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Numero do processo: 10314.001670/2008-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007
Ementa:
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. UNIFORMIDADE DE ENTENDIMENTOS.
No presente caso, tendo uma uniformidade de classificações e entendimentos, tanto da origem como do acórdão recorrido, a Contribuinte não poderia ter excluído a NCM da posição 2309.
No termos das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, juntamente com as NESH, a Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD de uso animal, de acordo com Laudo Técnico de nº 1512.06, a mercadoria trata de uma preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de micro-esferas, não versa somente de Riboflavina (Vitamina B2), mas sim de uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada á ração animal e/ou pré-mistura, enquadrando-se no código NCM 2309.90.90; Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso animal, enquadra-se no código NCM 2309.90.90, por se tratar de uma preparação constituída de Biotina (Vitamina H) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de pó nos termos do Laudo Técnico nº1512.10; Palmitato de Vitamina A tipo 250 CWS/Fuso humano, nos termos da classificação fiscal adotada pela fiscalização, a NCM enquadra-se no código 3824.90.19 e o Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC), de acordo com Laudo Técnico nº 1364.05, enquadra-se na posição NCM 3824.90.19.
MULTA.RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA - DESCRIÇÃO INCOMPLETA, SEM ELEMENTOS PARA IDENTIFICAÇÃO E ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO - DECLARAÇÃO INEXATA. - Comprovado que a descrição da mercadoria feita pela Contribuinte não foi correta, não contendo os elementos necessários e suficientes à identificação e ao enquadramento tarifário do produto, não cabe a exclusão de penalidades tendo como fundamento o Ato Declaratório COSIT, n° 12, de 1997.
Numero da decisão: 9303-007.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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UNIFORMIDADE DE ENTENDIMENTOS. No presente caso, tendo uma uniformidade de classificações e entendimentos, tanto da origem como do acórdão recorrido, a Contribuinte não poderia ter excluído a NCM da posição 2309. No termos das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, juntamente com as NESH, a Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD de uso animal, de acordo com Laudo Técnico de nº 1512.06, a mercadoria trata de uma preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de microesferas, não versa somente de Riboflavina (Vitamina B2), mas sim de uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada á ração animal e/ou prémistura, enquadrando se no código NCM 2309.90.90; Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso animal, enquadrase no código NCM 2309.90.90, por se tratar de uma preparação constituída de Biotina (Vitamina H) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de pó nos termos do Laudo Técnico nº1512.10; Palmitato de Vitamina A tipo 250 CWS/Fuso humano, nos termos da classificação fiscal adotada pela fiscalização, a NCM enquadrase no código 3824.90.19 e o Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)”, de acordo com Laudo Técnico nº 1364.05, enquadrase na posição NCM 3824.90.19. MULTA.RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA DESCRIÇÃO INCOMPLETA, SEM ELEMENTOS PARA IDENTIFICAÇÃO E ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO DECLARAÇÃO INEXATA. Comprovado que a descrição da mercadoria feita pela Contribuinte não foi correta, não contendo os elementos necessários e suficientes à identificação e ao enquadramento tarifário do produto, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 16 70 /2 00 8- 29 Fl. 1138DF CARF MF 2 cabe a exclusão de penalidades tendo como fundamento o Ato Declaratório COSIT, n° 12, de 1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3101001.210, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007 REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. O reexame do despacho aduaneiro inclui a apreciação da subsunção dos produtos importados aos códigos da NCM utilizados. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (Lei nº 9.784/99, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação fiscal de mercadorias (DecretoLei nº 37/66, art. 54 e Código Tributário Nacional, art.142). IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. NORMA PROCEDIMENTAL. Quando a mercadoria é descrita de forma semelhante, pelo mesmo contribuinte, em diferentes declarações aduaneiras, pode o Fisco legalmente presumilas idênticas para fins de determinação do tratamento tributário ou aduaneiro, com arrimo no disposto pelo art. 68 da Lei n.º 10.833/2003. Referida norma, por ser procedimental, lança luzes sobre fatos pretéritos se o procedimento tem natureza revisional, eis que esse deve balizarse segundo a norma procedimental de regência. Por isso a fiscalização fez uso de laudos Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 9303007.978 CSRFT3 Fl. 1.139 3 de 2002 como base revisional para as Declarações de Importação no período de 05/2003 a 11/2007. LAUDOS TÉCNICOS. Os laudos que serviram de base para a auditoria fiscal proceder à reclassificação fiscal cingemse a descrever as mercadorias postas sob apreciação, utilizando de referências bibliográficas para melhor identificá las, sem tecerem qualquer consideração acerca de classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado, o que seria, aliás, de todo reprovável se ocorresse. Não merece acolhimento a crítica feita aos laudos embasadores PREPARAÇÕES APTAS PARA USOS ESPECÍFICOS. Os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal; para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos. MULTAS POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Uma vez que as mercadorias não estavam descritas com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação e classificação fiscal, exsurge como correta a aplicação das multas por classificação fiscal errônea e do controle administrativo das importações. No especial obstaculizado, a Contribuinte aponta divergência jurisprudencial referente as seguintes matérias: (i) multa de controle administrativo de importação e (ii) classificação fiscal dos produtos assim descritos nas declarações de importação: “Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso animal”, “Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso animal”, “Palmitato de Vitamina A tipo 250 CWS/Fuso humano”, e “Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)”. O apelo recebeu juízo positivo de admissibilidade, (efls.778781). A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (efls.783789 ), pugna pelo improvimento do Recurso interposto, mantendose a decisão recorrida por seus próprios fundamentos jurídicos. No essencial é o relatório. Fl. 1140DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, o importador, através da declaração de importação DI nº 02/03975884, submeteu a despacho as mercadorias descritas como: 1) “Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso: animal” classificando no código NCM 2936.23.10; 2) “Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso: animal” classificando no código NCM 2936.29.31; 3) “Palmitato de Vitamina A tipo 250 CWS/F uso humano” classificando no código NCM 2936.21.13 e através da DI nº 02/03976813, a mercadoria descrita como 4) “Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)” classificando no código NCM 2936.27.10. Assim, tendo como base os laudos constantes do Anexo I, a fiscalização procedeu a revisão aduaneira das declarações de importação do contribuinte, nos termos do art. 68 da Lei nº 10.833/2003, que continham os produtos acima descritos, no período de 05/2003 a 12/2007, conforme art. 570 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543/052. Estas DIs revisadas constam do Anexo III e as alíquotas do Imposto de Importação e do IPI estão discriminadas no Anexo V, juntamente com os códigos NCM utilizados pela interessada e pela fiscalização. As mercadorias dos itens 1) e 2) foram reclassificadas para o código NCM 2309.90.90, e as dos itens 3) e 4) para o código NCM 3824.90.19. Do julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ em São Paulo II/SP julgou a impugnação improcedente, o acórdão restou assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 27/05/2003 a 27/11/2007 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do II e do IPI, é exigível a diferença de impostos, juntamente com os acréscimos legais cabíveis. Idem para o PIS/COFINSI mportação. DOS LAUDOS. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres, o que não ocorreu no presente caso. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Aplicase a multa por falta e Licença de Importação nas importações, em que as mercadorias não estejam corretamente Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 9303007.978 CSRFT3 Fl. 1.140 5 descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/ 2001. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Ao apreciar o Recurso Voluntário, a 1ª 'Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF decidiu em negar provimento ao recurso, no sentido de que ás exclusões da posição NCM 2309, não se coadunam com a classificação fiscal utilizada pela Contribuinte. Em que pese a Classificação fiscal de mercadorias sempre ter sido importante nos processos de importação, os Contribuintes só começaram a se preocupar a partir da publicação da Medida Provisória 215835 de 24/08/2010. A referida Medida Provisória MP, estabeleceu multa de 1% ou o valor mínimo de R$ 500,00 quando a aplicação do percentual resultar valor inferior, sobre o valor da mercadoria classificada incorretamente na NCM, nas nomenclaturas complementares ou nas mercadorias quantificadas incorretamente na medida estatística definida pelo governo para as mercadorias. Posteriormente foi publicada a Lei 10.833/2003, a qual amplia o rigor em relação as mercadorias, exigindo corretamente a descrição das mercadorias, não aceitando mais descrições genéricas, como se via anteriormente, chegando a se descrever uma mercadoria em uma Declaração de Importação simplesmente com o número de referencia do fabricante. Reclamações eram exaradas por despachantes aduaneiros, empresários e advogados, alegando tratarse de uma medida injusta, já que muitas vezes o erro ocasionava até o pagamento de valor a maior do imposto, o que não justificaria a aplicação de uma penalidade. Sem embargo, o Governo Federal utiliza a NCM (Nomenclatura Comum do MERCOSUL) com objetivo de fazer um acompanhamento estatístico dos produtos importados, visando elaborar uma política mais justa e real para a pauta de produtos importados e ainda proteger a indústria nacional. Tal controle e acompanhamento perdem totalmente a eficácia na hipótese de informar classificação tarifária equivocada, propositalmente ou não. Por isso, a exigência de se indicar a correta Classificação nas importações. Outro controle que fica comprometido na hipótese de erro na classificação fiscal, é o controle do valor aduaneiro, base de cálculo para os impostos incidentes nas importações. Mercadoria com classificação equivocada leva a erro o Siscomex, que não encaminha para Canal Cinza DI’s com mercadorias que deveriam se submeter a tal controle. Alguns Contribuintes, não todos, tentam elaborar um planejamento tributário equivocado alterando a classificação fiscal das mercadorias correta, para outra que apresenta Fl. 1142DF CARF MF 6 alíquotas menores nos impostos, principalmente no Imposto de Importação e IPI , os quais são impostos seletivos e variam de NCM para NCM. Quando isso ocorre os tributos diminuem, o importador supostamente passa a obter uma falsa economia, como bom Brasileiro, vende seu produto mais barato, em detrimento dos concorrentes que operam de modo correto. Caso haja reclassificação fiscal, de onde poderá o importador obter recursos para arcar com sua irresponsabilidade, evidentemente ele responde por todas as receitas, e os processos aqui acabam, gerando um passivo e estoque de processo para julgamento infindável. Portanto, recomendase agir nos termos da lei. DISCIPLINA JURÍDICA DA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSULNCM. Necessário se faz, trazer breves considerações acerca da disciplina jurídica da NCM. A classificação fiscal dos produtos industrializados tem como princípio basilar o denominado Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, que, em síntese , representa o grande acordo entre as nações para a criação de uma nomenclatura de mercadorias de cunho universal e harmônico. O objetivo primeiro do Sistema Harmonizado é tornar o comércio internacional mais fácil e ágil, vez que referido sistema criou uma linguagem única para identificar as mais diversas mercadorias. Nem sempre as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição são suficientes para orientar e dirigir a classificação de um determinado objeto mercadológico para a posição que deve obrigálo. Isso ocorre principalmente com objetos químicos e com as máquinas em geral, dando a impressão que o Sistema Harmonizado tem deficiências que comprometam sua utilização. Visando minimizar essa problemática, o Sistema Harmonizado dispõe de um grupo de observações de fundamentação eminentemente tecnológica, que esclarece certos aspectos de todas as suas posições. Tais observações são reunidas sob o título de Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (Nesh), que constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das notas de Seção, capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. As Nesh foram introduzidas no ordenamento jurídico nacional por meio do Decreto n° 435, de 27 de janeiro de 1992, sofrendo constantes atualizações, em que a Receita Federal do Brasil dá publicidade na forma de Instrução Normativa nº697/07, (alterações) devidamente publicada no DOU. PRINCÍPIOS JURÍDICOS INTRODUTÓRIOS DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS NCM A Classificação de Mercadorias tem, pelo menos, cinco princípios, conforme se verifica a seguir: Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 9303007.978 CSRFT3 Fl. 1.141 7 1°) Princípio da Equivalência Conceitual: “mercadoria, produto e bem são termos que expressam o mesmo conceito, não tendo sentido fazer qualquer distinção entre os mesmos”; 2°) Princípio da Plena Identificação da Mercadoria: “a mercadoria a ser classificada deverá se apresentar desvendada, ou seja, conhecida naquelas características, propriedades e funções necessárias à sua classificação”; 3°) Princípio da Hierarquia: “merceologia é parte integrante da Classificação de Mercadorias; 4°) Princípio da Unicidade da Classificação: “numa nomenclatura de mercadorias e dentro do universo dos possíveis códigos para abarcar uma mercadoria específica, não pode a mesma ser classificada em dois ou mais códigos”; 5°) Princípio da Distinção das Mercadorias: “as mercadorias não devem ser distinguidas por critérios diferentes daquelas características que as fazem próprias”. Além dos princípios elencados, a classificação de qualquer mercadoria é guiada também por 6 ( seis) Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI). (6 RGI/SH), bem como, na Regra Geral Complementar (RGC —1). Regras disciplinadas pela Resolução Camex n° 42, de 2001, e pela Instrução Normativa IN SRF n° 99, de 2001 – sendo a classificação de um produto determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). Deste modo, a classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Retornando a lide, vêse que a instância de origem entendeu incorreta a classificação fiscal apontada pela Contribuinte, bem como a decisão recorrida. Nos casos de classificação fiscal de mercadorias, firmei meu entendimento no sentido de quando ocorre uma terceira classificação a respeito de um determinado código NCM diverso tanto daquele utilizado pela Contribuinte, quanto daquele que a fiscalização entendeu ser a correta, o lançamento deverá ser julgado improcedente. Contudo, no presente caso temos uma uniformidade de classificações e entendimentos, tanto da origem como do acórdão recorrido, após uma leitura detida dos autos, entendo que a Contribuinte não poderia excluir a NCM da posição 2309, de modo que utilizo como razões de decidir os fundamentos da decisão recorrida que não merece reparos. Vejamos: "Com respeito à classificação dos produtos importados, a fundamentação aposta pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento não merece reparos, inclusive o argumento trazido pela recorrente, fl. 525, relativo às exclusões da posição 2309, labora em desfavor dela mesma: NESH IN SRF 157 posição 2309 Fl. 1144DF CARF MF 8 Excluemse da presente posição as vitaminas, mesmo as de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 2936). Ou seja, os laudos todos estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, a saber, respectivamente entrar na fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal, fl. 296; para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura, fl. 310; utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia etratamento de deficiência de Ácido Ascórbico (Vitamina C), enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada, fl. 308; especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos, fl. 310. Dito isso, reproduzo o quanto dito pela decisão recorrente, a qual adoto como razões de fato e de direito: Trataremos inicialmente das mercadorias dos itens 01 e 02 tendo em vista que o novo código NCM escolhido pela fiscalização é o mesmo ou seja 2309.90.90. A interessada descreveu as mercadorias nas DIs nos seguintes códigos NCM: para o item 1) Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso: animal” classificou no código NCM 2936.23.10; 2)“Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso: animal” classificou no código NCM 2936.29.31 De acordo com os Laudos as mercadorias, conforme as amostras retiradas, são de fato: Laudo Técnico nº 1512.06 (Anexo I) – fls. 295/296 1) “ Vitamina B2 (Riboflavina) Rovimix B2 80 SD uso: animal” – de acordo com o Laudo Técnico de nº 1512.06 , a mercadoria tratase de “preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de microesferas”. O Laudo esclarece, ainda que, não se trata somente de Riboflavina (Vitamina B2), mas sim de uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou pémistura. De acordo com a fiscalização, uma preparação constituída da maneira como a encontrada no Rovimix B2 80 SD é suscetível de enquadrarse como uma preparação destinada a entrar na Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 9303007.978 CSRFT3 Fl. 1.142 9 fabricação dos alimentos completos ou complementares da alimentação animal. Conclui que o produto classificase na posição 2309. Por falta de código mais específico enquadra nocódigo NCM 2309.90.90 Laudo Técnico 1512.10 (Anexo I), fls. 300/301 2) – “Vitamina H (Biotina) Rovimix H2 uso: animal” – tratase de “preparação constituída de Biotina (Vitamina H) e Polissacarídeo (excipiente), na forma de pó”. Não se trata somente de Biotina (Vitamina H), mas sim de uma preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou prémistura. Concluiu a fiscalização que o produto classificase na posição 2309. Por falta de código mais específico enquadrase no código NCM 2309.90.90. Conforme as REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO, a classificação das Mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: “1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: ...”(negritamos) Vejamos, pois, o texto das posições referentes às classificações adotadas pelo importador, tal como disposto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM): (...) fiscalização, de outro lado, entendeu que a classificação correta para os produtos seria no código NCM 2309.90.90. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH da posição 2936, classificação pretendida pelo interessado com relação a todos os produtos importados, estabelecem que nela se incluem: “As protovitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. Os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo)... As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de concentrados... Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan 12dioil, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo).” Acrescentam, ainda, as referidas notas que: Fl. 1146DF CARF MF 10 “os produtos da presente posição (2936) podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de agente antioxidante por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo) por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, etc.) mesmo plastificadas , ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo) desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral.”(negritamos) Segundo as Notas Explicativas, portanto, substâncias apropriadas podem ser adsorvidas às vitaminas, sem que isso implique sua exclusão da posição 2936, observadas certas condições. Entre elas, está aquela que veda a modificação do produto para tornálo apto a usos específicos em detrimento de sua aplicação geral. Os laudos periciais, todavia, são inequívocos ao afirmar que as substâncias adicionadas às vitaminas tiveram como efeito torná las aptas a um fim específico, qual seja, transformar o composto numa preparação destinada à formulação de ração animal. As Notas Explicativas da posição 2309 esclarecem que nela se incluem as preparações destinadas a entrar na fabricação dos alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal. Tais preparações, designadas comercialmente de pré misturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados aditivos), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: “1) Os que favorecem a digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas (destaque meu), aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromantes ou aperitivos, etc.; 2) Os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir numa ou mais substâncias orgânicas nutritivas (destaquei) (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, sêmeas, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), ou em substâncias inorgânicas (por exemplo, magnesita, cré, caulin, cloreto de sódio e fosfatos).” Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 9303007.978 CSRFT3 Fl. 1.143 11 Assim, segundo as Notas, uma preparação constituída da maneira como as que encontramos é suscetível de enquadrarse como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos “completos” ou “complementares” da alimentação animal. A especificidade de uso dessa mercadoria é critério essencial ao seu enquadramento tarifário, independentemente de seu conceito técnico. A Fiscalização definiu corretamente o enquadramento tarifário relativo aos produtos importados, restando, dessa forma, cabível o tributo lançado, em função de uma alíquota diretamente ligada a esse enquadramento. Trataremos agora das mercadorias dos itens 03 e 04 tendo em vista que o novo código NCM escolhido pela fiscalização é o mesmo ou seja 3824.90.19. A interessada por sua vez descreveu as mercadorias nas DIs nos seguintes códigos NCM para o item 3) “Palmitato de Vitamina A tipo 250 CWS/F uso humano” classificando no código NCM 2936.21.13 e a mercadoria descrita como 4) Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)” classificando no código NCM 2936.27.10. Vimos acima, o texto das posições referentes às classificações adotadas pelo importador, tal como disposto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) posição 2936. De acordo com os Laudos, as mercadorias são de fato: Laudo Técnico nº 1364.05 (Anexo I), fls. 307/308 3) “ Acido Ascórbico revestido tipo EC uso: humano (Coated Ascorbic Acid Type EC)” – “não se trata somente de vitamina C”, mas sim de “preparação constituída de Ácido Ascórbico (VitaminaC) E Etilcelulose, na forma de grânulos”. Segundo o Laudo, de acordo com Referências Bibliográficas, Etilcelulose é um excipiente utilizado no revestimento do Ácido Ascórbico (Vitamina C) e têm a função de proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina C), durante o processo de mistura com outros componentes, e na formulação final a que se destina.A presença da Etilcelulose modifica as propriedades físicoquímicas e modo de ação da Vitamina. Concluiu a fiscalização que, de acordo com o Laudo, a adição do excipiente (etilcelulose) torna o produto apto para fins específicos (ser utilizado em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico, enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada), a mercadoria não pode ser incluída como uma simples vitamina. Produtos como os que se está examinando são suscetíveis de se classificarem em diversas posições, dependendo da finalidade para a qual foram preparados ou das substâncias adicionadas Fl. 1148DF CARF MF 12 ou associadas com a(s) vitamina(s). Dentre as posições mais comuns suscetíveis de classificar tarifariamente tais Mercadorias citamse a 2309, englobando as preparações destinadas à alimentação animal, a 2936, reservada para as vitaminas ou misturas de vitaminas, a 3003 ou 3004, se o produto for comprovadamente um medicamento e a 3824, quando se tratar de uma preparação não compreendida nem especificada em outra posição. As Notas Explicativas da posição 2936, escolhida pela interessada, estabelecem que nela se incluem: “As protovitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. Os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo)... As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de concentrados... Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan12dioil, etanodiol, óleos vegetais, por exemplo).” Acrescentam, ainda, as referidas notas que: “os produtos da presente posição (2936) podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: por adição de agente antioxidante, por adição de agentes antiaglutinante (hidratos de carbono, por exemplo), por revestimentos com substâncias apropriadas [gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), por exemplo], mesmo plastificadas, ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido sílicio, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral”(negritei) Assim, uma vitamina ou mistura de vitaminas para classificarse na posição 2936 deve apresentarse em estado puro ou conter um estabilizante ou um solvente, conforme esclarecem as Notas acima mencionadas. A nota nº 1, alíneas “f” e “g”, por sua vez, permite que as vitaminas da posição 2936 sejam adicionados de um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante), indispensável à sua conservação ou transporte, ou de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com a finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas substâncias não tornem o produto particularmente apto para usos específicos, de preferência à sua aplicação geral. Ora, o Laudo de nº 1364.05, de fls. 308 afirma de maneira categórica que a mercadoria é uma “ preparação constituída de Ácido Ascórbico (Vitamina C) e Etilcelulose”, e, de acordo com referências Bibliográficas, preparações dessa natureza são utilizadas em formulações de suplementos vitamínicos para profilaxia e tratamento de deficiência de Ácido Ascórbico, Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 9303007.978 CSRFT3 Fl. 1.144 13 enriquecimento de alimentos e na formulação de Vitamina C de ação prolongada) acrescentou ainda que, também de acordo com Referências Bibliográficas Etilcelulose é um excipiente utilizado no revestimento do Ácido Ascórbico (Vitamina C) e tem a função de proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina C), durante o processo de mistura com outros componentes, e na formulação final a que se destina. Acrescentou ainda que a presença da Etilcelulose modifica as propriedades físicoquímicas e modo de ação da Vitamina. Destarte, os elementos dos autos não autorizam a inclusão da mercadoria importada na posição 2936, como uma simples vitamina. A posição 38.24, transcrita a seguir, inclui os produtos químicos e preparações não especificados nem compreendidos em outras posições: “38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES; PRODUTOS RESIDUAIS DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES ” (grifei) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 3824 não deixam dúvidas de que abrangem a mistura em questão: “Nota Explicativa Página 698: Esta posição abrange: (...) B.PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES (QUÍMICAS OU DE OUTRA NATUREZA) Salvo somente três exceções (ver abaixo os números 7, 19 e 31), a presente posição não inclui produtos de constituição química definida apresentados isoladamente. Os produtos químicos compreendidos aqui não apresentam constituição química definida e são, quer obtidos como subprodutos da fabricação de outras matérias (ácidos naftênicos, por exemplo), quer preparados especialmente. As preparações (químicas ou de outra natureza), consistem, quer em misturas (de que as emulsões e dispersões constituem formas particulares), quer, por vezes, em soluções. (Deve notarse que as soluções aquosas dos produtos químicos dos Capítulos 28 ou 29 permanecem classificadas nos referidos Capítulos, ao passo que, salvo raras exceções, excluemse deles as soluções destes produtos em outros solventes, que se consideram preparações da presente posição). Fl. 1150DF CARF MF 14 As preparações aqui referidas podem ser também compostas, total ou parcialmente, por produtos químicos (o que constitui o caso geral), ou inteiramente formadas por constituintes naturais (ver, por exemplo, o número 23), abaixo). Todavia, a presente posição não compreende as misturas de produtos químicos, e de substâncias alimentícias, ou outras substâncias com valor nutritivo, dos tipos utilizados na preparação de alimentos próprios para consumo humano, quer como componentes desses alimentos, quer para melhorarlhes algumas das suas características (por exemplo, beneficiadores de panificação, de pastelaria ou bolachas e biscoitos). Estes produtos, geralmente, incluemse na posição 21.06.” Do exposto, certo é que a correta classificação fiscal do produto aqui apreciado é 3824.90.19 OUTROS – Produtos intermediários da fabricação de antibiótico ou de vitaminas ou de outros produtos da posição 2969 Outros, confirmandose, portanto, a pertinência da reclassificação promovida pela fiscalização, em obediência às disposições das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, juntamente com as NESH. Laudo Técnico nº 1512.01 (Anexo I), fls. 309/310 4 “ Palmitato de Vitamina “A” tipo 250 CWS/F uso humano” – “não se trata somente de Palmitato de Retinol (Palmitato de Vitamina A), mas sim de “preparação constituída de Palmitato de Vitamina A, ButilHidroxitolueno (BHT) (antioxidante) e excipientes como sacarose, amido, matéria protéica e substâncias inorgânicas à base de Fosfato de Sódio, na forma de microesferas”. Cita ainda o Laudo que de acordo com Referências Bibliográficas, mercadoria desta natureza encontra se especificamente elaborada para facilitar sua incorporação em sucos de fruta ou leite, como suplemento nutricional para suprir carência ou necessidade suplementar de Vitamina A e em preparações medicamentosas secas, como em comprimidos efervescentes, e também em suplementos alimentares secos reconstituíveis em líquidos. Acrescentou que quantos aos outros componentes encontrados além da Vitamina A o ButilHidroxitolueno (BHT) é um aditivo antioxidante indispensável para estabilizar a substância ativa (Vitamina A) contra oxidação no transporte e armazenamento; a Sacarose, Amido, Matéria Protéica e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato e Sódio são excipientes utilizados no revestimento da microesfera e têm a função de proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina A), durante o processo de mistura com outros componentes e facilitar a dosagem de maneira uniforme, na formulação final a que se destina, pois a Vitamina A e seus derivados, quando puros nas condições ambientais normais, são líquidos oleosos. Assim, pelos mesmos motivos expostos no item anterior a fiscalização definiu corretamente o enquadramento tarifário relativo ao produto do item 04, ao classificálo no código NCM 3824.90.19OUTROS". Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10314.001670/200829 Acórdão n.º 9303007.978 CSRFT3 Fl. 1.145 15 No que tange a multa, a Contribuinte alega total impossibilidade da manutenção da decisão recorrida, tendo em vista o Ato Declaratório COSIT nº 12/97, o qual indica a impossibilidade de se considerar infração administrativa ao controle das importações os produtos que estejam corretamente descriminados, os quais contenham todos os elementos necessários á sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado e, desde que se constate dolo ou máfé por parte do declarante. Inferese do dispositivo invocado que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro (art. 633 do atual RA), a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no SISCOMEX cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não. embora, a mercadoria deve estar corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. Contudo, o lançamento da multa prevista no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro em razão da ausência de guia de importação ou documento equivalente, refletese no caso dos autos, a descrição incorreta do produto ensejou a emissão de licença de importação para mercadoria diversa da efetivamente importada, como resultado, os produtos importados não foram internalizados com as respectivas licenças de importação que refletia as suas reais características, considerando que foram apresentados todos os elementos necessários à sua identificação, de modo que, concluise que a mercadoria foi importada sem a respectiva licença de importação, portanto classificase como infração administrativa, incidindose dessa forma a multa lançada. Dispositivo. Ante o exposto, conheço do Recurso interposto, e negolhe provimento, mantendose a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901205/2006-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE. CANCELAMENTO DO PER/DCOMP.
O Crédito e o débito informados em PER/DCOMP são inexistentes, em razão da compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Portanto, o débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado.
Numero da decisão: 3301-005.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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(CIA ITAULEASING DE ARRENDAMENTO MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE. CANCELAMENTO DO PER/DCOMP. O Crédito e o débito informados em PER/DCOMP são inexistentes, em razão da compensação processada via DCTF e aceita pelos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Portanto, o débito exigido no Despacho Decisório deve ser cancelado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 12 05 /2 00 6- 65 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 16327.901205/200665 Acórdão n.º 3301005.724 S3C3T1 Fl. 59 2 Relatório Por bem descrever o caso a ser apreciado, adoto o relatório constante do acórdão nº 1619.361 10ª Turma da DRJ/SPOI, desenvolvido pelo órgão julgador de primeira instância, ao qual farei os devidos acréscimos. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação — PER/DCOMP n° 39988.91232.220903.1.7.045398, apresentado pela contribuinte em epígrafe em 22/09/2003, relativo à compensação de débito de PIS de fevereiro e março/2000, nos valores de R$ 65.562,18 e R$ 1.808,27, com crédito relativo a recolhimento indevido ou a maior de PIS, efetuado em 18/11/1998, sendo de R$ 63.917,17 o valor total do Darf recolhido (fls. 21). Por meio do Despacho Decisório de fls. 05, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal — Deinf/SPO reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou parcialmente a compensação declarada, em face da constatação de que o alegado pagamento indevido ou a maior fora parcialmente utilizado para a quitação de outros débitos da contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação total dos débitos informados no PER/DCOMP em comento. Cientificada da decisão em 02/06/2008 (fls. 01), a interessada apresentou, em 30/0612008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 214, acompanhada dos documentos de fls. 05 a 28. A requerente alega que foi efetuado um pagamento em valor superior ao devido em 18/11/98. Argumenta, todavia, que foi informado na DCTF relativa ao período um valor de débito também superior ao efetivamente apurado. Assim, conclui que houve um mero erro de fato no preenchimento da DCTF. Ante o exposto, conclui que a retificação da DCTF se justifica a fim de formalizar o direito creditório pleiteado, não podendo um mero erro de fato no preenchimento da DCTF constituir óbice à homologação da compensação declarada. Em seu pedido, a requerente pleiteia a reforma do despacho decisório, reconhecendose o direito à compensação. Requer, também, o cancelamento da cobrança dos débitos, pois os mesmos estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, III, do CTN enquanto não analisada a Manifestação de Inconformidade. Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade apresentada, a 10ª Turma da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte e ratificou o Despacho Decisório anteriormente exarado, em todos os seus termos, conforme Acórdão nº 1619.361, datado de 10/11/2008, cuja ementa reproduzo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 18/11/1998 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE FATO. ÔNUS DA PROVA. O erro de fato no preenchimento da DCTF deve ser comprovado pelo sujeito passivo por meio de documentos hábeis e idôneos. A Fl. 59DF CARF MF Processo nº 16327.901205/200665 Acórdão n.º 3301005.724 S3C3T1 Fl. 60 3 ausência de prova de que o pagamento foi efetuado indevidamente ou em valor superior ao devido impõe o indeferimento da compensação a ele vinculada. Solicitação Indeferida. Cientificada do julgamento de primeiro grau, a contribuinte apresentou Recurso voluntário, em que especifica a origem de seu crédito (no valor originário de R$ 63.917,17, em 18/11/98), bem como os documentos que o comprovam, entendendo que a compensação efetuada está em conformidade, já que o crédito é suficiente para quitar os débitos. Destaca que o despacho não informou a razão da insuficiência do crédito para compensação dos respectivos débitos e, embora reconheça o DARF de pagamento indevido, não demonstrou porque este não seria suficiente para compensar os débitos de PIS de fevereiro e de março de 2000. Assim, o recorrente fica impedido de apresentar a ampla defesa (garantia do processo administrativo). Conclui seu recurso requerendo a homologação do pedido de compensação ou, quando menos, que nova decisão seja proferida, demonstrando a razão da não homologação, para que a Recorrente possa exercer o seu direito de ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, por tais razões, ser conhecido. A Recorrente, em seu recurso, reitera ter crédito originário de pagamento a maior de PIS do período de apuração 02/1996, no valor originário de R$ 63.917,17, diferença entre o pagamentos no montante de R$ 197.040,50 (um de R$ 133.123,33, à fl. 53, e outro de R$ 63.917,17, à fl. 54) e o débito do correspondente do período, R$ 133.123,33 (conforme comprovam as Fichas 09 e 12 de sua DIRPJ da época, às fls. 50 e 53). Primeiramente, importa frisar que a autoridade fiscal não questionou a exatidão do débito de PIS do PA 02/1996, no valor de R$ 133.123,33, nem ventilou a inexistência do recolhimento de R$ 63.917,17, anteriormente efetuado pela Recorrente. Pelo contrário, o citado recolhimento foi considerado no Despacho Decisório destes autos, consoante pode ser visto em seu campo "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP". Conforme o referido Despacho Decisório, parte do saldo desse pagamento encontrase alocado, restando apenas R$ 12.534,67 disponível para confronto aos débitos constantes do mencionado PER/DCOMP. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 16327.901205/200665 Acórdão n.º 3301005.724 S3C3T1 Fl. 61 4 Por outro lado, ao se analisar a utilização do referido pagamento, para surpresa, constatase que parcelas de seu saldo original, de R$ 32.957,65 e 18.424,85, foram alocadas a débitos de PIS, código de Receita 4574, PAs 02/2000 e 03/2000, respectivamente. Ou seja, o saldo credor de R$ 51.382,50 da Recorrente foi usado para amortizar seus próprios débitos de PIS declarados em DCTF. Abaixo, reproduzo o demonstrativo aqui referido, extraído do Despacho Decisório que analisou o pedido da Recorrente, para melhor visualização da questão: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERDCOMP(PD)/ DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO VALOR ORIGINAL DISPONÍVEL 1943364338 63.917,17 Db: Cód 4574 PA 29/02/2000 32.957,65 Db: Cód 4574 PA 31/03/2000 18.424,85 12.534,67 VALOR TOTAL 51.382,50 12.534,67 Como se vê, os débitos quitados com o valor do DARF em estudo são oriundos de DCTF e se referem ao mesmo tributo (PIS), código de receita (4574) e praticamente ao mesmo montante (R$ 66.720,14) declarados no PER/DCOMP nº 39988.91232.220903.1.7.045398. Assim, nesta declaração só não foram amortizados integralmente porque o crédito deixou de existir após a compensação efetuada anteriormente pela Recorrente por meio de DCTF, o que deu causa à cobrança das diferenças declaradas no PER/DCOMP, decorrentes da insuficiência de saldo credor. Segue o demonstrativo de uso do saldo credor da Recorrente (R$ 63.917,17) na apreciação do PER/DCOMP 39988.91232.220903.1.7.045398: A próxima planilha expõe melhor a correspondência entre as duas declarações: DCTF (1º TRIMESTE 2000) PER/DCOMP CÓD. RECEITA PA VALOR COMPENSADO (R$) CÓD. RECEITA PA VALOR A COMPENSAR (R$) 4574 02/2000 42.624,13 4574 02/2000 65.562,18 Impr. DARF Processo de Cobrança Cód.de Receita PA Expr. Monetária Venc. Nature za Valor declarado na DCOMP Saldo devedor apurado para compensação (A) Valor utilizado do crédito na data da valoração (R$) Valor amortizado do débito (B) Saldo devedor (AB) Principal Multa Juros DARF 16327720.145/200843 4574 0102/2000 REAL 15/03/2000 Princip. 65.562,18 65.562,18 13.215,98 2.643,20 7.920,34 13.215,98 52.346,20 DARF 16327720.145/200843 4574 0103/2000 REAL 14/04/2000 Princip. 1.808,27 1.808,27 0,00 0,00 0,00 0,00 1.808,27 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 16327.901205/200665 Acórdão n.º 3301005.724 S3C3T1 Fl. 62 5 4574 03/2000 24.096,01 4574 03/2000 1.808,27 TOTAL 66.720,14 67.370,45 Sabese que o Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) foi implementado com a Instrução Normativa SRF nº 320, de 11 de abril de 2003. A Recorrente a utilizou somente em 22 de setembro de 2003, momento em que os débitos no montante de R$ 66.720,14 e os créditos correspondentes já não mais existiam, remanescendo de saldo credor apenas R$ 12.534,67, resultado desse confronto. Esse tipo de procedimento, como adotado pela contribuinte em sua DCTF, era prática comum de demonstrar a quitação de débitos com créditos por pagamento a maior que o devido via DARF, restando desnecessária até então a transmissão de PER/DCOMP objetivando o mesmo procedimento. Neste ponto, ressaltese, apenas a título de esclarecimento, que o saldo credor remanescente do confronto aos débitos na DCTF, R$ 12.534,67, seria suficiente para compensar a diferença entre os débitos das duas declarações, R$ 650,31 (R$ 67.370,45 R$ 66.720,14). No entanto, como já exposto, a transmissão do PER/DCOMP em questão foi desnecessária, eis que a Recorrente procedera à compensação pretendida via DCTF. Enfim, se os débitos no montante de R$ 66.720,14 já estavam extintos e essa extinção está comprovada nestes autos, resta demonstrado que a declaração de compensação não se prestava para o fim pretendido, qual seja, compensar esses mesmos valores. E, o surgimento do PER/DCOMP não torna válida a exigência tributária nos termos como estabelecido pelo Despacho Decisório. Levase, sim, ao surgimento de um enriquecimento sem causa pelo Estado. Dessa forma, os débitos exigidos no Despacho Decisório devem ser cancelados. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 13736.003178/2008-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/1994. DEDUTIBILIDADE DE VALORES COM BASE EM EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL.
As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, previsão legal específica para viabilizar o seu exercício.
SÚMULA CARF Nº 68
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 2003-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/1994. DEDUTIBILIDADE DE VALORES COM BASE EM EXCLUSÃO DO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, previsão legal específica para viabilizar o seu exercício. SÚMULA CARF Nº 68 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 31 78 /2 00 8- 15 Fl. 42DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 37/39) contra o acórdão nº 1325.792 proferido pela 1ªTurma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ2 (fls. 29/33), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 2/25) em face da lavratura da notificação de lançamento de IRPF (fls. 4/9) objeto do presente feito, cuja Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal encontramse assim registrados (fls. 7): Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte vaIor (Dirf) para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 9.484,20 recebido da fonte pagadora reIacionada abaixo. (...) Enquadramento Legal: Arts. 1° a 3° e §§ 8° e 9º” da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; arts. 5º, 6° e 33 da Lei n° 9.250/95; arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/02; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 do Decreto nº 3.000/99 RIR/99. Diante do apurado, a fiscalização promoveu o ajuste do imposto declarado, resultando da cobrança de imposto suplementar no valor de R$ 409,80 (fls. 8). Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, lastreando sua irresignação no art 1°, inciso III, da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física, incluindose aí as verbas “gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei n 8.237, de 1991” e “adicional por tempo de serviço” pugnando, ao final, pela revisão do lançamento constituído. A impugnação foi julgada improcedente. Regulamente intimado por AR (24/09/2009) (fls. 40), interpôs Recurso Voluntário (em 28/09/2009) (fls. 37/39), insurgindose contra a dedução glosada, repisando as alegações da impugnação e requerendo o cancelamento débito reclamado. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13736.003178/200815 Acórdão n.º 2003000.038 S2C0T3 Fl. 43 3 MÉRITO Da omissão de rendimentos O Recorrente deduziu o valor de R$ 9.484,20 relativo as verbas constantes das alíneas “d” e “n” do inciso III do art. 1º da lei nº 8.852/94, em sua declaração de ajuste anual do imposto de renda do anocalendário de 2005, exercício de 2006. A DRJ/SP2, por sua vez, entendeu que a dedução foi indevida, pois além de não se constituir em hipótese de isenção ou não incidência do imposto de renda pessoa física, as verbas glosadas não estão elencadas no art. 39 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99. Assim, não se sujeitam aos critérios de dedutibilidade da legislação do imposto de renda (fls. 30/34). Com razão a autoridade fiscal. Neste ponto, considerando que a peça recursal não trouxe novos argumentos, limitandose em reiterar os termos da impugnação apresentada, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: A impugnação é tempestiva, subscrita por pessoa credenciada nos autos, o processo está instruído e em condições de julgamento. O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art. 3°, § 1°, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9° a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 4° do art. 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. Fl. 44DF CARF MF 4 O artigo 1° da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de “a” até “r” no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repitase, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: .............................................................. III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei n" 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxilio fardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei n 8.237, de 1991; e) saláriofamília; ƒ) gratificação ou adicional natalino, ou décimoterceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxílio natalidade; i) adicional ou auxílio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; l) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor pago não exceda em mais de 50% (cinquenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13736.003178/200815 Acórdão n.º 2003000.038 S2C0T3 Fl. 44 5 n) adicional por tempo de serviço; o) conversão de licençaprêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1º de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso 11 do art. 3 " e o inciso 11 do art. 6" da Lei n" 5.811, de 11 de outubro de 1972; r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja, reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. § 1" O disposto no inciso III abrange adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória. § 2" As parcelas de retribuição excluídas do alcance do inciso III não poderão ser calculadas sobre base superior ao limite estabelecido no art. 3º". Cumpre esclarecer que, no que tange à isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente, por força do art. 111 do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: 1 suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias" No mesmo sentido dessa decisão, a Superintendência Regional da Receita Federal da 7ª Região Fiscal proferiu solução de consulta formulada pelo SINDJUSTIÇA Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro acerca da tributação das parcelas referentes ao abono natalino (13° salário), ao abono de 1/3 das férias e ao adicional por tempo de serviço, face ao artigo 1º da Lei n° 8.852/1994, da qual transcrevo parte dos fundamentos: "9. Em face da legislação pertinente à matéria, em que pese o artigo Iº da Lei nº 8.852/1994 tenha excluído do conceito de remuneração – soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual, demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112/1990, ou outra paga sob 0 mesmo fundamento (..) – entre outras, as parcelas relativas à gratificação natalina, ao adicional por tempo de serviço e ao abono de 1/3 das férias, não havendo lei tributária específica que reconheça tais rendimentos como isentos e nãotributáveis, devem eles ser computados para fins de incidência do imposto de renda na fonte, ressalvados o momento e a forma de apuração, já anteriormente Fl. 46DF CARF MF 6 descritos, concernentes à tributação exclusiva na fonte da gratificação natalina.” (Solução de Consulta SRRF 7” RF/Disit n" 214, de 25/05/2005) Por fim, esclareçase que houve a apresentação de declaração retificadora na qual a fiscalização constatou omissão de rendimentos. Dessa forma, havendo previsão legal para que seja efetuado o lançamento nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata (art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1999 RIR/1999 e art. 149, inc. II e IV, do CTN), deve ser mantido o lançamento. “Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo: a) não apresentar declaração de rendimentos; b) deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestalos ou não os prestar satisfatoriamente; c) fizer declaração inexata considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; (grifei)” Portanto, indene de dúvida que a Lei nº 8.852/94 apenas excluiu as verbas elencadas no inciso III e §1º do seu art. 1º, da mensuração e apuração do teto remuneratório do serviço público – limitado constitucionalmente ao subsídio mensal pago ao Ministros do STF, ao teor do art. 37, inciso XI – nada se referindo, contudo, acerca da eventual isenção ou não tributação de tais rendimentos auferidos. A par dos fatos, e como bem explicitado na decisão recorrida, diante da ausência de regramento legal tributário veiculado por normativo próprio afastando as verbas objurgadas da incidência do imposto de renda, mantenho a glosa efetuada. Por fim, vale registrar que a matéria já se encontra sedimentada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: SÚMULA CARF Nº 68: “A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)” CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe, para manter a glosa da dedução operada da base de cálculo do imposto de renda anocalendário 2003, exercício 2004. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13736.003178/200815 Acórdão n.º 2003000.038 S2C0T3 Fl. 45 7 Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720310/2015-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
EMBARGOS INOMINADOS. PROCESSO RETIRADO DE PAUTA.
Constatado lapso manifesto no julgamento, por apreciar processo que havia sido retirado de pauta, deve ser acolhido os embargos inominados para cancelar a Resolução nº 3401-001.349, de 28 de fevereiro de 2018, e efetuar novo julgamento.
CONEXÃO. PREVENÇÃO. REQUERIMENTO DA PARTE.
O processo nº 19311.720311/2015-06, que trata do mesmo assunto e para o qual já existe diligência determinada, foi distribuído primeiramente à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Carf e segundo o art. 6º do Ricarf devem ser vinculados os processos conexos. Distribuição requerida pela parte.
Numero da decisão: 3401-005.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão embargado, e em remeter o processo à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sessão do CARF, para ser julgado juntamente com o processo nº19311.720311/2015-06, em virtude de conexão.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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PROCESSO RETIRADO DE PAUTA. Constatado lapso manifesto no julgamento, por apreciar processo que havia sido retirado de pauta, deve ser acolhido os embargos inominados para cancelar a Resolução nº 3401001.349, de 28 de fevereiro de 2018, e efetuar novo julgamento. CONEXÃO. PREVENÇÃO. REQUERIMENTO DA PARTE. O processo nº 19311.720311/201506, que trata do mesmo assunto e para o qual já existe diligência determinada, foi distribuído primeiramente à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Carf e segundo o art. 6º do Ricarf devem ser vinculados os processos conexos. Distribuição requerida pela parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o acórdão embargado, e em remeter o processo à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sessão do CARF, para ser julgado juntamente com o processo nº19311.720311/201506, em virtude de conexão. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 10 /2 01 5- 53 Fl. 19904DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.905 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fls. 14963/14982, e exigência de multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito, referente aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2011 e janeiro a dezembro de 2012, totalizando o crédito tributário de R$ 64.784.157,35 (juros de mora calculados até 12/2015). A fiscalização teve por objetivo a verificação da correta classificação fiscal de mercadorias nas notas fiscais de saída comercializadas pelo contribuinte. As informações foram encontradas a partir da análise dos Livros de Registro de Apuração do IPI, livros de Entrada e Saídas de Mercadorias, das Notas Fiscais eletrônicas de Entrada e Saída, e extraídas do Sistema Receitanet BX, por intermédio do SPED FISCAL e SPED NFe. Também foi efetuada análise das informações sobre os produtos existentes no site da empresa na internet e panfletos promocionais. A partir dos documentos analisados a fiscalização entendeu por reclassificar os produtos e após procedeu a reconstituição da escrita fiscal do IPI. A 3ª Turma da DRJ/BEL julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação e publicou o acórdão nº 0133.461, de 17 de janeiro de 2017, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 NULIDADE. Inexistente qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972, não há que se cogitar de nulidade da autuação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Classificação Fiscal não é matéria técnica, não exigindo laudo técnico para sua definição. Dispensável a produção de provas por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e consequente solução do litígio. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS As decisões judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo judicial, não beneficiando nem prejudicando terceiros. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Fl. 19905DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.906 3 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não há mudança de critério jurídico quando se trata de reparar uma ilegalidade. Haveria mudança de critério jurídico, a que se refere o artigo 146 do Código Tributário Nacional, apenas na hipótese de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de conformidade com ato normativo baixado pela administração e, em face de segundo ato, posteriormente editado, veiculando nova interpretação jurídica aplicável ao fato jurídico, procedesse a novo lançamento. OBSERVÂNCIA DE NORMAS. MULTAS E JUROS DE MORA A nãodetecção das irregularidades pela fiscalização em ações anteriores não pode ser confundida com homologação de prática de atos infracionais nem arguida para a invocação do princípio benigno de que trata o art. 100, inciso III, e parágrafo único, do CTN, para efeitos de exclusão dos acréscimos de multa e de juros moratórios. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO A saída de produtos tributados, com falta de destaque do imposto em decorrência de erro de classificação fiscal, implica no lançamento de ofício do que deixou de ser recolhido por iniciativa do sujeito passivo, acrescido dos consectários legais. IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO LANÇAMENTO. Em face da comprovação de erro no lançamento de ofício, cabível a revisão dos valores lançados a maior. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 ÁGUAS DE COLÔNIA. Os produtos denominados pelo sujeito passivo de “deocolônias”, em que preponderam as características de perfume, classificam se no código NCM 3303.00.20. ÓLEOS CORPORAIS Os óleos que se prestam precipuamente à hidratação do corpo, notadamente pés e pernas, portanto óleos corporais, todos embalados para venda a retalho, classificamse no código 3304.99.90. HIDRATANTE Creme hidratante destinado a hidratar e proteger a pele das mãos e dos pés, com ação antiséptica, embalado para venda a retalho, classificase no código NCM 3304.99.10. SABONETES LÍQUIDOS. Os sabonetes líquidos com elementos orgânicos tensoativos classificamse no código NCM 3401.30.00. Fl. 19906DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.907 4 PREPARAÇÕES CAPILARES Máscara capilar composta, dentre outros, de tensoativos catiônicos, destinada a desembaraçar, hidratar, nutrir e fortalecer os cabelos, agindo como condicionador, classificamse no código 3305.90.00 “Ex” 01 Também recorreu de ofício, em face de o crédito tributário exonerado encontrarse acima do limite de alçada, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972 c/c a Portaria MF nº 03/2008. Foi disponibilizada, na caixa postal eletrônica do contribuinte, a intimação nº 004RD260117, no dia 27/01/2017, sendo constatado o acesso no mesmo dia. O contribuinte apresentou recurso voluntário, protocolado no ecac em 21/02/2017. O julgamento foi convertido em diligência, Resolução nº 3401001.349, de 28 de fevereiro de 2018 para: Diligência na recorrente A recorrente deve ser intimada a: 1. Relacionar a lista de produtos autuados com os nomes dos referidos produtos notificados na ANVISA, identificando o processo ou outro dado que permita a busca por pesquisa pela própria ANVISA ou em seu portal; 2. Apresentar a composição química em percentual de peso ou outra medida adequada, para os produtos autuados, identificando a função de cada substância; 3. Apresentar o custo contábil/fiscal de cada produto, discriminado de acordo com a composição química apresentada, disponibilizando à autoridade fiscal a documentação contábil/fiscal (inclusive arquivos digitais) necessária para eventual certificação; 4. Confirmar os quesitos e peritos indicados em recurso voluntário, para realização de laudos a serem solicitados ao INT. Diligência na ANVISA A autoridade fiscal deve oficiar à ANVISA, solicitando o seguinte: 1. Esclarecer qual a definição técnica de desodorante, águas de colônia e hidratantes utilizada pela ANVISA para classificar produtos nos itens 20 a 23 da I) LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 1 do Anexo II da revogada RDC nº 211/2005, informando, se possível, os atos normativos ou a literatura científica utilizada; 2. Esclarecer como são classificados os produtos que contém substâncias destinadas a funções distintas, como produto destinado a perfumar e desodorizar e produtos destinados a hidratar e desodorizar. Há algum parâmetro de composição química que identifica a função principal de um produto para ser designado como desodorante, ou água de colônia, ou hidratante? 3. Qual a distinção entre as consultas produtos notificados, produtos registrados e produtos regularizados constantes no portal da ANVISA (https://consultas.anvisa.gov.br/#/)? Fl. 19907DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.908 5 4. Os produtos classificáveis no grau 1, sujeitos à notificação, são submetidos a testes de análise química pela ANVISA? 5. Qual a posição da ANVISA quanto à classificação dos produtos da lista anexa (encaminhar a lista relacionada pela recorrente da petição de notificação com os produtos objeto da autuação) de acordo com os itens constantes da I) LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 1 ou II) LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 2 do Anexo II da revogada RDC nº 211/2005? Perícia Técnica solicitada ao Instituto Nacional de Tecnologia INT A autoridade fiscal atuará como perito assistente e solicitará laudos ao INT, às expensas da recorrente, e nos termos do artigo 64 do Decreto nº 7.574/2011, para que, sobre cada produto autuado, se pronuncie sobre os seguintes quesitos: 1. Nome técnico e comercial 2. Composição química 3. O produto é voltado para conservação ou cuidados da pele? 4. O produto tem ação hidratante? 5. O produto tem função antioxidante? 6. O produto tem função de perfumar? 7. O produto tem função desodorizante? 8. Tratase de uma loção para o corpo? 9.Tratase de um desodorante corporal? 10. O produto apresenta a substância química “triclosan” ou “polyglyceryl3 caprylate” ou “ethylhexyglycerin? 11. Quais as funções que as três substâncias acima mencionadas podem desempenhar, além da função antibaterciana? 12. Qual a principal função do produto, perfumar, hidratar ou desodorizar? 13. Esclarecer quais os critérios técnicos utilizados para se determinar a função principal, se for caso, explicitando a literatura a respeito. A empresa apresenta Embargos de Declaração por ter ocorrido grave equívoco na sessão de julgamento do dia 28/02/2018, já que o processo constou como tendo sido retirado de pauta no sítio na internet do CARF. Os embargos foram admitidos pelo Presidente da Turma em 01/10/2018. É o relatório. Voto Fl. 19908DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.909 6 Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Tendo sido os embargos admitidos pelo Presidente da Turma em 01/10/2018 passo a análise. A embargante suscita a nulidade da Resolução embargada por ter havido grave equívoco na sessão do julgamento que resultou na conversão em diligência já que o processo constou como tendo sido retirado de pauta em data anterior a sessão: 4. O presente recurso de embargos de declaração tem por objetivo tornar sem efeito a Resolução n° 3401001.349, tendo em vista grave equívoco ocorrido na sessão de julgamentos do dia 28/02/2018, em que foi deliberada a conversão do julgamento do recurso voluntário da Embargante em diligência, o que implica a nulidade da deliberação da 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção de Julgamentos do CARF Contudo, em função de grave equívoco ocorrido na sessão de julgamentos do dia 28/02/2018, o recurso acabou sendo indevida e inadvertidamente examinado pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção de Julgamentos, tendo sido deliberada a conversão do julgamento em diligência (fls. 19.868/19.877). (...) Com efeito, na petição de fls. 19.556/19.559, a Embargante, além de requerer a retirada do caso da pauta de julgamentos do dia 28/02/2018, também apontou a sua conexão com o Processo Administrativo nº 19311.720311/201506, requerendo, pois, a redistribuição dos presentes autos ao Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde, integrante da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, para que seja vinculado e julgado conjuntamente ao Processo Administrativo nº 19311.720311/201506. (...) Por fim, na deliberação proferida pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi determinada, ainda, a realização de prova pericial técnica por meio da produção de laudo técnico pelo Instituto Nacional de Tecnologia (“INT”). 18. Ocorre, porém, que, no dia 13/12/2017, a própria Embargante apresentou a petição de fls. 19.519/19.524, acostando aos autos justamente laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (“INT”) (fls.19.527/19.538), enfrentando diversas questões constantes da Resolução nº 3401 001.349. .(grifos originais) (...) Pelo exposto, requerse o acolhimento deste recurso de embargos de declaração, para decretar a nulidade da deliberação que converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, tornandose sem efeitos a Resolução nº 3401 Fl. 19909DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.910 7 001.349 e, consequentemente, (I) seja apreciado o pedido de redistribuição do caso (petição de fls. 19.556/19.559), ou (II) caso seja rejeitado o pedido de redistribuição, seja designada nova data para julgamento, oportunizando a realização de sustentação oral pelo contribuinte e a distribuição de memoriais aos integrantes desta C. Turma. Segundo o art. 65 do RICARF cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos e o art. 66 dispõe sobre o cabimento de embargos inominados quando houver inexatidão material devido a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. ... § 6º As disposições previstas neste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. De fato, consultando o sítio do CARF na internet temos a informação sobre a retirada de pauta do processo, com antecedência à sessão: “Publicado: 22/02/2018 15h21 Última modificação: 22/02/2018 15h21 Serão retirados de pauta da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, por motivo justificado, os seguintes processos: (...) Relatora: MARA CRISTINA SIFUENTES 285 Processo nº: 19311.720310/201553 Recorrentes: INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COSMÉTICOS NATURA LTDA. e FAZENDA NACIONAL e Recorridas: INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COSMÉTICOS NATURA LTDA. e FAZENDA NACIONAL.” Portanto, fica constatado o lapso manifesto no julgamento, por apreciar processo que havia sido retirado de pauta. Concluo por acolher os embargos inominados para cancelar a Resolução nº 3401001.349, de 28 de fevereiro de 2018, e efetuar novo julgamento. O preenchimento dos requisitos de admissibilidade, do recurso voluntário, já foi oportunamente aferido. Fl. 19910DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.911 8 Reproduzo análise já efetuada na Resolução anterior, cancelada, mas que deve ser aproveitada no presente julgamento, quanto ao cabimento do Recurso de Ofício por superar o valor de alçada vigente: A DRJ recorreu de ofício por ter exonerado parte do crédito tributário lançado de R$ 64.784.157,35 para R$ 55.231.418,75, e conforme Portaria MF nº 3, de 3/01/2008, que estipulava a remessa necessária quando o total exonerado excedesse R$1.000.000,00 (tributo e multa), conforme consta do voto condutor: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. RECORRESE DE OFÍCIO ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em face de o crédito tributário exonerado encontrarse acima do limite de alçada, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972 c/c a Portaria MF nº 03/2008. Em juízo de admissibilidade da remessa necessária verifico, pelos elementos disponíveis nos autos, nos termos do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e do art. 70, caput, do Decreto 7.574/2011, que o valor exonerado supera o limite de alçada estabelecido pela superveniente Portaria MF 63/2017, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Conforme Súmula CARF nº 103 deve ser aplicado o valor de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância administrativa: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo assim conheço do recurso de ofício interposto e passo a analisar os dois recursos. Retornando ao julgamento do processo temos que antes de iniciarmos a análise dos autos e alegações das recorrentes existe uma questão que deverá ser decidida a priori: a necessidade de diligência para identificação das mercadorias, posicionandome desde já que sem o cumprimento dessa diligência prejudicada está a análise do processo. Assim reproduzo também parte da Resolução nº 3401001.349, de 28 de fevereiro de 2018 que abordou o assunto, que deve ser reproduzida já que o cancelamento do julgamento anterior se deu por aspecto formal: A fiscalização afirma, no Termo de Verificação Fiscal, que a autuada equivocouse na classificação fiscal adotada nos produtos relacionados nas tabelas, constantes do TVF. Fl. 19911DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.912 9 A impugnante discorda do procedimento da Fiscalização e assevera que o critério utilizado para efetuar a classificação fiscal foi aplicado exatamente como determinam as regras de interpretação do sistema harmonizado e ademais, observou a função precípua do produto, e não preponderante, a característica, a composição química, a eficácia da finalidade do produto, o resultado dos pareceres técnicos dos produtos e os requisitos e as normas da ANVISA. O âmbito da controvérsia instaurada concentrase, pois, na classificação fiscal dos aludidos produtos industrializados, cujas saídas foram consideradas no lançamento de ofício, compreendendo o período de janeiro/2011 a dezembro/2012. Durante o período estiveram vigentes duas tabelas diferentes para a NCM; DECRETO Nº 6.006, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2006, vigente de 01/01/2007 a 31/12/2011; DECRETO Nº 6.006, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2006, vigente de 01/01/2012 a 31/12/2016. Sem alongar explicações sobre a utilização no Brasil do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, SH, promulgado pelo Decreto nº 97.409/1998, começo por informar que para iniciar o procedimento de classificação de uma mercadoria é necessário primeiro conhecer, identificar a mercadoria, para isso nos socorremos das informações trazidas pelo contribuinte, confrontadas e complementadas pelos laudos técnicos, perícias e publicações técnicas que tragam luz a identificação da mercadoria que se pretende classificar. Nesse mister, pouco importa como a mercadoria é ofertada a venda, qual denominação utiliza, devemos nos concentrar em saber o que é a mercadoria, qual sua composição e detalhamento. Quando estivermos seguros de que temos todos os elementos que identificam a mercadoria e propiciam um conhecimento detalhado da mesma, que possa diferenciala de todas as demais podemos partir para a utilização das regras de classificação do SH. Também é importante ressaltar que a classificação de mercadorias do SH se presta a classificar a mercadoria atribuindo a nomenclatura condizente, dentro das possíveis na NCM, e essa classificação é efetuada para efeitos fiscais. Poderão existir outras classificações e outras nomenclaturas para aquela mercadoria, mas aqui, no contencioso que se instaurou, nos interessa saber a classificação para efeitos fiscais. Por isso reproduzo parte do texto do acórdão recorrido que bem esclarece o papel de outros órgãos: No que tange aos registros na ANVISA, a defesa mistura e confunde assuntos e competências de natureza distintas. A Lei nº 6.360/76 Fl. 19912DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.913 10 e o art. 49 do Decreto nº 79.094/77, indubitavelmente referemse à classificação das mercadorias ali relacionadas, para fins de controle e vigilância sanitária, matéria esta que não guarda relação direta com a classificação fiscal, mormente para fins de cálculo do IPI, por não se subordinar, a legislação sanitária, ao princípio da seletividade em função da essencialidade do produto. Após essas considerações iniciais devemos analisar cada produto fabricado pela recorrente conforme agrupado no termo de verificação fiscal e questionado no Recurso Voluntário. O termo de verificação fiscal informa que analisou todos os produtos fabricados pela recorrente separandoos em grupos, conforme tabelas que compõe o TVF. A empresa foi intimada a apresentar informações sobre os produtos, e forneceu embalagens e algumas informações sobre a composição dos produtos. A partir das informações colhidas nos autos, fornecidas pelo fabricante e pesquisadas na internet, além de alguns laudos técnicos, a fiscalização concluiu a identificação dos produtos. Repiso que para se efetuar a correta classificação fiscal de qualquer mercadoria o primeiro passo é a identificação correta da mesma, e no caso de produtos químicos, farmacêuticos ou similares é imprescindível conhecer sua composição química detalhada. Pesquisando os autos não logrei encontrar informações suficientes que permitissem a correta identificação das mercadorias sob fiscalização. Assim a título exemplificativo façamos uma breve análise da contenda, socorrendome do auxílio do ilustre conselheiro Paulo Guilherme Delourede: Assim, indo ao mérito do litígio, a fiscalização efetuou duas reclassificações: reclassificou os produtos “Desodorante Colônia”, “Águas”, “Águas Desod Col” e “Águas Natura Des” do código 3307.20.10 (desodorantes corporais líquidos) ou 3307.20.90 (desodorantes corporais outros) para o código 3303.00.20 (água de colônia), em razão do entendimento de que sua função principal seria de perfumar o corpo e não de ação desodorizante; reclassificou óleos corporais e hidratantes de código 3307.20.10 (desodorantes corporais líquidos) ou 3307.20.90 (desodorantes corporais outros) para o código 3304.99.10 (cremes de beleza e cremes nutritivos, loções tônicas) e 3304.99.90 (outros), em razão do entendimento de que sua função principal seria de hidratar a pelo e não de ação desodorizante. Fl. 19913DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.914 11 Para o primeiro grupo, a conclusão baseouse nas informações de modo de usar contida nas embalagens dos produtos (em contraposição à informação de aplicação somente nas axilas contida no modo de usar de alguns desodorantes comercializados pela recorrente) que continham apenas a informação sobre perfumar a pele, não havendo menção à função antiperspirante ou antisséptica, bem como no encarte promocional denominado Revista Natura, a qual inclui na linha de perfumaria os produtos Natura, Deo Parfum, Desodorante Colônia a Águas, enquanto os desodorantes possuem a indicação própria de “Desodorantes”, incluindo produtos como Desodorante antitranspirante, rollon, e Desodorante spray. Aduziu ainda que o próprio site da recorrente www.natura.com.br inclui os desodorantes colônia entre os produtos de perfumaria, ao passo que inclui os desodorantes corporais entre os produtos destinados ao corpo e banho, bem como transcreveu resposta da Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerias CETEC a respeito da definição de “deocolônia”., inserido na definição de água de colônia e resposta do Serviço Brasileiro de Resposta Técnica Código de solicitação 13949 elaborada pelo Instituto de Tecnologia do Paraná TECPAR http:// respostatecnica.org.br/acessoRT5254, sobre a função dos desodorantes e dos antiperspirantes. Para classificar no código 3303.20.00, a fiscalização utilizou a Nota Coana/Cotac/Dinom nº 344/2006, que reformou a Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253/2002. Para o segundo grupo, além das informações das embalagens sobre o modo de usar e do encarte promocional, a fiscalização se baseou em dois laudos de análise (efls. 2166 a 2169) elaborados pelo Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Falcão Bauer, que atestaram que os produtos “SÉVE Óleo desodorante Corporal Folhas de Canela 200ml” e “EKOS POLPA ILUMINADORA CORPORAL BURITI TERC” não são desodorantes corporais, que são voltados para a conservação ou cuidado da pele, possuem a função hidratante, não possuem a função desodorante ou antiperspirante, não sendo capazes de controlar os odores desagradáveis advindos do metabolismo. Por seu turno, a recorrente defendeu que seus produtos são registrados na ANVISA, conforme doc.11 (efls. 3088 a 4278), que os desodorantes colônia, desodorantes hidratantes e óleos hidratantes possuem em sua composição química elementos com ação antibacteriana (“triclosan”, “polyglyceryl3 caprylate” e “ethylhexyglycerin”), reconhecidos pela ANVISA com função desodorizadora, acostando aos autos dossiês sobre tais produtos, comprovando sua ação antibacteriana e efeito desodorizador, testes de halo inibição comprovando o efeito antibacteriano, Parecer Técnico da Dra. Ediléia Bagatin informando que os desodorantes devem possuir em sua composição, minimamente, dois elementos essenciais: ingredientes antibacterianos e fragrâncias, podendo serem acrescidos de ativos antiperspirantes e neutralizantes e, ao final, Fl. 19914DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.915 12 atestando a eficácia do efeito desodorizante dos produtos indicados no Termo de Verificação Fiscal, que os documentos apresentados identificam a natureza do produto como função desodorizadora, que esta definição é de ordem técnica, devendo ser consideradas as manifestações de institutos técnicos e da ANVISA, conforme já decidido pelo STJ. A partir da confirmação da função desodorizadora de seus produtos, a recorrente entende que os seus produtos são compostos de mistura de matérias e que por aplicação da Regra Geral 2b e da Regra Geral 3, ou seja, definir a posição mais específica, em seguida a essencial e, por fim, a posição situada em último lugar. Entende, assim, que os produtos poderiam ser classificados nas posições 3303 como águas de colônia ou na posição 3307, como desodorantes, sendo as duas posições específicas, de acordo com a Regra Geral 3a. Afirma, ainda, que não haveria preponderância entre as funções de perfumar e desodorizar ou entre as funções hidratar e desodorizar, mas que a característica essencial seria a de desodorizar. E, no caso de não sendo possível determinar a essencialidade entre as funções, devem os produtos, por aplicação da Regra Geral 3c, serem classificados na posição em último lugar na tabela. Seja por essencialidade, seja por falta de sua determinação, a recorrente classificou os produtos na posição 3307 e não na 3303 ou 3304. Concluindo, a recorrente afirmou que os desodorantes colônia são registrados na ANVISA como desodorantes e não como águas de colônia, que suas embalagens indicam a presença das três substâncias acima referidas com ação antibacteriana, que o Parecer Técnico da Dra. Edileía confirma a presença de glândulas sudoríparas espalhadas por todo o corpo e indica o uso de desodorante não apenas nas axilas, como faz pretender a fiscalização, mas em outras partes do corpo como pulso, pescoço, colo e atrás das orelhas. Antes de adentrar nas regras de classificação, é preciso ressalvar que os laudos apresentados pela fiscalização referiramse a apenas dois produtos (SÉVE Óleo desodorante Corporal Folhas de Canela 200ml” e EKOS POLPA ILUMINADORA CORPORAL BURITI TERC) e que a recorrente afirma que os laudos não detectaram a substância “triclosan” em razão de sua substituição pelos dois elementos antibacteriana, anteriormente mencionados, razão pela qual os laudos do Centro Falcão Bauer não identificaram tais produtos. Para corroborar tal afirmação, apresentou pareceres técnicos internos e testes Halo de Inibição, doc. 6 da impugnação, o Parecer Técnico da Dra. Ediléia Bagatin (doc. 5) confirmando, diante da composição química apresentada, a ação antibacteriana e, por último, o laudo do INT atestando a partir de documentação enviada pela recorrente relativa a doze produtos (4 hidratantesdesodorantes, 4 desodorantescolônia, 4 óleosdesodorantes), embora não exatamente os produtos do Fl. 19915DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.916 13 laudo da Falcão Bauer, que os produtos possuem uma das três substâncias antibacterianas mencionadas, o que confere a eles a ação desodorizadora. Como se pode concluir muitas das definições técnicas sobre os produtos não estão disponíveis no Sistema Harmonizado ou nas Nesh, devendo nesse caso nos socorrer das publicações técnicas internacionais e dos posicionamentos dos órgãos técnicos, e também de laudos técnicos se for o caso. A recorrente aduz também que seus produtos são registrados na Anvisa, entretanto carece informação nos autos sobre o escopo desse registro e a efetividade do mesmo, porque em muitos casos somente foi apresentado telas de transmissão de pleitos ao órgão. É preciso esclarecer se a Anvisa ao registrar um produto ou receber o pedido de registro de um produto está a definir a sua caracterização, por exemplo, se eu submeto um pedido de um produto e informo ser um “desodorante” essa informação é definitiva para a Anvisa ou ela irá enquadrar corretamente o produto como desodorante ou água de colônia. Assim, entendo necessária a realização de diligência e perícia, conforme demandado pela recorrente para que os pontos sejam esclarecidos, nos termos que passo a apontar. Diligência na recorrente A recorrente deve ser intimada a: 1. Relacionar a lista de produtos autuados com os nomes dos referidos produtos notificados na ANVISA, identificando o processo ou outro dado que permita a busca por pesquisa pela própria ANVISA ou em seu portal; 2. Apresentar a composição química em percentual de peso ou outra medida adequada, para os produtos autuados, identificando a função de cada substância; 3. Apresentar o custo contábil/fiscal de cada produto, discriminado de acordo com a composição química apresentada, disponibilizando à autoridade fiscal a documentação contábil/fiscal (inclusive arquivos digitais) necessária para eventual certificação; 4. Confirmar os quesitos e peritos indicados em recurso voluntário, para realização de laudos a serem solicitados ao INT. Diligência na ANVISA A autoridade fiscal deve oficiar à ANVISA, solicitando o seguinte: 1. Esclarecer qual a definição técnica de desodorante, águas de colônia e hidratantes utilizada pela ANVISA para classificar produtos nos itens 20 a 23 da I) LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 1 do Anexo II da revogada RDC nº Fl. 19916DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.917 14 211/2005, informando, se possível, os atos normativos ou a literatura científica utilizada; 2. Esclarecer como são classificados os produtos que contém substâncias destinadas a funções distintas, como produto destinado a perfumar e desodorizar e produtos destinados a hidratar e desodorizar. Há algum parâmetro de composição química que identifica a função principal de um produto para ser designado como desodorante, ou água de colônia, ou hidratante? 3. Qual a distinção entre as consultas produtos notificados, produtos registrados e produtos regularizados constantes no portal da ANVISA (https://consultas.anvisa.gov.br/#/)? 4. Os produtos classificáveis no grau 1, sujeitos à notificação, são submetidos a testes de análise química pela ANVISA? 5. Qual a posição da ANVISA quanto à classificação dos produtos da lista anexa (encaminhar a lista relacionada pela recorrente da petição de notificação com os produtos objeto da autuação) de acordo com os itens constantes da I) LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 1 ou II) LISTA DE TIPOS DE PRODUTOS DE GRAU 2 do Anexo II da revogada RDC nº 211/2005? Perícia Técnica solicitada ao Instituto Nacional de Tecnologia INT A autoridade fiscal atuará como perito assistente e solicitará laudos ao INT, às expensas da recorrente, e nos termos do artigo 64 do Decreto nº 7.574/2011, para que, sobre cada produto autuado, se pronuncie sobre os seguintes quesitos: 1. Nome técnico e comercial 2. Composição química 3. O produto é voltado para conservação ou cuidados da pele? 4. O produto tem ação hidratante? 5. O produto tem função antioxidante? 6. O produto tem função de perfumar? 7. O produto tem função desodorizante? 8. Tratase de uma loção para o corpo? 9.Tratase de um desodorante corporal? 10. O produto apresenta a substância química “triclosan” ou “polyglyceryl3 caprylate” ou “ethylhexyglycerin? 11. Quais as funções que as três substâncias acima mencionadas podem desempenhar, além da função antibaterciana? Fl. 19917DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.918 15 12. Qual a principal função do produto, perfumar, hidratar ou desodorizar? 13. Esclarecer quais os critérios técnicos utilizados para se determinar a função principal, se for caso, explicitando a literatura a respeito; Informo que, sem analisar outros aspectos, meu voto é pela conversão do julgamento em diligência, conforme exposto. Entretanto, tendo ciência de que o processo nº 19311.720311/201506, que trata do mesmo assunto e para o qual já existe diligência determinada, nos mesmos termos, e que foi objeto de pedido específico da recorrente para redistribuição para a 2ª turma ordinária da 3ª Câmara, em virtude de conexão e prevenção, devese analisar a viabilidade do pleito pelo princípio da economia processual e atendimento ao disposto no RICARF. A recorrente apresentou em 19/02/2018 petição para redistribuição do presente processo ao Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde, relator do processo nº 19311.720311/201506, conforme justificado: 1. Em decorrência de procedimento de fiscalização iniciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí e inclusive conduzido pelo mesmo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (Sr. Sergio da Conceição de Souza), foram lavrados 2 (dois) autos de infração para constituir créditos tributários a título de IPI e que deram origem a 2 (dois) processos administrativos, a saber: (I) 19311.720310/201553 (de interesse do estabelecimento matriz); e (II) 19311.720311/201506 (de interesse do estabelecimento filial, conforme termo de verificação fiscal anexo, doc. 01). 2. Os 2 (dois) autos de infração em referência têm por objeto exatamente (i) o mesmo tributo IPI, (ii) os mesmos períodos de apuração (meses dos anos de 2011 e 2012), (iii) os mesmos produtos reclassificados fiscalmente, e (iv) a mesma motivação (de fato e direito) e elementos de prova, aduzidos pela fiscalização para questionar a classificação fiscal adotada originalmente pelos estabelecimentos matriz e filial 3. Por sua vez, a defesa do contribuinte (tanto do estabelecimento matriz quanto do estabelecimento fiscal) está igualmente fundamentada nas mesmas razões de direito e nos mesmos elementos de prova, inclusive tendo sido emitido um único Parecer Técnico pelo “INT”, para refutar as acusações fiscais formuladas nos 2 (dois) autos de infração. 4. A propósito, em 1ª instância administrativa os 2 (dois) processos administrativos foram julgados pela mesma Turma de Julgamento (3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém) e também tiveram a mesma Relatora (AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, Sra. Claudia Gorresen Mello, doc. 01). 5. Assim, constatase que os Processos Administrativos nºs 19311.720310/201553 e 19311.720311/201506 são conexos, pois fundamentados em fatos e elementos de prova idênticos, e, Fl. 19918DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.919 16 portanto, devem ser vinculados, conforme o disposto no artigo 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 6. O primeiro processo administrativo distribuído no CARF foi o de número 19311.720311/201506, e está na 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF sob a Relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde (que, coincidentemente, também é o Presidente da Turma). Inclusive, o Processo Administrativo nº 19311.720311/201506 já foi incluído na pauta de julgamentos do dia 29/01/2018, mas o julgamento não ocorreu por falta de tempo. 7. Tendo em vista que o primeiro processo administrativo distribuído no CARF foi o de número 19311.720311/201506, e considerandose o disposto no §2º do artigo 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, é perfeitamente cabível que o Processo Administrativo nº 19311.720310/201553 seja redistribuído para a Relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde, integrante da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, de modo que os referidos processos administrativos sejam vinculados e julgados conjuntamente. 8. Diante do exposto, é a presente para requerer a redistribuição do processo administrativo em referência (o de número nº 19311.720310/201553) para a Relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde, integrante da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, para que seja vinculado e julgado conjuntamente com o Processo Administrativo nº 19311.720311/201506. As razões apresentadas são suficientes para analisar a possibilidade de redistribuição dos processos. Consultando o sítio do CARF na internet temos que o processo nº 19311.720311/201506 foi sorteado ao Conselheiro Relator Paulo Guilherme Dérouléde, em 24/04/2017: 28/04/2017 DISTRIBUÍDO OU SORTEADO PARA RELATOR Unidade: 2ª TO3ªCÂMARA3ªSEÇÃOCARFMFDF Relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE E o processo nº 19311.720310/201553 foi sorteado a presente Relatora em 31/08/2017: 31/08/2017 DISTRIBUÍDO OU SORTEADO PARA RELATOR Unidade: 1ª TO4ªCÂMARA3ªSEÇÃOCARFMFDF Relator: MARA CRISTINA SIFUENTES Segundo o RICARF os processos poderão ser vinculados por conexão, quando tratarem de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico: Fl. 19919DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.920 17 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Fl. 19920DF CARF MF Processo nº 19311.720310/201553 Acórdão n.º 3401005.950 S3C4T1 Fl. 19.921 18 Portanto, tendo em vista o atendimento conjunto dos requisitos relativos à redistribuição do processo, quais sejam: o presente processo é conexo ao processo nº 19311.720311/201506, pois se trata do mesmo tributo, sendo um relativo à matriz e outro à filial, com mesmos elementos de prova, mesma defesa, e com necessidade de igual diligência para esclarecimento dos fatos; a parte solicita a redistribuição do presente processo para ser julgado juntamente com o processo nº 19311.720311/201506 que já se encontra aguardando o retorno da diligência; o processo nº 19311.720311/201506 foi distribuído primeiramente, 28/04/2017, e o presente processo posteriormente em 31/08/2017. Proponho o encaminhamento do presente processo à 2ª TO3ªCÂMARA 3ªSEÇÃOCARFMFDF para ser julgado juntamente com o processo nº 19311.720311/2015 06, pelo princípio da Economia Processual e pela conexão constatada. Pelo exposto voto por anular o acórdão embargado, que determinou a realização de diligência, e remeter o processo à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, para ser julgado juntamente com o processo nº 19311.720311/201506, em virtude de conexão. Mara Cristina Sifuentes – Relatora (Assinado digitalmente) Fl. 19921DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.901660/2016-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 16 60 /2 01 6- 90 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13896.901660/201690 Acórdão n.º 3201004.966 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.940, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13896.901660/201690 Acórdão n.º 3201004.966 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13896.901660/201690 Acórdão n.º 3201004.966 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18490.720179/2017-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015
DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. AUSÊNCIA DE NORMA AUTORIZATIVA. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. APLICABILIDADE DO ART. 170-A DO CTN.
Uma condição básica para se efetuar compensação de tributos é a existência de crédito líquido e certo. A certeza da existência do crédito decorre ou de norma expressa ou de sentença judicial transitada em julgado. Em razão disso não deve prevalecer a tese da inaplicabilidade do art. 170-A do CTN, que veda a realização de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Tal exigência é bem razoável, já que a sentença que eventualmente concedeu o crédito pode ser reformada pela instância superiora, portanto, não se pode dar azo ao surgimento de uma anomalia tributária: a extinção, por compensação, de um débito sem crédito correspondente. O art. 170-A vem a lume com a finalidade de evitar que esta contrariedade à lógica das compensações ocorresse. Ademais, atualmente ninguém duvida da natureza jurídica tributária das Contribuições Previdenciárias, conseqüentemente essas contribuições se submetem ao regime jurídico tributário, inclusive às suas normas gerais, como, por exemplo, a estampada no art. 170-A do Código Tributário Nacional.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA OU AUXÍLIO-ACIDENTE.
Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, tais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos.
RECURSOS REPETITIVOS. ART. 543-C DO CPC/1973 E ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO.ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do Ricarf), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014.
Numero da decisão: 2301-005.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Thiago Duca Amoni, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (Suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015 DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. AUSÊNCIA DE NORMA AUTORIZATIVA. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. APLICABILIDADE DO ART. 170-A DO CTN. Uma condição básica para se efetuar compensação de tributos é a existência de crédito líquido e certo. A certeza da existência do crédito decorre ou de norma expressa ou de sentença judicial transitada em julgado. Em razão disso não deve prevalecer a tese da inaplicabilidade do art. 170-A do CTN, que veda a realização de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Tal exigência é bem razoável, já que a sentença que eventualmente concedeu o crédito pode ser reformada pela instância superiora, portanto, não se pode dar azo ao surgimento de uma anomalia tributária: a extinção, por compensação, de um débito sem crédito correspondente. O art. 170-A vem a lume com a finalidade de evitar que esta contrariedade à lógica das compensações ocorresse. Ademais, atualmente ninguém duvida da natureza jurídica tributária das Contribuições Previdenciárias, conseqüentemente essas contribuições se submetem ao regime jurídico tributário, inclusive às suas normas gerais, como, por exemplo, a estampada no art. 170-A do Código Tributário Nacional. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO-DOENÇA OU AUXÍLIO-ACIDENTE. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário-de-contribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio-doença ou auxílio-acidente, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, tais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. ART. 543-C DO CPC/1973 E ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO.ART. 62-A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxílio-doença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62-A, do Ricarf), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2349; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 346 1 345 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18490.720179/201762 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.914 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2019 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente PARÁ SEGURANÇA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2015 DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. AUSÊNCIA DE NORMA AUTORIZATIVA. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. APLICABILIDADE DO ART. 170A DO CTN. Uma condição básica para se efetuar compensação de tributos é a existência de crédito líquido e certo. A certeza da existência do crédito decorre ou de norma expressa ou de sentença judicial transitada em julgado. Em razão disso não deve prevalecer a tese da inaplicabilidade do art. 170A do CTN, que veda a realização de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Tal exigência é bem razoável, já que a sentença que eventualmente concedeu o crédito pode ser reformada pela instância superiora, portanto, não se pode dar azo ao surgimento de uma anomalia tributária: a extinção, por compensação, de um débito sem crédito correspondente. O art. 170A vem a lume com a finalidade de evitar que esta contrariedade à lógica das compensações ocorresse. Ademais, atualmente ninguém duvida da natureza jurídica tributária das Contribuições Previdenciárias, conseqüentemente essas contribuições se submetem ao regime jurídico tributário, inclusive às suas normas gerais, como, por exemplo, a estampada no art. 170A do Código Tributário Nacional. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIODOENÇA OU AUXÍLIO ACIDENTE. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e saláriodecontribuição, no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 72 01 79 /2 01 7- 62 Fl. 346DF CARF MF 2 remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, tais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. ART. 543C DO CPC/1973 E ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO.ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62A, do Ricarf), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Thiago Duca Amoni, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (Suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 280/335) interposto em face do Acórdão nº 0134.758 (efls 262/273) exarado pela DRJ Belém na sessão de julgamento de 22/09/2017, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 208/248) apresentada contra o Despacho Decisório (efls 177/188) expedido pela DRF Belém. 2. Para a compreensão do litígio devolvido, fazse a transcrição do Relatório contido no acórdão recorrido: início da transcrição do relatório inserto no Acórdão 01034.758 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 18490.720179/201762 Acórdão n.º 2301005.914 S2C3T1 Fl. 347 3 Tratase de Manifestação de Inconformidade protocolizada pela empresa Interessada, já qualificada nos autos, em resistência ao Despacho Decisório n° 424 exarado pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, PA, que considerou indevida as compensações tributárias, realizadas em GFIP, no montante de R$ 3.492.292,80 referente ao ano de 2014 e no valor total de R$ 6.350.843,32 relativo a todas as competências de 2015. O motivo das glosas das compensações foi a não apresentação de prova inequívoca da existência do direito creditório, tendo em vista a ausência de decisão judicial transitada em julgado autorizando as compensações realizadas. Em sua Manifestação de Inconformidade, fls. 208/248, a Interessada, por meio de sua advogada, fl. 249, alega, em síntese, que: (...) É filiada ao Sindicato das Empresas de Vigilância, Transporte de Valores, Curso de Formação e Segurança Privada do Estado do Pará SINDESP/PA e em razão disso realizou compensações tributárias com base nos mandatos de segurança, impetrado pelo Sindicato, que discutem a inexigibilidade do crédito referente à contribuição previdenciária patronal incidente sobre inúmeras verbas. Entende que seu crédito tem origem no pagamento contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias que antecedem à concessão do auxíliodoença ou do auxílioacidente, bem como, a título de férias de 1/3 (um terço), aviso prévio indenizado e 13° salário proporcional ao aviso prévio indenizado. Tais valores não se inserem na hipótese de incidência das Contribuições Previdenciárias, pois não se destinam a retribuir trabalhos prestados. Fazer incidir Contribuições sobre essas verbas ofende o princípio da legalidade estrita. Transcreve o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre a não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre os primeiros dias de afastamento do obreiro, REsp n° 1.230.957/RS e complementa com a informação que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, RE 611.505, Tema 482, decidiu pela inexistência de repercussão geral no tocante a essa matéria específica. Referido entendimento, na visão da Impugnante, estendese a férias e adicional de férias de 1/3, portanto, deve essas decisões ser aplicadas no âmbito administrativo. Sustenta a ilegalidade do Decreto n° 6.727/09 que pretende legitimar a incidência da Contribuição Previdenciária sobre os pagamentos a título de aviso prévio indenizado e sobre o 13° salário proporcional ao aviso prévio indenizado, pois essas verbas têm caráter indenizatório. Salienta que antes da redação conferida pelo Decreto n° 6.727/90, o disposto no art. 214, § 9o, V, alínea "f do Decreto n° 3.048/99 afastava a tributação sobre o aviso prévio indenizado. "Nesse sentido, ao menos até a publicação do Decreto n° 6.727/09, não era devida a contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos aos empregados a título de aviso prévio indenizado e sobre o 13° salário proporcional". Posteriormente também não, pois implica em inegável ofensa ao princípio constitucional da legalidade tributária (Constituição Federal, art. 150,1). Para a Impugnante a Administração deveria aplicar de imediato o entendimento proferido pelo STJ sob a égide do art. 1.036 do Código de Processo Fl. 348DF CARF MF 4 Civil CPC, Resp 1.230.957/RS, ainda mais quando o Supremo Tribunal Federal STF já se posicionou no sentido da inexistência de repercussão geral, pois se trata de matéria infraconstitucional. A Impugnante defende a inaplicabilidade do art. 170A do Código Tributário Nacional, pois não é razoável a Interessada esperar o trânsito em julgado após o julgamento proferido pelo STJ sob a sistemática do recurso repetitivo, tal comportamento desrespeita princípios basilares como o da celeridade, do devido processo legal e da duração razoável do processo. Portanto, a Interessada utilizou o crédito no momento correto, após a decisão judicial no Recurso Especial 1.230.957/RS. Entende que é "inútil o art. 170A do CTN". Narra a Impugnante que a compensação foi realizada em GFIP e não em PER/DCOMP. Argumenta que há distinção entre a compensação prevista no art. 66 da Lei n° 8.383/91 c/c artigo 165 do CTN e a disposta nos artigos 170 e 170A do CTN. Já que a compensação realizada sob o pálio do art. 66 da Lei n° 8.383/91, na sistemática do lançamento por homologação, pode ser realizada independentemente de autorização administrativa ou de decisão judicial, em consonância com o art. 165 do CTN. Informa a Impugnante, finalmente, a existência dos Mandados de Segurança, distribuídos sob os números 001906164.2010.4.01.3900 e 003461767.2014.4.01.3900, que guardam pertinência com o quanto debatido no Despacho Decisório. Aduz que no âmbito do Processo n° 001906164.2010.4.01.3900 foi declarado o direito da Impugnante de compensar as Contribuições Previdenciárias que incidiram sobre os quinze primeiros dias de afastamento do segurado doente ou acidentado, bem como o terço constitucional de férias. "Os autos encontramse com Recurso Extraordinário aguardando julgamento do recurso representativo da controvérsia no Supremo Tribunal Federal n° 576.967". O direito de compensar valores de contribuições previdenciárias incidentes sobre avisoprévio indenizado foi declarado no Mandado de Segurança n° 003461767.2014.4.01.3900. "Os autos encontramse com Recurso de Apelação pendente de julgamento". Entende que essas ações não impede a Impugnante de realizar as compensações, como também constitui óbice ao lançamentos litigiosos. "Observase assim claramente a insubsistência da Decisão prolatada, uma vez que ao menos parte dos débitos nele englobadas encontramse com exigibilidade suspensa". Lembra que os órgãos de julgamento de primeira instância estão vinculados ao entendimento exarado no Parecer PGFN/CRJ N° 396/2013, nos termos do art. 7o da Portaria MF n° 341, de 12 de julho de 2011. E o CARF, segundo o art. 62, § 2o, está vinculado às decisões proferidas pelo STF e STJ em sede de repercussão geral e recurso repetitivo, respectivamente. Informa que a PGFN editou a NOTA PGFN/CRJ/N] 485/2016 para a dispensa da incidência de Contribuições Previdenciárias sobre os valores pagos de aviso prévio indenizado. Requer: A reforma do Despacho Decisório por preterição ao direito de defesa e no mérito a convalidação da compensação efetuada, "inexistindo tributo ou qualquer cominação que dele advenha a ser recolhido, ainda que em parte, pela contribuinte". Fl. 349DF CARF MF Processo nº 18490.720179/201762 Acórdão n.º 2301005.914 S2C3T1 Fl. 348 5 A não incidência de Contribuições Previdenciárias Patronal sobre as verbas pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, adicional de férias 1/3 (um terço) e aviso prévio indenizado E 13° (décimo terceiro) salário proporcional ao aviso prévio indenizado, e consequente direito creditório. Subsidiariamente, diligência para exclusão da parcela suspensa de Contribuição Previdenciárias do valor do débito. Aplicação do Parecer PGFN/CDA/CRJ/N° 396/2013, NOTA PGFN/CRJ/N° 485/2016 e art. 62, § 2o do Regimento Interno do CARF. Intimação para a Impugnante realizar sustentação oral quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade. final da transcrição do relatório inserto no Acórdão 01034.758 2.1. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Fazse a transcrição da ementa contida no acórdão recorrido: DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO AUSÊNCIA DE NORMA AUTORIZATIVA. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. APLICABILIDADE DO ART. 170A DO CTN. Uma condição básica para se efetuar compensação de tributos é a existência de crédito líquido e certo. A certeza da existência do crédito decorre ou de norma expressa ou de sentença judicial transitada em julgado. Em razão disso não deve prevalecer a tese da inaplicabilidade do art. 170A do CTN, que veda a realização de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Tal exigência é bem razoável, já que a sentença que eventualmente concedeu o crédito pode ser reformada pela instância superiora, portanto, não se pode dar azo ao surgimento de uma anomalia tributária: a extinção, por compensação, de um débito sem crédito correspondente. O art. 170A vem a lume com a finalidade de evitar que esta contrariedade à lógica das compensações ocorresse. Ademais, atualmente ninguém duvida da natureza jurídica tributária das Contribuições Pr evidenciarias, consequentemente essas contribuições se submetem ao regime jurídico tributário, inclusive às suas normas gerais, como, por exemplo, a estampada no art. 170A do Código Tributário Nacional. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. JULGADOR ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITAÇÃO. O julgador de litígios administrativos fiscais, no âmbito da Administração Tributária Federal, não recebeu autorização de nenhuma norma jurídica brasileira para decidir sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas que, eventualmente, fundamentaram a confecção de determinado lançamento tributário. A opção do sistema jurídico pátrio foi de subtrair competência para o julgador administrativo negar vigência a determinado dispositivo normativo sob a alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Esta atribuição foi reservada ao poder judiciário. Fl. 350DF CARF MF 6 3. Interposto o recurso voluntário (efls 280/355), em cujas razões o Recorrente deduz as mesmas alegações apresentadas em sede de impugnação e formula pedidos consignados às efls 333/334. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 5. Como visto, parte substancial da peça recursal apresentada pelo Recorrente repisa as mesmas argumentações, suscita as mesmas questões e formula os mesmos pedidos constantes na peça impugnatória. 6. Entretanto, fazse necessário abordar questão suscitada no recurso voluntário, relativamente à parte do pedido que está fundamentada em decisão judicial emanada do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial 1.230.957RS). DDOOSS PPRREETTEENNSSOOSS PPAAGGAAMMEENNTTOOSS IINNDDEEVVIIDDOOSS DDEECCOORRRREENNTTEESS DDEE VVAALLOORREESS RREECCOOLLHHIIDDOOSS ÀÀ PPRREEVVIIDDÊÊNNCCIIAA SSOOCCIIAALL AA TTÍÍTTUULLOO DDEE AADDIICCIIOONNAALL CCOONNSSTTIITTUUCCIIOONNAALL DDEE FFÉÉRRIIAASS EE PPRRIIMMEEIIRROOSS QQUUIINNZZEE DDIIAASS DDEE AAFFAASSTTAAMMEENNTTOO PPOORR MMOOTTIIVVOO DDEE DDOOEENNÇÇAA OOUU AACCIIDDEENNTTEE;; 7. A questão suscitada no recurso diz respeito à aplicação do disposto no artigo 62, § 2ª do Regimento Interno do CARF. 7.1. Consoante a redação do citado dispositivo regimental, para se afastar a aplicação da legislação tributária, as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento de recursos repetitivos, devem ser definitivas; porém, não é o que ocorre, até o momento, em relação à decisão em comento, ou seja, o REsp 1230957/RS. 7.2. Por isso, não assiste razão ao Recorrente. Mister transcrever trecho conclusivo do voto prolatado no no Acórdão 2401003.943, da lavra do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, por bem elucidar a questão: Notese que não se desconhece a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), que estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de auxíliodoença, (ii) DO TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS INDENIZADAS OU GOZADAS; e (iii) do aviso prévio indenizado. Ocorre que este relator opta por manter o seu entendimento quanto à base imponível do saláriodecontribuição, tendo em vista não estar ainda vinculado ao decisório, posto que não se trata de decisão definitiva de mérito (art. 62A, do RICARF). (Grifouse). Fl. 351DF CARF MF Processo nº 18490.720179/201762 Acórdão n.º 2301005.914 S2C3T1 Fl. 349 7 7.3. Em sentido semelhante, são os argumentos contidos na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014, cuja ementa transcrevo: Art. 19 da Lei nº 10.522/2002. Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2010; PGFN/CRJ nº 492/2011; PGFN/CDA nº 2025/2011; PGFN/CRJ/CDA nº 396/2013. Portaria PGFN nº 294/2010. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Recurso Especial nº 1.230.957/RS. Recurso representativo de controvérsia. Processo submetido à sistemática do artigo 543C do CPC. Nota Explicativa para delimitação da matéria decidida e esclarecimentos acerca da aplicação do julgado. Não inclusão do tema em lista de dispensa de contestar e recorrer. (Grifouse.) 7.4. Diante de tais considerações, descabe neste momento, afastar a incidência das contribuições sobre as verbas ora discutidas, tendo por fundamento o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea “b”, do Anexo II do RICARF. RRIICCAARRFF:: AARRTTIIGGOO 5577 §§ 33ºº 8. Em prosseguimento, e nos termos do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do trecho extraído do voto condutor: início da transcrição do voto inserto no Acórdão 01034.758 Atualmente não paira nenhuma dúvida sobre a desnecessidade da anuência da Receita Federal para que o contribuinte realize compensações tributárias, ainda mais se elas ocorrem em um ambiente onde o lançamento é por homologação , como ocorre com as Contribuições Previdenciárias. No entanto, coerente com este cenário, não se pode, em momento algum, olvidar que essa compensação, dentro do prazo de cinco anos pode ser revista pelo Fisco Federal, principalmente para verificar se o crédito tributário é líquido e certo, pressuposto básico de qualquer compensação tributária. E foi justamente isso que ocorreu no caso sob exame. O Setor Fiscal, após intimar a Interessada não constatou a liquidez e a certeza dos créditos utilizados nas compensações, e detectou que as compensações foram realizadas antes do trânsito em julgado de sentenças parcialmente favoráveis à Impugnante, em contrariedade ao estabelecido no art. 170A do Código Tributário Nacional CTN. "É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". A Impugnante entende que é "inútil o art. 170A do CTN". Com o julgamento proferido pelo STJ sob a sistemática do recurso repetitivo favorável a não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre determinadas verbas, tornase inaplicável referido artigo do CTN. Este entendimento não encontra amparo normativo, aceitálo seria dá um efeito para os julgamentos sobre o rito do recurso repetitivo sem previsão em lei. A Fl. 352DF CARF MF 8 existência de decisão, como a proferida no Recurso Especial 1.230.957/RS, não torna desnecessária a pronúncia dos magistrados nos processos sobrestados. Para melhor compreensão sobre a aplicabilidade do art. 170A do CTN se coloca em evidência uma premissa segura: a natureza tributária das contribuições previdenciárias. Após a Constituição Federal de 1988 e posicionamentos firmes do Supremo Tribunal Federal STF não há mais espaço para dúvidas acerca deste tema: as contribuições sociais previdenciárias são tributos. Consequentemente essas contribuições se submetem ao regime jurídico tributário, com todas as garantias próprias, como a legalidade, a anterioridade do exercício financeiro e a mitigada, a irretroatividade, entre outras. A segunda premissa é também pacífica: o Código Tributário Nacional CTN foi recepcionado pelo novo ordenamento jurídico com o status de lei complementar, uma vez que já cumpria o estatuído no art. 146, III da Constituição Federal: Cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, regular as limitações constitucionais ao poder de tributar [...]. Assim, como as contribuições previdenciárias são tributos e sujeitamse ao regime jurídico tributário, submetese a normas gerais contidas no CTN. Neste contexto, não se sustenta a alegação sobre a inaplicabilidade do art. 170A as compensações previdenciárias3. Na mesma frequência, anotase que não se vislumbra nenhuma antinomia entre o art. 170 e 170A do CTN e as outras normas que versam sobre compensação de tributos, como a contida no art. 66 da Lei 8.383/91 ou no art. 74 da Lei 9.430/96. Há, na realidade, uma escala evolutiva legislativa, que apesar de permeada por algumas restrições, se deu no sentido de aumentar a liberdade do contribuinte para proceder à compensação por conta própria, com o efeito imediato de extinção do débito tributário compensado, lógico que sujeito a ulterior verificação pela Administração Tributária, no prazo quinquenal, como ocorreu no presente caso. Nesta linha do tempo a norma a ser aplicada vai depender da época em que foi realizada a compensação, assim evitase a escolha arbitrária de qual norma ou parte dela deve ser utilizada ao caso concreto, ou seja, "não se interpreta o direito em tiras, aos pedaços", como sempre nos lembra o exministro do STF4 Eros Grau5. Se o pedido de reconhecimento de direito à compensação sobre determinadas verbas foi ajuizada após a vigência da Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, o que ocorreu no caso sob análise, é indiscutível a aplicação do art. 170A6: A exigência é bem razoável em razão do efeito extintivo do crédito tributário compensado, o que não ocorria anteriormente, mas hoje é uma realidade. Se a interessada compensa um crédito com sua certeza e/ou liquidez ainda sub judice e uma decisão posterior entender de forma diferente, contrária ao contribuinte, temse uma anomalia tributária, a extinção, por compensação, de um débito sem crédito correspondente. Para evitar essa ocorrência veio a lume o art. 170A do CTN. Ressaltase que a própria sentença que concedeu parcialmente, em sede de liminar, o pleiteado pela Impugnante, assegura à contribuinte o direito à compensação, "desde que observado o artigo 170A do CTN", fl. 97 Processo n. 1906164.2010.4.01.3900. Em outras palavras, condiciona o direito à compensação à observância do art. 170A do CTN. Portanto, não resta dúvida sobre a aplicação do art. 170A para o caso concreto. Ademais, as decisões específicas apresentadas pela Impugnante7 ainda não transitaram em julgado, em razão disso não poderia a Interessada realizar as compensações tributárias antes do trânsito em julgado das decisões que reconheceram ser indevidos pagamentos de contribuições previdenciárias sobre determinadas rubricas. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 18490.720179/201762 Acórdão n.º 2301005.914 S2C3T1 Fl. 350 9 Não é demais destacar que o Julgador de litígios administrativos fiscais é vinculado às leis e normas complementares, conforme determinado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 341/2011 e a própria Lei 8.112/90: Portaria Ministério da Fazenda n° 341/2011. Art. 7º São deveres do julgador: V observar o disposto no inciso Ilido art. 116 da Lei n° 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Lei 8.112/90 Art. 116. São deveres do servidor: I omissis; II omissis; III observar as normas legais e regulamentares Consignase que na 1a instância do Processo Administrativo Fiscal Federal não há previsão normativa para sobrestamento de processos no aguardo de decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. (...) Ademais, uma particularidade é digna de destaque, pois é procedimental, serve para todas as verbas litigiosas aqui debatidas e é norma vigente no presente momento, que se sobrepõe a entendimentos anteriores. Eventual decisão judicial, inclusive as citadas pela Impugnante, proferida pelo STJ ou STF sob o rito da repercussão geral ou do recurso repetitivo só influenciará o resultado de julgamento de Ia Instância Administrativa Fiscal a partir de comunicado da PGFN9 a RFB10, incluindo determinada matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 1, de 12 de fevereiro de 2014 publicada no Diário Oficial da União de 17/02/2014. A Impugnante defende que seus créditos têm origem no pagamento contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias que antecedem à concessão do auxíliodoença ou do auxílioacidente, bem como, a título de adicional de férias 1/3 (um terço), aviso prévio indenizado e 13° salário proporcional ao aviso prévio indenizado. Como visto acima, a atividade do julgador administrativo é plenamente vinculada, e no caso concreto não há nenhuma norma isentando ou dispensando a cobrança de Contribuições Previdenciárias sobre os quinze primeiros dias que antecedem ao afastamento do segurado em virtude de auxíliodoença; as férias gozadas e respectivo terço constitucional, pois essas verbas integram o salário de contribuição, posição exarada na Solução de Consulta n° 362 Cosit, de 10 de agosto de 2017, a qual vincula este Órgão Julgador. Esta Solução de Consulta está disponível na página da Receita Federal do Brasil na internet. Fl. 354DF CARF MF 10 Já as verbas pagas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo para fins de incidência de contribuições sociais previdenciárias, conforme Solução de Consulta n° 362 COSIT/2017. Da mesma forma o aviso prévio indenizado, exceto seu reflexo no 13° salário, não integra a base de cálculo para fins de incidência das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de salários, nos termos da NOTA PGFN/CRJ/N° 485/2016, de 30 de maio de 2016, aprovada em 2 de junho de 2016, com esteio no artigo 19, inciso V, parágrafos 4o, 5o e 7o da Lei n.° 10.522, de 2002, e no artigo 3o, parágrafo 3o da Portaria Conjunta PGFN/RFB n.° 1, de 2014. O fato de a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB reconhecer a não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre determinada verba não implica no dever de deferir pedidos de restituição ou compensação automaticamente, fazse necessária a prévia análise quanto à efetiva existência ou disponibilidade do direito creditório junto à RFB, foi o que aconteceu no caso em tela. No vertente caso, apesar da existência da intimação fiscal, fl. 2, intimar a Interessada à demonstrar/detalhar a origem dos créditos utilizados nas compensações e o Despacho Decisório n° 424/2017, fl. 177 considerar indevida as compensações em razão da ausência de provas inequívoca da existência do direito crédito informado em GFIP, esta situação perdura até este momento. Não há nos autos provas da incidência de Contribuições Previdenciárias sobre as verbas pagas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, de aviso prévio indenizado e das outras verbas citadas na Impugnação. Em outras palavras, a Interessada não se desincumbiu do ônus probatório acerca da liquidez e certeza do seu eventual crédito, pressuposto básico para a realização de qualquer compensação tributária. No caso concreto a Interessada carreia aos autos apenas uma "tabela de cálculo estimados", sem lastros documentais, tais como, a contabilidade, a folha de pagamento, as bases dos lançamentos de eventuais verbas na GFIP e GPS recolhidas. Portanto, na ausência de provas sobre a certeza e liquidez do crédito pleiteado (no montante de R$ 3.492.292,80 referente ao ano de 2014 e no valor total de R$ 6.350.843,32 relativo a todas as competências de 2015), mantémse integralmente as glosas das compensações relatadas no Despacho Decisório n° 424/2017. final da transcrição do voto inserto no Acórdão 01034.758 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 9. Diante do exposto, voto por negar PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 355DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001353/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
COMPESAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. CABIMENTO
É o comprovante de rendimentos o documento hábil, em razão de sua própria natureza, para comprovar o valor dos rendimentos pagos e do imposto de renda retido na fonte.
Ausente a prova da regularidade da compensação é cabível a glosa do valor indevidamente compensado.
Numero da decisão: 2201-005.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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GLOSA. CABIMENTO É o comprovante de rendimentos o documento hábil, em razão de sua própria natureza, para comprovar o valor dos rendimentos pagos e do imposto de renda retido na fonte. Ausente a prova da regularidade da compensação é cabível a glosa do valor indevidamente compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de Acórdão da DRJ, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 13 53 /2 00 7- 45 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11831.001353/200745 Acórdão n.º 2201005.015 S2C2T1 Fl. 593 2 se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF decorrente de omissão de rendimentos e compensação indevida de IRRF. A decisão de primeira instância de forma objetiva assim sintetizou os fatos: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 10/16, que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2004, no montante de R$ 543.730,71, sendo R$ 29.725,13, a título de imposto de renda pessoa física suplementar (sujeito à multa de ofício), R$ 22.293,85, de multa de ofício, R$ 8.962,12, de juros de mora, calculados até 30/04/2007, R$ 321.511,57, de imposto de renda pessoa física (sujeito à multa de mora), R$ 64.302,31, de multa de mora, e R$ 96.935,73, de juros de mora, calculados até 30/04/2007. Conforme Descrição dos Fatos c Enquadramento Legal (íls. 11/14), o procedimento resultou na apuração das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas Omissão de Rendimentos Recebidos a Título dc Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Inconformado, o interessado protocolizou, em 23/05/2008, a impugnação de lis. 01/09, alegando, em resumo, o que segue: a suposta diferença de R$ 99.387,38, apurada entre os rendimentos de aluguéis recebidos e os efetivamente declarados, não pode integrar a base de cálculo do imposto de renda porque se trata de despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento, valores esses que não entram no cômputo do rendimento bruto, nos termos do art. 50, combinado com o art. 650, III, do RIR; conforme se comprova pela planilha n° 1, anexa, embora o rendimento bruto do contribuinte relativo às fontes pagadoras apontadas no lançamento impugnado tenha sido de R$1.103.380,17, as fontes pagadoras informaram incorretamente à Secretaria da Receita Federal o pagamento de R$ 1.092.429,56; a Metalúrgica Sete de Setembro informou que teria pago ao impugnante o valor de R$ 87.928,08, quando, na realidade, pagou R$ 95.164,90, tendo o mesmo ocorrido com Eleonor do Brasil, Clínica de Fraturas, Auto Posto Jardim Avelino, CFM Estruturas Metálicas e Incopel Painéis Elétricos; sobre o rendimento bruto total de R$ 1.103.380,17 foram descontados 10% de despesas dedutíveis (7% para a administradora e 3% para a firma de advocacia), resultando em um rendimento líquido de R$ 993.042,15, como foi declarado e tributado; Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11831.001353/200745 Acórdão n.º 2201005.015 S2C2T1 Fl. 594 3 todos os recebimentos mencionados na planilha, juntamente com os comprovantes de boletos bancários, foram depositados na contacorrente n° 119529 do Banco Itaú S/A, agência 0646, em nome do impugnante ; para comprovação da regularidade e das despesas pagas para a cobrança e o recebimento do rendimento, junta os fluxos de caixa elaborados mensalmente pelo administrador, Escritório Rubens Cabral Nogueira, os recibos e notas de pagamento das comissões, juntamente com declaração dos beneficiários no sentido do recebimento dessas comissões, na forma descrita nos fluxos de caixa anexos; não pode ser responsabilizado pela suposta falta de recolhimento do IRRF declarado, já que foi feita a retenção do imposto devido pelas fontes pagadoras, quando do pagamento dos rendimentos, como comprovam as planilhas n° 2, 3, 4, 5, 6 e 7, devidamente instruídas com todos os recibos de pagamento e boletos bancários que deram origem aos rendimentos; o impugnante traz à colação jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido; o poder de fiscalizar é exclusivo das autoridades fazendárias, não cabendo ao contribuinte exigir das fontes pagadoras a comprovação do recolhimento do imposto retido, sendo absurda a afirmação da autoridade fiscal de que “o locadorcontribuinte, mesmo sendo representado por terceiro/imobiliária deixou de exercer o seu poder de vigilância e exigir a apresentação do efetivo recolhimento, sabedor de que se o locatário não o providenciasse os devidos recolhimentos, responderia por essa falta", além de contrariar frontalmente o art. 904 e seguintes do RIR; além de ter sofrido a retenção na fonte, o impugnante levou em consideração os informes apresentados pelas fontes pagadoras para a sua declaração de rendimentos, cujos valores estão absolutamente de acordo com o imposto declarado, ressalvadas pequenas diferenças em 2 dos 5 casos constantes do lançamento, todas aumentando o valor da base de cálculo do imposto, o que demonstra a sua boa fé; excetuado o lançamento relativo ao recebimento de proventos do Bradesco Vida e Previdência S/A, cujo valor foi devidamente recolhido, não podem prevalecer as imputações de omissão de rendimentos e dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, razão pela qual requer o cancelamento do lançamento ora impugnado; caso necessário, requer perícia nos livros das fontes pagadoras para apurar os valores efetivamente pagos a título de aluguel, com as respectivas retenções de IRRF, para o que nomeia como seu assistente técnico o contabilista, Dr. Obed de Faria Júnior, solicitando, por último, que as intimações sejam encaminhadas aos seus procuradores. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11831.001353/200745 Acórdão n.º 2201005.015 S2C2T1 Fl. 595 4 Visando instruir o presente processo, foram juntados os documentos de fls. 253/268 e 270/276, extraídos dos sistemas de informação da RFB. Foi prolatado o Acórdão nº 1741.295 3a Turma da DRJ/SP2, que julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos da seguinte ementa: PEDIDO DE PERÍCIA. DESCABIMENTO. Indeferese pedido de perícia, quando sua realização afigurarse prescindível para o adequado deslinde da questão a ser dirimida. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impughante, consolidandosc administrativamente o respectivo crédito tributário apurado. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. REQUISITOS. No caso de rendimentos de aluguéis, somente são excluídas da base de cálculo as despesas relativas aos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento, ao aluguel pago pela locação do imóvel sublocado, à cobrança ou recebimento do rendimento e à taxa de condomínio, desde que tenham sido pagas durante o anocalendário e que estejam comprovadas por documentos hábeis e idôneos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. Uma vez comprovada parte da retenção de imposto dc renda na fonte e a tributação dos correspondentes rendimentos na declaração dc ajuste, há que sc restabelecer a respectiva dedução. A ciência dessa decisão ocorreu em 19/06/2013 (fl. 546) e o recurso voluntário (fls.559/579) foi tempestivamente protocolizado em 17/07/2013, tendo o contribuinte alegado, em síntese, que: Preliminarmente, informa o óbito do contribuinte no decorrer do processo administrativo fiscal, tendo sido sucedido pelo seu espólio. Restringe o contencioso a afirmar que não houve omissão de rendimentos, uma vez que descontou da base de cálculos as despesas com administração dos aluguéis. De acordo com o art. 50, do Regulamento do Imposto de Renda, as despesas para cobrança ou recebimento dos rendimentos não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso do aluguel de imóveis. A DRJ desconsiderou indevidamente os documentos produzidos. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11831.001353/200745 Acórdão n.º 2201005.015 S2C2T1 Fl. 596 5 Não poderia o acórdão recorrido ter desconsiderado os “Fluxos de caixa” pelo fato de não estarem assinados, uma vez que os mesmos demonstram, imóvel por imóvel, os aluguéis recebidos pelo contribuinte e todas as despesas dedutíveis, inclusive aquelas necessárias para cobrança ou recebimento. As declarações assinadas pelo administrador e escritório de advocacia têm valor probante para atestar a regularidade das deduções efetuadas. Não há necessidade de haver contrato escrito para a administração de imóveis. É indevida a desconsideração pela decisão recorrida dos recibos e notas fiscais pela falta de especificação de que os serviços realizados eram de administração de imóveis, não podendo o recorrente ser penalizado por eventuais falhas de terceiros. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do mérito De acordo com a recorrente, o rendimento bruto total auferido totaliza a importância de R$ 1.103.380,17, da qual foi descontado o percentual de 10%, a título de despesas dedutíveis, sendo 7% para a administradora dos imóveis e 3% para a firma de advocacia, o que resultou em um rendimento líquido de R$ 993.042,15, como foi declarado e tributado. Além da planilha de fl. 19, elaborada para demonstrar os valores brutos recebidos, as despesas incorridas, os valores líquidos e declarados, o contribuinte anexou aos autos os boletos de pagamentos dos aluguéis; fluxos de caixa; correspondências subscritas pelo Escritório Rubens Nogueira e Sérgio de Godoy Bueno e Advogados, mencionando os percentuais recebidos, respectivamente, a título de administração da carteira de imóveis e prestação de serviços de assistência jurídica; cópia de recibo emitido pelo Escritório Rubens Nogueira sobre os valores dos aluguéis; cópias de notas fiscais de emissão de Sérgio de Godoy Bueno e Advogados (fls. 21/183). É cediço que a legislação permite a dedução das despesas para cobrança e recebimento dos rendimentos de aluguel, nos termos do art. 50 do então vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, verbis: “Art. 50. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11831.001353/200745 Acórdão n.º 2201005.015 S2C2T1 Fl. 597 6 I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento:(grifei) IV as despesas de condomínio. ” Restou claro pela prova carreada aos autos que a recorrente se esforçou para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo, todavia, não há um documento comprobatório sequer, que seja capaz de vincular de maneira robusta os rendimentos percebidos de aluguel com as despesas pagas pela cobrança ou recebimento. Os documentos intitulados “fluxos de caixa” não podem ser utilizados para comprovar a regularidade da dedução, eis que não vinculam de forma direta nenhuma despesa necessária para a cobrança ou recebimento dos aluguéis. Não guarda relevância o fato de não estarem assinados, mas sim a inexistência de prova de despesas realizadas com o objetivo de cobrança ou recebimento dos aludidos rendimentos. As meras declarações dos profissionais supostamente contratados para a administrar a carteira imobiliária do recorrente, pó si só, não podem ser valorados como prova capaz de atestar a regularidade das deduções. Não foi carreado aos autos nenhum documento que atestasse o pagamento de comissão imobiliária, evidenciandose como dispêndio decorrente de serviços de administração imobiliária e/ou cobrança. A ausência de contrato escrito, isoladamente, não pode servir como fundamento para a glosa da dedução realizada pelo contribuinte, todavia, passou a ser um indício probante de relevo para a convicção do julgador administrativo. Isso porque que não é algo do senso comum, a inexistência de ajuste escrito, em que usualmente se determinam as obrigações das partes, atinentes a administração dos imóveis, recebimento ou cobrança, seja ela administrativa ou judicial, bem como os percentuais remuneratórios pelos serviços prestados. Com efeito, a redução de rendimento tributável é condicionada, podendo o contribuinte beneficiário ser instado a comprovar tais deduções, conforme determinação do DecretoLei n° 5.844/43 que foram reproduzidas no RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 11, § 3o). § 1o Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 4o)”. (grifei) No caso que se cuida, manifesto minha concordância aos termos do que decidido na decisão de piso, no sentido de que não há prova suficiente para comprovar a regularidade das deduções efetuadas, devendo, pois, a glosa ser mantida. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11831.001353/200745 Acórdão n.º 2201005.015 S2C2T1 Fl. 598 7 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914213/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 28/05/2007
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior.
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Numero da decisão: 2201-004.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 28/05/2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 13 /2 00 9- 14 Fl. 144DF CARF MF 2 Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 52/56) por sua precisão: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 22 a 27 (PER/DCOMP nº 20853.35413.130607.1.3.045767), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 5286) relativo ao pagamento efetuado em 28/05/2007. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 19 o contribuinte foi cientificado, em 19/10/2009 (fls. 49), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Tendo sido o pagamento vinculado ao débito de IRRF, declarado em DCTF (período de apuração 28/05/2007). 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 137.172,00). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou, em 17/11/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 02 e 09, informando e alegando, em suma, o seguinte: 4.1 O pagamento a maior de IRRF, código 5286, foi gerado pois o manifestante efetuou retenção a maior de imposto de renda da empresa "COMPASS APRECIATION FUND", ocasionado por de erro no cálculo do ganho de capital, uma vez que o manifestante, por erro de digitação na base de cálculo, apurou IR no montante de R$ 135.813,66, quando o correto seria R$ 0,00, gerando o crédito de R$ 135.813,66, isto porque no valor Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.914213/200914 Acórdão n.º 2201004.987 S2C2T1 Fl. 131 3 da venda de ativos ("net sales") foi digitado o valor de R$ 2.289.115,69, quando o correto, segundo nota de corretagem anexada, seria R$ 1.345.807,97. 4.2 Houve a devolução do valor retido indevidamente ao cliente. O IR indevido de R$ 135.813,66 foi recolhido em conjunto com outras retenções no DARF de R$ 785.962,76. 4.3 O principio da legalidade (150, I da CF) veda a cobrança de tributos sem previsão legal e pelo principio da verdade material a consequência tributária somente ocorrerá se o evento efetivamente se verificar no plano fenomênico. No presente caso não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar incidência tributária. O que ocorreu foi equívoco no preenchimento da DCTF, onde o manifestante informou no campo "débito apurado" valor maior do que o devido. Erro esse prontamente retificado (doc. 11). O Conselho de Contribuintes decidiu reiteradamente em favor dos contribuintes no tocante ao "erro de fato", conforme se depreende das ementas colacionadas. 4.4 Por todo o exposto requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade para que: (i) sejam homologadas compensações atreladas ao presente processo e (ii) sejam efetuadas diligências para comprovação das alegações antes mencionadas. 2 A manifestação de inconformidade do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 28/05/2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de diligências quando não forem cumpridos os requisitos estabelecidos na legislação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 03 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 66/78. É o relatório do necessário. Fl. 146DF CARF MF 4 Voto Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 Conheço do recurso. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. 5 Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. 6 No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada (fls. 50/53) para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. 7 A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. 8 Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. 9 A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.914213/200914 Acórdão n.º 2201004.987 S2C2T1 Fl. 132 5 10 A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos que comprovam a veracidade das razões recursais, o foram analisadas quando do julgamento de primeiro grau constatando a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. 11 Alega o contribuinte em seu recurso: 12 Contudo, entendo que os documentos juntados também em recurso voluntário foram devidamente analisados pela instância a quo, como bem evidenciado pela decisão de piso no qual tomo como razões de decidir, verbis: 7. Na peça recursal ora em análise, o manifestante alega que o valor de R$ 135.813,66 foi indevidamente retido do cliente "COMPASS APRECIATION FUND", por de erro no cálculo do ganho de capital, uma vez que o manifestante, por erro de digitação na base de cálculo, pois o valor da venda de ativos ("net sales") foi digitado o valor de R$ 2.289.115,69, quando o correto, segundo nota de corretagem anexada, seria R$ 1.345.807,97. Para demonstrar o equívoco o interessado, além da nota de corretagem, anexa a planilha de fls. 30, onde constariam as informações erradas e a de fls. 32 com aquelas supostamente corretas. Tal erro teria gerado um total indevido de IR na monta de R$ 135.813,66. 7.1 Analisando os documentos apresentados há que fazer as seguintes considerações: O documento de fls. 34, chamado de Fl. 148DF CARF MF 6 nota de corretagem pelo manifestante, aponta um valor liquido de venda para 28/05/2007 de R$ 1.345.807,97, igual àquele constante da planilha com a base de cálculo supostamente correta de fls. 32. Valor este, bem diferente dos R$ 2.289.115,69 constante da planilha de fls. 30, o que não indica por si só um mero erro de digitação. Tal erro poderia ser verificado, juntamente com outros elementos, na ocorrência de uma inversão de dígitos, por exemplo. Não há como aceitar a alegação de erro de digitação na ocorrência de valores tão distintos como estes apresentados. 7.1.1 A denominação do cliente na conta com o desconto e o estorno do IR é diferente daquele que realizou a operação, porém, independentemente da comprovação da devolução destes valores ao cliente, não ficou comprovado que o valor do imposto era de fato indevido, não há garantias que o documnto apresentado contemple apenas parte das operações realizadas pelo cliente em 28/05/2007, pois o mesmo poderia ter realizado outras tantas que justificasse a apuração de uma base de cálculo no valor de R$ 2.289.115,69. O contribuinte teria que demonstrar que as únicas operações realizadas pelo cliente "COMPASS APRECIATION FUND" se resumiriam àquelas constantes do documento de fls. 34, poderia também trazer algum esclarecimento plausível para o alegado erro de digitação, haveria algum outro documento no qual o digitador se baseou para justificar tamanha discrepância? O requerente não trouxe sequer os lançamentos contábeis dos valores que geraram o suposto imposto indevido e o seu estorno. Ou seja, não houve a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de que o valor anteriormente declarado em DCTF estava equivocado. 7.2 Ainda que ficasse comprovada a retenção indevida, o manifestante também não demonstrou estar o valor de R$ 135.813,86 inserido no DARF de R$ 785.962,76, pois no documento de fls. 43 não há nada que indique uma relação entre os dois valores ali contidos. Seria preciso que se indicasse, além do valor de R$ 135.813,86, quais outros estariam compondo o referido DARF para a apuração do pagamento indevido. 13 Cabe, portanto, à Recorrente, a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente trouxe aos autos, em seu recurso voluntário, e na manifestação de inconformidade documentos que parece não ter a menor pertinência para o deslinde da causa. No entanto, caberia à Recorrente realizar uma conciliação com a escrita fiscal e contábil, que, aliás, foi apresentada de forma insuficiente, com vistas a esclarecer os fatos de seu interesse e respaldar o direito de seu pedido. 14 Nem mesmo diligência fiscal poderia esclarecer e confirmar a existência do crédito pleiteado. É de total interesse da Recorrente, em casos de pedidos de ressarcimento e compensação, o esclarecimento e a prova de seu crédito. Apenas apresentar documentos aleatórios sem nenhum critério de conexão, como o livro razão de uma única conta contábil, que não se mostra suficiente para a causa, ou invocar a verdade material para afirmar que é dever da fiscalização analisar a documentação e conferir com a DCTF retificada não são suficientes para evidenciar a liquidez e certeza de seu crédito. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.914213/200914 Acórdão n.º 2201004.987 S2C2T1 Fl. 133 7 15 É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa e nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201 004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Fl. 150DF CARF MF 8 Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) 16 Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.914213/200914 Acórdão n.º 2201004.987 S2C2T1 Fl. 134 9 recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão Fl. 152DF CARF MF 10 recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Conclusão 17 Diante do exposto, conheço do recurso e NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720630/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2011
REMUNERAÇÃO INDIRETA. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS.
Os planos de opções de compra de ações - stock option estão sujeitos ao imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora.
O ganho patrimonial deve ser apurado na data do exercício das opções e corresponde à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2011
JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
Incidem os juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do disposto na jurisprudência do CARF.
Numero da decisão: 2201-004.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2011 REMUNERAÇÃO INDIRETA. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS. Os planos de opções de compra de ações - stock option estão sujeitos ao imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora. O ganho patrimonial deve ser apurado na data do exercício das opções e corresponde à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2011 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Incidem os juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do disposto na jurisprudência do CARF.
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OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. Os planos de opções de compra de ações stock option estão sujeitos ao imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora. O ganho patrimonial deve ser apurado na data do exercício das opções e corresponde à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2011 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Incidem os juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do disposto na jurisprudência do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 30 /2 01 5- 46 Fl. 4210DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 2518/2549, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), de fls. 2465/2486 e fls. 2488/2510, a qual julgou procedente o lançamento por meio do qual está sendo exigida a importância de R$ 13.727.629,66, a título de multa de ofício de 75% isolada, devida por falta de retenção e recolhimento de IRRF, incidente sobre a remuneração paga a diretores, sob a forma de outorga de opções de compra de ações (Stock Options) que dão direito à subscrição de ações da companhia, no período de 06/2010 a 12/2011. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: Conforme é salientado no Termo de Verificação Fiscal (f. 2274 a 2334), a outorga das opções de compra de ações para administradores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, pois no momento da outorga apenas há uma expectativa de direito com relação ao exercício das opções, direito este que só se perfaz com o cumprimento das condições impostas pela empresa. Dentre tais condições, a mais comum é a exigência da manutenção da prestação dos serviços por um determinado lapso temporal. Assim, como regra geral, só poderão ser exercidas as opções cujos detentores, ao final do prazo de carência, ainda estejam prestando serviços à companhia. Após análise dos planos de outorga de opções de compra de ações (stock options) praticados pela Impugnante, a Fiscalização concluiu que essas opções de compra de ações, efetivamente exercidas, têm caráter remuneratório, devendo integrar os rendimentos do trabalhador. A propósito do fato gerador referente à remuneração decorrente das opções de compra, assevera a Fiscalização que, tratando de situação jurídica pendente de condição suspensiva, o negócio jurídico reputase perfeito e acabado desde o momento do implemento da condição. As outorgas de opções de ações para administradores reputamse perfeitas e acabadas na data em que, após o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra. Ou seja, o fato gerador se perfaz com o exercício das opções. Quanto à base de cálculo da multa apurada (montante da remuneração), a Fiscalização revela que, para transações com pagamento baseado em ações liquidadas pela entrega de instrumentos patrimoniais (situação em que se enquadra as stock options), a entidade deve mensurálos pelo valor justo. Deste modo, a Contribuinte foi intimada a apresentar os valores justos das opções outorgadas cujos exercícios ocorreram dentro do Fl. 4211DF CARF MF Processo nº 16327.720630/201546 Acórdão n.º 2201004.815 S2C2T1 Fl. 4.211 3 período de 01/2010 a 12/2011, informando também o Modelo Matemático utilizado no cálculo. Em resposta obteve a informação de que se tratava do preço de exercício. Todavia, como o preço de exercício não reflete o valor justo da opção outorgada, visto que corresponde ao valor pago pelo beneficiário para a obtenção da ação vinculada ao exercício da opção, a Fiscalização aferiu a base de cálculo pelo valor intrínseco da operação, ou seja, pela diferença, na data do exercício, entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício pago pelo beneficiário da opção. ' Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento em 25/06/2015 (fl. 2351), apresentou, em 27/07/2015, na qual alega, em síntese: Das arguições de nulidade No item II.1 da impugnação, intitulado “Da falta de correlação entre o fato gerador descrito e o lançado pelo Fisco”, a Impugnante sustenta a existência de duas inconsistências: (1) Conforme revelado pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, o fato gerador ocorreria no momento em que o vendedor abre mão do prêmio pela opção feita ao comprador (no caso, o funcionário), o que ocorre na data da assinatura do Plano, quando o comprador passa a ser titular da opção. No entanto, a Fiscalização considerou como momento do fato gerador no seu lançamento, a data do exercício da opção (quando o executivo compra a ação). A Impugnante assevera que a Fiscalização não utilizou a data da concessão da opção, porque estariam decaídos os fatos geradores referentes aos anos de 2007 e 2008; (2) A Fiscalização pretendia definir a base de cálculo da contribuição pelo valor justo estimado, conforme modelo de precificação CPC 10, mas considerou como sendo a base de cálculo a diferença entre o valor pago pelas ações no momento do exercício X valor de mercado das ações nessa mesma data, justificando seu procedimento pela falta de apresentação do valor justo da outorga durante a ação fiscal. Todavia, o CPC 10 estabelece procedimentos contábeis para opções de ações, não possuindo competência para definição de base de cálculo. De qualquer forma, da leitura das atas de Reunião do Comitê de Remuneração apresentadas durante a ação fiscal (TVF, f 60 e 61), verificase que em tais atos encontravamse identificados os valores dos prêmios supostamente abdicados pela empresa, ou seja, os valores justos das opções. Ainda que tais valores não tivessem sido apresentados, a justificativa dada pela Fiscalização não é suficiente para o arbitramento fictício da exação. Fl. 4212DF CARF MF 4 No item II.2 da impugnação, intitulado “Da ausência de motivação – Opções Bonificadas”, a Impugnante alega que, da leitura do relatório fiscal, não se observa qualquer fundamentação ou motivação para a autuação dos Planos de Opções Bonificadas, cuja sistemática é totalmente diversa das Opções Simples. Do mérito No item III.1.1 da impugnação, intitulado “Da natureza societária dos planos de opções de compra de ações”, a Impugnante alega que os planos de opções de compra de ações não se tratam de aspecto ligado ao contrato de trabalho ou de serviços entre empresa e seus colaboradores, mas de matéria de natureza societária. Deste modo, a outorga de opções de compra de ações não representaria pagamento de remuneração de trabalho, sendo típico negócio societário, com os riscos inerentes aos negócios desta natureza. No item III.1.2 da impugnação, intitulado “Do caráter não salarial ou remuneratório dos planos de opções de compra de ações”, a Impugnante contesta a assertiva da Fiscalização de que a outorga das opções de compra de ações teria caráter remuneratório. Alega que este entendimento não encontra amparo na doutrina e jurisprudência trabalhistas, que seriam pacíficas quanto à natureza não salarial das opções de ações. Neste sentido, cita texto doutrinário. No item III.1.3 da impugnação, intitulado “Da inexistência de remuneração diante do mero exercício de um direito de compra de ações”, a Impugnante contesta o fato gerador apurado pela Fiscalização, alegando o seguinte: 67. Ora, ao autuar situações nas quais as pessoas exerceram a opção ofertada, mas não venderam a ação, o fiscal partiu da premissa de que o fato gerador da renda seria a mera possibilidade de lucro na venda da ação no mercado, o que não encontra fundamento em nenhum texto legal. [...] 70. Ora, mesmo nas hipóteses em que a opção é exercida, como no presente caso, o eventual resultado é incerto e ilíquido, pois a participação societária adquirida não pode ser vendida de imediato, a não ser parcialmente. 71. Somente quando forem alienadas as ações é que se verificará um ganho ou uma perda a depender das condições do mercado de ações 72. Descabida é a pretensão de a retenção do imposto sem a ocorrência do fato gerador (remuneração por trabalho/renda). No item III.1.4 da impugnação, intitulado “Do reconhecimento do caráter mercantil dos Planos Stock Options do Itaú Unibanco Holding no CARF”, a Impugnante reportase a precedente do CARF em que a Relatora manifestouse pelo caráter mercantil Fl. 4213DF CARF MF Processo nº 16327.720630/201546 Acórdão n.º 2201004.815 S2C2T1 Fl. 4.212 5 do mesmo plano ora em análise. Cita a seguinte ementa do precedente: STOCK OPTIONS. CARÁTER MERCANTIL. PARCELA NÃO INTEGRANTE DO SALÁRIO REMUNERAÇÃO. No presente caso, o plano de stock options é marcado pela onerosidade, pois o preço de exercício da opção de compra das ações é estabelecido a valor de mercado, pela liberalidade da adesão e pelo risco decorrente do exercício da opção de compra das ações, de modo que resta manifesto o seu caráter mercantil, não devendo os montantes pagos em decorrência do referido plano integrarem o salário de contribuição (Ac. 2401003.890, sessão de 11/02/2015, Relatora Carolina Wanderley Landim). No item III.1.5 da impugnação, intitulado “Do Plano de Opção de Compra de Ações Unibanco Performance”, a Impugnante reitera que, no relatório fiscal, não consta a motivação para inclusão no auto de infração das ações bonificadas, recebidas no âmbito do Plano de Opção de Compra de Ações Unibanco – Performance, oriundos do conglomerado Unibanco, que foi migrado para a Impugnante, a partir do ano 2009. Além disso, destaca o caráter mercantil do contrato, alegando o seguinte: 89. Para participar deste programa e receber a outorga de opções de ações, o executivo deveria destinar de 50 a 100% do valor do seu Bônus Líquido para a aquisição de Ações próprias de emissão do Unibanco, a preço de mercado. Notese que não há qualquer subsídio da empresa na aquisição dessas ações. 90. Ou seja, de início, já se observa a diferença deste Plano em relação à Stock Option Comum/Simples, em que a empresa concede o direito à opção, com prazo de carência para o exercício. No caso das ações bonificadas, o ato de adesão ao Plano vem acompanhado do imediato desembolso pelo executivo para compra/exercício de ações próprias da companhia. 91. Dadas as características, esse Plano de Opção de Compra de Ações Unibanco – assume natureza de operação de Balcão Não Organizado, caracterizandose como verdadeira operação financeira de renda variável, no Mercado de Capitais. Ampara este entendimento em precedentes judiciais e demonstra o risco existente no mercado de capitais, exemplificando com a evolução da cotação das ações das empresas Petrobrás e OGX. No item III.2 da impugnação, intitulado “Da não incidência de juros sobre multa de ofício”, a Impugnante contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 4214DF CARF MF 6 Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 2465): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2011 REMUNERAÇÃO INDIRETA. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. As verbas pagas pela empresa aos seus diretores, sob a forma de opções de compra de ações stock options, como retribuição ao trabalho prestado, têm natureza remuneratória, sobre as quais incidem o imposto de renda que deve ser retido pela fonte pagadora. O ganho patrimonial deve ser apurado na data do exercício das opções e corresponde à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2011 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme termo de ciência por abertura de mensagem de fl. 2515, em 05/11/2016 e apresentou o recurso voluntário de fls. 2518/2549. Em sede de Recurso Voluntário, praticamente repetiu os argumentos em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 4215DF CARF MF Processo nº 16327.720630/201546 Acórdão n.º 2201004.815 S2C2T1 Fl. 4.213 7 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Mérito Há alegação de preliminares, mas a meu ver, acabam se confundindo com o próprio mérito da questão e por tais razões, serão analisadas conjuntamente e que podem ser assim resumidas: (1) Conforme revelado pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, o fato gerador ocorreria no momento em que o vendedor abre mão do prêmio pela opção feita ao comprador (no caso, o funcionário), o que ocorre na data da assinatura do Plano, quando o comprador passa a ser titular da opção. No entanto, a Fiscalização considerou como momento do fato gerador no seu lançamento, a data do exercício da opção (quando o executivo compra a ação). A Impugnante assevera que a Fiscalização não utilizou a data da concessão da opção, porque estariam decaídos os fatos geradores referentes aos anos de 2007 e 2008; (2) A Fiscalização pretendia definir a base de cálculo da contribuição pelo valor justo estimado, conforme modelo de precificação CPC 10, mas considerou como sendo a base de cálculo a diferença entre o valor pago pelas ações no momento do exercício X valor de mercado das ações nessa mesma data, justificando seu procedimento pela falta de apresentação do valor justo da outorga durante a ação fiscal. Todavia, o CPC 10 estabelece procedimentos contábeis para opções de ações, não possuindo competência para definição de base de cálculo. De qualquer forma, da leitura das atas de Reunião do Comitê de Remuneração apresentadas durante a ação fiscal (TVF, f 60 e 61), verificase que em tais atos encontravamse identificados os valores dos prêmios supostamente abdicados pela empresa, ou seja, os valores justos das opções. Ainda que tais valores não tivessem sido apresentados, a justificativa dada pela Fiscalização não é suficiente para o arbitramento fictício da exação. No item II.2 da impugnação, intitulado “Da ausência de motivação – Opções Bonificadas”, a Impugnante alega que, da leitura do relatório fiscal, não se observa qualquer fundamentação ou motivação para a autuação dos Planos de Opções Bonificadas, cuja sistemática é totalmente diversa das Opções Simples. Fl. 4216DF CARF MF 8 Um verdadeiro plano de stock option encontra respaldo na legislação societária, mais especificamente, na Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A.), que dispôs em seu artigo 168, § 3º: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. (...) § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembleia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Analisando o dispositivo, concluise que para a concessão de um verdadeiro plano de stock option devem ser cumpridos alguns requisitos: (i) emissão por sociedade por ações, abertas ou fechadas; (ii) previsão expressa no estatuto; (iii) em observância aos montantes delimitados no capital autorizado, (iv) conforme plano de compra de ações aprovado pela assembleia geral e (iv) tendo como beneficiários os empregados, administradores e outras pessoas naturais que prestem serviços à sociedade por ações ou à sociedade sob o seu controle. Em algumas ocasiões, este Egrégio CARF já se manifestou pelo caráter mercantil do plano de stock option (acórdãos: 2401003.044 e 2401003.044), na medida em que, naqueles casos, o risco estaria presente e existiria a possibilidade de não haver ganho com a "adesão" ao plano. Temos que analisar alguns argumentos para que possamos considerar o plano de stock option como de caráter mercantil que são, a meu ver, os mais importantes: a) onerosidade; b) livre exercício do direito de compra de ações e c) risco inerente ao exercício do direito de aquisição das ações. Cumpre ressaltar que não são os únicos, há quem entenda que a impossibilidade de transferência para terceiros também seria um elemento importante para caracterização do plano de stock option, como de caráter mercantil. a) Onerosidade No caso em discussão, temos 2 (duas) situações em que serão concedidas as opções: 1) Opções Simples e 2) Opções Bonificadas. No plano de opções simples o valor para exercício da opção é o preço de mercado dos últimos 90 (noventa) dias, podendo variar em 20% (vinte por cento) para mais ou para menos. Neste plano, não há que se falar em onerosidade, pois em nenhum momento, verificouse a necessidade de um desembolso por parte dos beneficiários., conforme se verifica do documento constante à fl. 2255: (a) Opções simples: para a fixação do preço de exercício das opções em geral, o COMITÊ considerará a média dos preços das ações preferenciais do ITAÚ UNIBANCO nos pregões da BM&FBOVESPA S.A. Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros, nos três últimos meses do ano antecedente ao da outorga, facultado, ainda, ajuste de até 20%, para mais ou para menos. Os preços estabelecidos desta forma serão reajustados até o último dia útil do mês anterior ao do exercício da opção pelo IGPM ou, na sua falta, pelo índice que o COMITÊ designar, devendo ser pagos em prazo igual ao vigente para liquidação de Fl. 4217DF CARF MF Processo nº 16327.720630/201546 Acórdão n.º 2201004.815 S2C2T1 Fl. 4.214 9 operações na BM&FBOVESPA S.A. Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (“BM&FBOVESPA”);. O simples fato de, em tese, o plano de opção levar em consideração o valor de mercado, não significa dizer que cumpre o requisito da onerosidade inerentes aos contratos mercantis. Para as opções bonificadas, o valor para exercício da opção é o valor de mercado das ações na Bolsa de Valores, conforme se verifica das fls. 2255/2256: (b) Opções de sócios: o preço de exercício de tais opções deverá ser o cumprimento de obrigação de fazer, consubstanciada na obrigação de o ADMINISTRADOR ou FUNCIONÁRIO investir, em ações do ITAÚ UNIBANCO ou instrumento baseado em tais ações, parte ou a integralidade da participação líquida nos lucros e resultados que tiver recebido relativamente ao ano anterior, e manter a propriedade de tais ações inalterada e sem qualquer tipo de ônus desde a data da outorga da opção até o seu exercício. O COMITÊ poderá determinar obrigações adicionais para compor o preço de exercício das opções de sócios. 6.2. As ações mencionadas acima (item 6.1, b) poderão ser adquiridas da tesouraria do ITAÚ UNIBANCO, sendo que o ITAÚ UNIBANCO poderá optar por entregar as ações na forma de ADRs (American Depositary Receips, que representam, cada um, uma ação preferencial do ITAÚ UNIBANCO negociada na Bolsa de Nova Iorque). O COMITÊ fixará o preço de aquisição de tais ações, o qual deverá ser equivalente à média da cotação das ações do ITAÚ UNIBANCO na BM&FBOVESPA nos 30 dias que antecederem à fixação de referido preço. No caso em tela, a onerosidade não se verifica, tendo em vista que não há que se falar em desembolso algum. Sendo assim, a onerosidade não está devidamente comprovada no plano de opções da Recorrente b) Livre exercício do direito de compra de ações Em ambos os casos de que se trata o presente PAF não existe a obrigatoriedade para exercício do direito de compra de ações. Caso fosse obrigatório, restaria configurado o caráter remuneratório para o caso em questão, retirando a natureza de contrato mercantil. No caso em tela, há a afirmação de que se confere ao titular o direito de comprar uma ação, conforme se verifica do TVF, fl. 2275: Por sua vez, o mercado de opções é mais restrito a conhecedores do assunto. Uma opção de compra de ação é negociada no mercado financeiro (bolsas de valores e mercado de balcão), por meio de um contrato mercantil, e confere ao seu titular o direito (não a obrigação) de comprar uma ação por um preço preestabelecido (chamado de preço de exercício da opção), Fl. 4218DF CARF MF 10 numa data ou a partir de uma data também preestabelecida (que se denomina data de exercício da opção ou vencimento da opção e é uma data futura). A própria fiscalização faz esta afirmação, tornando tal fato, incontroverso. c) Risco No plano simples, há a restrição para a venda imediata de ações, o chamado lock up. Ou seja, parte das ações devem ficar na propriedade do optante, pelo prazo de pelo menos, mais 2 anos. Nas opções bonificadas, só seria possível a venda de 50% (cinquenta por cento), após e outros 50% 5 anos não sendo possível a sua alienação imediata. Ainda, com relação ao risco, extraímos trechos do TVF, fls. 2275/2276: Normalmente, uma opção de compra de ação é exercida quando o preço de mercado da ação (a cotação da ação) é superior ao preço de exercício dessa opção de compra. Se a cotação da ação é inferior ao preço de exercício, o direito não será exercido e, então, dizse que a opção "vira pó"; tanto a opção quanto o direito deixam de existir. Figuram nessa relação comercial, vendedor e comprador. O vendedor oferece no mercado a opção de compra de ação a um preço X (valor conhecido como prêmio) e assume a obrigação de vender a ação a que se refere a opção pelo preço de exercício, numa data futura previamente determinada, caso o comprador opte por exercer a opção naquela data. Por sua vez, o comprador adquire a opção no momento em que paga o preço X ao vendedor, ou seja, quando paga o prêmio. Como titular dessa opção, o comprador agora é detentor do direito (e pode ou não o exercer) de comprar a ação pelo preço de exercício e na data preestabelecida no contrato. Uma vez exercida a opção de compra de ação, ou seja, quando o titular da opção compra a ação pagando o preço de exercício, não há mais que se falar em opção e a pessoa que era titular da opção, agora, é detentora da ação. Como proprietário da ação, poderá negociála livremente no mercado na mesma data de exercício ou em momento que julgar mais oportuno e vantajoso. Por outro lado, se porventura a opção de compra de ação não for exercida, o titular da opção arca com um prejuízo equivalente ao preço pago (prêmio) para adquirir a opção. É o risco inerente ao negócio de opção. Não resta evidenciado o risco, pois apenas aqueles que optarem pelo plano de stock option devem aguardar a implementação da condição para que possa exercer plenamente o seu direito e ter que ficar com aquelas ações ou opções e aguardar o momento mais vantajoso para o seu exercício, em outros termos, se não for tão vantajosa a alienação, o beneficiário poderá aguardar pelo melhor momento. Sendo assim, não há que se falar em risco no presente caso. Fl. 4219DF CARF MF Processo nº 16327.720630/201546 Acórdão n.º 2201004.815 S2C2T1 Fl. 4.215 11 Por outro lado, devemos concluir que o plano de stock option a que estamos a analisar, não cumpre os requisitos inerentes a um contrato mercantil. Do Plano de Opção Simples De acordo com a planilha anexa ao TVF, constante às fls. 2335, considerou se como base de cálculo o valor de mercado na data do exercício, por exemplo (R$ 32,50) menos o valor do preço do exercício (R$ 26,73) 1ª linha, que corresponde ao desconto de 20% previsto no plano de outorga de opões. Em alguns casos, merece destaque o fato de que há um desconto maior do que o de 20% previsto no plano. Por outro lado, o “beneficiário” só poderia alienar as ações após o prazo de 2 anos. Apesar das alegações do Recorrente, entendo que o lançamento deve ser mantido neste ponto, pois o fiscal autuante considerou a base de cálculo correta, conforme se verifica das planilhas de fls. 2335/2339. Conforme se verifica do TVF fls. 2329/2330: Através do Termo de Intimação Fiscal – TIF n° 02 o contribuinte foi intimado a apresentar os valores justos das opções outorgadas cujos exercícios ocorreram dentro do período de 01/2010 a 12/2011, informando também o Modelo Matemático utilizado no cálculo. Em resposta ao TIF n° 02, através da carta CRTUAF – 418/2014, protocolada em 06/11/2014, o contribuinte informa que “Esclarecemos que o valor justo é o preço atribuído ao objeto da opção, o qual se encontra informado na base analítica de opções de aquisição de ações de que trata o item 02 do Termo de Intimação Fiscal n° 03 no campo descrito como Preço de Exercício.” Ora, o preço de exercício não reflete o valor justo da opção outorgada, visto que corresponde ao valor pago pelo beneficiário para a obtenção da ação à qual a opção concede o direito. Como dito anteriormente, não é a compra da ação, através do exercício da opção, que está sendo tributada. Uma vez que não foram apresentados os valores justos das opções outorgadas, e que o preço de exercício não reflete esse valor, aferimos a base de cálculo pelo valor intrínseco da operação, ou seja, pela diferença, na data do exercício, entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício pago pelo beneficiário da opção. Os referidos valores (valor de mercado da ação e preço de exercício da opção) foram informados pelo contribuinte em planilhas apresentadas em resposta aos Termos de intimação 01 e 02, com datas de ciência, respectivamente, em 27/05/2014 e 09/10/2014. Assim, a base de cálculo do IRRF é aferida e calculada multiplicandose a quantidade de opções exercidas dentro do período 01/2010 a 12/2011, pela diferença entre o valor de Fl. 4220DF CARF MF 12 mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referentes à data de exercício. Lembramos que, conforme já descrito anteriormente, com relação às opções bonificadas ou opções de sócios não há pagamento de preço de exercício pelo beneficiário, esse pagamento se traduz em uma obrigação de fazer. Assim sendo, para essas opções, a base de cálculo é aferida e calculada multiplicandose a quantidade exercida pelo valor de mercado da ação na data do exercício. Ou seja, considerou exatamente o valor que os beneficiários receberam e que deveria ter sido objeto de retenção na fonte. Do Plano de Opção de Compra de Ações Unibanco — Performance Como se vê no item "b" acima, na sistemática de opções bonificadas ou de sócios, o funcionário ou administrador obtém o direito ao exercício às opções de compra, se investir parte ou a integralidade de sua participação nos lucros em ações da empresa a que teria direito no ano anterior, mantendoas desde a data da outorga até a do exercício. Deste modo, para receber as opções bonificadas, o funcionário ou administrador opta por comprar ações devendo permanecer com 50% (cinqüenta por cento) delas durante os 3 (três) anos do respectivo prazo de exercício e com 50% (cinqüenta por cento) do total das ações próprias adquiridas durante todo o período de 5 (cinco) anos do respectivo prazo de exercício (fls. 3599/3600, por exemplo. De novo, neste caso, reiteramos, não há que se falar em onerosidade ou risco, tendo em vista que o administrador ou funcionário, na pior das hipóteses terá direito de manter os valores dispendidos com a compra das ações que deve permanecer em seu poder pelo prazo estipulado. Conforme se verifica da planilha anexada ao TVF, considerouse que todo o valor concedido a título de ações foi “dado” ao funcionário ou administrador, evidenciando ainda mais a falta de risco ou onerosidade, de modo que deve haver a incidência do IRRF no sobre tais valores. Não procedem a alegação de que não há motivação para a tributação deste plano, uma vez que está devidamente caracterizada a característica remuneratória de tais valores. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Este é o teor do disposto na Súmula CARF nº 108. Conclusão Em razão do exposto, conheço do recurso voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 4221DF CARF MF Processo nº 16327.720630/201546 Acórdão n.º 2201004.815 S2C2T1 Fl. 4.216 13 Fl. 4222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.905579/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira.
SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida.
PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-005.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 55 79 /2 01 1- 01 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 545 2 VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 546 3 de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O interessado transmitiu a Dcomp nº 31203.33965.270407.1.1.088458, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de PIS/Pasep não cumulativo, referente ao 1º trimestre de 2007; A DRFPonta Grossa/PR emitiu Despacho Decisório nº 024 2012, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) A ORIGEM DO CRÉDITO: a.1) Previsão legal sobre o conceito de "insumo". Possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; a.2) Locação de mãodeobra e a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS; a.3) Crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado; a.4) Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Pedágio; Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 547 4 a.5) Locação de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica; b) DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO; c) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA; d) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0956.976, sessão de 04/03/2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO. VALEPEDÁGIO. O valor do valepedágio não integra o valor do frete, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento, em menor extensão em relação à manifestação de conformidade, versando quanto: (i) à possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; (ii) aos créditos nas despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda e valepedágio; e (iii) ao crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado. É o relatório. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 548 5 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, reflorestamento e industrialização da madeira colhida beneficiandoa com fins à obtenção de produto final (laminados, compensados, aglomerados e plastificados) destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às matérias em litígio. Glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 549 6 Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 550 7 elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 551 8 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 552 9 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no reflorestamento e cultivo de madeira guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo em suas variadas formas (aglomerados, compensados e laminados, e outros) e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com peças e serviços empregados em caminhões, máquinas e implementos utilizados exclusivamente na etapa agrícola, do plantio à colheita da madeira, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas A fiscalização, por amostragem de apenas alguns exemplares de notas fiscais, glosou créditos apropriados em relação a determinados bens e serviços por entender que são despesas gerais e não se tratam de itens que sofrem alterações, ou são aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos da pessoa jurídica. A DRJ corroborou integralmente o procedimento de glosa, validando os argumentos da fiscalização no tocante aos bens e serviços que não os consideram insumos. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 553 10 A seguir o resumo que se encontra no despacho decisório (fl. 325) dos itens não considerados insumos: Constatase que, além da análise restringirse a amostras, os bens e serviços agrupados em contas contábeis contêm rubricas de dispêndios associados à máquinas ou equipamentos de etapa do processo produtivo (fase agrícola ou de fabricação), mormente quando se depara com descrições de materiais ou serviços de "manutenção de veículo", "combustíveis e lubrificantes", "material de consumo", "material de embalagem". A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados no processo produtivo e fabril e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a demonstração pela interessada. Da análise conjunta da relação dos itens glosados e da síntese das contas contábeis que relacionam os dispêndios, apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação fiscal, evidenciamse os itens que segundo as balizas assentadas neste voto são considerados insumos do processo produtivo e de fabricação do produto destinado a venda, ou empregados em veículos, máquinas e equipamentos do processo produtivo e/ou industrial. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 554 11 Dessa forma revertemse as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor do encargo de depreciação (e não de despesas na aquisição), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: 1. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 4. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 5. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 6. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 7. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). De outra banda, itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios. As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditarse diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação. Assim, não se permite crédito com dispêndios de (i) material de uso geral, manutenção de instalações prediais, conservação e limpeza; e (ii) bens e serviços da etapa de reflorestamento/colheita (abertura de estradas com tratores e maquinários específicos, construção de bueiros, pontilhões para acesso dos veículos). Os créditos provenientes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosados no tocante àqueles da etapa de plantio, reflorestamento e colheita. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10940.905579/201101 Acórdão n.º 3201005.016 S3C2T1 Fl. 555 12 Revertemse tais glosas, pois que tal etapa inseremse na atividade industrial, assim considerada em seu todo, com assentado alhures. Exceção aos bens não efetivamente utilizados no plantio, reflorestamento e corte (como é o caso, por exemplo, de veículos que não se destinam ao corte e transporte de madeira) e os que não atendam aos demais requisitos da legislação, concernentes às Contribuições e às regras de depreciação. Por fim, em relação ao valepedágio, com razão a decisão recorrida. As despesas com o pagamento de pedágios não são insumos, serviços e nem se configura frete na operação de venda. Tratase de mera retribuição, pelo direito de passagem, mediante taxa ou tarifa (preço público), a uma autarquia ou uma concessionária de bem público. São ainda desprovidas de autorização em dispositivos legais para o creditamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 555DF CARF MF
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