2011 foi publicado acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial, à apelação da União, recebida no duplo efeito, e à apelação da Honda, como terceira interessada, para julgar improcedente o pedido inicial. ... Em 11 de abril de 2005 a ABC Motors Ltda. ajuizou a ação ordinária n° 2005.61.00.0005590 5, junto à 13ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de antecipação da tutela, objetivando a declaração do direito à compensação dos valores embutidos nas notas fiscais, desde o início da vigência da Lei n° 10.485/2002 até a data da intimação da montadora para cumprimento da determinação judicial (Ação Ordinária n° 2002.61.00.0296324) para deduzir o percentual de 3,65% sobre o valor total de venda de veículos novos à autora. Requereu, ainda, a intimação da montadora para que deduza do preço total da nota fiscal emitida contra a autora o percentual de 5,13%, referente ao valor de PIS e COFINS embutido na cobrança monofásica, considerando a alteração da alíquota introduzida pela Lei n° 10.864/2004. Em 24 de junho de 2005, foi deferida parcialmente a antecipação de tutela para determinar que a montadora deduza das notas fiscais emitidas o percentual de 5,13%, referente ao PIS e COFINS. Em 02 de agosto de 2005 o TRF3 deferiu o efeito suspensivo ao Agravo de Instrumento interposto pela União. Em 11 de novembro de 2005 foi publicada a sentença de 1ª Instância que julgou procedente do pedido da ABC Motors para: (a) DECLARAR, em caráter incidental, a inconstitucionalidade da sistemática de recolhimento imposta pela Lei n° 10.485, de 3 de julho de 2002, com a redação da pela Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2.004, bem como pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, intitulada de incidência monofásica de tributação, e, de conseguinte; (b) DECLARAR a não existência de relação jurídicotributária que obrigue a autora a submeterse a esse regime de tributação e; (c) DETERMINAR às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 5,13% sobre o valor total do veículo, promovendo a entrega dos veículos objeto do contrato de concessão sem a dedução antecipada da mencionada parcela quando da emissão das respectivas notas, afastandose, por conseqüência, toda e Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.190 5 qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário das contribuições do PIS e da COFINS, bem como; (d) DECLARAR o direito de a autora compensarse de todos os valores indevidamente recolhidos pela montadora, em obediência às leis declaradas inconstitucionais pela presente decisão, atualizados tais valores pela variação da TAXA SELIC, desde a data da retenção até o efetivo exercício da compensação. Em 15 de dezembro de 2006 o Juízo de 1o Grau acolheu os embargos de declaração opostos pela autora (ABC Motors) para receber o recurso de apelação no efeito devolutivo tendo em vista a confirmação da antecipação de tutela na sentença. Em 29 de abril de 2011 foi publicado acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial. Em 09 de maio de 2011 a concessionária ABC Motors Ltda opôs embargos de declaração em face do acórdão do TRF3. Até a presente data, conforme site do TRF3, os embargos de declaração continuam aguardando julgamento. ... Em 14 de julho de 2011 a fiscalizada apresentou os elementos solicitados no termo de início, bem como esclareceu: "01 No período de 10/09/2003 à 07/01/2004 em cumprimento a ação judicial n° 2002.61.00.0296324 mantemos o preço total de venda e através de desconto de 3,65% na duplicata, sendo 0,65% referente ao Pis e 3,00% da Cofins atendemos a determinação judicial sendo que o valor deste desconto foi abatido na mesma proporção das referidas contribuições. 02 No período de 11/07/2005 até 29/04/2011 data em cumprimento a ação judicial n° 2005.61.00.0055905 procedemos da mesma forma mencionada no item 01 acima, porém com a alteração dos percentuais sendo 0,89% para o Pis e 4,24% para a Cofins totalizando um desconto de 5,13% e desta forma atender a determinação judicial. 03 O abatimento é efetuado na duplicata, a fim de evitarmos questionamentos por parte de outros tributos (Ex: ICMS...)". Em 09 de agosto de 2011 a fiscalizada foi intimada apresentar cópia das notas fiscais de saída emitidas contra a concessionária ABC Motors Ltda, conforme relação constante no Termo de Intimação Fiscal n° 02. ... A partir de 29/04/2011, data da publicação do Acórdão do TRF3, relativo à ação ordinária n° 2005.61.00.0055905, que Fl. 1192DF CARF MF 6 deu provimento à remessa oficial e ao recursos de apelação da União, a empresa Honda Automóveis do Brasil Ltda ficou sujeita ao recolhimento das contribuições nos termos da legislação pertinente acima descrita. No entanto, passados 30 dias da publicação do referido acórdão, a Honda Automóveis do Brasil Ltda não recolheu e nem declarou em DCTF os valores de PIS e COFINS devidos de acordo com a legislação impugnada na citada ação judicial. Vale dizer, a Honda Automóveis do Brasil não declarou em DCTF, nem recolheu, antes de iniciado o presente procedimento de ofício os valores que passaram a ser devidos, após o desprovimento judicial, relativos ao percentual de 5,13% descontado do total da nota fiscal de venda de veículos automotores à concessionária ABC Motors Ltda. De fato, ao analisar todos os elementos, especialmente a composição dos valores de PIS/COFINS informados pela Honda, referente às vendas efetuadas para a ABC Motors Ltda no período de dezembro de 2007 a dezembro de 2011, verificouse que alíquota aplicada para recolhimento de PIS e COFINS foi de 1,11% e 5,36% respectivamente, ou seja, a diferença de 0,89% mais 4,24%, que representa 5,13%, para as alíquotas previstas na Lei 10.485/2002 (2% de PIS e 9,60% de COFINS) não foram recolhidos em razão da Sentença Judicial. Destarte, tais valores estão sendo lançados de ofício, conforme planilha seguinte, em razão da falta de declaração e/ou pagamento após a ausência do provimento jurisdicional anteriormente concedido. ... Este lançamento de ofício se ateve aos efeitos das Ações Ordinárias n°s 2002.61.00.029632 4 e 2005.61.00.0055905 ajuizadas contra a União pela concessionária ABC Motors Ltda, com a pretensão de afastar a aplicação da Lei n 10.485/2002 que instituiu a incidência concentrada do PIS e COFINS sobre a receita auferida pelos fabricantes e importadores na venda de determinados veículos automotores. Portanto, este lançamento de ofício está sendo feito em face do contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA, CNPJ 01.192.333/000122 e do responsável solidário ABC MOTORS LTDA., CNPJ 01.979.916/000106, nos termos do art. 124 do CTN (...). Da Impugnação pela Honda Automóveis do Brasil Ltda. Cientificada do lançamento através de ciência pessoal em 06/10/2011, fls. 5 e 18, o sujeito passivo, Honda Automóveis do Brasil Ltda., apresentou em 04/11/2011 impugnação de fls. 587/609, alegando, em síntese, que: I DOS FATOS A ação fiscal que deu ensejo aos autos de infração ora impugnados, conforme consta do termo de encerramento, se ateve, unicamente, aos efeitos das ações ordinárias n° 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905 ajuizadas pela empresa concessionária de veículos ABC Motors Ltda., em face da União Federal que tramitam no Tribunal Regional Federal da 3a Região. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.191 7 As referidas ações judiciais propostas pela ABC Motors Ltda. têm por objetivo afastar o regime monofásico na tributação do PIS e da COFINS, instituído pela Lei nº 10.485/2002, incidentes sobre a venda de veículos pelos fabricantes e importadores. (...), em virtude da publicação dos acórdãos pelo TRF da 3a Região que deram provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial, a sentença foi reformada, passando o Fisco, então, a partir desse momento, a estar habilitado a proceder ao lançamento dos valores de PIS e COFINS não recolhidos pela ora Impugnante em virtude da ordem judicial. Não obstante o lançamento efetuado pela D. Fiscalização, os AI ora recorridos, não podem prosperar, a uma porque a Impugnante não é sujeito passivo da obrigação tributária, ou sequer responsável pelo recolhimento do PIS e da COFINS, a duas porque a Fiscalização sequer comprovou se os valores exigidos foram, ou não, pagos pela empresa ABC Motors, verdadeira contribuinte da exação fiscal, o que atesta a nulidade dos autos por iliquidez. II.1 PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ILIQUIDEZ Iliquídez e incerteza decorrentes da falta de comprovação, pelo Sr. Agente fiscal, de que os valores ora exigidos NÃO foram recolhidos pela concessionária ABC Motors. Com efeito, ao ingressar com a ação judicial visando afastar o regime monofásico de recolhimento do PIS e da COFINS, a concessionária ABC Motors não teve eximido o seu dever de recolher o PIS e a COFINS, mas simplesmente obteve ordem judicial para não ter recolhido o percentual total pela montadora pela regra do valor estimado de venda dos veículos ao consumidor final (regime monofásico"). Ou seja, a ação judicial não tinha como intuito eximir a concessionária ABC Motors do recolhimento das contribuições sociais, mas afastar a regra que determinava o recolhimento antecipado pela montadora de veículos, em razão de entender ser inconstitucional este regime de recolhimento. Ao conceder a tutela antecipada e a sentença favorável, o que fez o judiciário foi determinar que a montadora recolhesse o percentual do PIS e da COFINS que lhe cabia para que a concessionária passasse a recolher o PIS e a COFINS pelo percentual que entendia devido sobre a base de cálculo que entendia devida. Portanto, NUNCA houve dispensa de pagamento do PIS e da COFINS pela empresa ABC Motors, o que pressupõe que após a concessão da tutela antecipada e da sentença procedente ela estava obrigada ao recolhimento das contribuições da forma como determinada pela Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 1194DF CARF MF 8 Diante desta constatação uma reflexão se faz necessária: AO LAVRAR O AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA A ORA IMPUGNANTE (MONTADORA) O SR. AGENTE FISCAL FISCALIZOU A CONCESSIONÁRIA ABC MOTORS A FIM DE AVERIGUAR SE ELA RECOLHEU O PIS E A COFINS? A resposta a esta pergunta não é possível de ser respondida, tendo em vista que não há qualquer indício nos autos de infração e nas respectivas descrições da infração se o valor recolhido pela concessionária ABC Motors, da forma como determinada na sentença, foi descontado do valor ora exigido. ... Ao contrário: o cálculo apresentado pela Fiscalização foi simplista, tendo sido cobrado exatamente o percentual restante (4,24%, e 0,89%) que foi excluído do recolhimento pela montadora (5,36% e 1,11%) do valor da alíquota cheia (9,6% e 2%). Indubitavelmente isso acarreta vício material e consequente nulidade do auto de infração por iliquidez e incerteza, na medida em que não se conhece o valor que está sendo exigido e nem mesmo se ele é devido. Afinal, se a concessionária ABC Motors efetuou o recolhimento do PIS e da COFINS, não há razão que justifique a presente cobrança! Ademais, é possível que os valores apurados pela ABC Motors a título de PIS e de COFINS já tenham sido constituídos e declarado ao Fisco via DCTF, e/ou PER/DCOMP, uma vez que um dos pedidos da ação judicial n° 2005.61.00.0055905 era justamente assegurar a compensação dos valores indevidamente recolhidos pela montadora, o qual foi deferido pela sentença como já mencionado. Logo, em tendo havido a constituição dos débitos mediante declaração de compensação entregue à Receita Federal do Brasil, não haveria necessidade de a Fiscalização lavrar auto de infração para exigir os valores devidos pela ABC Motors. Estes valores poderiam ser inscritos diretamente em dívida, e exigidos do efetivo contribuinte dos tributos! Evidente, portanto, que os autos de infração não preenchem os requisitos necessários exigidos pelos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, na medida em que não há o apontamento de como se chegou ao valor do crédito tributário exigido e consequentemente não há o devido apontamento do crédito tributário, do fundamento legal e da descrição dos fatos (...). Por esta razão requer sejam declarados nulos os autos de Infração por ausência de prova de que os valores exigidos não tenham sido recolhidos anteriormente pelo contribuinte de fato, qual seja a concessionária ABC Motors. Caso não seja este o entendimento de V. Sas., passará a ora Impugnante a demonstrar que, se os valores fossem devidos Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.192 9 deveriam ser cobrados diretamente do contribuinte, in casu, a concessionária ABC Motors. ... II.2 AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA MONTADORA, ORA IMPUGNANTE II.2.A VIOLAÇÃO AO INCISO I DO ART. 121. C.C. O ART. 128 DO CTN INTERPRETADOS PELO PARECER NORMATIVO CST N° 01. DE 2002 Com a edição da Medida Provisória n° 2.15835/2001 foi instituído o regime de substituição tributária para o recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS para as operações realizadas entre fabricantes/importadores de veículos e comerciantes varejistas. Posteriormente este regime de substituição tributária foi substituído pelo chamado regime monofásico, instituído pela Lei n° 10.485/2002, posteriormente alterada pela Lei n° 10.865/2004, por meio das quais a fabricante/montadora de veículos passou a recolher o PIS e da COFINS por toda a cadeia. Todas estas determinações têm embasamento legal na regra do art. 121, inciso II e art. 128, ambos do Código Tributário Nacional – CTN (...). Esses dispositivos do CTN consagram a regra da "RETENÇÃO NA FONTE" dos tributos, segundo a qual se atribui a terceiro relacionado ao fato gerador de um dado tributo o dever de reter o montante do tributo devido e repassálo ao Poder Público. ... De fato a regra de substituição tributária estabelece que, ao invés de nascer o dever tributário para um determinado sujeito, nascerá para sujeito diverso (...). Entretanto, há orientação manifestada pela própria Secretaria da Receita Federal no Parecer Normativo CST n° 1, de 2002, aprovado pelo então Ministro da Fazenda, Sr. Everardo Maciel, por meio do qual se delimitam os contornos da regra prevista nos referidos artigos do CTN. Deveras, segundo esse Parecer a regra da "Retenção na Fonte" ou mesmo a da antecipação do recolhimento da cadeia assumem nuances específicas para a hipótese impossibilidade de retenção/recolhimento de tributo por força de ordem judicial. Em suma esse Parecer responde dúvida dos substitutos sobre até que instante perdura a sua responsabilidade para arcar com o tributo na sistemática da substituição tributária. No entanto, é preciso considerar que as características jurídicas deste regime de pagamento do Imposto de Renda ("Retenção na Fonte") são muito semelhantes à regra de substituição tributária Fl. 1196DF CARF MF 10 instituída pelo mencionado art. 43, da Medida Provisória n° 2.15835 ou mesmo pela Lei 10.485/2002, até porque todas buscam fundamento de validade nos mencionados dispositivos do CTN. Forçoso concluir que ao regime de substituição tributária ou regime monofásico das contribuições ao PIS e a COFINS deve ser aplicado o tratamento consagrado pela própria Receita Federal neste Parecer Normativo n° 01/2002. Não olvida a Impugnante que tal Parecer Normativo aborda a questão da "Retenção na Fonte" do Imposto sobre a Renda, entretanto, como nele próprio apontado, abordase: ... Ou seja, antes de referirse a questões relacionadas à retenção na fonte do Imposto de Renda, a própria Receita Federal oferece sua interpretação a respeito do regime de substituição tributária previsto nos arts. 121 e 128, ambos do CTN, os quais são também o fundamento de validade para a sistemática estabelecida por aquele dispositivo da Medida Provisória n° 2.15835, no que toca às contribuições ao PIS e a COFINS. ... Ainda que se admita que, no caso do Imposto de Renda, a retenção implique o pagamento do valor líquido para o contribuinte substituído e, quanto a estas contribuições, o preço da mercadoria vendida é acrescido do valor relativo à substituição tributária, isto não é suficiente para descaracterizar o fato de ambos inseriremse no contexto do regime de substituição tributária, de que tratam os arts. 121 e 128 do C T N , de acordo com o qual antecipase um valor relacionado a obrigação tributária futura. A forma de cálculo do valor pertinente ao regime não desqualifica sua natureza jurídica, pois o que importa justamente o fato de atribuirse a terceiro a responsabilidade pela retenção do tributo que, não fosse tal regra pelo efetivo contribuinte seria devido em operação subsequente. Assim, é de todo aplicável à situação deste processo as orientações contidas nesse Parecer Normativo, não sendo relevante a circunstância de ter tratado de problemas pertinentes ao Imposto de Renda, pois tanto este imposto, quanto as contribuições ao PIS e a COFINS possuem, na verdade, regimes jurídicos de substituição tributária delineados originariamente no CTN. .... A interpretação da Secretaria da Receita Federal a respeito da responsabilidade do substituto pela retenção de tributos pode ser sintetizada nas seguintes hipóteses e soluções: 1 quando a incidência e o recolhimento assumirem a natureza da antecipação, sem, portanto, a característica de recolhimento definitivo/exclusivo: a responsabilidade do substituto tributário Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.193 11 extinguese na data de encerramento do período de apuração do respectivo tributo enquadrado no regime de substituição tributária: 2 se o lançamento tributário (de ofício) for efetuado pela Receita Federal ANTES da data de encerramento do período de apuração: a responsabilidade do substituto tributário é pelo recolhimento do tributo e demais encargos moratórios (juros e multa); 3 se o lançamento tributário (de ofício) for efetuado pela Receita Federal APÓS a data de encerramento do período de apuração: (i) a responsabilidade do substituto tributário é apenas dos encargos moratórios (juros e multa). Neste caso, estes encargos deverão ser calculados apenas entre o período havido entre a data que deveria ter sido feito o recolhimento antecipado e a data de encerramento do período de apuração; e (ii) o contribuinte substituído deverá suportar o tributo efetivamente devido e não retido antecipadamente, passando os encargos moratórios a serem devidos depois do encerramento do período de apuração; 4 A RETENÇÃO NA FONTE NÃO É REALIZADA POR FORCA DE DECISÃO JUDICIAL: o pagamento do tributo deve ser exigido exclusivamente do próprio contribuinte. AFASTANDOSE TODA E QUALQUER RESPONSABILIDADE DO SUBSTITUTO. No presente processo aplicamse a 3ª e 4ª hipóteses, sendo a última inquestionável, pois, como já foi dito, o não recolhimento antecipado ("RETENÇÃO NA FONTE") do PIS e da COFINS decorreu de ordem judicial concedida nas ações n° 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905. Vejamos, então, cada uma dessas regras que se aplicam ao caso concreto e, portanto, afastam a possibilidade de cobrança do PIS e da COFINS da ora Impugnante. II.2.A.1.1) OS LIMITES DA RESPONSABILIDADE NO REGIME DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA: HIPÓTESE DE NÃO RETENÇÃO POR FORCA DE DECISÃO JUDICIAL Consoante a 4ª hipótese descrita no referido Parecer Normativo, cassada a decisão liminar que afastava a regra de recolhimento do tributo sujeito à substituição tributária ("RETENÇÃO NA FONTE") o tributo deverá ser suportado pelo contribuinte, ou seja, pelo substituído que, no caso, é a concessionária ABC Motors. No presente caso, o não recolhimento do PIS e da COFINS pela alíquota cheia (9,6% e 2%) decorreu do fato de a ora Impugnante ter recebido expressa determinação judicial para que recolhesse apenas o percentual que lhe cabia, se abstendo de recolher o percentual relativo à concessionária, situação esta que se enquadra na referida 4ª Hipótese descrita no mencionado Parecer Normativo CST n° 01/2002. Fl. 1198DF CARF MF 12 Esta orientação do Parecer Normativo é contundente de que o recolhimento antecipado e não exclusivo de determinado tributo, pelo regime de substituição tributária, não elimina o dever de o efetivo contribuinte suportar a obrigação tributária vinculada à sua própria atividade. Por esta razão, o Parecer Normativo afirma, textualmente, que, impedida por ordem judicial a realização do recolhimento antecipado, o dever retorna a quem é o efetivo contribuinte da obrigação tributária. ... In casu, esse raciocínio se aplica ipsis literis e nem poderia ser diferente, pois em função da ordem judicial a Impugnante ficou impedida de efetuar o recolhimento antecipado, de modo que exigirlhe, após o desfecho da ação, o pagamento do PIS e da COFINS, seria cobrar tributo sobre o seu patrimônio. Esse argumento é suficiente para retirar a responsabilidade pelo recolhimento do tributo da ora Impugnante. De fato, há uma impossibilidade de ordem operacional do sistema de se exigir a retenção do PIS e da COFINS de forma retroativa, pois a materialidade (fato gerador) da contribuição não poderá ser restabelecida, já que ocorrida no momento passado em que houve a emissão da nota fiscal pela Impugnante e o pagamento do preço pela concessionária. Nesse sentido, foi consignado nas próprias notas fiscais emitidas o desconto de 5,13% referente a PIS/COFINS conforme ordem judicial. É o que se vê, exemplificadamente do documento anexo (doc. 03). E a única forma de o Fisco não suportar esse prejuízo é cobrar de quem lhe causou o dano que, in casu, foi a concessionária ABC Motors. Ora, o ordenamento jurídico não admite que alguém impedido de cumprir determinado dever legal em decorrência de ordem judicial, venha a ser apenado com a cobrança posterior. Ainda mais quando esta decisão judicial não afasta do contribuinte a obrigatoriedade de recolhimento do tributo, como ocorreu no presente caso. Não fosse apenas isso, fato é que a coisa julgada tem força de lei obrigando as partes entre as quais foi dada, concessionária ABC Motors e União in casu, por isso não podendo se lhe atribuir responsabilidade que vá além dos limites da lide posta e decidida, ou seja, que vá além do objeto tal qual definido no processo. ... II.A.1.2) OS LIMITES DA RESPONSABILIDADE NO REGIME DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA: ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO TRIBUTO ENSEJA A TRANSFERÊNCIA DO DEVER DE PAGAR O TRIBUTO AO CONTRIBUINTE (SUBSTITUÍDO) Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.194 13 De acordo com a 3ª hipótese descrita no referido Parecer Normativo n° 01/2002 que interpretou os arts. 121, I e 128, ambos do CTN, encerrado o período de apuração do tributo, o dever de pagar o tributo e os consectários legais é transferido automaticamente para o contribuintesubstituído. Nos termos do referido Parecer Normativo, considerando que é MENSAL o período de apuração do PIS e da COFINS, conforme se deduz da leitura da Lei n° 9.715/98 e Lei Complementar n° 70/1991 e 10.637/2002 e 10.833/2003, a responsabilidade da ora Impugnante durante o respectivo período de apuração, se fosse admitida, deveria restringirse aos encargos moratórios (juros e multa) devidos por conta da não retenção destas contribuições nos faturamentos emitidos. Isto porque, DEPOIS DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS A OBRIGAÇÃO DE PAGÁLOS RETORNA AO CONTRIBUINTE (CONCESSIONÁRIASUBSTITUÍPA), na medida em que o regime de substituição tributária atribuído ao fabricante/importador restringese ao mero dever de antecipar os valores devidos por tais concessionárias. Em relação a essa 3ª hipótese, forçoso também concluir que não há respaldo normativo para que a ora Impugnante sofra a cobrança do valor principal e dos encargos, já que de longa data encerrado o período de apuração do crédito objeto do lançamento. III DA AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DIANTE DA DETERMINAÇÃO JUDICIAL DE RECOLHIMENTO DE PARTE DO TRIBUTO PELA CONCESSIONÁRIA ABC MOTORS Há ainda uma terceira hipótese de afastamento da responsabilidade tributária que merece ser consagrada pelo julgador. Conforme já mencionado, tanto a tutela antecipada como a sentença que julgaram procedentes ambas as ações judiciais ajuizadas, afastaram o regime monofásico de recolhimento do PIS e da COFINS, determinando que a empresa ABC Motors recolhesse estas contribuições com base na diferença entre o preço de compra e o preço de revenda do veículo. Ou seja, houve expressa determinação judicial para que a concessionária ABC Motors recolhesse parte do tributo devido. Portanto, ainda que não fosse possível afastar a responsabilidade da ora Impugnante por todo o tributo exigido, ao menos em relação à parcela judicialmente determinada não há como se pretender exigilos. Ora D. Julgador a responsabilidade prevista nos artigos 121 e 128 do CTN não prevê hipótese de responsabilidade do substituto tributário quando há ordem judicial determinando que o substituído recolha parte do tributo. Fl. 1200DF CARF MF 14 Assim sendo, caso se entenda devido o PIS e a COFINS da ora Impugnante, deverá ser afastada a parcela do tributo que judicialmente, determinou o recolhimento pela concessionária ABC Motors. Da Impugnação da empresa ABC Motors Ltda Cientificada do lançamento em 24/10/2011, conforme AR de fl.583 o sujeito passivo solidário, ABC Motors Ltda, apresentou em 23/11/2011 a impugnação de fls. 693/719, alegando, em síntese, que: Da necessidade de abertura de Mandado de Procedimento Fiscal em face da empresa concessionária ABC Motors Ltda. Conforme se depreende da análise dos autos, a Secretaria da Receita Federal determinou a abertura de processo administrativo de "acompanhamento de medida judicial" em relação à ação pelo rito ordinário Processo n.° 2002.61.00.0296324. Foi aberto, então, Mandado de Procedimento Fiscal 0810400 2011006545 EM FACE DA MONTADORA HONDA AUTOMÓVEIS , que deu origem ao Auto de Infração lavrado em face desta montadora. ... A Receita Federal emitiu as intimações e deu ciência do início de fiscalização tãosomente àquela empresa. ... Em momento algum a autora da medida judicial é convidada a participar do processo de fiscalização, com informações que interferissem na consolidação do crédito tributário que dela será exigido por força de previsão expressa da medida judicial. Ora, é inadmissível que a empresa concessionária ABC Motors Ltda. não tenha sido intimada a participar do procedimento fiscalizatório. ... Os atos instrutórios, que constituem parte dos atos preparatórios, são sem dúvida, os atos de maior relevância para recolhimento de provas no procedimento administrativo do lançamento. Esses atos, que visam a demonstração da verdade dos fatos que integram o objeto dos processos e sobre os quais a decisão final do órgão julgador irá se calcar. ... Julgadores, resta expressamente indicado no Termo de Verificação Fiscal, item abaixo transcrito, que a montadora foi intimada a apresentar as informações e os elementos analisados para consolidação do lançamento são os fornecidos por aquela empresa a concessionária de veículos ABC Motors, em momento algum foi intimada a fornecer informações, ou sequer Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.195 15 participar da composição desses valores pelos quais responde solidariamente. Não se pode admitir o prosseguimento da exigência tal como se encontra, em face da concessionária ABC Motors, diante dos vícios incontornáveis acima elencados. A concessionária, que ora se defende, está sendo incluída (às avessas) como responsável solidária do crédito tributário como é possível que não tenha participado, por meio de intimações, para participação do procedimento instrutório. Toda a composição de valores foi fornecida unicamente pela montadora de veículos. Assim, estão sendo dadas por verdadeiras e absolutas as informações fornecidas pela Honda Automóveis. Imprescindível que tais elementos fossem reanalisados pela própria concessionária validando se todas as operações informadas pela montadora efetivamente ocorreram, se não houve cancelamentos, descontos ou outras intercorrências que interferissem diretamente na apuração do quantum exigido. ... Incontroverso que em face da empresa ABC Motors deveria ser lavrado Mandado de Procedimento Fiscal específico, com a sua participação em todo o procedimento de fiscalização. O que se depreende do processo administrativo é a lavratura de MPF em face da Montadora Honda Automóveis, amparando o lançamento realizado, sem a ciência da montadora ABC ao longo de todo o processo de fiscalização, sendolhe vedado o fornecimento de informações de inquestionável relevância para a realização do lançamento. Da Sujeição Passiva Solidária Indevida No presente tópico, relevante se atentar para o fato de que o sujeito passivo solidário, pode participar da discussão sobre o auto de infração. Nesta senda, se de fato a defendente configure como sujeito passivo solidário, por óbvio, deveria ter sido intimada a recolher ou recorrer, nos mesmos termos em que o foi o sujeito passivo ordinário. Contudo, o termo de sujeição passiva solidária telado, não intima a defendente para recolher a cobrança. Sendo certo que o termo apenas dá ciência do auto de infração lavrado contra a empresa e assegura vistas ao processo relativo à exigência. Portanto, independente do posicionamento sobre caber ou não a solidariedade, o termo de sujeição passiva solidária é nulo. Se entendermos, de um lado, que há solidariedade, certamente existe o cerceamento de defesa já que o termo não indica o direito de recorrer do lançamento, ou de pagar/parcelar com Fl. 1202DF CARF MF 16 redução da multa; de outro lado, caso se entenda que não existe a solidariedade, o termo é nulo por falta de base legal. ... Em síntese, caso o Sr. Agente Fiscal Autuante pretendesse que o contribuinte fosse tratados como sujeito passivo, haveria a nítida necessidade de lavrar uma intimação, pela qual exigisse o tributo e informasse das condições de pagamento e impugnação. Contrário senso, deveria ter nominado a empresa, ora responsável solidária no auto de infração, junto com o sujeito passivo de fato. Mas, de modo algum poderia lavrar um termo ou nominar de termo outro tipo de documento. Ainda que fosse relevado o equívoco do nome dado ao documento, concluise inegavelmente que este permanece eivado de vicio material. Notese que fora omitido requisito legal essencial para apontar alguém no pólo passivo. Conforme o inciso V do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, é elemento do auto de infração a intimação para cumprir ou impugnar a exigência. A ausência deste requisito torna o auto (termo) nulo em relação aos dois apontados como sujeitos passivos solidários (...). Após tal analise perfunctória, de grande valia aprofundarmos acerca dos termos de sujeição passiva solidária lavrados, estudando a base legal pela qual o fiscal pretendeu trazer a empresa para o pólo passivo, ou seja, o Inciso I do art. 124 do CTN (...). ... Como visto, com a exegese proposta, o art. 124 de tão didático poderia ser tido como desnecessário. O que serviria de argumento para pretender que a expressão "interesse comum na situação que constitua o fato gerador" alcançasse outras pessoas além daquelas que estejam na mesma posição em relação ao fato gerador. Mas, mesmo com a interpretação didática propugnada, o art. 124 tem forte razão para existir, o que sustenta a interpretação defendida e afasta outras. Primeiro, ele divide e distingue os casos de solidariedade que existem em razão dos fatos tributáveis (inciso I) daqueles que existem em razão da lei e de fatos não tributáveis (inciso II). Outrossim, assegura que a solidariedade só decorra da lei, quer pela realização da hipótese de incidência do tributo (inciso I), quer pela realização da previsão legal de solidariedade estabelecida pelo legislador do ente tributante por razões de administração tributária (inciso II). Portanto, ao dizer "interesse comum", o CTN diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas co realizam o fato gerador. Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que a empresa ora defendente e a pessoa Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.196 17 jurídica autuada estejam na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos da empresa. ... As pessoas têm infinitos interesses e podem comungar algum destes interesses em uma situação que seja o fato gerador de algum tributo, sem que estejam na posição do sujeito passivo. Assim, cada pessoa é distinta e ocupa uma posição jurídica diferente na relação mercantil, possuindo motivações próprias da posição que ocupam. Não é possível confundir vontade parecida, interesse coincidente, desejo semelhante, ou qualquer outra proximidade de intenção, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Por isso, não é possível atribuir ao inciso I do art. 124 do CTN o condão de estabelecer a solidariedade em razão da semelhança de vontades ou coincidência de interesses. A própria frouxidão que resultaria de tal interpretação é suficiente para refutála. Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar "interesse comum" diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. Ora, não há tal interesse comum. ... Assim, se constata que o art. 124 do CTN é totalmente impróprio a estabelecer solidariedade entre as empresas. Da Nulidade por indicação equivocada da Sujeição Passiva face a não aplicação da Monofasidade Pretérito a ação em tela, fora ajuizada Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária, sob o n° 2005.61.00.0055905, objetivando afastar o recolhimento monofásico do PIS e COFINS, previsto na Lei n° 10.485/02, a qual fora concedida liminar nesse sentido. Portanto, fora afastada a monofasidade, tendo sido determinado que cada empresa da cadeia mercantil recolha sua parcela de PIS/ COFINS. Nesse diapasão, notese que o contribuinte, ora defendente, tem agido em estrito cumprimento a provimento jurisdicional, ou seja, recolhendo a parte que lhe compete sem o regime monofásico. Nesta senda, notese que o tributo ora exigido é referente ao PIS/COFINS desta impugnante, que não fora recolhido pela HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL, repise, por exclusivo cumprimento de determinação judicial. Fl. 1204DF CARF MF 18 Outrossim, tendo sido descaracterizado o regime instituído pela Lei 10.485/02, a HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL se viu desobrigada ao recolhimento de PIS/COFINS tocante à parte que compete à ABC MOTORS LTDA. Sob essa ótica, não há como aceitar a mantença da HONDA como Sujeito Passivo, uma vez que, conforme dito, o sujeito passivo da relação jurídica era a ABC, incorrendo em erro, portanto, o Agente Fiscal ao cobrar ao pretender cobrar o imposto da contribuinte HONDA, que, por provimento jurisdicional foi excluído da relação ABC Fisco dentro da qual, repisese, inexistem valores a serem cobrados, dado que a ABC recolheu, causa própria, todos os valores de PIS/COFINS incidentes a seu faturamento, pela sistemática ordinária polifásica. Assim, o presente Auto é nulo por indicação errônea do sujeito passivo, desrespeitando, portanto, o Decreto n° 70.235, o qual determina os requisitos o procedimento federal. Concluindo, face ao vicio apontado no presente auto, não há hipótese de sua perseverança, devendo ser declarado nulo por desrespeito à requisito essencial para a validade do auto de infração, ou seja, ter sido indicado o contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA como sujeito passivo, uma vez que o referido contribuinte é estranho à relação jurídica ora debatida. Da impossibilidade de consolidação de lançamento em face da empresa ABC Motors por meio do "Termo de Sujeição Passiva Solidária" Nesse ponto, de grande relevância questionar a natureza jurídica deste Termo lavrado. Ora, constatase a ausência de consolidação de efetivo lançamento em face da empresa autora da medida judicial que sofre o ônus das contribuições "sub judice". ... Denotase do auto de infração lavrado que a autoridade fiscalizadora lança como sujeito passivo tributário a montadora Honda Automóveis do Brasil Ltda. De forma contraditória e singela, no Termo de Verificação fiscal consigna a fiscalização: "Este lançamento de ofício está sendo feito em face do contribuinte HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA., CNPJ n° 01.192.333/000122 e do responsável solidário ABC MOTORS LTDA., CNPJ n° 01.979.916/000106, nos termos do art. 124 do CTN" Ora, o lançamento foi consolidado em face da montadora Honda, conforme transcrito acima e, ainda, por meio de MPF instaurado exclusivamente em nome daquela empresa, conforme anteriormente destacado. ... Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.197 19 Evidenciase, no presente caso, que houve o lançamento somente em face da montadora de veículos e não em face da concessionária. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, necessário seria o lançamento contra o responsável pela obrigação tributária (...). Ora, e nem se alegue que o chamado "Termo de Sujeição Passiva Solidária" supriria os requisitos intrínsecos ao "lançamento tributário". Desta feita, o presente lançamento padece de nulidade. Considerando a necessidade de lançamento contra aquele que será o sujeito passivo do crédito tributário, a responsabilidade precisaria ser formalizada inclusive antes do lançamento e para a adequada formalização deste, para que houvesse a transformação em linguagem válida. Se a Administração apresenta o lançamento do crédito tributário tãosomente em face da montadora de veículos, pessoa jurídica essa que foi inclusive a única intimada durante todo o processo de formação de referido lançamento, há evidentemente violação ao devido processo legal, em total contrariedade à Constituição Federal. ... Eventual manutenção do presente lançamento, não poderia gerar qualquer efeito em face da empresa ABC Motors, eis que não consta formalmente incluída no Auto de Infração, enquanto lançamento tributário apto a exigir o crédito neste consignado. ... Neste sentido, ainda que a fiscalização entendesse pela lavratura do Auto de Infração também em face da montadora Honda Automóveis do Brasil, não poderia deixar a empresa ABC Motors segregada do lançamento, e indicada somente em "Termo de Sujeição Passiva Solidária". No mesmo sentido, observado sob outro prisma: o sujeito passivo contribuinte é o que realiza a hipótese de incidência da regra jurídica especificamente tributária. ... Enfim, considerando que o sujeito passivo da relação jurídico tributária é aquela pessoa física ou jurídica, privada ou pública, de quem se exige o cumprimento da prestação pecuniária, deveria ter sido lavrado o competente lançamento contra esse sujeito passivo, in casu, concessionária de veículos. ... Fl. 1206DF CARF MF 20 Do exposto acima, incontroverso concluir que o lançamento deveria ter sido realizado em face da CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS ABC MOTORS, por EXPRESSA DETERMINAÇÃO JUDICIAL. A sentença foi incisa em afastar toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário das contribuições do Pis e da Cofins. Em face do teor expresso da sentença judicial, em plena vigência quando do lançamento, conforme certidão de objeto e pé anexa, o montadora Honda Automóveis não poderia constar como sujeito passivo, conforme realizado pela autuação. Enfim, devidamente demonstrado a essa autoridade julgadora os vícios que contaminam e impedem o prosseguimento da exigência do crédito tributário, tal como posto. ... Do vício material insanável O Código Tributário Nacional, seu art. 173 admitiu a possibilidade de constituição do crédito após a anulação por vício formal do lançamento anteriormente efetuado... Não é o que se apreende no presente caso. O que se constata aqui é VÍCIO MATERIAL. O VÍCIO MATERIAL está diretamente relacionado à existência da dívida, à indicação incorreta do sujeito passivo. Ora, de acordo com o destaco acima, o Auto de Infração, que representa a consolidação do crédito tributário foi lavrado em face da montadora de veículos, pessoa jurídica incompetente para responder pelos valores lançados de acordo com expressa determinação judicial. O art. 142 do Código Tributário Nacional prevê explicitamente os requisitos para o lançamento, sob pena de nulidade absoluta do ato administrativo emanado. ... Diante dos evidentes vícios que fulminaram o lançamento, esse ato administrativo não pode produzir efeitos, merecendo ser reconhecido por esse órgão julgador a impossibilidade de seu prosseguimento. ... Demonstrado de forma inequívoca a impropriedade do ato administrativo que exarou o lançamento, requer seja JULGADA PROCEDENTE a presente defesa administrativa, declarando a nulidade dos Autos de Infração correspondentes ao presente processo administrativo, remetendoo definitivamente ao arquivo. Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.198 21 Em decorrência da lide foi prolatado o Acórdão nº 36.752, de 24/01/2012, fls. 732/749, que decidiu pela procedência da exigência e foi assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. Cientificada, a contribuinte Honda, apresentou Recurso Voluntário de fls. 759/789. Por sua vez a responsável solidária, ABC Motors Ltda., apresentou requerimento ao CARF, fls. 844/846, arguindo a falta de intimação para apresentação do Recurso Voluntário da empresa ora peticionaria, coresponsável solidária, incluída no presente processo administrativo. Em apreciação à petição apresentada, A Segunda Turma Ordinária/ Terceira Seção de Julgamento do CARF, emitiu Despacho de Saneamento em 20/03/2013, fls. 847/848, determinando a restituição do processo à SECAT/DRF/CAMPINAS/SP para dar ciência à ABC MOTORS LTDA do Acórdão nº 0536.752, de 24/01/2012, abrindolhe prazo para apresentação de recurso voluntário. Cumprida a determinação e cientificada a responsável solidária, esta apresentou junto à autoridade jurisdicionante a petição de fls. 869/871, arguindo em apertada síntese: (...) da análise de referido acórdão, observase que a impugnação apresentada pela empresa ABC Motors Ltda (cópia anexa), não foi objeto de julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, não sendo esta contemplada no v. acórdão nº 05.36.752. O acórdão analisou somente a impugnação apresentada pela empresa HONDA AUTOMÓVEIS DO BRASIL LTDA. Em nova apreciação, a Segunda Turma Ordinária proferiu o Acórdão nº 3302002.728, de 15/10/2014, fls. 931/940, anulando o Acórdão de primeira instância conforme a seguir ementado: AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ANULAÇÃO Deve ser anulada, no sentido de ser proferida outra, a decisão de 1ª Instância Administrativa que não contempla a análise de impugnação apresentada pelo o responsável solidário. Processo que se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Fl. 1208DF CARF MF 22 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. SOLIDARIEDADE. REGIME MONOFÁSICO. AÇÃO JUDICIAL. O questionamento do regime monofásico por meio de ação judicial apresentada pelo revendedor automotivo, ao pretender modificar as características do fato gerador cujo sujeito passivo é a montadora, estabelece a solidariedade entre ambos por conta do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. SOLIDARIEDADE. PAGAMENTOS. APROVEITAMENTO. No regime de solidariedade, eventual pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais. AUDITORIA FISCAL. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. A auditoria fiscal regese pelo princípio do inquisitório e é atividade privativa da autoridade administrativa, não sendo necessária à sua validade a participação do sujeito passivo. A garantia ao contraditório e à ampla defesa está afeita à fase litigiosa do processo, que se inaugura com a impugnação tempestiva do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. SOLIDARIEDADE. REGIME MONOFÁSICO. AÇÃO JUDICIAL. O questionamento do regime monofásico por meio de ação judicial apresentada pelo revendedor automotivo, ao pretender Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.199 23 modificar as características do fato gerador cujo sujeito passivo é a montadora, estabelece a solidariedade entre ambos por conta do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. SOLIDARIEDADE. PAGAMENTOS. APROVEITAMENTO. No regime de solidariedade, eventual pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais. AUDITORIA FISCAL. GARANTIA DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. A auditoria fiscal regese pelo princípio do inquisitório e é atividade privativa da autoridade administrativa, não sendo necessária à sua validade a participação do sujeito passivo. A garantia ao contraditório e à ampla defesa está afeita à fase litigiosa do processo, que se inaugura com a impugnação tempestiva do lançamento. A empresa Honda, cientificada da decisão de primeira instância em 10/03/2015, conforme Termo de Abertura de Documento de fl.1016, através da abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, apresentou Recurso Voluntário de fls. 1020/1056 e documentos de fls.1.057/1.090, em 07/04/2015, fl. 1.020, os quais podem ser assim resumidos: · Contesta a decisão sobre a concomitância entre a ação judicial da empresa “ABC Motors” e o presente processo administrativo da ora recorrente, aduzindo em síntese que não se tem, nos autos, os pressupostos necessários para a alegada concomitância, quais sejam (identidade de sujeito, o sujeito passivo da obrigação tributária deve ser o autor da ação judicial, bem como, identidade de objetos, ou seja o mesmo pedido. · Defende que a ação ordinária n° 2002.61.00.0296324 não foi proposta pela ora recorrente, mas sim pela concessionária de veículos ABC Motors Ltda e que os pedidos envolvidos nas ações judiciais e administrativas são absolutamente distintos não comportando interpretações sobre a possível concomitância de esferas; · Defende a nulidade dos autos de Infração, por iliquidez e por ausência de prova de que os valores exigidos não tenham sido recolhidos anteriormente pelo contribuinte de fato, qual seja a concessionária ABC Motors, e que, caso não seja este o entendimento do colegiado, de demonstrar que se os valores fossem devidos deveriam ser cobrados diretamente do contribuinte, in casu, a concessionária ABC Motors; · Ao final requer: I) Seja afastada a suposta concomitância entre o presente processo administrativo e a ação judicial nº 2002.61.000296324 proposta pela concessionária ABC Fl. 1210DF CARF MF 24 Motors, reconhecendo, por consequência, a nulidade do julgamento proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, e determinando o retorno dos autos àquela delegacia de julgamento a fim de enfrentar o mérito discutido no presente processo, sob pena de supressão de instância; (II) Alternativamente, caso os D. Conselheiros deste Tribunal Administrativo se julguem aptos a analisar as razões do presente recurso voluntário, o qual reitera argumentos já trazidos à baila pela recorrente em sede de impugnação, mas que não foram apreciados pelo o julgador a quo, a recorrente pugna pelo afastamento da concomitância e o consequente provimento do recurso, declarando a nulidade do lançamento fiscal, cancelandose as cobranças de PIS e COFINS em razão de vício material insanável e da iliquidez e incerteza do auto de infração; (III) Caso assim não entendam V. Sas., requer que se julgue procedente o presente recurso para declarar a improcedência do lançamento tributário diante da ausência de responsabilidade da ora Recorrente pelas contribuições sociais devidas pelo contribuinte de fato (ABC Motors), não recolhidas em razão de determinação judicial, com fundamento no Parecer Normativo nº 01/2002 e artigos 121 e 128 do CTN; ou (IV) Em última análise, caso V.Sas. entendam pela manutenção da responsabilidade da ora recorrente, se requer que seja afastada a responsabilidade pelo recolhimento do tributo que, por ordem judicial, cabia unicamente à concessionária ABC Motors. Inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa ABC após ciência em 06/03/2015, conforme AR de fl. 1.017, apresentou Recurso Voluntário fls. 1.093/1.123 e documentos de fls. 1.124/1.155 em 06/04/2015, onde repisa os argumentos já colacionados e destaca ainda o equívoco da r. decisão recorrida quanto à concomitância, ressaltando que a renúncia à instância administrativa gravita em torno da similitude de objeto, sendo certo que em termos processuais, o vocábulo objeto é sinônimo perfeito de pedido. Os argumentos trazidos em sede recursal podem ser assim resumidos: · A fiscalização utilizouse de processo administrativo de acompanhamento de medida judicial incorreto, eis que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF foi aberto exclusivamente em face da montadora Honda Automóveis; · Não houve abertura de MPF em face da concessionária ABC Motors Ltda.; · A concessionária ABC Motors não foi intimada do procedimento de fiscalização, bem como para fornecer informação para consolidação do crédito tributário; · Os elementos para composição do crédito exigido foram os fornecidos exclusivamente pela montadora Honda Automóveis em ofensa a ampla defesa, contraditório e princípio da publicidade administrativa, ainda que se considere o princípio do inquisitório no procedimento fiscal adotado; · Ambas as sentenças proferidas nas ações ordinárias foram expressas ao afastar a responsabilidade da montadora, como consequência e meio de operacionalizar a declaração de inconstitucionalidade do regime monofásico instituído pela Lei nº 10.485/2002, atribuindo a responsabilidade (sujeição passiva) por eventual passivo tributário às concessionárias e coligadas, como informado por Ofício aos Ilmos. Delegados da Receita Federal em São Paulo e em Contagem/MG; Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.200 25 · O lançamento afrontou expressa determinação judicial quanto ao sujeito passivo pelo crédito tributário, que não é a montadora Honda Automóveis; · O termo de sujeição passiva não precisa o inciso do art. 124 do CTN aplicável à conduta da Recorrente, tratandose de responsabilização genérica e que sequer observou as peculiaridades do caso, já que, por determinação judicial, seria caso de sujeição passiva e não responsabilidade solidária; e · A incorreta indicação do Sujeito Passivo implica em vício material, insanável, que eiva de nulidade absoluta o lançamento tributário. · Ao final requer: I) Seja a sua irresignação devidamente processada e encaminhada à 3a Seção do Colendo CARF, oportunidade em que a 2a Turma da 3a Câmara da 3a Seção, preventa por já ter se debruçado sobre esses autos, deve darlhe integral provimento, com o cancelamento in totum das exigências em causa. II) Na remota hipótese de os lançamentos serem mantidos, deve quando menos a responsabilidade solidária da ora Recorrente ser afastada, eis que a sua situação notadamente não se enquadra em nenhuma das hipóteses insertas no art. 124 do CTN, consoante demonstrado no arrazoado acima. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINARES Dos efeitos da Ação Judicial Impetrada Observase das duas peças recursais que há um argumento comum pela inexistência de concomitância, seja pela ausência dos pressupostos necessários para a alegada concomitância, seja pela diferenciação dos objetos nas diferentes instâncias. Repisese, por oportuno, a informação já consignada no relatório do presente voto de que o procedimento fiscal sub examine, conforme item 2, fl.30 do Termo de Verificação Fiscal, doravante TVF, se ateve unicamente aos efeitos das Ações Ordinárias n°s 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905 ajuizadas contra a União, junto à 13ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, pela concessionária ABC Motors Ltda (...), revendedora de automóveis fabricados pela Honda Automóveis do Brasil Ltda. Fl. 1212DF CARF MF 26 Estando precisamente delimitado o contexto fático e jurídico da ação fiscal, uma vez que a tutela antecipatória afastou o regime de antecipação tributária, estabelecido pela Lei nº 10.485, de 2002, que instituiu o regime monofásico na tributação do setor automotivo, analisarseá a seguir os efeitos das referidas ações judiciais ao caso concreto em face da legislação de regência da matéria, com as respectivas alterações pertinentes. · CF de 1988, art. 149, § 4º: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez.(grifei). · Lei nº 10.485, de 2002, artigos 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela Lei n.º 10.865, de 2004: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente.(grifei). (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifei). (...) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.201 27 com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifei). I o caput deste artigo;e II o caput do art. 1o deste artigo, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. · Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, deu nova redação ao inciso II acima: II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. Com escopo na legislação acima foi instituído o regime de incidência monofásica que estabelece a tributação das contribuições do PIS e da COFINS, de forma concentrada, através da aplicação de alíquotas maiores nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Inferese portanto que pela sistemática de incidência monofásica ocorre o fato gerador nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo incidência das referidas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. Estabeleceu portanto a lei o regime de incidência monofásica na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, conforme autorizado pela norma constitucional. Essa é portanto a matéria nuclear da lide, cuja apreciação requer a análise do texto legal, enquanto norma abstrata e a determinação judicial, como norma individual aplicável à espécie dos autos. Nesse sentido, é importante assinalar que conforme destacado no TVF, a empresa Honda, é uma sociedade empresária limitada que tem por objeto a importação, comercialização e exportação de automóveis e peças para automóveis; serviços (treinamento, comissão e intermediação); prestação de serviços de assistência técnica, cadastrada no CNPJ sob o CNAE fiscal 2910701 Fabricação de automóveis, camionetes e utilitários, enquanto que a empresa ABC Motors Ltda é concessionária de veículos automotores fabricados pela Honda Automóveis do Brasil Ltda. Examinase a seguir a tutela judicial: AÇÃO ORDINÁRIA N° 2002.61.00.0296324, (documentos de fls.37/68): · TUTELA ANTECIPATÓRIA, fl.40: Face ao exposto, verificando a presença dos pressupostos que autorizam a antecipação da tutela (art. 273 do CPC), defiro a tutela postulada para o efeito de (a) afastar o regime de antecipação tributária tributária, estabelecido pela Lei n. 10.485/2002, intitulado de regime "monofásico" de recolhimento tributário, pela aparente incompatibilidade com a eleição constitucional do sujeito passivo da obrigação tributária, no tocante aos tributos de natureza pessoal, a saber o PIS e a COFINS e, de conseguinte, Fl. 1214DF CARF MF 28 (b) determinar às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 3,65% sobre o valor total do veículo, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário, em razão do aqui decidido, até a solução final do feito, bem como (c) autorizar às autoras que realizem o cálculo e o recolhimento dos tributos PIS e COFINS considerando a diferença entre o valor de venda do concedente e o valor de venda ao consumidor final, dos veículos novos, a exemplo do regime conferido aos veículos usados. Oficiese aos fabricantes e importadores relacionados nos autos, comunicandose a presente decisão, cientificandoos de que, doravante, o recolhimento tributário do PIS e da COFINS será realizado nos termos dessa decisão, devendo proceder ao desconto do percentual de 3,65% sobre o valor das notas fiscais emitidas em nome da autora e suas coligadas, referente a aquisição de veículos novos (zero quilômetros), ficando expressamente afastada a responsabilidade dos respectivos fabricantes e importadores, pelos valores devidos pelas concessionárias referente aos tributos mencionados. · ACÓRDÃO DO TRF3 http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?N umeroProcesso=200261000296324 (consulta efetuada em 08/02/2016, às 11:21): APELAÇÃO CÍVEL Nº 002963217.2002.4.03.6100/SP EMENTA MANDADO DE SEGURANÇA. LITISPENDÊNCIA. INEXISTÊNCIA. TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS. LEI Nº 10.485/02. HIGIDEZ RECONHECIDA. LITISPENDÊNCIA AFASTADA. Verificase a inexistência de litispendência, pois as ações apontadas não possuem o mesmo objeto da presente ação, por discutirem legislação anterior a vigência da Lei n. 10.485/02. Preliminar de ilegitimidade ativa das autoras rejeitada. As empresas concessionárias, que compram veículos automotores das montadoras e os revendem a consumidores finais, devem recolher as contribuições sobre sua receita bruta, não sendo viável o desconto do preço de aquisição pago à montadora. Precedentes do STJ.(grifei). O que fez a Lei 10.485/02 foi concentrar a tributação devida ao PIS e ao COFINS no início da cadeia produtiva, estabelecendo alíquota mais elevada para esta etapa de comercialização (artigos 1º e 3º, II), desonerando a fase da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero para as concessionárias (artigo 3º, § 2º). Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.202 29 Preliminar de ilegitimidade ativa rejeitada. Apelação das autoras parcialmente provida para afastar a litispendência. Remessa oficial, tida por interposta, e às apelações da Honda e da União Federal providas para reformar a sentença de Primeiro Grau e julgar improcedente o pedido formulado, invertendose os ônus da sucumbência.(grifei). RELATÓRIO A HONDA AUTOMÓVEIS S/A, terceira interessada, interpôs recurso de apelação (fls. 507/509), pugnando pela reforma da sentença de Primeiro Grau, para que seja mantida a aplicação do disposto na Lei nº 10.485/02 no que se refere à aplicação do PIS e da COFINS incidente nas suas operações de comercialização de veículos automotores novos e desobrigando a de efetuar a dedução de 3,65% no valor dos veículos faturados às apeladas, como determinado pela r. sentença.(grifei). VOTO A apelação da Honda, da União Federal e a remessa oficial, que se tem por interposta, comportam provimento. (...) Quanto ao mérito, pretendem as autoras concessionárias de veículos o afastamento do artigo 1º da Lei nº 10.485/02, possibilitando o recolhimento do PIS e da COFINS nas operações de veículo zero quilômetro com base na diferença do valor da alienação do veículo ao consumidor e do valor repassado à montadora. No entanto, não lhes assiste razão. É entendimento tranquilo, sedimentado na jurisprudência que as empresas concessionárias, que compram veículos automotores das montadoras e os revendem a consumidores finais, devem recolher as contribuições sobre sua receita bruta, não sendo viável o desconto do preço de aquisição pago à montadora.(grifei). Isto porque, no que se refere a veículos novos, o que fez a Lei 10.485/02 foi concentrar a tributação devida ao PIS e ao COFINS no início da cadeia produtiva, estabelecendo alíquota mais elevada para esta etapa (artigos 1º e 3º, II),desonerando a fase da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero para as concessionárias (artigo 3º, § 2º). Nesta senda, concluise que o fato gerador ocorre apenas no momento das vendas realizadas pelas montadoras, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. Há inúmeros precedentes do STJ onde afastada a tese defendida pelas autoras, a saber:(grifei). AÇÃO ORDINÁRIA N° 2005.61.00.0055905 (documentos de fls.69/103): Fl. 1216DF CARF MF 30 · TUTELA ANTECIPATÓRIA, fl.88: Assim, o que se colhe é a não observância por parte do legislador do postulado constitucional da isonomia, ao indicar como único agente sujeito ao regime de tributação monofásico as concessionárias de veículos automotores, situação da empresa autora. Face ao exposto, ANTECIPO PARCIALMENTE aos efeitos da tutela para determinar à montadora de veículos referida pela autora que deduza das notas fiscais emitidas o percentual de 5,13%, referente ao valor das contribuições ao PIS e à COFINS. · SENTENÇA DE 1A INSTÂNCIA, fl.93 Face ao exposto, JULGO PROCEDENTE os pedidos para o efeito de (a) DECLARAR, em caráter incidental, a inconstitucionalidade da sistemática de recolhimento imposto pela Lei n.º 10.485, de 3 de julho de 2002, com a redação da pela Lei n.º 10.865, de 30 de abril de 2.004, bem como pela Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002, intitulada de incidência monofásica de tributação, e, de conseguinte, (b) DECLARAR a não existência de relação jurídicotributária que obrigue a autora a submeterse a esse regime de tributação e (c) DETERMINAR às fabricantes e às importadoras que se abstenham de promover à retenção e recolhimento do percentual "estimado" de faturamento das autoras, no percentual de 5,13% sobre o valor total do veículo, promovendo a entrega dos veículos objeto do contrato de concessão sem a dedução antecipada da mencionada parcela quando da emissão das respectivas notas, afastandose, por conseqüência, toda e qualquer responsabilidade tributária dos respectivos fabricantes e importadores pelo encargo tributário das contribuições do PIS e da COFINS, bem como a (d) DECLARAR o direito de a autora compensarse de todos os valores indevidamente recolhidos pela montadora, em obediência às leis declaradas inconstitucionais pela presente decisão, atualizados tais valores pela variação da TAXA SELIC, desde a data da retenção até o efetivo exercício da compensação. (...) .Oficiese à fabricante (montadora) identificada nos autos, comunicandose a presente decisão, cientificandoa de que, doravante, o recolhimento tributário do PIS e COFINS será realizado nos termos dessa decisão, não devendo ser efetuado o destaque e o recolhimento do percentual de 5,13% sobre o valor das notas fiscais emitidas em nome da autora, referente a aquisição de veículos novos (zero quilômetros).P.R.I. · ACÓRDÃO DO TRF3, fls.99/103: ACÓRDÃO Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.203 31 Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia TURMA D do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Os excertos acima têm o condão de demonstrar que está sob o crivo do Poder Judiciário, a quem competirá a decisão final sobre a lide, a matéria tributável, núcleo principal da presente discussão administrativa, que consiste na tributação das contribuições do PIS e da COFINS no âmbito do regime de incidência monofásica, na origem, estabelecido pela Lei nº 10.485, de 2002, sendo indissociável no âmbito do que está posto à decisão do Poder Judiciário, por fazer parte inerente à própria interpretação da referida legislação, não apenas a sujeição passiva, seja enquanto fabricantes e montadoras, seja enquanto concessionária; como a própria sistemática de tributação, no regime monofásico, haja vista a divergência até então demonstrada nas peças judiciais decisórias. É mister salientar à luz das Normas Gerais de Direito Tributário que ao definir a lei a hipótese de incidência tributária, ocorrido o pressuposto fático temse a ocorrência do fato gerador que dá origem à obrigação tributária nos termos do art. 114 do CTN. Com efeito, o excerto a seguir transcrito do Acórdão TRF3, embora já acima demonstrado deixa antever o nível de abrangência da matéria submetida ao Poder Judiciário, haja vista que perpassa na exegese judicial, da legislação de regência do referido regime desde a definição do momento da ocorrência do fato gerador no âmbito do regime de incidência monofásico até a definição quanto à sujeição passiva no caso concreto, uma vez que está inequivocamente vinculada à matéria em discussão judicial e pendente portanto de definição pelo Poder Judiciário. concluise que o fato gerador ocorre apenas no momento das vendas realizadas pelas montadoras, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. É mister também salientar que a empresa Honda, como ficou sobejamente demonstrado é terceira interessada na ação, nos termos do 1art. 499 do CPC, então vigente, tendo sido oficiada, na condição de fabricante/montadora pelo Poder Judiciário para cumprimento da tutela antecipatória como já consignado. Nesse sentido após a publicação do acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e nos excertos acima transcritos, onde consta expressamente na decisão meritória do referido acórdão que [...o fato gerador ocorre apenas no momento das vendas realizadas pelas montadoras, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica], a empresa Honda ficou sujeita ao recolhimento das contribuições nos termos dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, com as respectivas alterações. 1 Art. 499. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público. § 1º Cumpre ao terceiro demonstrar o nexo de interdependência entre o seu interesse de intervir e a relação jurídica submetida à apreciação judicial. (...). Fl. 1218DF CARF MF 32 Notese que sabedora de sua condição ante a legislação de regência do citado regime a empresa Honda, conforme documento de fl.56, ao invocar na Ação Ordinária n° 2002.61.00.0296324 junto à 13ª Vara Federal de São Paulo, a condição de terceira interessada (CPC, art. 499), justificou o "interesse" na reforma da decisão, arguindo: [Todavia, o cumprimento da determinação constante na respeitável decisão, causará prejuízos à Apelante bem como proporcionará a quebra da igualdade de concorrência, (i) porque terá de reprogramar o sistema de faturamento, a fim de viabilizar o faturamento diferenciado para a Apelada ABC MOTORS LTDA; (II) passivo tributário imensurável à Apelante, pois, a respeitável Sentença poderá ser reformada pelo E.Tribunal Regional Federal. Ocorrendo a reforma da respeitável decisão, a Receita Federal exigirá da Apelante o pagamento do PIS e da COFINS com os acréscimos legais (multa, juros e correção), na medida em que, a respeitável decisão, EM NENHUM MOMENTO, RESSALVOU QUE, NO CASO DE CESSAÇÃO DOS SEUS EFEITOS, A RESPONSABILIDADE PELA QUITAÇÃO DOS VALORES NÃO RECOLHIDOS SERIAM DE TOTAL RESPONSABILIDADE DA AUTORA.] Ante o exposto, depreendese que no caso dos autos, entre as questões postas na lide administrativa nas duas peças recursais estão a sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições em destaque no regime de incidência monofásica, matérias que pela própria natureza de suas concepções legais são indissociáveis e estão submetidas ao crivo do Poder Judiciário, uma vez que estão expressamente analisadas nas peças decisórias já demonstradas, visto que compõem a própria decisão meritória sobre o assunto, de modo que terão ao final da lide no âmbito do referido poder a definição definitiva no caso concreto. Nesse mister, verificase quanto a essas matérias a concomitância de pedidos, nas esferas administrativas e judicial, estando portanto afastadas do âmbito decisório na via administrativa, sendo importante ressaltar que, pela sistemática constitucional temse que o princípio da unicidade de jurisdição, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988, confere exclusividade ao Poder Judiciário para a prestação jurisdicional (“a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito”), estabelecendo, deste modo, uma importante regra limitadora do processo administrativo, qual seja a de que as decisões administrativas não são definitivas e seu cumprimento depende de sua não invalidação por algum provimento judicial. Com efeito, a matéria objeto do processo administrativo pode, a qualquer tempo (antes, durante ou depois do processo administrativo), ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Assim, do ponto de vista jurídico, a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, amparado pela garantia constitucional da inafastabilidade do controle judicial, contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, em face da concomitância dos pedidos. Essa questão está disciplinada pelo 2art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. 2 Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.204 33 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a matéria estava à época da apresentação das impugnações normatizada pelo Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/1996), in verbis: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de calculo etc.); c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151 do CTN;” Atualmente referida matéria está normatizada pelo Parecer Normativo RFB nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27.8.2014, cuja conclusão a seguir se transcreve apenas como reforço argumentativo sobre o alcance e consequências da concomitância de pedidos: 55. Desse modo, considerando que os arts. 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/1979, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, tem como único objetivo conferir eficácia ao princípio da economia processual, concluise que o não reconhecimento da concomitância pelo CARF resultará numa decisão administrativa prejudicada, redundante e inútil, após a prolação da sentença contrária de mérito no processo judicial que trate da mesma relação jurídica. Fl. 1220DF CARF MF 34 56. Repetindo: o não reconhecimento da concomitância tornará o julgamento administrativo desnecessário e inútil naquilo que for contrário à decisão de mérito do Poder Judiciário, simplesmente porque a coisa julgada judicial faz lei entre as partes em caráter definitivo e sua eficácia (ex tunc) não está condicionada ao resultado do julgamento do processo administrativo (arts. 467 e 468 do CPC). A decisão judicial de mérito passada em julgado tem como atributos especiais a indiscutibilidade, a imutabilidade e a coercibilidade, o que obriga o seu cumprimento pela autoridade administrativa, ainda que exista acórdão do CARF em sentido contrário.(gn) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Dos efeitos da concomitância Pelo que está posto verificase que no caso dos autos, houve renúncia apenas parcial à instância administrativa, porém no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, tornouse definitivo e insuscetível de discussão na esfera administrativa, no entanto a renúncia em tela não tem o condão de tornar nulo o ato, tampouco suspender o curso do processo administrativo, podendo tão somente sobrestálo quanto aos atos executórios até pronunciamento final da justiça, se for o caso. Assim, diante do desprovimento judicial quanto ao pleito inicial, agiu com acerto a autoridade administrativa a quem cumpre aplicar a norma tributária e tem o dever de exigir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, ex vi do parágrafo único do art. 142 do CTN, o que foi feito através do lançamento que ora se examina. Nesse mister arrolou ao pólo passivo a empresa Honda, por força das disposições expressas dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, bem como a empresa ABC, como responsável solidária, nos termos do art. 124, visto que o interesse comum, está ampla e sobejamente demonstrado ao longo do presente voto pelas várias transcrições dos excertos das decisões judiciais, cujo fundamento maior amparase justamente na divergência do próprio provimento judicial ao longo da tramitação das referidas ações, se amoldando exatamente à definição do art. 124, sendo irrelevante nesse caso ter deixado a fiscalização de indicar o inciso do art. 124, visto que demonstrou no Termo de Verificação a fundamentação para incluíla no pólo passivo. Portanto para a formalização do lançamento a fiscalização escudouse na decisão judicial, Acórdão do TRF3, fls.99/103, proferido na Ação Ordinária n° 2005.61.00.0005590 5, junto à 13ª Vara Federal de São Paulo publicado em 29/04/2011, que deu provimento à apelação e à remessa oficial e nas disposições dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.205 35 10.485, de 2002 que possibilitou a identificação dos elementos exigidos pelo 3art. 142 do CTN para a feitura do lançamento. No caso dos autos, no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, tornouse definitiva e insuscetível de discussão na esfera administrativa, no entanto estando pendente de decisão, se esta ao final for favorável à Fazenda e inexistir o lançamento do crédito tributário pertinente e à época da decisão definitiva tiver transcorrido o prazo decadencial, não poderá a Fazenda constituílo, tampouco converter em renda o crédito cujo provimento adveio de decisão judicial definitiva. Nesse sentido fundamentou a decisão de piso: Em todo esse contexto, o lançamento acerta em constituir o crédito contra a montadora, única passível de exigência das contribuições sobre o faturamento no regime monofásico, alistando a concessionária como responsável solidária em função da existência da ação judicial que visa, ao fim, que o Poder Judiciário afaste o regime monofásico e faça incidir a contribuição sobre a diferença de preços.(grifei). Caso se confirme o insucesso da ABC Motors em sua demanda judicial e venham a ser mantidos os termos da legislação atacada, o crédito há de ser cobrado daquele a quem o Poder Judiciário definir como responsável. Em qualquer dos casos, o Auto de Infração se prestará para resguardar o interesse público. Superada a questão quanto a identificação de matérias diferenciadas nas instâncias administrativa e judicial, analisarseá a seguir referidas matérias arguídas pelas duas empresas que compõem o pólo passivo da autuação em exame. Da liquidez do crédito tributário lançado Destaquese que no tocante ao questionamento da matéria diferenciada, cujo exame não foi contemplado pela decisão judicial, até porque esta é anterior ao lançamento em epígrafe fazse mister, portanto nesse caso o pronunciamento dos órgãos julgadores administrativos. Nesse sentido e em continuidade aos fundamentos já expostos com relação ao acerto do lançamento pela fiscalização, verificase que em conformidade ao decidido pelo acórdão do TRF3 que deu provimento à remessa oficial e à apelação da União para julgar improcedente o pedido inicial, cuja consequência, como já amplamente demonstrado no presente voto, implicou na sujeição da empresa Honda ao recolhimento das contribuições nos termos dos artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, com as respectivas alterações, consequência aliás reconhecida pela própria recorrente, não ação judicial já destacada, tomou a fiscalização as providências cabíveis ante a constatação do não recolhimento das citadas 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1222DF CARF MF 36 contribuições nem a declaração em DCTF, conforme detalhadamente expõe no TVF de fls.30/36, notadamente nos itens 18/21 do citado termo. Acrescentese que a metodologia e a especificação do quantum a ser lançado estão demonstrados nos itens 23/25, cujos dados foram fornecidos pela própria empresa Honda, estando o crédito tributário apurado quanto à cada contribuição e período de apuração respectivos demonstrados na planilha, item 25 do TVF, parte integrante dos Autos de Infração de fls.4/16 e 17/29. Em 21 de junho de 2011, o contribuinte tomou ciência do Termo de Inicio de Fiscalização n°01, vinculado ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização N° 0810400201100654 5,no qual foi intimado a apresentar: Cópia do Contrato Social Consolidado ou equivalente e suas alterações posteriores; Livro Diário dos meses dezembro/2007 a dezembro/2010, revestido das formalidades legais; Livro Razão dos meses dezembro/2007 a dezembro/2010; Quanto ao cálculo do PIS e COFINS, informar por escrito qual o tratamento dado às vendas efetuadas no período de dezembro/2007 a dezembro/2010 à empresa ABC MOTORS LTDA., CNPJ n° 01.979.916/000106, tendo em vista as ações judiciais n°s 2002.61.00.0296324 e 2005.61.00.0055905, por esta ajuizadas junto a 13a Vara da Justiça Federal em São Paulo; Planilha em papel (assinada pelo representante legal) e meio digital (.xis), por mês de competência, contendo os valores das contribuições ao PIS e COFINS dos meses de dezembro/2007 a dezembro/2010 que foram excluídos dos montantes declarados em DCTF e dos valores recolhidos aos cofres da Fazenda Nacional, em virtude das ações judiciais mencionadas no item anterior. Em 14 de julho de 2011 a fiscalizada apresentou os elementos solicitados no termo de início,bem como esclareceu: "01 No período de 10/09/2003 à 07/01/2004 em cumprimento a ação judicial n" 2002.61.00.0296324 mantemos o preço total de venda e através de desconto de 3,65% na duplicata, sendo 0,65% referente ao Pis e 3,00% da Cofins atendemos a determinação judicial sendo que o valor deste desconto foi abatido na mesma proporção das referidas contribuições. No período de 11/07/2005 até 29/04/2011 data em cumprimento a ação judicial n° 2005.61.00.0055905 procedemos da mesma forma mencionada no item 01 acima, porém com a alteração dos percentuais sendo 0,89% para o Pis e 4,24% para a Cofins totalizando um desconto de 5,13% e desta forma atender a determinação judicial. O abatimento é efetuado na duplicata, a fim de evitarmos questionamentos por parte de outros tributos (Ex: ICMS...)". Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.206 37 Em 09 de agosto de 2011 a fiscalizada foi intimada apresentar cópia das notas fiscais de saída emitidas contra a concessionária ABC Motors Ltda, conforme relação constante no Termo de Intimação Fiscal n° 02. Em 16 de agosto de 2011 o contribuinte apresentou as cópias das notas fiscais solicitadas. Demonstrase portanto que não se vislumbra a iliquidez arguída uma vez que o crédito tributário lançado corresponde exatamente aos valores não recolhidos e não declarados após a ausência do provimento jurisdicional anteriormente concedido como ratifica a fiscalização. Do ônus probatório Além da iliquidez alegada pela empresa Honda a empresa ABC entre os argumentos de defesa argui a falta de intimação para a fornecer informação para consolidação do crédito tributário. Observase da tramitação processual que as empresas arroladas ao pólo passivo foram regularmente cientificadas dos atos processuais, inclusive sendo acolhida a preliminar arguída pela empresa ABC de cerceamento do direito de defesa que oportunizou o contraditório e ampla defesa, restando assim no presente processo plenamente assegurados às duas recorrentes, no entanto a fase de procedimento fiscal, se constituindo em uma fase inquisitorial, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, como será abordado no item posterior. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, então vigente, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. A impugnação da empresa Honda, fl.587/609 se fez acompanhar de cópias do TVF, fl.643/651, cópias do auto de infração e 2(duas) notas fiscais, fls. 657/658. Ao Recurso Voluntário de fls.1020 está acostado apenas a cópia do acórdão de primeira instância, fls.1.061/1.089. Inferese que as notas fiscais visam demonstrar o percentual de desconto destacado nas referidas notas em função da observância ao provimento judicial anterior ao acórdão do TRF3, situação fática contemplada no TVF, parte integrante dos autos de infração onde restou demonstrado o quantum apurado do crédito tributário, não de forma simplista como apregoa a defesa, mas de forma consentânea com a legislação aplicável ao caso em face Fl. 1224DF CARF MF 38 de não estar mais a empresa Honda amparada pelo provimento judicial anteriormente concedido. A empresa ABC apresentou a impugnação de fls.693/719 e à exceção dos documentos de identificação na representação processual não foi anexado qualquer outro documento que vise modificar/extinguir as provas trazidas pela fiscalização ou qualquer outra prova que demonstre recolhimentos efetuados pela referida empresa no período compreendido na autuação e ao Recurso Voluntário de fls. 1.093/1.123 anexou somente cópia do decisão de piso fls. 1.139/1154. Verificase assim que no presente caso a defesa além de não atender as prescrições do inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 que estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir], tampouco se utilizou da faculdade prevista no § 4º do art. 16 do mesmo diploma legal, acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 1997, que permite ao impugnante apresentar provas documentais em outro momento processual, quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente ou, ainda, se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, o que não ocorreu até o presente momento, sendo portando incabível a arguição na peça recursal da empresa ABC de que [...não foi intimada do procedimento de fiscalização e a fornecer informação para consolidação do crédito tributário], haja vista que a lide administrativa é deflagrada pela impugnação tempestivamente apresentada, momento processual para apresentação das razões e provas que possuir, como já destacado na norma de regência. Embora o Decreto nº 70.235, de 1972 disponha no § 6.º do art. 16 que [Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.], não se constata nos autos documentos apresentados pela Recorrente a serem apreciados por essa colenda turma recursal. Ressalvese que o sistema de apreciação das provas adotado no processo administrativo fiscal, consubstanciado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972 é o sistema de valoração adotado pelo sistema processual brasileiro que é o da persuasão racional, também conhecido pelo princípio do livre convencimento motivado. Como pontua 4Daniel Amorim, em consequência do livre convencimento motivado o julgador é livre para formar seu convencimento, dando portanto às provas o peso que entender cabível em cada processo, sem existir hierarquia entre os meios de prova. Assim restando demonstrado que as Recorrentes permaneceram silentes quando da oportunidade processual de trazer a prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da exigência sub examine subsiste a prova trazida aos autos pela fiscalização, notadamente quanto à apuração do crédito tributário, colhida vale ressaltar, da própria escrituração dos livros/documentos da empresa Honda disponibilizados à fiscalização, como já referido, visto que a autuação oferece os elementos factíveis com a motivação que deflagrou a ação fiscal cujas provas foram referenciadas no TVF. Da alegada inexistência de vínculo Quanto à exclusão da responsabilidade da recorrente pelas contribuições sociais devidas pelo contribuinte de fato (ABC Motors), segundo a recorrente Honda, não 4 Neves, Daniel Amorim Assumpção em manual de direito processual civil – 3ª ed. – Rio de Janeiro: Forense: São Paulo: MÉTODO, 2011, pág.425. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.207 39 recolhidas em razão de determinação judicial, com fundamento no Parecer Normativo nº 01/2002 e com escopo nos artigos 121 e 128 do CTN, não há como acolher os argumentos da defesa, primeiro porque a sujeição passiva nos termos emanados dos artigos do CTN já identificados está submetida ao Poder Judiciário, não comportando ao julgador administrativo a exegese dos citados artigos para aplicálos ao caso concreto porque lhe falta competência em virtude da já discutida concomitância. Segundo, ainda que fosse a matéria passível de discussão administrativa, o Parecer Normativo nº 01/2002 não se aplica ao caso dos autos, visto tratar de matérias atinentes ao IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF, entre as quais quanto à atribuição de responsabilidade em caso de impossibilidade de recolhimento decorrente de decisão judicial. O mesmo raciocino se aplica ao pedido da empresa Honda quanto à declaração de inexistência de vínculo de responsabilidade por entender que o recolhimento do tributo por ordem judicial, cabia unicamente à concessionária ABC Motors. Natureza do procedimento fiscal Nas questões específicas trazidas pela empresa ABC, quanto a não intimação para o fornecimento de informações, nem a lavratura de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) específico, nomenclatura vigente à época, atualmente, Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF) é de se destacar que a fiscalização age em seus procedimentos fiscais segundo as normas pertinentes, haja vista que seus atos se configuram como atos administrativos, assim, no caso que ora se examina há disposição expressa no 5§ 2º do art. 2º da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, de dispensa de MPF quanto aos responsáveis, além de estar disposto no art. 2º, caput da referida portaria que os AuditoresFiscais, [...na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado]. Também não há na legislação imposição para intimação do sujeito passivo se a fiscalização já dispõe dos elementos necessários à formalização do crédito tributário, haja vista que o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, de natureza inquisitorial, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública, notadamente no caso em espécie como já tratado minudentemente, que a fiscalização balizada nos contornos da decisão judicial que negou provimento ao pleito inicial e nas disposições artigos 1º e 3º, II, da Lei nº 10.485, de 2002, ao iniciar o procedimento fiscal contra a empresa Honda colheu os dados necessários para a lavratura do auto de infração com a sujeição passiva solidária, sendo portanto prescindível, por força das circunstâncias fáticas e por estar amparada nas disposições do art. 2º da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, a intimação à referida empresa ABC . Também não podem ser acolhidas as alegações quanto ao Termo de Sujeição Passiva. Notese que além de ter sido lavrado o referido termo, a citada empresa está identificada expressamente do TVF e nos respectivos autos de infração de fls.4/16 e 17/29 com 5 Fl. 1226DF CARF MF 40 intimação aos sujeitos passivos para extinguir o crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício, por meio do pagamento ou outra forma de extinção prevista em lei ou impugnálo no prazo de 30 (trinta) é textual. Inexistência de nulidade Entre os argumentos aduzidos nas peças recursais pelas empresas Honda e ABC estão a preliminar de nulidade, por vício material do Auto de Infração por iliquidez e incerteza do crédito tributário nele exigido, em decorrência da falta de comprovação, pelo AuditorFiscal, de que os valores ora exigidos não foram recolhidos pela concessionária ABC Motors bem como por indicação equivocada da sujeição passiva face a não aplicação da monofasidade. Restou demonstrado no presente voto as circunstâncias fáticas que motivaram a autuação, a metodologia de apuração do quantum devido, bem como as matérias que não estão sob a apreciação do julgador administrativo, entre as quais como explicitamente fundamentado, a sujeição passiva, logo a arguída indicação errônea da sujeição passiva face a não aplicação da monofasidade é matéria indissociável da lide judicial. Desse modo os fundamentos da autuação, consignados no Termo de Verificação Fiscal, expõem com precisão a motivação da exigência tributária e a indicação da sujeição passiva plural do presente processo, de forma explícita, clara e congruente, consentâneos com a situação jurídica após o não provimento do pleito inicial, já bastante assinalado no presente voto. No presente caso os recorrentes foram regularmente cientificados, o que lhes oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, princípios constitucionais, corolários do devido processo legal, que possibilitam aos interessados arguir suas razões de defesa bem como lhe facultam a contraprova, por todos os meios de prova admitidos em direito, ex vi do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim, garantidos pela norma constitucional compareceram aos autos com alentadas peças de defesa, com vasta linha argumentativa, nas quais os já identificados sujeitos passivos rebateram os fundamentos da autuação, no entanto, deixaram de carrear aos autos qualquer elemento probatório com vistas a desconstituir/modificar as provas trazidas pela fiscalização, conforme determina o art. 15 e 16, inciso III do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, os Autos de Infração de fls.4/16 e 17/29 estão formalizados com observância das normas legais, tanto do ponto de vista material e processual, cumprindo portanto a fiscalização o seu mister visto que atendeu às disposições do artigos 69º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e os requisitos do 7artigo 142 do CTN, não se vislumbrando qualquer vício que comprometa a validade dos lançamentos, uma vez que foram atendidas todas as garantias processuais, nos termos do 8art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, além das disposições específicas dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. 6 Art. 9.o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009) 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 8 O art. 5º, LV, da Constituição Federal assim dispõe: "Art. 5º.(...): Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10830.724511/201162 Acórdão n.º 3302004.498 S3C3T2 Fl. 1.208 41 Ante os fundamentos expostos, depreendese que o cerceamento de defesa alegado na peça recursal não pode ser acolhido, uma vez que aos sujeitos passivos foi assegurada a ampla defesa através da ciência do auto de infração que lhes possibilitou assim exercêla através da peça impugnatória, peça processual que tem o condão de instaurar a fase litigiosa do procedimento, permitindo aos autuados oferecerem ao fisco por todos os meios de prova admitidos em direito, elementos que comprovem suas alegações. Diante dos fundamentos acima constatase que não há reparos no feito fiscal, tampouco na decisão de piso. Ante o exposto, VOTO: I) por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO quanto às matérias referentes à sujeição passiva e a própria sistemática de tributação no âmbito das contribuições em destaque no regime de incidência monofásica, matérias portanto de cunho meritório e DECLARAR DEFINITIVO na esfera administrativa o lançamento formalizado nos Autos de Infração de fls.4/16 e 17/29; II) por CONHECER as demais matérias não incluídas no pleito judicial, nos exatos termos dos fundamentos aduzidos no voto, para negarlhes provimento. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar LV Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;" (grifei). Fl. 1228DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.720807/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.359
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente COOPERATIVA CENTRAL DOS PRODUTORES RURAIS DE MINAS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 07 /2 01 2- 56 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de COFINS incidência não cumulativa, relativo ao trimestre 01/04/2010 a 30/06/2010, cumulado com declarações de compensação. As glosas efetuadas pela fiscalização se referiram a aquisição de energia elétrica por demanda contratada e a serviços de frete na venda de produtos acabados. Apresentada a manifestação de inconformidade, a Primeira Turma da DRJ em Belo Horizonte julgoua procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 02044.023, revertendo a glosa sobre as aquisições de energia elétrica e mantendo a glosa sobre o frete de produtos acabados. Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações feitas em manifestação de inconformidade, no sentido de que o direito ao creditamento sobre as aquisições de serviços de fretes sobre as transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente tem fundamento tanto no inciso II do artigo 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, na condição de insumo utilizado no processo produtivo quanto no inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, na condição de frete em operações de venda. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.357, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10680.720805/201267, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.357): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 4 3 O litígio resumese à aquisição de fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente. Alegou que os fretes ocorridos entre a unidade produtora e o centro de distribuição consistem em mero desdobramento de suas operações de venda e que, somados aos fretes ocorridos entre o centro de distribuição e seus clientes, equivaleriam ao fretes diretos entre a unidade produtora e seus clientes, sendo cabível o creditamento de acordo com o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em outra linha de argumentação, defendeu também que estes serviços seriam custos de seu processo produtivo, repassados aos preços dos produtos e, portanto, serviços utilizados como insumos de que trata o inciso II do artigo 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passando à análise do ponto controvertido, é necessário expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativos. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 5 4 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 6 5 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 7 6 bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0II utilizados na prestação de serviços: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 8 7 legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 9 8 em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 10 9 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 11 10 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 12 11 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 13 12 passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com vale transporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 14 13 Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, concluise que os fretes entre estabelecimentos produtor e centros de distribuição, ou entre centros de distribuição, não são considerados custos de aquisição ou de transformação, mas dispêndios ocorridos após o processo produtivo, razão pela qual não podem ser considerados serviços utilizados como insumos, nos termos do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Concernente à subsunção à hipótese de frete em operações de venda, a Lei nº 10.833/2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Da redação do inciso destacase a expressão “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio jurídico de compra e venda de mercadoria, posto que não faria sentido a restrição para as despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica, não havendo que se cogitar de ônus a ser suportado por um comprador, quando inexiste a compra, nem quando se refere a operações de logística interna. Portanto, os fretes sobre produtos acabados não geram direito ao créditos da contribuições para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativas, embora reconheçase que tais despesas são necessárias às atividades da recorrente. No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citamse os seguintes acórdãos: Acórdão nº 220100.081, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. Acórdão nº 3803003.595, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento: INSUMOS ALCANCE FRETE DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10680.720807/201256 Acórdão n.º 3302004.359 S3C3T2 Fl. 15 14 creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. Destacase o excerto abaixo deste acórdão: “Destaco que o frete empregado pela empresa é de produto acabado para estabelecimento da mesma empresa, ou seja, de mero procedimento interno de logística que constitui despesa operacional, entretanto, não passível de ser utilizada para creditamento da contribuição para o PIS/PASEP no regime da nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.” Salientase que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302 002.464, assim também se posicionou: CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." No julgamento do processo paradigma foi apresentada declaração de voto pela Conselheira Lenisa Prado, que manifestou seu entendimento de que os fretes em questão geram direito a crédito das contribuições. Expôs a Conselheira que aderiu à "corrente formada pelos julgadores que compõem a 3ª Câmara de Recursos Fiscais, que reconhecem que o custo decorrente do transporte dos produtos acabados gera o crédito reclamado pela ora recorrente. Tal entendimento culminou com a publicação do Acórdão n. 9303004.318, proferido no julgamento do Processo 13896.721081/201312 (...)". Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins na aquisição de fretes sobre transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 728DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.004872/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1202-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em sobrestamento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires e Orlando José Gonçalves Bueno.
RELATÓRIO
Trata-se de recurso voluntário e recurso de ofício apresentados em face de decisão de primeira instância que deu provimento parcial à impugnação do lançamento, tendo sido o processo a mim sorteado para relato e inclusão em pauta de julgamento.
Ocorre que, dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo está a questão do acesso aos dados bancários do contribuinte, por parte da autoridade fiscal, diretamente, sem intermédio do Poder Judiciário.
Do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls.431/438) se extrai que o trabalho de auditoria se processou sobre uma base composta, dentre outros elementos, por extratos bancários obtidos mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), como se vê do trecho abaixo:
Da apreciação de sua DIPJ2004 ( anocalendário 2003), foi verificado que a TRANSP. LISOT declarou o valor de R$ 2.521.007,65 como faturamento anual. Ao examinar as informações prestadas trimestralmente pelas instituições financeiras à Receita Federal acerca da apuração da CPMF, foi constatada grande incompatibilidade entre a receita anual auferida e a movimentação bancária, que importou em cerca de R$ 27.000.000,00.
[...]Deve-se anotar que a fiscalizada foi intimada desde o inicio da ação fiscal a apresentar seus extratos bancários, que por f orça da legislação, deveriam estar conservados e colocados à disposição da fiscalização enquanto perdurasse o direito da Fazenda Pública e constituir crédito tributário.
No entanto, mesmo com o deferimento de prorrogações de prazos para a atendimento da intimação fiscal, restou à fiscalização a obtenção dos extratos bancários diretamente das instituições financeiras, com o respaldo na Lei Complementar n° 105, de 2001, uma vez que o atendimento por parte da fiscalizada ocorreu de forma parcial. Foi então encaminhada Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) ao banco UNIBANCO. De posse dos extratos bancários, foi selecionada uma amostra de cheques emitidos pela TRANSP. LISOT para que fossem apresentadas suas cópias ( frente e verso), o que se materializou no Termo de Intimação Fiscal n°8.
Os documentos de fls.71/76 contemplam formulários de solicitação de emissão de RMF, emitidos nos termos da Portaria art. 2° da Portaria SRF n° 180, de 2001, em consonância com o disposto no art. 3º, do Decreto nº 3.724, de 10/10/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em sobrestamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires e Orlando José Gonçalves Bueno. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício apresentados em face de decisão de primeira instância que deu provimento parcial à impugnação do lançamento, tendo sido o processo a mim sorteado para relato e inclusão em pauta de julgamento. Ocorre que, dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo está a questão do acesso aos dados bancários do contribuinte, por parte da autoridade fiscal, diretamente, sem intermédio do Poder Judiciário. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .0 04 87 2/ 20 07 -1 1 Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Resolução nº 1202000.183 S1C2T2 Fl. 7 2 Do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls.431/438) se extrai que o trabalho de auditoria se processou sobre uma base composta, dentre outros elementos, por extratos bancários obtidos mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), como se vê do trecho abaixo: Da apreciação de sua DIPJ2004 ( anocalendário 2003), foi verificado que a TRANSP. LISOT declarou o valor de R$ 2.521.007,65 como faturamento anual. Ao examinar as informações prestadas trimestralmente pelas instituições financeiras à Receita Federal acerca da apuração da CPMF, foi constatada grande incompatibilidade entre a receita anual auferida e a movimentação bancária, que importou em cerca de R$ 27.000.000,00. [...]Devese anotar que a fiscalizada foi intimada desde o inicio da ação fiscal a apresentar seus extratos bancários, que por f orça da legislação, deveriam estar conservados e colocados à disposição da fiscalização enquanto perdurasse o direito da Fazenda Pública e constituir crédito tributário. No entanto, mesmo com o deferimento de prorrogações de prazos para a atendimento da intimação fiscal, restou à fiscalização a obtenção dos extratos bancários diretamente das instituições financeiras, com o respaldo na Lei Complementar n° 105, de 2001, uma vez que o atendimento por parte da fiscalizada ocorreu de forma parcial. Foi então encaminhada Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) ao banco UNIBANCO. De posse dos extratos bancários, foi selecionada uma amostra de cheques emitidos pela TRANSP. LISOT para que fossem apresentadas suas cópias ( frente e verso), o que se materializou no Termo de Intimação Fiscal n°8. Os documentos de fls.71/76 contemplam formulários de solicitação de emissão de RMF, emitidos nos termos da Portaria art. 2° da Portaria SRF n° 180, de 2001, em consonância com o disposto no art. 3º, do Decreto nº 3.724, de 10/10/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. VOTO À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Resolução nº 1202000.183 S1C2T2 Fl. 8 3 A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme relato seguinte. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Por outro lado, quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 [....] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Resolução nº 1202000.183 S1C2T2 Fl. 9 4 Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida. Recentemente, o STF vem utilizando a regra prevista no § 2o do art.543C, que se refere ao STJ, para expedir atos nesse sentido. Vale lembrar que, quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existiam processos já admitidos pelos tribunais de origem pendentes de julgamento no STF e no STJ. Em relação a esses processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Resolução nº 1202000.183 S1C2T2 Fl. 10 5 O dispositivo transcrito acima prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. A questão do sigilo bancário também está sendo tratada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, no qual a Suprema Corte, em 20/11/2009, reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos seguintes moldes: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Embora naqueles autos inexista pronunciamento específico do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário, sobre o mesmo tema, verificouse que, no exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, o mesmo relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral proferiu, em 19/10/2010, a seguinte decisão: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos Fl. 797DF CARF MF Processo nº 13839.004872/200711 Resolução nº 1202000.183 S1C2T2 Fl. 11 6 diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, evidencia o sobrestamento, exatamente nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, que atribui tal procedimento ao relator ou ao Presidente da Corte. Assim, a partir da constatação de que, no caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficassem sobrestados, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP, concluise pela verificação de hipótese de sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf (RICARF). Diante de todo o exposto, propõese o sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 798DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.002084/2001-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO.
Não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se manifestar acerca da inconstitucionalidade de normas vigentes.
O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, estabelecido para os comerciantes varejistas pelo art. 44 da Medida Provisória n° 1.991-15/2000, não contempla a exclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI devido pelo fabricante na operação de venda.
Numero da decisão: 3201-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. Não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se manifestar acerca da inconstitucionalidade de normas vigentes. O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, estabelecido para os comerciantes varejistas pelo art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115/2000, não contempla a exclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devido pelo fabricante na operação de venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 20 84 /2 00 1- 61 Fl. 1816DF CARF MF 2 Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Servem os autos de instrumento de restituição protocolado em 07/05/2001, atinente a valores que o requerente alega ter arcado sob regime de substituição tributária da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de apuração compreendido entre 06/2000 e 02/2001, no montante de R$ 143.630,73 (cento e quarenta e três mil seiscentos e trinta reais e setenta e três centavos), demonstrado em planilhas de fls. 112/149. Solicita, ainda a compensação desse crédito com os débitos identificados nos pedidos de fls. 02, 53, 56, 61 e 82. Frisamos que, com o advento da MP n° 66/2002, art. 49, convertida na Lei n° 10.637/2002, os pedidos de compensação passam a ser declarações de compensação, não incluindo nesse rol os pedidos de compensação com débitos de terceiros. No mérito, o contribuinte alega em petição de fls. 03/10, que é comerciante varejista de veículos automotores e a partir de junho de 2000 foi submetido ao regime de tributação do PIS e da COFINS na forma de substituição tributária. O pedido foi motivado pelo fato de a Instrução Normativa SRF n° 54/2000 considerar preço de venda do fabricante ou importador o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na operação. Dessa forma, alega que houve notória quebra do princípio da legalidade, como se observa a Constituição Federal, art. 5°, inciso II e art. 149 combinado com art. 150, inciso I. também afronta diretamente o CTN, art. 97, inciso IV e especialmente o parágrafo 1°. Afirma que houve nítido acréscimo do ônus tributário decorrente de simples Instrução Normativa, fato que não se compadece com o dispor do art. 97, II, IV e parágrafo único do CTN. Por fim, o contribuinte postula a recuperação dos valores suportados, pois tem plena legitimidade para tal. Instrui o processo com os seguintes documentos: a) Procuração (fl. 11/12); b) Cópia das Atas das Assembléias Gerais (fls. 102/106); c) Cópias das notas fiscais, onde constam os valores recolhidos pelas montadoras no regime de substituição tributária (fls. Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 13808.002084/200161 Acórdão n.º 3201003.020 S3C2T1 Fl. 3 3 16/20, 283/400, 403/601, 604/802, 805/1004, 1006/1204, 1206/1404 e 1407/1472); e) Cópia dos livros fiscais onde constam as escriturações das notas fiscais identificadas no item "d" (fls. 150/199 e 202/265). Em destaque, realizamos no sistema integrado SIEF/PER/DCOMP e não encontramos, até o dia 22/09/2005, declarações de compensação utilizando como crédito o apreciado neste processo (fl. 1482). É o relatório, pelo que passamos à análise fundamentada." A decisão recorrida proferida pela 6ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, a qual indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações realizadas, apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000,2001 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. VEÍCULOS A base de cálculo do PIS, segundo o regime da susbtituição tributária, previsto no art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115, de 2000, é o preço de venda do fabricante e ou importador, considerado este o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000,2001 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. VEÍCULOS A base de cálculo do PIS, segundo o regime da substituição tributária, previsto no art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115, de 2000, é o preço de venda do fabricante e ou importador, considerado este o preço do produto acrescido do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente na operação." O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, tese de que (i) é possível a apreciação pelo CARF da ilegalidade e inconstitucionalidade da Instrução Normativa 54/2000; (ii) as disposições contidas na Instrução Normativa 54/2000 são ilegais e inconstitucionais; (iii) que a inclusão do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS, pelo regime de substituição tributária (comércio varejista) configura sua ampliação; (iv) possui legitimidade, na qualidade de substituído, para postular a restituição e efetuar a consequente compensação dos valores recolhidos a maior. Pugna a recorrente, ao final, o provimento do recurso voluntário interposto para que seja deferido o pleito de restituição, homologandose por consequência os procedimentos compensatórios. É o relatório. Fl. 1818DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Cingese o presente processo sobre a integração do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS, em operações sujeitas ao regime da substituição tributária, no comércio de veículos em que a fabricante e o importador figuram como substitutos e as empresas revendedoras que atuam no comércio varejista, ocupam a posição de substituídos. DA ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 54/2000 IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA ESFERA ADMINISTRATIVA Preliminarmente, afasto o argumento da recorrente de que é possível este colegiado apreciar questões de índole constitucional, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. DO MÉRITO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS SOBRE O IPI SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA COMERCIANTE VAREJISTA Com relação ao mérito da questão, em que pese os argumentos expendidos na peça recursal, entendo que não assiste razão à recorrente. A matéria já foi objeto de apreciação tanto no Poder Judiciário como perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Assim, é de se adotar como razões decisórias, as manifestações jurisprudenciais externadas sobre o tema. Do Superior Tribunal de Justiça STJ: "TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. 1. O STJ firmou o entendimento de que, no regime da substituição tributária, o IPI não pode ser deduzido da base de cálculo do PIS e da COFINS, ante a ausência de norma autorizadora. 2. Agravo Regimental não provido." (AgRg no REsp 1058330/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/03/2009) Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 13808.002084/200161 Acórdão n.º 3201003.020 S3C2T1 Fl. 4 5 "TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. FABRICANTES E IMPORTADORES DE VEÍCULOS (SUBSTITUTOS) E COMERCIANTES VAREJISTAS (SUBSTITUÍDOS). BASE DE CÁLCULO. VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE IPI DESTACADOS NA NOTA FISCAL. INCLUSÃO NO CONCEITO DE "PREÇO DE VENDA" EX VI DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 54/2000. LEGALIDADE. LEI 9.718/98 (ARTIGO 3º, § 2º, I). DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. 1. A Instrução Normativa SRF nº 54/2000, revogada pela IN SRF nº 247, de 21.11.2002, dispunha sobre o recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas pelos fabricantes (montadoras) e importadores de veículos, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas (regime de substituição tributária instituído pela Medida Provisória nº 1.99115/2000, atual MP nº 2.15835/2001, editada antes da Emenda Constitucional nº 32). 2. A base de cálculo das aludidas contribuições, cujos contribuintes de fato são os comerciantes varejistas, é o preço de venda da pessoa jurídica fabricante ou do importador (artigo 44, parágrafo único, da MP 1.99115/2000, e artigo 3º, caput, da IN SRF 54/2000), sendo certo que o ato normativo impugnado limitouse a definilo como o preço do produto acrescido do valor do IPI incidente na operação. 3. A insurgência especial dirigese ao reconhecimento da ilegalidade do artigo 3º, da Instrução Normativa SRF nº 54/2000, em virtude do disposto no inciso I, do § 2º, do artigo 8º, da Lei n.º 9.718/98, verbis: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;" 4. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, Fl. 1820DF CARF MF 6 quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 5. Na mesma assentada, afastouse a argüição de inconstitucionalidade do artigo 8º, da Lei n.º 9.718/98, mantendose a higidez das deduções da base de cálculo das contribuições em tela, elencadas em seu § 2º. 6. Deveras, à luz do supracitado dispositivo legal, as "vendas canceladas", os "descontos incondicionais", o "IPI" e o "ICMS" cobrado pelo vendedor do bem ou pelo prestador do serviço, na condição de substituto tributário, não integram a base de cálculo da COFINS e da contribuição destinada ao PIS. 7. Entrementes, as informações prestadas pelo órgão local da Secretaria da Receita Federal, coerentemente, elucidam a quaestio iuris: "... o regime de substituição tributária envolve uma presunção de fato gerador. O fato gerador presumido diz respeito às contribuições devidas pela concessionária, não se confundindo, pois, com as contribuições do próprio fabricante, a que alude o art. 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718/98, especialmente no que diz respeito à exclusão do IPI. Este dispositivo trata da base de cálculo usual do PIS e da COFINS vinculada a fato gerador praticado pelo fabricante ou importador, na condição de contribuinte do IPI. Exemplificando: o fabricante, contribuinte do IPI, tem de apurar o que ele fabricante deve a título de PIS e COFINS. Para isso, ele fabricante deve determinar o valor do seu faturamento, que é a base de cálculo dessas contribuições. Ora, por certo que o IPI devido pelo fabricante não poderia ser considerado para fins de determinação do faturamento dele (o valor destacado em nota fiscal é repassado aos cofres públicos), donde a exclusão prevista pelo tal dispositivo da Lei 9.718/98 que, repito, é comando dirigido ao fabricante (contribuinte do IPI). (...) tanto é verdade que o IPI está incluído no preço de venda do fabricante que o legislador teve de expressamente excluílo, para fins de determinar o faturamento do fabricante, pois, de outra forma, estarseia a considerar o IPI destacado na nota fiscal pelo fabricante como se fosse receita dele. Situação totalmente diversa é a apuração do faturamento do revendedor, que não é contribuinte do IPI (não há destaque na nota fiscal). Assim, esqueçamos, por ora, o regime de substituição tributária. Na situação acima proposta (sem substituição), o revendedor de automóveis não tem nem de pensar no IPI, que está embutido no custo da mercadoria e, ademais, será integralmente repassado ao consumidor final. Logo, quando se pergunta qual o faturamento do revendedor (base de cálculo do que ele revendedor deve a título de PIS e COFINS), é obvio que a resposta somente poderá ser o preço de venda do veículo ao consumidor final. Dizer, ou reclamar, que nesse preço está incluído o IPI é algo de tão esclarecedor quanto dizer que nele está incluído o custo do motor do carro e de todas as demais peças que o compõe. Ou seja, não é preciso dizer, É óbvio que Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 13808.002084/200161 Acórdão n.º 3201003.020 S3C2T1 Fl. 5 7 todo o custo do produto, somado à margem de lucro do revendedor, integra o seu preço final, pago pelo consumidor. (...) O que parece ocorrer é que existe uma enorme dificuldade, por parte das impetrantes, em perceber a diferença entre as situações, deveras díspares, do fabricante (contribuinte do IPI) e do revendedor (não contribuinte do IPI), para fins de determinar o faturamento (base de cálculo) de cada um deles. (...) Nesse sentido, considerando o disposto no art. 3º, § 1º, I, da Lei 9.718/98, é importante, no caso em tela, ter em mente dois pontos básicos, a saber: 1. Os revendedores varejistas de veículos não são contribuintes de IPI, quer dizer, não destacam o valor do mesmo nas notas fiscais de venda; e 2. A exclusão do valor do IPI prevista no art. 3º, § 1º, I, referese apenas a pessoas jurídicas que são contribuintes do IPI, posto que apenas pode ser excluído o valor do IPI quando destacado em separado no documento fiscal." (fls. 71/73). 8. Destarte, a exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS somente aproveita o contribuinte do aludido imposto (o fabricante), quando da apuração de seu próprio faturamento, a fim de efetuar o recolhimento das contribuições devidas pelo mesmo. 9. Consectariamente, a referida dedução, prevista no artigo 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98, não se aplica aos comerciantes varejistas, não contribuintes do IPI, donde se dessume a legalidade da IN SRF 54/2000. 10. Recurso especial a que se nega provimento." (REsp 665.126/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/08/2007, DJ 01/10/2007, p. 214) "TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. INCLUSÃO DO IPI NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE DA IN/SRF N. 54/2000. 1. Jurisprudência pacífica desta Corte no sentido de que, diante da ausência de norma autorizadora, no regime de substituição tributária, o IPI não pode ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes: AgRg no REsp 802436/RS, Rel. Min. César Asfor Rocha, Segunda Turma, DJe de 14.10.2011; AgRg no REsp 1058330/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 19.3.2009; REsp 881.370/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 3.4.2008. 2. Inexistência de ilegalidade da IN/SRF n. 54/00 ao determinar que, para efeito das contribuições recolhidas no regime de substituição, "considerase preço de venda do fabricante ou importador, o preço do produto acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI incidente na operação " (art. 3º, § 1º). Fl. 1822DF CARF MF 8 3. Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp 175.285/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/08/2012, DJe 21/08/2012) Do Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF4: "EXCLUSÃO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. COMÉRCIO DE VEÍCULOS. ART. 43 DA MP 2.158 35/2001. IN SRF 54/2000. A autora afirma que a IN 54/2000 da Secretaria da Receita Federal, ao incluir expressamente o IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS, desbordou dos limites postos pelo artigo 43 da MP 2.158 35/2001. Não merece guarida a irresignação. Antes mesmo da edição da IN SRF 54/2000, a parcela correspondente ao IPI já integrava o preço de venda do veículo determinado pelo fabricante. O próprio §1º do artigo 43 da MP 2.15835/2001 já previa como base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS devidos pelos comerciantes varejistas o "preço da venda da pessoa jurídica fabricante". A parcela correspondente ao IPI sempre integrou o preço de venda do fabricante, não tendo a instrução normativa alargado a base de cálculo das contribuições. O destaque do IPI nas notas fiscais, é irrelevante, servindo unicamente para fins de apuração. O artigo 3º, §2º, I, da Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre a possibilidade de exclusão do IPI da base de cálculo do PIS e da COFINS destinase ao contribuinte do IPI, no caso, o fabricante do veículo. Esta isenção não aproveita a autora. Ainda que as contribuições em comento sejam recolhidas pelo fabricante, este atua como substituto tributário, pagando obrigação que, a rigor, não é sua, pois é o substituído no caso o comerciante varejista quem realiza o fato gerador até então presumido." (TRF4, AMS 2004.70.03.0080066, PRIMEIRA TURMA, Relator VILSON DARÓS, DJ 05/07/2006) Deste colegiado administrativo de julgamento, temse as seguintes decisões: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, instituído pela MP 1.99115/2000 com base no art. 150, § 7º da Constituição Federal, determinou que os fabricantes e os importadores de veículos ali mencionados fossem os responsáveis na condição de substitutos tributários por essas contribuições, devidas pelos comerciantes varejistas art. 44 da Medida Provisória, tendo como base de cálculo o preço de venda do fabricante. A INSRF 54/2000 não trouxe inovação ao disciplinar a matéria, explicitou apenas o previsto em lei, de que o IPI recolhido pelo fabricante compõe o preço de venda da mercadoria. Não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se manifestar a cerca da inconstitucionalidade de normas vigentes. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido." (Processo n° Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 13808.002084/200161 Acórdão n.º 3201003.020 S3C2T1 Fl. 6 9 13851.001484/200558; Acórdão n° 3801005.245; Relator Conselheiro Cássio Schappo; Data da sessão 18/03/2015) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, estabelecido para os comerciantes varejistas pelo art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115/2000, não contempla a exclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devido pelo fabricante na operação de venda, não cabendo a este Conselho Administrativo se manifestar acerca da constitucionalidade de normas vigente. Recurso Voluntário Negado." (Processo n° 13827.000653/2005 30; Acórdão n° 3401002.731; Relator Conselheiro Fernando Duarte Marques Cleto; Data da sessão 18/09/2014) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 09/04/2001 a 31/10/2002 Ementa: SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO. O regime de substituição tributária das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, estabelecido para os comerciantes varejistas pelo art. 44 da Medida Provisória n° 1.99115/ 2000, não contempla a exclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devido pelo fabricante na operação de venda, não cabendo a este Conselho Administrativo se manifestar acerca da constitucionalidade de normas vigentes." (Processo n° 13832.000039/200680; Acórdão n° 3301002.553; Relatora Conselheira Fábia Regina Freitas; Data da sessão 29/01/2015) Somese a isso o fato de a matéria estar submetida a apreciação do Supremo Tribunal Federal STF pela sistemática de repercussão geral, ainda não julgado, conforme decisão a seguir transcrita: "TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA FRENTE. MONTADORAS DE VEÍCULOS. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA. POSSIBILIDADE DA CONSIDERAÇÃO DO IPI PARA FINS DE CÁLCULO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL" (RE 605506 RG, Fl. 1824DF CARF MF 10 Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 09/09/2010, DJe 224 DIVULG 22112010 PUBLIC 23112010 EMENT VOL 0243602 PP00334 ) Diante do exposto, conheço o recurso voluntário interposto e negolhe provimento pelas razões antes expendidas. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1825DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.724228/2013-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RECEITA. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE APOSIÇÃO DE DATA NO AVISO DE RECEBIMENTO DE INTIMAÇÃO DE ACÓRDÃO DA DRJ. TERMO INICIAL. 15 DIAS APÓS EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO
No caso de intimação por via postal, considera-se efetuada a intimação, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Dec. nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inc. II; Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O prazo para a interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da intimação do acórdão (Dec. nº 70.235/72, art. 33). A não observância de tais regras impõe o não conhecimento do recurso, por intempestividade.
Numero da decisão: 1302-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITA. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE APOSIÇÃO DE DATA NO AVISO DE RECEBIMENTO DE INTIMAÇÃO DE ACÓRDÃO DA DRJ. TERMO INICIAL. 15 DIAS APÓS EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO No caso de intimação por via postal, considera-se efetuada a intimação, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Dec. nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inc. II; Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O prazo para a interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da intimação do acórdão (Dec. nº 70.235/72, art. 33). A não observância de tais regras impõe o não conhecimento do recurso, por intempestividade.
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GANHO DE CAPITAL Recorrente FERRAZ DE ANDRADE ADMINISTRADORA DE BENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITA. GANHO DE CAPITAL. FALTA DE APOSIÇÃO DE DATA NO AVISO DE RECEBIMENTO DE INTIMAÇÃO DE ACÓRDÃO DA DRJ. TERMO INICIAL. 15 DIAS APÓS EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO No caso de intimação por via postal, considerase efetuada a intimação, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Dec. nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inc. II; Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O prazo para a interposição do recurso voluntário é de 30 dias, contados da intimação do acórdão (Dec. nº 70.235/72, art. 33). A não observância de tais regras impõe o não conhecimento do recurso, por intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 42 28 /2 01 3- 28 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11516.724228/201328 Acórdão n.º 1302002.295 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0259.977 de 9 de setembro de 2014 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE) que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e no mérito julgou improcedente a impugnação, registrandose a seguinte ementa: LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. DETERMINAÇÃO. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: (i) o valor resultante da aplicação do percentual de presunção sobre a receita bruta, nos termos da lei e (ii) o ganho de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas no item anterior e demais valores determinados em lei, auferidos no período de apuração. QUITAÇÃO MEDIANTE NOTAS PROMISSÓRIAS. CLÁUSULA "PRO SOLUTO" Se houver venda de bens ou direitos a prazo, com emissão de notas promissórias desvinculadas do contrato pela cláusula pro soluto, essa operação deve ser considerada com à vista, para todos os efeitos fiscais, computandose o valor total da venda no mês da alienação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos A Recorrente é sociedade por cotas de responsabilidade limitada (Ltda.), registrada no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) sob nº 68.102/02 Aluguel de Imóveis Próprios, na cidade de Florianópolis conforme o Contrato Social (fls. 63 a 85). Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), a Recorrente não teria tributado parcela dos Ganhos de Capital auferidos na venda de dois imóveis constantes de seu Ativo Não Circulante Imobilizado. Os valores de venda desses imóveis teriam sido tributados erroneamente, como se fosse revenda de imóveis do ativo circulante. Além disso, tais quantias também teriam sido postergadas para exercícios posteriores. Verificouse que a contribuinte teria desconsiderado equivocadamente o fato de que duplicatas "pro soluto" equiparamse a recebimento em moeda corrente. Por fim, a Recorrente teria omitido outra parcela das receitas da venda de tais imóveis que havia sido recebida sob a forma de oito apartamentos já construídos. Lavrouse Auto de Infração de fls. 167/180, incluindose IRPJ, CSLL, juros de mora e multa de ofício (75%), relativos a 2010 e 2011. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11516.724228/201328 Acórdão n.º 1302002.295 S1C3T2 Fl. 4 3 À vista das certidões dos dois imóveis em questão, registrados no Ativo Permanente, vendidos no anocalendário de 2010 para a empresa Cassol Investimentos e Participações (Escritura Pública de Compra e Venda, fls. 92/100, a Fiscalização intimou a Recorrente para responder às seguintes questões: "Justificar por escrito a falta de contabilização das receitas relativas à venda de seus dois terrenos situados à rodovia SC 401, no valor de R$5.665.000,00, conforme escritura pública de compra e venda anexa a esta intimação; uma vez que os dois terrenos em questão, que foram integralizados como capital desta empresa em 21/05/2010 conforme o Livro Diário e vendidos em 15/12/2010 conforme escritura de compra e venda em anexo, ainda se fizeram constar no balanço da empresa, em 31/12/2011, conforme Balanços, Balancetes e Livros Diário e Razão fornecidos pela fiscalizada". "Justificar por escrito a falta de contabilização do recebimento da Nota Promissória recebida em caráter "pro soluto", no valor de R$3.315.000,00, datada de 15/12/2010, recebida como "irrevogável, irretratável quitação paga e satisfeita, para nada mais reclamar, exigir ou repetir em tempo algum" como parte do pagamento da venda dos dois terrenos citados no item "a", conforme escritura pública em anexo". "Justificar por escrito a falta de contabilização dos sete imóveis (sete apartamentos) situados no Edifício Spazio Uno Studios, no bairro do itacorubi em Florianópolis, no valor de R$1.150.000,00 também como parte do pagamento da venda dos dois terrenos citados no item "a", uma vez que as contas "Bens em Operação imóveis" e "Construção em Andamento", juntas, perfizeram apenas a quantia de R$310.790,69, em 31/12/2011, conforme Livros e Balancetes Contábeis fornecidos pela fiscalizada". Após as respostas da Recorrente, a Fiscalização destacou que apesar de contabilizar corretamente os dois imóveis em questão no ativo não circulante imobilizado (fls. 134), quando da alienação, alguns meses, após da integralização do capital na Cassol Participações, não tributou a venda desses dois terrenos do ativo imobilizado, como ganho de capital, mas sim, utilizouse dos percentuais de tributação previsto para empresas cuja atividade preponderante é a compra e venda de imóveis (8%). Registrou que a utilização do percentual de 8% está restrito às receitas auferidas na atividade de venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, o que não é o caso da Recorrente, que por ser uma administradora de imóveis próprios não estaria autorizada a utilizar desse percentual reduzido, inclusive pelo fato de ter, ela mesma, contabilizado tais imóveis no ativo não circulante (Imobilizado) Balanços, fls. 132, 134 e 142). Por tratarse de imóveis pertencentes ao ativo não circulante imobilizado, o lucro apurado na venda desses terrenos deveria ter sido apurado segundo as regras do ganho de capital, previsto no artigo 521 do RIR/1999 (art. 25 da Lei 9.430/1996). Assim, a Fiscalização concluiu que a Recorrente estaria sujeita ao lançamento tributário referente à diferença entre o lucro já tributado (Presumido), que já havia sido apurado ao percentual fixo de 8% sobre a receita bruta, e o valor do efetivo ganho de capital na venda dos referidos imóveis (R$5.565.000,00 23.000,00 = R$5.642.000,00). Em sequência, tratouse da constatação de que a Recorrente também teria deixado de tributar (de imediato) a nota promissória "pro soluto", no valor de R$3.315.000,00, Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11516.724228/201328 Acórdão n.º 1302002.295 S1C3T2 Fl. 5 4 os quais, conforme consta na escritura pública de compra e venda: "a outorgante vendedora recebeu, conferiu, achoua correta, de cuja quantia nela constante dá a mais ampla, rasa, geral, irrevogável e irretratável quitação de paga e satisfeita, para nada mais reclamar, exigirem tempo algum". (fls. 95) Sobre esse ponto, a Recorrente alegou que, o fato de as notas promissórias terem sido pagas (em moeda corrente) ao longo de 36 prestações iguais, mensais e sucessivas, somente deveria ser tributada à medida da transformação dos títulos em moeda corrente. No entanto, a Fiscalização, citando a pergunta 562 do "Perguntas e Respostas" sobre o Imposto de Renda, constante do sítio da Receita Federal do Brasil na Internet, concluiu que títulos "pro soluto" "são títulos de crédito quando dados com efeitos de pagamento, como se dinheiro fosse". Reforça registrando que deve ser considerado perfeito e acabado o ato jurídico, principalmente quando a escritura de compra e venda dos imóveis assim o considerou expressa e irretratavelmente, como foi o caso em questão. Como último fato constatado pela Fiscalização, a registrouse que a Recorrente também deixou de tributar, em dezembro de 2010, ainda como recebimento pelos seus dois terrenos situados no bairro do Saco Grande (às margens da Rodovia SC 401), uma parcela de R$1.150.000,00, relativa à entrega dos oito imóveis matrículas (...), registrados no Cartório do 2° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Florianópolis; conforme também detalhado na escritura de compra e venda anexada às fls. 88/108. Concluiuse, que a contribuinte estaria sujeita ao lançamento de R$1.150.000,00, como omissão de receitas na apuração do ganho de capital na venda dos dois imóveis constantes de seu ativo não circulante, ora em discussão. Com base nos artigos 1° e 2° da Lei n° 8.137/90, que define os crimes contra a Ordem Tributária, com base na obrigação funcional de Servidor Público Federal em função do ilícito descrito no ITEM "4.3", efetuouse Representação Fiscal para Fins Penais, por intermédio do processo administrativo 11516.720258/201446, apensado ao presente processo (11516.724228/201328). A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, sob o fundamento principal de que a Recorrente não apresentou documentos e informações que justificassem a reforma da decisão da DRF, quanto às autuações em questão. A Recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ (fl. 219), porém não apôs data de recebimento. Interpôs Recurso Voluntário, em 05/11/2014 (fl. 221). O recurso foi subscrito pelo representante legal da Recorrente, Sr. Gunther Ferraz de Andrade. O Recurso Voluntário reapresenta as mesmas alegações constantes da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11516.724228/201328 Acórdão n.º 1302002.295 S1C3T2 Fl. 6 5 Na forma relatada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário, em 05/11/2014 (fl. 221). Analisandose o Aviso de Recebimento dos Correios (fl. 219), o representante legal da Recorrente que assinou o AR, Aníbal Ferraz de Andrade, não apôs data de recebimento. Nesse caso, devese observar as disposições do art. 23, § 2º, inc. II do Dec. 70.235, de 06/03/1972, verbis: Dec. nº 70.235/72 Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em observância a essa disposição, é correto considerar como termo inicial para a contagem do prazo para a interposição de recurso voluntário, a data de 18/09/2014, indicada no referido AR (fl. 219). O prazo para a interposição, portanto, seria até 20/10/2014 (18/10/2014 foi sábado), em conformidade com o prazo legal de 30 dias (Dec. nº 70.235/72, art. 33). No entanto, verificase que a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, somente em 05/11/2014 (fl. 221). Pelo expoto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10903.720017/2015-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.339 1 1.338 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10903.720017/201551 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.442 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de julho de 2017 Assunto SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO Recorrente POSITIVO INFORMATICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 03 .7 20 01 7/ 20 15 -5 1 Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.340 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1218 a 1330) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba/PR (fls. 1147 a 1212) que manteve integralmente as Autuações sofridas pelo Contribuinte (fls. 45 a 53), rejeitando os termos da Impugnação apresentada (fls. 984 a 1140). O processo versa sobre exações de IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2012, acompanhadas de multa de ofício (75%), lançadas em face da empresa POSITIVO INFORMATICA S/A, em razão de exclusões promovidas das bases tributáveis, sob a rubrica de subvenções de investimento. A acusação fiscal que sustenta as Autuações se resume à constatação pela Fiscalização de que os valores considerados pelo Contribuinte como subvenção de investimento, referentes a créditos presumidos de ICMS, concedidos pelo Estado do Paraná através do Decreto Estadual nº 1922/2011, não se tratam de subvenção e, ainda que se tratasse, teria natureza de subvenção de custeio. O TVF faz longa explanação sobre os conceitos de subvenção, subvenção de custeio e subvenção de investimento, analisando as legislações financeira, tributária e contábil. Também faz uma análise normativa do benefício percebido pela Recorrente, inclusive à luz da legislação do IPI, questionando também o gozo desse em face do NCM de algumas das mercadorias comercializadas. A Fiscalização também se opõe à destinação dada pela Companhia ao numerário recebido, demonstrando ter sido empregada de maneira diversa àquela adequada e permitida à subvenção de investimento, dedutível das bases tributáveis, inclusive com a utilização de tais valores para a distribuição efetiva de dividendos. Cientificado da Autuação, o Contribuinte ofereceu Impugnação, com longo arrazoado e devidamente instruída (fls 984 a 1140), em suma, abordando inicialmente a natureza e cenário jurídico dos incentivos fiscais estaduais, passando à demonstração da distinção jurídica de subvenção de custeio e subvenção de investimento. Em seguida, aborda o tratamento fiscal dado às subvenções de investimento e analisa as características da subvenção Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.341 3 efetivamente recebida pelo Estado do Paraná, pugnando pela lisura da sua exclusão das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Ainda acrescenta não ser necessária a aplicação do benefício em bens do ativo intangível e imobilizado, a impossibilidade de vinculação entre as legislação do ICMS e do IPI, e esclarece a adequação da aplicação dos recursos recebidos (inclusive entre 2005 e 2014). Por bem detalhadamente descrever e especificar os termos da Impugnação apresentada, passase a reproduzir trecho do preciso relatório da DRJ a quo: a) (...)”é certo que os incentivos concedidos pelos Estados, com o intuito de atrair empreendimentos para o seu domínio não possuem outra natureza senão a de INVESTIMENTO.”; b) Frisese: no Brasil, um país de grandes extensões, os Estados têm sentido a necessidade de se socorrerem de mecanismos de isenção ou redução fiscal para atrair e induzir que empresas se estabeleçam e se desenvolvam em sua região.; c) Daí porque, as unidades federativas abrem mão de parcela de sua arrecadação fiscal, acabando por subvencionar seus contribuintes, com o evidente objetivo de impulsionar que empresas de certos setores se estabeleçam ou ampliem seus investimentos em suas jurisdições.;(destaques no original) d) Contudo, independentemente das contrapartidas estabelecidas, é claro que os Estados, ao instituírem um incentivo fiscal para certo segmento, buscam atrair investimentos dessa área para suas regiões, desenvolvendoas e diversificandoas economicamente.;(destaques no original) e) Conforme a CSRF, no Acórdão n° 910100.566: "De fato, a restituição do ICMS, aqui tratada, tem como contrapartida gastos com benefícios sociais aos empregados (alimentação, saúde, lazer, transporte etc), concessão de descontos em operações de vendas, abertura de vagas destinadas ao emprego de menores, dentre outras. (...) Mas isso não quer dizer que os recursos vertidos do Poder Público destinamse obrigatoriamente ao pagamento ou custeio destes benefícios sociais. (...) Na verdade, estas exigências constituem INDICADORES do desenvolvimento econômico almejado e atuam como deveres correlatos ao benefício fiscal, diante das necessidades e carências daquele Estado. As exigências legais são a contraprestação do favor fiscal, porém não soa razoável, à luz do referido diploma legal, que os valores restituídos de ICMS sejam automaticamente classificados como subvenção para custeio, pois não se destinam ao pagamento ou recuperação destas despesas. Por outras palavras, tais dispositivos não fixam o destino ou a aplicação obrigatória dos recursos, mas, ao contrário, apenas especificam as contraprestações que não serão necessariamente suportadas pelos valores Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.342 4 subvencionados." (Ia Turma; J:17/05/2010) (grifo na transcrição da impugnante) f) Bem definido o contexto em que os Estados oferecem benefícios fiscais buscando atrair investimentos para suas regiões, já é possível tratarmos do cerne do presente processo, qual seja, a natureza do benefício recebido pela Impugnante, o que será realizado conceituandose os institutos "subvenção para investimento" e "subvenção para custeio", a fim de que não reste dúvida acerca das características necessárias à configuração de cada uma das espécies.; g) Há subvenções que são conferidas com o claro e único objetivo de auxiliar as empresas a fazerem frente a suas despesas correntes ou a desenvolverem suas operações. Tratamse das denominadas subvenções para custeio. É típico caso de subvenção dessa natureza, as isenções fiscais concedidas a operações de exportação, vez que seu intuito é de mera desoneração para auxiliar, estimular, que os produtos nacionais sejam competitivos no exterior, nao pretendendo dos beneficiários uma conduta ativa de investimento em determinada região. h) Outro típico caso de subvenção para custeio deuse quando, diante da seca, seguida de chuvas fortes, entre 2009 e 2010, que provocaram inúmeras perdas aos produtores de canadeaçúcar nordestinos, o Estado viuse obrigado a conceder uma subvenção extraordinária3. Não houvesse a subvenção, no caso, diversos produtores do setor quebrariam ou teriam prejuízos tamanhos, prejudicando a produção nacional de canadeaçúcar. i) Daí já se vislumbra que o intuito das subvenções para custeio é sempre auxiliar os beneficiários a fazerem frente a seus custos e despesas, para que eles sejam competitivos ou, ainda, não prejudicados por eventuais intempéries ou outros fatores externos. j) A subvenção para custeio traz em si a característica de intervenção/controle de mercado, tornando produtos competitivos ou evitando a quebra de um setor, mas sem qualquer objetivo imediato de obter um incremento/ desenvolvimento regional ou setorial. Esta, por outro lado, é a característica intrínseca de qualquer subvenção para investimento. k) Isso porque, ao conceder a subvenção para custeio, o Poder Público tem como objetivo auxiliar o subvencionado em suas despesas comuns e ordinárias, não tendo como objetivo imediato o desenvolvimento regional, esse sim, próprio das subvenções para investimento. l) No mesmo sentido de sua explanação, a autuada invoca o posicionamento do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, no voto exarado no acórdão n° 110100.661 (CARF) em que a própria Impugnante figura como sujeito passivo, e que tem como objeto o mesmo crédito presumido de ICMS oferecido pelo Estado do Paraná, mas em relação aos anocalendários 2005, 2006, 2007 e 2008: (...) Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.343 5 m) Conforme o escólio de Bulhões Pedreira, a subvenção para investimentos e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimento ou doaçõespara aumentar o capital de giro próprio; n) Assim, para que certa subvenção se configure como subvenção para investimento, inexistiria a necessidade de que esse investimento ocorra por meio das contrapartidas estabelecidas pelo legislador, para que a pessoa jurídica faça jus ao benefício; o) De fato, a natureza de investimento decorre muito mais da intenção/objetivo do Poder Público ao concedêla, do que de eventual contrapartida estabelecida para o contribuinte fazer jus ao incentivo. p) Contrariamente ao entendimento da Autoridade Administrativa, a legislação fiscal não conceitua a subvenção para investimento, e sim estabelece os requisitos necessários para que as subvenções concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos sejam isentas do IRPJ e da CSLL, conforme dispõe o art. 443 do RIR/99; r) Conforme dispõe o art. 545 do RIR/99, o valor do imposto que deixar de ser pago em virtude do recebimento de subvenção para investimento não pode ser distribuído aos sócios, devendo ser destinado à conta de reserva de capital da pessoa jurídica, que somente pode ser utilizada para absorção de prejuízos ou aumento do capital social e , caso algum dos requisitos não sejam cumpridos, a legislação é clara ao dispor que ocorrerá a perda da isenção; s) O benefício fiscal de crédito presumido de ICMS usufruído pela Impugnante tem previsão no Decreto Estadual n° 1.922/2011, o qual exige como condição: I tenha seus projetos de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação aprovados em portaria interministerial publicada no Diário Oficial da União e assinada pelos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia; II realize investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme definido no art. 11 da Lei Federal n° 8.248/1991, sendo que: a) percentual não inferior a um por cento de que trata o inciso I do parágrafo único do referido art. 11 deve ser aplicado mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná; b) percentual não inferior a 2,7% (dois inteiros e sete décimos por cento) dos investimentos fixados no referido art. 11 deve ser aplicado internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme disposto no § Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.344 6 5o do art. 9o do Decreto Federal n° 3.800, de 20 de abril de 2001. (Parágrafo acrescentado pelo Decreto n° 2.224, de 09.08.2011, DOE PR de 09.08.2011, com efeitos a partir de 01.08.2011) t) Resta claro, assim, que o benefício a que fez jus a Impugnante durante o período autuado tem como escopo o desenvolvimento do Estado do Paraná, mediante atração de indústrias do setor de informática, que devem, em contrapartida, aplicar em atividades de P&D, mediante convênios com centros ou institutos de pesquisas ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná, ou internamente na pessoa jurídica beneficiada. Dessa forma, vêse claramente que estamos diante de um clássico modelo de subvenção para investimento, na medida em que evidente a intenção do legislador em desenvolver o Estado Paranaense, mediante o incentivo à pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação ou contratação de empregados para desempenharem tais atribuições. u) Vislumbrase que o d. Fiscal amparouse no voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa no já citado Acórdão n° 110100.661. No entanto, o que parece ter passado desapercebido pelo Agente Fiscal é que o referido voto restou vencido ao final do julgamento, prevalecendo como vencedor o voto exarado pelo Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior que, consoante mencionado alhures, entendeu que o incentivo fiscal que faz jus a Impugnante tratase de clara subvenção para investimento. (...) v) Ressalta que a própria Fiscalização observou que a empresa informa em seu sítio de internet o investimento no segmento de Tecnologia Educacional vinculada à Pesquisa e Desenvolvimento; x) A fiscalização, com a finalidade de descaracterizar o benefício da impugnante como subvenção para investimento, alega que a legislação estadual estaria em desconformidade com normas federais, pois amparada em legislação federal revogada; y) De fato, quando sobreveio o Decreto Estadual n° 1.922/2011, o legislador não cuidou de citar a nova regulamentação dada à Lei da Informática/ até porque despicienda tal necessidade, uma vez que as condições do Decreto Estadual n° 1.922/2011 permaneciam as mesmas, inclusive em razão de ter sido devidamente mencionada a Lei da Informática aplicação dos investimentos requeridos pela legislação do IPI no Estado do Paraná. z) (...) o §2° do art. Io Decreto Estadual n° 1.922/2011 já fazia clara referência à existência de Processo Produtivo Básico (PPB), de modo que o argumento da Fiscalização não possui meios de prosperar. aa) A fiscalização, além de fundar sua posição em voto vencido da Cons. Edeli Bessa, invoca julgado do CARF relativo a benefícios do Ceará e da Bahia (AC n° 1101001.228) que nenhuma relação têm com o incentivo do Paraná, sobrelevando que distintas regiões têm necessidades diferentes, de modo que, se a natureza da subvenção decorre muito mais da intenção/objetivo do Poder Público ao concedê la, a comparação deixa de ganhar relevo; Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.345 7 bb) Aduz que para qualquer comparação que pudesse ser feita, necessária seria a análise da legislação de cada um dos incentivos citados, circunstância em que prefere citar julgado do CARF favorável a sua posição, qual seja: (...) cc) Com fundamento no julgado citado no item antecedente: “dúvida não há acerca da intenção do legislador paranaense de estimular o desenvolvimento econômico da região, por meio de atração de empresas, criandose, por conseguinte, pólo gerador de conhecimento científico e mão de obra qualificada, e, consequentemente, maior número de empregos e crescimento regional.“ dd) Durante a fiscalização, mais precisamente por meio do TIF n° 06, foram requeridos esclarecimentos quanto a 4 (quatro) NCM, que supostamente não estariam contemplados no Decreto Estadual n° 1.922/2011. Sobre tal exigência, esclarece, mais uma vez, que as classificações fiscais em questão foram incluídas no Decreto n° 1.922/2011, parte em 2011 e parte ao longo do ano de 2012, ano calendário ora discutido (Decreto Estadual 3.199/2011 e Decreto Estadual 6.364/2012); ee) Reafirma a autuada que: “a subvenção para investimento não pressupõe necessariamente a aplicação de recursos no ativo imobilizado ou intangível da pessoa jurídica, de modo que ela pode vir a receber subvenções para investimento, por exemplo, para o aumento do capital de giro próprio. Isso porque, a transferência de capital pelos Estados aos contribuintes, a título de crédito presumido de ICMS, tem como pressuposto muito mais a intenção do Estado subvencionador em desenvolver a região em que o subvencionado está instalado, contribuindo, por exemplo, para o estoque de capital da empresa, do que para o custeio das suas atividades ou operações.” ff) A partir de tal explanação, entende a autuada, restar claro que a Fiscalização não compreendeu e distinguiu as reais características dos institutos tratados, circunstância evidenciada a partir de inúmeros trechos do Termo de Verificação fiscal, em que a autoridade lançadora afirma ser requisito obrigatório para que se denomine uma subvenção como investimento, a aplicação dos valores recebidos no imobilizado e/ou intangível. gg) A posição da fiscalização, fundada no PN CST n 112/78, é a de que: "Se não há expansão mediante ampliação de imobilizado e/ou intangível que representem incremento de fluxos de caixa futuros, há, então, meramente, subvenção para custeio." (fls. 22). hh) O entendimento fiscal não traduz o real sentido das subvenções para investimento, uma vez que os investimentos em expansão e ampliação de empreendimento econômico estão intrínsecos sempre que existente estímulo à expansão e consolidação da atividade econômica, Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.346 8 sem que tal fomento tenha que ser, necessariamente, convertido em investimentos ativáveis, (...) (...) ii) Em harmonia com o posicionamento exposto, invoca o Acórdão n° 910100.566, da Câmara Superior, do CARF, de 17 de maio de 2010, no mesmo sentido, também seguiu o posicionamento da 5ª Turma da 4a Câmara da Ia Seção do CARF, ao analisar a classificação de subvenções referentes a benefícios fiscais concedidos pelos Estados do Rio Grande do Sul e da Bahia, entre 2002 e 2005, entendendo que esses incentivos têm a natureza de subvenções para investimento, já que teriam o intuito de colaborar com a expansão econômica desses Estados. Isso porque, consoante já exposto alhures, subvenção para investimento é aquela em que há transferência de capital para o patrimônio do beneficiário, hipótese em que seu capital de giro acaba por ser incrementado, sem que seja necessária vinculação a bens de ativo imobilizado e intangível. Destacase, que o desenvolvimento de novos conhecimentos, técnicas e aprimoramento de mãodeobra não são propriamente a implantação ou expansão do empreendimento econômico, e sim conseqüência deste. Ora, em havendo o aumento do capital de giro da Impugnante, esta se torna hábil a investir em P&D, a desenvolver novos produtos e a contratar mãodeobra, promovendo, assim, o desenvolvimento regional buscado pelo legislador paranaense ao instituir o crédito presumido de ICMS. jj) A implantação ou expansão do empreendimento econômico, é oportuno repetir, não necessita ocorrer mediante investimento em ativo imobilizado ou intangível. (...) Esse foi o entendimento do Ilustre Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, no já citado voto exarado no acórdão n° 110100.661, o qual, ao final do julgamento, prevaleceu sobre o voto da relatora, dando provimento ao Recurso Voluntário da Impugnante. Vejase importante trecho do referido acórdão: (...) ll) Em sendo irrelevante a destinação imediata e específica dos valores recebidos, resta como único critério de diferenciação das subvenções para custeio e das subvenções para investimento, o objetivo buscado pela entidade pública concedente do benefício (nesse sentido, cita como precedentes do CARF acórdãos n° 110300.555, n° 10708739 e 101128.630); mm) A autoridade lançadora argumenta, com o objetivo de descaracterizar o crédito presumido de ICMS a que faz jus a Impugnante como subvenção para investimento, que este, por ter os mesmos requisitos da legislação do IPI, seria tal qual o último uma recuperação de custo ou, quando muito, uma subvenção para custeio, entretanto, tal comparação não possui qualquer possibilidade de ser realizada, na medida em que os efeitos e os próprios objetivos decorrentes dos benefícios sobre cada um dos tributos considerados são completamente distintos; nn) Para o IPI, o benefício fiscal visa regular determinado setor de atividade, impulsionandoo, por exemplo, a enfrentar competitívamente os produtos produzidos em outro país, ao passo que para o benefício de Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.347 9 ICMS o objetivo buscado é completamente diferente, qual seja, atrair indústrias para certas regiões, visando desenvolver, investir e consolidar o mercado local com ênfase em pesquisa e desenvolvimento. oo) Dessa forma, improcedente a tentativa da Fiscalização de comparar os benefícios fiscais de IPI e ICMS, na medida em que os efeitos e os próprios objetivos decorrentes dos benefícios sobre cada um dos tributos comparados são completamente distintos. pp) Restou demonstrado que o incentivo Paranaense trata de clássica subvenção para investimento, pois conferido para expansão de empreendimentos econômicos, não sendo necessário o emprego direto em ativo imobilizado/intangível para sua configuração como tanto; rr) Em diversas passagens, o d. AFRFB sustenta que, se a Impugnante não tivesse recebido o benefício discutido, teria apurado prejuízo em diversos anos compreendidos entre 2005 e 2014, o que supostamente indicaria que a real natureza da subvenção recebida pela Impugnante seria para custeio. (...) ss) No entanto, não existe na legislação qualquer disposição que afaste a natureza de um benefício como subvenção para investimento se os valores recebidos forem utilizados para absorver prejuízos, pelo contrário, uma vez que o próprio Regulamento do Imposto de Renda prevê referida possibilidade. tt) Alega que o argumento anterior tem fundamento no art. 443, inc. I, que trata do registro da subvenção para investimentos como reserva de capital e autoriza seu uso para absorver prejuízos. uu) (...) ainda que se considere a destinação dos valores recebidos a título de subvenção para investimento critério para definição de sua natureza, o que só se admite ad argumentandum tantum, ainda assim não restam dúvidas de que estamos tratando de uma subvenção para investimento, visto que os referidos valores possuem amparo no art. 443 do RIR/99. vv) A fiscalização alegou que a Impugnante usou parte do lucro formado com o crédito presumido de ICMS para distribuir dividendos, o que descaracterizaria a natureza de subvenção para investimento dos valores usufruídos. Todavia: (...) xx) A Impugnante assevera que os valores recebidos a título de subvenção para investimentos utilizados para distribuição de dividendos deixaram de ser excluídos do lucro real e da base de cálculo da CSLL; yy) A tributação, como se receita fosse, do crédito presumido de ICMS pelo IRPJ e pela CSLL, ofende frontalmente a imunidade recíproca, forma de expressão do Princípio Federativo (art. 150, VI, da CF/88); zz) A jurisprudência do E. TRF da 4ª Região e do STJ apresenta precedentes no sentido de que admitir a subvenção, decorrente de Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.348 10 créditos presumidos de ICMS, como base de cálculo para as exações PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, seria o mesmo que admitir a interferência da União na competência tributária privativa dos Estados, limitando a eficácia de benefícios fiscais por eles concedidos, importando em ofensa ao princípio federativo. aaa) Afirma que a fiscalização, ciente da jurisprudência aplicável, busca justificar a autuação com base em precedente relativo a inclusão do ICMS na base de cáculo do IRPJ no regime do lucro presumindo, mas não menciona que se trata de uma opção do contribuinte a tal regime de tributação ou que, neste caso, inexiste renúncia de receita. Bbb) Por fim, quanto ao exemplo dado pela Fiscalização, referente à possibilidade de um Estado estabelecer uma alíquota de ICMS de 100% e um correspondente crédito presumido de 99%, a Impugnante, em que pese o esforço empreendido, não possui meios para tentar alongar o debate, visto tratarse de um exemplo que pode se chamar, no mínimo, de absurdo e completamente irreal. Ainda que se admitisse, por amor à argumentação, uma alíquota absurda de 100%, mesmo que qualquer Estado pretendesse fazêlo, não poderia, pois está restrito aos limites Constitucionais e Resoluções do Senado Federal, restrições estas que tem justamente como objetivo garantir a autonomia dos Entes Federados e a nãoinvasão de competências tributárias uns dos outros. Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 1ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, que julgou totalmente procedente o lançamento, rejeitando os termos da Impugnação apresentada. Confirase a ementa daquele julgado a quo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2012 CARF. ACÓRDÃO 110100.661. JULGADO CONTRA LEGEM. DECISÃO SEM FORÇA DE PRECEDENTE. Ainda que o voto vencedor para o Acórdão nº 110100.661, referente aos anoscalendário de 2005 a 2008, tenha por objeto o mesmo benefício fiscal e contribuinte a que se refere o presente processo, tal julgado não pode ser qualificado ou produzir efeitos de precedente, pois seus fundamentos são incompatíveis com as normas legais aplicáveis e até mesmo com a jurisprudência referida como suporte a suas conclusões. A atividade da administração tributária tem natureza plenamente vinculada, inexistindo hipótese de formação de precedentes contra legem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS. Como regra geral, as Subvenções para Investimento são tributáveis e apenas podem ser excluídas da base de cálculo caso cumpridos os Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.349 11 seguintes requisitos: a) recursos oriundos de pessoas jurídicas de direito público; b) possuírem destinação específica para investimentos, em bens ou direitos, vinculados à implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; c) sincronismo entre a intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; d) o beneficiário da subvenção deve ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico; e) a receita correspondente deve ser contabilizada em contrapartida a contas integrantes do Patrimônio Líquido. IRPJ. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO EM ATIVO IMOBILIZADO. NECESSIDADE. O art. 443 do RIR/99 determina, para que sejam excluíveis da base de cálculo, que as subvenções sejam destinadas à “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”; na esteira do que determinam os pareceres normativos da RFB. IRPJ. SUBVENÇÃO ESTATAL. TRANSFERÊNCIAS CORRENTES. O crédito presumido do ICMS, ao configurar recuperação de custos na forma de incentivo fiscal, aumenta indiretamente o lucro tributável e, portanto, deve compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IRPJ. ART. 44 DA LEI Nº 4.506/64. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. É descabida a tese de derrogação do art. 44 da Lei nº 4.506/64, pois ainda que fosse possível tratar todas as subvenções governamentais como espécies do gênero doação, uma eventual receita de “doação” para custeio ou para recuperação de custos jamais atenderia a todas as exigências de Lei para exclusão do Lucro Real, mais especificamente a exigência que decorre da alínea ‘a’ do §2º do art. 38 do DL nº 1.598/77. TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL E CORRENTES. REGIME DE DIREITO PÚBLICO. APLICABILIDADE DA LEI Nº 4.320/64 Os comandos do DL nº 1.598/77 não têm o condão de afastar, de qualquer espécie de Transferência Corrente ou de Capital, a aplicação das regras e definições da Lei nº 4.320/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. Aplicamse aos lançamentos reflexos os mesmos fundamentos do IRPJ, no que couber. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1218 a 1330), repisando os argumentos de sua Impugnação e fazendo alusão específica aos termos do v. Acórdão recorrido, apontando as razões da necessidade de sua reforma. Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.350 12 Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.351 13 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Não havendo matéria, passo ao mérito da demanda. O cerne da matéria dos autos é a natureza da benesse concedida por meio do Decreto Estadual nº 1922/2011, através de créditos de ICMS, a qual a Fiscalização entende não se tratar de subvenção de investimento, glosando a exclusão do valor efetuada sob tal rubrica pelo Contribuinte na apuração das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Também questionase a destinação dos valores percebidos com tal auxílio estatal. Assim como mencionado no TFV e nas peças de defesa Recorrente, outras autuações da mesma matéria e envolvendo o mesmo Contribuinte (referentes a Decretos do Estado do Paraná com disposições e natureza muito semelhantes, se não idênticas, como a própria Fiscalização reconhece) já foram julgadas neste E. CARF, reconhecendo a legitimidade da dedução dos valores, entendendo tratarse de legítima subvenção de investimento. O primeiro deles é o Acórdão nº 110100.661, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara dessa 1ª Seção, de relatoria da I. Conselheira Edeli Pereira e voto vencedor do I. Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior (apenas a Relatora foi vencida), publicado em 31/01/2012: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. As subvenções para investimento – in casu, correspondentes a créditos presumidos de ICMS – diferenciamse das subvenções de custeio, tão somente, na medida em que as primeiras são concedidas com o fito de estimular investimentos regionais ou setoriais, operados mediante instalação ou expansão – inclusive qualitativa – de empreendimentos econômicos. Ao contrário do quanto aduzido pelo Parecer Normativo Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.352 14 CST nº 112/78, a caracterização de dado benefício fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva das cifras subvencionadas a projeto predeterminado. No mais, para tais fins, irrelevante é a análise das contrapartidas impingidas ao contribuinte, postas, pelo ente outorgante, como pré condições à fruição da benesse. Muito recentemente, apenas com o câmbio dos anoscalendário dos débitos sobre debate, foi proferido o Acórdão nº 1401001.622, pela C. 1ª Turma Ordinária dessa mesma 4ª Câmara, de relatoria da I. Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, publicado em 09/01/2107, decidindo da mesma forma favorável ao Contribuinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. As subvenções para investimento in casu, correspondentes a créditos presumidos de ICMS diferenciamse das subvenções de custeio, tão somente, na medida em que as primeiras são concedidas com o fito de estimular investimentos regionais ou setoriais, operados mediante instalação ou expansão inclusive qualitativa de empreendimentos econômicos. Ao contrário do quanto aduzido pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, a caracterização de dado benefício fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva das cifras subvencionadas a projeto predeterminado. A Concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o Estado do Paraná, dentre eles a concessão de créditos presumidos de ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento de estoque de capital na pessoa juridica subvencionada, mediante a incorporação de recursos ao seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. (destacamos) Ao seu turno, na presente C. 2ª Turma Ordinária, o tema já foi muitas vezes analisado, como ilustra a ementa do Acórdão nº 1402.002.448, de votação unânime e relatoria deste mesmo Conselheiro, publicado em 03/05/2017: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.353 15 SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. IMPLEMENTAÇÃO OU EXPANSÃO DE EMPREENDIMENTO ECONÔMICO. PREVISÃO LEGAL DO INSTITUTO. REQUISITOS DELIMITADOS. DISTINÇÃO DE BENEFÍCIO FISCAL. A incidência da norma contida no art. 443 do RIR/99 demanda a verificação se, efetivamente, os valores percebidos e seu emprego pelo contribuinte se amoldaram às características da subvenção de investimento, que primordialmente pressupõe o estímulo à implantação ou à expansão de empreendimentos econômicos.Subvenções e benefícios fiscais são institutos distintos. A redução de alíquota de ICMS para determinadas atividades mercantis dos contribuintes, exigindose para seu gozo apenas o atendimento a condições empresariais préexistentes (regularidade fiscal, determinado número de funcionários e montante do capital social), configura mera benesse tributária, afastandose do conceito de subvenção para investimento. (destacamos) Como se observa, não só já existe pronunciamento deste E. CARF sobre a matéria aqui debatida, com profunda identidade com presente feito, como essa Turma já manifestou posição sobre o tema jurídico. Analisando especificamente os fatos e as circunstância da Autuações sob análise, faz parte do conjunto de acusações fiscais a utilização dos valores das subvenções para a formações de lucros distribuídos aos sócios (TVF fls. 20 a 22): SUBVENÇÕES, RESERVAS DE INVENTIVOS FISCAIS e DIVIDENDOS Encontrase à página 24 do Relatório de Demonstrações Financeiras (DF) de 31/12/2012: “...2.24 Distribuição de dividendos A distribuição de dividendos para os acionistas da Companhia é reconhecida como um passivo nas demonstrações financeiras ao final do exercício, com base no estatuto social da Companhia. Qualquer valor acima do mínimo obrigatório somente é provisionado na data em que são aprovados pelos acionistas, em Assembleia Geral.” E à página 41 do Relatório DF de 31/12/2012: “...O registro do crédito tributário está suportado pelos planos de negócios da Companhia, os quais consideram a ampliação das atividades comerciais que demonstra lucros tributáveis em exercícios futuros, em montantes suficientes para a realização de tais valores, além da decisão da Administração de distribuir dividendos, em níveis dos montantes distribuídos historicamente, utilizando parte da receita de Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.354 16 subvenção para investimentos, o que irá gerar lucro tributável suficiente para compensar o referido crédito tributário diferido.” E também à página 46 do Relatório DF de 31/12/2012: (e) Dividendos Conforme ata da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária realizada em 25 de março de 2008, a Companhia poderá levantar balanços semestrais ou intermediários; deliberar a distribuição de dividendos a débito da conta de lucro apurado naqueles balanços; declarar dividendos intermediários a débito da conta de lucros acumulados ou de reservas de lucros existentes naqueles balanços ou no último balanço anual; poderá pagar ou creditar juros sobre o capital próprio, ad referendum da Assembleia Geral Ordinária que apreciar as demonstrações financeiras relativas ao exercício social em que tais juros foram pagos ou creditados, sendo que os dividendos intercalares ou intermediários e os juros sobre o capital próprio deverão ser sempre imputados ao dividendo obrigatório.” E ainda, à página 67 do Relatório DF de 31/12/2012: “...Dividendos O Estatuto Social da Positivo Informática determina que, pelo menos, 25% do lucro líquido contábil da companhia deve ser distribuído como dividendo anual obrigatório. Para o resultado referente ao exercício de 2012, será feita uma proposta à Assembléia Geral Ordinária, a ser realizada em 30/04/2013, de distribuição de R$ 7,5 milhões na forma de dividendos, a serem pagos em uma única parcela em 16/12/2013.” Conforme consta dos registros contábeis a seguir, a POSITIVO pagou a seus acionistas, em dezembro/2013, os dividendos propostos no ano anterior (vide DF de 31/12/2012): Quanto aos dividendos observase à página 41 da DF de 2014, em parágrafo já transcrito neste TVF, e agora com destaques: “...O registro do crédito tributário está suportado pelos planos de negócios da Companhia, os quais consideram a ampliação das atividades comerciais que demonstra lucros tributáveis em exercícios futuros, em montantes suficientes para a realização de tais valores, além da decisão da Administração de distribuir dividendos, em níveis dos montantes distribuídos historicamente, utilizando parte da receita de subvenção para investimentos, o que irá gerar lucro tributável suficiente para compensar o referido crédito tributário diferido.” Ou seja, a POSITIVO tem utilizado, sistematicamente, parte das receitas de subvenções para poder distribuir dividendos a seus acionistas. Sem considerar as receitas ditas de subvenção para investimento, a POSITIVO mesmo afirma que teria outro resultado Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.355 17 líquido em 2012. Teria prejuízo, e não teria dividendos a distribuir. Portanto, depreendese que, ao programar e efetuar o pagamento (em 2012) dos dividendos relativos a 2012, a POSITIVO acabou por distribuir, para seus acionistas, as receitas de subvenção percebidas pela empresa (destacamos). Na forma acima demonstrada, a Fiscalização acusa o Contribuinte (e demonstra constar de seu Relatório de Demonstração Financeira) a utilização de valores de subvenções para a formação e o pagamento de dividendos. Todavia, não é quantificado o valor da subvenção de investimento recebida em 2012 (objeto das Autuações) que acabou sendo destinada para a composição dos lucros distribuídos (a demonstração financeira fala em parte da receita com subvenção). Igualmente ausente a demonstração de como deuse tal fluxo de numerário. Quando das defesas do Contribuinte, este reconhece que se valeu de valor dessa transferência de capital do Estado do Paraná para pagar dividendos e afirma que ofereceu tal valor a tributação, mas também não especifica a sua monta e não faz a prova da oneração fiscal que afirma ter ocorrido (Recurso Voluntário fls. 1260 a 1263): Tal ocorrência é importante para a compreensão completa dos fatos e da conduta do Contribuinte, principalmente por compor a acusação fiscal. Como restou acima demonstrado, não se sabe o tamanho da parcela de subvenções que formou os dividendos pagos mas é incontroversa a realização de tal manobra. Com a precisão do montante, ficará também mais clara a parcela do débito que apenas está sujeita à parte da acusação mais abstrata, de Direito, referente à natureza da benesse experimentada e qual parcela também será necessária enfrentar o debate sobre as consequências e procedimentos a serem adotados quando da sua utilização para a distribuição de dividendos. Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.356 18 Por sua vez, após edição e vigência da Lei nº 11.941/20091, aplicável ao presente caso, os valores de subvenção de investimento passaram a transitar pelo resultado das companhias, devendo ser excluídos nos registros do LALUR quando percebidos e, eventualmente, adicionados para o cômputo do Lucro Real quando tiverem destinação diversa. Contudo, expressamente afirmou o Contribuinte que tais valores deixaram de ser excluídos dos lucro real e da base de cálculo da CSLL (ao invés de têlos adicionado), o que também gera dúvidas se no valor colhido pela Fiscalização já estariam estes descontados ou teriam sido incluídos lá valores que já foram objeto de tributação por adições. 1 Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II – excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III – manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV – adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3º deste artigo. § 1º As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I – capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II – restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III – integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 2º O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2º do art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1o do art. 15 desta Lei. § 3º Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes. Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.357 19 Nesse sentido, se provada a ausência de exclusão ou mesmo a efetiva adição de tais valores ao resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL, esvaziase o lançamento em relação a tal partícula, independentemente de qualquer debate jurídico. O mesmo ocorreria se ofertados tais valores em outro exercício (podendo ser interpretado como postergação do pagamento). Por outro lado, se devidamente quantificada e provada a ausência da sua oferta a tributação, também confirmase a existência do crédito, mesmo se considerada uma subvenção de investimento válida (podendo e devendo essa Turma Ordinária avaliar se correta a sua exigência por meio de glosa de exclusões, como procedido pela Autoridade Fiscal). Uma vez carente de precisão quantitativa a acusação de utilização de valores de subvenção de investimento para a formação dos lucros efetivamente distribuídos, a veracidade da alegação do Contribuinte de oferta desse montante a tributação pode também ser verificada na mesma oportunidade, mostrandose o esclarecimento prévio de tais fatos medida muito proveitosa para a resolução da demanda. Desse modo, entendese ser no caso adequada e necessária para o total esclarecimento dos fatos ocorridos e, principalmente, a segura formação de convicção antes de julgamento meritório do feito, a realização de diligência a fim de se estabelecer o montante dos valores de subvenção que formaram lucros distribuídos (como afirmado no TVF), quais foram os procedimentos adotados pelo Contribuinte e se, realmente, houve a sua tributação (como alegado pela Recorrente). Ficam as demais matérias meritórias alegadas, agora, prejudicadas, as quais serão devida e oportunamente abordadas quando do julgamento definitivo do feito. Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1.a) analisando os Livros, Declarações e demais registros do Contribuinte, calcule e demonstre, com clareza, didática e precisão, qual parcela valores recebidos a título de suposta subvenção de investimento, reduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL referente ao anocalendário de 2012 (apenas o objeto destas Autuações) fora utilizada para a formação dos dividendos efetivamente distribuídos; 1.b) Detalhe como procedeu contabilmente o Contribuinte para tal manobra; Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10903.720017/201551 Resolução nº 1402000.442 S1C4T2 Fl. 1.358 20 2.a) Responda se a parcela das supostas subvenções de investimentos, referente ao presente processo, que foi objeto de formação de dividendos efetivamente distribuídos, também foi ofertada a tributação? 2.b.1.) Se positivo em relação ao item 2.a, de que forma foi tributada? (não efetuando a exclusão nos registros do LALUR ou promovendo sua adição ou, ainda, por outro meio, que resultou em sua oneração fiscal pelo IRPJ e pela CSLL); 2.b.2.) Se positivo em relação ao item 2.a, em qual anocalendário/exercício houve tal tributação? 3) Elaborar Relatório formal, explicando e fundamentando as conclusões obtidas, de maneira objetiva, didática e clara, juntando documentação e demonstrativos quando possível. Poderá ser o Contribuinte intimado a fornecer documentos e informações, bem como se proceder a diligências in loco. 4) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do retorno dos autos para julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1359DF CARF MF
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Numero do processo: 15971.000581/2007-54
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA.
Não pode optar pelo Simples Federal empresa que preste serviços cuja natureza necessite qualificação profissional especializada, nos termos do inciso XIII do artigo 9o da Lei n. 9.317/96.
Numero da decisão: 1801-000.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. Não pode optar pelo Simples Federal empresa que preste serviços cuja natureza necessite qualificação profissional especializada, nos termos do inciso XIII do artigo 9o da Lei n. 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa em epígrafe foi excluída do Simples, consoante Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 55/07, fls. 27, com efeitos retroativos a 01/01/2002, por prestar serviços de engenharia e assemelhados, no caso, especificamente, engenharia química e sanitarista (artigo 9o, inciso XIII, da Lei n. 9.317/96). Pelos documentos do processo – Notas Fiscais de Serviços – e esclarecimentos da empresa e da fiscalização, fls. 01 a 26, a empresa presta serviços de análise de qualidade de água, manutenção de sistemas de fluoretação/cloração e conserta tubulações hidrossanitárias, inclusive para prefeituras municipais, além de comercializar produtos para tratamento de água em geral e equipamentos afins. Inconformada com a exclusão, a empresa manifestouse às fls. 36 a 50. Como fundamento contestatório argumentou que a Representação Administrativa de fls. 01/ invocou o artigo 20, inciso V, da Instrução Normativa (IN) RFB n. 34/01 (texto repetido nas IN RFB ns. 250/02 e 322/03), o qual trata de compra/venda, loteamento, incorporação, construção de imóveis, mas nos fatos representados afirmou que a empresa presta serviços de análise de água, estando totalmente dissociados os fatos do enquadramento legal. Argumenta que: a) a fiscalização acostou aos autos vagos documentos, entre eles algumas Notas Fiscais; b) o auditor fiscal baseouse em singela presunção partindo das NFS ns 11131, 1098 e 1058, nas quais está descrito o serviço de “coleta para análise” para a Prefeitura de Batatais/SP, para os meses maio, junho e julho de 2004; c) coleta e análise são atividades distintas, não havendo provas contundentes de que a empresa pratica qualquer atividade vedada para optar e se manter no Simples; d) mediante intimação fiscal, esclareceu, de boa fé, que “comercializa produtos para tratamento de águas, cloro, saneantes em pastilhas, equipamentos para laboratórios, equipamentos para tratamento de água com bombas dosadoras, serviços de conserto hidráulicos” e, em seguida, foi cientificada do Despacho DRF/AQA/SACAT e do ADE de exclusão; e) não exerce a totalidade das atividades descritas no objetivo social registrado em seu contrato social e alterações; f) a presunção fiscal não pode prevalecer diante de tão poucos elementos e sem o procedimento fiscal devido à apuração dos fatos; g) a exclusão do Simples importa em aumento da carga tributária por isso os fatos deveriam ser melhor averiguados; h) a empresa presta serviço “braçal” e não profissional de engenharia química; i) descabimento ao fundamentar o despacho decisório em resolução Confea que confronta normas constitucionais e não pode servir de fundamento para o aumento de tributos; Cita julgados administrativos e judiciais que entende corroborar as suas argüições. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15971.000581/200754 Acórdão n.º 180100.577 S1TE01 Fl. 71 3 A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP exarou o Acórdão n. 1422.471/09 mantendo a exclusão do Simples pelos seguintes fundamentos: “[...] Com efeito, a representação cumpre a única função de dar notícia à autoridade de fatos que, em tese, configuram infração à legislação tributária. A exclusão do SIMPLES e seus fundamentos se dão por ato diverso, de modo que é a validade deste ato que deve ser avaliada. Na situação de que trata o presente processo administrativo, os fundamentos para a exclusão, inclusive com a menção à provas, constam do Despacho Decisório de fls. 2426. Também no Ato Declaratório Executivo DRF/AQA n° 55/2007 consta o fundamento legal, a situação excludente apurada e o número do processo administrativo no qual se encontra as provas que dão base ao Ato. Portanto, eventual incongruência da representação não tem o condão de macular o Ato Declaratório emitido com observância da legislação aplicável. Quanto ao exercício de atividade impeditiva no SIMPLES, consta do contrato social (fl. 08) que o objeto social da empresa é o "comércio varejista de bombas d'água, produtos e equipamentos para laboratórios e tratamento de águas e efluentes, prestação de serviços em análises de águas e efluentes e manutenção de equipamentos e bombas d'água". Às fls. 1316, foram anexadas cópias de notas fiscais com descrição de serviços realizadas à Prefeitura de Batatais consistentes na coleta e análise. Estranhamente, a nota fiscal de fl. 15 faz expressa referência ao contrato n° 18/2024, mas o contribuinte declara à fl. 12 que celebrou apenas um acordo verbal com o Município de Batatais. À fl. 21 o contribuinte afirma que "comercializa produtos para tratamento de águas, cloro, saneantes, em pastilhas, equipamentos para laboratórios, equipamentos para tratamento de água como bombas dosadoras, serviços de conserto hidráulicos devido a corrossão (sic) da tubulação onde é (sic) adicionados determinados produtos". Além disso, às fls. 2223 foram juntadas cópias de notas fiscais relativas a prestação de serviços de manutenção de sistema de cloração e de fluoretação. Todo este conjunto probatório leva à conclusão segura de que o contribuinte exerce a atividade vedada no SIMPLES prevista no art. 9o , XIII, da Lei n° 9.317/96, qual seja, atividade de engenheiro ou assemelhados. Em sua impugnação o contribuinte sustenta que apenas realiza a coleta para análise. Não é, porém, o que revelam as notas fiscais anexadas aos autos (fls. 1316), nas quais consta expressamente coleta e análise. Evidentemente, a atividade de coleta e análise de água, prestada para a Prefeitura de Batatais, é atividade típica de engenheiro químico. Mais que isso, as atividades de manutenção de sistema de cloração e de fluoretação, constantes das notas fiscais de fls. 2223, também são próprias de engenheiros.” (grifos não pertencem ao original) Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 66 a 68 no qual, observase, alterou a razão social para “Acqua Boom Saneamento Ambiental”, registrada junto ao CRQ n. 18699F, pelos seguintes motivos: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 I) a recorrente é empresa cujo principal atividade é a manutenção de equipamentos hidráulicos de pequeno porte, oferecendo também serviços de coleta de água a algumas pessoas jurídicas; II) necessita dos benefícios do Simples para poder continuar a existir; III) os serviços realizados não exigem acompanhamento de profissional com formação técnica, sendo realizados pelos próprios proprietários auxiliados por operadores treinados por eles; IV) a descrição do serviço de “análises” nas Notas Fiscais não configura serviços técnicos realizados somente por engenheiros; V) as análises são realizadas por medidores de teores comercializados e sem qualquer juízo técnico realizado por profissional específico; consiste na mera apresentação de índices; VI) a recorrente está enquadrada no Simples porque seu faturamento é inferior ao limite legal. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. A discussão do presente litígio centralizase no fato de a empresa poder ou não manterse no regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado – Simples, praticando, entre outras atividades permitidas – comércio – a prestação de serviços como coleta e análise de água, ainda que sumária, consertos de tubulações hidráulicas e controle/manutenção de fluoretação, cloragem etc. A vedação ora discutida estaria no fato de, segundo a autoridade a quo decidiu, tais atividades prescindirem de um analista técnico, no caso, engenheiro químico, ou engenheiro sanitarista. Comungo da tese de que a vedação inserida no inciso XIII, do art. 9º, da Lei nº 9.317/96 – atividades vedadas aos profissionais prestadores de serviços – é para alcançar as associações destas pessoas, digo, escritórios, clínicas, cursos e assim por diante. No presente caso, as provas existentes no processo, estampadas nas Notas Fiscais de prestação de serviços, ainda que poucas, exemplificam a atividade prestada pela empresa e não deixam margem de dúvidas quanto ao serviço de natureza química. Se qualquer pessoa pode coletar a água de um município e analisála, e posteriormente tratála quimicamente, sem qualquer habilitação para isso, ou mesmo sem firmar contrato de prestação dos serviços, é um problema entre o ente jurídico público, a empresa contratada e o Tribunal de Contas, mas a natureza do serviço prestado exige, em tese, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15971.000581/200754 Acórdão n.º 180100.577 S1TE01 Fl. 72 5 que a análise de água venha acompanhada, no mínimo, de um laudo técnico, bem como o seu tratamento ser dosado por pessoas especializadas. Assim, não se deve adentrar aos aspectos do direito administrativo público, mas no que respeita ao direito tributário, indiscutível que a empresa consiste em uma pessoa jurídica que presta serviços que exigem, em tese, peritos, ou seja, pessoas qualificadas no ramo químico e/ou sanitarista, o que a impede de optar pelo regime de tributação favorecido e simplificado do Simples Federal, nos estritos termos do artigo 9o, inciso XIII, da então vigente Lei n. 9.317/96. E não importa para os fins tributários na opção por este regime de tributação se a empresa é pequena, se a atividade preponderante é a comercialização de produtos ou qualquer outra permitida e não vedada. O que justificou a emissão do ADE sob análise foi a prática inconteste e declarada em Notas Fiscais de atividade vedada, por ser própria de profissional habilitado. Ademais a recorrente no curso do processo não apresentou quaisquer provas que invalidassem as argumentações do fisco, acompanhadas de provas. Pelo contrário, recorreu a este colegiado carimbando a peça recursal com a expressão de ser firma sanitarista devidamente registrada no Conselho Regional de Química (CRQ n. 18699F). Por derradeiro, cumpre salientar, dado os termos da recorrente no recurso voluntário fazendo menção ao Simples Nacional, que a empresa foi excluída do Simples Federal, regido pela Lei n. 9.317/96, não sendo matéria objeto deste processo qualquer opção feita ao Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar 123/06. Voto em manter a exclusão da empresa do Simples Federal consoante ADE emitido. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.720160/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876, de 1999, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543-B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 2015.
Numero da decisão: 2301-005.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e lhe dar provimento, nos termos do voto do relator.
Acompanhou o julgamento da Dra. Letícia Fernandes de Barros, OAB/MG 79.562.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876, de 1999, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e lhe dar provimento, nos termos do voto do relator. Acompanhou o julgamento da Dra. Letícia Fernandes de Barros, OAB/MG 79.562. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 60 /2 01 3- 20 Fl. 6364DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1655.308, exarado pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo I (SP), efls. 39694055, que julgou improcedente os seguintes lançamentos: (1) AI DEBCAD n.° 37.253.7561, no montante de R$174.957.038,80 (cento e setenta e quatro milhões, novecentos e cinqüenta e sete mil e trinta e oito reais e oitenta centavos), consolidado em 29/01/2013, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, inciso IV da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, correspondentes a contribuições da empresa relativamente a serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas às competências 01/2008 a 12/2008; e (2) AI DEBCAD n.° 37.253.7570, multa no valor originário de R$377.823,60 (trezentos e setenta e sete mil e oitocentos e vinte e três reais e sessenta centavos), por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5° da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, referente às competências 01/2008 a 11/2008. A autuada apresentou impugnação, cujos pontos controvertidos foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, o qual adoto: Inconformada com as autuações, das quais foi cientificada em 31/01/2013 (fls. 1.053, 1.061 e 1.062), a empresa apresentou, em 01/03/2013, a impugnação de fls. 1.074 a 1.180, com documentos anexos às fls. 1.181 a 3.885 (cópias de Procuração, de documentos de identificação dos subscritores da impugnação e da Procuração, do Estatuto Social, de Ata de Assembléia Geral Ordinária, de Manual de Intercâmbio Nacional, de Solução de Consulta Fiscal, de Folhas de Ponto, de Fotografias, de planilhas, de folhas do Diário Geral, de contratos, de GFIP's, de GPS's, de faturas de serviço, de normas, entre outros documentos), pugnando por sua tempestividade, fazendo um breve relato dos fatos, e deduzindo, em sua defesa, as alegações a seguir sintetizadas. Dos fatos: Informa, aqui, a empresa, a lavratura, em 29/01/2013, dos Autos de Infração n.° 37.253.7561 e 37.253.7570, em razão, respectivamente, do pretenso inadimplemento de contribuição previdenciária incidente em face de serviços supostamente prestados a ela por cooperados, por meio de cooperativas de trabalho, e do conseqüente suposto preenchimento incorreto das GFIP's enviadas entre janeiro e novembro de 2008. Afirma que, em rasa fundamentação, o Fisco teria entendido que ela, Cooperativa de Segundo Grau (ou cooperativa de Fl. 6365DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 3 3 cooperativas), ao comercializar planos de saúde, cuja execução se daria, em grande parte, pelos Cooperados das suas Cooperadas (Cooperativas do Sistema Unimed), estaria tomando diretamente serviços de tais Unimeds (contratando suas associadas), e não as representando ou intermediando, por meio do instituto "intercâmbio", como verdadeiramente o faria. Segundo a impugnante, de forma equivocada, teria sido deslocada para ela a incidência previdenciária legal e normativamente posta sobre os contratantes dos planos de saúde em questão, a quem, efetivamente, os serviços dos cooperados seriam prestados. Defende que a presente autuação não poderia subsistir, conforme demonstrado nos tópicos seguintes, eis que: • (i) Viciado de nulidade o processo fiscalizatório ante (i.l) a ilegitimidade das Autoridades Fiscalizadoras em decorrência da ausência de intimação das alterações procedidas no Mandado de Procedimento Fiscal e pelo excesso de prazo das prorrogações ocorridas; (i.2) a ofensa aos Princípios da Razoabilidade, Eficiência e Praticidade em razão da exigüidade dos prazos concedidos e irrazoabilidade dos documentos solicitados, em injustificável oneração dos seus custos de conformidade fiscal; e (i.3) o não atendimento à formalidade essencial dos atos administrativos, com recusas e intimações verbais; • (ii) Viciados de nulidade os Autos de Infração ante (ii.l) a sua deficiente fundamentação; e (ii.2) a omissão de documentos na formação do processo administrativo; • (iii) Decaído o direito da Fazenda Pública de lançar o crédito fiscal referente às faturas emitidas antes de 31 de janeiro de 2008, eis que passados 05 (cinco) anos entre a data da ocorrência do pretenso fato gerador da contribuição e a notificação do lançamento, tal qual prevê o artigo 150, § 4° do CTN, destacandose a existência de recolhimento tempestivo em relação aos serviços verdadeiramente prestados por cooperados a ela; • (iv) Não é contribuinte da Contribuição lançada, não tomando serviços dos cooperados das cooperativas singulares (suas cooperadas), mas apenas os intermediando, quer (iv.l) por sua condição de Cooperativa Central/de Segundo Grau, sem cooperados pessoas físicas, otimizadora das contratações de planos de saúde pelos verdadeiros tomadores de serviços dos cooperados de suas associadas, nos termos em que reconhecido pelos normativos previdenciários; (iv.2) por sua condição de cooperativa cessionária nas intermediações em "Intercâmbio entre Unimeds", nos termos em que igualmente reconhecido pelos normativos previdenciários e por Solução de Consulta específica, 155/2000; e (iv.3) por sua condição de operadora de planos de saúde, nos termos em que consolidado pela jurisprudência; Fl. 6366DF CARF MF 4 • (v) Fundamentados os Autos de Infração em premissas equivocadas, sendo que (v.i) a administração de planos de saúde desempenhada pela Central Nacional Unimed tem natureza de intermediação; (v.ii) a comercialização de planos de saúde na modalidade de prépagamento não os transforma em "produto financeiro"; concluindose assim que (v.iii) não toma diretamente serviços dos cooperados das Cooperativas do Sistema Unimed (não há contratação de suas associadas); • (vi) Intributável o ato cooperativo perfeito; • (vii) A pretensa cobrança resulta em bitributação, eis que o mesmo fato gerador (prestação de serviços pelos cooperados) já repercutiu na tributação dos verdadeiros tomadores dos serviços, contratantes dos planos de saúde, quer em pré pagamento, quer em custo operacional; • (viii) Viciada a exigência da contribuição previdenciária com base nas deficiências da Lei 9.876/99, consistentes na (viii.l) inobservância dos requisitos do exercício da competência residual na instituição de nova contribuição previdenciária; e (viii.2) ofensa ao Princípio da Isonomia e à Determinação Constitucional de Estímulo ao Cooperativismo; • (ix) Subsidiariamente, no que se refere aos repasses efetuados a cooperativas de trabalho, majorada a suposta base de cálculo por excederse a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados, quer (ix.l) por incluir valores outros como materiais, equipamentos, medicamentos, diárias hospitalares, etc, quer (ix.2) por conter valores que não se referem a serviços efetivamente prestados, constituindo glosas que, na sistemática das operadoras de planos de saúde, equiparamse às vendas canceladas, justificandose a necessidade de (xi) realização de diligência para a quantificação da real parcela de serviço de cooperados e, caso se entenda pela desnecessidade de diligência e que toda a documentação e esclarecimentos apresentados não se prestem a quantificar os serviços dos cooperados, a necessidade de que (xii) seja adotado o arbitramento, quantificandose, em 30% sobre o valor das faturas a correta base de cálculo tributável, em conformidade com a posição fiscal sobre o tema, estampada no art. 291, I, "a", da IN 03/2005; • (xiii) Ofendido o Princípio da Retroação Benéfica, devendo (xiii.l) a multa de mora limitarse (a) ao montante de 20% previsto na Lei 9.430/96 e, subsidiariamente, (b) ao montante de 75%, quando ultrapassado tal limite (na somatória com a multa acessória) em razão da majoração temporal da multa de mora aplicada e (xiii.2) a multa acessória limitarse ao montante mínimo mensal de R$ 500,00, em obediência ao art. 32 A da Lei 8.212/91; • (xiv) Ofendidos os Princípios da Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e do NãoConfisco, ante a majoração temporal da multa de mora; e • (xv) Indevida a incidência de juros sobre as multas aplicadas. Da alegação de nulidade do procedimento fiscal e dos autos de Fl. 6367DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 4 5 infração: De acordo com a empresa, tanto o procedimento fiscalizatório, quanto os Autos de Infração, possuiriam vícios que os maculariam de nulidade. • Da nulidade do procedimento fiscalizatório: Sustenta, aqui, a impugnante, a existência de vícios no procedimento de fiscalização, destacando, no caso: (i) a ilegitimidade das Autoridades Fiscalizadoras em decorrência da ausência de intimação das alterações procedidas no Mandado de Procedimento Fiscal e pelo excesso de prazo das prorrogações ocorridas; (ii) a ofensa aos Princípios da Razoabilidade e Praticidade em razão da exigüidade dos prazos concedidos e irrazoabilidade dos documentos solicitados, em injustificável oneração dos seus custos de conformidade fiscal; e (iii) o não atendimento à formalidade essencial dos atos administrativos, com recusas e intimações verbais. Relata, inicialmente, o trâmite do procedimento fiscalizatório, desde a sua intimação, em 18/07/2011, do Termo de Início do Procedimento Fiscal, mencionando as solicitações de apresentações de documentos e esclarecimentos efetuadas pelos Termos de Intimação Fiscal (TIF) 01 a 05, recebidos de 03/12/2011 a 24/07/2012, com os prazos concedidos para tanto, e as suas prorrogações. Destaca que as supostas divergências entre as declarações em GFIP e DIPJ dos valores pagos a cooperativas seriam aparentes, eis que, em GFIP, apenas seriam informados os pagamentos que efetivamente configurariam fato gerador previdenciário em conformidade com a Lei 9.876/99, ou seja, os que se refeririam a serviços prestados a ela, sendo esta a justificativa das diferenças narradas no Relatório Fiscal. Informa que os valores pagos a cooperativas englobariam tanto os pagamentos por serviços (i) prestados diretamente a ela, por cooperativas de trabalho, quanto os pagamentos por serviços (ii) prestados, em intermediação, a terceiros, usuários dos seus planos de saúde, pelos cooperados igualmente intermediados por cooperativas de trabalho. Faz referência ao Manual de Intercâmbio entre Unimeds, afirmando sua peculiar condição de Cooperativa de Segundo Grau operadora de planos de saúde, não se tratando de contratante/contratada das cooperativas de trabalho, mas sim, de intermediadora dos serviços prestados por cooperados a usuários de planos de saúde, sendo que a relação existente entre elas seria exclusivamente sistêmica de integração entre as cooperativas de trabalho médico do sistema Unimed, de modo a viabilizar o atendimento do usuário de uma cooperativa pelos cooperados e pela rede credenciada de outra cooperativa, nas respectivas áreas de atuação. Fl. 6368DF CARF MF 6 Menciona, ainda, a Solução de Consulta Fiscal n.° 155/2000, específica sobre o tema, que teria sido apresentada à fiscalização, e por ela desconsiderada, e na qual se teria reconhecido expressamente a não incidência narrada. Afirma, ademais, que, por meio do TIF 04, teria sido intimada a entregar cópias das notas fiscais de entrada e saída do mês de janeiro de 2008, impressas ou em arquivo digital no formato PDF, e que, no fim do prazo para seu atendimento, teria levado à fiscalização CD contendo as cópias das faturas, mas que o Fiscal, então, teria solicitado, verbalmente, que fosse elaborado sistema digital consistente em listagem dos dados contidos nas cópias apresentadas, que conduzissem ao arquivo PDF individual de cada fatura, tendo lhe sido entregue um Protocolo de Atendimento. Salienta que a solicitação adicional do fisco, que teria demandado árduo trabalho de sua equipe, teria sido verbal e sem respaldo em Termo de Intimação Fiscal. Com relação ao TIF 05, por meio do qual se requeriam todas as notas de entradas de 2008, informa que o prazo de 20 dias concedido inicialmente para o seu atendimento teria sido dilatado em apenas mais 30 dias, com sua prorrogação para 12/09/2012, e que teria apresentado pedido de dilação do prazo em mais 100 dias, iniciando, em 12/09/2012, a entrega gradual dos documentos e informações que conseguia finalizar ao longo do tempo. Narra que teria elaborado nova petição requerendo a dilação do prazo em mais 90 dias, e que, em 19/12/2012, teria tentado protocolála, sendo tal protocolo recusado pelo Fiscal, que teria alegado já possuir todas as informações necessárias à autuação. Aponta, como primeiro vício do procedimento fiscalizatório, a ilegitimidade das autoridades fiscalizadoras em decorrência da ausência de intimação das alterações procedidas no Mandado de Procedimento Fiscal e pelo excesso de prazo das prorrogações ocorridas. Menciona que foi intimada da lavratura do Termo de Início de Procedimento Fiscal em 18/07/2011, mas que, passados um ano e seis meses do início da fiscalização previdenciária, não teria recebido qualquer intimação informando a prorrogação daquele procedimento, mas apenas novas intimações para apresentação de documentos e informações, e que, somente recentemente, ao receber os autos de infração em 31/01/2013, em consulta ao detalhamento do MPF no site da Receita Federal, teria aferido a afirmativa de que o procedimento fiscal ocorreria nos termos da Portaria RFB n.° 11.371, de 12/12/2007, e de que o mandado deveria ter executado até 01/11/2011 e que teria tomado conhecimento da listagem contendo uma série de supostas prorrogações do MPF: até 29/02/2012, até 28/06/2012, até 26/10/2012, até 22/02/2013, e até 21/06/2013. Fl. 6369DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 5 7 Ressalta que jamais teria sido cientificada de tais prorrogações, ocorridas à sua revelia, o que invalidaria a regularidade da cadeia de autorizações para que a fiscalização desse continuidade à solicitação de documentos e informações, não estando autorizada para tanto, contaminando a legitimidade do Fiscal para prosseguir a fiscalização e, especialmente, lavrar autos de infração dela decorrentes. Afirma que, de mais a mais, ainda que as houvesse recebido, tais datas não teriam respeitado os prazos estabelecidos pelo Decreto n.° 70.235/72 (artigo 7°), vigente à época da lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal, do qual foi intimada em 18/07/2011, bem como pelo Decreto n.° 7.574, de 29/09/2011 (artigo 33), editado poucos meses após. Destaca que tais instrumentos seriam categóricos ao pressupor que o Fiscal prorrogasse o Mandado de Procedimento Fiscal tantas vezes quantas fossem necessárias para a continuidade do procedimento, mas desde que: 1) o MPF tivesse prazo inicial de 60 (sessenta) dias, prorrogáveis por até 60 (sessenta) dias; e, 2) o contribuinte fosse cientificado acerca das prorrogações ocorridas, o que não teria ocorrido nos autos. Abordando o aspecto do prazo, informa que as Portarias n.° 11.371, de 27/12/2007 (vigente na lavratura do MPF) e n.° 3.014/2011 (vigente a partir de 01/08/2011), em seus artigos 11 e 12, teriam extrapolado os ditames do Decreto n.° 70.235/72, estabelecendo prazo diverso da validade do MPF, calcado na delegação de poderes trazida pelo Decreto n.° 3.724/01. Relata que, nos primeiros 45 dias (aproximadamente) do início da fiscalização, estava vigente a Portaria n.° 11.371/2007 e que, nos 60 dias subseqüentes, o dispositivo trazido pela Portaria n.° 3.014, editada em 29/06/2011, o que tornaria válido o MPF por 120 dias a contar da data da ciência do contribuinte, ocorrida em 18/07/2011. Menciona, no entanto, a edição e publicação posterior do mencionado Decreto n.° 7.574, de 29/09/2011, retomando a regra anterior de que o MPF possuiria validade de 60 dias, prorrogáveis por mais 60 dias sucessivamente, desde que cientificado o contribuinte, e afirma que este Decreto teria revogado tacitamente a Portaria n.° 3.014/11 neste particular. Para ela, a despeito dos poderes delegados ao Secretário da Receita Federal do Brasil, os limites de tal prazo teriam sido reduzidos por decisão da chefe do Poder Executivo, Presidente da República, com assinatura de anuência do Ministro da Fazenda, ambos autoridades máximas do Executivo Federal envolvendo a arrecadação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e que possuiriam poderes suficientes para editar tal normativo, cuja validade seria inquestionável. Afirma, com relação às supostas prorrogações de prazo que teriam sido procedidas, das quais sequer teria sido intimada, que Fl. 6370DF CARF MF 8 os seus intervalos superariam consideravelmente os 60 dias previstos no Decreto n.° 7.574/2011. Nota, ainda, que, pelo extrato emitido, somente teve informação parcial de tal prorrogação, não se aferindo a data da efetiva prorrogação, mas apenas a data até a qual teria sido prorrogado. Sustenta que, pelo prazo da suposta prorrogação apontada pelo site da Receita Federal, teriase como inválido o procedimento de fiscalização, e o próprio auto de infração, já que, se não respaldado por autorização interna tempestiva, a autoridade fiscal não possuía legitimidade para demandar levantamentos e documentos, estando desautorizada, inclusive, para autuála. Reitera que sequer foi intimada das prorrogações de prazo do MPF, durante a fiscalização, vindo a ter ciência dos dados supra citados após a lavratura do auto de infração, ao consultar o detalhamento do MPF no site da Receita Federal. E não admite, no caso, qualquer alegação no sentido de que tal intimação teria ocorrido por meio eletrônico, já que não seria optante pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), não estando obrigada a adivinhar que teriam ocorrido intimações em seu nome através de um meio de acesso que nunca concordou em aderir. Segundo ela, o DTE seria uma faculdade do contribuinte, que, em não se manifestando de forma incontestável positivamente à sua opção, não poderia ser onerado pelo recebimento de intimações próprias desta sistemática, e faz menção ao disposto no artigo 10 do Decreto n.° 7.574/11, reiterando a redação semelhante do Decreto n.° 70.235/72, com a redação determinada pela Lei n.° 11.196/2005. Alega que a previsão de ciência eletrônica contida na Portaria 3.014/11 (artigos 4° e 9°) somente produziria efeitos sobre os contribuintes optantes pelo DTE. Entende que a Portaria n.° 3.014/11 não se sobreporia ao Decreto n.° 7.574/11, que inclusive seria posterior à publicação daquela, e, muito menos, à Lei n.° 11.196/05, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade, e que, quando muito, a ciência a que diz respeito o parágrafo único do artigo 4° poderia se referir à ciência da validade da intimação física (pessoal ou postal), mas jamais à forma isolada de primeira comunicação ao contribuinte não optante pelo DTE. Nota que todos os 6 termos de intimação fiscal recebidos por ela teriam sido entregues através de serviço postal, o que atestaria o conhecimento da Receita Federal de que não teria optado por tal mecanismo eletrônico de acompanhamento processual Domicílio Tributário Eletrônico. E não admite o possível argumento que o recebimento dos termos de intimação fiscal teria convalidado o procedimento, já que, seja respeitandose o prazo de 60 dias (Decreto n.° 7.574/11), seja insistindose no prazo de 120 dias, em diversos momentos, a fiscalização os teria extrapolado. Fl. 6371DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 6 9 Afirma que a Receita Federal pretende que sofra os efeitos de uma intimação que sequer chegou a receber ou, que, se houver sido recebida eletronicamente, este meio não teria sido autorizado por ela em momento algum, afrontando à segurança jurídica que a legislação e o próprio Poder Executivo preservam, em especial na previsão do Decreto n.° 7.574/2011 e da Lei n.° 11.196/2005. E conclui ser nulo o procedimento fiscal e, por conseqüência, os Autos de Infração, por descumprimento do prazo de prorrogação do MPF e por ausência de intimação válida do contribuinte. Aponta, então, como segundo vício do procedimento fiscalizatório, a ofensa aos princípios da razoabilidade, eficiência e praticidade em razão da exigüidade dos prazos concedidos e irrazoabilidade dos documentos solicitados, em injustificável oneração dos seus custos de conformidade fiscal. Relata que, ao longo dos meses da fiscalização, o Fiscal não teria comparecido em suas dependências, tendo se limitado a solicitar informações e documentos em irrazoáveis prazos e formas. Afirma que os ínfimos e insuficientes prazos concedidos a ela para cumprimento às volumosas exigências fiscais contrastariam com a mora fiscal em dar andamento à fiscalização, enfraquecendo a aparência de que tal exigüidade temporal justificarseia por maior eficiência e celeridade à fiscalização, sendo que, embora o Termo de Início de Procedimento Fiscal seja datado de julho de 2011, os dados com relevância e profundidade para o trabalho fiscal apenas teriam começado a ser efetivamente solicitados em julho de 2012. Informa que tais requisições demandaram mobilização de vultosa equipe e considerável aumento de sua carga diária de trabalho, e que sem prejuízo do injustificável custo de conformidade, a concessão de prazo inexeqüível à conclusão dos levantamentos retiraria qualquer eficiência do procedimento administrativo, eis que, mesmo com todo o seu empenho, não se alcançaria o objetivo fiscal, deixandose de obter os dados necessários à correta quantificação de eventual tributo. Segundo ela, a irrazoabilidade das informações e formas exigidas residiria na posterior e não formalizada exigência, pelo Fiscal, de que os documentos apresentados fossem organizados em programa, a ser confeccionado por ela, de vinculação em "links" dos documentos digitalizados à lista solicitada. Registra, no caso, transferência ao contribuinte de incumbência fiscal, a ser cumprida com equipe própria, tendo desconsiderado, a fiscalização, seu dever indelegável de apurar e constituir o crédito. Entende que seria vedado ao Poder Público fazer exigências inviáveis ou que onerassem demasiadamente o contribuinte. Fl. 6372DF CARF MF 10 Menciona que a Administração Pública não poderia perder de vista que, para que fosse cumprida a lei, suas exigências deveriam estar dentro de certos padrões de razoabilidade, entre os quais estariam a não onerosidade para o contribuinte e a vedação a exigências de prestação de informações que não pudessem ser cumpridas pelo contribuinte, pela exigüidade do prazo conferido, pela extensão das solicitações e pela impertinência da simples transferência ao contribuinte da sistematização dos dados e realidade do fiscalizado. E conclui que, no presente caso, a fiscalização teria se afastado desses valores tão caros à sociedade moderna, autuando indistintamente, sem ao menos se ocupar em solicitar documentos relevantes e analisálos, transferindo ao contribuinte uma tarefa hercúlea e em prazos impossíveis de cumprimento, o que tornaria nula a autuação perpetrada, mesmo porque o Fisco não teria se desincumbido da regular constituição do pretenso crédito. Indica, em seguida, como terceiro vício do procedimento fiscalizatório, o não atendimento à formalidade essencial dos atos administrativos, com recusas e intimações verbais. Relata, aqui, que foi intimada, no TIF 04, a apresentar cópias de todas as notas fiscais de entrada e saída do mês de janeiro de 2008, impressas ou em arquivo digital, e que, quando do fim do prazo, apresentou CD contendo as cópias das faturas, conforme solicitado, mas que teve a petição, que acompanhava os documentos, recusada pelo Fiscal, tendo este solicitado, verbalmente, que fosse elaborada listagem dos dados contidos nas cópias apresentadas, vinculada a cada documento digitalizado individualmente. Para ela, apesar do formalismo nos atos administrativos não dever ser exagerado de modo a ultrapassar os limites do bom senso, não se poderia, contudo, abandonar completamente os requisitos formais que conferem validade aos atos administrativos, como a intimação oficial ao cumprimento de uma solicitação fiscal. Afirma que a recusa no recebimento da documentação do TIF 4, bem como a nova requisição verbal feita a ela, além de demonstrarem arbitrariedade da fiscalização, não lhe propiciaram certeza ou segurança, maculando de nulidade o procedimento fiscalizatório. • Da nulidade dos autos de infração: Discorre, aqui, a impugnante, acerca dos vícios próprios dos Autos de Infração, que levariam à sua nulidade, quais sejam: 1) sua deficiente fundamentação; e, 2) a omissão de documentos na formação do processo administrativo. Trata, então, do primeiro vício próprio apontado, relativo à deficiência na fundamentação dos Autos de Infração. Segundo ela, teriam sido ignorados, pela fiscalização, na finalização do trabalho, toda a detalhada documentação apresentada, todo o trabalho expendido por ela, as planilhas Fl. 6373DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 7 11 contendo a distinção entre honorários de médicos cooperados e demais valores das faturas, as explicações dadas sobre todos os custos que compuseram a linha 39 da Ficha 4A da DIPJ 2009, anocalendário 2008, os documentos relativos a serviços não prestados por cooperados de cooperativas de trabalho, a Solução de Consulta Fiscal apresentada. Ressalta que o Fiscal teria se guiado apenas pela classificação das suas contas contábeis em "atos cooperativos" e "atos não cooperativos", excluindo da base considerada tributável apenas os valores contabilizados nas contas de "atos não cooperativos". Entende que a farta documentação apresentada e o detalhamento das informações solicitadas pelo Fiscal não permitiriam que a sua base de referência se limitasse às suas contas contábeis, sendo seu dever, no mínimo, externar eventuais razões pelas quais as teria afastado, o que não teria sido feito. Afirma, também, que diversas outras informações, como a explicação dada acerca do Intercâmbio entre Unimeds e a Solução de Consulta Fiscal apresentada não mereceram sequer breve menção no Relatório Fiscal, tendo se eximido, assim, o Fiscal, da devida fundamentação de tais condutas, o que, juntamente às arbitrariedades cometidas ao longo do procedimento de fiscalização, crivariam a presente autuação de completa nulidade, destacandose a ofensa ao artigo 142 do CTN e 2°, VII da Lei 9.784/99, expressão do Princípio da Fundamentação dos atos e decisões administrativas. Destaca que a falta de fundamentação, com a violação ao princípio da motivação, ensejaria a anulação do presente auto de infração. Sustenta, ainda, que a simples existência de Consulta Fiscal realizada por ela, com solução exarada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, vinculando a Administração, seria documento suficiente para afastar a presente cobrança, mas que, ao ser desconsiderado e não merecer sequer menção no presente auto de infração, teria levado a fiscalização a trabalho potencialmente "desnecessário", já que a submissão à Solução de Consulta apresentada evitaria o longo dispêndio na discussão desenvolvida no presente Processo Administrativo Fiscal. Registra que o próprio CARF reconheceria a nulidade de autuações quando a fundamentação é insuficiente, ausente, ou mesmo quando há equívocos na demonstração dos fatos autuados, corroborando a idéia de que, da forma como foi efetuada a presente autuação, não poderia a mesma subsistir. E menciona que os vícios destacados afetariam não só o dever de constituir o crédito de forma adequada, mas também o dever de ciência do contribuinte de eventuais razões pelas quais entenderia o Fisco pela existência de crédito, viabilizando a regularidade do contraditório, no plano da ampla defesa, Fl. 6374DF CARF MF 12 valores constitucionais que teriam sido desprezados no caso vertente. Passa, em seguida, ao segundo vício próprio apontado, relativo à omissão de documentos na formação do processo administrativo. Informa, aqui, que, além de ter desconsiderado toda a documentação solicitada e apresentada, a fiscalização nem mesmo teria levado aos autos o registro de tal apresentação, que todo o trabalho desenvolvido por ela, por exigência do Fisco, para contribuir com o procedimento fiscalizatório, teria sido deixado de lado e nem sequer constaria dos autos do presente processo administrativo. Segundo ela, a agressão ao devido processo legal seria patente, não sendo denotadas as razões técnicas da autuação (condição fundamental para a constituição regular do crédito), e não tendo sido viabilizados os esclarecimentos necessários do contribuinte no processo administrativo, sendo desprezada a documentação arduamente preparada e solicitada pela própria fiscalização. Destaca, no caso, que parte significativa dos esclarecimentos e documentos apresentados a pedido do Fiscal deixou de ser anexada aos autos, citando alguns exemplos, como o Manual de Intercâmbio Nacional, termos de abertura e fechamento dos livros diários de 2008 acompanhados das microfichas, faturas de entrada e saída e petições apresentadas em atendimento a Termo de Intimação Fiscal. Entende que, tendo sido apresentados, por ela, todos os documentos e esclarecimentos considerados necessários para a análise e comprovação dentro do procedimento de auditoria fiscal, segundo o próprio fiscal, obrigatória seria a instrução de toda documentação solicitada durante o procedimento fiscal junto ao processo administrativo, conforme preceituaria o artigo 25 do Decreto 7.574/2011. E conclui que o Auditor Fiscal, no caso, teria agido de forma arbitrária e sem qualquer embasamento legal, contrariando a prescrição normativa e ferindo princípios norteadores do Processo Administrativo, quais sejam o Princípio da Legalidade Objetiva e o Princípio da Autotutela Vinculada, e que tal comportamento ensejaria a nulidade do presente Auto de Infração. Da alegação de decadência parcial do direito de lançar: Afirma que a constituição do crédito sujeitase à decadência e que, em relação aos tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", caso da contribuição prevista no art. 22, IV da Lei n.° 8.212/91, o direito subjetivo da Fazenda/Receita Federal de constituir créditos tributários, lançandoos, decairia em cinco anos a contar da ocorrência do fato imponível, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Sustenta que a presente autuação, por lhe ter sido noticiada em 31/01/2013, jamais poderia retroagir seus efeitos a fatos geradores ocorridos anteriormente a 31/01/2008, razão pela Fl. 6375DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 8 13 qual estaria decaído o direito do Fisco de constituir crédito relativo a tais fatos geradores. Informa que o fato gerador da contribuição lançada seria a prestação de serviços de cooperados, por meio de cooperativas de trabalho, eis que incidiria sobre "o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho", nos termos do art. 22, IV da Lei n.° 8.212/91, sendo o momento da ocorrência desse fato a emissão da nota fiscal/fatura em que seriam expressos tais serviços. Para ela, a ocorrência desse fato gerador não seria mensal, eis que não seria essa a expressão da norma que teria instituído tal contribuição. Menciona que, se a letra da legislação remete ao valor da nota fiscal ou fatura, a intenção do legislador teria sido definir como marco temporal da ocorrência do fato gerador a emissão dessa nota fiscal ou fatura, sendo, portanto, um fato gerador instantâneo, não continuado, ou complexo, a justificar a reunião de vários fatos em um só, com determinada periodicidade. Alega que, nas situações em que o legislador pretendeu definir um marco temporal maior, reunindo mais de um fato jurídico, ele o fez expressamente, de modo que a expressão do art. 22, IV da Lei n.° 8.212/91 não mereceria interpretação diversa, sendo claro que o aspecto temporal da ocorrência do fato gerador da contribuição cobrada seria a emissão individual de cada fatura, quando surgiria a obrigação de recolher o tributo em questão. Sustenta que o pagamento mensal se daria apenas em função de uma técnica de arrecadação, não podendo ser confundida com a ocorrência do fato gerador, nem elidindo o surgimento da obrigação de recolher a contribuição a cada emissão de fatura para o contratante dos serviços dos cooperados o pagamento apenas seria mensal por se tratar de uma contribuição previdenciária, a qual deveria ser declarada em GFIP e recolhida por meio de GPS, juntamente às demais contribuições previdenciárias devidas pela empresa. Relata que, sendo tais obrigações mensais e nascendo uma nova contribuição no sistema, a qual não possuiria fato gerador mensal, a Secretaria da Receita Federal apenas teria optado por determinar o pagamento e declaração também mensal da contribuição de 15% sobre serviços de cooperados, a fim de que pudesse se aproveitar todo o sistema de arrecadação e informação tributárioprevidenciário já desenvolvido, não se devendo confundir técnica de arrecadação e obrigação acessória com fato gerador tributário. Posto isso, registra que a presente autuação compreenderia todo o ano de 2008, abrangendo, conseqüentemente, faturas emitidas de 01 a 30 de janeiro de 2008, estando decaídos os valores sobre elas lançados. Fl. 6376DF CARF MF 14 Informa, ainda, que, conforme se percebe da demonstração contábil, em janeiro de 2008, ainda teriam sido contabilizadas faturas emitidas pelas Unimeds em 2007, eis que, de acordo com o Plano de Contas da ANS, os valores relativos a serviços prestados por uma Unimed a usuários de outra (Eventos Indenizáveis) deveriam ser contabilizados na data do "aviso" da cobrança. Destaca, assim, a existência de notas fiscais/faturas emitidas em 2007, mas apenas avisadas à Central Nacional Unimed em 2008. Ressalta, então, que, tendo em vista que a fiscalização partiu do critério contábil para efetuar o lançamento, teria incluído, na base tributada, as faturas emitidas em 2007 e contabilizadas em 2008, devendo, portanto, ser excluídas da presente cobrança. Afirma ter juntado, aos autos, planilha demonstrativa de todas as faturas emitidas anteriormente a 31/01/2008, cuja incidência deveria ser decotada da autuação. Por fim, entende que não deveria ser alegada a ausência de recolhimento parcial, eventualmente capaz de atrair a aplicação do prazo decadencial do art. 173, I do CTN aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, porque a contribuição incidente sobre serviços efetivamente prestados a ela por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (especificamente, contratação de plano odontológico para seus funcionários), teria sido efetivamente recolhida. Da alegação de impossibilidade de caracterização como contribuinte da contribuição prevista no art. 22, IV da Lei n.° 8.212/91: Relata, aqui, a impugnante, que, no equivocado entendimento fiscal, ela, Cooperativa de Segundo Grau, ao comercializar planos de saúde, cuja execução se daria pelos cooperados das cooperativas do Sistema Unimed, suas cooperadas, estaria tomando diretamente serviços de tais Unimeds, e não simplesmente os intermediando em prol de suas associadas, por meio do instituto "Intercâmbio", restando, assim, deslocada para ela a incidência previdenciária legal e normativamente posta sob a responsabilidade dos contratantes dos planos de saúde em questão, a quem, efetivamente, os serviços dos cooperados seriam prestados. Segundo ela, tais equívocos decorreriam da eleição pelo Fiscal de falsas premissas, afirmando, no caso, que, ao contrário do considerado por ele, (i) administração de planos de saúde desempenhada por ela tem natureza de intermediação; (ii) a comercialização de planos de saúde na modalidade de pré pagamento não os transforma em "produto financeiro"; (iii) ela não toma diretamente serviços dos cooperados das Cooperativas do Sistema Unimed. Destaca, então, a existência de peculiaridades que a permeariam enquanto (i) cooperativa de segundo grau, (ii) cooperativa cessionária no "Intercâmbio entre Unimeds" e (iii) operadora de planos de saúde, realidades que teriam em comum a característica de intermediação de serviços de cooperados Fl. 6377DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 9 15 pessoas físicas, possuindo conseqüências previdenciárias específicas e suficientes à confirmação da improcedência dos Autos de Infração, com a manutenção da incidência previdenciária no verdadeiro tomador de serviços, quais sejam, os contratantes dos planos de saúde. • Da questão de sua natureza jurídica cooperativa central / de segundo grau: Informa que ela, enquanto cooperativa nacional, caracterizada como cooperativa de segundo grau (cooperativa de cooperativas), não apresenta cooperados pessoas físicas, nos termos do art. 8° da Lei 5.764/71. Menciona que, em decorrência de sua realidade societária, atuaria congregando cooperativas de trabalho médico e odontológico, sendo seu objetivo administrar, em escala maior, os planos de saúde de abrangência nacional, direcionando o atendimento específico às Cooperativas Singulares e Federações do sistema Unimed cujos médicos cooperados, ou dentistas no caso das cooperativas odontológicas associadas, efetivamente prestariam atendimento aos usuários dos planos de saúde. Afirma que os serviços prestados por ela o seriam às cooperativas singulares, e envolveriam uma representação societária desse sistema. Destaca a natureza específica de mandatária vivenciada por ela, que agiria em nome das Cooperativas Singulares e Federações na representação dessas em contratos de prestação de serviços de abrangência nacional. Ressalta que quem tomaria o serviço dos médicos cooperados das Cooperativas Singulares e demais credenciados seriam os usuários dos planos de saúde operados por ela, que somente operacionalizaria os planos nacionais em prol das cooperativas associadas, garantindo a amplitude de atendimento aos seus usuários, por tais Cooperativas, em sistemática de intermediação. Alega, no caso, que não contrataria sua associada, mas apenas a representaria, como cooperativa de segundo grau. Nota que a lógica de tributação previdenciária definida legal e normativamente se pautaria na lógica cooperativista, onde a cooperativa é quem prestaria serviços aos cooperados e o custeio previdenciário destes caberia única e exclusivamente ao tomador dos serviços. Registra que a intermediação, premissa básica da transferência da incidência previdenciária ao verdadeiro tomador dos serviços dos cooperados se daria em duas esferas: (i) pelas cooperativas singulares, organizadas para angariar serviços médicos aos seus cooperados; e (ii) pela cooperativa de segundo grau, organizada para angariar contratantes de planos de saúde tomadores de Fl. 6378DF CARF MF 16 serviços médicos dos cooperados de suas cooperativas singulares. Relata que a Lei Complementar n.° 84/96 teria sido revogada pela Lei n.° 9.876/99, extinguindose a contribuição social a cargo das cooperativas de trabalho, e transferindo tal encargo para a pessoa jurídica tomadora de serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho. Salienta que as sociedades cooperativas não estariam sujeitas ao recolhimento de contribuição previdenciária (15%) sobre os pagamentos realizados aos médicos cooperados nem mesmo quando se tratar de atendimento por médicos associados a cooperativa diversa (intercâmbio) por não tomarem os serviços por eles prestados, pois quem tomaria esse serviço seria o contratante do plano. Entende que a sua natureza cooperativista lhe afastaria da pretendida incidência previdenciária, afirmando que a cooperativa simplesmente representaria o cooperado e nunca o contrataria quando da prática de seu objeto legal, sendo que quem contrataria o cooperado seria o tomador dos serviços / usuário do plano. Para ela, a "lógica" do Relatório Fiscal fulminaria de morte o sistema Unimed, a partir do risco de uma tripla incidência no Tomador / Central / Singular sobre um mesmo fato prestação de serviços pelo médico cooperado. E reitera que o contratante do plano de saúde é quem seria o verdadeiro sujeito passivo na relação em questão. • Da questão das especificidades do intercâmbio não caracterização da cooperativa cedente como tomadora de serviços dos médicos cooperados da cooperativa cessionária: Relata, aqui, a impugnante, que, na realidade do Sistema Unimed, o convênio entre cooperativas, que é denominado "intercâmbio", garantiria a possibilidade de usuário de plano de saúde de uma cooperativa ser atendido pelos cooperados de outra cooperativa quando tal usuário estivesse nos limites territoriais de atuação desta. Afirma que, não obstante a ocorrência de tal intermediação, permaneceria a existência de único fato gerador (prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativas), persistindo igualmente única obrigação tributária, esta a cargo do verdadeiro tomador dos serviços, qual seja o usuário dos serviços médicos. Registra, então, a ausência de relação entre ela e os cooperados de Unimed's filiadas, e afasta a sua caracterização como tomadora dos serviços dos médicos cooperados. Para melhor entendimento da questão do "intercâmbio", apresenta o seguinte exemplo: em decorrência da pactuação firmada entre o sistema Unimed (Manual de Relacionamento), um usuário contratante de plano de saúde operado por ela (cedente) poderá ser atendido, por um médico cooperado de Fl. 6379DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 10 17 outra cooperativa do sistema Unimed (cessionária), atendimento que se dará na área de atuação dessa outra cooperativa, e, nesse contexto, tendo em vista que o usuário é seu filiado (cedente), ela repassa à outra Unimed (cessionária) o valorcusto do atendimento prestado ao usuário (pelo médico cooperado da Unimed Cessionária). Segundo ela, o equivocado entendimento fiscal conduziria à existência, em relação a um único fato gerador prestação de serviço médico por cooperados pessoas físicas por intermédio de cooperativas conveniadas de sucessivas e distintas obrigações tributárias de contribuição previdenciária, em múltipla tributação incidente sobre um mesmo fato, na cooperativa cedente e no usuário do serviço médico / plano de saúde. E destaca, por fim, que, através do art. 216 da IN n.° 971/2009, se reconheceria expressamente, em interpretação normativa (aplicável à situação tratada nos autos, por força do artigo 106, I do CTN), a não sujeição da cooperativa cedente/origem como sujeito passivo da contribuição previdenciária de 15% a cargo do tomador nas hipóteses de "intercâmbio" entre cooperativas, o que teria sido desconsiderado na presente autuação. • Da questão da solução de consulta emitida sobre o tema reconhecimento da não incidência da contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91: Informa, aqui, a autuada, que a exigência em tela contrariaria a própria orientação previdenciária concedida a ela de forma vinculante, eis que, com o advento da Lei n° 9.876/99, sabedora das peculiaridades do "intercâmbio" praticado no Sistema Unimed, teria questionado formalmente a sua não incidência previdenciária. Afirma que, conforme anteriormente narrado e demonstrado ao Fiscal, ainda na fase de fiscalização, em consulta realizada, no ano 2000, por ela, o próprio Instituto Nacional do Seguro Social, por meio de sua Coordenação Geral de Arrecadação, teria reconhecido a não incidência de contribuição previdenciária (15%) sobre os pagamentos realizados a outras cooperativas de trabalho médico em intercâmbio, vinculando a Administração. E a fim de demonstrar o enquadramento da situação autuada ao objeto do questionamento, apresenta modelo da contratação de plano de saúde utilizado à época das competências autuadas, onde se depreende que, exatamente como questionado, os contratos celebrados entre ela e os usuários estabeleceriam que os serviços seriam prestados por médicos da própria cooperativa ou por cooperados de outras Unimeds. Nota que a situação descrita na Solução de Consulta se amoldaria perfeitamente à sua realidade, eis que emite fatura ou nota fiscal às empresas contratantes, não só dos serviços prestados pelos seus próprios cooperados, mas também daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas. Fl. 6380DF CARF MF 18 Traz o exemplo de uma fatura por ela emitida referente à contratação de planos de saúde em custo operacional, onde a cobrança seria feita posteriormente ao atendimento, sendo claro o repasse ao contratante dos custos da Unimed com os serviços médicos cooperados prestados, com a demonstração do valor dos honorários de médicos cooperados cobrado do contratante. Relata que os valores contidos na rubrica "Honorários", dentro de "Serviços Prestados Ato Principal", se refeririam aos honorários dos médicos cooperados das Unimeds que teriam prestado serviços aos usuários daquele contratante no mês relativo à fatura em questão. Segundo ela, destrinchandose tal fatura, conforme planilha anexa, seria possível visualizar quais Unimeds tiveram honorários de serviços prestados para usuários daquele contratante, destacandose que uma fatura de cobrança de Unimed emitida para ela não conteria somente os atendimentos feitos a usuários de um contratante, mas de todos os contratantes cujos usuários teriam sido atendidos por seus cooperados. Ressalta, no caso, que, ao contrário do que aduziu a fiscalização, existiria o repasse dos valores recebidos dos contratantes para as Unimeds. Lembra, ainda, que existiriam duas modalidades de prestação dos serviços de planos de saúde: em custo operacional (onde a cobrança é posterior à prestação de serviços) e em pré pagamento (onde a cobrança antecede a prestação de serviços), sendo que, em ambos os casos, ocorreria o repasse dos valores pagos pelo contratante à Unimed que teria prestado o serviço. Em relação aos planos de saúde na modalidade "pré pagamento", afirma que seria impossível cogitarse em não repasse do custeio previdenciário à pessoa jurídica contratante do plano de saúde, eis que os normativos fiscais, ante a impossibilidade de identificarse, no momento da emissão da nota fiscal, a quantidade de serviços de cooperados a serem tomados, os pressupõe em 30% ou 60% do total cobrado, conforme tratese de cobertura que assegure atendimento completo em consultório e hospitais ou que assegure apenas atendimento em consultório, consultas ou pequenas intervenções. Explica que, no prépagamento, o próprio Fisco Previdenciário pressuporia que o valor dos serviços de cooperados corresponderia a 30% da nota fiscal, em contratos de atendimento completo, seu caso, sendo esse valor integralmente repassado à Unimed cujo cooperado tenha atendido o usuário de seu contratante. Segundo ela, as planilhas anexas demonstrariam claramente essa situação, exemplificando a utilização de 3 faturas emitidas por ela em contratos de prépagamento. Alega que não poderia, assim, ser concebida como tomadora de serviços médicos prestados por meio de profissionais vinculados a outras cooperativas, e que o Fiscal teria agido de maneira completamente arbitrária. Fl. 6381DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 11 19 Cita, também, que, em autuação semelhante à presente, a Solução de Consulta em questão já teria sido oposta ao Fisco Previdenciário, que teria invalidado o lançamento realizado por meio da NFLD 35.340.0386, e que, recentemente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais teria anulado lançamento fiscal, cujo objeto era a contribuição destinada ao custeio da Seguridade Social, relativamente a serviços prestados à Unimed Norte Capixaba por cooperados, por intermédio de outras cooperativas de trabalho, reconhecendo a vinculação da Consulta Fiscal em comento e a não incidência de contribuição previdenciária (15%) sobre os pagamentos realizados a outras cooperativas de trabalho médico em intercâmbio. E afasta qualquer dúvida eventualmente existente sobre a validade da Solução de Consulta em questão, pelo fato dela ter sido proferida por órgão fiscalizatório do INSS, antigo detentor da competência de fiscalizar as contribuições previdenciárias, pois, embora o órgão tenha sido extinto pela unificação das Receitas, a Lei n.° 11.457/07 teria garantido a permanência da validade dos pronunciamentos emitidos pela Secretaria da Receita Previdenciária. Sustenta, ademais, que, ainda que se considerasse a aplicação da orientação previdenciária como incorreta, esta jamais poderia prejudicála, pois teria agido com a mais pura boafé, embasada na presunção de legitimidade do ato administrativo, logo, pautada na segurança jurídica, cabendo, assim, à Administração responsabilizarse por seu próprio ato, caso o suponha ilícito, o que não é o caso, mesmo porque a não incidência nela decorreria da lógica do sistema, bem como da constatação de que um único fato, um único serviço, que é prestado unicamente pelo médico cooperado, não poderia sofrer mais de uma incidência, e que se daria no contratante final do plano. • Da questão de sua natureza econômica de operadora de planos de saúde: Afirma a impugnante que, enquanto cooperativa de segundo grau e operadora de planos de saúde, atuaria como gerenciadora/intermediadora dos recursos dos usuários, recebendo dinheiro destes e devolvendolhes esse montante através de serviço (dos médicos, cooperados das cooperativas associadas). Segundo ela, se a própria legislação especial (Lei 9.656/98) reconhece que a operadora de planos de saúde seria mera gerenciadora dos recursos do usuário, cumprindolhe transformar tais recursos em atendimento médico, o valor pago ao prestador do serviço médico não representaria recurso da cooperativa/operadora, mas sim do efetivo tomador dos serviços. Alega que não se apresentaria como tomadora dos serviços de assistência à saúde prestados pelos cooperados, por intermédio das cooperativas de trabalho Unimeds, atuando como Fl. 6382DF CARF MF 20 intermediadora, o que impossibilitaria a incidência tributária em questão. E destaca que tal questão já se encontraria pacificada nas cortes pátrias, tendo o Superior Tribunal de Justiça proferido reiteradas decisões no sentido de que a administradora de planos de saúde não se configuraria como tomadora de serviços de terceiros contratados para a assistência à saúde de seus usuários, no prisma da incidência das contribuições previdenciárias. • Da alegação de equivocadas premissas fiscais: Discorre, aqui, a impugnante, em primeiro lugar, sobre a natureza de intermediação do serviço prestado ausência de revenda de serviços. Menciona que o ponto de partida para se entender o equívoco que ensejou a lavratura do auto de infração residiria nas distorcidas premissas nas quais se teria apegado o Fiscal, a começar pela equivocada interpretação no sentido de que a administração de planos de saúde desempenhada por ela não teria natureza de intermediação na relação contratantes dos planos x cooperativas singulares de trabalho médico, e de que seria suposta tomadora final dos serviços dos cooperados daquelas cooperativas de 1° grau, subcontratando os serviços assistenciais à saúde, haja vista que os valores cobrados dos contratantes não corresponderiam aos valores repassados àquelas cooperativas e credenciados. Informa que o próprio Fiscal reconheceria que não era prestadora de serviços de assistência à saúde, característica incompatível com a pretendida caracterização da subcontratação/tomada de serviços de saúde, já que, na efetiva subcontratação, seria a subcontratante quem prestaria em nome próprio os serviços subcontratados, o que não é o caso. Afirma que o Fiscal pautouse em uma série de falsas premissas para tentar forçar a cobrança de obrigação previdenciária inexistente, inclusive a de que a forma de fixação das mensalidades dos planos, independentemente de haver ou não utilização (preço fixo/preestabelecido), seria suficiente para caracterizar suposta revenda de serviços assistenciais, e que, neste ponto, teria se abstraído do fato de que operar planos de saúde seria uma atividade que se revestiria da particularidade do compartilhamento de risco entre os usuários, que motivaria a formação de contratações a preço preestabelecido e pós estabelecido, sendo este último autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar apenas para contratantes pessoas jurídicas (planos coletivos) para os planos regulamentados. Sustenta que não tomaria serviços daquelas cooperativas singulares, sendo mera intermediadora como operadora de planos de saúde, ponto de ligação entre tomadores (contratantes dos planos) e prestadores (médicos, hospitais, laboratórios etc), Fl. 6383DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 12 21 e que não deveria se tomar a nomenclatura contábil como definidora da natureza jurídica dos recursos. Relata que o Fiscal teria desconsiderado que o tomador de serviços médicos prestados por cooperados seria sempre o contratante do plano de saúde (seja ele pessoa física plano individual, seja pessoa jurídica plano coletivo), sendo a presença de uma segunda cooperativa de trabalho médico meramente uma segunda e sucessiva intermediação. Registra que existiria no propósito de viabilizar que um contratante em âmbito nacional, uma pessoa jurídica com atuação em todo o território nacional, ou em grande parte dele, pudesse, através de um único contrato, ser atendido por todas as cooperativas associadas, e sem que tivesse que efetuar uma centena de contratos individuais, com cada Unimed singular, e que atuaria como representante e repassadora de serviço para as cooperativas singulares e seus cooperados. Apresenta, em seguida, os conceitos de ingressos, receita bruta e faturamento / receita operacional, consistindo os primeiros em "todos os valores que entram na contabilidade da pessoa jurídica, independente de se incorporarem ao patrimônio desta ou não", a segunda nos "ingressos com intuito de permanência" e o último em "parcela das receitas decorrente da compra e venda de mercadorias e/ou serviços". Lembra que o próprio fiscal repetiria em três parágrafos distintos que ela não seria prestadora dos serviços de assistência à saúde, e que não seria possível caracterizar a revenda de serviços ou a subcontratação por ela. Menciona a impossibilidade de se tomar como receita/faturamento os valores das entradas, especialmente tendo em vista que tal ingresso de capital na intermediadora não lhe acresceria o patrimônio, possuindo destino diverso o repasse a terceiros prestadores dos serviços intermediados. Nota que, no caso do serviço prestado por operadoras de planos de saúde, quando intermedeia usuários e terceiros prestadores de serviços de assistência à saúde, existiria unicamente uma movimentação de numerário: do usuário/paciente que utiliza os serviços assistenciais para a sociedade e desta para os efetivos prestadores de serviços assistenciais que prestam o atendimento. Afirma que os montantes transferidos a toda a rede assistencial vinculada à operadora, se tratariam, em verdade, de um simples repasse de capital, vez que aquele ingresso jamais se teria tornado sua propriedade, e de fato, nunca teria pertencido a seu patrimônio, apenas transitando por seu caixa e destinado à cobertura de despesas correlatas ao atendimento médico hospitalarlaboratorial, sendo receitas de terceiros e não da operadora. Explica que a Lei n.° 9.656/98, ao regulamentar a saúde suplementar à garantida pelo Estado, teria contemplado duas Fl. 6384DF CARF MF 22 espécies de contratos, o plano de saúde e o seguro de saúde, e que nem toda operadora de planos de saúde seria seguradora, como seria o seu caso, cuja atividade não pressuporia uma apólice de seguros, ao contrário do afirmado no relatório fiscal. Informa que, diversamente do que ocorre nas seguradoras, que por essência desta modalidade contratual obrigamse a reembolsar o segurado pelas despesas por ele arcadas diretamente junto ao prestador que lhe prestou atendimento médico, hospitalar, etc., nas demais modalidades de operadoras de planos, o reembolso ao usuário somente se daria em caráter de exceção, quando este fosse atendido por prestador que não compõe a rede cooperada/credenciada em caráter de urgência/emergência. Destaca que, em ambas as hipóteses, o contratante dos serviços de saúde seria o usuário do plano ou segurado. Salienta que as operadoras de planos de saúde seriam entidades que receberiam recursos dos mencionados usuários e gerenciariam tais montantes, devolvendoos no futuro através de serviços prestados por prestadores de serviços relacionados à saúde, na medida em que responsáveis pela garantia da cobertura dos atendimentos demandados pelos referidos usuários. Ressalta, então, a existência de dois serviços de naturezas distintas tomados pelos contratantes dos planos (usuários): o primeiro, prestado pela operadora, de administração de plano e gerenciamento do fundo destinado à cobertura; e, o segundo, em face dos prestadores de assistência à saúde. E afirma que tal distinção não se desnaturaria pelo fato da operadora receber a integralidade dos recursos destinados a remunerar os dois serviços, mas apenas confirma que o faria na qualidade de intermediadora entre dois pólos usuários e prestadores de assistência à saúde (médicos, hospitais, laboratórios etc.) e simplesmente porque administraria recursos "por conta e ordem" de consumidores diversos. Passa a tratar, em seguida, da irrelevância da modalidade do preço praticado e da forma de contabilização para a caracterização da intermediação. Relata que, na tentativa de justificar a suposta contratação das cooperativas singulares de trabalho médico por ela, a fiscalização teria se apegado ao fato de que pagamentos realizados pelos usuários independeriam da efetiva utilização do plano, bem como na ausência de contabilização dos valores intermediários em contas contábeis que definissem de antemão uma obrigação futura de repasse a terceiros. Sustenta que o Fiscal ignoraria, no entanto, os limites do serviço prestado, que teria, na sua essência, o compartilhamento de risco entre usuários de uma mesma carteira, o que autorizaria que contratos fossem firmados mediante preço préestabelecido, sendo que a Agência Nacional de Saúde Suplementar chegaria até mesmo a proibir a prática de preço pósestabelecido quando esta pudesse significar a cobrança contra o usuário no exato Fl. 6385DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 13 23 montante do atendimento garantido, admitindoa apenas para contratos coletivos e respeitados os limites impostos, sempre com o objetivo de não se frustrar a segurança do usuário com relação à imprevisibilidade dos eventos futuros e incertos, especialmente quando se trata de saúde. Para ela, seria um verdadeiro contrasenso a fiscalização admitir, de um lado, que tal forma de cobrança, pagamento de mensalidades a preço fixo, seria própria da natureza do serviço, e, de outro, tentar sugerir uma suposta discrepância ao registrar o custeio dos serviços pelo sujeito passivo e o não repasse desses valores às empresas contratantes, pois a cobrança do montante referente aos atendimentos só seria admissível nas modalidades de contrato que permitem a cobrança variável por utilização (custo operacional). Informa que a Lei n.° 9.656/98 reconheceria os dois gêneros de planos, nas modalidades de: (i) custo operacional/preço pós estabelecido, na qual o contratante paga a cada serviço prestado por intermédio da empresa, e em função desta utilização específica e; (ii) prépagamento/preço préestabelecido, na qual o pagamento é anterior a qualquer tipo de fruição dos serviços médicohospitalares prestados em determinado mês, também por intermédio da empresa, não implicando necessariamente em utilização efetiva. Ressalta, então, que tratamse meramente de modalidades de fixação de preço que não desnaturam a figura da intermediação, sendo irrelevantes se os ingressos se dão a preço fixo ou variável. Entende que tal realidade apenas estabeleceria dois critérios distintos de fixação de preço e repartição de risco, persistindo, em qualquer hipótese, a intermediação do serviço assistencial pela operadora. Segundo ela, tanto nas hipóteses de preço fixo, quanto de variável, persistiria o repasse dos custos assistenciais a partir do pagamento de recursos do usuário, estando a distinção apenas na forma de individualização no momento do pagamento da contraprestação pelo usuário. Afirma que a motivação de tal repasse pela operadora decorreria não da forma de quantificação do preço do contrato do usuário, mas sim do volume de atendimentos realizados pelo associado e do fato de que a operadora não prestaria serviços de medicina. Faz referência à obrigação de repasse às cooperativas, na proporção dos sinistros ocorridos atendimentos/procedimentos efetivamente realizados. Alega que não se poderia reduzir a caracterização da intermediação à modalidade de formação do preço, e menciona que, no momento do pagamento das faturas pelos contratantes, sequer teria conhecimento de qual seria o volume de utilizações Fl. 6386DF CARF MF 24 para estar apta a classificar qual a parcela daquele montante seria objeto de repasse aos credenciados e cooperativas de primeiro grau, não podendo, assim, lhe ser exigido que tivesse inserido na fatura os valores dos cooperados das cooperativas de primeiro grau. Relata, ainda, que a fiscalização teria lhe caracterizado como suposta tomadora dos serviços das cooperativas singulares em face do nome das contas contábeis nas quais estariam registrados os ingressos recebidos. Informa, então, que a forma de sua escrituração não seria uma escolha, mas sim uma definição unilateral da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), autarquia especial (agência reguladora) criada pela Lei n.° 9.961/00, que teria instituído, por meio da Resolução Normativa n.° 136, da Diretoria Colegiada, Plano de Controle Padrão para as Operadoras de Planos de Assistência à Saúde, vigente em 2008, objeto da presente autuação, cuja utilização seria obrigatória. Entende, também, que a contabilização pretendida pela ANS não seria suficiente para alterar a natureza jurídica da intermediação de recursos, nem para modificar as conseqüências fiscais de tal operação. Afirma, ademais, que os planos contábeis de diversos segmentos intitulariam como "receitas" todos os recursos recebidos pela pessoa jurídica, sem que necessariamente tivessem efetiva natureza de receita, mas sim meros ingressos que precisariam ser avaliados, um a um para a particularização adequada e individualizada. Para ela, em sendo da essência da intermediação que, no intercâmbio, uma cooperativa não toma serviço de outra cooperativa, a forma contábil como se registrariam os ingressos recebidos determinada por uma Agência Reguladora que não teria competência para interpretar os impactos tributários e tais rubricas no momento da elaboração dos nomes contábeis não poderia ser entendida como constitutiva de uma obrigação previdenciária, cuja falência se daria na própria natureza contratual (intermediação e não tomada de serviço). E conclui pela não incidência, pelo não enquadramento do fato à lei, entendendo ser inexigível a imposição de condicionante para tanto, inclusive contábil. • Da questão do ato cooperativo perfeito: Defende, aqui, a impugnante, que a situação em tela (Cooperativa Central operando planos de saúde cujo atendimento se daria pelos cooperados de Cooperativas Singulares associadas) configuraria ato cooperativo perfeito, ao abrigo de qualquer tributação, inclusive a consubstanciada no presente auto de infração. Menciona que, ante o caráter peculiar do ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas, a Constituição de 1988 teria determinado, no seu artigo 146, inciso III," c" , a competência da lei complementar para conferir o "adequado Fl. 6387DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 14 25 tratamento tributário ao ato cooperativo", consentâneo com sua natureza, atentando à política de apoio e estímulo ao cooperativismo. Informa que, nos moldes do artigo 79 da Lei n.° 5.764/71 (lei materialmente complementar), configurariam atos cooperativos aqueles "praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados para a consecução dos objetivos sociais" e por meio dos quais a cooperativa não auferisse lucro ou receita, haja vista não configurar operação de mercado, tampouco contrato de compra e venda, e que, por outro lado, as regras específicas quanto à tributação de cooperativas ficariam adstritas às situações excepcionais e "numerus clausus" especificadas pela mesma lei. E afirma que seria na exata literalidade do referido artigo 79 que se enquadraria a pactuação firmada entre ela (Cooperativa de Segundo Grau/Cedente) e as Cooperativas Singulares, apresentando natureza jurídica de ato cooperativo perfeito, configurado através de um enlace operacional entre tais sociedades, por meio do Intercâmbio entre Unimeds. Alega que tal ato mereceria, assim, o adequado tratamento tributário a ele conferido apela Constituição da República e regulamentado pela Lei n.° 5.764/71, afastandose a exigência da contribuição previdenciária criada pela Lei n.° 9.876/99, sob pena de violação não só à lei do cooperativismo, mas também ao princípio constitucional da hierarquia de leis e ao disposto no art. 146, inciso III, alínea "c" da Constituição Federal. • Da questão da bitributação contribuições já recolhidas pelos verdadeiros tomadores dos serviços, contratantes dos planos de saúde: Sustenta, aqui, a autuada, que resultaria em bitributação a pretensa exigência, eis que, tendo em vista o disposto nos artigos 291 e 298 da IN 03/05, a contribuição previdenciária já teria sido recolhida, quer: a) pelo tomador de serviços, na base definida pelo próprio normativo previdenciário; b) pela majoração da alíquota devida pelo cooperado e dele retida pela cooperativa, de 11% para 20%, na hipótese de não identificação do tomador dos serviços ou na prestação destes a pessoas físicas ou não sujeitas à tributação previdenciária. Ressalta que, conforme determinação legal, o contribuinte da contribuição instituída pela Lei n.° 9.876/99 seria o tomador dos serviços dos cooperados das cooperativas singulares, razão pela qual os contratantes dos planos de saúde operados por ela efetuariam o recolhimento da contribuição previdenciária, configurandose a concomitância da presente exigência. Informa que a limitação de retenção dos valores devidos pelos trabalhadores em 11% quando prestados os serviços a pessoas jurídicas, em contraposição à retenção de 20% quando prestados a pessoa física, derivaria do fato de que, na primeira Fl. 6388DF CARF MF 26 alternativa, o custeio previdenciário seria custeado em conjunto com a pessoa jurídica, ao passo que não o seria em relação à pessoa física. Afirma que, quando o cooperado prestasse serviços a pessoa jurídica, indicaria à cooperativa tal fato para que houvesse o recolhimento de 15% e a retenção de apenas 11% do contribuinte individual, eis que ambos compartilhariam o custeio previdenciário, e que, quando tal pessoa jurídica não pudesse ser identificada (tal qual eventualmente no intercâmbio), se aplicaria o artigo 298, § 2° da Instrução Normativa n.° 03/05, devendo a retenção ser feita em 20%. E conclui, no caso, que sofrendo tais cooperados a retenção à alíquota de 20%, o recolhimento ora exigido, qual seja a contribuição de 15% por parte da cooperativa, implicaria em bitributação. Da alegação de improcedência do lançamento, mesmo que fosse contribuinte da contribuição discutida: Reitera que não se enquadraria como contribuinte da contribuição em discussão, seja por ser cooperativa central e operadora de plano de saúde, seja por atuar em intercâmbio entre Unimeds, situações tais em que apenas efetuaria a intermediação dos serviços prestados pelos cooperados das suas cooperativas associadas aos usuários dos planos por ela comercializados, e que se teria a prática do ato cooperativo perfeito que, por si só, já seria suficiente para elidir a presente autuação. Afirma, no entanto, que, caso se entendesse que os serviços dos cooperados teriam sido prestados a ela e que sua atuação não se classificaria como ato cooperativo perfeito, nem mesmo assim a contribuição de 15% sobre serviços tomados de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho poderia ser cobrada, dada a inconstitucionalidade da instituição desta contribuição, contrariando o art. 195 da CF/88, e ofendendo os princípios constitucionais da isonomia e do estímulo ao cooperativismo. • Da questão da inexistência de previsão da contribuição instituída pela Lei n.° 9.876/99 (15% sobre serviços prestados por cooperativas) no art. 195 da Constituição Federal exercício de competência residual: Relata que a presente autuação se basearia na previsão contida no art. 22, IV da Lei n.° 8.212/91, cuja redação teria sido dada pelo art. 1° da Lei n.° 9.876/99. Destaca, no entanto, que a fonte de custeio da seguridade social criada pelo art. 1° da Lei 9.876/99 não estaria prevista no dispositivo constitucional que delimitaria os contornos das contribuições para a seguridade social, mencionando que o artigo 195 da Constituição enumeraria, em seus incisos, as contribuições previdenciárias, cuja competência para instituição teria atribuído à União. Informa que, além destas contribuições, seria facultado à lei a instituição de outras fontes (distintas das previstas nos incisos I Fl. 6389DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 15 27 a IV), sendo que, neste caso, seria necessária a conformação ao disposto no inciso I do art. 154 da Constituição instituição de novos tributos apenas por lei complementar conforme prescreveria o § 4° do art. 195. Salienta que a instituição de contribuição não prevista nos incisos do art. 195 da Constituição apenas poderia ser realizada por meio de lei complementar, e que, sendo o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços de cooperativas uma fonte completamente diversa daquelas previstas pelo art. 195, a incidência de contribuições sobre ela somente poderia ser feita por meio de lei complementar. Para ela, o inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n.° 9.876/99, não se referiria à hipótese prevista na alínea "a" do inciso I do art. 195 da Constituição da República "folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício". Entende que o pagamento feito à cooperativa (pessoa jurídica) não poderia ser, para fins previdenciários, considerado feito ao cooperado (pessoa física), pois, se, de fato, fossem pagamentos a pessoas físicas, nem mesmo seria necessária a instituição da combatida contribuição, pois estarseia diante da hipótese de incidência prevista no inciso III do mesmo art. 22 da Lei n.° 8.212/91, que de plano se afastaria. Alega que a Lei n.° 9.876/99, ao inserir no artigo 22 da Lei n.° 8.212/91, o inciso IV, teria criado novo tributo, incidente sobre despesa/custo não previsto no art. 195 da Constituição Federal, e que, ao instituílo, o teria feito por lei ordinária, isto é, sem respeitar o determinado no art. 195, § 4° c/c. art. 154, inciso I da Constituição Federal. Sustenta, assim, a não conformação da contribuição instituída pela Lei n.° 9.876/99 às hipóteses previstas no art. 195 da Constituição e que, em face do desrespeito ao disposto nos art. 195, § 4° c/c art. 154, inciso I, seria inconstitucional a mencionada contribuição, padecendo do vício, também, por conseqüência, os artigos 71, III e 86, IV da Instrução Normativa SRP n.° 03, de 14/07/2005, do que decorreria a necessidade de cancelamento do auto de infração. Destaca, então, que não haveria nenhuma razão plausível para se afastar a análise de inconstitucionalidade pelos órgãos julgadores administrativos, sendo inconcebível, para ela, a abstenção de um órgão judicante em manifestarse sobre matéria constitucional. • Da questão da determinação constitucional de estímulo ao cooperativismo e da ofensa à isonomia: Faz referência, aqui, a princípio constitucional relativo à vedação à instituição de tratamento tributário discriminatório a Fl. 6390DF CARF MF 28 contribuintes que se encontram em situação equivalente, enunciado no inciso II do art. 150 da Constituição da República. Afirma que ela, por ser "contratante" (partindose da equivocada premissa do Fiscal, da qual não se compartilha) de serviços oferecidos por cooperativas de trabalho estaria obrigada a recolher 15% (quinze por cento) do valor dos serviços contratados (valor bruto da nota fiscal/fatura de prestação de serviços), enquanto aqueles que contratassem os serviços prestados por outras espécies societárias (sociedades anônimas, por exemplo) não se sujeitariam a tal exação, havendo o estabelecimento de uma situação de desigualdade que implicaria maior oneração de quem contrata uma cooperativa de trabalho, em afronta ao disposto no inciso II do art. 150 da Constituição. Destaca que sujeitar o contratante de cooperativa de trabalho ao pagamento de 15% (quinze por cento) do valor do serviço contratado enquanto que o contratante de sociedade não cooperativa não se sujeita a tal contribuição representaria desconsideração da capacidade contributiva e, por conseqüência, da isonomia. Menciona que a Constituição determinaria que o legislador deveria dispor de modo a apoiar e estimular o cooperativismo, do que decorreria, logicamente, que deveria ter tratamento tributário adequado, que beneficiasse esta forma de associação. E informa que, ao invés de incentivar o cooperativismo, o legislador ordinário teria onerado seus serviços com tributo não incidente caso fosse o serviço prestado por outras pessoas jurídicas, desestimulandoo, além de tributar ato intributável, nos termos do art. 146, inciso III, alínea "c" c/c. a Lei n.° 5.764/71. Da alegação de majoração da base de cálculo tributável consideração de valores que não se refeririam aos serviços de cooperados: Alega a impugnante que, na hipótese de ser considerada tomadora dos serviços dos cooperados intermediados pelas cooperativas singulares, e, portanto, contribuinte da contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o preço de tais serviços, restaria majorada a suposta base de cálculo autuada, eis que excederia a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados, quer: (i) por incluir valores outros como materiais, equipamentos, medicamentos, diárias hospitalares, etc; (ii) por conter valores que não se refeririam a serviços prestados, constituindo glosas que, na sistemática das operadoras de planos de saúde se equiparariam às vendas canceladas. E, desta forma, se justificaria, para ela, a realização de diligência para a quantificação da real parcela de serviço de cooperados, sob pena de adotarse o arbitramento, quantificandose em 30% sobre o valor das faturas a correta Fl. 6391DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 16 29 base de cálculo tributável, em conformidade com o art. 291, I, "a", da IN 03/2005. • Da questão da indevida inclusão de materiais, medicamentos, diárias hospitalares, dentre outros: Destaca que a contribuição de 15% sobre os valores pagos pelos serviços prestados por cooperados por meio de cooperativas de trabalho, prevista no art. 22, IV da Lei n.° 8.212/91, com redação da Lei n.° 9.876/99, não poderia incidir sobre importância que não representasse a prestação desse serviço. Informa, no entanto, que foi isso justamente o que teria ocorrido quando o Fiscal utilizou como parâmetro para apuração da base de cálculo apenas as suas contas contábeis e considerou o valor integral de todas as faturas ali contabilizadas, sem se ater para o fato que tais faturas conteriam a cobrança de outras modalidades de custo de eventos de planos de saúde, as quais iriam além do serviço do médico cooperado, tais como materiais, medicamentos, serviços prestados por médicos não cooperados em hospitais credenciados, etc., e isto, não obstante os seus esforços, em resposta ao TIF 05, de quantificar o preço dos serviços dos cooperados, verdadeira base de cálculo da contribuição em questão. No que tange aos conceitos utilizados pelo sistema Unimed na emissão de faturas, relata que os chamados "ato cooperativo", "ato cooperativo principal", "ato principal" ou "ato 1" seriam expressões utilizadas para identificar os serviços prestados pelos cooperados, ao passo que, "ato cooperativo auxiliar", "ato auxiliar", "ato 2" e "ato não cooperativo", entre outras rubricas existentes, se destinariam a identificar os materiais e serviços outros prestados por hospitais, laboratórios, empresas de remoção de pacientes etc. Salienta, ainda, a existência de documentos integrantes das faturas, que subsidiariam a verificação da parcela referente aos serviços dos médicos cooperados, quais sejam os chamados "arquivos PTU" (Protocolo de Transações Unimed sistema de padronização de troca de informações entre Unimeds no Intercâmbio, possuindo diversos modelos conforme o tipo de informação a ser transmitida). Segundo ela, apesar do imenso volume de PTU's que integrariam as faturas, existiria a possibilidade de se levantar o real valor dos serviços médicos cooperados nas faturas de Unimed's, tarefa da qual teria deliberadamente se eximido o Fiscal. Ressalta, então, que seria de suma importância a realização de diligência nas suas dependências, a fim de, com base da análise das faturas emitidas por Unimed's e nos documentos complementares que lhes integram (PTU's), aferir qual o valor dos serviços dos cooperados prestados por meio de suas cooperativas singulares, o que desde já requer, em atenção ao princípio da verdade material e às regras que regem o Processo Administrativo Fiscal. Fl. 6392DF CARF MF 30 Indica como Assistente Técnica a Sra. Cristina Carlos Brandão, brasileira divorciada, contadora, portadora do CPF 915.674.16853, CRC 1 SP 133.272/01, com escritório profissional em sua sede, apresentandose o seguinte quesito a ser respondido pelo perito: "Com base na análise das faturas e documentos complementares que lhes integra (Protocolo de Transações Unimed PTU) emitidas pelas Unimeds, no ano de 2008, pela prestação de serviços por seus cooperados aos usuários dos planos de saúde da Central Nacional Unimed, qual o preço dos serviços dos cooperados, assim entendido como o valor dos serviços prestados por cooperados acrescido de eventual e proporcional taxa de administração?" • Da questão da indevida inclusão de glosas parciais ou totais: De acordo com a impugnante, além do Fisco não se ter atido à estrita base de cálculo legal da contribuição, deixando de levantar o valor pago pelo serviço prestado pelos cooperados das Unimeds, também teria cometido outro grave equívoco: o Fiscal teria deixado de reduzir os valores das faturas contabilizadas nas contas de "Ato Cooperativo" pelas glosas ocorridas. Relata que, em alguns casos, teria ocorrido a glosa dos valores cobrados pelas Unimed's, ocasião em que ela teria deixado de pagar o valor total da fatura, por entender que determinadas quantias nela cobradas não condiziriam com a realidade dos atendimentos efetuados, sendo tais valores de glosas demonstrados em planilha anexa, e relacionados com a fatura que conteria o valor glosado, além de contabilizados em contas que também fariam parte da classificação em "Atos Cooperativos", mas que teria efeito redutor das contas em que seriam lançadas as faturas. Reproduz determinação do Plano de Contas da ANS para Operadoras de Planos de Assistência à Saúde vigente à época dos fatos narrados, contendo o grupo "41 Eventos Indenizáveis Líquidos", com os subgrupos "411 Eventos Indenizáveis / Sinistros Retidos" e "412 () Recuperação de Eventos / Sinistros Indenizáveis", devendo haver a contabilização das glosas nesta última conta. Salienta que tais glosas seriam efetivamente redutoras do valor pago às Unimed's, motivo pelo qual não poderiam, logicamente, compor a base de cálculo da contribuição de 15% sobre serviços tomados de cooperados. Registra que a planilha anexa demonstraria essa situação, sendo daí extraído o exemplo da glosa de faturas, com contabilização no livro diário. Faz referência à fatura n.° 126215/08, no valor de R$ 608.636,43, com glosa no valor de R$ 2.646,70, e pagamento do valor líquido de R$ 605.989,73. Informa que teria trazido, aqui, apenas um caso de glosa que teria deixado de ser considerado, mas que estaria a tratar de um universo de aproximadamente 48.000 faturas, sendo que, conforme a planilha anexa, existiriam R$ 57.417.058,66 Fl. 6393DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 17 31 (cinqüenta e sete milhões, quatrocentos e dezessete mil, cinqüenta e oito reais e sessenta e seis centavos) de glosas ignoradas, o que representaria uma absurda majoração da base tributada. Também nessa seara, destaca equívoco ainda mais grave, que também teria contribuído na injusta majoração da base autuada: em razão de o Fiscal não ter considerado as glosas para reduzir o valor das faturas, acabou realizando a cobrança de contribuição lançada sobre faturas devolvidas ou totalmente glosadas, ou seja, efetuando a incidência tributária em casos em que não teria havido qualquer pagamento por serviços prestados por cooperados das Unimed's. Afirma que tal fato seria comprovado pela planilha anexa e pelos seus lançamentos contábeis, onde se verificaria a contabilização da fatura recebida/avisada e a sua respectiva glosa ou devolução no valor total, e traz um exemplo da contabilização de uma fatura nessa situação, qual seja fatura n.° 977768. E conclui, assim, pela necessidade de exclusão dos valores das glosas totais ou parciais da base de cálculo autuada. • Da questão da possibilidade de utilizarse arbitramento para apuração da base supostamente tributável: Reitera, aqui, que o Fiscal, em sua autuação, teria majorado a base de cálculo da contribuição lançada, deixando de analisar, especificamente, a verdadeira parcela referente aos serviços pessoais prestados por cooperados das Unimed's aos usuários dos Planos de Saúde operados. Segundo ela, não bastasse a arbitrariedade cometida, em não se analisar a documentação e os esclarecimentos apresentados, após transferir para ela todo o ônus e trabalho da fiscalização, não poderia o Fiscal ter tomado como base de referência apenas as suas contas contábeis, uma vez sendo a base de cálculo legalmente definida para tal contribuição o valor dos serviços pessoais, e não a totalidade indiscriminada dos serviços. Ressalta que, a despeito da negligência do Fiscal, teria deixado nítida, nos seus esclarecimentos, a correta identificação dos materiais e serviços outros prestados por hospitais, laboratórios etc. sob as diversas rubricas utilizadas nos diversos modelos de faturas, denominadas de "ato cooperativo auxiliar", "ato auxiliar", "ato 2" e "ato não cooperativo". Afirma que, tendo entendido que os documentos apresentados não seriam idôneos e suficientes para demonstrar a base pretensamente tributável, não poderia a autoridade fiscal simplesmente ignorar as suas tentativas em colaborar com a fiscalização, tendo esta se eximido da análise minuciosa de todos os documentos apresentados necessários à consecução da correta base tributável, ao afirmar que a documentação apresentada era "suficiente para análise e comprovação dentro Fl. 6394DF CARF MF 32 do procedimento de auditoria fiscal" e, ainda assim, basearse somente na classificação contábil para apuração do tributo lançado. Sustenta que, uma vez que o Fiscal não teria se preocupado em segregar o preço dos serviços dos médicos cooperados, a única solução legalmente admissível seria a apuração do débito mediante o método da aferição indireta/arbitramento, e que, ainda assim, tal técnica apenas poderia ser utilizada após fundada constatação de que a documentação apresentada não refletiria a realidade de forma segura e correta. Entende que, sem prejuízo da nulidade aduzida em decorrência da não apreciação dos documentos apresentados e da não fundamentação de tal postura, se mostraria aplicável a adoção do arbitramento como sistemática de determinação da correta base de cálculo da suposta contribuição devida, caso ainda se entenda que os valores dos serviços dos cooperados não tenham sido suficientemente demonstrados por toda a explanação e documentação juntada e caso se entenda pela desnecessidade da realização da diligência requerida. Menciona que o arbitramento ou aferição indireta seria forma excepcional e subsidiária, adotada quando da impossibilidade de apuração da base de cálculo real e estaria previsto no artigo 148 do Código Tributário Nacional e no art. 33, §§ 3° e 6° da Lei n.° 8.212/91. Repete que o Auditor Fiscal não poderia ter tomado como base tributável os valores brutos das faturas constantes das suas contas contábeis, generalizando tais valores como preço dos serviços dos médicos cooperados, uma vez que tais contas compreenderiam também a contraprestação destinada a hospitais, laboratórios, clínicas, bem como o valor dos materiais indispensáveis para a complementação do atendimento médico. E, diante do exposto, requer seja adotado o arbitramento, apurandose em 30% sobre o valor das faturas a correta base de cálculo tributável, em conformidade com o art. 291, I, "a" da IN 03/2005, caso se entenda que existe o dever de recolhimento da contribuição em comento e que a documentação e os esclarecimentos apresentados não se prestariam a demonstrar a base de cálculo pretensamente tributável. Da multa e dos juros: • Das competências 01/2008 a 11/2008: alegação de equivocada aplicação da MP n.° 449/08, convertida na Lei n.° 11.941/09 correta dosimetria das multas de ofício e acessória na retroação benéfica: Relata a impugnante que, em relação às competências de janeiro a novembro de 2008, o Fiscal teria reconhecido que, diante das alterações promovidas pela MP n.° 449/08, convertida na Lei n.° 11.941/09, no que se refere às multas aplicáveis nos casos relativos a contribuições previdenciárias Lei 8.212/91, deveria ser obedecido o teor do art. 106, II, "c" do CTN, aplicandose a penalidade que fosse mais benéfica ao contribuinte. Fl. 6395DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 18 33 Menciona que, com base nessa premissa, o Fiscal teria comparado o somatório das multas aplicáveis na antiga redação da Lei 8.212/91 multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, "a", mais multa por descumprimento de obrigação acessória de 100% prevista no art. 32, § 5° com a multa aplicável após a alteração da Lei pela MP 449/08 (atual Lei 11.941/09) multa de ofício de 75% prevista no art. 35A, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430, e que teria concluído que o somatório das multas previstas antes das alterações penalizaria de forma menos gravosa as infrações supostamente cometidas. Entende, no entanto, que tal conclusão não se coadunaria com a melhor interpretação da retroação benéfica, neste caso. Segundo ela, a multa de ofício de 75% não teria substituído as duas anteriormente previstas (arts. 32, § 5° e 35, II da Lei n° 8.212/91), tratandose de interpretação extensiva e equivocada das alterações promovidas, tendo em vista que, antes da edição da MP n.° 449/08, convertida na Lei n.° 11.941/09, a multa aplicada nos casos de lançamento de ofício de créditos previdenciários, pelo suposto não recolhimento de contribuições, era aquela prevista no art. 35, II da Lei n.° 8.212/91, qual seja, a multa de mora. Alega que comparar o somatório das multas anteriormente previstas com a multa de ofício de 75%, utilizando o entendimento de que esta penalizaria tanto o descumprimento da obrigação acessória, como o da obrigação principal, seria inegavelmente prejudicial ao contribuinte, tendo em vista que estariam sendo comparadas penalidades de natureza diversa, deturpando o objetivo da retroação benéfica aplicada. Faz menção a decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e afirma que a comparação feita pelos julgadores, na verificação das penalidades mais benéficas, teria sido feita em separado, de acordo com as naturezas das multas, sendo registrado que, em relação à ausência de recolhimento da contribuição devida (obrigação principal), teria sido aplicada multa de natureza moratória e não multa de ofício, e que, em relação às obrigações acessórias, teria se concluído pela retroação benéfica do art. 32A, atual redação da Lei 8.212/91, bem como que daí seria extraído o ensinamento de que não haveria razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e acessória antes da MP 449 e depois dela, para verificar a mais vantajosa. Sustenta, assim, que, para as penalidades relativas ao suposto não recolhimento de contribuições, deveria ser considerada a natureza moratória da multa, sendo que, tratandose de multa moratória, esta deveria limitarse a 20%, ante o advento de lei posterior que lhe seria benéfica, mencionando que a multa de mora aplicada com base no art. 35 da Lei n.° 8.212/91 teria tido sua aplicação alterada pela MP n.° 449/08, convertida na Lei n.° 11.941/09, sendo que o referido artigo remeteria ao art. 61 da Lei n.° 9.430/96. Fl. 6396DF CARF MF 34 Para ela, diante disso, deveria ser aplicada a multa de mora em sua redação atual, por se mostrar mais favorável a ela, sob pena de restar malferida a retroatividade benéfica determinada pelo art. 106, II, "c" do CTN. Informa, ainda, que, no caso de dúvida quanto à cominação legal, o art. 112 do CTN imporia que a legislação fosse interpretada em seu favor. Já em relação às obrigações acessórias, por sua vez, afirma que se deveria optar pela retroação benéfica do art. 32A, atual redação da Lei 8.212/91, porque a multa de 100% do valor da contribuição anteriormente prevista no art. 32, § 5° da Lei 8.212/91 se mostraria mais gravosa. Afirma que, na redação atual, a multa acessória seria de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas; que a informação da remuneração para cooperativas de trabalho se daria em apenas um campo da GFIP, onde se informaria o valor total pago, sem detalhamento das cooperativas, tratandose de apenas uma informação omissa por mês, o que totalizaria 12 informações omissas em todo o período autuado; que, considerandose o limite mínimo de R$ 500,00, se alcançaria penalidade de R$ 3.600,00, claramente inferior à presente autuação. E conclui, no caso, que a atenção ao Princípio da Retroação Benéfica, conduziria (i) à limitação da multa de mora ao montante de 20% previsto na Lei 9.430/96; e (ii) à limitação da multa acessória ao valor mensal de R$ 500,00, previsto no art. 32A da Lei 8.212/91. • Da competência 12/2008: alegação de caráter confiscatório da multa de ofício de 75%: Alega, aqui, a impugnante, que a multa de 75% aplicada para a competência 12/2008 se mostraria confiscatória, não podendo permanecer nos patamares em que se encontra. Registra que a Constituição Federal de 1988 preveria a impossibilidade de utilização do tributo e seus acessórios (multa) de modo confiscatório. Menciona que a finalidade da multa seria punir, desestimular o contribuinte a não cumprir a obrigação tributária (principal ou acessória), ou noutro giro, compelilo a cumprir, devendo ter caráter pedagógico, nunca indenizatório, não podendo ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como tributo disfarçado. Para ela, não seria qualquer atraso no pagamento dos tributos ou ausência de sua declaração que deveria legitimar a previsão de multa exacerbada. Afirma, ainda, que a multa aplicada feriria o princípio da capacidade contributiva, eis que o acréscimo pretendido iria muito além da simples tentativa de coibir infrações tributárias, impondo, na verdade, majoração de tributo para além da Fl. 6397DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 19 35 capacidade econômica adquirida pela empresa, além de majorar a própria alíquota, de forma dissimulada e indireta. E conclui então, que a multa aplicada deveria ser cancelada, vez que possuiria nítido caráter confiscatório ou, caso assim não se entendesse, que houvesse a sua redução para patamares aceitáveis, que não caracterizassem o confisco. • Das competências 01/2008 a 11/2008: alegação de subsidiária ofensa aos princípios da proporcionalidade, capacidade contributiva e não confisco ante a majoração temporal da multa de mora, art. 35, II, redação anterior da Lei n.° 8.212/91: Sustenta, aqui, a autuada, que caso se entenda pela aplicação da multa de mora na redação anterior do art. 35, II, da Lei n° 8.212/91, aquela deveria ser mantida no patamar de 24%, eis que a sua majoração temporal ofenderia os princípios da Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e Não Confisco. Informa que a antiga redação do art. 35, II da Lei n.° 8.212/91 previa a majoração do percentual da multa a ser aplicado sobre o principal, à medida que fosse aumentando o intervalo entre o recebimento da autuação e o pagamento. Defende a natureza confiscatória desses percentuais, eis que se iniciariam em 24% (vinte e quatro por cento), alíquota já superior ao limite da redação atual (20% vinte por cento), alcançariam 50% (cinquenta por cento) sobre o suposto débito, no caso de defesa administrativa, podendo chegar ao absurdo de 100% (cem por cento) após o ajuizamento da execução fiscal, e faz menção ao princípio do não confisco em relação à aplicação das multas. Reafirma, então, a necessidade de se aplicar a legislação atual para o estabelecimento da multa de mora, limitandoa a 20%, alegando, subsidiariamente, na hipótese de manterse a eleição da legislação anterior, que a multa moratória deveria limitarse ao seu percentual mínimo, qual seja o de 24%, afastandose sua majoração temporal, sob pena da inobservância dos Princípios do Não Confisco, Capacidade Contributiva e Proporcionalidade. E, em novo raciocínio subsidiário, caso mantida a possibilidade de sua majoração temporal, entende que se faz necessária a avaliação, a cada alteração percentual da multa de mora previdenciária, da retroatividade benéfica das legislações supervenientes, ante a possibilidade de conduzirse à aplicação da alíquota de 75%, própria da atual multa de ofício, caso a somatória das multas de mora e acessória, nos termos da lógica comparativa fiscal expressa na presente autuação ultrapassem a multa atualmente prevista na Lei 9.430/96. • Da alegação de impossibilidade de exigência de juros sobre a multa de ofício: Fl. 6398DF CARF MF 36 Afirma, aqui, a impugnante, que a Lei n.° 9.065/95 teria exigido a incidência da SELIC sobre tributos de competência da Secretaria da Receita Federal, sendo que o legislador teria se referido à exação em si e não aos seus consectários legais. Segundo ela, os tributos não se confundiriam com as penalidades dele decorrentes, citando o artigo 3° do CTN. Informa, por outro lado, que a Lei n.° 9.430/96 somente autorizaria a exigência da SELIC sobre (i) multa de mora e (ii) multa de ofício, na hipótese de tratar de auto de infração sem tributo, silenciandose acerca da incidência sobre a multa de ofício em auto de infração com tributo. Relata que, no caso em debate, se trataria de auto de infração que teria por referência as contribuições supostamente devidas, fazendo incidir sobre o principal, multa de ofício e juros de mora. Sustenta a impossibilidade de fazer incidir a SELIC sobre a multa de ofício exigida, o que não se permitiria seja no auto de infração, seja após a sua lavratura com o vencimento do DARF emitido. Para ela, a legislação seria explícita com relação à incidência sobre a multa de ofício exclusivamente nas hipóteses em que se tratasse de auto de infração que não tivesse por objeto a exigência de tributo. Faz referência, então, a decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Poder Judiciário. E, neste contexto, requer o impedimento da incidência da SELIC sobre a multa de ofício, seja ela proporcional ou isolada, eis que ambas se encontrariam acompanhadas do suposto tributo devido, pedido este que não perderia o seu objeto em face do auto de infração não consubstanciar tal exigência, tendo em vista a potencialidade da exigência pela Receita Federal uma vez vencida a data de recolhimento originalmente estipulada em 04/03/2013 (prazo para protocolo da impugnação). Do pedido: Requer, aqui, a autuada, o provimento da sua impugnação, com o reconhecimento da improcedência dos Autos de Infração DEBCAD n.° 37.253.7561 e 37.253.7570, eis que: • (i) viciado de nulidade o procedimento fiscalizatório ante (i.l) a ilegitimidade das Autoridades Fiscalizadoras em decorrência da ausência de intimação das alterações procedidas no Mandado de Procedimento Fiscal e pelo excesso de prazo das prorrogações ocorridas; (i.2) a ofensa aos Princípios da Razoabilidade, Eficiência e Praticidade em razão da exigüidade dos prazos concedidos e irrazoabilidade dos documentos solicitados, em injustificável oneração dos seus custos de conformidade; e (i.3) ao não atendimento à formalidade essencial dos atos administrativos, com recusas e intimações verbais; Fl. 6399DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 20 37 • (ii) viciados de nulidade os Autos de Infração ante (ii.l) a sua deficiente fundamentação; e (ii.2) a omissão de documentos na formação do processo administrativo; • (iii) decaído o direito da Fazenda Pública de lançar o crédito fiscal referente às faturas emitidas antes de 31/01/2008, eis que passados 5 (cinco) anos entre a data da ocorrência do pretenso fato gerador da contribuição e a notificação do lançamento, tal qual preveria o artigo 150, § 4° do CTN, destacandose a existência de recolhimento tempestivo em relação aos serviços verdadeiramente prestados por cooperados a ela; • (iv) não é contribuinte da contribuição lançada, não tomando serviços dos cooperados das cooperativas singulares, mas apenas os intermediando, quer (iv.l) por sua condição de Cooperativa Central/de Segundo Grau, sem cooperados pessoas físicas, otimizadora das contratações de planos de saúde pelos verdadeiros tomadores de serviços dos cooperados de suas cooperativas singulares, nos termos em que reconhecido pelos normativos previdenciários; (iv.2) por sua condição de operadora de planos de saúde, nos termos em que consolidado pela jurisprudência; e (iv.3) por sua condição de cooperativa cessionária nas operações em "Intercâmbio entre Unimeds", nos termos em que reconhecido pelos normativos previdenciários e por Solução de Consulta específica; • (v) fundamentados os Autos de Infração em premissas equivocadas, sendo que (v.i) administração de planos de saúde desempenhada pela Central Nacional Unimed tem natureza de intermediação; (v.ii) a comercialização de planos de saúde na modalidade de prépagamento não os transformaria em "produto financeiro"; concluindose assim que ela não toma diretamente serviços dos cooperados das Cooperativas do Sistema Unimed; • (vi) intributável o ato cooperativo perfeito; • (vii) a pretensa cobrança resulta em bitributação, eis que o mesmo fato gerador (prestação de serviços pelos cooperados) já teria repercutido na tributação dos verdadeiros tomadores dos serviços, contratantes dos planos de saúde, quer em pré pagamento, quer em custo operacional; • (viii) viciada a exigência da contribuição previdenciária com base nas deficiências da Lei 9.876/99, consistentes na (viii.l) inobservância dos requisitos do exercício da competência residual na instituição de nova contribuição previdenciária; e (viii.2) ofensa ao Princípio da Isonomia e à Determinação Constitucional de Estímulo ao Cooperativismo. Subsidiariamente, vencidos os pedidos anteriores, requerse: • (ix) a redução da base de cálculo considerada no Auto de Infração 37.253.7561, por exceder a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados, quer Fl. 6400DF CARF MF 38 (ix.l) por incluir valores outros como materiais, equipamentos, medicamentos, diárias hospitalares, etc, quer (ix.2) por conter valores que não se refeririam a serviços prestados, constituindo glosas que, na sistemática das operadoras de planos de saúde se equiparariam às vendas canceladas. Requer, ainda, desde já, a autuada: • (xi) a realização de diligência para a quantificação da real parcela de serviço de cooperados, indicandose como Assistente Técnica a Sra. Cristina Carlos Brandão, brasileira divorciada, contadora, portadora do CPF 915.674.16853, CRC 1 SP 133.272/01, com escritório profissional na sua sede, apresentandose o seguinte quesito a ser respondido pelo perito: "1. Com base na análise das faturas e documentos complementares que lhes integra (Protocolo de Transações Unimed PTU) emitidas pelas Unimeds, no ano de 2008, pela prestação de serviços por seus cooperados aos usuários dos planos de saúde da Central Nacional Unimed, qual o preço dos serviços dos cooperados, assim entendido como o valor dos serviços prestados por cooperados acrescido de eventual e proporcional taxa de administração?". Caso se entenda pela desnecessidade de diligência e que toda a documentação e esclarecimentos apresentados não se prestem a quantificar os serviços dos cooperados, requer: • (xii) a adoção do arbitramento, quantificandose em 30% sobre o valor das faturas a correta base de cálculo tributável, em conformidade com o art. 291, I, "a" da IN 03/2005. Em relação às multas e juros, caso ultrapassados os pedidos anteriores que conduziriam à total improcedência da exigência, requer: • (xiii) em relação às competências janeiro a novembro de 2008, seja reconhecido ofendido o Princípio da Retroação Benéfica, devendo (xiii.l) a multa de mora prevista no Auto de Infração 37.253.7561 limitarse ao montante de 20% previsto na Lei 9.430/96 e (xiii.2) a multa acessória prevista no Auto de Infração 37.253.7570 limitarse ao montante mensal de RS 500,00, em obediência ao art. 32 A da Lei 8.212/91; • caso não reconhecida tal retroação de penalidades, (xiv) a limitação da multa de mora ao montante de 24% previsto pela Lei 8.212/91, afastandose sua majoração temporal; • não se admitindo tal limitação, (xv) a avaliação das penalidades aplicáveis a cada momento processual definido na redação anterior da Lei 8.212/91, limitandose globalmente as multas acessória e de mora ao montante de 75% previsto na Lei 9.430/96, sempre que, em razão da majoração temporal da multa de mora aplicada, a somatória da multa moratória e acessória ultrapasse o montante de 75%. Por fim, e em paralelo, requer o afastamento da incidência da SELIC sobre a multa de ofício, tendo em vista a ausência de Fl. 6401DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 21 39 previsão legal, limitandose a legislação a exigila sobre o tributo e sobre a multa de ofício nas hipóteses de auto de infração sem tributo. DA DILIGÊNCIA FISCAL Considerando a necessidade de alguns esclarecimentos, os autos foram baixados em diligência à fiscalização, conforme despacho de fls. 3.889 a 3.896. Como resultado da diligência, houve a emissão de Informação Fiscal, de fls. 3.902 a 3.904, na qual se relata: • que os documentos juntados pelo sujeito passivo na defesa (fls. 1.181 a 3.885) já foram apresentados à fiscalização, durante o procedimento fiscal desenvolvido em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal de n° 08190002011022336, iniciado em 18/07/2011 e encerrado em 31/01/2013, já tendo sido devidamente apreciados pela fiscalização e considerados nos levantamentos efetuados; • que a reapresentação destes documentos, e sua reapreciação pela fiscalização em nada alteraram o entendimento quanto à natureza da obrigação tributária, nem tampouco quanto à base de cálculo considerada pelo lançamento de ofício; • que, como exposto no Termo de Verificação Fiscal, os custos com os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho estão registrados em duas contas de mesmo nome "atos cooperativos", e somam cerca de R$ 673 milhões, sendo que não foram apresentadas notas fiscais desses lançamentos, somente faturas, e que, nessas faturas, não constam materiais descritos; • que a alegação de haver materiais incluídos nos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho não procede, pois não foram comprovados pelo sujeito passivo foram anexadas, como documentação comprobatória, no processo administrativo, pela fiscalização, uma amostra das faturas apresentadas, fls. 1.017 a 1.041, e, nestas, se verifica a ausência de materiais; • que não foram apresentadas, na defesa, notas fiscais dos serviços prestados; e, nem faturas contendo materiais descritos; • que, pelo princípio contábil da utilização de títulos próprios, despesas de natureza diversas não devem ser registradas conjuntamente em contas genéricas de despesas; • que os valores objeto de lançamento de ofício estão contabilizados em contas que registram serviços prestados por cooperados, através de cooperativas de trabalho, sendo este tipo de despesa base de cálculo das contribuições previdenciárias, e, assim, por este princípio, se presume que todos os valores ali registrados são base das contribuições previdenciárias; Fl. 6402DF CARF MF 40 • que valores referentes a materiais, que não são base de cálculo dessas contribuições, não deveriam ser registrados nestas contas, pois têm natureza distinta, e que, se, porventura, assim o foram, como alegado pelo sujeito passivo, cabe a quem alega, sua comprovação, sendo que, no caso, não foi apresentada documentação que comprovasse tal alegação, nem na fiscalização, nem na defesa; • que a alegação de haver valores glosados na base de cálculo considerada pela fiscalização também não procede, pois os valores considerados no lançamento são os valores líquidos das referidas contas; • que a conta 411.111.101 registrou um total de despesas de R$ 525.007.306,60 e um total de estorno de R$ 32.199.904,26, e a conta 411.112.101 registrou um total de despesas de R$ 325.223.572,45 e um total de estorno de R$ 144.241.064,05, resultando nos valores líquidos considerados como base de cálculo pela fiscalização, em 2008, quais sejam, R$ 492.807.402,34 e 180.982.508,40, respectivamente; • que, como documentação comprobatória, foram anexados ao processo, pela fiscalização, os lançamentos contábeis das referidas contas (411.111.101 e 411.112.101), conforme são apresentados no Livro Razão, fls. 422 a 1.016, onde se pode verificar todos os lançamentos a crédito e a débito nestas contas; • que estes mesmos valores tributados pelo fisco foram considerados, pelo próprio sujeito passivo, na apuração do resultado do exercício, e compuseram o valor dos custos dos serviços vendidos, informado na DIPJ, na linha 39 "outros custos" da ficha 4A "custo dos bens e serviços vendidos"; • que não há qualquer alteração a ser realizada nos valores constituídos de ofício durante o procedimento fiscal, mesmo após a apresentação da impugnação e dos elementos juntados pelo sujeito passivo. DA COMUNICAÇÃO DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL AO CONTRIBUINTE E DA ABERTURA DE PRAZO PARA SUA MANIFESTAÇÃO O resultado da diligência fiscal foi, então, comunicado à empresa, em 13/11/2013, e foi aberto o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência deste, para a sua manifestação, conforme fls. 3.904 a 3.905. DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE O contribuinte apresentou, em 13/12/2013, a manifestação de fls. 3.942 a 3.966, em face da ciência da Informação Fiscal, pugnando por sua tempestividade, fazendo um breve relato dos fatos e deduzindo as alegações a seguir sintetizadas. Dos fatos: Informa, aqui, a empresa, a lavratura, em 29/01/2013, dos Autos de Infração n.° 37.253.7561 e 37.253.7570, em razão, respectivamente, do pretenso inadimplemento de contribuição Fl. 6403DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 22 41 previdenciária incidente sobre serviços supostamente prestados a ela por cooperados, por meio de cooperativas de trabalho, e do conseqüente suposto preenchimento incorreto das GFIP's enviadas entre janeiro e novembro de 2008. Observa que se tratariam, em verdade, de serviços prestados aos usuários dos planos de saúde, por ela intermediados. Explica que, contra as autuações, teria sido apresentada impugnação, acompanhada de documentação, em que teriam sido descritos, além dos fundamentos jurídicos para a impossibilidade de incidência da contribuição em questão, vícios/irregularidades aferíveis na fiscalização, como a decisão de ignorar e não juntar aos autos grande parte da extensa documentação e dos esclarecimentos prestados ao longo do procedimento de fiscalização, bem como a ausência de fundamentação para o Auto de Infração. Segundo ela, teria sido cometida, no caso, injustiça fiscal, que, além de eivar as autuações de nulidade, comprometeria a visualização jurídica da questão, não sendo contribuinte da contribuição autuada, por ser mera intermediária e não tomadora dos serviços das cooperativas. Afirma, ainda, que, não se reconhecendo a nulidade, as arbitrariedades prejudicariam sobremaneira uma autuação correta e coerente com a real base de cálculo do tributo, ao prevalecer o entendimento pela incidência da contribuição. Menciona, em seguida, que, em 25/07/2013, a relatora designada para o caso teria percebido a necessidade de realização de diligência, considerandose os documentos e alegações apresentados por ela, com a realização de verificações "in loco", caso necessário, em face da extensão dos documentos que integrariam as faturas, e transcreve parte do despacho proferido. Alega, no entanto, que, a manifestação do Fiscal, mais uma vez, teria sido superficial e baseada em fundamentos rasos, e que nenhum dos argumentos da impugnação, documentos apresentados por ela e fundamentos do despacho da Delegacia de Julgamento teria sido sequer considerado ou contraposto pelo Fiscal. Destaca a manutenção dos vícios contidos na presente autuação, desde o início da ação fiscal até a manifestação fiscal. Da informação fiscal: alegação de ausência de análise dos argumentos e documentos, não realização de diligência, e descumprimento de determinação da delegacia: Informa, aqui, o contribuinte, que esta Delegacia de Julgamento teria percebido a ausência de fundamentação e de verificação da realidade material atinente aos supostos fatos geradores que serviram de base para a autuação, bem como a complexidade documental típica da operadora de plano de saúde, Fl. 6404DF CARF MF 42 determinando que o Fiscal responsável reanalisasse a questão à luz das alegações apresentadas por ela, da documentação acostada na impugnação e, até mesmo, efetuando diligência nas suas dependências, ante a constatação de que a documentação existente nos autos não seria suficiente para averiguação da verdade material. Ressalta que o trabalho fiscal inicialmente realizado teria sido tão raso que a Relatora do caso, chancelada pela Presidente da 12a Turma de Julgamento, teria sentido a necessidade de determinar que os trabalhos fiscais fossem refeitos, para que a Turma pudesse ter elementos concretos para julgar sua impugnação, enxergando com clareza os fundamentos jurídicos apresentados, os quais deveriam ser analisados em conjunto com uma realidade completa e claramente narrada. Afirma que, ao longo do despacho proferido no dia 25/07/2013, teriam sido citados trechos da impugnação apresentada, destacando os pontos que teriam soado mais importantes e que deveriam ser observados pelo Fiscal autuante, no cumprimento da determinação desta Delegacia. Transcreve, então, trechos do referido despacho, os quais remeteriam a trechos do Termo de Verificação Fiscal e da Impugnação, e que, segundo ela, demonstrariam que todas as alegações e documentos haviam sido ignorados pelo Fiscal. E alega que absolutamente nada do que teria sido determinado por esta Turma teria sido cumprido pelo Fiscal autuante. Defende que, com a simples leitura dos trechos da Impugnação citados por esta Turma em seu despacho, e da Informação fiscal, seria possível constatar que nada do que teria restado determinado foi considerado pelo Fiscal, que se limitou a reiterar os termos por ele utilizados no Termo de Verificação Fiscal. • Da alegação de ausência de análise dos documentos juntados em fiscalização e impugnação: Menciona, aqui, que o autuante teria alegado que os documentos juntados pelo sujeito passivo na defesa (fls. 1.181 a 3.885) já teriam sido apresentados à fiscalização durante o procedimento fiscal desenvolvido. Sustenta, contudo, que tal alegação não corresponderia ao ocorrido e apenas corroboraria que o Fiscal não só teria ignorado a documentação apresentada em procedimento de fiscalização, como ignorado também aquela juntada em impugnação. Segundo ela, bastaria uma simples comparação objetiva dos documentos, sem adentrar ainda no conteúdo deles, para chegarse a esta constatação. Apresenta, então, uma lista de documentos que teriam sido apresentados com a impugnação, e uma lista de petições e documentos que teriam sido apresentados no procedimento de fiscalização e sequer considerados pelo Fiscal, tanto que grande parte nem teria sido juntada aos autos. Fl. 6405DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 23 43 Relata que, ao longo da fiscalização, teriam sido apresentadas as faturas de cooperativas associadas que a fiscalização entendeu que lhe prestaram serviços, juntamente com planilhas demonstrativas dos honorários, materiais e medicamentos nelas contidos, o que teria se dado de forma gradual tendo em vista o volume de faturas a serem levantadas e analisadas da forma solicitada pela Fiscalização no TIF 05. Alega que os únicos documentos que teriam sido apresentados em fiscalização e reapresentados na impugnação seriam o Estatuto Social e alterações, o Manual do Intercâmbio e a Solução de Consulta Fiscal, e que o restante se referiria a documentos que, ou se apresentaram em fiscalização, ou se apresentaram em impugnação. E afirma que nenhum deles teria sido considerado pelo fiscal, que teria se atido apenas à classificação contábil dos valores registrados a título de custos dos planos de saúde comercializados por ela. Para ela, assim, a afirmação fiscal de que "estes documentos já foram devidamente apreciados pela fiscalização e considerados nos levantamentos efetuados" não procederia, havendo a arbitrariedade na lavratura da autuação. E registra que, para que não haja dúvidas de que tais documentos e petições teriam sido apresentados ao longo da fiscalização, teriam sido juntados, nesta oportunidade, os comprovantes de protocolo de cada uma das petições, as quais, juntamente com os respectivos documentos, esperava que fossem apreciadas na diligência determinada, que teria oportunizado ao fiscal a apuração completa da realidade material envolvida nos fatos autuados e o saneamento da nulidade evidenciada nos Autos de Infração. Destaca que os documentos que acompanharam as petições em comento seriam de extenso volume, sendo desnecessário apresentálos novamente, eis que teriam sido devidamente protocolados em fase de fiscalização e, embora não tenham sido integralmente juntados aos autos pelo Fiscal, este deve possuí los, ao menos, em arquivos extraprocesso, e, se não os possui, se estaria diante de grave situação: descarte ou extravio de documentos oficialmente apresentados pelo contribuinte no processo de fiscalização. Menciona o Fiscal possuiria, ainda, a opção (mais do que isso, a ordem desta Delegacia) de diligenciar nas suas dependências, ao verificar que não possuiria documentos suficientes para analisar todas as alegações trazidas em impugnação e em face da complexidade da composição das cobranças por operadoras de planos de saúde, envolvendo inúmeros procedimentos, prestados por distintos profissionais a diversos usuários, com componentes distintos dos serviços de médicos cooperados (despesas hospitalares, exames, etc), cuja extensa documentação comprobatória integraria a fatura. Fl. 6406DF CARF MF 44 E registra que isso não teria sido feito, como se perceberia dos autos, tendo o Fiscal simplesmente recebido a determinação desta Turma e elaborado diminuta informação fiscal, composta por única página, quando o próprio volume dos autos, complexidade das alegações e vastidão dos documentos exigiria, no mínimo, um olhar acurado sobre a situação. Afirma, ainda, que, conforme se perceberia da enumeração dos documentos apresentados em fiscalização, e da leitura da impugnação, teria evidenciado elementos extremamente detalhados e completos, resultado de um exaustivo trabalho, que teria aliado tecnologia e análise de faturas em conjunto com arquivos complementares destas, os quais teriam permitido que fosse apurada a única base de cálculo possível para a suposta incidência da contribuição previdenciária de 15% sobre serviços de cooperados prestados por meio de cooperativa de trabalho, qual seja, o preço desses serviços (isso na hipótese de não se reconhecer a impossibilidade de lhe cobrar este tributo). Informa que teriam sido cuidadosamente separados, com base em arquivos complementares apresentados pelas Unimed (PTU), os valores dos honorários de médicos cooperados com a respectiva taxa de administração (preço do serviço, base de cálculo) dos valores de materiais e medicamentos, que não fazem parte do preço dos serviços, e que nada disso teria sido considerado pelo Fiscal, que teria preferido se ater à descrição resumida das suas contas contábeis e da DIPJ, sem compreender a formação e origem desses dados. Nota que isso não teria sido sanado na oportunidade dada pela Delegacia de Julgamento, tendo o Fiscal optado por tecer argumentos infundados e aleatórios, como a afirmação de que os documentos da impugnação já teriam sido apresentados antes, e reiterar os fundamentos de seu Termo de Verificação Fiscal, de que os custos com os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho estariam registrados em duas contas contábeis de mesmo nome "atos cooperativos". Para ela, teria restado claro, não só com esclarecimentos prestados em impugnação, como com aqueles prestados nas petições de atendimento ao TIF 5, sistematicamente ignoradas pela Fiscalização, que os valores contabilizados nas contas denominadas "atos cooperativos", representariam parte dos custos declarados na linha 39, da Ficha 4A, da DIPJ e que ali estariam contabilizados os valores totais repassados às Unimeds em intercâmbio (instituto que não remuneraria apenas o serviço de seus cooperados, mas também gastos hospitalares, materiais, etc), não contendo somente aqueles que representariam honorários e respectiva taxa de administração. Transcreve, em seguida, trechos das petições apresentadas em atendimento ao TIF 5 e da impugnação. E conclui que a diligência determinada por esta Delegacia, com apreciação dos documentos juntados e suas alegações não teria sido realizada, não tendo sido cumprida a Fl. 6407DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 24 45 determinação desta Turma julgadora, sendo que as mesmas irregularidades contidas na autuação teriam sido confirmadas na Informação Fiscal em questão. • Da alegação de comprovação da base de cálculo das contribuições existência de materiais e medicamentos inadequação na compreensão contábil do Fiscal: Relata, aqui, que o Fiscal também teria alegado que os materiais incluídos nos serviços prestados por cooperados não teriam sido comprovados por ela, insistindo que, nas faturas apresentadas, se verificaria a ausência da demonstração destes materiais; e, ainda, que não teriam sido apresentadas notas fiscais dos serviços prestados, nem mesmo na defesa. Afirma que, de fato, tais notas não teriam sido apresentadas em defesa, sendo que as faturas representativas das atividades intermediadas teriam sido apresentadas, em fiscalização, juntamente com planilhas descritivas dessas faturas, as quais sequer teriam sido juntadas aos autos, quanto mais analisadas e consideradas. Quanto à alegação de que as faturas não continham materiais descritos, esclarece que as faturas emitidas pelas cooperativas associadas seguiriam padrões de nomenclaturas estabelecidos e utilizados pelo Sistema Unimed para a identificação do conteúdo ali cobrado, e que a complexidade e variedade de procedimentos de atenção à saúde típicos da operação de planos de saúde faria com que as faturas fossem integradas pelos seus arquivos complementares, chamados PTU. Informa que o Fiscal teria tentado justificar a razão de ter considerado apenas o número fechado contido nas contas contábeis "ato cooperativo" como base de cálculo da contribuição, na existência de um princípio contábil que determinaria que despesas de natureza diversa não poderiam ser contabilizadas nas mesmas contas, e transcreve trecho da manifestação fiscal, em que constaria afirmação no sentido de que valores referentes a materiais não deveriam ter sido registrados nestas contas, e de que não teria sido apresentada documentação que comprovasse a alegação do sujeito passivo de que haveria valores de materiais incluídos na base de cálculo. Segundo a autuada, no entanto, a simples observação dos autos, leitura das petições apresentadas e da impugnação faria cair por terra a alegação de que não teria apresentado documentação para comprovar suas alegações. Quanto às alegações acerca da forma de lançamento contábil, que teria sido descumprida por ela, por sua vez, menciona as explicações dadas em impugnação, sobre as normas de contabilização determinadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, às quais se subordinaria e que seriam aplicáveis também em relação às despesas (no que se refere à classificação jurídica dos itens contabilizados). Fl. 6408DF CARF MF 46 Afirma que não poderia a fiscalização ignorar as explicações dadas, a documentação juntada antes e depois da autuação e os esclarecimentos apresentados, no sentido de que seriam lançados nas contas contábeis em questão todos os eventos indenizáveis relativos aos custos de planos de saúde, conforme determinação do plano de contas da ANS. Sustenta que não seria possível separar em sua contabilidade, portanto, a identificação dos serviços de cooperados e dos materiais e medicamentos contidos nas faturas, pois a ANS exigiria a contabilização, na mesma conta, de todos os custos tidos com cooperativas em planos de saúde. Acrescenta que, como cooperativa de segundo grau intermediária dos serviços de suas cooperadas singulares, direcionaria a estas, não apenas valores recebidos dos contratantes de planos de saúde pelos serviços prestados pelos médicos cooperados destas, mas também pelos materiais e equipamentos necessários aos atendimentos médicos, envolvendo, muitas vezes, inclusive, gastos hospitalares, e que a concentração destes valores em conta contábil genérica não lhes alteraria a natureza. Por fim, menciona que a última alegação fiscal contida na informação contraposta seria a de que as glosas nas faturas das Unimeds teriam sido devidamente consideradas porque a fiscalização teria autuado apenas os valores líquidos das contas contábeis utilizadas como base de cálculo. Relata, no entanto que, em impugnação, teria esclarecido que as glosas de faturas das Unimeds seriam lançadas em outra conta contábil redutora das contas 411, que o Fiscal considerou para lançar a contribuição, de modo que o valor líquido destas contas 411 ainda seria reduzido pelo valor de suas contas redutoras e não poderia ser considerado isoladamente. E afirma que a manifestação fiscal teria sido aleatória, descumprindo a determinação de realização de diligência desta Delegacia e optando por manter a autuação fiscal sobre base inexistente e muito acima daquela legalmente permitida. • Da questão referente aos pontos do despacho de diligência sobre os quais o Fiscal não teria se pronunciado: Relata, aqui, que, no despacho de determinação de diligência, teriam sido citados trechos da Impugnação apresentada sobre os quais o fiscal deveria expressamente se pronunciar, e que parte desses trechos até tiveram seus temas verificados, ainda que de forma inconsistente e infundada, mas que outros pontos da impugnação citados pelo despacho em questão não mereceram da informação fiscal nem mesmo uma breve menção. Informa que, além da questão relativa à majoração indevida da base de cálculo, a desconsideração de documentos e informações apresentados e das glosas das faturas ignoradas pela fiscalização, também teriam sido levantadas as argüições de decadência parcial dos períodos lançados e o seu pedido subsidiário de obter a base de cálculo tributável por meio do Fl. 6409DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 25 47 arbitramento, caso nenhum dos documentos apresentados fosse entendido como suficiente para demonstrar essa base, transcrevendo trechos do despacho de diligência. Menciona que, no ponto relativo à decadência, não só teria argüido a impossibilidade de lançar os valores relativos a notas fiscais emitidas em 2007, eis que compunham fatos geradores anteriores a 5 anos do lançamento, como teria apresentado planilha detalhada e descritiva de tais faturas , bem como as folhas do livro diário respectivas em que tais faturas teriam sido contabilizadas, havendo demonstração documental da argüição de decadência, sendo que o Fiscal não mencionou seu entendimento sobre isso, deixando de esclarecer se teria apreciado os documentos e informações apresentadas. Afirma, por outro lado, que a fiscalização não teria emitido, também, nenhum comentário sobre o seu pedido subsidiário, no sentido de se apurar a base de cálculo para a contribuição lançada, por meio do arbitramento, utilizandose a base presumida no art. 291, I, "a" da IN/03/2005, vigente na época dos fatos, na hipótese de os elementos probatórios apresentados serem insuficientes para a quantificação da base. Segundo ela, se o Fiscal entendesse que os materiais, equipamentos, exames, custos hospitalares, etc, não tivessem sido comprovados pelo sujeito passivo, sendo impossível, no seu entender, identificar os serviços dos cooperados das suas associadas, não poderia simplesmente presumir que a totalidade dos serviços contabilizados e contidos nas faturas seria composta apenas de serviços pessoais de cooperados, quando a própria Receita Federal presumiria, em relação aos pagamentos antecipados de plano de saúde com abrangência hospitalar, que apenas 30% do valor da nota/fatura se referiria a serviços pessoais. Alega que isso seria impossível de acontecer, como se presumiria de qualquer fatura de prestação de serviços médicos, pois ali sempre teria algum material ou medicamento utilizado nos atendimentos, não somente os honorários do médico que teria realizado o serviço, e que o arbitramento, portanto, seria uma saída minimamente razoável, diante da manutenção do entendimento fiscal de que seria inviável a identificação dos preços dos serviços médicos cooperados. Das conclusões: De acordo com o contribuinte, diante do exposto, teria ficado claro que a determinação contida no despacho não teria sido cumprida pelo Fiscal, restando eivadas de nulidade insanável as autuações, já que, nem mesmo em diligência, os vícios contidos na fiscalização teriam sido sanados. E, por esta razão e por todos os fundamentos de nulidade argüidos em impugnação, requer o cancelamento dos Autos de Infração DEBCAD's n.° 37.253.7561 e 37.253.7570. Fl. 6410DF CARF MF 48 E, caso assim não se entenda, reitera todos os pedidos contidos na impugnação apresentada, destacando, inclusive, a necessidade de realização de nova diligência para a apuração da real base de cálculo, na remota hipótese de o lançamento prevalecer. Assim, reitera todos os pleitos de mérito contidos na impugnação, caso não se reconheça a patente nulidade dos autos de infração, para que sejam então reconhecidos como improcedentes, eis que: • (i) decaído o direito da Fazenda Pública de lançar o crédito fiscal referente às faturas emitidas antes de 31/01/2008, eis que passados 5 (cinco) anos entre a data da ocorrência do pretenso fato gerador da contribuição e a notificação do lançamento, tal qual preveria o artigo 150, § 4° do CTN, destacandose a existência de recolhimento tempestivo em relação aos serviços verdadeiramente prestados por cooperados a ela; • (ii) não é contribuinte da contribuição lançada, não tomando serviços dos cooperados das cooperativas singulares, mas apenas os intermediando, quer (ii.l) por sua condição de Cooperativa Central/de Segundo Grau, sem cooperados pessoas físicas, otimizadora das contratações de planos de saúde pelos verdadeiros tomadores de serviços dos cooperados de suas cooperativas singulares, nos termos em que reconhecido pelos normativos previdenciários (inclusive a Solução de Consulta Fiscal efetuada por ela); (ii.2) por sua condição de operadora de planos de saúde, nos termos em que consolidado pela jurisprudência; e (ii.3) por sua condição de cooperativa cessionária nas operações em "Intercâmbio entre Unimeds", nos termos em que reconhecido pelos normativos previdenciários e por Solução de Consulta específica; • (iii) fundamentados os Autos de Infração em premissas equivocadas, sendo que (iii.i) administração de planos de saúde desempenhada pela Central Nacional Unimed tem natureza de intermediação; (iii.ii) a comercialização de planos de saúde na modalidade de prépagamento não os transformaria em "produto financeiro"; concluindose assim que ela não toma diretamente serviços dos cooperados das Cooperativas do Sistema Unimed; • (iv) intributável o ato cooperativo perfeito; • (v) a pretensa cobrança resulta em bitributação, eis que o mesmo fato gerador (prestação de serviços pelos cooperados) já teria repercutido na tributação dos verdadeiros tomadores dos serviços, contratantes dos planos de saúde, quer em pré pagamento, quer em custo operacional; • (vi) viciada a exigência da contribuição previdenciária com base nas deficiências da Lei 9.876/99, consistentes na (vi.l) inobservância dos requisitos do exercício da competência residual na instituição de nova contribuição previdenciária; e Fl. 6411DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 26 49 (vi.2) ofensa ao Princípio da Isonomia e à Determinação Constitucional de Estímulo ao Cooperativismo. Subsidiariamente, vencidos os pedidos anteriores, requerse: • (vii) a redução da base de cálculo considerada no Auto de Infração 37.253.7561, por exceder a abrangência dos serviços pessoais e sua respectiva remuneração aos cooperados, quer (vii.l) por incluir valores outros como materiais, equipamentos, medicamentos, diárias hospitalares, etc, quer (vii.2) por conter valores que não se refeririam a serviços prestados, constituindo glosas que, na sistemática das operadoras de planos de saúde se equiparariam às vendas canceladas. Requer, ainda, desde já, a autuada: • (viii) a realização de diligência para a quantificação da real parcela de serviço de cooperados, indicandose como Assistente Técnica a Sra. Cristina Carlos Brandão, brasileira divorciada, contadora, portadora do CPF 915.674.16853, CRC 1 SP 133.272/01, com escritório profissional na sua sede, apresentandose o seguinte quesito a ser respondido pelo perito: "1. Com base na análise das faturas e documentos complementares que lhes integra (Protocolo de Transações Unimed PTU) emitidas pelas Unimeds, no ano de 2008, pela prestação de serviços por seus cooperados aos usuários dos planos de saúde da Central Nacional Unimed, qual o preço dos serviços dos cooperados, assim entendido como o valor dos serviços prestados por cooperados acrescido de eventual e proporcional taxa de administração?". Caso se entenda pela desnecessidade de diligência e que toda a documentação e esclarecimentos apresentados não se prestem a quantificar os serviços dos cooperados, requer: • (ix) a adoção do arbitramento, quantificandose em 30% sobre o valor das faturas a correta base de cálculo tributável, em conformidade com o art. 291, I, "a" da IN 03/2005. Em relação às multas e juros, caso ultrapassados os pedidos anteriores que conduziriam à total improcedência da exigência, requer: • (x) em relação às competências janeiro a novembro de 2008, seja reconhecido ofendido o Princípio da Retroação Benéfica, devendo (x.l) a multa de mora prevista no Auto de Infração 37.253.7561 limitarse ao montante de 20% previsto na Lei 9.430/96 e (x.2) a multa acessória prevista no Auto de Infração 37.253.7570 limitarse ao montante mensal de RS 500,00, em obediência ao art. 32 A da Lei 8.212/91; • caso não reconhecida tal retroação de penalidades, (xi) a limitação da multa de mora ao montante de 24% previsto pela Lei 8.212/91, afastandose sua majoração temporal; Fl. 6412DF CARF MF 50 • não se admitindo tal limitação, (xii) a avaliação das penalidades aplicáveis a cada momento processual definido na redação anterior da Lei 8.212/91, limitandose globalmente as multas acessória e de mora ao montante de 75% previsto na Lei 9.430/96, sempre que, em razão da majoração temporal da multa de mora aplicada, a somatória da multa moratória e acessória ultrapasse o montante de 75%. E, em paralelo, requer o afastamento da incidência da SELIC sobre a multa de ofício, tendo em vista a ausência de previsão legal, limitandose a legislação a exigila sobre o tributo e sobre a multa de ofício nas hipóteses de auto de infração sem tributo. Por fim, pondera que teria tido a cautela de consultar o fisco sobre a incidência ou não da contribuição em análise, e que a resposta teria sido que não incidiria, e que, agora se veria não só na injurídica situação de uma autuação lavrada, como também na angústia de uma cobrança em bases surreais, muito superiores, se devida fosse. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário, cujo julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. PRORROGAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não constitui requisito de validade do lançamento, sendo mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos de auditoria fiscal. A ciência ao sujeito passivo da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizou o início do procedimento fiscal. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS E PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A empresa é obrigada a exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social, e a prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, no prazo determinado na intimação. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Termo de Verificação Fiscal e os Anexos dos Autos de Infração emitidos na ação fiscal oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando Fl. 6413DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 27 51 discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.° 5.172/66). O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO DA TOMADORA DE SERVIÇO. A empresa é obrigada a recolher quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio das cooperativas de trabalho. LANÇAMENTO COM BASE NA CONTABILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos geradores apurados em sua contabilidade. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional (CTN). A lei superveniente não se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade mais severa que a prevista na lei vigente à época. Fl. 6414DF CARF MF 52 MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. A alegação de que as multas incidentes sobre as contribuições previdenciárias, em face de seu elevado valor, são confiscatórios não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se tratam de exigências fundadas em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada desse acórdão em 24/02/2014, (efl. 4057), a autuada interpôs recurso voluntário em 26/03/2016 (efls. 4107 a 4287), no qual reitera as razões apresentadas na defesa. É o relatório. Fl. 6415DF CARF MF Processo nº 19515.720160/201320 Acórdão n.º 2301005.114 S2C3T1 Fl. 28 53 Voto Conselheiro João Bellini Júnior, Relator Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Contribuição da Empresa sobre Serviços Prestados por Cooperados por Intermédio de Cooperativa de Trabalho. Inconstitucionalidade Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal As contribuições exigidas neste lançamento têm por base o art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876, de 1999, o qual foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do CPC. Segue ementa do acórdão: RE 595.838 RECURSO EXTRAORDINÁRIO EMENTA: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da Fl. 6416DF CARF MF 54 cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Assim, reconheço a ausência de amparo legal para se exigir as contribuições lançadas a este título, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), que determina, no âmbito deste Conselho, a reprodução das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo art. 543B do CPC. Quanto à multa relativa ao Debcad n.° 37.253.7570, os valores a menor declarados em Gfip, pagos à cooperativa de trabalho, correspondem aos valores lançados no Debcad n.° 37.253.7561, os quais estão sendo cancelados, motivo pelo qual também deve ser cancelado o Debcad n.° 37.253.7570. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. João Bellini Júnior Fl. 6417DF CARF MF
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