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Numero do processo: 15892.000004/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.733
Decisão:
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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A autoridade julgadora determinará a realização de diligência que se mostrar necessária ao deslinde do caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil preste as informações solicitadas, nos termos do voto que segue na resolução, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal que deverá ser cientificada à Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Audinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 00 00 04 /2 01 1- 29 Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 15892.000004/201129 Acórdão n.º 2402000.733 S2C4T2 Fl. 1.818 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 964 a 974) pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de manifestação de inconformidade (fls. 953 a 958) em que a autoridade de piso considerou improcedente pedido de compensação de IRRF (código 3280, referente ao mês de 03/2006) em relação a débitos da recorrente. Conforme relato contido na decisão recorrida. Em 14.08.2014, a manifestação de inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela autoridade de piso, ao argumento de que os documentos trazidos pela contribuinte não atendiam a legislação de regência, tanto por não discriminarem as despesas e custos envolvidos como por não especificarem os serviços pessoais prestados, circunstâncias que impossibilitam a apuração do IRRF a recuperar em relação à operação original, razão pela qual, entendeu a autoridade, que restava prejudicada a comprovação do alegado crédito a compensar. Cientificada de tal decisão, a contribuinte apresentou o recurso voluntário em apreço (em 19.09.2014), ratificando o pedido de suspensão da exigibilidade do crédito analisado, bem como pedindo a homologação do crédito compensado e a realização de diligência a fim de comprovar a retenção do IRF. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 15892.000004/201129 Acórdão n.º 2402000.733 S2C4T2 Fl. 1.819 3 Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligencia requerido, cabe inicialmente colacionar a legislação relacionado à comprovação da retenção IRF que embasa o presente pedido de compensação, em especial a legislação em vigor à época do PER/DCOMP apresentado: Sobre o pedido de compensação, consta dos autos que a contribuinte foi intimada e de fato apresentou inúmeros documentos visando a comprovação das retenções sofridas e, dentre tais documentos, foram juntados diversos comprovantes de rendimentos e de retenções de IRF realizadas por tomadores de serviços da recorrente, relacionados à prestação de serviços por profissionais pessoas físicas (cod 3280). Não obstante a existência nos autos dos citados instrumentos previstos na legislação tributária, a valoração desses documentos como instrumentos de prova foi superada pela análise restritiva de informações contidas em cláusulas contratuais, faturas e notas fiscais apresentadas pela recorrente, interpretação esta que caminha no sentido contrário à literalidade de normas legais e infralegais relacionadas à matéria, que tem no comprovante de rendimento emitido pelo terceiro tomador do serviço o elemento de prova essencial à decisão de mérito nos pedidos de compensação. Assim, com o objetivo de dar vigência aos dispositivos legais supracitados, VOTO POR CONVERTER A PRESENTE VOTAÇÃO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a auditoria realize os seguintes procedimentos, julgados fundamentais ao deslinde do presente caso: 1) intimar a empresa a apresentar eventuais comprovantes de rendimentos e retenções IRF, ainda não juntados aos autos (relacionados ao período em apreço); 2) confeccionar demonstrativo, objetivo e fundamentado, abordando ao menos: a) as retenções compensáveis descritas nos comprovantes de rendimentos relacionados ao caso, apresentadas pela recorrente; b) as eventuais retenções compensáveis nos termos dos Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 15892.000004/201129 Acórdão n.º 2402000.733 S2C4T2 Fl. 1.820 4 demais documentos apresentados; e c) as retenções compensáveis declaradas em DIRF pelos tomadores (obs: apontar nos autos o elemento de prova); 3) Intimar novamente a recorrente, concedendolhe prazo para manifestar quanto à informação obtida pela auditoria durante a diligência; 4) Após isso, retornar os autos à apreciação deste Conselho. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 1820DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.907843/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Não havendo comprovação do erro apontado, para justificar o crédito pleitado, não faz jus o contribuinte ao direito pleitado.
Numero da decisão: 1301-003.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Não havendo comprovação do erro apontado, para justificar o crédito pleitado, não faz jus o contribuinte ao direito pleitado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Não havendo comprovação do erro apontado, para justificar o crédito pleitado, não faz jus o contribuinte ao direito pleitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 78 43 /2 01 3- 98 Fl. 133DF CARF MF 2 Trata o presente processo do Per/Dcomp nº 18015.79847.311013.1.3.04 9031, no qual o Contribuinte declara a quitação de débito(s) próprio(s), através de crédito de “Pagamento Indevido ou a Maior” de IRPJ. A compensação não foi homologada conforme Despacho Decisório de fl. 7, pois foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. O interessado tomou ciência da decisão, via AR, em 22/01/2014 (fl. 09) e, em 17/02/2014, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/11, e anexos de fls. 12 e ss, alegando, em síntese, o seguinte: a) o crédito existe conforme declaração de IRPJ retificadora (anexa); b) a empresa transmitiu DCTF retificadora do 3º trimestre de 2011, que se apresenta anexa a este processo; c) demonstra assim que o DARF foi recolhido a maior, conforme demonstrativo apresentado: A DRJ julgou improcedente o pleito do contribuinte, através do acórdão de fls. 124 e ss., em razão da ausência de qualquer prova acerca do erro na declaração do contribuinte. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Com a devida vênia, não vejo como divergir da decisão recorrida. O contribuinte utilizada para o presente PerDcomp, parte do crédito utilizado no Per/Dcomp 28492.02380.120713.1.3.044573 (PAF nº 13080.907840/201354), cuja compensação foi tratada nessa data, por essa turma, e cujo teor do voto passo a utilizar como fundamento da presente decisão. nos seguintes termos abaixo. Nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10380.907843/201398 Acórdão n.º 1301003.759 S1C3T1 Fl. 3 3 demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato ", postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Tal ponto é pacífico no âmbito desse CARF, como consignado com clareza no Acórdão nº 3402004.923, de relatoria do Conselheiro Leonardo Branco, cuja ementa é eloquente: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Alegou o contribuinte que retificou sua DCTF relativamente ao débito do 3º trimestre de 2011, e conforme consta dos sistemas da RFB, a DCTF (setembro/2011), tal ocorreu em 01/07/2014, reduzindo o débito de R$ 191.564,75 para R$ 20.727,37. De observar, no entanto, que a retificação da DCTF foi efetivada após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação, o que se deu em 22/01/2014. Frisese que há uma retificação feita anterior ao despacho decisório, mas esta não afetou o valor do IRPJ devido. Dessa forma, não há como ser acolhida como prova de existência do direito, muito menos de sua liquidez e certeza, vez que a norma contida no §1º, do art. 147, do CTN, prevê que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A desconstituição do crédito confessado não depende apenas da apresentação de DCTF retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve extinção indevida ou a maior, não se mostrando suficiente que o contribuinte promova a redução ou supressão do débito confessado, fazendose necessário, notadamente, que demonstre a extinção do crédito tributário ou de parcela dele foi efetivamente indevida O contribuinte, por sua vez, limitouse a alegar a ocorrência de erro, apresentando no processo tão somente declarações (DIPJ e DCTF), não juntando elementos de cunho probatório do alegado erro e seus motivos. Isso porque, ainda que a DIPJ tenha apresentado originariamente débito a pagar em valor igual ao valor reduzido da DCTF, não tem o condão de comprovar a ocorrência do referido erro, em vista de sua natureza meramente informativa; além disso, tal declaração apenas reflete de forma sintética a escrituração, ao passo que essa última só faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados se comprovados por documentos hábeis, conforme previsão do art. 923 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Fl. 135DF CARF MF 4 Assim, a falta de elementos probatórios faz persistir a dúvida sobre a liquidez e certeza do crédito, que haveria de ser dirimida nos autos, e não o foi, pois que é exigência do art. 170 do CTN. Ademais, frisese que não se está rechaçando o pleito pelo fato da retificação ter se dado após o despacho decisório pelo contrário, é cediço no CARF o reconhecimento de direito creditório mesmo nos casos em que a retificação se deu posteriormente ao despacho, ou mesmo em casos em que não houve a retificação, desde que o contribuinte faça prova do erro alegado e da origem do direito creditório pretendido, o que não ocorreu no presente caso. Desse modo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.004672/2008-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme se, de fato, a recorrente foi reincluída ou não no Simples, retroativamente ao ano-calendário de 1997, consoante o despacho anexado ao Recurso (documento de folha 96, renumerada para 137), apresentando as devidas provas, retornando os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento.
.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme se, de fato, a recorrente foi reincluída ou não no Simples, retroativamente ao ano-calendário de 1997, consoante o despacho anexado ao Recurso (documento de folha 96, renumerada para 137), apresentando as devidas provas, retornando os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. . (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme se, de fato, a recorrente foi reincluída ou não no Simples, retroativamente ao anocalendário de 1997, consoante o despacho anexado ao Recurso (documento de folha 96, renumerada para 137), apresentando as devidas provas, retornando os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. . (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1237.737, da 7a Turma da DRJ/RJ1, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra Autos de Infração (fls 21 a 34) que exigiu o crédito tributário, relativamente a multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 08 .0 04 67 2/ 20 08 -3 4 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13708.004672/200834 Resolução nº 1001000.084 S1C0T1 Fl. 3 2 Resumo, a seguir o relatório: 2. Inconformado, o interessado comunicado das multas pela não apresentação de DCTF em 18/11/2008, fls. 36, apresenta impugnação em 24/11/2009 (fls. 01/02), na qual: 2.1.Pede que considere a empresa como optante pelo Simples até o período de Junho/2007, conforme Declarações de Imposto de Renda entregue nos anos de 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 (1o semestre) como Simples, uma vez que o processo 13708.001333/200391 e 13708.001028/200308 continua sendo analisado pela Receita Federal, motivo pelo qual, pede mais uma vez que o Termo de Intimação Fiscal de 18/06/08 que gerou Auto de Infração IV multa por falta de entrega de declaração de débitos e créditos tributários federais DCTF, números de rastreamento 803170677, 803170685, 803170694, 803170703, 803170717, 803170725, 803170734, 803170748, 803170751, 803170765, 803170779, 803170782 e 803170796 sejam cancelados por não se fazer necessário a entrega das DCTF 2.2.Declara que anexa documentos. A recorrente foi cientificada da decisão através do Edital de Intimação nº 87 (fls.87), publicado no D.O.U. em 22/07/2015, considerandose intimado, quinze dias após a publicação, na data de 06.08.2015; e apresentou o seu recurso voluntário em 06/08/2015(fl 100). VOTO Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação requerendo que: 1.Discutese na presente o enquadramento da ora recorrente, no regime do Simples, onde não cabe a obrigatoriedade em apresentar as DCTF. 2.Equivocadamente aquela turma negou seguimento ao recurso da ora recorrente, sob o entendimento de que seriam devidos multa pela não apresentação da DCTF tudo conforme documento ora juntado. 3.Há de ressaltar que todo o histórico do processo de aplicação da referida multa, se baseia no fato de que existiam 2 processos de n° 13.708.001333/200391 e n° 13708.001028/200308 que á época encontravase sob análise da Receita Federal, sem que houvesse decisão positiva ou negativa, fato este que levou a turma a não considerar o cancelamento das referidas multas. 4.Ocorre que, em decisão proferida os referidos processos, a Secretaria da Receita Federal do Brasil Divisão de Orientação e Análise Tributária Equipe Simples, deu como procedente os recursos ali distribuídos para considerar a recorrente reencluída no Simples Federal a partir de 01/01/1997, sendo portanto improcedente a multa ora lançada, tudo conforme documento anexo. A DRJ, por sua vez, em seu acórdão, apontou: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13708.004672/200834 Resolução nº 1001000.084 S1C0T1 Fl. 4 3 8.Não é possível atender aos pedidos da Impugnante, uma vez consultando o SIVEX Sistema de Vedações e Exclusões do Simples, assim como o Sistema Rede Receita histórico do CNPJ, cujas telas de consulta ora junto aos autos, fls. 57/60, constatei que a mesma foi excluída do Simples Federal em 24/02/2001, através do ADE Ato Declaratório de Exclusão 296734 de 29/09/2000, com efeitos da exclusão a partir de 01/11/2000, por pendências junto a PGFN n° do débito 70698001635. Logo, a Impugnante estava obrigada a apresentar as DCTF que deram origem aos lançamentos. 9.Quanto aos processos 13708.001333/200391 e 13708.001028/200308, são processos de consulta Imposto Simples, conforme se constata nas telas de sistema que anexei às fls. 61/64. Logo não constituem manifestação de inconformidade tempestiva ao ADE de 29/09/2000, única hipótese, s.m.j, que poderia interferir no julgamento dos autos de infração ora apreciados, pois suspenderiam os efeitos da exclusão. Logo, o julgamento dos autos de infração já citados não depende da apreciação dos processos avocados pelo contribuinte. No anexo ao Recurso, observase o despacho abaixo, (datado de 20/12/2012), proferido após a decisão da DRJ, a qual deuse em 08/06/2011, portanto, anterior à referida decisão: PROCESSO: 13708.001028/200308 INTERESSADO: CONFECÇÕES MOURAD LTDA EPP CNP J: 29.514.510/000169 Trata o presente processo de Revisão de Ofício do Simples Federal. O contribuinte foi excluído desse Sistema, através do Ato Declaratório n° 296.734, por pendências da empresa junto a PGFN, conforme pesquisa SIVEX de fls.135. Por meio das pesquisas de fls.128 a 133, verificamos que as inscrições em Dívida Ativa da União de COFINS foram extintas por cancelamento. Isto posto, Reincluo a empresa no Simples Federal a partir de 01/01/1997. Dar ciência à interessada. Neste caso, tendo em vista o processo n° 13708.001028/200308 proponho converter o presente processo em diligência para que a unidade de origem informe se nos anos calendário 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, a recorrente estava, de fato ou não, incluída no Simples, consoante o despacho anexado ao Recurso (documento de folha 96, renumerada para 137), apresentando os correspondentes documentos (provas), cientificando a recorrente e retornando os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Jose Roberto Adelino da Silva Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915910/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.772
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 10 /2 01 3- 15 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.391 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10880.915910/201315 Acórdão n.º 3301005.772 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 366DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907878/2016-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.886
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907878/201658 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.886 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 87 8/ 20 16 -5 8 Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13896.907878/201658 Resolução nº 3201001.886 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13896.907878/201658 Resolução nº 3201001.886 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13896.907878/201658 Resolução nº 3201001.886 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13896.907878/201658 Resolução nº 3201001.886 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13896.907878/201658 Resolução nº 3201001.886 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13896.907878/201658 Resolução nº 3201001.886 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.720345/2014-37
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO.
Ao contribuinte com idade igual ou superior a 60 anos é assegurado o direito de prioridade na tramitação dos processos e procedimentos, bem como na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância (Lei nº 10.741/2003, art. 71 - Estatuto do Idoso).
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. COMPROVAÇÃO.
As despesas escrituradas em livro-caixa são dedutíveis na apuração do imposto devido, quando o contribuinte comprova a origem dos rendimentos e a natureza dos dispêndios ali registrados. A primeira, provando se tratar de atividades previstas na legislação; a segunda, confirmando serem gastos indispensáveis à execução dos serviços prestados e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos.
Mantém-se a glosa das despesas escrituradas em livro-caixa que o contribuinte não comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Ao contribuinte com idade igual ou superior a 60 anos é assegurado o direito de prioridade na tramitação dos processos e procedimentos, bem como na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância (Lei nº 10.741/2003, art. 71 - Estatuto do Idoso). IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. COMPROVAÇÃO. As despesas escrituradas em livro-caixa são dedutíveis na apuração do imposto devido, quando o contribuinte comprova a origem dos rendimentos e a natureza dos dispêndios ali registrados. A primeira, provando se tratar de atividades previstas na legislação; a segunda, confirmando serem gastos indispensáveis à execução dos serviços prestados e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Mantém-se a glosa das despesas escrituradas em livro-caixa que o contribuinte não comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
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PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Ao contribuinte com idade igual ou superior a 60 anos é assegurado o direito de prioridade na tramitação dos processos e procedimentos, bem como na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância (Lei nº 10.741/2003, art. 71 Estatuto do Idoso). IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. LIVROCAIXA. COMPROVAÇÃO. As despesas escrituradas em livrocaixa são dedutíveis na apuração do imposto devido, quando o contribuinte comprova a origem dos rendimentos e a natureza dos dispêndios ali registrados. A primeira, provando se tratar de atividades previstas na legislação; a segunda, confirmando serem gastos indispensáveis à execução dos serviços prestados e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Mantémse a glosa das despesas escrituradas em livrocaixa que o contribuinte não comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 03 45 /2 01 4- 37 Fl. 314DF CARF MF 2 Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 15.971,21, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2011, anobase de 2010, apurado em Notificação de Lançamento (fls. 132/136), decorrente da glosa de despesa escriturada em livrocaixa, "...em valor superior ao total dos rendimentos declarados que permitem essa dedução", no montante de R$ 35.338,64. Solicitação de Retificação de Lançamento SRL A Solicitação de Retificação do Lançamento acima deferiu parcialmente o pleito do Contribuinte, resultando a expedição de nova Notificação de Lançamento, apurando glosa de R$ 38.398,64, correspondente a despesas escrituradas em livrocaixa, tocante as quais o Contribuinte não comprovou ter cumprido os requisito legalmente exigíveis para a correspondente dedutibilidade (fls. 138/143). Impugnação Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, indicando a juntada de documentação comprobatória e alegando fazer jus à citada dedução, porque se trata de rendimentos decorrentes da prestação de serviços contábeis, e os gastos são indispensáveis à execução dos serviços prestados e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos (fls. 02/03). Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os fundamentos a seguir sintetizados (fls. 149/152): 1. não foi provado que os rendimentos sejam decorrentes das atividades previstas na legislação regente, bem como que as despesas sejam indispensáveis à percepção da receita; 2. não foram apresentados documentos que comprovem o vínculo empregatício, embora conste nos autos o pagamento de salários e recolhimentos patronais; 3. os documentos apresentados não se revestem da natureza de livrocaixa; Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10907.720345/201437 Acórdão n.º 2003000.005 S2C0T3 Fl. 315 3 4. não foram apresentados recibos/notas fiscais e/ou outros documentos que comprovem a despesa lançada em livrocaixa, elementos indispensáveis à comprovação do direito perseguido. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, juntando documentação comprobatória e ratificando os argumentos da impugnação, nestes termos (fls. 157/158): 1. no anocalendário, foi declarado rendimento tributável recebido de quatro pessoas jurídicas, para as quais presta serviço de contabilidade com a assistência de duas funcionárias, uma nas tarefas do departamento de pessoal e a outra no de contabilidade; 2. apresentou folhas de pagamento das duas funcionárias, cópia do livro registro de empregados, livrocaixa escriturado, contrato de prestação de serviço com os clientes, licença de funcionamento municipal e matrícula CEI; 3. não apresentou os comprovantes relativos ao pagamento das despesas com telefone, materiais de expediente, suprimentos de informática, recibos, notas fiscais e os demais documentos que comprovem as receitas e despesas lançadas em livrocaixa, porque foram perdidos em virtude de uma enchente ocorrida no município de Paranaguá no ano de 2012; Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 17/07/2014 (fls. 155), e a Peça recursal foi recebida em 14/08/2014 (fls. 157), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Estatuto do Idoso O Recorrente comprovou possuir mais de 60 (sessenta) anos de idade, razão por que lhe é assegurado o direito previsto no artigo 71 da Lei nº 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), conferindolhe prioridade na tramitação dos processos e procedimentos, como também na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente, em qualquer instância. Logo, reconhecido e provido o direito requerido. Fl. 316DF CARF MF 4 Mérito Consoante visto no Relatório, a decisão de piso entendeu que o Contribuinte não apresentou livrocaixa, acompanhado da documentação comprobatória das despesas e receitas nele escrituradas, demonstrando, assim, a origem dos rendimentos e a natureza dos dispêndios. A primeira, provando se tratar de atividades previstas na legislação; a segunda, confirmando serem gastos indispensáveis à execução dos serviços prestados e à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Inicialmente, pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis, ao feito, os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Posta assim a questão, é de se verificar que, conforme a Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, incisos I e II, §§ 1º e 2º, grosso modo, há três ponderações apropriadas à dedução almejada pelo Recorrente, quais sejam: 1. não cabe para qualquer rendimento, senão para os decorrentes do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro e os leiloeiros; 2. não cabe para qualquer despesa, mas sim para a remuneração de empregados e correspondentes encargos trabalhistas e previdenciários, como também para o custeio necessário à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; 3. tanto receitas como despesas, têm de estar escrituradas em livrocaixa e ser comprovadas com documentação idônea. Nestes Termos: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10907.720345/201437 Acórdão n.º 2003000.005 S2C0T3 Fl. 316 5 Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; [...] III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. (grifo nosso) Analisando a documentação juntada na fase recursal, verificase que o Recorrente apresentou livrocaixa escriturado, juntamente com a documentação apresentada por ocasião da impugnação. Contudo, conforme ele mesmo afirma na Peça recursal não estão nos autos, entre outros, as notas fiscais de prestação de serviço comprovando a origem dos rendimentos recebidos, já que para isso não basta os contratos de prestação de serviço bem como os comprovantes do pagamento dos salários o recolhimento patronal, livro registro de empregado e folhas de pagamento, por si sós, são insuficientes para a comprovação do vínculo empregatício de que trata o art. 6º, inciso I. Ademais, ausentes os demais comprovantes escriturados em mencionado livro. Oportuno assinalar que o descumprimento de uma das ponderações dispostas anteriormente, por si só, já afasta a dedutibilidade das despesas escrituradas em livrocaixa, porque "fragmenta" a tríade traduzida pela origem das receitas, a natureza dos dispêndios e a efetiva comprovação de ambas. Por conseguinte, mesmo que houvesse a confirmação do efetivo pagamento dos salários, restando comprovado o vínculo empregatício, ainda assim mencionada dedução continuava impedida, pois ausente a efetiva comprovação da receita auferida. Fl. 318DF CARF MF 6 Assim sendo, acertada a decisão de primeira instância, porque o Recorrente não logrou comprovar a origem dos rendimentos recebidos, nem a natureza das despesas incorridas, nos termos exigidos pela Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, incisos I e II, §§ 1º e 2º. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa do livrocaixa consoante decidiu o Órgão de origem. Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720402/2009-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. JUROS E MULTA DE MORA. CABIMENTO
Aplicada a atualização dos valores objeto da restituição conforme determinado pela norma de regência.
Incabível a aplicação do instituto da denúncia espontânea tendo em vista a ausência de pagamento/indicação dos juros de mora devidos em face de os débitos encontrarem-se com a data de vencimento expirada.
Numero da decisão: 3001-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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COMPENSAÇÃO. JUROS E MULTA DE MORA. CABIMENTO Aplicada a atualização dos valores objeto da restituição conforme determinado pela norma de regência. Incabível a aplicação do instituto da denúncia espontânea tendo em vista a ausência de pagamento/indicação dos juros de mora devidos em face de os débitos encontraremse com a data de vencimento expirada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 04 02 /2 00 9- 68 Fl. 50DF CARF MF 2 Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de PIS/COFINS no 4º Trimestre de 2005, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no valor original total de R$26.132,36 por meio das Declaração de Compensação 14408.68834.060406.1.3.04 2870. A DRF JiParaná/RO, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório (efl. 3) homologando parcialmente a compensação declarada tendo em vista que a insuficiência do crédito pretendido para quitar os débitos informados. Cientificada do despacho decisório em 03/06/09, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade em 10/06/09, alegando os seguintes pontos: "No mês de dezembro/2005, a empresa (...) recolheu indevidamente o valor de R$26.132,36 (..,), resultando desta forma crédito a ser compensado do valor pago indevidamente. Oportunamente, a empresa aproveitou o crédito do pagamento efetuado indevidamente em 13/01/2006, no valor de R$26.132,36 (...), para compensar débitos de IRPJ da competência 12/2005 (...) No PER/DCOMP, foi informado o DARF de pagamento, como origem do crédito. Portanto, a compensação foi efetuada de forma legal, o que torna o despacho decisório (...) sem nenhum efeito. Diante dos fatos apresentados, requer a anulação do referido despacho decisório, por ser de Justiça e Direito." A DRJ de Belém/PA julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 0117.617 a seguir transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CRÉDITO E DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, até a data da entrega da respectiva DCOMP, na forma da legislação de regência. DCOMP. CRÉDITO E DÉBITO. EQUIVALÊNCIA. AUSÊNCIA. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância apresentado os seguintes argumentos: (i) a restituição de crédito devese realizar com acréscimo de juros à taxa SELIC e de juros de um por cento ao mês; (ii) incabível a aplicação da multa de mora sob o fundamento de atraso tendo em vista a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.720402/200968 Acórdão n.º 3001000.749 S3C0T1 Fl. 326 3 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre a homologação parcial da compensação declarada tendo em vista a incidência da multa de mora e de juros sobre o pedido de compensação cujos créditos foram reconhecidos integralmente. A Recorrente, por ocasião de sua manifestação de inconformidade, opôsse à forma de valoração do crédito e dos débitos informados na declaração de compensação. Diante destas alegações a DRJ afirma que o crédito foi declarado pelo interessado em seu valor original, sem qualquer atualização e que os débitos objetos da compensação tinham por data de vencimento 31/01/2006, mas que a declaração de compensação somente foi informada em 06/04/2006 sem os devidos acréscimos legais previstos nos art. 28 e 52 da IN SRF no 600/2005. Por sua vez, a Recorrente argumenta em seu Recurso que, de acordo com o art. 894 do Decreto n° 3000/95, o valor a ser utilizado na compensação ou restituição será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente tendo por fundamentação legal o art. 39, §4º da Lei n° 9.250/95 e o art. 73 da Lei n°. 9.532/97. Portanto, os créditos a serem restituídos deveriam ser atualizados pela taxa SELIC mais juros de 1% ao mês e não a partir da declaração de compensação. Fl. 52DF CARF MF 4 A Recorrente apresenta em seu Recurso a fundamentação correta sobre a atualização dos créditos objeto de restituição, quais sejam, o art. 39, §4º da Lei n° 9.250/95 e o art. 73 da Lei n°. 9.532/97, que assim dispõem: Art. 39, §4º da Lei n° 9.250/95 A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Art. 73 da Lei n° 9.532/97 Art. 73. O termo inicial para cálculo dos juros de que trata o § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, é o mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido. Entretanto entendo que a mesma se equivoca na interpretação do disposto no voto do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, no qual dispôs o seguinte: Assim, tratandose de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, esta devese realizar com o acréscimo de juros Selic acumulados mensalmente e de juros de um por cento no mês em que houver a entrega da declaração de compensação, da forma que procedeu a delegacia de origem. Ou seja, fica evidente que houve a atualização do valor referente ao direito creditório pleiteado, conforme determina a norma de regência, desde o pagamento indevido até a data da declaração da compensação e não “a partir da declaração de compensação” conforme entendido pela Recorrente. Argumenta ainda a Recorrente ser incabível a incidência da multa moratória sob fundamento de atraso, com o devido recolhimento do tributo sob a alegação de que ocorreu o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138, CTN. Reproduzse a seguir o que estabelece o Código Tributário Nacional sobre o instituto da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Sobre este tema a COSIT também já se pronunciou por intermédio da Nota Técnica 01 de 18 de janeiro de 2012, na qual reconheceu o benefício da denúncia espontânea conforme assim disposto: 4.2 Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o sujeito passivo, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, denuncia a infração cometida, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13227.720402/200968 Acórdão n.º 3001000.749 S3C0T1 Fl. 327 5 procedendo ao depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o valor do tributo dependa de apuração, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária (aplicação de multa de mora ou de ofício). 4.3 O exercício da denúncia espontânea pressupõe, portanto, a prática de dois atos distintos por parte do sujeito passivo: a) a notícia da infração; e b) o pagamento do tributo devido e dos encargos da demora, se for o caso, ou o depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Ou seja, diante dos dispositivos acima transcritos a respeito da denúncia espontânea, percebese que para sua configuração há a necessidade da declaração dos valores devidos, mesmo que em atraso, com o simultâneo pagamento dos tributos e dos juros de mora. Portanto, entendo não restar caracterizado o instituto da denúncia espontânea no presente caso, visto que, apesar de a Recorrente ter declarado em 06/04/2006 os valores devidos de IRPJ por meio da PER/DCOMP cujo vencimento se deu em 31/01/2006, não houve o pagamento dos tributos e os respectivos juros moratórios. Por mais que se argumente que a compensação supriria o pagamento dos tributos, é fato que não houve a indicação dos juros de mora nos débitos informados na declaração de compensação, o que impede a aplicação da denúncia espontânea para fins de exclusão da multa de mora no presente caso. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.730551/2017-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2012 a 31/01/2017
COMPENSAÇÃO.GLOSA.
Impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório.
Numero da decisão: 2201-004.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do despacho decisório. Por voto de qualidade em afastar a preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Vencidos os conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso que reconheciam a nulidade da decisão. No mérito por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2012 a 31/01/2017 COMPENSAÇÃO.GLOSA. Impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do despacho decisório. Por voto de qualidade em afastar a preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Vencidos os conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso que reconheciam a nulidade da decisão. No mérito por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.806 1 1.805 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.730551/201743 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.947 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente MANPOWER STAFFING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2012 a 31/01/2017 COMPENSAÇÃO.GLOSA. Impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do despacho decisório. Por voto de qualidade em afastar a preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Vencidos os conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso que reconheciam a nulidade da decisão. No mérito por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 05 51 /2 01 7- 43 Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.807 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade em face do Despacho Decisório n° RFB/DRF/CPS/SEORT/DCPRE/EADIC n° 607/2017 exarado em 18/08/2017 (fl. 169177), em que constou a seguinte decisão: 31. Desta forma, considerando que houve, por parte da empresa, no período de 09/2012 a 05/2013, a compensação indevida da contribuição para o GIILRAT em GFIP, somos pela NAO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES e pela GLOSA dos valores indevidamente compensados, considerando o correto autoenquadramento da empresa, tanto pelo CNAE (7820/500) quanto pela atividade econômica preponderante (locação de mão de obra temporária), que a sujeitam à alíquota de 3%. DECISÃO A decisão exarada no referido Despacho Decisório tem o seguinte conteúdo: Tanto a atividade principal quanto a atividade preponderante de todos os estabelecimentos da empresa, conforme seu autoenquadramento nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP é LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA, classificada no código CNAE 7820/500, exceto a filial 002758, cujo CNAE é 7810/800 SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA, mas todas, conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, com risco de acidente do trabalho sujeitas à ALÍQUOTA do GIILRAT DE 3%, de acordo com o Anexo V Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (RPS Regulamento da Previdência Social na redação do Decreto n° 6.957/09). A partir da competência 09/2012 até 05/2013, sem amparo legal e sem processo administrativo junto ao INSS ou à RFB ou judicial que autorizasse tal redução ou compensação, a empresa passou a informar no campo próprio das GFIPs, a alíquota GIILRAT de 1%, quando o correto seria 3% em face do CNAE preponderante 7820/500 corretamente informado. Não apenas informou, como, efetivamente realizou de forma indevida, nas GFIPs de 09/2012 até 05/2013, a COMPENSAÇÃO da diferença (2%) dos valores pagos a título de GIILRAT, relativos ao período compreendido entre setembro/2007 a agosto/2012, o que resultou em recolhimento a menor das Contribuições Previdenciárias, conforme fls. 97 a 106. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.808 3 A compensação indevida, informada pela empresa, para esta rubrica, corresponde ao montante de R$ 10.571.231,09, assim distribuídos: Intimada a justificar seu procedimento, a empresa asseverou que, observando as condições ambientais dos empregados, atestada nos laudos de engenharia de segurança da empresa, bem como da análise pormenorizada da empresa realizada através da divisão de “departamentos/funções”, constatou enquadramento jurídico diverso daquele indicado no Anexo V do Decreto 3.048/99, de forma que a empresa sempre se enquadrou em grau leve, o que autoriza o seu reenquadramento na alíquota de 1% para fins de contribuição GILLRAT. Para tanto, juntou o LAUDO TÉCNICO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DE TRABALHO LTCAT. A empresa fornece mão de obra temporária para várias empresas dos ramos de atividade da indústria, comércio e prestação de serviços. Ressaltese que os laudos (LTCAT) apresentados trazem como estabelecimento avaliado, o endereço de cada unidade (matriz/filial), e não o dos tomadores, local da efetiva prestação de serviços (videfl.58). Constatado o erro de enquadramento, conforme orientação contida no § 6° do art. 202 do decreto n° 3.048/99, o contribuinte foi orientado a retificar suas GFIPS antes do início do procedimento fiscal, oportunidade esta declinada, conforme fls. 95 e 96. Fica, desde então excluída a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do art.138, § único do Código Tributário Nacional CTN, combinado com o art. 7°, § 1° do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972. FUNDAMENTAÇÃO Preliminarmente, destacamos que o enquadramento da atividade desenvolvida por empresas de trabalho temporário está disciplinado no inciso V do art. 72 da Instrução Normativa RFB n° 1071, de 15 de setembro de 2010, que não deixa margem para interpretações diversas: Art. 72 V a atividade desenvolvida pela empresa de trabalho temporário é classificada como locação de mão de obra temporária (CNAE 78205/00); MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O sujeito passivo foi cientificado da referida decisão, realizado por meio Eletrônico mediante acesso à Caixa Postal (TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM DE ATO OFICIAL NA CAIXA POSTAL DTE), em 18/08/2017 (fl. 178179). Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.809 4 O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 182212). na data de 15/09/2017, com a juntada de documentos comprobatórios e alegação cujos pontos relevantes para apreciação do litígio são os seguintes: PRELIMINARMENTE DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Do Ônus da Prova no Processo Administrativo e da Ausência dos Elementos Necessários ao Julgamento A Recorrente efetuou o auto enquadramento nos graus de risco do GILRAT com base em estudo detalhado da legislação atinente à matéria, bem como a partir da constatação pormenorizada das atividades desenvolvidas por seus empregados e a respectiva preponderância, consubstanciada, inclusive, por meio de laudos previdenciários (LTCAT). Vale frisar que, no presente caso, não existiria a necessidade de produção dessas provas pela Recorrente, visto se tratar de auto enquadramento, cabendo à Autoridade Fiscal somente a revisão do lançamento, conforme prescrito pelo § 52 do artigo 202 do Decreto 3.048/99. Mais que isso: a Autoridade Fiscal, pautadas por premissas incorretas, recusouse a avaliar as provas apresentadas voluntariamente pela Recorrente. Da despretensiosa leitura do Despacho Decisório, é de fácil percepção que a Autoridade Fiscal inadmitiu os laudos técnicos apresentados pela Recorrente, que conferiam subsidio e robustez ao auto enquadramento por ela realizado, por duas razões, sendo uma primordial e a outra secundária. São elas: PRIMORDIAL: Os laudos apresentados teriam trazido como estabelecimentos avaliados o endereco de cada unidade da Recorrente (matriz e filiais) e não o dos tomadores de serviço, local da efetiva prestação do serviço e, por conseguinte, onde estariam alocados parcela significativa de seus funcionários; SECUNDARIA: os laudos apresentados não fariam menção sobre os "requisitos e critério pora apuração do Fator Acidentário de Prevenção FAP, definidos pelo artigo 202A do HPS". Ocorre que tais fundamentos estão pautados em premissas equivocadas, motivo pelo qual devem ser de planos afastados. Vejamos. A) Dos endereços dos estabelecimentos avaliados constantes nos LTCATs: Conforme exposto anteriormente, alega a Autoridade Fiscal ser impossível aferir o grau de risco efetivo da atividade dos trabalhadores da Recorrente uma vez que os laudos por ela apresentados teriam como objeto de avaliação o endereço de Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.810 5 cada unidade, e não dos tomadores, local da efetiva prestação de serviço. Esta alegação é reiteradamente colocada pela Autoridade Fiscal como sendo o principal motivo de pretensa desqualificação das provas apresentadas pelo contribuinte, que justificam o auto enquadramento realizado e dão origem ao crédito compensado. Ocorre que a premissa utilizada pela Autoridade Fiscal para sustentar esta conclusão está equivocada. Ora, nobres Julgadores, a mera leitura das primeiras páginas de qualquer dos laudos apresentados no procedimento homologatório foram apresentados, ao todo, 29 laudos correspondentes a 29 diferentes estabelecimentos mostranos que os estabelecimentos avaliados, ao contrário do quanto alegado pela Autoridade Fiscal, foram os dos tomadores de serviço, onde se encontram alocados boa parcela dos funcionários da recorrente. No caso em apreço, é ainda mais evidente a imperícia da Autoridade Fiscal, que não apenas deixou de produzir as provas necessárias a, se assim entendesse, desconstituir o enquadramento realizado pela Recorrente, como também deixou de apreciar as provas por estas apresentadas valendose de uma conclusão que, conforme vimo acima, jamais se sustentaria. Portanto, deve ser julgado nulo, por vício material, o Despacho Decisório em referência, vez que não estão devidamente consubstanciadas as alegações do Fisco quanto ao auto enquadramento realizado pela Recorrente, o que impede a formalização do crédito tributário. B) Da suposta omissão aos critérios e requisitos do FAP na elaboração dos LTCATs: Diferentemente do quanto alegado pela Autoridade Fiscal, a legislação é clara ao atribuir ao contribuinte a responsabilidade por realizar o enquadramento na atividade preponderante, para fins de determinação do seu grau de risco, não havendo qualquer menção à necessidade de ingressar com pedido administrativo para tanto. O contribuinte realiza o seu auto enquadramento, que estará sujeito à revisão do Receita Federal do Brasil, a qualquer tempo. Ademais, os laudos elaborados pela Recorrente, que aparentemente não foram sequer apreciados pela Autoridade Fiscal, estão em perfeita consonância com a legislação previdenciária que os regulamenta. Mais uma vez a Autoridade Fiscal valese de premissa equivocada no intuito de desqualificar a prova produzida e disponibilizada pela Recorrente, na clara tentativa de se furtar de do seu dever legal de avaliála. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.811 6 Portanto, por qualquer prisma que se observe, concluise pela nulidade do Despacho Decisório em referência, vez que não estão devidamente consubstanciadas as alegações do Fisco quanto ao auto enquadramento realizado pela Recorrente, o que impede a formalização do crédito tributário. DO MÉRITO DA IDENTIFICAÇÃO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE Oportunamente, a Recorrente já havia trazidos no curso do procedimento de fiscalização os argumentos relativos ao reenquadramento realizado no grau de risco do SAT. O cerne da discussão baseiase no entendimento da autoridade fiscal de que a Recorrente realizou recolhimentos a menor, em virtude de informar alíquota atinente ao SAT em dissonância do prescrito em lei. Isso porque, a ora Recorrente aferiu que nos períodos entre 09/2007 a 08/2012, a atividade preponderante da empresa encontravase em grau leve, ou seja, sob alíquota SAT de 1%, visto que mais da metade dos empregados encontramse em departamentos sujeitos a graus de risco leve, conforme prescrito pelos laudos técnicos elaborados. Ocorre que, conforme restará esclarecido, a Autoridade Fiscal desprezou as determinações legais e afastou o enquadramento jurídico apresentado pela empresa que revelou conclusão diversa do rol exemplificativo do anexo Vdo Decreto 3.048/99: DOS LAUDOS TÉCNICOS O LTCAT é, em linhas gerais, um parecer eminentemente técnico e conclusivo acerca das condições ambientais a que os funcionários estão expostos, retratando a realidade dos agentes agressivos da empresa e promovendo um planejamento para minimização ou neutralização desses efeitos. Referido laudo visa comprovar o exercício de funções em condições prejudiciais à saúde ou à integridade física dos empregados para efeito de requerimento do benefício da aposentadoria especial. Tratase, ainda, de uma prova hábil a atestar o verdadeiro grau de risco do GIILRAT inerente à atividade da empresa, vez que o LTCAT pautase nos limites máximos de exposição aos agentes nocivos constantes do Anexo IV do Decreto nº 3.048/99, sejam esses químicos, físicos e biológicos. Ademais, o LTCAT contém a descrição das medidas de controle existentes, dentre as quais se inclui a utilização de equipamentos de proteção individuais e coletivos, os quais podem neutralizar eventuais agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho. PEDIDO Tendo em visto todo o exposto requer a Recorrente: Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.812 7 Seja julgado nulo o Despacho Decisório pelo fato da Autoridade Fiscal não ter produzido provas que sustentem o seu lançamento, no termos do art. 92 do decreto 70.235/72; Alternativamente, não entendendo pela nulidade, requer, o integral provimento da presente Manifestação de Inconformidade para que seja julgado improcedente o presente Despacho Decisório, com o conseqüente cancelamento do crédito tributário lançado; Sem prejuízo de todo o alegado, a Recorrente protesta pela posterior juntada de documentação que eventualmente não tenha sido acostada a presente, nos termos do artigo 16, §§ 42 e 5e do Decreto ns 70.235/72. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: NULIDADE. Não há nulidade quando não se configurar prejuízo à defesa ou lesão ao interesse público. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subseqüentes mas deverá estar em situação regular relativa aos créditos constituídos por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, aos parcelados e aos débitos declarados. A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação. SAT/RAT . ALÍQUOTA. ENQUADRAMENTO Para fins de determinação do grau de risco e, por conseguinte, da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição do SAT/SAT/RAT, deve se enquadrar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados. Em face da referida decisão, da qual foi cientificada em 23/05/2018, a contribuinte manejou Recurso Voluntário tempestivamente em 22/06/2018, reiterando, substancialmente, as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade, acrescentando que o acórdão da DRJ é nulo, por não ter se manifestado acerca da tese apresentada pela contribuinte de que a Fiscalização deixou de apreciar os LTCAT apresentados pelo simples fato de os endereços constantes dos referidos documentos não ser o local da prestação de serviços nos tomadores de serviço, mas sim o endereço dos estabbelecimentos da empresa recorrente. É o relato do necessário. Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.813 8 Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Preliminarmente Nulidade do Despacho Decisório e do acórdão da DRJ Sustenta a recorrente a nulidade do Despacho Decisório, e de forma subsidiária a nulidade da decisão da DRJ. Em relação ao Despacho Decisório, assevera que ausentes estão os elementos necessários ao julgamento, porquanto a autoridade fiscal não demonstrou o erro no autoenquadramento realizado pela recorrente no que pertine à alíquota GILLRAT, o que era seu dever, em face do ônus que lhe recai. E ainda, não houve a demonstração da atividade preponderante da recorrente por parte da autoridade fiscal. Em relação ao acórdão da DRJ, aduz a nulidade por não ter havido o enfretamento da questão abordada na peça impugnatória, no sentido de que o Despacho Decisório se baseou em uma premissa equivocada, uma vez que os endereços constantes dos LTCAT são os das empresas prestadoras de serviços, e não, o endereço da recorrente. Em relação ao Despacho Decisório, restou claramente consignado que a não homologação e glosa das compensações efetuadas pela contribuinte se deram pelo fato de a alíquota GILLRAT da atividade preponderante da empresa, conforma CNAE informado, corresponder à 3% (três por cento). Consoante será melhor abordado no enfrentamento do mérito, o que a recorrente pretende é ter enquadramento em um CNAE correspondente à alíquota de 3%, consoante restou informado em GFIP e recolher na alíquota de 1% (um por cento), em face da apresentação do Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT) e um Parecer Técnico. Destarte, não há que se falar em ônus da Fiscalização em apontar erro no autoenquadramento da empresa, vez que este já restou evidente na conduta da própria contribuinte de autoenquadrase no CNAE é locação de mãodeobra temporária, classificada no código CNAE 7820/500, exceto a filial 002758, cujo CNAE é 7810/800 seleção e agenciamento de mãodeobra, mas todas, conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, com risco de acidente do trabalho sujeitas à alíquota do GIILRAT de 3%. De outro lado, não era dever da autoridade fiscal demonstar a atividade preponderante da empresa. Como afirmado pela própria recorrente, esta é feita por autoenquadramento. Como atividade preponderante da empresa é locação de mãodeobra temporária, com exceção de uma filial, mas todos os estabelecimentos se enquadram na alíquota GILLRAT de 3%, não cabia à autoridade fiscal nenhum ônus probatório, mas sim efetuar o comparativo entre o CNAE informado e o recolhimento correspondente. Destarte, não vislumbro nenhuma mácula no Despacho Decisório. Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.814 9 Em relação à ausência de enfretamento na decisão de piso no que concerne ao entendimento supostamente equivocado do Despacho Decisório, no sentido de que os endereços constantes no LTCAT eram o da respectiva prestação de serviço e não o da recorrente, temse que não há manifestação na decisão de piso a respeito dessa questão, todavia, deverá ser avaliado se a falta de enfrentamento dessa questão tem o condão de influenciar no deslinde do feito ou de alguma forma causar prejuízo à recorrente. Assim, partindo do pressuposto de que a informação da recorrente esteja correta, ou seja, os endereços constantes do LTCAT são o da respectivas empresas tomadoras de serviço, não há qualquer influência desse fato no deslinde do presente processo administrativo fiscal, uma vez que não estamos a tratar de lançamento do crédito tributário decorrente de Fiscalização de gerenciamento de riscos ambientais do trabalho, mas sim de compensação indevida sem a demonstração de erro escusável no autoenquadramento para a aplicação da alíquota GILLRAT. Assim sendo, não vislumbro qualquer mácula ou irregularidade capaz de ensejar prejuízo que seja causa de nulidade, quer seja do lançamento, do Despacho Decisório ou do acórdão da DRJ. Rejeito, pois, a preliminar arguida pela recorrente. Do mérito Consoante relatado, tratase de lançamento tributário decorrente de glosa de compensação indevida, relativa ao enquadramento realizado pela contribuinte quanto ao grau de risco ambiental do trabalho existente nos estabelecimentos da autuada. Muito bem delimitou a controvérsia, o Despacho Decisório que não homologou e glosou as compensações tidas como indevidas: Tanto a atividade principal quanto a atividade preponderante de todos os estabelecimentos da empresa, conforme seu autoenquadramento nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP é LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA, classificada no código CNAE 7820/500, exceto a filial 002758, cujo CNAE é 7810/800 SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA, mas todas, conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, com risco de acidente do trabalho sujeitas à ALÍQUOTA do GIILRAT DE 3%, de acordo com o Anexo V Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (RPS Regulamento da Previdência Social na redação do Decreto n° 6.957/09). A partir da competência 09/2012 até 05/2013, sem amparo legal e sem processo administrativo junto ao INSS ou à RFB ou judicial que autorizasse tal redução ou compensação, a empresa passou a informar no campo próprio das GFIPs, a alíquota GIILRAT de 1%, quando o correto seria 3% em face do CNAE preponderante 7820/500 corretamente informado. Não apenas informou, como, efetivamente realizou de forma indevida, nas GFIPs de 09/2012 até 05/2013, a COMPENSAÇÃO da diferença (2%) dos valores pagos a título de GIILRAT, relativos ao período compreendido entre Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.815 10 setembro/2007 a agosto/2012, o que resultou em recolhimento a menor das Contribuições Previdenciárias, conforme fls. 97 a 106. Entretanto, apesar de apresentar as GFIP informando o CNAE 7820/500, exceto a filial 002758, cujo CNAE informado foi o de nº 7810/800, mas ambos com a alíquota GILLRAT de 3% (três por cento), a recorrente pretende, unilateralmente, beneficiarse da alíquota reduzida de 1% (um por cento) por supostamente gerenciar bem os riscos ambientais, trazendo como prova o LTCAT. Acerca do assunto, vejamos o que dispõe o inciso II do artigo 22 da Lei de Custeio: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos empregados e trabalhadores avulsos: 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave.” (destacamos) Desempenhando a função de esclarecer ao contribuinte como cumprir o comando legal, a Instrução Normativa RFB n° 971, de 2009, explicita: "Art. 72. As contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa ou do equiparado, observadas as disposições específicas desta Instrução Normativa, são: II para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços, observado o disposto no inciso I do art. 57, correspondente à aplicação dos seguintes percentuais: 1% (um por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.816 11 2% (dois por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado médio; 3% (três por cento), para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado grave; § 1° A contribuição prevista no inciso II do caput será calculada com base no grau de risco da atividade, observadas as seguintes regras: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, e deve ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, que foi reproduzida no Anexo I desta Instrução Normativa, obedecendo às seguintes disposições: a empresa com 1 (um) estabelecimento e uma única atividade econômica, enquadrarseá na respectiva atividade; a empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade ta\econômica, simulará o enquadramento em cada atividade e prevalecerá, como preponderante, aquela que tem o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos; a empresa com mais de 1 (um) estabelecimento e com mais de 1 (uma) atividade econômica deverá apurar a atividade p ponderante em cada estabelecimento, na forma da alínea “b”, exceto com relação às obras de construção civil, para as quais será observado o inciso III deste parágrafo. II considerase preponderante a atividade econômica que ocupa, no estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, observado que na ocorrência de mesmo número de segurados empregados e trabalhadores avulsos em atividades econômicas distintas, será considerada como preponderante aquela que corresponder ao maior grau de risco; IV verificado erro no autoenquadramento, a RFB adotará as medidas necessárias à sua correção e, se for o caso, constituirá o crédito tributário decorrente " (destaques não constam do texto normativo) O recolhimento da contribuição destinada ao custeio do seguro acidente do trabalho deve ser realizado com base na aplicação da alíquota de 1, 2 ou 3% sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, segundo o grau de risco da empresa. Tal grau de risco leve, médio, ou grave depende da atividade preponderante na empresa e rol de tais atividades é encontrado no anexo V do Decreto n° 3048/99, Regulamento Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.817 12 da Previdência Social, e decorre da atividade econômica desenvolvida pelo estabelecimento da empresa. No caso do estabelecimento desenvolver mais de uma atividade, a preponderante será obtida com a verificação de qual delas utiliza o maior número de segurados. Tal procedimento deve ser realizado pelo sujeito passivo para obtenção da alíquota aplicável, uma vez que o RPS determina que é responsabilidade da empresa o enquadramento na atividade preponderante, cabendo a RFB revêlo a qualquer tempo. Esta é a exigência regulamentar: " Art 202: § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos." Depreendese das razões recursais que a contribuinte reconhece o seu enquadramento no CNAE, como sendo de locação e agenciamento de mãodeobra, entretanto, efetua o que denomina autoenquadramento jurídico por supostamente gerenciar o risco ambiental do trabalho, o que a levaria a um grau de risco leve, submetendose à alíquota de 1% (um por cento). Sustenta a recorrente que o procedimento adotado pela Fiscalização foi incorreto, porquanto deveria ter efetuado a homologação da compensação, já que se trata de um autoenquadramento, e ter efetuado o lançamento do crédito triburário em relação à diferença de alíquota que o Fisco entende ser devida. Todavia, cumpre ressaltar que cabe à autoridade fiscal verificar a regularidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, cabendo a restituição ou compensação nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior que o devido. Vejamos o que estabelece o art. 89 da Lei nº 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.818 13 passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Na hipótese de compensação indevida deve a autoridade fiscal não homologar a compensação e glosar os valores indevidamente compensados. Pois bem. O ponto fulcral da presente controvérsia consiste no fato de saber se houve irregularidade no autoenquadramento efetuado pela recorrente. Verificouse que não existiu erro de enquadramento no CNAE, que resultasse em recolhimento a maior da contribuição para o GILLRAT. De acordo com o ANEXO V (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) Relação de atividades Preponderantes e Correspondentes graus de Risco (conforme a classificação nacional de atividades Econômicas), a empresa deveria contribuir com a alíquota de 3% (três por cento) para todos os seus estabelecimentos, conforme quadro abaixo: CNAE 2.0 Descrição Alíquota 78108/00 Seleção e agenciamento de mãodeobra 3 78205/00 Locação de mãodeobra temporária 3 Entretanto, sob o pretexto de eficaz gerenciamento de risco, a recorrente tenta se utilizar dos resultados obtidos em seu LTCAT para, sem qualquer amparo legal, submeterse a uma alíquota de 1%. O LTCAT trazido à colação pela recorrente não se presta como prova de sua pretensão, sendo irrelevante para o presente caso a valoração que a autoridade fiscal monocrática deulhe ao exarar o Despacho Decisório, ou o colegiado de primeira instância, ao proferir o acórdão recorrido. Isso porque, não estamos a tratar de Fiscalização de riscos ambientais do trabalho, em que o correto e eficiente gerenciamento do risco poderia reduzir o ônus tributário diretamentelhe relacionado. Nesse caso, estamos a tratar de uma norma objetiva. Todas os estabelecimentos da recorrente que tenham como atividade preponderante as estabelecidas no quadro acima, devem se submeter à alíquota de 3% (três por cento). A referida regra não comporta exceção. Dessa forma, constatado que a empresa possui determinado CNAE e pretende recolher a contribuição para o GILLRAT em alíquota não correspondente à do CNAE que a mesma se enquadra, e não tendo sido provado qualquer erro, é evidente que a compensação efeuada é indevida e não poderia ser homologada pela autoridade fiscal, sendo seu dever de ofício glosar as compensações indevidas e efetuar o lançamento com a incidência dos acréscimos moratórios, nos exatos termos da legislação de regência alhures transcrita. Em última análise, o que pretende a recorrente, ao se compensar da diferença de alíquota de GILLRAT, mesmo se enquadrando em CNAE que lhe submetem à alíquota de 3% (três por cento), é questionar a validade de uma norma posta, qual seja o Decreto nº 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009, sendo o presente processo administrativo fiscal via inadequada para travar essa discussão. Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10880.730551/201743 Acórdão n.º 2201004.947 S2C2T1 Fl. 1.819 14 Ressaltese, ainda, como bem assinalado pela decisão de piso, que a compensação deve ser precedida das retificações das GFIPs das competências em que ocorreram informações incorretas, conforme determina a INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 1717, DOU de 18/07/2017, que estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, procedimento esse que a recorrente se recusou expressamente a efetuar. Destarte, entendo que não merecem prosperar as alegações recursais. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as priminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 1819DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000598/2007-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/09/2006
MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO NO PRAZO ESTIPULADO. OCORRÊNCIA.
Observa-se do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do Decreto-Lei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de não-apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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NÃO APRESENTAÇÃO DE RESPOSTA À INTIMAÇÃO NO PRAZO ESTIPULADO. OCORRÊNCIA. Observase do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja "no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Logo, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 05 98 /2 00 7- 46 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10283.000598/200746 Acórdão n.º 3002000.658 S3C0T2 Fl. 229 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1137.850 da DRJ/REC, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo não atendimento a intimação, o que caracteriza embaraço à fiscalização, ficando sujeito à penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto Lei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir deste ponto, adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Em meio ao procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte identificado em epígrafe, foi lavrado o auto de infração objeto do presente processo, por embaraço à ação fiscal, para exigir a título de multa o valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), nos termos previstos no Dl 37/66, art.107, IV, “c”, c/a redação dada pelo art.77 da Lei nº 10.833/03. A fiscalização acusa que a autuada não apresentou resposta no prazo estipulado de dez dias à intimação fiscal, efetuada mediante o Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 213/2006, lavrado em 21/08/2006, a ele cientificada em 13/09/2006 (vide fls.7). A intimação se fez para o fim de recolher elementos para sanear pendência relativa ao despacho simplificado de exportação registrado pela autuada na DSE nº 2000006437/2, no ano 2000, que ainda se encontrava no SISCOMEX em fase de seleção para exame documental e verificação física da mercadoria, sem que a interessada providenciasse o prosseguimento do despacho nem apresentasse pedido de cancelamento da declaração, caso a exportação não tivesse se realizado. A autoridade fiscal acusou que o não atendimento da intimação dificultou o trabalho da fiscalização em busca da regularização da situação relatada. A interessada foi cientificada do auto de infração, em 08.02.2007 (fls.2), e protocolou, em 12.03.2007, a impugnação constante às fls.23/31, a qual em resumo apresenta as seguintes razões de contestação: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10283.000598/200746 Acórdão n.º 3002000.658 S3C0T2 Fl. 230 3 1. É tempestiva a impugnação. O AI foi recepcionado em 08/02/2007, e o prazo para impugnar começou no dia 09/03/2007, alcançando o termo final em 10/03/2007 (sábado), razão de postergação para o dia 12/03/2007, dia do protocolo. 2. A autuação se fez sob a alegação de que a ora impugnante não atendeu ao Termo de Intimação Fiscal nº 213/2006, relacionado ao DSE nº 2000006437/2, pendente de providência. 3. A DSE em foco albergou a exportação de 100 (cem ) toneladas de arroz, alimento doado pelo Governo Brasileiro a vítimas de enchentes na Venezuela, ocorrida no ano 2000, por determinação do Ministério da Agricultura e Abastecimento. Coube à ora impugnante a aquisição dos alimentos e o conseqüente encaminhamento ao país de destino. Para maior esclarecimento anexa o processo CONAB nº 18.003/2000 (DOC.04). Constam, às fls.48/49, decisões da ALF/Porto de Manaus, ambas de 28/01/2000, autorizando a exportação por meio de DSE, nos termos da IN 155/99, art.30, III, alíneas “a” e “b”. 4. Por decisão do auditor fiscal designado, bem como do Sr. Chefe do SEANA, o desembaraço das mercadorias foi autorizado, sendo registrada a DSE 2000006437/2, anexada às fls.50, documento no qual consta a assinatura e matrícula do auditor responsável, no campo 7, exclusivo da SRF, atestando o desembaraço da mercadoria. 5. As decisões indicadas demonstram que a ora impugnante cumpriu as exigências necessárias ao registro da declaração (DSE), conforme o art.35, parágrafo único, I, da referida IN. 6. A assinatura do auditor, no campo 7 da DSE, atesta que todas as conferências necessárias ao desembaraço foram atendidas, o que permitiu a exportação dos alimentos, que se deu pela rodovia BR 174, pelos veículos identificados às fls.55, do processo interno em análise. 7. Acrescentase que a exportação foi precedida de verificação pela Vigilância Sanitária, atestandose a regularidade do produto, no campo 6 da DSE, bem como pelos docs. de fls.51/53 do referido processo interno, o que demonstra o atendimento do art.36 da IN 155/99. Vêse assim que a atuação da impugnante foi correta, que contava com a devida prévia autorização, pelo órgão competente, para promover a exportação. 8. Em face disso, entendese que a pendência apontada pela ALF/MNS, indicada no TIF 213/2006 (Seleção para exame documental e verificação física), corresponde a um equívoco, vez que traz dúvidas, inclusive, quanto à realização de exportação que há muito foi autorizada e celebrada. 9. Com o devido respeito, é possível que o referido equívoco tenha origem em procedimentos internos da própria Alfândega, considerandose que os atos de competência da Impugnante foram celebrados com sucesso, a exemplo do registro da DSE, Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10283.000598/200746 Acórdão n.º 3002000.658 S3C0T2 Fl. 231 4 bem como os procedimentos necessários ao desembaraço das mercadorias. 10. Por mais que isso não justifique o desatendimento da Intimação, os fatos são agora plenamente esclarecidos, para o efeito de demonstrar, entre outros, a desnecessidade da referida Intimação, que pretendia fiscalizar operação já consumada com aval da autoridade competente. 11. Não fosse suficiente o já alegado, a Intimação 213/2006 foi recepcionada fora do prazo no qual a Impugnante estaria obrigada a manter os documentos relativos à DSE. O art.41, p. único, da IN 155/99 diz: “Art. 41. O desembaraço da mercadoria cuja declaração tenha sido selecionada para o canal vermelho será registrado no Siscomex pelo AFRF designado para realizar a conferência aduaneira. Parágrafo único. Após o desembaraço aduaneiro, os documentos instrutivos da DSE serão devolvidos ao exportador, que deverá mantêlos em seu poder pelo prazo previsto na legislação." Crêse que o referido prazo de decadência para constituição do crédito tributário seja o do art. 173, I, do CTN, de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado. Assim, apesar da Impugnante possuir até hoje os documentos, não estava legalmente obrigada a possuílos e, por isso, apresentálos, na data da intimação, em setembro/2006, porque ultrapassados os cinco anos previstos em lei. 12. Contudo, seja por equívoco da repartição alfandegária, seja pelo decurso do prazo para manutenção dos documentos correspondentes, o teor da Intimação 213/2006 não oferece requisitos que atestem sua legalidade como ato administrativo. Não pode também servir como fonte razoável à imputação de penalidade. A Impugnante colaciona, em defesa, princípios inerentes à Adm. Pública, orientadores do PAF, a fim de que sejam aplicados no julgamento: legalidade, razoabilidade e proporcionalidade (vide argumentação às fls.27/31). Conclui que penalizar por força de Intimação que não deveria ter sido promovida deflagra atuação desproporcional do Estado, não sustentável pelo emprego literal dos dispositivos mencionados no AI. 13. Pelo exposto, pede que seja julgada totalmente improcedente o auto de infração, reconhecendose que a intimação 213/2006 não poderia prevalecer, seja pelo decurso do prazo para manutenção/apresentação dos documentos correspondentes à DSE especificada, seja porque o objeto que se pretendia fiscalizar, por tal intimação, já havia há muito sido solucionado pela própria Repartição Alfandegária, não havendo que se falar em obstáculos a esta fiscalização. Ademais, não poderia a Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10283.000598/200746 Acórdão n.º 3002000.658 S3C0T2 Fl. 232 5 Impugnante ser penalizada por decorrência de possível equívoco do referido órgão, o que se fortalece com os princípios da legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. " Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife julgou improcedente a Impugnação, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/09/2006 MULTA POR EMBARAÇO À AÇÃO FISCAL. Em face do dever de colaboração com a autoridade administrativa aduaneira, a falta de qualquer resposta à intimação fiscal especificada, no prazo legal concedido, confirma a caracterização da hipótese prevista no art.107, IV, “c” do Dl 37/66, c/a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/03. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 158/175), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, alegando em sua defesa, em linhas gerais, a não obrigatoriedade de guarda e apresentação de documentos, a regularidade do procedimento de exportação, a necessidade da interpretação mais favorável ao contribuinte (art. 112, CTN) e a aplicação dos Princípios da Administração Pública. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10283.000598/200746 Acórdão n.º 3002000.658 S3C0T2 Fl. 233 6 A questão realmente posta em discussão nos presentes autos se refere a pertinência e adequação da autuação fiscal imposta a ora recorrente por ter, supostamente, embaraçado ou dificultado a fiscalização e, por isso, ter ficado sujeita à penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; ......................................................................................................... (grifo nosso) Como já relatado anteriormente, a ora recorrente quer ver desconstituído o lançamento da penalidade, trazendo em sua defesa as seguintes matérias: a não obrigatoriedade de guarda e apresentação de documentos, a regularidade do procedimento de exportação, a necessidade de interpretação mais favorável ao contribuinte (art. 112, CTN) e a aplicação dos Princípios da Administração Pública. Então, desde logo, urge assentarse duas premissas básicas: a penalidade não foi imposta por ter havido qualquer irregularidade no procedimento de exportação realizado no ano de 2000 e, tão pouco, decorreu da falta de apresentação de qualquer documento relacionado a tal exportação. Assim sendo, tais matérias trazidas no Recurso Voluntário, não tem o condão de infirmar a justeza da multa lavrada. Com efeito, o que se necessita perquirir é se, no caso sob análise, a contribuinte realmente dificultou ou embaraçou à fiscalização, pela falta de atendimento à intimação realizada pelo Fisco, fato este sim, que embasou a lavratura do Auto de Infração. Assim, da leitura da peças recursais, tanto da Impugnação, como do Recurso Voluntário, constatase que a falta de atendimento à intimação recebida não foi contestada em momento algum pela contribuinte. Em realidade, ao contrário disso, o sujeito passivo confessou sua omissão: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10283.000598/200746 Acórdão n.º 3002000.658 S3C0T2 Fl. 234 7 "Por mais que isso não justifique o desatendimento à intimação assinalada..." (fl. 25) "Julgando inócua a intimação pelo fato do procedimento estar regular e pelo tempo acima do prazo decadencial, a Recorrente não a respondeu." (fl.160) "Autuar com base em mera falta de resposta à intimação, não levandose em conta as peculiaridades do caso concreto, vai contra o melhor entendimento sobre o que configura embaraço à ação fiscal." (fl. 169) (grifo nosso) Logo, quanto ao ato em si, que teria caracterizado, segunda a fiscalização, o embaraço, isto é, a ausência de apresentação de resposta à intimação, seja por a recorrente não têlo contestado, seja por ela têlo, de fato. confessado, temolo como incontroverso. Por outro lado, observase do disposto na alínea c, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/1966 que a conduta tipificada como sujeita à cominação da penalidade em questão é a prática de uma ação ou omissão que resulte em embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira. Contudo, ressaltese que o legislador inseriu uma conduta no citado dispositivo que implica, desde logo, no embaraço, qual seja: "no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal". Por conseguinte, em decorrência da própria Lei, a não apresentação de resposta tempestiva à intimação da fiscalização deve ser considerada embaraço. Assim sendo, enquanto em outras condutas, a fiscalização deve demonstrar os motivos pelos quais aquelas ensejaram "embaraçar, dificultar ou impedir" ação da fiscalização, na não apresentação de resposta à intimação, no prazo estipulado, a própria Lei tratou de definila dessa maneira, portanto, não havendo margem para discussão. Dessa forma, no caso ora analisado, restando demonstrado nos autos que a contribuinte deixou de apresentar resposta à intimação fiscal, a sua conduta é típica e, por conseqüência, encontrase perfeitamente cabível a exigência da penalidade por embaraço, formalizada através do Auto de Infração em apreço. Quanto à menção feita pela recorrente ao art. 112 do Código Tributário Nacional, esta melhor não a socorre em sua defesa, pois tal dispositivo disciplina a interpretação da lei tributária de forma mais favorável ao contribuinte somente em casos onde haja dúvida em relação à capitulação legal do fato ou em relação às circunstâncias do próprio fato. Porém, como já explanado, sendo o fato ensejador da penalidade inconteste e, ainda, a disposição legal expressa, não há que se cogitar qualquer dúvida. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10283.000598/200746 Acórdão n.º 3002000.658 S3C0T2 Fl. 235 8 Ademais, quanto aos Princípios Administrativos invocados pela contribuinte em sua defesa, vale lembrar que a atividade fiscal de lançamento é obrigatória e vinculada, conforme o disposto no parágrafo único, do art. 142, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifo nosso) Por fim, quanto ao argumento recursal da existência de boafé por parte da contribuinte, reproduzo excerto do voto condutor do Acórdão recorrido, no qual se evidencia, a meu sentir, os fundamentos para rejeitarse tal alegação, pois resta claro que sua omissão demonstra o contrário do asseverado: "(...) Há para as pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, o dever de colaborar com a fiscalização, vale dizer colaborar com a administração aduaneira e tributária na sua missão constitucional de controlar as operações aduaneiras, envolvam ou não créditos tributários, posto que nas operações de comércio exterior há interesses extrafiscais que extrapolam o estrito interesse de arrecadar. (...) Vale dizer, era perfeitamente possível à intimada que apresentasse naquele prazo indicado pela autoridade aduaneira, por exemplo, os mesmos esclarecimentos que se dignou a apresentar somente agora neste processo, depois de lavrado o auto de infração por embaraço à fiscalização, e poderia fazêlo mesmo sem que apresentasse qualquer documento, afinal não mais exigível tal apresentação, porém, o que não poderia era ignorar a intimação, isto é, não poderia se furtar ao seu dever de colaborar com a administração aduaneira. Uma vez intimado pela autoridade aduaneira a prestar esclarecimentos necessários ao saneamento de pendência remanescente no sistema de controle da Receita Federal, cabia à ora impugnante responder, ainda que o fizesse apenas para esclarecer os fatos de seu conhecimento, mesmo sem Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10283.000598/200746 Acórdão n.º 3002000.658 S3C0T2 Fl. 236 9 apresentar qualquer documento, ou ainda que fosse para apenas manifestar seu entendimento de impropriedade da intimação." (grifo nosso) Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na íntegra o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.006184/2002-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1997
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-008.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1997 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 61 84 /2 00 2- 16 Fl. 414DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3201001.102, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntários, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. DESCRIÇÃO EQUIVOCADA DO FATO PUNÍVEL. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. A correta descrição do fato que motiva o lançamento é requisito formal de validade do auto de infração, nos termos do art. 10, III, do Decreto nº 70.235 de 1972. Demonstrado, no curso do processo administrativo, que a motivação do auto de infração não subsiste no plano fático, não é possível manter a exigência fiscal que lhe é subjacente. O referido vício formal torna nulo o auto de infração. Precedentes.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O Colegiado a quo deu provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário – PIS, entendendo que, considerando que a autuação se deu à não comprovação do processo judicial informado em DCTF – não se poderia manter o lançamento por outros fundamentos; · Não se vislumbra qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa, uma vez que o contribuinte, no bojo das suas manifestações demonstrou compreender o conteúdo da autuação em todos os seus aspectos, irresignandose contra todos os pontos controvertidos do presente processo; Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10283.006184/200216 Acórdão n.º 9303008.130 CSRFT3 Fl. 413 3 · Só existe nulidade do lançamento por cerceamento de defesa se restar caracterizado o óbice ao exercício do direito, de modo que o tema sub examine não tenha sido aventado na impugnação e no recurso voluntário. Em outras palavras, ocorre o dito cerceamento, quando a imputação e a finalidade do auto de infração não são sequer compreendidas pelo sujeito passivo. Em Despacho às fls. 366 a 367, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido, pois os paradigmas não se prestam a demonstrar o dissídio jurisprudencial; · Deve ser mantido integralmente a decisão recorrida sob pena de violação à coisa julgada e de tornar letra morta a decisão judicial transitada em julgado; · Cooo o fisco nunca questionou a apuração da contribuição ao PIS, nos termos dos Decretos Lei 2445/88 e 2449/88, mas apenas questionou a suposta inexistência de processo judicial com o CNPJ, não pode tentar reabrir esta discussão com outro fundamento, ainda mais sob o pretexto de comprovar a existência dos créditos usados em uma compensação em 1997; · E ainda assim já estaria decaído o seu direito de rever e questionar a apuração dos valores de PIS reconhecidos judicialmente, nos termos do art. 150, § 4º e também do art. 173, inciso I, do CTN, bem como da Súmula 8 do STF. É o relatório. Voto Fl. 416DF CARF MF 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Ora, recordase que o presente processo considerou que o fundamento do auto de infração era a falta de comprovação de processo judicial com CNPJ próprio da recorrida, sendo demonstrado que há ação judicial com CNPJ de empresa regularmente incorporada pelo contribuinte, que reconheceu o direito à compensação dos valores pagos indevidamente a título de contribuição ao PIS, nos termos dos Decretos Lei 2.445/88 e 2.449/88. Ou seja, a decisão recorrida considerou que o contribuinte incorporou a autora daquela ação judicial que resultou no reconhecimento do indébito tributário relativo ao PIS e tais créditos passaram a ser de titularidade dele – por sucessão. Eis parte do voto do acórdão recorrido: “[...] Conforme já relatado, o fundamento do lançamento é a falta de comprovação de processo judicial com CNPJ próprio da Recorrente. Ocorre que, conforme restou amplamente demonstrado pela Recorrente durante o curso do processo, há processo judicial com CNPJ de sociedade que foi por ela incorporada regularmente. Convém ressaltar que, de acordo com o art. 227 da Lei nº 6.404 de 1976, a incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Ora, como a Recorrente incorporou a autora da ação que resultou no reconhecimento do indébito tributário relativo à contribuição para o PIS recolhido com base nos DecretosLei nºs 2.445 e 2.449 de 1988, os respectivos créditos passaram a ser de titularidade da Recorrente. [...]” Para melhor elucidar, cabe discorrer sobre os acórdãos indicados como paradigma: · Acórdão 20312.427 “Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/08/1997 a 31/12/1997 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10283.006184/200216 Acórdão n.º 9303008.130 CSRFT3 Fl. 414 5 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, na parte em que trata do mesmo objeto. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 08/1997 A 12/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DIVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFICIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de oficio respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Recurso provido em parte.” Nesse caso do paradigma, discutiuse a concomitância e em nenhum momento o nº de processo judicial com CNPJ de empresa incorporada. Ademais, o voto vencedor daquele acórdão também trouxe que os valores lançados não estavam confessados e que, por isso, precisavam ser lançados. Tanto é assim que trouxe “para mim só pode haver cobrança dos saldos a pagar, os valores informados nas DCTF como débitos, mas que restaram não confessados porque reduzidos conforme a compensação declarada, somente podem ser exigidos se mantido o presente lançamento.” O que, por conseguinte, retirou a multa de 150%. E, nessa linha, decidiu por “em face da opção pela via judicial não conhecer do Recurso no que trata do direito aos créditos alegados, e na parte conhecida dar provimento parcial para cancelar a multa de ofício lançada, procedendose à compensação declarada com obediência aos parâmetros definidos no provimentos judicial que transitou em julgado na ação nº 96.00017913.” Vêse, assim, que o voto vencedor em nenhum momento aventou o art. 10 do Decreto 70.235/72, tal como no acórdão recorrido, tampouco tratou de sucessão. Sendo assim, entendo que a divergência não restou comprovada, Fl. 418DF CARF MF 6 vez que o paradigma, além de não ter tratado de processo de empresa incorporada, não conseguiu rebater em nenhum momento os fundamentos trazidos no acórdão recorrido. · Acórdão 20310.933: “Ementa: PIS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODO DE APURAÇÃO 11/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI N° 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei n° 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei n° 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio.” Vêse que, nesse caso, o que se discutiu foi o art. 170A do CTN, pois o contribuinte procedeu com a compensação antes do trânsito em julgado da ação judicial. Retirou a multa de 150% e considerou que os débitos não estavam confessados em DCTF. O que, por conseguinte, entendo que não tratou do mesmo caso discutido no acórdão recorrido, bem como não conseguiu rebater os fundamentos aventados na situação dos autos (processo de empresa incorporada, sucessão e art. 10 do Decreto 70.235/72. Em vista de todo o exposto, entendo que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não deva ser conhecido. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10283.006184/200216 Acórdão n.º 9303008.130 CSRFT3 Fl. 415 7 Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
