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Numero do processo: 19515.002909/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
IMUNIDADE/ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO ANTES DO DEFERIMENTO DO CEAS. CEBAS DEFERIDO QUANDO JÁ REVOGADO O § 1º DO ART. 55 DA LEI 8.212/91 PELA MP 446/2008. DISPENSA DE FORMALIZAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. MANUTENÇÃO DA VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS NA VIGÊNCIA DA MP 446/2008.
Não era viável a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção antes do deferimento do CEAS.
O art. 48 da MP n. 446/2008 revogou o exposto no art. 55 da Lei n. 8.212/1991, dispensando a formalização de pedido administrativo perante o órgão fazendário para fins de reconhecimento da imunidade/isenção das contribuições previdenciárias. Os atos praticados durante a vigência da MP 446/2008 permaneceram válidos, diante da ausência de edição, pelo Congresso Nacional, de Decreto que discipline as relações jurídicas formadas durante a vigência da MP.
No caso, o CEAS foi deferido apenas em 03/02/2009, quando já estava em vigor a MP n. 446/2008, ou seja, já não era necessária a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção. Considerando que o ato de concessão do CEAS retroagiu seus efeitos à data do protocolo do requerimento (19/04/2014), não pode ser mantida a autuação no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA.
A aplicação da atual redação do art. 35 da Lei 8.212/91 é mais benéfica, na medida em que o percentual da multa fica limitado a 20%.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS- REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA.
Constitui peça de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de autuação, medida meramente administrativa, com a finalidade de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional em eventual necessidade de execução judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir do auto de infração DEBCAD n° 37.304.055-5 os fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007; b) bem como para limitar a multa aplicada a 20%; vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que negavam provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO ANTES DO DEFERIMENTO DO CEAS. CEBAS DEFERIDO QUANDO JÁ REVOGADO O § 1º DO ART. 55 DA LEI 8.212/91 PELA MP 446/2008. DISPENSA DE FORMALIZAÇÃO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO PARA RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. MANUTENÇÃO DA VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS NA VIGÊNCIA DA MP 446/2008. Não era viável a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção antes do deferimento do CEAS. O art. 48 da MP n. 446/2008 revogou o exposto no art. 55 da Lei n. 8.212/1991, dispensando a formalização de pedido administrativo perante o órgão fazendário para fins de reconhecimento da imunidade/isenção das contribuições previdenciárias. Os atos praticados durante a vigência da MP 446/2008 permaneceram válidos, diante da ausência de edição, pelo Congresso Nacional, de Decreto que discipline as relações jurídicas formadas durante a vigência da MP. No caso, o CEAS foi deferido apenas em 03/02/2009, quando já estava em vigor a MP n. 446/2008, ou seja, já não era necessária a apresentação do pedido de reconhecimento de imunidade/isenção. Considerando que o ato de concessão do CEAS retroagiu seus efeitos à data do protocolo do requerimento (19/04/2014), não pode ser mantida a autuação no período compreendido entre abril/2007 e dezembro/2007. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 09 /2 01 0- 19 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 A aplicação da atual redação do art. 35 da Lei 8.212/91 é mais benéfica, na medida em que o percentual da multa fica limitado a 20%. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS REPLEG. MEDIDA ADMINISTRATIVA. 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Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401003.825 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O processo administrativo em análise decorre de fiscalização na qual foi lavrado contra a Recorrente o DEBCAD nº 37.304.0555, através do qual são exigidas as contribuições previdenciárias, quota patronal e para financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT), devidas pela empresa à Seguridade Social, sobre a remuneração paga aos segurados empregados e trabalhadores autônomos, nas competências de 01/2007 a 13/2007, tendo em vista que a fiscalização não reconheceu o direito à imunidade constitucional que a Recorrente entendia fazer jus. O contribuinte tomou ciência da autuação em 30/11/2010 (fls. 217). Conforme consta no Relatório Fiscal (fls. 2026), a Recorrente tem como objetivo social o exercício de todas as atividades relacionadas com o ensino em geral e a promoção da cultura judaica e brasileira, mediante a instalação e funcionamento de escolas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. O Relatório Fiscal aponta que a Recorrente teve a sua isenção das contribuições previdenciárias relativa ao triênio de 2001 a 2003 cancelada através de Ato Cancelatório emitido em março de 2005, contra o qual a Recorrente não se insurgiu. Vejamos: II – DO CANCELAMENTO DA ISENÇÃO A Escola Bialik teve sua isenção das contribuições previdenciárias cancelada no triênio de 2001 a 2003, pelo Ato Cancelatório nº 02/2005 (em anexo), emitido em 23/03/2005 e retroativo a 01/01/2001, por descumprimento do art. 55, inciso II, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 206, inciso III do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3048, de 06/05/99, a saber, ser portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Por meio do Termo de Intimação Fiscal de 04/10/10, cuja ciência ocorreu em 08/10/2010, foi solicitada à Escola uma declaração acerca da existência de recurso relativo ao Ato Cancelatório n° 2, e, caso houvesse tal recurso, uma cópia do mesmo. Em declaração datada do dia 15/10/10 (em anexo), a Escola Bialik informa que não há recurso interposto face ao Ato Cancelatório. Os auditores fiscais autuantes apontam que, em consulta efetuada ao Sistema de Informações do CNAS, constataram que a Recorrente detinha pedido de renovação do CEAS válido para os seguintes períodos: 01/01/1998 a 31/12/2000, 01/01/2004 a 31/12/2006 e 19/04/2007 a 18/04/2010, sendo este último período deferido com base no art. 37 da MP 446/2008, através da Resolução n. 7, de 03/02/2009. Vejamos os trechos relativos a esse ponto do Relatório Fiscal: Fl. 506DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 III – DO CEBAS Em consulta ao Sistema de Informações do Conselho Nacional de Assistência Social, verificouse que a escola teve seus pedidos de Renovação do CEBAS deferidos para os seguintes períodos: de 01/01/1998 a 31/12/2000 e de 01/01/2004 a 31/12/2006. Consta, ainda, o processo de número 71010.000693/200744, também referente à renovação do certificado, o qual foi deferido com base no art. 37 da MP 446/2008. De acordo com a Resolução n° 7, de 03/02/09 (em anexo), publicada no Diário Oficial na União em 04/02/09, o período de validade desta renovação do CEBAS da Escola Bialik foi de 19/04/2007 a 18/04/2010. Em relação ao CEBAS, portanto, ficou constatado que a escola não era portadora do mesmo durante os períodos de 01/01/2001 a 31/12/2003 e de 01/01/2007 a 18/04/2007. Ora, este primeiro período é justamente aquele que gerou a emissão do Ato Cancelatório supracitado. Ou seja, nos termos acima transcritos, os Auditores reconhecem que, para o período fiscalizado (exercício de 2007), a Recorrente não possuía CEAS no período compreendido entre os dias 01/01/2007 até o dia 18/04/2007, mas o referido Certificado lhe foi concedido em 19/04/2007 com data de validade posterior ao término do exercício ora analisado. Em seguida, informaram que solicitaram à Recorrente, no curso do procedimento fiscal, que fosse apresentado o Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias, vigente no período de 01/2007 a 12/2007, o qual não foi apresentado. Os Auditores aduziram, ainda, que, em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi constatada a inexistência de tal ato, o que, de acordo com o art. 208 do Decreto nº 3.048/99, era necessário para que a Recorrente gozasse de isenção das contribuições previdenciárias. Diante de tais considerações, os Auditores concluíram que a concessão do CEAS, por si só, não implicaria na concessão da isenção fiscal, por ser esse apenas um dos requisitos, cujo cumprimento é exigido para a concessão da isenção. Seguem os exatos temos utilizados pelos Auditores Fiscais. Vemos, então, que a mera concessão do CEBAS não implica necessária aquisição da isenção correlata, uma vez que a concessão da isenção fiscal depende do preenchimento cumulativo de vários requisitos, dentre os quais esta ser portadora do CEBAS. Além disso, de acordo com a legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores, o contribuinte deveria protocolar junto ao Instituto Nacional do Seguro Social seu pedido de reconhecimento de direito à isenção, o qual seria analisado no prazo de trinta dias a contar da data do protocolo, e, uma vez deferido, acarretaria a expedição de Ato Declaratório, o qual geraria efeito também a partir da data do protocolo. Desta forma, a inexistência de Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias obriga o contribuinte a recolher contribuições sociais relativas à parte patronal e RAT. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401003.825 S2C4T1 Fl. 4 5 Consideraram, por fim, que, como a Recorrente não preenchia, na época da ocorrência do fato gerador, os requisitos legais para a sua isenção, ela teria omitido informações sobre os valores devidos referentes à parte patronal, SAT e Terceiros, ou seja, apenas os valores devidos pelos segurados empregados e contribuintes individuais foram informados pela empresa e devidamente recolhidos. Por fim, afirma que foram elaboradas planilhas demonstrativas do valor das multas cabíveis ao caso presente de acordo com a legislação vigente à época dos fatos e a que a sucedeu, com o objetivo de garantir a aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte, que, no entender dos Auditores, seria a legislação vigente na época do fato gerador (art. 35, alínea a, inciso II da Lei 8.12/91). A ora Recorrente apresentou tempestivamente a impugnação ao Auto de Infração em 29/12/2010, alegando, em síntese, que: · Se caracteriza como entidade imune às contribuições sociais, atendendo aos requisitos do art. 195, parágrafo 7° da Constituição Federal, além de ser possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), bem como cumprir todos os requisitos do art. 14 do CTN e do art. 55 da Lei 8.212/91 durante o período contestado pelo Auto de Infração, de modo que não subsistiriam motivos legais para manutenção da autuação. · É entidade sem fins lucrativos, voltada para objetivos sociais desde sua fundação, que concede bolsas de estudos, totais e parciais para alunos de famílias que se encontram em situações de destrutibilidade social, não impondo nenhum tipo de distinção aos indivíduos, em observância aos princípios expostos na Lei Orgânica da Assistência Social. · Os requisitos referentes ao gozo da imunidade devem ser previstos por Lei Complementar, conforme dispõe o art. 146, inciso II da CF, bastando, então, o atendimento aos requisitos previstos no art. 14 do CTN para que seja vedado ao Fisco exigir o recolhimento de contribuição previdenciária. · O art. 55 da Lei 8.212/91 e o art. 2° do Decreto 2.536/98 são eivados de inconstitucionalidade formal e material, na medida em que impõem restrições que violam o conceito de entidades beneficentes do art. 195, §7°, da Constituição Federal, conforme entendimento do próprio STF, na decisão liminar proferida nos autos de Ação Direta de Inconstitucionalidade de n°s 20285 e 20366. · Está registrada perante o CNAS, conforme Processo nº 56.238/66, e vem obtendo a concessão dos Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS desde então. · Embora o seu pedido do CEBAS, referente ao triênio de 2001/2003, tenha sido indeferido através da Resolução nº 50/2004, tal questão se encontra sub judice em virtude da Ação Declaratória n.º Fl. 508DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 2004.34.00.0195091, em trâmite na 16ª Vara Federal da Secção Judiciária do Distrito Federal. · Ingressou com pedido de revisão da decisão do CNAS, paralelamente, o qual se encontra em tramite no Ministério da Previdência Social, aguardando parecer jurídico e sem decisão acerca da aplicação da MP n° 446/2008. · Foi concedido novamente o deferimento do seu CEBAS, visto que se constatou o cumprimento de todos os requisitos do Decreto nº 2.536/98 para o período de Janeiro/2004 a Dezembro/2006. · Obteve o deferimento do pedido de renovação de seu CEBAS para o período referente aos anos de 2007 a 2009, de acordo com processo n° 71010.000693/200744, nos termos da Resolução CNAS n° 07/2009. Em seguida, requereu a renovação do seu CEBAS, através do processo n ° 71010.005200/200924, porém, ainda não há decisão, o processo encontrase em tramite no Ministério da Educação. · Deveria ser aplicado, no mínimo, o procedimento previsto no art. 71 da Portaria MPS nº 323/2007, segundo o qual o curso da presente autuação deveria ser suspenso até o julgamento da referida Ação Declaratória, nos termos do art. 265 do CPC. · A publicação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou os procedimentos referentes aos cálculos da multa, com a introdução de penalidade mais branda ao contribuinte, razão pela qual deve ser aplicada a retroação prevista no art. 106 do CTN e no art. 5º, XL, da CF. Logo, a multa a ser aplicada deverá limitarse ao percentual de 20%, nos termos do art. 26 da Lei nº 11. 941/09, c/c o art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996, não havendo que se falar, ainda, em aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que o lançamento em questão tem como objetivo a cobrança de obrigações principais. · A autoridade fiscal, de forma arbitrária e ilegal, imputou responsabilidade solidária aos diretores e exdiretores da empresa para o pagamento do débito apurado, o que não se pode aceitar, tendo em vista que não existem razões legais para tanto. · Por fim, requereu (i) a nulidade do lançamento; (ii) a improcedência do lançamento; (iii) o valor da multa fosse adequado à nova legislação; (iv) exdiretores fossem excluídos do polo passivo da presente demanda; (v) fossem deferidas as diligências que se fizerem necessárias com objetivo de comprovar o quanto alegado, bem como a juntada de documentos posteriores que se fizerem necessários. Instada a se manifestar sobre o processo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) ressaltou que as provas constantes nos autos, juntadas pela fiscalização e pela empresa (na defesa apresentada), são suficientes para verificação da legalidade do lançamento, não havendo necessidade para solicitação de diligência, nem tampouco juntada posterior de documentos por parte da Recorrente. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401003.825 S2C4T1 Fl. 5 7 Em seguida, analisando as alegações e documentos constantes nos autos, a DRJ julgou improcedente a impugnação nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ISENÇÃO. Somente tinham direito à isenção das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei 8.212/91, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, as entidades beneficentes de assistência social que cumpriam, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. A lei complementar só é exigível quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria. Os requisitos para o gozo da “isenção” prevista no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei 8.212/91. Inaplicabilidade do art. 14 do CTN. A isenção devia ser requerida perante o órgão competente, que após verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. A multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96 somente é aplicável nos casos de pagamentos feitos pelos contribuintes, de forma voluntária, embora em atraso, das contribuições devidas à previdência social e outras entidades ou fundos. Nos lançamentos de ofício de contribuições não declaradas em GFIP, a multa aplicável, a partir de 04/12/2008, data de publicação da Medida Provisória (MP) nº 449, é aquela prevista no Art. 44, I, da Lei 9.430/96 (multa de ofício de 75%). RELATÓRIO DE VÍNCULOS O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os sócios da empresa no polo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3o do art. 4o da Lei no 6.830/80. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito Fl. 510DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser apreciado levandose em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Caso contrário, deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimada em 12/07/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 10/08/2012, rebatendo a decisão proferida pela DRJ e reiterando os argumentos já trazidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401003.825 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme consta no relatório fiscal, o referido auto de infração foi lavrado em virtude de a Recorrente ter informado ser Entidade Beneficente de Assistência Social em gozo da isenção das Contribuições Previdenciárias, embora não tivesse Ato Declaratório de Concessão de Isenção Previdenciária deferido em seu favor. A Recorrente, em seu recurso, pretende ver reconhecida a sua condição de imune, para, assim, ver desconstituída a cobrança contra si perpetrada. Sendo assim, para apreciação do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, fazse necessário analisar se a Recorrente faz jus à imunidade das contribuições sociais. Como se sabe, a Constituição Federal de 1988 estabelece no seu art. 195, §7º a possibilidade de as entidades beneficentes de assistência social gozarem da imunidade das contribuições previdenciárias, desde que atendidos os requisitos estabelecidos em lei. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifos nossos). À época dos fatos geradores, os requisitos para reconhecimento da imunidade/isenção estavam assim previstos no art. 55, da Lei n. 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 512DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...] (grifos aditados). No entender dos Auditores Fiscais autuantes, a Recorrente não faz jus à imunidade constitucional por não ter apresentado pedido de expedição de Ato Declaratório de Isenção em seu favor, relativamente ao período abrangido pelos fatos geradores aqui cobrados – 01 /2007 a 12/2007 – tal como determinava o § 1o do artigo 55 da Lei n. 8212/1991, acima transcrito. Compulsando, os autos, contudo, verifico que, com relação ao período de 19/04/2007 a 31/12/2007, a Recorrente fazia sim jus à imunidade constitucional. Vejamos: Conforme expressamente descrito no Relatório Fiscal, a Recorrente detinha CEAS válido quanto ao período de 01/01/1998 a 31/12/2000, 01/01/2004 a 31/12/2006 e 19/04/2007 a 18/04/2010. Com relação ao último período – que abrange parte dos fatos geradores objeto da presente autuação – não perceberam os Fiscais Autuantes que o deferimento do CEAS ocorreu apenas em 03/02/2009, através da Resolução CNAS de n. 7/2009. Pois bem, embora à época dos fatos geradores – ano de 2007 – estivesse em vigor o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991, que exigia, além do CEAS, a formalização de pedido administrativo visando o reconhecimento da isenção por ato declaratório, a renovação do certificado de entidade beneficente da Recorrente só foi deferida em 03 de fevereiro de 2009, ainda que com efeitos ex tunc, retroativos à data do protocolo do pedido – 19/04/2007, com validade de três anos. Em 03 de fevereiro de 2009, data do deferimento do CEAS, já não mais estava em vigor o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991. Tal dispositivo havia, à época, sido revogado pelo artigo 48 da Medida Provisória de n. 446, de 07 de novembro de 2008. A referida Medida Provisória instaurou uma nova disciplina legal aplicável à imunidade das contribuições previdenciárias. Dentre as inovações introduzidas, estava a dispensa de formalização de pedido administrativo perante o órgão fazendário para fins de reconhecimento da imunidade/isenção das contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica. Para fins de aproveitamento da imunidade/isenção, era suficiente a obtenção da certificação de entidade beneficente de assistência social, bem como o cumprimento dos requisitos previstos no artigo 28 da referida Medida Provisória, a seguir transcritos para melhor análise: Art. 28. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401003.825 S2C4T1 Fl. 7 11 I seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1º; II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; III aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; IV preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; V não seja constituída com patrimônio individual ou de sociedade sem caráter beneficente; VI apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal CADIN; VII mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; VIII não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; IX aplique as subvenções e doações recebidas nas finalidades a que estejam vinculadas; X conserve em boa ordem, pelo prazo de dez anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como os atos ou operações realizadas que venham a modificar sua situação patrimonial; XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e XII zele pelo cumprimento de outros requisitos, estabelecidos em lei, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Conforme se verifica da leitura do dispositivo acima, durante o período de vigência da MP 446, não havia a exigência de apresentação de pedido de reconhecimento da Fl. 514DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 isenção para que o contribuinte pudesse gozar da imunidade tributária relativamente às contribuições previdenciárias. A isenção/imunidade decorria automaticamente da obtenção da certificação de entidade beneficente, desde que o contribuinte cumprisse os requisitos acima transcritos. Não existia, contudo, nenhum atestado de cumprimento de tais requisitos. Caso o contribuinte se declarasse imune e o fisco constatasse o descumprimento das exigências do artigo 28, deveria efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas, através de auto de infração devidamente motivado para esse fim. A MP 446 não foi convertida em lei e perdeu a sua eficácia em 10 de fevereiro de 2009, quando, consequentemente, voltou a viger o artigo 55 da Lei n. 8212/1991, até a sua definitiva revogação pela Lei n. 12.101/2009, que atualmente disciplina matéria. Os atos praticados durante o período de vigência da MP 446, contudo, permaneceram válidos, já que não foi editado pelo Congresso Nacional Decreto Legislativo visando disciplinar as relações jurídicas formadas durante a vigência da MP. Esse é, inclusive, o entendimento da Advocacia Geral da União, esposado na Nota DECOR/CGU/AGU N. 180/2009JGAS, abaixo transcrita: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 446/2008. REJEIÇÃO. EFEITOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACESSO A BENEFÍCIO FISCAL. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE EDIÇÃO DE DECRETO LEGISLATIVO. PREVALÊNCIA DAS RELAÇÕES JURIDICAS. 1. A referida Medida Provisória rejeitada intentou modificar os procedimentos a serem seguidos pelas entidades interessadas no acesso ao benefício fiscal de que trata o art. 195, par. 5º, da Constituição Federal, estabelecendo novos procedimentos para a concessão de isenção de contribuições previdenciárias e para a outorga do Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social (Cebas). 2. O Congresso Nacional, ao rejeitar a Medida Provisória nº 446/08, não editou o decreto legislativo disciplinando as relações jurídicas dela decorrentes, conforme preconiza do art. 62, par. 3º, da Constituição Federal. 3. Como consequência, é forçoso reconhecer a incidência do art. 62, par. 11, da Constituição Federal, que estabelece que não editado o decreto legislativo a que se refere o par. 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. 4. As relações jurídicas que se formaram sob a égide das regras previstas nos arts. 37, 38, 39, 40 e 41 da Medida Provisória nº 446/08, bem como aquelas decorrentes de atos praticados pela Administração Pública Federal durante o seu período de vigência, continuarão sendo regidas pela citada Medida Provisória. 5. As normas que instituem órgãos e pessoas jurídicas ou alteram suas atribuições não estabelecem relações jurídicas entre sujeitos de direito e por isso não têm sua atividade preservada pelo art. 62, par. 11, da CF/88. Analisando os fatos objeto do presente processo, verificase que, quando do deferimento do pedido de renovação do certificado de entidade beneficente (CEAS), em 03/02/2009, já não havia necessidade de apresentação do pedido de reconhecimento da isenção perante a autoridade fazendária, sendo suficiente a obtenção do CEAS para esse fim. Diante disso, não se podia exigir, da Recorrente, a apresentação, em 03/02/2009, de pedido de Fl. 515DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.002909/201019 Acórdão n.º 2401003.825 S2C4T1 Fl. 8 13 reconhecimento de isenção das contribuições previdenciárias devidas, ainda mais relativamente a período pretérito. Por outro lado, também não se poderia exigir da Recorrente a apresentação de pedido de reconhecimento de isenção no ano de 2007, se, naquele momento, a Recorrente dispunha de um mero protocolo de pedido de renovação de certificação de entidade beneficente, ainda pendente de apreciação. Ao obter o deferimento, em 03/02/2009, do pedido de renovação do CEAS apresentado em 19/04/2007, a Recorrente passou a fazer jus, automaticamente, à isenção/imunidade das contribuições previdenciárias, bastando, para tanto, cumprir os demais requisitos do artigo 28 da MP 446, dentre os quais não se encontrava a formulação de pleito administrativo de reconhecimento da imunidade/isenção tributária. Não procede, portanto, a exigência de apresentação de pedido de isenção para gozo da imunidade para o período abrangido pelo CEAS, especialmente quando tal exigência é formalizada através de lançamento efetuado no ano de 2010, ou seja, posteriormente ao deferimento do CEAS (03/02/2009). Vale ressaltar que, à época em que lavrado o auto de infração, já estava em vigor a Lei n. 12.101/2009, que revogou o artigo 55 da Lei n. 8.212/1991 e alterou os requisitos e procedimentos para gozo da imunidade constitucional. Essa novel legislação também dispensa a emissão de ato declaratório de isenção, a qual é automaticamente deferida a partir da concessão da certificação da entidade perante o órgão adequado – sistemática semelhante à prevista durante a vigência da MP 446. Em caso de descumprimento dos requisitos legais para gozo da imunidade/isenção, competia à autoridade fiscal demonstrar esse descumprimento através do ato de lançamento para cobrança das contribuições que deixaram de ser recolhidas. Ressaltese que o único descumprimento apontado no relatório fiscal diz respeito à falta de apresentação de pedido de ato declaratório de isenção, exigência esta indevida, conforme já visto acima. Deve, assim, ser reconhecida a imunidade quanto ao período abrangido pelo CEAS, ou seja, a partir do mês de abril de 2007. Para os meses de janeiro a março, contudo, a Recorrente não possuía CEAS, diante do que deve ser mantida a autuação. Multas Em seguida, a Recorrente pugna, em seu Recurso, subsidiariamente, pela aplicação da multa prevista na atual redação do art. 35 da Lei 8.212/91, respeitandose, portanto, o limite indicado no § 2º do art. 61 da Lei 9.430/96, com o objetivo de que a multa de mora seja limitada a 20%. Ora, da análise do Relatório Fiscal, verificase que a fiscalização considerou a multa de mora de 24%, prevista na legislação anterior, seria mais benéfica, aplicandoa. Entendo, contudo, que a multa de mora prevista na legislação atual é mais benéfica na medida em que está limitada a 20%, sendo devida, portanto, a aplicação retroativa do atual artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, conforme requerido pela Recorrente. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 Relatório de representantes legais Por fim, a Recorrente requereu a exclusão dos sócios do polo passivo da obrigação tributária, sob o argumento que o simples inadimplemento de contribuições previdenciárias não enseja a responsabilidade solidária dos diretores. Entretanto, esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já decidiu que é cabível a existência do Relatório de Representantes Legais nos Autos de Infração, razão pela qual tal alegação não merece prosperar. Isto porque, a existência do Relatório de Representantes Legais não estabelece a vinculação dos representantes na condição de devedores. A responsabilização é da pessoa jurídica em que foi lavrado o Auto de Infração e não dos seus sócios e gerentes, que, por serem representantes legais do sujeito passivo, constam no relatório apenas para o cumprimento das formalidades exigidas pela Administração. Inclusive, esse entendimento já foi pacificado por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a edição da súmula nº 88. Vejamos: Súmula CARF nº 88: “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sendo assim, considerando que a existência do relatório tem caráter meramente informativo, entendo pela sua manutenção. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para excluir do Auto de Infração DEBCAD n° 37.304.0555 os fatos geradores compreendidos entre os meses de abril a dezembro de 2007, bem como para limitar a multa aplicada a 20%. Carolina Wanderley Landim. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 35464.004934/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
EMBARGOS -OMISSÃO E CONTRADIÇÃO - PROPOSITURA PELO RECORRENTE - JULGAMENTO DE FATOS DIVERSOS DOS CONSTANTES DOS ALTOS - NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO - NÃO APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS RECURSAIS
Existindo contradição entre o acordão e os fatos descritos no processo, tendo sido proferido julgamento de matéria alheia aos autos, deve ser anulado o acordão anterior para que se proceda novo julgamento.
Sendo constatada a omissão pela não apreciação dos argumentos recursais, devem os embargos serem acatados com efeitos infringentes, para que o resultado do julgamento se adeque aos fatos nele constantes.
PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL EM RELAÇÃO A TODOS AS COMPETÊNCIAS NÃO ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - IMPOSSILIDADE DE APRECIAÇÃO DO MÉRITO - CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO
Tendo o recorrente ingressado com pedido de desistência parcial para todas as contribuições remanescentes após a apreciação da decadência não há o que ser apreciado quanto ao mérito do lançamento.
Embargos Acolhidos.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para anular o acórdão 2401-00.558, passando o resultado do julgamento a ser: CONHECER EM PARTE do recurso, para na parte conhecida, excluir do lançamento as contribuições até 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Sendo constatada a omissão pela não apreciação dos argumentos recursais, devem os embargos serem acatados com efeitos infringentes, para que o resultado do julgamento se adeque aos fatos nele constantes. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL EM RELAÇÃO A TODOS AS COMPETÊNCIAS NÃO ALCANÇADAS PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL IMPOSSILIDADE DE APRECIAÇÃO DO MÉRITO CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO Tendo o recorrente ingressado com pedido de desistência parcial para todas as contribuições remanescentes após a apreciação da decadência não há o que ser apreciado quanto ao mérito do lançamento. Embargos Acolhidos. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para anular o acórdão 240100.558, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 49 34 /2 00 6- 41 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 passando o resultado do julgamento a ser: CONHECER EM PARTE do recurso, para na parte conhecida, excluir do lançamento as contribuições até 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35464.004934/200641 Acórdão n.º 2401003.887 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos opostos pelo contribuinte, com fulcro no art. 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, o Contribuinte, opõe Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240100.558 de 20 de agosto de 2009, face omissão e contradição contidas no referido julgado. Destaco, primeiramente, que tendo em vista que a relatora Conselheira Cleusa Vieira de Souza não mais integra o colegiado da Primeira Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção e, conforme determina o parágrafo 7º, do art 49, do Regimento Interno do CARF Portaria MF 256/2012, fui designada como Relatora “ad hoc”, para analisar o Embargo de Declaração interposto pelo contribuinte, que ora encontrase sob apreciação deste colegiado. Segundo o embargante, o acordão padece de omissão e contradição tendo em vista que tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.043.5940 (...). Verificase através do histórico da Relação de Pagamentos apresentada, que os valores pagos às empresas Incentive House S/A (...), CSU Cardsystem S/A (...), Marketsystem Ltda (...) e Mark UP Incentive Marketing Prom. e Participação Ltda. (...), referemse a serviços terceirizados de administração de programa de bonificação através de cartões.(...)". Noticia que a NFLD consubstanciada no presente procedimento administrativo é a NFLD 37.043.6016, em que se exige as contribuições sociais referentes aos pagamentos efetuados pela Embargada a t í t u lo de bônus denominado "Sistema de Participação nos Resultados SPR". Digase, nesse sentido, que através do sistema comprot verificase que a NLFD n° 37.043.5940, está sendo debatida nos autos do Procedimento Administrativo n° 35464.002012/200781 (Doe. 03). No mesmo sistema verificase, ainda, que nestes autos, como afirmado, discutese a NFLD n° 37.043.6016 (Doe. 04). Pontua, ainda que o acórdão combatido não incorre apenas em mero equívoco quanto ao número da NFLD, eis que a matéria debatida no acórdão diverge da tratada nos presentes autos. Dessa forma, destaca que o acórdão embargado, deixa de analisar todos os argumentos lançados no recurso voluntário, revelandose, assim, cristalina a omissão nele imbricada. Assim, resta evidente não só a necessidade de conhecimento e provimento dos presentes autos para se analise a matéria efetivamente objeto do recurso voluntário, bem como a declaração/ nulidade de todos os atos posteriores ao mesmo. Ressalta, por fim, que a União opôs embargos, os quais não foram conhecidos, bem como recurso especial, em face do acórdão vergastado que, como comprovado, analisa Notificação de Lançamento de Débito diversa da consubstanciada nestes autos. Diante do exposto, ante a comprovada omissão e contradição contida no r. acórdão ora embargado, a Embargante requer o conhecimento e provimento dos presentes Embargos, para que sejam analisados os argumentos lançados no Recurso Voluntário interposto, bem como seja determinada a anulação e/ou dos atos posteriores ao referido acórdão pelas razões anteriormente expostas. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Analisando as omissões e contradições apontadas nos presentes embargos, entendo que razão assiste ao embargante, já que o relatório (com indicação do numero do DEBCAD e fatos geradores), referese a matéria diversa da contida nos autos. No mesmo sentido, o julgamento proferido pela turma do colegiado, aborda questões diversas das suscitadas pelo recorrente, razão pela qual ACOLHO os presentes embargos, considerando a evidente contradição contida nos autos. Assim, considerando a pertinência dos presentes embargos passo, a reapreciar o processo, promovendo a retificação do mesmo em todo o seu contexto. NOVO RELATÓRIO Tratam os presentes autos de NFLD, lavrada sob o n. 37.043.6016, em desfavor do recorrente e tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada em época própria, parcela da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, a destinada a terceiros, levantadas sobre os pagamentos feitos aos segurados empregados por meio do sistema de participação nos resultados SRP, no período de 01/1999 a 06/1999; 01/2000, 09/2000, 01/2001 a 03/2001, 12/2001, 02/2002 e 03/2002. Conforme relatório fiscal, fl. 43 a 54, assim, detalhou o auditor o lançamento: Não foram apresentados à fiscalização, apesar de formalmente solicitados mediante TIAD de 20/09/2006, documentos que demonstrassem os critérios utilizados pela empresa para remunerar os segurados empregados. Porém, foi informado verbalmente à fiscalização a política de pagamento somente do "SPR", como segue: a) O Sistema de Participação nos Resultados SPR foi instituído pela empresa, em conjunto com uma Comissão eleita dos representantes dos empregados; b) O objetivo do SPR é estimular a participação das equipes funcionais na realização dos objetivos da empresa; c) O pagamento do Sistema de Participação nos Resultados SPR não se confunde com o pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR; esta última é efetuada conforme determinações das Convenções Coletivas de Trabalho 2.3. Não foram comprovados à fiscalização, por meio de folhasde pagamento analíticas e memórias de cálculo, os pagamentos efetuados aos trabalhadores referentes à PLR, não sendo possível constatar a adequação de tais pagamentos aos critérios determinados nas Convenções Coletivas, caracterizandose, assim, o aspecto remuneratório do pagamento; 2.4. Resultou infrutífera a intimação tanto para a empresa apresentar as folhasdepagamento e os Livros Diários, quanto para revelar a quais segurados foram pagos os valores a título de SPR. Não foram apresentados, ainda, os documentos de suporte referentes aos lançamentos na escrituração contábil da Fl. 458DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35464.004934/200641 Acórdão n.º 2401003.887 S2C4T1 Fl. 4 5 empresa. Estes motivos levaram à autuação da empresa, conforme exposto no relatório fiscal; 2.5. Em razão disto, foi necessário o arbitramento do saláriode contribuíção, conforme detalhado nos itens 5 a 10 do relatório fiscal. Importante, destacar que a lavratura dos AIOP deuse em 11/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 12/12/2006. Inconformado com os AIOP lavrados, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 85 a 103. Foi exarada a Decisão de Primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 185 e seguintes. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCRA. CONSTITUCIONALIDADE / LEGALIDADE. E de 10 (dez) anos o prazo para apuração e constituição do crédito previdenciário, na inteligência do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Entendese por salário de contribuição para o empregado a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidades, artigo 28, inciso I, e parágrafos da Lei 8212/91, e alterações posteriores. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9o do artigo 28 da Lei n° 8212/91, e alterações posteriores, não integram o salário de contribuição. O STJ decidiu rever a jurisprudência sobre o INCRA (Eresp 770.451/SC), concluindo que a exação não teria sido extinta, subsistindo até os dias atuais. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade / legalidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 202 a 222, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Preliminarmente, requer a consideração do prazo decadencial de cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional, artigo 150, §4°; 2. No mérito, os valores desembolsados pela recorrente a título de bônus não integram a basedecálculo da contribuição previdencíária, na medida em que se tratam de ganhos eventuais; 3. Os bônus pagos pelo recorrente aos seus empregados e dirigentes dependem da ocorrência de um grande número de fatores, muitos deles completamente fora de controle Fl. 459DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 de quem paga e de quem recebe. Inclusive, as condições para pagamento de Bônus estão descritas no Manual de Instruções criado pela recorrente, no qual se verifica que o mesmo está relacionado ao cumprimento de metas e resultados e, dependendo do caso, ao desempenho individual do funcionário; 4. Ademais, o recorrente firmou Acordo Coletivo de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados PPR, com a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito CONTEC, onde se estabelece as condições para pagamento da remuneração variável decorrentes.dos resultados obtidos pela Impugnante; 5. Verificase que as parcelas ora discutidas jamais foram disponibilizadas pela recorrente a seus empregados de maneira habitual, restando destituído de continuidade" ou periodicidade necessários a sua configuração como salário; 6. Salientese que o simples fato do pagamento das verbas acima enumeradas se perfazerem em vantagens ao empregado não significa que as mesmas estão abrangidas pelo conceito de saláriodecontribuição, constante no art. 28, inciso I, da Ley n.° 8.212/91. 7. Ademais, o pagamento das verbas em comento aos empregados dispensados sepulta sua desvinculação ao salário; jurisprudência sobre o assunto; 8. Ressalta a improcedência das contribuições ao INCRA, em face de decisões do Superior Tribunal de Justiça; 9. Por todo o exposto, requer: 9.1. o conhecimento do recurso; 9.2. seja reconhecida a decadência do direito do fisco efetuar o lançamento dos meses de janeiro a dezembro de 2000 e junho, agosto, setembro, outubro e novembro de 2001; 9.3. o provimento da Impugnação; 9.4. sejam considerados indevidos os montantes relativos à contribuição ao INCRA. As fls. 260, atravessou o recorrente petição onde postula preferência pela aplicação da Súmula n.° 08 no julgamento, em relação aos períodos alcançados pela decadência qüinqüenal, extinguindose parcialmente o crédito tributário, bem como que a decadência qüinqüenal é matéria pacificada no CARF. Foi proferido acordão do CARF sob o n. 240100.558, fls. 268 e seguintes, ora embargado, cujo resultado foi assim encaminhado: ACORDAM os membros da 4 a Câmara / I a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até 11/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitass de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. II) Por unanimidade de votos no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Houve a propositura de embargos pela PGFN, fls. 284, onde questiona a aplicação do art. 150, §4°, do CTN, considerando que nos autos não é possível inferir a Fl. 460DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35464.004934/200641 Acórdão n.º 2401003.887 S2C4T1 Fl. 5 7 existência de recolhimentos parciais. Aqueles embargos restaram rejeitados, fls. 293, uma vez que a relatora entendeu que sobre os mesmos não pairavam a contradição apontada. Foi interposto recurso especial pela PGFN, fls. 298 a 303, onde questiona a aplicação do art. 150, §4 do CTN ante a inexistência de pagamento parcial antecipado. Às fls. 317 do processo, o contribuinte apresentou os embargos, onde destacou preliminarmente: 6. Inicialmente, importante esclarecer que a Embargante tomou ciência do acórdão embargado apenas quando teve vistas dos autos, em 22/10/2010. 7. Isso porque, o órgão responsável pe/a intimação do contribuinte acerca das decisões proferidas pelo CARF, nesse caso a DEINF/SP, através da Intimação Dicat/Eac n° 652/2010, notificou a Embargante da fluência do prazo para apresentação de cón{r razões, anexando a mesma apenas cópia do despacho que determinou' seguimento do Recurso Especial interposto pela União. 8. Ou seja, a Embargante foi intimada para contrarrazoar o Recurso Especial da União sem, no entanto, receber cópia do aludido recurso e do respectivo acórdão. 9. Aliás, impende destacar, que o Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF, no dispositivo do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial, determinou expressamente a intimação do contribuinte do acórdão prolatado. 10. Diante de tal situação, a Embargante solicitou vistas dos autos no dia 22/10/2010, momento em que teve conhecimento do acórdão embargado (Doe. 0 2 ) . 11. Assim, o termo inicial para contagem do prazo para oposição dos presentes Embargos iniciouse em 22/10/2010, estando os mesmos tempestivos, eis que foram opostos dentro do prazo de 5 dias a contar de seu conhecimento. Importante, destacar petição atravessada nos autos em 31 de janeiro de 2014, onde o recorrente manifesta a renúncia parcial, de forma irrevogável, ao direito que se funda este feitos em relação aos débitos apurados de dezembro de 2001 em diante, os quais foram inclusos na anistia da lei 12.865/13, conforme cópia às fls. 439. Às fls. 450, encontrase cópia de GPS do recorrente, porém sem a possibilidade de vinculação direta com o presente processo. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Considerando a pertinência dos embargos propostos pelo recorrente, conforme apreciado ainda no relatório desse voto, passo a reapreciação do feito, considerando os fatos geradores constantes no processo em questão. DECADÊNCIA Com relação a decadência, insurgese novamente o recorrente para que se aplique o art. 150, § 4 do CTN. Quanto a aplicação do prazo decadencial exponho meu entendimento a respeito do tema, concluindo ao final, o dispositivo legal a ser aplicado ao caso concreto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35464.004934/200641 Acórdão n.º 2401003.887 S2C4T1 Fl. 6 9 "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato Fl. 463DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (MORADIA, PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Afastase, assim a aplicação do art, 150, § 4º, pois como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Ou seja, no meu entender, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173, I do referido diploma. Contudo, embora, meu entendimento quanto a aplicação da decadência siga os parâmetros acima destacados, deixo de aplicar referido entendimento, tendo em vista posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao apreciar por diversas vezes a questão dos pagamentos indiretos firma entendimento de que em se tratando de salário indireto o recolhimento de qualquer montante, mesmo que a outro título ou sobre rubrica é suficiente para atender o comando legal de existência de pagamento antecipado, levando, por consequência a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. No mesmo sentido dispõe a súmula do CARF n. 99, aprovada na sessão de 09/12/2013, vejamos seu texto. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso em questão, o lançamento foi efetuado em 11/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 12/12/2006. Os fatos geradores ocorreram nas competência de 01/1999 a 06/1999; 01/2000, 09/2000, 01/2001 a 03/2001, 12/2001, 02/2002 e 03/2002. Sendo assim a luz do § 4º do art. 150 do CTN, devem ser excluídos os fatos geradores até a competência 11/2001. Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. DO MÉRITO Fl. 464DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 35464.004934/200641 Acórdão n.º 2401003.887 S2C4T1 Fl. 7 11 Remanescendo as competência 12/2001, 02/2002 e 03/2002, cumpriríanos passar a apreciar o mérito da NFLD, considerando que os embargos propostos demonstram a existência de contradição com os termos da autuação e omissão ao não apreciar as questões suscitadas pelo recorrente. Contudo, identifico um óbice a apreciação das questões de mérito trazidas pelo recorrente em seu recurso. Conforme destacado no relatório desse voto o recorrente ingressou com pedido de desistência parcial em 31 de janeiro de 2014, fls. 439, onde o recorrente manifesta a renúncia parcial, de forma irrevogável, ao direito que se funda este feito em relação aos débitos apurados de dezembro de 2001 em diante, os quais foram inclusos na anistia da lei 12.865/13. Assim, embora os presentes embargos tivessem que ser acatados para que se procedesse a retificação do acordão anterior, a nova apreciação não deverá adentrar ao mérito dos valores lançados, considerando a citada renúncia por parte do recorrente em relação as 3 competências que restaram após a aplicação da decadência quinquenal, o que implica do não conhecimento do recurso com relação ao mérito. CONCLUSÃO Voto pelo ACOLHIMENTO dos presentes embargos, com efeitos infringentes, para anular o acordão 240100.558, passando o resultado do julgamento a ser: CONHECER EM PARTE do recurso, para na parte conhecida, excluir do lançamento as contribuições até 11/2001, face a aplicação da decadência quinquenal. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007039/2003-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2, DO CARF.
Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, já que não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada.
Numero da decisão: 2201-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando as omissões apontadas no Acórdão de Embargos nº 2201-01.064, de 14/04/2011, manter a decisão original de por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área declarada como de reserva legal.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais omissões verificadas no acórdão. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2, DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ITR. VALOR DA TERRA NUA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O silêncio do contribuinte quando da sua Impugnação, a respeito de parte da exigência, leva à consolidação administrativa do crédito tributário lançado, já que não fica instaurado o litígio, tornando precluso o Recurso Voluntário quanto à nova matéria questionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando as omissões apontadas no Acórdão de Embargos nº 220101.064, de 14/04/2011, manter a decisão original de “por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área declarada como de reserva legal”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 70 39 /2 00 3- 33 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado tempestivamente com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. Em seu instrumento de Embargos alegou a Contribuinte que o Acórdão de Embargos nº 220101.064, de 14/04/2011, incorreu, em síntese, nas seguintes omissões: 1.1.1. Da Omissão quanto aos demais elementos probatórios da existência da área de preservação permanente. (...) 1.1.2. Da Omissão quanto a outros argumentos expressamente expendidos no Recurso Voluntário e contrários à pretensão fazendária desvinculados da comprovação da existência da área de preservação permanente para fins de isenção. (...) 3.2.2. DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA EXIGIBILIDADE ISENÇÃO Cujos argumentos constam das páginas 38 a 40 do Recurso Voluntário. 3.2.3. DA AFRONTA PELA PRETENSÃO FISCAL AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Cujos argumentos constam das páginas 40 a 42 do Recurso Voluntário. 3.3.1. DA IN EXATIDÃO DA BASE DE CÁLCULO REVISÃO DE OFICIO AJUSTE Cujos argumentos constam das páginas 43 a 45 do Recurso Voluntário. 3.3.2. DA INAPLICABILIDADE DA ALÍQUOTA UTILIZADA Cujos argumentos constam das páginas 45 a 49 do Recurso Voluntário. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10283.007039/200333 Acórdão n.º 2201002.628 S2C2T1 Fl. 3 3 Diante disto está presente a necessária condição para admissão dos presentes Embargos de Declaração diante da inegável omissão da decisão embargada quanto aos itens retro referidos. De fato, cotejandose o Recurso Voluntário de fls. 305/362pdf com o Acórdão de Embargos nº 220101.064, de 14/04/2011, verificase que o Conselheiro Relator deixou de se manifestar sobre alguns pontos. Assim, a presidente da 1ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho em Embargos exarado em 10/11/2014, rejeitou o item 1.1.1, já que não foi constatada qualquer omissão, e acolheu o item 1.1.2, determinando a inclusão do processo em pauta de julgamento para sanar o vício apontado. É o Relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade. Como se pode verificar da leitura do relatório, o Acórdão de Embargos nº 220101.064, de 14/04/2011, fls. 532/539pdf foi omisso, relativamente aos seguintes pontos suscitados pela Contribuinte em seu Recurso Voluntário, a saber: 3.2.2. DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA EXIGIBILIDADE ISENÇÃO Cujos argumentos constam das páginas 38 a 40 do Recurso Voluntário. 3.2.3. DA AFRONTA PELA PRETENSÃO FISCAL AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Cujos argumentos constam das páginas 40 a 42 do Recurso Voluntário. 3.3.1. DA INEXATIDÃO DA BASE DE CÁLCULO REVISÃO DE OFICIO AJUSTE Cujos argumentos constam das páginas 43 a 45 do Recurso Voluntário. 3.3.2. DA INAPLICABILIDADE DA ALÍQUOTA UTILIZADA Cujos argumentos constam das páginas 45 a 49 do Recurso Voluntário. Diante disto está presente a necessária condição para admissão dos presentes Embargos de Declaração diante da inegável omissão da decisão embargada quanto aos itens retro referidos. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Pois bem, relativamente ao efeito confiscatório da exigibilidade, fls. 342/344 pdf, cumpre esclarecer que não identifiquei no lançamento o vício apontado, já que a autoridade fiscal constituiu a exigência nos exatos termos consagrados pelo art. 142 do CTN. Da mesma forma, também não procede à alegação de afronta ao princípio constitucional da proporcionalidade, da moral pública, da razoabilidade e outros, já que esses princípios, por força de exigência tributária, deverão ser observados pelo legislador, no momento da criação da lei. Os atos de ofício praticados pela autoridade administrativa presumemse legais, mesmo porque, a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme ficou assentando na Súmula nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange à alegação de inexatidão da base de cálculo, em razão da não exclusão do valor total das benfeitorias da base de cálculo do imóvel, verifico, pois, que o sujeito passivo, em sua Impugnação, não se insurgiu contra o Valor da Terra Nua, fls. 92/93 (fls. 265/266Pdf), portanto, considerase não impugnada essa matéria, vez que não foi expressamente contestada, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dos arts. 1º da Lei nº 8.748/1993 e 67 da Lei nº 9.532/1997. O mesmo fundamento deve ser aplicado em relação à alegação de inaplicabilidade da alíquota de 20% sobre o VTN, do confisco e de afronta ao principio da legalidade, já que o Valor da Terra Nua, repisese, não foi objeto de Impugnação (fls. 92/93 fls. 265/266Pdf). Ante a todo o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando as omissões apontadas no Acórdão de Embargos nº 220101.064, de 14/04/2011, manter a decisão original de “por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área declarada como de reserva legal”. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 589DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725537/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, referente ao anocalendário de 2007 exercício de 2008, que reduziu o saldo de imposto a restituir em virtude de alterações realizadas pela fiscalização nos valores dos rendimentos tributáveis declarados e do imposto de renda retido na fonte compensado. Inconformado com a exigência, o Contribuinte defendeu o cancelamento do lançamento efetuado, por inexistência da infração tipificada e pela comprovação da retenção do IRRF. Após o exame da lide, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR/BACE julgou improcedente impugnação em decisão que restou assim ementada: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 53 7/ 20 09 -0 1 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725537/200901 Resolução nº 2801000.345 S2TE01 Fl. 72 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IMPOSTO NA FONTE. PERÍODO DIVERSO. Não pode ser compensado o imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos em anocalendário diverso. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado daquele acórdão em 24/09/2010 (AR, fl. 41), o interessado, representado por seu advogado, interpôs recurso voluntário de fls. 42/65, em 18/10/2010. Em sua defesa, discorre sobre falta de enquadramento legal da suposta infração fiscal, cerceamento de defesa, nulidade do lançamento fiscal e responsabilidade da fonte pagadora. Alega que o Fisco não levou em conta os cálculos do MM.Juízo, de fls.942/943, bem como desqualificou a DIRF relativa a 2007, apresentada pela fonte pagadora, PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS, considerandoa incorreta, por supostamente se referir a retenção sobre rendimentos pagos em 2006. Argumenta, ainda, que a jurisprudência pátria tem afastado a incidência do imposto de renda sobre o montante recebido de forma acumulada. Dessa forma, impede que o Contribuinte seja penalizado com uma tributação originariamente indevida ou excessivamente mais gravosa, mormente quando não deu causa ao pagamento realizado com atraso. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento foi assim fundamentado (fl. 15): De acordo com documentos apresentados pelo contribuinte referentes a ação judicial trabalhista nº02350.1992.005002RT, tendo como executada Petróleo Brasileiro S/a, constatamos:. Valor Bruto, R$4.667,39 (fl 941 e fl.95l)*; IRRF, R$233,56(fl.941)*;. INSS, R$0,00, Rendimento Tributável, R$3.492,61. O Rendimento Tributável representa 74,83%(f1.941)* do Valor Bruto. Foi pago R$795,89 de honorários advocatícios. O valor bruto deduzido os honorários é R$3.871,50. Deste valor 74,83% são tributáveis, ou seja R$2.897,04.Embora na folha 941* seja apontado um valor bruto de R$5.551,70, verificase que a composição do valor bruto é o valor efetivamente liberado R$4.433,83(f1.951)* + o valor do imposto retido na fonte R$233,56, perfazendo um total bruto de . R$4.667,39.Esclarecemos que o valor da DIRF apresentada pela fonte pagadora no anocalendário de 2007 se refere, na verdade, a uma Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.725537/200901 Resolução nº 2801000.345 S2TE01 Fl. 73 3 liberação efetuado no anocalendário de 2006 (fl.942)*. *folha do processo trabalhista. O Recorrente alega que o Fisco não levou em conta os cálculos do MM.Juízo, de fls.942/943 (fls. 23/24 deste processo digital, bem como desqualificou a DIRF relativa a 2007, apresentada pela fonte pagadora, PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS, considerandoa incorreta. Compulsando os autos, não se encontra a DIRF apresentada pela fonte pagadora, PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS, referente ao anocalendário de 2007. Em face do acima exposto e com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a fonte pagadora PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS seja intimada a informar o valor dos rendimentos pagos ao Contribuinte no anocalendário de 2007, e o correspondente valor do imposto de renda retido na fonte, em decorrência de determinação judicial constante do Processo nº 02350.1992005 05002RT. Após tais providências e ciência ao Contribuinte, devem os autos retornar a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 73DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000113/2006-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001, 2002
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO.
A teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96 a multa de ofício só não pode ser aplicada em lançamentos para prevenção da decadência, quando a exigibilidade do crédito tributário houver sido suspensa antes do início da ação fiscal, hipótese que não se verificou no caso concreto.
JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001, 2002 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. A teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96 a multa de ofício só não pode ser aplicada em lançamentos para prevenção da decadência, quando a exigibilidade do crédito tributário houver sido suspensa antes do início da ação fiscal, hipótese que não se verificou no caso concreto. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso voluntário negado.
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MULTA DE OFÍCIO. A teor do art. 63 da Lei nº 9.430/96 a multa de ofício só não pode ser aplicada em lançamentos para prevenção da decadência, quando a exigibilidade do crédito tributário houver sido suspensa antes do início da ação fiscal, hipótese que não se verificou no caso concreto. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 13 /2 00 6- 66 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 31/01/2006, lavrado para exigir o crédito tributário relativo à COFINS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento nos períodos de apuração compreendidos entre maio de 2001 e março de 2002. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 24/30, em sede de agravo de instrumento no mandado de segurança 1999.61.00.0229656 o TRF da 3ª Região concedeu liminar que autorizou o contribuinte a efetuar a compensação dos valores recolhidos a maior durante os anos de 1993 a 1997 da Contribuição Social sobre o Lucro, com a alíquota majorada para instituições financeiras, com parcelas vincendas da própria CSL e da COFINS, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91. A liminar foi cassada e o contribuinte efetuou um depósito em juízo no valor de R$ 2.097.482.17 no dia 01/04/2004 para suspender a exigibilidade em relação aos períodos de apuração de julho de 1999 a março de 2002. Entretanto esse depósito só foi suficiente para suspender a exigibilidade da contribuição em relação aos fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 e abril de 2001. A fiscalização lavrou dois autos de infração. O primeiro relativo ao período de maio de 2001 a março de 2002, sem exigibilidade suspensa, objeto do presente processo administrativo. E o segundo, relativo ao período de julho de 1999 a abril de 2001, com exigibilidade suspensa, objeto do processo 16327.000114/200619. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que a fiscalização imputou o valor total do depósito efetuado a períodos de apuração já alcançados pela decadência. A fiscalização deveria ter desconsiderado o período decaído, o que faria o período de maio de 2001 a março de 2002 se deslocar para setembro de 2001 a março de 2002, conforme planilha anexa. Solicitou o julgamento em conjunto com o processo 16327.000114/200619. Por meio do Acórdão 19.651, de 26 de novembro de 2008, a DRJ São Paulo atendeu ao pleito do contribuinte quanto ao julgamento em conjunto. No processo 16327.000114/200619 a DRJ reconheceu em parte a decadência, mas não reconheceu o direito de utilização da parcela dos depósitos imputada ao período decaído para suspender a exigibilidade dos períodos não decaídos. Segundo a DRJ: "(...) Naquela decisão foi observado que o interesse do autuado de aproveitar depósito judicial de período decaído para lastrear fatos geradores posteriores, — que, de outra forma, não estariam garantidos , implicaria alterar, por arbítrio próprio, fato sub judice. A vinculação dos depósitos judiciais aos respectivos fatos geradores dos créditos tributários discutidos em juizo, embora realizada pelo próprio autor da ação, no caso, o autuado, fora acolhida pelo Juizo, passando a estar sob a tutela judicial. Desta forma, a eventual desvinculação do valor depositado, do fato gerador inicialmente indicado, e sua aplicação em outro fato gerador somente poderia ser efetuada no âmbito do processo judicial e por determinação do Juizo. Nem o Fisco, nem o autuado teria legitimidade para proceder a alterações em valores sob tutela judicial. Assim, o argumento de que depósitos efetuados para fatos geradores decaídos podem ser Fl. 379DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000113/200666 Acórdão n.º 3403003.542 S3C4T3 Fl. 5 3 aproveitados, ao talante do autuado, em outros fatos geradores não garantidos, carecia de validade.(...)" A DRJ também rejeitou a possibilidade de cancelar o auto de infração, em função de depósito complementar efetuado pelo contribuinte: "(...) Impende notar, por fim, que o fato de o autuado ter efetuado depósito judicial complementar (fls. 82, 112 a 114), após ser cientificado do presente Auto de Infração, em nada altera a legitimidade do lançamento, que está fundado no artigo 142, do CTN, e no Decreto 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal. 16. Desta forma, o pedido de cancelamento do presente lançamento por conta do pretendido aproveitamento de depósito judicial somado com o depósito complementar que alega ter efetuado, não pode ser acolhido, por carência de fundamento, quer na lei, quer no direito.(...)" Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 26/12/2008 (fls. 270), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 274 e ss. em 26/01/2009. Teceu um breve resumo do processo judicial, alegando que encontrase pendente de julgamento no STF o RE 587.987. Disse que embora a DRJ tenha julgado o lançamento procedente, não há razão para enviar o processo para cobrança executiva, pois em 02/03/2006 foi depositado o valor de R$ 1.089.155,77 para cobrir o período de setembro de 2001 a abril de 2002, incluindo multa e juros. Requereu a exclusão da multa e dos juros e a suspensão da cobrança até que sobrevenha a decisão definitiva a ser proferida no processo judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme se verifica nos autos, o auto de infração se originou da insuficiência do depósito judicial efetuado em 01/04/2004 no valor de R$ 2.097.482,17 para suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo aos períodos de apuração de julho de 1999 a março de 2002. Em cálculo de imputação elaborado pelo fisco, o valor depositado foi imputado ao crédito tributário cuja exigibilidade a instituição financeira desejou suspender, tendo sido constatado que o depósito efetuado em 01/04/2004 (fl. 144) só foi suficiente para suspender a exigibilidade do crédito tributário do período de julho de 1999 a abril de 2001. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Permaneceu não coberto por depósito o crédito tributário do período de maio de 2001 a março de 2002, que foi lançado no auto de infração albergado neste processo. O valor do crédito tributário sem exigibilidade suspensa é justamente aquele que consta do presente auto de infração: COFINS: R$ 827.199,04 JUROS DE MORA: R$ 612.536,42 MULTA DE OFÍCIO: R$ 620.399,24 O pleito do contribuinte no sentido de que a parcela do depósito judicial efetuado em 01/04/2004, alocada a períodos alcançados pela decadência no processo 16327.000114/200619, fosse utilizada para cobrir débito de períodos não decaídos foi negado pela decisão de primeira instância. Contra essa negativa, a defesa não se insurgiu no recurso voluntário, fato que tornou a decisão da DRJ definitiva na esfera administrativa quanto a esta questão, a teor do disposto no art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72. Em sede de recurso, a defesa limitouse a invocar o depósito complementar efetuado no dia 02/03/2006, no valor de R$ 1.089.155,77 (fl. 314), que segundo a ilustre advogada se destina a cobrir o período de setembro de 2001 a abril de 2002. Com base em tal depósito a defesa solicita exclusão da multa e dos juros. É evidente que o valor depositado no dia 02/03/2006 continua a ser insuficiente para suspender a exigibilidade do crédito tributário. A uma porque a própria recorrente alegou que o depósito complementar foi feito para cobrir o período de setembro de 2001 a abril de 2002, quando o período em aberto verificado pela fiscalização alcança maio de 2001 a março de 2002. Assim, ficaram de fora do depósito complementar os meses de maio a agosto de 2001. Acrescentese que o mês de abril de 2002 não foi lançado no presente auto de infração. Ao efetuar esse depósito, a defesa insiste na tese da desalocação dos depósitos que suspenderam a exigibilidade do crédito tributário de períodos decaídos no processo nº 16327.000114/200619, fato que não está mais em discussão neste processo, da falta de contestação expressa do acórdão da DRJ quanto a esta matéria. A duas, porque o valor a ser depositado já estava calculado no auto de infração. A diferença a menor dos depósitos é o valor da própria contribuição lançada no auto de infração (R$ 827.199,04). O valor dos juros devidos é o lançado no auto de infração (R$ 612.536,42) e o valor da multa a ser depositado no dia 02/03/2006, data de vencimento do auto de infração, era de 50% do valor lançado, ou seja, R$ 310.199,62. Desse modo, no dia 02/03/2006 a recorrente deveria ter depositado em juízo R$ 1.749.935,08, mas depositou apenas R$ 1.089.155,77 porque ignorou o indeferimento de seu pleito decidida no acórdão recorrido. Considerando que ainda não existe depósito do montante integral do crédito tributário, é evidente que o caso concreto não se enquadra na Súmula CARF nº 5, in verbis: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.000113/200666 Acórdão n.º 3403003.542 S3C4T3 Fl. 6 5 exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com esses fundamentos, os juros de mora devem ser mantidos no auto de infração, pois é pacífico o entendimento jurisprudencial no sentido de que somente o depósito do montante integral do crédito tributário é passível de purgar a mora. Relativamente à multa de ofício, o art. 63 da Lei nº 9.430/96 estabelece o seguinte: Art. 63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Considerando que no caso concreto a exigibilidade do crédito tributário não estava suspensa quando do início da ação fiscal (em 02/12/2004, fl. 02) porque o depósito efetuado em 01/04/2004 (fl. 144) foi insuficiente, não há amparo legal para a exclusão da multa de ofício. Quanto à suspensão da cobrança, a decisão de inscrever ou não os débitos ao final do processo administrativo é exclusiva do Procurador da Fazenda Nacional, a teor do art. 2º, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.830/80. À luz desses dispositivos legais, não cabe a este colegiado decidir por aquela suspensão em sede de recurso voluntário. A uma por falta de competência legal. A duas porque a exigibilidade do crédito tributário já está suspensa em virtude do efeito suspensivo dos recursos administrativos no âmbito do PAF. A três, porque em face da presente decisão ainda existem recursos que podem ser manejados pelo contribuinte. E a quatro, porque este colegiado não pode se manifestar sobre hipótese futura que pode, inclusive, nem se concretizar, uma vez que pende o julgamento do RE 587.987, cujo resultado é prejudicial a este processo administrativo. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13984.721598/2012-31
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
GRAU DE UTILIZAÇÃO DA ÁREA APROVEITÁVEL.
Cabe ao contribuinte trazer os documentos necessários para a comprovação das áreas utilizadas na atividade rural.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - GLOSA
Quanto às áreas de preservação permanente é indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas.
ITR - GLOSA DA DEDUÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA RESPECTIVA JUNTO À MATRICULA DO IMÓVEL - PROVA QUE CABE AO CONTRIBUINTE
Para a dedução das áreas de reserva legal no cálculo do ITR necessária é a área declarada pelo contribuinte estar regularmente delimitada e averbada junto à matrícula do imóvel, sendo certo que esta prova deve ser feita pelo contribuinte.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos CONHECER integralmente o recurso voluntário e NEGAR-LHE, PROVIMENTO, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos, em preliminar os Conselheiros RONNIE SOARES ANDERSON (Relator) e JACI DE ASSIS JÚNIOR que votaram por não conhecer do recurso voluntário na parte referente à discussão sobre áreas de preservação permanente e de reserva legal, por preclusão, e negar provimento ao recurso voluntário. Ambos os Conselheiros vencidos em preliminar, votaram o mérito do recurso integralmente conhecido, negando-lhe provimento. No mérito, foram vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e JULIANNA BANDEIRA TOSCANO que votaram por realização de diligência quanto à averbação da reserva legal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 GRAU DE UTILIZAÇÃO DA ÁREA APROVEITÁVEL. Cabe ao contribuinte trazer os documentos necessários para a comprovação das áreas utilizadas na atividade rural. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - GLOSA Quanto às áreas de preservação permanente é indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas. ITR - GLOSA DA DEDUÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA RESPECTIVA JUNTO À MATRICULA DO IMÓVEL - PROVA QUE CABE AO CONTRIBUINTE Para a dedução das áreas de reserva legal no cálculo do ITR necessária é a área declarada pelo contribuinte estar regularmente delimitada e averbada junto à matrícula do imóvel, sendo certo que esta prova deve ser feita pelo contribuinte. Recurso voluntário negado.
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Cabe ao contribuinte trazer os documentos necessários para a comprovação das áreas utilizadas na atividade rural. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSA Quanto às áreas de preservação permanente é indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas. ITR GLOSA DA DEDUÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA RESPECTIVA JUNTO À MATRICULA DO IMÓVEL PROVA QUE CABE AO CONTRIBUINTE Para a dedução das áreas de reserva legal no cálculo do ITR necessária é a área declarada pelo contribuinte estar regularmente delimitada e averbada junto à matrícula do imóvel, sendo certo que esta prova deve ser feita pelo contribuinte. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos CONHECER integralmente o recurso voluntário e NEGARLHE, PROVIMENTO, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos, em preliminar os Conselheiros RONNIE SOARES ANDERSON (Relator) e JACI DE ASSIS JÚNIOR que votaram por não conhecer do recurso voluntário na parte referente à discussão sobre áreas de preservação permanente e de reserva legal, por preclusão, e negar provimento ao recurso voluntário. Ambos os Conselheiros vencidos em preliminar, votaram o mérito do recurso integralmente conhecido, negandolhe provimento. No mérito, foram vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 15 98 /2 01 2- 31 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 MARTÍN FERNÁNDEZ e JULIANNA BANDEIRA TOSCANO que votaram por realização de diligência quanto à averbação da reserva legal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro CARLOS ANDRÉ RIBAS DE MELLO. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. (Assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Infração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do anocalendário de 2007, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 44.424,47 relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Coxilha Rica", com área de 203,4 ha, NIRF 1.381.301 3, localizado no município de Lages/SC. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a informação de que, após intimado, o contribuinte não comprovou o Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Alegou, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal que não possui laudo porque a legislação proíbe aplicar reavaliação do imóvel para fins de ganho de capitais. Dada a ausência de comprovação do VTN declarado, demandou que este fosse substituído tendo por base as informações constantes do Sistema de Preços de Terras – SIPT, previsto para o município de localização do imóvel em 2008. O interessado impugnou o lançamento, sustentando que preencheu a DITR (Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural) do exercício 2008 com erro, pois deixou de informar corretamente a distribuição da área do imóvel, equívoco que buscou sanar com as devidos dados de forma a adequar o Grau de Utilização do imóvel à realidade fática. Concordou com o VTN tributado, e afirmou que as Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal se encontram averbadas na matrícula do imóvel. Aduziu não ser obrigatória a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA para excluir essas áreas da base de cálculo do ITR, citando decisões administrativas e do Superior Tribunal de Justiça. Ao final, pleiteou fosse reformada a Notificação de Lançamento, com alíquota apropriada para o Grau de Utilização apurado. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13984.721598/201231 Acórdão n.º 2802002.998 S2TE02 Fl. 92 3 A instância de primeiro grau julgou a impugnação improcedente, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: Retificação dos Dados Cadastrais Área Utilizada. Incabível a alteração da distribuição das áreas do imóvel informada no DIAT/2008 quando não restar comprovado, mediante prova documental hábil, o erro de fato no preenchimento da declaração. Áreas de Preservação Permanente/Reserva Legal. Tributação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária. Para de reserva legal, é importante que a área esteja averbada na matrícula do imóvel na data de ocorrência do fato gerador do ITR, conforme dispõe a legislação tributária. Matéria não Impugnada Valor da Terra Nua. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Irresignado, o autuado interpôs recurso voluntário em 16/10/2013, no qual defende a análise das provas sob a égide dos princípios da verdade e da informalidade, de modo a ser reconhecido o justo valor do ITR a ser pago depois de utilizadas as informações quanto ao uso da terra ("GU/GUT"). Destaca que possui no imóvel em tela plantio de floresta exótica de pinus, requerendo a juntada de laudos técnicos realizados por engenheiros agrônomos dando conta do respectivo potencial madeireiro, e que, por outro lado, solicitou aos órgãos municipais e estaduais cópias de suas fichas de vacina e movimentação de gado, mas que até o momento não recebeu essas informações. Requer a juntada dos citados documentos, e a reforma do acórdão vergastado com "o reconhecimento do Grau de Utilização da Terra, com as devidas deduções legais aplicáveis na espécie, apurandose novo e justo valor a ser pago". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Como visto, a matéria objeto do recurso cingese ao Grau de Utilização da Terra, restando as questões atinentes à APP, à Reserva Legal e ao VTN preclusas, por não terem sido impugnadas. O Grau de Utilização da Terra é apurado como razão entre a área utilizada pela atividade rural e a área aproveitável do imóvel, servindo de referência para a definição da alíquota aplicável sobre o VTN tributável, para fins de cálculo do ITR devido. Na DITR 2008, os campos referentes à distribuição da áreas utilizadas na atividade rural constaram preenchidos zerados. Segundo o alegado na impugnação, ocorreu erro nessa informação, sendo os valores corretos os seguintes, com base em uma área aproveitável de 97,8 ha: Área de Produtos Vegetais – 34,0 ha; Área de Reflorestamento 23,3 ha; Área de Pastagens – 15,4 ha. Nenhum documento foi apresentado, que tivesse o condão de corroborar os números supra referidos. A comprovação da área utilizada nessas atividades requer a apresentação de Laudo Técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação Responsabilidade Técnica – ART, devidamente registrada no CREA, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais (Secretarias Estaduais de Agricultura, Banco do Brasil, Bancos e Órgãos Regionais e Estaduais de Desenvolvimento), nos quais deverão estar discriminadas as culturas e atividades desenvolvidas e as áreas com elas utilizadas, acompanhadas de notas fiscais de produtor rural, notas fiscais de compras de insumos, notas fiscais de comercialização de produtos, certificado de depósito, contratos ou cédulas de crédito rural. De outra parte, em se tratando da atividade pecuária, no laudo deverão estar discriminadas as áreas utilizadas com pastagem nativa, plantada e com forrageira de corte destinada à alimentação dos animais na propriedade, a quantidade de animais de grande e médio portes existente no imóvel, acompanhado das fichas de vacinação expedidas pelos órgãos competentes, demonstrativo de movimentação de gado (DMG/DMR) emitidos pelos Estados, notas fiscais de aquisição de vacinas, notas fiscais de produtor referente a venda/compra de gado. Pois bem, no que diz respeito à área de produtos vegetais, quedou silente o contribuinte. Quanto à área de pastagens, arrazoou ele que solicitou junto à Prefeitura e à Secretaria do Estado de Santa Catarina cópia de suas fichas de vacina e de movimentação, não havendo ainda obtido essas informações, porém não juntou qualquer protocolo ou documento do gênero que confirmasse ter, efetivamente, diligenciado nesse sentido. Acerca da área de reflorestamento, juntou laudos técnicos, o primeiro datado de 1/12/2006 e o segundo datado de 5/1/2007, bem como comprovantes dos respectivos pagamento de guias ART, no intento de lograr amparo para seus argumentos (fls. 76/87). Em nada lhe socorrem, entretanto, tais documentos. O imóvel ora sob exame, consoante narrado, é a Fazenda "Coxilha Rica", com área de 203,4 ha, NIRF 1.381.3013, localizada no Município de Lages/SC. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13984.721598/201231 Acórdão n.º 2802002.998 S2TE02 Fl. 93 5 Já os laudos em foco referemse à Gleba 01, localizada no Município de Otacílio Costa/SC, com área de 20,05 ha, e à Gleba 04, situada no Município de São José do Cerrito (Município Rio das Corredeiras, conforme o primeiro laudo), no local denominado Fazenda das Corredeiras, com área de 476,25 ha. Tratamse de laudos atinentes a imóveis distintos, portanto. Assim sendo, escorreita a Notificação de Lançamento, bem como a decisão a quo. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Voto Vencedor De início deve ser esclarecido que a motivação deste voto divergente nada tem que ver com o mérito do judicioso voto do I. Conselheiro Ronnie Soares Anderson, com o qual concordo integralmente. Em verdade não há divergência, mas acréscimo de fundamentos de mérito, pois o D. Relator entendeu por não conhecer a insurgência do Recorrente quanto à discussão sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que para este Redator fica bastante evidente às fls. 67. Assim, tendo a maioria do colegiado decidido por conhecer da irresignação do Recorrente quanto à exclusão da tributação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, passase ao enfrentamento delas: Áreas de preservação permanente A apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. Referida lei acrescentou à Lei 6938/81 o artigo 170, que dispõe, verbis: "Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria § 1ºA A. Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. ( ) “ Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Assim sendo, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente, a partir do exercício de 2001, deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida) Nos termos do art. 10, § 4º' da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997 e, para o exercício em questão, encontra se prevista na IN/SRF nº 256/2002, no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei 6.938/1981, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165/2000, acima transcrito, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lbama. No caso presente, a não apresentação do ADA relativo ao exercício em tela, devidamente protocolado no prazo legal, fato admitido pelo contribuinte, é por si só razão suficiente para afastar a pretensão de ver restabelecida a dedução da área de preservação permanente de que trata os autos. Áreas de reserva legal O Recorrente apenas afirma que a área de reserva legal está averbada junto à matrícula do imóvel, e até afirma no recurso (fls. 68) que apresentou cópia de tal escritura à autoridade fiscal, mas na verdade desde sua impugnação, em 2011, nunca apresentou tal documento. Em que pese a sugestão dos I. Conselheiros German Alejandro San Martín Fernandez e Julianna Bandeira Toscano de diligenciar a busca da existência do referido documento, entendo que o processo é um andar para frente, e que o contribuinte não poderia ter se desincumbido do ônus de produzir prova de seu único e exclusivo interesse. Portanto, inexistindo prova de tal averbação, é de se manter a glosa de tal dedução. Por todo o exposto, e pelas razões de mérito suscitadas pelo I. Conselheiro Ronnie Soares Anderson, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello – Redator designado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 14479.000769/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato que pudesse acarretar na sua nulidade, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES INADEQUADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há previsão legal para que as decisões tomadas no processo administrativo sejam declaradas nulas, quando o julgador utiliza expressão inadequada para se referir à tese apresentada pelo sujeito passivo, a menos que reste comprovado nos autos a ocorrência de atropelo ao princípio da impessoalidade.
AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA.
É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada.
AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DE REGISTROS CONTÁBEIS.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas.
Numero da decisão: 2401-003.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) conhecer em parte do recurso, face concomitância de ação judicial; b) rejeitar as preliminares de nulidade. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que acolhiam a ilegitimidade. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para: a) excluir a multa aplicada, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que mantinham a multa; e a conselheira Carolina Wanderley Landim que também excluía os juros dos valores eventualmente depositados parcialmente.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL. SUBROGAÇÃO Recorrente JBS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PESSOAS FÍSICAS. DECISÃO JUDICIAL AFASTANDO A OBRIGAÇÃO DE RETER DO ADQUIRENTE. LEGITIMIDADE PASSIVA DESTE. A legitimidade para figurar no polo passivo do lançamento para prevenir a decadência é da empresa adquirente de produtos rurais de pessoas físicas, quando esta detém, no momento do lançamento, provimento judicial provisório para se livrar da obrigação de reter e recolher a contribuição dos seus fornecedores. EMPRESA EXPORTADORA. IMUNIDADE. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES RETIDAS EM RAZÃO DA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS DE PESSOAS FÍSICAS. Mesmo as empresa exportadoras, imunes do recolhimento de tributos sobre as receitas decorrentes de exportação, têm a obrigação de recolher as contribuições retidas dos seus fornecedores pessoas físicas, decorrentes da aquisição de produto rural. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS/CORRESPONSÁVEIS. INEXISTÊNCIA. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos ou “Relatório de Corresponsáveis” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 07 69 /2 00 7- 09 Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação de multa de ofício nos lançamentos para prevenir a decadência em face de suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente das causas previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIAS DAS EMPRESAS INTEGRANTES PELAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO ADIMPLIDAS. Caracterizado o grupo econômico de fato, dada a existência de comando único e confusão patrimonial, financeira e operacional entre as empresas integrantes, respondem estas solidariamente pelas contribuições sociais não recolhidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2005 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato que pudesse acarretar na sua nulidade, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. UTILIZAÇÃO DE EXPRESSÕES INADEQUADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há previsão legal para que as decisões tomadas no processo administrativo sejam declaradas nulas, quando o julgador utiliza expressão inadequada para se referir à tese apresentada pelo sujeito passivo, a menos que reste comprovado nos autos a ocorrência de atropelo ao princípio da impessoalidade. Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.576 3 AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada. AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DE REGISTROS CONTÁBEIS. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) conhecer em parte do recurso, face concomitância de ação judicial; b) rejeitar as preliminares de nulidade. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que acolhiam a ilegitimidade. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para: a) excluir a multa aplicada, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que mantinham a multa; e a conselheira Carolina Wanderley Landim que também excluía os juros dos valores eventualmente depositados parcialmente. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 Relatório Tratase de recursos interpostos pelo sujeito passivo e por pessoas elencadas no “Relatório de Vínculos” contra a DecisãoNotificação n. 21.421.0/108/2006 de lavra da Delegacia da Receita Previdenciária DRP em Araçatuba (SP), que julgou procedente o lançamento consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 35.865.8586. Observese que a razão social da empresa autuada, vinculada ao CNPJ 02.916.265/001131, era FRIBOI LTDA, a qual posteriormente foi alterada para JBS S/A. O lançamento em questão trata da exigência das contribuições previdenciárias, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR. Os fatos geradores contemplados na NFLD foram as aquisições de produtos rurais (gado para abate) de produtores rurais pessoas físicas pela empresa autuada, a qual estava obrigada ao recolhimento das contribuições decorrentes por força da subrogação prevista no inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Os valores que serviram como base de cálculo da apuração foram extraídos do discriminativo de notas fiscais de entrada fornecida em meio magnético pela empresa, .denominado “COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL (BOVINOS) – PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA”. Informa a fiscalização, que em razão da empresa não ter apresentado as Notas Fiscais de Entrada (em meio papel), e nem os Livros Diário e Razão, não teve como comprovar se houve ou não o desconto das contribuições dos produtores rurais. Foi caracterizado grupo econômico de fato formado pela notificada e pela empresa Agropecuária Friboi Ltda, afirmando o fisco que ambas pertencem a grupo empresarial, comandado pela “Família Mendonça Batista”. Noticiase ainda que a fiscalizada impetrou o Mandado de Segurança – MS n. 2001.61.00.0000509 na 18.ª Vara Federal de São Paulo, com pedido de liminar, requerendo a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da obrigação prevista nos incisos II e IV do art. 30 da n.º 8.212/1991 e art. 25, § 4. , da Lei n. 8.870/1994. Continuando, informase que em 30/01/2001 foi deferida liminar para suspender a exigibilidade conforme pedido do autor e, em 16/12/2004, foi exarada sentença na qual se determinou à impetrante que procedesse ao depósito judicial de todos os valores que reteve e que viesse a reter dos produtores rurais a titulo de "Funrural", não repassados ao INSS, sob pena de revogação da liminar. Adiante o fisco transcreveu os termos da sentença exarada no bojo do referido MS: "Posto isto, CONCEDO A SEGURANÇA, para declarar que a impetrante não está sujeita à retenção e ao recolhimento da Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.577 5 contribuição denominada NOVO FUNRURAL, de que trata a Lei 8540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei 8212/91, em relação às aquisições de bovinos junto a produtores rurais pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea "a" do inciso V da Lei 8212191, devendo a autoridade impetrada absterse de exigir esta retenção e os respectivos recolhimentos, exceto em relação às aquisições efetuadas junto a produtores rurais pessoa física considerados como segurados especiais, especificados no inciso VII, também do artigo 12 da Lei 8212/91, não objeto de discussão neste autos:”. Diante desses fatos, o fisco ressaltou que a constituição do crédito estaria se dando para prevenir a decadência, ficando a cobrança com a exigibilidade suspensa até decisão final no referido MS, quando então seriam lavradas as cabíveis representações fiscais para fins penais. Cientificada do lançamento em 14/12/2006, a notificada ofertou defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRP, que declarou procedente o lançamento (ver fls. 2.316 e segs.). Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso (fls. 2.343 e segs.), no qual, em síntese, alegou que: a) o feito administrativo deve ficar sobrestado em virtude de decisão judicial que suspendeu a exigibilidade do tributo, devendo ser intimado a apresentar novo recurso ou a pagar o débito somente em caso de reforma da sentença judicial que lhe beneficia; b) impetrou mandado de segurança contra a exigência do depósito recursal prévio, previsto no art. 126 da Lei n. 8.213/1991; c) a escrituração da empresa é transparente e idônea, não se justificando o arbitramento do tributo, observandose no lançamento, ainda, que o fisco sequer excluiu da apuração as receitas de exportação; d) toda exação relativa ao “Novo Funrural” foi objeto da decisão judicial mencionada, assim, os efeitos da lei em que se fundamenta o lançamento estão suspensos para o contribuinte, além de que há uma série de decisões liminares favoráveis aos seus fornecedores de gado e seus sindicatos, determinando a impossibilidade da exigência das contribuições lançadas; e) o fisco não observou a norma do art. 37 da Lei n.º 8.212/1991, pois os fatos geradores das contribuições não foram discriminados de forma clara e precisa, dificultandose o exercício do direito da recorrente à ampla defesa; f) o agente fiscal responsável pela lavratura não possui competência, haja vista que a empresa possui domicílio tributário na cidade de São Paulo e a ação fiscal ocorreu na cidade de Andradina; g) também não foi apresentado pelo auditor fiscal a comprovação de que possuía habilitação no Conselho Regional de Contabilidade – CRC, por esse motivo houve mais um vício de competência; Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 h) alega que a contribuição lançada é ilegal e inconstitucional, conforme demonstra mediante vários argumentos; i) mesmo que seja procedente a contribuição para o Funrural, improcede a presente NFLD, posto que a empresa notificada é uma exportadora, não incidindo contribuições sobre as receitas de exportação, conforme o inciso I do § 2. do art. 149 da Carta Magna; j) requesta pela declaração de nulidade da decisão recorrida, posto que o julgador teria quebrado o princípio da impessoalidade ao tachar o argumento acerca da imunidade de “ridículo”; k) deveria o fisco ter primeiramente intimado os contribuintes para, somente depois, exigir as contribuições do responsável, mesmo porque os descontos muitas vezes não ocorreram em razão de medidas liminares concedidas aos seus fornecedores de gado; l) inexiste na situação a solidariedade apontada pelo fisco, uma vez que a empresa Agropecuária Friboi Ltda não tem qualquer vinculação com os fatos geradores do tributo; m) não cabe a responsabilização dos sócios e administradores da recorrente, posto que o fisco não demonstrou a ocorrência das causas previstas no art. 135 do CTN; n) é descabida a imposição de juros e multa, uma vez que a recorrente vinha efetuando os depósitos judiciais na data de vencimento do tributo; o) a taxa Selic não se presta para fins tributários, sendo ilegal a sua cobrança; p) a multa aplicada possui feição confiscatória, sendo flagrantemente inconstitucional. Ao final, em síntese, pediu: a) o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito em razão da decisão judicial que lhe favorece; b) a declaração de nulidade do lançamento e da decisão recorrida; c) a declaração de improcedência do lançamento; d) a exclusão da Agropecuária Friboi Ltda do polo passivo da NFLD; e) a declaração de que a recorrente não possui legitimidade passiva para figurar no feito; f) que a multa seja reduzida ao mínimo exigível; g) que seja intimada na pessoa de seus advogados. Consta as fls. 2.382 e segs. recurso apresentado pelos sócios da recorrente José Batista Sobrinho e Flora Mendonça Batista, no qual alegam que, tendo sido identificados no relatório fiscal como corresponsáveis, têm legitimidade para recorrer e não se submetem à exigência do depósito recursal prévio. A seguir apresentam as mesmas alegações constantes no recurso da autuada. Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.578 7 A recorrente atravessou petição ao Gerente Executivo do INSS em Araçatuba requerendo a imediata suspensão do trâmite do presente processo administrativo fiscal até o trânsito em julgado da ação judicial proposta, conforme determinou o Tribunal Regional Federal da 3.ª Região ao julgar o Agravo de Instrumento n. 2006.03.000577376. Repetindo os argumentos constantes no recurso dos sócios acima, também recorreram os sócios Wesley Mendonça Batista e Vanessa Mendonça Batista, fls 2.453 e segs. Os recorrentes obtiveram decisão judicial para que seus recursos tivessem segmento independentemente da efetivação do depósito para garantia de instância. À fl. 2.556, consta despacho da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, informando que a causa determinante do sobrestamento do processo administrativo já não mais subsistia desde 26/06/2012, data da publicação do Acórdão do TRF 3.ª Região que, ao julgar apelação interposta pela União no bojo do MS n° 2001.61.00.0000509, acolheu a preliminar de ilegitimidade da empresa impetrante e reformou a sentença de primeiro grau extinguindo o feito sem resolução de mérito. O Tribunal entendeu que apenas os produtores rurais teriam legitimidade para postular em juízo a inexigibilidade da contribuição prevista nos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que são estes quem sofrem a repercussão jurídica do tributo, sendo o adquirente mero responsável pela retenção e recolhimento das contribuições aos cofres públicos. Acerca dos depósitos judiciais, o despacho esclarece o que se segue: “Por outro lado, foram localizados depósitos judiciais vinculados ao mandado de segurança em questão. Tais depósitos se referem aos períodos de 11/2004 a 10/2008. Considerando que os períodos objeto de lançamento pela presente NFLD vão de 01/2002 a 07/2005, apenas os períodos de 11/2004 a 07/2005 possuem depósitos compatíveis. Entretanto, os valores depositados são claramente insuficientes para garantia do valor total de Funrural apurado nos períodos. Vale ressaltar que o Funrural total lançado corresponde aos valores das NFLD n.ºs 35.865.8586, 35.865.8640 e 35.865.8659.” É o relatório. Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da suscitada ilegitimidade passiva Os autos revelam que o sujeito passivo impetrou o MS n° 2001.61.00.0000509, suscitando a inconstitucionalidade das contribuições previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, ou seja, as contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a recorrente teria a obrigação de reter e recolher. Em 30/01/2001 foi deferida liminar para suspender a exigibilidade conforme pedido do autor, provimento este que foi confirmado na sentença de mérito proferida em 15/08/2005. Essa decisão, todavia, foi reformada, em 21/12/2012, pelo TRF 3.ª Região, que extinguiu o processo sem julgamento de mérito. Desta decisão houve recursos ao STJ e STF. Das peças processuais, depreendese que a discussão judicial recaiu apenas sobre inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias, haja vista que a contribuição destinada ao SENAR, à alíquota de 0,2%, não foi incluída no pedido do impetrante, tampouco foi questionada no recurso administrativo. Na data da lavratura o sujeito passivo detinha decisão que lhe desobrigava da retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias dos produtores rurais de quem adquiriu bovinos para abate, todavia, embora alegue no recurso, não logrou comprovar que os próprios produtores também estivessem acobertados por determinação judicial impedindo a retenção. Há no recurso, item 4.4 menção a ações judiciais supostamente obtidas por seus fornecedores, mas não cuidou a recorrente de indicar expressamente quais dos seus fornecedores estariam albergados pelas referidas sentenças. Assim, para a apreciação da questão da alegada ilegitimidade passiva da recorrente, partirei do pressuposto que apenas esta estava amparada por provimento judicial afastando a subrogação da obrigação de recolher às contribuições em destaque. Tenho na lembrança do entendimento firmado por todos desta Turma, quando foi julgado o processo n. 19515.004410/201028, no qual, diante de situação idêntica, demos razão ao sujeito passivo, conforme expresso na ementa do Acórdão n. 2401003.121, que transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PESSOAS Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.579 9 FÍSICAS. DECISÃO JUDICIAL AFASTANDO A OBRIGAÇÃO DE RETER DO ADQUIRENTE. LAVRATURA EM NOME DA PESSOA FÍSICA PRODUTORA. Se na data do lançamento o adquirente de produto rural de pessoa física possuía decisão judicial afastando a sua obrigação de reter e recolher por subrogação as contribuições previdenciárias decorrentes, o crédito deve ser lançado em nome da pessoa físicas produtora. Recurso Voluntário Provido Para a Turma, a existência, no momento da lavratura, de decisão judicial isentando a empresa adquirente de efetuar a retenção dos seus fornecedores, tornaria sem efeito a substituição tributária, devolvendo, portanto, a responsabilidade tributária integralmente aos produtores rurais, os contribuintes. Diante deste novo caso que nos foi posto, retornei a apreciar a questão, mormente quanto à aplicabilidade da Solução de Consulta Interna n. 01 da RFB, de 15/01/2013, cuja conclusão foi a seguinte: “Conclusão 19. Concluise que: a) Existindo medida liminar que impeça a empresa adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural adquirida, a RFB deve proceder ao lançamento do débito para prevenir a decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em nome do produtor rural pessoa física ou segurado especial; b) Cassada a medida liminar, e sendo favorável ao fisco a decisão: b.1) na hipótese do item a, deverá ser feita a cobrança do crédito tributário lançado, observada, com relação à multa de mora o disposto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996; b.2) não tendo sido efetuado o lançamento para prevenir a decadência, o produtor rural pessoa física ou o segurado especial ficam obrigados ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da sua produção rural, considerandose a data de vencimento originária para o recolhimento da contribuição subrogada, observado o disposto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, no que se refere à multa de mora; b.3) não havendo pagamento no prazo previsto no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, deverá ser efetuado o lançamento de ofício nos termos do art. 33, §7º, da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 44 da lei nº 9.430, de 1996.” Observase que esta Solução de Consulta carrega como pressuposto o fato da empresa adquirente (substituta) estar impedida de efetuar a retenção em razão de provimento Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 judicial em favor dos substituídos. É o que se infere da própria análise da situação fática posta pela consulente: “Trata a presente consulta interna formulada pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 8ª Região Fiscal (Disit/SRRF/8ªRF) sobre a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sujeitas à subrogação, nos casos de reversão de medida liminar/tutela antecipada concedida ao subrogado (produtor rural e segurado especial).”(grifei) Todavia, enxergo que o caso sob nossa apreciação apresenta diferença substancial. É que, neste caso, a retenção deixou de ser efetuada por uma ação proposta pela própria substituta, portanto, não há de se aplicar o entendimento firmado na Solução de Consulta mencionada. Sobre essa questão, vale ainda mencionar que a própria sentença que beneficiou a autuada determinava que os valores já retidos deveriam ser depositados judicialmente, deixandonos a certeza de que a empresa notificada nunca esteve impedida de efetuar a retenção. Assim, considerandose que a própria empresa foi a autora da demanda judicial que a dispensou da retenção das contribuições, não há como se aplicar à espécie a tese esposada na jurisprudência acima e também na Solução de Consulta mencionada. Por isso, há de se exigir da adquirente os tributos devidos, mesmo porque os substituídos não participaram da relação processual e não poderiam ser sofrer as consequências de uma situação que não deram causa. Reformulo, então, o entendimento anterior e considero procedente o lançamento para prevenir a decadência efetuado contra a empresa adquirente dos produtos rurais das pessoas físicas. Da concomitância com a ação judicial Conforme já frisei, a ação judicial proposta trata da inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias dos produtores rurais que a recorrente teria a obrigação de reter e recolher. Sobre esses aspectos, trazidos também no recurso, abstenhome de lançar pronunciamento, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nessa toada, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. Acrescentese, no entanto, que não há permissivo legal para que se tranque o curso do processo administrativo fiscal ante a existência de discussão judicial da matéria. Inexiste no ordenamento pátrio norma prevendo tal restrição. Observese que em relação ao Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.580 11 presente feito havia determinação do Judiciário nesse sentido, todavia, esse efeito foi revogado, conforme mencionado no relatório deste voto. Cerceamento do direito de defesa nulidade As recorrentes apontam em suas razões preliminares a ocorrência de nulidade por vício no relatório fiscal decorrente da falta de exposição clara dos fatos geradores, situação que teria prejudicado o direito de defesa da notificada. Vejamos. Conforme o relato do fisco, para identificar as aquisições de gado de pessoas físicas foram analisados arquivos digitais fornecidos pela empresa. Os produtores rurais e as operações envolvidas foram claramente identificados em planilha acostada à NFLD, inexistindo dificuldade para que o sujeito passivo pudesse impugnar especificamente quaisquer dos dados demonstrados pelo fisco. Vejo, então, que o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que disciplinam a constituição do crédito tributário. Vejamos o que diz o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. Percebo que o fisco indicou os elementos examinados para chegar a conclusão de que houve a aquisição de gado de pessoas físicas, sendo este o fato gerador da contribuição lançada, o qual ficou muito bem caracterizado no relatório da NFLD. Nesse sentido, vejo que a notificação e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição dos fatos geradores praticados pela empresa. O caminho trilhado para fixação da base de cálculo também foi suficientemente esclarecido no relatório fiscal e os valores envolvidos encontramse discriminados no Relatórios de Lançamentos. As alíquotas podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura dos Discriminativos Analíticos do Débitos – DAD. Vejase que se o Fisco indica a fonte de dados que o levou a concluir pela ocorrência dos fatos geradores e discriminou todos os valores envolvidos no procedimento de apuração. O relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição dos créditos previdenciários. Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 Assim, não há o que se falar em nulidade do ato administrativo de lançamento se inexistiu prejuízo explícito ou aparente para o administrado. Nesse sentido, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essências do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa, afasto essa preliminar. Outra questão que o sujeito passivo levantou, mas que não merece melhor sorte é a suposta confecção do lançamento mediante aferição indireta da base de cálculo. É que em nenhum momento se mencionou esse procedimento, eis que os valores utilizados para mensuração da matéria tributável foram obtidos das notas fiscais de entrada de gado. Imunidade Não tem plausibilidade a alegação de que, sendo a autuada empresa exportadora, estaria a recorrente imune ao recolhimento dos tributos lançados. As contribuições discutidas não são contribuições da empresa, mas de seus fornecedores, pessoas físicas, atuando a notificada como mera repassadora das contribuições retidas. Assim, de fato, foge à razoabilidade o argumento recursal que invoca uma situação pessoal da empresa fiscalizada para afastar a cobrança de tributos, cujo ônus financeiro não é por ela suportada. Essa tese, totalmente descabida, assemelhase aquela em que a empresa alega a imunidade para não recolher a contribuição dos seus empregados. Nulidade da decisão de primeira instância – afronta ao princípio da impessoalidade Afirmam as recorrentes que o julgador de primeira instância, ao reputar sua tese de improcedência do lançamento em razão da sua imunidade como “ridícula”, agiu com falta de urbanidade e feriu um dos princípios mais caros ao Direito Administrativo, qual seja o da Impessoalidade. De fato, o termo utilizado pelo julgador da SRP não me parece o mais adequado. A palavra “ridícula”, que no vernáculo significa “digna de riso”, não se mostra a mais apropriada para emprego em uma decisão administrativa, mas, em absoluto, pode ser tomada como causa de nulidade do ato. A lei n. 9.874/1999 que regula o processo no âmbito da Administração Pública Federal, prevê como um dos direitos do administrado ser tratado com respeito pelos servidores (inciso I do art. 3. ), mas não chega a impor a sanção de nulidade aos atos administrativos que contenham expressões inadequadas. Também não enxergo o fato como atropelo ao Princípio da Impessoalidade, a que deve guardar respeito os integrantes da Administração Pública. O referido princípio é um dos principais pilares em que se funda o Direito Administrativo. Para o Mestre Hely Lopes Meirelles1 este princípio, que mereceu referência na Constituição de 1988, nada mais é que o tão propalado princípio da finalidade, o qual impõe que o administrador somente pratique o ato para o seu fim legal, o qual se caracteriza como aquele indicado pela lei como objetivo do ato, de forma impessoal. Vale a pena transcrever as palavras do Administrativista: 1 Meirelles, Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro, 26 ed.,São Paulo: Malheiros Editores, 1974, p. 85. Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.581 13 “O que o princípio da finalidade veda é a prática de ato administrativo sem interesse público ou conveniência para a Administração, visando unicamente a satisfazer interesses privados, por favoritismo ou perseguição dos agentes governamentais, sob a forma de desvio de finalidade. Esse desvio de conduta dos agentes públicos constitui uma das mais insidiosas modalidades de abuso de poder...” Os fatos narrados pelo sujeito passivo, a meu ver, não comprovam que a Autoridade Julgadora se desviou da sua finalidade de verificar a compatibilidade do lançamento com a legislação de regência. Inexiste nos autos qualquer evidência de que a decisão da SRP tenha sido perpetrada para satisfazer um capricho pessoal do servidor julgador ou mesmo no intuito de perseguir o administrado. Observo que o julgador a quo teve o mesmo sentimento de perplexidade que experimentamos agora, ao ver o contribuinte alegar a sua imunidade para deixar de recolher as contribuições de contribuinte outro, em cuja relação jurídica a autuada aparece na condição de responsável. O deslize do julgador monocrático da SRP foi lançar mão de um termo que não se coaduna com o dever de urbanidade a que deve respeito os servidores públicos, mas longe desse proceder determinar a nulidade da decisão de primeira instância. Fica, então, aqui registrada a censura do CARF à utilização de expressões inadequadas nos atos administrativos que compõe o processo fiscal. Incompetência do Auditor Fiscal Improcedentes os argumentos apresentados pelos recorrentes acerca da incompetência da autoridade que procedeu à lavratura do presente auto de infração. O artigo 142 do Código Tributário Nacional determina a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, sendo esta autoridade representada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme preceitua a Lei nº 10.593/2002 em seu artigo 6o, com a redação dada pela Lei nº 11.457/2007: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Não se vislumbra na legislação que rege a atuação da Receita Federal do Brasil qualquer limitação territorial na competência dos auditores fiscais para autuação em ações fiscais e tampouco norma que determine que a instauração da ação fiscal deve ser realizada na unidade mais próxima da sede da empresa. Nesse sentido, destaquese que a divisão da Receita Federal do Brasil em Regiões Fiscais ou unidades centrais e descentralizadas constitui ato de natureza administrativa e por isso instituído mediante ato denominado ‘Regimento Interno’, destinandose à organização interna dos trabalhos. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para a prática do ato de lançamento em âmbito nacional, constituía requisito para o exercício de sua atividade que o Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 14 agente esteja devidamente amparado por ordem específica, representado pelo Mandado de Procedimento Fiscal. Assim dispunha o artigo 2. do Decreto nº 3.724/01: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. No presente caso, vislumbrase a existência de Mandado de Procedimento fiscal devidamente assinado digitalmente por autoridade competente, com a devida indicação da portaria que delegou a competência para tanto. Além disso, a Portaria RFB nº 3.014/2011 prevê de maneira expressa a possibilidade da ação fiscal ser desenvolvida em unidade de jurisdição diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo: Art. 6. (...) § 4 º Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. Ainda a fundamentar a possibilidade de lavratura do auto de infração em localidade distinta do domicílio fiscal do sujeito passivo, pode ser mencionada à disposição contida no artigo 9. do Decreto nº 70.235/72: Art. 9. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. A regra contida no §3. acima transcrito demonstra de forma clara a possibilidade de formalização de exigência em unidade descentralizada diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo ao determinar a prevenção da jurisdição e prorrogação da competência da autoridade que dela primeiro conhecer. No que diz respeito à competência da Auditoria Fiscal para proceder à análise dos lançamentos contábeis, é matéria já pacificada por esse Tribunal Administrativo, sendo inclusive objeto da seguinte súmula: Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.582 15 Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nesse sentido, tendo autorização para verificar os lançamentos contábeis, o Fisco também tem o poder para identificar nos mesmos a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e lançar o crédito tributário correspondente, sendo descabida a alegação da recorrente quanto a essa questão. Por todo o exposto, não há que se falar em vício decorrente da incompetência da autoridade administrativa. Corresponsáveis O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilidade pelo crédito é da empresa autuada e da empresa coobrigada em razão da solidariedade. Os administradores, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada à NFLD apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Esse entendimento está retratado inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Grupo econômico – responsabilidade solidária As recorrentes invocam o art. 128 do CTN para buscar afastar a solidariedade pela satisfação do crédito imputada à empresa Agropecuária Friboi Ltda, sob o argumento de que não havendo vinculação desta ao fato gerador das contribuições, não se poderia falar em solidariedade nos termos do art. 128 do CTN. Não é cabível esta tese, haja vista que o dispositivo citado não trata de responsabilidade solidária, mas se refere à substituição tributária. Vale a pena reproduzilo: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capitulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 16 contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação". A norma do CTN que possibilita a aplicação da responsabilidade solidária é o art. 124, assim reproduzido: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Pois bem, o fisco está atribuindo a responsabilidade solidária à Agropecuária Friboi Ltda com base no inciso II acima, haja vista que restou demonstrada no item 10 do relatório fiscal a existência de grupo econômico da qual fazem parte as duas empresa colocadas no polo passivo da NFLD e, conforme a Lei n.º 8.212/1991, as empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelas obrigações para com a Seguridade Social, como se pode ver: Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Há, portanto, respaldo jurídico para atribuição da referida solidariedade. Quanto à jurisprudência colaciona, entendo que não pode ser aplicada ao caso sob apreciação. É que o fisco demonstrou que a interligação entre as empresas vai além da existência de mero grupo econômico, posto que inexiste na espécie comando distinto e autonomia de gestão entre as empresas arroladas na condição de devedoras solidárias. Foram apresentadas provas de similitude do quadro social; atividades complementares, confusão patrimonial; identidade na marca, que inclusive é de propriedade da Agropecuária Friboi; transferências de ativos, mediante contratos de mútuo e comando único. Para mim estes elementos são mais do que suficiente para demonstrar a ocorrência de grupo econômico e justificar a atribuição da responsabilidade solidária. Exclusão da Multa Todavia, tendose em conta a superveniência da Lei n.º 11.941/2009, que, dentre outras alterações, dispôs que aos lançamentos relativos às contribuições sociais seria aplicado o disposto no art. 44 da Lei n.º 9.430/19962, devese, em respeito ao disposto na alínea “c” do inciso II do art 106 do CTN3, lançar mão da legislação mais benéfica ao sujeito passivo. 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.583 17 Nesse diapasão, a aplicação retroativa da norma superveniente conduznos a declarar improcedente a aplicação da multa sobre as contribuições previdenciárias, posto que, passandose a aplicar a multa da Lei n. º 9.430/1996, também deverseá observar o comando do seu art. 63, que veda a aplicação da multa de ofício aos créditos lançados para prevenir a decadência. Esse entendimento inclusive é objeto de Súmula do CARF: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Registre que em relação à contribuição ao SENAR a multa é exigível, posto que esta exação não constou da ação judicial ajuizada pela empresa. Quanto aos juros não há o que se falar em sua exclusão. Até porque o art. 63 da Lei n.º 9.430/1996 não prevê a exclusão dos mesmos na hipótese de lançamento para prevenir a decadência. E de fato, não poderia ser de outra forma, haja vista que os juros nada mais representam de que uma compensação à Fazenda pelo pagamento fora do prazo, não possuindo caráter de punição. É esse o entendimento reinante neste órgão de julgamento, como se pode atestar pelo Acórdão, cuja ementa passo a transcrever: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Ano calendário: 1996 NULIDADE Não é nula a exigência formalizada em auto de infração, ainda que sem imposição de penalidade, por se tratar de lançamento para prevenir a decadência, em razão de o contribuinte se encontrar acobertado por medida liminar em mandado de segurança. JUROS DE MORA EXIGÊNCIA O crédito tributário não integralmente pago no seu vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta. JUROS DE MORA SELIC A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negarlhe aplicação. Recurso Voluntário (...) 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 18 Negado.(Acórdão n.º 10196910, 1.º Conselho de Contribuintes, 1.ª Câmara, Rel. Conselheira Sandra Maria Faroni). Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14479.000769/200709 Acórdão n.º 2401003.824 S2C4T1 Fl. 2.584 19 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias lançadas, mantendose, todavia, a sua incidência em relação à contribuição destinada ao SENAR. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10803.000080/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação.
PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa.
IRPF. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA MENSAL. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
IRPF. LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 27.
É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NA ATIVIDADE EMPRESARIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de atividade empresarial, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2201-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. IRPF. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA MENSAL. SÚMULA CARF Nº 38. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. IRPF. LANÇAMENTO FORMALIZADO POR AUDITORFISCAL DE JURISDIÇÃO DIVERSA. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 27. “É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 80 /2 01 0- 91 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 32. “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros”. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NA ATIVIDADE EMPRESARIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de atividade empresarial, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2003, consubstanciado no Auto de Infração (Termo de Verificação Fiscal fls. 239/255), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.324.177,25. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10803.000080/201091 Acórdão n.º 2201002.615 S2C2T1 Fl. 3 3 A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício qualificada de 150%. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Invalidade do procedimento fiscal Questiona as razões de ter sido fiscalizado e que o procedimento não seria válido pelo fato de que não teria sido observada a portaria PT 500/95 e 3007/02 da Receita Federal. Cerceamento de defesa Alega cerceamento de defesa aduzindo que não teria sido encaminhada relação de créditos, o impugnante não possuía extratos e nenhuma prova foi fornecida para verificar a base de cálculo. Incompetência para o lançamento Ainda em preliminar, alega que os Auditores Fiscais seriam incompetentes para efetuar o lançamento sob argumento de que a repartição competente seria a domicilio tributário do contribuinte. Nesse contexto, em meio a comparações com atos do poder judiciário, afirma que os Auditores Fiscais que fizeram o lançamento tem exercício na Superintendência da Receita Federal em São Paulo, sem competência para fiscalizar e lançar o tributo. Ilegalidade da tributação anual Afirma que o lançamento foi feito em desacordo com o artigo 42 da Lei 9.430/96, pois, o fato gerador teria incidência mensal, entretanto, a fiscalização teria considerado ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de 2004. Decadência Prosseguindo seu arrazoado, sustenta que o tributo tem seu lançamento por homologação, nesse contexto, sob o fundamento do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, alega que teria ocorrido decadência em 31 de dezembro de 2009. Erro na identificação do sujeito passivo Alega ainda que teria havido erro na identificação do sujeito passivo pelo fato de que os rendimentos seriam da pessoa jurídica Stand By Agência de Viagens que não teria conta bancária no período e se utilizou a conta de pessoa física do contribuinte. Nesse sentido a omissão deveria ser imputada à pessoa jurídica em questão. Sustenta que o ônus da prova de falsidade dos esclarecimentos prestados cabe ao fisco que em ano calendário anterior teria atestado a efetividade das atividades comercias do contribuinte. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Sigilo bancário Prossegue ainda o impugnante, alegando que teria havido quebra de sigilo sem autorização judicial, induzindo prova ilegal passível de nulidade do procedimento sob argumento de que a apuração dos valores decorreu de informações sobre movimentação financeira ilicitamente obtidas e indevidamente fornecidas pelas instituições financeiras. Mérito No que tratou como mérito da exigência, alega ser impossível contestar os valores lançados pelo fato de que teria havido incompreensível redução de texto, e que os valores de transferência entre contas não poderiam ser considerados omitidos. Nesse cenário, faz alusão à prática de excesso de exação. Da multa qualificada Sustenta que para aplicação da multa qualificada há necessidade de comprovação de fraude e que tal fato não se presume e que cabe ao fisco o ônus da comprovação. Finalizando suas alegações, requer cancelamento do Auto de Infração pelas razões expostas inclusive a aplicação indevida da multa qualificada. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP2 julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. AÇÃO FISCAL. SELEÇÃO. Os critérios de seleção de contribuintes para ação fiscal tem suas diretrizes traçadas mediante mecanismos internos e são inerentes à finalidade institucional da Receita Federal que pode através da Superintendência Regional determinar a realização de trabalhos específicos de fiscalização, inclusive sob requisição de órgãos externos, conforme conveniência e oportunidade da execução desses trabalhos. Sendo ato discricionário e não integram o rol de direitos subjetivos do sujeito passivo. Portaria RFB nº11.371/07. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa durante a verificação dos fatos, visto ser incabível tal alegação ante a ausência de litígio, na fase inquisitória, ou seja, antes da formalização da exigência fiscal cujo procedimento transcorreu com a regular e exaustiva intimação do contribuinte de todos os Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10803.000080/201091 Acórdão n.º 2201002.615 S2C2T1 Fl. 4 5 atos e ao final forneceu ao contribuinte todos os elementos para impugnação. CF/88 art.5º, LV. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO E LANÇAMENTO. A competência para a fiscalização decorre de Lei e cabe ao Auditor Fiscal que a exerce mediante Mandado de Procedimento Fiscal. O gerenciamento das ações fiscais, não exclui da Superintendência da Região Fiscal a competência para a condução de atividades específicas de fiscalização emitindo Mandados atividade inserida no contexto da função institucional da Receita Federal. A repartição do domicílio tributário do sujeito passivo é competente para o Artigo 142, CTN, Lei 11.457/07, art. 6º, I, Decreto 70.235/72, art. 9º, 10 e 11. DO CRITÉRIO TEMPORAL DA INCIDÊNCIA DO IRPF. Os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Art. 42, da Lei 9.430, IN 246/02. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, por ser complexivo com período anual, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário. O objeto da homologação é o pagamento, ante a ausência do mesmo, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173, I, do CTN). IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RELAÇÃO PESSOAL COM O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. O contribuinte, detentor dos recursos financeiros de origem não comprovada em conta bancária de sua titularidade, ainda que compartilhada, é sujeito passivo da obrigação tributária emergente, portanto, passível de autuação pelo descumprimento da referida obrigação na forma da legislação em vigor aplicável conforme as normas procedimentais da Receita Federal do Brasil. Art. 121, caput e parágrafo único, I do C T N. SIGILO BANCÁRIO. Permanecem protegidas por sigilo, nos termos do artigo 198 do Código Tributário Nacional, as informações obtidas mediante procedimento de fiscalização, nos termos do artigo 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2.001, não configurando violação. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula 25 do CARF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual os seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão. Impugnação Procedente em Parte (grifei) O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 17/06/2011 (fl. 355) e, em 12/07/2011, interpôs o recurso de fls. 356/430, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 12 de março de 2012 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 220200.167, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2004. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as inúmeras preliminares suscitadas pelo recorrente. Em relação à alegação de decadência mensal, referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Como não houve antecipação do imposto de renda da pessoa física, conforme se extrai da DIRPF, fl. 03, a contagem do prazo iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do Fl. 447DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10803.000080/201091 Acórdão n.º 2201002.615 S2C2T1 Fl. 5 7 art. 173 do CTN (Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62A do RICARF): Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, não tem passagem o argumento da defesa de que ocorreu a decadência em razão da entrega da DIRPF/2005 em 30/04/2005, já que o fato gerador do IRPF, referente ao anocalendário de 2004, perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01/01/2005 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31/12/2010. Assim, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 15/12/2010, por via postal, conforme AR de fl. 278, o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia ainda sido atingido pela decadência. Sobre a alegação de que a decisão recorrida foi mal fundamentada, verifico, pois que o acórdão exarado pela 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP2 analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos impugnatórios. Na verdade, o inconformismo do recorrente referese ao entendimento equivocado de que ocorrendo a apresentação da Declaração de Ajuste Anual o prazo de decadência é antecipado para o dia seguinte ao da entrega da declaração, todavia, como abordado neste voto, esse entendimento foi superado com o julgamento pelo STJ do Recurso Especial nº 973.733/SC na sistemática do art. 543C do CPC (62A do RICARF). Além do mais, a arguição de nulidade da decisão recorrida, por suposta análise equivocada do critério de seleção do contribuinte, não merece acolhimento, já que a autoridade julgadora a quo fundamentou o motivo da rejeição da citada preliminar. Da análise dos argumentos postos em seu Recurso Voluntário, fica evidente que o descontentamento do recorrente tem a ver com o conjunto probatório carreado aos autos que, na visão da fiscalização e/ou da autoridade recorrida, não foi suficiente para comprovar determinada situação. Se os fatos estão provados ou não, ou se efetivamente se ajustam ao modelo hipotético instituído pelo legislador, aí se verifica uma questão de mérito, o que ultrapassaria a preliminar suscitada. Com efeito, o lançamento pautouse nos elementos trazidos aos autos pela fiscalização, bem como naqueles acostados pelo contribuinte por ocasião da apresentação de seus argumentos. Pelos fundamentos expostos, entendo que a preliminar suscitada não merece acolhimento. No que tange à alegação de que a seleção do contribuinte para fiscalização foi efetuada em desconformidade com o art. 1º e § 4º da Portaria nº 3007/2002, já que não foi autorizado pelo CoordenadorGeral de Fiscalização, cumpre deixar assentado que a Portaria 11.371/2007, autoriza o Superintendente da Receita Federal do Brasil emitir o Mandado de Procedimento Fiscal. Vejase: Art. 6º O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: I CoordenadorGeral de Fiscalização; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 II CoordenadorGeral de Administração Aduaneira; III Coordenador Especial de Vigilância e Repressão; IV Superintendente da Receita Federal do Brasil; V Delegado de Delegacia da Receita Federal do Brasil, de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização, de Delegacia Especial de Instituições Financeiras e de Delegacia Especial de Assuntos Internacionais; e VI InspetorChefe das unidades constantes do Anexo IV. (grifei) Ademais, é válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, consoante se depreende da leitura da Súmula CARF nº 27: É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Portanto, não há como acolher a alegação de incompetência da autoridade autuante que realizou a auditoria fiscal. No que toca a seleção de contribuintes, impende esclarecer que a auditoria fiscal é um critério da autoridade autuante e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal, assim, não procede à alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. A auditoria fiscal visa resguardar o interesse público; logo não pode o contribuinte alegar “mero capricho, perseguições, animosidade ou interesse político” pelo simples fato de ter sido escolhido para a auditoria. Isso posto, não há qualquer irregularidade na seleção e auditoria fiscal. Quanto à alegação de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter recebido a relação contendo os depósitos de origem não comprovada, entendo que não assiste razão à defesa. Analisando detidamente o “Termo de Intimação – 03/07/2009”, fl. 46/47, verificase que o contribuinte foi intimado a apresentar documentação comprobatória da origem dos depósitos constantes na relação de fls. 49/57, conforme AR de fl. 57. Portanto, não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. No que tange à quebra de sigilo bancário, cumpre registrar que a Lei Complementar nº 105/2001 permite o afastamento do sigilo bancário por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente, independentemente de autorização judicial. Citase, outrossim, o inciso II do art. 198 da Lei nº 5.172/1.966 (CTN): Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 449DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10803.000080/201091 Acórdão n.º 2201002.615 S2C2T1 Fl. 6 9 § 1o Excetuamse do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (grifei) Portanto, não identifico no lançamento qualquer irregularidade na quebra do sigilo bancário do recorrente. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador, razão pela qual há necessidade de se comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão. Além do mais, a autoridade fiscal não tem que demonstrar renda incompatível e, tampouco, renda consumida, conforme se observa da Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Sobre a argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Cumpre esclarecer que a Lei nº 8.021/1990, ora revogada, condicionava a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza, contudo, a presunção da Lei nº 9.430/1996, atualmente em vigor, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Quanto à alegação de que o fato gerador da omissão de depósitos bancários ocorre mensalmente, cabe relembrar que a questão já foi abordada neste voto, inclusive com a menção da Súmula CARF nº 27. No que diz respeito à alegação de ilegitimidade passiva, já que na visão do contribuinte os depósitos são oriundos da pessoa jurídica, constatase que o suplicante não carreou aos autos qualquer documentação para comprovar sua alegação. Com efeito, a comprovação, nos termos do disposto no art. 42 da Lei 9.430/1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, a entrada do recurso em seu movimento bancário. Não se pode perder de vista que a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, consoante se infere da Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Dessarte, sem a vinculação dos depósitos, presumese que os valores não transitaram pela conta bancária do contribuinte. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 451DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10865.908709/2009-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO.
Não se conhece de recurso especial que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência.
Recurso Especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9101-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma do Câmara Superior de Recursos FISCAIS, não conhecer do recurso especial, por unanimidade de votos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto).
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma do Câmara Superior de Recursos FISCAIS, não conhecer do recurso especial, por unanimidade de votos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. Não se conhece de recurso especial que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência. Recurso Especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma do Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, não conhecer do recurso especial, por unanimidade de votos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente Substituto (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (PresidenteSubstituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 87 09 /2 00 9- 85 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Com base nos permissivos do art. 64, do art. 67, e parágrafos, e do art. 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela Segunda Turma Especial da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 COMPENSAÇÃO ENTRE ESTIMATIVAS DO MESMO TRIBUTO NO MESMO ANO 1. O que se restitui ou compensa, em regra, é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos, mas esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas merece ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano. 2. Na sistemática de apuração anual todos os recolhimentos de estimativa feitos ao longo do ano contribuem igualmente nesta apuração, independentemente do mês a que se refira cada um deles. 3. A razão para a apresentação de PER/DCOMP, objetivando deslocar excedentes de estimativa entre os meses de um mesmo ano, é apenas de evitar a aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa em um determinado mês, enquanto há excesso em outro.” O caso foi assim relatado pelo E. Colegiado a quo, verbis: “Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1435.124, às fls. 94 a 104: ´Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de n° 11790.90184.030907.1.7.043102, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 01, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao Fl. 219DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 4 3 final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a Contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 08/11, acompanhada dos documentos de fls. 12/43, na qual alega, em síntese, que: a) no mês de agosto/2006, apurou base de cálculo negativa do IRPJ, no valor de R$ 237.167,82, conforme consta da Ficha 11 da DIPJ/2007; b) no dia 17/11/2006, efetuou pagamento indevido no valor de R$ 79.914,75; c) no mês de novembro/2006, a manifestante apurou base de cálculo positiva no valor de R$ 443.909,33, o que gerou IRPJ a pagar, em 28/12/2006, no valor de R$ 38.540,46; d) do referido valor devido, R$ 38.540,46 foram compensados na data de 03/09/2007; e) a compensação levada a efeito pela Manifestante revestiuse de caráter inteiramente satisfativo do crédito tributário da Receita Federal; f) sob o aspecto legal carece de fundamento a glosa da compensação levada a efeito pela Manifestante; g) o órgão julgador da RFB buscou fundamento para impugnar a compensação no artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/2005; h) a própria Receita Federal, contudo, entendendo ser imperioso e justo que as empresas tenham efetuado pagamento indevido ou a maior em meses anteriores, houve por bem alterar o artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, a teor do artigo 11 da IN RFB n° 900/2008, para excluir do texto do artigo 10 as disposições: “bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa, mensal.”; i) tratandose de pagamento indevido e não de retenção indevida, a Manifestante não está limitada a somente utilizar o indébito no final do período de apuração. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ‘ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 17/11/2006 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. ANTECIPAÇÃO. Os recolhimentos de IRPJ por estimativa são meras antecipações, não sendo passíveis de restituição, a não ser após a apuração de saldo negativo ao final do ano calendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/11/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.’ Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 09/03/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/04/2012, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 5 4 Além disso, informa que está juntando aos autos cópias das fichas 9A, 11 e 12A da DIPJ/2007; extratos dos pagamentos referentes ao IRPJ do ano 2006, efetuados no código 2362; Livro LALUR; e as DCTF dos períodos envolvidos.” O acórdão impugnado deu provimento ao recurso voluntário sob os fundamentos de que (a) as estimativas pagas a maior são indébito passível de restituição e compensação, nos termos da Súmula nº 84 do CARF; e (b) os valores pagos a maior pela Contribuinte não foram por ela computados no ajuste anual para fins de apuração de eventual saldo negativo apurado ao fim do anocalendário. Citese trecho do voto condutor do acórdão, verbis: “No ajuste anual não foi computado qualquer valor de dedução como estimativa de agosto/2006. E o PER/DCOMP apresentado serviu tão somente para deslocar uma parte do recolhimento feito indevidamente referente ao mês de agosto/2006 (R$ 41.907,41) para a quitação de parcela da estimativa do mês de outubro (com a rubrica principal de R$ 38.540,47,mais acréscimos). Os documentos apresentados são suficientes para a homologação da compensação. Desde o início, a negativa ao pleito da Contribuinte busca fundamento no argumento de que os recolhimentos de estimativa não podem ser objeto de restituição ou compensação, haja vista que eles só poderiam ser utilizados na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração anual, ou para compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Quanto a isso, é importante mencionar que tal entendimento já foi superado, inclusive com súmula editada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas a questão deste processo envolve aspectos que vão além desse debate sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa. Cabe registrar que de fato, em regra, o que se restitui ou compensa é o saldo negativo (seja de IRPJ ou de CSLL), e não as estimativas destes tributos. Contudo, esse entendimento restritivo em relação à restituição/compensação de estimativas sempre mereceu ponderações, especialmente quando o débito a ser compensado corresponde a outra estimativa do mesmo tributo e no mesmo ano.” Em recurso especial, a Fazenda Nacional sustenta divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 1801001.473, o qual assenta o entendimento de que “a homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte”. O recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente da 4a Câmara da Primeira Seção do CARF (Despacho nº 120000.276 – fls. 205 a 207), ante a caracterização da alegada divergência jurisprudencial. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 6 5 A Contribuinte não apresentou contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator Peço vênia para divergir do r. Despacho de fls. 205/207 no que se refere à admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Premissa fundamental para análise do recurso especial de divergência é a similitude fática entre acórdãos paradigma e recorrido, de modo a, verificada a discrepância entre eles, firmarse a jurisprudência desta Corte a respeito da específica questão de direito posta a desate. Sobre o conceito de divergência para fins recursais, vejase iterativa jurisprudência do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: Processo civil. Agravo nos embargos de divergência no recurso especial. Cotejo entre acórdãos paradigma e embargado. Inexistência de similitude fática e jurídica entre os arestos confrontados. Ausência de argumentos capazes de ilidir os fundamentos da decisão agravada. Em tema de divergência jurisprudencial, mostrase imprescindível para a caracterização do dissídio que os julgados confrontados tenham decidido as mesmas teses jurídicas com bases fáticas semelhantes. Agravo não provido. (AgRg nos EREsp 972590, Relatora Nancy Andrighi, DJe 16/02/2009 – grifos nossos) No mesmo sentido: 'PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMILITUDE ENTRE OS CASOS EM CONFRONTO. NÃO CONHECIMENTO. 1. Os embargos de divergência têm por escopo a uniformização da jurisprudência desta Corte, eliminando as dissidências internas quanto à interpretação do direito em tese, e, para tanto, pressupõem a identidade fática e solução divergente entre os acórdãos confrontados, o que não é o caso dos autos (...)' (AgRg nos EREsp 510.299/TO, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ 03.12.2007 – grifos nossos) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO FISCAL – LEILÃO – AVALIAÇÃO DO BEM – IMPUGNAÇÃO – DECISÃO NÃO AGRAVADA PRECLUSÃO – INTIMAÇÃO DO EXEQÜENTE E DE POSSÍVEIS CREDORES PRECEDENTES OU PREFERENCIAIS DESNECESSIDADE PREÇO VIL ARREMATAÇÃO POR MAIS DA METADE DO VALOR DA AVALIAÇÃO NÃOOCORRÊNCIA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SEMELHANÇA FÁTICA INEXISTÊNCIA. 1. Não se conheceu da alegação de inobservância do procedimento de impugnação à avaliação do bem penhorado porque precluso o direito de atacar a decisão que a indeferiu liminarmente. Este fundamento restou inatacado no recurso especial. 2. Ausente qualquer prejuízo ao exeqüente ou aos demais possíveis credores da parte executada na inexistência de intimação prévia à arrematação, reputase válida a arrematação. 3. Arrematação de bem penhorado por mais da metade do valor da avaliação não é considerado preço vil para a Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.908709/200985 Acórdão n.º 9101002.135 CSRFT1 Fl. 7 6 jurisprudência desta Corte. 4. Inviável o conhecimento do recurso especial pelo dissídio jurisprudencial se o acórdão paradigma não possui semelhança fática com o acórdão recorrido. 5. Recurso especial conhecido em parte e, nesta parte, não provido. (REsp 1052691 / SC, Rel.: Min. Eliana Calmon, DJE – 26/11/2008 – grifos nossos). Do exame do acórdão recorrido depreendese que o contexto fático verificado é distinto daquele constante do aresto paradigma. Neste (paradigma), embora a razão para o indeferimento do pedido de restituição/compensação também tenha sido o fato de o crédito nele utilizado representar estimativas, entendeu aquele Colegiado que os elementos daqueles autos não seriam suficientes para a verificação do direito creditório da Contribuinte. No caso, diferentemente da situação fática anterior, o acórdão recorrido entendeu estarem presentes todos os elementos necessários para a identificação do direito creditório, o que, se diga, era objeto do contencioso conforme decisão de primeira instância contraditada pelos documentos juntados pela Contribuinte em recurso voluntário. Em suma, no caso paradigma, havia incerteza quando à existência do direito de crédito em si, razão do retorno dos autos à Delegacia de Jurisdição do contribuinte, enquanto que, no segundo, no entender do Colegiado a quo, a liquidez do crédito era certa diante dos elementos de prova constantes dos autos. A par da falta de divergência jurisprudencial, o recurso especial da Fazenda Nacional não atende à forma regimental, a teor do art. 67, § 6o do RI/CARF vigente, ante a falta de demonstração analítica da divergência, na peça recursal, “com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Por fim, a tese defendida pela Fazenda Nacional em seu recurso especial afronta ao princípios da economia processual e eficiência administrativa, porquanto não se pode admitir como razoável que, em todo e qualquer caso de restituição/compensação em que se discuta questão preliminar, haja necessidade de reinício do processo administrativo para aferir a existência de direito creditório que, no entendimento do CARF ou da DRJ, é líquido e certo por força dos elementos constantes dos respectivos autos. Por tais fundamentos, orientase voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10670.721733/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1102-001.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa regulamentar aplicada por falta de apresentação de arquivos digitais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os conselheiros Jackson Mitsui e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento em maior extensão para também reduzir o percentual da multa aplicada sobre o imposto de renda na fonte devido sobre o pagamento sem causa e/ou a beneficiário não identificado para 75%. Declararam-se impedidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. Recurso voluntário parcialmente provido.
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Recorrente VIEIRA MAGALHÃES TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações inocorrentes no caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. BASE DE CÁLCULO. ISSQN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os impostos que não integram a receita bruta são somente os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante e dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. IRRF. DEDUÇÃO. PROVA DA RETENÇÃO. O imposto de renda comprovadamente retido na fonte, incidente sobre as receitas computadas na determinação da base de cálculo do imposto devido, pode ser deduzido na apuração do imposto a pagar. É do contribuinte o ônus da prova de que tenha sofrido a retenção do tributo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 PAGAMENTO SEM CAUSA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 17 33 /2 01 1- 11 Fl. 909DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 3 2 Sujeitase à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, o pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário não identificado, assim como o pagamento efetuado ao sócio ou a terceiros, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Não havendo evidências de que o contribuinte utilizasse sistemas de processamento eletrônico de dados para registro de suas atividades ou para escrituração de livros, improcede a aplicação de multa em face da não apresentação ao fisco dos arquivos magnéticos solicitados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa regulamentar aplicada por falta de apresentação de arquivos digitais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os conselheiros Jackson Mitsui e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento em maior extensão para também reduzir o percentual da multa aplicada sobre o imposto de renda na fonte devido sobre o pagamento sem causa e/ou a beneficiário não Fl. 910DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 4 3 identificado para 75%. Declararamse impedidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório A empresa acima qualificada teve contra si lavrados os autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, e de multa regulamentar, perfazendo um crédito tributário total, incluindo juros de mora e multa de ofício, de R$ 2.262.528,28. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, e a Descrição dos Fatos constante dos autos de infração lavrados, o contribuinte teve o seu lucro arbitrado no ano calendário de 2008, em razão da falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração. A empresa não foi localizada no seu endereço informado à administração tributária, tendo sido localizado o sócio AFONSO JORGE VIEIRA MAGALHÃES, que declarou estar a empresa inativa desde o final de 2008. A empresa não apresentou DIPJ para o anocalendário 2008 e as DCTFs foram apresentadas sem quaisquer débitos declarados. O lucro foi arbitrado tomando como base as notas fiscais apresentadas pela Prefeitura Municipal de Montes Claros e pela ESURB – Empresa Municipal de Serviços, Obras e Urbanização. A fiscalização concluiu ainda que o atual sócio JOÃO NEVES GONÇALVES DOS SANTOS não é e nunca foi sócio de fato/administrador da fiscalizada, e que o administrador de fato, em 2008, foi o Sr. AFONSO JORGE VIEIRA MAGALHÃES, contra quem lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 751754. Além do arbitramento do lucro com base na receita, do qual decorreram os lançamentos de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, foi também lançado o imposto de renda na fonte, à alíquota de 35%, sobre pagamentos efetuados (identificados a partir da análise dos extratos bancários), com relação aos quais a fiscalizada não identificou o beneficiário nem comprovou a causa ou operação a que se referiam. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 5 4 Todos os lançamentos acima referidos foram apenados com a multa de ofício de 150%. Por fim, foi ainda lançada a multa regulamentar no valor de R$ 14.825,34 (1% sobre o valor da receita bruta da pessoa jurídica no período) pela falta de apresentação dos arquivos contábeis digitais. A fiscalizada e o responsável tributário apresentaram impugnações aos lançamentos, argumentando o seguinte, consoante sintetizou o relatório da decisão recorrida, na parte que ora transcrevo: “Quanto ao Imposto de Renda Retido na Fonte. que a presunção de que os débitos bancários se tratavam de pagamentos realizados a terceiros, sujeitos à retenção do IRRF não levou em consideração a natureza das operações do impugnante, a qual tratase de empresa prestadora de serviços de locação de máquinas e veículos pesados, sendo sempre incluídos nos respectivos contratos os ônus com abastecimento e manutenção dos veículos; que restou relatado no TVF à fl. 23 (item 4) a apresentação por parte do impugnante de documentos que comprovam as despesas por ele realizadas; que se faz necessária a indicação pormenorizadas dos motivos pelo quais o agente fiscal concluiu pela incidência do IRRF sobre os valores lançados a débito na contacorrente; Quanto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. que, conforme consta dos contratos firmados coma a Prefeitura de Montes Claros e a ESURB, encontrase a obrigatoriedade de retenção do Imposto de Renda na Fonte por parte dos contratantes. Dessa forma, ao contrário do que foi assentado, o impugnante não restou omisso no recolhimento do IRPJ, na medida em que todos os pagamentos a ele realizados já o foram com a retenção respectiva do tributo, nada mais devendo a título de IRPJ; que as notas fiscais emitidas pelo impugnante possuem o valor bruto dos serviços prestados e não o valor líquido recebido; Quanto ao arbitramento do lucro – CSLL, PIS e COFINS. que as diligências realizadas pela fiscalização foram deficitárias e insuficientes para apurar a real situação do impugnante, uma vez que baseou a atuação unicamente na contabilidade das receitas auferidas; que segundo o § único do artigo 224 do Decreto nº 3.000/99 exclui o valor do IRRF dos valores a serem considerados para arbitramento do lucro; Quanto às multas aplicadas. que a multa de 150% é confiscatória; que falhas na escrituração contábil por parte do impugnante não pressupõe o dolo que é a vontade dirigida conscientemente à obtenção de um fim ilícito; que é indevida a multa regulamentar pela falta de apresentação de arquivos digitais, vez que não se enquadra nas categorias previstas na Lei nº 8.218/91; Fl. 912DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 6 5 Quanto à responsabilidade solidária. que em momento algum o sócio administrador João Neves foi ouvido pela fiscalização para confirmar ou negar a hipótese levantada pela fiscalização que concluiu tratarse de “laranja”; que o sócio administrador é conhecido da família do ora impugnante de modo a outorgarlhe instrumento de procuração hábil a representar a empresa na celebração de negócios jurídicos; que a fiscalização em momento algum apontou qualquer evolução patrimonial de um ou de ambos os envolvidos, que pudesse sugerir ao menos um leve sintoma da suposta operação “laranja”; que o lucro no ano calendário foi zero e que não houve fraude, apenas descontrole administrativo;” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG afastou a preliminar de nulidade, e, no mérito, deu parcial provimento à impugnação tão somente para deduzir, do valor do IRPJ lançado, os valores do imposto de renda comprovadamente retido na fonte, de acordo com a DIRF apresentada pela Prefeitura de Montes Claros. De resto, confirmou a correção do lançamento efetuado e da multa aplicada, bem como da imputação de responsabilidade tributária solidária ao Sr. AFONSO JORGE VIEIRA MAGALHÃES. O Acórdão no 0939.620, fls. 823 a 842, possui a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO DE LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA CONHECIDA. Quando conhecida a receita bruta, o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, deve ser determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados para a determinação do Lucro Presumido, acrescidos de vinte por cento. LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO IRRF. Poderá ser deduzido do imposto apurado na forma do lucro arbitrado o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A demonstração do interesse comum, entre a pessoa jurídica e a responsabilizada, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, o uso de “laranja”, como também a dissolução irregular, com a indicação da previsão legal específica para a responsabilização solidária, é cabível a responsabilização efetuada com fundamento no artigo 124 e 135 do CTN. MULTA QUALIFICADA. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 7 6 Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA REGULAMENTAR. Todas as pessoas jurídicas que utilizem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, têm a obrigatoriedade de manter à disposição da Secretaria da Receita Federal os respectivos arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, não se aplicando a obrigatoriedade somente às empresas optantes pelo Simples. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2008 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço.” Contra esta decisão, da qual foram cientificados em 17.05.2012, foi interposto em 18.06.2012, em nome do contribuinte e do responsável tributário, o recurso voluntário de fls. 872 a 894, no qual são reprisados argumentos expostos na inicial. Tornam os recorrentes a argumentar o caráter de excepcionalidade do arbitramento como forma de apuração, e salientam que não é verdade que a empresa não tenha apresentado escrituração nem documentação, sendo que a própria decisão recorrida reconhece que foram apresentados, ainda que parcialmente, comprovantes de despesas inerentes e essenciais à sua atividade. Acrescentam argumentação de nulidade do lançamento por terem sido utilizados percentuais incorretos para a determinação do lucro, posto que, em vez de 8%, 16%, e 32%, que seriam os percentuais corretos para as suas atividades, foram utilizados os percentuais de 9,6%, 19,2%, e 38,4%. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 8 7 Aduzem que o lançamento, para ser considerado válido, também deveria ter especificado quais os pagamentos recebidos em que houve retenção na fonte e quais aqueles em que não houve, se é que existem pagamentos nessas condições. Ademais, não somente o imposto de renda foi retido na fonte, mas também as contribuições previdenciárias e o imposto sobre serviços de qualquer natureza foram objeto de retenção, conforme destacados nas notas fiscais, e, uma vez que esses valores não ingressaram no patrimônio da recorrente, não podem ser considerados receita bruta nos termos do artigo 224 do RIR/99. Protestam ainda que, a prevalecer a tese fiscal, a empresa estaria sofrendo dupla penalidade: uma pela tributação dos ingressos na conta bancária, a título de lucro arbitrado, e outra pela tributação na saída dos recursos da conta bancária, sob a alegação de pagamentos sem causa. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nulidades Aduzem os recorrentes que o lançamento encontrarseia acoimado de nulidade, seja porque as verificações fiscais incompletas levaram em consideração apenas as entradas de recursos, ignorando as despesas, seja porque os cálculos estariam indevidamente elevados, em face da adoção de percentuais incorretos para a apuração do lucro. Cediço que, no âmbito do processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações estas inocorrentes no caso. Eventuais erros ou equívocos na apuração dos tributos, ou no enquadramento dos fatos à hipótese tributária prevista na norma, devem ser enfrentados como matéria de mérito, como será feito a seguir. Arbitramento do lucro Não há dúvidas de que o arbitramento dos lucros constitui medida excepcional. Tampouco há dúvidas de que o procedimento não constitui penalidade, mas sim mera técnica de apuração do lucro, e que possui específica previsão legal, consolidada no art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Portanto, estando presentes os elementos que autorizam a sua aplicação, nada tem de abusivo o procedimento. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 9 8 Os recorrentes contestam o arbitramento alegando não ser verdade que não tenham apresentado nada, posto que a própria decisão recorrida reconhece que foram apresentados, ainda que parcialmente, comprovantes de despesas inerentes e essenciais à sua atividade. Ora, a apresentação (ademais apenas parcial) de documentos relativos a supostas despesas incorridas por óbvio não ilide o recurso ao arbitramento. No caso, o contribuinte simplesmente não apresentou à fiscalização qualquer livro contábil ou fiscal, tendo ainda expressamente declarado não ter escriturado as receitas e despesas ocorridas. Transcrevese abaixo trecho do voto da decisão recorrida sintetizando o caso: “Em 10/03/2011 o contribuinte foi reintimado a apresentar os livros fiscais e contábeis e os extratos bancários das contas mantidas na Coop. de Crédito dos Pequenos Empres., Microempresários e Microempreendedores do N. de Minas Ltda (SICOOB CREDINOSSO). Em atendimento, o contribuinte apresentou apenas notas fiscais de serviços referentes ao período de fev/2008 a set/2008. Novamente intimado, em 05/05/2011, a apresentar documentos/esclarecimentos e o restante das notas fiscais do anocalendário 2008, foi apresentada uma planilha denominada “Demonstrativo Mensal de Receitas e Despesas”, alguns documentos e esclarecimentos, dentre eles que não mantém em seus arquivos comprovantes de alvará e funcionamento, nem possuiu despesas com água, energia elétrica, telefone, que não teve empregados em 2008, que não possui documentos comprobatórios de despesas de IPVA, manutenções preventivas e corretivas, bem como lubrificantes. Por fim, declarou que não escriturou as receitas e despesas ocorridas e que não tem condições de apresentar comprovantes idôneos de despesas realizadas. Neste contexto, resta somente o arbitramento como forma de apuração do lucro, exatamente como procedeu o fisco, com base no art. 530, inciso III, do RIR/99. Portanto, sem qualquer fundamento o argumento de que os percentuais aplicados estariam errados, ou seja, de que, em vez de 9,6%, 19,2%, e 38,4%, deveriam ter sido utilizados os percentuais de 8%, 16%, e 32%. Os percentuais utilizados são aqueles previstos em lei para o arbitramento, enquanto que os citados pelos recorrentes aplicarseiam somente no caso de ser possível a opção pelo lucro presumido, que, no caso, conforme visto acima, não é. A alegação de que a atuação seria improcedente por levar em consideração unicamente as receitas auferidas, ignorando as despesas, carece de sentido, ante a forma de apuração adotada. No arbitramento, ao ser presumido um percentual de lucro, por óbvio e por consequência, presumese também um percentual de custos e despesas em que a empresa incorreu. Assim, se o percentual de arbitramento do lucro é de 9,6% sobre a receita, significa que o próprio legislador atribuiu um percentual de 90,4% da receita aos custos e despesas incorridas. Aduzem ainda os recorrentes que a autuação é improcedente porque foram considerados os valores brutos dos serviços prestados, e não os valores líquidos recebidos. Que deveriam ser descontados os valores do imposto de renda retido na fonte, bem como das contribuições previdenciárias e do imposto sobre serviços que está destacado nos documentos Fl. 916DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 10 9 fiscais emitidos, nos termos do parágrafo único do artigo 224 do RIR/99, que possui a seguinte redação: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Não assiste razão ao contribuinte quando pleiteia que seja considerada na autuação somente a receita líquida. Conforme transcrição acima, fica claro que na receita bruta só não se incluem os impostos não cumulativos cobrados destacadamente dos adquirentes, e dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Tal condição alcança, por exemplo, na legislação federal, o IPI, e na legislação estadual, o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Não alcança, contudo, o imposto sobre serviços (ISSQN), da legislação municipal. Na verdade, o ISSQN, assim como também o ICMS incidente sobre as vendas, são tributos que, ao serem subtraídos da receita bruta, dão origem à receita líquida, consoante conceito consagrado na legislação tributária desde há muito tempo, a teor do disposto no art. 12 do Decreto Lei no 1.598/77: “Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas.” Digno de registro que a legislação de todos os tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), no caso de pessoas jurídicas submetidas ao lucro arbitrado, faz referência expressa à receita bruta como ponto de partida para a apuração do montante devido. Neste sentido são: a Lei nº 8.981/95, antes mencionada (para o IRPJ), o art. 20 da Lei nº 9.249/95 (CSLL), e os arts. 2o e 3o da Lei nº 9.718/98 (PIS e COFINS). Portanto, nenhuma base legal há para a reclamada exclusão do imposto sobre serviços da receita bruta. Da mesma forma, inexiste base legal para a exclusão das contribuições previdenciárias, cujo pleito é ainda mais extravagante, pois sequer se trata de imposto sobre vendas, sendo tais contribuições dedutíveis como custo ou despesa operacional apenas para fins de apuração do lucro operacional da pessoa jurídica. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 11 10 Com relação ao IRRF, tampouco é o caso de exclusão do seu valor da receita bruta, posto que também não se enquadra nas exclusões legais da receita bruta acima mencionadas. O tratamento correto a ser conferido, no caso, é de dedução, na apuração do imposto a pagar, do imposto de renda comprovadamente retido na fonte, que tenha incidido sobre as receitas computadas na determinação da base de cálculo do imposto devido. E, neste sentido, a DRJ já reconheceu o direito à dedução do imposto retido na fonte sobre as receitas decorrentes das notas fiscais emitidas contra a Prefeitura de Montes Claros. Isto porque, em proveito do contribuinte, conseguiu identificar, em pesquisa aos sistemas internos da Receita Federal (DIRF), a efetiva retenção do imposto em questão. Contudo, destacou a DRJ não ser possível reconhecer o direito à dedução do imposto que teria sido alegadamente retido pela ESURB – Empresa Municipal de Serviços, Obras e Urbanização, porque não havia DIRF apresentada por aquela autarquia municipal que confirmasse ter havido a retenção. Entendo que está correta a autoridade julgadora a quo. Por certo que a DIRF não é a única forma de se provar que houve a retenção do tributo. Contudo, o ônus da prova, no caso, é do contribuinte, e, neste aspecto, simplesmente nada produziu em seu favor o contribuinte. Conforme visto, o contribuinte não mantinha qualquer espécie de escrituração, nem de suas receitas, nem de seus recebimentos. Ademais, analisandose as notas fiscais emitidas contra a ESURB que constam dos autos, sequer se verifica haver qualquer espécie de destaque do IRRF que seria devido (vide, por exemplo, notas fiscais de fls, 185, 186, e 187). Sem procedência, portanto, a reclamação. Em conclusão, correto o arbitramento levado a efeito pela fiscalização. Imposto de Renda Retido na Fonte Aduzem os recorrentes que a presunção fiscal de que se trataria de pagamentos a beneficiários não identificados e sem causa (o fisco enquadrou nas duas circunstâncias) não levou em consideração a natureza das operações do contribuinte, nem a apresentação de documentos que comprovariam as despesas por ele realizadas. Ocorre que, conforme bem observou a decisão recorrida, não é possível reconhecer a efetividade da comprovação de nenhum dos pagamentos que foram objeto da autuação, tendo em vista que não foi feita nenhuma vinculação entre os documentos apresentados (tais como contratos de locação de máquinas e veículos pesados, e cupons fiscais avulsos referentes a compras de combustíveis) e os valores dos desembolsos apurados pela fiscalização. Ressaltese que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi especificamente intimado a apresentar documentos e esclarecimentos relativos aos pagamentos realizados por meio dos débitos bancários identificados pela autoridade fiscal (fls. 705710), ao que assim respondeu, verbis: Fl. 918DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 12 11 “1.A – Como já consta de documento encaminhado anteriormente à Receita Federal quando da explicação da receitas auferidas no ano de 2008, a empresa não mantém documentos "idôneos", ou seja contábeis que sejam possíveis para lastrear a movimentação bancária ocorrida na conta referida; 1.B – Em razão de não manter registro das despesas efetuadas, também tornase impossível a apresentação de documentos capazes de demonstrar a movimentação de forma individualizada por beneficiário; 1.C – Os valores dos saques foram efetuados na conta corrente de maneira aleatória de acordo com a necessidade de liquidação de algum compromisso da empresa com os seus fornecedores ou prestadores de serviços; 1.D – Por fim em relação as possíveis inconsistências existentes na planilha apresentada pela fiscalização não temos qualquer observação, pois em razão de não dispormos de documentos que comprovem a movimentação bancária da empresa acatamos o que nos foi apresentado.” Portanto, não há dúvidas de que se está diante de situação expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 8.981/95 (art. 674 do RIR/99). Não apenas não houve a comprovação da operação de a que título se deu, ou qual foi a causa, dos pagamentos, como também não foram identificados seus beneficiários. A alegação de que estaria sofrendo uma dupla penalização (uma pela tributação dos ingressos na conta bancária, a título de lucro arbitrado, e outra pela tributação na saída dos recursos da conta bancária, sob a alegação de pagamentos sem causa) também não merece guarida. A tributação em questão constitui clara hipótese de presunção legal, no sentido de que estarseia diante de um rendimento tributável de terceiro, o qual, contudo, justamente em face das circunstâncias do caso (falta de identificação do beneficiário ou da causa do pagamento), não teria sido submetido à regular tributação, o que justifica a incidência, exclusivamente na fonte (na qualidade de responsável por substituição), do imposto de renda à alíquota diferenciada nele prevista. Tratase de exigência expressamente prevista em lei, portanto, e que de forma alguma se confunde com a receita omitida, pelo que não há que se falar em bitributação. Ademais, registro ainda que não se trata sequer, no caso concreto, de tributação “tanto dos créditos quanto dos débitos” bancários de uma mesma conta. Isto porque a receita omitida não foi apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mas sim com base nas notas fiscais apresentadas por terceiros diligenciados pelo fisco. Apenas os pagamentos sem causa é que foram identificados a partir dos extratos bancários da fiscalizada. Portanto, correta a autuação fiscal relativa ao imposto de renda retido na fonte. Multa qualificada Fl. 919DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 13 12 Aduzem os recorrentes que a multa de 150% é confiscatória, e que meras falhas na escrituração contábil por parte do contribuinte não permitem pressupor o dolo, que é a vontade dirigida conscientemente à obtenção de um fim ilícito. Não lhe assiste razão. A multa qualificada encontrase plenamente justificada pelo relato fiscal. Não apenas não houve a apresentação de DIPJ relativa ao período autuado, como também as DCTF apresentadas não indicavam a existência de qualquer tributo devido. Ademais, quando intimada para apresentação dos extratos bancários, apresentou à fiscalização tão somente os extratos da conta bancária na qual não havia qualquer crédito proveniente de receitas auferidas. A fiscalização, contudo, obteve, via Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente da instituição financeira, extratos contendo uma movimentação financeira da ordem de R$ 1.325.969,09 (créditos no ano de 2008). E, quando intimada para apresentação da notas fiscais de sua emissão, apresentou notas fiscais que totalizavam apenas R$ 616.815,91, contudo, a fiscalização obteve, junto a apenas dois clientes diligenciados (Prefeitura Municipal de Montes Claros e ESURB) notas fiscais que totalizaram R$ 1.482.534,51. A fiscalização também demonstrou que os serviços prestados pela fiscalizada em 2008 passaram a ser executados pela LOCTRANS TRANSPORTES LTDA a partir de 2009, tendo a fiscalizada (cujo nome fantasia também era “LOCTRANS”) encerrado a sua atividade operacional em 2008 (dissolução irregular, posto que simplesmente deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, conforme diligência efetuada, sem qualquer comunicação aos órgãos competentes), deixando atrás de si justamente o significativo passivo tributário em questão. A fiscalização demonstrou, ainda, que houve a interposição de pessoas no quadro societário (vulgo “laranja”) com a finalidade de dificultar ou impedir a execução dos créditos, conforme será detalhado no tópico atinente à responsabilidade tributária. Tudo isto compõe um cenário que, sem sombra de dúvidas, joga por terra todas as alegações no sentido de que teria havido mero descontrole administrativo, bem como afasta qualquer possibilidade de tratarse de simples erro. Plenamente demonstrado, portanto, o intuito doloso do contribuinte, e a configuração do evidente intuito de fraude, conforme definido nos arts. 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64, e justificada, portanto, a imposição da multa qualificada. Por fim, a multa aplicada possui expressa previsão legal, e não pode ser afastada pelo julgadora administrativo sob o argumento de violação a princípios constitucionais. Neste sentido, a seguinte súmula do CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Multa regulamentar Fl. 920DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 14 13 Aduzem os recorrentes ser indevida a multa regulamentar pela falta de apresentação de arquivos digitais, uma vez que não se enquadra nas categorias previstas na Lei nº 8.218/91, ou seja, não é obrigada à escrituração digital, nem utiliza sistema de processamento eletrônico de dados. Neste caso, assiste razão aos recorrentes. A Lei nº 8.218/91 possuía à época a seguinte redação: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...)” No caso, não trouxe a fiscalização nenhum elemento de prova de que a pessoa jurídica utilizasse sistema de processamento eletrônico de dados para quaisquer das finalidades mencionadas no dispositivo. Aliás, pelo quanto sucintamente contido no presente relatório e voto, as evidências são todas justamente em sentido contrário. Assim, não há que se falar em obrigatoriedade de manter à disposição da Receita Federal arquivos digitais e sistemas cuja existência em nenhum momento foi comprovada, nem tampouco admitida, e, portanto, não há que se falar em penalidade em face de sua não apresentação ao fisco. Responsabilidade solidária Aduzem os recorrentes, em síntese, que: (i) o sócio administrador João Neves Gonçalves Santos sequer foi ouvido pela fiscalização para confirmar ou negar a hipótese levantada pela fiscalização que concluiu tratarse de “laranja”; (ii) que o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães é mero mandatário do sócio administrador João Neves Gonçalves Santos, que é conhecido de sua família, o que justifica a confiança depositada; (iii) que o lucro no ano calendário foi zero, e que a fiscalização não apontou qualquer evolução patrimonial de um ou de outro. O fisco, entretanto, reuniu um sólido conjunto de evidências no sentido de que o Sr. João Neves Gonçalves Santos não é e nunca foi sócio de fato da fiscalizada. Tratase, na verdade, de pessoa que foi empregado contratado por diversas vezes como “Outros trabalhadores braçais nãoclassificados sob outras epigrafes” (Classificação Brasileira de Ocupações código 49.090) por JAQUELINE VIEIRA RABELO, Fl. 921DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 15 14 empresa de nome fantasia CARBONORTE. Jaqueline Vieira Rabelo é esposa de Afonso Jorge Vieira Magalhães. O Sr. João Neves Gonçalves Santos não foi “ouvido” pela fiscalização porque sequer foi por ela localizado. De acordo com os cadastros desta pessoa física na Receita Federal (sistema CPF), bem como em alteração contratual de outra empresa (COMERCIAL UNIDOS LTDA), seu endereço residencial seria o mesmo da empresa CARBONORTE. Contudo, por meio de diligência ao local, que era tipicamente residencial e estava fechado, e informações obtidas, foi possível constatar que João Neves Gonçalves Santos não era lá conhecido nem jamais residira naquele local. Em diligência ao local que seria o endereço da COMERCIAL UNIDOS LTDA, outra empresa em que membros da família Vieira Magalhães (irmãs de Afonso Jorge Vieira Magalhães) transferiram quotas para João Neves Gonçalves Santos. constatouse que o imóvel, um cômodo fechado, com a inscrição COMERCIAL UNIDOS, fora alugado como “depósito” para Afonso Jorge Vieira Magalhães. Enfim, para não ter de reproduzir aqui todo o conteúdo do quanto exposto no minucioso relato fiscal a respeito, o qual se encontra entre as fls. 69 e 83 dos autos, no “item II – QUADRO SOCIETÁRIO E UTILIZAÇÃO DE INTERPORTA [sic] PESSOA NO QUADRO SOCIETÁRIO DA EMPRESA ("LARANJA")”, e que adoto como razões de decidir, reafirmo que o fisco reuniu um vasto conjunto probatório no sentido de demonstrar que, por trás da administração da contribuinte, sempre esteve o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães. Basta registrar, por exemplo, que, nada obstante tenha o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães formalmente transferido 95% das quotas do capital social para o “laranja” João Neves Gonçalves Santos, mantendo para si apenas 5%, e formalmente tenha sido o “laranja” constituído único e exclusivo administrador da sociedade (conforme a Primeira Alteração Contratual Registrada na JUCEMG em 07/dez/2007), o fato é que tanto antes quanto após a referida alteração contratual, foi sempre o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães quem representou a empresa, assinando todos os contratos celebrados com a Prefeitura Municipal de Montes Claros e a ESURB. Correta, portanto, a imputação de responsabilidade tributária ao Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães, sendo de se destacar que a fiscalização, no caso, enquadrou a referida responsabilidade tanto no artigo 124, inciso I, quanto no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. No que toca ao art. 135, inciso III, tal dispositivo prevê a responsabilidade de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, sendo certo que não é qualquer infração à lei que ensejará a coresponsabilidade dos administradores, sendo necessário provar que estes agiram dolosamente, praticando ato ilícito com fraude ou excesso de poderes, situação esta que, conforme visto, restou plenamente configurada no caso concreto. Neste sentido é também a jurisprudência do STJ: Fl. 922DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 16 15 “PROCESSUAL. CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SÓCIOGERENTE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. NATUREZA SUBJETIVA. É dominante no STJ a tese de que o nãorecolhimento do tributo, por si só, não constitui infração à lei suficiente a ensejar a responsabilidade solidária dos sócios, ainda que exerçam gerência, sendo necessário provar que agiram os mesmos dolosamente, com fraude ou excesso de poderes.” (Resp 898168, Rel. Eliana Calmon, 2ª Turma, DJ 05.03.08) Como já em diversos outros precedentes tenhome manifestado, entendo que tal responsabilidade (art. 135) é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. Adoto, neste sentido, o entendimento manifestado pela douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, conforme excerto abaixo transcrito: “Se o elemento relevante para a caracterização da responsabilidade tributária do art. 135, III, do CTN fosse a condição de sócio, faria sentido a tese da responsabilidade subsidiária. Deveras, se o terceiro respondesse por ser sócio, seria plenamente razoável que demandasse o esgotamento do patrimônio da sociedade para que só então viesse a ser chamado a pagar o crédito tributário. Como, porém, não responde por ser sócio, mas porque, na condição de administrador, pratica ato ilícito, não faz o menor sentido que seja facultado a ele esquivarse da responsabilidade exigindo que, primeiro, responda a sociedade para, só em caso de sua insolvabilidade, seja a ele imposta a sanção pela ilicitude. A concepção de responsabilidade por ato ilícito exclui o caráter de subsidiariedade da obrigação do infrator. Este deve responder imediatamente por sua infração, independentemente da suficiência do patrimônio da pessoa jurídica. Eis o sentido de estar expresso no caput do art. 135 do CTN que são “pessoalmente responsáveis” os administradores infratores da lei. Dessa forma, deve ser excluída a tese da responsabilidade subsidiária em sentido próprio.” Em vista do exposto, correta a imputação de responsabilidade tributária solidária com base no art. 135 do CTN. No que toca ao art. 124, inciso I, conforme também já manifestei em diversos outros precedentes, entendo que o fato de o responsável indicado lograr proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais revelam sim o seu interesse comum naquelas situações. E que, em casos como o dos autos, em que restou demonstrado que a empresa AM INFORMÁTICA LTDA encontravase constituída em nome de interpostas pessoas, e que dela se utilizava o seu verdadeiro sócio e administrador de fato, o Sr. Afonso Jorge Vieira Magalhães, para a prática de operações à margem da tributação, não há dúvidas do seu interesse comum nas situações que constituam o fato gerador da obrigação tributária. Na mesma linha do presente voto, destaco os seguintes julgados desta Corte, em situações envolvendo a administração de pessoas jurídicas por sócios gerentes de fato, em que o CARF entendeu restar demonstrado, nesses casos, o interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN: Fl. 923DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 17 16 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Demonstrado de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do C.T.N. (Acórdão 10808.467, relator José Carlos Teixeira da Fonseca, sessão de 12 de setembro de 2005) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTASDEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. (Acórdão 20311.330, relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, sessão de 20 de setembro de 2006) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, I, do CTN. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. (Acórdão 20312.270, relator Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de julho de 2007) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária pressupõe o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do mesmo lado de uma mesma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato que movimentavam recursos em conta corrente de pessoa jurídica é prova do interesse comum das pessoas físicas que movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio. (Acórdão 120200.037, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 13 de maio de 2009) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1202001.034, relatora Viviane Vidal Wagner, sessão de 8 de outubro de 2013) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. (Acórdão 1102001.034, relator José Evande Carvalho Araujo, sessão de 13 de março de 2014) Portanto, também por este motivo deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado. Conclusão Fl. 924DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10670.721733/201111 Acórdão n.º 1102001.330 S1C1T2 Fl. 18 17 Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a multa regulamentar aplicada por falta de apresentação de arquivos digitais. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 925DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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