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Numero do processo: 15165.721119/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. RE 559.607/SC. REPERCUSSÃO GERAL.
Devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/PASEP-importação e COFINS-importação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 559.607/SC, sob a sistemática da repercussão geral, o que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. IMPORTADOR POR CONTA E ORDEM. ILEGÍTIMO PARA EXIGIR RESTITUIÇÃO.
No caso de importações por conta e ordem de terceiros, prestação de serviços que é, com recursos da adquirente, quem efetivamente suporta o encargo financeiro da diferença nas contribuições é esta última e não a importadora por conta e ordem. A adquirente também não autorizou que a restituição de tributos à importadora por conta e ordem. Resta descumprido então o requisito estabelecido no Código Tributário Nacional, art. 166.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Semirames de Oliveira Duro, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. RE 559.607/SC. REPERCUSSÃO GERAL. Devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/PASEP-importação e COFINS-importação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 559.607/SC, sob a sistemática da repercussão geral, o que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. IMPORTADOR POR CONTA E ORDEM. ILEGÍTIMO PARA EXIGIR RESTITUIÇÃO. No caso de importações por conta e ordem de terceiros, prestação de serviços que é, com recursos da adquirente, quem efetivamente suporta o encargo financeiro da diferença nas contribuições é esta última e não a importadora por conta e ordem. A adquirente também não autorizou que a restituição de tributos à importadora por conta e ordem. Resta descumprido então o requisito estabelecido no Código Tributário Nacional, art. 166. Recurso Voluntário Negado
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COFINSIMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. RE 559.607/SC. REPERCUSSÃO GERAL. Devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/PASEP importação e COFINSimportação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 559.607/SC, sob a sistemática da repercussão geral, o que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. IMPORTADOR POR CONTA E ORDEM. ILEGÍTIMO PARA EXIGIR RESTITUIÇÃO. No caso de importações por conta e ordem de terceiros, prestação de serviços que é, com recursos da adquirente, quem efetivamente suporta o encargo financeiro da diferença nas contribuições é esta última e não a importadora por conta e ordem. A adquirente também não autorizou que a restituição de tributos à importadora por conta e ordem. Resta descumprido então o requisito estabelecido no Código Tributário Nacional, art. 166. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 11 19 /2 01 1- 75 Fl. 161DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Semirames de Oliveira Duro, que davam provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de PIS/Pasep e Cofins importação. Cuida o presente julgamento de recurso voluntário interposto contra o acórdão 07.28.961 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, o qual deu por improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O processo subiu à segunda instância administrativa, tendo a 2ª Turma Especial desta Seção emitido a Resolução 3802000.315 sobre a pendenga. Tomo o relato desta, em parte: [...] Pela decisão recorrida, extraíse que o indeferimento se deu por conta da impossibilidade da Administração Pública em reconhecer ou não a inconstitucionalidade de lei, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 15165.721119/201175 Acórdão n.º 3301005.317 S3C3T1 Fl. 162 3 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos que, em síntese, se referem (i) à existência de ilegalidade na cobrança fazendária em razão da inconstitucionalidade da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no artigo 7º, da Lei 10.865/2004, no exato momento em que alarga a base de cálculo do PIS e da COFINS, (ii) ao não cabimento de qualquer legislação infraconstitucional, independentemente da natureza da lei ou entendimento fazendário, alargar a base de cálculo das contribuições aqui questionadas, pois a base de cálculo do PIS/COFINS da importação será tão somente o valor aduaneiro, conforme definido na Constituição Federal e (iii) à juntada de leis, tratados e julgamentos do Poder Judiciário em favor a tese apresentada. A resolução em foco então decidiu pela conversão do julgamento em diligência, determinando à unidade aduaneira de jurisdição da contribuinte: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as DI, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações Da diligência resultou informação. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi dado por considerado tempestivo na entrada no então Conselho de Contribuintes1. De fato, os argumento trazidos pela recorrente em sede de impugnação e de recurso tratam de inconstitucionalidade de lei tributária, sobre a qual não compete a este Conselho se pronunciar, nos termos (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do RICARF, Portaria MF nº 343/2015). Ao tempo do acórdão recorrido e do recurso voluntário que o atacou, ano de 2012, assim como da relatada resolução, de 24/10/2014, ainda não havia o Supremo Tribunal Federal decidido em definitivo, sob a sistemática da repercussão geral, pela exclusão da base de cálculo das contribuições em pauta, das parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições, o que ocorreu no RE 559.607/SC, com trânsito em julgado em 24/10/2014, o que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força do art. 62 do Regimento Interno da Casa. Cuidou a resolução desta Carf dos requisitos da restituição pleiteada, ao determinar diligência nos termos relatados, da qual a Alfândega do Porto de de Itajaí concluiu: I) O regime de tributação adotado pelo contribuinte no ano de 2011 foi o do lucro presumido. II) Conforme tabela a seguir, todas as importações foram realizadas na modalidade por conta e ordem de terceiros. III) Não há no processo importações por conta própria ou por encomenda. Se fosse o caso de tributação pelo lucro real, a sistemática de não cumulatividade se encarregaria do aproveitamento da diferença agora excluída pelo STF. Não é do que se trata. Já no caso de importações por conta e ordem de terceiros, prestação de serviços que é, com recursos da adquirente, quem efetivamente suporta o encargo financeiro da diferença nas contribuições é esta última e não a importadora por conta e ordem. A adquirente também não autorizou que a restituição de tributos à importadora por conta e ordem. Resta descumprido então o requisito estabelecido no Código Tributário Nacional, art. 166: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 164DF CARF MF Processo nº 15165.721119/201175 Acórdão n.º 3301005.317 S3C3T1 Fl. 163 5 Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720574/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. APURAÇÃO.
Deve ser afastado o valor apurado pelo Fisco quando o contribuinte, apresentar documentação hábil a refutar o feito fiscal.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. LAUDO TÉCNICO APRESENTADO. PROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de ofício, acerca da nulidade da decisão de primeira instância, vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que a acolhiam; no mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. APURAÇÃO. Deve ser afastado o valor apurado pelo Fisco quando o contribuinte, apresentar documentação hábil a refutar o feito fiscal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. LAUDO TÉCNICO APRESENTADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Provido
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APURAÇÃO. Deve ser afastado o valor apurado pelo Fisco quando o contribuinte, apresentar documentação hábil a refutar o feito fiscal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. LAUDO TÉCNICO APRESENTADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de ofício, acerca da nulidade da decisão de primeira instância, vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que a acolhiam; no mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 05 74 /2 01 1- 17 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11040.720574/201117 Acórdão n.º 2202004.735 S2C2T2 Fl. 158 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11040.720574/201117, em face do acórdão nº 0956.188, julgado pela 4ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 22 de dezembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.02/09, lavrado pela DRF/Pelotas/RS em 02/06/2011, contra o contribuinte retro identificado, que resultou na cobrança do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao exercício financeiro de 2007, no montante de R$ 34.583,87, sendo R$ 15.247,95 de imposto de renda, R$ 11.435,96 de multa proporcional (passível de redução), e R$ 7.899,96 de juros de mora calculados até maio de 2011. O lançamento efetuado decorreu da apuração, pela autoridade fiscal, de “omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos adquiridos em reais”, no mês de junho do anocalendário de 2006, no valor tributável de R$ 101.653,01, tudo conforme expresso no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls.06 – parte integrante do Auto de Infração ora contestado – e Relatório de Procedimento Fiscal de fls.10/15. Em sua peça impugnatória de fls.58/60, instruída com os elementos de fls.63/73, o contribuinte, por meio de seu procurador nomeado pelo instrumento de fls.61, contesta o lançamento efetuado, argumentando, em síntese, que: 1) Em 29/08/1996 o impugnante e suas irmãs, “foram aquinhoados, por seus progenitores, com a doação da ‘nua propriedade’ de imóvel rural, através de Escritura Pública de Doação com Reserva de Usufruto”; 2) Na aludida escritura pública consta que a operação ficou isenta do pagamento do imposto de transmissão (ITCD) por força de legislação estadual; 3) Em 27/06/2006, da nua propriedade de 1.441 ha, havidos por doação, foram vendidos 1.333 ha (sic); 4) Na apuração do Ganho de Capital, pelos quatro alienantes, foi adotado como “custo de aquisição” do bem alienado “o seu valor corrente, na data da aquisição”, com base no disposto no artigo 129, inciso V, do RIR/1999, visto que não houve atribuição de valor para efeito de pagamento do imposto de transmissão, previsto no inciso I deste mesmo artigo ; 5) Não há nenhum Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11040.720574/201117 Acórdão n.º 2202004.735 S2C2T2 Fl. 159 3 amparo legal para o procedimento adotado pela autoridade fiscal na fixação do “custo de aquisição” do imóvel alienado, pois ‘os valores por ela considerados resultaram de mera avaliação feita pelos contratantes, hipótese não prevista no artigo 129 do RIR/1999”; 6) Nessas condições, o impugnante pleiteia o valor de R$ 283.250,00, por ele adotado como “custo de aquisição”, conforme comprovam os “laudos de avaliação” em anexo.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, integralmente o crédito tributário lançado, aderindo o valor apontado pela autoridade fiscal como “custo de aquisição”. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 145/149, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Dispõe o artigo 129 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente: “Art.129 – Na ausência do valor pago, ressalvado o disposto no artigo 120, o custo de aquisição dos bens ou direitos será, conforme o caso (Lei nº 7.713/1988, art.16 e § 4º): I – o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II – o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III – o valor da avaliação no inventário ou arrolamento; IV – o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V – o seu valor corrente, na data da aquisição; VI – igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos anteriores” (Grifos não originais). O contribuinte discorda do procedimento adotado pela autoridade fiscal para quantificar o “custo de aquisição” das 02 (duas) propriedades rurais alienadas por ele e por suas 03 (três) irmãs, no anocalendário de 2006, dado necessário à apuração do Ganho de Capital correspondente. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11040.720574/201117 Acórdão n.º 2202004.735 S2C2T2 Fl. 160 4 O Relatório de Procedimento Fiscal, às fls 11 e 12, assim refere o método de cálculo do custo de aquisição: O Sr. Luis Roberto Silva da Silva tributou o valor de R$ 43.264,25 como Ganho de Capital proveniente da alienação dos imóveis efetuada por R$ 368.341,47, o que se deduz através do recolhimento efetuado de R$ 6.489,63, porém deixou de apresentar o Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital na DIRPF em virtude da entrega ter sido efetuada no modelo simplificado. Pela análise dos demonstrativos apresentados pelas irmãs em suas DIRPF, as quais chegaram ao mesmo valor de imposto, concluímos que foi utilizado para fins de apuração do mesmo um custo de aquisição igual a R$ 283.250,00. Efetuamos a análise do valor do custo de aquisição relativo aos imóveis, com base na documentação apresentada, sendo apurado o que segue: R 18 e 19 da matrícula nº 563: O valor registrado na Escritura Pública de Doação com Reserva de Usufruto de 29/08/1996, relativa à aquisição dos 25% do total dos 962ha50a é de R$ 67.750,00 (R$ 271.000,00÷4), porém como através da Escritura Pública de Compra e Venda de 27/06/2006 foram alienados apenas 653ha54a88ca, temos o custo de aquisição proporcional a esta área de R$ 46.121,87. R 1 e 2 da matrícula nº 2.715: O valor registrado na Escritura Pública de Doação com Reserva de Usufruto de 29/08/1996, relativa à aquisição dos 25% do total dos 479ha80a96ca20dm² é de R$ 32.075,00 (R$ 128.300,00÷4), que foram totalmente alienados através da Escritura Pública de Compra e Venda de 27/06/2006. Custo de aquisição total: O custo de aquisição apurado foi de R$ 78.196,87 (R$ 46.121,87 + R$ 32.075,00). O custo de aquisição utilizado teve por base as seguintes considerações: O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 01/01/1996 não está sujeito à atualização, conforme § único do art. 5º da IN SRF nº 84 de 2001. Não há que se falar também na hipótese de utilizar como custo de aquisição o valor da terra nua – VTN declarado pelo alienante no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DIAT do ano da aquisição, pois o imóvel rural foi adquirido antes de 1997 (27/06/1996) (art. 8º da IN SRF nº 84 de 2001). O valor declarado na DIRPF para a parcela do imóvel pertencente ao contribuinte (25% de 1.442ha30a96ca) era de R$ Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11040.720574/201117 Acórdão n.º 2202004.735 S2C2T2 Fl. 161 5 167.500,00, que calculado proporcionalmente à área alienada (25% de 1.133ha35a84ca20dm²) resulta no valor declarado do imóvel de R$ 131.620,51, e o custo de aquisição utilizado como base para o cálculo do imposto que foi recolhido foi de R$ 283.250,00, sendo que o contribuinte, regularmente intimado, informou que este valor corresponde ao previsto no inciso V do art. 129 do RIR/99: “valor corrente, na data da aquisição”, consoante laudos de avaliação que anexou, nos quais os corretores de imóveis Marcelo Luiz Aleixo Neves (Creci 8875) e Fernando de Mello Xavier (Creci 13296) avaliaram, em simples declarações emitidas no ano de 2011, o hectare da propriedade por R$ 2.200,00 e R$ 2.100,00 respectivamente para o ano de 1996, sem porém apresentar nenhum dado real de operações efetuadas na época ou qualquer outra informação que pudesse ter servido de base às avaliações efetuadas, o que as torna inaceitáveis como comprovação. Ocorre, contudo, que o contribuinte apresenta, em 11/08/2011, às fls. 78/100, antes do julgamento pela DRJ portanto (22/12/2014), laudo de avaliação de imóvel rural. Este documento, apresentado logo após o protocolo da impugnação, não foi considerado no acórdão da DRJ de origem. O objeto do laudo apresentado é a determinação sobre o valor de mercado do imóvel rural em questão no ano de 1996. Embora o laudo tenha sido produzido em 2011, verificase que ele fez a verificação com base em condições da época (1996). A conclusão foi a seguinte: Assim, considerando que contribuinte possuía 25% dos imóveis, o custo de aquisição dos imóveis perfaz o valor de R$ 478.100,44 (25% de R$ 1.912.401,77). Portanto, deve ser afastado o valor de custo de aquisição considerado pela fiscalização (R$ 78.196,87). Considerandose que a parcela do imóvel rural alienada em 2006 pelo contribuinte foi no valor de R$ 131.620,51, verificase que não houve ganho de capital. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11040.720574/201117 Acórdão n.º 2202004.735 S2C2T2 Fl. 162 6 Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.000030/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/05/2006
DECADÊNCIA.
Em não havendo configuração de dolo o fraude nos autos do processo não há de ser dito da necessidade de aplicação da Súmula 72 do CARF.
No caso em tela o Recorrente é contribuinte geral, que de uma forma ou de outra contribui mensalmente com a Previdência Social, onde antecipa os recolhimentos, e como tal há de ser reconhecido, o direito de ver aplicado, para efeitos da contagem do prazo decadencial, o disposto no artigo 150, § 4° do CTN.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA.
No caso em tela não há incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, devido à celebração do acordo ter ocorrido no término do período de aferição de metas.
A legislação específica que dirime a questão, Lei 10.101/2000, não aponta a necessidade de prazo para a celebração do acordo de atingimento de metas, lucros ou resultados.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Matérias não suscitadas em sede de recurso, cujas quais não constituem matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso, não podem ser analisadas, discutidas e julgadas.
No caso em tela a Recorrente não apressou-se em argüir a questão da multa em seu recurso voluntário e por isto não deve ser analisada, discutida e julgada.
Numero da decisão: 2301-005.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-003.737, de 19/09/2013, retificar o dispositivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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Em não havendo configuração de dolo o fraude nos autos do processo não há de ser dito da necessidade de aplicação da Súmula 72 do CARF. No caso em tela o Recorrente é contribuinte geral, que de uma forma ou de outra contribui mensalmente com a Previdência Social, onde antecipa os recolhimentos, e como tal há de ser reconhecido, o direito de ver aplicado, para efeitos da contagem do prazo decadencial, o disposto no artigo 150, § 4° do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. No caso em tela não há incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, devido à celebração do acordo ter ocorrido no término do período de aferição de metas. A legislação específica que dirime a questão, Lei 10.101/2000, não aponta a necessidade de prazo para a celebração do acordo de atingimento de metas, lucros ou resultados. MULTA MAIS BENÉFICA. Matérias não suscitadas em sede de recurso, cujas quais não constituem matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso, não podem ser analisadas, discutidas e julgadas. No caso em tela a Recorrente não apressouse em argüir a questão da multa em seu recurso voluntário e por isto não deve ser analisada, discutida e julgada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 30 /2 01 1- 69 Fl. 885DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 003.737, de 19/09/2013, retificar o dispositivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratamse de embargos declaratórios (efls. 855 a 857) interpostos pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 2301003.737 (efls. 799 a 832), de 19/09/2013, prolatado por esta turma. Sustenta, a embargante, que teria havido contradição e omissão no acórdão embargado, como bem relatou o presidente desta turma ao admitir os embargos: O embargante alega que o acórdão recorrido incorreu em contradição, tendo em vista que a parte final da ementa registra que o recurso de ofício foi provido em parte; a súmula do acórdão aponta em duas direções distintas (provimento unânime e improvimento do recurso de ofício); e a conclusão do voto vencedor é no sentido de que o recurso de ofício foi improvido. Aduz, ainda, que há omissão em relação à multa, que foi mantida porquanto supostamente não arguida no recurso ordinário, apesar do voto do Relator originário determinar a sua redução pela superveniência de lei mais benéfica. A autoridade que analisou a admissibilidade dos embargos constatou que, de fato, estaria presente a contradição, assim concluindo: De fato, assiste razão ao embargante em relação à contradição apontada, pois o voto vencedor manteve o entendimento da decisão de primeira instância relativamente à decadência, decidindo por negar provimento ao recurso de ofício. Entretanto, consta da parte final da ementa que o recurso de ofício foi provido em parte. Já o resultado do julgamento aponta em duas direções distintas: provimento e improvimento do recurso de ofício, conforme segue transcrito: Fl. 886DF CARF MF Processo nº 13864.000030/201169 Acórdão n.º 2301005.558 S2C3T1 Fl. 886 3 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto Relator;(...) II) Por maioria de votos: a) em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, no recurso de ofício, nos termos do voto do(a) Redator(a). (...) Portanto, é necessário reparar a contradição Porém, não se convenceu de que teria ocorrido omissão na questão da multa, uma vez que o entendimento do voto vencedor é no sentido de que a questão da multa não foi ventilada no recurso voluntário, bem como não é matéria de ordem pública. mas inconformismo com a decisão do colegiado, o que não se resolve pela via dos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. Os embargos são tempestivos e devem ser conhecidos. Percebo que existe a contradição manifestada pela embargante e constatada pela autoridade que admitiu o apelo. O recurso de ofício foi interposto porque o colegiado de primeira instância administrativa desonerou parte do crédito tributário por haver entendido pela aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, porquanto identificou a existência de antecipação de pagamentos (efl. 696). O § 1º do art. 63 do Ricarf estabelece que, vencido o relator, um dos conselheiros será designado para redigir o voto da matéria vencedora. Em outras palavras, devem constar do voto vencedor apenas as matérias nas quais o relator restou vencido. No caso, o voto vencedor divergiu do voto vencido em três matérias analisadas nos autos: decadência, assinatura prévia do acordo de PLR e multa de ofício. Daí se extrai que o entendimento final prevalecente no colegiado acerca de todas as matérias foi o que constou do voto vencedor. O voto vencido abordou, ainda, a possibilidade de pagamento de PLR mesmo que não tenha havido lucro, porque a norma objetiva trata da existência de resultado, sendo este, portanto, o único ponto não contestado pelo voto vencedor. No que concerne à decadência, o voto vencedor se pronunciou no sentido da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Portanto, não restam dúvidas de que a decisão do colegiado foi de negar provimento ao recurso de ofício e, assim, manter o entendimento da decisão recorrida quando à regra decadencial. Quanto à multa, assim como manifestado pela autoridade que admitiu os embargos, não verifico a omissão apontada, pois o colegiado se pronunciou sobre a matéria, nos termos do voto vencedor, e decidiu dela não conhecer porque não constou do recurso voluntário e, além disso, entendeu não se tratar de matéria de ordem pública. A insurgência da embargante deve ser apresentada pela via adequada do recurso. Fl. 887DF CARF MF 4 Isto posto, há que se acolher os embargos, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado e excluir do dispositivo a expressão a) em dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator, mantendose o restante do que foi decidido e, por conseguinte, refazer o dispositivo nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, na questão da não incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados, pelas regras objetivas fundamentaremse em resultados, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, negando provimento recurso de ofício, nos termos do voto do Redator, vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar ao Recurso a regra expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento ao recurso na questão da não incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados, devido à celebração do acordo ter ocorrido no término do período de aferição de metas, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; III) Por voto de qualidade: a) em não conhecer da questão da retificação das multas, nas obrigações acessória e principal, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão. Redator: Wilson Antônio de Souza Correa. Sustentação oral: Tiago Conde Teixeira, OAB 24.259/DF. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 888DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000056/00-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/1990 a 31/10/1995
COMPENSAÇÃO.
Incabível a compensação de recolhimentos da Contribuição para o PIS, com base nos Decretos-lei declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, quando não excederem a valores devidos com fulcro na Lei Complementar n° 7, de 1970, e suas posteriores alterações.
Numero da decisão: 3301-005.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1990 a 31/10/1995 COMPENSAÇÃO. Incabível a compensação de recolhimentos da Contribuição para o PIS, com base nos Decretoslei declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, quando não excederem a valores devidos com fulcro na Lei Complementar n° 7, de 1970, e suas posteriores alterações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 56 /0 0- 23 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13832.000056/0023 Acórdão n.º 3301005.002 S3C3T1 Fl. 415 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, Acórdão nº 6.127, de 10 de setembro de 2004 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 201 e seguintes): Trata o presente processo de solicitação de restituição de valores ditos recolhidos indevidamente ao Programa de Integração Social — PIS, para posterior compensação com débitos vencidos e vincendos, de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, no montante de R$ 3.079,54. Referida solicitação se deu pelo fato de a contribuinte entender que, com a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, dos DecretosLeis no. 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e o evento da Resolução no 49, de 1995, do Senado Federal, que suspendeu a aplicação desses dispositivos legais, passou a ser credora da Fazenda Nacional. A Delegacia da Receita Federal em MariliaSP, por meio da Decisdo/SASIT n° 2001/077, de 02 de março de 2001, indeferiu a solicitação da contribuinte considerando ter ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição com relação aos pagamentos efetuados até 10/05/1995 e pela inexistência do direito creditório por não prosperar a tese da requerente da semestralidade da base de calculo do PIS. Inconformada, a empresa apresentou, em 05 de abril de 2001, manifestação de inconformidade As fls. 176/194, na qual solicitou a homologação do pedido de compensação e o arquivamento do processo. Fez, em resumo, as seguintes considerações: • O prazo para se reaver o imposto pago a maior é de prescrição e não de decadência. • No que concerne ao PIS, está efetivamente pacificada, no Conselho de Contribuintes, a compreensão de que o faturamento do sexto mês anterior consubstancia não o fato gerador, como pretende a fiscalização, mas tãosomente o elemento quantitativo do tributo à base de cálculo; • Firmouse no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a jurisprudência de que, nas ações que versem sobre tributos lançados por homologação (Código Tributário Nacional CTN, art. 150), o prazo prescricional é de dez anos, ou seja, cinco anos para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento (§4°) mais cinco anos da prescrição do direito do contribuinte para haver tributo pago a maior e/ou indevidamente (CTN, art. 168, I); • Outra tese, quanto ao PIS, é de que o Decretolei n° 2.052, de 3 de agosto de 1983, art. 10, dispõe que a prescrição para a cobrança e, mutatis mutandi, para a pretensão de repetição/compensação é de dez anos; • Prescrição e decadência são institutos jurídicos distintos no que diz respeito à obrigação tributária principal e estão claramente colocados no CTN, arts. 173 e 174. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13832.000056/0023 Acórdão n.º 3301005.002 S3C3T1 Fl. 416 3 0 primeiro cuida da extinção do direito de lançar o tributo e o segundo da extinção do direito de cobrálo. Tanto a prescrição como a decadência são causas extintivas de direitos e se destinam a evitar que se eternizem pendências nas quais alguém tem direito, mas não o exercita. Mesmo assim, não se confundem, são institutos distintos. • A decadência diz respeito apenas aos direitos potestativos enquanto a prescrição diz respeito aos direitos a uma prestação. Assim, a exemplo do que ocorreu com referencia ao exercício das ações condenatórias, surgiu a necessidade de se estabelecer também um prazo para o exercício de alguns dos direitos potestativos, isto é, aqueles cuja falta de exercício concorre de forma mais acentuada para perturbar a paz social. Seja como for, não se pode confundir a decadência com a prescrição. • A empresa não pleiteou restituição e sim compensação de tributos pagos indevidamente. Se existentes créditos de recolhimentos indevidos ou a maior, a compensação destes valores, por iniciativa e efetivação do próprio contribuinte, é medida que se impõe A luz do disposto na Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66, e do Decreto n.° 2.138, de 29 de janeiro de 1997. Desta forma a empresa tem o direito A compensação dos valores recolhidos indevidamente com créditos tributários de sua responsabilidade. • A compensação de indébitos fiscais com créditos tributários é um direito garantido pela Constituição Federal, fundamentado nos princípios da cidadania, justiça, isonomia, propriedade e moralidade e, portanto, a denegação a esse direito afronta a Constituição. Ao final, concluiu que seu direito material A repetição e/ou compensação dos indébitos reclamados não se extinguiu pelo tempo, como entendeu a Receita Federal, e por esta razão deve ser deferida a compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, julgou improcedente, conforme Acórdão nº 6.127, de 10 de setembro de 2004 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 296 e seguintes), com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/1990 a 31/10/1995 Ementa: COMPENSAÇÃO. Incabível a compensação de recolhimentos da Contribuição para o PIS, com base nos Decretoslei declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, quando não excederem a valores devidos com fulcro na Lei Complementar n° 7, de 1970, e suas posteriores alterações. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação de tributos ou contribuições pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13832.000056/0023 Acórdão n.º 3301005.002 S3C3T1 Fl. 417 4 do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1990 a 31/10/1995 Ementa: BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. A base de calculo do PIS é o faturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão da DRJ em Ribeirao Preto SP, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade e pugna pela reforma da decisão recorrida e o conseqüente deferimento do pedido de compensação dos créditos pleiteados. Na análise do Recurso Voluntário pela 2a. Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, decidiuse por unanimidade de votos, por meio da Resolução nº 20201.044 (fls. 296 e seguintes), converter o julgamento da lide em diligência. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. No Recurso Voluntário, a Recorrente apresenta questões concernentes a compensação de recolhimentos da Contribuição para o PIS, com base nos Decretoslei declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, com fulcro na Lei Complementar n° 7, de 1970; o prazo decadencial para tal pleito; e a base de calculo do PIS. Cumpre colacionar trecho Resolução nº 20201.044 (fls. 296 e seguintes), que converteu o julgamento da lide em diligência: Em face do que restou estabelecido pelos Membros desta Câmara, voto, com objetivo de melhor instruir o processo, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligencia, à repartição de origem, para que, conclusivamente, pronunciese sobre a existência de recolhimentos efetuados a maior, a titulo de PIS e nos períodos informados pela recorrente, levandose em consideração o que determina o art. 62, parágrafo único, da LC no 7/70 (faturamento do sexto mês anterior), informando, Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13832.000056/0023 Acórdão n.º 3301005.002 S3C3T1 Fl. 418 5 inclusive — caso venham a ser apurados —, os alegados créditos a restituir/compensar (demonstrar). Posteriormente e em caso positivo, manifestese sobre a suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente, com base nos índices fornecedores dos coeficientes da tabela anexa à Norma de Execução SRF/Cosit/Cosar n 208, de 27/6/1997, bem como proceda de imediato o bloqueio dos créditos confirmados até que o presente processo seja julgado em definitivo por este Colegiado. Em seguida, após oferecer A recorrente o direito de emitir pronunciamento acerca do resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos a esta Câmara. Na diligência, conforme Informação Fiscal às fls. 315 e seguintes, as observações foram: 4. Em relação aos débitos sobre os quais o contribuinte solicitou compensação, fazemos as seguintes considerações: a) No Pedido de Compensação protocolado em 10/05/2000 (fls. 4), o contribuinte não especifica os valores e períodos de apuração dos tributos e contribuições que deseja compensar (IRPJ, COFINS, CSLL e PIS); b) Não localizamos nos autos tributos e contribuições indicados para compensação pelo contribuinte; c) O contribuinte não possui inscrições em dívida ativa da União, ativas ou extintas, conforme consulta aos sistemas informatizados da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN (fls. 303/304); d) Em razão do exposto, o pedido será analisado somente como pedido de restituição. 5. Para dar prosseguimento ao processo, emitimos em 22/04/2015 o Termo de Cientificação e de Intimação Fiscal n. 33/2015 (fls. 305/307), cientificando o contribuinte da Resolução n. 20201.044 da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 296/301), além de intimar o contribuinte a apresentar, no prazo de 30 dias, os seguintes documentos e/ou informações: a) Cópia de livros contábeis, fiscais e/ou demonstrações de resultados, relativos aos meses de 11/1989 a 04/1995; b) Confirmar a não indicação de débitos para compensação; c) Relacionar todas as ações judiciais em que o contribuinte seja parte, que versem sobre os créditos do PIS objeto do pedido de compensação; d) Demais documentos e/ou informações que julgar necessários. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13832.000056/0023 Acórdão n.º 3301005.002 S3C3T1 Fl. 419 6 6. O Termo de Cientificação e de Intimação Fiscal foi entregue ao contribuinte em 28/04/2015, através do Registro Postal n. JH600974913BR, conforme Aviso de Recebimento AR (fls. 308). Em resposta, o contribuinte protocolou correspondência sob n. 3843 na DRF em Marília/SP (fls. 309/310), solicitando a juntada de planilhas de cálculo (fls. 311/314) e alegando que os livros contábeis/fiscais solicitados, relativos ao período de 11/1989 a 04/1995, foram incinerados. Argumenta que a obrigatoriedade em mantêlos é de apenas 5 anos e junta jurisprudência. No final solicita que a Fiscalização desobrigue a empresa da apresentação dos citados livros e que considere as bases de cálculo declaradas no Imposto de Renda, cujas cópias das Declarações se encontram juntadas aos autos. O contribuinte não se manifestou sobre a não indicação de débitos para compensação e sobre ações judiciais com o mesmo objeto do pedido. Na Fundamentação da Diligência encontrase o seguinte (fls. 317 e seguintes): 14. No caso em tela, premente é a apuração da base de cálculo, considerando as eventuais exclusões legais para apuração do suposto crédito a restituir ou a compensar. Todavia, o interessado deixou de apresentar os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem do suposto indébito, deixando de atribuir certeza e liquidez ao mesmo. 15. Os DARF pagos pelo contribuinte e juntados ao processo (fls. 05/27) comprovam apenas que houve pagamento a título de PIS, mas não comprovam que tais pagamentos foram efetuados a maior. Já as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica relativas aos anoscalendário 1990 a 1995 (fls. 93/172) apresentadas pelo contribuinte à época do protocolo do pedido, não se revestem das condições legais atribuídas à escrituração contábil e/ou fiscal, para que faça prova da certeza e liquidez do indébito. Ambos os documentos aqui citados (DARF e DIRPJ) podem servir de elemento subsidiário de prova, quando confrontados com a escrituração contábil e/ou fiscal. Não havendo a apresentação da escrita contábil e/ou fiscal, não há como comprovar que os valores declarados em planilha pelo contribuinte são de fato verdadeiros. 16. Além da escrituração contábil e/ou fiscal, o contribuinte deixou de apresentar, apesar de regularmente intimado em 28/04/2015 (fls. 305/308), informações e/ou documentos relativos à: a) Confirmação da não indicação de débitos para compensação; Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13832.000056/0023 Acórdão n.º 3301005.002 S3C3T1 Fl. 420 7 b) Ações judiciais em que o contribuinte seja parte, que versem sobre os créditos do PIS objeto deste pedido, ou declaração de inexistência das mesmas. Dessarte, considerando que a Recorrente não logrou, na diligência, comprovar o fundamento de suas alegações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723078/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010
SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. CADEIA AUTOMOTIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O direito de saída com suspensão do IPI dos produtos classificados nos códigos TIPI 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 não atinge o estabelecimento equiparado a industrial, nos termos do art. 5º e §6º da Lei nº 9.826/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2010 SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. CADEIA AUTOMOTIVA. IMPOSSIBILIDADE. O direito de saída com suspensão do IPI dos produtos classificados nos códigos TIPI 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 não atinge o estabelecimento equiparado a industrial, nos termos do art. 5º e §6º da Lei nº 9.826/99. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. CADEIA AUTOMOTIVA. IMPOSSIBILIDADE. O direito de saída com suspensão do IPI dos produtos classificados nos códigos TIPI 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 não atinge o estabelecimento equiparado a industrial, nos termos do art. 5º e §6º da Lei nº 9.826/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 30 78 /2 01 3- 81 Fl. 954DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 955 2 Relatório Contra a Recorrente foi lavrado auto de infração de IPI, em decorrência das seguintes infrações: Infração 0001: Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, com emissão de nota fiscal. Saída de produtos sem lançamento do IPI Equiparado a industrial; Infração 0002: Falta de Declaração/Recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado (total ou parcial). O estabelecimento equiparado a industrial, nos meses de julho a setembro de 2010, deixou de recolher/declarar os saldos devedores de IPI, apurados no Livro Fiscal, conforme explicitado no TVF; Infração 0003: IPI lançado e não escriturado. O estabelecimento equiparado a industrial, nos meses de julho a dezembro de 2010, não escriturou esses valores, conforme explicitado no TVF. Também foi aplicada a multa prevista no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64. A motivação do lançamento está descrita no TVF, do qual se extrai os seguintes trechos: Na oportunidade, constatamos que nas instalações da fiscalizada não existem máquinas e/ou equipamentos que permitissem a realização de qualquer atividade industrial, situação, inclusive, confirmada pela contribuinte em resposta apresentada ao exigido através do item 7 do TIAF. Desse modo, concluímos que o estabelecimento fiscalizado é uma filial (000331) da ACUMULADORES MOURA S/A que não desenvolve nenhuma atividade industrial. SAÍDAS DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO A partir das NFe emitidas pelas matriz e filial 000684 da Acumuladores Moura S/A e obtidas junto ao SPED, tendo como destinatária a filial 000331 da mesma firma, elaboramos o demonstrativo intitulado "Transferência de Baterias da Matriz e da Filial 000684 (CFOP 6.151) para a Filial 000331", parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal, no qual estão identificados os produtos transferidos com a utilização do CFOP 6.151 transferência de produção do estabelecimento. Nesse demonstrativo, observase que as transferências de baterias oriundas da matriz foram realizadas com destaque de IPI, e as transferências advindas da filial 000684, com a suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados. Para ilustrar o fato, anexamos no presente auto de infração algumas cópias de notas fiscais emitidas pela matriz e pela filial 000684 (cfop 6.151). Observese que as saídas do contribuinte efetuadas no CFOP 5.102 não foram alcançadas pela tributação do IPI, uma vez que equivocadamente, conforme Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 956 3 demonstraremos em seguida, a fiscalizada entende que tem direito a promover tais saídas com a suspensão do referido imposto, conforme alegou na sua resposta ao item 8 do TIAF. Frisese mais uma vez que os códigos e descrições das mercadorias que foram recebidas em transferência de outros estabelecimentos da mesma firma são os mesmos dos produtos revendidos pela fiscalizada para a Fiat Automóveis S/A e para a Iveco Latin América Ltda, o que mais uma vez comprova aquilo que já foi exposto anteriormente, isto é, tais produtos não sofreram qualquer processo que pudesse caracterizar industrialização, como de resto o próprio contribuinte declarou em sua resposta já transcrita acima. Desse modo o estabelecimento equiparase a industrial nos termos do art. 9°, inciso III dos Decretos n° 4.544/2002 e 7.212/2010... Conforme mencionado, a fiscalizada entendeu equivocadamente que suas saídas estariam amparadas pela suspensão do IPI, citando no campo observações de algumas NFe de saídas, das quais anexamos algumas cópias, o dispositivo legal que supostamente ampararia tal liberalidade, qual seja, o art. 5° da Lei n° 9.826/99, alterado pelo artigo 4° da Lei n° 10.485/02 e art. 2° da IN/SRF n° 207/02, abaixo transcritos:.. Da análise nos dispositivos legais acima citados, constatamos que com o advento da Lei n° 10.485, de julho de 2002, houve extensão das saídas com suspensão do IPI para os estabelecimentos equiparados a industrial (que não eram contemplados com a Lei n° 9.826, de agosto de 1999), conforme § 6° que foi acrescentado. Contudo, devemos ainda levar em conta a alteração sofrida pela Lei n° 10.485/2002, em abril de 2004, com a promulgação da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, especificamente no seu artigo 33. Assim, por esse novo entendimento, desde 1° de maio de 2004 quando uma filial recebe de outro estabelecimento da mesma empresa o produto já industrializado e apenas o comercializa não pode dar saída desse produto com suspensão do IPI. Além do estabelecimento industrial, somente a empresa comercial atacadista adquirente dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, resultantes da industrialização por encomenda, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, também poderia dar saída com suspensão do imposto. A Instrução Normativa SRF n° 429, de 21 de junho de 2004, confirma esse entendimento. De todo o exposto fica claro que o contribuinte não tem direito a dar saída com suspensão do IPI quando vende os produtos já industrializados e recebidos em transferência de outros estabelecimentos da empresa. Comprovado que as saídas ora examinadas não poderiam ocorrer com suspensão, foi necessário elaborar demonstrativo através do qual fosse possível calcular o valor do IPI que o contribuinte deixou de destacar durante o período fiscalizado. Na tabela denominada "Demonstrativo do IPI não Destacado nas Notas Fiscais de Saída 2010", parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal, estão Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 957 4 relacionadas todas as notas fiscais de saída emitidas pela fiscalizada sem destaque do IPI, e que representaram vendas efetuadas pela mesma. Na referida tabela, que foi elaborada a partir das informações prestadas pela fiscalizada e armazenadas no Sistema Público de Escrituração Digital (SPED/NFe), estão claramente identificadas as notas fiscais, os períodos de apuração, os produtos com as respectivas classificações fiscais e alíquotas, o valor tributável e o IPI objeto do presente lançamento. Frisese que integram a referida tabela apenas as notas fiscais representativas de vendas e para as quais não ocorreu o destaque do IPI, evitandose, assim, qualquer possibilidade de cobrança em duplicidade. Tal observação fazse necessária uma vez que o contribuinte já havia escriturado no livro de Registro de Saídas várias notas fiscais para as quais havia destacado o IPI, bem como transcrito tais valores no Livro de Registro de Apuração do IPI, anexado no presente auto de infração. IPI DESTACADO E NÃO ESCRITURADO Na planilha elaborada à vista das NFe de saídas emitidas pela empresa nos meses de junho e dezembro de 2010 e intitulada "IPI DESTACADO E NÃO ESCRITURADO", encontramse identificadas todas as notas fiscais emitidas pela fiscalizada com destaque de IPI e que não foi escriturado nos livros fiscais. Referidas NFe (DANFE) foram acostadas no presente auto de infração. Lembramos que no mês de dezembro de 2010, embora a empresa tenha apurado saldo credor no livro fiscal, recolheu IPI, conforme DARF acostado no auto de infração, bem como declarou débito de igual montante em DCTF, da ordem de R$ 12.972,13. Informamos que esse valor foi aproveitado na presente auditoria, sendo deduzido do imposto devido no mês de dezembro de 2010. Dessa forma, restounos o lançamento, no presente auto de infração, dos valores de IPI destacados na NFe e não escriturados nos livros fiscais, lembrando que no mês de dezembro de 2010, somente foi lançada a diferença de IPI, qual seja: R$78.057,32 (apurado na planilha citada) R$ 12.972,13 (declarado e recolhido) = R$65.085,19. A conduta adotada pela Acumuladores Moura S/A foi motivo de elaboração do processo de Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizado sob o n° 13603.723.079/201326. FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI ESCRITURADO (TOTAL OU PARCIAL) Nos meses abaixo indicados, observamos que o contribuinte informou na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (extrato anexado no presente auto de infração) os débitos de IPI abaixo demonstrados, que em alguns meses são diferentes dos saldos devedores apurados no RAIPI apresentado à fiscalização. A diferença apurada foi objeto de lançamento no auto de infração, do qual este Termo é parte integrante. Em impugnação, a empresa teceu os seguintes argumentos: O entendimento da fiscalização, no lançamento ora recorrido, é de que a Lei n° 10.865/2004, ao atribuir a citada redação ao §6° do art. 5° da Lei n° 9.826/1999, Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 958 5 teria revogado a suspensão do IPI nas saídas para estabelecimento filial que opere na comercialização dos produtos das pessoas jurídicas fabricantes, como se tais estabelecimentos (que continuam sendo equiparados a industriais, na forma do 9o, III, do RIPI), necessitassem de autorização expressa. Contudo, ao pretender restringir a fruição do benefício legal da suspensão do IPI, com fundamento na Instrução Normativa SRF n° 429/2004 e na Instrução Normativa SRF n° 948/2009, o lançamento incorreu em manifesta ilegalidade. Conforme disciplina jurídica conferida pela Constituição Federal, pela Lei n° 4.502/64 e pelo Regulamento do IPI, inexiste distinção, para fins tributários, entre o "estabelecimento industrial" e o "equiparado a industrial". O IPI foi instituído pela Lei n° 4.502/64. De acordo com o seu art. 2º, constitui fato gerador do imposto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira, o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. A mesma lei equipara a estabelecimento produtor, "para todos os efeitos", as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte. (...) a equiparação de que tratam o art. 4o da Lei n° 4.502/64 e o art. 9° do RIPI sujeita o contribuinte "estabelecimento equiparado a industrial" a todos os efeitos decorrentes da sujeição passiva da obrigação tributária, nos mesmos moldes do contribuinte "estabelecimento industrial", segundo restará demonstrado a seguir. Seguindo as regras de hermenêutica, segundo as quais na Constituição e na lei não se presumem palavras inúteis, devendose compreender todas as palavras como tendo plena eficácia, temse que o termo equiparação possui o sentido de conceder igualdade, paridade de tratamento. Especificamente sobre o Setor Automotivo, o art. 5° da Lei n° 9.826/99 (com a redação anterior à Lei n° 10.865/2004) previa a aplicação da suspensão do IPI às saídas (de partes, peças etc.) promovidas pelo "estabelecimento equiparado a industrial" em geral, desde que voltados à fabricação de automóveis. A redação conferida ao dispositivo legal em referência, pela Lei n° 10.485/2002, possuía caráter meramente interpretativo, porquanto a aplicabilidade da suspensão do IPI (prevista no caput do art. 5o da Lei n° 9.826/1999) não exigiria previsão expressa nesse sentido. Com efeito, a norma introduzida pelo §6° veio apenas explicitar que a aplicabilidade da suspensão do IPI, prevista originalmente no caput do art. 5º da Lei n° 9.826/99, estendiase, de forma igualitária, aos "estabelecimentos industriais" e aos "equiparados a industriais", sem qualquer alteração no regime jurídico da matéria. Assim, a Lei n° 10.485/2002 apenas esclareceu que o "estabelecimento equiparado a industrial" é, para fins tributários, igual a um "estabelecimento industrial". Assim, o "estabelecimento equiparado a industrial" na forma do art. 51 do CTN c/c com o art. 9o, IV, do RIPI, é tomado por igual ao "estabelecimento industrial", e, como tal, submetese às mesmas regras de incidência do IPI como se industrial fosse. A igualdade de tratamento é ainda mais evidente nos casos de Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 959 6 estabelecimento filial, uma vez que este é uma extensão do próprio estabelecimento produtor, industrial. Contrariamente ao que afirma a autoridade fiscal, a Lei n° 10.865/2004, ao dar nova redação ao citado §6° do art. 5o da Lei n° 9.826/99, não revogou a possibilidade de haver suspensão do IPI nas saídas para estabelecimento filial que opere na comercialização dos produtos das pessoas jurídicas fabricantes. Na verdade, a nova legislação veio dar maior efetividade à norma que estabelece a suspensão do IPI, incluindo também, dentre os seus beneficiários, o estabelecimento que fora equiparado a industrial através da Medida Provisória n° 2.18949/2001. Em outras palavras, a Lei n° 10.865/2004 veio esclarecer que a suspensão do IPI também se aplica à "empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda" . Assim, a alteração da redação do §6° do art. 5o da Lei n° 9.826/99 não teve o objetivo de excluir, do âmbito de incidência da suspensão do IPI, todos os "estabelecimentos equiparados a industrial"; ou revogar/ limitar a aplicação das normas que estabelecem, para todos os fins, a igualdade de tratamento entre "estabelecimento industrial" e o "equiparado a industrial". No caso concreto, a técnica legislativa empregada pelo legislador foi a de utilizar o vocábulo "também", a fim de explicitar que determinada espécie de "estabelecimento equiparado a industrial", não elencada na regra geral do art. 9º do RIPI, também é beneficiária da suspensão do IPI, uma vez que esta se estende — em regra — a todos os estabelecimentos legalmente equiparados. Isso porque a suspensão do IPI aplicável aos "estabelecimentos industriais" sempre alcançou os "estabelecimentos equiparados a industrial", uma vez que decorre da própria matriz legal de incidência do referido imposto. E não é só. Analisando o alcance da suspensão do IPI para a cadeia automotiva, conforme previsto na Lei n° 9.826/99, o STJ já decidiu anteriormente que é suficiente, para fruição do benefício, que os insumos fabricados e/ou importados sejam efetivamente agregados aos produtos automotivos, sendo aplicáveis apenas as restrições previstas em lei stricto sensu. DO ERRO NO PREENCHIMENTO DO LIVRO DE REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO A MENOR DO IPI EFETIVAMENTE DEVIDO De acordo com o item 0002 do Auto de Infração e item do Termo de Verificação Fiscal, foi imputada à Contribuinte a ausência de recolhimento do IPI lançado em sua escrituração nos meses julho, agosto e setembro de 2010. A divergência foi apurada através do cotejo das informações constantes no Livro de Registro de Apuração do IPI RAIPI e na DCTF do mesmo período. Ocorre que a divergência em questão decorre de equívoco no transporte dos créditos de períodos anteriores, conforme comprova a documentação anexa (DOC. 03). Em que pese a Contribuinte ter esclarecido o erro e apresentados os livros corretos à autoridade lançadora no curso da fiscalização, tais documentos foram desconsiderados e o lançamento foi efetuado com base nas informações equivocadas. A Contribuinte, ao se aperceber do erro na apuração, corrigiu a sua escrituração e encaminhou à contabilidade para retificação, que, por lapso, não foi transmitida a tempo. No entanto, se observados os créditos e débitos efetivamente apurados pela Contribuinte, temse que o saldo a pagar indicado nos meses julho, Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 960 7 agosto e setembro de 2010 correspondem exatamente aos valores indicados na DCTF, inexistindo saldo de imposto a pagar. Nos termos do item 0003 do Auto de Infração e item II 2 do Termo de Verificação Fiscal, foi imputada à Contribuinte a ausência de recolhimento do IPI nos meses de junho e dezembro de 2010, com fundamento em divergência entre os valores escriturados a título de débito do imposto e os valores destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas de Saída. Como abordado no item anterior, a Contribuinte, ao identificar erro na apuração indicada no Livro de Apuração do IPI, corrigiu a sua escrituração e encaminhou à contabilidade para retificação, que, por lapso, não foi transmitida a tempo. No entanto, quando da apuração do saldo de IPI a pagar nos meses junho e dezembro de 2010, já foi considerado o IPI destacado nas saídas promovidas pela Contribuinte, no valor de R$ 87.845,82 e R$ 8.057,32, respectivamente. E o que se constatará a partir da análise das notas fiscais de entrada e saída do período, por cuja juntada a posteriori, em face do grande volume de documentos que representa, requer desde já a Contribuinte. Da improcedência da Multa Isolada incidência sobre a mesma base de cálculo da multa de ofício Além das exigências acima impugnadas, a Fiscalização, além de aplicar a multa de ofício de 75% sobre o imposto exigido, também exigiu multa de ofício isolada sobre o valor de IPI que supostamente deixou de ser lançado, por haver cobertura de crédito da Contribuinte. ...a penalidade em questão será exigida (i) juntamente com o imposto que deixar de ser lançado ou recolhido; ou (ii) isoladamente, nos demais casos. Da análise da planilha de fls. 14 do Termo de Verificação Fiscal, a penalidade em questão incidiu sobre o valor de R$ 100.764,57, correspondente supostamente à parcela do IPI apurado pela Fiscalização em dezembro de 2010, que não teria sido objeto da autuação, em virtude de cobertura de crédito existente. Ocorre que, conforme Planilha de Reconstituição da Escrita Fiscal, às fls. 19 do Termo de Verificação Fiscal, no mês dezembro de 2010, o IPI lançado foi de R$ 559.201,67, e não de R$ 458.437,10. Ou seja, o valor de R$ 100.764,57, supostamente não lançado pela Fiscalização, em verdade, foi objeto sim de lançamento, e foi acrescido de multa de 75%, conforme planilha às fls. 12 do Termo de Verificação Fiscal... Na própria Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da infração 0001 do Auto de Infração observase a cobrança da multa de ofício de 75% sobre a quantia de R$ 559.201,67 (e não sobre o valor de R$ 458.437,10). Ademais, conforme planilhas "Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal" e "Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal", às fls. 17 e 19 do Termo de Verificação Fiscal, no mês dezembro de 2010 inexistia cobertura de crédito no valor de R$ 100.764,57, que justificasse o lançamento da penalidade sobre esse valor. Em decorrência, considerando que, no mês dezembro de 2010, já está sendo exigida multa de ofício de 75% sobre o imposto apurado naquela competência, de R$ 559.201,67 (458.437,10 + 100.764,57), não tendo ocorrido, por conseguinte, ausência de lançamento de parcela do imposto por cobertura de crédito, é improcedente a cobrança da respectiva multa isolada. A 3ª Turma da DRJ/JFA, negou provimento à impugnação, acórdão n° 09 49.719, com decisão assim ementada: Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 961 8 IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. ESTABELECIMENTOS EQUIPARADOS A INDUSTRIAL. CADEIA AUTOMOTIVA. O direito de saída com suspensão do IPI dos produtos classificados nos códigos TIPI 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 não atinge os estabelecimentos equiparados a industrial nos termos do art. 5º, §6º da Lei nº 9.826/99 e do art.27, inciso II, da IN SRF nº 948/2009. Em recurso voluntário, a empresa reitera os fundamentos de sua impugnação. Ao alegar erro que teria o condão de afastar as infrações n° 2 e n° 3 anexou à peça recursal todas as notas fiscais de entrada e saída do ano de 2010 e planilha demonstrativa. Diante disso, por meio da Resolução n° 3301000.259, esta 1ª Turma converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem: Considerando o princípio da verdade material e o entendimento do CARF de que, quando a escrituração contábil do contribuinte, sustentada por notas fiscais, demonstram que houve um erro já retificado, entendo que, não há outra alternativa a não ser solicitar diligência à Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte para que seja informado: a) Se há divergência entre os valores escriturados e os valores destacados nas Notas Fiscais Eletrônicas de Saída no ano de 2010; b) Cientifique a autoridade fazendária para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; c) Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; d) Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. A diligência foi cumprida, nos termos do relatório de efls. 939943, cuja conclusão foi: Em manifestação sobre o resultado da diligência (efls. 934937) a empresa contesta o resultado, sustentado que a autoridade fiscal não investigou as suas alegações, apenas replicou o já explicitado no auto de infração. Fl. 961DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 962 9 É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário atende aos pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Infração n° 1 Vedação à saída com suspensão adotada por estabelecimento comercial equiparado a industrial Entendo não merecer reparos a decisão de piso, porquanto o direito de saída com suspensão do IPI dos produtos classificados nos códigos TIPI 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, onde se incluem os produtos da Recorrente, não atinge o estabelecimento equiparado a industrial, nos termos do art. 5º e §6º da Lei nº 9.826/99. Isso porque a lei prevê que o benefício fiscal é aplicável somente aos estabelecimentos industriais em sentido estrito e à exceção expressamente posta no §6º. Dispõem o art.5º e §6º da Lei nº 9.826/99, verbis: Art. 5° Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 6° O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5° do art. 17 da Medida Provisória n° 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Logo, a saída com suspensão é permitida aos estabelecimentos industriais que derem saída, no fluxo da cadeia automotiva, aos produtos cuja classificação TIPI é citada no caput do artigo e aos comerciantes atacadistas equiparados a industriais inseridos na cadeia automotiva, nos moldes do art. 17 da MP 2.18949. Entendo que se está diante de prescrições taxativas. A equiparação não se dá para todo e qualquer efeito legal, mas sim para o alcance objetivamente definido pelo legislador. Vejase interessante julgado do TRF 3ª Região, que explicita de maneira didática a vinculação da equiparação aos limites legais: 6. Se existe equiparação, para outro efeito, prevista em outro diploma legal, disto não resulta, por evidente, o direito à extensão do benefício fiscal, que foi contemplado em lei específica, que foi restritiva não apenas quanto ao objeto da Fl. 962DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 963 10 suspensão do IPI, como dos estabelecimentos equiparados a industriais para tal finalidade legal. A supressão de dispositivo, que fixa o limite da norma, para alterar o seu alcance acarreta inequívoca violação ao princípio da legalidade, em que se assenta não apenas a instituição ou majoração de tributo, como a própria exclusão ou suspensão de crédito tributário. Se a equiparação tem assento em norma de hierarquia inferior à lei, com maior razão, não caberia o acolhimento da pretensão, porque mais do que o impedimento pela falta de lei específica, o que se teria é a própria inexistência de lei para autorizar o gozo do benefício fiscal. 7. De fato, o que se pretende, com a invocação de finalidade da lei, é alterar o seu conteúdo normativo expresso. Em termos de técnica legislativa ou redação legislativa, a pretensão da apelante exigiria a inserção de um advérbio de inclusão em referência à medida provisória, algo do tipo: "O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, inclusive o de que trata o § 5º do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001". 8. Resta claro, assim, que, a título de interpretação teleológica e com base na "lógica do ordenamento", o que pleiteia a apelante é a modulação ou alteração de normas em sua abrangência (artigo 5º, §6º, da Lei 9.826/1999) e hierarquia (sobrepondo o RIPI à Lei 9.826/1999 e MP 2.18949/2001), negando vigência a normas do próprio Código Tributário Nacional (como o artigo 111), de modo a desconfigurar o ordenamento jurídico para adequálo à sua concepção das finalidades do benefício fiscal, tutelando sua própria pretensão. Longe de estimar qual foi a finalidade do legislador, que somente é relevante quando a lei não fale por si e exija, por sua lacuna, a composição de seu conteúdo e sentido por investigação que extrapole o seu alcance normativo, o que se vê é que, na realidade, a Lei 9.826/1999 direcionou a economia, no setor automobilístico, fortalecendo a indústria automobilística nacional, com indução de certas operações econômicas e, assim, por opção expressa, não elegendo os estabelecimentos equiparados a industriais como aptos à fruição da suspensão do IPI, à exceção daqueles tratados no § 5º do artigo 17 da Medida Provisória 2.189 49/2001, como resta evidente da literalidade da lei. 9. As discussões levantadas pela autora dizem respeito a aspectos que extrapolam o juízo de legalidade e de constitucionalidade, pois tratam de efeitos econômicos da política industrial adotada e, por tal razão, escapam do âmbito do que passível de controle judicial. Assim, é que se disse, por exemplo, que tal solução seria antieconômica, onerando operações da autora, que deixaria de ter mercado interno para venda de seus produtos às montadoras, que seriam obrigadas, para garantir a desoneração, a aquisição de tais bens no mercado externo através de importação direta, com custos adicionais sobre toda a cadeia produtiva. Tratase, porém, de política econômica, baseada em lei, que se presume constitucional, e que não pode ser alterada através de Fl. 963DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 964 11 interpretação judicial, para dizer que a suspensão do IPI é aplicável a outros estabelecimentos equiparados a industriais, além dos expressamente indicados pelo legislador. 10. A pretensão de que se aplique o princípio da isonomia para alterar a extensão expressa e restrita da norma de equiparação é inviável. Primeiro porque eventual violação ao princípio da isonomia, se efetivamente existente, apenas permitiria excluir a norma restritiva, mas jamais ampliála para contemplar outras situações que o legislador, expressamente, não quis e não incluiu na norma. Tal efeito da declaração de inconstitucionalidade decorre do princípio da repartição de Poderes, que reserva ao Judiciário exercer, em tal espécie de controle, apenas a função de legislador negativo, e não positivo. 11. Por outro lado, a alegação da autora no sentido de que é equiparada a estabelecimento industrial pelo artigo 9º, I, do RIPI, ainda que com fundamento no artigo 4º, I, da Lei 4.502/1964, não significa que não possa lei posterior e de natureza especial, alterar, para efeito específico, a equiparação, excluindoa para fins de suspensão do IPI sobre certos bens em determinadas posições tarifárias e, tampouco, que a lei especial seja inconstitucional, por quebra de isonomia, frente ao que existe na legislação geral. A equiparação, em sentido técnico, nada mais é do que declarar, por ficção jurídica, que coisas distintas têm tratamento idêntico por discricionariedade do legislador, a mesma que permite dizer que, para este ou aquele efeito legal, não se aplica tal ficção jurídica, como se fez na hipótese em exame, por iniciativa do legislador no exercício de sua competência. De fato, não se pode cogitar de isonomia entre destinatários da norma em situação diversa: dado que o vínculo normativo é o status de indústria, e os estabelecimentos equiparados a industriais o são por ficção jurídica (tanto que o RIPI faculta a determinados estabelecimentos a equiparação, segundo sua opção, nos termos de seu artigo 11), restam ontologicamente distintos, passíveis de trato diverso pela legislação. Quanto à equidade, também levantada no apelo, tratase de princípio integrativo do sistema, aplicável em juízo de justiça, diante da inexistência de norma aplicável, enquanto princípio geral de direito (LINDB, art. 4º), ou por disposição legal expressa, o que não é o caso dos autos. Nada obstante, é de se notar que a diferença de escopo e papel na cadeia produtiva automotiva entre a apelada e os estabelecimentos, a que se concedeu suspensão tributária, é patente, a evidenciar a razoabilidade do tratamento legal, nos termos explicitados. (Apelação n° 001205814.2012.4.03.6105, Rel. Desembargador Carlos Muta, DJ 16/06/2015) Esta 1ª Turma tem precedente no sentido de vedação à saída com suspensão de IPI por estabelecimento equiparado a industrial, acórdão n° 3301003.103, do qual se compila os trechos do voto vencedor do Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira: Fl. 964DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 965 12 A matriz legal do IPI (RIPI/2002 Decreto n° 4.544/2002), em seus artigos 8° e 9°, traz as definições de “estabelecimento industrial” e “estabelecimento equiparado a industrial”. Não há dúvidas de que são figuras distintas, do contrário, tratadas de formas distintas não seriam pelo legislador. E não cabe ao operador do direito igualálas. Carlos Maximiliano, em sua obra “Hermenêutica e Aplicação do Direito” (20° Ed. Rio de Janeiro: Forense , 2011, páginas 189), dispõe que “281 As isenções e as simples atenuações de impostos e taxas, decretadas em proveito determinados indivíduos ou corporações sofrem exegese estrita; e não se presumem, precisam ser plenamente provadas.(...).” Com efeito, o CTN (Lei n° 5.172/1966), em seu art.111, determina que seja adotada tal postura, diante de normas exonerativas. Assim, não cabe estender aos estabelecimentos equiparados a industrial o tratamento diferenciado dispensado pelo art. 5° da Lei n° 9.826/1999 aos estabelecimentos industriais. Portanto, a suspensão aplicase exclusivamente aos estabelecimentos industriais, não abrangendo os equiparados a industriais, não expressamente mencionados na Lei n° 9.826/1999. Por outro lado, não se verifica a suposta afronta ao Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneira e Comércio GATT, por ter conferido tratamento mais favorável a produtos nacionais. O caput e os §§ 1° e 2° do art. 5° da Lei n° 9.826/199 dispõem que tanto a saída de estabelecimento industrial para outro estabelecimento industrial quanto a importação por estabelecimento industrial de “componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI” gozam da suspensão do IPI. De todo o exposto, voto por negar provimento aos argumentos da Recorrente, que tinham como objetivo o de expandir o benefício da suspensão prevista no art. 5° da Lei n° 9.826/199 a saídas de “componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI” de estabelecimentos equiparados a industrial. É como voto. Diante disso, nego provimento ao recurso voluntário. Infração n° 2 e 3 Lançamento sobre os erros e omissões da escrita fiscal A Recorrente alega que as infrações apontadas pela Auditoria Fiscal ocorreram em virtude de erro administrativo e operacional, que teria causado a inserção de valores equivocados no RAIPI, com consequente alteração dos saldos finais atrelados aos meses apontados no relatório fiscal. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 966 13 Então, em seu recurso voluntário, apresentou as notas fiscais de saída para todo o ano de 2010, bem como uma planilha que comprovaria que o inicial erro de escrituração foi corrigido. Sustenta que as notas fiscais apresentadas comprovariam tais equívocos. Por essa razão, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal informasse se há divergência entre os valores escriturados e os valores destacados nas notas fiscais eletrônicas de saída do ano de 2010. Entretanto, o relatório da diligência afastou as alegações da Recorrente. Ao passo que esta sustenta que a fiscalização apenas analisou as notas fiscais, mas que o fundamental era analisar a memória de cálculo (PLANILHA) elaborada pela empresa. Na planilha a que se refere a Recorrente, consta a relação das notas fiscais de entrada (CFOP 2152) e de saída (demais CFOP diferentes do 2152). Na informação fiscal está posto: Discordo da conclusão da Recorrente de que suas alegações não foram analisadas na diligência. Restou claro que todas as notas de entrada e saída apresentadas foram consideradas em cotejo com o RAIPI, contudo a conclusão da autoridade fiscal foi diversa da Recorrente. Assim, entendo que não houve prova que descontinua as infrações imputadas ao contribuinte. Duplicidade – multa isolada e multa de ofício Neste tópico, a Recorrente aduz que há duplicidade na aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício: Além das exigências acima impugnadas, a Fiscalização, além de aplicar a multa de ofício de 75% sobre o imposto exigido, também exigiu multa de ofício isolada sobre o valor de IPI que supostamente deixou de ser lançado, por haver cobertura de crédito da Contribuinte. Portanto, a penalidade em questão será exigida (i) juntamente com o imposto que deixar de ser lançado ou recolhido; ou (ii) isoladamente, nos demais casos. Da análise da planilha de fls. 14 do Termo de Verificação Fiscal, a penalidade em questão incidiu sobre o valor de R$ 100.764,57, correspondente supostamente à parcela do IPI apurado pela Fiscalização em dezembro de 2010, que não teria Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 967 14 sido objeto da autuação, em virtude de cobertura de crédito existente... Ocorre que, conforme Planilha de Reconstituição da Escrita Fiscal, às fls. 19 do Termo de Verificação Fiscal, no mês dezembro de 2010, o IPI lançado foi de R$ 559.201,67, e não de R$ 458.437,10. Ou seja, o valor de R$ 100.764,57, supostamente não lançado pela Fiscalização, em verdade, foi objeto sim de lançamento, e foi acrescido de multa de 75%, conforme planilha às fls. 12 do Termo de Verificação Fiscal... Na própria Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da infração 0001 do Auto de Infração observase a cobrança da multa de ofício de 75% sobre a quantia de R$ 559.201,67 (e não sobre o valor de R$ 458.437,10). Ademais, conforme planilhas "Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal" e "Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal", às fls. 17 e 19 do Termo de Verificação Fiscal, no mês dezembro de 2010 inexistia cobertura de crédito no valor de R$ 100.764,57, que justificasse o lançamento da penalidade sobre esse valor. Em decorrência, considerando que, no mês dezembro de 2010, já está sendo exigida multa de ofício de 75% sobre o imposto apurado naquela competência, de R$ 559.201,67 (458.437,10 + 100.764,57), não tendo ocorrido, por conseguinte, ausência de lançamento de parcela do imposto por cobertura de crédito, é improcedente a cobrança da respectiva multa isolada. Nos termos do art. 57, § 3º, do RICARF, com redação da Portaria n° 329, de 2017, proponho a adoção dos termos da decisão recorrida, por com eles concordar integralmente: Como bem disse a contribuinte, a multa do IPI com cobertura é lançada sobre o valor do imposto que, malgrado devido, foi absorvido no todo ou em parte por créditos legitimados pela autoridade fiscal. O sistema de emissão de autos de infração – SAFIRA está programado para tomar em conta as peculiaridades do IPI e separar a penalidade lançada sobre o imposto não coberto por créditos daquela vinculada ao imposto coberto pelos chamados créditos escriturais. Não foi diferente com o presente lançamento. Atente a contribuinte para o fato de que a reconstituição da escrita fiscal tem por objetivo apurar saldos devedores e não valores a pagar, sendo que estes últimos serão conhecidos após o abatimento de valores pagos, de valores não pagos, mas lançados na DCTF e de valores parcelados. Assim sendo, temse que o montante de R$ 559.201,67 aposto na planilha de reconstituição de escrita foi tomado por saldo devedor do mês de dezembro, e não como valor a ser exigido do sujeito passivo. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 13603.723078/201381 Acórdão n.º 3301004.843 S3C3T1 Fl. 968 15 Para comprovar tal assertiva, consideremos o valor de dezembro lançado no quadro VALORES A COBRAR do auto de infração. No referido mês o montante de R$ 559.201,67 está dividido em duas rubricas: uma, no valor de R$ 458.437,10, que traduz o valor do IPI sem cobertura a ser cobrado; outra, no valor de R$ 100.764,57, base de cálculo da multa questionada, sem cogitação para cobrança de imposto justamente pela presença de cobertura de crédito escritural. Quer dizer, não há cobrança dobrada de multa, como quer a contribuinte: são duas bases de cálculo distintas, usadas com finalidades distintas. De se esclarecer também que a multa sobre o IPI não lançado com cobertura é lançada acumuladamente como resultado de valores parciais atrelados aos vários períodos de apuração. Ou seja, os R$ 100.764,57 traduzem o montante de IPI inadimplido ao longo do período fiscalizado cuja cobrança não se efetivou por extinção do crédito tributário via compensação escritural. Resumindo: em dezembro de 2010 houve lançamento do IPI no montante de R$ 458.437,10 e, ao mesmo tempo, lançamento de duas multas: a primeira vinculada ao imposto cobrado e a segunda atinente ao imposto não cobrado como decorrência da presença de créditos escriturais compensatórios. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 968DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.000795/2003-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 3301-004.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 07 95 /2 00 3- 10 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13706.000795/200310 Acórdão n.º 3301004.853 S3C3T1 Fl. 660 2 Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.631635: Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito creditório, no valor de R$ 9.574.087,15, oriundo de recolhimento do Finsocial, relativo aos períodos de setembro de 1989 a outubro de 1991, para fins de restituição e/ou compensação com a COFINS. Através do Despacho Decisório de fl. 466/470, a autoridade fiscal deferiu parcialmente o pedido, reconhecendo o direito creditório no valor total de R$ 273.409,89, atualizado monetariamente em 31 de dezembro de 1995, homologando as compensações pleiteadas, até o limite do referido crédito, conforme decisão transitada em julgado nos autos da Ação Ordinária n° 96.00191760. Cientificada da decisão em 13/03/2008 (fl. 481), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 14/04/2008 (fl. 503/511), alegando, em síntese que: 1. Em 17 de outubro de 1996, a requerente propôs Ação Ordinária com vistas à obtenção de decisão que declarasse a inexistência de relação jurídica a autorizar a cobrança de valores a título de Finsocial, isso em face da inconstitucionalidade das leis que o instituíram, bem como o direito de compensar o indébito com parcelas vincendas da Cofins; 2. Em face da sentença amplamente favorável aos interesses da pessoa jurídica, a União interpôs Apelação Cível n° 98.02.50182/R.1 que terminou por ser parcialmente desprovida por acórdão prolatado pela Primeira Turma do TRF da 2a Região na data de 19 de outubro de 1999; 3. Tendo dito acórdão sido obscuro com relação ao termo inicial do prazo prescricional para a compensação de indébitos, a interessada opôs Embargos de Declaração cujo provimento foi negado por decisão que terminou por declarar que o referido dies a quo seria 17/10/1996, data da propositura da ação; 4. Vale dizer, segundo a decisão ao final proferida pela Primeira Turma do TRF 2a Região, a decadência do direito de compensar o indébito de Finsocial somente ocorre decorridos cinco anos desde a ocorrência do fato gerador, acrescido de outros cinco anos contados do termo final do prazo deferido ao Fisco para apuração do tributo devido, a chamada tese dos "cinco mais cinco"; 5. Entretanto, ainda que assim não fosse, o fato é que ao tempo em que prolatada a decisão, vigia pacífico entendimento jurisprudencial acerca da tese dos "cinco mais cinco", entendimento esse que somente veio a ser alterado pela edição da Lei Complementar n° 118/2005; 6. Como é sabido, o Superior Tribunal de Justiça, por sua Primeira Seção, consagrou o entendimento de que o direito de pleitear a restituição — ou compensação — dos tributos lançados por homologação, assim entendidos como aqueles, tais como o Finsocial, em que o próprio contribuinte calcula e recolhe os valores que entende devidos, extinguese 5(cinco) anos após a chamada homologação, seja expressa, seja tácita, por parte da Pública; 7. De acordo com o artigo 150, § 40 do CTN, a Fazenda Pública também dispõe do mesmo prazo de 5(cinco) anos para homologar expressamente os lançamentos efetuados pelos contribuintes. Dessa forma, à falta de tal homologação expressa, tal como ocorreu no caso, a decadência do direito de compensar somente Fl. 664DF CARF MF Processo nº 13706.000795/200310 Acórdão n.º 3301004.853 S3C3T1 Fl. 661 3 ocorreria após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de outros cinco anos contados do termo final do prazo deferido ao Fisco para a homologação do tributo devido; 8. O artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005, nas palavras do tributarista Ricardo Lobo Torres, estabeleceu "orientação contrária à da jurisprudência vitoriosa" e até mesmo revogou o comando contido no artigo 150, § 40 do CTN, pois alterou entendimento consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça em acórdãos tais como prolatados pela Primeira Seção daquela Corte, e simplesmente reformou a regra do dito art. 150, § 40, modificando a causa extintiva do crédito tributário, da homologação para o pagamento do tributo; 9. Frisese que quando da prolação do acórdão da 1° Turma do TRF 2' Região vigia o entendimento de que o prazo prescricional para pedidos de repetição de indébito se inicia após 5(cinco) anos do término do prazo decadencial de homologação do crédito pela Receita Federal que, por sua vez, também é de 5(cinco) anos contados do pagamento indevido do tributo, ou seja, a chamada tese dos "cinco mais cinco"; 10. Contudo, mesmo que tais conclusões não aproveitassem à Autora, o fato é que o direito de a Fazenda constituir créditos tributários já havia decaído quando da prolação das decisões no curso dos presentes autos, pois de a Fazenda Pública dispõe de 5(cinco) anos para homologar as compensações efetuadas pelos contribuintes conforme dispõe o artigo 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96, é indiscutível que restaram tacitamente homologados as DCTF/DCOMP relacionadas às fls.508; 11. Restando demonstrado que o Acórdão proferido pela Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 2 Região adotou o entendimento jurisprudencial consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o prazo prescricional de 5(cinco) anos para a propositura de ações de repetição de indébito somente se inicia após o decurso dos 5(cinco) anos de que dispõe a Receita Federal para homologar tacitamente o lançamento por homologação realizado pelo contribuinte, fazse necessária a reforma do Despacho Decisório, e a conseqüente extinção dos créditos tributários por ele exigidos. Junto com a manifestação de inconformidade, a contribuinte carreou aos autos Procuração, documentos de identidade e Instrumento Particular da 29° Alteração e Consolidação do Contrato Social. Em 11 de setembro de 2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 COMPENSAÇÃO JUDICIAL A compensação de crédito reconhecido judicialmente deve obedecer aos limites fixados na decisão transitada em julgado. Solicitação Indeferida Fl. 665DF CARF MF Processo nº 13706.000795/200310 Acórdão n.º 3301004.853 S3C3T1 Fl. 662 4 Intimada de decisão em 09.04.2009 (fls.644), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.05.2009 (fls.645655) reproduzindo, em síntese, os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Renúncia à esfera administrativa Conforme exposto anteriormente, a discussão tratada no presente processo cingese acerca do prazo de cinco ou dez anos para pleitear o ressarcimento/restituição do indébito tributário. A unidade de origem restringiu o direito da Recorrente, sob o fundamento de que o direito creditório reconhecido judicialmente deve obedecer aos limites fixados na sentença judicial transitada em julgada. Para a fiscalização, nos autos nº 96.00191760, o judiciário restringiu a cinco anos o direito à repetição do indébito, como extraise da decisão combatida: Posteriormente, o Tribunal Regional Federal da 2a Região, conforme Acórdão proferido em 19 de outubro de 1999 — fls.39 e 530, deu parcial provimento ao recurso nos seguintes termos: "TRIBUTÁRIO — COMPENSAÇÃO — PROCEDIMENTO FISCAL — LEI N°9.032/95. I — Mantida restou a relação obrigacional de verter o FINSOCIAL inobstante o afastamento do art. 9° da Lei 7.689/88, a relação obrigacional de pagar o gravame social questionado nos autos permanece, ainda que disciplinada por outros diplomas legais, no caso o Decretolei 1.940/82 e a posterior Lei Complementar 070/91. II — Á Lei 9.032/95 disciplina o procedimento fiscal da compensação. O que sob o enfoque constitucional tornase necessário, assegurando à parte e ao Fisco o já denominado "devido processo tributário". III — Prescrição — devem ser afastadas as parcelas abrangidas pelo lapso de cinco anos." A pessoa jurídica apresentou Embargos de Declaração, para definição do prazo prescricional, sendo o mesmo indeferido nos seguintes termos(fls.36): "PROCESSO CIVIL — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — PRAZO PRESCRICIONAL A teor do art. 219, § 10, do Código de Processo Civil, a prescrição contase a partir do ajuizamento da ação." O referido Acórdão teve o trânsito em julgado em 05/10/2000, visto a pesquisa no site do TRF da 2a Região, acostada aos autos pelo próprio interessado às fls.31 e por este relator às fls.529. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 13706.000795/200310 Acórdão n.º 3301004.853 S3C3T1 Fl. 663 5 Com efeito, a decisão administrativa não pode extrapolar o que foi decido na esfera judicial , visto que a Administração Pública está sujeita ao modelo de jurisdição una, adotado em nosso sistema jurídico. Conseqüentemente, submetida uma determinada questão ao Poder Judiciário, devem as autoridades administrativas aguardar a decisão final a ser proferida naquela esfera, submetendose a ela. Desta forma, a análise de qualquer questionamento acerca do direito creditório pleiteado, inclusive relativo ao prazo prescricional do pedido de restituição, encontrase prejudicada, tendo em vista o Acórdão do TRF da 2a Região, com trânsito em julgado, que é categórico ao estabelecer que: "Prescrição — devem ser afastadas as parcelas abrangidas pelo lapso de cinco anos.", sendo que a referida prescrição contase a partir do ajuizamento da ação conforme decidido nos Embargos de Declaração anteriormente citados. Logo, como o ajuizamento da Ação Ordinária ocorreu em 23 de outubro de 1996 (fls.431), a apuração do crédito do Finsocial só poderia ser ocorrer a partir dos pagamentos efetuados após 23 de outubro de 1991, conforme procedeu corretamente o Despacho Decisório da DERAT/RJ e o Parecer EQMACO/SRRF/7a RF ora contestado. É de se notar que, a matéria atinente ao prazo decadencial para pleitear a restituição do indébito foi levada pelo contribuinte à apreciação pelo Poder Judiciário, ocorrendo, ao meu sentir, renúncia de sua discussão no âmbito administrativo, conforme disposto no art. 1º, §2º, do Decretolei nº 1.737/1979 e no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980. Em face dessa opção, o tratamento a ser dispensado ao presente processo no âmbito administrativo quanto ao mérito da questão é o previsto no Parecer Normativo (PN) Cosit n.º 07, de 22/08/2014, o qual conclui que, in verbis: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; Fl. 667DF CARF MF Processo nº 13706.000795/200310 Acórdão n.º 3301004.853 S3C3T1 Fl. 664 6 e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i)é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto n° 70.235, l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1. de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB n° 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit n° 3. de 14 de fevereiro de 1996.(grifei) (destaquei) Este é, inclusive, o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo Fl. 668DF CARF MF Processo nº 13706.000795/200310 Acórdão n.º 3301004.853 S3C3T1 Fl. 665 7 cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No presente caso, considerando que a questão sobre o prazo decadencial foi objeto de análise pelo judiciário, constatase que houve renúncia a esfera administrativa, não se conhecendo, assim, dos argumentos explicitados pela Recorrente, a teor da previsão contida na referida súmula. II.2 Decadência do direito de constituição dos créditos exigidos pela RFB A Recorrente afirma que é induvidosa a decadência do direito de Receita Federal constituir os créditos tributários objeto dos pedidos de compensação por ela realizados. Contudo, neste processo não houve por parte da fiscalização constituição de crédito tributário, ocorrendo, tão somente o deferimento parcial do pedido de ressarcimento e de compensação apresentados pela Recorrente. Neste esteira, entendo ser matéria estranha ao presente, devendo, não ser conhecido os argumentos suscitados pela Recorrente. III Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Fl. 669DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.900682/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE.
Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras.
Numero da decisão: 1201-002.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS AUFERIDOS NAS APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO. IMUNIDADE RECÍPROCA. EXTENSÃO ÀS AUTARQUIAS. POSSIBILIDADE. Basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 06 82 /2 01 1- 51 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10630.900682/201151 Acórdão n.º 1201002.406 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP que julgou improcedente a manifestação de inconformidade para indeferir o pedido de restituição. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido a título de imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos sobre aplicação em fundos de investimento. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a restituição foi indeferida em face de que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente tendo como principal fundamento: "apenas mediante a condução de robusto conjunto probatório tendente à demonstração ampla e transparente do cumprimento dos preceitos estipulados nos §§2º e 3º do art. 150 da nossa Carta Política se revelaria verossímil corroborar com a incidência, de plano, da imunidade recíproca em favor da entidade autárquica, o que não é o caso dos presentes autos." Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: o recorrente mesmo sendo uma autarquia municipal instituto de previdência dos servidores públicos municipais de Águas Formosas (Lei nº 1.204/2007), tendo feito aplicações em fundos de investimento através da conta de investimentos nº 9.000x, mantida no Banco do Brasil, suportou descontos em virtude de retenções a título de imposto de renda no biênio 2003/2004; o entendimento que resultou na decisão de improcedência da manifestação de inconformidade apresentando como esteio a sustentação de ausência dos diplomas legais alusivos à criação do INPREMAF, contemplando a pormenorização de seus objetivos e finalidades, não deve permanecer carecendo ser reformada a aludida decisão; com efeito, a respeitável decisão está estribada na necessidade de comprovação da existência de lei municipal, hipótese em que deverá ser aplicado, supletivamente, os preceitos expressos no CPC, onde o artigo 337, dispondo sobre as normas gerais das provas, preceitua que o teor e a vigência de norma municipal será exigida como prova quando o julgador assim o determinar; temse ainda que no artigo 399 do mesmo diploma legal, está consignado que o julgador "requisitará às repartições públicas em qualquer tempo ou grau de jurisdição as certidões necessárias à prova das alegações das partes"; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10630.900682/201151 Acórdão n.º 1201002.406 S1C2T1 Fl. 4 3 ademais, nos dados inseridos no CNPJ, consta que a recorrente tem como atividade econômica principal a arrecadação proveniente da "seguridade social obrigatória"; destarte, no que pertine ao entendimento da necessidade da comprovação de tais diplomas legais, deveria ter sido solicitado ao recorrente, à Câmara Municipal ou ao Executivo Municipal, antes do julgamento final, os diplomas legais ausentes nos autos e entendidos como imprescindíveis para o deferimento da pretensão do recorrente. Portanto, a apresentação dos documentos ora acostados não é intempestiva; de outro lado, não deverá ser mantido o entendimento quanto à necessidade de comprovação da existência de elementos comprobatórios no sentido de que os recursos financeiros aplicados no fundo de investimento "vinculamse efetivamente as atividades ou serviços de prestação obrigatória e exclusiva do Estado"; não é prudente indeferir o pedido da restituição das retenções efetivadas ao arrepio da Constituição Federal exigindo prova da inexistência do desvio de finalidade na atuação do recorrente, quando esta, como bem salientou a relatora Maria Lucia Aguilera, compete à fiscalização tributária, conforme legislação vigente. com o fito de sanar a prova documental entendida como necessária, anexa aos autos cópia da legislação pertinente à Recorrente e dos balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.399, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10630.900675/2011 59, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.399): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. O crédito pleiteado pela Contribuinte se refere às retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras em virtude de ser uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10630.900682/201151 Acórdão n.º 1201002.406 S1C2T1 Fl. 5 4 A declaração de voto da ilustre julgadora Maria Lucia Aguilera na decisão de primeira instância, a meu ver, irretocável, cujos trechos trago a colação, contém todos os elementos necessários para se proferir a decisão: (...) A imunidade recíproca tem previsão no art.150, VI, “a”, §§2ºe 3º da Constituição Federal – CF, verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; (...) § 2º A vedação do inciso VI, “a”, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel (...) Quanto às pessoas alcançadas pela imunidade recíproca, a própria Constituição Federal – CF expressamente consignou a proteção ao entes que compõem a Federação – União, Estados, Distrito Federal e Municípios, os quais gozam de autonomia uns em relação aos outros, nos termos dos arts. 1ºe 18 da CF. Aos entes políticos, formadores da Federação, a Constituição Federal – CF atribuiu patrimônio e competências executivas, que não podem ser afetados pela tributação. Assim, o patrimônio, os serviços prestados e a renda auferida pelos entes da Federação estão protegidos pela imunidade recíproca. Além dos entes da Federação, a imunidade recíproca alcança as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público (art. 150, §2º da CF). A definição de autarquia se encontra no art. 5º, inciso I, DecretoLei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, in verbis: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10630.900682/201151 Acórdão n.º 1201002.406 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. (...) A característica mais marcante, que determina a natureza jurídica autárquica, é a atividade ser típica da Administração Pública e exercida pela entidade, por atribuição legal. Nos termos do art. 6º da Constituição Federal – CF, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 64, de 2010, a previdência social se inclui entre os direitos sociais. (...) No presente caso, invoca a defesa ser a requerente uma autarquia criada por Lei editada pelo Município de Águas Formosas/MG, para instituir Regime Próprio de Previdência Social, de acordo com os preceitos do art. 40 da CF: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). Para a implementação deste regime de previdência próprio do funcionalismo público, a competência exclusiva da União, para a instituição da contribuição previdenciária, no caso dos servidores públicos, foi transferida aos Estados, Distrito Federal e Municípios, instituidores do regime previdenciário em favor de seus servidores. É o que dispõe, verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10630.900682/201151 Acórdão n.º 1201002.406 S1C2T1 Fl. 7 6 o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003). De fato, a regulamentação da instituição e funcionamento dos regimes próprios veio a ocorrer somente após dez anos da sua promulgação, com a edição da Lei Federal nº 9.717/98 de 28 de novembro de 1998, seguida da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, e da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. (...) Por sua vez, art. 40, caput, da CF, assegurou aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, um regime de previdência próprio, de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas. Assim, foi criada a possibilidade de o ente público deixar de verter as contribuições previdenciárias ao RGPS e adotar sistema próprio de previdência social para os seus servidores, que em decorrência do chamado pacto federativo, representado pela autonomia política e administrativa de cada ente federativo, a eles foi facultado legislar concorrentemente sobre a organização e funcionamento, princípio aplicado também sobre os seus sistemas de previdência, desde que obedecidos os limites constitucionais e regras gerais. (...) E nos termos do art. 5º da Lei nº 9.717, de 1998, os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal não poderão conceder benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social, de que trata a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, salvo disposição em contrário da Constituição Federal. Diante desse quadro jurídico, em se tratando de autarquia, instituída por Lei Municipal, para gerir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, de filiação compulsória, em substituição ao regime geral de previdência social, e por isso de caráter público, e não privado, a imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, §§2º e 3º da CF, deve se estender aos seus rendimentos de aplicações financeiras, vinculados a suas finalidades essenciais. (...) Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10630.900682/201151 Acórdão n.º 1201002.406 S1C2T1 Fl. 8 7 Comprovado o status de autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, não há que se falar também em exploração de atividade econômica, porque se trata de entidade dedicada a regime público de previdência, conforme acima já explicado. Com relação à impossibilidade de contraprestação pelo usuário, registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 40 da CF, as fontes de “receita” da autarquia são as contribuições do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, vinculadas ao custeio, em benefício destes, do regime previdenciário próprio, o que configura “contribuição”, mas não “contraprestação” do usuário. Apesar de tudo, cumpre aquiescer com o Relator que, no caso dos presentes autos, não é possível deferir os pedidos de restituição, porque o Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas/MG – INPREMAF não trouxe aos autos a legislação municipal (leis, decretos e outros instrumentos) comprobatória de que a Requerente é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998. Cumpre deixar claro a divergência em relação ao voto proferido pelo Exmo. Relator, no que diz respeito à extensão da prova requerida, para o deferimento do pedidos de restituição. Para esta Relatora, basta a comprovação, mediante prova normativa, de que a entidade é autarquia municipal criada, para instituir regime de previdência próprio dos servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998, para que sejam restituídas as retenções de fonte efetuadas sobre as aplicações financeiras. A prova aqui requerida é de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. No âmbito do presente processo, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Para comprovar que se trata de uma autarquia municipal criada para instituir regime de previdência próprio dos Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10630.900682/201151 Acórdão n.º 1201002.406 S1C2T1 Fl. 9 8 servidores públicos municipais, nos termos do art. 40 da CF e da Lei nº 9.717, de 1998 a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, a cópia dos atos normativos abaixo relacionados: 1) Lei nº 1.095/2002 dispõe sobre a criação do Regime próprio Previdenciário dos Servidores Públicos do Município de Águas Formosas, cria o instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF, e regulamenta o Fundo Municipal d Previdência dos Servidores Públicos de Águas Formosas PREVAF, e dá outras providências (doc. de fls. 67/100) e Certidão de Publicação expedida pela Prefeitura Municipal de Águas Formosas (doc. de fls. 101); 2) Lei Complementar nº 1.204, de 23 de abril de 2007 dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005 (doc. de fls. 102/147); 3) Lei nº 1.239, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 148/149); 4) Lei nº 1.240, de 14 de fevereiro de 2008 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005." (doc. de fls. 150/151); 5) Lei nº 1.418, de 27 de maio de 2013 altera dispositivos da Lei nº 1.204, de 23 de abril de 2007 que "Dispõe sobre a reestruturação do Plano de Benefícios do Instituto de Previdência do Município de Águas Formosas INPREMAF e dá outras providências correlatas, visando a adequação às emendas constitucionais 41/2003 e 47/2005", alterada pela Lei nº 1.240/2008. (doc. de fls. 152/153). Também anexou os balancetes resumidos das receitas relativas aos exercícios financeiros de 2003/2004 (doc. de fls. 65/66). Assim, entendo, na esteira da declaração de voto proferido pela eminente relatora, que a recorrente apresentou prova normativa de que a Lei Municipal e os atos normativos dela decorrentes, que instituíram e regulamentaram o regime próprio de previdência social dos servidores públicos municipais, observaram os requisitos constitucionais e os previstos na Lei nº 9.717, de 1998. Ademais, descabe imputar à entidade o ônus da prova de regularidade de atuação ou de observância das normas Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10630.900682/201151 Acórdão n.º 1201002.406 S1C2T1 Fl. 10 9 instituidoras do referido regime previdenciário, mediante a apresentação da competente escrituração. O ônus da prova de qualquer desvio de finalidade compete à fiscalização tributária, mediante os procedimentos de suspensão da imunidade, previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, a recorrente faz jus a imunidade recíproca e teria direito a restituição das retenções de fonte efetuadas sobre as suas aplicações financeiras. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de deferir o pedido de restituição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.720137/2017-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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NÃO CUMULATIVO. Recorrente TRANSPORTADORA PLIMOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança da Contribuição destinada ao Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .7 20 13 7/ 20 17 -1 9 Fl. 4251DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.252 2 Social COFINS não cumulativas relativas ao período de abril/2012 a dezembro/2015 em razão da glosa de créditos de bens e serviços enquadrados como insumos pela empresa considerados indevidos pela fiscalização. A fiscalização se respaldou no conceito de insumo veiculado nas Instruções Normativas n.º 247/2002 e 404/2004, identificando todas as parcelas glosadas no Relatório Fiscal anexo ao Auto de Infração, nos seguintes termos: "Na verificação da regularidade das contribuições do PIS e da Cofins constatouse descontos de créditos calculados sobre bens e serviços que não foram consumidos diretamente na prestação dos serviços, e também não estão entre os gastos relacionados nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 que admitem descontar créditos das contribuições devidas. Dentre esses gastos, que não se enquadram no conceito de insumo por não serem aplicados ou consumidos diretamente na prestação do serviço e não estarem elencados entre os que permitem descontar créditos, nos termos das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, citese os seguintes: a) Indenizações de Mercadorias; b) Serviços de vigilância e Portaria; c) Honorários de assessoria em contabilidade, de planejamento, de relacionamento e recursos humanos e honorários de advocatícios; d) Mão de obra de Terceiros aplicada no setor administrativo; e) Mão de obra e materiais aplicados em comunicação de dados; f) Despesas com telefone; g) Mão de obra e materiais aplicados na conservação de imóveis, conservação e manutenção de prédios, conservação de equipamentos de informática; h) Transporte de Funcionários; i) Viagens e estadias de auditores, assessores e pessoal administrativo e comercial da empresa; j) Anúncios e propagandas; k) Serviços de lavagem; l) Imobilizado e aluguel de equipamentos de informática; m) Despesas com treinamento de pessoal; n) Despesas com alimentação do Trabalhador; o) Despesas com café, gás P13 e açúcar; p) Despesas c/Km Rodado; q) Seguro de veículos, seguro de vida, seguro de imóveis e seguro de cargas; r) Água mineral; s) Águas e saneamento; t) Material de expediente (Folhas A4, impressos personalizados, envelopes, cartões de visitas, formulários, canetas, calendários personalizados, revistas, etc.); u) Material de uniforme (calças, camisas, camisetas, jaquetas, sapatos, bonés, etc.); v) Material de higiene e limpeza (Papel higiênico, sabão, sabonete, desinfetante, água sanitária, pano de limpeza, papel toalha, Vassoura, etc.); w) Outros materiais e serviços que não foram aplicados diretamente na prestação de serviços e não estão entre os gastos com direito a crédito (anexo I e II)." (efl. 37) Além disso, foi aplicada multa de ofício majorada na forma do art. 44, I e §2º da Lei n.º 9.430/96, vez que o contribuinte deixou de apresentar informações no curso da fiscalização: "O sujeito passivo embora intimado e reintimado e ainda tendo os prazos de apresentação de documentos e informações ampliados (Docs. 03, 09 e 16), deixou de apresentar os arquivos magnéticos no formato definido no anexo único do Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15/2001, com as alterações posteriores, ou planilha excel, com as informações das notas fiscais de entrada cujos valores integraram a base de cálculo do crédito do PIS e da Cofins, contemplando, no mínimo, as seguintes informações: a) Número do documento fiscal; b) Data da emissão c) Data da entrada no estabelecimento; d) CST do PIS e da Cofins; e) CNPJ do fornecedor; f) Nome do fornecedor; g) Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) do produto; h) Código da mercadoria/Serviço; i) Descrição da mercadoria/Serviço; j) Aplicação, uso ou consumo; k) Base de cálculo do PIS e da Cofins; l) Valor do crédito tomado do PIS; m) Valor do crédito tomado da Cofins, constituindo infração a legislação tributária ocasionando a majoração da multa de ofício em 50,00% passando de 75,00% para Fl. 4252DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.253 3 112,50%, sobre as contribuições lançadas, nos termos do artigo 44, inciso I e § 2º da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo artigo 14º da Lei nº 11.488, de 15/06/2007." (efl. 49) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo Acórdão 0274.271 da 1ª Turma da DRJ/BHE, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2015 COFINS. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da Cofins, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica mas, tão somente, aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade societária, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos diretamente na fabricação do produto ou no serviço prestado. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2015 PIS. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da Cofins, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica mas, tão somente, aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade societária, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos diretamente na fabricação do produto ou no serviço prestado. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 31/12/2015 PERÍCIA. IMPRESCINDIBILIDADE. Considerase incabível a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à solução do litígio administrativo, ou quando vise transferir a terceiro a decisão de competência da autoridade julgadora. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. À autoridade julgadora administrativa não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia de preceitos normativos considerados pelo sujeito passivo, mesmo que indiretamente, inconstitucionais e/ou ilegais. FALTA DE CONEXÃO ENTRE O PEDIDO AVIADO NA IMPUGNAÇÃO E A MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO COMBATIDO. Deixase de analisar no julgamento, por falta de objeto, pedidos aviados pela defesa que não guardam qualquer conexão com os fundamentos e a motivação do auto de infração impugnado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efls. 4.148/4.149) Intimado desta decisão em 21/08/2017 (efl. 4.182), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 19/09/2017 (efls. 4.183/4.241) alegando em síntese: Fl. 4253DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.254 4 (i) nulidade do Auto de Infração por ofensa ao contraditório e ampla defesa, vez que "o auto de infração não discrimina as rubricas especificamente os valores mensais que supostamente teriam sido apropriados indevidamente." (efl. 4.193). Requer ainda perícia técnica para identificar quais os reflexos para outros tributos no não reconhecimento do crédito, identificando se houve pagamento a maior de imposto de renda pela empresa para ser abatido do valor a pagar no Auto de Infração; (ii) no mérito: (ii.1) desenvolve quanto à necessidade de se excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS por não corresponder ao conceito de receita bruta ou faturamento; (ii.2) a necessidade de se reconhecer o conceito de insumo como de todas as despesas essenciais a prestação de serviço, trazendo considerações específicas quanto algumas rubricas, quais sejam: a) seguro de veículos, vida, imóveis e cargas, que seria uma exigência legal (alínea "h" e "m" do artigo 20 do Decreto Lei n° 73/66 e Capítulo VI do Decreto Nº 61.867/1967). Indica ainda que a indenização de seguros não pode ser admitido como base de cálculo do PIS e da COFINS; b) segurança de vigilância e portaria, por ser necessária para o serviço de transporte de carga; c) terceirização de mão de obra no setor administrativo corresponderia ao serviço de carga e descarga; d) mão de obra e materiais aplicados em comunicações de dados, despesas com telefone e imobilizado e aluguel de equipamentos de informática, por serem essenciais a prestação de serviço de transporte; (iii) a ofensa ao princípio do não confisco e do direito de propriedade, vez que os encargos de mora e juros são superiores a 100%. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Como visto, o presente Auto de Infração de PIS e COFINS foi lavrado pela fiscalização considerando um conceito mais restritivo de insumos previsto nas Instruções Normativas n.º 237/2002 e 404/2004. Diante disso, a fiscalização justificou genericamente grande parte das glosas autuadas, com fulcro apenas na ausência de fundamento legal para tanto. Com efeito, as contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que instituiu o PIS não cumulativo vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º Fl. 4254DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.255 5 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa vigência a partir de 01/02/2004). No art. 3º das referidas leis o legislador identificou a forma como seria operacionalizada a não cumulatividade dessas contribuições, identificando os créditos suscetíveis de serem deduzidos do valor do tributo apurado na forma do art. 2º. Esses créditos são calculados pela aplicação da alíquota do tributo sobre determinadas despesas, dentre as quais os "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes" (inciso II), ora sob análise. Este Conselho Administrativo, de forma majoritária e à luz de uma interpretação histórica e teleológica dos referidos diplomas legais, tem adotado a interpretação do conceito de insumos considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa1 ou para a prestação de serviço, em uma aproximação intermediária2 que não é tão ampla como da legislação do Imposto de Renda, nem tão restritiva como aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e adotada pelo I. Fiscal no caso em tela. Cumpre mencionar que uma corrente de interpretação intermediária do aproveitamento do crédito, admitindo que a legislação identificou apenas um rol exemplificativo de créditos de insumos, foi adotada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento em curso na sistemática dos recursos repetitivos do Recurso Especial nº 1.221.170, entendendo que o "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte" (grifei). Referido julgado foi ementado nos seguintes termos: 1 Como bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." (grifei) 2 A título de exemplo, vejamse manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendendo pela corrente intermediária que prevalecia neste Conselho antes do julgamento do processo pelo Superior Tribunal de Justiça, exigindo a necessidade de relação com a atividade desenvolvida pela empresa e a relação com as receitas tributadas: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. FRETES EM COMPRAS DE INSUMOS. Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos." (Número do Processo 10983.721444/201181 Data da Sessão 12/12/2017 Relator Andrada Márcio Canuto Natal Nº Acórdão 9303006.108 grifei) Fl. 4255DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.256 6 "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (STJ, REsp 1221170/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018 grifei) Sem prejuízo da possível extensão do conceito de insumo até então adotado por este Conselho após o trânsito em julgado do referido julgado em sede de recurso repetitivo3, observase que o presente processo não se encontra devidamente instruído face a inicial restrição de entendimento nele trazida, sendo necessária a diligência para uma melhor compreensão da atividade desenvolvida pela empresa e de documentos que comprovem a forma de utilização das despesas glosadas na prestação de serviço. Primeiramente, observase que não está clara qual a extensão da atividade desempenhada pela pessoa jurídica. Isso porque, como se depreende da 53ª consolidação do contrato social da pessoa jurídica às efls. 3.610/3.625, de setembro de 2016, além da prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas, indicado pela fiscalização no relatório fiscal, a empresa igualmente se dedicaria ao comércio varejista, importação e exportação de produtos. Como se depreende do objeto social da pessoa jurídica à efl. 3.613: 3 Uma vez que o referido julgado do Superior Tribunal de Justiça vinculou a validade dos créditos de insumos utilizados no desenvolvimento da atividade desempenhada,sem vincular com as receitas afeiras no exercício da atividade. Fl. 4256DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.257 7 Contudo, observase primeiramente que não constam dos autos os contratos sociais vigentes à época dos fatos geradores autuados para confirmar quais as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica à época. Além disso, não consta dos autos informações se, à época, a empresa aferiu receitas com o comércio varejista ou somente com o transporte rodoviário de mercadorias. Acrescese que, em análise dos autos, não foi possível localizar os arquivos não pagináveis ou cópias das planilhas que teriam sido apresentadas em CD na resposta à intimação apresentada pelo sujeito passivo em 20/01/2017, mencionado pela fiscalização no relatório fiscal: "Em data de 20/01/2017, dentre outros documentos, reapresentou os mesmos arquivos magnéticos apresentados em 14/12/2016 que deveria conter as informações das notas fiscais de entrada, com credito do PIS e da Cofins, no formado do ADE Cofis 15/2001 e alterações posteriores, (ressaltase que os arquivos apresentados não permitem a sua análise resultando inúteis para esta fiscalização). Nesta data apresentou um demonstrativo de cálculo da depreciação de veículos também em desacordo com o solicitado (Doc. 19) e repetindo a relação de insumos anteriormente apresentada (Doc. 05)." Os arquivos magnéticos apresentados naquela oportunidade são aquelas planilhas que foram entregues "em mãos" no dia 14/12/2016 (efl. 3.773/3.774), acostadas às e fls. 3.775/3.822? Uma vez que não constam dos autos arquivos não pagináveis que teriam sido apresentados pelo contribuinte à época da fiscalização, não é possível confirmar quais foram os documentos apresentados em meio magnético em 20/01/2017. Assim, importante que sejam anexados aos autos esses documentos magnéticos para confirmar a afirmação trazida pela fiscalização no Relatório Fiscal, bem como sejam acostados os contratos sociais da pessoa jurídica vigentes à época dos fatos geradores. Nesse último ponto, importante que seja oportunizado à Recorrente o esclarecimento de quais atividades foram desempenhadas à época, elucidando quais atividades representaram receitas por ela aferidas. Ademais, acrescese que, como visto, a fiscalização não admitiu como válida a tomada de crédito de despesas informadas como incorridas na prestação de serviço pela Recorrente com base em uma justificativa geral da ausência de previsão legal. Por outro lado, a empresa, com base no conceito amplo de insumo com base no IRPJ entende que todas essas despesas devem ser admitidas como insumos. Contudo, face a corrente intermediária elucidada Fl. 4257DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.258 8 acima, crucial uma vinculação entre a despesa e a atividade realizada pela Recorrente. E atentandose pelos documentos e informações constantes dos autos, não é possível fazer uma imediata vinculação. Primeiramente, como já mencionado, observase que sequer é possível confirmar pela documentação acostada aos autos qual a extensão da atividade social da pessoa jurídica à época dos fatos geradores. Além disso, há dúvida quanto a algumas das parcelas glosadas e a forma como são despendidas pela pessoa jurídica no exercício de suas atividades. De fato, pela análise dos autos observase que constam alguns documentos fornecidos pela empresa à época da fiscalização que se referem às rubricas de "Serviços de vigilância e Portaria" (contratos e notas fiscais às efls. 3.627/3.657, 3.840/3.867 e 3.875/3.916), às "Despesas com alimentação do Trabalhador" (contratos e notas fiscais às e fls. 3.658/3.688 e 3.698/3.771), "Transporte de Funcionários" (contratos às efls. 3.689/3.697) e "Anúncios e propagandas" (notas fiscais às efls. 3.921/3.955). Foram ainda acostados documentos referentes à uma empresa de assessoria (BIG ASSESSORIA E RH balancete contábil às efls. 3.823/3.826 e contrato de prestação de serviço efls. 3.829/3.833), identificada na planilha do Anexo II do Auto de Infração como mão de obra terceirizada correspondente a "Mão de obra de Terceiros aplicada no setor administrativo". Possível identificar ainda cópias de contratos de prestação de serviço de limpeza (efls. 3.868/3.874), não sendo possível confirmar se referem à rubrica "Serviços de lavagem", e de monitoramento eletrônico (efls. 3.917/3.920), não sendo possível confirmar se referem à rubrica "Serviços de vigilância e Portaria". Contudo, não obstante constem dos autos esses documentos, não é possível compreender como a empresa utilizou esses serviços em sua atividade. Nesse sentido, especificamente quanto a essas rubricas para as quais constam documentos dos autos, mostra se relevante que a empresa autuada esclareça a forma como esses serviços foram empregados na atividade por ela desempenhada, apontando a razão pela qual entende que foram admitidos como essenciais. Especificamente quanto aos "Serviços de lavagem", importante esclarecer a que se referem, se para simples limpeza dos locais de trabalho ou alguma limpeza especializada necessária para o transporte de mercadorias. Por sua vez, quanto às demais rubricas, observase que não constam dos autos quaisquer documentos ou informações. Para parte delas4, é relevante que sejam acostados informações e/ou documentos complementares que possam esclarecer as circunstâncias e as razões pelas quais são despendidas pela pessoa jurídica. Identificase abaixo as rubricas que merecem esclarecimento quanto ao seu dispêndio pela empresa: 4 Algumas descrições trazidas no Auto de Infração já seriam suficientes para compreender a utilização das despesas na atividade da pessoa jurídica, em relação às quais a empresa não trouxe qualquer consideração adicional passível de levantar dúvida quanto à descrição fiscal, quais sejam: "Despesas com telefone", "Despesas com treinamento de pessoal", "Despesas com café, gás P13 e açúcar", "Água mineral"; "Águas e saneamento"; "Material de expediente (Folhas A4, impressos personalizados, envelopes, cartões de visitas, formulários, canetas, calendários personalizados, revistas, etc.)", "Material de higiene e limpeza (Papel higiênico, sabão, sabonete, desinfetante, água sanitária, pano de limpeza, papel toalha, Vassoura, etc.)" e "Material de uniforme (calças, camisas, camisetas, jaquetas, sapatos, bonés, etc.)". Em relação a outras, o contribuinte não trouxe em sua defesa quaisquer considerações suscetíveis a levantar dúvidas quanto à sua natureza: "Mão de obra e materiais aplicados em comunicação de dados", "Mão de obra e materiais aplicados na conservação de imóveis, conservação e manutenção de prédios, conservação de equipamentos de informática" e "Imobilizado e aluguel de equipamentos de informática". Fl. 4258DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.259 9 (1) "Indenizações de Mercadorias" e "Seguro de veículos, seguro de vida, seguro de imóveis e seguro de cargas". Grande parte dos valores autuados correspondem à "Indenizações de mercadorias" despendidos pela empresa com distintas pessoas jurídicas, aparentemente seus clientes. Quando esses valores são pagos e quais as circunstâncias para o seu pagamento? Nos contratos firmados pela empresa com seus clientes ela se responsabiliza por perdas no transporte? Como essas despesas fazem parte da atividade da pessoa jurídica? Importante nesse ponto que sejam acostados documentos, ainda que exemplificativos, que demonstrem a razão dessas despesas serem arcadas pela empresa. Por sua vez, quanto às despesas com seguros, a empresa traz em sua defesa considerações específicas apenas quanto aos "seguro de cargas", indicando que devem ser pagos por determinação legal (art. 20, "h" e "m" do Decretolei nº 73/1966). Contudo, não constam dos autos sequer um exemplo de apólice de seguro firmado pela empresa e quais as circunstâncias que essas despesas são pagas pela pessoa jurídica. Tratamse de seguros de cargas específicas ou para quaisquer cargas transportadas? Quais modalidades de seguro estão envolvidas no "RCTRC Responsabilidade Civil do Transporte Rodoviário", somente seguro da carga ou o seguro de vida ou mesmo o seguro dos veículos? Quanto às demais modalidades de seguro indicadas, o contribuinte não trouxe qualquer consideração específica. (2) "Mão de obra de Terceiros aplicada no setor administrativo" Neste ponto, afirma o contribuinte em sua defesa que os serviços prestados no setor administrativo seriam de carga e descarga de mercadorias. Contudo, além de não trazer nenhum documento para respaldar sua alegação, não faz qualquer correlação com as planilhas acostadas pela fiscalização no Anexo I e II do Auto de Infração, intituladas "Anexo I MO Terceirizada Administrativo.xls", correspondente à terceirização de mão de obra do "SIND DOS ARR E TRAB DE PELOTAS", e "Anexo II MO Terceirizada Administrativo.xls", correspondente à diferentes pessoas jurídicas, inclusive de transporte. Nesse ponto, portanto, importante que seja elucidada pela empresa autuada a natureza das prestações de serviços realizadas pelas empresas relacionadas nas planilhas, informando quais os serviços prestados pelos fornecedores relacionados nas planilhas, trazendo cópias de contratos e documentos comprobatórios a título ilustrativo. (3) "Viagens e estadias de auditores, assessores e pessoal administrativo e comercial da empresa" e "Despesas c/Km Rodado" Quanto a essas duas rubricas, não foi possível confirmar quando elas são despendidas pela pessoa jurídica. Atentandose para a planilha anexa ao Auto de Infração elaborada pela fiscalização com base no Sped, observase que alguns valores são identificados como "Viagens e Estadias Motoristas", diferentes de outras rubricas identificadas como "Viagens e Estadias Comercial", "Viagens e Estadias Administrativo" e "Viagens e Estadias Auditores". Quando cada uma dessas parcelas são pagas pela empresa? Esclarecer a razão para o pagamento dos valores de viagens e estadia e a diferenciação entre essas rubricas. E qual a diferença entre as viagens e estadias dos valores identificados como "Despesas c/km rodado"? Quando essas despesas são pagas pela pessoa jurídica? Fl. 4259DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.260 10 (4) "Outros materiais e serviços que não foram aplicados diretamente na prestação de serviços e não estão entre os gastos com direito a crédito (anexo I e II)." Especificamente quanto a essa rubrica, o questionamento se direciona para a fiscalização, vez que não foi possível identificar quais seriam as atividades envolvidas. Isso porque, como já mencionado no item (2) acima, os Anexos I e II referenciados no Relatório Fiscal se referem à "MO Terceirizada Administrativo", tratandose da rubrica "Mão de obra de Terceiros aplicada no setor administrativo". Não foi possível identificar, portanto, quais outras parcelas teriam sido desconsideradas pela fiscalização além daquelas identificadas expressamente no Relatório Fiscal do Auto de Infração à efl. 37. Assim, importante que a fiscalização indique se outras parcelas além daquelas identificadas expressamente no relatório fiscal à efl. 37 foram objeto de autuação, especificando cada uma delas. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/725, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul RS): (i) anexar aos autos: (i.1) cópia do(s) contrato(s) social(ais) vigentes à época dos fatos geradores. (i.2) cópia dos arquivos em meio magnético apresentados pelo contribuinte em 20/01/2017, informando se esses documentos são idênticos às planilhas que foram entregues "em mãos" no dia 14/12/2016 (efl. 3.773/3.774), acostadas às efls. 3.775/3.822. (ii) oportunizar à empresa Recorrente a apresentação de laudo técnico e/ou documentação complementar: (ii.1) esclarecendo qual a atividade social da pessoa jurídica desempenhada à época dos fatos geradores, informando qual a natureza das atividades que originaram as receitas aferidas pela pessoa jurídica; (ii.2) trazendo informações correspondentes às rubricas de "Serviços de vigilância e Portaria", "Despesas com alimentação do Trabalhador", "Transporte de Funcionários" e "Anúncios e propagandas" "Serviços de lavagem", informando como esses serviços foram empregados na atividade por ela desempenhada, apontando a razão pela qual entende que foram admitidos como essenciais; (ii.3) trazendo documentos exemplificativos e informações adicionais correspondentes às rubricas, inclusive eventuais contratos: (ii.3.1) "Indenizações de Mercadorias", esclarecendo quando esses valores são pagos pela pessoa jurídica e quais as circunstâncias para o seu pagamento no exercício de sua atividade; 5 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 4260DF CARF MF Processo nº 11020.720137/201719 Resolução nº 3402001.403 S3C4T2 Fl. 4.261 11 (ii.3.2) "Seguro de veículos, seguro de vida, seguro de imóveis e seguro de cargas", esclarecendo quais as circunstâncias que essas despesas são pagas pela pessoa jurídica. Esclarecer nesse ponto quais modalidades de seguro estão envolvidas no "RCTRC Responsabilidade Civil do Transporte Rodoviário". (ii.3.3) "Mão de obra de Terceiros aplicada no setor administrativo", identificando qual a natureza e tipo de serviços prestados pelas empresas relacionadas nas planilhas dos Anexos I e II do Auto de Infração e como elas são relevantes para a atividade desempenhada pela pessoa jurídica; (ii.3.4) "Viagens e estadias de auditores, assessores e pessoal administrativo e comercial da empresa" e "Despesas c/Km Rodado", esclarecendo como e em quais circunstâncias esses valores são pagos pela pessoa jurídica, identificando a razão pela qual diferencia "Viagens e Estadias Motoristas", "Viagens e Estadias Comercial", "Viagens e Estadias Administrativo" "Viagens e Estadias Auditores" e "Despesas c/Km Rodado". (iii) elaborar relatório fiscal enfrentando a documentação e as informações apresentadas nos itens (i) e (ii) acima, informando, ainda: (iii.1) quais as atividades desempenhadas pela pessoa jurídica à época dos fatos geradores com as quais aferiu receitas, identificando se a empresa aferiu receitas com o comércio varejista ou somente com o transporte rodoviário de mercadorias; e (iii.2) a que se refere a rubrica "Outros materiais e serviços que não foram aplicados diretamente na prestação de serviços e não estão entre os gastos com direito a crédito (anexo I e II).", especificando as parcelas autuadas que possuam descrições diferentes daquelas identificadas expressamente no relatório fiscal à efl. 37. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 4261DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.910201/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/06/2008
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/06/2008 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 91 02 01 /2 00 9- 66 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10855.910201/200966 Acórdão n.º 1401002.789 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1439.118 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (IRPJ código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório[...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, [...} interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2007 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 315.863,43 (trezentos e quinze mil, oitocentos e sessenta e três reais e quarenta e três centavos), conforme demonstrada na ficha 17, linha 59 Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 210.575,56 (duzentos e deis mil, quinhentos e setenta e cinco reais e cinqüenta e seis centavos), conforme ficha 17 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 105.287,87 (cento e cinco mil, duzentos e oitenta e sete reais e oitenta e sete centavos), conforme ficha 17, linha 61 da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10855.910201/200966 Acórdão n.º 1401002.789 S1C4T1 Fl. 4 3 5 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n 33868.63479.300608.1.3.04 6355, enviada em 30/06/2008, a mesma fez a compensação no valor de RS 29.478,93 (vinte e nove mil, quatrocentos e setenta e oito reais e noventa e três centavos). 6 Esse valor referese ao DARF, recolhido a mais em 31/01/2008, no valor de RS28.449,07 (vinte e oito mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e sete centavos), devidamente corrigido. Sem mais para o momento e nos colocando a disposição para qualquer outro esclarecimentos ou informações. Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP[...]. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de dezembro de 2007, no valor de R$ 28.449,07, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de dezembro de 2007, no valor de R$ 28.449,07, assim declarado na DCTF de dezembro de 2007 e apresentada pela declarante, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.910201/200966 Acórdão n.º 1401002.789 S1C4T1 Fl. 5 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10855.910201/200966 Acórdão n.º 1401002.789 S1C4T1 Fl. 6 5 não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do DARF relativo ao mês de dezembro de 2007 e da própria DIPJ/2008, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10855.910201/200966 Acórdão n.º 1401002.789 S1C4T1 Fl. 7 6 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2007, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2007 (JAN a DEZ)." É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.910201/200966 Acórdão n.º 1401002.789 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.780, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.903033/2009 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.780): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.910201/200966 Acórdão n.º 1401002.789 S1C4T1 Fl. 9 8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou se correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 15463.720688/2017-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 06 88 /2 01 7- 24 Fl. 107DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 5 a 11, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, ano calendário de 2014, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 28.575,20, por falta de comprovação de que o ônus tenha sido arcado pelo contribuinte, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$7.858,18 acrescido de juros e multa de oficio. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, juntando documentos necessários para comprovar o quanto alegado. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não seriam suficientes para comprovar que ele teria arcado com as despesas da Unimed, em seu nome e no nome de sua dependente. Em sede de Recurso Voluntário, alega a contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, pois junta todos os comprovantes de saques e pagamentos dos valores detalhados em nome dele e de sua dependente, deixando claro que o ônus foi arcado por ele. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 108DF CARF MF Processo nº 15463.720688/201724 Acórdão n.º 2001000.649 S2C0T1 Fl. 3 3 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibo, detalhamento de valor por beneficiário, saques efetuados , comprovados através de extratos bancários, e toda a conciliação para evidenciar de forma muito clara e objetiva que arcou com o ônus. Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Para justificar as despesas médicas declaradas, o Interessado juntou os documentos de fls. 14 a 41, relativos ao plano de saúde Unimed contratado pela pessoa jurídica 107 Distribuidora de Tortas e Produtos Alimentícios Ltda. Contudo, não há nenhum comprovante de que o Contribuinte arcou financeiramente com o plano de saúde contratado pela pessoa jurídica citada. Como determina o inciso II do §2º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, apenas os pagamentos efetuados pelo próprio Contribuinte podem ser deduzidos como despesas médicas. No caso em análise, não há nenhuma evidência de que o ônus financeiro dos pagamentos efetuados a Unimed recaiu sobre o Interessado e não sobre a 107 Distribuidora de Tortas e Produtos Alimentícios Ltda. Mantémse, desse modo, a glosa de despesas médicas proposta na notificação de lançamento de fls. 5 a 11. Com base em todo o exposto supra, VOTO PELA IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, devendo ser mantido o crédito tributário lançado. [...]” Fl. 109DF CARF MF 4 No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que os recibos e declarações não foram suficientes para comprovar as despesas posto que não formação a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental e fática trazida pelo contribuinte para evidenciar a existência Fl. 110DF CARF MF Processo nº 15463.720688/201724 Acórdão n.º 2001000.649 S2C0T1 Fl. 4 5 das despesas declaradas, entendo que deve ser dado provimento ao pedido para reformar a decisão a quo e portanto exonerado o crédito fiscal lançado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pelo contribuinte em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 111DF CARF MF
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