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Numero do processo: 10980.907815/2009-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Borges (Relator) e Paulo Sérgio Celani que negavam provimento ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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BANCO MULTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Borges (Relator) e Paulo Sérgio Celani que negavam provimento ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 07 81 5/ 20 09 -2 5 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907815/200925 Resolução nº 3801000.613 S3TE01 Fl. 121 2 Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 34752.65841.290605.1.3.041044, por meio da qual a contribuinte em epígrafe, utilizouse de crédito de R$ 152.788,55, oriundo do DARF de CPMF, 5869, recolhido em 15/06/2005, do período de apuração de 08/06/2005, no valor total de R$ 24.008.138,75, para extinguir o(s) débito(s) nela informado(s). Em 25/03/2009 foi emitido Despacho Decisório de não homologação, pelo fato de o DARF discriminado na Dcomp estar sendo utilizado para extinção de débito de mesmo tributo e período de apuração, não possuindo saldo credor suficiente para a compensação pleiteada. Cientificada em 02/04/2009, a Recorrente apresentou em 04/05/2009 Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte. Diz que o referido crédito foi originado em razão de retenções indevidas da CPMF de clientes, no montante total de R$ 152.788,55. Informa que demorou a restituir os valores cabíveis aos clientes, que somente foi realizada em mês subsequente. Afirma que tal estorno na conta do cliente, originou o crédito que foi utilizado na Dcomp em epígrafe. Argumenta, porém, que em virtude do sigilo bancário, a Recorrente não pode apresentar os extratos bancários que comprovam a realização do débito indevido da CPMF e de seu estorno. Aduz ainda que Despacho Decisório está equivocado, sendo que tal equívoco deveuse a erros cometidos pela Recorrente no momento do preenchimento da DCTF. Afirma que tal erro foi corrigido em 22/04/2009 com o envio de DCTF retificadora, gerando o crédito utilizado na Dcomp de n°. 34752.65841.290605.1.3.041044. Argumenta, por fim, que em atenção ao princípio da verdade material a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes “há muito já consolidou o entendimento de que devem ser acolhidas as alegações devidamente comprovadas de equívocos cometidos na prestação de informações no preenchimento de declarações”, devendo, portanto, ser acolhida a DCTF retificadora. Requer a homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907815/200925 Resolução nº 3801000.613 S3TE01 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/06/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. RETIFICAÇÃO DA DCTF. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907815/200925 Resolução nº 3801000.613 S3TE01 Fl. 123 4 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges, O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da CPMF, do período de apuração de 08/06/2005, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, com exceção de correspondência eletrônica interna colacionada ao recurso voluntário, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907815/200925 Resolução nº 3801000.613 S3TE01 Fl. 124 5 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907815/200925 Resolução nº 3801000.613 S3TE01 Fl. 125 6 Voto Vencedor Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos do relator, ouso dele discordar. Tenho que os documentos nos autos são indícios suficientes para que se investigue o ocorrido. Entendo que, por força do princípio da verdade material, não se pode negar o direito à verificação do direito da contribuinte. A contribuinte juntou DARFs e informações com o seu pedido preliminar o que, a princípio pode ser indício probatório de seu direito. Tenho que o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto em diversas normas legais, apontamentos doutrinários e construções jurisprudenciais. Negar o direito do contribuinte ao aproveitamento de seu crédito e deixar de averiguar a sua real existência configuraria mais que enriquecimento sem causa do Estado, rompimento do mais basilar princípio da moralidade. Não estou, ao dizer isso, desprezando tais regras. Apenas considero que o julgador deve, sempre que possível, empreender esforços no sentido de buscar a verdade material, até em decorrência do princípio da legalidade. Neste ponto, estou de acordo com os ensinamentos de Marcus Vinicius Neder de Lima e Maria Tereza López Martinez, que, em sua obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado1, que dizem: “O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que 'o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelos contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 1 Dialética, 2ª Ed., 2004, págs. 74 e 75. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.907815/200925 Resolução nº 3801000.613 S3TE01 Fl. 126 7 No mais, é a própria Lei que fixa o dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, retornar esse processo a essa turma para julgamento. Ante ao exposto, voto no sentido de afastar a prejudicial ante existente e converter o presente julgamento em diligência para que: a) Examine a Delegacia de origem os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada e outros elementos que demonstrem que a Recorrente arcou indevidamente com a CPMF objeto da compensação requerida e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála calculando o seu montante. b) Abra prazo para a contribuinte se manifestar. c) Retorne esse processo a esse Conselho para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl – Relator Designado 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado d igitalmente em 07/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10675.720941/2011-45
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Aplicação da Súmula CARF nº 26.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS.
Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADO. NÃO APROVEITAMENTO PARA COMPROVAR ORIGEM DOS DEPÓSITOS SUBSEQÜENTES.
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Aplicação da Súmula nº 30
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ORIGEM COMPROVADA.
No lançamento por presunção legal de omissão de rendimentos caracteriza por depósitos bancários de origem não comprovada, devem ser excluídos da autuação os valores referente a depósitos em que o recorrente comprovou, com documentação hábil e idônea, que foram valores decorrente de venda de veículos que possuía, ainda que não houvesse regular transferência de propriedade no Detran. De outro lado, alegações desacompanhadas de provas não autorizam elidir a presunção legal de omissão de rendimentos.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$227.650,0 (duzentos e vinte e sete mil, seiscentos e cinquenta reais), nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Aplicação da Súmula CARF nº 26. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADO. NÃO APROVEITAMENTO PARA COMPROVAR ORIGEM DOS DEPÓSITOS SUBSEQÜENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 09 41 /2 01 1- 45 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Aplicação da Súmula nº 30 IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ORIGEM COMPROVADA. No lançamento por presunção legal de omissão de rendimentos caracteriza por depósitos bancários de origem não comprovada, devem ser excluídos da autuação os valores referente a depósitos em que o recorrente comprovou, com documentação hábil e idônea, que foram valores decorrente de venda de veículos que possuía, ainda que não houvesse regular transferência de propriedade no Detran. De outro lado, alegações desacompanhadas de provas não autorizam elidir a presunção legal de omissão de rendimentos. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$227.650,0 (duzentos e vinte e sete mil, seiscentos e cinquenta reais), nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2010, anocalendário 2009, decorrente de apuração de omissão de rendimentos caracterizada pela não comprovação da origem de créditos efetuados em contas bancárias, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996. A autuação é descrita no Termo de Verificação Fiscal (fls. 10 e ss.). A autoridade fiscal informou que o procedimento de fiscalização teve início com intimação para apresentar extratos bancários no Banco Itaú; e que, em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou extratos das contas de poupança e corrente mantidas no Banco Itaú e Bank Boston, bem como de diversos fundos de investimentos. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 300 3 Em seguida, o AuditorFiscal descreve que, a fim de corroborar, os documentos apresentados pelo contribuinte, expediuse Requisição de Informação Financeira – RMF (fls. 57 e ss.), obtendose os extratos junto às instituições financeiras. O contribuinte alegou que os depósitos eram decorrentes de valores recebidos em diversas operações de venda de veículos usados, que executava mais por hobby e pelo desejo de dirigir veículos diferentes. Destacamse os seguintes tópicos do Termo de Verificação Fiscal: a) são indicados os depósitos que a autoridade fiscal considerou comprovados (item 3); b) é explicado que a conclusão acima baseouse, principalmente, no fato de (a) o contribuinte ter tido a propriedade dos veículos mencionados, (b) as operações terem sido registradas na declaração de rendimentos do fiscalizado e do adquirente e (c) haver correspondência em datas e valores. De modo diverso, em relação às alegadas transações em que o contribuinte intermediou a transação (sem ter a propriedade do veículo), não foram apresentados documentos que comprovassem a origem dos recursos (item 4);. c) são apontados os depósitos com as respectivas justificativas apresentadas pelo contribuinte e as razões pelas quais a autoridade fiscal não as acatou (ainda no item 4); d) é informado que foram expurgados os valores referentes a “devoluções de cheques depositados”, os rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas e jurídicas (item 7). Na impugnação, o contribuinte reafirmou sua condição de microemrpesário e a prática – por hobby de compra e venda de veículos usados, o que provocou movimentação em suas contas bancárias, e sustenta que a origem dos depósitos é comprovada, bem como destaca que possuía disponibilidade patrimonial inicial que possibilitou a movimentação dos recursos financeiros. Ressaltou que a atividade de compra e venda de veículos usados é definida pelos usos e costumes, pela relação de confiança mútua e possui características próprias que a diferencia de uma atividade comercial pura e simples, sendo comum a entrega de recibo de transferência assinado pelo vendedor, em branco para preenchimento e entrega diretamente ao novo adquirente, de forma que o valor indicado no recibo nem sempre reflete o real valor da operação de venda, assim como é costumeiro a entrega de um veículo de menor valor como parte de pagamento ou o pagamento com vários cheques prédatado e, muitas vezes, de terceiros, outras vezes, um veículo financiado é quitado e novamente financiado pelo adquirente. O impugnante indica o acórdão 10417.277, de 07/12/1999 como precedente deste Conselho que reconheceria as referidas peculiaridades. Em seguida, o impugnante faz contrapontos a cada um dos tópicos do item 4 do Termo de Verificação Fiscal para demonstrar que os créditos tiveram origem comprovada. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Alega, ainda, que a jurisprudência reconhece que não é somente a transferência do veículo junto ao Detran que comprova sua propriedade, sendo possível provar a alienação por outros meios. Apontou o art. 1.226 do Código Civil e precedentes judiciais. A impugnação foi indeferida, sob fundamento de que o contribuinte não se desincumbiu de comprovar individualizadamente a origem dos valores creditados, foi corroborada a fundamentação da autoridade lançadora e, relativamente a cada um dos tópicos, foram apontadas as razões específicas pelas quais o julgador formou sua convicção. Ciência do acórdão em 23/12/2011. Interposição de recurso voluntário em 20/01/2012. Em resumo, o recurso voluntário contém a argumentação abaixo: Preliminarmente, alega que: 1. o acórdão recorrido não se manifestou quanto à aplicabilidade da jurisprudência que ampara o recorrente nas alegações quanto às peculiaridades no comércio de veículos, um aspecto fundamental da defesa; e 2. reivindica o cancelamento da exigência devido à inconstitucionalidade do afastamento do sigilo de dados bancários sem autorização judicial, como reconhecido no Recurso Extraordinário 389.808/PR; 3. não deferia a preliminar imediatamente acima, ao menos devese sobrestar o julgamento, até o desfecho final do entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF; No mérito 1. reitera as argumentações trazidas na fase de fiscalização e na impugnação, carreando novos esclarecimentos e documentos para contrapor uma a uma as razões do acórdão recorrido. Fundamentação lançamento e DRJ Alegação do recorrente Depósitos : Todos Presunção legal dispensa o fisco de comprovar o efetivo acréscimo patrimonial Doutrina e jurisprudência do CARF reconhecem que os depósitos bancários não podem caracterizado fato gerador do imposto de renda, o que é reforçado pelo reconhecimento da inconstitucionalidade alegada em preliminar (RE 389.808/PR). Depósitos: 37.000,00 – 15/04/09; e 55.000,00 – 15/05/09 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 301 5 Incoerência entre os valores, pois o TED é de R$37.000,00, enquanto o contrato cita R$50.000,00 em dinheiro, além de o veículo ter sido informado na DIRPF de Javan Aguiar como vendido por R$122.989,36 ao passo que a venda foi de R$92.000,00. Não houve comprovação da transferência dos recursos entre o adquirente Amair Vasconcelos Rodrigues e o contribuinte; não houve correspondência de valores nem de datas, nem a propriedade do veículo por parte do contribuinte; e, se fosse o caso, também não teria sido comprovada a transferência de recursos do contribuinte para seu pai; Compra e venda de Mitsubishi Triton pertencente a seu pai, Javan Aguiar, apresenta contrato de compra e venda, no qual o vendedor Luiz Fernando de Carvalho Aguiar e adquirente Amair Vasconcelos Rodrigues, no valor de R$92.000,00, constando que o débito de financiamento seria, posteriormente, quitado pelo “vendedor” e que R$50.000,00 seria pago por meio de TED depositado na conta do “vendedor”; Declaração do Sr. Javan Aguiar, datada de 11/04/2011, confirmando ter possuidor o veículo e ter vendido a Amair Vasconcelos Rodrigues, em operação mediada pelo contribuinte, que embora conste na DIRPF o valor de R$122.989,36, o valor real foi de R$92.000,00; Recibo de TED de Safe Segurança para o fiscalizado, datado de 15/04/2009, valor de R$37.000,00. O acórdão não apreciou a jurisprudência que reconhece as características do comércio de veículos, conforme declaração (fls. 193/197) foi comprovado que o contrato foi firmado com a Srª Amair Vasconcelos Rodrigues e que o pagamento foi feito por seu filho, que é sócio da empresa Safe Segurança, emitente do TED. Há jurisprudência que a transferência de propriedade pela tradição (art. 1.226 do Código Civil), independente da transferência no DETRAN. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Depósitos: 4.232,48 (29/05/2009); 17.466,50 (17/06/2009); 29.000,00 (06/07/2009); 1.975,00 (21/07/2009); 7.912,37 (10/08/2009) O contribuinte vinculou esses depósitos à venda do Jeep Cherokee, placa HCD6700 a Carlos Rossato Dal Pont, conforme declarado na DIRPF2010. O contribuinte apresentou recibo de pagamento efetuado pelo comprador à financeira Alfa, no valor de R$16.220,04, para justificar devolução de R$22.000,00 como devolução de empréstimo e documento de transferência por R$75.000,00. A Fiscalização acatou a comprovação até o valor do repasse do financiamento, com isso restou comprovada a origem dos depósitos de 22.000,00 (08/05/2009); 380,00 (29/05/2009); 422,75 (02/07/2009); e 701,00 (10/08/2009). O impugnante alegou que embora tenha constado na DIRPF2010 o valor pago de R$23.527,00, o financiamento foi quitado para transferência e, ainda que tenha constado no recibo de transferência o valor de R$75.000,00, os pagamento foram parcelados em vários cheques, implicando acréscimos financeiros, o que levou o valor a R$84.090,10, valor próximo ao de aquisição em outubro de 2008 (R$90.000,00). O acórdão recorrido ratificou a fundamentação do lançamento e indicou que a documentação apresentada comprova, no máximo, que o contribuinte repassou o financiamento para o adquirente. As alegação são reiteradas: a) embora tenha constado na DIRPF2010, o pagamento de R$23.527,00, o veículo foi quitado para transferência; b) ainda que tenha constado no recibo de transferência R$75.000,00, o pagamento foi por meio de vários cheques, com acréscimos financeiros que levaram o valor a R$84.090,10; c) essa prática é tão usual, que o autuante aceitou pagamentos parcelados de 08/05/2009 a 10/08/2009, anuindo tacitamente como esse procedimento. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 302 7 Depósitos: 40.000,00 (01/06/2009); e 16.000,00 (04/06/2009) Fl. 323DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Alegação de recebimento pela venda do veículo New Beetle, apresentou: a) recibo de R$53.000,00 emitido por Cristiani Gabriela S. Freitas, informando pagamento de R$42.000,00 por TED e R$11.000,00 com cheques prédatados (compra de New Beetle na Saga Autominas) b) TED de 42.000,00 emitido pelo contribuinte a favor de Saga Automóveis, datado de 06/01/2009; c) contrato de compra e venda de um New Beetle 08/09, placa HJS5588, datado de 10/03/2009, firma reconhecida em 04/2011, no qual o contribuinte é vendedor e compradora a empresa Moto Mais Multimarcas, preço ajustado em R$55.000,00, a ser pago com cheque para 10/05/2009. As alegações não foram acatadas em razão de: a) diferença de datas e valores, b)falta de comprovação de transferência de recursos entre a compradora, constante no contrato, e o fiscalizados, sendo que a transferência de R$16.000,00 foi originária de outra empresa (BL Comércio de Veículos Ltda); c) contrato emitido em data recente (30/11/2010) e sem reconhecimento de firmas, sequer assinado pelo adquirente, d) operação assemelhase a intermediação de veículo, sem que o contribuinte tenha correlacionado os créditos à efetiva transação nem apresentado detalhamento sobre os valores de comissões recebidas, que seriam tratadas como rendimentos tributáveis. A diferença de valores deveuse a acréscimos financeiros e outros adicionais (transferência de seguros, etc). É sabido a ocorrência de pagamentos por conta de terceiros, advindo de outras negociações. O contrato é uma segunda via, impressa em 30/11/2010, para atendimento à intimação nº 01, na ocasião, devido ao grande volume de itens solicitados, o contrato não foi assinado pelo vendedor, o que foi providenciado posteriormente, com o reconhecimento de firma, o que caracteriza a veracidade da informação. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 303 9 Depósitos: 17.391,55 (18/08/2009); 1.000,00 (18/08/2009); e 15.000,00 (24/08/2009). Alegação de que decorreram da venda da Toyota Fielder 1998 para OKei Veículos. Alegações de que é normal no comércio de veículos o fato de o veículo não ser transferido para o nome do comprador e o pagamento por conta de terceiros. Documentos apresentados: a) contrato de compra e venda de um Fielder 1998, placa HCC1919, datado de 30/07/2009, em que o contribuinte e OK veículos são vendedor e comprador, respectivamente. Razões da autoridade fiscal para não aceitar a comprovação: a) a diferença de datas e valores; b) a impossibilidade de correlacionar os depósitos; c) a não comprovação de transferência de recursos entre a empresa compradora constante no contrato, com TED creditado em 18/08/2009, no valor de R$17.391,55 tendo remetente diverso do comprador; d) descrição no contrato do repasse para uma terceira empresa (Calipso Gestão Negócios); e) o fiscalizado nunca deteve a propriedade do veículo, a operação assemelhase a intermediação, sem comprovação e detalhamento dos valores da comissão. Reitera que os recursos vieram da venda da Toyota Fielder e que o pagamento por conta de terceiros e a não transferência do veículo para o comprador são fatos normais na operação em apreciação. O contrato de compra e venda firmado com Okei Veículos Ltda é legítimo, comprova a operação e justifica os depósitos questionados (fls. 204). Depósitos: 50.650,00 (26/08/2009); 9.950,00 (26/08/2009); 6.342,00 (09/09/2009); 807,65 (11/09/2009); 9.266,00 (15/09/2009); 3.671,62 (23/09/2009); e 774,90 (13/07/2009). O último na conta do Banco Boston, os demais no Itaú. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 O contribuinte adquiriu um Dodge Ram em 13/07/2009 de Maqnelson e pagou em dinheiro R$3.097,00, um TED de 49.500,00,00 e o restante com diversos cheques (fls. 205/206). Alega que os depósitos em discussão decorram da venda desse Dodge Ram 2500 para Alberto Zertolini, com pagamento inicial de R$50.650,00 por TED, em 26/08/2009, já analisada pelo Auditorfiscal (fls. 207). Documentos apresentados: a) pedido de faturamento emitido por Manelson, datado de 13/07/2009, tendo o contribuinte como cliente; b) extrato de sua contacorrente no qual consta débito de R$49.500,00 em 13/07/2009; c) comprovante de transferência de R$50.650,00, de Alberto Zetolini para o contribuinte, em 26/08/2009; d) documento de transferência de veículo, tendo como vendedor João Batista de Melo e comprador Alberto Zertolini, assinado em 23/09/2009, preço de R$110.000,00. A Fiscalização apontou que a documentação comprova tão somente a venda de João Batista de Melo para Alberto Zertolini por R$110.000,00 , em 23/09/2009, que o veícul nunca este na propriedade do contribuinte, nem da Maqnelson, que o crédito se deu em data anterior à transferência, de forma que não foi comprovada a vinculação dos depósitos com a referida operação. O recorrente reafirma as peculiaridades do comércio de veículos usados, notadamente operações baseadas na confiança. Informa que, embora o vepiculo tenha sido vendido à Maqnelson que o vendeu ao recorrente que o vendeu a Alberto Zertolini, a transferência da titularidade do veículo foi efetuada do Sr. Jô]ao Batista de Melo (pessoa que vendeu o veículo à Maqnelson) diretamente para o Sr. Alberto Zertoloni. Depósito de R$45.000,00, em 29/09/2009, e não 20/09/2009 como constou no Termo de Verificação Fiscal. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 304 11 O contribuinte alega que recebeu esse valor pela venda do Ford Fusion, intermediada pela empresa BL Comércio de Veículos, veículo que adquiriu de Lívio Augusto Villela Stecca e foi vendido para Eduardo Pires Dias, sócio da Auto Mais Multimarcas. A Fiscalização apontou que o contrato tinha data recente e não havia reconhecimento de firma, bem como toda intermediação foi realizada pela BL Comércio de Veículo, o que não justifica o depósito de todo o valor na conta do recorrente e o veículo não era de propriedade do recorrente. O recorrente sustenta que a propriedade não se adquire somente com a transferência perante o Detran, que há declaração da BL Comércio de Veículos que confirma a transação da qual originou o depósito em sua conta , que a data recente no contrato decorrer de ser uma segunda via obtida para atender à intimação fiscal e que providenciou o reconhecimento de firma para assegurar veracidade às informações. Depósitos: R$ 6.500,00 (30/09/2009), R$ 1.000,00 (06/10/2009), R$20.000,00 (19/10/2009), R$ 6.469,35 (19/10/2009) e R$ 60.500,000 (22/10/2009) Banco Itaú conta 030953; R$ 17.000,00 (17/08/2009), R$ 6.500,00 (25/08/2009) e R$ 11.100,00 (26/08/2009) Banco Boston conta 343282 e RS 5.900,00 Banco Itaú conta 066544. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 O contribuinte vincula estes créditos à venda de um veículo BMW X5, adquirido em 13/07/09, sem transitar pelo seu nome. Documentos apresentados: a) Declaração da empresa B & L Comércio de Veículos Ltda, datada de abril/2011, informando que vendeu para o contribuinte o citado veículo em julho/2009, tendo recebido como pagamento dois TED nos valores de R$ 61.250,00 e R$ 60.000,00. e que o veículo estaria em nome de Jane Cunha Borsari, tendo sido transferido diretamente para Nilda Maria Pereira Duarte. b) Documento de Transferência de um veículo BMW X5 FB51, placa HTA3230, onde figuram como vendedor Nilda Maria Pereira Duarte e comprador Agropecuária Mario Franco Ltda, assinado em 18/08/09 pelo preço de R$170.000,00 (fls. 220 e 221). c) Comprovantes de repasses dos valores de R$ 61.250,00 e R$ 60.000,00, em 13/07/2009, do fiscalizado para a empresa B &L Com. Veículos. Ltda.. d) Declaração de Nilda Maria Oliveira Duarte, datada de abril/2011, informando que o citado veículo figurou provisoriamente sem seu nome, sendo de propriedade do contribuinte, tendo sido transferido para a Agropecuária Mario Franco Ltda. A fiscalização argumenta que os documentos apresentados comprovam a aquisição do referido automóvel pela empresa Agropecuária Mario Franco Ltda, mas não vinculam os depósitos efetuados na conta do fiscalizado a esta transação. Poderia o fiscalizado ter atuado como intermediário na venda, já que nunca deteve a propriedade do veículo, sendo assim, deveria comprovar e detalhar os valores de comissões recebidas, as quais seriam rendimentos tributados. Reitera a argumentação. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 305 13 Os TED não têm autenticação bancária. A venda teria sido realizada em agosto de 2009 e os diversos valores fracionados creditados, no valor total de R$ 134.969,35, datam de agosto, setembro e outubro de 2009. O contribuinte deveria ao menos comprovar que tais créditos foram feitos pelo suposto comprador, Agropecuária Mario Franco Ltda. TED é uma transação financeira feita toda de forma eletrônica. Ao contrário do que espera a sra. Relatora, TED não tem autenticação. 8. Depósito de R$ 22.000,00 (30/09/2009), Banco Itaú conta 030953 (a data correta é 30/10/09 e não 30/09/09 conforme constou do Termo de Verificação Fiscal). O contribuinte alega que decorre da venda de um veículo Montana, conforme contrato de compra e venda apresentado (fl. 222), datado de 05/11/09, onde consta como vendedor, o contribuinte, e como comprador, Luciano de Paula, no valor de R$ 30.000,00, cuja condição de pagamento descreve o repasse de TED na conta do cliente. O contribuinte alega que a operação de venda do veículo foi intermediada pela empresa B &L Com. de Veículos, tendo esta feito o pagamento inicial acima, em 30/10/09, através de TED. As assinaturas do contrato de compra e venda do veículo tiveram as firmas reconhecidas para maior clareza e confirmação da operação. A Fiscalização indica que não há coincidência do valor e data do crédito com a transação referida, assim como a transferência do valor de R$ 22.000,00 não é originária do comprador do veículo. A DRJ indica que persistem as incoerências entre data e valor, não se justificando a origem do crédito. O recorrente alega que a divergência de data e valor se justifica diante das peculiaridades das operações com veículos. A assinatura no documento de transferência do veículo é o documento básico e essencial na operação sendo o contrato apenas uma formalidade complementar e quanto aos pagamentos estes podem ser repactuados, não implicando que o preço ajustado tenha de ser pago em uma única parcela. 9) Depósitos de R$ 70.000.00 e R$ 25.000,00 (20/11/2009) Banco Itaú conta 030953: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 O contribuinte alega que decorrem da venda de um veículo Mitsubishi Triton, placa HJS 8899, apresentando os seguintes documentos para comprovação: a) NFe de n° 010708, datada de 02/04/2009, na qual consta a aquisição do veículo Mitsubishi 1200, placa HJS 8899, pelo preço de R$ 94.000,00. b) Cópia do recibo firmado pela concessionária Kamel Veículos Ltda, confirmando o recebimento do valor de R$ 94.000,00. c) Impressões de tela, que o contribuinte alega serem de sistema do DETRAN MG. e) Declaração de Carlos Henrique de Souza, informando que comprou o veículo de Javan Aguiar, tendo efetuado o pagamento ao contribuinte por meio de TED feito pela Brasil Automóveis Ltda, no valor de R$ 70.000,00 e cheque, no valor de R$ 25.000,00. f) Declaração de Javan Aguiar, pai do contribuinte, informando sobre a venda do veículo à Carlos Henrique de Souza. O contribuinte ainda havia apresentado à fiscalização contrato de venda de veículo firmado entre o fiscalizado vendedor e o comprador Carlos Henrique de Souza, CPF 706.735.00691, descrevendo como forma de pagamento um TED no valor de R$ 95.000,00 a ser creditado na conta do vendedor. A fiscalização argumenta que Javan Aguiar não informou o veículo em sua declaração, assim como o adquirente Carlos Henrique de Souza não declara o bem nem demonstra possuir capacidade financeira para tal e que não há como correlacionar os créditos a esta transação, considerando ainda que o TED de R$ 70.000,00 não foi remetido pelo adquirente do veículo, mas sim pela empresa Brasil Automóveis Ltda. O contribuinte alega que a aquisição do veículo pelo Sr. Javan Aguiar foi feito junto à Kamel Veículos Ltda., através da NFe 010708, de 02/04/09 (embora conste na NF o nome de Luiz Fernando de Carvalho Aguiar) e pago na mesma data conforme recibo de R$ 94.000,00 e que não declarado por ter sido vendido no mesmo ano da aquisição. A omissão ou falta de capacidade financeira do adquirente, Sr. Carlos Henrique de Souza não pode servir de respaldo para anular uma operação devidamente comprovada. Telas do DETRANMG emitidas em 08/04/2011, trazem o seguinte histórico do veículo placa HJS 8899 (doe. n° 17, fls. 225/227): d) Almerindo Medrado CPF 384.668.05591 R$105.000,00 Compra: data do recibo 30/01/2009, data do registro: 07/04/2009 Venda: data do recibo 27/05/2009, data do registro: 22/06/2009 e) Javan Aguiar CPF 012.100.92620 R$90.000,00 Compra: data do recibo 27/05/2009, data do registro: 22/06/2009 Venda : data do recibo 19/11/2009, data do registro: 11/12/2009 f) Cilene Custódio Pereira CPF 393.864.06691 R$95.000,00 Registro: 11/12/2009 Declaração firmada pelo comprador, sr. Carlos Henrique de Souza, CPF 706.735.00691, confirma a aquisição do veículo em questão, bem como, os pagamentos efetuados (cheque de R$25.000,00 e TED efetivada pela Brasil Automóveis Ltda R$70.000,00) para Luiz Fernando de Carvalho Aguiar (doe. n° 18, fls. 228/229). O sr. Javan Aguiar, confirma que tanto a compra como a venda do seu veículo foi efetuado por Luiz Fernando de Carvalho Aguiar e informa a cronologia do veículo Triton placa HJS 8899 (doe. n° 19, fls. 229). Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 306 15 Primeiramente, vêse que embora o contribuinte alegue que foi Javan Aguiar quem comprou o veículo, na nota fiscal e no recibo constam como comprador o contribuinte. Ademais, foi apresentado à fiscalização contrato de compra e venda do veículo, firmado entre o contribuinte, vendedor, e o comprador, Carlos Henrique de Souza, CPF 706.735.00691, descrevendo como forma de pagamento um TED no valor de R$ 95.000,00 a ser creditado na conta do vendedor. No entanto, o contribuinte achou por bem não citar tal documento, tendo em vista que os argumentos ora apresentados não são coerentes com o documento citado. Ainda, como argumenta a fiscalização, TED no valor de R$ 70.000,00 não foi remetido pelo adquirente do veículo, mas sim pela empresa Brasil Automóveis Ltda. Operações tidas como não comprovadas pela fiscalização, sem ter o contribuinte correlacionado os créditos com as supostas operações com veículos: R$ 201.908,59. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 Quanto aos demais créditos, o contribuinte alega que seriam justificados pelas operações com cheques prédatados originados nas vendas dos veículos que discrimina. No entanto, não individualiza os créditos e, por conseguinte, não os correlacionam as operações que cita, fazendo alegações de maneira genérica. E equivocado o raciocínio de que a informalidade dos negócios entre as partes pode eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. A relação entre fisco e contribuinte é de outra natureza: é formal e vinculada à lei. Assim, se o contribuinte tinha o costume de realizar operações de venda de veículos usados, conforme suas alegações, deveria ter se cercado de precauções para a eventual necessidade de comprovação, o que não fez. Também fazem parte deste item os créditos nos valores de R$ 8.263,00 (14/05/09), R$ 450,00 (14/05/09), R$ 9.393,00 (10/07/09) e R$ 1.000,00 (04/09/09), que o contribuinte afirmou à fiscalização trataremse de empréstimos feitos com cheques de terceiros em resposta ao Termo ae Intimação n° 02, sem, no entanto, ter o contribuinte obtido êxito em comproválos. Em sua 'impugnação, o contribuinte não faz menção a tais créditos e a tais justificativas. O recorrente sustenta que os demais cheques intimados, são plenamente justificados pelas operações com cheques pré datados, recebidos nas vendas dos veículos a seguir, cujas operações foram analisadas pelo sr. Auditor e tacitamente aceitas: 1 TOYOTA LAND CRUISER PLACA HEZ 7007 O veículo foi adquirido em 18/03/2009, de Eunice Dorotéia Neves, através de arrendamento mercantil via Dibens Leasing S/A, por R$110.000,00, quitado em 16/06/09 e vendido em 26/06/09, por R$110.000,00, conforme documento (doc.n°. 20, fls. 230/233). 2 TOYOTA HILUX CD 4X4 PLACA HLC 7666 Foi adquirido em 15/06/2009, por R$117.810,00, e vendido em 06/08/2009 por R$114.000,00, conforme documento (doc.n0 21, fls. 234/236). 3 RANGE ROVER SPORT PLACA JPX5689 Adquirido em 04/09/2009 por R$160.000,00 e vendido em 20/12/2009 pelo mesmo valor, conforme documento (doe. n° 22, fls. 237/240). As operações acima ensejaram a movimentação de recursos em volume (R$384.000,00) que justificam plenamente os demais questionamentos bancários Além da negociação inicial com o veículo Jeep Cherokee e recursos que constavam da minha declaração de rendimentos, e o veículo marca BMW 3201 ano 2007, que também constava na minha declaração de bens e que foi vendido. Somemse a isso os recursos financeiros iniciais no montante de R$157.164,57, constantes da minha declaração de bens e que contribuíram para alavancar minha movimentação bancária durante o ano de 2009. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 307 17 O recorrente sustenta que, na hipótese de não serem acatadas as suas justificativas e comprovações, devese atentar que nas negociações com veículos usados a margem de ganho raramente ultrapassa 5% (cinco por cento) da operação, de forma que, tendo sido comprovado que as movimentações financeiras foram decorrentes da negociação com veículos deveria ser exigido somente imposto sobre 5% do montante questionado pelo sr. Auditor, ou seja, R$733.976,70 x 5% = R$36.698,83., o que ensejaria um Imposto de Renda sobre ganho de capital de R$5.504,82 (R$36.698,83 x 15%). Subsidiariamente, o recorrente requereu que fosse sobrestado o julgamento, até o desfecho final do entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF. Neste pleito, foi atendido em um primeiro momento, pois o Colegiado, por maioria, decidiu sobrestar o feito com fundamento no §1º do art. 624 do Regimento Interno do CARF. Com a revogação desse dispositivo regimental, prosseguese com o julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Preliminares O recorrente alega que o acórdão recorrido não se manifestou quanto à aplicabilidade da jurisprudência que ampara o recorrente nas alegações quanto às peculiaridades no comércio de veículos, um aspecto fundamental da defesa. Entretanto, o órgão julgador não está obrigado a enfrentar um a um todos os argumentos da defesa, desde que tenha fundamentação suficiente para a decisão que adotar. A indicação de precedentes sem força vincultante – como ocorreu – não caracteriza, por si só, um ponto sobre o qual o órgão julgador estivesse obrigado a se manifestar pontualmente. De todo modo, esse ponto não foi ignorado, pois constou no relatório (fls. 247) e em trecho do voto condutor do acórdão, como exemplificado abaixo: O contribuinte, mais uma vez, argumenta sobre as características próprias da venda de veículos usados, baseada em confiança e etc. No entanto, mais uma vez, não comprova a origem dos créditos questionados, tendo em vista que, como argumenta a fiscalização, não há qualquer vinculação do repasse de R$ 50.650,00 com esta transação, o mesmo Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 ocorrendo com os demais créditos para os quais o contribuinte quer atribuir a esta operação.(fls. 254) O órgão julgador de primeira instância firmou entendimento que, tendo ou não características próprias a atividade de comercialização de veículos usados, no caso concreto, a análise das provas levouo a concluir que não foi comprovada a origem dos créditos questionados, bem como, em mais de um trecho, o acórdão descreveu que a comprovação deveria ser feita como documentação hábil e idônea, o que, no seu juízo de análise das provas, o Colegiado entendeu não ter ocorrido em relação aos créditos em litígio. De outro giro, admitir a existência de características próprias na atividade em questão, não implicaria necessariamente considerar comprovada a origem dos depósitos. Preliminar rejeitada. Em seguida, o recorrente reivindica o cancelamento da exigência devido à inconstitucionalidade do afastamento do sigilo de dados bancários sem autorização judicial, como reconhecido no Recurso Extraordinário 389.808/PR. A interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. O Recurso Extraordinário 389.808/PR não tem efeito vincultante nem força normativa que torne obrigatória sua aplicação no presente julgamento. Não se encaixa em qualquer das hipóteses excepcionais do parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Por estas razões, rejeitase a preliminar suscitada quanto à nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. Aplicase a Súmula CARF nº 2. Esta sim de reprodução obrigatória pelos membros deste Conselho. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Superada a questão do sobrestamento com a revogação do §1° do art. 62A do Regimento Interno do CARF, passo, então, à apreciação do mérito. Aplicase a Súmula CARF nº 26 cujo enunciado é transcrito abaixo. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Dessa forma, os precedentes indicados não se aplicam ao caso concreto, ou por tratarem de fatos sujeito à legislação vigente anteriormente à Lei 9.430/1996 ou por representarem entendimento superado pela supracitada súmula. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 308 19 O CARF tem reconhecido que a compra e venda de veículos usados possui características próprias, de modo que a analise das justificativas para os depósitos levarão esse fato em consideração. No entanto, não se pode admitir que o descumprimento de formalidades e a discrepância entre valores entre diversas declarações contribuem negativamente no esforço probatório que compete ao recorrente. Cabe, então analisar as justificativas apontadas em relação a cada depósito individualizadamente. 1. Depósitos de R$37.000,00 (TED) e R$55.000,00 (Cheque), em 15/04 e 15/05/5009, respectivamente. O conjunto probatório apresentado na impugnação (fls. 193/197) é suficiente para demonstrar que o TED de R$37.000,00, a favor do recorrente em 15/04/2009, teve como origem a venda do veículo Mitsuubishi, placa HLC 5647 que seu pai detinha a posse com financiamento. Entretanto, não ficou comprovado que o depósito em 15/05/2009 tivesse a mesma origem, notadamente por não terem sido superados os óbices apontados pela autoridade fiscal e pelo acórdão recorrido. Devese excluir da infração o valor de R$37.000,00. 2. Depósitos de 4.232,48 (29/05/2009), 17.466,50, (17/06/2009), 29.000,00 (06/07/2009), 1.975,00 (21/07/2009) e 7.912,37 (10/08/2009). Não basta alegar, é necessário provar. Conforme assentado no acórdão recorrido, no máximo, o recorrente comprova que repassou o financiamento ao adquirente do veículo, mas não traz provas relativamente a cada um dos depósitos. Notese que o depósito de R$29.000,00 em 06/07/2009 é um TED no qual no histórico “Luiz Carlos” o que sugere desvinculação com a tese do recorrente de que foi recebido de Carlos Rossato Dal Pont. 3. Depósitos de 40.000,00 (01/06/2009) e 16.000,00 (04/06/2009). Não basta alegar que determinados fatos são normais, é necessário comprová los. O contribuinte informou que o veículo não transitou por sua propriedade, não comprovou que os dois depósitos foram efetuados em virtude da suposta alienação do veículo New Beetle, não comprovou a suposta transferência de seguro nem qualquer outro dos fatos que alega ter justificado o acréscimo financeiro, nem comprovou a vinculação da empresa BL Veículo com a alegação de pagamento por conta de terceiros. Diante da fragilidade documental, não merece reparo o acórdão recorrido. 4. Depósitos de 17.391,55 (18/08/2009), 1.000,00 (18/08/2009) e 15.000,00 (24/08/2009). Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 O recorrente restringese a ver comprovada a venda de uma Toyota Fielder com base no contrato de venda (fls. 204), entretanto a questão central é comprovar a vinculação dos três depósitos acima descritos com a suposta venda. No ponto fundamental para solução do litígio, devese anotar que não basta alegar que determinados fatos são normais, é necessário comproválos.. Não há comprovação de que os depósitos tenham sido vinculados à suposta operação, nem razão para qualquer reparo ao acórdão recorrido. 5. Depósitos: 50.650,00 (26/08/2009); 9.950,00 (26/08/2009); 6.342,00 (09/09/2009); 807,65 (11/09/2009); 9.266,00 (15/09/2009); 3.671,62 (23/09/2009); e 774,90 (13/07/2009). O último na conta do Banco Boston, os demais no Itaú. O recorrente alega que esses depósitos são pagamento pela venda de um Ford Ram que adquiriu de Maqnelson e efetuou a Alberto cuja respectiva transferência perante o Detran somente foi realizada de João para Alberto (não havendo as transferênicas de João para Maqnelson e de Maqnelson para o recorrente). A documentação apresentada (fls. 205/208) permite concluir que de fato houve a aquisição e venda de um Ford Ram de Manelson e venda a Alberto e que houve um a TED no valor de R$50.650,00 que o Sr. Alberto fez em favor do recorrente. Quanto aos demais depósitos, nada além das alegações do recorrente fazem vinculação com a alegada venda. Alegação desacompanhada de prova não é suficiente para afastar a presunção legal em apreciação. Devese excluir da autuação o depósito de R$50.650,00, ocorrido em 26/08/2009, na conta do Itaú. 6. Depósito de R$45.000,00, realizado em 29/09/2009 (e não em 20/09/2009 como constou no Termo de Verificação Fiscal). A análise da documentação acostada às fls. 209/214 implica reconhecer como justificada a origem do depósito acima como decorrente da venda de um Ford Fusion intermediada pela BL Comércio de Veículo, independente de o contribuinte não ter efetivado a transferência perante o Detran para o seu próprio nome. 7. Depósitos: R$ 6.500,00 (30/09/2009), R$ 1.000,00 (06/10/2009), R$20.000,00 (19/10/2009), R$ 6.469,35 (19/10/2009) e R$ 60.500,000 (22/10/2009) Banco Itaú conta 030953; R$ 17.000,00 (17/08/2009), R$ 6.500,00 (25/08/2009) e R$ 11.100,00 (26/08/2009) Banco Boston conta 343282 e RS 5.900,00 Banco Itaú conta 066544. Dispensável aferir a existência de autenticação nas TED, pois os extratos bancários comprovam referidas transferência. Uma coisa é comprovar que comprou e vendeu determinado veículo, outra é comprovar que um série de depósitos decorreram dessa operação. Dessa forma, o que importa para solução do presente litígio é vincular os depósitos ocorridos entre 17/08/2009 22/10/2009 à transação apontada pelo recorrente. Entretanto, nada nos autos permite chegar a essa conclusão. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10675.720941/201145 Acórdão n.º 2802002.753 S2TE02 Fl. 309 21 8. Depósito de R$ 22.000,00. em 30/10/2009, Banco Itaú. Tratase de uma TED no valor de R$22.000,000 realizada por BL Com. Veic. O recorrente alega que BL Comércio de veículos intermediou a venda de uma Montana, que vendeu para Luciano de Paula, conforme contrato anexado. O recorrente não traz prova de que a venda a que se refere o contrato apresentado foi intermediada pela BL Comércio de Veículos, o que por si só, leva à conclusão que não há comprovação de vínculo entre a TED feita por BL Comércio de Veículos e a referida transação, assim como persiste sem justificativa a diferença de valores . O acórdão recorrido não merece reparo. 9. Depósitos de R$ 70.000.00 e R$ 25.000,00 (20/11/2009) Banco Itaú conta 030953. A documentação de fls. 223/229 demonstra a verossimilhança das alegações do recorrente, sendo hábil para comprovar a vinculação entre os depósitos e a alegada transação envolvendo o veículo Triton. Devem ser excluídos da autuação os depósitos de R$ 70.000.00 e R$ 25.000,00 (20/11/2009). 10. Quanto aos demais depósitos, o contribuinte alega que seriam justificados pelas operações com cheques prédatados originados nas vendas dos veículos que discrimina, porém não faz apontamento individualizado que permita vinculação transação a seus respectivos depósitos. Destarte, não há razão para qualquer reparo ao acórdão recorrido. Cabe, ainda, consignar que nos lançamento amparados no art. 42 da Lei 9.430/1996, os depósitos e saldos existentes não são hábeis a comprovar a origem dos depósitos posteriores. Aplicação da Súmula nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Por fim, cabe rejeitar o pleito para tributar somente 5% dos depósitos de origem não comprovada, por contrariar a exegese do art. 42 da Lei 9.430/1996 que estabelece a tributação integral dos valores não comprovados. Diante de todo o exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o valor de R$227.650,0 (duzentos e vinte e sete mil, seiscentos e cinquenta reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 22 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10865.001561/2007-94
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.087
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Eivanice Canário da Silva, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003 , anocalendário 2002, em virtude de apuração de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996. O Termo de Verificação fiscal (fls. 9 e ss.) registra que a autoridade fiscal valeu de Requisições de Movimentação Financeiras (RMF) às instituições financeiras. Em síntese, a impugnação fundamentouse na violação ao princípio da legalidade e do sigilo bancário, cerceamento do direito de defesa por ausência de intimação para comprovar origem dos depósitos de forma discriminada, ausência de comprovação de acréscimo patrimonial, não foram consideradas as movimentações de bens e direitos constantes da declaração de ajuste anual, violação ao princípio da capacidade contributiva, não aproveitamento dos recurso de um mês para justificar os depósitos do mês seguinte, os recursos Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.001561/200794 Resolução n.º 2802000.087 S2TE02 Fl. 372 2 de alugueres de sua excônjuge eram administrados pelo recorrente e depositados em sua conta, realizou diversas alienações de bens cujos recurso depositou em parte em suas contas bancárias. A impugnação foi indeferida, em síntese, por haver previsão legal de omissão de receita, por ter sido o lançamento feito de acordo como o art. 42 da Lei 9.430/1996, por não terem as alegações sido acompanhadas de comprovação e por não haver relação entre os valores depositados e aqueles a que se referem o contrato de aluguel. Ciência da decisão em 29/09/2009. Recurso voluntário interposto em 29/10/2009 com as seguintes alegações: a) as requisições de movimentação financeira foram emitidas em desacordo com o art. 2º do Decreto 3.724/2001 por não especificarem a necessidade de obtenção dos extratos bancários e não ter sido apurada qualquer das hipóteses que autorizavam a referida requisição, o que torna nulo o lançamento; b) por ser lei ordinária a lei 9.430/1996 não pode estabelecer critérios para o lançamento, contrariando a previsão do art. 142 do CTN de que é dever da autoridade administrativa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, que no caso é estabelecido pelo art. 43 do CTN, uma vez que depósitos bancários não são renda nem acréscimo patrimonial, indica decisões judiciais; e c) há ser estabelecida a tributação da forma mais benéfica ao contribuinte (art. 112 do CTN), pois os contratos anexos demonstram a natureza e titularidade dos alugueres e dos recurso decorrentes de vendas de veículos e imóveis. É o relato do essencial. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Como exposto no relatório, dentre as matérias a serem solucionadas neste julgamento encontrase a discussão acerca da constitucionalidade do acesso da Receita Federal às informações bancárias do recorrente. Não se desconhece a decisão proferida no RE389.808/PR, em sistema de controle difuso de constitucionalidade, porém se trata de matéria submetida ao crivo do Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B do CPF, com repercussão geral admitida, porém ainda pendente de julgamento, cujo recurso paradigma é o de nº 601.314. Como já se manifestou esta Turma de Julgamento, por meio de resoluções aprovadas por unanimidade nas sessões de julgamento de julho de 2012, a medida cabível é o sobrestamento do julgamento, uma vez que o STF tem reiteradamente e de forma expressa sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, tal como exemplificado pelas transcrições abaixo. DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.001561/200794 Resolução n.º 2802000.087 S2TE02 Fl. 373 3 Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) (grifos acrescidos) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) (grifo acrescido) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA Fl. 408DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10865.001561/200794 Resolução n.º 2802000.087 S2TE02 Fl. 374 4 CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) (grifos acrescidos) Concluo, propondo o sobrestamento do julgamento, nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 409DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16 /08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11030.902120/2012-54
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2002
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 20 /2 01 2- 54 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902120/201254 Acórdão n.º 3803005.871 S3TE03 Fl. 19 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/BHE, de 08/10/2013 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 0249.776, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 01/11/2013, a contribuinte protocolou defesas específicas em 28/11/2013, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902120/201254 Acórdão n.º 3803005.871 S3TE03 Fl. 20 5 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902120/201254 Acórdão n.º 3803005.871 S3TE03 Fl. 21 7 receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902120/201254 Acórdão n.º 3803005.871 S3TE03 Fl. 22 9 Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902120/201254 Acórdão n.º 3803005.871 S3TE03 Fl. 23 11 VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902120/201254 Acórdão n.º 3803005.871 S3TE03 Fl. 24 13 § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902120/201254 Acórdão n.º 3803005.871 S3TE03 Fl. 25 15 conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902120/201254 Acórdão n.º 3803005.871 S3TE03 Fl. 26 17 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10930.000104/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
INTIMAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Resultando improfícuo qualquer um dos meios de intimação previstos na lei reguladora do processo administrativo fiscal, a própria lei autoriza a intimação editalícia.
Na hipótese, ficou comprovado ter havido três tentativas de entrega da intimação pelos Correios e, em todas, o destinatário encontrava-se ausente. Legítima, portanto, a intimação por edital.
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE COM O DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
Podem ser compensados com o imposto devido na declaração de ajuste anual os valores comprovadamente retidos do beneficiário pela fonte pagadora dos rendimentos.
Na hipótese, por meio dos contracheques e do termo de rescisão de contrato de trabalho emitidos pela fonte pagadora, comprovou-se ter havido retenção de imposto sobre a renda.
Numero da decisão: 2101-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso, para restabelecer integralmente a compensação de imposto sobre a renda sofrida na fonte no valor total de R$ 3.953,48.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
___________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Resultando improfícuo qualquer um dos meios de intimação previstos na lei reguladora do processo administrativo fiscal, a própria lei autoriza a intimação editalícia. Na hipótese, ficou comprovado ter havido três tentativas de entrega da intimação pelos Correios e, em todas, o destinatário encontravase ausente. Legítima, portanto, a intimação por edital. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE COM O DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Podem ser compensados com o imposto devido na declaração de ajuste anual os valores comprovadamente retidos do beneficiário pela fonte pagadora dos rendimentos. Na hipótese, por meio dos contracheques e do termo de rescisão de contrato de trabalho emitidos pela fonte pagadora, comprovouse ter havido retenção de imposto sobre a renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso, para restabelecer integralmente a compensação de imposto sobre a renda sofrida na fonte no valor total de R$ 3.953,48. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 01 04 /2 00 8- 32 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, no qual a Fiscalização promoveu a glosa de parte do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) declarado, apurando imposto suplementar. Em sua declaração de ajuste anual original, o contribuinte informou ter havido a retenção na fonte de R$ 3.953,48. No entanto, a Fiscalização entendeu ter havido a dedução indevida desse montante (vide fls. 54). Na impugnação, o defendente suscitou preliminar de nulidade da intimação por edital e a nulidade do auto de infração por vício material. No mérito, alegou que a fonte pagadora Instituto Integrar reteve, dos seus rendimentos, o valor de R$ 3.953,48, a título de imposto na fonte, conforme contracheques e termo de rescisão de contrato de trabalho, e que se equivocou ao declarar o valor dos rendimentos auferidos, que deve ser de R$ 31.425,73. Além disso, admitiu terse esquecido de declarar rendimentos auferidos de Unopar Ltda., no montante bruto de R$ 3.019,23, com retenção na fonte de R$ 317,86, conforme contracheques e termo de rescisão de contrato de trabalho, pelo que requereu o reconhecimento de erro material na DIRF apresentada por essa fonte pagadora. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, julgou a impugnação parcialmente procedente, por meio do Acórdão n.º 0633.374, de 29 de agosto de 2011, considerando comprovada a retenção de imposto sobre a renda na fonte no valor de R$ 582,51, pela Unopar (União Norte do Paraná de Ensino S/C Ltda). Vejamos a ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRRF. COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade do IRRF na Declaração de Ajuste Anual só é cabível quando o contribuinte comprova tal retenção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em sede de recurso, o interessado repisou os argumentos anteriormente trazidos quanto à nulidade do auto de infração, eis que entendeu ter havido cerceamento ao seu Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10930.000104/200832 Acórdão n.º 2101002.382 S2C1T1 Fl. 3 3 direito de defesa e, no mérito, reiterou ter sofrido retenção de imposto na fonte de R$ 3.953,48, conforme declarado. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento perpetrado no presente processo teve origem na revisão da declaração de ajuste anual do contribuinte. A Fiscalização entendeu indevida a compensação de imposto sobre a renda na fonte de R$ 3.953,48 (vide Demonstrativo das Alterações na Declaração de Ajuste Anual, fls. 54), que corresponde à dedução considerada indevida de R$ 2.031,02 (fls. 53) mais o imposto apurado de R$ 1.922,46 (fls. 54). O contribuinte impugnou o lançamento, e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou a impugnação procedente em parte, para acolher o pedido de compensação de imposto sobre a renda na fonte no montante de R$ 582,51. Afastou as preliminares suscitadas, assim como entendeu não ser procedente, por falta de comprovação, o argumento de que houve equívoco na informação do rendimento auferido. No recurso, em preliminar, o recorrente repisou ter ocorrido a nulidade do procedimento fiscal, eis que, a seu ver, houve cerceamento ao seu direito de defesa, com a publicação de edital antes de esgotadas as outras opções de intimações previstas no Decreto n.º 70.235, de 1972. Sobre esta alegação, cumpre esclarecer que a intimação em comento visava à prestação de esclarecimentos sobre informações contidas na declaração de ajuste anual do exercício 2003 (anocalendário 2002), uma vez iniciado procedimento de revisão de declaração (vide fls. 29 e seguintes). Em primeiro lugar, cumpre destacar que os meios pelos quais pode ser feita a intimação ao sujeito passivo, no processo administrativo fiscal, estão disciplinados no artigo 23 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Vejamos a redação dos dispositivos vigente na época dos fatos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Da leitura dos dispositivos acima transcritos, depreendese que a lei admite diversos meios pelos quais o sujeito passivo pode ser intimado no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme incisos I a III do caput. Resultando improfícuo qualquer um dos meios previstos, a lei autoriza a intimação por edital, conforme consta de seu parágrafo primeiro. Na hipótese, ficou comprovado nos autos ter havido três tentativas de entrega da intimação pelos Correios, e em todas, o destinatário encontravase ausente (vide fls. 48). Ficou, portanto, autorizada a intimação por edital, vez que foi cumprida a exigência prevista no § 1.º do artigo 23. Ademais, mesmo que assim não fosse, é de se salientar que, conforme anteriormente ressaltado, a Notificação de Lançamento de que trata o presente processo originouse de procedimento de revisão de declaração, regulado pelo artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, o qual, a seguir, transcrevese: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). § 1º A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2º A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 1º). § 3º Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19). § 4º O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 841 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10930.000104/200832 Acórdão n.º 2101002.382 S2C1T1 Fl. 4 5 A teor do que prescreve o § 2.° do artigo 835, acima reproduzido, a legislação prevê que a revisão de declaração tanto pode ser feita com os elementos de que dispuser a repartição, como também é possível que a autoridade fiscal intime o contribuinte a prestar esclarecimentos verbais ou escritos. Nenhuma dessas medidas é obrigatória; a legislação permite à autoridade administrativa proceder de uma forma ou de outra. No presente caso, é possível concluir que a autoridade administrativa entendeu que, na falta dos esclarecimentos solicitados, os elementos dos quais dispunha a repartição eram suficientes para proceder ao lançamento. Este procedimento, como visto, em nada afronta a legislação reguladora da matéria, haja vista não ser obrigatório, mas permitido ao agente da administração responsável intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos. A falta de intimação para prestar esclarecimentos, no caso de revisão interna de declaração, não fere o princípio da ampla defesa, pois, nesse momento, ainda não se iniciou a fase litigiosa do processo. É que o Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, compõese de duas fases: a primeira, mais propriamente definida como um procedimento, precede a etapa do litígio. Nela são colhidas, pela Fiscalização, as informações que irão embasar o lançamento de ofício, se for o caso. A segunda fase do processo administrativo fiscal consiste na fase litigiosa propriamente dita, e tem início com a apresentação de Impugnação, na qual o contribuinte suscita as razões de seu inconformismo e traz aos autos provas documentais que as sustentem. No processo administrativo fiscal, a ampla defesa do contribuinte, garantida pelo artigo 5.°, inciso LV da Constituição Federal, é exercida por meio da impugnação, em primeira instância, e pelo recurso voluntário, em segunda. A preterição do direito de defesa do contribuinte é causa de nulidade no processo administrativo fiscal. Todavia, tal não ocorreu na hipótese, eis que esse direito foi exercido por meio da impugnação, apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e do recurso voluntário que ora se analisa. No mérito, o recorrente não reiterou a alegação quanto ao suposto equívoco na informação do valor dos rendimentos auferidos. No tocante à compensação do imposto sobre a renda na fonte, explicou que, já na impugnação, acostou contracheques e termo de rescisão de contrato de trabalho, os quais, a seu ver, comprovariam que o Instituto Integrar reteve, dos seus rendimentos, o valor de R$ 3.953,48, a título de imposto na fonte, mas esses documentos não teriam sido considerados pelo órgão julgador a quo. Examinando os autos, verificamos que foram juntados às fls. 12 a 18 contracheques (recibos de pagamento de salário) emitidos de janeiro a julho de 2002, pela fonte pagadora Instituto Integrar, CNPJ 03.158.014/001289, tendo como beneficiário o contribuinte. Às fls. 19, consta Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, emitido em outubro do anocalendário, com pagamento previsto para o mesmo mês. Da análise dos documentos apresentados, temse que houve a retenção de imposto sobre a renda na fonte nos seguintes valores, no anocalendário 2002, passíveis de serem compensados na declaração de ajuste anual: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Mês Valor da retenção (R$) Fls. Janeiro 338,71 12 Fevereiro 338,71 13 Março 406,28 14 Abril 406,28 15 Maio 406,28 16 Junho 402,30 17 Julho 402,30 18 Outubro (Rescisão Contratual – IRRF sobre férias) 850,32 19 Total 3.551,18 Na presente hipótese, a Fiscalização glosou o imposto sobre a renda retido na fonte de R$ 3.953,48 (vide Demonstrativo de Apuração de Imposto Suplementar às fls. 55). Conforme se observa às fls. 27, uma única fonte pagadora declarou o contribuinte como beneficiário de rendimentos com retenção de imposto na fonte no ano calendário 2002, e essa fonte é a União Norte do Paraná de Ensino S/C Ltda (fls. 27 e 28). O montante retido do contribuinte, a título de imposto sobre a renda na fonte, por essa pessoa jurídica, foi de R$ 582,51 e já foi restabelecido pela decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Curitiba (PR), conforme se constata às fls. 75. Não foi localizada DIRF que comprovasse que, no anocalendário 2002, o Instituto Integrar tenha sido responsável pela retenção na fonte de qualquer valor de imposto sobre a renda. Todavia, conforme anteriormente informado, o interessado acostou aos autos os contracheques (recibos de pagamento de salário) e o Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, emitidos pela pessoa jurídica pagadora dos rendimentos (vide fls. 12 a 19). Tendo em vista não haver qualquer indício de que o interessado faz ou fez parte do quadro de dirigentes do Instituto Integrar na época do pagamento dos rendimentos, entendemos que o conjunto probatório que integra os autos é suficiente para demonstrar a efetividade da retenção do imposto sobre a renda na fonte por essa pessoa jurídica, devendo ser restabelecida a compensação do imposto sobre a renda na fonte no limite do que foi glosado pela Fiscalização e pedido pelo recorrente. Desse modo, tendo em vista que, do pedido do contribuinte para restabelecer a compensação de imposto sobre a renda na fonte de R$ 3.953,48, glosada pela Fiscalização, a DRJ já restabeleceu a compensação do montante de R$ 582,51, retido pela fonte pagadora Unopar (União Norte do Paraná de Ensino S/C Ltda), entendemos que deve ser restabelecido o Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10930.000104/200832 Acórdão n.º 2101002.382 S2C1T1 Fl. 5 7 restante da compensação pleiteada, ou seja, de R$ 3.370,97 (R$ 3.953,48 – R$ 582,51 = R$ 3.370,97). Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso, para restabelecer a compensação de imposto sobre a renda na fonte no valor de R$ 3.370,97, a fim de complementar o total pleiteado, de R$ 3.953,48. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/ 01/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000065/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2008
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO.
Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, faz-se necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991.
Somente estará imune (isenta) da quota patronal, na vigência do art. 55 da Lei 8.212/1991, a empresa que obtivesse o correspondente Ato Declaratório. O indeferimento do reconhecimento da isenção pleiteada, oriundo de regular processo administrativo, autoriza o lançamento das contribuições sociais.
ATO DE CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. MATÉRIA SUB JUDICE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, concernente às questões distintas daquelas discutidas no processo judicial.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. NOMEM IURIS. IRRELEVÂNCIA.
Nas ordens da Secretaria da Receita Federal do Brasil, é o Auto de Infração o documento constitutivo de crédito tributário previdenciário, inclusive o relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais.
RELAÇÃO OBRIGACIONAL TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. CONTRIBUINTE.
Considera-se Contribuinte a pessoa física ou jurídica que, tendo relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária descrita em lei, efetivamente o realiza.
As convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para que seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, caso mais benéfica que a multa aplicada pela fiscalização.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PATRONAL Recorrente INSTITUTO EDUCACIONAL, ASSISTENCIAL E SOCIAL DE ITAPETININGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2008 ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO. Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, fazse necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991. Somente estará imune (isenta) da quota patronal, na vigência do art. 55 da Lei 8.212/1991, a empresa que obtivesse o correspondente Ato Declaratório. O indeferimento do reconhecimento da isenção pleiteada, oriundo de regular processo administrativo, autoriza o lançamento das contribuições sociais. ATO DE CANCELAMENTO DE ISENÇÃO. MATÉRIA SUB JUDICE. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, concernente às questões distintas daquelas discutidas no processo judicial. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. NOMEM IURIS. IRRELEVÂNCIA. Nas ordens da Secretaria da Receita Federal do Brasil, é o Auto de Infração o documento constitutivo de crédito tributário previdenciário, inclusive o relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 00 65 /2 01 0- 05 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. RELAÇÃO OBRIGACIONAL TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. CONTRIBUINTE. Considerase Contribuinte a pessoa física ou jurídica que, tendo relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária descrita em lei, efetivamente o realiza. As convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para que seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, caso mais benéfica que a multa aplicada pela fiscalização. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000065/201005 Acórdão n.º 2402003.945 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à contribuição patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), acrescido da contribuição adicional para complementação da aposentadoria especial para os trabalhadores expostos à agente nocivo, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, para as competências 09/2005 a 13/2008. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 51/54), a empresa informou em GFIP o código FPAS 639 Entidade Filantrópica com Isenção, sem ter preenchido os requisitos básicos, pois não possuía o deferimento do pedido de isenção pelo INSS/Receita Federal do Brasil, o que lhe garantiria a isenção das contribuições previdenciárias e as destinadas as Entidades Terceiras. E em razão da utilização indevida do FPAS 639, automaticamente as contribuições devidas deixaram de ser informadas em GFIP. Já para o período anterior ao aqui lançado, de 01/2005 a 08/2005, fez constar corretamente o código FPAS 515. Relata, ainda, que a entidade firmou termo de convênio com a Prefeitura Municipal de Itapetininga para desenvolverem ações compartilhadas na área de saúde pública, sendo que as despesas para o desenvolvimento desse convênio, como folhas de pagamento, impostos, contribuições sociais e todo o tipo de despesas, são custeadas através das subvenções repassadas pela referida Prefeitura à Entidade. Os documentos examinados durante o procedimento fiscal foram folhas de pagamento (meio digital e impresso), GFIP, contabilidade (meio digital e impresso) e as Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/04/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 89/101), alegando, em síntese, que: 1. Nulidade Formal do Auto de Infração. É nulo, uma vez que se trata de uma obrigação principal, qualificada como "auto de infração" e é cediço que deveria ter sido inscrita a suposta divida como "notificação fiscal de lançamento de débito". A Lei 11.457/2007 determinou que as contribuições sociais fossem regidas pelo Decreto 70.235/1972, que diferencia claramente "o auto de infração" da "notificação fiscal de lançamento de débito", relativa à obrigação acessória e a principal, respectivamente, e transcreve seus art. 10 e 11. Ressalta que o art. 10 utiliza o substantivo "falta", que representa penalidade inserta no inc. IV, corroborando que se trata de obrigação acessória, e no inc. II do art. 11 não há menção à penalidade, mas valor do crédito tributário (obrigação principal). Traz, ainda, a novel redação do § 7° do art. 33 e Fl. 279DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 art. 37 da Lei 8.212/91, e identifica três hipóteses de materialização do lançamento: NFLD (tributo); Auto de Infração (obrigação acessória) e Termo de Confissão. Reportase ao art. 113 do CTN, que diferencia as obrigações tributárias. Portanto, merece ser anulado o AI, por desobediência à Lei 8.212/1991; 2. Nulidade por Vicio de Motivação. Ao contrário dos demais autos, o presente "NÃO FAZ MENÇÃO EM SEU RELATÓRIO FISCAL" qual seria a origem do débito (provavelmente seja algum convênio, mas não especificou nem qual seria). Não houve a especificação de qual foi a situação que originou o débito, salvo melhor juízo, o que resulta em vício GRAVE na motivação, eis que deixou de ser expresso quanto ao motivo e transcreve o art. 10, inc. III, do Decreto n 70.235, de 1972, e deve ser anulado por não aclarar corretamente a origem do débito, impedindo a ampla defesa; 3. Irresponsabilidade pelo Débito. O Relatório não especifica qual a origem do débito, mas acredita que se relacione com os menores aprendizes da Guarda Mirim e que dizem respeito ao Município de Itapetininga. Explica que fornecia a jovens aprendizes um contrato para que pudessem ter melhores condições de vida e sair da marginalidade a que estão sujeitos. E menciona Termo de Ajuste e Conduta com o Ministério Público, que indicava os jovens aprendizes às empresas por meio de Convênio de Amparo e Profissionalização do Adolescente, "conforme modelo anexo". Não é responsável pelo débito e sim mera intermediária dos recursos. E não é empregadora, como define a CLT, mas apenas uma gestora dos valores. E transcreve Cláusula Quarta de um convênio, onde a EMPRESA se compromete a repassar mensalmente à INSTITUIÇÃO, o valor estipulado por adolescente colocado a sua disposição, acrescido do percentual destinado ao pagamento dos encargos sociais, despesas com cursos profissionalizantes e contribuição com a Entidade para fazer face às despesas administrativas da Instituição. Invoca o art. 121 do CTN. E sequer foi apontada a responsabilidade subsidiária – muito menos solidária – das empresas e do Município, Estado ou União, o que torna ilegal a constituição do crédito, eis que a Impugnante não tinha qualquer relação direta com o fato gerador, que era responsabilidade das empresas. Assim, deve ser anulada a pretensão, uma vez que a Impugnante não é vinculada ao crédito pleiteado; 4. Ilegalidade da Multa de Mora. A Lei 11.941/2009 determinou que a multa e os juros de mora devem obedecer ao disposto no art. 61 da Lei 9.430/1996, que cola aos autos, onde fica claro que a multa deve ser limitada a vinte por cento. Invoca o art. 106, II, "c", do CTN e transcreve decisão judicial. Assim, deve ser julgada ilegal a multa de mora, pois extrapola o percentual de 20% previsto na legislação; 5. Ilegalidade da Multa de Oficio. É ilegal, pois foi estabelecida a partir da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, que não pode retroagir para atingir fatos pretéritos, diante do principio da irretroatividade das leis e da anterioridade. E o que está previsto no art. 195, § 6°, da CF, cuja determinação é de que as contribuições sociais somente podem ser exigidas 90 dias após a Fl. 280DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000065/201005 Acórdão n.º 2402003.945 S2C4T2 Fl. 4 5 publicação da lei que as instituiu ou modificou. E como o período fiscalizado era até 12/2008, torna descabida a pretensão. Requer a exclusão da multa de oficio; 6. Do Mérito. Quanto ao mérito, também merece ser anulado, uma vez que não se levou em conta que é uma entidade civil reconhecida de utilidade pública municipal, estadual e federal, registrada no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, motivo pelo qual é isenta das contribuições sociais, nos termos do art. 55 da Lei 8.212/1991, que transcreve. A Fiscalização se valeu de ato do INSS, que indeferiu o pedido de concessão, sob a alegação de não cumprimento do inc. III do mencionado art. 55. As entidades não são condenadas a viverem pedindo esmolas. Devem exercer alguma atividade para auferir receita e viabilizar o desenvolvimento de suas atividades estatutárias. O INSS cria condições subjetivas e muitas suposições para afirmar que a Impugnante não é beneficente e se esquece que prestar serviços ao ente municipal é prestar serviço à comunidade. E tal medida encontra amparo na CF, art. 195, § 7°, da CF, que traz aos autos bem como dispositivos do Decreto 2.536/1998, e discorre sobre o tema. Demonstrou o seu direito em ver reconhecida à isenção da cota patronal, diante da manifesta inconstitucionalidade do inc. III, o que torna insubsistente o auto lavrado; 7. Do Pedido. E, ao final, requer a anulação do AI, tendo em vista os argumentos preliminares, prejudiciais de mérito ou, pelo próprio meritum causae, que revela o descabimento da pretensa divida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP – por meio do Acórdão no 1435.223 da 6a Turma da DRJ/RPO (fls. 172/194) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação, ressaltando que ela é uma entidade beneficente de assistência social. A Agência da Receita Federal do Brasil (ARF) em Itapetininga/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. No presente lançamento fiscal ora analisado, consta a cota patronal das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. DO CONHECIMENTO DO RECURSO: O Recorrente alega fazer jus à imunidade (isenção) de contribuições sociais, prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, já que teria observado todos os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/1991, inclusive teria demonstrado que o seu benefício de isenção lhe foi retirado por uma interpretação casuística do INSS sobre o inciso III do mencionado artigo, consubstanciado em Ato Cancelatório de Isenção. Ocorre, contudo, que essa matéria não poderá ser conhecida por esta Corte Administrativa (CARF), uma vez que a Recorrente abdicou, tacitamente, de debatêla na esfera administrativa ao ingressar com ação judicial perante à 4ª Vara Federal, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, processo nº 2005.34.00.0188826. Observase que a citada ação judicial versa sobre a mesma matéria tratada nos ora debatidos Autos de Infração de Obrigação Principal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo o atributo da coisa julgada formal e material. E, como a coisa julgada material opera efeitos dentro e fora do processo em que é produzida, isso tornará o conteúdo da decisão judicial imutável, estendendo os seus efeitos para este processo administrativo. Logo, entendese que tais questões não devem ser analisadas no presente processo, eis que a Recorrente abdicouse da instância administrativa. Esse entendimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Nesse mesmo sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000065/201005 Acórdão n.º 2402003.945 S2C4T2 Fl. 5 7 Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial., processo nº 2005.34.00.0188826, sobre a imunidade (isenção) de contribuições previdenciárias a que supostamente teria direito a entidade Recorrente, inviável se torna o seu conhecimento por esta Corte, que restringirá sua apreciação e julgamento, tãosomente, sobre as questões não incluídas na ação judicial em relevo. Assim, não serão apreciadas neste processo as questões pontuadas no Ato Cancelatório de Isenção, bem como não será analisado se houve ou não uma interpretação equivocada do INSS sobre o inciso III do art. 55 da Lei 8.212/1991, no momento em que houve cessão de mão de obra para a Prefeitura Municipal de Itapetininga. Com isso, faremos análise apenas das matérias não submetidas ao processamento e análise do Poder Judiciário, conforme a regra estampada no art. 126, §3º, da Lei 8.213/1991, bem como atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual. Cumpre registrar que o pedido formulado na ação judicial pela Recorrente foi julgado improcedente em 1ª Instância, conforme sentença proferida em 19/10/2007. Inconformada, a entidade ora Recorrente apelou dessa sentença, porém, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, por unanimidade, negou provimento à apelação, conforme Acórdão publicado a fl. 765 do eDJF1, de 09/10/2009. Insatisfeita, a entidade opôs Embargos de Declaração, os quais foram acolhidos, mas sem efeitos modificativos, sendo mantidos os termos do Acórdão Embargado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega nulidade do auto de infração por erro de fundamentação, já que haveria uma ilegalidade formal, tendo em vista que a Receita Federal do Brasil utiliza Auto de Infração para efetuar o lançamento de contribuições sociais, quando, por determinação legal, deveria valerse da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD). Cumpre esclarecer que, após promulgação e vigência da Lei 11.457/2007 – diploma normativo que dispõe sobre a Administração Tributária Federal –, a Secretaria da Receita Federal (SRF) passou a denominarse Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 1o dessa Lei. Esta recebeu a atribuição de planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, além daquelas competências originalmente atribuídas à SRF. Lei no 11.457/2007: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art. 1o. A Secretaria da Receita Federal passa a denominarse Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão da administração direta subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda. Art. 2o. Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) § 3o As obrigações previstas na Lei n ° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o capta deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Art. 4o. São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Em decorrência dessas disposições, nos termos do artigo 25, inciso I, dessa Lei, a partir de 1o de abril de 2008, passouse a ser aplicado aos processos administrativos fiscais de determinação e exigência dos créditos previdenciários o disposto no Decreto 70.235/1972 – diploma que dispõe sobre o Processo Administrativo Federal (PAF). Lei no 11.457/2007: Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: (g.n.) I a partir da data fixada no § 1o do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2o desta Lei. Com isso, os documentos de constituição de crédito previdenciários, lançamento de ofício, emitidos em procedimento fiscal pela auditoria tributária da RFB e lavrados por Auditores Fiscais da RFB (AFRFB), passaram a denominarse Auto de infração, em cumprimento ao determinado no artigo 9o do Decreto no 70.235/1972, in verbis: Art. 9o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova Fl. 284DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000065/201005 Acórdão n.º 2402003.945 S2C4T2 Fl. 6 9 indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (g.n.) Percebese pela redação do art. 9o do Decreto no 70.235/1972, acima mencionada, que existem dois documentos para a exigência do crédito tributário, que são: auto de infração e notificação de lançamento. Esta será emitida no âmbito interno do órgão da Receita Federal do Brasil que administra o tributo, conforme art. 11 desse decreto; enquanto aquele deverá ser lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, nos termos do art. 10 do mesmo decreto. Decreto no 70.235/1972 (PAF): Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (...) Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico. O presente caso tratase de auto de infração em que se verificou, nos documentos apresentados durante o procedimento de auditoria fiscal, a ocorrência de fatos geradores não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Sócia (GFIP). Logo, o procedimento de formalização do documento por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), utilizado pelo Fisco, está em consonância com a legislação vigente. Dessa forma, afasto a alegação da Recorrente de que inexiste fundamentação legal para a constituição do lançamento fiscal por meio do documento cognominado de AIOP. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição patronal e às contribuições destinadas ao financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), acrescido da contribuição adicional para complementação da aposentadoria especial para os trabalhadores expostos à agente nocivo, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. Os valores das contribuições sociais previdenciárias decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/160) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto Fl. 285DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 51/54) e seus anexos (fls. 01/50), complementados pelos documentos acostados pela Recorrente (fls. 89/160), são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontra se no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 46/48), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa (fls. 04/19). Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL), fls. 35/45; Relatório de Documentos Apresentados (RDA) e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), fls. 20/34; cópias das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 55/59) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 60) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000065/201005 Acórdão n.º 2402003.945 S2C4T2 Fl. 7 11 Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/160) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente alega que o lançamento fiscal seja declarado nulo, em razão de erro de fundamentação na aplicação da multa. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do valor da multa aplicada e não há erro na sua fundamentação, eis que o Relatório de Fundamentos Legais do Débito (FLD) delineou de forma pontual a legislação e o cálculo da multa aplicada. Posteriormente, a decisão de primeira instância aplicou o princípio da retroatividade benéfica prevista no art. 106 do CTN, nos seguintes termos: “[...] No entanto, considerandose as disposições contidas no art. 106, II, "c" do CTN, que trata da aplicação retroativa de lei que impute penalidade menos severa que a prevista ao tempo de sua prática, necessário se faz à análise comparativa da multa, devendo prevalecer aquela mais favorável ao Sujeito Passivo. Nesse sentido, no caso de lançamento de oficio das obrigações principais não declaradas e nem recolhidas em período anterior à MP n° 449, necessário o cotejo das duas multas, de mora e do descumprimento de obrigação acessória, em conjunto, com a penalidade prevista no art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/96, pois, esta abarca ambas as infrações (decorrentes do descumprimento da obrigação acessória e principal). A nova legislação, para os lançamentos de oficio, prevê uma única multa para os casos de falta de recolhimento e de falta de declaração ou apresentação de declaração inexata em GFIP ou apenas a multa de mora quando não ocorrer o lançamento de oficio, enquanto que a legislação que vigia até a edição da Medida Provisória acima, previa uma multa de mora para a falta de recolhimento de contribuições (AIOP Auto de Infração de Obrigações Principais) e mais uma multa pecuniária para falta de declaração ou declaração inexata em GFIP, cobrada através de um AIOA (Auto de Infração de Obrigações Acessórias). Desta forma, para efeito da comparação das multas para se definir a mais benéfica ao contribuinte, deverão ser consideradas as multas aplicadas sob a égide da legislação anterior, quais sejam, a multa de mora do AIOP conjuntamente com as multas aplicadas através dos AIOA de GFIP, quando existirem, conexos com os AIOP, e a multa a ser aplicada diante da nova legislação. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 De tais disposições legais e como na presente ação fiscal temse descumprimento de obrigação acessória e também principal, pelo mesmo fato gerador, mostrouse necessária à análise comparativa da multa em conformidade com a legislação época e a cominada no novo ordenamento jurídico, devendo prevalecer a mais benéfica ao Sujeito Passivo, o que efetivamente ocorreu, de acordo com o Anexo "SAFIS COMPARAÇÃO DE MULTAS", integrante do AutodeInfração de Obrigações Acessórias AIOA n° 37.254.9063, lavrado na mesma ação fiscal, que mostrou, para até a competência 11/2008, que a legislação vigente à época dos fatos geradores, é mais favorável ao contribuinte. E a partir de 12/2008, inicio da vigência da novel legislação, foi aposta a multa de oficio. É bom destacar que, em razão das características da multa de mora aplicada apenas nos AIOP e que era prevista no artigo 35 da Lei 8.212/91, cujo percentual de multa varia conforme a fase processual e o quantum é definido apenas no momento do pagamento do débito, tal comparação deve ser realizada ainda quando da quitação pelo sujeito passivo dos valores lançados ou de seu parcelamento ou no momento do ajuizamento da execução fiscal, em conformidade, inclusive, com a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 04/12/2009, DOU de 8.12.2009, restando certo que deverá ser aplicada à multa mais benéfica ao contribuinte nos termos do supracitado artigo do CTN. De fato, tem razão a Defendente ao alegar que a Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode atingir fatos pretéritos. Apenas e tão somente é possível retroagir se mais benéfico ao contribuinte, em obediência ao CTN, art. 106, como já abordado acima. No entanto, na comparação procedida entre as duas legislações, a primeira a vigente à. época dos fatos geradores, mostrouse mais favorável ao contribuinte, razão pela qual foi aplicada para até 11/2008. Notase, assim, que não ocorreu qualquer retroação para alcançar fatos pretéritos. A nova legislação exclusivamente foi aplicada a partir da competência 12/2008, principio da sua vigência. E, mais, não cabe invocar o art. 195, § 6°, da Carta Magna, que determina que as contribuições sociais somente podem ser exigidas noventa dias após a publicação da lei que as instituiu ou modificou, pois não houve qualquer instituição ou modificação para as contribuições sociais. As alterações ocorreram na aplicação dos acréscimos legais, que são valores referentes à multa e juros, incidentes sobre o valor do tributo ou contribuição, quando a obrigação tributária não é cumprida no prazo estabelecido pela legislação. Seu objetivo é desestimular o pagamento das contribuições fora do prazo previsto. [...]” Em outro giro, verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, retromencionados. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000065/201005 Acórdão n.º 2402003.945 S2C4T2 Fl. 8 13 Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal na aplicação das multas são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade, e não serão acatadas. A Recorrente argumenta que a responsabilidade pelo débito é exclusiva dos entes públicos conveniados (Municípios, Estados e União), pois ela não teria qualquer relação com o fato gerador, nos termos da cláusula quarta dos convênios com eles firmados. Afirmase como mera executora de atividades do interesse dos entes públicos que lhes repassavam os recursos financeiros mediante convênio, o que torna os entes, no mínimo, responsáveis solidários pelos supostos débitos. Razão não lhe assiste, eis que não há qualquer comprovação de que os segurados prestaram serviços aos entes públicos. Pelo contrário, os elementos probatórios juntados aos autos demonstram que os segurados estavam submetidos à prestação de serviços para a Recorrente, conforme delineamento do Relatório Fiscal, em que se apurou os valores incluídos em folhas de pagamento, referentes ao setor relacionado ao convênio firmado com a Prefeitura de Itapetininga, área de saúde. Além disso, os valores da base de cálculo também foram declarados pela Recorrente em GFIP, mensalmente, na Categoria segurados empregados e contribuintes individuais. Assim, está configurada a relação direta e pessoal da Recorrente com a relação obrigacional tributária, nos termos do art. 121, inciso I, do CTN. Código Tributário Nacional (CTN): Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Diante desse quadro, constatase que os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas referemse à remunerações por serviços que foram prestados por segurados obrigatórios do RGPS diretamente à entidade Recorrente, as quais foram apuradas em suas folhas de pagamento, GFIP e lançamentos contábeis, conforme descrito no Relatório Fiscal nos seguintes termos: “3.2 Os valores que compõem os lançamentos foram obtidos pelo confronto entre os valores das remunerações informadas nas folhas de pagamento e nas GFIPs, devidamente contabilizados, com as guias de recolhimentos”. Com isso, percebese que é a Recorrente quem efetivamente contrata os trabalhadores, os remunera e subordina a execução dos serviços por eles prestados. E, nessas circunstâncias, a Recorrente se subsume na condição própria de contribuinte de fato e de direito das contribuições sociais previdenciárias, nos termos do inciso I do art. 121 do CTN, Fl. 289DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 independentemente da origem dos recursos financeiros utilizados para o pagamento dos segurados. Por sua vez, a constatação de que as verbas utilizadas para o pagamento dos segurados em questão são oriundas de entes públicos conveniados, isso, por sis só, não tem o condão de atribuir a estes a responsabilidade solidária, nem subsidiária, pelo adimplemento da obrigação tributária ora lançada. Da mesma forma, a mera disposição, mediante cláusula de convênio, de que os entes públicos assumiriam a responsabilidade por encargos que porventura venham a ser cobrados da Recorrente, não possuem força jurídica para alterar a vontade da lei, que prevê a responsabilidade tributária ou do contribuinte ou do responsável tributário, haja vista que, nos termos do art. 123 do CTN, os acordos particulares não podem ser opostos à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo do crédito tributário. Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Conforme já foi aventado, os valores apurados como remuneração dos segurados são provenientes diretamente das folhas de pagamento, da contabilidade e da GFIP da Recorrente, e não de documentos dos entes públicos conveniados. E, sabemos que a declaração de fatos geradores mediante GFIP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário correspondente, nos termos do § 2º do art. 32 da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) §2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (g.n.) Diante disso, rejeito as preliminares ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000065/201005 Acórdão n.º 2402003.945 S2C4T2 Fl. 9 15 Com relação à questão da discussão acerca da imunidade prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, observase que o texto constitucional remeteu à lei o estabelecimento das condições necessárias para a obtenção da isenção de contribuições sociais pelas entidades consideradas de assistência social. O art. 55 da Lei 8.212/1991 veio regulamentar a matéria, estabelecendo os diversos requisitos a serem cumpridos pelas entidades consideradas de assistência social, a fim de obterem isenção da cota patronal, dispondo, em seu § 1o, a obrigatoriedade de se requerer o referido benefício no INSS. É importante frisar que, no ordenamento jurídico, há a imposição de certos requisitos para que uma entidade venha gozar de isenção/imunidade das contribuições previdenciárias, o que não logrou a empresa Recorrente comprovar. De sorte que, no caso dos autos, ao contrário do que entendeu a Recorrente, a caracterização da imunidade não depende apenas a empresa ser titulada no Estatuto Social como entidade beneficente, conforme posto na peça recursal, mas ela deverá atender todos os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei 8.212/1991 para usufruir a imunidade aqui tratada, inclusive deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), e seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito federal ou municipal. Além disso, para fazer jus ao aludido benefício, é imposta à entidade a obrigação de atender, cumulativamente, ao disposto no art. 55 da Lei 8.212/1991. O art. 55 da Lei 8.212/1991 estabelecia os seguintes requisitos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. No caso dos autos, a Recorrente teve seu direito à imunidade indeferido por meio do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais, com fundamento no descumprimento do disposto no inciso III do artigo 55 da Lei 8.212/1991, eis que, com base no parecer o Parecer/CJ n° 3.272/2004, constatouse que os convênios firmados com Prefeituras Municipais, para o desenvolvimento de ações compartilhadas na área da saúde pública, enquadravamse como serviços executados mediante cessão de mão de obra. Em razão do citado indeferimento do pedido de imunidade condicionada, a Recorrente propôs ação judicial perante a Justiça Federal (processo nº 2005.34.00.0188826), visando obter à sua condição de entidade imune reconhecida nos termos do art. 55 da Lei 8.212/1991. Nesse contesto fático, mesmo não estando amparada pela imunidade prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, a Recorrente informou nas GFIP, competências 09/2005 a 13/2008, o código FPAS 639, que é específico e exclusivo às Entidades Filantrópicas com Isenção (imune) devidamente reconhecida. Em razão da utilização do código FPAS 639, e não o FPAS 515, que seria o correto, o sistema automático de cobrança deixou de calcular as referidas contribuições constante dos incisos I, II e III do art. 22 da Lei 8.212/1991, bem com as contribuições devidas a outras entidades e fundos (Terceiros). Como a Recorrente não comprovou o cumprimento dos requisitos insertos no inciso III do art. 55 da Lei 8.212/1991, não pode estar amparada pela “isenção/imunidade”, devendo pois recolher as contribuições inadimplidas lançadas no presente processo, a qual competia, além da verificação do preenchimento dos requisitos exigidos em lei, o reconhecimento do direito à isenção das contribuições previdenciárias mediante emissão de ato administrativo declaratório pelo INSS. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da Recorrente, para reconhecer sua imunidade relativamente às contribuições à Seguridade Social, pois estando o artigo 55 da Lei 8.212/1991 em perfeita consonância com as disposições constitucionais, e considerando que as exigências ali contidas não foram observadas, fica a empresa obrigada ao recolhimento das contribuições a seu cargo, previstas no artigo 22 da mesma lei, bem como, ao recolhimento das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, nos termos do artigo 30, da referida lei e, de igual modo, efetuar o recolhimento das contribuições devidas às entidades e fundos (chamados de Terceiros). Fl. 292DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000065/201005 Acórdão n.º 2402003.945 S2C4T2 Fl. 10 17 Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19911). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: 1 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 293DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal Fl. 294DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16024.000065/201005 Acórdão n.º 2402003.945 S2C4T2 Fl. 11 19 artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Fl. 295DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER, em parte, do recurso e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.004084/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.362
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 08 4/ 20 10 -6 9 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004084/201069 Resolução nº 2401000.362 S2C4T1 Fl. 422 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela COOPERTRANSE – COOPERATIVA DOS DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SAO PAULO COOPERTRANSE, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.309.0188, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de apresentar documentos devidamente requeridos pela fiscalização por meio de TIAD. Consta do relatório fiscal que a recorrente deixou de apresentar: a. Arquivos digitais da GFIP (SEFIPCR.RE). b. Comprovantes de recolhimento: DARP/GRPS/GPS. c. Folha de pagamentos de todos os segurados. O lançamento da multa compreende o período de 01/2006 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 03/12/2010. Inicialmente fora apresentada impugnação na qual se alegou exclusivamente o seguinte: “ Segue anexo cópia de todos os esclarecimentos e documentos enviado, devidamente protocolados pelo fiscal que atuava no termo de procedimento fiscal.” Todavia, ainda dentro do prazo de impugnação, a recorrente juntou aos autos razões aditivas, através das quais combateu a integralidade do lançamento levado a efeito nos autos dos processos principais. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, de forma sintética, as alegações de suas razões aditivas de impugnação, a seguir elencadas : 1. que o acórdão recorrido está equivocado quando fez a assertiva no sentido de que a recorrente, na qualidade de empresa, remunerou os contribuintes individuais cooperados ou não, tendo em vista que a Lei 8.212/91 não trata especificadamente de cooperativa nos moldes da recorrente, pois em 1991 (data da edição da Lei) não havia no mundo dos fatos igual a da recorrente e que permitisse o legislador vir a regulála por Lei; 2. que em não havendo legislação específica que regule a relação fática havida entre as partes, o auto de infração não pode ser mantido da forma em que redigido; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004084/201069 Resolução nº 2401000.362 S2C4T1 Fl. 423 3 3. que a recorrente está sendo julgada como uma empresa normal, e não o é; 4. que não havia como se elaborar folha de pagamentos, tendo em vista que os cooperados não eram funcionários da mesma; 5. que inexiste lei para regular a situação jurídica da recorrente; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004084/201069 Resolução nº 2401000.362 S2C4T1 Fl. 424 4 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de analisar os argumentos de defesa trazidos nos autos do presente processo, aponto que o presente Auto de Infração originase de fiscalização na qual também foram lavrados autos de infração de obrigação principal resultantes nos seguintes processos administrativos: 19515.004081/201025 e19515.004082/201017. Em referidos processos, ressaltese nos quais o presente Auto de Infração está apensado, foi determinada a realização de diligência com o fito de se apurar se a documentação apresentada pelo contribuinte teria o condão de modificar o lançamento das obrigações principais lançadas. De fato o presente Auto de Infração trata da conduta omissiva do contribuinte de deixar de apresentar documentos, tida, também, como um dos fundamentos do lançcamento das obrigações principais nos processos supra citados por aferição indireta. Dessa forma, entendo que mesmo em não se tratando de um Auto de Infração correlacionado com o lançamento das obrigações principais, que o julgamento do presente devase dar em conjunto com o dos demais lançcamentos efetuados em desfavor da recorrente, para uma melhor análise de toda a matéria de defesa, motivo pelo qual, voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o presente processo continue apensado aos processos 19515.004081/201025 e19515.004082/201017 e sejam baixados, juntamente com os mesmos, para que se aguarde a realização da diligência neles solicitada, sendo então, posteriormente, enviados a este Conselho para julgamento conjunto. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001394/2008-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1803-002.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque, Sergio Luiz Bezerra Presta e Arthur José André Neto. Ausente momentaneamente o Conselheiro Arthur José André Neto.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Não se conhece do recurso interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque, Sergio Luiz Bezerra Presta e Arthur José André Neto. Ausente momentaneamente o Conselheiro Arthur José André Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 13 94 /2 00 8- 13 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10380.001394/200813 Acórdão n.º 1803002.090 S1TE03 Fl. 374 2 ARISTEL CONSTRUTORA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Brasília (DF), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de auto de infração realizado para exigir créditos tributários de IRPJ relativos aos anos 2003 e 2004, no valor de R$ 132.553,09, ao que se acrescentaram juros de mora no valor de R$ 78.659,88 e multa de ofício (75%) no valor de 99.414,79, totalizando a exigência de R$ 310.627,76. A autoridade tributária apontou como infração a redução indevida de IRPJ. Transcrevese parte do relatório da decisão recorrida (fl. 594), que bem descreve a situação em apreço: Segundo a autoridade fiscal, com o advento da Medida Provisória nº 2.058, de 23/08/2000, reeditada sob o nº 2.19914, de 24/08/2001, o benefício fiscal da redução do imposto de renda foi expressamente extinto a partir de 1º de janeiro de 2001, ficando mantido somente para as empresas situadas na Zona Franca de Manaus e as enquadradas nos setores prioritários para o desenvolvimento regional. De acordo ainda com o agente fiscal, o Decreto nº 4.213, de 2002, manteve o referido benefício apenas para as empresas que desenvolvem atividades prioritárias para o desenvolvimento regional, necessitando, assim, de um novo reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), devendo o pedido estar devidamente instruído com laudo emitido pelo Ministério da Integração Regional. Informa também o agente fiscal que a Agência de Desenvolvimento do Nordeste (ADENE) enviou ofício à RFB, por meio do qual encaminhou relação de empresas que deixaram de ter direito ao benefício fiscal de redução escalonada do imposto de renda, bem como cópia da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) proferida no Acórdão nº1.486, de 2006, que, entre outras, determinou que a ADENE adotasse providências no sentido de identificar empresas que não se enquadrassem no novo disciplinamento legal. Anexa ainda ofício encaminhado pela ADENE à RFB, por meio do qual aquela Agência informa que as atividades desenvolvidas pela autuada não estão contempladas pela legislação que orienta a concessão do aludido benefício fiscal. Informa, por fim, a autoridade fiscal que a contribuinte, intimada e reintimada a apresentar documentos comprobatórios que a autorizassem a deduzir, do IRPJ apurado, valor a título de redução do imposto, não logrou fazêlo. Cientificada do lançamento de ofício, a contribuinte deu entrada em sua impugnação de fls.194/213, em que apresenta, em síntese, as seguintes razões de defesa: Fl. 374DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10380.001394/200813 Acórdão n.º 1803002.090 S1TE03 Fl. 375 3 1. Em 31/05/2000, a autuada teve reconhecido o direito ao benefício fiscal de redução do imposto de renda, escalonado até o ano de 2013, conforme Declaração DAI/ITE nº 0088, expedida pela antiga SUDENE. 2. A Lei nº 9.532, de 1997, então em vigor, estabelecia em seu art. 3º, § 3º: “(...) ficam extintos, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2014, os benefícios fiscais de que trata este artigo.”, o que caracteriza espécie de isenção com prazo certo, ainda que tenham ocorrido sucessivas prorrogações. 3. A legislação estabelecia obrigação específica ao contribuinte, pois o valor que deixasse de ser pago em função do benefício fiscal era incorporado ao capital social das empresas, razão pela qual a autuada era obrigada a entregar ano a ano à SUDENE suas demonstrações financeiras. 4. Ao determinar (1) condições de gozo e (2) prazo certo, o aludido benefício fiscal não poderia ter sido considerado revogado, como entendeu o Fisco, em face do que preceitua o art. 178 do CTN. 5. Nesse sentido, aponta precedentes do antigo 1º Conselho de Contribuintes. 6. A condição (de contabilizar como aumento de capital) vale para ambos os incentivos da Lei nº 4.239, de 1963, seja o do artigo 14 (isenção parcial) ou do artigo 13 (isenção total para a implantação, modernização, diversificação). 7. O art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal alberga a garantia de segurança na estabilidade das relações jurídicas, que continuarão a produzir os mesmos efeitos jurídicos tal qual produziam antes de se mudar a lei que regulava a relação jurídica que tais direitos subjetivos se formaram, desde que tenham se constituído em direito adquirido, ato jurídico perfeito ou em coisa julgada. 8. Em face da Medida Provisória nº 2.058, de 23/08/2000, a contribuinte foi comunicada por meio de ofício expedido pela ADENE, em 26/04/2006, a solicitar o reenquadramento para fins de continuidade do gozo do benefício fiscal. 9. Na mesma comunicação oficial, a ADENE reconhece a validade do ato anterior, razão pela qual a empresa sempre acreditou que continuava no gozo do benefício fiscal. 10. Ainda que se entenda que o favor fiscal foi revogado, deve ser excluída a cobrança de juros de mora e atualização monetária, em face das disposições do art. 100 do CTN. A DRJ Brasília (DF), por meio do acórdão nº 0345.911, de 11 de novembro de 2011 (fls. 334), julgou procedente o lançamento, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 375DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10380.001394/200813 Acórdão n.º 1803002.090 S1TE03 Fl. 376 4 Anocalendário: 2003, 2004 ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. ÁREA DE ATUAÇÃO DA SUDENE. EXTINÇÃO. Com o advento da Medida Provisória nº 2.058, de 23/08/2000, reeditada sob o nº 2.19914, de 24/08/2001, o benefício fiscal da redução do imposto de renda, de que trata o art. 14 da Lei no 4.239, de 27/06/1963, foi expressamente extinto a partir de 1º de janeiro de 2001, ficando mantido somente para as empresas situadas na Zona Franca de Manaus e as enquadradas nos setores prioritários para o desenvolvimento regional. Cientificado dessa decisão em 22/03/2012, por meio de remessa postal (fl. 346), o autuado apresentou recurso voluntário em 25/04/2012 (fls. 347), em que afirma a tempestividade do recurso e, quanto ao mais, reforça os mesmos argumentos apresentados na impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário foi apresentado em 25/04/2012, conforme a chancela encontrada na sua folha de capa (fl. 347). O recorrente afirma que tomou ciência da decisão recorrida apenas em 27/03/2012, o que lhe daria a tempestividade. Contudo, não é isso que se verifica nos autos, pois o Aviso de Recebimento de fl. 346 comprova que o recorrente tomou ciência daquela decisão em 22/03/2012, ou seja, o recurso foi apresentado 36 dias após a referida ciência. Destarte, o recurso é intempestivo e não deve ser conhecido, em atenção ao artigo 5º do Decreto 70.235, de 1972, verbis: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Fl. 376DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10380.001394/200813 Acórdão n.º 1803002.090 S1TE03 Fl. 377 5 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 377DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003971/2002-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE.
O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigura-se lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário.
IPI. SUSPENSÃO DO IMPOSTO.ART. 5º DA LEI Nº 9.826/99.EXTENSÃO A FILIAL COM O ADVENTO DA LEI Nº 10.485/2002.
A faculdade de utilizar os institutos da suspensa~o do IPI e da manutenção e utilização dos créditos previstos no art. 5º e para´grafos da Lei n° 9.826, de 1999 só alcançou os estabelecimentos equiparados a industrial apo´s a publicação da Lei n° 10.485, de 2002.
Numero da decisão: 3402-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça, João Carlos Cassuli Junior (relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto a equiparação da filial a estabelecimento industrial para fins de usufruir da suspensão do IPI prevista na Lei nº 9.826/99. Designado conselheiro Winderley Morais Pereira para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral dr João Marques Neto OAB/SP 313726.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE. O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigura-se lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário. IPI. SUSPENSÃO DO IMPOSTO.ART. 5º DA LEI Nº 9.826/99.EXTENSÃO A FILIAL COM O ADVENTO DA LEI Nº 10.485/2002. A faculdade de utilizar os institutos da suspensa~o do IPI e da manutenção e utilização dos créditos previstos no art. 5º e para´grafos da Lei n° 9.826, de 1999 só alcançou os estabelecimentos equiparados a industrial apo´s a publicação da Lei n° 10.485, de 2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça, João Carlos Cassuli Junior (relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto a equiparação da filial a estabelecimento industrial para fins de usufruir da suspensão do IPI prevista na Lei nº 9.826/99. Designado conselheiro Winderley Morais Pereira para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral dr João Marques Neto OAB/SP 313726. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2446; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 460 1 459 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.003971/200271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.190 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria IPI Recorrente VALEO SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE AVALIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS RETROATIVAMENTE. O direito da Fazenda Pública não homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte decai em 05 (cinco) anos contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Considerando que compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, afigurase lícito retroagir até a data da apuração do crédito utilizado na Declaração de Compensação, para averiguar de sua aptidão para extinção do crédito tributário. IPI. SUSPENSÃO DO IMPOSTO.ART. 5º DA LEI Nº 9.826/99.EXTENSÃO A FILIAL COM O ADVENTO DA LEI Nº 10.485/2002. A faculdade de utilizar os institutos da suspensão do IPI e da manutenção e utilização dos créditos previstos no art. 5º e parágrafos da Lei n° 9.826, de 1999 só alcançou os estabelecimentos equiparados a industrial após a publicação da Lei n° 10.485, de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Fernando Luiz da Gama D Eça, João Carlos Cassuli Junior (relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto a equiparação da filial a estabelecimento industrial para fins de usufruir da suspensão do IPI AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 39 71 /2 00 2- 71 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 prevista na Lei nº 9.826/99. Designado conselheiro Winderley Morais Pereira para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral dr João Marques Neto OAB/SP 313726. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.003971/200271 Acórdão n.º 3402002.190 S3C4T2 Fl. 461 3 Relatório Versam estes autos de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 3º Trimestre do anocalendário de 2002, protocolizado em 29/11/2002, no montante de R$ 143.461,43 (cento quarenta e três mil, quatrocentos e sessenta e um reais e quarenta e três centavos), com fundamento no art. 11, da Lei nº 9.779/99 e no art. 5º, da Lei nº 9.826/99, ao qual foram vinculadas as Declarações de Compensação eletrônicas n° 07977.09980.300603.1.3.012928 e n° 00524.06024.300603.1.3.019334 (retificada pela n° 02827.94791.020704.1.7.012870. A DRF de Camaçari/BA houve por bem deferir parcialmente o ressarcimento e consequentemente, homologar a compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido, sob os fundamentos de que o contribuinte promovera operações de simples revenda de produtos albergados pela suspensão do IPI, prevista no art. 5º, da Lei 9.826/99, quando deveria ter submetido tais operações à tributação (inclusive efetivando a classificação dos produtos na TIPI e imputando alíquotas respectivas), assim como glosou créditos tidos como indevidamente escriturados, pois que decorrentes de supostos pagamentos a maior de IPI, cujo meio utilizado pelo contribuinte para pleitear não seria a via do ressarcimento. Daí porque, a DRF/Camaçari decidiu que “...com base no livro de apuração da contribuinte, considerandose os valores dos débitos não computados pela contribuinte, no valor de R$ 74.511,84, temse que o efetivo saldo credor do IPI, relativo ao 3° trimestre/2002, corresponde a R$ 68.949,59 (R$ 143.461,43 R$ 74.511,84).”, homologando a compensação até este limite de crédito reconhecido. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 27/06/2008 (fl. 342) o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos, por bem sintetizados no relatório da decisão prolatada pela DRJ/Salvador, peço vênia para reproduzir: “em decorrência da decadência o fisco não poderia contestar os lançamentos fiscais realizados há mais de cinco anos, em face do disposto no artigo 150, § 4°, do CTN; se a autoridade fiscal entendia como indevida a suspensão do IPI, em razão e ausência de industrialização, deveria ter lavrado o competente auto de infração para exigir o imposto não recolhido pela contribuinte; o direito à compensação pretendida está fundado no art. 5° da Lei n° 9.826, de 1999 c/c o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, o art. 2°, § 2°, inciso II da IN SRF N° 33/99 e arts. 3°, I, 4° e 5° da IN SRF n° 21, de 1997, e que esses dispositivos asseguram o direito da requerente compensar seu saldo credor de IPI com outros tributos federais, inclusive com respeito ao princípio constitucional da nãocumulatividade; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 quanto ao direito à suspensão do IPI nas saídas realizadas para a Ford, dos produtos recebidos da matriz destinados à montagem de veículos, que, tanto o estabelecimento equiparado a industrial (caso da requerente) quanto o estabelecimento industrial podem usufruir do mesmo direito à suspensão, uma vez que ´ambos procedem à saída de peças, componentes, acessórios e partes, destinados à montagem de veículos automotores´; acrescenta que a equiparação do estabelecimento filial ao industrial, prevista no referido art. 4° (da Lei n° 4.502, de 1964), não produz efeitos somente aos casos previstos nessa norma em específico, e, sim, para todas as situações relativas ao IPI; e conclui: por ser a lei instituidora do IPI, cabe somente a ela estabelecer as regras relativas à apuração do imposto, e, portanto, possui eficácia plena para todos os fatos atinentes a tal tributo; colaciona decisão sobre a matéria, proferida pela 2ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes nos autos dos processos 13603.001361/0387 e 13603.000272/200402, que corroborariam com sua tese. Por fim, requer a reforma parcial do Despacho Decisório e homologação total das compensações dos saldos credores de IPI, ajustados monetariamente pela Selic, nos termos do art. 39, parágrafo único, da Lei n° 9.250/95.” DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), proferiu o Acórdão nº 1517.105, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa constou do seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO DE IPI. DECADÊNCIA. Inaplicável o conceito de decadência para o exame dos documentos que compõem o saldo credor pleiteado. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. A faculdade de utilizar os institutos da suspensão do IPI e da manutenção e utilização dos créditos previstos no art. 5º e parágrafos da Lei n° 9.826, de 1999 só alcançou os estabelecimentos equiparados a industrial após a publicação da Lei n° 10.485, de 2002, que introduziu o § 6° no art. 5° da Lei n° 9.826, de 1999. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.003971/200271 Acórdão n.º 3402002.190 S3C4T2 Fl. 462 5 É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros Selic sobre os valores a ser objeto de ressarcimento de créd́itos de IPI. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada” Em apertada síntese, a DRJ/Salvador entendeu não aplicarse o instituto da decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento aos pedidos de ressarcimento e compensação; no mérito, entendeu não aplicarse aos estabelecimentos equiparados a industrial o benefício da suspensão do IPI previsto no art. 5º, da Lei nº 9.826/99, ponderando ainda que, para os casos de transferências para filiais e entre controladora e controladas, esse regime passou a vigorar apenas após a introdução do §6º, ao citado dispositivo, promovida pela Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, pelo que, à época (2ºTRI/2002), não poderia o sujeito passivo manter o crédito objeto do pedido de ressarcimento. Finalmente, quanto a SELIC, indeferiu referido cômputo ante à ausência de previsão legal. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 22/10/2008, conforme AR de fls. 396 – numeração em papel, o contribuinte apresentou em 21/11/2008 Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, preliminarmente, a homologação tácita da sua escrituração e consequentemente da compensação levada a cabo, que somente poderia ser atingida através de auto de infração, já atingido pela decadência. No mérito, repisa os argumentos já apresentados em sua manifestação de inconformidade, acrescentando ainda seu entendimento de que ao menos deverseia aplicar a retroatividade benigna do §6º introduzido ao art. 5º, da Lei nº 9.826/99 pela Lei nº 10.485/2002, bem como que a decisão silenciouse quanto ao seu direito estar amparado também no art. 11, da Lei nº 9.779/99, que sequer fora mencionado pela decisão recorrida. Ao final, repisou seus argumentos no sentido de entender possuir direito a SELIC sobre os créditos objeto do pedido de ressarcimento. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes e demais folhas eletronicamente anexadas, numerados em papel até a folha 445 em papel, e até a folha 459 (quatrocentos e cinquenta e nove) em numeração eletrônica, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Voto Vencido Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento, sendo que, por haver questões preliminares, de mérito e sucessivas, passo a abordagem em separado, para melhor focalizar as matérias sob julgamento. I.Preliminarmente: decadência do direito de proceder à glosas na escrituração fiscal do sujeito passivo – art. 150, §4º, do CTN. Inicialmente, há prejudicial de mérito relativa ao argumento sustentado pela Recorrente desde sua manifestação de inconformidade, no sentido de que a Administração decaíra do direito de proceder à ajustes em sua escrituração, a fim de vir a glosar créditos e, consequentemente, deixar de deferir créditos homologando apenas parcialmente as compensações levadas a cabo. Referida preliminar, na verdade, diz com a homologação tácita da compensação, cujo prazo igualmente é de 05 (cinco) anos, contados, todavia, da transmissão da Declaração de Compensação. No caso dos autos, porém, a Recorrente transmitiu as Declarações de Compensação, pela via eletrônica, em 30 de junho de 2003, e foi cientificada do despacho decisório que homologou parcialmente seu pleito, em 27 de junho de 2008, ou seja, antes que transcorresse o prazo legal previsto no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, para que ocorresse a homologação tácita da compensação. Desta forma, tenho que foi válida a análise procedida pela Administração quanto aos lançamentos feitos na escrita do sujeito passivo, pois que necessária para averiguar a existência ou não de crédito a manter e, consequentemente, a compensar. Não se tratou de constituir crédito tributário pelo lançamento, pela falta de submissão de operações tributáveis ao IPI, mas de glosa de manutenção de créditos do cômputo do saldo credor acumulado, objeto do pedido de ressarcimento. Desta forma, rejeitase a preliminar de mérito aventada. II.No mérito: Direito a suspensão do IPI nas operações de revenda pela filial, de produtos recebidos da matriz. A análise dos autos dá conta de que tratase a Recorrente de uma pessoa jurídica que industrializou produtos do tipo módulo frontal do FIESTA e do ECO SPORT, (conforme doc. de fl. 79), classificado na TIPI na posição NCM 8708.99.90, fazendoo através da matriz, mais especificamente no parque industrial que possui na cidade de Itatiba, Estado de São Paulo. Posteriormente, transferiu referidos produtos para sua filial, localizada na cidade de Camaçari, Estado da Bahia, onde procedeu a venda desse produtos exclusivamente para a montadora FORD. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.003971/200271 Acórdão n.º 3402002.190 S3C4T2 Fl. 463 7 A contenda gira em torno de aquilatar se a filial de Camaçari possuía o direito à suspensão do IPI, estampado no art. 5º, da Lei nº 9.826/99, in verbis: “Art. 5º A saída, do estabelecimento industrial, ou a importação de chassis, carroçarias, peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 e 8711 da TIPI, darseá com suspensão do IPI. §1º O fabricante dos veículos referidos no caput ficará sujeito ao recolhimento do IPI suspenso, caso destine os produtos recebidos com suspensão do imposto afim diverso do ali estabelecido. §2º O disposto neste artigo não impede a manutenção e a utilização do crédito do imposto pelo estabelecimento que houver dado saída com suspensão do imposto.” Tanto a decisão da DRF de Camaçari quanto a DRJ/Salvador, entenderam que por se tratar de estabelecimento equiparado a industrial, o estabelecimento filial da pessoa jurídica Recorrente não faz jus ao regime de suspensão ao IPI, pois entenderam aplicarse referido regime apenas às saídas do estabelecimento industrial, não podendo estender o tratamento para a simples revenda, mesmo que por estabelecimento legalmente equiparado a industrial. Por outro lado, a Recorrente sustenta que o art. 4º, da Lei nº 4.502/64, ao efetivar a equiparação, fêlo “para todos os efeitos legais”, e, consequentemente, também estaria contemplando este específico tratamento, além de entender que deverseia aplicar a legislação posterior que passou a permitir o emprego da suspensão nas operações em questão. Tenho que no caso em análise, por diversos fundamentos, assiste razão à Recorrente. Inicialmente, devese trazer à análise o preceito contido no art. 4º, da Lei nn 4.502/64, que assim pontificou: “Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; II as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte; (...)” (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Para a análise dos autos, esses dois incisos, combinados com o “caput”, bastam à interpretação que faço da sujeição passiva tributária em casos de equiparação. Inicialmente verificase que a Lei equiparou os estabelecimentos importador e o filial, ao próprio estabelecimento industrializador; fazendoo para que haja equilíbrio de incidência tributária do IPI em toda a cadeia de produção, evitandose que se pudesse efetivar meras transferências a valores baixos entre estabelecimentos de uma mesma empresa, para posterior revenda sem o destaque do imposto (caso das filiais); bem como para que o produtor nacional estivesse em pé de igualdade em termos de incidência tributária com os produtos importados (no caso do importador). Fl. 466DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Daí porque entendo que a Lei nº 4.502/64 ao equiparar os estabelecimentos comerciais aos industriais “para todos os efeitos desta lei”, não poderia adotar o discrímem de considerar que a suspensão de IPI seria aplicável para a matriz que industrializou o produto, mas não se aplicaria se a revenda viesse a ser feita pela filial, justamente porque, se não houvesse a suspensão da incidência, em havendo a transferência da matriz à filial com a subsequente “simples revenda”, haveria a incidência tributária do IPI como se estabelecimento industrial fosse (tanto que assim procedeu a DRF/Camaçari, ao glosar os créditos). Assim sendo, tenho que o mesmo tratamento da incidência, deve ser dado à suspensão da incidência a para o caso das transferências entre matriz e filial, sob pena de fazer tabula rasa do instituto da equiparação contido no preceito citado. Além disso, ainda em análise do art. 5º, da Lei nº 9.826/99 c/c art. 4º, da Lei nº 4.502/64, outro fundamento a sustentar o direito à suspensão por parte de estabelecimento equiparado a industrial, é o fato de que a lei concedeu referido direito ao importador, o qual, nos termos do art. 4º, citado, igualmente pratica a simples revenda, tal e qual a filial do estabelecimento, cuja equiparação encontrase chumbada no inciso II, do mesmo art. 4º. Ora, interpretar que a Lei não desejou albergar com a suspensão as transferências entre matriz e filiais, estas legalmente equiparadas a industrial, e ao mesmo tempo, pretendeu suspender a incidência na simples revenda feita pelo importador, que é tão equiparado a industrial que aquele outro, penso que não se coaduna com a análise sistemática ou teleológica do ordenamento; de modo que entendo que o art. 4º, da Lei nº 4.502/64 albergava tanto a suspensão de incidência do IPI para as importadoras quanto para as filiais, ambas equiparadas a industrial, para todos os efeitos legais. Deve também ser refletido que no caso em análise (transferência de matriz industrial para filial), embora legalmente sejam estabelecimentos diversos para fins de incidência de IPI, não podemos perder de vista que no caso em concreto estamos diante de uma única pessoa jurídica, com uma só personalidade jurídica, e não diante de tantas pessoas jurídicas quantas sejam seus estabelecimentos. Disso decorre que, segundo minha interpretação, no caso da equiparação legal existente entre estabelecimentos “matriz industrial” e “filial comerciante”, ou viceversa, esse tratamento decorre muito mais do fato de se tratarem de única pessoa jurídica do que de serem mesmo equiparáveis em termos mercadológicos ou estratégicos, no interesse do controle, fiscalização ou arrecadação tributária, ou ainda, de interesses fiscais ou extrafiscais. Embora em bases fáticas bastante diversas, tive oportunidade de manifestar esse entendimento quando do julgamento do Processo nº 10855.000559/200636, por esta Turma julgadora, em que ficou consignado que: “Tenho que a discussão se cinge no fato de ser a pessoa jurídica envolvida no primeiro e segundo pedido de ressarcimento, rigorosamente a mesma, representado juridicamente por uma unicidade, embora possa, em termos de apuração tributária, estar organizada em estabelecimentos, sem que, no entanto, tal fato acarrete concluir ter ela tantas personalidades jurídicas distintas quantas forem os seus estabelecimentos. Explicando: embora haja a autonomia dos estabelecimentos para fins de definição da responsabilidade tributária para o IPI, apurandose o tributo por cada uma das unidades, na verdade estamos diante de uma única pessoa jurídica, com uma única Fl. 467DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.003971/200271 Acórdão n.º 3402002.190 S3C4T2 Fl. 464 9 personalidade jurídica, e não de tantas personalidades jurídicas quantas sejam os seus estabelecimentos matriz e filiais. Consequentemente, se ficar assente dentro do Direito que as pessoas jurídicas, mesmo divididas em estabelecimentos – que são seus órgãos operacionais , no todo compõem uma unicidade com personalidade jurídica única, caracterizada estará a hipótese de que os atos praticados pela matriz, que importem em suspensão/interrupção do prazo prescricional, favorecerá a pessoa jurídica como unicidade que é, inclusive em benefício de seu órgão filial. E isso não quer significar que os estabelecimentos não sejam autônomos para fins de se apurar os tributos e as responsabilidades para cada estabelecimentos. Apenas que os atos da pessoa jurídica favorecem todos os seus órgãos. Nesse sentido, os precedentes que abaixo colaciono, assim nos lecionam: (...) ´DRAWBACK — EXPORTAÇÃO FEITA POR OUTRO ESTABELECIMENTO — Com fulcro no princípio da unicidade da personalidade jurídica, devem ser reconhecidas como válidas as exportações realizadas por outro estabelecimento (filial) — que não aquele que firmou o compromisso do Regime Especial (matriz) — para fins de verificação de cumprimento do Ato Concessório. FUNGIBILIDADE — Havendo clara e inequívoca descrição e distinção dos produtos a serem exportados para adimplemento do compromisso assumido no Ato Concessório do regime especial de Drawback, não pode ser aplicado o princípio da fungibilidade. DESCUMPRIMENTO PARCIAL DE ATO CONCESSÓRIO — A exigência dos tributos incidentes na importação de mercadorias beneficiaras pelo regime especial de Drawback está limitada à parte da obrigação descumprida nos termos do compromissado no Ato Concessório, devendo ser consideradas como cumprimento a parte das exportações efetivamente realizadas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE DESTAQUE DO VOTO ´Aliás, como já tive oportunidade de manifestar meu entendimento, a unicidade da personalidade jurídica deve ser concebida pela Administração em todos os momentos das relações jurídicas, ressalvadas as condições especiais (exceções), na medida em que há o efetivo reconhecimento de tal unicidade no momento em que a Administração exige o cumprimento de obrigações tributárias; aí não há diferença nem distinção entre estabelecimentos, qualquer um é responsável pelo todo. Assim, se o estabelecimento filial tem a mesma capacidade de industrializar e/ou exportar, entendo deva ser Fl. 468DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 reconhecida a exportação como da contribuinte, independentemente do ´sufixo´ de seu CNPJ.” Grifouse (3º Conselho de Contribuintes . 1ª Câmara. Acórdão n. 301 32.676. Sessão de 25 de abril de 2006.) Seguindo a linha de entendimento dos julgados supra citados, penso que deve ser aplicada a unicidade da personalidade jurídica ao caso dos autos, de forma a colocar alguns limites a regra da ´autonomia dos estabelecimentos´, que por força de Lei vincula realmente o dever de se apurar e recolher descentralizadamente o IPI. Porém, elevar tal regra excepcional, que é aplicável ao IPI, para conferir status de personalidade jurídica distinta para cada um dos estabelecimentos, penso que seria extrapolar as normas gerais de direito, pois que as filiais são ligadas à matriz, e todas elas são órgãos da empresa, que no todo estão realizando os objetivos sociais contidos nos estatutos sociais, esses sim, registrados no Registro Público correspondentes, conferem a personalidade jurídica ao ente sujeito de direitos e obrigações.” Nesta linha de interpretação, a equiparação do estabelecimento filial ao estabelecimento matriz, industrial, na realidade está colhendo uma única pessoa jurídica, que na sua essência, é uma indústria, sujeitando todos os estabelecimentos desta única pessoa jurídica, independentemente da existência de uma equiparação legal, à incidência do IPI. Do mesmo modo, tenho que a unicidade da personalidade jurídica igualmente determina que o tratamento existente para a indústria é aplicável para o estabelecimento filial, sendo o instituto da equiparação meramente o “meio” que veicula este efeito jurídico, mas que seria aplicável mesmo sem essa expressa previsão legal. E interpreto que não foi outra a razão para que viesse a lume a Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, que introduziu o §6º ao art. 5º, da Lei nº 9.826/99, nos seguintes termos: “§6º O disposto neste artigo aplicase, também, a estabelecimento filial ou a pessoa jurídica controlada de pessoas jurídicas fabricantes ou de suas controladoras, que opere na comercialização dos produtos referidos no caput e de suas partes, peças e componentes para reposição, adquiridos no mercado interno, recebidos em transferência de estabelecimento industrial, ou importados.” (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) – grifei. Cabe aqui uma importante observação: a publicação da Lei nº 10.485 se deu em 04 de julho de 2002, ou seja, quando já em curso o trimestre em que os créditos objeto do pedido de ressarcimento foram “mantidos” pela Recorrente, de modo que já de antemão se poderia cogitar de simples aplicação do preceito legal, no caso em questão. De todo modo, o art. 7º, da referida Lei, diz que a mesma produz efeitos a partir do 1º dia do 4º mês subsequente ao de sua publicação. Independentemente desta análise, tenho que referido preceito tem caráter nitidamente interpretativo, já que segundo exposto anteriormente, tanto a “unicidade da personalidade jurídica” quanto a equiparação legal a indústria, dos estabelecimentos matriz e filial, prevista no art. 4º, da Lei nº 4.502/64, já amparam a suspensão da incidência do IPI na revenda feita pela filial, de produto industrializado recebido da matriz. Deste modo, tenho que a nóvel legislação aplicase aos fatos pretéritos, nos termos do art. 106, I, do CTN. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.003971/200271 Acórdão n.º 3402002.190 S3C4T2 Fl. 465 11 De todo modo, tratandose de ato não definitivamente julgado, a aplicabilidade da retroatividade tributária encontra amparo também na alínea “b”, do inciso II, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), que assim disciplina: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifei) Cotejando o disposto na alínea “b”, em destaque, com o preceito legal em questão (art. 5º, da Lei nº 9.826/99), tenho que a lei posterior deixou de tratar a “suspensão do IPI” como contrária a exigência de omissão (ou seja, deixar de aplicar a suspensão), passando a permitir que se pudesse aplicar o tratamento tributário sob análise; e, por se tratar de ato não definitivamente julgado que não foi fraudulento, não decorrendo falta de pagamento de tributo (justamente porque aplicase a suspensão), tenho que é de se aplicar a retroatividade benigna do art. 4º, da Lei nº 10.485/2002, ao caso em concreto, para se permitir o emprego da suspensão do IPI às operações em análise. Quanto aos créditos provenientes de supostos pagamentos indevidos efetivados pela Recorrente, e que foram glosados pela autoridade fiscal, entendo que não assiste razão ao contribuinte, pois que efetivamente o veículo correto para o “indébito tributário”, no período em questão, não era o simples registro do suposto crédito no Livro RAIPI, de modo que neste particular deve ser preservada a glosa. No que diz respeito a SELIC, embora entenda ser a mesma cabível, nos termos e nos limites da Súmula nº 411, do STJ, ou seja, quando não se tratar de créditos meramente escriturais ou em que haja oposição injustificada da Administração, no caso em concreto a Recorrente já transmitiu e vinculou ao pedido de ressarcimento suas Declarações de Compensação eletrônicas, consumindo o crédito pleiteado, não estando no aguardo do deferimento de um crédito sequer pela morosidade da Administração, não cabendo assim, o deferimento da incidência do referido índice, no caso em concreto. III.Conclusão: Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, afastando a glosa fiscal sobre o crédito no valor de R$ 74.511,84. (Assinado digitalmente) Fl. 470DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 Joao Carlos Cassuli Junior Relator Voto Vencedor Em que pese o respeitável voto do i. relator, peço vênia para divergir do entendimento apresentado em relação à equiparação da filia a estabelecimento industrial para fins de usufruir da suspensão do IPI. De acordo com a legislação, no período em análise, somente as aquisições referentes ao estabelecimento matriz da empresa podem utilizar os benefícios quanto ao crédito previstos na Lei nº 9.826/99. Tratando de norma de isenção o Código Tributário Nacional determina a interpretação literal, não cabendo a aplicação de analogia ou qualquer outro conceito para extensão do benefício concedido. Portanto, correta a decisão da primeira instância. A matéria já foi objeto de julgamento pela Segunda Turma da Câmara da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 20203.810, na sessão do dia 12 de fevereiro de 2009, de relatoria do e. Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Quando foi decidido que o direito previsto no art. 5º da Lei nº 9.826/99 só foi estendido à filial equiparada a industrial com o advento do art. 4º da Lei nº 10.485/2002. As posições adotadas pelo Relator no voto condutor daquela decisão estão em plena consonância com o entendimento deste Relator, razão pela qual peço vênia para incluir este voto, fazendo dele também minhas razões de decidir. "O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão controvertida resumese em saber se antes do advento do art. 4º da Lei nº 10.485/2002, o art. 5º da Lei nº 9.826/99 permitia a todo estabelecimento equiparado a industrial a dar saídas aos produtos nele especificados com suspensão do imposto e com direito manutenção e a. utilização do crédito. O Acórdão recorrido decidiu que tal direito existe desde o advento da Lei nº 9.826/99, uma vez que o art. 4º da Lei nº 4.502/64 estabelece que a equiparação a estabelecimento industrial ocorre para todos os efeitos legais. Já o paradigma da divergência decidiu que antes da alteração efetuada por meio da Lei nº 10.485/2002, somente o estabelecimento industrial e o importador é que poderiam usufruir daquele beneficio legal. Conquanto tenha votado com a tese do Acórdão recorrido, após um exame mais aprofundado da matéria, constatei que realmente esta tese não tem sustentação jurídica. Ao contrário do que sustentou o Relator do acórdão recorrido, a equiparação prevista no art. 4º da Lei n2 4.502/64, não é para "todos os efeitos legais", mas apenas e tãosomente para os "efeitos desta lei". Portanto, os estabelecimentos enumerados no art. 4º da Lei nº 4.502/64 são estabelecimentos industriais para todos os efeitos da Lei nº 4.502/64, estando, portanto, sujeitos a todos os ônus e bônus de um contribuinte do IPI. Entretanto, isto não impede que leis futuras criem regimes ou benefícios específicos para o Fl. 471DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.003971/200271 Acórdão n.º 3402002.190 S3C4T2 Fl. 466 13 industrial e equiparados, ou para alguns equiparados em detrimento de outros, conforme seja o desígnio que o legislador pretenda atingir. Foi o que aconteceu com o art. 5º da Lei nº 9.826/99, que assim dispõe: "Art. 5º A saída, do estabelecimento industrial, ou a importação de chassis, carrocerias, peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 e 8711 da TIPI, darseá com suspensão do IN" (grifei) Conforme se pode observar, o legislador concedeu o direito de forma taxativa apenas para os estabelecimentos industriais e a apenas a um dos equiparados a industrial enumerados no art. 9º do RIPI/98, que é o importador. Somente com a publicação do art. 4º da Lei nº 10.485/2002 foi que o direito suspensão e de manutenção e utilização do crédito correlato, foi estendido a outras entidades, conforme se pode verificar na novel redação: "Art. 4º. O artigo 5º da Lei nº 9.826, de 23 de agosto de 1999, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 5º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. § 1º Os componentes, chassis, carrocerias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. § 2º A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. § 3º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. § 4º Nas notas .fiscais relativas às saídas referidas no Caput deverá constar a expressão 'Saida com suspensão do IPI` com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. Na hipótese de destinação dos produtos adquiridos ou importados com suspensão do IPI, distinta da prevista no § 2º deste artigo, a saída dos mesmos do estabelecimento industrial adquirente ou importador darseá com a incidência do imposto. § 6º 0 disposto neste artigo aplicase, também, a estabelecimento filial ou a pessoa jurídica controlada de pessoas jurídicas Fl. 472DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 fabricantes ou de suas controladoras, que opere na comercialização dos produtos referidos no caput e de suas partes, peças e componentes para reposição, adquiridos no mercado interno, recebidos em transferência de estabelecimento industrial, ou importados. (NR) Parágrafo único. O disposto no inciso I do § 2º do art. 5º da Lei nº 9.826, de 23 de agosto de 1999, com a redação alterada por este artigo, alcança, exclusivamente, os produtos destinados a emprego na produção dos produtos autopropulsados relacionados nos Anexos I e II desta Lei." (grifei). Portanto, somente com o advento do § 6º acima transcrito foi o direito estendido à ora recorrente. Não se olvide que o art. 178 do RIPI/98 estabelece que: "Art. 178. Os créditos cio imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução cio imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração cio imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte. § 2º 0 direito a utilização do crédito está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento." Desse modo, é fora de qualquer dúvida que o art. 4º da Lei nº 4.502/64 não criou uma equiparação para qualquer efeito legal e nem impede que normas futuras criem distinções entre estabelecimentos industriais e equiparados a industrial e nem entre equiparados entre si. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido e restabelecer a decisão de primeira instância.” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 473DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 13839.003971/200271 Acórdão n.º 3402002.190 S3C4T2 Fl. 467 15 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000861/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MATÉRIA DE FATO. Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, impõe-se a manutenção do lançamento.
DIMOB. ATRASO NA ENTREGA RESPECTIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não cabe denúncia espontânea para afastamento de multa de ofício decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação acessória.
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A penalidade de ofício por atraso no cumprimento de obrigações acessórias prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.518-35/01 foi reduzida pela Lei nº 12.766/12 e, mais recentemente, pela Lei nº 12.873/13.
Recurso voluntário provido em parte para reduzir a penalidade aplicada.
Numero da decisão: 1102-000.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para reduzir a multa aplicada para o valor previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158/01 em sua nova redação dada pela Lei nº 12.873/13, vencido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito, que convertia o julgamento em diligência para verificar a origem das receitas de locação da contribuinte. O conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, impõese a manutenção do lançamento. DIMOB. ATRASO NA ENTREGA RESPECTIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não cabe denúncia espontânea para afastamento de multa de ofício decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação acessória. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A penalidade de ofício por atraso no cumprimento de obrigações acessórias prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.51835/01 foi reduzida pela Lei nº 12.766/12 e, mais recentemente, pela Lei nº 12.873/13. Recurso voluntário provido em parte para reduzir a penalidade aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para reduzir a multa aplicada para o valor previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158/01 em sua nova redação dada pela Lei nº 12.873/13, vencido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito, que convertia o julgamento em diligência para verificar a origem das receitas de locação da contribuinte. O conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 08 61 /2 00 8- 56 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10855.000861/200856 Acórdão n.º 1102000.973 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, João Carlos de Figueiredo Neto Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Terceira Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO. DIMOB. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. MULTA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e do não confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. INFRAÇÃO TRIBUTARIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Lançamento Procedente” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 29), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), relativa ao anocalendário de 2006, no valor de R$ 60.000,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (11s.1/16) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que a multa aplicada é ilegal, pois fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, e que deve ser excluída em função da boafé da contribuinte. Acrescentou que teria ocorrido a denúncia espontânea, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 138.” Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10855.000861/200856 Acórdão n.º 1102000.973 S1C1T2 Fl. 4 3 O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em sede de recurso voluntário, o Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que tange à improcedência do lançamento por (i) inexigibilidade da apresentação da DIMOB; (ii) ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; (iii) exclusão da culpa, em virtude da boafé da Contribuinte; e (iv) aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. (i) Da inexigibilidade da apresentação da DIMOB Sustenta a Contribuinte que não estaria obrigada à apresentação da DIMOB, uma vez que não se enquadraria em nenhuma das hipóteses previstas no art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 694/2006. Segundo a Contribuinte, a entrega da DIMOB teria sido efetivada por erro, já que suas receitas de aluguel decorreriam de exploração de um imóvel próprio e do Terminal de Ônibus Municipal por ela construído na forma do contrato de concessão de transporte público firmado com a Municipalidade de Votorantim. Alega a Contribuinte que a locação de áreas do Terminal não caracterizaria “sublocação”. O acórdão recorrido não se manifestou sobre o ponto, pois este argumento foi suscitado em recurso voluntário. Em que pesem sejam verossímeis ante a natureza das atividades desenvolvidas pela Contribuinte, as alegações de recurso não podem ser acolhidas ante a ausência da apresentação de provas que possam comprovar de forma cabal que a Contribuinte não exerceu quaisquer das atividades previstas no art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 694/2006. De fato, a entrega da declaração pela própria Contribuinte torna presumida sua obrigatoriedade, presunção esta que apenas poderia ser afastada caso a Contribuinte demonstrasse de forma inequívoca a origem de suas receitas de locação e eventuais outras receitas não operacionais, como também sua completa desvinculação com as atividades citadas na regulamentação citada. Não há demonstração, por exemplo, a quais valores se referem a alegada locação de imóvel próprio e de áreas do terminal rodoviário de Votorantim, a fim de demonstrar que estes valores representariam de fato a totalidade dos valores informados na DIPJ e DIMOB (fls. 33 e 34) a título de receita de locação, conforme alegado em sede de recurso voluntário. Ausente tal prova, impõese rejeitar o recurso voluntário nessa parte. (ii) Da ofensa aos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10855.000861/200856 Acórdão n.º 1102000.973 S1C1T2 Fl. 5 4 Aduz a Contribuinte que a multa prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01 não respeita aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Conforme consta na Súmula nº 2 do CARF, este órgão julgador administrativo não é competente para julgar a constitucionalidade das leis tributárias. Confira se: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, os argumentos da Contribuinte não devem prosperar dada a incompetência deste órgão de julgamento para analisar a constitucionalidade da lei. (iii) Da exclusão da culpa, em virtude da boafé da Contribuinte Alega ainda a Contribuinte que a agiu de boafé, sendo, portanto, inaplicável a multa tendo em vista a exclusão da sua culpa. O argumento também não procede. A aplicação da multa prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01 decorre de conduta típica e visa sancionar o atraso no cumprimento de obrigação acessória exigida pela RFB, independente da verificação de culpa ou dolo por parte do infrator. (iv) Da aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN Sustenta a Contribuinte que, no caso, deveria ser aplicada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, tendo em vista que a cumprimento da obrigação acessória se deu antes da instauração de qualquer procedimento fiscalizatório. Não merecem ser acolhidos os argumentos da Recorrente, pois este órgão julgador já consolidou o entendimento de o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN não alcança as multas por atraso na entrega de declarações, a teor da Súmula nº 49 deste conselho. Confirase: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” (iv) Da aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c” do CTN Apesar de improcedentes os argumentos apresentados pela Contribuinte, impõese aplicar no caso a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c” do CTN, o qual dispõe o quanto segue: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10855.000861/200856 Acórdão n.º 1102000.973 S1C1T2 Fl. 6 5 (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Verificase no auto de infração constante às fls. 31 que o fundamento legal para a imposição da multa em discussão foi o art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01, cuja redação, à época, era: “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.” Contudo, a redação do referido art. 57 da Medida Provisória nº 2.51835/01 foi alterada pela Lei nº 12.766/12 e, recentemente, pela Lei nº 12.873/13, para reduzir o montante da penalidade em referência. Confirase a atual redação do referido art. 57, verbis: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (...)” Considerandose que a Contribuinte adotava o lucro real à época dos fatos, conforme se verifica na ficha da DIPJ às fls. 33, impõese, por força do art. 106, II, alínea “c” do CTN, o reconhecimento da redução da multa, de R$ 5.000,00 por mês, para o valor de R$ Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10855.000861/200856 Acórdão n.º 1102000.973 S1C1T2 Fl. 7 6 1.500,00 por mês, de acordo com a nova redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158 35/01. (v). Conclusão Diante de todo o exposto, oriento o meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento para reduzir a multa aplicada ao valor previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158/01 em sua nova redação dada pela Lei nº 12.873/13. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08 /04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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