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Numero do processo: 10380.904365/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0123.982, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que assim relatou o feito: Tratase de Declaração de Compensação, no valor de R$ 364.487,87 (fls. 02/1304), na qual indicou como crédito o pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI referente ao 4º trimestre de 2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 04 36 5/ 20 10 -1 1 Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 10380.904365/201011 Resolução nº 3201001.775 S3C2T1 Fl. 1.617 2 A delegacia de origem deferiu parcialmente o pleito do contribuinte, na quantia de R$ 332.522,34, sob os seguintes fundamentos: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP; Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Cientificada em 17/05/2011 (AR fl. 1308.) a interessada apresentou, tempestivamente, em 16/06/2011 a Manifestação de Inconformidade (fls. 1309/1317), alegando que: O Despacho Decisório objeto da presente Manifestação de Inconformidade não esclarece um ponto sobre o qual é imprescindível a manifestação da Inconformada, que deixa de fazêlo pela ausência de subsídios fornecidos pelo Fisco, cerceando, desta forma, o seu direito de defesa. Incorre o Fisco, assim, no que dispõe o art.59, II do Decreto 70235/72: (...) É que conforme consta do próprio Despacho Decisório, uma das constatações averiguadas no mesmo foi a de que houve "constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação da PER/DCOMP". O problema é que no Relatório da Informação Fiscal a Autoridade Fiscal não faz nenhuma referência ao item supra transcrito; apenas faz considerações acerca da redução de alíquota e menciona que os itens empregados no processo produtivo da Impugnante não são considerados insumos, além da desconsideração dos materiais de embalagem. (...) Outro item que enseja preterição ao direito de defesa é o fato da Inconformada ter utilizado o crédito de R$ 899.522,07, ter sido reconhecido o valor de R$ 332.522,34, e ter sido glosado o valor de R$ 30.115,12. Verificase, desta forma, a incompatibilidade entre os valores, razão pela qual, mais uma vez, constatase cerceamento ao direito de defesa. Assim, uma vez que foram aplicadas sanções pelas infrações a dispositivos legais pela Inconformada, não oferecendo os meios pelos quais foram detectadas tais infrações, resta evidenciado o prejuízo da Inconformada, tendo em vista que, na presente Manifestação de Inconformidade, deixa de se defender dos fatos narrados pelo Fisco, fatos estes carecedores da respectiva prova. (...) Na "Relação de Insumos Glosados", constam dois tipos de produto: materiais utilizados na higienização das linhas de produção; e materiais de embalagem que acondicionam o produto. Ocorre que o Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 10380.904365/201011 Resolução nº 3201001.775 S3C2T1 Fl. 1.618 3 primeiro representa os produtos intermediários utilizados no processo produtivo, e o segundo corresponde a material de embalagem, de forma que, estando vinculados ao processo produtivo da Inconformada, não é legítima a glosa realizada. De fato, em relação aos aludidos produtos intermediários (materiais utilizados na higienização das linhas de produção), eles estão de tal forma envolvidos na fabricação do produto explorado pela Inconformada, que sem o seu concurso é impossível obter o produto final. Aliás, eles estão tão intrinsecamente relacionados ao produto final, ainda que de forma indireta, que se pode avaliar, antecipadamente, a quantidade a ser consumida, eis que guarda estrita relação ou proporção com o volume produzido. O fato é que os produtos adquiridos são produtos intermediários que estão vinculados e são consumidos no processo produtivo da Inconformada, que não se enquadram nem como ativo fixo e nem como bens de uso e consumo. Como já dito anteriormente, a Inconformada fabrica bebidas das marca CocaCola. Além de estarse falando em produção de alimento (bebida), o que por si só justifica a utilização de produtos que garantam a limpeza em toda área de produção. Devese ter em mente a própria imposição de rigores por parte da vigilância sanitária, em relação à limpeza e higienização de tudo que envolve a produção de gêneros alimentícios. Ademais, Ilustres Julgadores, a Inconformada gostaria de chamar atenção ao fato de que na mesma linha de produção na qual se fabrica a CocaCola, é fabricado também as demais bebidas (Fanta, Kuat etc). Assim, ao encerrar a produção de um tipo de bebida, toda a linha de produção é submetida a um rigoroso processo de limpeza e higienização, no intuito de retirar vestígios do produto anterior e preparar o maquinário para a próxima bebida. (...) Da mesma forma, o filme plástico, Eucatex etc , são, para todos os fins, materiais de embalagem em sentido amplo. Materiais de embalagem de refrigerantes não podem ser entendidos, tão somente, como a "garrafa pet", por exemplo, que envolve o líquido, mas todas as outras embalagens que compõem a viabilidade da sua venda para os adquirentes dos produtos, visto que o transporte pela unidade do produto inviabilizaria a sua comercialização. Sendo assim, é ilegítima a glosa impugnada já que a legislação assegura o crédito de produtos intermediários e materiais de embalagem, consoante disposto art. 164, I, do Decreto 4.544/ 2002... (...) Os materiais cujo IPI foi glosado constituem, na essência, produtos intermediários e materiais de embalagem, de forma que não é legítima a glosa do crédito ora impugnada, pelo que deve ser reformado o despacho decisório. Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 10380.904365/201011 Resolução nº 3201001.775 S3C2T1 Fl. 1.619 4 (...) Na verdade, pelo desenvolvimento dos argumentos, evidenciase a certeza da Inconformada em requerer a procedência da presente Manifestação de Inconformidade, em função da ilegalidade do indeferimento do pedido de ressarcimento de créditos de IPI referente ao terceiro trimestre de 2006 bem como da não homologação das compensações. Assim o direito está prenhe de certeza. Mas se alguma dúvida restar, de acordo com a determinação contida no art. 112 do CTN que se aplique a interpretação mais favorável ao Contribuinte. Diante do exposto, pede a Inconformada que seja decretada a nulidade do Despacho Decisório em razão do que dispõe o art. 59 do Decreto 70235/72 no que se refere aos itens acima mencionados, bem como sejam acolhidas as razões de mérito para reconhecer a totalidade do crédito de ressarcimento de IPI do estabelecimento de CNPJ n°. 07.196.033/002141, relativo ao 4o trimestre de 2007, no valor total de R$ 899.522,07 e conseqüentemente homologação das compensações efetuadas. Requer ainda que, na dúvida, seja conferida a interpretação mais favorável à Suplicante, na forma do art. 112 do CTN. Requer, por fim, a realização de perícia técnica, a fim de avaliar se os produtos em questão são consumidos no processo produtivo e/ou compõem o produto final, e até mesmo se compõe o preço de venda, sofrendo, dessarte, tributação do IPI. É o relatório. Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO. MATERIAL DE LIMPEZA. Os materiais de limpeza utilizados na fabricação de refrigerantes, apesar de constituírem uma despesa necessária para a produção, não integram efetivamente o produto final nem sofrem perda de suas propriedades físicas e químicas em ação direta sobre este último, motivo pelo qual não geram direito a crédito do IPI. CRÉDITO. MATERIAL DE EMBALAGEM O material de embalagem utilizado tão somente para o transporte do produto não gera direito a crédito de IPI, em razão de não se incorporar ao produto durante o processo de industrialização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 10380.904365/201011 Resolução nº 3201001.775 S3C2T1 Fl. 1.620 5 objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. De outro lado, também se mostra irrelevante a produção de prova pericial quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado. Os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Em primeiro exame do feito, esta Turma houve por bem deliberar pela conversão do feito em diligência para que a Autoridade Preparadora "informe, relativamente ao período de apuração em análise no presente processo, qual o efetivo emprego do chamado "material de limpeza e higienização" glosado, especificando se o uso ocorreu na limpeza dos maquinários, tais como tubulação, tanques, etc, ou mesmo, vasilhames", conforme Resolução nº 3201000.831 de 20 de fevereiro de 2017. Em seu Relatório Fiscal, a autoridade autuante traz os descritivos apresentados pelo contribuinte, contudo, aduz que, ainda que se tratem de bens utilizados no processo produtivo, eles não têm contato direto com os produtos industrializados (refrigerantes). O Recorrente, em sua manifestação, reitera os argumentos de defesa apresentados quanto à desnecessidade do contato físico com o produto industrializado e traz precedentes estaduais (ICMS) do mesmo contribuinte. Os autos, então retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Preliminar De acordo com o Relatório supra, tratase de Declaração de Compensação, no valor de R$ 364.487,87 (fls. 02/1304), na qual indicou como crédito o pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI referente ao 4º trimestre de 2007. O contribuinte alega, tanto em sua Manifestação de Inconformidade, quanto em seu Recurso Voluntário, que o Despacho Decisório teria afirmado "que houve constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 10380.904365/201011 Resolução nº 3201001.775 S3C2T1 Fl. 1.621 6 períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação da PER/DCOMP" sem, contudo, indicar de que modo teria ocorrido esta utilização. Conforme aduz a Recorrente, esta se apropriu de crédito no valor de R$899.522,17, foi glosado o ínfimo valor de R$30.115,12, mas ao final só foi reconhecido o crédito no valor de R$332.522,34. Em face desse argumento, a DRJ assim se manifestou: Temse, de fato, que a suposta ausência de motivação é inexistente, haja vista que se encontra estampado no ato administrativo em questão que “o valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal”. Por sua vez, os documentos relativos ao procedimento fiscal indicado como fundamento do deferimento apenas parcial do pleito do sujeito passivo foramlhe disponibilizados na forma de anexos (arquivos Termo de Informação Fiscal.pdf, Apuração do IPI. xls, como se vê às fls. 1372/1382), valendo acrescer que tais documentos também lhe foram entregues diretamente, recorrentemente mencionado na manifestação de inconformidade de fls. 1311/1312. (...) Relativamente aos saldos das contas constantes no demonstrativo retro citado, importa ressaltar que basta a impugnante comparar os valores com a sua escrita fiscal, considerando os resultados das diligências dos trimestres anteriores e demais documentos que a empresa detém a posse. Dessa forma, a interessada possui todos os elementos necessários para contestação dos dados, não havendo que se falar em prejuízo para a defesa. Em vista disso, o valor a ser ressarcido/compensado nada mais é que o resultado dos ajustes feitos pela Fiscalização na apuração do IPI da empresa, decorrentes das infrações ora em análise, de cujo teor foi cientificada, tendo apresentado sua defesa, a qual será analisada em seguida, inexistindo, portanto, cerceamento no presente caso. Pelo narrado, percebo que a divergência de valores decorre do fato de que a fiscalização abrangeu diversos períodos, fazendo com que o crédito remanescente de um período fosse aproveitado para outro na própria escrita fiscal do contribuinte. Ou seja, na hipótese suscitada, embora no trimestre examinado a glosa de créditos tenha sido ínfima em face do crédito total apurado, este crédito reconhecido teria sido apropriado na própria escrita fiscal do contribuinte para período diverso, deixando, assim, em descoberto, o "débito" que se pretendeu extinguir por compensação no PER/DCOMP ora analisado. Esta Relatora, quando da primeira Resolução, foi vencida quanto à necessidade de se verificar os demais processos decorrentes da mesma ação fiscal que culminou com a glosa de créditos básicos de IPI apurados pela Recorrente. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 10380.904365/201011 Resolução nº 3201001.775 S3C2T1 Fl. 1.622 7 Não obstante, passase a analisar a situação: ainda que se possa admitir que o crédito remanescente foi utilizado para a quitação de débitos apurados em períodos subsequentes, o Despacho Decisório Eletrônico não indica em momento algum exatamente para quais períodos houve essa utilização. Com a devida vênia ao entendimento fiscal, ainda que, como dito, se admita a possibilidade de utilização do crédito reconhecido no presente processo para a quitação de débitos apurados em períodos subsequentes, é essencial que indique exatamente quais são esses períodos e qual valor foi alocado para cada um deles. Nesse sentido, as alegações de que "basta a impugnante comparar os valores com a sua escrita fiscal" e "demais documentos que a empresa detém posse" não são bastantes para o cumprimento do devido processo legal, pelo qual se exige seja concedido ao contribuinte todos os fatos e fundamentos que permitam o exercício da ampla defesa. Ademais, na presente hipótese, até mesmo o julgamento do feito resta comprometido. Uma vez negada a reunião dos feitos, não se consegue verificar se o valor do crédito remanescente foi corretamente alocado nos períodos subsequentes. Logo, para a correta compreensão do feito e adequado julgamento, não há como se prosseguir sem que a Autoridade Lançadora informe exatamente o valor e em quais períodos o crédito glosado no presente feito foi utilizado, bem como comprove que a contribuinte foi cientificada de tais valores. Diante de todo exposto, proponho a conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora esclareça o ponto supra. Após, seja apresentado Relatório conclusivo pela Fiscalização, do qual deverá ser concedido ao contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Concluído, retornemse os autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1622DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.939165/2015-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.939165/201553 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.732 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2019 Assunto PER/DCOMP Recorrente MARFRIG GLOBAL FOODS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de contribuições não cumulativas que, após procedimento fiscalizatório sofrido pela empresa, restaram não reconhecidos em sua integralidade, consoante Despacho Decisório que integra os autos em apreço. Inconformada com o não reconhecimento integral de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10058.399. Destacase que a DRJ aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, com as seguintes alegações, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 39 16 5/ 20 15 -5 3 Fl. 4961DF CARF MF Processo nº 10880.939165/201553 Resolução nº 3402001.732 S3C4T2 Fl. 3 2 i) conceito de insumo aplicável alega que ele representa não só elementos diretos, mas também indiretos ligados à produção de produtos e de serviços; entende que a natureza jurídica dos créditos do PIS e da Cofins não pode ser confundida com a nãocumulatividade do ICMS e do IPI, apontando que deveria se aplicado o método indireto subtrativo; aduz que os créditos de PIS e de Cofins se revestem de subvenção estatal; requer créditos sobre a totalidade de seus custos e de suas despesas, pois não haveria como se restringir o conceito de insumo; aponta a procedência de suas alegações à luz de sua atividade econômica; ii) direito ao crédito sobre aquisições de combustíveis alega que os combustíveis e Gás GLP seriam aplicados em seu processo produtivo, citando a Lei nº 10.833/03 e a Instrução Normativa nº 404/04; alega que o óleo diesel seria utilizado em suas empilhadeiras e geradores; iii) direito ao crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas alega que o direito a crédito sobre tais serviços utilizados como insumos estaria amparado pela Lei nº 10.833/03, sendo essa rubrica composta por três serviços distintos: de laboratório; do serviço de inspeção federal (SIF), de caráter de inspeção sanitária; e de análises microbiológicas, essenciais e obrigatórios nos frigoríficos; iv) direito a crédito integral sobre os fretes internacionais alega que teria atendido a todos os requisitos normativos e legais previsto na Leis nº 10.833/03 para creditamento sobre fretes nas operações de venda, não prosperando a acusação fiscal que impediu o crédito por ser o transportador pessoa jurídica não domiciliada no país; ii) direito ao crédito integral sobre o frete decorrente da aquisição de insumos, e não o cômputo do crédito presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.720, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.907821/201559, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.720): "Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A questão devolvida a este colegiado cingese sobre o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS Fl. 4962DF CARF MF Processo nº 10880.939165/201553 Resolução nº 3402001.732 S3C4T2 Fl. 4 3 e COFINS, cujo reflexo poderia alterar o direito creditório da Recorrente e o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente as compensações pleiteadas. Especificamente, tratamse das seguintes glosas efetuadas pela autoridade fiscal e confirmadas pela DRJ: (i) Crédito sobre aquisições de combustíveis; (ii) Crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas; (iii) Crédito sobre os fretes internacionais; (iv) Crédito integral sobre o frete decorrente da aquisição de insumos, e não o cômputo do crédito presumido Quanto ao conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição para o PIS e a COFINS, o julgador a quo aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004, no sentido de restringir o crédito apenas nas situações relacionadas nos referidos atos infralegais. A questão já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – Fl. 4963DF CARF MF Processo nº 10880.939165/201553 Resolução nº 3402001.732 S3C4T2 Fl. 5 4 bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal baseouse nos termos determinados pelas INs SRF 247/2002 e 404/2004, e não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo que a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando a nova Fl. 4964DF CARF MF Processo nº 10880.939165/201553 Resolução nº 3402001.732 S3C4T2 Fl. 6 5 interpretação determinada pelo STJ acerca do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 4965DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000579/2001-33
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE.
Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos-calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Trata-se de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário.
Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Trata-se de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária.
Numero da decisão: 9101-003.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anoscalendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Tratase de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 05 79 /2 00 1- 33 Fl. 938DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 939 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) André Mendes Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 828/838) interposto pela PGFN, cujo objeto referese à possibilidade da autoridade fiscal revisar a formação de saldo negativo referente a períodos que ultrapassaram o prazo decadencial de 05 (cinco) anos. O acórdão n° 140200.976 de 11/04/11 (fls. 817/825), ora recorrido, foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN. Essa prazo decadencial também é aplicável nas revisões do Lucro Real apurado e declarado pelo contribuinte, para fins de apuração do direito creditório concernente ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ/CSLL. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS DO IRPJ/CSLL. A Fazenda Pública pode fiscalizar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL no prazo de 5 anos Fl. 939DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 940 3 contados do aproveitamento pelo contribuinte. Essa revisão deve partir do lucro real declarado/apurado pelo contribuinte e pode contemplar a verificação da efetividade dos recolhimentos, das retenções do IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações, enfim a própria formação do saldo. Todavia, após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original , ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e os acórdãos paradigmas apresentados quanto à possibilidade da fiscalização ultrapassar o prazo de 05 anos para fins de revisão de saldo negativo do contribuinte. O acórdão ora recorrido aplicou entendimento de que não pode haver auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte após 05 anos, prazo este que é contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, Contudo, segundo a ora Recorrente, os acórdãos paradigmas (0400.054 e 10419.219) trazem entendimento distinto no sentido de que é perfeitamente cabível a revisão/retificação, pela fiscalização, de valores apropriados a título de prejuízo fiscal, ainda que estes tenham origem em anocalendário abarcado pela decadência. Isso porque, em verdade, os prazos decadenciais destinamse exclusivamente ao lançamento tributário. Não abrangem, pois, a revisão de valores relativos a prejuízos fiscais advindos de períodos anteriores, ainda que estes tenham influência nos valores do lançamento relativo ao ano calendário não decadente. As ementas dos acórdãos paradigmáticos encontramse abaixo: “Recurso n°. :106132578 Matéria : IRPF Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : ROSA NELY GIORGIO DE LIMA E SILVA Recorrida : 6 CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de :21 de junho de 2005 Acórdão n° : CSRF/0400.054 IRPF ANOSCALENDÁRIO DE 1996 E 1999 ATIVIDADE RURAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DECADÊNCIA ABRANGÊNCIA O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente aos fatos geradores objeto do lançamento tributário, não se aplicando a elementos advindos de ano calendário anterior, ainda que este já tenha sido atingido pela decadência. Assim, constatandose que o anocalendário fiscalizado encontrase passível de revisão, é perfeitamente Fl. 940DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 941 4 cabível o lançamento resultante da retificação do valor apropriado, a título de prejuízo da atividade rural a compensar, mesmo que este tenha origem em anocalendário abarcado pela decadência.Recurso especial provido.” “Processo n°. : 11075.001801/0072 Recurso n°. : 130.767 Matéria : IRPF — Ex(s): 1996 a 2000 Recorrente : MIGUEL GIORGIO DA SILVA Recorrida : DRJ em SANTA MARIA RS Sessão de : 27 de fevereiro de 2003 Acórdão n°. : 10419.219 IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. IRPF ATIVIDADE RURAL PREJUÍZOS COMPENSÁVEIS – CORREÇÃO MONETÁRIA Os prejuízos da atividade rural e excesso de redução por investimentos, nos termos da legislação pertinente — Lei n° 8.23/90, artigos. 14 e 15 , são compensáveis, corrigidos monetariamente, constituindo ilícito enriquecimento do Estado, o óbice administrativo à sua correção plena, por índices legalmente admitidos, para efeitos de sua compensação. Preliminar rejeitada. Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 851/855), foi dado seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 862/874) em que não contesta o conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional mas no mérito traz, em síntese, as seguintes alegações: i) é inconcebível a pretensão da fiscalização de recalcular os valores declarados e desqualificar créditos fiscais de saldo negativo referente a períodos superiores a 5 anos; ii) após 5 anos da declaração dos valores através de DIPJ ocorre a homologação tácita; Fl. 941DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 942 5 iii) traz jurisprudência do CARF que ratifica seu entendimento, conforme acórdãos: i) 10809530 do Primeiro Conselho de Contribuintes; ii) 0103.692 da CSRF e iii) 1801002.273 da 1°Turma Especial da 1° Seção de Julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Como mencionado no relatório, a discussão do Recurso Especial ora em análise referese ao reconhecimento de direito creditório relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ dos anoscalendário de 1999 e 2000, decorrente do IRFonte em valor maior que o imposto apurado no ajuste anual e à possibilidade do Fisco revisar os saldos negativos do contribuinte referentes a períodos de apuração superiores a 5 anos. O acórdão ora recorrido adotou entendimento de que após o prazo decadencial de 5 anos, contados do lançamento original, ou retificado pelo contribuinte, não é possível alterar o lucro real regularmente apurado e declarado. Já os acórdãos paradigmas trazidos tratam da possibilidade de revisão de prejuízos compensáveis após a fluência do prazo de 5 anos, contudo, aplicam entendimento distinto, no sentido de ser inaplicável a tal hipótese o prazo decadencial de 5 anos. Entendo estar presente a necessária similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigmático, bem como, a divergência jurisprudencial. Portanto, o Recurso Especial merece ser conhecido. Mérito O cerne da questão pode ser assim resumido: quando iniciase a contagem do prazo decadencial para alteração do saldo de prejuízo fiscal? As respostas podem variar entre: i) no período em que tal saldo foi constituído e ii) no período em que aproveitado em processo de compensação. De início, destaco recente julgado desta 1° Turma da CSRF (acórdão 9101 003.692) de relatoria do ilustre Conselheiro Demetrius Nichele Macei que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Fl. 942DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 943 6 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. REVISÃO DA APURAÇÃO DO LUCRO FISCAL E CONTÁBIL. IMPOSSIBILIDADE. Em se tratando de direito creditório materializado em saldo negativo de IRPJ, excetuandose grandezas que atuam diretamente sobre o imposto devido, por exemplo, estimativas e IRRF, assim como os valores com repercussão em diversos períodos, como realização do lucro inflacionário, saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores, que podem ser verificadas a qualquer tempo respeitado o prazo inserto no § 5º, do art. 74, da Lei 9.430/96, as alterações na base de cálculo do imposto submetemse ao prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Não se pode alterar o resultado da pessoa jurídica, devidamente apurado em DIPJ, decorrido o prazo decadencial do art. 150, § 4º do CTN. O pedido de compensação não tem o condão de reabrir o prazo decadencial. Alinhome integralmente com tal julgado. Entendo ser inquestionável que dispõe o fisco do prazo de 05 anos a contar do momento da ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento de crédito tributário, conforme determina o art. 150, § 4° do CTN. Indo além, tal racional também se aplica à análise e eventual glosa de parte ou integralidade de Prejuízo Fiscal, Base de Cálculo Negativa de CSLL ou saldo negativo. Isso porque, o eventual recálculo do IRPJ e CSLL, decorrente da glosa de exclusões ou exigência de adições às respectivas bases de cálculo, equiparase, indubitavelmente, a lançar valores nos períodos em questão, ainda que não haja valores a recolher. Destaco aqui, julgado nos autos do Processo n. 10805.721977/201202 – Relato Conselheiro Benecdito Celso Benicio Júnior: “ DECADÊNCIA – ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO FISCAL – GLOSA NO APROVEITAMENTO. A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.” Neste sentido, trago mais alguns julgados deste Conselho na mesma direção nos quais grifo os trechos mais relevantes: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO – GLOSA NO APROVEITAMENTO – A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. DECADÊNCIA – CONTAGEM DE PRAZO – REALIZAÇÃO MÍNIMA DO LUCRO INFLACIONÁRIO – APLICAÇÃO DA SUMULA N. 10 Fl. 943DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 944 7 – O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Na íntegra: (...) Tenho para mim que a razão está com a recorrente. Isso porque, a meu ver, a decadência é algo que atinge todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. O período atingido pela decadência, portanto, toma imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo ser mais alterados, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. (...) Essa questão, aliás, não é nova na jurisprudência administrativa. Vários precedentes já foram apreciados e o entendimento desta Corte é no sentido sustentado pela recorrente. Assim, é firme a orientação jurisprudencial que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo é apurado A partir dessa data, tem o fisco cinco anos para verificar os critérios utilizados na quantificação do valor do prejuízo e questionar a forma como ele foi apurado. Passado esse prazo, o fisco não pode mais glosar o valor compensado. (Acórdão 10809.621, Relator João Francisco Bianco, DOU em 07.11.2008). RECURSO EX OFFICIO — DECADÊNCIA — EFEITOS — O alcance das regras de decadência previstas no CTN, não só obsta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário de período já precluso, como também, o de alterar informações e valores registrados em livros contábeis e fiscais, já alcançados pela homologação tácita. Homologado o crédito, por já estar extinto o direito de lançar pelo decurso de prazo previsto no CIN; homologada está toda a atividade praticada pelo contribuinte, vale dizer, todo o conjunto de informações contábeis e fiscais que a orientaram. (Acórdão 10196.265, Relator Paulo Roberto Cortez, DOU em 06/03/2008). DECADÊNCIA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA DECADÊNCIA – Glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência. (Acórdão 10707.819, Relator designado Natanael Martins, DOU em 01.04.2005). IRPF – REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 945 8 glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente. Preliminar acatada. (Acórdão 10246.305, Relatora Maria Goretti de Bulhões Carvalho, DOU em 10/09/2004). CSLL – BASE NEGATIVA – AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA – DECADÊNCIA Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. (Acórdão 10706.572, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 21/06/2002) DECADÊNCIA — ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO — GLOSA NO APROVEITAMENTO — Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. (Acórdão 10806.921, Relator José Henrique Longo, em 17/04/2002). DECADÊNCIA – IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – GLOSA DE DESPESAS – O direito de a Fazenda Pública constituir exigências tributárias relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A glosa de despesas, ainda que implique apenas em redução de prejuízos fiscais, por comportar juízo de dedutibilidade, não provada a existência de fraude ou simulação, está impedida pelo decurso do prazo decadencial referido. (Acórdão nº 10706.061, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 28/03/2001) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS EXERCÍCIOS DE 1989 E 1990 – Incabível a glosa da compensação de prejuízo com o lucro real obtido em determinado exercício, quando o referido prejuízo, apurado na demonstração do lucro real, não tiver sido objeto de revisão por parte da autoridade lançadora no prazo decadencial. Recurso provido. (Acórdão 10318.623, Relator Cândido Rodrigues Neuber, em 14/05/1997). Acertada a corrente dominante nos julgados acima e não poderia ser diferente. Isso porque, pensar de forma diversa, seria eternizar a possibilidade do Fisco rever a apuração de tributos dos contribuintes. Imaginese exemplo em que o Fisco tivesse glosado o saldo negativo de 2000, por este ter sido composto por compensação de saldo negativo de 1996, composto por Fl. 945DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 946 9 compensações de créditos de 1991 e assim por diante, até que o Fisco concluísse que não concorda com despesa deduzida pelo contribuinte em 1960. Não me preocupei aqui em avaliar as diferentes sistemáticas e regras de compensação de IRPJ e CSLL vigentes desde 1960. O exemplo pode ser imaginado em relação ao futuro, em que em 2030 o Fisco estivesse avaliando deduções de 2000. O ponto relevante aqui é a segurança jurídica. A decadência e a prescrição servem para dar segurança jurídica às relações na sociedade, o que inclui a relação entre fisco e contribuinte. O ilustre jurista Renato Sobrosa Cordeiro nos ensina (Prescrição administrativa. In: Revista de Direito Administrativo, Rio de Janeiro, nº 207, 1997): “A prescrição, em qualquer área do direito, é princípio de ordem pública e objetiva estabilizar as relações jurídicas. [...] A imprescritibilidade resulta imoral sob qualquer aspecto na vida social, sendo exceção à regra geral do ordenamento jurídico brasileiro. Sem a prescrição tudo seria permanente” (meus grifos) Destaco aqui trecho do voto do Conselheiro Demetrius Nichele Macei no precedente acima citado da presente 1°Turma da CSRF que ratifica o entendimento acima exposto: Em se tratando de direito creditório materializado em saldo negativo de IRPJ, excetuandose grandezas que atuam diretamente sobre o imposto devido, por exemplo, estimativas e IRRF, assim como os valores com repercussão em diversos períodos, como realização do lucro inflacionário, saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores, que podem, ao ver deste Julgador, ser verificadas a qualquer tempo respeitado o prazo inserto no § 5º, do art. 74, da Lei 9.430/96, as alterações na base de cálculo do imposto submetemse ao prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Não se pode alterar o resultado da pessoa jurídica, devidamente apurado em DIPJ, decorrido o prazo decadencial do art. 150, § 4º do CTN. O pedido de compensação não tem o condão de reabrir o prazo decadencial. Desta forma, decorrido o prazo decadencial, não pode mais a autoridade fiscal, em análise de pedido de compensação, adicionar receita à base de cálculo do IRPJ para apurar o tributo devido e verificar a consistência do crédito pleiteado pelo contribuinte a título de saldo negativo de IRPJ. Na mesma linha de raciocínio, a glosa de despesa dedutível por falta de comprovação também não pode interferir na verificação da certeza e liquidez do crédito trazido à compensação pelo contribuinte, decorrido o prazo decadencial para homologação tácita de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 947 10 Desta sorte, considerando todo o acima exposto, são improcedentes os argumentos trazidos pela ora Recorrente. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL apresentado para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante a substanciosa argumentação apresentada pelo i. Relator, abro divergência em relação ao mérito. Tratase de dizer se a administração tributária, ao verificar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, encontrase submetida ao prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º, art. 150 do CTN, aplicável aos lançamentos por homologação. Ocorre que o processo de reconhecimento de direito creditório é diferente daquele previsto para a constituição do crédito tributário. O direito creditório só é reconhecido se revestido dos atributos de liquidez e certeza, conforme o art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Por isso, compete à autoridade tributária apurar a origem do crédito tributário, sendo que, neste caso, o ônus da prova é do contribuinte. Por outro lado, o Fisco tem um prazo determinado para promover a devida análise e a homologação do direito creditório, sob pena de se homologar tacitamente o pedido do sujeito passivo. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 948 11 Assim, a contagem do prazo decadencial para que o Fisco possa promover a análise do direito creditório pleiteado pelo contribuinte iniciase a partir da data de entrega da declaração, conforme dispõe o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003 (O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação). A devida investigação da origem do crédito, que, no caso concreto, teve origem em saldos negativos de anos anteriores, resultou em uma nova apuração do tributo referente ao anocalendário. Tratase de análise em que não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. É situação distinta daquela em que a investigação da autoridade autuante é no sentido de se verificar a apuração efetuada pelo sujeito passivo para a constituição do crédito tributário e, caso seja detectado tributo a pagar, efetuase o lançamento de ofício. A diferença é ilustrada com bastante precisão no voto proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão nº 1101001.084, do qual peço vênia para transcrever excerto. O caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, nesta nova redação, exige que o credito indicado em DCOMP seja passível de restituição ou ressarcimento, significando que ele não pode estar prescrito. Contudo, uma vez deduzida tempestivamente a pretensão de ver extintos débitos com aquele crédito, admitir que o prazo para confirmação deste já estaria fluindo desde o encerramento do período de apuração correspondente, limitaria significativamente a eficácia do §5° do referido art. 74, pois antes de cinco anos da apresentação da DCOMP a certeza e liquidez do crédito restaria afirmada pelo decurso do prazo decadencial no qual, no entender da recorrente, o Fisco poderia questionar sua apuração. Não há qualquer ressalva na disposição legal que autorize esta interpretação. Os prazos decadenciais estão previstos para fins de lançamento de crédito tributário, ou seja, para que a autoridade fiscal: 1) discorde do tributo pago com base em apuração do sujeito passivo; 2) supra a omissão do sujeito passivo na apuração daquele pagamento; ou 3) pratique o lançamento dos tributos ou penalidades cuja constituição a Lei reserva ao agente fiscal. Esta é a dicção do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66): Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) Fl. 948DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 949 12 § 4º Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de • qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (negrejouse) A decadência, nestes termos, encerra o poderdever do Fisco de formalizar o credito tributário por intermédio do lançamento, pondo fim à relação jurídica material surgida entre o contribuinte e o Estado com a ocorrência do fato gerador. Recordese que a atividade de lançamento é definida pelo art. 142 do Código Tributário Nacional como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nestes termos, se a autoridade fiscal constatar divergências na apuração que resultou em saldo negativo de IRPJ, não poderá lançar a diferença apurada se o fato gerador lucro pertencer a período já atingido pela decadência. Mas pode e deve o Fisco indeferir pedido de restituição ou não homologar compensações que tenham se valido de indébito tributário inexistente conforme o ajuste realizado de oficio. É certo que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há uma grande discussão doutrinária e jurisprudencial acerca de qual seria o objeto da homologação: a atividade de apuração ou o pagamento do tributo devido. Todavia, há relativo consenso no sentido de que o transcurso do prazo contido no §4° do art. 150 do CTN atinge o direito de o Fisco constituir o crédito tributário, mediante o lançamento substitutivo da apuração efetuada pelo sujeito passivo, veiculada pelos instrumentos definidos na legislação fiscal. Ainda, aqueles que defendem a homologação tácita da apuração efetuada pelo sujeito passivo, consideram que o prazo decadencial tem o efeito especifico de atingir o dever/poder de o Fl. 949DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 950 13 Fisco efetuar o lançamento de oficio, e não o de fazer prova absoluta de indébitos tributários, não constituídos na forma da legislação. Admitir que os saldos negativos informados na DIPJ estariam homologados tacitamente depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador correspondente, exigiria que se emprestasse A. DIPJ o poder de constituir aquele direito creditório, o que vai contra o caráter meramente informativo daquele documento, o qual não se presta, sequer, a instrumentalizar a cobrança dos saldos devedores nele indicados. Somente se concebe como instrumentos de constituição formal de direitos e obrigações aqueles assim expressamente previstos na legislação, como é o caso, por exemplo da Declaração de Débitos e Créditos Federais — DCTF, relativamente aos tributos devidos pelos contribuintes. Já relativamente aos direitos credit6rios detidos pelos sujeitos passivos, a legislação apenas prevê, atualmente e na época em que a contribuinte argüiu seu direito, a DCOMP e o Pedido de Restituição como instrumentos para sua formalização perante a Receita Federal. É certo que o recolhimento indevido já existe, como evento, desde sua ocorrência no mundo fenomênico. Procedidas as antecipações exigidas por lei, encerrado o período de apuração e efetivados os recolhimentos que se entendeu devidos, temse do confronto destes, eventualmente, um desembolso maior que o devido. Todavia, este evento somente passa a se constituir em um fato jurídico apto a produzir as conseqüências previstas em lei quando formalizado pelo interessado em face do devedor, no caso, o Fisco. Dai porque, a partir do recolhimento indevido, deflagrase o prazo prescricional para que o sujeito passivo manifeste seu direito perante o Fisco, e a partir desta manifestação o prazo para o Fisco, em caso de compensação, reconhecer ou não aquele crédito. Alias, vejase que, à época em que este direito era deduzido apenas mediante a apresentação de Pedido de Restituição, sequer havia prazo fixado em lei para manifestação do Fisco acerca do que ali veiculado. Cabia ao interessado manter a guarda dos comprovantes necessários para prestar eventuais esclarecimentos acerca de seu direito, enquanto o crédito não lhe fosse reconhecido. Apenas com a criação da DCOMP passou a existir um prazo para que o Fisco pudesse questionar o direito manifestado pelo interessado, até porque, vinculado o crédito a débitos que se pretendia ver extintos, somente haveria alguma utilidade no questionamento daquele crédito enquanto possível a cobrança dos débitos compensados, direito este que pereceria ante a inércia do Fisco por mais de 5 (cinco) anos. Impróprio, assim, tentar opor, ao Fisco, uma limitação temporal à confirmação do direito creditório deduzido pelo sujeito Fl. 950DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 951 14 passivo, que em momento algum esteve prevista no Código Tributário Nacional ou em lei ordinária, sendo na sistemática instituída a partir da criação da DCOMP, e evidentemente em função da vinculação daquele crédito a débitos compensados. Interessante notar, ainda, que a formalização do direito creditório em outras declarações não é requisito para sua veiculação em DCOMP. Do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, desde a redação que lhe foi dada pela Lei no 10.637/2002, não se extrai qualquer exigência de que o direito credit6rio deva estar previamente evidenciado em declarações prestadas pelos sujeitos passivos, A exceção da própria DCOMP, prevista no seu § 10. É certo que a evidenciação do credito em DIPJ ou DCTF é um elemento de prova em favor do sujeito passivo que afirma ter efetuado recolhimento a maior. Mas somente quando provocado pelo sujeito passivo acerca do seu interesse de se valer daquele crédito, mediante restituição ou compensação, passa o Fisco a ter o dever de avaliar a certeza e a liquidez daquele valor para admitir, ou não, a destinação pretendida pelo interessado. Firmadas estas premissas, recordese que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). Assim, no presente caso, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre, dai, que a compensação deveria estar suportada por provas do indébito tributário no qual se fundamenta. Contudo, devese recordar que o procedimento em debate já se iniciou mediante a apresentação de DCOMP, desacompanhada, por autorização normativa, de qualquer prova do indébito ali indicado, posto que o Fisco teria ainda cinco anos para confirmálo. Em verdade, a interpretação veiculada pela recorrente confere ao sujeito passivo a faculdade de definir o prazo do qual o Fisco dispõe para homologar, ou não, a compensação declarada. Optando o sujeito passivo por utilizar seu crédito depois de transcorridos quatro anos e 11 meses do fato gerador, o Fisco teria apenas um mês para avaliar a liquidez e certeza do credito. Se utilizasse mais rapidamente seu credito, maior prazo teria o Fisco para esta confirmação. Certamente outro foi o objetivo da criação da DCOMP. Tal instrumento conferiu tratamento diferenciado aos contribuintes que, deduzindo créditos na forma da nova redação do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, já poderiam, sem prévio exame do seu real conteúdo, angariar a extinção imediata dos débitos compensados, bem como a suspensão de sua exigibilidade até a Fl. 951DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 952 15 decisão administrativa final acerca da regularidade de seu procedimento. Admitir que o prazo para questionamento desta regularidade seria definido pelo sujeito passivo está em evidente descompasso com a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002: 35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensa cão, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais . (negrejouse) Argumenta a recorrente que o Fisco não poderia questionar a compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal depois de transcorridos 5 (cinco) anos de sua apuração. E de se questionar, porém, no presente caso, que interesse fiscal existiria na revisão de uma D1PJ que, mesmo considerando a retificação necessária, ainda apontasse saldo negativo de IRPJ? Caberia ao Fisco anteciparse à pretensão da contribuinte de utilizar este valor, com vistas a convalidálo ou retificálo? E, ainda que se insista na fluência do prazo para revisão do crédito, pelo Fisco, a partir do período de apuração correspondente, do recolhimento que se mostrou indevido, ou mesmo da declaração que inicialmente informou o indébito, é licito concluir que, ao manifestar seu interesse em utilizar tal crédito mediante DCOMP, o sujeito passivo renuncia ao prazo em curso, e submetese ao prazo fixado na sistemática prevista para aquele instrumento de utilização de créditos, sob pena de retirar a eficácia do §5 ° do referido art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por todo o exposto, resta demonstrado que a autoridade fiscal competente detinha o poder/dever de aferir a existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado em compensação em até 5 (cinco) anos da entrega da correspondente DCOMP, e neste mister nenhum impedimento legal existe para confirmação, inclusive, da base de cálculo do IRPJ devido no período, mormente tendo em conta que a contribuinte equivocadamente manifestou seu direito de crédito como oriundo de retenções sofridas na fonte, sem antes confrontálo com o IRPJ devido no período, e ao adequar tal pedido As normas legais de apuração do IRPJ, a autoridade fiscal logrou identificar que o IRPJ devido no período não seria aquele originalmente indicado na DIPJ, em razão da compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal. Em síntese, concluise que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito, em sede de DCOMP ou pedido de restituição apresentados pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano calendário, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de calculo apurada pelo interessado. Conseqüentemente, ainda que a retificação de base de calculo do tributo para fins de sua exigência somente seja Fl. 952DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 953 16 cabível mediante lançamento de oficio, a verificação também deve ser efetuada no âmbito da análise de DCOMP ou pedido de restituição vinculados ao saldo negativo de IRPJ, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo para extinção de outros débitos fiscais. Esclareçase, por oportuno, que a mencionada liberação da DIPJ em malha cadastro não revela qualquer revisão anterior da declaração do sujeito passivo, na medida em inexiste qualquer ato administrativo praticado e, demais disso, pela denominação atribuída ao procedimento realizado, é licito inferir que tratase, apenas, de confirmações cadastrais do declarante, sem adentrar A apuração por ele informada. Por tais razões, inclusive, é imprópria, aqui, a referência As disposições da Instrução Normativa SRF n° 656/2006 acerca dos procedimentos para revisão de declarações no âmbito da Receita Federal. A matéria também foi tratada recentemente pelo presente Colegiado, no Acórdão nº 9101002.548, na sessão de julgamento de 07/02/2017, voto do relator Marcos Aurélio Pereira Valadão, cuja ementa foi a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.CRÉDITO.COMPROVAÇÃO. Tratandose de fato constitutivo de direito, cujo ônus da prova incumbe ao autor, em conformidade com o art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), e tendo em vista que a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento da restituição/compensação requerida, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), compete ao sujeito passivo, que dele pretende se beneficiar, a efetiva comprovação daquele crédito, não cabendo opor a esse ônus alegações de decadência ou de homologação tácita por parte do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Assim, uma situação é se falar em lançamento de ofício, para a constituição do crédito tributário, caso em que se aplica a contagem do prazo decadencial. Outra completamente diferente é a análise do direito creditório, cuja liquidez e certeza devem ser verificadas, razão pela qual, em se tratando de apuração de prejuízos Fl. 953DF CARF MF Processo nº 11831.000579/200133 Acórdão n.º 9101003.994 CSRFT1 Fl. 954 17 fiscais, é dever do Fisco apreciar a sua formação desde a origem, tendo, no caso concreto, agido de maneira correta. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 954DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001932/2003-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Acolhe-se os embargos para excluir da fundamentação do Acórdão n° 202- 18.899 o trecho referente ao lançamento de valores já declarado/confessados em DCTF.
Embargos de declaração acolhidos parcialmente.
Numero da decisão: 2101-000.188
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda
seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração interpostos para excluir da fundamentação do voto o trecho relativo a DCTF, rerratificando o decidido no acórdão n° 202-19.268, 8 de abril de 2008.
Nome do relator: MARIA TEREZA MARTINEZ LÓPEZ
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Acolhe-se os embargos para excluir da fundamentação do Acórdão n° 202- 18.899 o trecho referente ao lançamento de valores já declarado/confessados em DCTF. Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da ia câmara / l a turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração interpostos para excluir da fundamentação do voto o trecho relativo a DCTF, rerratificando o decidido no acórdão n° 202-19.268 : de a. 1 de 2008. (— 41 • O MARCOS CÂND 00 Pr. ; sidente 4111L C_,- ARIA CRISTINA RO A DA COSTA ' elatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ivan Alegrette (Suplente), Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. o Processo n° 10860.001932/2003-54 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.188 Fl. 557 Relatório Trata-se de embargos de declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Em sessão plenária a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário de interesse da empresa acima identificada, relativo à exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS. A decisão da Câmara está delineada no acórdão n° 202-19.268, de 08/04/2008, cuja decisão foi escorçada nos termos da ementa a seguir transcrita: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 Ementa: EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Comprovada a extinção de parte do crédito tributário lançado pelo pagamento ou pela compensação regularmente efetuada, tais valores devem ser excluídos do lançamento de oficio. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF. Consoante comando do art. 23 da IN SRF 210/2002, vigente à época dos fatos, no caso de compensação indevida de tributo somente nos casos em que não tiver sido objeto de lançamento de oficio ou de confissão em DCTF deverá ser promovido o lançamento de oficio do crédito tributário. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS EFETUADOS EM VALORES SUPERIORES AO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. O art. 165 do CTIV determina que os valores recolhidos a maior que o devido serão objeto de restituição independente de prévio requerimento do sujeito passivo Recurso de oficio negado e voluntário provido em parte." A douta Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração sob a alegação de que o acórdão foi contraditório, nos seguintes termos: "O problema é que, apesar da relatora afirmar que os valores sub judice devem ser mantidos no auto de infração, ele determinou a exclusão dos valores declarados em DCTF. Com a devida vênia, tal determinação não encontra respaldo fático nos presentes autos. Na verdade, segundo o auditor fiscal, conforme o no relatório de fl. 18, houve a confecção de dois autos de infração. Um que cobra as diferenças de PIS no período de janeiro de 1998 até maio de 1999 com base na LC 07/70 e outro, que é o presente processo, que versa sobre as diferenças oriundas de outras receitas decorrentes da lei 9.781/98 (sic). Ou seja, o presente lançamento refere-se apenas às parcelas que estão sendo discutidas judicialmente, eis que existentes em razão da edição da Lei 9.781/98 (sic), como restou claro no próprio auto de infração e do relatório fiscal." 2 . Processo n° 10860.001932/2003-54 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.188 Fl. 558 Reproduz parte do auto de infração e do relatório fiscal (fls. 02 e 18), para afirmar que a decisão embargada partiu do pressuposto de que o presente caso trata de lançamento de valores já declarados em DCTF e que não foram homologados pela fiscalização. E, por isso "está em contradição com a matéria fática arrolada no auto de infração e do relatório fiscal, eis que o presente processo trata apenas das diferenças entre os valores declarados pelo contribuinte em DCTF (ou seja, o que não foi declarado em DCTF) e o que realmente é devido do ponto de vista da fiscalização". Requer o acolhimento dos embargos para que sejam retirados do acórdão os fundamentos relativos ao lançamento de valores já declarados/confessados em DCTF. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora Primeiramente, verifica-se, na transcrição efetuada pela procuradoria da fl. 18 do relatório fiscal, que os valores contidos nos autos não se limita às diferenças oriundas de outras receitas a partir de fevereiro de 1999. A fiscalização expressamente informa, em seguida, que tais valores foram lançados "Juntamente com receitas de faturamentos, a partir de junho de 1999, quando iniciou-se a dissonância, desconformidade entre fato gerador e valor tributável/pagamento/compensação, impeditiva de qualquer confrontação". À fl. 19, informa ainda, sobre a apuração efetuada, que os valores foram apurados em demonstrativos. E acrescenta: "Demonstrativos, como se vê, cujas colunas referentes a "Débitos Declarados" (DCTF) e "Créditos Apurados" (pagamentos) estão em branco, como se não houvesse informacão em DCTF ou DARF de pazamento." (negritos e grifos inseridos) Mais adiante informa, também, que tal decisão foi tomada em razão da já alegada desconformidade entre fato gerador, valor tributável e extinção do crédito tributário. Entretanto, assiste razão à douta Procuradoria no que diz respeito à exclusão dos valores que constarem das DCTF e forem superiores aos recolhidos/compensados. Isso por dois motivos. A uma porque, numa verificação por amostragem, constata-se que os valores declarados em DCTF são coincidentes com os recolhidos/compensados. E, a duas, porque os valores recolhidos/compensados já foram excluídos do lançamento de oficio pela decisão recorrida. Assim voto por rerratificar o Acórdão n° 202-19.268, de 08/04/2008, e excluir da fundamentação o trecho sobre lançamento de valores já declarados/confessados em DCTF. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2009. AARIA.- CRISTINA RgirA)4DA CF/A 3
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003122/2007-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 21/03/2003 a 31/08/2003
MULTA DE MORA. DÉBITO DECLARADO.
Sobre o pagamento de tributo a destempo, desde que declarado em DCTF, incide a multa moratória, pois nessa hipótese não há que se falar em denúncia espontânea. Precedentes STJ.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 21/03/2003 a 31/08/2003 MULTA DE MORA. DÉBITO DECLARADO. Sobre o pagamento de tributo a destempo, desde que declarado em DCTF, incide a multa moratória, pois nessa hipótese não há que se falar em denúncia espontânea. Precedentes STJ. Recurso especial do contribuinte negado.
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Numero do processo: 15165.721649/2017-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 08/08/2013 a 09/10/2014
DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração de mera conduta, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - (MPF). NORMA PROCEDIMENTAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal - (MPF) é um instrumento de controle administrativo não acarretando, eventual irregularidade nele detectada, nulidade do procedimento fiscal, além do que, no presente caso, há disposição expressa na legislação, de dispensa de MPF, quando da constatação pela fiscalização, de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - NÃO CABIMENTO
Não restando comprovado nos autos, atos que demonstrem a efetiva participação da devedora solidária nos negócios tidos por irregulares, torna-se incabível a sua manutenção no polo passivo do processo administrativo.
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE.
É lícita a utilização de prova emprestada, oriunda de processo administrativo no qual foram observados os princípios do contraditório e ampla defesa e que guarde pertinência com o fato que se pretende demonstrar em outro processo.
Numero da decisão: 3302-006.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário interposto pela Recorrente Romário de Oliveira e, na parte conhecida em lhe negar provimento e, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto por Jair Antônio Lima para excluí-lo do polo passivo.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 08/08/2013 a 09/10/2014 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração de mera conduta, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - (MPF). NORMA PROCEDIMENTAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal - (MPF) é um instrumento de controle administrativo não acarretando, eventual irregularidade nele detectada, nulidade do procedimento fiscal, além do que, no presente caso, há disposição expressa na legislação, de dispensa de MPF, quando da constatação pela fiscalização, de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - NÃO CABIMENTO Não restando comprovado nos autos, atos que demonstrem a efetiva participação da devedora solidária nos negócios tidos por irregulares, torna-se incabível a sua manutenção no polo passivo do processo administrativo. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícita a utilização de prova emprestada, oriunda de processo administrativo no qual foram observados os princípios do contraditório e ampla defesa e que guarde pertinência com o fato que se pretende demonstrar em outro processo.
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OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NORMA PROCEDIMENTAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um instrumento de controle administrativo não acarretando, eventual irregularidade nele detectada, nulidade do procedimento fiscal, além do que, no presente caso, há disposição expressa na legislação, de dispensa de MPF, quando da constatação pela fiscalização, de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NÃO CABIMENTO Não restando comprovado nos autos, atos que demonstrem a efetiva participação da devedora solidária nos negócios tidos por irregulares, tornase incabível a sua manutenção no polo passivo do processo administrativo. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícita a utilização de prova emprestada, oriunda de processo administrativo no qual foram observados os princípios do contraditório e ampla defesa e que guarde pertinência com o fato que se pretende demonstrar em outro processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 16 49 /2 01 7- 17 Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.273 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário interposto pela Recorrente Romário de Oliveira e, na parte conhecida em lhe negar provimento e, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário interposto por Jair Antônio Lima para excluílo do polo passivo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). Relatório Por bem transcrever e retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de piso de fls.1.0751.107: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 69.686.819,51 (sessenta e nove milhões seiscentos e oitenta e seis mil oitocentos e dezenove reais e cinqüenta e um centavos), para aplicação de multas, conforme abaixo descritas: – MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO – NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA (multa 100% valor aduaneiro Art. 23, V, e § 3º, DecretoLei nº 1.455/76), valor: R$ 60.269.256,16; 002 – DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO (multa 100% diferença valor Art. 88, Parágrafo único, MP nº 215835/01), valor: R$ 8.813.549,25; 003 – OMISSÃO OU INFORMAÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA (multa 1% valor aduaneiro Art. 69, § 1º, Lei nº 10.833/030), valor: R$ 604.014,10). De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 34/144, parte integrante do Auto de Infração, fls. 02/33, item A – Consideração Iniciais , o estabelecimento matriz da pessoa jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA, cadastralmente localizado na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná, ao longo dos anos de 2013 e 2014 foi apresentado como importador e adquirente, além de outras, em uma extensa série de 180 (cento e oitenta) declarações de importação (DI), submetidas a despacho e desembaraçadas pela Fiscalização Aduaneira em exercício também na cidade de Foz do Iguaçu, e cujas características gerais são apresentadas na Tabela A 1 – Informações gerais da Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.274 3 DI (conforme originalmente declarado), fls. 34/36. Cada uma dessas DI correspondia a um único caminhão frigorificado tendo em vista a espécie de produto transportado e em todas elas foi indicada a entidade paraguaia FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A. como produtor/exportador. Todavia, em decorrência da constatação de elementos indiciários de que o Sujeito Passivo, apresentado como importador e adquirente, teria sido usado como interposta pessoa não declarada como tal em tais operações específicas, a Fiscalização Aduaneira de Curitiba julgou oportuna e conveniente a formalização de ação fiscal de Revisão Aduaneira, tendo por foco justamente a verificação da real participação e do efetivo papel da empresa em tais operações de comércio exterior. O detalhamento e o início de tal ação fiscal foi cientificado ao Sujeito Passivo em 13/02/2017, fls. 149. Da seleção das operações objeto de Revisão Aduaneira O levantamento do histórico de operações em seu nome registradas confirma que, até 08/2013 e após 10/2014, de fato a empresa atuou exclusivamente na importação de gêneros alimentícios provenientes da piscicultura (basicamente do Capítulo 03 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) – PEIXES E CRUSTÁCEOS, MOLUSCOS E OUTROS INVERTEBRADOS AQUÁTICOS), bem como que a estimativa dos valores de importação vinha se mostrando compatível com a operação efetiva da empresa (vide telas fls. 40/41). Gráfico sintético dos valores de importação da empresa acumulados semestralmente nos anos de 2011 a 2015 é nítida a explosão de operações a partir do ano de 2013, ultrapassando a estimativa de valores de importação gerada na habilitação (US$ 490.831,00): no pico, em 10/2014, o volume acumulado superou os US$ 17.000.000,00 (fls. 42). Além disso, verificaramse ainda os seguintes fatos, oriundos da análise preliminar das informações prestadas nas DI listadas na Tabela A.1, fls. 34/36 e que referemse a totalidade das assim denominadas operações de importação atípicas: fl. 42: Em 148 dessas 180 DI (82%), a descrição das mercadorias fazia referência às marcas comerciais BEEF CLUB (140 DI) e/ou LIMATORE (8 DI), as quais tem clara ligação/vinculação com outra(s) empresa(s) (vide fls. 43/44). fl. 45: Tela de consulta ao site do INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial a respeito da marca BEEF CLUB realizada em 03/02/2017; verificas eque tal marca/distintivo comercial é de propriedade, desde sempre, da entidade TORLIM PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., CNPJ 03.426.346/000144 1. fl. 46: Tela de consulta ao site do INPI a respeito da marca LIMATORE realizada em 03/02/2017, mostrando a mesma situação e a mesma titularidade da marca anterior. Todas as operações atípicas – tendo por objeto carne e sebo BOVINOS – apresentaram como produtor/exportador a entidade paraguaia FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A., que constituise em figura central de grupo econômico identificado em outra ação fiscal anteriormente encerrada, da qual resultou Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.275 4 expressivo lançamento tributário além de proposta de aplicação da penalidade de perdimento a diversas cargas, ações motivadas pela detecção de graves irregularidades aduaneiras (processos administrativos fiscais nº 15165.720940/201417 e nº 15165.720941/201461 (em nome da Empresa GARANTIA TOTAL LTDA), ambos formalizados em 11/04/2014); no Relatório Fiscal instrutivo do Auto de Infração objeto do processo administrativo nº 15165.720940/201417, cuja íntegra é juntada e referenciada como Documento Comprobatório nº 1 e que necessariamente também embasa e instrui a presente autuação por evidente e indissociável pertinência e ligação, constam diversos elementos convergentes e consistentes entre si que permitiram concluir a existência de organização de fato (informal), estabelecida para o fim de ocultar o(s) real(is) interessado(s) nas operações de importação lá detalhadas, quadro que, conforme adiante detalhado, claramente se repetiu e foi literalmente continuado nas operações objeto da presente ação fiscal. fl.47 Tendo em vista os fatos acima destacados concluiuse estarem presentes elementos suficientes para motivar/embasar o ato previsto no Art. 54 do Decreto Lei nº 37/66, de 18/11/1966, regulado pelo Art. 638 do Decreto nº 6.759/09, de 05/02/2009, e definido como sendo a apuração, após o desembaraço aduaneiro, da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informaçõesprestadas pelo importador nas 180 (cento e oitenta) declarações de importação (DI) listadas na Tabela A.1 anterior; referida apuração, a teor do que até então levantado e acima detalhado, visava a verificar a condição de real adquirente da pessoa jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA em tais operações de importação. Quanto aos processos acima citados, o de nº 15165.720940/201417 tem por objeto Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário e o de nº 15165.720941/201461 trata de AUTO DE INFRAÇÃO E TERMO DE APREENSÃO E GUARDA FISCAL. Às fls. 69 e ss, no tópico C.1 Dos levantamentos executados em Ação Fiscal anterior a fiscalização destaca que no Relatório Fiscal que embasa o Auto de Infração resultante da ação pretérita e que detalhou tal situação, consta análise, lá realizada de forma incidental, que preliminarmente já demonstrava de forma clara a participação ativa do ora Sujeito Passivo, ROMÁRIO DE OLIVEIRA, CNPJ 08.073.341/000107, em tal organização, conforme trecho abaixo transcrito (trecho em itálico): Início da transcrição de parte do relatório fiscal instrutivo do Auto de Infração nº 15165.720940/201417, de 11/04/2014 Por fim, mas igualmente relevante, calha demonstrar a evolução do volume de operações da referida entidade estrangeira no que se refere ao seu papel como produtor de mercadorias para fins de exportação para o mercado brasileiro. Do levantamento histórico abaixo demonstrado, oriundo da base de dados de importações nacionais, mais uma vez resta patente a inegável ligação e inter relacionamento com o grupo nacional, que ao longo do tempo utilizouse de diversas entidades formais mantendo crescente o nível de operações de importação. (...) Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.276 5 Em relação aos importadores V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA., CNPJ 05.488.486/000172, e ROMARIO DE OLIVEIRA, CNPJ 08.073.341/000107, cabe esclarecer incidentalmente que, não obstante seus quadros societários/informações cadastrais não permitam vinculálos, a priori, ao referido grupo empresarial, a análise mais detida das operações de importação registradas em seu nome a partir de 07/2013, quando da cessação dos registros de importações em nome da própria GARANTIA TOTAL LTDA., não deixa dúvidas a respeito de sua efetiva p articipação/colaboração nos negócios do grupo, conforme detalhes abaixo (vide quadro fl. 70). a) a pessoa jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA, cujo nome fantasia é PEIXEAR, ficha cadastral fl. 70, formalmente constituída em 06/2006, vem atuando com frequência no comércio exterior desde 10/2006, sendo que, cadastralmente, até 10/05/2011 adotava o nome empresarial PEIXEAR IMP. EXP. DE PESCADOS E TRANSPORTES LTDA. (vide fl. 72); b) Além do que o nome fantasia e o anterior nome empresarial sugerem, o histórico de sua atuação no comércio exterior deixa evidente que seu negócio era, até 08/2013, exclusivamente a importação de produtos do CAPÍTULO 03 – PEIXES E CRUSTÁCEOS, MOLUSCOS E OUTROS INVERTEBRADOS AQUÁTICOS; a partir de então, passou a ser registrada qualidade (CAPÍTULO 02 CARNES E MIUDEZAS, COMESTÍVEIS) e quantidade (peso e valor) de operações totalmente desproporcional do que podia ser considerado como seu padrão de atuação (vide Tabela C.7, com dados até 03/03/2014); é de se notar que, para tal “nova fase”, o exportador indicado, novamente, é a entidade estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A (vide Tabela C.8 (fl. 74), com dados até 18/02/2014) que, em pouco mais de 05 meses, passa a ser o principal fornecedor da entidade, superando, em valor, a totalidade do que havia sido importado até então ao longo de mais de 08 anos (vide fls. 73/74); c) Fazendose a mesma análise das Notas Fiscais eletrônicas (NFe) emitidas pela empresa ROMÁRIO DE OLIVEIRA, CNPJ 08.073.341/000107, relacionadas a tais “novas” operações de importação do capítulo 02, igualmente transparece de forma clara a participação nas ações do grupo empresarial de fato por trás dos negócios da GARANTIA TOTAL LTDA.; como no caso da V.L. AGRO INDUSTRIAL LTDA., a entidade ROMÁRIO DE OLIVEIRA também surge inexoravelmente como conveniente intermediário entre o FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A e as entidades nacionais do grupo; por consequência, afigurase também como inegável seu papel decisivo e consciente como mais um responsável direto pela continuidade da prática de ocultação de pessoas retratada na presente ação fiscal, que possibilitou/possibilita a efetiva burla, de forma irregular, aos seus efeitos, como já antes comentado (vide fls. 74/75); d) Ainda em relação à mesma pessoa jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA, CNPJ 08.073.341/000107, e dado o contexto apresentado, releva ainda mencionar que se trata de entidade que, por diversas vezes, foi flagrada no cometimento de graves infrações aduaneiras, notadamente a tentativa de introdução irregular de cigarros de origem estrangeira; para ilustrar, abaixo são destacados trechos de Sentença expedida recentemente nos autos da Ação Ordinária nº 5012668 26.2011.404.7002/PR, explicativa de tais fatos (vide sentença fl.76/79); Os numerosos e convergentes fatos destacados no presente tópico permitem, de forma evidente, as seguintes conclusões sintéticas: (1) A conduta de ocultação de pessoas de parcela relevante (vide Tabela C.5) das importações de mercadorias classificadas nas NCM 0201.30.00 (OUTRAS Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.277 6 CARNES BOVINAS DESOSSADAS, FRESCAS OU REFRIGERADAS), 0202.30.00 (CARNES DE BOVINO DESOSSADAS, CONGELADAS) e 1502.10.12 (SEBO BOVINO, FUNDIDO (INCLUINDO O PREMIER JUS)), procedentes do produtor paraguaio FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A, CONTINUA SENDO INTENSAMENTE PRATICADA E CONDUZIDA pelo grupo empresarial de fato que, até o início da ação fiscal que redundou no presente Auto de Infração, utilizavase da pessoa jurídica GARANTIA TOTAL LTDA. para tanto; tal continuidade deuse, claramente, pela apresentação, perante a Fiscalização Aduaneira, de novos atores ostensivos e aparentemente independentes (V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA., CNPJ 05.488.486/000172 e ROMÁRIO DE OLIVEIRA, CNPJ 08.073.341/000107) os quais, todavia, agiram como novo anteparo formal e simulado, de modo inegavelmente consciente, para permitir o fluxo constante e crescente de internalização e destinação de tais produtos aos seus reais interessados, então formalizados no mercado interno pelas entidades BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI, CNPJ 18.236.111/000167, e CAS TRANSPORTES & LOGÍSTICA LTDA., CNPJ 11.779.237/000139; para tais entidades, dessa forma, oportunamente deverão ser iniciadas ações fiscais próprias, a fim de confirmar e constituir as consequências de ordem aduaneira e tributária para tal conduta; ainda, tal verdadeira artimanha, engendrada e adotada para permitir a continuidade, de fato, das operações de importação até então conduzidas em nome da GARANTIA TOTAL LTDA., teve o também indevido e nefasto efeito de, por meio de sequência de atos simulados, afastar, na prática, a exigência de garantia como condição de entrega das mercadorias, cautela fiscal legalmente prevista e normatizada pela IN SRF nº 228/02, que regulava os procedimentos a serem adotados no curso da ação fiscal que redundou na presente autuação; tal conclusão subjacente é reforçada pela constatação de que, desde 05/07/2013, data de início e vigência da necessidade de apresentação de garantia, a empresa registrou apenas 01 (uma) declaração de importação (DI nº 13/13113508, de 08/07/2013) em nome próprio, não obstante apresentasse, até então, média superior a 16 despachos registrados por mês; (2) A entidade estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A é parte indissociável e indistinta do grupo empresarial de fato que verdadeiramente conduz os negócios entabulados pelas entidades importadoras nacionais também participantes de tal grupo, dentre elas, por óbvio, a própria GARANTIA TOTAL LTDA., além da TORLIM ALIMENTOS S/A, CNPJ 07.859.642(sic), principal pessoa jurídica nacional importadora do grupo; isso, aliado ainda à evidente omissão da ora autuada em esclarecer minimamente os envolvidos na negociação que teria redundado nas operações de importação analisadas, e ainda levando em conta tudo o mais que já foi relatado até o presente momento, não permite outra conclusão que não a de que os impressos apresentados como Faturas Comerciais emitidos pela entidade estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A NÃO PODEM SER TOMADOS COMO PROVAS DA OCORRÊNCIA EFETIVA DE UMA VENDA ENTRE OS ALI INDICADOS COMO COMPRADOR E VENDEDOR; da mesma forma, o preço da mercadoria lá constante seguramente não representa o acerto livre de vontades entre as partes indicadas. A última das conclusões acima leva à outra, necessária e consequente: o valor aduaneiro, assim considerado aquele que serve de base para fins de se determinar os direitos aduaneiros, não pode ser tomado daquilo que consta em tais documentos. Para determinálo, recorrese então à legislação relacionada. Término da transcrição de parte do relatório fiscal instrutivo do Auto de Infração nº 15165.720940/201417, de 11/04/2014 Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.278 7 Após a transcrição daquele Relatório a fiscalização destaca que já àquele momento e com base no que levantado naquele contexto específico, restou flagrante a utilização da pessoa jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA como instrumento útil a permitir a continuidade de negócios do grupo empresarial de fato oculto, mesmo após a imposição das inerentes ao procedimento especial de fiscalização instaurado sobre a entidade GARANTIA TOTAL LTDA. Conclui a fiscalização que, assim agindo, e no âmbito da presente autuação, buscou, e efetivamente conseguiu, como já discorrido anteriormente, alcançar os seguintes objetivos, danosos ao controle das operações de comércio exterior em sentido amplo: 1. Internalizar grande quantidade de produtos importados de origem bovina, procedentes de entidade estrangeira integrante de grupo empresarial de fato, do qual se prestou a ser instrumento, e no interesse deste mesmo grupo, o qual, todavia, permaneceu oculto durante todo o processo; e 2. Com o uso e em decorrência da mesma sistemática utilizada para a consecução do objetivo anterior, também manter oculta a vinculação, com a entidade estrangeira, do(s) real(is) destinatário(s) das mercadorias, situação que possibilitou a manipulação/ocultação dos valores de negociação e, caso aplicável(is), o indevido pagamento a menor de tributo(s). No primeiro caso, a conduta é definida e tipificada como dano ao Erário e punida com a pena de perdimento, nos termos da previsão contida no Art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/76, de 07/04/1976, e regulamentada atualmente pelo Art. 689, XXII, do Decreto nº 6.759/09, de 05/02/2009. Para a segunda situação, a legislação prevê a aplicação de multa sobre a diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, como foi o caso, conforme previsão do Art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/01, de 24/08/2001, e seu regulamento do Art. 703 do mesmo Decreto nº 6.759/09. Cumulativamente, e tendo em vista também a incorreta/indevida indicação de ausência de vinculação entre exportador (vendedor estrangeiro) e importador (comprador nacional) nas declarações de importação (DI), há ainda previsão de aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro, nos termos do contido no Art. 84 da MP nº 2.5835/01, Art. 69 da Lei nº 10.833/03, e do Art. 711 do Decreto nº 6.759/09. O Sujeito Passivo Principal, ROMÁRIO DE OLIVEIRA, CNPJ 08.073.341/000107, tomou ciência por meio eletrônico em 17/07/2017, conforme folha 657 e 658, e apresentou, tempestivamente, impugnação em 08/08/2017, conforme folhas 757 a 1052. O Responsável Solidário BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI, 18.236.111/000167, tomou ciência por meio eletrônico em 17/07/2017, conforme folha 659 e 660, e não apresentou impugnação. O Responsável Solidário CLEBER GAETA, CPF 177.789.39843, tomou ciência por meio eletrônico em 17/07/2017, conforme folha 661 e 662, e não apresentou impugnação. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.279 8 O Responsável Solidário JAIR ANTONIO DE LIMA, CPF 814.078.07820, tomou ciência postal em 06/07/2017, conforme folha 655 e 656, e apresentou, tempestivamente, impugnação em 07/08/2017, conforme folhas 670 a 756. O Responsável Solidário ROMÁRIO DE OLIVEIRA, CPF 176.556.419 00, tomou ciência postal em 11/07/2017, conforme folha 663 a 665, e não apresentou, impugnação. O Responsável Solidário ROGÉRIO DE OLIVEIRA, CPF 022.599.35974, tomou ciência por meio eletrônico em 01/08/2017, conforme folha 654, e não apresentou impugnação. Foi juntada planilha de controle de ciências e impugnações, conforme folha 1068. Foram juntados os devidos termos de revelia, conforme folhas 1062 a 1064 e 1067. Em suma, apenas ROMÁRIO DE OLIVEIRA, CNPJ 08.073.341/000107, e JAIR ANTONIO DE LIMA apresentaram as devidas impugnações. ROMÁRIO DE OLIVEIRA alegou: o malgrado auto de infração, a bem da verdade é continuidade e praticamente idêntico ao auto de infração processo nº 15165.722831/201515 o qual foi analisado e declarado NULO pela 2ª Turma da DRJ/FNS, em sessão realizada em 15/05/2017 (transcreveu); o presente caso é idêntico ao analisado pela DRJ/FNS, sendo um vício formal insanável, vez que os mesmos argumentos, provas, fotografias foram utilizados no auto de infração impugnado, apenas se alterando o sujeito passivo principal, onde no julgado acima transcrito se tratava da V.L. AGROINDUSTRIAL LTDA, sendo que neste caso o sujeito passivo principal se trata da ROMÁRIO DE OLIVEIRA ME, sendo que os demais sujeitos passivos do auto de infração são idênticos; aqui se está analisando uma pessoa jurídica com mais de 20 anos de existência, onde fatalmente ao longo de tamanha caminhada adquiriu uma carteira de clientes invejável, o que lhe propiciou uma imensurável credibilidade junto ao mercado nacional e internacional; a Impugnante possuía uma vasta carteira de clientes no mercado nacional, os quais ante as alterações comerciais ocorridas na América do Sul com a implantação do Mercosul, se iniciou de forma forte a possibilidade de se realizar a importação de carne bovina da República do Paraguai; tendo em vista o vasto conhecimento no mercado internacional, aliado a credibilidade de uma empresa com mais de 20 anos de existência, a Impugnante passou a realizar contatos com fornecedores paraguaios, bem como oferecer o produto a empresas brasileiras, a fim de se estabelecer uma linha comercial; como se trata de um produto perecível, se fez um primeiro momento localizar um cliente a qual se destinaria futura importação, pois muito embora a Impugnante tenha uma estrutura física apropriada, capaz de suportar inclusive estocagem do produto em cameras frias próprias, conforme inclusive restou demonstrado no processo administrativo, vez que as fotografias apontam neste sentido; Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.280 9 como se aufere pelos extratos de importação, de forma paralela a Impugnante sempre realizou importação de pescados e crustáceos da República da Argentina, o que por certo ante ao novo comércio que estava sendo realizado (importação de carne bovina), com a abertura de novos clientes, o volume de importações e comercializações começou a aumentar de forma significativa, sendo que ante a demanda do mercado consumidor brasileiro, alavancado principalmente pela economia nacional, fortalecimento do Real, o volume importado pela Impugnante já não era mais suficiente para atender a todos os pedidos, sendo inevitável o aumento das importações e por conseqüência o aumento do RADAR; a Impugnante teve sim um acréscimo de suas importações, contudo de forma justificada, onde devido ao novo produto que estava sendo importado, e seu valor econômico, normal um aumento significativo do volume de importações; a Impugnante apresentou todos os seus extratos bancários comprovando que efetuou as importações com RECURSOS PRÓPRIOS, e não por conta e ordem de terceiros; quanto a forma de pagamento, normal que uma empresa como a Impugnante com vários anos no mercado de importação, sempre cumprindo em dia suas obrigações possua crédito no mercado, ou será que sempre se faz uma importação de forma a vista; nesta esteira eram as negociações realizadas pela Impugnante, primeiramente concedendo crédito a alguns clientes, onde havia o pagamento de forma anterior ou posterior ao fechamento do cambio e pagamento da importação, contudo, em caso de inadimplência do cliente da Impugnante a mesma possuía capacidade financeira suficiente para efetuar o pagamento do débito, como se demonstra pelos extratos financeiros; os valores depositados na conta corrente da Impugnante se referem à aquisição de produtos referentes a pedidos, sendo que por óbvio em um mercado tão competitivo como o de importação de gêneros alimentícios, o valor da comissão (lucro) da empresa se mostra em percentual baixo, sendo necessário efetuar venda de vários produtos, gerando um volume elevado de valores que na verdade corresponde a uma pequena, para não dizer mínima margem de lucro, conforme constante nos livros contábeis que fazem parte do presente processo administrativo; tendo em vista que o sistema RADAR não efetuou qualquer bloqueio às importações da Impugnante, esta acreditava que estava perfeitamente autorizada a realizar as importações, sendo que como relatado, a Impugnante começou a realizar recebimento adiantado de seus clientes quando efetivamente realizava o pedido, sendo que tais valores eram utilizados para efetuar o pagamento de contratos de câmbio anteriores referentes a outras operações; o contrato de câmbio referente ao pedido Das empresas que adquiriram carne bovina, foi fechado e efetuado o seu pagamento com recursos recebidos de outros clientes de importação de pescados, ou seja, valores diversos da venda a ser realizada de carne bovina; neste vértice, se aufere que o fluxo de caixa que existia nos anos de 2013 e 2014, na conta bancária da Impugnante não podem ser considerados como sendo uma mera utilização da Impugnante Romário de Oliveira, por outras pessoas jurídicas, em tese ocultas, pois o valor pago por um dos clientes; Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.281 10 segundo as alegações do auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, em alguns casos de importações de carne bovina, não ocorria a descarga de tais cargas na sede da Impugnante, seguindo diretamente para o cliente distribuidor; ora, será que a autoridade administrativa não tem que uma empresa importadora pode sim efetuar a venda de um inteiro? Onde se encontra a obrigação legal do importador efetuar a venda fracionada dos produtos que importa? o contrário do sustentado pela autoridade fiscal, no resumo geral das operações de importação para a Beste Boi Alimentos se teve sim lucro de aproximadamente R$ 65.607,00 (sessenta e cinco mil, seiscentos e sete Reais), contudo não é só esta a vantagem econômica recebida; contesta a alegação de vendas colacionadas as folhas 98 do auto de infração, onde se teve como base as notas fiscais nºs° 005.104 e 005.105, POIS NÃO SE ANALISOU O CONTEÚDO DA NOTA FISCAL; nas imagens abaixo se demonstra que a divergência de valores ocorreu pela ausência de venda de um dos produtos importados, qual seja Filé Mignon sin cordon, que representa R$ 75.623,20 (vide fls. 779/790); a nota fiscal colacionada, fls. 779/780 , é a entrada onde consta o item FILÉ MIGNON SIN CORDON 4/5 no valor de R$ 75.623,20, sendo que a nota fiscal de saída abaixo colacionada não consta o faturamento de tal ítem, o que justifica o valor abaixo da nota fiscal , fls. 781/782; se observa pela descrição dos produtos da nota fiscal n° 105 que o item FILÉ MIGNON SIN CORDON 4/5 LBS no valor de R$ 75.623,20, NÃO foi faturado, ou seja, não foram comercializados, justificando a diferença de valores em ambas as notas fiscais; a suposta identificação do cliente da Impugnante, segundo se aufere pelo auto de infração ocorreu através da nota fiscal de saída vinculada a declaração de importação dos produtos, o que é perfeitamente normal e contabilmente correto; não se prestam as alegações colacionadas no combatido auto de infração para caracterizar a suposta importação por conta e ordem de terceiro oculto; no caso concreto, a Impugnante realizou diversas vendas de mercadorias a vários clientes que em muitas oportunidades efetuavam o pagamento parcialmente adiantado e o restante quando se efetiva a entrega das mercadorias; como se atribuir como fraude a mera negociação entre a Impugnante e seu cliente? Não pode uma empresa importadora efetuar a aquisição de determinada quantidade de produtos e cobrar de forma antecipada? o valor aduaneiro das mercadorias foi declarado insubsistente pela autoridade fiscal, utilizandose EXCLUSIVAMENTE como base o auto de infração lavrado e ANULADO em desfavor da GARANTIA TOTAL LTDA, ou seja, não existe ao menos a possibilidade da Impugnante apresentar defesa específica, pois não tem acesso aos documentos e muito menos ao auto de infração lavrado em desfavor da contribuinte Garantia Total Ltda, restando evidenciado o cerceamento de defesa; não se encontra nos autos de processo administrativo qualquer elemento de prova concreta no sentido de se demonstrar de forma cabal que a Impugnante Romário de Oliveira ME tenha efetuado importação de produtos por conta e ordem Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.282 11 de terceiros, os quais estão figurando na condição de responsáveis solidários no auto de infração combatido; o fato de ocorrer pagamento parcialmente adiantado, bem como vários depósitos que geram um fluxo de caixa na conta bancária da Impugnante não tem, de forma isolada, o condão de caracterizar uma interposição fraudulenta de terceiros, muito pelo contrário, tão somente demonstram a legalidade da operação, o devido pagamento dos tributos incidentes, bem como a necessidade de mercado em relação aos produtos comercializados pela Romário de Oliveira; se efetivamente a Impugnante tivesse por objetivo ocultar o real adquirente das mercadorias, por certo não emitiria nota fiscal em nome dos seus clientes, os quais a autoridade administrativa que lavrou o auto de infração condiciona como responsável solidário, se efetivamente fosse uma operação com intenção de burlar o Fisco, certamente não emitiria documento fiscal, não receberia pagamento via transferência eletrônica em sua conta bancária; por fim requer a procedência da impugnação. JAIR ANTONIO DE LIMA alegou: o auditor fiscal embasou a presente autuação em conclusões extraídas de documentação obtida junto à empresa Garantia Total Ltda, afirmando, como base naquele procedimento fiscal, que restou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação; a responsabilização solidária do Impugnante teve por fundamento legal o artigo 95 do DL N° 37/66; artigo 27 da Lei n° 10.637/2002, artigo 77, 78, 79, 80 e 81 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; não deverá prosperar a presente Ação Fiscal, devendo a mesma ser extinta sem o julgamento do mérito, uma vez que a exigência fiscal é totalmente nula, destituída de qualquer fundamento sustentável; o direcionamento da autuação fiscal não observou princípios de matriz constitucional, os quais devem reger qualquer ato administrativo para o fim de garantir a Segurança Jurídica necessária; a Portaria SRF n° 1.265, de 22 de novembro de 2000, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); o instrumento do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi criado justamente para revestir o lançamento tributário de maior certeza e segurança jurídica, em respeito aos Magnos princípios da Legalidade, Moralidade, da Eficiência, do Devido Processo Legal, do Contraditório e da Ampla Defesa e da Segurança Jurídica; por sua vez, o lançamento tributário é um ato administrativo de ofício e como tal somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis ao ato, sob pena de caracterização de flagrante nulidade por inquestionável e grave violação aos Magnos princípios do contraditório e da ampla defesa; Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.283 12 de acordo com as normas que regulam o Mandado de Procedimento Fiscal, o mesmo deverá ser cientificado ao contribuinte para que ele possa saber do início do procedimento fiscal; não foi o que ocorreu neste caso, pois o Impugnante foi incluído na autuação enquanto responsável solidário sem qualquer intimação e/ou participação durante o Mandado de Procedimento Fiscal instaurado para apuração dos fatos; em síntese, em 111 folhas de Relatório Fiscal, para justificar a presente autuação, o auditor fiscal apresentou, no ITEM d (FLS. 69 A 81) e ITEM C.5 9 (Fls. 107 A 126), conclusões extraídas de documentação obtida junto à empresa Garantia Total Ltda, afirmando, como base naquele procedimento fiscal, que restou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação; neste procedimento fiscal que culminou no Auto de Infração ora contestado, não há sequer apuração quanto aos alegados "benefícios" atribuídos ao Impugnante; é totalmente absurda a falta de motivação, desvio de finalidade, de flagrante ofensa ao contraditório e ampla defesa neste procedimento fiscal, o que acarreta inquestionável nulidade, como ora se requer; a Colenda 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, em análise de impugnações administrativas de várias pessoas físicas e jurídicas incluídas no polo passivo do PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL N° 15165.722831/201515, lavrado contra a empresa V. L. AGROINDUSTRIAL LTDA, e no qual o ora Impugnante igualmente foi incluído, proferiu o venerando Acórdão n° 0739.769, julgando pela nulidade daquele auto de infração e exonerando o crédito tributário, uma vez reconhecida a ofensa à ampla defesa e ao contraditório por idêntico aproveitamento de conclusão empresada do procedimento fiscal que culminou no Auto de Infração sob o n 15165.720940/201417, lavrado contra a empresa GARANTIA TOTAL LTDA; as provas indicadas no "Relatório Fiscal anterior" não foram trazidas aos autos do presente processo administrativo fiscal, ainda que algumas tenham sido reproduzidas no corpo de tal relatório; não obstante as nulidades acima demonstradas, as quais decorrem de falta de atenção do auditor fiscal do procedimento correto para apuração e lavratura de auto de infração, igualmente é nulo o ato administrativo por desvio de finalidade e motivação passíveis de justificar a punição equivocadamente pretendida; da análise dos fatos que embasaram o início de procedimento fiscal, constatase flagrante desvio de finalidade e motivação, uma vez que tenta justificar a ação sobre o aumento de volume das operações de importação e aquisição de carne bovina e sebo bovino; não se justifica a alegação de que se trata de "operações atípicas", como a todo momento tenta dar a entender a autoridade fiscal; argumentase que, o fato de a empresa fiscalizada atuar, naquele momento de 2009, no ramo de importações de pescados e frutos do mar não a impede de igualmente importar produtos de carne bovina, o que é previsto inclusive pelas atividades secundárias declaradas perante a Receita Federal, como se observa do Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral, no qual consta o CÓDIGO CNAE 46.34601 Comércio atacadista de carne bovina e suína e derivados CÓDIGO CNAE 46.34699 (cópia anexa); Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.284 13 o fato de a empresa autuada aumentar o volume das operações de importação e passar a importar outros produtos alimentícios, cujas autoridades são previstas e permitidas pela Receita Federal, por si já afasta a afirmação do auditor fiscal quanto à suposta motivação para início do procedimento fiscal, como se observa em Relatório Fiscal que embasou a autuação lançada; cabe, neste caso, igualmente ser invocado o PRINCÍPIO DA FINALIDADE, o qual é inerente ao Princípio da Legalidade e tem por objetivo primordial aplicar a lei como ela é, ou seja, a administração tem o dever de seguir a finalidade normativa, sob pena de restar caracterizado "desvio de poder" ou o "desvio de finalidade"; deve, igualmente, ser considerada a aplicação do PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE, pelo qual será sempre necessário existir uma harmonia entre o que é posto na norma e o que é feito pela sua utilização; pelos mesmos motivos, aplicase o PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE, pelo qual deve haver certas ponderações, estar o ato sempre atrelado ao binômio necessidadeadequação. Quanto ao Mérito, argumentou: não há que se considerar formação de grupo econômico e tampouco atribuir responsabilidade solidária ao Impugnante; ao invocar o artigo 95, inciso I do DecretoLei n° 37/66, o Auditor Fiscal entendeu que a ora Impugnante concorreu e/ou se beneficiou da suposta infração, o que não é verdade; não obstante o flagrante cerceamento de defesa em momento anterior à lavratura do presente auto de infração, impera ainda argumentar pela aplicação dos artigos 139 e 145 do CTN, os quais estatuem que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, a qual nasce com o fato gerador, sendo este a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (artigo 114 do CTN); ainda, reza o art. 118 e incisos do Código Tributário Nacional que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; e 11 dos efeitos dos fatos efetivamente ocorrido; assim, não há que se falar em respectiva configuração ao caso concreto, considerando que não houve a incidência do fato imputável ao Impugnante, tampouco apuração de infração consubstanciada em Mandado de Procedimento Fiscal direcionado; há interposição fraudulenta de terceiro quando em uma operação de importação/exportação se verifica a ocultação do real importador, real vendedor ou responsável pela operação, que fraudulentamente se faz representar por interposta pessoa com a intenção deliberada de causar dano ao erário mediante fraude e simulação; a fiscalização não aponta (e nem poderia, pois inexistente) qualquer ligação entre o Impugnante e a empresa autuada; Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.285 14 por sua vez, a pena de perdimento de mercadoria e a multa substitutiva, ambas previstas pelos artigos 23 e 24 do DecretoLei n° 1.455/76, tratase de sanção típica do Sistema Tributário Penal, implicando em comprovação da conduta danosa e tipicidade do ato ilícito; é de se concluir que somente há de se cogitar em aplicação da pena de perdimento, quando há EVIDENTE DANO AO ERÁRIO (artigo 23 do Decreto Lei 1.455/76), na dicção da própria norma legal penal, ou seja, presentes a má fé e o dolo do agente, nos termos da uníssona jurisprudência dos Tribunais, o que não ocorreu neste caso em análise; a acusação da existência de grupo econômico informal, não dispensa o órgão acusador de comprovar a existência desses elementos. Esse, o equívoco, no entender dos impugnantes, do ato administrativo impugnado; tendo em vista os fatos e fundamentos demonstrados na presente defesa, os quais foram reconhecidos em precedente Acórdão n° 0739.769, proferido pela Colenda 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, referente ao PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL N° 15165.722831/201515, acima já destacado, o Impugnante requer que esta Colenda Turma de Julgamento acate a aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional, observando, ainda, que o Impugnante em nenhum momento foi notificado previamente quanto ao direcionamento da autuação, tampouco acerca dos elementos que ensejaram a responsabilização solidária, resultando, como acima já tratado, em flagrante cerceamento de defesa; AD CAUTELAM, caso assim não entenda esta Colenda Corte Julgadora, requer seja julgada TOTALMENTE PROCEDENTE a presente defesa, para o fim de afastar a responsabilidade solidária pretendida, excluindo o Impugnante do polo passivo da ação fiscal; protesta provar os fatos ora demonstrados por todos os meios de provas em direito admitidas e necessárias, em especial, pela produção de prova pericial acerca do lançamento efetuado. Em 22 de janeiro de 2018, a DRJ julgou improcedente as impugnações e manteve o integralmente a exigência das multas, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/08/2013 a 09/10/2014 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. HIPÓTESES. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.286 15 A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. EFEITOS. A ausência de impugnação por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra os revéis, a preclusão temporal do direito de praticar os atos impugnatórios, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícita a utilização de prova emprestada, oriunda de processo administrativo no qual foram observados os princípios do contraditório e ampla defesa e que guarde pertinência com o fato que se pretende demonstrar em outro processo. Cientificados da decisão em 21.02.2018 e 16.04.2018 (fls.1.113 e 1.170), os Recorrentes Romário de Oliveira e Jair Antônio Lima, interpuseram recursos voluntário em 16.03.2018 (fls. 1.1161.146) e 16.05.2018 (fls.1.1711.210), reproduzindo suas alegações de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade Os recursos voluntário são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Depósito ou arrolamento de bens Recorrente Romário A Recorrente Romário de Oliveira alega que não possui condições financeiras para fazer frente ao depósito ou arrolamento no percentual de 30% do valor exigido nos autos, como condição de admissão do recurso voluntário. Pede, assim, o afastamento de tal imposição. Analisando o Termo de Intimação da Recorrente, verificase que não a imposição de depósito prévio para admitirse o recurso voluntário, tratandose de questão estranha ao processo. Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.287 16 Aliás, a questão quanto a exigência do depósito de 30% como condição de admissão do recurso já encontrase superada através da Súmula do STF nº 21: "É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recursoadministrativo." Nestes termos, deixo de conhecer o pedido da Recorrente Romário, por estranho ao processo. II.2 Vício Formal arguido pela Recorrente Romário A Recorrente Romário de Oliveira pleiteou a declaração de nulidade por vício de forma, com base nos fundamentos apresentados na decisão proferida no processo administrativo nº 151645.722831/201515 que, segundo ela o presente processo é continuidade e praticamente idêntico àquele. Colaciona a ementa (abaixo) e o voto proferido pela DRJ naquele processo aplicando o artigo 9º, do Decreto nº 70.235/72: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 25/09/2013 a 30/05/2014 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. PLURALIDADE DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. O crédito tributário deve ter sua formalização efetivada com unicidade quanto a sujeição passiva e ao fato gerador da obrigação tributária que lhe deu nascimento. Vale dizer, o crédito tributário não pode ser resultado da somatória de créditos tributários decorrentes de fatos geradores próprios e específicos de distintos sujeitos passivos. É nula, por vício de forma, a autuação de crédito tributário quando o quantum exigido no auto de infração é resultado da somatória de créditos exigidos de distintos sujeitos passivos em razão da ocorrência de distintos fatos geradores da obrigação tributária. CONCLUSÃO EMPRESTADA. CERCEAMENTO DE DEFESA. O uso direto da conclusão de outro procedimento fiscal, ainda que de forma parcial, sem a conexão com as provas nas quais fundamenta a conclusão da autoridade fiscal cerceia o direito de defesa, mormente quando parte dos autuados não participou do processo administrativo fiscal anterior. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Informa que decisão recorrida não apreciou o pedido de nulidade baseado no precedente acima e, pede que seja declarado nulo o presente processo. Ao contrário do entendimento explicitado pela Recorrente, entendo que há particularidades entre as ações que impedem a adoção por ela pretendida, senão vejamos. O processo administrativo nº 151645.722831/201515 referese à operações nas quais há uma devedora principal e outras seis empresas ocultadas em diferentes Declarações de Importação, resultando, assim, que a devedora principal responde pela totalidade do débito lá discutido, enquanto as outras empresas responderiam apenas no que se refere à operações nas quais figuram como destino. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.288 17 Contudo, o lançamento fiscal feito naquele processo não individualizou as provas e o quanto devido por cada empresa, motivo pelo qual o julgador de piso declarou o lançamento nulo por vício de forma e determinou a lavratura de seis processos, cada qual com os respectivos sujeitos passivos. A decisão proferida naquele processo foi confirmada por este Conselho, vejamos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 23/11/2009 a 25/07/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. SUJEITOS PASSIVOS INDICADOS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS “PARCIAIS”. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE AUTUAÇÕES DISTINTAS. O crédito tributário deve ter sua formalização efetivada com unicidade quanto a sujeição passiva e ao fato gerador da obrigação tributária que lhe deu nascimento. No lançamento que invoca um sujeito passivo como devedor principal e seis responsáveis solidários, cada qual referente a parte do lançamento, deve ser afastada a autuação, pela nulidade formal, para que sejam lavradas seis autuações, cada qual com os respectivos sujeitos passivos respondendo pela integralidade do crédito tributário desmembrado. Recurso de Ofício Negado. Por sua vez, no presente processo a devedora principal (Romário Oliveira) e a única empresa ocultada (Best Boi Alimentos Eireli) figuram em todas as operações sob análise, inexistindo, assim, a necessidade de lavrar autos indepedentes para cobrança de multas distintas, considerando que ambas respondem integralmente pelo valor do crédito tributo. Assim, rejeita a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. II.3. Nulidade do Auto de Infração. Ausência de participação do Recorrente em Mandado de Procedimento Fiscal que originou a presente autuação A Recorrente alega que sua inclusão na autuação fiscal ocorreu de forma sumária e sem apurar o contraditório, considerando que não houve intimação prévia para se manifestar das considerações da fiscalização. A decisão "a quo" afastou as pretensões da Recorrente por entender que: O MPF tem como característica primordial o fato de ser um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF, a empresa que recebe o auditor tem a garantia de que o procedimento é de curso legal e de conhecimento do órgão responsável. Por outro lado, o MPF sozinho não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal, o que força o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização. Isto importa em que, se ocorrerem problemas com o MPF, não seriam invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.289 18 atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não poderia o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, não assiste razão à impugnante, quando pleiteia a anulação do lançamento por violação de regra atinente ao MPF. Cumpre esclarecer que o MPF foi instituído por portaria da Secretaria da Receita Federal, podendo gerar eventuais efeitos administrativos em relação ao seu descumprimento, mas jamais tendo o condão de propiciar anulação de lançamento tributário. Não é o MPF condição de validade do lançamento. Este tipo de conseqüência só pode ser estabelecida por lei complementar, nos termos do art. 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal: “Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária,especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;” (grifo meu) A lei complementar vigente é o Código Tributário Nacional, que assim estabelece no art. 142 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (grifo meu) Por outro lado, o Decreto nº 70.235/72 previu as causas de nulidade no lançamento, no art. 59, e seus incisos I e II, e nos seus parágrafos regulou as conseqüências: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.290 19 nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). E o art. 60 do Decreto nº 70.235/72 considerou as hipóteses de nulidade, que podem/devem ser declaradas de ofício ou por alegação do impugnante, tendo como única conseqüência o seu saneamento quando resultou em prejuízos para o sujeito passivo: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.’ Pois bem, à luz destas considerações, não poderia a portaria que cria o MPF, como efetivamente não o fez, estabelecer hipótese de nulidade do lançamento pelo seu descumprimento. Quanto a alegação de que foi incluído na autuação enquanto responsável solidário sem qualquer intimação e/ou participação durante o Mandado de Procedimento Fiscal instaurado para apuração dos fatos, nenhum prejuízo sofreu a impugnante no seu direito de defesa. Os procedimentos anteriores à lavratura do auto de infração não se submetem aos princípios do contraditório e da ampla defesa, dandose exclusivamente sob a direção da autoridade lançadora. Nem se diga que isto ofende o art. 5º, inciso LX, da Constituição Federal: “Art. 5º. (..) (..) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” Na fase do procedimento até a lavratura do auto de infração não há litígio e, portanto, inexistem litigantes. Muito menos acusado, situação que não se aplica ao procedimento administrativo fiscal. O litígio só se estabelece, se aperfeiçoa, com a apresentação da impugnação, consoante o art. 14, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” Daí que a suposta irregularidade de MPF não tem o condão de invalidar o lançamento, nem precisa ser saneada, pois nenhum prejuízo trouxe à impugnante. Logo, rejeito a preliminar suscitada. Concordo inteiramente com a decisão de piso, motivo pelo qual, rejeito o pleito do Recorrente. II.4 Nulidade do Auto de Infração. Impossibilidade de conclusão emprestada de processo administrativo de terceiros Neste ponto, alega a Recorrente que a fiscalização ao utilizar as provas produzidas nos autos do processo 15165.720940/201417 para incluíla no polo passivo do presente processo, considerando que não se trata de autuação com o mesmo fato gerador objeto Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.291 20 deste procedimento fiscal, demonstra ausência de motivação, desvio de finalidade e ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa. Inicialmente, entendo que a utilização de prova emprestada é totalmente aceita em nosso ordenamento, desde que os fatos e fundamentos mantenham relação entre os processos, o que se verifica no presente caso, onde nos autos do processo 15165.7209470/201417 analisou a operação tida por irregular como um todo, sendo que os demais processos instalados posteriormente a lavratura daquele estão estritamente ligados ao que foi apurado inicialmente. Nestes termos, entendo que o lançamento fiscal lastreado em provas produzidos de processos que possuem relação fática e fundamento legal idênticos não acarreta nulidade ao lançamento fiscal. Não bastasse isso, entendo que o Auto de Infração encontrase devidamente motivado e fundamentado com os fatos e preceitos normativos que embasaram o lançamento fiscal. Não houve também, desrespeito ao princípio da ampla defesa e contraditório, considerando que o Recorrente teve acesso à todos documentos dos autos e exerceu seu amplo direito de defesa. Não menos que isso, inexiste o desvio de finalidade suscitada pelo Recorrente, no sentido de que a fiscalização tentou justificar a autuação com base em fatos inexistentes para alcançar o fim pretendido. Isto porque, o presente processo administrativo foi conduzido com total respeito aos critérios normativos para se chegar à finalidade pretendida pela fiscalização, qual seja, imputar penalidade aos infratores. Ora, a discordância com os meios e métodos utilizados pela fiscalização para se apurar as irregularidades aqui tratadas não acarretam desvio de finalidade, tampouco nulidade do lançamento. Afastase, assim, a nulidade arguida pelo Recorrente. II.5 Nulidade do Auto de Infração. Desvio de finalidade e motivação Reportome ao item "II.4" para afastar as pretensões do Recorrente. III Mérito A Recorrente Romário de Oliveira reproduziu seus argumentos explicitados na impugnação, não contestando pontualmente a decisão de piso, por esse motivo e, por concordar com suas razões, os adoto como fundamento para negar provimento ao recurso da Recorrente Romário de Oliveira, a saber: Alega a pessoa jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA não se encontra nos autos qualquer elemento de prova concreta no sentido de se demonstrar de forma cabal que a mesma tenha efetuado importação de produtos por conta e ordem de terceiros e que o fato de ocorrer pagamento parcialmente adiantado, bem como vários depósitos que geram um fluxo de caixa na conta bancária da Impugnante não tem, de forma isolada, o condão de caracterizar uma interposição fraudulenta de terceiros, muito pelo contrário, tão somente demonstram a legalidade da operação, o devido pagamento dos tributos incidentes, bem como a necessidade de mercado em relação aos produtos comercializados pela Romário de Oliveira Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.292 21 Diante de tais alegações, antes de analisarmos o mérito, devemos verificar as características da interposição, conforme a evolução legislativa do instituto. DA CONFORMAÇÃO JURÍDICA DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO A interposição fraudulenta na importação, apesar de ser atividade praticada e combatida de forma contumaz nas relações de comércio exterior brasileiras, só tomou contorno jurídico específico com a edição de algumas normas legais e infralegais, das quais discorreremos a seguir. Medida Provisória nº 66 de 29/08/2002 Em seus artigos 59, 60 e 66, tal medida provisória deu conformação jurídica autônoma à figura da interposição fraudulenta. O art. 59, incluiu hipótese de “dano ao erário” no DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.” (grifo meu) O art. 60, por sua vez, alterou o art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, permitindo a SRF a declaração de inaptidão da empresa que apresentasse incompatibilidade entre o volume transacionado no comércio exterior e sua capacidade econômico financeira: “Art. 60. O art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.293 22 § 1º Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2º Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. § 3º No caso de o remetente referido no inciso II do § 2º ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. § 4º O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976.” (grifo meu) Por fim, o art. 66 da MP 66 de 2002, delegou à SRF a competência para editar normas complementares que permitissem a implementação dos controles referentes à interposição fraudulenta. “Art. 66 A Secretaria da Receita Federal e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editarão, no âmbito de suas respectivas competências, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei” Medida Provisória nº 215835 de 24/08/2001 O art. 80 de tal medida provisória trás a previsão legal para atuação de pessoas jurídicas na condição de importadoras por “conta e ordem de terceiros”. (Ressaltese que tal MP é anterior à MP 66/2002, ou seja, quando da tipificação específica da interposição fraudulenta, os importadores por conta e ordem já dispunham de mecanismos, previstos na lei, para sua regular atuação) “Art. 80 A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente.” Tal previsão foi regulamentada através da Instrução Normativa SRF nº 225 de 18/10/2002 e da Instrução Normativa SRF nº 228 de 21/10/2002. A seguir, transcreveremos alguns artigos das referidas Instruções Normativas que serão úteis na análise que se fará posteriormente: “Instrução Normativa SRF nº 225 de 18/10/2002 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.294 23 Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); II ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros (art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002). Parágrafo único. A aplicação da pena de que trata este artigo não elide a formalização da competente representação para fins penais, relativamente aos responsáveis, nos termos da legislação específica (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 e Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990). Art. 5º A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” (grifo meu) “Instrução Normativa SRF nº 228 de 21/10/2002 Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.295 24 Art. 1º As empresas que revelarem indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira evidenciada ficarão sujeitas a procedimento especial de fiscalização, nos termos desta Instrução Normativa. § 1º O procedimento especial a que se refere o caput visa a identificar e coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas em operações de comércio exterior, como meio de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor. § 2º No caso de importação realizada por conta e ordem de terceiro, conforme disciplinado na legislação específica, o controle de que trata o caput será realizado considerando as operações e a capacidade econômica e financeira do terceiro, adquirente da mercadoria. Art. 4º O procedimento especial será iniciado mediante intimação à empresa para, no prazo de 20 dias: I comprovar o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e II comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.” Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966.” (grifo meu) Do todo exposto acima, percebese que são elementos essenciais para caracterizar a interposição, os seguintes personagens: A presença de um adquirente oculto, que negocia com o exportador, determina o que será comprado, a quantidade, preço, etc... e que arca com o ônus financeiro da operação. A presença do importador interposto, que realiza os trâmites do despacho de importação com se estivesse importando por conta própria. No caso vertente não se refere à interposição presumida, nos termos do § 2 do DecretoLei nº 1.455/76, mas a simulação tendente a ocultar o real adquirente das mercadorias. Assim, o objeto central da lide é a caracterização da interposição fraudulenta nas importações da impugnante, prevista no art. 23, V, § 1° do Decretolei n° 1.455/76. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.296 25 pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como podemos perceber, o dispositivo incide quando presente a ação de ocultar as partes envolvidas na operação, independentemente do objetivo almejado com essa prática. Ou seja, preserva o aspecto subjetivo da obrigação, no caso, a identificação do sujeito passivo e das demais partes envolvidas na operação. Percebese que o núcleo do tipo infracional reside na conduta dolosa de ocultar, esconder ou encobrir a pessoa física ou jurídica (real sujeito passivo) que promove a entrada ou a saída de mercadoria do território nacional, utilizandose para isso de ardis fraudulentos ou simulatórios, inclusive mediante a interposição fraudulenta de terceiras pessoas. Ainda, se depreende da leitura do inciso V é que o importador interposto é aquele que deliberadamente oculta o responsável pela importação, independentemente da sua capacidade econômica e da efetiva transferência de recursos. Importante ressaltar que a hipótese narrada: aparentar transmitir direitos a pessoa jurídica diversa daquela que tomou parte do negócio jurídico que propiciou a aquisição da mercadoria encontrase expressamente prevista dentre as modalidades de simulação enumeradas pelo 1º, do art. 167 do Código Civil de 2002 (lei nº 10.406). Com efeito, há elementos no processo que demonstram que a operação foi realizada por conta e ordem do adquirente, informação que foi omitida nas declarações apresentadas e que não se encontravam estampadas nos documentos apresentados no despacho de importação, que informavam como adquirente pessoa jurídica diversa daquela que efetivamente realizou o negócio. É de se destacar o quadro de fl. 73, síntese da totalidade das operações de importação registradas em nome próprio pela pessoa jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA (exPEIXEAR IMP. EXP. DE PESCADOS E TRANSPORTES LTDA.), CNPJ 08.073.341/000107 (demonstrativo omitido ver na decisão de piso) Podemos observar que até 07/2013 seu negócio era exclusivamente a importação de produtos do CAPÍTULO 03 PEIXES E CRUSTÁCEOS, MOLUSCOS E OUTROS INVERTEBRADOS AQUÁTICOS, a partir de 08/2013, quando da cessação dos registros de importações em nome da própria GARANTIA TOTAL LTDA passou a importar mercadorias do CAPÍTULO 02 CARNES E MIUDEZAS COMESTÍVEIS). Novamente é a entidade estrangeira FRIGORÍFICO CONCEPCION S/A (vide Tabela C.8, com dados até 18/02/2014) que, em pouco mais de 05 meses, passa a ser o principal fornecedor. Assim, como bem destacou a fiscalização, não obstante o quadro societário da pessoa jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA não permita vinculála ao referido grupo empresarial, é nítida a sua efetiva participação nos negócios do grupo. Nos despachos sob análise, a empresa ROMÁRIO DE OLIVEIRA foi apresentada como IMPORTADOR DIRETO ou POR CONTA PRÓPRIA, tendo em vista o que consta da(s) declaração(ões) de importação bem como pela inexistência, em cadastro específico da Receita Federal, de empresas habilitadas a Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.297 26 atuarem como importadores por sua conta e ordem ou por sua encomenda, tampouco de empresas adquirentes ou encomendantes que a apresentem como sua importadora. Apesar da defesa apresentada, a prática de interposição fraudulenta mediante simulação e fraude, que abaixo transcrevo parte, de uma série destacadas no Auto de Infração, constituem prova relacionada com o lançamento objeto deste processo. Do local de reinspeção indicado para fins de obtenção de licenciamento Fl. 81: Para 151 das 180 DI sob análise (aproximadamente 84%) houve necessidade de obtenção de licenciamento(s) de importação (LI) para as respectivas mercadorias.. Ocorre que, de maneira completamente incompatível para entidade sediada na cidade de Foz do Iguaçu, mas reforçando concreta e fortemente a suspeita inicial de ocultação de pessoas, constatouse que o local indicado pelo sujeito passivo como de reinspeção das mercadorias EM TODOS OS LICENCIAMENTOS DE IMPORTAÇÃO OBTIDOS foi o seguinte: (vide demonstrativo na decisão de piso) Tal estabelecimento havia sido diligenciado na ação fiscal anterior pois era onde cadastralmente também funcionava a entidade GARANTIA TOTAL LTDA., objeto imediato daquela fiscalização, que ao fim redundou no Auto de Infração juntado ao presente como Documento Comprobatório nº 1 Análise das Notas Fiscais Fl. 93 Além de terem sido apresentados os documentos auxiliares das Notas Fiscais eletrônicas (DANFE) em formato pdf (Documento Comprobatório nº 7), foram feitas extrações diretamente do repositório do SPED das Notas Fiscais propriamente ditas (em formato xml), tanto das de entrada quanto das de saída relacionadas diretamente às operações de comércio exterior de produtos bovinos realizadas em nome do sujeito passivo. Analisandose as informações constantes de tal sequência de documentos formais expedidos, em especial no que se refere ao transporte das mercadorias36 objeto das mesmas, constatase de forma explícita que os produtos, desde sua saída do exterior, já tinham como destino certo e determinado a entidade BEST BOI ALIMENTOS – EIRELI, integrante de grupo empresarial de fato do qual o próprio exportador/produtor estrangeiro também faz parte, entidade esta que, entretanto, não foi declarada nos documentos de importação; todo o aparato formal e documental elaborado serviu como verdadeira cortina de fumaça, artifício simulado e intencional, para encobrir tal situação, conduta irregular passível de proposição/aplicação de penalidade(s), dentre outras, no âmbito da legislação aduaneira: conforme o tabulamento efetuado e detalhado parcialmente abaixo constatase que TODAS as mercadorias de origem bovina importadas em nome próprio por ROMÁRIO DE OLIVEIRA sequer foram descarregadas dos caminhões procedentes do Paraguai antes de serem supostamente vendidas, de sorte que as Notas Fiscais de Saída, formalizando uma também suposta venda, PRATICAMENTE IMEDIATA E DA TOTALIDADE DO PRODUTO QUE ACABARA DE SER NACIONALIZADO, indicam como veículo transportador o mesmo que havia transposto a fronteira (fls 93 3 ss). Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.298 27 Destaca a fiscalização a situação de VENDA COM PREJUÍZO das mercadorias: "vejase que, no cômputo geral das operações sob análise, e levando se em conta os valores constantes das Notas Fiscais de entrada e de Saída emitidas pelo sujeito passivo ROMÁRIO DE OLIVEIRA, chegase à surreal situação de “vendas” que resultaram em um prejuízo médio de quase 1% (!!!), conforme detalhado na tabela2 e exemplos listados" ( fls. 97 e ss). A alegação da pessoa jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA de que não se analisou o conteúdo das notas fiscais nºs 005.104 e 005.105, e que a divergência de valores ocorreu pela ausência de venda de um dos produtos importados, qual seja Filé Mignon sin cordon 4/5 LBS, que representa R$ 75.623,20 fls. 779/790, não prospera tendo em vista que as Notas fiscais juntadas pela fiscalização, estão de acordo com a Tabela C.3 Resumo dos dados informados nas Notas Fiscais de Entrada e Saída fl. 97 e também, cópias das referidas notas fiscais às fls. 98 e 99. Tal alegação em nada enfraquece a fundamentação que deu ensejo ao lançamento fiscal. Da origem efetiva dos recursos empregados no pagamento das importações Fl. 100 Não bastassem todos os elementos já apresentados e que, por si sós, já se julgam mais que suficientes para atestar a existência de acerto PRÉVIO E NÃO DECLARADO entre as partes, investidas formalmente no documentário fiscal nos papéis insuspeitos de exportador / importador / comprador nacional, constatouse ainda que o fluxo financeiro manejado por tais partes, e relacionado diretamente às operações de importação envolvendo subprodutos bovinos, foi executado de forma completamente desvinculada do que a documentação dita comercial determinava; como já alertado de forma rápida anteriormente, o tabulamento cronológico dos pagamentos das supostas vendas no mercado interno e a remessa de recursos ao exportador estrangeiro demonstra claramente que o também suposto importador nacional – ora sujeito passivo – serviu como mero intermediário, conforme tabela (fls. 100 e ss) 3. A Impugnante se contradiz diversas vezes quando alega que efetuou as importações com recursos próprios. Em um primeiro momento alega que: apresentou todos os seus extratos bancários comprovando que efetuou as importações com RECURSOS PRÓPRIOS, e não por conta e ordem de terceiros, já em outro momento alega: . "a Impugnante realizou diversas vendas de mercadorias a vários clientes que em muitas oportunidades efetuavam o pagamento parcialmente adiantado e o restante quando se efetiva a entrega das mercadorias;" e mais: " o fato de ocorrer pagamento parcialmente adiantado, bem como vários depósitos que geram um fluxo de caixa na conta bancária da Impugnante não tem, de forma isolada, o condão de caracterizar uma interposição fraudulenta de terceiros, muito pelo contrário, tão somente demonstram a legalidade da operação".../... É obrigação do importador informar na Declaração de Importação quem é o adquirente da mercadoria, ou o encomendante, nos termos do artº 3º da IN SRF 225/2002 como também no artº 3º da IN SRF 634/2006. A importação por conta e ordem de terceiro, definida no art. 80 da Medida Provisória nº 215835 de 24/08/2001 e regulamentada pela IN SRF 225/02, representa uma situação na qual os recursos financeiros que suportam a importação provêem do real adquirente, sendo o importador mero prestador de serviços aduaneiros. Assim, é o adquirente quem escolhe, negocia e de fato compra os produtos estrangeiros. Cabe ao importador realizar os trâmites aduaneiros e Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.299 28 entregar as mercadorias ao real adquirente. Nos termos do art. 3º caput e § 2º da IN SRF 225/02, tal situação deve estar explicitada pela citação do importador e do adquirente das mercadorias na própria declaração de importação. Não se tendo procedido dessa forma, caracterizase o descumprimento da Instrução Normativa SRF nº 225/2002. Foi ocultado o real adquirente e prestada informação falsa nas DI. Houve simulação de que ROMÁRIO DE OLIVEIRA seria o real adquirente. Quanto à existência ou não de dano ao Erário em razão da conduta dos interessados, não obstante o disposto no caput do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 claramente determina que a ocorrência da hipótese em apreço, por si só, caracteriza o dano ao Erário, sendo prescindível qualquer espécie de comprovação neste sentido, o próprio Decreto n° 6579/2009, artigo 689, ao regulamentar a matéria definiu a ocorrência da hipótese como ato danoso ao Erário, isto é, ato que uma vez praticado, configura o dano ao Erário: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): ... XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Já em relação aos argumentos tecidos pelo Recorrente Jair Antônio Lima, entendo que razão lhe assiste quando afirma inexistir nos autos indícios concretos que impute à ele responsabilidade solidária nas operações sob análise, que referemse apenas entre a empresa Romário de Oliveira e a Best Boi, cujos responsáveis foram incluídos no polo passivo da presente demanda. De fato, vejo que a participação do Recorrente nas operações sob análise, restrita ao presente processo, não restou efetivamente demonstrada pela fiscalização que fundamentou sua participação com base nos seguintes fundamentos: Pessoa Física JAIR ANTÔNIO DE LIMA, CPF nº 814.078.07820: citada e contextualizada no Relatório Fiscal pretérito (Documento Comprobatório nº 1), tal pessoa física afigurase como mais relevante figura do grupo empresarial de fato que detém o real comando dos negócios de comércio exterior sob análise; a teor de todo o contexto apresentado e detalhado, tanto na presente autuação quanto na anterior, configurase também no papel de principal beneficiário do resultado final das operações de importação efetivadas irregularmente mediante o emprego meramente formal, conforme detalhado no presente contexto, da entidade jurídica ROMÁRIO DE OLIVEIRA; dentre todos os abundantes elementos nesse sentido detalhados em ambas ações fiscais, relembrese de modo destacado que no tópico B.1 Da seleção das operações objeto de Revisão Aduaneira do presente Relatório, constatouse que na imensa maioria das operações de importação ora analisadas as mercadorias foram declaradas como sendo das marcas BEEF CLUB e LIMATORE (vide telas B.6 a B.9 anteriores), cuja propriedade é, ainda hoje, de empresa há muito declarada inapta IRAPURU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. (exTORLIM PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA.) mas cujo comando desde sempre é/foi Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 15165.721649/201717 Acórdão n.º 3302006.583 S3C3T2 Fl. 1.300 29 detido por JAIR ANTÔNIO DE LIMA, que não por coincidência também é o pai de CARINA PRADO DURAN DE LIMA TIBÚRCIO, CPF nº 344.819.17873, cidadã brasileira cadastralmente residindo no Paraguai e que assina como Vice Presidente do produtor/exportador paraguaio FRIGORÍFICO CONCEPCION S.A. nos documentos (CRTs, Faturas Comerciais, Packing Lists e Certificados de Origem) instrutivos das DI analisadas. Digo isso, por entender que o Recorrente não figura como sócio ou responsável de nenhuma das empresas autuadas na presente ação e, das quais ele detém a figura de sócio ou responsável, não houve sua inclusão na presente autuação. Veja, toda narrativa para demonstrar a irregularidade apurada neste processo envolveu apenas a empresa Romário de Oliveira e a Best Boi, diferentemente do ocorrido no processo 15165.720940/201417, onde envolveu diversas empresas de responsabilidade do Recorrente Jair Antônio Lima, com sua efetiva participação nos negócios apontados como irregulares. Inclusive, naquele processo votei pela permanência do ora Recorrente no polo passivo da lide, por entender demonstrada sua participação nos negócios irregulares, contudo, não vejo que o meu entendimento externado anteriormente deva ser aplicado no presente caso, por existir questões probatórias distintas nos autos. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, conheço parcialmente do recurso voluntário interposto pela Recorrente Romário de Oliveira e, na parte conhecida negolhe provimento e, dou provimento ao recurso voluntário do Recorrente Jair Antônio Lima para excluílo do polo passivo da lide. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 1300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.908992/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 89 92 /2 00 9- 23 Fl. 156DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (IRPJ E CSLL). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2003 e 2005 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.908992/200923 Acórdão n.º 1402003.647 S1C4T2 Fl. 3 3 a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls9299); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao Fl. 158DF CARF MF 4 final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls. 141/146, em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.630, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.630): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10840.908992/200923 Acórdão n.º 1402003.647 S1C4T2 Fl. 4 5 Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720307/2015-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz entendiam cabível a diligência apenas para o item "f" do voto do relator (amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 71.492 1 71.491 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720307/201530 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.793 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente BARCELONA COMERCIO VAREJISTA E ATACADISTA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz entendiam cabível a diligência apenas para o item "f" do voto do relator (amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros). (assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 30 7/ 20 15 -3 0 Fl. 71492DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.493 2 Trata o presente processo dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, relativos à modalidade não cumulativa, de períodos de apuração compreendidos entre dezembro de 2011 a dezembro de 2013, lavrados em 04/12/2015, na Delegacia da Receita Federal em JundiaíSP, no montante de R$ 56.333.413,25, conforme a descrição abaixo: Contribuição para o PIS/PASEP, com o crédito tributário no valor total de R$ 10.018.220,89, sendo R$ 4.910.229,55 de principal (Contribuição), R$ 1.425.319,15 de juros de mora, calculado até dezembro de 2015, e R$ 3.682.672,19 de multa de ofício, aplicada no percentual de 75% sobre o valor do principal; Cofins, com o crédito tributário no valor total de R$ 46.315.192,36, sendo R$ 22.698.513,27 de principal (Contribuição), R$ 6.592.794,11 de juros de mora, calculados até dezembro de 2015, e R$ 46.315.192,36 de multa de ofício, aplicada no percentual de 75% sobre o valor do principal. Em conformidade com o disposto nos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 1.221 a 1.407, o procedimento fiscal foi realizado com base no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – MPF/TDPF nº 0819000/02255/2014 e com a utilização das informações constante do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, bem como com outros documentos contábeis e fiscais da contribuinte. A constituição dos créditos tributários, conforme consta do § 8º do mencionado TVF, deuse em virtude da constatação dos seguintes procedimentos contrários a legislação: a) Desconto de créditos sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero das contribuições (queijos e papel higiênico); b) Desconto de créditos sobre aquisição de produto monofásico (álcool de uso doméstico); c) Desconto de créditos sobre aquisição para consumo próprio de gás liquefeito de petróleo, óleo diesel, gás para refrigeração, equipamentos de proteção individual e de segurança; d) Desconto de créditos sobre dispêndios com tarifas de cartão de crédito, depreciação de ativos, ICMSSubstituição Tributária, fretes entre centro de distribuição (CD) e outros estabelecimentos do fiscalizado ou para transporte de imobilizado, armazenagem de produtos importados e despesas aduaneiras; e) Desconto de créditos sobre “Serviços Utilizados como Insumos”, informados nas linhas 03 das fichas 06A e 16A do Dacon de março/2011, tais como manutenção de máquinas e equipamentos e serviços de logística executados por mão de obra temporária; f) Desconto de créditos sobre “Aluguel de Máquinas e Equipamentos”, informados nas linhas 06 das fichas 06A e 16A dos Dacon; g) Constatouse também que, nos períodos de apuração de abril/2012 a novembro/2012 e abril/2013 a dezembro/2013, o contribuinte declarou nos respectivos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Dacon (fichas 06A e 16A, linhas 01. Bens para Revenda) bases de cálculo dos créditos do PIS e da Cofins sobre mercadorias adquiridas para revenda em valores superiores às compras geradoras de créditos efetivamente ocorridas e escrituradas pelo próprio fiscalizado. Fl. 71493DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.494 3 h) A Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições, referente aos períodos de apuração de janeiro/2013 a dezembro/2013, foi transmitida via Sped, mas com os campos de valores preenchidos com zero. Notese, em relação ao item “h”, que houve o lançamento de multas regulamentares, cujo auto de infração a elas relativos está sendo tratado no processo administrativo nº 19311.720308/201584. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 23/12/2015, por meio de seu Domicílio Tributário Eletrônico, e apresentou, em 22/01/2016, impugnação, cujo conteúdo é resumido a seguir. Impugnação Primeiramente, após um breve relato dos fatos, a interessada pugna pela nulidade do lançamento e pelo não acolhimento das acusações realizadas pela autoridade a quo. Em relação a preliminar afirma que o lançamento é nulo, “tendo em vista a glosa de crédito de PIS e COFINS, sobretudo no que concerne à acusação imputada no item “g” acima mencionado (a qual representa pelo menos 80 % do total de créditos glosados), foi realizada com base em critérios adotados por parte da D. Fiscalização para quantificação dos registos de compras que não puderam ser recompostos pela impugnante – o que, como consequência, tornou impossível a contestação e o pleno exercício de direito de defesa por meio desta peça impugnatória , haja vista os demonstrativos que poderiam permitir o conhecimento dos critérios adotados para fundamento do lançamento tributário NÃO foram acostados aos autos (por exemplo: quais Notas Fiscais? Valores? Período? Base de Informação: SPED contábil ou ECFICMS?).” A seguir, a interessada detalha as suas razões de inconformismo com os lançamentos tributários. (Para facilicar o resumo, as argumentações apresentadas pela contribuinte foram dispostas abaixo em tópicos idênticos aos apresentados na impugnação). II. PRELIMINARMENTE: NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL – CERCEAMENTO DE DEFESA A contribuinte sustenta a nulidade do lançamento tributário argumentando, em resumo, que os demonstrativos elaborados pela fiscalização não evidenciam os critérios adotados pela fiscalização para a quantificação das exigências tributárias. Alega que a fiscalização descumpriu o art. 142 do Código Tributário Nacional, na medida em que deixou de demonstrar de forma analítica e adequada os créditos tributários lançados. Diz que as únicas glosas para as quais foram realizadas demonstrações detalhadas foram as relativas aos itens “a” e “b” do § 8º do TVF, que tratam dos produtos sujeitos à alíquota zero e monofásicos, mas que mesmo assim ela foi parcial, tendo em vista que foram demonstradas tãosomente as informações concernentes às bases de cálculo de compras e os respectivos créditos glosados. Reclama do item “g” do parágrafo 8º do TVF, o qual representa mais de 80 % do total de créditos glosados, dizendo que não foi elaborado qualquer demonstrativo de evidenciação dos critérios de quantificação das exações tributárias e, em relação a essa glosa, diz “Não custa repetir: não há nada nos autos, absolutamente nada, que indique quais Notas Fiscais de aquisições de bens para revenda foram computadas nos trabalhos fiscais para se apurar as ‘compras para revenda com direito a crédito confirmadas na escrituração do contribuinte’? Ou quais Notas Fiscais não foram consideradas? De quais fornecedores? De qual(is) períodos(s)? Valores? E de qual(is) fonte(s): SPEDContábil ou EFDICMS?”. Sustenta que as glosas foram efetivadas de forma absolutamente abstrata e genérica, afrontando o seu direito de defesa constitucionalmente garantido. Reproduz posicionamentos doutrinários e acórdãos administrativos e judiciais para a sustentar a nulidade do lançamento. Fl. 71494DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.495 4 III. – MÉRITO No mérito, primeiramente, a interessada diz que os seus argumentos serão apresentados “em tese”, uma vez que (conforme afirma) não é possível contestar os critérios de apuração das bases de cálculo, simplesmente por que eles não existem, e que, para facilitar a compreensão e entendimento da impugnação, as referências aos itens “A” a “H” devem ser interpretadas como os itens do parágrafo 8º do TVF. III.1 – ITENS ‘A’ – CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO DAS CONTRIBUIÇÕES (QUEIJOS E PAPEL HIGIÊNICO) E “B” – DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO (ÁLCOOL DE USO DOMÉSTICO) Nesse tópico a alegação inicial é a de que existem notas fiscais, constantes do demonstrativo “Detalhamento das Glosas de Créditos de PIS/Cofins sobre compras para Revenda”, relativas à aquisição de queijos, que não estão (ou estavam, à época das compras) desoneradas das contribuições. Argumenta que a alíquota zero para o “queijo do reino” somente passou a vigorar a partir de junho de 2012, consoante art. 2º da Lei nº 12.655, de 2012, e Solução de Consulta nº 65, de 05 de junho de 2012, da Disit 06. Diz que a fiscalização glosou, indevidamente, os créditos sobre as compras de referido produto antes da alteração legislativa mencionada, conforme se verifica no exemplo colacionado no corpo da impugnação e, também, pela relação das notas fiscais de compra do “queijo do reino”, constante do “Doc 03”. Sustenta, também, que a alíquota zero, prevista pelo artigo 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004, não se aplica aos queijos dos tipos “3 queijos”, “Gouda”, Gruyere”, “Brie”, “Fondue” e “Gorgonzola”, bem como aos produzidos a partir do leite de búfula. Quanto aos primeiros, diz que a simples leitura do inciso da lei esclarece a questão, pois os tipos de queijos acima mencionados não estão expressamente citados no rol de queijos que estavam sujeitos à alíquota zero. Diz que a fiscalização glosou, indevidamente, os créditos sobre as compras dos queijos dos tipos “3 queijos”, “Gouda”, Gruyere”, “Brie”, “Fondue” e “Gorgonzola”, conforme se verifica no exemplo colacionado no corpo da impugnação e, também, pela relação das notas fiscais de compras, constante do “Doc 04”. Já quanto aos queijos produzidos a partir do leite de búfula, alega que, no seu entendimento, baseado em outras legislações infraconstitucionais, eles não estão sujeitos à aplicação da alíquota zero. Diz que na legislação técnica do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) entendese por “leite”, sem qualquer outra especificação, o produto oriundo de vacas e que o leite derivado de outros animais deve obrigatoriamente ser acompanhado de indicação expressa da espécie de animal que lhe deu origem. Sustenta, assim, que as aquisições de queijos derivados do leite de cabra e de búfula concedem o direito ao crédito das contribuições e que a revenda desses produtos, de mesma forma, deve ser tributada. Nesse sentido, diz que a fiscalização glosou, indevidamente, os créditos sobre as compras de referidos produtos, consoante relação das notas fiscais de compra constante do “Doc 04”. Por fim, alega que não cabe a fiscalização “apenas glosar os créditos da Impugnante, sem ao menos investigar o tratamento que foi aplicado pela mesma no momento da sua revenda aos consumidores, especialmente se tal informação lhe foi disponibilizada.”. Nesse sentido, reclama em relaçao à glosa de créditos sobre à aquisição de álcool e papel higiênico, dizendo que os seus sistemas estão parametrizados para tributar à alíquota de 9,25 % os produtos para os quais foram Fl. 71495DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.496 5 gerados créditos (conforme se verifica nos relatórios analíticos de vendas Doc. 5 e nas cópias de telas do seu sistema de gestão contábilfiscal Doc. 6). Argumenta, caso sejam mantidas as glosas de créditos (dos itens A e B), que deve ser determinada a exclusão das receitas de vendas desses produtos da base de cálculo das contribuições. III.2 – DA SUJEIÇÃO DA IMPUGNANTE AO REGIME NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS E O SEU DIREITO AO REGISTRO DE CRÉDITO SOBRE INSUMOS E ATIVO IMOBILIZADO A interessada sustenta que o setor de comércio, assim como os setores industrial (de fabricação de produtos) e de prestação de serviços, também pode se aproveitar dos créditos sobre a aquisição de insumos. Argumenta que a expressão disposta nos incisos II, artigos 3º, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003 (“bens e serviços utilizados, utilizdos como insumo na prestação e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda”) engloba os três setores da economia e que o termo produção neles contido tem um significado amplo, “podendo até mesmo ser classificado como gênero que contém as espécies industrialização, comercialização, prestação de serviços e a produção agropecuária”. Diz que, como do ponto de vista econômico o referido termo (produção) abrange todos os setores da economia, na esfera jurídicotributária ele deve, da mesma forma, albergar tudo que for produzido pelos setores sujeitos à sistemática não cumulativa. Argumenta que a Receita Federal não tem competência para limitar (por meio de Instruções Normativas) o direito ao desconto do crédito sobre à aquisição de insumos somente às empresas industriais e prestadoras de serviço e que o CARF compartilha do seu entendimento (consoante parte de Acórdão reproduzido na impugnação). Por fim, pugna para que seja dada eficácia ao § 12º, art. 195, da Consituição Federal de 1988, aos incisos II acima mencionados e ao princípio da isonomia, de forma a aplicar a sistemática da não cumulatividade de forma plena, em igualdade de direitos com os demais contribuintes sujeitos ao mesmo regime. III.2.1 – DO PROCESSO DE PRODUTIVO PRATICADO PELA IMPUGNANTE, DE FORMA SECUNDÁRIA, NA CONSECUÇÃO DA ATIVIDADE COMERCIAL Em complemento ao tópico anterior, a interessada ressalta que, embora seja qualificada como empresa comercial, desenvolve, de forma secundária, a transformação de alimentos. Sustenta, também, que realiza processos de industrialização, em conformidade com o art. 46 do CTN, nos setores de: açougue e peixaria; rotisseria; padaria e cozinha; e armazenagem. III.2.2 – OS INSUMOS ENSEJADORES DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NA ATIVIDADE COMERCIAL Neste tópico reafirma o entendimento acima exposto, de que inexiste motivo para a discriminação perpetrada pela fiscalização, e traz, também, uma pequena introdução, com base em posições doutrinárias, sobre o conceito de insumo. Diz que o “termo é usualmente empregado para designar tudo aquilo que é consumido em um dado processo. Abarca, pois os diversos fatores de produção, tais como matériasprimas, produtos intermediários, energia elétrica, arrendamentos, etc.” e que “a fixação do conceito de insumo deve levar em consideração as realidades peculiares de cada ramo de atividade, seja ele comercial, industrial ou de serviços.” Notese que nos subtópicos a seguir a interessada parte do pressuposto constante do tópico “III.2” acima, ou seja, ela se baseia no entendimento de que o termo “produção” deve ser entendido de forma ampla, abarcando todos os setores da economia, e que ela, como empresa comercial, tem o direito ao crédito sobre a aquisição de insumos (incisos II, artigos 3º, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de Fl. 71496DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.497 6 2003). Nesse sentido, observase que os Acórdãos reproduzidos na impugnação, concernentes ao direito de crédito sobre insumo, são todos de produção em sentido estrito (produção industrial) e/ou de prestação de serviços, e não de atividades comerciais. III.2.2.1 – ITEM ‘C’ – LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO, ÓLEO DIESEL, GÁS PARA REFRIGERAÇÃO E EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E DE SEGURANÇA III.2.2.1.1 GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO: Defende que o GLP, que é utilizado nas empilhadeiras e demais máquinas e equipamentos que movimentam as mercadorias no estoque, é essencial na atividade (comercial) desenvolvida pela empresa, uma vez que otimiza o custo e o tempo gasto, facilitando a organização e garantindo maior eficiência. III.2.2.1.2 ÓLEO DIESEL: Argumenta que os geradores movidos à óleo diesel são imprescindíveis para empresa, pois, nas interrupções no fornecimento de energia elétrica, eles são a única forma de manter suas atividades e vendas. III..2.1.3 GÁS PARA REFRIGERAÇÃO: Diz que o pleno funcionamento dos refrigeradores é essencial para manter resfriados ou congelados os produtos comercializados e que, portanto, o gás para refrigeração é essencial para manutenção de suas atividades. Acrescenta que “O direito ao crédito acerca das despesas com Gás para Refrigeração tornase ainda mais claro ao considerarmos que essa despesa ocorre em processo de industrialização realizado pela Impugnante em determinados setores de seu estabelecimento comercial – supermercado (ex: açougue, peixaria, setor de armazenagem, etc.).” III.2.2.1.4 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E DE SEGURANÇA (‘EPI’S’) Argumenta que o fornecimento dos EPIs é uma obrigação legal e não se constitui em uma mera liberalidade do empregador, pois este é responsável pela segurança e integridade física do trabalhador no desenvolvimento das atividades laborativas. Sustenta que os EPIs são indispensáveis a toda atividade empresarial em que existe o exercício laboral. Argumenta, também, consoante Recurso Voluntário nº 369.519 (CARF), que “o termo ‘insumo’ não se limita ao conceito previsto pela legislação do IPI, devendo alcançar todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ.” (Grifos nos originais) III.2.2.2 – ITEM ‘D’ – LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS COM TARIFAS DE CARTÃO DE CRÉDITO, DEPRECIAÇÃO DE ATIVOS, FRETES ENTRE CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO (CD) E OUTROS ESTABELECIMENTOS DO FISCALIZADO OU PARA TRANSPORTE DE IMOBILIZADO III.2.2.2.1 DISPÊNDIOS COM TARIFAS DE CARTÃO DE CRÉDITO: Argumenta que, nos dias atuais, a aceitação dos cartões de crédito e de débito nos recebimento das vendas efetuadas pelos estabelecimentos varejistas/atacadistas é requisito essencial para o bom desempenho das atividades comerciais, mormente quando se sabe que mais da metade do faturamento do comércio é obtido por meio destas formas eletrônicas de pagamento. Sustenta, assim, que as taxas pagas às Fl. 71497DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.498 7 empresas de cartões devem ser consideradas como insumo e, por conseqüência, devem gerar crédito. III.2.2.2.2 – FRETES ENTRE CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO (CD) E OUTROS ESTABELECIMENTOS DO FISCALIZADO OU PARA TRANSPORTE DE IMOBILIZADO Contesta o entendimento da fiscalização e diz que ele contraria o espírito da norma, uma vez que restringe indevidamente as hipóteses de creditamento e interfere, inclusive, na forma de organização dos negócios dos contribuintes. Diz que os centros de distribuição são fundamentais em sua atividade, pois trazem eficiência econômica, uma vez que concentram o estoque de milhares de mercadorias distintas em poucos estabelecimentos. Diz que a interpretação isolada e restritiva do inciso IX, art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, é equivocada e não leva em conta a vontade do legislador. Argumenta que a expressão “na operação de venda”, contida em referido inciso (armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda) revela a intenção do legislador de permitir a apropriação de créditos sobre todas as etapas da operação de venda. Com essa interpretação sustenta que mencionado inciso abrange: na armazenagem os custos com os centros de distribuição; e no frete os custos relativos às aquisições de mercadoria e às transferências de produtos destinados à venda para outros estabelecimentos da empresa. Acrescenta, com base em Acórdão do CARF, que o direito ao crédito sobre os custos com frete no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da empresa também é garantido pelo incisos II, artigos 3º, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, posto que se caracterizam como insumo das atividades desenvolvidas pela empresa. Por último, sustenta que as despesas com frete para a transferência de bens do ativo imobilizado, em razão de sua essencialidade para a consecução de suas atividades, também devem ser consideradas como insumo, sobretudo em relação aos setores que praticam atividade industrial (padaria, rotisseria, confeitaria, açougue, peixaria, frios, cafeteria, lanchonete e restaurante). III.2.2.2.3 – DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO: Diz que possui o direito ao crédito sobre os valores de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens, incorporados ao ativo imobilizado, sejam elas/eles da área comercial ou dos setores de “produção” de itens destinados à venda (tais como padaria, rotisseria, confeitaria e etc). Argumenta que o que fundamenta o direito ao crédito é o fato de eles serem essenciais e imprescindíveis à consecução de suas atividades, comerciais e de produção. III.2.2.3 – ITEM ‘E’ – CRÉDITOS SOBRE ‘SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS’, INFORMADOS NAS LINHAS 03 DAS FICHAS 06A E 16A DO DACON DE MARÇO/2011, TAIS COMO MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE LOGÍSTICA EXECUTADOS POR MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA; III.2.2.3.1 – SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Sustenta que os serviços de manutenção, em máquinas e equipamentos, são necessários (essenciais) para que os bens sejam regularmente utilizados e que por isso “desde que contratados junto a pessoas jurídicas, devem ser considerados ‘insumos’ e, Fl. 71498DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.499 8 portanto, passíveis de crédito de PIS e Cofins, com base no inciso II do art. 3º das Lei nºs 10.637/02 e 10.833/03”. Diz que o direito ao crédito alberga, também, as peças de reposição adquiridas de pessoa jurídica, desde que essas não integrem o ativo imobilizado da empresa. No tocante às empilhadeiras, argumenta, primeiramente, que a RFB já proferiu o entendimento de que elas devem ser consideradas máquinas e aparelhos, fato que viabiliza o direito aos créditos (das contribuições) relativos às respectivas despesas de manutenção. Sustenta, também, relativamente às despesas de manutenção de empilhadeiras utilizadas nos Centros de Distribuição, que o direito ao crédito está garantido no inciso IX, art. 3º, da Lei 10.833/03, que prevê a possibilidade de apropriação de créditos sobre as despesas com armazenagem. III.2.2.3.2 – SERVIÇOS DE LOGÍSTICA EXECUTADOS POR MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA Sustenta que os serviços de terceirização de mãodeobra, contratados para suprir as necessidades transitórias de substituição de pessoal ou acréscimo de serviços, são essenciais para a realização de suas vendas e por esse motivo as despesas a eles relativas concedem o direito ao crédito das contribuições não cumulativas. Argumenta, também, que o direito ao referido crédito ganhou força com as recentes decisões do STJ no sentido de que “as contribuições devem incidir sobre o valor integral cobrado pelas empresas de locação mãodeobra (e não apenas sobre a taxa de administração)”. Entende que se “houve tributação pela contratada, a Impugnante (empresa contratante) tem o direito de crédito nos exatos valores do preço do serviço.” Pede, com base no seu entendimento do conceito de “produção” e na Solução de Consulta nº 377/03, que seja reconhecido o direito ao crédito sobre todas as despesas incorridas com a contratação de mãodeobra temporária. Subsidiariamente, caso não seja aceito o seu entendimento, pede que, ao menos, seja reconhecido o direito ao crédito em relação aos setores que exercem (de forma secundária) processos de industrialização (padarias, rotisseries, peixaria e setor de frios). III.3 – CONCEITO DE CUSTO DE AQUISIÇÃO PARA FINS DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS Defende, com base em posições doutrinárias, que o custo de aquisição de bens e mercadorias para revenda, para fins de apropriação dos créditos não cumulativos previstos nos inciso I, art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, deve ser entendido como “todo e qualquer dispêndio incorrido com decorrência direta e indissociável do processo de aquisição de mercadorias.” Diz que a própria Receita Federal já expressou, na Solução de Consulta nº 116, de 2007, da Disit 01, que o apuração do crédito deve levar em consideração o valor de aquisição das mercadorias destinadas a revenda e que esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 289 do Decreto nº 3.000/99, pelo qual é estabelecido que o custo de aquisição, “além do valor geralmente destacado em documento fiscal, compreende, ainda, o valor do transporte e seguro pagos até o estabelecimento do contribuinte, bem como os tributos devidos na aquisição ou importação e os gastos com desembaraço aduaneiro, desde que não recuperáveis através de créditos na escrita fiscal.” Fl. 71499DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.500 9 Acrescenta que o seu entendimento é suportado pelos princípios contábeis geralmente aceitos e praticados no Brasil e que ele também se aplica aos bens do ativo imobilizado, conforme se verifica no CPC 27 – Ativo Imobilizado. III.3.1 – ITEM ‘D’ – CRÉDITO DE PIS E COFINS SOBRE ICMSST Defende que a sistemática de substituição tributária aplicada ao ICMS (ICMS ST) faz com que o tributo assuma um caráter de imposto não recuperável e, consequentemente, integre o custo de aquisição da mercadoria e enseje o direito ao crédito de PIS/Cofins. Sustenta, também, que se deve aplicar, por analogia, ao ICMSST o disposto na Solução de Consulta nº 5, de 2011 – Disit 07, pela qual se considera o IPI relativo à aquisição de bens para revenda como não recuperável que se constitui como um custo do revendedor que deve ser computado no cálculo das contribuições não cumulativas. Acrescenta que a Solução de Consulta nº 60/12 da SRRF04/Disit, relativa à composição do lucro real para fins de apuração do IRPJ/CSLL, externa, de forma cristalina, o posicionamento de que o valor relativo ao ICMSST deve compor o custo de aquisição das mercadorias, em face de ser para o adquirente (substituído) um imposto não recuperável. III.3.2 – ITEM ‘D’ – GLOSA DOS CRÉDITOS DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS E DESPESAS ADUANEIRAS Sustenta que os dispêndios relativos às despesas aduaneiras são todos incorridos em território nacional, em razão do desembaraço e da armazenagem das mercadorias importadas. Nesse sentido contesta a fundamentação utilizada pela fiscalização para a efetivação das glosas (Solução de Consulta nº 313/11 da Disit08) e diz que já existem diversas manifestações da Receita Federal admitindo o direito ao crédito sobre os dispêndios incorridos na contratação de frete na aquisição dentro do território nacional. Cita a Solução de Consulta nº 74/2009 da 6ª Região Fiscal. Acrescenta que já demonstrou, em tópicos anteriores, que os gastos com desembaraço aduaneiro e com quaisquer outros custos diretamente atribuíveis à aquisição das mercadorias integram o custo de aquisição. Nessa direção cita o item 11 do CPC nº 16 e diz que ele é de observância obrigatória. Por último, argumenta que o CARF já se manifestou de forma favorável ao creditamento sobre despesas aduaneiras e de armazenagem de produtos importados, consoante extratos de decisões reproduzidas na peça de impugnação. III.4 – ITEM ‘F’ – GLOSA DOS CRÉDITOS REFERENTES AO ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Argumenta que as pessoas jurídicas sujeitas à não cumulatividade das contribuições podem apropriarse de créditos sobre os dispêndios com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, consoante o disposto nos artigos 3ºs, incisos IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Diz que a única restrição é a constante do § 3º, art. 31, da Lei nº 10.865, de 2004, mas que atendeu a todos os requisitos legais, sendo, portanto, indevidas as glosas desses créditos. Fl. 71500DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.501 10 III.5 – ITEM ‘G’ – DA IMPRÓPRIA APURAÇÃO NAS BASES DE CÁLCULO DOS BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA – TRABALHO FISCAL BASEADO EM OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS INCORRETAS Nesse tópico a interessada manifestase especificamente contra o item “g” do parágrafo 8º do TVF, alegando que o trabalho realizado pela fiscalização demonstrase equivocado e que não resta outra alternativa que não seja a decretação de sua improcedência. Nesse sentido, enfatiza, novamente, a falta de apresentação, nos autos, dos demonstrativos de apuração das exigências tributárias, o fato de não ter conseguido recompor os critérios adotados pela fiscalização e as dúvidas a respeito da fonte de informações utilizada para o trabalho fiscal: se escrituação contábil (SPEDContábil) ou se escrituração fiscal (EFDICMS). Argumenta, também, que a apuração das diferenças nas bases de compras de mercadorias para revenda não levou em consideração as retificações de Dacon (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Social) entregues pela interessada, em atendimento a intimação da fiscalização. Sustenta que o efeito da desconsideração dos Dacon retificadores é nefasto, posto que acarretou a apuração de diferenças absurdas, que totalizaram mais de R$ 755 milhões. Relata que foi intimada, consoante Termo de Intimação Fiscal nº 0011, de 05/10/2015, a transmitir Dacon retificadores dos períodos de apuração de abril a dezembro de 2012, contendo valores compatíveis com aqueles escriturados na contabilidade e na Escrituração Fiscal Digital – EFD – contribuições, principalmente na parte relativa aos valores informados nas linhas 01 Bens para Revenda das fichas 06A e 16A, na linha 14 Crédito Remanescente da ficha 14 e na linha 24 – Crédito Remanescente da ficha 24. Relata, também, que realizou a entrega dos documentos retificadores dentro dos prazos estipulados pela fiscalização (Doc. 07). Adicionalmente, para o fim de evidenciar a legitimidade dos créditos (de PIS e Cofins) apropriados mensalmente no período de abril a novembro de 2012 e abril a dezembro de 2013, juntou ao processo cópia dos Razões das contas # 2103010002 “PIS a Recolher” e # 210301003 “Cofins a Recolher”, os quais contêm a movimentação do ano de 2012 (Doc. 08), e das contas # 213102 “PIS a Recolher” e # 213103 “Cofins a Recolher”, relativos à movimentação de 2013 (Doc. 09). III.6 – PRESUNÇÃO INDEVIDA DE QUE OS CRÉDITOS DE PIS E COFINS DE DEZEMBRO DE 2013, NOS VALORES DE R$ 174.633,49 E R$ 804.372,43, CORRESPONDIAM A DEPRECIAÇÃO DE ATIVOS Quanto a esse tópico argumenta que os valores de PIS, R$ 174.633,49, e Cofins, R$ 804.372,43, do mês de dezembro de 2013, constantes do demonstrativo “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS e Cofins”, e indicados como sendo relativos a créditos extemporâneos sobre depreciação, foram, na verdade, calculados sobre as amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros, para os quais existe disposição legal expressa para a tomada de crédito, consoante artigo 3º, inciso VII, e 15, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003. Nessa direção, alega que a conclusão da fiscalização foi pautada em mera presunção, sem qualquer fundamento legal de que se tratavam de créditos tomados sobre a depreciação de bens do ativo imobilizado. Para comprovação de sua argumentação juntou ao processo o “Doc. 10” (relatório analítico de amortização de benfeitorias). Ainda, de forma aditiva, defende a possibilidade de se realizar a tomada de créditos de forma extemporânea. Diz que, além de a fiscalização não ter argüido nada a Fl. 71501DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.502 11 respeito da matéria, é fato, consoante posicionamento reiterado do CARF, que a apropriação de créditos extemporâneos, sem a devida retificação das respectivas declarações acessórias, não é procedimento vedado. III.7 – ERROS NA DETERMINAÇÃO DAS BASES DE CRÉDITO CONSOLIDADAS NO DEMONSTRATIVO ‘CONSOLIDAÇÃO DAS GLOSAS DE CRÉDITOS DE PIS E DA COFINS Nesse tópico, a contribuinte lista algumas inconsistências, abaixo relacionadas, constantes do demonstrativo “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS e Cofins”. A primeira diz respeito à “glosa de créditos sobre armazenagem – importação” do mês de janeiro de 2011, para o qual houve glosa de créditos de Cofins, no valor de R$ 149.257,26, não havendo, entretanto, glosa nos créditos de PIS. A segunda relacionase à “glosa de créditos sobre armazenagem – importação” do mês de abril de 2011, para o qual houve glosa de créditos de PIS, no valor de R$ 25.057,52, sem qualquer glosa nos créditos da Cofins. E a terceira está ligada ao mês de abril de 2012, para o qual houve “glosa créditos do PIS sobre serviços contratados” e “glosa de créditos do PIS sobre tarifas de cartões de crédito” em valores idênticos (R$ 32.962,91). III.8 – DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Nesse derradeiro tópico a interessada insurgese contra a cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício. Defende que referida cobrança deve ser afastada posto que afronta: (i) o art. 161 do CTN; o princípio da legalidade, previsto na Constituição Federal (art. 5º, inciso II), e no CTN (art. 97); e o art. 2º, inciso I, da Lei nº 9.784, de 1999. Acrescenta, também, que já existe decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (cuja ementa transcreve na peça impugnatória) no sentido da ilegalidade da mencionada incidência. IV – PEDIDO Em vista do exposto, a contribuinte pede o acolhimento da impugnação apresentada, para o fim de cancelar as exigências fiscais contestadas, bem como as respectivos acréscimos legais. Análise Inicial do Contencioso Administrativo após o estabelecimento do contencioso administrativo, esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ Curitiba) procedeu uma análise prévia da legislação e dos documentos juntados ao processo e devolveu os autos à unidade de origem para esclarecer, e/ou corrigir, 5 (cinco) pontos relativos à argumentação/documentação apresentada pela interessada, conforme se verifica na parte do despacho de diligência (apensado às fls. 67.154 a 67.158) que segue reproduzida abaixo. Analisandose a legislação de regência da matéria, bem como os documentos juntados ao processo, constatase, em relação aos equívocos e/ou incosistências apontados nos itens de (A) a (E), que: (a) Aplicação indevida de alíquota zero para o “Queijo do Reino”. Aparentemente o “Doc. 3” (fls. 1.538 a 1.539) demonstra que houve a glosa de créditos relativos à aquisição do mencionado tipo de queijo, o qual somente passou a estar sujeito à alíquota zero, a partir de 31/05/2012, com a entrada em vigor da Lei 12.655, de 2012, que alterou o art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004; Fl. 71502DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.503 12 (b) Aplicação indevida de alíquota zero para os queijos dos tipos “3 queijos”, “Gouda”, Gruyere”, “Brie”, “Fondue” e “Gorgonzola”. Aparentemente o “Doc. 4” (fls. 1.540 a 1.599) demonstra que houve a glosa de créditos relativos à aquisição dos mencionados tipos de queijo, os quais nunca estiveram sujeitos à alíquota zero, conforme se verifica pela leitura do inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004 (com as alterações posteriores); (c) Glosa indevida de créditos em relação ao aluguel de máquinas e equipamentos. De fato, a fiscalização, consoante § 7º do TVF e os demonstrativos “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS” e “Consolidação das Glosas de Créditos de Cofins”, procedeu a glosa de créditos sobre alugueis de máquinas e equipamentos. A legislação citada pela interessada (artigos 3ºs, incisos IV, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003) permite a apropriação do mencionado tipo de crédito desde que: (i) os alugueis sejam pagos a pessoa jurídica; (ii) os prédios, máquinas e equipamentos sejam utilizados nas atividades da empresa; (iii) e os mencionados bens não tenham integrado o patrimônio da empresa, consoante § 3º, art. 31, da Lei nº 10.865, de 2004. Como não é possível, somente com os elementos (documentos) constantes do processo verificar se foram atendidas todas as condições legais para que a empresa possa realizar o creditamento, podese dizer, a primeira vista, que a glosa foi realizada de forma indevida; (d) Glosa indevida de PIS e de Cofins do mês de dezembro de 2013, nos valores de R$ 174.633,49 e de R$ 804.372,43, constantes do demonstrativo “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS e Cofins”. Aparentemente o “Doc. 10” (fls. 66.989 a 67.145) demonstra que os valores de crédito de PIS (no montante de R$ 174.633,49) e de Cofins (no montante de R$ 804.372,43) foram calculados sobre amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros, para os quais existe disposição legal expressa para a tomada de crédito, consoante artigo 3º, inciso VII, e 15, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003. Notase, contudo, que os créditos apontados no documento são relativos aos meses de abril a dezembro e que inexiste referência ao ano, sendo impossível dizer que se tratam de créditos (calculados sobre amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros) de abril a dezembro do ano de 2013. Nesse sentido, portanto, considerando que o procedimento fiscal referese a período que compreende os meses de abril a dezembro de 2013 e que, no entendimento da autoridade tributária, os créditos devem ser alocados aos meses de ocorrência dos respectivos fatos geradores, poderseia, mediante a comprovação do atendimento de todas as condições legais, reconhecer, de acordo com o mês de ocorrência dos dispêndios, o direito ao crédito. (e) Erro na determinação das bases de créditos consolidadas nos demonstrativos “Consolidação das Glosas de Créditos de PIS” e “Consolidação das Glosas de Créditos da Cofins”. De fato, verificase que existem as inconsistências alegadas pela interessada, demonstrandose que a fiscalização pode ter cometido erros quando da elaboração dos demonstrativos em relação às rubricas e meses citados. Assim, diante dos fatos acima relatados e considerando: Fl. 71503DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.504 13 que o procedimento fiscal teve como base a escrituração contábil digital da contribuinte; que a análise realizada pela autoridade a quo referese a um período de 3 (três) anos de atividade de um hipermercado com diversas filiais espalhadas pelo país, com uma enorme quantidade de lançamentos e documentos contábeis; que a fiscalização, em decorrência dos dois itens precedentes, juntou ao processo somente planilhas que resumem o trabalho fiscal realizado; que a interessada, seguindo o mesmo modo de operação utilizado pela fiscalização, juntou ao processo unicamente planilhas, desacompanhadas de qualquer documentação contábil ou fiscal, com extrações e detalhamentos específicos relativos aos pontos de discordância; Proponho o retorno do processo a unidade de origem para que a escrituração digital da contribuinte seja analisada de forma a considerar as alegações dos itens (A) a (E) e as constatações dos itens (a) a (e) e, se for o caso, para que se efetue o recálculo dos créditos da não cumulatividade e da insuficiência de recolhimento das contribuições (PIS e Cofins). Proponho, também, que a autoridade a quo elabore relatório fiscal de conclusão dos trabalhos, com análise e justificativa para cada um dos itens acima especificados ((A) a (E)), e que seja procedida a ciência à contribuinte de referido documento fiscal, bem como de todos os relatórios e planilhas utilizados/ confeccionados, com abertura de prazo 30 (trinta) dias para a apresentação de aditamento à impugnação já apresentada. Resultado da Diligência Em atendimento à solicitação da DRJ, a autoridade a quo apreciou os 5 (cinco) pontos destacados no despacho de diligência e revisou os procedimentos fiscais a eles relativos, bem como os DACON, a Escrituração Digital ECD e a Escrituração Fiscal Digital – EFD contribuições, externando o entendimento de que: se deve conceder razão à contribuinte no tocante aos itens (a) a (c), devendo as respectivas glosas serem canceladas em conformidade com o Arquivo Não Paginável – “Demonstrativo Anexo ao Relatório de Diligência Fiscal”. não se deve conceder razão à interessada em relação ao item (d) do despacho de diligência. Argumenta que “o crédito das contribuições sobre os encargos de depreciação de bens do ativo fixo, inclusive quando se trata de imóveis ou suas benfeitorias, é permitido somente ao produtor ou ao fabricante, conforme se depreende da leitura do artigo 35 da Instrução Normativa SRF nº 594, de 26 de dezembro de 2005.”. Acrescenta que a Solução de Consulta nº 23, de 31 de julho de 2012, da Disit 2ª RF, advoga nesse sentido; e que se deve conceder razão parcial à contribuinte no tocante ao item (e). Explica, primeiramente, em relação às glosas de créditos sobre armazenagem importação, que na época da fiscalização deveria ter ocorrido: (i) no mês de janeiro de 2011 a glosa de créditos de PIS no valor de R$ 32.404,54; (ii) e no mês de abril de 2011 a glosa de créditos de Cofins no valor de R$ 115.416,47. Diz, também, que esses Fl. 71504DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.505 14 valores não foram alimentados na planilha de cálculo do lançamento, mas que agora eles estão sendo considerados (ou seja, agora na realização da diligência estão sendo glosados valores que deveriam ter sido glosados na fiscalização). Em relação às glosas de PIS no mês de abril de 2012, relativas às rubricas “créditos sobre serviços contratados” e “créditos sobre tarifas de cartões de crédito”, realizadas em valores idênticos (R$ 32.961,92), afirma que a primeira, de fato, foi realizada em duplicidade e deve ser cancelada. Aditamento à Impugnação A sucessora por incorporação (Sendas Distribuidora S/A) da contribuinte autuada foi cientificada da diligência efetuada pela fiscalização, bem como de todos os documentos a ela relacionados, em 11/07/2016, tendo apresentado, em 09/08/2016, aditamento à impugnação, cujo conteúdo é resumido a seguir. A incorporadora alega, primeiramente, a tempestividade do documento apresentado e realiza um breve relato dos fatos. Depois passa a tecer considerações em relação ao itens não acolhidos pela fiscalização: item “d” (amortizações de gastos com edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros) e item “e” (inclusão de novas glosas na realização da diligência). Em relação ao primeiro item (“d”), sustenta que os dispositivos legais, constantes das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que concedem o direito ao crédito sobre as amortizações de gastos com edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros não estabelecem qualquer exigência de que os bens sejam utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Diz, também, que a fiscalização confundiuse em relação à natureza das despesas realizadas, pois tratouas como sendo encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, para as quais existe a referida exigência. Argumenta que os incisos que tratam do direito almejado são idênticos aos que tratam da apropriação de créditos sobre aluguel de prédios, máquinas e equipamentos, ou seja, exigem, unicamente, que os bens sejam utilizados nas atividades da empresa. Acrescenta que existe dispositivo específico que deve ser aplicado aos dispêndios em análise (em detrimento da norma geral – depreciação de bens do ativo imobilizado), e que os documentos apensados aos autos (Doc. 10) comprovam a impropriedade das glosas efetivadas pela fiscalização. No tocante ao segundo item (“e”), sustenta a impossibilidade de se constituir créditos tributários na diligência fiscal. Diz que o lançamento das glosas somente poderia ser realizado por meio da lavratura de novo auto de infração e que, em relação ao período de apuração de janeiro de 2011, teria decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, previsto no art. 149 do CTN. Diz, também, que existe um equívoco no Relatório de Diligência Fiscal, posto que a glosa de Cofins foi acrescentada (nos demonstrativos anexos à diligência) em outubro de 2011 ao invés de abril do mesmo ano. Na sequência, a interessada sustenta que a fiscalização cometeu dois erros na realização da diligência. O primeiro seria relativo à duplicidade (item “e” da diligência) na glosa de “créditos do PIS sobre serviços contratados” e de “créditos do PIS sobre tarifas de cartões de créditos”, no valor de R$ 32.962,91, no período de apuração de abril de 2012. Diz que, apesar de a fiscalização ter reconhecido a existência da duplicidade, não houve o cancelamento no “Demonstrativo Anexo ao Relatório da Diligência Fiscal – Glosa de Créditos do PIS Recalculadas na Diligência Fiscal”. E o outro seria referente a diferenças no Demonstrativo Anexo ao Relatório de Diligência Fiscal. Diz que o valor total de glosa de créditos de PIS, nos meses de abril a junho do ano de 2011, constantes do relatório “Glosa de Créditos do PIS Recalculadas na Diligência Fiscal” e do relatório Fl. 71505DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.506 15 “Detalhamento das Diferenças de PIS Devidas Recalculadas na Diligência Fiscal” são divergentes. Diz, também, que a diferença total perfaz o valor de R$ 8.865,16, a qual está sendo exigida no mês de dezembro de 2011. Em outro tópico a incorporadora retoma a argumentação relativa aos créditos decorrentes da aquisição de bens para revenda (item “g” do § 8º do TVF). Sustenta, novamente, que os autos de infração deveriam ser anulados, por ocorrência de cerceamento de direito de defesa, uma vez que a fiscalização deixou de explicitar os critérios de apuração dos valores exigidos. Diz que na época da impugnação, em virtude de regras impostas pela Receita Federal, não conseguiu juntar ao processo os documentos que entendia necessários para a comprovação dos fatos alegados. Diz, também, que agora, em face de alterações nos procedimentos administrativos, está juntado aos autos relatórios, convertidos para o formato Excel, que demonstram analiticamente a legitimidade dos créditos (de PIS e Cofins) relativos aos bens adquiridos para revenda. Em razão do exposto, reitera os argumentos da impugnação e requer o cancelamento integral dos lançamentos tributários. Ato contínuo, a DRJCURITIBA(PR) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera arguição de direito, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não é suficiente para demonstrar a ocorrência dos fatos alegados na impugnação. PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos tributos e contribuições, bem como respectivos períodos de apuração, apontados no termo de inicio de fiscalização. EXAME POSTERIOR. INCORREÇÕES. NECESSIDADE DE NOVO LANÇAMENTO. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento Fl. 71506DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.507 16 complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. ERRO. SANEAMENTO. Os erros apuráveis na análise do contencioso, que não se configuram como causas de nulidade, devem ser sanados quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRODUTOS NÃO SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. CANCELAMENTO DE GLOSA. Tendo sido identificado, em diligência efetuada pela autoridade a quo, que determinados produtos não estavam sujeitos à aplicação de alíquota zero, devese cancelar as glosas efetuadas, relativas aos respectivos custos de aquisição. TRIBUTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJOS. A alíquota zero é aplicada a todas as variedades de queijos especificadas na legislação, independentemente da origem animal (vaca, búfula, cabra e etc) utilizada para suas fabricações. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. EMPRESA COMERCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Para pessoas jurídicas que pratiquem atividade comercial, custos e despesas não podem ser configurados como insumos, pois tal termo somente é aplicável nas atividades de prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ROL EXAUSTIVO. O conceito e o alcance da não cumulatividade encontramse inteiramente determinados na legislação, em elenco exaustivo e pré determinado, não sendo todo e qualquer custo, despesa ou dispêndio, ainda que necessário à atividade econômica exercida pelo contribuinte, que pode gerar o direito ao crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE. CONDIÇÕES. Para ter direito ao crédito não cumulativo sobre os dispêndios de armazenagem de mercadoria e de frete estes serviços devem ter sidos contratados de pessoa jurídica domiciliada no país, estar vinculados a operação de venda e ter o ônus suportado pelo contribuinte. Fl. 71507DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.508 17 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATIVO IMOBILIZADO. CONDIÇÕES. O crédito não cumulativo da contribuição calculado sobre encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando estes são adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS PARA REVENDA. CONDIÇÕES. O desconto de créditos não cumulativos das contribuições (PIS e Cofins) relativos aos bens adquiridos para revenda restringese às aquisições realizadas no mercado nacional. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE O ICMS substituição tributária (ICMSST) não constitui custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria, assim, sobre a respectiva parcela não há previsão de apuração de créditos de PIS ou de Cofins para fins de desconto da contribuição devida calculada no regime da não cumulatividade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUEIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CANCELAMENTO DE GLOSA. Devem ser canceladas as glosas relativas a gastos com aluguéis de máquinas e equipamentos que, em conformidade com a constatação procedida em diligência efetuada pela autoridade a quo, tenham sido utilizados nas atividades da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ATENDIMENTO AO REGIME DA COMPETÊNCIA CONTÁBIL. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. O aproveitamento de créditos extemporâneos das contribuições não cumulativas, do PIS/Pasep e da Cofins, deve seguir o regime da competência contábil, ou seja, deve ser realizado nas competências (períodos de apuração) relativas aos fatos que lhes deram causa, havendo a necessidade de se realizar a entrega dos respectivos Dacon e DCTF retificadores. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRODUTOS NÃO SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. CANCELAMENTO DE GLOSA. Tendo sido identificado, em diligência efetuada pela autoridade a quo, que determinados produtos não estavam sujeitos à aplicação de alíquota zero, devese cancelar as glosas efetuadas, relativas aos respectivos custos de aquisição. TRIBUTAÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJOS. Fl. 71508DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.509 18 A alíquota zero é aplicada a todas as variedades de queijos especificadas na legislação, independentemente do tipo de leite (vaca, búfula, cabra e etc) utilizado para suas fabricações. NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. EMPRESA COMERCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Para pessoas jurídicas que pratiquem atividade comercial, custos e despesas não podem ser configurados como insumos, pois tal termo somente é aplicável nas atividades de prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ROL EXAUSTIVO. O conceito e o alcance da não cumulatividade encontramse inteiramente determinados na legislação, em elenco exaustivo e pré determinado, não sendo todo e qualquer custo, despesa ou dispêndio, ainda que necessário à atividade econômica exercida pelo contribuinte, que pode gerar o direito ao crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE. CONDIÇÕES. Para ter direito ao crédito não cumulativo sobre os disêndios de armazenagem de mercadoria e de frete estes serviços devem ter sidos contratados de pessoa jurídica domiciliada no país, estar vinculados a operação de venda e ter o ônus suportado pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATIVO IMOBILIZADO. CONDIÇÕES. O crédito não cumulativo da contribuição calculado sobre encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado somente é possível quando estes são adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. BENS PARA REVENDA. CONDIÇÕES. O desconto de créditos não cumulativos das contribuições (PIS e Cofins) relativos aos bens adquiridos para revenda restringese às aquisições realizadas no mercado nacional. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE O ICMS substituição tributária (ICMSST) não constitui custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da Fl. 71509DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.510 19 mercadoria, assim, sobre a respectiva parcela não há previsão de apuração de créditos de PIS ou de Cofins para fins de desconto da contribuição devida calculada no regime da não cumulatividade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUEIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CANCELAMENTO DE GLOSA. Devem ser canceladas as glosas relativas a gastos com aluguéis de máquinas e equipamentos que, em conformidade com a constatação procedida em diligência efetuada pela autoridade a quo, tenham sido utilizados nas atividades da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. ATENDIMENTO AO REGIME DA COMPETÊNCIA CONTÁBIL. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. O aproveitamento de créditos extemporâneos das contribuições não cumulativas, do PIS/Pasep e da Cofins, deve seguir o regime da competência contábil, ou seja, deve ser realizado nas competências (períodos de apuração) relativas aos fatos que lhes deram causa, havendo a necessidade de se realizar a entrega dos respectivos Dacon e DCTF retificadores. Impugnação Procedente em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em sede preliminar, repisou os mesmos argumentos da impugnação quanto a nulidade do lançamento “tendo em vista que a glosa de créditos de PIS e COFINS, sobretudo no que concerne à acusação imputada no item “g” acima mencionado (a qual representa pelo menos 80 % do total de créditos glosados), foi realizada com base em critérios adotados por parte da D. Fiscalização para quantificação dos registros de compras que não puderam ser recompostos pela impugnante – o que, como consequência, tornou impossível a contestação e o pleno exercício de direito de defesa por meio desta peça impugnatória , haja vista os demonstrativos que poderiam permitir o conhecimento dos critérios adotados para fundamento do lançamento tributário NÃO foram acostados aos autos (por exemplo: quais Notas Fiscais? Valores? Período? Base de Informação: SPEDcontábil ou ECFICMS?).” Afirma, ainda, em sede preliminar, que o procedimento anterior não se aplica apenas ao item “g” do parágrafo 8 do TVF, para as demais glosas procedidas pela fiscalização também não há nenhuma evidência ou indicação das informações utilizadas, não possuindo nenhuma evidência ou indicação das informações utilizadas para a quantificação das bases de cálculo dos créditos glosados. Conclui que as glosas dos créditos de PIS e COFINS operadas pela Autoridade Tributária foram fundamentadas de forma absolutamente abstrata e genérica, com inequívoco e inafastável cerceamento de direito de defesa. Em conseqüência, pugnou pela nulidade integral do lançamento. No mérito, abordou os seguintes temas: Fl. 71510DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.511 20 a) Que queijo de cabra e búfla não são sujeitos a alíquota zero, pois compra os produtos com incidência de PIS e COFINS e os revende também com incidência, por isso, devem ser canceladas as glosas efetuadas; b) Pugna pelo direito de se creditar sobre a aquisições de insumos e ativo imobilizado, pois, segundo seu entendimento, a correta interpretação do inciso II, do art.3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, quando menciona como crédito “os bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda”, deve ser dada uma interpretação mais ampla ao conceito de “produção” pois foi intenção do legislador a inclusão nesse conceito o ramo do comércio e, por conseguinte, os respectivos insumos. Sob esse argumento solicitou a reconsideração do crédito quanto aos seguintes itens: aquisição de gás liquefeito de petróleo, óleo diesel, gás para refrigeração, equipamentos de proteção individual e de segurança, dispêndios com tarifas de cartão de crédito, depreciação de ativos, fretes entre centros de distribuição e outros estabelecimentos da Recorrente ou para transporte de bens do ativo imobilizado, serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e serviços de logística executados por empresa de logística; c) Cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre o ICMS Substituição; d) Glosas de créditos sobre a armazenagem de produtos e despesas aduaneiras; e) Inexistência de erro na apuração das base de cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre bens adquiridos para revenda; e f) Créditos calculados sobre as amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiro, sob fundamento do art, 3º, inciso II, da Lei nº10.833/03; e g) Impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 22 de março de 2018, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava que a Unidade de Origem aos autos as planilhas com os dados fiscais extraídos do Sistema de Escrituração Digital (EFDICMS) e Sistema de Escrituração Contábil Digital (ECD) que demonstrassem de forma analítica os valores reais de compras para revenda ao longo do período fiscalizado, bem como juntar planilha resumo de totais mensais apurados; Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim devolvido para inclusão em pauta de julgamento, conforme procedi. É o relatório. Resolução O presente processo trata de auto de infração de PIS e COFINS não cumulativos decorrente de glosas de créditos. Irresignado com o acórdão proferido pela DRJ que deu provimento parcial à sua impugnação, o Contribuinte pediu a reforma do acórdão, relativos aos seguinte pontos: a) Que queijo de cabra e búfla não são sujeitos a alíquota zero, pois compra os produtos com incidência de PIS e COFINS e os revende também com incidência, por isso, devem ser canceladas as glosas efetuadas; Fl. 71511DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.512 21 b) Pugna pelo direito de se creditar sobre a aquisições de insumos e ativo imobilizado, pois, segundo seu entendimento, a correta interpretação do inciso II, do art.3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, quando menciona como crédito “os bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a venda”, deve ser dada uma interpretação mais ampla ao conceito de “produção” pois foi intenção do legislador a inclusão nesse conceito o ramo do comércio e, por conseguinte, os respectivos insumos. Sob esse argumento solicitou a reconsideração do crédito quanto aos seguintes itens: aquisição de gás liquefeito de petróleo, óleo diesel, gás para refrigeração, equipamentos de proteção individual e de segurança, dispêndios com tarifas de cartão de crédito, depreciação de ativos, fretes entre centros de distribuição e outros estabelecimentos da Recorrente ou para transporte de bens do ativo imobilizado, serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e serviços de logística executados por empresa de logística; c) Cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre o ICMS Substituição; d) Glosas de créditos sobre a armazenagem de produtos e despesas aduaneiras; e) Inexistência de erro na apuração das base de cálculo de créditos de PIS e COFINS sobre bens adquiridos para revenda; f) Créditos calculados sobre as amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiro, sob fundamento do art, 3º, inciso II, da Lei nº10.833/03; e g) Impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Compulsando os autos, constatase que a infração mais relevante apurada, correspondente a aproximadamente 80% do total lançado, foi a do item “e”. A infração trata de erro na apuração dos créditos sobre bens adquiridos para revenda que, segundo a Fiscalização, encontravamse com valores inflados em vários meses durante o período autuado. Quanto a forma de apuração da referida infração, a Autoridade Tributária assim esclareceu no Termo de Verificação Fiscal (TVF), in verbis: (...)Entretanto, na análise da Escrituração Contábil Digital (contas contábeis 1103080004 e 113305 – Pis a Recuperar, 1103080005 e 113306 – Cofins a Recuperar, 4101010002 e 321200 – Compras), da Escrituração Fiscal Digital EFD – ICMS, da Escrituração Fiscal Digital – EFD – Contribuições e dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON, a fiscalização constatou os seguintes procedimentos adotados pelo contribuinte na apuração do PIS e da Cofins, que estão em desacordo com a legislação que rege a matéria: (...) g) Constatouse também que, nos períodos de apuração de abril/2012 a nov/2012 e abril/2013 a dezembro/2013, o contribuinte declarou nos respectivos Demonstrativos de Apuraçõa das Constribuições –DACON (fichas 06A e 16A, linhas 01. Bens para Revenda) bases de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS sobre mercadorias adquiridas para revenda em Fl. 71512DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.513 22 valores superiores às compras geradoras de créditos efetivamente ocorridas e escrituradas pelo próprio fiscalizado. (...) As bases de cálculo das glosas ora regularizadas estão detalhadas no demonstrativo anexo a este relatório, cabendo ressaltar que foram discriminadas pelo próprio contribuinte ao longo da ação fiscal, em atendimento aos Termos de Intimações nº0004 e 007 (apresentação dos mapas de apuração de PIS e COFINS) , e confirmadas nos correspondentes Dacon e na Escrituração Contábil Digital (ECD). (negritos nossos) Embora o Auditor tenha consignado no TVF que as informações prestadas pelo contribuinte sobre a rubrica de compras para revenda foram confirmadas na Dacon e nas escriturações Contábil Digital e Fiscal, apenas a primeira foi juntada aos autos, não constando no processo nada a respeito dos comprovantes da Escriturações Digitais que confirmem os valores apurados e utilizados para elaboração das planilhas sintéticas em que se basearam as glosas operadas no lançamento fiscal. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 22 de março de 2018, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava que a Unidade de Origem juntasse aos autos os seguintes abaixo listados: a) Juntar aos autos as planilhas com os dados fiscais extraídos do Sistema de Escrituração Digital (EFDICMS), com totalizações mensais, de analítica (Data de Entrada, CFOP, Nº Nota Fiscal, Fornecedor, Descrição do Produto, NCM, Base PIS/COFINS), que demonstrem os valores reais de compras para revenda ao longo do período fiscalizado, bem como juntar planilha resumo de totais mensais apurados; b) Juntar aos autos as planilhas com os dados contábeis extraídos do Sistema de Escrituração Contábil Digital (ECD), com totalizações mensais, que demonstrem os valores reais de compras para revenda ao longo do período fiscalizado, bem como juntar planilha resumo de totais mensais apurados; e c) elaborar relatório fiscal conclusivo detalhando os procedimentos realizados, anexar todos os documentos gerados na diligência e facultar à Recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Concluída a diligência, os autos retornaram à minha relatoria para dar prosseguimento ao julgamento. O Auditor Fiscal responsável pela diligência informa em seu Relatório Fiscal (fls.71.390 a 71.393) que a origem dos dados relativos aos "Bens Para Revenda" foram as EFDs (Escrituação Fiscal Digital) que, por estarem incompletas, haja em vista que a EFD foi implantada gradativamente pelos Estados da Federação, em boa parte dos quais estão sediadas as dezenas de lojas do contribuinte, necessitouse que essas informações fossem Fl. 71513DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.514 23 complementadas pelas memórias de cálculos apresentadas pela empresa no decorrer do procedimento fiscal. Desta feita, a Autoridade Fiscal juntou aos autos os arquivos não pagináveis de fls.71.394 a 71.429 relativos às notas fiscais das EFDs. As memórias de cálculos apresentadas pela empresa no decorrer da Fiscalização foram juntadas também na forma de arquivos não pagináveis de fls.71.432 e 71.433. Por fim, concluiu que na revisão desses dados não foram detectados fatos que impliquem na retificação do crédito tributário. Ao se analisar as planilhas juntadas, observamse que o somatório dos totais mensais das notas fiscais da EFD com as constantes das Memórias de Cálculo apresentadas pela Empresa não conferem com a base utilizada pela Fiscalização como Bens Para Revenda em todos os meses autuados. A título de exemplo, demonstrase o mês de maio/2012: Além disso, na manifestação da diligência a Empresa aponta outra inconsistência na planilha relativa à existência de notas fiscais consideradas em duplicidade na Planilha da EFD e da Memória de Cálculo. Assim, a fim de realizar as análises das argumentações da Reclamante suscitadas quanto a referida infração e em homenagem ao princípio da verdade material, necessitase que a Autoridade Tributária esclareça as inconsistências apontadas e consolide em uma só planilha a relação das notas fiscais que serviram como base para se apurar o valor real da rubrica de " Compra de Bens Para Revenda". Na autuação também houve a glosa de créditos referentes a Depreciação de Ativos no mês de dezembro/2013, nos valores de R$ 174.633,49 e R$ 804.372,43, sob o fundamento de falta de previsão legal para creditamento das contribuições sobre essa rubrica para o ramo de atividade que a empresa atua (comércio). Em sua defesa, a Empresa alegou que, na verdade, os créditos glosados foram calculados sobre as amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros, os quais estão expressamente autorizados no art.3º, inciso VII, e 15, inciso II, da Lei nº10.833/03. Para provar o alegado juntou os documentos de fls.66.989 a 67.145. A DRJ, embora tenha reconhecido a existência de permissivo legal para o crédito almejado, indeferiu as alegações da Recorrente sob o fundamento de que o relatório da Recorrente não especifica a quais edificações ou imóveis se referem os dispêndios realizados, tampouco o ano em que foram incorridos. Além disso, afirma que o documento apresentado pela Recorrente deveria estar acompanhado de "elementos contábeis" que lhes conferisse certeza e confiabilidade. A Recorrente, em sua defesa, apresentou amostra do Relatório juntado na folhas de nrs.66.989 a 67.145, na qual constam os elementos supostamente ausentes pelo acórdão recorrido. Também aduz que no Relatório apresentado constam exatamente as informações Fl. 71514DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.515 24 constantes em sua contabilidade, ou seja, ele é o próprio "elemento contábil" supostamente ausente. Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a crédito calculado sobre as amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros, entendo, por oportuno, que há necessidade de conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal analise a documentação juntada pela Recorrente. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí/SP) realize os seguintes procedimentos: a) Elaborar planilha consolidada com os dados mensais, com totalização, de todas as notas fiscal, de forma analítica (Data de Entrada, CFOP, Nº Nota Fiscal, Fornecedor, Descrição do Produto, NCM, Base PIS/COFINS) que compuseram o valor de Compras para revenda passíveis de geração de crédito no lançamento referente ao período autuado; b) Verificar se nas planilhas de notas fiscais apresentadas pela Recorrente nas fls. 71.345, 71.348 e 71.351, constam notas fiscais passíveis de geração de crédito referente ao período do lançamento, além daquelas já indicadas na elaboração da planilha do item anterior. Em caso positivo, a Fiscalização deverá confirmar a veracidade dos dados das notas fiscais e elaborar nova planilha consolidada na forma do item anterior c) Intimar o Contribuinte a informar se discorda sobre algum valor constante das notas fiscais da planilha elaborada (notas em duplicidade, erro de valor, etc); d) Intimar o contribuinte a indicar, caso assim deseje, os dados de outras notas fiscais, por ventura existentes, que deveriam compor as compras para revenda no período autuado na infração. A Fiscalização deverá confirmar a veracidade dos dados das notas fiscais, caso apresentadas, por meio da nota fiscal eletrônica ou em papel. No caso de divergência de algum dado, o Auditor deverá juntar aos autos elementos comprobatórios; e) Caso a Fiscalização confirme a veracidade da novas fiscais apresentadas, deverá elaborar planilha consolidada mensal com as notas fiscais de compras para revenda, na forma do item "a", incluindo aquelas, por ventura, apresentadas pela Recorrente; f) Informar, se, em vista da documentação apresentada pela Recorrente nas fls.66.989 a 67.145, é possível inferir que os montantes glosados em dez/2013, nos valores de R$ 174.633,49 e R$ 804.372,43, referemse realmente a créditos calculados sobre as amortizações de gastos com edificações em imóveis próprios e benfeitorias em imóveis de terceiros, com fundamento no art.3º, inciso VII, e 15, inciso II, da Lei nº10.833/03 g) Efetuar quaisquer outras verificações que julgar necessárias para esclarecer as questões postas. h) Informar se os procedimentos acima realizados implicaram em alguma alteração no lançamento fiscal; e Fl. 71515DF CARF MF Processo nº 19311.720307/201530 Resolução nº 3402001.793 S3C4T2 Fl. 71.516 25 i) elaborar Relatório Fiscal conclusivo detalhando os procedimentos realizados, anexar todos os documentos gerados na diligência e facultar à Recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 71516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.963889/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 38 89 /2 00 9- 11 Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 15374.963889/200911 Acórdão n.º 9303007.947 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.598, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de COFINS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.598 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 15374.963889/200911 Acórdão n.º 9303007.947 CSRFT3 Fl. 4 3 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 15374.963889/200911 Acórdão n.º 9303007.947 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 15374.963889/200911 Acórdão n.º 9303007.947 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 15374.963889/200911 Acórdão n.º 9303007.947 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1385DF CARF MF
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Numero do processo: 15521.000083/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRPF. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. DESCONTO SIMPLIFICADO. LIVRO CAIXA. CONCOMITÂNCIA DAS DEDUÇÕES. IMPOSSIBILIDADE.
O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação, não havendo que se falar, portanto, na possibilidade de dedução de livro caixa.
IRPF. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. ALTERAÇÃO DO MODELO DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N.º 86.
A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a qual se torna definitiva com a sua entrega. Não é permitida a retificação da Declaração de Ajuste Anual visando à troca de modelo.
IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
Numero da decisão: 2401-006.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada por falta de recolhimento a título de carnê-leão.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. DESCONTO SIMPLIFICADO. LIVRO CAIXA. CONCOMITÂNCIA DAS DEDUÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação, não havendo que se falar, portanto, na possibilidade de dedução de livro caixa. IRPF. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. ALTERAÇÃO DO MODELO DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N.º 86. A escolha do modelo de declaração é uma opção do contribuinte, a qual se torna definitiva com a sua entrega. Não é permitida a retificação da Declaração de Ajuste Anual visando à troca de modelo. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada por falta de recolhimento a título de carnêleão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 00 83 /2 00 8- 91 Fl. 487DF CARF MF Processo nº 15521.000083/200891 Acórdão n.º 2401006.071 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório DOUGLAS CYSNEIROS MANSUR, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 9a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 1324.933/2009, às efls. 441/444, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnêleão e multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, em relação ao ano calendário 2003, conforme peça inaugural do feito, às efls. 292/306, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 25/07/2008, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes do seguinte fato gerador: a) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 15521.000083/200891 Acórdão n.º 2401006.071 S2C4T1 Fl. 4 3 b) MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDA À TÍTULO DE CARNÊLEÃO. Conforme Termo de Verificação Fiscal foi relatado o que se segue. A presente ação fiscal teve inicio com o Termo de Inicio de Ação Fiscal n° 210/07 e AR (fl. 20/23), através do qual intimamos o contribuinte a apresentar o Livro Caixa e os comprovantes das receitas e despesas, prestar esclarecimentos sobre a prestação efetiva dos serviços e dos pagamentos referentes às pessoas relacionadas em anexo e se recebidos estes valores justificar a omissão na Declaração de Ajuste Anual, referentes ao anocalendário de 2003 (fls. 17/19). O contribuinte exerce a atividade de odont6logo. Procedemos à solicitação de informações aos clientes do Sr.Douglas Cyneiros Mansur, a fim de verificar a ocorrência da prestação de serviços e o seu receptivo pagamento, conforme Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo (fls.03/15) e Termos de Intimação. Em sua Declaração de Ajuste Anual, referente ao anocalendário de 2003, o Sr.Douglas declara que teve rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, no valor de R$ 17.456,43, valor este que não foi possível identificar qual o cliente que efetuou o pagamento, tendo em vista que o mesmo não respondeu ao Termo de Inicio de Fiscalização e não apresentou nenhum dos documentos solicitados. Assim sendo o valor de R$ 17.456,43 não foi descontado do valor total apurado. Elaboramos Demonstrativo de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas, em que apuramos com receita omitida os valores dos recibos apresentados pelos clientes do Sr. Douglas Cyneiro Mansur e consideramos como receita os valores que não foram contestados pelo Sr. Douglas relacionados no Termo de Inicio n°210/07 e no Termo de Reintimagão 636/07, tendo em vista às declarações/informações/esclarecimentos prestados pelos clientes do fiscalizado. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 453/475, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo que a movimentação do seu consultório particular, referente ao ano calendário 2003 foi registrada em Livro Caixa, escriturandose todas as receitas e despesas, pois a legislação do imposto de renda permite ;que o profissional liberal contabilize, sob a forma de livro caixa, as receitas/despesas de seu labor, tributandose o valor líquido apurado. Nesse caso, não se vislumbra confronto na forma de apuração dos rendimentos por meio do Livro Caixa com a Declaração Simplificada, já que a declaração de renda cuida da pessoa do contribuinte e o Livro Caixa da atividade do contribuinte. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 15521.000083/200891 Acórdão n.º 2401006.071 S2C4T1 Fl. 5 4 Afirmar não vislumbrar nenhum confronto na forma de apuração dos rendimentos por meio do Livro Caixa com a Declaração Simplificada, visto que a declaração de renda cuida da pessoa do contribuinte e o Livro Caixa da atividade do contribuinte. Foi apurado, como valor tributável, a quantia de R$ 17.456,43, tendo sido esse valor transferido para o campo próprio da Declaração de .Ajustes e tributado juntamente com seus outros rendimentos. Os demais descontos permitidos pela legislação do imposto de renda, como dependentes, despesas médicas e despesas com instrução não foram escriturados no Livro Caixa. No entendimento da auditora, o valor tributado deve ser o valor total da receita apurada no Livro Caixa, que foi de R$ 91.553,00, não sendo o correto, pois o imposto de renda visa tributar, como sua própria nomenclatura denota a "RENDA". Está acostada aos autos, cópia do Livro Caixa ano calendário 2002, bem como todos os comprovantes de receita e despesa devidamente escriturados, incluindo todos os recibos de prestação de serviços emitidos. Insurgese quanto a multa isolada, pois é diretamente vinculada à apuração de imposto no Carnê Leão. Compulsando os documentos apresentados podese constatar que não existiu base de cálculo de imposto de renda, durante o ano calendário de 2003 e, portanto, não estava sujeito ao pagamento do carnê leão, descabendo a aplicação da multa isolada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Sobre a infração de omissão de rendimentos, digase que o art. 85 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999) determina que a pessoa física deve declarar todos os seus rendimentos tributáveis, fazendo a devida compensação do quantum de imposto retido correspondente a esses rendimentos declarados. Nesse sentido, constato que a autoridade fiscal de posse de toda a documentação e informações disponibilizadas, concluiu que a DIRPF foi apresentada pelo contribuinte no modelo simplificado, onde é utilizado o desconto de 20% dos rendimentos tributáveis, limitado ao valor de R$9.400,00, sendo que este desconto substitui todas as deduções legais da declaração completa, sem a necessidade de comprovação consoante artigo 10 da Lei n° 9.250 de 26/12/1995 a seguir textuada: Fl. 490DF CARF MF Processo nº 15521.000083/200891 Acórdão n.º 2401006.071 S2C4T1 Fl. 6 5 Art. 10. O contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que substituirá todas as deduções admitidas na legislação, correspondente à dedução de 20% (vinte por cento) do valor dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, independentemente do montante desses rendimentos, dispensadas a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie, limitada a: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007) Parágrafo único. O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido. (Incluído pela Lei nº 11.482, de 2007) A autoridade fiscal concluiu, também, não ser permitida a retificação da declaração de rendimentos visando a troca de modelo, após o prazo de entrega, consoante disciplinado no artigo 57 da IN 15 de 06/12/2001, a seguir transcrita: Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Parágrafo único. Relativamente às declarações apresentadas até o exercício de 1998, inclusive, será permitida a sua retificação se o contribuinte, obrigado a utilizar o modelo completo, optou pelo modelo simplificado. Posteriormente, a IN da SRF n° 290, de 30.01.2003 também traz a mesma vedação, senão vejamos: Art. 2° Observadas as condições e requisitos estabelecidos por esta Instrução Normativa, a pessoa física pode optar pela apresentação da Declaração de Ajuste Anual Simplificada. § 1º A opção pela apresentação da Declaração de Ajuste Anual Simplificada implica a substituição das deduções previstas na legislação tributária pelo desconto simplificado de vinte por cento do valor dos rendimentos tributáveis na declaração, limitado a R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais). Conforme depreendese da legislação encimada, não pode este órgão julgador acatar o pleito do Recorrente uma vez que fez a opção por apresentar a declaração no modelo Simplificado. Ademais, esse é o entendimento pacífico deste Colegiado, conforme enunciado da súmula CARF n° 86: É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega. Neste diapasão, sendo a escolha do modelo de declaração uma opção do contribuinte, a qual se torna definitiva com a sua entrega, não sendo permitida, portanto, a mudança de formulário após a data final para a entrega, motivo pelo qual, nego provimento. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO Em que pesem os argumentos da autuação e da autoridade julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte neste aspecto merece acolhimento, vejamos: Fl. 491DF CARF MF Processo nº 15521.000083/200891 Acórdão n.º 2401006.071 S2C4T1 Fl. 7 6 Com efeito, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pela inaplicabilidade da concomitância das multas de ofício e isolada, conforme se extrai dos Acórdãos n° 9202003.163, 9202 003.552, 920200.883 entre outros, e da mesma forma nas Turma Ordinárias, conforme se extraí do excerto do voto do ilustre Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, acolhido de forma unânime, exarado nos autos do processo nº 10830.006853/200630, o qual peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir, in verbis: [...] Concomitância na aplicação da multa isolada com a multa de ofício Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnêleão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de Fl. 492DF CARF MF Processo nº 15521.000083/200891 Acórdão n.º 2401006.071 S2C4T1 Fl. 8 7 lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 da CSRF. Em resumo: a denominada "multa isolada" do art. 44, II, “a” da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicada aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada. Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a multa isolada por aplicação concomitante com a multa de ofício. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Vale salientar ainda que, extrapola a competência desse Tribunal se manifestar acerca da inconstitucionalidade e ilegalidade. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir a multa isolada por falta de recolhimento a título de carnêleão, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 493DF CARF MF
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