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Numero do processo: 10540.001560/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/03/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/03/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 15 60 /2 00 7- 11 Fl. 177DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10540.001560/200711 Acórdão n.º 2202004.201 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720231/2011-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
É obrigatória a entrega da DCTF, para entidades sem fins econômicos e/ou fundação pública municipal.
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
Restando caracterizada a entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais-DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1001-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DCTF. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. É obrigatória a entrega da DCTF, para entidades sem fins econômicos e/ou fundação pública municipal. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais-DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente FUNDAÇÃO DE CULTURA E TURISMO DE PETRÓPOLIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. É obrigatória a entrega da DCTF, para entidades sem fins econômicos e/ou fundação pública municipal. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 02 31 /2 01 1- 11 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13748.720231/201111 Acórdão n.º 1001000.055 S1C0T1 Fl. 73 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS), mediante o Acórdão nº 1045.899, de 22 de agosto de 2013 (efls. 42/44), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 29) com a exigência do crédito tributário no valor de R$ 831,49 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 11/04/2011, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1º semestre de 2008, cujo prazo final era 07/10/2008. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação argumentando que somente entregou a referida declaração para obter certidões negativas, pois está dispensada dessa obrigação, conforme art. 5º, inciso IV, das IN RFB 786 e 903/2008. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora do prazo previsto na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação da penalidade legal. Ciente da decisão de primeira instância em 10/10/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 48, a recorrente apresentou recurso voluntário em 11/11/2013 (efls. 49/68), conforme carimbo de recepção à efl. 49. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que somente entregou a referida declaração para obter certidões negativas, pois está dispensada dessa obrigação, conforme art. 5º, inciso IV, das IN RFB 786 e 903/2008. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13748.720231/201111 Acórdão n.º 1001000.055 S1C0T1 Fl. 74 3 Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Os atos administrativos citados pela defesa, dispõem o seguinte: IN RFB 786/2007 (DOU 23/11/2007) Art. 5º Estão dispensadas da apresentação da DCTF: [...] IV as autarquias e as fundações públicas federais. [...] Art. 15. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de janeiro de 2006, em relação ao disposto no inciso IV do caput do art. 5º; [...] III para fatos geradores que venham a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 2008, em relação aos demais dispositivos. IN RFB 903/2008 (DOU 31/12/2008) Art. 5º Estão dispensadas da apresentação da DCTF: [...] IV os órgãos públicos da administração direta da União; e V as autarquias e as fundações públicas federais. [...] Art. 15 . Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art. 16 . Fica revogada, a partir de 1º de janeiro de 2009, a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007. O contribuinte, de acordo o Estatuto Social (fl. 7), é uma entidade com personalidade jurídica de direito público, sem fins lucrativos, com patrimônio próprio, instituída na forma da Lei Municipal nº 5.107, de 1994, como órgão da administração indireta do município de Petrópolis, ou seja, é uma fundação pública municipal (fl. 18). Os atos normativos alegados pela defesa estabelecem a dispensa de apresentação da DCTF somente para fundações públicas federais. Diante do exposto, tendo em vista que o contribuinte não está dispensado da apresentação da DCTF, voto por julgar improcedente a impugnação para manter o valor lançado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, de forma a manter a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF no valor de R$ 831,49. (assinado digitalmente) Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13748.720231/201111 Acórdão n.º 1001000.055 S1C0T1 Fl. 75 4 Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13910.720004/2012-39
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.
A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 62 1 61 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13910.720004/201239 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.021 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria Penalidades/Multa por atraso na entrega de declaração Recorrente IZUMI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 72 00 04 /2 01 2- 39 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação Fiscal (efl. 09), mediante a qual é exigido o valor de R$ 14.232,83, decorrente de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao período de 01/07/2008 a 31/12/2008. O prazo final estabelecido em lei para o cumprimento da obrigação acessória era até o dia 07/04/2009, mas a Contribuinte só a cumpriu em 02/12/2011 (efl. 09). Cientificada da exigência fiscal, a Interessada interpôs impugnação. A decisão de primeira instância (efls. 51/54) manteve o crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 08/01/2013 (efl. 55) a Interessada interpôs recurso voluntário em 07/02/2013 (efls. 56/60), em que aduz, em resumo (repetindo os argumentos da impugnação): (...) uma vez apresentada a declaração e reconhecendo o contribuinte o seu débito para com o Fisco, configura denúncia espontânea, haja vista que a notificação é gravada no programa gerador da DCTF somente após realizada a transmissão, ou seja, fica claro e evidente que o contribuinte ADIANTOUSE à notificação do Fisco. (...) No caso em tela, há que se observar que todos os débitos informados na referida declaração encontramse devidamente quitados nos seus respectivos vencimentos (...) Considerando que se não tivesse havido a atitude da Impugnante em declarar seu débito, não teria sido notificada, ou seja, a informação por parte da empresa aconteceu antes da notificação, o que caracteriza claramente a Denúncia Espontânea, conforme o próprio texto legal assim estabelece. (...) Em casos que se configure denúncia espontânea, é pacífica a decisão do STJ que já se posicionou contrário à aplicação de qualquer espécie de multa, seja ela de caráter moratória ou punitiva.(...) Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Considerando que a recorrente repete os fundamentos que apresentou na impugnação, adoto aqui as razões daquela decisão de primeira instância (efls. 51/54) por entender que reflete a melhor interpretação dos fatos e do direito aplicável. Daquela decisão destaco, em resumo: mesmo nos casos de entrega espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco, a aplicação da multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13910.720004/201239 Acórdão n.º 1001000.021 S1C0T1 Fl. 63 3 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. a exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN) se refere à multa de ofício que acompanha a obrigação principal. a multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal; o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração com a devida redução da multa à metade. Adiciono, no que se refere à decisão judicial (Resp 001.6672/SP, 2T/STJ ) apresentada pela recorrente, que esta referese à cobrança de multa de mora (e não a multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002), relacionase a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi parte do processo e tratase de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no artigo do 62 RICARF (Portaria MF nº 343, de 2015). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000530/2003-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO-IRREGULARIDADE DO-MPFNão
é irregular o Mandado de Procedimento Fiscal cujo prazo de execução
foi regularmente prorrogado, por via eletrônica, na forma da legislação
aplicável
OMISSÃO DE RECEITAS - SALDO CREDOR DE CAIXA - CHEQUES
LANÇADOS A DÉBITO DA CONTA CAIXA - O saldo credor apurado
após a recomposição da conta caixa autoriza a presunção de omissão de
receitas. Os cheques emitidos pela empresa em favor de terceiros, se lançados
a débito da conta-caixa, deverão contemplar idêntico registro de saída
igualmente ricto, para que opere a neutralidade da sistemática contábil
adotada, Apenas caso não fique comprovado o registro de saída é legítima a
recomposição da conta-caixa com a exclusão dos valores indevidamente
registrados como ingressos de numerário.
LANÇAMENTOS DECORRENTES
Aplica-se aos lançamentos PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à
exigência principal de IRPI, devido à vinculação entre os mesmos.
Recurso voluntário negado,
Numero da decisão: 1401-000.307
Decisão: ACORDAM os membros da 4° Câmara / 1° Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO-IRREGULARIDADE DO-MPFNão é irregular o Mandado de Procedimento Fiscal cujo prazo de execução foi regularmente prorrogado, por via eletrônica, na forma da legislação aplicável OMISSÃO DE RECEITAS - SALDO CREDOR DE CAIXA - CHEQUES LANÇADOS A DÉBITO DA CONTA CAIXA - O saldo credor apurado após a recomposição da conta caixa autoriza a presunção de omissão de receitas. Os cheques emitidos pela empresa em favor de terceiros, se lançados a débito da conta-caixa, deverão contemplar idêntico registro de saída igualmente ricto, para que opere a neutralidade da sistemática contábil adotada, Apenas caso não fique comprovado o registro de saída é legítima a recomposição da conta-caixa com a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos de numerário. LANÇAMENTOS DECORRENTES Aplica-se aos lançamentos PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência principal de IRPI, devido à vinculação entre os mesmos. Recurso voluntário negado,
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO-IRREGULARIDADE DO-MPF- Não é irregular o Mandado de Procedimento Fiscal cujo prazo de execução foi regularmente prorrogado, por via eletrônica, na forma da legislação aplicável OMISSÃO DE RECEITAS - SALDO CREDOR DE CAIXA - CHEQUES LANÇADOS A DÉBITO DA CONTA CAIXA - O saldo credor apurado após a recomposição da conta caixa autoriza a presunção de omissão de receitas. Os cheques emitidos pela empresa em favor de terceiros, se lançados a débito da conta-caixa, deverão contemplar idêntico registro de saída igualmente ricto, para que opere a neutralidade da sistemática contábil adotada, Apenas caso não fique comprovado o registro de saída é legítima a recomposição da conta-caixa com a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos de numerário. LANÇAMENTOS DECORRENTES Aplica-se aos lançamentos PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência principal de IRPI, devido à vinculação entre os mesmos. Recurso voluntário negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 1" Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ctirptii.ilniont .:ii. em 117:10/20 It) VIIILV‘IIE VIDAL VVAGUIER 2J.H:it»::::Ut1t) por ALEXANDRE ANTONIO ALIM',11 M Autri nt¡ L,,aric niot;u2.:ItE) t..ior ALEXANDRE ANI.Oill() Emitido C:F1) r)81i)/2n i O pel() rviiI)iStrif) d Zelldn çC1PAL L3S Je1ULTA ?5D.93 I 47.1137,•51 Ji 43.&,2 ; 14-3.5.7B,74. ?0,52 1 11T..;4',"11-14 1133.29e. I 1 .13.14,24J221._ 10.07 F 4.2:2,54 rn.sss,,p5 2.191.1,43G 2 .19.28E 611, RIBUTO PR1NC1PAL FiF)J 1511.2.5D.93 I 47.! CSLL PIS_ _ 11.670,52 -! 21503.22 I 1 CenNS f5.140.07 F 4.7 ToTAL Dl CARI ; MI . El 2 Processo n" 11516.00053012003-15 s1-C411 Acórdão n " 1401-00.307 Fi 425 Viviane Vidal Wagner - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator 1 3 Ottn ''''G Participaram da sessão os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (relator), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias, Relatório trata o presente feito de exigências de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Reflexos (CSLL, COFINS e PIS), referentes ao ano de 1998, formalizadas em razão da imputação de omissão de receitas, caracterizadas por saldo credor de caixa. Segundo se extrai do relatório proferido pela DRJ: 1- Do Auto de Infração • O Auto de Inflação lavrado contra a empresa acima identificada (lis 198/201) formaliza a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ relativo a fluo geiado,- ocorr ido em outubro de 1998. Em decorrência, firam lavrados os Autos de Inflação: Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS (fls. 202/205), Contribuição para a Seguridade Social - COFINS (fls. 210/213) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Oh 206/209), por falta /insuficiência do tributo. Os valores apurados encontrain-se demonstrados a seguir Depreende-se da Descrição dos Fatos, fls. 199, 20.3, 211 e 207 e Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização, fls. 188/197, que a autuação é decorrente da constatação de omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, apurado em setembro de 1998 no valor de R$ . 21,003 com fiindamento ,1(?.5- atos- a sey_firdOcriminados. U;¡"10r,-::U1(.1 r,or 'AL +Plf;,::,1,1,-,1* 2W0!..1,;,..!0 -,:luf,jp) NI TEIM-: :1{.1:q11.110 por AUT:::.(iN,NJDRI ANTONIO i p:'4.) 1)1 . CARI . N,11' 11 3 Processo n" 11516 000530/2003-15 S1-C4T1 Acórdão n." 1401-00,307 FI 426 IRPII 1, 199: artigos 19.5 e inciso II, 197 e parágrafo único, 226 e 228, todos do Regulamento do Imposto de renda Aprovado pelo Decreto n° RIR/94 PIS, ff203: art. e 3' alínea "h" da Lei complementar n" 7/70, art. 1°, parágralb único, da Lei complementar n° 17/73, Titulo 5, capitulo I, seção I, alínea "b", itens 1 e II, do Regulamento do PLS/PASEP, aprovado pela Portaria ME n° 142/82, art. 24„s1; 2°, da Lei n° 9,249/95; arts. 2°,e inciso I, 3 0, 8', inciso I, e 9° da Medida Provisória n° 212/9.5 e suas reedições, convalidadas pela Lei n°9.71.5/98. CSLL, 207:, art. 2o e §§, da Lei na 7,689/88; art. 19 e 24 da Lei n°9249/95; I' da Lei n°9.316/96 e art. 28 da Lei n°9 430/96; Cotins, ff 21 L arts 1° e .2° da Lei complementar if 70/91; ar!. 24, § 2°, da Lei n°9.249/95 Do Procedimento Fiscal. Os autos consignam que em 20/12/2002, a Impugnante foi intimada, fl. 012, a "justificar, mediante a apresentação de documentas hábeis e idôneos coincidentes em datas e valores devidamente listados em planilha o saldo credor de sua conta 1.1.1 01_00.2 — caixa geral no valor de R$ 1.186,689,42, ocorrido no dia 29/09/98, confirme pagina 069 de seu livro Razão 0.24", Em correspondência, lis 014, a hiipugnante esclarece que no último dia do mês foram feitos muitos lançamentos que .fbrani efetivamente realizados durante todo o mês. Esclarece também que as Notas Fiscais com vencimentos no mês de sua emissão foram consideradas como compras a vista, embora o seu pagamento efetivo tenha sido feito em data posterior do mesmo mês Efetuando os ajustes e apresentando a documentação que serviu de base para os lançamentos comprovamos que o caixa da empresa intimada não apresentou saldo credor durante o mês em questão, confirme planilha, fl. 016, - Fluxo de Caixa mês de setembro que consolida por dia os débitos e créditos da conta Coisa A empresa Novo Espaço Engenharia Lida, que mantém relacionamento comercial com a fiscalizada, fbi intimada a apresentar fotocópia do livro Razão referente ao mês de setembro de 1998 (para comprovar todos os pagamentos e recebimentos da Clemar Engenharia Lida) e juntou os documentos de fls. 049/059, que comprovam que no dia 30/09/1998 não fbram fritos pagamentos para Clemar Engenharia Lida no valor de R$ 11.5..569,79 (fl. 047/058); por conseguinte concluiu-se que o lançamento a débito de coisa no valor de R$ 115 569,79, no dia 30/09/1998, não existiu. `v1()AL VVAGNER. 2 .;-.3.1 ...v.').2011) por ALEXANDRE RN10111.r) N.1 Aute. nt1c.<3(..t0 2)!)•:?..;) ALF.XA n,:DRE P-1-.IT()NE(:) v}alw2oir Processo n" 11516.000530/2003-15 Acórdão n " 1401-00,307 S1-C4 f I F1 427 IN: . C ARI MI' I. A, Foram analisadas cópias de diversos cheques (fls. 164/187) lançados a débito da conta caixa, cujas contrapartidas a crédito desta conta não foram encontradas no fluxo de caáa apresentado. A partir destas constatações, organizou-se nova planilha de fluxo da conta caixa com a retirada do valor R$ 115.569,79 que havia sido lançado a débito da conta caixa em 30/09/1998 e o lançamento a crédito dos cheques acima referidos tendo sido apurado saldo credor de R$ 2.57 003,74 ocorrido em 30/09/1998, que foi objeto de lançamento de gficio A empresa foi cientificada dos lançamentos, constantes deste processo (IRPJ, PIS, CUPINS e CSLL), em 17 de março de 2003, lis 198, 202, 210 e 206„ : em 16 de abril de 2003 apresenta impugnação, lis 223/244, II - Da Impugnação. Inicialmente noticia que apresenta impugnação por meio de seu procurador, onde recebe intimações. Em preliminar, discorrendo sobre a atividade de lançamento e citando doutrina e jurispiudência, argúi a nulidade dos autos de ;torração invocando o não cumprimento do contido na Portaria SRF n°3.007, de 26/11/2001 que disciplinou os exames de fiscalização. Argumenta que o prazo do MPF --F extinguiu-se em 13/11/2002 - quando da ciência da Intimação Fiscal n° 00312002, em 20/12/02, não lhe fbi apresentado Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o 11/1PF emitido e s prorrogações efetuadas. Por outro lado, alega que o Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo é nulo "por ter sido assinado em branco", Do Mérito., 1-Argumenta que o fiuo gerador da obrigação principal deve ser definido em lei e que não é admissivel em matéria tributária exigência de tributo em mera e simples suposição sem um aprofundamento da questão em exame. Cita doutrina e jurisprudência 2- Aduz, citando jurisprudência, que para se constatar o chamado "saldo credor de caixa" é necessário fazer o levantamento diário de todas as entradas e saldas do "Caixa", ou seja abranger todas as operações de um determinado mês, ou dia. Não basta o levantamento apenas das entradas abstraindo- se das respectivas saldas; com isto estar-se-ia evitando-se incertezas na constituição do crédito tributário_ 3-No Mérito especifico 3.1 Novo Espaço Engenharia Lida 1\,:;,,stnaclo 077 .f.EIXE. E'ntido c:rn 011) 0!20lO poln 10.20 1;of VIVIANE VIDAL. WAGNER . 23)CR'20 10 por ALEXANDRE ANTorlio A0021I 2I-310E)., 2{1i 10 ¡x.N- ANIONIO Fazwda 4 DIli C_ ARI . MI 11 5 Processo n" 11516 000530/2003-15 S1-C411 Acórdão n° 401-00307 FI 428 Na nova planilha constante do Termo de Verificação fiscal e de Encerramento de Fiscalização "(lis 193) o Agente Fiscal, em referência à empresa Novo Espaço Engenharia Lida, no dia 30, retirou, da planilha constante de/Is. 016, do débito o valor de R$ 115.56979 (304 199,22 —115.569,79 188.629,43) e, do crédito, por engano, acresceu o valor de R$ 81.943,80 (4.21,837,10 + 81,943,80 = 503.780,90), visto que este valor refère-se ao dia 21 (lis 192) e, não, ao dia 30. Ocorre que a Impugnante e a empresa referida, na época, realizaram serviços em parceria, tanto a Clemar para a Novo Espaço, com o fornecimento de equipamentos, instalação de sistemas de climatização, como a Novo Espaço para a Clemw-, com a execução de obi as civis, na construção, refOrma e adequações em abrigos para equipamentos de telecomunicações. Desta fbrma, através de contratos a Novo Espaço Engenharia Lida prestava serviços à Clemar e, esta, àquela. Em decorrência, em setembro de 1998, aposição entre as duas empresas eram as seguintes:. I- Notas fiscais emitidas pela °ciliar -Em 06.04:98: (..) R$ 124.409,51 - em 01.09,98: () R$ 41.160,28 2) Notas fiscais emitidas pela Novo Espaço: -em 01,0998: (.MS137,479,47 Par conseguinte, fez-se uni "encontro de contas" e, para caracterizar o efetivo pagamento e recebimento, a hnpugnante resolveu efetuar o lançamento através da conta "Caixa" Dentro deste "encontro de contas" lançou-se a débito a diferença de R$ 11.5.569,79 (lls. 045) e a crédito o mesmo valor; liquidando-se parciahnente, as notas . fiscais 000076 a 00085 ('f1 045). Nesta linha de raciocínio, o lançamento a débito e, ao mesmo, a crédito do mesmo valor; inaltera o respectivo saldo da conta "Caixa". 3 2 Cópia de cheques — Destaca que cada empresa possui suas peculiaridades que são refletidas na contabilidade e indica a destinação de cada um dos cheques por ela emitidos e desconsiderados pela fiscalização: pagamento de notas fiscais diversas ditas referentes a alimentação, hospedagem, peças,. adiantamento a fornecedores, pagamento de notas fiscais e duplicatas que indica entre outras de.stinações, Do Pedido: 1"...ss;inmio diuitalrin:nikJ .-.177-10,2o-ii..) v pim\l'ii!E:DtL WAGNER 2a, 0"-120 10 [:g r ALEXANDRE Ar4T01'[0 ALKI'.11 T E I XE AutfF:nticz-,1(10 2WOI:h'20 10 p.01- AL EXANDI ARTONIO ALKMIM TEI C.W:10r20 KlInistério Fazerda 1..)1 CARI MI 1'1 () Processo ri" 11516.000530/2003-15 S1-C411 Acórdão n "1401-0(1307 Fl 429 Que seja cancelada a exigência tributária e que a respectiva decisão seja cientificada à sua procuradora habilitada A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte considerou procedente em parte o lançamento impugnado, conforme acórdão DRJ/BHE n° 02-17,671 (fis.376/389), e ementas que seguem: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO S TRIBUTÁRIA Ano-calendário. 1998 NULIDADADE Lavrado por servidor competente com observância das garantias constitucionais inerentes ao processo administrativo, não há que se falar em lançamento nulo. INDMAÇÃO A intimação é dirigida ao sujeito passivo da relação tributária - contribuinte/responsável — e deve ser feita no endereço tributário eleito pelo contribuinte, ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Exercício.. 2002 OMISSÃO DE RECEITAS Presume-se omissão de receita a existência de saldo credor de caixa, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Não comprovada, com documentos hábeis e idôneos, a improcedência da presunção, mantém-se o lançamento LANÇAMENTOS DECORRENTES - CSLL, COEINS E PIS Mantido o lançamento principal, o mesmo ocorre com os dele decorrelites. Lançamento Procedente em Parte Lnconformada, a Contribuinte aviou recurso para este Conselho, aduzindo, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, É este, em suma, o relatório. A.álACIO r.t7.11 W2010 par VIVIANE ViDAL WANER 2k(:020 10 pça ALEY,ANDRE ANTONIO Id 10 Autenficé.ajL, dig¡iirlerlif: era :',111•0L121 ./10 pot ALEXANDRE ANU)NtO Emitido em DiV1W2L/10 pelo idnistõriii da Fazoncin 6 1)1 C.A kV MF H 7 Processo n" I I 516 000530/2003-15 S1-C41-1 Acórdão o" 1401-00.307 1l 430 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Allanim Teixeira, Relatar Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que este atende os pressupostos de admissibilidade, Preliminar Alega a Recorrente a nulidade do Auto de Infração por seu prazo de vigência estar ultrapassado e por ter sido "assinado em branco". O mandado de procedimento fiscal, à época previsto na Portaria if 3.007/2001 do Ministério da Fazenda, é instrumento interno de controle da Receita Federal na condução do procedimento administrativo de fiscalização, sendo que eventuais irregularidades na sua expedição não implicam em nulidade do lançamento realizado, Como já mencionado na decisão recorrida, a prorrogação do MPF é feita por registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, e a informação sobre a prorrogação é disponibilizada na Internet, por código de acesso contido no próprio MPF. Conforme pode ser verificado no sitio da Receita Federal do Brasil, conforme notificado à Recorrente (folha 01), o Mandado de Procedimento Fiscal foi prorrogado até a data de 12 de abril de 2003, conforme dados extraídos do sitio da RFB: VALIDADE DE PRORROGAÇÃO DOS MPFs MPF prorrogado até: 13 de Dezembro de 2002 MPF prorrogado até: 12 de Janeiro de 2003 MPF prorrogado até: 11 de Fevereiro de 2003 MPF prorrogado até: 13 de Março de 2003 MPF prorrogado até: 12 de Abril de 2003 Assim, a alegação de que não havia nenhum demonstrativo de prorrogação do MPF não deve prosperar, pelo fato de que o contribuinte recebe um código de acesso para acompanhar', via intemet, a exatidão das informações contidas no mandado. Uma vez que as informações sobre o MPF permanecem disponíveis durante o procedimento de fiscalização, a alegação de que as prorrogações não teriam ocorrido antes da lavratura do auto de infração só analisadaNEseloacompanhadar g ,dei Matóriorl rimpressoa campautir das informações t'all 1!ECa t.i=j LiJg d.ali C;q1 2 a':):CO 1 ti POr EXM`:DR Í'J'1iO1'11(.) l'1r.1 FEIXE Emitido pr-;lo 77 Dl . CARI N.1.1: Processo n" 11516.00053012003-15 S1-C41-1 Acórdão n." 1401-00.307 Ft 431 disponibilizadas via Internet, obtido em data anterior à lavratura do auto, na qual não constasse a prorrogação. Assim, apesar das extensas razões apresentadas pela Contribuinte, não há respaldo legal para se reconhecer a nulidade ora apontada. Rejeito assim, a preliminar, Mérito Alega a Recorrente que o presente Auto de Infração foi baseado em "mera e simples suposição, sem um aprofundamento da questão sob exame". Dispõe o art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 281, Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei n" 1.598, de 1977, art.. 12, § 2", e Lei 12" 9 430, de 1996, art. 40): 1 - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa,. a falta de escrituração de pagamentos efetuados,. III - a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Pode-se observar que a legislação determina a presunção relativa de omissão de receitas no caso de verificado saldo credor de caixa. Portanto, cabe à Autoridade Fiscal comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções. O Termo de Verificação Fiscal demonstra a ocorrência de saldo credor de caixa, deslocando o ônus de prova de improcedência da presunção, para o contribuinte. dipitalm p rItc, t",In 07,10:2010 por VIVIAI1E VIDAL WAGNER . 2(0(32 , 201e por ALEXANDRE ANTONIO ,ALK:(vU .1" E I XE: Auk:Iilir,:a(1(.1:41tãi p (-31e «)r:1::(1'1 .)1... 1 (20 1()1. n or ALEXANDRE ANTONIO A!..KMIM &Pildo em 1)0:1 1.):21.1 10 pi(1 p Minis1('1,rio da Fazenda 8 l:)V C AR i: MT 11 () Processo n" 11516 000530/2003-15 S1-C4T1 AcOrdilo n " 1401-00,307 A 432 Portanto, não prospera a alegação da Recorrente, tendo em vista que a presunção de omissão de receitas decorre da legislação.. Em relação ao saldo credor de caixa, alega a Recorrente que este significa "que a empresa, que se encontra em dificuldades financeiras, efetua pagamentos sem o necessário suporte". Todavia, faz-se mister esclarecer que, o saldo credor de caixa significa um saldo negativo da conta caixa, ou seja, que a empresa utilizou de recursos sem origem para efetuar alguns pagamentos, uma vez que é impossível a empresa manter no caixa um valor negativo. Portanto, as saídas de caixa mantidas à margem da escrita contábil e que, se escrituradas, ensejariam o chamado "estouro de caixa", evidenciando a existência de omissão de receitas. E, neste raciocínio, caso a fiscalização verifique a existência do saldo credor de caixa, presume-se omissão de receitas, cabendo ao contribuinte fazer a prova em contrário. Analisa-se, portanto, as argumentações apresentadas pela Recorrente no intuito de combater a presunção legal. inicialmente, é importante esclarecer que a recomposição do saldo de caixa, efetuada pela fiscalização, teve por base a desconsideração de débitos pela ausência de comprovação da respectiva entrada de caixa ou pela ausência da contrapartida do crédito do lançamento. Novo Espaço Engenharia Ltda. Da desconsideração do valor de R$ 115.569,79 pela autoridade fiscal, a Recorrente argumenta que possuía débitos e créditos com a empresa Novo Espaço Engenharia Ltda. E, portanto, realizou um "encontro de contas", lançando a diferença por meio da conta caixa. fkS: .: á}F.le.10 (17-hiC),2(..) ir) pfil" \'. NE t O (Jur N_EXAtq r)R'E.' Ar T1'01110 At..E.XAI,JDRE ,r,,,r17(:)H0 FEIXE Emitido ni O8 1W20 da Fazenda 9 F)E. 11 10 81-C4-1-1 Fl 433 Processo n" 11516,000530/2003-15 Acórdão n " 1401-09.307 Ocorre que afirma que possuía um crédito de R$124.409,51 R$41.160,28, totalizando R$165.569,79. E, por outro lado, possuía um débito de R$ 137.479.47. Ou seja, o débito na conta caixa do valor de R$ 115,569,79 não se fundamenta pelo "encontro de contas", uma vez que a diferença entre o devido pela empresa e seu crédito era de R$ 28,090,32, Ressalta-se, ainda, que a Recorrente não comprova o respectivo crédito deste valor, apesar de afirmar que lançara o valor de R$ 115,569,79 à crédito da conta caixa. Sendo assim, correto o procedimento fiscal em desconsiderar o débito referente àquele valor. Cheques 658827. 658843, 658844, 658845, 658846. 658847, 658848. 658855. 658858, 658859 658860 658861, 658863, 658862 658868, 658872, 658877: Afirma a Recorrente que se tratam de despesas relativas à viagens, que são ressarcidas mediante a retirada de numerário do banco e apropriadas nas contas próprias, de despesas ou custos,. De início, salienta-se que a Recorrente não comprova que os créditos elencados foram contrapartida dos lançamentos à débito de todos os cheques elencados pela fiscalização, nem sequer demonstrando que as contas debitadas em função daquele lançamento foram contas de custos e/ou despesas. Portanto, não procedem as alegações da Recorrente. Cheque 658840 1rjr1:)7.'":;K:).()-1(t VIVJANE V#DAL. WAGNEF !.. 2 -(;;Y2r) I () pç) . 1\LEXAN0RE ANTONIO ALFKMI M TEI),(E. AUIC:f 2.1):,()!.u2D IDis-m- At..ExANDRE .:: ANYONIO A It:•IM Eriiido en 1 0:2:n 10 .il.,:ltr) [linist.,n() Fnzenda 10 DF C ARI- NU' 1.1 I Processo n" 11516 000530/2003-15 SI-C11-1 Acórdão n.° 1401-00.307 Fl 434 Alega a Recorrente que tal cheque refere-se a adiantamento ao fornecedor Libra Construção Civil, E, conforme consta na folha 2.3 o crédito do valor do cheque (R$ 2..787,50), com tal histórico, deve ser reconhecido o pleito da Recorrente, tendo em vista que houve o crédito correspondente ao débito do cheque. Cheque 555007 Alega a Recorrente que o cheque refere-se a adiantamento ao fornecedor Vidromar. Analisando os lançamentos da conta caixa, verifico que existe o crédito correspondente a este débito (R$ 5.260,00), o que inviabiliza a desconsideração de tal valor pela fiscalização, conforme pode ser observado na folha 31. Cheque 194 Alega a Recorrente que se trata de pagamento de pró-labore a seu sócio. Ocorre que não fica comprovado o crédito na conta caixa deste valor Portanto, observa-se, somente, o débito de tal cheque, como se o valor permanecesse no caixa da empresa, o que não é verdade, Portanto, correto o procedimento fiscal. Cheque 658829 Alega a Recorrente que tal cheque refere-se a adiantamento de fornecedor de serviços, para Washington Alcântara, conforme junta notas fiscais à Impugnação. Todavia, não foi possível verificar o crédito de tal valor na conta caixa, o que faz crer que o valor permanece na conta caixa da empresa, escondendo os "estouros de caixa". Portanto, não merece prosperar a alegação da Recorrente. DAL p::)r Al_EXI\ts:DRE ».411 I() put Al..E(IA1.11)R1):( iïLi . o (:Jr» O.::r cin 11 Dl (:ARL Ml H 12 Processo IV 11516.000530/2003-15 S1-C411 Acórdflo n 1401-00.30 Fl 435 DOS LANÇAMENTOS DECORRENTES Aplica-se aos lançamentos PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência principal de IRPJ, devido à vinculação entre os mesmos, DISPOSITIVO: Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir da presunção de omissão de receitas os valores representados pelos cheques 658.840 (RS 2,787,50) e 555.007 (R$ 5.260,00). É corno voto, (as s'inado digitalmente) Alexandre Antonio Ananim Teixeira 0771w2010 por riNIPME MAL s AGNER 28 ,()W2U 1) çrALEXANDRE: ANTONIO ALKivli J'A TEI XE en, 2WW),;21)-10 por ALEXANiDRE ANTONIO I f7..1.",:à± EmilIdo oro U11)12U Id do Ivlini2,'L,íio da Fazenda 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 11516000530200315 Interessado : CLEMAR ENGENHARIA LTDA Acórdão n° : 1401-00307 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n°256, de 22 de junho de 2009. Biasilia, / o / tatO-Nin n,,p • - VedkukLe) Maristela de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: apenas com ciência; [1 com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .;4 PRIMEIRA SEÇÃO DE. JULGAMENTO— QUARTA CÂMARA Processo n° '115160005.30200315 Interessado CLEMAR ENGENHARIA LTDA TERMO DE JUNTADA 1" Seco/4 t Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401-00307, assinado digitalmente, às fls. ( ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria-Gerai da Fazenda Nacional para ciência do procurador. Brasília, Chefe da Secretaria
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Numero do processo: 10930.003825/2004-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acata-se os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo.
PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO.
No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-005.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformular o acórdão somente em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acata-se os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente COMPANHIA CACIQUE DE CAFE SOLUVEL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformular o acórdão somente em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 38 25 /2 00 4- 71 Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 3 2 lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3302000.868, que negou provimento ao Recurso Voluntário. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de PIS não cumulativo. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 4 3 Ciente do referido acórdão, e tempestivamente, a Contribuinte ingressou com embargos de declaração alegando a existência de contradição e obscuridade no acórdão embargado. O Presidente da Turma a quo rejeitou os embargos por entender que não houve nenhuma contradição ou obscuridade na decisão embargada. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, sustentando que a sistemática de conceito de insumos para o PIS e COFINS não cumulativos "deve ser o mesmo aplicado ao imposto de renda, visto que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. A materialidade das contribuições ao PIS e COFINS é bastante mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ do que daquela prevista para o IPI". O recurso foi admitido parcialmente mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. Foi dado seguimento para a matéria conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições não cumulativas, e negado seguimento quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Houve reexame de admissibilidade do Recurso Especial. Todavia, o Presidente do CARF manteve, na íntegra, o despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. Sustenta que não há como admitir a adoção do conceito de insumo da legislação do IRPJ para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Por fim, requer seja negado provimento ao recurso especial, mantendose incólume a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.909, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10930.002522/200431, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303005.909): Voto Vencido (em parte) "O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, envolve a interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 5 4 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Mercado Externo (II. 01). protocolizado cm 30/07/2004, relativo ao 1° trimestre/2003, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Posteriormente, a Contribuinte protocolizou as Declarações de Compensação apensadas entre as fls. 88/163, nas quais são utilizados os créditos acima referidos. A DRF cm Londrina/PR. por meio do Despacho Decisório de fls. 495, em conformidade com a Informação Fiscal de fls. 417/428 e com o Parecer SAORT/DRF/LON n° 199/2007 de fls. 489/494, deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento, reconhecendo o crédito de PIS, referente a dezembro de 2002 e ao 1º trimestre de 2003, o qual foi utilizado para homologar as Declarações de Compensação objeto de análise do referido processo, restando, ainda, o crédito de R$ 45.850,80. De acordo com as informações (fls. 417/428), a Autoridade Fiscal, em observância à legislação de regência, glosou créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados à fl. 420 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores, considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, receitas financeiras não computadas pela contribuinte. Conforme registrado na pág. 5 da Informação Fiscal apensada às fls. 417/428. a Contribuinte aproveitou corretamente os créditos de insumos relativos às matérias primas, embalagens, materiais secundários c combustíveis utilizados na indústria. Já, os créditos decorrentes dos gastos com alimentação, cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, uniforme e vestuário, equipamento de proteção individual, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, lubrificantes e combustíveis, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais envolvidos no seu processo produtivo, por não serem considerados aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto, foram glosados. Às fls. 301/369. foram anexados por amostragem os documentos que ensejaram o aproveitamento indevido de crédito por parte da Contribuinte. Nada obstante, a Delegacia de Julgamento (DRJ) em Curitiba (PR), não acolheu a manifestação de inconformidade e manteve o direito creditório reconhecido nos termos do Despacho Decisório de fl. 495. Vejamos: "DEFERIR PARCIALMENTE o Pedido de Ressarcimento, RECONHECENDO à interessada, como crédito de PIS referente a dezembro de 2002 e ao 1º trimestre de 2003, o valor de R$ 1.009.366,37 (Um milhão, nove mil, trezentos e sessenta e seis reais e trinta e sete centavos), valor este parcialmente utilizado em compensações pela própria pessoa jurídica, restando à interessada, após a compensação, o direito creditório contra a Fazenda Nacional no valor de R$ 45.850,80 (Quarenta e cinco mil, oitocentos e cinqüenta reais e oitenta centavos). HOMOLOGAR as compensações declaradas pela empresa, discriminadas no relatório do Parecer DRF/LON/Saort n° 199/2007. DETERMINAR o encaminhamento deste processo à Saort desta Delegacia para ciência à interessada dos documentos de fls. 412/416, da Informação Fiscal de fls. 417/428, dos demonstrativos de fls. 447/486, do Parecer DRF/LON/Saort n.° 199/2007 e do presente Despacho Decisório, e adoção das demais providências cabíveis". Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 6 5 Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que somente os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens geram créditos passíveis de ressarcimento, e gastos com mãodeobra avulsa, ainda que contratada por intermédio de sindicato, não geram direito ao ressarcimento de créditos de PIS, por fim, afastou a possibilidade de correção monetária pela Taxa Selic por ausência de previsão legal. Feito este intróito inicial, passo ao julgamento. Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte industrializa, comercializa no mercado interno e exporta diversos produtos (café solúvel, óleo de café, extrato de café, etc), de industrialização própria. Exporta ainda mercadorias adquiridas de terceiros. Tais valores estão devidamente registrados em seus livros contábeis/fiscais (fls. 30 a 86, 180 a 199, 202 a 218, 234 a 239). A Contribuinte fundamentou seu pedido nos termos do § 1º, II e § 2º, do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002, que prevêem que o valor do crédito da contribuição ao Pis não cumulativo resultante de suas operações com o mercado externo no período poderá, após a compensação da contribuição devida no mercado interno, ser utilizado na compensação de outros tributos e contribuições federais e, ao final do trimestre, restando saldo, poderá ser ressarcido em dinheiro. Tal direito se encontrava regulamentado à época pela Instrução Normativa SRF 379 de 30.12.2003. Posteriormente a regulamentação foi feita na Instrução Normativa SRF, 460, de 18 de outubro de 2004, e alterações instituídas pela Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Sem embargo, ressaltase que a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. As aquisições estão relacionadas, por divisão, juntamente com amostragem dos documentos, às fls. 373 a 399 e 402 a 411. Os créditos aproveitados pela Contribuinte foram acrescidos do ICMS e diminuídos do IPI (divisão de embalagens). Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 8 7 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, o que se coaduna com o presente caso ( PIS). Destarte, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS. Diferentemente do presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais envolvidos no seu processo produtivo, entendo não serem essenciais ao processo de produção da Contribuinte. Como se observa, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. Por outro lado, a Contribuinte não teve nenhum interesse em apresentar seu processo produtivo, e fundamentar seu direito, pelo contrario, em sua peça Recursal alega apenas que o direito a crédito " conceito de insumo" deve ser o mesmo aplicado ao imposto de renda, visto que, para se auferir lucro. Esta E. Câmara Superior, atual composição, tem como regra debater "insumo" por "insumo", para verificar se de fato os insumos utilizados no processo produtivo são essenciais Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 9 8 ao processo de produção, salvo entendimento dos Conselheiros Fazendários que não adotam o critério da essencialidade. Neste sentido, em recente julgamento por esta Turma, os acórdãos de nºs 9303 005.678 e 9303005.679, julgado na sessão de 19 de setembro, de Relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, empreendeu toda fundamentação lastreada em laudos, processo de produção e essencialidade dos insumos utilizados no processo de produção. Como dito, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido. Nos termos do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, como pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, entendo ser essencial atividade da Contribuinte, uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. in verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para reverter as glosas referente a uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis." Voto Vencedor (quanto aos uniformes/vestuário, combustíveis e lubrificantes) "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo em parte de suas conclusões a respeito da possibilidade de apurar créditos da não cumulatividade relativa ao PIS e à Cofins. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto o relator aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 10 9 expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Concordei com o relator em relação à maioria das glosas mantidas por ele. Nossa discordância é específica em relação a uniforme/vestuário e combustíveis/lubrificantes, tendo em vista que concordo com o afastamento da glosa relativa aos equipamentos de proteção individual na medida em que são consumidos, com o tempo, em aplicação necessária durante o processo de produção e não compõem o ativo imobilizado do contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 11 10 (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. O legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto, antes de iniciado ou após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela lei). Ressalto que considero que os uniformes/vestimentas utilizadas na fábrica em razão de exigências de ordem sanitárias em decorrência de normas legais, podem ser apropriados como créditos em face de seu consumo, com o tempo, diretamente no processo produtivo. Porém uniformes/vestimentas adotados por mero interesse do fabricante, sem demonstração de que sejam utilizados no chão da fábrica, não se revestem da previsão legal ao direito ao crédito. Quanto aos combustíveis/lubrificantes observase que há previsão expressa no inciso II do art. 3º, acima transcrito, quanto à possibilidade do creditamento quando utilizados diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda. Acontece que estes créditos relativos aos combustíveis/lubrificantes já foram considerados e concedidos quando da análise original do pedido de ressarcimento. Veja trecho do voto do acórdão recorrido: (...) Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. (...) Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10930.003825/200471 Acórdão n.º 9303005.918 CSRFT3 Fl. 12 11 Portanto os combustíveis/lubrificantes objetos da presente discussão não referemse ao uso direto no processo produtivo, mas aos usados em períodos anteriores ou posteriores à produção do produto destinado à venda. Assim, efetivamente não há base legal para sua concessão. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, somente para acatar o direito à apropriação de créditos com equipamentos de proteção individual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, somente para acatar o direito à apropriação de créditos com equipamentos de proteção individual. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 861DF CARF MF
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Numero do processo: 12268.000557/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/09/2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendo-lhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEPÓSITO JUDICIAL. EXISTÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO DOS JUROS E DA MULTA DE MORA.
Os juros e a multa de mora não são devidos sobre o crédito tributário, quando existente o depósito judicial, devendo ser mantidos os juros e a multa apenas no que se referem aos valores que sobejarem ao depositado em juízo.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2201-004.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 05/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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BANCO MÚLTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 30/09/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendolhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DEPÓSITO JUDICIAL. EXISTÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO DOS JUROS E DA MULTA DE MORA. Os juros e a multa de mora não são devidos sobre o crédito tributário, quando existente o depósito judicial, devendo ser mantidos os juros e a multa apenas no que se referem aos valores que sobejarem ao depositado em juízo. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 05 57 /2 00 8- 54 Fl. 505DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 05/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de crédito lançado e ,constituído pela fiscalização contra a empresa HSBC BANK BRASIL S.A. — BANCO MLTIPLO, acima identificada, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 154/164, no montante de R$ 14.129.440,74 (quatorze milhões, cento e vinte e nove mil, quatrocentos e quarenta reais e setenta e quatro centavos), consolidado em 31/10/2008. 0 Auto de Infração (DEBCAD n° 37.202.2391) teve como finalidade apurar e constituir o crédito relativo a contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB e destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — RAT , não recolhidas, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, correspondentes ao período de outubro/2005 a setembro/2006. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 12268.000557/200854 Acórdão n.º 2201004.002 S2C2T1 Fl. 3 3 O fato gerador do crédito apurado consiste no exercício de atividades remuneradas pelos segurados, cujas remunerações foram pagas na rubrica 1216 (ABONO ÚNICO), constante dos contracheques e das folhas de pagamento, em decorrência da cláusula 48ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006, no valor de R$ 1.700,00 por funcionário. Na contabilidade, os lançamentos foram registrados na conta n° 25.54.470 (Abono Convenção), pertencente ao grupo n° 25.54.003 (Despesas de Pessoal — Proventos). Consta do Relatório Fiscal, fls. 154, que a Contribuinte possui a ação judicial n° 2005.34.00.0321456, ora em trâmite no Tribunal Regional Federal da 10 Região, objetivando a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o "abono único". A ação encontrase em fase de recursos de apelação e remessa oficial perante o Tribunal, sendo abrangidos por decisão provisória com efeitos suspensivo e devolutivo. Por ser relacionada com o crédito objeto do Auto de Infração, foi efetuado o lançamento com o intuito de evitar a decadência, a qual não se interrompe nem se suspende. Os valores das remunerações lançadas foram coletados das folhas de pagamento, dos contracheques, da contabilidade e, também, de informações prestadas pela Contribuinte em planilhas eletrônicas. As bases de cálculo constam do Relatório de Lançamentos — RL, fls. 10/11, identificadas pelo código de levantamento "A5P". Discriminativo Analítico do Débito DAD — informa, por competência, as rubricas, as alíquotas aplicadas e as contribuições devidas, fls. 5/7. O Discriminativo Sintético do Débito — DSD — demonstram os acréscimos legais, fls. 8/9. A fundamentação legal do lançamento, inclusive dos acréscimos legais, encontrase no relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD , com os respectivos períodos de vigência, fls. 17/18. Como as contribuições envolvem remunerações que não foram declaradas em Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo e Serviço e Informações A. Previdência Social — GFIP , e essa omissão configura, em tese, o ilícito tipificado no inciso III do art. 337A, acrescentado pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000, no DecretoLei n° 2.848, de 7/12/1940, será lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, em relatório à parte, para proposição de eventual ação penal. A Impugnante foi notificada pessoalmente em 31/10/2008, fls. 1, e protocolizou impugnação em 1°/12/2008, fls. 276/294, alegando, em síntese, que: (...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 30/09/2006 Fl. 507DF CARF MF 4 LANÇAMENTO. AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento realizado em ação fiscal deve ser formalizado pelo Auditor Fiscal por meio de Auto de Infração. AÇÃO JUDICIAL. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIAS COM MESMO OBJETO. RENÚNCIA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo importa renúncia ao contencioso administrativo. CRIMES. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o AuditorFiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá realizar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. FINALIDADE. EXECUÇÃO JUDICIAL. O REPLEG apenas lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, a fim de subsidiar eventuais execuções judiciais. JUROS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Possui previsão legal a incidência de juros com base na taxa SELIC para fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, sendo de caráter irrelevável. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar, no âmbito administrativo, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo , por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Lançamento procedente. Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, dentro do lapso temporal legal, no qual o contribuinte aduz: a) a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve demonstração da configuração do fato descrito na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias; b) inexigibilidade de multa e juros de mora, uma vez que os valores supostamente devidos a título de contribuição previdenciária encontramse integralmente depositados nos autos da ação ordinária n.º 2005.34.00.03.2456; c) a multa aplicada deve ser cancelada, em razão do que dispõe o art. 106, II, "c", do CTN (MP 449/08); d) o descabimento da taxa selic; Fl. 508DF CARF MF Processo nº 12268.000557/200854 Acórdão n.º 2201004.002 S2C2T1 Fl. 4 5 e) a necessidade de suspensão da representação fiscal para fins penais, pois os valores pagos pela recorrente não constituem base de cálculo das contribuições previdenciárias. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, o presente lançamento objetiva a cobrança de contribuições previdenciárias (parte da empresa e SAT), do período de 10/2005 a 09/2006, incidentes sobre os pagamentos realizados pela ora recorrente a título de abono convenção, em decorrência da cláusula 46ª da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006. Cumpre destacar que o contribuinte não recorreu sobre a concomitância considerada na decisão de primeira instância, e, por conseqüência, não há apreciação da incidência de contribuição previdenciária sobre o abono convenção. 1. Da preliminar de nulidade Aduz o contribuinte a existência de nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve demonstração da configuração do fato descrito na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Conforme depreendese do relatório fiscal, fls. 156 e seguintes, foi devidamente descrita a infração tributária cometida pelo sujeito passivo, sendolhe aberto prazo para impugnação e, posteriormente, apresentação de recurso voluntário, de modo que ao contribuinte foi oportunizado o devido contraditório e a ampla defesa. Assim, no presente caso, não se identifica a existência das situações descritas no art. 59 do Decreto 70.235/72 aptas a ensejarem a existência de nulidade do lançamento. Desse modo, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. 2. Dos juros e da multa de mora Sustenta o recorrente que a multa e os juros de mora a ele imputados devem ser cancelados, uma vez que os valores supostamente devidos a título de contribuição previdenciária encontramse integralmente depositados nos autos da ação ordinária n.º 2005.34.00.0321456. Compulsandose os autos, às fls. 358, consta a guia de depósito judicial no valor de R$ 3.029.674,63, em 07/11/2005, bem como foi juntada aos autos (última folha) a guia no valor de R$ 11.276.645,98, em 03/11/2005. Sendo que o montante exigido nos Fl. 509DF CARF MF 6 presentes autos perfaz o valor de R$ 14.569.676,27 (principal R$ 8.417.507,54), consolidado em 01/03/2009. Considerando os valores mencionados e as respectivas datas de cálculo, depreendese que provavelmente houve o depósito do montante integral. A existência da discussão judicial acompanhada dos depósitos judiciais do montante integral das contribuições em litígio suspendem a exigibilidade do crédito tributário, por força do art. 151, II, do CTN. Assim, no que se referem aos juros de mora, aplico o disposto no Enunciado de Súmula CARF n.º 5, consoante abaixo transcrito: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, resta afastada a exigência relativa aos juros de mora. No que se refere à aplicação da multa de mora, em que pese não haver expressa disposição em lei ou enunciado de súmula afastando sua aplicação, nos casos de exigibilidade suspensa, em decorrência do depósito do montante integral do tributo devido, entendo incabível pela própria definição de "mora". Nos termos do art. 394 do Código Civil: considerase em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebêlo no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer. Desse modo, inexistindo mora, não há que se falar em aplicação da multa de mora, em razão da existência de depósito do monte devido. Ressalto, todavia, que, após os cálculos, caso sobejem valores não depositados em juízo, devem ser mantidos os juros e a multa relativamente ao excedente. 3. Da aplicação da SELIC Argumenta o recorrente a inconstitucionalidade da aplicação da Selic, bem como sua ilegalidade, devendo ser cancelada a sua aplicação. Com a superveniência da Súmula CARF n.º 4, restou pacífico o entendimento a respeito da aplicação da Selic, nos termos abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Além disso, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF n.º 2. Dessa forma, deve ser mantida a decisão recorrida, nesse ponto. 4. Da Representação fiscal para fins penais Quanto ao argumento sobre a necessidade de suspensão da representação fiscal para fins penais, tendo em vista que os valores pagos pela recorrente não constituem base Fl. 510DF CARF MF Processo nº 12268.000557/200854 Acórdão n.º 2201004.002 S2C2T1 Fl. 5 7 de cálculo das contribuições previdenciárias, cumpre esclarecer que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais, consoante dispõe o Enunciado de Súmula CARF n.º 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. 5. Da retroatividade benigna da multa aplicada Alega o sujeito passivo que a multa aplicada deve ser cancelada, em razão do que dispõe o art. 106, II, "c", do CTN, considerando a superveniência da MP 449/08. Sobre o tema, utilizome do voto de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos abaixo transcrito. Cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) Fl. 511DF CARF MF 8 falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 512DF CARF MF Processo nº 12268.000557/200854 Acórdão n.º 2201004.002 S2C2T1 Fl. 6 9 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Fl. 513DF CARF MF 10 Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a Fl. 514DF CARF MF Processo nº 12268.000557/200854 Acórdão n.º 2201004.002 S2C2T1 Fl. 7 11 obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 515DF CARF MF 12 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, voto pelo provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. 6. Conclusão Fl. 516DF CARF MF Processo nº 12268.000557/200854 Acórdão n.º 2201004.002 S2C2T1 Fl. 8 13 Diante desse contexto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para: a) aplicar a retroatividade benigna, nos termos da Portaria PGFN/RFB n.º 14, de 04 de dezembro de 2009; b) excluir os juros e a multa relativamente aos valores depositados em juízo. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910725/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 26/07/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.581
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 26/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 26/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 25 /2 01 1- 26 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910725/201126 Acórdão n.º 3402004.581 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.316, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 26/07/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910725/201126 Acórdão n.º 3402004.581 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910725/201126 Acórdão n.º 3402004.581 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910725/201126 Acórdão n.º 3402004.581 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.001965/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO E OBSCURIDADE. QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR DO ÁGIO. NÃO ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS.
Não devem ser acolhidos os Embargos de Declaração, uma vez que o desdobramento do valor do patrimônio líquido e do sobrepreço pago (ágio) foram preestabelecidos em momento anterior ao aumento de capital, em total consonância com os arts. 385 e 387 do RIR/99.
Numero da decisão: 1201-001.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos apresentados.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VALOR DO ÁGIO. NÃO ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Não devem ser acolhidos os Embargos de Declaração, uma vez que o desdobramento do valor do patrimônio líquido e do sobrepreço pago (ágio) foram preestabelecidos em momento anterior ao aumento de capital, em total consonância com os arts. 385 e 387 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos apresentados. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 19 65 /2 00 7- 05 Fl. 475DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Em síntese a autuação objetiva, no anocalendário de 2002, a glosa do valor correspondente à diferença entre o custo de aquisição das ações da Primo Schincariol Ind. Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A e o valor de mercado, apropriado como custo ou prejuízo dedutível por ocasião da alienação ou baixa, por ter sido adquirido de pessoa jurídica ligada, por valor notoriamente superior ao de mercado. Impugnação Da peça impugnatória apresentada mereceram reprodução os seguintes pontos destacados pela autoridade julgadora de primeira instância: (...) Em 12/01/2001, conforme instrumento particular, a Schincariol Administração Patrimonial Ltda. vendeu, à empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A, 586.326 ações da empresa Andree Overseas Ltd pelo preço de R$ 63.294.163,07, a ser pago até 31/01/2001, sendo facultado à vendedora optar pela conversão de seu crédito em participação no capital da devedora, com base no balanço patrimonial levantado em 31/12/2000; Em 30/01/2001, a vendedora notificou a devedora de sua opção pela citada conversão. Em assembléia realizada em 01/12/2001, os acionistas da Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A deliberaram pelo aumento de capital de R$ 203.820.000,00 para R$ 271.104.629,28, com a emissão de 68.244.350 novas ações nominativas ordinárias. Dessas ações 64.196.800 foram subscritas pela Schincariol Administração Patrimonial Ltda. mediante conversão de seu crédito em capital. As outras 4.047.550 ações foram subscritas pela Schincariol Empreendimentos Imobiliários S/A, pelo valor de R$ 3.990.629,28; Ao registrar o investimento a Schincariol Administração Patrimonial Ltda. adotou o seguinte procedimento: 1) calculou o seu percentual de participação no capital da investida, mediante a relação entre as ações por ela adquiridas (64.196.800) e o número total de ações após o aumento de capital (278.042.550), encontrando o valor de 23,0888401793%; 2) Tomou o patrimônio líquido da investida apurado em balanço de 30/11/2001, no montante de R$ 194.481.837,23, e adicionou o montante correspondente ao aumento de capital, encontrando o valor de R$ 261.766.466,51; 3) aplicou o percentual de 23,0888401793% ao patrimônio líquido de R$ 261.766.466,51, encontrando o valor de R$ 60.438.841,10; 4) subtraiu o valor Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10855.001965/200705 Acórdão n.º 1201001.845 S1C2T1 Fl. 3 3 pago (R$ 63.294.000,00) a quantia correspondente a sua participação no patrimônio líquido (R$ 60.438.841,10), encontrando o montante de R$ 2.855.158,90; 5) desdobrou o custo do investimento, registrando R$ 60.438.841,10 como investimento e R$ 2.855.158,90 como ágio; (...) Aplicandose o percentual de participação da Schincariol Administração Patrimonial Ltda., de 23,0888401793%, àquele valor de patrimônio líquido, achase o montante de R$ 47.448.815,35. Assim, quando da alienação do investimento na Primo Schincariol a Schincariol Administração Patrimonial Ltda. registrou um resultado não operacional correspondente ao valor recebido pela venda das ações, no montante de R$ 50.303.974,25, tomando como custo desse investimento o valor de R$ 47.448.815,35, correspondente a sua participação no capital da investida mais R$ 2.855.158,90 como ágio, no total de R$ 50.303.974,25. Não houve, então, lucro ou prejuízo na operação de venda do investimento, não havendo que se falar em incidência de IRPJ ou de CSLL; A acusação fiscal considera que o ágio registrado pela Schincariol Administração Patrimonial Ltda., quando registrou seu crédito em participação no capital da Primo Schincariol, não pode integrar o custo desse investimento para apuração de eventual ganho ou prejuízo na respectiva alienação à empresa Schincariol Empreendimentos Imobiliários S/A. Segundo a acusação fiscal, não há fundamento para o registro daquele ágio, ficando caracterizada hipótese de distribuição disfarçada de lucros; (...) Quanto ao valor notoriamente superior ao de mercado, a Schincariol Administração Patrimonial Ltda. pagou o valor de R$ 63.294.000,00 pela aquisição de 64.196.800 ações da Primo Schincariol, que, à época, era titular de 9,8 pontos de market share no Estado do Rio de Janeiro, um dos maiores mercados consumidores de cerveja do Brasil. Por outro lado, uma variação de 4,51 % (=R$ 2.855.158,90/R$ 63.294.000,00) autoriza falarse em valor notoriamente superior ao de mercado? Ademais, não há qualquer prova por parte do Fisco de que a operação se deu em valor superior ao de mercado. O fato de ter havido o registro de ágio não significa que se está à frente de caso de distribuição disfarçada de lucros; Houve equívoco na quantificação do suposto crédito tributário. O auto de infração tomou como custo indedutivel o montante de R$ 3.783.901,22 e não o valor correto de R$ 2.855.158,90 (ágio registrado). O patrimônio líquido da Primo Schincariol em 30/11/2001 era de R$ 194.481.837,23, conforme afirma a própria autoridade fiscal. Esse patrimônio líquido foi acrescido do valor recebido quando do aumento de capital (ágio + capital) a que se refere a Ata da Assembleia Geral Extraordinária de 01/12/2001, no valor de R$ 67.284.629,28, passando a R$ Fl. 477DF CARF MF 4 261.766.466,51. Com isso, as 64.196.800 ações adquiridas pela Schincariol Administração, correspondentes a 23,0888401793% do capital da investida, valiam no momento da aquisição R$ 60.438.841,10 (=23,0888401793% x R$ 261.766.466,51), e não, como afirma o lançamento, R$ 59.510.098,78; (...)” Acórdão nº 1430.450 – 3ª Turma da DRJ/RPO Entendeu a Turma que, nos termos do art. 170, § 1º, II, da Lei n° 6.404, de 1976, o preço de emissão das ações deve ser fixado tendo em vista o valor do patrimônio líquido da ação. Reputouse que consta no processo que o patrimônio líquido da Primo Schincariol em 30/11/2001, conforme balanço levantado nessa data (fls. 145/147), era de R$ 194.481.837,23 (fl. 107), correspondente a 209.798.200 ações, o que resulta no prego de cada ação de R$ 0,927. Dessa forma, as 64.196.800 ações adquiridas valeriam R$ 59.510.098,78, valor que deveria constar na contabilidade da contribuinte como investimento na Primo. Assim, fora firmado o entendimento de que a diferença entre esse valor e aquele que foi contabilizado (R$ 63.294.000,00), ou seja, R$ 3.783.901,22, é considerado custo dedutível na alienação, em 2002, das ações, nos termos do art. 467, II do RIR, de 1999. Diante do exposto, fora julgada improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Recurso Voluntário O recurso voluntário delineou exatamente os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação e, para o ponto que nos interessa para o julgamento do presente recurso, reiterou que estaria equivocada a quantificação do suposto crédito tributário. Acórdão nº 1201000.964 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária – CARF Da decisão proferida por este Conselho, peço vênia para transcrever as principais assertivas: “(...) De acordo com a recorrente, o ágio existente teria razão no Market share que supostamente possuía na época. Contudo, deixa de fazer qualquer comprovação de suas alegações. (...) Assim sendo, não há como se afastar a concorrência da distribuição disfarçada de lucros na venda de participações societária em sociedade coligada por preço superior ao valor Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10855.001965/200705 Acórdão n.º 1201001.845 S1C2T1 Fl. 4 5 patrimonial da empresa adquirida sem que tenha sido devidamente comprovada a fundamentação econômica. II – O alegado erro na quantificação do crédito tributário Não obstante a discordância da recorrente, correto está o cálculo do Auditor Fiscal de Rendas. (...) (...) não consta dos autos o valor do Patrimônio Líquido da Primo RJ S/A em 31/11/2001. O que consta, relativamente à referida data, é o cálculo de “Equivalência Patrimonial” (fls. 117) no qual já consta dentro do Patrimônio Líquido o valor do futuro aumento do Capital Social da empresa. Ou seja, a postura adotada pela recorrente foi de realizar o aumento de capital mediante subscrição de novas ações para só então apurar o valor das mesmas ações, em total desconformidade com o procedimento. (...)” Embargos de Declaração A ora embargante aponta três fontes distintas de obscuridade no v. acórdão recorrido. A obscuridade estaria, em primeiro lugar, na referência que o acórdão faz ao fato de que "não consta dos autos o valor do Patrimônio Líquido da empresa em 31/12/2001". O acórdão seria, ainda, obscuro quando afirma que a embargante realizou "o aumento de capital mediante subscrição de novas ações para só então apurar o valor das mesmas ações". E quando questiona: "como poderia a Recorrente realizar a subscrição de determinado número de ações na Primo RJ S/A equivalente ao valor de R$ 63.294.000,00 se, até então, era desconhecido o valor de cada ação?". Segundo a embargante o Boletim de Subscrição dos Acionistas, a fls. 327, não deixa qualquer dúvida quanto a isso. Seria obscura, portanto, a afirmação de que a embargante desconhecia o valor da ação ou de que aumentou o capital para somente depois definir o valor da ação. Ao subscrever aquele boletim, a embargante pagou R$ 63.294.000,00 por 64.196.800 ações da investida, tendo absoluto conhecimento desse fato. Daí a obscuridade do acórdão, que deve ser sanada. Por fim, o acórdão seria obscuro quando limitase a sustentar a legitimidade do procedimento fiscal, sem enfrentar os argumentos apresentados pela recorrente, especialmente no que se refere à violação aos artigos 385 e 387 do RIR/99. Fl. 479DF CARF MF 6 Segundo a embargante o confronto entre os artigos 385 e 387 do RIR/99 e o procedimento adotado por ela adotado revela que ela agiu corretamente na determinação do suposto ágio e no registro da participação adquirida. E, ainda, o acórdão teria sido omisso ao analisar à aplicação daqueles dispositivos legais. Daí o cabimento dos embargos de declaração no sentido de sanar as obscuridades e a omissão apontadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado – Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de 02/03/2015, passo diretamente à análise dos vícios apontados. A omissão e as obscuridades suscitadas norteiam especificamente a quantificação do crédito tributário. De um lado, o embargante alega que o Patrimônio Líquido da entidade à época da aquisição era de R$ 60.438.841,10, considerando o aumento de capital que se deu justamente na data da aquisição. Reputou esse valor como o devido para subtrair do valor total do investimento e atingir, pela diferença, o sobrepreço pago (ágio) no montante de R$2.855.158,90. De outro lado, a fiscalização alega que o Patrimônio líquido era de R$ 59.510.098,78, desconsiderando o aumento de capital realizado e reputando o valor do ágio no total de R$ 3.783.901,22. A legislação brasileira prevê que as pessoas jurídicas que detenham investimentos em controladas ou coligadas devem realizar sua escrituração pelo MEP (Método de Equivalência Patrimonial), desdobrando o custo deste: (i) no valor do patrimônio líquido existente no momento da aquisição da respectiva participação societária e (ii) no ágio ou deságio eventualmente suportado para a aludida aquisição. Apenas a título elucidativo, trata, o presente caso, de operação na qual a investidora (Schincariol Administração Patrimonial Ltda.) aliena o investimento (ações da Andree Overseas Ltd.) para uma terceira empresa (Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A) e o ágio passa a integrar o valor patrimonial do investimento. A contraprestação paga pelo adquirente (Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A) se deu através de subscrição de suas ações para a alienante (Schincariol Administração Patrimonial Ltda.). Desta feita, o aproveitamento do ágio ocorreria no momento em que o investimento que lhe deu causa fosse objeto de alienação ou liquidação (a Schincariol Administração Patrimonial Ltda. alienou para a própria Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A). O cerne da controvérsia, então, reside no momento de definição do ágio apurado pela Schincariol Administração Patrimonial Ltda., quando registrou seu crédito em Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10855.001965/200705 Acórdão n.º 1201001.845 S1C2T1 Fl. 5 7 participação no capital da Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A. E a divergência de entendimentos surge exatamente diante de uma disposição contratual que faculta o pagamento do investimento pela conversão do crédito do alienante em participação no capital da adquirente, com base no balanço patrimonial levantado em 31/12/2000. Vejamos as disposições do “Instrumento Particular de Alienação de Participação Societária”, de 12/01/2001: “(...) 1. A ALIENANTE, tendo propriedade sobre 586.326 (quinhentas oitenta e seis mil e trezentas e vinte e seis) ações, totalmente integralizadas, livres e desembaraçadas de quaisquer ônus, da empresa ANDREE OVERSEAS LTD., uma companhia incorporada e criada sob as leis das ilhas Britânicas Virgens, com escritório registrado na Cutlass Building Wickham's Cay, Road Rown, Tortola, Ilhas Britânicas Virgens, concorda em alienar a totalidade dessas ações à ADQUIRENTE, e esta dela aceita em adquirila sob condições estipuladas neste documento. 2. Pela aquisição da referida participação societária,, a ADQUIRENTE pagará o valor de R$ 63.294.163,07 (sessenta e três milhões, duzentos, e noventa e quatro mil, cento e sessenta e três reais e sete centavos), no dia 31.01.2001. §1º Fica facultado à ALIENANTE, até o vencimento do presente instrumento, utilizarse do crédito constante no caput para aumento de capital na ADQUIRENTE, que deverá se processar mediante notificação escrita ao representante legal, através de protocolo na sede da ADQUIRENTE. § 2º Na hipótese da ALIENANTE optar pelo aproveitamento do valor desta alienação em aumento do capital social, o mesmo deverá ocorrer até o dia 31/12/2001 e a quantidade de ações a serem emitidas a favor da ALIENANTE deverá observar o valor patrimonial da ação apurado com base no balanço de 31.12.2000, da ADQUIRENTE. (...)” Este fato causa natural confusão, pois, a um olhar menos atente, embaça o momento exato de aquisição e de conseqüente escrituração através do MEP. Partese da premissa, no entanto, de que o valor do investimento fora definido nesta ocasião (em 12/01/2001), tendo como parâmetro para a emissão de ações a favor da Schincariol Administração Patrimonial Ltda. o balanço de 31.12.2000. Optou a entidade por exercer essa faculdade na data de 01.12.2001, conforme “Ata da Assembleia Geral Extraordinária”: Fl. 481DF CARF MF 8 “(...) VIL Deliberações: 1) Aprovado o aumento do capital social da Sociedade pela Schincariol Administração Patrimonial Ltda, que passa de R$ 203.820.000,00 (duzentos e três milhões e oitocentos e vinte mil reais) para R$ 271.104.629,28 (duzentos e setenta e um milhões, cento e quatro mil, seiscentos e vinte e nove reais e vinte e oito centavos), com a emissão de 68.244.350 (sessenta e oito milhões, duzentos e quarenta e quatro mil e trezentos e cinqüenta) novas ações nominativas ordinárias, sem valor nominal, totalmente integralizadas neste ato, mediante o aproveitamento de parte do saldo credor em conta corrente mantido junto a esta sociedade pela Schincariol Administração Patrimonial Ltda. no valor de R$ 63.294.000,00 (sessenta e três milhões e duzentos e noventa e quatro mil reais) e de parte do saldo em conta corrente mantido junto a esta sociedade pela Schincariol Empreendimentos Imobiliários S/A no valor de R$ 3.990.629,28 (três milhões, novecentos e noventa mil, seiscentos e vinte e nove reais e vinte e oito centavos). Direito de Preferência: Com relação ao direito de preferência, os atuais acionistas o cedem em favor da Schincariol Administração Patrimonial Ltda. e Schincariol Empreendimentos Imobiliários S/A, nos termos do § 6º, do art. 171, da Lei 6404/76. (...)” Concretizouse neste ato, segundo a embargante, a efetiva aquisição do investimento e o consequente aumento de capital na adquirente. Neste contexto é que surge a dúvida: em que momento será desdobrado o valor do patrimônio líquido e o montante referente ao ágio, quando da determinação do valor do investimento ou no momento posterior ao aumento de capital? Ora, a resolução de tal questionamento tornase simples quando adotamos a aquisição da participação societária da empresa “Andree Overseas Ltd.” como a base para a determinação do valor do investimento e da consequente apuração do ágio. O sobrepreço pago se deu em relação ao valor patrimonial relativo às 586.326 ações da “Andree Overseas Ltd.”, que refletiriam (incluindo o valor do ágio) as 68.244.350 ações da empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A à data do balanço em 31.12.2000, em total consonância com a premissa contratual estabelecida (§2º, Item 2 do “Instrumento Particular de Alienação de Participação Societária”). Certo é, portanto, que o valor patrimonial registrado não deve levar em consideração o posterior aumento de capital realizado pelo pagamento do próprio investimento que deu origem a este aumento de capital. Esta constatação deve bastar para a definição do aspecto temporal exato em que se percebe o efetivo valor do investimento, e o desdobramento do valor do Patrimônio Líquido e do ágio. Anteriormente, portanto, ao aumento de capital. Não soa lógico que se estabeleça um sobrepreço inicialmente baseado em patrimônio líquido da investida (refletindo o seu montante no quantum do Patrimônio Líquido da adquirente) e no seu potencial lucrativo para os próximos períodos, justificando, daí, a Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10855.001965/200705 Acórdão n.º 1201001.845 S1C2T1 Fl. 6 9 formação do ágio, e posteriormente, através do aumento de capital consequente ao próprio valor do investimento, alterarse o patrimônio líquido, mantendose o mesmo valor do investimento e, assim, reduzindo o sobrepreço anteriormente definido. Esvaise de qualquer racionalidade a alegação de que o valor do investimento definido no “Instrumento Particular de Alienação de Participação Societária” já incluiria o futuro aumento de capital e o consequente aumento no Patrimônio Líquido. Conforme já delineado, o aumento de capital era uma faculdade e o valor do investimento fora definido antes do exercício desta faculdade. Deste modo, não é possível que o valor do investimento reflita uma faculdade ainda não exercida, pois existe a possibilidade de esta não ser exercida. Desta feita, resta claro que o sobrepreço formado baseiase tão somente no valor do Patrimônio Líquido percebido no momento da decisão da alienação e da definição do investimento de acordo com a situação real e presente naquele exato instante, formalizada por meio do “Instrumento Particular de Alienação de Participação Societária”, datado de 12/01/2001. E neste sentido fora decidido no v. acórdão embargado de modo cristalino: “(...) a postura adotada pela Recorrente foi de realizar o aumento de capital mediante subscrição de novas ações para só então apurar o valor das mesmas ações, em total desconformidade com o procedimento. Ora, como poderia a Recorrente realizar a subscrição de determinado número de ações na Primo RJ S/A equivalente ao valor de R$ 63.294.000,00 se, até então, era desconhecido o valor de cada ação? De pronto se demonstra que o procedimento adotado pela Recorrente, efetivamente, não foi o correto. (...)” Neste passo, o procedimento adotado pela fiscalização está em total conformidade com os arts. 385 e 387 do RIR/99. De fato, a fiscalização reputou o valor do patrimônio líquido na época de aquisição do investimento. Claramente o recorrente distorce a determinação de referidos dispositivos legais em proveito próprio, especificamente para reduzir o valor do ágio e, assim, do crédito tributário. Reputa o momento da aquisição como o do efetivo aumento de capital na Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A, quando na verdade o momento a ser considerado no caso concreto é aquele em que fora determinado o valor do investimento apurado na empresa adquirente, refletindo o valor das ações da Andree Overseas Ltd.. O presente julgador não pode aceitar tal racional adotado pelo ora embargante. Fl. 483DF CARF MF 10 Este ágio, caso fosse considerado genuíno e válido, só poderia ser amortizado e, assim ter seu valor gradativamente diminuído, conforme a expectativa de rentabilidade futura fosse se concretizando, fazendo valer o princípio da confrontação receita x despesa. Não merece guarida, perante o pátrio ordenamento jurídico e aos padrões contábeis, a redução do ágio pela injeção de capital e/ou pela aquisição de participação societária refletindo em aumento do Patrimônio Líquido da entidade, uma vez que foge à lógicasistemática conferida a amortização fiscal deste instituto. Reiterase, o montante referente ao ágio fora preestabelecido tendo como diretriz o Patrimônio Líquido antes do aumento de capital. Um aumento do Patrimônio Líquido deveria ser acompanhado de forma concomitante a um aumento do valor do investimento realizado. Deste modo, o valor do investimento e o valor do patrimônio líquido são, neste caso, varáveis interdependentes, de modo que se há mudança no primeiro necessariamente deve haver mudança proporcional no segundo, caso mantida a justificativa do sobrepreço pago. As partes não tinham como estabelecer um sobrepreço sob a incerteza se o patrimônio líquido seria de fato alterado, diante da incerteza quanto à faculdade conferida ao adquirente (cujo o exercício estava adstrito ao período de quase um ano). A única certeza no momento de estabelecimento do ágio em tela eram as ações da Andree Overseas Ltd. refletindo no Patrimônio Líquido da Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A. Este portanto deve ser o valor a ser reputado e não a posterior mutação do Patrimônio Líquido, que levou em conta o aumento de capital. Impensável o estabelecimento de um valor de ágio sobre um Patrimônio Líquido ainda irreal e inexistente. O fato é que o valor do ágio fora baseado de acordo com o valor patrimonial das ações da Andree Overseas Ltd. e é o valor destas refletindo no Patrimônio Líquido da Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A que devem ser reputados como corretos para a apuração do ágio. As constatações contidas no v. acórdão embargado exaurem o entendimento aqui exposto. Razão não há para o saneamento de qualquer omissão ou obscuridade. O valor do ágio deve ser apurado através da subtração do valor da investimento (R$ 63.294.000,00) pelo valor das ações apurado de acordo com o Patrimônio Líquido registrado no Balanço de 30/11/2011 (data imediatamente anterior ao aumento de capital), conforme o seguinte cálculo: R$ 194.481.837,23 (PL)/209.798.200 (Ações totais) X 64.196.800 (Ações adquiridas) = R$ 59.510.098,78 (Valor das Ações adquiridas). Portanto as ações adquiridas pela Schincariol Administração Patrimonial Ltda da Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A não devem exprimir qualquer aumento de capital para fins da resolução desta controvérsia, sob pena de distorção do valor de ágio apurado e do investimento realizado em si. Assim, integralmente improcedentes os argumentos da Embargante acerca das supostas inexatidões no acórdão embargado. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10855.001965/200705 Acórdão n.º 1201001.845 S1C2T1 Fl. 7 11 Conclusão Diante do exposto, NÃO ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720074/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2012 a 31/01/2015
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUESTÃO INCONTROVERSA
Considera-se matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE TRABALHO NOTURNO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. DECISÃO JUDICIAL. NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA.
É de rigor observar a ordem judicial que determina a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas que julgar de natureza remuneratória. Consequentemente, deve ser afastado o direito à compensação com créditos oriundos de tais verbas.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. DEVER DE COMPROVAR O RECOLHIMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA CONTRIBUINTE.
É dever da contribuinte apresentar os fundamentos fáticos e jurídicos pela qual entende que não haveria a incidência do tributo sobre as verbas que alega ser de natureza indenizatória. Deveria ter trazido aos autos elementos que pudessem viabilizar uma discussão envolvendo a natureza da verba a fim de comprovar que houve o indevido recolhimento da contribuição previdenciária e, consequentemente, atestar a certeza e liquidez do crédito declarado em compensação.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO FALSA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
A aplicação da multa isolada de 150% demanda que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. A partir do momento que o contribuinte declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, há evidente prestação de declaração falsa a ensejar a aplicação da multa.
Situação se torna ainda mais manifesta quando o contribuinte já tinha conhecimento de que o Fisco não reconhecia o seu crédito e, mesmo assim, o utilizou para compensar tributos e deixar de recolher o crédito tributário.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA Recorrente MUNICIPIO DE TUPI PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2012 a 31/01/2015 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. QUESTÃO INCONTROVERSA Considerase matéria incontroversa os fatos expressamente relacionados pela autoridade tributária e não impugnados especificamente pelo contribuinte. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADICIONAL DE TRABALHO NOTURNO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. DECISÃO JUDICIAL. NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA. É de rigor observar a ordem judicial que determina a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas que julgar de natureza remuneratória. Consequentemente, deve ser afastado o direito à compensação com créditos oriundos de tais verbas. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. DEVER DE COMPROVAR O RECOLHIMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA CONTRIBUINTE. É dever da contribuinte apresentar os fundamentos fáticos e jurídicos pela qual entende que não haveria a incidência do tributo sobre as verbas que alega ser de natureza indenizatória. Deveria ter trazido aos autos elementos que pudessem viabilizar uma discussão envolvendo a natureza da verba a fim de comprovar que houve o indevido recolhimento da contribuição previdenciária e, consequentemente, atestar a certeza e liquidez do crédito declarado em compensação. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 74 /2 01 5- 16 Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.065 2 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO FALSA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. A aplicação da multa isolada de 150% demanda que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. A partir do momento que o contribuinte declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, há evidente prestação de declaração falsa a ensejar a aplicação da multa. Situação se torna ainda mais manifesta quando o contribuinte já tinha conhecimento de que o Fisco não reconhecia o seu crédito e, mesmo assim, o utilizou para compensar tributos e deixar de recolher o crédito tributário. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1765/1777, acompanhado dos documentos de fls. 1778/2062, interposto contra decisão da DRJ Curitiba/PR, de fls. 1741/1761, que julgou procedente o lançamento de contribuições previdenciárias decorrentes da glosa de compensação. Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.066 3 A compensação indevida foi relativa às competências de 08/2012 a 01/2015, e originou o crédito tributário da contribuição previdenciária no valor total de R$ 6.168.445,59, já inclusos juros e multa de mora (até o mês da lavratura), cobrado através do DEBCAD nº 51.076.3960 (fls. 03/08). Também foi lavrado o DEBCAD nº 51.076.3979, relativo à multa isolada de 150% aplicada sobre o valor do débito indevidamente compensado (fls. 09/14). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 17/50, foi constatado que a RECORRENTE efetuou compensações nos pagamentos das contribuições previdenciárias no período de 05/2012, 08/2012, 09/2013 a 08/2014 e 10/2014 a 01/2015, no valor total de R$ 5.304.385,13, conforme demonstramos abaixo: A RECORRENTE foi intimada a se manifestar acerca dos valores compensados acima, a apresentar memória de cálculo com a evolução do suposto crédito e informar se na época em que efetuou as compensações estava agraciado com o direito para tanto, com embasamento em decisão judicial. Em resposta, o município apresentou, em síntese, que os créditos tiveram a seguinte origem: (i) A compensação levada a efeito na competência 05/2012, no valor de R$ 30.507,45, foi relativo a valor retido a maior pelo Fundo de Participação dos Municípios – FPM, na competência de abril/2012. (ii) RAT: R$ 512.677,74 relativos a Compensação Alíquota RAT recolhida a maior; (iii) VERBAS INDENIZATÓRIAS: R$ 1.650.827,22 do período de 09/2008 a 07/2013 sendo ‘Atualizados em: 10/11/2013’ referente às rubricas abaixo discriminadas: • abono periculosidade Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.067 4 • abono insalubridade • abono tempo de serviço • Gratificações • Abono sexta parte • Abono anuênio • Abono Licença Premio • Abono Noturno (iv) CARGOS COMISSIONADOS: R$ 2.154.811,51 20% de cota patronal e 1% de RAT sobre o total do salário de contribuição da folha de pagamento dos servidores comissionados do período de 05/2009 a 04/2014 atualização em 10/04/2014. (v) VERBAS INDENIZATÓRIAS: R$ 552.706,36 de 08/2013 a 11/2014 sendo ‘Atualizados em: 10/12/2014’ referente às rubricas abaixo discriminadas: • abono tempo de serviço • abono Noturno • abono periculosidade • abono insalubridade • abono anuênio • abono sexta parte • abono Grat. Local Trab. Dentista • abono Grat. Local Trab. LC 145/13 • abono Grat Pregoeiro • abono Grat. Local Trabalho 20% • abono Grat. Especial Licitação • abono Grat. Suo. Ped 25% LC110 (vi) ATUALIZAÇÃO CARGOS COMISSIONADOS: R$ 315.988,02 20% de cota patronal e 1% de RAT sobre o total do salário de contribuição da folha de pagamento dos servidores comissionados do período de 04/2014 a 01/2015 atualização em 10/02/2015. Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.068 5 Não apresentou justificativa a respeito da compensação das contribuições previdenciárias inserida na GFIP da competência 08/2012. Sendo assim, a autoridade fiscal acatou a justificativa para a existência do crédito de R$ 30.507,45 decorrente do valor retido a maior pelo FPM (item “i”) e manteve integralmente a compensação realizada em 05/2012 (R$ 30.507,45). De igual forma, acatou o crédito de R$ 512.677,74 relativo a contribuição para o RAT recolhida a maior (item “ii”). Consequentemente, manteve totalmente a compensação realizada em 09/2012 (R$ 260.000,00) e parcialmente a compensação relativa a 10/2012 (R$ 255.204,52). Por outro lado, glosou a compensação realizada em 08/2012 (R$ 108.877,68) pois a RECORRENTE não apresentou justificativa a respeito desta compensação. A fiscalização também não reconheceu a existência dos créditos decorrentes das contribuições incidentes sobre as chamadas verbas indenizatórias (itens “iii” e “v” acima), no valor de R$ 1.650.827,22 e R$ 552.706,36, utilizados para efetuar compensações a partir da competência de 10/2013. Foram as seguintes as alegações da autoridade fiscal: “12. O entendimento Prefeitura Municipal de que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as rubricas acima não possui amparo na Lei, uma vez que os valores pagos aos empregados tem natureza remuneratória e, por conseguinte, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo do empregado e do empregador, conforme a Lei 8.212/91. 13. Ora a contribuição patronal, na forma da lei incide sobre todas as verbas cuja natureza seja salarial, e não é outra a natureza os itens descritos acima senão remuneração. Cuidase, então da simples pertinência ao caso do art 28 da Lei 8.212/91, e art 214 do Decreto 3.048/99: (...) 14. É de suma importância frisar que somente devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelo empregado, as parcelas expressamente mencionadas no artigo 28, parágrafo 9° da Lei 8.212/91, ou as parcelas revestidas de caráter indenizatório ou previdenciário, que evidentemente não se caracterizam como remuneração ou rendimento do trabalho. (...) 17. Ressaltese que as rubricas consideradas nas compensações efetuadas pela Prefeitura e que descrevemos abaixo, não constam do elenco das rubricas esta relação do art. 28, parágrafo 9°: > Abono periculosidade > Abono insalubridade > Abono tempo de serviço Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.069 6 > Gratificações > Abono sexta parte > Abono anuênio > Abono Licença Premio > Abono Noturno > Abono tempo de serviço > Abono Grat. Local Trab. Dentista > Abono Grat. Local Trab. LC 145/13 > Abono Grat Pregoeiro > Abono Grat. Local Trabalho 20% > Abono Grat. Especial Licitação > Abono Grat. Suo. Ped 25% LC110 18. O órgão Público impetrou ação de MANDADO DE SEGURANÇA COM PEDIDO DE LIMINAR PROCESSO 7872 87.2013.4.03.6112, desejando ter a suspensão da exigibilidade das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados referentes a: auxilio educação, auxíliocreche, salário maternidade, abono assiduidade, abono único e gratificações eventuais, vale transporte, 13° salário, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno. 19. No entanto foilhes CONDECIDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para desobrigar o impetrante do recolhimento da contribuição previdenciária patronal sobre as verbas pagas a seus servidores a título de auxilio educação, auxíliocreche, abono assiduidade, abono único anual e vale transporte a contar da competência 09/2008 e também dos valores de referidos tributos vencidos a partir do ajuizamento deste mandado de segurança. (...) 21. É sumamente importante informar que este processo 7872 87.2013.4.03.6112 encontrase no TRF3, não tendo sido julgado até a presente data. 22. Ocorre que o órgão público se compensou de valores não contemplados na CONCESSAO DO MANDADO DE SEGURANÇA, como observamos nas planilhas emitidas pela empresa Castelucci: (...) 25. Como se não bastasse o exposto, há impedimento legal para as compensações, eis que o Código Tributário Nacional veda Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.070 7 compensação de créditos contestado judicialmente e ainda não transitado em julgado, verbis: Art. 170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 28. Considerando o que foi exposto acima, concluímos que os recolhimentos das contribuições previdenciárias feitos sobre as rubricas acima não podem ser qualificados como indevidos, portanto não geraram crédito ao contribuinte e as compensações efetuadas foram devidamente glosadas por esta fiscalização no período de 10/2013 (parte do valor compensado) e 11/2013 a 08/2014 e 10/2014 a 01/2015 por não terem sido observadas as condições impostas pelo art. 89 da Lei 8.212/91.” De igual modo, a autoridade fiscal não reconheceu a existência dos créditos decorrentes das contribuições incidentes sobre os salários de contribuição da folha de pagamento dos servidores comissionados (itens “iv” e “vi” anteriormente descritos), no valor de R$ 2.154.811,51 e R$ 315.988,02, utilizados para efetuar compensações a partir da competência de 03/2014. Foram as seguintes as alegações da autoridade fiscal: “30. O município incluiu nos valores compensados (valores discriminados acima) a cota patronal de 20% e o SAT/RAT de 1%, ambas alíquotas sobre o TOTAL DO SALARIO DE CONTRIBUIÇÃO da folha de pagamento de todos os funcionários que possuem cargos em comissão. Como se o salário dos servidores que possuem cargos em comissão fosse verbas indenizatórias. Restando apenas no entendimento do órgão público a parte descontada do segurado como sendo contribuição obrigatória à Previdência Social (...) 32. Cumpre realçar que agindo assim a Prefeitura contrariou claramente a Lei 8.212/91 se compensando do total da contribuição patronal (20%) e SAT/RAT (1%) sobre as remunerações constantes das folhas de pagamento dos servidores COM CARGOS COMISSIONADOS, que integra o saláriodecontribuição definido no art. 28, da Lei 8.212/1991 e art. 57, I e parágrafos da Instrução Normativa RFB n.° 971/2009, declarados em GFIP. 33. Outrossim, impende destacar que Prefeitura Municipal e a empresa Castelucci em nenhum momento apresentaram justificativa do entendimento da não incidência das cotas patronais e do SAT/RAT sobre a folha de pagamento de servidores com cargo em comissão.” Ao final, a fiscalização efetuou a glosa das compensações realizadas nos seguintes valores: VERBAS INDENIZATÓRIAS DE R$ 1.650.827,22 CARGOS COMISSIONADOS R$ 2.154.811,51 Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.071 8 VERBAS INDENIZATÓRIAS R$ 552.706,36 ATUALIZAÇÃO CARGOS COMISSIONADOS R$ 315.988,02 Tendo por base a planilha elaborada pela RECORRENTE, demonstrou através da seguinte tabela quais os valores glosados por competência: Ademais, tendo em vista a falsidade das compensações, aplicou a multa isolada no percentual de 150% do valor das contribuições que deixaram de ser recolhidas, nos termos do art. 89, §10, da Lei nº 8.212/91. A autoridade fiscal instaurou Representação Fiscais Para Fins Penais (processo nº 15940.720076/201505), tendo em vista que a conduta da RECORRENTE configuraria, em tese, crime contra a ordem tributária. Da Impugnação Intimada em 26/05/2015, conforme AR de fl. 448, a RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 462/466 em 15/06/2015 (conforme certidão de fl. 1738), acompanhada dos documentos e esclarecimentos de fls. 517/661 (denominado de Pasta I: Da Suspensão da Exigibilidade Contribuição Previdenciária Patronal), fls. 662/731 (denominada de Pasta II: Do Direito a Compensação Administrativa sem Anuência do Judiciário ou RFB), fls. 732/1201 (denominada de Pasta III: Dos Cálculos), fls. 1202/1292 (denominada de Pasta IV: Da Inaplicabilidade da Multa Isolada de 150%), fls. 1293/1299 (denominada de Pasta V: Da Inaplicabilidade da Representação Fiscal), fls. 1300/1331 (denominada de Pasta VI: Mandado de Segurança), e fls. 1332/1733 (denominada de Pasta VII: Fundamentação Jurídica). Transcrevo abaixo trechos do relatório do acórdão recorrido, na parte em que trata das razões de defesa da contribuinte: “Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Previdenciárias Patronais sobre as Verbas de Natureza Jurídica Indenizatória/Compensatória. Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.072 9 Informa que a Lei nº 8.212/91, dispõe que para fins de incidência das contribuições previdenciárias, qualquer valor recebido é considerado “remuneração”, independentemente de sua natureza tributária. Cita dispositivos do CTN e pela regra da tipicidade fechada, o Fisco não poderia estender a interpretação sobre a materialidade do fato gerador, com o intuito de abranger outras hipóteses além das previstos na norma. Salienta que também não poderia empregar a analogia tributária, nesse sentido cita o art. 108, §1º do CTN. (...) Informa que o §11 do art. 201 da CF/88 prevê que os ganhos habituais dos empregados serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e repercussão em benefícios. Por outro lado, informa que o §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, preceitua que os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário não integram o salário de contribuição. Frisa que a IN/RFB nº 971/2009 orientou que devem ser excluídas do salário de contribuição as verbas de natureza indenizatórias/compensatórias, como os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. Salienta que além da verificação se a verba é indenizatória/compensatória ou remuneratória, também devese observar se ela é permanente ou eventual. Entende que as verbas indenizatórias de caráter eventual não devem sofrer incidência de contribuições previdenciárias. Alega que o STF e o STJ, decidiram que a natureza indenizatória do Terço Constitucional de Férias, das Horas Extras e demais verbas verbas pagas em caráter não habitual não integram o salário do servidor. Informa que nesta linha encontramse: férias gozadas, adicional de férias, adicional noturno, insalubridade, salário maternidade, terço constitucional de férias, férias indenizadas, adicional de periculosidade, saláriofamília, aviso prévio, salário educação, auxíliodoença, auxíliocreche, vale transporte, abono assiduidade, gratificação eventuais, abono único. (...) Horas Extras (...) Férias Indenizadas e Férias Convertidas em Pecúnia. (...) Terço Constitucional de Férias. (...) Férias Gozadas. (...) Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.073 10 Aviso Prévio. (...) AuxílioEducação. (...) AuxílioCreche. (...) AuxílioDoença. (...) Abono Assiduidade. (...) AuxílioTransporte em Pecúnia. (...) Abono único e Gratificações Eventuais. Esclarece que o art. 28, §9º, “e” da Lei nº 8.212/91, dispõe que o abono não integra o salário de contribuição, já que o pagamento não é habitual, a hipótese de pagamento é única, eventual e não tem relação com a contraprestação de serviços. Neste contexto, entende que não incide a contribuição previdenciária. Assevera que as gratificações e os prêmios não têm incidência de contribuições previdenciárias quando pagas de forma eventual, para tanto, apresenta julgado do TRF2. Apresenta diversos julgados a respeito da não incidência de contribuições sobre o abono único. Informa que as gratificações dadas aos empregados, eventualmente por mera liberalidade, sem habitualidade, sem ajuste entre as partes, não integra o salário de contribuição. Cita o julgado RE 389903/DF, de que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Cita diversas jurisprudências a respeito. Adicional de Insalubridade. Alega que o adicional de insalubridade possui natureza indenizatória em razão dos riscos de contração de moléstias pelos trabalhadores, sendo assim, não há incidência de contribuição previdenciária. Informa que apesar do STJ entender que há incidência o TRF4ª Região possui decisão de que não incide. Adicional de Periculosidade. Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.074 11 Informa que devido ao risco no trabalho é assegurado ao trabalhador um adicional sobre a remuneração, como forma de compensação pelo risco a que esta submetido. Cita julgado do TRF1ª Região de que não há incidência de contribuição sobre tal verba. Adicional Noturno. Entende que resta evidente a natureza indenizatória do adicional noturno, pois há compensação financeira ao trabalhador, pelo horário impróprio em que o trabalho é prestado, não constituído assim fato gerador. Cita o decreto nº 5005/04 que promulgou a Convenção nº 171 da OIT, no qual se reconhece a natureza compensatória desta verba. Segue alegando que há diversos julgados com o realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose a posição sedimentada do STF sobre as horas extras e o terço constitucional de férias. Cita que a União teve o recurso de contracautela indeferido junto ao STF, no qual objetivava a suspensão da tutela antecipada concedida ao requerente para não incidir a contribuição social sobre a parcela do terço de férias. Cita que o STF em face dos repetitivos julgados pela não incidência da contribuição previdenciária sobre verbas indenizatórias, reconheceu se tratar de tema de repercussão geral. Apresenta diversas Liminares e Sentenças, concedidas a municípios que suspenderam a exigibilidade das contribuições sociais previdenciárias sobre verbas pagas a título de hora extra e terço constitucional. Cita diversas decisões de tribunais regionais federais sobre valores pagas nos 15 primeiros dias de trabalho, auxíliodoença, terço constitucional de férias, vale transporte em pecúnia, aviso prévio indenizado, abono assiduidade, auxíliocreche, abono de férias, auxílioeducação. Cita relação de municípios que obtiveram decisões judiciais favoráveis sobre a não incidência sobre as referidas verbas. Ressalta que o STF e o STJ tem entendimento de que as verbas que não integrarão a aposentadoria do servidor, por terem natureza propter laborem, também não têm incidência da contribuição previdenciária. Ressalta que foram emitidos pareceres da PGFN sobre a vinculação dos órgãos de julgamento de primeira instância administrativa ao precedentes formados sob as novas sistemáticas de julgamento previstas nos artigos 543B e 543C do CPC, da dispensa de impugnação judicial de decisões amparadas por tais decisões amparadas por tais precedentes e da possibilidade da restituição do indébito e de compensação. Esclarece que todos os recursos intepostos pela União não irão ter qualquer eficácia ou resultado prático, pois tem o evidente intuito procrastinatório, prejudicando o exercício do direito dos Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.075 12 municípios. Assim, torna certa a não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional, férias gozadas, horasextras e demais adicionais e sobre as demais verbas de natureza jurídica indenizatória. Conclui que os autos de infração devem ser anulados ou cancelados, por estarem em desacordo com o entendimento uníssono e pacificado do STF, STJ, legislação previdenciária, Parecer PGFN e Lei nº 10.522/02, corroboradas pelas decisões judiciais apensadas a este recurso. Do Direito a Compensação na Esfera Administrativa Alega que o município efetuou recolhimentos de contribuição previdenciária patronal incidente sobre as exações a título de “terço contitucional de férias, hora extra, e demais verbas de natureza jurídica compensatória/indenizatória”. Afirma que o art. 66 da Lei nº 8.383/91, estabelece as regras permitindo e regulando o direito a compensação de valores recolhidos indevidamente e a maior. Informa que o art. 150, IV da CF/88 impede que o tributo seja utilizado com efeito de confisco impondose, via reflexiva, sua restituição. (...) Ressalta que as únicas exigências para compensação são: a existência de créditos, estar em situação regular e informar a compensação em GFIP, e em nenhum momento os art. 56 a 59 da IN RFB nº 1.300/12, exigem que a compensação seja efetuada após “decisão transitada em julgado” com base no art. 170A do CTN, nem sequer o cita. Informa que esta modalidade de compensação é efetuada diretamente na esfera administrativa, e independe de autorização judicial, e com base nesta orientação é que o município realizou a compensação, em consonância com o princípio da legalidade e com os atos normativos. (...) Salienta que as compensações efetuadas pelo município referentes a contribuições previdenciárias sobre verbas de natureza jurídica indenizatória revestemse de liquidez e certeza, pois foram efetivadas com base em válida jurisprudência pacificada pelo STF e STJ e legislação federal. Da Inaplicabilidade da Multa Isolada de 150% Alega que a justificativa do Auditor para fundamentar a glosa, foi de que a falsidade de declaração sem qualquer fundamentação ou prova inequívoca que a corroborasse. Salienta que no relatório fiscal o enquadramento foi de que o ato ilícito de sonegação foi: As compensações somente poderiam terem sido realizadas mediante decisão judicial “transitada em julgado” e após homologação da RFB. Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.076 13 O município não detém qualquer decisão judicial que autorize a realizar as compensações no âmbito administrativo. As compensações efetuadas contrariam o “art. 170A do CTN” c/c Art. 56 a 59 da IN/RFB nº 1.300/12”. Afirma que o §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, dispõe que é necessário a comprovação da falsidade, a lei determina com rigor a exigência da comprovação por parte do fisco, da alegada “falsidade de declaração” e não um entendimento supérfluo para aplicação da multa isolada. Entende que é necessário que fique caracterizado um ilícito penal, que o agente tenha praticado o ato com dolo, apresentando uma declaração falsa, ou diversa daquela que deveria, com o intuito de prejudicar o fisco, ou, criando indevidamente uma obrigação de restituição de crédito. (...) Informa que as compensações foram efetuadas, conforme jurisprudência pacificada dos tribunais, não se tratando de interpretação do próprio contribuinte. Alega que algumas verbas cujos créditos foram utilizados como o Terço Constitucional de Férias, já estão pacificadas pelo judiciário. (...) Aduz que para a aplicação da penalidade de 150% é necessário que fique caracterizada a fraude, prevista nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. (...) Da Inaplicabilidade da Representação Fiscal Alega que a representação fiscal para fins penais foi emitida sem qualquer critério jurídico que ampare ou corrobore os fatos apresentados para caracterização do ilícito. (...)” Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 1741/1761 dos autos, julgou procedente o lançamento. O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2012 a 01/01/2015 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES. Integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias a totalidade dos rendimentos pagos aos empregados a qualquer Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.077 14 título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. As parcelas não integrantes estão disciplinadas no rol taxativo constante do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, mostrandose indevida a compensação de recolhimentos referentes a verbas não listadas nesse dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. PRESSUPOSTOS. As contribuições sociais previdenciárias somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido. COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA DE 150%. Aplicase multa isolada correspondente a 150% do valor das contribuições sociais compensadas indevidamente, quando o contribuinte incorrer em falsidade de declaração de créditos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 10/06/2016, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 1763, apresentou o recurso voluntário de fls. 1765/1777 em 05/07/2016. Acostou ao seu recurso razões complementares e inteiro teor de precedentes (judiciais e administrativos) que alega serem pertinentes ao caso (fls. 1809/1922; fls. 1923/1964; fls. 1965/1995; fls. 1996/2062). Em suas razões, argumenta, em síntese, o seguinte: I. Por analogia, a RFB considera as “horas extras”, o “terço constitucional de férias” e demais adicionas de natureza indenizatória como remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária; II. O STF, mediante o RE 345458/RS, fixou entendimento de que é ilegítima a incidência de contribuição previdenciária sobre “adicional de férias”, “horas extras” e demais “adicionais eventuais” por se tratarem de verbas indenizatórias/compensatórias. O STJ reviu seu entendimento anterior e já decidiu que não incide a contribuição previdenciária patronal sobre o “terço constitucional de férias” e “horas extras”; III. Houve o reconhecimento da repercussão geral do RE 593068, o qual tem por objeto as seguintes verbas: “terço constitucional”, “serviços Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.078 15 extraordinários”, “adicional noturno”, “adicional de insalubridade” e demais adicionais; IV. Com base na jurisprudência acima, alega que apurou créditos provenientes dos pagamentos a maior e indevidos sobre as verbas indenizatórias, compensandoos com débitos previdenciários vincendos, conforme planilhas de cálculo; V. Contudo, a fiscalização, por entender que as citadas verbas são sujeitas a contribuição previdenciária, glosou as compensações efetuadas administrativamente, alegando o descumprimento do art. 170A do CTN, as quais somente poderiam ter sido realizadas após o trânsito em julgado da ação judicial; VI. Se insurge contra a glosa das compensações, uma vez que os créditos utilizados são legítimos; VII. A conduta dolosa apontada pela fiscalização, não restou demonstrada de plano, não ensejando a aplicação a multa isolada de 150%; VIII. As compensações efetuadas não constituem falsidade de declaração, que induzam a “fraude”, “sonegação” e “conluio” com a tipificação dos artigos 71,72 e 73 da Lei 4.502/64; IX. O CARF e DRJs têm se posicionado no sentido de anular os autos de infração referentes à multa isolada de 150%, aplicada, sem a efetiva comprovação da fraude, sonegação ou conluio; X. O STF, através do RE nº 593.068, reconheceu a repercussão geral da matéria suscitada, sob o fundamento de que a cobrança da multa isolada de 150% detém a natureza de confisco, contribuindo para o enriquecimento ilícito da União; XI. Afirma que as compensações podem ser efetuadas administrativamente, sem a anuência do Poder Judiciário ou da RFB, a teor do art. 66 da Lei nº 8.383/91, art. 89 da Lei nº 8.212/91 e arts. 56 a 59 da IN RFB nº 1300/12; XII. Conforme decisões judiciais elencadas no recurso e na impugnação, as compensações podem ser efetuadas administrativamente sem a necessidade da aplicação do art. 170A do CTN, no caso de impetração de mandado de segurança ou quando inexistir ação judicial; XIII. Nos Mandados de Segurança impetrados pela RECORRENTE não consta qualquer pedido no sentido de pleitear o direito à compensação na esfera administrativa, pois a própria legislação já lhe outorga esse direto; XIV. As verbas cujos créditos foram utilizados para compensação não incidem a contribuição previdenciária, conforme entendimento do STF com repercussão geral (RE 593068) e STJ com Incidente de Uniformização Jurisprudencial; Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.079 16 XV. Mencionou processos julgados pelo STJ em que já teria sido dirimida questões acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre algumas verbas (REsp 1.230.957, acerca da natureza indenizatória do terço constitucional de férias; REsp 1.322.945, acerca da natureza indenizatória das férias usufruídas; e REsp 1.358.281, sobre a não incidência de contribuição sobre horas extras, gratificações, adicional noturno e insalubridade); XVI. O STF, STJ e as DRJs têm se posicionado pela inaplicabilidade da multa isolada de 150% cujas compensações tenham sido informadas regularmente em GFIP, e o fisco não comprovou a "falsidade" ou "fraude" cometida pelo "Município"; XVII.Alega que o art. 28, §9º, “e”, 7, da Lei nº 8.212/91 afasta o terço constitucional de férias da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Menciona julgados do CARF a respeito da matéria. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo com o relatório Fiscal, o presente processo tem por objeto a glosa de compensações de contribuições previdenciárias efetuadas pela RECORRENTE uma vez que não foi comprovada a existência do crédito utilizado. A fiscalização relatou que, ainda antes da autuação, a RECORRENTE demonstrou a legitimidade de uma parcela do crédito utilizado para efetuar as compensações. No entanto, não reconheceu o crédito denominado pelo contribuinte como: Verbas Indenizatórias: R$ 1.650.827,22 Verbas Indenizatórias R$ 552.706,36 Cargos Comissionados R$ 2.154.811,51 Atualização Cargos Comissionados R$ 315.988,02 Em suma, a respeito das chamadas “verbas indenizatórias”, a autoridade fiscal entendeu que “as rubricas recebidas pelos servidores a título de adicionais de periculosidade, insalubridade abono tempo de serviço Gratificações, Abono sexta parte, Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.080 17 Abono anuênio, Abono Licença Premio e Abono Noturno, Abono Grat. Local Trab. Dentista, Abono Grat. Local Trab. LC 145/13, Abono Grat Pregoeiro, Abono Grat. Local Trabalho 20%, Abono Grat. Especial Licitação e Abono Grat. Suo. Ped 25% LC110, que o órgão público incluiu em seus DEMONSTRATIVOS DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS apresentados, mês a mês, do período de 09/2008 a 01/2015 possuem natureza remuneratória, sendo, portanto, passíveis de contribuição previdenciária”. Em relação aos créditos originados das verbas denominadas “cargos comissionados”, a fiscalização verificou que a RECORRENTE considerou como não tributável toda as remunerações constantes das folhas de pagamento dos funcionários com cargos comissionados, como se a totalidade de tal verba fosse de natureza indenizatória. Matéria não impugnada De início, importante observar que a RECORRENTE não teceu qualquer comentário acerca dos supostos créditos sobre as verbas denominadas “Cargos Comissionados”, no valor de R$ 2.154.811,51 e R$ 315.988,02, utilizados para efetuar compensações a partir da competência de 03/2014. Apenas arguiu em seu recurso, de forma genérica, que todos os créditos que possui foram apurados sobre diversas verbas de natureza indenizatória, como Horas Extras, Férias Indenizadas, Terço Constitucional de Férias, Aviso Prévio, etc. mas em nenhum momento apresenta razões para a não incidência das contribuições previdenciárias patronais sobre a folha de pagamento de servidores com cargo em comissão. Também não foi apresentada qualquer justificativa a respeito da compensação das contribuições previdenciárias na competência 08/2012 através de crédito no valor de R$ 108.877,68 cuja origem não foi comprovada. Sendo assim, tais matérias devem ser consideradas não impugnadas e, consequentemente, incontroversas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, passo à análise tãosomente das questões expressamente apresentadas pela RECORRENTE. MÉRITO Da Alegação de Crédito Sobre as Chamadas Verbas Indenizatórias Tendo em vista o longo arrazoado e as diversas alegações de cunho genérico apresentadas pela RECORRENTE, fazse necessário apresentar de forma precisa o motivo da glosa de compensação e as razões de defesa, a fim de demonstrar quais argumentos da RECORRENTE possuem pertinência com o caso em análise. De acordo com o Relatório Fiscal, as chamadas “Verbas Indenizatórias” (sobre as quais a RECORRENTE apurou crédito reputado como inexistente) são compostas das seguintes rubricas: Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.081 18 > Abono periculosidade > Abono insalubridade > Abono tempo de serviço > Gratificações > Abono sexta parte > Abono anuênio > Abono Licença Premio > Abono Noturno > Abono Grat. Local Trab. Dentista > Abono Grat. Local Trab. LC 145/13 > Abono Grat Pregoeiro > Abono Grat. Local Trabalho 20% > Abono Grat. Especial Licitação > Abono Grat. Suo. Ped 25% LC110 Por outro lado, em suas razões recursais, a RECORRENTE afirma que seria legítimo o crédito utilizado, pois havia apurado e recolhido contribuição previdenciária sobre diversas verbas de natureza indenizatória. Alega existirem inúmeras decisões judiciais e administrativos reconhecendo a não incidência sobre as citadas verbas. No entanto, toda alegação de defesa é voltada para discutir eventual natureza indenizatória de verbas que não compõem as rubricas sobre as quais a RECORRENTE apurou o crédito utilizado. Em outras palavras: na sua defesa, a RECORRENTE discute a não incidência da contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas: Horas Extras Férias Indenizadas e Férias Convertidas em Pecúnia. Terço Constitucional de Férias. Férias Gozadas. Aviso Prévio. AuxílioEducação. AuxílioCreche. AuxílioDoença. Abono Assiduidade. AuxílioTransporte em Pecúnia. Abono único e Gratificações Eventuais. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.082 19 Adicional de Insalubridade. Adicional de Periculosidade. Adicional Noturno. Ora, as rubricas sobre as quais a RECORRENTE apurou o crédito divergem das rubricas para as quais foram apresentadas razões de defesa acerca de eventual natureza indenizatória. Ou seja, é notório que as a maior parte das razões recursais não possui qualquer pertinência com a origem do crédito utilizado para a compensação reputada como indevida. Mesmo defendendo a natureza indenizatória deste último grupo de rubricas, a RECORRENTE acostou à sua defesa planilha de cálculos em que apura crédito justamente sobre o outro grupo de verbas, quais sejam: Abono periculosidade; Abono insalubridade; Abono tempo de serviço; Gratificações; Abono sexta parte; Abono anuênio; Abono Licença Premio; Abono Noturno; Abono tempo de serviço; Abono Grat. Local Trab. Dentista; Abono Grat. Local Trab. LC 145/13; Abono Grat Pregoeiro; Abono Grat. Local Trabalho 20%; Abono Grat. Especial Licitação; Abono Grat. Suo. Ped 25% LC110 (fls. 732/1201, denominada de “Pasta III: Dos Cálculos”). Destas rubricas, apenas o Abono periculosidade, o Abono insalubridade e o Abono Noturno foram objeto da defesa. Sendo assim, é nítido o descompasso entre os argumentos de defesa e o motivo ensejador da glosa das compensações efetuadas. Portanto, cumpre analisar se foi correto o não reconhecimento do crédito pela fiscalização, cingindose tãosomente às rubricas sobre as quais foi efetivamente calculado o crédito utilizado na compensação reputada como indevida, sendo desnecessário se debruçar acerca de eventual incidência das contribuições previdenciárias sobre verbas que não formaram a origem do crédito utilizado. Delimitação do Litígio: Das Verbas Discutidas em Processo Judicial Conforme narrado, o contribuinte apurou crédito de contribuições previdenciárias sobre as seguintes parcelas: Abono periculosidade; Abono insalubridade; Abono tempo de serviço; Gratificações; Abono sexta parte; Abono anuênio; Abono Licença Premio; Abono Noturno; Abono Grat. Local Trab. Dentista; Abono Grat. Local Trab. LC 145/13; Abono Grat Pregoeiro; Abono Grat. Local Trabalho 20%; Abono Grat. Especial Licitação; Abono Grat. Suo. Ped 25% LC110. De início, importante observar que a RECORRENTE impetrou Mandando de Segurança distribuído sob o nº 00787287.2013.4.03.6112 perante a Justiça Federal, em que requereu a suspensão da exigibilidade das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados referentes a: auxilio educação, auxíliocreche, salário maternidade, abono assiduidade, abono único e gratificações eventuais, vale transporte, 13° salário, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno. De acordo com o Relatório Fiscal, a sentença concedeu parcialmente a segurança para desobrigar o impetrante do recolhimento da contribuição previdenciária Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.083 20 patronal sobre as verbas pagas a seus servidores a título de: auxilio educação, auxíliocreche, abono assiduidade, abono único anual e vale transporte. Ou seja, o Judiciário reconheceu expressamente que a RECORRENTE deve recolher a contribuição previdenciária sobre os adicionais de insalubridade, periculosidade e noturno. Reproduzo abaixo o trecho final da sentença proferida na ocasião: “(...) Adicionais de periculosidade, de insalubridade e noturno. A conclusão da jurisprudência do STJ, no que refere aos adicionais de periculosidade, de insalubridade e noturno é pela incidência da contribuição social, eis que, nos termos do Enunciado 60 do Tribunal Superior do Trabalho, os referidos adicionais têm natureza remuneratória e, por isso, integram a base de cálculo da contribuição prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n. 8.212/91. Exemplificativamente, cito os seguintes precedentes do STJ: REsp 973.436; AgRg no Ag 1.330.045; REsp 1149071; AgRg no REsp 957.719. Prescrição. Por fim, considerando que o Impetrante requer a suspensão da exigibilidade tributárias das contribuições vencidas a partir de 09/2008 (cinco anos antes do ajuizamento do mandamus), não ocorre, in casu, a prescrição. Ante o exposto, EXTINGO O FEITO, SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO, quanto ao pedido para afastar o recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre valores pagos a título de gratificações eventuais, nos termos do artigo 267, VI, do Código de Processo Civil; e, no mais, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para desobrigar o Impetrante do recolhimento da contribuição previdenciária patronal sobre as verbas pagas aos seus servidores a título de (1) auxilio educação; (2) auxíliocreche; (3) abono assiduidade; (4) abono único anual e (5) vale transporte, nos termos da fundamentação supra. (...)” Apesar de não haver a concomitância entre a ação judicial e este processo administrativo (pois aquela tem por objeto a incidência das contribuições sobre as verbas elencadas, ao passo que esse tem por objeto a compensação de contribuições previdenciárias), entendo que a discussão judicial repercute na análise da compensação pleiteada pelo sujeito passivo, pois há norma individual e concreta extraída da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança determinando a incidência da contribuição previdenciária sobre algumas rubricas que foram abarcadas pelo pedido de compensação da RECORRENTE (adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno). Sabese que o processo judicial não transitou em julgado, encontrandose sobrestado no TRF3 após manutenção da sentença de primeiro grau. No entanto, ao levar a questão para apreciação do judiciário, a Administração fica impossibilitada de decidir sobre a causa, devendo a questão envolvida seguir a sorte do que for decidido pelo Judiciário que, no momento, determina a incidência sobre o adicional de periculosidade, o adicional de insalubridade e o adicional noturno. Ademais, é de conhecimento que a mesma sentença também reconheceu a não incidência da contribuição previdenciária sobre algumas rubricas, quais sejam: (1) auxilio educação; (2) auxíliocreche; (3) abono assiduidade; (4) abono único anual e (5) vale transporte. Contudo, referidas rubricas não compõem o conjunto de verbas sobre as quais a Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.084 21 RECORRENTE apurou o crédito pleiteado. Sendo assim, não há qualquer alteração a ser feita no lançamento em razão da referida decisão judicial favorável à RECORRENTE. Portanto, acatando a ordem judicial, deve ser mantida a incidência das contribuições sobre as mencionadas rubricas e, por consequência, afastase o direito à compensação pleiteado com crédito oriundo das seguintes rubricas: adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno. Das Demais Verbas não objeto do Processo Judicial As demais verbas sobre as quais a RECORRENTE apurou crédito utilizado em compensação foram as seguintes: Abono tempo de serviço; Gratificações; Abono sexta parte; Abono anuênio; Abono Licença Premio; Abono Grat. Local Trab. Dentista; Abono Grat. Local Trab. LC 145/13; Abono Grat Pregoeiro; Abono Grat. Local Trabalho 20%; Abono Grat. Especial Licitação; Abono Grat. Suo. Ped 25% LC110. Conforme exposto, a RECORRENTE não apresentou argumentos de defesa acerca da eventual não incidência de contribuição previdenciária sobre nenhuma das mencionadas verbas acima. Caso pretendesse discutir a cobrança das contribuições sobre tais verbas, deveria ter apresentado aqui as razões pela qual entende que não haveria a incidência do tributo no caso concreto. Para tanto, deveria discutir a natureza das verbas, apresentar argumentos que atestem a sua eventual natureza indenizatória, enfim, trazer aos autos elementos que pudessem viabilizar uma discussão envolvendo a natureza da verba e a possibilidade, ou não, de incidência da contribuição previdenciária No entanto, não apresenta qualquer comprovação sobre o assunto. A RECORRENTE não trouxe aos autos quaisquer elementos capazes de demonstrar o seu ponto de vista. O único norte que existe nos autos a respeito das verbas tidas por omitidas em GFIP é a relação constante do Relatório Fiscal. Diante de compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados, é dever da fiscalização efetuar a glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Assim, a RECORRENTE tem o ônus de apresentar (e comprovar) fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do Fisco de efetuar o lançamento. Sem a apresentação de provas, não há como efetuar qualquer alteração no lançamento. Dispõe neste sentido o art. 16 do Decreto 70.235/76, assim como o art. 373 do CPC, abaixo transcritos: Decreto 70.235/76 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.085 22 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; CPC Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, para atestar a origem do crédito que julga possuir, a RECORRENTE deveria demonstrar que recolheu contribuições previdenciárias sobre verbas que se enquadram nos casos previsto no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual prescreve as rubricas que não integram o salário de contribuição, ou ainda que possui decisão judicial válida (transitada em julgado) reconhecendo o crédito e autorizando a compensação. Neste sentido, caberia à RECORRENTE ter demonstrado de forma específica os valores que teriam caráter não remuneratório, apresentando provas de suas alegações. Não é possível, pelo constante dos autos, identificar se houve recolhimento de contribuições sobre parcelas prevista no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 para fins de atestar a liquidez e certeza do crédito de contribuições previdenciárias. Importante esclarecer que o art. 195, I, “a” da Constituição Federal determina que tais contribuições incidem sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” Neste parâmetro constitucional, o art. 22 da Lei nº 8.212/91 prevê o seguinte sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo das empresas: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.086 23 da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” O art. 28, §9º, da mesma Lei nº 8.212/91 dispõe uma lista de verbas que não integram a remuneração para efeitos de incidência da contribuição previdenciária patronal. Sendo assim, é ônus da RECORRENTE demonstrar que as verbas por ele consideradas indenizatórias não fazem parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ora, sem a apresentação de fundamentos fáticos e jurídicos que comprovem a legitimidade do procedimento adotado pela RECORRENTE, não há razão para atestar a liquidez e certeza do crédito que julga possuir. Ou seja, deveria demonstrar o caráter não remuneratório das verbas a fim de legitimar o crédito utilizado em compensação. Ademais, as alegações de inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre as várias verbas mencionadas pela RECORRENTE não podem ser objeto de apreciação pelo CARF, nos termos da Súmula 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Analisando as folhas de salários acostadas aos autos, na parte da defesa que trata dos cálculos do crédito (fls. 732/1201), é possível constatar que as rubricas que a RECORRENTE reputa como indenizatórias, constam sempre da folha de pagamento mensal. Sendo assim, tais pagamentos não se revestem de eventualidade, sendo nítido tratarse de uma contraprestação do trabalho. Sendo assim, entendo pela correta realização da glosa das compensações, haja vista que não há qualquer indicação de que as verbas originárias dos supostos créditos possuem caráter não remuneratório. Portanto, não há razão para a não inclusão delas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Do dispositivo legal aplicável às compensações Em sua defesa, a contribuinte afirma que o art. 66 da Lei nº 8.383/91 possibilita a utilização de créditos de tributos pagos a maior ou indevidamente para compensar débitos vincendos, independentemente de autorização da Administração Pública ou de sentença transitada em julgado. Referido dispositivo possui a seguinte redação: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.087 24 § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. No entanto, entendo que não merece prosperar as argumentações da RECORRENTE, pois é condição para a compensação que tenha havido o recolhimento de tributo indevido ou a maior, o que não foi comprovado. Corrobora esse argumento o fato de a RECORRENTE ter considerado como existentes os créditos que ela mesma está discutindo a legitimidade em ação judicial (créditos sobre as verbas de adicional noturno, adicional de insalubridade e adicional de periculosidade), com sentença desfavorável para sua tese. Quando a compensação é realizada mediante a utilização de créditos incontroversos, como no caso do art. 66 da Lei nº 8.383/91, o Fisco simplesmente homologa tal ato e extingue o débito compensado. Por outro lado, quando for verificada a utilização de créditos ilegítimos, o Fisco não homologa a compensação e, ato continuo, realiza o procedimento previsto em lei para cobrar o crédito indevidamente compensado. Ademais, ao contrário de que alega a RECORRENTE, não foi o art. 170A do CTN que motivou a glosa da compensação. A autoridade fiscal apenas mencionou tal dispositivo para argumentar que, mesmo se houvesse decisão judicial favorável ao contribuinte em relação ao crédito por ela apurado, ainda assim o procedimento adotado estaria equivocado, uma vez que necessário aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial para poder utilizar os créditos discutidos na Justiça. Cito o teor do art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ao levar para o Judiciário a discussão acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre determinadas verbas e, consequentemente, da existência de créditos relativos aos respectivos valores recolhidos nos últimos anos, o contribuinte deve aguardar a decisão final de seu pleito. E isto devese em homenagem ao princípio da segurança jurídica, a fim de evitar contradição entre a ordem judicial e o ato de compensação levado ao conhecimento do Fisco. No presente caso, os créditos apurados pela RECORRENTE tiveram origem em diversas verbas que julga ter caráter indenizatório, dentre as quais estão os adicionais noturno, de insalubridade e de periculosidade. Houve decisão proferida no Mandado de Segurança determinando a incidência da contribuição previdenciária sobre essas rubricas. Mesmo assim, antes do trânsito em julgado e ainda com decisão desfavorável, a RECORRENTE apurou crédito sobre referidas verbas. Ou seja, a decisão reconheceu que são devidas as contribuições previdenciárias sobre os adicionais noturno, de insalubridade e de periculosidade. Ora, se o próprio Poder Judiciário não está reconhecendo a legitimidade de parte dos créditos pleiteados pela RECORRENTE, embasado em que o contribuinte efetuou a compensação utilizando tais créditos? Reitero que as decisões judiciais não podem ser revistas pela autoridade julgadora administrativa. Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.088 25 Portanto, não há qualquer conflito entre a norma do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e aquela disposta no art. 170A do CTN, devendo esta última ser aplicada no caso em que a tributação de determinadas verbas ainda está sendo apreciada em processo judicial movido pelo contribuinte. Por outro lado, no caso de haver uma efetiva ocorrência do recolhimento indevido ou a maior, o contribuinte pode fazer uso do art. 66 da Lei nº 8.383/91 para realizar a compensação do crédito apurado, desde que não haja discussão sub judice envolvendo o crédito. Da Aplicação da Multa Isolada de 150% Em princípio, esclareço que o fundamento legal da multa isolada é o art. 89, §10º, da Lei nº 8.212/91, o qual possui a seguinte redação: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Mencionado art. 44 da Lei nº 9.430/96 dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Ou seja, para aplicação da penalidade imposta, exigese que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. Neste sentido, a partir do momento que a RECORRENTE declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, entendo que a mesma agiu com falsidade na declaração. Não foi equivoco, na medida que a RECORRENTE apurou crédito mediante exclusão da base de cálculo de verbas que entendeu ser de natureza indenizatória. Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.089 26 Também não se confunde falsidade com fraude. Neste sentido, adoto como fundamento trecho do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão nº 9202004.341, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 24/08/2016: “Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. (...) Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: ‘Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: ‘s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.’ Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriode contribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.090 27 ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal.’ (...) Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996.” Um outro sinal que evidencia a falsidade na declaração de compensação é o fato (já exposto acima) de a contribuinte afirmar ter apurado o crédito sobre determinadas rubricas e, no entanto, apresentar recurso defendendo a natureza indenizatória de outras rubricas que não guardam qualquer relação com a origem do crédito apurado. A defesa da RECORRENTE encontrase desassociada dos fatos e das rubricas sobre as quais foi apurado o crédito indevido. Ademais, no presente caso, a autoridade fiscal ainda demonstrou que a RECORRENTE chegou a apurar crédito sobre verbas cuja natureza remuneratória já havia sido reconhecida em processo judicial movido por ela (adicionais de periculosidade, de insalubridade e noturno). Ou seja, a RECORRENTE tinha conhecimento de que parte de seu crédito foi apurado sobre verba de natureza remuneratória e, mesmo assim, o utilizou para compensar tributos e deixar de recolher o crédito tributário. Por tais razões, entendo correta a aplicação da multa isolada de 150%. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 15940.720074/201516 Acórdão n.º 2201003.997 S2C2T1 Fl. 2.091 28 Fl. 2091DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006289/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 30/04/2003
PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP.
A autoridade administrativa deve analisar e, sendo o caso, reconhecer o direito creditório apenas até o limite do crédito informado na DCOMP.
Tendo o contribuinte se equivocado no preenchimento da declaração de compensação, ao não computar multa de mora e juros de mora como pagamento indevido, o direito creditório deve ser reconhecido nos termos do pleiteado.
Numero da decisão: 1401-000.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2003 PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP. A autoridade administrativa deve analisar e, sendo o caso, reconhecer o direito creditório apenas até o limite do crédito informado na DCOMP. Tendo o contribuinte se equivocado no preenchimento da declaração de compensação, ao não computar multa de mora e juros de mora como pagamento indevido, o direito creditório deve ser reconhecido nos termos do pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 8182): Versa o presente processo sobre declaração de compensação n° 32056.49323.300904.1.3.040750 (fls.2/8) em que o contribuinte aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ (2362) no valor de R$ 584.350,46, arrecadação 29/12/2003. Ainda segundo consta da DCOMP, o pagamento teria sido realizado no valor total de R$ 884.197,80, referente ao mês de abr/2003. Os débitos compensados são: • CSLL, 2484, jan/2004, venc.27/02/2004, R$ 73.545.27; • CSLL, 2484, mar/2004, venc.30104/2004, R$ 115.122,76; • CSLL, 2484, abr/2004, venc.31/05/2004, R$ 53.946,82; • CSLL, 2484, mai/2004, venc.30/06/2004, R$ 208.816,35; • CSLL, 2484, jul/2004, venc.31/08/2004, R$ 24.707,10; • IRPJ, 2362, jan/2004, venc.27/02/2004, R$ 40.547,88. Por intermédio do Parecer SEORT/DRF/MNS/AM n° 35/2009 e respectivo Despacho Decisório, de 05/02/2009 (fls.18/21), o direito creditório não foi reconhecido e a compensação considerada não homologada. Como fundamento, a unidade de origem afirma a impossibilidade de restituirse pagamento indevido de estimativa mensal IRPJ à luz dos preceitos da legislação em vigor. Tendo tomado ciência do Parecer/Despacho Decisório em 16/02/2009 (fl. 22), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 18/03/2009 (fls.24/36), via procuradores (fls.37/50), alegando em síntese que: 1. O crédito tributário em questão foi originado a partir do pagamento de estimativa mensal IRPJ relativo ao mês de abril/2003, sendo que por um erro de preenchimento da DIPJ/2004, o referido crédito não foi utilizado na composição de eventual saldo negativo relativo ao anocalendário 2003; 2. Não merece prosperar o Parecer SEORT 38/09 proferido pela DRF/MNS, tendo em vista que, como será demonstrado e comprovado a seguir, houve de fato o pagamento a maior do IRPJ relativo ao mês de abril/2003; 3. No presente caso, houve não apenas a composição de saldo negativo através da consideração de valores recolhidos a título de estimativa ao longo do anocalendário, mas efetivamente um valor de estimativa pago a maior; 4. No início do anocalendário 2003, a manifestante efetuou a opção de apurar o IRPJ e a CSLL de acordo com a sistemática do lucro real anual, sendo obrigada a calcular mensalmente o Fl. 132DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10283.006289/200861 Acórdão n.º 140100.500 S1C4T1 Fl. 124 3 IRPJ e a CSLL incidentes sobre a sua receita bruta mensal ou, alternativamente, calcular tais valores com base em balancete de suspensão e redução; 5. Com a chegada do dia 31/12/2003, a manifestante realizou a apuração definitiva do seu IRPJ e da CSLL e verificou que, por um lapso, havia efetuado recolhimento a maior da estimativa de IRPJ relativa ao mês de abril/2003. De fato, neste mês a manifestante apurou estimativa IRPJ a pagar no valor de R$ 88.708,69, mas — por um erro na apuração de sua base de cálculo — acabou recolhendo um DARF no valor de R$ 673.059,15; 6. No preenchimento de sua DIPJ/2004, a manifestante corretamente informou na Ficha 11, a apuração de sua estimativa IRPJ relativa ao mês de abril/2003 no valor de R$ 88.708,69; 7. Não existe dúvida em relação ao direito creditório da ora manifestante, tendo em vista que foi apurado um valor a recolher de estimativa IRPJ no valor de R$ 88.708,69, ao passo que efetivamente foi recolhido R$ 673.059,15. Assim, a manifestante teria direito a um crédito no valor de R$ 584.350,46; 8. Ocorre que ao preencher a Ficha 12 A de sua DIPJ/2004, na qual é feita a apuração do IRPJ efetivamente devido pela Pessoa jurídica, a manifestante não informou o valor do DARF efetivamente recolhido, limitandose a informar o valor da estimativa apurada neste mês (R$ 88.708,69); 9. A manifestante preencheu a DCOMP 32056.49323.300904. 1.3.040750 informando que o referido crédito era proveniente de pagamento indevido ou a maior; 10. Ainda que se considere que a manifestante incorreu em erro formal ao preencher sua DIPJ e sua DCOMP, é preciso ressaltar que o seu direito de crédito ficou devidamente comprovado por meio das cópias de sua DIPJ e de sua DCTF; 11. A manifestante utilizouse do procedimento formal estabelecido pelo art .74 da Lei 9.430/96, que consistia na transmissão, por meio eletrônico, de declaração de compensação comunicando a compensação realizada, extinguindo o crédito tributário compensado, sob condição de sua posterior homologação pelas autoridades fiscais no prazo de 5 (cinco) anos; 12. A menos que se queira prestigiar o enriquecimento sem causa por parte da União Federal, os pagamentos feitos pela manifestantes via compensação não podem ser ignorados; 13. O processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, de forma que não se instaura propriamente uma lide, com oposição de partes com interesses diversos, ao contrário, temse um interesse comum, compartilhado pelo contribuinte e Fl. 133DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 pela Administração Pública, que consiste na busca do estrito cumprimento da lei; 14. Através do processo administrativo, a Administração Pública busca, em primeiro plano, apurar se é devido o tributo lançado, independentemente de formalidades processuais; 15. A não homologação das compensações efetuadas pela manifestante por alegação de um mero erro formal representa falta de observância ao princípio da verdade material; (transcreve doutrina a respeito); 16. O próprio Fisco reconhece a primazia da verdade material nos processos administrativos; (transcreve parte de Parecer da AGU); 17. Neste sentido, a DIPJ, DCTF e DARF anexados ao presente processo são documentos hábeis a comprovar a existência do crédito utilizado pela manifestante para saldar seus débitos; 18. Requer seja homologada integralmente a declaração de compensação em tela. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: DARF (fl.15), telas da DIPJ/2004 (fls.17 e 65/69) e telas da DCTF (fls.72/73). A 1ª Turma da DRJ Belém, por unanimidade, deferiu parcialmente a solicitação da interessada, por meio do Acórdão 0115.496, assim ementado (fls. 81): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. À época da transmissão da declaração de compensação inexistia vedação à compensação de débito com crédito oriundo de pagamento a maior de estimativa mensal. PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP. Tendo o contribuinte se equivocado no preenchimento da declaração de compensação ao não computar multa de mora e juros de mora como pagamento indevido, o direito creditório deve ser reconhecido nos termos do pleiteado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada do Acórdão em 14/12/2009 (fls. 84), a contribuinte interpôs em 11/01/2010 o recurso voluntário de fls. 86100, alegando que, não obstante ter se esquecido de incluir no PER/DCOMP o montante correspondente à multa de mora e aos juros de mora recolhidos indevidamente, teria direito à utilização dessa parcela do indébito para quitar os débitos corretamente indicados no aludido PER/DCOMP. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10283.006289/200861 Acórdão n.º 140100.500 S1C4T1 Fl. 125 5 Em defesa do seu ponto de vista, a Recorrente fez referência aos princípios da verdade real, da legalidade, da moralidade, da justiça, da isonomia e do respeito ao direito de propriedade. Nesse termos, requereu que sejam integralmente homologadas as compensações realizadas por meio da DCOMP nº 32056.49323.300904.1.3.040750. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Tratase de declaração de compensação, em que o contribuinte aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ (2362) no valor de R$ 584.350,46, arrecadação 29/12/2003. Segundo consta da respectiva DCOMP, o pagamento teria sido realizado no valor total de R$ 884.197,80, referente ao mês de abr/2003. Os débitos compensados referem se à CSLL (janeiro, março, abril, maio e julho de 2004) e ao IRPJ (janeiro de 2004). A DRF Manaus indeferiu o pedido da contribuinte, sob o argumento de que a legislação de regência impedia a restituição/compensação de pagamento indevido de setimativa mensal de IRPJ. A DRJ Belém, por sua vez, corretamente concluiu que, à época da transmissão da declaração de compensação, inexistia vedação à compensação de débito com crédito oriundo de pagamento a maior de estimativa mensal. Além disso, restou comprovado que o contribuinte não se aproveitou do pagamento a maior na declaração IRPJ. Não obstante este fato, a homologação da compensação não foi integral, uma vez que parte do pagamento no valor de R$ 63.200,07 encontravase bloqueada, por ter sido utilizada na DCOMP n° 33374.57783.291004.1.3.045226. O direito creditório remanescente, solicitado pela recorrente, não se mostrou suficiente para quitar todos os débitos indicados na DCOMP, restando um saldo devedor de R$ 38.608,42, relativo ao débito de IRPJ, 2362, 01/2004, venc.27/02/2004, no valor originário de R$ 40.547,88. Importante destacar que o colegiado julgador a quo identificou a existência de outros créditos compensáveis, os quais não foram informados pela contribuinte na DCOMP em apreço. Tratamse dos valores recolhidos a título de multa de mora e juros de mora, no mesmo DARF em que constava o valor indicado pela contribuinte. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão recorrida, fls. 83 (grifado): Na verdade, a tela de fl.75 mostra que o contribuinte possui direito creditório no valor total de R$ 704.461,14, porém, a Fl. 135DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 autoridade administrativa deve analisar e, sendo o caso, reconhecer o direito creditório até o limite do crédito informado na DCOMP, donde se conclui que o contribuinte, ao preencher a ficha "Pagamento Indevido ou a Maior", incorretamente informou apenas o valor do principal quando efetivamente também recolheu indevidamente multa de mora e juros de mora. As instruções de preenchimento da referida ficha são claras nesse sentido [...] Em sua peça recursal, a contribuinte argumenta que os valores recolhidos indevidamente a título de multa de mora e juros de mora, embora reconhecidamente não tenham sido informados na DCOMP, também poderiam/deveriam ser utilizados para quitar os débitos tributários indicados na aludida declaração de compensação. Assiste razão ao colegiado recorrido. De fato, a autoridade administrativa apenas deve analisar e, sendo o caso, reconhecer o direito creditório até o limite do crédito informado na DCOMP. A apresentação da presente DCOMP, informando créditos compensáveis no valor de R$ 584.350,46 relativos ao pagamento de estimativa de IRPJ de abril de 2003, somente efetuou o bloqueio do aludido valor, para fins de impedir a apresentação de novos pedidos de restituição ou de declarações de compensação referentes ao mesmo direito creditório. Em outras palavras: após a apresentação da presente DCOMP, os recolhimentos indevidos efetuados a título de multa de mora e juros de mora (constantes do mesmo DARF), continuaram disponíveis para a contribuinte, que poderia, dentro do prazo legal, apresentar outros pedidos de restituição ou compensação. Os elementos constantes dos autos são insuficientes para se concluir a respeito da inexistência de outros pedidos de restituição/compensação, relativos aos aludidos direitos creditórios (recolhimentos indevidos a título de multa de mora e juros de mora). Por esta razão, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 136DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 03/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 03/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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