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Numero do processo: 13804.007985/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/07/2002 a 30/09/2002
ACÓRDÃO DRJ. CONTRADIÇÃO. NULIDADE.
É nula a decisão proferida pela DRJ quando constatada obscuridade ou contradição entre o voto do relator e sua parte dispositiva.
Numero da decisão: 3101-001.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão recorrida, com retorno dos autos ao órgão julgador a quo para nova decisão.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
1.0 = *:*
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CONTRADIÇÃO. NULIDADE. É nula a decisão proferida pela DRJ quando constatada obscuridade ou contradição entre o voto do relator e sua parte dispositiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular a decisão recorrida, com retorno dos autos ao órgão julgador a quo para nova decisão. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, José Paulo Puiati, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 79 85 /2 00 2- 61 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento relativo ao crédito presumido de IPI e Declaração de Compensação, cujo despacho decisório não homologou as compensações declaradas, e indeferiu o ressarcimento pleiteado. Alega a autoridade fiscal que o contribuinte não teria atendidos às intimações fiscais para apresentar a documentação comprobatória das compras de insumos, sendo que foram apresentadas poucas notas fiscais, sem prova do pagamento. O interessado alega que teria ocorrido a homologação tácita das compensações e que tais débitos não mais poderiam ser objeto de cobrança. Afirma que a negativa do pleito foi genérica, ferindo o princípio da verdade material, e que os custos utilizados na industrialização foram devidamente demonstrados em planilha juntada aos autos, argüindo que apresentou a documentação solicitada por amostragem, devido à quantidade de documentos. Conforme consta do Acórdão nº 1436.205, a 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002, 01/07/2002 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, transcorridos do protocolo da DCOMP, isso se dando antes da ciência ao interessado, a compensação está tacitamente homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do Acórdão da impugnação em 16/02/2012, conforme AR juntado à fls.285, o interessado interpôs recurso intitulado como “Embargos de Declaração” em 22/02/2012 (fls.281 a 284), alegando que a decisão proferida no Acórdão seria conflitante com o voto do relator, que expressamente concluiu pela procedência em parte da manifestação de inconformidade, para que fossem homologadas as compensações declaradas. Segundo seu entendimento, teria ocorrido uma contradição ou obscuridade no acórdão recorrido entre a parte dispositiva e o resultado proferido. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como se trata de alegada contradição ou mesmo obscuridade no Acórdão recorrido, transcrevo trecho do voto do relator a quo, em sua parte dispositiva: Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13804.007985/200261 Acórdão n.º 3101001.822 S3C1T1 Fl. 4 3 Desta forma, tendo a lei especificado que a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, esta se dará no prazo de cinco anos contados da data da entrega da mencionada declaração. Portanto, ainda que o contribuinte não tenha trazido aos autos qualquer prova da certeza e liquidez do crédito presumido, voto que se julgue a manifestação como procedente em parte para homologar as compensações declaradas. Claro está que o julgador a quo considerou a homologação tácita das compensações declaradas, confirmando a ementa do referido acórdão: COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, transcorridos do protocolo da DCOMP, isso se dando antes da ciência ao interessado, a compensação está tacitamente homologada. Os Pedidos de Compensação foram protocolados em 31/10/2002, 28/11/2002 e 27/12/2002, cuja ciência da denegação se deu em 12/02/2010 (fls. 163). A DRJ fundamentou sua decisão no parágrafo 4º do artigo 4º da Lei nº 10.637/2002, c/c o parágrafo 5º do artigo 17 da Lei nº 10.833/2003. Entretanto, o resultado proferido no Acórdão está em direção contrária àquela manifestada pelo relator: “Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade”. Assiste razão à recorrente quanto à contradição apontada. Desta forma, voto por dar provimento parcial ao recurso apresentado para anular a decisão recorrida, por contradição e obscuridade no Acórdão 1436.205, com retorno dos autos ao órgão julgador a quo para nova decisão. Sala das sessões, em 25 de fevereiro de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000366/00-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1996
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Sem a comprovação da divergência, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Hipótese em que o acórdão recorrido não admitiu, como custo de aquisição, o valor do imóvel informado na declaração do exercício de 1992, sob o fundamento de ela ter sido entregue a destempo, enquanto o paradigma utilizou como custo o valor corrigido do imóvel informado em declaração do exercício de 1992 apresentada tempestivamente.
Assim, as decisões comparadas chegaram a conclusões divergentes não por discordarem na interpretação da lei tributária, mas por diferenças nas provas dos autos: enquanto no paradigma havia declaração tempestiva do custo corrigido do imóvel, no acórdão recorrido isso não ocorreu, tendo sido necessário se utilizar de outros critérios para fixação custo do bem para o cálculo do ganho de capital.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.572
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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FALTA DE REQUISITO ESSENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. Sem a comprovação da divergência, não há de ser conhecido o recurso especial interposto para a uniformização de interpretação de legislação tributária. Hipótese em que o acórdão recorrido não admitiu, como custo de aquisição, o valor do imóvel informado na declaração do exercício de 1992, sob o fundamento de ela ter sido entregue a destempo, enquanto o paradigma utilizou como custo o valor corrigido do imóvel informado em declaração do exercício de 1992 apresentada tempestivamente. Assim, as decisões comparadas chegaram a conclusões divergentes não por discordarem na interpretação da lei tributária, mas por diferenças nas provas dos autos: enquanto no paradigma havia declaração tempestiva do custo corrigido do imóvel, no acórdão recorrido isso não ocorreu, tendo sido necessário se utilizar de outros critérios para fixação custo do bem para o cálculo do ganho de capital. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 03 66 /0 0- 51 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 236 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 19600.087, da 6a Turma Especial do 1o Conselho de Contribuintes (fls. 203 a 206), julgado na sessão plenária de 03 de dezembro de 2008, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício. 1996 GANHO DE CAPITAL. NÃO COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição considerado pela autoridade fiscal ao lavrar auto de infração deve prevalecer se o contribuinte não produz prova hábil de valor de aquisição distinto. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. É legítima a taxa de juros calculada com base na SELIC, considerandose que sua utilização foi estabelecida em lei e que o artigo 161, §1o do Código Tributário Nacional admite a fixação de juros superiores a 1% ao mês, se previsto em lei. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de oficio, cabe a aplicação da multa no percentual de 75%. Recurso voluntário negado. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 237 3 Cientificado do acórdão em 30/04/2009 (fl. 222), o contribuinte manejou, em 15/05/2009, recurso especial de divergência (fls. 215 a 218), onde afirmava que a legislação permitia a correção do custo de aquisição do imóvel até janeiro de 2002 [sic], com o uso da UFIR, para a apuração do ganho de capital. Para comprovar a divergência de interpretação da lei tributária, foi apresentado o seguinte paradigma: Acórdão no 10247383 GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL CUSTO DA AQUISIÇÃO Imóvel adquirido até 31.12.1991. Para apuração do ganho de capital, o valor do custo do imóvel é aquele declarado pelo contribuinte à época da sua aquisição. devidamente trazido a valor de mercado. através de correção pela UFIR até Janeiro de 1992 (Lei 8.383 de 1.991, art.96). (...) O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 225 a 229, que considerou comprovada a divergência jurisprudencial com o seguinte argumento: No acórdão recorrido, a decisão foi no sentido de considerar o custo de aquisição utilizado pela Receita Federal do Brasil com base na avaliação de mercado realizada em 1991 (fl.205), ao passo que o aresto recorrido considera que o ganho de capital deve ser apurado a partir do custo de aquisição do imóvel, declarado pelo contribuinte à época, devidamente trazido a valor de mercado pela correção da UFIR. Cientificada desse despacho em 1o/09/2011 (fl. 229), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões no mesmo dia (fls. 231 a 234), defendendo a manutenção da decisão recorrida pelos seguintes argumentos: a) o contribuinte alienou o imóvel em abril de 1995 pelo valor de R$ 109.200,00 recebidos em suas parcelas, sendo a primeira em 28/04/1995 no valor de R$ 52.800,00 e a segunda em 02/06/1995 no valor de R$ 56.400,00; b) o recorrente pretende seja utilizado como custo de aquisição do imóvel, para apuração do ganho de capital, o valor de R$ 150.000,00 UFIR, informado na declaração de ajuste anual retificadora do anocalendário 1992, apresentada em 24/05/1993, ou seja, intempestivamente; c) todavia, tal pedido já foi indeferido pela DRF e confirmado pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes por ocasião do julgamento do processo n° 13823.000029/9610. Entendeuse ser inviável a alteração de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 1992, com vistas à alteração do custo de aquisição do imóvel alienado de 0,69 UFIR para 150.000,00 UFIR, sob o argumento de que a retificação de declaração de rendimento somente pode ser autorizada pela autoridade administrativa quando comprovado o erro alegado através de documentos aptos, o que não ocorreu; d) assim, uma vez verificado que o contribuinte não logrou êxito em produzir provas que viessem a comprovar o aludido custo de aquisição e, tratandose de matéria Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 238 4 preclusa, eis que já decidida no processo n° 13823.000029/9610, resta inviável deferirse a pretensão do contribuinte; e) conforme bem anotado pela DRJ, o contribuinte teve a oportunidade de atualizar pelo valor de mercado os seus bens na declaração de ajuste relativa ao anocalendário 1991. Todavia, deixou de observar os prazos e condições estabelecidos na legislação. De fato, o interessado só alterou o valor inicialmente atribuído ao imóvel de 0,69 UFIR para 150.000 UFIR por ocasião da declaração retificadora do anocalendário 1992, apresentada extemporaneamente em 24/05/1993 e sem lastro em qualquer documentação comprobatória; f) assim sendo, não há qualquer vício no procedimento adotado pela autoridade fiscal, que considerou como custo de aquisição, por ser mais benéfico ao contribuinte, o valor de Cr$ 593.487,98 (e não o valor de 0,69 UFIR), constante no R4 da matrícula 8.003, correspondente ao último valor atribuído ao imóvel, conforme formal de partilha lavrado em 6 de setembro de 1991, relativo à separação judicial do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso especial de divergência é tempestivo. Entretanto, discordo do despacho do Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção que admitiu a divergência. No presente processo, o recorrente pretende adotar, como custo de aquisição de um imóvel na apuração do ganho de capital, o valor informado na declaração retificadora do exercício de 1993, pois, na original, o bem havia sido declarado por valor irrisório. Na verdade, o pedido para retificação da declaração se deu no processo no 13823.000029/9610, que já foi analisado e indeferido pela 4a Turma do 1o Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 10418.567, julgado na sessão de 23 de janeiro de 2002, que possui a seguinte ementa: IRPF — RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação de declaração de rendimento somente poderá ser autorizada pela autoridade administrativa quando comprovado o erro alegado através de documentos aptos. Recurso negado Essa decisão já transitou em julgado no âmbito administrativo. Não admitida a retificação da declaração de 1993, a fiscalização adotou, como custo de aquisição do imóvel, o valor mais atualizado constante em documentos apresentados, evitando se utilizar do custo irrisório originalmente declarado, em benefício do contribuinte. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 239 5 Observese que, tanto no processo do pedido de retificação, quanto nestes autos, o contribuinte alegava que o valor informado na declaração de 1993 havia sido incorretamente transcrito daquele constante na declaração de 1992, quando o custo de aquisição tinha sido avaliado pelo valor de mercado no dia 31 de dezembro de 1991, e convertidos em Ufir no mês de janeiro de 1992, nos termos do artigo 96 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Entretanto, o argumento não foi admitido, sob o fundamento de que somente a declaração do exercício de 1992 apresentada tempestivamente serviria para corrigir o valor dos bens pela UFIR, e o contribuinte havia apresentado a sua intempestivamente, em 24/5/1993 (fl. 80). Com essas explicações, é possível se analisar a divergência alegada. No acórdão paradigma, considerouse, como custo de aquisição do imóvel para apuração do ganho de capital, o valor do bem constante na declaração de ajuste do exercício de 1992 do contribuinte, que havia sido corrigido nos termos do artigo 96 da Lei 8.383, de 1991. Contudo, naqueles autos, a declaração de 1992 foi apresentada tempestivamente, de forma diversa do ocorrido neste processo, sendo justamente a apresentação a destempo o que impediu a utilização do valor atualizado. Nesses termos, para que se configurasse divergência de interpretação da legislação tributária, seria necessário trazer decisão que houvesse permitido a correção do custo do imóvel por meio de declaração de rendimentos do exercício de 1992 apresentada intempestivamente. Assim, as decisões comparadas chegaram a conclusões divergentes não por discordarem na interpretação da lei tributária, mas por diferenças nas provas dos autos: enquanto no paradigma havia declaração tempestiva do custo corrigido do imóvel, no acórdão recorrido isso não ocorreu, tendo sido necessário se utilizar de outros critérios para fixação custo do bem para o cálculo do ganho de capital. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS Processo nº 10840.000366/0051 Acórdão n.º 9202002.572 CSRFT2 Fl. 240 6 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA S ANTOS
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Numero do processo: 10325.001363/2003-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.846
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori e Bernardo Leite Queiroz de Lima. Designado o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite Queiroz de Lima. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 01 36 3/ 20 03 -1 2 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.001363/200312 Resolução nº 3401000.846 S3C4T1 Fl. 947 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativo do 2o trimestre de 2003. O crédito foi parcialmente indeferido, sob fundamento de que parte dele, decorrente da aquisição de carvão vegetal, tinha como base notas fiscais irregulares, pois se tratam de notas fiscais complementares emitidas pela própria Recorrente. O processo já foi analisado uma primeira vez por este Conselho (fls. 01/05), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência para que o crédito fosse apurado com base nas páginas do livrorazão apresentadas e nos outros documentos fiscais da contribuinte. No relatório de diligência (fls.926/929), consta a conclusão de existência de crédito superior ao declarado na DACON e ao pleiteado pela Contribuinte. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência , mas permaneceu inerte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade razão pelo qual dele tomo conhecimento. Como já relatado, o objetivo da diligência era fazer uma análise nos demais documentos contábeis da Recorrente a fim de saber se ela realmente recebera a quantidade de carvão alegada e o valor do crédito existente. Cabe salientar que na primeira análise, no voto de relatoria deste Conselheiro ora relata, acolhido por unanimidade, foi consignado que em razão do Princípio do non reformartio in pejus não se poderia levar em consideração as novas fundamentações da DRJ para negar o direito creditório. Com base nisso, ficou definido que o julgamento do recurso ficaria limitado à analise do motivo que levou a delegacia de origem a não reconhecer o crédito, qual seja, irregularidades das notas fiscais da aquisição de carvão vegetal. Com a delimitação definida acima, também ficou decidido que a mera irregularidade da nota fiscal não é suficiente para indeferir o crédito, pois o que gera o crédito é a aquisição do insumo, de modo que bastaria verificar os demais documentos da Contribuinte, Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.001363/200312 Resolução nº 3401000.846 S3C4T1 Fl. 948 3 dentre eles, as folhas do livrorazão anexado ao recurso, para saber se realmente houve a aquisição alegada. A diligência não deixou dúvida de que, com base nos documentos analisados, constatouse a aquisição do carvão, bem como a existência de crédito em quantidade superior ao declarado na DACON. A autoridade fiscal também destacou, acertadamente, que o reconhecimento do crédito deve estar limitado ao valor declarado na DACON e pleiteado no pedido de ressarcimento. Em suma, a Recorrente tem direito ao crédito pleiteado, razão pela qual o crédito deve ser reconhecido e as compensações homologadas. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer o direito creditório até o limite pleiteado e homologar as compensações declaradas. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Trata o presente de pedido de direito creditório com base em ressarcimento de PIS não cumulativo exportação referente a dezembro de 2002. O pedido da contribuinte (a) foi glosado em virtude de irregularidades constatadas em notas fiscais complementares emitidas pela própria contribuinte relacionadas à aquisição de carvão como insumo e também (b) foi glosado da parcela de crédito proveniente de gastos com energia elétrica consumida no mês de dezembro de 2002. Os julgadores a quo não acolheram a contestação da peticionaria por que teria faltado comprovação dos gastos pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país e porque os gastos de energia elétrica em dezembro de 2002 somente geraria crédito se insumo para a produção de bens ou prestação de serviços. Em 03/02/2011 o julgamento desta lide foi convertido por este Colegiado em diligência, entendendo que o recurso do contribuinte se circunscreveu à glosa referente à aquisição de carvão. O Colegiado, naquela ocasião, determinou: "Como visto acima, a nota fiscal não é o único documento hábil à análise do crédito, podendo esse ser verificado, também , pelos livros e demais documentos. Portanto, podese concluir que não é a nota fiscal que gera o crédito, mas sim a atividade destacada na legislação tributária, ou seja, a aquisição de determinados produtos. Sendo assim, basta verificar se a recorrente adquiriu, deveras, a quantidade de carvão alegada e se procedeu à escrituração contábil, bem como o recolhimento correto. A recorrente juntou aos autos as folhas do livro razão e as fichas de controle do IBAMA, para provar a Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10325.001363/200312 Resolução nº 3401000.846 S3C4T1 Fl. 949 4 veracidade das operações mencionadas nas notas fiscais complementares, de modo que, com fulcro na verdade material, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à DRF de origem, a fim de que sejam cotejadas as folhas do livro razão apresentadas pela recorrente, a fim de verificar a quantidade de carvão adquirida e contabilmente registrada, bem como o valor do crédito por ela gerado. Ao fim da análise, devese fazer relatório pormenorizado, destacandose, se for o caso, a existência a aquisição de carvão na quantidade alegada pela recorrente e o valor de crédito a ser ressarcido." (grifos nossos) A diligência, em sua apuração, se limitou aos dados constantes dos extratos do livro razão e informações do IBAMA que instruíam os autos, e a contribuinte não atendeu a autoridade fiscal apresentando o registro por ela solicitado. A contribuinte, em sua manifestação em resposta a essa diligência, repisa os argumentos de sua contestação levada ao conhecimento dos julgadores a quo. Pede que sejam suas razões apreciadas pelos Conselheiros. Assim, essa lide retorna a este Colegiado. Malgrado a objetividade e a clareza dos votos do Relator, o Ilustre Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, na sessão de 03/02/2011 e na sessão de hoje, ambas desta 1ª Turma Ordinária, ouso expressar minha carência por mais informações, não atendidas pela diligência anterior, e necessárias, a meu ver, para os Respeitáveis Conselheiros formarem sua convicção conclusiva. Portanto, proponho a este Colegiado converter esse julgamento em diligência para enviar este processo à unidade de jurisdição para: 1. identificar os motivos para a emissão das notas fiscais complementares, e segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os motivos; 2. segregar o somatório dos valores das operações de acordo com os tipos de fornecedores (se pessoa jurídica ou se pessoa física) e se seu domicílio está ou não em território nacional; 3. identificar, consoante documentação comprobatória, os valores pagos referentes às operações constantes das notas complementares; 4. identificar o somatório dos valores das operações referidos nas notas complementares que possuam documentos e declarações, além do razão e das informações do IBAMA já apresentados, que concorram para comprovar a operação, e identificar o somatório dos valores das operações que não possuam tais comprovações, documentos e declarações. Que a contribuinte seja notificada desta decisão e do resultado da diligência e possa, em cada caso, se manifestar no prazo de 30 dias. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Redator Designado. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MEN DONCA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721120/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/12/2011
APLICAÇÃO DE MULTA PELA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS AO FISCO. CONEXÃO COM O PROCESSO RELATIVO AO LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA.
Inexiste conexão entre o processo que contempla aplicação de multa em razão de conduta omissiva do sujeito passivo em atender a intimações do fisco e o processo que contém os lançamentos da obrigação principal.
MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO.
Não se instaura o contencioso em relação às matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.402
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirrelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.) Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirrelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1521; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 250 1 249 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721120/201113 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.402 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO INDIRETO Recorrente CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/12/2011 APLICAÇÃO DE MULTA PELA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS AO FISCO. CONEXÃO COM O PROCESSO RELATIVO AO LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste conexão entre o processo que contempla aplicação de multa em razão de conduta omissiva do sujeito passivo em atender a intimações do fisco e o processo que contém os lançamentos da obrigação principal. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. Não se instaura o contencioso em relação às matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 20 /2 01 1- 13 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/04/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Kleber Ferreira de Araújo – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirrelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/04/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.721120/201113 Acórdão n.º 2401003.402 S2C4T1 Fl. 251 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 51.476 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n. 51.016.9368: aplicação de multa por descumprimento dos §§ 2º e 3. do artigo 33, da Lei 8.212/91, em razão da não exibição de recibos dos pagamentos efetuados a contribuintes individuais.; b) AI n. 51.016.9376: aplicação de multa por descumprimento ao artigo 32, III da Lei 8.212/91, uma vez que a autuada deixou de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como esclarecimentos necessários à auditoria fiscal, tais como faturas emitidas pelas empresas de planos médicos e comprovantes de despesas. Cientificada do lançamento em 28/12/2011, o sujeito passivo apresentou impugnação, onde não questionou o mérito das lavraturas, alegando tão somente conexão com os autos de infração de obrigação principal lavrados na mesma fiscalização. O órgão de primeira instância não reconheceu a conexão suscitada e declarou improcedente a impugnação. Inconformado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em síntese, tenta demonstrar a ocorrência de conexão entre as lavraturas aqui tratadas e aquelas em que se discute a exigência da obrigação principal. Pede o sobrestamento dos presentes AI até o julgamento definitivo daqueles lavrados para cobrança das contribuições ou, alternativamente, que os processos tenham tramitação conjunta. Ao final, pede o reconhecimento da insubsistência das autuações. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/04/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Conexão Conforme muito bem assinalado na decisão recorrida, inexiste a alegada prejudicialidade dos AIOP em relação às lavraturas tratadas no presente processo. Ali se exige o tributo devido, obrigação esta surgida com a ocorrência da hipótese de incidência tributária, nestas se impõe pena administrativa em razão do sujeito passivo haver deixado de apresentar documentos e esclarecimentos solicitados pela auditoria. Nessa toada, mesmo que se declare improcedentes as contribuições lançadas, caso se constate que as condutas omissivas do sujeito passivo afrontaram a legislação previdenciárias, há de subsistir as lavraturas para imposição das penalidades por descumprimento de obrigações acessórias. Observe que o AI lavrado para punir a falta de declaração dos fatos geradores na GFIP foi incluído no mesmo processo que contempla os lançamentos de obrigação principal, justamente porque ali se faz presente a conexão apontada, uma vez que, se forem declaradas improcedentes as contribuições, também o será a obrigação de declarálas na GFIP. Essa vinculação, todavia, não se observa nos processos que ora se julga, posto que decorrentes da falta de apresentação de documentos e esclarecimentos ao fisco. De qualquer forma, ao trazer para a mesma sessão de julgamento os AIOP e as lavraturas tratadas no presente processo, acabo por atender ao pedido do sujeito passivo para tramitação conjunta dos processos. Mérito Quanto ao mérito, não houve impugnação do sujeito passivo, o que me leva a inferir que a empresa não se contrapõe aos fatos narrados no relatório fiscal das infrações. Devese, portanto, prevalecer o entendimento do fisco quanto à ocorrência das infrações. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/04/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16682.721120/201113 Acórdão n.º 2401003.402 S2C4T1 Fl. 252 5 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 09/04/2 015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 11516.004149/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA.
Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel. A alegação de alienação do imóvel desacompanhada de qualquer documento comprobatório não pode prosperar.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA.
Deve ser mantido o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), cujo levantamento foi realizado mediante a utilização dos VTN médios por aptidão agrícola, fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, mormente, quando o contribuinte não comprova e nem demonstra, de maneira inequívoca, através da apresentação de documentação hábil e idônea, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel. A alegação de alienação do imóvel desacompanhada de qualquer documento comprobatório não pode prosperar. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA. Deve ser mantido o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), cujo levantamento foi realizado mediante a utilização dos VTN médios por aptidão agrícola, fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, mormente, quando o contribuinte não comprova e nem demonstra, de maneira inequívoca, através da apresentação de documentação hábil e idônea, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 41 49 /2 01 0- 54 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Fl. 971DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/201054 Acórdão n.º 2202002.822 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, FNC COMERCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., foi emitido auto de infração, f. 1625, através do qual se exige o crédito tributário RS 1.670.553,16, incluindo imposto, juros de mora calculados até 30/11/2010 e multa de ofício. A exigência se refere ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural 1TR dos exercícios 2005 e 2006, incidente sobre o imóvel rural com área total de 1.230,0 ha., Número de Inscrição NIRF 3371220, localizado no município de LagunaSC. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural DITR em relação ao seguinte fato tributário: Valor da Terra Nua VTN: regularmente intimado, o contribuinte deixou de apresentar laudo técnico de avaliação do valor da terra nua, motivo pelo qual o valor declarado foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT. Em razão do constatado, foi efetuado lançamento do imposto, acrescido de juros moratórios e multa de ofício. O sujeito passivo foi cientificado por aviso de recebimento postal em 08/12/2010, conforme consta da f. 29. Em 15/12/2010, Banco Citibank S/A, CNPJ 33.479.023/000180, na condição de incorporadora de FNC Comércio e Representações Ltda, por meio de seus advogados qualificados nos autos, apresentou impugnação, f. 3055, e após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Preliminarmente a impugnante alega que não é contribuinte do ITR porque não é possuidora nem proprietária do imóvel e nem detém o domínio útil, e também não é responsável por sucessão porque seus antecessores também não eram contribuintes e não tinham o dever jurídico de pagar o ITR, pois nunca tiveram posse, propriedade ou domínio útil do imóvel. Esclarece que o imóvel está registrado no Registro de Imóveis e Hipotecário da Comarca de Laguna, no Livro n° 2 BM Registro Geral lis. 133, sob n" 12.754, em nome do Banco Crefisul de Investimento S.A.; que o Banco Crefisul S/A recebeu o imóvel em "dação em pagamento" e que o referido banco foi extinto e os direitos sobre o imóvel passaram, em tese, para a impugnante. Entretanto, a impugnante entende que é inválida a dação em pagamento porque o imóvel não pertencia aos devedores contratantes que transferiram o imóvel ao Banco Fl. 972DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Crefisul, nominados no Registro Imobiliário (Cecrisa, Klace S/A e Cominas). Isso porque a primeira proprietária, Companhia Siderúrgica Nacional CSN, antes das transferências dominiais, já havia perdido demandas judiciais em face dos posseiros da área, sendo que os processos judiciais estão em vias de ser identificados pela impugnante por meio de diligência na Comarca de Tubarão. Sustenta que no "google maps" se constata que o imóvel foi fracionado pelos posseiros em áreas rurais menores. O fato é que o imóvel há muito tempo está ocupado por posseiros e por pessoas com títulos de propriedade sobre a mesma área os quais foram obtidos em ações de usucapião transitadas em julgado, caso do Senhor Itamar Sebastião Mattos, dono do CTG Preto Velho (fotografia em anexo), instalado no local há mais de trinta e cinco anos. Outros moradores, embora não possuam o título aquisitivo da propriedade, já possuem tempo suficiente para requerer judicialmente a declaração de aquisição da propriedade por usucapião. E há aqueles que não sabem que o imóvel tem outra matrícula no RI de Laguna. Alega que sobre o imóvel existia um lixão que hoje é denominado de aterro sanitário, conforme consulta ao "google maps", e que o Senhor Itamar Sebastião Mattos, para que o Poder Público criasse o aterro sanitário, doou para a FATMA, da parte que lhe pertence do imóvel fiscalizado, cerca de 10 a 12 hectares, sendo que antes disso havia doado a referida área ao IBAMA. Informa que também são proprietários atuais do imóvel fiscalizado Vilson Carrara, Hélio Flor e Pozolana Industria e Comércio Ltda, dentre outros. Conclui que os possuidores do imóvel devem estar pagando o ITR ou estão isentos ou imunes, considerando a divisão do imóvel. Alega que a partir de 2012 o imóvel passou a integrar o novo município de "Pescaria Brava", cuja emancipação foi aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, e que a área do imóvel já é considerada urbana. No mérito, esclarece que necessitava obter a Certidão de regularidade fiscal e para isso foi orientada a apresentar a Declaração do ITR do imóvel mesmo não sendo proprietária ou possuidora. Reconhece que agiu com erro, pois deveria ter solicitado o cancelamento da inscrição de imóvel rural CAFIR junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme instruções publicadas no site da Receita Federal, e, após, solicitar a expedição da certidão negativa. Sustenta que este erro não tem o condão de impor, à impugnante, a responsabilidade pelo ITR lançado, conforme art. 31 do CTN e entendimento da doutrina e da jurisprudência. Alega que a área é isenta, nos termos da Lei 9.393/96, porque é imprestável para fins de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquicola ou florestal, uma vez que há grande ocupação do imóvel com casas de moradia, comércios, pequenos Fl. 973DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/201054 Acórdão n.º 2202002.822 S2C2T2 Fl. 4 5 sítios, aterro sanitário, Centro de Tradições Gaúchas CTG, depósito de resíduos de carvão mineral, área de preservação permanente e de reserva legal (IBAMA e FATMA). Há também área de interesse ecológico na área de recuperação ambiental. Entende que ao menos deve ser aplicada a alíquota de 0,3%, considerando grau de utilização do imóvel de 80% por se tratar de área imprestável para exploração (art. 11 parágrafo I o da Lei 9.393/96). Pede a produção das seguintes provas: A Impugnante requer, ainda, que, nos termos do arl. 16, § 4o, "a" do Decreto n° 70.235/72, seja oporíimizada a juntada de documentos posteriormente à apresentação da Impugnação. Es/es documentos não estão sendo juntados, neste momento, por motivo de força maior, como passamos a demonstrar. A força maior decorre da necessidade de obter junto ao Tabelionato e ao Cartório de Registro de Imóveis em Laguna/SC e Tubarão/SC, cópias das escrituras públicas e das matrículas dos imóveis, resultantes do /racionamento da matrícula do imóvel 12.754, quando será provado que a propriedade, posse e domínio útil pertencem a outras pessoas. Também, há necessidade de obter certidões de desmembramento do imóvel, caso houver registro. Isso irá demandar algum tempo, dada à necessidade de pesquisa e da burocracia cartorária. Ainda, justamente no prazo para a apresentação da Impugnação até o seu encerramento, o Poder Judiciário de Santa Catarina estará em recesso (férias forense). Os cartórios extrajudiciais e judiciais em Santa Catarina fecham no dia 17.12.2010 e retornam dia 07.01.2010, conforme informações extraídas do site do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (www.tjsc.jus.br), o que inviabiliza o requerimento, a pesquisa e a expedição de certidões extrajudiciais em tempo Mais, há a necessidade de obter junto aos Municípios de Laguna e Tubarão certidões e mapas das áreas rurais e das áreas urbanas ídentijicando e cotejando com a área do imóvel identificado no Auto de Lançamento. Há a necessidade de conferir junto aos IBAMA e a FATMA/SC as informações de que hoje estas autarquias públicas, federal e estadual, são proprietárias de parte do imóvel (NIRF 0.33 7.122 0 — matrícula 12.754). Mais, há a necessidade de ser verificado se há efetivamente autorização do IBAMA para depósito de aterro sanitário no local, qual a área utilizada, quem é o proprietário ou possuidor da área do imóvel (NIRF 0.337.1220 — matrícula 12.754). Bem como, se quem cedeu o aterro sanitário fez termo de ajustamento com o Ministério Público Estadual, tudo visando a identificação do proprietário e eventual contribuinte. Há a necessidade de ser verificado, também, o território do Município de Pescaria Brava (novo) e qual está destinada a zona urbana Fl. 974DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Ainda, são necessárias a realização de diligências e de perícias (art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72), o que se requer. Diligências a serem realizada (sic): (i) verificação, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, com jurisdição no domicílio fiscal do Impugnante (par. único do art. 4o da Lei n° 9.393/96), dos fatos narrados no sentido de que a Impugnante não é contribuinte, conforme art. 4" da Lei n° 9.393/96, porque: há outros possuidores e proprietários. Ainda, para que haja a identificação nos seus cadastros e registros, de outros possíveis contribuintes no mesmo imóvel objeto da matricula 12.754, assim como posseiros e titulares do domínio útil. (ii) Obter junto ao INCRA laudo acerca da área do imóvel objeto da matricula n° 12.754, e de sua ocupação. E junto ao Setor de Fiscalização e Tributação do hábil. (iii) verificar junto ao IBAMA e FATMA, se estas autarquias são proprietárias de parte do imóvel (NIRF 0.337.1220 — matrícula 12.754), e se possuem as informações a respeito do proprietário, possuidor ou titular do domínio útil do imóvel ou parle dele, em especial, a respeito da existência de aterro sanitário no local, o que torna a área imprestável para as qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquicola ou florestal (...) Ainda, há a necessidade de o IBAMA e de a FATMA/SC informar quanto: (a) as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; no imóvel matrícula 12754. (b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) área sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) se, em vista da proximidade com a Usina Termo Elétrica de Tubarão, a área está dentro da área de recuperação ambiental ou preservação ambiental, haja vista os depósitos de resíduos de carvão mineral. (...) g) se há registro de inundação e calamidade pública na área que será sede do Município de Pescaria Brava e em que período, e se corresponde ao imóvel Fl. 975DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/201054 Acórdão n.º 2202002.822 S2C2T2 Fl. 5 7 iv) verificar junto ao Ministério Público Estadual o cumprimento das normas ambientais — RIMA, para a área, quanto ao aterro sanitário e áreas de recuperação ambiental, no imóvel da matrícula 127534. Ainda, há a necessidade de realização de perícia e avaliação do imóvel, o que se requer. Desde já, a Impugnante indica a COSEVAL INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS CRECI 74J, que será intimada na pessoa de seu diretor Sr. Pierre Cardoso de Oliveira, CPF 166.626.28972, CRECI 082SC, com sede na Av. Sete de Setembro, n° 1534 Centro na cidade de Araranguá SC CEP 88900000, a fim de: 1 Elaborar o levantamento topográfico e identificação do imóvel e seus posseiros, proprietários e titulares do domínio útil. Respondendo: (i)O imóvel 12.754foi /racionado? Em quantas partes? (iii)E possível identificar os possuidores, proprietários e aqueles que possuem o domínio útil? Qual a área possuída e que título cada um deles possui? A quanto tempo possuem o imóvel? (iv)Qual a extensão da área que os possuidores atuais detêm? (v)Quais as atividades desenvolvidas na(s) área(s) e qual(is) as áreas de preservação permanente, reserva legal, destinada a moradias, comércios, aterro sanitário, recuperação ambiental, área inundada? II Elaborar e apresentar laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT. Laudo que será elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal pertencente ci referida empresa, com a apuração da base de cálculo do ITR art. 10 da Lei n°9.393/96. Assim, sejam deferidos todos os requerimentos e ao final julgado improcedente o Auto de lançamento, extinguindo o crédito tributário nos termos do uri. 156, IX do CTN. Pede que o lançamento seja julgado improcedente, ou, subsidiariamente que o valor seja revisto aplicandose a alíquota de 03%. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS, julgou o lançamento procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005, 2006 Fl. 976DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 NIRF: 3371220 DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. NATUREZA DO FATO PROBATÓRIO. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4 o do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972. A diligência e a perícia não servem para suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas aos fatos que, por sua natureza, provamse por meio documental. SUJEIÇÃO PASSIVA. POSSE. SUCESSÃO. LEGITIMIDADE O sucessor do proprietário do imóvel rural responde pelo ITR devido antes da sucessão, na condição de responsável, e após a sucessão, na condição de contribuinte. A ocupação do imóvel por terceiros deve ser comprovada. IMÓVEL RURAL. INCORPORAÇÃO AO PERÍMETRO URBANO. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. A exclusão de área rural da incidência do ITR, em razão de sua incorporação ao perímetro urbano do município de sua localização, está condicionada à comprovação de seu cadastro fiscal como imóvel urbano para efeito de IPTU, em data anterior à ocorrência do fato gerador. ÁREAS DE INTERESSE AMBIENTAL. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A não incidência de ITR sobre as áreas de interesse ambiental depende da prova da existência dessas áreas, nos termos da legislação ambiental, e da prova da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA perante o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente c dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA. VALOR DA TERRA NUA. FALTA DE PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido. Insatisfeita a contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. Destaquese os seguintes pontos: preliminarmente, que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa, tendo em vista o indeferimento do pedido de realização de diligências e de perícia; que a prova conclusiva ao menos parte dela está sendo produzida, é o que demonstra os documentos que faz acompanhar com o recurso; Fl. 977DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/201054 Acórdão n.º 2202002.822 S2C2T2 Fl. 6 9 da Ilegitimidade da sujeição passiva, que o recorrente não é contribuinte do ITR. que o recorrente nunca teve a propriedade e a posse do imóvel, a não seu um pedaço de papel sem valor; que teria juntado documentos – Levantamentos topográficos, Levantamento Documentoscópio, Matriculas dos Imóveis rurais que se situal na mesma área de terras – que demonstram que Itamar Sebastião dos Santos, Claudiomar Mota; Zacárias R, Gonçalves. Aristides de Rosa Lemos; Iris Fernandes e Guido Paulo Michels, são os possuidores e exploram o imóvel. que o imóvel teria sido incorporado ao perímetro urbano. Do laudo técnico de avaliação da terra, afastando a avaliação da fiscalização. Os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, para queo autuado colabore com fiscalização para esclarecer a matéria de fato em relação aos documentos juntados. 1 – Que a fiscalização aprecie os argumentos/provas, e possibilite que o mesmo apresente as provas que alega dispor, particularmente aquelas previstas no processso, bem como realize intimações e diligências que julgar necessárias para formação de sua convicção sobre as explicações propostas pela recorrente, particularmente no que toca a distribuição de lucros apontada pelo recorrente em seu recurso; 2 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Após a realização da diligência, mediante informação fiscal de fls. 951 a 956, a autoridade fiscal indica que a documentação apresentada não possui condão de modificar o auto de infração. Em resposta a informação fiscal, o recorrente reafirma que não detém a posse do imóvel rural. Razão pela qual não pode ser sujeito passivo na relação jurídica tributária que lhe impõe o dever jurídico de pagar ITR – Imposto Territorial Rural. É o relatório. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Ocorre que, conforme bem alertado na decisão recorrida, na ausência de prova eficaz em contrário, concluise que o interessado, na condição de proprietário do imóvel e/ou de seu sucessor, está legitimado a integrar o pólo passivo do presente lançamento.imóvel em questão, seja antes ou depois de ocorrido o fato gerador do imposto exigido no lançamento. Outrossim, apesar de ter sido alertado na decisão recorrida da falta de documentação, no recurso, insiste na tese de ilegitimidade passiva, entretanto, não traz aos autos qualquer documento que demonstre a veracidade de sua alegação. Para reapreciar a matéria e dar nova oportunidade ao recorrente é proposta diligência fiscal, que resulta na informação de fls.951 a 956, mais uma vez nesta se observa a ausência de provas regulares que atestem que os argumentos da recorrente Ponto fulcral, o contribuinte apresentou a DITR do exercício correspondente ao lançamento na qualidade de proprietário do imóvel. Nestes termos, afastase a preliminar de ilegitimidade passiva, em razão da total falta de comprovação da alegações do recorrente. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel. A alegação de alienação do imóvel desacompanhada de qualquer documento comprobatório não pode prosperar. DO VTN Quanto à discussão em torno do VTN. sabese que os dados constantes do SIPT são genéricos para a região, e alimentados em grande parte por informação de outros órgãos e também pelas Prefeituras, mas sempre de forma agregada. Ocorre entretanto que o recorrente, smj, não apresentou laudo que atenda as especificações apontadas pela norma. Ao tratar do matéria assim se pronunciou a autoridade recorrida: Dispõe o § 2º do art. 8º da Lei 9.393/96 que “o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado.” Frisese, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo anteriormente citado (Lei nº 9.393, art. 14). Fl. 979DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.004149/201054 Acórdão n.º 2202002.822 S2C2T2 Fl. 7 11 O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor apurado fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Há de ser respeitado o disposto no item 9.2.3.5, alínea “b”, da NBR 14653 3, que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”. Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador do ITR (1º de janeiro de 2008). Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT. Não há, portanto, como alterar o valor da terra nua apurado no lançamento. Assim, concluise que o lançamento, com os devidos acréscimos, está correto e encontrase de acordo com a legislação que rege a matéria. Deste modo, entendo que não demonstrada a existência de eventuais características particulares desvantajosas que desvalorizem o imóvel, prevalecem os valores constantes do SIPT Sistema de Preços da Terra. Acrescentese por pertinente que no documento de fls. 1415 indicase os critérios para cálculo do VTN médio, incluindo ali a aptidão agrícola. No que diz respeito ao Valor da Terra Nua para fins de apuração do ITR, o artigo 8º, da Lei nº 9.393, de 1996, determina que ele refletirá o preço de mercado de terras apurado no dia 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto avaliação da terra nua a preço de mercado. Uma vez que não foi apresentado pelo recorrente Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT. Não há, portanto, como alterar o valor da terra nua apurado no lançamento. Ante ao exposto, voto por rejeita a preliminar e , no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 980DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Fl. 981DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13819.000531/00-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
Cisão. Direito Creditório da Cindenda. Cabimento.
Na forma do artigo 229, da Lei nº 6.404/1976, cisão é a operação pela qual uma pessoa jurídica transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão. Com o evento, os bens, direitos e obrigações, incluídos os de natureza tributária, passam a ter natureza de créditos próprios da pessoa jurídica cindenda e assim válidos, desde que confirmados, para compensação com débitos desta para com a Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 1101-001.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com retorno à unidade de origem para análise da existência de suficiência e disponibilidade dos créditos para as compensações promovidas ou a promover, até o limite do crédito apurado e reconhecido, divergindo a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que negava provimento integral. Declarou-se impedida a Conselheira Edeli Pereira Bessa, substituída no Colegiado pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Maria Elisa Bruzzi Boechat, Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antonio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 Cisão. Direito Creditório da Cindenda. Cabimento. Na forma do artigo 229, da Lei nº 6.404/1976, cisão é a operação pela qual uma pessoa jurídica transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindo se o seu capital, se parcial a versão. Com o evento, os bens, direitos e obrigações, incluídos os de natureza tributária, passam a ter natureza de créditos próprios da pessoa jurídica cindenda e assim válidos, desde que confirmados, para compensação com débitos desta para com a Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com retorno à unidade de origem para análise da existência de suficiência e disponibilidade dos créditos para as compensações promovidas ou a promover, até o limite do crédito apurado e reconhecido, divergindo a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat, que negava provimento integral. Declarouse impedida a Conselheira Edeli Pereira Bessa, substituída no Colegiado pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 05 31 /0 0- 94 Fl. 508DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Maria Elisa Bruzzi Boechat, Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antonio Lisboa Cardoso. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório FORD BRASIL LTDA., já qualificada nos autos, recorre a este Conselho do Acórdão proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas – SP, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada em relação a pedido de restituição formalizado em 17 de março de 2000 (indébito tributário saldo negativo do IRPJ), posteriormente aditado com compensação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO FONTE ANTES DA CISÃO. INCLUSÃO NA APURAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ DA SUCESSORA. A pessoa jurídica sucessora por cisão não pode deduzir na apuração do seu resultado quando do encerramento do período, o imposto retido na fonte da empresa sucedida. Solicitação Indeferida Por bem resumir a celeuma, reproduzemse excertos do relatório e do voto condutor do Acórdão recorrido (fls. 470/481)1: Relatório “Trata o presente processo de Pedido de Restituição de fls. 01, no valor de R$ 4.021.960,11, apresentado em 17/03/2000 pela contribuinte Ford Brasil Ltda — em liquidação, relativo a Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 1995. Em 07 de junho de 2000 foi apresentado, pela mesma contribuinte, pedido de compensação do crédito pleiteado com débitos de Imposto de Renda na Fonte sobre pagamento de rendimentos de trabalho assalariado código 0561 (fls. 202). Em 07 de abril de 2000 já havia sido protocolizado pela contribuinte Ford Motor Company Brasil Ltda. pedido de compensação de débito de Cofins de janeiro/2000, no valor de R$ 2.890.000,00, com o crédito de terceiro, objeto do pedido de restituição em questão. Em razão de tal pedido, foi formalizado, para controle do débito, o processo 1 A numeração referida no voto é a digital. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 5 4 13819.001438/0024, juntado ao presente. Do referido processo (fls. 13/14) consta ter sido excluído o débito ali cadastrado em vista da lavratura de auto de infração sob no 13819.003110/200492”. (...) “Acerca do pedido de restituição, após procedimento fiscal de diligência e informação fiscal, foi exarado Despacho Decisório n° 368/04 (fls. 357/360), cientificado ao contribuinte em 28/12/2004 (fls. 361), do qual se extrai”: "A contribuinte acima qualificada ingressou em 17/03/00, com pedido de restituição/compensação, relativo a saldo negativo de imposto de renda apurado na declaração retificadora do anocalendário de 1.995, fls. 72, alegando a correção do valor de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras de R$ 1.377.966,00, fls. 52, para RS 5.399.926,20, fls. 72 [5.399.926,20 — 1.377.966,00 = 4.021.960,20]. Em razão disso, solicita autorização para compensar os débitos relacionados no pedido de compensação, fls. 201/202 e débito de terceiros, processo n° 13819.001438/0024 — Ford Motor Company Brasil Ltda., no valor de R$ 2.890.6000. (...) O processo foi encaminhado para SEFIS — Serviço de Fiscalização, para realização da diligência necessária ao prosseguimento da análise do direito creditório. De acordo com o resultado dos exames, efetuados pela autoridade fiscal, denotase que em 31/10/95 houve cisão parcial da Autolatina S.A ., inscrita no CNPJ sob o n° 59.104.422/000150, sendo a cindida incorporada pela Ford Indústria e Comércio Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 57.290.355/000180, que após a incorporação passou a denominarte Ford Brasil Ltda. Em síntese, o relatório da fiscalização aponta que, em função da cisão ocorrida no anocalendário de 1.995, envolvendo a Autolatina e a Ford Brasil Ltda., esta teria contabilizado, na sua escrita fiscal, IRRF do período de jan/95 a out/95, que, de acordo com a documentação analisada, seria esse imposto de titularidade da Autolatina (lis. 334 — informação fiscal). Portanto, acrescentou, indevidamente, a título de IRRF, o valor de R$ 3.685.182,26, fls. 334, o qual está sendo, agora objeto de glosa pela autoridade fiscal. Dessa forma, entende a fiscalização que a contribuinte deveria ter registrado na declaração Fl. 511DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 6 5 retificadora, a título de 1RRF, conforme demonstrativo elaborado às fls. 329, apenas o valor de R$ 1.714.743,94. Ainda, é de se considerar que a contribuinte, com base no Ato Declaratório Cosit n° 14, de 10/09/98, efetuou compensações no decorrer do ano calendário de 1.998, com débitos do IRRF, decorrente de responsabilidade tributária conforme demonstrativo de compensações, fls. 330, no valor de R$ 1.377.966,09, por isso, remanescendo, na data do pedido, 17/03/2.000, um saldo do IRRF para restituição/compensação, no montante de apenas R$ 336.777,85, fls.334. Vale ressaltar que os erros cometidos, pela contribuinte, apurados em exames efetuados pela autoridade fiscal, serão corrigidos, de ofício, conforme determina o § 2" do art. 147 do CTN (...). Assim sendo, há que se efetuar a revisão, de oficio, conforme preceitua o art. 149 do CTN, na ficha 08, relativamente à linha 14 (Imposto de renda retido na fonte, declaração retificadora de rendimentos do ano calendário de 1.995), a qual após a revisão, mostra o seguinte”: “Os pedidos de compensações acostados aos autos, serão considerados declarações de compensação, nos termos do § 4º do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, parágrafo incluído pela Lei n°10.637/02. Em face do trabalho de verificação do crédito, executado pela Fiscalização (...), concluise pelo reconhecimento parcial do crédito pleiteado, com valor liquido, na data do pedido (17/03/2.000) de R$ 336.777,85, considerandose as compensações efetuadas pela contribuinte no decorrer do anocalendário de 1.998, com débitos de IRRF, conforme demonstrativos de Fl. 512DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 7 6 compensação (fls. 330). Tais compensações respaldadas no Ato Declaratório n° 14, de 10/09/1998, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação — Cosit. (...) determino a revisão de oficio da declaração retificadora de rendimento do anocalendário de 1.995, de acordo com o demonstrativo em tela, bem como reconheço o direito credit6rio contra a Fazenda Nacional da Ford Brasil Ltda., inscrita do MF sob o n° 57.290.365/000180, no valor liquido de RS 336.777,82 (...). Em conseqüência, homologo as declarações de compensação acostadas aos autos até o limite do crédito reconhecido”. “Cientificada em 28/12/2004 (fls. 361), a interessada apresentou, em 27/01/2005, a manifestação de inconformidade de fls. 366/372, acompanhada dos documentos de fls. 373/383, em que, após argüir a tempestividade de sua apresentação e expor os fatos, defende ser equivocada a decisão da DRF, alegando que: ● os créditos de IRRF, ao contrário do exposto no parecer de fls. 333/335, são manifestamente líquidos e certos e de titularidade da Impugnante, como consta dos documentos juntados aos autos, especialmente comprovantes de rendimentos, inexistindo motivação para o indeferimento; ● concluiu a autoridade administrativa que, pelo fato de o imposto ser retido da Autolatina Brasil S/A, sua sucessora não faria jus ao crédito fiscal – entendimento que qualifica de imoral; ● no curso do anocalendário de 1995, a sociedade denominada Autolatina Brasil S/A possuía créditos fiscais decorrentes da retenção do imposto na fonte, quer sobre os rendimentos de aplicações financeiras, quer sobre os serviços prestados a outras pessoas jurídicas imposto este que, conforme legislação vigente a época dos fatos, era considerando como antecipação compensável do saldo que viesse a ser eventualmente devido no ajuste do exercício; ● em outubro de 1995 sobreveio a cisão da Autolatina Brasil S/A, sendo geradas duas pessoas jurídicas distintas: uma para a Ford, e outra para a Volkswagen; ● conforme ata dos acionistas constantes dos autos e declaração de rendimentos da cindida (Autolatina Brasil S/A), parte dos direitos creditórios decorrentes das retenções sofridas pela sociedade extinta foi transferida para a Volkswagen e para a Ford, na proporção estabelecida no balanço de cisão da pessoa jurídica; ● em decorrência da extinção da Autolatina Brasil S/A, não há dúvida que a parte proporcional do saldo de IRRF foi transferida para a Fl. 513DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 8 7 Ford Indústria e Comércio e, posteriormente, para a ora Impugnante, por sucessão; ● sendo legítima titular dos créditos de IRRF "herdados" da Autolatina Brasil, a Impugnante formulou as retificações em seus registros contábeis, tempestivamente, bem como os competentes requerimentos perante a Administração para a sua recuperação, para que não fosse decretada a decadência; ● o requerimento foi indeferido, sem motivação hábil, sob a única justificativa de o crédito não ser de titularidade da Ford; ● o indeferimento não poderia ser embasado no fato de não ter sido a Impugnante quem sofreu a retenção, sob pena de negar a possibilidade de uma pessoa jurídica ser sucessora de direitos e obrigações e de colidir com os mais elementares dos princípios do direito”. (...) Voto “Do relatório depreendese que o litígio centrase no montante do direito creditório reconhecido e referese à possibilidade de a interessada, na qualidade de sucessora, utilizarse do imposto retido na fonte pela sucedida”. (...) “Em que pese o inconformismo da interessada acerca do procedimento de apuração, temse a ponderar que não há base legal para a pessoa jurídica sucessora por cisão deduzir o Imposto retido na Fonte (IRRF) da empresa sucedida quando do encerramento do período de apuração, conforme se depreende dos arts. 220, § 10, 235, § 1°, e 773, I., do RIR/99”. (...) “Dos dispositivos supra vêse que, quando da ocorrência da cisão da empresa Autolatina, esta deveria apurar a sua base de cálculo e o correspondente imposto devido, deduzindo os valores que dela foram retidos até então, retenção esta que não se constitui, isoladamente, um direito a ser transmitido a sucessora, mesmo porque as receitas correspondentes aos rendimentos sobre os quais incidiu o imposto na fonte, compuseram, ou devem ter composto, a apuração do resultado da cindida e não da sucessora. O direito (IRPJ pago a maior) ou a obrigação (saldo de imposto a pagar), passíveis de transmissão, se formam com a apuração do resultado da cindida na data do evento. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 9 8 Ou seja, o imposto retido na fonte deve ser deduzido do devido pela empresa cindida (e não pela sucessora), na data do evento, em face do encerramento do período de apuração decorrente da cisão. Assim, não há que se cogitar de que a decisão da DRF seja desprovida de motivação, na medida em que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1995, passível de restituição ou compensação, ali admitido, observou as normas inerentes à apuração resultado da pessoa jurídica. Registrese que, como descrito na informação fiscal, foram detalhados pela própria interessada, em atendimento à intimação, os valores de IRRF que incidiram sobre os rendimentos da Autolatina, até 31/10/95, e aqueles que incidiram sobre rendimentos da Ford, tanto assim que, acerca de tais valores, nada opôs a requerente. Assim, não há como acatar a solicitação de reconhecimento de direito creditório superior àquele admitido pela autoridade competente da DRF para homologação das compensações, até o limite de tal crédito”. (...) “Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER a manifestação de inconformidade e INDEFERIR a solicitação nela formulada”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão de primeira instância em 15/10/2008 (fls. 489), a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 497/502, no qual, basicamente, reprisa os argumentos apresentados na impugnação, acrescidos de outros dados com os quais visa obter provimento do pleito. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Basicamente a refrega cingese em definir se créditos que a recorrente alega possuir, relativo a retenções de Imposto de Renda havidas sobre notas fiscais de prestação serviços e sobre rendimentos de aplicações financeiras ocorridas no anocalendário de 1995 e que lhe teriam sido atribuídos quando da cisão da empresa Autolatina Brasil S/A da qual a peticionária participava acionariamente, poderiam ser por ela aproveitados, mediante restituição ou compensação com tributos administrados pela RFB. Na posição sustentada pela recorrente tal direito seria inquestionável, não sendo lícito a administração tributária negar sua validade. De outra parte, para todas as autoridades tributárias que participaram dos autos e nele se manifestaram mediante informações, diligências, propostas, decisão ou julgamento, inexiste base legal para que uma empresa lance mão de crédito de tributo originalmente pertencente a outra pessoa jurídica, o que se configuraria em utilização de crédito de terceiros, por isso, vedada. Como se sabe, cisão é uma operação pela qual uma sociedade existente transfere parcelas ou a totalidade de seu patrimônio para uma ou mais sociedades, que podem já existir ou ser criadas a partir do mencionado evento. Legislativamente, a “cisão” não existia no mundo jurídico quando ainda vigente o Decretolei nº 2.627, de 26/09/1940 (a antiga Lei das S/A), só ganhando vida com a entrada em vigor da Lei nº 6.404, de 1976 (atual lei das sociedades por ações), artigo 229: Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. Já o Código Civil/2002, ainda que não definindo explicitamente a cisão, a ela faz referência em seu artigo 1.1222, de modo que, por vias oblíquas, acabou por aceitar o instituto. Em síntese, a cisão pode ser parcial (permanecendo ativa a sociedade cindida) ou total (quando esta é extinta), o que, neste caso, implica na versão total de seu patrimônio (conceitualmente aceito como a soma algébrica de bens + direitos – obrigações) às sociedades cindendas. 2 Art. 1.122. Até noventa dias após publicados os atos relativos à incorporação, fusão ou cisão, o credor anterior, por ela prejudicado, poderá promover judicialmente a anulação deles. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 11 10 Dentro deste conceito legal, é induvidoso que tanto no primeiro caso como no segundo, a cindenda ou as cindendas acabarão por assumir obrigações, bens e direitos que originalmente cabiam à cindida e que, a partir do processo de cisão, comporão seus respectivos patrimônios. Exprimase, na cisão (como na incorporação e fusão), há uma sucessão universal de bens, direitos e obrigações, de tal forma que o conjunto do patrimônio vertido se agregará de forma una à sociedade ou sociedades nascidas da dissensão, dele fazendo parte indissociável, e tudo isso sem necessidade de notificação formal e individual a cada um dos credores ou devedores da pessoa jurídica cindida3 e que agora terão que se relacionar com as novéis sociedades surgidas. Dizendo de outro modo, os contratos, negócios, compromissos fiscais, relações empregatícias e todo o universo de interesses das empresas abrangidas na operação continuarão a fluir, sem que nem mesmo se torne necessário qualquer providência em relação a terceiros, salvo a comunicação do evento4, existindo, in casu, a chamada “teoria da absorção”, pela qual uma empresa é assimilada por outra, que lhe sucede. No caso concreto, aqui apreciado, estáse diante da cisão da empresa Autolatina Brasil S/A, gerando o deslocamento parcial de seu patrimônio para Ford, respeitada a participação da mesma na pessoa jurídica cindida e a pactuação estampada no “protocolo” e na “justificação” da cisão5. Deste modo, é indene de dúvidas que a Ford (e outras empresas que eventualmente participassem acionariamente da cindida) receberam bens, direitos e obrigações que certamente incluíam as mais diversas rubricas, inclusive, no que interessa, possíveis créditos e débitos da Autolatina em relação à Fazenda Federal. Neste contexto, as eventuais “obrigações tributárias” da Autolatina passaram a ser, observadas as proporções de cada acionista no capital social da cindida, de responsabilidade das cindendas, Ford dentre elas. Neste sentido, vejase: Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977 Responsáveis por Sucessão Art 5º Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: (...) II a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; 3 devem ser observadas as disposições do artigo 233, parágrafo único da Lei nº 6.404/1976 e artigo 1.122, do Código Civil – Lei nº 10.406, de 10/01/2002. 4 BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito Societário. 10. ed. rev., aum., e atual. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, p. 498499 5 Conforme lição de Egberto Lacerda Teixeira e José Alexandre Tavares Guerreiro, o objetivo desses dois institutos (protocolo e justificação) é assegurar aos sócios o conhecimento de todas as condições da operação, das repercussões sobre os seus direitos e do valor de reembolso que lhes caberá, caso prefiram usar do direito de retirada (in Das Sociedades Anônimas no Direito brasileiro. São Paulo: Bushatsky, 1979, p. 663. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 12 11 III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; Igualmente: Direitos dos Credores na Cisão Art. 233. Na cisão com extinção da companhia cindida, as sociedades que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações da companhia extinta. A companhia cindida que subsistir e as que absorverem parcelas do seu patrimônio responderão solidariamente pelas obrigações da primeira anteriores à cisão. Parágrafo único. O ato de cisão parcial poderá estipular que as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida serão responsáveis apenas pelas obrigações que lhes forem transferidas, sem solidariedade entre si ou com a companhia cindida, mas, nesse caso, qualquer credor anterior poderá se opor à estipulação, em relação ao seu crédito, desde que notifique a sociedade no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data da publicação dos atos da cisão. Do mesmo modo, em relação à responsabilidade tributária, o art. 132 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), considera a empresa cindenda responsável tributária solidária com a cindida (sujeito passivo original), uma vez que o termo “transformação” ali utilizado alcança também a operação de cisão: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Ora, se em um lado da balança a legislação impõe que as empresas nascidas de cisão devem assumir as obrigações tributárias devidas pela sociedade cindida, não teria o menor sentido legal, ético, jurídico ou lógico que na variável oposta (créditos da pessoa jurídica contra a Fazenda Pública) não fosse dado o mesmo tratamento isonômico, desde que, por evidente, o evento de dissensão se revista das formalidades previstas em lei, não haja simulação, não se caracterize como planejamento tributário ilícito e não mostre um evidente descompasso entre a vontade aparente e a vontade real. Neste quadro, ainda que subsistam decisões em linha oposta, como a aqui recorrida, a mais recente jurisprudência, inclusive de 1ª Instância (DRJ)6 vem sinalizando 6 DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO 1 º TURMA ACÓRDÃO Nº 1617613 de 25 de Junho de 2008 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IRRF. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser restituído/compensado na declaração da pessoa jurídica na forma de saldo negativo do IRPJ, não havendo previsão legal para a restituição direta do IRRF. CISÃO PARCIAL. ORIGEM DO SALDO CREDOR. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Tendo o requerente apresentado os documentos fiscais solicitados pela autoridade fiscal para fins de comprovação da cisão parcial e da composição da conta Saldo Credor de Impostos do Ativo Circulante, que foi vertido para o patrimônio do requerente, confirmase o evento de cisão parcial. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 13 12 fortemente no sentido de que, observadas as normas legais, não presentes atos simulados e havendo claro e confirmado fim econômico na operação de cisão, ainda que parcial, seus efeitos são plenamente válidos e eficazes perante seus sócios/acionistas e terceiros, inclusive o Fisco. Na verdade, dentro daquilo que vem se construindo no ordenamento jurídico brasileiro, uma operação societária estruturada deve ser vista em seu conjunto, de modo a se analisar o seu fim último, ou seja, deve haver substância econômica a lhe conferir fidedignidade, ser praticada por agente capaz, ser seu objeto lícito, possível e determinado ou determinável e ter forma prescrita ou não defesa em lei. Nesse trilho, este Tribunal Administrativo vem firmando sólido entendimento de que operações societárias cuja causa não seja a mesma que a sua realização fática devem ser desconsideradas para fins tributárias. Exprimase, é fundamental analisar a substância econômica da operação para conferir sua eficácia e validade (1ª Seção, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / Acórdão 1401.000868 18/12/2012) Pela voz do I. Conselheiro Geraldo Valentim Neto, da 2ª Câmara, 2ª Turma, Relator do voto condutor do Acórdão nº 1202001.076, de 04 de dezembro de 2013, bem se visualiza o tema: “Não é o conteúdo formal do negócio jurídico (causa típica) consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência tributária, mas sim sua causa objetiva (propósito). É preciso verificar a função a que se destina a operação dentro do empreendimento econômico, e não somente a prática de atos baseados em dispositivos legais (princípio da estrita legalidade em matéria tributária). Assim, não se faz suficiente a licitude dos atos realizados, tampouco a máxima argumentativa da liberdade empresarial de autoorganização, para legitimar as alternativas escolhidas em uma reestruturação societária, pois estas devem estar providas de causa econômica, de modo que o motivo da reorganização não seja única ou predominantemente de economizar tributos”. (destaques acrescidos) Pois bem, no caso concreto, assomam: 1. O cumprimento de todos os requisitos formais e legais para a realização da cisão; 2. O devido destaque publicitário previsto no artigo 233, parágrafo único, da Lei nº 6.404/1976; 3. A pactuação do negócio na forma do protocolo e justificativa da cisão; 4. A versão do patrimônio da cindida (Autolatina), para as cindendas (Ford e outras); 5. A absorção, por força de lei e do pacto negocial firmado no protocolo e justificativa da cisão, de bens, direitos e obrigações que eram da cindida, Fl. 519DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 14 13 pelas cindendas, aí incluídos os débitos e créditos em relação à Fazenda Pública Federal; 6. A não presença de qualquer ato de caráter simulatório, ao contrário, tratouse de operação com visível fundamento e substância econômica, praticada por empresa devidamente constituída e regular (Autolatina) e vertida para outras pessoas jurídicas que, como é notoriamente público, antes unidas em uma holding, passaram a ter vida própria, cada uma de per si, como é de conhecimento de toda a comunidade; 7. A continuidade dos negócios da cindendas, seja na forma original da cisão, seja por empresas sucessoras surgidas por incorporação, fusão ou nova cisão, eventos que, se havidos, não lhes tirou a essência jurídica inicial, permanecendo, assim, ativas e no mesmo ramo negocial (montadoras); e, 8. Não haver nos autos identificação alguma de que o negócio jurídico (cisão) tenha ofendido as normas impositivas previstas nos artigos 166 e 167, do Código Civil7, o que poderia levar à sua nulidade. Pelo cenário traçado, entendo estar confirmado o propósito negocial, não visualizo indícios de que se possa estar diante de uma operação societária (cisão) sem fim econômico e nem se tratar de planejamento tributário com características de evasão fiscal. Assim, não vislumbro qualquer óbice à transferência do crédito fiscal da cindida (Autolatina), em face do evento sucessório, a favor da empresa cindenda aqui demandante (Ford) ou de quem eventualmente a tenha ou vier a incorporála posteriormente. No ângulo judicial, decisão exarada pelo C. TRF da 4ª Região segue o mesmo passo: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CISÃO PARCIAL DA PESSOA JURÍDICA. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DA EMPRESA CINDIDA, RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. ARTIGO 229 DA LEI 6.404/76. 7 Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: I celebrado por pessoa absolutamente incapaz; II for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; IV não revestir a forma prescrita em lei; V for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; VI tiver por objetivo fraudar lei imperativa; VII a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibirlhe a prática, sem cominar sanção. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 15 14 1. No caso de cisão de pessoa jurídica, o direito de compensação dos créditos tributários reconhecidos judicialmente em favor da empresa cindida passa a integralizar o patrimônio da empresa cindenda, na proporção do patrimônio a ela transferido. (ApelReex 2006.72.00.0065404, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira, DOU 9/12/2010) Subsidiariamente, em nível interno da RFB, diversas Soluções de Consulta trataram do assunto, cabendo destacar a posição assumida pelos pareceristas tributários em duas recentes manifestações, a SCI nº 3 – Cosit, de 04/02/2011 e a SC nº 119 Cosit, de 22/05/2014. Na primeira delas, a SCI nº 3/2011 [tratando de cisão parcial], converge para o entendimento de que, sendo a cisão parcial uma hipótese legal de sucessão dos direitos previstos nos atos de formalização societária, os créditos decorrentes de indébitos tributários “...passam a ter natureza de créditos próprios da sucessora se assim determinarem os atos de cisão e de tal modo válidos para a solicitação de restituição e compensação com débitos desta para com a Fazenda Nacional” (ementa, in fine) Já a SC nº 119/2014, ao responder questionamento também envolvendo caso de cisão parcial, embora tenha posição reversa à SCI nº 3/2011, ressalva ser possível o aproveitamento do crédito recebido na cisão, desde que (como destacado antes neste voto), haja propósito negocial, efetiva transferência de patrimônio, cisão efetiva de ativos, etc. Literalmente: “9.6. Quanto ao IRPJ e CSLL, os créditos provenientes de indébito tributário pago a maior podem ser reconhecidos pela cindenda desde que a operação societária de cisão contenha efetiva transferência de patrimônio líquido e contenha propósito negocial, (...). 9.7. Tal hipótese é possível desde que haja cisão de ativos, como estabelecimentos produtivos. Nesse caso, a cisão desses ativos também pode ensejar a cisão dos créditos de IRPJ e CSLL em razão de recolhimentos indevidos. Entretanto, o aproveitamento dos referidos créditos deve ser proporcional à parcela do patrimônio líquido recebida por cada empresa resultante da cisão”.(negrito no original) Observese que a ressalva comporta exatamente o caso tratado. Por fim, não se olvide o expresso mandamento do § 1º, do artigo 229, da Lei nº 6.404/1976, verbis: § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. (destaque desta Relatoria) Em face do exposto, reformo a decisão recorrida e dou PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO para, exclusivamente neste aspecto, reconhecer que os créditos tributários pertencentes à Autolatina e transferidos à recorrente em face da Fl. 521DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13819.000531/0094 Acórdão n.º 1101001.276 S1C1T1 Fl. 16 15 cisão daquela empresa, passaram a ter natureza de créditos próprios da cindenda e assim válidos, se confirmados, para compensação de débitos desta para com a Fazenda Nacional. Todavia, como a única variável presente nos autos foi a negativa do direito da recorrente de utilizarse dos créditos nascidos da cisão (direito reconhecido neste voto), devem os autos retornar à DRF/São Bernardo do Campo SP para análise da existência da suficiência e disponibilidade dos mesmos para as compensações promovidas ou a promover, até o limite do crédito apurado e reconhecido. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 04 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator Fl. 522DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10320.001836/2002-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material,
que norteia o contencioso administrativo tributário.
A despeito da possibilidade de análise posterior da documentação, deixou o
contribuinte de fazer prova cabal do seu direito creditório.
Numero da decisão: 3301-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez Lopez, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. A despeito da possibilidade de análise posterior da documentação, deixou o contribuinte de fazer prova cabal do seu direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. EDITADO EM: 05/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 18 36 /2 00 2- 32 Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez Lopez, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Trata, na origem de pedido de compensação no valor total de R$ 729.884,08 a título de crédito presumido de IPI relativo ao 2º. trimestre de 2002, apurado segundo disposições da Lei 10.276/2001. O pleito em tela foi expresso à fl. 57, momento em que a contribuinte, ora recorrente, retificou o pedido inicial de fl. 02 com vistas a atender a todos requisitos formais. Tal pedido foi devidamente acolhido por meio de decisão da DRJ do Rio de Janeiro às fls. 257/271. Paralelamente, a contribuinte também formulou outros pedidos de compensação, igualmente lastreados no crédito presumido do 2° trimestre de 2002. Tais pedidos estão tratados nos seguintes processos: PA 10320.001836/200232, no valor R$ 729.884,08; e PA 10320.001950/200262, no montante de R$ 2.000.000,00. Todos os pleitos formulados pela contribuinte foram apresentados na Delegacia da Receita Federal em São Luís do Maranhão, onde se encontra situada filial da empresa. Analisando inicialmente o caso, a DRF de São Luís concluiu por sua incompetência por entender que a checagem quanto à apuração do crédito presumido, por ser centralizada, deveria ser feita na Delegacia do Rio de Janeiro, onde funciona a matriz da contribuinte. Dessa feita, conforme decisão de fls. fls. 31/33, remeteu o processo para a Derat/Rio de Janeiro. Analisando o pleito da recorrente, a Delegacia (DIORT/DERAT) do Rio de Janeiro, às fls. 42/50, concluiu pela extinção do processo sem julgamento do mérito porque, segundo exame preliminar, entendeu que o pedido de compensação foi apresentado por período mensal e não trimestral, como exige a legislação pertinente. Também constou das razões do desprovimento o fato de a empresa não ter apresentado com o pedido de compensação cópias do Livro de Registro e Apuração do IPI relacionados ao período correspondente ao crédito pleiteado. A contribuinte, por sua vez, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 62/94), mediante a qual apresentou retificação do pedido de compensação e anexou aos autos o Livro de Registro e Apuração de IPI. Examinando o pleito, a DRJ de Juiz de Fora (fls. 104/114) houve por bem não conhecer da manifestação de inconformidade e julgar nula a decisão proferida pela DIORT/RETAT/RJO por entender que não era aquela a delegacia competente para análise do pedido de compensação. Isso porque a partir do momento em que a matriz transfere o crédito presumido para uma de suas filiais, quem passa a ser o estabelecimento detentor do referido crédito? A matriz ou o estabelecimento que recebeu o crédito em transferência? No entendimento desta turma de julgamento, a filial, ao creditar em seu Registro de Apuração do IPI os valores recebidos em transferência, passa a apurar saldo credor do imposto, tomando se a detentora do direito creditório. Em consequência, pedidos de' ressarcimento formalizados Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.001836/200232 Acórdão n.º 3301002.285 S3C3T1 Fl. 3 3 em nome desta filial devem ser deferidos/indeferidos pela unidade da SRF de jurisdição sobre esta mesma filial. Os autos retornaram à DRF de São Luís que, às fls. 130/143, negou o pedido de compensação sob o fundamento de que o crédito presumido de IPI só poderia ser utilizado pela filial para compensação com débitos de IPI no mercado interno. Assim, a empresa, ao pleitear a compensação do crédito transferido pela matriz à filial com débito de IRPJ, pugnando, ainda, pelo ressarcimento da diferença entre um e outro, teria contrariado a legislação, razão pela qual o pedido estaria fora da previsão legal contida nos artigos 11, § 7º., da IN SRF 21/97 e 14, § 1° e § 3°, da IN SRF 210/2002. Nova manifestação de inconformidade foi apresentada pela contribuinte às fls. 164/170, em que a empresa novamente trouxe a retificação do pedido de compensação procedida e já apresentada na impugnação de fls. 62/94. Analisando o pleito, a DRJ de Recife concluiu por anular a decisão proferida pela Delegacia de São Luís, tendo determinado o seguinte: 1) Primeiramente, seja dada imediata ciência à interessada, da decisão proferida por esta DRJ.; 2) Em seguida, seja enviado o presente processo à Unidade da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre a matriz da interessada, para que, atendendo ao que está previsto na Lei n° 9.78411999, intime o contribuinte a apresentar as informações adicionais que sejam necessárias para o esclarecimento dos fatos e decida sobre o mérito do pedido. Encaminhado os autos à DERAT/RJ, esta emitiu parecer às fls. 243/247, mediante o qual foi proposto o indeferimento do pedido de compensação pelas seguintes razões: ** a uma, que os créditos presumidos de IPI em ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social — COFINS, instituídos pela Lei n° 9.363, de 1311211996, não foram apurados pelo estabelecimento matriz, mas, sim, diretamente pelo seu estabelecimento filial inscrito no CNPJ sob o n° 42.105.8901000901; ** a duas, que não houve qualquer transferência de créditos de IPI do estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob o n° 42.105.89010009 01, para o estabelecimento matriz, inscrito no CNPJ sob o n° 42.105.8901000146, seja para compensação com débitos de IPI, seja para compensação com outros tributos; (...) ** a quatro, que, face a quase totalidade dos créditos de IPI escriturados pelo estabelecimento filial serem créditos presumidos de IPI em ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social — COFINS, instituídos pela Lei n° 9.363, de 1311211996, apurados pelo próprio estabelecimento filial, ou serem créditos fictos de IPI sobre a entrada de insumos isentos, ou sujeitos à alíquota zero — o que, aliás, foi objeto de lavratura de Autos de Infração, a teor dos processos n °S 10320.001220/200695 e 10320.0012211200630 — inexistem valores de créditos líquidos e certos de IPI do estabelecimento filial a serem transferidos e/ou compensados com quaisquer outros tributos; (...) Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A DIORT/Derat/Rio de Janeiro, adotando as razões expendidas no parecer supracitado, concluiu que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido apurado pela matriz (fls. 257/271). Contra esse último Despacho Decisório a contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade de fls. 279/340. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho sob o fundamento de decurso do prazo para homologação tácita da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. A DRJ de Juiz de Fora, analisando o pedido, houve por bem converter o julgamento em diligência para que a fiscalização: a) proceda à apuração, de forma centralizada, do crédito presumido relativo ao período objeto deste pedido (4° trimestre de 2000), observando que a empresa informa, à n. 140, que sua apuração (fl. 49) está correta, enquanto a fiscalização informa que a apuração foi efetuada com base nos dados da filial (descentralizada); b) se for apurado algum montante do benefício, efetuar os procedimentos para compensação do débito vinculado ao pleito de ressarcimento; c) dar ciência à interessada do resultado dos procedimentos efetuados, tanto quanto ao direito creditório quanto à compensação, reabrindo o prazo de trinta dias para apresentação de razões adicionais. A Fiscalização, às fls. 643/645, apontou que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa produtora e exportadora (art. 10 da Lei 9.363/96), dado que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar, e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Nova manifestação de inconformidade se seguiu às fls. 649/679. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: A "o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado"; B –" o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais"; C – o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; D – a Billiton, enquanto integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.001836/200232 Acórdão n.º 3301002.285 S3C3T1 Fl. 4 5 Os autos retornaram à DRJ de Juiz de Fora que, examinando os argumentos trazidos pela contribuinte, ora recorrente houve por bem determinar o encaminhamento dos autos de volta à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração, de forma centralizada, do crédito presumido relativo ao período objeto deste pedido, levandose em conta as compras de MP, PI ou ME no mercado interno e as exportações de Alumina e Alumínio efetuadas pela Billiton, observadas as normas que orientam a apuração do benefício fiscal;procedesse a apuração do crédito presumido. Em atendimento à nova solicitação, o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pela contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, tecendo as seguintes considerações às fls. 982/994: Não foi apresentada a escrituração do crédito presumido no Livro Diário, e nem as notas de transferências de crédito presumido da matriz para outras filiais, pois, conforme já identificado por essa Difis, em diligências anteriores, o crédito foi, originalmente, apurado de forma irregular pela filial.Tal fato já foi submetido a apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, com a devida ciência do contribuinte; As notas fiscais de compra de combustíveis não estão, em sua maioria, em nome do contribuinte, mas, sim, em nome do Consórcio Alumar, pois é ele que realiza a produção. Tal fato já foi submetido a apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, com a devida ciência do contribuinte; Em procedimento de auditoria, verificamos a regularidade das notas fiscais de exportação e de compras de insumos, combustíveis e energia elétrica, bem como a compatibilidade do somatório dos valores das mesmas com os lançados nas planilhas de apuração apresentada pelo contribuinte, onde constatamos que as notas fiscais 8.180, de 30/03/01; 8.181, de 30103/01; 8.993, de 21/08/01; 10.305, de 25/04/02 e 10.340, de 29/04/02 (cópias em anexo) foram relacionadas indevidamente como sendo de exportação, por isso excluímos os seus valores da base de cálculo do crédito presumido apresentada pelo contribuinte; O contribuinte não apresentou sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial. A apuração dos custos foi com feita com base na data da nota fiscal de compra; A base de cálculo do crédito do IPI, até o 3° trimestre de 2001 era regida exclusivamente pela Lei 9.363/96, onde, em termo de custos, permita, em seu art. 2º. apenas o aproveitamento do valor das aquisições de matérias primas, .produtos intermediários e materiais de embalagem (Decreto n° 2.637/98). A Medida Provisória n° 2.2021, convertida na Lei n° 10.276/01, trouxe uma nova opção para o cálculo do crédito presumido do 1PI, aceitando também na metodologia de apuração da base de cálculo, em termo de custos, o aproveitamento dos gastos com combustíveis e energia elétrica. Esta nova metodologia de cálculo entrou em vigor para as exportações realizadas a partir de 1° de outubro de 2001, e os procedimentos a serem observados para a sua correta aplicação foram estabelecidos pela IN/SRF n°69101. Portanto, temos que o contribuinte incluiu indevidamente os gastos Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 com combustíveis e energia elétrica na apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI no período do 1º. trimestre de 2000 ao 3° trimestre de 2001. A Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora, de posse das informações colhidas pela Delegacia de Fiscalização, concluiu por negar o direito ao crédito por meio de acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 10/10/2000 a 31/12/2000 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. . O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. A elaboração do parque industrial, a exploração das atividades de Refino de Bauxita e também de Redução de Alumina, para a obtenção do Alumínio, não pode ser caracterizada como um empreendimento determinado, para fins de respaldar a constituição de um consórcio de empresas nos termos da legislação comercial. É necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. Ademais, da perpetuação do empreendimento, no tempo, e do constante incremento de produção não planejado no empreendimento original, depreendese o ânimo definitivo, inerente às pessoas jurídicas constituídas com o propósito de continuidade e obtenção crescente de lucro. APROVEITAMENTO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o aproveitamento de Crédito Presumido de IP I por empresa que não se enquadra nos pressupostos legais para fruição do benefício fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2001 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. Em face dessa decisão o contribuinte interpõe o competente recurso voluntário (fl. 1082/1118) mediante o qual aponta, em apertada síntese, o seguinte: 1 – O Consórcio ALUMAR é um consórcio operacional constituído para execução de um empreendimento determinado consistente na prática de negócios jurídicos relacionados com a exploração de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais. 2 – O Consórcio ALUMAR tem prazo determinado estipulado em contrato. Prazo esse longo, mas perfeitamente adequado para o fim a que se destina o Consórcio : implantar um conjunto de instalações industriais e nelas produzir alumina e alumínio. Atendido, assim, o requisito legal do prazo certo e estipulado. Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.001836/200232 Acórdão n.º 3301002.285 S3C3T1 Fl. 5 7 3 – Equivocada a caracterização do consórcio como sociedade de fato. Isso porque no caso da entidade consorciada, que é o caso do Consórcio ALUMAR, a sociedade não apura lucro. A receita obtida por esse tipo de entidade é atribuída a cada sociedade que a integra. Os resultados, assim, não lhe pertencem, mas pertencem à cada uma das sociedades participantes. No caso do Consórcio ALUMAR é isso que se verifica em seu contrato societário, donde inviável, por essa razão descaracterizar a sociedade consorcial, atribuindolhe status de sociedade de fato, pois não o é. 4 – A descaracterização do Consórcio ALUMAR, enquadrandoo como sociedade de fato implicaria a sua absurda caracterização como sujeito passivo de obrigações tributárias. Nesse mesmo racional temse que não haveria razão para a recorrente eventualmente apropriarse de receitas e despesas na proporção de sua participação, devendo ser excluídos esses valores da escrita fiscal da recorrente para fins de apuração de IRPJ. 5 – Traz jurisprudência do CARF a respeito do tema relacionado à descaracterização da sociedade consorcial. Dentre os precedentes trazidos está um prolatado pela antiga 7ª. Câmara do 1º. Conselho de Contribuintes, que aduz que, na legislação pertinente, o termo “determinado" está empregado no sentido de designação precisa e completa do objeto do consórcio, e não para limitála à execução de uma única operação, bem como o termo "duração" não está sendo empregado no sentido de negar ao consórcio o caráter de permanência. É esse, em síntese, o relatório. Voto Conselheira FÁBIA REGINA FREITAS O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Como relatado, a controvérsia trazida para análise por esse Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nesses autos, após diversos exames e reexames do pedido de compensação formulado pela contribuinte, reside em saber se a contribuinte, ora recorrente, atenderia aos requisitos de sociedade comercial exportadora para fins de aproveitamento do crédito presumido de IPI. Na hipótese tratada, essa análise de atendimento dos requisitos para o aproveitamento do crédito deve ser precedida da seguinte indagação: É possível que a autoridade administrativa fiscal descaracterize o Consórcio ALUMAR, sociedade devidamente e regularmente constituída, atribuindolhe a roupagem de sociedade de fato? Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 A esse respeito entendo assistir razão à contribuinte. É que o Consórcio ALUMAR, ao contrário do que concluiu o aresto recorrido, atende aos requisitos delineados nos arts. 278, caput e 279, III da Lei 6404/1976, eis que: 1 – A sociedade, de fato envolve diversas etapas de execução na consecução de seu objetivo maior, que é executar empreendimento determinado, tal como descrito no seu art. I da "Alteração e Consolidação do Contrato do Consórcio ALUMAR de 1° de janeiro de 1995" (fls.417/419): "ARTIGO I OBJETO E DESCRIÇAO DO CONSORCIO Pelo presente Contrato, a Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco estabelecem um Consórcio, que tem por objeto a aquisição, montagem e construção de instalações para o Refino de Alumina , e de instalações para a Redução de Alumínio, juntamente com instalações de apoio , nas vizinhanças de São Luis, Estado do Maranhão , República Federativa do Brasil, assim como a operação de tais instalações com base em fornecimento proporcional de bauxita , a partilha da alumina produzida por Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco, a partilha do alumínio produzido por Alcoa e Billiton e uma correspondente participação nos custos de produção da alumina e do alumínio. Em complemento à descrição do original `Escopo do Projeto São Luís' — e mais especificamente, à original `Descrição das Instalações' de Refino ali contida — assinado e feito em 1981, o ativo fixo pertencente ao Empreendimento de Refino de Alumina em sua atual capacidade é de aproximadamente 1.042.000 .toneladas. métricas por ano ("TMPA"), como resultado de condições otimizadas de processamento, índices de fluxo, utilização de equipamentos e outras variáveis operacionais, introduzidas para a obtenção de tal capacidade, encontrase listado no `Anexo A'." Nesse ponto, entendo que a complexidade das atividades desenvolvidas no consórcio é fator inerente à sua própria criação. Não se espera a criação de um consórcio, com a junção de diversas empresas, com diferentes especialidades, para a consecução de uma única atividade. O consórcio, em geral, é constituído para a realização de empreendimentos determinados de grande monta ou abrangência. No caso do Consórcio ALUMAR está claro o objetivo da junção das empresas, dentre as quais se encontra a contribuinte, ora recorrente, que consiste na montagem de um Parque Industrial para a exploração e industrialização de metais determinados. Eis o atendimento ao que definido pelo art. 278 e 279, II da Lei mencionada. O aresto recorrido, utilizandose de notícias colhidas pela rede internacional de computadores no sentido de que o Consórcio já ultrapassou a produção máxima prevista de 3.000.000 toneladas métricas anuais e atingiu, em dezembro deste ano, a marca de 3.500.000 toneladas métricas anuais, concluiu que o empreendimento estaria descaracterizado porquanto se expande sem quantificação definida, ou seja, o desejo das consorciadas é o incremento constante da produção. Em que pese o respeito quanto à irresignação contida no aresto recorrido, entendo que o requisito da abrangência da finalidade e a amplitude do objeto do empreendimento não lhe retiram a característica legal de “empreendimento determinado”. A Redatora designada pelo acórdão, ao analisar esses requisitos, conferiu ao caso concreto uma interpretação restritiva da legislação, que não indica a descaracterização da sociedade consorcial com base nos requisitos estabelecidos em seu voto. Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.001836/200232 Acórdão n.º 3301002.285 S3C3T1 Fl. 6 9 2 – Quanto à possibilidade de prorrogação, entendo que igualmente assiste razão à recorrente. Isso porque o art. 279, III da Lei 6404 estabelece que o Consórcio deve ter prazo determinado. Não impôs a legislação o estabelecimento de prazo, seja ele curto ou longo. Tampouco restringiu a legislação a possibilidade de prorrogação desse prazo. No caso do Consórcio ALUMAR entendo que por se tratar de empreendimento de envergadura considerável, não se pode, como quer a DRJ, restringir as atividades a um período curto de tempo. Tratase de um projeto de relevância para o País, para o desenvolvimento do próprio Estado do Maranhão e de envergadura internacional, Por isso mesmo dependente de período maior para sua consecução. Não se trata de uma obra pública, cuja conclusão é possível de se prever. Tratase de um processo de exploração de metais de alta relevância para o desenvolvimento da economia nacional. Assim sendo, por não haver na legislação de regência qualquer norma que vede a renovação do prazo estabelecido para funcionamento da sociedade consorcial, por inexistir regra que estipule o prazo máximo para esse funcionamento e considerando, ainda, a alta relevância do empreendimento em tela, concluo que assiste razão da recorrente também nessa parte. 3 – No tocante ao objetivo de lucro, mencionado pelo aresto recorrido, temse que é evidente que a sociedade consorcial não detém esse objetivo de lucro, até mesmo porque não detém o consórcio personalidade jurídica. O objetivo de lucro, por óbvio, está nas sociedades que participam do consórcio. Por óbvio, como empresas privadas, possuem interesse na rentabilidade das atividades do Consórcio. Do contrário, não haveria razão para a exploração do empreendimento, pois sobrevivem do valor recebido. No caso do Consórcio ALUMAR, essa característica de divisão do quinhão de cada uma das sociedades participantes do consórcio está bem delineada ao longo do Contrato do Consórcio ALUMAR (fls. 417/628). Assim, ainda que seja irrelevante, no entender dessa Relatora, a descaracterização do consórcio constituído, entendo que a DRJ não andou bem ao concluir, sem observar o contexto social e legislativo que permeia a atividade de consórcio de empresas, que o Consórcio ALUMAR não atende aos requisitos legais da sociedade consorcial. Nesse aspecto, entendo que merece reforma o julgado a quo também por essa razão. Ultrapassada a questão atinente ao atendimento dos requisitos para aproveitamento do crédito, devese analisar o próprio direito ao crédito presumido pleiteado. Nesse aspecto, entendo que esse Colegiado, com base no art. 515, par. 1º. tem competência para analisar a questão, vez que a matéria foi objeto de discussão na Corte a quo. De fato, no voto vencido prolatado pelo aresto recorrido é possível verificar que, com base em diligência requerida pela própria DRJ, a Delegacia de origem checou a constituição do crédito pleiteado e concluiu que parte dos valores requeridos estão corretos, na linha do que apurado pelo auditor fiscal. Nesse diapasão, adoto, também nessa parte, as razões expendidas pelo voto vencido constante no aresto recorrido, verbis: 2 Das exclusões na apuração do beneficio Uma vez admitida a Billiton Metais enquanto beneficiária do crédito presumido objeto do presente pleito, necessário adentrar nas questões de mérito que surgiram com a apuração efetuada pelo auditor fiscal. Segundo descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 489/490, a fiscalização excluiu, neste trimestre, as aquisições de combustíveis e de energia elétrica da apuração do beneficio. Os valores desconsiderados Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 estão discriminados na planilha de fl. 395, fornecida pela empresa, e os valores apurados pelo auditor constam da planilha de fl. 493. Quanto à exclusão dos combustíveis, não houve contestação da Manifestante. As razões por último apresentadas pela contribuinte voltamse, apenas, à desconsideração dos gastos com energia elétrica. Não obstante a ausência de instauração de litígio contra a exclusão dos combustíveis,cumpre observar que a fiscalização agiu corretamente. A impossibilidade de incluir os gastos com combustíveis na apuração do crédito presumido com amparo na Lei 9.363/96 é questão pacificada na esfera administrativa, tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF n° 19, que possui o seguinte enunciado: Súmula CARF N° 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei N° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Entretanto, no tocante à exclusão da energia elétrica a matéria requer análise mais aprofundada, apesar de sua menção no enunciado da súmula acima transcrita. Ocorre que a Manifestante aduziu, no item III de sua Manifestação (fls. 502/509), que no caso específico do processo de transformação do Alumínio que efetua (mediante redução da alumina por eletrólise), a energia elétrica enquadrase nas disposições do PN CST 65/79, pois age diretamente sobre o produto em fabricação. Antes de verificar a possibilidade de enquadrar a energia elétrica consumida na eletrólise nas disposições do mencionado parecer, haveria de ser dirimida questão relativa à quantificação dessa energia elétrica. Do que consta dos autos, a contribuinte incluiu, na apuração do crédito presumido, o valor total das aquisições de energia elétrica (fls. 402 e 395), não segregando aquela consumida no processo da eletrólise. Essa segregação é indispensável, dado que a energia utilizada como força motriz, fonte de calor ou de iluminação, ainda que no setor industrial, não integra a base de cálculo do beneficio, nos termos da já mencionada Súmula CARF n° 19. Importante observar ainda que, no caso da interessada, a energia elétrica consumida no setor industrial não é destinada apenas à produção do alumínio por redução eletrolítica, mas também, ao processo de refino da bauxita (refino), que não envolve eletrólise. Além disso, no tocante ao consumo da energia elétrica na eletrólise propriamente dita colhemse informações de que representa, proporcionalmente, o menor consumo. Citese, para exemplificar, dados técnicos da produção eletrolítica do alumínio, hipótese tratada nos autos: "A voltagem de cada uma das cubas, ligadas em série, varia de 4 V a 5 V, dos quais apenas 1,6 V são necessários para a eletrólise propriamente dita. A diferença de voltagem é necessária para vencer resistências do circuito e gerar calor para manter o eletrólito em fusão ". Fonte:site www.abal.org.br /alumínio/produção Ou seja, além da necessidade de segregar a energia elétrica consumida na eletrólise daquela consumida nos demais setores e processos industriais, existe ainda a necessidade de aferir a energia elétrica Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10320.001836/200232 Acórdão n.º 3301002.285 S3C3T1 Fl. 7 11 consumida na eletrólise propriamente dita (a que circula pelos eletrodos), segregandoa do consumo de energia elétrica necessária ao aquecimento da solução eletrolítica. Será que a empresa dispõe de mecanismos para auferir, hoje, com precisão, a energia elétrica consumida na eletrólise propriamente dita na produção do ano de 2000? Acho pouco provável. Portanto, ainda que reconhecido fosse o direito, não vislumbro, hoje, como quantificálo. Quanto ao direito em si, a matéria é por demais controversa e necessita de conhecimentos técnicos aprofundados para sua correta compreensão. Acerca da produção eletrolítica de metais, são fartas as informações que se obtêm em pesquisa à internet, e não há muitas dúvidas quanto ao processo em si. Todavia, a grande dúvida reside em definir, com precisão, o papel da energia elétrica na eletrólise, papel esse cuja definição é imperiosa para que essa energia receba o tratamento de produto intermediário. Todavia, esta turma de julgamento já emitiu o entendimento, em oportunidades anteriores, de que a energia elétrica consumida na eletrólise não satisfaz as condições do PN CST 65/79, não devendo compor a base de cálculo do crédito presumido. Isso porque, nos termos do já mencionado parecer, para que um insumo seja enquadrado como produto intermediário é necessário que seu consumo decorra de "um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida'. No meu entendimento, é impróprio afirmar que a energia elétrica entre em contato físico com qualquer produto em fabricação. O contato físico, nos termos do PN CST 65/79, só abrange contato entre bens materiais, ou seja, entre bens dotados de massa. A energia, pela sua própria característica, é uma grandeza abstrata, que, sequer, pode ser medida diretamente. E sua ação é sempre indireta, Com essas considerações, não merece reparos o procedimento do auditor, não havendo como reconhecer o direito de inclusão dos combustíveis e da energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido. Como a unidade de origem indeferiu, na sua totalidade, o crédito alegado pela contribuinte, deve ser reconhecido, neste trimestre, a legitimidade do crédito presumido no valor total de R$ 539.729,04, segundo apuração de fl. 493. Esse valor reconhecido deve ser repartido entre os processos que utilizaram o crédito presumido deste 4° trimestre de 2000 (...) Portanto, no presente processo (10320.000355/200129), voto pelo reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 539.729,04.”(fls. 1060/1062). Diante do exposto, ultrapassada a questão atinente aos requisitos para o aproveitamento, deve ser reconhecido parte do crédito pleiteado, nos termos do voto vencido prolatado pela Eg. DRJ. CONCLUSÃO Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 Nesses termos, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para (i) reconhecer que estão presentes os requisitos para o aproveitamento do crédito presumido de IPI; e (ii) reconhecer parte do crédito pleiteado nos termos do voto vencido prolatado pela Eg. DRJ. Brasília, 23 de abril de 2014. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.911720/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 20 /2 00 9- 19 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911720/200919 Acórdão n.º 3802004.216 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720019/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO. REVISÃO.
Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, quando o contribuinte demonstrar, por meio de laudo, o valor fundiário do imóvel rural avaliado.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
Numero da decisão: 2201-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar o VTN - Valor da Terra Nua de R$ 101,06.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO. REVISÃO. Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, quando o contribuinte demonstrar, por meio de laudo, o valor fundiário do imóvel rural avaliado. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar o VTN - Valor da Terra Nua de R$ 101,06. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD.
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VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO. REVISÃO. Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, quando o contribuinte demonstrar, por meio de laudo, o valor fundiário do imóvel rural avaliado. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar o VTN Valor da Terra Nua de R$ 101,06. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERCOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausentes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 00 19 /2 00 8- 88 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 81.172,10, referente ao imóvel denominado “Fazenda Mutambeiras” (NIRF 4.431.1990), com área total declarada de 37.250,5 ha, localizado no município de Jaborandi BA. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 24.500,00 (R$ 0,66/ha) para R$ 8.960.235,27 (R$ 240,54/ha), com base no SIPT, conforme demonstrativo de fl. 22. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: de início, propugna pela tempestividade de sua defesa e discorre sobre o procedimento fiscal, do qual discorda, face ao arbitramento do VTN, efetuado sem as exclusões legais; para efeito de arbitramento do VTN, não foram observadas as disposições cogentes da Lei 9.393/96 (art. 10, § 1º, inciso I, alíneas “a” a “d”), que transcreve; afirma que a multa aplicada deveria se ater aos limites do dispositivo regulamentar, respeitando o princípio constitucional do não confisco (art.150, inciso IV); transcreve parcialmente a legislação de regência, acórdãos do TRF/1ªR e do TARF, para referendar seus argumentos. Ao final, requer seja anulada a notificação de lançamento combatida, por representar uma pretensão impositiva do Estado sobre fato jurídico que recebeu a devida tributação ou, então, que seja decotada a aplicação da multa de ofício lançada, por seu caráter confiscatório. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2005 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos termos da legislação que a instituiu. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10540.720019/200888 Acórdão n.º 2201002.654 S2C2T1 Fl. 3 3 Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou de subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 27/07/2012 (fls. 176/177), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 17/08/2012 (fls. 179/187), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal alterou o VTN do imóvel rural declarado pela recorrente de R$ 24.500,00 (R$ 0,66/ha) para R$ 8.960.235,27 (R$ 240,54/ha), com base no SIPT Sistema de Preços de Terra, praticados no município de Jaborandi – BA. De acordo com a Descrição dos Fatos, fl. 02, “Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado”. Em sua peça recursal alega a suplicante que o cálculo do valor da terra nua efetuado pela autoridade fiscal é totalmente arbitrário, já que não teria observado as disposições do art. 10 da Lei 9.393/1996. Assevera ainda que o laudo do IBAMA identifica diversas áreas que deveriam ser excluídas da apuração do ITR (áreas de construções, culturas, pastagens e preservação permanente). Por fim, alega que a multa de ofício aplicada é confiscatória. Pois bem, quanto à alegação de que o cálculo do valor da terra nua foi arbitrário, por não ter levando em consideração as áreas que deveriam ser excluídas da apuração do imposto, compulsandose a DITR/2005, fl. 06, constatase que a autoridade fiscal manteve, integralmente, a área de preservação permanente declarada de 848,2 ha, além da área de 36.402,3 ha de reflorestamento. Portanto, não há qualquer arbitrariedade na metodologia de cálculo do VTN arbitrado, já que a autoridade fiscal observou integralmente as disposições do art. 10 da Lei 9.393/1996, inclusive quando manteve o Grau de Utilização da propriedade rural em 100% (fl. 03). No que tange ao VTN, cumpre deixar assentado que as informações prestadas pela contribuinte na DITR são passíveis de comprovação, pois se sujeitam a homologação, conforme previsto no art. 10 da Lei n° 9393/1996. Assim, deve a contribuinte comprovar o VTN declarado. Nesse passo, verificase que o “Estudo TécnicoEconômico da Fazenda Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Mutambeira para a Produção Florestal Sustentada”, efetuado pela recorrente identificou, para a propriedade rural objeto do lançamento, o VTN de R$ 101,06, fl. 58, valor este que, embora inferior ao arbitrado, é bem superior ao declarado originariamente, o que demonstra que a própria contribuinte reconhece que o VTN constante da DITR/2005 estava, de fato, subavaliado. Por fim, sobre o caráter confiscatório da multa aplicada, deve ser esclarecido que não compete ao CARF declarar a ilegitimidade da norma legalmente constituída. A legalidade de dispositivos aplicados ao lançamento deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais (vedação ao confisco) é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para acatar o Valor da Terra Nua de R$ 101,06. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907458/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Eduardo Borges, OAB/SP nº. 153.881.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Eduardo Borges, OAB/SP nº. 153.881. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/Curitiba: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 33552.73042.130907.1.3.04 6505, por meio da qual a interessada extinguiu débito fiscal nela informado, valendose de um suposto indébito de R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .9 07 45 8/ 20 09 -5 2 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.907458/200952 Resolução nº 3202000.326 S3C2T2 Fl. 666 2 36.976,11 (valor do crédito original na data da transmissão), advindo de DARF com as seguintes características: (a) código de receita: 9331; (b) período de apuração: 31/08/2003; (c) valor total: R$ 374.420,62; e (d) data de arrecadação: 15/09/2003. A DRF/Maringá emitiu despacho decisório (fls. 06/09) de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp fora integralmente utilizado para quitação de débito do mesmo tributo e período de apuração, não restando saldo credor disponível para a compensação pleiteada. Cientificada em 03/11/2009 (fl. 10), a interessada apresentou, em 02/12/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 11/13, instruída com os documentos de fls. 14/95, a seguir, no essencial, sintetizada. Afirma que após examinar seus arquivos “não encontramos qualquer falha na operação que pudesse ter sido a causa da não homologação”; diz que transmitiu DCTF retificadora (em 08/08/2007) na qual teria apresentado o débito real apurado de CIDE/combustível, relativo ao período de apuração agosto/2003, no montante de R$ 264.771,73, que retificaria um valor anteriormente informado, de R$ 374.420,62, que fora recolhido por meio do DARF informado na Dcomp, o que daria suporte ao indébito indicado na referida Dcomp. Em face do alegado, entende que o valor pago a maior permite a compensação declarada na Dcomp em causa, além de outras que relaciona em sua peça dedefesa, pedindo pela reforma do despacho decisório, no sentido da homologação da compensação em litígio. À fl. 96, despacho da Seort/DRF/Maringá atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade. É o relatório. A ementa do acórdão da DRJ/Curitiba é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃOHOMOLOGAÇÃO DE DCOMP. Restando incomprovado o direito creditório, é de se considerar não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. É o Relatório. Voto Fl. 668DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10950.907458/200952 Resolução nº 3202000.326 S3C2T2 Fl. 667 3 Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A decisão recorrida aponta que a Recorrente retificou a DCTF do 3º trimestre de 2003, feita em 08/08/2007, sendo que, ao tempo da emissão do despacho decisório, em 07/10/2009, verificase que estava ativa a DCTF retificadora nº 0000.100.2008.61968607, relativa ao 3º trimestre de 2003, que foi recepcionada em 28/01/2008. Ainda segundo a decisão recorrida, a pagamento de CIDEcombustível (código 9331), feito no vencimento, também foi realizado no montante dessa contribuição confessado na DCTF ativa, inexistindo, pois, o alegado pagamento a maior. A Recorrente, por sua vez, aponta que houve apuração maior de CIDE no montante de R$ 109.648,89, já que o valor correto de pagamento deveria ter sido R$ 264.771,73 e não R$ 374.420,62, pois a quantidade comercializada foi de 9.052,025 m3 de álcool, e que, por outro lado, não houve retificação da DCTF porque já havia se passado mais de cinco anos da declaração anterior. Diante da dúvida existente entre haver ou não crédito em favor da recorrente no montante de acima mencionado, não resta outra alternativa senão converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique junto aos livros fiscais e documentos da Recorrente se realmente houve pagamento a maior de CIDE visàvis a quantidade comercializada de álcool no período anteriormente mencionada, independentemente de nova retificação de DCTF por parte da Recorrente, e produza relatório pormenorizado a fim de confirmara existência ou não do crédito alegado pela Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a fiscalização e Recorrente se manifeste acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 669DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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