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Numero do processo: 35166.000095/2004-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO.
As informações constantes da GFIP e da folha de pagamento servirão de base de cálculo das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais.
CONFISCO.
Não caracteriza confisco o lançamento fiscal efetuado nos termos da lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO. As informações constantes da GFIP e da folha de pagamento servirão de base de cálculo das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais. CONFISCO. Não caracteriza confisco o lançamento fiscal efetuado nos termos da lei. Recurso Voluntário Negado.
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GFIP. FOLHA DE PAGAMENTO. As informações constantes da GFIP e da folha de pagamento servirão de base de cálculo das contribuições sociais devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais. CONFISCO. Não caracteriza confisco o lançamento fiscal efetuado nos termos da lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Fabio Pallaretti Calcini e Ricardo Magaldi Messetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 00 95 /2 00 4- 95 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, Debcad nº 35.561.7765/2003, relativo às contribuições devidas à seguridade social e Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais correspondentes à parte patronal e de segurados. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a) as remunerações pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais (sócios) a titulo de prólabore, discriminadas nas folhas de pagamento, relativas ao período de 01/99 a 12/02, cujos valores encontramse discriminados no relatório de fatos geradores, no levantamento "NG Folha/Férias/Rescisões"; b) a divergência entre a remuneração declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e a folha de pagamento apresentada pela empresa. Tais contribuições foram discriminadas no Relatório de Fatos Geradores, no levantamento "DIF — Diferença a maior GFIP/Folha". DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. Os autos foram convertidos em diligência para que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre a impugnação do contribuinte. Em resposta, a autoridade fiscal informa que não há duplicidade no lançamento fiscal e: a) o levantamento NG, contém apenas as remunerações pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais (sócios), a titulo de prólabore, discriminadas em folhas de pagamentos, relativas ao período de 01/99 a 12/02. No levantamento DIF consta somente a divergência entre a remuneração declarada na GFIP, a maior, em cotejo com as folhas de pagamentos apresentadas pela empresa; b) o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, Termo de Inicio da Ação Fiscal TIAF, Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD e o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD foram oportunamente enviados ao contribuinte; c) não houve refiscalização. Esclarece que simplesmente adotou procedimento de rotina. A contabilidade do contribuinte somente havia sido analisada até 12/1994, o que ensejou a necessidade de vistoria da ação a partir do primeiro mês seguinte ao que foi objeto de verificação pelo fisco. O parecer fiscal resultante da conversão do julgamento em diligência foi cientificado ao contribuinte. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.000095/200495 Acórdão n.º 2803003.920 S2TE03 Fl. 172 3 A DECISÃO NOTIFICAÇÃO n.° 12.401.4/0143/2005 (fls. 133/150) julgou procedente o lançamento fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância administrativa fiscal o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: o lançamento fiscal tem falhas, não atende os requisitos da legislação que rege o contraditório e a ampla defesa, não discriminando de maneira clara e precisa fatos imprescindíveis para a constituição do crédito tributário, prejudicando parcialmente a defesa do contribuinte. Isso implica em vício formal; o julgamento de 1a Instancia permaneceu silente ante às alegações da impugnação da empresa, bem como aos erros manifestamente visíveis na formalização do lançamento das notificações NFLD’s s e AI’s, e quanto ao descumprimento as normas que regem o contencioso administrativo; a fiscalização não apresentou documento que cientificasse a empresa de que estaria sofrendo uma refiscalização, haja vista, este procedimento fiscal só ser possível mediante ordem expressa e motivada, conforme dispõe o parágrafo Único do art. 227 da I.N. DC/ INSS n° 70/2002. A decisão recorrida se omitiu da questão refiscalização; faltou razoabilidade ao lançamento fiscal que deveria levar em conta: a) qual o tipo de tributo que a base de cálculo estava sendo arbitrada? b) qual o contexto envolvendo o contribuinte e a atividade econômica por ele exercida? c) que dados a serem utilizados pela fiscalização devem ser obtidos preferencialmente a partir dos documentos do próprio contribuinte e não da Receita Federal, haja vista, a divergência entre os fatos geradores; d) em caso de não encontrar os números e/ou informações na empresa, deve efetuar o arbitramento comparativamente com empresas do mesmo setor e região, segundo valores médios alcançados no mercado local; e) após a estimativa na apuração da base de cálculo arbitrada da apuração a ser exigida do contribuinte, deverá ser abatido todo o imposto já recolhido, inclusive os débitos em constituição anterior à fiscalização; f) em se tratando de empresa tomadora de serviços, a busca da verdade material deve alcançar os prestadores, objetivando o cruzamento de informações; g) o Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, a Relação Anual de Informações Sociais RAIS e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS, costumam identificar o número de funcionários empregados pelo contribuinte e a respectiva massa salarial, pelo que mais razoáveis que a declaração de imposto de renda da empresa; Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 em nenhum momento a fiscalização apresentou à empresa cálculos prévios, o que possibilitariam ao sujeito passivo a correção dos desvios ou ate mesmo possibilidades de apresentação de provas durante a própria fiscalização; sem que sejam discriminados, separados, detalhados, de forma clara e precisa, os fatos geradores, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, o contribuinte não terá como reconhecer conscientemente a exigência fiscal, ou dela se defender com que o art. 37 da Lei 8.212/91. O lançamento deve ser nulo. É um verdadeiro confisco; por fim, demonstrada a falta de amparo constitucional e legal da decisão de primeira instancia administrativa requer a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.000095/200495 Acórdão n.º 2803003.920 S2TE03 Fl. 173 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Tratase de crédito tributário, Debcad nº 35.561.7765/2003, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social e Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais (prólabore dos sócios), discriminadas nas folhas de pagamento, período de 01/99 a 12/02, cujos valores encontramse descritos no relatório de fatos geradores, levantamento "NG Folha/Férias/Rescisões", e de divergência entre a remuneração declarada na GFIP e a folha de pagamento apresentada pela empresa, constante no levantamento "DIF Diferença a maior GFIP/Folha", conforme relatório fiscal (fls. 77/82). O contribuinte apresenta recurso voluntário de maneira genéricas para todas as autuações sofridas durante o período auditado, tendo como base os argumentos apresentados na impugnação. Todavia, a análise do recurso se restringirá apenas ao lançamento fiscal de numeração Debcad nº 35.561.7765/2003, ora em discussão. Consta dos autos o relatório fiscal detalhado dos fatos geradores e da fundamentação legal (fls. 77/82). Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 6/25) contendo os levantamentos DIF e NG, por competência, rubrica, alíquotas, valores apurados. Relatório de Guias de Recolhimento Registradas – GRR (fls. 38/41) por competência, data do pagamento e totais recolhidos que foram considerados e deduzidos do lançamento fiscal. Relatório de Apropriação de guias GPS (fls. 42/48). Relatório de Fatos Geradores Geral (fls. 49/59), contendo competência, rubrica, valor e a discriminação do fato gerador, como divergência apurada entre a folha de pagamento, férias, rescisão, GFIP. Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 60/65). Relatório de Instrução para o Contribuinte (fls. 4/5). Destarte, está comprovado no lançamento fiscal o tipo de tributo, a base de cálculo e a fundamentação legal. Não se trata de arbitramento como mencionado pelo contribuinte. No caso em epígrafe, irrelevante a necessidade de saber qual o contexto envolvendo o contribuinte e a atividade econômica por ele exercida. Os dados foram obtidos dos documentos apresentados pelo contribuinte (folha de pagamento, rescisão, GFIP, GPS, outros). Efetuado o lançamento fiscal com base nos documentos apresentados pelo contribuinte, não há necessidade de arbitramento, nem de comparativo com empresas do mesmo setor e região, nem de valores médios alcançados no mercado local, tampouco, de empresa tomadora de serviços e prestadores, cadastro de CNIS, RAIS, FGTS, para identificar o número de funcionários empregados e a massa salarial, pois já constam da folha de pagamento, das GFIP’s e dos documentos examinados pela fiscalização. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Os valores das contribuições sociais devidas estão demonstradas no lançamento fiscal. Não há que se falar que não foram discriminados, separados, detalhados, de forma clara e precisa, os fatos geradores, as contribuições devidas e os períodos a que se referem. O lançamento fiscal atendeu os requisitos do art. 37 da Lei 8.212/91. O contribuinte tem conhecimento da exigência fiscal, pois o lançamento fiscal tem por base os documentos apresentados pelo contribuinte. O contribuinte foi cientificado de todos os atos da fiscalização e teve o direito de contestação. Efetuado o lançamento fiscal na forma da lei não pode ser considerado confiscatório, pois este juízo de admissibilidade já foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto nº. 70.325/72, acrescentado pela MP nº 449/2008. No mesmo sentido é o que discorre a Súmula n ° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como demonstrado nos autos, os valores recolhidos pelo contribuinte foram considerados no lançamento fiscal. Encontrase anexa das autos (fls. 71/76), também, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, Termo de Início de Auditoria Fiscal – TIAF, Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, todos com termo de ciência do representante/responsável da empresa, e Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF encaminhado pelos Correios. Registrese que no MPF consta o período da fiscalização (janeiro/1995 a março/2003) e as verificações a serem efetuadas (verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições sociais administradas pelo INSS, conforme determina o art. 33, da Lei 8.212, de 24107/91, e àquelas relativas a terceiros conveniados.). E não faz menção a refiscalização. Desse modo, não se trata de refiscalização com quer o contribuinte, mas sim de procedimento fiscal com análise da contabilidade e de todos os documentos relativos ao objetivo da fiscalização para o período auditado. Assim sendo, não houve omissão da decisão recorrida quanto a questão refiscalização, pois não se trata de refiscalização como demonstrado nos autos. Da análise dos autos, não se sustenta a argumentação do contribuinte de que o lançamento fiscal tem falhas, não atende os requisitos da legislação que rege o contraditório e a ampla defesa, não discriminando de maneira clara e precisa fatos imprescindíveis para a constituição do crédito tributário e prejudicando parcialmente a defesa do contribuinte. Constituído na forma da legislação vigente à época do lançamento fiscal, não há que se falar em vício formal. O contribuinte apresenta recurso genérico sem precisar seus argumentos. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35166.000095/200495 Acórdão n.º 2803003.920 S2TE03 Fl. 174 7 A decisão recorrida rebateu todos os argumentos da impugnação. O recurso alega erros manifestamente visíveis na formalização do lançamento da notificação fiscal e o descumprimento as normas do contencioso administrativo no lançamento em epígrafe, todavia não os especifica. A fiscalização foi recepcionada pelo Sr. Amadeu (item 9 do relatório fiscal, fl. 82) a quem foram prestados os esclarecimentos do procedimento fiscal. Assim, sem argumento plausível o contribuinte quando menciona que em nenhum momento a fiscalização apresentou à empresa cálculos prévios, ou que não teve orientação para a correção dos desvios ou a possibilidades de apresentação de provas durante à fiscalização. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e artigos 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório Fiscal, com Discriminativo Analítico do Débito – DAD, as Instruções para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91. Não há necessidade de reforma do lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000756/2006-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 00 75 6/ 20 06 -5 9 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 94 2 Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 02/14 constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (CofinsImportação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I, da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 455.699,50 (quatrocentos e cinquenta e cinco mil, seiscentos e noventa e nove reais e cinquenta centavos). Na descrição dos fatos, a fiscalização consignou que o interessado por meio das Declarações de Importação (DI) nº 06/09202728,06/11004792e 06/10336708, registradas, respectivamente, em 04/08/2006, 14/08/2006 e 29/08/2006, submeteu a despacho o produto Cefadroxil monoidratado em pó, classificandoo no código 2941.90.34 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e requerendo a redução a zero das alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1° do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. No entanto, no entender do autuante, apenas o produto Cefadroxila, sinônimo de Cefadroxil, na forma anidra é citado na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante do Anexo I do citado decreto, assim, o produto monoidratado que foi importado não se enquadraria entre aqueles que fazem jus ao benefício fiscal. Ainda segundo o fiscal, “a hidratação do produto é um detalhamento observado no Decreto de redução, como se pode observar no caso da cefalexina. Portanto, não se pode estender a produtos com hidratação diversa à especificada no Decreto o beneficio de redução de alíquota a zero” e “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, também utilizado pela Secretaria da Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 657/2006, que trata sobre Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística NVE. No caso do Cefadroxil há o registro das duas hidratações do produto: Cefadroxil anidro, CAS 50370122 e Cefadroxil monohidrato, CAS 66592878. Portanto, observase que existem dois produtos distintos e apenas aquele citado no Anexo I do Decreto 5.821/2006 tem direito à redução de alíquota”. O interessado, por meio da despachante aduaneira Wang Huei Ju, foi regularmente cientificado dos autos de infração em 20/10/06, conforme fls. 02 e 57. Em 27/10/06, aquela mesma representante apresentou a peça de fls. 46/47, por ela intitulada de “impugnação inicial”, onde aduziu em síntese que o produto cefadroxila é sempre apresentado na forma monoidratada e foi submetido a despacho de importação na forma regulamentar e solicitou a indicação de técnico habilitado e Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 95 3 credenciado junto à Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília “para, em laudo circunstancial esclarecer o assunto”, e, ainda, a prorrogação do prazo para apresentação da impugnação, de conformidade com o inc. II do art. 6° do Decreto nº 70.235/721. Em 01/11/06, a unidade de origem consignou que “o interessado, impugnou tempestivamente, o crédito tributário” e encaminhou à DRJSPO II o processo para prosseguimento (fl. 58). Em face da mudança de jurisdição instituída pela Portaria SRF n° 179, de 13/02/2007 (DOU de 14/02/2007), que alterou o Anexo V do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF n° 30/2005, este processo foi encaminhado pela então DRJ/SPOII para esta DRJ/FOR. Em 21/05/07, o interessado apresentou o documento de fls. 86/105 onde inicia afirmando que: (...) inconformada com o Auto de Infração supra mencionado, vem mui respeitosamente perante V. Sas.,tendo em vista o princípio da informalidade do processo administrativo, e tendo o pedido de perícia admitido como impugnação, vem mui respeitosamente emendar a mesma, pelos motivos de fato a seguir mencionados: E, naquela peça, solicita preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseia ver respondidos, porém sem indicar o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, passando em seguida a apresentar os argumentos de mérito, afirmando, em síntese, que o cefadroxil é considerado gênero, que comporta as espécies cefadroxil anidro (CAS 50370122), cefadroxil hemidrato (CÃS 119922859) e cefadroxil monoidrato (CAS 66592878) ; que a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística especificou o cefadroxil com o CAS nº 66592878, que corresponde ao cefadroxil monoidrato, conforme literatura técnica, corroborando o entendimento da empresa quando da aplicação da redução de alíquotas. O impugnante assevera que o Decreto nº 5.821/06 em seu anexo I, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição n° 339 a cefadroxila, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, defende, ao contemplar o gênero, o legislador reduziu a zero a alíquota do Pis/Pasep Importação e da Cofins Importação para todas as espécies e, assim “não é dado ao aplicador da norma (no caso em concreto, daautoridade fiscalizadora) [dar] entendimento diverso dos conceitos consagrados pelas Ciências Farmacêuticas”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls. 107/108, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 109/145), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o termo CEFADROXIL referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras como entendeu a D. Autoridade autuante”. Em 23/05/12, a empresa novamente compareceu aos autos para noticiar sobre o Relatório Fiscal emitido pelo Serviço de Fiscalização Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 96 4 Aduaneira, da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos, que, após análise técnica e pericial, indicou pelo encerramento do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0817700 2009 001503 que tinha como objeto a “auditoria da Operação Fiscal nº 42111 – Classificação Fiscal e 49112 – PIS e COFINS NA IMPORTAÇÃO para os produtos CEFACLOR, CEFADROXILA E AZITROMICINA” e solicitou que tais documentos fossem acatados como prova emprestada e que o presente Auto de Infração fosse julgado improcedente (fls. 150/163). A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/08/2006, 14/08/2006, 29/08/2006 OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 04/08/2006, 14/08/2006, 29/08/2006 CEFADROXILA MONOIDRATADA. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. A cefadroxila monoidratada não foi elencada no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/Pasep Importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 97 5 [...]”No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 98 6 que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão: Por outro lado, a empresa argui, com razão, que na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), divulgada à época dos fatos geradores, por meio da IN SRF nº657, de 26/06/067, o produto envolvido na lide era apresentado da seguinte forma: Subitem 29419034 Cefadroxil e seus sais Atributos e Especificações de Nível 'U' Atributo AA CAS/DCB Especificações:0001 066592878/ Cefadroxila 9999 Outros [...]Vêse que dentro da NVE, que procura destacar o produto sob o ponto de vista da sua relevância, seja quanto ao valor, seja quanto à importância estatística ou comercial ou ambos, foi eleito como único atributo o número de registro no Chemical Abstracts Service (CAS) associado à Denominação Comum Brasileira (DCB). Na especificação 0001 foi consignado o CAS nº 066592878, que se refere ao produto monoidratado, associado à denominação cefadroxila. No entanto, pelo que até aqui foi exposto, entendese que o que ocorre é uma impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente o termo monoidratada e que deve ser corrigida, tendo em vista que, conforme dito, os documentos oficiais devem obedecer a lista DCB e esta associa o CAS nº 066592878 à cefadroxila monoidratada A decisão manteve a multa de ofício, por ser multa aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da impugnação. Às efls. 185 e ss, consta petição da Recorrente solicitando o translado do laudo produzido no MPF 08177002009001503 ao presente processo, por conter laudo técnico para o produto em questão. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou novo laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000756/200659 Resolução nº 3201000.519 S3C2T1 Fl. 99 7 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tal como relatado, a Recorrente submeteu a despacho o produto CEFADROXILA MONOIDRATADA, identificandoo como “CEFADROXILA” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 340 CEFADROXILA Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão monoidratada de cefadroxila, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. Conforme relatado, foi juntado laudo técnico que em casos como o presente, no qual se abordam questões que tangenciam propriedades merceológicas de produtos químicos, pode ser fundamental ao deslinde da questão. Embora intempestiva a juntada do documento, que ocorre em momento adiantado do processo administrativo, sem justificativa para tanto, posicionome no sentido de privilegiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal,em detrimento do rigor processual. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para dar ciência à Fazenda Nacional da juntada do presente laudo técnico, para que, querendo, manifestese. Após, retornem os autos para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 13502.001090/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
Embargo acolhido.
Numero da decisão: 2202-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos declaratórios para rerratificar a decisão embargada (2202-002.071, de 16/04/2013), sanando omissões suscitadas, para manter a decisão anterior.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. Embargo acolhido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.001090/200993 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202002.975 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria IRPF Embargante AILTON SILVA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. Embargo acolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos declaratórios para rerratificar a decisão embargada (2202002.071, de 16/04/2013), sanando omissões suscitadas, para manter a decisão anterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 10 90 /2 00 9- 93 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Maria Anselma Croscrato dos Santos (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13502.001090/200993 Acórdão n.º 2202002.975 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase aqui de Embargos do contribuinte, assentado no argumento da existência de omissão no acórdão questionado, buscando amparo legal no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº. 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009. Embargo de Declaração apresentado pelo contribuinte, relativo ao Acórdão nº 2202002.071, de 16/04/2013 que por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Aduz o Embargante, que ocorreu omissão do acórdão consubstanciada na falta de exame dos seguintes fundamentos veiculados em seu recurso voluntário: (i) Imprestabilidade da Base de Cálculo, e (ii) Não incidência do Imposto de Renda sobre Juros de Mora. Às fls, 226 e 227, e feita a análise da admissibilidade dos embargos,nos quais se conclui a admissão parcial dos presente embargos, para que a Turma se manifeste sobre a alegação de imprestabilidade da base de cálculo utilizada pelo lançamento de ofício e da não incidência do imposto de renda sobre os juros de mora da verba paga a destempo. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os embargos devem ser acolhidos. Assiste razão parcial ao contribuinte. Vale relembrar que o lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Registrese que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que referente a alegação de uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Os demonstrativos de fls. 25 são claros neste sentido que se referem a diferenças salariais de abril/94 a agosto/2001, pagas nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13502.001090/200993 Acórdão n.º 2202002.975 S2C2T2 Fl. 4 5 No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Nestes termos, voto por acolher parcialmente os embargos declaratórios para rerratificar a decisão embargada (2202002.071, de 16/04/2013), sanando omissões suscitadas, para manter a decisão anterior. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/03/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10314.005285/00-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/05/1996
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURDO O CONTRADITÓRIO E PLENO EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, a quem foi oportunizado o contraditório e o pleno exercício do direito defesa, na forma da legislação vigente.
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação da sua livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica.
2. Por está alçada do poder discricionário de convencimento da autoridade julgadora, não há vício de nulidade na decisão de primeira instância que apresenta fundamentação adequada e suficiente para justificar o indeferimento do pleito de realização de prova pericial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer o direito à redução de impostos incidentes na importação dos componentes parcialmente utilizados no processo de produção, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 03/05/1996 REGIME AUTOMOTIVO. REDUÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇAÕ CONDICIONADA APLICAÇÃO DOS COMPONENTES IMPORTADOS. PRODUTOS REVENDIDOS APÓS SEREM SUBMETIDO A SIMPLES PROCESSO DE ACONDICIONAMENTO OU REACONDICIONAMENTO. PRODUTO SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O não emprego dos insumos importados, com redução do Imposto sobre a Imporação (II), previsto no regime automotivo (Lei 9.449/1997), nas atividades de produção determinadas por lei, contraria a condição necessária para fruição da redução do referido imposto. 2. A comprovação de que parte dos componentes importados foram revendidos no mesmo estado, após serem submetidas a simples processo de acondionamento ou reacondicionamento, ou na falta de comprovação da destinação dada aos citados insumos, é cabível a cobrança do II não recolhido na operação de importação, em face da aplicação do regime, bem do reflexo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que deixou ser pago na citada operação. REGIME AUTOMOTIVO. PRODUTO SUBMETIDO A PROCESSO MONTAGEM. REDUÇÃO DO II. POSSIBILIDAE. 1. No âmbito do regime automotivo, por expressa previsão da lei de regência, ainda que mantida a mesma classificação fiscal, o componente importado submetido a processo de montagem atende os requisitos do citado incentivo fiscal, logo, deve ser restabelecido o direito à redução do II glosado e do correspondente débito do IPI reflexo. 2. Também faz jus ao referido incentivo o insumo parcialmente utilizado no processo produtivo, seja montagem ou transformação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 52 85 /0 0- 13 Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/05/1996 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. ASSEGURDO O CONTRADITÓRIO E PLENO EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, o auto de infração lavrado por autoridade competente, com observância dos requisitos legais e ciência regular do sujeito passivo, a quem foi oportunizado o contraditório e o pleno exercício do direito defesa, na forma da legislação vigente. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial deve ser produzida com a finalidade de proporcionar a autoridade julgadora a formação da sua livre convicção acerca da matéria fática, essencialmente, de natureza técnica. 2. Por está alçada do poder discricionário de convencimento da autoridade julgadora, não há vício de nulidade na decisão de primeira instância que apresenta fundamentação adequada e suficiente para justificar o indeferimento do pleito de realização de prova pericial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer o direito à redução de impostos incidentes na importação dos componentes parcialmente utilizados no processo de produção, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o voto encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 101 3 Versa o presente processo de auto de infração, para cobrança do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, multas de ofício e juros de mora, lavrado pela fiscalização por irregularidades constatadas na destinação das mercadorias importadas com benefício fiscal sob o amparo da Lei 9.449/97. Entendeu a fiscalização que as partes, peças, componentes e subconjuntos e semiacabados importados pela beneficiária com redução do Imposto de Importação deveriam ser usados no processo produtivo da empresa com o objetivo de integrar ou incorporar o produto final por ela fabricado. Realizada auditoria na empresa, a autoridade aduaneira concluiu que a determinação contida no parágrafo 5º do artigo 1º do citado diploma legal não foi atendida, uma vez que as mercadorias importadas com benefício fiscal foram objeto de revenda, uso parcial e a não comprovação de uso no processo produtivo da empresa. A fiscalização considerou que o procedimento consistente em acondicionar produtos importados com os incentivos do regime automotivo para comercialização tratase de revenda e, consequentemente, não são usados no processo produtivo da empresa, bem como uso parcial e falta de comprovação deste uso no processo produtivo caracterizam destinação diversa daquela prevista pelo regime automotivo. A ocorrência destes fatos foram julgados pelo autuante como infração a legislação acima referenciada e ao artigo 12 do DecretoLei 37/66, regulamentado pelo artigo 145 do Regulamento Aduaneiro. Inconformada com a autuação, a interessada apresentou impugnação, tempestivamente, em 28/12/2000, fls. 2.142 a 2.157, alegando em síntese que : Dos fatos 1. A impugnante é, essencialmente, indústria automotiva, fabricante de freios para veículos comerciais, bem como peças, componentes, acessórios e equipamentos relacionados com estes itens; 2. Por ser indústria automotiva, firmou com a União Federal, Termo de Aprovação n.º 049/96, que permitia a ela, empresa beneficiária, a importação, com redução de 85% de II, de matérias primas, partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, destinados a seu processo produtivo, respeitados os limites determinados em Lei; 3. Valendose do direito concedido pela União, a interessada realizou importações de partes, peças, componentes e subconjuntos, acabados e semiacabados, destinados a seu processo produtivo, com desconto de 85% do II; Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 4 4. No entanto, a fiscalização não concordou com o argumento da autuada, por entender que as referidas mercadorias foram importadas para revenda, o que é vedado pelo acordo firmado entre a União e a empresa. Assim, utilizandose de valores por amostragem e fatos incertos e indeterminados lavrou o auto de infração. Preliminares 5. O auto de infração não contém os requisitos necessários para seu perfeito entendimento, impossibilitando a impugnante de exercer plenamente o seu direito de defesa; 6. Não se encontra no auto de infração a descrição detalhada da infração cometida, o que fulmina o direito de ampla defesa constitucionalmente garantido; 7. O arbitramento dos valores que compõem o auto de infração foram calculados por amostragem. Assim, prejudicada está a defesa da interessada, vez que encontrase impossibilitada de defender cada um dos fatos não verificados, mas incluídos no auto de infração; 8. O auto de infração afirma que a empresa importou produtos que foram utilizados parcialmente no seu processo produtivo. Tal assertiva torna impossível a defesa de valores referentes à importação de peças que foram parcialmente utilizadas em seu processo produtivo, pois não há como aferir valor a uma mercadoria utilizada parcialmente ou nãoutilizada parcialmente no processo de produção; 9. Caso fosse possível considerar a utilização parcial, qual seria o percentual aplicado? Não se encontra nenhuma destas respostas no auto de infração defendido, o que compromete a garantia constitucional conferida a impugnante de se defender; 10. O auto de infração é nulo por não conter elementos capazes de possibilitar o direito de defesa, contrariando o artigo 10 do Decreto 70.235/72 e o dispositivo constitucional (artigo 5º, inciso LX); 11. Não se admite ser um auto de infração arbitrado por amostragem, pois não retratam os fatos concretamente ocorridos. Mérito 12. Agiu segundo o Termo de Aprovação n.º 049/96, expedido pelo Ministério da Indústria e Comércio e do Turismo, e Secretaria de Política – SPI, que regulou o seu regime automotivo; 13. Pelo citado termo, entre outros benefícios, à impugnante foi concedido o direito de importar, com redução do Imposto de Importação previsto no inciso II do artigo 3º do Decreto 1.761/95, matérias primas, partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, destinados ao seu processo produtivo; Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 102 5 14. No entanto, assim não entendeu a fiscalização e, de forma precária e temerária, afirmou, por amostragem, que “determinadas mercadorias importadas eram inspecionadas, reidentificadas e reembaladas para revenda”; 15. Atribuindo demasiada importância ao fato de que os produtos vendidos não se incorporaram ao produto final, caracterizou as operações como mera revenda e, portanto, desclassificou a venda dos produtos inseridos no regime automotivo; 16. Inicialmente, todas as peças e componentes mencionados no auto de infração são partes de diversos tipos de sistemas de freios, bem como partes de conjuntos e subconjuntos de equipamentos para freios; 17. Contrariamente ao entendimento da fiscalização, nenhum dos componentes foi vendido isoladamente, mas acoplados ou integrando um sistema, conjunto ou subconjunto; 18. Para a compreensão da integração dos sistemas, dos conjuntos e seus componentes, devido a complexidade técnica, é necessário a individualização de cada peça, conjunto e componente, por meio de perícia técnica; 19. Visualizandose a peça, individualmente, identificada pela nomenclatura ou código, jamais se poderia concluir se se trata de uma venda de um conjunto ou subconjunto, principalmente quando realizada por amostragem; 20. Por tais motivos, com fundamento no inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/72, requer seja deferido o pedido de perícia técnica; 21. Enfrenta o argumento do auto de infração, segundo o qual, a não incorporação do produto (peça a um produto final) levaria à desnaturação do regime automotivo; 22. O conceito utilizado pela autoridade administrativa restringe o conceito de processo produtivo, posto pela letra da Lei, Termo de Acordo e Decreto; 23. Nem o Termo de Aprovação de regime automotivo firmado pela impugnante nem a Medida Provisória que faculta o regime automotivo nem o Decreto que determina o significado dos conceitos utilizados na mencionada MP e TA autoriza a interpretação dada pelo Fisco; 24. Todos os dispositivos legais citados dispõem sobre o “processo produtivo”, mas em nenhum há a conceituação deste como “peça incorporada a um produto final”; 25. Assim, não se pode falar que “as mercadorias supracitadas não foram usadas no processo produtivo da empresa, vez que deixaram de incorporar o produto final”. A conclusão da fiscalização não é autorizada pela legislação aplicada ou pelo TA; Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 6 26. A afirmação de que as peças importadas não foram usadas no processo produtivo da empresa, além de ser decorrente de interpretação não autorizada por dispositivo legal é inverídica; 27. As peças importadas são inspecionadas, uma a uma, identificadas (número de série) e embaladas pela impugnante; 28. Referidas peças são adaptadas nos sistemas, conjuntos e subconjuntos, sendo testadas e inspecionadas uma a uma; 29. Nenhuma peça importada é simplesmente revendida; são testadas antes de acopladas; inspecionadas no conjunto e identificadas para efeito de norma de segurança em caso de defeito de série; 30. A montagem, compreendendo inspeção, identificação e embalagem, caracterizam um processo produtivo, tanto é que sobre estas operações incide também o IPI, conforme legislação em vigor (art. 3º, III e IV do Decreto n.º 87.981, de 23/12/82); 31. A própria legislação federal, que instituiu o IPI, determina que em caso de montagem e embalagem, há ocorrência de industrialização; 32. Não há na legislação brasileira norma que conceitue o processo produtivo diferentemente do que determina a lei que instituiu o IPI; 33. Levando em consideração o Princípio da Estrita Legalidade, não se pode admitir restrição a direito da impugnante de utilizarse de um benefício concedido por lei e regulamentado em termo de acordo sem lei que determine que caso a peça não integre o produto final não se considera parte de um processo produtivo. Pelo exposto, requer seja anulado o auto de infração impugnado, posto que não dispõe dos elementos necessários para o exercício da ampla defesa ou porque os tributos reclamados são exigidos por amostragem. Caso não seja este o entendimento, requer seja proferida prova pericial técnica para comprovação da efetiva utilização das peças importadas no processo produtivo, quer porque tenham de fato integrado produtos finais, ou porque simplesmente passam pelo processo de industrialização, julgandose, ao final, improcedente o lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2240/2252), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi declarado procedente, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 03/05/1996 Ementa: Regime Automotivo: O não emprego dos bens nos fins ou atividades para que foram importados. Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 103 7 O nãoemprego dos bens com redução de tributos nos fins ou atividades para que foram importados contrariam a condição objetiva da redução fiscal concedida pela Lei n.º 9.449/97. A falta de cumprimento das condições previstas na legislação acarreta perda da redução do II, recolhimento do IPI, multa de ofício e os juros de mora devidos. Dispositivos legais: parágrafo 5º do artigo 1º da Lei n.º 9.449/97, artigo 106, inciso I, alínea “a” do DecretoLei n.º 37/66, regulamentado pelo artigo 145 do RA, aprovado pelo Decreto 91.030/85. Em 24/6/2003, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 2254). Inconformada, em 17/7/2003, protocolou o recurso voluntário de fls. 2264/2274, em que reafirmou as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que nulidade da decisão recorrida, sob orgamento de que deixara de apreciar questão referente à nulidade do procedimento e indeferira o pedido de perícia, formulado com o intuito de esclarecer dúvidas inerentes vagueza do auto de infração, o que acorretara o cerceamento do exercício do direito de defesa. Para a recorrente, somente por meio de perícia técnica seria possível apurar se as vendas apontadas diziam respeito à venda isolada do produto ou à venda do produto agregado a um conjunto ou subconjunto. Questionou, finalmente, as conclusões da autoridade julgadora a quo, que reconhecera a incorporação das peças e componentes importadas com o beneficio em processo de industrialização (transformação), mas ainda assim afastara o benefício. Na Sessão de 16 de outubro de 2007, por intermédio da Resolução nº 303 01.371 (fls. 2279/2360), os membros da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, converteram o julgamento em diligência para que fosse trazido aos autos laudo técnico a ser elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), contendo respostas aos seguintes quesitos, in verbis: Queira o Sr Perito esclarecer em que consistia, a época do período objeto da autuação fiscal, e no que consiste atualmente a atividade da Recorrente e quais os produtos por ela fabricados e comercializados, indicando inclusive a classificação fiscal dos mesmos? Queira o Sr Perito identificar os produtos importados pela Recorrente, beneficiados pelo regime instituído pela Medida Provisória 1.024, de 13 de junho de 1995, que ensejaram o lançamento fiscal, e esclarecer a destinação de cada um deles, informando ainda se os mesmos, ou uma parte, foram comercializados pela Recorrente, tal como importados? Queira o Sr Perito apontar se os bens importados objeto da autuação fiscal sofreram algum tipo de transformação pela Recorrente e no que consiste esta alteração? Queira o Sr. Perito esclarecer o que se denomina sistema de freios, quais peças ou partes o compõem e, se as peças importadas objeto do lançamento, foram acopladas a esse sistema ou deste são parte? Queira o Sr. Perito esclarecer o que compreende um conjunto e um subconjunto de equipamentos de freios e o que os mesmos Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 8 representam no processo produtivo da Recorrente, informando também se os bens importados participam destes conjuntos ou subconjuntos? Em 30/9/2009, por meio da Resolução de Assistência Técnica de fls. 2376/2377, foram designados o perito e o assistente técnico, que apresentaram o Laudo Técnico de fls. 2378/2389, acompanhado dos anexos de fls. 2390/2657, em que apresentaram as respostas a todos quesitos formulados nos excertos de fls. 2380/2388. Por meio do Comunicado de fl. 2660, em 14/12/2010 (fl. 2663), a autuada foi cientificado do resultado da diligência. Esgotado o prazo regulamentar, sem manifestação da recorrente, o processo foi enviado a este Conselho, para continuação do julgamento. Na Sessão de julho 2014, em face do relator originário não mais integrar este Colegiado, os autos foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões de preliminares e de mérito. I Das Questões Preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que o arbitramento do lançamento foi feito por amostragem, o prejudicou a apresentação da defesa. Sem razão a recorrente. No caso, a recorrente confunde arbitramento de base de cálculo com fiscalização por amostragem, procedimentos que são distintos. Com efeito, nos termos do art. 148 do CTN, o primeiro procedimento ocorre quando se revelam omissos ou não mereçam fé o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, informados em declarações ou esclarecimentos prestados pelo sujeito à fiscalização, o que ocorreu nas autuações em questão, haja vista que a fiscalização, nos lançamentos, utilizou como base de cálculo os mesmos valores declarados pela própria recorrente nas Declarações de Importação (DI) que serviram de base para processamento dos respectivos despachos de importação, conforme se verifica nos Autos de Infração colacionados aos autos (fls. 2028/2187). Além dessa condição, sabidamente, o arbitramento do valor tributável é medida de natureza excepcional, que somente pode ser adotado pela fiscalização em situações expressamente autorizados em lei. Por sua vez, a amostragem é um método de seleção de itens a serem testados no procedimento de auditoria. As normas de auditoria1 definem a amostragem com sendo um processo para obtenção de dados aplicáveis a um conjunto, denominado universo ou 1 Nesse sentido dispõe a Norma Brasileira de Contabilidade, NBC T 11.11. Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/t1111.htm>. Acesso em 2 dez. 2014. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 104 9 população, por meio do exame de uma parte deste conjunto denominada amostra. Com base nessa definição extraise que a amostragem (i) tratase de um processo que é aplicado em parte da população (menos de 100%), (ii) os itens selecionados para fins de amostragem devem ser escolhidos aleotariamente e (iii) o auditor, por meio desse processo, é capaz de obter uma resposta para toda a população analisada. No caso, ao se deparar com um enorme quantidade de itens importados (população a ser auditada), a fiscalização recorreu ao procedimento de amostragem e assim definiu o rol dos produtos que seriam fiscalizados. Para esse fim, utilizouse das informações prestadas pela recorrente e dos documentos de importação, fiscais e de controle de estoque da própria recorrente, conforme excerto do Relatório Fiscal de fls. 1966/2187, a seguir transcrito: De posse dessas informações, selecionei por amostragem as mercadorias importadas com redução do imposto de importação, usando critério objetivo preço e quantidade da mercadoria face a extensa pauta de importacão da empresa beneficiária, afim [sic] de solicitar ao representante legal da empresa ou preposto, através de intimação fiscal quais produtos filiais que incorporaram tais mercadorias durante a vigência do regime automotivo e ainda a apresentação do livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. Da leitura do texto transcrito, fica esclarecido que, em decorrência da extensa pauta de importação, a fiscalização selecionou, por amostragem, determinadas mercadorias importadas com redução do Imposto de Importação (II), usando critério objetivo (preço e quantidade de mercadoria), e solicitou à fiscalizada, por meio de intimação fiscal, quais os produtos finais que incorporaram tais mercadorias durante a vigência do regime automotivo e, ainda, que fosse apresentado o livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, obrigatório para todo estabelecimento industrial. Em resposta, a fiscalizada declarou, por escrito (fls. 621/625), que as mercadorias previamente selecionadas, constante da citada intimação sofreram tãosomente: inspeção, identificação e troca de embalagem durante toda a vigência do regime automotivo. No que tange à apresentação do referido livro, informou a impossidade de apresentálo, pois não o escriturava, conforme relatou a fiscalização. De todo modo, diante da falta do referido livro, imprescindível para um levantamento preciso da entrada e saída das mercadorias importadas no estabelecimento, a fiscalização procedeu a auditoria e a obtenção dos dados necessários ao lançamento e comprovação da infração da infração, com base no confronto de informação fornecida pela própria autuada e a apurada em ato de fiscalização interna e externa, conforme explicitado nos excertos extraído do citado Relatório Fiscal (fl. 1971), que seguem transcritos: Devido ao fato da empresa não fornecer o livro Registro de Controle de Produção e do Estoque, consideramos as informações coletadas no setor de produção e o relatório de vendas da empresa, bem como o conteúdo das D.I's, onde foi reconstituída a conta de Compras de mercadoria c/ beneficio fiscal. Os critérios adotados pela fiscalização quando da glosa do beneficio fiscal foram os seguintes: Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 10 Mercadoria Reembalada Aquela que efetivamente não foi usada no processo produtivo, sendo simplesmente acondicionada durante a vigência do regime automotivo geral, sem integrar produto final fabricado pela empresa recuperação dos tributos dispensados por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação. Mercadoria Sem Comprovação de sua Total Utilização no Processo Produtivo recuperação dos tributos dispensados por ocasião do desembaraço aduaneiro de importação daquelas mercadorias que deixaram de integrar produto final fabricado pela cmpresa, caracterizando destinação diversa. CONCLUSÃO A fiscalização detectou irregularidades na utilização de mercadorias importadas com beneficio fiscal aos auspícios da Lei 9.449/97, como revenda de mercadorias, uso parcial e a não comprovação de uso no processo produtivo. Entendemos, literalmente, que o parágrafo 5° do artigo 1º deste diploma legal determinava que as partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabadosos importados com redução do I.I deveriam ter sido usados no processo produtivo da empresa no sentido de integrar ou incorporar produto final fabricado pela empresa, vez que um dos objetivos do regime automotivo era reduzir custo de produção. O procedimento consistente em acondicionar produtos importados com os incentivos do regime automotivo para comercialização é revenda e não constitui uso no processso produtivo da empresa; o uso parcial e a falta de comprovação de uso das mercadorias no processo produtivo, caracterizam destinação diversa a que alude o regime automotivo. O fato do processo de acondicionamento ser considerado operação industrial para fins de incidência do IPI reembalagcm de produtos importados não ampara tal procedimento. A definição de acondicinamento como operação industrial é especifica do IPI, não sendo válida sua aplicação de uma maneira genérica. Portanto, a ocorrência destes fatos constituem infração ao dispositivo legal supramencionado e ao artigo 145° do Regulamento Aduaneiro ( DecretoLei n° 37/66, art. 12°) pelo nãoemprego dos bens nos fins ou atividades para que foram importados com redução de tributos, acarretando perda da redução do I.I, recolhimento da diferença do IPI, multa de oficio e os juros de mora devidos, àquelas mercadorias utilizadas em desacordo com o que dispõe a legislação do regime automotivo. Ademais, estas ocorrências contrariam a condição objetiva da redução fiscal concedida pela Lei n° 9.449/97: Inciso II, do artigo 1' redução de até noventa por cento do imposto de importação incidente sobre matériasprimas, partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semi acabados, e pneumáticos. (grifos originais) Dessa forma, diante da clareza do texto anterioremnte transcrito, verificase que restou devidamente esclarecida não só o procedimento de autuação como a fonte de onde foram extraídos os dados e informações para a comprovação da infração atribuída à autuada, bem como dos valores utilizados como base de cálculo nas autuações em apreço, o que afasta qualquer Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 105 11 alegação de que não houve clareza na descrição dos fatos ou falta de menção de critérios na elaboração de lançamento. Portanto, diferentemente do que alegou a recorrente, os lançamentos não foram feitos por arbitmento e o procedimento de amostragem foi realizado apenas para fim de definir o univiverso de produtos a serem fiscalizados/auditados. Porém, um vez definida a amostra, todo o procedimento de verificação de cumprimento do regime e de apuração da base de cálculo das contribuições lançadas foi realizado com base nas informações prestadas pela recorrente (fls. 13 e ss.), nos livros fiscais apresentados por ela (fls. 145 e ss. e 628 e ss.), notas fiscais de saída (fl. 615), nas DI relativas às operações de importação (fls. 678 e ss.), nas DI e notas fiscais de entrada relativas às operações de importação (fls. 1994 e ss) e planilhas de fls. 1926 e ss., cujos dados encontramse consolidados nas planilhas de fls. 1974 e ss. Além disso, nas alegações de mérito, a recorrente demonstrou perfeito conhecimento dos motivos da autuação e da infração que lhe foi atribuída pela fiscalização, o que demonstra que, no caso em apreço, não houve o alegado cerceamento do direito de defesa, o que, aliás foi muito bem exercido nas robustas peças de defesa colacionadas aos autos pela autuada nas duas oportunidades em que lhe foi oportunizado o exercício do contraditório. Assim, resta demonstrado que os Autos de Infração em apreço foram lavrados em perfeita consonância com o disposto no art. 142 do CTN, pois, em conjunto com o citado Relatório Fiscal, comprovam a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e base tributável das contribuições lançadas, assim como atende adequadamente os requisitos estabalecidos no art. 10 do Decreto 70.235/1972. Por todas essas razões, rejeitase a alegação de nulidade das autuações suscitadas pela recorrente. Da nulidade da decisão de primeira instância. A recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instância, sob o argumento ao negar o pedido de realização de perícia, a Turma de Julgamento de primeiro grau havia lhe cerceado o direito de defesa. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. Sabidamente, o deferimento de pedido de realização de perícia ou diligência constitui uma prerrogativa da alçada do poder discricionário da autoridade julgadora, que, ainda que o pedido atenda os requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972, o deferimento depende da formação do convencimento da dita autoridade de que a produção da prova requerida é necessária, tendo em conta os critérios de imprescindibilidade e praticabilidade, o que não foi vislumbrado no âmbito do questionado julgamento. No caso, além de não atender os requisitos legais exigidos no citado preceito legal, o que caracteriza como não formulado o citado pedido (art. 16, § 1º, do Decreto 70.235/1972), em consonância com o disposto no art. 18 do Decreto 70.235/1972, a autoridade julgadora a quo, correta e fundamentadamente, indeferiu o pedido de perícia formulado, o que afasta qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa suscitado pela recorrente. De todo modo, com o deferimento da realização da perícia, por parte da Terceira Câmarra do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, certamente, a alegação de cerceamento do direito de defesa por tal motivo perdeu o seu objeto, bem como o referido pedido. Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 12 Por todas essas razões, rejeitase a presente a alegação de nulidade da decisão de primeira instância. II Das Questões de Mérito No mérito, o ponto fulcral da controvérsia gira torno do cumprimento ou não pela recorrente dos requisitos fixados no § 5º do art. 1º da Medida Provisória 1.351/1996, para usufruir da redução do Imposto sobre a Importação (II), concedida no inciso II do referido artigo, que seguem transcritos: Art. 1º Poderá ser concedida, nas condições fixadas em regulamento, com vigência até 31 de dezembro de 1999: I redução de noventa por cento do imposto de importação incidente sobre máquinas, equipamentos, inclusive de testes, ferramental, moldes e modelos para moldes, instrumentos e aparelhos industriais e de controle de qualidade, novos, bem como os respectivos acessórios, sobressalentes e peças de reposição; II redução de até noventa por cento do imposto de importação incidente sobre matériasprimas, partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos; e [...] § 5º Os produtos de que tratam os incisos I e II deverão compor o ativo permanente ou ser usados no processo produtivo da empresa, vedada a revenda, exceto nos casos e condições fixados em regulamento. [...] (grifos não originais) O texto em destaque é claro, portanto, não deixa qualquer dúvica no sentido de que a concessão do benefício da redução do regime automotivo estava condicionada a que os (i) bens de capital (BK), relacionados no inciso I, fossem incorporados ao ativo permanente (matéria estranha aos autos) e (ii) os insumos, relacionados no inciso II, fossem usados no processo produtivo da beneficiária do regime. Ademais, a revenda de qualquer dos produtos foi expressamente vedada, exceto nos casos e condições fixados em regulamento, o que não ocorreu. A matéria foi regulamentada pelo Decreto 2.072/1996, cujo art. 2º apresenta algumas definições que são relevantes para o deslinde da controvérsia, conforme excertos a seguir transcritos: Art. 2º Para fins desse Decreto, consideramse: [...] II "Insumos": matériasprimas, partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos, destinados aos produtos relacionados no inciso IV; [...] IV "Beneficiários": empresas montadoras e fabricantes de: Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 106 13 a) veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de três rodas ou mais e jipes; b) caminhonetas, furgões, pickups e veículos automotores de quatro rodas ou mais para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a quatro toneladas; c) veículos automotores terrestres de transporte de mercadorias de capacidade de carga igual ou superior a quatro toneladas, veículos terrestres para transporte de dez pessoas ou mais e caminhõestratores; d) tratores agrícolas e colheitadeiras; e) tratores, máquinas rodoviárias e de escavação e empilhadeiras; f) carroçarias para veículos automotores em geral; g) reboques e semireboques utilizados para o transporte de mercadorias; h) partes, peças e componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados e pneumáticos, destinados aos produtos relacionados nesta e nas alíneas anteriores; [...] (grifos não originais) Da leitura conjunta do art. 1º, § 5º, da Medida Provisória 1.351/1996, combinada com as disposições dos preceitos em destaque do art. 2º do citado Decreto, algumas conclusões podem ser extraídas. A primeira é que os beneficiários do regime somente podem ser empresas montadoras e fabricantes dos produtos relacionados nas alíneas “a” a “h” do inciso IV do citado artigo. A segunda é, no que tange aos fabricantes de “partes, peças e componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados e pneumáticos”, situação em que se inclui a recorrente, o preceito regulamentar (inciso II) deixa bem claro que somente os insumos destinados a fabricação dos citados componentes (relacionado na alínea “h”) estão contemplados pelo benefício fiscal. Com base nessa segunda conclusão fica evidenciado que somente os insumos submetido a transformação e/ou montagem estavam contemplados com o benefício da redução em apreço. E o motivo da limitação apenas a essas operações de industrialização era claro, ou seja, o benefício da redução tributária do regime automotivo visava dar competividade ao produto industrializado no País, com insumos importados. E para evitar a mera maquiagem dos produtos importados e, dessa forma, prejudicar a indústria nacional, no âmbito referido regime foi expressamente proibida a revenda dos insumos importados ao amparado do citado benefício fiscal. Com o mesmo objetivo (evitar a mera maquiagem em detrimento da indústria nacional), as operações de beneficiamento, acondicionamento ou reacondicionamento e renovação ou recondicionamento não foram contempladas com os favores do citado regime automotivo. E razão é óbvia, a realização dessas operações não resulta na obtenção de espécie Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 14 nova, conforme se verifica nas definições veiculadas nos incisos I a V do art. 3º Decreto 87.981/1982 (RIPI/1982), vigente na época dos fatos, a seguir transcritos: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, eLei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafoúnico.São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. (grifos não originais) Assim, uma vez definido os limites e requisitos legais para gozo do benefício em comento, passase a análise da controvérsia, tendo em conta os argumentos suscitados pela fiscalização e pela recorrente. Para a fiscalização, a recorrente havia descumprido parcialmente o regime e cometido duas irregularidade, pois, parte da mercadoria: a) não foi usada no processo produtivo, sendo simplesmente acondicionada durante a vigência do regime automotivo geral, sem integrar produto final fabricado pela empresa (mercadoria reembalada); e b) deixaram de integrar produto final fabricado pela beneficiária do regime, caracterizando destinação diversa determinada pelo regime automotivo, por uso parcial e falta de comprovação de uso das mercadorias no processo produtivo da empresa (Mercadoria Sem Comprovação de sua Total Utilização no Processo Produtivo). Em outras palavras, para a fiscalização (i) o procedimento consistente em acondicionar produtos importados, com os incentivos do regime automotivo e para fim de comercialização, era considerado uma operação de revenda e, por conseguinte, não representava uso do produto no processso produtivo da beneficiária do regime, enquanto que (ii) o uso parcial e a falta de comprovação de uso dos produtos no processo produtivo caracterizavam destinação diversa da exigida pelo regime automotivo. Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 107 15 Por sua vez, a recorrente alegou que a conclusão a que chegou a r. decisão recorrida, no sentido de que o processo de industrialização era o de transformação, estava desautorizada e equivocada. Desautorizada porque o relator do voto condutor da decisão hostilizada não tinha conhecimento técnico suficiente para que pudesse alcançála. E equivocada porque era evidente que uma empresa do porte e com as características da recorrente não trabalhava com apenas uma espécie de industrialização. Em razão dessa discordância, os componentes da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes decidiram converter o julgamento em diligência e o voto condutor do julgado esclareceu as razões da decisão de solicitar a produção da prova pericial requerida, conforme se extrai dos trechos a seguir reproduzidos: Todavia, entendo que para concluir pela destinação imprópria dos bens importados e, por conseguinte, pela procedência da autuação, se faz necessário constar nos autos, de forma clara e precisa, as características das peças importadas objeto do auto de infração, o destino das mesmas, o que constitui o processo produtivo do contribuinte, o que caracteriza o uso parcial das referidas peças importadas, bem assim quais das peças importadas a Recorrente não comprovou sua utilização no seu processo produtivo. Portanto, a meu ver, sem os esclarecimentos acima mencionados, não da para dispensar a realização de prova pericial, especialmente, com a devida vênia, sob o fundamento utilizado pela decisão recorrida. (grifos não originais) Da leitura dos bem claros argumentos da i. Relatora, inferese que finalidade da produção da prova pericial era obter: a) a descrição das peças importadas objeto do auto infração; b) o que constitui o processo produtivo da contribuinte; c) o que caracteriza o uso parcial das referidas perças; d) o destino das mesmas; e e) quais peças importadas a contribuinte não comprovou a sua utilização no seu processo produtivo. Dessas cinco razões, verificase que apenas as três primeiras, descritas nas alíneas “a” e “c” tratavamse de matéria de natureza técnica e que, por força dessa característica, demandava o concurso de esclarecimento de um espcialista na matéria. Entretanto, as duas últimas, descritas nas alíneas “d” e “e”, a meu ver, não demandava a necessidade de produção de prova pericial, mas meramente documental, uma vez que tratavam de fatos que deveriam ser comprovados por meio de documentos hábeis e idôneos da escrituração contábil e fiscal da recorrente, espceficamente, por meio do livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou equivalente sistema de controle da produção e do estoque. Nesse sentido, é importante destacar que a adoção e a escrituração do livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, ou do sistema de controle da produção e do estoque, eram (e ainda são) obrigatórias para todo o estabelecimento industrial, conforme estabelecia o art. 265, III, e os arts, 279 a 283 do RIPI/1982. Tratase de livro indispensável para fim de comprovação da aplicação dos insumos utilizados na produção, haja vista que ele destinase ao controle quantitativo da produção e do estoque de mercadorias, bem como a escrituração de documentos fiscais relativos às entradas e saídas de mercadorias, e os documentos de uso interno, referentes à sua movimentação no estabelecimento, conforme estabelecido no art. 279 do RIPI/1982, a seguir transcrito: Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 16 Art. 279. O livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, destinase ao controle quantitativo da produção e do estoque de mercadorias e, também, ao fornecimento de dados para preenchimento do documento de prestação de informações à repartição fiscal. § 1º Serão escriturados no livro os documentos fiscais relativos às entradas e saídas de mercadorias, bem como os documentos de uso interno, referentes à sua movimentação no estabelecimento. § 2º Não serão objeto de escrituração as entradas de produtos destinados ao ativo fixo ou ao uso do próprio estabelecimento. § 3º Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando se tratar de produtos com a mesma classificação fiscal na TIPI, poderá autorizar o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, a agrupálos numa mesma folha. No caso, como a recorrente era beneficiária de incentivo fiscal condicionado a comprovação da destinação dos insumos importados, sabidamente, o referido do livro ou o sistema de controle da produção e do estoque alternativo eram de todo necessário e indispensável para fim de comprovação da destinação e/ou aplicação dos insumos importados com a redução do regime automotivo. Tal controle e comprova revelase imprescindível, com vistas a evitar desvio de finalidade e prática fraude por parte do beneficiário do regime, mediante mera maquiagem dos produtos importados, com sérios danos à indústria do País. No entanto, apesar da imprescindibilidade do referido livro ou do sistema alternativo de controle da produção e do estoque, para fim de demonstrar a aplicação dos insumos no processo produtivo, a fiscalizada, embora intimada pela fiscalização, não apresentou o referido livro nem sistema de controle alternativo. Ademais, segundo a fiscalização, a fiscalizada informou que não tinha escriturado o referido livro. Da prova pericial produzida. Da análise das respostas aos quesitos apresentadas no Laudo Pericial de fls. 2378/2389 e nas demais informações explicitadas nos documentos a ele anexados (fls. 2390/2657), verificase que foram apresentadas dados e esclarecimentos de natureza técnica relevantes para compreensão do processo produtivo geral da recorrente e a função de cada insumo importado na composição dos produtos finais por ela fabricado. No entanto, como já previamente alertado, compulsando os referidos documentos, não foi encontrado qualquer informação, baseada em documentos contábil e fiscal hábil e idôneo, que demonstrasse como foram utilizados/aplicados os insumos importados pela autuada. Apesar da grande quantidade de documentos que foram colacionados aos autos pelo autor do referido Laudo, não existe um único documento fiscal ou contábil que comprove qualquer afirmação acerca da destinação dada aos produtos pela recorrente. Além disso, da leitura das respostas apresentadas no referido Laudo, verifica se que, com exceção da resposta aos segundo e terceiro quesitos, todas as demais limitaramse a descrever o processo produtivo da recorrente, que já constava dos autos, e explicações sobre as operações e os detalhes técnicos de fabricação de cada produto fabricado pela recorrente, sem qualquer vinculação com as autuações em apreço. Assim, por ter alguma relação com os fatos objeto da controvérsia, aqui será analidada apenas a resposta apresentada em relação aos segundo e terceiro quesitos, que seguem integralmente reproduzidos (quesitos e resposta): Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 108 17 2 Queira o Sr. Perito identificar os produtos importados pela Recorrente, beneficiados pelo regime instituído pela Medida Provisória 1.024, de 13 de Junho de 1995, que ensejaram o lançamento fiscal e esclarecer a destinação de cada um deles, informando ainda se os mesmos, ou em parte, foram comercializados pela Recorrente, tal como importados? 3 Queira o Sr. Perito apontar se os bens importados objeto da autuação fiscal sofreram algum tipo de transformação pela Recorrente e no que consiste esta alteração? R. Os quesitos nºs.: 2 e 3 serão respondidos simultaneamente, conforme explicações abaixo: A identificação dos produtos importados através da utilização dos benefícios do Regime Automotivo, objeto do lançamento fiscal mencionado, estão identificados no Anexo 4: tabela. Na tabela supramencionada, foram reproduzidos todas as mercadorias importadas objeto do Auto de Infração, relacionando as respectivas Declarações de Importação (Dls) e seus aditivos. Conforme podese verificar na Tabela, todas as mercadorias foram incorporadas, através do processo produtivo da KNORR BREMSE, em seu produto final, ou seja, “Sistemas de Freios” para veículos comerciais (caminhões e ônibus). A grande maioria dos itens importados, são peças que compõe um conjunto ou subconjunto de “Sistema de Freios”. Tais peças, combinadas com outras produzidas internamente ou adquiridas no mercado interno, formam os subconjuntos ou conjuntos que integram os conjuntos que uma vez instalados no veiculo, compõe o produto final da KNORRBREMSE. Os desenhos de referência, anexo 5 e as listas de componentes dos Anexos mencionados na Tabela, auxiliam no entendimento da utilização da mercadoria importada no processo de industrialização, representado pelas atividades de montagem dos componentes nos conjuntos ou subconjuntos. Outras mercadorias importadas foram incorporadas no produto final da KNORRBREMSE, somente na linha de montagem das montadoras de veículos, tendo em vista as características especificas do veiculo e do sistema de logística da cliente montadora de veículos. Tais mercadorias são importadas em sua regulagem padrão de fábrica e portanto, sem qualquer adaptação ou regulagem para aplicação aos veículos nas montadoras. Por esta razão, antes de ser entregue à montadora de veículos, as mercadorias são submetidas ao processo de calibragem e regulagem para serem adaptadas às características dos veículos onde serão montadas. Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 18 No Anexo 6: “Procedimento Testes” descrevese os procedimentos sofridos por tais mercadorias, que incluem a aplicação de testes de estanqueidade e calibragem, para atendimento das características especificas do conjunto de freios como um todo, que será fornecido e montado nos veículos. De todas as assertivas feitas pelo i. Perito, uma merece destaque especial, a que segue novamente reproduzida, in verbis: Conforme podese verificar na Tabela, todas as mercadorias foram incorporadas, através do processo produtivo da KNORR BREMSE, em seu produto final, ou seja, “Sistemas de Freios” para veículos comerciais (caminhões e ônibus). (grifos não originais) Previamente, cabe esclarecer que a Tabela de fls. 2464/2472, a que se refere o i. Perito, contém apenas descrição do componente ou peça e a sua aplicação como conjunto ou componente utilizado na montagem de diversos sistemas de freios ou montagem de compressores. Portanto, informações estritamente de caráter técnico. Dado esse contexto, verificase que, se a assertiva do i. Perito referese apenas ao uso e aplicação, em geral, das peças, conjuntos ou componentes descritos na citada Tabela, certamente, na condição de perito engenheiro, procedeu bem e disse o que devia dizer, haja vista que há fartas provas técnicas (catálogos, desenhos, prospectos, fotografias etc.) colacionados aos autos (fls. 2473/2476) que dão suporte a tal assertiva. Logo, sob esse aspecto tal assertiva tem relevância para o deslinde da controvérsia. Porém, se a assertiva do i. Perito referese ao uso e aplicação, em especial, das peças, conjuntos e componentes importados pela recorrente, induvidosamente, na condição de perito contábil, procedeu mal e disse o que não devia dizer, haja vista que sua afirmativa não tem suporte em qualquer elemento probatório adequado e idôneo colacionado aos autos. Logo, sob esse aspecto, tal assertiva não tem qualquer relevância para o deslinde do litígio. Sob ponto de vista do aspecto fático e não técnico, para que o i. Perito afirmasse que todos os conjuntos, componentes e peças importados pela recorrente, objeto das autuações, foram incorporados ao produto final fabricado pela corrente (sistemas de freios, compressor etc.) ele deveria, necessariamente, trazer elementos hábeis e idôneos que infirmassem a resposta dada pela própria recorrente (fls. 621/625), em resposta a intimações da fiscalização, de que (i) os produtos discriminados na Relação de fl. 1969 foram simplesmente inspecionados e embalados e (ii) os produtos discriminados na Relação de fl. 1970, parte foi parcialmente utilizada processo produtivo (montagem, usinagem etc.) e outra foi informada como inexistente (ou seja sem prova da destinação). Diante dessa evidente contradição, o que deve prevalecer, é a informação prestada pela recorrente, respaldada nos dados acerca da utilização/aplicação dos insumos importados, extraídos dos seus livros e documentos fiscais, ou a informação do i. Perito que, com base apenas em catálogos, desenhos, fotografias, asseverou que todas as mercadorias importadas foram todas incorporadas ao seu produto final, o sistema de freios? Certamente, por mais que seja conhecedor do processo produtivo e dos detalhes técnicos sobre a fabricação dos produdos importados pela recorrente, sem suporte em prova adequada, o i. Perito não poderia contraditar uma informação que foi prestada pela própria autuada (fls. 621/625) de que (i) parte dos componentes importados foram apenas reembalados, (ii) outros foram apenas inspecionados, identificados e trocada embalagem, (iii) Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 109 19 outros itens foram não foi informado qualquer destinação, (iv) outros mais foram montados, usinados, agregados a oturos produtos etc. Dada essa constatação, a meu ver, o que deve prevalecer é a informação prestada, por escrito, pela recorrente, até prova em contrário que desmitam a sua informação, que, certamente, deve estar respaldada em prova adequada e suficiente. E a contraprova adequada, para tal fim, certamente, seria o livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque, que a recorrente estava obrigada a escriturar e apresentar a fiscalização, mas, embora devidamente intimada, não apresentou. Logo, por não está baseada em documentos hábeis e idôneos, que comprove como foram aplicados os produtos improtados objeto da autuação, a resposta apresentada pelo i. Perito, apenas serve de elemento para compreensão da função de cada insumo importado, mas nada prova como tais insumos foram, de fato, utilizados/aplicados no citado processo de produção da recorrente. Além disso, causa estranheza o fato de que, em relação aos demais produtos não relacionados nos Autos de Infração (Anexo 6 de fls. 2476/2520), também sem amparo em qualquer documento idôneo, afirmou o i. Perito, que eles não foram incorporados ao produto final da recorrente, ou seja, antes de ser entregue à montadora de veículos, esses componentes foram apenas submetidos ao processo de calibragem e regulagem para serem adaptados às características dos veículos onde foram montados. E por que somente os insumos não relacionadas nos Autos de Infração? Como não há documentos, nos autos, que ratifique tal afirmação, fica impossível extrair uma resposta racional para essa indagação. Por todas essas razões, todos os esclarecimentos prestados no referido Laudo e demais documentos que o integra, serão considerados apenas nos seus aspectos estritamente técnicos, haja vista que não há qualquer prova que corrobore as conclusões de natureza fática que, implicita ou explicitamente, nele tenham sido consignadas, em especial, quanto a forma de utilização/aplicação dos componentes importados pela recorrente, objeto das questionadas autuações. Da glosa do II relativo às mercadorias reembaladas. De acorodo a fiscalização, mercadorias reembaladas foram aquelas que não foram usadas/aplicadas no processo produtivo da recorrente (exclusivamente de transformação, segundo a fiscalização), sendo simplesmente acondicionada durante a vigência do regime automotivo geral, sem integrar produto final fabricado pela empresa. Em relação a esse ponto da controvérsia, a recorrente não apresentou qualquer elemento de prova que informasse a informação por ela prestada na fase de procedimento fiscal (fls. 621/625). Ademais, no recurso em apreço, apenas alegou que a operação de acondicionamento ou reacondicionamento também integrava o seu processo produtivo. Com base nas conclusões anteriormente apresentadas, no sentido de que apenas as operações de transformação e montagem estão compreendidas no processo de produção que assegura a redução tributária em apreço, consequentemente, tais insumos por terem sido simples embalados e assim revendidas, induvidosamente, não atendem os requisitos Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A 20 do regime especial em comento. Aliás, em relação a esse item, a própria fiscalização declarou, por escrito, que estes componentes sofreram tãosomente inspeção, identificação e troca de embalagem durante toda vigência do regime automotivo. Ademais, no presente recurso, nada foi dito, especificamente, sobre essa irregularidade. Assim, na ausência de prova em contrário, fica confirmada a irregularidade apurada pela fiscalização e o acerto da glosa dos respectivos valores do II indevidamente reduzidos e não pagos no âmbito do despacho aduaneiro, em relação às mercadorias discriminadas na Relação de fl. 1969. Da glosa do II relativo às mercadorias parcial aplicadas ou sem comprovação de uso no processo produtivo. A glosa relativa a “Mercadoria Sem Comprovação de sua Total Utilização no Processo Produtivo”, segundo a fiscalização, compreende (i) o uso parcial e (ii) a falta de comprovação de uso dos produtos no processo produtivo. Em relação a falta de comprovação da aplicação dos componentes importados no processo produtivo da recorrente, tratase de fato que se encontra confirmado pela informação prestada pela própria recorrente, conforme explicitado nos documentos de fls. 621/625. Diante dessa constação, e na ausência prova em contrário que infirme a informação prestada pela recorrente, a meu ver, a fiscalização, acertadamente, procedeu a glosa dos respectivos valores indevidamente reduzidos do II, por conseguinte, nenhum reparo merece esse procedimento, devendo ser mantida a cobrança dos respectivos créditos tributários. No que concerne ao uso parcial dos componentes no processo produtivo da recorrente, a mesma conclusão não pode ser aplicada e, não porque a recorrente tenha comprovado uso parcial dos insumos parcialmente aplicados nos processo de montagem, usinagem ou agregados a oturos produtos, conforme informado nos documentos de fls. 621/625, mas porque a fiscalização não apresentou provas de que não era verdadeira a informação prestada pela recorrente. Diante dessa constatação e tendo em conta que a resposta apresentada aos quesitos segundo e terceiro, anteriormente transcrita, no sentido de que os desenhos de referência, que integravam o Anexo 5 (fls. 2473/2475), e a relação de componentes do Anexo 4 (fls. 2464/2472), auxiliavam “no entendimento da utilização da mercadoria importada no processo de industrialização, representado pelas atividades de montagem dos componentes nos conjuntos ou subconjuntos.”, a meu ver, é suficiente para demonstrar que a recorrente, além da atividade industrial de transformação, também exercia a atividade industrial de mantagem de componentes. Com base nessa assertiva e tendo em conta que não há, nos autos, qualquer elemento probatório que infirme a utilização de parte dos componentes no processo industrial de montagem da recorrente, chegase a conclusão que todos itens que foram parcialmente utitizados no processo de montagem e transformação (usinagem), discriminados na Relação de fl. 1970, atendem os requisitos do regime de redução em apreço, por conseguinte, deve ser restabelecido o direito da recorrente à redução dos valores do II glosados pela fiscalização e dos valores reflexos do IPI lançados. III Da Conclusão Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10314.005285/0013 Acórdão n.º 3102002.347 S3C1T2 Fl. 110 21 Por todo o exposto, votase, em preliminar, pela rejeição das alegações de nulidades das autuações e decisão recorrida, suscitadas pela recorrente, e, no mérito, pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer o direito da recorrente à redução dos valores do II glosados pela fiscalização e dos valores reflexos do IPI lançados, somente em relação aos componentes parcialmente utitizados no processo de produção, discriminados na Relação de fl. 1970. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 05 /03/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 15540.000412/2007-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007
RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE.
Não impugnada a matéria da contribuição principal, e optado o contribuinte por apenas realizar a retificação das obrigações acessórias, dentro do prazo de impugnação para obter a relevação da multa, nos termos do art. 291 do Decreto 3.048/2000, esta não surtirá efeito acaso o contribuinte atribua base de cálculo menor do que aquela apurada pela fiscalização.
MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES
Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado na art. 32-A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007 RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Não impugnada a matéria da contribuição principal, e optado o contribuinte por apenas realizar a retificação das obrigações acessórias, dentro do prazo de impugnação para obter a relevação da multa, nos termos do art. 291 do Decreto 3.048/2000, esta não surtirá efeito acaso o contribuinte atribua base de cálculo menor do que aquela apurada pela fiscalização. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2007 RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Não impugnada a matéria da contribuição principal, e optado o contribuinte por apenas realizar a retificação das obrigações acessórias, dentro do prazo de impugnação para obter a relevação da multa, nos termos do art. 291 do Decreto 3.048/2000, esta não surtirá efeito acaso o contribuinte atribua base de cálculo menor do que aquela apurada pela fiscalização. MULTA. RECÁLCULO. GFIP. OMISSÃO. FATOS GERADORES Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Com o advento da Lei 11.941.09, para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado na art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 04 12 /2 00 7- 94 Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15540.000412/200794 Acórdão n.º 2403002.940 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, nº 1222.125, fls. 685/693, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.063.2494, referente ao período de 01/2003 a 12/2003, no valor de R$ 11.065,30 (onze mil, sessenta e cinco reais e trinta centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de multa pelo fato de o contribuinte não ter considerado como fato gerador das contribuições previdenciárias os valores referentes à indenização de transporte pago a seus segurados nas competências 01/2003 a 12/2003, uma vez que teria substituído o ValeTransporte por antecipação em dinheiro, o que estaria em desacordo com o determinado pela lei, conforme Relatório Fiscal, fls. 13/25. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa apresentou petição por meio do instrumento de fls. 435/437, informando que a falta fora corrigida dentro do prazo de impugnação e por esta razão, requereu a relevação da multa aplicada. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do contribuinte, a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJOI, prolatou o Acórdão nº 1222.154 de fls. 685/693, o qual julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 VALE TRANSPORTE EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ValeTransporte concedido em desacordo com a legislação própria integra o salário de contribuição, conforme artigo 28, parágrafo 9º, alínea “f” da Lei nº 8.212/91. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. Apresentar GFIP com os fatos geradores não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme art. 32, IV e §5º, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97, configura descumprimento de dever jurídico tributário instrumental, sujeito à lavratura de Auto de Infração, com vistas à constituição de crédito tributário, na forma do art. 113, § 2º, da Lei 5.172,/66 – Código Tributário Nacional e Art. 33, § 7º, da Lei 8.212/91. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Lançamento Procedente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, a recorrente, PETROCOL PETRÓLEO COMERCIAL LTDA., interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 701/707, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, do argumento de que houve correção da falta apontada pela autoridade fiscal, ou seja, a GFIP foi retificada após a lavratura do Auto de Infração, como se pode observar pela Impugnação. É o relatório. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15540.000412/200794 Acórdão n.º 2403002.940 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE O registro de fl. 1.103 afirma que o Recurso Voluntário é intempestivo, todavia, se faz necessário tecer alguns comentários para demonstrar o contrário. De acordo com registro de fl. 697, o contribuinte tomou ciência da decisão de 1ª instância em 30 de dezembro de 2008 (terçafeira), e o prazo deveria contar a partir do dia 31 de dezembro, de forma que o último dia para protocolo do Recurso Voluntário seria em 29/01/2009. Contudo, de acordo com a Portaria 855, de 26 de novembro de 2007, em que foram divulgados os feriados e dias de ponto facultativo do ano de 2008, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, em seu art. 1º, XVI, o dia 31 de dezembro de 2008 é ponto facultativo, logo, o prazo só deve ser contado a partir do dia 2 de janeiro, uma vez que 01 de janeiro é feriado, conforme art. 5º do Decreto 70.235/72 e art. 210 do CTN. Assim sendo, uma vez que o Recurso foi protocolado em 30 de janeiro de 2009, entendo que é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO O mérito da contribuição incidente sobre a verba paga a título de Vale Transporte não será enfrentado em razão da expressa renúncia do recorrente, em razão do disposto no art. 16, III, do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: ... III Os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e as provas que possuir A recorrente, por sua vez, afirma não ter impugnado o lançamento efetuado pela Receita Federal, o que é afirmado pela mesma no item 3 do Recurso Voluntário, na fl. 705, colacionado abaixo: 3 A recorrente não impugnou o lançamento efetuado pela Receita Federal do Brasil (RFB), mas alterou as GFIP's, compondo as bases de cálculo tal como solicitado pelo Auditor Fiscal atuante em sua planilha de fl. 11, para que a aplicação da penalidade pecuniária, (multa) fosse relevada. Dessa forma, passase a análise do mérito da relevação da multa. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 O art. 291 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, antes de ser revogado pelo Decreto nº 6.727, de 12 de janeiro de 2009, previa a possibilidade de a autoridade administrativa relevar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória no caso de haver pedido do autuado dentro do prazo de defesa, de o infrator ser primário, ter corrigido a falta e não ter incorrido em nenhuma circunstância agravante: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. §2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. §3° A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. A DRJ informou que não haveria que se falar em relevação da multa uma vez que o contribuinte teria, ao retificar a sua obrigação acessória, adotado base de cálculo menor do que aquela realmente devida, conforme apurado pela fiscalização. Na fl. 23, a fiscalização apresenta planilha de cálculo e informa, dentre outros, a base de cálculo total considerada, o valor declarado em GFIP e o valor não declarado em GFIP, todos por competência. A partir destes elementos e realizandose o cruzamento das GFIPs, retificadoras apresentadas com as informações da fl. 23, percebese que assiste razão à DRJ, já que o contribuinte não efetuou a retificação conforme a base apurada pelo fiscal. Para tanto, vejase a tabela demonstrativa abaixo: COMP BC TOTAL CONSIDERADA VALOR DECLARADO GFIP ORIGINAL VALOR NÃO DECLARADO GFIP VALOR DECLARADO GFIP RETIFICADORA DIFERENÇA ‐ BC GFIP RET ‐ FISCAL GFIP RETIFICADORA ‐ FL. jan/03 20.357,12R$ 17.482,35R$ 2.874,77R$ 17.921,51R$ 2.435,61R$ 473 fev/03 17.682,49R$ 15.282,99R$ 2.399,50R$ 15.984,17R$ 1.698,32R$ 498 mar/03 18.550,02R$ 16.631,82R$ 1.918,20R$ 12.971,95R$ 5.578,07R$ 505 abr/03 18.188,24R$ 15.934,64R$ 2.253,60R$ 14.818,67R$ 3.369,57R$ 521 mai/03 19.657,71R$ 16.723,51R$ 2.934,20R$ 16.841,29R$ 2.816,42R$ 539 jun/03 21.094,26R$ 18.372,66R$ 2.721,60R$ 16.926,73R$ 4.167,53R$ 557 jul/03 29.593,24R$ 25.905,07R$ 3.688,17R$ 24.124,76R$ 5.468,48R$ 575 ago/03 26.528,96R$ 22.800,76R$ 3.728,20R$ 23.124,85R$ 3.404,11R$ 593 set/03 23.088,04R$ 19.862,64R$ 3.225,40R$ 18.405,18R$ 4.682,86R$ 611 out/03 19.123,87R$ 15.943,47R$ 3.180,40R$ 16.391,17R$ 2.732,70R$ 629 nov/03 20.144,75R$ 16.960,03R$ 3.184,72R$ 17.281,19R$ 2.863,56R$ 647 dez/03 20.091,09R$ 16.232,67R$ 3.858,42R$ 17.365,43R$ 2.725,66R$ 665 Da tabela acima, percebese que as todas as GFIPs retificadoras transmitidas pelo contribuinte estão com base de cálculo de contribuição previdenciária à menor do que aquela apurada pela fiscalização. Há, inclusive, meses em que a base de cálculo da própria GFIP retificadora está menor do que a GFIP original (mar/03, abr/03, jun/03,jul/03,set/03). Ante o exposto, não há que se falar em relevação da multa aplicada. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15540.000412/200794 Acórdão n.º 2403002.940 S2C4T3 Fl. 5 7 DO RECÁLCULO DA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, da Lei nº 8.212/91 e do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, nos moldes transcritos acima. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do presente Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o determinado no art. 32A, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, na forma descrita no corpo do voto. Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11516.001871/2005-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. RECEITA DE VENDA DE CARVÃO MINERAL. INCIDÊNCIA DESDE NOVEMBRO DE 1999
As receitas auferidas por sociedades cooperativas advindas da venda de carvão mineral a terceiros sujeitam-se à incidência do PIS e da Cofins, para os fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1999.
APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3202-001.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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INCIDÊNCIA Recorrente COOPERATIVA DE EXTRAÇÃO DE CARVÃO MINERAL DOS TRABALHADORES DE CRICIÚMA (COOPERMINAS) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. RECEITA DE VENDA DE CARVÃO MINERAL. INCIDÊNCIA DESDE NOVEMBRO DE 1999 As receitas auferidas por sociedades cooperativas advindas da venda de carvão mineral a terceiros sujeitamse à incidência do PIS e da Cofins, para os fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1999. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 71 /2 00 5- 70 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 529 2 Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração lavrado em 18/07/2005 (com ciência em 19/07/2005), para a cobrança do PIS, juros de mora e multa de ofício sobre as receitas auferidas com a venda de carvão mineral, para os períodos de apuração 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, no montante de R$ 995.873,76. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Cuida o presente processo da lavratura de auto de infração (fls. 188 a 194) incluindo respectivos termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados (fls. 177 a 187, 196 a 205) , contra o sujeito passivo em epígrafe, cuja ciência se deu em 19/7/2005 (fl.188), sendo constituído crédito tributário relativamente à contribuição para financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativamente ao código Receita 2986 (PIS — LANÇAMENTO DE OFÍCIO), no valor de R$436.197,87, juros de mora (calculados até 30/6/2005) no valor de R$232.527,71, multa de ofício no valor de R$327.148,18 (fl. 188), cujos fatos geradores se referem a 31/3 a 31/12/2000, 31/1 a 31/12/2001, 31/1 a 30/12/2002, 31/1 a 31/12/2003, 31/1 a 31/12/2004; sendo que a descrição dos fatos e enquadramento legal constam discriminados, respectivamente, às fls. 188 a 191, 193 e 194. 2. Consta às fls. 4 e 5 que, em 3/3/2005, teve início a respectiva ação fiscal. E é relatado às fls. 197 a 205 que, em 18/7/2005, foi lavrado Termo de Encerramento e Verificação Fiscal, parte integrante do referido auto de infração, cuja ciência se deu em 19/7/2005 (fl. 205). 3. Irresignado com o lançamento de que teve ciência em 19/7/2005 (fl. 188), o contribuinte apresentou, em 18/8/2005 (fl. 208), impugnação que consta às fls. 208 a 246, acompanhada dos documentos às fls. 247 a 406, 409 a 492, por meio da qual, em síntese, assim se manifesta, ipsis verbis: 3.1. Historia a impugnante às fls. 209 a 211 acerca da criação da Cooperativa de Extração de Carvão Mineral dos Trabalhadores de Criciúma (Cooperminas), com o propósito de esclarecer sua natureza jurídica. E assim consta o que segue: O auto de infração parte de uma premissa falsa, qual seja, a de que a sociedade fiscalizada é uma cooperativa de trabalho. A IMPUGNANTE não é cooperativa de trabalho para sujeitarse ao pagamento de COF1NS sobre o "total das receitas de prestação de serviços somadas as receitas financeiras". A Cooperminas é uma cooperativa de mineração ou de produção mineral. Dai serem inaplicáveis a si os argumentos de folhas 189 e 190 relativos às cooperativas de trabalho, especialmente a proibição de exclusão prevista no artigo 15, I da MP 2.15835, de 2001 e IN SRF 145/99, constante da resposta à pergunta 376 do Pergunta e Respostas Pessoa Jurídica 2004, da Receita Federal. A partir de uma falsa premissa o ilustre Auditor Fiscal chegou a conclusões equivocadas, admitindo apenas as exclusões previstas no artigo 2°. da Lei 9.718/98. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 530 3 Agiu com parcial acertamento ao admitir que através da Lei 10.312/2001 a alíquota das "empresas que têm a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, tiveram reduzida a zero por cento as alíquotas do PIS e COFINS, a partir de março de 2002." O auto de infração conclui singelamente que "como a empresa não recolheu as contribuições referentes aos períodos que antecederam a redução da alíquota, estamos exigindo através do lançamento de oficio, a contribuição devida e não paga.(folhas 1901). A Cooperminas foi criada por mineiros egressos da antiga CBCA Cia. Brasileira da Carbonifera de Araranguá, massa falida desde o ano de 1987. A massa falida da Cbca Cia. Brasileira Carbonífera de Araranguá, rescindiu os contratos de todos os seus empregados em 31/12/1997. A partir de então, os mineiros deixaram de ter patrão e organizaramse em uma cooperativa, denominada Cooperminas Cooperativa de Extração de carvão mineral dos trabalhadores de Criciúma Ltda. Deixou de haver subordinação. Apenas os trabalhadores, organizados em Cooperativa é que permaneceram com o comando total da atividade mineraria onde todos os trabalhadores continuam laborando. Ao contrário de diversas cooperativas fraudulentas que foram criadas por donos de empresas para pagarem menos impostos, a Cooperminas nasceu da organização dos próprios trabalhadores. Esteve assessorada no ato de sua organização pela Anteag Associação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Autogestão e teve o reconhecimento dos Ministro da Previdência e Assistência Social, Sr. Waldec Ornellas e Roberto Brant, como sendo cooperativa legítima. Os Ministros da Previdência, cada um ao seu tempo, receberam pessoalmente a Direção da Cooperminas e teceram elogios pela forma cooperativa de organização e bem fizeram lembrar das diferenças que existem entre uma cooperativa legalmente constituída e aquelas que vem proliferando com fins fraudatórios em todo o território nacional. A Cooperminas foi constituída em 1988, entretanto, jamais havia tido existência prática, até o ano de 1997, quando o Juízo da Falência (Massa Falida da CBCA) pretendia arrendar a empresa para terceiros. Então, organizandose os trabalhadores fizeram valer o cooperativismo, e assumiram o controle da Massa Falida da Cbca, encerrando esta suas atividades. A Cooperminas tem sido exemplo para cooperativas que nascem em todo o Brasil. Sua experiência tem sido exposta para trabalhadores em diversos encontros nacionais. A COOPERMINAS não presta serviços para terceiros. São mineiros organizados em COOPERATIVA que trabalham na extração do carvão mineral. Foram os trabalhadores que fizeram o estatuto da COOPERMINAS. Os próprios trabalhadores formaram uma comissão e elaboram um "anteprojeto de reforma estatutária", após ampla discussão com algumas alterações, houve aprovação da Assembléia Geral dos trabalhadores. Mais tarde, os cooperados elaboraram e aprovaram o Regimento Interno da Cooperminas. Os cadernos com o texto foram distribuídos para todos os cooperados. Nas várias assembléias todos puderam manifestarse. Cada passo da Cooperminas, bem como o contrato realizado com a Massa Falida da CBCA que transferiu a exploração da reserva de carvão para a Cooperminas, foi acompanhado e aprovado pelo Juízo da Primeira Vara Cível da Comarca de CriciúmaSC. No dia 19/09/1997 foi realizada Assembléia Geral no auditório do Sindicato dos Mineiros de Criciúma, ocasião em que todos os então empregados da MFCBCA puderam manifestarse. 3.2. Consta, ainda, à fl. 211 que: Fl. 528DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 531 4 Recentemente, a Cooperminas obteve a concessão de uma reserva de carvão mineral de 1.191,91 hectares, através da Portaria n. 57, de 8 de março de 2005, do Ministério de Minas e Energia, o que lhe propiciará uma sobrevida de mais 30 (trinta) anos, com a garantia de cerca de 700) setecentos postos de trabalho de seus associados. Ainda analisando preliminarmente os autos da ação fiscal, constatase que de fato a empresa não informou os créditos relativos aos PIS Nãocumulativo de dezembro de 2002 e janeiro de 2003, como intimada a fazer (folhas 08 e 198). Esclareceu, no entanto, conforme documento de folha 10, que não estaria sujeita a referida tributação e por isso seria incongruente apresentar créditos. O Auditor Fiscal concluiu que a IMPUGNANTE deverá recolher a contribuição sobre os fatos geradores anteriores a redução da alíquota a zero por cento, em relação ao faturamento decorrente da venda de carvão destinado à geração de energia elétrica. Após e antes da redução, deverá recolher a COFINS sobre a venda de carvão mineral a empresas não geradoras de energia elétrica. 3.3. Consta às fls. 212 a 222 o discorrimento sobre a ORIGEM E EVOLUÇÃO HISTÓRICONORMATIVA DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS. 3.4. Consta às fls. 222 a 237 que a impugnante traz à baila comentários acerca do REGIME JURÍDICO DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS no Pais. 3.5. Consta às fls. 237 a 239 o seguinte arrazoado: [...] é possível concluir [...] sobre a INEXISTÊNCIA DE PRESSUPOSTO MATERIAL PARA A INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS em relação às cooperativas. Efetivamente. "quaisquer dos atos praticados pela cooperativa, em verdade, não representam uma receita ou um faturamento dela e sim, dos próprios cooperados." [...] a cooperativa não têm receita bruta, base de cálculo do PIS, na forma da Lei 9.718/98, faltando, portanto, pressuposto para a incidência da contribuição. É certo que para controle contábil, são utilizados termos próprios de outras formas de sociedades; até mesmo por imposição legal. Mas não decorre daí a CONOTAÇÃO JURÍDICA de "receita", "despesa", "faturamento" ou "resultado operacional" [...]. [...] As cooperativas, caso da IMUGNANTE, não têm receitas próprias. Os "ingressos financeiros" decorrentes de sua atuação quando presta serviços aos cooperados, na forma da Lei 5.764/71, são destinados aos cooperados, após quitação das despesas operacionais. Assim sendo, por inexistir pressuposto básico, ou seja, receita bruta é inviável exigir da IMPUGNANTE tributo que a tome como base de cálculo, como realizado pelo Auditor Fiscal em seu lançamento de oficio. 3.6. Consta, ainda, às fls. 239 que: O artigo 6°. da Lei Complementar 70 de 30 de dezembro de 1991, que instituiu a COFINS, estabelece a isenção desta contribuição em relação ás sociedades cooperativas [...]. [...] Consta do auto de infração que as cooperativas passaram a contribuir para a COFINS com base na receita bruta, "com o advento da Lei 9.718/98 e da MP 1.858 6/99 e posteriores" (folha 189). [...] Fl. 529DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 532 5 3.6.1. Consta que a impugnante pretendeu enriquecer sua argumentação, valendo se às fls. 239 a 241 de decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 2 Região. E, conforme sua alegação, o [...] Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, vem considerando que a revogação da isenção conferida pela Lei Complementar 70/91 somente poderia ocorrer por outra Lei Complementar e que a sua operação por Medida Provisória fere o princípio da hierarquia das leis. Digase desde já que qualquer outro raciocínio, que leva a interpretação de que a Lei Complementar 70/91 tem status de lei ordinária não encontra lugar em nosso ordenamento [...] [fl. 239]. 3.6.2. À continuação de sua argumentação, consta às fls. 241 e 243 que: Evidentemente, por afrontar o princípio da hierarquia das leis, a revogação da isenção da COFINS e PIS às cooperativas, conferida por força da norma do artigo 146, III da Constituição Federal, que atribuiu à legislação complementar o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, não vigora. Permanece a isenção conferida pela Lei Complementar 70/91, ou seja, ainda que se conclua que as cooperativas produzam o fato gerador do PIS, detenham receita ou faturamento, o fim da isenção não ocorreu porque operado por Medida Provisória. O artigo 246 da Constituição estabelece que é vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre I° de janeiro de 1995 até a promulgação desta emenda, inclusive. (NR) (Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional n" 32. de 11.09.2001. DOU 12.09.2001). Flávio Zanetti de Oliveira, em excelente estudo, explica que "é certo que o fundamento de validade para a cobrança da COFINS é, desde 12/98, a Emenda Constitucional 20, de 14.12.98, que alterou a redação, dentre outros dispositivos, do art. 195 da Constituição da República". A alteração do artigo 195 da CF ampliou o rol de sujeitos passivos e modificou a base de cálculo da COFINS ("receita ou faturamento", art. 195, 1, b), criando nova fonte de custeio. A utilização de medida provisória para regulamentar dispositivo constitucional, como ocorre em relação a MP 18586/99 em relação ao artigo 195 da Constituição Federal fere frontalmente o artigo 246 da CF, sendo inconstitucional. 3.7. Consta às fls. 242 a 245 que: A partir de março de 2002, com o advento da Lei 10.312/2001 que dispõe sobre a incidência das Contribuições para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social nas operações de venda de gás natural e de carvão mineral, a venda de carvão mineral destinado a geração de energia elétrica passou a ser isenta da COFINS e PIS [...]. Às folhas 199 o Auditor Fiscal concluiu que "fica claro também, que a isenção concedida, deve atender a duas prerrogativas: a) Quanto ao objeto — Venda de carvão mineral; e b) Quanto a destinação — Geração de energia elétrica. Constam das folhas 13 a 15 e 72 a 155, faturamentos realizados mediante venda de carvão ou derivados, a empresas que não são produtoras de energia elétrica. Por este motivo, entendeu o Auditor por tributar essas receitas. A IMPUGNANTE está juntando quadro de faturamento de todas as empresas carboníferas que compõem o Consórcio Catarinense de Carvão Energético, fornecedor de carvão à Tractbel Energia S/A. Consta dos quadros de faturamento Fl. 530DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 533 6 de março de 2002 até dezembro de 2004 que as empresas relacionadas às folhas 13 a 15 são fornecedoras de carvão mineral à TractbeL A lei 10.312/2001 estabelece que ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. I° incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Não estabelece que o carvão deva ser vendido diretamente à geradora de energia elétrica. Aqui cabe invocar a regra do artigo 111 do Código Tributário Nacional já referido pelo, Auditor Fiscal, no sentido de que interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. A lei 10.312 não exige em momento algum que a venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica seja feita diretamente à geradora, reiterese. Apenas reduz a zero a alíquota "sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica." Ainda que as vendas realizadas não se restrinjam ao carvão CE 4500, utilizado pela Tractbel Energia S/A para a geração elétrica, os tinos de carvão e carvão CE 5200 são utilizados pelas empresas carboniferas na blendagem (mistura) para obtenção do padrão técnico exigido pela Tractbel O documento contábil "Venda de Mercadorias por Produto", anexo, relaciona com exatidão, especificadamente, as vendas de carvão com todas as suas subespécies. O carvão utilizado para geração de energia é o tipo CE 4500. Os demais produtos, como já dito, são vendidos a outras empresas para utilização em blendagem. Na lista de venda de mercadorias por produtos constam as vendas de CE 4500 realizado a outras empresas, que não a Tractbel. Na pior das hipóteses, admitindo se em atenção ao principio da eventualidade, entendendo Vossa Excelência por não isentar totalmente as vendas realizadas as empresas relacionadas no processo às tolhas 13 a 15, pelo menos, por força da Lei 10312, as vendas de CE 4500 a estas empresas deverá ser considerada isenta. A IMPUGNANTE poderá demonstrar através de perícia a quantia exata de carvão que vendeu a essas empresas destinado à geração de energia elétrica, caso entenda Vossa Excelência por ter esta demonstração desde já. Na linha dos argumentos já expendidos é de observarse ainda a capacidade contributiva da IMPUGNANTE e o seu direito à isonomia, especialmente nos benefícios conferidos a outras cooperativas, como as agrícolas. A IMPUGNANTE foi autuada a recolher PIS nãocumulativo relativo aos meses de dezembro de 2002 e janeiro de 2003. O entendimento corrente é de que a Lei 10.637/2002 é inaplicável, por ter malferido o princípio da anterioridade [...1. Consta da folha 194 que a IMPUGNANTE não teria informado o valor dos créditos quanto ao PIS nãocumulativo de dezembro de 2002 e janeiro de 2003. Em atenção ao principio da eventualidade, a IMPUGNANTE informa os valores que despendeu com arrendamento. bens e serviços utilizados como insumo e energia elétrica nos meses de dezembro de 2002 e janeiro de 2003, conforme razão e balancete geral contábil anexo, para o creditamento. A IMPUGNANTE informa que não submeteu ainda a matéria objeto da presente impugnação à apreciação judicial. 3.8. Consta à fl. 245 e 246 o seguinte: [...] [a impugnante requer], em atenção ao princípio da eventualidade, a produção de prova pericial com vistas a demonstrar a venda de carvão destinado a geração Fl. 531DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 534 7 de energia elétrica realizado a empresas que não são geradoras diretas de energia, na forma do artigo 16, IV do Decreto 70.235/72, indicando [...] [um] perito [...] [bem como formulando os quesitos da perícia à fl. 245]. REQUER a produção da prova documental anexa, declarando, sob responsabilidade do subscritor, que os quadros de faturamento de carvão CE 4500 perante a Tractbel são cópias autênticas, na forma da Lei 10.352/2001 e artigo 544, ,1°. da lei 5869/73. 3.9. Por fim, à fl. 245 a impugnante [...] requer seja acolhida a presente IMPUGNAÇÃO, para fins de desconstituir e anular o auto de infração e isentar a IMPUGNANTE de qualquer pagamento a título de COFINS. 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia, nos termos do despacho exarado à fl. 494. 5. É o relatório. A 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1622.341, em 5 de agosto de 2009 (efolhas 463/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 SOCIEDADES COOPERATIVAS. COFINS. REGIME CUMULATIVO. INCIDÊNCIA DESDE NOVEMBRO DE 1999. Para os fatos geradores ocorridos a partir de novembro de 1999, é devida pelas sociedades cooperativas a contribuição para o PIS, devendo ser calculada com base no seu faturamento mensal, que corresponde à sua receita bruta mensal, com as exclusões autorizadas pela legislação, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para suas receitas (ex vi AD SRF n.° 88/99; IN SRF n.° 145/99; art. 20 e 3° da Lei n.° 9.718/98; inciso VI do art. 10 da Lei n.° 10.833/2003). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Falece competência à autoridade administrativa julgadora para apreciar inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico pátrio. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DA COFINS. ART. 1° E 2° DA LEI N° 10.312/2001. A efetiva aplicação da redução de alíquota da COFINS prevista nos art. 1° e 2° da Lei n° 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. E, assim, até que seja publicado tal ato, a norma não pode produzir seus efeitos, pois tratase de norma de eficácia limitada ou condicionada, vez que é dependente de posterior regulamentação. Lançamento Procedente A interessada foi cientificada do acordão em 7/12/2009 (efl. 486) e interpôs Recurso Voluntário em 21/12/2009 (efls. 487/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 535 8 É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da incidência das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de carvão mineral a terceiros A matéria em litígio referese à definição da correta base de cálculo do PIS e da Cofins, mais especificamente, no que se refere à incidência das contribuições sobre receita bruta decorrente da venda de carvão mineral. Ab initio destaquemos a legislação que trata da tributação das cooperativas. A Lei n° 5.764/1971 assim dispõe sobre o ato cooperativo: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.16840/ 2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. O artigo 6° da Lei Complementar 70/1991, por sua vez, dispunha sobe a isenção das contribuições às sociedades cooperativas, nos seguintes termos: Art. 6° São isentas da contribuição: I – as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 536 9 Entretanto, com a publicação da MP n.° 1.8586/99, sofreu alteração a forma de tributação da contribuição para o PIS apurada por entidades sem fins lucrativos — nesse gênero, incluídas as sociedades cooperativas, consoante estabelecido na Lei n.° 9.715/98 —, definida nos termos a seguir, in verbis: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: 1 templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n(2 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei n 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; e IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais. (...) Art. 23. Ficam revogados: a partir de 28 de setembro de 1999, o inciso lido art. 2° da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1.998 A partir da publicação da MP n.° 1.8587/99, a contribuição para o PIS para as sociedades cooperativas ficou assim disciplinada, in verbis: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto no art. 66 da Lei n(2 9.430, de 1996, excluir da base de cálculo da COFINS: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados. § 2º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º As operações referidas no parágrafo anterior serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com identificação do adquirente, do valor da operação, da espécie de bem ou mercadoria e quantidades vendidas. Art. 16. Para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP, na forma do § 12 do art. 22 da Lei n2 9.715, de 25 de novembro de 1998, relativamente às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados, aplicase o disposto no artigo anterior. Por outro lado, a incidência do PIS e da Cofins é regulada, regra geral, pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim redigidos: Fl. 534DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 537 10 Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Pois bem. A Recorrente sustenta que os serviços prestados em discussão não se sujeitam à incidência das contribuições, por tratarse de “atos cooperativos”, na medida em que não representariam uma operação mercantil, consequentemente, não haveria que se falar em receita bruta ou faturamento, sabidamente a base de cálculo do PIS e da Cofins. Não concordo com a tese esposada pela Recorrente. A uma porque, como é cediço, a isenção da PIS sobre os “atos cooperativos próprios” de suas finalidades, outrora prevista no art. 6º, inciso I, da Lei Complementar nº 70, de 1991, foi revogada pelo art. 23, inciso II, da Medida Provisória nº 18586, de 1999, que, após seguidas reedições e renumerações, atingiu sua versão final quando da edição da Medida Provisória nº 2.15835, que manteve a revogação. Não há dúvida que só se isenta o que se insere no campo da incidência do tributo. Logo, a isenção prevista no artigo 6° da Lei Complementar 70/1991 aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, a que faziam jus as sociedades cooperativas, foi expressamente revogada, a partir de 30 de junho de 1999, pelo art. 23 da Medida Provisória n° 1.8586, de 29 de junho de 1999, e suas reedições (atualmente, art. 93 da MP n° 2.15835, de 2001). Portanto, mesmo que se considerasse que as receitas provenientes das vendas de carvão mineral, aqui em discussão, se tratassem de receitas decorrentes de “atos cooperados”, no período em que foram auferidas já não podiam gozar da isenção prevista na LC nº 70/1991, em face da revogação trazida no bojo da MP nº 1.8586, de 1999 e suas reedições. A duas, pelo fato de que as receitas objeto de discussão nestes autos, a meu ver, não são provenientes de “ato cooperado”. Isto porque o art. 79 da Lei n° 5.764/1971, ao dispor sobre o ato cooperativo, explicitou o que vêm a ser esses atos: “os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais”. A receita auferida pela Recorrente decorre da venda de carvão mineral a terceiros, não se trata, portanto, de atos praticados entre a cooperativa e seus associados, mas atos (venda de bens) efetuados entre a Cooperativa a terceiros. Desse modo, a incidência das contribuições não pode ser afastada, como pretende a Recorrente, relativamente a todos os atos das sociedades cooperativas, quaisquer que sejam, sem legislação específica que lhes dê respaldo, ou de maneira a ampliar os limites prescritos pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971. Apenas se excepcionam, nesse contexto, os atos cooperativos próprios, que não correspondem, em sua prática, ao conceito de faturamento, e sobre os quais não existe incidência destas contribuições. Os atos cooperados, descritos no Fl. 535DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 538 11 art. 79, devem ser compreendidos como os realizados entre cooperativa e cooperados e entre cooperativas, dentro do seu objetivo social, e sem inserção de qualquer terceiro. No caso em litígio, a Cooperativa vende o carvão mineral extraído pelos seus cooperados a terceiros, fora, portanto, do qualificado na Lei nº 56764/71 como “atos cooperativos”, segundo os quais somente os são “os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados para a consecução dos objetivos sociais”. Por conseguinte, os atos com terceiros ficam sujeitos a incidência das contribuições, como revelam os artigos 86, 87 e 111 da Lei do Cooperativismo. Não se pode aceitar, desta forma, qualquer raciocínio simplista que procure ampliar o que se entende por “ato cooperativo próprio” para se abranger atos nos quais a cooperativa trata com outrem como mandatária dos cooperados e que implique em afastar as entradas de receitas em cooperativas sob o argumento de que representam rendimentos dos cooperados, e não da cooperativa, já que isto, além de tudo, representaria negar a figura da cooperativa como ente com individualidade jurídica própria. Por fim, para corroborar o entendimento aqui esposado, trago a colação trechos do elucidativo voto proferido pelo então Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão nº 3102001.432, sessão de 24/04/2012), com o qual concordo e adoto também como razões de decidir: Por outro lado, igualmente relevante é o tratamento diferenciado outorgado ao ato cooperativo pelo art. 15 da mesma medida provisória 1.858 de 1999, atualmente reproduzido no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835: ‘Art.15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos’. Ora, se o Ordenamento não previsse a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas auferidas pelas sociedades cooperativas, ainda que parcialmente repassadas a seus associados, não haveria razão para que se previsse quais são as hipóteses em que esses repasses podem ser deduzidos e, por via indireta, quais seriam as hipóteses em que não se permite tal dedução. Só se pode falar em dedução se a base de cálculo estiver sujeita a incidência. Ademais, para que não hajam dúvidas, é imperioso que se analise a mensagem de veto nº 1.243, mais especificamente no que se refere aos artigos 9ª e 33 do projeto de lei de conversão da Medida Provisória nº 66, de 2002, na Lei nº 10.637, de 2002, por meio dos quais o Congresso Nacional pretendeu restabelecer tratamento diferenciado em termos análogos aos pleiteados pelo Recorrente. Confirase: Fl. 536DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 539 12 "Art. 9º As sociedades cooperativas pagam a contribuição para o PIS/Pasep à alíquota de 1% (um por cento) sobre a folha de pagamento mensal, relativamente às operações praticadas com associados, e à alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), sobre o faturamento do mês, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados, conforme dispõe o § 1o do art. 2o da Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998." "Art. 33. São isentas da Cofins as sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, de acordo com o disposto no art. 6o, inciso I, da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991." (...) Razões do veto "Os arts. 9º e 33 restabelecem normas de incidência, respectivamente, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis às sociedades cooperativas, vigentes até meados de 1999, as quais foram alteradas por darem ensejo a graves distorções concorrenciais, principalmente por alcançar todas as atividades tidas como cooperativas, inclusive consumo e crédito. Ressaltese que as alterações objetivaram construir um modelo de tributação onde apenas às cooperativas de produção passou a ser dado justo privilégio. Assim, tais dispositivos, que retroagiriam aos fatos geradores ocorridos a partir de junho de 1999 (art. 67), produziriam uma perda de arrecadação, em 2003, da ordem de R$ 1,2 bilhão, sendo que, destes, R$ 445 milhões se referem a arrecadação corrente, que se reproduziria nos anos subseqüentes. Com efeito, a iniciativa do legislador buscava exatamente conferir ao ato cooperado o tratamento diferenciado almejado pelo recorrente e o Presidente da República, como é possível perceber, usou seu poder de veto para delimitar as cooperativas que sujeitariam a tratamento diferenciado e quais, em nome do equilíbrio da concorrência, não receberiam tal tratamento. Finalmente, penso que o comando do § 2º, do art. 174 da Constituição Federal de 19884 não teria o efeito almejado pelo Recorrente, na medida em que tal dispositivo só pode ser aplicado em conjunto com o art. 146, III, “c” da mesma Constituição5. De fato, como é possível perceber, o tratamento diferenciado almejado, genericamente previsto na Constituição, depende de lei para sua implementação. Cabe aqui destacar a manifestação do Supremo Tribunal Federal nos autos do Mandado de Injunção nº 701DF: "MANDADO DE INJUNÇÃO OBJETO. O mandado de injunção pressupõe a inexistência de normas regulamentadoras de direito assegurado na Carta da República. Isso não ocorre relativamente às sociedades cooperativas e ao adequado tratamento tributário previsto na alínea 'c' do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal." No intuito de dar mais clareza aos fundamentos que orientaram o aresto, registro as anotações consignadas no Informativo Semanal do Pretório Excelso nº 363. O Tribunal não conheceu de mandado de injunção impetrado pela Unimed Paulistana Cooperativa de Trabalho Médico em que se alegava omissão legislativa caracterizada pela não edição de lei complementar estabelecendo "adequado tratamento tributário dos atos cooperativos", nos termos do art. 146, III, c, da CF, e se requeria a concessão da ordem para afastar a "exigibilidade da retenção das contribuições alcançadas pela Lei nº 10.833/83 COFINS, PIS e CSLL" (CF: "Art. 146. Cabe à lei complementar:... III estabelecer normas gerais em matéria de Fl. 537DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 540 13 legislação tributária, especialmente sobre:... c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas."). Entendeuse, com base na jurisprudência do STF, inadequado o manejo do writ injuncional, em face da inexistência de situação configuradora de lacuna técnica que inviabilizasse o exercício de direitos e liberdades constitucionais (CF, art. 5º, LXXI), tendo em vista haver, no cenário jurídico, diversas leis ordinárias disciplinando sobre tributação das cooperativas (Lei 10.684/2003, art. 17; Lei 10.833/2003, art. 10, VI; Lei 10.865/2004, arts. 39 e 48; MP 9.718/98, art. 3º, §9º e art. 15). Ressaltouse que, apesar dessas normas não terem a envergadura complementar a que alude o art. 146, III, c, da CF, a discussão em torno da constitucionalidade das mesmas haveria de ser formulada em ação direta de inconstitucionalidade, sob pena de se conferir ao mandado de injunção contornos próprios de processo objetivo’. MI 701/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 29.9.2004. (MI701) A transcrição do excerto demonstra que o Pretório Excelso partiu do pressuposto de que há, no ordenamento jurídico, dispositivos legais que disciplinam o tratamento diferenciado ao ato cooperativo. Assim, a ausência de previsão legal que contemple o tratamento almejado não configura omissão, mas de silêncio eloquente do legislador. Em outras palavras, o tratamento diferenciado previsto na Constituição é aquele que o legislador previu. Se não o fez, há que se aplicar o tratamento geral, dispensado a qualquer outra pessoa jurídica. Em conclusão, deve ser mantida a cobrança das contribuições em relação às receitas auferidas em decorrência da venda de carvão mineral a terceiros. Dos alegados créditos da contribuição para o PIS no regime nãocumulativo relativos a dezembro de 2002 e janeiro de 2003 Em relação a essa matéria, como bem destacou a decisão recorrida, a Recorrente não apurou nem contabilizou eventuais créditos da contribuição para o PIS não cumulativo que alega decorrerem de “arrendamento, bens e serviços utilizados como insumo e energia elétrica nos meses de dezembro de 2002 e janeiro de 2003”, portanto, não os aproveitou na forma de desconto da contribuição devida. Contudo, a documentação apresentada junto com sua impugnação não é suficiente para fazer prova da apuração e contabilização dos citados créditos. Destarte, deve ser mantido o lançamento da contribuição para o PIS no regime nãocumulativo também relativamente aos meses de dezembro de 2002 e janeiro de 2003. Da venda do carvão mineral para empresa geradora de energia elétrica A Recorrente argumenta que a Lei nº 10.312/2001 estabelece que fiquem reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 10 incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, não restringindo que o carvão deva ser vendido diretamente à geradora de energia elétrica. A fiscalização, por sua vez, faz interpretação mais restritiva, de modo que apenas as vendas efetuadas a geradora de energia dariam direito à redução. No caso específico do Estado de Santa Catarina, a única geradora de energia elétrica é a empresa “Tractebel Energia S/A”. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 541 14 Confiramos o dispositivo legal supra mencionado: Art. 1º Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público — PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Art. 2º Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1 incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Posteriormente, com a publicação do Decreto n° 4.524/2002, regulamentando a COFINS devida pelas pessoas jurídicas em geral, foi disciplinada essa matéria nos seguintes termos: Art. 58. As alíquotas do PIS/Pasep e da Cotins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória n2 2.15835, de 2001, art. 42, Lei n 2 9.718, de 1998, art. 62, parágrafo único, com a redação dada pela Lei n2 9.990, de 2000, Lei n2 10.147, de 2000, art. 2'2; Lei n2 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei n2 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei n2 10.485, de 2002, arts. 22, 32 e 52, Medida Provisória n2 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda; Nesta matéria, a razão está com o Fisco. A Lei nº 10.312/2001 especificou claramente que a redução para zero seria apenas para o carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, não abarcando, portanto, outras vendas de carvão, mesmo que após processos de transformação eventualmente tivessem como destino final a geração de energia. Tal entendimento foi reforçado pelo inciso IX do art. 58 do Decreto nº 4.524/2002, ao dispor que a alíquota seria zero apenas para a venda do carvão destinado à usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, e não qualquer venda de carvalho. Portanto, somente as vendas de carvão destinadas à empresa “Tractebel Energia S/A” estão sujeitas à redução de alíquota para zero. Da aplicação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva Quanto ao argumento da Recorrente de que houve ofensa aos princípios constitucionais da isonomia e da capacidade contributiva, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão dessas matérias. O CARF faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação Fl. 539DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11516.001871/200570 Acórdão n.º 3202001.639 S3C2T2 Fl. 542 15 dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF nº 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Do pedido de produção de prova pericial Por fim, a Recorrente requer a realização de perícia a fim de comprovar os fatos alegados. No que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia revestese das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. A meu ver, descabe o pedido de realização de prova pericial, uma vez que não há necessidade de conhecimentos específicos e os autos já possuem todos os elementos necessários para a tomada de decisão. Portanto, considerase a perícia prescindível para o deslinde da matéria em discussão, posto que os elementos probatórios acostados aos autos são suficientes para o julgador firmar seu convencimento. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 540DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/03/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000045/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
Numero da decisão: 2201-002.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 00 45 /2 00 9- 44 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 111 a 125), exercício 2006, no qual se apurou o imposto de R$ 2.129.025,52 por omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem origem comprovada, acrescido da multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem os respectivos juros de mora. Conforme a Descrição dos Fatos no Auto de Infração, o contribuinte declarou R$ 11.500,00 de rendimentos totais (tributáveis, isentos e de tributação exclusiva) quando teria movimentado aproximadamente R$ 8.000.000,00 nas instituições financeiras. Intimado, o contribuinte apresentou os extratos bancários, sendo elaborado um demonstrativo da devolução de cheques e estornos de lançamentos. Foram contabilizados apenas os créditos nas contas correntes igual ou superior a R$ 1.000,00, excluindose aqueles cuja origem foi comprovada. Como a opção do contribuinte foi pelo desconto simplificado, a autoridade lançadora considerou a dedução máxima permitida, de R$ 10.340,00. O interessado apresentou a impugnação, cujos argumentos foram assim relatados na decisão recorrida: Para dar sustentação a ilação fiscal, primeiramente deveria ser comprovada a aderência (ganho) ao patrimônio do Impugnante dos valores transitados por sua conta corrente. Ainda que se utilizasse o extrato bancário como instrumento para obtenção de possíveis acréscimos patrimoniais, a sistemática para apuração de tais valores deveria obrigatoriamente obedecer a tributação do chamado "dinheiro novo". Se não há dinheiro novo, nem acréscimo Patrimonial, não há tributação. Entradas e saídas do fluxo de caixa, não podem ser confundidos como receita, conforme artigo 43 do CTN e súmula 182 do extinto TFR. Elabora um quadro com uma nova base de cálculo. Destaca que houve somatório aleatório dos depósitos bancários, sem a devida comprovação de que tais depósitos são dinheiro novo e a inobservância de posição jurisprudencial do Conselho de Contribuintes quanto aos depósitos anteriores, já tributados servirem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente da coincidência de datas e valores. A movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Para usar uma linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial.Transcreve vários acórdãos e cita a súmula nº 182 do extinto TFR. Diante do exposto, requer a improcedência do lançamento, pela falta de comprovação legal e a inconsistência matemática da base de cálculo apurada pelo Fisco. Os membros da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II (SP), por meio do Acórdão nº 1754.351, de 4 de outubro de 2011, consideraram a impugnação improcedente. Cientificado, por meio postal em 14 de outubro de 2011 (fl. 176), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 16 de novembro, no qual destaca que: (a) os depósito não se confunde com renda, não sendo possível a presunção sem a identificação do tipo de rendimento e da atividade exercida, se oriundo de pessoas físicas ou jurídicas; (b) não adquiriu bens; (c) atividade financeira não significa atividade econômica; e (e) exercia atividades de venda de combustíveis, razão pela qual pede sua equiparação à PJ. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16045.000045/200944 Acórdão n.º 2201002.677 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Preliminar, renda não se confunde com depósitos. O imposto de renda das pessoas físicas, nos termos o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. E, nesse caso, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos por parte do contribuinte da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei, resultando na presunção de omissão de rendimentos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 117 a 121), caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997, e no artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). As meras alegações de que teria exercido intermediação de venda de combustíveis, sem provas, ou de que não adquiriu bens, não são suficientes para cancelar o lançamento. Isto posto, voto em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao recurso do contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725109/2011-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência.
Hipótese em que a Recorrida apresentou o ADA e averbou na matrícula do imóvel área de reserva legal antes da data da ocorrência do fato gerador, bem como comprovou a área de preservação permanente mediante apresentação de laudos técnicos, devidamente acompanhados de ARTs.
ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO.
Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a área de Reserva Legal e a área de Preservação Permanente e admitir o VTN do laudo. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que votaram por dar provimento parcial em menor extensão.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Relator
EDITADO EM: 19/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que a Recorrida apresentou o ADA e averbou na matrícula do imóvel área de reserva legal antes da data da ocorrência do fato gerador, bem como comprovou a área de preservação permanente mediante apresentação de laudos técnicos, devidamente acompanhados de ARTs. ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. Recurso especial provido em parte.
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MBR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que a Recorrida apresentou o ADA e averbou na matrícula do imóvel área de reserva legal antes da data da ocorrência do fato gerador, bem como comprovou a área de preservação permanente mediante apresentação de laudos técnicos, devidamente acompanhados de ARTs. ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. Recurso especial provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 51 09 /2 01 1- 66 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 487 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a área de Reserva Legal e a área de Preservação Permanente e admitir o VTN do laudo. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que votaram por dar provimento parcial em menor extensão. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator EDITADO EM: 19/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 383/399) em face do Acórdão n° 2201002.019 (efls. 363/379), que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 895,5 hectares, a Área de Reserva Legal de 877,7 hectares, a Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural de 912,0 hectares e o Valor da Terra Nua declarado. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2007 ... ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 488 3 ITR. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. É inválido o arbitramento feito com base apenas na média do VTN declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel. ... Recurso parcialmente provido.” (efl. 363) A Fazenda Nacional apontou como paradigmas, dentre outros, os Acórdãos 30238.844 e 210201.664, que restaram assim ementados: Acórdão 30238.844 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ... ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ... RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” Acórdão 210201.664 “Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 489 4 A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de início da ação fiscal. PARQUE ESTADUAL E PARQUE NACIONAL. A não incidência de imposto sobre as áreas desapropriadas para transformação em parques estaduais ou nacional se aplica a fatos geradores posteriores a criação dos referidos parques. Não se pode retroagir a data do fato gerador do ITR para justificar sua aplicação.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 402/406, tendo sido apresentadas as contrarrazões de efls. 445/458. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 402/406. Discutese, inicialmente, no presente caso, se a apresentação de ADA com informações discrepantes das constantes na DITR (efl. 150) ou a apresentação intempestiva de outro ADA (21/09/2008, cf. efl. 79, antes do início da fiscalização) poderiam afastar a exclusão da área tributável do ITR (exercício 2007) de área de reserva legal devidamente averbada na matrícula do imóvel e de área de preservação permanente comprovada mediante apresentação de laudos técnicos de área de preservação permanente (efls. 146/148, 158/163 e 173/177), devidamente acompanhados de ARTs (efls. 149/150, 165/171 e 181). Neste aspecto, cumpre trazer breve digressão acerca da incidência do ITR bem como das hipóteses de sua isenção. Como cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a Fl. 489DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 490 5 respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: Fl. 490DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 491 6 “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 492 7 f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as Fl. 492DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 493 8 hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 494 9 § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser Fl. 494DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 495 10 implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a ideia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida Fl. 495DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 496 11 determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 497 12 No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de Fl. 497DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 498 13 cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. O prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão Fl. 498DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 499 14 do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Após o início da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constantes da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Fl. 499DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 500 15 Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); (grifo nosso) ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, verificase que a área de reserva legal foi devidamente averbada na matrícula do imóvel antes do fato gerador do tributo, enquanto que a área de preservação permanente constante do ADA foi comprovada mediante apresentação de laudos técnicos (efls. 146/148, 158/163 e 173/177), devidamente acompanhados de ARTs (efls. 149/150, 165/171 e 181). Quanto ao arbitramento do VTN, conforme se extrai do recurso, enquanto o acórdão recorrido decidiu que o arbitramento do VTN pela fiscalização com base no SIPT somente deve prevalecer quando o VTNm utilizado teve por base o levantamento por aptidão agrícola, o primeiro acórdão paradigma entendeu que poderia ser efetuado o “arbitramento do valor da terra nua com base nas informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT), correspondentes ao preço médio do hectare obtido nas DITRs apresentadas”. A legislação que rege a atividade de avaliação de imóveis, no que diz respeito ao Valor da Terra Nua – VTN, condiciona a utilização do Sistema de Preços de Terras SIPT à observância do art. 14, caput e §1º, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza o arbitramento do VTN nos casos de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 501 16 “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/93, que eram originariamente os seguintes: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. §2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” A partir de 2001, com a edição da Medida Provisória n° 2.18356, de 24 de agosto de 2001, referido art. 12 da Lei n.º 8.629/93 passou a ter a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 502 17 § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder seá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações." Extraise dos mencionados dispositivos que o arbitramento do valor da terra nua, nos termos do art. 148 do CTN, deve observar os parâmetros fixados pelo artigo 12 de Lei n. 8.629/93, inclusive capacidade potencial da terra ou aptidão agrícola. Nesse sentido, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão 9202003.144, relatado pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ... ITR VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras – SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993). Recurso especial provido em parte” (Processo 13116.001484/200318, j. 27 de março de 2014). No presente caso, conforme bem observou o relator do acórdão recorrido, “observase que o arbitramento foi feito com base no valor médio declarado pelos imóveis da região de localização do imóvel, conforme se vê da tela do SIPT às fls. 12.” Não obstante, entendo que, ao contrário do que restou decidido, entre o valor declarado (R$ 9.747.850,00) e o arbitrado (R$ 249.678.024,90), deve prevalecer o valor informado pela Recorrida no laudo anexo à impugnação (R$ 23.052.891,94). De fato, tendo a Recorrida concordado com o VTN demonstrado no laudo, tanto na impugnação, como no recurso voluntário, não poderia o acórdão recorrido considerar outro valor menor que o pedido pela própria contribuinte no presente processo administrativo. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para fixar o VTN do imóvel em R$ 23.052.891,94, mantendo a exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente, levada a efeito pela decisão recorrida. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA Processo nº 10680.725109/201166 Acórdão n.º 9202003.474 CSRFT2 Fl. 503 18 (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Fl. 503DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISH IOKA
score : 1.0
Numero do processo: 13601.000734/2002-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO - A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. "
RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E TRANSPORTE.
os gastos com aquisição de energia elétrica e com serviços de transporte não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996.
RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizando-se da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificam-se no código fiscal 84.83.40.90.
Numero da decisão: 3401-002.917
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. " RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E TRANSPORTE. os gastos com aquisição de energia elétrica e com serviços de transporte não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996. RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizandose da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificamse no código fiscal 84.83.40.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 07 34 /2 00 2- 31 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida de Pedido de Ressarcimento de IPI que a contribuinte alega ter direito com origem em créditos de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados (DecretoLei n° 491/1969, art. 5o e Lei n° 8.402/1992, artigo 1º, inciso II) e em crédito presumido previsto na Portaria MF n° 38/1997 (Lei n° 9.363/1996), bem como das Declarações de Compensação de débitos ainda vincendos que foram anexadas a este Pedido de Ressarcimento. Verificação fiscal da documentação da contribuinte concluiu que ao longo dos períodos de apuração em questão a contribuinte laborou com classificação fiscal equivocada, e que essa correção implica em mudança das alíquotas de IPI. No caso, a diferença de alíquota seria de 2% a maior, e essa correção deve ser considerada na determinação do IPI a ser ressarcido. Além disso, essa fiscalização também encontrou irregularidades no cálculo da receita de exportação e dos valores das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo produtivo, com reflexos no cálculo do crédito presumido de IPI. A autoridade administração de jurisdição decidiu tratar as infrações em processo administrativo próprio (PAF n.º 13603.001973/200451), embora houvesse uma relação de dependência com este processo que cuida do pedido de ressarcimento do IPI e das declarações de compensação. Dessa análise e decisão, em resumo: foi lavrado auto de infração para lançamento do crédito tributário, foi reconstituída a escrita fiscal, recalculado novos saldos credores de IPI, que acabaram por ser menores do que os constantes da escrituração da contribuinte ao final de cada trimestre, e glosado parte do crédito pleiteado. A autoridade administrativa competente (SAORT da DRF de Contagem MG) para apreciar o pedido de ressarcimento e as declarações de compensação anexadas decidiu confirmar as glosas propostas pela fiscalização e deferir parcialmente o pedido de ressarcimento e homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido. A contribuinte contesta essa decisão, mas informa que impugnou o mérito da razão fiscal contida no processo 13603.001973/200451 (e também no PAF n.º 13603.000631/200171, que trata de fato idêntico para outros períodos de apuração) e que, enquanto não decididos aqueles processos, este não poderia chegar a uma conclusão final de não reconhecer o credito pedido e de não homologar as compensações declaradas. A Respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora indeferiu a solicitação e a reclamação da contribuinte tendo em vista o decidido no processo n.º 13603.001973/200451". O Acórdão n.º 12.592, de 23/02/2006 ficou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 281DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13601.000734/200231 Acórdão n.º 3401002.917 S3C4T1 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. " RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizandose da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificamse com perfeição no código fiscal 84.83.40.90. Solicitação indeferida.". A contribuinte, inconformada, ingressou com recurso voluntário por meio do qual retornou à argumentação da manifestação de inconformidade. Afirma que questionou a razão da autoridade fiscal e administrativa das decisões em discussão, questionou a reclassificação fiscal e o recalculo do crédito presumido impostos, bem como as glosas, tudo isso através das contestações feitas nos autos de infração n°s 13603.001973/200451 e 13603.000631/200171. Protesta pela exoneração integral de qualquer penalidade aplicada; recorre ao art. 151, inciso III, do CTN, para reclamar efeito suspensivo para o seu recurso, e contesta ter sido a exigência feita por meio de notificação eletrônica, o que o próprio Conselho de Contribuintes considera nula. Este processo chegou ao Segundo Conselho de Contribuintes e entrou na sessão de 18/09/2007 da 3ª Câmara, mas o seu julgamento foi convertido em diligência através da Resolução n.º 20300.845, de voto conduzido pelo Eminente Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva, com a seguinte determinação: Em face de todo o exposto, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência, a fim de que a Delegacia da Receita Federal em ContagemMG: a) anexe documentos e/ou esclarecimentos elucidativos sobre todas as condições e motivos pelos quais se efetuou a glosa do presente pedido, especificando, se for o caso, o montante dela relativo ao erro na classificação fiscal e ao erro na apuração da base de cálculo do crédito presumido; b) confirme ou não a dependência deste processo ao de n° 13603.000631/200171; c) aguarde o final do julgamento administrativo em relação ao Processo de nº 13603.001973/200451, e, se afirmativo o quesito anterior, também em relação ao de n° 13603.000631/200171, promovendo ajuntada, neste processo, de cópias das decisões; e d) posteriormente, devolva os autos para este Conselho de Contribuintes para julgamento. A autoridade administrativa de jurisdição endossa a informação fiscal (fls. 177178) de 17/07/2008, realizada em atendimento à diligência requerida pelo Conselho de Contribuinte, de onde extraímos o seguinte trecho: a) No presente processo a empresa solicitou ressarcimento do saldo credor do IPI relativo ao 3o trimestre de 2002 no valor de R$ 79.543,02, porém, com a lavratura do auto de infração consubstanciado no processo administrativo fiscal n° 13603.001973/200451 decorrente das infrações apuradas e da conseqüente reconstituição da escrita fiscal, foi apurado saldo credor de R$ 61.122,44, ou seja, o crédito glosado foi de R$ 18.420,58. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 A glosa de R$ 18.420,58 decorreu exatamente do resultado da fiscalização levada a efeito junto ao contribuinte na qual foram constatadas as infrações erro de classificação fiscal e crédito presumido indevido, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal lavrado juntamente com o auto de infração cuja cópia anexamos às fls. 136 a 145. As fls. 146 a 160 anexamos cópia do Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal que é composto pelos seguintes demonstrativos: Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal (antes da reconstituição) (fls. 146 a 149) onde se encontram os valores escriturados pelo contribuinte no Livro de Registro e Apuração do IPI no período fiscalizado; Demonstrativo de Dados Apurados (fls. 150 a 154) no qual encontramse lançados como créditos apurados os valores que haviam sido estornados pelo contribuinte na sua escrita fiscal relativos aos pedidos de ressarcimento e na coluna débito o valor do estorno feito pela fiscalização dos valores a serem ressarcidos; Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal (fls. 155 a 160) onde temos os dados dos demonstrativos anteriores além dos valores lançados na coluna "Soma Demonstr. Débitos Apurados" onde se encontram os valores relativos às infrações apuradas. Na coluna Saldo de Escrita Reconstituído do PA (A) temos os saldos reconstituídos em cada período de apuração. Na tabela abaixo encontramse os valores da glosa efetuados no 3o trimestre de 2002 relativos a cada infração apurada: Infração Julho Agosto Setembro Total Erro de classificação fiscal 1.848,58 4.865,53 3.230,40 9.944,51 Crédito presumido indevido 4.230,15 4.245,92 8.476,07 Total glosa 18.420,58 b) Este processo não guarda dependência com o processo de n° 13603.000631/200171 que se refere ao auto de infração de IPI lavrado em decorrência de fiscalização realizada em 2000. que abrangeu os fatos geradores de janeiro de 1998 a dezembro de 2000, realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 00141/2000. Naquela fiscalização foram apuradas as mesmas infrações constatadas na fiscalização seguinte, determinada pelo MPF 00168/2004 que abrangeu os fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2001 e dezembro de 2004, quais sejam, erro de classificação fiscal e crédito presumido indevido como também foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal que resultou no indeferimento parcial dos pedidos de ressarcimento do IPI relativos aos trimestres abrangidos por aquela fiscalização. Cumpre lembrar que embora o saldo credor reconstituído no 3o decêndio de dezembro de 2000 apurado pela fiscalização anterior seja menor que o escriturado pela empresa no livro de IPI, a fiscalização seguinte realizada conforme Mandado de Procedimento Fiscal n° 00168/2004 considerou na reconstituição da escrita fiscal como saldo da escrita fiscal no I o decêndio de janeiro de 2001 o valor escriturado pela empresa em seu livro de apuração do IPI, conforme se vê na coluna Saldo Credor Reconstituído do PA anterior (R$ 161.889,62) e não o saldo credor reconstituído apurado em decorrência da fiscalização anterior (R$ 107.869,67). Em resumo, o saldo credor apurado ao final do 3o trimestre de 2001 não sofreu nenhuma influência do resultado da fiscalização relativa aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1998 e dezembro de 2000. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13601.000734/200231 Acórdão n.º 3401002.917 S3C4T1 Fl. 4 5 O processo retorna à apreciação do Superior Tribunal Administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestividade e demais requisitos já verificados quando da sessão de 18/09/2007 da 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Mérito Este processo trata do pedido de ressarcimento de IPI e das declarações de compensação a ele anexadas. A verificação realizada pela fiscalização constatou fatos que resultaram em glosas do pleiteado pela contribuinte e, também, que se tornaram objeto do auto de infração conduzido no processo administrativo 13603.001973/200451. Entendo que razão assiste à autoridade administrativa e fiscal quanto aos fatos que ensejaram glosar parte do crédito pretendido pela contribuinte e não homologar as declarações de compensação pelo valor que excedessem o valor de crédito reconhecido. Senão, vejamos: (i) a respeito do erro de classificação fiscal e de alíquota do IPI A contribuinte fabrica, por meio de forja de barra de aço, engrenagem e cubo de embreagem a ser posteriormente acabada pelos seus clientes para serem empregados em caixa de câmbio e em embreagem de automotivos. A contribuinte utilizava a classificação 7326.19.00 e alíquota de IPI de 10% até outubro de 2002. Ocorre que a posição 7326 [outras obras de ferro ou aço] não pode ser aplicada para obra forjada não acabada, mas que apresentam as características essenciais de artefato acabado, como me parece ser o caso aqui em discussão. Ha a seguinte Nota orientando a aplicação da posição 7326: "A presente posição não inclui as obras forjadas que consistam em artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo), nem as obras forjadas não acabadas que exijam um trabalho suplementar mas que apresentem as características essências de artefatos acabados". (grifos nossos) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Considerando o que do processo consta, o produto em discussão tem aproximada forma do produto acabado, mas ainda será submetido a etapa de industrialização para que alcance a condição de finalização e cumpra efetivamente suas funções. O produto é um engrenagem inacabada, incompleta. E, por força do que dispõe a regra 2a das Normas de Classificação, o produto incompleto deve ser incluído na classificação fiscal do produto acabado. Regra 2 a): Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, mesmo que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado." Ora, o 8483.40 é reservado para as "Engrenagens e rodas de fricção, exceto rodas dentadas simples e outros órgãos elementares de transmissão apresentados separadamente; eixos de esferas ou de roletes; caixas de transmissão, redutores, multiplicadores e variadores de velocidade, incluídos os conversores de torque." Assim concluo que foi correta a classificação proposta pela fiscalização, que ela seria 8483.40.90 alíquota de 12% até outubro de 2002 , por força da aplicação da regra 2a do Sistema Harmonizado, pois se trata de artigo incompleto e inacabado, mas que apresenta as características essenciais ou o esboço do produto acabado. (ii) a respeito do crédito presumido indevido Conforme constatado pela fiscalização, no mês de novembro de 2001 a contribuinte incluiu, em meu ponto de vista indevidamente, na receita de exportação o valor relativo à venda de produtos adquiridos de terceiros (CFOP 7.12) e no mês de dezembro do mesmo ano o valor escriturado no livro de Registro de Apuração do IPI sob o CFOP 7.99 (outras saídas não especificadas). Esse proceder da contribuinte contraria frontalmente o que dispõe os artigo 1º e 2º da Lei 9.363/1996 e disciplinado pela Portaria MF n.º 38/1997. O valor resultante das vendas ao exterior de bens adquiridos de terceiros e não submetidos a processo de industrialização pela contribuinte não pode integrar a receita de exportação para fins de apurar o crédito presumido do IPI. Pareceme procedente a glosa e deve ser mantida. Também me parece correta o recálculo feito pela autoridade fiscal dos valores de custos na determinação do crédito presumido, observandose o que disciplinam os §§ 7º e 8º do artigo 3º da Portaria MF n. 38/1997. A empresa utilizou, na apuração do crédito presumido, os valores das compras efetuadas no mês como valor dos custos efetivamente utilizados no processo produtivo, o que contraria esses §§, afinal, eles determinam que se o contribuinte não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a apuração da quantidade de MP, PI e ME utilizadas na produção deverá ser efetuada considerandose as quantidades em estoque no início do mês, as quantidades adquiridas e as quantidades em estoque no final do mês, bem como as saídas não aplicadas na produção e transferências. A empresa incluiu no total das compras de MP, PI e ME as compras de energia elétrica (CFOP 1.42) no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003 e as compras de serviços de transporte (CFOP 1.62 e 2.62) nos meses de janeiro a março de 2001. A Súmula 19 do CARF já superou as divergências ao definir que os gastos com aquisição de energia elétrica não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996. E chego à mesma conclusão com relação aos gastos com serviços Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13601.000734/200231 Acórdão n.º 3401002.917 S3C4T1 Fl. 5 7 de transporte, pois, consoante a legislação do IPI que subsidiariamente dá os contornos do que pode ser considerado MP, PI e ME, os serviços de transporte não são matéria prima, nem produto intermediário, nem material de embalagem, portanto os serviços de transporte neles não se enquadram. Corretas as glosas a meu ver e devem ser mantidas. Antes de prosseguirmos em nossa análise, sublinho que o processo 13603.000631/200171 se refere ao período de apuração de janeiro de 1998 a dezembro de 2000, enquanto que o PAF n.º 13603.001973/200451 se refere ao período de apuração de 10/01/2001 a 10/01/2004. Portanto, aquele primeiro não pode se referir diretamente a este que julgamos agora, pois os períodos de apuração são distintos, malgrado a semelhança dos fatos. Mas o mesmo não ocorre com relação a esse último. Há, a meu ver, uma relação de dependência entre o que julgamos hoje e o processo 13603.001973/200451, pois, se nesse processo, se concluir que não procedem os fatos considerados infração pela autoridade fiscal no caso o erro de classificação fiscal e de alíquota de IPI usada pela contribuinte e de cálculo de credito presumido do IPI então não podem prosperar as glosas do crédito pretendido pela contribuinte neste processo. Os fatos apurados pela fiscalização e que ensejaram o reconhecimento de direito creditório menor que o solicitado originalmente pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento de IPI foram submetidos ao contraditório e a 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuinte, no processo 13603.001973/200451, através do Acórdão n.º 30134.208, em 05/12/2007, com voto condutor como relator do Ilmo Conselheiro João Luiz Fregonazzi, negou provimento ao recurso voluntário e considerou procedente a reclassificação fiscal definida pela autoridade lançadora, e remeteu a lide a prosseguimento de julgamento pelo 2º Conselho de Contribuintes, para tratar do assunto crédito presumido. Sendo assim, as glosas baseadas na reclassificação fiscal não poderiam ser contestadas neste processo, pois aquele já decidiu pela sua correção, tornandoa definitiva. Com relação ao tema crédito presumido, conforme exposto acima, entendo corretas as glosas realizadas e propomos não dar provimento ao recurso voluntário neste âmbito. Ademais, a contribuinte decidiu aderir a programa de parcelamento e, assim, desistir do prosseguimento do seu recurso administrativo no PAF 13603.001973/200451. Tendo em vista as considerações e razões aqui expostas, concluo e proponho a este Colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 11128.000662/00-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 02/03/1999
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE.
A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exige-se, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Demonstrado que a consulta ineficaz não tem o condão de obstar o lançamento de ofício, a exigência fiscal não padece de nulidade por ter o sujeito passivo formulado indigitada consulta antes do início do procedimento de ofício.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), que dava provimento parcial para manter o auto de infração no tocante ao IPI. Vencidos, ainda, os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 02/03/1999 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exigese, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Demonstrado que a consulta ineficaz não tem o condão de obstar o lançamento de ofício, a exigência fiscal não padece de nulidade por ter o sujeito passivo formulado indigitada consulta antes do início do procedimento de ofício. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. Vencido o Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), que dava provimento parcial para manter o auto de infração no tocante ao IPI. Vencidos, ainda, os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 06 62 /0 0- 51 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Em Recurso Especial de fls. 188/198 admitido pelo Despacho nº 3201.70 de fls. 227/228, insurgese a Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 320100.511 (fls. 178/183), cuja ementa contém o seguinte: “AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. EXISTÊNCIA DE PROCESSO DE CONSULTA FISCAL PENDENTE DE SOLUÇÃO. Havendo processo de consulta pendente de solução no momento da lavratura, mesmo que esta, no futuro, seja considerada ineficaz, não pode ser lavrado o auto de infração sob pena de ferimento do disposto no artigo 48, do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário provido.” A ora Recorrida registrou a DSI nº 099/100.071, nacionalizando mercadorias consumidas a bordo do navio Costa Allegra, tendo a fiscalização detectado que o valor do câmbio utilizado não era o da data da ocorrência do fato gerador e, bem como, as alíquotas aplicadas não eram condizentes. Foi igualmente identificado pela fiscalização que parte dos produtos foram declarados como sendo Brindes ou Mercadorias Danificadas. Em decorrência, foi lavrado auto de infração relativamente às diferenças de II, IPI, juros de mora e às multas de ofício do artigo 44, I, e 45 da Lei nº 9.430. Demonstra jurisprudência divergente sobre a matéria por via do Acórdão 30236.941, que decidiu pela não produção de efeitos quando a consulta for declara ineficaz e pelo Acórdão 30132.577 quanto as alíquotas e taxa de câmbio como sendo as vigentes na data da DSI. Afirma ser improcedente a decisão combatida de que a Consulta declarada ineficaz tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito ou impedir o lançamento dos Fl. 472DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11128.000662/0051 Acórdão n.º 9303002.624 CSRFT3 Fl. 247 3 tributos haja vista que somente a consulta considerada eficaz produz efeitos jurídicos na direção de impedir a incidência da norma que o consulente quer afastar. Transcreve os arts. 46, 47, 52 e 48 do Decreto nº 70.235/72 e trecho do Despacho Decisório de fls. 102/105, para concluir que a contribuinte não formulou a consulta de acordo com esses comandos legais. Por outro lado, esclarece que nos objetos da consulta não estão insertos os objetos do lançamento, por não existirem dúvidas quanto à aplicação da alíquota ou à taxa de câmbio e ainda, uma vez que o lançamento baseouse nas quantidades e valores relativos às vendas declaradas na DSI, inexistindo conexão entre a consulta e a autuação. Contrarrazões de fls. 233/242 onde está arguido que a Recorrida submeteu impugnação e que além de ter efetuado o recolhimento dos tributos conforme DARF´s fl. 48, reclamados o auto de infração não poderia ter sido lavrado na medida em que na época (18.02.2000) encontravase pendente de análise consulta por ela formulada relativamente à aplicação da IN nº 137/98, o que ocasionou a fundamentação do acórdão recorrido. Insurgese contra o Especial em razão da não aplicabilidade dos paradigmas que desconsideram os termos do art. 48 do Decreto nº 70. 235/72. Destaca que esse dispositivo não faz referência a possibilidade de ser a consulta considerada ineficaz e que quando não ocorridas quaisquer da hipóteses dos incisos I e II do citado artigo 48, é vedado ao fisco lavrar auto de infração sobre o objeto consultado. Transcreve vários acórdãos deste conselho que decidem pela impossibilidade de autuação fiscal quando ainda pendente a solução. Referese ao princípio constitucional da segurança jurídica, defendendo o necessário resguardo das decisões que transcreveu, no sentido de destinar ao contribuinte a certeza de não ocorrência de autuação fiscal sobre tema em consulta. Sobreleva o argumento de que a fiscalização não tem poderes premonitórios para conhecer antes da materialização da solução da consulta o seu desfecho. Continua argumentando que o tema em discussão, alíquotas e taxas de câmbio, não foram objeto de julgamento pela r. decisão recorrida e, que, caso este Recurso seja provido, requer sejam os autos encaminhados para a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara deste CARF para que julgue a questão sob pena de cerceamento do direito de defesa da Recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Verifico, inicialmente, que na fl. 3 do Auto de Infração, lavrado em 01.02.2000, encontrase registrado que a motivação do lançamento se deveu à falta de recolhimento do II e do IPI em decorrência da aplicação de alíquotas incorretas, portanto diversas das vigentes na data do registro da DSI. Igualmente sou informado pelo constante dos autos que a ora Recorrida tem como atividade a realização de cruzeiros marítimos nacionais, com fins turísticos, em navios próprios ou arrendados e também a exploração de agência de viagens e turismo. Constato nas fls. 44/47 cópia de consulta fiscal à SRF de Santos SP, protocolizada em 29.12.1998, buscando resposta quanto à interpretação e aplicação da IN SRF 137/98, cuja solução foi materializada em 10.12.2001, declarando a ineficácia com base no inciso I, art. 11, da IN SRF nº 2/97. De fato, a consulta fiscal formulada somente produzirá efeitos se não infringir o contido nos incisos do art. 51 do Decreto nº 70.235/72 e, no caso presente, observo das fls. 44/47 que a mesma se lastreia em dirimir dúvidas quanto à adequação da IN nº137/98 aos procedimentos de consumo decorrentes das atividades de cruzeiros marítimos com fins turísticos. De fato, os incisos V e VI do Decreto nº 70.235 esclarecem a não produção de efeitos para a consulta formulada quando o fato estiver disciplinado em ato normativo e/ou em disposição literal de lei publicados anteriormente à sua apresentação. São peculiares e pontuais as dúvidas articuladas pela consulente, haja vista que, receita, consumo e responsabilidade, assumem características diferenciadas das incidências ocorridas em estabelecimentos fixos nacionais, mesmo assim a IN nº 137/1998, que serviu de base para a consulta, tem o seguinte objeto: “Art. 1º A entrada de navio estrangeiro no território nacional e a sua movimentação pela costa brasileira, em viagem de cruzeiro eu incluir escala em portos nacionais, bem assim a as atividades de prestação de serviços e comerciais, inclusive relativas a mercadorias de origem estrangeira, destinadas ao abastecimento da embarcação e à venda a passageiros, serão submetidos ao tratamento tributário e ao controle aduaneiro estabelecidos nesta Instrução Normativa.” Nesse passo, é de fácil constatação que o objeto da IN se enquadra perfeitamente à atividade da ora recorrente, restando saber se o Despacho Provisório SRRF 08/Disit, anexo às fls. 103/107, teve, de fato, pertinência ao declarar a ineficácia da consulta por ser genérica. A consulta formulada foi destinada à interpretação e aplicação da IN nº 137/98, como já mencionado, e requer resposta para a forma de apuração dos tributos IRPJ; IRF; CSSL; II, PIS e COFINS. Transcrevo parte da consulta que possibilitará o entendimento quanto a sua eficácia ou não, fl. 45. “DOS FATOS (...) IV) Fl. 474DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11128.000662/0051 Acórdão n.º 9303002.624 CSRFT3 Fl. 248 5 Tais serviços colocados à disposição dos passageiros, não são de titularidade do armador do navio, mas sim de terceiros que, via de regra, possuem contrato mundial com a armadora, para a exploração de serviços nos navios. Por exemplo, a titular da loja de conveniência é uma empresa americana, que possui uma concessão para toda a frota de propriedade do grupo italiano a que pertence a consulente. Os prazos de tais concessões vão além da temporada brasileira, em média 4 meses por ano. (...) “Do tratamento tributário” (...) existem cruzeiros diferenciados, sendo alguns de cabotagem e outros internacionais; (...) ocorre em alguns casos, uma curta permanência da embarcação em Costa Brasileira, em prazo inferior, ao prazo de recolhimento dos tributos, restringindo a apresentação, por ocasião da saída da embarcação dos documentos solicitados; a apuração, individual, por concessionário deverá requerer a permanência, na embarcação, de uma administração e contabilidade independentes; dentre os vários grupos concessionários, existem aqueles, cujo país firma acordo com o Brasil, objetivando evitar a bitributação, os quais deverão requerer, na forma aplicável, tratamento tributário específico.” Transcrevo igualmente algumas perguntas: “1º) Devemos efetuar controles solicitados de forma individualizada, por concessionário? (...) 4º) Como tratar os serviços prestados entre estrangeiros? (...) 7º) Dentre as despesas dedutíveis do concessionário, relativas a mão de obra, aluguel, etc, quais serão os documentos aceitos?” Constato, portanto, que os aspectos consultados merecem consideração do Fisco em razão da consistência lógica que representam e porque, sob minha ótica, a IN nº 137/98 não explicita completamente as dúvidas argüidas. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, haja vista que, na conformidade do inciso V da consulta formulada, o IPI não se faz presente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Fl. 475DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado A teor do relatado, a matéria que se apresenta a debate cingese à questão dos efeitos protetivos da consulta apresentada pelo Sujeito Passivo. Segundo entendimento da Parte e do i. Relator do Processo, vez que versasse sobre matéria coincidente com a que fundamenta o Auto de Infração, a apresentação da consulta impediria o Fisco de instaurar qualquer procedimento fiscal contra o consulente, e, por conseguinte seria nulo o auto de infração lavrado nessas circunstâncias. Desse entendimento, com o devido respeito e as desculpas de estilo, ouso divergir, pelas razões a seguir aduzidas. É de sabença geral que, nos termos da Lei, a consulta eficaz impede a instauração de procedimento fiscal contra o consulente, relativamente à espécie consultada. Para ser considerada eficaz, a consulta deverá, dentre outros requisitos, referirse a dispositivos da legislação tributária aplicáveis a (i) fato determinado, (ii) não definidos em disposição literal de lei, (iii) nem disciplinado em ato normativo. O conceito aberto encontrado no artigo 46 DecretoLei 70.235/72 sob o signo “fato determinado” foi especificado no texto da Instrução Normativa nº 02/97, vigente à época, nos seguintes termos. Art. 3º (...) § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender os seguintes requisitos: (...) III circunscreverse a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem assim dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. (...) Art. 5º Ressalvada a hipótese de matérias conexas, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. Encontrase nos autos a consulta protocolada pela interessada [folhas 106 (121 eProc) e seguintes]. Nela buscase esclarecimentos acerca do (i) dever de efetuar os controles forma individualizada ou por concessionário, (ii) requerer tradução juramentada à documentação que suporta as operações (iii) periodicidade da apuração e levantamentos de mercadorias, (iv) forma de tratamento dos serviços prestados a estrangeiros, local de manutenção dos controles e documentos e (v) espécies de despesas dedutíveis. Mais do que um aspecto merece ser examinado. Primeiro, como já se vinha delineando, a teor do disposto no artigo 5º da Instrução Normativa nº 02/97, que, como disse, atribuiu conteúdo normativo específico ao Fl. 476DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11128.000662/0051 Acórdão n.º 9303002.624 CSRFT3 Fl. 249 7 conceito aberto encontrado no Decreto 70.235/72, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. No caso concreto, os diversos Tributos e Contribuições relacionados no artigo 1º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa nº 137/98 têm relação de dependência com os questionamentos apresentados na Consulta. A seguir o texto do parágrafo 4º do artigo 1º da IN 137/98: § 4º Os impostos e contribuições devidos em virtude do disposto nesta Instrução Normativa serão pagos mediante Documentos de Arrecadação de Tributos e Contribuições Federais DARF, com os seguintes códigos de receita: a) IRPJ 7756; b) CSLL 7837; c) II 7730; d) IPI 7743; e) PIS/PASEP 7797; f) COFINS 7784; g) IRF 7769. O artigo 10 da Instrução Normativa 02/97, cuja base legal encontrase no artigo 48 do DecretoLei 70.235/72, afasta a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, desde que a consulta seja eficaz, o que, por sua vez, depende da observância do disposto no artigo 5º. Art. 5º Ressalvada a hipótese de matérias conexas, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. (...) Art. 10. A consulta eficaz impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que o pagamento ocorra neste prazo, quando for o caso. (...) Art. 11. Não produz efeitos a consulta formulada: I com inobservância dos arts. 2º a 5º; Tratase de uma razão material e insofismável a determinar a ineficácia da Consulta interposta, subtraindolhe os efeitos pretendidos. Noutro giro, relendo os questionamentos feitos pela Recorrente na Consulta correspondente, encontro grande dificuldade em não compreendêlos como generalidades, dissociados de uma dúvida específica sobre a legislação tributária aplicável ao caso concreto. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Perceboos, em lugar disso, muito mais como indagações acerca da forma de organização apropriada para atender o que determinado na Norma Legal. Quanto a isso, andou muito bem a decisão de origem ao esclarecer porque a consulta interposta pela Recorrente não atendia à condição de eficácia estabelecida na legislação tributária. A seguir excerto extraído do Despacho Decisório SRRF08/Disit, folha 116 (131 – eProc). Primordialmente, há que se considerar que a interessada ora não apresenta propriamente questões sobre a interpretação dos dispositivos da legislação tributária aplicáveis As situações a que se refere na inicial e que, em principio, não lhe seriam claros. Ao contrário, suas indagações, que bem por isso achou se oportuno acima transcrever literalmente, reportamse basicamente a aspectos operacionais, em particular quanto ao registro, escrituração contábil e procedimentos correlatos aplicáveis às operações realizadas a bordo dos navios, expressando apenas suas dificuldades para adaptarse as exigências da IN SRF n° 137, de 1998, adaptação essa, ressalte se, até tardia, pois já há alguns anos deveria estar agindo como previsto naquele diploma. Não são, porém, ressaltese, dúvidas quanto à interpretação da legislação tributária aplicável, descabendo sua apreciação em processo de consulta. Seguindo adiante, quero crer que as questões suscitadas pela Consulente possam também ser reconhecidas como fatos já definidos na legislação tributária1 e no direito privado. Isso pode ser deduzido das considerações finais do Despacho Decisório SRRF08/Disit, quando refere que a escrituração deve obedecer aos princípios aplicáveis ao registro e escrituração contábeis das operações próprias, conforme RIR/99, artigos 268, 269, bem assim, as normas gerais relativas conservação de documentos, papéis e comprovantes em que se fundamentem os referidos registros, conforme RIR/99, artigo 264. Outra ponderação que merece ser feita, é que, a todo rigor, não é o Processo Administrativo Fiscal o expediente apropriado para discutir a condição de eficácia da consulta interposta pelo administrado. Pelo menos é o que depreendo das disposições do artigo 7º da Instrução Normativa nº 02/97. Art. 7º A solução da consulta ou a declaração de sua ineficácia, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, compete à: (Redação dada pela IN SRF nº 83/97, de 31/10/1997) I Superintendência Regional da Receita Federal, exceto nas hipóteses dos incisos II e III; (Redação dada pela IN SRF nº 83/97, de 31/10/1997) II CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, nos casos de consultas formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional, exceto na hipótese referida no inciso seguinte; (Redação dada pela IN SRF nº 83/97, de 31/10/1997 ) 1 Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: V quando o fato estiver disciplinado em ato normativo, publicado antes de sua apresentação; VI quando o fato estiver definido ou declarado em disposição literal de lei; Fl. 478DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11128.000662/0051 Acórdão n.º 9303002.624 CSRFT3 Fl. 250 9 Com efeito, o que deve ser decidido aqui diz respeito à regularidade das ações praticadas pelo contribuinte à luz das disposições normativas vigentes à época dos fatos. Se existiam normas que determinassem os procedimentos exigidos pelo Fisco no Auto de Infração e se eles estavam suficientemente esclarecidos na legislação. Salvo melhor juízo, os efeitos em si da consulta ineficaz não podem mais ser revistos. Tratase de outro rito processual. Por fim, necessário acrescentar que a legislação tributária previne a instauração de procedimento fiscal contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada. Acontece, porém, que segundo informa o Auto de Infração, a Fiscalização Federal apurou a utilização de alíquota incorreta e acréscimo de mercadoria em ato de conferência documental das Declarações Simplificadas de Importação, infrações que não parecem guardar estrita relação com o objeto genérico especificado na consulta interposta. Demais disso, devese ter em conta que a declaração de ineficácia de uma consulta tem efeitos ex tunc, como aliás, são os efeitos esperados das declarações. Assim, os efeitos da declaração de ineficácia retroage ao momento de interposição da consulta, o que, por demais óbvio, tal consulta não produziu qualquer efeito no mundo jurídico. De todo o exposto, demonstrado está que a consulta ineficaz não tem o condão de obstar o lançamento de ofício, e, por conseguinte, o auto de infração não padece de nulidade por ter o sujeito passivo formulado tal consulta antes do início do procedimento fiscal. De outro lado, o mérito do lançamento não foi apreciado pelo órgão julgador recorrido, o que inviabiliza, sob pena de supressão de instância que este Colegiado o faço aqui, neste momento. Assim devem os autos retornar ao Colegiado recorrido para que, afasta a nulidade do auto de infração, sejam examinadas as demais questões trazidas no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional para afastar a nulidade do lançamento fiscal, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado recorrido para que examine as demais questões trazidas no recurso voluntário apresentado pelo Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 479DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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