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Numero do processo: 15463.721128/2014-44
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL.
É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ.
INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO.
A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
Numero da decisão: 2001-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento e o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento e o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 11 28 /2 01 4- 44 Fl. 92DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2010, anocalendário de 2009, em que foi apurada omissão de rendimentos. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ BELO HORIZONTE. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 110/111. Em síntese, alega ser portador de moléstia grave (alienação mental, desde 2007). Informa que recebe proventos de aposentadoria. Sustenta que a doença está descrita em Laudo Médico, complementados por receituário médico e demais documentação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de Fl. 93DF CARF MF Processo nº 15463.721128/201444 Acórdão n.º 2001000.320 S2C0T1 Fl. 3 3 moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: Fl. 94DF CARF MF 4 “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF para o exercício do lançamento. Importante frisar acerca da documentação que a alegada alienação mental só pode ser reconhecida a partir de abril de 2014, conforme já explanado na decisão de primeira instância: "No caso em apreço, somente o laudo médico de serviço oficial de fls. 14 e 68, é documento hábil a atestar a moléstia grave acometida pelo contribuinte. A doença foi expressamente identificada no laudo, qual seja, “alienação mental”, listada no art. 6º, incisoXIV da Lei nº 7.713/88, e, na ausência da data do início da doença, a data a ser consideradapara fins de isenção é a da emissão do laudo médico (29/4/2014). " Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 95DF CARF MF Processo nº 15463.721128/201444 Acórdão n.º 2001000.320 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Discordo do relator quanto sobre a caracterização da doença grave. Tratase de divergência principalmente quanto à necessidade de apresentação de laudo oficial. O contribuinte apresentou outros elementos de prova indicando possuir doença grave. Entendemos que a fundamentação baseada somente na falta de apresentação, ou problemas formais no documento, no laudo médico, não afastam por si a caracterização da doença grave quando há outros meios de prova indicando a doença. Trazemos entendimento do STJ com o qual concordamos, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, relator do caso, AREsp 81.149: “Ainda que conste como preceito legal, a perícia médica oficial não pode ser tida como indispensável ou como o único meio de prova habilitado, sendo necessário ponderarse a razoabilidade de tal exigência legal no caso concreto” E mais recente, mais no ponto do caso em questão e já sendo matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão do Poder Judiciário do Brasil que assegura a uniformidade à interpretação da legislação federal., trazemos a Súmula 598, que assim dispôs: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. Sobre a interpretação literal do texto legal, em cumprimento ao art 111 do CTN, inciso II, que trata de isenção, questão trazida amiúde quando se fala de isenção tributária, trazemos o pensamento do tributarista Carlos da Rocha Guimarães, com o qual concordamos plenamente: O art. 111 "não quer realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, alargando, além do seu exato limite, o que diz a letra da lei, sem, no entanto, deixar de incluir, na interpretação do texto legal, todos os casos que a sua significação indica como nele incluídos, sem o que a própria letra da lei também estaria ferida, e a exoneração, assim truncada, ficaria sem sentido." Explicase, em relação ao caso: não se poderia estender a isenção de doença grave para pessoas em casos semelhantes, pessoas com doenças não consideradas graves, pessoas idosas, pessoas desempregadas, pessoas presas, etc. Aqui, sim, não se pode estender porque se interpreta literalmente, a isenção é só para doença grave. Fl. 96DF CARF MF 6 No entanto, para a caracterização da doença grave prevista em lei, para o exame da prova sobre a doença, se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e processo normal do exame da prova. No exame da documentação entendemos estar caracterizada a doença grave. Os rendimentos recebidos por portador de doença grave são isentos, conforme Lei 7.713/1988, art. 6º. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Designado. Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001565/2003-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. CONTAGEM DE PRAZO. PRESCRIÇÃO. RESTITUIÇÃO.
O sujeito passivo tem direito à restituição do indébito tributário, independentemente de prévio protesto, seja qual for a modalidade de pagamento, devido em face da legislação tributária aplicável (CTN, art. 165-1).
COMPENSAÇÃO.
A compensação de créditos tributários é possível, mercê do disposto no Art. 1º do Decreto n.° 2.138/97 e em Instruções Normativas SRF decorrentes.
CONTAGEM DE PRAZO.
Em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se:
- da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN;
- da Resolução do Senado que confere efeito "erga omnes" à decisão proferida 'inter partes' em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo;
- da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.
Obs.: igual decisão prolatada no Ac. CSRF/01-03.239.
TERMO INICIAL.
Ante a falta de ato específico, a data de publicação da MP n° 1.110/95 no DOU, serve como o referencial para a contagem..
PRESCRIÇÃO.
A ação para a cobrança do crédito tributário pelo sujeito passivo prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, consagrando-se, assim, a conhecida tese dos "cinco mais cinco".
(PRECEDENTES do Supremo Tribunal Federal - STF, do Superior Tribunal de Justiça - STJ, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF).
Numero da decisão: 3001-000.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva , Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. CONTAGEM DE PRAZO. PRESCRIÇÃO. RESTITUIÇÃO. O sujeito passivo tem direito à restituição do indébito tributário, independentemente de prévio protesto, seja qual for a modalidade de pagamento, devido em face da legislação tributária aplicável (CTN, art. 165-1). COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos tributários é possível, mercê do disposto no Art. 1º do Decreto n.° 2.138/97 e em Instruções Normativas SRF decorrentes. CONTAGEM DE PRAZO. Em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: - da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; - da Resolução do Senado que confere efeito "erga omnes" à decisão proferida 'inter partes' em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; - da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Obs.: igual decisão prolatada no Ac. CSRF/01-03.239. TERMO INICIAL. Ante a falta de ato específico, a data de publicação da MP n° 1.110/95 no DOU, serve como o referencial para a contagem.. PRESCRIÇÃO. A ação para a cobrança do crédito tributário pelo sujeito passivo prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, consagrando-se, assim, a conhecida tese dos "cinco mais cinco". (PRECEDENTES do Supremo Tribunal Federal - STF, do Superior Tribunal de Justiça - STJ, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva , Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
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Recorrente ROGER EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. CONTAGEM DE PRAZO. PRESCRIÇÃO. RESTITUIÇÃO. O sujeito passivo tem direito à restituição do indébito tributário, independentemente de prévio protesto, seja qual for a modalidade de pagamento, devido em face da legislação tributária aplicável (CTN, art. 165 1). COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos tributários é possível, mercê do disposto no Art. 1º do Decreto n.° 2.138/97 e em Instruções Normativas SRF decorrentes. CONTAGEM DE PRAZO. Em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; da Resolução do Senado que confere efeito "erga omnes" à decisão proferida 'inter partes' em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Obs.: igual decisão prolatada no Ac. CSRF/0103.239. TERMO INICIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 15 65 /2 00 3- 20 Fl. 370DF CARF MF 2 Ante a falta de ato específico, a data de publicação da MP n° 1.110/95 no DOU, serve como o referencial para a contagem.. PRESCRIÇÃO. A ação para a cobrança do crédito tributário pelo sujeito passivo prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, consagrando se, assim, a conhecida tese dos "cinco mais cinco". (PRECEDENTES do Supremo Tribunal Federal STF, do Superior Tribunal de Justiça STJ, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva , Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante Relatório Em 28.4.2003, foram lavrados Autos de Infração contra a contribuinte Roger Equipamentos Industriais Ltda. (CNPJ 61.191.854/000197), cobrando créditos tributários de COFINS (fls. 38 a 43) e PIS (fls. 104 a 108), relativos a fev/1997 a jun11998. A citada contribuinte tornou ciência das autuações em 05.05.2003. Os seguintes valores foram cobrados (atualizados até 31.03.2003): COFINS (PA 10875.001565/200320); Contribuição: R$ 10.839,78; Juros de mora: R$ 11.581,68; Multa: R$ 8.129,80; Total: R$ 30.551,26; PIS (PA 10875.001566/200374); Contribuição: R$ 1.238,77; Juros de mora: R$ 1.097,68; Multa: R$ 929,05; Total: R$ 3.265,50. As autuações ocorreram em razão de indeferimento de pedido de compensação (PA 10875.000397/9917) pedido de compensação e PA 1875.004433/200279 representação para controle de débitos) em virtude de decadência do direito de pleitear a restituição do indébito, o que levou A necessidade de cobrar o crédito tributário resultante. Em 4.6.2003, a contribuinte apresentou impugnação As duas autuações, constantes das fIs.53 e 54 (COFINS) e 118 e 119 (PIS). Em ambas as impugnações, alega a contribuinte o que segue: Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10875.001565/200320 Acórdão n.º 3001000.499 S3C0T1 Fl. 3 3 "2.1 0 referido processo de compensa cão foi indeferido pela Receita Federal de Guarulhos, através de Decisão Sesit/DRF/GUA N° 044/2001, recebida em 02 de Julho de 20001 e conforme disposto no art. 2° da Portaria SRF N° 4.980/94 foi apresentada manifèstação de inconformidade em 31 de Julho de 2001 à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas — SP, cópia em anexo. 2.2 Em 06 de Agosto de 2002 foi recebida a cópia do indeferimento da compensação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas e diante do direito assistido foi apresentado recurso ao Segundo Conselho de Contribuintes, que ainda não foi apreciado, conforme tela de pesquisa que demonstra que o processo ainda não retornou do Segundo Conselho de Contribuintes, cópia dos documentos citados em anexo. Diante do exposto e demonstrada a insubsisténcia e a improcedência do referido Auto de Infração requerse a suspensão de sua cobrança tendo em vista que o processo de compensação ainda está aguardando julgamento no Segundo Conselho de Contribuintes." Em 27.12.2005, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas — SP decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente os lançamentos (fls. 139 a 143), nos termos da ementa abaixo transcrita: "Ementa: COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Indeferido o pedido de compensação, é cabiv I o lançamento de oficio para a cobrança do crédito tributário inadi lido. COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Somente suspendem a exigibilidade do crédito tributário a impugnação e o recurso contra o lançamento fiscal, por impedirem a constituição definitiva daquele crédito. Não se acha entre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito exigido em lançamento de oficio o recurso em decisão que indeferiu o pedido de compensação proferida em outro processo." Em 13.3.2006, a contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário de fls.155 e 156, no qual se limita a repisar os argumentos de sua impugnação. Para uma melhor compreensão dos meus pares, reproduzo parte do relatório do processo paradigma, quanto segue. Fl. 372DF CARF MF 4 Importante registrar que o Processo 10875.001565/200320 tratava inicialmente somente da lavratura de Auto de Infração por falta de recolhimento de Cofins, e que o Processo 10875.001566/200374 trata de Auto de Infração por falta de recolhimento de PIS. Todavia, com a reunião de ambos, o primeiro passou a tratar conjuntamente da falta de recolhimento de Cofins e de Pis. Como frisado acima, o Processo 10875.001565/200320 (nele já imbutido/anexado/apensado o Processo 10875.001566/200374) será julgado em separado, nesta mesma sessão, e tendo este (nº 10875.001564/200385) como PARADÍGMA. Por sua vez, o Processo ora relatado (nº 10875.001564/2003 85) trata de Auto de Infração por falta de recolhimento de IPI. Registrese, também, que ambos os processos decorreram do Processo nº 10875.000397/9917, que trata do pedido de compensação de recolhimentos a maior de Finsocial, períodos de apuração de 09/1989 a 03/1992, com débitos de PIS, Cofins, IPI e Simples. Salientese, ademais, que os 3 (três) Processos acima surgiram por conta do indeferimento do pedido de compensação de que trata o Processo matriz 10875.000397/9917 (processo matriz), no qual foi afastada a decadência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e, proferindo novo julgamento, a DRJ de origem, acolheu integralmente a pretensão do sujeito passivo, reconheceu o direito creditório do contribuinte e homologou as compensações declaradas (fls. 257 do Processo 10875.000397/9917). Relevante atentar para o fato de que, relativamente ao Processo nº 10875.001565/200320, devese alertar que a decisão refere se tanto ao Auto de Infração da COFINS, quanto aquel'outro referente ao PIS, posto que o processo que trata dessa última exigência foi integrado/unido ao Processo 10875.001566/2003 74. Em virtude da Diligência, este processo ficou sobrestado aguardando o julgamento do chamado processo matriz (nº 10875.000397/9917). Concluído o julgamento do processo matriz, pela CSRF, foram os autos retornados à repartição de origem que através do despacho decisório SEORT/DRFJ/ Ribeirão Preto nº 30/2018, acolheu os argumentos do Recurso Voluntário do recorrente, para reconhecer " o direito creditório do contribuinte em epígrafe contra a Fazenda Nacional no valor de R$ 43.506,87 (REF. 02/1999), e HOMOLOGO as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido". Em consequência, o Presidente da Terceira Seção de Julgamento do CARF exarou despacho para redistribuir o presente processo para este relator, a teor do seguinte despacho: Tratase de autos de infração relativos ao PIS e à COFINS lavrados em decorrência de compensação indevida de Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10875.001565/200320 Acórdão n.º 3001000.499 S3C0T1 Fl. 4 5 débitos dessas contribuições com créditos do FINSOCIAL,pleiteados processo nº 10875.000397/9917. Em consulta efetuada ao sistema eProcesso, verificase que o processo nº 10875.001564/200385, distribuído ao Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, da 1ª Turma Extraordinária da 3ª Seção (3001), versa sobre lançamento de crédito tributário do IPI em razão de glosa de compensação de débitos do IPI com parte dos créditos de FINSOCIAL, pleiteados no processo nº 10875.000397/9917. O art. 6º e seu § 1º, I, II e III, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF), estabelecem que os processos podem ser vinculados em virtude de conexão, decorrência ou reflexo. No caso concreto, a vinculação entre este processo com o processo nº 10875.001564/200385 (IPI), ocorre por conexão (inciso I), uma vez que tanto o lançamento de IPI, quanto o lançamento da Contribuição para o PIS e à Cofins, estão lastreados no mesmo fato e elemento de prova (a glosa parcial do crédito efetuada no processo nº 10875.000397/99 17. Desse modo, valhome do disposto no art. 6º, § 3º, do RICARF para determinar que este processo seja entregue ao Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, para que ele seja relatado em conjunto com o processo de IPI (10875.001564/200385), a fim de que o colegiado repercuta em ambos a decisão definitiva proferida no processo nº 10875.000397/9917, que já se encontra apensado ao processo de IPI. È o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram aferidos pelo ilustre Relator do Acórdão nº 380302.957 (fls. 367). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão n° 3001000.500 de 18 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10875.001564/200385, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que deu provimento ao recurso do contribuinte, por unanimidade de votos, para reconhecer o direito creditório do recorrente e homologar as compensações declaradas e alhures referenciadas, a exemplo do que já foi Fl. 374DF CARF MF 6 deferido pela DRFJ/São José dos Campos, através do já citado DESPACHO DECISÓRIO SEORT nº 30/2018, nos autos do processo nº 10875.000397/9917. Como resumido no relatório, trata o presente processo de pedido de compensação de recolhimentos a maior de Finsocial, períodos de apuração de 09/1989 a 03/1992, com débitos de PIS, Cofins, IPI e Simples. O pleito foi considerado intempestivo pela DRF/Guarulhos e pela DRJ/Campinas, mas o então Conselho de Contribuinte entendeu que o direito à repetição não estava prescrito na data do protocolo, decisão mantida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e ratificado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Naquela ocasião (02 de julho de 2008) o Processo 10875.001564/200385 foi baixado em Diligência à repartição de origem, nos termos da supracitada Resolução 20300.903, "determinando que se aguarde a decisão final no processo nº 10875.000397/9917, no qual se discute a compensação do débito aqui exigido". Examinandose o mencionado processo nº 10875.000397/9917, verificase que a decadência decretada pela decisão de 1ª instância foi afastada pela 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, em 05.11.2003, através do Acórdão nº 30130.815 (fls. 122/125), decisão esta duas vezes ratificada pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais ao negar provimento ao Recurso Especial e ao Recurso Extraordinário impetrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, através dos Acórdãos CSRF nº 0305.727, de 17.06.2008 (fls. 187/195) e CSRF nº 9900 000.624, de 29.08.2012 (fls. 235/245), respectivamente. Em consequência, os autos do Processo nº 10875.000397/9917 retornaram ao órgão de origem, onde as razões do contribuinte foram integralmente acolhidas através do Despacho Decisório SEORT Nº 30/2018, Após atualização dos saldos de cada recolhimento, o montante do crédito devido ao contribuinte totalizou R$43.506,87 em fevereiro de 1999, mês da primeira compensação. Pelo quadro acima, e com esteio no art.112 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011; no art.286, inc.I, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 9 de outubro de 2017; e na Portaria RFB nº 1.453, de 29 de setembro de 2016, RECONHEÇO o direito creditório do contribuinte em epígrafe contra a Fazenda Nacional no valor de R$43.506,87 (ref.02/1999), e HOMOLOGO as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (Destaque do original). Importante registrar que o Processo 10875.001565/200320 tratava inicialmente somente da lavratura de Auto de Infração por falta de recolhimento de Cofins, e que o Processo 10875.001566/200374 trata de Auto de Infração por falta de recolhimento de PIS. Todavia, com a reunião de ambos, o primeiro passou a tratar conjuntamente da falta de recolhimento de Cofins e de Pis. Como frisado acima, o Processo Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10875.001565/200320 Acórdão n.º 3001000.499 S3C0T1 Fl. 5 7 10875.001565/200320 (nele já imbutido/anexado/apensado o Processo 10875.001566/200374) será julgado em separado, nesta mesma sessão, e tendo este (10875.001564/200385) como PARADÍGMA. Por sua vez, o Processo 10875.001564/200385 trata de Auto de Infração por falta de recolhimento de IPI. Registrese, também, que ambos os processos decorreram do Processo nº 10875.000397/9917, que trata do pedido de compensação de recolhimentos a maior de Finsocial, períodos de apuração de 09/1989 a 03/1992, com débitos de PIS, Cofins, IPI e Simples. Salientese, ademais, que os 3 (três) Processos acima surgiram por conta do indeferimento do pedido de compensação de que trata o Processo matriz 10875.000397/9917 (processo matriz), no qual foi afastada a decadência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e, proferindo novo julgamento, a DRJ de origem, acolheu integralmente a pretensão do sujeito passivo, reconheceu o direito creditório do contribuinte e homologou as compensações declaradas (fls. 257 do Processo 10875.000397/9917). Relevante atentar para o fato de que, relativamente ao Processo nº 10875.001565/200320, devese alertar que a decisão refere se tanto ao Auto de Infração da COFINS, quanto aquel'outro referente ao PIS, posto que o processo que trata dessa última exigência foi integrado/unido ao Processo 10875.001566/2003 74. Diante do exposto, considerando que a decadência decretada pela decisão de 1ª instância foi afastada por este colegiado, decisão esta duas vezes ratificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao negar provimento unânime aos Recursos Especial e Extraordinário intentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, consagrandose, assim e uma vez mais, a conhecida tese dos "cinco mais cinco"; considerando que, acatando a determinação da CSRF, relativamente ao Processo 10875.000397/9917, a unidade de origem (no caso, a DRF/São José dos Campos São Paulo) acolheu integralmente as razões do contribuinte e, através do Despacho Decisório SEORT nº 30/2018 (fls. 256/258), reconheceu o direito creditório do contribuinte em epígrafe contra a Fazenda Nacional, no valor de R$ 43.506,87 (referente a fevereiro de 1999), e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido (fls. 258); considerando que este (10875.001564/200385) e os outros dois processos a ele vinculados (10875.001565/200320 e 10875.001566/200374) estavam dependendo do julgamento do Processo 10875.000397/9917; considerando que o Presidente da Terceira Seção de Julgamento do Carf, no despacho que encaminhou o Processo nº 10875.000397/9917 para este Relator, determinou fosse ele apensado ao processo ora relatado (nº 10875.001564/200385), e recomendou "que o colegiado repercuta a decisão definitiva aqui proferida, nos dois processos acima citados, que albergam os autos de infração" (fls. 284); considerando, também, que no voto condutor da Resolução nº Fl. 376DF CARF MF 8 20300.903, em que se consagrou o sobrestamente deste Processo 10875.001564/200385 ficou determinado "que se aguarde a decisão final no processo 10875.000397/9917, no qual se discute a compensação do débito aqui exigido"; e, considerando, ainda, diversos precedentes do CARF e da própria CSRF em julgamentos semelhantes, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário intentado no Processo 10875.001564/200385, para reconhecer o direito creditório do contribuinterecorrente e homologar as compensações declaradas e alhures referenciadas, a exemplo do que já foi deferido pela DRF/São José dos Campos, através do já citado Despacho Decisório SEORT nº 30/2018, nos autos do Processo 20875.000397/9917 (fls. 256/258). Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 10875.001564/200385, em que figura o mesmo Recorrente,ROGER EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.500, de 18.09.2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 377DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000489/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte.
IRPF. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 12. APLICABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Numero da decisão: 2401-005.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. IRPF. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 12. APLICABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputase válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. IRPF. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 12. APLICABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 89 /2 00 8- 11 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 14041.000489/200811 Acórdão n.º 2401005.919 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório DORALICE PEREIRA GONÇALVES DE SEIXAS, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0330.644/2009, às efls. 110/118, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em relação aos exercícios 2004 a 2006, conforme peça inaugural do feito, às fls. 04/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 06/08/2008, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, com o seguinte fato gerador: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Omissão de rendimentos recebidos de PJ, no valor total de R$ 120.000,00, pagos pela empresa KLY Comunicação Ltda, CNPJ 02.922.166/000190, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, conforme consta do Termo de Descrição dos Fatos Complementar, parte integrante do Auto de Infração. Enquadramento legal nos autos. (fl. 04). Inconformado com a Decisão recorrida. o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 130/132, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 14041.000489/200811 Acórdão n.º 2401005.919 S2C4T1 Fl. 4 3 Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, esclarecendo que a Auditora Fiscal elaborou o cálculo do imposto devido sem deduzir as parcelas relativas à dedução do imposto anual para apuração do valor a pagar, causando dessa forma um aumento absurdo nos cálculos, tornando o valor total impagável. Deixou também de considerar que a responsabilidade pela retenção dos impostos pagos à pessoa física, por pessoa jurídica, é exclusivamente da empresa que efetua os pagamentos, de acordo com o Decreto n° 3.000/1999. Não considerou ainda que, nos valores pagos, são deduzidos os pagamentos da previdência social, também retidos pela pessoa jurídica, tendo em vista que a obrigação de retenção deve ser da empresa tomadora dos serviços. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. MÉRITO O Auditor Fiscal constatou a infração de omissão de rendimentos recebidos de PJ, no valor total de R$ 120.000,00, pagos pela empresa KLY Comunicação Ltda, CNPJ 02.922.166/000190, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício. Por sua vez, a contribuinte sustenta que a autoridade lançadora elaborou o cálculo do imposto devido sem deduzir as parcelas relativas à dedução do imposto anual para apuração do valor a ' pagar e que não considerou a previdência social. Acrescenta ainda que deixou também de considerar que a responsabilidade pela retenção dos impostos pagos à pessoa física, por pessoa jurídica, é exclusivamente da empresa que efetua os pagamentos, de acordo com o Decreto n° 3.000/1999. Pois bem! Primeiramente esclareço não ter a contribuinte contestado o recebimento dos valores correspondentes à infração a qual lhe foi imputada. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 14041.000489/200811 Acórdão n.º 2401005.919 S2C4T1 Fl. 5 4 A recorrente limitase a fazer tal afirmação genérica, não acostando um documento sequer comprobatório de que houve retenção sobre os valores auferidos sem vínculo empregatício, seja a título de INSS, IRRF. Assim sendo, uma vez que a contribuinte simplesmente repisas as alegações da defesa inaugural, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotálos como razões de decidir, por muito bem analisar as alegações suscitadas pela autuada, in verbis: Da consulta às bases de dados da Receita Federal do Brasil, não há DIRF da fonte pagadora KLY Comunicação Ltda, dando conta de qualquer retenção ou dedução havida, ou mesmo antecipação de imposto. Acerca dessa questão da responsabilidade, a legislação tributária é bastante clara, senão vejamos: Parecer Normativo d 01 de 24/09/2002 (destaques acrescidos). Responsabilidade tributária na hipótese de nãoretenção do imposto 12. Conto o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tãosomente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13. Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. Nesse sentido, dispõe o art. 722 do R1R11999, verbis: Art. 722. A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 103). , 13.1. Nesse caso, a fonte pagadora deve arcar com o ônus do imposto, reajustando a base de cálculo, conforme determina o art. 725 do RIR/1999, a seguir transcrito. "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se Fl. 139DF CARF MF Processo nº 14041.000489/200811 Acórdão n.º 2401005.919 S2C4T1 Fl. 6 5 referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n°. 4.154, de 1962, art. 5°. e Lei n°. 8.981, de 1995, art. 63, § 2")." 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. Da exegese dos dispositivos acima, depreendese que, na , hipótese de não constatação de retenção até a data prevista para a declaração de ajuste anual, o contribuinte passa a ser o destinatário da exigência. De fato, houvesse comprovado a retenção, mediante documentação hábil e idônea, a responsabilidade pelo recolhimento recairia sobre a fonte pagadora, segundo o mesmo diploma legal acima mencionado. Em outras palavras, teria direito à dedução, contudo, não houve o competente ateste desse acontecimento pela impugnante (comprovante de rendimentos, recibos, DARFs, etc). Assim, mantémse a infração apurada. Ademais, quanto ao cálculo procedido pela Fiscalização, quando da apuração do imposto (fls. 06/09), verificase que foram levados em consideração, de forma correta, os valores informados nas DIRPFs 2004, 2005 e 2006 (fls. 20/28). (grifo original) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico nos julgamentos, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 12, determinando que: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Mais uma vez, repiso, a contribuinte nada se esforça ou argumenta sobre a infração que lhe foi imputada, apenas demonstrando descontentamento com a legislação e mencionando entendimento sobre o rendimento retido na fonte, ou seja, em relação aos valores recebidos da pessoa jurídica não foram apresentados esclarecimentos convincentes e muito menos documentos hábeis e idôneos a demonstrar a improcedência da omissão. Diante do exposto, especialmente dos grifos na transcrição, mantémse a imputação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 14041.000489/200811 Acórdão n.º 2401005.919 S2C4T1 Fl. 7 6 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917001/2011-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/07/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
Conforme Art. 16 do Decreto 70.235/72 e Art. 69 do CTN o ônus é do contribuinte para comprovar direito creditório.
FATURAMENTO. STF. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO.
Receitas financeiras não podem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sob o regime cumulativo.
Numero da decisão: 3201-005.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13888-916991/2011-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Conforme Art. 16 do Decreto 70.235/72 e Art. 69 do CTN o ônus é do contribuinte para comprovar direito creditório. FATURAMENTO. STF. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. Receitas financeiras não podem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sob o regime cumulativo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13888-916991/2011-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 70 01 /2 01 1- 60 Fl. 578DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.711 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.917001/2011-60 Relatório Cuida-se de julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018. Dessa forma, adoto os seguintes excertos do relatório constante do Acórdão nº 3201-005699, proferido no âmbito do processo paradigma deste julgamento. Trata-se de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP, que indeferiu a Manifestação de Inconformidade e manteve o Pedido de Restituição indeferido, nos mesmos moldes do Despacho Decisório de folhas. Transcreve-se o relatório do Acórdão de primeira instância: "Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep (...) A DRF de Piracicaba (SP), por meio do despacho decisório (...), indeferiu a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade (...) na qual explicou que o indébito decorre da incidência da contribuição sobre receitas financeiras e outras receitas, julgada inconstitucional pelo STF no RE 346.084. Alegou que o Conselho de Contribuintes já se pronunciou, em diversas oportunidades, pela extensão da decisão do STF a todos os contribuintes, transcrevendo ementas. Assim, requereu o deferimento de seu pedido de restituição." Este Acórdão teve a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Em julgamento proferido anteriormente, essa Turma de julgamento votou pela diligência, que foi cumprida conforme o determinado. A fiscalização juntou seu relatório fiscal sobre a diligência. É o relatório. Fl. 579DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.711 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.917001/2011-60 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza - Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3201-005699, paradigma desta decisão: Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. Por conter os requisitos legais e substanciais necessários, o Recurso Voluntário deve ser conhecido. Após conversão do julgamento em diligência a conclusão da fiscalização foi a seguinte: Portanto, entendendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), pela manutenção do pleito, ou seja, pela exclusão das Receitas Financeiras/Outras Receitas da apuração do PIS(...) Ou seja, de fato as receitas financeiras foram identificadas e não podem ser incluídas na base de cálculo do Pis e Cofins no regime cumulativo, pois dentro do conceito obrigatório de “Faturamento” determinado pelo STF no julgamento do RE 346.084, em repercussão geral. Ainda que por meio de diligência e da busca da verdade material, conforme Art. 16 do Decreto 70.235/72 e Art. 69 do CTN o contribuinte cumpriu com seu ônus de comprovar direito creditório. No mesmo sentido essa turma já se manifestou sobre o tema: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Conforme Art. 16 do Decreto 70.235/72 e Art. 69 do CTN, o ônus da prova do direito creditório é do contribuinte. FATURAMENTO. CONCEITO. STF. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. As receitas financeiras não podem ser incluídas na base de cálculo do Pis e Cofins no regime cumulativo, conforme determinado no obrigatório (Art. 62, Ricarf) conceito de “Faturamento”, em razão do julgamento do RE 346.084 no STF, em repercussão geral. 13888.914725/2011-51. Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator Fl. 580DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.711 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.917001/2011-60 Desse modo, o contribuinte deve ter seu crédito reconhecido no limite do crédito pleiteado. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.921469/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
O STF fixou a tese: O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS, no RE n° 574.706 (DJ 02/10/2017), em repercussão geral. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma.
STJ, RESP Nº 1144469/PR. RECURSO REPETITIVO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO.
Em 13/03/2017 transitou em julgado o REsp nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática de recursos repetitivos, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações. Com base no RE n° 574.706, o STJ realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, julgado como recurso repetitivo. Precedentes: AgInt no REsp nº 1.355.713, AgInt no AgRg no AgRg no Ag, em RESp 430.921 - SP e EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC.
Recurso Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3301-006.829
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições devendo a Unidade de Origem apurar o valor do crédito, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Salvador Cândido Brandão Junior e Winderley Morais Pereira, que votaram por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10980.910736/2012-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. O STF fixou a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”, no RE n° 574.706 (DJ 02/10/2017), em repercussão geral. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. STJ, RESP Nº 1144469/PR. RECURSO REPETITIVO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. Em 13/03/2017 transitou em julgado o REsp nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática de recursos repetitivos, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações”. Com base no RE n° 574.706, o STJ realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, julgado como recurso repetitivo. Precedentes: AgInt no REsp nº 1.355.713, AgInt no AgRg no AgRg no Ag, em RESp 430.921 - SP e EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC. Recurso Parcialmente Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições devendo a Unidade de Origem apurar o valor do crédito, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Salvador Cândido Brandão Junior e Winderley Morais Pereira, que votaram por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10980.910736/2012-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 14 69 /2 01 2- 93 Fl. 67DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.829 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921469/2012-93 Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17/4/18. Dessa forma, adoto os seguintes excertos do relatório constante do Acórdão nº 3301-006.729, proferido no âmbito do processo n° 10980.910736/2012-05, paradigma deste julgamento: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento do pedido de restituição constante do Per/Dcomp, nos termos do despacho decisório emitido pela DRF Curitiba/PR. . No aludido Per/Dcomp, a contribuinte pleiteou a restituição, que corresponde a uma parte do pagamento de PIS, sob o código 2172. Segundo o despacho decisório, a restituição foi indeferida porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontrava-se totalmente alocado ao débito de PIS(2172) do período de apuração correspondente. Na manifestação apresentada, a contribuinte, após relatar os fatos e discorrer sobre a legislação, diz que não há autorização para incluir na base de cálculo do PIS e da Cofins “o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento.” Afirma que o ICMS não é receita da empresa e pede o reconhecimento do direito à restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 RESTITUIÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. Comprovado nos autos que o crédito pleiteado foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de débitos de sua responsabilidade, indefere-se o pedido de restituição. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.829 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921469/2012-93 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Das razões recursais Tendo que o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, ao presente recurso aplica-se o decidido no Acórdão nº 3301-006.729, paradigma ao qual está vinculado. : Ressalte-se, por pertinente, que a decisão do paradigma foi contrária ou meu entendimento pessoal quanto à matéria em litígio. Porém, ao presente processo deve ser aplicado o entendimento que prevaleceu no colegiado, nos termos do voto vencedor do acórdão paradigma, a seguir transcrito: “No Recurso Extraordinário n° 574.706-PR, discutiu-se o conceito jurídico-constitucional de faturamento ou receita, base de cálculo das contribuições, nos termos do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 20/1998. O texto constitucional, em sua redação originária, estabelecia a incidência das contribuições sobre “o faturamento”. Após a EC nº 20/98, a incidência se dá sobre “a receita ou o faturamento”. Em apertada síntese, as alegações voltaram-se à existência de direito líquido e certo de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, uma vez que faturamento seria o somatório da receita obtida com a venda de mercadorias ou a prestação de serviços, não se podendo admitir a abrangência de outras parcelas que escapam a essa estrutura e, o ICMS não representaria patrimônio/riqueza da empresa (princípio da capacidade contributiva), mas sim ônus fiscal ao qual as empresas estão sujeitas. O STF reconheceu a repercussão geral da matéria em 16/05/2008. Concluído o julgamento, foi dado provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da Relatora Ministra Cármen Lúcia, proferido na Sessão de 9 de março de 2017. O acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02/10/2017. Assim, o STF fixou a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS”. Restou a ementa assim redigida: Fl. 69DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.829 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921469/2012-93 RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. O voto da Relatora Ministra Cármen Lúcia foi acompanhado pelos Ministros Marco Aurélio, Rosa Weber, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Foram vencidos os Ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, os quais votaram pela constitucionalidade da exação, mantendo o ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. O voto condutor da Ministra Cármen Lúcia adotou o entendimento do STF, expresso nos RE n° 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, no sentido de que faturamento é “receita bruta de vendas e de serviços.” Como precedente da tese fixada no acordão em comento, cita a Relatora também o Recurso Extraordinário n° 240.785, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, no qual o STF fixou a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS: TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. (RE 240785, Relator Ministro MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJe 16.12.2014) Ao interpretar o RE n° 240.785, a Ministra apontou que: a- tributos não devem integrar a base de cálculo de outros tributos e b- a base de cálculo Fl. 70DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.829 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921469/2012-93 da Cofins, constitucionalmente prevista, não comporta a inclusão de receita de terceiros, como é o caso do ICMS, de competência dos Estados. Assim, o ICMS não constitui receita do contribuinte, ainda que contabilmente seja escriturado, pois tem como destinatário fiscal a Fazenda Pública Estadual, para a qual será transferido. Ressalte-se que na decisão não houve modulação de efeitos. O requerimento de modulação feito pela PGFN, na tribuna, foi no sentido de que a decisão somente surta efeitos a partir de janeiro de 2018. Entretanto, como consignou a Relatora Ministra Cármen Lúcia, nos autos nada constava sobre a modulação, já que a empresa obteve provimento em primeira instância, perdeu em segunda instância e, no seu recurso extraordinário, logrou-se vencedora. Todavia, entenderam os Ministros que a modulação poderia ser suscitada por embargos de declaração. Posteriormente, foram interpostos os embargos de declaração pela Fazenda Nacional, em 19/10/2017, apontando a existência de contradição, obscuridade, erro material e omissão e, pleiteando efeitos infringentes. A PGFN requereu a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ademais, reitera o pedido de sobrestamento de todos os processos pendentes sobre a matéria, até o trânsito em julgado. Até a data do julgamento deste processo administrativo, não houve qualquer manifestação do STF quanto à modulação. Segundo o art. 14 do Novo CPC/15, a norma processual se aplica imediatamente aos processos em curso: Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada. Dispõe também o Novo CPC/15 que os recursos não suspendem a eficácia das decisões, tampouco a propositura de Embargos de Declaração: Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. Fl. 71DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.829 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921469/2012-93 Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. § 1 o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Diante das prescrições do novo CPC, os tribunais judiciais têm aplicado imediatamente o entendimento do STF: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543-B DO CPC/1973. RE 574.796/PR. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS. APELAÇÃO PROVIDA. 1. Instado o incidente de retratação em face do v. acórdão recorrido, em observância ao entendimento consolidado pelo C. Supremo Tribunal Federal no julgamento do mérito do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida RE n° 574.796/PR. 2. O Plenário do E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.796/PR, publicado em 02.10.2017, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, firmou entendimento no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". 3. Efetuado o juízo de retratação, nos termos do artigo 543-B, § 3º, do CPC/1973, para dar provimento à apelação da impetrante. (TRF 3, Apel. 0020471-95.1993.4.03.6100, DJ 21/12/2017) CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LITISPENDÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SENTENÇA ANULADA. JULGAMENTO DO MÉRITO. ART. 1013, § 3º, DO NCPC. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO INDEVIDA. REPERCUSSÃO GERAL. STF. (1). 1. Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada, existindo entre elas identidade de partes, causa de pedir e pedido. Não identificada a tríplice identidade, porque diferentes os pedidos, a litispendência não pode ser invocada como justa causa para extinção do feito sem resolução do mérito. 2. Anulada a sentença e encontrando-se a relação processual devidamente formada, inexistindo necessidade de produção de outras provas e não vislumbrando qualquer prejuízo ou cerceamento de defesa de qualquer das partes, é possível a apreciação do mérito, nesta instância recursal, nos termos do disposto no art. 1013, § 3º, do CPC/2015. 3. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário 574.706 pela sistemática da repercussão geral, firmou a tese de "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS". (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 15/03/2017). 4. Especificamente em relação à Lei 12.973/2014 se encontra consolidado o entendimento no sentido de a ampliação do conceito do faturamento não alterou o conceito de base de cálculo sobre a qual incide o PIS e a COFINS, tanto mais diante da consolidada a jurisprudência da Suprema Corte, a quem cabe o exame definitivo da matéria constitucional, no sentido da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedentes. 5. Apelação provida, para anular a sentença e, prosseguindo no julgamento, nos termos do art. 1013, § 3º, do CPC/2015, julgar procedente o pedido. (TRF 1, Apel. 0011389-06.2017.4.01.3400/DF, DJ 01/12/2017). Fl. 72DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.829 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921469/2012-93 Quanto à aplicação dessa decisão em sede de processo administrativo, dispõe o § 2º, do art. 62 do RICARF, o seguinte: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) A aplicação do RE n° 574.706 – RG nos processos administrativos, enquanto não houver o trânsito em julgado, é questão muito debatida. Isso porque dispõe o § 2º, do art. 62 do RICARF, o seguinte: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Nos termos do art. 62, caput do RICARF, é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Tal vedação é também prescrita pela Súmula n° 2 do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. O CARF vem negando a aplicação da decisão do RE n° 574.706, socorrendo-se da aplicação do REsp n° 1.144.469/PR, o qual já está transitado em julgado. Todavia, não me parece o melhor fundamento, porquanto o STJ realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, julgado em recurso repetitivo. Confira-se: AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.355.713 – SC, DJ 24/08/2017: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. ICMS. INTEGRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II – O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 674.706/PR, em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria em exame, concluiu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao Fl. 73DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.829 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921469/2012-93 patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. III – Esta Corte realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS. IV – A Agravante não apresenta argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. V – Agravo Interno improvido. Consta no voto da Ministra Regina Helena Costa: Entretanto, possui razão a Agravada, acerca da não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria em exame, concluiu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Na esteira de entendimento do Supremo Tribunal Federal, esta Corte realinhou o posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS. O STJ, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, AgInt no AgRg no AgRg no Ag, em RESp 430.921 – SP, DJ 07/11/2017: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado nos moldes do art. 543-C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. E ainda, o AgInt nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC, DJ 24/08/2017: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. O ICMS INTEGRA A BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. MANUTENÇÃO DAS SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. RESP 1.144.469/PR, REL. MIN. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, REL. P/ ACÓRDÃO O MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJE 2.12.2016, JULGADO SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR) EM SENTIDO CONTRÁRIO. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA PROVIDO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO AGRAVO. 1. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu posicionamento anterior, ao julgar o Recurso Especial Repetitivo 1.144.469/PR, em que este Relator ficou vencido quanto à matéria, ocasião em que a 1a. Seção entendeu pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS (Rel. p/acórdão o Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 2.12.2016, julgado Fl. 74DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.829 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921469/2012-93 nos moldes do art. 543-C do CPC). 2. Contudo, na sessão do dia 15.3.2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, julgando o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora a Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da seguridade social. 3. O REsp. 1.144.469/PR tratou, ainda, da incidência do ICMS no PIS/COFINS repassados a terceiro, verifica-se que neste ponto não há divergência quanto à matéria (item 12 da ementa - REsp. 1.144.469/PR, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, 1a. Seção, DJe 2.12.2016). Assim, não assiste razão à parte agravante quanto a este ponto. 4. Agravo Interno da empresa provido para dar parcial provimento ao Agravo e reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS/COFINS. (AgInt nos EDcl nos EDcl no AgRg no Ag 1063262/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 19/04/2017). Ademais, o art. 927, III c/c art. 928, II do CPC/15 prescrevem que os juízes e os tribunais obrigatoriamente observarão o julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos. Com isso, a não aplicação da decisão judicial “repetitiva” (com teor de precedente) no processo administrativo viola o monopólio da última palavra pelo STF, em matéria de interpretação constitucional. Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, tal situação se coaduna com a prescrição do RICARF que exige a condição de “decisão definitiva de mérito” para ser aplicada obrigatoriamente pelos Conselheiros. Inclusive, recentemente, o STJ se manifestou no sentido da obrigatoriedade da aplicação do decisum, independentemente do trânsito em julgado (AgInt no Agravo em Recurso Especial nº 282.685 – CE, DJ 27/02/2018): TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgR-ED-ED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RS-AgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 75DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.829 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921469/2012-93 Em suma, entendo que a aplicação do RE n° 574.706 é obrigatória. Ressalte-se que não fora exigido do contribuinte a comprovação na sua escrituração contábil do direito creditório alegado, restringindo- se o Despacho Decisório à matéria de direito. Por conseguinte, cabe ao contribuinte comportar à unidade de origem a liquidez e certeza do direito creditório defendido.” Conclusão Do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário.” Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, devendo a Unidade de Origem apurar o valor do crédito. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.910152/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÃO DE IMPOSTO NA FONTE.
Para que o imposto retido na fonte componha o saldo negativo de IRPJ do período é necessário, além da prova da retenção, que a receita respectiva tenha sido incluída na apuração do resultado do período.
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. AUTENTICAÇÃO. NÃO EXIGÊNCIA.
A legislação que estabelece o comprovante de retenção como exigência para deduzir o imposto retido na fonte não prevê, como condição de validade do documento, qualquer forma de autenticação.
SALDO NEGATIVO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. RETENÇÃO NA FONTE. BENEFICIÁRIO DA RECEITA. COMPETÊNCIA.
Não pode compor o saldo negativo de IRPJ o imposto retido na fonte quando não haja prova de que a receita respectiva foi paga ao contribuinte, nem quando a retenção tenha sido feita em ano anterior.
Numero da decisão: 1301-004.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer crédito adicional, no valor original de R$ 5.509,27.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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RETENÇÃO DE IMPOSTO NA FONTE. Para que o imposto retido na fonte componha o saldo negativo de IRPJ do período é necessário, além da prova da retenção, que a receita respectiva tenha sido incluída na apuração do resultado do período. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. AUTENTICAÇÃO. NÃO EXIGÊNCIA. A legislação que estabelece o comprovante de retenção como exigência para deduzir o imposto retido na fonte não prevê, como condição de validade do documento, qualquer forma de autenticação. SALDO NEGATIVO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. RETENÇÃO NA FONTE. BENEFICIÁRIO DA RECEITA. COMPETÊNCIA. Não pode compor o saldo negativo de IRPJ o imposto retido na fonte quando não haja prova de que a receita respectiva foi paga ao contribuinte, nem quando a retenção tenha sido feita em ano anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer crédito adicional, no valor original de R$ 5.509,27. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Silva Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 91 01 52 /2 00 6- 06 Fl. 1139DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.207 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.910152/2006-06 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Trata-se de recurso interposto por TECHNOS RELÓGIOS S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra os Acórdãos 01-15.529 e 01-16.422, ambos da 1ª Turma da DRJ – Belém (BEL). Os fatos podem ser assim resumidos. A recorrente apresentou a declaração de compensação (DCOMP) nº 31762.10923.300503.1.3.02-5109, a que se seguiram várias outras, cada qual utilizando parcela do mesmo crédito, o saldo negativo de IRPJ do ano base 2002, no valor de R$ 1.141.206,23. Posteriormente, a DCOMP inicial foi retificada pela de nº 11723.07706.250906.1.7.02-4270, que reduziu o valor do saldo negativo para R$ 1.140.659,59. A DRF – Manaus declarou homologada, por decurso de prazo, parte das compensações declaradas. As demais, entretanto, não foram homologadas ao argumento de que a contribuinte deixara de comprovar da existência do direito creditório. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi parcialmente acolhida pela DRJ – Belém, no Acórdão nº 01-15.529, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO IRPJ. IRRF JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. IRRF APLICAÇÕES RENDA FIXA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS EM PARTE. Sendo constantes de DIRF, em parte, as retenções na fonte de juros sobre capital próprio e aplicações de renda fixa, restou caracterizada a existência parcial do saldo negativo pleiteado. Em função do direito creditório reconhecido, as compensações foram homologadas em parte. SALDO NEGATIVO IRPJ. DOCUMENTOS APRESENTADOS EM CÓPIA SIMPLES. No caso de inexistência de DIRF, a apresentação de cópia simples não é prova cabal do rendimento percebido e respectiva retenção na fonte. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 1140DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.207 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.910152/2006-06 A DRJ, examinando as declarações de Imposto de Renda na fonte (DIRF), confirmou a existência de parte do saldo negativo pleiteado, e, com fulcro nessa confirmação, reconheceu em favor da contribuinte o crédito de R$ 1.001.417,77. As retenções que não se achavam corroboradas por informações em DIRF não foram aceitas, já que o órgão julgador entendeu que, nesse caso, os informes de rendimento deveriam estar autenticados, já que “cópias simples não podem servir de prova inequívoca em relação aos comprovantes apresentados sem a existência de DIRF. Tais documentos somente poderiam substituir a DIRF caso estivessem autenticados”. (fl. 703) O órgão julgador não só reconheceu o direito creditório, mas foi além, procedendo às compensações para, ao final, concluir que elas estavam homologadas, exceto a da DCOMP nº 18284.25592.050105.1.3.02-0900, na qual remanesceu um saldo devedor de R$ 110.907,15 (parte do débito de R$ 124.668,25) de Imposto de Renda retido na fonte (código 5706) do período de apuração 01/01/2005. Irresignada, a recorrente se insurgiu contra o acórdão. Em primeiro lugar, contestou a afirmação de que fosse indispensável, para suprir a ausência de DIRF, a entrega de cópias autenticadas dos comprovantes de rendimento e retenção na fonte, porquanto tal entendimento implicaria atribuir ao contribuinte o ônus de fiscalizar o cumprimento de obrigações tributárias por terceiros e de juntar aos autos documentos fiscais por eles emitidos. Disse que sua responsabilidade de comprovar a retenção do imposto na fonte foi cumprida ao apresentar as cópias dos informes de rendimento e de retenção na fonte, informação essa que se encontra discriminada em sua DIPJ. Aduziu que o Fisco tem acesso, mediante consulta a seu banco de dados, às informações referentes às DIRF das empresas pagadoras dos rendimentos. Ademais, a diferença glosada na decisão da DRJ se compõe basicamente de três valores, todos relativos a juros sobre capital próprio, a saber, R$ 41.970,59; R$ 38.136,22 e R$ 36.649,50. Os valores de R$ 41.970,59 e R$ 38.136,22 teriam sido creditados em duas parcelas, a primeira metade em 11/12/2001 e a outra em 30/04/2002. Os valores estariam consignados na DIRF do ano base 2001, à qual o Fisco tem acesso, podendo, dessa forma, analisar as retenções que dão respaldo ao direito creditório. Quanto ao valor retido de R$ 36.649,50, esclareceu a recorrente que ele se refere a ações que ela detinha, mas que estavam “emprestadas”, operação comum no mercado de ações. Como as ações estavam “emprestadas” à CBLC, quando se deu o pagamento de juros sobre capital próprio, os valores, antes de serem entregues à recorrente, transitaram pela CBLC, razão pela qual não há informações em DIRF. A receita aparece inicialmente vinculada à CBLC. Lembrou que, no processo administrativo fiscal, orientado pelos princípios da oficialidade e da verdade material, não podem ser desconsiderados documentos fiscais idôneos de empresas renomadas, pelo simples fato de serem cópias não autenticadas. Por fim, ressaltou que a ficha 43 da DIPJ do ano base 2002 apresenta informações referentes às retenções de imposto na fonte incidente sobre valores recebidos a título de aplicações financeiras de renda fixa, juros sobre capital próprio e operações de swap. Com esses fundamentos, pediu que fosse acolhido o recurso. Depois de interposto o recurso ao CARF, o órgão julgador de primeira instância se viu premido pela necessidade de retificar a decisão a fim de alterar o débito que remanesceu à Fl. 1141DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.207 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.910152/2006-06 compensação. É que a unidade local constatara que a compensação realizada pela DRJ não tinha respeitado a ordem de imputação que havia de ser seguida; além do que, alguns débitos não foram incluídos na compensação. Foi proferido novo acórdão, o qual se acha resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO IRPJ. IRRF JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. IRRF APLICAÇÕES RENDA FIXA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. COMPENSAÇÕES HOMOLOGADAS EM PARTE. Sendo constantes de DIRF, em parte, as retenções na fonte de juros sobre capital próprio e aplicações de renda fixa, restou caracterizada a existência parcial do saldo negativo pleiteado. Em função do direito creditório reconhecido, as compensações foram homologadas em parte. INEXATIDÕES MATERIAIS. RETIFICAÇÃO. A legislação de regência ampara a retificação do acórdão proferido no caso de inexatidões materiais, as quais resultaram em equívoco na ordem dos débitos para fins de compensação, bem como a ausência de inclusão de débito declarado na simulação da compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A recorrente, intimada da nova decisão, interpôs recurso, afirmando ter sofrido prejuízo. Disse ela: Ocorre que, mesmo tendo reconhecido o mesmo direito creditório no montante de R$ 1.001.417,77, o novo acórdão proferido considerou como não homologadas as DCOMP’s listadas de 0048 a 0056, as quais, no decisum anterior, já tinham sido declaradas como homologadas, trazendo, agora, prejuízo à Recorrente neste particular. Frise-se que no acórdão originariamente proferido, de n° 01-15.529-1, apenas não foi considerada homologada totalmente a DCOMP 18284.25592.050105.1.3.02- 0900, restando saldo devedor de R$ 110.907,15. Neste novo acórdão, que mantém também as razões do acórdão n° 01-15.529-1, nas DCOMP’s listadas de 0048 a 0056, consideradas, agora, como não homologadas, são as de 40908.70886.090904.1.3.02-2478, 42812.61033.150904.1.3.02-7075, 40898.57747.061004.1.3.02-7430, 33971.51723.151004.1.3.02-5000, 02688.95058.041104.1.3.02-6802, 41023.80952.111104.1.3.02-8830, 22471.08984.081204.1.3.02-0450, 23113.93333.151204.1.3.02-5058, 18284.25592.050105.1.3.02-0900. (fl. 1104) Quanto ao mais, reproduziu os argumentos já expostos no primeiro recurso, pugnando, ao final, pela reforma dos acórdãos recorridos. É o relatório. Fl. 1142DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-004.207 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.910152/2006-06 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. No presente processo, duas são as decisões da DRJ. Na primeira foi examinada a questão controversa envolvendo a existência do direito creditório. Naquela ocasião, foi reconhecido como crédito em favor da recorrente um montante próximo a 90% do crédito originalmente pleiteado. O órgão julgador poderia ter parado nesse ponto, mas resolveu ir além e, avocando para si uma atribuição que seria da unidade de origem, implementou a compensação. Ao fazê-lo, entretanto, cometeu dois equívocos. Errou na ordem de imputação e errou ao deixar de considerar alguns débitos. A unidade de origem, a DRF – Manaus, percebendo o problema, devolveu o processo à DRJ, que corrigiu o erro, prolatando nova decisão, que ratificou o direito creditório já reconhecido, mas modificou o resultado da compensação na medida em que foram incluídos no procedimento débitos que haviam ficado fora da primeira simulação. A recorrente, ao se manifestar sobre o segundo acórdão, alegou prejuízo. Tal alegação, entretanto, não tem fundamento. Primeiro, porque não houve alteração do direito creditório, que era R$ 1.001.417,77 no primeiro acórdão e permaneceu o mesmo no segundo. Depois, porque a primeira simulação deixou de computar débitos, que não poderiam ser considerados extintos em razão de erro claro na execução da compensação, o que implicaria enriquecimento sem causa da recorrente. Portanto, não procede a alegação de prejuízo, já que o segundo acórdão veio impedir uma vantagem indevida. No mérito, tem razão a recorrente quando diz que não lhe cabia fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias por outras pessoas jurídicas. Correta igualmente é a afirmação de que inexistia exigência de autenticar o comprovante de retenção para aproveitar o imposto retido na fonte. A simples falta de autenticação dos informes não autoriza a exclusão dos valores utilizados para compor o saldo negativo, porque a lei não prevê tal requisito. De acordo o art. 55 da Lei nº 7.450/1985, para a dedução do imposto retido na fonte, exige-se apenas o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte. Confira-se: Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Quanto às retenções de R$ 41.970,59 e R$ 38.136,22, que a recorrente alegou se referirem ao IRPJ descontado dos pagamentos de juros sobre capital próprio (JCP), cabe ressaltar que, de acordo com os “demonstrativos de proventos pagos”, emitidos pelo Banco Bradesco (fls. 587 e 591), os pagamentos das receitas, bem como as respectivas retenções foram feitos em 10 de dezembro de 2001. Portanto, em ano anterior ao período examinado. Certamente essa circunstância é que explica não se acharem tais valores consignados na DIRF de 2002. Fl. 1143DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-004.207 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.910152/2006-06 A retenção na fonte, no caso de JCP, ocorre quando se dá o pagamento ou o crédito da respectiva receita, momento em que deve o contribuinte registrar o valor retido para fins de composição do saldo negativo. No caso em exame, os valores aludidos acima, por terem sido retidos em 2001, presume-se que tenham sido computados na apuração do IRPJ a pagar ou no saldo negativo do ano base 2001. Sendo assim, não podem compor o saldo negativo em 2002. Observe-se que a não inclusão dessas retenções na DIRF de 2002 é forte indício de que já tenham sido computados na DIRF do ano anterior. A recorrente, ademais, não trouxe prova em contrário. Portanto, conclui-se que está correta a decisão recorrida ao deixar de computar tais valores no saldo negativo. No que concerne ao valor de R$ 36.649,50, a recorrente alegou tratar-se retenção de imposto incidente na fonte sobre JCP relativo a ações emprestadas. Não trouxe, entretanto, o respectivo instrumento contratual para que se pudesse saber em que bases foi celebrado o contrato de empréstimo de ações. A recorrente afirmou que, em razão do empréstimo, as receitas de JCP foram entregues à empresa que estava em poder das ações para, num segundo momento, serem transferidas à recorrente. Esse fato, segundo especula o recurso, seria a razão da inexistência de DIRF. A ausência de documentos comprovando o alegado contrato de empréstimo de ações impede que se saiba, ao certo, quem era o verdadeiro titular da receita de JCP e, assim, que se determine quem deveria oferecer às receitas à tributação e quem poderia aproveitar o imposto retido. Finalmente, quanto ao valor de R$ 16.990,45, não se encontra nos autos o respectivo comprovante de retenção. A decisão recorrida entendeu que, daquele valor, havia sido comprovado R$ 14,21. Por conseguinte, deve ser mantida a glosa da diferença, ou seja, R$ 16.976,24. Em suma, do saldo negativo do ano 2002, devem ser mantidas as glosas dos valores de R$ 41.970,59; R$ 38.136,22; R$ 36.649,50; e R$ 16.976,24, como fez a autoridade fiscal. As demais glosas devem ser restabelecidas para compor o saldo negativo do período, conforme demonstrado no quadro abaixo. GLOSA MANTIDA 41.970,59 GLOSA MANTIDA 38.136,22 GLOSA MANTIDA 36.649,50 GLOSA MANTIDA 16.976,24 TOTAL DA GLOSA MANTIDA 133.732,55 GLOSA MANTIDA NO ACÓRDÃO RECORRIDO 139.241,82 TOTAL DA GLOSA MANTIDA NESTA DECISÃO 133.732,55 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE RESTABELECIDO 5.509,27 Fl. 1144DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-004.207 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.910152/2006-06 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito dar-lhe parcial provimento, reconhecendo, ao lado do montante já admitido pela DRJ, o crédito de saldo negativo no valor de R$ 5.509,27. (documento assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720005/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Serão negados de forma justificada os pedidos de diligência e perícia considerados prescindíveis ou impraticáveis. Cerceamento de defesa inexistente.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. POSSE. CELEBRAÇÃO DE TAC JUNTO AO ÓRGÃO AMBIENTAL. NECESSIDADE
Para fins de desoneração do ITR relativo à área declarada como Reserva Legal atinente a imóvel sem título registrado no Cartório de Imóveis (posse) é necessária à celebração de Termo de Ajustamento de Conduta pelo possuidor junto ao órgão ambiental competente.
ITR. REVISÃO DO VALOR CONSIDERADO PELA FISCALIZAÇÃO. VTN. SIPT.
Se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, não podendo ser utilizado para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO. CARACTERIZAÇÃO
A obrigatoriedade da aplicação da multa de ofício decorre de lei.
Numero da decisão: 2401-007.025
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Serão negados de forma justificada os pedidos de diligência e perícia considerados prescindíveis ou impraticáveis. Cerceamento de defesa inexistente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. POSSE. CELEBRAÇÃO DE TAC JUNTO AO ÓRGÃO AMBIENTAL. NECESSIDADE Para fins de desoneração do ITR relativo à área declarada como Reserva Legal atinente a imóvel sem título registrado no Cartório de Imóveis (posse) é necessária à celebração de Termo de Ajustamento de Conduta pelo possuidor junto ao órgão ambiental competente. ITR. REVISÃO DO VALOR CONSIDERADO PELA FISCALIZAÇÃO. VTN. SIPT. Se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, não podendo ser utilizado para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. CARACTERIZAÇÃO A obrigatoriedade da aplicação da multa de ofício decorre de lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 00 05 /2 00 8- 64 Fl. 256DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-007.025 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.720005/2008-64 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou integralmente procedente o lançamento tributário, conforme ementa do Acórdão exarado nos autos. O presente processo trata de Notificação de Lançamento lavrado contra a contribuinte, para cobrança de Imposto Territorial rural relativo, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Luzia e Pouco Tempo”, com área declarada de 16.940,5 ha, NIRF 1.165.299-3, localizado no Município de Cocos-BA. De acordo com a Descrição Dos Fatos e Enquadramento Legal o Termo de Intimação Fiscal foi recepcionado pelo contribuinte, tendo o mesmo sido intimado para apresentar: 1º) Cópia do Ato Declaratório Ambiental - ADA requerido junto ao IBAMA; 2º) Laudo Técnico emitido por profissional engenheiro agrônomo/florestal, com ART devidamente anotada no CREA, para comprovar a área de preservação permanente existente no imóvel, de que trata o art. 2º da Lei 4.771/65 (Código Florestal), identificando o imóvel rural através de memorial descritivo, de acordo com o art. 9º do Decreto 4.449/2002; 3º) Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei 4.771/65 (código florestal), acompanhado do ato do poder público que assim o declarou; 4º) Cópia da matrícula do registro imobiliário, com averbação da área de reserva legal, caso o imóvel possua matrícula ou cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da reserva legal, acompanhada de certidão do Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário; 5º) Ato específico do órgão ambiental competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como área de interesse ecológico, e 6º) Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no SIPT da RFB. Em atendimento ao termo de intimação, o contribuinte apresentou diversos documentos constantes nos autos. Fl. 257DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-007.025 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.720005/2008-64 Contudo, da análise dos documentos acostados, entendeu a fiscalização por glosar a área declarada de utilização limitada de 5.658,9 ha, uma vez que não foi apresentado Termo de Ajustamento de Consulta - TAC da reserva legal junto ao órgão ambiental competente, bem como arbitrar o Valor da Terra Nua – VTN, conforme valores constantes do SIPT, nos termos do art. 10, § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996, visto que o contribuinte se eximiu de comprovar por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, o valor da terra nua declarado. A contribuinte tomou ciência do lançamento e apresentou sua Impugnação aduzindo em suma que: 1. Demonstra a tempestividade da sua impugnação e faz um histórico dos fatos relacionados com a aquisição da propriedade, devidamente matriculada no competente Cartório de Registro (R1/ M 2.529), com a alienação parcial da área então adquirida, restando a área de 16.940,5 ha, informada no DIAT; 2. Diante do cancelamento do registro da área perante o CRI competente foi manejada uma Ação de Usucapião, cuja cópia já foi encartada ao presente processo, na qual se pede a declaração do domínio da área pelo uso contínuo, incontestado e ininterrupto, mansa e pacificamente, durante mais de 20 anos; 3. Tratando-se, portanto, de área de posse, não há registro em Cartório, impossibilitando a averbação da área declarada de reserva legal. No entanto, a lei não exclui ou isenta o posseiro do pagamento do ITR, bem como não o exclui das benesses advindas da preservação destas áreas e/ou do imposto quando estas existam; 4. A própria Constituição defende a preservação ambiental e para incentivar referida preservação instituiu a redução do imposto, sem condicioná-la a qualquer registro imobiliário em CRI. Este é o posicionamento de inúmeras decisões administrativas no sentido de que o que importa é a existência da área de reserva legal e não o seu registro; 5. A Instrução Normativa não pode impor condições para a exclusão da área de reserva legal sem que a lei tenha estabelecido, sob pena de “ferir o princípio constitucional da reserva de lei”; 6. O fato de não estarem averbadas em Cartório, justamente porque é área de posse, possui ADA constando a existência da referida área e, ainda, ante o fato de que o laudo do engenheiro atestar sua existência e preservação, não há motivo justificado para a glosa; 7. Para fins de arbitrado do VTN, com base no SIPT, o autuante não levou em consideração as condições da terra, a acidentalidade presente em quase todo seu perímetro e qualidade da mesma, sua localização e etc.; 8. Também não levou em consideração o preço da terra nua no ano do fato gerador o que certamente era muito inferior ao ora arbitrado; 9. Não é necessária a apresentação de quaisquer documentos comprobatórios com referência à declaração do VTN do imóvel por ocasião da apresentação da DITR; Fl. 258DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-007.025 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.720005/2008-64 10. A Lei também não impõe que se elaborem laudos anuais para dar respaldo aos valores declarados e, por via de consequência, não há vedação legal para que se utilize do procedimento administrativo para comprovar através de todas as provas admissíveis em direito (especialmente laudos oficiais); 11. Corroborando esse entendimento, destaca o disposto no art. 16, do Decreto nº 70.235/72, que trata da realização (pedido) de perícias técnicas; 12. A negativa da oportunidade de se produzir provas, inclusive na fase administrativa tributária, impõe o cerceamento de defesa do contribuinte, o que é vedado pelo nosso sistema jurídico, e por fim, requer: 1º) Seja restabelecida, para fins de exclusão de tributação, a área de utilização limitada/reserva legal de 5.658,9 ha, constante do ADA fornecido pelo IBAMA, levando-se em consideração as inúmeras decisões ora colacionadas no sentido da desnecessidade de averbação da referida área à margem da matrícula do imóvel, e 2º) Seja deferida a realização da perícia técnica a fim de se apurar o VTN do imóvel, no ano do fato gerador do imposto, indicando o nome, qualificação técnica e domicílio do perito assistente, bem como os quesitos a serem respondidos. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento de primeira instância, que, através do Acórdão da DRJ decidiu pela INTEGRAL PROCEDÊNCIA do lançamento, mantendo incólume o crédito tributário exigido. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão e interpôs RECURSO VOLUNTÁRIO, pugnando preliminarmente pela nulidade da autuação visto que o ônus da prova é da fiscalização e que a negativa da oportunidade de se produzir provas, inclusive na fase administrativa tributária, impõe o cerceamento de defesa do contribuinte, o que é vedado pelo nosso sistema jurídico, devendo ser concedido o pedido de perícia do imóvel para que se comprove o VTN à época do fato gerador bem como a existência da área de reserva legal. Quanto ao mérito, o contribuinte se insurge contra a cobrança aduzindo que: 1. É desnecessária a apresentação do TAC celebrado junto ao órgão ambiental competente para que seja reconhecida a isenção em relação a área de reserva legal; 2. Não há qualquer justificativa para o arbitramento do VTN pela fiscalização uma vez que foi apresentado Laudo de Avaliação Técnica pelo contribuinte, bem como foi solicitada a realização de perícia para comprovar o excesso do valor arbitrado a título de VTN pela fiscalização; 3. Ainda que sejam reconhecidas, por amor ao debate, as glosas feitas pela fiscalização, não poderia ser impingida multa ao contribuinte. É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-007.025 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.720005/2008-64 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 2401- 007.023, de 10 de outubro de 2019, proferido no julgamento do processo 10540.002374/2007- 91, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Portanto, transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 2401-007.023): Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de nulidade - Cerceamento do direito de defesa do contribuinte / Ônus da prova Preliminarmente, a Recorrente alega que o ônus da prova é da Fazenda Nacional, de modo que caberia a fiscalização comprovar os fatos que ensejaram a autuação e, ao contribuinte, caberia apenas refutar tais alegações com base em todos os meios de prova possíveis, em especial a prova pericial. De modo que, tendo a decisão de primeira instância negado o pedido de perícia formulado na impugnação, o contribuinte teve o seu direito a ampla defesa cerceado, o que supostamente ensejaria a nulidade da decisão de primeira instância. Contudo, no presente caso, em que pese o esforço argumentativo da ora recorrente, entendo que não houve qualquer limitação ao direito de defesa do contribuinte. A respeito da possibilidade de produção de provas por meio de perícia, há de se ressaltar que incumbe ao julgador avaliar a imprescindibilidade da realização da perícia ao deslinde da controvérsia submetida à sua apreciação. Ou seja, o interessado não tem direito subjetivo à diligência em questão, que pode ser simplesmente dispensada. Tem-se, portanto, que não há cerceamento de defesa nos casos em que a perícia é indeferida com base em decisão fundamentada da autoridade julgadora, demonstrando os motivos de sua não imprescindibilidade. Nota-se que a realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. No sentido inverso, estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários a adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de perícia. Nestes termos, não merece qualquer reparo a decisão administrativa de primeira instância que analisou pormenorizadamente a solicitação do pedido de perícia, tendo afastado de modo plenamente justificado a requisição do particular. Senão, vejamos: “A produção de prova pericial não pode ser utilizada para suprir a falta de apresentação do referido laudo técnico de avaliação, para comprovar o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2003, nem do referido Termo de Ajustamento de Conduta, de modo a comprovar a área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR/2003. Fl. 260DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-007.025 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.720005/2008-64 A realização de perícia somente se justifica quando o exame das provas apresentadas não possa ser realizado pelo julgador, em razão da complexidade e da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. Caso as provas constantes do processo, ainda que versem sobre matéria especializada, possam ser satisfatoriamente compreendidas, nada justifica a realização de perícia. Enfim, esse tipo de prova tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, principalmente quando a análise da prova apresentada demande conhecimento técnico especializado, fora do campo de conhecimento da autoridade julgadora.” Destaca-se ainda que, tratando-se de um lançamento de ofício de ITR, decorrente da revisão da declaração do contribuinte, cabe ao particular provar a autenticidade das informações declaradas a RFB por meio de sua DITR. De modo que, caso o contribuinte não comprove os dados utilizados em sua DITR, a autoridade fiscal poderá lançar crédito tributário suplementar com os elementos de prova que dispuser. Nesse sentido é expresso o artigo 47 do Decreto nº 4.382/2002 que regulamenta o ITR: Decreto nº 4.382/2002 Art. 47. A DITR está sujeita a revisão pela Secretaria da Receita Federal, que, se for o caso, pode exigir do sujeito passivo a apresentação dos comprovantes necessários à verificação da autenticidade das informações prestadas. § 1º A revisão é feita com elementos de que dispuser a Secretaria da Receita Federal, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados ao contribuinte ou por outros meios previstos na legislação. § 2º O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que tratam os arts. 50 e 51 (Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). Assim, como no presente caso o lançamento decorreu da glosa da área declarada de utilização limitada (reserva legal), bem como da não comprovação dos valores utilizados como VTN pelo contribuinte, caberia ao particular desconstituir o lançamento suplementar apresentando os documentos que a legislação temática exige para as duas situações descritas na autuação. Tendo a contribuinte se eximido de apresentar tais documentos, corretamente agiu a fiscalização ao lavrar o auto, assim como corretamente decidiu a DRJ/BSB ao afastar o pedido de perícia visto que, nos termos da legislação do ITR incumbe ao próprio contribuinte apresentar os documentos que comprovem os dados declarados sob pena de arbitramento no caso do valor do VTN, ou glosa da área declarada como reservar legal. Portanto, excluída qualquer nulidade quanto a inocorrência da ampla defesa do contribuinte na presente ação fiscal. Área de Reserva Legal Em seu Recurso a contribuinte se insurge contra a decisão de piso uma vez que, em sua visão, é desnecessária a apresentação de TAC para comprovar as isenções das áreas de reserva legal nos casos em que o contribuinte detenha apenas a posse do imóvel rural. No entanto, o estudo da legislação aplicável ao caso nos indica um entendimento diverso do que o apontado pelo contribuinte. Isso porque, tratando-se de área de posse, sem registro no Cartório Imobiliário, para que se comprove a existência da área de reserva legal passível de exclusão da tributação, a legislação exige que o contribuinte celebre Termo de Ajustamento de Conduta - TAC, com o órgão estadual ou federal competente. Fl. 261DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-007.025 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.720005/2008-64 Nota-se que o §10 do art. 16 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), vigente à época do fato gerador, determina que a área de reserva legal seja assegurada mediante Termo de Ajuste de Conduta, firmado com o órgão ambiental competente, nos seguintes termos. Lei nº 4.771/65 Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) Nesse mesmo sentido, para fins de desoneração do ITR, o Art. 12 § 2º do Decreto nº 4.382/2002 que regulamenta o ITR, determina que: Decreto nº 4.382/2002 Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindo-se apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001). (...) § 2º Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, § 10, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001, art. 1º). Assim, para comprovar seu direito a não tributação da área de reserva legal em área de posse, deveria a contribuinte ter apresentado o respectivo TAC, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação. Estando tal exigência prevista na legislação indicada anteriormente, não há como dispensar a contribuinte da apresentação do referido Termo de Ajustamento de Conduta visto a necessidade da observância dos estritos termos da legislação fiscal. Dessa forma, apesar de o Contribuinte ter comprovado o protocolo tempestivo do ADA no IBAMA, contemplando, além da área de preservação permanente de 3.388,1 ha (não glosada pela fiscalização), a área de utilização limitada/reserva legal em questão, o contribuinte se eximiu de comprovar a existência do Termo de Ajustamento de Conduta, firmado com o IBAMA/Órgão Ambiental Estadual como exige a legislação. Assim, a apresentação do TAC é condição necessária para fins de comprovação da área de reserva legal de imóveis sem registro no RGI. Desta forma, não comprovado nos autos que foi firmado, em tempo hábil, o TAC nos termos da legislação de regência, deve ser mantido a glosa relativa a área de reserva legal. Fl. 262DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-007.025 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.720005/2008-64 Do Valor da Terra Nua – VTN Conforme se destaca do Recurso Voluntário, a contribuinte se insurge contra a decisão de primeira instância argumentando que o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização, via sistema SIPT, é excessivo e não corresponde a realidade. Aduz a contribuinte que o VTN não poderia ser arbitrado pela Fiscalização uma vez que foi solicitada a realização de perícia para verificar in loco a real situação do imóvel rural, ademais a ora Recorrente questiona a utilização do SIPT para arbitramento do VTN. Do Arbitramento do Preço com base nas informações do Sistema de Preços de Terra da SRF (SIPT) Alega o Recorrente cerceamento do direito de defesa no arbitramento do preço de imóvel com base no o SIPT, pois o contribuinte não teve conhecimento dos parâmetros de avaliação que serviram de base para o arbitramento, e a notificação sequer informa a data de avaliação do imóvel, se foram respeitadas as características regionais do imóvel, a aptidão agrícola, suas dimensões, bem como se o preço arbitrado considerou a existência de litígios na área do imóvel. Cabe nesse ponto destacar que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal não cumpriu as exigências legais determinadas pela legislação de regência. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Com efeito, as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador, após prévia intimação. Assim sendo, se faz necessária uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se há legalidade da forma de cálculo que é utilizado, neste caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Dessa forma, necessário se faz a verificação de qual metodologia foi utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, se elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel ou o VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde está localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, conforme consta dos autos, foi calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare, constata-se que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 263DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-007.025 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.720005/2008-64 § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (grifamos) Assim se manifesta o art. 12 da Lei n° 8.629, de 1993: Art. 12. Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: Art.12.Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (grifei) Nesse diapasão, ressai claro que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Assim, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, não podendo ser utilizado para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Assim, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo Recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Da Multa aplicada Por fim, alegando a necessidade de aplicação da "lei mais suave" o contribuinte de forma resumida solicita o cancelamento da multa de ofício aplicada. Sobre a aplicação da multa de ofício, é desnecessário tecer maiores considerações, uma vez que a exigência de multa de ofício no percentual de 75% está prevista no inciso I, do art. 44 da Lei 9430/96, sempre que houver recolhimento a menor do tributo, não cabendo a este Conselho se manifestar sobre a compatibilidade de tal penalidade com os termos da Constituição Federal. Fl. 264DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-007.025 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10540.720005/2008-64 Lei nº 9.430, de 27/12/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; As multas incidentes nos lançamentos de ofício sobre os créditos tributários constituídos, ou sobre tributos ou contribuições não recolhidos ou recolhidos a menor, têm por objetivo responsabilizar o sujeito passivo pela prática de infrações tributárias (não oferecimento à tributação, rendimentos que, nos termos da legislação de regência, devem ser tributados). Assim, a obrigação de pagar tributo decorre de uma norma jurídica e a não realização do comportamento devido (o não cumprimento de tal dever) implica prejuízo a toda a sociedade e, nos casos de lançamento de ofício, a regra geral é aplicar a multa de 75%. Portanto, sendo caracterizado o não recolhimento do ITR, tem-se por procedente a aplicação da multa de ofício no percentual de 75,00%, não merecendo qualquer reparo a decisão de primeira instância. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOU-LHE PROVIMENTO EM PARTE para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte, tendo em vista que o SIPT é imprestável por não ter sido aferido por aptidão agrícola. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo recorrente, nos termos do voto paradigma, para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte, tendo em vista que o SIPT é imprestável por não ter sido aferido por aptidão agrícola. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19563.000137/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2402-000.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Paulo Sérgio da Silva, Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência, de forma conclusiva, em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Paulo Sérgio da Silva, Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 15-16.036, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador-BA, fl. 53: Trata-se de Auto de Infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD n° 35.886.481-0, que, segundo Relatório Fiscal da Infração (fls. 10), foi lavrado tendo como sujeito passivo a empresa acima identificada por ter deixado de informar a este órgão, nas competências de março de 2002 a outubro de 2005, por intermédio de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), fatos geradores de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, infringindo o que determina a lei (artigo 32, inciso IV e parágrafo 5°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991). Ressalta o referido relatório que o contribuinte nunca foi autuado em ação fiscal anterior e que não ficaram caracterizadas na fiscalização circunstâncias agravantes ou atenuantes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 63 .0 00 13 7/ 20 07 -0 0 Fl. 162DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2402-000.805 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19563.000137/2007-00 O Relatório Fiscal da Aplicação da Penalidade (fls. 11) menciona que a multa aplicada pela infração cometida corresponde a R$ 86.553,76 (oitenta e seis mil, quinhentos e cinquenta e três reais e setenta e seis centavos), relativo ao montante da contribuição não declarada ao órgão competente, conforme determina a legislação pertinente (parágrafo 4° do artigo 32 da mencionada Lei n° 8.212, de 1991). Mediante tabela explicativa (fls. 14), a Auditoria Fiscal explana os valores que compõem o montante da penalidade aplicada, corroborada com os demonstrativos explicitados nos autos (fls.12/43). Esclarece o referido Relatório Fiscal da Aplicação da Penalidade que os fatos geradores não declarados pela empresa correspondem aos valores pagos a segurados empregados, segurados empresários e segurados autônomos que lhe prestaram serviço no período da autuação. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado da presente autuação, pessoalmente, em 16 de novembro de 2005 (fl. 01), apresentando sua peça de defesa em 30 de novembro de 2005 (fls.47), mediante peça acostada aos autos (fls.48), questionando o seguinte: Que, em virtude de ter efetuado a correção da falta, solicita o cancelamento da multa aplicada, conforme documento comprobatório, a disposição da Receita Federal do Brasil na sede da empresa. Ao julgar a impugnação, a 5ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, conforme assim restou ementado no decisum: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/03/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente Cientificada da decisão de primeira instância, a Contribuinte interpôs o recurso voluntário de fl. 66 e seguintes, reiterando o pedido de relevação da penalidade aplicada. É o relatório. Voto Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de lançamento fiscal em decorrência da apuração, pela fiscalização, da infração assim descrita no relatório fiscal (fl. 11): A empresa em referência deixou de informar, na sua totalidade, através de GFIP/GRFP, título de remuneração a seus empregados, bem como a remuneração total paga aos seus segurados empresários e segurados autônomos, conforme discriminado nas planilhas em anexos, do presente AI, em que estão discriminados, por estabelecimento, os /montantes não declarados. Não houve ocorrência de circunstâncias agravantes e nem de atenuantes. O Contribuinte, em sua peça recursal, reiterando os termos da impugnação apresentada, não se insurge contra o objeto do lançamento fiscal, tendo, apenas, pugnado pela relevação da multa aplicada, nos termos do § 1º, art. 291, do RPS, in verbis: Fl. 163DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2402-000.805 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19563.000137/2007-00 Art. 291 Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1°A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. Registre-se pela sua importância que, no caso em análise, o presente auto de infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória, tendo o contribuinte deixado de informar, por intermédio de GFIP, nas competências março de 2002 a outubro de 2005, a remuneração paga a segurados empregados, empresários e autônomos que lhe prestaram serviço nas competências acima relacionadas, infringindo a legislação citada no relatório supra.e transcrita. Sobre o tema, a DRJ destacou que: Observa-se que a empresa afirma, em sua peça de defesa, ter efetuado a correção da falta, não obstante veja-se: Confrontando-se a legislação acima transcrita com as GFIP disponibilizadas no sistema informatizado deste órgão, constata-se que em nenhuma competência o contribuinte corrigiu a falta, visto não ter informado a totalidade dos segurados que lhe prestaram serviço no período da autuação. Assim sendo, será mantida a autuação nos termos do lançamento. Em sua peça recursal, o Contribuinte enfatiza que efetivou as CORREÇÕES através do programa SEFIP 7.0 conforme GFIP anexas, atendendo o que determinava na época o “TIRA DÚVIDAS NOVO MODELO GFIP/SEFIP” “PERGUNTAS E RESPOSTAS DE DEZEMBRO DE 2005”, destacando o seguinte trecho: L - COMPLEMENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES 90) Considerando que a versão 7.0 do SEFIP poderá ser utilizada até 31/01/2006 é possível, até esta data utilizar a versão 7.0 para enviar GFIP não entregue ou complementar informações ( GF IP complementar)? Sim, em virtude do disposto na Instrução Normativa 09 de 24/11/2005, art. 3 °. onde diz que a GFIP poderá ser apresentada na versão 7.0 do SEFIP até 31/01/2006. Significa que, até 31/01/2006, o empregador/contribuinte poderá gerar GFIP para competências a partir de 01/1999 na versão 7.0 do SEFIP desde que, na competência, NÃO houve transmissão de GFIP na versão 8.0. Em virtude do disposto no parágrafo anterior, se o empregador/contribuinte entregou GFIP na versão 7.0 do SEFIP, para competências a partir de 01/1999 e ESQUECEU de informar trabalhadores, retenção sobre nota fiscal, valores pagos a cooperativas de trabalho, comercialização da produção, receitas de eventos desportivo, este poderá enviar nova GFIP na versão 7.0 do SEFIP CONTENDO APENAS AS Fl. 164DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 2402-000.805 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19563.000137/2007-00 INFORMAÇÕES OMITIDAS (QUE NÃO CONSTARAM NO DOCUMENTO ANTERIOR) até o dia 31/01/2006. Neste espeque, conclui o Recorrente que é informado na decisão administrativa (página 6 do Acórdão n° 15-16.036), que: “ a empresa no período de março de 2004 a novembro 2004 não informou a totalidade dos segurados empregados e respectivas remunerações”. DE FATO NÃO FOI INFORMADO A TOTALIDADE E SIM, SOMENTE A DIFERENÇA DOS FUNCIONÁRIOS NÃO DECLARADOS EM GFIP, conforme determinava o citado Manual de GFIP então vigente e comprovado através das GFPIs Complementares referente ao mesmo período. Como se vê, o Recorrente, a princípio e em tese, e sem que isso represente qualquer juízo de valor, apresentou GFIPs Complementares com vistas a sanar as faltas apontadas pela fiscalização no Relatório Fiscal e respectivos anexos, o que poderia conduzir, de fato, à relevação da multa aplicada (total ou parcialmente, conforme o caso), nos termos do § 1º, art. 291, do RPS. Registre-se, pela sua importância, que os documentos em questão – GFIPs Complementares – não foram objeto de análise pela fiscalização, já que foram apresentados pelo Contribuinte justamente após o lançamento fiscal com vistas a sanar as falhas apontadas nas GFIPs originais, sendo certo que, conforme mencionado linhas acima, o exame dos referidos documentos podem ensejar, em tese e a princípio, a relevação da multa aplicada. Neste contexto, à luz do princípio da verdade material, paradigma do processo administrativo fiscal, entendo ser imprescindível, no caso vertente, a conversão do presente julgamento em diligência para a Unidade de Origem para que a autoridade administrativa fiscal, preste os seguintes esclarecimentos: a) Com base nos documentos existentes nos autos – notoriamente daqueles apresentados pelo Contribuinte em sede de impugnação e/ou de recurso voluntário, as GFIPs Complementares sanearam as falhas apontadas pela fiscalização nas GFIPs Originais? b) Caso positivo, esse saneamento foi total ou parcial? Noutras palavras: eventual saneamento promovido pelo Contribuinte com as GFIPs Complementares apresentadas se deu em todas as competências na quais foram identificados erros pela fiscalização nas GFIPs Originais ou apenas em relação a determinadas competências? c) Na hipótese de o Contribuinte ter efetivamente saneado (total ou parcialmente) os erros apontados pela fiscalização, elaborar novo Relatório Fiscal e respectivos Anexos, segregando os valores referentes às competências cujas falhas foram saneadas, daqueles relativos aos meses cujos erros remanescem sem saneamento. d) Elaborar Informação Fiscal conclusiva, descrevendo, de forma detalhada, as falhas saneadas (total ou parcialmente, conforme item c) supra) e seus respectivos valores. Fl. 165DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 2402-000.805 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19563.000137/2007-00 e) Intimar a Contribuinte do resultado da diligência fiscal, para, querendo, apresentar competente manifestação, no prazo de 30 dias. f) Após, retornar os autos para este Conselho para prosseguimento do julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907294/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 28/02/2005
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF. RETIFICADORA.
Deve ser prolatado novo despacho decisório com observância das informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório original, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3201-005.900
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10983.907292/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafeta Reis, Tatiana Josefovicz Belisario, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF. RETIFICADORA. Deve ser prolatado novo despacho decisório com observância das informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório original, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10983.907292/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafeta Reis, Tatiana Josefovicz Belisario, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3201-005.898, de 22 de outubro de 2019, que lhe serve de paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 72 94 /2 01 2- 81 Fl. 171DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.900 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.907294/2012-81 O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS não-cumulativo, relativo ao fato gerador tratado nos autos. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi localizado, mas não houve saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Nas “Informações Complementares da Análise de Crédito” foi apresentada a justificativa para o não reconhecimento do crédito: “Ausência de documentação comprobatória”. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidem nos centavos nos valores do crédito, que foi quitado por Darfs, estando extinto pelo pagamento (art. 156, I, do CTN). Por fim, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e seja julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. Seguindo a marcha processual normal, o feito foi assim julgado, conforme ementa: INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. ELEMENTOS DE PROVA. PRECLUSÃO. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, por força do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/72, Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário pedindo reforma, a em síntese, conforme consta da resolução: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; Fl. 172DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.900 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.907294/2012-81 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratar se de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. O feito foi vinculado como recurso repetitivo, sendo julgado nos termos da resolução 3201-001.095 que assim restou consignado: - a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; - a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; - cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Após conclusão e retorno da diligência, a contribuinte foi intimada a se manifestar, deixando transcorrer in albis. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF. Ressalvo que a decisão consagrada no paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pelo que adoto o entendimento que prevaleceu no colegiado, consignado no Acórdão nº 3201-005.898, de 22 de outubro de 2019, paradigma desta decisão, que passo a reproduzir: O Recurso é tempestivo e merece ser conhecido. A unidade preparadora ao analisar os quesitos apresentados por essa Turma Julgadora, se manifestou nos seguintes termos: Fl. 173DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.900 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.907294/2012-81 Assim, conforme o apontamento realizado, no contencioso administrativo não há despacho decisório considerando as DCTF´s retificadoras. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. Tendo a DCTF sido retificada antes da emissão do despacho decisório, no momento da decisão da repartição de origem, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo, ou seja, quando cientificado do despacho decisório, o Recorrente já havia retificado as informações anteriormente prestadas e que foram ignoradas pela autoridade administrativa de origem. Valendo-se do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN), que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. Fl. 174DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.900 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10983.907294/2012-81 Note-se que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à ciência de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à sua desconsideração Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para determinar a prolação de novo despacho decisório, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório original, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado CONCLUSÃO Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando que outro Despacho Decisório seja proferido, para o qual deverá ser considerada a DCTF retificadora. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17878.000003/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS ORIUNDOS DE TRIBUTOS DIVERSOS. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF.
O Regimento Interno do CARF determina que a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação e ressarcimento é definida pelo crédito alegado. A competência do julgamento cujos créditos tenham origem em diversos tributos é da Primeira Seção do CARF, quando envolver créditos de sua competência. (art. 7º, § 1º c/c art. 8º, , I do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário e declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS ORIUNDOS DE TRIBUTOS DIVERSOS. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. O Regimento Interno do CARF determina que a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação e ressarcimento é definida pelo crédito alegado. A competência do julgamento cujos créditos tenham origem em diversos tributos é da Primeira Seção do CARF, quando envolver créditos de sua competência. (art. 7º, § 1º c/c art. 8º, , I do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso voluntário e declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 00 03 /2 00 7- 10 Fl. 1802DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo de pedido de utilização de crédito de R$ 5.109.236,31 relativo a retenções na fonte em 2000, para compensação com débitos seus, relacionados no extrato PROFISC de fls. 1.112 a 1.115. Da análise dos valores retidos informados de fls. 02 a 13 verificouse que o valor de R$ 5.109.236,31 se refere a: 1) R$ 246.134,16 de retenções de IRRF, 2) R$ 4.863.102,15 de retenções por órgãos públicos federais nos códigos de receita 6147 e 6190, sendo: 2.1) R$ 2.469.598,77 de IRPJ; 2.2) R$ 514.731,93 de CSLL; 2.3) R$ 1.544.195,79 de Cofins; e 2.4) R$ 334.575,67 de PIS. Em 05/08/2005 foi proferido o despacho decisório de fls. 1.116/1.121, que em relação à Cofins e ao PIS limitouse a consignar o seguinte: “Quanto à Cofins e ao PIS cabe sua dedução apenas nas apurações mensais, sendo incabível a consideração de saldos negativos anuais.” No que diz respeito aos demais tributos foi reconhecido o crédito relativo aos saldos negativos de R$ 1.580.713,96 de IRPJ e de R$ 190.331,17 de CSLL, ambos do exercício 2001, ano calendário 2000. Inconformada com decisão proferida, da qual foi cientificada em 24/10/2005, a interessada interpôs, em 22/11/2005, manifestação de inconformidade (fls. 1126/1133), alegando, em síntese, que: a) a decisão, principalmente no particular em que negou a compensação dos créditos de Cofins e PIS retidos na fonte por órgãos públicos federais, é nula de pleno direito, por incorrer em vícios que prejudicam o exercício do direito de defesa, já que não houve nenhuma menção ao suposto fundamento legal que embasaria o indeferimento da compensação de Cofins e PIS pleiteada ou o critério de utilização do menor valor informado quanto às demais retenções; b) somente poderia deduzir que seu pleito, de compensação de valores retidos a título de PIS e Cofins com débitos próprios de PIS e Cofins, foi indeferido, num esforço exegético hercúleo, já que na decisão propriamente dita não há qualquer menção ao destino que foi dado ao pedido como um todo, isto é, se o mesmo foi homologado ou não; Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 17878.000003/200710 Acórdão n.º 3201002.169 S3C2T1 Fl. 1.803 3 c) das duas uma, ou não houve decisão neste particular, o que pode se deduzir em face da inexistência de qualquer referência ao pedido de compensação na parte dispositiva da decisão, ou a decisão é nula de pleno direito, pois impede o exercício do direito de defesa da processada, já que sequer há fundamento legal para a afirmação de que “quanto à Cofins e ao PIS cabe sua dedução apenas nas apurações mensais, sendo incabível a consideração de saldos negativos anuais”; d) não há como se negar que a falta de informações impede o exercício regular do direito de defesa da processada, o que demanda o cancelamento do despacho decisório em face do vício formal ora apontado; e) entretanto, tendo em vista a norma contida no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72, que possibilita seja o mérito da decisão verificada, quando este enfrentamento aproveita, in casu, ao sujeito passivo, a processada pugna pela reforma do despacho decisório de forma que o pedido de restituição/compensação seja julgado integralmente procedente; f) outrossim, no que se refere às retificações concernentes aos demais tributos (IRRF, IRPJ e CSLL), não pode a processada concordar com o despacho decisório ora impugnado, pois o mesmo pugna pelo total alheamento à realidade documentalmente comprovada, já que todos os valores comprovados no somatório anual são maiores do que o informado. O processo foi encaminhado à DRJ/RJ I, que por meio do despacho de fl. 1.254 se manifestou da seguinte forma: “Aqui por engano, retornese à DRF/Volta Redonda, face a competência para julgamento do presente processo não ser desta DRJ/RJ I, considerando que a manifestação de inconformidade referese tão somente a créditos que a interessada alega possuir de PIS e Cofins.” Em 17/12/2006 o processo foi recebido na DRJ/RJ II. Divergindo da posição consignada no despacho de fl. 1.254, entendi que o impugnante não se insurgiu apenas em relação ao indeferimento de créditos de PIS e Cofins, antes resistiu também ao despacho decisório, quanto ao que fora decidido em relação ao crédito de IRRF, IRPJ e CSLL (vide o disposto a partir do item 2.2.8 da manifestação de inconformidade – fl. 1.132). Temse, então, que em uma mesma manifestação de inconformidade a impugnante se insurgiu quanto ao indeferimento do pedido de restituição de PIS/Cofins, bem como ao indeferimento do pedido de restituição de IRRF, IRPJ e CSLL. De acordo com o disposto no art. 224, I e § 2º, e anexo V da Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, à DRJ/RJI compete a apreciação da manifestação de inconformidade quanto ao indeferimento do pedido de restituição de IRRF e IRPJ e CSLL e à DRJ/RJ II compete a apreciação da manifestação de inconformidade quanto ao indeferimento do pedido de restituição de PIS e Cofins. Diante de tal situação decidi por baixar os autos à unidade preparadora para que: Fl. 1804DF CARF MF 4 a) Tirasse cópia integral dos autos e formasse com elas um novo processo tendo como objeto o pedido de restituição/compensação de PIS e Cofins; b) Encaminhasse o processo nº 13009.000147/200151 à DRJ/RJ I para que, observando o disposto no despacho naquele processo proferido, analisasse a posição consignada à fl. 1.254; c) por fim, remetesse o novo processo a esta DRJ/RJ II para fins de apreciação da manifestação de inconformidade em relação ao indeferimento do pedido de restituição/compensação de PIS/Cofins. O novo processo recebeu o nº 17878.000003/200710, foi recebido por esta unidade em 29/02/2007, e em 19/03/2007 foi pela 4ª Turma da DRJ/RJII analisado. A 4ª Turma da DRJ/RJII julgou nulo o Despacho Decisório de fls. 1127/1132, no que se refere ao pedido de restituição de PIS/Cofins, remetendose o processo à Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda, para que fosse prolatada nova decisão tratando do pedido de restituição/compensação de PIS/Cofins e que fosse reaberto o prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Desse modo, restabeleceuse o adequado rito processual com vistas a preservar o direito ao contraditório, uma vez que, em se tratando de pedido de restituição, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento somente pode se pronunciar quando instaurado litígio em decorrência da manifestação de inconformidade contra eventual apreciação e denegação, por parte da autoridade fiscal, do pleito formulado pelo contribuinte, conforme dispõe o art. 224, inciso I, do Regimento Interno da secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005. Novo despacho decisório foi proferido em 26/02/2008, do qual cabe transcrever o seguinte trecho: “... Em conseqüência, restam comprovados mediante comprovante de retenção ou DIRF os valores de R$ 740.191,86 e R$ 159.374,80, a título de respectivamente, COFINS e PIS retidos na fonte em pagamentos efetuados por órgãos públicos federais por serviços prestados pela interessada, conforme a tabela abaixo: Tabela à fls. 1741 Apesar disso, a contribuição retida na fonte por órgãos públicos federais em operações de prestação de serviços que a própria interessada não contesta a sua existência, não é passível de restituição direta como pagamento indevido, na forma do artigo 165 do CTN, como pleiteado pela interessada. Por outro lado, não obstante o erro comum em que incidiu a própria interessada de pedir a restituição direta de tributo retido, o pedido de restituição deve ser, alternativamente, apreciado sob a forma de saldo negativo, o qual poderia ter sido gerado em decorrência das retenções efetuadas pelos órgãos públicos federais. De fato, como explicitado no despacho decisório anteriormente proferido por esta DRF, as retenções na fonte por órgãos públicos federais a título de IRPJ e CSLL podem ser, Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 17878.000003/200710 Acórdão n.º 3201002.169 S3C2T1 Fl. 1.804 5 respectivamente, deduzidas nas apurações mensais e também na apuração anual do IRPJ e da CSLL, o que fez a própria interessada na sua DIPJ 2001 (fls. 1328/1333), quando, caso venha a resultar saldo negativo, este será passível de restituição ou de utilização em compensação. Contudo, de acordo com art. 64 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, os valores retidos na fonte a título de PIS e COFINS por órgãos públicos federais devem ser considerados somente como dedução nas apurações mensais, no caso na linha "Contribuição para o PIS/PASEP retido na fonte por órgão público", no cálculo da apuração mensal da Contribuição para o PIS/PASEP, e na linha "COFINS retida na fonte por órgão público", no cálculo da apuração mensal da COFINS, o que a interessada não fez. Ressaltese que o manual de preenchimento da DIPJ diz textualmente como devem ser utilizados a COFINS e a Contribuição para o PIS retidos na fonte por órgãos públicos federais, nas fichas 19A e 20A, respectivamente, nos seguintes termos: informar nesta linha o valor da contribuição retido por órgãos públicos federais quando dos pagamentos relativos ao fornecimento de bens ou serviços (IN SRF/STN/SFC n° 4, de 18 de agosto de 1997, e alterações). O art. 5º da IN SRF/STN/SFC n° 4, de 1997, que, à época, dispunha sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados, a pessoas jurídicas, por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, estabelece que os valores retidos na forma daquele ato poderiam ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Assim, à luz dos mencionados dispositivos legais, é incabível a utilização desses valores sob qualquer outra forma, nem mesmo sua dedução para apuração de saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Dessa forma, a interessada não faz jus à restituição dos valores retidos na fonte por órgãos públicos federais, a título de PIS e COFINS, nos pagamentos efetuados à ela, pela prestação de serviços em geral. Diante do exposto, proponho o nãoreconhecimento do direito creditório e o indeferimento do pedido de restituição referente aos valores de COFINS e PIS retidos na fonte por órgãos públicos federais, adotandose as providências inerentes à ciência do inteiro teor deste despacho decisório ao interessado (grifo nosso). Nova manifestação de inconformidade foi apresentada, na qual o interessado alega em síntese que: Os fatos demonstram que as nulidades por cerceamento do direito de defesa continuam ocorrendo, e infelizmente as autoridades preparadoras estão se desincumbindo do seu mister de averiguar a verdade real. Caso a autoridade fiscal tivesse realmente examinado o pleito da Requerente, e ao menos investigado a DIPJ respectiva teria visto que esta utilizou os valores retidos de Contribuição ao PIS para Fl. 1806DF CARF MF 6 fins de dedução da Contribuição devida mensalmente, no exato montante em que solicitou a restituição. Também causa espécie o fato de que houve lançamento de ofício do mesmo Órgão para o exercício de 2000, o qual gerou o processo administrativo n°. 17883.000134/200639, cuja cópia se requer a juntada, na forma do art. 37 da lei n°. 9.784/99, e que o mesmo Órgão que lavrou o lançamento de ofício considerou como dedução válida o valor correspondente a R$ 334.575,67, o mesmo que agora se tem como “não comprovado”. Daí se vê o quanto foi superficial a análise do pleito de restituição, sendo certo que esta desídia provoca inegável cerceamento de defesa, pois transferirá para esta Delegacia de Julgamento um ônus que competia às autoridades preparadoras, impingindo à defesa da Requerente uma incontornável supressão de instância. Entretanto, pretende a ora Requerente, através da presente Manifestação de Inconformidade, demonstrar que foi justamente a insuficiência na apreciação do seu direito creditório é que motivou a "glosa" de créditos por suposta falta de comprovação, na medida em que até o presente momento a Requerente nunca foi chamada a comprovar as retenções, o que será feito com a juntada das respectivas notas fiscais de prestação de serviços e a comprovação do recebimento com o devido desconto no ano calendário de 2000, pela juntada de excertos do Razão Analítico. Obviamente que a Requerente abre mão de discutir o indeferimento do pleito de restituição da Contribuição ao PIS. Como se diz por vezes no Conselho de Contribuintes, a Requerente "vota pelas conclusões", pois concorda com o indeferimento, mas por outros fundamentos. Houve um equívoco na avaliação dos aspectos quantitativos do direito creditório pleiteado, pois caso fosse dada a oportunidade de se apresentar os documentos ora anexados durante a fase de instrução do processo a decisão seria outra. Isto porque, consoante comprovam as cópias das notas fiscais anexadas à manifestação de inconformidade, correspondentes à integralidade das que foram mencionadas no despacho decisório impugnado, e o respectivo lançamento do efetivo pagamento no Razão Analítico (cópia em anexo), verificase que os correspondentes pagamentos foram efetuados no anocalendário de 2000, apesar de as notas fiscais terem sido emitidas no ano calendário de 1999. Conforme se depreende das cópias das notas fiscais referidas no Despacho Decisório, bem como dos excertos do Razão Analítico que demonstram o recebimento e o devido desconto da Contribuição ao PIS e da COFINS, com os respectivos descontos também do IRRF e CSLL, houve a retenção da COFINS nas notas fiscais aludidas. Tanto o é que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Volta Redonda sequer contestou esta informação, no que se refere à Contribuição ao PIS, ao determinar o lançamento de ofício que gerou o PAF n°. 17883.000134/200639, o que serve de paradigma para afirmar a existência do crédito referente à COFINS. Desta forma, deve ser reformado o despacho decisório neste particular para que seja restabelecido o valor original do crédito pleiteado pela ora Requerente. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 17878.000003/200710 Acórdão n.º 3201002.169 S3C2T1 Fl. 1.805 7 A Legislação Tributária impõe a restituição dos valores retidos por órgãos públicos a título de Contribuição ao PIS e COFINS antecipação por retenção que não é deduzida é pagamento a maior ou indevido ausência de fundamento legal para a negativa do pleito da Requerente nulidade por cerceamento de defesa/supressão de instância. Provada a retenção de ambas as Contribuições, e uma vez reconhecido que a restituição da Contribuição ao PIS não é devida por fundamentos diversos dos constantes no Despacho Decisório, a Requerente, em caráter preliminar e sob as penas da Lei, afirma que não se utilizou, no anocalendário de 2000, da faculdade de dedução mensal prevista no art. 64 da Lei n°. 9.430/96, no que se refere à COFINS retida. Entretanto, mesmo com a verificação feita pela autoridade fiscal de que a Recorrente teve estes valores retidos (ainda que parcialmente de acordo com o despacho decisório) e não os utilizou para fins de dedução mensal negou sua restituição, sob um fundamento equivocado. A Requerente auferiu faturamento decorrente da venda de bens e serviços para outras entidades que não aquelas listadas no art. 64 da Lei n°. 9.430/96, e sobre o mesmo recolheu as referidas Contribuições, constituindose as referidas retenções em verdadeiro pagamento indevido ou a maior, ensejando sua restituição na forma do art. 74 do mesmo diploma legal. Em reforço a este argumento, digase que o Despacho Decisório em nenhum momento alega que o crédito correspondente às retenções já fora utilizado ou "consumido" pelo respectivo faturamento que o gerou, apenas faz uma alusão genérica ao art. 64 da Lei n°. 9.430/96. Todavia, ainda que tal informação não tenha sido contestada pelo Despacho Decisório, consoante faz prova a DIPJ do exercício 2001, anocalendário de 2000, cuja ficha 20A (Cálculo de Apuração da COFINS), linha 18 está zerada. não há dúvidas de que em nenhuma das competências do respectivo ano calendário a Requerente efetuou qualquer dedução da COFINS, diferentemente do que ocorreu na Contribuição ao PIS. O único fundamento utilizado pelo Despacho Decisório para negar o direito à restituição foi o de que "os valores retidos na fonte a título de PIS e COFINS por órgãos federais (...) devem ser considerados somente como dedução nas apurações mensais". O Despacho Decisório, por motivos óbvios, nem mesmo ressalva a possibilidade de que este crédito pudesse ser utilizado para fins de compensação com as mesmas contribuições, o que atenta contra a própria natureza do dispositivo legal citado. Neste sentido, deve ser pontuado que o art. 64 da Lei 9.430/96 afirma que o valor retido é antecipação do tributo eventualmente devido, e se é antecipação deve ser restituído quando a retenção excede o valor do tributo devido e pago. Em verdade, o valor retido pelas diversas fontes pagadoras consubstanciase em pagamento a maior, na medida em que no anocalendário de 2000 esta antecipação não foi considerada pela Requerente para fins de pagamento da COFINS devida no ano. Fl. 1808DF CARF MF 8 Este exame somente poderá ser feito na hipótese de o resultado do mesmo ser favorável à Requerente, de acordo com o que dispõe o art. 59, §3°, pois esta verificação deveria ser feita pelo Órgão prolator do Despacho Decisório, restando claro que haverá um inegável cerceamento do direito de defesa por supressão de instância caso esta matéria se torne controversa apenas com eventual decisão proferida por esta Delegacia de Julgamento. Entretanto, entende a Requerente que, com a juntada dos documentos em anexo, sem prejuízo de quaisquer outras provas que, de acordo com o art. 18 do Decreto n°. 70.235/72, esta Eminente Turma Julgadora entenda necessário produzir, está provado que a retenção de toda a COFINS objeto de pedido de restituição se consubstancia em inequívoco pagamento a maior ou indevido, a ensejar sua restituição na forma do art. 74, da Lei n°. 9.430/96. Quando muito deveria o Despacho Decisório ter ressalvado a possibilidade de a Requerente utilizar este crédito para fins de compensação com a COFINS devida, mas optou por privilegiar o enriquecimento ilícito do Estado, em detrimento de um contribuinte que além de produzir milhares de postos de trabalho, produz tecnologia nacional no mesmo nível de quaisquer das gigantes multinacionais de informática, como a IBM, por exemplo. Por fim, consigna que caso não seja do entendimento desta Turma Julgadora de proclamar a nulidade do Despacho Decisório por evidente cerceamento do direito de defesa por supressão de instância, roga, de acordo com as disposições do art. 59, §3° do Decreto n°. 70.235/72, pelo acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade, com a conseqüente restituição do crédito de COFINS com os acréscimos legais para fins de compensação na forma do art. 74 da Lei n°. 9.430/96, ou, em homenagem ao princípio da eventualidade, que lhe seja ao menos permitido compensar o crédito com débitos da mesma contribuição, recompondose, em definitivo, com o Princípio da Capacidade Contributiva e os bons ventos da Justiça. Em 15/08/2013 o julgamento foi convertido em diligência e o processo encaminhado à Delegacia jurisdicionante, para que aquela: a) Uma vez que foi reconhecida a retenção de COFINS, no valor de R$ 740.191,86, apurasse o crédito passível de restituição, nos termos do disposto na Lei nº 11.727/2008, art. 5º, § 3º, ou seja, atentando para o fato de que a restituição deverá ocorrer somente na hipótese de não ter sido possível a dedução dos valores retidos na fonte da contribuição a pagar no mês de apuração. b) Em relação à diferença entre o valor pleiteado inicialmente (R$ 1.544.195,79) e o valor reconhecido como retido (R$ 740.191,86), analisasse a documentação constante dos autos, e realizasse as diligências que entendesse necessárias, considerando o que o interessado relatou ter ocorrido nos autos do processo n° 17883.000134/200639. c) Se da análise especificada no item “b” resultasse o reconhecimento de novas retenções deveria proceder da forma prevista no item “a” em relação ao novo valor reconhecido. d) Desse ciência ao Interessado do resultado da diligência solicitada, podendo este, no prazo de 30 (trinta) dias contado da Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 17878.000003/200710 Acórdão n.º 3201002.169 S3C2T1 Fl. 1.806 9 data da ciência, apresentar aditamento à manifestação de inconformidade, em relação a fatos novos que venham a ocorrer em decorrência da diligência solicitada. Do Termo de Ciência do cumprimento de diligência cabe transcrever o seguinte trecho: “... o contribuinte foi intimado a prestar os esclarecimentos no que tange à forma de extinção dos débitos da Cofins do ano de 2000, condição básica para o reconhecimento de possíveis créditos decorrentes das retenções daquela contribuição. Conforme consta da mencionada Resolução, “uma vez reconhecida a retenção da Cofins no valor de R$740.191,86, apure o crédito passível de restituição, nos termos do disposto na Lei nº 11.727/2008, art. 5º, §3º, ou seja, atentando para o fato de que a restituição deverá ocorrer somente na hipótese de não ter sido possível a dedução dos valores retidos na fonte da contribuição a pagar no mês da apuração”(Grifo nosso). Na verdade, não se trata de reconhecimento do crédito, mas apenas da quantificação da retenção anual pela DRF/Volta Redonda/RJ. A dedução teria sido, sim, possível na época da elaboração da DIPJ 2001/2000 (ocasião em que o contribuinte detinha o controle das retenções e já dispunha dos comprovantes anuais fornecidos pelas fontes pagadoras), tendo em vista que houve a apuração de contribuição devida mensalmente, devendo o contribuinte ter informado as retenções na linha 18 da ficha 20A(Cofins) de cada período de apuração da Cofins. E apenas o saldo a pagar apurado (linha 21) seria informado nas DCTFs. Entretanto, em suas alegações datadas de 29/04/2013, o contribuinte afirma que “por razões concernentes aos peculiares procedimentos de pagamento por órgãos públicos para os quais presta serviços, não compensava à época a Cofins e a contribuição para o Pis retida no mês seguinte, razão pela qual usava outros créditos como as Dcomp recentemente homologadas no processo 13009.000156/9901 para a extinção de suas obrigações.” O processo 13009.000156/9901, digase de passagem, se encontra no Carf aguardando julgamento e não controla qualquer débito da Cofins, embora o contribuinte tenha vinculado ao mesmo, na DCTF, os débitos da Cofins dos PA Janeiro, Fevereiro e Março/2000. Da mesma forma, os débitos dos PA Abril e Maio e Agosto a Dezembro/2000 estão vinculados em DCTF ao processo 13009.000190/0046, que também não controla qualquer débito da Cofins. Na intimação anterior, foi inserido o quadro abaixo, o qual demonstra os valores apurados na DIPJ e os informados nas DCTFs: Tabela com Débitos Cofins à fl. 1747. Como visto, o montante anual das retenções é praticamente idêntico à soma das diferenças mensais entre dos valores apurados na DIPJ e dos informados nas DCTFs. Ou seja, a existência do crédito decorrente das retenções somente se Fl. 1810DF CARF MF 10 configuraria na hipótese de extinção dos débitos elencados na coluna “C” do quadro acima. Não foi identificado nenhum processo que controle os débitos da coluna “C” do quadro acima. O processo 13009.000162/200522 controla os débitos declarados em DCTF e que se encontram extintos por parcelamento. Da análise dos documentos juntados ao processo, como comprovantes de retenção e notas fiscais, simultaneamente com os dados da Dirf nas quais o contribuinte figura como beneficiário, podese concluir como efetivamente existente e pertinente o total de retenções da Cofins no ano de 2.000 no importe de R$1.544.195,79 (e não apenas R$740.191,86). Entretanto, tal valor não é passível de restituição/compensação em função do fato de que todos os seus componentes mensais devem ser utilizados na extinção da contribuição mensal devida (DIPJ) conforme quadro abaixo, que é o mesmo acima, visto sob outra ótica: Tabela com débitos cofins à fl. 1747. A coluna A corresponde à Cofins apurada na DIPJ (linha 17 da ficha 20A). A coluna “B” corresponde ao que seria a informação que deveria ter sido prestada na linha 18 da ficha 20A. A coluna “C” seria a Cofins a pagar(linha 21), a ser informado nas DCTFs e que se encontram extintos por quitação do parcelamento no processo 13009.000162/200522. Ou seja, o total anual dos débitos apurados menos as retenções do ano perfaz quase que exatamente a somas dos valores informados nas DCTFs (estes, sim, extintos por quitação do parcelamento). Diferentemente do que alega o contribuinte, não há que se falar em homologação tácita dos débitos da Cofins, pois não consta que os mesmos (coluna “C” do quadro1 acima, que é idêntica à das retenções) tenham sido objeto de pedidos de compensação (além, claro, daqueles controlados pelo processo 13009.000162/200522). Da mesma forma, não há que se falar em prescrição. Os débitos não são objeto de cobrança nesta oportunidade, mas tão somente de verificação da sua extinção...” Cientificado do resultado da diligência, o interessado a ela se opôs por meio da manifestação, por ele denominada recurso voluntário, cujo teor se transcreve em parte: “...as autoridades preparadoras descumpriram com o dever da busca pela verdade material e chegaram ao cúmulo de ignorar documentos produzidos pelo CARF e pela própria Receita Federal. Ora, restou comprovado que não há COFINS exigível referente ao anocalendário de 2000, seja por conta de homologações ocorridas em outros processos, ou pelo parcelamento, este sim reconhecido pelas autoridades preparadoras. Portanto, restando provado que não existe nenhuma exigibilidade sobre a COFINS ou a Contribuição ao PIS do período objeto do presente pedido de restituição, é de ser o mesmo integralmente deferido.” Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 17878.000003/200710 Acórdão n.º 3201002.169 S3C2T1 Fl. 1.807 11 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Os valores retidos na fonte a título de COFINS, somente quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, o pedido de ressarcimento tiveram como origem retenção de IRRF e retenções por órgãos públicos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Em 19/03/2007 a DRJ RJO II decidiu por declarar a nulidade do despacho decisório, no que se referia ao pedido de restituição do PIS e da COFINS (fls. 1349 a 1353). Em 29/02/2008 foi proferido outro despacho decisório pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda analisando os créditos referentes ao PIS e a COFINS. O despacho foi objeto de manifestação de inconformidade e após decisão da Delegacia de Julgamento, foi interposto o presente recurso voluntário. Em que pese, a declaração parcial de nulidade do despacho decisório pela autoridade da primeira instância. O novo despacho decisório, mesmo analisando individualmente o PIS e a COFINS referese ao mesmo pedido de ressarcimento, que envolve diversos tributos. Fl. 1812DF CARF MF 12 O Regimento Interno do CARF determina que a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado e na existência de créditos com origem em tributos diversos, a competência será da Primeira Seção do CARF, caso existam tributo de competência desta seção, conforme previsto no art. 7º, § 1º c/c art. 8º, I do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, transcrito abaixo. Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. § 2º Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluemse na competência da 2ª (segunda) Seção. Art. 8º Na hipótese prevista no § 1º do art. 7º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I da 1ª (primeira) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; e II da 2ª (segunda) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e da 3ª (terceira) Seção.(grifo nosso) No case em tela, confirmado que o pedido de ressarcimento trata de créditos referentes a IRRF, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, voto no sentido de não conhecer do recurso e declinar a competência do julgamento à Primeira Seção do CARF. Winderley Morais Pereira Fl. 1813DF CARF MF
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