Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,212)
- Segunda Câmara (27,796)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,283)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,819)
- Primeira Turma Ordinária (15,807)
- Primeira Turma Ordinária (15,722)
- Segunda Turma Ordinária d (15,676)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,949)
- Primeira Turma Ordinária (12,262)
- Segunda Turma Ordinária d (12,222)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,277)
- Quarta Câmara (83,808)
- Terceira Câmara (65,808)
- Segunda Câmara (54,396)
- Primeira Câmara (18,980)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,240)
- 1ª SEÇÃO (6,768)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,670)
- Segunda Seção de Julgamen (112,719)
- Primeira Seção de Julgame (74,977)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,905)
- Câmara Superior de Recurs (37,572)
- Terceiro Conselho de Cont (25,954)
- IPI- processos NT - ressa (5,001)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,651)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,600)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,200)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,555)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,913)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,024)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10880.915917/2008-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201606
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.915917/2008-61
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5621099
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-003.964
nome_arquivo_s : Decisao_10880915917200861.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10880915917200861_5621099.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6468248
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690300551168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.915917/200861 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.964 – 3ª Turma Sessão de 07 de junho de 2016 Matéria PIS/COFINS. Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 17 /2 00 8- 61 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915917/200861 Acórdão n.º 9303003.964 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.848, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915917/200861 Acórdão n.º 9303003.964 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915917/200861 Acórdão n.º 9303003.964 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915917/200861 Acórdão n.º 9303003.964 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915917/200861 Acórdão n.º 9303003.964 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915917/200861 Acórdão n.º 9303003.964 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915917/200861 Acórdão n.º 9303003.964 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000427/2010-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
1- O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
2- Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
1- A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
2- Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de CSLL, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior.
Numero da decisão: 9101-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. 1- O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. 2- Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. 1- A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. 2- Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de CSLL, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.000427/2010-16
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643860
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.455
nome_arquivo_s : Decisao_19515000427201016.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515000427201016_5643860.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6515246
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690305794048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 513 1 512 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.000427/201016 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.455 – 1ª Turma Sessão de 22 de setembro de 2016 Matéria Compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. Limite legal. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VOTORANTIM ENERGIA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. 1 O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. 2 Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de IRPJ, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. 1 A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. 2 Uma vez revertida a decisão que cancelou o auto de infração de CSLL, cabe devolver os autos à turma ordinária para julgamento das demais matérias contidas no recurso voluntário da contribuinte, cujo exame restou prejudicado no julgamento anterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 27 /2 01 0- 16 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 514 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Demetrius Nichele Macei, Luis Flavio Neto, Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à aplicação do limite de 30% para a compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1103001.093, de 31/07/2014, por meio do qual a 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, com a finalidade de afastar o limite legal de 30% para a compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LIMITAÇÃO QUANTITATIVA PERIÓDICA PARA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES NEGATIVAS NA CISÃO TOTAL Em face da periodicidade posta, como imperativo de ordem prática (e não como princípio), a apuração do lucro, assim como a incorrência de prejuízo, se dão como a conhecemos corte entre dois pontos temporais e esse reconhecimento implica a comunicação entre os períodos, como pressuposto dos cortes temporais (mais ou menos arbitrários). A finalidade da “trava” de compensação não é ceifar a compensação de prejuízos fiscais, Fl. 514DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 515 3 incorridos na periodicidade posta (assim como sob essa se dá a apuração dos lucros), tanto que se revogou o limite temporal de compensação. A regra da “trava”, portanto, tem seu sentido equacionado na persistência da periodicidade, e, assim, da interperiodicidade no tempo, jamais no “não tempo” da empresa. O contrário é negar o valor e o conteúdo da regra de limitação quantitativa da compensação, no tempo; o que é negar a exigência prática de cortes temporais na aferição de lucro e de prejuízo da empresa. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima referida. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: para a 3ª Turma Ordinária, a pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da “trava” de 30%; para satisfazer a exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocamos os acórdãos da CSRF, os quais, diversamente do entendimento demonstrado nos autos, entenderam que mesmo nos casos de incorporação o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais deve ser observado. Vejamos: Acórdão nº 9101001.337 Ementa: INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. Acórdão nº 910100.401 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. os precedentes acima citados comprovam, de forma cabal, a necessidade de reforma da decisão ora atacada por não refletir a melhor exegese acerca da legislação de regência da matéria; a norma contida no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 e no art. 514 do RIR/1999 é clara e expressa, no sentido da vedação legal de compensação de prejuízos da sucedida pela empresa incorporadora, e isto tem sua razão de ser: inibir incorporações que manifestamente têm como único sentido realizar evasão fiscal; Fl. 515DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 516 4 esta é a primeira premissa a ser observada: a pessoa jurídica sucessora não poderá compensar os prejuízos fiscais da sucedida; a segunda premissa foi a introdução pela Lei 9.065/95, alterando as disposições da Lei 8.981/95, da limitação quantitativa da compensação dos prejuízos fiscais ao patamar de 30% do lucro líquido ajustado; o limite que antes era apenas temporal passou a ser quantitativo, com o intuito de, preservando o interesse público e a necessidade de custeio da Sociedade pelo Estado, evitar que se verificasse a ausência total de recolhimento de tributos; vejamos os dispositivos introduzidos pela Lei 9.065/95, arts. 15 e 16 tanto para o IRPJ quanto para a CSLL: [...]; assim, diante da legislação reguladora do tema em questão temos as seguintes regras para a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas: 1) o não aproveitamento pela sucessora dos prejuízos fiscais da sucedida em caso de incorporação; 2) o limite de 30% do lucro líquido ajustado para as compensações introduzido pela Lei 9.065/95 sem exceções quanto às incorporações; o i. Relator do voto vencedor efetuou uma interpretação por demais extensiva na medida em que encampou a tese do contribuinte de que nos casos de incorporação, como a pessoa jurídica sucedida não tem mais continuidade, a limitação de 30% apenas serviria para tolher um direito de aproveitamento destes prejuízos. Neste esteio, com o encerramento da empresa sucedida e diante da impossibilidade de aproveitamento destes créditos pela sucessora, a trava de 30% não deveria ser aplicada; entretanto, este não pode ser o raciocínio a ser aplicado ao caso em questão como bem decidiu a CSRF, por criar hipótese de exceção não prevista em lei; a Lei 9.065/95, ao instituir o limite quantitativo para a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas, não fez qualquer exceção quanto às incorporações, estando tal redação até então vigente, motivo pelo qual deve ser observada em sua integralidade; o argumento de que a aplicação da trava de 30% nestes casos ocasionaria o enriquecimento ilícito do Erário, por estar impossibilitando a utilização de todo o prejuízo verificado pela empresa que não mais exercerá suas atividades, não confere; isto porque a compensação de prejuízos não pode ser considerada como direito subjetivo das empresas, mas sim como um benefício fiscal tendo em vista precipuamente o caráter extra fiscal da lei. A empresa está sujeita às regras de mercado e, sendo assim, pode auferir tanto lucro como prejuízo, sendo este último um risco inerente daqueles que escolhem trilhar por este caminho; o que a legislação pretendeu com a permissão de compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas não foi criar um direito subjetivo para o contribuinte, mas sim permitir que, em casos de apuração de prejuízos, a empresa não fosse obrigada a arcar com todo o déficit sozinha, até mesmo para fomentar as relações comerciais e impedir eventuais prejuízos irrecuperáveis que levassem ao encerramento de suas atividades; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 517 5 desta forma, a observância da limitação da trava dos 30% não limita um direito subjetivo da empresa, mas tão somente regula a forma como a compensação permitida pela legislação será exercida; a decisão de uma empresa incorporar outra ao seu patrimônio leva em conta questões internas e de planejamento, mas a obrigatoriedade de observar as regras que disciplinam tal transação e cumprilas faz parte do negócio e devem ser avaliadas quando efetivação do negócio jurídico; ainda acerca da questão vale transcrever trecho do acórdão de nº 10193.438 que com maestria elucida a questão: “A compensação de prejuízos fiscais passou a ser permitida no Brasil com a Lei nº 154, de 1947, que previa a compensação com os lucros tributáveis apurados dentro dos três exercícios subseqüentes. Com o Decretolei 1.493/76 o período para compensação foi ampliado para quatro anos, mas a base de compensação passou a ser o lucro contábil diminuído de custos, despesas operacionais e encargos não dedutíveis, O Decretolei 1.598/77 manteve o prazo de quatro exercícios, e o prejuízo a ser compensado passou a ser o prejuízo fiscal. A Lei 8.383/91 permitiu que o prejuízo fiscal apurado em um mês do ano calendário de 1992 fosse compensado com o lucro real de períodosbase subseqüentes, sem qualquer limitação temporal. Para prejuízos apurados a partir de 01/01/93, o prazo para compensação passou a ser de até quatro anoscalendário, de acordo com o art. 12 da Lei 8.541/92. Até então, a limitação para compensação de prejuízos era temporal. A Lei 8.981/95 revogou a previsão para compensação em vigor e instituiu a limitação quantitativa: o valor máximo a ser reduzido é de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões . A partir da Lei 9.065/95 os prejuízos fiscais verificados a partir do encerramento do anocalendário de 1995 podem ser compensados, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31/12/94, observado o limite máximo de 30% do lucro líquido ajustado em cada período, independentemente do prazo para compensação. Além das limitações relacionadas a prazo ou valor, o Decretolei 2.341/87 vedou à pessoa jurídica compensar seus próprios prejuízos se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido modificação de seu controle acionário e do ramo de atividade, bem como vedou a compensação, por pessoa jurídica sucessora, de prejuízos da sucedida. Em momento algum a lei estabeleceu exceções à regra de limitação para os casos ou de extinção, ou de sucessão por incorporação, fusão ou cisão. Ou seja, a lei não admitiu como direito subjetivo da empresa compensar seus prejuízos, de forma que, sobrevindo extinção ou sucessão, deixarseia de aplicar a limitação prevista na lei, de forma a permitir a compensação. Estando em pleno vigor a disposição legal que limita a compensação a 30% do valor do lucro líquido ajustado bem como a que impede a compensação dos prejuízos da sucessora pela sucedida, deve ser mantida a exigência quanto a esse item.” diante destas considerações, resta comprovada a necessidade de modificação do acórdão prolatado para manutenção da trava dos 30% para compensação Fl. 517DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 518 6 mesmo nos casos de incorporação, tanto de prejuízos fiscais no caso do IRPJ quanto de bases de cálculo negativas de CSLL. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho exarado em 29/04/2015, admitiu o recurso especial, reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: [...] Pela simples análise das ementas acima podese constatar que essas decisões adotam os argumentos defendidos pela Recorrente, no sentido de que deve haver a manutenção do limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, mesmo nos casos de incorporação. Pelo exposto, considero comprovada a divergência, uma vez que a matéria decidida no acórdão combatido e nos paradigmas apresenta similitude fática, tendo os resultados sido díspares. IV Conclusão Em razão de terem sido preenchidos os requisitos do art. 67 do RICARF, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. Em 15/06/2015, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 30/06/2015 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: a recorrida foi autuada na condição de sucessora de VBC Participações S.A. (VBC), com base na alegação de que esta empresa, quando de sua cisão total e posterior incorporação de seu acervo líquido, deveria ter observado o limite à compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSL de 30% (trinta por cento), respectivamente, do lucro líquido ajustado e do resultado do período ajustado, previsto nos art. 15 e 16 da Lei n. 9065, de 20.6.1995; assim, amparada na literalidade desses dispositivos legais, alegou a fiscalização que a VBC compensou indevidamente os montantes existentes de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, justificando, desse modo, os lançamentos das diferenças do IRPJ e da CSL que, a seu ver, seriam devidas; a argumentação em que se apoia a PGFN mal consegue se desprender da literalidade. E por mais que faça esforços nesse sentido, ou acaba incorrendo em contradição, ou acaba retornando ao mesmo e único ponto de sua tese, a saber: que os arts. 15 e 16, da Lei n. 9065 não previram expressamente o afastamento da trava de 30% nos casos de incorporação, fusão ou cisão, com extinção da empresa incorporada, fusionada ou cindida; em nenhum momento se pugnou nestes autos pela inconstitucionalidade dos art. 15 e 16 da Lei n. 9065. Ainda que a recorrida não concorde com o entendimento de que autorização à compensação de prejuízos fiscais seja um "benefício fiscal", nunca questionou a validade da regra que instituiu a trava de 30%. Ao contrário, a recorrida sempre derivou seu entendimento de uma análise teleológica, histórica e sistemática da regra, apoiandose na sua "mens legis" e numa visão integral do ordenamento jurídico brasileiro. É o entendimento Fl. 518DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 519 7 sustentado pela PGFN que redunda em ofensa ao conceito constitucional de renda e que, portanto, não pode prevalecer; muitos acórdãos, principalmente os mais antigos, já foram proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes e pelo CARF no mesmo sentido daquele proferido nos presentes autos, sem que se tivesse cogitado de inconstitucionalidade de lei; O DIREITO À COMPENSAÇÃO INTEGRAL DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. a matéria "sub judice" é exclusivamente de direito, consistindo em definir se, nas situações em que a pessoa jurídica é extinta por cisão total, seguida de incorporação, é cabível a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas sem observância da chamada "trava" de 30% (trinta por cento); o entendimento constante dos precedentes favoráveis à contribuinte fundamentase na premissa de que os art. 15 e 16 da Lei n. 9065 impõem restrição quantitativa à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, mas não impedem o seu aproveitamento em períodos posteriores; no caso de extinção da pessoa jurídica, como ela não mais terá oportunidade de aproveitar os resultados negativos em períodos futuros, a "trava" não se aplica, sob pena de se perder o direito à compensação dos prejuízos e das bases de cálculo negativas. Essa foi justamente a posição adotada pelos v. acórdãos n. CSRF/0104258, de 2.12.2002, e CSRF/01 05100, de 19.10.2004, ambos da Câmara Superior; e não há qualquer motivo para que no presente caso seja adotado posicionamento diferente; se for considerada apenas a literalidade dos art. 15 e 16 da Lei n. 9065, o intérprete e o aplicador da lei não extrairão desses dispositivos legais as normas jurídicas que dele emanam, em toda a sua completude; há muito tempo, a doutrina e a jurisprudência firmaram o entendimento de que a norma jurídica não está estampada no texto da lei, devendo ser obtida mediante um processo de interpretação muito mais amplo; é ponto pacífico que a interpretação literal não permite a compreensão exata da norma jurídica, na medida em que tal método interpretativo se apoia num único elemento, o texto do dispositivo legal, que pode ser inexato; acompanhando as manifestações desses juristas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em diversas ocasiões, refutou argumentos baseados na interpretação meramente literal dos textos legais, sufragando as lições doutrinárias de que não se conhece a verdadeira norma jurídica pelas palavras empregadas pelo legislador; para que possa ser considerada válida a interpretação literal dos art. 15 e 16 da Lei n. 9065, deve ela ser confirmada por outros elementos de interpretação. Caso contrário, a conclusão a que se chega deve ser revista à luz desses outros elementos; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 520 8 na vigência do art. 38 da Lei n. 8383, de 30.12.1991, quando o imposto de renda era apurado mensalmente pelas pessoas jurídicas, o seu parágrafo 7º permitia a compensação integral de prejuízos fiscais, sem qualquer limite; posteriormente, com a edição da Lei n. 8541, de 23.12.1992, art. 12, os prejuízos fiscais passaram a poder ser compensados em até quatro períodos de apuração, após o que eles não mais poderiam ser aproveitados; reparese que antes da Lei n. 9065 inexistia qualquer limitação em relação ao valor dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, sendo possível a sua compensação integral, porém com limitação temporal de quatro períodosbase; com a edição daquela lei, o limite temporal foi extinto, mas a compensação de prejuízos fiscais passou a ser limitada a 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado do período, nos termos do já transcrito art. 15 da Lei n. 9065. Do mesmo modo, a compensação das bases de cálculo negativas da CSL foi restringida ao referido limite; assim, foi introduzido no ordenamento jurídico um limite de ordem quantitativa para a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativa em determinado período de apuração. Tal limitação, em relação aos respectivos valores, surgiu em contraposição ao regime até então em vigor, que previa um limite temporal para a compensação dos resultados negativos; são claras as diferenças entre um e outro regime. Enquanto antes havia prazo e não havia limite quantitativo, com o novo regime passou a haver limite de valor, sem qualquer limitação de prazo, o que significa que, atualmente, a restrição quantitativa não implica a perda do direito à compensação de prejuízos e, por extensão, da base de cálculo negativa, mas mera transferência, indefinida, para períodos posteriores; a confirmar essa conclusão, o Poder Judiciário, quando foi provocado a se manifestar a respeito da validade jurídica do limite de 30% (trinta por cento), manifestouse no sentido de que a lei não teria vedado a compensação de prejuízos, mas apenas a transferido para períodos futuros; a sistemática instituída pela Lei n. 9065 em momento algum retirou do contribuinte o direito à compensação, mas apenas o diluiu no tempo, indefinidamente; a exposição de motivos da Medida Provisória n. 998, de 19.5.1995, que após reedições foi convertida na Lei n. 9065, confirma essa afirmação, conforme se verifica pela análise da seguinte passagem: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." destarte, tendo em conta a evolução histórica da legislação, os precedentes do Superior Tribunal de Justiça acima citados e ainda o disposto na exposição de motivos da Fl. 520DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 521 9 medida provisória que originou a Lei n. 9065, é necessário concluir que, atualmente, nos termos dos art. 15 e 16 da referida lei: 1 a compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa está limitada a 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado do período; porém 2 é assegurada a possibilidade de aproveitamento de seus saldos em períodos posteriores, inexistindo previsão legal para a perda desse direito, como ocorria na vigência da legislação anterior; sendo certo que o contribuinte não perde o direito de compensar tais resultados negativos na vigência do atual regime legal, colocase então a principal questão discutida nestes autos: como proceder em relação às hipóteses de extinção da pessoa jurídica, por exemplo, em virtude de cisão total, incorporação e fusão, quando não mais haverá outros períodos de apuração que permitam a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas? vejase também que, em tais hipóteses, a impossibilidade do excesso ao limite vir a ser aproveitado posteriormente decorre de disposição expressa contida no art. 33 do Decretolei n. 2341, segundo o qual, "a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida"; ora, a única conclusão jurídica e possível, que atende ao preceito de que na vigência da Lei n. 9065 o contribuinte não perde o direito à compensação, é no sentido de que o limite não se aplica nos casos de extinção da pessoa jurídica; concluir de forma diferente significa interpretar os art. 15 e 16 da Lei n. 9065 contrariamente à finalidade desses dispositivos legais, o que, em última análise, segundo a doutrina de hermenêutica acima mencionada, representa interpretação contrária à própria norma em discussão ou, mais do que isso, tomando emprestado o alerta contido no acórdão n. 10615178, acima transcrito, é desatender a própria lei; ou seja, ao contrário do que sustenta a PGFN, não se está diante de um caso de silêncio da lei, ou seja, de uma lacuna, mas sim de uma norma implícita, contida no espírito e no fim dos art. 15 e 16 da Lei n. 9065 e na aplicação sistemática desses dispositivos legais com o art. 33 do Decretolei n. 2341, que não limita a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSL a 30% (trinta por cento) do lucro de um período, na hipótese de extinção da pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão; nesse contexto de normas implícitas e silêncio eloqüente, a recorrida julga importante esclarecer que essas questões vêm juntamente com a chamada "redução teleológica", a qual também se amolda aos art. 15 e 16 da Lei n. 9065, embora silêncio eloqüente não conviva com redução teleológica; não obstante, ambas as figuras prestamse à interpretação do direito aplicável à presente lide, isto no sentido de que, por um caminho ou por outro, se chega à mesma conclusão; ademais, a redução teleológica está subjacente à linha de fundamentação da jurisprudência administrativa predominante; Fl. 521DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 522 10 não poderia haver ampliação teleológica no caso dos art. 15 e 16, para incluir neles as hipóteses de cisão total, seguida de incorporação, porque estas são absolutamente desiguais àquelas de pessoas jurídicas em continuidade de operação, que poderão compensar futuramente o que não puderem compensar presentemente. Mas pode haver a redução teleológica, que necessariamente deve importar em reconhecer que as operações de cisão, incorporação e fusão devem ser excluídas da limitação dos art. 15 e 16, porque representam situações desiguais à das pessoas que continuam a operar; e nesse passo novamente revelase a incongruência da tese da PGFN ao afirmar, equivocadamente, que, pelo fato de a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas não ser constitutiva de um direito subjetivo, mas tratarse de benefício fiscal, a interpretação defendida nestes autos pela recorrida constituiria interpretação extensiva das normas em vigor; vejase. Afirmar, para o caso em lide, que houve "uma interpretação por demais extensiva", como fez a PGFN em seu recurso, equivale a afirmar que a interpretação estendeu uma norma a hipóteses não contempladas no seu antecedente. Ocorre que a interpretação restritiva nada tem a ver com dizer que na hipótese de incidência de determinada norma não está incluída uma determinada situação, que é o que está em cogitação no caso da trava; os arts. 15 e 16, da Lei n. 9065, não tratam de um benefício fiscal, pois seu objeto é tãosomente um dos componentes da base de cálculo, igualmente ao que ocorre com inúmeras outras regras jurídicas que tratam de receitas, despesas, provisões, período competente, etc; aliás, a esse respeito, registrese que no último precedente proferido por esta E. CSRF sobre o tema em questão, o acórdão n. 9101001760, de 16.10.2013, ainda que tenha decidido em sentido contrário ao aqui defendido, afirmou corretamente que a trava de 30% nas compensações de prejuízos fiscais não se enquadra no conceito de benefício fiscal, tendo natureza de mera política de tributação; a discussão em torno do art. 15, portanto, não é no sentido de estender a sua disposição, mas, sim, ao contrário, tende a reduzir o seu alcance, por redução teleológica, ou, em outra perspectiva, pela verificação de que uma norma implícita no ordenamento determina exatamente o inverso da ampliação, pois determina a sua não aplicação. Daí porque a circunstância de que a norma da Lei n. 9065 não pretendeu vedar a compensação de prejuízos, mas, tão somente, proporcionar um mecanismo que permita um fluxo de arrecadação permanente, seja fundamental para o deslinde da discussão; a trava de 30% é regra jurídica destinada a regulamentar o aproveitamento dos saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSL daquelas empresas que se encontram em atividade. Se a norma é criada com uma função específica de propiciar um fluxo arrecadatório ininterrupto e, conscientemente, retira a anterior limitação temporal a fim de que não restasse prejudicado o direito à compensação, nas situações em que não haja a continuidade da pessoa jurídica, a aplicação dos arts. 15 e 16, fatalmente, irá contrariar a finalidade e o espírito da sua regra; havendo silêncio eloqüente, determinado pela ausência de disposição escrita, a norma não escrita é detectada pelo contexto normativo existente e pela clara intenção do legislador. Neste caso, o silêncio dos art. 15 e 16 quanto à hipótese de incorporação não Fl. 522DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 523 11 significa que esses dispositivos se apliquem nas situações de cisão total, seguida de incorporação, mas, pelo contrário, que o legislador quis estabelecer o limite porcentual para a compensação apenas no caso de pessoas jurídicas em continuidade; por outro lado, se a omissão do legislador, em tratar expressamente da hipótese de cisão, seguida de incorporação, for considerada uma lacuna, seu preenchimento pode ser feito por redução teleológica, porém com observação do imperativo de tratamento desigual para situações desiguais, o que impõe a impossibilidade de tratar por igual pessoas jurídicas em continuidade e pessoas jurídicas em extinção, inclusive no caso de serem incorporadas, quanto a estas sendo pertinente a vedação do art. 33 do Decretolei n. 2341; esta última, certamente, foi a linha seguida pela jurisprudência ao longo de mais de dez anos, conforme se verifica pela análise dos seguintes acórdãos: acórdãos n. CSRF/0105100, de 19.10.2004, e CSRF/0104258, de 2.12.2002; acórdãos n. 10196509, de 22.1.2008; n. 10195872, de 9.11.2006; n. 10194515, de 17.3.2004; acórdão n. 10709447, de 13 8.2008; n. 10707857, de 11.11.2004; e também o acórdão n. 10807456, de 2.7.2003; mais recentemente o entendimento aqui sustentado foi esposado pelas seguintes decisões: acórdão n. 1103001129, de 22.10.2014; acórdão n. 1103001057, de 7.5.20,4; acórdão n. 1103001058, de 7.5.2014; e o acórdão n. 110300619, de 31.1.2012, da 3ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª seção do CARF; em suma, o que se verifica é que a jurisprudência administrativa já acolheu inúmeras vezes a tese defendida pela recorrida, sendo que este também deve ser o entendimento no caso dos presentes autos; na esfera judicial, também há pronunciamento em abono do que foi dito até aqui, consoante retrata a ementa acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Embargos de declaração em AMS n. 003953631.1997.4.02.0000, de 22.3.2011; Órgão Julgador: 3a Turma; Relator: JUIZ FEDERAL CONVOCADO FERNANDO CESAR BAPTISTA DE MATTOS); diante de todas essas considerações, forçoso concluir que, ao contrário do entendimento manifestado no recurso da PGFN, à VBC Participações S.A. assistia o direito à compensação integral dos resultados negativos em virtude de sua incorporação, pois, caso contrário, haveria perda desse direito, o que não se coaduna com a norma jurídica extraída da interpretação sistemática, histórica e teleológica dos art. 15 e 16 da Lei n. 9065; A NÃO APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO AO CASO DESTES AUTOS. não obstante a certeza que deposita a recorrida quanto ao seu direito, na hipótese de reverterse o entendimento exarado no acórdão n. 1103001093 o que se admite em caráter meramente argumentativo deve ser, no mínimo, afastada, no caso presente, a multa de ofício, lançada contra a recorrida no bojo dos autos de infração que originaram este processo; é que se as disposições do Código Tributário Nacional forem bem analisadas, chegarseá à conclusão de que, no caso destes autos, é indevida a multa de ofício, sob pena de se contrariar disposições legais expressas, quais sejam, o art. 132 do Código Fl. 523DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 524 12 Tributário Nacional e o art. 5º do Decretolei n. 1598, de 30.12.1977, consolidado no art. 207 do Decreto n. 3000, de 26.3.1999 (RIR/99); ao fazer referência a tributos, em seu art. 132, o CTN restringiu a responsabilidade dos sucessores, nos casos de fusão, transformação ou incorporação, apenas aos impostos, taxas e contribuições devidos pelos sucedidos, pois esse mesmo Código, quando definiu o vocábulo tributo, em seu art. 3º, excluiu expressamente a sanção de ato ilícito; pela interpretação sistemática do Código Tributário Nacional, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos pelo sucedido, se o lançamento for formalizado após a incorporação, sendo responsável pelas multas por infrações à legislação tributária somente quando o lançamento ocorrer antes daquele evento; não fossem suficientes as regras do CTN para solucionar a questão, o art. 207, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, que com elas guarda perfeita sintonia, prescreve que "respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (...) a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida"; não poderia ser mais clara a redação do Regulamento do Imposto de Renda. A pessoa jurídica que incorpora outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida, responde apenas pelo imposto devido pela que tenha sido extinta ou cindida; sendo assim, forçoso concluir que a pessoa jurídica, resultante de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas, mas não pelas multas, caso o correspondente lançamento seja formalizado após aquela data; e, nesse sentido, há inúmeros julgados reconhecendo que o sucessor não responde pelas penalidades decorrentes de infrações cometidas pelo sucedido, nos casos em que o lançamento é formalizado depois da fusão, transformação ou incorporação. Confirase, exemplificativamente: acórdão n. CSRF/0104187, de 14.10.2002; acórdão n. CSRF/0104408, de 24.2.2003; acórdão n. 10195444, de 23.3.2006; acórdão n. 10194950, de 15.04.2005; acórdão n. 10193438, de 19.4.2001; acórdão n. 10322948, de 29.3.2007; também no acórdão n. 990000212, de 8.12.2009, a Câmara Superior de Recursos Fiscais afastou a imposição da multa de ofício, lançada contra o sucessor, em momento posterior à incorporação, conforme se verifica pela análise de sua ementa: "RECURSO EX OFFICIO CSLL MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES O sucessor não responde pela multa de natureza fiscal que deve ser aplicada em razão de infração cometida pela pessoa jurídica sucedida, em exigência fiscal formalizada após a incorporação." como se pode observar, a posição dominante na jurisprudência administrativa é no sentido de que o sucessor não responde pelas penalidades decorrentes de infrações cometidas pelo sucedido, quando o lançamento é formalizado depois da fusão, transformação ou incorporação, em face do que dispõem os art. 132 do CTN e 207, inciso III, do RIR/99; Fl. 524DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 525 13 apesar disso, a recorrida não ignora o fato de que há algumas decisões administrativas que mantiveram o lançamento da multa de ofício, formalizado contra o sucessor, em decorrência de infrações de natureza fiscal cometidas pelo sucedido, a exemplo do acórdão n. CSRF/0202396, de 25.7.2006, citado, nestes autos, quando da decisão de 1ª instância; no entanto, se tais decisões forem bem analisadas, verificarseá que essa aparente mudança de entendimento da jurisprudência administrativa decorre de situações específicas, nas quais os sucessores participavam, direta ou indiretamente, nas decisões gerenciais dos sucedidos, em virtude da relação de controle, direto ou indireto, verificada entre eles; isso não ocorre no caso "sub iudice", na medida em que a recorrida não detinha a maioria do capital votante da VBC, tampouco o controle dessa sociedade, não sendo possível lhe atribuir a responsabilidade pelos atos por ela praticados; o voto condutor do acórdão n. 910100050 temperou a interpretação do art. 132 do CTN, partindo da premissa de que, nos grupos econômicos, a autonomia das sociedades que os compõem é limitada, na medida em que as "grandes decisões empresariais" são tomadas em função da vontade dos controladores desse grupos; mais do que isso, por ocasião daquele julgamento, foi constatado que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, eram administradas pela mesma pessoa física, não possuindo corpos diretivos distintos; notese que foram essas as razões que levaram a C. 1ª Turma da Câmara Superior a afastar a aplicação rigorosa do art. 132 do CTN, firmando o entendimento de que cabe o lançamento da multa de ofício contra o sucessor, quando se trate de sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico e que possuem os mesmos administradores; por essas decisões das 1ª e 2ª Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verificase que não é o simples conhecimento de supostas infrações fiscais que justifica o lançamento da multa de ofício contra o sucessor tributário, mas a existência de um controle comum efetivo, direto ou indireto, de modo que se possa atribuir a responsabilidade à sucessora pelos atos praticados pela sucedida; para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a recorrida lembra que tal entendimento restou sumulado, jogando uma pá de cal na discussão. Tratase da Súmula CARF n. 47, a qual reza: "Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico." mas ainda que se admita que o conhecimento da suposta infração pelo sucessor justifica a não aplicação da regra do art. 132 do CTN, o que se faz apenas para fins de argumentação, no caso dos autos, esse entendimento não seria aplicável; isso porque, em novembro de 2006, quando da cisão da VBC, seguida da incorporação de parcela de seu acervo líquido pela recorrida, a jurisprudência administrativa Fl. 525DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 526 14 era firme no sentido de que, nos casos de extinção da pessoa jurídica, não se aplicava a trava de 30% (trinta por cento) à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSL; tanto isso é verdade que, até o mês de outubro de 2009, era pacífico na E. Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que, no caso de extinção da pessoa jurídica, por incorporação, fusão ou cisão, não havia impedimento legal à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSL, valendo mencionar que o acórdão n. CSRF/0105100, de 19.10.2004, foi proferido por unanimidade de votos, refletindo a posição firme e sólida daquele órgão julgador a respeito da matéria "sub judice"; desse modo, diante da interpretação jurisprudencial dos art. 15 e 16 da Lei n. 9065, que se encontrava estratificada no momento em que a recorrida incorporou parte do acervo líquido da VBC, não se pode dizer que ela tinha conhecimento de qualquer "ilícito fiscal", supostamente cometido por aquela empresa, até porque o procedimento por ela adotado estava amparado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, até então uníssona; ademais, a multa de ofício deve ser cancelada em atenção ao disposto no art. 76 da Lei n. 4.502, de 30.11.1964. Neste sentido, dispõe o mencionado dispositivo legal: "Art. 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado: (...)." nem se alegue que a Lei n. 4502 seria específica para os casos de IPI, visto que, não obstante conter previsões acerca do antigo Imposto sobre Consumo, atual IPI, regulamenta as infrações tributárias em geral, inclusive definindo em seu texto os conceitos de sonegação, fraude, conluio, aplicáveis na determinação de multas agravadas relacionadas com qualquer tributo administrado pela Receita Federal do Brasil; não é por outra razão que a Lei n. 9430, de 27.12.1996, ao tratar da aplicação de penalidades aos casos de lançamento de ofício, no caso de qualquer tributo, faz referência expressa, justamente, à Lei n. 4502, assim como o próprio RIR/99, ao consolidar a legislação desse imposto, utilizou a Lei n. 4502 como fundamento legal para regras gerais de fiscalização (conforme se observa pela análise do art. 908); de mais a mais, mesmo que fosse regra específica da legislação de IPI, o art. 76 da Lei n. 4502/64 seria aplicável por analogia ao caso dos autos, como autoriza expressamente o art. 108 do CTN, fato que implicaria o cancelamento da multa de ofício; por fim, a recorrida registra que, com base no raciocínio aqui desenvolvido, inclusive interpretando a Súmula acima, a mesma operação que gerou a presente autuação já foi analisada pelo CARF, eis que após a cisão de VBC, parte do patrimônio foi incorporado pela recorrida, e outras duas partes pelas empresas Antares Holdings (processo n. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 527 15 10882.002239/201070 acórdão n. 1201000784) e Camargo Corrêa Energia (processo n. 19515.000428/201061 acórdão n. 1201000803), sendo que em ambos os casos, apesar de mantida a aplicação da trava, foi afastada a multa de ofício, decisão que deve ser reproduzida no presente processo; sem prejuízo, de igual forma, por força do disposto no art. 100 do CTN, conforme ressaltado anteriormente, deve ser afastada a cobrança dos juros de mora no presente caso. Por outro lado, caso assim não se entenda, a não incidência dos juros de mora sobre a multa deve ser reconhecida, pois a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não possui fundamentação legal, conforme já decidido pela CSRF no acórdão n. 910100722, de 08.11.2010, dentre outros. É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 528 16 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A controvérsia existente no presente processo diz respeito à autuação de IRPJ e CSLL relativamente ao anocalendário de 2006, por inobservância da chamada trava de 30% na compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL. Os autos de infração foram lavrados em face da recorrente devido ao fato de ela ter incorporado um terço do acervo da empresa VBC Participações S.A., a qual sofreu a cisão total em 28/11/2006. De acordo com a peça fiscal, a DIPJ referente ao anocalendário de 2006 demonstra que a VBC Participações S.A. não observou o limite de 30% do lucro líquido ajustado para fins de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas dos períodos anteriores. Ainda de acordo com a peça fiscal: com relação ao IRPJ referente ao anocalendário de 2006, a VBC Participações S.A. realizou a compensação acima do limite legal (30%), pois, apesar de o lucro apurado por essa empresa ter sido de R$ 962.442.466,91, ela compensou o montante correspondente a R$ 962.442.466,91, havendo, dessa forma, o excesso de compensação no valor de R$ 673.709.726,84; nesse sentido, restou identificado no anocalendário de 2006 o excesso de compensação de prejuízo fiscal na apuração do lucro real, sendo imputado à recorrente o excesso de compensação proporcional à sua parte na incorporação da VBC Participações S.A. (um terço) no valor de R$ 224.569.908,95; com relação à CSLL referente ao anocalendário de 2006, a VBC Participações S.A. realizou a compensação acima do limite legal (30%), pois, apesar de a base de cálculo desse período ter sido de R$ 955.935.518,29, ela compensou o montante correspondente a R$ 955.935.518,29, havendo, dessa forma, o excesso de compensação no valor de R$ 669.154.862,80; nesse sentido, restou caracterizado no anocalendário de 2006 o excesso de compensação de base cálculo negativa na apuração da CSLL, sendo imputado à recorrente o excesso de compensação proporcional à sua parte na incorporação da VBC Participações S.A. (um terço), no montante correspondente a R$ 223.051.620,93. O lançamento foi integralmente mantido pela decisão de primeira instância administrativa. A decisão de segunda instância administrativa (ora recorrida), por sua vez, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de cancelar o lançamento, Fl. 528DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 529 17 encampando o entendimento de que a chamada trava de 30% não deve ser aplicada nos casos de "extinção da pessoa jurídica, seja por dissolução e liquidação, seja por cisão total, como no caso vertente, seja por incorporação, ou mesmo por fusão (de raríssima consecução)". E o recurso especial da PGFN objetiva restabelecer os lançamentos de IRPJ e CSLL. De acordo com o acórdão recorrido, a empresa cindida/incorporada poderia compensar integralmente o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL, acumulados em períodos anteriores, com os lucros apurados até a data de sua extinção, sem a observância da "trava" de 30%, prevista nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065/95, verbis: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. O acórdão recorrido sustenta suas razões em aspectos que abordam a implicação legal de o direito à compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL estar assegurado para os anos seguintes e as nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. A matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Como razões de decidir, adoto inicialmente o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: Fl. 529DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 530 18 "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 531 19 Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 532 20 Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. (...) Fl. 532DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 533 21 Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei. Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à balha a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 534 22 Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. A tese defendida pela contribuinte recorrida, no sentido de que existiria, no ordenamento atinente ao IRPJ, norma implícita que determina a possibilidade de afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. Assim, improcede a defesa da existência da aventada norma implícita. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste Fl. 534DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 535 23 tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009, indicado como paradigma pela recorrente, também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de Fl. 535DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 536 24 prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, coma a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu Fl. 536DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 537 25 significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 910100.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é inquestionável, como entende o acórdão combatido e defende o contribuinte recorrido, a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades encerradas, por conta de sua incorporação, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, também apontado pela recorrente como paradigma, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ. Com isso, visouse a afastar o argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 538 26 Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Fl. 538DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 539 27 Data máxima vênia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o I. Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não Fl. 539DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 540 28 está a pretendida pelo contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 541 29 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993(com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real).Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim,o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a“trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas Fl. 541DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 542 30 isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art.177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: (...) Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz Fl. 542DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 543 31 que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Fl. 543DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 544 32 Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa incorporada: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Além disso, aborda também a tese segundo a qual os prejuízos fiscais e o saldo negativo das bases de cálculo da CSLL seriam uma espécie de ativo das pessoas jurídicas, compondo seu patrimônio. Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria à própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Considero que os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida foram satisfatoriamente refutados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real (ou da base de cálculo positiva de CSLL), mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101002.208, nº 9101002.209, nº 9101002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ e da CSLL não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 545 33 No julgamento do já referido RE 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais acima transcritas (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto/contribuição; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto/contribuição (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Nesse passo, devem ser restabelecidas as autuações fiscais a título de IRPJ e CSLL. Importante observar que o acórdão recorrido, em razão de ter afastado a incidência dos próprios tributos, não adentrou na análise das questões atinentes à exigência da multa em relação à recorrente (na condição de sucessora da empresa extinta), e nem na questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, matérias que já constavam da impugnação e do recurso voluntário, e que foram novamente trazidas em sede de contrarrazões. Tais matérias foram argüidas em sede de recurso voluntário, mas seu exame ficou prejudicado naquela oportunidade, em razão do que restou decidido. Assim, uma vez restabelecidas as autuações fiscais, deverá haver julgamento quanto à exigência da multa na empresa sucessora e à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, fazendose necessário o retorno dos autos à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados em relação a essas matérias no recurso voluntário. Desse modo, voto no sentido de: DAR provimento ao recurso especial da PGFN, restabelecendo as exigências de IRPJ e CSLL; e DETERMINAR o retorno dos autos à Turma a quo, para prolação de nova decisão quanto à exigência da multa na empresa sucessora e à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 19515.000427/201016 Acórdão n.º 9101002.455 CSRFT1 Fl. 546 34 (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 546DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/10/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
score : 1.0
Numero do processo: 11610.015845/2002-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA CARF nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pelos colegiados anteriores restringiu-se a aspectos atinentes à possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o aspecto prejudicial, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pelos colegiados anteriores restringiu-se a aspectos atinentes à possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o aspecto prejudicial, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11610.015845/2002-16
anomes_publicacao_s : 201701
conteudo_id_s : 5673056
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.505
nome_arquivo_s : Decisao_11610015845200216.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 11610015845200216_5673056.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6618027
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690318376960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 858 1 857 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11610.015845/200216 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.505 – 1ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO RESTITUIÇÃO: SÚMULA CARF N º 91 Recorrente ABN AMRO BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da compensação pelos colegiados anteriores restringiuse a aspectos atinentes à possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado o aspecto prejudicial, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento parcial com retorno dos autos à unidade de origem. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 58 45 /2 00 2- 16 Fl. 859DF CARF MF Processo nº 11610.015845/200216 Acórdão n.º 9101002.505 CSRFT1 Fl. 859 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório BANCO ABN AMRO REAL S.A. recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls. 798/841, contra o acórdão nº 1301000.435 (efls. 715/724), de 11 de novembro de 2010, que, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário interposto para considerar prescrito o direito à restituição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1996. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei, sendo esse o termo inicial de contagem do prazo prescricional de repetição do indébito. A Recorrente apontou divergência jurisprudencial entre o Acórdão nº 1301 000.435, e outras decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), no que toca às seguintes questões: i) contagem do prazo para restituição de indébito tributário, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação; ii) necessidade de aplicação do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferido em sede de recurso repetitivo. Para comprovar as divergências suscitadas, foram apresentados três acórdãos como paradigmas. No entanto, ao tempo em que o Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (efls. 843/846), de 13 de fevereiro de 2015, deu seguimento ao presente recurso, admitiu e analisou apenas os dois primeiros paradigmas, em atenção ao art. 67, §5º, Anexo II, do RICARF (aprovado pela Portaria MF 256/2009), quais sejam: 110300.344 e 110300.139. Transcrevo as ementas dos acórdãos paradigmas admitidos, no que interessa à matéria: Acórdão nº 110300.344: DECADÊNCIA PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO ILL. Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644.736PE, em 6 de junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, do REsp 1.002.932SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de Fl. 860DF CARF MF Processo nº 11610.015845/200216 Acórdão n.º 9101002.505 CSRFT1 Fl. 860 3 junho de 2009, forçoso se reconhecer a pacificação da questão no ST.J.. Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005, o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05. No caso de reconhecimento de inconstitucionalidade do tributo, não há como se contar esse prazo a não ser da data em que houve tal reconhecimento. Essa é a data do "fato gerador" do indébito. Não consumação da decadência, devendo os autos retornarem ao órgão de origem para apreciação do mérito. Acórdão nº 110300.139: DECADÊNCIA — PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644.736PE, em 6 de ,junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, do REsp I 002,932SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se reconhecer a pacificação da questão no STJ. Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar. 118/05. Não consumação da decadência. Preliminarmente, a Recorrente defende a nulidade da decisão recorrida por inobservância ao artigo 62A, incluído pela Portaria MF nº 586/2010 ao RICARF vigente à época. Afirma que a Turma a quo deveria ter reproduzido entendimento do STJ proferido no Recurso Especial nº 1.002.932, tendo em vista que a decisão foi prolatada na sistemática dos recursos repetitivos. Afirma ainda que, como à época do julgamento do Recurso Voluntário já havia sido reconhecida pelo STF a repercussão geral da matéria impugnada, o julgamento do recurso deveria ter sido sobrestado até que a questão fosse definitivamente decidida. As alegações de mérito da Recorrente são, em síntese, as seguintes: a) que à época do julgamento do recurso voluntário, o STJ já havia decidido, na sistemática dos recursos repetitivos, que a regra imposta pela Lei Complementar nº 118/05 não poderia ser aplicada aos pagamentos indevidos realizados antes da sua vigência; b) que deve ser observada a decisão do STF prolatada no RE 566.621, também na sistemática dos recursos repetitivos, em que restou pacificado o entendimento de que é inconstitucional a atribuição de efeitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05; c) que o STF e o STJ se valeram de marcos temporais distintos na determinação das situações que poderiam ser alcançadas pela LC nº 118/05: o primeiro considerou como parâmetro o momento do ajuizamento da demanda destinada a reconhecer o indébito, enquanto o segundo considerou o momento do pagamento indevido, porém "independentemente do marco temporal que se tome como referência, certo é que, no caso concreto, permanece prevalecendo o prazo de 10 (dez) anos para a repetição". Demonstra que tanto o pagamento indevido, que teria ocorrido em 1996, quanto o pedido de Fl. 861DF CARF MF Processo nº 11610.015845/200216 Acórdão n.º 9101002.505 CSRFT1 Fl. 861 4 restituição/compensação, que teria ocorrido em 2002, foram anteriores ao início da vigência da LC 118/05 (9 de junho de 2015); d) que o caso concreto enquadrase nos precedentes do STF e do STJ, uma vez que se trata de pedido de compensação de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, diante do que devem ser aplicadas as decisões das referidas cortes. Ao final, a Recorrente requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, "reconhecendose o direito ao crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado quando da realização do ajuste anual para o anocalendário de 1996, bem como a homologação da compensação dos débitos de PIS/COFINS apurados no mês de setembro do ano de 2002". Cientificada do recurso especial interposto pelo Contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional limitouse a requerer, à efl. 848, que sejam utilizados como contrarrazões os fundamentos do voto vencedor do acórdão recorrido, "com o conseqüente desprovimento do apelo". É o relatório. Voto Adriana Gomes Rêgo Relatora A matéria litigiosa prazo para pleitear reconhecimento de direito creditório se submete à norma que estabelece prazo para a restituição foi objeto de tormentosos debates no âmbito desde CARF, como também foi submetida à apreciação de nossos tribunais superiores. Embora tenha sido muito rechaçada nas discussões travadas neste tribunal, a tese de que, somente após a homologação tácita do lançamento do tributo que se submete às regras do lançamento por homologação, é que começa a fluir o prazo prescricional para pleitear restituição de eventual indébito, previsto no art. 168, I, do CTN, passou a ser pacificada pelo STJ. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.002.932/SP, afetado como representativo de controvérsia, ao apreciar as disposições da Lei Complementar nº 118, de 2005, fixou o entendimento no sentido de que, relativamente aos pagamentos indevidos, efetuados anteriormente à referida Lei Complementar, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos "cinco mais cinco", ou seja, cinco anos para que se verifique a homologação tácita do lançamento e mais cinco anos, a partir da homologação tácita, para que se verifique a prescrição do indébito. Contudo, limitou o prazo a cinco anos totais contados a partir da vigência daquela lei. Por outro lado, é certo que o STF já se pronunciou, em sistema de repercussão geral, no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos para reaver indébitos tributários imposto pela Lei Complementar nº 118, de 2005, deve ser aplicável às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, para ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, a saber: Fl. 862DF CARF MF Processo nº 11610.015845/200216 Acórdão n.º 9101002.505 CSRFT1 Fl. 862 5 RE 566.621/RS – Rio Grande do Sul – Recurso Extraordinário. Relator(a): Min. Ellen Gracie. Julgamento: 04/08/2011 – Transito em Julgado em 17/11/2011. DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Por esse entendimento, o prazo prescricional de 5 anos somente atinge repetições de indébitos discutidas em ações ajuizadas a partir de 09/06/2005. As ações de repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ajuizadas antes da Fl. 863DF CARF MF Processo nº 11610.015845/200216 Acórdão n.º 9101002.505 CSRFT1 Fl. 863 6 vigência da Lei Complementar n º 118, de 2005, se submetem ao prazo prescricional de 10 anos. Este tribunal administrativo curvouse ao entendimento assentado pela STJ e STF, em sede de repetitivo e de repercussão geral, e editou a Súmula CARF nº 91, de seguinte teor: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso sob apreciação, a recorrente apresentou o Pedido de Restituição cumulado com Declarações de Compensação em 17/07/2002, ou seja, anteriormente a 09/06/2005, razão pela qual deve ser aplicado o prazo prescricional de 10 anos (cinco mais cinco). Como o indébito relativo ao saldo negativo de IRPJ foi constituído em 31/12/1996, in casu, o prazo prescricional para a repetição do indébito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1996 se esgotou em 31/12/2006. Tendo em conta que o pleito foi protocolizado em 17/07/2002, vêse que o indébito não prescreveu. Uma vez que a autoridade administrativa, que detém a competência para analisar a procedência, liquidez, e suficiência do direito creditório para fazer frente às compensações pleiteadas, limitou sua análise à questão prejudicial, e não se pronunciou sobre o mérito do litígio, é necessário que o processo retorne àquela autoridade para que seja proferido novo Despacho Decisório, pronunciandose sobre o mérito das compensações, ofertandose à recorrente a possibilidade de se defender, em todas as esferas administrativas de julgamento, caso as compensações pleiteadas não sejam homologadas. Saliento que afasto o pleito da recorrente no sentido de que seja declarada a nulidade da decisão do colegiado a quo, por não ter sido observada a disposição contida no art. 62A, do antigo RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, primeiramente, porque a nulidade tratada naquele Regimento dizia respeito às inobservâncias ao art. 62 do Anexo II, daquele RICARF, e não ao art. 62A. Ademais, conforme consignado acima, o acórdão recorrido data de 11/11/2010 e a decisão do STF com repercussão geral (RE 566.621) teve o seu trânsito em julgado em 17/11/2011. A Súmula CARF nº 91 foi aprovada pelo Pleno de 2013, e a decisão do STJ foi afastada pelo voto vencedor do acórdão recorrido com fundamento no RE 498.893 – AgRED/SP, sessão de 12/5/2009, Rel. Ministro Cezar Peluso, sob o argumento de que o STF teria entendido que o STJ teria desobedecido a cláusula de reserva de plenário. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Contribuinte e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para apreciação do mérito das compensações. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 864DF CARF MF Processo nº 11610.015845/200216 Acórdão n.º 9101002.505 CSRFT1 Fl. 864 7 Fl. 865DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.723421/2013-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme proposto neste voto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15165.723421/2013-20
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643892
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-000.830
nome_arquivo_s : Decisao_15165723421201320.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 15165723421201320_5643892.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme proposto neste voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
id : 6515607
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690322571264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.611 1 3.610 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.723421/201320 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.830 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de setembro de 2016 Assunto II e IPI INFRAÇÃO ADUANEIRA Recorrente SPREAD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme proposto neste voto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 2.387.391,69, referentes ao Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, COFINS Importação, PIS/Pasep Importação, Multa proporcional qualificada (150%), juros de mora e Multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias não localizadas. Informa o Fisco em seu “Relatório de Fiscalização” (fls. 68/213), que a Recorrente SPREAD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – EPP (CNPJ 05.161.536/000102 denominação anterior Empresa DHURAFITA COMERCIAL RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 51 65 .7 23 42 1/ 20 13 -2 0 Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15165.723421/201320 Resolução nº 3402000.830 S3C4T2 Fl. 3.612 2 IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. EPP) e doravante denominada de SPREAD, registrou diversas declarações de importação DI (listadas à fl. 76), por encomenda, da Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. (CNPJ 09.205.909/000150), doravante denominada de PELCO, onde declarou a importação de diversas mercadorias estrangeiras voltadas para o mercado da engenharia eletrônica (equipamentos eletrônicos de medição, fontes de alimentação, lupas, etc). Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da 1ª Turma da DRJ em Florianópolis (SC), colaciono o relatório do Acórdão recorrido nº 0736.111 (fls. 3.510/3.558), o qual reproduzo seus principais trechos: "(...) Registra a fiscalização que as autuações em apreço decorrem de documentos encontrados e retidos por ocasião de diligências realizadas na Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. e na Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. em 12/08/2010. Tais mercadorias seriam trazidas ao País por interesse da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. (CNPJ 04.219.792/000140) e Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. Estas empresas, em conjunto com a Empresa ICEL INSTRUMENTOS E COMPONENTES ELETRÔNICOS LTDA. (CNPJ 04.230.314/000131) e a Empresa ZENGRA COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS LTDA. (CNPJ 06.271.069/000136), segundo a ótica fiscal, compõem de fato um grupo econômicofinanceiro denominado de “GRUPO TOYO”, que, então, utilizava interpostas empresas (Empresa SPREAD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – EPP no caso dos autos) para fins de formalização dos respectivos despachos de importação perante a autoridade aduaneira (com o subfaturamento de preços das mercadorias). Registra a fiscalização que as autuações em apreço decorrem de documentos encontrados e retidos por ocasião de diligências realizadas na Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. e na Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. em 12/08/2010. Com vistas a sustentar a caracterização do “GRUPO TOYO”, a fiscalização, à folhas 82 a 133, apresenta os motivos que ratificam a sua conclusão. Em síntese:(...). (...)Que, informações encontradas no servidor de dados demonstram que os funcionários das empresas, em diversos documentos, embora registrado numa empresa agiam em nome de outra; Segundo explicitado pela fiscalização, as mercadorias eram declaradas com valores subfaturados, o que reduzia a carga tributária incidente sobre as operações de importação. Em face da formalização realizada perante a autoridade aduaneira as empresas do grupo se eximiam do cumprimento de algumas obrigações previstas na legislação tributária e, ainda, “blindavam” o respectivo patrimônio. Entre as provas acostadas aos autos, a fiscalização chama a atenção para aquelas relacionadas à diligência realizada na sede da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. e que foram objeto de duas ações, por parte da empresa, perante o Poder Judiciário (Mandado de Segurança n° 501160421.2010.404.7000 – concessão em 17/08/2010 Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15165.723421/201320 Resolução nº 3402000.830 S3C4T2 Fl. 3.613 3 e Ação Ordinária n° 501631654.2010.404.7000/PR). O Mandado de Segurança teve extinto o processo sem julgamento do mérito em 03/11/2010, já Ação Ordinária foi objeto de concessão de Antecipação de Tutela em 27/10/2010 (suspendeu o andamento de qualquer procedimento oriundo da apreensão de documentos e computadores por parte do Fisco). Revogada em 29/06/2012 a Tutela Antecipada, o procedimento fiscal teve prosseguimento. (...) Segundo a fiscalização os pedidos de compras no Exterior são enviados por Sr. ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS ou Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET. Destaca que o exportador (e fabricante) indicado nas declarações de importação não são os reais intervenientes da operação, traz o exemplo da declaração de importação n° 09/03477003 (fatura instrutiva da SINOMETER INSTRUMENTS CO.,LTD. com valores inferiores aos encontrados na respectiva planilha de controle interno do real vendedor que foi retida por ocasião da diligência realizada – arquivo ORDER SHA 2009.xls, aba 371). Destaca ainda (fls. 156 e 157) que o real exportador (ECALL) foi modificando a fatura (proforma) conforme orientações repassadas pelo “GRUPO TOYO”. Também é citado o exemplo da declaração de importação n° 09/00374610 (fls. 157 e 158). Orientações eram repassadas aos fabricantes no Exterior com vistas a não deixar evidenciado o real operador da importação, o real fabricante. Neste sentido são citadas correspondências comerciais eletrônicas (fls. 150 a 155). Desta feita o subfaturamento almejado poderia ser praticado. A fiscalização anexou aos autos planilha contendo levantamento do fluxo físico das importações (fl. 1.794) visando uma melhor compreensão dos fatos jurídicos . À folhas 159 traz a fundamentação de cada uma das colunas indicadas no documento. O relatório indica que as mercadorias importadas foram repassadas para a Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. do “GRUPO TOYO”. (...). (...) Segundo a fiscalização, para cada nota fiscal de entrada havia uma divisão em diversos boletos de pagamentos, inclusive com depósitos antecipados, o que descaracteriza a operação como por “encomenda”, sendo a operação efetivamente praticada, nestes casos, como “por conta e ordem”. Assim, os pagamentos eram fracionados, o que evidencia a intenção de tornar mais difícil o rastreamento das operações. Quanto ao fluxo financeiro relacionado às operações de compra (remessa de divisas), diferentemente do que seria o normal, foram encontrados documentos que amparam a remessa de valores que, a princípio, deveriam restringirse unicamente à relação exportador/importador, mas que estavam na posse da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. Arquivos eletrônicos demonstram a existência de controle específico. A fiscalização cita o exemplo do Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15165.723421/201320 Resolução nº 3402000.830 S3C4T2 Fl. 3.614 4 “processo 368” onde a fatura apresentada para despacho indica ter sido emitida pelo fornecedor RIGOL, mas solicita o envio de valores para uma terceira empresa (NINGBO REYDA), o que foi efetuado. Correspondência comercial eletrônica ratifica a existência de remessas de diferenças de valores aos reais exportadores, via escritório em Miami (EUA), que mediante bancos diversos realizava os pagamentos (fl. 163). Com vistas a detalhar o “modus operandi” utilizado pelo “GRUPO TOYO” para a prática de ocultação do real exportador, modificação das características das mercadorias e, subfaturamento, a fiscalização apresenta exemplos à folhas 165 a 181, bem como indica os documentos instrutivos, os percentuais de subfaturamento, as modificações realizadas, os números de controle/referência interna para a operação de importação, e ainda, os dados dos registros e controles informatizados (planilhas) utilizados pelos envolvidos. Cita como exemplo, o “processo 391” (mercadorias do presente processo):cinco exportadores são consolidados e apresentados como se fossem apenas um (do Uruguai, CIBAREL ZONE S.A.); os valores declarados estão subfaturados; o câmbio oficial foi realizado com outra empresa do Uruguai: TRESET LTDA.; documentos encontrados na diligência apontam para a remessa de divisas aos reais exportadores mediante bancos nos Estados Unidos (fls. 176 a 179). Considerando o “modus operandi” e a identificação de planilhas eletrônicas (ORDER SHA (ou HKG) 2008 (ou 2009 ou 2010).xls) de controle dos valores e produtos relativos às ordens de compra do “GRUPO TOYO” (diligência – servidor de dados), e ainda, a localização de outros documentos, a fiscalização afastou a valoração aduaneira declarada em razão da existência de fraude e, aplicou o disposto no artigo 84 do Decreto n° 4.543/02, fazendo a ressalva de que, no caso concreto, foi possível a apuração do preço efetivamente praticado. Adiciona ainda que o exsócio e fundador da Empresa SPREAD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – EPP (Sr. EROS GARZUZI) é despachante aduaneiro e a mesma se encontra com a habilitação para operar no comércio exterior suspensa. O Sr. ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS em Termo de Declaração formalizou que sua empresa, a Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA., teria comprado mercadorias da Empresa SPREAD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – EPP, contudo todas as operações foram declaradas como “por encomenda” da Empresa PELCO COMERCIAL LTDA. Assim, com base nos fatos descritos, a fiscalização autuou, além da Empresa SPREAD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – EPP (importador) e da real adquirente declarada ( Empresa PELCO COMERCIAL LTDA.), a Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. (empresa do “GRUPO TOYO” – real adquirente de fato), tendo sido arrolada como responsável solidária. Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15165.723421/201320 Resolução nº 3402000.830 S3C4T2 Fl. 3.615 5 (...) Considerando os fatos e provas acostados aos autos, os sócios e gerentes das empresas do “GRUPO TOYO” foram considerados pessoalmente responsáveis (atos com infração da lei). Também foi atribuída à estas pessoas a solidariedade prevista no Decreto n° 4.543/02, artigo 603, inciso I (concorreram para a prática da infração e dela se beneficiaram); assim, foram adicionados ao pólo passivo das autuações o. Sr. ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS, o Sr. MURILO MONCONILL PINHEIRO, a Sra. SILVIA CARINA GERZVOLF e, o Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET, administradores de fato do “GRUPO TOYO”. Em razão da prática de fraudes, simulações e conluios foi aplicada a multa de ofício qualificada (150% sobre o tributo devido). (...). É o relatório Intimadas as partes interessadas, todas apresentaram a impugnação respectiva, conforme consta dos autos e do referido acórdão recorrido. A DRJ em Florianópolis (SC), considerou improcedente as impugnações, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/12/2008, 09/02/2009, 13/02/2009, 20/03/2009, 14/10/2010, 28/10/2010 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a apresentação de documento necessário ao desembaraço falsificado, ainda que ideológicamente, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 17/12/2008, 09/02/2009, 13/02/2009, 20/03/2009, 14/10/2010, 28/10/2010 BASE DE CÁLCULO. PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. FRAUDE. ARBITRAMENTO. Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente praticados fica caracterizado o subfaturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos decorrentes deste fato. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15165.723421/201320 Resolução nº 3402000.830 S3C4T2 Fl. 3.616 6 Cabível a multa de ofício agravada, de 150% sobre o tributos apurados. Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de ofício dos tributos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/12/2008, 09/02/2009, 13/02/2009, 20/03/2009, 14/10/2010, 28/10/2010 INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão de 1ª instância, a Recorrente SPREAD, protocolou em 17/12/2014, seu recurso, alegando, em apertada síntese, que (fls. 3.569/3.606): Da Nulidade da decisão recorrida quando da sua Impugnação, sustentou a inconstitucionalidade e a ilegalidade de diversas questões envolvidas no Auto de Infração, tais como a sanção administrativa de perdimento de bens. Entende que o Fisco tem a obrigação de analisar a constitucionalidade dos dispositivos legais que aplica, pois (a) só assim terá a certeza de não estar julgando contra a Constituição Federal, e (b) estará respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa. Os mesmos argumentos são aplicáveis à análise da legalidade das exigências. Logo, resta claro que a decisão foi proferida sem a observância ao contraditório e à ampla defesa, o que enseja a nulidade do ato praticado pela Autoridade Julgadora. Da Nulidade do Auto de Infração, ausência de fundamentação legal o Auto de Infração seria nulo pela ausência de indicação clara de quais infrações foram especificamente cometidas pela Recorrente. Olvidouse a autoridade administrativa, que o art. 10, § IV, 59, II, do Decreto n° 70.235/72, o art. 12, II, do Decreto n° 7.574/11, e os artigos 50 e 53 da Lei n° 9.784/99, têm como principal objetivo possibilitar que o contribuinte saiba, exata e claramente, com base em quais fundamentos está sendo exigido o débito. Da Insuficiência e imprestabilidade dos documentos como prova contra a Recorrente sustenta que as provas apresentadas seriam insuficientes ou imprestáveis em relação à Recorrente, visto que o Fisco se baseou em meros indícios, originários de outras empresas, analisados apenas parcialmente, e que foram objeto de rearranjos da fiscalização; vale dizer, na circunstância concreta em análise, as planilhas ORDER e os emails, são insuficientes para sancionar ou cobrar tributo da ora Recorrente. E, em razão do estado em que essas e outras informações foram apresentadas, o AI se apresenta materialmente inválido. Ou seja, o contexto em torno desses meros indícios tornou o AI insubsistente, pois prejudicou uma defesa ampla, especialmente para aqueles que não tinham conhecimentos daqueles fatos; Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15165.723421/201320 Resolução nº 3402000.830 S3C4T2 Fl. 3.617 7 Da Ausência de indicação das Infrações Específicas cometidas pela Impugnante (Base Legal) No tocante a ausência de indicação da fundamentação legal que serviu de suporte ao presente Auto de Infração, em que pese o presente ponto não ter sido objeto de análise pela decisão recorrida, defende a Recorrente que o Auto de Infração não discriminou individualmente a infração que alega ter sido cometida e não indicou a base legal; Da ilegitimidade passiva da Impugnante defende a total ausência de responsabilidade da Impugnante em relação ao Auto de Infração guerreado, (i) tanto em relação às multas, (ii) como no que tange aos tributos. Tal argumento está fundamentado em inúmeras disposições legais, especialmente aquelas do CTN, tendo por base os fatos conforme apresentados pelo Fisco no "Relatório Fiscalização Toyo, versão outubro/2012". Da ausência de Responsabilidade quanto às multas (isolada, de 100% do valor aduaneiro e de ofício, e de 150% do crédito tributário sustenta, a decisão recorrida, que a aplicação da multa de 100% sobre o valor aduaneiro, decorre da impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas, pelo fato de não terem sido localizadas. Ocorre que, no entender da Recorrente, "(..) em se tratando de infrações que, em tese, foram cometidas por outras empresas é inviável a aplicação à ela, de penalidade administrativa"; ausência de responsabilidade quanto ao Lançamento dos tributos (II, IPI Importação, PIS e COFINS Importação; da nulidade material do Auto de Infração, devido a análise parcial das operações de importação (demonstração do faturamento e do cálculo foi feita por presunção); da ilegalidade da forma de cálculo do lançamento e consequentemente, da apuração da Multa isolada; que as sanções aplicadas não se ajustam à conduta, em tese, praticada pela Recorrente, nem são proporcionais; da existência de penalidade mais específica, caso fosse comprovada a conduta ilícita da Recorrente; da inaplicabilidade da pena de perdimento substituída pela multa isolada, para o caso de SUBFATURAMENTO descrito na DI; da inconstitucionalidade da sanção Administrativa de perdimento de bens. Requer que seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida ou, caso assim não se entenda, sejam acatados os argumentos levantados, cancelando o presente lançamento, uma vez que não há embasamento legal capaz de mantêlo. Pois bem. Como decidido pela decisão a quo, permanecem arrolados como responsáveis solidários as seguintes pessoas jurídicas: PELCO COMERCIAL LTDA e TEKTOYO ELETRONICA LTDA, bem como as seguintes pessoas físicas: MURILO MONCONILL PINHEIRO, ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS, SILVIA CARINA GERZVOLF e JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET. Verificase nos autos que todos foram arrolados como responsáveis solidários, conforme consta da "Conclusão 3" do Relatório de Fiscalização (fl. 193), e Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15165.723421/201320 Resolução nº 3402000.830 S3C4T2 Fl. 3.618 8 regularmente intimados quando do lançamento do Auto de Infração, conforme consta dos documentos de fls. 3.275/3.299 e despacho de fl. 3.503. Confirase trechos do acórdão DRJ, reproduzidos abaixo (fl. 3.555 e seguintes), mantendoos arrolados como responsáveis solidários: (...) A Empresa SPREAD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. – EPP se apresentou como importador perante a autoridade aduaneira, instruiu os despachos aduaneiros com as faturas ideologicamente falsas e apresentou declarações onde os valores não correspondem aqueles efetivamente praticados, assim deve responder pelo crédito tributário relacionado às infrações decorrentes, isto independentemente da intenção da empresa. Já as empresas PELCO COMERCIAL LTDA. e TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA., são as reais adquirentes das mercadorias estrangeiras, e, ainda que embora a Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA. tenha permanecido oculta em todos os procedimentos de importação, possuíam claro interesse na perfectibilização dos fatos geradores (entrada das mercadorias estrangeiras no País). Taís empresas, em tese concorrentes, mas na prática pertencentes a um mesmo grupo (“GRUPO TOYO”), agiram de maneira conjunta, coordenada e harmônica com vistas a trazer as mercadorias do exterior, e mais, introduzindo tais mercadorias com valores inferiores àqueles efetivamente praticados junto aos seus reais fornecedores no estrangeiro. Tudo isto com evidente interesse comum de diminuir o recolhimento dos tributos incidentes nas respectivas operações. Portanto seja em razão do fato de terem se beneficiado ou concorrido para a prática das infrações (inciso I do artigo 603 do Decreto n° 4.543/02), as empresas do “GRUPO TOYO” ainda se enquadram na condição de real adquirente das mercadorias objeto das operações de importação em análise, situação que implica na caracterização de importação por sua conta e ordem (casos em que houve adiantamento de recursos), responsabilidade formalmente determinada no inciso III do artigo 105 e inciso V do artigo 603, ambos do Decreto n° 4.543/02. A responsabilidade decorrente da importação por encomenda está estampada no inciso VI, do artigo 95, do DecretoLei n° 37/66, introduzido pela Lei n° 11.281/06. "(...) O documento intitulado “Reunião dezembro 2007” (fls. 512) onde consta como participantes os Srs. MURILO PINHEIRO, NILTON FERREIRA E ROBERTO MIERES, entre outros (como o Sr. YOHNNY GROSZ), indica que tais administradores trataram de temas como “Produtos novos”, “PELCO – Nova empresa”, “Sites ICEL e TOYO”, “Tradução dos manuais”, “Meta para 2008”, etc. "(...) A responsabilidade solidária atribuída ao Sr. JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET não pode ser igualmente afastada. Além dos documentos anteriormente citados, que em não raros casos possuem menção ou interferência do autuado, o próprio impugnante em diversas oportunidades diferentes se apresentou como diretor/gerente das empresas do “GRUPO TOYO”. O impugnante participava das “reuniões” estratégicas do grupo, e exercia atividades gerenciais junto aos fornecedores estrangeiros. "(...) As alegações apresentadas pela Sra. SILVIA CARINA GERZVOLF, do baixo percentual de participação societária, que exercia atividades rotineiras, e que não participou da gestão da empresa nem das operações autuadas, não podem ser acatadas. (...) Ademais, como se observa do documento de folhas 214 e 219, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a impugnante, embora possuísse apenas 4% do capital social da Empresa TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA., ostentava a qualificação de “Sócio administrador”, portanto não se acatam as alegações ofertadas. É o relatório. Fl. 3618DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15165.723421/201320 Resolução nº 3402000.830 S3C4T2 Fl. 3.619 9 VOTO / RESOLUÇÃO Regularmente cientificada da decisão em 04/12/2014 (Intimação IRF/CTA nº 134/2014 à fl. 3.565), a Recorrente SPREAD Importação e Exportação LtdaEPP, protocolou em 17/12/2014, seu recurso voluntário, tempestivamente, portanto. Ausência no autos de intimação dos Responsáveis Solidários Consta do Relatório de Fiscalização, que foram arroladas como responsáveis solidários pela integralidade do crédito tributário, as seguintes pessoas jurídicas e físicas, com base no art. 124, I, do CTN, art. 95 do Decreto Lei nº 37/66 e 603 do Regulamento Aduaneiro (fl. 202): PELCO COMERCIAL LTDA, CNPJ nº 09.205.909/000150; TEKTOYO ELETRÔNICA LTDA, CNPJ nº 04.219.792/000140;ROBERTO ANTONIO MIERES BARRIOS, CPF: 006.576.32970;SILVIA CARINA GERZVOLF, CPF: 473.914.562 68;MURILO MONCONILL PINHEIRO, CPF: 063.451.37880, e JOSE YOHNNY GROSZ BENADERET, CPF: 007.039.94921. Ressaltase que o Auto de Infração foi mantido em sua integralidade pela decisão a quo, bem como a responsabilidade atribuída em relação a todos os sujeitos passivos. No entanto, verificase nos autos, que somente existe comprovação de que o Contribuinte (SPREAD) foi cientificado da decisão de primeira instância e manifestouse. Em 06/01/2015, conforme despacho de fl. 3.608, os autos foram encaminhados a este CARF e, no entanto, não localizamos no processo, os comprovantes de que os responsáveis solidários relacionados pelo Fisco (e mantidos pela decisão a quo), tenham sido intimados/cientificados acerca da decisão da DRJ em Florianópolis (SC). Também não se localiza nos autos a interposição dos recursos voluntários por parte deles. É cediço que ao deixar de intimar todos os responsáveis tributários acerca da decisão recorrida, a Administração Tributária pode incorrer em vício, por deixar de atender aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. E é dessa forma que se encontra estabelecido pela Súmula CARF nº 71 e devem ser observado pelos julgares deste CARF: Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Posto isto, objetivando o saneamento do processo, voto pela conversão do julgamento em Diligência, para que a Unidade de origem (IRF/CuritibaPR), junte nos autos os comprovantes, AR (Correios) ou os Editais afixados, em relação aos responsáveis solidários (conforme Acórdão nº 0736.111 1ª Turma DRJ/FNS), e no caso de inexistir a intimação Fl. 3619DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 15165.723421/201320 Resolução nº 3402000.830 S3C4T2 Fl. 3.620 10 deles, que seja efetuada as intimações devidas, com abertura de prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso voluntário. Após, retornemse os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto a presente Resolução. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 3620DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.008538/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/08/2007
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, REDUÇÃO DE ALÍQUOTA AD VALOREM. EX-TARIFÁRIO.
Não há se falar em fruição do beneficio fiscal perante a ausência de identidade entre as características da mercadoria importada e o enunciado do ex-tarifário almejado.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3101-000.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 01/08/2007 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, REDUÇÃO DE ALÍQUOTA AD VALOREM. EX-TARIFÁRIO. Não há se falar em fruição do beneficio fiscal perante a ausência de identidade entre as características da mercadoria importada e o enunciado do ex-tarifário almejado. Recurso voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10314.008538/2007-67
conteudo_id_s : 5647373
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3101-000.591
nome_arquivo_s : Decisao_10314008538200767.pdf
nome_relator_s : Tarásio Campelo Borges
nome_arquivo_pdf_s : 10314008538200767_5647373.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
id : 6538891
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690351931392
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-30T13:23:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-30T13:23:10Z; Last-Modified: 2011-08-30T13:23:10Z; dcterms:modified: 2011-08-30T13:23:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6f20fd1b-65a5-43fe-bf50-b59dcca37f17; Last-Save-Date: 2011-08-30T13:23:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-30T13:23:10Z; meta:save-date: 2011-08-30T13:23:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-30T13:23:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-30T13:23:10Z; created: 2011-08-30T13:23:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-08-30T13:23:10Z; pdf:charsPerPage: 1442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-30T13:23:10Z | Conteúdo => DF CARE ME Fl. 379 S3-C1T1 Fl 365 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10314.008538/2007-67 Recurso n° 344.989 Voluntário Acórdão a° 3101-00.591 — 1 0 Câmara /10 Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2010 Matéria II, Cofins- importação e PIS-Pasep-importação (ex-tarifário) Recorrente KOMAX COMERCIAL DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 01/08/2007 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, REDUÇÃO DE AUQUOTA AD VALOREM. EX-TARIFÁRIO. Não há se falar em fruição do beneficio fiscal perante a ausência de identidade entre as características da mercadoria importada e o enunciado do ex-tarifário almejado. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. TARÁSIO CAMPELO BORGES - Relator, EDITADO EM: 24/12/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tardsio Compel() Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Aseinado diditalmente por TARASIO CAMPELO BORGES :',1/1.2.1201LI por I-IENRIOJE PINHEIRO TOR RES Autenticado digitalmente em 24/12/2010 par TARASIO CAMPELO BORGES Emilido em 0/01/2011 pelo MIntstaria da Fazencla DP CARF M F FL 380 Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão da Segunda Turma da DIU São Paulo II (SP) que, por maioria, julgou parcialmente procedentes [ I ] os lançamentos do imposto de importação, da contribuição social para o financiamento da seguridade social devtda pelo importador de bens estrangeiros ou serviços do exterior (Cofins-importação) e da contribuição pata os programas de integração social e de formação do patrimônio do servidor público incidente na importação de produtos estrangeiros ou serviços (PIS-PASEP- imPortação), todos acrescidos de multa proporcional (75%, passive] de redução), afora juros de moia incidentes apenas sobre o imposto de importação [ 2]. Ciõncia pessoal dos lançamentos a pre13 osto da sociedade empresária em 24 de setembro de 2007, segunda-feira. Segundo a denuncia fiscal fundamentada em laudo técnico de engenheiro credenciado pela IRF Sao Paulo (SP) [I, KOMAX COMERCIAL DO BRASIL recolheu a menor os tributos porque fez incorreto uso do ex -tarifário 445 do código NCM 8479.89.99 [4] na Declaração de Importação (DI) 07/1012200-9, primeira adição, registrada no dia 1 0 de agosto de 2007. Máquinas importadas de dois modelos distintos: (1) Gamma 255, não é capaz de aplicar selos vedantes e somente suporta fios e cabos elétricos com seções entre 0,0123 mm2 e 2,5 mm2 ; e (2) Alpha 355, somente suporta fios e cabos elétricos com seções entre 0,2 mm2 e 6,0 mm2 . Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o critraditório com as razões de folhas 112 a 156, assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: pessoa jurídica de direito privado, que tem como objeto a importação de maquinario industrializado; Obteve a seu favor o Ex-tarifário n° 445, com os beneffcios que aludem a Resolução Camex n° 2, de 22/02/06. Foi surpreendida com a proibição do desembaraço aduaneiro dos equipamentos importados, bem como exigência da diferença de tributo mais multa. Ataca a autuação, requerendo a liberação imediata dos bens, mediante carta de fiança bancaria, nos termos da Portaria 389/76; Em preliminar, alega nulidade do auto de infração em face da inadequação da fundamentação legal; Inteiro teor do acórdão recorrido as folhas 336 a 347. Julgado improcedente o crédito tributário relativo a máquina Modelo Alpha 355. 2 Juros de mora, conforme descrição dos fatos do auto de infração, folhas 3 a 5, e "demonstrativo de multa c 'um isolados", folha 8. 3 Laudo técnico acostada as folhas 52 a 66, 4 Resolução Camex 2, de 22 de fevereiro de 2006: 8479,89,99 Ex 445 - Máquinas automations para cortar no comprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou não, terminais conectores e solos vcdantes em ties e cabos elétricos com secção maxima de 25mm2, com monitoramento da qualidade da aplicação [vigencia: até 31 de As:hood° digit ezenabrold°12002]10 par TARAStO CAMP ELO BORGES 31/12120W pot HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Autenticado dipitalmente ern 24/n12010 por TAR/SIO CAMPELO BORGES 2 Emiticto ettl 1010112011 pelo Ministério da Fazenda Dr CARF Mi Fl 381 Processo n" 10314.008538/2007-67 S3-CIT1 Ac6rdao n*3101-00.591 Fl 366 Cerceamento do direito de defesa uma vez que apresentou laudo a seu favor e não lhe foi dada oportunidade de apresentação de terceiro laudo para exaurir o impasse. Alega que na documentação onde requereu o beneficio do EX Junto ao Ministério do Desenvolvimento, descreveu o produto como: Máquina automática de processamento de cabos e fios elétricos até 25 mm2, para cortar no comprimento programado, decapar, aplicar terminais e/ou conectores e/ou selos vedantes, corn monitoramento de qualidade da aplicação. Ressalta que a publicação não fez contar a integra do pedido, suprimindo o sufixo "ate" e "e/ou" do pedido original. Elucida que os equipamentos importados, no caso os modelos GAMMA 25$ e ALPHA 35$, estão todos identificados no pedido ao Ministério do Desenvolvimento, não ensejando sequer ao mais atentos equívocos de interpretação. Alega que o mesmo tipo de equipamento foi liberado pelas alfandegas de Guarulhos e Viracopos, ou seja, a mesma autoridade administrativa liberou e ora impede o desembaraço. Reafirma que os equipamentos estão dentro da capacidade maxima de 25 mm 2, destacado na norma do Ex-tarifário. Apresenta pedido ao Ministério do Desenvolvimento para alteração do texto do Ex 445, agora fazendo constar os sufixos suprimidos e na forma que foi solicitada. Insurge-se contra aplicação da penalidade por absolutamente confiscatária. Nulidade do lançamento tributário, uma vez que eivado de vicio da inconstitucionalidade quando exige tributo ou aplica penalidade baseando-se exclusivamente em Decreto, fonte formal secundaria, imprópria para instituição de qualquer exigência Ao final requer nova pericia. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/08/2007 EX-TARIFÁRIO, Máquina de cravação automática, Marca: Komax, Modelo: Gamma 255. Fabricante Komax AG, não executa função de aplicação de selos vedantes, não fazendo jus ao beneficio do EX-Tarifário 445 da NCM 8479.89.99 Assinado di italmenle en) 241/1212010 por TARAS10 CANIRELO BORGES 31/12/2010 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Autenticado dioitalmente ern 24r1212010 por TARASIO C.AMPELO BORGES 3 Enclido ein 10/0112011 pelo MnisMiio da Fazenda Fl 382 IN CAM MP Máquina de cravação automática, Marca: Komax. Modelo: Alpha 355, Fabricante Komax AG encontra-se corretamente enquadrada no EX-Tarifário 445 da NCM 8479.89.99, Lançamento Procedente em Parte Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto as folhas 356 a 363. Nessa petição, assevera que a aplicação de selos veda.ntes em fios e cabos elétricos é facultada pelo enunciado do ex -tarifário 445 do código NCM 8479.89.99 [5 1 e fun lamenta seu argumento na existência de ressalva nele contida: "simultaneamente ou não". A autoridade competente deu por encenado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instancia administrativa [ 6] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em dois volumes, ora processados com 364 folhas , o relatório. Voto Conselheiro Tardsio Carnpelo Borges, Relator Conheço do recurso voluntário interposto as folhas 356 a 363, porque tenpestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio remanescente, conforme relatado, sobre a exigência do im osto de importação, das contribuições Cofins-importação e PIS-PASEP-importação, em face de indevido uso do ex -tarifário 445 do código NCM 8479.89.99 na importação de máquina automática para cortar no comprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou não, teninais conectores em fios e cabos elétricos com seções entre 0,0123 mm2 e 2,5 mm2, mas deiprovida de função própria para aplicar selos vedantes. Nenhuma controvérsia existe acerca da perfeita identificação bem como das funcionalidades da máquina importada, inclusive na incapacidade dela para aplicar selos ve antes em fios e cabos elétricos. •• • • • • •• • p.esolucfto Camex 2, de 22 de fevereiro de 2006: 8479.89.99 Ex 445 - Máquinas automáticas para cortar no fomprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou nib, terminais conectares e selos vedantes em fios e cabos eletricas com secetto máxima de 25mm2, com monitaramento da qualidade da aplicacRo [vigancia: ate 31 de dezembro de 2007] espacho acostado it ((Alta 364 determine o encaminhamento dos autos pare o outrora denominado Terceiro Conselho de Contribuintes. Assinado digita1/tier/4e em 24/1212010 por TARASIO CAMPELO BORGES :3111212010 por FIENRIOLIE PINHEIRO TOR RES Auteritic,ado di italmente em 24/42/2010 por TARASIO GAMPELO BORGES 4 Errilido em 1001/2011 pelo Mmistetio do Fazenda 5 6 DF CA RF MF 1:1 383 Processo n° 10314 008538 12007-67 S3-C1T 1 Acórdão o° 3101-00.591 Fi 367 No entanto, a ora recorrente entende que a aplicação de selos vedantes é facultada pelo enunciado do ex-tarifário 445 do código NCM 8479.89.99 C] e fundamenta seu argumento na existência de ressalva nele contida: "simultaneamente ou não". Nada obstante, não percebo na ressalva o sentido pretendido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Simultaneamente ou não, ao meu juizo, é o aspecto temporal da aplicação dos terminais conectores e dos selos vedantes ern fios e cabos elétricos, vale dizer, tanto os terminais conectores quanto os selos vedantes devem ser aplicados pela máquina objeto da redução de aliquota ad valorem, admitida a possibilidade dessa aplicação ser concomitante ou em momentos distintos. Portanto, não há se falar em fruição do beneficio fiscal perante a ausência de identidade entre as características da máquina importada e o enunciado do ex-tarifário almejado. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Tardsio Campelo Borges Resolução Camex 2, de 22 de fevereiro de 2006: 8479.89.99 Ex 445 - Máquinas automáticas para cortar no comprimento, decapar, aplicar, simultaneamente ou não, terminais conectores e selos vedantes em fios e cabos elétricos com secção maxima de 25mm2, com monitoramento da qualidade da aplicação [vigência: até 31 de dezembro de 2007 1 . Aasinetto dtgilelmente rr.m 2411212010 per TARASIO CAMPELO BORGES l',1112/2010 por dEQUE Mill -1E1RO -FOR RE-S Atitencadd digitelmente ern 24N:212010 par TARASIO CAMPE-LO BORGES Emrtido em 10101/2011 polo Ministerio da razencla 5
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007566/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2003
GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE.
A exibição de instrumentos contratuais de prestação de serviços e a coincidência entre os valores das respectivas notas fiscais e de transferências eletrônicas observadas na conta bancária da pessoa jurídica são suficientes para comprovar seus pagamentos e aceitar a dedução fiscal desses valores registrados como custos.
Numero da decisão: 1201-001.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 15/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201607
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2003 GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE. A exibição de instrumentos contratuais de prestação de serviços e a coincidência entre os valores das respectivas notas fiscais e de transferências eletrônicas observadas na conta bancária da pessoa jurídica são suficientes para comprovar seus pagamentos e aceitar a dedução fiscal desses valores registrados como custos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.007566/2008-56
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5621187
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.457
nome_arquivo_s : Decisao_19515007566200856.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 19515007566200856_5621187.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 15/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa
dt_sessao_tdt : Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
id : 6468516
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690361368576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.007566/200856 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1201001.457 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2016 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ABL CONTRUÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2003 GLOSA DE CUSTOS. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE. A exibição de instrumentos contratuais de prestação de serviços e a coincidência entre os valores das respectivas notas fiscais e de transferências eletrônicas observadas na conta bancária da pessoa jurídica são suficientes para comprovar seus pagamentos e aceitar a dedução fiscal desses valores registrados como custos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 15/08/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 75 66 /2 00 8- 56 Fl. 3976DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Eva Maria Los, Ronaldo Apelbaum e Lizandro Rodrigues de Sousa Relatório Em ação fiscal empreendida junto ao contribuinte acima identificado, motivada pela emissão do MPF nº 08.1.90.002007008111, foram lavrados Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Imposto de Renda Retido na Fonte e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativos ao período de apuração encerrado em 2003: Cabe observar que, em decorrência dessa mesma ação fiscal, foram verificadas outras infrações, distintas e independentes destas, objetos de lançamentos formalizados nos autos dos processos administrativos nos 19515.007564/200867, 19515.007565/200810, 19515.005873/200801 e 19515.005872/200858, já encerrados no âmbito da Receita Federal. Conforme consignado no “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 1637/1643) e nos campos próprios dos autos de infração, em síntese, a autuada não teria comprovado a necessidade e/ou efetivo pagamento de determinados valores registrados como custos decorrentes de serviços tomados, motivando o autuante a glosálos para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL da contribuinte. Especificamente em relação aos custos vinculados à Expertise Comunicação Total S/C Ltda, a contribuinte não teria comprovado a causa desses pagamentos, nem teria Fl. 3977DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.007566/200856 Acórdão n.º 1201001.457 S1C2T1 Fl. 3 3 identificado seus reais beneficiários, provocando a glosa da dedução fiscal e a exigência do IRRF sobre tais valores à alíquota de 35%. Irresignada com a autuação, da qual tomou ciência em 18/11/2008, a interessada apresentou, em 17/12/2008, a impugnação de fls. 1687/1728, cujas razões, em resumo, são as seguintes: (i) Conforme se verifica com os documentos anexos, todos os pagamentos têm destinatário identificado, bem assim os contratos, notas fiscais e a movimentação financeira que indica a saída do dinheiro da conta corrente da IMPUGNANTE, o que demonstra que houve sim pagamento e que o mesmo foi comprovado. (doc. 20/915); (ii) No que tange à EXPERTISE, os pagamentos foram todos efetuados a beneficiário identificado e relacionados a causa plenamente justificável. (doc. 20/136); (iii) Esses pagamentos foram feitos a titulo de prestação de serviços de comunicação, palestras destinadas aos empregados da IMPUGNANTE para uma obtenção de melhores rendimentos pelos mesmos; (iv) O contrato tem por objeto, alem do já exposto, serviços de marketing de relacionamento, incentivo, fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização de cartão eletrônico denominado Exclusive Card (doc. 24/31). (v) Dessa forma os serviços prestados pela empresa EXPERTISE são referentes a uma despesa ou custo operacional da IMPUGNANTE, eis que referente à administração dos empregados que trabalham na empresa e incentivo para que as metas traçadas pela gestão sejam alcançadas, chegando a números expressivos e batendo recordes nacionais (doc. 24/31); (vi) Juntase em anexo fotos e documentos que comprovam a realização dessas atividades, inclusive por palestras ministradas. (doc. 29/31); (vii) Como visto, as despesas relacionadas à EXPERTISE representam despesas operacionais dedutíveis já que identificam os beneficiários de acordo com a vasta documentação ora colacionada. (doc. 32/136); (viii) Cabe salientar que a simples falta de instrumento contratual não significa ausência de documentos hábeis e idôneos a comprovar os pagamentos feitos pelo IMPUGNANTE; (ix) Assim o contrato firmado no ano de 2003 não foi constituído em um instrumento, mas nem por isso ele não existiu e produziu efeitos válidos; o contrato firmado com a EXPERTISE não é solene, não exige forma especifica em lei e, digase é um contrato atípico, ou seja, não regulamentado expressamente pela lei, o que não retira sua existência e validade; (x) As notas fiscais aqui apresentadas comprovam indício de pagamentos feitos à EXPERTISE, o que é corroborado pelos extratos bancários com as saídas feitas a esse fim (doc. 20/136 e 770/915); Fl. 3978DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 4 (xi) A seguir, tabela comprovando as movimentações e seus respectivos pagamentos com eventuais diferenças no que tange aos dias relativos à compensação dos cheques, conforme documento anexo (doc. 20/779); (xii) As diferenças apuradas em relação às datas de pagamentos se referem à data de compensação dos cheques emitidos para o pagamento, o que não significa o não pagamento; (xiii) A autoridade fiscal ainda desconsiderou como elemento comprobatório as TED, pois sendo uma ordem de transferência de fundos a terceiros ela necessariamente deverá identificar o destinatário, sendo meio idôneo de prova e hábil a justificar a despesa quando corroborada com as demais provas que vão anexas; (xiv) Como se pode verificar os pagamentos estão todos comprovados, o que se faz pela emissão de notas fiscais e com o respectivo balanço bancário apresentado pelo IMPUGNANTE relativo a todo o ano de 2003, que demonstram os cheques e as TED, mostrandose desnecessário um instrumento contratual para demonstrar o contrato firmado quando todas as provas indicam a existência do mesmo e a manutenção dos serviços prestados; (xv) Na espécie, o presente auto de infração considerou renda a simples despesa operacional do contribuinte (2003); (xvi) É flagrante a inconstitucionalidade desse auto de infração que usou como base de cálculo do imposto sobre a renda as despesas e custos operacionais, que não significa renda e, não havendo renda, por conseguinte, não se pode falar em lucro líquido, sendo também indevida a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido; (xvii) Se mesmo assim não for esse o entendimento a alíquota de 35% não é devida, pois sendo a alíquota máxima do Imposto de Renda de 27,5%, não cabe à autoridade fiscal elevála; (xviii) Uma multa arbitrada na faixa de 75% possui nítido caráter confiscatório e ofende frontalmente os pilares constitucionais, em especial a vedação ao confisco, a razoabilidade e proporcionalidade e a dignidade da pessoa humana; Em julgamento de 27/09/2013 a 1° Turma da DRJ/SP1 julgou parcialmente procedente a Impugnação da ora Recorrente para: i) manter a glosa dos custos referentes aos registros das contas "Honorários PJ 401021201" e "Honorários PJ 402021201" correspondentes aos pagamentos atribuídos à Expertise; ii) manter o lançamento do IRRF incidente sobre tais valores; iii) manter parcialmente a glosa das despesas contabilizadas nas contas “HONORÁRIOS PJ 401021201”, “HONORÁRIOS PJ 402021201”, “COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES 4010202 – 4020202”, “ALUGUEL E EQUIPAMENTOS 4020214”, “SEGURANÇA E VIGILÂNCIA 40202”, “MAO DE OBRA TEMPORÁRIO SALÁRIOS – 4020301” e “SUBCONTRATAÇÃO”, cancelando o lançamento em relação às despesas comprovadas pelo contribuinte através de demonstrativo de movimentações bancárias e notas fiscais. A contribuinte não apresentou Recurso Voluntário. Fl. 3979DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.007566/200856 Acórdão n.º 1201001.457 S1C2T1 Fl. 4 5 Foi apresentado Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Considerando que o contribuinte não apresentou Recurso Voluntário, cabe aqui analisar somente a matéria atinente ao Recurso de Ofício, referente à parcela da cobrança cancelada. Basicamente, o que a decisão da DRJ fez foi a análise minuciosa de documentação apresentada pelo contribuinte. Conforme a DRJ, compulsando os documentos apresentados em fase de fiscalização e as respectivas análises feitas pela autoridade fiscal, de fato, constatase que foram considerados pagamentos comprovados aqueles para os quais a contribuinte apresentou instrumentos de quitação subscritos por seus fornecedores (recibos) ou comprovantes de transferência interbancária dos valores correspondentes ao das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços. A contribuinte havia apresentado, em fase de fiscalização, extrato de conta corrente mantida junto ao ITAÚ, com indicação de TED – Transferência Eletrônica Disponível, TEF – Transferência Eletrônica de Fundos, cheques pagos e compensados em valores idênticos aos de algumas das notas fiscais sob investigação, para os quais o autuante não teceu comentários. Especificamente em relação às TED, a autoridade fiscal consignou no TVF que, em algumas situações, a contribuinte apresentara pedido escrito às instituições financeiras para que elas providenciassem transferências de numerários de sua conta para terceiros. De fato, há solicitações desta natureza juntadas aos autos, a exemplo do documento de fls. 1352, em que a fiscalizada pede para que o Banco Itaú realize uma TED de R$ 13.388,12 para Irmãos Dutos Comércio e Serviços Ltda.(CNPJ n° 01.474.397/000116). Tal solicitação, por si só, não comprova a realização da TED, situação a ser confirmada à luz de sua identificação nos extratos bancários. Há de ser observado que os extratos bancários, da maneira como foram apresentados durante a ação fiscal – destacados das notas fiscais – provavelmente impediu que Fl. 3980DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 6 o autuante identificasse uma correspondência entre seus lançamentos a débito (TED, TEF e cheques compensados) e os pagamentos relativos aos documentos fiscais. Esses mesmos extratos bancários foram carreados novamente aos autos em sede de impugnação, mas desta vez, logo depois dos anexos e de cada um dos documentos fiscais questionados pelo autuante. A maneira mais organizada que os documentos foram apresentados pela impugnante permitiu, em algumas situações, confirmar uma correspondência entre os valores das notas fiscais emitidas pelos fornecedores e aqueles apontados nos TED, TEF, cheques pagos e compensados observados nos extratos bancários. Nas hipóteses em que esta identidade se verificou e a contribuinte também havia apresentado os instrumentos contratuais, o pagamento foi considerado comprovado. Especificamente em relação aos custos atribuídos a Carvalho e Torrecilha Perfurações Ltda, Cerpav Construções Pavimentações Ltda e Siberg Saneamento e Construções Ltda, além de considerar como não comprovado o pagamento, o autuante também os havia glosado porque a contribuinte deixara de apresentar os respectivos instrumentos contratuais. No caso dessas empresas, a descrição das respectivas notas fiscais indica que os serviços que teriam sido prestados eram pertinentes ao ramo de atividade de construção civil, o que penderia favoravelmente à fiscalizada, no sentido de existência de contrato entre ambas as pessoas jurídicas, pois, conforme já ponderado, se não houver prescrição legal, um contrato pode existir, independentemente de estar formalizado em um instrumento. Por outro lado, as TED, TEF e cheques pagos registrados nos extratos bancários, embora em muitos casos coincidentes com os valores das notas fiscais, não trazem quem são os beneficiários de tais transferências de valores. Nos casos das notas fiscais das demais prestadoras de serviços em que esses registros bancários foram aceitos como pagamentos, com base em identidade de valores, embora não indicassem os respectivos beneficiários, a existência de instrumentos contratuais dava uma referência razoável para aceitar a justificativa da contribuinte. Assim, entendo que as despesas cujas glosas foram canceladas pela DRJ, estão, de fato, devidamente fundamentadas. A seguir, foram apresentados nos autos, os dados das planilhas constantes dos demais anexos aos autos de infração, confrontados com os documentos apresentados pela impugnante e o resultado da respectiva análise, observando que aquelas constantes dos anexos de nº 9 e 12 apenas consolidam e resumem as planilhas que as antecederam. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso de Ofício para no mérito NEGARLHE seguimento. É como voto! Fl. 3981DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.007566/200856 Acórdão n.º 1201001.457 S1C2T1 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator Fl. 3982DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 15/ 08/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 11633.720262/2013-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 15/06/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 Decreto-Lei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei.
Numero da decisão: 3402-003.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a recorrente do pólo passivo da autuação. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 15/06/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 Decreto-Lei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11633.720262/2013-97
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5675423
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.770
nome_arquivo_s : Decisao_11633720262201397.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 11633720262201397_5675423.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a recorrente do pólo passivo da autuação. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6638103
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690386534400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11633.720262/201397 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.770 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria Aduaneiro Recorrente Fair Play Comercial Exportadora e Importadora Ltda – EPP Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 15/06/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para excluir a recorrente do pólo passivo da autuação. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 3. 72 02 62 /2 01 3- 97 Fl. 294DF CARF MF 2 Relatório Trata o processo de aplicação da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro de R$ (...) com fulcro no art. 23, V, c/c §§ 1º, 2º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. O Auto de Infração (AI) foi lançado em desfavor de Carvalho e Vallezi Ltda – ME (CNPJ 10.656.406/000180) e, com base no art. 95, do DecretoLei nº 37, de 21 de novembro de 1966, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária contra Fair Play Comercial Exportadora e Importadora Ltda – EPP (CNPJ 07.683.617/000106). Por razões de economia, reproduziremos o relatório da decisão a quo: Segundo o AI, a Carvalho e Vallezi internalizou (importação direta / por conta própria) 28.824 (vinte e oito mil, oitocentos e vinte e quatro) jaquetas, no valor de R$ 210.013,86, através da Declaração de Importação (DI) nº 11/11004589. A DI em questão foi registrada em 15 de junho de 2011 e seu desembaraço se deu em 15 de julho de 2011. A mercadoria teria dado entrada contábil nos estoques da empresa através da Nota Fiscal nº 150, no valor de R$ 379.764,56 (trezentos e setenta e nove mil, setecentos e sessenta e quatro reais e cinquenta e seis centavos). Através da nota fiscal nº 151, no valor R$ 387.015,00 (trezentos e oitenta e sete mil e quinze reais), foram as 28.824 (vinte e oito mil, oitocentos e vinte e quatro) jaquetas vendidas totalmente a empresa Fair Play. Tanto a nota fiscal de entrada como a de saída foram emitidas na data do desembaraço. (...) A empresa Carvalho & Vallezi não se manifestou acerca do auto de infração, tendo sido interposta tempestivamente peça impugnatória somente pela responsável solidária – Fair Play Comercial Exportadora e Importadora Ltda – EPP. A defesa alega preliminarmente a ilegitimidade passiva e ofensa a princípios constitucionais, além de argumentar que em face da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, através de seu art. 33, não haveria embasamento legal para conversão da pena de perdimento em valor correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias. No mérito, alega que nunca adiantou recursos financeiros a Carvalho & Vallezi para que esta arcasse com os custos de importação e junta extrato bancário (fl. 201) para demonstrar que não possuía os recursos necessários para tal. Também argumenta que efetuou a devolução das mercadorias em 7 de fevereiro de 2012 através da nota fiscal nº 93 (anexada), haja vista insatisfação com a qualidade da mercadoria, não tendo havido nenhum desembolso financeiro / pagamento pelas mercadorias. Alega a inexistência de dano ao Erário, que dev ser comprovado e não baseada em suposições e presunções. A impugnação foi julgada improcedente em acórdão cuja emenda é abaixo reproduzida, por retratar o teor da decisão: Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11633.720262/201397 Acórdão n.º 3402003.770 S3C4T2 Fl. 3 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2011 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e somente é possível em casos especificados na lei. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Entendendo que os documentos presentes nos autos são suficientes para formação de sua convicção, o julgador pode indeferir o pedido de diligência para realização de perícia formulado pela impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontram plenamente assegurados. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente pouco atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. SOLIDARIEDADE PASSIVA. INTERPOSIÇÃO. Demonstrada a interposição na operação de importação, responde solidariamente o adquirente de mercadoria estrangeira importada. Impugnação Improcedente.Crédito Tributário Mantido Novamente intimado o Contribuinte e o Responsável, apenas este apresentou Recurso Voluntário, cujas razões refletiam o teor da impugnação pretérita. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Fl. 296DF CARF MF 4 1. Das Preliminares Quanto à preliminar de cerceamento de defesa, aderimos integralmente ao entendimento da decisão a quo, que reproduzimos abaixo: Preliminarmente, também é alegado cerceamento de defesa. Durante a fiscalização, apurado que a mercadoria tinha sido vendida para a empresa impugnante, foi aberta diligência e realizada intimação da Fair Play. A empresa manifestouse, prestando as informações solicitadas, mas sem amparo em documentação. A impugnante teve ciência do Auto de Infração, do qual consta capitulação legal, descrição dos fatos, fato gerador e penalidade aplicadas. Tal documento é minucioso acerca da motivação e do histórico do procedimento fiscal e do esquema operacional levantado pelo Fisco a respeito da importação. Na contestação apresentada vejo que a empresa entendeu perfeitamente o que lhe está sendo imputado, qual a fundamentação legal para esta imputação e em quais provas o Fisco se amparou, já que se manifestou contra pontos da autuação fiscal, fato que afasta a possibilidade de prejuízo ao direito de defesa. Tendo os fatos sido perfeitamente entendidos pela autuada, os atos processuais conhecidos e o direito de resposta ou de reação assegurados, não vejo como aceitar o argumento de nulidade dos autos por cerceamento do direito de defesa. A possibilidade de utilização de fundamentação per relationem ou aliunde no processo administrativo federal, a despeito de entendermos tal modalidade de motivação como vedada em razão do art.489 do Novo Código de Processo Civil, possui previsão específica no art.50, §1º da Lei 9.784/99, o que afasta a aplicação supletiva daquele neste campo, verbis: § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Quanto à preliminar solicitando a conversão do julgamento em diligência, entendemos por negála, nos termos do art.29 do Decreto nº 70.235/72, pela desnecessidade de sua realização, como já decidido por esse Conselho em diversas ocasiões, exemplificativamente: DILIGÊNCIAS REALIZAÇÃO DESNECESSIDADE É desnecessária a realização de diligências ou perícias, quando os documentos já constantes dos autos são suficientes para a livre convicção do julgador. (1º CC, Acórdão 10422622, sessão de 13/09/2007, relator: Heloísa Guarita Souza) Por fim, quanto à preliminar de ilegitimidade passiva, entendemos que a mesma se confunde com o julgamento de mérito do Recurso Voluntário, visto que se trata de recurso proposto pelo responsável questionando a sua sujeição passiva. 2. Do Mérito O mérito deste Recurso Voluntário consiste basicamente na caracterização ou não da empresa Fair Play Comercial Exportadora e Importadora Ltda – EPP como responsável Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11633.720262/201397 Acórdão n.º 3402003.770 S3C4T2 Fl. 4 5 solidária pela pena de perdimento convertida em multa, com fulcro no art.95, V do DecretoLei n 37/66, em razão da constatação de interposição fraudulenta na importação, por parte da importadora, à partir da não comprovação da origem dos recursos utilizados na importação. Por um lado, o Fisco baseou sua ilação de participação da Recorrente na importação como adquirente real, simulando a operação de importação pela Contribuinte pelos seguintes motivos: 1) as notas fiscais de entrada e de saída são sequenciais, emitidas ambas na data do desembaraço da DI; 2) a diferença de valor entre as notas de entrada e de saída é de R$ 7.250,44 (sete mil, duzentos e cinquenta reais e quarenta e quatro centavos), equivalente a 1,9% do valor de entrada da mercadoria. 3) a Carvalho & Vallezi tem seu domicílio em IbiporãPR e a Fair Play em SantosSP, onde ocorreu o desembaraço da DI. A Fair Play possuía habilitação para operar no comércio exterior na modalidade simplificada, ou seja com limite de US$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil dólares) de operação a cada 6 (seis) meses, e havia registrado em 13 de junho de 2011 a DI nº 11/10779064 no valor de US$ 33.657,10 (trinta e três mil, seiscentos e cinquenta e sete dólares e dez cents). Portanto, a nova DI, no valor de US$ 130.342,00 (cento e trinta mil, trezentos e quarenta e dois dólares), ultrapassaria o seu limite semestral de operações. Por outro lado, a Recorrente apresenta fatos que negam a sua natureza de adquirente préestabelecido: 1) Não houve disponibilização prévia de recursos financeiros para arcar com os custos da importação de mercadorias do exterior, realizada pelo Contribuinte, comprovando em fl.201 que a movimentação financeira da Conta Corrente da empresa estava muito aquém do volume necessário para realizar a operação. 2) Nas importações da Contribuinte não houve ocultação do sujeito passivo, do real vendedor ou comprador, ocorrendo a operação inteiramente "às claras", como documentalmente se verifica pela documentação fiscal levantada pela própria fiscalização. 3) Além disso, as mercadorias recebidas da Contribuinte através da Nota Fiscal de Venda nº151 não estavam em conformidade com as especificações que a vendedora informara, razão pela qual as mesmas foram devolvidas ao Contribuinte, através da Nota Fiscal de Devolução nº 93, com cópia autenticada juntada às fls. 203/204. A respeito da distribuição do ônus probatório para responsabilização de terceiros partícipes de uma interposição fraudulenta, nos socorremos do voto doutrinário do Ilustre Cons. Rosaldo Trevisan, constante no Acórdão nº 3403002.842: Fl. 298DF CARF MF 6 Não pode o fisco, diante de casos que classifica como “interposição fraudulenta”, olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo. (...) Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2o do art. 23 Decreto Lei no 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Os indícios que fundamentaram a ilação da autoridade autuante nos parecem demasiado frágeis para constituir o arcabouço probatório de tal responsabilização. A respeito da diferença de valor entre a nota fiscal de entrada e a nota de saída, o fiscal alegou que "Com uma margem de lucro de menos de 2%, a empresa importadora não paga nem as despesas que ocorrem após o desembaraço da mercadoria, como frete interno, pagamento de armazenagem, honorários de despachante aduaneiro etc”, mas não fez questão de juntar qualquer elemento probatório que pudesse demonstrar a impossibilidade fática ou negocial da margem de lucro praticada. As partes tem liberdade para estipular as margens que entenderem adequadas para o negócio e, como a própria Recorrente afirmou, foi um negócio realizado em condições vantajosas. Tratase de situação totalmente diferente daquela usualmente verificada em processos de interposição fraudulenta na qual não há qualquer diferença entre o valor de entrada e o valor de saída. Da mesma forma, o fato do desembaraço aduaneiro ter se dado no Porto de Santos, o principal porto da América Latina, não deve causar espécie. É natural que importadoras de outros Estados optem pelo desembaraço naquele local onde terão acesso facilitado a empresas que correspondem a 50% do PIB brasileiro. Por outro lado, os fatos apresentados pela Recorrente são contundentes. Em primeiro lugar, não há qualquer prova ou indício de disponibilização prévia dos valores para a importação, o que implica que a operação foi feita com recursos exclusivos do Contribuinte inclusive, há nos autos extrato bancário que demonstra a movimentação financeira do período, muito aquém do valor da importação. Em segundo lugar, a movimentação de mercadorias se deu de forma aberta e clara, com documentos fiscais registrados e atendendo a todos os requisitos formais de validade. Em nenhum momento o fiscal indica o modo como se deu a ocultação que imputa à Recorrente, apenas alegandoa em razão de ter adquirido as mercadorias e pelos indícios já combatidos anteriormente. Em terceiro lugar, e isso nos parece essencial para demonstrar a autonomia da importadora quando realizou a operação, uma vez verificado que as mercadorias não atendiam aos padrões que foram informados pelo Contribuinte, a Recorrente devolveuas, operação registrada na nota fiscal de devolução de fls.203/204, sem pagar qualquer valor à importadora pelas mercadorias. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11633.720262/201397 Acórdão n.º 3402003.770 S3C4T2 Fl. 5 7 Ora, fosse a importadora mera pessoa interposta simulada, não faria sentido nem poderia tal devolução ocorrer, refletindo tal atitude a natureza comercial da operação entre a Recorrente e o Contribuinte. A comprovação da ocorrência de simulação depende do atendimento dos requisitos do art. 167, §1º do Código Civil, verbis: § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. O primeiro inciso pode ser afastado pela demonstração de que as mercadorias retornaram à titularidade da importadora após a Recorrente desfazer o negócio sem ter efetuado qualquer pagamento por tais bens não estarem de acordo com o acordado. É dizer, a importação deu a titularidade dos bens à Contribuinte, e só após que esta transmitiuos a Recorrente, negócio esse desfeito por vício no produto adquirido. Quanto aos incisos II e III, não foi provado pelo Fisco a existência de qualquer declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, bem como não há indícios de que os instrumentos tiveram a data irregular. Além disso, conforme dos documentos de fls. 93/100, todos os documentos que instruíram a importação de que trata a DI nº 11/11004583 foram emitidos em nome do Contribuinte: i) fatura comercial; ii) packing list; iii) conhecimento marítimo; iv) declaração de importação; e v) Contrato de fechamento de câmbio. Isso demonstra que a contribuinte tinha total domínio da operação de importação, que realizou por seus próprios meios. Não há, portanto, nos autos prova qualquer que demonstre que a Recorrente atuou como encomendante predeterminado, tampouco há qualquer indício de simulação das partes. 3. Conclusão Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário somente para excluir a Recorrente do pólo passivo. Em razão do reconhecimento do mérito, restam prejudicados os demais argumentos do Recorrente. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 300DF CARF MF 8 Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004856/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
Não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. No caso em tela, houve desapropriação indireta da área em favor do Estado do Paraná para criação do Parque Estadual do Marumbi.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. No caso em tela, houve desapropriação indireta da área em favor do Estado do Paraná para criação do Parque Estadual do Marumbi. Recurso Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10980.004856/2010-00
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5633092
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-004.788
nome_arquivo_s : Decisao_10980004856201000.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALICE GRECCHI
nome_arquivo_pdf_s : 10980004856201000_5633092.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
dt_sessao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6491512
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690405408768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 345 1 344 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.004856/201000 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.788 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria ITR Recorrente MADEREIRA SÃO PEDRO DE VACARIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. No caso em tela, houve desapropriação indireta da área em favor do Estado do Paraná para criação do Parque Estadual do Marumbi. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 48 56 /2 01 0- 00 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Lançamento fls. 40 a 47, intimando a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício de 2008, acrescido de juros de mora e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 1.616.927,26 relativos a propriedade rural denominada “Fazenda Pau Oco”, NIRF 2.973.2409, com área declarada de 3.832,0 ha, localizada no Município de Morretes – PR. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 37/39), consta as seguintes informações: que o sujeito passivo após intimado não comprovou o valor da terra nua declarado no exercício 2008. Em resposta ao termo de intimação, o contribuinte informou que o imóvel em tela foi desapropriado em favor do Estado do Paraná. Tendo em vista a inexistência de elementos que comprovassem a desapropriação, foi efetuada alteração do VTN declarado com base nas informações constantes do Sistema Integrado de Preços de Terras – SIPT da Receita Federal do Brasil. Resumo da autuação: Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 3.832,0 3.832,0 02. Área de Preservação Permanente 0,0 0,0 03. Área de Reserva Legal 0,0 0,0 05. Área de Interesse Ecológico 0,0 0,0 06. Área de Servidão Florestal ou Ambiental 0,0 0,0 08. Área Tributável 3.832,0 3.832,0 10. Área Aproveitável 3.832,0 3.832,0 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado (R$) 20. Valor Total do Imóvel 1,00 9.580.000,00 21. Valor das Benfeitorias 0,0 0,0 22. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 0,0 0,0 23. Valor da Terra Nua 1,00 9.580.000,00 Cálculo do Imposto Declarado (R$) Apurado (R$) 24. Valor da Terra Nua Tributável (08 / 01) * 23 1,0 9.580.000,00 25. Alíquota 8,6 8,6 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.004856/201000 Acórdão n.º 2301004.788 S2C3T1 Fl. 346 3 26. Imposto Devido (24 * 25) / 100 10,0 823.880,00 DIFERENÇA DE IMPOSTO APURADA 823.870,00 Após a contribuinte ser cientificada do lançamento em 06/01/2011, conforme Aviso de Recebimento AR à fl. 49, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 52 a 72, em 31/01/2011, onde alega que: o imóvel em questão foi desapropriado a favor do Estado do Paraná; há mais de 20 anos não tem a posse nem a propriedade dele, fazendo com que não exista fato gerador para cobrança do tributo; a área da “Fazenda Pau Oco” correspondente a 3.764,0 ha que faz parte do Parque Marumbi, situado no município de Morretes/PR, dentro da Serra do Mar, sendo considerada de preservação permanente, enquanto 68,0 ha foram adquiridos por usucapião por terceiros; a titularidade do imóvel ainda não foi transferida pela inércia do Estado do Paraná; o valor da terra nua considerado no lançamento é exagerado e desproporcional face a realidade do imóvel, e conforme Ofício nº 120/2010 – SAMA, valor este que não ultrapassa R$ 500,00/ha; Ao fim, requer o acolhimento da preliminar de ilegitimidade passiva, em face da desapropriação do imóvel há mais de 20 anos a favor do Estado; seja declarado nulo o Auto de Infração relativo ao exercício de 2008 e excluídas as multas e juros aplicados; Estando anexos à impugnação os documentos de fls. 90 a 262. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, indeferindo o pedido de perícia e juntada de documentos a posteriori, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 Constitucionalidade e/ou Legalidade. Não cabe ao órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou atos normativos da SRF. Ilegitimidade Passiva do Sujeito Passivo. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Devidamente comprovado que a propriedade e a posse do imóvel pertenciam ao declarante do ITR na ocasião do fato gerador do ITR, não há que se falar em nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. Auto de Infração. Nulidade. Não tendo sido constatada ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Sujeito Passivo do ITR. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei. Áreas de Preservação Permanente/Coberta com Florestas Nativas. Tributação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e Coberta com Florestas Nativas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas mediante apresentação de Laudo Técnico emitido por profissional competente, com a correta localização e dimensão dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado no prazo previsto em ato normativo do Ibama. Valor da Terra Nua. Laudo de Avaliação. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi notificada do Acórdão 0429.533 1ª Turma da DRJ/CGE em 18/10/2012 (fl. 278), mediante Aviso de Recebimento – AR. Em 12/11/2012, sobreveio recurso voluntário (fl. 280). A contribuinte apresenta em seu recurso as seguintes alegações: requer o acostamento da decisão e do acórdão proferidos pelo 1° e 2° Grau Administrativo referente a mesma questão do mesmo contribuinte, somente diferenciando os exercícios tributários (fls. 312/320); demonstra que "...a contribuinte ter sido parte em ação judicial transitada em julgado e cuja decisão lhe tenha disso favorável quanto à matéria ora impugnada" (fl. 269); alega ser cabível a mesma decisão proferida pelo órgão julgador 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em sessão de 20.11.2009, julgou procedente a impugnação referente aos exercícios ITR/2003, ITR/2004 e ITR/2005, ao mesmo imóvel rural reconhecendo, dentre outras coisas, que houve erro de preenchimento das Declarações de ITR, exercícios 2003 a 2005; Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.004856/201000 Acórdão n.º 2301004.788 S2C3T1 Fl. 347 5 em 06/03/1991, foi proferida sentença pelo MM. Juiz de Direito, que julgou procedente em parte a ação transferindo a posse para o Estado do Paraná, com fulcro no art. 5°, incs. XXII e XXIV da Constituição Federal c/c art. 159 do Cód. Civil de 1.916 e Lei n.º 3.365/41 e determinou fosse a propriedade mencionada na inicial abrangida pelo Parque Marumbi; a titularidade do imóvel encontrase ainda em nome da recorrente Madeireira São Pedro de Vacaria Ltda., somente pelo fato de inércia do Estado do Paraná, não obstante, o Acórdão 13249 de 04/11/1997 já tenha determinado a transferência de titularidade; desta forma, como a situação do imóvel não se modificou, desde então (exercícios 2003/2005), no mínimo, o mesmo tratamento deve ser dado ao ano de 2008; cita jurisprudência do STJ em seu favor, sobre a exclusão das Áreas de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. (2ª Turma do S.T.J.: REsp 665123 / PR, Ministra Eliana Calmon, J. 12/12/2006, DJ 05/02/2007, p.202); foi necessário que a própria recorrente providenciasse a averbação AV. 2/061 ao pé da Matrícula n° 3.803 Registro 061 (fls. 136) e peticionasse no sentido de que fosse expedido novo ofício ao Registro de Imóveis de Morretes, a fim de que conste na transcrição n° 3.803 que a titularidade do imóvel em questão é do Estado do Paraná, por força da sentença proferida nos autos da Ação de Indenização a qual condenou o Estado do Paraná a indenizar a ora recorrente pela desapropriação do dito imóvel (fls. 142); cita o Decreto Estadual n.º 5.590 de 04.10.1978 que declarou de utilidade pública para fins de desapropriação os imóveis abrangidos pelo parque Marumby 1ª parte, e o Decreto Estadual n.º 5.591, de 04.10.1978, que declarou como sendo área de preservação permanente as florestas contidas na área abrangida pelo citado decreto, conforme transcrição n.º 609 do livro 3C do Registro de Imóveis de Morretes – PR; sendo caso de impossibilidade de incidência de ITR sobre imóvel de posse e domínio exclusivo do Estado do Paraná, pelo fato do imóvel estar abrangido pela imunidade tributária do Estado, a União está vedada de cobrar o ITR sobre o mesmo conforme art. 150, inc. VI, "a", da Constituição Federal de 1.988; sobre as declarações de ITR pela recorrente, cita doutrina do mestre Aliomar Baleeiro, em sua obra Direito Tributário Brasileiro, sobre o art. 165, do CTN “O erro do credor tributário ou do devedor não desencadeia o dever, que nasce da vontade da lei. Essa a posição do CTN, que singelamente reflete a posição da Constituição. Assim, o CTN não faz qualquer distinção. O direito à restituição se impõe quer o pagamento tenha sido efetuado voluntariamente pelo contribuinte, quer tenha sido feito mediante cobrança, quero erro seja de fato ou de direito". (BALEEIRO, Aliomar. Editora Forense, Rio de Janeiro, 1999, p. 882); em 21/11/1994 foi criado o Parque Estadual do PauOco, pelo Decreto n.º 4266 de 21/11/1994. Desde então, a antiga proprietária Madeireira São Pedro de Vacaria Ltda., vem sendo cobrado o Imposto Territorial Rural; a empresa vem justificando em sua defesa que essa cobrança apenas ocorre pelo fato de o Estado do Paraná não ter sido imitido na posse do imóvel em questão; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 no dia 25/01/2011, protocolou o pedido administrativo de Memorial descritivo da área junto ao IAP (Proc. n.º 07.854.4295, fl. 326). E, no dia 05/05/2011, enviou a acima referida correspondência endereçada para o Dr. Guilherme Camargo, Diretor da Biodiversidade do Instituto ambiental do Paraná, conforme documento incluso (fl. 335); em relação à desapropriação da “Fazenda Pau Oco” por utilidade pública, o Poder Público, através do art. 1°, caput e inc. XXIV, do Decreto n.º 5.590/78, decretou o imóvel supra referido como sendo de utilidade pública, para fins de desapropriação, encontrado referida fl. 338; o Decreto n.º 4.484/81, por sua vez, aprovou a demarcação, memorial descritivo e estabeleceu os limites geográficos do PARQUE ESTADUAL MARUMBI, no âmbito do qual está integralmente inserida a Fazenda Pau Oco; sobre a localização da Fazenda Pau Oco, cadastrada sob n.º 29732409 junto à receita federal, com área total de 3.832 hectares, fazendo parte do “Parque Marumbi”, situado no Município de Morretes – PR; a recorrente adquiriu em meados de 1.973, o imóvel Pau Oco, com 3.832 hectares, para a extração da flora destinada à industrialização. Em 04/10/1978, foram editados os Decretos n.°s 5.590 e 5.591 expedidos pelo Governador do Estado do Paraná, impedindo a Madeireira de explorar economicamente a área referida; cita jurisprudência sobre as áreas pertencentes ao longo da encosta Atlântica da Serra do Mar, que são consideradas como “áreas de preservação permanente”, e, portanto, isentas de tributação. (Apelação Cível n.º 2001.72.05.0056784/SC, Rel. Des. Fed. Maria Lúcia Luz Leiria, TRF 4ª Região, D.J.U. 24.11/2004.); “a recorrente impugna o valor arbitrado à terra nua por ser exagerado e desproporcional a realidade fática que, em hipótese alguma, poderia ultrapassar a R$ 500,00 o hectare, conforme se pode ver do Ofício n° 120/2010SAMA expedido em Agosto de 2010 pela Prefeitura Municipal de Morretes – PR (fls. 261)”; pede nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa, pelo fato do juiz de 1ª instância administrativa ter dispensado a produção de prova pericial requerida pela recorrente e, após isso, julgou improcedente a impugnação por falta de provas; alega que não é possível atestar, o real valor da terra nua e a efetiva existência de 3.776,5 ha de APP sem a realização de perícia contábil. É o relatório. Voto O recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. A autuação ocorreu porque que o sujeito passivo, após intimado, não comprovou o valor da terra nua declarado no exercício 2008. Em resposta ao termo de intimação, o contribuinte informou que o imóvel denominado “Fazenda Pau Oco”, NIRF Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.004856/201000 Acórdão n.º 2301004.788 S2C3T1 Fl. 348 7 2.973.2409, com área declarada de 3.832,0 ha, localizada no Município de Morretes – PR, foi desapropriado em favor do Estado do Paraná. Preliminar Nulidade da Decisão por Cerceamento de Defesa Em que pese não conste do Recurso voluntária a expressa "preliminar" de cerceamento de defesa, acolho a irresignação da recorrente como tal. Insurgese por ter havido a dispensa de prova pericial requerida, argüindo que tratase de "típico caso de cerceamento do direito de defesa e violação ao principio do contraditório constitucionalmente assegurado às partes e um dos pilares do devido processo legal." A prova pericial tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, principalmente quando a análise da prova apresentada demande conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação da autoridade julgadora. O deferimento do pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer uma determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. No presente caso, não há matéria controversa ou de complexidade que demande a realização de perícia pleiteada, devendo a preliminar ser rejeitada. Da Localização do Imóvel Desapropriação A contribuinte, irresignada, alega que há mais de 20 anos não detém a propriedade do imóvel, uma vez que o Decreto Estadual nº 5.590/78 declarou de utilidade pública para fins de desapropriação os imóveis abrangidos pelo Parque Marumby 1ª parte, e o Decreto Estadual nº 5.591/78, declarou como sendo área de preservação permanente as florestas contidas na área abrangida pelo citado decreto. Alega que desde a criação do Parque Estadual do PauOco, pelo Decreto nº 4.266/94, a antiga proprietária, ora recorrente, vem sendo cobrado do Imposto Territorial Rural ITR. A Turma de Primeira Instância, não aceitou os documentos acostados ao presente processo, sob argumento de falta de comprovação das alegações: Nesta fase, a interessada alega que o imóvel foi desapropriado em favor do Estado do Paraná há mais de 20 anos para criação do Parque Marumbi, porém não houve comprovação de que o imóvel foi objeto de desapropriação nem de que o órgão ambiental estadual tomou as medidas cabíveis para a implantação do Parque em data anterior ao exercício analisado. Cumpre salientar que enquanto não formalizada a desapropriação do imóvel e o proprietário estiver na sua posse, somente é possível afastar a tributação do ITR das áreas previstas no art. 10, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.393/1996, se devidamente comprovadas conforme a lei que rege a matéria. Além do que as declarações do ITR do imóvel dos últimos cinco exercícios foram apresentadas pela contribuinte. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Para comprovação da ilegitimidade passiva alegada, é necessário haver nos autos documentos que comprovem a imissão do Poder Público na posse do imóvel. Portanto, a questão suscitada no presente processo é meramente de direito, estando o lançamento devidamente amparado por Leis que disciplinam a matéria, por estas razões devem ser rejeitadas as preliminares arguidas. Com relação ao Decreto citado pela impugnante, cabe salientar que o art. 1º, diz que o Poder Público declara de utilidade pública os imóveis situados nos municípios de São José dos Pinhais, Antonina, Morretes e Campina do Sul e abrangidos pelo Projeto Marumbi, porém não consta no processo Autos de Imissão na Posse para comprovar que o Estado foi imitido na posse da propriedade tampouco consta na matrícula do imóvel averbação de que o bem foi incorporado no patrimônio do Estado. De acordo com o art. 4º, da Lei nº 9.393/1996, considerase Contribuinte do ITR, o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título”. Assim, seguindo o disposto na legislação tributária quanto ao contribuinte do ITR, diante da comprovação de que o interessado adquiriu a propriedade do imóvel e que vem apresentando normalmente as DITRs em seu nome, enquanto não for comprovado que a interessada perdeu a posse do imóvel, não há como afastála do pólo passivo do ITR relativo ao exercício 2008. [...] Assim, segundo a DRJ, ante a inexistência de elementos que comprovassem a desapropriação, foi efetuada alteração do VTN declarado com base nas informações constantes do Sistema Integrado de Preços de Terras – SIPT da Receita Federal do Brasil. Neste contexto, passo a analisar os documentos trazidos ao feito: Primeiramente, verifico que os Decretos mencionados foram acostados às fls. 118/135. No entanto, não são os únicos documentos que embasaram a defesa, sendo apenas parte de um grande conjunto probatório existente. Verifico que à fl. 136/137 há certidão narratória acerca do processo judicial movido pela Madeireira São Pedro de Vacaria contra o Estado do Paraná, no qual a autora teve sentença de procedência para que o Estado a indenizasse face a desapropriação ocorrida, a qual foi averbada junto à matrícula do imóvel (fl. 142). A referida ação ajuizada pela recorrente contra o Estado do Paraná teve decisão favorável, condenando o Estado ao pagamento de indenização sob o fundamento de que com o advento dos decretos nºs 5.590/78 e 5.591/78, houve restrição no direito da autora de "usar e gozar da propriedade, impedindoa de explorála economicamente". Abaixo, dispositivo e ementa ao Acórdão nº 186978, do Tribunal de Justiça do Paraná: DECISÃO: ACORDAM os Desembargadores integrantes da Terceira Câmara Cível, do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, por unanimidade de votos, preliminarmente, negar Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.004856/201000 Acórdão n.º 2301004.788 S2C3T1 Fl. 349 9 provimento ao agravo retido e, no mérito, desprover o reexame necessário e o apelo do Estado do Paraná e, ainda, prover parcialmente o apelo da Madeireira São Pedro de Vacaria Ltda., para, em conseqüência, excluir da sentença a parte referente ao desconto, sendo certo que, oportunamente, ela poderá ser registrada junto ao RI local (art. 167,1, n° 34, da Lei de Registros Públicos), para efeito de transferência da titularidade, juntamente com os documentos imobiliários e memoriais descritivos (fls. 786 e ss. TJ) que doravante dela ficam fazendo parte para todos os efeitos legais. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA PARQUE MARUMBI INDENIZAÇÃO. É inegável que com o advento dos decretos n°s. 5.590/78 e 5.591/78, o Estado do Paraná, passou restringir o direito da autora de usar e gozar da propriedade, impedindoa de explorála economicamente, quase em sua totalidade, posto que toda ela está praticamente inserta no perímetro que constitui o Parque Marumbi. Considerando, pois, que o objetivo primacial da propriedade é sua exploração em caráter econômico, frustrado este, a reserva permanente que a área foi transformada, não produziu simples limitação administrativa, mas verdadeira expropriação, daí o dever de indenizar.(destaquei) Sobreveio decisão do Superior Tribunal de Justiça, Recurso Especial nº 184.900PR, com trânsito em julgado em 03/03/2000. "PROCESSO CIVIL RECURSO ESPECIAL: CABIMENTO DESAPROPRIAÇÃO: JUROS MORATÓRIOS: SÚMULA 70/STJ. [...] 3. Decretos estaduais que, ao estabelecerem limite de uso da propriedade, acabaram por inviabilizar a utilização econômica do imóvel. [...] 6. Recurso especial conhecido e parcialmente provido." 3 (grifei) Frisase o recurso foi conhecido para manter o acórdão que estabeleceu a indenização, dandolhe provimento parcial, a fim de que os juros moratórios sejam contados nos moldes da Sumula n° 70/STJ: "Os juros moratórios, na desapropriação direta ou indireta, contamse desde o transito em julgado da sentença." Ou seja, o recurso especial alterou somente a questão dos juros. Ainda, o Ofício nº 183/83 DENRE, de 21 de dezembro de 1983, do Instituto de Terra e Cartografia (fl. 144), informa que: "1 0 imóvel denominado PAUÔC0, objeto da Transcrição nº 3.803, livro 3 C do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 de Morretes, segundo dados planimetrados, encontrase com 3.764,5 4 ha dentro do Parque Marumbi."(grifei) Às fls. 327, consta solicitação de procuradora da recorrente, direcionada ao IAP Instituto Ambiental do Paraná, para que fosse informada a área abrangida pelo Parque Marumby. Em resposta (fl. 329), foi encaminhado memorial descritivo, informando que a área abrangida pelo "Parque Estadual Pico do Marumbi", totaliza 3.467,41 ha. A recorrente afirma que "No que tange à área de 68 ha localizado fora do aludido Parque Marumbi, confirase, a existência de averbação da transferência de 70,9 hectares, matriculados sob n.° 3.139 (fl. ), em função da Ação de Usucapião n.° 32/90, em favor de Vitória Robassa e sua mulher Josemar Robassa". A matrícula mencionada encontrase à fl. 149, averbada no Registro de Imóveis da Comarca de Morretes Paraná, e tratase de terreno de 70,9 ha adquirido por usucapião extraordinário, confirmando a alegação da recorrente. Assim, diante do vasto conjunto probatório trazido pela interessada, constata se que a mesma não se enquadra no conceito de contribuinte do ITR e de propriedade dentro no nosso ordenamento jurídico. O Código Tributário Nacional, CTN, estabelece que: Art. 31: Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Sobre a PROPRIEDADE, o Ilustre doutrinador e Desembargador Federal Leandro Paulsen, através dos excertos dos comentários ao Código Tributário Nacional, extraídos do Livro, "Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência", 13ª edição, 2011, pág. 744. "O conceito de propriedade não está expresso na legislação, defluindo de preceito (art. 1.228) do Código Civil, que consagra o direito de propriedade, ao dispor que 'o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha'."(grifei) Como se depreende dos documentos acostados, a contribuinte não é detentora do uso e do gozo da propriedade do imóvel em questão, não devendo ser sujeito passivo da obrigação tributária, estando reconhecido o interesse ecológico pelo estado do Paraná, ademais a decisão do Tribunal de Justiça decidiu que houve uma desapropriação indireta. Sobre a tributação em áreas de interesse ecológico, já decidiu esse E.Conselho, Acórdão 2801003576 1º Turma Especial, Processo 10183.7222023/201010, Relator, José Valdemir da Silva: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10980.004856/201000 Acórdão n.º 2301004.788 S2C3T1 Fl. 350 11 Não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. Recurso Voluntário Provido. Destaco razões de decidir do citado julgado, por se assemelhar ao presente caso: [...] Portanto, em relação à referida área, está terminantemente proibido uso direto dos recursos naturais com desenvolvimento de atividade produtiva, ressalvandose as atividades científicas devidamente autorizadas pela autoridade competente. Registrese que os Parques (Nacional, Estadual ou Municipal), em conformidade com a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamentou o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição da República Federativa do Brasil e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, são Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto (aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais) dos seus atributos naturais. Como se vê, as terras inseridas em parques nacionais não se prestam a qualquer tipo de exploração comercial, posto que seu único objetivo é a preservação de ecossistemas naturais, possibilitando, apenas, a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, de recreação e de turismo ecológico. Em que pese à referida área não ter sido ainda desapropriada, a partir da edição do Decreto n° 7.641/1980 (art. 7°), ela passou a ser controlada pelo poder público, de forma a não haver possibilidade de qualquer tipo de exploração, a não ser ambiental e, mesmo assim, com autorização prévia dos órgãos governamentais de controle do meio ambiente. (grifei) [...] Assim, tendo em vista que a área do imóvel de 3.764,64 ha está inserida no Parque Estadual do Marumbi, controlada pelo poder público e que 70,9 ha foram adquiridos mediante usucapião extraordinário, descabível a cobrança de ITR, referente à “Fazenda Pau Oco”, NIRF 2.973.2409. Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR e no mérito DAR PROVIMENTO AO RECURSO. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000693/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2005
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66.
Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
SUBFATURAMENTO. IMPOSTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO.
Incide os impostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislação tributária vigente com os acréscimos legais devidos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2005
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO. APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇAO.
Uma das autuações realizadas em duplicidade deve ser cancelada, mantendo-se aquela cuja impugnação foi primeiro apresentada.
Recurso de Ofício e Voluntário Negados
Numero da decisão: 3201-002.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi e Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo que davam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima ficou de apresentar declaração de voto.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2005 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66. SUBFATURAMENTO. IMPOSTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. Incide os impostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislação tributária vigente com os acréscimos legais devidos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2005 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO. APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇAO. Uma das autuações realizadas em duplicidade deve ser cancelada, mantendo-se aquela cuja impugnação foi primeiro apresentada. Recurso de Ofício e Voluntário Negados
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12466.000693/2007-27
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5653001
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.402
nome_arquivo_s : Decisao_12466000693200727.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12466000693200727_5653001.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi e Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo que davam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima ficou de apresentar declaração de voto. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
id : 6553310
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690410651648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 508 1 507 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.000693/200727 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3201002.402 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria II Recorrente TEXAS TRADING DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2005 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 06 93 /2 00 7- 27 Fl. 508DF CARF MF 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. SUBFATURAMENTO. IMPOSTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO. Incide os impostos devidos na importação sobre as diferenças apuradas entre os preços declarados e os efetivamente praticados, nos termos da legislação tributária vigente com os acréscimos legais devidos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2005 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO. APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇAO. Uma das autuações realizadas em duplicidade deve ser cancelada, mantendo se aquela cuja impugnação foi primeiro apresentada. Recurso de Ofício e Voluntário Negados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi e Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo que davam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima ficou de apresentar declaração de voto. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Cassio Schappo e Winderley Morais Pereira. Relatório Fl. 509DF CARF MF Processo nº 12466.000693/200727 Acórdão n.º 3201002.402 S3C2T1 Fl. 509 3 Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 2.838.880,58 referente a multa prevista no art. 23, § 3°, do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002. Do Relatório de Ação Fiscal, que integra o auto de infração, se extrai que a fiscalização concluiu que as importações registradas em nome da autuada foram realizadas com a ocultação do real adquirente das mercadorias, por meio de interposição fraudulenta de terceiro, com o uso de simulação. As razões que levaram a fiscalização a essa conclusão foram as seguintes: Há incompatibilidade entre o Patrimônio Líquido da empresa e o valor transacionado no comércio exterior, o que demonstra a falta de capacidade econômica da autuada. Foram constatados depósitos de elevados valores em sua conta corrente, com saques em valores quase idênticos, em datas coincidentes às dos registros de Declarações de Importação, todos registradas na modalidade de importação normal, ou seja, diretas. Análise de sua contacorrente comprova que as operações de comércio exterior foram realizadas com recursos de terceiros, pois sem os depósitos realizados a empresa não poderia arcar com as despesas aduaneiras, conforme demonstrativo de fluxo financeiro anexado. A empresa informa, inicialmente que os depósitos se referem a adiantamentos de clientes, conforme duplicatas anexadas e que tinham por finalidade o pagamento de despesas relativas às importações. As duplicatas não possuem número da fatura. Em muitas duplicatas não há relação entre o devedor e o destinatário das mercadorias constante da nota fiscal de saída. As datas de vencimento das duplicatas coincidem com as datas dos depósitos em contacorrente, porém não se referem a pagamento de duplicatas e sim a depósitos. Foi caracterizada a interposição de pessoas, pois a Texas não seria a real adquirente das mercadorias importadas, não havendo venda de mercadorias. Neste aspecto a fiscalização observa que a emissão de duplicatas sem efetiva venda é ilícito penal previsto no art. 172 do Código Penal Brasileiro. A fiscalização registra que a simulação engendrada pela autuada causa prejuízos aos Estados, em função do não pagamento de ICMS, e à União, pois os valores praticamente iguais entre as notas fiscais de entrada e de saída, estas correspondentes aos valores das notas fiscais de entrada acrescidos quase que somente das despesas aduaneiras, determinam um lucro mínimo, com reflexos negativos no IRPJ, CSLL, além do ISS devido aos Municípios. Também há redução no pagamento de IPI em função da não equiparação do Fl. 510DF CARF MF 4 comprador a estabelecimento industrial e pelo fato de o valor importado ser praticamente igual ao valor de venda. Existe ainda apropriação indevida de crédito de IPI relativo a empresas optantes pelo SIMPLES e de PIS/PASEP e COFINS de empresas optantes pelo Lucro Presumido e pelo SIMPLES. O relatório fiscal conclui pela caracterização de dano ao Erário, por não ser a Texas Trading do Brasil Ltda a real adquirente das mercadorias importadas, aplicandose assim, o disposto no art. 23, V, do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002. Em razão de as mercadorias já terem sido consumidas ou não localizadas, exigese a multa prevista no § 3° do art. 23 do mesmo Diploma legal. O crédito tributário constituído no presente processo se refere à parte do total apurado (planilha de fls. 13 a 23) onde não foi identificado nenhum responsável solidário. Para as importações as quais foram identificados os responsáveis solidários, foram formalizados processos próprios (v. fls. 5). Regularmente cientificada por via postal (AR às folhas 376), a interessada apresentou impugnação tempestiva de folhas 377 a 390, anexando os documentos de folhas 391 a 425. A impugnante alega, preliminarmente, que em 30/03/2007, data anterior à ciência do auto de infração do presente processo, foi cientificada pela Alfândega do Porto de Itaguaí de auto de infração exigindo Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro para uma série de Declarações de Importação coincidentes com as ora autuadas, conforme documento anexado, fato que caracteriza um bis in idem, que totaliza um valor de R$ 1.201.529,95. Informa que já apresentou impugnação tempestiva àquele auto de infração e requer a exclusão de todas as Declarações de Importação já autuadas por aquela unidade. Discorda da conclusão da fiscalização de que teria praticado a “ocultação do real importador”, pois, conforme demonstra sua movimentação contábil, registrou os recebimentos a título de “adiantamento de clientes”, fato que comprova que não havia intenção em ocultar a origem dos créditos. Alega que as operações que realizou foram importações por encomenda, conforme posteriormente definido pela Lei n° 11.281/2006, art. 11, não se caracterizando importação por conta e ordem e muito menos interposição fraudulenta. Entende que o art. 106 do Código Tributário Nacional deve ser aplicado para o uso de lei mais benéfica ao contribuinte, como é o caso em questão que não está definitivamente julgado. Defende que a importação por encomenda é figura jurídica que sempre existiu e existirá no ordenamento brasileiro e no Direito Internacional, portanto não se pode argumentar que a Lei n° 11.281/2006 foi regulamentada pela IN SRF n° 634/2006, que, extrapolando os limites legais, impõe restrições à importação sob encomenda. Ademais, a maior parte das importações realizadas são anteriores à publicação da IN SRF n” 634/2006 (que foi editada em 24.3.2006). Dessa forma, não ha' como descaracterizar a circunstância de importação sob encomenda, sob o argumento de não atendimento dos requisitos instituídos posteriormente por essa IN SRF 634/06. (destaque do original) Tece considerações sobre as operações por encomenda e desaprova as determinações da IN SRF n° 634/2006, por entender que afrontam a ordem constitucional vigente. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 12466.000693/200727 Acórdão n.º 3201002.402 S3C2T1 Fl. 510 5 Registra que o próprio agente fiscal indica que as notas fiscais de saída não são iguais aos valores das notas fiscais de entrada, demonstrando claramente a existência de resultado pela intermediação da venda por encomenda. Justifica o uso de empresas trading companies por outras empresas em função de sua especialidade e interesse fiscal, defendendo não se caracterizar fraude e sim planejamento tributário. Defende que não há caracterização de dano ao Erário, pois o ICMS é devido ao Estado de domicilio do importador e não no qual as mercadorias foram entregues ou desembaraçadas. Além disso, a lei que instituiu nova tributação pelo IPI aos mencionados fatos não estava em vigor à época das importações. Relembra que apenas a INSRF 634/06 normatizou o entendimento segundo o qual o encomendante não pode adiantar recursos para a consecução de sua encomenda. Registra que não foram mencionados quais seriam os possíveis beneficiários, posto que o auto foi lavrado sem a existência de nenhum responsável solidário. Requer a decretação de improcedência do auto de infração e a exoneração de sua responsabilidade." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, exonerando crédito tributário no valor de R$ 1.201.531, em razão da exigência em duplicidade. A decisão foi assim ementada. Assunto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2006 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Aplicase a multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PerÍodo de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2006 LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO. APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇAO. Uma das autuações realizadas em duplicidade deve ser cancelada, mantendose aquela cuja impugnação foi primeiro apresentada. Lançamento Procedente em Parte.” Cientificadas da decisão, as Empresas Texas Trading interpôs Recurso Voluntário. Fl. 512DF CARF MF 6 Inicialmente a Recorrente pede que seja afastada a multa de conversão da pena de perdimento sob o argumento que a penalidade de 10% prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 e no restante do recurso repisa as alegações já apresentadas na impugnação. Ao final do recurso a Recorrente alega a improcedência da multa de conversão da pena de perdimento e de forma subsidiária, caso este não seja o entendimento da turma julgadora a redução da multa a 10% do valor do em razão da aplicação da pensa de cessão de nome em substituição a multa de 100% pela conversão da pena de perdimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos de ofício e voluntário são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, serem conhecidos. Ofensa a princípios constitucionais e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foi interposto recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Fl. 513DF CARF MF Processo nº 12466.000693/200727 Acórdão n.º 3201002.402 S3C2T1 Fl. 511 7 Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Da operações realizadas pela Texas Trading por conta e ordem da Palani Bazar A lide gira em torno da exigência da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadorias importadas por intermédio de interposição fraudulenta, ao arrimo que a empresa importadora Texas Trading teria realizado as operações em nome de terceiros, sendo as informações ocultadas dos controles legais pertinentes. A autuada, em sua defesa, alega a licitude dos recursos utilizados e a atuação de boafé nas operações. A Fiscalização Aduaneira justificou o lançamento na falta de comprovação de origem dos recursos, afirmando que a operação foi orquestrada com o objetivo de usufruir benefícios fiscais indevidos e que os documentos contábeis e fiscais apresentados pela Texas Trading não comprovaram a origem dos recursos utilizados nas operações de importação. No caminho para esclarecer os fatos faço um breve relato sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a ocultação de intervenientes e a interposição fraudulenta. O controle aduaneiro, a ocultação dos intervenientes e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que Fl. 514DF CARF MF 8 pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº Fl. 515DF CARF MF Processo nº 12466.000693/200727 Acórdão n.º 3201002.402 S3C2T1 Fl. 512 9 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Fl. 516DF CARF MF 10 Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. Impossibilidade de substituição da multa de perdimento em razão da multa de 10% prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Além, da penas referentes ao perdimento da mercadoria, a interposição fraudulenta também gera a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." De acordo com este mandamento legal, a pessoa jurídica que cede o nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros fica sujeita a multa de 10% do valor da operação. Questão reiteradamente discutida é a alegação que a penalidade prevista no art. art. 33 da Lei nº 11.488/2007 afasta a aplicação da multa de perdimento e conversão da multa, nos casos de interposição fraudulenta, previsto no art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. A matéria foi disciplinada no art. 727, § 3º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. " Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 12466.000693/200727 Acórdão n.º 3201002.402 S3C2T1 Fl. 513 11 § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. " A determinação do § 3º deixa cristalino que a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/07 não prejudica a aplicação da pena de perdimento, assim não existe substituição das penalidade, tampouco, revogação das penalidades previstas no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 por esta nova multa. A operação de importação realizada pela Texas Trading e o envolvimento da empresa Palani Bazar. A Fiscalização identificou, amparada em diversos informações e documentos fiscais, as operações da empresa Texas Trading. O trabalho da auditoria da Receita Federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca, o modo de operação para ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. A seguir detalho informações extraídas do Termo de Verificação Fiscal que motivaram o lançamento (fls. 7 a 24), que ao meu sentir comprovam os fatos apurados pela Autoridade Autuante. Conforme determinado pelo Sr. Superintendente da 7ª Região Fiscal, com base em informações fornecidas por setores ligados àquela autoridade (fls 24/29), e depois de verificarmos junto a nossa base de dados a existência de indícios de incompatibilidade entre o Patrimônio Líquido da empresa e o volume transacionado no comércio exterior, no dia 23 de março de 2006 comparecemos na sede da empresa e fornecemos o respectivo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e o Termo de Início de Fiscalização (fls 30/35). Após recebermos os documentos solicitados no Termo de Inicio de Fiscalização, observamos várias irregularidades na escrituração dos livros contábeis, as quais não nos permitiriam uma análise adequada. Desta forma, emitimos o Termo de Reintimação Fiscal N” 01 (fls 30/37) e devolvemos toda a documentação para a devida correção. Analisandose a nova documentação fornecida, observamos no Balancete de Verificação do 19 trimestre/2004 que o valor de FI$ 85.000,00 foi debitado na conta “Máquinas, Equipamentos e Ferramentas" e o mesmo valor foi creditado na conta “Outros Débitos c/Sócios, Administradores e Pessoas". No Balancete de Verificação do 2° trimestre/2004, notase que as contas acima citadas foram encerradas e que o referido valor foi integralizado como Capital Social. Analisandose o Livro Razão do 29 trimestre/2004 (fls 83/85) encontramos: (a) para a conta “Máquinas, Equipamentos e Ferramentas": (a.1) um débito de R$10.000,00 referente a receita na venda de Fl. 518DF CARF MF 12 máquina, sendo o mesmo valor creditado na conta “Lucros na Alienação de Imobilizado"; (a.2) um crédito de Fl$ 95.000,00 referente a pagamento de nota fiscal à Nestlé do Brasil, sendo que o referido valor foi debitado na conta bancos; (b) para a conta “Outros Débitos c/Sócios, Administradores e Pessoas", um débito de R$ 85.000,00, sendo o mesmo valor creditado na conta de integralização de capital social. Examinandose os Balancetes de Verificação de 2004 e 2005 (fls 86/99), notamos que assim que a empresa começou a operar no comércio exterior (39 trimestre/2005) passaram a ocorrer altos depósitos nas contas bancárias da empresa, bem como notamos em tais contas que os saques efetuados eram quase idênticos aos depósitos realizados. Além deste fenômeno, percebemos a existência da conta “Adiantamentos de Clientes” a partir do momento que a empresa começou a operar no comércio exterior. Ao se esquadrinhar os Balanços Patrimoniais de 2004 e 2005, detectamos a incompatibilidade entre o Patrimônio Líquido e os volumes transacionados no comércio exterior, revelandose, assim, a falta de capacidade econômica da empresa. Desta forma, face aos fones indícios de que a empresa estava operando com recursos monetários de terceiros, indicando, portanto, que a fiscalizada não era a real adquirente das mercadorias importadas, mantivemos a fiscalização e emitimos o Termo de Intimação Fiscal n° 02 (fls 133/135). ... 07 Ao analisarmos os Balancetes de Verificação referentes aos 1° e 2° trimestres de 2006 (fls100/109), verificamos a ocorrência dos mesmos fenômenos que aconteceram a partir do momento que a empresa começou a operar no comércio exterior, ou seja, os saques efetuados nas contas bancárias eram quase idênticos aos depósitos realizados, bem como notamos a existência da conta “Adiantamento de Clientes". Ao se compulsar os Balanços Patrimoniais do 1° e 2° trimestres de 2006, confirmouse a total falta de capacidade econômica da empresa para realizar as operações de comércio exterior registradas em nossa base de dados, conforme se observa no demonstrativo abaixo: Patrimônio Gastos com Patrimônio Período Líquido Inicial 1 Importações (2)_$ Líquido Final 1 3° Trim/05 92.062,64 1.676.261,00 (22.580,45 4° Trim/05 (22.580,45 3.259.693,00 I (565.470,98 1° Trim/06 (565.470,98 3.523.916,00 I (937.856,52 2* Trim/06 (937.856,52) 428.557,00 I (928.681.25 (1) Valores obtidos no Balanço Patrimonial (fls 110/131) (2) Valores obtidos no Sistema Lincefisco (fls 132) Ao se analisar os documentos enviados para a comprovação dos ingressos de recursos monetários ocorridos na empresa através da conta corrente do Banco do Brasil, fica comprovado que as operações de comércio exterior foram realizadas utilizandose Fl. 519DF CARF MF Processo nº 12466.000693/200727 Acórdão n.º 3201002.402 S3C2T1 Fl. 514 13 recursos monetários de terceiros. Inicialmente, verificase na correspondência enviada pela empresa que a mesma nos informa que os recursos monetários que ingressaram na referida conta corrente referemse ao recebimento de adiantamentos de clientes identificados nas cópias das duplicatas anexadas e que tais adiantamentos de recursos monetários tinham por finalidade o pagamento das despesas relativas às importações de mercadorias realizadas (fls 139 item 2). Pesquisandose o Livro Razão do Banco do Brasil (fls 186/221) e os extratos de conta corrente do referido banco que nos foram enviados (fls 222/253), verificase que até o início de mês de julho/05 o saldo da respectiva conta era igual a zero. A partir do dia 06/07/05 é que tal conta passa a receber os depósitos dos “clientes” da empresa. Analisandose as duplicatas remetidas como documentos comprobatórios dos recursos monetários que ingressaram na empresa, verificase que nenhuma delas possui o número da respectiva fatura (fls 254/326). Conforme DEMONSTRATIVO DAS OPERAÇOES EFETUADAS gerado pela fiscalização ( fls 327/361), diversos valores referentes as duplicatas que nos foram enviadas foram contabilizados como adiantamento de clientes. Para as demais duplicatas, as quais foram creditadas na conta “Duplicatas a Receber", ao se analisar o demonstrativo gerado pela fiscalização, verificase que não há nenhuma relação entre os devedores das duplicatas emitidas com os destinatários das mercadorias constantes nas notas fiscais de saída. Também se nota que os vencimentos de todas as duplicatas coincidem com as datas dos depósitos efetuados na conta corrente do Banco do Brasil. Entretanto, ao se examinar tais extratos de conta corrente, verificase que todos os lançamentos são referentes a depósitos, não se referindo, nenhum deles, a recebimento de títulos. Notase, ainda, no demonstrativo ora anexado, que logo após os depósitos, e até na mesma data, há pagamento de despesas aduaneiras (impostos e câmbio). Desta forma, fica comprovado que os recursos monetários depositados na conta corrente da fiscalizada na realidade são adiantamentos feitos pelos “clientes" da empresa para pagamento dos gastos aduaneiros com as importações efetuadas, caracterizandose, assim, a interposição de pessoa, não sendo, portanto, a empresa Texas Trading a real adquirem as mercadorias importadas, não havendo, dessa forma, venda de mercadorias. Os exemplos, aqui apresentados, não citam todas as apurações realizadas pela Fiscalização, mas comprovam a existência de um esquema fraudulento, com objetivo de ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias. A Recorrente, ao questionar as conclusões da Fiscalização sobre a falta de comprovação da origem dos recursos, alega a existência de operações por encomenda e não por contra e ordem. Entendo que a Fiscalização demonstra de forma clara e com provas suficientes, Fl. 520DF CARF MF 14 que a Texas Trading não possuía recursos para realizar as operações e portanto, correta a presunção aplicada de interposição fraudulenta. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. O auto de infração foi motivado pelas provas obtidas pelo Fisco que comprovam a diferença entre os valores declarados e aqueles realmente praticados nas operações de importação. A Recorrente para contrapor as argumentações e provas trazidas pela Fiscalização necessita identificar de forma cristalina os reais valores praticados, trazendo os documentos necessários para embasar a sua afirmação, que podem ser contratos comerciais, trocas de mensagens, cartas emitidas entre fornecedor e adquirentes e tantos outros documentos que poderiam ser apresentados para justificar o valor declarado ao Fisco. Entretanto, a Recorrente não apresenta nenhum documento que possa comprovar as suas afirmações. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar a exigência fiscal. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Recurso de ofício Quanto ao Recurso de Ofício, a decisão de piso decidiu por exonerar parte do lançamento, em razão da duplicidade do lançamento, visto que diversas Declarações de Importação foram objeto de exigência no auto de infração nº 0717800/00031/07, controlado no Processo Administrativo 11684.000326/200796, pelos mesmos motivos da presente exigência fiscal. A decisão de piso detalhou assim a exigência em duplicidade. Cabe razão à impugnante em relação à autuação em duplicidade relativamente a algumas das Declarações de Importação, por parte de unidades distintas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Como se pode constatar pelas cópias do processo n° ll684.000326/200796, de folhas 439 a 448, a Alfândega no Porto de Sepetiba autuou a interessada, por meio do auto de infração n° 0717800/00031/07, em razão dos mesmos fatos e enquadramento legal do auto de infração do presente processo, para as operações amparadas pelas Declarações de Importação de números 06/02181091, 06/02195106, 06/02239693, 06/02242082, 06/02242872, 06/02429549, 06/02429557, 06/02429565, 06/02429573, 06/02583025, 06/02583033, 06/02584781, 06/02584790, 06/02584803, 06/02584811, 06/02584820, 06/04647608, 06/04647616, 06/04647624, 06/05523317, 06/05523325, 06/05523333, e 06/05524046. Considerandose que a apresentação da impugnação ao auto de 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 12466.000693/200727 Acórdão n.º 3201002.402 S3C2T1 Fl. 515 15 infração n° 0717800/00031/07 ocorreu em data anterior (30/04/2007) à do auto de infração do presente processo (02/O5/2007), neste devem ser canceladas as autuações em duplicidade, exonerando crédito tributário no valor de R$ 1.201.531,00. Entendo, correto a decisão adotada pela decisão de piso. Comprovando que parte da exigência ocorreu em duplicidade, correto o procedimento de cancelar a parte do lançamentos que já foi objeto de lançamento não existindo reparo a ser feito na decisão da primeira instância. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Winderley Morais Pereira Declaração de Voto Conselheiro – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme as provas, documentos e petições juntados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno, apresenta se esta declaração de voto. Com respeito e admiração às colocações do nobre colega Conselheiro Relator, venho por meio desta declaração de voto expressar entendimento divergente apresentado em sessão e vencido pelo voto de qualidade. Como bem relatado, o A.I. foi lavrado principalmente com fundamento no Art 23, V, do Decreto 1.455/76, que estabelece a ocorrência do Dano ao Erário por interposição fraudulenta para ocultação de terceiros em eventual não comprovação da origem de recursos, transferências e recursos próprios para realização das operações de importação. A conclusão da fiscalização foi a de que a Texas Trading era interposta de um "real adquirente" em um esquema fraudulento de importação de mercadorias com o intuito de suprimir tributos e conseqüente dano ao erário, principalmente por ter constatado possível Fl. 522DF CARF MF 16 incapacidade econômica desta empresa e proximidade de datas de débitos, créditos, depósitos, duplicatas e notas fiscais. O Art. 23 do DL 1.455/76, capitulação principal deste procedimento, tem como núcleo do tipo a conduta dolosa de ocultar o real adquirente de mercadorias importadas, que promove a entrada de mercadoria por meio de fraude. A não comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior poderia caracterizar a presunção somente se houvesse ocorrido a capitulação expressa e motivada do §2.º do Art. 23 do DL 1455/76 (Lei 10637/02). Por raciocínio lógico diretamente inverso, a comprovação de recursos próprios é suficiente para descaracterizar a presunção de interposição fraudulenta de terceiros para ocultar sujeito passivo (real adquirente). A partir desta exclusão da presunção na avaliação da ocorrência ou não da interposição fraudulenta, é necessário que esteja presente o elemento subjetivo do tipo e os demais requisitos para que a conclusão pela ocorrência da interposição fraudulenta tenha validade. Este elemento subjetivo, em resumo, se concretiza na vontade consciente e na intenção de reduzir tributo e causar prejuízo ao fisco para auferir ganho econômico, conforme Art. 72 da Lei 4502/64. Neste contexto, a operação comercial e a estrutura societária teria de causar ilusão e ter exagerada distinção entre a realidade e a aparência, ou seja, o interposto não teria real interesse nas importações e o reais adquirentes não poderiam "aparecer" nas operações. Aos reais adquirentes são destinadas as mercadorias e o interposto nada mais faz do que ser interposto, uma proteção aos reais adquirentes, uma empresa ou pessoa que suportaria todas as persecuções patrimoniais e penais. Não é possível constatar fraude e dano ao erário sem que ao menos tenham sido juntadas provas de quebra da cadeia de recolhimento do IPI, falta de destaque do tributo e consequente ausência do recolhimento do tributo nas demais etapas de comercialização da mercadoria importada. É o que poderia justificar possível ocultação do sujeito passivo na importação. O Auditor Fiscal descreve “Conversão do Perdimento em Multa Impossibilidade de Apreensão de Mercadoria”, mas não existem sequer fatos que possam subsumir às disposições legais que poderiam fundamentar a lavratura do Auto de Infração. Não há fundamento, objeto ou razão para o Auto de Infração prosperar. Compulsando os autos, verificase que o auto de Infração de fls. 02 foi lavrado sem a autuação da pessoa jurídica que, em tese, seria a real adquirente. Além disso, os sócios não foram intimados da autuação e tampouco cientificados dos fatos e documentos coligidos aos autos. Em consequência, não apresentaram a impugnação. Em casos como este, que causam prejuízo ao contribuinte com penalidades severas, uma das formas de suprir a deficiência do lançamento seria por meio de auto de infração ou notificação de lançamento complementar, conforme previsto no § 3º do art. 18 do PAF, situação que não ocorreu. Com base nessas considerações, fica demonstrado que, em relação ao suposto real adquirente, não houve instauração do litígio. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 12466.000693/200727 Acórdão n.º 3201002.402 S3C2T1 Fl. 516 17 Sobre a legislação correlata, a norma que trata da responsabilidade pela penalidade em apreço, é a prevista no art. 95 do Decreto lei nº 37, de 1966, a seguir reproduzido: "Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...] V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." Ora, se há dispositivo expresso que confere a responsabilidade para responder de forma conjunta ou isoladamente ao adquirente da mercadoria, logicamente não há como responsabilizar isoladamente a suposta empresa interposta. Não faz sentido e seria uma leitura equivocada do dispositivo legal elencado nos autos, concluir que a interposição fraudulenta possa ser configurada pela atividade fraudulenta de somente uma pessoa. Necessariamente este tipo legal exige o conluio e este, exige a participação fraudulenta de 2 ou mais pessoas. Se é verdade que a Texas dispunha de recursos próprios para dar curso às operações de comércio exterior que foram objeto da autuação ora discutida, isso já seria suficiente para afastar o enquadramento da fiscalização. O fato da Texas emitir notas fiscais de venda ou duplicatas das mercadorias importadas em proximidade de débitos e créditos de seus clientes, não tem qualquer relevância para fins de caracterização da importação por conta e ordem de terceiros de forma fraudulenta. E dentro desta linha de raciocínio está uma das principais razões pela qual o contribuinte merece interpretação favorável, uma vez que não há nos autos uma prova comercial mais contundente de que estaria se tratando de outra modalidade de importação que não a realizada pelo contribuinte, a prova de que o real adquirente realmente tenha encomendado a mercadoria. Nem sequer se sabe quem seria o real adquirente porque este não está nos autos. Apresentase nesta declaração de voto entendimentos convergentes com a clássica formulação doutrinária fatovalornorma, que nas palavras do Ilustre Professor Doutor Ives Gandra Martins em “Uma Teoria do Tributo” (fls. 436), defende que “tal formulação somente teria sentido, na medida em que a valoração do fato seja feita em coerência com a lei natural, não sendo suficiente apenas o ato de valorar, mas o do valorar corretamente, único caminho para a identificação entre o direito natural e o direito positivo”. Diante de ausência de motivação do lançamento, erro material no lançamento por não autuar o real adquirente e ausência de provas do possível conluio e principalmente da possibilidade de existir um "real adquirente", está evidente o conflito com o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99, Fl. 524DF CARF MF 18 Importante citar a Solução de Consulta Interna n.º 9 Cosit Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal, que prevê expressamente que eventual erro na qualificação dos sujeitos passivos solidários podem implicar a nulidade do lançamento se ficar demonstrada a ocorrência de prejuízo para as partes. Assim, em se tratando de processo que contém representação criminal, fica evidente o prejuízo para as partes e não há oportunidade mais adequada para a aplicação das garantias do Art. 112 do CTN e das demais garantias ao devido processo legal em coerência hierárquica com os dispositivos constitucionais, penais e atribuições e competência do Poder Público na qualidade do lançamento conforme Art. 142 do CTN. É de conhecimento que tanto o Direito Tributário quanto o Direito Penal possuem caráter disciplinar e sancionatório, com arcabouço legislativo proveniente de princípios em comum. Contudo, de forma pragmática, verificase que o procedimento administrativo não possui o mesmo rigor do processo penal, talvez em razão de não haver um Código de Processo Administrativo como existe no Direito Penal o Código de Processo Penal. Logo, desta constatação surge a preocupação de que, em processo penais, os Juízes de Direito possam se utilizar da constituição definitiva do crédito para concluir que há materialidade e autoria. Em se tratando de justiça, não há nada mais perigoso e injusto para a sociedade e para o contribuinte do que a condenação “automática” de cidadãos e contribuintes. É sobre o tema em litígio que o nobre doutrinador, Juiz Federal aposentado, Doutor Hugo de Brito Machado, lançou o livre “Crime Contra a Ordem Tributária”. Verifica se inclusive na contra capa de seu livro que o autor identificou uma lacuna no conhecimento jurídico, o fato de que “... os penalistas geralmente pouco conhecem do Direito Tributário, e os tributaristas quase nada sabem do Direito Penal”. Com algumas ressalvas às generalizações feitas pelo autor em desfavor às autoridades fiscais, porque muitas autoridades realizam seu trabalho com ética e qualidade, cito a preocupação do nobre autor em fls. 21 desta mencionada obra, no sub capitulo “O Direito Penal e o combate ao crime”, conforme segue: “O melhor instrumento para o combate ao crime, no que concerne especificamente aos crimes contra a ordem tributária, é o respeito ao contribuinte. Respeito que começa pela redução da enorme carga tributária a ele imposta. Passa pelo atendimento desatencioso e absolutamente inadequado e insuficiente a ele dispensado nas repartições da Administração Tributária. Vai até mesmo às interpretações inteiramente inadmissíveis, visivelmente distorcidas, das normas da legislação tributária, tendentes a lhes negar os direitos mais elementares. Enfim, a total falta de respeito na relação tributária, que induz no contribuinte o sentimento de que a lei só existe contra ele, ou pelo menos só é aplicada contra ele, posto que as disposições a ele favoráveis são sempre ignoradas pelas autoridades da Administração tributária. A pretensão de arrecadar tributos indevidos somada às emaças levianas do uso da lei penal contra contribuintes somente degradam a relação tributária e terminam por banalizar o Direito Penal. E não obstante seja o Direito Penal de grande importância como elemento de controle social, realmente a sua utilização não Fl. 525DF CARF MF Processo nº 12466.000693/200727 Acórdão n.º 3201002.402 S3C2T1 Fl. 517 19 poder ser banalizada. Na medida em que ilícitos de menor importância social, e sobretudo aqueles que menos afetam os sentimentos éticos das pessoas, e por isto mesmo despertam menor censura da opinião pública, são definidos como crime, o Direito Penal se banaliza e perde a eficácia.” Diante do exposto e em razão do contribuinte ter sido acusado de cometer crime tributário, entendese que no presente caso toda cautela é necessária e é mais do que adequada o reconhecimento da NULIDADE do lançamento. Por necessidade social, atribuição legal e por meio de interpretação sistemática legislativa, a função principal deste conselho e seu papel na sociedade Brasileira é o de revisar os lançamentos da fiscalização em duplo grau de jurisdição, como órgão de segunda instância do procedimento administrativo fiscal. Teria sido necessária a instrução do processo de forma que ficasse claro se o contribuinte teria participado de aquisições fraudulentas e de quais e com quem, não sendo possível a presunção de que o contribuinte agiu de forma criminosa. Concluise que merece provimento o Recurso Voluntário em razão da patente nulidade do lançamento em razão da ausência de provas e falta de autuação da pessoa jurídica que seria o "real adquirente". Diante de todo o exposto e de acordo com os fundamento legais apresentados ao longo desta declaração de voto, também com fundamento no Art. 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional e Art. 4.º, I, Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, voto pelo PROVIMENTO do Recurso Voluntário para anular o lançamento e exonerar todo o crédito tributário e cancelar a multa. Voto proferido. Conselheiro – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 526DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005951/2010-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/09/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 09/09/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11128.005951/2010-35
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5650580
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.491
nome_arquivo_s : Decisao_11128005951201035.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 11128005951201035_5650580.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
id : 6547479
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048690435817472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.005951/201035 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302003.491 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/09/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 59 51 /2 01 0- 35 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.005951/201035 Acórdão n.º 3302003.491 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 128DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.005951/201035 Acórdão n.º 3302003.491 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.005951/201035 Acórdão n.º 3302003.491 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.005951/201035 Acórdão n.º 3302003.491 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 131DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.005951/201035 Acórdão n.º 3302003.491 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.005951/201035 Acórdão n.º 3302003.491 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.005951/201035 Acórdão n.º 3302003.491 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.005951/201035 Acórdão n.º 3302003.491 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
