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Numero do processo: 10865.900902/2008-97
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 90 2/ 20 08 -9 7 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900902/200897 Resolução nº 1802000.295 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.155, às fls. 115 a 122: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL estimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 07/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL anocalendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; Fl. 350DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900902/200897 Resolução nº 1802000.295 S1TE02 Fl. 4 3 que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Este é o Relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900902/200897 Resolução nº 1802000.295 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 26/07/2004, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de CSLL do mês de julho/2003, no valor de R$ 27.327,01. A Delegacia de origem não homologou a compensação. A razão para a negativa não é a mencionada na decisão recorrida (utilização integral do pagamento), mas o fato de não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal o DARF informado no PER/DCOMP como origem do crédito, conforme Despacho decisório de fls. 09, emitido em 09/05/2008. Compulsando os autos, às fls. 07/08, vêse que em 04/09/2006 a Contribuinte recebeu intimação comunicando que o DARF informado no PER/DCOMP (no código 2484) não estava sendo localizado nos sistemas da Receita Federal. Em 12/09/2006, a Contribuinte apresentou pedido eletrônico de retificação de DARF, às fls. 174, solicitando alteração do código 2372 (utilizado no recolhimento) para o código 2484. Ao emitir o despacho decisório, a Delegacia de origem não levou em conta esse pedido de retificação de DARF, pelo que a negativa se fundamentou na não localização do pagamento. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900902/200897 Resolução nº 1802000.295 S1TE02 Fl. 6 5 Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900902/200897 Resolução nº 1802000.295 S1TE02 Fl. 7 6 na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: [...] Por tudo isso, concluise que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3º, da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo “pagamento indevido ou a maior” de CSLLestimativa mensal, código de arrecadação 2484. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de CSLL no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa são considerados pela Lei como antecipações da contribuição devida. E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900902/200897 Resolução nº 1802000.295 S1TE02 Fl. 8 7 comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais; 2ª) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor da contribuição devida e, 3ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar; a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte deve levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício; a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções; os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de CSLL, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7° do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentação hábil, limitandose as alegações acima referenciadas. As cópias de DCOMP, DIPJ, DCTF e documentos de arrecadação (Darf) juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900902/200897 Resolução nº 1802000.295 S1TE02 Fl. 9 8 (grifos acrescidos) Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar documentação contábil e fiscal com a finalidade de comprovar a apuração de saldo negativo no período. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003 (Ficha 17), às fls. 85, a Contribuinte apurou CSLL anual no valor de R$ 36.839,63 e realizou deduções a título de CSLL mensal paga por estimativa no montante de R$ 255.200,46, o que resultou em saldo negativo de CSLL no valor de R$ 218.360,83. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ (Ficha 16) e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de CSLL em 2003 DIPJ DARF jan/03 36.032,06 36.012,82 fev/03 28.466,83 25.613,77 mar/03 25.369,49 25.208,27 abr/03 21.814,26 21.662,03 mai/03 26.174,28 26.141,76 jun/03 16.482,89 16.469,48 jul/03 27.325,85 27.327,01 ago/03 23.516,59 23.517,42 set/03 25.499,72 23.977,77 out/03 26.825,37 28.945,73 Total 257.507,34 254.876,06 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900902/200897 Resolução nº 1802000.295 S1TE02 Fl. 10 9 Como mencionado, para a apuração do saldo negativo, foram deduzidos R$ 255.200,46 a título de estimativas mensais na Ficha 17 da DIPJ. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor, porque há divergências entre as estimativas constantes da Ficha 16 da DIPJ, os DARF´s correspondentes e o montante deduzido a esse título na Ficha 17 da DIPJ. Estas questões não foram dirimidas porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e a respectiva CSLL no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de CSLL a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.906482/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. EXISTÊNCIA.
Comprovada a existência dos créditos prevenidos, estes devem ser reconhecidos, com a consequente homologação das compensações efetuadas até o limite reconhecido.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-001.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Carlos Alberto Nascimento, Daniel Mariz Gudiño e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. EXISTÊNCIA. Comprovada a existência dos créditos prevenidos, estes devem ser reconhecidos, com a consequente homologação das compensações efetuadas até o limite reconhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator. EDITADO EM: 09/10/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Carlos Alberto Nascimento, Daniel Mariz Gudiño e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 64 82 /2 00 8- 11 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.586 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: O interessado transmitiu, em 20/10/2004, PER/Dcomp de folhas 20 a 22 que recebeu o nº 04996.33971.201004.1.3.040996 para compensar o débito de Cofins – código 21721 referente ao mês de março de 2004, com vencimento em 15/04/2004, com crédito proveniente de pagamento a maior de R$286.820,65 no Darf de R$332.295,40 alocado no pagamento da Cofins, código 5856, referente ao período de apuração 31/03/2004. A Delegacia da Receita Federal – DRF em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico – folha 03 no qual não homologa a compensação pleiteada sob a justificativa de que o pagamento, apontado pelo contribuinte no PER/Dcomp – folhas 20 a 22, foi totalmente utilizado na quitação de débito de Cofins, código 5856, período de apuração março de 2004, declarado em DCTF, não restando saldo creditório. Irresignado com o não deferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 30/07/2008 – AR folha 25 – o contribuinte apresentou, em 29/08/2008, a manifestação de inconformidade – folhas 01 e 02 – com os argumentos a seguir sintetizados. Afirma que houve pagamento a maior de R$288.887,97 quando efetuou o pagamento de Cofins , código 5856, período de apuração março de 2004, e que, por equívoco, não ajustou a DCTF do 1º trimestre de 2004 “de forma a refletir o pagamento indevido”. Informa também que, em 28/08/2008, após ciência do Despacho Decisório, transmitiu DCTF retificadora de forma a caracterizar a existência do pagamento indevido a maior no valor de R$288.887,97 (duzentos e oitenta e oito mil, oitocentos e oitenta e sete reais e noventa e sete centavos). Por fim, requer o reconhecimento do crédito apontado e a consequente homologação da compensação realizada. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/BHE nº 30.850, de 14/02/2011: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 2 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.586 COMPENSAÇÃO Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozarem de liquidez, certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Intimado da decisão, a recorrente interpõe recurso voluntário. Iniciado o julgamento, o processo foi convertido em diligência e, após realizado e intimadas as partes, retorna para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator Como vemos, a recorrente não teve aceito seu direito creditório de COFINS com o qual buscou compensar débitos de mesma natureza. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade haja vista, originalmente, na DACON e DCTF, não constar os dados que permitiriam a existência do referido crédito. A recorrente sempre alegou que tais declarações estavam equivocadas e que havia retificado a DCTF, mas não a DACON. Aduziu ainda que a DIPJ enviada continha as informações corretas que suportam seu crédito/direito. Em face da divergência de documentos, o processo foi convertido em diligência para apurar a existência do crédito. O resultado foi claro: 10.2 Tratando de um lapso de tempo decadencial impossibilitando a revisão de DIPJ, e considerando que a Memória de Cálculo do PIS/PASEP em março de 2004 está em conformidade com a informações na ficha 21 da DIPJ do ano calendário de 2004 (item 5 do presente Termo), bem como os valores considerados pelo contribuinte no cômputo da apuração do PIS/PASEP em março de 2004, conforme a memória de cálculo apresentada, integram os lançamentos contábeis, conforme o balancete analítico anexo apresentado (item 6 e 6.1 do presente Termo), concluo pela procedência do crédito 3 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.586 pleiteado originário de pagamento a maior do PIS/PASEP relativo a março de 2004. (grifo nosso) A PGFN, intimada, não se opôs. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes 4 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 15/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 14/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002204/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. AUSÊNCIA.
Não há se falar em contradição quanto aos fundamentos do acórdão, quando a decisão adota como razão de decidir não só a ausência de juntada nos autos, pelo ora Embargante, dos recibos apresentados na fase de fiscalização, mas, também, a falta de prova da alegada restrição bancária imposta à ex-cônjuge, razão pela qual os pagamentos referentes à pensão alimentícia não teriam sidos realizados nos estritos termos do acordo judicial.
Embargos rejeitados
Numero da decisão: 2802-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos REJEITAR os Embargos de Declaração nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso que acolhia os embargos para acrescer fundamentação à decisão. O Conselheiro Carlos André Ribas de Mello acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 17/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna BandeiraToscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. AUSÊNCIA. Não há se falar em contradição quanto aos fundamentos do acórdão, quando a decisão adota como razão de decidir não só a ausência de juntada nos autos, pelo ora Embargante, dos recibos apresentados na fase de fiscalização, mas, também, a falta de prova da alegada restrição bancária imposta à ex-cônjuge, razão pela qual os pagamentos referentes à pensão alimentícia não teriam sidos realizados nos estritos termos do acordo judicial. Embargos rejeitados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos REJEITAR os Embargos de Declaração nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso que acolhia os embargos para acrescer fundamentação à decisão. O Conselheiro Carlos André Ribas de Mello acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 17/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna BandeiraToscano.
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CONTRADIÇÃO. AUSÊNCIA. Não há se falar em contradição quanto aos fundamentos do acórdão, quando a decisão adota como razão de decidir não só a ausência de juntada nos autos, pelo ora Embargante, dos recibos apresentados na fase de fiscalização, mas, também, a falta de prova da alegada restrição bancária imposta à excônjuge, razão pela qual os pagamentos referentes à pensão alimentícia não teriam sidos realizados nos estritos termos do acordo judicial. Embargos rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos REJEITAR os Embargos de Declaração nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso que acolhia os embargos para acrescer fundamentação à decisão. O Conselheiro Carlos André Ribas de Mello acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 17/09/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 22 04 /2 00 8- 11 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna BandeiraToscano. Relatório Tratase de embargos de declaração com vistas a suprir suposta contradição de decisão proferida por esta C. Turma, assentada no fato de o acórdão embargado ter a premissa de que a glosa de dedução de pensão alimentícia ter ocorrido pela razão de que: "os recibos apresentados pelo contribuinte" não serviriam para comprovar os pagamentos da pensão alimentícia (o que constou expressamente na acusação fiscal à fl. 4); entretanto, adotou se como conclusão (fl. 74) que: "ainda que seja factível a alegação de que a excônjuge se encontrava com as contas bancárias bloqueadas, não juntou o Recorrente os respectivos recibos, que em tese comprovariam os dispêndios com a pensão alimentícia paga, de sorte a impedir o reconhecimento da dedutibilidade da despesa glosada". O embargante alega que, sanada a contradição, o princípio da verdade material exige a análise das provas, o que acarretará efeitos infringentes e o provimento do recurso voluntário. Nesse contexto, para comprovar a legitimidade da dedução de R$ 57.372,00 , a título de pensão alimentícia, anexa aos embargos de declaração cópia dos recibos firmados pela sua exesposa atestando o recebimento dos valores às fls. 95/97, que segundo a fiscalização foram apresentados pelo contribuinte, mas não admitidos naquela ocasião como provas hábeis do efetivo dispêndio. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Em que pese o alegado pela Embargante, não vislumbro qualquer contradição na decisão embargada. A contradição a ser sanada em Declaratórios, deve estar contida na decisão embargada, e não no processo. O Embargante aponta contradição entre a “descrição dos fatos e enquadramento legal” e a decisão tomada em Voluntário, não passível de ser sanada na estreita via dos Embargos. Ademais, não há se falar em contradição quanto aos fundamentos do acórdão, quando a decisão adota como razão de decidir não só a ausência de juntada nos autos, pelo ora Embargante, dos recibos apresentados na fase de fiscalização, mas, também, a falta de prova da alegada restrição bancária imposta à excônjuge, razão pela qual os pagamentos referentes à pensão alimentícia não teriam sidos realizados nos estritos termos do acordo judicial. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10840.002204/200811 Acórdão n.º 2802002.411 S2TE02 Fl. 277 3 Posto isso, rejeito os embargos declaratórios opostos. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 115DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 18/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Numero do processo: 10840.003107/2005-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não deve ser conhecido o recurso na parte em que contradita matéria não suscitada na manifestação de inconformidade.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002.
VALOR DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS.
O valor das variações cambiais não compõe o valor das receitas de exportação, devendo ser considerada como receita financeira, na forma do art. 9º da Lei nº 9.718/98.
Recurso Voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Adriene Maria de Miranda Veras, que davam provimento ao recurso na parte relativa à utilização do crédito presumido da agroindústria em compensação. A Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras dava provimento ao recurso, ainda, em relação à variação cambial.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente USINA BELA VISTA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não deve ser conhecido o recurso na parte em que contradita matéria não suscitada na manifestação de inconformidade. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637/2002. VALOR DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor das receitas de exportação, devendo ser considerada como receita financeira, na forma do art. 9º da Lei nº 9.718/98. Recurso Voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Adriene Maria de Miranda Veras, que davam provimento ao recurso na parte relativa à utilização do crédito presumido da agroindústria em compensação. A Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras dava provimento ao recurso, ainda, em relação à variação cambial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 31 07 /2 00 5- 94 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrosino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins nãocumulativa, referente ao período de apuração outubro/2005, no valor de R$ 213.387,54, fls.1/2. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 22/26, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Cálculo do crédito presumido da agroindústria para desconto das contribuições para o Cofins não cumulativo. Os valores dos créditos de Cofins não cumulativo apurados sobre aquisições de canadeaçúcar de pessoa física e jurídica não são passíveis de compensação. Ressalta que, a partir do período de apuração agosto de 2004. os créditos relativos à agroindústria só podem ser utilizados para abater os débitos do Cofins não cumulativo, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não podem ser compensados ou ressarcidos, com base no disposto no art. 8º, §3º , II, da Instrução Normativa SRF n° 660, de 17 de julho de 2006. b) Bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3º da Lei n° 10.637/2002 e no artigo 8º , inciso I, alínea " b " e " b l " e nos parágrafos 4º , item I, alínea "a", e 9º , inciso I do mesmo artigo 8º da Instrução Normativa n° 404, de 12 de março de 2004. Aquisição de produtos não considerados como insumos pela legislação vigente, para a fabricação/produção de bens destinados à venda. Destaca que a empresa descontou crédito indevido sobre o valor do combustível utilizado no transporte de canadeaçúcar, bem este não incluído no conceito de insumo utilizado no processo produtivo da empresa, nos termos do disposto nos dispositivos acima citados. c) Inclusão indevida nas receitas de exportações, de valores correspondentes a acréscimos decorrentes de variação cambial, que correspondem, na realidade, a receitas operacionais financeiras, não podendo compor o cálculo do demonstrativo de apuração da relação percentual entre receitas. A partir das divergências encontradas, foram refeitos os cálculos do crédito da empresa, conforme planilha de fls. 21, onde foi apurado credito no valor de R$ 49.087,74. Através do Despacho Decisório de fls. 27/28, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003107/200594 Acórdão n.º 3202000.826 S3C2T2 Fl. 163 3 apurado na Informação Fiscal, que aprovou, e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls. 47/79, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e, sobre as divergências encontradas, que geraram a glosa do valor pretendido, alega, em breve síntese, o seguinte: PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, "... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação cts quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica "da etapa anterior" e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS". RATEIO DE CUSTOS. DESPESAS E ENCARGOS. Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º , do art. 3º , da Lei n° 10.833, de 2003, utilizandose do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, "... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa". Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de canadeaçúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracterizase como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF n° 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei n° 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO NA COMPENSAÇÃO Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Quanto à possibilidade de utilização do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, para compensação com outros débitos, alega que está embasada nesse próprio dispositivo legal e no disposto no art. 5º , § 1º , II, da Lei n° 10.637, de 2002. Que o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004 não pode ser afastado haja vista sua referência ao art. 3 o das leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, sendo impossível "desvincular referido crédito dos dispositivos legais de ressarcimento com outros tributos federais". Que a compensação efetuada é anterior à edição da IN SRF n° 660, de 2006, sendo vedado a aplicação de norma retroativa a fim de vedar forma de compensação e que não há qualquer vedação na Lei n° 10.925, de 2004 em relação à possibilidade de utilização do crédito presumido para compensação com débitos de outros tributos. VARIAÇÃO CAMBIAL Quanto às receitas decorrentes de complemento de preços de exportação, tratadas pelo fisco como sendo receitas financeiras, alega que o açúcar é pago em data posterior à sua entrega, de forma que o manifestante não tem como emitir a nota fiscal de venda com destino á exportação j á no valor efetivo dessa comercialização, uma vez que o contrato é celebrado em dólares que é convertido em reais na data do pagamento, posterior a data de entrega do produto. Assim, emite uma nota fiscal quando de sua efetiva saída e emite nota fiscal complementar para ajustar o valor da operação ao efetivo preço pago. Assim, entende que tais valores correspondem a complemento de preço das mercadorias vendidas, não se tratando de receitas financeiras propriamente ditas. Transcreve várias ementas e trechos de julgamentos judiciais no sentido de embasar seu entendimento. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas.” A DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 72/79), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, considerando se esta como o total das receitas, cumulativa e nãocumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003107/200594 Acórdão n.º 3202000.826 S3C2T2 Fl. 164 5 DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL NÃO UTILIZADO NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendemse como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível utilizado em fases que não a fabricação do produto não pode ser considerado insumo para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/10/2005 VENDAS AO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMB1AL. CLASSIFICAÇÃO. Os valores referentes a ganhos ou perdas monetárias em função da variação cambial dos valores das vendas ao exterior são considerados receitas ou despesas financeiras. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 82/111), alegando, em síntese: a) que houve indevida desconsideração de insumos para composição do crédito submetido à compensação. Aduz que a DRJ confundiu o dispêndio que a contribuinte pretende ver integrado ao seu direito creditório, presumindo, equivocadamente, que se trataria de gastos referentes a combustível utilizado no transporte de trabalhadores, quando, na verdade, seriam despesas com serviços de transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte de cana. Assim, diante do equívoco cometido pela DRJ, entende que o processo deveria retornar à instância de origem para que esta analise corretamente o insumo que a empresa pretende tomar o crédito; b) que “a recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e o álcool, sendo imprescindível, para o exercício dessa atividade, a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange o plantio, o corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda deste produto”. Assim ,“nesse sentido, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção”. Desse modo, que não haveria como não se considerar como serviço essencial, para produção do açúcar e do álcool, o transporte dos trabalhadores que fazem o corte da canadeaçúcar, que é a matériaprima para a produção do açúcar e o álcool; d) que é cabível a utilização do crédito presumido da Cofins da agroindústria para compensação com débitos relativos a tributos federais. Afirma que inexiste qualquer Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 vedação na Lei nº. 10.925/04 com relação à possibilidade de utilização do crédito presumido formado por receitas de exportação para compensação com débitos de outros tributos federais, sendo incabível a inovação trazida pela IN/SRF nº. 660/06. c) que é errôneo o entendimento da Fiscalização de que os valores relativos aos complementos de preço de exportação, por corresponderem a acréscimos decorrentes da variação cambial, deveriam ser tratados como receitas financeiras e que, por tal razão, teriam sido indevidamente incluídos no valor das exportações. Afirma que emite a nota fiscal das mercadorias vendidas quando da sua efetiva saída, considerando o valor do dólar naquela data, emitindo, posteriormente, uma nota fiscal complementar para ajustar o valor da operação ao efetivo preço pago pelos compradores, correspondendo ao valor do dólar na data do pagamento. Entende que tais “complementos de preço”, que se referem à variação cambial, devem integrar as receitas de exportação, dado o caráter acessório de tais receitas em relação aos contratos de exportação. Ao final, requer seja anulada parte da decisão recorrida que, ao invés de julgar a possibilidade de tomada de créditos com a despesa na aquisição dos serviços de transporte dos cortadores de cana, enfrentou tema diverso atinente à despesa com combustível no transporte da cana, determinandose o retorno dos autos a instância de origem para enfrentar o tema. Subsidiariamente, pede pela procedência do recurso, com a consequente homologação das compensação efetuadas. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Da Nulidade da Decisão Administrativa de Primeira Instância Primeiramente, alega a recorrente que teria havido equívoco na decisão administrativa de primeira instância, em relação ao insumo sobre o qual pleiteia o crédito da Cofins. Afirma que a DRJ teria analisado gastos referentes a combustível utilizado no transporte de trabalhadores, quando, na verdade, seriam despesas com serviços de transporte de trabalhadores rurais envolvidos no corte de cana. Pretende, assim, a nulidade daquela decisão. A Fiscalização, por meio do Termo de Intimação fiscal à fl. 14, solicitou esclarecimentos em relação ao item elencado pela interessada denominado “Transportes – Combustíveis”. Vejase: “3 – Informar, apresentando documentação hábil e idônea, em quais operações dos processo produtivo foi efetivamente aplicado o item “Transportes – Combustíveis”, cujos valores foram incluídos no cálculo dos créditos das contribuições dos períodos de apuração de novembro de 2004 e de janeiro a novembro de 2005. A empresa deve quantificar os valores aplicados em cada Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003107/200594 Acórdão n.º 3202000.826 S3C2T2 Fl. 165 7 operação (na lavoura de canadeaçúcar, no transporte de pessoal, no transporte de insumos e/ou produtos, na produção de açúcar e álcool, etc);” Quanto a este ponto, a contribuinte prestou os esclarecimentos constantes à fl. 16, onde fez juntar um quadro demonstrativo das despesas. Nesse quadro, informa que as aplicações são relativas a “Transporte de Cana Açúcar” [sic] e “Transporte – apoio plantio cana” [sic]. Ali, notase que o primeiro (transporte de canadeaçúcar) é a grande maioria, tendo sido informado para os meses de novembro/2004 e de abril a novembro/2005, sendo o transporte referente ao apoio para o plantio de cana referente apenas aos meses de fevereiro e março/2005. Em nada ali a requerente menciona, taxativamente, tratarse de despesa com transporte de pessoal. A DRFRibeirão Preto/SP, por meio da Informação Fiscal constante às fls. 22/26, tratou a despesa como sendo referente ao valor do combustível utilizado no transporte de canadeaçúcar. Vejase: 2.1.2 Bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3 o da Lei n". 10.833/2003 e no artigo 8º , inciso I, alínea "b" e "b1" e seu parágrafo 4º , item I, alínea a " da Instrução Normativa n° 404, de 12 de março de 2004. Aquisições de produtos não considerados como insumos, pela legislação vigente, para a fabricação ou produção de bens destinados à venda: Em decorrência dos procedimentos fiscais efetuados, constatamos que a contribuinte descontou crédito indevido sobre o valor do combustível utilizado no transporte de canadeaçúcar, bem este não incluído no conceito de insumo utilizado no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3º da Lei n°. 10.833/2003 e no artigo 8º . inciso I. alínea "b" e " b l " e seu parágrafo 4º , item I, alínea "a"' da Instrução Normativa n° 404. de 12 de março de 2004, conforme descrito a seguir. Esta fiscalização encaminhou à empresa o Termo de Intimação Fiscal datado de 10/12/2009 (cópia às fls. 14), através do qual esta foi intimada a informar, apresentando documentação hábil e idônea, em quais operações do processo produtivo foi efetivamente aplicado o item "Transportes Combustíveis", constante da planilha de cálculo apresentada a esta fiscalização. Em resposta à intimação fiscal, a contribuinte apresentou o documento de fls. 15/17, através do qual informou que os valores correspondem a combustíveis utilizados no "Transporte de Cana Açúcar". (sublinhados não constantes do original) Caso o crédito alegado não fosse relativo a despesa com combustível utilizado no transporte da canadeaçúcar, deveria a contribuinte terse manifestado na primeira oportunidade, qual seja, em sua manifestação de inconformidade. Naquela peça de defesa, no entanto, a querelante não fez tal alegação, antes pelo contrário, corroborou a manifestação da DRF, quando afirmou a contribuinte em diversos momentos de sua manifestação de inconformidade, às fls. 49/58: “II.3 Do combustível utilizado no transporte apoio plantio de canade açúcar Como visto por seu objeto social, a Manifestante exerce atividade industrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar, álcool e outros produtos derivados da Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 canadeaçúcar, sendo imprescindível para o exercício dessa atividade a observância de todas as etapas da atividade, que abrange o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção do açúcar, do álcool e dos demais produtos derivados da canadeaçúcar, distribuição e venda destes produtos. Sendo assim, o cultivo da canadeaçúcar é atividade essencial para produção do álcool, do açúcar e demais produtos derivados da cana, não podendo haver desprezo dos custos incorridos nessa etapa da atividade de produção. Isto posto, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar, até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são necessárias, sendo que em todas elas estão presentes processos essenciais para obtenção do produto final. Com efeito, as etapas de corte, carregamento e transporte da cana até o estabelecimento industrial são representativas e envolvem grande parte dos custos operacionais necessários para o exercício da atividade de produção da Manifestante. Até mesmo na entressafra da canadeaçúcar, a Manifestante incorre em altos custos com o seu cultivo. Há todo um trabalho na terra para preparála para o plantio, o transporte das mudas, o transporte de trabalhadores rurais, enfim, diversas atividades essenciais ao processo produtivo como um todo, que resultará, ao final, na obtenção do produto que será comercializado e que gerará receita tributada pela COFfNS. Dessa forma, não se pode concordar com o entendimento do fisco, no sentido de que não há amparo legal vigente para considerar o combustível utilizado no transporte de apoio do plantio de canadeaçúcar como insumo na produção e fabricação de açúcar, álcool e outros produtos derivados da cana deaçúcar. ............................................................................................................................. Como não considerar como essencial para produção do açúcar, do álcool e dos demais produtos derivados da cana, o transporte dos materiais, trabalhadores e mudas necessários para o cultivo da canadeaçúcar, bem como o transporte da cana deaçúcar em si, que é a matéria prima para a produção de referidos produtos? Como visto, a Manifestante é uma indústria dedicada à produção de açúcar, álcool e outros produtos derivados da cana, e por isso, não se pode desconsiderar o cultivo da cana de açúcar que será inteiramente utilizada no processo produtivo do açúcar, do álcool e dos demais produtos derivados da cana. ............................................................................................................................. Atualmente, admitese a apropriação do crédito da COFINS sobre o frete cobrado para movimentar insumos ou produto em fase de produção entre os estabelecimentos comerciais da pessoa jurídica9, porém, esse mesmo entendimento não foi aplicado no presente caso em virtude da glosa dos créditos relacionados aos gastos com serviços de transporte de apoio ao plantio de cana, o que implica em nítido tratamento nãoisonômico para situações absolutamente idênticas em sua essência. ...........................................................................................................................” (grifos não constantes do original) Da leitura daquela peça de defesa, verificase que, após corroborar, taxativamente, tratarse de despesas com combustível utilizado no transporte de apoio do Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003107/200594 Acórdão n.º 3202000.826 S3C2T2 Fl. 166 9 plantio de cana, em alguns momentos a contribuinte cita o transporte da própria canadeaçúcar e em outros, ainda, o transporte de mudas, de trabalhadores e de materiais... O que parece, na verdade, é que nem mesmo a contribuinte consegue identificar qual a real natureza da despesa que pretende creditarse. A DRJ tratou a matéria da mesma forma como fora tratada pela DRF, discorrendo sobre despesa de combustível utilizado no transporte, concluindo que “o combustível utilizado no transporte de pessoas ou mercadorias, por falta de previsão legal, não pode ser considerado como insumo gerador de crédito a ser descontado na apuração do valor da contribuição”. O entendimento da DRF, de que se tratava de despesa com combustível utilizado no transporte, não foi expressamente contraditado pela contribuinte quando da apresentação da manifestação de inconformidade, restando, pois, incontroverso tratarse daquela despesa. Assim, não pode a querelante, agora, em fase de recurso, inovar e alegar que não se trata de despesa com combustível, mas sim de despesa com transporte de pessoal, visto que na manifestação de inconformidade tal questão não foi levantada em relação ao despacho decisório proferido pela DRF. Não há, assim, qualquer nulidade na decisão de primeira instância proferida. Por conseqüência, temse que a recorrente inovou em seu recurso nesta parte, apresentando como tese de defesa o seu entendimento de que os serviços de transporte dos cortadores de cana devem ser considerados como insumos para fins de creditamento da Cofins, fugindo dos limites da lide definidos na manifestação de inconformidade, tratando, pois, de matéria estranha ao litígio, razão pela qual entendo que o recurso voluntário não deve ser conhecido nesta parte. Da Utilização do Crédito Presumido da Agroindústria em Compensação Aduz a contribuinte que seria cabível a utilização do crédito presumido da Cofins da agroindústria para compensação com débitos relativos a tributos federais. Afirma que inexiste qualquer vedação na Lei nº. 10.925/04 com relação à possibilidade de utilização do crédito presumido formado por receitas de exportação para compensação com débitos de outros tributos federais, sendo incabível a inovação trazida pela IN/SRF nº. 660/06. Entendo que a decisão recorrida não merece reparo neste ponto. O crédito presumido de que a contribuinte pretende se valer é aquele previsto no art. 8º da Lei nº. 10.925/2004. Vejase: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 17. Produz efeitos: ......................................................................................................... III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8° e 9° desta Lei; O texto da lei é claro e não deixa margem a dúvidas: a partir de 1º de agosto de 2004, o crédito presumido, apurado na forma ali prevista, concedido às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal, as quais se classificam nos códigos ali citados, poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devida em cada período de apuração. Diferentemente do que alega a recorrente, não se trata de limitação imposta por meio da IN/SRF nº. 660/06, mas de restrição trazida pela própria Lei nº. 10.925/2004, não havendo, portanto, qualquer permissão legal para a utilização dos créditos presumidos concedidos por aquela lei em compensação de tributos, conforme pretende a recorrente, mas apenas para a sua dedução da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP devidas em cada período de apuração. Alega, ainda, a recorrente, que sua pretensão encontraria fundamento no inciso II do §1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, o qual estabelece que o crédito apurado na forma do artigo 3° daquela lei poderá ser utilizado tanto na dedução do valor da mesma contribuição quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Entretanto, como bem salientou a autoridade julgadora de piso, os §10 e 11 do art. 3º da Lei nº. 10.637/2002, que tratavam da forma de utilização do crédito presumido ora pleiteado pela recorrente, foram expressamente revogados pela alínea “a” do inciso I do art . 16 da Lei nº. 10.925/2004, que passou a disciplinar a forma de utilização desse créditos, por meio do art. 8º, já transcrito linhas acima.Vejase: Lei nº. 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ....................................................................................................... § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003107/200594 Acórdão n.º 3202000.826 S3C2T2 Fl. 167 11 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº.10.925/2004) Lei nº. 10.925/2004 Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e ........................................................................................................ De outro giro, temse que essa mesma matéria já foi apreciada pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, em relação à mesma contribuinte “Usina Bela Vista”, nos autos do processo nº. 10840.000092/200511. Naquela oportunidade, a Turma julgadora, por maioria de votos, decidiu pela impossibilidade de utilização do crédito presumido em pedidos de compensação ou ressarcimento. Vejase a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigurase lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2004 O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. (grifo não constante do original) No mesmo sentido também se manifestou a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, nos autos do processo nº. 10840.002532/200566, em decisão cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 07/2005 Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO.CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANA DE AÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de canadeaçúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da canade açúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10840.003107/200594 Acórdão n.º 3202000.826 S3C2T2 Fl. 168 13 PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido da agroindústria é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Legalidade da vedação contida no art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006. Recurso provido em parte. (grifo não constante do original) Assim, o crédito presumido da COFINS, apurado na forma do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação, por absoluta falta de previsão legal. Da Variação Cambial Afirma a querelante que emite a nota fiscal das mercadorias vendidas quando da sua efetiva saída, considerando o valor do dólar naquela data, emitindo, posteriormente, uma nota fiscal complementar para ajustar o valor da operação ao efetivo preço pago pelos compradores, correspondendo ao valor do dólar na data do pagamento. No seu entendimento, tais “complementos de preço”, que se referem à variação cambial, deveriam integrar as receitas de exportação, dado o caráter acessório de tais receitas em relação aos contratos de exportação. Mais uma vez, porém, não assiste razão à recorrente. Para fins de cálculo dos créditos da Cofins pleiteados pela recorrente, não há como se agregar ao valor da receita bruta a variação cambial havida entre a data da saída da mercadoria e a data do efetivo pagamento pelo comprador, a título de complemento de preço, por absoluta ausência de amparo legal A variação monetária havida, nos termos do art 9º da Lei nº 9.718/98, deve receber o tratamento de receitas/despesas financeiras. Vejase: Art. 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Desta forma, a variação cambial decorrente das vendas de produtos para o exterior não deve ser incluída no cálculo da receita de exportação para fins de cálculo do créditos da COFINS, mostrandose incabível a pretensão da recorrente, por ausência de fundamentação legal. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Pelo exposto, CONHEÇO EM PARTE do recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 07/09/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11020.902309/2011-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-004.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por inovação nos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por inovação nos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo os argumentos trazidos somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por inovação nos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 23 09 /2 01 1- 85 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de pedido de compensação de COFINS recolhido indevidamente ou a maior em 15.10.2003, no valor de R$ 1.390,89, referente ao período de apuração de 30.08.2003, com débito da mesma contribuição. À fl. 07 está anexo o despacho decisório por meio do qual foi verificado que a partir do DARF e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão. A Recorrente foi devidamente intimada e do despacho decisório e apresentou tempestivamente às 12/22 a Manifestação de Inconformidade, por intermédio da qual a contribuinte requereu a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que o inciso III, § 2º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 autoriza a dedução da base de cálculo da COFINS dos valores transferidos para terceiros. Assim, às fls. 35/38 foi exarado o Acórdão n.º 1037.246 pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre, que teve lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. COFINS. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS PARA TERCEIROS. INADMISSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP nº 1.991/00. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão acima prolatada indeferiu o pedido, sob o argumento de que o Recorrente não trouxe aos autos provas de que tenha ocorrido o recolhimento a maior da contribuição, nem fez referência aos valores do indébito apurado em cada período de apuração. Os julgadores de primeiro grau, ainda fundamentaram o indeferimento do pleito no fato de que o III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 não havia sido regulamentado pelo Poder Executivo e por isto esta norma estava com sua eficácia suspensa. Ademais, foi destacado que as decisões colacionadas pelo contribuinte não possuem efeito “erga omnes” e o inciso IV do art. 47 da MP nº 1.99118/2000, revogou, antes mesmo que fosse regulamentado, o dispositivo sobre o qual se fundamenta o pedido do contribuinte. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte inova seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade para discordar da IN n.º 517/2005 que define procedimentos para prévia habilitação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado. Segundo o contribuinte o art. 74 da Lei n.º 9.430/96, determina que a compensação de crédito Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.902309/201185 Acórdão n.º 3803004.232 S3TE03 Fl. 59 3 será realizada com a simples entrega do pedido de compensação, aplicandose homologação tácita após o transcurso de 5 (cinco) anos, nos termos do § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Embora, em sua Manifestação de Inconformidade, tenha discorrido a respeito do seu pretenso direito creditório com fundamento no III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, agora o contribuinte no Recurso Voluntário volta a inovar quando argumenta possuir direito ao crédito em razão da inconstitucionalidade dos Decretos n.º 2.445/88 e 2.449/88, pois, segundo seu entendimento, recolheu indevidamente o tributo no período de janeiro/89 até outubro/95. Teceu ainda comentários a respeito do art. 166 do CTN para alegar que em se tratando de PIS e COFINS não há a possibilidade de transferência do encargo do ônus tributário para terceiros, já que nas leis de regência não consta nada neste sentido. Por fim, requer que seja dado provimento ao apelo e que seja reconhecido o direito de compensar a importância recolhida indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, mas não reúne os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele não conheço. Em seu recurso o contribuinte afirma que a IN n.º 517/2005 definiu procedimentos para prévia habilitação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, bem como que tal restrição não está prevista no art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Todavia, muito embora em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte não tenha abordado a questão relativa à prévia habilitação de crédito e esta discussão não tenha sido remitida para apreciação para este colegiado, vale comentar que o Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 1.309.265, julgado em 24/04/2012), manifestou entendimento de que nos termos dos arts. 170, do CTN, e 74, § 14, da Lei n. 9.430/96, os créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, desde 01/03/2005, somente podem ser compensados depois de prévia habilitação do crédito pela RFB, já que esta não passa de mera verificação quanto à existência do crédito. Deste modo, em razão da argumentação atinente à prévia habilitação ter sido trazida somente no Recurso Voluntário, não há que se falar em constituição de lide neste particular, em razão da preclusão consumativa. Já em relação à discussão relativa à exclusão da base de cálculo dos valores transferidos para terceiros, consoante redação do inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, cumpre esclarecer que o contribuinte também não controverteu este tema em seu Recurso Voluntário, mas sim somente na Manifestação de Inconformidade, razão pela qual ocorreu a preclusão neste ponto. Na realidade analisando o Recurso, notase que o contribuinte alterou a sua linha de defesa e preferiu fundamentar o seu direito creditório no recolhimento indevido do PIS em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos n.º 2.445/88 e 2.449/88. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A preclusão consumativa encontra fundamento no art. 303 do CPC: Art.303.Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: Irelativas a direito superveniente; IIcompetir ao juiz conhecer delas de ofício; IIIpor expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo Além do que, o Decreto n.º 70.235/72 dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Assim, com fundamento neste artigo somente é possível apresentar novas alegações em casos excepcionais, sob pena da ocorrência da preclusão consumativa. Em relação à preclusão consumativa, vale citar a Apelação Cível n.° 200934000248411, julgada pelo TRF da 1ª Região, por intermédio da qual o tribunal PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO RECURSAL NÃO APLICAÇÃO DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003 AMPLIAÇÃO DA DIMENSÃO DO DIREITO PLEITEADO PRESCRIÇÃO AÇÃO DE PROCEDIMENTO ORDINÁRIO PIS E COFINS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98 COMPENSAÇÃO INDEVIDA EM RAZÃO DA INCIDÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. (...) 4. No que tange à questão relativa à não aplicação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em razão da opção da empresa autora pelo regime de lucro presumido, entendendo esta não se sujeitar aos efeitos das mencionadas Leis para efeito da incidência de PIS e COFINS, cumpre esclarecer que a parte autora inovou em sua peça de apelo. 5. Ocorre que a inicial trouxe irresignação específica e não tratou de questões atinentes ao pedido acima mencionado. Dessa forma, restou configurada inovação recursal, insuscetível de conhecimento em face da preclusão consumativa. 6. Nesse sentido, "As alegações constantes das razões recursais não foram trazidas na petição inicial, constituindo inovação na causa de pedir a sua inclusão em sede de recurso. Jurisprudência consolidada do STJ no sentido de não admitir tal inovação. (...)". (AC 0126797 56.2000.4.01.0000/GO, Rel. Juiz Federal Carlos Eduardo Castro Martins, 7ª Turma Suplementar, eDJF1 p.1390 de 23/03/2012). (...) Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.902309/201185 Acórdão n.º 3803004.232 S3TE03 Fl. 60 5 Trago a baila ainda o Agravo Regimentar no Agravo em Recurso Especial n. 143485 – CE. Neste julgado o STJ não conheceu do recurso com fundamento no fato de que o recorrente inovou em seus argumentos, operando assim a preclusão consumativa. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. RAZÕES DO REGIMENTAL DISSOCIADAS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. Os fundamentos do agravo regimental vinculados à prescrição estão dissociados das razões da decisão agravada, pois em nenhum momento houve abordagem da referida temática, o que atrai a incidência da Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. A questão prescricional revestese de inovação recursal, pois não fora aduzida nas razões do especial, sobre a qual se operou a preclusão consumativa. Conforme pacífica jurisprudência desta Corte, é vedada a inovação recursal, seja em agravo regimental, seja em embargos de declaração. Precedentes. Agravo regimental não conhecido. Ora, para o conhecimento do Recurso Voluntário há necessidade de que exista correlação entre a decisão da DRJ e os termos do recurso apresentado pelo contribuinte, pois a lógica do sistema implica em considerar que este busca a reforma da decisão denegatória do seu pedido formulado na Manifestação de Inconformidade, alegando. Todavia, uma vez constatado que o contribuinte alega aspectos que não constam da decisão atacada, por certo que se opera a preclusão consumativa, pelo que, não poderá ser conhecido o recurso, vez que procedimento contrário implicaria em aceitar como válida a inovação à lide na fase recursal, ocasionando ofensa ao devido processo legal, bem como ofensa ao princípio da devolutibilidade. Além do que, a falta de adequação entre o recurso e a decisão atacada configura necessariamente ausência de um dos pressupostos objetivos do recurso, sem o qual o recurso não pode ser conhecido. Ante o exposto, considerando que a matéria controvertida pelo contribuinte limitouse a discussão referente à aplicabilidade do III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, mas em seu Recurso Voluntário não trouxe argumentos em relação a esta matéria, então o recurso não pode ser conhecido em face da ocorrência da preclusão consumativa. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de junho de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15889.000387/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
IRPJ E CSLL. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO CUMULATIVA. A sistemática de tributação pelo lucro presumido é opção da empresa. Uma vez adotada, a base de cálculo dos tributos é apurada a partir do faturamento, assim entendido o valor cobrado e recebido dos clientes, sendo vedada a subtração dos valores pagos a titulo salário e encargos sociais da mão-de-obra.
TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. SALÁRIOS E ENCARGOS PAGOS AOS TRABALHADORES CEDIDOS. INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Questão já decidida sob a sistemática do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008 (REsp 1.141.065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º.02.10).
2. As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei. (REsp 963.196/PR, Rel. Min. Mauro Campbell, Segunda Turma, DJe 08.02.11).
Numero da decisão: 1402-001.452
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos no 1º e 2º trimestres de 2003 e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e, justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPJ E CSLL. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO CUMULATIVA. A sistemática de tributação pelo lucro presumido é opção da empresa. Uma vez adotada, a base de cálculo dos tributos é apurada a partir do faturamento, assim entendido o valor cobrado e recebido dos clientes, sendo vedada a subtração dos valores pagos a titulo salário e encargos sociais da mão-de-obra. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. SALÁRIOS E ENCARGOS PAGOS AOS TRABALHADORES CEDIDOS. INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Questão já decidida sob a sistemática do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008 (REsp 1.141.065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º.02.10). 2. As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei. (REsp 963.196/PR, Rel. Min. Mauro Campbell, Segunda Turma, DJe 08.02.11).
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DE BAURU SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPJ E CSLL. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO CUMULATIVA. A sistemática de tributação pelo lucro presumido é opção da empresa. Uma vez adotada, a base de cálculo dos tributos é apurada a partir do faturamento, assim entendido o valor cobrado e recebido dos clientes, sendo vedada a subtração dos valores pagos a titulo salário e encargos sociais da mãodeobra. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. SALÁRIOS E ENCARGOS PAGOS AOS TRABALHADORES CEDIDOS. INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Questão já decidida sob a sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008 (REsp 1.141.065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º.02.10). 2. As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei. (REsp 963.196/PR, Rel. Min. Mauro Campbell, Segunda Turma, DJe 08.02.11). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 87 /2 00 8- 99 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15889.000387/200899 Acórdão n.º 1402001.452 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos no 1º e 2º trimestres de 2003 e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e, justificadamente, o Conselheiro Paulo Roberto Cortez. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório R.H. DE BAURU SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa acima citada, foi constatada, no anocalendário (AC) de 2003, insuficiência de recolhimento ou declaração do IRPJ, tendo como base os valores escriturados e não declarados em DIPJ e DCTF, com fundamento no Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), art. 841, I, III e IV. Foi constatada falta de recolhimento da CSLL omitida nas respectivas DIPJ e declarada, em parte, nas respectivas DCTF correspondentes ao ano calendário de 2003. Foi constatado, também, nos AC de 2004 e 2005: a) omissão de receitas da atividade sem emissão de nota fiscal, apurado pela diferença entre os valores informados em Dirf pelas fontes pagadoras e os dados constantes nas notas fiscais emitidas e escrituradas em livros fiscais e contábeis; b) receita da prestação de serviços escriturada e não declarada. A tributação dessa omissão quanto ao PIS e Cofins será feita em processo distinto. Foram lavrados os seguintes autos de infração: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15889.000387/200899 Acórdão n.º 1402001.452 S1C4T2 Fl. 0 3 1 – Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) – fls. 3 a 18. Imposto: R$ 352.990,55 Juros de mora: R$ 158.096,51 Multa proporcional: R$ 264.742,89 Total: R$ 775.829,95 Enquadramento legal do imposto: RIR, de 1999, arts. 224, 518, 519, § 1º, III, a, e §§ 4º a 7º, 528. 2 – Contribuição para o PIS – fls. 20 a 25. Contribuição: R$ 1.436,84 Juros de mora: R$ 620,09 Multa Proporcional: R$ 1.077,62 Total: R$ 3.134,55 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar, nº 7, de 1970, arts. 1º e 3º; Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 2º; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, I, a, e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91. 3 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – fls.26 a 28, 33/34 . Contribuição: R$ 6.631,63 Juros de mora: R$ 2.862,10 Multa Proporcional: R$ 4.973,70 Total: R$ 14.467,43 Enquadramento legal da contribuição: Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91. 4 Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) – fls. 29 a 32, 35 a 37. Contribuição: R$ 2.387,37 Juros de mora: R$ 997,18 Multa Proporcional: R$ 1.790,51 Total: R$ 5.175,06 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2°, §§; Lei nº 9.249, de 1995, art. 24; Lei nº 9.430, de 1996, art. 29; Lei nº 10.637, de 2002, art.37. 5 Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) – fls. 39 a 51. Contribuição: R$ 108.391,55 Juros de mora: R$ 51.003,04 Multa Proporcional: R$ 81.293,62 Total: R$ 240.688,21 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2°, §§; Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 2º; Lei nº 9.430, de 1996, arts. 28 e 29; Lei nº 10.637, de 2002, art.37. Consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF) o que segue: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15889.000387/200899 Acórdão n.º 1402001.452 S1C4T2 Fl. 0 4 Acerca da atividade da empresa (CNAEF74.500/02 Locação de Mão de Obra), nos foram exibidos exemplares de "Contratos de Prestação de Serviços Temporários" firmados entre a fiscalizada e alguns de seus principais clientes, onde consta em síntese, o compromisso de colocação de trabalhadores ditos "temporários", para atendimento de necessidades transitórias dessas tomadoras, tendo as despesas salariais e encargos suportados como base de cálculo do valor a ser pago. Assim, as remunerações oriundas da totalidade desses contratos (firmados com a clientela da fiscalizada), compreendem a totalidade da receita sob análise. Com todas as notas fiscais de prestação de serviço devidamente escriturada nos respectivos livros, mais os livros contáveis Diário e Razão, sendo, para o ano de 2003, opção feita pelo Lucro Real, e anos de 2004 e 2005, pelo Lucro Presumido, pudemos aferir todas as bases de cálculo dos tributos, com as particularidades que discorreremos na seqüência. Além da documentação apresentada pelo contribuinte, obtivemos no sistema "on line", extrato das DIRF's apresentadas pelas fontes pagadoras de rendimentos, onde constam, mensalmente, os rendimentos e os tributos retidos, havendo, na conformidade de planilhas anexas, algumas divergências, em alguns períodos, que, nos meses que suplantaram o total declinado em notas fiscais, evidenciam omissão de receita. Também, quanto a exigência dos tributos, consultamos os valores já declinados em DCTF's, fazendo a devida diminuição. Ano de 2003 Lucro Real Conferimos por amostragem apuração de todo o resultado escriturado, havendo procedência nos dados apresentados. Neste período, as retenções de tributos se restringiram ao Imposto de Renda, que na conformidade das planilhas anexas, resultou nos valores tributáveis ali indicados, já deduzido o IRFonte de R$ 7.181,28: Anos de 2004 e 2005 Opção pelo lucro presumido, onde aferimos a veracidade dos dados escriturados frente aos documentos fiscais exibidos. Nestes períodos, confrontando as receitas escrituradas com aquelas declinadas em DIRF's (apresentadas pelas fontes pagadoras, com individualização por tipo de tributo retido, onde elegemos como receita o de maior valor), notamos divergências, suplantando em alguns meses, os valores das receitas informadas pelas fontes pagadoras, subtendendo estas diferenças como receitas omitidas. As planilhas anexas (docs. De fls. ), evidenciam estes números, que passaram a servir de base tributável para o IRPJ e reflexos para as contribuições CSLL, PIS e COFINS. Ressaltamos que os tributos informados em DIRF's foram os considerados para redução dos tributos apurados, embora constassem nas notas fiscais emitidas, tais retenções, com totalizações mensais divergentes. Para a consecução de todo o crédito apurado fezse necessária a emissão dos seguintes Autos de Infração: IRPJ exclusivo, referente aos lucros apurados nos 3 exercícios em questão e IRPJ com reflexos das contribuições, referente as omissões de receita verificadas nos anos de 2004 e 2005; CSLL exclusivo, referente ás bases apuradas nos 3 exercícios, que com o IRPJ, passarão a ser tratados num único processo fiscal; Fl. 205DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15889.000387/200899 Acórdão n.º 1402001.452 S1C4T2 Fl. 0 5 Contribuições para o PIS e COFINS, sobre as bases escrituradas nos 3 exercícios, que passarão a ser tratadas em processo distinto, com planilhas especificas onde estão apontadas as bases de cálculo, o tributo, os valores retidos e eventuais valores declinados em DCTF's. Cientificada da autuação a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 129/148, subscrita pela sóciaadministradora Daniela Gibin Duarte (fls. 149 a 153), alegando: · Ocorreu a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos no 1º e 2º trimestres do AC de 2003 (art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN); · Imputouse ao Peticionário uma tributação calcada em bases desconexas à "realidade factual", desrespeitando o principio da verdade material, norteador do processo administrativo tributário. A fiscalização reputou como tributável a totalidade dos ingressos decorrentes dos “Contratos de Prestação de Serviços temporários” firmados com seus clientes. Entretanto, dentre os ingressos existem valores que não representam verdadeira receita, mas meros ingressos de ordem financeirotributária, tais como os relativos a salários e encargos sociais dos trabalhadores “locados” à tomadora de serviços; · A receita efetiva da impugnante em relação aos citados contratos resumese à “taxa de administração” ou “taxa de agenciamento”, ou seja, as comissões recebidas pelo agenciamento de mãodeobra temporária; · As atividades desenvolvidas pelas empresas de trabalho temporário encontramse disciplinadas na Lei n° 6.019/74, regulamentada pelo Decreto no 73.841 do mesmo ano. Por força dos arts. 2º e 4º da citada lei, estabelecese, primeiramente, uma relação decorrente do contrato firmado entre as empresas tomadora e fornecedora de mãodeobra temporária. Depois surge uma relação decorrente do contrato de prestação de serviços por prazo determinado firmado entre o trabalhador e a fornecedora de mãodeobra temporária, sendo o salário pago pela fornecedora do trabalho temporário com verbas provenientes da tomadora de serviços. Dentro desse contexto, a empresa fornecedora de mãodeobra temporária representa mera intermediária entre a tomadora de serviços e o trabalhador. A fornecedora de mão deobra vê circular por sua escrituração contábil considerável montante que não representa receita de sua atividade, mas sim meros repasses com valor e destinação previamente determinados, especialmente quanto ao pagamento de salários e encargos dos trabalhadores que disponibiliza as tomadoras de serviços com quem contrata; · Os autos de infração de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL Reflexo, exigem valores levantados mediante simples verificação das informações prestadas pelas fontes pagadoras. Portanto, a pessoa jurídica que recebeu os rendimentos e que sofreu a retenção do imposto de renda não tem nenhuma responsabilidade no seu preenchimento e nem tampouco tem o poder de examinar ou fiscalizar os valores compulsados na Dirf. Assim, erros ocorridos no seu preenchimento devem ser objeto de verificação no estabelecimento da pessoa jurídica que apresentou a Dirf. No presente caso, o fisco lançou sem verificar a exatidão dos valores declarados pela fonte pagadora; · A Dirf, por si só, não é um instrumento capaz de demonstrar com segurança e seriedade os fundamentos reveladores da ocorrência do fato gerador. Assim, qualquer lançamento calcado em tal declaração deve, imediatamente, ser repelido, posto que padece de substancial vicio. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15889.000387/200899 Acórdão n.º 1402001.452 S1C4T2 Fl. 0 6 OMISSÃO. RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. ERRO. Incabível a alegação de erro, quando a receita tributada foi extraída da escrituração apresentada pela própria contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. Não comprovado pelo fisco que os rendimentos indicados em Dirf foram efetivamente auferidos pela contribuinte, cancelase a exigência tributária correspondente. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. Impugnação Procedente em Parte. No voto condutor da aludida decisão colhemse os seguintes fundamentos quanto a decadência e mérito: “(...) Na situação em análise, com relação ao IRPJ e à CSLL, em que a contribuinte optou, no AC de 2003, pela apuração do lucro real trimestral e não efetuou qualquer recolhimento antecipado, aplicase o art. 173, I, do CTN, iniciando o prazo decadencial em 01/01/2004, encerrandose em 31/12/2008. Tendo ocorrido a ciência da autuação em 25/08/2008, verificase que não ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativamente ao 1º e 2º trimestres do AC de 2003. Omissão de Receitas Escrituradas e não Declaradas. Quanto à alegação da contribuinte de que o lançamento está incorreto, pois a sua receita efetiva em relação aos contratos prestação de serviços temporários resume se à “taxa de administração”, ou seja, as comissões recebidas pelo agenciamento de mãodeobra temporária, cabe ressaltar que a presente autuação tributou as receitas escrituradas pela própria contribuinte e que não foram declaradas. Dessa forma, não há que se falar em tributação calcada em bases desconexas à "realidade factual", desrespeitando o principio da verdade material. Omissão de Receitas Apuradas com Base em Valores Declarados em Dirf. A contribuinte alega que a Dirf não é um instrumento capaz de demonstrar com segurança e seriedade os fundamentos reveladores da ocorrência do fato gerador e que o fisco lançou sem verificar a exatidão dos valores declarados pelas fontes pagadoras. É certo que as diferenças de valores entre as informações prestadas por terceiros e a contabilidade da empresa podem ser indício da ocorrência da hipótese fática do tributo. Em realidade, determinados indícios, por se verificarem tão intimamente ligados ao fato gerador, tornaramse objeto das chamadas presunções legais tributárias. Tratase de instituto cuja conseqüência é inverter o ônus da prova contra o sujeito passivo, autorizando o Fisco a presumir a ocorrência do fato gerador pela verificação da situação tipificada em lei. No presente caso, não se trata de presunção legal para os indícios detectados. Dessa forma, cabia à fiscalização produzir a prova da omissão de receitas. Isto, Fl. 207DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15889.000387/200899 Acórdão n.º 1402001.452 S1C4T2 Fl. 0 7 porque, para amparar o lançamento, é necessário que se estabeleça um nexo causal entre cada diferença de Dirf ocorrida e a receita omitida. As diferenças apuradas deveriam ter ensejado o aprofundamento da ação fiscal com intimação das empresas informantes das Dirf para apresentar documentação comprobatória da efetiva prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados à fiscalizada. (...)” Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, contesta os fundamentos da decisão de 1a. instância e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15889.000387/200899 Acórdão n.º 1402001.452 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de exigência de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL por falta/insuficiência no recolhimento desses tributos. A DRJ exclui da tributação a parcela relativa a omissão de receitas apurada com base nas Declaração de Imposto de Renda na Fonte apresentadas pelos clientes da empresa. Restou tributado o lucro real apurado em 2003 e diferenças de receitas escrituradas dos anos de 2004 e 2005. Em seu recurso voluntário a contribuinte reitera as seguintes alegações (verbis): “(...) DA DECADÊNCIA O acórdão hostilizado pautase na ausência de recolhimentos antecipados para transferir a contagem do prazo decadencial da regra constante do art. 150, § 4° para o art. 173, ambos do CTN. Como exaustivamente demonstrado pela própria decisão recorrida, a aplicação do artigo 173, I, do CTN só se torna possível desde que não ocorram pagamentos antecipados referentes ao tributo combatido. É o que consta do informativo nº 250 do STJ por ela reproduzido: (...) Totalmente apropriado o entendimento explanado pela decisão recorrida acerca da aplicação do artigo 173, I, do CTN quando da falta do pagamento. No entanto, em se tratando do caso em tela, foram efetuados recolhimentos a título de IR e CSLL no período em questão. Tanto isso é fato que a própria acusação fiscal referese a “insuficiência de recolhimentos”, termo esse repetido pelo relatório da decisão prolatada pela Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto. Nos termos do entendimento sustentado pela decisão recorrida, unicamente diante da inexistência de pagamentos antecipados relativos ao período fiscalizado mostrase oportuno o deslocamento da contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º para o art. 173, inciso I, ambos do CTN. Ante as antecipações realizadas pela ora Interessada no período fiscalizado, o artigo 150, § 4º do CTN tornase plenamente aplicável a situação em análise, não prevalecendo a justaposição do artigo 173, I, do mesmo Codex, como ambiciona a Fazenda Nacional. (...) A APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Diante da alegação deduzida pela Recorrente quanto a especificidade dos serviços que presta, bem como em relação a real base imponível de suas exações, a decisão objetada limitouse a sustentar que os valores lançados estavam contabilizados como receitas, muito embora não tivessem sido declaradas. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15889.000387/200899 Acórdão n.º 1402001.452 S1C4T2 Fl. 0 9 Conforme já dito em sede impugnatória, não obstante a forma com que realizada a tributação, certo é que o Direito Tributário, em especial o Processo Tributário, encontrase vinculado ao princípio da verdade material, segundo o qual interessa conhecer a efetiva ocorrência do fato gerador e os limites de sua dimensão econômica. (...) Como se pôde aferir da transcrição do “Termo de Verificação Fiscal”, a auditoria federal reputou como tributáveis a totalidade dos ingressos decorrentes dos “Contratos de Prestação de Serviços Temporários” firmados entre a Recorrente e seus clientes. Ocorre, entretanto, que dentre esses ingressos existem valores que não representam verdadeira receita da Recorrente muito embora contabilizados como tal mas meros ingressos de ordem financeirotributária. São os claros casos de valores relativos a salários e encargos sociais dos trabalhadores “locados” à tomadora de serviços. A receita tributável efetiva da Recorrente em relação aos “Contratos de Prestação de Serviços Temporários” resumese a chamada “taxa de administração” ou “taxa de agenciamento”, ou seja, as comissões recebidas pelo agenciamento de mãodeobra temporária. Exclusivamente sobre tais valores é que deve incidir a tributação, sendo certo que o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consagrado no sentido de que “a equalização, para fins de tributação, entre o preço do serviço e a comissão induz à uma exação excessiva, lindeira à vedação ao confisco” (Resp nº 411.580/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 16/12/2002, p. 253). (...) Ante todo o quanto demonstrado, escorado na aplicação do princípio da verdade material, não pode prevalecer a tributação tal qual formatada nos autos de infração ora objetados, considerandose como receita tributável da Recorrente a totalidade dos ingressos em sua contabilidade. (...) III – DO PEDIDO Expostas as razões de mérito determinantes do cancelamento da exigência, postula a Recorrente o acolhimento de seu pleito, medida de homenagem ao Direito e a Justiça. (...)” Passo a apreciar as alegações recursais acima transcritas. Quanto a decadência, entendo que o IRRF, em relação ao primeiro e segundo trimestres de 2003, conforme indicado na planilha de fl. 98 e expressamente repetido à fl. 124 do TVF, caracterizam antecipação do imposto devido, tando assim o é que dito valor é subtraído do imposto apurado, desta forma, reconheço a decadência em relação ao 1º e segundo trimestres de 2003. No mérito, também não cabe razão ao contribuinte, isso porque no ano calendário de 2003 a empresa optou pelo lucro real, logo, a tributação se deu pelo resultado apurado pela própria empresa, no qual foram deduzidos todos os custos e despesas. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15889.000387/200899 Acórdão n.º 1402001.452 S1C4T2 Fl. 0 10 Por sua vez, nos anos de 2004 e 2005, a contribuinte por sua vez afirma que o valor a tributar, mesmo na sistemática do lucro presumido, seria apenas a chamada “taxa de administração” cobrada de seus clientes. Verifico, de plano que não cabe razão à impugnante que em verdade busca o “melhor dos mundos”, qual seja: optar pela sistematíca do Lucro Presumido, com todas as suas facilidades e tributar a titulo de IRPJ e CSLL apenas 32% da chamada “taxa de administração”, além de 3% de cofins e 0,65% de PIS sobre essa mesma taxa. Incabível prosperar sua pretensão seja nessa esfera administrativa, seja no judiciário, haja vista que não tem amparo nas normas legais que regem a exigência de tais tributos, repito na sistemática de tributação adotada pela empresa, conforme asseverado do termo de verificação fiscal. Caberia então à empresa adotar o Lucro Real. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) também vem decidindo nesse sentido. A titulo de exemplo, citese o recente acórdão 1402001.325, proferido em 6/3/2013, tendo enfrentado exatamente essa matéria, cuja ementa reproduzo a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. SALÁRIOS E ENCARGOS PAGOS AOS TRABALHADORES CEDIDOS. INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Questão já decidida sob a sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008 (REsp 1.141.065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º.02.10). 2. As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei. (REsp 963.196/PR, Rel. Min. Mauro Campbell, Segunda Turma, DJe 08.02.11). Recurso Voluntário Negado. Conclusão Voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação ao primeiro e segundo trimestre de 2003. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 211DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10469.720945/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É definitiva a decisão de primeira instância quando interposto recurso voluntário fora do prazo legal. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, notadamente porque não consta dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 09 45 /2 01 0- 88 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PÉROLA SERVIÇOS TÉCNICOS LTDA, em face do acórdão prolatado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), que julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário. 2. Segundo o relatório fiscal (ff. 6 e 7) o Auto de Infração número 37.282.6920, se deu por ter o contribuinte deixado de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 3. Ainda conforme a peça introdutória: a fiscalização constatou que os valores dos recibos de férias estavam consolidados nas folhas de pagamento, mas os das rescisões somente constavam nos termos sem restarem evidenciados nas respectivas folhas. 4. O acórdão de primeira instância restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 FOLHA DE PAGAMENTO. DESCUMPRIMENTO DE NORMAS E PADRÕES. MULTA. Deixar a empresa de preparar Folha de Pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas pertinentes constitui infração por descumprimento de obrigação acessória definida na legislação previdenciária. Submetese o contribuinte à imputação da multa prevista. COMPENSAÇÃO. PEDIDO INICIAL. APRECIAÇÃO NA DRJ. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. A competência da DRJ para apreciar pedidos de compensação limitasse a análise da Manifestação de Inconformidade decorrente de decisão desfavorável anterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 107) 5. Buscando reverter à decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, (ff. 122 a 131) aduzindo em síntese: a) que os recolhimentos das contribuições eram descontados automaticamente da empresa (na fonte) e repassados diretamente ao órgão Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10469.720945/201088 Acórdão n.º 2301003.344 S2C3T1 Fl. 308 3 publico fiscalizador, na forma dos 11% (onze por cento), sobre o faturamento, para o qual a empresa autuada presta seus serviços; b) alega que de acordo com levantamento feito pela empresa, levando em consideração os cálculos referentes ao ano de 2007, fora recolhido diretamente da fonte pelo Estado o montante de R$ 346.661,00 (trezentos e quarenta e seis mil, seiscentos e sessenta e um reais), sendo o valor devido de R$ 283.831,21 (duzentos e oitenta e três mil, oitocentos e trinta e um reais e vinte e um centavos). Ou seja, há um crédito da empresa junto ao Fisco no valor de 62.830,37 (sessenta e dois mil, oitocentos e trinta reais e trinta e sete centavos); c) ressalta que diferentemente do que se constata nos julgamentos efetuados, deve ser feita a compensação de créditos tributários, cita a Lei 8.383/91, art. 66; d) por fim, requer o conhecimento e provimento do presente recurso para determinar a apuração do crédito em favor do recorrente. 6. Consta Despacho do fisco (f. 306), atestando que o recurso voluntário interposto pelo contribuinte é intempestivo. 7. Sem contrarrazões por parte do Fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE RECURSAL 1. Como é cediço, o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. 2. Nesse sentido, todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não ato processual a ele assegurado. 3. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 4. O artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” 5. No mesmo sentido dos citados dispositivos, o artigo 5º, do Decreto n.º 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. 6. E sobre a questão, o Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamento o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: “Art. 9º Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º).” 7. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: a) “Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. b) § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: c) I for determinado o fechamento do fórum; d) II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. e) § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). f) [...] g) Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. h) Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense.” 8. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria: i) “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. j) Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10469.720945/201088 Acórdão n.º 2301003.344 S2C3T1 Fl. 309 5 9. In casu, compulsando os autos, verificase que o contribuinte foi cientificado do acórdão nº 1135.559 – prolatado pela 7º Turma da DRJ/REC – no dia 16/08/2012 (quintafeira), conforme declaração do contribuinte juntado (f. 120), iniciando, assim, seu prazo para apresentar recurso voluntário no primeiro dia útil subsequente, qual seja, sextafeira, dia 17/08/2012, e terminando aludido prazo na segundafeira, dia 17/09/2012. Todavia, o recurso somente foi protocolado em 21/09/2012 (sextafeira), nos termos do documento de (f. 122), ou seja, fora do prazo legal de 30 (trinta) dias, sendo, assim, o recurso voluntário totalmente intempestivo. 10. Não obstante isso, o contribuinte não juntou aos autos prova no sentido de desqualificar o despacho exarado pela primeira instância ou que justificasse o atraso em protocolar a peça recursal. 11. Posto isso, não conheço do recurso por não preencher o requisito formal – tempestividade – para admissibilidade recursal. CONCLUSÃO 12. Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, pois apresentado a destempo, mantendo intacta a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/09 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.906316/2008-68
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
PEDIDO DE CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
O instituto jurídico de conversão de julgamento em diligência é discricionário da autoridade administrativa, resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se encontra, não sendo esta a situação contextualizada no pedido da interessada.
Numero da decisão: 3803-004.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosBELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2000 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. O instituto jurídico de conversão de julgamento em diligência é discricionário da autoridade administrativa, resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se encontra, não sendo esta a situação contextualizada no pedido da interessada.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE CONVERSÃO DE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. O instituto jurídico de conversão de julgamento em diligência é discricionário da autoridade administrativa, resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se encontra, não sendo esta a situação contextualizada no pedido da interessada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 63 16 /2 00 8- 68 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheirosBELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI; HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES., JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente). Relatório A contribuinte alegou que, por meio de sua consultoria tributária, identificou em outubro de 2003, que no períodos situados entre fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, lançou em suas escritas fiscal e contábil créditos tributários pagos indevidamente como receita tributável pelo PIS e Cofins, nos termos da Lei nº 9.718/98, notadamente inciso II do § 2o do seu artigo 3o. Em face desse fato buscou a compensação dos valores de PIS e Cofins efetuados a maior/indevidamente, perante a repartição fiscal de sua circunscrição. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 781231139, de 12/08/08 (fls. 01/03), emitido pelo Sistema de Controle de Crédito da RFB, a autoridade administrativa que analisou o limite do crédito original informado em PER/DComp nº 07119.25143.141103.1.3.043568, transmitida em 14/11/2003, constatou que o referido crédito original foi utilizado integralmente para a quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando saldo credor disponível para a compensação dos débitos informados na DComp. Irresignada com o teor do despacho retromencionado o sujeito passivo manifestou a sua inconformidade (fls. 11/ss), deduzindo sucintamente acerca da legitimidade do seu direito de realização da compensação informada, eis que devem ser excluídas da receita bruta as reversões de provisões que não representem ingresso de novas receitas, neste sentido se manifestando o ADI SRF nº 25/2003, cujo artigo segundo estabelece que não há incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. De igual modo dispõe o inciso II do § 2o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, sendo o seu direito oriundo do recolhimento indevido de PIS e Cofins sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, portanto de recolhimento indevido, pois tais valores não configuram receita nova tributável pelas citadas contribuições, por conseguinte sujeitos a compensações nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.906316/200868 Acórdão n.º 3803004.216 S3TE03 Fl. 8 3 Mencionou, ainda, que o despacho decisório se amolda à forma de lançamento de ofício por revisão, nos termos do artigo 149 do CTN, se contrapondo o mesmo ao conceito de lançamento como sendo ato constitutivo de crédito tributário tendente à verificação da ocorrência do fato jurídico tributário e a obrigação correspondente, conforme previsto no artigo 142 do mesmo mandamus e, com isso, pretende a autoridade administrativa transformar o despacho decisório numa espécie de auto de infração, já que não foi dada oportunidade ao Manifestante para justificar o seu procedimento, o que acarretou em cerceamento de defesa. Neste sentido citou o Acórdão 10614.100 (10218.000481/200231). Que o despacho decisório ao impedir que a manifestante apresentasse a sua justificativa deve ser declarado nulo de pleno direito, por falta de motivação, ex vi dos arts. 2o e 50, caput e §§ 1o ao 3o, da Lei nº 9.784/99. Ao final requer a reforma do decidido no despacho decisório ora combatido, para fim da homologação do seu crédito compensado, bem assim o deferimento de diligência, de acordo com os termos do inciso IV do art.l 16 do Dec. nº 70.235/72, para fins de constatação da veracidade dos fatos narrados na manifestação de inconformidade. Documentos anexados aos autos pela manifestante a título de instrução do julgamento: cópia do despacho decisório eletrônico e o Relatório e Planilha de Créditos Fiscais de PIS e Cofins, sobre Receitas de Recuperação de Créditos Fiscais:Opinião legal sobre Receitas de Recuperação de créditos fiscais (fls. 32/46), Solução de Consulta nº 222, de 10 de dezembro de 2002 (fls. 47/48). Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 9ª Turma da DRJ/SP1, quando em sessão realizada em 12/05/11, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 16 31.487, cuja ementa encontrase adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2000 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que – por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado – expressa a inexistência de saldo para fins de compensação. DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Improcede o pedido de diligência realizado em desconformidade com o prescrito na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. O voto condutor do acórdão supramencionado constatou que o recolhimento indicado pela manifestante foi integralmente utilizado para quitação de débitos, ou dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do “conta corrente” da Receita Federal do Brasil – RFB saldo disponível para compensação; que o DARF foi consumido integralmente na extinção de débitos regularmente registrados nos arquivos fazendários; que para se contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação declarada, a contribuinte acenou com a existência de indébitos decorrentes do recolhimento indevido de PIS/COFINS sobre aproveitamento de créditos reconhecidos judicialmente, visto que tais valores não configurariam receita nova tributável pelas citadas contribuições, entretanto apresentou apenas parecer opinativo e planilhas elaboradas por consultoria tributária, que pretendeu demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, no entanto desacompanhadas de outros documentos que lhe dêem sustentação, o que não é suficiente para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior; que o ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretendeu extinguir a obrigação tributária, conforme exigido pelo art. 170 do CTN. Quanto às assertivas formuladas pela contribuinte acerca do cerceamento de defesa, que resultaria em nulidade do despacho decisório, haja vista ter este despacho a conotação de lançamento de ofício revisional, nos moldes do artigo 149 do CTN, se contrapondo às mesmas a decisão de piso esclareceu que não se há confundir o despacho não homologatório de compensação declarada com tais assertivas, uma vez que este está adstrito ao instituto da compensação, conquanto a manifestação de inconformidade obedeça ao mesmo rito processual da impugnação do lançamento, conforme disposição contida no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96; que apenas a partir da não homologação a contribuinte poderá opor à pretensão do Fisco, com as garantias constitucionais que lhe são inerentes. Quanto à falta de motivação alegada pela manifestante, a ensejar a nulidade do despacho decisório, entendeu a decisão de primeiro grau que cabe observar que a contribuinte informou débitos em DComp e indicou um documento de arrecadação como origem do crédito, o qual estaria apto a extinguir tais débitos, em face de representar pagamento indevido. Destarte, embora localizado o pagamento apontado como origem do crédito, o valor correspondente havia sido utilizado integralmente para a extinção de outros débitos próprios, sendo este o motivo da decisão administrativa. Logo não há se alegar falta de motivação. No que atine à apresentação da prova documental entendeu a decisão de primeira instância que o momento adequado é o previsto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.906316/200868 Acórdão n.º 3803004.216 S3TE03 Fl. 9 5 precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto no seu § 4o. Ciente do teor do decidido no acórdão de piso em 10/06/2011 (vide AR), irresignada a contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 28/06/2011, de acordo com o carimbo de protocolo estampado no próprio apelo, ocasião em que reiterou, minudentemente, os argumentos expendidos na exordial, colacionando aos autos a título de comprovação do alegado planilhas sobre recuperação de créditos fiscais, relacionadas às contribuições para o PIS e Cofins, além de fichas do Razão – Conta 440200.000003 – 2000. A recorrente requereu a reforma do despacho decisório e da decisão de piso, para fins de homologação do crédito compensado e, não sendo este o entendimento majoritário, reiterou o pedido para a conversão do julgamento em diligência, nos termos do inciso IV do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, para fins de constatação da veracidade dos fatos narrados na exordial e apelo, possibilitando, assim, a ampla defesa e o contraditório. Finalmente requereu pelo deferimento do pedido para sustentação oral quando do julgamento do recurso voluntário, ocasião em que deverá ser intimada a recorrente e o seu procurador constituído nos autos, Walter Carvalho de Brito, com escritório na Alameda Santos, 455, 16o andar, Conjunto 1609, CEP 01.519000, Jardins, São Paulo, quando da designação da data de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios nos períodos situados entre fevereiro e abril de 1999 e julho a setembro de 2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência e regularidade. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico (fls. 01/03), bem assim na listagem de créditos/saldos remanescentes (fl. 49/50) e no Demonstrativo Analítico de Compensação (51), ambos de lavra da Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança da Receita Federal do Brasil – CODAC, que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão mantevese silente acerca da origem do direito creditório alegado pela contribuinte, consubstanciado no inciso II do § 2o do seu artigo 3o da Lei nº Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 9.718/98, pronunciandose, tão somente, quanto ao limite do valor do crédito original utilizado integralmente na extinção de outros débitos próprios regularmente informados pela contribuinte, não restando saldo credor suficiente para à satisfação da compensação informada em Per/DComp já descrita nos autos. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Ademais disso há a reiteração do pedido formulado pela recorrente no sentido de conversão do julgamento em diligência para verificação da veracidade dos fatos alegados nos autos. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo mantevese escorreita a decisão recorrida, quando assinalou que cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevindo à sua homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, que efetivamente não ocorreu in casu, por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência e a regularidade do crédito alegado na DComp, uma vez que as planilhas, o relatório e o parecer opinativo, tão somente, não tem o condão de imprimir certeza e liquidez ao direito creditório informado no Per/DComp, nos moldes preconizados no art. 170 do CTN, para o fim do disposto no art. 156, II, do mesmo diploma legal. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. Finalmente é certo ser de iniciativa exclusiva da contribuinte demandar a compensação pela via de Per/DComp. Por conseguinte, também é sua a responsabilidade de demonstração cabal da existência e regularidade do direito creditório nela informado, o que se dá por meio da apresentação de documentação hábil e idônea, por ocasião da protocolização da manifestação de inconformidade, de acordo com o previsto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, para verificação pelo julgador tributário. O não cumprimento deste requisito legal repele a conversão do julgamento em diligência, eis que a adoção desta prática é discricionária da autoridade administrativa, e resulta da necessidade de esclarecimento para o julgador sobre determinado fato que não restou provado, ou de algum elemento probante relevante que deveria compor os autos e nele não se encontra, portanto não sendo esta a situação enfrentada in casu, quando a contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez, ou mesmo porque os Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.906316/200868 Acórdão n.º 3803004.216 S3TE03 Fl. 10 7 sistemas de informação da Receita Federal do Brasil possibilitaram demonstrar de forma inconteste a inexistência do crédito alegado em Per/DComp, sistema este alimentado por informações fornecidas pela própria contribuinte. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das sessões em 23 de maio de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15983.001252/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO. AUDITOR FISCAL APOSENTADO. VÍCIO DE COMPETÊNCIA.
O ato administrativo de lançamento formalizado por meio de auto de infração lavrado por Auditor-Fiscal já aposentado padece de vício de competência, devendo ser declarado nulo, nos termos do que dispõe o artigo 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA ISESC ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO. AUDITOR FISCAL APOSENTADO. VÍCIO DE COMPETÊNCIA. O ato administrativo de lançamento formalizado por meio de auto de infração lavrado por AuditorFiscal já aposentado padece de vício de competência, devendo ser declarado nulo, nos termos do que dispõe o artigo 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 12 52 /2 00 9- 53 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 729 2 Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado por meio de auto de infração (efolhas 1/ss), lavrado em 23/12/2009 e com ciência via postal em 29/12/2009 (efolha 368), para a cobrança da Cofins, multa de ofício e juros moratórios, no montante de R$ 9.636.683,52, em decorrência da suspensão da imunidade tributária da Recorrente. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Tratase de procedimento fiscal realizado pelo SEFIS/DRF/Santos SP, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.06.002008 002083, frente à Instituição Educacional preambularmente referida e que foi concluído com a lavratura de Auto de Infração no total de R$ 2.087.947,85, abrangendo os anoscalendário de 2003 e 2004, contemplando os tributos e valores a seguir descritos, incluindose o principal, multa de ofício à razão de 75,00% e juros de mora calculados até 30/11/2009: TRIBUTOS VALORES LANÇADOS i) COFINS 9.636.683,52 DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE DA INSTITUIÇÃO A ação fiscal é derivada do procedimento realizado junto ao sujeito passivo, Instituto Superior de Educação Santa Cecília – ISESC – e que concluiu pela suspensão dos benefícios fiscais de imunidade da instituição, na forma do que foi proposto pela Fiscalização, devidamente formalizado no Processo Administrativo nº 15983.000817/200985. Após os trâmites procedimentais e acolhendo a propositura da Fiscalização, o dirigente da Unidade de Santos expediu o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 72, de 22 de dezembro de 2009, suspendendo, “de pleno direito (...) o benefício fiscal da imunidade tributária concedido na letra “c” do Inciso VI, do artigo 150, da Constituição Federal de 1988, usufruído pela instituição INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA – ISESC, portador do CNPJ nº 58.251.711/000119, nos anos calendário de 2003 a 2007”, determinando, no mesmo documento, “o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período objeto deste Ato Declaratório” (cópias às fls. 313). Devidamente impugnado pela contribuinte o procedimento e a edição do ADE que suspendeu sua imunidade, o Processo Administrativo nº 15983.000817/200985 foi encaminhado a esta 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Fl. 729DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 730 3 Julgamento em Campinas – SP, sendo prolatada decisão unânime na qual se confirmou o trabalho fiscal e foi mantida a suspensão dos benefícios fiscais de imunidade da impugnante, imposta pelo Ato Declaratório Executivo nº 72, de 22/12/2009, da DRF/Santos. Mencionada decisão encontrase formalizada no Acórdão nº 05034.054, desta data, da 2ª Turma, de Julgamento da DRJ/Campinas, ora juntado ao presente DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL Atendendo o determinado no ADE nº72/2009, “in fine”, no sentido de ser realizado “o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no período objeto deste Ato Declaratório” o Fisco procedeu ao levantamento dos valores que entendeu devidos a título de COFINS para os anos calendário de 2003 e 2004 e efetuou os lançamentos para constituição dos respectivos créditos tributários, assim delineadas as irregularidades: COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Valor correspondente à contribuição COFINS sobre o faturamento total escriturado, mas não declarado para fins de tributação, conforme se apurou em trabalho de fiscalização externa. Fatos Geradores 31/12/2003 – Valor Tributável (BC) R$ 62.887.484,04 31/01/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 6.800.866,10 29/02/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.873.524,18 31/03/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 6.346.680,64 30/04/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 4.919.008,50 31/05/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 4.937.922,87 30/06/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 4.481.270,09 31/07/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.900.336,02 31/08/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.402.489,06 30/09/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.848.924,91 31/10/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 4.863.087,76 30/11/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.879.237,11 31/12/2004 – Valor Tributável (BC) R$ 5.199.409,59 Enquadramento Legal Art. 195, inciso I, alínea “b”, da Constituição federal de 1988; arts. 1º, da Lei Complementar nº 70/91; Art. 10, da Lei 10.833/2003 e Arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 731 4 Na descrição dos fatos o Fisco relata a edição do ADE nº 72/2009 e suas consequências. Os autos de infração e anexos foram lavrados na DRF/Santos em 23/12/2009, conforme consta dos mesmos e estão juntados às fls. 1 a 12 e 320 a 335. O AFRFB juntou os documentos de fls. 13 a 319 e manifestouse, em 23/12/2009, no sentido de a ciência, “considerando a dificuldade em se localizar o representante legal do contribuinte” efetivarse por via postal, através a ECT (fls. 336). Acolhida a manifestação acima, a ciência da contribuinte fezse por via postal em data de 29/12/2009, conforme “AR” juntado às fls. 337. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a contribuinte, por procuradores constituídos nos autos, interpôs a impugnação de fls. 342/378, juntando documentos de fls. 379/647, que identificou em lotes numerados como “doc. – assunto” de 01 a 13, e após fazer um breve relato dos fatos, alegou, em apertada síntese: a) invalidade da ação fiscal, em razão de inobservância das Portarias nºs 500/1995 e 3.007/2002, da RFB e que se referem a critérios e motivação para seleção de contribuintes a serem fiscalizados (cita normativos e doutrina); b) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, tendo em vista ter recebido tão somente os autos de infração, o demonstrativo consolidado do crédito tributário e o termo de encerramento. Segundo suas literais palavras, “nenhuma cópia das “provas” em que diz estar apoiada a autuação lhe foi fornecida” (destaque no original). Cita doutrina e jurisprudência; c) ser impossível a constituição de crédito tributário em face da existência de ação judicial, destacando ser pacífico na jurisprudência administrativa que questões levadas a juízo perdem seu objeto na esfera administrativa. Transcreve doutrina e jurisprudência que entendeu pertinentes; d) ter inexistido, ao contrário do entendimento da Fiscalização, qualquer distribuição do patrimônio da impugnante que viesse a permitir a suspensão de sua imunidade tributária. Após citar e transcrever legislação, doutrina e jurisprudência, conclui que sua descaracterização como entidade imune será revista, “quer porque reconhecida por outros órgãos administrativos e outros entes federativos, quer porque o IMPUGNANTE é portador do “CERTIFICADO DE ENTIDADDE BENEFICENTE DE ASSISTENCIA SOCIAL – CEBAS (...), quer ainda porque inexiste qualquer desvio de finalidade nos negócios jurídicos apontados, eis que estes foram celebrados dentro das normas estatutárias”; e) que é inválida a tributação da COFINS com base no fato gerador anual de 31 de dezembro de 2003. A respeito, sustenta que a apuração da COFINS será feita de forma mensal, na forma do artigo 2º, da Lei Complementar nº 70/91 e que inexiste a figura de fato gerador anual para a COFINS, como fez a Fiscalização com o lançamento relativo ao ano de 2003 (igualmente, cita e transcreve legislação e jurisprudência); f) ressalvando as irregularidades que entendeu existentes, pontua estarem decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores de todo o ano de 2003 Fl. 731DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 732 5 e dos meses de janeiro/2004 a novembro de 2004. Comenta sobre o instituto decadencial, reportase aos textos legais e normativos, cita e transcreve doutrina e jurisprudência; g) ser impossível a exigência da COFINS lançada pertinentemente ao fato gerador dezembro de 2004, em razão da isenção de que trata o artigo 8º, da MP nº 213/2008. Tal MP, convertida na Lei nº 11.096/05, estabeleceu em seu artigo 8º, inciso III, segundo a impugnante, isenção da COFINS às entidades que aderirem ao PROUNI. Assim, no dizer da defesa, a partir do momento em que aderiu ao PROUNI, o que fez em 03/12/2004, passou a gozar da referida isenção (a partir do fato gerador dezembro/2004), razão pela qual não caberia a lavratura dos autos de infração da COFINS incidentes sobre o fato gerador de dezembro de 2004. Conclui peticionando seja conhecida e provida a impugnação ofertada para desobrigála do recolhimento de quaisquer quantias a título de COFINS, ou, caso este órgão julgador entenda pelo não acolhimento da improcedência dos autos de infração, que seja dado provimento para retirar da exação os valores indevidos apontados na defesa. É o relatório do essencial, em apertada síntese. A 2ª Turma de Julgamentos da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas proferiu o Acórdão nº 0534.051, em 21 de junho de 2011 (efolhas nº 717/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004. Nulidade. Sendo os lançamentos de COFINS efetuados por servidor que já se encontrava aposentado por ocasião da lavratura dos autos de infração e da ciência pela contribuinte, impede declarar nulos referidos lançamentos, cancelandose os autos de infração respectivos, consoante artigo 10 e 59, I, do PAF e artigo 142, CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. Dessa decisão foi apresentado Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no artigo 1º da Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008. A interessada foi cientificada do Acórdão em 24/10/2011 (efolhas 726). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 733 6 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso de Ofício é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Por mais inusitado que possa parecer o auto de infração, que formalizou o lançamento de ofício, foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil já aposentado quando da sua lavratura. Vejamos os fatos. O auto de infração foi lavrado em 23/12/2009 pelo Auditor Fiscal Eráclito de Oliveira Jordão (vide efolhas 4 a 15) e o contribuinte tomou ciência da autuação em 29/12/2009, por via postal (vide efolha 368). Entretanto, conforme enunciado no voto vencedor da decisão recorrida “em Memorando Interno dirigido ao Gabinete do Senhor Delegado da Unidade e datado de 21/01/2010, ou seja, após um mês da lavratura dos autos de infração e mais de vinte dias da ciência da autuada, o Serviço de Fiscalização (SEFIS) da DRF/Santos, por seu titular, notificou aquela autoridade de que ‘o AFRFB Eráclito de Oliveira Jordão, autor do feito, teve sua aposentadoria publicada no Diário Oficial em 17/12/2009, fato que chegou ao nosso conhecimento somente em 11/01/2001’”. O Memorando Interno acima referido está anexado a efolha nº 370 e a cópia da página do Diário Oficial da União onde consta a Portaria nº 573, de 10/12/2009, do Gerente Regional de Administração do Ministério da Fazenda em São Paulo (publicada em 17/12/2009), que concedeu a aposentadoria ao sr. Eráclito de Oliveira Jordão está anexada a e folha nº 371. Não há dúvida, portanto, que o ato administrativo do lançamento foi formalizado (lavrado em 23/12/2009 e ciência em 29/12/2009) por agente incompetente, pois o sr. Eráclito de Oliveira Jordão já estava aposentado quando formalizou o lançamento, em desconformidade com o disposto no caput do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 10 – O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) No mesmo sentido, o artigo 142 do CTN prescreve que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento. Ora, Fl. 733DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 734 7 um servidor aposentado já não detém mais as prerrogativas legais para o exercício das funções privativas da autoridade administrativa competente para efetuar o lançamento tributário. O controle da legalidade do ato de lançamento, com vistas a aferir sua validade/pertinência com o sistema, deve ser feito a partir de duas vertentes: a regularidade do ato em relação às normas do direito tributário formal e do direito tributário material. Em outras palavras, para que um lançamento permaneça validamente no ordenamento devese verificar: (i) se durante a fase procedimental (“ação fiscal”) e na formalização do ato não restou configurado algum conflito com as normas do direito tributário formal, de modo a verificar a validade formal; (ii) se não houve desacerto na aplicação das normas do direito tributário material, ou seja, devese avaliar a validade material. A validade formal do ato referese à conformidade dos pressupostos extrínsecos do lançamento em sua relação de fundamentação com as normas, gerais e abstratas, do direito tributário formal. A validade material do ato está relacionada à verificação da conformidade dos elementos intrínsecos do lançamento (elementos da norma individual e concreta introduzida) em seu vínculo de fundamentação com as normas, gerais e abstratas, do direito tributário material (regramatriz de incidência tributária). Vícios nos pressupostos extrínsecos do lançamento levam à anulação do ato (invalidade relativa) e vícios nos elementos intrínsecos têm por consequência a declaração de nulidade (invalidade absoluta). A meu ver, o agente competente responsável pela elaboração e formalização do ato administrativo de lançamento inserese entre os pressupostos extrínsecos do ato. Importante trazer a colação advertência feita por Eurico de Santi (Lançamento Tributário. 3ª. edição. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 81) no sentido de não se confundir o agente competente produtor do ato, “participante de seu processo de criação” (pressuposto externo do ato), com a enunciação do sujeito ativo, que é elemento do ato, compondo a relação jurídicotributária (elemento interno do ato). Contudo, embora doutrinariamente vícios nos pressupostos extrínsecos tenham por efeito a invalidade relativa (anuláveis), o artigo 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72 dispôs de forma diversa, no sentido de que os atos lavrados por pessoa incompetente são nulos, e não anuláveis. Deste modo, o lançamento tributário veiculado por meio do auto de infração lavrado por servidor aposentado padece de vício de competência, devendo ser declarado nulo nos termos do que dispõe o artigo 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 59 – São nulos: I. os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (...) Fl. 734DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15983.001252/200953 Acórdão n.º 3202000.867 S3C2T2 Fl. 735 8 Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 735DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 23/09/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10830.917634/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 3801-002.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 76 34 /2 00 9- 21 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917634/200921 Acórdão n.º 3801002.018 S3TE01 Fl. 107 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (..) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: Conforme apuração e informações declaradas pela manifestante em DCTF, juntada aos autos, há saldo de crédito disponível para a compensação feita, tendo em vista que a COFINS apurada e o recolhimento feito via DARF, também anexado aos autos, referemse a pagamento indevido. Desta forma, não prospera a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP com a fundamentação de inexistência de saldo disponível para compensação. Como a manifestante somente tardiamente constatou que efetuou o pagamento da COFINS indevido, a DCTF foi posteriormente retificada e transmitida, informando à autoridade fazendária o seu montante apurado. Assim sendo houve recolhimento a maior, restando claro o saldo de crédito disponível para a utilização em compensações. Diante do exposto requer que a compensação declarada seja integralmente homologada, e que os efeitos do Despacho Decisório sejam suspensos até julgamento final desta Manifestação de Inconformidade.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), às fls. 45/48, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917634/200921 Acórdão n.º 3801002.018 S3TE01 Fl. 108 3 Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Consideramse confissões de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 52 a 57, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917634/200921 Acórdão n.º 3801002.018 S3TE01 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para a COFINS, referente ao mês de setembro/2003, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 3° trimestre/2003, conforme cópia às fls. 22/25. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10830.917634/200921 Acórdão n.º 3801002.018 S3TE01 Fl. 110 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 06/09/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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