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Numero do processo: 16349.000355/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 55 /2 00 9- 44 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.122, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 534DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 16349.000355/200944 Acórdão n.º 3401004.902 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003984/2002-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO.
A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.
APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS E OUTRAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. INTIMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO PARCIAL JUSTIFICÁVEL. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
A falta justificável de atendimento a intimação da fiscalização para apresentar extrato bancário e outras informações de interesse do fisco, sobretudo quando esses dados podem ser obtidos em outras fontes e utilizados como presunção ao lançamento, não pode implicar no agravamento da multa de ofício aplicada.
Numero da decisão: 9202-001.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 Ementa: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS E OUTRAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. INTIMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO PARCIAL JUSTIFICÁVEL. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. A falta justificável de atendimento a intimação da fiscalização para apresentar extrato bancário e outras informações de interesse do fisco, sobretudo quando esses dados podem ser obtidos em outras fontes e utilizados como presunção ao lançamento, não pode implicar no agravamento da multa de ofício aplicada.
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CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS E OUTRAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. INTIMAÇÃO. DESCUMPRIMENTO PARCIAL JUSTIFICÁVEL. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. A falta justificável de atendimento a intimação da fiscalização para apresentar extrato bancário e outras informações de interesse do fisco, sobretudo quando esses dados podem ser obtidos em outras fontes e utilizados como presunção ao lançamento, não pode implicar no agravamento da multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator. Fl. 696DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Fl. 697DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.003984/200275 Acórdão n.º 920201.524 CSRFT2 Fl. 693 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade e por divergência (I e II, Art 7°, do RICSRF, Portaria 147/2007), a partir das fls. 0602, interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão que, por maioria de votos, reconheceu ser indevida a cobrança da multa isolada instituída pelo III, do § 1°, do Art. 44, da Lei n° 9.430/96 quando já lançada à multa de ofício pelo não pagamento do tributo e, também, por divergência, quanto ao agravamento da multa de ofício pela falta de atendimento à intimação da fiscalização para apresentar extrato bancário. Seguem ementa e decisão do acórdão recorrido, com destaque para a parte contra a qual o recurso foi interposto: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DEPÓSITO BANCÁRIO PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n° 0104.987 de 15/06/2004). MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Este Colegiado tem reiteradamente decidido que a manifestação do contribuinte em relação à intimação fiscal inviabiliza a aplicação da norma que manda majorar a multa de oficio. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos CANCELAR a multa isolada por aplicação concomitante. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura. Por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação o valor de R$ 26.550,00 e desagravar a multa de oficio aplicada,nos termos do voto do Relator. Quanto à matéria objeto da contrariedade, alegou a recorrente que o acórdão contrariou a legislação (art. 44, § 1°, inc. IV, da Lei 9.430/96, atual art. 44, inciso II, da mesma Lei, e o art. 44, inc. II, atual art. 44, § 1°, do mesmo diploma legal): Fl. 698DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 16. Em suma, as multas de oficio e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem, como entendido pela e. Câmara a quo. ... 22. O fato de estar sendo exigido da Recorrida a multa de oficio decorrente do não pagamento de tributo, não elide a incidência da multa prevista no art. 44, §1°, inc. IV, da Lei 9.430/96, atual art. 44, inciso II, alínea `1V, da mesma Lei, uma vez que a lei não dispensa a cobrança de penalidade nesses casos. Sob essa ótica, vêse que a e. Câmara a quo criou nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, de multa de oficio decorrente do não pagamento do tributo, o que não pode ser admitido. Quanto à matéria objeto da divergência, alegou a recorrente que o acórdão, ao reduzir a multa de oficio, agravada ante a não obediência às intimações do Fisco, está em desacordo com decisão proferida pela 8' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes (Acórdão Paradigma n° 10808356), cuja ementa transcreve: Ementa :PAF NULIDADES — Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal. PAF — ABUSO DE PODER — No procedimento não restou comprovada a prática de qualquer ato processual com excesso, por isto não prospera o alegado "abuso de poder". A ausência reiterada de respostas às intimações do fisco justificou o agravamento do percentual da multa aplicada. IRPJ — LANÇAMENTO COM BASE EM EXTRATO BANCÁRIO — POSSIBILIDADE LEGAL — O entendimento expresso na Súmula 182, do TFR, publicada no DJ de 70/10/1985, baseado em julgados publicados entre 1981 e 1984, e no Decretolei n.° 2.471, de 01/09/88, foi superado após a edição das Leis n° 7.713 de 1988 e 8.021 de 1990. Esta,em seu art. 6°, autorizou a constituição do crédito tributário com base nos extratos bancários, quando o procedimento estivesse revestido de certeza. A Lei n° 9.430/1996 avançou ao admitir, nesses casos, o lançamento com base nas presunções, invertendo o ônus da prova. IRPJ — ARBITRAMENTO DO LUCRO — FORMA DE APURAÇÃO DE RESULTADO — O arbitramento do lucro não é penalidade, sendo apenas mais uma forma de apuração dos resultados. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 44, prevê a incidência do IRPJ sobre três possíveis bases de cálculo: lucro real, lucro arbitrado e lucro presumido. A apuração do lucro real, parte do lucro líquido do exercício, ajustandoo, fornecendo o lucro tributável. Na apuração do lucro presumido e do arbitrado, seu resultado decorre da aplicação de um percentual, previsto em lei, sobre a receita bruta conhecida, cujo resultado já é o lucro tributável. Fl. 699DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.003984/200275 Acórdão n.º 920201.524 CSRFT2 Fl. 694 5 PROVA ILICITA — UTILIZAÇÃO DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO — A própria confissão da Recorrente sobre os atos por ela praticados torna sem efeito qualquer alegação de prova ilícita. MULTA DE OFÍCIO — Nos lançamentos decorrentes de auditoria fiscal cabe a aplicação de multa de oficio. Havendo descumprimento de intimação fiscal, correto o agravamento do coeficiente aplicado, nos termos da letra 'a' do § 2°. do artigo 44 da Lei 9430/1996. LANÇAMENTOS REFLEXOS — decisão sobre o processo m atriz, faz c oisa j ulgada p ara o de corrente. Recurso negado." (Destaque nosso) Em síntese, em seu recurso, a recorrente alega que: 29. Caso a fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por buscálas diretamente com o contribuinte e, para tanto, expede as intimações pertinentes, não pode o contribuinte furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal. ... 31. Neste sentido, não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento de multa, sempre que houver possibilidade de o fisco buscar os esclarecimentos pretendidos de outra forma. 32. Como se observa, a prosperar tal entendimento, isso aniquilaria todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes. 33. Merece reforma, portanto, o acórdão a quo, por ofensa à legislação aplicável à matéria (Art. 44, § 2° da Lei n° 9.430/96), bem como por divergir do entendimento, que entendemos acertado, constante do Acórdão Paradigma n° 10808356. Por fim, em síntese, a recorrente requer o conhecimento e provimento de seu recurso. Em despacho, deuse seguimento ao recurso especial, a partir das fls. 0667. Regularmente notificado do Acórdão, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte apresentou contrarazões, reiterando suas razões recursais e ainda que: 2. ...] ... 2.2. Alega a procuradoria que: o contribuinte não atendeu os pedidos de fornecimento de informações no prazo, ora, ficou Fl. 700DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 bem claro quando não foi permitido ao contribuinte tal dilação de prazos, pois na prática da auditoria da Receita Federal, os métodos eram outros,já os havia conseguido (os extratos de forma totalmente ilegal e desnecessária), pois o contribuinte apenas queria um prazo maior, porque não dependia de sua vontade e sim dos bancos onde tinha conta corrente. 2.3. Não concordamos com o elenco de situações alegadas pela procuradoria no que concerne as Multas concomitantes, sim elas possuem a mesma base e a mesma razão, caracterizando sim bis in idem. Ora seria lamentável se a o entendimento pudesse mudar a cada momento de nossa história jurídica, mesma base, mesmo suposto ilícito, fato é que, não poderia prosperar tal entendimento somente para satisfação do fisco. Não falamos de coisas ou de atos diferentes falamos de uma mesma situação, porque se a ultrajante forma da receita buscar os valores junto as instituições financeiras, foi preferível a forma mais rápida e ilegal, não podemos concordar, que seja o contribuinte penalizado por essa estupidez cometida pela auditoria da Receita Federal, que deveria ter aguardado um pouco mais e ter todos os extratos disponíveis. 2.4.A procuradoria tenta tirar a legitimidade do acórdão, mas o faz de forma equivocada, juntando aos autos julgados que não servem de paradigma, pois em nada contribuem com o julgamento. Os assuntos divergem em muito e em nada dizem respeito, apenas tentam modificar o resultado de tamanha discrepância, que não há como corrigir. 3. Não podemos ficar inerte a observação feita pela procurador, na qual afirma que as intimações poderiam ser consideradas solicitações, de forma alguma o contribuinte deixou de cumprir as mesmas e nem deixará, porém a facilidade de se conseguir as informações, atropelaram o processo e nesse diapasão, não se comprovou nada, nem pela policia Federal e nem pela Justiça Federal, o contribuinte está sendo penalizado apenas e tão somente por atrasar a entrega de informações. 4. PEDIDO Não seja conhecido do Recurso Especial e que não haja a reforma do Acórdão. Por fim, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 701DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.003984/200275 Acórdão n.º 920201.524 CSRFT2 Fl. 695 7 Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA Sendo tempestivo, comprovada a contrariedade, a divergência jurisprudencial e atendidos os demais pressupostos conheço do recurso especial. Recurso Especial por Contrariedade Quanto à alegação da recorrente sobre a contrariedade à Lei, devido a exclusão da multa isolada por impossibilidade da concomitância com a multa de ofício prevista no 44, I e II, da Lei nº 9.430/96, devemos verificar a legislação. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; Em nosso entendimento demonstrase com clareza a existência de duas multas, que dependem para sua definição de aplicação da conduta do sujeito passivo. Nesse sentido, correto o entendimento presente no esclarecedor voto do Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, exposto no acórdão recorrido, que utilizaremos como razões de decidir: “No que tange à exigência concomitante da multa de oficio e da multa isolada, decorrente do mesmo fato — omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas — entendo não ser possível cumularse as referidas penalidades. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração com tributo e sem tributo dispôs: Fl. 702DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 "Art. 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento – ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ... § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II — isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III — isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8' da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste,. Não se quer, nesta esfera administrativa, proclamar a inconstitucionalidade do § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430, de 1996. Tratase, sim, de interpretála de forma sistemática, em harmonia com o ordenamento jurídico onde está inserida, do qual, a toda evidência, faz parte e deve ser incluída até mesmo (e principalmente) a Constituição, bem assim as leis complementares dela decorrentes. Não é o caso, por conseguinte, de se afastar por completo a aplicação da multa isolada. Será ela pertinente quando a autoridade tributária, valendose da prerrogativa de fiscalizar o contribuinte no próprio anocalendário (RIR/99, art. 907, parágrafo único), ou mesmo em momento posterior a este, detectar a falta de recolhimento mensal. Aí a multa terá lugar, mesmo que o autuado não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. Verificado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (CarnêLeão), sobre rendimentos que também foram objeto de lançamento de oficio, ou seja, havendo a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo, a multa isolada não deve prevalecer. A multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão resulta da glosa das deduções do livro caixa (que integra o item 003 do lançamento em exame), conforme esclarece o Termo de Verificação Fiscal às fls. 418 (final) e 419. Nesse sentido é a interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1', do art. 44, da Lei n" 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando Fl. 703DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.003984/200275 Acórdão n.º 920201.524 CSRFT2 Fl. 696 9 incide sobre uma mesma base de cálculo." (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/200219, Acórdão n° 0104.987, julgado em 15/06/2004). Portanto, por entender – como no acórdão recorrido e na decisão da Câmara Superior citada – tratarse de multas diversas e por não ser possível a concomitância da multa sobre a mesma base de cálculo, nego provimento às razões da recorrente, na forma do voto. Recurso Especial de Divergência Quanto ao recurso especial de divergência, a recorrente demonstrou interpretações diversas sobre a mesma legislação constantes no acórdão recorrido e no paradigma anexado. A divergência referese ao agravamento da multa por falta de atendimento da intimação da fiscalização para apresentação de extratos e outras informações bancárias. Decreto 3000/1999: Art. 959. As multas a que se referem os incisos I e II do art. 957 passarão a ser de cento e doze e meio por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 70, I): I prestar esclarecimentos; A fiscalização assim justificou o agravamento da multa: Tendo decorrido o prazo de atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, inclusive as duas prorrogações concedidas, e não havendo resposta por parte da intimada, ensejouse assim ( Art. 2°. da portaria SRF 180/2001) a expedição pelo Delegado da Unidade, de várias RMFs — Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, para solicitação dos documentos às instituições financeiras, conforme anteriormente exposto. Deste modo, não há como não aplicarse o agravamento da multa previsto no inciso I do Art. 959 do RIR/99, elevando a multa de ofício de 75% para 112,5 %. O mesmo entendimento já foi expresso pelo Primeiro Conselho de Contribuinte : AGRAVAMENTO DA MULTA A falta de atendimento à intimação formulada pelo Fisco autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio (Ac. 1° CC 1051.353/85 Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 22/86, pág. 584). Na análise dos autos, primeiramente, cabe esclarecer que não foram todos os documentos solicitados pelo Fisco que não foram entregues, como demonstrado, por exemplo, nas fls. 0275. Fl. 704DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Alguns documentos solicitados pelo Fisco não foram entregues, mas a recorrente sempre, em caso de não entrega, apresentou justificativa (dificuldade em encontrar, em síntese) e solicitou mais prazo para atender ao Fisco. Portanto, ficou claro que o sujeito passivo demonstrou interesse em responder e atender à fiscalização. Em segundo lugar, a fiscalização obteve, por Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF) os dados que solicitou, utilizando a presunção permitida por lei para quantificar a base de cálculo do tributo. Na aplicação do agravamento e da qualificação das multas devemos levar em conta o intuito do sujeito passivo, pois somente em casos comprovados em que o contribuinte busca, por ações ou omissões, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e a respectiva base de cálculo é que a penalização deve ocorrer. Nesse sentido, há a decisão contida no acórdão recorrido: Em relação à multa agravada, pelo não atendimento à intimação para apresentar os extratos bancários, este Colegiado tem reiteradamente decidido que a resposta à intimação fiscal, para pedir prorrogação ou para informar que não tem o documento ou que não vai entregálo, inviabiliza a aplicação da norma que manda majorar a multa de oficio. A intimação foi respondida pelo sujeito passivo, para solicitar prorrogação do prazo, por não ter conseguido juntar toda a documentação solicitada junto às instituições financeiras (fls. 17/18), conforme relata o Termo de Verificação Fiscal à fl. 414 Como também há correta decisão da CSRF, em voto qualificado do nobre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira: Ementa: IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA PREJUÍZO. NÃO APLICABILIDADE. Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada que a ausência de atendimento/resposta às intimações fiscais por parte do contribuinte representou prejuízo à fiscalização e/ou lavratura do Auto de Infração, sobretudo quando o Fisco já detinha todos elementos de prova capazes de lastrear o lançamento promovido com base na presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, onde fora justamente a ausência de prestação de esclarecimentos do contribuinte, no sentido de comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, que caracterizou a omissão de rendimentos objeto da autuação. Recurso Especial Negado. ... Ao analisar a matéria, a Câmara recorrida reduziu a multa ao percentual de 75%, afastando o agravamento procedido pela autoridade lançadora, a pretexto de não ter existido qualquer Fl. 705DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.003984/200275 Acórdão n.º 920201.524 CSRFT2 Fl. 697 11 prejuízo à fiscalização no fato de o contribuinte não responder/atender às intimações fiscais, sobretudo quando àquela já detinha elementos suficientes para promover o lançamento. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com a conclusão levada a efeito pela Câmara recorrida, reduzindo à multa agravada ao percentual mínimo de 75%. Destarte, em nosso sentir, aludida disposição legal tem como finalidade precípua evitar que o contribuinte quedese silente objetivando prejudicar e/ou impedir o procedimento fiscalizatório que poderá ou não culminar com o lançamento. É bem verdade que a legislação de regência, não faz essa explicação/diferenciação, estabelecendo bastar à ausência de prestação de esclarecimentos solicitados pelo fisco para ensejar a aplicação da multa agravada. Entrementes, ao analisar as demandas cabe ao julgador e/ou demais aplicadores da lei, verificar qual a finalidade da norma. In casu, entendemos que não é a mera omissão na prestação das informações requeridas pelo Fisco que faz incidir a possibilidade de aplicação da multa em comento. Ao contrário, como elucidado alhures, defendemos que qualquer uma das hipóteses legais contempladas pelas alíneas “a”, “b” e “c”, do artigo 44, inciso I, § 2o, da Lei n° 9.430/96, procura penalizar o contribuinte que, deixando de prestar esclarecimentos ou apresentar a documentação ali descrita, impediu, retardou e/ou impossibilitou a continuidade da verificação fiscal, culminando ou não com o lançamento. Mas não é o que se vislumbra na hipótese dos autos. Em verdade, o procedimento fiscal seguiu o rito normal para a maioria dos casos dessa natureza, senão vejamos: Intimado e reintimado a apresentar seus extratos bancários o contribuinte não o fez, o que ensejou a expedição de RMF, requerendo a movimentação bancária do autuado. Posteriormente, intimado a justificar a origem dos depósitos bancários o interessado permaneceu silente, fazendo incidir os preceitos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Observese, que a conduta do contribuinte não interferiu em absolutamente nada no andamento da ação fiscal. Aliás, somente agilizou a lavratura do Auto de Infração, uma vez que, deixando de procurar justificar a origem dos depósitos bancários, incorreu precisamente na presunção legal contemplada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Ocorreria prejuízo muito maior ao fisco se o contribuinte prolongasse a ação fiscal, requerendo dilatação de prazo ou procurando justificar sua movimentação bancária com argumentos frágeis, hipótese em que a fiscalização seria mais duradoura. Fl. 706DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Ora, se não conseguiria comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, entendeu por bem permanecer silente. A rigor, as hipóteses de incidência da presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 e do agravamento da multa em epígrafe, neste caso, se confundem. De um lado o artigo 42 daquele Diploma Legal caracteriza omissão de rendimentos quando o contribuinte não comprovar a origem dos depósitos bancários. De outro, o artigo 44, inciso I, parágrafo 2°, alínea “a”, prescreve o agravamento da multa quando não prestadas às informações solicitadas pelo fisco. No entanto foi exatamente em razão de deixar de prestar os esclarecimentos requeridos pela fiscalização, quais sejam, comprovação da origem dos depósitos bancários, que o contribuinte fora autuado com base na presente presunção legal. Mais a mais, inexiste a toda evidência qualquer prejuízo ao Fisco capaz de ensejar a aplicação da multa sob análise, mormente quando a fiscalização já dispunha de todos os elementos de prova suficientes ao lançamento. Prova disso é que, após ter em mãos os extratos bancários, intimou o contribuinte numa única oportunidade para comprovar a origem dos recursos. Assim não o tendo feito, promoveuse o lançamento com base na presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, afastando o agravamento da multa do artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, quando não comprovado o prejuízo da fiscalização em razão da conduta omissiva do contribuinte, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabelece, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, individualizadamente, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza (não tributável, isenta ou já anteriormente tributada) dos valores depositados em sua conta de depósito. MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE INAPLICABILIDADE Incabível a qualificação da multa, quando não restar comprovada nos autos a ações ou omissões do contribuinte com deliberado propósito de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou seu conhecimento pelo fisco, utilizandose de meios que caracterizem evidente intuito de fraude. MULTA AGRAVADA ART. 44, § 2°, LEI N° 9.430/1996 – INOCORRÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Incabível o agravamento da multa, quando o lançamento ocorreu mediante informações bancárias fornecidas pelas instituições financeiras, fundamentado pela Lei Complementar n° 105/2001, sem restar comprovado nos autos nenhum Fl. 707DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10950.003984/200275 Acórdão n.º 920201.524 CSRFT2 Fl. 698 13 prejuízo e, portanto, embaraço ao procedimento de fiscalização. Recurso de ofício parcialmente provido.” (2a Câmara do 1o Conselho – Recurso n° 153.399, Acórdão n° 10248.303 – Sessão de 28/03/2007) (grifamos) “[...] MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO O agravamento da penalidade pelo não atendimento à intimação para apresentação de comprovação da origem dos depósitos é incompatível com o lançamento ancorado na presunção legal do art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, eis que este já veicula conseqüência específica para a hipótese. Preliminar de decadência acolhida. Preliminar de cerceamento do direito de defesa rejeitada. Recurso parcialmente provido.” (4a Câmara do 1o Conselho – Recurso n° 153.736, Acórdão n° 10422.367 – Sessão de 26/04/2007) (grifamos) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 [...] MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO Devese desagravar a multa de ofício, pois a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. Recurso voluntário provido parcialmente.” (6a Câmara do 1o Conselho – Recurso n° 159.003, Acórdão n° 106 17.240 – Sessão de 05/02/2009) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, demonstrandose que a ausência do atendimento/resposta do contribuinte às intimações fiscais não acarretou qualquer prejuízo ao bom andamento da ação fiscal e, conseqüentemente, à lavratura do Auto de Infração, é de se manter a ordem legal no sentido de afastar a multa agravada insculpida no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. (Processo 10540.000250/200690) Por todo o exposto, não podemos concordar com a nobre recorrente. Neste sentido, voto em negar provimento ao recurso, também, no que tange à divergência. Fl. 708DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o Acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima expostas. Marcelo Oliveira Relator Fl. 709DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP12.0918.11068.NKVH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCELO OLIVEIRA em 28/06/2011 15:25:48. Documento autenticado digitalmente por MARCELO OLIVEIRA em 28/06/2011. Documento assinado digitalmente por: HENRIQUE PINHEIRO TORRES em 29/06/2011 e MARCELO OLIVEIRA em 28/06/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 12/09/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP12.0918.11068.NKVH Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: ECF1C12A61F9855ACE66C3BCBE4ED819E6DC358E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10950.003984/2002-75. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10730.003262/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Afirma o Recorrente que ajuizou ação judicial pleiteando sua recuperação judicial. Contudo, ao analisar os documentos dos autos, constata-se cópia de petição inicial sem protocolo e decisão do Juiz se julgando incompetente.
Nesse sentido, o que há é uma expectativa de direito, nos termos da Lei nº 11.101/05, não possuindo interferência nos autos do processo administrativo em análise.
DIFICULDADES FINANCEIRAS PARA RECOLHER OS TRIBUTOS
Confissão do Recorrente utilizando tal argumento como critério para buscar descaracterizar o arbitramento do lucro. Ausência de apresentação de documentos necessários para descaracterizar o valor arbitrado do lucro.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 148 DO CTN
A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro, nos termos do artigo 148 do CTN.
AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS Deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da
escrituração comercial e fiscal é prática que justifica a aplicação do Artigo 530, III do RIR/99.
Recurso não provido.
Numero da decisão: 1201-000.385
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Contudo, ao analisar os documentos dos autos, constata-se cópia de petição inicial sem protocolo e decisão do Juiz se julgando incompetente. Nesse sentido, o que há é uma expectativa de direito, nos termos da Lei n.º 11.101/05, não possuindo interferência nos autos do processo administrativo em análise. DIFICULDADES FINANCEIRAS PARA RECOLHER OS TRIBUTOS Confissão do Recorrente utilizando tal argumento como critério para buscar descaracterizar o arbitramento do lucro. Ausência de apresentação de documentos necessários para descaracterizar o valor arbitrado do lucro. APLICAÇÃO DO ARTIGO 148 DO CTN A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro, nos termos do artigo 148 do CTN. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS Deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal é prática que justifica a aplicação do Artigo 530, III do RIR/99. Recurso não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 661DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz. CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS – Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: (PRESIDENTE), ANTONIO CARLOS GUIDONE FILHO (VICE-PRESIDENTE), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, MARCELO CUBA NETTO E RAFAEL CORREIA FUSO. Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado pela fiscalização em 17/05/2007, que cobra IRPJ e CSLL em razão da prestação de serviços profissionais legalmente regulamentados (não submetidos ao regime do Decreto-Lei n°2.397/87). O enquadramento do Auto de Infração referente ao IRPJ foi nos arts. 529, 530 inc. III e 532 do RIR/99 e multa de ofício de 75%, art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. O enquadramento do AI referente a CSLL foi art.2° e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 19 da Lei n° 9.249/95; art. 20 da Lei n° 9.249/95; art. 29 da Lei n° 9.430/96; art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições e Art. 37 da Lei n° 10.637/02. e Multa de Ofício de 75%. O enquadramento do AI referente a CSLL prestação de serviços profissionais legalmente regulamentados foi art. 22 da Lei n° 10.684/03 e art. 37 da Lei n° 10.637/02. O Auditor instaurou procedimento de fiscalização quando se deparou com a paralisação das atividades da empresa, constatando que os sócios estavam desenvolvendo novas atividades separadamente. Houve arbitramento nos períodos: 03/2002; 06/2002; 09/2002; 12/2002; 03/2003; 06/2003; 09/2003; 12/2003; 12/2004; 03/2005; 06/2005; 09/2005 e 12/2005, em razão do contribuinte não ter apresentada os livros e documentos da sua escrituração, nem a intimação nem nas reintimações feitas à empresa. Juntou-se nos autos as DIPJs de 2003 a 2005. Em 13/06/2007, o contribuinte interpôs Impugnação, alegando em síntese que: a) ao contrário do que constou no AI, a empresa apura prejuízos fiscais, que vem acumulando, devendo ser levado em consideração; b) a empresa se acha com suas atividades comprometidas e quase que efetivamente paralisada desde meados do ano de 2005, quando ingressou com pedido judicial de Recuperação Judicial com base na Lei 11.101/05 e que se achou distribuído em data 04 de Fl. 662DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10730.003262/2007-10 Acórdão n.º 1201-00.385 S1-C2T1 Fl. 662 3 novembro de 2005 para a 2a vara empresarial da comarca da Capital (Processo n°. 2005.001.136519-3), cujo MM. Dr. Juiz, recentemente ,declinou da competência para uma das varas cíveis da comarca de Niterói; c) menciona ainda que a contribuinte efetivamente não mais vem operando momentaneamente no mercado e nem mais praticou qualquer ato que pudesse ser considerado formal e materialmente fato gerador de imposto de renda ou de contribuição social, ou mesmo de qualquer outro tributo; d) assim, se torna absolutamente indevida a tributação via método do "Lucro Arbitrado" já que, como se viu não há como se contabilizar nem mesmo apurar a presunção de lucro de uma empresa que, na realidade nua e crua, não mais opera no mercado e nem mais pratica atos comerciais ou de prestação de serviços; e) não se pode de forma alguma tipificar a conduta da empresa no que dispõe o artigo 47 da Lei 8.981/95 que prevê a utilização, pelo Fisco, do denominado "Lucro Arbitrado", até porque se trata de procedimento unilateral e arbitrário; f) com efeito, a base de cálculo aplicada no auto de infração ultrapassa os limites impostos pela legislação. É que, segundo dispõem o artigo 29 da Lei n.º 9.430/96 e 55 da Lei n.º 8.981/95 a mesma não poderá ultrapassar 12% da receita bruta, sendo certo que na presente hipótese tal ilegalidade ocorreu; g) afirma que a empresa buscou a captação de recursos no BNDES, porém o Banco não deferiu a liberação dos recursos para financiamento dos projetos da empresa requerente, fazendo com que a mesma não pudesse alcançar o mercado internacional como pretendido, o que seria a sua última alternativa para recuperação de sua grave situação financeira e de um desequilíbrio entre seus custos e suas receitas; h) narra outras histórias em relação às suas atividades e problemas financeiros, mas nada traz de provas sobre suas narrativas; i) anexa à presente inicial, um quadro detalhado de todas as despesas da empresa comparativamente aos recebimentos por parte de clientes e a tomada de empréstimos bancários para fazer face aos mencionados custos, tendo em vista que o puro e simples faturamento da empresa deixou de ser suficiente para saldar suas contas, mas não traz provas contábeis e fiscais sobre essas despesas; j) como conseqüência de todas as circunstâncias e da situação acima narrada pode V. Exa. detectar com clareza o estado de iliquidez da empresa ora requerente. Enquanto o seu passivo de despesas fixas mensais alcance crescentes cifras o seu faturamento ao longo do tempo vem se mantendo estagnado e até reduzido. Observe-se que o faturamento da empresa na realidade cresceu em, aproximadamente, de 30% a 40%, mas, infelizmente, não na proporção esperada pelos investimentos realizados e pelas perspectivas de mercado. Juntou nos autos cópia da petição inicial de ação de recuperação judicial sem o comprovante de protocolo, trazendo em linhas gerais os mesmos enunciados da impugnação; cópia do estatuto social, cópia de plano de investimento de 2001; Ata de Assembléia de 2001; Ata da Assembléia de 2002; Ata de Reunião do Conselho em 2002; Ata da Assembléia de 2003; Ata de Reunião do Conselho em 2003; Ata da Assembléia de 2004; Ata de Reunião do Conselho em 2004 e Ata da Assembléia de 2005. Fl. 663DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 4 Juntou-se também cópia das DIRFs, onde aponta as retenções por empresas tomadoras do IR-Fonte, dos anos calendários de 2003, 2004 e 2005. A DRJ julgou parcialmente o lançamento fiscal, apresentando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro. LUCRO ARBITRADO. IRRF. DEDUÇÃO. Admite-se a dedução do imposto apurado por arbitramento do lucro do imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO. Mesmo estando a empresa em processo de recuperação judicial de que trata a Lei n° 11.101, de 2005, seus tributos devidos não pagos nem confessados devem ser objeto de lançamento, juntamente com a multa de ofício e os juros de mora. Lançamento Procedente em Parte Assim, a DRJ cancelou o montante de R$ 415.535,02, de IRPJ, juntamente com a multa de oficio e os juros de mora em razão da ausência de dedução do IR-Fonte retido e recolhido pelos tomadores de serviços; manteve como lançado o valor de R$ 1.246.603,44, de IRPJ, juntamente com a multa de oficio e os juros de mora; cancelou o montante de R$ 71.220,45, de CSLL, juntamente com a multa de oficio e os juros de mora; e manteve como lançado o valor de R$ 314.310,30 de CSLL, juntamente com a multa de oficio e os juros de mora. Houve ainda na decisão de primeira instância que a receita de prestação de serviços do 4° trimestre é de R$ 1.550.505,34 (somatório dos meses de outubro, novembro e dezembro), e não de R$ 4.023.437,7 1. Esse equívoco da fiscalização traduz-se na ausência de lançamento específico para os três trimestres iniciais de 2004 e no lançamento a maior de IRPJ e CSLL no quarto trimestre, sendo corrigido de ofício. O contribuinte foi intimado por edital em 26/03/2009, visto não encontrar a empresa em seu endereço. Em 07/04/2009, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando em síntese que: a) diante do ajuizamento do pedido de Recuperação Judicial em 04 de novembro de 2005, cujo feito fora originariamente distribuído à 2º Vara Empresarial da Fl. 664DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10730.003262/2007-10 Acórdão n.º 1201-00.385 S1-C2T1 Fl. 663 5 comarca da Capital (Processo n°. 2005.001.136519-3). Sendo assim, e diante da expressa disposição contida no artigo 52 da Lei n.º 11.101/05 (regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária) outra alternativa não resta se não a de que o eminente magistrado determine a suspensão do presente feito até posterior decisão ou determinação em contrário daquele juízo por onde tramita a Recuperação Judicial; "Art. 52. Estando em termos a documentação exigida no art. 51 desta Lei, o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial e, no mesmo ato (...) III - ordenará a suspensão de todas as ações ou 110III execuções contra o devedor, na forma do art. 6° desta Lei, permanecendo os respectivos autos no juízo onde I se processam, ressalvadas as ações previstas nos §§ 1°, 2° e 7º do art. 6° desta Lei e as relativas a créditos excetuados na forma dos §§ 3° e 4º do art. 49 desta Lei(...)". b) reitera todos os fundamentos, argumentos e transcrições trazidas na impugnação, com a busca de demonstrar que a empresa não auferiu os lucros arbitrados e encontravam-se em situação financeira prejudicada nos anos de 2003 a 2005; c) em seu pedido, espera seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, cancelando-se o auto de infração, afastando-se a incidência do tributo objeto da autuação bem como indeferindo-se a aplicação da multa e isentando a requerente de toda e qualquer penalidade, tendo em vista que foi ilegal a cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF em todas as suas moralidades, e, por conseguinte, ilegítimos os lançamentos reflexos. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao pedido de aplicação do disposto no Art. 52 da Lei n.º 11.101/05, para que seja suspenso o presente feito até posterior decisão ou determinação em contrário daquele juízo por onde tramita a Recuperação Judicial, cumpre destacar que os enunciados normativos da referida regra é dirigido às ações judiciais movidas em face do devedor, não trazendo interferência em relação ao processo administrativo fiscal: Art. 52. Estando em termos a documentação exigida no art. 51 desta Lei, o juiz deferirá o processamento da recuperação judicial e, no mesmo ato: III – ordenará a suspensão de todas as ações ou execuções contra o devedor, na forma do art. 6o desta Lei, permanecendo Fl. 665DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 6 os respectivos autos no juízo onde se processam, ressalvadas as ações previstas nos §§ 1o, 2o e 7o do art. 6o desta Lei e as relativas a créditos excetuados na forma dos §§ 3 o e 4 o do art. 49 desta Lei; (...) Em segundo lugar, a despeito da alegação da empresa encontrar-se em suposta recuperação judicial, não identificamos no corpo da petição inicial o protocolo desta junto ao Poder Judiciário, o que de plano já demonstra a fragilidade das provas trazidas pela Recorrente nos presentes autos. Ademais, ainda que se presuma que a Recorrente encontra-se em processo de recuperação judicial (na atual legislação) o fato é que a contribuinte nem teve ainda deferido seu pedido de recuperação judicial, ao passo que já se admitia administrativamente o lançamento do tributo juntamente com a multa de oficio e os juros de mora, mesmo estando a empresa já com a falência decretada. Dessa forma, não temos como atender o pleito da Recorrente, visto o direcionamento da norma ao Poder Judiciário e a fragilidade das provas trazidas pelo contribuinte, sendo que a suposta ação judicial até o presente momento sequer foi conhecida, tratando-se de mera expectativa de direito. Quanto à dificuldade financeira como critério para buscar descaracterizar o arbitramento do lucro, cumpre destacar que o referido lucro somente foi presumido e arbitrado porque em nenhum momento o Recorrente apresentou os documentos necessários à confirmação pela Receita Federal da tributação incidente sobre as operações tributadas do contribuinte. E mais, cumpre ressaltar ainda que a ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro, nos termos do artigo 148 do CTN. É fato que o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, nos moldes determinados no art. 530, III, do RIR, de 1999 (deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal), deve ser feito desde que o contribuinte realmente não atenda o solicitado, como ocorreu no presente caso. Trata-se de critério objetivo, visto que sem a verificação da escrita, não há como se aferir os pagamentos feitos pelo contribuinte a título de tributos devidos. Sobre o arbitramento, vejamos o que já entendeu esse E. Tribunal: ARBITRAMENTO DE LUCROS — OPÇÃO DO FISCO — EXCEPCIONALIDADE DA MEDIDA - Tem o Fisco à faculdade de arbitrar o lucro do sujeito passivo quando a sua escrita fiscal se mostra imprestável. Ao reverso não cabe ao sujeito passivo argüir a necessidade do arbitramento para a constituição de créditos tributários decorrentes de ilícitos verificados pelo Fisco ao exame da escrita fiscal, ainda que esta, eventualmente, possa conter equívocos. De resto afigura do arbitramento é meio extremo para apuração do lucro real e só deve ser utilizado em casos de evidente excepcionalidade. (Data da Sessão: 10/09/2003, Relator: Victor Luís de Salles Freire, Acórdão 103- 21371Resultado: NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE, Publicado no D.O.U. n°250 de 24/12/03). Fl. 666DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10730.003262/2007-10 Acórdão n.º 1201-00.385 S1-C2T1 Fl. 664 7 (..)LUCRO ARBITRADO — EXCEPCIONALIDADE DA MEDIDA — Tem o Fisco a responsabilidade pela aferição, no âmbito do procedimento de oficio, da imprestabilidade da escrituração do contribuinte, não cabendo ao sujeito passivo argüir em beneficio próprio e com base em alegações genéricas, a necessidade do arbitramento para a constituição de créditos tributários, tendo em vista que a figura do arbitramento é meio extremo para apuração do lucro real e só deve ser utilizado em casos de evidente excepcionalidade.(.) Lançamento Parcialmente Provido. (Data da Sessão: 06/12/2007, Relator: Valmir Sandri, Acórdão 101-96488) Nesse sentido, considerando as evidências apontadas pelo trabalho fiscal e a fragilidade da escrituração trazida pelo Recorrente, bem como considerando que o contribuinte não traz nenhuma prova que venha afastar e combater como contraprova os fatos narrados no Auto de Infração, muito menos comprova que o valor arbitrado a título de lucro não é aquele auferido pela Recorrente, nem que a empresa auferiu lucro menor que 12% conforme narrado no Recurso, há que se dar credibilidade ao trabalho do Auditor Fiscal. Por fim, cumpre analisar se o critério adotado pela fiscalização quanto ao arbitramento do lucro possui fundamento, razoabilidade, coerência e proporcionalidade, visto que a Receita Federal considerou em seus cálculos a média dos anos anteriores. Em nosso entendimento trata-se de critério objetivo que atende aos preceitos da coerência, razoabilidade e proporcionalidade, que seria facilmente rechaçado se de fato a empresa não tivesse auferido os referidos lucros, com a apresentação dos documentos fiscais competentes que apontem faturamentos (notas fiscais), despesas etc., o que em nenhum momento ocorreu nos presentes autos. E mais, considerando o fato de que o IR-Fonte fora deduzido do IRPJ cobrado da Recorrente, entendemos que nesse aspecto não merece reparos a decisão recorrida, pois as retenções fiscais foram devidamente comprovadas e declaradas por empresas tomadoras dos serviços. Diante do exposto e por tudo que consta nos autos, CONHEÇO DO RECURSO, para no MÉRITO NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento fiscal, em razão da não apresentação de contraprova que venha afastar a presunção de arbitramento do lucro apontado pela fiscalização. Rafael Correia Fuso - Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 667DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 8 Fl. 668DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 02/02/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 07/02/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
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Numero do processo: 10830.906602/2008-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. ERRO NO PREENCHIMENTO. PER/DCOMP..
Há de ser considerando insuficiente o erro material cometido no preenchimento da DCOMP, relativamente às informações contidas no DARF, para retirar a legitimidade do crédito alegado pela recorrente.
Numero da decisão: 3001-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ERRO NO PREENCHIMENTO. PER/DCOMP.. Há de ser considerando insuficiente o erro material cometido no preenchimento da DCOMP, relativamente às informações contidas no DARF, para retirar a legitimidade do crédito alegado pela recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 66 02 /2 00 8- 19 Fl. 145DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação declarada através de Dcomp, em razão de, analisadas as informações prestadas, não foi possível confirmar a existência do crédito informado, tendo em vista que o DARF indicado como elemento material do pagamento indevido, não ter sido localizado nos sistemas de controle da autoridade fazendária. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega ter apresentado regular declaração de compensação, na qual solicitou a liquidação de débitos apontados e devidos. Pagamento a maior Para a quitação destes débitos, a contribuinte socorreuse de seu direito a compensação em razão da existência de pagamento a maior, por meio de DARF, a título de PIS (cód. 6912). Das informações constantes em DCTF Informa a recorrente, que em análise da DCTF do trimestre relativo, posteriormente retificada, consta a informação, que a seu ver é suficiente, para a constatação da existência do crédito. A partir daí, colaciona planilha resumo de ficha da DCTF, na qual se arrebatam os valores de débito apurado e o respectivo crédito vinculado, mediante o pagamento constante em DARF, que, no caso portanto, é superior ao informado em DCTF. Ao subtrair o saldo do débito apurado com o valor efetivamente recolhido em DARF, constata a existência de saldo a seu favor, invocando, para si, as prerrogativas constantes no artigo 74 da Lei 9.430/96. DCTF Retificadora A recorrente retificou sua DCTF, conforme documentos acostados antes da emissão do Despacho de Decisório. Do erro no preenchimento da Dcomp Além da ocorrência do pagamento indevido, que, conforme acima, denotase que a contribuinte busca comprovar sua ocorrência com o exame das fichas da DCTF, informa, ainda, outro equívoco, agora, no preenchimento da própria Dcomp. Referese a recorrente, ao fato de ter preenchido, na Dcomp em comento, informações equivocadas a respeito da DARF, cuja referência no despacho decisório, foi pela sua não localização. Segundo consta dos presentes autos, a linha "Data da Arrecadação" do DARF, incorreu em erro material, o que gerou o dificuldade pelo sistema informatizado em compensar o referido pedido. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.906602/200819 Acórdão n.º 3001000.490 S3C0T1 Fl. 145 3 Da possibilidade de Revisão de Ofício Em se tratando de erro de fato, segundo seu entendimento, de fácil verificação, pugna a recorrente pela revisão de ofício do ato administrativo, com fundamento no artigo 149 do CTN. Da suspensão da exigibilidade do crédito Requer, ainda, a declaração de suspensão da exigibilidade do crédito tributário levado à compensação. Desistência da Compensação Cumpre ressaltar que a recorrente apresenta petição requerendo a desistência, exclusivamente no tocante à compensação pleiteada, tendo em vista que procedeu à liquidação dos débitos indicados na Dcomp. No entanto, ratifica que não renuncia ao direito creditório pleiteado, requerendo sua apreciação pela DRJ. DRJ/CPS A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0533.784 3 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INEXISTENTE. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Fl. 147DF CARF MF 4 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) houve erro de preenchimento na DCOMP no tocante às informações relativas ao DARF que teria originado o pagamento indevido; no caso, teria ocorrido erro de digitação no campo DATA DE ARRECADAÇÃO; b) a compensação deve ser prontamente homologada tendo em vista que erro de fato não constitui fato gerador de obrigação tributária; a verdade material deve ser buscada pela esfera administrativa; c) o despacho decisório deve ser declarado nulo; d) os débitos devem ter sua exigibilidade suspensa até o término da discussão na esfera administrativa. A contribuinte, posteriormente, fez juntar aos autos a desistência das compensações declaradas, apresentando DARFs de recolhimento dos débitos, pagos com as condições estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009. Informa que a desistência em tela restringese à compensação efetuada e não ao direito de crédito pleiteado no Pedido de Restituição. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente aduz seu argumento principal para contestar a ausência de documento DARF, conforme alegado pelo voto condutor do mencionado acórdão de primeira instância administrativa. Manifestação de Inconformidade como meio adequado à oposição ao DD Sob a alegação esposada a respeito do meio processual apto à discussão do tema trazido em destaque, combate o argumento utilizado, no qual o meio adequado para o fim intentado seria a retificadora da Dcomp. Invocou o artigo 77 da IN 900/08, concluindo que, uma vez analisada a Dcomp pela RFB e expedido o competente despacho decisório, descabida seria a entrega de Dcomp retificadora. Da existência do DARF A recorrente argumenta que, em que pese a desqualificação da manifestação de inconformidade como meio processual apto a discutir o erro ocorrido em Dcomp, a DRJ enfrenta a questão de mérito, sendo rebatida neste tópico do recurso voluntário ora relatado. Neste ponto, a recorrente repisa os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, no sentido de ter havido, mero erro de digitação, fazendo constar data equivocada na linha "Data de Arrecadação", razão pela qual, fez com que o sistema informatizado da RFB não localizasse o referido DARF. Concluiu, ao final, por rebater o argumento no qual não existe o documento DARF, com o pagamento a maior, mas, tão somente, que, ao preencher a ficha competente da Dcomp, referiuse ao mencionado documento DARF de forma equivocada, colocando erroneamente a data, ressalta a existência do DARF, que foi acostado nos autos juntamente com a peça impugnatória. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10830.906602/200819 Acórdão n.º 3001000.490 S3C0T1 Fl. 146 5 É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso Cabimento da Manifestação de Inconformidade O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Considero, neste caso, que a manifestação de inconformidade é o meio adequado para a discussão do tema posto em líde. Conforme se constata, tratase aqui, da negativa de restituição, vez que a compensação fora liquidada e devidamente extintos os débitos indicados à extinção mediante a compensação, o que leva à aplicação do artigo 74 da Lei 9430/96. Da mesma forma, o Decreto nº 7.574, de 2011, em seu art. 61, trata da competência para julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e os pedidos que podem ser feitos por meio de manifestação de inconformidade nos seguintes termos: Art. 61. O julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os relativos à exigência de direitos antidumping e direitos compensatórios, compete em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil Parágrafo único. A competência de que trata o caput inclui, dentre outros, o julgamento de: [...] II manifestação de inconformidade do sujeito passivo em processos administrativos relativos a compensação, restituição e ressarcimento de tributos, inclusive créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI; (grifei) DOS FATOS A recorrente recolheu, por meio de DARF, determinado valor a título de PIS. No entanto, alega que ao analisar a DCTF do trimestre relativo, identificou a existência de um pagamento a maior, ou seja, o montante efetivamente devido a título de PIS Fl. 149DF CARF MF 6 pela recorrente seria inferior ao efetivamente recolhido, o que foi posteriormente retificado pela mesma. Com isso, a contribuinte apresentou DCOMP, pleiteando a liquidação de débitos, utilizandose do crédito proveniente do pagamento a maior já citado. No entanto, foi proferido Despacho Decisório pela DRF – Campinas – SP, que não homologou a compensação pleiteada por não ter localizado nos sistemas da RFB o DARF discriminado em Documento 02. A data inserida, conforme se constata, tratase da data de envio do documento de Compensação Dcomp. A recorrente alega que o sistema informatizado da RFB não localizou o crédito da contribuinte por mero erro de fato na informação prestada no PER/DCOMP. Deveras, ao analisar a DCOMP apresentada pela recorrente, podese inferir que a mesma preencheu o DARF com data equivocada MÉRITO O tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. O voto condutor do acórdão recorrido enfrentou o mérito trazido em sede da manifestação de inconformidade, concluindo pela não existência do crédito requisitado haja vista a falta de documento DARF comprovando a efetividade do pagamento. Seguese a excertos da mencionada decisão de piso que revelam os fundamentos do raciocínio jurídico empreendido para concluir pela negativa do crédito: O ato combatido aponta como causa da não homologação a não localização do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito. Inexistente o pagamento dado por indevido e fonte do direito creditório, impossível a extinção do débito declarado por meio de compensação. Assim, o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária, informações estas oriundas de documentos e declarações cuja origem é a própria contribuinte. A correção do despacho é admitido pela própria interessada quando reconhece a inexistência de um documento de arrecadação com as características indicadas na Declaração de Compensação. Ocorre, como já se esclareceu que, inexistente o documento DARF, não há que se falar em direito creditório dele originado. Mero Erro Material no Preenchimento da DCOMP Neste ponto, o despacho decisório, por basearse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabou por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pago, no DARF competente, terem sido alocados equivocadamente no campo relativos às informações necessárias ao seu reconhecimento. Destacase, então, que da análise do documento acostado sob código Documento 01, efls 31, Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10830.906602/200819 Acórdão n.º 3001000.490 S3C0T1 Fl. 147 7 consta a data de 23 de junho de 2004, quando, o dado correto a ser inserido seria a data de 14 de fevereiro de 2003, data do efetivo recolhimento dos valores relacionados no DARF, consoante de depreendo do DARF acostado em Documento 02 efls 37. Com isso, é factível absorver o fundamento exposto no voto condutor do acórdão sob vergasta, cuja tese central baseavase na inexistência de DARF comprovando o pagamento realizado de forma indevida. Em havendo a juntada deste documento, e sendo constatado os equívocos de preenchimento na linha data de vencimento do DARF (troca das data correta, qual seja, 14.02.2003 pela data equivocada 11.02.2003) e o preenchimento equivocado da data de arrecadação do DARF, há de ser considerando insuficiente o erro material cometido no preenchimento da DCOMP, relativamente às informações contidas no DARF, para retirar a legitimidade do crédito alegado pela recorrente. Aponto que este tem sido o entendimento conforme se denota do acórdão cuja ementa segue transcrita: Acórdão: 1803001.646 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A COMPROVAÇÃO DE EFETIVO ERRO DE FATO, NO PREENCHIMENTO DA PER/DCOMP EXIGE EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E ADEQUADA VALORAÇÃO DAS PROVAS, QUE SE APRECIE O PEDIDO, AFASTANDO ÓBICES FORMAIS QUE SUPOSTAMENTE PRECONIZAM A INTANGIBILIDADE DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso e voto por darlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.021574/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). RELATÓRIO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD 35.183.9599 (fls. 3), que apurou o crédito tributário no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 21 57 4/ 20 08 -1 1 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 3 2 montante de R$ 759.577,61 (setecentos e cinquenta e nove mil quinhentos e setenta e sete reais e sessenta e um centavos), referente à cobrança de contribuições previdencidrias patronais, destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT/RAT. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 33/37), o crédito constituído é relativo ao custeio do SAT/RAT, nas competências 01/2004 a 12/2004, identificado no levantamento SAT SAT DISCUTIDO JUDICIALMENTE, objeto do Mandado de Segurança n° 200081000024917, com vistas a prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito, haja vista a inexistência de ordem judicial impeditiva da constituição, utilizandose dos exatos valores registrados nas guias de DEPOSITOS JUDICIAIS de fls.108/114. Registra o fisco, que os depósitos foram efetivados pelo estabelecimento matriz, tendo sido consolidada a contribuição calculada sobre a folha de pagamento de todos os estabelecimentos da empresa e ainda de obra de sua responsabilidade. Ainda, de acordo com o Relatório Fiscal, foi incluído no presente processo as diferenças de contribuição para o SAT/RAT, identificada no levantamento BOLBOLSA EDUCAÇÃO EMPREGADOS, em razão da apuração de pagamento para empregados equivalentes ao reembolso de parte das mensalidades pagas a instituições de ensino, considerados como de natureza remuneratória. A Fiscalização informa que os segurados empregados beneficiários foram identificados em planilha apresentada pela empresa acostada às fls. 128/134 do Processo COMPROT 10380.021577/200847, bem como os elementos de prova encontramse às fls. 100/134 do referido processo. Devidamente cientificado do lançamento em 22/12/2008 (fls. 3), o Interessado apresentou impugnação tempestiva (fls. 158/178), alegando, em síntese: (i) Da discussão judicial do débito e do depósito das parcelas devidas constatação e verificação por parte da fiscalização. Sustenta que o valor dos débitos lançados pela autoridade já estão depositados nos autos do Processo nº 2000.81.00.0024917, em trâmite perante a 11ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Ceará. Na sequência, alega que o depósito do valor nos autos do processo acima citado revela o lançamento tácito, elidindo portanto o acréscimo de juros e correção monetária sobre, e afastando a mora debitoris, razão pela qual o presente auto de infração deve ser julgado insubsistente. Nesse sentido, defende que, ocorrido o depósito judicial com o lançamento tácito dos valores pertinentes ao SAT, no bojo dos autos do processo em epígrafe, não há razão para o lançamento tributário, que configurará duplicidade de lançamentos, razão pela qual não se pode cobrar os acessórios. Ademais, argumenta que de acordo com o disposto no artigo 156 do código Tributário Nacional, o crédito tributário se extingue com a conversão do depósito em renda; (ii) Da notificação fiscal de lançamento de débito. Alega que o período de lançamento do crédito previdenciário referese a 01/2004 a 12/2004 e cita trecho do Relatório Fiscal. Em seguida, discorre no sentido de que “os lançamentos SEBRAE para pagamento de bolsas, ou seja, todas as verbas que se dizem devidas sobre os valores pertinentes às bolsas Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 4 3 previstas especialmente nos Autos de Infração de nº 37.183.9629, 37.183.9637 e 37.183.961 0, só podem prosperar caso os lançamentos sejam realizados de oficio”; (iii) Da não incidência de contribuições previdenciárias sobre bolsa educação concedida ao trabalhador. O contribuinte entende que não incidem contribuições previdenciárias sobre as bolsas concedidas, pois remetem ao que dispõe a alínea "t", do inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, já que dizem respeito à capacitação e qualificação dos profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não são utilizados como substituição de parcela salarial e todos os empregados e dirigentes tem acesso ao beneficio. (iv) Desatendimento pelo fisco do que dispõe os arts. 194 e 195 da constituição federal fornecimento gratuito de utilidades destinadas a melhorar as condições sociais dos trabalhadores. Defende a tese de que com a concessão do beneficio colabora com a melhoria das condições sociais dos trabalhadores em atenção ao disposto nos artigos 194 e 195 da Constituição Federal, cujo teor transcreve na peça impugnatória. Ademais, discorre que a Constituição Federal reconhece ao trabalhador o direito de melhoria da sua condição social, e em contrapartida, estatui o dever do empregador de participar deste desiderato. Sustenta seu ponto de vista incorporando ao texto várias citações doutrinárias relativas ao estimulo da atuação conjunta do setor empresarial com os órgãos públicos na busca da eficácia máxima dos direitos fundamentais, como também cita várias decisões jurisprudências no sentido de que a bolsa educação, o auxilioeducação, pagos em pecúnia, não integram o salário de contribuição de incidência da contribuição previdenciária. Por essa razão é que entende que a fiscalização, data vênia, tenta desvirtuar a realidade fática. (v) Das inconsistências da notificação. Reclama que a fundamentação legal apresentada é de forma genérica, bem como de falta de clareza e omissões de evidências dos fatos punitivos o que ocasiona cerceamento do direito de defesa, considerando existente irregularidade insanável e motivadora de nulidade do ato administrativo Questiona, também, a inobservância do principio constitucional da legalidade, em face da omissão das evidencias que respaldaram a autuação, entendendo a ocorrência de vicio formal na sua formalização. Prossegue citando decisões e doutrinadores sobre o tema vícios dos atos administrativos e reitera a obrigação de serem sempre acatados os princípios constitucionais assecuratórios da defesa administrativa; (vi) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Ainda, reclama que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à aplicação e a mesma esta em dissonância com os dispositivos legais; Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 5 4 (vii) Dos efeitos do depósito judicial — elisão da multa moratória. Sustenta que o depósito judicial do valor devido, em juízo, tem o condão de, além de suspender a exigibilidade do crédito tributário, afastar a aplicação da multa moratória. Ademais o valor da multa é confiscatório, afrontando o direito de propriedade. Por fim, requereu: a) o recebimento da defesa, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal n. 9 8.212/91; b) o acolhimento da preliminar de julgamento dos autos de infração que versam sobre o Auxilio Educação, e caso sejam procedentes resulte na redução proporcional do presente auto de infração, por ser o mesmo período compreendido no presente caso; c) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar efetivamente quitada a contribuição previdenciária devida em razão dos depósitos judiciais efetivados e dos precedentes jurisprudenciais pertinentes, extinguindo por sua vez o crédito tributário, em razão do depósito do seu montante integral, nos termos do art. 151 inciso II do Código Tributário Nacional e da Súmula nº 112 do Superior Tribunal de Justiça, excluindo portanto a multa moratória, já que os valores foram devidamente depositados; d) aguardese a definitiva conversão do depósito em renda em favor da UNIÃO, visando extinguir o crédito tributário; e) protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente diligências a serem realizadas no curso do processo administrativo tributário, juntada posterior de documentos, perícia a ser realizada nas unidades da empresa, ficando tudo de logo requerido; f) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0936.185 da 5ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 274/285, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 DEBCAD 37.183.9599 AÇÃO JUDICIAL. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 6 5 Somente é apreciada, em instância administrativa, a matéria distinta da constante do processo judicial, prosseguindo o processo em relação matéria diferenciada. DEPÓSITO. Mesmo havendo o depósito judicial da contribuição discutida judicialmente, o lançamento deve ser efetuado para prevenir a decadência. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os acréscimos legais lançados, referentes à contribuição depositada e discutida em juizo, somente serão cobrados na hipótese do levantamento do depósito antes do término da ação judicial ou se forem apuradas diferenças entre o valor depositado e o exigido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. FINANCIAMENTO DOS BENEFiClOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA, DECORRENTES DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. REEMBOLSO DE MENSALIDADE PAGA A INSTITUIÇÃO DE ENSINO. VERBA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa, destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, aos segurados empregados. O valor relativo ao reembolso de parte de mensalidade escolar, integra o saláriodecontribuição, quando não caracterizada a existência de um plano educacional, que tenha como finalidade o estimulo à educação básica ou cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado, que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 7 6 SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PROCURADOR DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao patrono da impugnante, pois a intimação da autuada se faz no seu domicilio tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 293/315, reprisando os argumentos anteriormente lançados em sua peça de Impugnação, nos seguintes termos: (i) Da discussão judicial do débito e do depósito das parcelas devidas constatação e verificação por parte da fiscalização. Sustenta que o valor dos débitos lançados pela autoridade já estão depositados nos autos do Processo nº 2000.81.00.0024917, em trâmite perante a 11ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Ceará. Na sequência, alega que o depósito do valor nos autos do processo acima citado revela o lançamento tácito, elidindo portanto o acréscimo de juros e correção monetária sobre, e afastando a mora debitoris, razão pela qual o presente auto de infração deve ser julgado insubsistente. Nesse sentido, defende que, ocorrido o depósito judicial com o lançamento tácito dos valores pertinentes ao SAT, no bojo dos autos do processo em epígrafe, não há razão para o lançamento tributário, que configurará duplicidade de lançamentos, razão pela qual não se pode cobrar os acessórios. Ademais, argumenta que de acordo com o disposto no artigo 156 do código Tributário Nacional, o crédito tributário se extingue com a conversão do depósito em renda. Acrescenta que a referida conversão do depósito em renda ocorreu no processo judicial, conforme decisão do juízo monocrático, que inclusive determinou o arquivamento dos autos. Alega que, pelo que se colhe do julgamento da DRJ, a intenção do Fisco é gerar um retrabalho, já que houve a comprovação efetiva da conversão do depósito em renda. Cita jurisprudência do STJ sobre a matéria. Ao final, discorre que, “tendo transitado em julgado a decisão que julgou improcedente a demanda, a conversão do depósito em renda foi a medida correta aplicada para a extinção do crédito tributário, contudo o lançamento tributário já ocorreu, inexistindo portanto a prefalada decadência, que se presume no julgado da DRJ”. (iv) Da notificação fiscal de lançamento de débito. Alega que o período de lançamento do crédito previdenciário referese a 01/2004 a 12/2004 e cita trecho do Relatório Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 8 7 Fiscal. Em seguida, discorre no sentido de que “os lançamentos SEBRAE para pagamento de bolsas, ou seja, todas as verbas que se dizem devidas sobre os valores pertinentes às bolsas previstas especialmente nos Autos de Infração de nº 37.183.9629, 37.183.9637 e 37.183.961 0, só podem prosperar caso os lançamentos sejam realizados de oficio”; (v) Da não incidência de contribuições previdenciárias sobre bolsa educação concedida ao trabalhador. O contribuinte entende que não incidem contribuições previdenciárias sobre as bolsas concedidas, pois remetem ao que dispõe a alínea "t", do inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, já que dizem respeito à capacitação e qualificação dos profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não são utilizados como substituição de parcela salarial e todos os empregados e dirigentes tem acesso ao beneficio. (iv) Desatendimento pelo fisco do que dispõe os arts. 194 e 195 da constituição federal fornecimento gratuito de utilidades destinadas a melhorar as condições sociais dos trabalhadores. Defende a tese de que com a concessão do beneficio colabora com a melhoria das condições sociais dos trabalhadores em atenção ao disposto nos artigos 194 e 195 da Constituição Federal, cujo teor transcreve na peça impugnatória. Ademais, discorre que a Constituição Federal reconhece ao trabalhador o direito de melhoria da sua condição social, e em contrapartida, estatui o dever do empregador de participar deste desiderato. Sustenta seu ponto de vista incorporando ao texto várias citações doutrinárias relativas ao estimulo da atuação conjunta do setor empresarial com os órgãos públicos na busca da eficácia máxima dos direitos fundamentais, como também cita várias decisões jurisprudências no sentido de que a bolsa educação, o auxilioeducação, pagos em pecúnia, não integram o salário de contribuição de incidência da contribuição previdenciária. Por essa razão é que entende que a fiscalização, data vênia, tenta desvirtuar a realidade fática. (v) Das inconsistências da notificação. Reclama que a fundamentação legal apresentada é de forma genérica, bem como de falta de clareza e omissões de evidências dos fatos punitivos o que ocasiona cerceamento do direito de defesa, considerando existente irregularidade insanável e motivadora de nulidade do ato administrativo Questiona, também, a inobservância do principio constitucional da legalidade, em face da omissão das evidencias que respaldaram a autuação, entendendo a ocorrência de vicio formal na sua formalização. Prossegue citando decisões e doutrinadores sobre o tema vícios dos atos administrativos e reitera a obrigação de serem sempre acatados os princípios constitucionais assecuratórios da defesa administrativa; (vi) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 9 8 Ainda, reclama que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à aplicação e a mesma esta em dissonância com os dispositivos legais; (vii) Dos efeitos do depósito judicial — elisão da multa moratória. Sustenta que o depósito judicial do valor devido, em juízo, tem o condão de, além de suspender a exigibilidade do crédito tributário, afastar a aplicação da multa moratória. Ademais o valor da multa é confiscatório, afrontando o direito de propriedade. Por fim, repete idênticos pedidos da Impugnação: a) o recebimento da defesa, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal n. 9 8.212/91; b) o acolhimento da preliminar de julgamento dos autos de infração que versam sobre o Auxilio Educação, e caso sejam procedentes resulte na redução proporcional do presente auto de infração, por ser o mesmo período compreendido no presente caso; c) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar efetivamente quitada a contribuição previdenciária devida em razão dos depósitos judiciais efetivados e dos precedentes jurisprudenciais pertinentes, extinguindo por sua vez o crédito tributário, em razão do depósito do seu montante integral, nos termos do art. 151 inciso II do Código Tributário Nacional e da Súmula nº 112 do Superior Tribunal de Justiça, excluindo portanto a multa moratória, já que os valores foram devidamente depositados; d) aguardese a definitiva conversão do depósito em renda em favor da UNIÃO, visando extinguir o crédito tributário; e) protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente diligências a serem realizadas no curso do processo administrativo tributário, juntada posterior de documentos, perícia a ser realizada nas unidades da empresa, ficando tudo de logo requerido; f) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; É o relatório. VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 14/06/2012 (fls. 291) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 12/06/2012, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 10 9 2. DO MÉRITO 2.1 Da necessidade de diligência De proêmio, resta incontroverso no caso presente, que a discussão travada no Auto de Infração em debate referemse aos seguintes fatos geradores: Levantamento Descrição Fato Gerador BOL Bolsa Educação Empregados Remuneração paga aos empregados da empresa, a título de Bolsas de Estudos de curso superior SAT SAT discutido judicialmente Remuneração paga aos empregados da empresa De igual forma, incontroverso que a Recorrente optou pelo uso da via judicial para a discussão quanto a incidência da contribuição para financiamento do SAT/RAT, culminando por efetuar o depósito judicial dos valores incidentes sobre as folhas de pagamento do estabelecimento matriz, filiais e obra de sua responsabilidade e estes depósitos, pelas informações trazidas aos autos, já obtiveram o deslinde final de conversão em renda. Tal informação pode ser comprovada pelo sítio eletrônico da Justiça Federal no Ceará (www.jfce.jus.br) em consulta ao número do processo. A propósito, constatei a seguinte informação: “Sentença: 0001.0008456/ 2011 Tipo C Processo: 000249151.2000.4.05.8100 Classe 229 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Autor: BERMAS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Embargada: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS SENTENÇA A sentença de fls. 9398 julgou improcedente o pleito autoral que objetivava obter provimento jurisdicional que declarasse a inexistência de relação jurídica ensejadora da cobrança de contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho SAT. A sentença foi mantida pelo acórdão de fls. 141146 e pelo Acórdão do STJ, em resposta ao Recurso Especial intentado pelo autores de fls. 192196. Intimado para promover a execução, o INSS informou a este juízo não ter mais interesse em executar os honorários advocatícios em face do valor irrisório da sucumbência (fls. 206), considerandose o valor individual atribuído a cada autor, o que demonstra que está a desistir Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 11 10 das medidas executivas. Diante do exposto, julgo extinta a presente ação executiva, na forma do art. 569 c/c art. 267, VI do CPC. Diante da improcedência da ação, a União Federal (Fazenda Nacional) solicitou a conversão dos depósitos judiciais efetuados pelo promovente fossem convertidos em pagamento definitivo em favor da União com o conseqüente abatimento no débito do promovente (fls. 301). Diante da concordância da parte autora, foi feita a referida conversão (fls. 334), tendo sido a Delegacia da Receita Federal notificada do pagamento feito para que pudesse adotar as medidas legais cabíveis, conforme documento de fls. 348. Intimadas a informar a este juízo se ainda tinham algo a requerer, as partes não se opuseram ao arquivamento definitivo dos autos (fls. 353). Publiquese. Registrese. Intimemse. Após o trânsito em julgado, arquivemse, com baixa na Distribuição. FortalezaCE, 19 de julho de 2011. LUIS PRAXEDES VIEIRA DA SILVA Juiz Federal da 1ª Vara” (grifei) Ainda, constatase que em 26/09/2011 os autos foram arquivados definitivamente. Pois bem. A propositura de ação judicial e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não têm o condão de impedir a autoridade fiscal de efetuar o lançamento de ofício, visto que essa atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Importante, também, deixar registrado que a efetiva conversão em renda dos valores depositados em juízo extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, VI do Código Tributário Nacional: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; [...]” Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10380.021574/200811 Resolução nº 2401000.690 S2C4T1 Fl. 12 11 Levandose em consideração as informações prestadas pela Recorrente (fls. 248/263), bem como a informação colhida nos autos do Processo nº 0002491 51.2000.4.05.8100 em consulta ao sítio eletrônico da Justiça Federal no Ceará, acima transcrita, incontroverso que houve a conversão do depósito em renda. Entretanto, compete agora verificar se remanesce interesse recursal por parte do contribuinte o que, por seu turno, depende de atestar se a conversão do depósito em renda realizado no bojo do processo judicial nº 000249151.2000.4.05.8100 foi ou não suficiente para saldar o crédito até então combatido. Logo, decido baixar o presente caso em diligência para que a Unidade de Origem: 1) Intime o contribuinte para que demonstre se realizou tempestivamente os depósitos judiciais referente ao Lançamento SAT; 2) Intime o contribuinte para juntar cópia integral do processo; 3) Informe se a citada conversão do depósito em renda em favor da União, realizada pelo contribuinte, foi, ou não, suficiente para liquidar a exação aqui discutida e, em caso negativo, apresente analiticamente eventual saldo pendente de liquidação; 4) Manifeste, diante dos elementos apresentados pelo contribuinte, se foram suficientes para excluir o valor originário, lançado no Levantamento SAT. 5) Uma vez ofertada a resposta cima, a Recorrente deverá ser intimada para, facultativamente, manifestarse a seu respeito, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do que prevê o artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Após, retornem os autos para inclusão em pauta de julgamento. É como voto. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721801/2014-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Ana Paula Fernandes, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora) e Ana Paula Fernandes, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 18 01 /2 01 4- 16 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10073.721801/201416 Acórdão n.º 9202007.014 CSRFT2 Fl. 143 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi efetuado lançamento para cobrança de imposto de renda pessoa física, em razão de rendimentos omitidos em sua DAA, anocalendário 2011, exercício 2012, relativos aos pagamentos efetuados pelo Município de Barra Mansa RJ, os quais foram posteriormente informados em Declaração retificadora (fl.4). Conforme mencionado no relatório do acórdão recorrido, em cotejo dos valores recebidos de pessoa jurídica, informados em DIRF com o declarado pelo recorrente, a fiscalização constatou a omissão de rendimentos o qual refletiu na apuração do IRPF com a consequente cobrança suplementar do imposto. Iniciado o procedimento fiscal, em 11/11/2013, a autoridade administrativa emitiu o Termo de Intimação (fls. 49/50), do qual o contribuinte tomou conhecimento em 18/11/2013 (AR fl. 51). Em 07/08/2014 (fl. 27), o contribuinte foi devidamente notificado do lançamento, e, em 08/09/2014, por não concordar com o procedimento fiscal, tempestivamente (fl. 32), ingressou com a competente impugnação (fl. 2), a respeito da qual, por unanimidade de votos, entendeu os julgadores de primeira instância pela sua improcedência (fls. 59/61). O recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando os argumentos de defesa. Pugna pelo cancelamento do lançamento, afirma ter ocorrido mero erro material no preenchimento da DAA, o qual foi corrigido pela apresentação de declaração retificadora acompanhada do recolhimento do imposto devido e encargos, tudo realizado antes de iniciado o procedimento fiscal. Subsidiariamente, caso fosse mantido, requereu o aproveitamento dos valores pagos, conforme comprovante acostado às fls. 52. A 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária negou provimento ao recurso. Embora reconheça que de fato tenha havido o pagamento complementar pelo contribuinte antes da ação fiscal, destaca que não houve o envio da respectiva declaração retificadora, o que afasta a espontaneidade para fins de aplicação do art. 138 do CTN. O acórdão nº 2402005.366 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA 33 DO CARF. MULTA. ALEGAÇÃO DE AGRESSÃO AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10073.721801/201416 Acórdão n.º 9202007.014 CSRFT2 Fl. 144 3 A retificação da declaração de rendimentos, somente poderá ser admitida se comprovado erro nela contido, e antes do início de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa, nos termos do artigo 832 do Regulamento do Imposto de Renda. Constatando o Fisco a omissão de rendimentos, a diferença do imposto deve ser exigida mediante lançamento de ofício, não sendo possível quaisquer procedimentos retificadores com vistas à reverter ou corrigir irregularidades na DAA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Não é possível órgãos de julgamento administrativo afastarem multa imposta por descumprimento da legislação tributária sob o argumento de que seria de valor desproporcional ou não razoável. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Intimado o contribuinte apresentou recurso especial. Citando como paradigma o acórdão 2202033.292, argui que mero erro na declaração não é suficiente para afastar a aplicação da denúncia espontânea. Destaca que a cobrança do tributo mesmo após a comprovação do pagamento representa um enriquecimento ilícito da União e violação do princípio da moralidade administrativa. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Antes de analisarmos o mérito, passamos a uma análise do cumprimento dos requisitos formais para conhecimento do recurso do contribuinte nos termos do art. 67 do RICARF. Neste ponto, compartilho do entendimento externado no despacho de admissibilidade de fls. 129/133, valendo transcrever: A divergência apontada pelo Sujeito Passivo a dar amparo à interposição da presente rogativa referese à extinção do Crédito Tributário pelo pagamento do tributo devido e seus acréscimos legais, nos casos em que há constatação de erro material no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual (DAA), com o Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10073.721801/201416 Acórdão n.º 9202007.014 CSRFT2 Fl. 145 4 consequente pagamento do Imposto de Renda devido antes do início do procedimento fiscal. De acordo com as provas dos autos, houvese por constatado erro material no preenchimento da declaração do IRPF na Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2012, ano calendário 2011, onde na declaração original foi omitido pelo contador parte dos rendimentos auferidos no ano. Constatado o erro, foi elaborada uma declaração retificadora, incluindo todos os rendimentos auferidos, e o imposto devido, inclusive com todos os encargos legais, foi adimplido em 19/07/2012, bem antes do início do procedimento fiscal, o qual data de 11/11/2013. No caso paradigma, apesar de o débito e o respectivo pagamento não terem sido informados na DCTF correspondente, o Colegiado reconheceu assistir razão à Recorrente, considerando não ser admissível se manter a exigência do IRRF lançado, o qual foi tempestivamente recolhido, não havendo que se falar em Lançamento de Ofício, conforme se depreende do seguinte excerto: Acórdão nº 2202003.292 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária “No seu entender, deveria o imposto ser excluído do lançamento, tendo em vista que os valores dos tributos foram devidamente recolhidos antes do início do procedimento fiscal, o que foi reconhecido pelo próprio julgador. Apesar de não terem sido informados em DCTF o débito e o respectivo pagamento, assiste razão à Recorrente. Não é admissível se manter a exigência do IRRF lançado, o qual foi tempestivamente recolhido fato reconhecido tanto pela fiscalização como pelo órgão julgador de primeira instância. O erro na informação da DCTF não pode ensejar a exigência de crédito tributário extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. O pagamento antecipado, conforme dispõe o § 1° do artigo 150 do CTN, extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Mesmo que não ocorra a homologação, o pagamento feito extingue a obrigação tributária. Apenas se o pagamento realizado não for suficiente para extinguila totalmente, caberá o lançamento de oficio para exigência da diferença. Dessa forma, estando devidamente comprovado que o pagamento foi efetuado de forma tempestiva, não há que se falar em lançamento de ofício.” Vislumbramos, portanto, neste específico particular, a similitude das situações fáticas retratadas nos acórdãos recorrido e paradigma acima citado, bem como a diversidade de interpretação da legislação tributária quanto à extinção do Crédito Tributário pelo pagamento integral do tributo antes do início do procedimento fiscal ACT 10.601.9999 – AJUSTE/DECLARAÇÃO OUTROS, motivo pelo qual entendo Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10073.721801/201416 Acórdão n.º 9202007.014 CSRFT2 Fl. 146 5 restar configurada a divergência jurisprudencial suscitada pelo Recorrente. Destaco que, considerando que a matéria abordada se refere a normas gerais denúncia espontânea, entendo que o fato do acórdão recorrido e paradigma tratarem de tributos diversos (IRPF e Imposto de Renda Retido na Fonte) representa um aspecto meramente incidental o qual não impediria a caracterização de divergência para fins de conhecimento do recurso. Diante do exposto, conheço do recurso. Vencida quando ao conhecido, deixo de me manifestar sobre o mérito. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Divirjo da i. Relatora quanto ao conhecimento do recurso. É que não identifico similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão indicado como paradigma. Vejamos. O acórdão recorrido trata de situação em que o contribuinte originalmente omitiu rendimentos (embora afirme tratarse de erro de fato); posteriormente, segundo o próprio contribuinte, preencheu (mas não apresentou) declaração retificadora em que incluiu o valor dos rendimentos antes omitidos e apurou novo valor de imposto, recolhendo a diferença. Tudo isso antes do início do procedimento fiscal que ensejou o lançamento. Daí se insurgiu o contribuinte contra a autuação, alegando denúncia espontânea. No caso do paradigma, o imposto foi lançado em razão de diferença entre os valores informados em DIRF a título de IRRF e os valores informados na DCTF (os primeiros superiores aos outros). Alegou a defesa, entretanto, que cometeu erro no preenchimento da DIRF, na qual informou valores a maior. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não acatou inicialmente a alegação de erro de fato no prenchimento da DIRF e manteve a autuação. O acórdão recorrido, por sua vez, reconheceu que não havia débito de imposto a ser exigido e, embora refirase a erro no preenchimento da DCTF, tratase, em verdade de erro no preenchimento na DIRF. Notese a diferença entre o recorrido e o paradigma: no caso do recorrido, o alegado erro foi no preenchimento da própria declaração que apurou o imposto devido; no caso do paradigma, o alegado erro foi na DIRF, por meio da qual o Fisco apurou imposto devido maior do que o declarado e pago, o que se constatou não ter de fato ocorrido. As situações são, portanto, bastante distintas. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10073.721801/201416 Acórdão n.º 9202007.014 CSRFT2 Fl. 147 6 Não é possível, portanto, nessas condições, estabelecer o necessário paralelo entre recorrido e paradigma de modo a se afirmar que há dissídio de interpretação de legislação tributária entre ambos. Em verdade, com base nos elementos disponíveis, não se pode afirmar que o Colegiado que julgou o acórdão paradigma, caso se deparasse com situação idêntica ao do recorrido, teria decidido em sentido diverso do que foi ali decidido. Por fim, registrese que o fato de o Fisco proceder ao lançamento, mesmo que tenha havido pagamento antecipado, sem a apresentação da declaração retificadora, não configura hipótese de enriquecimento ilícito por parte do Fisco, que faz o encontro entre os créditos tributário lançados e os pagamentos efetuados. No presente caso, inclusive, verificase do extrato de fls. 63/64 que os valor pagos foram devidamente considerados para fins de extinção do credito tributário referente ao imposto. Ante o exposto, não conheço do Recurso. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000692/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/06/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF
Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão.
O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF.
SÚMULA No. 91 - CARF - Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3201-004.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 138 1 137 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.000692/200530 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.237 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria COFINS Recorrente E.JOHNSTON REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE PIS. PRESCRIÇÃO. 10 ANOS (5+5). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SÚMULA 91/CARF. CONEXÃO. Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF Nos termos do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF, não é obrigatório o Julgador reunir os processos por Conexão. O pedido de restituição (PER) de tributo por homologação, que tenha sido pleiteado anteriormente à 09/06/05, antes da entrada em vigor de LC 118/05, o prazo prescricional é de 10 (dez) anos, conforme Súmula 91/CARF. SÚMULA No. 91 CARF Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 06 92 /2 00 5- 30Fl. 137DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de pedido de Restituição de COFINS pago indevidamente no período de Maio de 1999, protocolado em 08/06/05 na DRF de Araraquara/SP, conforme constante no Pedido de Restituição. Por traduzir a realidade dos fatos, adoto o Relatório da DRJ: (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls. 28/33, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de pedir e na falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir a aferição de sua liquidez e certeza. Cientificado em 04/05/2009, fls. 35, o interessado apresentou manifestação de inconfonnidade em 03/06/2009, fls. 36/47, alegando, em breve síntese: a) Que, através do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.0070375, obteve provimento jurisdicional que lhe autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem o alargamento da base de cálculo estabelecida pelo § 3° da Lei n° 9.718, de 1998; Que, nos meses de março a junho de 1999, auferiu unicamente receitas financeiras e outros tipos de rendimentos não oriundos da venda de bens e serviços, conforme demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as correspondentes alíquotas do PIS e Cofins, efetuando o recolhimento. Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindose as demais receitas não caracterizadas como senda da venda de mercadorias ou serviços; b) C) A partir da exposição dos fatos que originaram o alegado crédito contra a Fazenda Nacional, contesta o decidido pela DRF em Araraquara, a saber: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13851.000692/200530 Acórdão n.º 3201004.237 S3C2T1 Fl. 139 3 Inicialmente alega que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrência no caso. Alega que conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a partir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador. Que o art. 3° da LC 118, de 2005 modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional CTN e, assim, não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005. Que, desse modo, 0 pedido foi apresentado dentro do prazo legal 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC n° 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°. Ainda, alega que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos termos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916 vigente à época.Assim, seguindo a marcha processual normal, a DRJ julgou improcedente o pleito de Reforma do Contribuinte, por entender, que o estaria prescrito, com a seguinte, que sintetiza: os fundamentos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/06/1999 DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1' do art. 150 do CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não ReconhecidoInconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo reforma por entender: Uma vez que 0 trânsito em julgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não há em que se falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido trânsito em julgado. Continua, alegando que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse período corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de Fl. 139DF CARF MF 4 tributação pelo PIS e Cofins, conforme o provimento jurisdicional conquistado Assim, seguindo a marcha processual normal, a DRJ julgou improcedente o pleito de Reforma do Contribuinte, por entender, que o estaria prescrito, com a seguinte, que sintetiza os fundamentos: Assumo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/06/1999 DECADENCIA. INTERPRETAÇAO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo reforma por entender: a) que o prazo de prescrição é de 10 anos, pois, se trata de lançamento por homologação; b) que houve alteração do prazo prescricional com e entrada em vigor da Lei Complementar 118/05, que ocorreu em 09 de junho de 2005; c) que seu pleito é anterior a data da entrada em vigor da LC 118/05; d) pede reunião de demais processos; É o relatório. Voto Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é de considerar que a reunião dos processos por conexão é uma faculdade nos termos do art. do Art. 6., §1º, I, Anexo II do RICARF. Ademais, compulsando o sítio eletrônico do CARF, verificase que alguns processos indicados pelo Contribuinte já foram julgados nesse CARF, assim, não existindo qualquer prejudicialidade na ausência de conexão dos presentes autos. Deste modo, não merece prosperar o pleito do Contribuinte em razão do pedido de conexão. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13851.000692/200530 Acórdão n.º 3201004.237 S3C2T1 Fl. 140 5 É de se trazer a baila que o pleito do Contribuinte é o Pedido de Restituição (PER) de COFINS pago a maior no período de Maio de 1999, requerido em 08/06/05. Ocorre que a DRF e a DRJ compreenderam que a prescrição para pleitear o PER era de 05 (cinco) anos do pagamento, e não da homologação tácita, que tal fundamentação estaria disposto no art. 3º. da LC 118/05. Contudo, sem mais digressões, é de notório conhecimento que a LC 118/05, inovou em razão da contagem da prescrição, existindo grande debate sobre o termo inicial da aplicação do prazo quinquenal da prescrição ao invés do decimal. Contudo, o assunto encontra se sumulado com efeito vinculante por este CARF, vejamos: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. De tal sorte, devese afastar a prescrição do presente caso, uma vez, que não decorreu o período de 10 (dez) anos do lançamento, e o pleito sendo anterior a 09/06/05, ressaltase que nos termos do Art. 75, § 2º, Anexo II, do RICARF, a mencionada súmula encontrase com efeito vinculante. Diante disso, devese ser anulado o Despacho Decisório para afastar a prescrição. Concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão preliminar, aprecie o mérito do litígio. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digiltamente) Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720126/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 28/02/1995
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI 9.439/96. NECESSÁRIA A DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. ÔNUS DO PETICIONÁRIO.
Aplicam-se os termos da nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, dada pela Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, aos pedidos de compensação transmitidos sob sua égide.
Nos pedidos de compensação, necessária a demonstração da liquidez e certeza dos créditos tributários, por exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional, ônus do peticionário da compensação nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI 9.439/96. NECESSÁRIA A DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. ÔNUS DO PETICIONÁRIO. Aplicamse os termos da nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, dada pela Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, aos pedidos de compensação transmitidos sob sua égide. Nos pedidos de compensação, necessária a demonstração da liquidez e certeza dos créditos tributários, por exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional, ônus do peticionário da compensação nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 01 26 /2 00 8- 12 Fl. 1037DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Juiz de Fora/MG, que deferiu em parte solicitação de compensação da contribuinte. Tal decisão fora objeto de Manifestação de Inconformidade, sobre a qual decidiu a então 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, no Acórdão 380302.426, pelo não conhecimento do recurso voluntário, "tendo em vista que a matéria" já teria sido submetida "à apreciação do Poder Judiciário, configurandose renúncia à via administrativa". Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante desse acórdão, em parte: Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 13603.720126/200812 Acórdão n.º 3301005.222 S3C3T1 Fl. 1.038 3 Fl. 1039DF CARF MF 4 Tal acórdão foi atacado por embargos de declaração do próprio Conselheiro relator, por entender haver contradição na decisão então prolatada, posto que "o fundamento da decisão ora embargada não condizia efetivamente, com a realidade dos fatos, ou seja, inexistia a alegada concomitância". Em razão dos embargos, decidiu a mesma turma, no Acórdão 3803000.171, por anular o Acórdão 380302.426 e por converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: [...] Sobreveio manifestação da Delegacia diligenciada, que ao final propôem: retornar o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para esclarecimento quanto a necessidade desta DRF/Contagem/MG permanecer na tarefa adicional do levantamento de Saldos Credores pretensamente utilizados ou não, considerandose não terem sido localizados créditos tributários em aberto relativos a contribuição para o PIS na condição de ser objeto da referida compensação ou ter sido apresentado pela empresa qualquer demonstrativo de como procedeu ao levantamento e utilização do crédito. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 13603.720126/200812 Acórdão n.º 3301005.222 S3C3T1 Fl. 1.039 5 Em despacho à fl. 1035, o Presidente desta 3ª Câmara e desta 3ª Seção de Julgamento concluir encontrarse o processo pronto para julgamento do recurso voluntário, haja vista que: Quanto à alegação da repartição de origem de não localização de créditos tributários do PIS em aberto, passíveis de compensação, devese esclarecer que eventuais créditos da contribuição (que superassem aqueles já compensados com débitos do próprio PIS) somente seriam conhecidos se a Administração tributária tivesse concluído a diligência determinada pela Resolução nº 3803000.171, de 24/05/2012 (fls. 173 a 181). Contudo, tal diligência se frustrou, pois, devidamente intimado (fls. 1.022 e 1.023), o contribuinte não se manifestou, não tendo sido apresentadas, por conseguinte, as informações requeridas por meio do Termo de Intimação de fls. 1.018 a 1.021. Nesse contexto, diante da impossibilidade de se dar sequência à diligência por inércia do interessado, concluise que o presente processo encontrase apto para o julgamento. Fl. 1041DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado foi dado por tempestivo e cumpridor dos demais pressupostos de admissibilidade no Acórdão 3803.024261. O resolução referida conclui não haver concomitância entre as discussões administrativa e judicial: A mesma resolução defende que a decisão embargada deve ser anulada, por ter sido "prolatada com base numa premissa inexistente"; ainda que ressalte servirem os embargos, via da regra, ao "aperfeiçoamento da decisão", ao saneála diante de obscuridade, contradição ou omissão. Assim, decide por acolher os embargos, com efeitos infrigentes, para "anular o acórdão embargado, em razão da ocorrência de contradição entre a decisão e a realidade dos autos, determinandose que outra decisão seja proferida, com fundamento na facticidade dos autos, o que se faz na sequência". Entendo não haver a concomitância antes decidida. É que pela descrição da resolução os objetos das discussões administrativa e judicial são claramente distintos. Quanto à anulação da decisão embargada esta se deu pela turma julgadora e só resta substituíla pela presente. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 13603.720126/200812 Acórdão n.º 3301005.222 S3C3T1 Fl. 1.040 7 A resolução em pauta diz, que no processo judicial em foco, ficou autorizada a compensação de indébitos de PIS apenas com débitos de mesma natureza, nos mesmos termos da petição inauguradora da lide, sempre nos termos da Lei 8.383/81: [...] A resolução coloca também que, no presente processo administrativo, a recorrente quer "se valer da regra prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96". Traz então que o STJ, em ementa reproduzida abaixo, "restringe sua atuação, ao proferir a decisão, ao que restou posto na petição inicial, não ampliando a causa de pedir às normas de direito superveniente, Fl. 1043DF CARF MF 8 com a ressalva de que inexistiria impedimento à compensação nos termos da nova legislção, "desde que presente os requisitos próprios" (grifos da resolução): E conclue que, em obtendo o direito ao crédito pela via judicial, pode compensálos "com débitos de qualquer tributos administrado pela Receita Federal", ao avitre da Lei 9.430/96: Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13603.720126/200812 Acórdão n.º 3301005.222 S3C3T1 Fl. 1.041 9 Este relator verificou que os dois PERD/ COMPs que encabeçam o presente processo (fls 21 e seguintes; renumeradas para fls 45 e seguintes na versão eletrônico) foram transmitidos em 15/07/2003 e 12/08/2003, respectivamente, já sob os efeitos da nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, dada pela Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, de forma a concordar com a possibilidade da compensação "com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados" pela Receita Federal; desde que comprovada a liquidez e certeza dos créditos. Tal comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil; mas restou não cumprida, em vista do não atendimento pelo contribuinte à intimação emitida em sede de diligência, por decurso de a contar da disponibilização daquela na Caixa Postal do eCAC da contribuinte. Fl. 1045DF CARF MF 10 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 1046DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920093/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 00 93 /2 00 9- 22 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.920093/200922 Acórdão n.º 1401002.866 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 5.450,30 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 22612.73381.121206.1.7.040983, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 7.267,07, código 2089, recolhido em 30/04/2003, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.920093/200922 Acórdão n.º 1401002.866 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.920093/200922 Acórdão n.º 1401002.866 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.920093/200922 Acórdão n.º 1401002.866 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.723123/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010, 2011
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Atendidos os requisitos do art. 59 do Decreto n. 70235/72, e proporcionadas plenas condições do contraditório, descabe a alegação de nulidade.
DECADÊNCIA
Na hipótese de não pagamento, aplica-se o art. 173 do CTN, conforme conforme decidido pelo REsp 973.733 RS do STJ.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011
OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
DEMAIS TRIBUTOS (CSLL, PIS E COFINS). DECORRÊNCIA.
Os lançamentos relativos ao IRPJ, ao PIS, à COFINS-e à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende a esses tributos
Numero da decisão: 1401-002.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e por maioria de votos, afastar a arguição de decadência. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito da autuação.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010, 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Atendidos os requisitos do art. 59 do Decreto n. 70235/72, e proporcionadas plenas condições do contraditório, descabe a alegação de nulidade. DECADÊNCIA Na hipótese de não pagamento, aplica-se o art. 173 do CTN, conforme conforme decidido pelo REsp 973.733 RS do STJ. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. DEMAIS TRIBUTOS (CSLL, PIS E COFINS). DECORRÊNCIA. Os lançamentos relativos ao IRPJ, ao PIS, à COFINS-e à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende a esses tributos
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Atendidos os requisitos do art. 59 do Decreto n. 70235/72, e proporcionadas plenas condições do contraditório, descabe a alegação de nulidade. DECADÊNCIA Na hipótese de não pagamento, aplicase o art. 173 do CTN, conforme conforme decidido pelo REsp 973.733 RS do STJ. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010, 2011 OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. DEMAIS TRIBUTOS (CSLL, PIS E COFINS). DECORRÊNCIA. Os lançamentos relativos ao IRPJ, ao PIS, à COFINSe à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende a esses tributos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e por maioria de votos, afastar a arguição de decadência. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 31 23 /2 01 5- 91 Fl. 5248DF CARF MF 2 Silva. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito da autuação. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 4959/5030, através dos quais foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e à Contribuição para o PIS/Pasep. O crédito tributário total importou em R$ 31.564.578,88. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 5031/5052, o lançamento, que se refere aos anoscalendário 2011 e 2012, decorreu da constatação da entrega das DIPJ zeradas e da imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal para determinação do lucro real da empresa. Houve arbitramento do lucro tendo em vista que a escrituração da empresa é imprestável para identificação de sua efetiva movimentação financeira bem como pela ausência de balanço patrimonial trimestral. A contribuinte apresentou impugnação às fls. 5059 a 5153, fazendo, em síntese, as seguintes alegações: PRELIMINARES DA DECADÊNCIA com base no art. 150, § 4º do CTN, por se tratar de lançamento por homologação e considerando que o Auto de Infração foi lavrado em 21/12/2015, temse que o crédito tributário relativo ao PIS e à COFINS, anterior ao período de apuração dezembro 2010, está extinto pela decadência, conforme tabela abaixo: Fl. 5249DF CARF MF Processo nº 10865.723123/201591 Acórdão n.º 1401002.826 S1C4T1 Fl. 5.249 3 para o IRPJ e CSLL temse que o crédito tributário anterior ao período de apuração 4º trimestre/2010 também foi extinto pela decadência: Fl. 5250DF CARF MF 4 a autoridade fiscal em nenhum momento negou ter havido recolhimento dos tributos declarados como também não fez constatação da existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte que impedissem a aplicação da norma contida no § 4º do art. 150 do CTN; para o IRPJ e a CSLL foram deduzidos, nos cálculos da autuação, os valores recolhidos, com relação ao PIS e a Cofins, analisandose a DACON, notase que os débitos foram pagos pela compensação com os créditos de períodos anteriores; transcreve ementa de Acórdão do CARF sobre a matéria. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO há contradição no relato da fiscalização porque o arbitramento do lucro se fundamenta na constatação de imprestabilidade da escrita contábil e fiscal para determinação do lucro real, no entanto, a receita bruta foi aferida por meio do DACON, declaração apresentada pelo contribuinte; a fiscalização encontrou divergência apenas nos valores da ECD, desde à época da fiscalização foi informado pela contribuinte que houve problemas na transmissão, não foram detectadas divergências entre os outros livros e documentos fiscais e contábeis; toda documentação entregue foi desconsiderada pela fiscalização tão somente porque não foram contabilizadas as movimentações financeiras de duas contas bancárias (dentre 16 contas bancárias existentes) no ano calendário 2011 e os livros Diário não possuíam a assinatura do contribuinte, penalizando a impugnante com o arbitramento do lucro nos anos 2010 e 2011; as contas bancárias da Cooperativa de Crédito Guaxupé e Região Ltda. e do Banco Topázio S/A foram abertas somente nos meses de abril e agosto de 2011, respectivamente, e por equívoco não foram registradas na contabilidade no referido ano; tal informação pode ser checada na DIMOF a qual teve acesso a fiscalização e negou acesso ao contribuinte inviabilizando o exercício do contraditório e da ampla defesa, nos termos do art. 5º, inciso LV da CF/1988; Fl. 5251DF CARF MF Processo nº 10865.723123/201591 Acórdão n.º 1401002.826 S1C4T1 Fl. 5.250 5 portanto, se a não contabilização das contas bancárias ocorreu em abril e agosto de 2011, não há fundamento para declarar imprestável toda documentação da impugnante desde janeiro/2010, nos termos do inciso I do art. 531 do RIR/1999; a falta de escrituração de contas correntes bancárias não é suficiente para a desclassificação da escrituração contábil, como aconteceu no caso, transcreve ementas do CARF às fls.5078/5080; a autoridade tributária constrói argumentação falaciosa se valendo de fatos que não representam ilícitos acerca do cumprimento da obrigação tributária principal: 1. ausência de assinatura no livro Diário, no entanto não se informa que todos os demais documentos apresentados estão regulares quanto aos lançamentos contábeis e de acordo com o livro Diário; 2. contas contábeis com 'títulos genéricos' e com vultosas 'quantias e movimentações financeiras', no entanto não identifica qualquer conduta ilícita na movimentação das contas, os princípios e normas contábeis autorizam tal forma de contabilização; 3. zeramento dos saldos das contas 'Bancos' em 31 de dezembro, no entanto deixa de esclarecer que este zeramento contábil é representado exclusivamente por 'transferências entre contas' do próprio contribuinte, não sendo acréscimo patrimonial passível de incidência do IRPJ e reflexos, art. 42, §3º da Lei nº 9.430/1996; a fiscalização baseada em pequenos erros da escrituração pretende arbitrar o lucro para exigir novamente tributos já declarados e recolhidos; a falta de assinatura do contribuinte nos termos de abertura e encerramento do livro Diário se trata de mera formalidade que não tem o condão de invalidar as demais provas carreadas aos autos; a entrega extemporânea da DIPJ não é vedada por lei, apenas é vedada a denúncia espontânea com base no art. 138 do CTN, diante dos demais documentos resta claro que os tributos declarados foram regularmente recolhidos; as contas com título genérico estão de acordo com as normas e princípios contábeis: 1. conta 1.1.1.04.000041180 Transitória Lcto Integração se trata de conta própria do sistema interno da empresa que exige uma conta de transição de alguns valores para trazer por integração a contabilização de alguns impostos sobre remessa de mercadorias, mesmos valores lançados a débito e a crédito não influenciando outras contas, fato atestado no item 32, fl. 17, do Termo de Verificação de Infração Fiscal; 2. conta 1.1.2.01.0000133 Clientes Diversos e conta 1.1.2.01.00999726 Clientes Diversos são utilizadas, em função do grande montante de movimento dos recebíveis, para facilitar a contabilização das movimentações de clientes; não foi solicitado à impugnante explicações sobre essas contas contábeis que foram utilizadas como justificativa para aplicação do art. 530, inciso II, "a" do RIR/1994 e consequente arbitramento do lucro por 'vícios, erros ou deficiências' sem individualização dos fatos; Fl. 5252DF CARF MF 6 afronta ao Princípio da Moralidade Administrativa previsto no art. 37 da CF/1988; nulidade do lançamento por não atender aos requisitos do art. 142 do CTN, (art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e art. 39 do Decreto nº 7.574/2011) porque não houve a necessária identificação da conduta irregular do contribuinte bem como não há identificação da matéria tributável, a falta de contabilização de duas contas bancárias a partir de abril de 2011 não retira da autoridade tributária o dever de analisar individualmente, provar e indicar expressamente o fato gerador passível de tributação do IRPJ e reflexos. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS o lançamento do PIS e da COFINS com base na sistemática cumulativa teve como razão a apresentação pelo contribuinte de DCTF zeradas, entretanto na DACON foram declarados seus débitos mensais de PIS e COFINS de 01/2010 e 12/2012, nos valores respectivos de R$ 3.000.000,00 e R$ 14.000.000,00 ; com base nas leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 tais débitos foram "pagos" com a utilização de créditos disponíveis das referidas contribuições, portanto, conjugado com o fato da ilegalidade do arbitramento do lucro, indubitável reconhecer ser indevida a exigência relativa ao PIS e a COFINS; para corroborar sua tese transcreve entendimento do CARF no Acórdão nº 1201001.227, da 2ª Câmara, 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento; frisese, o valor recolhido a título de PIS e COFINS no decorrer dos anos 2010 e 2011, pelo regime não cumulativo, é muito superior ao valor exigido pela fiscalização, caso sejam mantidas as exigências, deveriam ser deduzidos os valores recolhidos anteriormente; pede nulidade da autuação do PIS e da COFINS por não ter sido calculado corretamente o suposto montante devido das contribuições. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA COM RELAÇÃO AO ACESSO ÀS INFORMAÇÕES DA DIMOF a autoridade tributária não garantiu ao contribuinte o acesso às informações contidas na DIMOF para que fossem prestados esclarecimentos; ao intimar a contribuinte para prestar esclarecimentos sobre informações as quais não teve acesso, resta caracterizada violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, art. 5º incisos LIV e LV da CF/1988; pede nulidade da autuação com base no art. 59 do Decreto nº 70235/1972 por preterição do direito de defesa. DO PEDIDO pede cancelamento da autuação referente ao período 01/2010 a 12/2011; seja declarada a decadência do crédito tributário relativo ao PIS e COFINS referentes aos períodos de apuração anteriores a dezembro/2010 e relativo ao IRPJ e CSLL para os períodos de apuração anteriores ao 4º trimestre/2010, com base nos art. 156, inciso V e 150, § 4º, do CTN; Fl. 5253DF CARF MF Processo nº 10865.723123/201591 Acórdão n.º 1401002.826 S1C4T1 Fl. 5.251 7 protesta pela produção de todos os meios de provas admitidos em direito, pela realização de sustentação oral nas instâncias superiores e juntada posterior de documentos comprobatórios do direito alegado; que todas as intimações da impugnante sejam feitas, sob pena de nulidade, em nome dos advogados que cita. Quando do julgamento na DRJ a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Não existe, no âmbito da legislação processual tributária, previsão para realização de sustentação oral, pela defesa, durante a sessão de julgamento de primeira instância. IMPUGNAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo de decadência de cinco anos contase a partir da data da ocorrência do fato gerador. Esta regra é excepcionada nas hipóteses em que não houver pagamento antecipado ou em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 5254DF CARF MF 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A falta de escrituração de contas bancárias torna a contabilidade imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, autorizando o arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 Regime nãocumulativo. Lucro Arbitrado. Impossibilidade. A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanece sujeita ao regime cumulativo no que importa à Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 Regime nãocumulativo. Lucro Arbitrado. Impossibilidade. A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanece sujeita ao regime cumulativo no que importa à Contribuição ao PIS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, interpôs a recorrente recurso voluntário a esse Conselho alegando as mesmas razões da Impugnação, quais sejam: 1) Cerceamento ao direito de defesa do contribuinte com relação ao acesso às informações das Declarações de Informações Financeiras DIMOF; 2)Decadência do direito do fisco em constituir parte do crédito tributário 3) Nulidade do lançamento tributário por ausência de razoabilidade e proporcionalidade para o arbitramento do lucro para a apuração do IRPJ e CSLL e seus reflexos na apuração do PIS e da COFINS; Fl. 5255DF CARF MF Processo nº 10865.723123/201591 Acórdão n.º 1401002.826 S1C4T1 Fl. 5.252 9 4) Nulidade do lançamento por erro na apuração do "quantum debeatur" do PIS e da COFINS. Esse é o relatório do essencial. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora Tendo em vista que o Recurso Voluntário interposto invoca as mesmas razões da Impugnação, aplico o Regimento Interno desse Conselho, art. 57, § 3º, nos seguintes termos abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Assim, adoto as razões decididas em primeira instância, complementandoas a seguir, conforme abaixo: O Recurso é tempestivo, portanto, dele conheço. Importante ressaltar que apesar de a contribuinte alegar vários princípios e nulidades, não foram juntados aos autos qualquer novo documento para comprovar os fatos alegados. 1) Da Nulidade Fl. 5256DF CARF MF 10 A impugnante alega a nulidade do procedimento fiscal, sob a alegação, entre outras, de que teria havido cerceamento do direito de defesa em função da não possibilidade de acesso às informações da DIMOF. Acerca das nulidades, cumpre transcrever o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) O exame dos autos evidencia que não se caracterizou nenhuma das situações arroladas no referido dispositivo, inexistindo dúvidas quanto à competência da autoridade lançadora, nem havendo que se falar em preterição do direito de defesa em se tratando de atos administrativos de lançamento. Estes são impugnáveis na forma da legislação em vigor, garantindose, assim, a observância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. O que se constata é que o lançamento observou as prescrições contidas no Decreto nº 70.235/1972, estando demonstrados no processo a fundamentação legal, a matéria tributável e os fatos motivadores da autuação, permitindo à impugnante conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa, como efetivamente o fez. Portanto, não assiste razão à impugnante quanto à alegação de nulidade do feito por cerceamento do direito de defesa. De rejeitarse, por conseguinte, a preliminar de nulidade. As alegações relativas ao arbitramento do lucro e ao regime cumulativo de apuração do PIS e da COFINS, DIMOF, por se tratarem de questões ligadas ao mérito da autuação, serão analisadas posteriormente nesse voto. 2) Decadência Com relação à decadência, altero meu entendimento para considerar aplicável o art. 173 do CTN quando não houver qualquer pagamento de tributo, ressaltando que a compensação efetuada equivale à pagamento. Afinal, o art. 156 do Código Tributário Nacional tem em seu inciso "II" a compensação como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; (...) Fl. 5257DF CARF MF Processo nº 10865.723123/201591 Acórdão n.º 1401002.826 S1C4T1 Fl. 5.253 11 Isso porque a inexistências de pagamento de tributo que deveria ser lançado por homologação ou a prática de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo ensejam a prática do lançamento de ofício ou revisão de ofício, previsto no art. 149. Inaplicável se torna, então, a forma da contagem disciplinadas no art. 150, §4º, própria para a homologação tácita do pagamento (se existe). Ao lançamento de ofício, que ocorre quando não há qualquer pagamento, ou compensação, aplicase a regra do prazo decadencial de cinco anos e a forma de contagem fixada no art. 173. Portanto, aplico ao PIS, à COFINS ao IR e a CSSL, tendo em vista que a contribuinte apresentou suas DCTF "zeradas", não havia o que o fisco homologar, sendo resguardado, nesse caso, ao fisco o prazo de 05 anos do exercício subseqüente. Ou seja, nesse caso, aplicase o art. 173, I do CTN, conforme decidido pelo REsp 973.733 RS do STJ. Nesse sentido, nego provimento à decadência conforme requerido pelo recurso voluntário e cito as razões da DRJ para reforçar meu entendimento: Da Decadência A defendente argumenta que o crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram em período anterior a dezembro/2010 para o PIS e a COFINS e anterior ao 4º trimestre/2010 para o IRPJ e a CSLL, foi atingido pela decadência, haja vista o transcurso do lapso temporal de 5 anos, a contar da ocorrência do respectivo fato gerador, em conformidade com as disposições contidas no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, CTN. Para análise do prazo decadencial, relativamente ao IRPJ e à CSLL, fazse necessário esclarecer, com base nos elementos constantes dos autos, que a contribuinte, nos anoscalendário 2010 e 2011, apresentou as respectivas DIPJ zeradas, conforme Termo de Verificação de Infração Fiscal nº 0083/2015/09, fl. 5031, e dados do Portal IRPJ. Relativamente ao PIS e à COFINS não houve qualquer recolhimento. Entende esse órgão colegiado restar caracterizada a ocorrência de dolo por parte da contribuinte com a entrega reiterada de DIPJ com valores zerados. E, na falta de pagamento do tributo ou na caracterização de dolo, fraude ou simulação a tipificação legal se desloca do artigo 150, § 4º, para o artigo 173, inciso I, do CTN, extinguindose o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Isso porque: 1não havendo pagamento, não há o que se homologar; 2o § 4º do artigo 150 do CTN explicita que o prazo ali contido só se aplica se não ficar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso em espécie restou provada, conforme explanado anteriormente, não existir pagamento do PIS e da COFINS e Fl. 5258DF CARF MF 12 ainda ter incorrido em dolo a contribuinte. Daí aplicarse o prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do CTN. Logo, considerando que o fato gerador (mais antigo) se completa em 31/01/2010, somente a partir de seu vencimento, que ocorreu em 25/02/2010, poderia ser efetuado o lançamento. Como, de acordo com o dispositivo legal, o prazo para contagem da decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência dessa situação condicional, temse sua implementação em 01/01/2011. Portanto, o transcurso do prazo decadencial estaria completo em 01/01/2016. Pelo exposto, o lançamento, com ciência em 21/12/2015, não foi alcançado pela decadência. Diante do exposto voto por rejeitar a preliminar de decadência levantada. Quanto ao mérito, também não guarda maior sorte a contribuinte que repisa todos os argumentos anteriores e não junta aos autos qualquer documento capaz de alterar o entendimento desse julgador, senão, vejase: Do Mérito Através do lançamento de que se trata, foi efetuado o arbitramento do lucro nos anoscalendário 2010 e 2011, em relação aos quais a interessada, optante pela tributação na forma do Lucro Real trimestral, apresentou as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) zeradas. Cabe salientar que a apuração pelo lucro arbitrado não se constitui em uma sanção tributária, mas apenas numa modalidade de apuração do imposto, autorizada por lei, quando for impossível a apuração do imposto devido pelo lucro real. Vejase o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ARBITRAMENTO NÃO É PENALIDADE O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro (Ac. CSRF/010.123/81). É certo também, que o arbitramento do lucro é medida extrema e que só deve ser utilizada como último recurso, por ausência total de condições de se apurar o lucro real, conforme sedimentado entendimento da jurisprudência administrativa. Para a tributação com base no lucro real, a lei exige que a pessoa jurídica mantenha escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Assim, a sua escrituração contábil deve permitir a apuração do lucro líquido do períodobase e os respectivos ajustes de adição e exclusão. Impõe a legislação ainda, que a escrituração abranja todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos auferidos no exterior. Fl. 5259DF CARF MF Processo nº 10865.723123/201591 Acórdão n.º 1401002.826 S1C4T1 Fl. 5.254 13 Salientese também, que a empresa optante pela tributação de seus lucros na modalidade lucro real, como a interessada nos anoscalendário 2010 e 2011, está obrigada a prestar informações contábeis e fiscais junto ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), conforme artigo 2º, Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, in verbis: Art. 2º O Sped é instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração comercial e fiscal dos empresários e das sociedades empresárias, mediante fluxo único, computadorizado, de informações. § 1º Os livros e documentos de que trata o caput serão emitidos em forma eletrônica, observado o disposto na Medida Provisória nº 2.200 2, de 24 de agosto de 2001. § 2º .... O arbitramento de que se trata foi efetuado tendo em vista os preceitos do art.530, inciso II, alínea "a" do RIR/1999, que estabelece: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I ... II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou ..." No caso em análise, a interessada, regularmente intimada em diversas oportunidades, atendeu parcialmente às intimações efetuadas, deixando de apresentar justificativas às divergências verificadas entre os valores escriturados no Livro Razão e a ECD Escrituração Contábil Digital e os valores constantes da DIMOFDeclaração de Informações sobre Movimentação Financeira no período janeiro/2010 a dezembro/2010, conforme demonstrativo à fl. 5038: Fl. 5260DF CARF MF 14 Na ocasião o contribuinte foi intimado, conforme descrição à fl. 5038, a no prazo de 10dias: Em resposta a autuada, por seu representante legal, admite ter entregue ECD com erros e afirma ter pretensão de retificar. Admite, por equívoco, não ter contabilizado no anocalendário 2011 duas de suas contas bancárias. Quanto as diferenças apuradas com base na DIMOF o contribuinte afirma se deve à prática de descontos de duplicatas para obtenção de recursos financeiros. Para comprovar junta planilhas denominadas Mebras B. Brasil, Mebras Mercantil, Mebras Intermedium e Mebras Votorantim. No entanto, a fiscalização constatou os dados das planilhas não guardam pertinência com os livros contábeis obrigatórios. Conforme análise relatada no Termo de Verificação de Infração Fiscal, item 19, fls.5039/5042. Fl. 5261DF CARF MF Processo nº 10865.723123/201591 Acórdão n.º 1401002.826 S1C4T1 Fl. 5.255 15 Assim, diante da ausência de justificativas para as diferenças apuradas e da ausência de contabilização de duas contas bancárias, Banco Topázio S/A e Cooperativa de Crédito Guaxupé e Região Ltda., procedeuse à apuração dos lucros dos anoscalendário de 2010 e 2011 na forma do lucro arbitrado, conforme detalhadamente relatado e justificado no Termo de Verificação de Infração Fiscal, nos ítens 9/41, fls. 5033/5051, nos quais são apontadas, entre outras, as seguintes irregularidades: Na sua impugnação, a interessada argumenta que a desconsideração da sua contabilidade é medida totalmente descabida na hipótese, eis que as supostas falhas apontadas não têm o condão de fulminar a escrita fiscal analisada, sobretudo se considerado que a fiscalização utilizouse de dados retirados da DACON, apresentada pelo contribuinte, para embasar a lavratura do auto de infração, qual seja, a sua receita bruta. Ocorre que, ainda que tais elementos tenham sido fornecidos pela interessada, esse fato não supre a necessidade da manutenção da escrituração contábil regular e de toda a documentação que a ampara, na forma determinada pela legislação de regência. Sobre esse questionamento, vale ressaltar, que uma das formas de apuração do lucro arbitrado é exatamente a que é determinada mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos do RIR/1999, acrescidos de vinte por cento, sobre a receita bruta conhecida, na forma prevista no art.532 do RIR/1999 a seguir transcrito, conforme utilizado no auto em análise: Art.532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art.394, §11, quando conhecida a receita bruta, Fl. 5262DF CARF MF 16 será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art.519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei 9.249, de 1995, art.16 e Lei 9.430, de 1996, art.27, inciso I). grifouse Ou seja, os elementos disponibilizados à fiscalização, ainda que insuficientes para a apuração do lucro real, em vista das diversas irregularidades apontadas, permitiu a apuração da receita bruta auferida pela interessada, possibilitando, assim, que o cálculo do lucro arbitrado fosse efetuado pela sistemática do art.532 transcrito. Para demonstrar a imprestabilidade da escrituração, a autoridade fiscal elencou várias irregularidades e a impugnante trouxe argumentos de defesa para praticamente todas. O objetivo da presente análise é verificar a procedência, ou não do arbitramento do lucro e não a procedência de cada uma das irregularidades apontadas. Não há assim, imperiosamente, a necessidade de analisar uma a uma essas irregularidades, se parte do conjunto probatório é suficiente para a formação da convicção do julgador. Assim é que, neste processo, mesmo que todas as demais irregularidades da escrita apontadas pelo agente do fisco fossem infirmadas, ainda assim restaria plenamente confirmada a necessidade do arbitramento, pelas razões já expostas. Logo, restaram comprovadas as razões que levaram ao arbitramento do lucro, ou seja, escrituração com vícios erros e deficiências que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária e imprestável para apurar o Lucro Real. Por outro lado, a impugnação não trouxe qualquer justificativa ou documento capaz de infirmar as constatações feitas durante o procedimento fiscal. Correta, portanto, a adoção do Lucro Arbitrado como forma de apuração dos resultados, com base no Art. 530, inciso II, alínea "a" do RIR/1999. A contribuinte se insurge contra a aplicação da sistemática cumulativa para o cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que o cálculo com base no regime cumulativo se deu em razão da entrega das DCTF zeradas. Defende, em face da entrega da DACON, deveriam ser considerados os créditos e débitos declarados. Alega ilegalidade do arbitramento. A tributação do PIS e da COFINS pela sistemática cumulativa se deu em função do arbitramento do lucro vez que a sistemática não cumulativa dessas contribuições é exclusiva para os contribuintes tributados com base no lucro real, conforme legislação que rege a matéria: Lei nº 10.637, de 2002 – que dispõe sobre a não cumulatividade do PIS (...) Art. 8º. Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: Fl. 5263DF CARF MF Processo nº 10865.723123/201591 Acórdão n.º 1401002.826 S1C4T1 Fl. 5.256 17 (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...) Lei nº 10.833, de 2003 – que dispõe sobre a não cumulatividade da Cofins (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; O arbitramento do lucro foi considerado devidamente efetuado conforme análise anterior. As pessoas jurídicas de direito privado, e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, que tenham o IRPJ apurado com base no lucro arbitrado estão sujeitas à incidência cumulativa. A base de cálculo é a receita operacional bruta da pessoa jurídica, sem deduções em relação a custos, despesas e encargos. Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS são, respectivamente, de 0,65% e de 3%. Cabe citar a legislação aplicável à sistemática cumulativa, própria da apuração do IRPJ com base no lucro arbitrado, como no caso em análise. Lei nº 9.718/98 (apuração cumulativa) Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Fl. 5264DF CARF MF 18 Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (...) O art. 2º da Lei n° 9.718/1998 dispõe que as contribuições para a COFINS e o PIS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, o qual, nos termos do caput do art. 3º dessa mesma Lei, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Não há como atender o pleito da contribuinte relativo à apuração do PIS e da COFINS em base não cumulativa. Quanto a alegada afronta a princípios constitucionais, cumpre informar que esta instância julgadora não tem competência para análise da questão. Nesse sentido já se pronunciou a Receita Federal por meio do Parecer Normativo CST n.º 329, de 1970: “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional”. Acresçase, os órgãos de julgamento não podem afastar a aplicação ou deixar de observar disposições de lei, ao argumento de inconstitucionalidade. Isso é o que dispõe o art. 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que alterou o Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 25. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A matéria já se encontra sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação à solicitação de juntada posterior de provas, esclareçase que a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, o que não restou atendido nestes autos. Fl. 5265DF CARF MF Processo nº 10865.723123/201591 Acórdão n.º 1401002.826 S1C4T1 Fl. 5.257 19 Por fim, quanto ao pedido de sustentação oral, cumpre esclarecer que não existe, no âmbito da legislação processual tributária, previsão sobre tal manifestação na fase de julgamento administrativo de 1ª instância. Na presente etapa processual, a manifestação do contribuinte se dá tão somente por escrito, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 19721. No que respeita aos lançamentos reflexos, aplicase, mutatis mutandis, o que foi decidido quanto ao lançamento matriz, dada a íntima relação de causa e efeito entre eles. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade quanto à decadência do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ nego provimento. No mérito considero improcedente a recurso voluntário, para manter a totalidade do crédito tributário. Letícia Domingues Costa Braga Relator Fl. 5266DF CARF MF
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