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Numero do processo: 15983.000307/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
Penalidade.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 1302-000.425
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para 50%.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: Penalidade. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para 50% (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO – Presidente e Relator . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira , Daniel Salgueiro da Silva, Edijalmo Antonio da Cruz e Marcos Rodrigues de Mello Fl. 161DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 144 2 Relatório Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 04/05, para constituição de crédito tributário relativo à multa isolada, em razão de compensação indevidamente efetuada pelo sujeito passivo. No Termo de Termo de Constatação Fiscal (fls. 07/09), parte integrante do auto de infração, são relatadas detalhadamente as razões pelas quais a unidade de competência originária considerou não declaradas as compensações. As disposições legais encontramse descritas no auto de infração. Em 13/09/2006, a interessada tomou ciência do auto de infração (fl. 44) e, em 29/09/2006, apresentou defesa (fls. 49/57), resumidamente, nos seguintes termos: Respaldada pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, a Lei 9.430/1996 possibilitou ao sujeito passivo a utilização do crédito, mediante compensação com débitos próprios e de quaisquer espécies de tributos, desde que administrados pela Receita Federal. A partir daí, vieram outras legislações permissivas do direito de realizar a compensação (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e IN SRF 21/1997 e 210/2002), todas garantidoras do direito do contribuinte de compensar seus créditos. A escritura pública ou instrumento particular de cessão de direitos creditórios, emitidos em razão de ação expropriatória, são legalmente e comumente apresentadas para demonstrar a “propriedade” de direitos e consequentemente noticiam uma cessão de direitos. A impugnante e terceira pessoa participaram de negócio jurídico bilateral, consistente na cessão de direitos creditórios decorrentes de ação expropriatória, a qual já tem o condão de Execução do julgado, vez que o direito à indenização aos expropriados é líquido e certo. A Receita Federal tem punido os contribuintes que tenham pago seus débitos tributários de outra forma que não seja em dinheiro, com a aplicação de multa de 75% sobre o valor do tributo, mesmo nos casos em que os débitos foram objeto de compensação e que estejam “sub judice” na esfera administrativa. Tais multas são abusivas porque violam os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, além disso, o procedimento adotado ofende os princípios fundamentais do processo administrativo fiscal, elencados no artigo 2º da Lei 9.784/1999. É cediço que, a partir do indeferimento pela unidade administrativa já se inicia o processo de cobrança, sem ao menos respeitar o direito do contribuinte de ampla defesa, acarretando danos irreparáveis como a negativa da CND e impedimento de participação em licitações. O artigo 151 do Código Tributário Nacional determina que não se pode molestar o contribuinte na tentativa de receber o montante compensado enquanto não houver o trânsito em julgado do processo administrativo em que se discute ser devido a restituição ou o ressarcimento pleiteado. A DRJ decidiu: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Fl. 162DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 145 3 Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Aplicase multa isolada sobre débitos objeto de compensação considerada não declarada, nas hipóteses previstas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário, não cabendo, em sede de julgamento administrativo, proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento, salvo nas hipóteses legalmente previstas. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 09/06/2009 e apresentou recurso em 08/07/2009. Em seu recurso alega: que há nulidade do lançamento por violação ao art. 10 do Decreto 70235, pois quando do lançamento o art. 44 da Lei 9430 havia sido alterada pelo art. 18 do MPV 303 de 29/06/2006, prevendo multa de 50% para a situação descrita nos autos, sendo que o lançamento aplicou multa de 100%; que a Lei 11.488/2007 prevê a aplicação de multa em dobro, mas tal lei não pode retroagir para alcançar fatos pretéritos; que não houve a práticas das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei 4502/64 e que isso também não foi alegado pela fiscalização; que, em 03/08/2006 (antes da autação) ingressou nos autos do processo administrativo 10845000746/200558 com pedido de desistência das compensações efetuadas, uma vez que pretendia ingressar com pedido de parcelamento dos débitos oriundos de tais compensações; que ingressou com o pedido de parcelamento de todos os tributos objeto das compensações não homologadas Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Início pela análise da argüição de nulidade feita pela recorrente. Afirma a recorrente: Fl. 163DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 146 4 “ A presente autuação fora efetuada em 04/09/2006, constando como enquadramento legal da mesma o artigo 18 da Lei 10.833/03 com redação dada pelo artigo.11.051/2004, in verbis. Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1 o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (grifamos) Ao tratar das alíquotas a serem aplicadas para a apuração da multa isolada, o § 4º do artigo 18 da Lei 10833/2003 remete ao instituído pelo inciso I (75% para os casos de falta de pagamento etc) e II (150% para os casos de evidente intuito de fraude) do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n°303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do • inciso seguinte; (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv n° 303, de 2006) (Vide Medida Provisória n° 351, de 2007) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Fl. 164DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 147 5 Ii isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Ocorre que na época da autuação (setembro/2006) o o artigo 44 da Lei 9.430/96, havia sido alterado pelo artigo 18 da MPV 303 de 29/06/2006, passando por esta razão a vigorar com a seguinte redação: Art. 18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Tendo em vista que nem a autuação, nem o acórdão recorrido fazem qualquer menção a hipótese prevista no § 2 0 do artigo 44 da Lei 9.430/96, podese concluir que a aliquota a ser utilizada para a pretensa aplicação de multa isolada deveria ser aquela prevista no inciso II do caput do artigo 44 da Lei 9430/96, qual seja de 50%. 13. Ocorre que pela simples analise dos demonstrativos anexos ao Auto de infração podese verificar que a multa isolada cobrada no presente processo é exatamente o mesmo valor das compensações tidas por não declaradas nos autos do Processo Administrativo 10845.000746/200558. Concluise então que o que se cobra através do presente Auto de Infração é multa isolada no percentual de 100% sobre os valores indevidamente compensados, o que não está previsto na legislação utilizada como fundamentação do presente processo, posto que a mesma prevê a aplicação de multa no percentual de 50%. 15. Desta maneira, tendo em vista o flagrante erro cometido pela Administração Pública ao autuar o recorrente com fulcro em legislação que na época da autuação havia sido extirpada do mundo jurídico pela MPV 303/2006 e que a aliquota de 100% sobre as compensações não declaradas, aplicada para o calculo da multa isolada que se pretende cobrar não está prevista na legislação que rege a matéria, resta clara a nulidade do presente processo, devendo a mesma ser decretada por estes nobres julgadores o que desde já se requer. Verifico que a base legal do lançamento da multa isolada foi o art. 18 da Lei 10833, abaixo transcrita: Fl. 165DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 148 6 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) A MPV 303 de 2006 prescreveu: O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a)na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b)na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §2oOs percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 149 7 Somente a Lei 11.488 de 2007 deu a redação abaixo ao § 2º do art. 18 da Lei 10833: § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Embora possa parecer involuntária a mudança, a verdade é que a multa que deveria ser aplicada no momento do lançamento era de 50 %, conforme o disposto no art. 18 da Lei 10833, que previa o percentual prescrito no inciso II do art. 44 da Lei 9430, que à época era de 50%. Foi a Lei 11488 de 2007 que alterou o percentual de multa a ser aplicado para o previsto no inciso I do art. 44. Poderia se argumentar que a MPV 303 perdeu sua eficácia, conforme o ato abaixo transcrito: ATO DO PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL Nº 57, DE 2006 O PRESIDENTE DA MESA DO CONGRESSO NACIONAL, nos termos do § único do art. 14 da Resolução nº 1, de 2002CN, faz saber que a Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, que "Dispõe sobre parcelamento de débitos junto à Secretaria da Receita Federal, à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional do Seguro Social nas condições que especifica e altera a legislação tributária federal.", teve seu prazo de vigência encerrado no dia 27 de outubro do corrente ano. Congresso Nacional, 31 de outubro de 2006 Senador RENAN CALHEIROS Presidente da Mesa do Congresso Nacional No entanto, no momento da lavratura do auto de infração, setembro de 2006, a MPV estava vigente e tinha plena eficácia, produzindo efeitos até a data descrita no ato acima. Tendo sido prescrita a multa de 50% na MPV 303 e estando esta medida vigente no momento do lançamento este era o percentual a ser aplicado. O lançamento descreve corretamente a base legal, mas se equivoca ao aplicar o percentual, que deve ser reduzido a 50% sobre os valores indevidamente compensados. Diante do exposto, voto no sentido de reduzir a multa isolada para 50% do valor da CSLL que deixou de ser recolhida pela compensação considerada não declarada. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 167DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15983.000307/200665 Acórdão n.º 1302000.425 S1C3T2 Fl. 150 8 Fl. 168DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10283.003664/2005-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004CRÉDITOS. INSUMOS ADQUIRIDOS COM ISENÇÃO. DILIGÊNCIAInexiste vinculação da autoridade fiscal à diligência anteriormente efetuada. Válida nova diligência que alcance conclusão diversa da primeira, obstando a fruição de créditos solicitados.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.777
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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INSUMOS ADQUIRIDOS COM ISENÇÃO. DILIGÊNCIA Inexiste vinculação da autoridade fiscal à diligência anteriormente efetuada. Válida nova diligência que alcance conclusão diversa da primeira, obstando a fruição de créditos solicitados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 177DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Relatório Adotase o relatório do acórdão da 3ª Turma da DRJBELÉM/PA n° 01 14.007, de 19 de maio de 2009: “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de suposto crédito de PIS no valor de R$ 98,117,10, que o contribuinte alega ter direito, conforme fls. 01/05, 38 e 39, referente aos insumos adquiridos com isenção no 1º trimestre de 2004. Os autos foram encaminhados ao Sefis/DRF/MNS, para que adotasse as providências constante do despacho de fl. 40. Após o procedimento de diligência, foi elaborado pela Autoridade Fiscal o Termo de Encerramento de Diligência, fls. 46/47, do qual extraímos os excertos abaixo: "...os documentos juntados ao presente processo são insuficientes para análise do pleito, posto que, não resta demonstrado, de forma clara, os valores realmente pagos aos seus fornecedores, especificados por relação de notas fiscais com os respectivos valores que deram origem ao suposto crédito pleiteado"; "O contribuinte foi regularmente intimado a apresentar as planilhas com demonstrativos dos créditos a serem ressarcidos/compensados, no entanto, apresentou em 05.11.2008, Carta Resposta ao termo inicial de diligência, de maneira genérica, colocando a disposição do fisco nas instalações da empresa, os documentos solicitados e apresentou CD (arquivo Magnético) em desacordo com o Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15 de 23 de outubro de 2001, conforme solicitado em termo de intimação, portanto, insuficiente para análise"; “A regra geral, não dá direito ao crédito, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento de contribuição, inclusive no caso se isenção, esse último quando revendidos ou utilizados corno insumos e ou produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição"; "Diante dos fatos acima elencados, somos pelo indeferimento do pleito, conforme formulado, e em razão da inexistência de base legal". Através do Despacho Decisório de fl. 65, baseado no Parecer DRF/MNS/AM/SEORT n° 016 de fls. 60/64, foi indeferido o pleito do contribuinte. Cientificada do indeferimento em 16/02/2009, conforme Aviso de Recebimento — AR de fl. 66, a requerente manifesta sua inconformidade, em arrazoado de fls. 61/76, onde alega que: a) E indústria produtora de bens intermediários (partes e peças para motocicletas), fabricadas, em boa parte, mediante utilização de matéria Fl. 178DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.003664/200578 Acórdão n.º 330200.777 S3C3T2 Fl. 2 3 prima adquirida de outras unidades da federação, sobretudo do Estado de São Paulo; b) Comercializa partes e peças para motocicletas com as empresas produtoras de motocicletas, também estabelecidas na Zona Franca de Manaus, ocasião em que a operação, por força de lei, apresenta alíquota zero, no que diz respeito à contribuição ao Programa de Integração Social – PIS; c) Em 28/09/2006, foi expedido o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, no qual fica evidenciada a tempestividade do atendimento à diligência e, especialmente, o prévio reconhecimento de que a empresa tem direito ao Ressarcimento pleiteado, devendo, apenas, fazer ajustes, ali recomendados, no DACON; d) Contudo, em outubro de 2008, foi aberto uma nova Diligência Fiscal na empresa (MPF n° 00.6480), na qual novamente, solicitaram toda a documentação já antes apreciada; e) Afirmase, inadivertidamente, que a diligência de 2006 (MPF — Diligência n° 02.2.01.002006003190) não teve continuidade e apenas a diligência de 2008 (MPF n° 006480) teve continuidade e trabalho conclusivo. f) Autoridades tiveram amplo acesso a todo e qualquer documento solicitado, de onde pode emitir sua conclusão, totalmente favorável aos ressarcimentos, mediante, apenas, pequenos ajustes na DACON; g) Ao contrário do que se afirma na decisão, a segunda diligência, em 2008, se revelou, essa sim, bastante inconsistente, já que, embora tenha se colocado formalmente à disposição, a Manifestante simplesmente recebeu um Termo de Encerramento, sem apreciação de documentos, mas que procurava descaracterizar a regularidade dos créditos da empresa; h) Na realidade a decisão ora combatida se pautou em informações imprecisas, já que a diligência efetivamente completamente realizada foi absolutamente ignorada pela ilustre autoridade julgadora. i) O certo é que a decisão, portanto, não se fundamenta nos elementos já constantes do processo, revelandose, dessa forma, nula; j) De acordo com a decisão, não haveria direito creditório, em razão da falta de previsão legal para tal crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento de contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo e/ou produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançado pela contribuição, conforme determina a Lei n° 10.637/2002, art. 3°, § 2º (PIS); k) A decisão tenta sustentar também que a referida Lei definiu de forma taxativa os custos e despesas que podem ser objeto do cálculo de crédito da Fl. 179DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 referida contribuição e, por, exclusão, aquelas que não compõem a base de cálculo dos créditos; l) Ambas as afirmações, entretanto, estão claramente equivocadas; m) A vedação ao crédito no caso em destaque foi introduzida apenas com a Lei nº 10.865/2004, de 30 de abril de 2004; n) No caso especifico das alterações pertinentes da Lei n°10.833/2003 (COFINS) e da Lei n° 10.737/2002 (PIS), o art. 46 da Lei 10.865/2004 estipulou que o inicio da produção dos efeitos de tais novos dispositivos apenas se iniciaram no dia 1° (primeiro) dia do 4° (quarto) mês subseqüente ao de publicação de tal lei; o) Como a Lei 10.865/2004 foi publicada em 30 de abril de 2004, os novos dispositivos passaram a produzir efeito apenas em 01 de agosto de 2004; p) Como o crédito pleiteado pela Manifestante diz respeito ao 1° Trimestre de 2004, já resta inequívoco que, em referido período, não havia a vedação legal destacada pelo fisco em sua decisão, ou seja, a operação dava, inequivocamente, direito ao crédito tomado pela Manifestante; q) A decisão ora combatida também afirma que só há direito à restituição na situação de haver pagamento de PIS e COFINS na etapa anterior, assim como na situação de ter havido pagamento indevido ou a maior de tributo, destacando que a Instrução Normativa n° 460/2004, citada pela Manifestante em seu pleito, autoriza restituição apenas de quantias recolhidas a titulo de tributos ou contribuições da SRF; r) Tais afirmações também carecem de fundamentos, já que a Instrução Normativa SRF 460/2004, assim, como as subseqüentes Instrução SRF n° 600/2005 e a Instrução Normativa RFB n° 900/2008, esta última em vigor, sempre permitiram a restituição e compensação de créditos; s) A IN n° 460/2004, por exemplo, já tinha a previsão da possibilidade de restituição e compensação dos créditos de PIS e COFINS, nos limites estabelecidos na própria Instrução, conforme artigos abaixo transcritos. Transcreveu parte dos arts. 21 e 22 da IN n° 460/2004, com as alterações introduzidas pela IN n° 563/2005; Por fim, requer o conhecimento da Manifestação de Inconformidade, a de que seja definitivamente deferido o ressarcimento do PIS, pleiteado.” Através do acórdão n° 0114.007, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, julgaram indeferida a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a requerente não apresentou os documentos solicitados em Termo de Diligência/Solicitação de documentos de fls. 45/47, que poderiam demonstrar que a empresa faz jus ao direito creditório referente ao período anterior a vigência da Lei nº 10.865/2004. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 134/171, com intuito de reformar o acórdão a quo, alegando que: Fl. 180DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.003664/200578 Acórdão n.º 330200.777 S3C3T2 Fl. 3 5 a) A decisão baseiase em nova diligência realizada em 2008, na qual nenhum documento foi verificado e a recorrente afirma que ignora a diligência realizada em 2006, na qual afirma que restou reconhecido o direito ao crédito da Recorrente; b) A decisão já reconhece expressamente o direito e a existência do crédito tomado pela Recorrente, já que a legislação aplicável permite o desconto de créditos relativos a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; c) O DecretoLei n°. 288/67 prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, é equivalente a uma exportação para o estrangeiro, de tal forma que tais operações estão abrigadas pela isenção e permitem a tomada dos créditos; d) É plenamente possível o direito a crédito sem pagamento de PIS na etapa anterior, bem como sem ter havido pagamento indevido ou a maior de tributo; e) Os créditos pleiteados sempre existiram e já foram reconhecidos em competente diligência realizada 2006 e também em decisão administrativa; f) Não há, na restituição pleiteada, qualquer prejuízo ao erário público; g) A Lei não autoriza, em qualquer hipótese, que legislação específica limite o direito de compensar, sobretudo no que diz respeito aos créditos passíveis de compensação; h) A decisão se baseia em textos transcritos de maneira incompleta; i) Ao contrário do que sustenta a decisão, a limitação ao aproveitamento de créditos aplicável apenas aos exportadores, não se sustenta, por tratarse de incentivo setorial, sem o condão de restringir o direito à restituição/compensação dos créditos da Recorrente; j) As Instruções Normativas SRF n° 291/03 e n° SRF n°379/03, são igualmente inaplicáveis, já que estavam revogadas à época dos pedidos administrativos; k) Nada importa o fato de o crédito pleiteado ser anterior a 02/09/2005, já que as Instruções Normativas RFB n° 460/2004 e n° 563/2005 apenas regulam a forma de restituição/compensação dos tributos e créditos, sem interferir na existência e manutenção dos créditos anteriores; l) O parágrafo único do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, ao contrário do que afirma a decisão, em hipótese alguma versa acerca da impossibilidade de manutenção desses créditos antes de 09 de agosto de 2004; m) A comprovação de que os créditos foram tomados na aquisição de insumos não foi matéria de questionamento anterior, já foi disponibilizada em diligências e não pode ser usada para indeferir um ressarcimento formulado nos exatos limites e requisitos da Lei. É o Relatório. Voto Fl. 181DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator A pretensão recursal é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto dela tomo conhecimento. Preliminarmente A Recorrente é empresa cujos produtos fabricados são classificados como intermediários, uma vez que esta produz componentes a serem utilizados na indústria de motocicletas. Requer, isso posto, o presente recurso, a reforma do acórdão da DRJ que negou provimento ao ressarcimento de créditos sobre as matériasprimas adquiridas, que segundo a recorrente, são insumos para a produção dos referidos componentes. Vale lembrar que o fato gerador é o 3º trimestre de 2003. Dos Fatos Em 2006, a contribuinte fora intimada a apresentar documentação detalhada para a realização de diligência com o intuito de apurar a adequação do crédito pleiteado. A primeira diligência (fls. 38) concluiu pela existência parcial dos créditos, pugnando pelo não reconhecimento daqueles que a autoridade entendeu como não passíveis de creditamento. “(...) informamos que a empresa tem o direito PARCIAL ao Ressarcimento devendo, entretanto, fazer os ajustes necessários no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON ; do 3° Trimestre do Anocalendário de 2003, excluindose, os valores constantes da planilha acima, dos meses de julho (185.681;75), agosto (194.775,77) e setembro (214.740,64, em face da inexistência de previsão legal, que autorize, a utilização como insumo do mencionado crédito.” Novamente intimado em outubro de 2008 a apresentar a documentação relativa aos créditos, apresentoua em novembro de 2008. Ao fim dos trabalhos a autoridade competente concluiu que a documentação apresentada seria insuficiente, e que não atenderia os requisitos exigidos (fls. 44 e 45) Parecer DRF/MNS/AM/SEORT nº 015 de 29 de janeiro de 2009 concluiu pela improcedência do pedido de ressarcimento, por dois motivos. O primeiro, por não ter demonstrado por meio de documentação hábil a existência dos créditos. O segundo, uma vez que não teria havido recolhimento aos cofres públicos do montante que originara o suposto crédito. Do mérito No mérito, a controvérsia cingese à alegada vinculação dos créditos à primeira diligência efetuada 2006. O recorrente alega que a segunda diligência seria inválida, e que ele teria apresentado a documentação requerida. Entendo que não há a alegada vinculação das autoridades fiscais à esta ou àquela diligência, sendo permitido, desde que respaldado documentalmente, às autoridades realizar quantas diligências julguem necessárias para bem apurar e decidir quanto à concessão de quaisquer créditos. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10283.003664/200578 Acórdão n.º 330200.777 S3C3T2 Fl. 4 7 Isso posto, e diante do claramente relatado na diligência no sentido de que a documentação fora insuficiente para que se alcançasse quaisquer conclusões, não resta a esse julgador alternativa senão julgar improcedente o seu pedido. Isso posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 183DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/04/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10665.000519/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2001, 2002, 2003, 2004
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Cancela-se o ato de suspensão da imunidade
tributaria quando não restar devidamente comprovada a remuneração pelo exercício do cargo de dirigente da entidade. O pagamento regular, aos dirigentes, de salários e gratificações a que fazem jus como integrantes do corpo funcional da entidade, de acordo com seu plano de carreira, em iguais condições com os demais funcionários que não exercem cargo de direção, não se identificam como distribuição velada de patrimônio.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Participou do julgamento, o Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Turma da DRJ em Belo Horizonte MG ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Cancelase o ato de suspensão da imunidade tributaria quando não restar devidamente comprovada a remuneração pelo exercício do cargo de dirigente da entidade. O pagamento regular, aos dirigentes, de salários e gratificações a que fazem jus como integrantes do corpo funcional da entidade, de acordo com seu plano de carreira, em iguais condições com os demais funcionários que não exercem cargo de direção, não se identificam como distribuição velada de patrimônio. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Participou do julgamento, o Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Fundação Educacional de Divinópolis, FUNEDI, recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: O Auto de Infração lavrado contra a empresa acima identificada (fls. 3/15) formaliza a exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ relativo aos exercícios de 2002, 2003 e 2004, contendo exigência baseada no lucro real trimestral não declarado, apurado conforme demonstrativos (fls. 23/25), com fundamento nos arts. 249, 250 e 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/99. Cientificada em 08/08/2006, conforme ciência e aviso de recebimento de cópia do auto de infração (fl. 4), a interessada apresenta impugnação em 06/09/2006 (fls. 350/374). A autuação decorre da suspensão da imunidade tributária declarada pela autoridade competente em procedimento formalizado no processo 10665.000926/200477, juntado a este (fls. 425 e seguintes) em atendimento à determinação contida no § 9º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e orientação dos despachos (fls. 348, 423 e 424). A empresa manifestou inconformidade também contra a suspensão da imunidade pelo Ato Declaratório Executivo DRFDIVMG nº 6, de 05 de abril de 2006, (fl. 1.740), do qual foi cientificada em 11/04/2006, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 1.739, verso). Apresentada no dia 16/05/2006 (fls. 1.741/1.755), a petição aborda questões diversas sem fazer qualquer referência ao prazo. Em 12/06/2006, a empresa protocolizou nova petição (fls. 1.764/1.777), na qual repete as razões anteriormente alinhadas, acrescidas da argumentação seguinte (fl. 1.764): Tempestiva, portanto, a interposição do presente recurso, tendo em vista a republicação, por força de retificação, do Ato Declaratório Executivo nº 06, de 05 de abril de 2006, dessa DRF. Referiase à publicação no Diário Oficial da União (DOU) do dia 29/05/2006, que instrui os autos (fl. 1.761): RETIFICAÇÃO No Ato Declaratório Executivo nº 6, de 5 de abril de 2006, da DRF/Divinópolis MG, publicado no Diário Oficial da União de 10/04/2006, Seção 1, página 20, Onde se lê, no final do artigo único: “... que dispõe o artigo 32 e parágrafos da Lei 9.432/96”, Leiase: “... que dispõe o artigo 32 e parágrafos da Lei 9.430/96”. Onde se lê, no parágrafo único: “Poderão ser efetuados lançamentos de ofício para a constituição dos créditos tributários relativos aos tributos e contribuições devidos e Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 3 3 administrados pela Receita Federal, cujos fatos geradores ocorreram no período abrangido pela suspensão da imunidade tributária aqui especificada”, Leiase: Poderá ser efetuado lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da pessoa jurídica, cujos fatos geradores ocorreram no período abrangido pela suspensão da imunidade tributária aqui especificada. A autoridade administrativa cientificou a interessada da retificação uma primeira vez, em 30/05/2006, conforme AR (fl. 1.761 verso) e uma segunda vez, junto com o DESPACHO DRF/DIV/Saort, de 30 de maio de 2006, que consignava (fl. 1.763). Encontrase a fls. 1.319, manifestação do interessado, protocolizada em 16/05/2006, contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 6, de 05/04/2006, cuja ciência passouse em 10/04//2006, conforme “AR” de fls. 1.317, ao verso. Tendo em vista que o objetivo do contribuinte é impugnar o ADE citado acima e que essa contestação ocorreu depois de transcorridos os trinta dias para tal, vêse que não é possível instaurar a discussão administrativa, uma vez que não foi cumprida a condição contida no inciso I, do parágrafo 6º, do artigo 32, da Lei 9.430/96, que assim dispõe, com destaques meus: “I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente,” Além da impugnação ao auto de infração (fls. 350/374) e das manifestações de inconformidade contra a suspensão da imunidade tributária (fls. 1.741/1.755 e 1.764/1.777), a empresa manifestouse ainda uma vez nos autos em 17/08/2004 (fls. 1.434/1.461), aproveitando a oportunidade prevista no § 2º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. O pedido final que integra a impugnação ao auto de infração sintetiza toda a argumentação desenvolvida em suas manifestações nos seguintes termos (fl. 374): ................................................................................................................... (...) seja porque a Impugnante já tem a garantia legal e judicial de que, em relação a si, devese observar a legislação de regência, em face do direito adquirido; seja em razão do fato de que a Lei 8.212/91 não é aplicável à espécie, seja porque cumpre fielmente o disposto no art. 14 do CTN, no que se refere à imunidade do IRPJ, seja, enfim, porque não remunera quaisquer diretores ou conselheiros pelos cargos que exercem, seja, por fim, em razão do relevante trabalho de cunho beneficente e de assistência social que presta, requer seja acatada a impugnação, determinandose o arquivamento do Auto de Infração contra si emitido. Na linha do pedido acima transcrito, a empresa alega que o imposto foi lançado em franca contrariedade ao seu direito de imunidade. Afirma que, desde o ano de 1966, tem por finalidade colaborar com o poder público no desempenho das atividades típicas de Estado e, como fundação de direito privado sem fins lucrativos, na condição de instituição de ensino e assistência social, encontrase amparada pelo disposto no art. 150, inciso VI, alínea c, e 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 art. 19, inciso III, alínea c da Emenda Constitucional nº 1, de 17 de outubro de 1969, art. 20, inciso III, alínea c da Constituição da República Federativa do Brasil de 1967 e art. 31, inciso V, alínea b, da Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 18 de setembro de 1946. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 4 4 Alega que os dispositivos referidos tratam da limitação ao poder de tributar, cujas condições para gozo só podem ser estabelecidas por lei complementar, razão pela qual reconhece como aplicável ao seu caso apenas e tãosomente as determinações contidas no art. 14 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), recepcionado pela CF como lei complementar. Reitera sua convicção de ser entidade imune porque, segundo afirma, cumpre e comprova que cumpre, as determinações do art. 14 do CTN e, conforme revelaram os documentos examinados nos procedimentos de fiscalização, a empresa não distribui qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, aplica os seus recursos integralmente no país na manutenção dos objetivos institucionais e mantém a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão. Diz que os incisos II, III e IV do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, Lei Orgânica da Previdência Social indicados pela autoridade administrativa, tratam da isenção das contribuições, cuja matriz constitucional são os arts. 149 e seguintes, referências nos arts. 145 e seguintes. Assegura que imunidade não pode ser tratada como isenção, razão pela qual, a despeito do fato de a Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.802 (ADI 1.802) encontrarse pendente de julgamento ou não tratar de remuneração, o lançamento deve ser desconstituído, já que a empresa não remunera seus dirigentes pelos cargos estatutários que exercem. Argumenta que, embora seja inadequado confundir imunidade com isenção, ela também possui Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social com prazo de validade indeterminado e comprova a assistência social que presta, fazendo jus ao tratamento como entidade isenta, igualmente desobrigada de recolher o IRPJ. Diz que, mesmo não sendo obrigada, renova periodicamente referidos certificados, tendo inclusive processos em tramitação no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), não podendo ser responsabilizada pela morosidade de análise a que não deu causa. Afirma que possui duas sentenças proferidas em seu favor e que ambas atestam sua condição de entidade beneficente de assistência social e instituição de educação sem fins lucrativos, uma transitada em julgado e outra em grau de recurso extraordinário interposto pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). A impugnante cita vasta doutrina (fls. 354 a 359), que faz referência à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida no julgamento da Medida Cautelar (MC) integrante do processo da ADI 2.0285/DF (fls. 354/355), e de outros tribunais judiciais (fls. 372/374), com vistas ao fortalecimento de sua defesa. A meio caminho, conclui o raciocínio com a seguinte citação atribuída à doutrina (fl. 359): imunidades tornam inconstitucionais as leis ordinárias que as desafiam. Sobre o atendimento às exigências do art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que acrescenta a proibição de remunerar dirigentes, alega que é equivocado o entendimento fiscal de que os valores pagos pela empresa ao professor Gilson Soares caracteriza o descumprimento da vedação legal. Afirma que o profissional é pago pelo trabalho que exerce na Comissão Permanente do Vestibular, como professor, e que a fiscalização transformou referidos pagamentos em remuneração pelo exercício do cargo de dirigente, procedimento que torna abusivo e ilegal o lançamento do IRPJ (fl. 361). Diz que a remuneração de funcionário não ilide a imunidade nem faz desaparecer o benefício constitucional, que incompatível com a imunidade é a remuneração Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 5 5 exorbitante ou sem causa, que mal consegue esconder a distribuição do patrimônio ou das rendas da instituição. Conclui que o lançamento está eivado de ilegalidade, pelo que requer a sua nulidade. Após citar doutrina e acórdão do Conselho de Contribuintes (fl. 361), transcreve a íntegra do Parecer da Consultoria Jurídica nº 991, publicado no Diário Oficial da União de 09/10/1997 (DOU de 09/10/1997), que, segundo a impugnante afirma, tem feito as vezes de luminar, com grande potencial de brilho, guiando o caminho do intérprete em questões desta natureza. (fls. 362/371). Alega que referido parecer ampara seu procedimento de remunerar o coordenador permanente da comissão de vestibular. No final, afirma que o auditor não encontrou qualquer registro de lançamentos por pagamentos efetuados a dirigentes pelos cargos estatutários que ocupam (fl. 372) e que é o próprio auditor quem faz a defesa da impugnante ao consignar: (...) remuneração da mesma a partir do ano de 2000, como coordenador da Comissão Permanente de Avaliação e Acesso – COPAA, cargo cuja competência para indicação é do próprio Presidente (...). Nas manifestações anteriores (fls. 1.741/1.755 e 1.764/1.777), apresentadas à época da emissão e retificação do Ato Declaratório Executivo DRFDIVMG nº 6, de 2006, que declarou suspensa a imunidade tributária da empresa no período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2003, a impugnante particulariza excerto do despacho decisório para argumentar que esse ato padece de vícios que comprometem o Ato Declaratório que se lhe sucedeu (fl. 1.742). Segundo afirma, as autoridades administrativas cometeram graves ofensas ao princípio constitucional da estrita legalidade (art. 37 da CF) e a outros tantos listados no art. 2º da Lei nº 9.784, de 9 de janeiro de 1999: motivação, razoabilidade, ampla defesa, segurança jurídica e eficiência. Dentre os critérios listados também no art. 2º da lei citada, a autoridade deixou de observar o da atuação conforme a lei e o direito, não se manifestou acerca do direito adquirido (Lei 8.212, de 1991, art. 55, § 1º), tampouco sobre a jurisprudência, as garantias constitucionais e as disposições estatutárias trazidas aos autos pela impugnante. Diz que o Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, traz comandos que não decorrem de lei. Alega mais que a decisão da autoridade administrativa carece da motivação explícita, clara e congruente prevista no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, e nega vigência ao inciso VII do referido artigo, ao deixar de aplicar a jurisprudência firmada sobre a questão. Acerca do mérito da exclusão – posse do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, não atendimento ao percentual de 20% de gratuidade e remuneração do presidente da fundação – a impugnante discute amplamente a questão da validade do certificado que possui, diz que a autoridade administrativa recusouse a considerar os protocolos de pedidos de renovação do certificado, faltando com a obediência ao princípio da razoabilidade e que a fundação não pode ser punida pela demora no exame dos procedimentos exigidos, os quais devem ser submetidos ao CNAS, sob pena de se configurar abuso de poder. Sob a premissa de estar protegida pelo princípio da reserva legal do art. 5º, inciso II, da CF, diz que a exigência de aplicação de 20% da receita bruta em gratuidades Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 6 6 consta de mero decreto regulamentador (fl. 1.770) e que, não obstante, demonstrou que suas ações beneficentes ultrapassaram o montante exigido. Sobre a remuneração do presidente da fundação, alega que as autoridades deixaram de observar as determinações estatutárias e a jurisprudência, interpretação da lei emanada dos tribunais, fonte formal de direito, nas palavras da impugnante. Transcreve jurisprudência dos tribunais judiciais (fls. 1.747/1.751) e administrativa do Conselho de Contribuintes (fls. 1.751/1.754). Alega que juntou documentos que não foram analisados sem indicar que fatos teriam sido desconsiderados . Diz que sua natureza jurídica lhe confere o status de instituição imune e que somente se lhe aplicam os ditames do art. 14 do CTN, embora tenha comprovado também que cumpre os requisitos do art. 55 da Lei 8.212, de 1991. A empresa conclui propugnando pelo cancelamento do ato declaratório e afirmando, textualmente (fls. 1.754 e 1.777): A Recorrente detém Certificado, atende aos requisitos do art. 14 do CTN e do art. 55 da Lei 8.212/91 nos termos descritos na defesa e aqui reforçados, possui decisão judicial transitada em julgado em seu favor. Nada disto, porém, foi considerado pelo despacho decisório. Por tais razões, é de se dar provimento ao presente recurso, para o fim de anular o Ato Declaratório e determinado o arquivamento do Termo de Constatação Fiscal, como medida de JUSTIÇA. Anteriormente à emissão do ato declaratório, a empresa já se manifestara em 17/08/2004, por ocasião da ciência do Termo de Constatação e Notificação Fiscal – IRPJ (fls. 428/471) prevista no § 1º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme declaração de ciência e recebimento (fl. 470). Na oportunidade, contestou afirmações fiscais, informando (fl. 1.435): (...) verseá o quão destituído de constitucionalidade, legalidade e razoabilidade são os fatos imputados à Notificada, (...); ................................................................................................................... (...) é uma entidade de personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, colaboradora do poder público, que tem por objetivo principal, manter e desenvolver estabelecimento integrado de ensino e pesquisa, de nível superior e prestação de serviços à comunidade, sempre voltada, em todos os seus procedimentos, para o atendimento das necessidades básicas de contexto regional em que se insere e a participação no processo de desenvolvimento nacional. Sobre o reconhecimento judicial do seu direito de imunidade, alega que o Poder Judiciário decidiu tratarse de direito adquirido e que as decisões proferidas a seu favor também reconheceramlhe a obrigatoriedade de observar apenas os mandamentos dos arts. 9º e 14 do CTN. Nesse sentido, junta cópias de peças processuais extraídas de autos judiciais (fls. 1.469/1.500). Junta cópias de decisões judiciais proferidas no mesmo sentido, porém, a favor de terceiros (fls. 1.501/1.535), transcreve excertos dessa jurisprudência (fls. 1.438/1.441) e apresenta argumentação (fl. 1.441): (...) a Notificada não está obrigada à observância do disposto no Decreto que embasa a Representação, quer porque tal diploma extrapolou sua função meramente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 7 7 regulamentadora, quer porque o § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91 expressamente ressalva, das exigências daquele dispositivo, as instituições que já desfrutavam, anteriormente, do direito à isenção/imunidade da quota patronal. A empresa discorre também sobre a obrigatoriedade da observância do princípio da estrita legalidade, sobre a legislação de regência da imunidade e da isenção e sobre como ela continua cumprindo as exigências relativas ao pretendido direito adquirido (fls. 1.442/1.450). Nesse sentido, assevera (...) que seu Estatuto é sua lei de regência, naquilo que não conflita com a Lei Maior e demais diplomas legais aplicáveis. Acresce argumentos diversos, dizendo que (fls. 1.450/1.451): (...) Por força do art. 11, os “membros do Conselho Diretor e do Conselho Curador não serão remunerados pelo exercício do mandato, considerado múnuns público o mesmo ocorrendo com os membros da Assembléia Geral.”(com ênfase da Notificada). (...) as prestações de contas da notificada são anualmente submetidas ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (art. 20, XVIII); (...) o Relatório de Atividades do exercício de 2003 (...) a exemplo de todos os outros, traz declaração de seu presidente no sentido que não há distribuição de lucros, nem remuneração dos membros de sua diretoria pelo exercício de suas funções, como da mesma forma não distribui vantagens, dividendos ou bonificação a dirigentes, associados ou mantenedores, sob nenhuma forma, e que aplica a totalidade de suas rendas ao atendimento de suas finalidades. Junta cópia do relatório referido (fls. 1.536/1.647), de convênios que diz exemplificar o teor da assistência social que presta (fls. 1.648/1.682), de declarações do Ministério Público Estadual (fls. 1.683/1.685), de registros no Conselho Nacional de Serviço Social do Ministério da Educação e Cultura (fl. 1.686/1.687), dos decretos, certidões e lei, que a declaram instituição de utilidade pública nos três níveis do poder público – federal, estadual e municipal (fls. 1.688/1.692), de certificados de entidade de fins filantrópicos e beneficente de assistência social e de inscrição e atestados de cadastramento de entidade de ação social emitidos pelo Conselho Nacional de Serviço Social e Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS, fls. 1.694/1.698). Sobre os fatos constatados pela ação fiscal, reitera seus argumentos no sentido de que (fl. 1.452): (...) cumpre todos os requisitos da Lei 8.212/91 em sua redação original (...); (...) que suas finalidades sociais coincidem e até mesmo ultrapassam a vontade do legislador (...); (...) foi instituída como Fundação (...); (...) sua essência é desvestida de finalidade lucrativa (...); (...) sua ausência de finalidade lucrativa não se limita, dessa forma, a oferecer mais ou menos que 20% de gratuidade, mas, sim, em renunciar toda, qualquer e a mais mínima possibilidade de lucro, pois, todo e qualquer superávit é obrigatoriamente reinvestido na atividade fim. Especificamente, para a questão da ausência de certificado de fins filantrópicos (inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991), alega que não é obrigada a apresentar certificado com validade trienal, embora, como medida de cautela, sempre requereu Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 8 8 e conseguiu êxito na expedição do certificado. Nessa linha, apresenta cartão de protocolo de pedido de renovação do certificado, postado em 11/04/2000 (fl. 1.699) e outro postado em 04/05/2004 (fl. 1.700) e argumenta (fl. 1.453): (...) os anexos documentos fazem prova de que, se o CNAS não expediu não foi porque a Notificada ficou em mora no que se diz com o requerimento. E o fato de não haver expedido, não significa que o mesmo tenha sido indeferido. Sobre os 20% de gratuidade previstos no inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, fundamento no Decreto nº 2.536, de 1998, amparase em jurisprudência e doutrina para argumentar que (fls. 1.454 e 1.455): (...) nos itens 3.3 a 3.7 os AA. FF. glosam as gratuidades concedidas, a partir de singulares entendimentos do que seria gratuidade. ................................................................................................................... A impropriedade com que os Auditores lançaram a afirmação de que a Notificada é uma entidade com fins lucrativos há de ser rejeitada também pela incorreta compreensão dos trabalhos prestados à comunidade. (...) os convênios noticiados e juntados a esta defesa demonstram que as finalidades estatutárias são rigorosamente cumpridas e que seus alunos não necessitariam fazer quaisquer tipos de trabalho de campo para cumprir etapas acadêmicas. ................................................................................................................... (...) reclama, assim, a correta compreensão dos fatos, reconhecendo os percentuais computados a título de gratuidade, embora, repitase, por pertinente, tal obrigação não conste de nenhuma lei. Sobre a remuneração do presidente da fundação (inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991), a impugnante transcreve excertos de jurisprudência judicial (fls. 1.456/1.458) e determinações estatutárias (fls. 1.458/1.459) para concluir que a remuneração pelo exercício da atividade de professor não conflita com a vedação da lei. Alega que, tomados aleatoriamente, os contracheques – recibos de pagamento de salário ao professor Gilson Soares (fls. 1.724/1.726) combinamse com outros documentos – Resolução Conjunta nº 02/2000 (fls. 1.727/1.729), Portaria nº 05/2000 (fl. 1.730), correspondências relacionadas (fls. 1.731/1.733), solicitação interna (fl. 1.734) e disposições normativas (fls. 1.735/1.736) e comprovam que o professor Gilson Soares não recebe nenhum centavo na condição de presidente da FUNEDI e que a entidade também não remunera quaisquer outros membros de sua diretoria pelo exercício desse cargo específico. Termina sua manifestação inicial com o pedido seguinte (fl. 1.460): (...) seja porque a Notificada já tem a garantia legal e judicial de que, em relação a si, devese observar a legislação de regência, em face do direito adquirido; seja em razão do fato de que o Decreto 2.536/98 manifestamente extrapolou sua função regulamentadora; seja porque a hipótese tratada no art. 195, § 7º da CF é de regra imunizante, devendo ser observado, até que lei específica seja editada, o que dispõe o art. 14 do CTN; seja, por fim, em razão do relevante trabalho de cunho beneficente e de assistência social que presta, requer seja rejeitada a Notificação lavrada pelos Senhores Auditores Fiscais da Receita Federal. A empresa apresenta regularmente, inclusive para os exercícios autuados, DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ) na condição de Imune do IRPJ, conforme cópias juntadas (fls. 65/224). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 9 9 A decisão recorrida está assim ementada: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Tributamse com base na legislação de regência do IRPJ as receitas obtidas pelas instituições de educação que não estejam amparadas pela imunidade tributária. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Suspendese a imunidade por ato declaratório precedido de notificação fiscal quando ficar constatada a inobservância de requisito ou condição legalmente previstos na legislação de regência da matéria. LANÇAMENTO PROCEDENTE Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, nos seguintes termos: (...) O ponto alto da celeuma é o entendimento esposado pela Auditoria Fiscal, no sentido de que a Recorrente ofende o art. 12, § 2o, "a", da Lei n° 9.532/1997 e IN/SRF 113/98, o § 4o do art. 4o, por remunerar o Sr. Gilson Soares, Presidente da Recorrente. Durante todo o procedimento administrativo fiscal, a Recorrente vem demonstrando e provando que os pagamentos efetuados ao Prof. Gilson decorrem do exercício da função de Coordenador Geral da Comissão Permanente de Avaliação e Acesso COPAA, órgão colegiado "encarregado de organizar, supervisionar e executar todas as atividades relativas aos processos seletivos para ingresso nos cursos mantidos pela Fundação Educacional de Divinópolis FUNEDI/UEMG". Pelo exercício do cargo de Presidente, ou seja, dirigente, o Prof. Gilson Soares nada recebe nem nunca recebeu. (...) II Da necessidade de reforma do v. acórdão. Ao confirmar a procedência do lançamento, bem não andou a 4a Turma da DRJ/BHE, eis que sua emissão se deu com base em interpretação descompassada da Lei 9.532/97, dada pela IN/SRF 113/98, da Secretaria da Receita Federal. Do mesmo modo, como se demonstrará, o Ato Declaratório Executivo pelo qual a imunidade foi suspensa, teve por fundamento legal dispositivo de lei (art. 14 da Lei 9.532/97) suspenso pela ADIN 1.802/DF. Este, aliás, é o entendimento da Ilustre Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, da 8a Turma do Tribunal Regional Federal da Ia Região, ao suspender, liminarmente, em exame do Agravo de Instrumento n° 2006.01.00.0392828/MG, os efeitos do Ato Declaratório Executivo e do Auto de Infração, cuja declaração de nulidade a Requerente vem perseguindo na via administrativa (confirase cópia anexa). a) Contrariedade ao art. 12 da Lei 9.532/1997 ausência de remuneração de dirigente. A letra da lei é clara. Mas, lamentavelmente o Sr. Secretário da Receita Federal, ao interpretala, em muito ampliou o comando legal, distorcendoo pelo edição da IN 113/98. A Recorrente não remunera nenhum de seus dirigentes por serviços prestados nessa condição. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 10 10 Em poucas linhas, recordese que é de sabença geral que nas instituições de ensino, notadamente as que ministram educação superior, convivem mutuamente as instituições mantenedoras (fundações, associações, etc.) e as instituições mantidas (faculdades, centros universitários, etc.). As primeiras são as pessoas jurídicas que se responsabilizam pela gestão administrativa e institucional. Já no âmbito das segundas, se desenvolvem as ações tipicamente acadêmicas. Embora o v. ac. registre que a jurisprudência colacionada é anterior à Lei 9.532/97, o fato insofismável é que tal Diploma não altera o conceito que vige pra a figura do dirigente. Nem este e nenhum outro. A conceituação vem da doutrina e da jurisprudência, esta última, expressão máxima da aplicação da lei aos fatos concretos. Portanto, se a lei nova não alterou os conceitos vigentes, não há porque se desprezar a sabedoria emanada de decisões anteriores. E, neste caso, a singularidade aqui retratada não escapou à interpretação do judiciário, que, para aplicação da lei, bem fez a distinção entre "mantenedora" e "mantida", como se demonstrou na jurisprudência que o v. acórdão rejeitou. Por tais razões é que renovase os argumentos não examinados, no sentido de que a Recorrente não remunera seus dirigentes e isto foi constatado pelo Sr. Auditor Fiscal da Receita Federal, no item 4.6 do MPF: "...remuneração da mesma a partir do ano de 2000, como coordenador da Comissão Permanente de Avaliação e Acesso COPAA, cargo cuja competência para indicação é do próprio Presidente, como descrito nos itens 1.13 e 3.9. Este fato enquadrase como infração também ao disposto no caput do artigo 4o da Instrução Normativa n° 113/98 da Secretaria da Receita Federal conforme § 3odo mesmo artigo” b) IN/SRF 113/98 amplia disposição legal. Força é reconhecer que a IN/SRF 113/98 amplia a vontade do legislador, expressa no art. 12 da Lei 9.532/98, ampliando em muito o comando legal. É meridianamente claro que a vedação imposta pela lei destinase a impedir que dirigentes sejam remunerados pelos serviços que, nessa condição, prestam às instituições imunes. Inexiste vedação legal (e não seria razoável que existisse), para que o dirigente que presta serviços técnicos e administrativos seja por eles remunerado. Eventuais excessos ou desvios de finalidade não justificam ampliar a interpretação de dispositivo tributário, que é sempre restritiva. No exercício de suas funções, caberá aos agentes do Fisco identificar e reclassificar os valores pagos a título de remuneração por serviços técnicos e administrativos prestados em prol de estabelecimento de ensino mantido por instituição imune, nas hipóteses em que tais remunerações excedam os valores habituais e de mercado, com caracterizado e identificável desvio de finalidade. Portanto, para que tivesse tido sua imunidade suspensa por infração ao disposto no art. 12, § 2o, "a" da Lei n° 9.532/96, seria necessário que a Recorrente remunerasse quaisquer de seus dirigentes pelos serviços prestados nessa condição, o que jamais foi afirmado pelo Sr. Auditor Fiscal. Impossibilidade de emissão de Ato Declaratório Executivo de suspensão da imunidadeart. 14 da Lei 9.532/97 com eficácia suspensa. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 11 11 O Ato Declaratório Executivo de suspensão da imunidade, do qual decorreu o Auto de Infração, tem por base a dicção do art. 14 da Lei 9.532/1997, que textualiza: Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no artigo 32 da Lein°9.430, de 1996. Como se disse e se comprovou, a Recorrente não remunera seus dirigentes, por qualquer forma. Ainda, no entanto, que fosse diferente, não poderia a Receita Federal suspender a imunidade pelo alegado descumprimento do art. 12, porque os arts. 13 e 14, da mesma lei, que autorizam tal suspensão e remetem ao procedimento prescrito no art. 32 da Lei no 9.430/96, estão com a eficácia suspensa, por força de liminar na ADIN 1.802/DF. (...) Por todas estas razões é que pleiteia a Recorrente seja reformado o v. acórdão proferido pela 4a Turma da DRJ/BHE, para considerar o lançamento improcedente, anulandose, via de conseqüência o Auto de Infração e o Ato Declaratório Executivo pelo qua! foi suspensa a imunidade da Recorrente. É o relatório. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 12 12 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a recorrente teve sua imunidade e isenção tributárias suspensa por ato declaratório do Delegado da Receita Federal em Divinópolis – MG. Em relação ao IRPJ, a suspensão da imunidade se deu exclusivamente pelo fato de a entidade remunerar o presidente da entidade, o que seria vedado, à luz do art. 12, § 2o, "a", da Lei n° 9.532/1997 e IN/SRF 113/98, o § 4o do art. 4o. Em conseqüência foi lavrado auto de infração para exigência do IRPJ na modalidade do lucro arbitrado. Em sua defesa a recorrente alega que a remuneração do Sr Gilson Soaraes decorre do exercício da função de Coordenador Geral da Comissão Permanente de Avaliação e Acesso COPAA, órgão colegiado "encarregado de organizar, supervisionar e executar todas as atividades relativas aos processos seletivos para ingresso nos cursos mantidos pela Fundação Educacional de Divinópolis FUNEDI/UEMG". Assevera a recorrente que, pelo exercício do cargo de Presidente, ou seja, dirigente, “o Prof. Gilson Soares nada recebe nem nunca recebeu.” Pois bem, compulsando os autos verificase que foi este o único fato motivador da manutenção do ato fiscal pela decisão de primeira instancia recorrida. Verifiquei também que as folhas de pagamento do Sr. Gilson Soares encontramse às fls. 923 e seguintes dos autos renumerados (antes era 499). O salário de jan/2000 foi de 1.699,65 (bruto) considerando quinquênio e cargo de coordenador COOPA. Em dezembro/2003 o salário bruto total era de R$ 2.401,20 (fl. 957). Não há nos autos qualquer outra acusação de desvio de recursos ou de finalidade, remunerações ou benefícios indiretos a dirigentes ou terceiros, tampouco outros descumprimento ao disposto no art. 14 do Código Tributário Nacional. É apenas isso. Delimitada a questão, socorrome do entendimento predominante neste Conselho, ao qual me filio, que dentre outros decisões foi enfrentado no acórdão 140200.009, de 27/07/2009, cujo voto condutor da lavra do ilustre conselheiro Leonardo Andrade Couto, traz a seguinte fundamentação nessa parte: (...) De fato, a jurisprudência administrativa deste Colegiado faz alguma ressalva quanto ao rigor da vedação. O dispositivo restritivo deve ser entendido como uma norma para combater a distribuição do patrimônio ou da renda travestida de remuneração.Tais aspectos devem ser analisados caso a caso. Numa instituição de educação, um professor contratado pode assumir uma função dirigente sem prejuízo da remuneração como docente para a qual foi contratado. Não há violação à norma restritiva. É o caso por exemplo do Reitor universitário. Sobre o tema, a 1a Câmara deste Conselho prolatou o Acórdão 10194.657 nos seguintes termos: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10665.000519/200621 Acórdão n.º 140200.424 S1C4T2 Fl. 13 13 REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. O pagamento regular, aos dirigentes, de salários e gratificações a que fazem jus como integrantes do corpo docente da universidade, de acordo com o plano de carreira do magistério, em iguais condições com os demais professores que não exercem cargo de direção, não se identificam como distribuição velada de patrimônio, em nada importando que, enquanto exercendo as funções de reitor, próreitor, e assemelhadas, sejam dispensados da atividade de docência. Deve ser ratificado, nos termos da ementa transcrita, que não há irregularidade na remuneração quando desvinculada do cargo dirigente. No bojo do voto condutor da decisão mencionada, a Relatora SANDRA MARIA FARONI esclarece: A gratificação a título de "Dedicação Exclusiva" não pode ser caracterizada como "vantagem extra" e "distribuição de parcela do patrimônio ou renda". Tal gratificação está prevista no plano de carreira para o corpo docente, que estabelece, para todos os professores em regime de dedicação exclusiva, uma gratificação de 55% sobre o vencimento relativo a quarenta horas semanais. Esse mesmo plano de carreira estabelece gratificações para os portadores de titulação acadêmica de 50%,25% ou 12%, conforme se trate de doutorado, mestrado ou especialização. Essas gratificações, que são pagas a todos os professores que nelas se enquadrem, são semelhantes às concedidas pelas universidades públicas federais... O texto deixa claro que a remuneração aceita como regular, seja em forma de salário ou gratificação, é aquela prevista no plano de carreira do magistério, ou seja, não há vinculação com a função dirigente exercida. Voltando ao presente caso, no Termo de Notificação Fiscal a autoridade lançadora afirma que o presidente da entidade foi remunerado pelo cargo de reitor, o que não contestado pela interessada. Claro está que essa remuneração teve características de comissão pelo exercício da função, o que contraria as disposições da norma.” No caso dos presentes autos, formei convencimento de que são insuficientes as provas trazidas aos pela fiscalização de que o Prof. Gilson Soares é remunerado pelo exercício da presidência da entidade e não pelas funções que exercia antes da designação e teria continuado. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência do IRPJ, por considerar não comprovada a remuneração de exercício de cargo de dirigente pela entidade. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 13DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 08/02/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 35464.003624/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3º , Art. 33, da Lei 8.212/1991.
AFERIÇÃO. REQUISITOS.
Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando os parâmetros utilizados, bem corno, sempre que possível, os segurados envolvidos.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
A ausência de fundamentação legal que possibilita o uso da aferição indireta pelo Fisco constitui-se em cerceamento do direito de defesa, pois não houve a possibilidade do sujeito passivo ter amplo conhecimento dos fundamentos que possibilitaram a lavratura do lançamento.
VÍCIO FORMAL. FUNDAMENTO LEGAL.
A ausência dos fundamentos legais que possibilitaram a lavratura do lançamento constitui-se em vicio formal.
PROCESSO ANULADO
Numero da decisão: 2402-000.730
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o lançamento, pela ocorrência de vicio formal, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3º , Art. 33, da Lei 8.212/1991. AFERIÇÃO. REQUISITOS. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando os parâmetros utilizados, bem corno, sempre que possível, os segurados envolvidos. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamentação legal que possibilita o uso da aferição indireta pelo Fisco constitui-se em cerceamento do direito de defesa, pois não houve a possibilidade do sujeito passivo ter amplo conhecimento dos fundamentos que possibilitaram a lavratura do lançamento. VÍCIO FORMAL. FUNDAMENTO LEGAL. A ausência dos fundamentos legais que possibilitaram a lavratura do lançamento constitui-se em vicio formal. PROCESSO ANULADO
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SALÁRIO INDIRETO: VEÍCULOS. AFERIÇÃO. Recorrente SCHERING DO BRASIL QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, conforme possibilita o § 3 0 , Art. 33, da Lei 8.212/1991. AFERIÇÃO. REQUISITOS. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando os parâmetros utilizados, bem corno, sempre que possível, os segurados envolvidos. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamentação legal que possibilita o uso da aferição indireta pelo Fisco constitui-se em cerceamento do direito de defesa, pois não houve a possibilidade do sujeito passivo ter amplo conhecimento dos fundamentos que possibilitaram a lavratura do lançamento. VÍCIO FORMAL. FUNDAMENTO LEGAL. A ausência dos fundamentos legais que possibilitaram a lavratura d lançamento constitui-se em vicio formal. PROCESSO ANULADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o lançamento, pela ocorrência de vicio formal, nos termos do voto do relator. E OfiVEIR-A "idente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente). 2 Processo n°35464.003624/2006-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.730 Fl. 1.122 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdencidria (DRP), Sao Paulo - Sul / SP, fls. 0619 a 0641, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo corn o Relatório Fiscal (RF), fls. 025 a 030, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo são oriundos de veículos utilizados por segurados. 0 valor lançado corresponde, proporcionalmente, somente aos períodos em que os veículos foram utilizados fora do trabalho. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 29/11/2002 foi dada ciência à. recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 063 a 081, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada corn a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0649 a 0669, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: Os veículos foram utilizados para a realização dos serviços, não integrando, como salário indireto, o Salário-de-Contribuição (SC); 0 valor da base de cálculo foi lançado de forma equivocada, pois há despesa embutidas; Há necessidade de proporcionalidade entre a pena e a infração; Em face do exposto, solicita provimento ao recurso. Com as novas alegações da recorrente, a Delegacia solicitou pronunciamento da fiscalização, fls. 0731 a 0734. A fiscalização respondeu aos questionamentos, E. 0736 a 0738. 3 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0762. A Segunda Câmara de Julgamento (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que a recorrente obtivesse ciência da diligência efetuada, fls. 0764 a 0766. A recorrente obteve ciência e apresentou novo recurso, reafirmando seus argumentos, fls. 0779 a 0784. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0791. A CAJ analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que esclarecimentos fossem prestados pelo Fisco, fls. 0792 a 0797. 0 Fisco respondeu aos questionamentos, fls. 01091 a 01097. A recorrente obteve ciência e apresentou novo recurso, reafirmando seus argumentos, fls. 01108 a 01113. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 01120. É o relatório. 4 Processo n° 35464.003624/2006-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.730 Fl. 1.123 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, a recorrente alega que os valores lançados foram equivocados. Sobre essa questão há análise que deve ser efetuada. Como valor de Salário-de-Contribuição (SC) o Fisco utilizou valores proporcionais aos períodos que os veículos permaneciam com os segurados fora do serviço. Claro está que o Fisco aferiu esses valores, mas na análise dos autos não encontramos a devida fundamentação legal para a utilização do arbitramento. Portanto, ocorreu vicio, que cerceou o direito de defesa da recorrente. 0 Fisco poderia ter utilizado a aferição, mas deveria seguir procedimentos e demonstrar sua fundamentação. Esse é o entendimento de várias decisões emitidas na esfera administrativa: PREVIDENCIÁRIO — CUSTEIO — CARACTERIZAÇA -0 DE SEGURADOS EMPREGADO — VÍCIO FORMAL NULIDADE. Toda fundamentação legal que serviu de base para o lançamento do crédito deve ser informada ao notificado para que o mesmo possa exercer plenamente seu direito de defesa. A ausência de fundamentaçao legal é vicio insanável e, conseqüentemente, nulo o lançamento. Preliminarmente, cumpre que sejam efetuadas algumas considerações sobre a base de cálculo utilizada para a apuração das contribuições devidas; A Auditoria Fiscal considerou como base de cálculo para o presente lançamento os valores faturados pelas contratadas. A recorrente, por sua vez, alega que não seria possível considerar tais valores, pois os mesmos não corresponderiam exatamente à contraprestação dos serviços executados, uma vez que estariam incluidas as despesas inerentes as empresas de um modo geral;A recorrente anexou aos autos cópias de demonstrativos contábeis de dez das doze empresas prestadoras de serviços, e com base na análise de tais 5 documentos, bem como das demais informações constantes dos autos, a auditoria fiscal considerou que as despesas inerentes a prestação dos serviços correriam por conta da contratante, conforme estipulado contratualmente; Desta forma, a auditoria fiscal entendeu que as empresas na verdade não teriam despesas e considerou como salário de contribuição os valores das notas fiscais de serviços emitidas pelas prestadoras em sua totalidade; Entretanto, ao considerar que os valores totais das notas fiscais de serviços corresponderiam a efetiva remuneração dos segurados, a auditoria fiscal claramente efetuou um arbitramento, procedimento que tem como base legal, in casa, o § 6', do art. 33, da Lei n°8.212/91, abaixo transcrito; Não obstante, ter-se utilizado da prerrogativa estabelecida em lei de arbitrar o salário de contribuição que reputasse devido, a Auditoria Fiscal não fez constar no Relatório de Fundamentos Legais, bem como do Relatório Fiscal os dispositivos legais que amparam tal procedimento; 0 arbitramento é procedimento utilizado quando não é possível obter a base de calculo da documentação especifica que registra as ocorrências relacionadas a remuneração dos segurados empregados, quais sejam, folhas e recibos de pagamento, RAIS ou GFIP's e outras; Como a ação fiscal se deu na tomadora dos serviços, a apuração do salário de contribuição se deu por meios indiretos, com base nas notas fiscais de serviços prestados pelas empresas, cuja personalidade jurídica foi desconsiderada pela fiscalização e, em nenhum momento o contribuinte foi informado de que o lançamento seria efetuado por arbitramento e qual o amparo legal para esse procedimento;A auditoria fiscal tem o dever de informar ao contribuinte sob ação fiscal que efetuará um arbitramento da importância que -reputou devida. No presente caso, a auditoria fiscal entendeu que seria considerada base de cálculo para a apuração das contribuições a totalidade do valor das notas fiscais emitidas, pois considerou que as despesas inerentes a prestação dos serviços correriam por conta alheia, ou seja, da contratante; A aferição tem fundamento no art. 33, parágrafos 3", 4° e 6°, da Lei le 8.212/91 e tais dispositivos determinam, inclusive, a inversão do ônus da prova. Portanto, a omissão em informar devidamente o contribuinte desse procedimento vicia todo o procedimento em razão de clara violação dos Princípios do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório; 0 art. 201 do Código Tributário Nacional exige que a inscrição em divida ativa ocorra somente após a regular inscrição na repartição competente. Por sua vez o inciso III do art. 202, do mesmo diploma legal, informa que, após o trâmite regular, a notificação sera inscrita em divida ativa, indicando como elementos essenciais a origem e a natureza do crédito tributário, devendo ser mencionada, especificamente a disposição da lei ern que foi fundado; Como o crédito previdenciário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta de acordo com o art. 139 do CTN, resta claro que a exigência contida naquele diploma legal, quanto a necessidade de identificação do fundamento legal do fato gerador da obrigação, deve ser observada; 0 Contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social regido segundo as normas contidas na Portaria MPS n" 6 Processo n°35464.003624/2006-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.730 Fl. 1.124 520, de 19 de maio de 2004 estabelece os casos de nulidade no Capitulo VIII, conforme verifica-se, in verbis: Art. 31. Sao nulos: I- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou coin preterigdo do direito de defesa; III — o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 32 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo quando o sujeito passivo houver dado causa ou quando não influírem na solução do litígio. Parágrafo único. A nulidade somente deve ser decretada quando o saneamento do vicio for inviável(g.n.) A 4° Câmara de Julgamento tem mantido o entendimento em casos semelhantes de que ocorrendo o lançamento arbitrado, a fundamentação legal que o ampara deverá estar informada nos autos e, diante do vicio formal, esta autoridade julgadora tem como dever declarar a nulidade do mesmo, pois a ausência de fundamentação legal não é vicio passível de saneamento; Cabe salientar que tal cautela já vem sendo observada em boa parte dos lançamentos da espécie que já foram submetidos a análise desta Conselheira; Dessa forma, CONSIDERANDO que a presente notificação foi lavrada em desconformidade com a legislação vigente, sobretudo no que tange as formalidades exigidas pelo CTN; CONSIDERANDO que para garantir a ampla defesa por parte da notificada toda a fundamentação legal deveria ter sido informada a mesma; CONSIDERANDO a impossibilidade de saneamento do vicio apresentado na presente notificação; CONSIDERANDO que constatada a nulidade por vicio formal, a autoridade julgadora devera declará-la. Voto no sentido de ANULAR o presente lançamento, para que os autos sejam devolvidos a Gerência Executiva de origem que devera proceder a novo lançamento observando a correta fundamentação legal; É COMO voto. (Brasilia - DF, 04/10/2004, 7 ANA MARIA BANDEIRA, Representante do Governo, IV° do(a) Acorclão: 2573/2004) Ressalte-se que, como no lançamento analisado na decisão acima, não há fundamentação do arbitramento no RF, nem no anexo "Fundamentos Legais do Débito". Portanto, restou prejudicado o direito de defesa da recorrente, pois foi lhe imputado lançamento sem a descrição de sua fundamentação legal. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. Sao nulos.. I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1 0 A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 6S' 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. ,sç 3 0 Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que a ausência de fundamentação cerceou o direito de defesa da recorrente, decido pela nulidade do processo. Em respeito ao § 2°, do Art. 59, do Decreto 70.235/1972, ressalto que a Receita Federal do Brasil deve tomar as devidas providências para que se verifique se há fato gerador na prestação do serviço e lançar, se necessário, o valor devido. Sobre o vicio praticado entendo ser o mesmo de natureza formal. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, foima e finalidade. 8 Sala das Sessões ço de 2010 ARCFLO OLIVEIRA - Relator Processo n°35464.003624/2006-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.730 Fl. 1.125 formal o vicio que contamina o ato administrativo em seu elemento "forma"; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zane lla Di Pietro. I Segundo a mesma autora, o elemento "forma" comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto-de-infração); e B) Ampla, que inclui todas as demais folinalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal, existência de fundamentação legal), isto 6, esta última confunde-se com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade detemiinada pela lei. E quando se diz "exteriorização" devemos concebê-la como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. 0 rigor da folina corno requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse publico é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vicio na formalização. Por todo o exposto, entendo como formal o vicio presente na ausência de fundamentação legal para o uso da aferição por parte do Fisco. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pela anulação do lançamento, pela ocorrência de vicio formal, nos termos do voto. I DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11' edição, paginas 187 a 192. 9 de abril de 2010 Bra MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 35464.003624/2006-18 Recurso n°: 151.171 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.730 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaraçdo Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10183.004214/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
ILEGITIMIDADE PASSIVA ALIENAÇÃO DO IMÓVEL. SUB-ROGAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Carece de fundamento jurídico a alegada ilegitimidade passiva por sub-rogação do crédito tributário na pessoa do adquirente do imóvel rural quando consta do título aquisitivo a prova de quitação do tributo.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN.
Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Entretanto, tal critério não poderá agravar a situação do recorrente, que outrora se submeteu
à incidência dos juros de mora à taxa selic sobre a multa vinculada ao tributo lançado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-000.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer que os juros de mora devem incidir à taxa de 1% a.m. sobre a multa de ofício
vinculada. Ainda, por maioria, decidiu-se que a incidência dos juros de mora não poderá exceder àquela que a fiscalização outrora imputou ao contribuinte (juros de mora à taxa selic
sobre a multa de ofício vinculada), vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura Matos e Rubens Maurício Carvalho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB-SP nº 210198.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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SUB ROGAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Carece de fundamento jurídico a alegada ilegitimidade passiva por sub rogação do crédito tributário na pessoa do adquirente do imóvel rural quando consta do título aquisitivo a prova de quitação do tributo. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Entretanto, tal critério não poderá agravar a situação do recorrente, que outrora se submeteu à incidência dos juros de mora à taxa selic sobre a multa vinculada ao tributo lançado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer que os juros de mora devem incidir à taxa de 1% a.m. sobre a multa de ofício vinculada. Ainda, por maioria, decidiuse que a incidência dos juros de mora não poderá exceder àquela que a fiscalização outrora imputou ao contribuinte (juros de mora à taxa selic sobre a multa de ofício vinculada), vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura Matos e Rubens Maurício Carvalho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel, OABSP nº 210198. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente e Redator designado Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 14/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra MAEDA EXIM EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA E OUTROS, foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/08, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Nova Zelândia, com área total de 24.379,4 ha (NIRF 4.866.2461), relativo ao exercício 2002, no valor de R$ 1.087.698,26, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/10/2006. A infração imputada à contribuinte foi falta de recolhimento do imposto, apurado em razão da glosa total das áreas de preservação permanente (12.738,2 ha) e de reserva legal (10.651,2 ha), em virtude da nãoapresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0415.598, de 10/10/2008, fls. 173/181: Em preliminar, aduz ilegitimidade passiva, ao argumento de que com a transferência do imóvel, em 18.02.2003, a responsabilidade deve ser repassada ao adquirente, por sub rogação (CTN, art. 130). No mérito, sustenta que o Auto de Infração é nulo, haja vista que a exigência do ADA é ilegal. Argumenta que a MP 216667 dispensou os contribuintes da apresentação do ADA. Afirma que a alíquota de 20% é Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.004214/200610 Acórdão n.º 210200.966 S2C1T2 Fl. 208 3 confiscatória. Insurgese contra os acréscimos legais incidentes no lançamento (multa e juros SELIC), que afirma possuírem caráter confiscatório e estarem acima dos patamares permitidos pela Constituição e pela Lei. A DRJ Campo Grande apreciou a impugnação e, por unanimidade de votos, decidiu pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, em 31/10/2008, fls. 181, a contribuinte apresentou, em 26/11/2008, recurso voluntário, fls. 188/202, trazendo as alegações a seguir resumidas: 4.2. Preliminarmente, o reconhecimento da Ilegitimidade Passiva da Autuada para figurar como CONTRIBUINTE/RESPONSÁVEL pelo crédito tributário lançado, em razão da subrogação pelos adquirentes dos débitos tributários face à transferência da propriedade do imóvel ocorrida em 18.02.03 (fls. 132 a 139) devidamente Registrado sob o n. R2362 na Matrícula 362 fls. 001v do Livro n. 2 do Registro Geral do Cartório de 1° Ofício de Querência, Mato Grosso (fls. 4647), nos termos do art. 130 do CTN. 4.3. No Mérito, a Improcedência dos Lançamentos Tributários, posto que foram realizados em razão da indevida glosa das exclusões da base de cálculo do ITR declaradas no DIAT/DITR 2002, desconsiderandose as ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE e as ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (conforme Laudo Técnico fls. 63 a 68 e face à averbação à margem da matrícula do imóvel fls. 46) em razão da não apresentação de solicitação do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) junto ao IBAMA, ato esse totalmente desnecessário face à redação dada ao § 7° ao artigo 10 da Lei n° 9.393/96 inserida pela MP 2.16667 de 24 de agosto de 2001. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Antes do exame dos argumentos expendidos pela defesa no recurso, cumpre destacar que da tribuna, quando da defesa oral, o patrono da contribuinte suscitou a não aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. Preliminarmente, o sujeito passivo da obrigação tributária busca a proteção do artigo 1301 do Código Tributário Nacional para aduzir a impossibilidade de a recorrente responder pelo ITR do exercício de 2002, lançado em 25/11/2006, incidente sobre imóvel alienado em 18/02/2003, data anterior à ciência do Auto de Infração. Da leitura do Instrumento Particular de Compra e Venda, fls. 132/139, devidamente registrado na matrícula do imóvel, fls. 46/47, resta clara a adoção pelo adquirente das cautelas necessárias e previstas em lei com o intuito de evitar a subrogação de quaisquer ônus de natureza tributária vinculados ao imóvel então adquirido, conforme inferese da cláusula 8ª do referido contrato: 8ª) O imóvel objeto do presente compromisso de compra e venda será entregue aos COMPRADORES, até a data de compensação do cheque dado como sinal pelos mesmos, no estado de conservação em que se encontra, absolutamente em dia com todas as taxas, impostos, emolumentos e totalmente desocupado de plantações, coisas e pessoas, sejam empregados, locatários, arrendatários ou comodatários. PARÁGRAFO ÚNICO: Declaram os COMPRADORES, neste ato, o recebimento de toda documentação hábil a comprovar o adimplemento das obrigações legais dos VENDEDORES, a saber: DARFs dos 06 (seis) últimos anos do imóvel, DIAC Declaração de ITR dos 06 (seis) últimos anos, todas as certidões negativas da Empresa Maeda Oeste Agropecuária estadual, federal, INSS, FGTS, procuradoria federal, protesto, memorial descritivo do imóvel, que foram devidamente analisadas pelos COMPRADORES. Quando formalmente declara a inexistência de ônus de natureza tributária e oferece certidão de quitação de tributos e contribuições federais, o alienante dá à situação fática as características da ressalva contida na parte final do caput do artigo 130 do CTN, vale dizer, elimina a possibilidade de subrogação da dívida na pessoa do adquirente. Assim, rejeitase a preliminar de ilegitimidade passiva por subrogação do crédito tributário apurado no Auto de Infração na pessoa do adquirente do imóvel em questão. 1 Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.004214/200610 Acórdão n.º 210200.966 S2C1T2 Fl. 209 5 No mérito, temse que o lançamento trata de glosa de áreas de preservação permanente e de reserva legal por falta de apresentação de ADA. No recurso, a contribuinte afirma que a apresentação do ADA é desnecessária para a fruição do benefício, face à redação dada ao § 7° ao artigo 10 da Lei n° 9.393/96 inserida pela MP 2.16667 de 24 de agosto de 2001. De pronto, vale destacar que a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, a exigência de utilização do ADA passou a ter expressa disposição legal. “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Já no que concerne à alegação da contribuinte de que estaria dispensada de comprovar a apresentação do ADA em razão do disposto no parágrafo 7º2 do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluído pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001, devese observar que o Código Tributário Nacional (CTN), visando à simplificação da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu hipóteses em que o sujeito passivo presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiernamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. 2 § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 6 Com efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a isenção de caráter especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição do tratamento diferenciado. Está claro que o parágrafo 7º apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, no caso apresentação de ADA, como necessários à fruição da isenção do ITR. Entretanto, inarredável é a competência da autoridade fiscal para solicitála, posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. Nessa conformidade, considerando que a contribuinte deixou de apresentar o Ato Declaratório Ambiental (ADA), acertada a decisão recorrida em não admitir a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de cálculo do ITR devido. No que se refere à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, alinhome àqueles que entendem que a taxa de juros incidente é de 1% ao mês. Por pertinente, transcrevese a seguir trecho do voto prolatado pela Conselheira Sandra Maria Faroni, no Acórdão nº 10197.077, de 17/12/2008: A questão da incidência dos juros sobre a multa de oficio já foi por mim analisada em outros recursos, e minhas conclusões podem assim ser resumidas: A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória , obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 50, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3 0; Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.621 31/98), arts. 29 e 30. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10183.004214/200610 Acórdão n.º 210200.966 S2C1T2 Fl. 210 7 O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 1° de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN. Nessa conformidade, temse que os juros de mora sobre a multa de ofício proporcional deve ficar limitados à taxa de 1% ao mês. Por fim, devese analisar a solicitação da defesa, formulada durante o julgamento da lide, de que a cobrança de juros de mora sobre a multa proporcional fosse calculada com base na menor taxa, ou seja, quando a taxa Selic fosse menor que 1% os juros exigidos seriam cobrados com base na taxa Selic. O argumento de que nos casos em que a taxa Selic venha a ser fixada em percentual menor do que 1% implicaria em agravamento da exigência, não pode prosperar. O conceito de agravamento da exigência está ligado às infrações imputadas ao contribuinte no lançamento e não aos acréscimos legais devidos. O agravamento da exigência decorre sempre de alterações das infrações ou de sua fundamentação. Já os acréscimos legais são decorrentes da infração e da data do pagamento, sendo certo que na data em que o contribuinte é cientificado do lançamento, ainda não se dispõe dos valores da taxa Selic que serão fixadas no futuro. Portanto, não há que se falar em agravamento, mas sim em definição de qual a legislação aplicável para o cálculo dos juros de mora incidentes sobre a multa proporcional. Destaquese que no Auto de Infração não consta que tais juros seriam cobrados à taxa Selic ou de 1% ao mês. A cobrança realizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa Selic, advém tãosomente da interpretação da legislação, por parte dos agentes responsáveis pela cobrança do crédito tributário. Nestes termos, temse que os juros de mora incidentes sobre a multa proporcional é de 1% ao mês, sendo irrelevante para a determinação do quantum devido, qual o percentual fixado para a taxa Selic. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO 8 Ante o exposto, VOTO por afastar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Voto Vencedor O único ponto de dissenso entre a maioria e a minoria versou sobre a aplicação dos juros de mora à taxa de 1% a.m., apenas no tocante a eventual limite que tal incidência deve ter no caso concreto, pois não ela pode superar o total dos juros de mora que outrora a fiscalização imputou ao fiscalizado, à taxa Selic, visto de forma global. A justificativa para o posicionamento acima é bastante simples, como se mostra a seguir. Os juros de mora sobre a multa de ofício vinculada ao tributo lançado, capitalizados de forma simples à taxa de 1% a.m., quando computados de forma global, do mês seguinte ao vencimento da multa de ofício até o momento da extinção do crédito tributário, não podem ultrapassar a incidência global à taxa Selic outrora imputada ao fiscalizado pela autoridade autuante, sob pena da via administrativa vir a agravar a situação do recorrente, em recurso apenas deste, o que, como é cediço, é vedado, pois a autoridade julgadora não pode agravar a situação do recorrente em recurso voluntário. Dessa forma, a capitalização dos juros de mora de 1% a.m. sobre a multa vinculada no momento da extinção do crédito tributário lançado não poderá exceder ao critério outrora utilizado pela autoridade fiscal (juros de mora à taxa selic sobre a multa vinculada de ofício). É assim como voto. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Redator designado Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 14/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 14/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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Numero do processo: 10166.008571/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO DOS RECURSOS ADMINISTRATIVOS POR PERDA DE OBJETO.
A extinção do credito tributário pelo pagamento provoca a perda do objeto do Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 2202-000.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO DOS RECURSOS ADMINISTRATIVOS POR PERDA DE OBJETO. A extinção do credito tributário pelo pagamento provoca a perda do objeto do Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann — Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antônio Lopo Martinez, Ewan Teles A.,zsinado fikjitalrnonic, oon 01'12/2010 por NELSON IVALLMANN Autcr.:iondo dinitalmentu oro 01 12r:010 por NELSON MALLMANN En ilido ora 08112/2010 p,:dor Minist6rio do FOZOrifh) C'ARJ: M F 1 62 Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Relatório AsEiinado digitalmente em Ou /12.'2010 per NE.1.5.101 ,3MALLMANN Autenticode digitalmente em 0 V12/2010 por NELSON MALLMANN 2 Emitido em 08%12:2010 pelo Ministerin do Fazenda (/\R FL 63 Processo IV 10166 008571/2008-19 S2-C2T2 Acórdfio n " 2202-00.873 H 2 JOÃO BATISTA FERREIRA, contribuinte inscrito no CPF/MF 002.400.951-20, corn domicilio fiscal na cidade de Brasilia — Distrito Federal, na SQS, 113 — Bloco K apto 602 — Asa Sul, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasilia - DF, inconformado corn a decisão de Primeira Instância de fls. 41/43, prolatada pela 3 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasilia - DF, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 47/52. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 23/06/2005, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 05/07), com ciência através de AR, em 27/06/2007 (fls. 35), exigindo-se o recolhimento do credito tributário no valor total de R$ 12.573,85 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a titulo de Imposto de Renda Pessoa Fisica, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora de, no minim, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2004, correspondente ao ano-calendário de 2003. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos do trabalho coin vinculo e/ou sem vinculo empregaticio. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatou-se omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 25.981,32, recebidos pelo titular, da fonte pagadora relacionada abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Relido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$0,00. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3 0 e §§, e 8°, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° ao 40, da Lei n°8.134, de 1990 e artigos 10 e 15 da Lei n° 10.451, de 2002. Inesignado com o lançamento, o autuado, apresenta, tempestivamente, em .30/06/2007, a sua peça impugnatória de fls. 01, solicitando que seja acolhida A impugnação e determinado o cancelamento do credito tributário, com base, em síntese, no argumento de que não recolheu o "valor do credito apurado" de que trata a notificação, entende que a apuração do imposto a ser pago deve ser feita subtraindo dos rendimentos informados pelo INSS de R$ 83.719,81 a importância de R$ 28.319,04 referente aos benefícios pagos nos meses de outubro, novembro e dezembro, pelos seguintes motivos: (1) Acometido de neoplasia maligna requereu ao INSS, tendo em vista o previsto em Lei, a isenção do IR em outubro; (2) 0 Instituto providenciou somente para 8 de dezembro a realização da perícia médica e consequentemente a emissão do laudo; (3) Esse atraso motivou a implantação da isenção no sistema somente no exercício seguinte e (4) Deve ser entendido que esse atraso ocorrido em Órgão Oficial não deve prejudicar o contribuinte. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasilia - DF concluíram pelo não conhecimento da impugnação, coin base, em síntese, nas seguintes considerações: - que a impugnação e tempestiva e atende aos pressupostos legais de admissibilidade previstos no Decreto n°70.235/72, art. 15, contudo, da análise da documentação encaminhada, observa-se que o contribuinte recolheu o total do debito (fls. 04, 36/40), no valor de RS10.408,02 (principal + multa + juros). Ao proceder dessa forma, extinguiu o crédito tributário; Assinado digitalmente ern 01112/2010 por NELSON 1 ,i1ALLMANN Autenticado digitalmerne ern 01/12/2010 par NELSON MALLMANN 3 Emitido em 0B/12/2010 poi() Ministério da Fa;:oricia 1)1 CARP MI: Pl. 64 - que esse fato dá nova feição à matéria, pois não mais se poderá falar em fase litigiosa do procedimento, haja vista figurar como extinto o crédito tributário, ern razão de sua completa quitação. Ausente o objeto da impugnação, o crédito tributário e a obrigação tributária subjacente, descabe o exame do mérito; - que ante o exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO da impugnação, por se encontrar extinto o crédito tributário pelo pagamento; que cumpre destacar, por fim, que o contribuinte alega isenção de rendimentos, pois e portador de moléstia grave. A DRF de origem poderá informá-lo dos procedimentos e documentos necessários requeridos pela legislação tributária para a restituição de valores porventura isentos a esse titulo. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO.. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício.' 2004 EXIIKAO DO CREDIT() TRIBUTÁRIO PAGAMENIO Não se conhece da impugnação ao lançamento se o respectivo crédito tributário já foi extinto pelo pagamento. Impugnação não Conhecida. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/10/2008, conforme Termo constante as fls. 45/46, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (14/11/2008), o recurso voluntário de fls. 47152, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nos seguintes argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes consideraçôes: que o débito que a Receita Federal imputou foi referente a Declaração de Imposto de Renda do ano de 2004. Segundo este mesmo órgão houve omissão na declaração da quantia recebida nos meses de outubro, novembro e dezembro do mesmo ano; - que nesta mesma notificação, constou a observação de que se o pagamento total fosse efetuado até o vencimento estabelecido documento, a multa seria reduzida em 50% (cinqüenta por cento); - que, diante disso, efetuei o pagamento com intuito exclusivo de obter o desconto com relação â multa, que eventualmente poderia ser aplicada na hipótese de julgamento pela improcedência da impugnação. Frize-se, jamais tive a intenção de extinguir o processo sem julgamento do mérito, uma vez que continuo convicto de que tenho direito isenção do imposto de renda a partir de outubro de 2004, data em que foi diagnosticada a neopiasia maligna, bem como dei entrada no INSS com o respectivo pedido de isenção; - que é fato que a perícia somente foi realizada no mês de dezembro de 2004.. Todavia, a isenção deve produzir efeito a partir do diagnostico da doença ou, na pior das hipóteses, a partir da data de entrada do pedido no INSS (outubro de 2004), pois, o contribuinte não pode responder pela inércia da Administração . Bem de ver que a lei garante a concessão do beneficio a partir do diagnóstico, pois isenta do imposto de renda a pessoa acometida de neoplasia maligna. Por isso não ofereci para tributação os proventos recebidos nos meses de outubro a dezembro de 2004; A:sinacle cligitairrentu em 0111212010 rga NELSON MALLMANN Aute.nticado digitaimanka em 01 , 120010 or NE] SON MALLMANN 4 Ernitido cm 0012.12010 pele Minis:6d° 0i Faamda 1)1; iv1l Fl.65 l'rocesso n" 1016G 008571/2008-19 S2-C2T2 Acnrao ° 2202-00.873 F1 3 - que, corn isso, inconformado, venho recorrer para que seja reformado o acórdão, pois o pagamento antecipado realizado foi feito apenas para garantir o desconto nos lutos e multa antes do julgamento do mérito e não para saldar o débito. Não tive a intenção de desistir da ação, pois estou convicto que tenho o direito à isenção; que a propósito, o art. 60, XIV, da Lei no. 7.71.3/1988 (Redação dada pela Lei n o 11.052, de 2004), concede ao portador de neoplasia maligna o direito ao beneficio de isenção do Imposto de Renda, o Relatório Voto ANrrrjo digitalmerk: em 01112/201D por NELSON MALLMANN Attsc, ntitt;rtrlo divit:time.ntri em 01112(2010 pol NELSON t,,IALIMANN 5 Emitido çn 00112/2010 pplo Minist&lo da Fo:ttlptia Di CAIU Ml• Conselheiro Nelson 1V1allmann, Relator A principio o presente recurso voluntário refine os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Entretanto, por dever de oficio devo, como preliminar, suscitar uma questão processual, que, se aceita, ensejaria a não apreciação do mérito do recurso. A discussão em litígio restringe-se a omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregaticio no valor de R$ 25.981,32. Contudo, da análise da documentação encaminhada, observa-se que o contribuinte recolheu o total do débito (fls. 04, 36/40), no valor de R$ 10.408,02 (principal + multa + juros). Assim, o recorrente, já na impugnação, efetuou o pagamento do imposto, optando por impugná-los mesmo assim. O comprovante do pagamento (DARF), devidamente autenticados, foi juntado aos autos as lis. 04, 36/40, nele constando claramente que foi recolhido na data aprazada pelo lançamento e na mesma data de apresentação da impugnação. No âmbito federal, o processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto n°70.235, de 1972 . Desta feita, as principais caracteristicas do processo administrativo fiscal são: instrumento para o controle da legalidade dos atos da Administração Tributária, instrumento para outorga de direitos e para aplicação de sanções por descumprimento da obrigação tributária, 0 Processo Administrativo Fiscal como instrumento para determinação do crédito fiscal é composto por duas fases, a não contenciosa e a contenciosa, a primeira se verifica com os procedimentos fiscalizatórios da administração tributária competente para fazer o lançamento e termina com o termo de encenamento de fiscalização, que sera acompanhado de um auto de infração nos casos em que alguma infração da legislação tributária tenha sido constatada, a segunda, se inicia, necessariamente, com a impugnação do sujeito passivo ao mencionado auto de infração. A primeira fase constitui o lançamento do tributo, "assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível" (Código Tributário Nacional, art. 142). Na segunda fase, o contribuinte pode buscar a alteração do lançamento daquele credito tributário através da já mencionada impugnação, a fim de questionar a validade do credito e o seu real montante, através de reclamações e recursos administrativos e, inclusive, buscar o reconhecimento de imunidade, isenção ou compensação, à luz do contraditório e da ampla defesa assegurados ao cidadão por norma constitucionalmente positivada (art, 5°, inciso LV), de se ressaltar, que os recursos impetrados pelo contribuinte na esfera administrativa fiscal suspende a exigibilidade do credito tributário nos exatos termos do art 151,III do Código Tributário Nacional. O credito tributário, a principio, se tornará imutável na esfera administrativa fiscal por ocasião da decisão final administrativa transitada em julgado, ou seja, fase em que não mais caberia nenhum recurso administrativo, restando, apenas, a possibilidade de discussão Assinado clinitalmente em 01/12/2010 por NELSON MALLMANN Attlenkodo digitalmente em 0 1 !12.2010 por NELSON MALLMANN 6 Emikitio 06112i2010 pelo Ministério da Fozonda DI CARL ML FL67 Processo n° 10166 008571/2008-19 82-C21.2 Accirdlio o 0 2202-00_873 Fl 4 asps.. judicial, é o chamado lançamento definitivo, onde se conhece o valor do tributo a ser pago, se for o caso, restando caracterizado corno tributo devido. Temos neste momento, portanto, o montante do tributo devido, se é que ha tributo a ser pago. Desta feita, sempre que uma norma se refere a tributo devemos crer que se trata de tributo devido, aquele que foi devidamente constituído através de processo administrativo fiscal, onde são devidamente observados os pr inept& -Cc,nstitucionais (principalmente o do contraditório e o da ampla defesa) e infraconstitucionais. Como visto, o contribuinte detém todos os recursos contra a exigência do fisco, no decorrer da instância administrativa. Entretanto, no presente caso, observa-se urn fato inusitado, pois, da análise da documentação encaminhada, observa-se que o contribuinte recolheu o total do crédito tributário constituído pala Notificação de Lançamento (fls. 04, 36/40), no valor de R$ 10.408,02 (principal + multa + juros). Ora, ao proceder dessa forma, o contribuinte extinguiu o credito tributário em discussão pelo pagamento, sendo inútil a apresentação dos recursos administrativos (impugnação e recurso voluntário), pois ao tomar esta atitude passa a reconhecer expressamente que a autoridade fiscal lançadora estava com a razão. Esse fato da nova feição matéria, pois não mais se poderá falar em fase litigiosa do procedimento, haja vista figurar como extinto o crédito tributário, em razão de sua completa quitação. Ausente o objeto da impugnação e do recurso voluntário, o crédito tributário e a obrigação tributaria subjacente, descabe o exame do merito, Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de não conhecer do recurso, por perda do objeto. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Nnado ciigitalmEnte ern 01,12120 0 por NELSON ,..I.L.L.LNIANN Aultinlic.ndo em 01112/2010 pnr NELSOi'.3 7 0 31 12120 10 rfa Fa:r2iltin
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Numero do processo: 12045.000453/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 29/10/2004
APRESENTAÇÃO DE PPRA E LTCAT EM DESCONFORMIDADE COM LEGISLAÇÃO.A apresentação de documento ou livro que não atenda as, formalidades legais exigidas pela legislação tributária constituem-se infração a obrigação acessória prevista no art. 33 §§ 2° e 3° da Lei n° 8.212/91 c/c art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CNT.O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Sumula Vinculante n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontram-se atingidas pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributaria acessórias apuradas pela fiscalização.OBRIGAÇÃO ACESSORIA. COMPROVAÇÃO EXPOSIÇÃO DE SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE TRABALHO LTCAT. SUBSTITUIÇÃO PELA PPRA.A apresentação do PPRA, mesmo em referência a período anterior a publicação da Instrução Normativa. INNS/DS nº 99/2003, constitui-se documento bastante e suficiente para satisfazer as informações exigidas no LTCAT, suprindo-lhe a falta de apresentação.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO VOLUNTARIO IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.No Processo Administrativo Fiscal, dada a observância aos princípios processuais da impugnação especifica e da preclusão, toda as alegação de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CARÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. CONHECIMENTO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE.A não sucumbência em sede de impugnação importa no falecimento do interesse de agir, pressuposto essencial para o manejo do Recurso Voluntário.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COMPROVAÇÃO DE EXPOSIÇÃO. DE SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE DE TRABALHO. LTCAT. PREVISÃO LEGAL.O art. 58, §1° da Lei n" 8.213/91 estabelece que a comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por medico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista, in casu, as Normas Regulamentadoras NR6, NR7, NR9 e NR15, aprovadas pela Portaria/MTb n° 3.214, de 8 de junho de 1978.AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. PPRA. LTCAT. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL.A apresentação de documento ou livro que não atenda As formalidades legais exigidas pela legislação tributária constitui-se infração à obrigação acessória prevista no art. 33 §§ 2° e 3° da Lei nº 8.212/91 c/c art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. n° 3.048/99, competindo ao auditor fiscal da RFB, constatada a sua ocorrência objetiva, a lavratura do correspondente Auto de Infração, conforme estatuído nos artigos 33, §3° e 37 da Lei IV 8.212/91 c.c. artigos 400, I e 404 da Instrução Normativa INSS/DC n°100/2003.OBRIGAÇÃO ASSESSORIA. PPRA. FORMALIDADES LEGAIS. ESTRUTURA MINIMA DO DOCUMENTO.O PPRA deverá conter, no mínimo, o planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; a estratégia e metodologia de ação; a forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; bem como a periodicidade e forma de avaliação do seu desenvolvimento. O cronograma deverá indicar com clareza os prazos para o desenvolvimento das etapas e cumprimento das metas previstas.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-000.739
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida negado provimento ao recurso nos termos do relatório e voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/10/2004 APRESENTAÇÃO DE PPRA E LTCAT EM DESCONFORMIDADE COM LEGISLAÇÃO.A apresentação de documento ou livro que não atenda as, formalidades legais exigidas pela legislação tributária constituem-se infração a obrigação acessória prevista no art. 33 §§ 2° e 3° da Lei n° 8.212/91 c/c art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CNT.O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Sumula Vinculante n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontram-se atingidas pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributaria acessórias apuradas pela fiscalização.OBRIGAÇÃO ACESSORIA. COMPROVAÇÃO EXPOSIÇÃO DE SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE TRABALHO LTCAT. SUBSTITUIÇÃO PELA PPRA.A apresentação do PPRA, mesmo em referência a período anterior a publicação da Instrução Normativa. INNS/DS nº 99/2003, constitui-se documento bastante e suficiente para satisfazer as informações exigidas no LTCAT, suprindo-lhe a falta de apresentação.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO VOLUNTARIO IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.No Processo Administrativo Fiscal, dada a observância aos princípios processuais da impugnação especifica e da preclusão, toda as alegação de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CARÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. CONHECIMENTO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE.A não sucumbência em sede de impugnação importa no falecimento do interesse de agir, pressuposto essencial para o manejo do Recurso Voluntário.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COMPROVAÇÃO DE EXPOSIÇÃO. DE SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE DE TRABALHO. LTCAT. PREVISÃO LEGAL.O art. 58, §1° da Lei n" 8.213/91 estabelece que a comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por medico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista, in casu, as Normas Regulamentadoras NR6, NR7, NR9 e NR15, aprovadas pela Portaria/MTb n° 3.214, de 8 de junho de 1978.AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. PPRA. LTCAT. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL.A apresentação de documento ou livro que não atenda As formalidades legais exigidas pela legislação tributária constitui-se infração à obrigação acessória prevista no art. 33 §§ 2° e 3° da Lei nº 8.212/91 c/c art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. n° 3.048/99, competindo ao auditor fiscal da RFB, constatada a sua ocorrência objetiva, a lavratura do correspondente Auto de Infração, conforme estatuído nos artigos 33, §3° e 37 da Lei IV 8.212/91 c.c. artigos 400, I e 404 da Instrução Normativa INSS/DC n°100/2003.OBRIGAÇÃO ASSESSORIA. PPRA. FORMALIDADES LEGAIS. ESTRUTURA MINIMA DO DOCUMENTO.O PPRA deverá conter, no mínimo, o planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; a estratégia e metodologia de ação; a forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; bem como a periodicidade e forma de avaliação do seu desenvolvimento. O cronograma deverá indicar com clareza os prazos para o desenvolvimento das etapas e cumprimento das metas previstas. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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'FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ,ata do fato gerador: 29/10/2004 „APRESENTAÇÃO DE PPRA E LTCAT .EM 'DESCONFORMIDADE COM ',LEGISLAÇÃO. 'apresentação de documento ou livro que‘ridO'Ate'rida,As, formálidddes legais exigidas pela legislação tributária constitui-Se . infraçãO. ,dbi-igação 'acessóiia .:Prevista no art. 33 §§ 2° e 3° da Lei n° 8.21.2/91'eYc ..0:':'233,:fiárdgrafo UnicO do Regulamento da Previdência Social, aprovado Pele :Dee. n".3.048/99. RAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS: O. :C. TN:- • :Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento ' exarado /:;nd. Sumula ' mculante n° 8, no julgamento profeiido em 12 de junho de 2008, .-i:ecbril-receu a inconstitucionalidade do art 45 da 8:212‘..:de 1991 . -- AriCidênCia do preceito inscrito no art. 1 -73, I dO 'CTI\i.TneOntrarn=se' atirigidds pela' fluência do prazo decadencial parte dai ob'i:FgaeOlcsriAtitarias acessOrias apuradas pela fiscalização. . . ,OBRIGAÇÃO ACESSORIA. 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A não sucumbencia em sede de impugnação importa no falecimento do interesse de agir, pressuposto essencial para o manejo do Recurso Voluntário. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COMPROVAÇÃO DE EXPOSIÇÃO. DE SEGURADOS A AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE DE TRABALHO. LTCAT. PREVISÃO LEGAL. 0 art. 58, §1° da Lei n" 8.213/91 estabelece que a comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos sera' feita com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por medico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista, in casu, as Normas Regulamentadoras NR6, NR7, NR9 e NR15, aprovadas pela Portaria/MTb n°3.214, de 8 de junho de 1978. AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. PPRA. LTCAT. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. A apresentação de documento ou livro que não atenda As formalidades legais exigidas pela legislação tributária constitui-se infração à obrigação acessória prevista no art. 33 §§ 2° e 3° da Lei IV 8.212/91 c/c art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. n° 3.048/99, competindo ao auditor fiscal da RFB, constatada a sua ocorrência objetiva, a lavratura do correspondente Auto de Infração, conforme estatuído nos artigos 33, §3° e 37 da Lei IV 8.212/91 c.c. artigos 400, I e 404 da Instrução Normativa INSS/DC n°100/2003. OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PPRA. FORMALIDADES LEGAIS. ESTRUTURA MINIMA DO DOCUMENTO. O PPRA deverá conter, no mínimo, o planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; a estratégia e metodologia de ação; a forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; bem corno a periodicidade e forma de avaliação do seu desenvolvimento. O cronograma deverá indicar com clareza os prazos para o desenvolvimento das etapas e cumprimento das metas previstas. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara! 2 Turma Ordinária da Segunda Seek, de Julgamento, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida negado provimento ao recurso nos termos do relatório e voto do Conselheiro Relator. 2 Processo n° 12045.000453/2007-83 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.739 FL 584 Participaram do presente julgamento, os conselheiros Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Thiago D'Avila Melo Fernandes e Marco André Ramos Vieira (presidente). Relatório Período de apuração MPF: Janeiro/1996 a agosto/2004. Data da lavratura da Auto de Infração: 29/10/2004. Data da ciência do Auto de Infração : 03/11/2004. Trata-se de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas nos parágrafos 2° e 3° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter apresentado PPRA e LTCAT sem atender as formalidades legais exigidas, conforme descrito no item 4 do Relatório Fiscal, a fls. 14/17. CFL - 81 Apresentar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça, ou o titular de serventia extrajudicial, documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou omita informação verdadeira. A multa foi aplicada em seu valor mínimo, atualizado pela Portaria MPS n° 479, de 05 de maio de 2004, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 18. Irresignada com a autuação, a autuada apresentou impugnação administrativa, a fls. 36/46. A Delegacia da Receita Previdencidria em Maceió/AL lavrou Decisão- Notificação, a fls. 204/211, julgando procedente a autuação em destaque. 0 sujeito passivo foi cientificado da Decisão-Notificação em 18/02/2005, conforme Recibo de Entrega a fl. 215. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 220/238, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que o auto de infração é eivado de nulidade, pois a fiscalização previdencidria não tem competência para impor autuação decorrente de documentos referentes a segurança e medicina do trabalho, e sim, as autoridades do Ministério do Trabalho. • Que a fiscalização fundamentou a lavratura do Auto de Infração em uma legislação voltada para "exames contábeis", conforme depreenderia dos artigos e parágrafos citados no bojo do Auto Infração, o que evidenciaria o descabimento da autuação da Auditoria da Previdência Social quanto As formalidades do PPRA e LTCAT. • Que a infração foi inadequadamente enquadrada nos §§ 2° e 3° do art. 33 da Lei 8.212/91, pois a documentação solicitada pela fiscalização foi prontamente disponibilizada, não havendo qualquer recusa ou sonegação. • Que as irregularidades apontadas nos PPRA de 1998 a 2003 não têm fundamento, pois a auditoria da DRT já os conferiu e aprovou. Além disso, a empresa sempre colocou em prática sugestões de melhoria do ambiente de trabalho e para laudos não se atribuem prazos, somente sendo atualizados quando da ocorrência de modificação na situação ambiental. • Que o PPRA de 2004 apresenta planejamento de metas, prioridades e cronogramas. Aduz que o importante é a finalidade dos documentos, pois a empresa nunca se omitiu As suas responsabilidades no tocante A proteção ao ambiente de trabalho. • Que no que diz respeito ao LTCAT 1999, o auditor-fiscal se contradisse ao afirmar que não apresenta conclusão e, ao mesmo tempo, transcreve a conclusão do relatório. Cita que era facultado a empresa apresentar outros documentos em substituição ao LTCAT e não lhes sendo exigidas quaisquer formalidades. Ao fim, requer que seja revogada a Decisão-Notificação recorrida, e se declare nulo o Auto de Infração em referência. Contrarrazões a fls. 576/582. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA, Relator 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 0 sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 18/02/2005, sexta-feira, iniciando-se pois o decurso do prazo recursal na segunda-feira seguinte, diga-se, 21/02/2005. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 22 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que a fiscalização fundamentou a lavratura do Auto de Infração em uma legislação voltada para "exames contábeis", conforme se depreenderia dos artigos e parágrafos citados no bojo do Auto de Infração, o que evidenciaria o descabimento da autuação da Auditoria da Previdência Social quanto As formalidades do PPRA e LTCAT. 4 sJ Processo no 12045.000453/2007-83 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.739 Fl. 585 Compulsando a impugnação ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontram-se fincados no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto n° 70.235, de 6 de marco de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) (.) §4 0 A prova documental será apresentada na impugna cão, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de forca maior; (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. no 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o principio processual da impugnação especifica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Códieo de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestar-se precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumem-se verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I - se não for admissivel, a seu respeito, a confissão; - se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III - se estiverem ern contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto n° 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o emus da impugnação especifica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC — Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria especifica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Saliente-se que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstancia-se num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformá-la. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação especifica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Por tais razões, a matéria pertinente A. fundamentação jurídica da lavratura do Auto de Infração, abordada no primeiro parágrafo deste tópico, não poderá ser conhecida por este Colegiado. No que tange ao LTCAT de 1999, afirma o Recorrente que o auditor fiscal se contradisse ao afirmar que tal documento não apresenta conclusão e, ao mesmo tempo, transcreve a conclusão do relatório. Cita que era facultado à empresa apresentar outros documentos em substituição ao LTCAT e que não eram exigidas quaisquer formalidades. Sindicando as laudas da Decisão-Notificação guerreada, a fls. 204/211, testificamos terem sido produzidas nesta extensas e conclusivas considerações acerca do LTCAT, pontuadas em seus itens 9 e 10, concluindo alfim que o PPRA, mesmo antes da gestação da Instrução Normativa INSS/DC n° 99, de 05/12/2003, constituía-se documento bastante e suficiente para a satisfação das informações então exigidas no LTCAT. Por tal motivo, pautou-se a decisão recorrida no sentido de que, para todo o período de exigência do LTCAT, a apresentação do PPRA supriria a sua falta, resultando improcedente, no caso sub examine, a autuação especifica pela não apresentação ou apresentação defeituosa do LTCAT. Nesse panorama, ergue-se como certo que o julgador de P instância já acatou as razões, nessa matéria, levantadas pelo Recorrente em sede de impugnação. Portanto, inexistindo sucumbencia do recorrente nesse ponto especifico, deixa de se edificar um dos pilares essenciais para a manifestação de inconformismo a ser oferecida em palco de Recurso Voluntário. Tal circunstância revela a carência do interesse de agir do sujeito passivo, uma vez 6 Processo n° 12045.000453/2007-83 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302 -00.739 Fl. 586 que, havendo a decisão hostilizada honrado integralmente suas alegações, lhe sagrando vencedor, o eventual Recurso interposto não lhe poderá lhe ofertar qualquer outro beneficio que já não lhe tenha sido concedido antes. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 3° do Código de Processo Civil, cujo preceito exige o interesse e a legitimidade da parte para a propositura da ação ou para a sua contestação. Em reforço a tal assertiva, ilumine-se a expressão realçada no texto do inciso VI, in fine, do art. 267 do mesmo Pergaminho Processual, que eleva o interesse processual â. categoria de condição da ação, cuja ausência, dada a sua relevância, importa na extinção do processo sem apreciação do mérito. Código de Processo Civil Art. 3° Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. Art. 267. Extingue-se o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei n" 11.232/2005) (.) VI - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual; Vertidas tais considerações, resulta que as ponderações produzidas pelo Recorrente referentes ao LTCAT de 1999 não poderão, igualmente, ser o objeto de deliberação por este Colegiado, em razão do fenecimento do interesse de agir, eis que ausente a sucumbência do Recorrente, nesse ponto especifico, em sede de impugnação. oportuno ressaltar que o valor da penalidade imposta através do presente Auto de Infração, conforme relatado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fl. 18, único, indivisível e independente do número de infrações cometidas, bastando, para a sua caracterização e imputação, a ocorrência de uma única infração. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço parcialmente. 3. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. 3.1. DA DECADÊNCIA. Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na SUmul Vinculante n° 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n ° 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante n° 8 - "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário ". Conforme estatuído no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante n° 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la de imediato. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n ° 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas A. matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional — CTN e nas demais leis de regência. 0 instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontra-se regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional - CTN, que reza ipsis litteris: Códleo Tributário Nacional - CTN Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data ern que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notifica cão, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, opera-se a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o Auto de Infração lavrado em 29 de outubro de 2004, este apenas alcançaria as obrigações acessórias exigíveis a contar da competência dezembro/1998, inclusive, excluídas as relativas ao 13° salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontram-se atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 1998, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Assinale-se que, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 14/17, as irregularidades apontadas pela fiscalização como ensejadoras da lavratura do presente Auto de Infração, foram apuradas nos documentos relativos ao PPRA dos exercícios 1998 a 2004 e ao LTCAT de 1999. Nesse quadro, avulta que a totalidade das deficiências que deram azo a 8 Processo n° 12045.000453/2007-83 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.739 Fl. 587 autuação em análise, à exceção de uma única, foram constatadas no período não abraçado pelo decurso do referido prazo decadencial. Mostra-se virtuoso repisar que o valor da penalidade imposta através do presente Auto de InfraçãoYconforme relatado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fl. 18, é único, indivisível e independente do número de infrações cometidas, bastando, para a sua caracterização e imputação, a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade. Nesse contexto, lid que se considerar que o reconhecimento da decadência acima delineada não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada, tampouco. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 4. DO MÉRITO. Em razão do provimento relativo à decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário de que trata o presente processo, nos termos do item 3.1. supra, apenas será objeto de apreciação por este colegiado as matérias de fato e de direito referentes aos fatos geradores ainda não alcançados pelo decurso do prazo decadencial acima referido. Dessarte, o exame do mérito se cingirá aos fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro de 1998, inclusive. Em relação aos demais, consideraremos ter havido perda do interesse, razão pela qual não serão mais objeto de apreciação. Outrossim, cumpre assentar que também não será objeto de apreciação por este colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 4.1. DA COMPETÊNCIA PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Alega o Recorrente que o auto de infração é eivado de nulidade, pois a fiscalização previdencidria não tem competência para impor autuação decorrente de documentos referentes a segurança e medicina do trabalho, e sim, as autoridades do Ministério do Trabalho. Aduz que as irregularidades apontadas nos PPRA de 1998 a 2003 não têm fundamento, pois a auditoria da DRT já os conferiu e aprovou. Além disso, a empresa sempre colocou em prática sugestões de melhoria do ambiente de trabalho e para laudos não se atribuem prazos, somente sendo atualizados quando da ocorrência de modificação na situação ambiental. Tais alegações não merecem acolhida. Em primeiro lugar, antes de qualquer abordagem especifica a respeito do tema, convém esclarecer que o presente Auto de Infração foi lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória estabelecida taxativamente na legislação previdenciária e de observância obrigatória por parte do obrigado, sob pena de imputação de penalidade pecuniária. 9 Em segundo lugar, mas de extrema importância, mostra-se virtuoso esclarecer que a edição de uma norma técnica independe de previsão legislativa, podendo ser editada por qualquer entidade competente para tanto. 0 que de fato compreende-se na reserva legal é a obrigatória observância de uma determinada norma técnica, tenha sido ela edificada por esta ou por aquela entidade. Não se mostra despiciendo salientar que a mera edição de uma norma técnica, qualquer que tenha sido o órgão do qual promane, não torna compulsória a sua observância. Tal obrigatoriedade há de ser veiculada através de um instrumento normativo próprio, competente para tal fim, o qual, além de subjulgar a vontade do obrigado, pode prever a imputação de penalidade em caso de descumprimento. De outro viés, mostra importante relembrar que, nos termos do §2° do art. 113 do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Não se deve, igualmente, olvidar que a expressão "legisla cão tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, a teor do art. 96 do citado codex. Cumpre, de outro eito, enaltecer que constituem-se normas complementares, para fins tributários, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, bem como os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. O Código Tributário Nacional estabelece como reserva de lei formal a instituição ou a majoração de tributos; a sua extinção ou redução, a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo; a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades, assim como a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, mas não a da obrigação acessória, cujo fato gerador pode ser definido pela legislação tributária. Código Tributário Nacional - CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; iii - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso Ido § 3° do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV - a fixa cão de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 1 0 Processo n° 12045.000453/2007-83 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.739 Fl. 588 V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1° Equipara-se a majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. ,ss' 2' Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a Unido, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1" A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. ss' 2 0 A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3' A obrigação acessória, pelo simples fato tia sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. Tingido nessas cores o quadro jurídico que retrata a matéria, exsurge que a obrigação de prestar ao INSS os esclarecimentos necessários A fiscalização não decorreu das Normas Regulamentadoras de nOS 07 e 09, aprovadas pelas Portarias de n OS 24 e 25 da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho, mas, sim, dos preceptivos encorpados nos artigos 32 e 33, ambos da Lei n°8.212/91. 11 Lei n° 8.212, de 24 de ¡Who de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: III - prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e ao Departamento da Receita Federal - DRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (grifos nossos) Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, iz fiscalização, a arrecadação, a cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a titulo de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). §1° É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009). §2" A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o sindico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). §3" Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de oficio a importância devida. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009). (grifos nossos) Uma das informações de maior relevância para a autarquia previdenciária federal consubstancia-se na comprovação da efetiva exposição do segurado a agentes nocivos no ambiente de trabalho, pois dela decorrerá, na hipótese de tais agentes maléficos serem detectados em concentrações ou em níveis superiores aos limites de tolerância determinados pela legislação previdencidria, o direito do segurado a eles exposto ao beneficio da aposentadoria especial. Os documentos em ribalta comportam informações indispensáveis demonstração da efetiva existência, no ambiente labora!, de agentes nocivos, fisicos, químicos ou biológicos, prejudiciais à saúde e/ou A. integridade fisica dos segurados do RGPS. Ademais, a comprovação de tal circunstância implica, em ádito, a obrigatoriedade da empresa de recolher aos cofres previdencidrios o adicional de contribuição previdencidria prevista no § 6° do art. 57 da Lei n°8.213/91, na redação dada pela Lei n°9.732/98. 12 Processo n° 12045.000453/2007-83 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.739 Fl. 589 Valem as digressões acima tecidas como demonstrativo da interrelação que se estabelece entre o PPRA e o LTCAT com as Contribuições Previdencidrias em foco. A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho — LTCAT expedido por medico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista, conforme determina o §1 0 do art. 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991. Lei n°8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei n" 9.032, de 1995) §3 0 A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social—INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. (Redação dada pela Lei n°9.032, de 1995) §4° 0 segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, .fisicos, biológicos ou associa cão de agentes prejudiciais ã saúde ou et integridade fisica, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do beneficio. (Incluído pela Lei n°9.032, de 1995) (.) §6° 0 beneficio previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso lido art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas aliquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11.12.98) §7° 0 acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no capta. (Incluído pela Lei n° 9.732, de 11.12.98) Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 1997) §1° A comprova cão da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos sera feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, coin base em laudo 13 técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei n" 9.732, de 11.12.98) §2 0 Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11.12.98) §3" A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita àpenalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei n°9.528, de 1997) Conforme deflui do texto legal, em excerto acima transcrito, ao INSS compete estabelecer a forma como a comprovação da efetiva exposição do segurado a agentes nocivos no ambiente de trabalho será realizada, condicionando como base para tal comprovação o laudo técnico de condições ambientais do trabalho - LTCAT, que será da lavra de medico do trabalho ou de engenheiro de segurança do trabalho, nos termos da legislação trabalhista. Regulamentando a norma legal acima transcrita, o §7° do art. 68 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. n° 3.048/99, atribuiu ao Ministério da Previdência e Assistência Social a competência para editar instruções definindo parâmetros para fins de aceitação do LTCAT, com base nas Normas Regulamentadoras no 6 (Equipamento de Proteção Individual), n° 7 (Programa de Controle Medico de Saúde Ocupacional), n° 9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e n° 15 (Atividades e Operações Insalubres). Regulamento da Previdência Social Art. 68. A relação dos agentes nocivos químicos, fisicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais a saúde ou a integridade fisica, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, consta do Anexo IV. §2" A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário denominado perfil profissiográfico previdenciário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. (Redação dada pelo Decreto n°4.032, de 2001) (.) §4 A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita a multa prevista no art. 283. §7" 0 Ministério da Previdência e Assistência Social Baixará instruções definindo parâmetros com base na Norma 14 Processo n° 12045.000453/2007-83 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.739 Fl. 590 Regulamentadora n° 6 (Equipamento de Proteção Individual), Norma Regulamentadora n° 7 (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), Norma Regulamentadora n" 9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e na Norma Regulamentadom n" 15 (Attvtdades e Operações Insalubres), aprovadas pela Portaria/MTb n° 3.214, de 8 de junho de 1978, para fins de aceitação do laudo técnico de que tratam os §§ 2" e 3° (Redação dada pelo Decreto n°3.265, de 1999) Conforme se observa, não são as Normas Regulamentadoras n' S 07 e 09, aprovadas pelas Portarias n's 24 e 25 da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho que dão esteio ao Auto de Infração ora em apreciação, mas, sim, as leis nos 8.212/91 e 8.213/91, combinadas com o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. n° 3.048/99. O regramento inscrito nas citadas normas regulamentadoras apenas servirá de base para o Poder Executivo, no exercício da competência que lhe foi atribuída pelo RPS, definir os parâmetros para a aceitação do LTCAT. A Instrução Normativa INSS/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2003, ratificou a competência dos Auditores-Fiscais da Previdência Social para a verificação dos relatórios sobre riscos ambientais do trabalho e para a eventual autuação em caso de descumprimento das obrigações instrumentais a eles associadas, consoante excerto a seguir trasladado: Instrução Normativa INSS/DC n°100 de 18.12.2003 Art. 400. Para fins da cobrança da contribuição prevista no inciso II do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, da contribuição adicional prevista no §6° do art. 57 da Lei n°8.213, de 1991, da contribuição adicional e do percentual adicional de retenção previstos nos §§ 1°e 2" do art. 1°c no art. 6' da Lei n" 10.666, de 2003, respectivamente, o INSS, por intermédio de sua fiscalização, verificará: (grifos nossos) I - a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais de que trata o art. 404; - os controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais; III - a veracidade das informações declaradas em GFIP; IV - o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho; V.- o cumprimento das demais disposições previstas nos arts. 19, 57, 58, 120 e 121 da Lei n°8.213, de 1991. Parágrafo único. 0 disposto no caput tem como objetivo; I - validar as informações do banco de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), que é alimentado pelos fatos declarados em GFIP; - evitar a concessão de beneficios indevidos; III - garantir o custeio de beneficios devidos. 15 Art. 403. A empresa deverá demonstrar que gerencia adequadamente o ambiente de trabalho, eliminando e controlando os agentes nocivos a saúde e a integridade fisica dos trabalhadores. Art. 404. A existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou a integridade fisica do trabalhador sera comprovada mediante a apresentação das seguintes demonstrações ambientais, entre outras, que deverão respaldar as informações prestadas em GFIP; I - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), que visa a preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, - por meio da a. ntecipacão, do reconhecimento, da avaliação e do consequente controle da ocorrência de riscos ambientais, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle, devendo ser elaborado e implementado pela empresa, por estabelecimento, nos termos da NR-09, do MTE; IV - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que deverá ser elaborado e implementado pela empresa ou pelo estabelecimento, a partir do PPRA, PGR e PCMAT, com o caráter de promover a prevenção, o rastreamento e o diagnóstico precoce dos agravos a saúde relacionados ao trabalho, inclusive aqueles de natureza subclinica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou de danos irreversíveis a saúde dos trabalhadores, nos termos da NR-07, do MTE; V - Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), que é a declaração pericial emitida para evidencia ção técnica das condições ambientais do trabalho; VI - Perfil Profissiográfico Previdencicirio (PPP), que é o documento histórico-laboral individual do trabalhador, segundo modelo instituído pelo INSS, conforme modelo anexo à Instrução Normativa que estabelece critérios a serem adotados pelas áreas da Receita Previdenciária e de Beneficios; VII - Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT), que é o documento que registra o acidente do trabalho, a ocorrência ou o agravamento de doença ocupacional, mesmo que não tenha sido determinado o afastamento do trabalho, conforme previsto nos arts. 19 a 23 da Lei n° 8.213, de 1991, e nas NR - 7 e NR-15, ambas do MTE, sendo seu registro fundamental para a geração de análises estatísticas que determinam a morbidade e mortalidade nas empresas e para a adoção das medidas preventivas e repressivas cabíveis. Art. 405. A remuneração decorrente de trabalho exercido em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente, conforme previsto no art. 57 da Lei n° 8.213, de 1991, é fato gerador de contribuição social previdenciciria adicional para custeio da aposentadoria especial, conforme disposto na Instrução Normativa que estabelece 16 17 Processo n° 12045.000453/2007-83 S2 -C3T2 Acórdão n.° 2302-00.739 Fl. 591 critérios a serem adotados pelas áreas da Receita Previdenciária e de Beneficios. Parágrafo único. A GFIP e as demonstrações ambientais de que trata o art. 404 constituem-se em obrigações acessórias relativas a contribuição referida no caput, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei n°8.212, de 1991, do art. 22 e dos §§ 1°c 4" do art. 58 da Lei n° 8.213, de 1991 e dos §§ 2", 6" e 7" do art. 68 e do art. 336 do RPS. Art. 406. A contribuição adicional de que trata o art. 405 é devida pela empresa ou equiparada em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao segurado empregado, trabalhador avulso ou cooperado sujeito a condições especiais, conforme previsto no § 6° do art. 57 da Lei n°8.213, de 1991, e nos §,sr 1°c 2" do art. 1" da Lei n°10.666, de 2003. § 1° A contribuição adicional referida no caput será calculada mediante a aplicação das aliquotas previstas no § 2" do art. 93, de acordo com a atividade exercida pelo trabalhador e o tempo exigido para a aposentadoria, observado o disposto nos §§ 3" a 5" do art. 93. § 2°A contribuição adicional de que trata este artigo será devida na hipótese de as demonstrações ambientais, previstas no art. 404, atestarem a ocorrência das condições especiais de trabalho que gerem direito à aposentadoria especial. § 3° Revogado. Art. 407. A empresa que não apresentar LTCAT ou apresentá-lo com dados divergentes ou desatualizados em relação as condições ambientais existentes, ou que emitir PPP ein desacordo com o LTCAT, estará sujeita à autuação, com fundamento no § 2" do art. 33 da Lei n°8.212, de 1991, e no § 3° do art. 58 da Lei n°8.213, de 1991, respectivamente. Pincelada nesses matizes a aquarela legislativa que governa a matéria em realce, sobressai em cores vivas a competência do auditor fiscal do fisco federal para imputar penalidades, mediante auto de infração, àqueles que se desviarem da conduta imperativa fixada na legislação ora em apreço, como exatamente ocorre no caso in concreto em apreciação. Por derradeiro, mas não menos relevante, atente-se que a atuação da Administração Tributária revela-se inteiramente vinculada 5. Lei. Nesse ponnenor, restando os preceitos introduzidos pelos atos normativos que regem as contribuições ora em destaque plenamente vigentes e eficazes, a inobediência desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumpre-nos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em ênfase não foram, até o presente momento, vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, sequer de legalidade, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. 4.2. DO PRECEITO LEGAL VIOLADO Afirma o Recorrente que a infração foi inadequadamente enquadrada nos §§ 2° e 3° do art. 33 da Lei 8.212/91, pois a documentação solicitada pela fiscalização foi prontamente disponibilizada, não havendo qualquer recusa ou sonegação. 0 apelo acima clamado não tem condições de êxito. Conforme devidamente iluminado no item precedente, a cogência de uma determinada norma técnica não decorre de per si, mas, sim, mediante norma própria, com competência jurídica para impor sua observância. O regramento encapsulado no §2° do art. 33 da Lei de Custeio da Seguridade Social obriga a empresa a exibir todos os documentos e livros relacionados corn as contribuições previstas nessa mesma Lei. Almejando brindar a máxima efetividade A. obrigação ora ilustrada, o §3° do mesmo dispositivo legal aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado em caso de recusa ou de sonegação de qualquer documento ou informação, ou mesmo a sua apresentação deficiente. Outra não é a diretriz traçada pelas normas regulamentares, A. luz do que emana, com extrema clareza, dos artigos 232 e 233 do RPS, em excerto a seguir rememorado para a perfeita compreensão de seus fundamentos, dispensando o consumo de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato. Regu lamento da Previdência Social Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o sindico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considera-se deficiente o documento ou informa cão apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, aindU, que omita informação verdadeira. Conferindo contornos mais nítidos à obrigação legal sobre a qual ora nos debruçamos, abrilhanta o Parágrafo Onico do art. 233 do revisitado Regulamento, sem ultrapassar as fronteiras de competência que o ordenamento jurídico lhe atribui, serem qualificados como deficientes os documentos ou informações apresentadas que não preencham as formalidades legais, bem como aqueles que contenham informação diversa da realidade, ou os que omitam informação verdadeira. Nessa vertente, veleja o art. 283, II, 'j' do Regulamento Previdencidrio em ênfase, conduzido pelos ventos soprados pela normatividade exigida pelo art. 92, in fine, da Lei n° 8.212/91, assim destacando: 18 Processo n° 12045.000453/2007-83 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.739 Fl. 592 Rezulamento da Previdência Social. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636 17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicando-se-lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n" 4.862, de 2003) II- a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e uni reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (.) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentá-los sem atender its formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; (grifos nossos) Diante dos aludidos dispositivos, avulta que o presente Auto de Infração não foi lavrado em razão da não apresentação de documentos. Ao revés, tal castigo houve por imputado em virtude da apresentação dos aludidos documentos sem o devido atendimento às formalidades exigidas pela legislação tributária, legalmente competente para estatuir obrigações acessórias, a teor do art. 113, §2° c.c. artigos 96 e 97, todos do CTN. De tudo o quanto foi exposto, exsurge que, tanto a obrigação acessória ora infringida, quanto a penalidade pecuniária associada ao seu descumprimento objetivo, encontram-se, de fato, previstas nas leis que ordenam o custeio e os beneficios da Seguridade Social, cumprindo assim as formalidades exigidas pelo Código Tributário Nacional, no âmbito de competência que lhe foi outorgado pela Carta Soberana. Dessarte, fruto de tais considerações, restou detalhadamente demonstrado que a imputação in comentum resultou de procedimentos administrativos conduzidos em perfeita sintonia com os comandos constitucionais e legais vigentes no Ordenamento Jurídico, impondo-se salientar não haver sido detectado qualquer vicio, de jaez formal ou material, que possa macular o lançamento operado pela fiscalização. 4.3. DO PPRA 2004. 0 Recorrente argumenta que o PPRA de 2004 apresenta planejamento de metas, prioridades e cronogramas. Aduz que o importante é a finalidade dos documentos, pois a empresa nunca se omitiu As suas responsabilidades no tocante à proteção ao ambiente de trabalho. 19 C As ponderações acima aduzidas não encontram escudo nas provas coligidas aos autos. Com efeito, uma das irregularidades apontadas pela fiscalização ensej adoras da lavratura do presente Auto de Infração foi a constatação da ausência, no PPRA de 2004, de planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma, nos termos dos itens 9.2.1 e 9.2.3 da NR 09. NR 9 - PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS 9.2.1 0 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais deverá conter, no mínimo, a seguinte estrutura: a) planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; b) estratégia e metodologia de ação; c) forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; d) periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. 9.2.3. 0 cronograma previsto no item 9.21 deverá indicar claramente os prazos para o desenvolvimento das etapas e cumprimento das metas do PPRA. Compulsando os termos tatuados no PPRA de 2004 do Recorrente, a fls. 473/532, verificamos que, de fato, o referido documento encontra-se carente de elementos essenciais de sua estrutura minima, contrariando disposição expressa no item 9.2.1. da NR-9. Identificados os agentes de risco, as medidas de controle propostas no PPRA de 2004, consoante se vos seguem exemplificativamente, são amplas e diversas: a) Manter o monitoramento dos níveis de ruídos e de calor b) Continuar a supervisão do uso obrigatório de EPI adequados tecnicamente ao risco a que o trabalhador está exposto; c) Manter treinamentos quanto a Segurança e Saúde no Trabalho d) Pausa de 10 min. para descanso em local arejado, após fritura, para repor temperatura do corpo; e) Fazer manutenção nos exaustores e ventiladores, motores elétricos, tais como: balancear partes móveis dos exaustores e ventiladores, lubrificar rolamentos e mancais no geral, trocar juntas com vazamento de vapor de tubulações e equipamentos, no sentido de reduzir os níveis de ruído; fi Manter o ambiente de trabalho limpo e arrumado; g) Manter manutenção em máquinas e equipamentos; h) Supervisionar o uso de EPI adequado tecnicamente ao risco a que o trabalhador está exposto; i) Manter Supervisão referente ao uso obrigatório dos EPI. j) Manter Fornecimento de EH adequado tecnicamente ao risco a que o trabalhador está exposto; k) Orientação quanto ao uso correto e obrigatório dos EPI, quando da limpeza das instalações sanitárias; I) Uso de protetor auricular concha com atenuação de 24 decibéis, quando da necessidade de eventual exposição ao nível de ruído da fábrica. 20 ARLINDO DA LVA - Relator Processo n° 12045.000453/2007-83 S2 -C3T2 Acórdão n.° 2302-00.739 Fl. 593 m) Fazer exercícios laborais para as mãos e punhos. n) Manter Treinamento e acompanhamento quanto ao uso correto do EPI (protetor auricular concha 3M Ref 1440 CA 7441), quando exposto em área de ruído; o) Manter Monitoramento e .fiscalização quanto ao uso correto e obrigatório dos EPI (protetor auricular, máscara, luvas de couro e óculos de segurança etc.). Malgrado tal diversidade de ações, o cronograma proposto nos moldes expostos a fl. 530 limita-se a prever o proferimento de palestras e treinamentos em areas de atuação totalmente dissociadas daquelas previstas no PPRA, conforme acima elencadas, em clara dissonância com as exigências fixadas nos itens 9.2.1. e 9.2.3. já comentados. 5. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO como voto. Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2010 21
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000694/2005-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exerci cio de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada.
tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1º, da Lei n.° 6.938/81.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da Área de reserva legal A margem da matricula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
Hipótese em que a Recorrente não logrou demonstrar a área de reserva legal, mas comprovou a Área de preservação permanente.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.
A Área de relevante interesse ecológico, nos termos do art. 16 da Lei n.° 9.985/2000, é "uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem corno objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissive? dessas Áreas, de modo a compatibiliza-lo com os objetivos de
conservação da natureza."
De acordo com o art. 10, §1°, 11 , "b", da Lei n.° 9.393/96, serão consideradas áreas de interesse ecológico, para fins de isenção do tributo, aquelas assim declaradas mediante ato do órgão competente e que ampliem as restrições de uso previstas para as Áreas de preservação permanente e de reserva legal.
Caracterização, na hipótese em exame, da área de Mata Atlântica corno Área de interesse ecológico.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.681
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ,PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do imposto a Área de preservação permanente de 77,11 hectares e a Área de interesse ecológico de 245,54 hectares, nos termos do voto do Relator
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exerci cio de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada. tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1º, da Lei n.° 6.938/81. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal. A averbação da Área de reserva legal A margem da matricula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. Hipótese em que a Recorrente não logrou demonstrar a área de reserva legal, mas comprovou a Área de preservação permanente. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A Área de relevante interesse ecológico, nos termos do art. 16 da Lei n.° 9.985/2000, é "uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem corno objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissive? dessas Áreas, de modo a compatibiliza-lo com os objetivos de conservação da natureza." De acordo com o art. 10, §1°, 11 , "b", da Lei n.° 9.393/96, serão consideradas áreas de interesse ecológico, para fins de isenção do tributo, aquelas assim declaradas mediante ato do órgão competente e que ampliem as restrições de uso previstas para as Áreas de preservação permanente e de reserva legal. Caracterização, na hipótese em exame, da área de Mata Atlântica corno Área de interesse ecológico. Recurso parcialmente provido.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATóRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exerci cio de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1 0, da Lei n.° 6.938/81. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A partir do exercício de 2.002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal. A averbação da Area de reserva legal A margem da matricula do imóvel 6, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. Hipótese em que a Recorrente não logrou demonstrar a Lea de reserva legal, mas comprovou a Area de preservação permanente. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. AREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A Area de relevante interesse ecológico, nos termos do art. 16 da Lei n.° 9.985/2000, é "uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem corno objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o uso admissive? dessas Areas, de modo a compatibiliza-lo com os objetivos de conservação da natureza." De acordo corn o art. 10, §1°, 11 , "b", da Lei n.° 9.393/96, serão consideradas áreas de interesse ecológico, para fins de isenção do tributo, aquelas assim declaradas mediante ato do órgão competente e que ampliem as restrições de uso previstas para as Areas de preservação permanente e de reserva legal. Caracterização, na hipótese em exame, da área de Mata Atlântica corno Area de interesse ecológico. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR Kovimen o ,PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do imposto a Area de preservaç o permanente de 77,11 hectares e a Area de interesse ecológico de 245,54 hectares, nos termos do voto do Relator. CA O MARCOS CANDID° - Presidente )1,41A/ ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator EDITADO EM: 5 JAN 2011 Alexanch. Fernand Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda; [ José Raimundo Tosta Santos, Odmir e Gonçalo Bonet Allage. Relate r o ! 007, co 7[007 (fl .Tulgame diligénci 35.577,5 atinente Trata-se de recurso voluntário (fls. 141/149) interposto em 14 de setembro de tra o acórdão de fls. 126/137, do qual a Recorrente teve ciência em 15 de agosto de 140), proferido pela la Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de to de Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, indeferiu os pedidos de s r e perícia e, no mérito, considerou procedente o lançamento no valor de R$ , ireferente ao ITR, juros de mora e multa, relativamente ao exercício de 2001, o imóvel rural denominado "Projeto de Reflorestamento de Agua Doce". 2 Processo n° 10925.000694/2005-20 S2-C1T1 A:,:órd5o a.° 2101-00.631 Fl 193 O relatório contido no acórdão recorrido resume as infrações apontadas no auto de infração: "Exige-se da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao 1TR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR - DIAC/DIAT/2001, no valor total de R$ 35.577,51, referente ao imóvel rural denominado: Projeto de Reflorestamento de Agua Doce, com area total de 952,6 ha, com Número na Receita Federal - NIRF 0.997.860-7, localizado no município de Agua Doce - SC, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 11 e 66 a 68, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls, 03 a 06, 08 a 11 e 67" (fl, 128). A Recorrida julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RuRAL — ITR Exercício; 2001 Preservação Permanente - Reserva Legal Para ser considerada isenta a area de reserva legal, além de estar devidamente averbada na matricula do imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente c dos Recursos Naturais Renováveis MAMA, ern até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR, e tern como requisito básico a, referida averbação. Da mesma forma a area de preservação permanente necessita do ADA para sua isenção, além do laudo técnico especifico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensas areas. Área de Proteção Ambiental — APA Para efeito de exclusão do 1TR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as areas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como as situadas em APA, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter especifico, para determinadas areas da propriedade particular. Lançamento Procedente" (fl. 126). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 14,11/149, no qual argumenta, em síntese, que: a) pela ótica constitucional, a tributação deve atender ao principio da capacidade contributiva, e o mero fato de ser proprietário, detentor ou possuidor de imóvel rural (fato gerador do ITR), por si só, não autoriza a incidência do imposto quando h . " lirinitações administrativas, caso das areas de preservação permanente, áreas de Mata Atlântica e reserva legal, cabendo ao Fisco o ônus da prova, à luz do art. 142 do Código Tributário Nacional; b) o Ato Declaratório Ambiental, de per se, não é necessário para caracterizar a não incidência do ITR, uma vez que as áreas de preservação permanente decorrem de lei (in casu, Lei n.° 4771/65 — Código Florestal); o mesmo ocorre em relação As áreas de reserva legal; 3 .1 de prese jurisprud recursal; _c) ir luz do art. 142 do CTN, o ônus da prova para verifi car se a Area é ou não ação permanente é da Administração 'Tributária, trazendo a Recorrente, para tanto, ncia do então 3° Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça à peça , r Processo próprio ó• de 245,5' d) a Area objeto do lançamento foi desapropriada pelo INCRA, por meio do e Desapropriação n.° 54210.000244/2003-05 e, segundo classificação realizada pelo gab, constatou-se a existência de 77,1184 ha. de Áreas de Preservação Permanente e 2 ha. de Areas de Matas, totalizando 324,6656 de Áreas de Utilização Limitada; e) segundo o item 5.1 do Relatório Agronômico de Fiscalização do INCRA, a mia do imóvel objeto da incidência do ITR é característica da Floresta Ombrófila ntana, que integra a Mata Atlântica, a qual é protegida expressamente pelo art. 1° do .0750/1993, o que indica a não incidência do tributo, à luz da jurisprudência do então fitofision Mista M Decreto donselhó l de Contribuintes e da C'ámara Superior de Recursos Fiscais; f) a prova da não incidência do ITR no presente caso, portanto, é feita por elatório Agronômico de Fiscalização do INCRA supramencionado, sendo permitida ação de Areas de preservação permanente por outros meios que não o ADA ou a no Registro de Imóveis, conforme o entendimento do então 3° Conselho de teS e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Incluído o recurso em pauta, o julgamento foi convertido em diligência, nos acórdão de fls. 176/180, para que (0 fosse a contribuinte intimada a apresentar, no 30 dias, cópia da Certidão de Registro Geral de Imóveis atualizada do imóvel, -lhe a apresentação das consideraçaes que julgar pertinentes, bem como (ii) após a "d de documentos, fosse intimada a Procuradoria da Fazenda Nacional para manifest' 0 1 sobre o documento juntado, no prazo de 10 dias, Devidamente intimado, a Recorrente apresentou, nas fls. 184 a 189 dos autos, a Certida de Registro dos imóveis relativos às matriculas n.°' 11.511 e 11.512, tendo os autos retornad s a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. E o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, meio do a compro aVerhaçrt Contribui termos d prazo de facultand apresenta Apresent verjfica ' Água DO 14 a 17 Do exame do Auto de Infração, Demonstrativo de Análise da Documentação da e Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, e que o imóvel que ensejou a exação é denominado "Projeto de Reflorestamento de e", ou "Fazenda Born Retiro", com uma Area total declarada de 952,6727 ha. (fls. 12, 66). De acordo com o Relatório Agronômico de Fiscalização, datado de 31/06/20 3, muito embora a Area registrada fosse de 952,6727 ha., a Area medida apresenta *20,8924 ha., dos quais aproximadamente 77,1184 ha. são áreas de preservação permanente e 245,547 ha são áreas de matas, as quais "não são consideradas de preservação permanente e 4 Processo n° 10925.000694/2005-20 S2-CIT1 Ac rap n *2101-00-681 _F1 194 sim protegidas do corte raso por form do Decreto n° 750 de 10.02.93." Ainda segundo o relatório, a fitofisionomia do imóvel é característica da Floresta Ombrófila Mista Montana, ou seja, matas secundárias em. estágios médios e avançados de regeneração natural. Atesta a Superintendente Regional do INCRA/SC, ainda, que o imóvel não possui reserva legal averbada à luz da matricula, devendo o INCRA, por meio do licenciamento ambiental, de acordo com a Resolução CONAMA n.° 289/2001, fazer a averbação da Area correspondente a 168,1784 ha., de urn total de 245,5472 ha. de vegetação protegida por força do Decreto n.° 750/93. De inicio, cumpre enfrentar o argumento segundo o qual a area em tela teria sido objeto de desapropriação. Segundo alega a Recorrente, "a área objeto do lançamento tributário foi desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — INCRA, através do processo de desapropriação n.° 54210,000244/2003-05" (fl. 146). Corno se infere das fls. 52/62 dos autos, foi ajuizada em 15 de junho de 2004 uma ação de desapropriação do imóvel rural denominado "Fazenda Born Retiro", com Area de 840,8924 ha, objeto da matricula n.° 11.512 do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Jeagaba/SC (Processo INCRA/SR-10/n° 54210.000244/2003-05), que tramitou perante a Vara Federal de Joaçaba/SC, sob o n.°2004.72.03.000918-2. De acordo corn a Certidão de Registro do imóvel matriculado sob o n..° 11.512, houve o traslado do domínio da Area de 840,8924 ha do imóvel denominado Fazenda Bom Retiro, a qual foi incorporada ao patrimônio do INCRA, consoante registro de 10 de agosto de 2005, tendo em vista o trânsito em julgado da sentença relativa h. ação de desapropriação em referência (fl. 187). Independentemente da existência de possível controvérsia em relação A Area objeto da desapropriação, diante da observação aposta tanto na Matricula n.° 11.511, relativa . área remanescente de 80 ha. da Fazenda Bom Retiro, quanta na Matricula n.° 11.512, relativa Ikea de 840,8924 ha. do imóvel, no sentido de que "a área desta matricula, não é objeto de desapropria geio" (fls. 187/188), certo é que a desapropriação, para fins de determinação da ;sujeição passiva do ITR, produz efeitos somente quando da transferencia da propriedade, ou a ;partir da data da imissão prévia na posse, se for o caso. É o que se extrai do art. 1 0, §1 0, da Lei n.° 9.39.3/96: "Art. 1 0 . 0 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR, de apuração anual, tem corno fato gerador a propriedade, o domínio fail ou a posse de imóvel pox natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 10 de janeiro de cada an § 1 0. Q ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agniria, enquanto no transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse, (., )." No mesmo sentido o art. 2 0, §1 0, do Decreto n.° 4,382/2002: "Art. 2°. 0 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, de apuração anual, tern como fato gerador a propriedade, o domínio fail ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano (Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 1), 5 § 1°. 0 1TR incide selite a propriedade rural declarada de utilldatie at; necessidade pública, ou interesse social inclusive para fins de reforma agrária: I - até a data da perda da posse pan imissão prévia do Poder Público na posse; II - até a data da perda do direito de propriedade pela transferência ou pela incorporação do imóvel ao patrimônio do Poder Público. § 2' A desapropriação promovida por pessoa jurídica de direito privado delegatária ou concessionária de serviço público não exclui a incidência do 1TR sobre o imóvel rural expropriado." • Na hipótese dos autos, verifica-se que não há prova da imissão previa na end° ser considerada, assim, para fins de determinação da sujeição passiva do data do registro da desapropriação, ou seja, 10/08/2005. Considerando que o fato gerador do ITR, no Auto de Infração em referência, 01 e que a transferência da titularidade teria ocorrido somente em 10/08/2005, não alar em ilegitimidade passiva da Recorrente. Afastando qualquer dúvida acerca da matéria, registre-se que o próprio e declara de interesse social, para fins de reforma agrária, entre outros imóveis, a 26727 ha. da Fazenda Bom Retiro, excetuada a Area de 80 ha. objeto da Matricula (art. 1 0, IX, e art. 2°, parágrafo único), é datado de 22 de dezembro de 2003, portanto o fato gerador apontado no auto de infração. Veja-se: "DECRETO DE 22 DE DEZEMBRO DE 2003. Art. 1 2 Ficam declarados de interesse social, para fins de reforma agrária, nos termos dos arts. 18, letras "a", "b", "c" e "d", e 20, inciso VI, da Lei n2 4.504, de 30 de novembro de 1964, e 22 da Lei n2 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, os seguintes imóveis rurais: IX - "Fazenda Bom Retiro" com Area de novecentos e cinqüenta e dois hectares, sessenta e sete ares e vinte e sete centiares, situado no Município de Acrua Doce obleto das Matrículas n- 11.511, Ficha 01 Livro 2 e 11.512 Ficha 01 Livro do Cartório de Registro de Imóveis do 2 2 Oficio da Comarca de Joacaba, Esta do de Santa Catarina (Processo INCRA/SR-10/n 2 54210.00024412003-05). Art. 22 Excluem-se dos efeitos deste Decreto os semoventes as máquinas e os implementos agrícolas, bem como as benfeitorias existentes nos imóveis referidos no art. 1 2 e pertencentes nos que serão beneficiados com a sua destinação. Parágrafo único. Excluem-se, ainda, dos efeitos deste Decreto a Area de oitenta hectares, objeto da Matricula n2 21.511, Ficha ,EIL Livro 2 do Cartório de Registro de Imóveis do 22 Oficio da Comarca de Joacaba, g será destinada ao Governo do Estado de Santa Catarina, para manutenção do Colégio Aaricola da região, relativamente ao imóvel especificado no inciso IX do art. 1 2. posse, de iriposto, é 1 0/01/2 hi que se „ ! decreto q área de 9 n.° 1,1.51 posterioz Processo n° 10925 000694/2005-20 82-C1T1 Acórdão n 2101-00,681 PI 195 Superado, assim, o exame da matéria em relação à alegação da ocorrência de desapropriação do imóvel, passa-se a analisar a questão atinente as areas de preservação permanente, de utilização limitada e de reserva legal. Sendo recorrente a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na qUestão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: • "Art. 29. 0 imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tern como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.° 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, ern seu art. como hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado foi-a da zona urbana do município". Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), terna que não releva na análise do presente recurso, verifica-se que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca as areas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais areas a utilização da propriedade deva i observar a regulamentação ambiental especifica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5° da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5°, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. possui o legislador urna relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, I contudo, "o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, iiindanzentalmente, pelo poder de disposição. A vincula ção social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao panto de colocá-la, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade" (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al). Curso de direito constitucional. zta ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 48.3). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verifica-se que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio cimbiente ecologicamente equilibrado, na forma corno estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal corno previstas pela legislação cível. Corn fundamento no exposto, não versando os autos hipótese de não- incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base d ie cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: 7 "Art. 10, A apuração e o pagamento du 1IR serão efetuados pew contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-a: ...3 II - area tributável, a area total do imóvel, menos as areas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) cornprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; fRedaeão dada pela Lei n° 11.428. de 2006) e) cobertas pat florestas nativas primarias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei no 11.428, de 20061 f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. fIncluido pela Lei n° 11.727, de 2008) Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolyidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca 6. seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo especifico, na forma in icada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende jor areas de preservação permanente, de reserva legal e cobertas por florestas nativas, estabelecrdas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitatiVo). 8 (APP), Resoluça A respeito especificamente da chamada "area de preservação permanente" spfie o Código Florestal, Lei n.° 4.771/65, atualmente regulado, também, pelas s CONAMA n.c's 302 e 303 de 2002, o seguinte: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, veto s6 efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto ern faixa marginal cuja largura minima sera: 1 - de 30 (trinta) metros para Os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; Processo n° 10925 000694/2005-20 Acórdbo n.° 7101410.681 S2-CITI Fl. '196 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, mantes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de Areas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se- o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terms; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico; 1) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário A vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só sera admitida com previa autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. 9 § 2° As florestas que integram o Pail imenio Indigena &am sujeitas ao regime - de preservação permanente (letra g) pek só efeito desta Lei.," Verifica-se, h luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como Area de preservação permanente, trazendo A baila a lição de Edis Milaré, as "florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica" (MILARt, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5' ed. SR() Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoant - esclarece o disposto pelo §1° do art. 3°, citado supra, não há qualquer possibilidade de supresitio'das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividade 'on projetos de utilidade pública ou interesse social. chamada igualmen vigente, Não se confunde com a Area de preservação permanente, no entanto, a rea de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos e pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação to 6, corn a redação que lhe foi dada pela MP 2.166-67/2001, assim dispõe: "Art. 16 As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em Area de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserva legal, no mínimo: I - oitenta por cento, na propriedade rural situada em Area de floresta localizada na Amazônia Legal; 1.1 - trinta e cinco pox cento, na propriedade rural situada em Area de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra Area, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7 deste artigo; III - vinte por cento, na propriedade rural situada em Area de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do Pais; e IV vinte por cento, na propriedade rural em Area de campos gerais localizada em qualquer região do Pais. § 1a 0 percentual de reserv.a legal na propriedade situada em Area de floresta e cerrado sera definido considerando separadamente os indices contidos nos incisos I e II deste artigo § 2' A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3' deste artigo, sem prejuízo das demais legislações especificas. § 3a Para cumprimento da manutenção ou compensação da Area de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de arvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4 A localização da reserva legal deve set aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: 1 0 S2-CtT1 FL 197 Processo n° 10925 000694/2005-20 Ae6rdlio n.° 2101-00.681 I - o plano de bacia hidrográfica; II - o plano diretor municipal; III - o zoneamento ecológico-econômico; IV - outras catego rias de zoneamento ambiental; e V - a proximidade corn outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra Area legalmente protegida, § 5C O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE e pelo Zoneamento Agricola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I - reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Areas de Preservação Permanente, os ecotonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II - ampliar as Areas de reserva legal, em ate cinqüenta por cento dos indices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6a Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das Areas relativas A. vegetação nativa existente em area de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas areas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em Area de preservação permanente e reserva legal exceder a: I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do Pais; e vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2 2 do art. 1'. § 7 O regime de uso da Area de preservação permanente não se altera na , hipótese prevista no § `-ir" § ga A Area de reserva legal deve ser averbada A margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da Area, com as exceções previstas neste Código. § 95 A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou fedecal competente, com força de titulo executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural, § 11. Poder á ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de urna propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, 11 idéia de excetuad florestas (MILAR mediaate a aprovaçãO - do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (- Art. 44. 0 proprietário ou possuidor de imóvel rural com area de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5 e 6, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I -recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da Lea total necessária A sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II - conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III - compensar a reserva legal por outra Area equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § l Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2' A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3' A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando -sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4" Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma micro-bacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possivel ente a propriedade desprovida de reserva legal e a Area escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrogrifica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso § 5a A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá sex submetida A aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de area sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44-B. (.. )" O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARt, a disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, LS as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das 'do sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação especifica , Edis. op. cit. p. 702). 7/c Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que "ao permitir tal supreSsã [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propried de rural coin cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa", delimitando, assim, "a porção a ser constituída como Reserve? da Floresta Legal" (Op. cit. p. 102). 12 A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da . forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "umbilicahnente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao benz" (ANTUNES, Paulo de Bessa, Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisães do Superior Tribunal de Justiça. Revista de Direito Anzbiental n.° 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). Por sua vez, a area de florestas nativas primárias e secundárias era anteriormente regulada pelo Decreto n.° 750, de 10 de dezembro de 1993, que assim previa, em seus arts. 1° e .3°: "Art. 1° Ficam proibidos o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica. Parágrafo único. Excepcionalmente, a supressão da vegetação primária ou em estágio avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser autorizada, mediante decisão motivada do órgão estadual competente, com anuência prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, informando-se ao Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA, quando necessária h execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social, mediante aprovação de estudo e relatório de impacto ambiental. (...) Art. 30 Para os efeitos deste Decreto, considera-se Mata Atlântica as formações florestais e ecossistemas associados inseridos no domínio Mata Atlántica, com as respectivas delimitações estabelecidas pelo Mapa de Vegetação do Brasil, IBGE 1988: Floresta Ombrófila Densa Atlântica, Floresta Ornbrófila Mista, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, manguezais restingas campos de altitude, brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste." (Decreto atualmente revogado pelo art. 51 do Decreto n.° 6660/2008). A utilização ' e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica passaram a ser reguladas, a partir de dezembro de 2006, pela Lei n.° 11,428, de 22 de dezembro 'de 2006. Veja-se o que dispõem os seus art. 2° e 4°: "Art. 29- Para os efeitos desta Lei, consideram-se integrantes do Bioma Mata Atlântica as seguintes formações florestais nativas e ecossistemas associa, as respectivas delimitações estabelecidas em mapa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE conforme regulamento: Floresta Ombróffla Dense: Floresta Ombráfila Mista também denominada de Mata de Araucirias. Floresta Ombrófila Aberta z Floresta Estacionai Semidecidual; '- Floresta Estacional Decidual bem como os manguezais, as vegetações de restingas, caninos de altitude brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste. Paragrafo único, Somente os remanescentes de vegetação nativa no estágio primário e nos estágios secundário inicial, médio e avançado de regeneração na Area de abrangência definida no caput deste artigo terão seu uso e conservação regulados por esta Lei. Processo n° 10925.000694/2005-20 Acórdão n ° 2101-00.681 S2-C1T1 Fl. 198 13 Alt. hi' A definição de vegetação primária e de vegetação secundaria nos estágios avançado, médio e inicial de regeneração do Bioma Mata Atlântica, nas hipóteses de vegetação nativa localizada, sera de iniciativa do Conselho Nacional do Meio Ambiente. § l O Conselho Nacional do Meio Ambiente terá prazo de 180 (cento e oitenta) dias para estabelecer o que dispõe o caput deste artigo, sendo que qualquer intervenção na vegetação primaria ou secundária nos estágios avançado e médio de regeneração somente poderá ocorrer após atendido o disposto neste artigo. § 2 Na definição referida no caput deste artigo, serão observados os seguintes parâmetros básicos: I - fisionomia; II - estratos predominantes; RI - distribuição diamétrica e altura; rv - existência, diversidade e quantidade de epifitas; V - existência, diversidade e quantidade de trepadeiras; VI - presença, ausência e características da serapilheira; VII- sub-bosque; VIII - diversidade e dominância de espécies; IX - espécies vegetais indicadoras," No uso das prerrogativas conferidas pelo art. 4° da citada lei, o CONAMA editou a matéria, para análi H Areas de preservação permanente, como nos casos de areas cobertas por florestas nativas, 1 • primárias e secundárias, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupo toS - legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer disericiO ariedatle por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exig neia, para o cumprimento das normas relativas As áreas de preservação permanente e florestas inativas, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tão-somente, da ocorrénciz das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bent como pelos demais atos normativ s iirimdrios que disponham sobre o tema. Em relação à reserva legal, entendo que a averbação A margem da matricula do imóv I, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza Constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses specific mente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei indep ncle de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização Por órgãp ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio, pelo órg o ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4 0 do art 14 da Lei n.° 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166- 67, de 203l. esolução n.° 388/2007, convalidando as resoluções anteriormente existentes sobre a ntre elas a Resolução n.° 261, de 30 de junho de 1999, que aprova parâmetro básico e dos estágios sucessivos de vegetação de restinga para o Estado de Santa Catarina A luz do exposto, verifica-se que as restrições ambientais, tanto nos casos de 1 14 Process° rf 10925 000694/2005-20 S2-CIT1 Acordao n 2i01-0,681 Fl 199 Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo corn o que dispeie o §8° do art. 16 da Lei n.° 4,771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da Area de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.° 6.514/2008, encontra-se atualmente prorrogada para 2011, de acordo Coin o que estatui o Decreto Federal n.° 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominar-lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida Area. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de Area rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este A competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente deelaratOrio, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim especifico de constituir as Areas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercicio de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declarat6rio Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17-0, da Lei Federal n.° 6.938/81, corn a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17-0. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, corn base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a titulo de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto 6, por inexistir qualquer fundamento legal para a 'entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo tprevista pela legislação atinente ao ITR, a 2 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aProvou a seguinte súmula, extraida do texto da Portaria n.° 106/2009: "Sumula CARF n.° 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de .2000." Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterou-se a redação do §1° do art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17-0. (-5) § 19. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." 15 • Assim, a partir do exercício de 2001, a exigCzeia do ADA passou a ter '- previsão legal corn a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art 17-0, §1°, da Lei ri.° 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Proprieda e 'Territorial Rural. Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestiv mente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da s 'a entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de' rova visando à fruição da redução da base de cálculo. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das Areas em referencia, o próprio "Manual de Perguntas e Respostas" editado pelo IBAMA, em resposta A pergunta ri. 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das Areas de interesse mbiental?"), estabelece a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos: ". Ato Deelaratorio Ambiental — ADA e o comprovante da entrega do mesmo; • Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Area de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, que especifique e discrimine as Areas de Interesse Ambiental (Area de Preservação Permanente; Area de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Area de Declarado Interesse Ecológico; Area de Servidão Florestal ou Ambiental; Areas Cobertas por Floresta Nativa; Areas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do lbama relativo à Area de interesse ambiental; • Certidão do lbama ou de outro órgdo de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente as Areas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Area de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Area de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de Area imprestável, barn como, de Areas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual — Ato do Poder Público — para Areas de declarado interesse ecológico): Se houver uma circa no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja átil pcna a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Area de Interesse Ecológico, • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Area de Servidão Florestal; • Portaria do Ibama de reconhecimento da Area de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)." Pode-se concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode yen re contra Partin proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatorios das 1, 'L 16 1 11 Processo n° 10925 000694/2005-20 S2-CITI Acordrio n.0 2101-00.631 . F1 200 areas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva , legal, à análise de cada caso concreto, No entanto, em relação à reserva legal, importante registrar que esta está sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente apiis o exercício de 2002, ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4° do art. 16 da Lei n.° 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001). No presente caso, está-se a tratar de ITR relativo ao ano-calendário de 2001, portanto ainda não abrangido pela obrigatoriedade de aprovação da localização da area de reserva legal por órgão ambiental estadual competente. Considerando, contudo, que a Recorrente também não apresentou o ADA em relação ao imóvel- em questão, passa a ser seu o emus acerca da comprovação da efetiva existência da área de reserva legal, ônus em relação ao qual não se desincumbiu. Com efeito, muito embora exista nos autos o apontamento da existência de matas secundárias em estágios médios e avançados de regeneração natural, mediante o Laudo Agronômico da própria fiscalização, referido laudo não se volta à análise da existência de reserva legal na data do fato gerador (1°/01/2001), já que é datado de 31 de junho de 2003 e reflete, segundo se extrai da fl. 39 dos autos, as condições de uso do imóvel no período compreendido entre abril de 2002 até março de 2003. Ademais, o próprio laudo atesta que o imóvel "ndo possui Reserva Legal verbada ti luz da matricula" (fL 25), o que se verifica, aliás, da própria certidão de Registro de Imóveis acostada aos autos (fls. 185/189). Registre-se, ainda, que não há nos autos qualquer outro laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal para fins de comprovação da Area em exame, tampouco foi apresentado Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal, nos termos da Portaria IBAMA n.° 113, de 09/01/1996, ou qualquer outro meio de prova hábil à sua comprovação. No que se refere h. Lea de preservação permanente, ainda que o ADA não tenha sido apresentado, o Laudo Agronômico de Fiscalização do INCRA, datado de 31/06/03, ¡testa a sua existência, correspondente a uma Lea de 77,1184 ha. (fls. 24/25 e 49). Muito embora o laudo seja datado de 31/06/2003 e o fato gerador, como mencionado, seja anterior (1°/01/2001), a própria característica da área, relacionada à preservação dos recursos hídricos, erimite inferir sua existência 'a época do fato. Assim, há de ser excluída, na hipótese, a area de reservação permanente correspondente a 77,1184 ha., para fins de determinação da base ibutável do ITR. JA no que conerne à área de floresta nativa secundária, saliente-se que a senção de referida area em relação ao ITR, prevista no art. 10, §1°, inc. II, alínea "e", da Lei ° 9.393/96, foi estabelecida apenas corn a edição da Lei n.° 11.428, de 22 de dezembro 006. Tendo em vista que o fato gerador é datado de 1°/01/2001, não há corno se aplicar, a luz\ o que dispõe o art. 106, II, alínea "b", do CTN, a lei nova ao fato pretérito corn vistas a esonerar o pagamento de tributo devido. )çe 17 De rigor perquitir, , dess2 modo,-se a hipóteoe dos autos se enquadraria, por nceito de area de utilização limitada, mais especificamente no conceito de area de cológico. Em sendo de interesse ecológico, preencheria os requisitos para fruição da FIR, tal qual prevista no artigo 10, §1 0, inciso II, alínea "b", segundo o qual seriam e ecológico as areas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou que ampliem as restrições de uso relativas As areas de preservação permanente e de al) De inicio, importante observar que a Lei n.° 11.428/2006, ao inserir outra hipótese e isenção no art. 10, §1°, da Lei n.° 9.393/96, qual seja, a existência de areas cobertas por flores nativas, primárias ou secundarias em estágio médio ou avançado de regeneração, ao lado d isenção já existente em relação As areas de interesse ecológico, o fez em razão da necessida e de adoção de medidas mais efetivas de proteção do patrimônio ambiental. É. o que se extrai da Exposição de Motivos do Projeto de Lei n.° 3.285/1992, nou: ' 1 fim, no c interesse isenção d de interes estadual,l reserva le que a on "Medidas mais efetivas a serem estabelecidas no sentido de ampliar e aperfeiçoar a legislação ambiental, de proteção do patrimônio genético encontrado na Mata Atlântica, na maior parte desconhecido, é urn aspecto fundamental a ser trabalhado, principalmente pelo fato de que a biotecnologia e a engenharia genética, consideradas como fundamentais para o desenvolvimento mundial, dependem diretamente dos bancos genéticos que hoje estão sendo destruidos " Especificamente em relação à inclusão de outra hipótese de isenção do ITR especific para tais florestas nativas, não obstante aja. existência de uma determinação genérica conferind isenção As areas de relevante interesse ecológico, esclarecedora a passagem do Parecer n 128/2006, da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, sobre o projeto de lei que deu rigem à aludida Lei n.° 11.428/2006 (Projeto de Lei da Camara n.° 107/2003 — Projeto d Lei n.° 1285/1992, na origem): "Por fim, cumpre-nos verificar a possibilidade de permanência do art. 50 do projeto, em cotejo com o art, 150, § 6°, da Constituição Federal, que exige lei especifica para redução da base de cálculo de impostos. Para tanto, observamos (111C a alter:10)o promovida pa aquele dispositivo na Lei n° 9.393, de 1996 gm I disciplina o Imposto Territorial Rural (ITR), apenas especifica, para maior clareza os efeitos dos instrumentos legais definidos para proteção da Mata Atlântica no cálculo da Area do imóvel ao lado dos outros institutos ate então existentes na legislação ambiental. Desse modo, somos pela manutenção do dispositivo no projeto." Deste modo, não há dúvidas que, não obstante a inexistência, à época dos fatos, de urna isenção especifica em relação As florestas nativas, a previsão de isenção em relação areas de interesse ecológico já abrangia as areas de florestas nativas, entre elas a Mata At! ntica. 89.336/1 definida Inicialmente prevista na Lei n.° 6.938/1981 e regulamentada pelo Decreto 84 e Resolução CONAMA 012/1989, a area de relevante interesse ecológico é o art. 16 da Lei n.° 9.985/2000, que assim prevê: "Art, 16, A Área de Relevante Interesse Ecológico é uma Area em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, corn características naturais extraordinárias ou au abriga exemplares raros da biota regional, e tem como objetivo manter os ecossistemas naturais de 18 Processo n° 10925 000694/2005-20 52-Cl Ti Ac6rd6o fl .° 2101-00.681 F1 201 importfincia regional ou local e regular o uso admissivel dessas Areas de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da natureza. § 1 A Area de Relevante Interesse Ecológico é constituída por terras públicas ou privadas. § 2 Respeitados os limites constitucionais, podem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização uma propriedade privada localizada em uma Area de Relevante Interesse Ecológico." A Mata Atlântica é expressamente prevista na Constituição como patrimônio 'nacional, devendo ser utilizada apenas dentro das condições que assegurem a preservação do 'meio ambiente. E o que dispõe o art. 225, §4°, do Texto Constitucional: "Alt 225. Todos tam direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial h sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e A coletividade o dever de defende-lo e preservá-lo para as presentes e faturas gerações. § 40. A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atliintica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacionaI, e sua utilização far-se-4 na forma da dentro de condições gue. assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive ukg_pto ao uso dos recursos naturals," Com vistas à preservação do patrimônio nacional, o Presidente da República editou o Decreto n.° 750/93 (atualmente revogado pelo Decreto n.° 6.660/08), o qual proibiu, em seu art. 1 0, o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica: "Art, 1° Ficam proibidos o corte, a exploração e a supressio de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atliintica. Parágrafo único. Excepcionalmente, a supressão da vegetação primária ou em estágio avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser autorizada, mediante decisão motivada do órgão estadual competente, com anuência prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, informando-se ao Conseil° Nacional do Meio Ambiente CONAMA, quando necessária à execução de obras, pianos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social, mediante aprovação de estudo e relatório de impacto ambiental." A Area de Mata Atlântica, de acordo com art. 3' do aludido Decreto, é aquela compreendida por formações florestais e ecossistemas associados inseridos no domínio Mata 'Atlântica, C0171 as respectivas delimitações estabelecidas pelo Mapa de Vegetaçao do Brasil, LOGE 1988.- Floresta Ombrófila Densa Atliintica, Floresta Ombrõfila Mista, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacionei Semidecidual, Floresta Estaciona! Decidual, mazzguezais restingas- campos - de altitude, brejos interioranos e encraves florestais do r\ Nordeste." ' Considerando as características descritas, não há dúvidas de que as Areas de ' 1 Mata Atlãntica enquadram-se no conceito de Area de relevante interesse ecológico, ampliando 01 Decreto n.° 750/93, aplicável na época dos fatos, as restrições de uso nas Areas com vegetação primária ou secundária em estágio avançado e médio de recuperação, em comparação com as Areas de preservação permanente e reserva legal, proibindo o corte, a exploração e a supressão da vegetação. 1 I 19 Nesse mesmo sentido 6 o precedente da 1° Camara do .entle..3° Conselho de Contribui rites, de relatoria do Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, que exclui da tributação do ITR uma ilia revestida de vegetação nativa pertencente ao Bioma Mata Atlântica, A luz do Decreto •° 750/93: "Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - IIR EXERCÍCIO: 2000 ITRJ2001. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL PARA EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATORIO AMBIENTAL - ADA, Os dispositivos sobre nulidade no processo administrativo fiscal, estão contidos no art. 59 do Dec. n° 70235/72, que define como nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Afora isso, as demais situações não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, ressalvados os casos em que este lhe houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litigio. ( - ) 1TR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. Os elementos probatórios deverão ser considerados no relatório e na decisão. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas. impertinentes, desnecessárias ou protelatórias, de acordo com os H 1° e 20 do art. 38 da Lei 9.784/99. As Areas de utilização limitada referem-se às áreas de preservação permanente e às revestidas pa. vegetação nativa pertencentes no Bioma Mata Athintica protegida na época da autorização pelo Decreto Federal e 750/93 e suas regulamentações. Tais Areas assim declaradas por ato do órgrio competente federal ou estadual tem eficácia como documento probaute, -). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." se a exa 7b", da secund' A.grona (3° Conselho de Contribuintes, 1'. Camara, Acórdão 301-34.459, Rel. Cons. Otacílio Dantas Cartaxo, j. em 20,05,2008. DOU de 12.11.2008) luz desse quadro, e do exame dos elementos constantes nos autos, verifica- subsunção do caso concreto A hipótese prevista no artigo 10, §1 0, inciso II, alínea ei n.° 9.393/96, sendo inequívoca a existência da Area de 262,3919 ha. de matas as em estágios médios e avançados de regeneração, tat como atesta o Relatório lc° de Fiscalização do INCRA. Veja-se: "Verificamos no imóvel aproximadamente 262 3919 hectares de cobertura vegetal remanescente da Floresta Ombrófila Mista Montana, bastante degradada pela extração vegetal, definidas como matas secundárias em estficrios médios e avançados de regeneração, situados em diversos locais do imóvel." (fl. 36). vegetac acerca d area de tema e a Mata At Ainda que se trate de laudo emitido em 31/06/2003, a caracteristica da área, secundária "em estágios médios e avançados de regeneração", não deixa dúvidas sua existência no período objeto do auto de infração. Assim, considerando (0 a caracterização da Area de Mata Atlântica como eievante interesse ecológico; (II) a existência de decreto federal especifico sobre o licavel na época dos fatos (Decreto n.° 750/93), o qual amplia as restrições de uso da ântica em relação As áreas de preservação permanente e de reserva legal; aliadas (iii) 20 Processo n° 10925 000694/2005-20 S2-CITI Acórao n ° 210141081 Fl 202 existência de laudo especifico do INCRA atestando a existência da Area de 262,3919 ha, de matas secundárias em estágios médios e avançados de regeneração, deve ser excluída referida Area da tributação do ITR, à luz da isenção estabelecida no citado art. 10, §1°, inciso II, alínea "b", da Lei n.° 9.393/96 . Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da tributação a Area de preservação permanente (77,1184 ha.), bem como a Area de Mata Atlântica "em estágios médios e avançados de regeneração" (262,3919 ha.). Sala das Sessões-DF, em 18 de agosto de 2010 r \ L2 9.14: SU ALEXANDRE NAOKI NIS IOKA 21
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000368/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
DECADÊNCIA PARCIAL. AUSÊNCIA DE GFIP. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, todo o período constante da autuação foi alcançado pela decadência quinquenal.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.842
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério. Substituto: Edgar Silva Vidal.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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AUSÊNCIA DE GFIP. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, todo o período constante da autuação foi alcançado pela decadência quinquenal. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério. Substituto: Edgar Silva Vidal. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Edgar Silva Vidal, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TREFILAÇÃO BANDEIRANTES LTDA contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação lavrada por descumprimento de obrigação tributária acessória no período não contínuo de 01/01/1999 a 31/12/2000. 2. Segundo relatório fiscal, a recorrente “não comprovou a entrega pela rede bancária ou pela internet das Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP”, nos termos do art. 32, IV, e § 3º e 9º, da Lei 8.212/91. (fl. 12) 3. A ementa do decisum recorrido restou vazada nos seguintes termos: “PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. É obrigação da empresa informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações do interesse do mesmo, conforme inteligência do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE” 4. Inconformada com a decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando a mesma alegação da peça impugnativa, qual seja a insubsistência do auto de infração pelo fato de a filial nº 46.507.026/000202 ter suas atividades encerradas em 04/09/1998, vez que não procede a cobrança em período posterior a essa data. 5. O fisco, por sua vez, não apresentou suas contrarrazões ao recurso do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16095.000368/200781 Acórdão n.º 2301001.842 S2C3T1 Fl. 154 3 1. Presentes os pressupostos legais de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. DA DECADÊNCIA 2. Alega o contribuinte, conforme petição acostada as fls. 140/141, a decadência quinquenal em relação aos valores lançados nos termos do Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. (...)” 6. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, aplicase ao auto de infração a regra de decadência prevista no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional CTN ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, a ação fiscal teve início no dia 14/09/2006 (fl. 5) e o contribuinte foi cientificado em 1/11/2006, referente às contribuições do período descontínuo de 01/01/1999 a 31/12/2000, ficando alcançado pela decadência quinquenal todo o período fiscalizado. 9. Feitas essas considerações, acato a preliminar de decadência. CONCLUSÃO Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16095.000368/200781 Acórdão n.º 2301001.842 S2C3T1 Fl. 155 5 10. Assim, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DOU LHE PROVIMENTO nos termos acima delineados. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11522.001540/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/08/2004
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA
É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção.
RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
Toda pessoa jurídica que adquire produção rural de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores.
GRUPO ECONÔMICO
Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo
e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não
recolhidas aos participantes.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.801
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2002, anteriores a 04/2002, devido a aplicação da regra decadencial expressa
no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do art. 173, inc. I para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do fisco com o início da fiscalização; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento à alegação de cerceamento de defesa devido à ausência de remessa integral do lançamento a todos os responsáveis solidários, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzalez Silvério e Damião Cordeiro de Moraes; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento
às demais questões preliminares, nos termos do voto da Relatora; b) em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, restar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto da Relatora. Acompanhou a votação: Raissa Maia, OAB 33192 / DF.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/08/2004 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE Toda pessoa jurídica que adquire produção rural de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2002, anteriores a 04/2002, devido a aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do art. 173, inc. I para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do fisco com o início da fiscalização; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento à alegação de cerceamento de defesa devido à ausência de remessa integral do lançamento a todos os responsáveis solidários, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzalez Silvério e Damião Cordeiro de Moraes; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais questões preliminares, nos termos do voto da Relatora; b) em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, restar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto da Relatora. Acompanhou a votação: Raissa Maia, OAB 33192 / DF.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE Toda pessoa jurídica que adquire produção rural de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 03/2002, anteriores a 04/2002, devido a aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do art. 173, inc. I para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do fisco com o início da fiscalização; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento à alegação de cerceamento de defesa devido à ausência de remessa integral do lançamento a todos os responsáveis solidários, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais questões preliminares, nos termos do voto da Relatora; b) em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, restar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto da Relatora. Acompanhou a votação: Raissa Maia ¿ OAB 33192 / DF Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damiao Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11522.001540/200712 Acórdão n.º 230101.801 S2C3T1 Fl. 6.230 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente a contribuições devidas à Seguridade Social pelo produtor rural, pessoa física, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. Segundo Relatório Fiscal (fls. 84 a 97) e anexos, a notificada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural (bovinos e lenha) de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogadas nas obrigações de tais produtores. Contudo, não efetuou os recolhimentos das contribuições por eles devidas em decorrência da comercialização de suas produções. O agente notificante informa que, em operação realizada pela Polícia Federal e Auditores Fiscais da Previdência Social, foi expedido Mandatos de Busca e Apreensão Judicial, resultando na apreensão de grande quantidade de documentos e microcomputadores e na constatação da existência de um grupo econômico denominado GRUPO MARGEN, composto por unidades frigoríficas em vários Estados da Federação. Consta que a auditoria fiscal foi instaurada em cumprimento ao Mandado de Busca e apreensão contra a filial da empresa Frigorífico Margen Ltda, que se encontrava, à época, desempenhando suas atividades na ESTRADA AC 01, KM 28 ZONA RURAL, em Senador Guiomard/AC, em decorrência de arrendamento do parque industrial. Nessa operação, foram apreendidos documentos e equipamento de informática pertencentes às empresas O. A. Ribeiro, Frigorífico Novo Milênio Ltda e Frigorífico Margen Ltda, além de documentos pessoais dos sócios, o que levou a fiscalização à concluir que as atividades desenvolvidas no Estado do Acre pertenciam a outro grupo econômico, que denominaram de "GRUPO NOVO MILÊNIO".. A fiscalização expõe a seguir os motivos pelos quais entende que há formação de um grupo econômico de fato entre a notificada e as empresas citadas acima, e informa que, por essa razão, todas as empresas citadas figuraram como responsáveis solidárias pelos créditos ora lançados, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/1991. A autoridade lançadora esclarece que, no processo de busca e apreensão desencadeado nessa empresa em Senador Guiomard/AC, não foi possível obter nenhum livro contábil (Diário e Razão), nem livros fiscais, e que o débito lançado não foi declarado nas GFIPs pelo contribuinte. Relata, ainda, que o crédito foi levantado extraindose a base de cálculo de documentos que ficaram à disposição da auditoria, como Nota Fiscal Fatura, Cadastro Geral de Contas a Pagar, Relatório totalizado por produto, Resumo de pesagem, Nota de Entrada de Gado, Documentos Quitados, Recibos Timbrados, Resumo de Abate, Contas a pagar por emissão, Relatório de abate fornecido pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento As empresas solidárias Frigorífico Margen Ltda e O. A. Ribeiro, integrantes do grupo econômico de fato segundo a fiscalização, impugnaram o débito (fls. 5.879 e 5.884, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 respectivamente) alegando, em apertada síntese, cerceamento de defesa por não lhes terem sido disponibilizados os documentos constitutivos do crédito ou a documentação que se encontra apreendida e insurgindose contra a caracterização do grupo econômico realizado pela auditoria fiscal. O Sr. NEY AGILSON PADILHA, na condição de coresponsável e proprietário do Frigorífico Margen também se manifestou (fls. 5.915, vol. 15), frisando a impossibilidade de apresentar impugnação no curto prazo de quinze dias, reservandose o direito de complementar a impugnação antes do julgamento dos processos, quando receber cópia das NFLD's a que se refere a intimação, sob pena de ficar configurado o cerceamento do direito de defesa. Às fls. 9.946 (vol. XV), a solidária O. A. Ribeiro, por meio de seu representante OSVALDO ALVES RIBEIRO, requereu dilação do prazo para apresentação de defesa e, às fls. 2.955, apresentou complemento de sua impugnação, repetindo as alegações trazidas em sua defesa original, quais sejam, cerceamento de defesa, ilegitimidade passiva e inexistência do grupo econômico. A empresa notificada, Frigorífico Novo Milênio impugnou o débito (fls. 5.999) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1514.464, da 7a Turma da DRJ/ SDR, (fls. 6.016 a 6.038, vol. XVI), julgou o lançamento procedente. Às fls. 6.049 (vol. XVI), a empresa O. A. Ribeiro, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo, repetindo basicamente o alegado em sua impugnação. Preliminarmente, alega cerceamento de defesa, reiterando que não foi possível fazer a perfeita impugnação do lançamento creditício pelo fato de os documentos necessários para tais fins encontraremse apreendidos por determinação do Juízo da 3a Vara Federal de Campo Grande. Questiona o fato de o Estado determinar a apreensão dos documentos e em seguida imporlhe tão pesada multa, cerceando totalmente a defesa da notificada. Insiste na ilegitimidade passiva, argumentando que os sócios da suplicante se retiraram da sociedade em 21/11/2005, de acordo com a terceira alteração contratual e que, muito embora no período da constituição dos créditos os sócios da suplicante fizessem parte do quadro societário do Frigorífico Novo Milênio Ltda, os adquirentes assumiram todo o ativo e passivo da empresa, incluindo os deveres para com a Previdência Social, conforme reza de maneira clara o contrato. Entende que o fato de o sócio individual da suplicante ser o mesmo que outrora compunha o quadro societário do Frigorífico Novo Milênio não induz à responsabilidade solidária e/ou subsidiária, tendo em vista a falta de previsão legal neste sentido. Esclarece que o motivo de as duas empresas terem o mesmo endereço se deve ao fato de que, em 01/02/2001, foi celebrado contrato de locação entre o Frigorífico Novo Milênio e o Sr. Osvaldo Alves Ribeiro, cujo objeto era o aluguel de todas as máquinas, equipamentos e caminhões, inclusive o uso do SIF 4086, com prazo de cinco anos, mas que, as partes, em comum acordo, resolveram dar por resolvido o pacto em 2005, sendo certo que nesse lapso temporal a suplicante não exerceu atividades empresariais, logo não se pode atribuir a ela o encargo previdenciário. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11522.001540/200712 Acórdão n.º 230101.801 S2C3T1 Fl. 6.231 5 Reafirma que a ora recorrente não praticou conduta que deu início ao fato gerador e que também não é fruto de fusão, transformação ou incorporação da empresa devedora, mas sim uma pessoa jurídica que nasceu independente de qualquer outra, o que deixa claro a ilegitimidade passiva da suplicante para figurar em qualquer procedimento administrativo ou judicial como responsável (devedora) dos créditos previdenciários ora cobrados. Discorre sobre o conceito de grupo econômico para tentar demonstrar que é imprescindível a direção única em todas as empresas ou que uma das empresas controle as demais para a sua caracterização. Defende que, para caracterizar a responsabilidade, são necessários a direção, o controle ou administração de uma empresa, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, o que não se vislumbra no caso em tela, pois, como já foi dito, as empresas não tinham relação, subordinação ou controle de uma sobre a outra, além de a suplicante ter ficado paralisada no período da constituição dos créditos, o que evidencia a inexistência de grupo econômico. No mérito, reitera que os livros, a escrituração e demais canhotos de pagamento foram apreendidos tornando impossível apresentar os eventuais comprovantes de recolhimento previdenciário. Requer, por fim, que seja a decisão recorrida totalmente reformada e que a impugnação seja conhecida e provida no sentido de reconhecer a ilegitimidade do impugnante para figurar no pólo passivo e ainda que, com base no princípio da eventualidade, seja oficiado o Juízo da 3a Vara Federal (Criminal e Cível) de Campo Grande, Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul, solicitando que forneça os documentos juntados nos processos 2004.60.008747 0 (Processo Cível) e 2006.60.00.0064611 (Processo Criminal), reabrindo o prazo para que o impugnante ofereça nova defesa. O sócio do Frigorífico Margen, Sr. NEY AGILSON PADILHA, apresentou recurso tempestivo (fls. 6.118, vol. XVI), esclarecendo que o que houve na unidade industrial foi arrendamento puro do parque industrial, com grandes dificuldades de relacionamento com o proprietário OSVALDO ALVES RIBEIRO, que agiu e se relacionou com a administração do estabelecimentofilial do Frigorífico Margen Ltda, sempre de forma truculenta e pouco amigável, estando descartada qualquer possibilidade de existência de parceria ou colaboração entre as empresas, motivo pelo qual desconhece a atuação e os negócios do Frigorífico Novo Milênio Ltda. e/ou de O. A. RIBEIRO, salvo o que consta da própria decisão administrativa, cujos documentos não lhe foram enviados pelo correio, como deve acontecer nesses casos, cerceandolhe o direito de defesa, pois, além disso a sua residência encontrase distante de Senador Guimard, cerca de 5.000 km. Informa que desligouse de todas as sociedades, não exercendo, desde então, qualquer atividade comercial ou industrial, não possuindo, portanto, qualquer responsabilidade por tais débitos, pois, quando do encerramento do procedimento fiscal, em 07/12/2006, não fazia mais parte das empresas do suposto "GRUPO MARGEN", porque havia alienado a totalidade de suas quotas sociais para a empresa "holding": G M RIO BONITO PARTICIPAÇÕES LTDA. Transcreve os arts. 129 e 133, ambos do CTN, para demonstrar que a responsabilidade integral pelos tributos a qualquer título, eventualmente atribuídos ao suposto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 GRUPO MARGEN, lançados anteriormente ou posteriormente ao desligamento de NEY AGILSON PADILHA de todas as sociedades, foi transferida legalmente para os adquirentes de suas participações societárias. Finaliza requerendo ao Conselho que admita o recurso voluntário e lhe dê provimento, para reformar o v. Acórdão de primeiro grau, em face das questões de fato e de direito expostas, reportandose aos elementos da impugnação, de forma que, num primeiro momento, examine e acolha as preliminares argüidas, reconheça e declare a nulidade da NFLD, porque eivada de erro formal na intimação do coresponsável "eleito" na NFLD, além da exiguidade do prazo para a defesa e da indisponibilidade dos processos administrativos e dos documentos nele referidos, há mais de 5.000 km da sua residência, estabelecendo o cerceamento do direito de defesa do Recorrente, vícios esses insanáveis, que devem motivar o reconhecimento e a declaração de nulidade total do lançamento tributário. Às fls. 2.702 (vol. IX), a empresa Margen apresentou recurso, alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, reitera que nada, além da comunicação da constituição deste lançamento, foi trazido a conhecimento do ora manifestante, não lhe tendo sido oportunizado ter um mínimo de conhecimento do conteúdo do trabalho fiscal gerador deste lançamento, ou mesmo, dos elementos intrínsecos do próprio lançamento. Entende que o julgador valerse apenas do argumento de estarem disponíveis os autos em Rio Branco/AC para dizer que não ocorreu o cerceamento de defesa argüido na impugnação, é não enfrentar de forma objetiva os argumentos defensivos, o que torna absolutamente desprovida de validade a recorrida decisão administrativa, devendo ser reconhecida sua nulidade. Reafirma que é impossível a realização específica de defesas, pois a mera cientificação de que ocorreu a constituição de diversos lançamentos previdenciários não oferece a oportunidade de se conhecer também as origens de tais lançamentos, já que os seus termos não foram, até o momento, disponibilizados pelo fisco previdenciário, não permitindo à recorrente saber quais as razões que levaram o fisco, de maneira unilateral, caracterizar um surreal "grupo econômico de fato, ou quais as origens, fundamentos legais, montantes principais, recolhimentos apropriados, etc., que compõem cada um dos lançamentos relacionados no chamado "termo de certificação". Assevera que o argumento de que os autos administrativos encontram se disponibilizados nas dependências do órgão previdenciário de custeio local, como o fazem as autoridades fiscais responsáveis pelo debelado ato administrativo, reproduzido em ato decisório, efetivamente, em nada colabora para minimizar a indiscutível caracterização de cerceamento de defesa ora externado. Sustenta tratase de circunstância onde o contribuinte não deve ser compelido, como única alternativa ao exercício da ampla defesa, de ter que se deslocar ao órgão local do fisco previdenciário, pois entende que é obrigação do fisco disponibilizar os elementos necessários a tanto. No mérito, alega que o vício de cerceamento de defesa apontado é consistente o suficiente a legitimar a exclusão dos ora manifestantes do pólo passivo desta NFLD, registrando que esse mérito recursal é o único possível de se trazer no atual momento processual, resguardandose os ora manifestantes ao direito de promoverem nova manifestação após sua plena ciência aos termos dos lançamentos relacionados. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11522.001540/200712 Acórdão n.º 230101.801 S2C3T1 Fl. 6.232 7 É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Relator Os recursos apresentados são tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Constatase, dos autos, que a empresa notificada, Frigorífico Novo Milênio Ltda, não apresentou recurso. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pelas recorrentes em seus recursos, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verificase, dos autos, que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11522.001540/200712 Acórdão n.º 230101.801 S2C3T1 Fl. 6.233 9 o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 No caso presente, a fiscalização deixa claro que se trata de diferença de contribuição devidas à Seguridade Social pelo produtor rural, pessoa física, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, no período compreendido entre 04/2001 a 08/2004. A NFLD foi consolidada em 28/11/2006, e sua cientificação à empresa notificada se deu em 23/04/2007, conforme documento de fl. 5.873 (vol. XV). Dessa forma, considerando o exposto acima, e considerando que houve recolhimento no código 2607 (Recolhimento sobre a Comercialização de Produto Rural CNPJ/MF) nas competências 06, 08, 10, 11 e 12 de 2001, e 01, 02, 03 e 04 de 2002, conforme se verifica do relatório RDA, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para os valores lançados nas competências entre 04/2001 a 03/2002, inclusive. Dos recursos apresentados, registro o que se segue. Preliminarmente, a empresa O. A. RIBEIRO alega cerceamento de defesa, afirmando que não foi possível fazer a perfeita impugnação do lançamento creditício pelo fato de os documentos necessários para tais fins encontraremse apreendidos por determinação do Juízo da 3a Vara Federal de Campo Grande. Contudo, a NFLD, juntamente com todos os relatórios que a integram, possuem todas as informações necessárias para o exercício da ampla defesa do notificado. O DAD discrimina, por competência, as bases de cálculos apuradas, as alíquotas aplicadas, e os valores lançados e o RL informa, de forma clara, quais os fatos geradores considerados e o RDA lista todos os recolhimentos efetuados e considerados para abater o valor do débito. O Relatório Fiscal está claro e preciso, e as planilhas anexas discriminam os levantamentos de compras de Lenha e de Gado no período, bem como a comercialização de Produção Rural, declarada e não declarada em GFIP, as divergências GFIP x GPS, e os recolhimentos efetuados no FPAS 744 (produção rural). A autoridade lançadora junta, ainda, extensa documentação que comprova suas afirmações, como cópias de Nota Fiscal Fatura, Cadastro Geral de Contas a Pagar, Relatório totalizado por produto, Resumo de pesagem, Nota de Entrada de Gado, Documentos Quitados, Recibos Timbrados, Resumo de Abate, Contas a pagar por emissão, Relatório de abate fornecido pelo Ministério da Agricultura e AbastecimentoDFA/AC e Guias de Recolhimento no FPAS 744, entre outros. Assim, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11522.001540/200712 Acórdão n.º 230101.801 S2C3T1 Fl. 6.234 11 Dessa forma, todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelos contribuintes encontramse nos autos, motivo pelo qual rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. A recorrente alega, ainda em preliminar, ilegitimidade passiva, argumentando que os seus sócios se retiraram da sociedade em 21/11/2005, de acordo com a terceira alteração contratual e que, muito embora no período da constituição dos créditos os sócios da suplicante fizessem parte do quadro societário do Frigorífico Novo Milênio Ltda, os adquirentes assumiram todo o ativo e passivo da empresa, incluindo os deveres para com a Previdência Social, conforme reza de maneira clara o contrato. Sustenta que o fato de o sócio individual da suplicante ser o mesmo que outrora compunha o quadro societário do Frigorífico Novo Milênio não induz à responsabilidade solidária e/ou subsidiária, tendo em vista a falta de previsão legal neste sentido. Contudo, a responsabilidade solidária no presente caso é aquela decorrente da existência de um grupo econômico e encontra amparo legal no art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/1991. Portanto, mesmo tendo os sócios da recorrente se retirado dos quadros da empresa notificada, a fiscalização constatou a existência de um grupo econômico de fato constituído pela nova empresa denominada O. A. RIBEIRO, cujo o dono é o exsócio do Frigorífico Milênio, pelo Frigorífico Margen, e pelo próprio Frigorífico Milênio. As situações constatadas demonstram que a notificada e as empresas relacionadas no Relatório Fiscal constituem um grupo econômico de fato. A fiscalização verificou que a empresa notificada, Frigorífico Novo Milênio Ltda, constituída em 22/01/2001, era composta por dois sócios, Osvaldo Alves Ribeiro e Carlos Celso Medeiros Ribeiro, pai e filho, com o objeto social no ramo de Frigorífico de abate de bovinos. Consta, ainda, que, inicialmente, antes de sua constituição, no mesmo endereço e com a mesma atividade industrial, havia a Firma Individual O.A. RIBEIRO, de propriedade do Sr. OSVALDO ALVES RIBEIRO, constituída desde 10/12/96, cujas atividades foram até janeiro/2001, quando houve a transferência de seus empregados para a nova empresa constituída, que também assumiu as atividades de abate. O Frigorífico Novo Milênio Ltda funcionou de 02/2001 a julho/2004, quando, em 01/08/2004, arrendou seu parque industrial para a filial do Frigorífico Margen Ltda, transferindo seu quadro de empregados para a arrendatária, que funcionou até 12/2005. Em 20/11/2005, os srs. Osvaldo Alves Ribeiro e Carlos Celso Medeiros Ribeiro se retiraram da sociedade transferindo a empresa aos srs. Adalberto Coelho Dias e João Carlos da Costa Oliveira. A fiscalização verificou que os novos sócios da empresa Frigorífico Novo Milênio são pessoas modestas e despojadas de capacidade financeira para gerir empreendimentos de tal envergadura, o que não foi negado pela recorrente em sua peça recursal. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 Conforme registrado no CNIS, o Sr. Adalberto Coelho Dias laborou como empregado na função de marceneiro para Firma Individual, com salário médio de R$551,00, e o Sr. João Carlos da Costa Oliveira trabalhou como empregado para "Cerâmica Santo André Ltda, na função de servente, percebendo remuneração média de 01 salário mínimo. Verificase, ainda, dos documentos constantes dos autos, que logo após a alteração do quadro societário, a empresa paralisou suas atividades operacionais, e a firma individual O.A. Ribeiro reativou suas atividades a partir de 01/2006 no mesmo endereço do Frigorífico Novo Milênio Ltda. Observase, também, que a alteração contratual e retirada dos sócios se deu enquanto a empresa se encontrava sob ação fiscal, na eminência do levantamento de um débito de valor alto, o que sugere uma simulação no procedimento adotado pela empresa. A fiscalização constatou, ainda, e provou com a farta documentação anexada, a existência de empregados transferidos de uma empresa para outra, movimentação financeira entre as empresas e sócios, com pagamentos de contas pessoais, entre outros fatos narrados no Relatório Fiscal. Os documentos e equipamentos apreendidos no endereço da empresa notificada, pertencentes às empresas O. A. Ribeiro, Frigorífico Novo Milênio Ltda e Frigorífico Margen Ltda, corroboram o entendimento fiscal da existência de um grupo econômico de fato, formado pelas três pessoas jurídicas citadas. Assim, os fatos constatados, como mesmo endereço de estabelecimentos das empresas envolvidas, mesmas instalações com a utilização dos mesmos equipamentos, materiais e mãodeobra, no sentido de desenvolver a atividade comum a todos eles (abate de bovinos); deixa claro a existência de interesses comuns entre as empresas listadas. Vale observar que o sentido de grupo econômico não se restringe mais à interpretação literal do art. 2o, § 2o, da CLT, no sentido de se ter uma empresa controladora, admitindose também existir apenas coordenação entre as empresas e, nesse sentido, dispõe a jurisprudência: EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO – CARACTERIZAÇÃO. O § 2o, do art. 2o da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados o controle e direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. PROCESSO TRT/15a REGIÃO – Nº 00902200108315000RO 922352/2002RO9) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11522.001540/200712 Acórdão n.º 230101.801 S2C3T1 Fl. 6.235 13 Assim, entendo que restou caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas, pois existe interesses comuns entre as mesmas pessoas físicas arroladas pela fiscalização, que comandam e dirigem o empreendimento. A fiscalização fundamentou o lançamento na responsabilidade solidária de que trata o inciso IX, do art 30, da Lei 8.212/91. Responsabilidade Solidária é a obrigação legalmente imposta aos integrantes do grupo econômico de qualquer natureza de responder pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, isoladamente ou em conjunto, consoante art. 30 da Lei 8.212/91. Portanto, por determinação legal, todas as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente, entre si, pelas contribuições previdenciárias devidas. No mérito, a empresa apenas reitera as alegações trazidas em preliminar, de que os livros, a escrituração e demais canhotos de pagamento foram apreendidos tornando impossível apresentar os eventuais comprovantes de recolhimento previdenciário. Porém, como já exposto quando da apreciação da preliminar, verificase que todas as informações necessárias para a defesa do contribuinte encontramse nos autos; Em relação ao requerimento de que seja oficiado o Juízo da 3a Vara Federal (Criminal e Cível) de Campo Grande, Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul para que forneça os documentos juntados nos processos 2004.60.0087470 (Processo Cível) e 2006.60.00.0064611 (Processo Criminal), cumpre informar que não cabe à esfera administrativa oficiar o Judiciário para entrega de documentos apreendidos à empresa, devendo a própria interessada fazer tal pedido à autoridade judiciária competente. O Frigorífico Margen e o Sr. NEY AGILSON PADILHA, que figura como coresponsável do Frigorífico Margen, pois, à época da ocorrência do fato gerador, era sócio dessa empresa, apresentaram recursos tempestivos, alegando, preliminarmente, cerceamento de defesa, tendo em vista que os documentos constitutivos do débito não lhe foram enviados pelo correio. Contudo, constatase que os recorrentes foram devidamente cientificados do lançamento, pois, em suas peças impugnatórias, afirmam que foi emitida uma comunicação cientificandoos da constituição dos créditos tributários epigrafados e a inclusão do FRIGORÍFICO MARGEN LTDA como integrante do grupo econômico "Grupo Novo Milênio” O art. 749, da IN 03/2005, vigente quando da lavratura da NFLD, estabelecia que: Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n°8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou Fl. 13DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §'1° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal (gn) As cópias dos Termos de Cientificação emitidos pelos agentes fiscais e recebidas pelos responsáveis legais pela empresa Frigorífico Margen e pelo Sr. Ney , conforme ela própria afirma, constam das fls. 195, 197, 201 e 203 e, como se depreende da leitura do documento, todos os requisitos constantes da norma previdenciária foram observados pela fiscalização. Vale reiterar que os recorrentes afirmaram que receberam as intimações referidas acima. Quanto ao entendimento de que é obrigação do fisco disponibilizar os elementos necessários à defesa, cumpre observar que não há norma que determine a entrega da cópias dos instrumentos de constituição de créditos a todas as empresas integrantes de um grupo econômico. Verificase que consta do Termo o esclarecimento de que é assegurada às empresas do grupo econômico vista do processo administrativo fiscal. Assim, o direito de conhecer o conteúdo do processo foi assegurado aos recorrentes, que poderiam ter pedido vista dos autos. Em relação ao argumento de que sua residência encontrase distante de Senador Guimard cerca de 5.000 km, cumpre lembrar que nesse local funcionou uma filial da qual o recorrente era sócio. Dessa forma, é difícil crer que tal distância represente óbice para o recorrente obter vista dos autos. Vale observar que a ciência da NFLD pelo recorrente se deu antes de 22/12/2006, data que consta da sua impugnação, e o Acórdão combatido é de 11/12/2007, e sua ciência pelo Sr. Ney e pelos representantes legais da empresa Frigorífico Mangen se deu em 22/01/2008. Dessa forma, os recorrentes tiveram cerca de um ano para obter vista dos autos, não havendo, portanto, que se falar em cerceamento de defesa. Assim, como já afirmou o julgador de primeira instância, a fiscalização procedeu consoante o ato normativo que disciplina a matéria, emitindo o Termo de Cientificação para as empresas solidárias identificadas na NFLD. Da mesma forma não procede o argumento de que o julgador não enfrentou de forma objetiva os argumentos defensivos, pois, verificase do voto que culminou no Acórdão recorrido, que o julgador rebateu os argumentos trazidos nas defesas, transcrevendo o artigo do normativo que trata da cientificação dos integrantes do grupo econômico. Portanto, não há que se falar na nulidade da decisão de primeira instância, como quer a recorrente, pois o Acórdão recorrido demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhe foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pelas notificadas. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11522.001540/200712 Acórdão n.º 230101.801 S2C3T1 Fl. 6.236 15 Em relação aos demais argumentos trazidos no recurso do Sr. Ney, notase que tais matérias não foram objeto da impugnação, encontrandose precluído o direito à discussão da mesma na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Portanto, não foi instaurado o contencioso administrativo fiscal relativamente às inovações trazidas no recurso. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, com relação ao entendimento de que a responsabilidade integral pelos tributos atribuídos ao suposto GRUPO MARGEN, lançados anteriormente ou posteriormente ao desligamento de NEY AGILSON PADILHA de todas as sociedades foi transferida legalmente para os adquirentes, cumpre esclarecer que o Sr. Ney foi incluído na lista dos coresponsáveis, já que esse é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. Vale ressaltar que o Sr. NEY não está sendo penalizado com a lavratura da NFLD em tela, já que a NFLD foi lavrada contra a empresa FRIGORÍFICO NOVO MILENO LTDA E OUTROS, que são os sujeitos passivos da obrigação tributária. Conforme restou demonstrado na folha de rosto da NFLD (fl. 01), é empresa FRIGORÍFICO NOVO MILENO LTDA e as demais empresas que compõem o grupo econômico que foram notificadas, e não os seus sócios. E, ao constatar o inadimplemento das obrigações previdenciárias, o agente notificante lançou corretamente o débito em nome dos contribuintes inadimplentes, fazendo constar os coresponsáveis nos relatórios da NFLD, consoante determinações contidas nos normativos legais que regem a matéria. Dessa forma, reiterase, os sujeitos passivos que devem suporta o ônus contido na NFLD em tela são as empresas, sendo elas, em primeira análise, as responsáveis pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, os sujeitos passivos da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório da NFLD, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 16 Nesse sentido, acato o requerimento formulado pelo recorrente, a fim de afastar a sua coresponsabilidade. No entanto, mantenho a lista nominal apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos de imediato em dívida ativa somente com base na indicação trazida pelo fisco. Nesse sentido, Considerando tudo o mais que dos autos consta. VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito os valores lançados nas competências compreendidas entre 02/2001 a 03/2002, inclusive, por decadência, e para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 16DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11522.001540/200712 Acórdão n.º 230101.801 S2C3T1 Fl. 6.237 17 Fl. 17DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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