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Numero do processo: 11020.003464/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1999
COOPERATIVAS AGRÍCOLAS. BASE DE CALCULO.
As sociedades cooperativas são isentas da contribuição, quanto aos atos cooperativos próprios de sua finalidade (Lei Complementar n° 70/91, art. 6°, inciso I), as demais submetem-se a tributação normal. Restando o fisco demonstrado, a partir da contabilidade mantida pela cooperativa, a parcela efetivamente sujeita à tributação, deve prosperar o lançamento.
PIS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO
Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente revelou-se inferior à apurada pelo Fisco, não abalada pelo recurso trazido, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1999 COOPERATIVAS AGRÍCOLAS. BASE DE CALCULO. As sociedades cooperativas são isentas da contribuição, quanto aos atos cooperativos próprios de sua finalidade (Lei Complementar n° 70/91, art. 6°, inciso I), as demais submetemse a tributação normal. Restando o fisco demonstrado, a partir da contabilidade mantida pela cooperativa, a parcela efetivamente sujeita à tributação, deve prosperar o lançamento. PIS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente revelouse inferior à apurada pelo Fisco, não abalada pelo recurso trazido, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 34 64 /2 00 3- 15 Fl. 627DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Contra a empresa qualificada nos autos, foi formalizado processo de lançamento de oficio da Contribuição para o PIS (fls. 04/13) para os períodos de apuração de janeiro de 1998 a outubro de 1999, no valor total de R$ 323.587,82, tendo em vista que tais valores não foram declarados como devidos nem pagos pela interessada, sendo decorrentes da incidência da aliquota do PIS sobre o faturamento obtido na execução de atos não cooperativos, conforme consta do RPF Relatório de Procedimento Fiscal de fls. 14/21 e demonstrativo de fl. 22, observada a legislação vigente a época dos fatos geradores. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 4.190, de 05/08/2004 da DRJ/Porto Alegre (RS), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 455/460): Trata o presente processo do lançamento de oficio da Contribuição para o PIS (lis. 04/06) dos períodos de apuração de janeiro de 1998 a outubro de 1999, no valor total de R$ 323.587,82 (trezentos c vinte c três mil, quinhentos e oitenta e sete reais e oitenta e dois centavos), tendo em vista que tais valores não foram declarados corno devidos nem pagos pela interessada, sendo decorrentes da incidência da aliquota do PIS sobre o faturamento obtido na execução de atos não cooperativos, conforme consta no Relatório de Procedimento Fiscal de lis. 13/20 e Demonstrativo de fl. 21, observada a legislação vigente a época dos fatos geradores. A interessada impugna tempestivamente o lançamento (li s. 212/231),alegando que todas as operações realizadas pela cooperativa são isentas do pagamento do PIS, por trataremse de atos cooperativos praticados pela cooperativa de produção, exercendo papel de mediadora entre o produtor (cooperado) c o mercado. Alega tratarse de cooperativa de prestação de serviços. O preço contratado entre os compradores dos produtos 6 o mesmo repassado ao associado. Afirma que não procede a afirmação constante do auto de infração de que as receitas decorrentes das operações com não associados constituiriam base de cálculo da contribuição já que tratase de prestação de serviços, e o resultado positivo destas operações não se constitui em receita da cooperativa pois será repassada aos cooperados, aos quais pertence. Alega também que a tributação pretendida fere princípios constitucionais (artigos 5", XVIII, 170, 174, § 2', e 146, "c", III, da Constituição Federal). Cita c transcreve Acórdãos do Conselho de Contribuintes todos versando sobre cooperativas de serviços médicos. Analisa a legislação do PIS, alegando que a Medida Provisória n" 1.212, posteriormente convertida na Lei n" 9.715, de 1998, estabeleceu que as cooperativas seriam contribuintes do PIS sobre a folha de pagamento mensal e também com base no Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11020.003464/200315 Acórdão n.º 3402004.260 S3C4T2 Fl. 628 3 faturamento mensal em relação as receitas decorrentes de operação praticadas como não associados. A Lei n" 9.718, de 1998, que passou a disciplinar o PIS, ampliou ainda mais o campo de incidência da contribuição, porém sem alterar a isenção sobre os atos cooperativos. A partir da Medida Provisória n° 1.858/99, foi revogada a isenção estabelecida pela Medida Provisória n" 1.212 com relação ao PIS/faturamento sobre os atos cooperativos. Alega que, com as exclusões da base de cálculo introduzidas pela Lei 10.676, de 22/05/2003 e pela Lei no 10.684, de 30/08/2003, e vigentes a partir de novembro de 1999, mesmo sem a isenção, resulta em saldo zero a tributar. Protesta pela apresentação de provas, inclusive a pericial. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: Assunto: Contribuição para o P1S/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/10/1999 Ementa: COOPERATIVAS BASE DE CALCULO É devida a contribuição pela Cooperativa nas operações de venda a terceiros que esta realiza, obedecida a legislação de regência c de acordo com os elementos juntados. INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa 6 incompetente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. PEDIDO DE PERÍCIA É de ser negado pedido de perícia, formulado de forma gen6rica, sem os requisitos da legislação, cuja realização seja prescindível para o deslinde do processo administrativo. Lançamento Procedente Contra essa decisão foi interposto o recurso voluntário (fls. 478/502), para reiterar os argumentos da peça impugnatória e preliminarmente, discorrendo sobre os fundamentos que caracterizam o Ato Cooperativo e no Mérito discorre sobre a Tributação do Pis e da Cofins e o Ato Cooperativo; da Nãoincidência da Tributação do Ato Cooperativo até o advento da MP n° 1.858, de 1999. Em suma, após discorrer sobre a natureza jurídica do ato cooperativado, alega que tratase de cooperativa singular de produção, caracterizandose pela prestação direta de serviços aos associados, tendo por objeto "prestar serviços a seus cooperados, recebendo sua produção para armazenar, classificar beneficiar, padronizar, industrializar, registrar para ao final vendêla". Elabora um exemplo de operação, reproduzindo o que consta da peça impugnatória. Ou seja, ela receberia a produção do associado, venderia a um terceiro não associado por determinado preço contratado e posteriormente repassaria tal valor aos associados, excluindo os valores do Funrural, bem como taxas administrativas "necessárias a Fl. 629DF CARF MF 4 manutenção da entidade cooperativa". Em resumo, alega atuar "apenas como representante de seus associados na comercialização de seus produtos", pelo que entende que a comercialização no mercado dos produtos entregues pelos cooperados à Cooperativa não pode ser considerada como operações com não associados, "eis que...estas operações comerciais nada mais são que a prestação do serviço a que se destina a sociedade cooperativa, qual seja, representar seus associados nas relações de mercado, o que demonstra ser claramente a real substância do ato cooperativo". Ao final requer que seja acolhido o recurso e as razões expostas, declarando a insubsistência do auto de infração face ao direito da recorrente excluir da base de cálculo para a tributação de PIS e COFINS os valores atinentes aos rendimentos obtidos nas atividades desenvolvidas com seus associados, decorrentes do ato cooperativo. Pois bem. O recurso chegou a este Conselho e em 20/11/2007, e o então Segundo Conselho de Contribuintes (Quarta Câmara), resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, conforme Resolução nº 204000.500, nos seguintes termos (fls. 591/593): "(...) Alega a empresa ser uma cooperativa de produção, entendendo que as vendas que faz no mercado são operações cooperativadas e, portanto, isenta do PIS. Contudo, compulsando os autos não encontrei as notas de vendas que o Fisco entende serem operações de mercado e a recorrente como atos cooperativados, apenas balancetes. Assim, de modo a formar minha convicção, resolvo baixar o processo em diligência para que o órgão local, em relação às vendas inclusas na base de cálculo da contribuição sob cobrança, as segregue por período de apuração e por CFOP (código fiscal de operações e prestações), informando, também, o CFOP das mercadorias "enviadas" pelos cooperativados à autuada. Juntada aos autos a informação solicitada nesta Resolução, deve o contribuinte ser intimado para que, em querendo, se manifeste exclusivamente sobre os elementos que vierem a ser anexados". Os autos, então, foram encaminhados à IRF em Porto Alegre (RS), para cumprimento da referida Resolução (fl. 594). Quanto ao atendimento da diligência solicitada na Resolução, a IRF em Porto Alegre, em sua Informação Fiscal às fls. 600/607, cumpriu e procedeu as seguintes considerações iniciais: "(...) Em respeito à solicitação de diligência requerida pelo Conselheiro Jorge Freire do CARF, manifestome no sentido de explicar o procedimento fiscal, a partir do qual houve o lançamento ora em discussão. Com respeito, exponho que, para o perfeito entendimento da ação fiscal, bem como para sua correta análise nos colegiados administrativos, é imprescindível conheceremse e se entenderem os conceitos que envolvem as sociedades cooperativas. No Relatório de Procedimento Fiscal de PIS folhas numeradas a mão de 13 a 20 , juntado aos autos nas folhas eletrônicas de 14 a 21, constam todos os conceitos coadunados à fiscalização, bem como os respectivos enquadramentos legais (Lei das Cooperativas)". Cientificada da conclusão da Diligência (Termo com cópia da Informação Fiscal à fl. 617 e Cópia AR Correios às fls. 618, 621 e 622), a Recorrente NÃO se manifestou, conforme Despacho de fl. 625: "Transcorrido o prazo sem manifestação do contribuinte acerca das diligências realizadas, devolvo o processo para prosseguimento do julgamento". Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11020.003464/200315 Acórdão n.º 3402004.260 S3C4T2 Fl. 629 5 Após o cumprimento do disposto na Resolução nº 204000.500, o processo retornou a este CARF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1. Da Admissibilidade dos Recursos Como já verificado quando da Resolução, o recurso satisfaz os requisitos legais de admissibilidade, por isso dele deve ser conhecido. 2. Da relação entre o cooperado e a cooperativa O cerne da questão é a definição do quais seriam os Atos realizados entre a cooperativa e seus associados atosfim (ato cooperativo x atos não cooperativos). A venda praticada pela cooperativa dos produtos recebidos de seus associados é ou não uma operação de mercado? Para ajudar a elucidar esta lide, temos que, conforme define o art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, atos cooperativos são aqueles realizados entre a cooperativa e seus associados ou entre cooperativas, quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais da sociedade; são igualmente conhecidos por atosfim, operações internas, operações privativas dos associados ou negócios cooperativos. Embora impliquem transferência patrimonial, não caracterizam compra e venda ou operação de mercado, não gerando, portanto, resultados positivos (sobras). Vejase: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Conforme consta do Relatório de Procedimento Fiscal (RPF fls. 14/21), sobras é definido como resultado positivo auferido da prática dos atos nãocooperativos intrínsecos, também chamados atosmeio, através dos quais a cooperativa interage no mercado, de acordo com seu objetivo social e perseguindo seu fim (prestação de serviços a associados). Na cooperativa em apreço, por exemplo, originará sobras a colocação, no mercado, dos produtos grãos), comercializados pela cooperativa. Nos arts. 3º e 4º da Lei nº 5.764/71, as cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, tendo por finalidade a prestação de serviços aos associados para o exercício de um atividade comum, econômica, sem objetivo de lucro. Fl. 631DF CARF MF 6 Como bem pontuado pela Informação Fiscal (diligência) elaborada pela fiscalização, que desta forma definiu como Atos Não Cooperativos: "São operações com não associados previstas ou não na Lei n° 5.764/71. São atos jurídicos de natureza civil ou comercial com não associados, correlacionados indiretamente com o objetivo social ou com a finalidade da sociedade (prestação de serviços ao associado para a melhoria da sua situação econômica); geram lucros, portanto, à medida que a sociedade interage no mercado. Esses resultados positivos deverão ser destinados a um dos Fundos constituídos pela sociedade, previstos no artigo 28 da Lei n 9 5.764/71, jamais distribuídos aos associados, sob pena de a cooperativa tornarse uma "sociedade geral", tendo assim tributados seus resultados integralmente. A titulo de exemplificação, citamse as receitas financeiras e ou variações monetárias ativas ou a extinção de uma obrigação sem a correspondente realização de um direito ou ativo da sociedade". Às Cooperativas, não é por outro motivo que a Constituição Federal lhes confere apoio e incentivo na forma da lei (art. 174, § 2°.). É que esse seu objetivo confundese mesmo com os do próprio Estado, afirmados no art. 3° do texto maior. Não obstante, a Carta Magna não especifica como se deva processar esse apoio e esse incentivo, remetendoos à regulamentação por lei. Em especial no tocante aos tributos, ela apenas cria (art. 146, III, c) a necessidade de que tratamento diferenciado, também a ser disciplinado em lei, agora complementar. Consta do RPF que a Recorrente está registrado, no CNPJ, como cooperativa tritícola mista. Recebe os grãos de seus associados (ato cooperativo; de natureza interna, portanto sem qualquer relação com o "mercado", ou seja, com "compra e venda", visando à classificação, beneficiamento, armazenagem e "venda" (aqui sim, comercialização, ato de comércio e ou de "mercado). O fisco tem entendido que desse modo, nestas operações estaria a cooperativa obtendo receitas. Na ausência de norma desonerativa Constitucional, caberia, desse modo, a tributação pelo PIS. Para desqualificar tal pretensão fiscal, tem defendido alguns juristas não haver nestas operações verdadeira operação de mercado; tudo se passaria como se a cooperativa operasse, tal uma corretora, vendendo, em nome dos seus associados, a produção deles recebida. Vão mais longe alguns defendendo que mesmo essa entrega, embora tradição seja, não configura transferência de propriedade dos produtores para a cooperativa. Ocorre que o exame dos demonstrativos contábeis (Listagem de Balancete fls. 33/347) e do Estatuto da sociedade trazidos aos autos (fl. 403/420) não nos permite chegar às conclusões pretendidas pelas cooperativas em suas defesas Assim, vemos que as cooperativas são pessoas jurídicas que operam em seus próprios nomes. Não há qualquer contrato, como nos casos de corretagem, nem disposição estatutária, em que o proprietário da mercadoria autorize a cooperativa a vendêla em seu nome; ao contrário, as vendas são praticadas em nome da cooperativa, que, inclusive, registra as mercadorias recebidas em seu ativo (estoques), baixados quando da efetiva venda praticada. O que assume a entidade é a obrigação de repassar determinados valores previamente acertados com seus associados. Desta forma configuradas as operações da instituição, não vejo como desqualificar os valores recebidos da condição de receitas, como aliás elas mesmas os registram em suas peças contábeis. Igualmente sem base, a meu sentir, que tais operações finais não constituam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto, a teor do parágrafo único do art. 79, acima transcrito. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11020.003464/200315 Acórdão n.º 3402004.260 S3C4T2 Fl. 630 7 Assim, o favorecimento do ato cooperado, preconizado pela CF, pode sim estar perfeitamente garantido pela não incidência de IRPJ e CSLL sobre a parcela que passa a ser de direito dos produtores, estatuída na legislação de regência. Estender essa não incidência ao PIS seria facultado ao legislador; não o fazer, nenhum confronto promoveria ao texto maior. Por conseguinte, as operações finais praticadas pelas cooperativas, consistentes na venda no mercado dos produtos recebidos de seus associados, geram receitas para as instituições que as praticam em seu próprio nome. E como receitas, resta averiguar se são tributáveis. Isto porque, como já disse, a Constituição Federal não previu qualquer norma desonerativa. É, então, a própria legislação reguladora da incidência do PIS que deve dispor sobre a incidência ou não da contribuição sobre as receitas obtidas pela cooperativa. E assim expressamente o fez por meio do art. 6°, I da Lei Complementar (LC) nº 70/91. Efetivamente, sob tal ordenamento jurídico entendemos inteiramente incabível a exigência do PIS sobre as vendas dos produtos recebidos dos seus associados. Para melhor compreensão, transcrevo o citado artigo (grifei): Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação especifica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades. Apenas em reforço, lembrese que a LC 70/91 define como base de cálculo da contribuição o produto da venda de mercadorias ou serviços. Logo, a isenção de que fala tem que, necessariamente, atingir tais receitas específicas. Ora, a isenção acima é, indubitavelmente, direcionada aos atos cooperativos e, sabemos todos, a lei não contém palavras vazias. Entendo que a interpretação do dispositivo é reconhecer que a venda de produtos (receita, portanto) recebidos de seus associados (ato cooperativo) é isenta. Em outras palavras, a isenção alcança a receita que provém da venda de produtos recebidos de seus associados. Em junho de 1999, mediante a 6ª (sexta) reedição da Medida Provisória n° 1.858, com vigência a partir do dia 30 daquele mês, revogouse expressamente essa isenção. Desse modo, entendo que até 30 de junho de 1999, quando entra em vigor a sexta edição da MP n° 1.858, aplicase às cooperativas a isenção conferida pelo inciso I do art. 6° da Lei Complementar n° 70/91. Após essa data, não há mais isenção, sendo tributáveis as receitas obtidas pela cooperativa na venda dos bens recebidos, seja dos cooperados seja de não cooperados. Tal situação volta, no entanto, a mudar, com a edição da 10ª (décima) reedição da mesma MP nº 1.858. É que seu art. 15 previu a exclusão da base de cálculo da contribuição da parcela relativa à venda dos produtos recebidos dos seus associados. Ela entra em vigor em 26 de outubro de 1999; portanto, a partir do mês de novembro de 1999, aquelas cooperativas de produção que venderem apenas bens recebidos de seus associados, embora não mais isentas, não terão o que recolher a título de PIS por força da exclusão conferida. Em decorrência da Medida Provisória nº 1.8587, de 1999, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, foram expedidos os Atos Declaratórios nºs 70, de 1999, e 088, de 1999, estabelecendo o primeiro, em relação as receitas decorrentes de operações praticadas com não associados, que a base de cálculo para as contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Fl. 633DF CARF MF 8 seria determinada conforme o disposto no art. 15 da MP nº 18577, e, o segundo que, as disposições da referida medida provisória seriam aplicadas sobre os fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de 1999. Argumenta em seu recurso a Recorrente que, "(...) Destacase, ainda, mais uma vez, como relevante ao entendimento do caso em concreto, o fato de que a Autoridade Administrativa procedeu com a fiscalização não apenas do período compreendido pelos anos de 1998 e 1999 (objeto dos Autos de Infração, ora impugnados), mas também do período de 2000, 2001 e 2002". Notase que, certamente pelo motivo acima exposto, o auto de infração aqui tratado engloba apenas os períodos de apuração até outubro de 1999. Já quanto a alegadas exclusões introduzidas pelas Leis nºs 10.676 e 10.684, ambas de 2003, tiveram efeitos somente a partir da edição da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999, não alcançando, também, os fatos geradores dos períodos objeto do lançamento que ora se analisa. Em resumo, temos que (i). entre abril de 1992 e 29 de junho de 1999, as cooperativas de produção são isentas do PIS, com respeito às receitas provenientes da venda dos produtos recebidos de seus associados (ATOS COOPERATIVOS) e apenas em relação a estas; (ii). entre 30 de junho de 1999 e 26 de outubro de 1999, não há mais isenção, incidindo a contribuição sobre toda receita das cooperativas, independentemente da origem dos produtos por elas vendidos, e (iii). a partir de 1° de novembro de 1999, continua não havendo isenção, mas as receitas provenientes da venda de produtos recebidos dos associados são excluídas das bases de cálculo da contribuição, o que, na prática, equivale a retornar à situação anterior a julho de 1999. Posto isto, para melhor elucidar a questão, vejase o que a fiscalização consignou em sua Informação Fiscal, quando da solicitação de diligência fls. 606/607 (grifei): "(...) Chamo à atenção que, no demonstrativo da base de cálculo a ser tributada folhas 28 e 29 numeradas à mão e 30 e 31 numeradas eletronicamente , não foram considerados, pelo FISCO, os itens de valores recebidos dos associados, embora registrados como receitas pela cooperativa, por não se caracterizarem como VENDAS e ou RECEITAS da cooperativa, haja vista os atos terem sido praticados "com associados" (natureza interna). A seguir, exponho as rubricas não tributadas pelo PIS: VENDA DE INSUMOS; RECEITAS DE SECAGEM E LIMPEZA; OUTROS SERVIÇOS: análises (...). Ressalto que esses "itens de receita contábil", bem como outros, cujas operações ocorreram entre a "cooperativa e seus associados" não sofreram a incidência do PIS, uma vez que não caracterizam atos de comércio, mas atos cooperativos. Diante do exposto, solicitando atenção e compreensão para os conceitos, antes referidos, e considerando que a constituição tributária formalizada nestes autos foi da CONTRIBUIÇÃO PIS, reitero que a base de cálculo do PIS, além das receitas financeiras, é formada principalmente pelas "vendas". Essas vendas somente aconteceram quando a cooperativa interagiu no mercado ao comercializar seus produtos com não associados, logo, neste procedimento fiscal, as VENDAS DE PRODUTOS AGRÍCOLAS, na sua totalidade, ocorreram para "não associados". Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11020.003464/200315 Acórdão n.º 3402004.260 S3C4T2 Fl. 631 9 Portanto não há "vendas por atos cooperativos" a serem separadas, mas somente vendas em operações de mercado". Portanto, o faturamento decorrente destes atos (vendas em operações de mercado com não associados) é que foram tributados pelo PIS. Correto, portanto, o procedimento da fiscalização, que tomou como base de cálculo faturamento proveniente da venda dos produtos agrícolas, único ato praticado com terceiros, já que, de acordo com os elementos contábeis cujas cópias foram juntadas, bem como consignado na Informação Fiscal de diligência (da qual a Recorrente não se manifestou, mesmo sendo intimada), os demais resultados obtidos pela interessada foram resultantes de suas atividades com os associados. Do Ato Cooperativo entendimento deste CARF Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Contudo, contrariamente à previsão legal, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento de valores a título de PIS e COFINS sobre o montante relativo ao ato cooperativo, devendo, pois, ser desconsiderada, neste aspecto. Salientese que procedeu em contrariedade ao entendimento adotado pelo próprio Conselho de Contribuintes. Reproduz ementas de Acórdãos julgados. De outra parte, os Acórdãos que a interessada reproduziu, referemse todos a Cooperativas de serviços médicos e dão conta que, a época dos fatos geradores dos lançamentos a que se referiam, os resultados das atividades com não cooperados seria tributável. Repisese que a definição do que constituise cm ato não cooperativo consta com clareza do Relatório de Procedimento Fiscal. Ressaltese que a interessada definese como cooperativa de prestação de serviços, esta não é a realidade. De acordo com o seu Estatuto Social tem como um dos objetivos a venda da produção agrícola ou pecuária de seus associados. Numa cooperativa agrícola, como é o caso da Recorrente, essa atividade configurase na colocação do produto do associado (soja, milho, feijão, etc) no mercado, vendendoo, em nome do produtor, a quem estiver interessado em comprálo. Assim, as peças que instruem os autos, quais sejam, os elementos contábeis cujas cópias foram juntadas aos autos, dão conta perfeitamente da identificação das atividades comerciais com terceiros c da base de cálculo da contribuição. E, tendo o Fisco demonstrado, a partir da contabilidade mantida pela cooperativa, o valor da parcela efetivamente sujeita à tributação (conforme consta na Informação Fiscal resultante da diligência fls. 600/607), tais informações são suficientes para o deslinde do litígio, concluindose que o lançamento deve prosperar. Da constitucionalidade da legislação Quanto à alegação de que o lançamento atacaria princípios constitucionais, temse que este CARF não tem competência legal para decidir sobre tal questão, e o contencioso administrativo não é o foro próprio para discussões desta natureza. Fl. 635DF CARF MF 10 É vedado ao CARF se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, nos termos da Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória por parte deste colegiado. Conclusão Face ao todo acima exposto, VOTO por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose na íntegra a decisão recorrida. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11020.003464/200315 Acórdão n.º 3402004.260 S3C4T2 Fl. 632 11 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia ao ilustre relator para divergir do seu entendimento, a respeito da configuração de ato cooperado nos casos em que a cooperativa recebe valores de terceiros (nãocooperados) em razão da comercialização de produtos e mercadorias ou da prestação de serviços por seus associados e a eles repassa. Nessas hipóteses, a cooperativa age como plataforma de operações dos seus cooperados, centralizando a comercialização dos bens e serviços prestados por estes, e a eles repassando os valores auferidos, em conformidade com o art. 79 da lei nº 5764/71. Também, no mesmo sentido, é o entendimento da Receita Federal do Brasil, versado no seu conhecido "Perguntão", que compila o entendimento do órgão para orientar os contribuintes: O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Assim, podemos citar como exemplos de atos cooperativos, dentre outros, os seguintes: 1) a entrega de produtos dos associados à cooperativa, para comercialização, bem como os repasses efetuados pela cooperativa a eles, decorrentes dessa comercialização, nas cooperativas de produção agropecuárias; (...) Notas: O Superior Tribunal de Justiça STJ, no Recurso Especial nº 1.081.747 PR (2008/01797077), tendo como recorrente a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e recorrido a Unimed Guarapuava Cooperativa de Trabalho Médico, tendo como Relatora a Exma. Ministra Eliana Calmon, assim concluiu: 1) equivocados a doutrina e os precedentes do STJ que entendem como ato cooperativo, indistintamente, todo aquele que atende às finalidades institucionais da cooperativa; 2) constituise ato cooperativo típico ou próprio, nos termos do art. 79 da Lei 5.764/71, o serviço prestado pela cooperativa diretamente ao cooperado, quando: a) a cooperativa estabelece, em nome e no interesse dos associados, relação jurídica com terceiros (nãocooperados) para viabilizar o funcionamento da própria cooperativa (com a locação ou a aquisição de máquinas e equipamentos, contratação de empregados para atuarem na áreameio, por exemplo) visando à concretização do objetivo social da cooperativa; e b) a cooperativa recebe valores de terceiros (não cooperados) em razão da comercialização de produtos e mercadorias ou da prestação de serviços por seus associados e a eles repassa. 3) estão excluídos do conceito de atos cooperativos a prestação de serviços por nãoassociado (pessoa física ou jurídica) através da cooperativa a terceiros, ainda que necessários ao bom desempenho da atividadefim ou, ainda, a prestação de serviços estranhos ao seu objeto social; e 4) os atos cooperativos denominados "auxiliares", quando a cooperativa necessita realizar gastos com terceiros, como hospitais, laboratórios e outros mesmo que decorrentes do atendimento médico cooperado, não se inserem no conceito de ato cooperativo típico ou próprio. Fl. 637DF CARF MF 12 Normativo: Lei nº 5.764, de 1971, art. 79 e art.2º da LC nº 130, de 2009; Parecer Normativo CST nº 38 de 01.11.1980, item 3.1. (https://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2013/Capitulo_XVII_So ciedadesCooperativas_2013.pdf , com acesso em 27/06/2017) No mesmo sentido, o Parecer Normativo CST nº 38/1980, em seu item 3.1, deixa absolutamente claro que estão abrigadas da incidência tributária os valores recebidos pela cooperativa decorrentes da prestação de serviços aos seus associados, inclusive recebimento de honorários (já que trata de prestação de serviços), como também pelo recebimento do montante referente à venda de mercadorias produzidas pelo associado, desde que haja o rateio dos custos dessas atividades e repasse dos montantes de acordo com os serviços prestados ou mercadorias vendidas por cada associado. Ora, foi exatamente isso que se deu no caso em tela. Desse modo, a autuação não merece prosperar por duas razões distintas e autônomas: I) Por se tratar a presente situação de ato cooperativo, nos termos da legislação pertinente e diversos pronunciamentos da RFB; e II) Por estar presente no caso hipóteses de nulidade do auto de infração por estar em desacordo com a interpretação oficial da Receita Federal, que deveria ser obedecida e observada pelo fiscal, como condição de validade de sua atividade de fiscalização e lavratura da autuação, visto que sua própria competência se encontra integrada por tais disposições normativas infralegais. Desse modo, voto por DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720194/2015-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 28/05/2010
PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO. IN SRF 228/2002. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE.
Quando todas as provas já estão presentes para a elaboração do auto de infração, não há necessidade do procedimento especial.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL NÃO CORRIGIDO.
Não é possível a submissão dos mesmos fatos, razões e documentos já apreciados definitivamente pela instância administrativa para novo julgamento pela mesma instância administrativa, sem que haja correção do vício material anteriormente reconhecido.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-004.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de imprescindibilidade de instauração do procedimento de fiscalização estabelecido na IN 228/02 para exigência da multa de conversão da pena de perdimento, vencida a Conselheira Lenisa Prado, Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo (item 1.1. do voto). Por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de vício procedimental pelo fato de a Fiscalização ter instaurado o procedimento por meio de Mandado de Procedimento Fiscal e não Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal. Decreto n. 8.303/2014 (item 1.2. do voto). Por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade de auto de infração por falta de intimação às empresas para apresentação das mercadorias, vencida a Conselheira Lenisa Prado, Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, e, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da autuação por vício material não corrigido. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède fará declaração de voto.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora
(assinatura digital)
Walker Araújo - Redator designado
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Walker Araújo, Paulo Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Dérouledè, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Lenisa Prado.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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IN SRF 228/2002. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE. Quando todas as provas já estão presentes para a elaboração do auto de infração, não há necessidade do procedimento especial. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL NÃO CORRIGIDO. Não é possível a submissão dos mesmos fatos, razões e documentos já apreciados definitivamente pela instância administrativa para novo julgamento pela mesma instância administrativa, sem que haja correção do vício material anteriormente reconhecido. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de imprescindibilidade de instauração do procedimento de fiscalização estabelecido na IN 228/02 para exigência da multa de conversão da pena de perdimento, vencida a Conselheira Lenisa Prado, Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walker Araújo (item 1.1. do voto). Por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de vício procedimental pelo fato de a Fiscalização ter instaurado o procedimento por meio de Mandado de Procedimento Fiscal e não Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal. Decreto n. 8.303/2014 (item 1.2. do voto). Por maioria de votos, em afastar a preliminar de nulidade de auto de infração por falta de intimação às empresas para apresentação das mercadorias, vencida a Conselheira Lenisa Prado, Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, e, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 01 94 /2 01 5- 95 Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 898 2 da autuação por vício material não corrigido. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède fará declaração de voto. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Lenisa Rodrigues Prado Relatora (assinatura digital) Walker Araújo Redator designado (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Walker Araújo, Paulo Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Dérouledè, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Lenisa Prado. Relatório A questão tem início na fiscalização promovida sobre as Declarações de Importação registradas pela contribuinte Open Market Comércio Exterior no ano de 2011. A Autoridade Fiscal concluiu que a Open Market (ora recorrente) não era a adquirente dos produtos importados; a real beneficiária das importações seria a contribuinte Glazetech Indústria e Comércio de Produtos Cerâmicos Ltda, solidária nos autos de infração sob julgamento porque teria permanecida oculta ao longo do processo de importação. Por muito bem retratar os fatos narrados nos autos, transcrevo os trechos essenciais constantes do relatório apresentado na sessão de julgamento da impugnação: "A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração à legislação aplicável à matéria com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. A fiscalizada OPEN MARKET COMERCIO EXTERIOR LTDA, registrou durante o período fiscalizado as Declarações de Importação relacionadas às folhas 11 do processo digital. Ao final da ação fiscal restou caracterizado que o real adquirente e beneficiário destas importações foi a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS, responsável solidário no Auto de Infração. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 899 3 Face ao que determina o art. 23, inciso V, c/c o §3°, do Decreto Lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. A empresa OPEN MARKET COMERCIO EXTERIOR LTDA foi cientificada, por via eletrônica, em 05/03/2015 ( folhas 613). A empresa OPEN MARKET COMERCIO EXTERIOR LTDA protocolizou impugnação, tempestivamente em 13/03/2015, na forma do artigo 56 do Decreto n° 7.574/2011, de fls. 617 à 651, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Foi alegado que: DO AUTO DE INFRAÇÃO NULO 120121 PAF 10983 721.283/201214 Em 06/06/2012, a Autoridade Fiscal motivou o lançamento em suposto "dano ao Erário causado pela ocultação do real comprador da mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta, prática punível com a pena de perdimento das mercadorias. No entendimento da Autoridade Fiscal, a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS, que teria permanecido oculta, seria a encomendante das mercadorias objeto da DI acima citada, e o motivo para tal ocultação seria o fato dessa empresa não possuir habilitação no S1SCOMEX, para operar no comércio exterior. O lançamento foi devidamente impugnado pelo contribuinte, em 20/07/2012 e pelo responsável solidário, em 30/07/2012. Em julgamento administrativo de 1ª Instância ocorrido em 12/09/2013, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE deu provimento às impugnações e exonerou o crédito tributário exigido, tendo em vista a ocorrência da nulidade por vício material no lançamento, ante a ausência de análise contábil e financeira das operações que demonstrassem a origem ilícita dos recursos aplicados. Sem recursos, o Processo Administrativo 10983.721283/201214 foi encerrado e arquivado. * O AUTO DE INFRAÇÃO ORA IMPUGNADO (2015) PAF 10983720.194/201595 A Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC instaurou procedimento fiscal de diligência, conforme Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) n. 09252002014 000367. Em cumprimento à intimação, a Impugnante apresentou, de pronto, os documentos contábeis no formato físico, tendo, posteriormente, os apresentado no formato digital e padronizado Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 900 4 exigido pela Receita Federal do Brasil. Quanto aos documentos financeiros, a Impugnante solicitou prorrogação de prazo, porquanto teriam os mesmos de ser confeccionados pelas Instituições Financeiras em uma padronagem específica exigida pela Receita Federal do Brasil, o que impedia o imediato cumprimento da apresentação. Não obstante, foram estes, também, devidamente apresentados e/ou justificados à Autoridade Autuante. Encerradas as diligências, a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC instaurou, em 16/01/2015, procedimento fiscal de fiscalização, conforme Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF) n. 09252002015 000018. Não obstante a regularidade das operações perpetradas pela Impugnante, a mesma teve, novamente, contra si, pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, auto de infração lavrado. O referido auto de infração lançou o mesmo crédito tributário objeto da decretação de nulidade por acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, contando, ainda, com os mesmos fatos e fundamentação legal. A Autoridade Fiscal motivou o lançamento em suposto 'dano ao Erário causado pela ocultação do real comprador da mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta', prática punível com a pena de perdimento das mercadorias que no caso de seu substituise pelo lançamento de ofício de 100% do Valor Aduaneiro das mesmas. Tal como no auto anulado, a Autoridade Fiscal entendeu que a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS, que teria permanecido oculta, seria a encomendante das mercadorias objeto das Dl acima citadas, e o motivo para tal ocultação seria o fato dessa empresa não possuir habilitação no SISCOMEX, para operar no comércio exterior. Conquanto de posse de inúmeros documentos contábeis e financeiros da Impugnante e da empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS , a Autoridade Autuante limitouse a basear o relatório fiscal nos seguintes indícios: proximidade entre as datas de desembaraço, entrada e saída das mercadorias; possível inexistência de conhecimentos de transporte que comprovassem a remessa da mercadoria da Impugnante para a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS; e falta de habilitação desta última empresa nos sistemas da Receita Federal do Brasil para operar no comércio exterior. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 901 5 Impende mencionar que não foi carreado ao novo auto de infração a análise contábil e financeira ou qualquer narrativa acerca da origem, disponibilidade e transferência dos recursos, muito embora sua falta tenha sido apontada como vício material no lançamento anulado. A comprovação da suposta infração deuse pelos mesmos indícios levantados na autuação anterior. Em que pesem os argumentos expostos pela fiscalização, o Auto de Infração e o lançamento da penalidade pecuniária não merecem subsistir, pois permanece eivado de vícios que determinam a sua nulidade — materiais e formais; bem como porque, no mérito, a importação realizada não configura importação por encomenda de terceiros, e sim importação direta da Impugnante. A Autoridade Fiscal não se desincumbiu do ônus de provar as suas alegações e não houve efetivo dano ao erário, sendo descabida a aplicação da pena de perdimento da mercadoria (e a sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro), tudo consoante razões de fato e de direito que se passa a expor. PRELIMINARMENTE * DO VÍCIO MATERIAL NÃO CORRIGIDO O presente auto de infração foi lavrado em substituição a lançamento nulo de credito tributário ocorrido em 2012 acerca dos mesmos fatos ora fiscalizados. A nulidade decretada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza acórdão 0826.653 decorreu de vício material pela ausência de análise contábil e financeira das operação de comercio exterior, necessária à conclusão sobre a origem dos recursos empregados nas importações e sobre a natureza da participação dos agentes nas operação de importação. Transcreve trecho do acórdão exarado no julgamento administrativo de la Instância ocorrido em 12/09/2013. Desta feita, percebese que foi determinante para a decretação da nulidade do lançamento realizado em 2012, relativo aos mesmos fatos objeto da autuação ora impugnada, o fato de a Autoridade Autuante não ter realizado ou exposto a análise contábil e financeira detalhando a relação das partes e dos recursos empregados, sem o que, o lançamento esvaziouse, pois restou apoiado em meros indícios. Não obstante a decretação da nulidade pela ocorrência do vício material, o Órgão Julgador ressalvou o direito do Fisco em lavrar novo auto abrangendo os mesmos fatos fiscalizados — não atingidos pela decadência. E, de fato, novo auto de infração foi lavrado. Todavia, permanece este eivado com o mesmo vício material apontado no passado, posto que a necessária análise contábil e financeira que motivou a decretação da nulidade não foi, novamente, Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 902 6 apresentada, muito embora a autuação seja idêntica àquela que restou anulada. A Autoridade Autuante, após discorrer genericamente sobre as modalidades de importação, procedimento fiscal, ocultação do real comprador, bem como sobre a fiscalização anterior, anulada, e sobre os fatos apurados na presente fiscalização, encerra o relatório fiscal com a constituição de crédito tributário, dispondo expressamente que o lançamento dáse em decorrência de suposto 'dano ao Erário causado pela ocultação do real comprador de mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta'. Ou seja, pelas mesmas razões do auto anterior, anulado. Notese, ademais, que as provas carreadas ao novo auto são as mesmas norteadoras daquele anulado, dentre as quais não se incluiu a análise contábil e financeira, balizadora da decretação de nulidade no passado. No entanto, é evidente que quando o Órgão Julgador ressalvou a lavratura de novo auto de infração, com relação aos fatos não decaídos, tinha se por pressuposto básico que o novo ato considerasse o vício apontado no julgamento anterior, corrigindoo. sob pena de receber o mesmo tratamento dado ao lançamento precedente. Logo, a identidade das autuações (anulada e nova), atrelada à ausência de correção do vício material que no passado ocasionou a nulidade do lançamento, contaminam, de per si, o auto de infração ora impugnado, cujo destino não deve ser diferente: a decretação da nulidade. em respeito à desejável estabilidade dos critérios utilizados pela administração para a interpretação dos textos legais, à confiança e à segurança jurídica! Julgar causas idênticas de forma desigual acarreta imensurável insegurança jurídica, desconfiança e imprevisibilidade na ordem administrativa operante, principalmente considerando que as alterações inseridas no novo auto prestaramse tãosomente a adaptar o relatório fiscal às informações atualizadas dos procedimentos fiscais de diligência e de fiscalização realizados a posteriori do lançamento anulado e dar conta da decretação de nulidade do auto anterior. Diante do exposto e estando o presente auto de infração vinculado ao julgamento do acórdão 0826.653, em especial ao vício material lá apontado e aqui não corrigido, a decretação da nulidade pela mesma razão é medida que se impõe, face à desejável estabilidade dos critérios utilizados pela administração para a interpretação dos textos legais, hem como aos princípios da confiança e segurança jurídica. * A FALTA DO PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO PREVISTO NA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 228/2002 Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 903 7 Notase do relatório fiscal que a Autoridade Autuante lançou o presente crédito tributário por suposto 'Dano ao Erário causado pela ocultação do real comprador de mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta'. Sendo assim, deparandose a fiscalização com a suspeita da prática, em tese, do ilícito tipificado no inciso V do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76 ('ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros'), impõese, por determinação legal, a instauração do procedimento de que trata a Instrução Normativa SRF n 228/2002 (procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas). Notese que, uma vez revelados os indícios referidos pela legislação, a instauração do procedimento especial de fiscalização é obrigatória ('ficarão sujeitas'), com a finalidade de proceder a uma verificação aprofundada dos fatos, não se tratando, pois, de uma faculdade da Autoridade Fiscalizadora. Instaurado o procedimento especial de fiscalização, oportuniza se ao contribuinte fiscalizado demonstrar a regularidade das suas operações de comércio exterior, mediante intimação para comprovar: o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações (artigo 4o da Instrução Normativa SRF n°228/2002). Nessa linha, cumpre ressaltar o disposto no caput do artigo 11 da Instrução Normativa SRF n° 228/2002, que só permite aplicar a pena de perdimento das mercadorias com fundamento no inciso V do artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/1976 depois de concluído o procedimento especial de fiscalização. No caso em apreço não houve a prévia instauração do procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF n° 228/2002 restando a Impugnante cerceada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa, o que determina a nulidade do lançamento. É certo que, se a Autoridade Fiscal tivesse instaurado o procedimento especial de fiscalização, de modo a exaurir a verificação fiscal, não haveria autuação, pois, consoante será demonstrado ao longo desta Impugnação Administrativa, não se configurou simulação, dano ao erário, tampouco interposição fraudulenta, já que não havia o menor interesse ou vantagem na ocultação de quem quer que fosse. * DA FALTA DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DAS MERCADORIAS SUJEITAS A PENA DE PERDIMENTO Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 904 8 Embora conste no processo administrativo fiscal prova da intimação realizada à Impugnante para apresentar as mercadorias, o mesmo não ocorre quanto à empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS ., não obstante a Autoridade Autuante tenha a intimado para outras inúmeras providências, como a apresentação de extratos, notas fiscais, comprovantes de pagamentos, dentre outros. Ou seja, conquanto a fiscalização soubesse da revenda das mercadorias no mercado interno para a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS, pois estava de posse das notas fiscais de saída e, embora esta empresa tenha sido igualmente fiscalizada e responsabilizada solidariamente à infração, não foi a mesma intimada a apresentar as mercadorias ou indicar sua localização. Ao menos, não foi feita prova de tal intimação no processo administrativo fiscal. Desta feita, sem que tenham se esgotado as tentativas de localização das mercadorias, ante a intimação das pessoas jurídicas fiscalizadas, aguardandose suas respectivas respostas dando conta da revenda ou o consumo dos bens (ou inércia), não há que se falar em aplicação da multa substitutiva equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Feitas tais considerações e verificada existência de vício material pela falta de intimação para apresentação das mercadorias sujeitas à pena de perdimento, aplicandose de imediato a multa substitutiva, há que ser declarada a nulidade do auto de infração, até porque, se o Fisco houvesse intimado a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS e esta ainda estivesse de posse das mercadorias fiscalizadas, os efeitos da autuação seriam totalmente distintos, seja em seus aspectos materiais, seja nos processuais. * DO VÍCIO NA FORMAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO Consoante exposto nos fatos, o presente auto de infração emanou da procedimento fiscal de fiscalização materializado no Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF) n. 09252002015000018, instaurado em 16/01/2015. Ocorre que o referido procedimento não observou a forma legal prevista na legislação de regência. É que a partir de 4 de setembro de 2014, os procedimentos fiscais devem ser instaurados por meio de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal — TDPF, e não mais através de Mandado de Procedimento Fiscal. Desta feita, o procedimento fiscal de fiscalização instaurado em face da Impugnante em 16/01/2015. por meio de MPF, não possui a forma legal prevista pela legislação, posto que naquela data a figura do MPF já havia sido excluída do ordenamento jurídico, substituída por forma distinta. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 905 9 Ante o exposto e tendo em vista que o presente auto de infração é proveniente de ato administrativo que não observou a forma legal prevista na legislação, deve ser o mesmo anulado. DO MÉRITO * A INFRAÇÃO IMPUTADA À IMPUGNANTE A mera ocultação de sujeitos sem prova de fraude ou simulação poderia, no máximo, configurar inexatidão de declaração, punível com multa de 1% (um por cento), disposta no art. 711, inciso III c/c § 1°, do Regulamento Aduaneiro. É de extrema relevância esta distinção, uma vez que nas atividades comerciais um dos principais valores de uma companhia são os seus segredos de negócio, ou trade secrets, os quais, exatamente pelo seu grau de confidencialidade e por serem desconhecidos do público em geral, lhe confere vantagens econômicas legais sobre a concorrência, fornecedores e clientes. O mais protegido trade secret de uma companhia é certamente sua lista de clientes e de fornecedores, pessoas sem as quais o negócio se toma inviável. Como os trade secrets são insuscetíveis de registro em Órgãos próprios, pois não se enquadram nos conceitos das Leis de Propriedade Intelectual e Industrial, resta às companhias mantê los reservados e inacessíveis do público em geral, mas, principalmente, da concorrência, dos fornecedores e dos clientes. Logicamente que se o fornecedor conhecer a lista de clientes da companhia, lhe será mais vantajoso economicamente a feitura de negócios diretamente com estes, eliminandose um elo da cadeia e aplicando maiores ganhos. O mesmo se daria se os clientes da companhia conhecessem seus fornecedores — não precisariam mais do intermédio desta, podendo trabalhar com margens mais vantajosas. A fraude pressupõe dolo representado pela vontade de impedir ou atrasar o fato gerador tributário, para obtenção de vantagem pelo agente, seja para evitar o pagamento do tributo, seja para atrasálo. Em outras palavras, só há fraude no âmbito tributário se o sujeito passivo,intencionou não pagar tributo, pagar menos tributo ou retardar o pagamento do tributo, por meio de ação ou omissão dolosa acoimada de fraudulenta. A simulação está legalmente definida no § 1° do art. 167 do Código Civil, mostrandose presente nos negócios jurídicos que 'I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas as quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados'. Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 906 10 Mero procedimento imperfeito praticado (de acordo, entretanto, com a realidade comercial vivida entre as partes), sem que reste evidente a intenção consciente de locupletamento, não se configura como fraude ou simulação. Ou seja, deve estar presente, de forma clara e insofismável, o elemento finálistico e de conexão: a intenção deliberada e dolosa de enganar terceiro. Cabe breve ressalva à parte final do inciso V do art. 23 do Decreto Lei 1.455/76 que trata da interposição fraudulenta como uma das formas possíveis de ocultação mediante fraude ou simulação, com foco nos recursos aplicados no comércio exterior (e reais detentores dos recursos). A interposição fraudulenta tipifica conduta dolosa lesiva ao Estado Aduaneiro concernente na não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Se restar demonstrado que o Importador não detinha capacidade econômica, financeira e operacional para adquirir mercadorias estrangeiras, arcar com o custo da compra internacional e dos tributos, sendo financiado por um terceiro oculto, cuja ocultação é necessária para encobrir crime(s) antecedentes (s), como sonegação, lavagem de dinheiro e/ou descaminho, por exemplo, fica demonstrada a hipótese de interposição fraudulenta comprovada. Na interposição fraudulenta comprovada, o Fisco tem conhecimento de quem é o importador ostensivo e quem é o terceiro oculto, amparandose pelos documentos contábeis e financeiros dos sujeitos, os quais evidenciam que (i) a origem dos recursos era do terceiro oculto; (ii) que o importador ostensivo não detinha disponibilidade sobre tais recursos e; (iii) que a transferência dos mesmos para o exterior/exportador foi promovida pelo terceiro oculto. A legislação previu, ainda, a hipótese de interposição fraudulenta presumida, conforme disposição contida no § 2º do art. 23 do DecretoLei 1.455/76, quando, embora o Fisco não saiba quem é o terceiro oculto, o importador ostensivo não consegue comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Ou seja, para a caracterização de interposição fraudulenta de pessoas no comércio exterior, há de ser assegurado ao contribuinte procedimento especial de fiscalização, onde o mesmo, ciente que o objeto da fiscalização é o recurso aplicado na importação, tem a oportunidade de comprovar a regularidade da operação. No caso concreto dos autos, a Autoridade Autuante motivou o lançamento do crédito tributário e a lavratura do auto de infração ora impugnado no 'Dano ao Erário causado peto ocultação do real comprador de mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta', prática punível com a pena de perdimento das mercadorias que no caso de seu Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 907 11 consumo substituise pelo lançamento de ofício de 100% do Valor Aduaneiro das mesmas. Percebese que a Autoridade Autuante não inseriu o uso de fraude na descrição infração, ou seja, descartou a ocorrência de conduta da fraudulenta por parte da Impugnante e, como conseqüência lógica, descartou, também, a hipótese de supressão ou redução de tributo na operação de comércio exterior. Em que pesem os argumentos da Autoridade Autuante na tentativa de demonstrar a alegada 'ocultação do real comprador de mercadoria estrangeira mediante simulação e interposição fraudulenta', verificarseá que as provas trazidas no auto de infração não são suficientes para caracterizar os elementos do tipo penal da infração imputada à Impugnante, porquanto não existem provas lúcidas e concretas de efetiva ocultação, tal como inexiste prova ou qualquer outra indicação de simulação, dolo e máfé. Ademais, quanto à suposta interposição fraudulenta, além de não se ter respeitado procedimento especial de fiscalização previsto na legislação, como já alegado nas preliminares, a Autoridade Autuante não logrou êxito em comprovar que irregularidade nos recursos empregados nas operações de comércio exterior. * DA FALTA DE PROVAS DA OCULTAÇÃO / DA REGULARIDADE DA IMPORTAÇÃO POR CONTA PRÓPRIA Consoante exposto nos fatos, a Autoridade Autuante concluiu que a Impugnante teria ocultado a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS. Ignorando toda a relação comercial existente entre a Impugnante, seus fornecedores e clientes, entendeu a digníssima fiscalização que as importações tratavamse de uma encomenda de terceiros, e não de uma importação direta da Impugnante, como declarado ao Fisco. Ocorre que a conclusão da Autoridade Fiscal encontrase totalmente equivocada, decorrendo de interpretação distorcida da operação efetivamente praticada e declarada. É inquestionável que todos os contatos com o fornecedor foram sempre feitos pela Impugnante, que negociava preço, descontos, prazo, dentre outras condições comerciais. Fornecedor este prospectado exclusivamente pela Impugnante, desconhecido da empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS , a qual desconhecia, igualmente, os preços praticados na compra e venda internacional e, por conseguinte, a margem de lucro operada pela Impugnante. Dito isso, cumpre destacar que o auto de infração elenca três razões isoladas a fundamentar a aplicação da pesada penalidade, com repercussões, inclusive, na esfera penal: (i) proximidade entre as datas de desembaraço, entrada e saída das mercadorias; (ii) possível inexistência de conhecimentos de transporte que comprovassem a remessa da mercadoria da Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 908 12 Impugnante para a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS, e; (iii) falta de habilitação desta última empresa nos sistemas da Receita Federal do Brasil para operar no comércio exterior ( item 6.3, fls. 20 a 23 do auto de infração). Ora, não parece coerente que uma questão de expropriação do patrimônio do particular em virtude de uma acusação de fraude e simulação, como é o caso do presente processo, seja baseada em indícios, como é o caso das três 'razões' fundamentadoras do auto, sem o mínimo suporte de provas. Para tanto, outros elementos devem ser, obrigatoriamente, considerados. De qualquer forma, os próprios indícios apresentados pela Autoridade Autuante demonstram fragilidade e incerteza quanto ao correto pronunciamento fiscal. Relembrese que a legislação civil exalta que o conhecimento de embarque constitui efetiva prova da propriedade das mercadorias, o que é reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil. Isto é, a partir da data de embarque de mercadorias adquiridas através do INCOTERM FCA, as mesmas são de propriedade do importador, que legalmente as adquiriu e sem qualquer ordem anterior. Investido nesta qualidade, pode, ele, exercer todos os direitos de propriedade; ainda que as mercadorias estejam em trânsito (transit time). Sendo assim, tão logo transferida a propriedade dos bens, que, no caso de compra internacional promovida pelo INCOTERM FCA, ocorre quando a mercadoria é entregue ao transportador contratado pelo importador, pode este último, a partir deste momento, dispor da coisa como lhe aprouver, no exercício dos direitos civis da propriedade. No caso dos autos, impende salientar que o embarque, ou seja a efetiva transferência de propriedade da carga para a Impugnante, ocorreu em data anterior (quase um mês antes) à venda das mercadorias no mercado interno, conforme se constata no Conhecimento de Embarque anexado ao processo administrativo pela Autoridade Autuante. A proximidade das datas de entrada e saída das mercadorias importadas no estabelecimento da Impugnante não caracteriza, necessariamente, a existência de encomenda prévia, porquanto só se admite a encomenda antes da aquisição junto ao fornecedor, e não antes do desembaraço. Ao contrário do que faz crer a Autoridade Autuante, a venda pulverizada nunca foi indicativo de operação mercantil desvinculada de ordem ou encomenda. O vendedor, na qualidade de proprietário dos bens, pode vender um lote integral ou parcial de mercadorias, sem que isso prove ordem ou encomenda anterior. E que apesar de a importação através da modalidade encomenda não se tratar de uma prestação de serviços (assim Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 909 13 compreendida no sentido literal), mas de efetiva operação mercantil de venda de mercadorias, o pagamento do encomendante ao importador normalmente se dá através de uma 'comissão' em percentual equivalente ao valor (FOB ou CIF) das mercadorias, semelhante à contraprestação/remuneração de um serviço. Conquanto não exista um percentual padrão/único, sabese que não costuma atingir mais de 5% (cinco por cento) do valor da mercadoria/operação, até porque se a contratação de importador terceiro acrescer demais o valor da mercadoria a terceirização não será economicamente viável tampouco vantajosa. Considerando o exposto neste tópico, resta evidente que a Impugnante adquiriu diretamente as mercadorias do exportador, suportando os bônus e os ônus de uma importação por conta própria, inexistindo um adquirente prédeterminado para os bens ou mesmo ocultação de quem quer que seja, sendo que nada foi comprovado em sentido contrário. * DA FALTA DE PROVAS DA SIMULAÇÃO. DO DOLO E DA MÁFÉ No caso em enfoque, equivale dizer que a não identificação da empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS haveria de ser dada através de artifício doloso, utilizado pela Impugnante e pela ocultada visando alguma vantagem, um possível ganho tributário, ou, ainda, acobertando uma operação revestida de ilicitude, o que de fato configuraria o dano ao Erário, justificando a pena de perdimento às mercadorias. Se considerado que a vantagem buscada pelas partes seria a ocultação de uma delas do controle aduaneiro, para se 'esquivar' da habilitação nos sistemas da Receita Federal para operar no comércio exterior, como alegou a Autoridade Autuante ('Por meio desse artifício, o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas em nome da fiscalizada, pretende afastar obrigações tributárias principais e acessórias, entre elas não se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior (v. item 1, fl. 8 do auto de infração), é evidente que a mesma Autoridade deve indicar as razões pelas quais uma das partes recearia sofrer tal controle, como por exemplo, o fato de a mesma não possuir capacidade econômica, não possuir capital integralizado, ser empresa de fachada, ter sócios ocultos, ou qualquer outra caracterizadora de irregularidade fiscal). De fato, não se identifica referebilidade entre o que a Autoridade Autuante afirma (ocultação mediante simulação e interposição fraudulenta) e as evidências da ocorrência do fato imputado. Em outras palavras, não é possível verificar no relato fiscal quais seriam as evidências ou documentos que o levaram a concluir que a GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS teria motivos para não se submeter aos Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 910 14 procedimentos de habilitação para atuar no comércio exterior como adquirente. Ademais disso, destaquese que a Autoridade Autuante não cogitou outras 'vantagens' que a Impugnante e a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS buscavam ao encobrir uma a outra, como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, etc.. E nem teria como, pois não existem elementos nos inúmeros documentos contábeis e financeiras das empresas (de posse da Autoridade Autuante) para fundamentar qualquer irregularidade. Não basta apenas ocultar o sujeito passivo, mas há de se fazer mediante fraude ou simulação, que pode se dar por qualquer meio (o legislador não o predeterminou), inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. E, para enquadrarse determinado fato nos conceitos de fraude ou simulação, devese observar, rigorosamente, o âmbito de alcance e aplicabilidade dos institutos. A Impugnante e a empresa o apresentaram ao Fisco sua escrituração contábil regular, mantida com a observância das disposições legais, bem como todos os aspectos contábeis e financeiros da operação engedrada entre as partes. Cabia ao Fisco apontar, com base nestes mesmos documentos, em que momento ocorreu a fraude, a simulação e o dolo dos agentes. Não pode o Fisco, diante de casos que classifica como 'interposição fraudulenta', olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo. Portanto, é obrigação do Fisco comprovar os fatos que embasaram o lançamento tributário, que não pode ser baseado apenas em presunções e/ou indícios, incapazes de determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Ocorre que, no caso em apreço, a fiscalização aduaneira não logrou infirmar a legalidade e a regularidade da operação de comércio exterior praticada pela Impugnante, calcando o Auto de Infração em meras presunções e indícios divorciados de provas das acusações fiscais, de modo que o lançamento não merece subsistir. Com efeito, para concluir que a impugnante teria ocultado a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS , a qual seria a encomendante das mercadorias objeto das Dl fiscalizadas, a Autoridade Fiscal amparouse em meras ilações/conjecturas, furtandose ao ônus da prova que lhe incumbia. Finalmente, urge esclarecer que a inobservância do ônus da prova pela Autoridade Fiscal ganha particular relevo no caso sob análise, eis que a infração prevista no inciso V do artigo 23 Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 911 15 do DecretoLei n° 1.455/1976 (dano ao erário por ocultação do sujeito passivo) pressupõe a fraude ou simulação, eis que descartada a hipótese de interposição fraudulenta presumida prevista no § 2" do mesmo dispositivo, posto que o referido parágrafo não constou na capitulação da infração na autuação. * DESPROPORCIONALIDADE E DESARRAZOABILIDADE DA PENA DE PERDIMENTO A própria Autoridade Autuante descartou a possibilidade de supressão ou redução de tributo na operação de comércio exterior quando consignou que a suposta infração não foi realizada mediante fraude, mas tãosomente simulação. Além dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade que devem nortear a Administração Pública em todos os seus atos, resta violado no caso em apreço também o princípio do não confisco em matéria tributária. A restrição da aplicação da pena de perdimento da mercadoria aos casos em que houver efetivo dano ao erário decorre também da própria garantia individual fundamental do direito de propriedade, insculpida no artigo 5º, caput e inciso XXII, da Constituição Federal. Em verdade, tem se verificado uma certa banalização da pena de perdimento pela fiscalização aduaneira, um verdadeiro desvio de curso na aplicação da norma, vez que, atualmente, qualquer indício de proximidade ente o importador e seus clientes no mercado interno cai na vala comum da interposição fraudulenta" ou "ocultação dos reais intervenientes da operação", com a apreensão e desapropriação das mercadorias da empresa, todas suscetíveis a interpretação. Não é possível aplicar indiscriminadamente a legislação, sem ter em conta a sua finalidade específica, como forma de arrecadar mais, lançandose penalidades confiscatórias em hipóteses que estão fora do campo das práticas que a legislação buscou coibir. Desse modo, inexistindo qualquer prova de fraude, simulação e de dolo, bem como inexistindo qualquer vantagem econômica ou fiscal, o lançamento baseado na infração capitulada no art. 23, V do DecretoLei 1.455/76 não possui base para subsistir. * DA RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO Subsidiariamente, para o caso de os argumentos expostos nos itens anteriores não serem acolhidos, o que realmente não se espera, admitindose apenas por cautela, cumpre lembrar que o artigo 737 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009) prevê a relevação da pena de perdimento nos casos em que a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, como ocorre no caso sob análise. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 912 16 Verificado no caso em apreço que não há intuito doloso, eis que a impugnante e a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS . não auferiram qualquer espécie de vantagem tributária com a operação realizada, é plenamente cabível a relevação da pena de perdimento, aplicandose em seu lugar a multa referida no artigo 712 do mesmo diploma. Portanto, se a conclusão das autoridades julgadoras for pela existência de irregularidade na operação de importação realizada por meio da Declaração de Importação fiscalizada, o que se admite apenas para fins de argumentação, é medida que se impõe a relevação da pena de perdimento (e, conseqüentemente, da multa substitutiva equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria), já que não ocorreu falta ou insuficiência de recolhimento de tributos federais, bem como não houve intuito doloso, substituindose a penalidade aplicada pela multa correspondente a 1 % (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria. * DA PENALIDADE ESPECÍFICA E MENOS ONEROSA Subsidiariamente, para o caso de os argumentos expostos nos itens anteriores não serem acolhidos, o que se admite apenas a título de argumentação, devese destacar que o ordenamento jurídico prevê a penalidade específica a ser aplicada ao importador que realiza operação com ocultação de terceiros. Desta feita, a penalidade aplicada à Impugnante, caso constatada a efetiva prática de infração, o que não se espera, deve ser reduzida para o patamar de 10%, porquanto com o advento da Lei 11.488/2007, esta passou a ser a norma menos onerosa para o contribuinte, amoldandose, a situação e o pleito, à disposição contida na alínea c, do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. Em se tratando de dispositivos legais que tipificam uma única conduta — "ocultação" de intervenientes do comércio exterior fica evidenciado o conflito de normas, uma prevista no Decreto Lei 1.455/76 (art. 23, V) e a outra na Lei 11.488/07 (art. 33), fazendose necessária a observância do princípio da especialidade, o qual impõe a prevalência da norma especial em detrimento da geral. Não bastassem os argumentos baseados do princípio da penalidade menos onerosa, e na mais específica, cabe rememorar que o art. 100 do DecretoLei 37/66 é bastante claro ao impor nas infrações praticadas por mais de uma pessoa, a cada qual deve ser aplicada sua específica penalidade prevista na legislação. Não cabe, portanto, sob a alegação de responsabilidade solidária, penalizar o importador com a penalidade prevista para o adquirente. Portanto, se na interposição fraudulenta (e ocultação mediante fraude ou simulação) exigese a presença de mais de uma pessoa uma ostensiva e outra oculta; se a legislação prevê uma penalidade para o responsável pela operação, o sujeito que Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 913 17 beneficiouse ocultamento, e outra penalidade para o que facilitou a ocultação, fazse mister aplicar o art. 100 do Decreto Lei 37/66 e separar as pessoas e suas penalidades. * DOS REQUERIMENTOS Ante o exposto, requer o recebimento e o processamento da presente Impugnação para que seja declarado nulo o Auto de Infração pelas razões acima expostas, especialmente: I. pela falta de correção de vício material apontado em julgamento de lançamento de penalidade sobre fatos idênticos ao dos autos, por não ter sido oportunizado à Impugnante fazer prova da regularidade da origem, disponibilidade e transferência dos recursos, bem como do vínculo com a pessoa seguinte da cadeia de circulação, procedimento assegurado na IN SRF 228/02; pela falta de intimação do responsável solidário para a apresentação das mercadorias sujeitas à pena de perdimento, antes de ser o perdimento substituído pela multa de 100%; por vício formal no procedimento fiscal de fiscalização, que desrespeitou forma prevista em norma legal e infralegal. Na remota hipótese de interpretarse que os vícios da autuação não o contaminam de absoluta nulidade, o que se admite apenas a título de argumentação, requerse seja o mesmo julgado improcedente e desconstituído o crédito tributário, pelas inúmeras razões expostas acima, quais sejam, de forma resumida: I. pela regularidade da importação por conta própria; II. pela falta de provas de encomenda de terceiros; pelo fato de todo o auto de infração basearse em frágeis indícios isolados; III. pela ausência de prova de simulação ou fraude, bem como da existência de dolo; IV. pela ausência de dano ao Erário; V. pela inexistência de vantagens econômicas ou fiscais em suposta ocultação, e; VI. pela desproporcionalidade e desarrazoabilidade da pena de perdimento. Na remota possibilidade de os argumentos de mérito não serem acolhidos, requerse, a relevação da pena de perdimento, com a aplicação de multa limitada ao percentual de 1% (um por cento), posto que a os fatos narrados na autuação não resultaram e insuficiência de recolhimento de tributos federais. Subsidiariamente, requerse a aplicação de pena máxima de 10% (dez por cento), prevista especificamente para o importador ostensivo. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 914 18 A Impugnante requer, ainda, que lhe seja assegurada a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, inclusive a posterior juntada de documentos porventura não localizados dentro do prazo legal, na forma do artigo 17 do Decreto n° 70.235/1972. A empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS foi cientificada, via eletrônica, em 19/02/2015 ( folhas 819). A empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS não apresentou impugnação. É o Relatório". A Delegacia da Receita Federal do Brasil negou provimento a impugnação apresentada pelo contribuinte, em julgamento que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/05/2010 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme atesta a certidão acostada à folha 849 dos autos, considerase intimado o contribuinte sobre o teor do acórdão proferido pela instância de origem em Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 915 19 17/9/2015, ante o transcurso do prazo da disponibilização do documento na caixa postal do contribuinte Portal eCAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte). Interposto tempestivamente o recurso voluntário em 5/10/2015 (fl.895), os autos do processo administrativo em tela ascenderam a este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Lenisa Rodrigues Prado Em seu recurso voluntário a contribuinte alega, em preliminar, que a autuação padece de vício material insanável, já que existindo apenas indícios de suposta prática delitiva, deveria ter sido instaurado o procedimento especial de fiscalização definido na IN SRF n. 228/2002, para que a origem dos recursos empregados nas importações fossem analisadas e delimitadas as condutas dos agentes das operações. Não atendidos os requisitos específicos do procedimento especial de investigação, é nula a autuação. O recorrente sustenta que a identidade das autuações (a lavrada em 2012 e a que se submete a julgamento), atrelada a ausência de correção do vício material apontado (que ocasionou a decretação de nulidade da autuação passada) ensejam a uniformização das decisões, sob pena de se ferir a confiança e segurança jurídica. Nas palavras da recorrente: "Julgar causas idênticas de forma desigual acarreta imensurável insegurança jurídica, desconfiança e imprevisibilidade na ordem administrativa operante, principalmente considerando que as alterações inseridas no novo auto prestaramse tãosomente a (i) adaptar o relatório fiscal às informações atualizadas dos procedimentos fiscais de diligência e de fiscalização realizados a posteriori do lançamento anulado; (ii) para dar conta da decretação de nulidade do auto anterior, e; (iii) para justificar a discordância à anulação". A contribuinte requer a anulação da autuação no que se refere a incidência da multa substitutiva equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, diante do fato que a empresa Glazetech Indústria e Comércio de Produtos Cerâmicos Ltda não foi intimada a apresentar as mercadorias sujeitas à pena de perdimento. A recorrente alega que o procedimento de fiscalização instaurado em 16/01/2015 não deveria ter sido inaugurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal, mas sim pelo Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), conforme determina o Decreto n. 8.303/2014 e regulamentado pela Portaria RFB n. 1.687/2014, que dispõe: "Art. 2º (Port. RFB 1.687/2014) Os procedimentos fiscais relativos a tributos e ao controle aduaneiro de comércio exterior administrativo pela RFB serão instaurados e executados pelos Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 916 20 AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na forma do art. 7º do Decreto n. 70.235/1972, observada a emissão de: I Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; II Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Diligência (TDPFD), para realizaçaõ de diligência; e III Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal Especial (TDFPE), para prevenção de risco de subtração de prova. Art. 4º. Os procedimentos fiscais serão instaurados após sua distribuição por meio de instrumento administrativo específico denominado Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), previsto no art. 2º do Decreto n. 3.724, de 10 de janeiro de 2001". Quanto ao mérito, a recorrente repisa o argumento que a letra do art. 23, V do DecretoLei n. 1.455/1976 impõe a decretação de pena pela infração que ocorre quando o real importador (ou real adquirente) ocultase propositalmente da fiscalização aduaneira através da facilitação de um importador ostensivo, utilizandose de meio fraudulento ou simulação. Na hipótese dos autos não existe comprovação de dolo, sequer há provas sobre a obtenção de vantagens indevidas em razão da ocultação do real importador. Em suas palavras: "77. Diante do expostos, afirmar que a interposição fraudulenta foi praticada na via efetiva ou direta, com a imputação da infração e respectiva penalidade, significa que o Fisco detém provas inequívocas da ocultação e do dolo (exigível na fraude ou simulação elementos nucleares do tipo infracional), posto que através desta modalidade de apuração o cometimento da infração não é presumível. (...) 82. No entanto, não é exatamente esta a realidade probatória do auto de infração recorrido, em que se verifica a adoção de fundamentos questionáveis para justificar o fim pretendido pela Autoridade Fiscal aplicação de multa substitutiva de 100%, sem o necessário respaldo probatório". A Fiscalização adota a interpretação que a importação tem início no registro da Declaração de Importação. Sobre esse tema, a contribuinte se insurge, pois entende que a operação de importação é composta por várias etapas que precedem o registro, sendo a Declaração de Importação apenas o momento do lançamento do Imposto de Importação. Na opinião da recorrente, a questão temporal para a apuração da infração pela qual foi autuada é irrelevante, porque este aspecto isolado não atesta a ocultação por simulação fraudulenta. O fator apto a determinar punível a conduta da contribuinte está relacionado ao risco empresarial da operação de importação, uma vez que a norma prevista no art. 23 do Decreto Lei n. 1.455/76 presume ocorrida a infração quando não há comprovação de origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Daí conclui que: Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 917 21 "106. Logicamente que, se não há aporte de capital na operação pelo importador ostensivo, a concretização de qualquer dos fatores de risco não lhe será prejudicial, mas sim a quem efetivamente aportou o recurso na operação". Sustenta que a partir da data de embarque de mercadorias adquiridas através da INCOTERM FCA, as mesmas são de propriedade do importador, que legalmente as adquiriu e sem qualquer ordem ou encomenda anterior. Investido nesta qualidade, pode, ele, exercer todos os direitos de propriedade, ainda que as mercadorias estejam em trânsito (transit time) e ainda não tenham sido efetivamente nacionalizadas. Por esse motivo a recorrente aduz que as provas angariadas pela Autoridade Fiscal não são suficientes para demonstrar a efetiva ocultação, pois indicam condutas compatíveis com o ordenamento jurídico e asseguradas pelo direito de propriedade. A recorrente pondera que não há nos autos qualquer esclarecimento sobre os motivos pelos quais a empresa Glazetech Indústria e Comércio de Produtos Cerâmicos não pudesse se habilitar no SISCOMEX, motivo que esclareceria a interposição fraudulenta alegada. A ausência desses esclarecimentos torna inválida a autuação. A resposta da recorrente sobre esse tópico foi: "137. A empresa GLAZETECH Indústria e Comércio de Produtos Cerâmicos Ltda, não possuía habilitação no SISCOMEX pela razão única de não operar no comércio exterior, pois adquiria mercadorias de fornecedores brasileiros, o que é plenamente compatível com o ordenamento jurídico". E continua a prestar os seguintes esclarecimentos: "143. Conquanto sejam nulos os fundamentos inovadores do auto de infração, mas com o intuito de evitar a perpetração do argumento, ressaltamos que a empresa GLAZETECH Indústria e comércio de Produtos Cerâmicos é industrial, o que inviabiliza a alegada quebra na cadeia do IPI. O tributo incidiu na (i) entrada da importação por equiparação industrial; (ii) na saída da Recorrente por equiparação a industrial (mas em vias de ser extinto, ante os recentes julgados de não incidência de IPI na saída de produtos importados) e, (iii) na saída da GLAZETECH (se é que foi dado saída) não por equiparação, mas por ser propriamente empresa industrial, tal como incidiria se esta figurasse como adquirente, quando se equipararia a industrial (momento em que o julgador a quo alega ter sido quebrada a cadeia)". A linha de argumentação subsidiária da contribuinte é pela aplicação do art. 737 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n. 6.759/2009) que prevê a relevação da pena de perdimento nos casos em que a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento dos tributos federais. Traz a conhecimento precedentes lavrados na esfera judicial que determinam, em situações análogas às dos autos, a substituição da pena de perdimento pela multa correspondente a 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. Requer, por fim, a cominação de penalidade específica para o importador ostensivo, nos moldes previstos no art. 33 da Lei n. 11.488/2007, cancelandose a sanção prevista no art. 23, V, do DecretoLei n. 1.455/76. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 918 22 Passamos a avaliar os argumentos contidos no recurso voluntário sob julgamento. 1. PRELIMINARES 1.1. VÍCIO INSANÁVEL. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO ESPECÍFICO IN SRF 228/2002 A recorrente se insurge contra a autuação fiscal sofrida, arrimada no art. 23, inciso V, parágrafo 3º do DecretoLei n. 1.455/1976, com a redação conferida pelo art. 59 da Lei n. 10.637.2002 e art. 73 da Lei n. 10.833/2003, os quais transcrevo: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º. As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto n. 70.235/1972. A norma transcrita espelha a existência de duas presunções, que são: a) presunção de dano ao erário, já que consta no caput do artigo transcrito que presumese a existência de dano ao erário o simples fato de haver a interposição fraudulenta por meio de ocultação do real adquirente da mercadoria importada ou exportada, e; b) a presunção da interposição fraudulenta, esta presumida quando não comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos utilizados nas operações de mercado exterior. Portanto, para que haja dano ao erário, basta a ocultação do real adquirente, que necessariamente deve se concretizar mediante fraude ou simulação, ou então, também presumirseá dano ao erário a interposição fraudulenta, admitida nas hipóteses em que não se consegue comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos valores necessários para as operações1. Na hipótese dos autos, estamos diante da imputação da prática do ilícito consistente na ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação. Para que tal presunção passe do plano da investigação e possa, acertadamente, resultar na sanção imposta ao contribuinte, é necessário que o acervo probatório este de 1 Neste ponto concordamos com a interpretação apresentada pelo Cons. João Carlos Cassuli Júnior, na oportunidade do julgamento do Processo Administrativo n. 10925.721819/201369, que resultou no Acórdão n. 3402002.560. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 919 23 responsabilidade da Autoridade Fiscal Autuante indiquem que efetivamente o real adquirente das mercadorias não seja aquele indicado nos registros próprios das operações de importação. Esta turma de julgamentos acolhe o entendimento que a "Instrução Normativa n. 228/2002 é um procedimento investigatório para a obtenção de provas para comprovação de eventual interposição fraudulenta de pessoas"2. O referido procedimento especial de fiscalização tem por escopo constatar a eventual ocorrência de fraude nas importações, pelos indícios de incompatibilidade entre os valores transacionados e capacidade econômica do importador, com a eventual culminação da pena de perdimento, ou do lançamento da multa substitutiva de perda, nos casos de impossibilidade de localização das mercadorias ou o seu consumo. Por este motivo, me distancio da conclusão adotada pela instância de origem, que limita a importância do Procedimento Especial de Fiscalização nos seguintes contornos: "O procedimento especial de fiscalização escorado na Instrução Normativa n. 228/2002 não é pressuposto para uma autuação fiscal e sim um instrumento para a retenção de mercadorias ao longo do despacho aduaneiro de importação". Em que pese a conclusão da instância de origem ter sido adotada pela unanimidade dos julgadores, entendo que não é possível assentir com a premissa que um Procedimento de Fiscalização tenha por objetivo imediato a retenção de mercadorias, e não a busca pela verdade material dos fatos que resultaram na importação ou exportação dos produtos. A IN SRF 228/2002, além de indicar os deveres da Autoridade Fiscal, também condiciona o acervo probatório mínimo para a efetiva condenação dos investigados. A saber: Art. 4º. Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias: I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. § 1º Os elementos de prova deverão ser apresentados à unidade da SRF de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento matriz da empresa. (...) Parágrafo único. Para fins de comprovar a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, as pessoas que 2 Definição contida no Acórdão n. 3302003.506, proferido no julgamento do Processo Administrativo n. 13971.722501/201176, julgado por esta 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção em 24/01/2017. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 920 24 comparecerem à SRF deverão demonstrar, ainda, que possuem conhecimento dos detalhes das operações em curso e poder decisório para sua realização, bem assim relacionar os nomes das pessoas de contato junto aos fornecedores estrangeiros, indicando os respectivos números de telefone, faz ou endereço eletrônico. Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contáveis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou empréstimo, contendo: a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas e; c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. Da leitura dos artigos e incisos, percebese que a intenção do criador da Instrução Normativa n. 228/2002 é garantir a constitucionalidade de um procedimento de fiscalização, tendo em vista os preceitos constitucionais da ampla defesa e a indispensável conclusão que só se pode apenar alguém mediante a existência de provas da prática do ilícito punível. E essa interpretação é reforçada pela recente edição da IN 1.678/2016, que atesta que o objetivo da IN 228/2002 é fiscalizar operações de comércio exterior que apresente indícios de interposição fraudulenta, pela incompatibilidade dos volumes transacionados com a capacidade financeira e econômica dos agentes. A instrução normativa de 2016 determina que a autuação deve ser calcada em motivação específica portanto, amparada por provas e não permite mais a motivação genérica admitida na instrução de 2002. São conclusões que apresento sobre o que até agora foi exposto: (i) a IN SRF 228/2002 regulamenta a metodologia específica a ser observada pela Autoridade Fiscal na investigação de ocorrência de interposição fraudulenta de pessoas nas operações de comércio exterior; (ii) nesta norma também estão indicadas as provas indispensáveis para a eventual condenação da contribuinte, e que; (iii) a contribuinte foi autuada pela prática de interposição fraudulenta, porém sem ter sido submetida ao Procedimento Especial de Fiscalização. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 921 25 Entendo que tal condenação não deve prevalecer, diante da ausência das provas indicadas como essenciais pela IN SRF 228/2002. Essa falha da Autoridade Fiscal leva a indissociável conclusão que há perecimento ao direito a ampla defesa (inciso LV, do artigo 5ª da Constituição Federal de 1988), bem como afastouse do primado da seara administrativa que é a busca pela verdade material. Existem outras questões relacionadas ao procedimento de fiscalização realizado pela Autoridade Fiscal que serão abordadas no mérito da contenda. 1.2. VÍCIO PROCEDIMENTAL. FISCALIZAÇÃO INSTAURADA POR MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E NÃO TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DECRETO N. 8.303/2014. PORTARIA RFB N. 1.687/2014. Em que pese a lógica perfilhada pela contribuinte que ensejou a conclusão acima, entendo que não merece destaque. Isso porque a lavratura sob julgamento não foi resultado do Procedimento Especial de Fiscalização, como já tratado no tópico anterior. E a utilização indispensável do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPFF) de que trata a Portaria RFB n. 1.687/2014, é previsto no art. 3º da IN SRF 228/2002. Assim, por não ter sido adotado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, não é possível exigirse a utilização de um instrumento próprio daquela forma de investigação. 1.3. INEXISTÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA PARA APLICAR A MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. A instância de origem considerou que: "A adequada interpretação do § 3º do artigo 23 do Decreto Lei n. 1.455/1976 deve ser aquela que preste efetividade à norma: intimar o importador/exportador para que o apresente, ou pelo menos que indique a localização do bem apenado com o perdimento, já que é quem tem ou teve sua posse, além de ser responsável direto ou indireto pela irregularidade na operações de comércio exterior". Há, nos autos, o Termo de Intimação n. 005/2012 (fls. 499/500), endereçado a Open Market Comércio Exterior, para que esta apresente em 20 dias (i) as mercadorias importadas através das Declarações de Importação contidas na tabela lá reproduzida, ou: (ii) na impossibilidade de entrega destas mercadorias, por qualquer motivo, que apresente declaração por escrito dos motivos que justifiquem esta falta. Em resposta (fls. 501) a ora recorrente esclarece que não é possível entregar as mercadorias, porque já haviam sido vendidas no mercado interno. Tal resposta é um resultado lógico de toda defesa promovida pela contribuinte: que importou os produtos e, assim Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 922 26 que esses foram desembaraçados, os vendeu para a contribuinte Glazetech Indústria e, por esse motivo, não detém mais a posse dos produtos importados. E, seguindo esta linha de raciocínio, entendo que o procedimento de desembaraço aduaneiro é uma etapa do controle aduaneiro, que resulta na nacionalização do produto, sendo possível a venda desses produtos ainda dentro do recinto alfandegário. Com bem colocado pelo Cons. Cassuli; "A partir do desembaraço a mercadoria, que já é do importador, passa a ser nacionalizada e pode ser entregue ao seu dono, que passa a ter também a sua posse direta e a respectiva propriedade, que se operou pela tradição da coisa adquirida"3. Assim, não há como se exigir que a importadora Open Market pudesse apresentar as mercadorias por ela importadas mas entregue a quem as adquiriu no mercado interno. Se tal conclusão pudesse ser admitida, chegarseia a inevitável "exigência do impossível", já que a recorrente não detém a posse dos objetos desde o momento em que as vendeu. A inexistência de intimação destinada a Glazetech Indústria e Comércio de Produtos Cerâmicos macula a autuação fiscal porque, apesar de presumir que esta é a real encomendante dos produtos importados, o Fiscal não a intima para apresentar as mercadorias, o que impossibilita a apresentação das mesmas e defesa da contribuinte contra a sanção a que foi apenada. Entendo, por esse motivo, que é de rigor o cancelamento da multa equivalente ao valor aduaneiro, prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei n. 1.455/1976. 1.4. DO VÍCIO MATERIAL NÃO CORRIGIDO. A recorrente afirma que o auto de infração sob julgamento foi lavrado em substituição ao lançamento de crédito tributário declarado nulo pela autoridade administrativa da julgamento em 2012. Afirma que a decretação de nulidade pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza decorreu do vício material pela ausência de análise contábil e financeira das operações de comércio exterior. E assim esclarece: "7. Percebese que foi determinante para a decretação da nulidade do lançamento realizado em 2012, relativo aos mesmos fatos objeto da autuação de cuja decisão de 1º grau ora se recorre, o fato de a Autoridade Autuante não ter realizado ou exposto a análise contábil e financeira detalhando a relação das partes e dos recursos empregados, sem o que, o lançamento esvaziouse, pois restou apoiado em meros indícios. (...) 9. Não obstante a decretação da nulidade pela ocorrência do vício material, o Órgão Julgador ressalvou o direito do Fisco em lavrar novo auto abrangendo os mesmos fatos fiscalizados não atingidos pela decadência. 3 Acórdão n. 3402002.560, já citado. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 923 27 10. E, de fato, novo auto de infração foi lavrado. Todavia, permanece este eivado com o mesmo vício material apontado no passado, posto que a necessária análise contábil e financeira que motivou a decretação da nulidade não foi, novamente, apresentada, muito embora a autuação seja idêntica àquela que restou anulada. (...) 13. Logo, a identidade das autuações (anulada e nova), atrelada à ausência de correção do vício material que no passado ocasionou a nulidade do lançamento, contaminam, de per si, o auto de infração de cuja decisão ora se recorre, cujo destino não deve ser diferente: a decretação da nulidade, em respeito à desejável estabilidade dos critérios utilizados pela administração para a interpretação dos textos legais, à confiança e à segurança jurídica!" (grifos no original) Com efeito, os documentos acostados aos autos remetem à inexorável conclusão que a autuação fiscal sob julgamento corresponde aos mesmos fatos já julgados pela DRJ de Fortaleza no ano de 2012. Naquela oportunidade, a turma julgadora acolheu a impugnação da contribuinte ao constatar a existência de vício material insanável. Por esse motivo, apesar de ser direito do Fisco promover nova fiscalização pelos fatos já sepultados, deveria a nova autuação contar com novos fundamentos jurídicos e mais elementos fáticos aptos a subsidiar a pretensão fiscal. É defeso à autoridade fiscal simplesmente repetir o lançamento, sem que apresente nova e suficiente motivação. A decisão proferida pela Delegacia de Fortaleza tornou os fatos já examinados impossíveis de serem reeditados. Nesse sentido é o Parecere Cosit n. 21/2003, do qual apresento ementa e fragmentos: Ementa: DECISÃO DEFINITIVA PROFERIDA POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO DE 1a INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSULTA AO ÓRGÃO JULGADOR PARA CORREÇÃO DE EVENTUAL INEXATIDÃO MATERIAL. PELO PROSSEGUIMENTO DA COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO PELA DECISÃO. Não cabe revisão, no âmbito da Administração Tributária Federal, do mérito de decisão definitiva proferida por órgão julgador administrativo de primeira instância. Inexistindo a possibilidade de consulta ao órgão julgador que proferiu a decisão definitiva no processo administrativo fiscal, para esclarecimento de eventual inexatidão material na decisão, em face de modificação na estrutura e na competência dos órgãos julgadores administrativos de primeira instância, a unidade competente da Secretaria da Receita Federal Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 924 28 deve dar prosseguimento à cobrança do crédito tributário mantido pela decisão. Excertos: 13. Aliás, o parágrafo único do art. 42 do Decreto no 70.235, de 1972, é cristalino ao afirmar que são também definitivas as decisões de primeira instância administrativa na parte que não estiver sujeita a recurso de ofício. 14. É verdade que o art. 32 do Decreto no 70.235, de 1972, chega a prever a possibilidade de a decisão proferida pelo órgão julgador administrativo ser revista, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a fim de que sejam corrigidas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo [...] 17. A revisão do mérito de decisão administrativa definitiva, além de desprovida de fundamentação legal, ofende o princípio da segurança jurídica que, aplicado ao processo administrativo tributário, proíbe que decisões administrativas finais em matéria tributária, sejam elas favoráveis ou desfavoráveis ao sujeito passivo, possam ser revistas a qualquer tempo. 18. Acerca dessa irretratabilidade das decisões administrativas finais, convém transcrever os ensinamentos do Professor Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 25a Edição, Malheiros Editores, São Paulo, 2000, pág. 626), in verbis: “..., o que ocorre nas decisões administrativas finais é, apenas, preclusão administrativa, ou a irretratabilidade do ato perante a própria Administração. É sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade das relações entre as partes. Por isso, não atinge nem afeta situações ou direitos de terceiros, mas permanece imodificável entre a Administração e o administrado destinatário da decisão interna do Poder Público.” (grifouse) 19. Marcos Vinicius Neder de Lima e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 1a Edição, Dialética, São Paulo, 2002, págs. 353 e 354), ao discorrerem sobre o tema, afirmam o seguinte: “De fato, boa parte da doutrina sustenta que a decisão final no processo administrativo vincula a Administração, mas não o contribuinte que, ainda, pode recorrer ao Poder Judiciário para o controle da legalidade do ato. É por isto que se diz que a decisão formalmente válida que encerra o processo administrativo faz ‘coisa julgada administrativa’, não podendo ser revogada pela Administração.” (grifouse) De maneira similar, Parecer Cosit 8/2014, ao tratar da revisão de ofício, dispôs em seu item 20, o seguinte: Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 925 29 "O verdadeiro fundamento da limitação da revisão do lançamento à hipótese de erro de fato resulta do caráter taxativo dos motivos da revisão do lançamento enumerados no artigo 149 do Código Tributário Nacional e que, como vimos, são, além da fraude e do vício de forma, dever apreciarse “fato não conhecido ou não provado por ocasião de lançamento anterior” (inciso VIII). Significa isto que, se só pode haver revisão pela invocação de novos fatos e novos meios de prova referentes à matéria que foi objeto de lançamento anterior, essa revisão é proibida no que concerne a fatos completamente conhecidos e provados. Assim, acolho o argumento de nulidade apresentado pela Recorrente em preliminar, de modo a concluir não ser possível a submissão dos mesmos fatos e argumentos já decididos para novo julgamento pela mesma instância administrativa. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. Lenisa Rodrigues Prado Relatora Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 926 30 Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado. Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir quanto a necessidade de instauração do procedimento da IN 228/2002 (item 1.1). Isto porque, o escopo da IN 228 é o combate à interposição fraudulenta antes do desembaraço ou da entrega da mercadoria, devendo ser prestada garantia ou retida a mercadoria, nos termos do artigo 7º da IN. Deste modo, o procedimento especial não é pressuposto de fiscalização em revisão aduaneira, mas sim antes da entrega da mercadoria importada ao destinatário. Essa matéria já foi objeto de análise nos autos do processo 13971.722501/201176 (acórdão 3302 003.506), cuja ementa segue abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. PENALIDADES. Verificase que o art. 753, do Decreto nº 6.759/2009, prevê o prazo de cinco anos a contar da data da ocorrência da infração para impor penalidade. PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO. IN SRF 228/2002. AUSÊNCIA DE NECESSIDADE.Quando todas as provas já estão presentes para a elaboração do auto de infração, não há necessidade do procedimento especial. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006, 2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. Quando há envio de depósitos para fechamentos de câmbio, emails e outras provas robustas, fica configurada a interposição fraudulenta de terceiros nas operações de importação. SUBFATURAMENTO/ SUPERFATURAMENTO. O subfaturamento e o superfaturamento ocorre quando os preços declarados nas faturas comerciais não consubstanciam a realidade, sendo que elas passaram por falsificações e há provas, nesse sentido, como a existência de carimbos de fornecedores, emails, notas de débito e de crédito. MULTA PROPORCIONAL AGRAVADA. DOLO. EXISTÊNCIA. O dolo de sonegação fica configurado quando expressamente provado por uma série de provas cabais. Assunto: Imposto sobre a Importação II Anocalendário: 2006, 2007 MULTA REGULAMENTAR DO IPI. VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. AFASTAMENTO. Afastase a multa regulamentar do IPI, equivalente ao valor comercial da mercadoria, quando houver no Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/09 multa com tipificação mais específica. No caso concreto, é o dispositivo que prevê a multa contida no § 1º, do inciso XXII, do artigo Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 927 31 689 do Regulamento, tipificada como infração por dano ao erário, por interposição fraudulenta No mais, adoto como fundamento as razões já explicitadas no acórdão recorrido (vide abaixo), no sentido de que "o procedimento especial de fiscalização escorado na Instrução Normativa n° 228/02 não é pressuposto para uma autuação fiscal e sim um instrumento para a retenção de mercadorias ao longo do despacho aduaneiro de importação": Para o adequado deslinde da questão colocada, é propício uma outra explanação sobre o conceito do procedimento especial de fiscalização normatizado pela IN SRF nº 228/02 e os seus efeitos. Como visto, o objeto de investigação do procedimento especial de fiscalização é a empresa e as operações de comércio exterior por ela realizadas que revelar indícios de incompatibilidade entre os volumes por ela transacionados no comércio exterior e a sua capacidade econômicofinanceira. Destarte, se a fiscalização aduaneira detecta indícios de incompatibilidadentre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa importadora ou outros indícios ou incongruências, o procedimento a ser instaurado é o procedimento especial de fiscalização, implicando na retenção de todos os despachos aduaneiros de importação efetuados pela empresa. O inicio do procedimento especial de fiscalização então é registrado no Sistema de Rastreamento de Atuação de Intervenientes Aduaneiros RADAR para que todas as unidades aduaneiras tenham ciência disso e procedam com a retenção de todo e qualquer desembaraço aduaneiro da empresa a partir desse registro, condicionando o desembaraço ou a entrega das mercadorias na importação à prestação de garantia, até a conclusão do procedimento especial. Cabe destacar que, no que tange à aplicação do procedimento especial de fiscalização (IN SRF n° 228/02), o foco da fiscalização é a prevenção quanto à possível ocorrência de ocultação dolosa do sujeito passivo oculto responsável pela importação. Para tanto, as repartições aduaneiras poderão determinar a submissão da empresa importadora a esse procedimento, em face de premissas claramente definidas, tais como: Cessar imediatamente a atuação das pessoas jurídicas que se utilizam dessa prática irregular, de modo a impedir que os bens, direitos, ou valores oriundos da prática dos crimes relacionados à lavagem de dinheiro venham a se tornar lícitos, por meio de operações de comércio exterior. Esse procedimento possibilitará a reunião dos demais elementos de prova com maior profundidade em momento posterior (inclusive, pela Polícia Federal) ao serem tratados sob o enfoque penal; e Como não é possível definir o universo dos delitos encobertos pela ação de interpostas pessoas, punese o meio de execução (paralisação da operação de importação e empresa), sempre no intuito de atingir o maior número possível de infratores, conforme o fundamento descrito no item acima. Esse é o escopo do procedimento especial de fiscalização. Um instrumento legal à disposição da fiscalização aduaneira para repressão de operações de importação oriundas da prática de interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 928 32 As intimações à empresa importadora feitas no âmbito do procedimento especial de fiscalização tem por objetivo confirmar ou não às suspeitas da fiscalização aduaneira quanto a existência de prática de interposição fraudulenta de terceiros que tem o dever de combater. Entendendo que essas irregularidades são presentes, por força do artigo 11 da IN SRF nº 228/02, será proposta a pena de perdimento: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizadaa condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Parágrafo único. Nas hipóteses previstas nos incisos I e II do caput, será ainda instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Grifo Nosso) A incidência da pena de perdimento e posterior substituição pela incidência da multa equivalente ao valor aduaneiro não está atrelada ao prazo do procedimento especial de fiscalização. Pelo contrário, só ocorrem após sua conclusão, a luz do artigo 11 da IN SRF nº 228/02. Proposta a pena de perdimento e a sua consequente substituição pela multa equivalente ao valor aduaneiro, na forma do §3º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76 – procedimento que será explanado alhures , a exigência do crédito tributário seguirá o rito do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011 ( que substituiu o Decreto n.º 70.235/72). Essa explanação foi necessária para evidenciar também que o prazo estabelecido no artigo 9º da IN SRF nº 228/02 – noventa dias – diz respeito à conclusão do procedimento especial de fiscalização, e não ao rito da propositura da pena de perdimento em decorrência de determinação expressa do artigo 11 da IN SRF nº 228/02. Assim, a ação da fiscalização aduaneira responsável pela aplicação do procedimento especial de fiscalização (IN SRF n° 228/02) tem por fulcro a retenção de despacho aduaneiro de importação sob suspeita de prática de interposição fraudulenta de terceiros. Caso as suspeitas da fiscalização se confirmem, a Instrução Normativa n° 228/02 disciplina o modo de agir com vistas à aplicação da pena de perdimento, conforme o artigo 11 acima transcrito Por conseguinte, o procedimento especial de fiscalização escorado na Instrução Normativa n° 228/02 não é pressuposto para uma autuação fiscal e sim um instrumento para a retenção de mercadorias ao longo do despacho aduaneiro de importação. Atrelar a presente ação fiscal – que por si só já trouxe elementos próprios para a lavratura do Auto de Infração – à realização da Instrução Normativa n° 228/02 é desconhecer o real propósito desse instituto. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 929 33 Por tais motivos, negase a preliminar suscitada no tópico "1.1" . É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado. VOTO VENCEDOR Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Redator Designado. Com devido respeito às razões da ilustre relatora, divirjo quanto à conclusão sobre os efeitos da inexistência de intimação válida à Glazetech para apresentação de mercadorias sujeitas à pena de perdimento. Conforme exposto no Relatório de Ação Fiscal, houve intimação à importadora e primeira adquirente das mercadorias para apresentação das referidas, tendo sido respondida pela ora recorrente, que as mercadorias já foram consumidas no mercado interno, de acordo com a resposta abaixo: “Com relação a solicitação no TERMO DE INTIMAÇÃO No. 005/2012 MPF No. 0925200.2011.0001672: informarmos que as mercadorias referentes as DI mencionadas no item 2, não estão em nosso estoque em virtude de terem sidos vendidas, de acordo com as notas fiscais de venda enviadas a esta fiscalização nas intimações anteriores. As mercadorias inclusive já foram consumidas no mercado interno Sendo o que tínhamos, nos colocamos a disposição para eventuais esclarecimentos.” A respeito, esclareceu a decisão recorrida: "A redação do §3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 autoriza o entendimento de que se o importador não tem mais a posse do bem devido a sua revenda pode se dizer que é uma situação análoga ao consumo desse bem ou até mesmo a sua não localização, nos moldes dado pela redação do caput do o artigo 73 da Lei nº 10.833/03, não exigindo o legislador qualquer outra cautela por parte da fiscalização para que se tenha a alternância de ritos procedimentais." A fiscalização afirmou a impossibilidade de se apreender as mercadorias, fato este que não foi contestado pela Glazetech, que era, segundo a recorrente, quem poderia deter a posse dos bens, reputandose verdadeira a impossibilidade de apreensão, fato alegado e não contestado por quem competia opor tal argumento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Declaração de Voto Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 930 34 Concernente à preliminar II.I.I VÍCIO MATERIAL NÃO CORRIGIDO, razão cabe à recorrente. A primeira fiscalização, que gerou a autuação declarada nula pela DRJ pelo Acórdão 0826.653 por vício material, foi alicerçada no relatório de efls. 673 a 690, juntado na impugnação, no qual se constata que os tópicos 5.2 Dos Procedimentos de Ocultação do Real Comprador, 5.2.1 Proximidade das datas de desembaraço, entrada e saída de mercadorias, 5.2.2 Entrega da mercadoria diretamente no adquirente, 5.2.3 Falta de habilitação para operar no comércio exterior das adquirentes, 6. Das infrações apuradas e penalidades aplicáveis, 7 Da responsabilidade por infrações e solidariedade possuem, praticamente, o mesmo conteúdo acusatório do Relatório Fiscal produzido na autuação deste processo ora em julgamento, cujos tópicos, de mesma nomenclatura, correspondem aos itens 6.3, 6.3.1, 6.3.2, 6.3.3, 7 e 8 Para exemplificar, transcrevese excerto do item 6 relatório de 2012: "Com base nas informações constantes nas DI’s da Tabela 1 registradas no SISCOMEX em nome da fiscalizada, nas notas fiscais de entrada e de saída das mercadorias importadas, nos extratos das contas correntes bancárias da fiscalizada e adquirente, nos livros e demonstrações contábeis da fiscalizada, nas bases de dados da RFB (SISCOMEX, e RADAR), restou por demonstrado que a empresa OPEN MARKET COMERCIO EXTERIOR LTDA, mediante simulação e interposição, importou por encomenda de terceiro oculto das relações obrigacionais tributárias formadas. Cabe asseverar que a fiscalizada não cumpriu nenhum dos requisitos legais para realizar importações por encomenda predeterminada de terceiros. Desse modo, na medida em que constou no Siscomex e em toda documentação analisada como se tivesse realizado importações por conta própria, ocultou da fiscalização aduaneira a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS CERAMICOS LTDA, real adquirente das mercadorias objeto das DI’s constantes na Tabela 1, registradas em seu nome." O item 7 do relatório deste processo reproduziu o mesmo conteúdo: 7. DAS INFRAÇÕES APURADAS E PENALIDADES APLICÁVEIS Com base nas informações constantes nas DI’s da Tabela 1 registradas no SISCOMEX em nome da fiscalizada, nas notas fiscais de entrada e de saída das mercadorias importadas, nos extratos das contascorrentes bancárias da fiscalizada e adquirente, nos livros e demonstrações contábeis da fiscalizada, nas bases de dados da RFB (SISCOMEX, e RADAR), restou por demonstrado que a empresa OPEN MARKET COMERCIO EXTERIOR LTDA, mediante simulação, importou por encomenda de terceiro oculto das relações obrigacionais tributárias formadas. Cabe asseverar que a fiscalizada não cumpriu nenhum dos requisitos legais para realizar importações por encomenda Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 931 35 predeterminada de terceiros. Desse modo, na medida em que constou no Siscomex e em toda documentação analisada como se tivesse realizado importações por conta própria, ocultou da fiscalização aduaneira a empresa GLAZETECH INDUSTRIA E COMERCIO DE PRODUTOS CERAMICOS LTDA, real adquirente das mercadorias objeto das DI’s constantes na Tabela 1, registradas em seu nome." Verificase, na realidade, que a única diferença entre os relatórios é que no atual, o auditor rebateu as conclusões obtidas no processo anterior anulado, quanto à necessidade de comprovação da origem dos recursos empregados na operação, sem, contudo, alterar os fatos e as razões da acusação anterior. Em que pese ter ficado evidente para mim que a acusação não foi de importação por conta e ordem, mas sim de importação por encomenda, e, portanto, seria, em princípio, desnecessária a prova da transferência de recursos, já que em nenhum momento houve acusação de adiantamento de recursos, os fatos novamente autuados correspondem aos mesmos fatos já julgados no processo anterior, que fora anulado por vício material, sendo imperioso que uma nova autuação tivesse sido lastreada em novos fundamentos fáticos e/ou jurídicos, sendo defeso à autoridade fiscal simplesmente repetir o lançamento sem que tenha havido nova motivação. Houve coisa julgada material administrativa quanto à interpretação dos fatos objeto do lançamento, ainda que, a meu ver, equivocada. Em sentido semelhante, Parecer Cosit nº 21/2.003: Ementa: DECISÃO DEFINITIVA PROFERIDA POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO DE 1a INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSULTA AO ÓRGÃO JULGADOR PARA CORREÇÃO DE EVENTUAL INEXATIDÃO MATERIAL. PELO PROSSEGUIMENTO DA COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO PELA DECISÃO. Não cabe revisão, no âmbito da Administração Tributária Federal, do mérito de decisão definitiva proferida por órgão julgador administrativo de primeira instância. Inexistindo a possibilidade de consulta ao órgão julgador que proferiu a decisão definitiva no processo administrativo fiscal, para esclarecimento de eventual inexatidão material na decisão, em face de modificação na estrutura e na competência dos órgãos julgadores administrativos de primeira instância, a unidade competente da Secretaria da Receita Federal deve dar prosseguimento à cobrança do crédito tributário mantido pela decisão. Excertos: 13. Aliás, o parágrafo único do art. 42 do Decreto no 70.235, de 1972, é cristalino ao afirmar que são também definitivas as decisões de primeira instância administrativa na parte que não estiver sujeita a recurso de ofício. 14. É verdade que o art. 32 do Decreto no 70.235, de 1972, chega a prever a possibilidade de a decisão proferida pelo Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 932 36 órgão julgador administrativo ser revista, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a fim de que sejam corrigidas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo [...] 17. A revisão do mérito de decisão administrativa definitiva, além de desprovida de fundamentação legal, ofende o princípio da segurança jurídica que, aplicado ao processo administrativo tributário, proíbe que decisões administrativas finais em matéria tributária, sejam elas favoráveis ou desfavoráveis ao sujeito passivo, possam ser revistas a qualquer tempo. 18. Acerca dessa irretratabilidade das decisões administrativas finais, convém transcrever os ensinamentos do Professor Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 25a Edição, Malheiros Editores, São Paulo, 2000, pág. 626), in verbis: “..., o que ocorre nas decisões administrativas finais é, apenas, preclusão administrativa, ou a irretratabilidade do ato perante a própria Administração. É sua imodificabilidade na via administrativa, para estabilidade das relações entre as partes. Por isso, não atinge nem afeta situações ou direitos de terceiros, mas permanece imodificável entre a Administração e o administrado destinatário da decisão interna do Poder Público.” (grifouse) 19. Marcos Vinicius Neder de Lima e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 1a Edição, Dialética, São Paulo, 2002, págs. 353 e 354), ao discorrerem sobre o tema, afirmam o seguinte: “De fato, boa parte da doutrina sustenta que a decisão final no processo administrativo vincula a Administração, mas não o contribuinte que, ainda, pode recorrer ao Poder Judiciário para o controle da legalidade do ato. É por isto que se diz que a decisão formalmente válida que encerra o processo administrativo faz ‘coisa julgada administrativa’, não podendo ser revogada pela Administração.” (grifouse) De maneira similar, o Parecer Cosit nº 8/2.014, ao tratar da revisão de ofício, dispôs em seu item 20, o seguinte: "O verdadeiro fundamento da limitação da revisão do lançamento à hipótese de erro de fato resulta do caráter taxativo dos motivos da revisão do lançamento enumerados no artigo 149 do Código Tributário Nacional e que, como vimos, são, além da fraude e do vício de forma, dever apreciarse “fato não conhecido ou não provado por ocasião de lançamento anterior” (inciso VIII). Significa isto que, se só pode haver revisão pela invocação de novos fatos e novos meios de prova referentes à matéria que foi objeto de lançamento anterior, essa revisão é proibida no que concerne a fatos completamente conhecidos e provados. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10983.720194/201595 Acórdão n.º 3302004.122 S3C3T2 Fl. 933 37 [...] Diante do exposto, voto para dar provimento à preliminar de nulidade alegada pela recorrente, discordando da possibilidade de nova apreciação sobre os mesmos fatos e razões já definitivamente apreciados na via administrativa. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 933DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.000952/2001-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91.
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005.
Numero da decisão: 9101-002.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento,com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento,com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento,com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 09 52 /2 00 1- 17 Fl. 309DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado pela apresentação de Pedido de Compensação em 18/04/2001 (fls. 2), com a identificação de crédito de saldo negativo do ano de 1995. O contribuinte ainda identificou débitos a compensar (fls. 3). A Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto não homologou as compensações, pelas razões seguintes (fls. 101): O contribuinte acima identificado protocolou, em 18/04/2001, pedido de restituição do saldo negativo da CSLL apurado em 31/12/1995, no valor de R$ 85.688,12 saldo atualizado até a data do protocolo, conforme planilha de fls. 02. Juntou cópia da Declaração de Rendimentos IRPJ do exercício 1996, onde apurou saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 143.620,30 (fls. 14) Apresentou Pedidos de Compensação, juntados ás fls. 57, 58, 59, 61, 62, 64, 69, 70, 71, 74, 76, 77, 78 e 79. Os débitos discriminados nesses Pedidos de Compensação estão devidamente cadastrados no PROFISC, conforme Extrato de Processo de fls. 87 a 91. Consta no Extrato do Processo o cadastro dos débitos do PIS e da COFINS referente ao período de apuração maio de 2002, sem que conste nos autos o correspondente Pedido de Compensação. Em pesquisa no sistema DCTF, verificase que houve a referida compensação de tais débitos com créditos do presente processo, conforme documentos de fls. 83 e 84. Portanto, mantido o controle de tais débitos no presente processo. Por força do disposto no § 4 9 do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (...) No caso da CSLL, a apuração do saldo a pagar dise no encerramento do período base, ou seja, em 31/12/1995, sendo cotejados os valores da contribuição devida e os valores pagos por antecipação recolhimentos por estimativa durante o período base. O crédito tributário, nessa data, é extinto conforme o disposto no art. 156, VI, do CTN, acima transcrito. Portanto, o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, para que o contribuinte exerça seu direito de pleitear a restituição de seu crédito, ocorreu em 31/12/2000, nos termos do disposto no art. 168, I, do CTN. O protocolo do pedido após essa data não gera direito restituição do indébito tributário. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13804.000952/200117 Acórdão n.º 9101002.885 CSRFT1 Fl. 310 3 Do exposto, proponho o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação das Declarações de Compensação objeto dos processos administrativos e pedidos eletrônicos relacionados na planilha anexa. (...) Com base na competência delegada pelo art. 41, da Instrução Normativa SRF no 600, de 2005, e de acordo com o parecer retro, que aprovo, INDEFIRO o pedido de restituição do saldo negativo da CSLL do anocalendário 1995, por pleiteado após o decurso de prazo previsto no art. 168, I do CTN, e NÃO HOMOLOGO as compensações declaradas nas Declarações de Compensação e PER/DCOMP eletrônicas, relacionadas na planilha anexa. Após a apresentação de manifestação de inconformidade (fls. 110), a Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto deu parcial provimento ao pedido do contribuinte (fls. 178), para considerar inexistente o direito creditório quanto ao ano de 1995, mas considerando homologadas tacitamente as algumas das compensações apresentadas (fls. 57, 58, 59, 61, 62, 65, 69, 70, 71, 74, 77 e 78). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar n° 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 1995 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. Os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 são convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação a que se refere. Transcorridos cinco anos do protocolo da DCOMP, a compensação está tacitamente homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Fl. 311DF CARF MF 4 É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Solicitação Deferida em Parte O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 202), que foi acolhido pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), para o ano calendário encerrado em 1995, o direito para restituir iniciase após a entrega da DIPJ e para compensar iniciase em abril de 1996. (Lei n° 8.981/95, art. 40, c/c Lei n° 9.065/95, art. 1 0; IN SRF 51/95 AD SRF 03/2000). Destaco trecho do voto condutor do acórdão proferido pela Turma de origem: No caso presente, a entrega da DIPJ ocorreu em 30/04/1996 (fls. 04) e o pedido de restituição relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário 1995, foi formalizado em 18/04/2001 (fl. 01), dentro portanto do lapso decadencial de 5 anos previsto pelo Código Tributário Nacional, cujo dies a quo se iniciou somente em 01/05/1996. Destarte, reconheço como tempestivo o pedido de restituição formulado pela recorrente. Deixase de examinar os fundamentos da denominada tese dos 5+5 anos, pela qual a decadência do direito de repetir o indébito somente ocorre 05 (cinco) anos após a homologação tácita, tendo em vista o acolhimento da pretensão da recorrente em relação a tese anteriormente exposta. Por outro turno, os valores não se encontram incontroversos como afirma a recorrente, devendo o pedido retomar à repartição de origem para que seja analisado o valor e a exatidão do direito credit6rio pleiteado, levandose em conta os valores que já foram tacitamente homologados, conforme decisão de primeira instância. Ante o exposto, voto para dar provimento integral ao recurso voluntário, reconhecendo a tempestividade do pedido de restituição, sem embargo da análise da exatidão do direito creditório por parte da repartição de origem. A Procuradoria foi intimada em 30/06/2010, apresentando recurso especial em 01/07/2010 (fls. 239), divergência na interpretação da lei tributária, indicando como paradigmas os acórdãos: Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13804.000952/200117 Acórdão n.º 9101002.885 CSRFT1 Fl. 311 5 i) 10196.202, no qual consta que "O prazo para que o contribuinte possa pleitear restituição de saldos negativos de IRPJ apurados anualmente extinguese após o transcurso do período de cinco anos, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte ad do encerramento do período de apuração." ii) 10809.419, do qual se extrai: "O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário — arts. 165, I, e 168, I, da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966" O recurso especial foi admitido por decisão da então Presidente da 4ª Câmara quanto ao segundo paradigma (fls. 265): Considerandose a particularidade acima narrada, relacionada a decisão recorrida, o primeiro paradigma não serve à demonstração da divergência vez que tratou de contexto fático que não se assemelha ao tratado por aquela, especificamente porque o direito creditório decorre de saldo negativo apurado no anocalendário 1997, não ao final de 1995, conforme acusa o relatório do respectivo voto condutor: " ...Referida solicitação foi instruída com PEDIDO DE RESTITUIÇA0 (fls. 01), relativo ao saldo negativo de 1RPJ do anocalendário de 1997'. Quanto ao segundo paradigma, referese a direito creditório decorrente de saldo negativo apurado ao final do anocalendário 1995, como bem lembrado pela ilustre Procuradoria da Fazenda Nacional. A divergência resta comprovada, vez que na ocasião entendeuse que a contagem dos 5 (cinco) anos iniciavase a partir de 01/01/96, não após a data de entrega da declaração de rendimentos, como estabelecido no acórdão recorrido. (...) Com fundamento nas razões expostas, nos termos dos art.18, III, c/c art.68, §1°, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ADMITO o recurso especial interposto. O contribuinte foi intimado para apresentar contrarrazões sustentando que o início do prazo para restituição é a data da entrega da DIPJ em que apurado saldo negativo, requerendo a manutenção do acórdão recorrido por suas razões (fls. fls. 269/277). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Fl. 313DF CARF MF 6 O recurso especial é tempestivo e foi demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, conforme razões da Presidente de Câmara para seu conhecimento, que adoto. Passo à análise do mérito. A Procuradoria sustenta que "o dies a quo para a contagem do prazo decadencial do pedido de restituição em caso de saldo negativo de CSLL/IRPJ é o primeiro dia seguinte ao encerramento do exercício. Por outro lado, o acórdão recorrido considerou como termo inicial para a contagem do prazo o mês de abril do anocalendário subsequente aquele em que houve saldo negativo (abril/1996)". Portanto, discutese a interpretação do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional, que prevê: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Em suas razões recursais, ainda sustenta que este dispositivo legal teve interpretação conferida pelo artigo 3º, da Lei Complementar nº 118/2005, que prescreve: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Colacionase, ademais, o artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, que estabelecia que: Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ao assim dispor, o citado artigo 4º tinha por finalidade atribuir eficácia retroativa à inovação veiculada pelo artigo 3º. Com efeito, o artigo 106, do Código Tributário Nacional é nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; O Supremo Tribunal Federal decidiu em sessão do Pleno, aplicando a sistemática do artigo 5453B, do Código de Processo Civil, que: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13804.000952/200117 Acórdão n.º 9101002.885 CSRFT1 Fl. 312 7 PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Tribunal Pleno, Recurso Extraordinário nº 566.621, DJe 10/10/2011, Rel. Ministra Ellen Gracie) Os Conselheiros deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais devem reproduzir as decisões do Supremo Tribunal Federal, tomadas com fundamento no artigo 543 B, do antigo CPC/1973, na forma do artigo 62, §2º, do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015), verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 315DF CARF MF 8 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sobreleva considerar, ainda, que a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/06 pode ser proclamada por este Colegiado em observância ao próprio RICARF (Portaria MF nº 343/2015), termos do artigo 62, §1º, I e II, alínea b: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; O citado dispositivo regimental encontra fundamento no artigo 26A, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Pois bem. Diante disso, entendo necessário adotar o entendimento do STF no julgamento acima, que reconheceu: (i) que a LC 118/2005 não é interpretativa, tendo alterado o prazo para restituição de indébito de 10 anos, para 5 anos (do pagamento indevido). Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13804.000952/200117 Acórdão n.º 9101002.885 CSRFT1 Fl. 313 9 (ii) a segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/05, é inconstitucional; (iii) o novo prazo para restituição de indébito (5 anos) só seria aplicável às ações ajuizadas a partir de 9/06/2005. Cumpre destacar, ainda, que o CARF aprovou Enunciado de Súmula em sentido similar, dispondo que: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso destes autos, a Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para afastar a decadência quanto ao saldo negativo de 1995 com pedido de restituição apresentado em 18/04/2001. Nesse sentido, destaco trecho do acórdão recorrido: No caso presente, a entrega da DIPJ ocorreu em 30/04/1996 (fls. 04) e o pedido de restituição relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário 1995, foi formalizado em 18/04/2001 (fl. 01), dentro portanto do lapso decadencial de 5 anos previsto pelo Código Tributário Nacional, cujo dies a quo se iniciou somente em 01/05/1996. Destarte, reconheço como tempestivo o pedido de restituição formulado pela recorrente. Deixase de examinar os fundamentos da denominada tese dos 5+5 anos, pela qual a decadência do direito de repetir o indébito somente ocorre 05 (cinco) anos após a homologação tácita, tendo em vista o acolhimento da pretensão da recorrente em relação a tese anteriormente exposta. O recurso especial da Procuradoria não se coaduna com o entendimento do Pleno do Supremo Tribunal Federal, conforme acórdão acima colacionado, como tampouco com a Súmula 91 do CARF. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Esclareço que o atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015) prevê a negativa de seguimento a recurso especial quando o acórdão recorrido adote entendimento de súmula do CARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Fl. 317DF CARF MF 10 Não obstante a previsão regimental, o acórdão recorrido não aplicou entendimento da Súmula 91. Com efeito, a Turma a quo não autorizou a compensação de créditos pelo prazo de 10 anos, como estabelece a Súmula 91. Apenas reconheceu a possibilidade de restituição ou compensação de parte dos créditos (período inferior a 10 anos) diante apresentação de DIPJ, que marcaria o início do prazo de restituição. Nesse contexto, entendo inaplicável o artigo 67, §3º e, portanto, conheço do recurso especial e lhe nego provimento. Por tais razões, conheço e nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo o acórdão recorrido. Esclareço que os autos devem retornar à unidade de origem, como determinado pelo acórdão da Turma a quo. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 318DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.900633/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 33 /2 01 2- 31 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900633/201231 Acórdão n.º 1302002.164 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900633/201231 Acórdão n.º 1302002.164 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900633/201231 Acórdão n.º 1302002.164 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903396/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 33 96 /2 00 8- 19 Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13896.903396/200819 Acórdão n.º 1402002.568 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13896.903396/200819 Acórdão n.º 1402002.568 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13896.903396/200819 Acórdão n.º 1402002.568 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13896.903396/200819 Acórdão n.º 1402002.568 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13896.903396/200819 Acórdão n.º 1402002.568 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.725118/2012-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.891
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 51 18 /2 01 2- 42 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10469.725118/201242 Acórdão n.º 3302003.891 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.644. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10469.725118/201242 Acórdão n.º 3302003.891 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10469.725118/201242 Acórdão n.º 3302003.891 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10469.725118/201242 Acórdão n.º 3302003.891 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10469.725118/201242 Acórdão n.º 3302003.891 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902185/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 85 /2 01 2- 31 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10820.902185/201231 Acórdão n.º 3401003.607 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2007 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10820.902185/201231 Acórdão n.º 3401003.607 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10820.902185/201231 Acórdão n.º 3401003.607 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10820.902185/201231 Acórdão n.º 3401003.607 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000020/2005-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS.
Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados
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OMISSÕES NÃO IDENTIFICADAS. Devem ser rejeitados os embargos de declaração, uma vez que não se verificaram as omissões indicadas. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 20 /2 00 5- 02 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3301003.907 S3C3T1 Fl. 213 2 Relatório Foram opostos embargos de declaração em face do Acórdão n° 3801 004.609, datado de 11 de novembro de 2014, cujo relatório reproduzo, para fins de economia processual: "Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. 'A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição da COFINS, mercado externo, do mês de junho de 2004, apurado de conformidade com o art. 6° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 297.496,05. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls.84/90), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos; apuração incorreta do crédito presumido relativo aos estoques de abertura; inclusão indevida na base de cálculo de receita de álcool para fins carburante e receita de variação cambial. O Auditor fiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pele empresa via internet (fls. 39/43) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fls. 44/45), os seguintes demonstrativos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 77); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 78); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 79); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a COFINS não Cumulativa (fl. 80); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fls.47/48). VI – Demonstrativo de Receitas de Exportação de Produtos de Fabricação Própria (fls. 47/49) Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 151.194,44, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 91/92, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 101/112. Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3301003.907 S3C3T1 Fl. 214 3 faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Defende o direto à totalidade do crédito dos estoques de abertura de bens destinados à venda e de bens e serviços utilizados como insumos. Por fim, alega inconstitucionalidade na aplicação das normas e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.' A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: 'Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. Na determinação da Cofins não cumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto de crédito correspondente ao estoque de abertura dos bens referidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, existentes na data de início da incidência da Cofins não cumulativa, calculado na forma prevista no art. 12 da citada Lei. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não cumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3301003.907 S3C3T1 Fl. 215 4 Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional' Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, com exceção da preliminar de nulidade da decisão da DRF e da questão sobre os estoques de abertura, que não foram abordadas. É o relatório." A 1° Turma Especial do CARF negou provimento ao recurso voluntário. Assim foram redigidos os Acórdão n° 3801004.609 (fls. 180 a 200) e dispositivo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não cumulativo de apuração. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3301003.907 S3C3T1 Fl. 216 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator." Foram opostos embargos de declaração (fls. 201 a 204), em face do acima colacionado Acórdão n° 3801004.609 (fls. 178 a 193), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF (fls. 209 e 210), em razão de a turma do CARF ter supostamente deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que legitimariam o registro de créditos de COFINS no mês de junho de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3301003.907 S3C3T1 Fl. 217 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Foram opostos embargos de declaração (fls. 201 a 204), em face do Acórdão n° 3801004.609 (fls. 178 a 193), os quais foram admitidos pelo Presidente da 1° Turma Especial da 3° Seção do CARF. De acordo com o Despacho de Admissibilidade (fls. 209 e 210), a respectiva turma do CARF teria deixado de apreciar documentos apresentados pelo contribuinte no curso da fiscalização, que supostamente legitimariam o registro de créditos de COFINS no mês de junho de 2004, derivados de "bens e serviços utilizados como insumos". Nos embargos de declaração, o contribuinte trouxe sua leitura acerca da legislação, doutrina e decisões administrativas e judiciais que abordam a controvérsia acerca do conceito de insumos, apontando como omissão a falta de análise documentos concernentes a custos com combustíveis e lubrificantes e depreciação de bens do ativo fixo. Não aponta, todavia, as parcelas que não teriam sido admitidas nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Reproduzo trecho da parte final dos embargos: "(. . .) De pronto, consigno que não identifiquei qualquer vício de omissão no ora embargado Acórdão n° 3801004.609. Para ilustrar minha conclusão, farei breve relato do ocorrido até este momento processual. Na manifestação de inconformidade (fls. 99 a 108), em sede de preliminar, a embargante já demonstrava contrariedade em relação à suposta falta de clareza acerca das glosas de créditos e dos valores calculados pela fiscalização e indicados nos demonstrativos de cálculo (fls. 47 a 71 e 77 a 80) que acompanham a Informação Fiscal (fls. 81 a 87) e o Despacho Decisório (fls. 88 e 89). Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3301003.907 S3C3T1 Fl. 218 7 Adicionalmente, apenas no plano conceitual, enfrentou o conceito de insumos adotado pelo Fisco e a legitimidade dos créditos calculados sobre depreciação de máquinas e equipamentos. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Sobre a citada preliminar, vale mencionar parte dos argumentos contrapostos pela DRJ, valiosos para a solução da presente discussão: "Inicialmente, é de se ressaltar que não ocorreu cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal faltalhe especificações fática”. A Informação Fiscal juntada às fls. 79/86 reproduz fielmente, de forma conclusiva, o contido nos demonstrativos com os seguintes títulos: I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 71); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 72); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 73); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a COFINS não Cumulativa (fl. 74); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fls.67/70). VI – Demonstrativo da Variação Cambial e Cópia, por amostragem, de Notas Fiscais de Complemento de Preço – Variação Cambial (fls. 67/70 e 53/55). Além dos demonstrativos acima, o Auditorfiscal juntou à informação fiscal, cópia do DACON entregue pela empresa via internet (fls. 47/51) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fl. 52). Todos os demonstrativos foram elaborados indicando individualizadamente os itens, inclusive com rol das notas fiscais que foram objeto de exame, conforme se verifica às fls. 72/75. Assim, os elementos fáticos que compõem a Informação Fiscal, constam nos referidos demonstrativos e os documentos de suporte estão juntados ao processo. (. . .)" No recurso voluntário (fls. 149 a 162), mais uma vez sem indicar documentos ou valores, contestou o critério de cálculo do rateio dos custos entre aqueles que geram receitas tributadas no sistema não cumulativo e no cumulativo, o conceito de insumos e a legitimidade dos registros de créditos sobre combustíveis e lubrificantes e depreciação de máquinas e equipamentos. O colegiado do CARF enfrentou todas discussões de mérito e negoulhes provimento. Imprescindível para o deslinde da presente questão mencionar que, em relação a créditos sobre óleos e lubrificantes e depreciação, admitiu, expressamente, que, em Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3301003.907 S3C3T1 Fl. 219 8 princípio, os argumentos procediam, mas tinha de negar provimento, pois não haviam sido apostos os valores, cujas glosas estavam sendo contestadas. Ora, por óbvio, depreendese do acórdão embargado que, para emitir tal opinião, o colegiado examinou os documentos e os cálculos da fiscalização, constatação esta que, por si só, já seria suficiente para fundamentar a rejeição dos presentes embargos. Contudo, continuo, para robustecer meu posicionamento. Compulsei os autos, para consultar os documentos supostamente não analisados e os cálculos da fiscalização. E, em seguida, debruceime sobre o teor da decisão embargada. Nos demonstrativos dos cálculos dos créditos, a fiscalização criou uma coluna titulada "Valor Ajustado", na qual indicou os produtos de seus cálculos para cada um dos valores indicados pela embargante nos quadros de apuração de créditos constante do correspondente Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). E carreou aos autos demonstrativos complementares, nos quais detalhou os critérios de apuração e listou todos os insumos, serviços e bens que extraiu dos documentos fornecidos pela embargante. O resultado deste trabalho confirmou os argumentos da DRJ acima reproduzidos, utilizados para negar a preliminar de nulidade. Se aplicada uma leitura atenta dos autos, compreendese, sem maiores esforços, os critérios adotados pela fiscalização, e, inclusive, identificase quais insumos foram admitidos nas bases de cálculo dos créditos. Com a devida vênia, pareceme que a embargante não perscrutou os demonstrativos de cálculo preparados pela fiscalização, com o fito de compreendêlos e, assim, enfrentálos plenamente. Pelo contrário, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, optou por oferecer argumentos gerais e, nos embargos, acusar omissão do colegiado do CARF, talvez esperando que os julgadores complementassem o trabalho de defesa. Não há uma única indicação de valor, nota fiscal ou folha do processo em que constem os insumos ou custos com depreciação supostamente não computados pela fiscalização. Em suma, como a embargante apresentou tão somente contestações sobre os conceitos aplicados pela fiscalização e todos foram devidamente enfrentados, concluo que o colegiado que proferiu o Acórdão n° 3801004.608 não cometeu omissão alguma, motivo pelo qual proponho a rejeição dos presentes embargos de declaração. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3301003.907 S3C3T1 Fl. 220 9 Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002519/2007-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
COISA JULGADA.
Não cabe ao CARF discutir o mérito ou o teor de decisão judicial transitada em julgado que abarque matéria objeto de lançamento tributário discutido em processo administrativo, cabendo-lhe apenas fazer cumprir o entendimento consolidado no Judiciário.
Numero da decisão: 2301-005.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para dar-lhe provimento, reconhecendo a ocorrência de decadência, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora
EDITADO EM: 06/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fabio Piovesan Bozza, Luís Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Andrea Brose Adolfo.
Nome do relator: Andrea Brose Adolfo
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Não cabe ao CARF discutir o mérito ou o teor de decisão judicial transitada em julgado que abarque matéria objeto de lançamento tributário discutido em processo administrativo, cabendolhe apenas fazer cumprir o entendimento consolidado no Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para darlhe provimento, reconhecendo a ocorrência de decadência, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora EDITADO EM: 06/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fabio Piovesan Bozza, Luís Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Andrea Brose Adolfo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 25 19 /2 00 7- 89 Fl. 2087DF CARF MF 2 Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 37.060.5918, relativa às contribuições devidas à Seguridade Social, pelo contribuinte acima identificado, correspondentes à parte patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas às outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE). De acordo com o Relatório Fiscal os fatos geradores das contribuições lançadas nesta notificação são as remunerações pagas a segurados empregados, por serviços prestados à empresa notificada, mas que, formalmente, encontravamse registrados nas seguintes empresas: Bellys Confecções e Comércio Ltda.; Soft & Soft do Brasil Ltda.; Têxtil Rio Bonito Ltda.; Sono Tranqüilo Têxtil Ltda.; e Herbatex Têxteis Ltda. A 5ª Turma da DRJ em Florianópolis, em 17 de agosto de 2007, nos termos do Acórdão 07001.0477, julgou a impugnação improcedente mantendo o crédito tributário, ressalvando a existência de ações judiciais na parte dispositiva, verbis: Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento, nos termos do relatório e voto da relatora. Compete à Unidade Preparadora acompanhar o resultado dos Mandados de Segurança n° 2007.72.01.0016110/SC, n° 2007.72.01.0020215/SC e n° 2007.72.01.0020227/SC, para tomar as providências relativas ao presente processo, salientando que até este momento a Justiça Federal concedeu liminarmente à empresa Fibrasca Cordas e Filamentos Ltda. a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários constantes na NFLD n° 37.060.5918, no período anterior aos cinco anos do início da fiscalização (01/2007), conforme documentos de fls. 1379/1384. Ressaltase ainda que, se o Mandado de Segurança n° 2007.72.01.0016110/SC for julgado procedente, o presente processo, em decorrência, estará anulado. ... (grifos no original) O lançamento originariamente havia compreendido as competências 01/1999 a 12/2006, entretanto, por força de diversas decisões judiciais no sentido de declarar a decadência das contribuições lançadas na NFLD 37.060.5918, no período anterior a 01/01/2002, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville promoveu o desmembramento da Notificação, nos termos do Despacho Sacat nº 953/2007 (efls. 1898/1906), resultando em duas NFLDs: a) NFLD 37.060.5918: competências 01/1999 a 13/2001, objeto do presente processo administrativo, com a exigibilidade suspensa, no valor consolidado em 10/04/2007 de R$ 669.857,75; e b) NFLD 37.139.6816 (PROCESSO N. 10920.007307/200798): competências 01/2002 a 13/2006, no valor consolidado em 10/04/2007 de R$ 1.358.458,16, cujo recurso voluntário foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 230101.935, julgamento em 17 de março de 2011. Apresentado Recurso Voluntário, os autos vieram a este Colegiado, que, com composição diversa, converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2301 00.100, de 21/10/2010 (efls. 1925/1929), para: Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10920.002519/200789 Acórdão n.º 2301005.063 S2C3T1 Fl. 3 3 1) Juntar aos autos comprovantes da atual situação dos mandados de segurança: 1.1. 2007.72.01.0036867/SCBragançaTêxtil Ltda; 1.2. . 2007.72.01.0020227/SC. Fibrasca Cordas e Filamentos Ltda; 1.3. 2007.72.01.0036879/SC São João do Palmito Empreendimentos Agrícolas e Imóveis Ltda; 1.4. 2007.72.01.0036855/SC Kasiwa Administração de Imóveis SC Ltda; 1.5. 2007.72.01.0020215/SC Fibrasca Fibras Catarinense Ltda; 1.6. 2007.72.01.0036831/SC Fibrasca Química Têxtil Ltda; 2) Esclarecer a atual situação da NFLD n°,37.139.6816; 3) Esclarecer se foram considerados no lançamento os valores pagos pelas empresas supostamente simuladas a título de contribuições.previdenciárias e, em caso negativo, o fundamento para tal exclusão. Em cumprimento à diligência foram anexados os documentos de efls. 1931/2066 e Informação Fiscal de efls. 2069/2070. Em 05/02/2014 foi anexado aos autos o Despacho s/nº (efls. 2074/2075) da Equipe de Acompanhamento de Ações Judiciais EQPAJ da DRF em Joinville/SC, informando o trânsito em julgado do Mandado de Segurança impetrado pela empresa São João do Palmital Empreendimentos Agrícolas e Imóveis Ltda, uma das responsáveis solidárias do presente processo e as seguintes informações: 7. O Tribunal reconheceu, ainda, a ocorrência de grupo econômico entre a empresa impetrante deste MS e a empresa fiscalizada sendo perfeitamente válida a inclusão da impetrante no processo administrativo fiscal. Entretanto, a Turma decidiu que a empresa São João "não pode ser responsabilizada pelos débitos oriundos dos Autos de Infração n°s 37.060.5870, 37.060.5888, 37.060.5896, 37.060.5900 por tratarse de multa punitiva decorrente de infração que a mesma não participou e cuja responsabilidade solidária foi a ela atribuída na condição de componente de grupo econômico". 8. Ainda no relatório, a Turma manifesta o entendimento segundo o qual, a multa de mora, que decorre do descumprimento da obrigação principal (pagar, no vencimento, o tributo) se comunica, também ao responsável legal. Ou seja, a multa que decorre do descumprimento da obrigação acessória (multa infracional) não pode ser atribuída ao responsável solidário, bem ao contrário da multa por descumprimento da obrigação principal (multa de mora), esta, sim, pode ser aplicada ao responsável legal; Fl. 2089DF CARF MF 4 9. Em 13 de junho de 2013, o STJ negou seguimento ao Recurso Especial da União, e, em 06/08/2013, negou provimento ao Agravo Regimental da União; 10. Trânsito em Julgado em 18 de setembro de 2013; 11. Ante o exposto, a fim de atender à decisão judicial, há de se providenciar a exclusão das competências consideradas decadentes (anteriores a 31/12/2001) na NFLD 37.060.5918; 12. Da decisão judicial, portanto, a empresa São João do Palmital fica excluída da responsabilidade solidária com relação aos Autos de Infração (37.060.5870, 37.060.5888, 37.060.5896, 37.060.5900), mas é responsável solidária com relação ao saldo remanescente da NFLD n° 37.060.5918 (após a exclusão das competências consideradas decadentes), devendo ser comunicada e cobrada desse valor; 13. Sugiro encaminhamento à SACAT para atender ao determinado em juízo; Em 27/02/2014, o Chefe da SACAT informou que o processo encontravase neste Conselho, não sendo possível a regularização no sistema. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Da análise dos autos, verificase que, tanto a recorrente, como as responsáveis solidárias ingressaram na esfera judicial a fim de ver reconhecida a decadência do período lançado anterior a janeiro de 2002. Conforme os documentos anexados em resposta à diligência solicitada, todas as ações resultaram no reconhecimento da decadência, nos termos do art. 173, I do CTN, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. Transcrevo a ementa da Apelação em Mandado de Segurança nº 2007.72.01.0036831/SC, proferida pela Segunda Turma do TRF4, Relatoria Desembargador Federal Otávio Roberto Pamplona, julgada em 05/08/2008 (íntegra da decisão às efls. 2061/2066): TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. INCONSTITUCIONALIDADE DO PRAZO DE 10 ANOS DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONFIGURADA. 1. O art. 45 da Lei 8.212/91, ao prever o prazo decadencial de 10 anos para que a Seguridade Social apure e constitua seus créditos, adentrou âmbito reservado à lei complementar, inquinandose de inconstitucionalidade, consoante reconhecido pelo STF na Súmula Vinculante nº 8. Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10920.002519/200789 Acórdão n.º 2301005.063 S2C3T1 Fl. 4 5 2. Em se tratando de contribuição sujeita ao lançamento por homologação, mas não tendo se verificado pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo deve ser o do art. 173, inciso I, do CTN, ou seja, de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 3. Resta configurada a decadência do direito de o Fisco constituir créditos tributários relativos a contribuições devidas à Seguridade Social nos exercícios de 1999, 2000 e 2001, haja vista a perfectibilização do lançamento fiscal somente em abril de 2007. Conforme pesquisa no sítio do TRF4, os autos do Mandado de Segurança em análise foram baixados em 28/10/2008, restando arquivados (28/10/2008 14:21 Baixa Definitiva Remetido a(o) GR:08/0018278 DEST:ARQUIVO JOINVILLE.). Tendo em vista a existência de discussão judicial abrangendo todo o período do lançamento que restou em litígio no presente processo administrativo (01/1999 a 12/2001), inclusive com trânsito em julgado favorável ao contribuinte (conforme expressamente descrito nos termos do Despacho da EQPAJ), houve expressa renúncia ao contencioso administrativo pelo recorrente e demais responsáveis solidários, a teor do art. 87 do Decreto nº 7.574, de 2011, que regula o processo administrativo fiscal: "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada." Por sua vez, o CARF uniformizou esse entendimento, sumulando a matéria, nos termos da Súmula CARF nº 1: "Súmula CARF nº. 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Todavia, apesar de aplicável ao caso, entendo que, com o trânsito em julgado dos diversos Mandados de Segurança, inclusive do impetrado pela própria recorrente, reconhecendo a decadência do lançamento referente às competências anteriores a janeiro de 2002, cabe a este colegiado apenas o cumprimento da decisão judicial, determinando a extinção do crédito tributário constante do presente processo, nos termos do art. 156, X, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional CTN. Fl. 2091DF CARF MF 6 Não cabe ao CARF discutir o mérito ou o teor de decisão judicial transitada em julgado que abarque matéria objeto de lançamento tributário discutido em processo administrativo, cabendolhe apenas fazer cumprir o entendimento consolidado no Judiciário. CONCLUSÃO Portanto, pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para darlhe provimento, pela extinção do crédito tributário lançado anteriormente a janeiro de 2002, por força da decisão judicial transitada em julgado (AMS nº 2007.72.01.0036831/SC). É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 2092DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.000998/2003-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/06/1994 a 28/02/1996
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para fins de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, tem-se que tal matéria encontra-se pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ quando da apreciação do REsp nº 973.333-SC na sistemática de recursos repetitivos. O que, por conseguinte, não há que se falar que o início do procedimento fiscal - que, por sua vez, não constitui o crédito tributário - estancaria a contagem do prazo decadencial para a autoridade fazendária imputar a cobrança do tributo ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-005.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para fins de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ quando da apreciação do REsp nº 973.333SC na sistemática de recursos repetitivos. O que, por conseguinte, não há que se falar que o início do procedimento fiscal que, por sua vez, não constitui o crédito tributário “estancaria” a contagem do prazo decadencial para a autoridade fazendária imputar a cobrança do tributo ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 09 98 /2 00 3- 21 Fl. 787DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 340300.841, por meio do qual, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, conforme se verifica da sua ementa (Grifos meus): “Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep Período de apuração: 30/06/1994 a 28/02/1996 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, implicou na declaração de inconstitucionalidade do art. 45 e da Lei n° 8.212, de 1991, que fixava em 10 anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais. Na hipótese de lançamento por homologação, deve ser aplicado o disposto no artigo 150, § 4° do CTN, de modo que o lançamento de ofício apenas pode alcançar os fatos geradores ocorridos nos cinco anos anteriores à constituição do crédito pela notificação do auto de infração. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros: · Cingese a questão a contagem do prazo decadencial, eis que superada a questão relativa ao art. 45 da Lei 8.212/91 pela publicação da Súmula vinculante 8; · Tratase de autuação lavrada para a exigência de PIS apurado no período entre 30.6.94 e 28.2.96 Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13819.000998/200321 Acórdão n.º 9303005.029 CSRFT3 Fl. 788 3 · A decadência somente alcança os fatos geradores anteriores ao quinquênio contado a partir da data em que o sujeito passivo é cientificado do MPF; · Como o sujeito passivo tomou ciência do MPF em 5.10.00, somente os fatos geradores anteriores a 5.10.95 foram alcançados pelo instituto da decadência, uma vez que em relação às competências posteriores não se operou a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º, do CTN, na contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Sendo assim, requer a Fazenda Nacional que seja dado provimento para reformar o acórdão recorrido, afastandose a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 31.10.95. Em Despacho à fls. 774 a 777, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecelo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Eis que no acórdão recorrido consta entendimento que, desconsiderando a data do início do procedimento fiscal, tomou como dies a quo do lapso decadencial a data em que se efetivou a ciência do lançamento realizado ao sujeito passivo. Fl. 789DF CARF MF 4 Enquanto, o acórdão indicado como paradigma traz que, uma vez iniciado o procedimento fiscal, apenas os fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos desta data é que estariam jungidos à regulação pelo art. 150, § 4º do CTN. Sendo assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Recordo que o caso vertente trata de auto de infração (fls. 145/155) lavrado para a exigência de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) em relação aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1994 e 28/02/1996. A notificação do auto de infração ocorreu em 11/04/2001 (fl. 153). O que, por conseguinte, aplicandose o art. 150, § 4º, do CTN, foi reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 11.4.96. E, como neste caso, o auto de infração pretendeu a constituição do crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos entre 30/06/1994 e 28/02/1996, encontrou se integralmente atingido pela decadência. Cabe elucidar que não se trata de discussão acerca da aplicação do prazo decadencial regrado pelo art. 173, inciso I, do CTN, mas do prazo decadencial – se consideraria a data que o Fisco teria para efetuar o “lançamento” do tributo – constituir o crédito tributário ou a data do início da fiscalização. Tanto é assim, que traz a Fazenda Nacional que o sujeito passivo tomou ciência do MPF em 5.10.00 e que, independentemente da data da constituição do crédito pelo lançamento, entende que somente os fatos geradores anteriores a 5.10.95 foram alcançados pelo instituto da decadência, uma vez que em relação às competências posteriores não se operou a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Primeiramente, importante trazer que o tema abrangente do prazo – se aplicável os dez anos ou cinco anos, à época, foi amplamente debatido no CARF. Não obstante, em virtude da Súmula Vinculante nº 08 do STF, houve clarificação dessa questão, ao afastar o art. 45 da Lei 8.212/1991. O que foi contemplado no acórdão recorrido. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13819.000998/200321 Acórdão n.º 9303005.029 CSRFT3 Fl. 789 5 Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, não há que se falar que com o início do procedimento fiscal – que, por sua vez, não constitui o crédito tributário – “estancaria” a contagem do prazo decadencial para a autoridade fazendária cobrar o tributo do sujeito passivo, em respeito ao art. 142 do CTN, bem como pelo que restou decidido no RESP 973.733. Vêse, então, que essa discussão também não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 791DF CARF MF 6 Fl. 792DF CARF MF
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