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Numero do processo: 19991.000528/2009-38
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinatura digital)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 129 1 128 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19991.000528/200938 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.572 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 16 de setembro de 2014 Assunto COFINS Recorrente ADECOAGRO COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0939.300, de 29 de fevereiro de 2012 (fls. 87/98), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ), cuja ementa resume o seguinte entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS A adquirente faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 52 8/ 20 09 -3 8 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19991.000528/200938 Resolução nº 3403000.572 S3C4T3 Fl. 130 2 apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovado o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Créditório Reconhecido em Parte O provimento parcial se deu em relação à glosa das aquisições de bens de pessoas jurídicas inaptas, na parte em que se entendeu existir a comprovação do pagamento e da entrega das mercadorias. Assim decidiu a DRJ, nesta parte: Quanto a linha de defesa apresentada em ralação à glosa das aquisições para revenda das empresas “por existirem contra elas Processos de Reapresentação Fiscal para inaptidãõo dos seus CNPJ”, temse que a Delegacia de origem se baseou em irregularidades detectadas capazes, segundo ela, de enquadrar os documentos emitidos no §1º do art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, in verbis: Art. 48. Será́ considerado inidôneo, naõ produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) naõ cumulativos ... Porém, pelas notas fiscais trazidas ao processo pela reclamante, mais especificamente as de fls. 854, 859, 861, 866, 869, 870 e 875 (volume V) do processo administrativo nº 19991.000525/200902, temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento e da efetiva entrega das mercadorias adquiridas caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mesmas. Aleḿ disto, a existência das operações, em alguns casos, foi corroborada pelo carimbo da fiscalização estadual que é encontrado em algumas das notas fiscais. Em assim sendo, aplicase às notas fiscais de fls. 854, 859, 861, 866, 869, 870 e 875 (volume V), o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19991.000528/200938 Resolução nº 3403000.572 S3C4T3 Fl. 131 3 Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, algumas notas fiscais devem ser excluídas por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”. No que se refere às notas fiscais de fls. 856 e 857 não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais de fls. 863, 868 e 877 a entrega não restou comprovada. A demonstração de apenas um dos requisitos contidos no §5º acima transcrito e ́necessária, mas não é suficiente para afastar a aplicação do caput do artigo 82 já́ mencionado, pois da leitura da norma ressalta que é imprescindível o cumprimento de ambas as exigências. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 121/125), no qual alega o seguinte: Destarte, alega a autoridade fiscal que a Contribuinte não apresentou a comprovação do pagamento e da entrega de das mercadorias nas notas fiscais de fls. 856. 857. 863. 868 e 877, pelo que. então, não cumpriria um dos requisitos contidos no §5° do art. 48 IN RFB n° 748. de 2007. Porém, tal assertiva não deve prosseguir, tendo em vista o Principio da Verdade Material, já que apresentados os documentos pertinentes, necessários à comprovação do pagamento das mercadorias, bem como da efetiva entrega das mesmas, com relação às operações objeto de glosa, a saber: a) Alexandre Alves de Bnto CPF n° 06347129000157 (fls. 856, 857, 863; b) Comércio e Corret. Café Monte CNPJ n° 7.508.067/0001 80 (fls. 868); e c) Coop. R. Caf. Guaxupé CNPJ n° 1.893.896/000148 (fls. 877) Isto porque, com relação às operações com os fornecedores acima discriminados, a documentação apresentada pela Contribuinte efetivamente se reveste de todos os requisitos que legitimam o direito ao crédito, em nada se justificando as glosas efetuadas sobre as mesmas, bastando, inclusive, um simples cotejo destes com os demais documentos aceitos pela própria autoridade fazendária. Ademais, ainda de acordo com o Princípio da Verdade Material, se dúvidas ainda persistirem, deverão ser consideradas todas as provas e fatos novos, ainda que desfavoráveis contra a Fazenda Pública, desde que sejam provas licitas. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos (verdade material). É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19991.000528/200938 Resolução nº 3403000.572 S3C4T3 Fl. 132 4 Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 12/04/2012 (fl. 121), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 13/03/2012 (fl. 121). Por ser tempestivo e por conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, o recorrente se limita a sustentar que houve a comprovação do pagamento e Por ser tempestivo e por conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 856. 857. 863. 868 e 877 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902. Ocorre que nem o referido Processo Administrativo foi apensado ao presente processo, nem as referidas notas fiscais encontramse juntadas aos autos do presente processo, tanto menos a documentação que serviria de prova do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias referentes a estas mesmas notas. Destarte a necessidade de converter o presente julgamento em diligência. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as seguintes providências: 1. promova a apensamento ou anexação aos presentes autos de cópia integral do PA nº 19991.000525/200902; 2. intime o contribuinte a demonstrar, por meio de sua escrituração contábil ou outros documentos (cheques, conhecimento de transporte etc) o efetivo pagamento do valor de cada nota fiscal e o efetivo recebimento da mercadoria; 3. lavre termo final de diligência; 4. intime o contribuinte a, querendo, apresentar manifestação quanto ao termo final de diligência e 5. devolva os autos a este Conselho para julgamento. (assinatura digital) Ivan Allegretti Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13888.720162/2012-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DEDUZIDAS NA DIRPF. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ROUBO. AUSÊNCIA DE BOLETIM DE OCORRÊNCIA.
Compete ao contribuinte comprovar as despesas deduzidas na DIRPF, sendo que a alegação de que os respectivos documentos comprobatórios ficaram inutilizados por força de roubo residencial deve ser atestada mediante a apresentação de boletim de ocorrência no qual reste consignado que tais documentos tenham sido subtraídos ou inutilizados naquela ocasião.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DEDUZIDAS NA DIRPF. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ROUBO. AUSÊNCIA DE BOLETIM DE OCORRÊNCIA. Compete ao contribuinte comprovar as despesas deduzidas na DIRPF, sendo que a alegação de que os respectivos documentos comprobatórios ficaram inutilizados por força de roubo residencial deve ser atestada mediante a apresentação de boletim de ocorrência no qual reste consignado que tais documentos tenham sido subtraídos ou inutilizados naquela ocasião. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ROUBO. AUSÊNCIA DE BOLETIM DE OCORRÊNCIA. Compete ao contribuinte comprovar as despesas deduzidas na DIRPF, sendo que a alegação de que os respectivos documentos comprobatórios ficaram inutilizados por força de roubo residencial deve ser atestada mediante a apresentação de boletim de ocorrência no qual reste consignado que tais documentos tenham sido subtraídos ou inutilizados naquela ocasião. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 01 62 /2 01 2- 13 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1 que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 36.437,89 relativo aos anoscalendário 2006 e 2007. O lançamento se deu em virtude da glosa de deduções realizadas a título de previdência privada e Fapi, despesas médicas e com instrução, por falta de comprovação. Na impugnação o contribuinte fez referências ao princípio da legalidade, e alegou que o valor lançado no demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo é muito alto, não possuindo ele condição de pagar, demandando a redução do valor para que pudesse parcelar. Afirmou ainda que não foi o responsável pela elaboração da Declaração, e que por conta de seu estado de saúde debilitado, não pôde se dedicar a levantar os dados verificados pela Receita e que ficou evidente um erro primário de lançamento no VGBL do Banco Santander S/A. Diante do seu quadro financeiro e da saúde precária, só lhe restou solicitar o parcelamento do débito num prazo mínimo de sessenta meses, com as atenuantes estabelecidas na legislação vigente, para ficar em dia com as obrigações tributárias junto à Fazenda Nacional. A instância de primeiro grau manteve o lançamento, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: MULTA E JUROS REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Os acréscimos legais incidentes sobre o valor do imposto apurado são os previstos na legislação pertinente, não havendo previsão legal para a redução. PARCELAMENTO POSSIBILIDADE. O crédito Tributário constituído através do lançamento pode ser extinto através de uma das hipóteses previstas em lei, dentre as quais, o parcelamento. O autuado interpôs recurso voluntário em 19/7/2012, afirmando ter sido demitido de autarquia municipal e que sofreu enfarto do miocárdio em 2008. Também diz ter sido roubado em sua residência em 3/7/2008, e que no episódio três assaltantes "jogaram tudo para o chão, inutilizando toda minha documentação nas quais estavam arquivados o meu Imposto de Renda". Após fazer menção aos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, conclui dizendo que "requer a este órgão Colegiado a reforma da decisão". É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13888.720162/201213 Acórdão n.º 2802003.275 S2TE02 Fl. 202 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, sendo oportuno observar que a irresignação do contribuinte quanto ao lançamento deve atender a requisitos formais mínimos indicados nos arts. 15 e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dentre os quais se destaca o disposto no inciso III do seu art. 16: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; É ônus do contribuinte, por conseguinte, apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a reforma ou a invalidação do decisão atacada; tratase de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede a formulação de negação ou impugnação de caráter genérico. Insuficiente, nesse passo, fazer referências aos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa sem apontar em que medida tais princípios teriam sido violados pela fiscalização ou pelo acórdão recorrido, ou, ainda, como eles favoreceriam os argumentos de inconformidade. Por sua vez, o pedido genérico de reforma da decisão a quo não condiz com os princípios a que alude o recorrente, pois prejudica a própria delimitação do litígio e a possibilidade de adequada motivação, por parte da autoridade julgadora, quando do exame da controvérsia. Apesar disso, o contribuinte alega que os documentos do imposto de renda foram inutilizados no curso de assalto à sua residência, argumento o qual, em aplicação do princípio do informalismo moderado, reconhecese como motivo de fato apto a possibilitar o conhecimento do recurso. Sem embargo, não há razão suficiente para amparar o pedido do recorrente. Como prova do referido assalto, há nos autos apenas a colação de página de jornal, na qual consta notícia do evento em questão na residência de advogado com as iniciais do contribuinte (fl. 24). Não foi apresentado boletim de ocorrência, no qual estivessem consignados os objetos e/ou documentos subtraídos, dentre os quais impunha constar, para proveito daquele, os comprovantes das deduções glosadas. O próprio autuado aduz que os assaltantes "jogaram tudo para o chão, inutilizando toda minha documentação nas quais estavam arquivados o meu Imposto de Renda". Ora, não há uma correlação necessária entre os documentos serem arremessados ao chão e sua suposta inutilização. Poderia, por exemplo, ter o contribuinte reorganizado os referidos de modo a possibilitar seu uso e consulta posterior. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 E, havendo a perda ou estrago em algum deles, poderia o contribuinte ter tomado as providências para a obtenção de uma segunda via dos que restassem faltantes. Como fecho, merece ser lembrado que compete ao contribuinte manter em boa guarda os documentos que lastreiam as deduções pleiteadas para fins de sua comprovação junto à autoridade lançadora, a teor do disposto nos §§ 3º e 4º do art. 11 do Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, no art. 7º da Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, e no art.4º do Decretolei nº 352 de 17 de junho de 1968, o que não se verificou no caso concreto. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 18159.000317/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1994 a 31/01/1995
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
Incidência da norma tributária prevista no art. 173, I, do CTN. Encontra-se finado pela decadência o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário pela fluência do prazo decadencial, conforme previsto no prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 173, I, do CTN. Encontrase finado pela decadência o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário pela fluência do prazo decadencial, conforme previsto no prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 15 9. 00 03 17 /2 00 9- 54 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18159.000317/200954 Acórdão n.º 2302003.597 S2‐C3T2 Fl. 770 3 Relatório Período de apuração: 01/05/1994 a 31/01/1995 Data de lavratura da NFLD: 17/12/2004. Data da Ciência da NFLD: 20/12/2004. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedentes as impugnações oferecidas pelos sujeitos passivos do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.786.3550 consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, decorrentes de responsabilidade solidária, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 215/229. Informa a Autoridade Lançadora que a empresa concedeu adiantamento de salário a empregados, entretanto, uma parte destes valores não foi descontada dos salários dos empregados, conforme demonstrado no ANEXO I, a fls. 218/219. Ao conceder adiantamento, a empresa debita as contas “adiantamentos gerentes”, “adiantamentos a funcionários” e adiantamentos “MTZ/Filiais”, e, quando do reembolso, credita a conta debitada originalmente. Os valores lançados a crédito das referidas contas não correspondem aos valores consignados nas folhas de pagamento a título de desconto de adiantamento. Desta forma, a diferença entre o valor creditado contabilmente (amortizado) e o efetivo desconto em folha de pagamento se configura como complemento salarial, nos termos do artigo 28, I, da Lei 8.212/1991. Houvese por realizada, ainda, glosa parcial de cotas de saláriofamília e salário maternidade, reembolsadas indevidamente pela empresa, no período de 01/1994 a 06/1994. O valor mensal correspondente à glosa foi apurado comparando o valor contabilizado a título de salário família e saláriomaternidade com o lançado nas guias de recolhimento (GRPS), a título de dedução. A diferença entre os valores lançados nas guias e o efetivamente contabilizado constituise nas glosas efetuadas; Não se conformando com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação a fls. 235/440. A Delegacia de Governador Valadares da Secretaria da Receita Previdenciária lavrou Decisão Administrativa textualizada na DecisãoNotificação nº 11.424.4/0235/205, a fls. 458/489, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 O Notificado foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27/07/2005, conforme Aviso de Recebimento a fl. 491. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Notificado interpôs recurso voluntário, a fls. 498/717, requerendo ao fim a anulação da NFLD atacada. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18159.000317/200954 Acórdão n.º 2302003.597 S2‐C3T2 Fl. 771 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/07/2005. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios em 22/08/2005, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo Fl. 774DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18159.000317/200954 Acórdão n.º 2302003.597 S2‐C3T2 Fl. 772 7 lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre, irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18159.000317/200954 Acórdão n.º 2302003.597 S2‐C3T2 Fl. 773 9 De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate aos 20 dias do mês de dezembro de 2004, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/1998, inclusive, nos termos do inciso I do art. 173 do Codex tributário. Ora, sendo de 01/05/1994 a 31/01/1995 o período de apuração do lançamento em realce, há que se reconhecer que na data da lavratura da NFLD em debate já se havia escoado integralmente o prazo concedido pela lei, na expressão do art. 173, I, do CTN, para que o Fisco procedesse à constituição do crédito tributário em questão, circunstância que se configura hipótese de sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10831.004055/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/06/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO. DESISTÊNCIA NA AÇÃO JUDICIAL E INCLUSÃO NO PROGRAMA DA LEI Nº 11.941/2009. REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO, EM QUE NÃO SE APRESENTOU DESISTÊNCIA.
A discussão quanto aos juros e às multas, que não foi objeto de ação judicial, bem como os seus respectivos montantes, não foi albergado no pedido de inclusão no programa da Lei nº 11.941/2009, formulado perante o Poder Judiciário. A desistência ali manifestada alcança apenas o que se encontrava em discussão, que era o montante principal dos tributos em questão, Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados.
Além disso, como nada consta dos presentes autos, não se pode afirmar que o contribuinte desistiu do recurso administrativo e, por conseqüência, da discussão travada na esfera administrativa quanto às multas do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, e a do inciso II do artigo 72 da Lei nº 10.833/2003.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3202-001.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Rodrigo Cardozo Miranda- Relator.
EDITADO EM: 23/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/06/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO. DESISTÊNCIA NA AÇÃO JUDICIAL E INCLUSÃO NO PROGRAMA DA LEI Nº 11.941/2009. REFLEXO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO, EM QUE NÃO SE APRESENTOU DESISTÊNCIA. A discussão quanto aos juros e às multas, que não foi objeto de ação judicial, bem como os seus respectivos montantes, não foi albergado no pedido de inclusão no programa da Lei nº 11.941/2009, formulado perante o Poder Judiciário. A desistência ali manifestada alcança apenas o que se encontrava em discussão, que era o montante principal dos tributos em questão, Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados. Além disso, como nada consta dos presentes autos, não se pode afirmar que o contribuinte desistiu do recurso administrativo e, por conseqüência, da discussão travada na esfera administrativa quanto às multas do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, e a do inciso II do artigo 72 da Lei nº 10.833/2003. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 40 55 /2 00 3- 11 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 23/08/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator. EDITADO EM: 23/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls. 227 a 229) contra o v. acórdão proferido por esta Colenda Segunda Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF (fls. 219 a 227) que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para substituir as multas de ofício de 75% do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados pela multa de 5% do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, nos termos do inciso II do artigo 72 da Lei nº 10.833/2003, aplicada com arrimo no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. O v. acórdão ora embargado tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 06/06/2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. ART. 63 DA LEI Nº 9.430/96. NÃO APLICAÇÃO Nos termos do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/96, a exclusão da espontaneidade do importador decorre do início do despacho aduaneiro por meio do registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex. MULTA DE 5%. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES, REQUISITOS OU PRAZOS. APLICAÇÃO RETROATIVA. ART. 106 DO CTN. As multas de ofício de 75% do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados devem ser substituídas pela multa de 5% do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, nos termos do inciso II do artigo 72 da Lei nº 10.833/2003, aplicada com arrimo no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. REDUÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. ART. 6º DA LEI Nº 8.212/91. DEPÓSITO JUDICIAL. ART. 81 DA LEI Nº 10.833/2003. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO BENEFÍCIO. No tocante à redução da multa de ofício de 75% com base no artigo 6º da Lei nº 8.212/91, ainda que o depósito judicial, por Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 23/08/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10831.004055/200311 Acórdão n.º 3202001.193 S3C2T2 Fl. 237 3 força da Lei nº 9.703/98, e o respectivo valor depositado encontrese à disposição da União na Conta Única do Tesouro Nacional, ele não se equipara ao pagamento, notadamente para os fins do benefício previsto no dispositivo acima aludido. Impossibilidade de aplicação da redução prevista no artigo 6º da Lei nº 8.218/91 sobre a multa de 5% do artigo 72 da Lei nº 10.833/2003 por expressa disposição deste diploma legal. MULTA DO ART. 526, II DO RA. Mantida em razão da falta de licenciamento não automático para mercadoria usada. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 04 DO 3º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Aplicação da Súmula nº 04 do 3º CC, cujo teor é o seguinte: “A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Conforme exposto no v. acórdão embargado, cuidase na presente hipótese de auto de infração em que se exigiu, em decorrência de descumprimento de regime aduaneiro especial de exportação temporária, o Imposto de Importação (II), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além de juros e multas. Em primeira instância administrativa o lançamento foi mantido na sua íntegra, sendo que o recurso voluntário interposto contra essa r. decisão, desde logo, reconheceu a concomitância com a ação judicial proposta quanto aos tributos exigidos e se limitou, portanto, à discussão dos juros e das multas. A discussão no v. acórdão embargado, assim, notadamente em face da concomitância com a discussão travada na esfera judicial, se restringiu (i) à aplicação da multa de ofício no caso de crédito tributário com a exigibilidade suspensa; (ii) à imposição da multa administrativa do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro vigente à época; e (iii) à impossibilidade de utilização da Taxa Selic como juros moratórios. Conforme destacado acima, o recurso voluntário foi provido em parte apenas para substituir as multas de ofício de 75% do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados pela multa de 5% do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, nos termos do inciso II do artigo 72 da Lei nº 10.833/2003, aplicada com arrimo no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Pois bem, em face desta r. decisão foram opostos os referidos embargos de declaração pela Fazenda Nacional. A Procuradoria da Fazenda Nacional apontou em seus embargos a ocorrência de contradição e omissão no v. acórdão, fazendoo nos seguintes termos, verbis: Eméritos Julgadores, Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 23/08/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA 4 Em que pese o r. acórdão tenha dado provimento ao recurso voluntário, o Embargado desistiu do recurso administrativo e renunciou ao direito em que se funda a ação, com fulcro na Lei nº 11.941. A respeito da questão, inclusive, o r. acórdão da apelação cível n° 001066081.2002.4.03.6105/SP, decidiu: "Tratase de Apelação em sede de "writ", objetivando suspender a exigibilidade dos débitos referentes ao Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados por encontrarse inserta no regime aduaneiro especial de exportação temporária. Considerandose que a Apelante Novapet Indústria e Comércio de Embalagens Plásticas Ltda, aderiu ao Programa de Parcelamento previsto na Lei 11.941/09, desistindo do recurso e renunciando ao direito sobre que se funda a ação (art. 269 V do CPC), ocorreu a perda de objeto da presente Apelação. Inarredável o direito de verificação por parte da autoridade administrativa, até a extinção do crédito tributário, à luz do art. 195 do CTN. Regularmente intimados, manifestaramse o Ministério Público Federal A. fls. 306, e a Unido Federal às fls. 308/311. Pelo exposto, julgo extinto o feito com apreciação do mérito nos exatos termos do art. 269, V do CPC c.c. o art. 33, XII, do R.I., desta E. Corte Regional. A questão relacionada ao cumprimento do noticiado parcelamento é de ser deduzida no Juízo "a quo". Observadas as formalidades legais, após o decurso de prazo, encaminhemse os autos à Vara de origem." Desse modo, com fulcro no Regimento Interno, art. 78, §§ 2° e 3º, a adesão ao parcelamento especial implica em renúncia ao direito em que se funda a ação, e "confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei n° 5.869 de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei". A vista do exposto e com fulcro no CPC, art. 462, cabe argüir que sejam conferidos efeitos infringentes aos presentes embargos, de modo a extinguir o feito por falta de interesse. PEDIDO Posto isso, a FAZENDA NACIONAL requer o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. Pede deferimento. (grifos e destaques nossos) É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 23/08/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 10831.004055/200311 Acórdão n.º 3202001.193 S3C2T2 Fl. 238 5 Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Os embargos opostos pela Fazenda Nacional não merecem acolhida. Com efeito, consoante exposto no relatório acima, discutiuse no julgamento do recurso voluntário, notadamente em face da concomitância com a discussão travada na esfera judicial, apenas (i) a aplicação da multa de ofício no caso do crédito tributário suspenso, (ii) a imposição da multa administrativa e (iii) a impossibilidade de utilização da Taxa Selic como juros moratórios. Além disso, o recurso voluntário foi provido apenas para parte apenas para substituir as multas de ofício de 75% do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados pela multa de 5% do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, nos termos do inciso II do artigo 72 da Lei nº 10.833/2003, aplicada com arrimo no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. O que se verifica dos embargos opostos pela Fazenda Nacional é que a Apelante Novapet Indústria e Comércio de Embalagens Plásticas Ltda, aderiu ao Programa de Parcelamento previsto na Lei 11.941/09, desistindo do recurso e renunciando ao direito sobre que se funda a ação (art. 269 V do CPC). Aderiu na ação judicial quanto ao que se discutia naquela esfera, ou seja, quanto aos tributos exigidos – II e IPI. Desta feita, a discussão quanto aos juros e às multas, que não foi objeto da ação judicial, bem como os seus respectivos montantes, não foi albergado no pedido de inclusão no programa da Lei nº 11.941/2009. A desistência ali manifestada alcança apenas o que se encontrava em discussão, que era o montante principal dos tributos em questão. Além disso, como nada consta dos presentes autos, não se pode afirmar que o contribuinte desistiu do recurso administrativo e, por conseqüência, da discussão travada na esfera administrativa. Não há que se falar, portanto, em qualquer contradição ou omissão, nem mesmo em ocorrência de fato superveniente que possibilitasse a concessão de efeitos infringentes aos embargos. Por último, vale notar que se fosse deferido o pedido formulado nos embargos, qual seja, que fossem conferidos efeitos infringentes aos presentes embargos, de modo a extinguir o feito por falta de interesse, tal medida acabaria por ser prejudicial à Fazenda Nacional, pois com a extinção do feito não poderiam nem mesmo ser exigidas as multas mantidas nos presentes autos através da r. decisão embargada, quais sejam, as multas do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, e a do inciso II do artigo 72 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 23/08/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA 6 Em suma, inexiste qualquer contradição ou omissão no v. acórdão embargado. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR os presentes embargos de declaração. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 23/08/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10166.904913/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO.
Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido por pessoas jurídicas submetidas aos regimes de apuração do lucro real, presumido ou arbitrado, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate merecem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração em que ocorreu a retenção.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à repetição ou à compensação, incumbe ao sujeito passivo.
COMPROVAÇÃO DA OFERTA À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS QUE GERARAM A RETENÇÃO.
O reconhecimento do direito à dedução do IRRF na apuração do valor do imposto a pagar, eventualmente gerando saldo negativo, reclama a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção, não constituindo óbice ao reconhecimento deste direito o eventual mero descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção.
Numero da decisão: 1102-000.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer como saldo negativo do 2º trimestre de 2001 o valor de R$ 687.093,75, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator) e Ricardo Marozzi Gregório, que reconheciam o crédito no valor de R$ 523.212,68. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Baeta Ippolito Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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COMPENSAÇÃO. Recorrente GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO. COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. Não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido por fontes pagadoras como antecipação do devido por pessoas jurídicas submetidas aos regimes de apuração do lucro real, presumido ou arbitrado, isoladamente considerado, não se presta a eventual compensação tributária. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate merecem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração em que ocorreu a retenção. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito à repetição ou à compensação, incumbe ao sujeito passivo. COMPROVAÇÃO DA OFERTA À TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS QUE GERARAM A RETENÇÃO. O reconhecimento do direito à dedução do IRRF na apuração do valor do imposto a pagar, eventualmente gerando saldo negativo, reclama a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção, não constituindo óbice ao reconhecimento deste direito o eventual mero descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 49 13 /2 00 8- 23 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer como saldo negativo do 2º trimestre de 2001 o valor de R$ 687.093,75, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé (relator) e Ricardo Marozzi Gregório, que reconheciam o crédito no valor de R$ 523.212,68. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Documento assinado digitalmente. Marcelo Baeta Ippolito – Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Manoel Mota Fonseca. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, contra a decisão prolatada no Acórdão n° 0337.190, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília–DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação de tributos pleiteada pela recorrente. Na Declaração de Compensação apresentada, foi informado como origem do crédito o pagamento indevido ou a maior de IRRF no valor original de R$ 787.500,00. De acordo com o Despacho Decisório nº 791154431 (fls. 63), não foi confirmada a existência do crédito informado, porque o DARF discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Na manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte, em síntese, o seguinte. Em abril de 2001 a BASF S/A e a recorrente celebraram transação judicial consubstanciada na Escritura Pública de Transação sob Condição suspensiva (doc. 02 da impugnação) por meio da qual a BASF se comprometeu a pagar à recorrente o montante de R$ 15.750.000,00, tendo o referido valor sido por ela contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, a BASF S/A recolheu a quantia de R$ 787.500,00 a título de imposto de renda retido na fonte, incidente à alíquota de 5% sobre o valor da indenização paga, valor este que deveria ter sido considerado como dedução do imposto devido no 1o trimestre (sic) de 2001, mas que, contudo, não o foi, por lapso no Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 4 3 preenchimento da declaração (DIPJ/2002 – doc. 03 da impugnação), de sorte que não foi utilizado como componente do saldo negativo do imposto. A negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, vez que a receita correspondente foi tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não foi utilizado até o envio das Declarações de Compensação. A administração não pode indeferir sumariamente pedidos de compensação sem se ater à verdade real contida em tais pedidos, independentemente da forma utilizada para pleitear as compensações. Ao inadmitir as declarações, com base em uma análise prefacial e rasteira, a Fazenda não cumpriu o seu dever de análise, penalizando o contribuinte, que pode vir a ser obrigado a efetuar novo pedido de compensação, tendo que se submeter aos acréscimos legais pelos quais não foi responsável. Finaliza requerendo o restabelecimento do crédito utilizado e a homologação das compensações pleiteadas, e protesta por todos os meios de provas admitidos em direito. A 2ª Turma da DRJ/Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ao fundamento de que o tipo de crédito utilizado pela contribuinte para pleitear a compensação dos débitos por ela confessados no PER/DCOMP foi “pagamento indevido ou a maior”, mas que, entretanto, pelo teor das suas alegações de defesa, a origem do crédito que deveria ter sido informado no PER/DCOMP seria “saldo negativo de IRPJ”. Ou seja, o que o contribuinte estaria pleiteando, de fato, seria uma retificação das informações contidas no PER/DCOMP transmitido, no caso, no tipo de crédito informado, o que faria com que fosse modificado substancialmente o objeto da decisão proferida pelo Despacho Decisório, sendo necessária a emissão de uma decisão completamente nova, motivo pelo qual não poderia tal retificação ser aceita. O procedimento correto seria o cancelamento do PER/DCOMP original e a emissão de um novo PER/DCOMP com as informação corretas. A decisão está assim ementada: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O TIPO DE CRÉDITO DECLARADO NO PER/DCOMP. A retificação da informação referente ao tipo de crédito informado no PER/DCOMP faria com que fosse modificado substancialmente o objeto da decisão proferida pelo Despacho Decisório, sendo necessária a emissão de uma decisão completamente nova. Nesses casos, o procedimento correto seria o cancelamento do PER/DCOMP original pela contribuinte e a emissão de outro PER/DCOMP, com as informação corretas.” Cientificada desta decisão em 29.06.2010, conforme AR de fls. 81, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 29.07.2010, fls. 85 a 108, no qual alega, em síntese, o seguinte: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 5 4 Contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade de que, ao final do exercício, cometeu o equivoco de não incluir como antecipação do imposto devido no 1º trimestre (sic) de 2001 o montante de R$ 787.500,00 de IRRF, ocorre que não houve nenhum erro. Isto porque, sendo a Recorrente optante pela tributação do IRPJ na modalidade de lucro presumido no ano de 2001, e não tendo mais nada a adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos, não cometeu nenhum equivoco, e não deveria aquele valor ter sido considerado como antecipação do devido. Diferentemente do que supõem os ilustres julgadores da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o procedimento de utilizar o crédito como “pagamento indevido ou a maior” foi a única opção da Contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa. Não se está pleiteando, de fato, uma retificação de informações contidas no PER/DCOMP transmitido, conforme assevera o relator da decisão recorrida, uma vez que a Recorrente é ciente da legislação sobre o assunto, que não permite a retificação das declarações de compensação pela Autoridade Fazendária. A Recorrente notificou extrajudicialmente a fonte pagadora para que se pronunciasse sobre o repasse/recolhimento dos valores aos cofres da Receita Federal do Brasil. Em ContraNotificação Extrajudicial da BASF S.A (doc. 02 do recurso), a mesma reafirma que o valor retido foi objeto de recolhimento em 25 de abril de 2001, dentro do prazo legal, nos termos do Ato Declaratório Executivo COSAR nº 25, de 28 de março de 2001, e anexa comprovante de arrecadação emitido pela Receita Federal do Brasil. Ocorre que o referido comprovante de recolhimento apresenta os mesmos elementos do DARF recolhido originalmente e utilizado pela Contribuinte no seu pedido de compensação, com exceção do código de receita “5204 – IRRF – JUROS INDENIZAÇÕES LUCROS CESSANTES” que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, através de REDARF, para o código de receita “1708 – IRRF – REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA”, conforme informações complementares no comprovante (“*Registro original alterado”). A alteração procedida pela fonte pagadora penalizou a Recorrente, vez que a RFB não localizou nos seus sistemas o referido documento de arrecadação. Tal fato justifica o reexame dos pedidos com o deferimento de diligência para verificar a existência do crédito demonstrado com a consequente quitação do débito cobrado sem a incidência de nenhum encargo legal. Em 1o de fevereiro de 2012, em face de novos elementos apresentados pela patrona da recorrente na própria sessão de julgamento, o colegiado determinou a sua conversão em diligência. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 6 5 Em síntese, asseverou a recorrente, naquela ocasião, que a receita correspondente (indenização paga pela BASF S/A à recorrente) fora na verdade apropriada contabilmente não em 2001, mas sim no ano calendário de 2000, em atenção ao regime de competência. Além das cópias de algumas folhas do livro Diário, que acompanharam o memorial apresentado, apresentou também em sessão o livro Diário original, no qual consta o lançamento que alegou ser do valor daquela receita, já descontado dos honorários advocatícios (o valor escriturado é de R$ 14.800.000,00). Além disto, em nova ContraNotificação Extrajudicial da BASF S.A, recebida somente após o protocolo da peça recursal, e anexa ao memorial (fls. 123124), consta o reconhecimento, por parte da BASF S.A, de que a alteração no código do DARF, bem como a sua não inclusão em DIRF, decorreu de equívoco de sua (BASF) exclusiva responsabilidade, e a informação de que ela estaria tentando junto à Receita Federal do Brasil a retificação do código de receita no DARF, bem como da própria DIRF. A diligência foi para determinar que a autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte adotasse as providências que a seguir transcrevo daquela decisão: 1. Diligencie para apurar se a receita relativa à indenização paga pela BASF S/A à recorrente foi de fato contabilizada, bem como corretamente oferecida à tributação, no ano calendário de 2000, bem como intime a empresa a esclarecer o(s) motivo(s) de ter assim procedido e a apresentar o(s) documento(s) que lastrearam a determinação do valor do lançamento assim efetuado; 2. Diligencie para apurar se o IRRF retido, no valor de R$ 787.500,00, e recolhido em 25.04.2001, não foi objeto de dedução do valor do imposto devido em qualquer período de apuração em 2000 ou 2001, ou mesmo de dedução do valor eventualmente lançado em auto de infração que tenha sido lavrado contra a recorrente, referente a estes anos, tendo em vista ter a patrona, também da tribuna, informado que a empresa sofrera fiscalização abrangendo tais períodos. 3. Acrescente os documentos comprobatórios obtidos no cumprimento dos itens 1 e 2 acima, bem como outros documentos e/ou informações que considerar relevantes. Do relatório de diligência, extraímos, em síntese, o seguinte: Com relação ao primeiro item, alegou o contribuinte que, conforme registro contábil efetuado à página 206 do Livro Diário 155 do mês de janeiro de 2000, com histórico “Receitas Diversas – Valor Referente a Processo BASF”, foi apropriado neste mês o valor de RS 14.800.000.00, tendo por base a sentença judicial, deferida em dezembro de 1999, que lhe concedeu o direito de receber, a título de indenização, a quantia de R$ 10.595.484.50, com data base de dezembro de 1996, e que este valor, atualizado pelo INPC para janeiro de 2000 e acrescido taxa de juros de 6% ao ano, atingiu o montante ajustado de R$ 14.800.000.00. Afirma o contribuinte que este valor foi incluído na Ficha 11 da DIPJ – “Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa”, bem como nas fichas 19A e 20A (Apuração do PIS e da COFINS), todas de janeiro de 2000, tendo sido, portanto, oferecido à tributação naquele ano. E que, na liquidação da sentença em abril de 2001, por meio de Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva no valor de RS 15.750.000,00, restou apenas a diferença de R$ 950.000.00, a qual foi apropriada no ano de 2001 e oferecida a tributação conforme DIPJ/2002, Ficha 14A – “Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 7 6 Presumido”, referente ao 2º trimestre de 2001, compondo o montante da receita ali declarada, de RS 1.882.642,13. A autoridade diligenciante confirmou a escrituração do montante de R$ 14.800.000,00 na contabilidade (Livro Diário 155, de janeiro de 2000, registrado na Junta Comercial do Distrito Federal em 13/08/2002, com o histórico “Receitas Diversas – Valor Referente a Processo BASF”. Contudo, tendo em vista que o contribuinte, apesar de intimado a tanto, não apresentou nem o Livro Razão, nem sequer o plano de contas contábeis, concluiu que não restou comprovado que o citado rendimento tenha feito parte da base de cálculo do IRPJ no mês de janeiro de 2000. Com relação à parcela de R$ 950.000,00 que teria sido apropriada em abril de 2001, tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer livro contábil daquele ano, alegando que, devido ao longo tempo decorrido entre o evento e a solicitação da documentação em diligência, cerca de 12 anos, os livros contábeis não haviam sido localizados, concluiu que também não restou comprovado que o citado rendimento tenha feito parte da base de cálculo do IRPJ apurado no 2º trimestre de 2001. Quanto ao solicitado no item 2 da diligência, a autoridade fiscal verificou que, de acordo com as DIPJ apresentadas, o contribuinte não se utilizou de qualquer IRRF a título de dedução, seja na apuração das estimativas, seja na apuração anual do IRPJ do ano calendário 2000, seja na apuração trimestral do IRPJ pelo lucro presumido no anocalendário 2001. E que tampouco houve a dedução de IRRF nos valores lançados em auto de infração de IRPJ (processo nº 10168.006.172/200216), no qual o contribuinte teve o seu lucro arbitrado com relação aos anos de 1999 e 2000, em vista da falta de apresentação dos livros e documentos da sua escrituração. Elaborou ainda o fiscal diligenciante uma tabela (fls. 350) na qual relacionou os diversos PER/DCOMP que se utilizaram do mesmo crédito aqui alegado. Dentre eles constam os cinco processos que ora estão em julgamento nesta Turma, além de diversos outros que aguardam julgamento em segunda instância, de dois processos em que a decisão de não homologação dada no despacho decisório tornouse definitiva, uma vez que o contribuinte não apresentou manifestação de inconformidade, e de um que foi tacitamente homologado pelo decurso do prazo fatal. Cientificado do teor do relatório de diligência, que concluiu não ser legítimo o direito creditório pleiteado, manifestouse o contribuinte, reprisando seus argumentos de defesa, já aqui expostos, e afirmando que a documentação já acostada aos autos demonstra cabalmente a existência do crédito, e que não poderia o fisco, a pretexto de verificar a existência de saldo a restituir, reabrir a análise de fatos ocorridos em períodos já abrangidos pela decadência, sendo absurda, portanto, a exigência fiscal de apresentação dos livros de sua escrituração. Ademais, a diligência comprovou que o crédito não foi por nenhuma outra forma aproveitado, que não pelas compensações indeferidas. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 8 7 E, ainda, foi confirmado pelo auditor fiscal que a tributação do ano de 2000 foi feita pela fiscalização pelo arbitramento, com base no valor do ativo total da contribuinte. O valor base tomado para o arbitramento (R$ 106.847.809,07, em cada um dos quatro trimestres) é muito superior ao valor da receita alegadamente não oferecida à tributação, pelo que não pode subsistir a argumentação de que o crédito não foi devidamente tributado. Se os fiscais adotaram uma presunção legal para fazer o arbitramento, lhes é vedado valerse de dados da escrituração, por eles mesmos rejeitada, para indeferir a compensação pleiteada. Finaliza requerendo a reforma integral da decisão recorrida, com a validação do seu crédito e o deferimento da compensação efetuada. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O crédito informado no PER/DCOMP é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF. Entretanto, conforme sustenta a recorrente desde a inicial, e também o comprova a cópia do DARF anexo aos autos, a retenção se deu em virtude da indenização paga pela BASF S/A à recorrente (retenção sob o código 5204 – IRRF – JUROS E INDENIZAÇÕES POR LUCROS CESSANTES). Assim dispõe o art. 60 da Lei nº 8.981, de 1995 sobre o assunto (grifei): “Art. 60. Estão sujeitas ao desconto do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de cinco por cento, as importâncias pagas às pessoas jurídicas: I a título de juros e de indenizações por lucros cessantes, decorrentes de sentença judicial; Parágrafo único. O imposto descontado na forma deste artigo será deduzido do imposto devido apurado no encerramento do períodobase.” Tratase, portanto, de imposto retido na fonte a título de antecipação do IRPJ devido, o que define, em primeiro lugar, a competência desta Primeira Seção de Julgamento para a análise do pleito, nos termos do Regimento Interno do CARF. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 9 8 Em segundo lugar, por tudo o quanto já exposto no relatório, por certo não se trata de retenção indevida ou a maior que o devido, pois é incontroverso que a indenização recebida deveria submeterse à incidência do imposto na fonte, e no exato valor em que foi feita. Cediço que, não se tratando de retenção indevida, o imposto de renda retido na fonte a título de antecipação do IRPJ devido, por si só, não é passível de restituição. Apenas o saldo negativo eventualmente decorrente da contraposição dessas retenções ao valores declarados como devidos, nos respectivos períodos de apuração, é que pode ser objeto de restituição. Neste sentido, os seguintes precedentes do CARF, sendo um deles desta Turma de julgamento: Acórdão 110200174, sessão de 07.04.2010, relator José Sérgio Gomes: IRPJ. SALDO NEGATIVO. Os recolhimentos mensais em bases estimadas efetuadas pela empresa optante do regime de tributação do lucro real anual, bem assim o imposto de renda retido por fontes pagadoras (IRRF), caracterizam meras antecipações do tributo devido no final do período de competência e, tomadas isoladamente, são inservíveis para eventual compensação tributária que não na composição do próprio IRPJ do período. Acórdão 19500.021, sessão de 16.09.2008, relator Benedicto Celso Benício Junior: COMPENSAÇÃO IRRF O imposto de renda retido na fonte incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, não pode ser compensado diretamente com tributos e contribuições Os valores retidos devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de imposto em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo de IRPJ . O IRRF não é, por si só, passível de restituição/compensação. Portanto, inapropriado falarse, no caso em análise, em restituição de imposto de renda retido na fonte. Não obstante, eventuais pleitos desse quilate não podem ser indeferidos, pura e simplesmente, em razão do equívoco na formulação, senão antes devem ser tratados sob a ótica de saldo negativo de IRPJ, fruto da contraposição das antecipações que se pretendeu repetir com o imposto de renda apurado no final do período de apuração. Esta, aliás, foi a tese da defesa apresentada em sede de manifestação de inconformidade. Na ocasião, sustentou a recorrente que o valor do IRRF, que deveria ter sido considerado como antecipação do devido, não o foi, por mero lapso no preenchimento da DIPJ, e asseverou que a receita correspondente fora tributada juntamente com os demais rendimentos. Em análise da DIPJ/2002 acostada aos autos (doc. 03 da impugnação), é possível verificar que, de fato, o IRRF de R$ 787.500,00 recolhido em 25.04.2001 não foi incluído na apuração do 2º trimestre daquele ano calendário, pois a linha 25 da ficha de apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido, relativa à dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte acusa valor igual a zero. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 10 9 Entretanto, a mesma ficha aponta valores declarados de receita neste trimestre iguais a tão somente R$ 1.882.642,13 (receitas submetidas a percentual de presunção do lucro) e R$ 77.078,78 (demais receitas acrescidas à base de cálculo do lucro), enquanto que o valor da indenização auferida monta a R$ 15.750.000,00. As alegações de impugnação, portanto, não foram confirmadas. Contudo, conforme já relatado, em sede recursal a recorrente alterou a sua linha de defesa, aduzindo que não cometera nenhum erro de preenchimento na DIPJ, ao entendimento de que o referido imposto não deveria ser considerado como antecipação do devido, e que nada teria a adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos. E que, como estava submetida ao regime do Lucro Presumido em 2001, não haveria de se falar em base negativa, de sorte que sua única opção de utilização do crédito seria “pagamento indevido ou a maior”. Tais argumentos, contudo, não prosperam, pois “saldo negativo” de imposto nada mais é do que outra forma de denominar o saldo de imposto a ser compensado, sendo que este pode aflorar qualquer que seja a forma de apuração do lucro: real, presumido, ou mesmo arbitrado. Assim, as afirmativas de que a sua única opção de utilização do crédito seria como “pagamento indevido ou a maior”, e de que a retenção não deveria ser considerada como antecipação do devido, contrariam não apenas as razões iniciais de defesa da própria recorrente, bem como, de modo frontal, a legislação de regência da matéria, já acima citada. Nada obstante a inconsistência entre as teses esposadas na impugnação e no recurso, e, ainda, por fim, a nova alteração nos argumentos de defesa, feita na sessão de janeiro de 2012, agora para asseverar que substancial parte da receita correspondente à indenização paga pela BASF S/A já teria sido apropriada não em 2001, mas sim em 2000, tendo em vista os novos elementos de prova apresentados naquela oportunidade, entendeu por bem o Colegiado determinar a realização de diligência, a fim de verificar se as receitas relativas à indenização paga pela BASF à recorrente haviam sido de fato contabilizadas e oferecidas à tributação na forma e montantes em que alegado, exigência esta necessária para que a fonte possa ser deduzida do saldo do imposto a pagar no encerramento do período de apuração, consoante dispõe a legislação de regência e a jurisprudência do CARF, exemplificativamente aqui referenciada pelos seguintes acórdãos: Acórdão 10243.952, sessão de 21.10.1999, relator Antonio de Freitas Dutra: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF — COMPENSAÇÃO — Imposto de renda retido na fonte sobre receitas financeiras somente poderão ser objeto de compensação com o IRPJ, e assim, passível de restituição quando estas receitas tenham sido oferecidas à tributação na declaração de ajuste. Acórdão 10419.556, sessão de 11.09.2003, relator José Pereira do Nascimento: IRRF — RESTITUIÇÃO — O imposto de renda de pessoa jurídica, retido na fonte como antecipação, somente é restituível mediante á entrega da declaração de rendimentos, relativo ao ano calendário da retenção e desde que observado as regras que disciplinam a matéria. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 11 10 Por sua vez, o eventual descompasso entre o período em que os rendimentos foram oferecidos à tributação e o período em que houve a retenção não constitui óbice ao reconhecimento do direito creditório, desde que feita a comprovação da oferta dos rendimentos à tributação. Neste sentido, cito o seguinte precedente desta Turma (Acórdão 110200.438, sessão de 26 de maio de 2011): RECEITAS FINANCEIRAS. RETENÇÃO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Em razão da adoção do regime de competência para o reconhecimento das receitas financeiras, pode haver descompasso temporal entre a tributação das mesmas pelo imposto de renda ao final do respectivo período de apuração, e a efetiva retenção do imposto na fonte, circunstância esta que não invalida a plena dedução do imposto de renda retido no período de apuração em que ocorrer a retenção, entretanto, é necessário que seja feita a prova, com elementos da escrituração comercial e fiscal da requerente, de que as receitas foram de fato oferecidas à tributação em períodos anteriores. E. ainda, no mesmo sentido, este precedente de outro Colegiado: Acórdão 10709.303, sessão de 05.03.2008, relator Jayme Juarez Grotto: SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Mostrase equivocada a decisão que negou aproveitamento de parte do IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras ao argumento de que, no mesmo ano calendário, as receitas de aplicações financeiras declaradas foram inferiores ao que seria de se esperar em face dos valores retidos e considerada a aliquota de 20%. Sendo os rendimentos oferecidos à tributação pelo regime de competência, parte das receitas correspondentes foram tributadas em períodos anteriores, como demonstrado pela recorrente. Na diligência, restou confirmado que o montante de R$ 14.800.000,00 foi efetivamente lançado na contabilidade (livro Diário), a crédito da conta “Receitas Diversas”, no mês de janeiro de 2000, com o histórico “Valor Referente a Processo BASF”. Ademais, o lançamento contábil feito em janeiro de 2000 (tendo a retenção ocorrido somente em abril de 2001) se justifica em razão da sentença judicial ter sido deferida em dezembro de 1999. Tanto a recorrente quanto a autoridade diligenciante, contudo, preocuparam se em demonstrar a inclusão (ou não inclusão) do referido valor no cálculo da estimativa do mês de janeiro de 2000, sem qualquer preocupação com a sua inclusão ou não na base do imposto efetivamente apurado no ano de 2000, que é o que realmente importa. É evidente que a demonstração de que o valor teria integrado a base de cálculo da estimativa de janeiro seria forte indício de sua consideração também na base de cálculo anual, contudo, nesta parte, há que se dizer que falhou a recorrente em demonstrálo adequadamente, e esta foi também a conclusão da autoridade diligenciante. De fato, a recorrente apenas argumentou que o valor de R$ 14.800.000,00 compunha o montante de R$ 69.156.649,26, informado no mês de janeiro de 2000 nas fichas Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 12 11 19A e 20A da DIPJ, bem como que estaria incluído na base de cálculo oferecida à tributação na ficha 11 da DIPJ, mas sequer se preocupou em demonstrar de que forma isto se deu. As fichas 19A e 20A tratam apenas da apuração do PIS e da COFINS, não servindo para a finalidade almejada. Já a ficha 11, que trata da apuração do imposto devido por estimativa, indica que em janeiro de 2000 a recorrente optou pela forma de apuração com base na receita bruta e acréscimos, o que correspondeu a uma base de cálculo de R$ 5.659.231,25, mas não há qualquer demonstração do seu cálculo, e nem é possível inferir, a partir desta base informada, que o valor da receita de R$ 14.800.000,00 estaria lá incluso. Tampouco se pode dar guarida ao derradeiro argumento apresentado pela recorrente em sua manifestação acerca da diligência efetuada, no sentido de que, por ter ela sido submetida ao arbitramento do seu lucro pela fiscalização no ano de 2000, haveria que se reputar ter sido aquela receita integralmente tributada. Ora, o arbitramento do lucro não constitui um “cheque em branco” que permita concluir que toda e qualquer receita auferida pelo sujeito passivo, até mesmo as eventualmente omitidas, tenham sido alcançadas pela tributação do imposto, senão antes trata se o arbitramento de medida extrema, aplicada nos casos em que impossível a apuração do lucro por outra forma. No caso concreto, inclusive, o que se colhe das cópias acostadas aos autos dos autos de infração e do relatório fiscal relativos ao arbitramento feito (que é objeto de outro processo), é que não somente o arbitramento foi necessário em razão da falta de apresentação dos livros por parte do contribuinte, como sequer foi possível fazer o arbitramento valendose da receita bruta conhecida. Ou seja, o arbitramento foi feito tomando se por base o valor do ativo total do contribuinte, aplicandose os coeficientes previstos em lei, e isto, por certo, não constitui prova alguma de que aquela receita de indenização recebida pela recorrente tenha sido oferecida à tributação. Entretanto, em que pese a deficiência na demonstração por parte da recorrente de que teria oferecido a receita à tributação em janeiro de 2000, bem como a inconsistência das demais alegações recursais, com base em elementos diversos, entendo haver prova suficiente nos autos de que pelo menos parte daquele valor restou oferecido espontaneamente à tributação pela recorrente no ano de 2000. Explico. Conforme dito, restou confirmado que o montante de R$ 14.800.000,00, com o histórico “Valor Referente a Processo BASF”, foi lançado a crédito da conta “Receitas Diversas” em janeiro de 2000. Por sua vez, na cópia autêntica da Demonstração do Resultado do Exercício em 31.12.2000 apresentada pela recorrente (fls. 253), consta a conta “Receitas Diversas” com valor informado de R$ 13.741.721,02. A diferença a menor pode ser decorrente de inúmeras razões, que não cabe aqui especular, e tampouco há elementos nos autos que possam esclarecêlo. Entretanto, e em que pese se saiba que, em sede de restituição ou compensação, a prova do indébito tributário incumba ao sujeito passivo, em razão de todas as peculiaridades do caso concreto já exaustivamente relatadas, entendo que deva ser reconhecido que a parcela de R$ Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 13 12 13.741.721,02, daquela receita de indenização, foi oferecida à tributação pelo imposto de renda pelo próprio contribuinte em 2000. Isto porque, na mesma Demonstração do Resultado do Exercício já referida, verificase que o lucro líquido contábil do ano de 2000, no qual está incluída aquela parcela de R$ 13.741.721,02, foi de ()R$ 842.108,46 (prejuízo). E, ao consultarmos a DIPJ referente àquele ano, na ficha 06A – Demonstração do Resultado, vemos que o valor do lucro líquido do período informado pelo contribuinte é rigorosamente o mesmo (R$ 842.108,46), e que este foi também o valor base para a apuração do lucro real na ficha 09A da mesma DIPJ, ao qual foram agregadas tão somente adições (nenhuma exclusão ou compensação), resultando em lucro real declarado. Por outro lado, com relação à parcela de R$ 950.000,00, que teria sido apropriada pela recorrente em abril de 2001, não há como discordar das conclusões da autoridade diligenciante, que reputou não ter sido comprovada a alegação feita. De fato, a recorrente limitase a alegar que a referida parcela compõe o montante de R$ 1.882.642,13, correspondente à base de cálculo do IRPJ apurado no 2º trimestre de 2001, conforme a DIPJ apresentada, contudo, não apresenta qualquer elemento de prova que dê respaldo a tal afirmação. Neste contexto, mais uma vez lembrando que a prova do indébito, fato jurídico a dar fundamento ao direito, cabe ao sujeito passivo que o alega, concluo não ter sido comprovada a oferta da referida parcela à tributação. Descabida é a alegação recursal de que não poderia mais o fisco exigir a apresentação dos livros de sua escrituração, após o decurso do prazo de cerca de 12 anos desde os fatos a serem analisados, pois, conforme dito, é ao contribuinte que incumbe o ônus de provar o seu direito. Do quanto até aqui exposto, temos, portanto, que, da receita total de R$ 15.750.000,00, houve a comprovação do oferecimento à tributação da parcela de R$ 13.741.721,02, o que corresponde ao percentual de 87,25%, o qual deve, então, ser aplicado à retenção sofrida (R$ 787.500,00), gerando o valor de retenção, passível de dedução do saldo a pagar do imposto de renda, de R$ 687.093,75. Tal valor, conforme já referido, deve ser oposto ao valor do imposto de renda apurado no período em que ocorreu a retenção, a fim de que se verifique: (i) a redução do saldo do imposto a pagar; ou então (ii) a apuração do eventual saldo credor, também denominado de saldo negativo do imposto. Neste sentido, a diligência solicitada por este colegiado confirmou que a referida retenção não foi objeto de dedução, pelo contribuinte, do valor do imposto devido em qualquer período de apuração em 2000 ou 2001, e nem tampouco de dedução, pela autoridade fiscal, do valor lançado em auto de infração lavrado contra a contribuinte, de sorte que remanesce íntegro o seu direito ao aproveitamento na dedução do imposto apurado no 2º trimestre de 2001, o qual ora se reconhece. Tendo em vista os dados constantes na DIPJ referente a este período de apuração (fls. 217), temos que o contribuinte apurou um imposto a pagar de R$ 163.881,07, e não deduziu a referida retenção. Se o tivesse feito, apuraria um valor de saldo negativo, ou de imposto a restituir, de R$ 523.212,68. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 14 13 Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer que o montante do crédito de saldo negativo de imposto de renda do 2º trimestre de 2001 equivale a R$ 523.212,68, devendo a autoridade administrativa reconhecer a homologação das compensações declaradas até o montante do crédito assim reconhecido, nos termos da legislação de regência da matéria. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. Com a vênia devida ao Nobre Conselheiro Relator, divirjo parcialmente do entendimento exposto no v. voto proferido especificamente no que se refere ao quantum do saldo negativo pleiteado que é passível de restituição. Com efeito, na conclusão do Nobre Conselheiro Relator, quanto ao direito do Contribuinte ao crédito de saldo negativo de imposto de renda do 2º Trimestre de 2001, não merece reparos. No entanto, entendo que não deva ser excluído o valor de R$ 163.881,07. De acordo com o entendimento do Nobre Conselheiro Relator, uma vez que o que se busca é a restituição do saldo negativo e que este apenas surge quando as antecipações/retenções forem superiores ao montante devido no período, para a definição do montante passível de restituição, deveria ser refeita a apuração do imposto devido no 2º trimestre de 2001. Neste sentido, considerando que no 2º trimestre de 2001 o contribuinte teria apurado um valor de Imposto de Renda a pagar no montante de R$ 163.881,07, o valor do saldo negativo passível de restituição deveria ser deduzido deste valor. No entanto, partindose da premissa de que, seja quando do despacho decisório, seja no decorrer do presente processo, mesmo após a realização de diligência, em momento algum foi apontada a existência de débito no 2º trimestre de 2001, não há como se considerar que o valor em questão esteja em aberto e, portanto, deva ser deduzido do montante do saldo reconhecido. De fato, às fls. 214 da DIPJ apresentada pelo contribuinte, consta a existência de saldo a pagar de IRPJ no montante de R$ 163.881,07. Ocorre que, neste momento, não é cabível a análise sobre a exigibilidade deste valor. O que se discutiu no presente processo e restou comprovado, dentro dos limites apresentados pelo Nobre Conselheiro Relator, é que, primeiro, parte significativa das receitas que serviram de base para a retenção do Imposto de Renda foram oferecidas à tributação e, segundo, as retenções sofridas pela Recorrente, em virtude da receita auferida e no montante por ela oferecido à tributação, não foram utilizadas na dedução do imposto a pagar. Neste sentido, se os valores tiveram sua retenção confirmada e não foram utilizados pela Recorrente, ainda que o pedido tenha sido formulado de maneira equivocada, em homenagem ao princípio da verdade material e de forma a se evitar o enriquecimento sem causa do Erário, é certo que o crédito em questão existe sendo passível de restituição. Ainda que se pudesse admitir a análise do valor em questão, deveria ter sido oportunizado à Recorrente a comprovação de sua quitação de forma a afastar a dedução pretendida pelo Nobre Conselheiro Relator. Contudo, não foi dada a oportunidade ao Contribuinte de comprovar a quitação deste débito, por exemplo, pela apresentação de DARF ou de PER/DCOMP. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME Processo nº 10166.904913/200823 Acórdão n.º 1102000.995 S1C1T2 Fl. 16 15 Exigir neste momento esta quantia do Contribuinte, ainda que por meio de dedução do valor de seu crédito, sem que ele tenha tido a oportunidade de apresentar prova de que o valor encontrase extinto, configuraria cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, o valor de R$ 163.881,07, se devido, deveria ser objeto de lançamento, por meio da entrega, pelo Contribuinte, de DCTF. Se o contribuinte, por outro lado, não procedeu à entrega deste documento, o qual constitui o débito, caberia à Receita Federal lançalo de ofício, por meio da lavratura de Auto de Infração. Tendo ocorrido o primeiro caso, ou o contribuinte efetuou o pagamento, ou o débito foi encaminhado à Dívida Ativa para cobrança judicial. Tendo ocorrido o segundo caso, o débito é ou foi objeto de procedimento administrativo próprio. Contudo, independentemente do ocorrido, repisese, não houve qualquer menção a este valor quando do despacho decisório ou, ainda, nas oportunidades dadas à D. Fiscalização no decorrer dos presentes autos. Não se pode admitir, assim, que este C. Conselho quando da prolação de seu julgamento, inove nos autos, procedendo à cobrança de valor que sequer há provas de ser devido. Dessa forma, entendo que o crédito de saldo negativo de imposto de renda do 2º trimestre de 2001, passível de restituição, equivale a R$ 687.093,75, nos termos da fundamentação exarada pelo voto do Nobre Relator. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado no valor de R$ 687.093,75, homologandose, por consequência, as compensações realizadas nos limites do crédito reconhecido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Marcelo Baeta Ippolito – Redator designado. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 12/2014 por MARCELO BAETA IPPOLITO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN TH OME
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Numero do processo: 13964.000917/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/09/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando caracterizado que a fiscalização aguardou por prazo razoável que a contribuinte apresentasse a documentação obrigatória antes que se decidisse pela exclusão do Simples, fica afastada a hipótese de cerceamento de defesa.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. INCIDÊNCIA DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91.
A exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte implica a sujeição compulsória do contribuinte, desde a data da produção dos efeitos da exclusão, às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor da multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando caracterizado que a fiscalização aguardou por prazo razoável que a contribuinte apresentasse a documentação obrigatória antes que se decidisse pela exclusão do Simples, fica afastada a hipótese de cerceamento de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 09 17 /2 00 8- 23 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. INCIDÊNCIA DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. A exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte implica a sujeição compulsória do contribuinte, desde a data da produção dos efeitos da exclusão, às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor da multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 59 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007 Data da lavratura do AIOA: 22/09/2008. Data da Ciência do AIOP: 24/09/2008. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Florianópolis/SC que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.002.3650, Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 07/11. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec. 4.729, de 09/06/2003. De acordo com a resenha fiscal, em 12 de novembro de 2007 o sujeito passivo foi excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. A exclusão, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2004, foi formalizada através do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 62/2007, a fl. 11, emitido pela Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC. Inobstante a citada exclusão, no período de janeiro/2004 a junho/2007, o autuado declarou indevidamente através de GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, que era optante do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído pela Lei n° 9.317/96. Aduz a Fiscalização que, ao tomar conhecimento da sua exclusão do SIMPLES, o autuado deveria ter providenciado a retificação das GFIP já declaradas e informar sua situação (não optante) nas GFIP subsequentes. Ao não adotar tais medidas, o valor declarado da contribuição devido à Previdência Social deixou de contemplar a parte da empresa (cota patronal), omitindo, desta forma, o valor correto da contribuição social devida, infringindo assim o disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei n° 8.212/91 e Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 alterações posteriores, bem como o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99. O débito referente à contribuição social previdenciária da empresa, não declarada em GFIP, foi constituído através do Auto de Infração n° 37.002.3641. Em decorrência da infração praticada, houvese por aplicada a multa prevista no artigo 32, IV, §5° da Lei n° 8.212/91 e do artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, atualizada de acordo com a Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11/03/2008, no valor de R$ 43.589,77 (quarenta e três mil, quinhentos e oitenta e nove reais e setenta e sete centavos), conforme Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fl. 08 e planilha de cálculo a fls. 09/10. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 15/21. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0716.856 – 5ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 30/43, julgando procedente em parte o lançamento e retificando o crédito tributário. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/08/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 46. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 47/53, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: · Que foi cerceado o direito do Recorrente de produzir as provas que entende ser imprescindíveis para o correto deslinde da questão, bem como pelo fato de nem todas suas alegações terem sido analisadas; · Que o ato de exclusão da empresa Recorrente do SIMPLES sequer se deu de forma definitiva, posto que o Processo Administrativo que o ensejou encontrase em grau de recurso, sem decisão definitiva; · Requer que sejam deduzidos os valores já pagos na sistemática do simples, bem como a multa e juros inerentes a esses valores. Ao fim, requer a anulação do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 60 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 07/08/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Recorrente alega que foi cerceado o seu direito de produzir as provas que entende ser imprescindíveis para o correto deslinde da questão, bem como pelo fato de nem todas suas alegações terem sido analisadas. Sem razão, contudo. Revelase oportuno salientar ab initio que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o Julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo não se presta a satisfazer a tese defendida pelo Contribuinte ou sob sua ótica, tampouco àquelas esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Há que se considerar, igualmente, que o Ordenamento Jurídico Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes. Mesmo no Processo Administrativo Fiscal, o sistema do livre convencimento motivado constituise prerrogativa do órgão julgador administrativo, conforme estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem ser valorados com ampla liberdade, desde que tal operação intelectual seja realizada motivadamente, com o que se permite a aferição dos parâmetros de legalidade e de razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora. Notório o escólio de Gomes Filho (in Direito à Prova no Processo Penal. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. 162): “Se de um lado, em oposição ao critério das provas legais, o livre convencimento pressupõe a ausência de regras abstratas e gerais de valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais, por outro implica a observância de certas prescrições tendentes a assegurar a correção epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 61 7 Com efeito, na formação do convencimento da Autoridade Julgadora, devem aliarse liberdade e responsabilidade na atividade de identificação da subsunção do fato concreto à norma jurídica de regência, de valoração das provas, sob a ótica que demanda a controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por desígnio propiciar ao Julgador a convicção sobre a ocorrência de um fato, não somente em relação sua existência, mas, também, quanto às circunstâncias substanciais pertinentes ao evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência. No caso em exame, verificamos que o Órgão Julgador de 1ª Instância considerou em seu Acórdão todas as matérias de efetivo relevo para a formação da convicção permeada na decisão proferida. Por outro viés, o Recorrente também não indica quais teriam sido as alegações que o Órgão Julgador de 1ª Instância supostamente teria deixado de analisar em seu Acórdão, circunstância que inviabiliza o exame da relevância de tal análise para o adequado aclaramento do litígio, não possuindo este Relator aptidões metafísicas para vislumbrálas na caligem das argumentações dos autos. No que pertine à produção de provas, mostrase alvissareiro trazer à balha que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a Fl. 64DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 62 9 Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO JULGAMENTO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONEXO. O Recorrente argumenta que o ato de exclusão da empresa do SIMPLES sequer se deu de forma definitiva, posto que o Processo Administrativo que o ensejou encontrase em grau de recurso, sem decisão definitiva. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Consta nos autos que o contribuinte TRANSPORTES HAAS & MARTINS LTDA houvese por excluído do SIMPLES, com efeitos a contar de 1º de janeiro de 2004, por prática de infração reiterada à legislação tributária nos anos de 2004 e 2005, consoante o artigo 7º da Lei n° 9.317/96, fato que importa em hipótese de exclusão de oficio do SIMPLES, com fundamento no art. 14, V, do Diploma Legal acima aludido. Tal exclusão encontrase formalizada no Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 62/2007, a fl. 56, expedido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11516.005310/200710, ocasião em que foi oportunizado ao Contribuinte em tela a apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC. Acórdão nº 0713.242 – 3ª Turma da DRJ/FNS, de 25 de julho de 2008, a fls. 216/239, proferido nos autos do PAF nº 11516.005310/200710, decidiu pela procedência da Exclusão da interessada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Inconformada, a Interessada interpôs Recurso Voluntário em face do citado Acórdão nº 0713.242 – 3ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 246/271, o qual recurso houvese por julgado procedente em parte, tão somente, para admitir que os tributos comprovadamente pagos, referentes aos nos anoscalendário de 2004 e 2005, sob a modalidade do SIMPLES, fossem utilizados para fins de compensação com os valores apurados naquele auto de infração, mantida a exclusão da empresa Recorrente do SIMPLES com a procedência integral do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 62/2007, conforme Acórdão nº 1402000.312 – 4ª Turma/2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, de 10 de novembro de 2010, a fls. 272/289, proferido nos autos do PAF nº 11516.005310/200710. Devidamente intimada do Acórdão acima citado, a Interessada deixou escoar o prazo normativo sem a interposição de qualquer recurso em face do Acórdão nº 1402 000.312 – 4ª Turma/2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, circunstância que culminou no Trânsito em Julgado do suso citado Acórdão, bem como na definitividade do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 62/2007. Nessa vertente, nos termos do ADE DRF/FNS n° 62/2007, desde a data de 1º de janeiro de 2004, a empresa Recorrente não mais se encontra amparada pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, devendo, portanto, cumprir as obrigações tributárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. No presente lançamento, foram lançadas as contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados e segurados contribuintes individuais (sóciogerente), conforme estabelecido nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, cujos fatos geradores houveramse por apurados a partir dos registros constantes nas folhas de pagamentos confeccionadas em nome do sujeito passivo, relativas ao período de janeiro/2004 a junho/2007, conforme exposto no Discriminativo Analítico de Débito – DAD, a fls. 06/19. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados Fl. 67DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 63 11 empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). Nesse contexto, havendo sido excluída, de maneira definitiva, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, a empresa passa a se sujeitar, desde a data da produção de efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 62/2007, às obrigações tributárias impostas às empresas em geral. Merece ser mencionado que a obrigação principal referente aos mesmos fatos geradores de que trata o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória foi objeto de lançamento tributário, formalizado na mesma ação fiscal, sendo o crédito tributário constituído mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.002.3641, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 13964.000913/200845, o qual foi julgado parcialmente procedente por esta mesma Turma Ordinária, tão somente para que se autorizasse a dedução, do montante devido decorrente daquele lançamento de ofício, dos valores já recolhidos pelo contribuinte na sistemática do SIMPLES, e destinados exclusivamente ao financiamento da Seguridade Social, na forma exposta no artigo 23 da Lei nº 9.317/96, observados os valores já deduzidos pela Fiscalização, nos termos expostos na planilha aviada no item 6 do Relatório Fiscal do AIOP nº 37.002.3641, e na coluna “DIVERSOS” dos créditos considerados no Discriminativo Analítico de Débito do PAF nº 13964.000913/200845. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o §5º do art. 32 do Pergaminho Legal em foco, na redação dada pela Lei nº 9.528/97, aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de entrega de GFIP contendo incorreções ou omissões relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 64 13 No mesmo sentido, assim dispõem os artigos 225, IV e 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social. Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova mensalmente, dessumese de forma hialina que cada apresentação de GFIP com omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista na lei de forma isolada das demais. Assim, ainda que a sanção a todas as infrações representativas de cada uma das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração, o valor da multa a ser estipulada para cada infração (competência) tem que ser calculada individualmente mediante a aplicação, na íntegra, da memória de cálculo estabelecida no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e, ao fim, devidamente somadas. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 65 15 III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; No caso em apreço, o valor mínimo acima referido acima foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11/03/2008. Procedente, portanto, o lançamento tributário levado ora a cabo pela Autoridade Fiscal Fazendária. 3.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Mudamse os tempos, mudamse as vontades, Mudase o ser, mudase a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as magoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 O tempo cobre o chão de verde manto, Que já cuberto foi de neve fria, E enfim converte em choro o doce canto. E, afora este mudarse cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soia. Luís de Camões Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária aplicada à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Preliminarmente, deve ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 66 17 foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 67 19 que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 68 21 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada para todo o lançamento, unicamente, a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3.3. DOS VALORES PAGOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. O Recorrente requer que sejam deduzidos os valores já pagos na sistemática do simples, bem como a multa e juros inerentes a esses valores. Com efeito, as contribuições vertidas na sistemática do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte comportam parcela destinada ao custeio da seguridade social, em substituição às contribuições previstas na Lei Complementar no 84/96, e nos artigos 22 e 22A da Lei nº 8.212/91, conforme estatuído no art. 3º da Lei nº 9.317/96. Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13964.000917/200823 Acórdão n.º 2302003.590 S2‐C3T2 Fl. 69 23 Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. §1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001) §2° O pagamento na forma do parágrafo anterior não exclui a incidência dos seguintes impostos ou contribuições, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: a) Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF; b) Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros II; c) Imposto sobre Exportação, para o Exterior, de Produtos Nacionais ou Nacionalizados IE; d) Imposto de Renda, relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pela pessoa jurídica e aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável, bem assim relativo aos ganhos de capital obtidos na alienação de ativos; e) Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR; f) Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira CPMF; g) Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; h) Contribuição para a Seguridade Social, relativa ao empregado. §3° A incidência do imposto de renda na fonte relativa aos rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável e aos ganhos de capital, na hipótese da alínea "d" do parágrafo anterior, será definitiva. §4° A inscrição no SIMPLES dispensa a pessoa jurídica do pagamento das demais contribuições instituídas pela União. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Como visto, as exações vertidas na sistemática do SIMPLES apenas comportam as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em substituição às contribuições previstas na Lei Complementar no 84/96, e nos artigos 22 e 22A da Lei nº 8.212/91, inexistindo qualquer parcela destinada ao pagamento de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento objetivo de obrigação acessória. Citese, ainda, que, de acordo com o item “6. DISPOSIÇÕES FINAIS” do Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.002.3641, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 13964.000913/200845, lavrado na mesma ação fiscal, “Foram considerados como créditos do sujeito passivo, no período de janeiro/2004 a dezembro/2005, os valores das contribuições para a seguridade social inseridos nos recolhimentos efetuados pelo mesmo quando dos pagamentos pelo sistema SIMPLES, nos termos da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e alterações”, nos montantes expostos na planilha aviada no Relatório Fiscal daquele AIOP, bem como na coluna “DIVERSOS” dos créditos considerados no Discriminativo Analítico de Débito do PAF nº 13964.000913/2008 45. Inexiste, portanto, no presente caso, qualquer crédito de titularidade do Sujeito Passivo decorrente de contribuições recolhidas na sistemática do SIMPLES, que possa ser objeto de dedução do montante devido no presente lançamento. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, tão somente para que o valor da penalidade pecuniária seja recalculado, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13961.000029/2003-26
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE.
A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada ano-calendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, troca de regime no curso do ano-calendário.
CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96.
Incabível considerar como insumo os gastos com energia elétrica.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96.
O valor referente ao beneficiamento dos insumos, efetuado por terceiros, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de prestação de serviços, que não está compreendida no conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem.
Numero da decisão: 3803-006.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada anocalendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, troca de regime no curso do anocalendário. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. Incabível considerar como insumo os gastos com energia elétrica. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. O valor referente ao beneficiamento dos insumos, efetuado por terceiros, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de prestação de serviços, que não está compreendida no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 1. 00 00 29 /2 00 3- 26 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis (fls. 150/151), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI. A contribuinte solicitou o ressarcimento de IPI para o 4º trimestre de 2002 (fl. 01), no valor total de R$ 47.869,33, sendo R$ 973,63 de saldo credor da escrita fiscal e R$ 46.895,70 de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97. Com base na informação fiscal de fls. 141/149, o pedido foi deferido parcialmente no montante de R$ 35.870,04, tendo sido reconhecido integralmente o direito ao saldo credor na escrita de R$ 973,63, e parcialmente o crédito presumido de R$ 34.896,41, em virtude dos seguintes motivos: 1. Quando apresentou a DCTF do 4º trimestre de 2001 optou por apurar o crédito presumido de IPI no ano de 2002 pela sistemática prevista na Lei nº 9.363/96, mas no momento da apuração utilizou indevidamente a sistemática prevista na Lei nº 10.276/2001; 2. A opção pela apuração prevista na Lei nº 9.363/96 era irreversível; 3. A apuração pela Lei nº 9.363/96 não admite a inclusão, nos custos, da energia elétrica e da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 210/213, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Embora terceirize a industrialização, de fato é a recorrente que suporta os gastos com a energia elétrica, e por isso, esses gastos devem ser considerados na apuração do crédito presumido; Fl. 282DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000029/200326 Acórdão n.º 3803006.794 S3TE03 Fl. 3 3 2. O fiscal considerou no cálculo apenas a industrialização por encomenda, mas deixou de computar o beneficiamento de matériasprimas; 3. Ao entregar a DCTF para o 4º trimestre de 2001, informou a opção de apurar o crédito com base na Lei nº 9.363/96, porém, quando efetivou a conclusão do processo optou pela apuração prevista na Lei nº 10.276/2001, pois o crédito nessa última opção se apresentou maior; não há impedimento legal para a mudança da opção. Por fim, requereu o deferimento da manifestação. Posteriormente, em 29/07/2008, a interessada protocolou petição de fls. 185/188, na qual requer a aplicação da taxa SELIC no valor a ser ressarcido. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. REGIME DE APURAÇÃO. OPÇÃO DEFINITIVA. TROCA DE REGIME. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo regime de apuração do crédito presumido do IPI é definitiva para cada anocalendário, não se admitindo, em nenhuma hipótese, troca de regime no curso do anocalendário. CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. Incabível considerar como insumo os gastos com energia elétrica. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. APURAÇÃO COM BASE NA LEI Nº 9.363/96. O valor referente ao beneficiamento dos insumos, efetuado por terceiros, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que se trata de prestação de serviços, que não está compreendida no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, o interessado apresentou recurso voluntário, onde inova quanto à discussão da opção pela apuração do crédito presumido de IPI (aduz que não houve alteração de regime, e sim equívoco no preenchimento da DCTF do 4º trimestre de 2001; na manifestação de inconformidade diz ter informado a Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 opção de apurar o crédito com base na Lei nº 9.363/96, porém quando efetivou a conclusão do processo optou pela apuração prevista na Lei nº 10.276/2001, uma vez que o crédito nessa última opção se apresentou maior e não havia impedimento legal à mudança de opção à época) e repisa os argumentos esgrimidos em primeira instância relativos à energia elétrica e industrialização por encomenda; ao final, requer deferimento do recurso voluntário sub analisis, para reconhecer o crédito integralmente. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Questão prévia às demais, tratase da opção exercida pela recorrente quanto à sistemática de apuração do crédito presumido do ipi, uma vez que dela depende a legitimidade dos créditos discutidos no presente contencioso. Por outras palavras, se a opção originariamente feita pela recorrente Lei nº 9.363/96 for ratificada nesta instância, os créditos a título de energia elétrica e industrialização por encomenda (utilizados pela contribuinte) não serão legítimos, por carência de previsão legal; porém, se a alegação de mudança de opção (ou equívoco de opção) Lei nº 10.276/2001 supostamente encetada pela recorrente após cotejo das duas sistemáticas (sendo a da última lei mais benéfica), for aceita pelo Colegiado, então poderão se consubstanciar legítimos os créditos a título de energia elétrica e industrialização por encomenda, por haver previsão expressa na lei nesse sentido. Como já exposto na decisão de piso, a opção pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001 davase na DCTF do 4º trimestre do ano anterior ao do ano calendário em que se dava o aproveitamento dos créditos: O parágrafo 4º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001 atribui expressamente competência para a Secretaria da Receita Federal fixar normas para o exercício da opção pelo regime alternativo por ela instituído. Mais ainda, o art. 3º desta mesma lei atribui à Secretaria da Receita Federal a competência para regulamentar toda a lei. Portanto, o exercício da opção pelo Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000029/200326 Acórdão n.º 3803006.794 S3TE03 Fl. 4 5 regime alternativo de crédito presumido do IPI deve seguir as normas expedidas pela Receita Federal do Brasil. Por seu turno, a Receita Federal, por meio das IN SRF nº 69 e nº 106, ambas de 2001, determinou que a opção pelo regime alternativo para o ano de 2002 deveria ser feito na DCTF do 4º trimestre de 2001 e, uma fez feita a opção, não seria admitida a mudança dentro do próprio ano calendário. Abaixo, transcrevo os artigos sobre o tema constantes na IN SRF nº 69/2001: “Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I o último trimestrecalendário do ano de 2001, se exercida neste ano; II todo o anocalendário, se exercida nos anos subseqüentes; III o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Art. 3º A opção de que trata o art. 2º será formalizada na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), correspondente ao: I último trimestrecalendário do ano de 2001, na hipótese do inciso I; II último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso II; III primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso III.” (grifouse) Por seu turno, a IN SRF nº 106/2001 aprovou o Programa Gerador da DCTF 1.2. Neste consta, nas instruções de preenchimento da “Pasta Crédito Presumido”, vedação expressa para mudança de opção durante o ano calendário. Desse modo, é inadmissível a alteração da sistemática de apuração do crédito presumido promovida pela requerente, estando correto o procedimento da fiscalização de calcular o valor do direito creditório pela sistemática prevista na Lei nº 9.363/96, por ter sido esta a opção da contribuinte quando apresentou a DCTF do 4º trimestre de 2001. Releva notar, outrossim, que na manifestação de inconformidade a recorrente diz que ao entregar a DCTF para o quarto trimestre de 2001, informou a opção de apurar o referido crédito com base na Lei 9.363/96, porém, quando efetivou a conclusão do processo, optou pela apuração prevista na Lei 10.276/2001, pois o crédito nessa última opção se apresentou maior; ao passo que no recurso voluntário alega que desde o início apurou o crédito pela forma alternativa, porém preencheu equivocadamente a DCTF do 4º trimestre de 2001. De todo modo, temse notícia nos autos, fl. 146, efl. 151, que a recorrente tratou de Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 esboçar um movimento formal, durante o anocalendário de 2002, para a retificação do seu suposto equívoco: O contribuinte apresentou Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF relativa ao 4º trimestre de 2001 em 07/02/2002 (fls.39/44), utilizando programa gerador da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) na versão "DCTF 1.1", desta forma optando pela sistemática de apuração do crédito presumido da Lei 9.363/96. Apresentou declaração retificadora em 03/09/2002 (fls. 57/67). Nesta declaração retificadora houve alteração da forma de apuração do crédito presumido do IPI, passando sistemática instituída pela Lei 10.276/2001. Naquele momento estavam em vigor a Instrução Normativa SRF 69, de 6 de agosto de 2001 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF 6, de 20 de novembro de 2001. A época da entrega da DCTF original, estava em vigor a IN SRF 106, de 28 de dezembro de 2001. (excerto de Informação Fiscal que embasa o Despacho Decisório do processo 13961.000017/200211) Todavia, em que pese o esforço da recorrente para provar seu equívoco de opção de regime, entendo que a legislação aplicável à matéria não permitia a mudança de opção de regime de apuração do crédito presumido de ipi, porquanto existiram, desde o primeiro momento da criação do regime alternativo, duas declarações diferenciadas (DCTFs), em duas versões: 1.1 para a Lei 9.363/96 e 1.2 para a Lei 10.276/2001. Assim é que impossível retificar uma DCTF relativa à Lei 9.363/96 mediante uma retificadora relativa à Lei 10.276/2001. Como a própria informação fiscal retromencionada está a pontificar a retificadora tem a mesma natureza da declaração originária. 1 E o argumento de que a vedação de retificar o regime de apuração só passou a existir com o advento do parágrafo único do art. 2º da IN SRF 420/2004, 2 apesar de percuciente tal formato de raciocínio quando se está tratando de leis, uma vez que não há palavras sem propósito nos diplomas legais, tal relevo não se manifesta no mesmo grau quando se está a tratar de legislação infralegal tais como Instruções Normativas, porquanto essas visam tão somente regulamentar (instrumentalizar) os direitos e deveres conferidos pelas leis. Essas sim, fontes de direitos e deveres. Ao regularem, as leis outorgam prerrogativas funcionais, executivas, à Administração Tributária. Um exemplo disso é o art. 1º, in fine, e o § 4º desse dispositivo, da Lei nº 10.276/2001: 1 Art. 18 da Medida Provisória n° 2.18949, de 23 de agosto de 2001: A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. 2 Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I – todo o anocalendário; II – o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Parágrafo único. Não será admitida a retificação da opção de que trata o caput. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000029/200326 Acórdão n.º 3803006.794 S3TE03 Fl. 5 7 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. (...) § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: (...) (Grifouse) E tanto é assim que o programa gerador da DCTF versão 1.2 já vedava retificação de opção antes mesmo da IN SRF 420/2004 fazêlo. E nem se diga que o programa não poderia fazer, porquanto sua força emerge de uma outra IN SRF (106/2001) que o aprovou e tem a mesma hierarquia que a IN SRF 69/2001, que originariamente regulamentou a Lei nº 10.276/2001. Nesse diapasão, a discussão acerca da possibilidade, ou não, de retificação da opção do regime de apuração do crédito presumido de ipi merece ser superada, porquanto a retificação intentada pela recorrente não logrou sucesso. E penso correta a fundamentação explicitada pela decisão recorrida no particular, e colacionada supra, razão pela qual também a adoto para afastar a pretensa mudança de opção de regime de apuração do crédito presumido de ipi. Corolário disso, temse por legítimas as glosas dos créditos a título de energia elétrica e industrialização por encomenda. E mais uma vez podese reproduzir o acórdão vergastado: ENERGIA ELÉTRICA Considerando que o crédito presumido deve ser calculado com base na Lei nº 9.363/96, a fiscalização excluiu a energia elétrica da apuração. Assim dispõe a Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs. 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 .......... Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. ........... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante na respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” Consoante o parágrafo único do art. 3º da referida Lei, a legislação do IPI deve ser utilizada subsidiariamente para a definição dos conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Em relação ao assunto, a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, expedida com base na Lei nº 9.363, de 1996, assim dispõe no seu art. 3º, § 16: “§ 16 – Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação do IPI.” Assim, mostrase oportuna a transcrição do art. 147, inciso I, do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98) que discrimina as situações que configuram o direito ao crédito básico do IPI, verbis: “Art. 147 Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I – do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” O Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, itens 8 a 10.2, estabelece que: “ 8 – no caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão “incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem Fl. 288DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000029/200326 Acórdão n.º 3803006.794 S3TE03 Fl. 6 9 consumidos no processo de industrialização” é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/1965, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/1967 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/1972), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matérias primas nem produtos intermediários “stricto sensu” , geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 – A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/1972), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 – O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 – Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 – Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos “que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 – Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários “stricto sensu” , semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão “consumidos” sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo.” (Grifouse.) Na mesma linha, assim estabelece o Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, no seu item 13: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “13 – Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” (Grifouse.) Nesse contexto, como a energia elétrica, embora consumida no processo produtivo, não mantém contato físico com o produto final industrializado, não pode ser enquadrada no conceito de insumos, e por isso, deve ser excluída do cálculo do crédito presumido pela sistemática da Lei nº 9.363/96. Acrescentese ainda, que a inclusão da energia elétrica na apuração do crédito presumido pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001, não tem o condão de incluíla no cálculo pelo regime previsto na Lei nº 9.363/96. Ao contrário, a inclusão da energia elétrica está restrita a quem faz a opção pelo regime alternativo, que não é o caso da interessada. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA A questão da industrialização por encomenda é similar a da energia elétrica, já que a previsão para a inclusão destes gastos no cálculo pela sistemática da Lei nº 10.276/2001, não altera a forma de cálculo prevista na Lei nº 9.363/96. O cálculo do benefício de que trata a Lei no 9.363/96, diz respeito, tãosomente, às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem (conforme art. 1o, caput, da mencionada Lei), e, em momento algum, faz menção a serviços de beneficiamento prestados por terceiros. Além disso, como já mencionado anteriormente, a Lei nº 9.363/96 prevê, no seu art. 3o, parágrafo único, a utilização subsidiária da legislação do IPI para o estabelecimento dos conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem. E, de acordo com o artigo 147, inciso I, do RIPI/98, incluemse, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles produtos que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização. Ressaltase que o posicionamento adotado pela fiscalização, excluindo da base de cálculo do crédito presumido o valor do beneficiamento de insumos por estabelecimentos de terceiros está respaldado pela Secretaria da Receita Federal, com a veiculação, no Boletim Central no 147, de 04/08/1998 (Perguntão), da Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX no 312, de 03/08/1998, que transcrevo, em vista dos esclarecimentos que contém, plenamente aplicáveis ao caso concreto: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13961.000029/200326 Acórdão n.º 3803006.794 S3TE03 Fl. 7 11 “2.7) Encontrase com habitualidade, casos em que a empresa produtora exportadora, remete matériasprimas de seu estoque para efetuar uma etapa produtiva em outra empresa. Por exemplo, o produtor exportador adquire couro semiacabado e o envia a outra empresa (um curtume) para acabamento. Nesse processo, são agregados a essa matériaprima diversos outros insumos, como produtos químicos, corantes, etc. O couro retorna modificado para o estabelecimento produtor exportador, acompanhado de nota fiscal indicando operação de beneficiamento. Perguntase, se o valor agregado, correspondente ao beneficiamento deve ser computado como aquisição de insumos (período de 1996) e como custos (a partir de 1997)? E, em caso de beneficiamento que não agregue outras matérias primas (exemplo, parte de calçado remetida para costura, colagem ou trançamento, acompanhada de todos os materiais necessários), o tratamento deve ser o mesmo? R) No caso em que o encomendante remete os insumos com suspensão do IPI ao executor da encomenda (hipótese prevista no art. 36, incisos I e II do RIPI/82 correspondente ao art. 40, incisos VII e VIII do RIPI/98) e o executor da encomenda remete os produtos com suspensão, não há que se falar em inclusão do valor cobrado pelo encomendante na base de cálculo do crédito presumido. Porém, no caso em que o encomendante remete os insumos com tributação, e o industrializador por encomenda utiliza insumos próprios e, após a industrialização, remete os produtos tributados pelo IPI ao encomendante, o valor cobrado pelo realizador da industrialização ao encomendante integra a base de cálculo do crédito presumido. O entendimento aplicase tanto ao exercício de 1995, quanto aos posteriores.” O fundamento da orientação interna acima transcrita, alçada que foi à hierarquia de norma complementar da Lei tributária, por força do inciso III do artigo 100 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN, enquanto prática reiteradamente observada pela Autoridade Administrativa, está no fato de que, se a operação não foi tributada, é porque não foi incorporado insumo no beneficiamento encomendado, mas apenas serviços e serviços não estão compreendidos no conceito de matéria prima, produtos intermediários ou materiais de embalagem, que são os componentes básicos para cálculo do crédito presumido, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Portanto, foi correta a glosa feita pela auditoria. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 291DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10166.724060/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR.
Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia.
Recurso Voluntário Provido.
Se o órgão de julgamento puder decidir a causa em favor do sujeito passivo, deverá abster-se de declarar pronunciar nulidade que a este beneficiaria.
Numero da decisão: 2401-003.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos conhecer do recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não conhecia por entender haver concomitância. II) por maioria de votos, dar provimento ao recurso em virtude da improcedência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que, no mérito, negava. Deixou de ser apreciada a questão referente a declaração de nulidade da decisão de primeira instância, em virtude de a decisão de mérito ter sido favorável ao sujeito passivo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewans Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INOCORRÊNCIA DE RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Ainda que os lançamentos objeto de ação anulatória contenham os mesmos fatos geradores e fundamentos jurídicos presentes nos lançamentos agora impugnados, para esses não há de se declarar ocorrência de renúncia à discussão administrativa em razão do ajuizamento da ação anulatória proposta para desconstituir as lavraturas anteriores. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. NÃO DECLARAÇÃO DE NULIDADE QUE A ESTE BENEFICIARIA. Se o órgão de julgamento puder decidir a causa em favor do sujeito passivo, deverá absterse de declarar pronunciar nulidade que a este beneficiaria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR. Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 60 /2 01 2- 24 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos conhecer do recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não conhecia por entender haver concomitância. II) por maioria de votos, dar provimento ao recurso em virtude da improcedência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que, no mérito, negava. Deixou de ser apreciada a questão referente a declaração de nulidade da decisão de primeira instância, em virtude de a decisão de mérito ter sido favorável ao sujeito passivo. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewans Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 2401003.795 S2C4T1 Fl. 308 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 56.345 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir as lavraturas abaixo: a) Auto de Infração AI n.º 51.015.0276: contribuições patronais para outras entidades ou fundos; b) Auto de Infração AI n.º 51.015.0187: aplicação de multa pela conduta da empresa de deixar de lançar nas folhas de pagamentos as remunerações que serviram de base para o AI descrito na alínea "a"; c) Auto de Infração AI n.º 51.015.0233: aplicação de multa pela conduta da empresa de deixar de lançar na contabilidade as remunerações que serviram de base para o AI descrito na alínea "a"; d) Auto de Infração AI n.º 51.015.0241: aplicação de multa pela conduta da empresa de deixar de efetuar o desconto na remuneração dos segurados das contribuições incidentes sobre as bases de cálculo utilizadas no AI descrito na alínea "a"; Todos os AI contemplam os mesmos fatos geradores, quais sejam as remunerações pagas a segurados empregados a serviço da autuada a título de premiações. O lançamento foi estruturado em dois levantamentos: a) pagamentos de premiações pela FPC PAR Corretora de Seguros S/A aos empregados da CEF, diretamente ou por intermédio das empresas "ALQUIMIA" e "WEB PRÊMIO"; b) pagamento de premiações pelas empresas do GRUPO CAIXA SEGUROS (grupo formado pelas empresas Caixa Consórcios S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Capitalização S/A e Caixa Seguradora S/A) aos empregados da CEF, por intermédio das empresas "ALQUIMIA" e "WEB PRÊMIO". Segundo o fisco integram grupo econômico com a autuada as empresas Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A e FPC PAR Corretora de Seguros S/A. De acordo com a autoridade lançadora, as empresas são interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, formando inequivocamente um grupo econômico. A seguir apresenta os fatos que conduziram a esta conclusão. A autuada e empresa FCP, cujas razões foram parcialmente acatadas pela DRJ, que declarou o lançamento procedente em parte. Foi excluída a qualificação da multa, por entender o órgão a quo que não houve a demonstração pelo fisco da ocorrência de fraude ou dolo. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Em razão da existência de ação judicial, na qual a autuada busca a anulação de lançamentos contemplando os mesmos fatos geradores e com os idênticos fundamentos do que ora se julga, não foram conhecidos os argumentos de ilegitimidade passiva da Caixa Econômica Federal, bem como da improcedência do lançamento. Foram negados os pedidos para realização de perícia e para juntada posterior de novos documentos. A autuada interpôs recurso, no qual, em síntese apertada, alegou que: a) a Caixa Econômica Federal CEF não renunciou à discussão administrativa referente ao presente AI, posto que, embora tenha ajuizado uma ação anulatória de débito, relativa à incidência de contribuições sobre "prêmios" concedidos a seus empregados por empresas parceiras, o referido lançamento se refere a período anterior ao que agora se discute; b) ao mencionar na sua defesa a existência de ação judicial discutindo os mesmos fatos geradores, pretende a recorrente a suspensão do feito administrativo; c) o reconhecimento da concomitância somente seria possível se a discussão travada nas lides administrativa e judicial fosse exatamente a mesma, o que não se verifica na espécie; d) deve, portanto, ser anulada a decisão de primeira instância, por claro cerceamento ao direito de defesa da recorrente; e) mesmo diante da nulidade da decisão da DRJ, o CARF pode decidir a demanda em favor do sujeito passivo, com base no § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972; f) inexiste o grupo econômico apontado pelo fisco, posto que em momento algum este demonstra a concentração do controle do grupo em quaisquer das empresas listadas; g) não havendo grupo econômico, devese afastar a solidariedade prevista no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991; h) a vedação de recebimento pelos empregados da CEF de quaisquer prêmios ou vantagens de terceiros não se aplica às operações realizadas com empresas com que a CEF tenha firmado acordo operacional de cooperação; i) os prêmios não têm natureza salarial, funcionando como instrumento de gestão e incentivo para aumento da produtividade nas atividades empresariais; j) a aceitação dos programas de premiação é facultativa, além de que os empregados recebem "pontos" de bonificação, que, uma vez acumulados, podem ser trocados por produtos previamente anunciados em catálogos; k) há de se diferenciar as premiações oferecidas pela própria CEF (endomarketing) daquelas repassadas aos empregados pelas empresas parceiras; l) nas campanhas realizadas pela recorrente não há uma periodicidade definida, tampouco uniformidade nos objetivos, o que retira das premiações o caráter salarial, por falta de habitualidade; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 2401003.795 S2C4T1 Fl. 309 5 m) a jurisprudência tem entendido que a ausência de habitualidade, periodicidade e certeza dos prêmios desconfiguram a sua feição remuneratória. Cita decisões; n) em relação às campanhas de bonificações oferecidas pelas empresas parceiras, melhor sorte não assiste à acusação fiscal, uma vez que as pontuações oferecidas não se revestem dos critérios mínimos para caracterização da pretendida natureza remuneratória, uma vez que ausente requisito essencial representado pela habitualidade; o) os empregados da CEF não promovem diretamente a venda dos produtos das empresas parceiras, mas apenas efetuam as indicações destes aos clientes, funcionando como elo entre o interessado na aquisição do produto/serviço e a empresa fornecedora; p) não se pode dizer que as premiações assumem natureza salarial, posto que são benefícios pagos não pelo empregador, mas por terceiros; q) também não podem as premiações ser tratadas como gorjetas, posto que estas são pagas aos empregados por clientes e não por fornecedores de produtos serviços; r) as gueltas, que são prêmios pagos por terceiros fornecedores como forma de incentivar a comercialização preferencial de seus produtos ou serviços, somente assumem feição salarial quando o empregador tem controle sobre os valores repassados, o que não se observa na presente situação; s) as parcelas tomadas pelo fisco não se enquadram no conceito de saláriode contribuição, posto que são premiações efetuadas por fornecedores aos funcionários da CEF, sem que esta tenha qualquer controle sobre as pontuações creditadas; t) qualquer eventual obrigação tributária decorrente das premiações sob enfoque são de responsabilidade das empresas fornecedoras, não podendo ser imputada à CEF; u) por isso, a partir do exercício de 2007, as empresas parceiras passaram a efetuar o recolhimento dos tributos supostamente devidos, de forma a excluir a CEF de qualquer imposição fiscal. Esses recolhimentos devem ser identificados mediante a realização de diligência fiscal. Ao final, pedese a nulidade da decisão recorrida ou, caso o CARF pretenda apreciar o mérito da causa, que se reconheça a improcedência da lavratura. É o relatório. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da inexistência de renúncia à discussão administrativa A DRJ deixou de enfrentar o mérito da questão sob a alegação de que houvera renúncia do sujeito passivo em discutir administrativamente a questão, por ter ajuizado ação demanda judicial visando à anulação de créditos lavrados em ação fiscal pretérita, cujos fatos geradores e fundamentos da lavratura coincidem integralmente com aqueles constantes nos AI sob enfoque. Não devemos concordar com este entendimento. Na verdade, a ação proposta se refere a lançamentos específicos e o resultado do julgamento não irá se refletir no presente caso. Ali se discute pontualmente a nulidade da relação jurídica que deu ensejo às NFLD n.º 37.114.4612 e 37.114.4663, débitos estes estranhos ao presente processo administrativo. É o que se observa do relatório da sentença da Justiça Federal do DF, Processo n. 00560403620114013400, conforme excerto do seu relatório: “Tratase de ação sob o procedimento ordinário ajuizada pela CAIXA ECONÓMICA FEDERAL contra a UNIÃO FEDERAL, objetivando invalidar os autos de infração referentes às contribuições previdenciárias (e seus consectários), decorrentes de autuações promovidas pela fiscalização federal no ano de 2007.” Observese que o manejo da ação anulatória leva a provimento jurisdicional de natureza constitutiva com vistas a anular um lançamento específico, não derramando efeitos sobre futuros atos de constituição do crédito tributário. Se ação interposta tivesse como objeto a declaração da inexistência da relação jurídicotributária da exigência de contribuições sobre as bases de cálculo lançadas, aí sim teríamos a possibilidade da ocorrência de acolhimento de uma pretensão que teria reflexo sobre os fatos geradores pretéritos e os futuros. A falta de apreciação do mérito da lide é causa de cerceamento do direito de defesa da recorrente, que tem como consequência a declaração de nulidade da decisão, conforme o incico II do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 2401003.795 S2C4T1 Fl. 310 7 §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Todavia, ao invés de declarar a nulidade da decisão da DRJ, vamos lançar mão do § 3.º acima, para apreciar o mérito da causa, posto que os dados do processo permitem que esse colegiado tem todos os elementos para se pronunciar sobre a matéria principal da lide. Inexistência de responsabilidade da CEF sobre as contribuições lançadas Conforme os fatos relatados, a exação tem como fato gerador a concessão de prêmios a empregados da CEF por empresas que com esta mantinham contratos operacionais de venda de produtos e serviços. Esse sistema de bonificação tinha por finalidade incentivar os empregados da autuada a comercializarem os produtos das empresas parceiras, a FCP PAR e as aquelas integrantes do Grupo Caixa Seguros. O entendimento do fisco, chancelado pela Delegacia de Julgamento, é de que o fato dos prêmios serem disponibilizados por tarefas executadas por empregados da CEF, nas dependências desta e dentro da sua jornada de trabalho tornaria esta sujeito passivo das contribuições incidentes sobre os valores repassados a título de bonificação. A autuada, por sua vez, afirma que não pode responder pela dívida, haja vista que os pagamentos não foram por ela efetuados, além de que nunca possuiu controle sobre a sistemática de pontuação que resulta na concessão dos bônus de produtividade. Em adição acrescenta que a FCP PAR, inclusive, vem efetuando o recolhimento das contribuições sobre essas verbas, por ser esta empresa o verdadeiro sujeito passivo da obrigação sobre tela. A solução desta contenda, a meu ver, resolvese com a interpretação da regra jurídica que tratado do fato gerador da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração paga aos seus empregados. O inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 dispõe: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Desse dispositivo pode ser extraído que, a grosso modo, o fato gerador desse tributo é o pagamento pelo sujeito passivo de remuneração a segurados para retribuir o trabalho que estes desenvolvem pelo vínculo de emprego que estes mantêm com aquele. Não tenho dúvida que no caso sob enfoque temse o pagamento de remuneração a segurados empregados da CEF, pelo trabalho desenvolvido no ambiente laboral. Assim, o critério material do fato gerador encontrase satisfeito. Todavia, há nesses pagamentos uma particularidade que o fisco deixou de levar em conta. Falo do critério pessoal do fato gerador, qual seja a definição da pessoa que pratica o fato gerador das contribuições, sendo o contribuinte do tributo. Segundo a regra matriz de incidência, o sujeito passivo é aquele que paga a remuneração, ou seja a pessoa que disponibiliza os recursos que são repassados aos trabalhadores em razão da prestação do serviço. Os autos revelam que essa pessoa não é a CEF, mas as empresas ditas parceiras. Cai por terra assim a sujeição passiva da autuada, haja vista que não há a comprovação de que sequer as verbas eram repassadas pela instituição bancária. Sobre essa questão é bom que se diga que essas premiações não podem ser confundidas com as gorjetas, posto que estas decorrem de pagamentos feitos por clientes do empregador que repassam a este os valores, os quais posteriormente são rateados entre os empregados. O caso aqui apreciado traz verba de natureza diversa, tratase das "gueltas", que são gratificações ou prêmios pagos por terceiro (normalmente um distribuidor ou fornecedor) aos empregados de uma empresa, com a anuência do empregador e no exercício de sua atividadefim. Tais pagamentos têm como objetivo principal o aumento das vendas de certos produtos e/ou serviços oferecidos pelo terceiro através de um incentivo financeiro concedido ao trabalhador. Embora se assemelhem, as gueltas se diferenciam das gorjetas, não sendo possível considerálas saláriodecontribuição, uma vez que de acordo com § 1.º do art. 108 do CTN, a analogia não pode ser utilizada para se exigir tributo não previsto em lei. Assim, mesmo sabendo que a jurisprudência trabalhista dominante tem entendido que, por se assemelharem às gorjetas, as gueltas teriam reflexo no cálculo das verbas laborais, não é esta solução que deve ser dada no direito previdenciário tributário, haja vista que as referidas parcelas não se subsumem ao conceito de base de cálculo da contribuição patronal sobre a remuneração de empregados, nos termos do citado inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991. Feitas essas considerações, encaminho pelo provimento do recurso, por entender que as verbas em questão não representam pagamento pelo empregador de remuneração aos seus empregados. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.724060/201224 Acórdão n.º 2401003.795 S2C4T1 Fl. 311 9 Conclusão Voto por dar provimento ao recurso, deixando de apreciar possível nulidade na decisão recorrida, uma vez que o mérito da causa está sendo resolvido em favor do sujeito passivo. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11065.724885/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009
Ementa:
ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da multa, o que é vedado a este Conselho, salvo nas hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF.
MULTA ISOLADA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO INDEVIDO DO IPI.
Aplica-se multa isolada correspondente ao valor comercial da mercadoria, pelo registro e utilização de crédito do IPI de produto que deveria ter saído do estabelecimento fornecedor obrigatoriamente com suspensão do IPI.
Numero da decisão: 3402-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[Assinado digitalmente]
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
[Assinado digitalmente]
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 05/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Aparecida Martins de Paula, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Fenelon Moscoso de Almeida (Substituto), João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 Ementa: ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da multa, o que é vedado a este Conselho, salvo nas hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. MULTA ISOLADA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO INDEVIDO DO IPI. Aplica-se multa isolada correspondente ao valor comercial da mercadoria, pelo registro e utilização de crédito do IPI de produto que deveria ter saído do estabelecimento fornecedor obrigatoriamente com suspensão do IPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [Assinado digitalmente] GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente. [Assinado digitalmente] MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 05/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Aparecida Martins de Paula, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Fenelon Moscoso de Almeida (Substituto), João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva.
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MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. A eventual verificação da existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da incidência da multa, o que é vedado a este Conselho, salvo nas hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. MULTA ISOLADA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO INDEVIDO DO IPI. Aplicase multa isolada correspondente ao valor comercial da mercadoria, pelo registro e utilização de crédito do IPI de produto que deveria ter saído do estabelecimento fornecedor obrigatoriamente com suspensão do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [Assinado digitalmente] GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. [Assinado digitalmente] MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 48 85 /2 01 3- 21 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 05/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Maria Aparecida Martins de Paula, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Fenelon Moscoso de Almeida (Substituto), João Carlos Cassuli Junior e Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 246/281) em face do Acórdão nº 10 51.842, de 19 de setembro de 2014, exarado pela 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, que, por unanimidade de votos, não tomou conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa isolada e, no mérito, julgou improcedente a impugnação da contribuinte, para manter a exigência da multa isolada. O presente processo trata do Auto de Infração das fls. 117/120, com Relatório da Ação Fiscal nas fls. 121/130, para exigência de multa isolada no valor de R$ 1.900.000,00, prevista no art. 7o da Lei no 9.493, de 10 de setembro de 1997, correspondente ao valor comercial da mercadoria, por ter registrado a Nota Fiscal nº 269 (fl. 83), emitida pela empresa de CNPJ nº 09.256.482/000192, aproveitando o IPI nela destacado indevidamente, em desacordo com o art. 6º dessa Lei, vez que se referia a produtos adquiridos com suspensão obrigatória do tributo: Art. 6º Nas notas fiscais relativas às remessas previstas no art. 4º, deverá constar a expressão “Saído com suspensão do IPI”, com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do IPI nas referidas notas, sob pena de se considerar o imposto como indevidamente destacado, sujeitando o infrator às disposições legais estabelecidas para a hipótese. Art. 7º O estabelecimento destinatário da nota fiscal emitida em desacordo com o disposto no artigo anterior, que receber, registrar ou utilizar, em proveito próprio ou alheio, ficará sujeito à multa igual ao valor da mercadoria constante do mencionado documento, sem prejuízo da obrigatoriedade de recolher o valor do imposto indevidamente aproveitado. Ocorre que, em conformidade com os art. 3º e 4º da Lei no 9.493/97, os produtos em questão deveriam ter saído do estabelecimento produtor para o estabelecimento da recorrente com a suspensão do IPI: Art. 3º Ficam equiparados a estabelecimento industrial, independentemente de opção, os estabelecimentos atacadistas e cooperativa de produtores que derem saída a bebidas alcóolicas e demais produtos, de produção nacional, classificadas nas posições 2204, 2205, 2206 e 2208 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), e acondicionados em recipientes de capacidade superior ao limite máximo permitido para venda a varejo, com destino aos seguintes estabelecimentos: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 288 3 I industriais que utilizem os produtos mencionados como insumo na fabricação de bebidas; II atacadistas e cooperativas de produtores; III engarrafadores dos mesmos produtos. Art. 4º Os produtos referidos no artigo sairão com suspensão do IPI dos respectivos estabelecimentos produtores para os estabelecimentos citados nos incisos I, Il e III do mesmo artigo. Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo aplicase também às remessas, dos produtos mencionados, dos estabelecimentos atacadistas e cooperativas de produtores para os estabelecimentos indicados nos incisos I, II e Ill do artigo anterior. A ação fiscal que deu origem a este processo também gerou o de número 11065.724728/201315, referente à falta de recolhimento do IPI no período de janeiro a dezembro de 2009, e o nº 11065.721263/201421, pela mesma infração, com respeito ao período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011. Cientificado da autuação em 9 de dezembro de 2013 (fl. 117), o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que, ao lhe ser reconhecido no Mandado de Segurança nº 1999.71.08.0099270, pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o direito de aproveitar créditos do IPI nas aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, ficaria implícito o direito de crédito do mesmo imposto nas aquisições de insumos saídos do estabelecimento fornecedor com suspensão, dado que, do ponto de vista da defesa, suspensão seria espécie do gênero isenção. Segue dizendo que reforçaria esse entendimento o fato de que suspensão e isenção teriam os mesmos efeitos jurídicos e econômicos. Aduz que, na hipótese de suspensão, o IPI incide e, se incide, haveria necessariamente crédito. Deixar de reconhecer esse direito implicaria, segundo o impugnante, desobediência à decisão judicial. Mediante o Acórdão nº 1051.842, de 19 de setembro de 2014, a 3ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS não tomou conhecimento da preliminar de inconstitucionalidade da multa isolada e, no mérito, julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009 MULTA. PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA ISOLADA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA. LANÇAMENTO INDEVIDO DO IPI. Aplicase multa isolada correspondente ao valor comercial da mercadoria, pelo registro e utilização de crédito do IPI, Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 indevidamente lançado em nota fiscal de saída de álcool neutro classificado no código 2208.90.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), acondicionado em recipiente de capacidade superior ao limite máximo permitido para venda a varejo, produto esse que deveria ter saído do estabelecimento fornecedor obrigatoriamente com suspensão do IPI. A empresa autuada foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 03/10/2014 (fl. 244). Em 27/10/2014, a contribuinte apresentou suas razões de defesa no Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), sintetizadas a seguir: Das razões do pedido de acolhimento da impugnação apresentada: a suspensão é espécie de isenção e, portanto, a matéria discutida no MS n. 1999.71.08.009927 0/RS atinge e determina o cancelamento da multa isolada imposta. Ou, não sendo a suspensão espécie de isenção, o IPI é exigido e surge o direito ao crédito respectivo. Assim, o crédito feito em cima da Nota Fiscal mencionada é legal. A norma de isenção exonera o pagamento de determinado tributo que estaria sujeito à incidência não fosse a criação de uma situação legal de inexigibilidade do tributo. Nesse sentido leciona Paulo de Barros Carvalho, conforme trecho transcrito pela recorrente. O fenômeno jurídico representado pela suspensão do pagamento do tributo é, justamente, a exoneração do pagamento que, não fosse a norma exonerativa, seria exigido. Fosse como consta no auto de infração, terseia de concluir que a suspensão seria uma quarta ou quinta hipótese de pagamento do IPI ou uma espécie a parte de dispensa da exigibilidade do nominado produto. Claro que cabe a aplicação da sentença judicial transitada em julgado no MS nº 1999.71.08.0099270/RS ao presente processo. Sendo a suspensão um nomen iuris que nada mais representa do que a supressão da operatividade funcional da regra matriz de incidência do IPI idêntico ao da isenção, a desconsideração da sentença transitada em julgado, com a chancela da Suprema Corte, é ato de desobediência à ordem judicial. Nos termos o voto do Ministro Humberto Gomes de Barros, no REsp nº 128.800SP, “a suspensão é, portanto, uma isenção sob condição suspensiva; condição cujo implemento ocorre com a exportação da mercadoria, na qual se empregou o produto importado, por umas das formas mencionadas na lei.” Prossegue a recorrente, colacionando doutrina e precedentes na jurisprudência, para sustentar a sua posição de que, juridicamente, suspensão e isenção tratam de uma mesma hipótese exonerativa da cobrança do resultado final de uma etapa da produção, seja de forma provisória ou definitiva. Por conseguinte, cabível é a extensão dos efeitos da segurança concedida em favor da recorrente ao presente caso. Do direito ao crédito do IPI decorrente da entrada de insumos com a suspensão acaso se acolha o argumento que esta deva ter o mesmo tratamento jurídico da isenção. Não se olvida que a jurisprudência do STF se firmou em sentido contrário ao entendimento esposado no MS nº 1999.71.08.0099270/RS. Contudo a matéria deve ser analisada conforme dispõe o art. 11 do Lei nº 9.779/99, que passou a admitir o direito de crédito do IPI decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 289 5 embalagem aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, na forma dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, após o advento da Lei nº 9.779/99, o direito ao crédito decorrente de insumos isentos é letra clara e inequívoca. No entanto, após orientação do STF de 2007, que reviu sua posição sobre a matéria, acabou por ocorrer desrespeito ao princípio da não cumulatividade. O direito de crédito de IPI decorrente de entradas de insumos isentos está legalmente estabelecido e vem merecendo proteção por parte do próprio STJ, divergindose apenas a respeito da forma de utilização destes créditos. A aceitarse, portanto, o que a Recorrente sustentou em linha de que a suspensão e isenção têm os mesmos efeitos jurídicos e econômicos, merece acolhimento a pretensão deduzida neste recurso, já que, por questão de direito intertemporal, o direito de crédito reconhecido por lei ordinária não pode ser desconsiderado. Da Ação Rescisória 001260084.2012.404.0000/RS A ação rescisória em comento não tem o efeito de impedir o aproveitamento do crédito em questão com efeitos retroativos. Ao tempo da apropriação dos créditos, o que vigorava era a decisão da Suprema Corte e do TRF4 que reconheciam esse direito à recorrente. A mesma agia ao abrigo de sentença de mérito que não veio a ser reformada na parte da isenção pelo STF. Da multa isolada aplicada A decisão de mérito proferida na ação rescisória, ainda sub judice, não permite a exigência da multa, vez que nela constou que o contribuinte não pode ser penalizado com a aplicação de multas, decorrentes da desconstituição da decisão que transitou em julgado, e que está sendo rescindida, pois a empresa estava, desde 2002, amparada por uma decisão judicial que se tornou na época irrecorrível. Inclusive, a decisão de afastamento da multa foi confirmada nos embargos infringentes interpostos pela União. A entenderse, portanto, que a questão tratada no MS nº 1999.71.08.009927 0/RS abrange o tema de mérito do recurso (isenção e suspensão), a multa isolada deve ser afastada. Além do que, a multa isolada é manifestamente confiscatória, eis que toma como montante o valor da própria mercadoria. É de uma irrazoabilidade monstruosa ou insana do legislador ordinário. A multa aplicada no percentual de 100% do valor da mercadoria é manifestamente inconstitucional. Já decidiu a Suprema Corte que a vedação ao confisco se aplica tanto ao tributo em si quanto aos acessórios que dele decorrem. Portanto, carece a multa do efetivo suporte jurídico constitucional, já que toma o valor da mercadoria de uma nota fiscal supostamente ilegível, mas que, contraditoriamente, serve para a imposição da penalidade em questão. Sem se falar que o fiscal aplica uma norma regulamentar revogada para dar amparo a pretensão fiscalizatória. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Em se tratando de ato vinculado da administração pública, cumpre que, nesta esfera administrativa se afaste a multa aplicada pelos fundamentos acima expostos. Ao final, requereu a recorrente a total procedência do seu recurso voluntário para o efeito de desconstituir, total ou parcialmente, a multa isolada constituída. É o Relatório. Voto Conselheiro MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA A contribuinte foi cientificada da decisão a quo em 03/10/2014, tendo apresentado o recurso voluntário em 27/10/2014, razão pela qual é tempestivo. Consta na fl. 167 a comprovação da legitimidade do signatário do recurso para representar a contribuinte até 8 de janeiro de 2018. Atendidas as condições de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Passase à análise das razões de defesa da recorrente. A. Da matéria discutida no MS n. 1999.71.08.0099270/RS e da multa isolada Neste tópico, alega a recorrente, em síntese, que, juridicamente, suspensão e isenção tratariam de uma mesma hipótese exonerativa da cobrança do resultado final de uma etapa da produção, seja de forma provisória ou definitiva, colacionando textos da doutrina e da jurisprudência para sustentar a sua posição, de forma que seria cabível a extensão dos efeitos da segurança concedida em favor da recorrente no MS n. 1999.71.08.0099270/RS ao presente caso. Não assiste razão à recorrente. Não obstante as respeitáveis posições colacionadas pela recorrente que sustentam a semelhança entre as hipóteses exonerativas da suspensão e da isenção no campo da ciência do direito, o fato é que a legislação tributária faz distinção entre os dois institutos, prescrevendo efeitos e obrigações acessórias diversas para a isenção e a suspensão. Nesse sentido, a própria Lei nº 9.493/97, que trata especificamente desses dois institutos, descreve quais produtos e remessas estão sujeitos a isenção ou a suspensão, bem como prescreve as obrigações decorrentes para cada situação, inclusive aquela cujo descumprimento é objeto do presente processo, punível com a multa igual ao valor da mercadoria, nos termos do seu art. 7º. Em face do princípio da legalidade, incumbe à Administração tratar os institutos da isenção e da suspensão do IPI de forma diversa, com as peculiaridades que lhes são próprias. Pelo que agiu corretamente a fiscalização e o julgador de primeira instância, ao entender que a decisão judicial, que beneficiava a recorrente com o direito de creditarse do IPI sobre insumos e matériasprimas isentas, não obstava ao lançamento da multa isolada pelo Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 290 7 aproveitamento indevido do IPI decorrente da entrada de produto que, obrigatoriamente, deveria ter saído do estabelecimento remetente com a suspensão do imposto. Nesse mesmo sentido, cabe mencionar, apenas como reforço argumentativo, o entendimento exposto na sentença, juntada pela própria recorrente (fls. 227/231), proferida no Mandado de Segurança nº 502425496.2012.404.7108/RS, ainda em julgamento no Tribunal Federal da 4ª Região, que foi impetrado pela recorrente em face do Delegado da RFB em Novo Hamburgo, com pedido de cancelamento dos créditos tributários dos processos nºs 11065.000887/2001 e 11065.001149/200088: Fundamentação Sustenta a impetrante que as decisões proferidas no âmbito administrativo se mostram contraditórias, porquanto, de um lado argumentou que os créditos glosados não eram objeto da discussão judicial e, de outro, não conheceu das impugnações e dos recursos voluntários ao argumento de que eram objeto da mesma discussão judicial. Conforme o acórdão do STF na ação nº 1999.71.08.009927 0/RS, foi reconhecido à empresa contribuinte o direito de creditarse do IPI relativamente aos insumos e matériasprimas adquiridos sob o regime de isenção (evento 1, fl 1644). O PA n. 11065.000887/200197, que tratava de auto de infração de IPI, estava suspenso em razão da ação judicial. O auto de infração originouse da glosa de créditos de IPI de insumos adquiridos pela empresa com suspensão do imposto. A autoridade fiscal afirmou que o auto de infração referido glosou créditos de IPI relativos a insumos adquiridos com suspensão de IPI, enquanto que a ação judicial reconheceu o direito ao crédito relativo aos insumos sob o regime de isenção, e determinou que o crédito formalizado no PA seguisse para cobrança(evento 1, fl. 1652/1653). Desta feita, necessário que se analise o argumento da impetrante de que a isenção abrangeria a suspensão do imposto. Porém, tenho que tal argumento não procede. A suspensão do imposto não se confunde com a isenção, nem com a alíquota zero. Sob o título 'suspensão do imposto', a legislação do IPI instituiu uma série de medidas de controle fiscal destinadas a preservar eventuais créditos tributários da União, em face de situações especiais, até que se verifique o fato econômico que justifique a sua exigência, ou viabilize a aplicação de uma isenção ou outro benefício fiscal sujeito a condições. Dizse que há suspensão do imposto quando, sendo este devido, sua exigibilidade fica suspensa, por determinação da lei, até que ocorra a condição legalmente estipulada, que em geral é a entrada no estabelecimento destinatário. Se ocorre desvio, se ocorre a utilização do produto em finalidade diversa daquela que ensejou a suspensão, cessa esta, voltando o imposto a ser exigível. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 A suspensão tem por finalidade evitar, condicionalmente, o ônus na operação correspondente. Se na operação seguinte o imposto é devido, será então recolhido o daquela, e também, em face da não utilização de crédito, o imposto relativo à operação anterior, onde se deu a suspensão. Se na operação seguinte àquela em que o imposto é suspenso ocorre isenção, ou imunidade tributária, temse garantia a ausência do ônus desde a operação anterior, evitandose que a isenção, ou a imunidade, abranja somente o valor acrescido na operação final. Em se tratando de isenção, ou imunidade, a suspensão do imposto em etapas anteriores tem a vantagem de evitar o recolhimento de quantia que depois vai servir como crédito para quem realiza a operação isenta, ou imune, que somente terá como utilizar esse crédito se realizar, também, operações tributárias. Assim, em se tratando de empresas dedicadas exclusivamente à exportação, por exemplo, é mais adequada a técnica da suspensão do imposto nas etapas anteriores. Na hipótese de suspensão o imposto incide. Tornase devido. Apenas não será exigido naquela oportunidade, porque há uma exoneração provisória, que poderá deixar de existir se incorrer a condição da qual depende, e de todo modo será afastada pela cobrança do imposto na operação seguinte. O uso do crédito, pelo adquirente do insumo, converteria a suspensão em verdadeira exoneração definitiva. Em verdadeira isenção. Ressaltese que o uso do crédito, quando a operação anterior é isenta, justificase exatamente para evitar que a isenção se converta em simples deferimento de incidência, ou suspensão do imposto. Desta feita, incorreu em equívoco a decisão administrativa que entendeu que não poderia a autoridade julgadora administrativa manifestarse acerca da matéria objeto da ação judicial, uma vez que a ação judicial não tratava da matéria em litígio no Processo Administrativo. Portanto, as impugnações lançadas nos processos administrativos nºs 11065.000887/200197 e 11065.001149/200088 devem ser recebidas e examinadas, na parte em que não o foram, uma vez que a matéria ali tratada não é a mesma do mandado de Segurança nº 1999.71.08.009927 0/RS, conforme admitido pela própria autoridade administrativa ao não atribuir efeito suspensivo ao crédito cobrado nos referidos processos administrativos. Dispositivo Ante o exposto, julgo procedentes os pedidos e CONCEDO A SEGURANÇA A SEGURANÇA pleiteada, extinguindo o processo com resolução de mérito, nos termos do art. 269, inciso I, do Código de Processo Civil, para o fim de determinar à autoridade impetrada que proceda na apreciação das impugnações administrativas interpostas nos processos administrativos nºs 11065.000887/200197 e 11065.001149/200088 na parte em que não conhecidas, cancelandose eventual inscrição dos débitos em dívida ativa da União. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 291 9 (...) [grifos não são do original] É de se destacar que o julgado acima tratou de questão bem semelhante a que ora analisamos, qual seja, da impossibilidade de estender a decisão proferida no mesmo mandado de segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, que beneficiava a recorrente somente em relação às entradas de produtos com isenção, para outros créditos tributários decorrentes de glosas de créditos relativos a insumos adquiridos com suspensão. A única diferença é que tratamos aqui da multa pelo aproveitamento indevido do insumo adquirido com suspensão do imposto, mas o mesmo raciocínio se aplica. B. Da questão do direito ao crédito do IPI decorrente da entrada de insumos com suspensão acaso se acolha o argumento que esta deva ter o mesmo tratamento jurídico da isenção: A análise da tese da recorrente relativa a essa questão resta prejudicada no presente julgamento, tendo em vista o entendimento exposto acima de que não se aplica o mesmo tratamento jurídico aos institutos da isenção e da suspensão. C. Da Ação Rescisória nº 001260084.2012.404.0000/RS Alega a recorrente que a ação rescisória não teria o efeito de impedir o aproveitamento do crédito em questão com efeitos retroativos. Ao tempo da apropriação dos créditos, o que vigorava era a decisão da Suprema Corte e do TRF4 que reconheciam esse direito à recorrente, de forma que agia ao abrigo de sentença de mérito que não veio a ser reformada na parte da isenção pelo STF. Pelo mesmo argumento, de que não se aplica o mesmo tratamento jurídico aos institutos da isenção e da suspensão, a ação rescisória nº 001260084.2012.404.0000/RS, interposta pela União, para rescisão do julgado objeto do referido mandado de segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, que autorizou o creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos, em nada influi no presente processo administrativo, que trata de multa pelo aproveitamento indevido do insumo adquirido com suspensão do imposto. As decisões do referido mandado de segurança ou da ação rescisória acima não abrigam, e nunca abrigaram, a apropriação de créditos efetuada pela recorrente em relação ao insumo com suspensão do tributo de que trata o presente processo. D. Da multa isolada aplicada A decisão de mérito proferida na ação rescisória, ainda sub judice, na parte que constou que a contribuinte não poderia ser penalizada com a aplicação de multas decorrentes da desconstituição da decisão que antes transitou em julgado, não socorre a recorrente no presente processo, vez que trata das exigências tributárias em relação ao creditamento de IPI efetuado pela recorrente na aquisição de insumos isentos, que encontrava, este sim, à época, amparo na decisão do mandado de segurança nº 1999.71.08.0099270/RS, sob rescisão. Quanto à alegação de que a multa seria manifestamente confiscatória e, portanto, inconstitucional, eis que toma como montante o valor da própria mercadoria, dela não se pode tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da multa, o que é vedado a este Conselho, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 salvo nas hipóteses do art. 62, parágrafo único do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda (MF) nº 256/2009. Conforme já consta na decisão de primeira instância, no âmbito do processo administrativo fiscal, por força do caput do art. 59 do Decreto no 7.574/2011, é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do Carf, aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃOS PARADIGMAS Acórdão nº 10194.876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005 Assim, afasto a alegação da recorrente de confisco da multa. Quanto à alegação que careceria a multa do efetivo suporte jurídico, já que toma o valor da mercadoria de uma nota fiscal supostamente ilegível, mas que, contraditoriamente, serve para a imposição da penalidade em questão, esclarecemos que a referida nota fiscal, apesar de não totalmente legível, juntamente com a análise dos livros da recorrente, foram, sim, suficientes para a constatação da irregularidade pela fiscalização. Conforme consta na decisão de primeira instância, que passa a ser parte integrante do presente Acórdão, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.794/99, o aproveitamento indevido do IPI foi assim apurado: (...) O interessado escriturou a nota fiscal da fl. 83 no livro Registro de Entradas, segundo consta na fl. 37, indicando o crédito do IPI no valor de R$ 152.000,00, correspondente à aplicação da alíquota ad valorem de 8% referente ao produto “álcool neutro” do código 2208.90.00 da TIPI, sobre o respectivo valor tributável de R$ 1.900.000,00. No referido livro Registro de Entradas, no mês de janeiro de 2009, o valor total do IPI creditado é de R$ 270.937,01, segundo consta na fl. 38, e esse também é o valor total creditado, no referido mês, no livro Registro de Apuração do IPI, pelo que consta na fl. 10, tendo sido esse crédito utilizado para dedução dos débitos totais, apurados em janeiro de 2009, no valor de R$ 283.185,76, restando um saldo devedor de R$ 12.248,75. À vista disso, por ter registrado e utilizado o crédito indevido, o lançamento de ofício da multa é procedente e deve ser mantido. (...) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11065.724885/201321 Acórdão n.º 3402002.561 S3C4T2 Fl. 292 11 Por fim, quanto à alegação de que o fiscal teria aplicado uma norma regulamentar revogada, apesar da recorrente não ter especificado qual foi o dispositivo, esclarecemos que, conforme consta no auto de infração, o fundamento principal para a aplicação da multa foi o art. 7º da Lei nº 9.493/97, que se encontrava vigente à época do fato gerador, e ainda prossegue em vigor, do que a recorrente pôde bem se defender, sem cerceamento do seu direito de defesa. Assim, diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso voluntário É como voto. MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator Fl. 297DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 05/01/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10280.902972/2011-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/01/2008
PIS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/01/2008 PIS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
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ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 29 72 /2 01 1- 56 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ de Belém PA (fls. 93/99 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, no valor de R$ 3.212,40, relativo ao PA mês de outubro de 2003. No Despacho Decisório (fls. 12/13), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 2/11). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A DRF em Belém emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, com suporte no argumento a seguir: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde alega, em resumo, que: (...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está à prestação de serviços para armadores estrangeiros. Na consecução de suas atividades, até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902972/201156 Acórdão n.º 3802003.991 S3TE02 Fl. 141 3 legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais As Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, que tratam das Contribuições para o PIS e COFINS, dispõem que a não incidência dessas contribuições dependem de duas condições: 1. o tomador, pessoa física ou jurídica, estar domiciliado no exterior e, 2. o pagamento do respectivo preço deve se dar em moeda conversível. Podemos concluir assim, que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador) por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida exclusivamente em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes a sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. (...) Frisando, os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são, suportados pelos armadores, que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao País divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos portos nacionais. (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Assim, a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2008 Ementa: DCOMP. HOMOLOGAÇÃO Para que ocorra a homologação da compensação declarada pela contribuinte, faz se necessário a comprovação da existência de direito creditório líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da referida decisão em 04/02/2014 (fl. 102), a Recorrente, em 05/03/2014, apresentou o recurso voluntário (fls. 103/122), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a Recorrente esclarece sobre o objeto social da empresa e faz um relato da origem do crédito, alegando sua materialidade. Segue apresentando os demais argumentos, conforme abaixo: Dos fatos: faz uma abordagem sobre o direito a nãoincidência e da restituição do PIS/Pasep e da COFINS, alega que dentre as atividades desenvolvidas pela empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros; que até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; que esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes; que dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; reproduz a legislação que trata dessa matéria; que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. que as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902972/201156 Acórdão n.º 3802003.991 S3TE02 Fl. 142 5 Do Direito: reproduz um arcabouço de toda a legislação que rege a matéria discutida, informando diversas considerações sobre as interpretações possíveis das hipóteses de incidência das contribuições (PIS e da COFINS) e cita vários posicionamentos da RFB, alegando corroborar com a não incidência do fato gerado nas relações jurídicas desenvolvidas pela recorrente. Ao final, afirma estar demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, clama pela reforma da decisão recorrida, para dar provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo, reconhecendo o valor do crédito, homologandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos Fatos Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de PIS, referente a serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, relativo ao mês de agosto de 2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), no seu Despacho Decisório, não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Já na decisão recorrida, a DRJ descreve em seus fundamentos que o reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido e que, apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme disposto no artigo 170 do CTN. Vejase trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Ocorre que, nos termos da disposição normativa acima transcrita, a não incidência da contribuição vinculase a que a prestação dos correspondentes serviços seja efetuada a pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o correspondente pagamento represente ingresso de divisas, também se fazendo necessário que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador)residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da COFINS”. Portanto, conforme esclarecido no relatório, a questão aqui discutida é essencialmente de prova nos autos, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações do Recorrente. No entanto, a Recorrente em seu recurso não juntou novos elementos de provas no processo, mas tão somente acrescentou argumentos aos já aduzidos na manifestação de inconformidade. No caso sob análise, em que pesem serem coerentes os seus argumentos do direito, a questão da prova (que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica – armador, residente ou domiciliada no exterior), é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes para a elucidação da lide, os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: (...) Nesse sentido, ao invés de a interessada comprovar a alegação de que é signatária de contrato de direito privado com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como trazer aos autos os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes, as notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e, ainda, o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas tais receitas, limitouse à informação de “disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido”. Esclareçase ao sujeito passivo, ainda, que na hipótese de mera intermediação, haveria de existir o contrato original firmado com o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando o seu representante em território nacional a atuar em seu nome, no limite dos poderes então conferidos. Na ausência de tais instrumentos jurídicos (ao que consta dos autos), as afirmações de que se trata, no caso concreto, de serviços prestados a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior limitam se a mero exercício imaginativo. Registrese, também, que o possível fato de haver o pagamento por pessoa jurídica estrangeira, em etapa comercial anterior, a uma terceira pessoa jurídica domiciliada em território nacional não autoriza a dedução de que todos os ulteriores contratos de serviço tomados por aquela terceira pessoa também representarão “prestação de serviços a residente ou domiciliada no exterior, com o ingresso de divisas”. Assim, na hipótese em tela, apresentaria relevo para a finalidade pretendida pelo sujeito passivo que demonstrasse, por intermédio de prova hábil, que de fato ocorreu pagamento indevido, sob pena de, não o fazendo, atrair a incidência da máxima de que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. E nesse sentido, não é demais referir o fácil alcance, por parte do contribuinte, dos supostos elementos probatórios, haja Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902972/201156 Acórdão n.º 3802003.991 S3TE02 Fl. 143 7 vista tratarse de documentos que, acaso existissem, haveriam de integrar o seu próprio acervo. Como é cediço, conforme assevera a legislação, para fazer prova da não incidência das contribuições, tornase relevante e essencial a Recorrente provar dois requisitos fundamentais: da prestação de serviços e do ingresso de divisas. 1) quanto a prestação de serviços: verificase, pois, que não há nos autos prova inequívoca de que a beneficiária dos serviços prestados foi pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, vez que a contribuinte não juntou nos autos os contratos de prestação de serviços firmados. Afirma que o contrato de representação é feito entre o agente/representante e o armador estrangeiro e apresentou (em sede de manifestação de inconformidade) apenas uma relação de notas fiscais, que não atende as formalidades exigidas para o caso. 2) quanto ao ingresso de divisas: a Recorrente não apresentou nenhum contrato de câmbio. Afirma em seu recurso que “embora os pagamentos sejam feitos pela recorrente, são esses últimos que arcam com seus respectivos encargos tributários, enviando previamente ao Brasil divisas, específicas e suficientes a sua quitação. As empresas em questão, como a recorrente, atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis nacionais, que prescrevem a utilização desse elo para remessa, única e exclusivamente dos fretes contratados. Assim, todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. Notese que esta vinculação pode ser evidenciada nas respectivas “ordens de pagamento” emitidas por cada comandante do navio com sua respectiva origem estrangeira. Em outras palavras, as notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Ao final, ressalta que “Continua a Recorrente a disponibilizar todas as notas fiscais para a conferência do referido período em questão, no momento em que V. Exa. Entender ser devido”. Como já abordado pela DRJ, a Recorrente encaminhou consulta sobre a matéria à SRRF da 2ª RF, sendo emitida para o deslinde da questão a Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, daquela superintendência, a este anexada, referente ao processo 10280.005047/200618, onde constam as condições necessárias para não incidência da contribuição na situação ali aventada, de onde se extrai que: (...) 13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da Cofins. 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.(grifos não originais) Por oportuno e tratar dessa mesma matéria, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30, da SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p.ex., Carta Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (g.n) No caso vertente, verificase que o Recorrente não trouxe, juntamente com sua manifestação de inconformidade e tampouco agora em sede de recurso voluntário, documentos que comprove de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos respectivos pagamentos. Também não apresentou as cópias de notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, totalizado, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais obrigatórios. Assim, não quedouse comprovado que a Recorrente possui contratos de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisas e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.902972/201156 Acórdão n.º 3802003.991 S3TE02 Fl. 144 9 em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Por conseguinte, acerca da comprovação de suas alegações, apenas aduziu, em sua manifestação de inconformidade, que: (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Consulente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido (g.n). Em sede de recurso voluntário, repisa os mesmos argumentos acima reforçando que a Recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que a Fazenda entender ser devido. .Frisese, portanto, que os elementos probatórios (documentos, contratos, fechamento de câmbio, livros e as notas fiscais) e essenciais como provas, não foram anexadas aos autos e portanto não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de sua comprovação. Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Nesse diapasão, assinalese que o Decreto nº 70.235/1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse) Como visto nos autos, quando da transmissão da DCOMP, a Recorrente era conhecedora das condições necessárias para não incidência da contribuição na situação que lhe geraria o suposto direito creditório e teria que apresentar as provas do cumprimento daquelas premissas com o seu recurso voluntário (Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, PAF nº 10280.005047/200618). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Em síntese, a Recorrente não logrou comprovar que auferiu receitas que se subsumam ao art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002. Desta forma, é da Recorrente a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e portanto, resta caracterizado que as alegações da Recorrente não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Conclusão Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório e não o fazendo no momento apropriado, e considerando o acima exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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