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Numero do processo: 13116.001045/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de Apuração: 01/08/2004 a 30/07/2006
MPF. RECEBIMENTO PELO CONTRADOR. VALIDADE.
Em acordo com a Teoria da Aparência, não há nulidade do MPF diante da intimação do contador da empresa ao invés de seu representante legal, se aquele se coloca como investido de autorização para recebê-la, bem como conhece os fatos a serem examinados pela fiscalização (art. 23 do Decreto n°.70.235/72).
TIAF. INEXIGIBILIDADE.
O TIAF é inexigível desde 18 de dezembro de 2003, com o advento da Instrução Normativa INSS/DC n°. 100. Não há necessidade de expedição de dois instrumentos, o TIAF e o MPF, quando ambos têm o mesmo objetivo, de informar ao contribuinte que se encontram sob auditoria fiscal.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
VALIDADE DE INTIMAÇÃO.
Inexiste cerceamento ao direito de defesa da empresa apontada como responsável solidária pelo débito, se devidamente intimada para se manifestar acerca da autuação contra ela lavrada.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE.
Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.193
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/08/2004 a 30/07/2006 MPF. RECEBIMENTO PELO CONTRADOR. VALIDADE. Em acordo com a Teoria da Aparência, não há nulidade do MPF diante da intimação do contador da empresa ao invés de seu representante legal, se aquele se coloca como investido de autorização para recebê-la, bem como conhece os fatos a serem examinados pela fiscalização (art. 23 do Decreto n°.70.235/72). TIAF. INEXIGIBILIDADE. O TIAF é inexigível desde 18 de dezembro de 2003, com o advento da Instrução Normativa INSS/DC n°. 100. Não há necessidade de expedição de dois instrumentos, o TIAF e o MPF, quando ambos têm o mesmo objetivo, de informar ao contribuinte que se encontram sob auditoria fiscal. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DE INTIMAÇÃO. Inexiste cerceamento ao direito de defesa da empresa apontada como responsável solidária pelo débito, se devidamente intimada para se manifestar acerca da autuação contra ela lavrada. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
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RECEBIMENTO PELO CONTRADOR. VALIDADE. Em acordo com a Teoria da Aparência, não há nulidade do MPF diante da intimação do contador da empresa ao invés de seu representante legal, se aquele se coloca como investido de autorização para recebêla, bem como conhece os fatos a serem examinados pela fiscalização (art. 23 do Decreto n°. 70.235/72). TIAF. INEXIGIBILIDADE. O TIAF é inexigível desde 18 de dezembro de 2003, com o advento da Instrução Normativa INSS/DC n°. 100. Não há necessidade de expedição de dois instrumentos, o TIAF e o MPF, quando ambos têm o mesmo objetivo, de informar ao contribuinte que se encontram sob auditoria fiscal. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DE INTIMAÇÃO. Inexiste cerceamento ao direito de defesa da empresa apontada como responsável solidária pelo débito, se devidamente intimada para se manifestar acerca da autuação contra ela lavrada. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 301 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 14/09/2006, em desfavor de BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA, face às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes ao período de 08/2004 a 07/2006, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados por serviços prestados à empresa, inclusive os valores destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, e a outras Entidades (Terceiros). Tendo a SRP constatado que havia a formação de grupo econômico entre a BV COM. DE CARNES LTDA, TANGARA EMPREENDIMENTOS LTDA e BOA VISTA ALIMENTOS LTDA, lançou o débito em nome da primeira e colocou as demais como responsáveis solidárias, baseandose na Lei 8.212/91. Inconformada, a ora Recorrente ofereceu Impugnação de fls. 36/40, tendo sido proferido acórdão de fls. 206/213, que julgou procedente o lançamento, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES PAGAS A SEGURADOS EMPREGADOS. A remuneração auferida pelos segurados empregados é base de cálculo das contribuições previdenciárias originadas da prestação de serviço de caráter oneroso. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 302 3 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignada, BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA apresentou Recurso Voluntário de fls. 228/238, alegando, em síntese que: a) o MPF padece de nulidade absoluta por ausência de intimação, visto que esta foi feita a contador da empresa recorrente, não tendo este poderes para representála, e por estarem ausentes elementos essenciais ao MPF: sua natureza/finalidade, se de Fiscalização ou se de Diligência, e a indicação do tributo objeto do procedimento fiscal; b) o lançamento é nulo, visto que inexistente o Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF); c) inexiste grupo econômico entre as empresas mencionadas não podendo haver solidariedade entre as mesmas e não há solidariedade natural em decorrência do interesse comum no fato gerador da obrigação principal, pois não há interesse imediato e comum dos membros das empresas nos resultados do fato gerador. Ademais, a TANGARÁ EMPREENDIMENTOS LTDA cientificada do lançamento, como integrante do grupo econômico e responsável solidária pelo débito em questão, também ofereceu Recurso Voluntário de fls. 327/337, alegando, em síntese, o mesmo que a BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA, acrescentanto apenas não foi intimada para apresentar impugnação, padecendo o lançamento, portanto, de nulidade absoluta. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas Fl. 366DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 303 4 Os lançamentos da presente NFLD referemse à cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes ao período de 08/2004 a 07/2006, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados por serviços prestados à empresa. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da nulidade do MPF Pleiteia, a Recorrente, pela nulidade do MPF devido a três vícios aparentemente insanáveis, quais sejam: a realização da intimação ao contador da empresa que não possui poderes para representála; a falta de especificação da natureza/finalidade do MPF Fl. 367DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 304 5 no documento; e, a falta de indicação do tributo objeto do procedimento fiscal. Vejamos cada um desses vícios, separadamente. Da intimação do contador. O art. 23 do Decreto n°. 70.235/72 institui que a ciência dos atos da administração pode ser dada ao contribuinte, seu representante ou preposto. Nos termos da CLT, o preposto pode ser o gerente ou qualquer outro que tenha conhecimento dos fatos geradores de contribuições sociais. Ou seja, o contador é considerado preposto, não só por conhecer dos fatos geradores, mas por ser aquele que realiza serviços, atos ou delegações do preponente, nesse caso, o representante legal da empresa, o que o torna apto para receber a intimação citada no art. 23 supra mencionado. Ademais, não se pode perder de vista que não só o contador, mas qualquer pessoa vinculada à empresa que se apresente como investida de poderes para praticar atos em seu nome, terá produzido, ao receber a intimação destinada à pessoa jurídica, os mesmos efeitos do verdadeiro representante legal. Isto porque a Teoria da Aparência preserva a boafé dos terceiros com quem a empresa se relaciona, além de conferir estabilidade às situações jurídicas cujos efeitos nasceram do ato por ela praticado. O Superior Tribunal de Justiça, analisando diversas situações semelhante à hipótese dos autos, aplicou a Teoria da Aparência ora citada, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. APARENTE REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA. 1. Reputase válida a citação da pessoa jurídica por intermédio de quem se apresenta na sede da empresa como seu representante legal e recebe a citação sem ressalva de que não possui poderes para tanto. Precedentes desta Corte: AGA 441507/RJ, Relator Ministro Aldir Passarinho Júnior, 4ª Turma, DJ de 22/04/2003; AERESP 205275/PR, Relator Ministra Eliana Calmon, Corte Especial, DJ de 28/10/2002; RESP 302403/RJ, Relator Ministra Eliana Calmon, 2ª Turma, DJ de 23/09/2002. 2. In casu, sob o ângulo fático (Súmula 07/STJ), assentou a Corte local: "Embora, o senhor RICARDO CALDERARO IÓRIO não conste dos atos constitutivos da agravante, ao menos das alterações acostadas aos autos (fl. 33/37TJMG), e embora não esteja claro qual sua relação com a sociedade executada (já que nem mesmo a agravante cuidou de esclarecer este pormenor), não se pode deixar de registrar que o mesmo, além de estar na sede da agravante, nada ressalvou quando firmou o termo de intimação de penhora trazido em cópia às fl. 28TJMGverso" (fl. 72). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 736.583/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/08/2007, DJ 20/09/2007, p. 223) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 305 6 Por esta razão é que o MPF recebido pelo contador ou por qualquer outro que se apresente como investido de poderes para tanto deve ser considerado como válido, sobretudo se este estava presente no local a ser fiscalizado, agindo em nome do representante legal. Em relação à Teoria da Aparência, aplicada também aos atos praticados no curso de uma ação fiscal, segue ementa do entendimento firmado pela Terceira Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, em Recurso Voluntário nº 139878 (10880.029942/199266): NULIDADE DO LANÇAMENTO. TEORIA DA APARÊNCIA. Em consonância com o princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovidas de efeitos prejudicais, é de se aplicar a teoria da aparência para reconhecer a validade das intimações e do auto de infração lavrados em nome da pessoa jurídica, assinados por quem se apresentou, no local em que a fiscalizada manteve como sede provisória, com poderes para agir como se fosse o seu representante legal, sem ressalvas oportunas, mormente se a autuada diligentemente atendeu às requisições fiscais expedidas, mediante a intermediação do preposto putativo. Publicado no DOU nº 27, de 07/02/06. Por tais razões é que não se verifica qualquer nulidade no MPF recebido pelo contador da empresa. Da especificação da natureza/finalidade do MPF. O artigo 7º, inciso Ill, da Portaria MPS/SRP 3031/2005, institui que o MPFF, o MPFD e o MPFE conterão a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência). No MPF do procedimento, fls. 22, podese verificar, no cabeçalho, a indicação de que se trata de “fiscalização previdenciária”, estando, portanto, clara a finalidade do procedimento, de fiscalização. Da falta de indicação do tributo objeto do MPF. Também no MPF do procedimento, fls. 22, constatase que houve sim a indicação do tributo a ser fiscalizado: CONTRBUIÇÕES: Contribuições Sociais previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b" e "c", da Lei n0 8.212, de 24 de julho de 1991, e contribuições por lei devidas a terceiros conveniados, provenientes de empresas 6u equiparados, na forma do artigo 3 0 da Lei 11.098 de 13 de janeiro de 2005. PERÍODO DE APURAÇÃO: Junho/2004 a Agosto/2006 VERIFICAÇÕES: Verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela SRP, em nome do INSS, e àquelas relativas a terceiros conveniados, conforme determinado nos artigos 10 e 3 0, da Lei n° 11.098 de 13 de Janeiro de 2005. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 306 7 DESCRIÇÃO SUMARIA: Rendimentos pagos devidos ou creditados a todos os segurados Conciliação de GFIP Comercialização de produtos rurais Contribuições devidas por adquirente na condição de subrogado; Ainda sobre a possível falta de indicação do tributo a que se refere o MPF, entende a Primeira Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes que a indicação de outro tributo que não o que se pretende fiscalizar não é causa de nulidade de procedimento fiscal. Ora, se assim o é, ainda que tivesse havido a autuação por descumprimento de obrigação tributária diversa daquela especificada no MPF, não resultaria na nulidade do procedimento, se o AFRFB possui competência também para fiscalizar os tributos objeto da autuação. Não há que se falar, portanto, em nulidade do MPF do qual decorreu o presente Auto de Infração. Da nulidade do TIAF A Recorrente alega a nulidade do procedimento fiscal devido à inexistência do TIAF Termo de Inicio de Auditoria Fiscal, sugerindo, dessa forma, a nulidade da autuação. Não obstante, o TIAF foi tacitamente revogado pela Instrução Normativa INSS/DC n°. 100 de 18 de dezembro de 2003. Essa revogação teve lugar com o advento do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído pelo Decreto n° 3.969, de 15 de outubro de 2001, alterado pelo Decreto n° 4.058, de 18 de dezembro de 2001. Tendo os dois instrumentos, o TIAF e o MPF, o mesmo objetivo de informar ao contribuinte que o mesmo está em auditoria fiscal, é desnecessária a emissão do TIAF juntamente com o MPF. Em relação à inexigibilidade do TIAF, segue ementa do entendimento firmado pela Sexta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes, em Recurso Voluntário nº 249477: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 (...). NORMAS PROCEDIMENTAIS. TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO TIAF. INEXIGIBILIDADE. Com o advento da Instrução Normativa nº 100, publicada em 24/12/2003, a qual revogou a IN nº 70/2002, tornouse desnecessária a emissão do Termo de Início de Fiscalização, não estando referido termo incluído no rol dos documentos necessários à instrução e validade do processo administrativo fiscal, elencados no artigo 688, daquele ato normativo. Ante o exposto, não há qualquer nulidade do procedimento fiscal. Da existência de grupo econômico e da solidariedade Insurgemse a Recorrente (BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA) e as responsáveis solidárias (TANGARA EMPREENDIMENTOS LTDA e BOA VISTA Fl. 370DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 307 8 ALIMENTOS LTDA) contra a autuação promovida pela fiscalização, sob o argumento de que não participam de nenhum grupo econômico, não podendo haver, portanto, solidariedade entre as mesmas. Ademais, alegam que são empresas distintas, com objetivos distintos e com vidas distintas. Ocorre que o AFRFB apresentou Relatório Fiscal (fls. 15/21) bastante completo, no qual narra todos os elementos que motivaram o reconhecimento do grupo econômico, dentre os quais podemos citar: 1) A BOA VISTA ALIMENTOS LTDA e a TANGARA EMPREENDIMENTOS LTDA compartilham mesmo endereço; 2) A maioria da composição societária da BOA VISTA ALIMENTOS LTDA e da TANGARÁ EMPREENDIMENTOS LTDA são de pessoas com vínculos familiares comuns. Cabendo observar que no período de 12/12/2002 à 01/01/2004, a sócia gerente MARTHA COURY COELHO participa nas duas empresas com a maioria do capital, acima de 90% e que LUIZ FERNANDO COELHO, esposo de MARTHA COURY COELHO, participou como sócio na empresa TANGARÁ no período de 30/06/1977 a 07/07/2000, e é um dos administradores da empresa Boa Vista Ltda, embora não participe do quadro societário da mesma; 3) Na data de 05/08/2004, antes portanto do primeiro período fiscalizado, a BOA VISTA ALIMENTOS LTDA e a BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA firmaram um contrato de prestação de serviços de industrialização, com término em 04/07/2007, em que a contratada, a Boa Vista, se compromete a prestar serviços de abate e industrialização de bovinos para a contratante, BV Comércio de Carnes, nas instalações localizadas no frigorífico de endereço da sede da contratada; 4) Na cláusula sexta desse mesmo contrato entre as empresas se estabelece a responsabilidade da contratada sobre a folha de pagamento do pessoal do parque industrial em questão. Mas como se pode concluir das Fichas de Registro de Empregados da BV CARNES, CAGED das duas empresas e RAIS da Boa Vista Alimentos, num primeiro período que vai de 01/09/2004 a 30/04/2005, a maioria dos empregados, com funções e atividades típicas de um frigorífico, são contratados pela empresa BV CARNES, cujo objetivo social, de comercio atacadista e varejista de carnes, não guarda compatibilidade com o ato, sendo os mesmos empregados, na sua maioria, transferidos, no mês de 05/2005, para a empresa Boa Vista, como se faz entre empresas do mesmo grupo econômico; 5) No período de 09/2004 a 07/2006 a maior parte das operações do frigorífico é com a BV CARNES, girando em tomo de R$ 2.000.000,00 a 4.000.000,00 por mês. Além disso, ambas as empresas, no período que tiveram créditos previdenciários apurados estavam e continuam Fl. 371DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 308 9 enquadradas no SIMPLES, não comunicando tal situação à Receita Federal; O conceito de grupo econômico pode ser extraído do senso comum, o qual foi incorporado ao direito positivo através da CLT, cujo art. 1º, §2º dispõe que “sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiver sob a mesma direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis à empresa principal e cada uma das subordinadas”. Tal norma não tem sua aplicação restrita às relações trabalhistas, pois além de ser norma conceitual, que define instituto, possui hierarquia de lei ordinária, suficiente para dispor sobre os conceitos societários. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que “as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei”. Por ser norma de natureza tributária, deve ser necessariamente interpretada conforme as disposições do Código Tributário Nacional acerca da solidariedade: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...). Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Conforme se depreende dos dispositivos acima, a solidariedade somente pode ser imposta àquele que tiver relação com o fato gerador do tributo. Assim também será nos casos em que a responsabilização por solidariedade decorrer da existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas, hipótese em que não será suficiente a relação de uniformidade de direção, sendo necessária também a relação da coresponsável com o fato gerador do tributo. Por esta razão é que a responsabilidade de uma empresa pelos débitos previdenciários das demais empresas do grupo econômico depende da existência de seu interesse no fato gerador daquelas contribuições previdenciárias. Sendo a contribuição incidente sobre a folha de salários, deverá se verificar se existe funcionários prestando serviços em comum para as empresas envolvidas; se a contribuição previdenciária incidir sobre a comercialização da produção rural, terá a fiscalização que comprovar que as coresponsáveis também participaram da operação comercial que deu ensejo à tributação. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 309 10 Ora, devidamente fundamentada a consideração de que existe grupo econômico através dos elementos apresentados pelo Relatório Fiscal acima exposto, e de que há solidariedade em vistas da participação das empresas nas operações comercias que deram ensejo à tributação, não cabe qualquer alegação de que foi indevida a colocação das empresas como solidárias, pois enquadradas nos dispositivos legais acima citados. Da intimação da TANGARÁ A TANGARÁ EMPREENDIMENTOS LTDA alega não ter sido devidamente intimada para apresentar impugnação, esclarecendo que o documento apresentado nos autos, fls. 67, é cópia de documento relativo a outro feito. Assim, afirma a Tangará, houve violação da garantia do contraditório e da ampla defesa. Contudo, o documento trazido aos autos, fls. 67, não deixa dúvidas de que se refere ao presente processo, pois ao informar que foi constituído crédito contra a Recorrente, consta a TANGARÁ EMPREENDIMENTOS LTDA como responsável solidária do mesmo e cita explicitamente a NFLD nº 35.960.8329, ora em questão. Além disso, deixa claro que é assegurada às empresas do grupo econômico em questão, nas quais está incluída a TANGARÁ, a vista do processo administrativo fiscal e a apresentação de impugnação ao lançamento no prazo de 15 dias, contados da data do recebimento da intimação. Fica claro, portanto, que não houve, em hipótese alguma, o cerceio da garantia de ampla defesa e contraditório alegada pela TANGARÁ. Assim, não há nulidade do procedimento fiscal, pois válida a intimação realizada a TANGARÁ. Da multa moratória No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 310 11 Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, 28 de julho de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 374DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 13116.001045/200721 Acórdão n.º 230102.193 S2C3T1 Fl. 311 12 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 5/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 13830.001783/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002
COOPERATIVA ATOS COOPERATIVOS . NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL.
A cooperativa tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre os resultados decorrentes dos atos cooperativos, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88.
Numero da decisão: 1202-000.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL. A cooperativa tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre os resultados decorrentes dos atos cooperativos, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Jorge Celso Freire da Silva e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.001783/200531 Acórdão n.º 120200.560 S1C2T2 Fl. 359 2 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto o relatório constante do Acórdão nº 1426.778 da DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 182 a 186, o qual transcrevo abaixo: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativas aos anoscalendário de 2001 e 2002, pela contribuinte acima identificada, foi constatada falta de recolhimento da CSLL, tendo em vista a glosa dos valores relativos aos atos praticados com cooperados que foram indevidamente excluídos da base de cálculo da CSLL no 1°, 2° e 4° trimestres de 2001 e no 1° e 4° trimestres de 2002. Foi lavrado o auto de infração de fls. 4 a 11, exigindo CSLL no valor de R$ 341.355,58, juros de mora de R$ 166.889,64 e multa proporcional de R$ 256.016,66. Foram dados como infringidos a Lei n°7.689, de 15 de dezembro de 1988, arts. 1°, 2°, 3°, 4° e 6°, com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034, de 1990; Lei n°8.981, de 1995, art. 57; Lei n°9.249, de 1995, arts 1°, 13 e 19; Lei n° 9.430, de 1996, arts. 1°, 3°, 5° e 28; Medida Provisória (MP) n° 2.11326, de 2000, e reedições, art. 6º, 11; MP n° 2.158 33, de 2001, e reedições, art. 6°, II. Notificada do lançamento a contribuinte ingressou, em 19/10/2005, por seu representante legal, com a impugnação de fls. 137 a 142, alegando: • As glosas efetuadas pela fiscalização dizem respeito às exclusões da base de cálculo da CSLL em operações tidas como ato cooperativo, ou seja, operações entre a cooperativa e seus associados; • Nas operações entre a cooperativa e seus associados não há que se falar em lucro, ensejador da ocorrência do fato gerador da CSLL; • Existe previsão na Lei n° 10.833, de 2003, para a dedução da base por ela elaborada; • A sobra líquida do exercício não pode servir de base de cálculo da CSLL, mesmo em exercícios anteriores a 2005, eis que seria necessária a imposição dessa exigibilidade por Lei Complementar, já que o art. 195 da Constituição Federal (CF) é claro ao prever contribuições sobre o lucro, restando a impossibilidade da contribuição para outros resultados marginais à competência residual tributária, observadas as condições exigidas na CF para o exercício desse mister. É o relatório.” Na sequência, a DRJ/Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1426.778, de fls. 182 a 186, cuja ementa abaixo se reproduz: SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA DA CSLL. As sociedades cooperativas devem recolher a CSLL sobre a totalidade do resultado apurado no períodobase, o qual inclui as receitas decorrentes de atos cooperativos e nãocooperativos. Impugnação Improcedente Fl. 359DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.001783/200531 Acórdão n.º 120200.560 S1C2T2 Fl. 360 3 Crédito Tributário Mantido Os fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido podem ser resumidos na transcrição de parte do trecho do voto condutor, fls. 185: “Como se deduz, para os anoscalendário em questão, não existe nenhum comando normativo isentando ou retirando do campo de incidência da CSLL os resultados positivos porventura conseguidos pelas cooperativas. É de se concluir, portanto, que a intenção do legislador ao criar a mencionada contribuição foi que ela fosse financiada por toda sociedade, inclusive pelas sociedades cooperativas”. E mais adiante, fls. 186: “Cabe observar que as sobras líquidas são o próprio lucro líquido apurado em balanço, como se verifica da publicação "Perguntas e Respostas" veiculada na página da Receita Federal na internet, cuja pergunta 652 é transcrita a seguir:”. Irresignada, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, de fls. 194 a 201, repisando praticamente as mesmas argumentações trazidas na peça impugnatória. Requer, ao final, o cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A controvérsia principal do processo diz respeito em saber se o resultado do exercício, originado das receitas com “atos cooperativos” daquelas sociedades criadas sob a regência da Lei nº 5.764, de 1971, está sujeito à incidência da CSLL. Depreendese que o lançamento decorreu da falta de recolhimento da CSLL relativos aos atos praticados com cooperados que foram indevidamente excluídos da base de cálculo da CSLL, nos anos de 2001 e 2002. Já a recorrente afirma que auferiu resultado de “atos cooperativos”, os quais se encontram fora do campo de incidência da CSLL. Incontroverso, portanto, que se está tratando daquelas receitas típicas das atividades cooperativistas. Inicialmente, cabível a transcrição do art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, norma legal que criou a CSLL na forma prevista no art. 195 da Constituição Federal de 1988: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. De acordo com os dispositivos transcritos, verificase que a hipótese de incidência da CSLL é a existência de “lucro”, apurado de acordo com o resultado do exercício da pessoa jurídica. Fl. 360DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.001783/200531 Acórdão n.º 120200.560 S1C2T2 Fl. 361 4 Já as sociedades cooperativas foram disciplinadas pela Lei nº 5.764, de 1971, estatuto legal que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico dessas sociedades. O legislador, à época da edição da lei, quis dar um tratamento especial a esse tipo de sociedade, com regramento próprio e distinto das demais pessoas jurídicas. Para melhor análise, passo à transcrição dos 3º, 4º e art. 79, parágrafo único, da Lei nº 5.764, de 1971: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que recíprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro." Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; (...) Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (negritei) Os arts. 3º e 4º da Lei nº 5.764, de 1971, estipulam claramente algumas diferenciações em relação às demais sociedades empresariais, podendose destacar que as sociedades cooperativas têm “natureza civil” e devem atuar “sem objetivo de lucro”. Por esse motivo, os dispositivos da referida lei tratam os possíveis resultados obtidos como “sobras”, não se referindo, em nenhum momento, no auferimento de “lucros”. Além disso, o “ato cooperativo” não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, como explicitado no próprio art. 79, parágrafo único da lei das cooperativas, o que afasta o caráter mercantil presente nas sociedades em geral. Assim, da leitura das normas legais que regem as sociedades cooperativas depreendese que os resultados obtidos por essas sociedades, em razão dos atos cooperativos, são denominadas “sobras”, com destinação própria definidas na lei, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988, que exige a ocorrência de “lucro”, termo de conteúdo diverso e bem definido em nosso ordenamento jurídico, que se relaciona à atividade mercantil. Essa matéria também encontrase pacificada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes, conforme se depreende dos acórdãos Fl. 361DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.001783/200531 Acórdão n.º 120200.560 S1C2T2 Fl. 362 5 CSRF/0105.674, sessão de 11/06/2007, e CSRF/0105.874, sessão de 23/06/2008, dentre outros, assim ementados: Acórdão CSRF/0105.674: CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — OPERAÇÕES COM COOPERADOS — SOBRAS LÍQUIDAS — NÃO INCIDÊNCIA — A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2º da Lei n° 7.689/88, c/c os arts. 79 e III da Lei nº 5.764/71. Acórdão CSRF/0105.874 CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA Em relação aos atos cooperativos, os resultados positivos da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro. Dessa forma, por se tratar de resultados (sobras) originados de receitas relativas a “atos cooperativos”, é de se reconhecer a inaplicabilidade da incidência da CSLL exigida no Auto de Infração. Em face do exposto, voto para que seja dado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 362DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 09/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 35067.004642/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
Ementa:
AUTODEINFRAÇÃO.
FOLHA DE PAGAMENTO. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.874
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado
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FOLHA DE PAGAMENTO. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35067.004642/200691 Acórdão n.º 230200.874 S2C3T2 Fl. 291 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em 13/06/2006, pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja a confecção de folha de pagamento de todas as remunerações pagas ou creditadas aos segurados que prestaram serviço à empresa, nos moldes e padrões estabelecidos pela Secretaria da Receita Previdenciária, nas competências 01/2000 a 12/2003. De acordo com o relatório fiscal de fls.16/24, a empresa deixou de incluir nas folhas de pagamento todas as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, O relatório também aduz que a autuada e a empresa Sociedade Educacional do Espírito Santo — SEDES/UVV, formam um grupo econômico de fato, onde possuem os mesmos coresponsáveis, o mesmo responsável pela contabilidade, as despesas incorridas com uma entidade com docentes são pagas pela outra, assim como as receitas relativas às mensalidades de uma, também são contabilizadas na outra, a execução de contrato firmado por uma empresa utiliza mão de obra de outra e vários outros fatos que corroboram a existência de grupo econômico estão descritos no citado relatório. Após a apresentação de defesa por parte da autuada, DecisãoNotificação julgou a autuação procedente. Inconformados os sujeitos passivos apresentaram recurso tempestivo. Fundação Universidade de Pesquisa Econômica e Social Vila Velha, argúi : a) que o depósito recursal cerceia a defesa do contribuinte; b) que a configuração do grupo econômico é mera presunção; c) que não incluiu nas folhas de pagamento os bolsistas do INMETRO porque a responsabilidade seria daquele órgão; d) que os prestadores de serviços didáticos são da SEDES/UVV, e prestam serviços eventuais e) que os estagiários bolsistas não possuem vinculo empregatício; f) que os serviços prestados pelos contribuintes individuais não caracteriza relação de emprego g) que não foram descontadas as guias recolhidas; Requer a sua exclusão do pólo passivo da autuação,afastando a sua co responsabilidade na exação lançada; a nulidade do auto de infração, que a decisão seja refeita Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 quanto à falta de recolhimentos sobre contribuintes individuais, estagiários e bolsistas e que seja relevada a multa aplicada. A Sociedade Educacional do Espírito Santo /SEDESUVV repete os mesmos argumentos expostos pela autuada. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35067.004642/200691 Acórdão n.º 230200.874 S2C3T2 Fl. 292 5 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Da Preliminar As recorrentes argúem a inconstitucionalidade do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. Quanto à caracterização do grupo econômico, não procede o argumento das recorrentes de que não há, nos autos, prova da existência do mesmo, eis que o relatório fiscal foi detalhado ao especificar a existência e configuração do mesmo, fls. 16/24; ao qual me reporto, por economia processual. A composição do grupo foi especificada no relatório fiscal, sendo que as empresas possuem o mesmo endereço, onde se encontram os documentos fiscais, os mesmos coresponsáveis e administradores, arcam entre si com despesas e auferem receitas em uma entidade para cobrir despesas em outra. As empresas exercem atividades complementares. A mão de obra de uma empresa visa cumprir contrato da outra, os docentes que prestam serviço em uma, são pagos por outra, além de outros detalhes bem explicitados no relatório fiscal. Portanto, por todos os elementos fáticos trazidos pelo fisco é de se configurar a existência, de fato, do grupo econômico e a solidariedade prevista expressamente na lei previdenciária, art. 30, inciso IX da Lei n º 8.212 de 1991: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; (Ver § 4º do art. 2º da Lei nº 9.719/98) Do Mérito À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, como no presente caso. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva, como no caso presente, onde a empresa foi autuada por não incluir nas suas folhas de pagamento todas as remunerações pagas a todos os segurados que lhes prestaram serviços. Tal fato não foi argüido nas peças recursais, trazendo, as recorrentes, assuntos diversos daquele aqui autuado, como a não caracterização da relação de emprego e o não aproveitamento de valores recolhidos e parcelados, assuntos alheios à autuação, motivo pelo qual deixo de me manifestar sobre os mesmos. Este processo trata, exclusivamente, de auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória a que a recorrente estava obrigada de confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados, vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.48/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35067.004642/200691 Acórdão n.º 230200.874 S2C3T2 Fl. 293 7 I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Pelo exposto, é obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Assim, em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação. Por derradeiro, é totalmente improcedente a solicitação da autuada para ser excluída do pólo passivo da autuação, uma vez que ela foi o sujeito passivo da fiscalização e foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória de sua direta responsabilidade. A entidade SEDES, é que foi arrolada como solidária em vista da existência de grupo econômico. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Liege Lacroix Thomasi Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004686/2003-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
ESFERAS ADMINISTRATIVA E PENAL. INDEPENDÊNCIA.
As esferas penal e administrativa gozam de independência. Assim, mesmo que o juízo criminal decida que não houve crime, há que se perquirir se houve infração à legislação tributária. Situação em que o Recorrente foi absolvido com base no art. 386, II, do CPP, hipótese diametralmente oposta à do inciso I, em que restaria provada a inexistência do fato. Para a esfera administrativa, só importaria a decisão para afastar o dolo, mas não foi aplicada, in casu, multa qualificada.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.118
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
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materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 ESFERAS ADMINISTRATIVA E PENAL. INDEPENDÊNCIA. As esferas penal e administrativa gozam de independência. Assim, mesmo que o juízo criminal decida que não houve crime, há que se perquirir se houve infração à legislação tributária. Situação em que o Recorrente foi absolvido com base no art. 386, II, do CPP, hipótese diametralmente oposta à do inciso I, em que restaria provada a inexistência do fato. Para a esfera administrativa, só importaria a decisão para afastar o dolo, mas não foi aplicada, in casu, multa qualificada. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Recurso negado.
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INDEPENDÊNCIA. As esferas penal e administrativa gozam de independência. Assim, mesmo que o juízo criminal decida que não houve crime, há que se perquirir se houve infração à legislação tributária. Situação em que o Recorrente foi absolvido com base no art. 386, II, do CPP, hipótese diametralmente oposta à do inciso I, em que restaria provada a inexistência do fato. Para a esfera administrativa, só importaria a decisão para afastar o dolo, mas não foi aplicada, in casu, multa qualificada. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto Fl. 462DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.004686/200397 Acórdão n.º 210101.118 S2C1T1 Fl. 6.48 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Maria Paula Farina Weidlich (convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 401/410) interposto em 03 de abril de 2008 (fl. 401) contra acórdão proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS (fls. 388/394), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de março de 2008 (fl. 398), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 334/337, lavrado em 10 de dezembro de 2003, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, verificada nos anoscalendário de 1998 a 2001. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem é objeto de decisão. Lançamento procedente” (fl. 388). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 401/410, por meio do qual aduz, em síntese, que: a) o Ministério Público Federal apresentou denúncia em face do Recorrente, aceita pela Justiça Federal Criminal, cujos autos tiveram fundamento no artigo 1º, inciso I, da Lei n° 8.137/90, mas o Recorrente foi absolvido, Fl. 463DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.004686/200397 Acórdão n.º 210101.118 S2C1T1 Fl. 7.48 3 com base no art. 386, II, do CPP, seguindo parecer exarado pelo próprio ProcuradorGeral da República; b) não houve observância dos princípios da legalidade e ampla defesa por parte da autoridade fiscal, como se percebe de seu depoimento, porquanto “adotou critério de apreciação pessoal não previsto em lei” e se “limitou a verificar tão somente, se os valores constantes dos documentos apresentados e as datas dos mesmos coincidiam com os valores e datas dos depósitos, contrariando a própria legislação que prevê a modalidade da comprovação da origem dos recursos através de documentação hábil e idônea”; c) o Recorrente logrou comprovar, no juízo criminal, a origem dos recursos, assim como o fato de que eles eram destinados à administração de seu escritório; d) o Fisco não exerceu sua função plenamente, caso contrário teria chegado à mesma conclusão que o MP. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, cumpre tecer breves esclarecimentos sobre a relação entre as esferas penal e administrativa, de tal sorte a verificar se decisão transitada em julgado na primeira vincula o julgador da esfera administrativa a aplicála. Luciano Amaro, com a lucidez que lhe é peculiar, ao tratar do tema, esclarece que: “Em suma, são claramente identificáveis dois sistemas legais sancionatórios atuáveis pelo Estado: um, o criminal, implementado segundo o direito penal, mediante processo penal, no juízo criminal; o outro, administrativo, aplicado segundo regras do direito administrativo, no procedimento administrativo, pelas autoridades administrativas. Não obstante, determinado interesse jurídico pode, eventualmente, estar tutelado por ambos, como ocorre com a arrecadação de tributos, protegida por um sistema de sanções administrativas e por outro de sanções penais. Ressaltese, porém, que as sanções administrativas (aplicadas embora por autoridades administrativas) sujeitamse ao controle de legalidade a que estão submetidos os atos administrativos em geral, de modo que o administrado, se não concordar com o castigo que lhe tenha sido imposto, pode leválo à contrasteação judicial (não no processo penal, obviamente, mas no processo civil)”. [AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 15ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 437]. Observase, neste esteio, a diferenciação ao que se convencionou chamar de “direito penal tributário” – ramo do direito penal que tutela a arrecadação dos tributos, caso Fl. 464DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.004686/200397 Acórdão n.º 210101.118 S2C1T1 Fl. 8.48 4 v.g. da Lei n.º 8.137/90, e “direito tributário penal” – setor do direito tributário que comina sanções não criminais para determinadas condutas ilegais, caso das infrações administrativas, às quais são cominadas sanções também administrativas, tendo em vista que a aplicação de “pena” é privativa da jurisdição estatal penal, que detém o “jus puniendi”. Embora tenham o mesmo escopo, qual seja, o de inibir a prática de infrações, bem como de castigar os eventuais infratores (respectivamente, prevenção geral e especial), há uma nítida autonomia entre as esferas administrativa e penal, especialmente no que toca à aplicação das respectivas sanções, como houve por bem delinear este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 INDEPENDÊNCIA DAS ESFERAS ADMINISTRATIVA E PENAL. As esferas penal e administrativa gozam de independência e, portando, o fato de no processo criminal não ser imputado ao contribuinte qualquer crime não implica, necessariamente, que não exista infração à legislação tributária que deva ser apurada e, por conseguinte, deve o processo administrativo seguir seu curso normal. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em se tratando de crédito tributário apurado em procedimento de oficio, impõese a aplicação da multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n. 9.430/1996. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Descabe qualquer pedido de diligência estando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção, não podendo este servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. Pedido de diligência indeferido.” (CARF, 2ª. Turma Ordinária da 2ª. Câmara da Segunda Seção, RV n.º 166.166, Acórdão n.º 220200.519, Relatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, sessão de 12/05/2010) Ademais, fazse oportuno mencionar que o Recorrente, no bojo da Ação Criminal n.° 2004.61.81.0007296, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de São Paulo, foi absolvido com base no art. 386, II, do CPP: “Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: [omissis] II não haver prova da existência do fato”. Isso demonstra que sua absolvição se deu em atenção ao princípio penal do “in dubio pro reo”, cânone que se coaduna com o princípio constitucional da presunção de inocência. Outro não foi o entendimento manifestado na r. sentença trazida à colação pelo Fl. 465DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.004686/200397 Acórdão n.º 210101.118 S2C1T1 Fl. 9.48 5 Recorrente, em especial às fls. 423/424, fazendose mister a transcrição de sua parte dispositiva: “Com efeito, os documentos constantes nos Apensos, aliados à prova testemunhal produzida, ensejam dúvida sobre se o acusado reduziu ou suprimiu tributo e, se o fez, se agiu com dolo. A dúvida acerca do fato material emerge da constatação de que a conta corrente do acusado era utilizada também para movimentações relativas ao escritório de advocacia de cuja parte administrativa ele cuidava, conforme documentos apresentados e depoimento da gerente de banco Marisa Aparecida Janetti (fls. 284). Assim, os valores "extras” que não foram objeto das declarações de imposto de renda do acusado referidas na denúncia, bem podem ter se originado das atividades desempenhadas por ele no escritório de advocacia, os quais, pela sua natureza, não tinham que ingressar em seu patrimônio para fins de tributação, como, por exemplo, numerário para pagamento de funcionários. Por outro lado, ainda que eventual prova pericial demonstre a existência de rendimentos pessoais tributáveis não declarados ao fisco, surgirá dúvida se o acusado agiu com dolo, na medida em que ficou comprovada a entrada, em sua conta corrente, de recursos originários de seu escritório de advocacia. Ante o exposto; julgo improcedente a pretensão punitiva estatal descrita na denúncia para absolver o réu Luis César Cioffi Baltramavicius, qualificado nos autos, da imputação do art. 1°, I, da Lei n° 8.137/90, fazendo o com fundamento no art. 386, II, do Código de Processo Penal.” Desta feita, considerandose o acima reproduzido, temse que o dispositivo penal em que a denúncia se baseou, qual seja, o art. 1º, I, da Lei n.º 8.137/90, possui como elemento essencial do tipo o dolo, de tal modo a caracterizar a sonegação. Ante a decisão na esfera criminal, não restou devidamente comprovado o elemento doloso, motivo pelo qual a condenação não se impunha. Como frisado alhures, a absolvição se deu com base no inciso II do art. 386 do CPP (não houve prova da existência do fato), situação completamente diversa do inciso I do mesmo artigo, que prevê a absolvição ante a existência de provas robustas de que o fato inexistiu. Ante o exposto, ainda que não haja aplicação obrigatória na esfera administrativa de decisão criminal proferida, há elementos que poderiam ser aproveitados, em especial no que tange a eventual aplicação da multa de ofício qualificada, com base no art. 44, §1º, da Lei n.º 9.430/96, o que não ocorreu in casu, porquanto a multa aplicada foi de 75%. Com isso, ante a total distinção entre os conceitos de crime e infração à legislação tributária, a inexistência de sanção criminal não implica a inexistência de sanção administrativa, motivo pelo qual é imperioso perquirir se, de fato, o Recorrente logrou comprovar a origem dos rendimentos apontados pela autoridade fiscal. É o que passo a analisar. No que concerne à omissão de rendimentos em virtude de suposto depósito bancário de origem não comprovada, atribuise ao Recorrente a omissão de rendimento de que trata o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que tem a seguinte redação: Fl. 466DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.004686/200397 Acórdão n.º 210101.118 S2C1T1 Fl. 10.48 6 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” Assim, tratandose de presunção, seja ela hominis ou legal, possui natureza jurídica de meio de prova, segundo o qual se atribui reconhecimento jurídico a um fato provado de forma indireta. Por outro lado, provandose diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte, invertendose o onus probandi. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), que afirma ser insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples Fl. 467DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.004686/200397 Acórdão n.º 210101.118 S2C1T1 Fl. 11.48 7 verificação de movimentação bancária consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. Vale frisar, outrossim, que a aferição da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal é manifestamente incabível nesta esfera administrativa, consoante iterativa jurisprudência deste eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consolidada na súmula de n.º 2, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Nesse esteio, sendo estreme de dúvidas a aplicabilidade da presunção legal em referência, temse que resta caracterizada, conforme se depreende do caput do referido dispositivo, omissão de rendimentos quando a origem dos valores creditados na conta de depósito não for comprovada, caso em que a tributação da pessoa física será feita com base na tabela progressiva (§4º). Se a origem dos depósitos for demonstrada, os respectivos valores deverão observar as regras de tributação específicas, nos termos do §2º. Estabelece, por sua vez, o §5º que “quando provado que os valores creditados na conta de depósito ... pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ...”. É o caso dos autos, como passo a evidenciar. Cumpre salientar, a priori, que o aditamento à impugnação, de fls. 366/385, deve ser recebido e analisado, em atendimento ao princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo. Devese considerar, por oportuno, que a impugnação foi protocolada tempestivamente, restando, portanto, inaugurada a fase litigiosa. Não merecem ser acatados, contudo, os argumentos nela aduzidos, porquanto despicienda a realização de prova pericial e incompetente este Conselho para apreciar a inconstitucionalidade da Lei n.º 10.174, de 2001, e do Decreto nº. 3.734, de 2001, como desejava o Recorrente, consoante a Súmula CARF n.º 02. Aliás, quanto a este aspecto, necessário se faz esclarecer que o Recorrente não trouxe esses argumentos em seu recurso, não sendo o caso, portanto, de reanalisálos. Para a comprovação da origem dos depósitos, é cediço ser necessária “a vinculação de cada depósito a uma operação realizada, já tributada, isenta ou não tributável ou que será tributada após ser identificada, por meio de documentos hábeis e idôneos” (fl. 392). Por decorrência lógica do exposto adrede, não basta ao Recorrente aduzir possuir “mais de 3.000 folhas” de provas acostadas aos autos criminais, porquanto é necessário formar juízo de convencimento independente nesta esfera administrativa. Considerandose que, à luz do entendimento fiscal manifestado ao longo de todo o procedimento de fiscalização, com sucessivas prorrogações e intimações do Recorrente para apresentar documentos hábeis e idôneos para afastar a presunção que milita em prol do Fisco, bem como considerandose que não houve, em sede de recurso voluntário, a apresentação de qualquer documento novo que elidisse a autuação, não há motivos para reformar a decisão atacada. Fl. 468DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 19515.004686/200397 Acórdão n.º 210101.118 S2C1T1 Fl. 12.48 8 De fato, não há coincidência de datas e valores dos depósitos apontados pela autoridade fiscal que embasaram a presente autuação. Por exemplo, é possível invocar a planilha de fls. 301/305 elaborada pelo próprio contribuinte, passando a expor alguns dos valores apontados. Com relação ao anocalendário 1998, tomandose por base o valor de R$ 2.200,00 (fl. 301), supostamente de 05/janeiro/1998, encontrase o valor de R$ 1.200,00 no extrato de fl. 290, relativo à conta mantida junto ao Unibanco (agência 472, C/C 7481063). Ademais, o valor indicado de R$ 11.200,00 (fl. 301 – relativo a 05/março/1998) aparece no extrato como sendo, na verdade, R$ 1.200,00 (fl. 290). No que tange ao valor apontado à fl. 302, de R$ 5.000,00, supostamente relativo a 17/abril/1998, consta da fl. 290 o valor de R$ 5.830,00. O valor de R$ 3.000,00 (15/junho/1998 – fl. 305) não consta da fl. 290, e sim R$ 772,00. Por derradeiro, mister invocarse a Súmula CARF n.º 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Assim, não restando afastada a presunção em favor do Fisco, tendo em vista que o Recorrente não logrou comprovar a origem dos recursos, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Eis o motivo pelo qual voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 469DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 35564.002775/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
DESCONTO. ARRECADAÇÃO. RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a descontar e repassar à Seguridade Social as contribuições determinadas pela legislação.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.904
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à recorrente, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos
os Conselheiros Leôncio Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram pela manutenção da multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de coresponsáveis
é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido à regra decadencial do I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a
01/2001, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento às demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. DESCONTO. ARRECADAÇÃO. RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a descontar e repassar à Seguridade Social as contribuições determinadas pela legislação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à recorrente, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leôncio Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram pela manutenção da multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido à regra decadencial do I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento às demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator.
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Retenção e ausência de repasse. Recorrente CEMAPE TRANSPORTES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. DESCONTO. ARRECADAÇÃO. RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a descontar e repassar á Seguridade Social as contribuições determinadas pela legislação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à recorrente, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leôncio Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram pela manutenção da multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir devido á regra decadencial do I, Art. 173 do CTN as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES 2 01/2001, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento às demais questões apresentadas pela recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator Designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. MARCELO OLIVEIRA Presidente – Relator Leonardo Henrique Pires Lopes Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Leôncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES Processo nº 35564.002775/200612 Acórdão n.º 230100.904 S2C3T1 Fl. 253 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo – Centro / SP, fls. 0138 a 0143, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 079 a 081, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais e a retenção de 11% (onze por cento) das notas fiscais ou faturas de serviços prestados com cessão de mãodeobra, descontadas e não recolhidas aos cofres da Seguridade Social. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos. Em 29/05/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 096 a 0129 acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que: 1. O prazo decadencial deve ser o determinado no CTN; 2. O crédito exigido é indevido, pois o valor foi compensado com valores credores apurados pela recorrente, oriundos de pagamentos indevidos a SalárioEducação, SAT, SEBRAE e INCRA, devido essas exigências serem ilegais e inconstitucionais; 3. A imposição de multa de ofício é indevida; 4. A progressividade da multa é indevida, pela ausência de permissão constitucional; 5. Equivocado o uso da Taxa SELIC. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0185 a 0220, acompanhado de anexos, onde alegou, em síntese, que: 1. Recolheu todos os lançamentos de 2005 e 2006; 2. Os dirigentes da recorrente não podem ser responsabilizados; 3. Reitera argumentos apresentados na defesa. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES 4 A Delegacia, devido a argumentos e provas constantes do recurso, solicitou esclarecimentos ao Fisco, por diligência, fls. 0221. O Fisco esclareceu os questionamentos, fls. 0223 a 0226. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0241. A Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, para que a recorrente obtivesse ciência e possibilidade de contradizer as alegações constantes da diligência, a partir das fls. 0242. A recorrente, apesar de cientificada, não apresentou novos argumentos. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES Processo nº 35564.002775/200612 Acórdão n.º 230100.904 S2C3T1 Fl. 254 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Em outro ponto, ainda nas preliminares, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre as competências 02/1999 a 02/2006 e foi efetuado em29/05/2006, data da intimação do sujeito passivo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES 6 O Código Tributário Nacional (CTN) trata da decadência nos seguintes artigos: CTN: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ... Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Na interpretação dos artigos acima tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES Processo nº 35564.002775/200612 Acórdão n.º 230100.904 S2C3T1 Fl. 255 7 No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES 8 Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733) Ressalto que aplicaremos, como é nossa obrigação, a determinação regimental, mesmo não concordando com seu teor, pois no nosso entendimento o primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado não é contado da ocorrência do fato imponível, mas sim do dia seguinte ao que os valores deveriam ter sido recolhidos. No caso em tela, tratase de situação em que se caracteriza a conduta dolosa da notificada que, embora legalmente responsável, arrecadou e deixou de recolher contribuição de terceiros. Asseverese que o Poder Judiciário, inclusive o Egrégio Supremo Tribunal Federal (stf), tem decidido que, ao contrário do crime de apropriação indébita comum, o delito de apropriação indébita previdenciária não exige, para sua configuração o animus rem sibi habendi. Nesse sentido, tratase de dolo genérico, que se caracteriza pela mera vontade livre e consciente da prática da conduta de não recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, independentemente de qualquer outra intenção do agente. A fim de corroborar o entendimento acima, transcrevo a seguinte ementa: “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES Processo nº 35564.002775/200612 Acórdão n.º 230100.904 S2C3T1 Fl. 256 9 antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) “HC86478 / AC – ACRE HABEAS CORPUS Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 21/11/2006 Órgão Julgador: Primeira Turma EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. ART. 168A DO CÓDIGO PENAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO (ANIMUS REM SIBI HABENDI). IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. AÇÃO PENAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. PREJUÍZO. 1. A discussão sobre ausência de dolo não pode ser revista na via acanhada do habeas corpus, eis que envolve reexame de matéria fática controvertida. Precedentes. 2. Relativamente à tipificação, o Supremo Tribunal Federal decidiu que "o artigo 3º da Lei n. 9.983/2000 apenas transmudou a base legal da imputação do crime da alínea 'd' do artigo 95 da Lei n. 8.212/1991 para o artigo 168A do Código Penal, sem alterar o elemento subjetivo do tipo, que é o dolo genérico. Daí a improcedência da alegação de abolitio criminis ao argumento de que a lei mencionada teria alterado o elemento subjetivo, passando a exigir o animus rem sibi habendi". Precedentes. 3. O objeto da ação era o trancamento da ação penal, cuja decisão transitou em julgado. 4. Habeas corpus prejudicado(g.n.)” Portanto, resta afastada a aplicação do § 4º do Art. 150 para a aplicação do I, Art. 173, ambos do CTN, pela regra imposta pelo STJ. Assim, considerase que ocorreu a decadência até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001. Por todo o exposto, acato parcialmente a preliminar ora examinada, a fim de excluir do lançamento as contribuições apuradas anteriormente a 01/2001, devido a decadência, nos termos do voto. Ainda nas preliminares, a recorrente alega que a relação de coresponsáveis deve ser retificada. Esclarecemos á recorrente que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo, que deve suportar o ônus da exigência tributária, é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas, físicas ou jurídicas, arroladas no relatório de co responsáveis, neste momento, sujeitos passivos da obrigação. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES 10 Desse modo, a indicação dos sócios, administradores, representantes, controladas, controladoras, coligadas no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento de instrução da exigência, conforme determinação prevista na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que posteriormente servirá apenas de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o Fisco não pode incluir as pessoas físicas ou jurídicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Nesse sentido, acato o pleito formulado pela recorrente, a fim de deixar claro que as pessoas físicas ou jurídicas relacionadas no CORESP não podem, de pronto, constar na certidão da dívida ativa, somente com base na indicação trazida pelo Fisco. No entanto, ressalto que mantenho a lista nominal como relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Em outro ponto, a recorrente alega que há exigências no lançamento que são inconstitucionais. Esclarecemos à recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III, do Título IV, da Constituição Federal, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Permitir que órgãos colegiados administrativos reconheçam a constitucionalidade de normas jurídicas é infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES Processo nº 35564.002775/200612 Acórdão n.º 230100.904 S2C3T1 Fl. 257 11 Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno o (CARF) se auto impôs regra nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (Aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e dá outras providências): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Portanto, não há razão no argumento. Por fim, quanto às preliminares, acato parcialmente as preliminares apresentadas, a fim de excluir do lançamento as contribuições apuradas anteriormente a 01/2001, devido a decadência, e para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto; DO MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente alega que recolheu os valores lançados referentes aos anos de 2005 e 2006. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES 12 Esclarecemos à recorrente que esses valores foram recolhidos após o término da fiscalização e que os mesmos serão verificados pelo órgão de origem na execução do julgado. Caso os mesmos possuam relação com o lançamento, serão devidamente considerados. Portanto, não há razão no argumento de sua utilização, neste momento. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Quanto à multa, verificamos que a mesma foi aplicada nos ditames da legislação vigente, portanto, não há que se alterar sua forma de cálculo ou seu valor. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições apuradas anteriormente a 01/2001, devido a decadência, e para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES Processo nº 35564.002775/200612 Acórdão n.º 230100.904 S2C3T1 Fl. 258 13 legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto. Quanto ao mérito, nego provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Redator Designado Da multa moratória No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES 14 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se for mais benéfica para o contribuinte. Ante o exposto, deve se dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar a aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei n 9.430/1996 se mais benéfica ao contribuinte. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 09/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOP ES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003320/2004-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE Não
logrando comprovar a efetividade da despesa médica através de documentos consistentes, a glosa deve ser mantida.
Numero da decisão: 2201-001.137
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade NEGAR provimento
ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Fl. 42DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Leomar Rudnick recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de Auto de Infração (fls. 09/12), relativo ao IRPF, exercício 2003, que se exige Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 6.484,50, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Conforme Descrição dos Fatos, fl. 8, a autuação deuse em razão da não aceitação dos recibos de despesas médicas emitidos pelo Sr. Leônidas Carlos Ribeiro dos Santos. De acordo com a diligência realizada pela Delegacia da receita Federal em Curitiba/PR o referido dentista estava com seu registro no Conselho Regional de Odontologia – PR cassado desde 26/01/1999 e, portanto, impossibilitado de exercer a profissão. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta Impugnação (fl. 01/06), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: ... de acordo com o art. 80 do RIR/99, a dedução referente aos pagamentos efetuados ao Dr. Leônidas Carlos Ribeiro dos Santos, cujos recibos originais encontramse em poder do fisco. Anexa declaração do referido profissional à fl. 7, na qual o mesmo declara que o tratamento teria sido realizado unicamente em benefício do impugnante. Aduz, ainda, que independentemente da autuação ora impugnada, a fiscalização teria autuado também prestador dos serviços ondontológicos que emitiu os recibos glosados, e que portanto os valores pagos pelo contribuinte já teriam sido devidamente tributados. Entende que caso as despesas médicas ora impugnadas não sejam acatadas estarseia, em tese, incorrendo em bitributação. No que se refere à situação pessoal do profissional, alega que desconhecia o fato de que o Dr. Leônidas estava com o registro no Conselho Regional de Ondontologia – PR cassado e que não pode ser penalizado por isto. Sustenta que, a rigor, caberia ao respectivo órgão de classe fiscalizar o profissional e, se fosse o caso, impedilo de exercer a profissão. Por fim, argúi a nulidade do lançamento por omissão do dispositivo legal infringido. Afirma que o agente fiscal descreveu suscintamente a infração sem a exata indicação do dispositivo legal, condição sine qua non para validade do auto de infração, a teor do art. 926 do RIR/99. Cita, ainda, o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A 4ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, conforme se extrai da transcrição de parte do aresto proferido: O presente lançamento decorre de dedução indevida de despesas médicas, cujos dispositivos legais infringidos encontramse indicados no demonstrativo das infrações à fl. 12. A alínea “a” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9250, de 26 de dezembro de 1995 autoriza a dedução da base de cálculo do ajuste anual dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 43DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10920.003320/200425 Acórdão n.º 220101.137 S2C2T1 Fl. 2 3 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Os parágrafos 2º e 3º do mesmo artigo estabelecem as regras a serem aplicadas a estas deduções, as quais foram reproduzidas nos arts. 41 a 46 da Instrução Normativa nº 25/1996. Ainda assim, mesmo que houvesse qualquer incorreção no enquadramento legal, esta seria suprida pela Descrição dos Fatos, como vem assim se manifestando, também, a jurisprudência administrativa: (...) Muito embora o interessado alegue que a descrição dos fatos teria sido sucinta pois constaria apenas: “DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS. DESCRIÇÃO DOS FATOS EM ANEXO.”, verdade é que se encontra nos autos o documento “DESCRIÇÃO DOS FATOS – ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO DE LEOMAR RUDNICK – CPF 004.838.939 00” (fl. 8), mencionado no auto de infração e parte integrante do mesmo, no qual a fiscalização descreve os motivos que levaram a glosa de despesas médicas. Ressalte que a alegação de desconhecimento do referido documento não cabe, pois a teor da impugnação apresentada o impugnante demonstrou ter pleno conhecimento do mesmo, produzindo contestação abordando todos os fatos levantados pela fiscalização. Destarte, inacolhível a preliminar levantada. Com efeito, o contribuinte tem direito a deduzir da base de cálculo do ajuste anual os pagamentos por ele efetuados a dentistas relativos ao próprio tratamento. Contudo, o fato de beneficiário do serviço ter ou não oferecido à tributação os valores recebidos não influencia na dedução pretendida e tampouco cabe falar em bitributação, já que se trata de duas pessoas distintas. O que importa para a dedução de despesas médicas é que sejam satisfeitos os requisitos exigidos pela legislação (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e parágrafos 2º e 3º), cujo ônus da comprovação a lei atribuiu ao contribuinte. Neste sentido, assim determina o art. 73 do RIR/99: “Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Como se sabe, a legislação exige que o contribuinte comprove as despesas médicas/odontológicas incorridas mediante documento que especifique o pagamento, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço (item III do parágrafo 1º do art. 80). Além disso, deve o prestador do serviço estar legalmente habilitado a prestar o serviço pelo órgão de classe competente. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O motivo principal que levou à glosa das despesas odontológicas foi o fato de o dentista que emitiu os recibos apresentados pelo contribuinte estar com seu registro cassado à época da emissão. O impugnante ter ou não conhecimento da situação profissional do prestador do serviço não lhe garante a dedutibilidade da despesa, pois apenas os serviços prestados por profissional regularmente habilitado ao exercício da profissão são aceitos pelo fisco. Por fim, deixa de ter qualquer relevância a verificação se o tratamento foi prestado apenas ao contribuinte ou também a outras pessoas, já que o profissional em questão não estava habilitado a prestar o serviço, condição essencial a dedutibilidade. Nestes termos, mantémse integralmente a glosa efetuada. Intimado da decisão de primeira instância em 02/10/2007 (fl. 23), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 31/10/2007 (fl. 24), sustentando, essencialmente, verbis: Evidenciouse na Impugnação que o tratamento dentário objeto dos pagamentos ao profissional, atendeu unicamente o ora Recorrente, como declarado expressamente por aquele profissional. A indicação de que o tratamento profissional teria abrangido outras pessoas da família, resultou de erro grosseiro mas escusável, devidamente corrigido, como repetindo – declarado pelo prestador dos serviços, emitente do recibo, ao afirmar que esse tratamento deuse unicamente em relação ao Recorrente. Por esta razão, ainda que num primeiro momento o emitente do Recibo tenha indicado como se o tratamento dentário tivesse beneficiado o Recorrente e outras pessoas da sua família, há que se admitir a impropriedade de tal assertiva, posto que tanto a consorte como os filhos do Recorrente, mantém independência financeira e de responsabilidade tributária há muitos anos. Com isto, cada qual submete à tributação seus próprios rendimentos, beneficiandose; de igual forma, tão somente dos abatimentos legalmente permitidos nos quais eles tenham incorrido, para efeitos de redução da base de cálculo do IR. Assim, a reconhecida incorreção inicial foi corrigida pela indicação consentânea do profissional, de realização do tratamento dentário tão somente para o Recorrente. Quanto à situação do profissional emitente do recibo perante o Conselho da categoria, juntase neste ato cópia do seu pedido de Certidão comprobatória de sua regularidade o que será confirmado pela Certidão a ser emitida pelo CRO. É o relatório. Fl. 45DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10920.003320/200425 Acórdão n.º 220101.137 S2C2T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, o lançamento é decorrente de glosas de despesas médicas. Intimado, o contribuinte apresentou os recibos com os quais pretendeu demonstrar que de fato suportou as despesas médicas deduzidas em sua DIRPF/2003. De acordo com a autoridade fiscal (fl. 08): Não foram aceitos como despesas médicas, os recibos emitidos por Leônidas Carlos Ribeiro dos Santos. Em diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de CuritibaPR, com o objetivo de comprovar a autenticidade dos recibos emitidos por Leônidas em favor do autuado, constatouse que: 1. O Sr. Leônidas C. R.. Santos, dentista, estava com seu registro no Conselho Regional de Odontologia — PR, cassado desde 26/01/1999, portanto impossibilitado de exercer a profissão. 2. Embora confirme o recebimento dos valores, o Sr. Leônidas afirma que os serviços foram prestados a Natacha, Roy, Leones e Leomar. Acrescentese o fato de que os recibos emitidos não especificam o paciente atendido, não individualizam os valores e como se verifica nas declarações de Imposto de Renda apresentadas pelo autuado, o mesmo não possui dependentes. O contribuinte, diretor de empresas, ciente das exigências do fisco, não tomou o cuidado de solicitar recibos decentes, individualizados por paciente. Desta forma, foram glosados os seguintes valores: (...) Exercício 2000 — anocalendário 1999 = R$ 16.000,00 Exercício 2001 — anocalendário 2000 = R$ 14.000,00 Exercício 2002 — anocalendário 2001 = R$ 17.500,00 Exercício 2003 — anocalendário 2002 = R$ 23.580,00 (grifei) Pois bem, como se depreende do excerto reproduzido a fiscalização glosou o valor de R$ 23.580,00, relativo às deduções pleiteadas a título de despesas médicas, referente Fl. 46DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 ao anocalendário de 2002, o que nos leva a reproduzir os dispositivos legais que regulam a matéria. O artigo 8º da Lei nº 9.250 de 26/12/1995, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos determina: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem com as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) O artigo 11, § 4º do Decretolei nº 5.844, de 1943, assim estabelece: Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. (...) § 3° Tôdas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acôrdo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. (grifei) Dos dispositivos supracitados depreendese que os recibos fornecidos pelos profissionais da área médica, em princípio, são considerados como prova da prestação de serviço, contudo, ante a dúvida de que os serviços e/ou pagamento não se efetivaram, pode a autoridade fazendária, visando formar sua convicção, exigir outros meios complementares de provas, em relação a todas ou a algumas despesas declaradas. Nestas condições, cabe ao beneficiário dos recibos e/ou das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante no comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o serviço foi prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Relativamente à prova, convém citar a obra Processo Administrativo Fiscal, do professor Antônio da Silva Cabral, Editora Saraiva, p. 298: Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Dizse freqüentemente: “a quem alega alguma coisa, compete prová la”. [...] Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, Fl. 47DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10920.003320/200425 Acórdão n.º 220101.137 S2C2T1 Fl. 4 7 exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte. (grifei) No caso em apreço, andou bem a fiscalização no momento em que glosou o valor relativo a serviços odontológicos prestados pelo profissional Leônidas C. R. Santos, no valor de R$ 23.580,00, posto que o referido dentista estava com seu registro no Conselho Regional de Odontologia/ PR cassado, desde 26/01/1999, portanto impossibilitado de exercer a profissão. Com efeito, o fato de o profissional emitente do recibo não estar regularmente habilitado a prestar o serviço, por si só, já é suficiente para inviabilizar a dedução, todavia, além disto, temse a combinação de situações que já justificariam a cautela Fisco em exigir elementos adicionais de prova, além dos recibos e da efetividade dos serviços e pagamentos efetuados. Nestas condições, agiu com acerto a autoridade lançadora, ao proceder à glosa, e a Turma Julgadora de primeira instância, ao manter o lançamento, posto que o recorrente não conseguiu comprovar a efetividade de pagamento da despesa médica lançada em sua DIRPF/2003. Por fim, a declaração prestada pelo dentista Leônidas C. R. Santos, fl. 07, de os serviços foram prestados apenas ao recorrente, desacompanhadas dos comprovantes da efetividade dos pagamentos, são insuficientes para infirmar as glosas efetivadas no lançamento. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Destarte, o simples recibo não tem o condão de suprir as provas mencionadas. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 48DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003605/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Uma vez que o Fisco mencionou toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando resta comprovado que o contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada pela Auditoria.
LEGISLAÇÃO PARA A APLICAÇÃO DA MULTA. VIGÊNCIA NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
A aplicação da multa decorrente do inadimplemento das contribuições previdenciárias rege-se pela legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, a menos que sobrevenha norma mais benéfica.
APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESE
PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.962
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Uma vez que o Fisco mencionou toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando resta comprovado que o contribuinte deixou de apresentar a documentação solicitada pela Auditoria. LEGISLAÇÃO PARA A APLICAÇÃO DA MULTA. VIGÊNCIA NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A aplicação da multa decorrente do inadimplemento das contribuições previdenciárias regese pela legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, a menos que sobrevenha norma mais benéfica. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESE PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003605/200913 Acórdão n.º 240101.962 S2C4T1 Fl. 178 3 Relatório O lançamento Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.194.8916 lavrado em nome do contribuinte acima identificado, cujo valor consolidado em 23/07/2009, assumiu o montante de R$ 8.046,05 (oito mil e quarenta e seis reais e oitenta e cinco centavos). O crédito contempla as contribuições destinas a outras entidade e fundos (terceiros), as quais, segundo o Relatório Fiscal, fls. 85/97, incidiram sobre as remunerações pagas aos empregados que laboraram na edificação de obra de construção civil, tendo as mesmas sido obtidas por aferição indireta, pelo método do Custo Unitário Básico, que leva em consideração o padrão da obra e a área construída. De acordo com o relato do Fisco, durante a ação fiscal, pela análise das folhas de pagamento, recibos de pagamento de salário, rescisões contratuais e recibos de férias, apresentados pela Instituição, verificouse claramente que a empresa elaborava duas folhas de pagamento, a primeira chamada de Folha (1), tinha seus valores contabilizados, já a outra denominada de Folha (2), não vinha sendo contabilizada, inclusive recibos de pagamentos de salários (2), rescisões (2) e recibos de férias (2). Acrescentase que, apesar das solicitações contidas nos Termos de Intimação, emitidos conforme cópias juntadas, onde se destaca o Termo de Intimação fiscal de n° 05, recebido pela empresa em 10/06/2009, o sujeito passivo deixou de apresentar a à Auditoria as Folhas de Pagamento (2) correspondente a edificação de obra acima em destaque, bem como recibos de pagamentos de salários correspondentes às ditas folhas, esses de forma parcial. Informase, para complementar, que a empresa exibiu parcialmente recibos de salário relativos às folhas omitidas, do que se conclui que as mesmas existiam e que a autuada preferiu deixar de apresentálas. Esse fato, afirma o Fisco, deu ensejo à lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória. Com esteio na documentação da obra (registro de empregados, alvará e habitese) inferiuse que a obra foi realizada no período de 01/03/2002 a 02/07/2008 e consiste em edificação comercial de um pavimento, contendo vinte salas, com área total de 2.04,61 m². A Auditoria informa ainda que foram consideradas as competências abrangidas pela decadência, tomandose como início da obra o registro do primeiro empregado e como termo final a data do Habitese. Acrescentase ainda que, no período compreendido entre os meses de 01/2004 a 12/2007, foi constatado que a Instituição registrou contabilmente remuneração inferior aquela efetivamente paga, tanto em relação à administração da empresa, quanto na edificação da obra em causa. Para corroborar a veracidade dos fatos, foram anexadas cópias dos resumos das folhas de pagamento (1) e (2), recibos de Pagamento de Salário (1) e (2). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Também no exercício de 2008, afirma o Fisco, verificouse recibos de pagamento de salários cujos valores, não se encontravam inseridos na Folha de Pagamento (1), bem como não houve arrecadação da contribuição para a Seguridade Social dos segurados empregados, conforme prevê a legislação, tudo conforme cópias anexas. Continuando, a Auditoria assevera que também percebeu claramente que o segurado inscrito para prestar serviço na obra, além do recibo de pagamento de salário (1), percebia remuneração através de um segundo recibo (2), cujos valores não estão contabilizados e tampouco declarados em GFIP. Podese verificar, afirma o Fisco, conforme cópias colacionadas, recibo de quitação proveniente de verbas rescisórias com a identificação de acerto de períodos que o segurado empregado prestou serviços sem registro. A impugnação Cientificada da NFLD em 27/07/2009, fl. 01, a empresa ofertou impugnação, fls. 106/123, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/06/2004; b) embora o Fisco afirme que havia folhas de pagamento não contabilizadas, não trouxe ao processo prova contundente dessa alegação, sendo descabido o arbitramento do tributo; c) disponibilizou à Auditoria toda a contabilidade, causandolhe estranheza a acusação de que remunerações haviam sido omitidas da GFIP; d) também efetuou a declaração e o recolhimento de todas as contribuições decorrentes de pagamentos efetuados a contribuintes individuais, não havendo multa a ser cobrada, em face da inexistência de qualquer irregularidade; e) a multa aplicada, no patamar de quarenta por cento ou setenta e cinco por cento, é confiscatória; f) também assumem caráter de confisco os juros aplicados ao crédito lançado; g) o Fisco é que tem o dever de provar suas alegações, não sendo lícito querer que o contribuinte venha a produzir provas em seu favor; h) devem ser compensados todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte; i) para se chegar a uma conclusão segura sobre a contenda, fazse necessária à realização de prova pericial, pelo que indica o assistente da perícia e formula os quesitos. Ao final, requer a utilização de todos os meios de prova em direito admitidas e a concessão de prazo para que possa apresentar considerações sobre a documentação acostada pela Auditoria. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003605/200913 Acórdão n.º 240101.962 S2C4T1 Fl. 179 5 A decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento DRJ em Curitiba (PR) declarou, fls. 145/153, procedente o lançamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 AIOP 37.194.8916 DECADÊNCIA. Observado já no na fase de lançamento que parte do período da obra já havia sido atingido pela decadência e tendo esse período nem sido considerado na apuração do débito, resta impertinente a impugnação que peticiona pelo reconhecimento de vedação à constituição do crédito que a Fiscalização já afastou na apuração do mesmo. ARBITRAMENTO. PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS EM FOLHA DE PAGAMENTOS, NA CONTABILIDADE OU NA GFIP Constatado pela Fiscalização que a contabilidade, as Folhas de Pagamentos e as Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP apresentadas pela empresa não refletem o movimento real das remunerações pagas a segurados a serviço da empresa, é cabível a apuração da base de cálculo das contribuições devidas por meio de aferição indireta. MULTA. INAPLICABILIDADE ANTE A AUSÊNCIA DE INFRAÇÃO A constatação da existência de crédito tributário devido e não recolhido pelo sujeito passivo configura ilícito tributário que sujeita o infrator à aplicação de multa pecuniária nos termos da legislação de regência. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO PAGAMENTO A apuração da aplicabilidade da regra do artigo 106, II, c do CTN às multas de que trata a lei 8.212/91 só pode ser feita no momento do efetivo pagamento dos tributos exigidos. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE É legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. MEIOS DE PROVA. Todos os meios de prova admitidos em direito são cabíveis e aceitáveis no Processo Administrativo Fiscal, havendo apenas que se observar as regras do Decreto n° 70.235, de 1972 quanto ao momento de sua apresentação ou formalidade para sua produção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 158/175, no qual repetiu os mesmos argumentos apresentados na defesa, a exceção da alegação relativa à decadência. Requerendo ao final, que: a) seja decretada a nulidade do feito, em razão do patente cerceamento ao seu direito de defesa, devendo ser oportunizada nova fase contenciosa, para que possa comprovar a sua idoneidade financeira e fiscal; b) caso não se entenda pela nulidade, que os autos retornem à primeira instância para realização de prova pericial; c) cancelese o Auto de Infração, posto que nenhuma irregularidade existiu; d) cancelese a multa aplicada posto que a mesma, da forma como foi fixada, fere princípios do Direito Tributário; e) cancelese a multa, pelo fato de não ter havido inadimplência; f) caso não se entenda dessa forma, que a multa no patamar de 75% seja minorada. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003605/200913 Acórdão n.º 240101.962 S2C4T1 Fl. 180 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Arbitramento Passo agora a análise da alegação relativa ao descabimento da aplicação do método aferição indireta para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 1481, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/19912, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal, por arbítrio e abuso de discricionariedade. 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 2 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que Fisco solicitou a documentação relativa às folhas de pagamento não contabilizadas da obra de construção civil especificada no Relatório Fiscal, não tendo a empresa as disponibilizado. Vêse que para as competências lançadas havia folhas não contabilizadas, chamadas pela Auditoria de “Folhas (2)”, o que pode ser comprovado pela existência de recibos parciais, assim, ao deixar de exibilas o sujeito passivo abriu ao Fisco a possibilidade de aferir indiretamente as remunerações dos empregados, conforme possibilita a legislação acima citada. Ora, o mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que havia remunerações lançadas em folhas não contabilizadas que a empresa deixou de apresentar, impossibilitando o Fisco de verificar diretamente o montante desses pagamentos. Assim, entendo que na espécie estão presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da remuneração contidas nas folhas de pagamento não contabilizadas, acertando o Fisco quando fixou a base de cálculo pelo método do Custo Unitário Básico – CUB. Vejo, então, que a auditoria fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório da NFLD, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. A não comprovação da ocorrência dos fatos geradores e da inversão do ônus da prova A Auditoria mencionou farta documentação, que engloba folhas de pagamento, recibos de salário, rescisões, demonstrativos contábeis e outros, os quais comprovam a existência das irregularidades apontadas. Tal providência atesta a preocupação da Autoridade Fiscal de trazer ao processo todos os elementos e circunstâncias que serviram de base para sua apuração. Nesse sentido, não vejo como acolher a alegação da recorrente de que não teria o Fisco demonstrado a contento a ocorrência dos fatos geradores. Ainda mais quando se percebe que o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse vir em socorro de suas ponderações, mantendose no campo das argumentações desprovidas de elementos comprobatórios. Outro aspecto do recurso que tem vinculação com o anteriormente apontado diz respeito ao argumento de que não seria lícito ao Fisco impor ao sujeito passivo a inversão do onus probandi. Devo repelir essa tese. Quando os contribuintes deixam de atender as solicitações documentais da Fiscalização, duas são as sanções aplicáveis: a) a aplicação de multa por descumprimento do dever instrumental de apresentar a documentação e b) a apuração do tributo por arbitramento, cabendo ao contribuinte fazer prova em contrário. Nesse sentido, a inversão do onus probandi foi consequência da falta de exibição dos elementos solicitados pela Auditoria. Cerceamento ao direito de defesa Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003605/200913 Acórdão n.º 240101.962 S2C4T1 Fl. 181 9 Do item precedente já se tem uma idéia da improcedência do argumento de que o lançamento deveria ser declarado nulo em razão do prejuízo ao direito de defesa da recorrente. A princípio cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam, como já afirmei alhures os fatos geradores estão claramente exposto no relato do Fisco. Vejo que a lavratura fiscal e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. As bases de cálculo também encontramse bem apresentadas, tanto nos anexos colacionados, quanto no Relatório de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analítico o Débito – DAD. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito material, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Vejase que o fisco indica a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. Da multa e dos juros aplicados Para análise do argumento relativo à incorreta aplicação da penalidade é de se fazer uma retrospectiva dos dispositivos legais que tratam da questão. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19963 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Ocorre que nos casos de regularização de obra de construção civil, considera se ocorrido o fato gerador para efeito de cálculo das contribuições o mês de emissão do Aviso de Regularização de Obra – ARO, no caso 06/2009. É essa a inteligência do art. 431, § 2.º, da IN SRP n.º 03/2005, verbis: 3 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003605/200913 Acórdão n.º 240101.962 S2C4T1 Fl. 182 11 Art. 431. Para as pessoas jurídicas sem contabilidade regular e para as pessoas físicas, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a partir das informações prestadas na DISO e após a conferência dos dados nela declarados com os documentos apresentados, expedirá em 2 (duas) via,0 ARO, destinado a informar ao responsável pela obra a situação quanto à regularidade das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração aferida, sendo que: (...) 2° No cálculo da área regularizada e do montante das contribuições devidas, se for o caso, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO, e o valor das contribuições nele informadas deverá ser recolhido até o dia dois do mês subseqüente ao da sua emissão, prorrogandose o prazo de recolhimento para o primeiro dia útil seguinte, se no dia dois não houver expediente bancário. Nesse sentido, foi aplicada a penalidade de 75% da contribuição a recolher, posto que na competência 06/2009 já estava em vigor o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991 e a empresa não houvera declarado a remuneração em GFIP, nesse sentido, não há o que se falar em irregularidade nesse procedimento, posto que foi aplicada a legislação vigente na data de ocorrência do fato gerador. Quanto ao caráter confiscatório da multa e da inconstitucionalidade da taxa SELIC, para enfrentar essas questões é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa. Dito isso, sintome à vontade para concluir que não devem ser acatados os pedidos de redução da multa aplicada, bem como exclusão da taxa SELIC do lançamento. Da compensação dos créditos do contribuinte Embora alegue o Fisco deixou de compensar na apuração do crédito recolhimentos que houvera efetuado, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer comprovação do fato. Digo mais, a Auditoria foi enfática em seu pronunciamento ao afirmar que a empresa não houvera no transcurso da ação fiscal apresentado quaisquer guias de pagamento relativas às contribuições lançadas. Diante disso, não vejo como acatar o pedido de compensação formulado no recurso. Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de prova pericial, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003605/200913 Acórdão n.º 240101.962 S2C4T1 Fl. 183 13 Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Realização de análise contábil Requer o contribuinte que lhe seja concedido prazo para a realização de análise contábil acerca das afirmações do Fisco. Não vejo como acolher esse o pleito. A fiscalização teve como base os documentos fornecidos pelo próprio sujeito passivo, que teve todo o prazo de defesa para detectar qualquer incorreção no trabalho de apuração fiscal. Todavia, nada foi apresentado naquela fase processual. Sobre esse tema, o Decreto n. 70.235/1972 determina que os inconformismos do contribuinte contra a exigência fiscal devem ser apresentados por ocasião da impugnação, junto a qual também serão juntados os elementos de prova. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Em obediência a esse comando, deveria o sujeito passivo ter exposto na sua impugnação as possíveis falhas detectadas na apuração fiscal, todavia, não foi adotada a providência. Vejo que agora também no recurso nada é apresentado de concreto, reprisandose a alegação da defesa, portanto, também afasto esse pedido, por entender que o momento processual já não mais permite a juntada de análise contábil ou de qualquer outro documento que não se enquadre nas hipóteses do § 4.º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972. Conclusão Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 14 Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de nulidade, por indeferir os pedidos para realização perícia técnica e análise contábil e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 15DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 13527.000052/2001-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999, 01/01/2000 a 31/03/2000, 01/04/2000 a 30/06/2000, 01/07/2000 a 30/09/2000, 01/01/2001 a 31/03/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE.
Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a IN SRF 23/97 extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS.
Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, legitimando a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.
Numero da decisão: 3201-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
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AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a IN SRF 23/97 extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, é forçoso reconhecer que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, legitimando a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 12/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Daniel Mariz Gudiño. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: O estabelecimento acima identificado formalizou pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, com base na lei n° 9.363, de 1996 e portaria MF n° 38, de 1997, como ressarcimento das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins incidentes nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos exportados, relativos ao 1° trimestre de 1999, no valor de R$ 85.884,04, fl. 01; 1° trimestre de 2000, no valor de R$ 141.042,04, fl. 15; 2° trimestre de 2000, no valor de R$ 88.301,47, fl. 29; 3° trimestre de 2000, no valor de R$ 107.098,34, fl. 43; e 1° trimestre de 2001, no valor de R$ 89.180,84, fl. 57, cumulado com os pedidos de compensação de fls. 80 a 86, 90, 91, 94, 96, 99 e 104. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 602/603, a fiscal diligente descreve que a interessada adquiriu matériaprima de pessoas físicas e de pessoas jurídicas cooperativas, observa também que para cada trimestre a empresa formalizou um pedido de ressarcimento complementar com as aquisições dos referidos fornecedores. Entende que apenas os produtores/exportadores que comprarem insumos nacionais de fornecedores que sofrem incidência do PIS/Pasep e da Cofins podem ser beneficiados com a concessão dos créditos presumidos de IPI, não podendo ser estendido tal beneficio aos exportadores que adquirem de fornecedores isentos do PIS/Pasep e da Cofins, bem como das pessoas físicas. Conclui propondo a glosa dos valores solicitados nos pedidos de ressarcimento. A DRF/Feira de Santana indeferiu integralmente o pedido formulado e determinou o arquivamento do processo, com base no relatório de diligência fiscal, fls. 602/603, e no parecer de fls. 604 a 606, conforme Despacho Decisório de fl. 607, emitido em 26/02/2003. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 13527.000052/200188 Acórdão n.º 320100.741 S3C2T1 Fl. 906 3 A contribuinte cientificado em 10/10/2003, apresentou, em 11/11/2003, manifestação de inconformidade, fls. 611 a 628, alegando, em síntese, que: o pedido foi com base apenas em valores referentes às aquisições de pessoas jurídicas normalmente tributadas pelo PIS e COFINS, não estando incluídos nenhum valor referente às aquisições feitas junto a pessoas físicas e/ou cooperativas, conforme planilhas de cálculos e cópias das notas fiscais anexadas ao processo; causa estranheza o relatório de diligência fiscal que embasou o parecer e o despacho decisório, visto não ter tomado conhecimento dos seus termos, pois não foi cientificada do resultado da diligencia fiscal e por estar o mesmo em desacordo com os fatos e elementos probatórios anexados ao processo e colocados à disposição do fiscal; com base na legislação vigente, principalmente no art. 10 da lei n° 9.363, de 1996 e nas IN SRF n° 23, de 1997 e 103, de 1997, e tendo em vista a vasta documentação apresentada e o fato de a requerente industrializar e exportar produtos cujos insumos são onerados pelo PIS e pela COFINS, está ela "apta a requerer o beneficio fiscal do crédito presumido na forma do disposto no art. 10 da Lei 9363/96"; não está discutindo o direito de pleitear o crédito presumido. No presente caso, "a discussão resumese aos elementos de prova anexados ao processo", os quais deixam evidente o acerto da interessada em requerer o beneficio fiscal pretendido; por fim, requer que a impugnação seja julgada procedente e reformulado o despacho decisório combatido, sendo deferido o pedido no montante solicitado, acrescido da taxa SELIC desde a apuração do crédito até o efetivo ressarcimento. Em 04/02/2005, foi determinada a realização de diligência pela DRJ/Recife, conforme resolução n° 00290, fls. 624 a 628, para: 1. analisar a documentação que instruiu o processo e proceder todas as verificação necessárias a identificação do valor passível de ressarcimento, reintimando a contribuinte, caso necessário, a apresentar documentos ou informações adicionais; 2. caso se confirme, integral ou parcialmente, a glosa com relação ao valor requerido, identificar e apontar através de demonstrativo quais os fornecedores, as notas fiscais e os valores objeto de glosa e expor, com todas as minucias e provas, o respectivo fundamento; 3. submeter o relatório à autoridade competente, que, ao decidir justificadamente sobre o ressarcimento solicitado, poderá manter ou reformar o despacho decisório de fl. 608; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 4. cientificar o sujeito passivo de todas as providencias adotadas, para, se assim o desejar, aditar a manifestação de inconformidade no prazo legal de 30 dias. No termo de diligencia fiscal, fls. 854/855, o fiscal diligente relata que: a) a contribuinte incluiu as aquisições efetuadas junto a pessoas fisicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido de IPI e no valor do estoque inicial anual dos insumos para o anocalendário de 2001; b) os valores das transferências da filial foram parcialmente desconsiderados, por se tratarem de matériasprimas adquiridas de pessoas físicas, conforme planilhas anexas e cópias das notas fiscais de aquisição da filial; c) os valores referentes a materiais secundários e material de embalagem foram integralmente aceitos, pois não constavam valores de aquisição junto a pessoas físicas ou cooperativas; d) considerando que as glosas referemse somente a metérias primas, o rateio foi aplicado apenas às materiasprimas dos estoques finais; e) nesta diligência foram apurados os seguintes valores de créditos presumidos: (i) 1° trimestre de 1999 — R$ 78.263,12; 10 trimestre de 2000 — R$ 163.247,81; 2° trimestre de 2000 — R$ 92.783,53; 3° trimestre de 2000 — R$ 106.563,80; e 10 trimestre de 2001 — R$ 70.305,47. A contribuinte, cientificada da diligência fiscal em 23/07/2008, apresentou manifestação de inconformidade em 13/08/2008, alegando em síntese que: • adquire sua matériaprima principal (couros e peles de caprinos) de pessoas físicas. Explica que estas mercadorias são adquiridas, na feira, por comerciantes (intermediários) que as revendem para a indústria, mediante a emissão de nota fiscal avulsa de venda; • dessa forma, o indeferimento parcial do Pedido de Ressarcimento decorre — quase na sua totalidade — da exclusão dos valores relativamente às referidas aquisições de pessoas fisicas, sendo pouco representativo — no contexto geral — as aquisições de cooperativas e empresas optantes pelo SIMPLES. • as Instruções Normativas SRF nos 23/1997 e 103/1997 extrapolaram os limites fixados pelo legislador, na medida que excluíram as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, da base de cálculo do benefício do crédito presumido, uma vez que o disposto no artigo 10 da Lei n° 9.363, de 1996, não estabelece nenhuma restrição, quaisquer aquisições de matéria prima, materiais de embalagens e produtos intermediários devem ser consideradas para fins de apuração do valor do beneficio fiscal; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 13527.000052/200188 Acórdão n.º 320100.741 S3C2T1 Fl. 907 5 • não cabe, pois, ao intérprete criar uma exceção não contida no texto legal, isto é, não é juridicamente válido sustentar que apenas as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas fazem jus ao beneficio, posto que isso implicaria afronta ao princípio da legalidade, bem como afronta ao disposto no art. 100 do CTN. • descreve sobre ato administrativo e seus pressupostos de validade, sobre o princípio da legalidade e da impossibilidade de que normas complementares contrariem as leis que visam regulamentar, nesse sentido cita e transcreve decisões judiciais e administrativas (Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais), que corroboram com sua tese. • por fim, requer que a impugnação seja julgada procedente, com vistas a ser deferido integralmente o ressarcimento do crédito presumido de IPI relativo a contribuição para o PIS e COFINS no valor de R$ 343,00. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 24/09/2008, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 15.17012 (fls. 880/882v): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999, 01/01/2000 a 31/03/2000, 01/04/2000 a 30/06/2000,01/07/2000 a 30/09/2000, 01/01/2001 a 31/03/2001 AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. EXCLUSÃO. Por falta de autorização legal, excluemse da base de cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de atos regularmente editados. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. Por ausência de previsão legal, descabe falarse em atualização monetária ou juros incidentes sobre os valores a ser objeto de ressarcimento. Rest/Ress. Def. em Parte Comp. Homolog. em Parte A Recorrente foi cientificada do teor da COMUNICAÇÃO N° 83/03, em 31/10/2008 (f1. 886v), tendo protocolado seu recurso voluntário em 19/11/2008 (fl. 888/899), que, em síntese, reitera os argumentos da sua impugnação (fls. 859/870). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. A discussão em tela cingese ao crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas de pessoas físicas e à atualização do referido crédito para fins de ressarcimento. O primeiro desdobramento da discussão, qual seja a restrição do crédito presumido de IPI por meio de ato infralegal relativamente a matériasprimas adquiridas de pessoas físicas, é objeto do Recurso Especial nº 993.164 sobre o qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça aplicou o regime dos recursos repetitivos de que trata o art. 543C do Código de Processo Civil. É o que se depreende da ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 13527.000052/200188 Acórdão n.º 320100.741 S3C2T1 Fl. 908 7 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nªs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 8 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 13527.000052/200188 Acórdão n.º 320100.741 S3C2T1 Fl. 909 9 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Assim, com base no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, é forçoso reconhecer o direito da Recorrente ao crédito presumido de IPI por ela pleiteado, ainda que seja decorrente da aquisição de matéria prima de pessoas físicas. No tocante à atualização dos créditos objeto do pedido de ressarcimento da Recorrente – segundo desdobramento da discussão em tela –, há também decisão em sede de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 10 recurso repetitivo proferida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847, cuja ementa transcrevo abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Assim, com base no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e reproduzindo parte da ementa acima transcrita, entendo que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, legitimando a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela Recorrente para reconhecer o seu direito aos créditos cujo ressarcimento fora pleiteado, com a devida atualização. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 13527.000052/200188 Acórdão n.º 320100.741 S3C2T1 Fl. 910 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
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Numero do processo: 11516.000281/2007-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
Ementa:
NULIDADE – EXTRATOS BANCÁRIOS – VALOR PROBANDI – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS
A presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os créditos ou depósitos bancários e a receita omitida. Isso mudou com a superveniência de lei que guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os créditos
e depósitos bancários individualizados, sem comprovação de origem, mediante prévia e regular intimação da pessoa.
Questão diversa é se a referida presunção legal passa ou não pelo teste de constitucionalidade e em que limites. Porém, isso é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA
Na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o
suporte fático da hipótese legal presuntiva, com a individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os e comprove sua origem.
Nomeadamente quando se usam contas de interpostas pessoas e os valores são empregados para pagamento de despesas operacionais da contribuinte, fortalece-se
a presunção legal. Inexistência de contraprova da contribuinte.
MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES COM EXIGIBILIDADE INCOMPROVADA
Falta de comprovação documental dos lançamentos a crédito no passivo que justifica a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas.
Ausência de contraprova pela contribuinte.
ARBITRAMENTO DO LUCRO – COEFICIENTE
Sendo a atividade da contribuinte a de revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural, sobre as receitas presumidamente omitidas por depósitos bancários de origem incomprovada,
o coeficiente de arbitramento do lucro, para fins de IRPJ, é de 1,92%, e não de 12%, como aplicara o autuante.
MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS À TAXA SELIC
Irresignação por excessividade e inconstitucionalidade a que cabe a aplicação das Súmulas CARF nº 2 e nº 4.
Numero da decisão: 1103-000.427
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial ao recurso, para afastar a exigência de IRPJ sobre as parcelas do lucro arbitrado de R$ 47.828,96, R$ 39.265,50, R$ 48.898,54 e R$ 33.710,53, correspondentes aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres, respectivamente, do ano-calendário de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 Ementa: NULIDADE – EXTRATOS BANCÁRIOS – VALOR PROBANDI – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS A presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os créditos ou depósitos bancários e a receita omitida. Isso mudou com a superveniência de lei que guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os créditos e depósitos bancários individualizados, sem comprovação de origem, mediante prévia e regular intimação da pessoa. Questão diversa é se a referida presunção legal passa ou não pelo teste de constitucionalidade e em que limites. Porém, isso é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, com a individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os e comprove sua origem. Nomeadamente quando se usam contas de interpostas pessoas e os valores são empregados para pagamento de despesas operacionais da contribuinte, fortalece-se a presunção legal. Inexistência de contraprova da contribuinte. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES COM EXIGIBILIDADE INCOMPROVADA Falta de comprovação documental dos lançamentos a crédito no passivo que justifica a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas. Ausência de contraprova pela contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO – COEFICIENTE Sendo a atividade da contribuinte a de revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural, sobre as receitas presumidamente omitidas por depósitos bancários de origem incomprovada, o coeficiente de arbitramento do lucro, para fins de IRPJ, é de 1,92%, e não de 12%, como aplicara o autuante. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS À TAXA SELIC Irresignação por excessividade e inconstitucionalidade a que cabe a aplicação das Súmulas CARF nº 2 e nº 4.
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Recorrida 6ª TURMA DA DRJ/RIO DE JANEIRO I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Ementa: NULIDADE – EXTRATOS BANCÁRIOS – VALOR PROBANDI – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS A presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os créditos ou depósitos bancários e a receita omitida. Isso mudou com a superveniência de lei que guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os créditos e depósitos bancários individualizados, sem comprovação de origem, mediante prévia e regular intimação da pessoa. Questão diversa é se a referida presunção legal passa ou não pelo teste de constitucionalidade e em que limites. Porém, isso é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM INCOMPROVADA Na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, com a individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os e comprove sua origem. Nomeadamente quando se usam contas de interpostas pessoas e os valores Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 2 2 são empregados para pagamento de despesas operacionais da contribuinte, fortalecese a presunção legal. Inexistência de contraprova da contribuinte. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES COM EXIGIBILIDADE INCOMPROVADA Falta de comprovação documental dos lançamentos a crédito no passivo que justifica a aplicação da hipótese legal presuntiva de omissão de receitas. Ausência de contraprova pela contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO – COEFICIENTE Sendo a atividade da contribuinte a de revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural, sobre as receitas presumidamente omitidas por depósitos bancários de origem incomprovada, o coeficiente de arbitramento do lucro, para fins de IRPJ, é de 1,92%, e não de 12%, como aplicara o autuante. MULTA DE OFÍCIO DE 75% E JUROS À TAXA SELIC Irresignação por excessividade e inconstitucionalidade a que cabe a aplicação das Súmulas CARF nº 2 e nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para afastar a exigência de IRPJ sobre as parcelas do lucro arbitrado de R$ 47.828,96, R$ 39.265,50, R$ 48.898,54 e R$ 33.710,53, correspondentes aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres, respectivamente, do anocalendário de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 3 3 Relatório DO LANÇAMENTO Trata o processo de exigência fiscal por meio dos autos de infração de IRPJ (fls. 180 a 186); PIS (fls. 193 a 197); COFINS (fls. 204 a 208) e CSL (fls. 211 a 217) referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004. I Anocalendário 2003 a) Lucro não tributado A recorrente declarou em DIPJ que teve prejuízo fiscal de R$ 91.143,09, conforme documentos de fls. 123 a 124. Porém, iniciada a ação fiscal e após sucessivas intimações para que apresentasse suas demonstrações contábeis, a recorrente entregou escrituração fiscal, segundo a qual teria auferido lucro operacional líquido de R$ 1.985.531,67 (fl. 107), montante este que não havia sido oferecido à tributação espontaneamente. b) Prejuízo inexistente Em razão de seu entendimento quanto à declaração referida acima, o auditor efetuou a glosa do prejuízo fiscal, de modo a inibir futuras compensações indevidas. c) Adições não tributadas A apresentação da escrituração fiscal também revelou despesas indedutíveis no total de R$ 1.972,66, adicionadas ao lucro pelo auditor. d) Omissão de receitas – Passivo fictício Apesar de intimada a fazêlo, a recorrente não conseguiu comprovar ao fiscal o saldo credor existente nas contas “GM Com. Comb. Lubrific. Ltda”, “Auto Center Rio Tavares” e “Posto Ideal” (fls. 111 e 117), no valor total de R$ 890.000,00, considerado como omissão de receitas pelo autuante. e) Omissão de receitas – Depósitos bancários de origem não comprovada A recorrente informou que utilizava a conta bancária de quatro funcionários para realizar pagamentos de suas obrigações, inclusive junto a fornecedores (fls. 29 e 30). Não tendo logrado a recorrente comprovar a origem dos depósitos bancários solicitada no Termo de Intimação, sujeitouse a recorrente ao lançamento desses valores como omissão de receitas. II Anocalendário 2004 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 4 4 a) Ausência de escrituração contábil Com relação a este anocalendário, relatou o auditor que intimou a recorrente diversas vezes, sem êxito, para que apresentasse escrituração contábil. Consta que embora a DIPJ do período tenha sido entregue com valores zerados (fls. 143 a 164), a recorrente auferiu receita bruta de R$ 54.990.677,84, apurada com base nos Livros de Saídas (fls. 2 a 222 do anexo III) na forma apresentada no demonstrativo de receitas mensais por filial (fls. 165 e 166). A partir de tais fatos, entendeu o auditor ser caso de arbitramento de lucro, nos termos no art. 530, I a III, combinado com o art. 532, ambos do RIR/99. b) Omissão de receitas – Depósitos bancários de origem não comprovada A prática de utilização de contas bancárias de funcionários para a movimentação de recursos financeiros da empresa, como já descrito anteriormente, mantevese em 2004. DA IMPUGNAÇÃO A recorrente tomou ciência do auto de infração em 2/02/2007 e, inconformada com os lançamentos, interpôs impugnação em 6/03/2007 de fls. 227 a 252, por meio da qual alegou, em síntese: 1) Impossibilidade de caracterizar o saldo credor do passivo em 2003 como fictício a) A presunção do fisco é relativa e comporta prova em contrário; b) A Constituição Federal determina observância ao Princípio da Capacidade Contributiva; c) Em se tratando de omissão de receita, doutrina e jurisprudência têm admitido o afastamento da documentação escrita do contribuinte apenas em casos extremos, não sendo assim considerado o atraso na escrituração dos livros obrigatórios; d) A autoridade fiscal fez uso da escrita contábil apresentada apenas para fundamentar aquilo que era de seu interesse; e e) A escrita apresentada não é fictícia, pois o próprio auditor reconheceu ser a mesma merecedora de fé pública, bem como não apresentou as razões que o levaram a desconsiderar a documentação da interessada “em alguns momentos e outros não”. 2) Inocorrência da caracterização dos depósitos bancários como omissão de receita a) A documentação (extratos bancários) em que foi baseado o cálculo para a quantificação da infração é precária e tem utilização vedada; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 5 5 b) Foram desprezadas as informações prestadas pela recorrente, segundo as quais os valores depositados referemse a despesas pagas e não a receitas auferidas; c) A omissão de receitas tem como pressuposto a entrada de mercadoria sem emissão de nota fiscal e a recorrente compra diretamente da BR distribuidora, que não vende sem emitir nota fiscal; d) Sem a comprovação da origem, não há como considerar qualquer ingresso financeiro nas contas bancária dos contribuintes; e e) A autoridade pode requisitar informações e documentos para a devida apuração dos fatos de acordo com a LC 105/01, art. 5º, § 4º. 3) Vícios insanáveis na exigência de PIS/Cofins. a) A LC 70/91 instituiu a Cofins e tratou, no art. 4º, a substituição tributária das empresas que trabalham com derivados do petróleo; a Lei 9.718/98 reforçou o regime de substituição e o estendeu ao PIS; b) Portanto, a exigência destas contribuições é ilegal, posto que os pagamentos já foram efetuados por seu substituto. Junta nota fiscal de entrada (fls. 269 a 293). 4) Erro na base de cálculo do PIS/Cofins a) Alternativamente à tese de nulidade da exigência de PIS e Cofins, a recorrente alega vício na base de cálculo dessas contribuições, que foi considerada como o total dos depósitos em conta corrente; b) Ocorre que o montante referente a dezembro/2003, no valor de R$ 115.755,00, por erro de digitação, foi assumido como sendo R$ 1.005.755,00, acarretando o lançamento em valores consideravelmente superiores ao que seria o desejado pelo auditor. 5) Multa excessiva e inconstitucionalidade da taxa Selic a) Alega a recorrente que a multa aplicada seria um tributo disfarçado com efeito confiscatório; b) Que a multa qualificada em 75% seria cabível apenas nas hipóteses em que restar comprovada a conduta fraudulenta do contribuinte, o que não seria este o caso; c) Sobre os juros, protesta a recorrente contra o emprego da taxa Selic, fundamentando seu pleito na CF, art. 150, I, dispositivo que veda a exigência ou aumento de tributo sem lei que assim estabeleça, e no art. 161, § 1º do CTN. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 21/12/2007, acordaram os julgadores da 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento para: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 6 6 1. Afastar a exigência do PIS e Cofins; e 2. Declarar devidos: (a) o IRPJ no valor de R$ 1.155.145,39; (b) a CSLL no valor de R$ 932.008,25; (c) a multa de ofício; e (d) os juros de mora. Da omissão de receitas A recorrente não trouxe aos autos qualquer prova que contrarie o presumido pelo autuante, limitandose a clamar por princípios constitucionais que não guardam estreita relação com a infração tipificada. Quanto aos depósitos bancários de origem não comprovada, a própria recorrente admitiu que utilizou conta de terceiros para pagamento de obrigações da empresa. E afirmou que não há comprovação da origem dos recursos que abasteciam as contas correntes com os fundos necessários para a quitação das dívidas da pessoa jurídica. O que fez com que a empresa se enquadrasse na infração descrita no art. 287 do RIR/99. Dos lucros não tributados, do prejuízo inexistente e das adições não tributadas A recorrente, enquanto ainda espontânea, declarou prejuízo como resultado de sua operações em 2003, resolveu, com o início da auditoria, apresentar escrituração contábil que revelou lucro no período. Ato contínuo, o que a fiscalização fez foi dar cumprimento ao disposto nos art. 249 e 250 do RIR/99. Do arbitramento do lucro A recorrente não declarou rendimentos em 2004, mas mantinha controle em livros de saída de mercadorias que permitiram a apuração da receita. Ao contrário do que fez em relação ao anocalendário de 2003, a recorrente não cuidou de apresentar escrituração em que constasse informação diferente da que resultou da auditoria, não restando outra alternativa ao autuante, que arbitrou o lucro da empresa. Dos vícios no lançamento de PIS e Cofins São reduzidas a zero as alíquotas do PIS e Cofins sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas, bem como da venda de álcool carburante no varejo. O Decreto 4.524/02 regulamenta a matéria. Da multa de ofício A cobrança de multa não é cabível apenas nos casos de fraude, como alegou a recorrente. Também se dá nos casos sonegação e conluio, como apresenta o art. 44, I, § 1º da Lei 9.430/96. O princípio do não confisco é inaplicável às multas tributárias pois multa não é tributo e o referido princípio dirigese estritamente a tributos. Dos jutos de mora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 7 7 A cobrança do juros de mora por percentual equivalente à taxa Selic, a despeito da contrariedade apresentada, pautase pelo estrito cumprimento do princípio da legalidade. O procedimento fiscal tem de ser plenamente vinculado, não havendo outra medida que não seja a estrita obediência ao que dispõe a lei. A análise do valor a respeito da taxa Selic e as arguições de inconstitucionalidade da mesma, não comportam reconhecimento pela via administrativa. A recorrente foi intimada via edital por se encontrar em lugar incerto e ignorado. O edital foi afixado em 14/03/2008 e desafixado em 29/04/2008. Em 14/04/2008, apresentou Recurso Voluntário onde reiterou, basicamente, as alegações contidas na Impugnação. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A recorrente articula a nulidade dos lançamentos de PIS e de COFINS, que já foram derruídos pelo órgão julgador a quo. A nulidade arguida se funda no erro de motivo ou fundamento da pretensão, e que, constatado que o regime desses tributos é monofásico, faleceria a pretensão fiscal, além da consequente iliquidez dos lançamentos. Sucede que, como os lançamentos em questão já foram vitimados por injuridicidade reconhecida pelo órgão julgador de origem, e, porquanto não há remessa de ofício (ou recurso de ofício na linguagem do PAF), não há interesse de agir para enfrentamento dessa questão neste juízo. Outrossim, deixo de examinar a nulidade encetada pela recorrente, até porque é vedada a reformatio in pejus. A recorrente também agita a nulidade da pretensão fiscal de IRPJ e de CSLL consequente à presunção de omissão de receitas por depósitos bancários de origem incomprovada. Em que pese, no caso, a nulidade invocada divisar ou ao menos tangenciar o mérito dessa pretensão, irei enfrentála destacadamente do meritum causae relativo a essa omissão de receitas presumida. Alega a recorrente que o lançamento tributário subsidiado em informações prestadas por meio de extratos bancários é um mero demonstrativo e não possuem valor probandi algum, vez que ilegal tal prática. Ainda, que, sobre terem sido empregados extratos bancários para levantamento de receita omitida, foram desconsideradas as informações prestadas pela recorrente de que tais valores veiculam, na realidade, pagamento de despesas da recorrente, e não receita auferida. Também, que a presunção usada pelo ente fiscal já há muito foi rechaçada pelo Poder Judiciário, objetivado na Súmula 182 do extinto TRF. Que meros indícios não constituem prova capaz de sustentar o lançamento, por não traduzirem certeza inerente ao ato de lançamento. Que as presunções legais de omissão de receita não podem resultar de iniciativa criativa e original do ente fiscal. Mais. Conforme o art. 5º, § 4º, da Lei Complementar 105/01, a presunção juris tantum do art. 42 da Lei 9.420/96 só pode ser aplicada após a verificação efetiva dos fatos, nos termos do indicado preceito da LC 105/01, que determina a averiguação aprofundada da renda das pessoas físicas e jurídicas, para adequada apuração dos fatos, inclusive quanto à legitimidade para obtenção de dados bancários. Pois bem. De início, anotese que a recorrente não questiona, nem coloca em questão, a inaplicabilidade das normas contidas na Lei Complementar 105/01, e tampouco das normas do Decreto 3.724/01 (que regulamenta essa lei complementar para acesso a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 9 9 informações pela Secretaria da Receita Federal do Brasil). Pelo contrário, sua insurgência é de que a regra do art. 42 da Lei 9.430/96 demanda prévia aplicação do art. 5º, § 4º, da Lei Complementar 105/01. Para não haver dúvidas, reproduzemse o art. 5º, caput e §§ 2º e 4º e o art. 6º, da Lei Complementar 105/01: Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 2º. As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) § 4º. Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Art. 6º. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Ora, o art. 5º, § 4º, da Lei Complementar 105/01 diz respeito a fase anterior à obtenção dos dados “individualizados” de movimentação de conta bancária de depósitos, i.e., antes de se obterem os extratos bancários das pessoas envolvidas no procedimento fiscal instaurado, in casu, contra a recorrente. Mais. O preceito compreende fase anterior à própria instauração do procedimento fiscal. Já, o Decreto 3.724/01, ao regulamentar a LC 105/01, prevê os requisitos para exame de informações relativas a terceiros, junto a instituições financeiras, inclusive as referentes a contas bancárias de depósitos e de aplicações financeiras, mediante a expedição de RMF (Requisição de Movimentação Financeira) dirigida, por ex., ao gerente de agência. O Decreto 3.724/01 preceitua que, para tal requisição, é necessário haver procedimento de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 10 10 fiscalização em curso, instaurado com a outorga do competente MPF (Mandado de Procedimento Fiscal), e os exames das contas bancárias de depósitos e de aplicações financeiras do contribuinte serem considerados indispensáveis. E o art. 3º do Decreto 3.724/01 relaciona as hipóteses em que tais exames são considerados indispensáveis. Não tenho dúvidas de que esse rol é exaustivo. Ainda, a Portaria SRF 180/01, ao disciplinar a execução do Decreto 3.724/01, prescreve que o RMF só será expedido: a) se houver procedimento de fiscalização em curso instaurado com a lavratura do competente MPF; b) se for contatada hipótese de indispensabilidade dos exames das contas bancárias de depósitos e de aplicações financeiras, referida no art. 3º do Decreto 3.724/01; e c) já ter havido intimação do sujeito passivo para apresentar as informações de sua movimentação financeira. No caso vertente, sequer houve recurso a uso de RMF. Houve, a par do procedimento fiscal instaurado mediante prévia emissão de MPF, em relação à recorrente, intimações aos funcionários da recorrente, srs. Renato Ribeiro Takazono, Aguimara Batista da Silva, Liane Maria Scherer e Neli Rascola Anzolin Parmigiani, para justificar a falta de entrega de suas DIRPF, nos anoscalendário de 2003 e de 2004 (em relação à sra. Aguimara Batista da Silva, somente quanto ao anocalendário de 2004), em face dos montantes globais depositados em suas contas bancárias de depósito nos referidos períodos – fls. 31, 33, 35 e 36. Foram reduzidas a termo declarações dos mencionados funcionários da recorrente de que os depósitos em suas contas bancárias se referiam a recursos da recorrente fls. 41 a 47. Também concorreu intimação à recorrente para justificar o uso de contas bancárias dos funcionários supraindicados (fl. 28), ao que a recorrente respondera que essas contas bancárias eram utilizadas pela recorrente para pagamento de fornecedores e de outras obrigações decorrentes de serviços a ela prestados (fl. 30). Por tudo o que se deduziu, é da maior evidência o equívoco do argumento da recorrente de que se teria de aplicar o art. 5º, § 4º, da Lei Complementar 105/01, para o emprego da presunção juris tantum de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96. Por conseguinte, rejeito tal preliminar de nulidade. Igualmente rejeito a preliminar de nulidade de que a presunção em discussão não subsiste por serem os depósitos bancários meros indícios incapazes de sustentar a certeza do auferimento de receita e, portanto, do lançamento. Na mesma senda, rejeito a preliminar de nulidade de que a informações prestadas por extratos bancários não possuem valor probandi, sendo ilegal e de que foram desconsideradas as informações prestadas pela recorrente de que os valores em causa indicam pagamento de despesas dela, e não receita auferida. Sucede que essa presunção era rechaçada quando era empregada pela autoridade fiscal como se fosse uma presunção hominis ou facti ou comum, com base no id quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação para estabelecer o nexo causal entre os depósitos bancários e a receita omitida. Aí eram meros indícios, insuficientes para dar amparo a presunção de omissão de receitas. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 11 11 Isso mudou com a superveniência da Lei 9.430/96, que, em seu art. 42, guindou em presunção legal, juris tantum, de omissão de receitas os depósitos ou créditos bancários sem comprovação de origem, mediante prévia e regular intimação da pessoa física ou jurídica1. A partir da vigência do art. 42 da Lei 9.430/96, desde que cumpridos os requisitos previstos nesse preceito, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que resulte de iniciativa criativa e original do fisco. Sequer se cuida de presunção hominis ou facti. Questão diversa é se a referida presunção legal passa ou não pelo teste de constitucionalidade e em que limites. Porém, isso é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo. Também, a alegação de que foram desconsideradas as informações prestadas pela recorrente de que os depósitos bancários nas contas de seus funcionários foram feitos com intuito de se pagarem os fornecedores e os prestadores de serviços é despropositada. Ao contrário do articulado pela recorrente, tal informação reforça o mérito da pretensão, como se verá adiante, de modo que não houve desconsideração da referida informação para aplicação da presunção legal em comentário. 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) § 4º. Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 12 12 De outra parte, por se tratar de medida extrema, para que se concretize a hipótese legal de presunção de omissão de receitas, com a inversão do ônus da prova, entendo ser necessário que: a) haja devida individualização dos créditos ou depósitos bancários; b) ocorra a prévia e regular intimação para a comprovação da origem dos depósitos ou créditos bancários devidamente individualizados; c) haja a análise cuidadosa e individualizada dos créditos ou depósitos bancários com expurgo daqueles que decididamente não representam receitas, como por ex., os correspondentes a empréstimos, a transferências entre contas de mesma titularidade. Reputo que, na ausência desses requisitos, resulta derruída a presunção legal de omissão de receitas e, por óbvio, a própria caracterização de omissão de receitas – a menos que a fiscalização aprofunde sua investigação e demonstre (comprove) a omissão de receitas e sua quantificação. Compulsando os autos, vejo que os requisitos ou pressupostos para aplicação da hipótese legal de presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96 encontramse presentes. Houve a prévia e regular intimação da recorrente para comprovação da origem dos depósitos bancários, após a admissão da recorrente que utilizava rotineiramente as contas bancárias de seus quatro funcionários (fls. 62 e 63). No caso vertente, cuidase somente de depósitos em dinheiro nas contas bancárias dos quatro funcionários da recorrente, e que se encontram individualizados com indicação de cada depósito e conta (fls. 64 a 105). Por conseguinte, não vejo eiva de nulidade a derruir a aplicação da presunção legal, juris tantum, em dissídio. Passo imediatamente ao mérito dessa questão, vez que, como havia dito, as nulidades invocadas divisam ou no mínimo tangenciam o mérito da pretensão fundada nessa presunção legal de omissão de receitas. Sobre o nexo entre depósitos bancários de origem incomprovada e receitas auferidas, de certo modo, isso já foi adiantado quando tratei da questão dos indícios e da suposta presunção hominis ou facti extraída a partir daqueles. Mas convém realçar que, na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva, e intimar o contribuinte para que ele esclareça os depósitos bancários e comprove sua origem. Daí se cuidar de presunção legal de omissão de receitas, ilidível diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova). A alegação de que o depósito bancário, por si, não pode ser considerado lucro, receita ou renda tributável, para fins de IRPJ, CSL, PIS e COFINS, fica derruída pelo que já se consignou. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 13 13 Ademais, nomeadamente quando se utilizam contas correntes bancárias de interpostas pessoas (no caso, dos quatro funcionários da recorrente), e os valores depositados são usados para pagamento de despesas operacionais da recorrente, ou seja, tendo aqueles recursos vínculo com sua atividade ordinária, fortalecese a presunção legal da omissão de receitas localizadas à margem da escrituração contábil da recorrente. Por óbvio que a omissão de receitas presumida é pretérita ao uso dos recursos depositados – ela é informada nos próprios depósitos bancários sem origem comprovada. E, tanto a utilização de contas bancárias de interpostas pessoas, quanto a de uso dessas contas para pagamento das despesas operacionais da recorrente foram admitidas por ela mesma. Por outro lado, não trouxe aos autos a recorrente nenhum elemento de contraprova à referida presunção legal, a afastála. Nessa ordem de considerações, nego provimento ao recurso quanto à questão da omissão presumida de receitas por depósitos bancários de origem incomprovada. Sigo com o exame da questão da presunção de omissão de receitas por manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, do art. 40 da Lei 9.430/96, reproduzido no art. 281, III, do RIR/99. No caso vertente, a presunção de omissão de receitas se refere aos lançamentos a crédito nas contas 2.1.1.008.008 (GM Com. Comb. Lubrif. Ltda.) e 2.1.1.008.015 (Auto Center Rio Tavares) e 2.1.1.008016 (Posto Ideal) do passivo. Noto que a intimação foi para comprovação mediante documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores do saldos existentes em 31/12/03, constantes do passivo “Bancos Contas Empréstimo”, conta sintética 2.1.008, cujas contas analíticas e saldos a comprovar são as das acima descritas, com valores de R$ 360.000,00, R$ 80.000,00 e R$ 450.000,00, respectivamente – fl. 62. Neste passo, entendo ser curial acentuar o seguinte. Apesar de a intimação para comprovação recair sobre saldo existente em 31/12/03, não reputo que se cuide de tributação integral de um passivo, como o de fornecedores, por ex., sem identificação das obrigações ou exigibilidades a serem comprovadas. Vejo que se cuida do saldo em 31/12/03 de três contas analíticas de um total de sete que compõem a conta sintética “Bancos Conta Empréstimo”, do passivo circulante, conforme balancete de 1º/01/03 a 31/12/03, de fls. 112 a 117. São as únicas contas que não são indicativas de banco e que não sofreram movimentação alguma no anocalendário de 2003, conforme o balancete de 1º/01/03 a 31/12/03 – fl 117. Daí entender que não se cuida de tributação integral de saldo devedor de um grupo de contas, sem identificação das obrigações ou exigibilidades a serem comprovadas. Com essa cognição deduzida, prossigo: tratase também aqui de presunção legal de omissão de receitas, ilidível mediante prova em contrário do sujeito passivo (presunção legal juris tantum). Essa presunção legal é de todo justificável, pois ela se Fl. 13DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 14 14 “aproxima” inclusive do que seria extraível mediante uma presunção hominis ou facti com base no id quod plerumque fit (naquilo que costuma acontecer). É dizer, tal presunção, erigida em presunção legal, se assim não fosse, ficaria ao menos próxima de uma presunção hominis. A recorrente aduz que a escrituração contábil tem fé pública que é peculiar a todo livro comercial autenticado pelo Registro do Comércio, e que a descaracterização da escrituração contábil é medida extrema diante de falhas insanáveis. Com efeito, a escrituração contábil mantida com observância da legislação comercial faz prova a favor do contribuinte dos fatos contábeis nela registrados, desde que comprovados, tais fatos contábeis, por documentos hábeis. É o que prevê o art. 9º, § 1º, do Decretolei 1.598/77, reproduzido no art. 923 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Diante disso, escrituração contábil regular com suporte devido documental ou em outra mídia (por ex., gravações telefônicas), o ônus da prova quanto a sua inveracidade é do fisco, conforme o art. 9º, § 2º, do Decretolei 1.598/77, reproduzido no art. 924 do RIR/99. Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Ora, é justamente a falta de comprovação documental dos lançamentos a crédito no passivo que motiva a aplicação da presunção legal de omissão de receitas em discussão. E, diante disso, a recorrente não trouxe nenhum elemento de contraprova a afastar a presunção de omissão de receitas, i.e., não carreou aos autos nenhum elemento comprobatório da existência dos valores de R$ 360.000,00, de R$ 80.000,00 e de R$ 450.000,00 constantes, respectivamente, nas três indicadas contas do passivo. Outrossim, nego provimento ao recurso, quanto à questão da omissão de receitas presumida de que trata o art. 281, III, do RIR/99. Passo ao exame da questão do arbitramento do lucro para os trimestres do anocalendário de 2004. Para o anocalendário de 2003 não houve arbitramento do lucro, vez que se dera a apresentação da escrituração contábil. Do exame dos autos, noto que o valor das receitas omitidas no anocalendário de 2003 não é percentualmente tão significativo em relação ao total de receitas desse anocalendário, e mesmo em relação às receitas declaradas nesse ano calendário. Andou bem, pois, o autuante, ao não proceder ao arbitramento do lucro para o ano calendário de 2003, de modo que seu procedimento que desembocou no lançamento de IRPJ e de CSL relativo a esse ano não merece reproche. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 15 15 Retomando a questão do arbitramento do lucro para 2004, a recorrente apurava lucro real, tendo inclusive apresentado a DIPJ/05, sob o regime de lucro real zerada (fls. 143 a 164). Compulsando os autos, vê se que a recorrente não apresentou a escrituração contábil (Livros Diário e Razão), e tampouco o Lalur. Impõese, portanto, o arbitramento do lucro, nos termos do art. 47, I, da Lei 8.981/95 c/c o art. 1º da Lei 9.430/96 (lucro arbitrado trimestral), reproduzidos no art. 530, I,do RIR/992. E arbitramento do lucro com base em receitas conhecidas: as receitas presumidamente omitidas por depósitos bancários de origem incomprovada e as extraídas com base nos Livros de Saídas da recorrente (cópias no Anexo III – fls. 2 a 222). Da apreciação dos autos, vejo que a autoridade fiscal empregou corretamente o coeficiente de arbitramento do lucro de 1,92% (1,6% acrescido de 20%) na apuração do lucro arbitrado para exigência de IRPJ, por ser a atividade da recorrente a de revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural (arts. 15, § 1º, I e 16, caput, da Lei 9.249/95)3. Isso, para receitas extraídas dos Livros da Saída da recorrente – fl. 177. Mas, em relação às receitas presumidamente omitidas, ela não aplicou o coeficiente de 1,92%, mas o de 12% para apuração do lucro arbitrado na imposição de IRPJ – fls. 177, 178, 179 e 180. Nesse passo, o dislate da autoridade fiscal é flagrante, pois a presunção é a de que as receitas omitidas por depósitos bancários de origem incomprovada (por presunção legal) são decorrentes da atividade própria, operacional, da recorrente. Ou seja, concorre a presunção, aqui, presunção hominis ou facti, de que as receitas omitidas por presunção legal são derivadas da atividade operacional típica da recorrente. Fortalece essa conclusão, inclusive, o vínculo com a atividade operacional entre os depósitos nas contas bancárias das interpostas pessoas e o uso desses recursos para cobertura de despesas operacionais da recorrente. Sob essa ordem de razões, dou provimento parcial quanto à pretensão de IRPJ, para expurgo do lucro arbitrado dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2004 os montantes de R$ 47.828,96, R$ 39.265,50, R$ 48.898,54 e R$ 33.710,53, respectivamente – que são os valores 2 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º. Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; (...) Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. (...) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 16 16 resultantes da aplicação do coeficiente de 12% sobre as receitas presumidamente omitidas por depósito bancário de origem incomprovada nesses períodos. No que concerne à CSL sobre o lucro arbitrado para os trimestres de 2004, constato que o autuante aplicou o coeficiente de 12%, seja sobre as receitas extraídas dos Livros de Saída, seja sobre as receitas presumidamente omitidas por depósitos bancários de origem não comprovada. Vejo que, no instrumento específico do auto de infração, acusouse o art. 24 da Lei 9.249/95, como suporte legal para a CSL apurada com base no lucro arbitrado sobre as receitas omitidas por presunção legal (depósitos bancários de origem não comprovada) – fl. 217. Tratase de erro na capitulação legal que, a meu ver, não tem o condão de vitimar o lançamento de nulidade, porquanto o motivo ou fundamento do lançamento se encontra revestido de juridicidade – arbitramento do lucro, com o que resultou na aplicação efetiva do coeficiente de arbitramento do lucro para fins de CSL, que é o do art. 20 da Lei 9.249/95 c/c o art. 29, I, da Lei 9.430/96. Entendo que, diverso seria, se o motivo ou o fundamento se encontrasse eivado de injuridicidade, hipótese em que o eventual “acerto” na capitulação legal não teria prestígio para salvar o lançamento. Na conformidade do exposto, não merece reparos, portanto, a pretensão fiscal quanto à CSL. Quanto à irresignação sobre a multa de ofício no percentual de 75% e sobre os juros de mora à taxa Selic, por excessividade e inconstitucionalidade, cabe a aplicação das Súmulas CARF nº 2 e nº 4, consolidadas no Anexo II da Portaria CARF 49/10: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. De tal feito, nego provimento ao recurso sobre essas questões. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial para afastar a exigência de IRPJ sobre as parcelas do lucro arbitrado de R$ 47.828,96, R$ 39.265,50, R$ 48.898,54 e R$ 33.710,53, correspondentes ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, respectivamente. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11516.000281/200791 Acórdão n.º 110300.427 S1C1T3 Fl. 17 17 É o meu voto. Sala das Sessões, em 30 de março de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 17DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16327.004066/2003-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999, 2000
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS.
Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantém-se o lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei.
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.
A instrução processual é concentrada no momento da impugnação.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.326
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE PROVAS. Caracterizada omissão de rendimentos, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea seu oferecimento à tributação, mantémse o lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A instrução processual é concentrada no momento da impugnação. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 254 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 31/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 163 a 174 da instância a quo, in verbis: O presente processo que ostenta como última página a de nº 162 trata de auto de infração de fls. 92/101, para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercícios 1999 e 2000, anoscalendário 1998 e 1999, no valor de R$ 69.027,51 (sessenta e nove mil, vinte e sete reais e cinqüenta e um centavos), mais multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação pertinente. 2. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no exterior, conforme processo em trâmite na Justiça Federal da 3ª Região – Seção Judiciária de São Paulo, de nº 2003.61.81.0046820, de fls. 68/91 e informações prestadas pelo sujeito passivo às fls. 08/10. 3. Às fls. 102/106, é acostado o Termo de Verificação Fiscal, onde a fiscalização informa o seguinte: “1. A presente fiscalização decorre de requisição encaminhada pelo Ministério Público Federal conforme Ofício nº 13.931/2003, datado de 18 de julho de 2003, e seu anexo representado pelo IPL 2003.61.81.0046820. Tal requisição referese a instauração de ação fiscal contra o contribuinte acima qualificado, tendo sido recepcionada pelo Gabinete desta Delegacia em 25/08/2003; 5. Em 09/12/2003 recebemos por intermédio do citado procurador carta por ele subscrita na qual baseado em informações fornecidas pelo contribuinte indica os valores que o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 255 3 fiscalizado acusa ter recebido da fonte pagadora no exterior – GRAINCOOP TRADING A.V.V. – bem como extrato de conta corrente do Banco Itaú S/A em nome de “Eduardo Quintana e/ou”; 6. Tal extrato referese ao período de 01/01/1998 a 30/06/1999 e corresponde ao mesmo período em que, conforme consta no Processo que circula na Justiça Federal da 3ª Região (de mesmo nº do IPL já citado) o contribuinte recebeu rendimentos do exterior; 7. Ocorre que os valores que o contribuinte declara ter recebido conforme carta citada no item 5 não coincidem nem em data nem em valor, dólares convertidos para reais, com os que constam no IPL, referentes a autorização de débito na conta bancária da fonte pagadora no exterior em favor de Eduardo Quintana e outros. Os valores apontados em carta são todos inferiores aos que foram autorizados pela fonte; 8. Considerando que: • o contribuinte, conforme consta no Termo de Depoimento ao departamento de Polícia Federal em São Paulo, prestado em 24/01/2002, confirmou em resposta ao quesito nº 11 que não declarou tais recebimentos em sua Declaração Anual de Rendimentos à Receita Federal; • o contribuinte não emitiu notas fiscais de serviço da firma “Quintana Consultoria S/C Ltda”, CGC nº 01.481.00149, da qual é sócio titular, à fonte pagadora no exterior, como seria sua obrigação acessória do ponto de vista contábil, conforme consta em resposta ao quesito nº 1 do Termo de Depoimento já citado; • tanto os valores em dólares constantes do IPL como os valores em reais fornecidos pelo contribuinte em sua carta resposta datada de 09/12/2003 e assinada por seu procurador não foram declarados, quer na pessoa física quer na jurídica, ambos foram computados na base de cálculo do imposto IRPF. A coluna “IPL” referese ao valor em reais resultantes da conversão dos valores em dólares constantes no processo, pela taxa de câmbio de compra na forma da legislação vigente; os da coluna “Carta” aos valores, em reais, informados pelo contribuinte em resposta a Intimação, como segue: ..........” 4. Cientificado da exigência tributária pessoalmente em 19/12/2003, conforme fl. 96, o sujeito passivo apresenta impugnação à exigência tributária às fls. 116/142, de onde se extrai os seguintes argumentos: a) nunca prestou serviços à fonte pagadora de nome Graincoop Trading A.V.V., tampouco foi comprovado pela autoridade fiscal que os valores foram depositados em conta do impugnante no exterior; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 256 4 b) os serviços foram realizados pela empresa Quintana Consultoria S/C Ltda., da qual é sócio, conforme fls. 147/149, e que era a responsável pelos tributos inerentes às suas atividades, já que a pessoa física do sócio não se confunde com a pessoa jurídica; c) “Assim, se tributos deixaram de ser pagos pela prestação de serviços para a GRAINCOOP TRADING A.V.V. pela QUINTANA CONSULTORIA S/C LTDA, o que só se admite ad argumentadum, não podem os lançamentos referentes a tais fatos geradores serem atribuídos diretamente contra a pessoa física do sócio da empresa, uma vez que não foi este que eventualmente praticou o fato imponível que originou a correlata obrigação tributária. Em segundo lugar, os documentos que basearam a respectiva autuação, não possuem fé pública, quer para o lançamento contra a pessoa física do sócio, quer para se lavrar auto de infração contra a pessoa jurídica que teria prestado serviços. Isto porque conforme se observa do IPL nº 2003.61.81.0046820 encaminhado pelo Ministério Público tais documentos que embasaram o presente lançamento são cartas da suposta fonte pagadora requerendo a bancos no exterior o depósito em conta corrente em favor de diversas pessoas dentre eles o impugnante, que teriam sido transmitidas via fax, não existindo no presente procedimento administrativo nenhuma prova que tais valores efetivamente foram destinados à conta corrente do impugnante. Aliás, nem a pessoa jurídica da qual o impugnante é sócio recebeu por serviços prestados, o que ensejou providências tendentes ao recebimento dos créditos contra a suposta fonte pagadora em sua sede no exterior, conforme se comprovará adiante. Ora, não se pode presumir ocorrido o fato gerador da respectiva obrigação pela simples emissão de cartas em formato de fax para bancos no exterior pela suposta fonte pagadora, sem se provar que tais valores efetivamente foram depositados na conta do impugnante, que conforme citado anteriormente nem era parte na relação contratual existente entre a QUINTANA CONSULTORIA S/C LTDA e a GRAINCOOP TRADING A.V.V., relação comercial esta da qual a tributação teria advindo. Em nenhum momento, no procedimento administrativo correspondente, foi comprovada a veracidade das informações contidas nestes documentos no que tange à efetiva existência das contas ali constantes em nome do impugnante ou mesmo quanto ao efetivo depósito dos valores declarados nas cartas que foram usadas de supedâneo para a autuação combatida. Por suposição, basta que tais cartas não tenham sido transmitidas ou que contenham informações inverídicas quanto à conta corrente, ou ainda tenham sido extraviadas, ou mesmo que os termos nela existentes não correspondam a depósitos na conta corrente do impugnante para que tenhamos a obrigação tributária sem a ocorrência do fato gerador, o que é vedado pelo nosso ordenamento jurídico. Além do mais, e somente em observação ao princípio da eventualidade, os valores declarados pelo impugnante como recebidos e não declarados no período em questão durante a ação fiscal foram somados aos valores que o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 257 5 IPL nº 2003.61.81.0046820 do Ministério Público sugere que o impugnante recebeu do exterior. Ora, como o d. fiscal lançador considerou que os valores recebidos pelo impugnante correspondem aos valores constantes do IPL nº 2003.61.81.0046820, não poderia ele somar a este total aos valores declarados pelo impugnante, sob pena de incorrer em lançamentos duplos quanto aos rendimentos considerados para a apuração do imposto de renda devido pelo impugnante.”; d) alega erro na determinação do sujeito passivo, por ter sido a empresa da qual é sócio de nome Quintana Consultoria S/C Ltda. quem prestou serviços para a fonte pagadora Graincoop Trading; e) desde já, requer a posterior juntada das traduções juramentadas dos documentos de fls. 150/156, que estão na versão em inglês, bem como a de outros documentos que comprovem a relação comercial existente entre a Quintana Consultoria S/C Ltda. e a suposta fonte pagadora; f) houve uma tentativa da Quintana Consultoria S/C em receber valores não pagos pela Graincoop Trading, conforme carta de fl. 156, o que demonstra a arbitrariedade do lançamento dos valores por ela declarados, tendo em vista que se trata de empresa que não cumpre com suas obrigações junto aos credores; g) o lançamento se baseou única e exclusivamente em cartas sem valor contábil obtidos pela fiscalização, sem comprovação de que tais valores foram efetivamente depositados na sua conta corrente ou se auferiu acréscimo patrimonial; h) “Assim, temse, pois que, considerandose que o auto de infração é a peça acusatória do processo administrativo, deve ele trazer, necessariamente, todos os elementos de prova a embasar a exigência fiscal, ou, então, quando muito, fundamentarse na presunção legalmente autorizada o que não é o caso tendo em vista que não há lei que autorize a presunção da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física por cartas da fonte pagadora sem nenhuma outra comprovação da ocorrência deste fato.” i) os valores declarados pelo contribuinte que não foram oferecidos à tributação da pessoa física, são aqueles que o autuante entendeu como constantes das cartinhas emitidas pela suposta fonte pagadora constante do IPL nº 2003.61.81.0046820; j) como o autuante considerou que os valores informados pelo contribuinte são inferiores aos constantes nas informações da suposta fonte pagadora em suas cartas, não poderia ter adicionado a estes valores aqueles constantes da declaração apresentada pelo impugnante, de fls. 08/10, incorrendo, assim, em duplicidade de lançamentos; k) contesta a multa de ofício de 75%, por ter agido sempre de boafé e ser tal multa confiscatória; l) contesta os juros de mora calculados com base na taxa Selic; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 258 6 m) em caso de procedência do auto de infração, pede a redução de 50% do valor da multa, ou de 40%, em caso de parcelamento do débito, por lhe ser garantido o direito do contraditório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de erro na sujeição passiva e no mérito, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa e excertos do voto que transcrevo a seguir livremente: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTE NO EXTERIOR. Constatada a prática de ilícito tributário, perpetrado mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido dos encargos legais. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS E DOCUMENTOS. O momento processual para apresentação de provas ocorre durante a fase impugnatória, precluindo o direito do sujeito passivo assim o fazer posteriormente, salvo em uma das exceções previstas na legislação do contencioso administrativo fiscal. ENCARGOS LEGAIS . MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ASPECTO CONFISCATÓRIO A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. (...) 17. Do que consta nos autos, o trabalho da fiscalização foi bastante criterioso e exaustivo, no sentido de construir os fatos jurídicos reais relativos ao auferimento de rendimentos oriundos do exterior, face a existência de valores expressivos mantidos em conta corrente no exterior e no País, não informados nas Declarações de Ajuste Anual Exercícios 1999 e 2000, anoscalendário 1998 e 1999. (...) 20. Também não merece guarida a tese expendida pela defesa, em que contesta a comprovação dos depósitos efetuados por meio de cartas que podem não ter sido transmitidas ou com informações inverídicas. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 177 a 205, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA uma vez que as prestações de serviços, apuradas no IPL citado, foram realizadas pela QUINTANA CONSULTORIA S/C Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 259 7 LTDA., que era a responsável pelos pagamentos de todos os tributos inerentes às suas atividades, já que a pessoa física do sócio não se confunde com a pessoa jurídica da qual esse faça parte. O Recorrente, ressaltese pessoa física, NUNCA prestou serviços à suposta fonte pagadora, que segundo consta do Termo de Verificação Fiscal seria a GRAINCOOP TRADING A.V.V., tampouco foi comprovado pela autoridade fiscal que valores foram depositados em conta do Recorrente no exterior. De outro lado, diante dos contratos de prestação de serviço, cartas, fax apresentados pelo contribuinte, os julgadores não podem dispensar, como fez o Sr. Agente Fiscal e a DRJ/SP0II, a relação comercial existente entre a GRAINCOOP TRADING A.V.V. e a QUINTANA CONSULTORIA S/C LTDA; II. PRESUNÇÃO DA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Ataca dizendo que desrespeitando as regras do procedimento administrativo do lançamento tributário, o Sr. Agente fiscal presumiu ocorrido o fato gerador da respectiva obrigação pela simples emissão de cartas em formato de fax para bancos no exterior pela suposta fonte pagadora, sem se provar que tais valores efetivamente foram depositados na conta do Recorrente. Ocorre que, apenas os indícios apresentados pelo Sr. Agente fiscal e corroborado pelo Acórdão não são suficientes para ensejar o lançamento tributário, posto que em nenhum momento, no procedimento administrativo correspondente, foi comprovada a veracidade das informações contidas nestes documentos no que tange à efetiva existência das contas ali constantes em nome do Recorrente ou mesmo quanto ao efetivo depósito dos valores declarados nas cartas que foram usadas de supedâneo para a autuação combatida. III. DUPLICIDADE DO LANÇAMENTO. Ora, os valores declarados pelo Recorrente que não foram oferecidos à tributação da pessoa física, são aqueles que o Sr. Fiscal entendeu como constantes das cartinhas emitidas pela suposta fonte pagadora constante do IPL n°2003.61.81.004682O. Desta forma, como a d. autoridade fiscal considerou que os valores informados pelo contribuinte são inferiores aos constantes nas informações da suposta fonte pagadora em suas cartas, não poderia ter adicionado a estes valores aqueles constantes da declaração apresentada pelo Recorrente, incorrendo, assim, em duplicidade de lançamentos. IV. MULTA DE 75%. EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA. REDUÇÃO. Nessa linha de raciocínio, somente poderia ser imputada ao Recorrente uma multa de 75% caso ela tivesse praticado atos com dolo, com o intuito, consciente, de sonegar, o que, de forma alguma, se deu no caso em questão. Ocorre que o Recorrente sempre agiu de boafé, inclusive recolhendo regularmente o tributo efetivamente devido em sua pessoa física. A par disso, a aplicação de multa no valor de 75% configura confisco, em função do montante excessivo em relação à infração tributária. Caso se entenda que a multa seja devida, ainda assim surgem questionamentos. Isto porque a autoridade Recorrida concedeu uma redução de 50% sobre o valor da multa, caso o pagamento do suposto débito fosse efetuado até o vencimento da intimação do auto de infração e de 40% caso fosse requerido o parcelamento do débito no prazo legal de impugnação; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 260 8 V. DA PROIBIÇÃO DE UTILIZAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. Por Fim, ainda deve ser afastada da autuação os juros da taxa SELIC. O § 30, do artigo 192, da Carta Magna veda a utilização de juros em percentual superior a 12% ao ano, sob pena de caracterização de crime de usura. Em face do disposto em referido dispositivo legal, visto que a referida taxa "Selic(utilizada como juros ultrapassa o limite de 12% ao ano estabelecido pela Constituição Federal de 198 a lei que a estabelece é inconstitucional e VI. PRODUÇÃO DE PROVAS . Protesta ainda a Recorrente pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, bem como pela posterior juntada de documentos já requeridos na presente impugnação e mesmo os não requeridos que possam provar os fatos aqui alegados, inclusive daqueles que a autoridade julgadora entender necessários. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. INCONSTITUCIONALIDADES. TAXA SELIC. MATÉRIAS SUMULADAS As matérias trazidas com o presente recurso não mais suscitam dissídio jurisprudencial, tratadas em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações. PRELIMINAR. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. PRESUNÇÃO DA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DUPLICIDADE DO LANÇAMENTO. Tais alegações de erro na sujeição passiva, presunção da determinação da base de cálculo e duplicidade do lançamento, colidem frontalmente com o que consta provado no processo citado da Justiça Federal da 3ª Região, cujo embasamento veio do próprio contribuinte. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 261 9 O interessado declarou e fez constar em processo na Justiça Federal da 3ª Região, fls. 51 a 54, que recebeu esses valores sem prestação de serviço e em cima dessa confissão e via representação fiscal do Ministério Público Federal, fls. 71/72, não restou outra alternativa senão o lançamento sob pena da autoridade fiscal não cumprir o seu dever de ofício ferindo a estrita legalidade das suas funções. Para reverter a premissa que auferiu esses rendimentos somente restaria ao recorrente desfazer as provas que ele mesmo produziu, ou seja, que a sua própria declaração a Justiça Federal da 3ª Região foi inverídica e nesse caso, assumindo as conseqüências pelo falso testemunho em processo judicial federal. Nesse sentido, não consta nesse processo administrativo qualquer prova em contradizendo a prova judicial citada. Ousou o contribuinte alegar nesse processo administrativo que não recebeu os valores, contudo, isso na realidade é uma afronta ao que ele mesmo garantiu em juízo, in verbis: 18. Por sua vez, o sujeito passivo tenta dar aos fatos uma “roupagem” totalmente diferente da forma com que se apresentavam e que, por estarem presentes as provas em direito admitidas tevese por ocorridos os fatos jurídicos tributários. 19. Da atenta leitura dos autos, é de fácil constatação que o impugnante entrou em contradição ao alegar que nunca prestou serviços às fontes pagadoras situadas no exterior. Ocorre que em depoimento prestado na Superintendência Regional em São Paulo do Departamento de Polícia Federal, conforme termo de fls. 51/54, declara que: “o depoente emitia RPA (recibo de pagamento autônomo), deixando de expedir nota fiscal, pois ....”; “QUE, em relação à EXIMCOOP, o pagamento era realizado por meio de depósito em conta corrente, sendo expedida as respectivas notas fiscais; QUE, relativo a GRAINCOOP, o pagamento também se dava por meio de depósito em conta, porém não eram expedidas notas fiscais; questão 7: Através de correspondência assinada por funcionária da EXIMCOOP, Sra. Tania de Francisco, endereçada ao RABOBANK CURAÇAO N.V., nas Antilhas Holandesas, de 02.02.96 (fls. 4 – Apenso X, tradução às fls. 5), a Sra. Tânia enviou àquele banco informação e documentos do depoente, para abertura de conta naquele banco. Pergunto: por que a conta de nº 1000.835, em nome do depoente, foi aberta naquele banco do exterior ? Respondeu que: foi orientado pelo departamento financeiro (não sabe identificar a pessoa) a fornecer seus dados para a EXIMCOOP para que a mesma viabilizasse a abertura de uma conta corrente no exterior”. Ainda, da análise da documentação apresentada não encontramos provas dessa nova versão dos fatos, especialmente, registros contábeis e fiscais que enfrentem e superem as provas postas e que embasaram o lançamento na pessoa física do contribuinte. Sobre a duplicidade de lançamento bem aclarou a autoridade fiscal responsável pela auditoria, fls. 102/103 do Termo de Verificação Fiscal, que diante do fato dos valores não serem coincidentes, valores estes que o contribuinte declara ter recebido conforme Carta citada no item 5 não coincidem nem em data nem em valor, dólares convertidos para Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 262 10 reais, com os que constam no IPL , referentes a autorização de débito na conta bancária da fonte pagadora no exterior em favor de Eduardo Quintana e outros, por coerência lógica são valores distintos que devem ser somados. A alegada duplicidade ocorreria se, ao contrário houve coincidência entre datas e valores, contudo, isso minimante pode ser visto já que as discrepâncias são grandes. Restaria ao contribuinte fazer a prova que os valores indicados na Carta estariam incluídos no IPL, contudo, até este recurso não foi provado. Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. De outro lado, não cabe a autoridade fiscal fazer prova em contrário ao que o próprio contribuinte confessou. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação mas da análise dessas alegações, verificase que nada de concreto foi realmente apresentado ou comprovado. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO Salientamos que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim enganase a impugnante ao reclamar da multa aplicada, pois ela é conseqüência pelo não recolhimento da contribuição, apurada em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. A vedação ao confisco, expressamente contida no art. 150, IV, da Constituição da República, restringese aos tributos, não é extensiva às multas. Sobre o tema, ensina objetivamente Hugo de Brito Machado1: “Em síntese, qualquer que seja o elemento de interpretação ao qual se dê ênfase, a conclusão será contrária à aplicação do princípio do nãoconfisco às multas fiscais. Se prestigiarmos o elemento literal, temos que o art.150, inciso IV, referese apenas aos tributos. O elemento teleológico não nos permite interpretar o dispositivo constitucional de outro modo, posto que a finalidade das multas é exatamente desestimular as práticas ilícitas. O elemento lógicosistêmico, a seu turno, não leva a 1 “Os Princípios Jurídicos da Tributação na Constituição de 1988”, Dialética, 4ª edição, página 107. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16327.004066/200387 Acórdão n.º 2102001.326 S2C1T2 Fl. 263 11 conclusão diversa, posto que a nãoconfiscatoriedade dos tributos é garantida para preservar a garantia do livre exercício da atividade econômica, e não é razoável invocarse qualquer garantia jurídica para o exercício da ilicitude.” Acerca das reduções de multa propostas em fases anteriores do processo administrativo não podem ser garantidas nas fases posteriores. O objetivo desse incentivo é exatamente levar o contribuinte a uma reflexão para este julgue se vale a pena recorrer. Se o contribuinte deixou expirar o prazo de pagamento e optou pelo Recurso, perdeu tacitamente esse direito. Essas reduções estão previstas da Lei no8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 60 e alterações posteriores, onde não há guarida para o pleito do contribuinte. Por último, acerca do pedido de juntada posterior de provas, verificase que o interessado foi intimado em diversas vezes a apresentar documentação e com base nas provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações, contudo, preferiu apenas repetir as mesmas razões sem juntar documentos comprobatórios. Descabe o pedido de juntada posterior de provas quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Novas provas devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 01/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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