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Numero do processo: 10882.901359/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA.
A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.645
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que se deva respeitar o princípio da verdade material implica na oferta de elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 13 59 /2 01 3- 02 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10882.901359/201302 Acórdão n.º 3301005.645 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) de parcelas pagas a maior da Contribuição para o PIS, pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo, inicialmente, a nulidade do despacho decisório, em razão (i) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria ter diligenciado para apurar a existência do crédito pretendido e (ii) de não constar do despacho decisório um relatório ou fundamentação que alicerçasse o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. No mérito, o contribuinte afirmou o direito ao crédito em razão do disposto no Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, que reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa, a partir de 1º de abril de 2005. Assim, explicou o interessado que, ao efetuar a apuração das contribuições sobre a receita, constatara que grande parte dos recolhimentos, com base no imposto de renda devido (por força de liminar no Mandado de Segurança no 2003.61.00.0023490), era indevida porque a base de cálculo era composta, em sua maior parte, por receitas financeiras auferidas, sujeitas à alíquota zero. O contribuinte argumentou, ainda, que a demonstração do cálculo podia ser verificada no documento que juntou aos autos, devidamente comprovada no Dacon, o qual evidenciava as receitas auferidas sujeitas à alíquota zero. Explicou que, por erro de fato, informara na DCTF do período o valor do pagamento e, assim, pedia sua retificação de ofício. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07036.653, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da falta de prévia retificação da DCTF, tendo sido afastada a alegação de nulidade do despacho decisório que se encontrava, segundo a autoridade julgadora, devidamente formalizado e fundamentado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10882.901359/201302 Acórdão n.º 3301005.645 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.636, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 10882.901350/201393, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.636): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0736.644 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA RESTITUIÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do Pedido de Restituição, retifica regularmente a DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NÃO OCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade do despacho decisório, quando resta evidenciada a descrição dos fatos e os fundamentos do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO ELETRÔNICO. DESNECESSÁRIA INTIMAÇÃO PRÉVIA. É legítimo o despacho decisório eletrônico efetuado com os elementos necessários e suficientes à decisão, sem prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10882.901359/201302 Acórdão n.º 3301005.645 S3C3T1 Fl. 5 4 Diante da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte trata preliminarmente acerca de alegada superficialidade da instrução probatória e ausência de requisitos motivadores da decisão, o que implicaria em nulidade da decisão por violar o princípio da verdade material. Assim expressa o Contribuinte em trecho do seu recurso (fls. 156 e 157): Como relatado, a Autoridade Fiscal que reputou inexistente o crédito pleiteado no pedido de restituição da Requerente, em momento algum ficou evidenciado no Despacho Decisório que a D. Fiscalização teria procedido a todas as diligências para apurar a existência do crédito em questão. (...) Na busca da verdade material, deveria a D. fiscalização se amparar em toda a documentação contábil e fiscal da Requerente, e somente após uma análise completa da mesma, proferir decisão, e não se basear apenas no que consta nos sistemas eletrônicos da Receita Federal do Brasil. (grifouse). Em seguida o Contribuinte adentra no mérito alegando que tem direito a restituição do crédito pleiteado diante da aplicação da alíquota zero em relação ao PIS incidente sobre receitas financeiras e, por fim, requer: Seja retificada de ofício a DCTF de Ago/2009, para excluir o débito na quantia de R$ 30.350,29, valor este pago indevidamente, pois conforme demonstrado em toda a escrituração contabil e fiscal anexada ao respectivo processo, evidenciase que não há débito de PIS no respectivo período e; Seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja reformado integralmente o Acórdão nº 0736.644 proferido pela 4ª Turma da DRJ/FNS, deferindose assim o pedido de restituição pleiteado; Se mesmo após análise de toda a documentação contábil e fiscal juntada aos autos (LALUR, Balancete, DACON e demonstrativos de cálculos de PIS do período em discussão), este E. Egrégio Conselho não se convença do direito creditório da Contribuinte, requerse que seja convertido o respectivo julgamento em diligência, especificando outros documentos que avaliem necessários, como medida de Direito e Justiça. Em que pese os argumentos do Contribuinte, tanto em preliminar, quanto ao mérito, entendo correto o entendimento da decisão ora recorrida. Cito trechos da mesma como razões para decidir: 1 – Preliminar de nulidade: Como do relatório se viu, a contribuinte alega a nulidade do DD, em razão (a) da superficialidade da busca de informações necessárias para embasar a decisão, violando o princípio da verdade material, uma vez que a autoridade fiscal deveria diligenciar para apurar a existência do crédito pretendido e (b) de que não consta do DD um relatório ou fundamentação que alicerce o indeferimento do pedido, violando os princípios da motivação e da legalidade. Diante do argumento posto, esclarecese que não compete à DRF apurar o crédito pleiteado, mas tão somente verificar se o interessado comprovou ou não o direito creditório. Se tiver dúvidas sobre as informações prestadas pelo interessado, a autoridade administrativa poderá intimar o contribuinte, tendo em vista o disposto no artigo 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, in verbis: Art. 76 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10882.901359/201302 Acórdão n.º 3301005.645 S3C3T1 Fl. 6 5 reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. [grifei] O dispositivo legal acima transcrito é bem claro, no sentido de que a diligência é uma faculdade da autoridade administrativa. E não poderia ser diferente, já que o próprio artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748/1993, estabelece que as autoridades administrativas determinarão a realização quando entendêlas necessárias. Se pelo PER apresentado já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. Ademais, verificase que o Despacho Decisório é claro ao informar que a restituição foi indeferida porque o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Assim, a interessada teve pleno conhecimento dos fundamentos para indeferimento do pedido de restituição e pode exercer, sem qualquer restrição, seu direito de defesa, o que se constata, facilmente, pelo arrazoado apresentado. Por fim, esclarecese que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, não torna o DD ora analisado, nulo. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, não se aplica à presente situação, pois, como adiante se verá, nos casos em que a existência do indébito incluído em pedido de restituição está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode deferir a restituição, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação do PER, retifica regularmente a DCTF. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da legalidade, da motivação e do devido processo legal, portanto, improcedente é a alegação de nulidade do feito fiscal. 2 – Do pedido de restituição: No mérito, a contribuinte alega, em síntese, que, por erro de fato, informou na DCTF do período o valor do pagamento e não o valor do débito, assim, pede sua retificação de ofício. Da mesma forma, podese dizer que não tem razão a contribuinte em sua manifestação. Explicase. Primeiro, registrese que, como disposto de forma literal no artigo 165, inciso I, do CTN, o sujeito passivo tem direito à restituição do tributo, em razão de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Ocorre que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10882.901359/201302 Acórdão n.º 3301005.645 S3C3T1 Fl. 7 6 menor). Desta forma, somente a partir da apresentação de uma DCTF retificadora poderseia reputar existente eventuais créditos do contribuinte, decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior por terem sido vinculados a débitos declarados anteriormente em DCTF. Com isso, restaria, então, conformada juridicamente a existência de crédito tributário passível de restituição. Isto porque, como se sabe, a DCTF é o documento no qual são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. No caso que aqui se tem, entretanto, a contribuinte não retificou a DCTF antes de apresentar o PER, de modo que não restou juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do aludido crédito requisito essencial que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. Ressaltese que a certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a PER apresentado posteriormente à retificação, mas não para validar pedido de restituição anterior. Independentemente da discussão acerca da apresentação ou não de uma DCTF retificadora, percebese que o Contribuinte alega, que em nome da verdade material, a fiscalização deveria comprovar o alegado crédito existente. Com a devida vênia, entendo que a alegação de respeito ao princípio da verdade material deve vir acompanhada de elementos de prova, e, estes, devem ser apresentados por quem alega a existência do direito. Portanto, diante dos autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000322/2006-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte, e esta violação deve sempre ser comprovada ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Havendo a descrição pormenorizada dos fatos, a sua compreensão por parte do contribuinte e a correta capitulação da fundamentação legal do lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-005.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte, e esta violação deve sempre ser comprovada ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Havendo a descrição pormenorizada dos fatos, a sua compreensão por parte do contribuinte e a correta capitulação da fundamentação legal do lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ATIVIDADE RURAL Recorrente SHUICHI HAYASHI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte, e esta violação deve sempre ser comprovada ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Havendo a descrição pormenorizada dos fatos, a sua compreensão por parte do contribuinte e a correta capitulação da fundamentação legal do lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 03 22 /2 00 6- 55 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10855.000322/200655 Acórdão n.º 2201005.065 S2C2T1 Fl. 278 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 266/273, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo II/SP de fls. 251/259, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 206/209, lavrado em 10/4/2006, relativo ao ano calendário de 2001, com ciência do RECORRENTE em 10/4/2006, conforme assinatura no auto de infração de fls. 210. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos de atividade rural, no valor de R$ 361.151,37 já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, acostado às fls. 204/205, o fiscalizado apenas declarou como resultado da atividade rural o montante de R$ 770.393,35 (fl. 07). Contudo, durante a fiscalização constatouse uma movimentação financeira na importância de R$ 11.449.153,77, integralmente comprovada como proveniente de atividade rural (fl. 195), ao passo em que as suas despesas de custeio da atividade rural consolidados em livro caixa (tidas como justificadas pela fiscalização) atingem a cifra de R$ 10.142.487,89 (fl. 195). Desta forma, verificouse um rendimento líquido da atividade rural no montante de R$ 1.306.665,88, e não de R$ 770.393,35, como havia declarado o contribuinte (fl. 196). Neste sentido, a cifra de R$ 536.272,53 (= R$ 1.306.665,88 – R$ 770.393,35) foi considerada como rendimentos omitidos de atividade rural, e sobre este valor foi lançado o tributo devido na alíquota de 27,5%, conforme apuração de fl. 206. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 212/230 em 9/5/2006. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo II/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10855.000322/200655 Acórdão n.º 2201005.065 S2C2T1 Fl. 279 3 1 Preliminar de nulidade do auto de infração: embora o impugnante dediquese exclusivamente a atividade rural, como foi constatado pelo fiscal, este realizou o lançamento sem aplicar a legislação especifica do produtor rural, sendo pois inadequada a capitulação legal e sua adequação aos fatos descritos. Logo, o auto de infração não guarda relação com os fatos que ensejaram o lançamento, ficando o sujeito passivo impedido de exercer o direito de defesa assegurado pela Constituição Federal em seu artigo 5°. Assim, o auto de infração é nulo. Cita jurisprudência administrativa 2. fiscalização não aplicou o prescrito pelo art. 10, inciso II, da Lei n° 8.023/90 (limite de 22.800 BTN e alíquota de 25%), pelo que o auto de infração deve ser cancelado; cita jurisprudência administrativa. 3. Aplicação da taxa Selic não deve prevalecer, uma vez que: o § 4° do art. 39 4 Lei nº 9.250/95 teve sua inconstitucionalidade declarada porque esta taxa não foi criada para fins tributários; sua aplicação viola os princípios tributários da legalidade ( por ser a taxa , SELIC não definida por lei, mas por circulares do Bacen), da segurança jurídica (consequência lógica da afronta ao princípio da legalidade) e da isonomia (por onerar o contribuinte que não tem recrusos imediatos em detrimento daqueles que os possuem). Cita decisão do STJ, 4. multa de 75% foi aplicada com fundamento no art. 44, I, da Lei ordinária n° 9.430/1 9 , porém a Carta Magna dispõe em seu artigo 146, III, "b", que cabe à lei complementar estabelecer normais gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Assim, inadequado o veículo normativo pelo qual foi prescrita a multa em questão. 5. A multa é confiscatória e ofende o art. 150, VI, da CF/88, que também proíbe que os entes federativos criem ou se utilizem de mecanismos punitivos e moratórios para se locupletarem. Cita decisão do STF. Argumenta que, se existe um limite de 2% no que diz respeito aos consumidores, a cobrança de multa de 75% configura confisco ou mesmo enriquecimento ilícito pela União. 6. Por fim, protesta pela juntada posterior de documentos e pela apresentação de razões aditivas ao alegado na peça impugnatória. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo II/SP julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 251/259). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2001 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10855.000322/200655 Acórdão n.º 2201005.065 S2C2T1 Fl. 280 4 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se cogitar em nulidade. Somente a partir da lavratura do auto de inflação é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. A existência de rendimentos de atividade rural não declarados espontaneamente pelo interessado caracteriza ilícito fiscal e justifica o lançamento de oficio sobre os valores omitidos do crivo da tributação. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ano normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. A utilização da taxa SELIC como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. Não tendo o contribuinte cumprido a incumbência de carregar aos autos, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, documentos que tivessem o condão de elidir a tributação em questão, embora tivesse ampla oportunidade de fazêlo, descabe o protesto genérico na peça impugnatória. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 8/4/2009, conforme AR de fls. 264, apresentou o recurso voluntário de fls. 266/273 em 30/4/2009. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10855.000322/200655 Acórdão n.º 2201005.065 S2C2T1 Fl. 281 5 Em suas razões, reiterou os argumentos da impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Alegação de nulidade do lançamento Conforme elencado no relatório fiscal, o contribuinte alega nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, na medida em que não teria descrito as disposições legais infringidas. No processo administrativo federal são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Por sua vez, o art. 10, também Decreto nº 70.235/1972, elenca os requisitos obrigatórios mínimos do auto de infração, in vebis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10855.000322/200655 Acórdão n.º 2201005.065 S2C2T1 Fl. 282 6 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Havendo compreensão dos fatos e fundamentos que levaram à lavratura do auto de infração pelo contribuinte, bem como cumprimento dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/2012, não há como se falar em nulidade do auto de infração. Assim entende o CARF: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. (Acórdão 3301004.756 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 20/6/2018, Rel. Liziane Angelotti Meira ) AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação (Acórdão nº 3302005.700 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão 26/7/2018, Rel. Paulo Guilherme Déroulède) Desta forma, a alegação genérica do contribuinte que a ausência de capitulação legal prejudicou seu direito de defesa não merece prosperar. Isto porque, houve perfeita compreensão dos fatos e fundamentos que ensejam o auto de infração, qual seja, a omissão de rendimentos da atividade rural, tanto que este ponto é corretamente impugnado pelo ora RECORRENTE. Ademais, os fatos relevantes encontramse descritos às fls. 204/205 e o enquadramento legal apontado à fl. 209, dentre as quais encontrase a indicação do art. 9º da Lei nº 9.250/95, a qual prevê que “o resultado da atividade rural, apurado na forma da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, com as alterações posteriores, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto definida no artigo anterior” (imposto de renda a ser apurado na declaração de ajuste anual). Há também a indicação completa da Lei nº 8.023/90, a qual prevê Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10855.000322/200655 Acórdão n.º 2201005.065 S2C2T1 Fl. 283 7 em seu art. 4º que “considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase”. Nesse sentido, não prosperam as alegações de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa levantadas pelo RECORRENTE. MÉRITO Da omissão de rendimentos da atividade rural Defende o RECORRENTE que houve erro na apuração do montante devido a título de imposto suplementar pois o cálculo deveria ter sido feito levando em consideração o disposto no art. 10 da Lei nº 8.023/1990, que determinava a apuração do IRPF sobre o resultado da atividade rural expresso em quantidade de BTN, deduzida uma parcela correspondente a 16.416 BTNs e o saldo remanescente submetido a uma alíquota de 25%. Preliminarmente, destacase que o art. 10 da Lei nº 8.023/1990, fundamento legal levantado pelo RECORRENTE como base para tributação na alíquota de 25%, foi revogado em 1991 pela Lei nº 8.134/1991. Portanto, já estava revogado há quase 10 anos no momento da ocorrência do fato gerador. A parte que se mantém vigente da Lei nº 8.023/1990 diz respeito a definição da atividade rural e dispõe sobre a apuração da base de cálculo do IRPF sobre rendimentos da atividade rural, que é justamente o resultado desta atividade, compreendido como a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase (ou, a opção do contribuinte, como 20% do total da receita bruta no anobase), conforme normas abaixo extraídas da Lei nº 8.023/1990: “Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. § 1º É indedutível o valor da correção monetária dos empréstimos contraídos para financiamento da atividade rural. § 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. § 3º Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o disposto no art. 3º, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. (...) Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10855.000322/200655 Acórdão n.º 2201005.065 S2C2T1 Fl. 284 8 Art. 7º A base de cálculo do imposto da pessoa física será constituída pelo resultado da atividade rural apurada no ano base, com os seguintes ajustes: I acréscimo do valor de que trata o § 1º, do art. 9º; II dedução do valor a que se refere o caput do art. 9º;” Destacase que os incisos I e II do art. 7º acima transcrito são “letras mortas” no ordenamento jurídico, uma vez que o art. 9º da Lei nº 8.023/1990 foi revogado pela Lei nº 9.250/1995. Assim, a base de cálculo do IRPF sobre rendimentos da atividade rural é constituída somente pelo resultado da atividade rural apurada no anobase (conforme arts. 4º e 5º da Lei nº 8.023/1990), sem mais acréscimos ou deduções. Em verdade, a legislação é clara ao dispor que o resultado da atividade rural, quando positivo, será acrescido normalmente na base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, sem qualquer alíquota diferenciada, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.250/1995, in verbis: Art. 9º O resultado da atividade rural, apurado na forma da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, com as alterações posteriores, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto definida no artigo anterior. A “base de cálculo do imposto definida no artigo anterior” a que se refere o dispositivo acima é justamente o IRPF a ser apurado em cada anocalendário na declaração de ajuste anual. Tal disposição é reiterada pelo art. 68 do Decreto nº 3000/1999, bem como pelo art. 61 do Decreto nº 9.580/2018: Art. 61. O resultado da atividade rural, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto sobre a renda, na declaração de ajuste anual e, quando negativo, constituirá prejuízo compensável na forma prevista no art. 58 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 9º). Portanto, inquestionável que o resultado positivo da atividade rural irá compor a base de cálculo normal de apuração do imposto de renda na declaração de ajuste. Correta, portanto, a apuração realizada pela fiscalização. Da multa confiscatória e demais alegações de inconstitucionalidade Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo RECORRENTE, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco, bem como acerca da inconstitucionalidade formal da multa de ofício, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10855.000322/200655 Acórdão n.º 2201005.065 S2C2T1 Fl. 285 9 A aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do judiciário, notadamente do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Da Alegação de Inaplicabilidade da Taxa Selic O RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907459/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.907459/201250 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202004.972 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente MARCEGAGLIA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 59 /2 01 2- 50 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907459/201250 Acórdão n.º 2202004.972 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907459/201250 Acórdão n.º 2202004.972 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907459/201250 Acórdão n.º 2202004.972 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10920.907459/201250 Acórdão n.º 2202004.972 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10920.907459/201250 Acórdão n.º 2202004.972 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10920.907459/201250 Acórdão n.º 2202004.972 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901398/2015-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
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(Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração de compensação, por meio da qual o contribuinte, pretende compensar recolhimento indevido de estimativa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 01 39 8/ 20 15 -4 5 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.901398/201545 Resolução nº 1402000.811 S1C4T2 Fl. 140 2 O fundamento do Despacho Decisório foi o fato de o crédito informado no PER/DCOMP se refere a pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: a) A autoridade administrativa não considerou que, para a compensação dos débitos informados, foram utilizados valores recolhidos a maior e não homologou a compensação declarada. b) O que se pede nesta manifestação é que seja aceita a compensação declarada, pois o valor recolhido a maior foi utilizado conforme o direito de compensação desse crédito através dos PER/DCOMPs em questão. Para comprovar o crédito alegado a contribuinte juntou à manifestação de inconformidade, além da DCOMP apresentada e do despacho decisório de não homologação, a declaração em DCTF do débito compensado, a DIPJ tempestivamente apresentada, na parte referente à apuração das estimativas devidas no anocalendário e às retenções sofridas, além de elementos de sua escrituração comercial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que: a) A empresa enviou PER/DCOMP no qual indicou como origem de crédito um DARF que teria sido pago indevidamente (PER/DCOMP na modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido). b)Na manifestação de inconformidade resta evidente que o crédito, na verdade, é decorrente de saldo negativo. Nessa situação não se verifica pagamento indevido, mas sim um valor relativo a antecipações e deduções maiores que o IRPJ devido, no encerramento do período de apuração desse tributo. c) Ou seja, na presente situação contatase erro no tipo de PER/DCOMP enviado, sendo que não há que se falar que as estimativas não eram devidas, pois, na verdade, apesar das estimativas serem antecipações, que, no fim do período de apuração podem compor saldo de IRPJ a ser restituído, no curso do anocalendário, elas são devidas conforme previsto na legislação de regência. Não há, pois, que se tratar os valores pagos por meio de DARF a esse título, como se indevidos fossem, solicitando compensação na forma de PGIM. Ao invés disso deveria ter sido formulado PERDCOMP de saldo negativo de IRPJ. d) Tratase de mudança da natureza jurídica do crédito, e não apenas correção de um dado informado erradamente. Neste sentido, é de se ver que as informações prestadas no PER/DCOMP e os batimentos efetuados pelos sistemas da RFB são totalmente diferentes. f) Assim, a partir das alegações da Recorrente, ela deveria ter cancelado o PER/DCOMP em tela (PGIM) e transmitido outro PER/DCOMP (saldo negativo), visto que possuem direito creditório e batimentos de naturezas diferentes. Por óbvio, tais procedimentos deveriam ter sido adotados em tempo hábil. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.901398/201545 Resolução nº 1402000.811 S1C4T2 Fl. 141 3 Cientificada a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) De acordo com a IN nº 900/2008 não há dúvida de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa tem tratamento de indébito tributário o que lhe confere direito a restituição. b) Que seu posicionamento encontrase amparado pela Súmula 84 do CARF. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A decisão recorrida negou o pedido de compensação fundamentalmente por entender que os recolhimentos de estimativas devidas devem compor eventual saldo negativo. Sendo assim, a Recorrente teria cometido erro quanto ao tipo de compensação formulada, pois ao invés de realizar o pedido de compensação de pagamento indevido deveria ter requerido a compensação de saldo negativo, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Ora, a empresa enviou PERDCOMP no qual indicou como origem de crédito um DARF que teria sido pago indevidamente (PERDCOMP na modalidade de pagamento indevido ou a maior que o devido). Na manifestação de inconformidade resta evidente que o crédito, na verdade, é decorrente de saldo negativo. Nessa situação não se verifica pagamento indevido, mas sim um valor relativo a antecipações e deduções maiores que o IRPJ devido, no encerramento do período de apuração desse tributo. No entanto, ao analisar a DIPJ juntada à manifestação de inconformidade verificase que a contribuinte, a partir do mês de setembro, não mais apurou estimativas a pagar, possivelmente por deduzir as retenções sofridas no período. Sendo assim, o recolhimento constante do DARF, poderia ser, de fato, recolhimento indevido diferentemente do decidido pela decisão recorrida. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem analise a apuração das estimativas informadas em DIPJ em confronto com a escrituração do sujeito passivo e outros elementos que devam ser a ele requeridos, em especial confirmando as retenções aproveitadas e o cômputo dos correspondentes rendimentos na base tributável, e manifestandose expressamente acerca da existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado em compensação. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.901398/201545 Resolução nº 1402000.811 S1C4T2 Fl. 142 4 interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001373/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) que convertiam o julgamento em diligência, em maior extensão. Em primeira votação, os Conselheiros Jorge Lima Abud (relator) e Corintho Oliveira Machado negavam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho convertia o julgamento em diligência para apurar as retenções efetivamente realizadas. O Conselheiro Walker Araújo dava provimento parcial para reconhecer o regime cumulativo aos contratos de longo prazo. Os Conselheiros José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) convertiam em diligência para apurar as retenções efetivamente realizadas e a evolução dos custos incorridos relativos aos referidos contratos. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede convertia o julgamento em diligência para apurar as retenções efetivamente realizadas, a existência de variação cambial e a evolução dos custos incorridos relativos ao contrato 177.2035.01-3. . O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede encaminhará as razões do voto de diligência para o relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.
Relatório
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) que convertiam o julgamento em diligência, em maior extensão. Em primeira votação, os Conselheiros Jorge Lima Abud (relator) e Corintho Oliveira Machado negavam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho convertia o julgamento em diligência para apurar as retenções efetivamente realizadas. O Conselheiro Walker Araújo dava provimento parcial para reconhecer o regime cumulativo aos contratos de longo prazo. Os Conselheiros José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) convertiam em diligência para apurar as retenções efetivamente realizadas e a evolução dos custos incorridos relativos aos referidos contratos. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede convertia o julgamento em diligência para apurar as retenções efetivamente realizadas, a existência de variação cambial e a evolução dos custos incorridos relativos ao contrato 177.2035.01-3. . O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede encaminhará as razões do voto de diligência para o relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório
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CUMULATIVO. CONTRATO DE CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA OU DE FORNECIMENTO A PREÇO PREDETERMINADO. Recorrente UNIVERSAL COMPRESSION LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) que convertiam o julgamento em diligência, em maior extensão. Em primeira votação, os Conselheiros Jorge Lima Abud (relator) e Corintho Oliveira Machado negavam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho convertia o julgamento em diligência para apurar as retenções efetivamente realizadas. O Conselheiro Walker Araújo dava provimento parcial para reconhecer o regime cumulativo aos contratos de longo prazo. Os Conselheiros José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) convertiam em diligência para apurar as retenções efetivamente realizadas e a evolução dos custos incorridos relativos aos referidos contratos. O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede convertia o julgamento em diligência para apurar as retenções efetivamente realizadas, a existência de variação cambial e a evolução dos custos incorridos relativos ao contrato 177.2035.013. . O Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede encaminhará as razões do voto de diligência para o relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 37 3/ 20 07 -0 0 Fl. 3228DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 3 2 Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação: Versa o presente processo sobre autos de infração de fls. 70/82 e 88/104, lavrados em nome do contribuinte Universal Compression Ltda, decorrentes da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e para o Programa de Integração Social (PIS). O presente processo consubstancia exigência de crédito tributário no valor total de R$ 11.909.599,87, autuado da seguinte forma: Às fls. 70/82: auto de infração correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), referente aos fatos geradores de fevereiro/2004 a dezembro/2005, incidência não cumulativa, no valor de R$ 7.435.769,69, incluindo principal e juros de mora calculados até 31/10/2007. E, em relação aos fatos geradores de janeiro/2006 a dezembro/2006, incidência cumulativa, no valor de R$ 2.607.561,35, incluindo principal e juros de mora calculados até 31/10/2007. Às fls. 88/104: auto de infração correspondente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referente aos fatos geradores de dezembro/2002, fevereiro/2004 a dezembro/2005, incidência não cumulativa, no valor de R$ 1.302.006,14, incluindo principal e juros de mora calculados até 31/10/2007. E, em relação aos fatos geradores de janeiro/2006 a dezembro/2006, incidência cumulativa, no valor de R$ 564.262,69, incluindo principal e juros de mora calculados até 31/10/2007. No campo Descrição dos Fatos dos autos de infração acima discriminados (fls. 72/73 e 90/91), a autoridade fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece que foram constatadas divergências entre os valores declarados e os escriturados conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 65/69 e 83/87. Nestes consta, em resumo, que: O contribuinte foi intimado em 21/03/2007 a preencher os Demonstrativos de Apuração da Base de Cálculo, da Composição das exclusões das bases de cálculo, de Apuração de créditos e de valor a pagar e de Recolhimentos referentes aos débitos das contribuições em tela. Foi intimado também a apresentar DCTF e escrituração contábil fiscal (fls. 20/25). Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 4 3 Em 18/10/2007, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências entre os valores escriturados e declarados em DCTF, conforme planilha de fls. 31/36. Em resposta o contribuinte apresentou em 25/10/2007: planilha de apuração da COFINS, com explicações das alterações feitas, sem assinatura do representante legal e sem documentação que amparasse tais alterações (fls. 58/64). listagens dos lançamentos contábeis referentes às correções dos pagamentos indevidos e a maior dos DARF pagos equivocadamente no regime não cumulativo, sem Termo de Abertura e Encerramento e sem assinatura, e, também, informa que as DCTF não foram alteradas espontaneamente, pois algumas foram retificadas em 25/10/2007. O contribuinte preencheu o demonstrativo de apuração de créditos e de valor a pagar de COFINS (fls. 37/57), onde não constaram os créditos que foram apresentados na planilha constante “do item 1 acima descrito”, ou seja, a de fls. 58/64. O auto de infração foi lavrado utilizandose a base de cálculo indicada na planilha de apuração de fls. 68/69 (COFINS) e de fls. 86/87 (PIS). Irresignado com o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração em comento, o interessado apresentou as peças impugnatórias de fls. 106/115 e de fls. 328/337. Alegou, em síntese, que: Relativamente à contribuição para a COFINS e para o PIS, período de 31/01/2006 a 31/12/2006: Os valores constantes do auto como divergências entre os declarados e os escriturados se referem a retenções de COFINS e PIS, na fonte, declaradas nos respectivos DACON's e escrituradas. Tais valores foram desconsiderados como já pagos pela impugnante e classificados como divergência, pelo simples motivo de não terem sido consignados em preenchimento de planilhas solicitadas durante a fiscalização. A cobrança é indevida, pois se trata de valores efetiva e compulsoriamente pagos, arbitrariamente convertidos em falta de pagamento com imposição de multa e juros. O auto de infração caracterizase como uma repetição de indébito, em total desprezo ao rotineiro procedimento de retenção da COFINS e PIS na fonte estabelecido pela legislação. Anexou o DACON2006 (doc. 06) que comprova os valores devidos e retidos na fonte. Tal comprovação pode ser constatada de forma autônoma pela própria fiscalização. Relativamente à contribuição para a COFINS e para o PIS, período de 28/02/2004 a 31/12/2005: Os valores componentes da autuação correspondem aos efetivos valores tomados como créditos pela Impugnante decorrentes de retenções na fonte e descontos sobre aquisição de insumos conforme Fl. 3230DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 5 4 legislação pertinente, devidamente demonstrados nas respectivas DIPJ ano base 2004 (doc. 07), DACON anobase 2005 (doc. 08), DCTF retificadora anobase 2004 e 2005 (doc. 09), DARF ano base 2004 (doc. 10), DARF e PER/DCOMP ano base 2005 (doc. 11), fundamentadas em documentação idônea e escrituração regulamentar, as quais não podem ser desconsideradas pelo Fisco. A fiscalização justificou a cobrança dos valores objeto do lançamento pela falta de consignação em planilhas de créditos já declarados nos diversos formulários estabelecidos pelo próprio Fisco. Tal fato não deve invalidar o direito à utilização de valores descontados da Impugnante na fonte. Anexou nova planilha reproduzindo os valores objeto da autuação, seguida do demonstrativo dos valores constantes da DACON, DCTF e DARF de recolhimento (cálculo do período), bem como do montante retificado por recolhimento a maior decorrente de aplicação indevida da alíquota correspondente à nãocumulatividade sobre receitas sujeitas ao regime cumulativo (cálculo correto). Os valores autuados estão completamente incorretos, pois não foram considerados os créditos e as retenções como dedução da COFINS devido a cada período de apuração, créditos estes assegurados pela legislação, pela documentação e escrituração contábil e fiscal da Impugnante. Não foram considerados os documentos contábeis que serviram de base de cálculo do montante efetivo de COFINS faturamento, comprovadamente pago. Em relação à planilha apresentada na peça impugnatória, na linha correspondente a “Cálculo do Período”, obtida nas DCTF e DACON originais da Impugnante, restou demonstrado que não foi considerada a existência de receitas sujeitas ao regime da cumulatividade nos termos da Lei n° 10.637/02, decorrentes de contratos firmados pela Impugnante antes de 31/10/2003, com vigência superior a um ano (doc. 12). Tinha direito a calcular a COFINS à alíquota de 3%, mas calculou, equivocadamente, à alíquota de 7,6%, e o PIS à alíquota de 0,65%, tendo calculado à alíquota de 1,65%, gerando assim um crédito tributário a seu favor, o que não foi observado no levantamento do Fisco, apesar de citado no auto e informado pela Impugnante durante a fiscalização. Não foi efetuada uma análise acurada e imparcial sobre o período fiscalizado. Na linha correspondente ao “Cálculo Correto” fica demonstrada a separação da receita oriunda do regime cumulativo e de não cumulatividade. Relativamente à contribuição para o PIS, período de apuração 31/12/2002, no valor de R$ 1.259,80: O valor não é devido tendo em vista que corresponde a créditos de insumos na forma do art. 3°, inc. III da Lei n° 10637/2002 deduzidos do PISfaturamento devido no mês de dezembro/2002, informação demonstrada na DIPJ anobase 2002 (doc. 07). A autuada requer, ao final, sejam cancelados os autos de infração, considerandose a falta de fundamentação para caracterização da falta Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 6 5 de recolhimento de COFINS e PIS, a comprovação documental da existência de valores retidos na fonte que foram arbitrariamente subvertidos a favor do Fisco e o desrespeito ao reconhecimento do crédito decorrente do recolhimento equivocado pela alíquota de 7,6% e 1,65%, respectivamente. A então 4a Turma de Julgamento desta DRJ/RJ por meio da Resolução n° 13.000164, de 29.06.2011, converteu o presente processo em diligência, solicitando, em resumo e, em relação à: Retenção na Fonte: Fosse esclarecido se as contribuições de PIS e COFINS retidas na fonte realmente não foram observadas quando da apuração do crédito tributário devido; Em caso afirmativo, fosse verificada a veracidade destas retenções (a IN SRF 480/2004 estabelece alternativas para comprovação das mesmas), bem como o devido registro na escrituração contábil da impugnante. Acaso restasse comprovada a existência de tais retenções, um novo demonstrativo de apuração do valor devido deveria ser elaborado pela fiscalização, desta vez contemplando tais recolhimentos. Incidência cumulativa e nãocumulativa Fosse verificado se, de acordo com a Solução de Consulta SRRF/7a RF/DISIT n° 52 de 13/02/2006, realmente o contribuinte obteve receitas sujeitas à apuração da base de cálculo pelo regime cumulativo, relativamente aos contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços. Fosse observado, para tais contratos, como foi a aplicação do reajuste, com o intuito de se constatar se foi afastado o caráter predeterminado do preço de modo a sujeitar a impugnante ao regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS. Fosse observado, ainda, se houve prorrogação para tais contratos, depois de vencido o prazo contratual do contrato vigente em 31 de outubro de 2003, quando então as receitas obtidas ficariam sujeitas à incidência não cumulativa, ainda que o preço tenha sido inalterado na prorrogação. Fosse informado se ocorreram demais receitas sujeitas ao regime cumulativo nos períodos de dez/02 e fev/04 a dez/05. Após o levantamento das questões acima, a fiscalização deveria elaborar novo demonstrativo de apuração da COFINS e do PIS, considerando também a existência ou não de créditos a serem deduzidos quando da apuração das receitas sob o regime não cumulativo das contribuições em tela. Contribuição para o Pis, período de apuração 12/02 A fiscalização deveria informar o motivo pelo qual a utilização dos créditos prevista no art. 3° da Lei n° 10.637/2002 foram desconsiderados. De acordo com a escrituração contábil, a contribuinte realmente não faz jus a tal Fl. 3232DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 7 6 dedução? No entanto, acaso restasse comprovada a existência de créditos passíveis de dedução da Contribuição para o PIS, nova planilha de apuração deveria ser efetuada pela fiscalização. Por meio da Informação Fiscal de fls. 1718 a 1721, datada de 29.05.2014, a Delegacia da Receita Federal II RJO esclareceu: A empresa fiscalizada foi incorporada pela empresa Exterran Serviços de Óleo e Gás Ltda em 30/09/2008. O contribuinte optou pela forma de tributação pelo Lucro Real no período de 2001 a 2005 e, pela forma de tributação pelo Lucro Presumido no ano calendário de 2006. As retificações efetuadas nas DCTF, após o inicio do procedimento fiscal que resultou nas lavraturas dos autos de infração sob análise, não foram consideradas. A fiscalização procedeu o lançamento de ofício nos termos do artigo 841, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Em resposta ao item 17 Contribuições Retidas na Fonte: Os valores que foram retidos pela fonte pagadora PETROBRAS S/A sob código 6190, a partir de janeiro de 2004. que podem ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção, referemse a: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) : 4,8 % Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) : 1% Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) : 3% Contribuição para o PIS/Pasep : 0,65% Após intimado o contribuinte apresentou como documentação comprobatória das retenções pleiteadas, somente os Informes de Rendimentos fornecidos pela Petrobrás S/A, devidamente declarados no Modelo Aprovado "Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte”; referentes aos anos calendário 2002 a 2006, datados em 30/08/2012, onde a partir da análise dos valores globais retidos podemos discriminar os valores individuais das contribuições PIS e COFINS, conforme IN/SRF n° 480/2004 e alterações. O "Demonstrativo de Apuração da Retenção do PIS e da COFINS" foi elaborado tendo em vista o Anexo I da referida Instrução Normativa, alterado pela IN/SRF n° 539/2005. Por conseguinte, ficou constatado que a fonte pagadora PETROBRÁS S/A efetuou retenção sob o código 6190: Nos anos calendário 2002 e 2003: nenhum mês; No ano calendário 2004: fevereiro, março e, maio até dezembro; No ano calendário 2005: janeiro e novembro; No ano calendário 2006: maio e novembro. Em resposta ao item “18” – Impugnancidência Cumulativa x Não Cumulativa As receitas operacionais pleiteadas pelo contribuinte como sendo sujeitas à apuração da base de cálculo pelo regime cumulativo para o recolhimento do PIS e da COFINS são oriundas dos Contratos de n° 177.2.035.013. de 13/06/2001 e de n° 012.2.004.026. de Fl. 3233DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 8 7 25/03/2002 visto que, após intimado, não apresentou outro contrato de prestação de serviços durante a diligência. Entretanto, que o montante de rendimentos informados pela PETROBRÁS S/A nos "Informes de Rendimentos" supracitados não espelham a totalidade dos valores mensais declarados pelo contribuinte. O Contrato de n° 177.2.035.013 foi celebrado com a PETRÓLEO BRASILEIRO SA. PETROBRÁS, CNPJ n° 33.000.167/000454, em 13/06/2001, que teve a duração inicial de 730 (setecentos e trinta) dias corridos, ou seja, vigente até 30/05/2003, quando o mesmo foi prorrogado até 14/07/2005 e posteriormente, até 11/06/2006. Os pagamentos devidos por força deste Contrato foram efetuados pela PETROBRÁS à UNIVERSAL, em dólares americanos, 30 (trinta) dias corridos, contados a partir do último dia do período de execução dos serviços, desde que a UNIVERSAL apresentasse os documentos de cobrança até o 4o (quarto) dia útil, seguinte ao último dia do período de execução dos serviços conforme Clausula Quinta Preço e Valor item 6.5, do Anexo I. O reajustamento de preços deste Contrato, conforme Clausula Sétima: "serão reajustados para mais ou para menos em conseqüência da variação anual dos elementos que compõem a fórmula de reajustamento no que concerne aos preços estabelecidos em reais. No entanto, no que concerne a parcela em moeda estrangeira o preço será fixo e irreajustável”. O Contrato de n° 012.2.004.026 foi celebrado com a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRÁS, CNPJ n° 33.000.167/000101, em 25/03/2002, que teve a duração inicial de 1.157 (hum mil cento e cinqüenta e sete ) dias corridos, ou seja, vigente até 13/02/2005, quando o mesmo foi prorrogado por mais 438 (quatrocentos e trinta e oito) dias corridos. Os pagamentos devidos, por força deste Contrato, serão efetuados, anexando o respectivo Boletim de Medição e, conforme Clausula Quarta Preço, Valor e Local do Pagamento subitem 4.3.1 “O pagamento da parcela em dólar será feito em R$ (Real), convertendo o valor do respectivo faturamento em taxa de venda vigente no ultimo dia útil do período de medição, do Anexo II. O reajustamento de preços deste Contrato, conforme Clausula Quinta: "serão reajustados para mais ou para menos em conseqüência da variação anual dos elementos que compõem a fórmula de reajustamento no que concerne aos preços estabelecidos em reais. No entanto, no que concerne aos preços contratuais em moeda estrangeira, mesmo que pagos convertidos em moeda nacional não serão reajustados." De acordo com a IN SRF n° 468/2004 o contribuinte não obteve nenhuma receita sujeita à apuração da base de cálculo pelo regime cumulativo para o recolhimento do PIS e da COFINS, com base na Solução de Consulta SRRF/7a RF/ DISIT n° 12, de 13/02/2006. Por conseguinte, a base de cálculo bruta, bem como, as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, deverão ser mantidas nas Planilhas de Apuração anexas ao Termo de Constatação Fiscal, ora elaboradas como “Planilha de Apuração do PIS (NÃOCUMULATIVO) Após Diligência” e. “Planilha de Apuração da COFINS (NÀO CUMULATIVO)'Após Diligência". O "Demonstrativo de Apuração da Fl. 3234DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 9 8 Retenção do PIS e da COFINS" serviu de base para o preenchimento das referidas planilhas. Em resposta ao item “19” Contribuição para o PIS (período de apuração 12/2002) No que concerne aos créditos pleiteados de acordo com o estabelecido no art. 3o da Lei n° 10.637/2002, no valor de R$ 1.259,80, referente ao período de apuração de dezembro de 2002, durante a diligência fiscal, foi constatado que tal valor não foi devidamente apurado na escrituração contábil, conforme Balancete de Verificação do contribuinte. Por conseguinte, o lançamento concernente deverá ser mantido. O contribuinte tomou ciência da diligência em 02.06.2014 e apresentou contrarazões em 02.07.2014. Nesta sustenta em síntese que: • A necessidade de análise das DCTF retificadoras ainda que tenham sido transmitidas após o início do procedimento fiscal que deu origem à lavratura do auto de infração. • As retificações em questão não deram ensejo ao recolhimento a menor de PIS/COFINS, mas simplesmente adequaram as operações realizadas e os valores recolhidos à realidade dos fatos. • Parte dos valores exigidos no auto de infração discutido no presente processo decorre da suposta falta de comprovação das retenções de PIS/COFINS realizadas pela Petrobrás, no período de 2002 a 2006. Entende que bastaria a apresentação dos informes de rendimentos fornecidos pela Petrobrás para sustentar a utilização dos créditos de Pis/Cofins pela requerente, decorrentes das retenções anteriormente realizadas pela Petrobrás. • De acordo com a fiscalização a Petrobrás teria deixado de reter determinados valores relacionados aos pagamentos em favor da requerente. • A RFB desconsiderou certos créditos de Pis/Cofins que foram apropriados pela requerente, por suposta ausência de retenção da Petrobrás, o que não encontra respaldo na legislação que regula a matéria. De acordo com o art. 1° da IN n° 480/2004, vigente à época, a responsabilidade pela retenção é da Petrobrás. Se esta não o fez, não pode a requerente ser penalizada com a glosa de seus créditos de Pis/Cofins, na medida em que é apenas uma terceira de boafé que acreditou nas informações prestadas pela Petrobrás. A RFB deveria exigir da Petrobrás eventual valor não retido, de modo a recompor os créditos da Requerente. A fim de comprovar que não se beneficiou do recebimento de rendimentos da Petrobrás sem as devidas retenções, anexou aos autos a sua movimentação bancária do período de 2004 a 2006, a fim de comprovar que sempre recebeu valores da Petrobrás com o abatimento das devidas retenções dos tributos aplicáveis. (doc 3). Fl. 3235DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 10 9 Diante do volume destes documentos e com a finalidade de facilitar a análise dos mesmos pela Administração, protesta pela posterior juntada de planilha elucidativa que fará a correlação entre as faturas emitidas pela Requerente e o montante efetivamente recebido da Petrobrás. Considerando as provas de que houve a retenção de PIS/COFINS sobre os pagamentos recebidos da Petrobrás, não merece prevalecer a glosa de créditos constante do Termo de Ciência e Encerramento Fiscal, pois (i) a Petrobrás era a responsável pela retenção desses valores, devendo ser exigido dela eventual montante não recolhido; e (ii) a Requerente recebeu contraprestações pelo fornecimento de serviços líquidas de tributos, como se pode depreender da análise de seus demonstrativos bancários e faturas. De acordo com o inciso XI, do artigo 10 e o inciso V, do artigo 15 da Lei Federal n° 10.833/2003, as contribuições ao Pis/Cofins originárias de receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, sujeitam se ao regime cumulativo. Os contratos n°s 177.2.03.5.013 e 012.2.004.026 foram firmados em 13.06.2001 e em 25.03.2002, respectivamente, entre a requerente e a Petrobrás. Assim tais contratos deveriam ser tratados pela sistemática cumulativa, pois o preço fixado para a prestação dos serviços, levou em consideração a legislação vigente à época dos fatos, quando não existia a sistemática não cumulativa dessas contribuições. A aplicação da sistemática não cumulativa desequilibraria economicamente o contrato e aumentaria a carga tributária a ela imposta. Ambos os contratos foram firmados com preço determinado em moeda nacional, devendo ser afastada a alegação de que o art. 10, inc. XI da Lei nr. 10.833/2003, não seria aplicável ao caso concreto. Reproduz cláusulas dos contratos a fim de confirmar sua alegação: Contrato n° 177.2.035.013 "CLÁUSULA TERCEIRA PREÇOS E VALOR 3.1 O presente Contrato tem por VALOR TOTAL ESTIMADO a quantia de R$ 4.352.565,00 (quatro milhões, trezentos e cinquenta e dois mil e sessenta e cinco reais, observado o disposto na Cláusula Quinta Preços e Valor, do Anexo I Condições Gerais Contratuais." Contrato n° 012.2.004.026 "CLÁUSULA SEGUNDA PREÇO E VALOR 2.1 O valor total estimado do presente Contrato é de R$ 88.596.165,00 (oitenta c oito milhões, quinhentos e noventa e seis mil e cento e sessenta e cinco reais), constituído das seguintes parcelas:" O fato de os contratos terem sido posteriormente prorrogados não seria suficiente para caracterizar uma novação, de modo a permitir a aplicação da sistemática não cumulativa. A única mudança que ocorreu se refere à extensão do prazo em que o serviço foi prestado em favor da Petrobrás. O custo do serviço prestado levou em consideração os tributos incidentes à época da celebração dos contratos. A mera prorrogação dos contratos em nada alterou a fórmula de cálculo do preço dos Fl. 3236DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 11 10 serviços, não podendo ser aplicada a sistemática não cumulativa Contudo, se for considerada a sistemática da não cumulatividade, entende ter havido equívoco na metodologia de cálculo constante nos anexos ao Termo de Ciência e Encerramento Fiscal. • A sistemática não cumulativa somente passaria a ser aplicada quando ocorresse a prorrogação dos contratos após 31.10.2003, nos termos do art. 3o, da IN 468/2004. • De acordo com o Termo de Ciência e Encerramento, o contrato nr. 177.2.035.013, foi firmado em 13.06.2001, com vigência até 30.05.2003, sendo prorrogado nessa data até 14.07.2005, e, posteriormente até 11.06.2006. E, o Contrato 012.2.004.026 foi firmado em 25.03.2002, com vigência até 13.02.2005, quando foi prorrogado por mais 438 dias. Seguindo o entendimento do Termo de Ciência e Encerramento Fiscal, e a IN 468/2004, a aplicação da sistemática não cumulativa deveria ser aplicada apenas ao período verificado após a prorrogação do contrato que ocorresse depois de 31.10.2003. Assim, apenas as receitas auferidas do contrato 177.2.0358.013, após 14.07.2005 e do contrato 012.2.004.026, auferidas após 13.02.2005, estariam sujeitas a não cumulatividade. As planilhas anexas ao Termo de Ciência e Encerramento Fiscal aplicam retroativa e ilegalmente a sistemática não cumulativa a todo o período de 2004 até 2006, merecendo ser retificadas para se considerar a sistemática não cumulativa somente sobre as receitas originárias de contratos prorrogados após 31.10.2003, considerando se como data inicial a data de prorrogação. Assim conclui que: As suas DCTFS retificadoras deveriam ter sido processadas, de modo a demonstrar que não houve qualquer recolhimento a menor de Pis/Cofins ou qualquer prejuízo ao erário. As retenções de Pis/Cofins eram de responsabilidade da Petrobrás, não podendo ser penalizada pela eventual ausência de retenções e/ou repasse desses valores aos cofres da União Federal; Demonstrou que recebeu os valores da Petrobrás líquidos de tributos, não tendo usufruído da suposta ausência de retenção dos tributos indicada pelo Termo de Ciência e Encerramento Fiscal; Deveria ser aplicada a sistemática cumulativa às receitas auferidas em razão dos serviços prestados por força dos Contratos n°s 177.2.03.5.013 e 012.2.004.026, firmados pela Requerente com a Petrobrás. Ao final requer: O provimento das impugnações de fls 68/69 e 86/87, com o conseqüente cancelamento da cobrança dos valores consubstanciados nos auto de infração objeto do presente processo. Fl. 3237DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 12 11 Alternativamente, pleiteia que os cálculos contidos nas planilhas anexas ao Termo de Ciência e Encerramento Fiscal sejam retificados, de modo a considerar a sistemática não cumulativa de Pis/Cofins apenas após 14.07.2005 para o Contrato n° 177.2.035.013 e 13.02.2005 para o Contrato n° 012.2.004.026, a fim de adequálos aos termos do art. 3° da IN n° 468/2004. Em 21 de julho de 2015, através do Acórdão de Impugnação n° 1277.909, a 16ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, exonerando em parte o crédito tributário exigido, conforme planilha constante do voto. Houve Recurso de Ofício. A empresa autuada foi intimada da decisão, via Aviso de Recebimento, às folhas 2.966. Em 08 de setembro de 2015, foi apresentado o Recurso Voluntário, de folhas 2.968 à 2.992. Em 21 de maio de 2018, através da Resolução n° 3302000.749, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para seja intimada a autuada a apresentar o Contrato n° 177.2.035.013, na íntegra, tal como pactuado, para que se possa fazer uma análise consolidada de suas cláusulas, visando conhecer a natureza do preço pactuado. Cópia integral do Contrato n° 177.2.035.013 foi apresentada às folhas 3.077 do processo digital. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. A empresa UNIVERSAL COMPRESSION LTDA foi cientificada do Acórdão de Impugnação às folhas 2.958 e ingressou com Recurso Voluntário em 08/09/2015, folhas 2.967. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: · Da necessidade de análise das DCTFs retificadoras; Fl. 3238DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 13 12 · Das retenções feitas pela Petrobras; · Da necessidade de aplicação do regime cumulativo. Passase à análise. Informações Preliminares. A empresa fiscalizada, UNIVERSAL COMPRESSION LTDA, foi incorporada pela empresa Exterran Serviços de Óleo e Gás Ltda em 30/09/2008; O contribuinte optou pela forma de tributação pelo Lucro Real no período de 2001 a 2005 e, pela forma de tributação pelo Lucro Presumido no ano calendário de 2006. As retificações efetuadas nas DCTF, após o inicio do procedimento fiscal que resultou nas lavraturas dos autos de infração sob análise, não foram consideradas; A fiscalização procedeu o lançamento de ofício nos termos do artigo 841, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. DCTFs Retificadoras. É alegado nos itens 19 e 21 do Recurso Voluntário: Com a devida vênia, o objetivo da Recorrente com a apresentação das DCTFs retificadoras é tão somente demonstrar a sistemática adotada para apurar o valor de PIS/COFINS devido no período e, com isso, comprovar que nenhum valor é devido a título dessas contribuições ao Erário Público. Isto é, a Recorrente não tem a intenção de utilizar essas DCTFs retificadoras para fins de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea. Até porque, a Recorrente tem conhecimento de que as retificações nas declarações fiscais só são beneficiadas pelo instituto da denúncia espontânea quando apresentadas antes de iniciado o competente procedimento fiscal. Desse modo, é evidente que, ao retificar declarações dentro do prazo quinquenal, o objetivo da Recorrente era adequar as informações prestadas ao Fisco à realidade dos fatos. Com base em tal procedimento, a Recorrente tão somente buscou evidenciar que parte das receitas auferidas no período estava sujeita ao PIS/COFINS com base em sua sistemática não cumulativa e outra parte estava sujeita à sua sistemática cumulativa, o que em última análise auxiliaria ou deveria ter auxiliado a D. Fiscalização da RFB e a DRJ na compreensão das operações realizadas pelo contribuinte no período envolvido na autuação. A argumentação do Recorrente é contraditória, na medida em que afirma não ter a intenção de utilizar essas DCTFs retificadoras para fins de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea, ao mesmo tempo que pleiteia retificar declarações dentro do prazo quinquenal, com o objetivo de adequar as informações prestadas ao Fisco à realidade dos fatos. Esse procedimento busca evidenciar que parte das receitas auferidas no período estava sujeita ao PIS/COFINS com base em sua sistemática não cumulativa e outra parte estava Fl. 3239DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 14 13 sujeita à sua sistemática cumulativa, o que, caso não proceder, implicará em recolhimento a menor. Essa análise será postergada. No mais, é adequado o entendimento do Acórdão de Impugnação, às folhas 12 daquele documento: De acordo com o disposto no inciso I do art. 7° do Decreto n° 70.235/72, que rege o Procedimento Administrativo Fiscal, o procedimento de ofício tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, o que no caso em concreto significa o Termo de Início de Fiscalização. Continuando, o referido dispositivo legal, no seu § 1° dispõe que o início do procedimento de ofício exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Ou seja, após haver sido notificada do início da ação fiscal (07.11.2006), portanto quando não mais gozava da espontaneidade, a contribuinte apresentou DCTF retificadoras. Estas DCTF retificadoras não podem ser opostas ao lançamento como forma de elidilo. Decreto 70.235/72: Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: a) o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; b) a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; c) o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” Para tanto, mencionase as seguintes Ementas. Acórdão de Impugnação n° 3803000.350. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999, 01/09/1999 a 31/12/1999, 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/07/2000, 01/10/2000 a 30/11/2000, 01/03/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/03/2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PERDA DE ESPONTANEIDADE DCTF retificadora transmitida após início de ação fiscal não surte efeitos, em face de previsão legal de carência de espontaneidade, não se identificando com o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN. Acórdão de Impugnação n° 1302001.377. Fl. 3240DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 15 14 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 RETIFICAÇÃO DE DCTF E PARCELAMENTO DE DÍVIDA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A denúncia apresentada pelo sujeito passivo da obrigação, após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração, não se considera espontânea. Desta forma, não surte efeito sobre o lançamento de ofício a apresentação da DCTF ou o parcelamento, após o início do procedimento fiscal, relativamente aos débitos lançados de ofício. Das retenções feitas pela Petrobras. É alegado nos itens 27 a 30 do Recurso Voluntário: Com relação à cobrança de PIS/COFINS propriamente dita, a Recorrente entende que o valor exigido pelas autoridades fiscais não está levando em consideração o fato de que a Petrobras reteve, quando do pagamento das faturas da Recorrente, as contribuições incidentes sobre essas receitas, em cumprimento ao artigo Io da Instrução Normativa SRF n° 480/2004. Logo, como essas retenções foram feitas pela Petrobras a título de adiantamento dessas contribuições em favor do Fisco Federal, o valor devido pela Recorrente ou cobrado pelas autoridades fiscais deveria, ao menos, ser reduzido da autuação fiscal, na medida em que já foi retido na fonte pela Petrobras e deve ter sido repassado ao Erário Público. Vale mencionar que a própria DRJ reconhece esse fato ao entender que os valores indicados na DIRF da Petrobras como tendo sido retidos, em nome da Recorrente, deveríam servir de créditos a serem abatidos do montante total exigido no auto de infração, conforme consignado às fls. 2.914. Apesar desse correto entendimento por parte da DRJ, a r. decisão merece sofrer um pequeno mas importante reparo nesse ponto, pois levou em consideração apenas as informações constantes nas DIRFs da Petrobras sem, contudo, analisar a farta documentação juntada aos autos pela Recorrente, o que inclui notas fiscais, extratos bancários e planilhas elucidativas, que forma conjunto probatório insuperável para comprovar a efetiva retenção dos valores de PIS/COFINS pela Petrobras. Prossegue nos itens 33 e 34: Ou seja, a r. decisão de fls. se baseia única e exclusivamente em uma declaração de uma outra empresa, da qual a própria Receita Federal do Brasil exige mais de R$60 bilhões. Ora, Ilustre Julgador, a Recorrente não pode aceitar que tal documento seja eleito como único meio idôneo capaz de comprovar as retenções de PIS/COFINS feitas nos pagamentos recebidos pela Recorrente da Petrobras. Com a devida vênia, alçar a declaração da referida empresa como prova única e Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 16 15 exclusiva, em detrimento das demais provas apresentadas pela Recorrente, não parece minimamente razoável e merece ser revisto por esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sob pena de se assumir que a Petrobras é infalível no preenchimento e cumprimento de todas as suas obrigações acessórias. Mais ainda! A r. decisão de fls. não adentra a análise das notas fiscais, dos extratos e das planilhas que comprovam as alegações da Recorrente, sob a escusa de que todas essas informações só foram juntadas aos autos após a apresentação da impugnação e da realização de diligência em primeira instância. Nesse sentido, assim se manifesta a instância a quo: Contudo, ao tomar ciência do resultado da diligência efetuada, vem o contribuinte anexar às suas contestações cópia de seus extratos bancários, bem como solicitar prazo para a elaboração de planilhas onde seriam efetuadas as correlações entre as faturas emitidas pela Requerente e o montante efetivamente recebido da Petrobrás. É de se registrar que a apresentação de extratos bancários não é suficiente para a comprovação de retenção na fonte. A documentação suficiente a comprovar tal retenção, acima citada, está prevista na IN RFB 480/2004. Todavia ao interessado ainda foi oportunizada a apresentação desta documentação quando foi intimado em fase de diligência e o mesmo se limitou a apresentar os Comprovantes fornecidos pela Petrobrás. Acaso estes não correspondessem à verdade dos fatos, deveria o mesmo ter comprovado à época tais retenções mediante sua escrituração e demais documentos aptos para tal. O que não podemos admitir é nesse momento processual o deferimento de posterior juntada de planilha correlacionando as faturas por ele emitidas e o montante efetivamente recebido. Tais documentos deveriam, conforme acima dito, ter sido apresentados juntamente com a sua peça contestatória, ou como lhe foi oportunizado, na fase da diligência, realizada, principalmente para elucidar tal questão. É precluso o direito do impugnante de apresentar prova documental em momento processual diverso ao da impugnação, e não se tendo verificado nenhuma das situações elencadas no §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Portanto, é de se indeferir o pleito do contribuinte quanto à apresentação de planilha para demonstrar a partir de suas faturas a eventual ocorrência de retenção na fonte. Embora meu voto condutor caminhou no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, aderi à proposta de conversão do julgamento em diligência, após sucessivas votações, em atendimento ao disposto no artigo 60 do Anexo II do RICARF, cujas razões vencedoras, por voto de qualidade, abaixo transcrevo: A recorrente pleiteou em impugnação que a fiscalização desconsiderou, por completo, as retenções sofridas de Cofins e PIS/Pasep, elaborando planilha demonstrativa (e fls. 215/229 e 1625/1638), bem como a incidência do regime cumulativo sobre receitas decorrentes de contratos de longo prazo. Fl. 3242DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 17 16 No que tange às retenções, os valores retidos foram informados no Dacon e pleiteados em planilha, sendo que o colegiado de primeira instância converteu o processo em diligência, para que a autoridade fiscal verificasse a veracidade das informações, bem como se foram devidamente registradas na escrituração contábil. Na informação fiscal, relatouse que a recorrente apresentou documentação comprobatória, apenas relativa aos Informes de Rendimentos Fornecidos pela Petrobrás, a partir dos quais a fiscalização efetuou a dedução das retenções. Ao encerrar a diligência, a autoridade fiscal concedeu o prazo de trinta dias para a recorrente se manifestar ou aditar as razões perante o resultado da diligência, com ciência em 02/06/2014. Em manifestação sobre o resultado da diligência (02/07/2014), a recorrente informou que houve retenções efetivadas pela Petrobras, sem contudo ter havido comprovante de retenção fornecido, porém apresentando extratos bancários e, protestando, pela juntada posterior de planilha elucidativa, de forma a correlacionar as faturas emitidas com o montante efetivamente recebido em extratos bancários. Assim, em 05/02/2015, a recorrente juntou novos documentos a saber: planilha demonstrativa indicando o valor da nota fiscal, o valor das retenções em cada nota, o valor líquido recebido e creditado em conta corrente, juntando extratos bancários e as notas fiscais. Analisando a planilha apresentada pela recorrente, verificase que houve informação de retenção em todos os meses de 2004, 2005 e 2006, ao contrário do demonstrativo elaborado pela fiscalização, que para os anos de 2005 e 2006, apresenta retenções em apenas dois meses em cada ano. É de se reconhecer a plausibilidade de ter havido retenções em todos os meses, uma vez que os contratos prevêem medições mensais. Tomando como exemplo Cofins retida para o mês de janeiro de 2006. A autoridade fiscal não considerou qualquer valor de retenção para o período, conforme efl. 1725. Em impugnação, a recorrente pleiteou R$ 91.709,28, efl. 215, valor também constante do Dacon entregue em impugnação, efl. 319. Na planilha entregue após a diligência e antes do julgamento de primeira instância, a Cofins retida totalizou R$ 91.709,27, efl. 2528, mesmo valor pleiteado em impugnação e constante do Dacon, discriminado por nota fiscal, com indicação do crédito no extrato bancário. Verificase que a diferença entre o valor total de algumas notas fiscais e o valor líquido das retenções conferiu, em centavos, com o crédito no extrato bancário, o que demonstra a verossimilhança da alegação. Por outro lado, algumas os valores líquidos a receber de algumas notas não correspondem aos valores recebidos, sendo que para a NF 150, aparentemente, não houve recebimento. Há que se ressaltar que foi intimada a apresentação dos Livros Diário, Razão e balancetes, os quais foram apresentados (efls. 1752). Destacase que os balancetes de fev a dez/2005, efls. 2203/2293, indicam que as contas do ativo 1.1.04.01.0017 RETENÇÃO PIS LEI 10833/03 e 1.1.04.01.0018 RETENÇÃO COFINS LEI 10833/03, possuem valores na coluna "DÈBITO" em todos os meses de 2005, apesar de a fiscalização considerar apenas para 2005 os meses de janeiro e novembro, em valores inferiores aos escriturados. Destarte, a análise não pode ser restrita às DIRFs constantes na base da RFB ou aos comprovantes de retenção fornecidos pela Petrobrás, pois ambos não estão no âmbito de controle da recorrente, mas se referem a informações prestadas pela Petrobrás. A verificação Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 18 17 efetiva da retenção envolve a comparação entre o valor total das notas fiscais, valor relativo às retenções e os valores efetivamente recebidos de cada nota, tudo devendo estar devidamente registrado na escrituração contábil. Inclusive, seria prudente a circularização da fonte pagadora para confirmação dos pagamentos e retenções efetuados. Assim, nos casos em que houve retenção efetiva pela fonte pagadora, não cabe a cobrança do crédito tributário no beneficiário que sofreu a retenção, tendo este direito à dedução do valor mensal apurado da contribuição. É o que dispunha o artigo 7º da IN SRF 480/2004: Tratamento dos Valores Retidos Art. 7º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser deduzido, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor do documento fiscal, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (Anexo I). O Parecer Normativo Cosit nº 1/2002 também já havia estabelecido a responsabilidade nos casos de fonte pagadora e beneficiário da retenção. Embora tratando de IRRF, o raciocínio quanto à retenção por antecipação se aplica às retenções de que tratam a IN SRF 480/2004. Assim dispôs: Imposto retido e não recolhido 17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadrase no crime de apropriação indébita previsto no art. 11 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, e caracterizase como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei nº 8.866, de 11 de abril de 1994. Ressaltese que a obrigação do contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo, nesse caso, compensar o imposto retido. Então, nos casos de verificação da efetiva retenção por parte da fonte pagadora, ela é responsável pelo recolhimento e o beneficiário pode deduzir o valor retido, independentemente de a fonte pagadora recolher o tributo retido, ficando esta sujeita à fiscalização da RFB e as sanções tributárias e penais cabíveis. Caso a fonte pagadora não efetue a retenção, pelo pagamento integral da nota fiscal, caberia ao beneficiário sujeitar toda a receita à tributação, sem obviamente deduzir retenção alguma. Destarte, dada a verossimilhança da alegação da recorrente, que juntou documentos ainda em diligência e, também, anteriormente ao julgamento proferido pela DRJ, deve o julgamento ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal verifique a veracidade das informações prestadas nos documentos de efls. 2496/2900, inclusive mediante intimação à fonte pagadora para confirmar os pagamentos efetuados e as retenções efetivamente feitas, se a autoridade fiscal entender necessário para convicção dos valores escriturados pela recorrente, à vista das notas fiscais e extratos bancários apresentados, bem como da escrituração contábil da recorrente. Fl. 3244DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 19 18 Da necessidade de aplicação do regime cumulativo. As receitas operacionais pleiteadas pelo contribuinte como sendo sujeitas à apuração da base de cálculo pelo regime cumulativo para o recolhimento do PIS e da COFINS são oriundas dos seguintes Contratos: de n° 177.2035.013, de 13/06/2001; e de n° 012.2.004.026, de 25/03/2002. A parte interessada, quando intimada ao longo da diligência, não apresentou outro contrato de prestação de serviços. Os "Informes de Rendimentos" apresentados pela PETROBRAS S/A não espelham a totalidade dos valores mensais declarados pelo contribuinte. Legislação aplicável à época dos fatos: Lei 10.833/2003. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1oa 8o:(Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; (Grifo e negrito nossos) Instrução Normativa / SRF n° 468, de 08/11/2004. Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1o. § 3º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 20 19 preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1º. Art. 3o Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. (Grifo e negrito nossos) Uma vez que o contribuinte é optante da tributação pelo lucro real, somente se sujeitará ao regime da cumulatividade se estiver inserido nas exceções estabelecidas. Pelo exposto, conforme a legislação aplicável à época, para se sujeitar ao regime da cumulatividade, deve atender a condição de preço predeterminado, tendo por exigência que a remuneração do contrato seja em moeda nacional na sua totalidade. Contrato n° 177.2035.013. de 13/06/2001. Consta das folhas 5/14, do anexo I (efolhas 3.160): Pagamento Devido em Moeda Estrangeira: 6.5. Os pagamentos devidos por força deste Contrato serão efetuados pela PETROBRAS à CONTRATADA, em dólares norteamericanos, 30 (trinta) dias corridos, contados a partir do último dia do período de execução dos serviços, desde que a CONTRATADA apresente os documentos de cobrança até o 4.° (quarto) dia útil, seguinte ao último dia do período de execução dos serviços. Tais pagamentos, inclusive os referentes às mobilizações previstas no contrato, somente serão efetuados, após o devido Registro da Operação Financeira ROF, no SISBACEN, nos termos estabelecidos pelo Banco Central do Brasil e se darão através de remessa à conta bancária no exterior, indicada, por escrito, pela CONTRATADA. No caso de não apresentação dos documentos de cobrança nos prazos acima fixados, os pagamentos serão postergados por tantos dias corridos quantos corresponderem ao atraso na entrega dos documentos de cobrança. Os documentos de cobrança deverão ser apresentados, juntamente com o original do documento que lhe deu origem (Boletim de Medição Resumido por rubrica serviço, aluguel de equipamento, afretamento, material, etc.), no Protocolo do Órgão Financeiro indicado pela PETROBRAS, para efeito de verificação do cumprimento dos prazos para pagamento. Os documentos de cobrança deverão ser emitidos, sem rasuras, observandose a legislação em vigor, contendo obrigatoriamente as informações: · Local e data de sua emissão e número do documento de cobrança; · Número e data de assinatura do instrumento contratual; · Número e data do documento que lhe deu origem (BM Resumido, DR); Fl. 3246DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 21 20 · Número do respectivo Registro da Operação Financeira ROF, no SISBACEN; · Valor bruto do documento de cobrança, numericamente e por extenso; · Nome e código do estabelecimento bancário, agência e respectivo código, e número da contacorrente do favorecido, onde serão efetuados os pagamentos; Para que determinado pagamento seja efetuado em estabelecimento bancário diferente daquele indicado, por ocasião da assinatura do instrumento contratual, essa alteração deverá, obrigatoriamente, ser precedida de um fax/correspondência da CONTRATADA ou constar no documento de cobrança do favorecido. Notarização, consularização, pelo Consulado Brasileiro e tradução, por tradutor público juramentado, se for emitido em idioma estrangeiro. Caso exista representante legal no Brasil, com procuração (Power of Attorney"), esta é a que deverá atender à exigência do subitem imediatamente anterior. Este representante poderá emitir o documento de cobrança em língua portuguesa, desde que tal possibilidade conste expressamente no Registro de Operações Financeiras do instrumento contratual no Banco Central do Brasil. Portanto, desatende a condição. Embora meu voto condutor caminhou no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, aderi à proposta de conversão do julgamento em diligência, após sucessivas votações, em atendimento ao disposto no artigo 60 do Anexo II do RICARF, cujas razões vencedoras, por voto de qualidade, abaixo transcrevo: Diferentemente do contrato 012.2.004.026, abaixo analisado, este contrato previu na cláusula 3.1, o preço estimado em reais, sem referência a parcelas em dólares norte americanos, com reajuste de preços em função do Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC, conforme a Cláusula Quarta Reajustamento de Preços: Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 22 21 De forma coerente, o Anexo II previu a planilha de preços unitários apenas em reais, sem discriminação de parcelas em dólares. Porém, a cláusula 6.5 das Condições Gerais Contratuais previu pagamentos em dólares norteamericanos, de forma fixa e irreajustável, de acordo com a cláusula 7.5, conforme abaixo: Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 23 22 Já a cláusula 6.4 dos critérios de medição (Cláusula 6) do Anexo IV Especificações dos Serviços e Critérios de Medição previu que os pagamentos relativos ao aluguel dos compressores de gás natural seriam em dólares norteamericanos: Assim, há uma dúvida em relação a esta parcela em dólar. Enquanto no contrato n° 012.2.004.026, havia uma parcela em dólares a ser paga, com previsão de cláusula de variação cambial, aqui não localizei previsão da referida variação cambial com taxa de conversão, o que vai ao encontro da alegação da recorrente de que não há parcela em dólares, mas parcelas em reais, cujo pagamento deveriam ser realizados em dólar. Contudo, as cláusulas 7.5 e 6.4.2 acima referidas deixam margem de dúvida quanto à aferição correta da natureza desta parcela em dólar, pois se os preços são apenas em reais, então deveria haver reajuste de tais preços, mesmo nos pagamentos convertidos em dólar, tornando sem sentido a cláusula 7.5. Assim, é necessário o esclarecimento pela recorrente se as parcelas pagas em dólar são calculadas por variação cambial, similar à ocorrida no contrato n° 012.2.004.026, ou se são parcelas em reais, reajustadas pelo INPC, que no momento do pagamento são convertidos em dólar. Para tanto, a recorrente deverá apresentar o cálculo das referidas parcelas, detalhando, por amostragem, os pagamentos efetuados no âmbito deste contrato. Além desta questão, para que a diligência seja proveitosa em qualquer das hipóteses de julgamento, é necessário que seja exposto o entendimento do colegiado, acerca da definição de preço prédeterminado: As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 24 23 c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não seria considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 25 24 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 26 25 de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 27 26 EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 28 27 na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou o arcabouço legislativo sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 29 28 preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 30 29 § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 31 30 contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 não se limitou, exatamente, à redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". A redação da instrução normativa não exclui, a priori, a utilização do INPC, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Concluindo, entendo que não se pode descaracterizar o preço prédeterminado em função da aplicação do INPC, a priori, devendo ser comparado o percentual de seu reajuste com o percentual do acréscimo dos custos de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, se existente para o setor. Assim, para cada contrato, deve ser avaliado se o percentual utilizado é inferior à evolução dos custos de produção, apurado no mesmo período de variação do IGPM, sendo que a primeira apuração se refere ao período compreendido entre o último reajuste anterior a 31/10/2003 e o primeiro reajuste posterior a esta data. A comparação deverá se estender, período a período, até a data do reajuste imediatamente anterior ao período objeto da lide, sendo que uma vez detectado que o percentual de variação do IGPM seja superior à variação dos custos de produção ou a índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados, todas as receitas auferidas após tal reajuste ficam sujeitas ao regime nãocumulativo das contribuições, definitivamente. Destarte, são necessários os seguintes esclarecimentos, relativos ao contrato 177.2035.013: 1. Identificação do primeiro reajustamento anterior a 31/10/2003 e os reajustamentos posteriores, relativamente às receitas auferidas; Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 32 31 2. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, de acordo com a cláusula 13.2 das Condições Gerais Contratuais 3. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 4. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos de produção e o reajuste adotado, relativo aos períodos correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP, disponibilizando os lançamentos contábeis e fiscais que suportaram o comparativo, em meio digital ou papel, a critério da autoridade fiscal. Contrato n° 012.2.004.026. de 25/03/2002. Anexo IV (efolhas 1.894): INSTRUÇÕES PARA EMISSÃO DE DOCUMENTOS DE COBRANÇA Os documentos de cobrança (faturas, recibos, notas fiscais de serviço, notas fiscais de venda etc.) deverão ser emitidos e apresentados da forma seguinte: 1. Apresentação 1.1 Deverão ser apresentados, dentro dos prazos contratualmente previstos, ao protocolo da PETROBRAS (sede ou obra), indicado pela fiscalização. 1.2 Os documentos de cobrança em moeda nacional deverão ser apresentados em original, mais 2 (duas) cópias. 1.3 Os documentos de cobrança em moeda estrangeira deverão ser apresentados em original , mais 2 (duas) cópias, indicando o n° do certificado de registro do contrato no Banco Central do Brasil e ser devidamente legalizados, isto é : redigidos em português ou, quando outro idioma, vir acompanhados de tradução juramentada; notarizado e consularizado no exterior, quando forem emitidos fora do BRASIL; Caso exista representante legal no Brasil, com procuração ("power of attorney"), esta é que deverá ser legalizada, como acima e, neste caso, o representante poderá emitir as faturas em língua portuguesa, desde que haja autorização do Banco Central do Brasil (a ser obtida pela PETROBRAS/SERV1ÇO FINANCEIRO, mediante solicitação da fiscalização). A cláusula Segunda, 2.1.2, especifica parcela do contrato em dólares norte americanos, nos seguintes termos: Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 33 32 A Cláusula Terceira Reajustamento de Preços (efolha 1851) prevê que a parcela em dólar será convertida em reais. O pagamento das parcelas em dólares foi previsto na Cláusula Quarta Preços, Valor e Local de Pagamento, dento das Condições Específicas Contratuais de Construção Civil e Montagem (Gerais Contratuais (efolhas 1874 em diante). A cláusula 4.3.1 previu: A cláusula 5.9 ainda dispôs: Constatase que parte do contrato foi celebrado em dólar norteamericano, com variação cambial pela taxa vigente no último dia útil do período de medição e a taxa no dia 09/10/2001. Portanto, desatende a condição. Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: * Em relação às retenções de PIS/Pasep e Cofins, verifique a veracidade das informações prestadas nos documentos de efls. 2496/2900, inclusive mediante intimação à fonte pagadora para confirmar os pagamentos efetuados e as retenções efetivamente feitas, se entender necessário para convicção dos valores escriturados pela recorrente, à vista das notas fiscais e extratos bancários apresentados, bem como da escrituração contábil da recorrente. * Em relação ao contrato 177.2035.013, intime a recorrente a: 1) Esclarecer se as parcelas pagas em dólar são calculadas por variação cambial, similar à ocorrida no contrato n° 012.2.004.026, ou se são Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.957 S3C3T2 Fl. 34 33 parcelas em reais, reajustadas pelo INPC, que no momento do pagamento são convertidos em dólar. Para tanto, a recorrente deverá apresentar o cálculo das referidas parcelas, detalhando, por amostragem, os pagamentos efetuados no âmbito deste contrato; 2) Identificar o primeiro reajustamento anterior a 31/10/2003 e os reajustamentos posteriores, relativamente às receitas auferidas; 3) Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, de acordo com a cláusula 13.2 das Condições Gerais Contratuais; 4) Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, em caso afirmativo, elaborar a evolução de tal índice em comparação com o índice utilizado no reajuste contratual; 5) Elaborar comparativo entre a evolução dos custos de produção e o reajuste adotado, relativo aos períodos correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP, disponibilizando os lançamentos contábeis e fiscais que suportaram o comparativo, em meio digital ou papel, a critério da autoridade fiscal. Após concluída a resposta à intimação, a autoridade fiscal deve certificar a veracidade dos dados apresentados e elaborar relatório fiscal, expondo as razões sobre eventual discordância com a metodologia adotada pela recorrente ou com os dados apresentados, bem como separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução. Ao final, deve ser facultado à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre o relatório fiscal, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 3260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720047/2017-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Para fazer jus a isenção, é necessária a concomitância de ser portador de moléstia grave e que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma.
Numero da decisão: 2002-000.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para fazer jus a isenção, é necessária a concomitância de ser portador de moléstia grave e que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 00 47 /2 01 7- 68 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10640.720047/201768 Acórdão n.º 2002000.922 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 68) contra decisão de primeira instância (fls. 59/62), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A contribuinte supracitada foi intimada da exigência de imposto suplementar de R$ 3.852,95, com multa de ofício e juros de mora. A infração decorreu da omissão de rendimentos de R$ 27.357,38 e IRRF de R$ 492,18, do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, CNPJ 03.066.219/000181, e de R$ 35.671,62 e IRRF de R$ 824,07, da Secretaria de Estado e Planejamento e Gestão, CNPJ 46.114.200/017010. A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam da Notificação de Lançamento de efls.51 a 54. Apresentou impugnação tempestiva, de efl.4 , na qual contesta a omissão de rendimentos. Nesta, alega que é possui nefroplasia grave, que teria contraída em 2008, trazendo laudo médico, e que os rendimentos do esposo falecido devem ser isentos. Por sua vez, a contribuinte admite que os seus rendimentos são tributáveis, mas que já foi pago imposto de renda sobre este anocalendário. Tendo em vista o disposto na Portaria nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e art.2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013) e conforme definição da Coordenação Geral de contencioso administrativo e judicial da RFB, o presente e processo foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. Em 29/11/2018 (fls. 92/94), o julgamento do recurso foi convertido em diligência à Unidade de Origem, para que informe se a fonte pagadora Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (CNPJ nº 03.066.219/000181) apresentou DIRF em nome de Bruna Stambassi Leite, de forma a esclarecer se o rendimento informado em DIRF para a contribuinte se confunde com aquele pago à sua filha ou se seriam rendimentos distintos, cada qual recebendo metade do benefício. Em resposta à diligência, a DRF de Juiz de Fora – MG informou que: Em atendimento ao solicitado na resolução n° 2002000.048 – Turma Extraordinária / 2° Turma fls. 92 a 94, informo que há dois rendimentos com origem na fonte pagadora Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro – CNPJ n° 03.066.219/000181. Sendo um rendimento pago à BRUNA STAMBASSI LEITE – CPF: 118.787.32684, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10640.720047/201768 Acórdão n.º 2002000.922 S2C0T2 Fl. 4 3 documento de fl. 96 e outro benefício em nome de ROSEMEIRE STAMBASSI LEITE, CPF: 724.262.68620, documentos de fls. 97 e 98. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 16/11/2017 (fl. 65); Recurso Voluntário protocolado em 27/11/2017 (fl. 68), assinado pela própria contribuinte. Em julgamento primeiro, resolveuse baixar os autos em diligência para que a Unidade da RFB de origem informasse se a fonte pagadora: Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro apresentou Dirf em nome de Bruna Stambassi Leite, o que foi feito às fls. 96/98. A recorrente responde nestes autos, por Rendimentos Indevidamente considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou condição de Aposentada, Pensionista ou Reformada. Relata o Sr. AFRF, que a contribuinte comprovou a moléstia grave, a partir de julho de 2008, com passividade de controle, porém não comprovou a condição de aposentada/pensionista/reformada, cuja concomitância é obrigatória nos termos da legislação permanente. A r. decisão revisanda, entendeu que no caso da omissão de R$ 27.357,38 e IRRF de R$ 492,18, do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, tratavase de pensão para a filha Bruna Stambassi Leite, não restando provado os requisitos para isenção da pensão. Conforme resposta à resolução (fl. 99), restou provado, que são dois rendimentos com origem na fonte pagadora, um para Bruna Stambassi Leite (filha da recorrente) e outro pago para a própria recorrente. Nesta quadra de entendimento, a recorrente provou sua condição de ser portadora de doença grave e, que os rendimentos recebidos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, são Proventos de Aposentadoria, Reserva, Reforma ou Pensão pagos por Previdência Pública (fl. 98). Sendo esta a única matéria objeto de recurso, o provimento ao recurso é medida que se impõe. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, dáse provimento para expungir da condenação a omissão de R$ 27.537,38 e IRRF de R$ 492,18 do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10640.720047/201768 Acórdão n.º 2002000.922 S2C0T2 Fl. 5 4 Virgílio Cansino Gil Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916238/2016-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.751
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.916238/201610 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.751 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto PIS/COFINS Recorrente INTERCEMENT BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde esclarece, inicialmente, que é pessoa jurídica de direito privado que tem por atividade principal a produção e comercialização de calcário, seus derivados e correlatos, em todas as modalidades, especialmente cimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 16 23 8/ 20 16 -1 0 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.916238/201610 Resolução nº 3401001.751 S3C4T1 Fl. 3 2 Informa que após o fechamento contábil do período de apuração em tela e a regular transmissão de sua DCTF, ao revisar seus procedimentos verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, pois parte da subvenção recebida é destinada a custeio e parte a investimentos, o que impacta diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis. Com isso, retificou as informações anteriormente prestadas na DCTF e no Dacon. Ressalta que, inobstante haver apresentado as retificadoras antes da transmissão do pedido de compensação, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada, e sem adentrar nos motivos da glosa. Diante disso, diz que acessou o ‘ecac’, obtendo o extrato da DCTF retificadora transmitida, verificando que não foi aceita pelo motivo: “Parcelado". Contudo, não há como ter certeza sobre essa informação ou sobre o real motivo do impedimento, já que não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento ou documentos complementares que comprovassem a composição de sua nova base de cálculo, o que torna clara a ofensa ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A seguir, em itens específicos, fala da tempestividade da manifestação de inconformidade e “II. 2 da ausência de intimação quanto às supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório nulidade”. Neste último, contesta a forma simplista em que se pautou o agente fiscal na emissão do despacho, sem sequer ter realizado qualquer fiscalização, que viesse esclarecer o motivo da não homologação. Repisa que não houve qualquer intimação para que pudesse prestar esclarecimentos quanto aos valores retificados na DCTF, embora essa declaração tenha sido submetida à análise, dado a informação de ‘parcelado’ mostrado pelo sistema. E isso, acredita, impactou diretamente na não homologação da Dcomp transmitida, pois se os valores declarados na obrigação acessória retificada não foram aceitos, conseqüentemente, o crédito pleiteado não poderia ser localizado pelo Fisco. Lembra que o Parecer Normativo COSIT nº 2, publicado em 01/09/2015, esclarece que para a DCTF retificadora produzir efeitos está sujeita à verificação e homologação pela Receita Federal, que pode intimar o contribuinte para comprovar as informações, mas isso não ocorreu no presente caso, impossibilitandoo de defenderse da real acusação que lhe foi imputada e apresentar justificativas concretas e documentos necessários. Por isso, sob pena de insanável nulidade, destaca que a decisão administrativa deve ser instruída com todas as provas que demonstrem claramente as alegações fiscais, cabendolhe integralmente o ônus probatório. Sob o título “III – do direito”, especificamente quanto à motivação da alteração dos valores informados em DCTF, esclarece que está regularmente habilitada no Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS – Forte Indústria, e que através da análise do ato concessório do incentivo verificase a intenção do subvencionador – Estado do Mato Grosso do Sul em destinar valores incentivados para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, bem como o fato de ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Citando a Solução de Consulta Cosit nº 365, de 17/12/2014, e o art. 443 do RIR/99 conclui que, no caso, a subvenção originária pode ser classificada como uma subvenção especial, pois é concedida por pessoa jurídica de direito público (Estado do Mato Grosso do Sul) a uma pessoa jurídica de direito privado (Defendente), tornando claro que sobre esses valores não há incidência do PIS e Cofins, além de outros tributos federais. Cita também Acórdão da DRJ Fortaleza, alegando que grande parte das Delegacias de Julgamento tem admitido a comprovação do pagamento a maior ou indevido unicamente por meio de DCTF retificadora, antes de o contribuinte ter sido notificado do Despacho Decisório. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.916238/201610 Resolução nº 3401001.751 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, pugna pela realização de diligência e/ou perícia, indicado perito e formulando quesitos que entende serem necessários para a comprovação do alegado, e pela posterior juntada de documentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MSForte Indústria (Bodoquena/MS) – Concessão de Créditos Presumidos de ICMS e sua Exclusão da Base de Cálculo de PIS e COFINS. Subvenção para investimento. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.724, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.905413/201643, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.724): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 241.017,64 e reconhecido R$ 226.319,77 Homologação parcial, correspondente ao Darf de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO (código 6912), recolhido em 25/03/2011, no valor de R$ 1.339.935,11, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente informa que apurou em Fevereiro/2011 o PIS não cumulativo, no montante de R$ 1.158.756,63, tendo sido o montante de Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.916238/201610 Resolução nº 3401001.751 S3C4T1 Fl. 5 4 R$ 1.113.615,34 pago através de DARF com código de recolhimento 6912, pois o restante estava suspenso por determinação judicial. O DARF apresentado como pagamento foi no valor de R$ 1.339.935,11 restando saldo de R$ 226.319,77 que utiliza para compensação em DCOMP. Revisando seus procedimentos fiscais retificou as informações prestadas à RFB (DCTF e DACON), pois verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, já que parte da subvenção recebida era destinada a custeio e parte a investimentos, o que impactou diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis, sobre as quais incidiu tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Após a retificação, o débito de PIS passou a ser de R$ 1.098.917,47, restando saldo de R$ 241.017,64, a ser utilizado para compensar débito de PIS cumulativo do período de apuração de fevereiro/2011 no valor total de R$ 181.142,54 e COFINS cumulativa, referente à competência de abril/2011, no valor de R$ 72.064,02. Restou controverso a parcela de R$ 14.699,97 originário da diferença entre o valor a pagar de PIS na DCTF original com o valor a pagar após a retificação, já que parte do valor foi reconhecido pelo fisco em despacho decisório. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Entretanto existe no processo a informação sobre o extrato da DCTF em que informa que as retificadoras foram impedidas: Não há no processo o motivo porque as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.916238/201610 Resolução nº 3401001.751 S3C4T1 Fl. 6 5 for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não haja dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 02/2011 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.916238/201610 Resolução nº 3401001.751 S3C4T1 Fl. 7 6 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão, foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002158/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA QUALIFICADA
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64.
Numero da decisão: 9202-007.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA QUALIFICADA A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 21 58 /2 00 7- 71 Fl. 341DF CARF MF 2 Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201003.575, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração de folhas 169 a 175, de 01/06/2007, no qual se exige do contribuinte a importância de RS 136.726,88, acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, exercícios 2003, 2004, 2005 e 2006. Conforme “Termo de Verificação Fiscal”, às folhas a 158 a 162, verificase que a autuação teve por base a constatação da prática de omissão de rendimentos, evidenciada pela falta de comprovação, por parte da contribuinte, da origem dos depósitos incluídos em suas contas bancárias, hipótese presuntiva de omissão de receitas conforme previsão do artigo 42 da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 178/198. A DRJ/SDR, às fls. 264/273, julgou pela parcial procedência, resultando, em síntese, na seguinte conclusão: a) improcedente o valor de R$ 14.847,47, em relação ao anocalendário 2002, o valor de R$ 45.436,87, em relação ao anocalendário 2003, e o valor de R$ 19.405,85, em relação ao anocalendário 2004, exigidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física; b) procedente o valor de R$ 2.257,90, correspondente ao anocalendário 2002, o valor de RS 14.973,55, correspondente ao anocalendário 2004, e o valor de R$ 39.805,24, correspondente ao anocalendário 2005, exigidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 280/300. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 303/308, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reduzir o patamar da multa aplicada de 150% para 75%. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. SÚMULA CARF N.º 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10920.002158/200771 Acórdão n.º 9202007.537 CSRFT2 Fl. 10 3 MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO. SÚMULA CARF N.º 25. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF N.º 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Às fls. 310/320, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Multa de Ofício Qualificada Desqualificação. O fundamento de dolo foi afastado pelo colegiado a quo ao desqualificar multa em relação à infração decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, com base na Súmula CARF 25, a despeito da qualificação não ter sido fundamenta na simples omissão de valores. A reiteração da conduta do contribuinte e o fato da omissão ter valores expressivos não foram suficientes para que o colegiado a quo entendesse caracterizado o dolo. Analisando casos similares de lançamento motivado por depósitos de origem não comprovada no qual a diferença entre os valores declarados e os valores movimentados é relevante, os acórdãos paradigmas decidiram pela manutenção da multa qualificada imposta ao Contribuinte. Os paradigmas foram claros em manter a multa de 150% por aplicação do art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em igual hipótese, na qual o contribuinte omite receitas referentes a depósitos bancários não contabilizados. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 323/328, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Multa de Ofício Qualificada Desqualificação. Cientificado à fl. 333, o Contribuinte permaneceu inerte. A DRF informou, à fl. 339, um desmembramento: “neste ficaram os valores referentes a multa de ofício (uma parte de 75% suspensa à qual a PFN interpôs recurso) e no novo processo de nº10920.723320/201760 os valores devedores de original e multa vinculada (outra parte de 75%).” Vieram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Fl. 343DF CARF MF 4 O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração de folhas 169 a 175, de 01/06/2007, no qual se exige do contribuinte a importância de RS 136.726,88, acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, exercícios 2003, 2004, 2005 e 2006. Conforme “Termo de Verificação Fiscal”, às folhas a 158 a 162, verificase que a autuação teve por base a constatação da prática de omissão de rendimentos, evidenciada pela falta de comprovação, por parte da contribuinte, da origem dos depósitos incluídos em suas contas bancárias, hipótese presuntiva de omissão de receitas conforme previsão do artigo 42 da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Multa de Ofício Qualificada Desqualificação. Na decisão recorrida, deuse parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, sob o argumento de que a presunção legal de omissão de receia ou de rendimentos, por si só, não autoria a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional, trouxe para análise a divergência jurisprudencial, contestando a redução da multa de ofício do acórdão recorrido, alegando que o comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utiliza de subterfúgios a fim de escamotear a ocorrência do fato gerador ou retardar o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária, como na situação em análise, deve sempre caracterizar a presença de dolo, fundamentando sua proposição nos arts. 44, II, da Lei 9.430/96 e nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. A Fazenda aponta para o seguinte trecho do julgado: “Quanto ao lançamento da multa de oficio de 150%, esta se refere aos lançamentos de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não contabilizados de origem não comprovada e à acusação de omissão de demais receitas. Sobre a infração de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não contabilizados registrou a fiscalização que as contas bancárias 7.876.725 e 007.367.000, mantidas junto ao Banestes e ao Banco Santos Neves, respectivamente, não foram contabilizadas em sua escrita comercial; quanto ao lançamento relativo a omissão de receitas não enquadradas no conceito de receita bruta, se relacionam com cheques da empresa Somarco e TED da empresa Sandri, cujos valores foram depositados em conta bancária, cujos registros também não foram contabilizados. Entendo que está caracterizado o evidente intuito de fraude de que trata o art. 44, II, da Lei 9.430/96, estando presentes os pressupostos legais para imposição da multa qualificada.” Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10920.002158/200771 Acórdão n.º 9202007.537 CSRFT2 Fl. 11 5 Todavia o acórdão recorrido enfrentou muito bem a matéria no tocante a existência ou não da fraude, analisando as provas constantes dos autos, afirmando que da análise dos autos do processo, é cristalina a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, unicamente pela alegação de que o contribuinte teria deixado de informar seus rendimentos corretos em vários exercícios seguidos, ou seja reiterada conduta. Contudo, cabe assinalar que multa é um tipo de penalidade. É sanção imposta ao autor de um ato ilícito, consistente na agressão a um bem jurídico tutelado pelo Estado. Deste modo, temse que as multas fiscais, a despeito sanções, medidas repressivas a uma conduta reprovável, isto é, o não recolhimento de tributos. Tais multas, têm nítido escopo de impor castigo e repreensão ao devedor e, também, um evidente caráter pedagógico e inibitório do não pagamento dos tributos. Nesta medida, a qualificação de multas, por representar não só uma sanção ao descumprimento do dever de pagar o tributo, mas também uma repressão a uma conduta fraudulenta, com intuito claramente penal, não pode ser aplicada livremente pelo fisco, pois este deverá motivar a efetiva e clara conduta reiterada do Contribuinte. Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que o contribuinte prestou informações ao fisco, em sua Declaração de Ajuste Anual e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda, não logrou êxito em comprovar a inexistência do crédito em favor da Receita Federal. Todavia, tendo havido a imputação do débito e realizada a defesa por parte do contribuinte cabe a autoridade lançadora considerar ou desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova), e desconsiderandoas constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos, o que para o relator a quo, que eu concordo, caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização, sem se levar em conta que o presente lançamento foi efetuado por presunção de omissão de rendimentos (depósitos bancários não justificados). Ou seja, o suplicante não conseguiu provar que os recursos depositados/movimentados já foram tributados ou que não eram tributáveis, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, deve desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálos como depósitos bancários com origem justificada e adicionálos a base de cálculo tributável no anocalendário questionado. Já a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, respeitando assim o princípio da legalidade e a vontade do legislador. Uma vez que a literalidade do dispositivo legal ressaltou expressamente que para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas evidentes do intuito de fraude. Fl. 345DF CARF MF 6 Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Pensar diferente levaria a ideia de que toda omissão de rendimentos, ou que a simples reiteração em anos subsequentes seriam caso de aplicação de multa qualificada, e se assim fosse, o próprio dispositivo legal deveria trazer essa previsão, contudo não o fez, justamente por que a simples realização da conduta “omissão de rendimentos” não caracteriza o intuito de fraudar. E ainda, como bem salientou o acórdão recorrido, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de omissão de rendimentos, detectável pela fiscalização através da confrontação e analise das Declarações de Ajuste Anual, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. E aqui peço vênia para me utilizar dos exemplos utilizados pelo relator do Acórdão 210201.296, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o qual exemplifica que "não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada, tratarse de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, que justifique a imposição de multa qualificada". Isso ocorre por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, e até mesmo desorganização, etc. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a exemplo da simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; da classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; da falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da simples glosa de despesas por falta de comprovação ou da falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10920.002158/200771 Acórdão n.º 9202007.537 CSRFT2 Fl. 12 7 depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Assim, tomando como base os dispositivos legais atinentes a fraude fiscal, tenho que salientar que foi escorreito o acórdão recorrido ao citar que seu conceito esta delineado na leitura conjunta da Lei 4.502/64 nos arts 71,72 e 73, Lei 9430/96 em seu artigo 44, e Decreto 3000/99, art. 957. Disso se depreende que juridicamente, entendese por máfé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente, pois, quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. Considero que o intuito de fraude aparece de forma clarividente em casos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. E ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” (grifo nosso) Fl. 347DF CARF MF 8 Tomando o art. 112 do CTN como diretriz da aplicação de penalidades tributárias, insta salientar que a aplicação da multa agravada não deve ser tida como regra, mas sim como exceção nos casos de exclusiva comprovação fraude. Portanto, no caso em tela não há nos autos prova de que o contribuinte tenha de fato cometido fraude, o que fica nítido é que omitiu seus rendimentos desrespeitando assim o disposto na Lei que regulamenta o IRPF, e embora tenha ocorrido de forma repetida, considero que a simples reiteração não é suficiente para majoração da multa. Contudo não tendo sido comprovada a fraude, está correto o enquadramento legal aplicado ao caso pelo acórdão recorrido, devendo, portanto, ser mantido o lançamento de ofício realizado pela Receita Federal com exclusão tão somente da aplicação da multa qualificada, devendo ser reduzida a multa de 150% para 75%, nos termos legais. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.726323/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar acolher aos embargos, com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para fazer as correções no Acórdão embargado referentes às obscuridades indicadas no despacho de admissibilidade, bem como o lapso manifesto cometido na omissão do nome do presidente do colegiado na folha de rosto do Acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar acolher aos embargos, com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para fazer as correções no Acórdão embargado referentes às obscuridades indicadas no despacho de admissibilidade, bem como o lapso manifesto cometido na omissão do nome do presidente do colegiado na folha de rosto do Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 63 23 /2 01 1- 83 Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.950 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante da decisão embargada (fls. 2.888/2930): Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1656.4586ª Turma da DRJ/SP1 (fls 2704/2740): 4. O processo em exame versa sobre pedido de ressarcimento de crédito de Cofins pertinente a receitas de exportação, no montante de R$ 20.056.825,60,, o qual teria sido apurado no 2° trimestre de 2008 pelo regime nãocumulativo. 5. Ao referido pedido se acham vinculadas diversas declarações de compensação. 6. Em despacho decisório exarado nas fls. 2.430/2.462, a Equipe especial de Auditoria (EQAUD) da DERAT/SPO deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito de R$ 5.382.744,57, e homologou até esse valor as compensações declaradas. 7. Intimada da decisão por via postal em 03/04/2012 (fl. 2.466), apresentou a contribuinte em 27/04/2012 — tempestivamente portanto — a manifestação de inconformidade anexa às fls. 2.474/2.520, cujo teor resumo a seguir, acompanhada de alguns documentos. Resumo da impugnação I. Dos créditos sobre bens sujeitos à alíquota zero(fls. 3/6 do recurso) a) Alega basicamente que os bens sujeitos à alíquota zero trazem embutidos em seu preço tanto o Pis quanto a Cofins, visto que, incidindo nas etapas anteriores da comercialização, essas contribuições oneram em cascata o custo do produto final, que é adquirido como insumo pela empresa. b) Assim prossegue ainda que tenha adquirido insumos tributados à alíquota zero, é fato incontestável tratarse de operações sujeitas ao pagamento dessas contribuições, de modo que não incide no caso o óbice a que alude o art. 3o, § 2o, da lei n° 10.833/2003. c) Cita em seu favor jurisprudência do STJ e do CARF, afirmando tratarse de posicionamento unânime nos tribunais administrativos e judiciais. d) Argumenta ainda que caso se entenda não lhe assistir direito aos créditos integrais decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero — devese reconhecer nesse caso seu direito ao crédito presumido previsto no art. 8o da lei n° 10.925/2004, calculado sobre o valor dos bens citados no art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003. Fl. 2950DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.951 3 II. Do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais Insumos adquiridos de pessoas físicas (fls. 6/11 do rec.) e) Esclarece inicialmente que, segundo o entendimento da autoridade administrativa, na apuração do crédito presumido relativo às aquisições de pessoas físicas, a recorrente “deveria aplicar a alíquota de 35% previstas (sic) no inciso III do §3° do artigo 8° da Lei n° 10.925/04 de acordo com cada insumo adquirido”. f) Acrescenta que, ainda segundo a referida autoridade, a contribuinte “teria utilizado, equivocadamente, a alíquota de 4,56% sobre as aquisições de alguns insumos”, quando, na verdade, deveria ter aplicado a alíquota de 2,66%. g) Discordando dessa tese, alega em síntese que os percentuais de crédito presumido previstos no art. 8° da lei n° 10.925/2004 devem ser aplicados em função dos produtos elaborados (no caso produtos de origem animal, sobretudo carne de suínos e aves, classificados no capítulo 2 da TIPI) e não como afirma a autoridade administrativa em função dos insumos utilizados (no caso, além de insumos vegetais, animais vivos, classificados no capítulo 1). h) Assim, prossegue, as empresas agroindustriais que fabricam produtos de origem animal, como é o seu caso, têm direito ao crédito presumido calculado à alíquota de 60% (art. 8°, § 3°, I), pouco importando se os insumos adquiridos de pessoa física ou pessoa jurídica são de origem animal ou vegetal, da mesma forma que as fabricantes de bens de origem vegetal, independentemente da natureza dos insumos utilizados, devem creditarse com base na alíquota de 35% (art. 8°, § 3°, III), relativa a produtos vegetais. i) Escudada em tal raciocínio e considerando a alíquota de 7,6% prevista no art. 2o da lei n° 10.833/2003, contesta a glosa dos créditos presumidos por ela apropriados à alíquota de 4,56% (60% X 7,6%), glosados por entender a autoridade fiscal que a alíquota aplicável seria 2,66% (35% X 7,6%). [Vide a esse respeito o item 33 na fl. 13 do despacho decisório] j) Observa que sua interpretação do art. 8o está de acordo com o pronunciamento da Receita Federal no processo de consulta n° 134/09, da 8a Região Fiscal, cuja ementa reproduz nas fls. 9/10 do recurso. j1) Argumenta ainda que a intenção do legislador teria sido conceder aos produtores de bens de origem animal maior percentual de crédito presumido devido ao fato de sua cadeia de custos ser mais onerada pelo Pis e pela Cofins do que a cadeia de custos relativa à produção de bens de origem vegetal. j2) Pondera também que, se a intenção do legislador fosse realmente conceder o direito ao crédito presumido com base nas entradas, teria incluído no inciso I do § 3° do art. 8° os animais Fl. 2951DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.952 4 vivos, visto tratarse do “principal insumo de parte significativa da agroindústria de alimentos de origem animal”. j3) Concluindo, contesta as glosas realizadas, declarando corretos os procedimentos que adotou para apropriarse do crédito presumido sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas. III. Do conceito de insumo (fls. 11/19 do recurso) K) Em longa dissertação entremeada de citações de doutrina e jurisprudência administrativa, salientando a ausência de positivação do conceito de insumo nas leis que disciplinam o regime nãocumulativo do Pis e da Cofins e invocando os arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda, advoga a tese de que o referido termo deve ser entendido em acepção ampla, abarcando todos os custos de produção e despesas operacionais necessários à atividade geradora de receita da pessoa jurídica, tais como matériasprimas, máquinas, equipamentos, capital, mãodeobra, energia elétrica, marketing, produtos intermediários, arrendamentos, etc. l) Assevera que qualquer outra interpretação que se aplique à nãocumulatividade do Pis e da Cofins implicaria afronta à Constituição Federal, particularmente aos princípios da isonomia tributária, do nãoconfisco e da capacidade contributiva. m) Nesse sentido, salientando a impossibilidade de restringir o conceito de insumo a determinadas operações, para fins de tomada de créditos, visto estar ligado aos custos e despesas inerentes à atividade ensejadora de receita tributável, alega que as instruções normativas n° 247/2002 (art.66) e n° 404/2004 (art.8°) — em que, abusivamente, se fundam diversas respostas a consulta — extrapolam a competência regulamentar do Poder Executivo, “aplicando restrições que não encontram respaldo no sistema de nãocumulatividade criado para o PIS/COFINS”. IV. Das glosas resultantes do conceito de insumo adotado pela autoridade fiscal (fls. 19/46 do recurso) n) Esclarece de início que a autoridade administrativa glosou créditos oriundos da aquisição dos bens indicados na linha 2 do DACON por entender que não se enquadram no conceito de insumo delimitado no artigo 8° , § 4°, inciso I, alíneas " a " e " b", da IN SRF n° 404/2004. o) Discordando da glosa, sob a alegação de que tais bens teriam sido consumidos no processo produtivo, protesta pela posterior juntada de laudos técnicos que demonstrarão de forma detalhada sua utilização no referido processo, mencionando especialmente os seguintes insumos: a) Combustíveis e lubrificantes; b) Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas; c) Produtos utilizados no sistema de Verdadrefrigeração/aquecimento; d) Serviços prestados; e) Fl. 2952DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.953 5 Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. IV. 1 Da utilização da graxa no processo produtivo (fls. 20/22) p) Afirma que a “graxa”, assim como o “óleo lubrificante”, é uma espécie do gênero “lubrificante”, tendo portanto previsão legal o direito ao crédito sobre sua aquisição, visto que o art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003 menciona expressamente os “combustíveis e lubrificantes”. q) Com base em excerto transcrito do despacho decisório, assevera que o próprio auditor fiscal admite que a “graxa” é um “lubrificante”, acrescentando que em momento algum a referida lei limitou o direito ao crédito apenas aos “óleos lubrificantes”, como afirma a dita autoridade. r) Ressalta ainda ser a “graxa” essencial a seu processo produtivo, tendo fundamental importância para manter em pleno funcionamento as máquinas e equipamentos nele utilizados. IV. 2 Das despesas de comissões sobre vendas (fls. 27/29) s) Reconhece que, embora as despesas de comissões sobre vendas devessem constar da linha 03 das fichas 06A e 16A do DACON, as registrou indevidamente na linha 07 como despesas com armazenagem. t) Entretanto, prossegue, como tais despesas também são insumos, devem ser reclassificadas na referida linha 03, devendose reconhecer os créditos delas decorrentes. u) Retomando alguns dos argumentos expendidos ao discutir o conceito de insumo, observa que as despesas com comissão de vendas, ou seja, as comissões pagas a representantes comerciais autônomos de acordo com os pedidos de compra que obtenham, constituem insumos porque são essenciais à atividade da empresa, viabilizandolhe a comercialização das mercadorias produzidas. IV. 3 Das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda (fls. 22/27 e 29/46) v) Inicialmente relata, de forma bastante pormenorizada, as várias fases da auditoria realizada pela autoridade fiscal no tocante a este tópico, bem como as conclusões a que ela chegou (fls. 22/27). x) Passa em seguida a examinar individualmente cada uma das rubricas glosadas, aduzindo diversos argumentos: 1a Rubrica: Créditos relativos a armazenagem (fl. 27) y) Reconhece que, de fato, parte do montante registrado como despesa com armazenagem se refere a aluguéis pagos a pessoas jurídicas que foram indevidamente classificados na linha 07. Fl. 2953DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.954 6 z) A seu ver, tais parcelas devem ser consideradas como créditos nas linhas 05 e 06 das fichas 06A e 16A dos DACON do período fiscalizado, tratandose portanto de “mera reclassificação na declaração e não de glosa a afetar o valor do pedido de ressarcimento analisado”. 2a Rubrica: Créditos relativos a frete sobre transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa (fls. 29/35) aa) Retomando argumentos já expendidos ao tratar do conceito legal de insumo, refuta novamente a legitimidade da IN SRF n° 404/2004, sob a alegação de que as leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 jamais o definiram nem tampouco “previram a aplicação subsidiária de uma outra norma”. bb) Afirma, em síntese, que as transferências de mercadorias entre centros de distribuição (CD) ou entre estes e lojas varejistas não têm outro propósito senão a operação de venda, constituindo etapa essencial à atividade econômica da pessoa jurídica, de modo que todas essas operações geram direito ao creditamento do frete e não apenas o “deslocamento da mercadoria da loja varejista para o consumidor final, como querem fazer crer as autoridades fiscais”. cc) Acrescenta que “o «frete transferência» compõe o custo de produção ou comercialização de uma mercadoria, dentro da acepção de insumo já plenamente defendida nesta manifestação de inconformidade” e que o legislador, ao valerse da expressão “operação de venda” em vez de referirse à “venda” propriamente dita, não teve outro intuito senão o de “conferir crédito de PIS e COFINS sobre o frete para transporte de mercadorias, sempre que este transporte estiver relacionado à atividade de venda”. dd) Cita em seu favor um excerto de doutrina, uma sentença judicial e um acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). ee) Assinala que as Soluções de divergência mencionadas no despacho decisório se originam não apenas de decisões desfavoráveis, senão também de decisões favoráveis aos contribuintes, como o demonstra a Solução de Consulta n° 71/2005, da 9ª Região Fiscal, cuja ementa reproduz na fl. 32 da manifestação de inconformidade. ff) Alega ainda que “as manifestações da RFB em respostas a consulta sobre IMPOSSIBILIDADE de creditamento sobre o valor incorrido a título de fretes entre estabelecimentos de uma mesma empresa não encontra[m] supedâneo legal e transgride[m] elementos nevrálgicos ínsitos a não cumulatividade do PIS/COFINS, razão pela qual a glosa procedida deve ser revertida”. gg) Concluindo as considerações a respeito deste tópico, observa haver juntado à manifestação de inconformidade, como forma de provar o alegado, “cópia de demonstrativo contendo Fl. 2954DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.955 7 resumo das entradas e saídas por CFOP envolvendo os CDs da fiscalizada nas filiais abaixo citadas nos períodos de 10 a 12/2007, 10 a 12/2008, 10 a 12/2009 (docs): SP CD JANDIRA FILIAL 147; DF CD BRASILIALFILIAL 163; BA CD SIMOES FILHO FILIAL 345”. 3a Rubrica: Créditos relativos a frete pago na subcontratação de transporte de carga (fls. 35/39) — Tese 1 hh) Afirma constar de seu objeto social a atividade de “transporte rodoviário de mercadorias próprias e de terceiros” (fl. 2.525) e que possui filiais em diversos estados habilitadas perante a ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) para o exercício dessa função (fls. 2.553/2.558). ii) Como não dispõe de frota própria — prossegue —, subcontrata transportadores autônomos (pessoas físicas) e transportadoras (pessoas jurídicas), utilizandoos não apenas para atividade de transporte interno, mas também para transportar mercadorias de terceiros, conforme documentos anexos às fls. 2.551/2.552, o que corrobora “a efetividade de seu objeto social quanto a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga”. jj) Conclui daí, em vista de “sua legítima atividade de transporte”, assistirlhe direito ao creditamento dos custos com a contratação de transportadores, seja por meio de crédito ordinário, consoante o art. 3o, II, das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 (subcontratação de pessoa jurídica), seja por meio de crédito presumido, na forma do art. 3o, § 19, II, e § 20, da lei n° 10.833/2003 (subcontratação de pessoa física). Reproduz em parte o referido art. 3o na fl. 36 da manifestação de inconformidade. kk) Alega que o fato de haver enquadrado, por equívoco, o custo em causa na linha 07 dos DACON entregues (“frete na operação de venda”) não significa a inexistência de direito a crédito, cabendo à autoridade fiscal alocar e considerar o dito custo nas linhas 03 (“insumo – contratação de transportador PJ”) e 18 (“crédito presumido – contratação de transportador PF”) das fichas 06A e 16A, “conforme amplamente demonstrado durante a auditoria fiscal e também nesta manifestação”. ll) Quanto à afirmação de que a atividade de transporte por ela exercida não gera receita, contida na fl. 31, item 103, do despacho decisório, afirma não haver nenhuma exigência legal que condicione à geração de receita o direito ao crédito, sujeito apenas às condições previstas no art. 3o, §§ 2o e 3o, das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, as quais enumera na fl. 38 da manifestação de inconformidade. mm) Em remate, argumenta que na hipótese de os custos com subcontratação de transportadoras não serem aceitos como insumos da atividade de serviços de transporte é manifesta a Fl. 2955DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.956 8 possibilidade de enquadrálos, alternativamente, como insumos da atividade agroindustrial, no que toca às “aquisições de serviços de transporte junto a pessoas jurídicas”, como mostrará a seguir. 3a Rubrica: Créditos relativos a frete pago no transporte de insumos e matériaprima no sistema de parceria (fls. 39/46) Tese 2 nn) Discorrendo sobre o conceito de integração vertical ou verticalizada (agrupamento de diversas fases da cadeia produtiva dentro de uma mesma empresa), observa adotar, em suas atividades agroindustriais, a chamada “integração para trás”, controlando a produção de seus “inputs” (insumos), bem como seus canais de distribuição. oo) Descreve de maneira pormenorizada as diversas fases do processo produtivo, assim como o sistema de parceria que lhe é inerente, procurando demonstrar a existência de “uma série de movimentos logísticos de insumos e matériasprima” necessários ao ciclo de produção. pp) Afirma não se resumir sua atividade ao abate e processamento de carne, visto que seu processo produtivo abarca, “além da planta industrial de abate, as fabricas de rações, os domicílios rurais dos parceiros agrícolas, os custos com medicação, vacinas, veterinário, assistência técnica aos produtos parceiros”, etc. qq) Assim, no seu entender, “os fretes incorridos nos deslocamentos de insumos e matériasprimas da Seara para o produtor parceiro e viceversa fazem parte do seu custo de aquisição de mercadorias para fabricação de produtos destinados a venda”. rr) Informa terem sido objeto de glosa os CFOP de saída, acrescentando que, embora não tenham a denominação de venda, estão diretamente vinculados à venda ou ao processo produtivo, sendo incontestável que geram crédito de Pis e Cofins. ss) Relaciona a seguir alguns CFOP que deram origem a fretes cujo crédito foi glosado, explicando por que, a seu ver, lhe dariam direito a crédito: 5151 Transferência de Produção do Estabelecimento (Vide fl. 43). 5451 Remessa de Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento Produtor (Vide fl. 43). 5501 Remessa de produção do estabelecimento, com fim específico de exportação (Vide fls. 43/44). 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (Vide fl. 44). Fl. 2956DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.957 9 5503 Devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação (Vide fl. 44). 5905/6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral (Vide fl. 44). 5923 Remessa de mercadoria por conta e ordem de terceiros, em venda à ordem ou em operações com armazém geral ou depósito fechado (Vide fls. 44/45). 6151 Transferência de produção do estabelecimento (Vide fl. 45). 7949 Outra Saída de Mercadoria ou Prestação de Serviço Não Especificada (Vide fl. 45). tt) Assevera ser “notório que todas as atividades acima discriminadas estão vinculadas ao processo produtivo, não havendo justificativa plausível para a glosa realizada pela fiscalização”. uu) Em remate, afirma que os citados fretes constituem insumos de sua atividade produtiva, nos termos do art. 3o, II, das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 tomado o termo insumo na acepção já exposta e portanto geram direito a crédito do Pis e da Cofins, conforme o demonstra o acórdão do CARF cuja ementa reproduz na fl. 46. V. Do Pedido (fls. 46/47 do recurso) vv) Por fim, dando por encerrada a exposição de suas razões de defesa, requer: 1. a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; 2. o reconhecimento integral do crédito pleiteado, bem como a homologação total das compensações que realizou; e, 3. na hipótese de este órgão julgador não se convencer de seus argumentos, a conversão do julgamento em diligência. ddd) No mais, “protesta pela juntada de novos documentos a fim de corroborar todas as argumentações acima expostas”. 8. Posteriormente, em 29/06/2012, apresentou a recorrente um aditamento à manifestação de inconformidade (fls. 2.569/2.596), cujo teor resumo abaixo, acompanhado de alguns documentos. Resumo do aditamento à manifestação de inconformidade I. Do conceito de insumo e glosas a ele vinculadas (fls. 2/17 do rec.) a) Informa que como já observou na manifestação de inconformidade a autoridade administrativa glosou créditos oriundos da aquisição dos bens indicados na artigo 8°, § 4°, inciso I, alíneas " a " e " b ", da IN SRF n° 404/2004. Fl. 2957DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.958 10 b) Tais bens, acrescenta, relacionados nas fls. 17/21 do despacho decisório, foram agrupados pela referida autoridade nos seguintes itens: a) Combustíveis e lubrificantes; b) Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas; c) Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento; d) Serviços prestados; e) Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho. c) Contestando as glosas em apreço, afirma que os produtos citados devem ser considerados como insumos utilizados no processo produtivo, porquanto “foram integralmente consumidos durante o processo de produção das mercadorias comercializadas”. d) Argumenta que, ao contrário do que afirma a fiscalização, “o conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS e da COFINS deve ser entendido como qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é diversa da materialidade do PIS e da COFINS”. e) “Desse modo, prossegue, a legislação atinente à não cumulatitividade da apuração do PIS e da COFINS permite o creditamento em relação à aquisição de todo e qualquer insumo, sem limitações, sendo inaplicável ao presente caso, portanto, o conceito de insumo atinente à apuração e recolhimento do IPI.” f) Observando que a autoridade tributária glosou os créditos relativos a uma extensa gama de produtos, listados nas fls. 3/4 do recurso em exame, considera improcedente essa glosa, por tratarse de “combustíveis aplicados em seu processo produtivo, no qual sofrem desgaste físico que legitima, inquestionavelmente, o creditamento efetuado”. g) Ressalta que tanto o art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003 quanto o art. 8°, I, “b”, da IN SRF n° 404/2004 admitem “o creditamento de combustíveis utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou prestação de serviços”, donde conclui ser “de todo arbitrária, ilegal e inadmissível” a glosa realizada. h) Em seguida, nas fls. 5/6 do recurso, apresenta sucinta descrição dosprodutos citados nas fls. 3/4 (exceto a soda cáustica), indicando seu emprego no processo produtivo. i) Observa, além disso, ter juntado “aos autos laudo técnico que discrimina a destinação dos produtos adquiridos e a sua utilização como insumo no processo produtivo”. j) Cita ainda em seu favor uma Solução de Consulta da 9ª Região Fiscal, uma Solução de Divergência da Cosit e um acórdão relativo à própria Seara Alimentos S/A, proferido pela DRJ 2 do Rio de Janeiro, o qual, segundo se depreende do Fl. 2958DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.959 11 trecho transcrito, versa sobre “óleo diesel para geradores de combustível utilizado no processo produtivo da empresa” (fls. 7/8 do recurso). k) Apoiada sobretudo nesse acórdão, assinala que “a própria Secretaria da Receita Federal admite o crédito de COFINS sobre a aquisição de combustíveis em processo produtivo ou prestação de serviços”. l) Nas fls. 9/15 do recurso em exame, apresenta nova listagem de produtos, com a descrição de suas características e utilização, alegando tratarse de insumos empregados em seu processo produtivo que também teriam sido objeto de glosa por parte da fiscalização. m) Tais produtos podem ser divididos em 5 categorias: 1ª. Produtos incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.b do despacho decisório (Produtos Utilizados na Movimentação e Armazenagem de Cargas); 2ª. Produtos incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.c do despacho decisório (Produtos Utilizados no Sistema de Refrigeração / Aquecimento de caldeiras e fornos industriais); 3ª. Serviços incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.d do despacho decisório (Serviços Prestados — Serviços não considerados como insumos); 4ª. Produtos incluídos pela autoridade fiscal na tabela do item 49.e do despacho decisório (Produtos Químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho); 5ª. Produtos não mencionados pela autoridade fiscal. n) Retomando argumentos já expostos na manifestação de inconformidade a respeito da acepção “ampla” que entende se deva atribuir ao termo “insumo”, afirma que o “conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS não cumulativo deve abranger todo e qualquer custo e despesa necessária à atividade da empresa, conforme é previsto na legislação do IRPJ, devendo ser afastada, portanto, o conceito trazido pela legislação do IPI”. o) Cita em seu favor alguns acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), acrescentando tratarse de tese já abraçada pelo próprio STJ. p) Concluindo este tópico, reitera acharse anexado “ao presente aditamento laudo técnico que comprova a destinação dos insumos adquiridos no 2° trimestre de 2008, os quais deram origem aos créditos glosados, corroborando os argumentos apresentados pela Manifestante”. Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.960 12 II. Do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais Insumos adquiridos de pessoas jurídicas (fls. 17/23 do rec.) q) No tocante aos insumos adquiridos de pessoas físicas, reitera os argumentos já expendidos na manifestação de inconformidade, alegando em síntese que, “se uma empresa agroindustrial comercializa produtos de origem animal, suas aquisições de insumos de pessoa física devem gerar crédito presumido à alíquota de 60%, pouco importando se o insumo adquirido para o processo produtivo é animal ou vegetal”. r) Passando a discorrer sobre o crédito presumido decorrente de insumos adquiridos de pessoas jurídicas, previsto no art. 8o, III, da lei n° 10.925/2004, alega que, segundo afirma a própria autoridade fiscal, só geram direito a essa modalidade de crédito os insumos adquiridos em venda realizada com suspensão da exigibilidade da Cofins, nos termos do art. 9° desse diploma legal. s) Observa que o aproveitamento da referida suspensão está condicionado ao cumprimento da formalidade prevista no § 2° do art. 2° da IN SRF n° 660/2006, assim redigido: “§ 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS», com especificação do dispositivo legal correspondente”. t) Assim, fiandose no pressuposto de ser “requisito obrigatório para a suspensão da exigibilidade do PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as vendas dos produtos agropecuários” a inclusão da expressão citada na nota fiscal de venda, conclui que “o não atendimento desse requisito implica na renúncia do aproveitamento dessa suspensão da exigibilidade pelo vendedor dos produtos agropecuários, culminando, ainda, na obrigatoriedade do recolhimento das aludidas contribuições”. u) Em outras palavras, continua, a pessoa jurídica que tenha vendido produtos agropecuários sem informar nas notas fiscais que a venda foi efetuada com suspensão da exigibilidade do Pis e da Cofins “renunciou ao aproveitamento desse benefício, sujeitandose assim ao pagamento das contribuições sobre essas vendas em sua integralidade”. v) Voltando à afirmação de que só há direito ao crédito presumido a que alude, em seu inciso III, o art. 8° da lei n° 10.925/2004 se a venda se der com a suspensão da exigibilidade das contribuições em apreço, declara ser “inquestionável que as vendas não amparadas pela aludida suspensão dão direito ao creditamento integral das aludidas contribuições”. Isso porque nesse caso os fornecedores estão sujeitos ao pagamento integral do Pis e da Cofins. x) Feitas essas considerações, informa que, no caso em estudo, ao examinar as notas fiscais de venda de insumos agropecuários adquiridos de pessoas jurídicas, verificou a ausência da Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.961 13 expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS». y) Observa que, diante desse fato, “apurou créditos de PIS/COFINS sobre as aquisições de insumos realizadas no período de apuração em destaque, mediante a aplicação da alíquota integral de 1,65% (PIS/PASEP) e 7,6% (COFINS), os quais são pleiteados no presente pedido de ressarcimento”. z) Afirma que, ao assim proceder, “agiu com total boafé e dentro do que determina a legislação”, visto que, dada a ausência da informação em apreço nas notas fiscais de vendas, não tinha como pressupor que os insumos adquiridos estavam acobertados pelo benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições. aa) Reitera que realizou o creditamento do Pis e da Cofins pela alíquota integral em evidente boafé, “não podendo ser penalizada com as glosas em questão por suposto creditamento indevido, como no presente caso”. bb) Desviandose do assunto em causa, declara eivado de “nulidade absoluta” o “lançamento do crédito tributário” praticado pelo Fisco, por “imputar responsabilidade a terceiro que age em estrita boafé”. cc) Afirma ser possível inferir “por conclusão lógica que as aquisições de insumos agropecuários de pessoa jurídica vinculadas ao caso em tela sofreram a tributação pela COFINS, o que pela sistemática da nãocumulatividade” lhe confere plenos direitos de apropriarse integralmente de créditos dessa contribuição sobre as referidas aquisições. Cita em seu favor uma Solução de Consulta na fl. 22 do recurso. dd) Por essa razão, ausente a suspensão da exigibilidade, entende que “as aquisições dos insumos agropecuários glosadas deveriam ter sido incluídas pela fiscalização na rubrica correspondente aos bens utilizados como insumos adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, as quais estariam sujeitas à incidência dessas contribuições, gerando crédito normal calculado à alíquota de 1,65% PIS/PASEP e 7,6% COFINS”. ee) Reiterando seu direito ao crédito da Cofins mediante aplicação da alíquota integral, “sob pena de ofensa ao princípio da nãocumulatividade, uma vez que tais insumos foram devidamente tributados na etapa anterior”, “protesta pela posterior juntada das notas fiscais relativas às vendas dos insumos comercializados por pessoa jurídica domiciliada no País, das quais deixou de constar a expressão «Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS», razão pela qual houve apropriação dos créditos em seu valor integral”. III. Do ressarcimento do crédito presumido Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.962 14 (fls. 23/28 do recurso) ff) Afirma que o art. 16 da lei n° 11.116/2005 instituiu a possibilidade legal de ressarcimento ou compensação do crédito presumido apurado nos termos dos arts. 8° e 15 da lei n° 10.925/2004, quando não tenha sido utilizado em sua totalidade, pela pessoa jurídica adquirente, na dedução do Pis e da Cofins por ela devidos a cada mês. gg) Alega que o ADI n° 15/2005 e a IN SRF n° 660/2006, ao vedarem o ressarcimento e a compensação do saldo credor do referido crédito, feriram os princípios da legalidade e da hierarquia das leis, visto que, além de contrariarem o disposto no art. 16 da lei n° 11.116/2005, citado acima, impuseram restrições não previstas na mencionada lei n° 10.925/2004. hh) Conclui que, por essas razões, “deve ser reconhecido o direito ao ressarcimento e compensação do saldo de créditos presumidos apurados na forma do art. 8°, da Lei n° 10.925/2004, para os períodos em discussão”. ii) Ad argumentandum, caso não sejam acolhidas as alegações respeitantes à ilegalidade dos atos normativos citados, recorre a novo argumento, discorrendo sobre a possibilidade de ressarcir ou compensar o crédito presumido em causa com base na lei n° 12.350/2010, “cujos artigos 55, e § 7° e 56A introduziram no ordenamento jurídico a permissão legal para o ressarcimento e compensação dos saldos de créditos presumidos apurados nos termos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004”. jj) Pondera que, muito embora tenha a referida lei entrado em vigor apenas em 20/12/2010 e estabeleça que somente a partir de 01/01/2011 se poderá formalizar os pedidos de ressarcimento de créditos apurados no anocalendário de 2008, tratase de “mera questão temporal”, não podendo impedir a recorrente de reaver os créditos a que faz jus. Isso porque essa lei teria convalidado o procedimento adotado pela empresa. kk) É que, no seu entender, conquanto tenha formalizado o pedido de ressarcimento de saldo de crédito presumido relativo ao 2° trimestre de 2008 quando ainda não havia previsão legal para tanto, a posterior edição da lei n° 12.350/2010, que introduziu a possibilidade do ressarcimento, lhe convalidou o ato praticado. ll) Assim, assevera que, não havendo embasamento para a glosa do crédito em questão, deve, quanto a ele, ser integralmente reconhecido o pedido de ressarcimento formulado pela empresa. mm) Em arremate a suas razões de defesa, reitera os termos da manifestação de inconformidade já apresentada, requerendo seja julgada procedente e integralmente reconhecidos os créditos de Cofins vinculados a operações de exportação apurados no 2° trimestre de 2008. Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.963 15 Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negoulhe provimento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. É legítima a glosa do crédito pleiteado sempre que a requerente deixar de observar as normas que disciplinam a matéria. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma tributária regularmente editada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 2744/2870), no qual foram apresentados pela Recorrente seus argumentos, que serão analisados mais adiante neste Voto, divididos nos seguintes tópicos: II.2. AQUISIÇÕES DE BENS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO II.3. CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS AQUISIÇÕES DE BENS DE PESSOA FÍSICA PARA PRODUÇÃO DE CARNE E SEUS DERIVADOS II.4 DO CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO II.5 CRÉDITO PRESUMIDO DE AGROINDÚSTRIA AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS JURÍDICAS II.6DO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS NOS TERMOS DA LEI N° 12.350/2010 II.7 GLOSAS REFERENTES AOS DEMAIS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS II.7.1. UTILIZAÇÃO DA GRAXA NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.964 16 II.7.2. DEMAIS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DA RECORRENTE 1 Combustíveis e lubrificantes 2 Produtos utilizados na movimentação e armazenagem de cargas 3 Produtos utilizados no sistema de refrigeração ou aquecimento de caldeiras e fornos industriais 4) Produtos químicos (Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho) 5) Serviços prestados II.8. DOS CRÉDITOS SOBRE COMISSÕES DE VENDAS II.9. DOS CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS 1. Dos Créditos sobre Despesas de Armazenagem 2. Dos Créditos Relativos a Frete de Transferência de Mercadorias entre Estabelecimentos 3. Fretes Utilizados como Insumo nos Serviços de Transporte 3.1. Da Atividade de Prestação de Serviço de Transportes Realizada pela Recorrente e do Direito a Crédito nas Subcontratações 3.2. Frete para Transporte De Insumos e Matéria Prima no Sistema de Parceria (Integração) Analisado o Recurvo Voluntário, esta Turma do CARF decidiu mediante o Acórdão no. 3301004.277– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.965 17 TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA E O UTILIZADO NO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). O frete contratado e suportado pela Recorrente para o transporte de matéria prima e o utilizado no sistema de parceria (integração) não é passível de crédito do PIS/COFINS não cumulativo. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, da alíquota de 60% ou a 35%, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. Recurso Voluntário Provido em Parte A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração alegando os seguintes vícios (fl. 2.932/2943): a) No voto, a relatora negou provimento quanto ao direito a créditos sobre fretes incorridos no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos e fretes no transporte de insumos no regime de parceria rural, mas na folha de rosto do Acórdão, na parte dispositiva, constou que foi dado provimento nesta parte; b) A relatora manteve no seu voto a glosa relativa ao crédito sobre às aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, mas na parte dispositiva do Acórdão foi consignado provimento por unanimidade em relação a bens sujeitos à alíquota zero, mas que faziam jus ao crédito presumido; c) O dispositivo consignado na folha de rosto do Acórdão foi genérico na parte em que reconheceu o crédito sobre combustíveis e lubrificantes usados no processo produtivo, enquanto que a relatora foi mais precisa quanto ao crédito que efetivamente estava sendo reconhecido: graxa e óleo diesel; d) O dispositivo contém itens não mencionados pela relatora. No voto a relatora mencionou que dava provimento apenas em relação aos seguintes itens: Balde PP para banha; bandeja branca B3/M4 funda; bigbags, capa pallet PE 117x98x150 e corda trançada de polipropileno. Já no dispositivo, além de todos esses itens, constou também o item "sacos e plástico utilizado na proteção da matériaprima" Os embargos foram admitidos em relação aos itens "a", "c" e "d", bem como formalização em desconformidade com o Regimento Interno do CARF porque faltou o nome do presidente do colegiado na folha de rosto (conforme Despacho de Admissibilidade às fls. 2946/2948) Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.966 18 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fl. 2.932/2943), os quais foram admitidos (fls. 2946/2948) em relação aos seguintes pontos: a) No voto a relatora negou provimento quanto ao direito a créditos sobre fretes incorridos no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos e fretes no transporte de insumos no regime de parceria rural, mas na folha de rosto do Acórdão, na parte dispositiva, constou que foi dado provimento nesta parte; c) O dispositivo consignado na folha de rosto do Acórdão foi genérico na parte em que reconheceu o crédito sobre combustíveis e lubrificantes usados no processo produtivo, enquanto que a relatora foi mais precisa quanto ao crédito que efetivamente estava sendo reconhecido: graxa e óleo diesel; d) O dispositivo contém itens não mencionados pela relatora. No voto a relatora mencionou que dava provimento apenas em relação aos seguintes itens: Balde PP para banha; bandeja branca B3/M4 funda; bigbags, capa pallet PE 117x98x150 e corda trançada de polipropileno. Já no dispositivo, além de todos esses itens, constou também o item "sacos e plástico utilizado na proteção da matériaprima" Além disso, verificouse desatendimento ao Regimento Interno do CARF porque faltou o nome do presidente do colegiado na folha de rosto. Passo a discorrer sobre cada uma das questões embargadas e admitidas, em quatro partes e conclusão. Parte I a) No voto a relatora negou provimento quanto ao direito a créditos sobre fretes incorridos no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos e fretes no transporte de insumos no regime de parceria rural, mas na folha de rosto do Acórdão, na parte dispositiva, constou que foi dado provimento nesta parte; Transcrevemos parte do embargo, com trechos do voto destacados (fls. 2937/2939): A respeito dos créditos relativos a frete de transferência de mercadorias entre estabelecimentos, bem como dos fretes utilizados como insumo nos serviços de transporte,por exemplo, a Conselheira Relatora, negou total provimento ao recurso Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.967 19 voluntário, mantendo integralmente as glosas realizadas pela fiscalização. Vejase alguns trechos do voto: “2. DOS CRÉDITOS RELATIVOS A FRETE DE TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS (...) A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No entanto, o transporte de produto acabado, tais como os fretes indicados pela recorrente neste tópico, entre centros de distribuição ou entre esses e as lojas varejistas, depois de concluído o processo produtivo, não se enquadra em quaisquer das outras hipóteses permissivas de creditamento acima mencionadas, vez que não se refere ao transporte do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente e nem de produto inacabado. (...) De forma que, não obstante os argumentos da recorrente, conforme acima exposto, o frete de produtos acabados entre os seus estabelecimentos não encontra amparo na legislação pertinente para o creditamento como insumo, razão pela qual foi correto o entendimento da fiscalização do julgador da DRJ que não reconheceu o crédito da Cofins correspondente. 3. FRETES UTILIZADOS COMO INSUMO NOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE 3.1. Da Atividade de Prestação de Serviço de Transportes Realizada pela Recorrente e do Direito a Crédito nas Subcontratações (...) No entanto, o permissivo legal está expressamente direcionado para a "empresa de serviço de transporte rodoviário de carga", qual seja, aquela que preste serviço desta natureza como atividadefim a outras empresas ou pessoas físicas. Embora a recorrente tenha essa atividade incluída em seu objeto social e possa eventualmente prestar esses serviços, essa não é sua atividadefim, como já esclareceu a decisão recorrida. Caso o legislador ordinário quisesse incluir os serviços de transporte prestados por qualquer empresa, não teria feito a ressalva sobre o tipo de empresa faz jus ao benefício. Além disso, para que houvesse a subcontratação para fruição do benefício, farseia necessária uma primeira contratação para a prestação do serviço de transporte entre a recorrente e a outra pessoa jurídica, o que não ocorreu, vez que sua filial não é considerada uma outra pessoa jurídica. Desta forma não merece qualquer reparo a decisão recorrida no que concerne à exclusão dos créditos relativos à subcontratação de transporte. Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.968 20 3.2. Frete para Transporte De Insumos e MatériaPrima no Sistema de Parceria (Integração) (...) Além do frete na operação de venda (arts. 3o , IX e 15, II da Lei n°10.833/03), existem outras três possibilidades de creditamento das contribuições não cumulativas do frete pago a outra pessoa jurídica: a) frete como insumo na produção (inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); b) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; c) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. (...) A autoridade fiscal glosou as despesas com frete não ligadas a operações de venda, que foram indevidamente incluídas pela contribuinte na linha 07 das fichas 06A e 16A do DACON. (...) Não se vislumbra o creditamento das contribuições relativamente à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa, mas tão somente de produtos inacabados dentro do seu contexto produtivo. Também, não se tratando os CFOP´s acima de deslocamento entre o estabelecimento produtor e o comprador, não se trata de frete na operação de venda. Na hipótese de envio de produtos aos seus parceiros (CFOP 5451 Remessa de Animal ou de Insumo p/ Estabelecimento Produtor), como, por exemplo, ração e matrizes de aves para manejo e a engorda, os fretes relacionados compõem o custo de aquisição dos parceiros, como já esclareceu a fiscalização, não dando direito ao creditamento para a recorrente. Quanto ao CFOP 5152 Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, que se trata de "mercadoria/insumo recebido por uma unidade e transferida à outra para revenda/industrialização", referese ao frete (serviço) relacionado a operação posterior (para revenda) ou anterior (para industrialização) ao processo produtivo, não cabendo o correspondente creditamento. Assim, nada há a reparar da decisão recorrida que manteve as glosas dos créditos relativos aos fretes que não integravam a operação de venda”. Contudo, não foram essas conclusões que constaram no dispositivo do acórdão: “Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: (...) II por maioria de votos, em dar provimento para: a) reverter as glosas de créditos relativos a frete de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho; e b) reverter as glosas de frete para transporte de insumos e matériaprima no sistema de parceria (integração), salvo para o CFOP 5503 (devolução de mercadoria recebida com fim específico de exportação) para o qual mantevese a glosa. Vencidos os Conselheiros Marcelo Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.969 21 Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen e Ari Vendramini que divergem para conceder o crédito também para o CFOP n. 5503;” Neste ponto, a embargante tem razão. A relatora realmente negou provimento aos créditos em pauta. Portanto, neste ponto, proponho que a glosa seja mantida, nos termos do voto original da relatora. e que seja alterada parte dispositiva do voto, para os seguintes termos: II por maioria de votos, em dar provimento para: a) manter as glosas de créditos relativos a frete de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho (...) Parte 2 Vamos agora ao segundo ponto dos embargos admitido: c) O dispositivo consignado na folha de rosto do Acórdão foi genérico na parte em que reconheceu o crédito sobre combustíveis e lubrificantes usados no processo produtivo, enquanto que a relatora foi mais precisa quanto ao crédito que efetivamente estava sendo reconhecido: graxa e óleo diesel; Neste ponto, também assiste razão à embargante. Transcrevese novamente parte dos embargos, com trechos do voto da relatora destacados (fl. 2941): Ainda exemplificativamente, observase que o voto proferido pela Relatora apenas dá provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito relativo às aquisições de graxa e óleo diesel. Nada obstante, o dispositivo do acórdão se dedique a fazer algumas especificações não contidas na conclusão do voto da Relatora, como quando faz alusão à reversão das glosas de Produtos utilizados no sistema de refrigeração/aquecimento e Produtos químicos utilizados no tratamento de efluentes, limpeza e higienização dos ambientes de trabalho, no ponto relativo à matéria ora em destaque o dispositivo é mais genérico: “Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I por unanimidade de votos, em dar provimento para: (...) c) reverter as glosas de graxa, combustíveis e lubrificantes, utilizados no processo produtivo da recorrente;” Essa generalidade, não contida no voto, pode trazer prejuízo à exata compreensão dos limites do provimento do recurso voluntário e, consequentemente, à interposição de recurso e execução do julgado. Portanto, neste ponto, proponho que a glosa seja mantida, nos termos do voto original da relatora e que seja alterada parte dispositiva do voto, nos seguintes termos: Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 10880.726323/201183 Acórdão n.º 3301005.704 S3C3T1 Fl. 2.970 22 I por unanimidade de votos, em dar provimento para: (...) c) reverter as glosas de graxa e óleo diesel utilizados no processo produtivo da recorrente; (...) Parte 3 Passase então ao próximo item. d) O dispositivo contém itens não mencionados pela relatora. No voto a relatora mencionou que dava provimento apenas em relação aos seguintes itens: Balde PP para banha; bandeja branca B3/M4 funda; bigbags, capa pallet PE 117x98x150 e corda trançada de polipropileno. Já no dispositivo, além de todos esses itens, constou também o item "sacos e plástico utilizado na proteção da matériaprima" Nesse ponto realmente parece haver uma contradição entre a autuação e a decisão recorrida. Contudo, tendo em conta a natureza dos "sacos e plástico utilizado na proteção da matériaprima", propõese manter reversão da glosa, nos termos do dispositivo. Devendo ser acrescentado este item no voto da relatora os termos sacos e plástico utilizado na proteção da matériaprima. Parte 4 Por fim, deve ser inserido o nome do presidente, José Henrique Mauri, na folha de rosto do Acórdão no. 3301004.277– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Conclusões Dessarte, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios, com efeitos infringentes, na forma indicada anteriormente no presente voto, para fazer as correções no Acórdão embargado referentes às obscuridades indicadas no despacho de admissibilidade, bem como o lapso manifesto cometido na omissão do nome do presidente do colegiado na folha de rosto do Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 2970DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900257/2013-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.682
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 57 /2 01 3- 77 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900257/201377 Acórdão n.º 3301003.682 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.716, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900257/201377 Acórdão n.º 3301003.682 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900257/201377 Acórdão n.º 3301003.682 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900257/201377 Acórdão n.º 3301003.682 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900257/201377 Acórdão n.º 3301003.682 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900257/201377 Acórdão n.º 3301003.682 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900257/201377 Acórdão n.º 3301003.682 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900257/201377 Acórdão n.º 3301003.682 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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