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Numero do processo: 10640.723437/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2301-005.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada, alterar a ementa e dispositivo da decisão, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada, alterar a ementa e dispositivo da decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada, alterar a ementa e dispositivo da decisão, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 34 37 /2 01 1- 02 Fl. 152DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Savio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2301004.966 de 16/03/2017, prolatado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF (efls. 136/140), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). O processo foi encaminhado à PGFN em 25/05/2017 (Despacho de Encaminhamento de efl. 141). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após essa data. Em 26/06/2017, tempestivamente, foram interpostos os Embargos de Declaração de efl. 142 (Despacho de Encaminhamento de efl. 143), nos seguintes termos: A Fazenda Nacional requer, ao ensejo, que seja RETIFICADO o dispositivo do acórdão e do voto condutor de modo que passe a constar que o Colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, e não apenas provimento. Isso porque no recurso, o contribuinte interessado faz outros pedidos (cancelamento do Auto de Infração, exclusão e redução da multa de ofício, etc.) não acolhidos, de forma total ou parcial, pela Turma. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10640.723437/201102 Acórdão n.º 2301005.836 S2C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado nos seus artigos. 65 e 66, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, bem como artigo 66 do RICARF dispõe que inexatidões materiais serão corrigidas mediante embargos. A partir da leitura do Recurso Voluntário, verificase que o Recorrente além de requerer a aplicação da regra de competência para tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, requer também a revisão do percentual de multa aplicado, alegando inclusive o caráter confiscatório da multa, bem como a inobservância dos princípios da razoabilidade e devido processo legal. Considerando que o Acórdão recorrido somente enfrenta a questão da regra de competência para tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, há omissão no sentido de que não foi analisada a questão do lançamento tributário a inobservância dos princípios do não confisco, da razoabilidade e do devido processo legal na quantificação da multa. Como se trata de matéria que não pode ser apreciada pelo CARF nos termos da Súmula 2 do CARF, que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o Acórdão embargado tem que ser retificado para que não seja conhecido o Recurso Voluntário no tocante às alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, seja dado provimento parcial ao Recurso Voluntário. Dessa forma, voto por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada seja a alterada a parte dispositiva do Acórdão e sua ementa no seguinte sentido: Parte Dispositiva: Fl. 154DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, e darlhe provimento, nos termos do voto do relator. Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000809/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Não comprovada retenção de imposto de renda, não há de se falar de dedução do imposto devido no ajuste anual.
Numero da decisão: 2402-007.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não comprovada retenção de imposto de renda, não há de se falar de dedução do imposto devido no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 78/85) em face do Acórdão n. 13 39.435 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II DRJ/RJ2 (efls. 70/72), que julgou improcedente a impugnação (efls. 02/04), mantendo o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 08 09 /2 00 8- 00 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13706.000809/200800 Acórdão n.º 2402007.104 S2C4T2 Fl. 120 2 crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2005/607400233402086 no total de R$ 79.598,00 (e fls. 08/12) constituído em 17/01/2008 (efl. 27) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). A RFB procedeu à revisão de ofício do lançamento em apreço, tendo em vista Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), de iniciativa do sujeito passivo, conforme previsto na Instrução Normativa RFB n. 958, de 15 de julho de 2009, e alterações posteriores, que foi indeferida nos termos da decisão de efl. 06. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 02/04) em 15/08/2008, julgada improcedente pela instância de piso, conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Não comprovada a efetiva retenção do valor declarado, cumpre manterse a glosa de imposto de renda retido na fonte descrita na notificação de lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do teor do Acórdão n. 1339.435 (efls. 70/72) em 20/12/2013 (efl. 75), o impugnante, agora Recorrente, apresentou Recurso Voluntário (efls. 78/85) na data de 17/01/2014 alegando, em linhas gerais, ser indevida a glosa do IRRF procedida pela autoridade lançadora. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O Recurso Voluntário (efls. 78/85) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Passo à análise. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), relacionado a depósito judicial efetuado no âmbito de ação ordinária na Justiça Federal (R$ 14.485,48) e à Reclamatória Trabalhista n. 1829/92 (R$ 59.346,90), vez que não comprovado o IRRF no valor total de R$ 73.832,38 (correspondente à Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13706.000809/200800 Acórdão n.º 2402007.104 S2C4T2 Fl. 121 3 soma de R$ 14.485,48 e de R$ 59.346,90) declarado pelo Recorrente na DIRPF/2005 (efls. 23/26). Muito bem. Ao apreciar a impugnação (efls. 02/04), a instância de piso concluiu que não restou comprovada retenção de imposto de renda de R$ 73.832,38 declarado pelo Recorrente. Por oportuno, destaco, no essencial o voto condutor do Acórdão n. 1339.435 (efls. 70/72): [...] O Interessado admite em sua impugnação que o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos recebidos da Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social estaria sendo depositado em juízo conforme processo nº 2002.5101.0053550. Segundo o Impugnante, o imposto de renda referente ao montante recebido a título de valores incontroversos da Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social teria sido liberado por meio de alvará judicial, cuja cópia não se encontraria disponível. De acordo, ainda, com o Contribuinte, caberia se aguardar o trânsito em julgado dos processos judiciais de execução. No que tange à infração em análise, é imperativo destacar que não há nos autos provas da retenção do imposto de renda de R$ 73.832,38 sobre os rendimentos recebidos da Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social no anocalendário de 2004. Vale frisar que tal importância de imposto de renda retido na fonte tampouco consta da DIRF apresentada pela Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social. Nesse sentido, a DIRF apresentada pela referida pessoa jurídica, aponta apenas R$ 14.485,48 de imposto de renda objeto de depósito judicial. Fazse mister ressaltar que não podem ser compensados na declaração de ajuste anual valores depositados judicialmente, haja vista não configurar renda disponível para a Fazenda até que haja decisão transitada em julgado favorável à União Federal. Inexistindo, portanto, provas da retenção do imposto de renda de R$ 73.832,38 informado pelo Interessado em sua declaração do exercício 2005, há que se confirmar a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte apontada na notificação de lançamento em tela. [...] Por sua vez, o Recorrente, em sede de recurso voluntário, acosta aos autos decisões judiciais (Justiça Federal e do Trabalho), relacionadas ao presente litígio, bem assim, comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte AC 2004 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13706.000809/200800 Acórdão n.º 2402007.104 S2C4T2 Fl. 122 4 emitido pela fonte pagadora Real Grandeza Fundo de de Previdência e Assistência Social (e fls. 88/112) e aduz, em linhas gerais, a improcedência da glosa de IRRF compreendendo os valores de R$ 14.485,48 e de R$ 59.346,90, totalizando R$ 73.832,38. Preliminarmente, é oportuno destacar que não faz parte do escopo deste processo qualquer discussão acerca da incidência de imposto de renda sobre a parcela referente à complementação de aposentadoria paga por entidade de previdência privada, a teor do Enunciado n. 556 de Súmula STJ, uma vez que essa matéria não foi trazida pelo Recorrente em sede administrativa, bem assim já foi objeto de apreciação judicial, conforme informado nos autos. Pois bem. Conforme já relatado, a glosa de IRRF em apreço totalizou o valor de R$ 73.832,38 que compreende IRRF de R$ 14.485,00 discutido no âmbito da Justiça Federal e R$ 59.346,90 na esfera trabalhista. A retenção de R$ 14.485,00 referese a imposto de renda sobre o rendimento tributável de complementação de aposentadoria recebido pelo Recorrente da fonte pagadora Fundação Real Grandeza no AC 2004, no valor total de R$ 81.960,02, e foi objeto de depósito judicial em decorrência de ação judicial de natureza tributária em face da União Federal na qual se discute isenção do imposto de renda retido na fonte incidente sobre a complementação de aposentadoria paga pela entidade de previdência privada REAL GRANDEZA — Fundação de Previdência e Assistência Social, com fulcro na Lei no 7.713/88, bem como a restituição dos valores pagos indevidamente, corrigidos monetariamente. Consoante informa o Recorrente, a referida demanda judicial transitou em julgado, havendo o competente juízo determinado a conversão em renda da União do saldo remanescente da conta 0625.635.160037483, conforme requerido pela Procuradoria da Fazenda. Entretanto, o Recorrente não elucida, nem comprova, o quantum de IRRF foi convertido em favor da União Federal, limitandose à seguinte assertiva: Dessa forma, o valor de R$ 14.485,48, objeto da glosa, muito provavelmente já esteja de posse do Erário, já que fora deferido a transferência para a União do montante depositado judicialmente, durante todos esses anos. Mesmo que a transferência para o Erário, do montante depositado judicialmente ainda não tivesse efetivado, razão não assistiria à Receita, pois configuraria pagamento do mesmo imposto duas vezes, o que é ilegal. Deduz assim que o Recorrente não apenas não tem a certeza necessária do exato valor da conversão em renda relativa ao IRRF, bem como sequer do próprio evento de conversão em si, transferindo à RFB o ônus da prova. De se observar ainda que o Recorrente parece desconhecer o total de IRRF efetivamente alcançado pela decisão judicial, inclusive se o valor glosado (R$ 14.485,48) estaria incluído, conforme se observa de excerto do Recurso Voluntário (efls. 78/85): Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13706.000809/200800 Acórdão n.º 2402007.104 S2C4T2 Fl. 123 5 A isenção do tributo restringiuse às contribuições vertidas pelo requerente à entidade de previdência privada, no período de 01/1989 a 12/1995, ou até a data da aposentadoria, no caso do requerente que se aposentou em 29/05/91. A execução do julgado foi com base no somatório do valor dessas contribuições atualizado monetariamente, e o imposto de renda passou a não incidir sobre as complementações de aposentadoria até que o somatório dos valores dos benefícios alcançasse o montante referente ao total das contribuições cabendo então, novo cálculo do imposto devido com a exclusão dessas contribuições dos rendimentos tributáveis das Declarações de Ajuste Anual. A partir de então, o tributo voltou a incidir normalmente sobre as complementações de aposentadoria, com a alíquota de acordo com a legislação. Inclusive a Fundação Real Grandeza não mais deposita judicialmente o valor do 1RRF. Nesse precário contexto probatório, não vislumbro como atender ao pleito do Recorrente, vez que ausente DIRF nos sistemas da RFB que lastreie a retenção pretendida, bem assim inexistente nos autos qualquer outro elemento de prova inequívoca da efetiva retenção no valor de R$ 14.485,48 no AC 2004, ainda que parcialmente, observandose que, na seara tributária, o ônus da prova é de quem dela se aproveita. Noutro giro, a retenção de imposto de renda no montante de R$ 59.346,90 diz respeito a rendimentos recebidos no âmbito da Reclamatória Trabalhista n. 1829/92 em face da Fundação Real Grandeza. Da análise dos documentos acostados às efls. 15/20 não se pode concluir pela ocorrência de retenção de imposto de renda, nem em qual ordem de valor, vez que ausente nos autos a planilha de cálculos, homologada pelo respectivo juízo, discriminando a natureza das verbas que compuseram o total recebido pelo Recorrente, bem assim a respectiva retenção de imposto de renda em face do que foi efetivamente depositado. Da mesma forma, também não resta evidenciada a conexão entre o valor informado pelo Recorrente concernente ao valor recebido na demanda trabalhista e o IRRF de R$ 59.346,90 supostamente retido no AC 2004. É dizer, o conjunto probatório acostado aos autos não se reveste da robustez necessária a lastrear a retenção pretendida no valor de R$ 59.346,90, ainda parcialmente. Nessa perspectiva, não se identifica nos autos retenção de imposto de renda a atrair a regra tipificada na Lei n. 7.713/88, na Lei n. 9.250/95, no Decreto n. 3.000/99 RIR/99 (na redação vigente à época dos fatos) e demais legislação correlata, para fins de dedução de IRRF do imposto devido apurado na sua Declaração de Ajuste Anual. Assim, não merece reparo a decisão recorrida, mantendose integralmente o lançamento consignado na Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física n. 2005/607400233402086 (efls. 08/12). Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13706.000809/200800 Acórdão n.º 2402007.104 S2C4T2 Fl. 124 6 Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 78/85) e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903968/2009-40
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 34838.24244.280705.1.3.043183, em 28.07.2005, fls. 1418, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 39 68 /2 00 9- 40 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13888.903968/200940 Acórdão n.º 1003000.461 S1C0T3 Fl. 194 2 Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, apurado no segundo trimestre do anocalendário de 2004 no valor de R$38.595,19, contido no DARF de R$118.598,17, arrecadado em 30.07.2004 para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 38.595,19 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1431.171, de 07.10.2010, fls. 9597: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 13.01.2011, fl. 101, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.01.2011, fls. 102109, esclarecendo que: 1. A matéria versada nos autos está relacionada com a glosa da compensação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pago indevidamente no segundo trimestre do anocalendário de 2004 no importe de R$38.595,19 que atualizado até a data da compensação montou em R$44.812,87, objeto do PER/DCOMP n° 34838 24244.280705.1.3.043183. (Doc. 2) 2. A recorrente é tributada pelo Lucro Presumido e apresentou a DIPJ 2005 Ano Calendário 2004 (Doc. 3). No segundo trimestre, conforme demonstrado na ficha 14 A Apuração do Imposto de Renda Sobre o Lucro Presumido declarou na Linha 02 Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8 %, o valor de R$3.334.848,91 e na Linha 16 — Demais Receitas e Ganho de Capital, o valor de R$149.371,81, cujos valores apresentaram uma base de calculo de R$416.159,72 e consequentemente um imposto de renda a pagar, demonstrado na Linha 31, na ordem de R$98.039,93. 3. A RECORRENTE ao apresentar a DCTF do mesmo período informou no Quadro de Debito Apurado e Créditos Vinculados R$ do 2° TRIMESTRE/2004 Débito Apurado Valor do Debito, o valor de R$136.635,12 e no quadro Pagamento Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13888.903968/200940 Acórdão n.º 1003000.461 S1C0T3 Fl. 195 3 com DARF — R$ Total: 136.635,12, distribuídos em dois DARF's sendo um de R$18.036,95 e o outro de R$118.598,17. Entre o valor apurado na DIPJ/2005 de R$98.039,93 e o declarado na DCTF e recolhido no importe de R$136.635,12, apurouse uma diferença recolhida indevidamente de R$38.595,19. 4. Assim a RECORRENTE solicitou através do PER/DCOMP a compensação da diferença recolhida indevidamente. 5. A r. decisão ressaltou que a reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do pagamento indevido, fazendo necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando com os registros contábeis, alegando, ainda que a DIPJ tem caráter meramente informativo e as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida e que a DCTF foi destinada a tal fim, não reconhecendo o direito creditório, por conseguinte não homologou a compensação exigindo o credito tributário no importe de R$82.675,25 atualizado na forma da legislação pertinente. [...] Considerando que existem dois documentos que formalizaram a obrigação assessoria, que são a DIPJ e a DCTF e os valores nelas declarados são divergentes, não pode a RECORRENTE ser penalizada sob a alegação que a DIPJ na qual está demonstrada a totalidade de suas receitas, que fora a base de calculo do Imposto de Renda calculado pelo Lucro Presumido, não ser reconhecida sob a alegação que seria necessária a comprovação das receitas nela declarada e considerar a DCTF como documento hábil para a exigência do credito tributário. A DIPJ, ao ser preenchida tem as informações nela declarada consubstanciadas nos registros contábeis da RECORRENTE, e nela existe toda uma sistemática de apuração dos impostos e contribuições que resultam no crédito devido aos cofres da União. [...] Notese que não se trata de incerteza de pagamento, haja vista que a RECORRENTE anexou os DARF's de pagamento do imposto. A rigor, pela r, decisão ora recorrida, tratase de comprovação das receitas que gerou o importo devido e é o que está informado na DIPJ. [...] A RECORRENTE, atende a forma da legislação pertinente mantendo a sua escrituração contábil na forma da legislação comercial e, para tanto, anexa o Razão do anocalendário de 2004 (Doc. 4), extraindo dele a totalidade das suas receitas declaradas na DIPJ do respectivo ano, bem como, o Balancete do 2º trimestre em particular, que comprova o imposto pago a maior, objeto do presente recurso. Se são válidos os procedimentos adotados pela RECORRENTE, com base no art. 923 do RIR/99, e transcritos na DIPJ/2005, imerecida é a penalidade a ela aplicada de glosar o crédito em seu favor, pago indevidamente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente e faz referência a entendimentos jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Por derradeiro, diante do inquestionável direito, e considerando tudo o mais que foi alegado em seu benefício no presente, espera ela que esse E. Conselho, sensível aos fatos evidenciados e às razões jurídicas apresentadas, reformule a decisão recorrida para admitir a compensação e, se entender necessário, autorizar a retificação da DCTF do 2º trimestre de 2004 declarando o imposto devido de acordo Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13888.903968/200940 Acórdão n.º 1003000.461 S1C0T3 Fl. 196 4 com o devido e efetivamente declarado na DIPJ/2005, a fim de que fique restabelecida a JUSTIÇA. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita comprovar a inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de pagamento a maior de IRPJ, código 2089, no valor de R$38.595,19, apurado no segundo trimestre do anocalendário de 2004 e arrecadado em 30.07.2004. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13888.903968/200940 Acórdão n.º 1003000.461 S1C0T3 Fl. 197 5 orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 3. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13888.903968/200940 Acórdão n.º 1003000.461 S1C0T3 Fl. 198 6 escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Em sede recursal a Recorrente apresenta o Balancete de Verificação, fl. 112 e o excertos do Livro Razão Analítico, fls. 113118, com registros anuais que não possibilitam a identificação de forma explícita, clara e congruente o direito creditório pleiteado. Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Consta no Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1431.171, de 07.10.2010, fls. 9597, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Com efeito, no que diz respeito ao IRPJ, informado como origem do crédito na PER/Dcomp de n° 34838.24244.280705.1.3.043183, observo que a contribuinte declarou em sua DCTF, 2° trimestre de 2004, como débito apurado de IRPJ (código de receita: 2089), o valor de R$ 136.635 12, que foi pago mediante dois DARF, um no valor de R$ 118.598,17 e outro no valor de R$ 22.501,09 (principal no valor de R$ 18.036,95), conforme documento de fl. 09 dos autos, ou seja, o indébito fiscal objeto de compensação no presente processo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de IRPJ, código de receita: 2089, do 2° trimestre de 2004 (fl. 45 dos autos). Inclusive, conforme relatado, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba (fl. 07) não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte (período de apuração: 30/06/2004), não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP de n° 34838.24244.280705.1.3.043183. Na manifestação de inconformidade, por sua vez, a interessada alega a existência do crédito, comprovando suas alegações; essencialmente, por intermédio de sua DIPJ/2005 (fl. 12), cujo valor informado a título de IRPJ é na cifra de R$ 98.039,93, e cópias dos documentos de arrecadação federal (fl. 09), no montante de R$ 136.635,12. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13888.903968/200940 Acórdão n.º 1003000.461 S1C0T3 Fl. 199 7 Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 60, inciso I, a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim, ou seja, é confissão de dívida, tem o condão de constituir o crédito tributário, materializandoo, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Nesse compasso, ante a exame simultâneo dos dados contidos no Sistema Gerencial de Controle das DCTF transmitidas pela contribuinte, atinentes ao 2° trimestre do anocalendário de 2004, fica patente que o interessado promoveu retificações na DCTF original, apresentando, em 2610512009, DCTF retificadora na qual declarou o montante de R$ 136.635,12 a título de IRPJ (código de receita: 2089), relativo ao 2° trimestre de 2004 (fls. 42/76). Assim, de posse das informações evidenciadas pelo próprio manifestante em sua DCTF — 2° trimestre de 2004, a decisão administrativa certificou razões que ensejaram não homologar a compensação declarada, defronte a caracterização da inexistência de disponibilidade em relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto restar configurado sua vinculação integral em débito confessado na DCTF. Neste cenário, por sinal, como já frisado, as informações prestadas em DCTF possuem o caráter de confissão de dívida e tem seus efeitos determinados com fulcro no art. 5 °, do Decretolei n° 2.124, de 13/06/1984, cujo exercício da retificação espontânea das declarações deve ser executado mediante observância de parâmetros e limites fixados pela legislação tributária. Registrese que ainda há na DCTF do 2° trimestre de 2004 declaração da existência de débito de IRPJ, código de receita: 2089, no valor de R$ 136.635,12, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário, pois este documento goza do efeito de confissão legal de dívida (Decretolei n° 2.124, de 1984, artigo 5% § 1°). Se há contradição e desejando a recorrente fazer valer montante diverso daquele regularmente declarado incumbialhe apresentar provas que permitissem albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13888.903968/200940 Acórdão n.º 1003000.461 S1C0T3 Fl. 200 8 ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 151512007. (gn) Assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Neste contexto, o artigo 45 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, [...] Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Dessa forma, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.720678/2012-70
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento parcial para afastar a glosa da despesas médicas com Carolina Ramos Bulzing - R$4.060,00, Paula Cristina Araújo Gamborgi - R$4.000,00 e Felipe Peluso Waltrick, no montante de R$6.400,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento parcial para afastar a glosa da despesas médicas com Carolina Ramos Bulzing R$4.060,00, Paula Cristina Araújo Gamborgi R$4.000,00 e Felipe Peluso Waltrick, no montante de R$6.400,00. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 06 78 /2 01 2- 70 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13984.720678/201270 Acórdão n.º 2002000.716 S2C0T2 Fl. 93 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 09 a 14), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.076,85, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 47 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 04/05/12, mediante as alegações relatadas a seguir: Entende ter comprovado as despesas realizadas, uma vez que anexou os prontuários dos tratamentos acompanhados dos recibos emitidos pelos profissionais de saúde. Pede que a Notificação de Lançamento seja cancelada. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 17/09/2014, no acórdão 0363.581 às efls. 51 a 54, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 59 a 87, alegando, em síntese, que possui todos os recibos médicos e que estes foram apresentados, motivo pelo qual a glosa deve ser afastada. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13984.720678/201270 Acórdão n.º 2002000.716 S2C0T2 Fl. 94 3 Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 20/10/2014, efls. 57, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 13/11/2014, efls. 59, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Felipe Peluso Waltrick R$8.000,00; · Felipe Peluso Waltrick R$12.000,00;; · Paula Cristina Araújo Gamborgi R$4.000,00; · Carolina Ramos Bulzing R$4.060,00. A DRJ manteve a autuação sob fundamento de que o contribuinte não colacionou aos autos prova do efetivo pagamento das despesas médicas, como se vê: Além dos requisitos acima elencados, entendo que a Fiscalização pode exigir comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas quando assim entender necessário, desde que o contribuinte tenha sido intimado para tanto antes do lançamento. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13984.720678/201270 Acórdão n.º 2002000.716 S2C0T2 Fl. 95 4 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13984.720678/201270 Acórdão n.º 2002000.716 S2C0T2 Fl. 96 5 Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13984.720678/201270 Acórdão n.º 2002000.716 S2C0T2 Fl. 97 6 comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13984.720678/201270 Acórdão n.º 2002000.716 S2C0T2 Fl. 98 7 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 68, há declaração da profissional Paula Cristina Araújo Gamborgi, atestando que o contribuinte é seu paciente. Já as efls. 71 e 72 há os recibos emitidos pela profissional no valor de R$4.000,00. Às efls. 70 e 71 há recibos emitidos pela profissional Carolina Ramos Bulzing no importe de R$4.060,00. Às efls.73 a 78 há recibos emitidos pelo profissional Felipe Peluso Waltrick em favor do senhor Igor Ramos Panek, no valor de R$11.000,00, demonstrando que o contribuinte não arcou com tais despesas. Já às efls. 79 a 81 há recibos emitidos pelo mesmo profissional citado anteriormente, no valor de R$6.400, 00, emitidos em nome do próprio contribuinte, motivo pelo qual deve ser afastada a glosa deste montante. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, afastando a glosa da despesas médicas com Carolina Ramos Bulzing R$4.060,00, Paula Cristina Araújo Gamborgi R$4.000,00 e Felipe Peluso Waltrick, no montante de R$6.400,00. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13984.720678/201270 Acórdão n.º 2002000.716 S2C0T2 Fl. 99 8 Voto Vencedor Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Divirjo do i. relator quanto à possibilidade de restabelecimento das despesas médicas somente à vista dos recibos e declarações emitidas pelo profissional, visto que foi exigida da recorrente a comprovação quanto ao efetivo pagamento da despesa médica glosada. Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13984.720678/201270 Acórdão n.º 2002000.716 S2C0T2 Fl. 100 9 efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Portanto, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. Na verdade, é não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. A legislação tributária reproduzida outorga essa competência ao agente fiscal. Negar tal permissão significa avançar indevidamente sobre a Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13984.720678/201270 Acórdão n.º 2002000.716 S2C0T2 Fl. 101 10 condução da ação fiscalizadora estatal, restringindo o dever legal de investigação dos fatos, devidamente autorizado pela norma regulamentar. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado, visto que o uso de deduções em sua declaração de ajuste reduz a base de cálculo do IR. Esclareçase que a exigência da comprovação da efetividade do pagamento não conflita com a presunção de boafé da contribuinte, porquanto não se cogita, naquele momento, da existência de máfé na conduta do fiscalizado, mediante a prática de atos de falsidade, que levaria à aplicação de penalidade majorada. A alegação de que dispõe de renda suficiente para respaldar os pagamentos não socorre o recorrente, visto que lhe foi exigida a comprovação do efetivo pagamento dessas despesas. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721254/2010-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTOS QUE IDENTIFIQUE O USUÁRIO DO SERVIÇO DO PLANO DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DO COMPROVANTE.
Os documentos utilizados para comprovação de despesa médica do plano de saúde devem identificar individualmente o beneficiário do serviço. Permitida a dedução do imposto sobre a renda de despesa efetuada com o contribuinte, em tratamento próprio e de seus dependentes, quando houver, para efeito da legislação tributária. A glosa da dedução, parcial ou total, se justifica quando não cumpridos os requisitos legais.
Numero da decisão: 2001-001.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa de despesa médica no valor de R$ 14.818,40.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTOS QUE IDENTIFIQUE O USUÁRIO DO SERVIÇO DO PLANO DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DO COMPROVANTE. Os documentos utilizados para comprovação de despesa médica do plano de saúde devem identificar individualmente o beneficiário do serviço. Permitida a dedução do imposto sobre a renda de despesa efetuada com o contribuinte, em tratamento próprio e de seus dependentes, quando houver, para efeito da legislação tributária. A glosa da dedução, parcial ou total, se justifica quando não cumpridos os requisitos legais.
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DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTOS QUE IDENTIFIQUE O USUÁRIO DO SERVIÇO DO PLANO DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DO COMPROVANTE. Os documentos utilizados para comprovação de despesa médica do plano de saúde devem identificar individualmente o beneficiário do serviço. Permitida a dedução do imposto sobre a renda de despesa efetuada com o contribuinte, em tratamento próprio e de seus dependentes, quando houver, para efeito da legislação tributária. A glosa da dedução, parcial ou total, se justifica quando não cumpridos os requisitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa de despesa médica no valor de R$ 14.818,40. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 12 54 /2 01 0- 43 Fl. 93DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas, plano de saúde. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 8.143,92, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2008. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação da despesa do plano de saúde com a individualização dos participantes. A constituição do Acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa individualizadamente por participante do plano de saúde, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2009, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Recife. O valor apurado do imposto suplementar corresponde a R$ 8.143,92, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Glosa de dedução de despesas médicas, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 29.614,25. Motivo da glosa: falta de comprovação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à intimação. O direito à dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está previsto no art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), que assim dispõe: (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. O endereço deve ser aposto no recibo para que a Receita Federal, caso considere oportuno, possa intimar o profissional de saúde para prestar esclarecimentos. Destaquese que o domicílio fiscal da pessoa física pode diferir de seu endereço profissional. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10480.721254/201043 Acórdão n.º 2001001.102 S2C0T1 Fl. 94 3 Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. O contribuinte apresentou o comprovante da Sul América Companhia de Seguro Saúde do anocalendário 2008 no valor de R$ 29.614,25. Entretanto, tal documento não discrimina os beneficiários do seguro saúde. Portanto, será mantida a glosa das despesas médicas. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo a infração apurada pela autoridade lançadora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o recálculo do imposto suplementar a apagar no valor de R$ 8.143,92, referente ao ano calendário de 2008. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O Contribuinte impugnou o lançamento e apresentou o documento fornecido pela Sul América Companhia de Seguro Saúde, CNPJ nº. 01.685.053/000156, cujo valor, entretanto, foi contestado pelo Fisco, uma vez que o documento deveria ser discriminado por beneficiário. O Contribuinte obteve do plano de saúde novo documento informando os valores pertinentes unicamente ao Contribuinte pagos no ano calendário de 2008, totalizando R$ 18.612,02, e o encaminhou a esse Colegiado com o pedido de recálculo do IRPF suplementar, estando no aguardo da resposta. Ocorre que, bem antes da Notificação que originou o Processo acima indicado, o Contribuinte foi acometido de neoplasia maligna, fazendo jus, portanto, à isenção do imposto de renda sobre os proventos de sua aposentadoria oficial paga pelo INSS da aposentadoria complementar paga pela Banorte Fundação, a teor da Lei n. 7.713/88, art. 6, inciso XIV (posteriormente consolidada no Decreto n. 3.000/99, art. 39, inciso XXXIII) e demais normas aplicáveis. Esclarece o Contribuinte que é aposentado desde o ano de 1997 e que, após a constatação do aparecimento da doença, em agosto de 1998, requereu a isenção junto à Delegacia da Receita Federal, em Pernambuco, pedido esse que, depois de demorada tramitação, foi arquivado sob o fundamento de que deveria ser requerido junto ao INSS. Assim foi feito, tendo o INSS, porém, negado o pedido alegando que não fora demonstrada a contemporaneidade da doença o Contribuinte, então, impetrou o Mandado de Segurança Processo 000525943.2011.4.05.8300 perante o Juízo da 10ª. Vara Federal em Pernambuco, que concedeu a isenção desde a data da constatação do aparecimento da doença, comprovada por laudos médicos realizados Fl. 95DF CARF MF 4 em agosto de 1998. Depois de vários recursos, que chegaram até o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a decisão transitou em julgado, conforme comprovam os documentos ora anexados. Como se constata em sua Declaração do exercício de 2009, o Contribuinte incluiu como rendimentos tributáveis os proventos de sua aposentadoria paga pelo INSS e da aposentadoria complementar paga pela Fundação Banorte, já que ainda estava em curso seu pleito de reconhecimento da isenção fiscal. Em razão dessa inclusão, foi obrigado a pagar imposto de renda suplementar, além daquele já descontado na fonte. Porém, em face da concessão da isenção retroativamente à data da constatação do aparecimento da doença (agosto de 1998), conforme dito no item 6, supra, os proventos de sua aposentadoria oficial e de sua aposentadoria complementar passaram a ser considerados isentos da tributação desde agosto de 1998 e, por isso, revelase excessivo o valor do imposto de renda retido pelas fontes pagadoras dos proventos no anobase de 2008. Assim, não há mais porque falar se de pagamento suplementar de imposto de renda aventado no processo administrativo sob referência, mas, sim, de restituição do excesso de valor indevidamente recolhido. Ante o exposto, requer que seja julgada improcedente a exigência do imposto suplementar constante do Processo nº 10480721254/2010 43 e, bem assim, que seja restituída ao Contribuinte a quantia de R$.16.603,51, com os acréscimos devidos. Por oportuno, junta também a Certidão Narrativa expedida pela 10ª. Vara Federal em Pernambuco, onde tramitou o Mandado de Segurança aludido, narrando o andamento do processo e o trânsito em julgado da decisão, bem como a Procuração outorgada ao signatário desta petição. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Quanto à questão da ocorrência de doença grave o que resultaria em isenção do imposto sobre os proventos de aposentadoria do Recorrente, cabe ressaltar que está matéria não foi objeto de contestação na impugnação conforme fl. 2 dos autos, incorrendo em novação de lide em sede de Recurso Voluntário, com supressão de instância por não ter sido antes tratada. Também se constata que já foram considerados isentos na DAA os valores referentes a proventos de aposentadoria conforme fl. 12. Além disso, os documentos referentes a decisões judiciais datam de períodos posteriores ao ano base fiscalizado, pelo que se observa Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10480.721254/201043 Acórdão n.º 2001001.102 S2C0T1 Fl. 95 5 do mandado de segurança da 10º Vara da Justiça Federal, fl. 71, de 06/10/2011; decisão do STJ, fl. 82, de 29/02/2016; em que nenhum deles se observe tratarse do ano de 2008. Cumpre também esclarecer que as modificações de transposição de valores e campos na DAA – Declaração de Ajuste Anual somente podem ser feitas por Retificação de Declaração por iniciativa do próprio Contribuinte e antes do inicio de qualquer procedimento de início de verificação fiscal. Em vista do exposto, limitase a lide em sede de Recurso Voluntário no que se refere à despesa médica e à correspondente comprovação. A Autoridade Fiscal sustenta suas afirmações com base nas seguintes ocorrências apontadas no Lançamento: Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de R$ 29.614,25 deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC Fl. 97DF CARF MF 6 de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; A decisão do acórdão diz que a infração é resultado da dedução indevida de despesas médicas pagas a plano de saúde de forma que não permite identificar os beneficiários. O valor informado na DAA como dedutível foi de R$ 29.614,25, tendo sido glosado na sua totalidade porque o documento não individualizou os beneficiários do plano de saúde. Transcrevo a seguir os termos finais da decisão do Acórdão da DRJ que glosou as despesas tidas como dedutível pela contribuinte: O contribuinte apresentou o comprovante da Sul América Companhia de Seguro Saúde do anocalendário 2008 no valor de R$ 29.614,25. Entretanto, tal documento não discrimina os beneficiários do seguro saúde. Verificando a Declaração de Ajuste Anual – DAA apresentada pelo Recorrente na época própria, constatase que não foi indicado, no campo próprio do formulário, fl. 10, dependentes para efeitos fiscais. Assim que as despesas a considerar como devidas para efeito de dedução do imposto sobre a renda são aquelas que se referem tão somente ao Contribuinte. Como os documentos anexados anteriormente pela Recorrente foram considerados insuficientes para comprovar as despesas com o plano de saúde, especialmente aquele fornecido pela Sul América Companhia de Seguro Saúde, porque não discriminava os beneficiários, conforme relatado no voto decisório da DRJ, agora em sede de Recurso Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10480.721254/201043 Acórdão n.º 2001001.102 S2C0T1 Fl. 96 7 Voluntário foi trazido aos autos o comprovante da mesma entidade, apresentado de forma discriminada da contribuição mês a mês e por beneficiário do plano de saúde. Pelo que se observa do referido documento, fl. 47, os pagamentos foram assim discriminados: Otávio Bezerra Pedrosa R$ 18.612,02, Maria Virginia M. Pedrosa R$ 8.226,98 e Luiz Otavio M. Pedrosa R$ 2.775,25, totalizando o valor de R$ 29.614,25, que corresponde ao valor informado na DAA da Recorrente como dedutível. Ocorre que, pelo exposto anteriormente, somente são dedutíveis as despesas de Otávio Bezerra Pedrosa porque na DAA não houve a indicação de nenhum dependente para efeitos fiscais. Outra observação que deve ser destacada é com relação ao valor da despesa do plano de saúde com o Contribuinte, visto que pelo que consta do demonstrativo individualizado por beneficiário, nem todo o valor informado como sendo contribuição do Recorrente corresponde à realidade. Pelo que se observa daquele estrato da fl. 47, nos meses de julho, agosto e setembro/2008, as contribuições para o plano de saúde de Maria Virginia M. Pedrosa e Luiz Otávio M. Pedrosa foram somadas à contribuição de Otávio Bezerra Pedrosa, o que resultou numa elevação indevida da despesa do Recorrente, cuja diferença deve ser descontada para a determinação do real valor correspondente ao Contribuinte para efeito de dedução do imposto. O valor correspondente a esses três meses do plano de saúde de Maria Virgínia somam R$ 2.703,99 e o que corresponde a Luiz Otávio somam R$ 912,18, que totalizam R$ 3.616,17. Este valor deve ser deduzido de R$ 18.612,02, resultando no valor de R$ 14.995,85 a ser aceito como exclusão da glosa das despesas deduzidas do imposto na DAA do Recorrente. Assim que, em vista da comprovação complementar providenciada pelo Recorrente em sede de Recurso Voluntário a glosa parcial da despesa com plano de saúde fica reduzida para R$ 14.818,40 (R$ 29.614,25 – R$ 14.995,85 = R$ 14.818,40), razão pela qual novo cálculo deverá ser providenciado na Unidade de Origem do processo para a determinação do crédito tributário remanescente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, para manter a glosa de despesa médica no valor de R$ 14.818,40. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901128/2009-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇAO.
Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação.
Numero da decisão: 3001-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a proposta de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
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PAGAMENTO INDEVIDO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇAO. Não comprovada a existência do crédito originário do pagamento indevido informado como suporte para o crédito mencionado na declaração de compensação, não há que se falar em homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a proposta de conversão em diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 28 /2 00 9- 84 Fl. 53DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de PIS/COFINS no 3º Trimestre de 2001, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no valor original total de R$908,07 por meio da Declaração de Compensação 22461.49776.291205.13.040701. A DRF Itabuna/BA, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório (efl. 5) não homologando a compensação declarada tendo em vista a inexistência do crédito utilizado. Afirma que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade alegando que o direito creditório efetivamente existe, pois teria havido um pagamento indevido ou a maior quando do recolhimento do DARF informado no PER/DCOMP. A DRJ de Salvador julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório conforme Acórdão no 1522.438 a seguir transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/12/2005 COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os mesmos argumentos apresentados na impugnação acrescentado que o valor do crédito é decorrente do alargamento da base de cálculo da COFINS que teve a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei no 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901128/200984 Acórdão n.º 3001000.753 S3C0T1 Fl. 326 3 Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre a não homologação da declaração de compensação com saldo credor de PIS/COFINS no 3º Trimestre de 2001, tendo por base pagamentos indevidos ou a maior, no valor original total de R$908,07 por meio da Declaração de Compensação 22461.49776.291205.13.040701. A decisão de piso informa que na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) apresentada pela própria contribuinte, o valor declarado para o débito do período coincide exatamente com o valor recolhido mediante DARF, ou seja, o pagamento está completamente alocado, não se caracterizando o alegado pagamento indevido ou a maior, o que implica na inexistência do crédito pleiteado. Em seu Recurso Voluntário a Recorrente apresenta uma sucinta e bem elaborada explanação das normas que regem a tributação do PIS e da COFINS até o período em que a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei no 9.718/98 que havia ampliado a base de cálculo daquelas contribuições sociais. Com isso, tendo em vista que havia recolhido a COFINS, no período compreendido entre a promulgação da Lei 9.718/98 até a Lei 10.637/2002, sobre outras receitas que não aquelas que integram o conceito de faturamento, a Recorrente efetuou a compensação destes recolhimentos indevidos com tributos administrados pela RFB. Diante desta síntese da explanação do Recurso Voluntário, por fim a Recorrente alega que a maior parte do DARF de R$5.144,02 é decorrente do alargamento da base de cálculo da COFINS e que fundamentou a compensação ora não homologada. Diante desta exposição, requer que seja comprovada o apresentado por meio de diligência fiscal. Fl. 55DF CARF MF 4 Incialmente insta destacar que o presente Colegiado tem acompanhado a tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para acolher as provas apresentadas nesta instância recursal. Contudo, para sua aplicação é necessária a apresentação pormenorizada por parte da recorrente dos elementos necessários e indispensáveis para comprovação das suas alegações, em especial dos créditos efetivamente pretendidos. A Recorrente alega uma combinação de valores para compor um suposto direito creditório sem que tenha apresentado qualquer documentação que comprovasse suas afirmações e pudesse demonstrar a certeza e liquidez do crédito. Frisese que o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o que, no presente caso, não ocorreu. Portanto, não havendo o crédito favorável ao contribuinte, tal qual informado em sua PER/DCOMP, não há que se falar em homologação da compensação do débito declarado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.908085/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. AUSÊNCIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante. A ausência de comprovação dos valores alegados implica na glosa dos valores e na não homologação da compensação pleiteada.
Numero da decisão: 3402-006.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. AUSÊNCIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante. A ausência de comprovação dos valores alegados implica na glosa dos valores e na não homologação da compensação pleiteada.
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DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. AUSÊNCIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante. A ausência de comprovação dos valores alegados implica na glosa dos valores e na não homologação da compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 80 85 /2 01 2- 47 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 18470.908085/201247 Acórdão n.º 3402006.308 S3C4T2 Fl. 61 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto, até aquela fase processual: Tratase de pedido eletrônico de ressarcimento relativo à Contribuição para o PIS/Pasep do primeiro trimestre de 2008, apurado na sistemática da não cumulatividade, e declaração de compensação eletrônica, transmitida com base no respectivo direito creditório. Analisada a pretensão, foi proferido Despacho Decisório (fl. 11) no qual o direito creditório não foi reconhecido e a compensação não foi homologada, sob o fundamento de que “não foi possível confirmar a existência do crédito indicado, pois o contribuinte, mesmo intimado, não apresentou Arquivos Digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22/10/2001, em estrita conformidade com o ADE Cofis 15/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração acima indicado”. Cientificada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, na qual alega o que consta nos parágrafos a seguir transcritos: 4 Com efeito, em 10 de abril de 2012, a Suplicante foi intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, arquivos magnéticos contendo informações acerca de operações efetuadas no primeiro trimestre de 2008, por conta do PER/DCOMP nº 34857.56511.250808.1.1.087006 (PIS/PASEP exportação). 5 Após pedido de prorrogação do prazo para atendimento de tal providência, a Suplicante se viu impossibilitada de cumprila, efetivamente, visto que os arquivos não podem ser transmitidos eletronicamente pelo programa SVA da Receita Federal, pois, na opção de entrega para Auditor Fiscal, tal programa não permite a transmissão do conteúdo via internet, mas somente via gravação de CD/DVD. 6 Diante disso, a Suplicante ainda tentou, sem sucesso, promover a entrega do CD, em 31 de maio subsequente, no Centro de Atendimento ao Contribuinte da Receita Federal da Barra da Tijuca RJ II. 7 Em vista da injustificada recusa, não restou outra alternativa à Suplicante senão encaminhar, por via postal, aos cuidados do auditor fiscal responsável pela indigitada intimação, CD contendo informações sobre operações do primeiro trimestre de 2008, relacionados com o PER/DCOMP n° 33139.89501.250808.1.1.09, consoante comprova a inclusa correspondência datada de 1º de junho do corrente. 8 Nestas circunstâncias, a Suplicante não pode concordar com tal procedimento, mesmo porque a lei garante ao contribuinte o direito à compensação entre tributos e está perfeitamente caracterizado o valor do crédito disponível. 9 Consequentemente, a Suplicante, valendose de prerrogativa legal, procedeu à compensação tributária em apreço. CONCLUSÃO 10 A Suplicante, para instrução do seu pedido de revisão da equivocada decisão, junta à presente cópia dos PER/DCOMP's, acompanhados dos demais documente aqui referidos, requerendo, ainda, se for necessário, que se abra outra oportunidade para que possa reapresentar o indigitado CD, com as informações solicitadas. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18470.908085/201247 Acórdão n.º 3402006.308 S3C4T2 Fl. 62 3 11 Certa de que, após a revisão do pedido e consertado o equívoco, será autorizada a compensação integral objeto do pedido postulado, P. Deferimento A 11ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 1459.993 (fls. 37 a 43), sessão de 11 de abril de 2016, julgou improcedente a Impugnação e manteve integralmente o Depacho Decisório. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Na ausência de documentos comprobatórios do crédito alegado, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.52 a 57), manifestando sua insatisfação contra a decisão de primeira instância, alegando que não teve oportunidade para fazer prova de seu direito, requerendo a realização de diligência. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Conforme relatado, tratase de análise de direito creditório relativo a valores de PIS do primeiro trimestre de 2008, apurado na sistemática da não cumulatividade, e declaração de compensação eletrônica. A autoridade fiscal indeferiu o direito e não homologou as compensações por ausência de comprovação do direito creditório pleiteado, apensar de regularmente intimada a transmitir os arquivos solicitados pela autoridade fiscal. O julgador a quo confirmou o entendimento da autoridade fiscal no sentido de ausência da comprovação do direito creditório pleiteado, tanto na fase inquisitória quanto na fase contenciosa. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido: “Tratandose de pedido de ressarcimento eletrônico e de declaração de compensação eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte Fl. 62DF CARF MF Processo nº 18470.908085/201247 Acórdão n.º 3402006.308 S3C4T2 Fl. 63 4 foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com as demais informações constantes das bases de dados da Receita Federal. Constatada a ausência, nestes bancos de dados, de informações indispensáveis à confirmação do direito creditório, foi a contribuinte intimada a transmitir os arquivos magnéticos com tais informações, mas, como vimos, a intimação não foi atendida. Como já dito, diante do não atendimento à intimação, não foi possível à RFB confirmar a existência do crédito pleiteado, sendo esta a razão do não reconhecimento do direito creditório e da não homologação da compensação. Disso decorre que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que não comprovada a existência do direito creditório. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada limitouse a relatar sua tentativa de entregar os arquivos em meio físico diverso daquele a que fora intimada. Quanto ao suposto direito creditório, disse apenas que “está perfeitamente caracterizado o valor do crédito disponível”. Não demonstrou o crédito, por meio de planilhas, nem comprovou sua existência mediante apresentação de cópias de seus registros contábeis e fiscais. O sucesso da contribuinte em ver reconhecido o direito creditório nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito. Lembrese que a entrega da declaração de compensação – instrumento que a partir da edição da MP nº 66, de 2002, passou a integrar a própria essência do instituto da compensação –, não prescinde da necessidade de que o suposto credor da Fazenda Pública possa comprovar a liquidez e certeza do direito de crédito, nos termos do art. 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). No entanto, a contribuinte não apresenta qualquer razão ou documento que comprove o seu direito. Nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse a existência e o montante do crédito alegado. Em resumo, não traz a interessada qualquer documento que comprove a existência e a dimensão do alegado crédito da Contribuição para o PIS/Pasep relativo ao primeiro trimestre de 2008, passível de ressarcimento ou de utilização em compensação. O chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, a contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a existência do crédito não foi confirmada na fase em que aconteceu o exame eletrônico do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nessa fase de contestação do despacho resultante. Nessas condições, acatar as razões da interessada seria admitir que sua simples vontade e entendimento, materializados na apresentação do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação, poderiam ser utilizados para gerar créditos oponíveis à Fazenda Pública. Tal pretensão não tem sustentação, opondose inclusive aos marcos legais traçados pelo artigo 170 do CTN, pelo que se lhe nega os efeitos pretendidos.” Portanto, tratase de ausência de provas para o deferimento do direito creditório pleiteado. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 18470.908085/201247 Acórdão n.º 3402006.308 S3C4T2 Fl. 64 5 Em seu recurso a Recorrente nada acrescenta ou prova acerca de seu pretenso direito, mas apenas alega que não teve oportunidade para fazer prova consistente de seu direito creditório, inclusive afirmando que nunca veio para isso ser demandada, e requer a conversão em diligência. Quanto à alegação que não teve oportunidade para fazer prova consistente de seu direito creditório, inclusive afirmando que nunca veio para isso ser demandada, não assiste razão à recorrente. O contribuinte foi regularmente intimado pela autoridade fiscal a transmitir os arquivos vinculados à PER/DCOMP em análise, compreendendo as operações efetuadas no trimestre de apuração indicado no termo (Termo de Intimação à fl.14). Também é sabido que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, conforme disposto no §4º do art.16 do PAF, não sendo necessário qualquer intimação por parte da autoridade julgadora para que o interessado faça prova de suas alegações. Também é conhecido o disposto no artigo 28 do Decreto 7.574/2011, que determina que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Portanto, a Recorrente sabia que tinha que apresentar as provas de suas alegações, ou seja, demonstrar o seu direito creditório pleiteado, e nada fez, apesar das diversas oportunidades que teve: procedimento fiscal, manifestação de inconformidade e recurso voluntário. Como não apresentou qualquer documento que poderia lastrear suas alegações, entendo que o pedido para realização de diligência não deve ser acatado, por não ter esse instituto o condão de suprir a instrução processual a cargo da parte a que cabia tal atribuição. A diligência seria cabível apenas para aclarar uma situação dúbia, para complementar a explanação fática visando o pleno conhecimento do julgador acerca da matéria, nunca para substituir as partes na instrução e para superar a ausência de provas. Pela ausência de apresentação de qualquer elemento que poderia modificar ou extinguir a decisão de primeira instância, a mesma deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907473/2012-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 73 /2 01 2- 53 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907473/201253 Acórdão n.º 2202004.986 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907473/201253 Acórdão n.º 2202004.986 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907473/201253 Acórdão n.º 2202004.986 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907473/201253 Acórdão n.º 2202004.986 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907473/201253 Acórdão n.º 2202004.986 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907473/201253 Acórdão n.º 2202004.986 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.900704/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DCTF. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO.
Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação.
Numero da decisão: 9303-008.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise do mérito do direito creditório, considerando os documentos apresentados pelo contribuinte no percurso do presente processo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DCTF. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise do mérito do direito creditório, considerando os documentos apresentados pelo contribuinte no percurso do presente processo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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PROVA. Recorrente TERMO NORTE ENERGIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DCTF. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise do mérito do direito creditório, considerando os documentos apresentados pelo contribuinte no percurso do presente processo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 90 07 04 /2 00 9- 51 Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10240.900704/200951 Acórdão n.º 9303008.379 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte apresentou PER/DCOMP com o objetivo de compensar suposto crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins referente ao período de apuração de janeiro/2004. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a Delegacia da Receita Federal de Porto Velho não homologou sua compensação em razão de que o valor da DARF teria sido utilizado integralmente para quitar a Cofins declarada em DCTF. Em seguida o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual informou que apurou incorretamente a Cofins do período de apuração de janeiro/2004. Afirmou que o art. 7º da Lei nº 9.718/98 lhe permitia excluir da base de cálculo as receitas não recebidas de sociedade de economia mista. Informou ainda que havia retificado sua DCTF para corrigir o valor confessado da Cofins. Na DCTF original declarou débitos da Cofins no valor de R$ 930.138,21 e efetuou pagamento de DARF deste mesmo valor. Com as exclusões das citadas receitas o valor do débito retificado foi reduzido para R$ 524.845,10, portanto o montante de R$ 405.293,11 teriam sido pagos a maior. Juntou cópia da DCTF retificadora e cópia da DIPJ demonstrando a apuração da Cofins em valor menor que o declarado originalmente. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Alegou que estava decaído o direito de retificar a DCTF pois fora apresentada em prazo superior aos 5 anos da declaração original. Alegou que o pagamento fora efetuado em 20/02/2004 e a DCTF somente foi retificada em 28/04/2009. Afirmou ainda que mesmo afastada a questão do prazo decadencial, não havia provas do pagamento indevido e que essas provas eram de responsabilidade do contribuinte. Em seu recurso voluntário, o contribuinte voltou a reafirmar o seu direito e juntou cópia do DARF da Cofins, janeiro/2004, no valor de R$ 930.138,21. Juntou também o balancete contábil correspondente ao mês de janeiro/2004. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento proferiu o acórdão nº 3401001224, de 03/02/2011, que negou provimento ao recurso voluntário em decisão unânime. A ementa foi registrada da seguinte maneira: Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10240.900704/200951 Acórdão n.º 9303008.379 CSRFT3 Fl. 4 3 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. PRECLUSÃO. Apesar da DCTF retificadora não alterar o prazo decadencial, sua apresentação após o Despacho Decisório não gera efeitos, em razão da preclusão consumativa, por força do §1º, do art. 147, do CTN. Em síntese, o acórdão afastou a questão decadencial colocada pela DRJ/Belém, mas entendeu que não é possível a apresentação de DCTF retificadora após a ciência do contribuinte do Despacho Decisório que não homologou a compensação. Em razão deste entendimento deixou de apreciar o mérito da compensação. Contra esta decisão, o contribuinte apresentou recurso especial de divergência, o qual foi integralmente admitido pelo então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em contrarrazões a Fazenda Nacional pede o improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. A matéria divergente devolvida à apreciação desse colegiado restringese à possibilidade de se analisar o direito creditório tendo o contribuinte retificado sua DCTF somente após ter sido cientificado do Despacho Decisório que não homologou sua compensação. O contribuinte e o acórdão paradigma entende que não há esse impecilho e o acórdão recorrido e a Fazenda Nacional, entendem o contrário. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10240.900704/200951 Acórdão n.º 9303008.379 CSRFT3 Fl. 5 4 Esta questão já está superada pela jurisprudêrncia do CARF, que entende que o direito creditório decorrente de indébito tributário só depende de sua comprovação, independente do preenchimento correto ou não da DCTF. Esse também é o entendimento da própria Receita Federal, que foi proferido no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28/08/2015, do qual transcrevo parte de suas conclusões: (...) 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte, devendo o presente processo retornar à Câmara recorrida para análise do mérito do direito creditório, considerando os documentos apresentados pelo contribuinte no percurso do presente processo. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 541DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.910074/2016-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito do Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Jorge Lima Abud que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões por entender necessária a retificação da DCTF antes do despacho decisório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 00 74 /2 01 6- 15 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10783.910074/201615 Acórdão n.º 3302006.508 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, em razão do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, alegando que aufere receita de venda de massas alimentícias classificadas na posição 19.02, com alíquota reduzida a zero pelo inciso XVIII do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004 e receita de venda de águas, cerveja de malte, cerveja sem álcool e refrigerantes, sujeita à alíquota zero pela Lei nº 10.833/2003 e que, por alguma falha, não retificou a DCTF antes do despacho decisório, fazendoa apenas após a ciência do referido e juntandoa na impugnação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14065.127, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando a nulidade do PAF por violação do devido processo legal, ante a ausência de diligência fiscal para se comprovar o direito creditório. No mérito, reiterou que auferiu receitas de venda de massas alimentícias sujeitas à alíquota zero, requerendo diligência, ao final, para análise da documentação juntada aos autos. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.493, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10783.906110/201565, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.493): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente pede a nulidade do PAF pelo fato de a autoridade julgadora não ter determinado, de ofício, a realização de diligências, conforme artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10783.910074/201615 Acórdão n.º 3302006.508 S3C3T2 Fl. 4 3 Todavia, não assiste razão à recorrente. O Decreto nº 70.235/72 dispôs sobre as nulidades em seu artigo 59, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso, o despacho decisório foi fundamentado na utilização integral do crédito para extinguir débitos espontaneamente declarados, cuja retificação ocorreu apenas posteriormente à ciência do despacho decisório. Já quanto à não realização da diligência, não há obrigatoriedade por parte do julgador em determinálas, mas, sim, faculdade, quando entender necessárias. O artigo 29 do referido decreto esclarece: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, a faculdade está inserta dentro da livre convicção do julgador na apreciação da prova, ou, no caso, de sua ausência, já que a retificação da DCTF pressupõe a prova inequívoca da ocorrência de erro de fato, conforme §3º1 do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, mencionada na decisão atacada, ônus do qual a recorrente não se desincumbiu, pois nada apresentou em manifestação de inconformidade. Salientase, inclusive, que nem a própria recorrente requereu a realização de diligência. Assim, afasto a preliminar arguida. (...) Em relação à possibilidade de retificação da DCTF, o CARF, por diversas oportunidades já manifestouse no sentido de que é possível a retificação da DCTF mesmo após o despacho decisório, desde que juntamente com a retificação sejam trazidos aos autos os documentos comprobatórios da veracidade das informações prestadas na referida declaração. "Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF." (Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo 1 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10783.910074/201615 Acórdão n.º 3302006.508 S3C3T2 Fl. 5 4 Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifou se)http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArq uivoBinario=0 Aliás, este foi o teor da Solução de Consulta n.02/2015, cujo fragmento abaixo transcrevese. "2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação." No caso concreto a Manifestação de Inconformidade da Recorrente limitouse a afirmar que "Não concordamos com a cobrança do saldo devedor no valor de (...) mais multa e juros por considerar que o débito já fora totalmente quitado, bem como, a compensação efetivamente correta por tudo já exposto acima. Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: Cópia da última alteração contratual consolidada, despacho decisório (...), Recibo da PER DCOMP, DCTF refiticadora, cópia da procuração e cópia da identificação do procurador." Como se percebe pelo afirmado na própria Manifestação de Inconformidade e pela análise das peças processuais, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de, no momento processual adequado e legalmente previsto para tanto, trazer aos autos provas do crédito alegado. Como bem salientou o Acórdão proferido pela DRJ, a alteração da DCTF ocorreu após a ciência do despacho decisório, sem que, contudo, houvessem sido trazidos aos autos as notas fiscais e os lançamentos contábeis que comprovassem os fundamentos fáticos para a alteração da DCTF. "Deste modo, a retificação pretendida, conforme somente poderia ser aceita se o recorrente tivesse apresentado a documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, para que se pudesse conhecer o valor do tributo devido e para que fosse comparado ao recolhimento efetuado. Ressalto que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo; tratando o presente caso de declaração de compensação, de interesse do contribuinte, cabe a ele o ônus comprobatório. Contudo, o interessado limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer documento que lastreasse sua argumentação, restando impedida a convalidação Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10783.910074/201615 Acórdão n.º 3302006.508 S3C3T2 Fl. 6 5 da declaração retificadora apresentada pelo contribuinte e, conseqüentemente, prejudicada a análise da liquidez e certeza do direito creditório." Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitirse deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10783.910074/201615 Acórdão n.º 3302006.508 S3C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 132DF CARF MF
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