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Numero do processo: 10830.917932/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.977
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Trata o presente de PER/DCOMP apresentada eletronicamente, que restou indeferida, consoante razões consignadas no Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho decisório é nulo porque não buscou a verdade material que é o elemento fundamental da validade dos atos administrativos; que o valor recolhido a título de COFINS se tornou indevido por ter incidido sobre as demais receitas nãooperacionais uma vez que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia dado suporte à referida exigência foi declarado inconstitucional; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 93 2/ 20 11 -3 5 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.917932/201135 Resolução nº 3201001.977 S3C2T1 Fl. 3 2 que as informações constantes na DCTF não são válidas porque o cálculo do débito declarado considerou as prescrições contidas no dispositivo declarado inconstitucional; que para provar o alegado, juntou cópia da ficha Razão com o registro das “outras receitas” que foram, também, tomadas como base de cálculo para a incidência das contribuições declaradas inconstitucionais e cópia da ficha Razão da conta de Cofins e PIS a recolher, na qual há o registro da apuração dessas contribuições sobre as demais receitas, cujos valores foram recolhidos nos DARF indicados nos PER/Dcomp; que no caso das provas contábeis apresentadas serem insuficientes para formar o juízo que seja determinada a realização de diligência; A DRJ julgou improcedente a impugnação. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: I Dos Fatos A Recorrente expõe que o objeto do presente processo consiste no pedido de restituição (PER) decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (REsp 346.084/PR), que permitia a incidência do PIS/COFINS sobre toda e qualquer receita do contribuinte. II Do Direito A Recorrente relata que os fundamentos da negativa do pedido de restituição são dois: no despacho decisório, foi o de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte; na decisão recorrida, foi o da ausência de provas da base de cálculo da COFINS que se pretende restituir. Em seguida discorre sobre a PER/DCOMP como tendo força constitutiva e autônoma. Conclui afirmando que houve pagamento a maior vinculado a DARF. A Recorrente alega que não pode ser responsabilizada pela não apresentação de DCTF retificadora. Nessa linha, o despacho decisório seria nulo pois não buscou a verdade material. A decisão ora recorrida também não observou o princípio da verdade material. Alega a legitimidade do crédito pleiteado em razão dos valores indevidamente recolhidos. Relata a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que erroneamente considerou como base de cálculo a receita bruta. Cita jurisprudência do CARF. Passa a descrever os efeitos da declaração de inconstitucionalidade e alegar quanto a invalidade das declarações preenchidas com base no dispositivo declarado inconstitucional. Sustenta que o débito confessado em DCTF está majorado, pois foi apurado de forma inválida. Argumenta quanto a superficialidade do exame centrado apenas na DCTF. No tocante a prova do crédito requerido, a Recorrente alega que juntou a folha do livro razão. Em continuidade, diz que uma simples análise da DIPJ evidencia que o valor recolhido a título de COFINS foi indevido. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.917932/201135 Resolução nº 3201001.977 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente tem plena certeza das razões e provas acostadas aos autos, e em caso de dúvidas requer a realização de diligência fiscal. Elenca os quesitos para a diligência. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.968, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10830.917911/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.968): "Inicialmente cabe reforçar o alegado pela Recorrente quanto a declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/98 em decisão plenária do STF. Além disso, o mesmo foi revogado pela Lei n.º 11.941/09, não havendo, portanto, mais que se falar na ampliação da base de cálculo da COFINS às receitas financeiras. Assim o ponto relativo a inconstitucionalidade está pacificado. O cerne do presente processo está, todavia, na capacidade de comprovação do crédito por parte da Recorrente. No processo administrativo fiscal, incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Assim, para o caso concreto que trata de pedido de restituição, as alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Nesse ponto, a Recorrente acredita ser suficiente a apresentação de folha do livro razão e da DIPJ. Diante da existência de escrituração do contribuinte, comprovada por meio da apresentação do livro Razão, bem como da apresentação da DIPJ, surge a dúvida quanto ao recolhimento indevido sobre receitas financeiras da COFINS. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa fé. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.917932/201135 Resolução nº 3201001.977 S3C2T1 Fl. 5 4 Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.917932/201135 Resolução nº 3201001.977 S3C2T1 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando a documentação juntada, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se levando em conta o livro razão, bem como a DIPJ, há o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira . Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721020/2013-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2009 a 30/08/2010
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade.
PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR.
Sobre a retribuição pela prestação de serviços na forma de gratificação utilidade, representado pelas opções outorgadas a executivos da pessoa jurídica, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, sendo o dia do exercício das opções a data de ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2202-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Fernanda Melo Leal e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2009 a 30/08/2010 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. Sobre a retribuição pela prestação de serviços na forma de gratificação utilidade, representado pelas opções outorgadas a executivos da pessoa jurídica, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, sendo o dia do exercício das opções a data de ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Fernanda Melo Leal e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
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LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. Sobre a retribuição pela prestação de serviços na forma de gratificação utilidade, representado pelas opções outorgadas a executivos da pessoa jurídica, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, sendo o dia do exercício das opções a data de ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Fernanda Melo Leal e Leonam Rocha de Medeiros, que deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 20 /2 01 3- 59 Fl. 2110DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 51.033.5845 referente às contribuições previdenciárias, apuradas nas competências 05/2009 a 08/2010, correspondentes: a) à parte da empresa, incidente sobre a remuneração paga aos segurados na categoria de empregados e contribuintes individuais e b) à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados na categoria de empregados. Passo a transcrever, em sua essência, o resumo efetuado pela instância de piso (fls. 1917/1923) relativamente às principais conclusões do Relatório Fiscal: No Relatório de fls. 14121476, a autoridade lançadora relata que a ação fiscal foi levada a efeito na empresa Gerdau Aços Longos S.A, na qualidade de sucessora tributária da Gerdau Comercial de Aços S.A, com base nos arts. 129 e 132 do Código Tributário Nacional, e arts. 207, III e 209 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). (...) Que, para o caso em tela, a caracterização do momento "pago, devido ou creditado" não ocorre no momento da outorga, mas somente quando do exercício de compra das ações, conforme tópico próprio onde desenvolve o tema. No item 5.2 e subitens do REFISC, passa a discorrer quanto à divulgação do Plano de Opção pela Gerdau S.A. Informa que através da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária — AGOE de 30/04/2003 (doctos fls. 721/724), foi possível identificar a criação do Plano de Outorga de Opção de Compra de Ações, apresentando como regras gerais o período de carência para exercício de 5 anos, a extensão a todas as empresas controladas, e a inclusão de administradores, empregados e outras pessoas naturais prestadoras de serviços. Consta da referida ata que o plano “consubstancia nova forma de remuneração de executivos estratégicos da Sociedade, instituindo o denominado ‘Programa de Incentivo de Longo Prazo’”. Historia as alterações ocorridas no programa, alertando que foram alterados alguns itens, mas sem modificação na essência do mesmo, com destaque para o item 5.1, que trata dos percentuais de remuneração anual, passíveis de uso para opção e para exercícios, para a aprovação de lote extra de outorga na Resolução nº 166/2005 (AGE 30/12/2005) e para a alteração aprovada pela Assembléia de 28/04/2010, que trouxe modificações envolvendo o rito formal do programa. Diz que até esta data eram previstas as formalizações de “Contrato de Opção” (item 6.1 e 7) e “Contrato de Adesão” (item 7), que deveriam ser firmados pelos executivos participantes do Programa. Com as modificações introduzidas em 2010, deixou de existir a exigência dos referidos contratos (consta às fls. 729/733), cópia do Programa com a nova redação aprovada na Assembléia de 28/04/2010 –extraída do sítio da CVM). Informa que no tocante ao período em que tais documentos eram exigíveis (até Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 16682.721020/201359 Acórdão n.º 2202005.256 S2C2T2 Fl. 2.111 3 27/04/2010), a empresa, conforme resposta apresentada à fiscalização, deixou de formalizar tais documentos. No item 5.4 são citados alguns pontos dos Formulários de Referências dos anos de 2009 e 2010, que passaram a serem de divulgação obrigatória pelas empresas com ações negociadas em bolsa a partir de 2009, por força da Instrução CMV nº 480, de 2009, os quais, de acordo com a fiscalização, comprovam e esclarecem a adoção de remuneração por meio de opções. A fiscalização transcreve diversas informações contidas nos referidos formulários, tais como os principais eventos societários, objetivos da política ou prática de remuneração, composição da remuneração, principais indicadores de desempenho que são levados em consideração na determinação de cada elemento da remuneração, dentre outros. A partir do item 6, são relatados os eventos ocorridos no procedimento fiscal. A fiscalização esclarece que o procedimento iniciouse por meio do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 10.0.01.002012000095 emitido para a Metalúrgica Gerdau S.A. (Metalúrgica), holding que está no topo do Grupo, porquanto esta havia publicado o plano de outorga de opções aprovado em assembléia. Porém, em resposta ao Termo de Início (fls. 21/ 24), a Metalúrgica respondeu que “apesar de o Plano de Outorga de Opção de Compra de Ações ter sido aprovado, não houve desde a sua instituição a outorga de opção de compra de ações a qualquer dos elegíveis ao Programa”. Diante dessa informação, foi aberto o MPF Diligência nº 10.0.01.002012000648 para a Gerdau S.A., holding que está imediatamente abaixo da Metalúrgica, com capital formado por ações negociadas em bolsa de valores, a qual havia divulgado a aprovação do Plano de Outorga, e informava, no Formulário de Referência, que remunerava por meio de outorga de opções a diretoria, o conselho de administração e vários outros executivos de empresas controladas. No procedimento junto a Gerdau S.A., foram emitidos, além do Termo de diligência acima, o Termo de Intimação Fiscal nº 01 e nº 02, nos quais foram solicitados vários documentos, feitos questionamentos e pedidos de esclarecimentos. Com relação aos esclarecimentos prestados, destaca a fiscalização que a Gerdau confirma, que de forma geral, deixou de cumprir as formalidades do programa aprovado em assembléia pelos acionistas, porquanto não foram formalizados os contratos individuais ou instrumentos particular de outorga, conforme previsto no programa aprovado em 30/04/2003, na redação que vigorou até 30/04/2010. Consta que, intimada a apresentar a relação individualizada dos beneficiários do plano, discriminando detalhes da outorga das opções e do exercício de compra das ações, a Gerdau apresentou uma planilha contendo 512 participantes, cujos vínculos de trabalho eram oriundos de várias empresas do Grupo, a qual foi anexada aos autos (fls. 107/218), assim como todos os termos de intimação, respostas e documentos apresentados. No Termo de Intimação Fiscal nº 02, foram feitos vários questionamentos sobre a operacionalização do plano de outorga, que a fiscalização entendeu como relevantes para o entendimento do processo, cujas perguntas e respostas estão transcritas nas fls. 4043 do Relatório da Fiscal. No Termo de Intimação Fiscal nº 03, foram solicitados dados complementares à planilha apresentada pela Gerdau S.A, quais sejam, planilhas individuais por data de outorga, com a relação de executivos que já haviam exercido, total ou parcialmente, compras de ações decorrentes do plano de stock options. Também foram solicitados documentos complementares que demonstrassem o efetivo exercício das opções, bem como esclarecimentos acerca da divergência sobre o número de ações exercidas pelos Fl. 2112DF CARF MF 4 executivos constantes na planilha apresentada por força do Termo de Intimação Fiscal nº 01, se comparadas com os Termos de Exercício de Opções apresentados em resposta ao Termo de Intimação 02, enquanto que os preços de exercícios constam pela metade na planilha. Em reposta, consta que a Gerdau trouxe cópia dos documentos requeridos (fls. 406/616), os quais demonstram a ocorrência de efetivo exercício de compra de ações. Também explica que as divergências de números de ações entre a planilha e os Termos de Exercício decorrem de ajuste em função de bonificação concedida pela Gerdau S.A., na razão de 100% (1 ação nova para cada 1 possuída) em 12/06/08. Assim, teria ajustado os dados da planilha para manter a comparabilidade ao longo do tempo. No item 7 do Refisc, a autoridade lançadora discorre sobre a identificação do caráter remuneratório da parcela variável paga por meio de ações aos administradores e empregados de alto escalão do Grupo Gerdau. Que essa remuneração por meio de ações é paga em função do vínculo de trabalho mantido entre os beneficiários e as empresas do Grupo Econômico, pois é essa a relação que existe entre ambos, e somente a partir dela nasce a oferta de opções de exercício de ações com possibilidades de ganhos e que admitir isso como mera operação mercantil, seria um total desvirtuamento da realidade. Assinala o Fisco que os objetivos declarados do plano de outorga de opção aprovado pela AGE de 30/04/2003, são os seguintes: a Atrair e reter Executivos estratégicos; b Oferecer um sistema de remuneração realizável a longo prazo; c Compartilhar crescimento e sucesso da companhia; d Reforçar o sentimento de participação e sociedade no negócio. Diante do primeiro objetivo, "atrair e reter executivos estratégicos", assinala o Fisco que a finalidade de reter executivos se dá porque a companhia acredita no potencial destes para alavancar o desenvolvimento do seu negócio, é dizer, é pela capacidade laboral, pelo trabalho destes profissionais, que são outorgadas as opções de compra de ações, onde a empresa abriria mão de um ganho em benefício do trabalhador. No segundo objetivo, de acordo com a autoridade autuante, a própria redação não deixa margem a dúvidas quando diz que é "oferecer um sistema de remuneração". Que literalmente afirma que se trata de sistema de remuneração, e o vínculo mantido entre a companhia e os executivos é de trabalho, em razão de que entende que o pagamento é pela dedicação laboral. O terceiro e quarto objetivos, "compartilhar crescimento e sucesso da companhia" e "reforçar o sentimento de participação e sociedade no negócio", seguem a mesma linha de raciocínio da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no entanto, o pagamento por meio de ações não pode ser enquadrado como tal, pois a PLR tem regras específicas que diferem deste. Além disso, a PLR, que decorre da relação de trabalho, somente é isenta das contribuições previdenciárias em função de previsão literal contida na alínea "j" do § 9°, do artigo 28 da Lei n.º 8.212, de 1991. Portanto, segundo a autoridade lançadora, não há dúvidas de que parte da remuneração de executivos do Grupo Gerdau é paga por meio de ações. E esta parcela variável é decorrente da relação de trabalho. Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 16682.721020/201359 Acórdão n.º 2202005.256 S2C2T2 Fl. 2.112 5 Aduz a fiscalização que a empresa Gerdau S.A., ao longo dos anos, tem colocado ações à disposição de dirigentes e empregados do grupo Gerdau, que vêm exercendo essas ofertas de compras desde o ano de 2006, e com isso obtendo ganho patrimonial. Portanto, caracterizados o intuito retributivo e a habitualidade. Pondera a autoridade autuante que, no campo trabalhista, é irrelevante a nomenclatura que é dada à parcela ou a intenção do empregador. O que importa, para caracterizar a natureza salarial de uma verba e sua repercussão em outras verbas, é o fato de ter sido instituída em razão do contrato de trabalho e de estar presente a habitualidade da concessão. Na espécie, esses requisitos achamse presentes, o que impõe o reconhecimento da natureza salarial e remuneratória da utilidade fornecida. Dado que os rendimentos proporcionados pelos planos de opções correspondem à remuneração de natureza salarial, afirma a fiscalização que o fato desta aparentar ser apenas uma operação de compra e venda de ações no mercado de capitais somente se prestaria a evitar a incidência das contribuições previdenciárias e, bem assim, a retenção do imposto de renda na fonte com base na tabela progressiva, e, ainda, criaria condições para que os beneficiários se furtassem à tributação, ou se sujeitassem a uma menor tributação de seu rendimento, quando da venda das ações. Segundo a autoridade autuante, uma vez comprovado que os rendimentos provenientes do exercício das opções de compra de ações, levado a cabo por empregados, diretores e conselheiros das empresas do Grupo Gerdau, a partir de outorgas de opções de ações da Gerdau S.A., estão sujeitos a incidência de contribuições previdenciárias prevista no art. 28, incisos I e II da Lei 8.212, de 1991, não importa, para o lançamento em questão, a que título foram os rendimentos proporcionados por intermédio dos planos de opção, sendo irrelevante se foi salário indireto ou remuneração variável, pois o que interessa é a natureza remuneratória fulcrada no fato de que tais rendimentos foram concedidos em retribuição ao trabalho prestado. Geram um ganho econômico e conseqüente acréscimo patrimonial aos executivos, têm natureza de saláriodecontribuição, e somente poderiam ser afastados se estivessem nas hipóteses taxativas previstas no §9, do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, o que não ocorre. No tocante a ocorrência do fato gerador, definição de data da ocorrência e base de cálculo, a fiscalização expõe que, com base nas informações prestadas pela Gerdau S.A, no momento da outorga de opções nenhum bem ou direito é transferido aos executivos, pois sequer há assinatura de quaisquer termos ou contratos por parte dos mesmos. Que na distribuição das opções nasceria uma mera expectativa de direito, sem ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias. Que o Programa traz uma condição suspensiva, prevendo que o exercício das opções somente poderá ser realizado após determinado período de tempo, e, ainda, que mesmo implementadas as condições necessárias à aquisição do direito de exercício de compra de ações, o executivo pode ser impedido de obter o ganho a qual faria jus, se for demitido por justa causa, conforme item 10.1 do Plano de Outorga de opção de compra de ações (denominado "PROGRAMA DE INCENTIVO DE LONGO PRAZO" –APROVADO PELA AGE DE 30 DE ABRIL DE 2003). Desse modo, conclui que o fato gerador ocorre na data do exercício das opções de compra de ações, momento em que houve a transferência patrimonial da empresa controladora para o titular. A base de cálculo, por sua vez, é a diferença (valor intrínseco) entre o valor pago pelos executivos para aquisição das ações e o Fl. 2114DF CARF MF 6 valor de mercado das ações na data da liquidação financeira dos referidos pagamentos. Mais adiante, no item 12.1 do REFISC, relata que a comprovação do efetivo exercício compra de ações, da quantidade de ações exercidas (com desdobramento conforme o caso) e do preço de exercício pode ser conferida por meio dos Termos de Exercício de Opção e demais documentos de liquidação financeira, apresentados pela Gerdau S.A, em amostragem requerida pela fiscalização (fls. 271/384 – 406/616). As planilhas de cálculo, elaboradas pela fiscalização, para apuração das remunerações, com base nos dados apresentados pela empresa, são juntadas às folhas 1364/1369.. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Considerando que o plano de remuneração por meio de opções de ações foi implementado na holding Gerdau S.A, com o uso de ações da sua própria emissão, e que além da própria gestora, é extensivo às demais empresas do Grupo Gerdau, e que por meio dele foram remunerados diretores, conselheiros e demais executivos eleitos a participar do Programa, vinculados às controladas Gerdau Aços Especais S.A, Gerdau Comercial de Aços S.A, Gerdau Aços Longos S.A, Gerdau Aço Minas S.A entre outras; considerando, ainda, que o fato gerador da obrigação previdenciária pressupõe o exercício de atividade (prestação de serviço) mais a conseqüente remuneração (paga, devida ou creditada), e que no caso em tela, o trabalho sendo executado em uma empresa e o pagamento efetuado por outra (holding), a fiscalização, com fulcro no art. 22, incisos I e III, atribuiu a obrigação à empresa, cujos empregados e trabalhadores lhe prestem serviços. A identificação de qual empresa o executivo beneficiário estava vinculado na data do exercício foi fornecida pela Gerdau S.A, em resposta ao Termo de Intimação 03. SOLIDARIEDADE PASSIVA PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatada a existência de grupo econômico entre a ora fiscalizada e as empresas do grupo Gerdau, especialmente a holding Gerdau S. A, foi emitido o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da referida pessoa jurídica, atribuindolhe a responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado no presente feito, com fulcro no art. 124, I e II do CTN e art. 30, IX da Lei nº 8.212, de 1991. Não obstante impugnada (fls. 1496/1908) pelo autuado e pelo responsável solidário, a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 1916/1937), em acórdão cuja ementa se reproduz a seguir: OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. REMUNERAÇÃO EM CONTRAPARTIDA DO TRABALHO. GRATIFICAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. INCIDÊNCIA. Diferentemente do que ocorre em um contrato mercantil típico do mercado de opções, os segurados, ao exercerem a opção de compra das ações da companhia, podem pagar um preço inferior ao valor de mercado das ações que adquirem porque, no momento em que exercem a opção, são portadores de um crédito que lhes havia sido conferido pelo só fato de terem dedicado a contento, e por um período determinado, seu labor a uma empresa integrante do grupo econômico a que pertence a empresa autuada, além do que o fato gerador das contribuições ocorre no momento em que a opção de compra é exercida, e não na venda das ações, porque é na aquisição por um preço inferior Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 16682.721020/201359 Acórdão n.º 2202005.256 S2C2T2 Fl. 2.113 7 ao valor de mercado das ações que o crédito que foi conferido aos segurados, no âmbito do pacto tipicamente laboral, se materializa e seu valor tornase apreensível, sendo, pois, correspondente à diferença entre o valor de mercado das ações na data da aquisição e o preço de exercício preestabelecido quando da outorga da opção de compra. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2009 a 30/08/2010 JULGAMENTO EM CONJUNTO. SOLICITAÇÃO DESCABIDA. É incabível o julgamento em conjunto de processos administrativofiscais cuja competência foi atribuída a Turmas de Julgamento distintas. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese a solicitação de perícia quando os próprios impugnantes, em suas contrarrazões, afirmam categoricamente que a discussão que ensejou o pedido não tem a menor relevância para a elucidação do litígio. LEGITIMIDADE PASSIVA. CONTRIBUINTE. QUALIFICAÇÃO. Restando incontroverso nos autos que os segurados relacionados pelo Fisco trabalharam para a empresa autuada, se a imputação é de que tais segurados foram remunerados em razão desse trabalho, afigurase inegável a existência da relação pessoal e direta da pessoa jurídica com a situação que, descrita pela autoridade autuante, constitui o fato gerador das contribuições exigidas e que qualifica a empresa como contribuinte das exações sob apreço. Tal feito deu ensejo à interposição de recurso voluntário por parte do contribuinte e do responsável em 11/10/2007 (fls. 1948/1987) e 13/10/2017 (fls. 2008/2047), respectivamente, sendo então por ambos arguído, em síntese, que: o processo em tela deve ser julgado em conjunto com os processos nos 16682.721021/201301 e 16682.721022/201348, por versarem eles sobre os mesmos fatos; há nulidade decorrente de erro na identificação do sujeito passivo, pois foi a Gerdau S.A. que instituiu o plano de opções de ações de sua emissão, sendo que a Gerdau Aços Longos não pagou ou creditou valor relativo a esse plano, e não tem relação direta com o fato gerador que em tese teria ocorrido; deve ser realizada prova pericial, para verificação de que a falta de um contrato no papel não se constitui em descumprimento de uma formalidade do programa, diversamente do que sugere o autuante; inexiste lei que tipifique a outorga de opção de compra de ações como fato gerador de contribuições, não bastando para tanto normas e pronunciamentos contábeis, face ao princípio constitucional da legalidade; Fl. 2116DF CARF MF 8 não há subsunção dos fatos à capitulação legal, pois as recorrentes não pagam nem creditam nada aos beneficiários dos planos, sendo estes que pagam preço médio de mercado do dia da outorga para a aquisição das ações, e isso somente se implementadas as condições contratuais; ademais, aduz que o plano não se ajusta ao conceito de contraprestação do trabalho, ainda que sob a forma de utilidades; o plano tem natureza mercantil, sendo regulado pela legislação societária e consubstanciado em contrato bilateral e oneroso, por meio do qual a Gerdau S.A se obriga a vende um lote de ações ao preço médio de mercado do dia da outorga, possuindo o colaborador livre direito de adquirir tais ações ao final de um prazo temporal. Afirma que vários dos beneficiários não constam da folha de pagamento da empresa, e que o objetivo é que todos os parceiros se tornem sócios, de forma que aquela possa obter melhores resultados no mercado, "tendo em vista a possibilidade de obtenção, pelos beneficiários dos planos de opção de compra de ações, de potenciais ganhos em bolsas de valores". apenas em 4 (quatro) dos 10 (dez) anos em já houve outorga, os valores da data de exercício, foram maiores que os vigentes na data de outorga, o que denota a existência de riscos e a eventualidade dos ganhos. Cita, ainda, doutrina e jurisprudência administrativa que, entende, vai ao encontro de suas razões. Também referese a acórdão da 5ª Turma do TRF da 3ª Região, e a decisões da justiça trabalhista, na mesma linha, para, ao final, demandar a reforma da decisão recorrida, para declarar a improcedência do lançamento contraditado. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Desde já salientese que o processos conexo 16682.721020/201301 a que a contribuinte se refere em sua peça recursal foi pautado para a mesma sessão de julgamento que estes autos, de modo a evitar decisões potencialmente conflitantes. Quanto ao processo 16682.721022/201348, diz ele respeito ao IRRF, conforme mencionado pela recorrente, tributo de espécie diversa, regido por legislação bastante distinta, de modo que não se verifica relação de prejudicialidade ou dependência necessária apta a justificar o julgamento em conjunto dos feitos. Também de pronto há que se afastar a alegação de haver nulidade na autuação por motivo de erro de identificação no sujeito passivo. De acordo com o art. 121 do CTN, o contribuinte é o sujeito passivo da obrigação tributária que possui relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador. Como bem ressalta o acórdão contestado, havendo a fiscalização entendido que a retribuição proporcionada aquisição de ações a preços abaixo do mercado foi devida em razão da prestação de serviços realizada pelo beneficiário à epigrafada, resta coerente a imputação da condição de contribuinte à Gerdau Aços Longos S.A,. O fato de a outorga ter Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 16682.721020/201359 Acórdão n.º 2202005.256 S2C2T2 Fl. 2.114 9 sido instituída, e ter envolvido ações de pessoa jurídica diversa, a Gerdau S.A., sinaliza apenas ser esta a holding do grupo e empresa de referência no mercado acionário, no qual ditas ações (código GGBR4 na bolsa) possuem adequada liquidez para tornaremse atrativas aos beneficiários do plano, no caso de intenção de venda. Não por acaso, o programa elege como seus beneficiários não somente pessoas que prestam serviços diretamente à Gerdau S.A, mas "administradores e empregados de alto nível da Companhia e de suas sociedades controladas, direta ou indiretamente". Diversamente do que refere a peça recursal, a tergiversação parece ocorrer não nos argumentos da recorrida, mas sim no arrazoado da contribuinte, pois o fato de o plano de ações ter sido concebido por empresa do mesmo grupo, e a vantagem auferida consubstanciada em ações dessa empresa, não tem influência sobre a situação que constitui o fato gerador, a remuneração "paga, devida ou creditada", "a qualquer título", e "qualquer que seja a sua forma", decorrente dos "serviços efetivamente prestados", conforme a letra clara do inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91 deixa inequívoco. Cita a vergastada, inclusive, o caso das gorjetas, em que parte da remuneração é paga por terceiro, no particular os clientes, e que nem por isso deixa de compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Dessa feita, sendo a retribuição proporcionada em razão do trabalho prestado à recorrente, não há cogitar do pretenso erro. Nesse sentido citese, dentre outros, o acórdão nº 2402005.392 (j. 13/07/2016). Já o questionamento acerca de se a outorga de ações pode ser compreendida como remuneração a atrair a incidência das contribuições previdenciárias não se trata de matéria de nulidade, mas sim de mérito, e no momento apropriado deverá ser tratada. Cumpre registrar, de todo modo, que não se vislumbra na espécie qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa da contribuinte, a qual recorre evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Não há como prosperar, ainda, pedido de perícia voltado à comprovação de que o contrato de opção de compra de ações de que trata o item 7.3 do Plano de Outorgas, e relativos ao período até 30/04/2010, teria sido materializado, não em papel, mas de forma virtual em rede privada de computadores do grupo econômico Gerdau, visto que os próprios impugnantes, em suas impugnações, afirmam categoricamente que essa discussão não tem a menor relevância para a elucidação do presente litígio. Com efeito, a não formalização dos contratos em questão, ou formalização em meio virtual conforme defende a recorrente, não se situa sequer perto do cerne da argumentação fiscal, consoante a leitura do relatório fiscal, resumido no início deste voto, evidencia, tratandose de mera alusão a fato que, sob o prisma fiscalizatório, reforçaria suas conclusões. A exigência fiscal não é embasada nesse aspecto, mas sim nos contornos do programa instituído e na relação retributiva da vantagem destinada aos seus beneficiários, apta, segundo a autoridade lançadora, a atrair a incidência das contribuições em relevo. Prescindível, destarte, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, e contrária aos princípios da duração razoável do processo, bem como da eficiência, a realização de perícia e/ou diligência para averiguação dos contornos da indigitada situação, só podendo Fl. 2118DF CARF MF 10 ser entendida a postulação em comento sob o viés procrastinatório, o que remete a seu indeferimento. No que tange à questão de fundo, cabe explicar inicialmente que o mercado de opções, em sua gênese, tratase de mercado de derivativos voltado à gestão de risco, sendo as opções direitos de compra (ou de venda), a um preço pré determinado, de um ativoobjeto em uma data específica ou até uma certa data. As opções negociadas em um mercado com liquidez são padronizadas pela instituição que o gerencia, como a B3 S.A. no Brasil, a qual define as séries de opções a serem abertas, discriminadas por vencimento. Assim sendo, os agentes econômicos podem, ao comprar determinadas opções na bolsa, buscar proteção contra as oscilações de preço de mercado, caso possuam ações da empresa; poderão simplesmente especular, ao adquirir opções de compra que não precifiquem, a seu ver, adequadamente as possibilidades de incremento no valor da empresa; ou ainda, montar estratégias de renda fixa mediante o uso simultâneo de opções de compra e de venda do ativo (box de opções). Tudo isso é viabilizado pela negociação em um mercado de livre acesso, que possibilita a adequada mensuração do preço do ativo que é a opção, preço esse chamado "prêmio", o qual por sua vez requer dos operadores a consideração de elementos tais como a volatilidade do ativoobjeto, a taxa de juros do mercado, tempo entre a negociação e o vencimento da opção, assim como, por óbvio, a diferença entre o preço do ativo em questão e o preço de exercício (conhecido como strike). Para tal feito, são utilizados sofisticados modelos matemáticos, sendo os mais conhecidos dentre eles os modelos denominados "Black and Scholes" e binomial. Já as denominadas employee stock options, ora abordadas, possuem natureza bastante diversa. Surgiram no estrangeiro, como parte do pacote de benefícios e vantagens oferecidas a administradores e empregados, visando a sua retenção nos quadros da empresa, em especial nas de pequeno e médio porte, que, descapitalizadas, necessitavam de trabalhadores qualificados para a consecução de seus objetivos; com o tempo, se espraiaram sendo utilizadas por diferentes tipos de empresas, integrando com frequência o pacote remuneratório ofertado pelas grandes companhias, especialmente as americanas e inglesas. À evidência, a concessão de um direito de aquisição de uma participação no capital de uma empresa com potencial de crescimento, com a consequente perspectiva de valorização dessa participação ação revelase bastante atrativa, representando a outorga desse direito opção uma efetiva vantagem econômica para o beneficiário, frente ao terceiro que não possui vínculos com a companhia. Por sua vez as empresas, mesmo tendo em vista a possível diluição do valor de suas ações com o efetivo exercício das opções, o que pode ocorrer caso venha a emitir ações para contemplar os beneficiários, com a outorga daquelas últimas fazem convergir os objetivos dos investidores com o de empregados e administradores. No que tange ao direito positivo pátrio, as opções do gênero têm sua previsão no § 3º do art. 168 da Lei das S.A.: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 16682.721020/201359 Acórdão n.º 2202005.256 S2C2T2 Fl. 2.115 11 (...) § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Evidentemente, tal dispositivo não traz referência sobre o caráter remuneratório de tais opções, muito menos sobre a incidência de contribuições previdenciárias, por ser matéria estranha à lei que o veicula. A Comissão de Valores Mobiliários, ao tratar da matéria na qualidade de regulador dos mercados mobiliários, denotou que1: A companhia aberta empregadora pode adotar vários tipos de planos para remunerar executivos e funcionários pela outorga de opções de compra de ações emitidas pela companhia. Nos planos de outorga de ações convencionais, por exemplo, a companhia empregadora outorga opções para compra de um número fixo de ações da companhia, a um preço estabelecido, durante um período específico, em troca de serviços correntes ou futuros dos executivos e funcionários. Este tipo de remuneração é usual no mercado americano e, em menor escala, nos mercados da comunidade européia, como forma de alinhar os objetivos dos investidores ao objetivo dos administradores e empregados. (grifei) Nesse diapasão, e tendo em vista o projeto de convergência das normas contábeis brasileiras às internacionais, no caso o IFRS 2 Sharebased Payment, que trata das transações com pagamento baseado em ações e derivativos conexos, a Deliberação CVM nº 562/08 mais uma vez destacou, ao aprovar o Pronunciamento Técnico CPC 10, o entendimento daquele órgão acerca do caráter remuneratório das employee stock options: Deliberação CVM nº 562, de 17 de dezembro de 2008 A PRESIDENTE DA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS – CVM torna público que o Colegiado, (...) DELIBEROU: I – aprovar e tornar obrigatório, para as companhias abertas, o Pronunciamento Técnico CPC 10, anexo à presente Deliberação, que trata de Pagamento Baseado em Ações, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC; (...) 12. Em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos (...) Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais (...) (grifei) O disposto no item 12 do mencionado Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, segue na mesma linha: 1 CVM. Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007. Brasíulia, 14/02/2007, item 25.3. Fl. 2120DF CARF MF 12 12. Em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos. Normalmente não é possível mensurar de forma direta cada componente específico do pacote de remuneração dos empregados, bem como não é possível mensurar o valor justo do pacote como umtodo. Portanto, é necessário mensurar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados. Além disso, ações e opções de ações são concedidas como parte de um acordo de pagamento de bônus ao invés de o serem como parte da remuneração básica dos empregados, ou seja, tratase de incentivo para permanecerem empregados na entidade ou de recompensa por seus esforços na melhoria do desempenho da entidade. Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais. Em função da dificuldade de mensuração direta do valor justo dos serviços recebidos, a entidade deve mensurálos deforma indireta, ou seja, deve tomar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados como o valor justo dos serviços recebidos. (grifei) O entendimento das normas contábeis e societárias acerca da natureza remuneratória dos planos do gênero é sumarizado pela doutrina de Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins, à fl. 539 do Manual de Contabilidade Societária FIPECAFI (São Paulo, Editora Atlas, 2010): Algumas empresas optam por remunerar seus empregados (executivos, administradores ou outros colaboradores) por meio de pacotes que incluem ações e opções de ações. A idéia subjacente à remuneração com base em ações é fazer com que os funcionários sejam incentivados a atingir determinadas metas e, assim, se tornem, também, donos da entidade ou tenham a oportunidade de ganhar pela diferença entre o valor de mercado das ações que subscrevem e o valor da subscrição. Esse tipo de remuneração visa incentivar os empregados ao comprometimento com a maximização do valor da empresa, alinhando seus interesses com aos dos acionistas. Isso é necessário, pois de acordo com a Teoria da Agência, os empregados (agentes) e os acionistas (principais) possuem objetivos que, por muitas vezes, podem ser conflitantes. Nesse cenário, os planos de ações e de opções de ações constituem uma característica comum da remuneração de diretores, executivos e outros empregados. (grifei) Nessa linha, concluise que os planos de opções disponibilizados por empresas aos seus empregados e colaboradores, possuem, de uma maneira geral, ínsito caráter remuneratório e não de "operação mercantil" como alegado na peça recursal, tratandose na verdade de retribuição disponibilizada, interna corporis, em razão de vínculo de prestação de serviços contratualmente estabelecido. Registrese que eventuais decisões exaradas pelo poder judicante com entendimento em sentido diverso do ora encaminhado não vinculam este Colegiado ainda que possam auxiliar na formação do convencimento dos julgadores salvo se atinentes à lide versada nos autos, quando deverão ser simplesmente cumpridas pela administração, ou quando presentes as hipóteses previstas no art. 62 do RICARF, do que não se trata no caso. E, também vale consignar que, a despeito das decisões colacionadas pela recorrente, no âmbito do CARF os julgados a respeito do assunto vem se consolidando no sentido de reconhecer o caráter remuneratório, em regra, desses planos, merecendo citar, dentre outros, os recentes acórdãos nos 9202005.968 (j. 26/09/2017), 2402006.048 (j. 06/03/2018) e 2301005.772 (j. 05/12/2018). Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 16682.721020/201359 Acórdão n.º 2202005.256 S2C2T2 Fl. 2.116 13 Noutro giro, há que se considerar que a seguridade social deve ser financiada, a teor dos incisos I e II do art. 195, e § 11 do art. 201 da CF, c/c o disposto nos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91, por contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título e sob qualquer forma, sendo necessária norma expressa, forte nos arts. 111 e 176 do CTN, para que determinada retribuição pelo trabalho não componha a base de cálculo daquelas contribuições As expressões "pagas, devidas ou creditadas a qualquer título", e "qualquer que seja sua forma", contidas no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91 mostram a opção do legislador em afastar a concepção de legalidade tal como defendida pela recorrente, ou seja, como atinente a uma tipicidade fechada. A lei, assim, não enumera cada caso possível de ser alcançado pela incidência das contribuições, mencionando algumas espécies apenas a título de esclarecimento ou exemplificação, tais como "gorjetas" e "adiantamentos decorrentes de reajuste salarial". Tal feito é necessário porque são recorrentes e cambiam frequentemente os instrumentos negociais e jurídicos concebidos pelas empresas com vistas a criar formas de remuneração inovadoras, tanto para atender diversos aspectos ínsitos a suas respectivas atividades, quanto para tentar viabilizar, por via transversa, uma diminuição na carga tributária relativa às contribuições previdenciárias. Em sua sabedoria, e prevendo a possibilidade da ocorrência dessas situações, a norma posta veicula conceitos amplos no que toca a definição de remuneração, de modo a abarcálas, e assim possibilitar que o financiamento da seguridade social. Ou seja, a retribuição pela prestação de serviço, independentemente da forma ou nomen iuris da qual se revista, é base de cálculo das contribuições previdenciárias consoante assim definido pela lei, sendo as hipóteses de cunho isentivo é que são tipificadas mais estritamente, mediante, primordialmente, discriminação contida nas alíneas do § 9º do art. 28 da Lei de Custeio. Anotese, ademais, que eventual alegação de inconstitucionalidade das normas analisadas é matéria alheia ao conhecimento deste Colegiado, por força da Súmula CARF nº 2. Impende assim, e a par das considerações doutrinárias e disposições legais acima expostas, passar ao caso em apreço para verificar as características particulares do plano de opção de ações em foco (fls. 233/236), com vistas a averiguar as alegações do autuado no sentido de que não possuiria tal plano caráter remuneratório, ao contrário do que sói prevalecer. De pronto, devese notar que ser a adesão ao plano uma faculdade do beneficiário em nada afeta a vantagem eventualmente auferida, decorrente do vínculo com a empresa. Uma vez aceita a outorga de opções, ocorre para aquele a incorporação de uma perspectiva de posterior aquisição de vantagem patrimonial, a qual, contudo, ainda não se reveste de condições que permitam a sua adequada mensuração, tampouco está dotada de livre disponibilidade, o que ocorrerá em momento posterior, como será visto oportunamente. Quanto à questão da habitualidade, cuidese de frisar que Arnaldo Sussekind já alertava que ela constitui "...regra jurídica tacitamente criada em decorrência da reiteração de certa conduta genérica no cenário interno da empresa2". É, então, previsibilidade qualificada 2 SUSSEKIND, A. In; MARANHÃO, D.;VIANNA, S; LIMA, T: Instituições do Direito do Trabalho. 21ª ed. revista e atualizada. São Paulo:LTr, 2003, v.1, p. 373. Fl. 2122DF CARF MF 14 por essa reiteração, que gera justa expectativa nos potenciais beneficiários da recorrência na outorga de opção de ações. No caso concreto existia a previsão de outorga anual das opções no plano de opção de compra de ações "no último dia útil de dezembro de cada ano, a Companhia outorgará opções de compra de ações preferenciais da GERDAU, em valor equivalente a 20% do salário base anual de cada um dos EXECUTIVOS escolhidos para participar do PROGRAMA...No caso de Conselheiros, o valor par o exercício da opção de compra poderá ser equivalente a 100% de sua remuneração anual." Então, no plano havia a expectativa concreta e justificada nos potenciais beneficiários da recorrência no auferimento das vantagens ofertadas periodicamente alteradas por resoluções da AGE, particularmente no tocante aos percentuais da remuneração , estando presente, por conseguinte, a habitualidade. De sua parte, a existência de pessoalidade no plano é inequívoca, dado que apenas os prestadores de serviço à companhia ou sociedades sob seu controle no caso, a Gerdau Aços Longos S.A. sejam eles "administradores, empregados, ou outras pessoas naturais", são destinatários da outorga das opções intransferíveis, conforme explicitado no item 3 do Plano de Outorga de Opção da holding emissora das ações. Além disso, para serem contemplados com o direito a essa participação tinham de ser eleitos pelo Comitê de Remuneração e Sucessão (Comitê). Já a retributividade exsurge clara, pois para fazerem os participantes jus à possibilidade de exercer às opções outorgadas deveriam manter o vínculo de prestação de serviços com a empresa concedente daqueles títulos, durante um certo período, o que é consubstanciado nas cláusulas fidelizatórias atinentes ao vesting period (carência), em regra de duração de 5 (cinco) anos. Cabe destacar que, conforme com o item 13.4.c do Formulário de Referência 2009, há explanação de que, "aos ocupantes de cargos de diretor e acima, 50% das outorgas serão vinculadas a metas futuras estabelecidas no plano estratégico da empresa", o confirma o caráter contraprestativo das outorgas. Além disso, a opção termina de pleno direito pelo desligamento do executivo da companhia, sendo que eventual direito a esse recebimento (em dinheiro ou ações), por ter já ter sido superado o prazo de carência, poderia ser exercido em até seis meses na data do término do contrato. Tratase essa última hipótese, assim, de parcela remanescente do vínculo dantes estabelecido, paga (no caso de exercício), peculiarmente, após a cessação do pacto laboral, mas, em virtude de seu caráter contraprestativo face ao trabalho já realizado, também sujeita à incidência das contribuições. Observese que a natureza remuneratória e retributiva do plano em comento é, inclusive, atestada sucessivamente em documentos de lavra do recorrente, sendo que no próprio plano, é frisado que um dos objetivos do programa é "oferecer um sistema de remuneração realizável a longo prazo". E, conforme realçado pela autoridade fiscal: Em primeiro lugar, isso é remuneração porque a própria Companhia assim o considera. Nos Formulários de Referência publicados no website da CVM (itens 13 e 14 daqueles documentos), a exposição feita é sempre no sentido de que uma parcela da remuneração é satisfeita por meio de ações de emissão da empresa, sendo esta fatia intitulada “remuneração variável de longo prazo”. A conceituação é a mesma tanto para Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 16682.721020/201359 Acórdão n.º 2202005.256 S2C2T2 Fl. 2.117 15 os administradores (Diretoria e Conselho), como para os empregados (Diretores e Gerentes). Essa remuneração por meio de ações é paga em função do vínculo de trabalho mantido entre os beneficiários e as empresas do Grupo Econômico, pois é essa a relação que existe entre ambos, e somente a partir dela nasce a oferta de opções de exercício de ações com possibilidades de ganhos. Aliás, causa significativa estranheza que perante seus acionistas, colaboradores, instituições de mercado, etc., a recorrente alardeie ser o plano de outorga de opções forma de remuneração, e que, face ao Fisco, defenda ser mera operação de caráter mercantil. Se desnuda, com vigor, a incoerência que contamina a argumentação recursal. Sustenta a recorrente, também, que nos planos em comento os beneficiários tiveram que pagar pelas ações, porém o financiamento no todo ou em parte da ações adquiridas por meio do exercício das opções, mesmo que torne ainda mais evidente, quando presente, o caráter remuneratório de um determinado plano, não é elemento essencial deste, sequer necessário para sua configuração. O que importa é que se constate a existência de vantagem econômica, ainda que sob a forma de utilidades, no caso opções de ações/ações, disponibilizadas de forma exclusiva a pessoas físicas prestadoras de serviços à pessoa jurídica, em razão desse vínculo. Acrescentese que existe a possibilidade consoante a própria autuada explicou no item 2.4 de sua resposta ao Termo de Intimação 02 de que, caso o beneficiário seja correntista do Banco Itaú S.A., exerça a opção de compra de ações e realize simultaneamente a venda delas no mercado, sendo a diferença creditada diretamente em favor do beneficiário, em operação "casada". Em outras palavras, nesses casos nenhum desembolso será feito pelo beneficiário, que aufere o ganho sem precisar lançar mão de suas disponibilidades de caixa. Nessa sequência de considerações, importa lembrar que, em se falando de remuneração variável, existe sempre o risco de que as condições combinadas para a percepção dos rendimentos não se verifiquem, ao final do período acertado para sua implementação. Por exemplo, é perfeitamente possível que prêmios ou bônus não sejam pagos, em razão de o empregado não ter conseguido atingir as metas fixadas para que fizesse jus aos valores correspondentes. Inclusive, tal feito pode ter assim se sucedido em virtude de motivos externos ao próprio desempenho daquele, como dificuldades da empresa, problemas regulatórios, no mercado de atuação, etc. A despeito disso, o fato é que, quando recebido o prêmio, a este é reconhecido, por força das normas de regência, pacífica doutrina e jurisprudência, o caráter remuneratório. A percepção ou não de montantes associados à forma de remuneração variável não tem correlação alguma, portanto, com o reconhecimento ou não de sua natureza remuneratória; pelo contrário, apenas reforça a apreensão de sua variabilidade intrínseca, em contraposição às parcelas fixas, de feição salarial. Os planos de stock options são espécie do gênero remuneração variável, e não obstante se incorporem na expectativa dos beneficiários os ganhos deles decorrentes, estes não são em absoluto assegurados, embora possam, dependendo das condições implementadas no Fl. 2124DF CARF MF 16 programa, notadamente o preço de exercício fixado, ter os riscos associados consideravelmente diminuídos. Ressaltese que a partir do momento da outorga riscos surgem, pois o preço do ativoobjeto (ação da Gerdau S.A., no caso) oscila no mercado aberto. Porém tal variação não tem relevância para fins tributários, pois enquanto transcorre o período de carência os contratos de outorga firmados ficam sob a vigência de condição suspensiva nos termos previstos no inciso I do art. 117 do CTN, dado que o beneficiário tem a propriedade sobre um ativo, a opção outorgada, sobre o qual não tem o poder de disposição tampouco o de utilização, na medida em que não pode convertêlo no ativoobjeto a seu talante, para fins de auferir eventual vantagem econômica daí decorrente. A partir desse momento, é facultado ao beneficiário o exercício da opção. Assim, pode aguardar o momento propício para exercer suas opções, por ser faculdade sua, e não obrigação. Se na data em que possibilitado o exercício o preço for maior, como refere a recorrente ter acontecido em alguns anos, basta não exercer a opção, e gravame fiscal associado inexistirá, naturalmente. Se tratam tais possibilidades, contudo, de consequências da decisão de investimento do beneficiário da opção outorgada, não desnaturando o caráter remuneratório da outorga das opções. Na prática, tão somente após o contato do beneficiário com o Banco Itaú, responsável pelo controle e gestão do programa, a assinatura do Termo de Exercício pelo beneficiário, e a consequente transferência eletrônica das ações da Gerdau S.A. para a titularidade daquele, é que se perfectibiliza a vantagem pecuniária advinda. Nessa esteira, e em consonância com os argumentos já expendidos no decorrer desta fundamentação, verificase que somente na data do efetivo exercício da opção é que se incorpora definitivamente ao patrimônio do beneficiário a utilidade dotada de valor econômico determinado que lhe foi conferida em decorrência do vínculo de prestação de serviços, representada pela diferença positiva de preço entre o ativoobjeto (preço médio da ação) e o preço de exercício naquela data. Em outros termos, é nessa data que estão presentes os atributos de mensurabilidade e de certeza jurídica quanto à percepção da utilidade, revestida então de disponibilidade jurídica. Resta atendida, de modo inequívoca, a subsunção dos fatos à capitulação legal contida no art. 22 da Lei nº 8.212/91, pois o beneficiário aufere ("pagas, devidas ou creditadas") via exercício de opções outorgadas ("a qualquer título") bem ("qualquer que seja sua forma") de liquidez imediata por preço inferior ao seu valor de mercado, sendo que tal diferença de preço nas ações traduzse em vantagem patrimonial decorrente da prestação de serviços à empresa autuada. Impende reiterar que, estando associada a percepção do rendimento ao exercício da opção, se tal feito não ocorre em razão de o beneficiário não considerar os preços vigentes da ação atrativos, ou ainda por problemas intrínsecos à empresa, seja no processamento da notificação pleiteando o exercício, seja de mercado, simplesmente não ocorre o fato gerador das contribuições. Porém, ocorrendo o exercício, verificase sua hipótese de incidência em concreto. E o que acontece depois disso é irrelevante para fins tributários. O detentor das ações frutos da conversão pode permanecer com elas, sem as vender, porém sobre aquele ganho inicial remuneratório (diferença preço de mercado x preço de exercício) já houve a Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 16682.721020/201359 Acórdão n.º 2202005.256 S2C2T2 Fl. 2.118 17 incidência das contribuições; a partir daí, considerando a decisão de investimento de alienar as essas ações a terceiros, poderá incidir imposto de renda, se apurado ganho de capital. São contudo, situações distintas material e temporalmente, e que não se confundem com a percepção de remuneração, como parece entender a recorrente. Não merece reforma, portanto, a decisão contestada, que decidiu pela procedência integral do lançamento. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35443.000706/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2003
ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. INSUFICIÊNCIA NA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Havendo apresentação deficitária dos documentos necessários à comprovação do efetivo gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho, pode a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento. Nessas hipóteses, recai sobre o contribuinte o ônus de apresentar elementos de prova aptos a elidir a pretensão fiscal.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119.
O verbete sumular de nº 119 deste Conselho determina que, "no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996."
Numero da decisão: 2202-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar seja aplicada a multa mais benéfica, em observância ao verbete sumular de nº 119 deste Conselho.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2003 ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. INSUFICIÊNCIA NA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Havendo apresentação deficitária dos documentos necessários à comprovação do efetivo gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho, pode a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento. Nessas hipóteses, recai sobre o contribuinte o ônus de apresentar elementos de prova aptos a elidir a pretensão fiscal. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119. O verbete sumular de nº 119 deste Conselho determina que, "no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996."
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/05/2003 ADICIONAL PARA FINANCIAMENTO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. INSUFICIÊNCIA NA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Havendo apresentação deficitária dos documentos necessários à comprovação do efetivo gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho, pode a autoridade fiscalizadora proceder ao lançamento por arbitramento. Nessas hipóteses, recai sobre o contribuinte o ônus de apresentar elementos de prova aptos a elidir a pretensão fiscal. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119. O verbete sumular de nº 119 deste Conselho determina que, "no caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar seja aplicada a multa mais benéfica, em observância ao verbete sumular de nº 119 deste Conselho. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 44 3. 00 07 06 /2 00 5- 60 Fl. 450DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 451 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SPL CONSTRUTORA E PAVIMENTADORA LTDA. contra decisão proferida por Auditor Fiscal de Previdência Social vinculado à Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Sorocaba (SP), que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança de R$ 183.426,37 (cento e oitenta e três mil e quatrocentos e vinte e seis reais e trinta e sete centavos), em razão do não recolhimento do adicional do SAT para custeio da aposentadoria especial, no período de abril de 2002 a maio de 2003. Em apertadíssima síntese, consta no relatório fiscal (f. 19/20) que a ora recorrente tem sua matriz no Município de Sorocaba, filial no Município de São Paulo e, em ambas, desenvolve como atividade principal a coleta de lixo urbano. Afirma que os Laudos Técnicos de Avaliação Ambiental apresentados para a matriz e para a filial contêm idênticas previsões quanto à descrição de atividades, análise dos principais riscos e recomendações de segurança para os coletores de lixo. Apesar disso, enquanto na matriz houve recolhimento do SAT com base na alíquota de 3%, acrescida de 6% sobre o salário de contribuições dos coletores de lixo, na filial houve apenas o recolhimento de 3%, sem o acréscimo de que trata a Lei nº 9.732/1998. Também não houve recolhimento do adicional quanto aos segurados que exercem as funções de lavador, lubrificador, médico e auxiliar de enfermagem, que, segundo Laudo Técnico, encontrariamse expostos a agentes químicos ou biológicos. Após a apresentação da impugnação foi proferido despacho (f. 371) determinando que o auditor autuante se manifestasse sobre a defesa apresentada (f. 323/325), bem como os documentos que a ela foram acostados (Parecer Técnico, da lavra de engenheiro eletricista e segurança do trabalho f. 326/332 , contendo os seguintes anexos: Análise Médica e ocupacional f. 333/340; documentos produzidos pela ora recorrente f. 341/342; contrato social f. 343/365). Em resposta (f. 404/408), a autoridade fiscalizadora destacou o fato de as condições de trabalho serem idênticas nas unidades de Sorocaba e São Paulo, mas, ainda assim, apenas na matriz ser feito o recolhimento de adicional do SAT quanto aos coletores de lixo. Acrescentou que os PPRA (f. 162/181), LTCAT (f. 182/225) e PCMSO (f. 231/249), que já se encontravam carreados aos autos antes da apresentação da defesa, não trazem quaisquer informações quanto às condições de efetiva utilização dos EPIs ou EPCs, motivo pelo qual não é possível aferir se seriam suficientes para manter a intensidade dos agentes agressivos dentro dos limites legais. Salientou, ainda, que o parecer juntado à defesa (f. 326/332) não faz referência às condições dos EPIs utilizados no período (condições de conservação, higienização periódica e substituições há tempos regulares, vida útil, etc.). Por tais motivos, concluiu pela manutenção do débito em sua totalidade. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 452 3 Conforme já narrado, o lançamento foi julgado procedente (f. 409/413), valendose dos seguintes argumentos: a) A empresa não rebateu o argumento da autoridade fiscalizadora de que, embora os coletores de lixo da matriz e da filial trabalhem em condições idênticas, o recolhimento do adicional de SAT ocorre apenas na matriz; b) O Laudo Técnico (fls. 222), nos itens “k” e “l”, atesta que a atividade desempenhada expõe os trabalhadores a agentes biológicos e químicos. c) Pressupõese correta a inclusão das funções de lavador, lubrificador, médico e auxiliar de enfermagem no rol dos funcionários sujeitos a grau de risco, como constado item 7 do Relatório Fiscal, já que, ao não contestar esse ponto, admite tacitamente a correção do levantamento feito pelo auditor. d) A notificação em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes. Notificada quanto à retificação, em 23/10/2008, apresentou a recorrente recurso voluntário, suscitando: Preliminarmente, a) necessidade de concessão de efeito suspensivo ao recurso, com a não inscrição em dívida ativa da cobrança; b) nulidade do processo administrativo, ao argumento de que deveria ter sido feita fiscalização "in loco" para que fosse aferida a efetividade dos EPIs; c) nulidade da NFLD, por vício formal e inadequação dos períodos descritos pelo auditor da previdência social (INSS) quanto às supostas infrações. Quanto ao mérito, a) no quadro “Análise Preliminar de Riscos para Higiene Ocupacional” do PPRA, consta, no momento de sua elaboração, medidas de controle quanto à utilização de EPIs; b) competia ao auditor, no curso da fiscalização, verificar as notas fiscais de aquisição dos equipamentos de segurança e medicina do trabalho, bem como o controle de entrega aos empregados; c) a utilização dos EPIs estaria sob permanente controle da municipalidade; d) inexistiria embasamento legal para estender as condições ambientais da filial à matriz no setor de resíduos sólidos, visto que as condições territoriais e laborais são diferentes; e) os argumentos de defesa são extensivos ao lançamento do adicional quanto às funções de lavador, lubrificador, médico e auxiliar de enfermagem. Sendo assim, os argumentos relacionados ao coletor de resíduos sólidos são aplicáveis às demais funções, que também recebiam EPIs. Pleiteou o cancelamento da exigência fiscal e, em caráter subsidiário, a redução do valor das multas pecuniárias, considerandose a inexistência de qualquer agravante em seu desfavor. Contrarrazões apresentadas (f. 441/445). É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 453 4 Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, representes os pressupostos de admissibilidade. I DAS PRELIMINARES II.1 DO PEDIDO DE ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO Despiciendo o requerimento de atribuição de efeito suspensivo ao recurso administrativo, eis que automaticamente concedido, por força do disposto no inc. III do art. 151 do CTN, bem em atenção ao comando do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. II.2 DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO A recorrente afirma, que o lançamento deveria ser reputado nulo, uma vez que a fiscalização não apresentou provas de que os EPIs eram insuficientes para neutralizar a insalubridade, eis que teria falhado em proceder verificação "in loco". Compulsando os autos, verificase que os documentos analisados pela autoridade fiscalizadora (PPRA, LCAT e PCMSO) conduziram à conclusão de que ocorreu o fato gerador da contribuição previdenciária em discussão, uma vez que constatada a existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho e que não comprovada sua neutralização. A autoridade fiscalizadora também considerou, em sua análise, outro indício de que a contribuição seria devida: o adicional de SAT é pago na matriz da empresa, em relação aos coletores de lixo, mas não o é na filial de SP, onde as condições de trabalho são iguais. Na sistemática do ônus da prova, uma vez comprovada a ocorrência do fato gerador, caberia à empresa, em impugnação, apresentar documentos que demonstrassem que os EPIs fornecidos promoviam o devido controle dos agentes de risco, o que afastaria a possibilidade de concessão de aposentadoria especial aos empregados e, consequentemente, o pagamento do adicional de SAT. A discussão quanto à eficácia dos documentos juntados pelo recorrente para a desconstituição do crédito tributário, é questão de mérito, que será oportunamente apreciada. Rejeito, pois, a preliminar. II.3 DA NULIDADE DA NFLD A recorrente afirma haver incoerência entre o relatório fiscal e a notificação de lançamento no que tange aos lapsos temporais das infrações. Afirma que, no item 13 do documento “NFLD DEBCAD nº 35.580.4280 de 27/11/2003”, há uma planilha na qual o auditor elencou as autuações lavradas contra a empresa. Todavia, no campo “período”, houve indicação de lapsos temporais diferentes daqueles que constam do documento “Relatório Fiscal da Infração”. Segundo a recorrente, no item 3 do relatório, consta que: “3. No período de janeiro de 1999 a setembro de 1999 deixou de informar no campo ocorrências o código 05 para Fl. 453DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 454 5 os trabalhadores abaixo relacionados, os quais têm mais de um vínculo empregatício (...)”. Na planilha, contudo, o período descrito para a mesma autuação seria de 01/1999 a 04/2003. Na tabela do relatório fiscal (f. 20), consta que a NFLD compreende o período de 04/2002 a 05/2003. O Discriminativo Sintético de Débito (f. 910) também atesta que as competências do débito estão compreendidas entre 04/2002 e 05/2003. Sendo assim, não há qualquer incoerência no que tange ao período abrangido pela NFLD, motivo pelo qual rejeito a preliminar. II DO MÉRITO: GERENCIAMENTO DOS RISCOS AMBIENTAIS No caso em questão, a autoridade fiscalizadora constatou: i) não haver recolhimento de adicional de SAT em relação aos profissionais que realizam a coleta de lixo na filial da empresa em São Paulo ao contrário do que ocorre na matriz de Sorocaba; e ii) os segurados que exercem as funções de lavador, lubrificador, médico e auxiliar de enfermagem estão expostos a agentes químicos e biológicos, conforme atesta Laudo Técnico. Quanto às duas primeiras funções, a exposição a agentes químicos extrapola o limite, com a recomendação de troca dos produtos utilizados por outros menos tóxicos. Quanto ao médico e auxiliar de enfermagem, expostos a agentes biológicos, não foi identificada a utilização de EPIs. Com base em tais constatações, foi lançado, em relação a todos os profissionais que desempenham as funções supramencionadas, o adicional de SAT, cujo escopo, como sabido, é o financiamento da aposentadoria especial (arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91). Com o fito de afastar o lançamento, alega a recorrente que eram oferecidos EPIs a todos os empregados. Aduz, ainda, que incumbiria à autoridade fiscalizadora averiguar as condições de sua utilização e acrescenta que não há motivos para supor que as condições de trabalho na matriz e na filial são idênticas. Por fim, argumenta que a atividade de coleta de lixo é fiscalizada pelo poder municipal, inclusive no que tange à utilização de EPIs, por se tratar de concessão pública. Em relação à contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial, assim prevê a Instrução Normativa RFB nº 971: Art. 292. O exercício de atividade em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, nãoocasional nem intermitente, conforme disposto no art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, é fato gerador de contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial. (...) Art. 293. § 2º. Não será devida a contribuição de que trata este artigo quando a adoção de medidas de proteção coletiva ou individual neutralizarem ou reduzirem o grau de exposição do trabalhador a níveis legais de tolerância, de forma que afaste a concessão da aposentadoria especial, conforme previsto nesta Instrução Normativa ou em ato que estabeleça critérios a serem adotados pelo INSS, desde que a empresa comprove o Fl. 454DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 455 6 gerenciamento dos riscos e a adoção das medidas de proteção recomendadas (sublinhas deste voto). Verificase, pois, ser possível elidir a incidência do adicional para a aposentadoria especial quando há comprovação de que a empresa adota medidas de proteção coletiva ou individual capazes de neutralizar ou reduzir o grau de exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos a níveis legalmente toleráveis. Salientase que o fornecimento de EPIs, per se, não afasta o dever de arcar com o adicional. É necessário comprovar que os equipamentos são devidamente utilizados e que são eficientes na manutenção dos agentes nocivos em níveis legalmente toleráveis. Em sentido idêntico, o verbete sumular de nº 289 do TST: O simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não o exime do pagamento do adicional de insalubridade, cabendolhe tomar as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da nocividade, dentre as quais as relativas ao uso efetivo do equipamento pelo empregado. Inicialmente, às f. 162 e ss., encontrase o PPRA de 2002 da filial de São Paulo, o qual traça as diretrizes gerais para a prevenção de riscos no ambiente de trabalho. Em sua análise preliminar de riscos para a higiene do trabalho (f. 174), consta que, na atividade de coleta de lixo, há contato dos empregados com agentes biológicos, através da manipulação do lixo urbano ou de seus resíduos. No campo “medidas de controle atuais”, sinalizase a “utilização de EPI’s”. Já quanto às medidas de controle recomendadas, consta que estas deveriam ser discutidas após Laudo de Riscos Ambientais. O documento em questão também indica que, no setor de “lavagem”, os funcionários têm contato direto de partes do corpo com a umidade. Informa que há utilização de EPIs e que as medidas de controle serão discutidas após elaboração do Laudo de Riscos Ambientais (f.175). Quanto ao setor de “lavagem de feira”, atestase que os funcionários estão sujeitos à umidade e a agentes químicos e que há utilização de EPIs. Quanto às medidas de controle recomendáveis, consta que essas serão discutidas após laudo de riscos ambientais (f. 176). O Laudo Técnico de Avaliação Ambiental da filial de SP consta das f. 182 e ss. e data e agosto de 2002. O documento constatou que: i) os níveis de iluminação estavam abaixo do mínimo exigido em determinados setores (f. 202); ii) os níveis de ruído não extrapolaram o limite normativo (f. 203); iii) não há indício de risco à saúde dos trabalhadores por sobrecarga térmica (f. 204); iv) foi ultrapassado o limite de tolerância quanto ao agente químico “ácido sulfúrico” na atividade de lavagem de veículos, sendo devido aos funcionários que laboram no setor de lavagem o adicional de insalubridade em nível máximo (f. 206). Na parte específica de “análise de funções”, foram feitas constatações quanto à insalubridade e periculosidade. Quanto à atividade de “coletor de lixo”, o laudo concluiu que os profissionais que a exercem fazem jus ao adicional de insalubridade em Grau Máximo, pela exposição habitual a agentes biológicos. O documento prevê que "a neutralização da insalubridade se dará com o uso efetivo dos EPI(s) adotados e fornecidos pela Empresa, como por exemplo, luva de palma antiderrapante, além do uniforme, calçado, etc.” (f. 208). Quanto aos lavadores, o laudo conclui que fazem jus ao “adicional de insalubridade pela exposição a agentes químicos em concentração superior ao Limite de Tolerância e pela exposição a agentes biológicos na lavagem dos caminhões de coleta de lixo”. Acrescenta, ainda, que a “neutralização a insalubridade se dará com o uso efetivo dos EPI(s) Fl. 455DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 456 7 adotados e fornecidos pela empresa, tais como: bota de borracha cano longo, avental de PVC, luva de PVC cano longo, óculos ampla visão, etc.” (f. 211). Quanto à função de lubrificador, o laudo conclui que “faz jus ao adicional de insalubridade em grau médio, nas atividades desenvolvidas, pela manipulação e contato com lubrificantes e graxas” e que “a neutralização da insalubridade se dará com o uso efetivo dos EPI(s) adotados e fornecidos pela empresa, tais como creme protetivo para a pele, resistente a óleos e graxas” (f. 220). Por fim, para as funções de auxiliar de enfermagem do trabalho e de médico do trabalho, o laudo concluiu que é devido o adicional de insalubridade em grau médio, mas não mencionou qualquer forma de naturalização da insalubridade (f. 222223). A conclusão do médico do trabalho ao final do Laudo Técnico foi a seguinte: Apesar da empresa fornecer, treinar e exigir o uso de Equipamentos de Proteção Individual; adequados aos riscos que os funcionários estão expostos; atenção especial deverá ser dispensada, para as recomendações a seguir: k) Manter controle biológico dos funcionários expostos a Agentes Biológicos (Controles de Lixo), através do PCMSO já implantado pela empresa e uso constante dos EPI(s) adotados e fornecidos aos funcionários. l) Manter o controle biológico do Lavador, exposto a agentes químicos, em nível superior ao Limite de Tolerância estabelecido (Ácido Sulfúrico) e a umidade; através do PCMSO já implantado pela Empresa e o uso constante dos EPI(s) adotados e fornecidos aos funcionários (f. 224). Transcrevo ainda conclusão do engenheiro do trabalho (f. 224): Fazem jus ao adicional de Insalubridade em Grau Máximo, os funcionários Coletores de Lixo e o Lavador de Autos, por exposição a Agentes Biológicos e ainda pela exposição a Agentes Químicos em concentração superior ao Limite de Tolerância estabelecido. A insalubridade será neutralizada com o uso efetivo dos EPI(s) adotados e fornecidos pela empresa. Faz jus ao adicional de Insalubridade em Grau Médio, o Lavador de Autos e o Ajudante de Pipeiro, por exposição a e umidade; o Mecânico e o Ajudante de Manutenção, o Mecânico Hidráulico, o Eletricista de Autos, o Lubrificador por exposição a agentes químicos (óleos, e gravas e óleo diesel na lavagem de peças). A neutralização da insalubridade ocorrerá com o uso efetivo dos EPI(s) já implantados e fornecidos pela empresa. À f. 231 e ss. conta o PCMSO da filial de São Paulo, referente aos anos de 2003 e 2004. Este tem como uma de suas diretrizes a realização regular de exames médicos, a fim de assegurar o “desempenho saudável das atividades exigidas no trabalho” (f. 235). Não consta dos autos, contudo, quaisquer exames médicos que atestem as condições de saúde dos empregados da empresa. À f. 250, há um documento intitulado “Informações sobre atividades exercidas em condições especiais”, datado de 30 de julho de 2003. Consta do documento que o segurado Francisco das Chagas Cavalcante, coletor de lixo empregado da ora recorrente, está Fl. 456DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 457 8 sujeito a “agentes biológicos (fungos, bactérias, insetos, etc.)” de modo “habitual e permanente, não ocasional e nem intermitente”. Também consta que a empresa possui laudo técnico pericial, segundo o qual “fornece, instrui e torna obrigatório o uso do equipamento de proteção individual, amenizando os agentes aqui citados”. Notase, contudo, que a declaração em questão foi preenchida pela própria empresa, uma vez que, ao final, consta a seguinte mensagem: “Essa empresa se responsabiliza para todos os efeitos pela verdade da presente declaração ciente de que qualquer informação falsa importa em responsabilidade criminal nos termos do art. 29 do Código Penal (...)”. A meu aviso, nenhum dos documentos supramencionados tem o condão de comprovar o devido controle dos agentes de risco. Vale repisar não bastar a comprovação do fornecimento de EPIs, sendo necessário comprovar sua efetividade na neutralização da insalubridade. Chama atenção ainda o fato de o Laudo Técnico Ambiental atestar que em relação a todas as funções discutidas (coletor de lixo, lavador, lubrificador, médico e assistente de enfermagem) é devido o adicional de insalubridade. O laudo inclusive indica que poderá haver neutralização da insalubridade, desde que haja uso efetivo dos EPIs fornecidos pela empresa. Isso indica que, quando da elaboração do documento, os ditos equipamentos não estavam sendo devidamente utilizados. Me parece que, caso estivessem, de fato, neutralizando os agentes insalubres, o engenheiro do trabalho não concluiria que é devido adicional de insalubridade aos coletores de lixo, lavadores e lubrificadores. Ainda que médicos e assistentes de enfermagem não estejam contemplados na conclusão do engenheiro, notase que às f. 222 e 223 há referência expressa à necessidade de pagamento de adicional de insalubridade a estes funcionários. Ressaltase, inclusive, que, quanto a essas funções, o laudo sequer apresenta medidas possíveis para a neutralização da insalubridade. Quanto ao PPRA e ao PCMSO, ainda que possam comprovar que houve fornecimento de EPIS, não trazem qualquer informação a respeito da efetividade destes no controle dos agentes nocivos. Quanto ao documento “Informações sobre atividades exercidas em condições especiais” (f. 250), trata unicamente da função de “coletor de lixo” e foi produzido com informações fornecidas pela própria empresa, o que enfraquece seu valor probante. Ademais, foi atestado que os EPIs promovem uma “amenização dos riscos”, mas não esclarece se são suficientes para manter os agentes nocivos dentro dos limites legais. O ora recorrente juntou à sua impugnação um parecer técnico elaborado especificamente para a filial de SP (f. 326341), uma vez que, quando da elaboração de estudo técnico encomendado pelo Sindicato de Empresas de limpeza Urbana no Estado de São Paulo (SELUR), a empresa ainda não fazia parte do dito sindicato. Tal parecer atesta que a empresa (...) está perfeita e totalmente integrada nos conceitos em que se baseou o trabalho emitido sob encomenda do SELUR e que foi alvo de aceitação conceitual por parte da Previdência Social. A empresa fornece e fiscaliza adequadamente os corretos e necessários EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) que mantém seus colaboradores absolutamente inclusos no conceito do Art. 191 da CLT; ODS 600/98; assim como das manifestações da Previdência Social ao SELUR sobre o estudo. Assim sendo, tem essa empresa as mesmas obrigações no sentido da preservação da saúde e controle estatístico do resultado de suas medidas. Em contrapartida tem o direito de Fl. 457DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 458 9 fazer recolhimentos não considerando aposentadoria especial m virtude da eficiência comprovada das ações tomadas (f. 330). O parecer ainda contém a seguinte observação: Podemos afirmar que as unidades SPL por nós vistoriadas tem sido alvo de competente distribuição, conscientização quanto ao uso e fiscalização no que se refere aos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) necessários a cada atividade (f. 332). O documento é acompanhado por uma “Análise Médica Ocupacional Independente” (f. 334337) e por manifestação do médico do trabalho da SPL, alegando que os atendimentos médicos realizados na empresa são preponderantemente em razão de acidentes e que “outras patologias não puderam ser diagnosticadas ou identificadas como doenças ocupacionais relacionadas ao contato com agentes biológicos” (f. 340). Há ainda, à f. 341, uma planilha contendo a distribuição do percentual de acidentes na empresa. Todavia, observase que o parecer em questão não traz elementos fáticos que comprovem que os EPIs são efetivos no controle de agentes nocivos. Na realidade, há a simples inclusão da empresa no estudo realizado pela SELUR, com base na conclusão de que a empresa “fornece e fiscaliza adequadamente os corretos e necessários EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) que mantém seus colaboradores absolutamente inclusos no conceito do art. 191 da CLT (...)” (f. 330). Segundo o parecer, tal conclusão teria sido amparada, dentre outros elementos, pela “verificação da adequação e suficiência da proteção efetivamente utilizada pelo trabalhador” (f. 326). Não consta do documento, contudo, quaisquer dados a esse respeito. Ademais, notase que a “Análise Médica Ocupacional” que acompanha o laudo não foi feita especificamente para empresa, motivo pelo qual também não traz quaisquer dados a respeito da eficácia dos EPIs na empresa recorrente. Quanto à manifestação do médico trabalho, esta também não tem o condão de comprovar que os EPIs mantêm os agentes nocivos dentro dos parâmetros legais. O profissional até chega a ressaltar que, para evitar acidentes de trabalho, é necessário que os empregados sejam devidamente protegidos por EPI. Todavia, não se manifesta quanto à observância prática desta recomendação. Além de os documentos até então analisados apontarem no sentido de que o adicional de SAT é, sim, devido, há outro forte argumento da autoridade fiscalizadora que deve ser analisado. Segundo o relatório fiscal, a contribuição em questão é paga, em relação aos “coletores de lixo”, em Sorocaba, onde as condições de trabalho são iguais às de São Paulo. Sendo assim, o adicional também seria devido em relação à filial. O recorrente, por sua vez, afirma que não há elementos de prova que sustentem a comparação das condições de trabalho entre matriz e filial. A fim de averiguar a questão, é necessário analisar os documentos referentes à matriz de Sorocaba que foram acostados aos autos. Inicialmente, à f. 82 e ss., encontrase o documento base do PPRA da matriz de Sorocaba, datado de 05 de junho de 2002, que estabelece as diretrizes gerais quanto à prevenção de riscos no ambiente de trabalho. Às f. 9497 consta um cronograma de correção de irregularidades, datado de 10 de outubro de 2002, segundo o qual: i) segundo o laudo de riscos ambientais, em alguns setores da empresa, os níveis de pressão sonora extrapolavam o limite de tolerância da NR 15; ii) os limites de tolerância para o agente químico “sílica livre cristalina” foi ultrapassado no pátio de agregados; iii) há deficiência de iluminação em alguns locais. O cronograma de correções, contudo, aparentemente englobou apenas a questão da iluminação, prevendo a necessidade de instalação de luminárias suplementares junto à mesa de trabalho de alguns empregados e de um balancim na área da mecânica de manutenção (cf. f. 9597). À f. 98 e ss. consta Laudo Técnico de Avaliação Ambiental, datado de 25 de outubro de 2002, referente à matriz de Sorocaba. Foi com base neste documento que se Fl. 458DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 459 10 elaborou o retromencionado cronograma de correção das irregularidades. O laudo conclui que: há deficiência de iluminação em determinados setores (f. 127); em alguns setores o nível de ruído extrapola o permitido, pelo que se recomenda a utilização de equipamentos de proteção para fins de eliminação da insalubridade (f. 128); não há indício de risco à saúde dos funcionários por sobrecarga térmica (f. 129); foi ultrapassado o limite do agente químico “sílica livre cristalina” no pátio de agregados, sendo devido aos funcionários que trabalham nos setores implicados o adicional de insalubridade em grau máximo (f. 130). O Laudo ainda faz uma análise específica de cada uma das funções desempenhadas na empresa. Quanto às atividades de abastecedor e lubrificador, aduz que a empresa fornece EPIs adequados ao risco, mas conclui que, em conformidade com as NRs 15 e 16, da Portaria 3214/78 do MTE, os profissionais que a desempenham fazem jus ao adicional de insalubridade em grau médio e de periculosidade. O Laudo acrescenta, contudo, que “a neutralização da insalubridade se dará com o uso efetivo dos EPI(s) adotados fornecidos pela Empresa” (f. 132). Quanto às atividades de auxiliar de enfermagem do trabalho e de médico do trabalho, as conclusões são as mesmas: a empresa fornece EPI(s) adequados aos riscos. Todavia, é devido, em ambos os casos, adicional de insalubridade em grau médio, em razão da exposição a agentes biológicos (f. 147148). Ressaltase que o laudo não indica hipóteses de neutralização da insalubridade. Analisando especificamente a atividade de “coletor de lixo”, à f. 150, o Laudo Técnico Ambiental conclui que os profissionais que a desempenham “fazem jus ao adicional de insalubridade em Grau Máximo; pela exposição a agentes biológicos”. Acrescenta, ainda, que a “neutralização da Insalubridade se dará com o uso efetivo dos EPI(s) adotados e fornecidos pela Empresa” (f. 150). Observase, portanto, que os documentos referentes à filial e a matriz são muito semelhantes. Quanto à função de “coletor de lixo”, especificamente, o Laudo Técnico de Avaliação Ambiental de Sorocaba contêm as mesmas previsões do laudo de São Paulo quanto à descrição de atividades, análise dos principais riscos e recomendações de segurança, conforme apontado pelo relatório fiscal. Sendo assim, não há motivos claros que justifiquem a ausência de recolhimento do adicional na filial. Outro ponto que deve ser analisado é o fato de que a recorrente faz o recolhimento de adicional de insalubridade, o que, em tese, demonstra que a nocividade dos agentes não é devidamente controlada pelos EPIs e que, consequentemente, o adicional para custeio da aposentadoria especial também é devido. A empresa, contudo, alega que o pagamento do adicional de insalubridade decorre exclusivamente de “imposição de cláusula de Dissídios Coletivos que a inseriram” (f. 325) e que, portanto, não configura confissão quanto à insalubridade. Todavia, apesar de terem sido juntadas duas convenções coletivas de trabalho de 2003, que preveem o pagamento de adicional de insalubridade, não consta dos autos a Sentença Normativa resultante do Dissídio Coletivo mencionado pela recorrente. Ou seja, não há comprovação de que o pagamento do adicional de insalubridade se deu em razão de decisão judicial. Finalmente, não há que se acatar o argumento da recorrente de que a fiscalização quanto à utilização dos EPIs é feita pelo Poder Público. Inicialmente, temse que esse argumento valeria unicamente para a função de coleta de lixo, a única dentre as destacadas pela fiscalização que é realizada fora do ambiente da empresa. Todavia, nem para essa hipótese o argumento válido. Cabe à própria empresa comprovar que faz controle efetivo dos agentes nocivos em seu ambiente de trabalho, não podendo delegar esse ônus a terceiros. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 460 11 III DO PEDIDO SUBSIDIÁRIO: REDUÇÃO DA MULTA APLICADA Analisando a NFLD, observase que foi aplicada ao recorrente multa no valor de R$ 20.372,84, sob o seguinte fundamento: Lei 8.212/91, art. 35, II e III, na redação dada pela Lei 9.876, de 26/11/99; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. 3.048, de 06/05/1999, art. 239, III, b e §§ 6º e 7º, na redação dada pelo Dec. nº 3.265, de 29/11/99; CÁLCULO DA MULTA: 24% (vinte e quatro por cento) sobre o valor originário, para pagamento até 15 dias da data de ciência da notificação. Na hipótese de as contribuições objeto da notificação terem sido declaradas em GFIP, para os casos de obrigatoriedade de sua apresentação, terá reduzida de 50% (cinquenta por cento) o valor da multa (f. 13). A recorrente pleiteia a redução do valor das multas pecuniárias impostas ao mínimo, considerandose a inexistência de qualquer agravante em seu desfavor. Todavia, os arts. 35, II e § 4º da Lei nº 8.212/91 e 239, III e § 11 do Decreto nº 3.048/99, não autorizam a diminuição da multa em razão da ausência de “agravante”. Em verdade, a porcentagem da multa varia de acordo com o momento de seu pagamento, podendo ser reduzida em 50% nos casos em que a contribuição é declarada em GFIP. Há de se ter em vista, contudo, que o art. 35 da Lei nº 8.212/91 teve seus incisos revogados pela Lei nº 11.941, de 2009. Passouse a aplicar, em relação às penalidades pecuniárias, o art. 35A da mesma Lei, que remete ao art. 44 da Lei no 9.430/96, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Fl. 460DF CARF MF Processo nº 35443.000706/200560 Acórdão n.º 2202005.208 S2C2T2 Fl. 461 12 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, entendo cabível a aplicação do artigo 35A ao caso, se mais benéfico ao contribuinte. Nesse sentido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996 NFLD. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA. Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte devese comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei n. 8.212/91) e a multa do art. 35A da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 11.941/2009. Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106, II, alínea "c", do CTN. O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476A da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 c/c a Portaria PGFN/RFB n. 14/2009 (Processo nº 13502.001238/200728, Acórdão nº 2402006.967 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2019). Existe, inclusive, súmula deste Conselho sobre a temática. Confirase o que dispõe o verbete de nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso para determinar seja aplicada a multa mais benéfica, em observância ao verbete sumular de nº 119 deste Conselho. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 461DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.927895/2016-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/03/2010
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 78 95 /2 01 6- 49 Fl. 43DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10680.927895/201649 Acórdão n.º 3401006.449 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 45DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10680.927895/201649 Acórdão n.º 3401006.449 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 47DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.900743/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, ano-calendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13629.900731/2013-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13629.900731/201344, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 90 07 43 /2 01 3- 79 Fl. 210DF CARF MF 2 Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1665.736 proferido pela Quarta Turma da DRJ/SPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: O presente processo trata da Declaração de Compensação – DCOMP – nº (...), transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM), no valor total de R$ 28.234,27 O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de CSLL, devida mensalmente,de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, código de receita nº 5993, período de apuração de 31/01/2011 e arrecadado em 28/02/2011. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Foi dada ciência do despacho em 13/08/2013 e apresentouse manifestação de inconformidade em 11/09/2013, nos seguintes termos em síntese: 1Tratase de compensação de débito de IRPJ e CSSL, pagos no período de janeiro de 2011 a maio de 2011, apurados pelo regime estimativa mensal, com base na Receita Bruta e Acréscimos, devidamente pagos, conforme relatório de pagamentos obtido junto ao ECAC (doc. 03) e informado nas DCTFs do período (doc. 04). 2 Em junho de 2012, levantou balancete de suspensão/redução, para verificar os recolhimentos existentes, suspendendo, a partir deste mês, os recolhimentos de IRPJ e CSLL. 3 Em 31 de dezembro de 2011, na apuração final do exercício, a empresa apresentou resultado fiscal negativo (doc. 05), ficando, assim, todos recolhimentos efetuados no período, compondo o saldo de base negativa de IRPJ e CSLL. 4 Em trabalho de revisão interna, foram detectadas divergências na Declaração de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, enviada via internet em 30/06/2012. Esta declaração, ainda não retificada, não constitui óbice ao aproveitamento do crédito por se tratar de declaração meramente informativa. Há de se ressaltar que tais divergências não implicariam em alteração do resultado apresentado no exercício. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13629.900743/201379 Acórdão n.º 1401003.464 S1C4T1 Fl. 3 3 5 Diante do exposto nos itens 01 a 03, a Contribuinte efetuou em 2012, através de PERDCOMP, compensação dos valores recolhidos em 2011, com os mesmos tributos apurados em 2012 , utilizando, para isso, no preenchimento da ficha de tipo do crédito no pedido de restituição erroneamente a opção pagamento indevido ou maior e não a opção base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, nos termos do artigo da Lei nº 9.430/96 e Ato Declaratório SRF 03/00. ESTE É O RELATÓRIO VOTO O crédito oferecido à compensação com o(s) débito(s) compensado(s) foi valor relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL, código de receita nº 2484. A razão para o indeferimento é a de que o pagamento estava alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição A alegação da Interessada é a de que teria levantado balancete de suspensão a partir de junho, não devendo mais estimativas a partir dessa data. Argúi que, ao enviar o PERDCOMP, solicitou o crédito na forma de pagamento indevido ou a maior que o devido e não saldo negativo, por equívoco. Importante notar, entretanto, que só cabe retificação do PER/DCOMP quando se tratar de corrigir meras inexatidões materiais de preenchimento ou de digitação, desde a IN SRF nº 600/2005 (art. 58), e em conformidade com o art. 78 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, DOU de 31.12.2008: “Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79.” (grifei) No mesmo sentido, vejase o que dispõe o art. 89, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012: “Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90.” A expressão “inexatidões materiais” está no Decreto n.º 70.235/72: “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser Fl. 212DF CARF MF 4 corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” (grifei) Como se vê, as inexatidões materiais não se referem a alterações na essência do mérito do tema examinado, mas, sim, a erros de preenchimento (ou de digitação) que não a alteram. O erro no tipo de crédito não se enquadra em inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, em erro de direito, mais especificamente, em erro no critério jurídico, pois se trata de crédito de natureza diversa (saldo negativo do IRPJ ou CSLL e não pagamento a maior). Há que se destacar que se trata de mudança da natureza jurídica do crédito, e não apenas correção de um dado informado erradamente. Neste sentido, é de se ver que as informações prestadas no PER/DCOMP e os batimentos efetuados pelos sistemas da RFB são totalmente diferentes. Exemplificativamente, no PER/DCOMP do PGIM é informado, na descrição do crédito, somente o DARF que deu origem ao valor pleiteado. Diferentemente, no PER/DCOMP do Saldo Negativo são descritos todos os valores que deram origem ao crédito pleiteado, como as estimativas recolhidas, o IRRF (ou CSLL retida) com a informação das respectivas fontes pagadoras, etc., que serão verificados pelos sistemas da Receita Federal do Brasil RFB. Assim, a partir das alegações da Recorrente, ela deveria ter cancelado o PER/DCOMP em tela (PGIM) e transmitido outro PER/DCOMP (saldo negativo), visto que possuem direito creditório e batimentos de naturezas diferentes. Por óbvio, tais procedimentos deveriam ter sido adotados em tempo hábil. Logo, por todo o exposto VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da MANIFESTAÇÃO DE CONFORMIDADE. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.452, de 16/05/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13629.900731/2013 44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.452): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Este processo contém a mesma matéria, o mesmo contribuinte e a mesma razão de pedir (crédito pleiteado em DCOMP, pagamento a maior) que já foi objeto de julgamento por esta Turma Ordinária, em outro processo, de forma que reproduzo Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13629.900743/201379 Acórdão n.º 1401003.464 S1C4T1 Fl. 4 5 aqui o inteiro teor do acórdão proferido, da lavra do Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto, que adoto como razão de decidir. Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. O presente processo trata da Declaração transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM). O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de IRPJ, devida mensalmente, de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Foi dada ciência do despacho em 13/08/2013 e apresentouse manifestação de inconformidade em 11/09/2013, nos seguintes termos em síntese: 1Tratase de compensação de débito de IRPJ e CSSL, pagos no período de janeiro de 2011 a maio de 2011, apurados pelo regime estimativa mensal, com base na Receita Bruta e Acréscimos, devidamente pagos, conforme relatório de pagamentos obtido junto ao ECAC (doc. 03) e informado nas DCTFs do período (doc. 04). 2 Em junho de 2012, levantou balancete de suspensão/redução, para verificar os recolhimentos existentes, suspendendo, a partir deste mês, os recolhimentos de IRPJ e CSLL. 3 Em 31 de dezembro de 2011, na apuração final do exercício, a empresa apresentou resultado fiscal negativo (doc. 05), ficando, assim, todos os recolhimentos efetuados no período, compondo o saldo de base negativa de IRPJ e CSLL. 4 Em trabalho de revisão interna, foram detectadas divergências na Declaração de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, enviada via internet em 30/06/2012. Esta declaração, ainda não retificada, não constitui óbice ao aproveitamento do crédito por se tratar de declaração meramente informativa. Há de se ressaltar que tais divergências não implicariam em alteração do resultado apresentado no exercício. 5 Diante do exposto nos itens 01 a 03, a Contribuinte efetuou em 2012, através de PERDCOMP, compensação dos valores recolhidos em 2011, com os mesmos tributos apurados em 2012 , utilizando, para isso, no preenchimento da ficha de tipo do crédito no pedido de Fl. 214DF CARF MF 6 restituição erroneamente a opção pagamento indevido ou maior e não a opção base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, nos termos do artigo da Lei nº 9.430/96 e Ato Declaratório SRF 03/00. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: Que teria cometido erro na apresentação do PER/DCOMP que trataria de saldo negativo e não de pagamento indevido, como fora originalmente solicitado; Que apresentou documentos que comprovariam a veracidade das suas alegações e a existência de crédito de igual valor ao solicitado, só que tratando de saldo negativo; Que a jurisprudência do CARF é pacífica em aceitar a possibilidade de demonstração da efetividade do crédito posteriormente à decisão que analisou o crédito. Ao fim solicita que sejam revistas as decisões anteriormente proferidas, sendo reconhecido o crédito e homologadas as compensações apresentadas. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de janeiro a junho de 2011. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13629.900743/201379 Acórdão n.º 1401003.464 S1C4T1 Fl. 5 7 Em sua DIPJ apresentou informações de que entre janeiro e junho/2011 apurou o IRPJ e CSLL com base na receita bruta, passando à apuração com base em balancetes de redução e suspensão apenas a partir de julho/2011. No final do exercício apurou prejuízo o que, por consequência, importou em inexistência de IRPJ e CSLL a pagar no exercício. Na mesma DIPJ, entretanto, sequer preencheu as fichas de apuração do IRPJ e CSLL devidos informando a existência de pagamentos por estimativa e os respectivos saldos negativos apurados. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pela apuração das estimativas entre janeiro e junho/2011, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ sem realizar a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano calendário 2011 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de IRPJ ou CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que Fl. 216DF CARF MF 8 efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201 002.106, de 16/03/2018) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de IRPJ e CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13629.900743/201379 Acórdão n.º 1401003.464 S1C4T1 Fl. 6 9 pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sem em razão da existência de saldos negativos de IRPJ e CSSL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do Fl. 218DF CARF MF 10 crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos montantes de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, formados a partir do Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13629.900743/201379 Acórdão n.º 1401003.464 S1C4T1 Fl. 7 11 recolhimento das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2012, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de IRPJ e CSLL relativos aos recolhimentos dos meses de janeiro a Fl. 220DF CARF MF 12 junho/2011, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação. Assim, demonstrase que, em verdade o acórdão tratou não apenas do PER/DCOMP relativo a este processo específico, mas sim de todos os PER/DCOMP relativos aos pagamentos por estimativa de IRPJ e CSLL, conforme listados no acórdão que se referem aos seguintes processos. [...](assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Conclusão É o Voto, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13629.900743/201379 Acórdão n.º 1401003.464 S1C4T1 Fl. 8 13 Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13634.720534/2016-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2013
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Pensão alimentícia paga aos filhos, sem a separação dos pais tem natureza de mera liberalidade.
Numero da decisão: 2002-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Pensão alimentícia paga aos filhos, sem a separação dos pais tem natureza de mera liberalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 66/78) contra decisão de primeira instância (fls. 55/62), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Para a contribuinte retro qualificada foi emitida a Notificação de Lançamento – IRPF/2014 de fls. 37/43, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$46.631,33, sendo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 4. 72 05 34 /2 01 6- 17 Fl. 114DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.150 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720534/2016-17 consoante ali discriminado, R$22.792,58 de imposto suplementar e o restante de acréscimos legais correspondentes. O lançamento decorreu do processamento da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2014 Retificadora, apresentada à RFB pela contribuinte, a fls. 45/52, cujo resultado foi de imposto a restituir no valor de R$1.118,44 - fl. 42. No processamento da DAA/2014 originalmente apresentada lhe foi restituída a quantia de R$4.881,65, tendo sido exigida a devolução da restituição indevidamente recebida por meio da Notificação de Lançamento de fls. 32, acrescida de juros de mora, a qual foi recolhida pela contribuinte conforme comprovante de arrecadação de fl. 33. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a fls. 38/40, foram verificadas deduções indevidas de: 1) dependentes, no valor de R$2.063,64: Não foi aceito como dependente GERALDO AFONSO GONÇALVES JUNIOR, filho do declarante, com 23 anos de idade no ano- calendário de 2013, informado no código de dependência 22 - Filho ou enteado universitário ou cursando escola técnica de 2º grau, até 24 anos. Não foi comprovada a condição de universitário ou aluno de escola técnica de 2º grau durante o ano de 2013. 2) pensão alimentícia judicial, no valor de R$80.328,44: Não foi considerada a dedução a título de pensão alimentícia informada em nome de FANUEL AFONSO CARVALHO GONÇALVES e KALLINE CARVALHO GONÇALVES. Trata-se de pagamentos realizados pela mãe para o sustento dos filhos maiores. Não se deve confundir a obrigação de prestar alimentos com os deveres familiares de sustento e assistência que tem o os pais em relação aos filhos e vice-versa. Pagamentos realizados em virtude de acordo judicialmente ou extrajudicial, homologado em ação de oferta de alimentos entre pais e filhos não são dedutíveis para redução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. Inexiste equiparação à pensão alimentícia judicial, por se tratar de pagamentos decorrentes do poder familiar e do dever de sustento, assistência e socorro entre os pais e seus filhos e vice-versa. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Acordos com fins meramente tributários. 2) despesa médicas, no valor de R$490,00: Não foram consideradas as deduções em nome do INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES DO ESTADO MG (R$ 390,00), e nem em nome do profissional OTTO KLIER SEDLMAIER (R$ 100,00), já que esses gastos se referem a despesas com GERALDO AFONSO GONÇALVES JUNIOR, não aceito como dependente. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a peça impugnatória de fls. 2/6 contestando o feito fiscal. Argumenta que ao retificar Fl. 115DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.150 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720534/2016-17 sua declaração de rendimentos apurou uma restituição menor que a recebida anteriormente, tendo efetuado o pagamento da diferença devidamente corrigido. Após isso, recebeu um Termo de Intimação Fiscal que foi atendido, tendo apresentando os comprovantes originais e cópias das despesas médicas e odontológicas, além de cópias dos processos de pensão alimentícia onde foram determinados pela autoridade judicial os descontos mensais em folha de pagamento da contribuinte, a título de pensão alimentícia, correspondentes a duas parcelas de 20% de seus vencimentos brutos, a serem depositados nas contas correntes de Kalline Carvalho Gonçalves e de Fanuel Afonso Carvalho Gonçalves, ambos descontados e depositados pela fonte pagadora - Governo do Estado de Minas Gerais. Apesar do atendimento foi surpreendida com a Notificação de Lançamento que ora se discute. Cita em seu favor Decisão Judicial e Súmula do Carf, de nº 98. Para o dependente e as despesas médicas, glosados, oferece os documentos comprobatórios. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO DE PENSÃO AOS FILHOS SEM RUPTURA DA SOCIEDADE CONJUGAL. INDEDUTIBILIDADE. A pensão alimentícia paga aos filhos em razão de acordo homologado judicialmente quando não houve ruptura da sociedade conjugal não se caracteriza como dedutível para fins do imposto de renda, por não se enquadrar nas normas do Direito de Família. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DIREITO DE FAMÍLIA. DEVER DOS PAIS QUANTO AOS FILHOS. Compete aos pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos, dirigir- lhes a criação e a educação. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. Restabelece-se as deduções de dependentes e despesas médicas quando apresentados os documentos exigidos pela autoridade fiscal para as respectivas comprovações. RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. MULTA DE OFÍCIO. Quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta a redução do imposto a restituir ou em imposto suplementar, deve-se proceder ao lançamento de ofício para exigir a devolução da parcela da restituição indevidamente recebida, acrescida apenas de juros de mora, sem aplicação de multa. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, atacando a decisão de primeira instância, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 116DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.150 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720534/2016-17 Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 27/03/2017 (fl. 64); Recurso Voluntário protocolado em 25/04/2017 (fl. 65), assinado pela própria contribuinte. Relata o Sr. AFRF que: Não foi considerada a dedução a título de pensão alimentícia informada em nome de FANUEL AFONSO CARVALHO GONCALVES e KALLINE CARVALHO GONCALVES ELER. Trata-se de pagamentos realizados pela mãe para o sustento dos filhos maiores. Não se deve confundir a obrigação de prestar alimentos com os deveres familiares de sustento e assistência que tem os pais em relação aos filhos e vice-versa. Pagamentos realizados em virtude de acordo judicialmente ou extrajudicial, homologado em ação de oferta de alimentos entre pais e filhos não são dedutíveis para redução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física. Inexiste equiparação a pensão alimentícia judicial, por se tratar de pagamentos decorrentes do poder familiar e do dever de sustento, assistência e socorro entre os pais e seus filhos e vice-versa. As despesas provenientes do poder de família são contempladas com a possibilidade de dedução em campo próprio da declaração, como dedução de dependentes, despesas médicas e com instrução. Acordos com fins meramente tributários. Em julgamento, a r. decisão revisanda julgou procedente em parte a impugnação, assim se manifestando: (...) não havendo ruptura do casamento ou qualquer outra causa que demonstre a necessidade de prestação jurisdicional, carece a parte de interesse processual na fixação de pensão alimentícia, eis que ausente o binômio necessidade/utilidade. Desse modo, a citada sentença homologatória de pensão alimentícia para os filhos, quando os pais não estão separados, não surte qualquer efeito para fins do imposto de renda não sendo possível a sua dedução. (...) As pensões alimentícias pagas aos filhos somente são dedutíveis quando ocorre a ruptura do casamento pois, não havendo esta ruptura, a legislação do imposto de renda prevê a dedução fixa por dependente e a dedução de suas despesas médicas e com instrução até os limites legais. Fl. 117DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.150 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720534/2016-17 (...) Destarte, não se pode compactuar com tal espécie de artifício que, em verdade, consiste em subterfúgio para diminuição nos pagamentos do imposto de renda, devendo, por conseguinte, ser mantida a glosa da dedução a título de pensão alimentícia na forma como efetuada. Destarte, ao contrário do entendimento adotado quando do lançamento, e considerando que não ficou demonstrado/considerado ter havido dolo ou má fé pela contribuinte, não é cabível a aplicação da multa de ofício e/ou multa de mora sobre o valor correspondente à Restituição Indevida a Devolver, sobre o qual deverão incidir apenas os juros, por falta de previsão legal para aplicação de multa de ofício e/ou de mora à época dos fatos geradores autuados, no caso, sobre o valor de R$1.118,44. Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Combatendo a recorrente, contra: a) Exigência da parcela do imposto suplementar, no valor de R$ 20.971,89, sujeito à multa de ofício de 75% e aos juros de mora, b) Exigência da devolução da restituição recebida no valor de R$ 1.118,44, sujeita aos juros de mora. Quanto à pensão alimentícia, paga aos filhos carece de razão a recorrente, eis que o acordo homologado judicialmente faz obrigação apenas para as partes envolvidas no processo. Poderá haver a dedução pretendida, para os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de separação, podendo até ser consensual. No caso presente a recorrente não fez essa prova, em razão deste fato temos que o pagamento da referida pensão alimentícia se deu por mera liberalidade. Quanto à multa de 75%, e os juros de mora, decorrem da própria lei, tendo em vista a situação fática. Relativamente à restituição, quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta na redução do imposto, como considerada indevida o fisco fez o lançamento de ofício, para ressarcir os cofres públicos; sem a cobrança de multa, apenas exigindo os juros de mora fixados nas normas que regem a matéria. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito nega-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 118DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.150 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13634.720534/2016-17 Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000066/2005-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO.
Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art.13 da Lei nº 10.833/2003). Súmula CARF 125.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art.13 da Lei nº 10.833/2003). Súmula CARF 125. Recurso especial do Procurador provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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COFINS NÃOCUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art.13 da Lei nº 10.833/2003). Súmula CARF 125. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 00 66 /2 00 5- 19 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13056.000066/200519 Acórdão n.º 9303008.572 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador (fls. 251/258), admitido pelo despacho de fls. 275/277, contra o Acórdão 3301002.404 (fls. 211/219), de 19/08/2014, cuja ementa, na parte recorrida, tem o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 ... COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a aplicação de índices de correção monetária nos pedidos de ressarcimento. Porém, é possível a sua incidência, em situações em que a demora no ressarcimento tenha sido provocada por resistência ilegítima por parte do fisco. Aplicação do art. 543C do CPC e art. 62A do RICARF. Recurso Voluntário Provido O recurso especial da Fazenda insurgese contra a aplicação da taxa SELIC em pedido de ressarcimento de COFINS nãocumulativa, pedindo, ao fim de sua articulação recursal, para que "seja excluída a correção monetária" com base naquela taxa. Colaciona o paradigma 3201002.052, assim ementado: COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos da Cofins. Em contrarrazões (fls. 282/293), pede o contribuinte que "seja integralmente desprovido o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional". É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso da Fazenda nos termos do despacho de admissibilidade. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13056.000066/200519 Acórdão n.º 9303008.572 CSRFT3 Fl. 4 3 A matéria já é por demais conhecida desta Turma, sendo nossa posição majoritária, que, nos termos do art. 13 da Lei 10.833/2003, "é vedada a correção monetária e a aplicação de juros de mora sobre os valores ressarcidos de COFINS nãocumulativa". Matéria, inclusive, que já se encontra sumulada. Vejase: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, deve ser excluída a correção monetária dos valores de Cofins cumulativa sobre os valores a serem ressarcidos. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e doulhe provimento para excluir a incidência da taxa SELIC sobre os valores a serem ressarcidos. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13056.000066/200519 Acórdão n.º 9303008.572 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 303DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.721518/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 15/08/2000 a 20/10/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Numero da decisão: 3201-005.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatando-se a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 15/08/2000 a 20/10/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
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MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 15 18 /2 01 1- 94 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10850.721518/201194 Acórdão n.º 3201005.337 S3C2T1 Fl. 260 2 (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. , apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls, que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: "UNIBANCO RODOBENS ADMINISTRADORA DE CONSORCIOS S.A. (contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 10850.721154/201142, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma materia em litigio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 103 e seguintes do “processo principal” transmitida em Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10850.721518/201194 Acórdão n.º 3201005.337 S3C2T1 Fl. 261 3 28/11/2008 que se refere ao recolhimento relativo ao período de apuração de dezembro/2004. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 429 a 435 do “processo principal”, proferido em 16/06/2011, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. A autoridade tributária destaca que a luz do CTN, o contribuinte pode pleitear a restituição de quantias pagas de forma indevida ou a maior, no prazo de 5 anos do recolhimento, desde que faça prova do crédito pretendido. Ocorre que, aplicandose os preceitos e disposições da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 e alterações posteriores, que disciplinaram a aplicação das normas legais sobre a matéria, tratadas na Lei 9.430/1996 e alterações, nenhum direito creditório restou apurado. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, fls. 440 e seguintes do processo principal alegando que: apresentou diversos pedidos administrativos de restituição de recolhimentos a maior do PIS/Cofins; porém, a despeito da evidente inconstitucionalidade do art. 3° do parágrafo único da Lei 9.718, que sequer chegou a ser abordada no despacho decisório, os pedidos foram indeferidos sob o fundamento de inexistência do credito; ao proceder dessa forma a autoridade tributária deixou de cumprir o art. 65 da Instrução Normativa 900/2008 que determina a realização de diligências para verificar a exatidão das informações prestadas, logo, deixou de aprofundar na investigação dos fatos; no caso, a autoridade sequer tomou conhecimento das razões que justificam a restituição; é definitiva a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou a aplicação do art. 3° do parágrafo único da Lei n° 9.718/1998, portanto cumpre escoimar o alargamento da base de calculo do PIS/Cofins para alcançar outras receitas que as oriundas das vendas de mercadorias e prestação de serviços; Ao final requer seja reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus. É o relatório." A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10850.721518/201194 Acórdão n.º 3201005.337 S3C2T1 Fl. 262 4 Anocalendário: 2011 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, DIPJ, DACON e a própria escrita contábil, não fez com que se materializasse o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretende seja reconhecido. DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo constitui instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto ao contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é permitido ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Ao analisar a presente lide administrativa fiscal, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem considerasse a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo. A diligência foi atendida, conforme pode ser verificado nas fls. 230 (informação fiscal) e fls. 246 (manifestação do contribuinte à informação fiscal). Em resumo, após a diligência, a fiscalização considerou as receitas financeiras e concordou com sua exclusão da base de cálculo da contribuições e reconheceu parcialmente o crédito solicitado. O contribuinte se manifestou sobre as linhas contábeis que não foram reconhecidas pela fiscalização: ressarcimento de despesas legais judiciais, multas, recuperação de despesas e outros resultados financeiros. Relatório proferido. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10850.721518/201194 Acórdão n.º 3201005.337 S3C2T1 Fl. 263 5 Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em fls. 230, a fiscalização reconheceu a maioria do crédito solicitado pelo contribuinte, conforme trecho reproduzido a seguir: "19. Refazendo a apuração da COFINS do período em análise, com base nos demonstrativos e registros contábeis que constam dos autos, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, temos a seguinte apuração da COFINS (2172): 20. Comparando a COFINS apurada na diligência com o valor do DARF apontado nas PER/DCOMPS, e tendo em vista que o reconhecimento do crédito se limita ao valor pedido pelo contribuinte, concluo pelo RECONHECIMENTO PARCIAL do direito creditório conforme demonstrativo a seguir." Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10850.721518/201194 Acórdão n.º 3201005.337 S3C2T1 Fl. 264 6 Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), o conceito de receita bruta não tem mais valia., foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Portanto, receitas financeiras realmente não configuram faturamento e todos os pagamentos indevidos sobre tais receitas devem ser reconhecidos como tais. A presente lide, contudo, permaneceu sobre algumas linhas contábeis, conforme trecho da Informação Fiscal de fls. 230: "15. As recuperações de despesas e de custos constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000 , de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999) a seguir transcrito, e como tal, inseremse no campo de incidência do PIS e da COFINS: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II o resultado auferido nas operações de conta alheia; III as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões;” (grifouse) 16. Ademais, as exclusões possíveis da base de cálculo do PIS e da COFINS, são somente as expressas no § 2º do art. 3º da Lei 9718/98, quais sejam: as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido, os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição e as receitas decorrentes da venda de bens do ativo permanente. 17. Como as receitas originadas de pagamentos dos consorciados previstos em contrato e das recuperações de despesas não constituem receitas financeiras, tampouco foram contempladas como passíveis de exclusão/dedução das bases de Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10850.721518/201194 Acórdão n.º 3201005.337 S3C2T1 Fl. 265 7 cálculo do PIS e da COFINS, é incabível falar em recolhimento indevido das contribuições sob tais rubricas. Conclusão 18. Por conseguinte, devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins do contribuinte as receitas operacionais registras nas seguintes contas do plano de contas do contribuinte no periodo em análise: 7173500501 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO 7173500502 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.833 7193000601 RESSARCIMENTO DESP LEGAIS JUDICIAIS 7193000602 RECUPERAÇÃO DE MULTAS 7193000603 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS." Em Manifestação à Informação Fiscal o contribuinte alegou que as linhas contábeis, objeto de resolução (ressarcimento de despesas legais judiciais, multas, recuperação de despesas e outros resultados financeiros), não configuram receitas e juntou o quadro a seguir: O contribuinte juntou documentos e registros contábeis de fls 186 a 229 (memória de cálculo, balancete, contrato de consórcios e apuração da Cofins), o que é suficiente para concluir que não são receitas operacionais. Como já mencionado, a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10850.721518/201194 Acórdão n.º 3201005.337 S3C2T1 Fl. 266 8 julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Como registrado nos leanding cases, "faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços". Desta forma, "faturamento" tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. Desse modo, o recurso merece provimento parcial, nos moldes da informação fiscal de fls. 230, assim como merece provimento nas demais linhas contábeis, exceto as seguintes: "7173500501 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO 7173500502 TAXA DE INSCRIÇÃO 7173500502 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.8337173500505 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.833." Em observação ao princípio da verdade material, que tem aplicação no processo administrativo fiscal, é igualmente importante observar que estas taxas de administração e inscrição devem ser cobradas inclusive se estiverem incluídas dentro da conta 7399900705 “outras resultados financeiros”. Tais taxas representam receitas operacionais e, além disto, não foram suficientemente rebatidas pelo contribuinte em suas argumentações. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10850.721518/201194 Acórdão n.º 3201005.337 S3C2T1 Fl. 267 9 Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.907996/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ (DRJ/RJ1) que, por unanimidade de votos, acordaram indeferir a solicitação do Contribuinte, mantendo o Despacho Decisório nº 775528064, conforme ementa do Acórdão nº 12-31.347 (fls. 819/827): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 07 99 6/ 20 08 -7 1 Fl. 913DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2401-000.723 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.907996/2008-71 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2003 POSTERIOR JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS. A apresentação da impugnação é o momento de o interessado oferecer todos os elementos que possuir para a sua defesa, precluindo o seu direito de fazê-lo após o término do prazo legal. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido para a realização de diligência, formulado sem a observância dos requisitos estabelecidos na lei de regência. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova, quanto A. certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo trata do pedido de compensação declarado no PER/DCOMP nº 21991.24924.120204.1.3.04-8062 (fls. 04/11) apresentado pelo Contribuinte no qual pretende utilizar crédito relativo a um pagamento indevido ou a maior de IRRF, código de receita 9478 (IRRF - Rendimentos de Residentes ou Domiciliados no Exterior - Aluguel e arrendamento), no valor de R$ 127.620,77. A DERAT RIO DE JANEIRO emitiu Despacho Decisório nº 775528064 (fls. 13) não reconhecendo o direito creditório pleiteado porque o pagamento localizado foi integralmente utilizado para extinguir débito do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 30/07/2008 (fl. 778) e, inconformado com a decisão proferida, em 29/08/2008, tempestivamente, apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 15/27), instruída com os documentos nas fls. 29 a 776. O Processo foi encaminhado para 1ª Turma da DRJ/RJ1 que, em 17/06/2010, através do Acórdão nº 12-31.347, decidiu por unanimidade pelo INDEFERIMENTO da solicitação do Contribuinte, mantendo o Despacho Decisório. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ/RJ1, via Correio (AR - fl. 840), em 22/07/2010 e, inconformado com a decisão prolatado, tempestivamente, em 09/08/2010 interpôs seu Recurso Voluntário de fls. 842/872, instruído com os documentos nas fls. 874 a 894. Em seu Recurso Voluntário o Contribuinte, em síntese, aduz que: 1. Tem o direito de solicitar a conversão do julgamento em diligência, assim como de produzir qualquer prova documental, não só no momento da Fl. 914DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2401-000.723 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.907996/2008-71 impugnação, mas, e principalmente, até a prolação de decisão final administrativa em obediência ao principio da verdade real ou material; 2. O único argumento usado pela DRJ para negar o direito do Contribuinte à compensação foi a suposta inexistência da prova da existência do crédito liquido e certo alegado; 3. Em junho de 2003 realizou contrato de aluguel e arrendamento mercantil de bens de capital com sua coligada Baker Hughes Nederland BV, no valor de R$ 852.556,33, efetuando o recolhimento do IRRF no valor de R$ 127.620,74, sendo que desse total recolhido o valor de R$ 3.439,81 correspondia aos juros do pagamento a destempo; 4. A operação realizada com sua coligada foi cancelada depois do recolhimento do IRRF, motivo pelo qual foi enviada uma DCTF retificadora excluindo o pagamento de R$ 124.180,93 no Código 9478; 5. Posteriormente, apresentou novas DCTF retificadoras, embora em nenhuma delas constasse o pagamento de R$ 127.620,74; 6. O pagamento de R$124.180,93, relativo ao IRRF nunca mais voltou a constar nas DCFTs retificadores subsequentes, ficando consignado desde a primeira retificadora que o valor de R$ 124.180,93, bem como os juros legais existentes de R$ 3.439,81, que totalizam o montante de R$ 127.620,74, não estava mais vinculado a nenhum outro débito; 7. Uma vez tendo efetuado recolhimento a maior, de acordo com o art. 170 do CTN, bem como, o art. 74 da Lei 9430/96, o Contribuinte requereu pedido de compensação entre este montante e os seus demais débitos tributários existentes. Finaliza seu Recurso requerendo que o processo seja baixado em diligência para que se possa comprovar os fatos alegados e que, ao final, este seja julgado procedente com a consequente reforma do Acórdão combatido e declarada a homologação da compensação realizada. É o relatório. VOTO Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto - Relator O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 915DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 2401-000.723 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.907996/2008-71 O presente processo administrativo trata de pedido de compensação identificado pelo PER/DCOMP número 21991.24924.120204.1.3.04-8062, cujo crédito pleiteado importa no valor de R$ 127.620,74. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório, mantendo o despacho decisório sob a afirmação de que a contribuinte deixou de instruir a manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem suas alegações, assim como indeferiu a juntada posterior de documentos e a realização de perícia técnica. Argumentou, ainda, que a contribuinte procedeu a retificação da DCTF inúmeras vezes, bem como juntou alguns documentos, contudo, sem força probatória suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pretendido. A Recorrente pleiteou, inicialmente, a conversão em diligência para comprovação do estorno do valor da despesa contabilizada, o qual originou o crédito pleiteado. No mérito, pugna pela homologação da compensação em razão do pagamento realizado a maior, considerando que houve um equívoco na emissão da invoice pela coligada Baker da Holanda, referente ao aluguel de equipamentos do mês de junho do mesmo ano, no valor de R$ 852.556,33, uma vez que não ocorreu a operação de arrendamento que o fundamentava. Aduz que, em face desse erro, efetuou indevidamente o recolhimento do IRRF no valor de R$ 124.180,93, acrescido de juros no valor de R$ 3.439,81, bem como que entregou diversas declarações retificadoras, ora incluindo, ora excluindo o valor de R$ 124.180,93, por equívoco. Com efeito, desde a manifestação de inconformidade que a contribuinte vem argumentando que o crédito pleiteado se refere ao recolhimento indevido de IRRF em face do cancelamento de uma operação relativa ao contrato de aluguel com sua coligada Baker Hughes, da Holanda, apresentando diversos documentos para respaldarem e comprovarem suas alegações (invoices, tradução pública, DARFs, DCTFs, registros contábeis, Livro Razão, Livro Diário). Verifico que existem argumentos verossímeis, no entanto, para que não restem quaisquer dúvidas no julgamento, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal competente tome as seguintes providências: 1. Diante de toda a documentação apresentada aos autos verifique se realmente está demonstrada a operação e se encontra-se contabilmente demonstrado o cancelamento da operação, e se a retificadora reflete o pagamento indevido ou a maior de IRRF, intimando o contribuinte para apresentar os documentos relativos a esta operação que sejam necessários à análise. 2. Verificar se após a apresentação da DCTF retificadora há demonstração de recolhimento indevido de IRRF no valor de R$ 124.180,93, e, caso positivo, se o mesmo encontra-se disponível para compensação; 3. Após, dê-se vista à Contribuinte, com prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Fl. 916DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 2401-000.723 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.907996/2008-71 Decorrido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005659/2006-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOCALENDÁRIO 2001 INOVAÇÃO RECURSAL MATÉRIA NÃO IMPUGNADA IMPOSSIBILIDADE Não se conhece, em fase recursal, matéria que não tenha sido objeto de impugnação em primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 56 59 /2 00 6- 38 Fl. 155DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1217.492 5 Turma da DRJ/RJOI que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Auto de Infração lavrado contra a ora recorrente. Segue o relatório: Versa o presente processo sobre o auto de infração por meio do qual estão sendo exigidas da interessada acima qualificada multas de mora, no valor total de R$ 22.492,11, com base no art. 61 e §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430/1996, incidentes sobre os pagamentos declarados em DCTF, elencados à fl. 22, todos com vencimentos no anocalendário de 2001, recolhidos em atraso. Inconformada, a interessada apresentou sua peça impugnatória A exigência, instaurando a fase litigiosa do processo, onde descreve a autuação, argüi a tempestividade e a decadência e alega, em síntese, que recolheu espontaneamente os impostos que serviram como base de calculo dos créditos tributários exigidos no auto de infração, não entendendo porque quantia tão alta está sendo cobrada a titulo de multa moratória, ferindo o "principio da razoabilidade" e da "onerosidade excessiva". Encerra pedindo seja anulado o Auto de Infração ou reduzida a multa moratória exigida para o percentual máximo de 2%, considerado razoável como punição moratória pelo Código Civil Brasileiro e pelo Código do Consumidor, para o devedor que paga espontaneamente. A recorrente foi cientificada da decisão em 17/03/2008 (fl 110) e apresentou o seu recurso voluntário em 15/04/2008 ( fl 113) Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que não apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu não conheço. A DRJ assim decidiu o pleito dando provimento parcial devidoà decadência de parte do lançamento. A seguir, reproduzo (parcialmente) a decisão, apenas na parte ainda litigiosa: A multa moratória foi cobrada com fulcro no art. 61 da Lei n° Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim determina ... Destarte tendo os pagamento sido efetuados após o vencimento, mesmo que espontaneamente, cabe a exigência por meio do auto de infração objeto do presente processo da multa de mora não recolhida, descabendo a aplicação da mesma em percentual diferente do estabelecido na legislação especifica retrotranscrita. As arguições trazidas aos autos do presente processo pela interessada, referentes à inconstitucionalidade ou ilegalidade dos dispositivos normativos que Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10768.005659/200638 Acórdão n.º 1001001.329 S1C0T1 Fl. 3 3 permitem a exigência da multa de mora refogem à competência desta autoridade administrativa julgadora, por serem as mesmas da alçada dos órgãos judiciais. Não há ato do Supremo Tribunal Federal de declaração de inconstitucionalidade dos atos legais embasadores do feito. Portanto, o procedimento fiscal não ofende o principio da legalidade, porque tais atos não se acham com sua execução suspensa. Cabe ressaltar que a lei tem força vinculante para a administração, não lhe cabendo a opção de descumprila, principalmente ao se tratar de aplicação da legislação tributária, que se faz mediante atividade plenamente vinculada. Por outro lado, A 5° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, como órgão de jurisdição administrativa, compete julgar, em primeira instância, os processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Seu Poder é limitado a examinar se os atos praticados pelos Agentes da Administração Federal estão de acordo com a lei e com os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores e aplicáveis ao caso. Portanto, não cabe ao julgador administrativo de primeira instância apreciar a legalidade ou constitucionalidade dos atos normativos expedidos pelas autoridades competentes, tampouco analisar sua coerência ou correlação com teorias e princípios jurídicos como requer a interessada. Assim, tendo a exigência sido corretamente efetuada com fulcro em bases legais vigentes, não cabe neste voto quaisquer ajustes em virtude de inconstitucionalidade ou ilegalidade protestada na peça impugnat6ria. Em seu recurso, a recorrente menciona que: A respeitável decisão de primeira instância julgou que os argumentos trazidos pela recorrente contra o lançamento ora guerreado não são passíveis de análise ou da alçada do ilustre Órgão Administrativo, posto que sua análise seria de competência dos órgãos judiciais. Entretanto, com o devido respeito, é da competência dos órgãos da administração pública analisar o mérito, cotejandoo com toda a legislação em vigor e entendimentos jurisprudenciais dominantes, a fim de que o caso concreto seja julgado de acordo com o entendimento corrente doutrinário e jurisprudencial, o que certamente dará ao administrado maior segurança em suas relações jurídicas. Assim é que passamos a expor o que segue. Passa a discorrer, então, sobre o artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, segundo o qual a denúncia espontânea exclui o pagamento de penalidades tenha a denominação de multa de mora ou multa punitiva. Cita jurisprudência de tribunais superiores para embasar a sua opinião e culmina pedindo provimento ao recurso voluntário. Em seu recurso voluntário, fica claro que a recorrente inovou os argumentos em relação à impugnação. Em sua impugnação, a recorrente alegara, única e exclusivamente, aspectos de inconstitucionalidade da norma tributária: COMO PODE SER RAZOÁVEL A LAVRATURA DESTE AUTO À LUZ DA DEFINIÇÃO DO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE ? ISTO SEM CONTAR ONEROSIDADE EXCESSIVA. Fl. 157DF CARF MF 4 Assim temse a impugnante como injustamente autuada, pelo que pleiteia ao Sr. Julgador que acolha as razões expostas, e atenda aos seguintes requerimentos: a) Que este Auto de Infração seja anulado; ou b) Que a multa moratória seja reduzida a um máximo de 2%, valor que o nosso direito considera como razoável como punição moratória (vide o Código Civil Brasileiro e o Código do Consumidor) para o devedor que paga espontaneamente. Como antes dito, novo argumento foi apresentado pela recorrente. Assim, evidentemente, há que se observar o que dispõem os artigos 14 e 17, do Decreto 70.235/72. Ora, conforme o disposto no Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente atacada pelo sujeito passivo, quando da impugnação. Outrossim, é a impugnação que inicia e delimita a fase litigiosa, isto é, o presente processo administrativo. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. ... Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Desta forma, uma vez que em primeira instância a Recorrente não arguiu os fatos que traz apenas no bojo do seu Recurso Voluntário, tal matéria encontrase fora dos contornos da presente lide, não podendo ser inaugurada nesta fase processual. Igualmente, salientase que a Contribuinte não tornou a tratar de nenhuma das alegações constantes em sua Impugnação inicial, logo, o presente Recurso não possui qualquer matéria passível de apreciação por este juízo sob pena de haver uma supressão de instância. Apenas por amor ao debate, mas, sem entrar demasiadamente no mérito, tal instituto (denúncia espontânea) não seria aplicável, ao caso em discussão, se levarmos em conta a súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual: SÚMULA. 360 STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.(grifei). Assim, ainda que o presente Recurso Voluntário tenha sido apresentado tempestivamente, não pode ter seu conteúdo conhecido sob pena de supressão do necessário duplo grau de jurisdição. Portanto, nego conhecimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10768.005659/200638 Acórdão n.º 1001001.329 S1C0T1 Fl. 4 5 Fl. 159DF CARF MF
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