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Numero do processo: 13896.721622/2015-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO.
Existência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessário sanar decisão colegiada, mantendo-se o provimento parcial ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 2001-001.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração interpostos para, re-ratificando o Acórdão nº 2001-000.309, de 27 de fevereiro de 2018, sanar a obscuridade, mantendo-se a decisão do Provimento Parcial ao Recurso Voluntário constante do Acórdão embargado, considerando que os recolhimentos devam ser alocados ao crédito lançado, quando da implementação da decisão.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO. Existência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessário sanar decisão colegiada, mantendo-se o provimento parcial ao recurso voluntário.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1526; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 191 1 190 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.721622/201574 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2001001.106 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CELSO GARCIA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO. Existência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessário sanar decisão colegiada, mantendose o provimento parcial ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração interpostos para, reratificando o Acórdão nº 2001 000.309, de 27 de fevereiro de 2018, sanar a obscuridade, mantendose a decisão do Provimento Parcial ao Recurso Voluntário constante do Acórdão embargado, considerando que os recolhimentos devam ser alocados ao crédito lançado, quando da implementação da decisão. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 16 22 /2 01 5- 74 Fl. 191DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 2001000.309, exarado em 27 de fevereiro de 2018, pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa se expressou conforme a seguinte transcrição: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte por se tratar de informação de médico particular. Ausência de laudo médico oficial que contenha elementos que indiquem a ocorrência da situação na data apontada no documento e confirme laudo particular apresentado pelo Recorrente. Cientificada do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional formulou os Embargos de Declaração que teve o recurso admitido em 24 de maio de 2018, cujo teor da decisão repete os termos da Autoridade Embargante, com a seguinte expressão conclusiva: Da alegada omissão Segundo a recorrente, a decisão embargada foi omissa ao não justificar o afastamento das normas legais que cita, relativas à restituição e compensação. O provimento parcial ao recurso foi explicado no seguinte trecho do voto, fl. 149: Em razão de o Recorrente ter afirmado que recolheu, nas datas próprias, o saldo do imposto de renda pessoa física gerado na elaboração da declaração de ajuste anual original, dou provimento para considerar os valores efetivamente recolhidos como contrapartida do imposto resultante daquela apuração original. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para NEGAR o direito creditório pleiteado com base na isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria do anobase de 2013, na forma da declaração retificadora, desconsiderando os efeitos dela decorrentes e considerar como pagamento do imposto aqueles recolhimentos efetivamente realizados nas datas próprias, oriundos da declaração original. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13896.721622/201574 Acórdão n.º 2001001.106 S2C0T1 Fl. 192 3 A decisão embargada baseouse na consideração dos recolhimentos de imposto de renda da pessoa física, acostados pelo sujeito passivo na impugnação às fls. 18 a 26, como "pagamento do imposto" ou como "contrapartida do imposto". No entanto, a decisão não foi clara quanto aos efeitos dessa consideração adotada, sendo possíveis duas interpretações: 1a) que os recolhimentos sejam considerados como compensação na apuração do imposto lançado, à data do lançamento de ofício, conforme suscitado pela embargante, com a consequente retificação do crédito lançado; ou 2a) que os recolhimentos sejam alocados ao crédito lançado, quando da implementação do Acórdão. Diante do exposto, admitemse os embargos para que sejam distribuídos ao relator originário e incluídos em pauta de julgamento da 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção para apreciação e saneamento da obscuridade e omissão apontadas. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. A afirmação de omissão apontada nos Embargos de Declaração trazem as seguintes ponderações: A 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário “para negar o direito creditório pleiteado com base na isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria do anobase de 2013, na forma da declaração retificadora, desconsiderando os efeitos dela decorrentes e considerar como pagamento do imposto aqueles recolhimentos efetivamente realizados nas datas próprias, oriundos da declaração original”. Contudo, verificandose o inteiro teor da decisão, constatase a existência de omissão, pois a e. Turma não justificou o afastamento dos arts. 156, II e 170 do CTN, dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 e do art. 117 da IN RFB nº 1717/2017, que impedem o reconhecimento de eventual compensação em procedimento de lançamento de ofício e dispõe que a competência para apreciação de eventual pedido de restituição e compensação é da Delegacia da Receita Federal do domicílio do contribuinte. (...) Ressaltase que não se pretende aqui, com a presente peça, alterar o entendimento do acórdão ora embargado. O que se busca é a manifestação do C. Colegiado sobre esse inafastável ponto. Fl. 193DF CARF MF 4 Em face do exposto, a União requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar a omissão acima apontada e prequestionar a matéria que não foi objeto de análise expressa no acórdão embargado. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Ocorrência de omissão e/ou obscuridade na decisão do Acórdão embargado, vez que para complementar os temos finais da decisão necessários se faz o aclaramento de que se trata, neste caso, de alocação de recolhimentos do tributo ao crédito lançado, quando da implementação do Acórdão. Desnecessário justificar o afastamento dos preceitos legais invocados nos embargos que impedem o reconhecimento de compensação em procedimento de lançamento de ofício e dispõe que a competência para apreciação de pedido de compensação, que é da Delegacia da Receita Federal do domicílio do contribuinte, porque este não é o caso aqui tratado. A lide trata de Declaração retificadora com saldo de imposto de renda a restituir que foi negado pelo Colegiado e não trata, portanto, de compensação. Ressaltese que a decisão do Acórdão Embargado foi no sentido de recomendar a alocação dos recolhimentos do imposto de renda no crédito lançado. Em vista do exposto, repitamse aqui os termos da decisão e os termos aclaradores do que foi decidido no colegiado da 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF quando deu provimento parcial ao recurso voluntário: Em razão de o Recorrente ter afirmado que recolheu, nas datas próprias, o saldo do imposto de renda pessoa física gerado na elaboração da declaração de ajuste anual original, dou provimento para considerar os valores efetivamente recolhidos como contrapartida do imposto resultante daquela apuração original. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para NEGAR o direito creditório pleiteado com base na isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria do anobase de 2013, na forma da declaração retificadora, desconsiderando os efeitos dela decorrentes e considerar como pagamento do imposto aqueles recolhimentos efetivamente realizados nas datas próprias, oriundos da declaração original. Esclareçase que o aproveitamento das parcelas do tributo recolhidas dentro dos prazos de recolhimento da correspondente apuração original, para alocação dos recolhimentos do tributo ao crédito lançado, quando da implementação do Acórdão, Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13896.721622/201574 Acórdão n.º 2001001.106 S2C0T1 Fl. 193 5 deve ser realizado, desde que a informação esteja disponível no sistema e verificada pela Unidade local da Receita Federal. Para bem sanar, fazse necessário também a retificação dos termos da ementa que deverá ser a seguinte: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO NEGADA PERTINÊNCIA. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave negada por insuficiência de provas. Glosa por recusa dos comprovantes apresentados pelo contribuinte por se tratar de informação de médico particular. Ausência de laudo médico oficial que contenha elementos que indiquem a ocorrência da situação na data apontada no documento e confirme laudo particular apresentado pelo Recorrente. Por todo o exposto, voto por conhecer e ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sanando a obscuridade e mantendose a decisão do Provimento Parcial ao Recurso Voluntário constante do Acórdão embargado, considerando que os recolhimentos devam ser alocados ao crédito lançado, quando da implementação da decisão. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001076/2004-73
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2003
DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DECLARADOS E APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO.
Constatada a divergência entre os valores efetivamente devidos e os recolhidos através do cotejo da própria escrita contábil e fiscal da contribuinte, enseja a manutenção da exigência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura denúncia espontânea da infração, quando desacompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e, desde que apresentada antes de qualquer procedimento administrativo relacionado com o tributo devido.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.021
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2003 DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DECLARADOS E APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Constatada a divergência entre os valores efetivamente devidos e os recolhidos através do cotejo da própria escrita contábil e fiscal da contribuinte, enseja a manutenção da exigência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Não se configura denúncia espontânea da infração, quando desacompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e, desde que apresentada antes de qualquer procedimento administrativo relacionado com o tributo devido. Recurso negado.
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F I . 25 I MINISTERIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇAO DE JULGAMENTO Processo n" 11543.001076/2004-73 Recurso n" 140.970 Voluntário Acórdão n" 2101-00.021 — 1" Câmara! 1" Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2009 Matéria COFINS Recorrente SERRARIA DE MÁRMORE E GRANITO MIMOSO LTDA. Recorrida DRJ no Rio de Janeiro - RJ , ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2003 DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DECLARADOS E APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Constatada a divergência entre os valores efetivamente devidos e os recolhidos através do cotejo da própria escrita contábil e fiscal da contribuinte, enseja a manutenção da exigência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Não se configura denúncia espontânea da infração, quando desacompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e, desde que apresentada antes de qualquer procedimento administrativo relacionado com o tributo devido. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ., ACORDAM ---6's membros 1" câmara / P turma ordinária do segunda seção de julgamento, por utimidade de voto, em negar provimento ao recurso. ANT NIO CARLOS ATULIM Presidente o Processo no 11543.001076/2004-73 S2-CIT1 Acórdào o.' 2101-00.021 Fl. 252 1\k \ ANTÔ 10 LISBOA CARDOSO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Carlos Alberto Donassolo (Suplente), Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Cuida-se de recurso em face da decisão da DRJ-RJ (fls. 222/231), referente ao Auto de Infração de Cotins do PA de 04/99 a 11/2003 (fl. 184/188), lavrado em 29/03/2004, e cientificado à contribuinte em 16/04/2004 (AR-fl. 196). O acórdão recorrido é assim ementado (fl. 222): "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social —Cojins Período de apuração: 01/04/1999 a 30/11/2003 Ementa: LANÇAMENTO DE OFICIO Cabível o lançamento de ofício, com multa de 75% sobre o tributo devido ou diferença, quando provada a falta de declaração ou de declmação inexata, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n" 9.430/96. TAXA SELIC Sobre os débitos com a União, não quitados no prazo previsto pela legislação , incidirão juros de mora, calculados à taxa SELIC, acumulada mensalmente, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. PERÍCIA Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível ou desnecessária para a .formação da convicção da autoridade julgadora. Lançamento Procedente". A autuação tem por base o fato da fiscalização ter constatado "irregularidades entre os débitos apurados e os débitos declarados/pagos...". A fiscalização teve inicio com o objetivo de verificar os procedimentos adotados na formalização do pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI no processo n" 13766.000253/00-74, tendo sido constadas divergências entre as receitas registradas no Livro de Apuração do ICMS c as informações apresentadas pela contribuinte, em razão disto, nos períodos de junho a dezembro de 2002 e de janeiro de 2003 a agosto de 2003, foram consideradas as bases de cálculos informadas pela contribuinte e nos demais aquelas registradas no Livro de Apuração do ICMS. 2 Processo n° 11543.001076/2004-73 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.021 Fl. 253 As contribuições devidas foram cotejadas com as declaradas nas DCTF's de tis. 121/135, com os respectivos recolhimentos, sendo as diferenças exigidas no presente processo, conforme planilhas de apuração de Cotins de fls. 160/169. Cientificada em 23/08/2004 (AR — ti. 234) foi interposto o recurso voluntário de tis. 235/240, em 22/09/2004, onde aduz, em sede de preliminar, a produção de prova pericial, vez que estão sendo exigidas diferenças de Cofins decorrentes das informações constantes em DCTF e os valores apurados através do Livro de Apuração de ICMS. No mérito alega que aderiu ao Parcelamento Especial — PAES, instituído pela Lei n" 10.614/2003, c/c art. 11, § 4" da Lei n" 10.522/2002, tendo requerida a desistência do processo administrativo n" 13766.000.253/00-74, referente ao pedido de ressarcimento de IPI, em 28/11/2003 (fls. 210/211) e DARF's de lis. 212/215, o que comprova a sua definitiva adesão ao PAES. Desta forma, estando parcelados os débitos exigidos no presente processo deve ser julgado improcedente a exigência, inclusive deve ser reconhecida a denúncia espontânea prevista no art. 138, cio CTN, vez que o parcelamento se deu antes da lavratura do auto de infração. Em relação à denúncia espontânea, alega que ao preencher as DCTF's declarou que deixou de efetuar o recolhimento daqueles créditos nelas elencados, os quais foram pagos mediante compensação com créditos de IPI, na forma autorizada pelo art. 156, II, do CTN, sendo indevida também a multa de oficio de 75%, em razão de estar configurada a denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestidos dos demais requisitos legais pertinentes. A preliminar suscitada pela recorrente deve ser rejeitada, pois, apesar de protestar pela realização de perícia, não trouxe aos autos quaisquer elementos de prova que possibilitassem reforçar ou fundamentar o seu pedido, pois, competia-lhe trazer aos autos todas as provas necessárias a afastar as divergências entre os valores apurados pela Fiscalização e os constantes de sua escrita contábil e fiscal. No mérito melhor sorte não lhe assiste, pois, conforme bem esclareceu o voto condutor do acórdão recorrido, o crédito lançado no presente processo não alcança a parte declarada em DCTF e que fora vinculada à compensação, o que pode ser comprovado pelo confronto dos extratos das DCTF (fls. 121/135) com as planilhas de apuração da Cofins de tis. 160/169, o que foi devidamente esclarecido no Termo de Verificação Fiscal de fi. 192. Portanto, os débitos discutidos no lançamento constante do presente processo, não foram extintos pela compensação, nem tão pouco se encontram no rol dos débitos incluídos no PAES, porquanto decorrem de diferenças apuradas pela Fiscalização entre 3 Processo o' 11543.00 1076/2004-73 S2-CITI Acórdilo o.' 2101-00.021 Fl. 254 • os valores declarados pela contribuinte (esses sim se encontram parcelados) e os registrados na contabilidade da recorrente. Quanto à alegado denúncia espontânea, mesmo que o débito tivesse sido liquidado por recolhimento ou por compensação, mas que não foi, isto não ocorreu, mesmo assim não estaria configurada a denúncia espontânea, pois, esta somente ocorre nos termos do art. 138 do CTN, "se for acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora", e, desde que antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração (parágrafo único) o que não ocorreu no caso. Ademais, disto, em nenhum momento do processo a recorrente trouxe qualquer prova no sentido de afastar a conclusão dos trabalhos da fiscalização, por essa razão a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Sala das Sessões, em 05 de março de 2009. Nk, 1` •I^ '10- A TINO IS:0A Alt 4
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Numero do processo: 10850.003238/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO.
A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007.
O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3201-004.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007. O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 32 38 /2 00 7- 14 Fl. 320DF CARF MF 2 mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 267 em face da decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/SP de fls. 255 que manteve o Despacho Decisório de fls. 34 e, consequentemente, não reconheceu o crédito de Cofins pleiteado. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte acima identificada solicitou restituição cujo crédito decorre de compensação a maior da Cofins relativa a junho/2003, compensação esta formalizada no processo nº 13804.001359/200341, cujo débito passou a ser controlado pelo processo nº 13804.000953/200153. A compensação teria sido a maior porquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a cobrança da contribuição sobre receitas que não se enquadram no conceito de faturamento, como aconteceu no caso presente, conforme informa a requerente. A DRF/São José do Rio Preto indeferiu o pleito, conforme despacho de fls. 34/37, porquanto a referida compensação discutida no processo nº 13804.000953/200153 não foi homologada pela DRF/São José do Rio Preto, decisão confirmada por esta DRJ. Considerou ainda a autoridade a quo que a decisão do STF não tem efeitos erga omnes e que a interessada não comprovou documentalmente o recolhimento a maior da contribuição. Como o Carf deu provimento integral ao recurso voluntário e determinou à DRF de origem a análise do mérito da compensação controlada no processo nº 13804.000953/200153, a 1ª Turma de Julgamento desta DRJ, por considerar o desfecho da compensação naquele processo questão prejudicial no Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10850.003238/200714 Acórdão n.º 3201004.871 S3C2T1 Fl. 319 3 presente, determinou o sobrestamento deste processo até o deslinde daquele. Posteriormente, pelo fato de o relator do presente ter encerrado seu mandato nesta DRJ, este processo foi distribuído a mim, que constatei que o processo nº 13804.000953/200153, de acordo com o sistema Comprot, encontravase ainda na DRF/São José do Rio Preto. Sendo assim, o presente foi enviado à unidade de origem para que, após a definição dos valores compensados definitivamente no processo no 13804.000953/200153, informasse a situação da compensação da exigência da Cofins referente a junho/2003. De acordo com despacho de fl. 254, tal débito foi totalmente extinto com a execução da compensação deferida no processo no 13804.000953/200153." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. IMPOSSIBILIDADE. Não existe a possibilidade jurídica do pedido de restituição de compensação indevida. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido." Em seguida, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Fl. 322DF CARF MF 4 Logo, por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A decisão de primeira instância manteve o entendimento do Despacho Decisório que negou a possibilidade de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Sobre o tema, é importante registrar que é obrigatório a este Conselho a aplicação de decisão do STF em sede de repercussão geral ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), conforme Art. 62A, de nosso regimento interno. Desta forma, "faturamento" tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. O segundo entendimento do despacho decisório, mantido em primeira instância e que deve ser enfrentado, tratou da não equivalência da compensação indevida ao pagamento indevido. Contudo, diversos precedentes deste conselho registraram o entendimento de que a extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007, exposto parcialmente a seguir: "20. Na linha do PN Cosit nº 8, de 2014 (item 35, já citado), extinto o crédito tributário não há mais falar em revisão de ofício de lançamento, sendo necessária a formalização de pedido de restituição em caso de haver erro de fato no lançamento. O pagamento ou a compensação do objeto da prestação pelo sujeito passivo representa a sua concordância com o seu dever jurídico, ou seja, com a existência da relação jurídica obrigacional entre ele e o sujeito ativo (Estado), bem assim com o lançamento realizado, responsável pela quantificação do objeto da relação. Tais atos ensejam a extinção da relação obrigacional e, por consequência, incabível, em princípio, revisão de ofício do lançamento. 21. Todavia, a incorporação ao patrimônio pelo sujeito ativo de valor a que não fazia jus como portador do direito subjetivo de sua percepção, ou seja, de tributo indevido, representaria uma violação ao princípio que veda o locupletamento sem causa, e Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10850.003238/200714 Acórdão n.º 3201004.871 S3C2T1 Fl. 320 5 permite nascer uma nova relação obrigacional, mas agora com os pólos invertidos Em vista disso, o legislador introduziu no CTN o art. 165, que autoriza a restituição da importância paga indevidamente pelo sujeito passivo. Nesse sentido, posicionamento de Luciano Amaro : O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. 22. Este pagamento de tributo indevido pode ter advindo de ato espontâneo do sujeito passivo, que recolheu valor superior ao objeto da relação obrigacional devido, ou de pagamento/compensação exatamente no montante do tributo lançado (cobrado), mas cuja quantificação foi feita de forma irregular. É o que se depreende dos incisos I e II do art. 165 do CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 23. A hipótese de interesse do estudo aqui efetuado é a do pagamento indevido de tributo em virtude de erro na quantificação do crédito tributário, ou seja, de erro no lançamento. 24. Logo, a formalização de pedido de restituição, desde que no prazo de cinco anos estabelecido no art. 168 do CTN, com interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, é o caminho legal para que o sujeito passivo possa demonstrar a existência de erro no lançamento após a extinção do crédito tributário: CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; LC nº 118, de 09/02/2005 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Fl. 324DF CARF MF 6 25. Uma revisão do débito (e não do lançamento) decorrerá de provocação do contribuinte. Caso a postulação seja apenas para fins de cancelamento de um débito já quitado, sem expressamente requerer a restituição do valor pago, ainda assim deve ser aplicada a analogia para fazer incidir o art. 168 do CTN para se promover a revisão do débito e seu cancelamento, na linha do item 36 do PN Cosit nº 8, de 2014 (já transcrito), e os valores antes alocados ao débito cancelado poderão, a partir daí, ser utilizados pelo sujeito passivo ‒ quer seja para pleitear restituição ou para quitar outros débitos, p.ex., por meio de declaração de compensação, ou mesmo compensação de ofício ‒, atentandose que o prazo que alude o art. 168 do CTN remete, no caso, à data da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento indevido (e não da data do cancelamento do débito). 26. Não foi estabelecida pelo CTN a necessidade de prévia alteração do lançamento efetuado de forma irregular para que o sujeito passivo possa pleitear e ter deferida a devolução do valor pago a maior ou indevidamente, ainda que seja necessária a utilização do elemento quantitativo ali contido para aferição dos cálculos e fins operacionais. Conclusão 27. Com base no exposto, concluise que depois de extinto o crédito tributário lançado de ofício ou confessado, seja por meio de pagamento ou por meio de compensação, não há que se cogitar em revisão de ofício do lançamento (ressalvados os casos de inexatidões e erros materiais, erros de cálculo) ou da declaração (seja a de obrigação acessória como a DCTF, seja a de compensação), mas sim a análise de pedido de restituição formulado nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN." Diante do exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, o fisco aprecie o mérito do litígio. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.931184/2013-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/01/2013
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA
Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada.
DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS
Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
Numero da decisão: 3301-005.823
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/01/2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputamse verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 11 84 /2 01 3- 70 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.931184/201370 Acórdão n.º 3301005.823 S3C3T1 Fl. 3 2 passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini. Relatório Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto em face do Acórdão DRJ nº 04044.585, que manteve o decidido no Despacho Decisório Eletrônico, o qual não homologou a compensação declarada na DCOMP – Declaração de Compensação, transmitida pela recorrente, por inexistência do crédito alegado. Irresignada com a decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário ora em apreço, trazendo as seguintes alegações: alega que retificou a DCTF para ajustar a apuração de COFINS do período, de onde surgiu o crédito utilizado, sendo que o ajuste da DCTF foi realizado nos estritos termos da legislação tributária aplicável, amparada na também retificada DACON, trazida aos autos. apontou os subsídios técnicos do crédito compensado, entretanto o órgão julgador de primeira instância afastou os efeitos jurídicos das declarações retificadoras por entender que deveria, os ajustes estar calcados em documentos contábeis e fiscais hábeis e idôneos. defende que até onde se sabe, o ordenamento pátrio, não traz uma lista específica de documentos aptos a assegurar de forma definitiva a certeza e liquidez de crédito oriundo de declarações retificadoras, mas certo é que, a fiscalização possui à sua disposição diversos recursos para averiguação da certeza e liquidez do crédito à ela submetido. Nesse aspecto, poderia inclusive ter submetido a DCTF retificadora ao procedimento de auditoria interna, na busca da origem do crédito pleiteado. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.931184/201370 Acórdão n.º 3301005.823 S3C3T1 Fl. 4 3 cita o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 onde destaca a possibilidade de retificação da DCTF após apresentação da PER/DCOMP, ou mesmo depois da emissão de despacho decisório que indefere o pedido, citando também Acórdão CARF neste sentido, concluindo que não há razão para a manutenção da decisão de não homologação, pois foram apresentados os fundamentos e critérios adotados pela recorrente na comprovação da certeza e liquidez do crédito. Anexa ao recurso cópia do Parecer Normativo COSITnº 2, de 2015. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.811, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.931172/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.811): "Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. Para o deslinde da questão, dois aspectos devem ser analisados : 1) o direito ao crédito e 2) a operacionalização da compensação na esfera tributária. 1 O DIREITO AO CRÉDITO E SUA COMPROVAÇÃO A decisão de piso já enfrentou a questão com muita clareza, como aqui reproduzimos trecho do voto do ilustre julgador : O indeferimento do pedido de restiutição em questão se deu devido a existência, no momento do processamento eletrônico, de débito declarado em DCTF correspondente ao valor do DARF pago para o tributo e período em questão. Assim, o Despacho Decisório de não homologação foi emitido com base nas informações prestadas pela própria interessada. A retificação da DCTF Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.931184/201370 Acórdão n.º 3301005.823 S3C3T1 Fl. 5 4 e do DACON ocorreu após a ciência do Despacho Decisório. Apesar de o sujeito passivo mencionar “a devida apresentação de toda a documentação necessária para comprovar” e “cabal comprovação”, a manifestação de inconformidade veio acompanhada tão somente de cópias de DCTF e DACON. Nada mais. O sujeito passivo não trouxe aos autos nenhum documento comprobatório, não explica a origem dos supostos créditos. Apenas proclama um direito genérico. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhadas de documentação hábil e idônea, não é suficiente para modificar o Despacho Decisório. Para o reconhecimento em favor da contribuinte, é necessário que restem plenamente caracterizados os atributos de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. De acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72, o qual determina: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Enquanto no lançamento de ofício incumbe à autoridade fiscal provar a ocorrência do ilícito (§ 1º do art. 38 do Decreto n.º 7.574/2011), nos casos de restituição e compensação é atribuição do interessado a demonstração da efetiva existência do direito creditório pretendido O artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 que regulamenta os processos administrativos fiscais no âmbito da Receita Federal do Brasil dispõe: “Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha legado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36).” A recorrente apenas acrescenta que efetivou os ajustes em DCTF e DACON para comprovar a liquidez e certeza do crédito, sem trazer aos autos nenhuma informação sobre a origem do crédito, tratandose de COFINS NÃO CUMULATIVA, a que Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.931184/201370 Acórdão n.º 3301005.823 S3C3T1 Fl. 6 5 receita está vinculada e qual o motivo do ajuste dos valores, qual seria o motivo do ajuste, quais valores estavam informados incorretamente e porquê. Além disso, não traz aos autos documentos que comprovem tal erro, para que se justifique o pagamento a maior do tributo, tampouco traz informações sobre a contabilização de tais valores e suas correções. Portanto, correta a decisão de piso ao afirmar que não existe a comprovação de liquidez e certeza do crédito,o que impede a operacionalização da compensação pleiteada. 2 – A OPERACIONALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO NA ESFERA TRIBUTÁRIA O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com suas várias alteracões, estipula que : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (…) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Cumprindo a determinação contida no § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a Secretaria da Receita Federal emitiu Instrução Normativa que regula a matéria, hoje vigora a IN RFB nº 1.717/2017, que assim dispõe : Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvada a compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.931184/201370 Acórdão n.º 3301005.823 S3C3T1 Fl. 7 6 Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Os débitos a que se refere o texto normativo são aqueles declarados em DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instrumento onde o contribuinte declara, como confissão de dívida, os débitos contra a Fazenda Pública e sua extinção, por pagamento ou compensação ou sua suspensão, por parcelamento, por recurso administrativo ou ordem judicial. A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”, portanto, se a autoridade administrativa, segundo critérios de aprofundamento por ela definidos e após eventuais batimentos eletrônicos, admite o valor do tributo confessado em DCTF como compatível com o do efetivamente devido, pode, a partir dos elementos de que internamente já dispõe, decidir o direito à restituição (e, por decorrência, à compensação) por comparação entre o valor pago do tributo e o correspondente montante declarado em DCTF, sendo dispensável, dado o caráter confessional da DCTF, a intimação do requerente para prestar esclarecimentos ou apresentar provas. A Secretaria da Receita Federal emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, citado pela recorrente, onde trata da situação em que o sujeito passivo da obrigação tributária apresenta Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso ou Declaração de Compensação – PER/DCOMP, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo o pedido indeferido em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem que esta tenha sido retificada, decisão contra a qual o interessado apresenta manifestação de inconformidade, assim dispôs sobre o cruzamento de informações DCTF X PER/DCOMP : 10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração contendo débitos e créditos tributários federais. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.931184/201370 Acórdão n.º 3301005.823 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) 10.4 Segundo o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Tratase de confissão extrajudicial da existência daqueles débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso é título executivo. Conforme decidido pelo STJ em sede de recursos repetitivos. (...) 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.931184/201370 Acórdão n.º 3301005.823 S3C3T1 Fl. 9 8 Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014). 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). (...) 20 .O despacho decisório de indeferimento do PER ou da não homologação da compensação é ato jurídico perfeito e foi corretamente proferido, já que, de fato, na data de sua emissão, o crédito declarado no PER/DCOMP não se apresentava para a autoridade administrativa líquido e certo. O foco da questão aqui tratada não deve ser a formalidade e efetividade de um ato da autoridade administrativa, mas o efeito de um ato do sujeito passivo – retificar sua DCTF – em momento que ainda lhe é permitido pela norma e que confirme ato por ele também praticado anteriormente (a compensação ou o pedido de restituição) quando já fora objeto de análise pela autoridade administrativa. A vinculação de débitos e créditos declarados em DCTF são de absoluta responsabilidade do declarante, e podem ser retificados, como admite a Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, que trata da DCTF, dispondo em seu artigo 9º : Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.931184/201370 Acórdão n.º 3301005.823 S3C3T1 Fl. 10 9 Desta forma, para alterar os dados declarados, como débitos indevidos ou inexistentes, obrigatoriamente devese informar á Secretaria da Receita Federal, através da DCTF RETIFICADORA, para que, ao efetivar o cruzamento de informações, no caso em exame, de valores declarados em DCTF e valores declarados em DCOMP, sejam compatíveis para que o sistema eletrônico possa efetivar a compensação ou emitir despacho não homologando a compensação, com a devida fundamentação. É o que acontece no caso presente, a recorrente efetivou a retificação da DCTF, entretanto, não apresentou provas da liquidez e certeza do crédito, o que o torna inaceitável para operacionalização da compensação declarada. Assim, no cruzamento de informações prestadas pela recorrente, na DCTF e na DCOMP,. O sistema de registro eletrônico da Secretaria da Receita Federal detectou que o recolhimento efetuado havia sido vinculado a um débito existente e confessado, extinguindo, portanto, o crédito por pagamento. Por este motivo, o fundamento da não homologação da compensação foi o de haver um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível par compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por derradeiro, há que se considerar que, uma vez que o pagamento indevido foi vinculado, como crédito, a valor de débito confessado em DCTF, extinguindo, portanto, o débito, não pode ser pagamento ou crédito ser utilizado novamente em sede de compensação, pois que tal crédito seria inexistente para o devido encontro de contas no instituto da compensação, nos termos dos artigos 368 e 369 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002 Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem; Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.) e do artigo 170 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.), por faltar ao crédito os atributos da liquidez e certeza, pois que o crédito alegado já não mais existia á época da transmissão da DCOMP, restando o débito para ser cobrado pela Fazenda Nacional. Restou, pois, á recorrente, a retificação da DCTF, para alterar a vinculação do débito ao crédito que se pretenda compensar. Não é possível, portanto, diante de tais regras, admitir o direito á compensação de crédito, faltandolhe liquidez e certeza. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.931184/201370 Acórdão n.º 3301005.823 S3C3T1 Fl. 11 10 Quanto á homologação e operacionalização da compensação não compete a este CARF tais atribuições, e sim ás Delegacias da Receita Federal, unidades jurisdicionantes dos requerentes/declarantes. Conclusão Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado para não reconhecer o direito creditório e também não reconhecer o direito á compensação pretendida, porquanto não comprovada, por meio de documentação hábil e idônea, a desvinculação do crédito reconhecido, através de retificação da DCTF, faltando ao crédito os atributos de liquidez e certeza." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.720140/2012-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DISPÊNDIOS NA FORMAÇÃO DA LAVOURA CANAVIEIRA. EXAUSTÃO. (RESP PGFN).
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação. Portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período de formação da lavoura.
DEPRECIAÇÃO ACELERADA. AGROINDÚSTRIA LIMITAÇÃO. PROPORCIONALIZAÇÃO À RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. (RESP CONTRIBUINTE).
Os custos ativáveis comprovadamente incorridos na aquisição de bens empregados na atividade rural podem ser integralmente deduzidos como despesa daquela atividade no mesmo ano em que foram adquiridos, independentemente da destinação dada ao produto da atividade ou da existência de receita decorrente de atividade de industrialização na pessoa jurídica.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araujo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional o conselheiro Rafael Vidal de Araujo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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EXAUSTÃO. (RESP PGFN). Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação. Portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período de formação da lavoura. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. AGROINDÚSTRIA LIMITAÇÃO. PROPORCIONALIZAÇÃO À RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. (RESP CONTRIBUINTE). Os custos ativáveis comprovadamente incorridos na aquisição de bens empregados na atividade rural podem ser integralmente deduzidos como despesa daquela atividade no mesmo ano em que foram adquiridos, independentemente da destinação dada ao produto da atividade ou da existência de receita decorrente de atividade de industrialização na pessoa jurídica. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado (relator), Cristiane Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 40 /2 01 2- 28 Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.320 2 Costa, Demetrius Nichele Macei e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araujo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional o conselheiro Rafael Vidal de Araujo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela PGFN (fls. 2.986/2.999) e pela Contribuinte (fls. 3.072/3.096) em face do acórdão n. 1201001.243 proferido pela 1° Turma da 2° Câmara da 1° Seção deste Conselho, que restou assim ementada e decidida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ATIVIDADE RURAL. Em razão das significativas alterações promovidas na composição e nas características do produto in natura, não caracteriza atividade rural a transformação da canadeaçúcar produzida na propriedade rural em açúcar cristal e em álcool. Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.321 3 Por outro lado, caracteriza atividade rural a transformação da canadeaçúcar produzida na propriedade rural em bagaço de cana e em melaço, já que aqui não há significativa alteração na composição e nas características do produto in natura. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os custos ativáveis incorridos na aquisição de bens empregados na atividade rural podem ser integralmente deduzidos como despesa daquela atividade no próprio ano em que foram adquiridos. Não fazem jus ao benefício os custos ativáveis incorridos na aquisição de bens não empregados na atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) reconhecer a depreciação acelerada dos custos com a lavoura de canadeaçúcar, proporcionalmente às receitas da atividade rural (comércio da canadeaçúcar produzida, bem como a venda de bagaço de canadeaçúcar e melaço produzidos), conforme item 2.1 do voto; (ii) reconhecer a postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL, de acordo com item 4 do voto, e; (iii) afastar a exigência da multa isolada na proporção em que afastada a exigência do IRPJ e da CSLL referida no item 2.1 do voto, conforme item 5, parte final, do voto. Vencidos os Conselheiros Ester Marques e Ronaldo Apelbaum, que negavam provimento quanto ao item (i), e o Conselheiro Luis Fabiano, que dava integral provimento ao recurso voluntário. Do Recurso Especial da PGFN A PGFN traz os acórdãos paradigmas n. 10318.812 e 110100.334 para demonstrar divergência jurisprudencial quanto à aplicação do benefício da depreciação acelerada incentivada sobre os custos ativáveis na lavoura de canadeaçúcar, que seria possível segundo restou decidido no acórdão recorrido mas que seria inaplicável conforme entendimento dos acórdãos paradigmas que vão no sentido de que os recursos aplicados na lavoura da cana deverão ser classificados em grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica para posterior absorção através de quotas de exaustão. Transcrevo abaixo, os acórdãos paradigmas: ACÓRDÃO N°: 10318.812 IMPOSTO DE RENDAPESSOA JURÍDICA FORMAÇÃO DE LAVOURA CANAVIEIRA A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem a produzir, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão. Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.322 4 FALTA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DO ATIVO PERMANENTE –Os gastos com a formação de lavoura canavieira deverão ser classificados no ativo imobilizado, ficando sujeitos à correção monetária. OMISSÃO DE RECEITAS DIFERENÇA DE ESTOQUE Caracterizase como omissão de receitas a diferença apurada entre os estoques físicos de álcool a menor e os valores lançados no Livro de Produção. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS Para que as despesas sejam admitidas como dedutíveis é necessário que preencham os requisitos de necessidade, normalidade, usualidade e que sejam comprovadas através de documentos hábeis e idôneos. TRD É ilegítima a incidência da TRD como fator de correção, bem assim sua exigência como juros no período de fevereiro a julho de 1991. ACÓRDÃO N° 110100.334 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ATIVIDADE RURAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. O benefício fiscal da depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado aplicados na atividade rural não alcança os elementos integrantes deste grupo patrimonial que se sujeitam a exaustão ou amortização. LAVOURA DE CANADEAÇÚCAR. EXAUSTÃO. A diminuição de valor da lavoura canavieira, porque sujeita à exploração mediante corte, é registrada em quotas de exaustão, na proporção do volume explorado. Sustenta a PGFN que acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a depreciação acelerada dos custos com a lavoura de canade açúcar, proporcionalmente às receitas da atividade rural (comércio da canadeaçúcar). Isso por entender que os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não à exaustão, e que, portanto, podem ser apropriados como encargos do período correspondente à sua aquisição. Diversamente manifestaramse a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e a Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF. O primeiro acórdão paradigma (10318.812) indica que os recursos aplicados na formação de lavoura canavieira são classificados no grupo de ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão. Da mesma forma, o segundo acórdão paradigma (110100.334) afirma que o benefício fiscal da depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado aplicados na atividade rural não alcança os Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.323 5 elementos integrantes deste grupo patrimonial que se sujeitam a exaustão ou amortização. Afirma, ainda, que a diminuição de valor da lavoura canavieira, porque sujeita à exploração mediante corte, é registrada em quotas de exaustão, na proporção do volume explorado. Por outro lado, o acórdão recorrido aduz que os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos à depreciação e, não à exaustão, e que, portanto, podem ser apropriados como encargos do período correspondente a sua aquisição. Segundo a PGFN, os acórdãos recorrido e paradigma divergem quanto à interpretação do art. 12, § 2º da Lei nº 8.023/90 (inicialmente revogado e devolvido ao mundo jurídico pelo art. 6º da MP nº 2.15970/2001), do art. 314 do RIR/99 e do art. 183, § 2º, “a” da Lei nº 6.404/76. De um lado, o Colegiado a quo defende seja o primeiro dispositivo legal interpretado extensivamente, aduzindo que “segundo uma interpretação finalística da lei, o termo ‘depreciados’ contido em seu art. 12, § 2º, deve ser compreendido como ‘deduzidos como despesa’”. De outro lado, as turmas prolatoras dos paradigmas defendem uma interpretação literal do benefício fiscal instituído no art. 12, § 2º da Lei nº 8.023/90, que se refere unicamente à depreciação. Com efeito, o Acórdão nº 110100.334 afirma que “não é possível dar ao dispositivo legal em questão um alcance maior do que o evidenciado nos termos nele expressos. Apenas há previsão de depreciação acelerada na atividade rural, o que deixa fora do alcance do referido incentivo os gastos destinados à formação da lavoura de canadeaçúcar, que devem ser imobilizados e realizados como despesas na proporção do corte da lavoura, segundo as normas aplicáveis aos bens sujeitos à exaustão. E, se ao assim proceder, o legislador agiu de fora discriminatória, ensejando ofensa ao princípio da isonomia, é certo que este não é o foro para discussão destes aspectos, na medida em que, nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, restaria demonstrada a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos mencionados. Quando ao mérito, defende a PGFN que a autuada não faz jus ao benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada, concernente ao custo da lavoura canavieira. O benefício fiscal previsto no art. 6º da MP nº 2.15970 e no art. 314 do RIR/99 não alcança os custos da formação da lavoura canavieira, eis que se refere a bens do ativo imobilizado sujeitos à depreciação, não alcançando os bens sujeitos à exaustão (caso da canadeaçúcar) e amortização. Ressalta a PGFN que o art. 314 do RIR, se refere tão somente à depreciação, e o custo para a formação da lavoura canavieira está sujeita à exaustão, de modo que não se aplica a depreciação acelerada incentivada prevista atualmente no art. 6º da MP 2.15970/2001. Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 3.215 3.218), o recurso foi admitido. Contrarrazões ao Recurso Especial da PGFN A Contribuinte apresentou contrarrazões em que alega em síntese que: i) não pode ser conhecida a alegação genérica e infundada da PGFN no sentido de que a depreciação acelerada incentivada visa alcançar a atividade Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.324 6 preponderantemente rural o que não incluiria as agroindústrias, pois, tal matéria (suposta aplicabilidade do benefício fiscal à Recorrida), não é objeto dos acórdãos paradigmas trazidos pela PGFN, não tendo sido demonstrada qualquer divergência jurisprudencial no entendimento adotado no acórdão recorrido; ii) a cultura da cana de açúcar é considerada uma cultura agrícola permanente, já que proporciona mais de uma colheita sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas; iii) laudo agronômico emitido pelo Centro de Tecnologia Canavieira CTC, o qual, ao analisar os processos do sistema de produção da cana de açúcar concluiu que tratase de cultura perene, não se esgotando com os sucessivos cortes; iv) laudo contábil elaborado pela Fipecafi concluiu ser a depreciação ( e não a exaustão), o tratamento contábil mais adequado; v) laudo contábil elaborado pela FUNDACE (FEA/USP Ribeirão Preto), ratifica a conclusão do laudo mencionado no item anterior; vi) a Solução de Consulta n. 33/87 da Receita Federal diz que " o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivas a canadeaçúcar, atravpes de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação." vii) os acórdãos paradigmas trazidos pela PGFN trazem entendimento ultrapassado, sendo que jurisprudência mais recente corrobora a aplicação da depreciação. Do Recurso Especial da Contribuinte Em seu Recurso Especial a contribuinte contesta os seguintes temas: 1) proporcionalização do benefício da depreciação acelerada incentivada; 2) aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada e 3) postergação do pagamento. Em despacho de admissibilidade de fls. 3.245/3.254, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão (então Presidente da 2°Câmara da 1°Seção) admitiu o Recurso Especial interposto em parte e apenas em relação à matéria "proporcionalização do benefício da depreciação acelerada incentivada". Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou agravo que fora rejeitado pelo então Presidente da CSRF em despacho de fls. 3.2793.288, que manteve a admissão do Recurso Especial apenas em relação ao tópico da proporcionalização do benefício da depreciação acelerada incentivada. No tangente ao tópico admitido, a Contribuinte traz os acórdãos paradigmas n. 1401001.524 e 10196.867 assim ementados: Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.325 7 Acórdão paradigma nº 1401001.524, de 2016 ATIVIDADE RURAL INTEGRADA COM ATIVIDADE INDUSTRIAL DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. Produzir de forma integrada pelo acoplamento, numa única pessoa jurídica e num único modo de produção, da atividade rural de plantar e colher com a atividade fabril de transformar o insumo rural em produto industrializado não desnatura cada uma dessas etapas e não inviabiliza o seu reconhecimento econômico, jurídico e contábil em separado, o que possibilita a dedução da depreciação acelerada incentivada dos bens empregados no cultivo da canadeaçúcar. [...]. Com a devida vênia ao voto do ilustre relator, no qual promoveu minucioso e acalentado exame da legislação de regência, ouso discordar das suas conclusões. E minha discordância está assentada numa das premissas da acusação que foi adotada, ainda que implicitamente, pelo julgador: a de que a atividade de uma sociedade está vinculada ao fruto da sua produção final. Vale destacar que a autoridade fiscal reconheceu a depreciação acelerada atinente a uma parcela proporcional entre a receita da venda de bens, como melaço e canadeaçúcar, e a receita total da sociedade. Ora, a própria segregação promovida só foi possível porque as despesas de depreciação acelerada não se referem a todos os equipamentos empregados na atividade de produzir açúcar e álcool, mas apenas àqueles destinados ao trato da cultura canavieira, que se perfaz da plantação à colheita. Nada obstante, o fato de a produção do contribuinte ser integrada ou seja, acoplar numa única pessoa jurídica e num único modo de produção a atividade rural de plantar e colher cana e a atividade fabril de transformar este insumo em produto industrializado não desnatura cada uma dessas etapas e não inviabiliza o seu reconhecimento econômico, jurídico e contábil em separado. Pelas premissas adotadas pela autoridade fiscal, se a produção fosse horizontal, ou seja, repartida entre duas empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, de modo a uma empresa produzir a canadeaçúcar e vender para outra que ficaria encarregada de produzir o açúcar e o álcool, não haveria óbices para a primeira reconhecer o benefício. Pior, se duas sociedades equivalentes à autuada vendessem, cada qual, a sua produção de cana para a outra, também não haveria óbices ao reconhecimento da despesa; afinal cada uma estaria a obter receitas da atividade rural. Fl. 3325DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.326 8 Aparentanos incoerentes essas situações e a incoerência não está no caráter peculiar de cada uma delas, mas sim da própria regra geral fruto da interpretação promovida. As situações descritas só revelam a incoerência interna do significado normativo proposto. Com a devida vênia à posição oposta, para mim não faz sentido reconhecer o benefício fiscal da depreciação acelerada dos bens do ativo permanente empregados na exploração da atividade rural apenas quando os frutos dessa atividade são transferidos a terceiros, ou seja, alienados. Por todo o exposto, voto para manter a depreciação acelerada incentivada sobre o valor dos bens do ativo permanente usados na cultura na cultura da canadeaçúcar, bem como a depreciação acelerada incentivada sobre o valor dessa própria cultura. Acórdão paradigma nº 10196.867, de 2008 Não há ementa correspondente a essa matéria.. [...]. Esse item do auto de infração diz respeito ao benefício fiscal correspondente à depreciação acelerada, previsto no art. 6º da Medida Provisória nº 2.15970, de 2001, que dispõe: [...]. Para a solução do litígio, quanto a esse aspecto, é necessário definir se a empresa explora “atividade rural”, [...]. [...]. Para descaracterizar a possibilidade de utilização da depreciação acelerada, o autuante se reporta à Lei 8.023/90, observando que, conquanto as receitas de venda de canade açúcar se classifiquem como receita de atividade rural, não podem ser aceitas como receitas de atividade rural as decorrentes de venda de açúcar e de álcool. [...]. A lavoura de cana é, sem dúvida, uma atividade rural. Não é relevante, a meu ver, que a produção seja utilizada pela própria empresa, em sua agroindústria, ou seja vendida a terceiros. Como a norma não exige que a empresa aufira receitas de venda da produção rural, não cabe reportarse à Lei 8.023/90 para impor limitações ao gozo do benefício. Nesse caso, o autuante distinguiu onde a lei não o fez. Não apontado que se trata de bem ativado usado em outras atividades da empresa, que não a rural, aplicase em princípio, o benefício. Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.327 9 Alega a Contribuinte, ora Recorrente que o acórdão recorrido entendeu que o benefício da depreciação acelerada não alcança a totalidade dos custos ativáveis incorridos com a lavoura da canadeaçúcar, ao passo que o primeiro acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1401001.524, de 2016) decidiu no sentido de que a produção de forma integrada pelo acoplamento, numa única pessoa jurídica e num único modo de produção, da atividade rural de plantar e colher com a atividade fabril de transformar o insumo rural em produto industrializado [...] possibilita a dedução da depreciação acelerada incentivada dos bens empregados no cultivo da canadeaçúcar. Além disso, alega a Recorrente que o acórdão recorrido entendeu que a transformação da canadeaçúcar em açúcar cristal e em álcool, [...], não caracteriza atividade rural, ao passo que o segundo acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 10196.867, de 2008) concluiu que a lavoura de cana é uma atividade rural, não sendo relevante, [...], que a produção seja utilizada pela própria empresa, em sua agroindústria, ou seja vendida a terceiros. Contrarrazões ao Recurso Especial da Contribuinte A PGFN apresentou contrarrazões com os seguintes argumentos: i) a contribuinte não faz jus ao benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada, concernente ao custo da lavoura canavieira. O benefício fiscal previsto no art. 6º da MP nº 2.15970 e no art. 314 do RIR/99 não alcança os custos da formação da lavoura canavieira, eis que se refere a bens do ativo imobilizado sujeitos à depreciação, não alcançando os bens sujeitos à exaustão (caso da canadeaçúcar) e amortização; ii) não existe previsão legal para dedução dos valores aplicados na formação da lavoura canavieira, pois esta se sujeita à exaustão, e a lei não permite a dedução integral no cultivo de florestas, de bens sujeitos à exaustão; iii) a jurisprudência do CARF confirma a alegação do tópico anterior; iv) a Solução de Consulta SRRF 4º RF/Disit nº5, de 05 de fevereiro de 2004, confirma a sujeição da cultura de canadeaçúcar à exaustão e v) tratandose de benefício fiscal, a legislação deve ser interpretada literalmente nos termos do art. 111 do CTN. É o Relatório. Fl. 3327DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.328 10 Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Recurso Especial da PGFN Como mencionado no relatório, a discussão do Recurso Especial apresentado pela PGFN, ora em análise, limitase à alegada impossibilidade de aplicação de depreciação acelerada incentivada na atividade de cultura de cana de açúcar vez que o correto tratamento contábil, segundo a Recorrente (PGFN) e os acórdãos paradigmas seria a exaustão. A análise dos acórdãos paradigmas apresentados pela Recorrente permitem verificar que o entendimento adotado fora de que o ativo imobilizado aplicado na cultura canavieira sujeitase à absorção através de quotas de exaustão. Em sentido oposto, o acórdão ora recorrido trouxe entendimento de que os custos ativáveis incorridos na aquisição de bens empregados na atividade rural podem ser integralmente deduzidos a título de depreciação acelerada no próprio ano em que foram adquiridos. Quanto ao cabimento do Recurso Especial, a Contribuinte alega em suas contrarrazões que o Recurso não merece ser conhecido vez que não fora demonstrada divergência jurisprudencial em relação à matéria atinente à aplicabilidade do benefício fiscal à ora Recorrida. Não me alinho com o entendimento da ora Recorrida. Me parece bem claro que o acórdão ora recorrido e os acórdãos paradigmas tratam da mesma matéria e normas aplicáveis, quais sejam, possibilidade ou não de depreciação de ativo utilizados na cultura canavieira, que é a atividade da ora Recorrida, sendo assim, me parece indubitável a existência da necessária similitude fática. Diante do exposto, entendo devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial quanto à matéria em debate. Além disso, os demais aspectos formais foram devidamente preenchidos. Assim, não merece qualquer reparo o despacho de admissibilidade que admitiu o recurso que agora conheço. Recurso Especial da Contribuinte No tangente ao Recurso Especial da Contribuinte, a matéria que restou para análise desta 1°Turma do CSRF limitase à possibilidade de proporcionalização do benefício da depreciação acelerada incentivada. Se, por um lado, o acórdão recorrido concluiu que o benefício da depreciação acelerada no caso de agroindústria deve ser proporcional à receita da atividade rural, os Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.329 11 acórdãos paradigmas trazem racional na direção de que fato de a produção do contribuinte ser integrada ou seja, acoplar numa única pessoa jurídica e num único modo de produção a atividade rural de plantar e colher cana e a atividade fabril de transformar este insumo em produto industrializado não desnatura cada uma dessas etapas e não inviabiliza o seu reconhecimento econômico, jurídico e contábil em separado. A PGFN não se contrapôs ao conhecimento do Recurso Especial, tendo apresentado contrarrazões relacionadas apenas ao mérito da discussão. A análise do acórdão recorrido e dos acórdãos paradigmas permite identificar que, de fato, tais julgados todos tratam da mesma matéria e norma aplicável, qual seja, a forma correta de aplicação da depreciação acelerada incentivada pelas pessoas jurídicas que desenvolvem atividade rural e atividade industrial, não restando dúvidas quanto à existência da necessária similitude fática. Além disso, foi possível verificar em Recurso Voluntário o prequestionamento da matéria. Diante do exposto, entendo devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial quanto à matéria em debate. Além disso, os demais aspectos formais foram devidamente preenchidos, assim, entendo acertado o despacho de admissibilidade que admitiu o recurso quanto à matéria ora posta. Mérito Do Recurso da PGFN A matéria de mérito do Recurso Especial da PGFN limitase ao tratamento contábil mais adequado a ser dispensado ao ativo utilizado na cultura canavieira se depreciação (defendido pela Contribuinte) ou exaustão (defendido pela PGFN). Para a devida análise da questão ora posta, julgo necessário o prévio e completo entendimento conceitual dos institutos da depreciação e da exaustão para, passo seguinte, dissecar com mais detalhes a atividade de cultura canavieira para, ao final, concluir pelo mais adequado tratamento contábil. A definição legal da depreciação e da exaustão pode ser encontrada no § 2° e alíneas do art. 183 da Lei n. 6.404/76 (Lei das S.A) que assim dispõe: § 2° A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou Fl. 3329DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.330 12 exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Como bem destacado pela ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa em seu voto no acórdão 9101002.982 em que esta mesma contribuinte figurava como recorrida, o Prof. Modesto Carvalhosa traz interessante lição sobre os institutos da depreciação e da exaustão: Tanto a depreciação quanto a exaustão registram a diminuição do valor de bens físicos. A natureza desses bens é que distingue as duas modalidades de encargos: a) depreciase um ativo que é objeto de uso; b) constituise o fundo de exaustão para um ativo que se esgota à medida que ele o próprio ativo é transformado em matéria prima. (...) É interessante reiterar que tanto o item V deste art. 183 como o seu §2º consideram a amortização e a exaustão como diminuição do valor de elementos do ativo imobilizado. Isso significa dizer que a Lei inclui no imobilizado as florestas destinadas a corte e comercialização, assim como os direitos com prazo de utilização determinado. (...) Podem ser objeto de depreciação todos os bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade pelo uso, ação da natureza ou obsolecência. (...) O fundo de exaustão tem por objeto recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (...) O valor da quota de exaustão constituída no exercício variará em função do volume de minerais ou de madeira extraída no período, pois será determinado tendo em vista o volume da produção do ano e a sua relação com a possança conhecida da mina, ou a dimensão da floresta explorada, ou ainda em função do prazo de concessão ou do contrato de exploração. (Comentários à Lei das S.As. volume 3, 6ª edição, São Paulo, Saraiva, 2014 grifamos) Além disso, o Parecer Técnico emitido pela FIPECAFI e assinado pelo Prof. Ariovaldo dos Santos (fls. 2.4322.4.464) traz esclarecedores comentários sobre o instituto da exaustão: "Os autores do Manual da Fipecafi fazem as seguintes observações quando tratam de exaustão: "No que diz respeito à Exaustão, devese entender que os "bens aplicados nessa Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.331 13 exploração" são os que estão sendo utilizados de tal forma que não terão normalmente utilidade fora desse empreendimento. È o caso de esteiras ou outros sistemas de transporte de minério, de determinados equipamentos de extração etc., que só têm valor à medida que a jazida é explorada." Em relação ao cálculo do valor a ser reconhecido como despesa o processo é semelhante ao Método de Unidades Produzidas. Exemplificando, se determinada jazida tem possança estimada em 500 milhões de toneladas de determinado minério e dela foram extraídas 80 milhões de toneladas, a despesa com exaustão a ser reconhecida será equivalente a 16% do valor considerado como exaurível. Neste momento, entendemos, seria importante se questionar como é tratada a exaustão pelos órgãos internacionais de contabilidade e, por conseqüência, as regras contábeis brasileiras estabelecidas a partir dos Pronunciamentos Técnicos CPC. (...) Também chama a atenção o fato de que o Pronunciamento Técnico CPC 29 Ativo Biológico e Produto Agrícola portanto, específico sobre as questões que são levantadas neste Parecer Técnico, não faz qualquer menção ao vocábulo "exaustão". Apenas como lembrança, o CPC 29, foi elaborado com base na IAS 41. O IASB definiu a aplicabilidade dessa IAS para as demonstrações contábeis cujos exercícios sociais se iniciassem a partir de 1°de janeiro de 2003. " (grifos nossos) Em apertada síntese temos que o que diferencia a exaustão da depreciação é o esgotamento ou desaparecimento físico do ativo no caso do primeiro. O trecho acima destacado me parece essencial para o deslinde da questão ora posta se considerada em conjunto com a análise detida da natureza da cultura canavieira. Neste sentido, transcrevo os esclarecimentos trazidos pela Contribuinte em suas contrarrazões ao Recurso Especial da PGFN: "O cultivo da cana de açúcar segue as seguintes etapas: preparação do solo, envolvendo processos de destoca, aragem, adubação e abertura de sulcos que receberão a muda da cana, denominada tolete; plantio propriamente dito, com a colocação de toletes nos sulcos feitos no solo; desenvolvimento dos toletes plantados, com a fixação das raízes, passando a ser chamados de touceiras, e das quais brotam os colmos (canas); crescimento dos colmos; e Fl. 3331DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.332 14 corte da cana (colheita), sem afetar as touceiras, das quais brotarão novos colmos (canas) sujeitos a novos cortes. Em linhas gerais, e levando em conta a prática adotada pela Recorrente, o cultivo da cana de açúcar permite até 5 cortes com bom aproveitamento, isto é, com boa qualidade do caldo da cana, o que é essencial para sua posterior utilização na produção do açúcar, álcool e derivados. Há estudos que demonstram que é possível realizar até 10 cortes ou mais de cana decorrentes de um mesmo plantio. Todavia, a partir do 6°corte, via de regra, a cana cortada não apresenta qualidade que justifique a manutenção da lavoura ao invés de um novo plantio. Um dos motivos dessa perda de qualidade é o desgaste do solo, que precisa ser novamente preparado para suportar novas colheitas. Neste sentido, a cultura da cana de açúcar é considerada uma cultura agrícola permanente, já que proporciona mais de uma colheita sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. O Laudo Técnico emitido pelo Centro de Tecnologia Canavieira CTC, traz também importantes esclarecimentos e conclusão que ratificam as afirmações acima. Destaco, primeiramente, quadro demonstrativo do sistema de produção agrícola de cana de açúcar: Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.333 15 Na sequência, mencionado Laudo traz as seguintes observações e conclusão: "Analisando as informações da literatura especializada consultada constatase que, mesmo entre pesquisadores e instituições renomadas de ensino e pesquisa, existem diferentes interpretações quanto à classifcação do ciclo de vida da cana deaçúcar. Do ponto de vista biológico, a cana é classificada por alguns autores como de ciclo perene, principalmente por se propagar através de órgãos vegetativos (gemas), por via assexuada. Se for considerado que, no sistema de exploração industrial e sob determinadas condições (pragas, doenças e manejo), a lavoura pode ter sua produtividade reduzida através dos cortes, estabilizando em níveis economicamente insatisfatórios, alguns autores a classificam como semiperene, pois há necessidade de replantar o canavial para recuperar os níveis econômicos de produtividade. Essa premissa é conflitante com outras lavouras sob exploração industrial, citros essências florestais, seringais e frutíferas em Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.334 16 geral que são classificadas como perenes, mas em função da perda de vigor e produtividade através dos anos, também exigem reforma das áreas para recuperar os níveis econômicos de produtividade. Sob o aspecto agronômico e de manejo cultural, entendese que a canadeaçúcar pode seguramente ser classificada como perene, considerando ser indispensável que a reforma das áreas seja precedida da erradicação da soqueira, pois do contrário a lavoura anterior rebrota e subsiste indefinidamente na área, comprometendo o novo canavial implantado em substituição ao anterior. Conclusão A análise das informações coletadas na literatura especializada, complementada com a avaliação das práticas agronômicas rotineiramente empregadas na condução dos canaviais comerciais, permite inferir que a canadeaçúcar pode ser classificada como cultura perene, no tocante ao manejo da lavoura (necessidade de erradicação, por exemplo)." Entendo ter restado tecnicamente demonstrado ser perene a cultura canavieira o que nos leva à conclusão que é a depreciação e não a exaustão que deve ser aplicada, visto que a exaustão decorre da perda de valor decorrente da extração que não se renova, o que não é o caso da cultura canavieira. O Laudo da Fipecafi, já mencionado neste voto, vai no mesmo sentido ao responder o primeiro quesito apresentado pela contribuinte: " 1. Tendo em vista as características agronômicas da cultura da canadeaçúcar sintetizadas no Relatório Técnico elaborado pelo Centro de Cultura Canavieira, e, sobretudo, a conclusão de que se trata de cultura perene, indagase: a perda de valor econômico da lavoura de canadeaçúcar ( e dos respectivos custos que foram ativados para sua formação) pode ser classificada como depreciação? Resposta Entendemos que SIM, pois, nas culturas perenes, a exemplo dos cafezais e laranjais, os gastos realizados na formação da cultura da canadeaçúcar ao serem levados para o resultado do período devem ser tratados como depreciação. A depreciação representa a perda economica dos direitos do ativo imobilizado utilizados na operação da companhia onde dele se busca extrair os benefícios, e ao mesmo tempo assumindo os riscos e o controle. " Há farta jurisprudência neste Conselho que segue no mesmo sentido dos trabalhos acima: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.335 17 Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. (Acórdão 1401001522 1°Turma da 4°Câmara da 1°Seção Redator Designado Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 ATIVIDADE RURAL. LAVOURA DE CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. NATUREZA E EMPREGO DO ATIVO. PREVALÊNCIA POR DIVERSOS CICLOS PRODUTIVOS. SUJEIÇÃO À DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. A natureza e o uso dos ativos biológicos da lavoura canavieira, que sobrevivem por diversos ciclos produtivos com a renovação natural do objeto da colheita, sendo intencionalmente substituídos por outros espécimes vegetais em razão da diminuição de produtividade e não do seu esgotamento, confirmam a aplicação da regra de depreciação. Estando a lavoura canavieira, na condição de ativo não circulante imobilizado, sujeita à depreciação e não à exaustão, podem os recursos empregados na sua formação ser objeto do benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 314 do RIR/99. (Acórdão 1402002821 2°Turma da 4°Câmara da 1°Seção Relator Conselheiro Caio Cesar Nader Quintela) Pelo exposto, restando demonstrado de forma incisiva que a cultura canavieira tem natureza de cultura perene em razão da possibilidade de diversos ciclos de produção, vez que no caso da canadeaçúcar a plantação em si não é extinta com o corte, é correta a aplicação da depreciação. De fato, temos uma redução gradativa da qualidade do produto colhido a cada corte, o que significa que há perda de valor, contudo incabível falarse em exaurimento do recurso, como ocorre no caso da extração de minério, pois, ressaltase, não há desaparecimento do ativo no caso do corte da cana. Aqui, cabe a assertiva muito utilizada nas discussões sobre planejamento tributário de que deve ser considerado o filme inteiro e não fotografias estáticas e isoladas. Contudo, faço isso no sentido físico. Explico: se olharmos uma foto da plantação de cana antes Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.336 18 da colheita e outra foto depois, enxergaremos pura extração com o desaparecimento do ativo, contudo, se assistirmos o filme da vida daquela plantação de cana, veremos que após o corte, a cana crescerá novamente, sem ação do homem em nova plantação, e novo corte será possível e assim sucessivamente por 05 ou mesmo 10 vezes. Esse filme demonstrará que o ativo não se exaure com a colheita. Assim, sendo correta a aplicação da depreciação e não da exaustão, entendo que não merece acolhimento o Recurso Especial apresentado pela PGFN. Recurso Especial da Contribuinte O Recurso Especial da Contribuinte trata da possibilidade de proporcionalização do benefício da depreciação acelerada incentivada. O acórdão recorrido concluiu que o benefício da depreciação acelerada no caso de agroindústria deve ser proporcional à receita da atividade rural. Já os acórdãos paradigmas trazem racional oposto, no sentido de que a integração na mesma pessoa jurídica da atividade rural e atividade fabril não desnatura a primeira e, portanto, não impossibilita o aproveitamento na integralidade da depreciação acelerada dos ativos utilizados na produção rural. O entendimento do acórdão recorrido é fundamentado no disposto no art. 8°da IN n. 257/02, bem como, art. 18 da Lei n. 8.023/90 segundo o qual a contribuinte pode usufruir do benefício na proporção das receitas auferidas com a atividade rural. Alinhome com o entendimento dos acórdãos paradigmas e passo a explicar minhas razões. Primeiramente é importante ressaltar que não há discussão quanto à efetiva utilização ou aplicação dos ativos na atividade rural. O que se discute aqui é o fato da pessoa jurídica exercer além da atividade rural também a industrial e tal fato levaria à necessária proporcionalização do aproveitamento da depreciação dos ativos utilizados na atividade rural. Desta introdução é possível concluir que houvesse a contribuinte optado por segregar sua atividade rural da industrial em pessoa jurídicas distintas, a presente discussão não existiria. O entendimento do acórdão recorrido permeia a idéia de que a atividade da contribuinte está unicamente vinculada ao produto final. Discordei de tal entendimento neste julgado e continua discordando. Isso porque, independentemente da contribuinte produzir açúcar cristal ou álcool etílico ou apenas limitarse a vender o melaço, temos que os esforços empreendidos na produção da cana, aqui entendido como o esforço humano de trabalho e os recursos e ativos aplicados na atividade, não mudam. Em outras palavras: se determinado ativo, uma colhedora de cana, por exemplo, é utilizada para a colheita de 10 toneladas de cana, a desvalorização deste ativo é a mesma, independentemente da destinação dada ao produto. Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.337 19 Entendo sim, necessária a devida segregação de receitas e despesas de cada uma das atividades da contribuinte (rural e industrial), isso porque, é tal segregação que permitirá diferenciar os ativos utilizados em cada uma das atividades, sendo certo que a depreciação acelerada poderá ser aplicada somente no caso dos ativos utilizados na atividade rural. Contudo, isso é muito diferente de limitar o gozo do benefício em razão da proporção da receita de cada uma das atividades. Destaco aqui um trecho elucidador do acórdão paradigma (acórdão n. 1401 001.524): "Pelas premissas adotadas pela autoridade fiscal, se a produção fosse horizontal, ou seja, repartida entre duas empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, de modo a uma empresa produzir a cana de açúcar e vender para outra que ficaria encarregada de produzir o açúcar e o álcool, não haveria óbices para a primeira reconhecer o benefício. Pior, se duas sociedades equivalentes à autuada vendessem, cada qual, a sua produção de cana para a outra, também não haveria óbices ao reconhecimento da despesa; afinal cada uma estaria a obter receitas da atividade rural. Aparentanos incoerentes essas situações e a incoerência não está no caráter peculiar de cada uma delas, mas sim da própria regra geral fruto da interpretação promovida. As situações descritas só revelam a incoerência interna do significado normativo proposto." Além disso, também enxergo como equivocada a própria menção à Lei n. 8.023/90 para determinar limitações ao gozo da depreciação acelerada. Isso porque, uma vez que não há discussão sobre ser a lavoura canavieira uma atividade rural, não é determinante se a produção foi utilizada internamente pela contribuinte em sua produção industrial própria ou vendida a terceiros para que fizessem o mesmo, pois, o que a lei incentiva a atividade rural no sentido de produção rural e não a receita de produção rural. É a atividade que é incentivada e não a receita posterior. Até porque, a receita não existiria sem a atividade e mesmo a receita da produção industrial só é possível se existir a matéria prima produzida na atividade rural. Quero dizer com isso que não cabe ao julgador criar um limite ou diferenciação onde a lei não o fez. Além disso, ao adotarmos o princípio sempre válido da prevalência da essência sobre a forma, não é coerente limitar o benefício fiscal da depreciação acelerada do ativo empregado na exploração da atividade rural quando a contribuinte optar por também industrializar o produto de sua atividade e, ao mesmo tempo, reconhecer na integralidade o benefício para aqueles que apenas alienam seu produtos a terceiros (ainda que sejam do mesmo grupo econômico). Tal entendimento representaria desrespeito ao Princípio da Isonomia, pois a atividade rural de um produtor de cana que também industrializa seria menos incentivada do que daquele que limitase à primeira etapa do processo produtivo. Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.338 20 Assim, entendo deva ser reconhecido integralmente o direito da Recorrente de gozar do benefício da depreciação acelerada incentivada sobre o valor dos bens do ativo permanente usados na sua produção rural (cultivo e colheita da cana) sem qualquer proporcionalização à receita correspondente. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL apresentado pela PGFN para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL apresentado pela CONTRIBUINTE para no MÉRITO DARLHE PROVIMENTO É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.339 21 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à possibilidade de depreciação acelerada dos recursos aplicados na formação da lavoura canavieira (matéria objeto do recurso especial da PGFN). O recurso especial da PGFN tem por escopo reverter o acórdão recorrido, na parte em que essa decisão entendeu que os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação, e não à exaustão, e que, portanto, poderiam integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. A linha defendida pela PGFN é que tais recursos estão sujeitos à exaustão, de modo que, em relação a eles, não caberia falar em depreciação, e muito menos em depreciação acelerada. Eles não seriam passíveis de nenhuma depreciação, independentemente de qualquer debate sobre a questão da proporção das receitas da atividade rural. Importante ressaltar que o recurso especial da contribuinte traz à baila uma controvérsia distinta, relativa aos gastos com aquisição de veículos e máquinas agrícolas, bens que, submetidos normalmente à depreciação, quando examinados no contexto da depreciação acelerada, já tornam pertinente o debate sobre a questão da proporção das receitas da atividade rural. No exame simultâneo dos dois recursos especiais, é importante ter em mente essas diferentes controvérsias, cabendo registrar que o Termo de Encerramento de Ação Fiscal (efls. 2198 a 2248) faz a devida individualização desses contextos, inclusive com a discriminação separada dos valores, conforme item 72 do referido documento. Sobre a dedução (pela via da depreciação acelerada incentivada) dos recursos empregados na formação da lavoura canavieira, esta 1ª Turma da CSRF já manifestou em outras ocasiões o entendimento de que tais recursos, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação, e que, portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente à sua aquisição (Acórdãos nºs 9101002.801, 9101 002.982 e 9101002.983). Reproduzo aqui o voto vencedor exarado pelo conselheiro André Mendes de Moura, que orientou o Acórdão nº 9101002.982, de 06/07/2017, tratando inclusive da mesma contribuinte, com a diferença do período de apuração: Processo nº 15956.000497/201024 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.982 – 1ª Turma Sessão de 06 de julho de 2017 Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.340 22 Matéria: IRPJ CLASSIFICAÇÃO DOS DISPÊNDIOS NA FORMAÇÃO DA LAVOURA DE CANA DE AÇÚCAR Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: SÃO MARTINHO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DISPÊNDIOS NA FORMAÇÃO DA LAVOURA CANAVIEIRA. EXAUSTÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação. Portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. DEPRECIAÇÃO. PROJETOS FLORESTAIS DESTINADOS AO APROVEITAMENTO DE FRUTOS. EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS DESTINADOS A CORTE. O termo "florestais" presente nos artigos 307 (depreciação) e 334 (exaustão) do RIR/99 deve ser interpretado de forma abrangente, ou seja, aplicase não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. A depreciação de bens aplicase apenas àqueles que produzem frutos, que consistem em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre do aproveitamento de frutos (pastagem, canadeaçúcar, eucalipto), aplicase a exaustão. [...] Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, a quem sempre rendo homenagens, peço vênia para discordar. Passo ao exame. O debate empreendido consiste em definir se os dispêndios para a formação de lavoura de cana de açúcar podem ser objeto de depreciação acelerada da atividade rural ou se submetem ao regime de exaustão. O dispositivo normativo suscitado pela Contribuinte que permitiria a depreciação incentivada da lavoura de canadeaçúcar é o art. 6º da MP nº 2.15970/2001: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. (grifei) Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.341 23 Por outro lado, entendeu a Fiscalização que os dispêndios na formação de lavoura de canadeaçúcar contabilizados no ativo imobilizado estariam sujeitos à exaustão, portanto, fora do alcance do benefício em debate. A princípio, entendo ter sido a questão bem delineada no voto proferido no Acórdão nº 1202000.794, de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner. Não obstante ter sido o voto vencido, discorre com precisão sobre a situação: Resta agora perquirir sobre a questão da sujeição da cultura canavieira à depreciação ou à exaustão. Depreciação e exaustão, ao lado da amortização, são conceitos distintos, não se confundindo, como se vê da legislação societária (Lei no 6.404/76) abaixo: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: [...] §2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder a perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (destaquei) Dentre as Normas Brasileiras de Contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, vale destacar o seguinte trecho da NBC T10 Atividades Agropecuárias, aprovada pela Resolução CFC 909, de 08.08.2001 (disponível em www.cfc.org.br): 0.14.4 — Entidades Agrícolas: Aspectos Gerais 10.14.4.1 As entidades agrícolas são aquelas que se destinam produção de bens, mediante o plantio, manutenção ou tratos culturais, colheita e comercialização de produtos agrícolas. 10.14.4.2 As culturas agrícolas dividemse em: a) temporárias: a que se extinguem pela colheita, sendo seguidas de um novo plantio; e b) permanentes: aquela de duração superior a um ano ou que proporcionam mais de uma colheita, sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. 10.14.5 Dos Registros Contábeis Das Entidades Agrícolas Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.342 24 10.14.5.1 Os bens originários de culturas temporárias e permanentes devem ser avaliados pelo seu valor original, por todos os custos integrantes do ciclo operacional, na medida de sua formação, incluindo os custos imputáveis, direta ou indiretamente, ao produto, tais como sementes, irrigações, adubos, fungicidas, herbicidas, inseticidas, mão deobra e encargos sociais, combustíveis, energia elétrica, secagens, depreciações de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na produção, arrendamentos de máquinas, equipamentos e terras, seguros, serviços de terceiros, fretes e outros. 10.14.5.6 A exaustão dos componentes do Ativo Imobilizado relativos às culturas permanentes, formado por todos os custos ocorridos até o período imediatamente anterior ao inicio da primeira colheita, tais como preparação da terra, mudas ou sementes, mãodeobra, etc., deve ser calculada com base na expectativa de colheitas, de sua produtividade ou de sua vida útil, a partir da primeira colheita. 10.14.5.10 Os custos de produção agrícola devem ser classificados no Ativo da entidade, segundo a expectativa de realização: a) no Ativo Circulante, os custos com os estoques de produtos agrícolas e com tratos culturais ou de safra necessários para a colheita no exercício seguinte; e b) no Ativo Permanente Imobilizado, os custos que beneficiarão mais de um exercício. (destaquei) Notase, assim, que a contabilidade agrícola segrega os lançamentos entre os tipos de cultura existentes: temporária ou permanente. Culturas temporárias são arrancadas do solo na colheita e depois feito novo plantio, como arroz, feijão e milho, e o custo da plantação é contabilizado no Ativo Circulante. Por outro lado, culturas permanentes duram mais de um ano e proporcionam mais de uma colheita, como árvores frutíferas, araucária, pinus, eucalipto, café e canadeaçúcar. Nestes casos, os custos para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado e devem ser avaliados pelo montante que efetivamente representam dentro do patrimônio total da pessoa jurídica. Com apoio nos estudos de José Sérgio Della Giustina na dissertação de mestrado "Um sistema de contabilidade analítica para apoio a decisões do produtor rural", apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, em 1995 (Disponível em http://www.eps.ufsc.br/disserta/giustina/indice/index. htm#index), podem ser referidos exemplos claros de cada um dos institutos na atividade rural: (i) por se tratar a depreciação da perda de eficiência ou capacidade produtiva de bens do Ativo Permanente que são úteis a mais de um ciclo de produção, estão sujeitos a ela a máquinas, tratores, animais reprodutores ou de trabalho, fruticultura, dentre outros; (ii) por outro lado, estarão sujeitos as quotas de amortização os direitos adquiridos sobre bens de terceiros, traduzidos em Ativos Intangíveis, como direito de extração de madeira em floresta de propriedade de terceiros ou de gastos que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício financeiro, incrementando o processo produtivo, registrados no Ativo Diferido, tais como: desmatamento, corretivos, etc.; (iii) finalmente, considerando que, enquanto as propriedades físicas se deterioram física ou economicamente, os recursos naturais exauríveis se esgotam, na proporção em que são extraídos os recursos naturais, registrase a exaustão deste recurso, uma vez que o esgotamento é a extinção dos Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.343 25 recursos naturais e a exaustão é a extinção do custo ou do valor desses recursos naturais. Como esclarece o autor do estudo, in verbis: exemplos de culturas que têm seu custo de formação, apropriados ao resultado pelo critério da exaustão, são as florestas artificiais de eucaliptos, de pinos, a canade açúcar, as pastagens artificiais etc. (destaquei) Sob esse aspecto, distinguemse claramente a cultura da canadeaçúcar da fruticultura, por exemplo, haja vista que, neste caso, o aproveitamento econômico do bem não compromete sua existência, por se limitar à extração dos frutos, enquanto na exploração canavieira, o resultado econômico apenas se verifica com o sacrifício da própria planta, a qual se esgota e se torna imprestável após três ou quatro ciclos produtivos. Nesse caso, assim como nas florestas ou jazidas minerais, ocorre o esgotamento do próprio recurso natural com o passar do tempo. Como se pode observar, a cultura pode ser classificada como temporária ou permanente. A primeira é extinta pela colheita, demandando um novo plantio, como o arroz, feijão e milho, e o custo de plantação é escriturado no Ativo Circulante. O segundo caso trata de culturas que duram mais de um ano ou proporcionam mais de uma colheita, como árvores frutíferas, araucária, pinus, eucalipto, café, canadeaçúcar, pastagem artificial, dentre outros, situação na qual os dispêndios para sua formação são contabilizados no Ativo Permanente Imobilizado. As culturas contabilizadas no Ativo Permanente podem estar sujeitas à depreciação ou exaustão, a depender da sua natureza. Sujeitas à depreciação são aquelas frutíferas, do qual se pode extrair o fruto, como café ou uva, por exemplo. Por outro lado, aplicase à exaustão aquelas cuja extração demanda o sacrifício da planta em si, como a pastagem artificial, a canadeaçúcar, as florestas artificiais ou não (pinus, araucária, eucalipto, dentre outras). Vale investigar, com maior precisão, o conceito de fruto, que se mostra relevante para apreciação do caso concreto. Os arts. 307 e 334 tratam, respectivamente, dos bens objeto de depreciação e exaustão. Bens Depreciáveis Art. 307. Podem ser objeto de depreciação todos os bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal, inclusive: I edifícios e construções, observandose que (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 9º): a) a quota de depreciação é dedutível a partir da época da conclusão e inicio da utilização; b) o valor das edificações deve estar destacado do valor do custo de aquisição do terreno, admitindose o destaque baseado em laudo pericial; II projetos florestais destinados a exploração dos respectivos frutos (DecretoLei nº 1.483, de 6 de outubro de 1976, art. 6º, parágrafo único,). Parágrafo único. Não será admitida quota de depreciação referente a (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, §§ 10 e 13): IV bens para os quais seja registrada quota de exaustão. Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.344 26 (...) Art. 334. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente diminuição do valor de recursos florestais, resultante de sua exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, e DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42). § 1º A quota de exaustão dos recursos florestais destinados a corte terá como base de cálculo o valor das florestas (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 12). § 2º Para o cálculo do valor da quota de exaustão será observado o seguinte critério (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 22): I apurarseá, inicialmente, o percentual que o volume dos recursos florestais utilizados ou a quantidade de árvores extraídas durante o período de apuração representa em relação ao volume ou quantidade de árvores que no início do período de apuração compunham a floresta; II o percentual encontrado será aplicado sobre o valor contábil da floresta, registrado no ativo, e o resultado será considerado como custo dos recursos florestais extraídos. § 3º As disposições deste artigo aplicamse também as florestas objeto de direitos contratuais de exploração por prazo indeterminado, devendo as quotas de exaustão ser contabilizadas pelo adquirente desses direitos, que tomará como valor da floresta o do contrato (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 3º). (grifei) Observase que há determinação expressa no art. 307 de que não será admitida quota de depreciação para os bens para os quais seja registrada quota de exaustão. Também que o termo "florestais" em ambos dispositivos é interpretado de forma abrangente, ou seja, aplicase não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. Vale recorrer novamente ao mencionado voto, que faz referência a doutrina especializada, do qual transcrevo na sequência. A doutrina especializada de José Carlos Marion (Contabilidade rural contabilidade agrícola, contabilidade da agropecuária, IRPJ, 4ª edição, São Paulo, Atlas, 1996, págs. 39, 41, 64, 65 e 71), corrobora o entendimento dado pelo Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação — CST n° 18/79, consoante trechos abaixo transcritos: Culturas permanentes são aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de unia colheita ou produção. Normalmente, atribuise ás culturas permanentes uma duração mínima de quatro anos. Do nosso ponto de vista basta apenas a cultura durar mais de uni ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. Exemplos: canadeaçúcar cafeicultura etc. (pg. 39; destaquei). No caso de cultura permanente, os custos necessários para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado... Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem, fungicidas, herbicidas, mãodeobra, encargos sociais, manutenção, arrendamento de equipamentos e terras, seguro da cultura, preparo do solo, serviços de terceiros, sementes, Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.345 27 mudas, irrigação, produtos químicos, depreciação de equipamentos utilizados na cultura etc.... Há casos em que a cultura permanente não passa do estágio de cultura em formação para cultura formada, pois, no momento de se considerar acabada, ela é ceifada. São, normalmente, a canadeaçúcar, o palmito, o eucalipto, o pinho e outras culturas extirpadas do solo ou cortadas para brotarem novamente. (ibidem, destaquei). Colheita ou produção (da cultura permanente): a partir desse momento a preocupação é com a primeira colheita ou primeira produção, com sua contabilização e apuração do custo. A colheita caracterizase, portanto, como uni Estoque em Andamento, uma produção em formação, destinada a venda. Daí sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo de floração, formação e maturação do produto normalmente é longo, podese criar uma conta de 'colheita em andamento', sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido. Essa conta é composta de todos os custos necessários para a realização da colheita: mãodeobra e respectivos encargos sociais (poda, capina, aplicação de herbicida, desbrota, raleação ..), produtos químicos (para manutenção da árvore, das flores, dos frutos...), custo com irrigação (energia elétrica, transporte de água, depreciação dos motores ...), custo do combate a formigas e outros insetos, seguro da safra, secagem da colheita, serviços de terceiros etc. Adicionase ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da "cultura permanente formada", sendo consideradas as quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura. (op. cit., pg. 41; destaquei). Alkíndar de Toledo Ramos, em sua tese de doutoramento (O Problema da Amortização dos Bens Depreciáveis e as Necessidades Administrativas das Empresas), sugere que "a amortização, em sentido amplo, seria aplicada a quaisquer tipos de bens do ativo fixo, com vida útil limitada. Depreciação seria sinônimo de amortização, em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos bens tangíveis, como máquinas, equipamentos, móveis, utensílios, edifícios etc. Exaustão seria sinônimo da amortização em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos recursos naturais exauríveis, como reservas florestais, petrolíferas etc. Amortização, em sentido restrito, se confundiria com o seu sentido amplo, mas somente quando aplicada aos bens intangíveis de duração limitada, como as patentes, as benfeitorias ern propriedades de terceiros etc". Entendimento fiscal (na Agropecuária): Conforme disposições contidas no Parecer Normativo CST n. 18/79, o fisco dá sua interpretação no caso especifico da agricultura, em nada contradizendo os conceitos expostos. No que tange às culturas permanentes, as florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva etc. Quando se trata de floresta própria (ou vegetação em geral), o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados). Aqui, não se tem a extração de frutos, mas a própria árvore é ceifada, cortada ou extraída do solo: reflorestamento, canadeaçúcar, pastagem etc.) (pg. 64, op. cit.; destaquei). (pg. 65, op. cit.; destaquei). O que se observa com clareza, pelas conclusões doutrinárias e do citado Parecer Normativo CST nº 18, de 1979 (publicado no DOU em 17/04/1979), é que a depreciação dos recursos de origem florestal aplicase apenas àqueles que produzem frutos. Nesse contexto, é direta a assertiva no sentido de que, no que tange às culturas permanentes, as florestas ou Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.346 28 árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Assim, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva. Percebese claramente que o conceito de fruto é aquele adotado pela biologia, no qual consiste em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Precisamente a situação da cultura do café, laranja, uva, dentre outras. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre da retirada do fruto, mas da extração da formação vegetal em si (pastagem, canadeaçúcar, eucalipto), aplicase a exaustão prevista no art. 344 do RIR/99. A diferença é bem delineada pelo doutrinador: Conforme os conceitos apresentados, toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Por um lado, a árvore produtora não é extraída do solo; seu produto final é o fruto e não a própria arvore. Um cafeeiro produz grãos de café (frutos), mantendose a árvore intacta. Um canavial, por outro lado, tem sua parte externa extraída (cortada), mantendose a parte contida no solo para formar novas árvores. Segundo esse raciocínio, sobre o cafeeiro incidirá depreciação e sobre o canavial, exaustão. (Grifei) É incontroverso que a extração da canadeaçúcar demanda o corte do caule, não havendo em se falar em floração e formação do fruto. Ou seja, tratase de processo que guarda semelhança maior com o que ocorre em pastagens e florestas artificiais, como eucalipto, por exemplo, do que com árvores frutíferas. Impossível se falar em extração de frutos, elemento comestível originado do ovário de uma flor que protege a semente, de uma cultura de canadeaçúcar. Portanto, os dispêndios da formação de lavoura de cana de açúcar submetemse à exaustão. Assim, entendo não haver reparos à autuação fiscal em relação à matéria apreciada. Enfim, tendo a decisão recorrida dado provimento ao recurso voluntário, os presentes autos devem retornar para a turma a quo para apreciação de matérias não apreciadas no julgamento de segunda instância: (i) nulidade do auto de infração por desconsiderar os efeitos das glosas nos exercícios subsequentes; (ii) impossibilidade de cobrança da multa de ofício diante do princípio do não confisco. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, e determinar o retorno dos autos para a turma a quo nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 15956.720140/201228 Acórdão n.º 9101003.982 CSRFT1 Fl. 3.347 29 Adoto os mesmos fundamentos acima transcritos, para fins de afastar a depreciação acelerada em relação aos recursos empregados na formação da lavoura canavieira, restabelecendo a autuação de IRPJ e CSLL sobre esses valores. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3347DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005308/2005-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995, 1997
RESTITUIÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À 09/06/2005.
Prescrição decenal, entendimento da Súmula nº 91 deste Colendo CARF.
Numero da decisão: 2002-000.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a decadência do pedido de restituição, determinando o retorno dos autos à DRJ, para se pronunciar quanto ao mérito do pedido do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR À 09/06/2005. Prescrição decenal, entendimento da Súmula nº 91 deste Colendo CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a decadência do pedido de restituição, determinando o retorno dos autos à DRJ, para se pronunciar quanto ao mérito do pedido do contribuinte. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 53 08 /2 00 5- 21 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10980.005308/200521 Acórdão n.º 2002000.920 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 91/111) contra decisão de primeira instância (fls. 84/88), que indeferiu o pedido de restituição do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Trata o processo de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fls. 40 e 41, da Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, que indeferiu o pedido de restituição de fls. 01 a 05, nos seguintes termos: “4) (...) Desse modo, o diploma legal que concebeu o direito à restituição, o fez condicionando que tal direito tem prazo definido para ser exercido: 05 anos da data da extinção do crédito tributário. No presente caso, tendo em vista o requerimento ser datado de 24/05/2005, tendo em vista tratarse da Declaração de Ajuste Anual do IRPF DIRPF exercício 1.996 e 1.998, o direito de o contribuinte solicitar a restituição extinguiuse em dezembro de 2.000 e 2.002 respectivamente, não podendo o detentor do direito pleiteálo a qualquer época, ao arrepio da lei. 5) Diante do acima exposto, proponho indeferir o presente requerimento por infringir o disposto no artigo 168 c/c artigo 156, da Lei 5.1 72/1966 (CTN). (...) De acordo. Decido, indeferir o presente requerimento por infringir o disposto no artigo 168 c/c artigo 156, da Lei 5.172/1966 (CTN).” (grifos originais) Cientificado, em 27/ 1 1/2009 (AR de fl. 43), 0 contribuinte apresentou, em 29/12/2009, por intermédio de procurador (fl. 64), a manifestação de inconformidade de fls. 44 a 53, acompanhada dos demonstrativos e esclarecimentos de fls. 59 a 63, relatando a formalização do pedido de restituição, em 24/05/2005, e a juntada de documentação comprobatória, visando a restituição de imposto de renda indevidamente retido na fonte sobre valores recebidos a título de licença prêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço. Acrescenta que, decorridos mais de quatro anos e meio foi cientificado do indeferimento do pedido, fundamentado na decadência com início de contagem de prazo na data do pagamento indevido. Em extenso arrazoado, discorre sobre entendimentos e atos administrativos exarados sobre o assunto (parecer PGFN/CRJ n° 0921, de 1999; Ato Declaratório PGFN n° 4, de 2002; Ato Declaratório PGFN n° Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10980.005308/200521 Acórdão n.º 2002000.920 S2C0T2 Fl. 4 3 8, de 2002; Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 23, de 2004; Parecer PGFN n° 1.905, de 2004; Ato Declaratório PGFN n° l, de 2005; Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 5, de 2005), para defender a contagem de prazo decadencial a partir de 28/04/2005, quando, então, teria sido reconhecido o caráter indenizatório das verbas mencionadas e se iniciado o disciplinamento de procedimentos internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para revisão, inclusive de ofício, dos lançamentos referentes à matéria. Entende que não poderia exercer o direito de pedir a restituição antes de têlo reconhecido pela RFB, o que se deu somente em 28/04/2005, pela publicação do ADI n° 5, de 2005. Colaciona entendimentos administrativos que apoiam essa tese. Suscita, ainda, entendimento judicial, de caráter vinculante, em defesa da aplicação de cinco anos de decadência mais cinco anos para a prescrição da ação, o que se daria em julho de 2005, para o indébito mais antigo. Em nome dos princípios da economia processual e da eficiência administrativa, solicita deferimento do pedido. Aborda outros aspectos de Direito para ressaltar, quanto ao impedimento de gozo dos descansos por necessidade de serviço, que essa necessidade deve ser presumida, tanto para a licença prêmio quanto para as férias, uma vez que, se não considerasse imprescindível a presença do funcionário, o empregador, em vez do pagamento em dinheiro, concederia o beneficio dos descansos. Requer, também, a restituição dos indébitos acrescida de juros moratórios calculados desde a data da retenção indevida, em obediência ao art. 165 do CTN, e em harmonia com a interpretação da Súmula n° 162 do Superior Tribunal de Justiça. Em decorrência dessas razões, requer: a) restituição de R$ 2.273,77, acrescidos de juros moratórios Selic, devendo incidir sobre as parcelas de R$ 18.802,19 e R$ 471,58, juros moratórios desde julho e dezembro de 1995, respectivamente; b) restituição de R$ 1.682,92, acrescidos de juros moratórios Selic, devendo incidir sobre as parcelas de R$ 749,07, R$ 688,82 e R$ 245,03, juros moratórios desde abril, julho e dezembro de 1997, respectivamente. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. lnexistindo retificação de oficio ou a pedido do contribuinte para excluir de tributação, na declaração de ajuste anual, rendimentos declarados isentos pelo Poder Judiciário, a contagem do prazo decadencial para pleitear restituição se inicia na data da retenção do imposto na fonte. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10980.005308/200521 Acórdão n.º 2002000.920 S2C0T2 Fl. 5 4 É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 19/02/2010 (fl. 90); Recurso Voluntário protocolado em 16/03/2010 (fl. 91), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 81, 117, 123 e 127). Cuida o presente processo de manifestação de inconformidade referente ao despacho Decisório de fls. 57/58 da DRJ/Curitiba – PR, que indeferiu o pedido de restituição de fls. 03/07. No presente caso, o requerimento foi datado em 24/05/2005, tendo em vista tratarse da Declaração de Ajuste Anual do IRPF – DIRF exercício 1996 e 1998, o direito do contribuinte solicitar a restituição extinguese em Dezembro de 2000 e 2002, respectivamente, não podendo o detentor do direito pleiteálo a qualquer época, ao arrepio da lei. Assim sendo e por esse argumento, o requerimento foi indeferido por infringir o disposto no art. 168 c/c, art. 156 da Lei 5.172/1966 (CTN). Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, não se conformando com a r. decisão de origem que ratificou o parecer do Despacho Decisório contestado, considerandose atingido pela decadência o pedido de restituição dos valores referentes aos anos calendários 1995 e 1997. Diz a r. decisão equivocadamente que, o pedido foi formalizado em 25/05/2006 (fl. 88), neste caso existe um erro material, eis que o pedido foi formalizado em 24/05/2005 (fl. 3). A controvérsia restringese única e exclusivamente ao prazo prescricional para o referido requerimento. Ocorre que o STF, no RE nº 566.621RS, bem como o STJ no REsp nº 1269570MG, já se manifestaram considerando que quanto aos pedidos de restituição formulados antes da entrada em vigor da LC 118/2005, devese aplicar o prazo decadencial de 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 + 5 (cinco para homologar e mais cinco para repetir). A matéria já está pacificada neste Colendo CARF, através da Súmula nº 91, que assim diz: “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador”. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.005308/200521 Acórdão n.º 2002000.920 S2C0T2 Fl. 6 5 Assim, nesta quadra de entendimento, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento parcial, para retorno dos autos à primeira instância para análise do mérito, vez que afastada a prescrição. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 147DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.720074/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996.
A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu.
CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO.PIS/COFINS. JUROS.
É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento, artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-006.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas aos seguintes fornecedores: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. - ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial - Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (x) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xi) Aracouro Comercial Ltda. EPP; (xii) Manos Couro Ltda. ME., (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.PIS/COFINS. JUROS. É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento, artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 00 74 /2 00 8- 62 Fl. 30812DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.813 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas aos seguintes fornecedores: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (x) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xi) Aracouro Comercial Ltda. EPP; (xii) Manos Couro Ltda. ME., (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). Relatório Por bem transcrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida de fls. 2.7512.771: A contribuinte acima identificada apresentou o PER nº 28510.62134.290108.1.1.098632, pleiteando o ressarcimento do crédito no valor de R$ 5.752.147,45 relativo à Cofins Nãocumulativa Exportação, do quarto trimestre de 2007. Posteriormente, retificou esse PER por meio do PER retificador nº 08390.05751.310108.1.5.099540, com o aumento do valor pleiteado para R$ 6.879.598,71. O primeiro despacho decisório emitido, em que se denegava o crédito em sua totalidade, foi tornado nulo por decisão judicial e, portanto, a correspondente manifestação de inconformidade perdeu a eficácia. Posteriormente, em face de novo despacho decisório (fl. 628), houve reconhecimento parcial do crédito, no valor de R$ 5.018.229,50. Fl. 30813DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.814 3 A ciência quanto ao Despacho Decisório, ao Termo de Verificação e Conclusão Fiscal e ao Despacho DRF/PPE/SARAC/EAC1 ocorreu em 29 de julho de 2009, conforme Aviso de Recebimento de fl. 648. Em 28 de agosto de 2009, foi protocolada a manifestação de fls. 649 a 706 na qual, após relato dos fatos, foi alegado, em apertada síntese, que: a) relativamente aos créditos solicitados sob as rubricas “Fretes e Carretos sobre Vendas” e “Fretes sobre Vendas (marítimos e aéreos)”, a divergência encontrada pela fiscalização decorre do lançamento de créditos extemporâneos, apurados entre 2003 a 2007, optando a interessada por efetuar o pedido de ressarcimento no trimestre em pauta, o que não afronta a legislação e que não causou qualquer prejuízo à arrecadação; b) os créditos relativos a “Amortização de Benfeitorias em Imóveis de Terceiros” e “Imobilizado”, são legítimos conforme prevê a legislação, tendo sido apresentados arquivos digitais da escrituração fiscocontábil. Também, que se refere a crédito extemporâneo até abril de 2004 e a partir de maio de 2005, apropriados sobre 1/48 do valor de aquisição do bem, conforme artigo 3°, incisos VI e VII e §§ 1° e 14 da Lei 10.637/02 e artigo 3°, incisos VI e VII e §§ 1° e 14 da Lei 10.833/03; c) quanto à apuração dos créditos relativos à rubrica “Manutenção e Peças e Acessórios”: “toda a dúvida do fisco repousa no fato de que a empresa, buscando a melhor adequação e prática na contabilização de custos, efetuou a apuração dos créditos sobre tais rubricas com base no efetivo consumo daqueles insumos, ao invés de se apropriar pelo valor da nota fiscal de entradas.” Também que “o procedimento adotado, conforme a legislação, é o efetivamente incorrido no mês, motivo pela qual deverá ser revisto” o procedimento de glosa; d) de fato, houve diversas devoluções de compras (insumos) sem que tenha sido efetuado o estorno dos créditos. Contudo, esse valor é bem menor do que o encontrado pela fiscalização, pelo que se pede seja retificado conforme planilha; e) houve glosas de créditos relativos a aquisições feitas de fornecedores que supostamente possuíam irregularidades as quais não podem ser atribuídas à interessada (fls. 665 a 684); f) as cessões de crédito foram efetuadas correta e validamente; f.1) “partindo do pressuposto de um negócio jurídico perfeito, onde houve o contrato de compra e venda e a tradição da mercadoria, o direito creditício decorrente dessa operação mercantil pode ser transferido pelo credor a quem bem lhes aprouver”; f.2) “a única ressalva que se apresenta, é a necessidade de notificação ao devedor, conforme previsto no art. 290 do Código Civil. Cumprida essa exigência legal, conforme cartas de cessão de crédito apresentadas, juntamente com a quitação das respectivas obrigações, configurase aí o negócio jurídico perfeito e acabado”; f.3) “nesse entendimento, as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação ao devedor/manifestante, não cabendo ao fisco qualquer questionamento nesse sentido”; f.4) “portanto, é totalmente descabida a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedorcedente e beneficiáriocessionário, porque, aqueles, não Fl. 30814DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.815 4 estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a ora manifestante”; f.5) “... a cessão de crédito é evento de caráter mercantil quando travado com empresas de factoring e evento meramente financeiro quando tratados com pessoas diferentes daquela, portanto, não se confunde com a operação de compra e venda”; g) “... não resta dúvida que a boafé da Empresa adquirente, juntamente com a comprovação da real ocorrência da operação, são elementos suficientes para afastar” a glosa perpetrada; g.1) “... atestam à ocorrência/veracidade da operação os seguintes documentos, que já foram juntados aos autos pela fiscalização: (a) as cópias dos depósitos bancários, que comprovam o pagamento das aquisições das peles de bovinos dos Fornecedores posteriormente declarados inidôneo; (b) "tickets de pesagem" que comprovam o recebimento das mercadorias; e (c) RPAs que comprovam o transporte das mercadorias e; (d) controles de descarregamento”; g.2) “... não nos resta dúvida que os documentos ora juntados comprovam a veracidade/regularidade da operação, além da boafé da Manifestante, visto que os mesmos comprovam a saída de dinheiro do caixa da Empresa, destinados ao pagamento das aquisições efetuadas junto aos fornecedores descritos no Termo de Verificação Fiscal”; h) pelo princípio da verdade material, o fisco tem o dever de buscar elementos que comprovem o que realmente aconteceu; i) a condição de inapta ou não habilitada dos fornecedores foi disponibilizada no “site” da Receita Federal ou no Sintegra somente após a conclusão dos processos administrativos pelo fisco e, assim, a declaração dessas condições só se operou em data posterior à ocorrência das operações em tela; i.1) há necessidade de se publicar os atos que declararam a inaptidão ou a não habilitação das empresas; i.2) “... como a publicidade da declaração de inidoneidade ou inaptidão dos fornecedores ocorreu em data bem posterior à realização da operação mercantil, além do que, durante o período em que se travaram as relações mercantis a Manifestante possui as telas do SINTEGRA e outros documentos comprovando a regularidade destes mesmos fornecedores, assim como, documentos probatórios da regularidade/veracidade da operação,” não há como prosperar as glosas efetuadas; h) a jurisprudência, judicial e administrativa, deixa evidenciado a obrigatoriedade da aplicação da taxa Selic para a atualização dos valores do ressarcimento. Ao final, requer sejam acolhidas as razões de fato e de direito ofertadas e corrigido o valor a ser ressarcido pela taxa Selic. Protesta pelo aditamento da manifestação de inconformidade e requer, também, perícia, indicando quesitos e “expert” contábil. Em face das alegações veiculadas na impugnação (fl. 658), os autos baixaram em diligência (fl. 2.692 e 2.693). Os autores do procedimento elaboraram o documento de fls. 2.701 a 2.708, no qual consta: Fl. 30815DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.816 5 Com a finalidade de atender o contido na Proposta de Diligência – 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), na qual foi solicitado que sejam elaborados esclarecimentos sobre o item "11 Das Glosas dos Insumos Devolvidos” do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, em confronto com os quadros e tabelas inseridos às folhas 545 a 556, passamos a informar o que se segue: O Item "11 DAS GLOSAS DOS INSUMOS DEVOLVIDOS", constante as folhas 624 e 625 do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, discorre sobre "Devolução de Insumos" efetuados pela empresa. Entretanto, os valores apresentados na folha 625, nos quais foram recomendadas as glosas sobre a justificativa de serem insumos devolvidos pela empresa, referemse, em verdade, a "DESCONTOS ALEATÓRIOS OBTIDOS JUNTO A FORNECEDORES": [...] Assim, as glosas efetuadas nos valores constantes do quadro acima devem ser mantidas por trataremse de "DESCONTOS ALEATÓRIOS OBTIDOS JUNTO A FORNECEDORES" e não por serem "Insumos Devolvidos" como consta do referido Termo de Verificação Fiscal. Os valores das glosas supracitados, atinentes ao 4° trimestre de 2007, sobre qual versa o presente processo, encontramse nas contas do Razão, representadas nas planilhas as folhas: Folhas 548 a 550 – “Descontos Obtidos Outubro / 2007” no valor de R$ 325.932,04; Folhas 551 e 553 – “Descontos Obtidos Novembro / 2007” no valor de R$ 308.530,91; Folhas 553 a 556 – “Descontos Obtidos – Dezembro / 2007” no valor de R$ 477.537,88; Os valores acima citados encontramse resumidos nas planilhas constantes as folhas 545 a 547, sob o título "Descontos Obtidos". Cabe ressaltar nas referidas planilhas, os valores obtidos como descontos constam no Livro Razão como "Receitas Financeiras", na conta "Descontos obtidos". Em seguida, há justificativas quanto à manutenção das glosas relativas a remissões de dívidas auferidas junto a fornecedor. A contribuinte foi cientificada da proposta de diligência e do despacho correspondente conforme Comunicação nº 104/2015/DRF/PPE/SAORT, de 8 de abril de 2015 (fl 2.712), sendolhe facultado apresentar manifestação (AR à fl. 2.713). Foram apresentados arquivos digitais e a manifestação de fls. 2.716 a 2.731, na qual consta, em síntese, que: a) foi modificado o enquadramento legal das glosas efetuadas, passandose de “Insumos Devolvidos” para “Descontos Aleatórios Obtidos junto a Fornecedores”; b) essa modificação enseja a nulidade material do ato, deixando a contribuinte de ter acesso à defesa e de contraditar a imposição fiscal; Fl. 30816DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.817 6 c) “a glosa do item 11 do Termo de Verificação Fiscal deve ser revertida, haja visto (sic) que pautada em fatos e critérios jurídicos equivocados, erros esses insanáveis em sede de diligência”; d) mesmo que se admita o saneamento da irregularidade por meio da diligência, já teria havido decadência quanto à revisão do ato administrativo praticado; e) “... a manifestação de inconformidade interposta pela interessada em face do despacho decisório que determinou a glosa não deu início a litígio tributário no que tange à matéria ‘descontos aleatórios’, de forma que esse item não ficou submetido ao efeito suspensivo previsto no art. 151, III, do CTN, ou seja, o prazo que a SRFB possuía para realizar a glosa com base nessa motivação (descontos aleatórios) não ficou suspenso em nenhum momento”; f) mesmo que fosse possível a revisão, houve equívoco também na motivação da glosa, não havendo falarse em “Descontos Aleatórios Obtidos junto a Fornecedores”; f.1) é comum na atividade da interessada a ocorrência de inconformidades relacionadas à sua matériaprima que só aparecem depois de iniciado o processo industrial, fato que gera descontos que não são imediatos ao recebimento das mercadorias, e muitas vezes se resolvem muito tempo após, de forma cumulativa, fato que resulta em “descontos superiores relatados pela fiscalização”; f.2) os “abatimentos s/ compras” são descontos obtidos após a entrega da mercadoria; f.3) “apesar desses abatimentos comporem a base de cálculo do PIS e da COFINS, as alíquotas ficam reduzidas a zero por força do art. 1, do Decreto n.º 5.442/05, por consistirem verdadeiras receitas financeiras da ora interessada”; f.4) “ ... é certo que os abatimentos representam descontos, não aleatórios, que são receitas financeiras da empresa e, portanto, não há que se falar em 'insubsistência do passivo', sendo procedente o pedido de ressarcimento também nesse aspecto”. São reiterados os pedidos da manifestação inicial, “em razão da nulidade e impossibilidade de revisão do ato, ou, então, pela improcedência da glosa quanto ao mérito”. Em 12 de abril de 2016, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PRODUÇÃO DE PROVAS. A manifestação de inconformidade deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e a perícia deve ser indeferida se desnecessária. NULIDADE. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. Tendo a interessada sido intimada quanto ao acerto levado a efeito após a baixa dos autos em diligência, não há que se falar em nulidade e a administração pode rever documentos e cálculos para a apuração de certeza e liquidez de créditos, mesmo Fl. 30817DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.818 7 relativamente a períodos já alcançados pela decadência do direito de lançar tributos. CRÉDITOS DE COFINS. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. REGULARIDADE. COMPROVAÇÃO. Os créditos relativos à Cofins não cumulativa só são reconhecidos no caso de as operações que lhe deram origem estarem efetivamente comprovadas segundo as prescrições legais. CRÉDITOS DE COFINS. CORREÇÃO MONETÁRIA. O aproveitamento de créditos de Cofins deve ser efetuado sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Cientificado da decisão recorrida em 03.05.2016 (fls.2.776), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 02.06.2016 (fls.4.35919.928) para seja analisado seus argumentos, representados pelos seguintes tópicos: (i) das glosas relativas às aquisições de insumos. Regularidades das operações e das cessões de crédito. Necessidade de aplicação do acórdão proferido pela 1ª Seção de Julgamentos no PA (AIIM´s reflexos) nº 10835.7210527/2012 54; (ii) das glosas relativas ao Item 11 do Termo de Verificação Fiscal. Nulidade. Modificação Extemporânea no enquadramento legal. (ii.a) Nulidade Material do Ato Administrativo. (ii.b) Decurso do prazo para o Fisco Modificar o Enquadramento Legal da Glosa. (ii.c) Da improcedência da glosa do Item 11; (iii) Do crédito relativo aos "fretes e carretos sobre vendas" e "Fretes Sobre Vendas (Marítimos e Aéreos)". (iv) Do Crédito Relativo à Rubrica "Imobilizado"; (v) Do Crédito Relativo à Rubrica "Manutenção e Peças e Acessórios; (vi) Da Aplicação da Taxa Selic. Às folhas 30.70830.794, a Recorrente protocolou petição noticiando existir decisão judicial a ele favorável, com duas determinações: (i) a primeira para que os pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolizados pelo Recorrente há mais de 360 (trezentos e sessenta) dias fossem julgados imediatamente; e (ii) para que o Colegiado observasse o decidido pelo STJ no julgamento do Recurso Especial, sob a sistemática dos recursos repetitivos, de nº 1.148.444/MG. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade Fl. 30818DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.819 8 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto aos diversos documentos juntados pela Recorrente em sede recursal e após o protocolo do citado recurso, aplicase a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. Já em relação à ordem judicial, observase seu cumprimento com a colação em pauta do processo para julgamento na primeira oportunidade. Em relação a decisão proferida no REsp 1.148.444/MG, reconhecendo o direito de crédito do adquirente de boa fé nas operações em que os seus fornecedores são posteriormente declarados inidôneos, informa este relator que a decisão será considerada no julgamento deste recurso, contudo, não significa que a questão está totalmente decidida, pois, há que se verificar, no caso concreto e em relação a cada fornecedor, se a Recorrente pode ser enquadrada como adquirente de boa fé e se há comprovação da veracidade da compra e venda efetuada, o que não foi levado à apreciação do Poder Judiciário, pois, se assim o fosse, nada haveria que se decidir aqui, aplicandose tão somente a Súmula CARF nº 01. Feito essas considerações, passase à análise das matérias recursais. II Preliminares II.1. Nulidade. Modificação Extemporânea no enquadramento legal. II.1.a Nulidade Material do Ato Administrativo. II.1.b Decurso do prazo para o Fisco Modificar o Enquadramento Legal da Glosa. Em relação aos argumentos suscitados pela Recorrente no tópico e sub tópicos acima, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, motivo pelo qual adoto suas razões como causa de decidir, a saber: Na manifestação de inconformidade protocolada em face do despacho decisório que reconheceu em parte o crédito pleiteado, a contribuinte alegou que, de fato, houve diversas devoluções de compras (insumos) sem que tenha sido efetuado o estorno dos créditos. Contudo, que esse valor é bem menor do que o encontrado pela fiscalização. Também, que não conseguiu saber como a fiscalização chegou aos valores das glosas relativas a esse item (insumos devolvidos), alegando que “nesse item a narrativa está confusa, não permitindo que se faça uma defesa satisfatória”. Os autos baixaram em diligência, tendo o autor do procedimento efetuado a correção quanto ao ocorrido, conforme se vê no documento acostado às fls. 2.701 a 2.708 (partes transcritas acima no relatório). A contribuinte foi devidamente intimada desse documento, tendo efetuado um aditamento à manifestação de inconformidade. Nesta, foi alegado, em síntese, que houve modificação do enquadramento legal das glosas, fato que enseja a nulidade do ato, por cerceamento do direito de defesa. Também que mesmo que se admita o saneamento da irregularidade por meio da diligência, já teria havido decadência quanto à revisão do ato administrativo praticado uma vez não ter havido o efeito Fl. 30819DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.820 9 suspensivo previsto no art. 151, III, do CTN, relativamente a esse item (insumos devolvidos). No que tange aos insumos devolvidos, a própria contribuinte informa que cometeu erros, havendo aí uma confissão tácita quanto aos valores reconhecidos como não estornados. Relativamente ao alegado cerceamento do direito de defesa, temse que não ocorreu. Muito embora inicialmente tenha havido um equívoco formal por parte do AuditorFiscal que analisou o PER, tal foi retificado por meio do citado documento de fls. 2.701 a 2.708, do qual a interessada teve ciência, protocolando inclusive uma manifestação de inconformidade complementar. Quanto a não ser possível o saneamento de irregularidades por meio de diligência e já ter expirado o prazo para qualquer revisão previsto nos artigos 150, § 4º, e 173, ambos do Código Tributário Nacional, há que se ressaltar que ambos os dispositivos tratam de prazos para que o fisco possa efetuar lançamento complementar nos casos de falta de pagamentos ou de pagamentos a menor de tributos. Em se tratando de restituição, ressarcimento ou compensação de tributos, não há que se falar em prazo decadencial para que o fisco possa efetuar verificações. Se o crédito advier de períodos alcançados pela decadência para o lançamento, mesmo assim o fisco poderá efetuar as verificações e os cálculos necessários, com vistas à apuração da certeza e da liquidez deste. É a própria lei que assim determina. O crédito há de ser líquido e certo para poder ser restituído, ressarcido ou compensado. O prazo, como visto, limita a ação fiscalizadora para fins de lançamento, não havendo como se proceder a este depois de decorrido aquele, mas não restringe a apuração da certeza e da liquidez de crédito alegado pelo contribuinte para efeitos de restituição, ressarcimento ou compensação. E essa apuração de certeza e liquidez pode e deve ocorrer, mesmo em sede de diligência. No que tange à manifestação de inconformidade não suspender o prazo relativamente ao item 11 do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (insumos devolvidos), nos termos do artigo 151, III, do CTN, temse que, quanto a pedido de ressarcimento (PER), não é aplicável o referido dispositivo legal que trata de suspensão da exigibilidade de crédito tributário lançado. Nesta instância de julgamento administrativo, a análise cingese à averiguação de existência ou não de valores a serem ressarcidos. Rejeitase a preliminar. Nestes termos, afastase a pretensão da Recorrente. iII Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em sede recursal diversos argumentos para serem analisados, os quais serão tratados individualmente, senão vejamos. Fl. 30820DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.821 10 iII.1 das glosas relativas às aquisições de insumos. Regularidades das operações e das cessões de crédito. Necessidade de aplicação do acórdão proferido pela 1ª Seção de Julgamentos no PA (AIIM´s reflexos) nº 10835.721527/201254 Nos Termos do TVF de fls. 571627, constatase que a Fiscalização glosou o direito de crédito utilizado pela Recorrente, por aquisições realizadas dos seguintes fornecedores, quais sejam: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) Manos Couro Ltda. ME; (x) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (xi) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xii) Aracouro Comercial Ltda. EPP, (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda; pelos seguintes motivos: situação cadastral irregular, inativas, inexistentes de fato, omissas nas entregas de declarações tributárias e, ainda, a inocorrência das operações. Na decisão recorrida, a totalidade das glosas foi mantida com base nos seguintes fundamentos: Foram glosados valores de créditos relativos a aquisições de insumos em face de existirem inconsistências quanto às operações e aos fornecedores, conforme consta no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal. Tais inconsistências são a falta de habilitação junto ao sistema Sintegra mantido pelas administrações fazendárias estaduais, inaptidão de CNPJ, inexistência de fato do empreendimento. A interessada argúi que não há irregularidades e, mesmo que houvesse, não poderiam ser a ela atribuídas. Na manifestação são refutadas as razões apresentadas pela fiscalização que: as inscrições não estariam na condição de inaptas junto ao CNPJ; à época das operações, o fornecedor encontravase habilitado junto ao Sintegra; comprovado o recebimento e pagamento das mercadorias, há direito ao crédito relativo à contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; não procede a informação de que os RPAs estão preenchidos de forma irregular, sem o número do CPF ou do NIT, bastando a consulta à GEFIP para a elucidação de qualquer dúvida; a divergência quanto às placas dos veículos transportadores decorre de erro de anotação; os endereços constantes nas notas fiscais não precisam necessariamente coincidir com o do cadastro, haja vista que pode ter havido mudança do estabelecimento; quanto ao fornecedor A.M. da Silva Teixeira & Cia Ltda., apesar de o CNAE da atividade principal ser relativo a “corretagem na compra, venda e avaliação de imóveis”, há no cadastro atividade secundária com CNAE cuja descrição é “curtimento e outras preparações de couro”. Contudo, além das alegações acima, nenhuma comprovação efetiva da regularidade das operações efetuadas trouxe a interessada na manifestação de inconformidade. Dada a peculiaridade da situação, o ônus da comprovação das operações que poderiam gerar o crédito das contribuições cabe à interessada que deveria comprovar não apenas que as operações existiram, mas que aconteceram do modo em que foram declaradas, ou seja, que os fornecedores, valores e datas são aqueles mesmos indicados nas notas fiscais. Como já evidenciado acima, como não se trata de um exercício de um direito qualquer, mas sim de concessão de um benefício, que implica renúncia fiscal por parte do ente tributante, a composição do valor do crédito pretendido deve ser Fl. 30821DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.822 11 devidamente comprovada, por parte de quem o postula, de modo a que não pairem quaisquer dúvidas. Dessa forma, como se trata de pedido de ressarcimento, à interessada cabe o ônus de demonstrar a ocorrência e a exatidão das operações que poderiam gerar o crédito, em especial quando sobre tais operações pairem dúvidas, como a possível inexistência ou inaptidão das empresas emissoras dos documentos fiscais. Em sua defesa, a Recorrente afirma que não há acusação de que as notas fiscais seriam inidôneas e que esses mesmos fornecedores foram examinados em outro processo de interesse da Recorrente, em período que inclui o período do pedido de ressarcimento ora em análise, o processo administrativo nº 10835.721527/201254 e, no julgamento daquele processo a conclusão teria sido no sentido de que a fiscalização foi superficial, não houve acusação de inidoneidade e as cessões de crédito foram entendidas como regulares. Em que pese o processo indicado pelo Recorrente tratar de um lançamento decorrente de Auto de Infração e o presente processo tratar de uma demanda por crédito por parte da Recorrente, procedimentos em que a distribuição do ônus da prova opera de forma diferente, cabendo, no primeiro, à Fiscalização demonstrar a ocorrência do fato gerador e, no segundo, ao contribuinte demonstrar o seu direito de crédito, entendo que as conclusões a que chegou a Primeira Seção de Julgamento do CARF podem e devem ser aqui consideradas, pois, se o fundamento para indeferir o direito de crédito não guardar respaldo do ordenamento jurídico, há que se considerar idônea a documentação fiscal do fornecedor da Recorrente e legítimo o crédito do Recorrente. Naquele processo, os julgadores da Primeira Seção entenderam que os elementos colhidos pela Fiscalização, que deram origem ao lançamento lá discutido e ao indeferimento do direito de crédito aqui discutido, não eram suficientes para se chegar à conclusão de que as operações de compra e venda de couro não existiram, a saber: Consta do Termo de Verificação Fiscal que o fisco, após análise das notas fiscais apresentadas, em conjunto com as pesquisas nos diversos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, constatou que parte das empresas fornecedoras se encontravam em situação irregular, tais como: empresas inexistentes de fato, empresas inativas, empresas não cadastradas na Secretaria da Fazenda do Estado, e omissas contumazes no cumprimento de obrigações acessórias, principalmente na entrega de DIPJ e DCTF, e, ainda, que a fiscalização empreendeu diligências em parte das empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato com proposta de inaptidão. Diante deste cenário, e do conjunto dos elementos coletados (e que aqui deverão ser analisados individualmente para cada empresa), concluiu o fisco que os documentos apresentados pela recorrente não foram suficientes para comprovar a efetiva aquisição e entrada das mercadorias no seu estabelecimento, e que as notas fiscais em questão seriam inidôneas. Também com relação ao pagamento por essas aquisições, observou o fisco que grande parte desses pagamentos haviam sido feitos a terceiros (pessoas físicas) que nenhuma relação teriam com os fornecedores indicados nas notas fiscais, em operações comerciais de cessão de créditos. A recorrente, por sua vez, argui que não compete a ela saber da condição de regularidade ou irregularidade de seus fornecedores, nem tampouco da relação existente entre os beneficiários do crédito e os fornecedores. Na condição de adquirente de boa fé, bastalhe comprovar o efetivo recebimento das mercadorias e o Fl. 30822DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.823 12 seu pagamento, ainda que a terceiros indicados pelo credor, para que reste descaracterizada a glosa efetuada. E, neste sentido, defende que as cessões de crédito estão comprovadas nos autos e observaram os requisitos previstos no Código Civil, e que os elementos apresentados (planilhas de controle e apuração dos estoques, tickets de pesagem, consultas ao Sintegra, comprovantes de pagamento e recibos de pagamento a autônomos – RPA) comprovam o efetivo recebimento das mercadorias. Ademais, a inidoneidade das notas fiscais de aquisição foi presumida com base em indícios frágeis e insustentáveis, não tendo a fiscalização empreendido o necessário exame aprofundado para concluir, com absoluta segurança, quais daquelas notas efetivamente se prestariam ou não ao lançamento. Tanto a decisão recorrida quanto a recorrente citam, como amparo legal em favor dos seus argumentos, o art. 82 da Lei 9.430/96, que possui a seguinte redação: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Ou seja, aos olhos do fisco: (i) as notas são inidôneas, e (ii) não houve a comprovação, por parte da fiscalizada, da efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens (situação esta que atrairia a aplicação da exceção prevista no parágrafo único do artigo acima transcrito). Já para a recorrente, a inidoneidade das notas não restou demonstrada, e, ainda que o tivesse sido, a efetivação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens foi comprovada, de sorte que inaplicável o disposto no caput. Quanto à questão de já estar pacificado no STJ, em acórdão proferido na sistemática do art. 543C do CPC (REsp 1.148.444MG), a situação do adquirente de boa fé, nada há que se objetar. De fato, o STJ apenas ressaltou, no referido julgado, que a tãosomente declaração de inidoneidade das notas fiscais não opera efeitos ex tunc com relação ao adquirente de boa fé. No caso analisado pelo STJ, ficou evidente que não havia dúvidas quanto à efetiva realização do negócio jurídico, o que se pode facilmente comprovar pela leitura da ementa do acórdão proferido pelo STJ, que abaixo se transcreve: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em Fl. 30823DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.824 13 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção a regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). 3. In casu, o Tribunal de origem consignou que: "(...)os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc, o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.148.444MG, Relator Min. Luiz Fux, acórdão transitado em julgado 08062010) Quanto ao ônus da prova, é importante ressaltar que, enquanto a prova da inidoneidade da documentação incumbe ao fisco, por outro lado, a prova da efetiva aquisição da mercadoria é do contribuinte. Ainda que o referido julgado do STJ não tenha deixado isto claramente assente na ementa acima transcrita, é isto que se colhe da jurisprudência do STJ, consoante todas as transcrições feitas, no voto do relator, a outros julgados daquela Corte, dos quais transcrevo os excertos a seguir: (...) Todavia, para tanto, é necessário que o contribuinte demonstre, pelos registros contábeis, que a operação de compra e venda efetivamente se realizou, incumbindolhe, portanto, o ônus da prova. (EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008) Fl. 30824DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.825 14 A jurisprudência desta Turma é no sentido de que, para aproveitamento de crédito de ICMS relativo a notas fiscais consideradas inidôneas pelo Fisco, é necessário que o contribuinte demonstre pelos registros contábeis que a operação comercial efetivamente se realizou, incumbindolhe, pois, o ônus da prova, não se podendo transferir ao Fisco tal encargo. Precedentes. (...) (REsp 737.135/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007) (...) O disposto no art. 136 do CTN não dispensa o contribuinte, empresa compradora, da comprovação de que as notas fiscais declaradas inidôneas correspondem a negócio efetivamente realizado. (REsp 623.335/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007) O vendedor ou comerciante que realizou a operação de boafé, acreditando na aparência da nota fiscal, e demonstrou a veracidade das transações (compra e venda), não pode ser responsabilizado por irregularidade constatada posteriormente, referente à empresa já que desconhecia a inidoneidade da mesma. (REsp112.313/SP, Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999) Além disto, estas mesmas transcrições acima (da ementa e dos outros julgados do STJ) ressaltam a circunstância de que, nos casos em que o adquirente foi considerado de boafé, os documentos possuíam a “aparência de regularidade”, e, de fato, isto é intuitivo: para que se possa considerar que o adquirente tenha tido boafé, devese partir do pressuposto que ele tenha sido levado a acreditar que os documentos seriam regulares. Neste sentido, o entendimento do STJ a respeito da questão não discrepa do deste relator, conforme passo a expor. Antes de adentrar na análise de cada empresa individualmente, portanto, necessário fixar algumas premissas que irão pautar este voto: 1) O art. 82 da Lei 9.430/96 estabelece que os documentos emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição tenha sido considerada ou declarada inapta não produzem efeitos tributários, e isto aplicase a todos os documentos emitidos após a publicação do ato de declaração de inaptidão da pessoa jurídica; 2) O mesmo art. 82 expressamente ressalva as “demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação”, ou seja, não é somente mediante a publicação do ato de declaração de inaptidão da pessoa jurídica, ou da inidoneidade dos documentos fiscais por ela emitidos, que se abre a possibilidade de considerar um documento fiscal inidôneo. Contudo, o ônus da prova da sua inidoneidade é do fisco; 3) É do fisco também o ônus da prova de que o contribuinte, no caso de utilização de documentos inidôneos em data anterior à da publicação do respectivo Ato Declaratório, sabia ou deveria saber que tais documentos não seriam idôneos; 4) É ônus do contribuinte a prova da efetiva aquisição da mercadoria ou serviço lastreada em documento reputado inidôneo, para que se possa caracterizar a condição de adquirente de boa fé. Com relação às cessões de crédito, registrese que, a priori, é fato que o credor pode ceder seus créditos a quem melhor lhe aprouver, desde que efetue a comunicação ao devedor, que por sua vez poderia, nos termos do art. 286 do Código Fl. 30825DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.826 15 Civil, em tese, exercer o seu direito de oposição. Entretanto, não consta que o devedor tenha se oposto às cessões feitas, pelo contrário, está aqui reivindicando a legitimidade daquelas. Ademais, a lei não impõe forma específica para que se efetue a cessão de crédito, tendo a notificação da cessão de crédito a finalidade de informar à devedora a quem deve pagar, e para evitar que pague mal. Por outro lado, é certo que tal raciocínio, simples e direto, há de se aplicar às situações normais de operação comercial. Em casos em que se demonstre que a empresa está a manter relações comerciais com empresas inexistentes de fato, ou inaptas, a circunstância de ter havido a cessão dos respectivos créditos a terceiros pode vir a constituir mais um indício da irregularidade daquela operação. Indício este não determinante, quando isoladamente considerado — como de resto nenhum indício o é — para concluir pela inocorrência de fato da própria operação comercial antecedente. As circunstâncias específicas que cercam cada uma das alegadas cessões de crédito devem ser analisadas, portanto, de forma individualizada, para, em conjunto com os demais elementos, aferir o julgador se se está diante de uma regular cessão de crédito originado de efetiva operação de compra e venda, ou de apenas um artifício utilizado, em conjunto com as notas fiscais inidôneas, para justificar a saída de recursos da empresa para fins diversos. A propósito, em casos em que venha a ser comprovada a saída de recursos, mas não a operação comercial antecedente, a legislação impõe a tributação pelo imposto de renda na fonte, por pagamento sem causa. Neste aspecto, não procedem os argumentos da recorrente de que estaria havendo uma indevida sobreposição da tributação do IRRF sobre a mesma base utilizada para o IRPJ e a CSLL, pois a exigência decorre expressamente da lei. De fato, cada tributo (IRPJ, CSLL, e IRRF) possui a sua própria base de cálculo, mas nada impede que uma mesma ocorrência dê ensejo à exigência de diversos tributos, tratando se de situação absolutamente normal, comumente denominada de “lançamentos reflexos ou decorrentes”. Em cada tributo, o valor daquela ocorrência irá compor a base de cálculo daquele tributo, na forma prescrita por lei. A dar guarida ao raciocínio da recorrente, nem mesmo a exigência concomitante do IRPJ e da CSLL poderia ser feita. Tampouco procede o argumento de que todos os beneficiários estariam perfeitamente identificados, não podendo prevalecer uma simples declaração negativa de relação comercial em confronto com os comprovantes de pagamento. Isto porque a tributação pelo IRRF pode se dar por duas circunstâncias: por pagamento sem causa ou por pagamento a beneficiário não identificado. O fato de estar o beneficiário estar tão somente identificado não é suficiente para conferir uma causa ao pagamento efetuado. Quanto ao argumento de que as glosas, acaso procedentes, formariam uma reserva de lucro passível de distribuição isenta aos sócios, tratase de mero argumento retórico que desborda completamente do litígio aqui posto, que nada tem a ver com distribuição de lucros. Em conclusão, nos casos em que a glosa de custos venha a ser mantida, e que haja a comprovação da realização de pagamentos vinculados àqueles custos inexistentes, procede também a exigência do imposto de renda na fonte sobre os referidos pagamentos. Fl. 30826DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.827 16 Por fim, observo ainda que, na sessão de março de 2014, foi julgado por esta Turma o processo no 15940.000535/200984, desta mesma empresa, versando sobre idêntica matéria (glosa de custos relativas a supostas aquisições de couro), contudo, relativas ao ano calendário de 2005. Em que pese os anos serem distintos, entendo que, naqueles poucos casos, dentre os que a seguir serão analisados (6, de um total de 64), em que o fornecedor é o mesmo que um daqueles já analisados naquela ocasião, devemse manter, a princípio, as mesmas conclusões a que lá se chegou, a menos que seja suscitada, pelo fisco ou pela recorrente, alguma circunstância muito relevante e determinante para que se chegue a conclusão diversa. De se ressaltar que as conclusões, pela manutenção ou cancelamento das glosas efetivadas, deuse, no âmbito daquele processo, por unanimidade de votos. Dito isto, sigo com a análise de cada fornecedor, observando a ordem proposta pela recorrente. Partindo da premissa anteriormente explicitada, foi afastada a glosa, por ausência de suporte probatório, relacionadas a todos os fornecedores tratados nestes autos, a saber: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (x) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xi) Aracouro Comercial Ltda. EPP; (xii) Manos Couro Ltda. ME; (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda; Já a cessão de crédito foi encarada como uma operação comercial regular, ante a inexistência de demais elementos que comprovassem eventual falsidade conforme devidamente exposta na decisão proferida nos autos o PA 10835.721527/201254. Foram essas as razões explicitadas pelo relator daquele processo afastar as glosas discutidas neste tópico: 12. Alves & Matos Comércio de Couros Ltda De acordo com os Termos de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 e do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a glosa destas aquisições fundamentouse, em síntese, nos seguintes elementos: a) a empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda apresentou as suas DIPJ zeradas, e está omissa com relação à DCTF de 2008; b) a gráfica que imprimiu os seus talonários de notas fiscais está em situação de “não habilitada” junto à Fazenda Estadual desde 01/10/2004; c) nas notas fiscais emitidas consta que o seu endereço seria no município de Nova Iguaçu/RJ, mas no cadastro junto à Fazenda Estadual daquele estado, consta que ela está sediada no município de Campos de Goytacazes; d) os documentos fiscais não ostentam carimbos de passagem por postos de fiscalização estadual; Fl. 30827DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.828 17 e) em alguns dos documentos de transporte das mercadorias, os veículos indicados são incompatíveis para suportar o peso e volume de um carregamento de couro bovino; g) a empresa em questão encontrarseia na situação de “não habilitada” no Sintegra com efeitos a partir de 10/03/2009; f) a maioria dos pagamentos das supostas aquisições de matérias primas foi efetuada a terceiros, mediante cessão de crédito bancário ineficaz; g) para algumas notas fiscais não há o comprovante do efetivo pagamento das mercadorias recebidas, e, para outras, foi registrado contabilmente apenas o pagamento parcial; h) todas as notas fiscais são emitidas com fretes a contratar, e os pagamentos dos fretes foram, invariavelmente, efetuados a trabalhadores autônomos por meio de RPA, alguns dos quais preenchidos com dados incompletos; i) no lapso temporal de 07/2007 a 08/2010, a empresa não manteve nenhum funcionário registrado e nem tampouco declarou a aquisição de quaisquer produtos rurais; j) no caso da nota fiscal 212, a placa do veículo transportador não foi localizada no Renavam, e não restou comprovado o efetivo pagamento da nota fiscal; Em que pese a grande quantidade de indícios relacionados, entendo que faltou ao fisco uma demonstração mais clara de que não tenha havido a aquisição das mercadorias em comento. O fato de os documentos fiscais não ostentarem carimbos de passagem por postos de fiscalização estadual é sem dúvida um forte indício da não circulação das mercadorias. Por outro lado, há pagamentos efetuados por conta dessas aquisições. Não se pode simplesmente concordar com a alegação fiscal de que todas as cessões de crédito bancário são ineficazes, sem elementos de prova da sua falsidade. O fisco intimou vários beneficiários de cessões de crédito de vários fornecedores, conforme ao norte relatado, tendo concluído que apenas uma única cessão de crédito seria regular. Um quadro resumo de todas essas intimações, e respectivas respostas, encontrase às fls. 1712917162. No caso do fornecedor sob análise, por exemplo, responderam à intimação fiscal alguns dos cessionários (Bortolato de Morais & Cia Ltda, Transportadora Garra de Tabuleiro Ltda, Genesio Rodrigues de Morais, José Claudio Albino dos Santos, Lidia Maria Bortolato de Morais Santos) nos seguintes termos: “Acontece que o sócio gerente da requerente é muito amigo do proprietário da empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, que mantinha regularmente negócios com a empresa Vitapelli Ltda, uma vez que aquela vendia couro para esta última. O couro que era revendido para a Vitapelli pela empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda era adquirido junto a pequenos produtores da região onde fica instalada a requerida, sendo assim como a sede da empresa vendedora é na cidade de Campos dos GoytacazesRJ, ou seja, à muitos quilômetros da região, ficaria inviável o deslocamento para fazer simples pagamentos aos produtores. Além disso, como se tratam de pequenos produtores, muitos deles não mantém nem conta bancária para o pagamento. Não bastasse essa situação, a empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, naquela época, ano de 2007, também não possuía Fl. 30828DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.829 18 conta bancária para que a Vitapelli pudesse efetuar o pagamentos da mercadoria comprada, esta se valeu da amizade de seu proprietário e do proprietário da requerente e pediu para que os valores fossem depositados na conta desta última e que esta repassasse para os proprietários da região.” Informa o fisco que, acompanhando essas declarações, constava declaração firmada por Maurício Oliveira Alves, sócio gerente da empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, confirmando as alegações. Pois bem. Ao contrário da conclusão fiscal, a partir dessas respostas, de que não estaria comprovado o negócio que deu origem à cessão de crédito, tenho para mim que, ainda que passíveis de confirmação quanto à sua veracidade, ao menos pelo teor do quanto alegado, as declarações dão conta de que teria havido a comercialização de couro para a Vitapelli, amparada pelas notas fiscais emitidas pela empresa Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, e que, em face das alegações feitas, a cessão de crédito está justificada. Outros cessionários beneficiários (Ailton Alves Nunes, Antonio Silva Ferreira, Dirceu Achy Carneiro, e Marcio Carvalho Teixeira) também responderam, com alegações diversas, mas todos confirmando, em que pese as eventuais peculiaridades de cada caso, alguma ligação com operações de venda de couro para a Vitapelli. Ademais, apesar da grande quantidade de indícios coletados, o próprio fisco não considerou as notas fiscais inidôneas, tanto que não aplicou a multa qualificada, mas tão somente a multa simples de 75% às infrações relacionadas a este fornecedor. A questão dos veículos incompatíveis com o transporte de couro bovino foi enfrentada pela recorrente, alegando erros na anotação dos dados dos veículos, e informando quais seriam as placas corretas. Ao menos em parte a alegação pode ser confirmada pelos elementos dos autos juntados pelo próprio fisco. Por exemplo, a placa GLK9957, que seria de um Voyage, aparece no “ticket de pesagem” de fls. 2032, referente à nota fiscal 129, sendo motorista o Sr. Marco Antonio da Silva. Entretanto, este mesmo motorista aparece em outros “tickets de pesagem”, referentes a notas diversas, com a placa GLQ9957 (fls. 1404, 1621, 1767, 1774, 1988, 1999, por exemplo), indicando tratar se de mero erro de anotação. Da mesma forma ocorre com o veículo KRZ0008 (Fiat Brava): com esta placa consta no “ticket de pesagem” de fls. 1975, o que gerou a cisma fiscal, contudo, com o mesmo motorista, no caso, o Sr. José Carvalho Pedrosa, consta no “ticket de pesagem” de fls. 2069 a placa KRZ0006. O fiscal autuante informa que, para algumas notas fiscais, não há o comprovante do efetivo pagamento das mercadorias recebidas, e que, para outras, foi registrado contabilmente apenas o pagamento parcial. Entretanto, com exceção da nota fiscal 212, não apontou quais seriam as notas que não teriam sido pagas, ou apenas pagas parcialmente, e não se justifica, no atual estágio processual, qualquer diligência para depurar esta informação, mesmo porque a acusação fiscal, com base em elementos diversos, é de glosa dos valores totais das operações. E a propósito da própria nota fiscal 212, a alegação fiscal de que não teria sido comprovado o seu pagamento é desmentida pelas planilhas elaboradas pelo próprio fisco. Fl. 30829DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.830 19 De acordo com as tabelas de fls. 13171395 (imposto de renda na fonte sobre os pagamentos efetuados), constatase ali o registro dos pagamentos relativos à nota fiscal 212 de Alves & Matos Comércio de Couros Ltda. E também a recorrente, já na impugnação, trouxera os documentos de fls. 2654226555, especificamente relativos aos pagamentos correspondentes a esta nota fiscal. Desprovida de suporte a acusação fiscal, portanto, devem ser consequentemente cancelados os lançamentos relativos a este fornecedor. 13. Aracouro Comercial Ltda Tomando por exemplo o quanto decidido com relação ao fornecedor Alves & Matos Comércio de Couros Ltda (item 12 acima), podese estabelecer outra premissa a ser aplicada a casos semelhantes. Conforme se verifica na transcrição do art. 82 da Lei 9.430/96, já feita, os documentos que não produzem efeitos tributários em favor de terceiros interessados são aqueles considerados inidôneos pelo fisco. Ora, se o próprio fisco, a despeito dos indícios coletados, deixa de aprofundar as suas investigações com relação a determinado fornecedor, e de efetivamente considerar inidôneos os documentos emitidos (o que necessariamente conduziria à aplicação da penalidade de 150%), então não há como deixar de reconhecer que, smj, o próprio fisco não está convicto da não realização daquelas operações. Tanto mais no caso dos presentes autos, em que se verifica que a fiscalização, quando efetivamente empreendeu as necessárias diligências, e reuniu um conjunto mais robusto de provas indiciárias, aplicou a multa de 150%. Este é um fator relevante, portanto, a ser sopesado, por este relator, na análise individual dos demais fornecedores que seguem adiante. No caso da Aracouro Comercial Ltda, a acusação fiscal, constante do Termo de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 (fls. 330332), é, em linhas gerais, muito semelhante à do fornecedor anterior (Alves & Matos Comércio de Couros Ltda). Nos documentos trazidos aos autos pelo fisco (fls. 25662651), constato, em linhas gerais, a ausência de elementos de evidente inidoneidade das notas fiscais emitidas, aliás, sequer arguida pelo fisco. Da mesma forma, não se pode concordar com a alegação fiscal de que todas as cessões de crédito bancário são ineficazes, sem elementos de prova da sua falsidade, aliás, também não alegada. No caso, o próprio fisco destaca que apenas parte (embora uma “grande parte”) dos pagamentos teriam sido feitos por meio de cessão de crédito. De qualquer sorte, os documentos de cessão possuem aparência de regularidade. E, na única resposta recebida às intimações fiscais feitas aos cessionáriosbeneficiários, conforme quadro resumo de fls. 1712917162, em que pese as irregularidades de interposição de pessoa entre o pagador (Vitapelli) e o efetivo beneficiário dos pagamentos (que, conforme alegações do intimado, Robson Fernando de Almeida Santos, seria uma pessoa de nome “Júnior”), o fato é que: (i) não há nos autos elementos que demonstrem que a Vitapelli teria conhecimento desta irregular interposição; e (ii) pelas alegações feitas, por certo também passíveis de confirmação quanto à sua veracidade, os pagamentos teriam vinculação com operações de venda de couros para a Vitapelli, sendo que o intimado cumpria a Fl. 30830DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.831 20 dupla função de classificar o couro e de servir de intermediário para o recebimento dos valores devidos ao “Júnior”. Em face do exposto, devem ser cancelados os lançamentos relativos a este fornecedor. 14. Cavalcante & Nelson Ltda De acordo com os Termos de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 e do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 315316, e 381383) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Em que pese os indícios coletados, o próprio fisco não considerou as notas fiscais inidôneas, aplicando às infrações tão somente a multa simples de 75%. Ademais, nos documentos trazidos aos autos pelo fisco (fls. 30463574), constato, em linhas gerais, a ausência de elementos de evidente inidoneidade nas notas fiscais emitidas. Ao contrário, verifico que elas trazem estampadas os carimbos de passagem por diversos postos de fiscalização de vários estados (o contribuinte localizase no estado do Alagoas). Da mesma forma, não se pode concordar com a alegação fiscal de que todas as cessões de crédito bancário são ineficazes, sem elementos de prova da sua falsidade. Na única resposta recebida às intimações fiscais feitas aos cessionários beneficiários, conforme quadro resumo de fls. 1712917162, a Sra. Tania Silva Teixeira, embora não tenha juntado documentos comprobatórios, confirmou que o valor por ela recebido era relativo à aquisição de couros em nome da Vitapelli. 16. Comércio de Couros Lima & Galassi Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 319321) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados, com o acréscimo de dois elementos, basicamente: (i) todas as vias originais das notas fiscais em questão encontravamse apreendidas pela SefazSP, e (ii) uma vez que a fornecedora localizase no próprio estado de São Paulo, a pouco mais de 200 quilômetros de distância, não se justifica o lapso temporal de mais de dez dias, em diversos casos, para a tradição das mercadorias. Com relação ao item ‘i’, a mera informação da apreensão dos documentos pela Secretaria de Fazenda Estadual não é suficiente para os fins a que se propõe a autuação aqui discutida, sem que se conheça qual o resultado da fiscalização empreendida por aquele ente federativo. Com relação ao item ‘ii’, tomandose como exemplo a nota fiscal referida pelo fisco, de no 741, em que o lapso temporal entre a emissão do documento e a tradição da mercadoria foi de 13 dias, pela informação constante no “ticket de pesagem”, verificase que a procedência da mercadoria foi de Anápolis/GO, e não de São José do Rio Preto, onde se localiza a fornecedora. Assim, é possível imaginar que, após a concretização da venda e emissão da nota fiscal, o efetivo fornecimento da mercadoria veio de produtor rural localizado em outro estado, o que poderia, em tese, justificar aquele lapso temporal. Este único indício, portanto, não permite concluir com segurança ter havido irregularidade na operação de compra, muito menos que a irregularidade, se presente, estivesse na ponta do adquirente (Vitapelli). Vejase, por exemplo, que, no caso desta específica Fl. 30831DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.832 21 operação citada, consta às fls. 4157 o comprovante de pagamento (título bancário do Bradesco, em que o favorecido é a própria fornecedora Lima & Galassi), exatamente no valor da nota fiscal emitida (R$ 64.800,00). Ora, com estes elementos, não é possível sustentar a glosa do valor daquela nota fiscal, como se não tivesse havido aquisição de couro. Com relação aos demais argumentos, em linhas gerais, peço vênia para reportarme aos itens 11 a 13, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 17. Coral Comércio e Representação de Subprodutos Animais Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 329330) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 18. Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 303304) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 19. F. Lima Silva Comercial De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 318319) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 20. Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 307308) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 21. Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 310311) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 400401) é de que o contribuinte, apesar de intimado, teria deixado de comprovar com documento hábil e idôneo o efetivo pagamento referente às notas fiscais 15174, 15210, 15211 e 15267, totalizando R$ 138.000,00. Fl. 30832DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.833 22 O mero fato de não ter sido comprovado o pagamento não autoriza a glosa da correspondente aquisição. Não consta que tenha sido verificado, junto à fornecedora, ao menos, se recebeu ou não o correspondente valor. Com relação aos demais argumentos, peço vênia para reportarme aos referidos itens11 a 13 acima, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 22. Ibituruna Couros Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 313314) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Cumpre ainda observar que o próprio fisco, entre o referido Termo de Verificação Fiscal, que havia sido lavrado para fundamentar as glosas de PIS e de COFINS, e o Relatório Fiscal, que fundamenta os presentes lançamentos, já havia, por meio de diligências efetuadas, concluído que substancial parte daquelas glosas que, naquele processo de PIS e COFINS, lastreavamse nas cessões de crédito bancário tidas por ineficazes, eram na verdade legítimas, tanto que neste processo reduziu o valor das glosas de R$ 950.331,00 para R$ 227.582,60 (Relatório Fiscal, fls. 24874). De qualquer sorte, peço vênia para reportarme aos referidos itens 11 a 13 acima, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 23. Lacerda Couros Ltda ME De acordo com os Termos de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 e do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009 (fls. 309310 e 410412, respectivamente), a acusação fiscal é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 25. M.M. Comércio Atacadista de Couros Ltda De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008, a acusação fiscal (fls. 326328) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportarme aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. 26. Manos Couros Ltda De acordo com os Termos de Verificação Fiscal relativos ao período que vai do 3o trimestre de 2007 ao 1o trimestre de 2008 e do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009 (fls. 321323 e 417419, respectivamente), a acusação fiscal é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Peço vênia para reportar me aos referidos itens, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor. Fl. 30833DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.834 23 Contudo, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2009 ao 3o trimestre de 2009 (fls. 507538), foi constatada, de fato, uma situação distinta, com relação a este fornecedor. Com a finalidade de buscar a comprovação das aquisições de couro, a fiscalização intimou a recorrente a comprovar a compensação de alguns cheques, selecionados por amostragem, que teriam sido utilizados em pagamentos a fornecedores. Em relação a diversos dos cheques solicitados na intimação, o contribuinte respondeu que estes se encontravam em poder do sócio/diretor administrativo Nilson Riga Vitale, em face de um contrato de mútuo celebrado com a empresa. E apresentou a cópia dos cheques endossados pelos fornecedores. Estes cheques encontramse de fls. 544 a 666, e estão resumidos nas tabelas logo a seguir (fls. 667 a 672). Diante destes elementos, entendo que, de fato, não restou comprovado o efetivo pagamento aos fornecedores, não se encontrando uma justificativa razoável para que o contribuinte emita cheques nominais a fornecedores, e os cheques venham a retornar ao sócio da adquirente. A mera formalização de um contrato de mútuo com o sócio não é suficiente para comprovar que os fornecedores tenham sido pagos com recursos oriundos do próprio sócio. Neste caso, deve ser mantida a glosa fiscal. Diante disso, considerando que as questões tratadas neste tópico já foram devidamente julgadas no PA 10835.721527/201254, proponho ao Colegiado afastar as glosas relacionadas aos fornecedores anteriormente citados, o que o faço em total observância ao artigo 6º, §1º, inciso II c/c §5º, do anexo II do RICARF. III.2 Da improcedência da glosa do Item 11 Analisando os autos e principalmente o documento de Termo de Diligência carreado as folhas 2.7012.708, constatase que foi apurado diferenças entre os valores efetivamente pagos aos fornecedores e os valores constantes nas Notas Fiscais apresentadas. Tal fato foi justificado pelo Recorrente como abatimentos sobre as compras, concedidos pelos fornecedores em razão de inconformidades relacionadas na quantidade/qualidade da matéria prima. Para a Recorrente: 74. São descontos que sequer dependem da liberalidade do fornecedor, pois decorrem da resistência da interessada em razão das inconformidades nas matérias primas, motivo pelo qual não há que se falar em remissão ou descontos aleatórios concedidos. 75. Apesar desses abatimentos comporem a base de cálculo do PIS e da COFINS, as alíquotas ficam reduzidas a zero por força do art . 1, do Decreto n.º 5.442/05, por consistirem verdadeiras receitas financeiras da recorrente, empresa submetida ao regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. A fiscalização entendeu que tais descontos se constituem em "um ato liberatório da credora (fornecedor) em relação à devedora, que se coaduna com descontos independentes de qualquer condição", não devendo ser tratado como "receita financeira", mas Fl. 30834DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.835 24 como "receita outros resultados operacionais". Em razão disso, deu aos abatimentos o tratamento de perdão de dívida, para fins de inclusão desses valores na base de cálculo das contribuições sociais, senão vejamos: Pelo exposto, recomendamos a manutenção da glosa do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA, vez que a empresa deixou de considerar para efeitos de debitamento sobre outras receitas operacionais, mais especificamente relativas às remissões de dívidas sobre compras após a entrega das mercadorias, em função da qualidade, conservação, peso, etc, bem como, sobre as expressivas remissões de dívidas auferidas junto a diversos fornecedores que, por certo, foi o desiderato das partes (fornecedor versus adquirente), em vista da situação financeira de empresa que percebeu o perdão, inclusive porque a perdoada teve o seu pedido de RECUPERAÇÃO JUDICIAL reconhecido pela JUSTIÇA FEDERAL. A DRJ, por sua vez, afastou os argumentos da Recorrente por entender que não houve demonstração de que os valores tratamse efetivamente de abatimentos sobre compras decorrentes de retificação de custo, em face da ocorrência de inconformidades relacionadas à sua matériaprima que só aparecem depois de iniciado o processo industrial, bem como quanto ao fato de que os descontos não são imediatos ao recebimento das mercadorias, resolvendose tempos após a entrada da mercadoria o que faz que haja uma cumulação de valores. A fundamentação utilizada pela DRJ para manutenção da glosa, qual seja, ausência de elementos probatórios para comprovar a origem dos lançamentos, não foi rechaçada pela Recorrente que, preferiu repetir seus argumentos apresentados em sua manifestação. Tal fato é de suma importância para analisar se a operação citada pela Recorrente se enquadra no conceito de receita financeira para fins de excluia da base de cálculo das contribuições. Sobre o conceito de receita, traga à baila trecho do voto proferido por este Turma nos autos do PA nº 12448.720068/201612 (acórdão 3302006.473): Comungo da visão do Fisco, que está de acordo com a decisão recorrida: (...) No conceito das receitas financeiras, subjaz a ideia de rendimentos recebidos pela cessão, a terceiros, do uso de capitais. Abdicando de empregar ele mesmo o capital disponível e autorizando que este seja usado por terceiros durante um certo tempo, aufere o cedente pelo uso dos recursos uma remuneração, com a natureza de receita financeira. No art. 373 do Decreto nº 3.000, de 1999, a Legislação do Imposto sobre a Renda traça o conceito de receitas financeiras. Confirase: Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99) Outros Resultados Operacionais Subseção I Receitas e Despesas Financeiras Fl. 30835DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.836 25 Receitas Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicação financeira de renda fixa, ganhos pelo contribuinte serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Por sua vez, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (aplicável às demais Sociedades) 6ª edição FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras FEA/USP), páginas 355 e 356 traz de forma mais minuciosa: "Como receitas financeiras, há: Descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos. Juros recebidos e auferidos, conta em que se registram os juros cobrados pela empresa de seus clientes, por atraso no pagamento, postergação de vencimento de títulos e outras operações similares. Receitas de títulos vinculados ao mercado aberto, que abrigam toda receita financeira em Open Market, ou seja, a diferença total entre o valor do resgate e o de aplicação. Receitas sobre outros investimentos temporários, em que são registradas as receitas totais nos demais tipos de aplicações temporárias de Caixa, como em Letras de Câmbio, Depósito a Prazo Fixo etc. Prêmio de resgate de títulos e debêntures, conta que registra os prêmios auferidos pela empresa em tais resgates, operações essas relativamente incomuns. [...] descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos. (...) Prêmio de resgate de título e debêntures, conta que registra os prêmios auferidos pela empresa em tais resgates, operações essas relativamente incomuns. Nenhuma dessas categorias se aplica ao perdão da dívida sob análise, dada pelos sócios credores à fiscalizada. A receita auferida não se deu em vista da disponibilização de recursos para terceiros, em certo período de tempo, característica de essência das receitas financeiras. O valor relativo às dívidas perdoadas pelos sócios constitui, portanto, receita de natureza não financeira para a empresa. (...) Pois bem. Sem a efetiva comprovação da origem dos lançamentos, não há como acolher as pretensões da Recorrente tampouco averiguar sua origem para dar o tratamento pretendido pelo contribuinte, sendo de rigor a manutenção da glosa tratada neste tópico, conforme decidido pela instância "a quo" ,cujas razões adoto como causa de decidir: Fl. 30836DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.837 26 No item 11 do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal constam os fundamentos e os valores das glosas relativas ao que o autor do procedimento denominou inicialmente de “Glosas de Insumos Devolvidos”. Na manifestação de inconformidade, a interessada aduz que, de fato, houve diversas devoluções de compras (insumos) sem que tenha sido efetuado o estorno dos créditos. Contudo, esse valor é bem menor do que o encontrado pela fiscalização, conforme planilha apresentada. Alegou também cerceamento do direito de defesa, em face de não ser possível chegarse ao valor encontrado pelo AuditorFiscal. Os autos baixaram em diligência, tendo havido a retificação quanto ao título das glosas efetuadas para “Descontos Aleatórios”. A interessada pugnou pela reversão total da glosa a que se refere o item 11 do Termo de Verificação Fiscal, uma vez “pautada em fatos e critérios jurídicos equivocados, erros esses insanáveis em sede de diligência”. A análise quanto a essa alegação foi efetuada acima, em tópico próprio relativo à nulidade. Quanto ao mérito da questão, após a baixa dos autos em diligência, assim se pronunciou o AuditorFiscal (fls. 2.702 a 2.707): A requerente do direito creditório do PIS e da COFINS, não quitou o valor total destacado em várias notas fiscais junto a diversos fornecedores, sem razão para tanto; justificando que a diferença entre o valor constante da nota fiscal e o efetivamente pago seria um desconto concedido pelo fornecedor. Não se nota nas quitações das compras de insumo junto a diversos fornecedores descontos por pagamentos antecipados, mas um ato liberatório pela credora em favor da devedora, que se coaduna com descontos independente de qualquer condição. Logo, a presente insubsistência não há de ser tratada como "receita financeira", mas como "receitaoutros resultados operacionais". Para aclarar o assunto declinamos abaixo um breve relato sobre o assunto: • Insubsistência do Passivo Consiste no desaparecimento de uma dívida. Observe que a insubsistência do passivo é uma insubsistência ativa (tem efeito positivo sobre o patrimônio). • Insubsistência do Ativo Consiste no desaparecimento de um bem ou direito. A insubsistência do ativo é uma insubsistência passiva (tem efeito negativo sobre o patrimônio). • Insubsistência Passiva – “Insubsistência” é a condição de algo que deixa de existir, que desaparece. O vocábulo "passiva" tem o sentido de "negativa" ou "que causa efeito negativo", o que não pode ser confundido com a expressão "do passivo" (das obrigações, do passivo exigível). Desse modo, a insubsistência passiva é relativa àquilo que, ao deixar de existir, provoca efeito negativo sobre o patrimônio. A mercadoria perdida em um incêndio, por exemplo, é uma insubsistência passiva. Não se trata, porém, de uma insubsistência do passivo. Como o que deixou de existir foi um bem, com a perda da mercadoria, houve insubsistência do ativo. Portanto, a conta Insubsistências Passivas é de despesa (de natureza devedora). Fl. 30837DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.838 27 • Insubsistência do Ativo Redução do Ativo = Insubsistência Passiva Despesa. • Insubsistência do Passivo Redução do Passivo = Insubsistência Ativa Receita. • Superveniência do Ativo Aumento do Ativo Superveniência AtivaReceita. • Superveniência do Passivo Aumento do Passivo = Superveniência Passiva Despesa. Feitas estas considerações, notase claramente que na quitação de dívida com redução ocorre INSUBSISTÊNCIA DO PASSIVO, por conseguinte, configurando aumento patrimonial, disso defluindo receita tributável pelo PIS NÃO CUMULATIVO e pela COFINS NÃO CUMULATIVA (pelo regime CUMULATIVO não ocorreria a tributação, visto que a Lei 11.941/2009, em consonância com o entendimento exarado Suprema Corte de Justiça, revogou o parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei 9.718;98). Pelo que se extrai, depois da vigência das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, somente são tributadas de acordo com as regras previstas na Lei n° 9.718/1998 as pessoas jurídicas que NÃO se enquadrem na sujeição ao regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS, que é o caso da Vilapelli. Nesse aspecto, infereseque a alteração ocorrida na legislação (revogação do parágrafo primeiro do artigo terceiro da Lei 9.718/98), não afeta as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ com base no lucro real, submetidas ao regime NÃO CUMULATIVO do PIS e da COFINS. E curial, por oportuno, expressar a definição da base impositiva para o PIS NÃO CUMULATIVO e para a COFINS NÃO CUMULATIVA: As contribuições para o PIS NÃO CUMULATIVO e para a COFINS NÃO CUMULATIVA incidem sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (artigo 1º da Lei 10.637/02), o mesmo ocorrendo em relação a COFINS, que tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (artigo 1o da Lei 10.833/2003). Em verdade, não se nota nas quitações das compras de insumos juntos aos diversos fornecedores descontos por pagamentos antecipados, mas sim um ato liberatório pela credora em favor da devedora, que se coaduna com descontos independente de qualquer condição. Logo, a presente insubsistência do passivo não há de ser tratada como "receita financeira", mas como "receita outros resultados operacionais". Depreendese, portanto, que o valor referente às dividas remitidas, seja integral ou parcial, constitui receita para o devedor. Para que as receitas sejam consideradas como financeiras, há de haver como característica ganho em razão da disponibilidade de recursos para terceiros em função de determinado período de tempo. [...] Fl. 30838DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.839 28 Outrossim, de acordo com as regras contábeis, com base no regime de competência a dispensa do pagamento de divida constitui uma receita. [...] Destarte, concluise que a dispensa de quitação de divida pela empresa credora é um ato jurídico que acresce o patrimônio da empresa devedora, daí revelando a capacidade contributiva, que, por se caracterizar "outras receitas operacionais", amoldase no conceito de receita tributável, sobre a qual incidem as alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente, para o PIS não cumulativo e a COFINS não cumulativa (diversamente do que trata o artigo 27 da Lei 10865/2004, de 30/04/2004, combinado com o artigo 1º. Do Decreto 5442, de 09/05/2005, em que se tem a alíquota zero). [...] Não se pode esquecer também que, conforme os ditames do artigo 111 do Código Tributário Nacional, para a dispensa de incidência do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA sobre as receitas em comento haveria de existir norma isentiva expressa comandando tal benesse. [...] Deveras, se consideramos as remissões como receita, ou deduzirmos os valores de tais descontos nas entradas das mercadorias o resultado final será o mesmo. Contudo, com pálio nas delineações suso exaradas, é de se concluir que o debitamento por ocasião do agraciamento de OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS auferidas pela Vitapelli oriundas da quitação de dividas junto a diversos fornecedores manifestase mais coerente. Pelo exposto, recomendamos a manutenção glosa do PIS NÃO CUMULATIVO e da COFINS NÃO CUMULATIVA, vez que a empresa deixou de considerar para efeitos de debitamento sobre outras receitas operacionais, mais especificamente relativas às remissões de dívidas sobre compras após a entrega das mercadorias, em função da qualidade, conservação, peso, etc, bem como, sobre as expressivas de dívidas auferidas junto a diversos fornecedores que, por certo, foi o desiderato das partes (fornecedor versus adquirente), em vista da situação financeira da empresa que percebeu o perdão, inclusive porque a perdoada teve seu pedido de RECUPERAÇÃO JUDICIAL reconhecido pela JUSTIÇA FEDERAL. A interessada aduz que os descontos são, em verdade, “abatimentos s/ compras”, ou seja, descontos obtidos após a entrega da mercadoria, retificadores dos custos de compras de matériasprimas. Tais descontos não são imediatos ao recebimento das mercadorias e, muitas vezes, se resolvem muito tempo após, de forma cumulativa. Argumenta a contribuinte também que não há “insubsistência do passivo”, e que os “abatimentos sobre compras” constituemse em receitas financeiras, sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e Cofins. Ocorre que a contribuinte, além de alegar, não faz nenhuma demonstração de que os valores tratamse efetivamente de abatimentos sobre compras decorrentes de retificação de custo, em face da ocorrência de inconformidades relacionadas à sua matériaprima que só aparecem depois de iniciado o processo industrial. O mesmo aconteceu quanto ao fato de que os descontos não são imediatos ao recebimento das mercadorias, resolvendose tempos após a entrada da mercadoria o Fl. 30839DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.840 29 que faz que haja uma cumulação de valores. Não há qualquer documento juntado aos autos que demonstre inequivocamente o alegado. Como o pedido inicial (ressarcimento) não se trata de um exercício de um direito qualquer, mas sim de concessão de um benefício, que implica renúncia fiscal por parte do ente tributante, a composição do valor do crédito pretendido deve ser devidamente comprovada, por parte de quem o postula, de modo a que não pairem quaisquer dúvidas. O fato é que, não demonstrado que os valores lançados a título de receita financeira são decorrentes de abatimentos sobre compras, mas, como considerado pelo auditorfiscal, dispensa de pagamento de dívida, houve uma diminuição de passivo com correspondente aumento do patrimônio da entidade, portanto, receita operacional, nos termos da resolução CFC nº 750/93, atualizada pelas Resoluções CFC nº 1.111/2007 e nº 1.282/2010. III.3 Do crédito relativo aos "fretes e carretos sobre vendas" e "Fretes Sobre Vendas (Marítimos e Aéreos) Neste ponto, alega a Recorrente que, relativamente aos créditos solicitados sob as rubricas “Fretes e Carretos sobre Vendas” e “Fretes sobre Vendas (marítimos e aéreos)”, a divergência encontrada pela fiscalização decorre do lançamento de créditos extemporâneos, apurados entre 2003 a 2007, o que não afronta a legislação e que não causou qualquer prejuízo à arrecadação. Sobre isso, entendo que o direito a crédito de PIS/COFINS nãocumulativo em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, prescinde da necessária retificação do DACON e da DCTF, ou de eventual comprovação de não utilização do crédito. Isto porque, tal medida é essencial para que se possa constituir os créditos decorrentes dos documentos não considerados no DACON original e principalmente para que os saldos de créditos do Dacon dos meses posteriores à constituição possa ser evidenciado, propiciando, assim, a conferência da não utilização dos créditos em períodos anteriores. Nesse sentido, transcrevo o entendimento manifestado na Solução de Consulta nº 73, de 2012: SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 73, DE 20 DE ABRIL DE 2012 ASSUNTO: Contribuição para o PIS EMENTA: INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Contribuição para o PIS. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, e seu § 4o; IN RFB nº 1.015, de 2010, art. 10; ADI SRF nº 3, de 2007, art. 2º; PN CST nº 347, de 1970. Outro não é o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que o aproveitamento de crédito extemporâneo prescinde de retificação da DACON e DCTF, a saber: CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Fl. 30840DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.841 30 Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. (Acórdão 3403.003.078) *** CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização. (Acórdão 3403.002.717) Portanto, considerando que não houve retificação do DACON e da DCTF, tampouco prova de não utilização do crédito pleiteado, a manutenção da glosa é medida que se impõe. III.4 Do Crédito Relativo à Rubrica "Imobilizado" Em sede recursal, a Recorrente traz os seguintes argumentos: 87. Conforme exposto na impugnação, a fiscalização equivocouse ao realizar a glosa sob a fundamentação de que a recorrente não apresentou a documentação solicitada. 88. Isso porque, os créditos pleiteados têm amparo na escrituração contábil e fiscal da recorrente e a fiscalização teve acesso irrestrito a esses documentos, conforme consta dos autos. 89. O crédito pleiteado referese a encargos de depreciação/amortização ocorridos até abril de 2004 e, a partir de maio de 2005, passou a ser apurado sobre 1/48 avos, conforme art. 3º, incisos VI e VI I , §§ 1º e 14, da Lei n.º 10.637/2002 e art . 3º, incisos VI e VI I , §§ 1º e 14, da Lei n.º 10.833/2003. 90. Não qualquer irregularidade no procedimento adotado pela recorrente, que agiu conforme as normas tributárias. 91. Portanto, a glosa é equivocada também nesse ponto, devendo ser revertida. Em relação aos encargos ocorridos até abril de 2004, o direito da Recorrente foi negado pelo fato de ser extemporâneo, matéria esta tratada no tópico anterior. Já em relação ao período posterior a maio de 2005, tanto a fiscalização quanto a DRJ afastaram do direito da Recorrente por ausência de prova, sendo que tal motivação não foi refutada corretamente, tendo a Recorrente apresentado argumentos genéricos, sem apontar um documento carreado autos para demonstrar seu pretenso direito. Ressaltase, por oportuno, que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC1). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: 1 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 30841DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.842 31 "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)2 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20113. Neste cenário, deixando a Recorrente de trazer aos autos documentos capazes de comprovar a origem do crédito pleiteado, entendo correta a decisão de piso e, adoto seus fundamentos como razão de decidir. III.5 Do Crédito Relativo à Rubrica "Manutenção e Peças e Acessórios A questão tratada neste tópico também envolve a comprovação do direito creditório. É o que se extrai do TVF carreados às fls. 582583: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 2 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 3 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 30842DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.843 32 Ressaltese, que as planilhas intituladas "Manutenção, Peças e Acessórios" contém despesas realizadas com a alimentação do trabalhador, compra de equipamento de proteção, dentre outros, que não permitem a sua utilização para compor a base de calculo para apuração das contribuições pleiteadas. [...] A interessada foi intimada, com ciência em 15/06/2009, conforme termo e Aviso de Recebimento A/R constantes às folhas __350__, a apresentar uma nova relação de despesas com "MANUTENÇÃO" e com "PEÇAS E ACESSÓRIOS", contendo apenas as despesas, que nos termos dos dispositivos legais vigentes, dão direito aos créditos das contribuições em análise. O prazo concedido pela intimação acima citada expirou em 26/06/2006, sem que a interessada tenha apresentado até o presente momento qualquer manifestação. Desta forma, em face das irregularidades apontadas, bem como, na falta de atendimento da intimação desta fiscalização, recomendamos as glosas das importâncias solicitadas sobre as rubricas de "MANUTENÇÃO" e de "PEÇAS E ACESSÓRIOS", ou seja, recomendamos a retirada da base de cálculo para apuração das contribuições em análise dos valores abaixo relacionados. Analisando a planilha fornecida pela Recorrente às folhas 290336, constata se que as informações dizem respeito a data de emissão da Nota Fiscal, nº da Nota Fiscal, razão social do fornecedor e valor, inexistindo, ao meu ver, outros dados necessários para avaliar se os bens e serviços são passíveis de creditamento. Neste cenário, deveria a Recorrente, para demonstrar seu direito, atender o quanto solicitado pela fiscalização, trazendo a relação de despesas com "Manutenção" e com "peça e Acessórios" apenas as despesas. Adicionalmente, caberia ao contribuinte, informar a devida utilização de bens e serviços em seu processo produtivo. Contudo, a Recorrente, assim como no tópico anterior, deixou de comprovar documentalmente seu direito, apresentando alegações de cunho meramente genéricos, impondose, assim, na manutenção da glosa. III.6 Da Aplicação da Taxa Selic. O cerne da questão está na possibilidade de atualizar créditos de PIS/COFINS que foram objeto de pedido de ressarcimento. Conforme julgou acertadamente a DRJ, há previsão expressa na legislação do COFINS estabelecendo a impossibilidade de correção monetária para créditos objetos de pedidos de ressarcimento. Prescreve o artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Neste cenário, havendo vedação expressa da lei, não pode o órgão administrativo afastála, conforme pretende a Recorrente citando aplicação do artigo 62, §2º, do RICARF em razão do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.035.847/RS. Isto porque, referido o processo julgado pelo Superior Tribunal de Justiça cuidou da correção monetário relativo ao creditamento do IPI, não do PIS e da COFINS. Fl. 30843DF CARF MF Processo nº 10835.720074/200862 Acórdão n.º 3302006.563 S3C3T2 Fl. 30.844 33 Não bastasse isso, insta tecer que questão sob análise não é nova neste Conselho, já foi analisada nos autos do PA 13976.000487/200568; 13976.000036/200521; 13976.000206/200577; 13976.000205/200522, que decidiram por afastar as pretensões deduzidas pelo Recorrente sobre a incidência da taxa Selic, a saber: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. JUROS.É expressamente vedado pela legislação a incidência da taxa SELIC sobre créditos de PIS objeto de pedido de ressarcimento, artigos 13 e 15, VI da Lei nº 10.833/2003. (13976.000206/200577) IV Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas relativas aos seguintes fornecedores: (i) Costa Ferreira Comércio de Carne e Couro Ltda. ME; (ii) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda; (iii) Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda; (iv) Lacerda couros Ltda; (v) Frisbbel de Itaperuna Frigorífico de Suinos e Bovinos Boa Esperança Ltda; (vi) Ibituruna Couros Ltda; (vii) F. Lima Silva Comercial; (viii) Comércio de Couro Lima & Galassi Ltda.; (ix) M.M Comércio Atacadista de Couros Ltda; (x) Coral Comércio e Representações de Suprimentos Animais Ltda.; (xi) Aracouro Comercial Ltda. EPP; (xii) Manos Couro Ltda. ME., (xiii) Cavalcanti e Nelson Ltda; tratadas no tópico "das glosas relativas às aquisições de insumos. Regularidades das operações e das cessões de crédito. Necessidade de aplicação do acórdão proferido pela 1ª Seção de Julgamentos no PA (AIIM´s reflexos) nº 10835.721527/201254". É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 30844DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903989/2014-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014
DESPACHO DECISÓRIO REVISOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PODER DE AUTOTUTELA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa e com base no princípio da autotutela estatal. Aplicação ao caso da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal STF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11-A E 11-B DA LEI N. 9.440/1997. IDENTIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
As disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11-A e 11-B, todos da Lei n. 9.440/1997, tratam do mesmo incentivo fiscal.
Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto.
Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11-A e art. 11-B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei.
Havendo a identidade de benefícios os arts. 11-A e11-B não são benefícios que devam ser considerados como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/1997. Com a identidade de benefício, é possível o aproveitamento e lastro legal que possibilita o ressarcimento.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/1997. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO.
É descabida a apuração do crédito-presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados.
ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ.
O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não-cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente.
VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA À EXPORTAÇÃO.
Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017 em combinação com o Decreto-Lei 288/67, em especial do seu Art. 4.º, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente as receitas de exportação.
No Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do Decreto Lei 288/67. Precedentes judiciais: Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012.
MATERIALIDADE. PROVAS. ALEGAÇÕES. ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-004.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que a acolheram. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11-A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 66; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 705 1 704 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.903989/201446 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.923 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria IPI Recorrente FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 DESPACHO DECISÓRIO REVISOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PODER DE AUTOTUTELA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa e com base no princípio da autotutela estatal. Aplicação ao caso da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal STF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11A E 11B DA LEI N. 9.440/1997. IDENTIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE. As disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11A e 11B, todos da Lei n. 9.440/1997, tratam do mesmo incentivo fiscal. Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11A e art. 11B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei. Havendo a identidade de benefícios os arts. 11A e11B não são benefícios que devam ser considerados como em compartimento estanque em relação ao AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 89 /2 01 4- 46 Fl. 705DF CARF MF 2 art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/1997. Com a identidade de benefício, é possível o aproveitamento e lastro legal que possibilita o ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/1997. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA À EXPORTAÇÃO. Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017 em combinação com o DecretoLei 288/67, em especial do seu Art. 4.º, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente as receitas de exportação. No Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do Decreto Lei 288/67. Precedentes judiciais: Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. MATERIALIDADE. PROVAS. ALEGAÇÕES. ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 706 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que a acolheram. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 587 em face de decisão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 520, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 377, apresentada em face de um segundo Despacho Decisório de fls. 330 que deferiu parcialmente os créditos presumidos de IPI. Este segundo Despacho revisou o Despacho Decisório eletrônico e original de fls. 176, após Resolução de fls. 280, determinada pela DRJ/PE para que o lançamento fosse revisto de acordo com a SCI n.º 25 de 2016. Transcrevo o mesmo relatório apresentado na decisão de primeira instância para o melhor e fiel acompanhamento dos fatos, trâmite e matérias em discussão: "Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 03/47, interposta aos 08/07/2016, fl. 02, contra o Despacho Decisório de fl. 176, do qual a contribuinte foi cientificada aos 16/06/2016, fl. 177, que deferiu, parcialmente no valor de R$ 92.474.374,26, o Pedido de Ressarcimento de IPI, no valor de R$ 142.920.374,26, relativo ao 1º trimestre de 2014. I. Do Termo de Verificação Fiscal: Fl. 707DF CARF MF 4 2. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 196/261, no qual se embasou sobredito Despacho Decisório, registra que a contribuinte, fabricante de veículos automotores com fábricas em diversas cidades, dentre as quais a de Camaçari/BA, apresentou Pedidos de Ressarcimento – PER e Declarações de Compensação – DCOMP alusivos a créditos relativos aos 2º trimestre de 2012 ao 4º trimestre de 2014, nos valores descritos na planilha a seguir: 3. Esclarece o TVF que os valores objeto dos PER e DCOMP tratados nos processos acima se referem a: (i) crédito básico disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 33/99; (ii) crédito presumido de IPI, em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal, em conformidade com o art. 56, da Medida Provisória nº 2.15835/2001; e (iii) crédito presumido de IPI previstos nos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97. 4. Reporta que os créditos acima foram analisados, tendo sido detectado que estavam corretos os valores do crédito básico, do crédito presumido previsto no art. 56, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e o crédito presumido de IPI de que cuida o art. 11B, da Lei nº 9.440/97, mas que, quanto ao créditopresumido do art. 11A, desta Lei, foram detectadas irregularidades, consistentes no cálculo do incentivo em relação à revenda de produtos importados e, ainda, na apuração de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS em desacordo com a legislação aplicável. I.1. Da indevida apuração do benefício em relação à revenda de veículos importados: 5. Explica o TVF que o incentivo fiscal previsto no art. 11A, da Lei nº 9.440/97, equivale a um percentual sobre o valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas em cada mês sobre as receitas de vendas no mercado interno. Tal benefício, inicialmente atribuído à TROLLER VEÍCULOS ESPECIAIS LTDA, foi transferido, após a incorporação desta pessoa jurídica pela autuada, ao estabelecimento desta em Camaçari pelo Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, de 28/02/2002. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 707 5 6. Reproduz os arts. 1º (caput e inciso IV e §1º, alienas “a”, “b” e “c”), 11A1 e 13, da Lei nº 9.440/97, e menciona que o enfocado incentivo foi regulamentado pelos Decretos nº 2.179, de 18/03/1997, e 3.893, de 22/08/2001 (este, revogado pelo de nº 7.422, de 31/12/2010), com disposições também no Decreto nº 7.212, de 15/06/2010. 7. Fala que o art. 1º, da Lei nº 9.440/97, exige que, para gozar o incentivo, a empresa: (i) já estivesse instalada ou viesse a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste; e (ii) fosse montadora e fabricante de veículos automotores, tratores, colheitadeiras, dentre outros. 8. Consigna que o art. 11A, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Lei nº 12.218, de 30/03/2010, preconiza que o crédito presumido corresponde ao ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS no montante do valor das contribuições devidas em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno, e que o Decreto nº 7.422/2010, que regulamentou este artigo, dispôs que o enfocado incentivo corresponde ao ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno dos produtos referidos no inciso IV, do art 2º, do Decreto nº 2.179/1997, quais sejam: veículos montados ou fabricados nas regiões incentivadas. 9. Diz que, no processo nº 52000.000133/200764, protocolizado perante o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC, foi tratado pedido do sujeito passivo de expedição de certificado que o habilitasse à fruição do benefício do art. 1º, IX, c/c o art. 11, IV, ambos da Lei nº 9.440/97, e, no requerimento, a contribuinte deixou claro exercer atividade de industrialização e em nenhum momento adotou a palavra “importação” e, além disto, em atendimento ao disposto no art. 4º, III, da Portaria Interministerial nº 258/2001, ao pleito anexou formulário no qual informa o faturamento com a venda de produtos de fabricação própria, os veículos em produção na unidade de Camaçari, a capacidade de produção e o número de empregos. Logo, conclui o TVF que a requerente se apresentou como estabelecimento industrial para se habilitar à fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97. 10. Fala o TVF que, ao apreciar o pleito acima, a Nota Técnica nº 03/SDP/2007 conclui que o benefício da Lei nº 9.440/97, originalmente concedido à TROLLER para a “instalação de fábrica para produção de veículo”, poderia ser utilizado pela FORD e, assim, foi aprovado o Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, que altera para a FORD a titularidade da habilitação dos estabelecimentos fabris da TROLLER nos municípios de Camaçari/BA e Horizonte/CE. 11. Pondera que o citado Termo Aditivo de Rerratificação é expressamente regido pela Portaria Interministerial nº 258, de Fl. 709DF CARF MF 6 14/10/2001, que disciplina o gozo do incentivo analisado e textualmente o restringe, em seu 3º, às empresas “que estejam fabricando produtos automotivos” na região incentivada e, além disto, exige, em seu Anexo I, informações relativas à quantidade de linhas de produção, à capacidade produtiva e ao número de empregos. 12. Outrossim, destaca que o Termo Aditivo de Ratificação faz menção à opção da FORD “para que a sua filial com estabelecimento fabril na cidade de CamaçariBA” goze dos benefícios da Lei nº 9.440/97, sendo que todos os certificados aditivos de rerratificação anualmente emitidos também se referem ao “estabelecimento fabril” em Camaçari. 13. Ademais, enfatiza o TVF que o aludido Termo de Compromisso, em suas cláusulas 7ª a 9ª, obriga a manutenção dos níveis de produção já existentes, sob pena de perda do benefício, atendendo, assim, ao art. 8º, §3º, da Lei nº 11.434, de 28/12/20062. Salienta, ainda, que o caput deste artigo dispõe que, no caso de transferência de incentivos e benefícios fiscais decorrentes de incorporação de empresa, sejam “observados os limites e as condições fixados na legislação que institui o incentivo ou o benefício”, em especial quanto aos aspectos vinculados “I ao tipo de atividade e de produto”, e que o seu §4º3 deixa claro que o comentado benefício apenas incide sobre a produção de veículos automotores. 14. Noutra linha de argumentação, aponta o TVF que o art. 11 A, §4º e 5º, da Lei nº 9.440/97, exige, sob pena de perda do benefício, investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondente a, no mínimo, 10% do valor do crédito presumido apurado, na forma regulamentada pelos arts. 4º, I, e 5º, do Decreto nº 7.422/2010 e, como tais exigências são inerentes à industrialização, não tendo correlação com a atividade de simples revenda de veículos importados, conclui o TVF que elas explicitam a vinculação do benefício fiscal à fabricação de veículos. 15. Sopesa, ainda, que, na revenda de veículos importados, os investimentos a que se reporta o §4º, do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, não são realizados na região incentivada, mas no País em que produzidos os veículos, pelo que admitir o incentivo na revenda representaria uma espécie de estímulo ao investimento na indústria automobilística de outros países, o que ensejaria enormes prejuízos ao Estado Brasileiro, que arcaria com ônus do incentivo fiscal, mas não receberia qualquer contrapartida – o que configuraria grave ofensa ao interesse público. 16. Gizam as autoridades fiscais que a ora manifestante apurou, nos anos de 2012 a 2014, incentivo previsto no art. 11A no montante total de R$ 1.209.232.686,54, dos quais 63,4% se estreitam à revenda de veículos importados, e apontam o agravante de que “a partir de agosto de 2014, a empresa passou a produzir na fábrica de Camaçari um outro veículo (novo KA), que também foi habilitado à fruição do incentivo disciplinado pelo artigo 11B da Lei 9.440. A produção do Ford Fiesta foi Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 708 7 transferida para a filial de São Bernardo do Campo. Com isso, todos os veículos produzidos na filial de Camaçari ficaram enquadrados no incentivo do artigo 11B. Ou seja, o incentivo previsto no artigo 11A ficou sendo calculado somente para a revenda de veículos importados”. 17. Ademais, ponderam que o art. 7º, da Lei nº 9.440/97, ao possibilitar que o Poder Executivo fixe índice médio de nacionalização anual para as empresas montadoras e fabricantes de veículos e autopeças em cuja produção forem utilizados insumos importados, denota a preocupação do legislador em incentivar a industrialização dos produtos automotivos nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. 18. Outra razão indicada pela Fiscalização para não reconhecer o incentivo sobre a receita de revenda de bens importados é a disposição do §3º, do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, que preceitua a utilização de créditos decorrentes da importação e da aquisição no mercado interno de insumos para a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas para fins de levantamento do crédito presumido de IPI – exigência também estampada no art. 2º, §3º, do Decreto nº 7.422/2010. 19. Ponderam as autoridades fiscais que, ao estabelecer que no cálculo do incentivo devam ser usados créditos decorrentes de importação e de aquisição de insumos no mercado interno, o legislador aponta, ainda que indiretamente, que o produto incentivado é o veículo fabricado pela empresa beneficiária a partir desses insumos. 20. O TVF reforça o entendimento de que o benefício é restrito à industrialização a partir da Exposição de Motivos da Lei nº 9.440/97 (EM Interministerial nº 613/1996MF), na qual diz estar “claro que a Lei visa estimular a instalação da indústria automotiva nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, de forma a fomentar o desenvolvimento regional, aumentar o nível de emprego e descentralizar o setor industrial no Brasil, bem como neutralizar as desvantagens naturais existentes naquelas regiões em relação às demais regiões do país”. 21. Consigna que, na mesma diretriz, a Exposição de Motivos da Lei nº 12.218/2010 (EM nº 166/2009 MF/MCT/MDIC) que incluiu o art. 11A na Lei nº 9.440/97 , aduz que a intenção do incentivo “é implementar medidas complementares à política de desenvolvimento produtivo no país, reforçando a regionalização da indústria automotiva Brasileira, bem como manter o crescimento do número de pessoas empregadas na indústria. Nesse sentido, a inclusão do artigo 11A teve por objetivo a manutenção de medidas indutoras da melhoria dos níveis de investimento, produção, vendas e emprego, e propiciar a preservação do potencial competitivo da indústria automotiva brasileira, podendo atrair ainda novas inversões para a região”. 22. Acrescenta que a EM nº 175/MF/MDIC/ MCT, atinente à Lei nº 12.407/2011, que incluiu o artigo 11B na Lei nº 9.440, Fl. 711DF CARF MF 8 menciona que “o incentivo existente visa direcionar investimentos da indústria automotiva para as regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Confirma, ainda, que a Lei 12.218 teve por objetivo garantir os benefícios do programa em relação ao aumento do emprego, exportações e produção do setor automotivo nas regiões abrangidas. Por fim, ressalta que a atração de investimentos na indústria automotiva tem efeitos multiplicadores devido à atração de fabricantes de autopeças para a região”. 23. Menciona, também, que, no Relatório intitulado “Prestação de Contas Ordinária Anual”, referente ao exercício de 2012, disponibilizado pelo MDIC, por meio da Secretaria do Desenvolvimento da Produção, consta “o objetivo socioeconômico do incentivo criado pela Lei 9.440, qual seja: Contribuir para instalação de unidades da indústria automotiva, fomentar o desenvolvimento regional, o aumento do nível de emprego e a descentralização industrial no Brasil”. E complementa que este Relatório “traz, também, demonstrativo do número de empregos gerados pelas empresas beneficiárias do crédito presumido, onde, no caso da FORD, mostra um total de 12.806 empregos gerados. É de fácil conclusão que esse número de empregos é conseqüência direta da atividade de fabricação e montagem de automóveis, e não da simples revenda de veículos importados”. 24. Reportase, ainda, à resposta do MDIC ao Tribunal de Contas da União –TCU transcrita no item 2.2.5.15 do 17ª página do Acórdão TCU 713/2014, que relaciona a redução das importações ao incremento dos empregos diretos e indiretos no país. 25. Outrossim, o TVF aborda os conceitos de industrialização e de estabelecimento industrial dos arts. 4º e 8º, do RIPI/2010, e pontua que, na forma do art. 609, II, deste Regulamento, as expressões “fábrica” e “fabricante” equivalem a “estabelecimento industrial”; assim, as autoridades fiscais concluem, a contrario sensu, que não são estabelecimentos industriais aqueles que executam atividades excluídas do conceito de industrialização. 26. Afiançam que os importadores não são industriais, mas são por ficção legal a estes equiparados (art. 9º, I, do RIPI/2010), sendo que esta equiparação, apesar de submeter o importador ao cumprimento das obrigações tributárias de um industrial, não transforma a natureza das operações realizadas pelo importador (compra e revenda) em típicas de um estabelecimento industrial (industrialização), pois não desempenhadas quaisquer das atividades descritas no art. 4º, do RIPI/2010. Enfatizam, ainda, que, apesar de o importador ser contribuinte do imposto quando da importação, ele só fica equiparado a industrial quando dá saída ao produto importado (art. 24, I e III, do RIPI/2010). 27. Para reforçar a diferenciação entre “industrial” e “equiparado a industrial”, o TVF registra que mesmo um estabelecimento industrial, nas operações em que der saída a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 709 9 embalagem adquiridos de terceiros a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, fica, em relação a tais operações, equiparado a industrial (§6º, do art. 9º, do RIPI/2010). 28. Além disto, traz diversas considerações sobre a definição de estabelecimento, tais como a do art. 609, III, do RIPI4, e a do §2º, do art. 3º, das IN RFB nº 1.183, de 19/08/2011, e 1.470, de 30/05/20145. 29. Discorre, ainda, sobre o princípio da autonomia dos estabelecimentos para fins do IPI (arts. 384 e 609, IV, ambos do RIPI/2010, e parágrafo único, do art. 51, do CTN). 30. Em seguida, o TVF realça que a então fiscalizada informou que sua atividade de fabricação de veículos ocorre no complexo industrial em Camaçari/BA, enquanto a importação é totalmente feita pelo Porto Miguel Oliveira, em Candeias/BA, de onde os veículos são remetidos aos clientes/distribuidores, sem sequer transitarem pelo estabelecimento da empresa em Camaçari, habilitado à fruição do incentivo fiscal em testilha. Assim, como a importação/ revenda é feita por estabelecimento situado na cidade de Candeias/BA, concluem as autoridades fiscais que ela não é incentivada. 31. Fala, também, que o §3º, do art. 11B, da Lei nº 9.440/97, veda o “o aproveitamento do crédito presumido previsto no art. 11A nas vendas dos produtos constantes dos projetos de que trata o caput” e explica a diferença entre venda de produto (resultado da industrialização executada nos estabelecimentos industriais) e revenda de mercadoria (bem adquirido de terceiros sobre o qual não foi realizado qualquer processo de transformação no revendedor), para, ao final, depreender que o incentivo analisado apenas alcança as vendas de produtos resultantes das industrializações executadas nos estabelecimentos referidos no §1º, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97. 32. Conclui a Fiscalização, em face de todo o exposto, que a industrialização é a única atividade que vai ao encontro do art. 11A, da Lei nº 9.440/97 e do objetivo desta Lei e das Leis nº 11.434/2006 e 12.218/2010 e do Termo de Compromisso firmado pela ora manifestante, pelo que inexiste direito ao incentivo nas operações de revenda de mercadoria importada, cujas receitas não devem compor a base de cálculo do incentivo. 33. O TVF corrobora seu entendimento com: 33.1. Relatório Anual de 2015 publicado pela própria FORD MOTOR COMPANY nos Estados Unidos6, consta que a maioria das instalações da companhia na América do Sul está no Brasil, onde a empresa recebe, do Governo Federal, incentivos como forma de estimular o investimento de capital, o aumento da produção e a criação de empregos; Fl. 713DF CARF MF 10 33.2. fragmento do Parecer elaborado por Ives Gandra da Silva Martins, publicado na Revista Fórum de Direito Tributário, ano 4, nº 23, setembro a outubro de 2006; 33.3. Acórdão desta 2ª Turma/DRJ/Recife no processo administrativo nº 13502.721308/201314, do qual reproduziu ementa; e 33.4. Solução de Consulta Interna SCI COSIT nº 17, de 26/07/2012, cuja ementa está assim redigida: “As receitas decorrentes das vendas no mercado interno de veículos acabados importados não devem ser utilizadas na apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997”. 34. Passando à situação fática, expõe o TVF que a contribuinte industrializa veículos que classifica nos CFOP 5101 e 6101 – “Vendas de produção do estabelecimento”, bem como importa e revende veículos pelo Porto de Miguel Oliveira, situado em Candeias/BA, cujas Notas Fiscais de Entrada são emitidas pelo estabelecimento do sujeito passivo localizado em Camaçari com o CFOP nº 3102 – “Compras para Comercialização”, não sendo realizada qualquer operação de industrialização sobre os veículos importados, que são simplesmente revendidos, sendo a operação de revenda classificada pela contribuinte nos CFOP nº 5102, 5403, 6102 e 6403 – “Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro”. 35. Externa que como a contribuinte calculou o incentivo do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, sobre a receita de vendas, no mercado interno, dos veículos por ela fabricados e dos importados, a Fiscalização refez os cálculos excluindo, do cômputo do incentivo, as receitas de revenda de produtos importados (assim como os custos vinculados a estas receitas). I.2. Da análise dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS calculados pela contribuinte: 36. Sobre a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devida para fins de determinação do crédito presumido analisado, o TVF afirma que as normas peculiares do incentivo criaram duas exceções à regra geral de cálculo de supraditas contribuições: (i) o benefício deve ser levantado apenas no estabelecimento incentivado, com segregação das parcelas da filial, ao passo que a regra geral é a apuração centralizada na matriz; e (ii) na apuração feita pela matriz, os custos, encargos e despesas vinculados às receitas de exportação são considerados para definição dos créditos, enquanto na filial não. 37. Assegura que o cálculo do incentivo deve observar as suas normas específicas e, em caso de ausência, lacuna ou omissão, as da apuração de sobreditas contribuições, cujos valores são bases de cálculo do benefício. 38. Narra haver sido constatado que a contribuinte incorreu nos seguintes equívocos na apuração dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, os quais afetaram, conseqüentemente, o cálculo do crédito presumido de IPI: 38.1. erro no método de determinação dos créditos destas contribuições; Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 710 11 38.2. equívoco no cálculo dos créditos oriundos de outras fábricas; 38.3 erro na apuração do fator de rateio em função de quatro circunstâncias: (i) redução da receita de vendas no mercado interno pela exclusão do ICMS, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (ii) utilização de receita contábil para determinação do valor das vendas internas; (iii) inclusão de vendas para o exterior de CKD “Complete Knocked Down”, que não sofreram industrialização no estabelecimento incentivado; e (iv) exclusão de receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. I.2.1. Erro no método de determinação dos créditos: 39. Comenta o TVF que a Lei nº 9.440/97 determina: (i) que o incentivo fiscal aqui avaliado incida sobre as receitas de vendas no mercado interno, considerando os débitos e os créditos vinculados a estas operações de venda; e (ii) que a contribuinte apure, separadamente, os créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação, observados os métodos de apropriação de créditos previstos nos §§8º e 9º, do art. 3º, das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, e regulados pelos aos art. 21, da IN SRF nº 404, de 12/03/2004, e ao 40, da IN SRF nº 594, de 26/12/2005, cujos textos reproduziu. 40. Registra que a forma de apuração acima é igualmente utilizada para calcular os créditos vinculados à receita de exportação, consoante art. 6º, §3º, da Lei nº 10.833/2003. 41. A partir dos dispositivos acima, conclui que a pessoa jurídica deve optar, no mês de janeiro, por um dos métodos previstos na legislação para cálculo dos créditos e aplicar esta opção, que deve ser informada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais –DACON, para todo o anocalendário restante. 42. Elucida que a filial em Camaçari, assim como outros estabelecimentos da contribuinte, aufere receitas no mercado interno e externo, pelo que deve optar por um dos métodos de determinação de créditos previstos no §8º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002, e 10.833/2003, exigência que também se aplica ao levantamento do incentivo fiscal. 43. Ressalva que a legislação regente do incentivo da Lei 9.440/97 “não determina expressamente a obrigatoriedade da adoção de um ou outro método de determinação dos créditos especificamente para o estabelecimento incentivado”, mas que isto não autoriza que o beneficiário adote o método mais conveniente, porquanto, diante da lacuna, deverseia analisar a legislação aplicável para determinar o critério a ser usado para apurar o crédito presumido do IPI. 44. Cita que, neste talvegue, o art. 11A, da Lei nº 9.440/97, ao que definir que o incentivo corresponde ao valor da contribuição Fl. 715DF CARF MF 12 para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas, acabou fixando, ainda que indiretamente, o método a ser usado pelo beneficiário. 45. É que, de acordo com as autoridades fiscais, para atender, de um lado, o comando da Lei nº 9.440/97 (contribuições efetivamente devidas) e o art. 15, da Lei nº 9.779, de 19/01/1999 (que estipula que a apuração e o pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ocorra de modo centralizado no estabelecimento matriz da pessoa jurídica) a filial detentora do incentivo deve empregar, no levantamento do benefício, o mesmo método de determinação de créditos utilizado pela matriz, “de forma que o valor devido pela filial seja o mesmo apurado pela matriz e pago/declarado”. 46. Sublinha, ainda, que o art. 251, do RIR/99, impõe que a escrituração deva abranger todas as operações da contribuinte, sendo que o seu art. 252, embora faculte a adoção de escrituração descentralizada, exige que os resultados das filiais sejam incorporados na escrituração da matriz ao final de cada mês. Ademais, referencia a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 2.6 (aprovada pela Resolução nº 684, de 14/12/1990, do Conselho Federal de Contabilidade), que estipula que a entidade que tiver filial ou assemelhada e seja optante por sistema de escrituração descentralizada deve possuir sistema contábil único que permita a identificação de cada uma das unidades. 47. Externa que a filial (ou estabelecimento) nada mais é que a descentralização das atividades da empresa, fazendo parte de um patrimônio único, e cita o conceito de estabelecimento previsto no art. 1.142, do Código Civil, como “todo complexo de bens organizados para exercício da empresa, por empresário ou sociedade empresária” e comenta que o Código Civil, em seus arts. 1.179, 1.184 e 1.188, referese à empresa ao tratar das demonstrações financeiras e do balanço patrimonial. 48. Diz que a apuração da matriz nada mais é que a soma das parcelas das filiais; logo, o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas pela filial “deve estar dentro do cálculo das contribuições da Matriz, inclusive, e principalmente, o cálculo do incentivo”, pelo que o método adotado pela matriz para determinação de créditos vincula o das filiais, sob pena de causar uma distorção no valor incentivado: havendo divergência entre estes métodos, um mesmo insumo pode impactar positivamente na apuração centralizada, gerando mais crédito, ou negativamente na apuração da filial, gerando menos crédito, porém, neste caso, sendo benéfico para a empresa, uma vez que o incentivo fiscal corresponde ao dobro das contribuições devidas (débitos menos créditos). 49. Exterioriza que a referida distorção ocorreu no caso da FORD, que, de acordo com informações prestadas no DACON e no DACON segregado entregue no curso do procedimento fiscal e, ainda, em resposta ao Temo de Início de Fiscalização, usou o rateio proporcional para determinar os créditos dos insumos utilizados na industrialização, mas, no cálculo do incentivo pela Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 711 13 filial em Camaçari, usou método divergente, que tem semelhança com o método de apropriação direta. 50. Cita exemplo concreto da citada distorção ocorrido no mês de julho de 2012, relativamente ao qual pontua que: 50.1. considerando as apurações da contribuinte e excluindo a operação de venda de veículos importados, a filial de Camaçari calculou, para fins do incentivo, contribuições devidas no valor de R$ 6.811.246,72, o que resultou num incentivo de R$ 12.941,350,10 (nesta operação, o total de crédito foi de R$ 32.299.169,01 e o débito foi de R$ 39.110.415,73); 50.2. na apuração feita pela matriz (DACON), e ainda considerando a exclusão dos veículos importados, os créditos, referentes a custos e vendas no mercado interno e externo, da filial de Camaçari totalizaram R$ 36.071.007,31, sobre o qual, aplicandose o fator de rateio de vendas no mercado interno apurado pelo contribuinte (96,63%), obtémse crédito no mercado interno no montante de R$ 34.855.414,36 e contribuições devidas no valor total de R$ 4.250.494,56 (o valor do débito informado foi R$ 39.105.908,92); 50.3. assim as contribuições devidas pela filial incentivada, conforme apurado no DACON, importaram em R$ 4.250.494,56, enquanto no cálculo do incentivo o valor devido atingiu R$ 6.811.246,72 (e o crédito presumido R$ 12.941.350,10); 50.4. considerandose as contribuições efetivamente devidas pela filial (ou seja, os R$ 4.250.494,56 apurados em DACON e declarados em DCTF), o valor do incentivo deveria ser de R$ 8.075.939,66 (1,9 vezes as contribuições devidas), em vez dos R$ 12.941.350,10 apurados pela contribuinte (3,04 vezes as contribuições devidas). 51. Assevera que o exemplo acima revela que, para que o incentivo fiscal seja equivalente às contribuições efetivamente devidas, a metodologia de apuração dos créditos das contribuições usadas pela filial deve ser idêntica à adotada pela matriz, pois, do contrário, assumirseia a possibilidade de que o valor de benefício fosse maior do que o pretendido pelo legislador, o que aumentaria, indevidamente, a renúncia fiscal. 52. Complementa que a filial em Camaçari usa o saldo credor de IPI, fortemente influenciado pelo incentivo em exame, para compensar débitos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS apurados pela matriz, ou seja, utiliza um benefício apurado a partir dos valores devidos destas contribuições para pagar débitos destes mesmos tributos. 53. Em face de todo o exposto, a Fiscalização utilizou o método do rateio proporcional, utilizado pela matriz, para o cálculo dos créditos vinculados aos custos dos insumos dos veículos fabricados pelo estabelecimento incentivado. I.2.2. Créditos oriundos de outras fábricas: Fl. 717DF CARF MF 14 54. O TVF anuncia que a unidade em Camaçari recebe, em transferência, insumos (como motor de transmissão, estamparia, etc), produzidos por seus estabelecimentos situados em Taubaté e São Bernardo do Campo e integrados aos veículos produzidos em Camaçari. 55. Noticia que, pelo método “Bill of material”, usado pelo estabelecimento incentivado, os créditos sobre os insumos transferidos são apropriados não pela peça inteira (por exemplo, um motor), mas pelas peças individuais (parafusos, correias, pistões, etc) que compõem o insumo (no exemplo citado, o motor), sendo a transferência feita por Notas Fiscais com código CFOP 6151 (Transferência de produção do estabelecimento), sendo que a base de cálculo do ICMS indicada nestas Notas observa o disposto no art. 39, II, do Decreto Estadual nº 45.490/2000 (RICMS/2000) 7, e, assim, são retiradas parcelas que estão incluídas no preço. 56. Aduz que, pela sistemática perfilhada pela empresa, outros custos envolvidos na fabricação dos motores tais como materiais indiretos (graxa, estopa, lubrificantes, etc), energia elétrica, armazenagem, serviços, além de despesas com frete e armazenagem , aluguéis de máquinas e equipamentos, etc – são todos apropriados pelas filiais que produzem as peças (Taubaté e São Bernardo), circunstância esta que é indiferente para o cálculo das contribuições apuradas de forma centralizada pela matriz, mas que impactam na apuração do crédito presumido de IPI discutido, pois parte dos créditos referentes aos insumos transferidos por outras filiais não é apropriada pelo estabelecimento incentivado que comercializa os veículos. 57. Pondera que a distorção decorrente da sistemática acima não ocorreria se a filial em Camaçari fabricasse os referenciados insumos (pois os correspondentes custos seriam totalmente suportados por esta Unidade) ou se os insumos fossem de terceiros, pois no seu preço estariam encartados todos os custos e despesas incorridas na fabricação. 58. Elucida que, para corrigir a situação, foi ajustada a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS da filial em Camaçari de modo a apropriar os custos e as despesas que arcaram as filiais em Taubaté e São Bernardo vinculados à produção de peças destinadas à industrialização naquele estabelecimento. 59. No item 5.5 “Créditos das filiais de Taubaté e São Bernardo (Anexos E a H)”, pág. 32 e 33 do TVF, é explicado como se procedeu ao ajuste acima. 60. No sobredito item figura ressalva de que o CFOP 6101 foi adotado pela filial de Taubaté para emitir Notas Fiscais destinadas à empresa BENTELER COMP. AUTOM. LTDA, cujas operações, consoante resposta da então fiscalizada ao Termo de Intimação nº 004, têm natureza de revenda de mercadoria, pois não realizado qualquer processo de industrialização e que, inclusive, a partir de maio de 2013, a ora Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 712 15 recorrente passou a utilizar o CFOP 6102; assim, tais saídas foram excluídas do cálculo do rateio da filial em Taubaté. I.2.3. Dos erros na determinação do fator de rateio: 61. O TVF diz que a contribuinte, no cálculo do incentivo analisado, utilizou dois métodos para determinar os créditos das contribuições: (i) rateio proporcional, quanto aos créditos vinculados às despesas de energia elétrica, armazenagem e frete, bens do ativo imobilizado e serviços; e (ii) uma técnica assemelhada à apropriação direta, denominada Bill of material, no cálculo dos créditos vinculados ao custo dos insumos dos veículos fabricados. 62. Explica que como é definida, pelo método do rateio proporcional, a parcela dos créditos comuns vinculados às receitas de vendas no mercado e alude que, segundo planilhas de apuração entregues pela contribuinte (utilizadas para determinar a base de cálculo dos créditos sobre energia elétrica, armazenagem e frete, bens do ativo imobilizado e serviços), o fator de rateio foi por ela calculado da seguinte forma: 62.1. foram apuradas “por meio de conta contábil representativa das vendas locais, as vendas brutas do mês, ajustada por lançamentos contábeis feitos ao final e ao início do mês, referentes aos veículos faturados mas que ainda estavam no pátio da empresa”; 62.2. das receitas acima foram abatidas as vendas canceladas e os tributos sobre vendas (IPI, ICMS, PIS e COFINS) e foi obtido o valor líquido das vendas no mercado interno; 62.3. foram extraídas da contabilidade as vendas para o mercado externo (tanto de produtos fabricados, quanto as do chamado CKD), que foram somadas às vendas no mercado interno para apuração do total das receitas; e 62.4. foram divididas as receitas das vendas internas pelo total das receitas, apurandose o fator de rateio. 63. Consigna que a apuração feita pelo sujeito passivo contém quatro erros que distorceram e reduziram o percentual de rateio: (i.1) redução da receita de vendas no mercado interno decorrente da exclusão do ICMS, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (ii.2) utilização de receita contábil para determinação do valor das vendas internas; (ii.3) inclusão de vendas para o exterior de CKD que não sofreram qualquer industrialização na filial da FORD em Camaçari; e (ii.4) exclusão de receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. I.2.3.1. Erro na determinação da receita bruta: 64. O TVF narra que, da receita bruta apurada para fins de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 719DF CARF MF 16 consideradas devidas no cálculo do incentivo, a contribuinte excluiu não apenas o ICMS por substituição tributária, mas também o imposto por responsabilidade própria, além dos valores de supraditas contribuições. 65. As exclusões do ICMS (por responsabilidade própria), da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS a autoridade fiscal tem por indevidas, com fundamento nos arts. 3º, §8º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, no art. 31, da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, no art. 2º, da Lei nº 9.718/98 e no art. 23, do Decreto nº 4.524/2002, pois a legislação não prevê a exclusão de outros tributos além do IPI e do ICMS substituição, pelo que somente estes impostos foram excluídos pelas autoridades fiscais na determinação de ofício do fator de rateio. 66. Realça o TVF que a própria contribuinte, a partir de dezembro de 2013, passou a excluir da apenas o IPI e o ICMS substituição. I.2.3.2. Erro na determinação da receita de vendas no mercado interno: 67. Expõe o TVF que a contribuinte extratou a receita de vendas no mercado interno da conta contábil “23A01A00LOCAL”, o que distorceu o cálculo, porque nesta conta figuram lançamentos que modificam o montante da receita bruta, dentre os quais os ajustes que representa os veículos faturados que ainda estão no pátio do estabelecimento, com lançamentos a crédito e a débito (cujo histórico possui o texto “REVERSAO DE VENDAS NÃO EMBARC”). 68. Menciona que, como referenciados ajustes não foram considerados pela contribuinte na definição da receita de vendas para cálculo do débito das contribuições, também não devem ser considerados para cálculo do rateio. I.2.3.3. Erro na composição da receita de exportação: 69. O TVF expõe que, na receita de exportação, a contribuinte, além da venda de produtos fabricados pela filial em Camaçari, considerou as de “CKD” 8. 70. Fala que a filial em Camaçari adota sistema de condomínio industrial em que a participação dos fornecedores ocorre diretamente na montagem e no processo de produção, num contexto de logística unificada que reduz o número de componentes fabricados dentro das montadoras (que priorizam o desenho, a montagem e a distribuição dos veículos) e deixa para os fornecedores a fabricação dos componentes e peças e a montagem dos módulos. 71. Cita que, no caso da FORD, “a maior parte dos módulos e peças são produzidos pelos fornecedores, cabendo à filial em Camaçari apenas a compra dos kits para exportação”, fato corroborado pela resposta ao Termo de Intimação que foi lavrado em 25/09/2015, ocasião em que a intimada apresentou planilha identificando quais peças foram produzidas pela empresa e quais foram compradas e não sofreram qualquer processo de industrialização. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 713 17 72. Esclarece o TVF que “Os produtos identificados pela empresa como fabricados foram incluídos no anexo D, linha ‘exportações – peças e CKD’, influenciando no total das saídas de produção” e pontua que a “caracterização de exportação de CKD como revenda tem reflexo na determinação do percentual de rateio dos veículos vendidos no mercado interno e exportados”. 73. Consigna, outrossim, que a definição do fator de rateio é importante para a adequada distribuição dos créditos das contribuições, aqui vinculados aos custos de industrialização, e que o incentivo da Lei nº 9.440/97 deve ser calculado sobre as vendas de produtos de fabricação própria, pelo que os créditos devem ser calculados somente sobre os custos, despesas e encargos vinculados a estas vendas. 74. Ressalta que se os CKD “comprados pela empresa (revenda) fossem incluídos no anexo D, o percentual correspondente a estes componentes apropriaria uma parcela dos créditos dos custos, despesas e encargos vinculados à fabricação de bens, sem que, para isso, tivesse utilizado quaisquer destes insumos”. 75. Ademais, consigna que o próprio sujeito passivo, no cálculo do fator de rateio, computou, nas vendas no mercado interno, apenas as dos veículos fabricados e que este mesmo critério deveria ter sido adotado em relação ao CKD, pois, da forma como procedeu, acabou reduzindo o valor das vendas internas e, ao considerar todas as vendas de CKD, aumentou o valor das exportações, reduzindo, dessa forma, o percentual de vendas no mercado interno. 76. Finaliza este item expondo que, na apuração de ofício do fator de rateio, não foram incluídas as vendas de CKD que não foram submetidas na filial a qualquer industrialização, mas tão somente àqueles em houve alguma industrialização (para o que foi utilizada a informação prestada pela própria empresa) e, além disto, explicita que também não foram incluídas as saídas de motores e transmissões pois, apesar de terem sido informadas como fabricadas, estas peças foram produzidas, na realidade, exclusivamente pela filial em Taubaté e transferidas para outras filiais, consoante se poderia extrais do site da empresa (ford.com.br). I.2.3.4. Não inclusão das receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus: 77. O TVF proclama que a contribuinte não considerou, nas vendas no mercado interno, aquelas efetuadas para revendedores localizados na Zona Franca de Manaus ZFM, que são tributadas à alíquota zero (art. 2º, da Lei nº 10.996, de 15/12/2004), mas apenas as realizadas a consumidores finais e tributadas sob alíquotas positivas. 78. Menciona que o art. 17, da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, garantiu a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, alíquota zero e não incidência, razão por que na Fl. 721DF CARF MF 18 apuração de ofício as vendas para os revendedores localizados na ZFM compuseram as vendas internas para fins de cálculo do fato de rateio, de modo a apropriar os créditos correspondentes. I.3. Da Apuração do incentivo da Lei nº 9.440/97, da Apuração do IPI (Anexo A) e dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação: 79. No item “5 – APURAÇÃO DE OFÍCIO DO INCENTIVO DA LEI 9.440”, o TVF explica como procedeu ao cálculo do benefício, reportandose aos anexos do Termo. 80. No item 6, comenta que o incentivo analisado é concedido por meio de crédito presumido de IPI, sendo que o art. 6º, §§1º, 2º e 3º, do Decreto nº 2.179/97, dispõe sobre a escrituração e o aproveitamento dos créditos: “Art. 6º Os ‘Beneficiários’ poderão obter, até 31 de dezembro de 1999: (...) VI crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no inciso IV do art. 2º. § 1º O créditopresumido de que trata o inciso VI será escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI e utilizado mediante dedução do imposto devido em razão das saídas de produtos do estabelecimento que apurar o referido crédito.(Redação dada pelo Decreto nº 6.556, de 2008) § 2º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte.(Incluído pelo Decreto nº 6.556, de 2008) § 3º O crédito presumido de que trata o inciso VI, não aproveitado na forma dos §§ 1º e 2º, poderá, ao final de cada trimestrecalendário, ser aproveitado de conformidade com o disposto no art. 208 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, observadas as regras específicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Incluído pelo Decreto nº 6.556, de 2008)”. 81. Anota que, após a apuração de ofício do crédito presumido de IPI, os valores do benefício apurados pela contribuinte foram reduzidos, influenciando na apuração do saldo do imposto, o que resultou na exigência, de ofício, consoante detalhado no Anexo A e abaixo resumido9: Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 714 19 82. Por fim, o TVF, após reproduzir o art. 268, do Decreto nº 7.212/2010, noticia, em seu item 7, que, na apuração de ofício do IPI, foram encontrados valores distintos dos apurados pela contribuinte, e, em consequência, os créditos disponíveis para ressarcimento foram ajustados pela Fiscalização, consoante segue: II. Manifestação de Inconformidade: II.1. Do incentivo previsto na Lei nº 9.440 e da sua análise jurídica: 83. A defendente expõe que, para atingir os objetivos da EM nº 613, de 18/12/1996– que segundo literalmente mencionado pela recorrente seria “estabelecer política de desenvolvimento industrial do País, em conjunto com a concessão de incentivos de natureza fiscal, para viabilizar as condições econômicas necessárias à regionalização da indústria automobilística, assegurando inclusive a importação de produtos relacionados nas alíneas ‘a’ a ‘g’ do § 1º” a MP nº 1.532, desta mesma data, convertida na Lei nº 9.440/97, concedeu diversos benefícios fiscais, dentre os quais o do inciso IX, do art. 1º, de referida Lei. 84. Afiança que os benefícios listados nos nove incisos do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, seriam correlacionados e possibilitariam uma adequada proporção entre a política de desenvolvimento Fl. 723DF CARF MF 20 regional mediante estímulos à produção de bens manufaturados, tanto destinados ao mercado interno, quanto ao externo, assegurando balanço cambial positivo entre as importações e as exportações. 85. Quanto ao crédito presumido de IPI em testilha, fala que o art. 6º, IV, do Decreto nº 2.179/97, preconizou que incentivo previsto no inciso IX, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, corresponde ao dobro (depois 1,9, 1,8 e 1,7) do valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas em cada mês sobre o faturamento (sem distinguir a natureza ou a origem das receitas que o compõe), que deve ser o foco na interpretação do incentivo previsto no inciso IX, do art. 1º, e no art. 11A, de referida Lei. 86. Externa ser incontroverso que o faturamento engloba o valor das receitas auferidas pela pessoa jurídica com a venda de bens e mercadorias, a prestação de serviços ou com ambas e sobre isto reproduziu o texto do caput do art. 1°, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como ementa de decisão do STF no RE 390.840/MG. 87. Anota ser vedado “à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente” e conjectura que, porquanto a Lei nº 9.440/97 determina que o benefício contendido corresponde ao dobro (depois 1,9, 1,8 e 1,7) das contribuições incidentes sobre o faturamento, não pode o intérprete restringir ou alargar o conceito e a natureza jurídica deste instituto; ademais, afiança inexistir norma que exclua do faturamento receitas que o integra, legal e materialmente. 88. Continuando, aduz que, consoante consta da EM n° 166, de 19/11/2009, a prorrogação do incentivo previsto na Lei nº 9.440/97 foi justificada pela significativa evolução do nível de empregos formais nas Regiões onde situadas as plantas da indústria automotiva beneficiada pela Lei n° 9.440/97 e pelo desempenho das relações comerciais ligadas ao setor automotivo nestas localidades, o que demonstraria o acerto das medidas até então adotadas. 89. Aponta que, dentre outros, pelos fundamentos constantes da EM nº 166/2009, foi editada a MP 471, de 20/11/2009 (convertida na Lei nº 12.218/2010), que introduziu o art. 11A à Lei nº 9.440/97 (vide item 21 acima), estendendo o prazo para fruição do crédito presumido analisado, que passou a ser calculado a partir de fator aplicado sobre os valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas, em cada mês, decorrentes de “vendas no mercado interno”. 90. Pondera que, apesar de o legislador ter usado expressão diversa, a base de cálculo do incentivo é a mesma do inciso IX, do art. 1°, da Lei n° 9.440/97, pois o valor das “vendas no mercado interno” tem natureza jurídica e econômica igual à do faturamento. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 715 21 91. Diz que o art. 2°, caput e §§ 1°, 2° e 3°, do Decreto n° 7.422, de 31/12/2010, reitera que o incentivo analisado deve ser calculado a partir das vendas no mercado interno. 92. Acentua que “que o § único do artigo 3o do mesmo Decreto n°. 7.422/2010, estabelece que o crédito presumido de IPI preconizado no caput corresponde ao tributo incidente nas saídas do estabelecimento industrial dos produtos ‘nacionais ou importados diretamente pelo beneficiário’, com isto afastando qualquer outra interpretação que não seja a de incluir no cômputo do faturamento a que se refere o seu artigo 2o e ao disposto no inciso IX, do artigo 1o, da Lei n°. 9.440, toda a receita de venda de veículos, sejam de origem nacional, sejam importados”. 93. Encerrando este item, conclui a manifestante que a base de cálculo do crédito presumido contendido é o faturamento, sem distinção da origem das receitas que o compõem, a não ser a de que elas decorram de vendas no mercado interno. II.2. Da alegação de que o benefício deve ser apurado sobre as receitas de vendas de veículos importados: 94. A recorrente articula que “na interpretação de normas está consagrado o emprego do método sistemático, que orienta o estudioso a não examinar o dispositivo de forma isolada senão correlacionandoo dentro da pirâmide normativa que encerra o sistema jurídico, como leciona KELSEN, para extrair o alcance, a finalidade e o objetivo da norma sob investigação”. 95. Em seguida, diz que o art. 1º, do Decreto nº 3.893/2001, e art. 135, do RIPI/ 2010, encerram disposição sem amparo na Lei nº 9.440/97, que emprega a expressão “faturamento” ao se referir à base de cálculo da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS sobre a qual deve ser calculado o crédito presumido de IPI, e, assim, as normas regulamentares desatende ao comando do art. 99, do CTN. 96. Consigna, também, que, aos moldes do art. 1A, do Decreto n° 3.893/200110, a vigência da disposição embutida em seu art. 1° é taxativamente limitada e que nesta hipótese se enquadra a recorrente, pois, desde os anos de 2003 e 2004, apura, pela ordem, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sob o regime nãocumulativo e, portanto, o crédito presumido de IPI a que tem direito corresponde ao dobro (depois 1,9, 1,8 e 1,7) do valor dessas contribuições calculado sobre as vendas no mercado interno, considerando os débitos e créditos referentes a estas operações de vendas, inclusive daquelas concernentes a veículos importados. 97. Avante, reportandose ao argumento da Fiscalização de que, em relação à revenda de bens importados, a manifestante não seria industrial, mas, tãosomente, a este equiparado, aduz que é o estabelecimento de Camaçari que promove o desembaraço aduaneiro dos veículos importados, tanto que à fl. 24 do TVF é citado que as Notas Fiscais de entrada são emitidas pelo CNPJ Fl. 725DF CARF MF 22 03.470.727/001607, que é o de inscrição deste estabelecimento fabril. 98. Ademais, censura a distinção da Fiscalização entre bens vendidos e mercadorias revendidas, pois “o elemento nuclear do incentivo fiscal é o ‘faturamento’ e/ou as ‘vendas no mercado interno’ realizadas pelas empresas nela referidas, como a Requerente, portanto, abarcando uns e outra”. 99. Também critica a tese da Fiscalização de que o incentivo examinado alcançaria apenas as vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento, porquanto “o legislador dispôs é que ‘as empresas referidas no § 1º do art. 1º, poderão apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno’ (art. 11A), sendo que tais empresas são aquelas ‘instaladas nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, e que sejam montadoras e fabricantes de veículos automotores de passageiros’ (§ 1°, art. 1°)” – ao que atende a manifestante, pois é montadora e fabricante de veículos automotores que são por ela vendidos no mercado interno. 100. Adiante, realça que, como expresso na EM nº 166/2009, o estabelecimento da contribuinte em Camaçari contribuiu com números impares para a participação nacional da Bahia nos indicadores de empregos formais na indústria automobilística, nos volumes de exportação e de importação, na participação no PIB e na competitividade dos fabricantes nela instalados, o que se corrobora pela informação inserida no próprio TVF de que a FORD gerou 12.806 empregos formais, circunstância que a requerente tem como consequência direta da atividade de fabricação, montagem e venda de veículos, inclusive importados. 101. Justifica que a importação de veículos e a sua subseqüente venda no mercado interno se inserem e complementam a política desenvolvimentista de regionalização industrial da Lei n° 9.440/97, pois esta atividade é desempenhada de forma integrada, dentro de um contexto de relações comerciais amplas que agregam tanto o mercado interno quanto o de exportação, aliado à colaboração de técnicos e demais pessoas habilitadas, com a realização de investimentos necessários para a adaptação e a concretização de facilidades portuárias necessárias à operação de desembaraço dos bens, para ambos os mercados. 102. Comenta que a indústria automotiva não se estabelece nem se desenvolve sem complementação entre as diversas plantas situadas em inúmeros países e os respectivos mercados e que, neste aspecto, a recorrente projeta e desenvolve modelos no Centro de Desenvolvimento de Produtos em Camaçari (um dos oito centros globais de criação de veículos e um dos especializados em carros compactos da FORD, no âmbito do projeto Amazon). Ademais, cita que o modelo Eco Sport é o primeiro carro global de passageiros da marca FORD criado na América do Sul e exportado para outros países, o que demonstraria que a esta indústria pressupõe fluxo de importações e de exportações, não sendo a planta industrial em Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 716 23 Camaçari uma unidade isolada, mas inserida em uma organização mundial. 103. Expressa que vários dispositivos regulamentares estabelecem comandos cujos sentidos são aperfeiçoados mediante a integração entre os mercados interno e externo. No intuito de evidenciar este fato, reproduz os arts. 5º, 6º (incisos III e IV), 9º, 11 e 15, VI, do Decreto nº 2.179/97. 104. Sustenta que a Exposição de Motivos da Lei nº 12.407, de 19/05/2011, e o Relatório de Prestação de Constas Ordinária Anual, referenciados pela Fiscalização, robustecem a interpretação da manifestante em face dos investimentos realizados em Camaçari e que culminaram na instalação de planta industrial para a produção de veículos automotores. 105. Estriba sua tese no reconhecimento do MDIC, em manifestação ao TCU, de que a política instaurada pela Lei nº 9.440/97 resultou no desenvolvimento da produção nacional, na redução de importações e no aumento de empregos direitos/indiretos, pelo que tem por devida a inclusão das vendas de veículos importados no cálculo do incentivo, pois o próprio Órgão Governamental admite “as importações como fazendo parte da atividade estimulada, tanto que aponta no mesmo item 2.2.5.15 haver redução no volume das mesmas, o que implica afirmar que não veda e nem as desconhece como sendo parte integrante das especificidades do setor”. 106. Sustenta que a ausência da palavra “importação” no pedido de habilitação ao incentivo da Lei nº 9.440/97 não prejudicaria o entendimento da recorrente, pois inconcebível a instalação de qualquer planta industrial, especialmente no setor da defendente,divorciada do contexto em que seu mercado se desenvolve, e, assim, seria necessário assentir que a importação de partes, peças e veículos é parte integrante da atividade; giza, ademais, que os atos administrativos que aprovaram a habilitação da manifestante não impedem, coíbem ou vedam inclusão da revenda de veículos importados na base de cálculo do incentivo. 107. Avante, afirma que o TVF procura respaldo na SCI COSIT nº 17/2012, a qual a recorrente reputa em desacordo com a interpretação literal imposta pelo art. 111, do CTN, porquanto as Leis nº 9.440/97 e 12.218/2010 definem o faturamento ou as vendas no mercado interno como parâmetro para apuração das contribuições sociais e, assim, do crédito presumido de IPI (transcreve ementas de Acórdãos do CARF para corroborar sua alegação). 108. Historia que o art. 6º, caput e inciso VI, do Decreto nº 2.179/97, fixou o faturamento como base do incentivo analisado e que, depois, o art. 1º, do Decreto n° 3.893/2001, restringiu o benefício ao faturamento da venda de produtos de fabricação própria –o que, além de ilegal, não figura no art. 1ºA, do Decreto nº 2.179/97, introduzido pelo Decreto nº 5.710, de 24/02/2006. Consigna, além disto, que o art. 2º, do Decreto nº Fl. 727DF CARF MF 24 7.422/2010 (que estabelece que a base de cálculo do incentivo é o faturamento “decorrente das vendas no mercado interno”), alude aos produtos referidos no art. 2º, IV, do Decreto n° 2.179/97 remissão que o sujeito passivo tem por equivocada, pois tal dispositivo define os beneficiários dos incentivos (dentre os quais as montadoras e fabricantes de veículos automotores). 109. Assevera que, por ser a recorrente montadora e fabricante de veículos automotores, pode gozar do incentivo fiscal, sendo que os demais veículos por ela comercializados, ainda que importados, estão listados nas alíneas do inciso IV, do artigo 2°, do Decreto n° 2.179/97, sendo inviável a exclusão do faturamento auferido no mercado interno com a venda de veículos importados do cômputo do incentivo. 110. Reproba o raciocínio de sobredita SCI de que o alcance da Lei nº 9.440/97 deveria ser definido no contexto em que editada (a partir do que concluiu a SCI que, por ser uma norma dirigida ao desenvolvimento regional e relacionada ao aumento dos postos de trabalho, estaria afastado o benefício examinado em relação aos veículos importados), porque, além de ser inviável “interpretação extensiva ao se tratar de benefícios fiscais”, a contribuinte, ao ativar porto marítimo para realizar suas operações de comércio exterior, estaria fomentando o desenvolvimento regional e proporcionando o aumento de postos de trabalho. 111. Quanto ao índice mínimo da nacionalização de bens em cuja produção forem utilizados insumos importados (cuja possibilidade de fixação foi conferida ao Poder Executivo pelo art. 7°, da Lei n° 9.440/97), articula não ter havido a definição deste índice, sendo possível apenas a conclusão que o Poder Executivo não entendeu necessário utilizar tal faculdade e que, ao contrário da conclusão atingida pela SCI, isto milita em favor da defendente, pois não há como prever que, se regulamentação houvesse, excluiria por completo os veículos importados. 112. Repreende, ainda, a conclusão da SCI de que a possibilidade, preceituada no art. 11A, §3º, da Lei nº 9.440/97, de utilização, na base de cálculo do incentivo, de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da importação e da aquisição de insumos seria bastante para concluir ser inviável o cômputo do faturamento auferido com a venda de veículos, pois, segundo a recorrente, tal utilização sinaliza, apenas, a intenção do legislador de permitir crédito das contribuições sobre custo, despesa ou encargo suportado pelo adquirente, mas “em absoluto quer representar a vedação do PIS e da COFINS incorridos na importação de veículos, para venda no mercado interno, compondo o faturamento”. 113. A última desaprovação à enfocada SCI se dirige a ventilada analogia entre a Leis n° 9.826/99 e 9.440/97, pois inviável a comparação entre os incentivos disciplinados por estas leis, já que o primeiro tem por base o próprio IPI incidente na venda de veículos (art. 1º, §2º), enquanto o segundo. Ademais, reflexiona que, mesmo que assim não fosse, a analogia pressupõe a Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 717 25 ausência de norma (art. 108, I, do CTN) o que aqui inocorre e, além disto, de seu emprego não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei (§1º), nem, mutatis mutandis, na glosa de crédito tributário efetuado em conformidade com a lei. 114. Para argumentar, pondera que a SCI não produz os efeitos previstos nos arts. 46 a 53, do Decreto nº 70.235/72, nos arts. 88 a 192, do Decreto nº 7.574/2011, e no art. 14, da IN RFB nº 740, de 02/05/2007, pois a requerente não formulou o questionamento e, mesmo que produzisse tais efeitos, isto somente ocorreria a partir da data de sua publicação, o que ainda não ocorreu validamente, pois o ato apenas foi divulgado na internet, o que desatenderia o ditame do art. 37, da CF/88, da Lei Complementar n° 95, de 26/02/1998, do art. 1°, da Lei de Introdução ao Código Civil, c/c o art. 101, do CTN, e, especialmente, o comando do art. 48, §4°, da Lei n° 9.430/96, pois apenas a veiculação por intermédio do Diário Oficial da União é que teria o condão de tornar o ato válido para todos os efeitos legais. 115. Conclui, ao final, ser impertinente excluir “do faturamento da Requerente as receitas auferidas com a venda de veículos importados para fins de apuração do PIS e da COFINS e, conseguintemente, do crédito presumido de IPI da Lei n° 9.440”. II.3. Da alegação de inocorrência de erro no método para determinação dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS: 116. A manifestante frisa que, consoante a própria Fiscalização admite na pág. 27 do TVF, a Lei nº 9.440/97 não determinar qual método deva ser utilizado para definir os créditos da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS a serem considerados no cálculo das contribuições devidas para fins de determinação do incentivo sub ocullis; por conseguinte, a defendente conclui que, no cálculo do benefício está submetida a regra específica da Lei n° 9.440/97 e não está vinculada ao critério utilizado pela matriz. 117. Medita que está sob regência, de um lado, da Lei n° 9.440, e, de outro lado, das Leis n°s. 10.637 e 10.833, que devem ser interpretadas harmonicamente entre si, não se confundindo a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS pelo estabelecimento incentivado para levantamento do crédito presumido de IPI com a quantificação destas mesmas contribuições em relação à pessoa jurídica da qual ela é parte integrante, como filial. 118. Ventila que, se adotasse o mesmo método pelo qual optou a matriz, violaria a Lei n° 9.440/97, pois há custos, despesas e encargos inerentes à matriz, mas não ao estabelecimento em Camaçari – o que inclusive reconheceu a Fiscalização ao dizer na 28ª pág. do TVF que “a apuração da matriz nada mais é que a soma das parcelas das filiais. Logo, o cálculo do PIS e Cofins devidos pela Fl. 729DF CARF MF 26 filial deve estar dentro do cálculo das contribuições da Matriz, inclusive e principalmente, o cálculo do incentivo, sob pena de causar uma distorção no valor incentivado”. 119. Exemplifica que, na apuração dos valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidos pela matriz, podem ser apropriados créditos atinente a custos, despesas e encargos relativos a produtos exportados, ao passo que, no cálculo do crédito presumido de IPI debatido, somente podem ser computados os montantes destas contribuições que incidiram sobre o faturamento decorrente de vendas no mercado interno. 120. Sustenta ser indiferente que crédito em relação a determinado insumo seja calculado de uma forma pela matriz e de outra pela filial, pois a questão não é de lógica ou de razoabilidade, como aduz o TVF, mas legal. 121. Em face do exposto, tem por imprópria a adoção, no levantamento realizado pela Fiscalização, do método de rateio proporcional pelo qual optara a matriz, que não goza do incentivo analisado, para fins de apuração do benefício fiscal guerreado. II.4. Quanto aos créditos originados de outros estabelecimentos: 122. A contribuinte articula que o estabelecimento da FORD em Taubaté transfere insumos para a defendente para emprego na produção e, nestas operações, a remetente utiliza a base de cálculo para fins do ICMS, conforme o RICMS/SP, aprovado pelo Decreto n° 45.490, de 30/11/2000, que assim dispõe: “Artigo 39 Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo é (Lei 6.374/89, art. 26, na redação da Lei 10.619/00, art. 1.º, XV, e Convênio ICMS3/95): (...) II o custo da mercadoria produzida, assim entendido a soma do custo da matériaprima, do material secundário, da mãodeobra e do acondicionamento, atualizado monetariamente na data da ocorrência do fato gerador;” 123. Desfia que o RICMS/BA, baixado pelo Decreto n° 6.824, de 14/03/1997, assim estabelece a base de cálculo nas operações de transferências entre estabelecimentos: “Art. 56 A base de cálculo do ICMS, nas operações internas e interestaduais realizadas por comerciantes, industriais, produtores, extratores e geradores, quando não prevista expressamente de forma diversa em outro dispositivo regulamentar, é: (...) V na saída de mercadoria em transferência para estabelecimento situado em outra unidade da Federação, pertencente ao mesmo titular: (...) Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 718 27 b) o custo da mercadoria produzida, assim entendido a soma do custo da matériaprima, material secundário, acondicionamento e mãodeobra;” 124. Diz que são divergentes os dispositivos regulamentares acima, pois enquanto o primeiro determina a atualização monetária do custo, o segundo não contempla essa majoração. Ademais, menciona que, como a requerente está situada no Estado da Bahia, submetese à legislação emanada do sujeito ativo ao qual está jurisdicionada e, assim, nas operações de transferência de insumos provenientes de Taubaté, não reconhece na base de cálculo adotada pelo estabelecimento remetente aquelas parcelas não autorizadas pela legislação baiana. II.5. Da contestação da alegação fiscal de que a receita bruta teria sido indevidamente reduzida em razão da exclusão de tributos: 125. A recorrente diz que excluiu, da receita bruta, tributos não cumulativos que por ela são recuperáveis, mantendo o mesmo critério adotado na apuração dos créditos concernentes à contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. 126. Complementa que tem por descabida a inclusão do ICMS como parcela integrante do faturamento, pois não é legal, nem juridicamente possível, admitirse que, no conceito de faturamento, possa ser incluída parcela que não o integre. 127. Fala que o ICMS não constitui riqueza da contribuinte com as operações de venda de produtos e/ou mercadorias, sendo ônus fiscal a que está submetida por imperativo legal, sendo o mesmo raciocínio aplicável à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS. 128. Sublinha que, segundo palavras do Ministro Marco Aurélio, “se alguém fatura ICMS, esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria”, e sustenta ser incabível, aos moldes do art. 110, do CTN, a alteração da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, “utilizados expressa ou implicitamente pela legislação que engloba o sistema jurídico pátrio, para definir ou limitar competências tributárias”. 129. Reportase à repercussão geral sobre a questão, declarada nos RE n° 574.7069 e n° 592.616, e à concessão de medida cautela na Ação Direta de Constitucionalidade n° 18. 130. Em razão do exposto, afirma inexistir erro na determinação da receita bruta. II.6. Dos ajustes relativos a veículos faturados que não deram saída do estabelecimento: 131. Quanto aos ajustes de “veículos faturados, mas que não deram saída do estabelecimento”, externa a manifestante que Fl. 731DF CARF MF 28 “não tendo havido a saída dos produtos do estabelecimento fabril, os documentos fiscais não compuseram o faturamento, que foi suspenso, para ser reconhecido o respectivo valor quando concretizado” e que, quando muito, poderseia “conjecturar tratarse de postergação, com a consequência de tornar ocorridos os seus efeitos para o cômputo da receita bruta do período seguinte, inocorrendo prejuízos ao Fisco”. II.7. Da irresignação no tocante à afirmação fiscal de erro nas receitas de exportação: 132. A recorrente diz que o TVF afirma que “No caso do CKD, a maior parte dos módulos e peças, são produzidos pelos fornecedores’” e pondera que “se a própria Fiscalização reconhece e admite que a ‘maior parte dos módulos e peças’ são produzidos pelos fornecedores, a boa lógica e o sempre oportuno bom senso faz com que a menor parte dos módulos e peças são efetivamente produzidas pela Requerente, o que aliás encontra se corroborado pela resposta a intimação de 25/09/2015 e acolhida pela Fiscalização”. 133. Ratifica que o CKD corresponde a kit composto por diversas partes necessárias à montagem de veículos, que são produzidas tanto pelos fornecedores como pela defendente, que por esta são reunidas para exportação e, em seguida, menciona as definições de industrialização e montagem constante do art. 3°, caput e inciso III, do RIPI/2002, a partir das quais tem como claro “que não se trata de simples revenda de bens para exportação como equivocadamente entendeu a Fiscalização, sendo desarrazoada a glosa perpetrada neste item, quanto à exclusão das receitas de exportação de CKD's do cálculo do rateio”. 134. Afirma, ainda, que o direito a crédito das contribuições alcança todos os custos, despesas e encargos necessários à atividade da defendente e que geram faturamento ou receitas de venda no mercado interno e não somente aqueles relacionados à industrialização. 135. Aduz que como a Fiscalização, no rateio, excluiu parte das exportações de CKD, caracterizadas, segundo a recorrente erroneamente, como revenda de partes produzidas por seus fornecedores no estabelecimento da recorrente, os valores estornados não poderiam ser acrescidos às vendas no mercado interno (Anexo D) e influenciar os créditos das contribuições. II.8. Da contestação à inclusão das receitas de vendas de veículos à Zona Franca de Manaus para fins de cálculo do percentual de rateio: 136. A contribuinte especula que, segundo art. 40, do Ato das Disposições Transitórias da CF/88, a ZFM tem características de área de livre comércio, de exportação e importação e que o art. 4°, do Decreto Lei n° 288, de 28/02/1967, assim preconiza: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 719 29 137. Exterioriza que o art. 5°, I, da Lei n° 10.637/2002, e o art. 6°, I, da Lei n° 10.833/2003, determinam a não incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre receitas de exportação; logo, avalia pertinente a exclusão das vendas realizadas para destinatários localizados na Zona Franca de Manaus, por serem equiparadas a exportação. II.9. Do pedido: 138. Dado todo o exposto, a manifestante requereu; (i) a suspensão da cobrança dos débitos compensados; (ii) a reforma do Despacho Decisório, na parte em que não homologou parcela das compensações, e o integral reconhecimento do crédito de IPI atinente ao 1º trimestre de 2014, com o total deferimento do PER apresentado; e (iii) por consequência, a total homologação das DCOMP objeto deste processo administrativo. III. Da Resolução: 139. Em sessão de 25/01/2017, esta Turma converteu o julgamento em diligência, consoante Resolução de fls. 280/302, nos termos literais abaixo reproduzidos: "139. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade; no entanto, constatase que o julgamento da lide depende da realização de diligência. 140. É que, ao que indicam os elementos constantes dos autos em especial o “Anexo A”, do TVF , foram considerados ressarcíveis/compensáveis tanto os valores dos créditos de IPI pelas entradas (créditos básicos), assim como as importâncias a título de “outros créditos” e, ainda, os valores dos créditos presumidos previstos nos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97. 141. Ocorre que a Solução de Consulta Interna nº 25, expedida aos 23/09/2016 pela COSIT, cuja íntegra é ora anexada aos presentes autos às fls. 270/279, conclui que os créditos previstos nos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, não seriam ressarcíveis. Confirase a ementa desta SCI: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Somente é permitido o ressarcimento de créditos presumidos do IPI quando haja expressa previsão legal ou regulamentar. Por ausência de expressa previsão legal ou regulamentar, não são passíveis de ressarcimento os créditos presumidos do IPI criados pelos artigos 11A e 11B da Lei nº 9.440, de 1997. Dispositivos Legais: IN RFB nº 1.300, de 12 de agosto de 2008, artigo 21, § 3º; Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, arts. 256 e 268; Decreto nº 7.389, de 09 de dezembro de 2010; Decreto nº 7.422, de 31 de dezembro de 2010”. 142. Além disto, visando confirmar a eventual necessidade de providências desta Turma para fins de dar atendimento à Fl. 733DF CARF MF 30 disposição contida no inciso III, do art. 3º, da Portaria RFB nº 1.668, de 29/11/201611, são necessárias informações sobre a eventual formalização da multa de ofício de que trata o §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, em razão da nãohomologação de compensações realizadas com o crédito de IPI relativo ao 2ª trimestre de 2012 ao 3º trimestre de 2014, objeto de Manifestações de Inconformidade interpostas nos processos listados no item 3 acima, cujos julgamentos também foram convertidos em diligência nesta sessão. 143. Diante do que consta acima, e levandose em conta que ainda não transcorreu o prazo de 05 (cinco) anos da entrega das Declarações de Compensação em que aproveitados os créditos de IPI alusivos aos 2º trimestre de 2012 ao 3º trimestre de 2014, voto, com fundamento no art. 18, do Decreto nº 70.235/72, no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: 143.1 verifique, a seu exclusivo juízo, relativamente à parcela do crédito cujo ressarcimento/compensação foi admitida nos processos administrativos listados no item 3 desta Resolução, eventuais reflexos decorrentes do disposto na SCI COSIT nº 25/2016 (inclusive, se for o caso, no que respeita aos “outros créditos”), e adote, quanto à parte não litigiosa do direito creditório que foi reconhecido por meio dos Despachos Decisórios proferidos naqueles autos, as medidas que a respeito entender oportunas; 143.2. do mesmo modo, avalie eventuais conseqüências que entenda advindas do disposto na SCI COSIT nº 25/2016 em relação à parcela do crédito cujo ressarcimento/compensação foi negado e que é objeto de litígio nos processos administrativos referidos no subitem anterior, as quais serão posteriormente examinadas por este Colegiado quando do julgamento das Manifestações de Inconformidade interpostas naqueles processos administrativos, cujos julgamentos também foram convertidos em diligência nesta sessão; 143.3. examine e indique, se for o caso, eventuais reflexos da SCI COSIT nº 25/2016 que entenda devam ser considerados na autuação tratada no presente processo administrativo, os quais serão examinados por este Colegiado quando do julgamento da Impugnação; 143.4. informe sobre a eventual formalização da multa de ofício de que trata o §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, em razão da nãohomologação de compensações realizadas com os créditos de IPI relativos ao 2° trimestre de 2012 ao 3º trimestre de 2014, que são tratados nos processos administrativos relacionados no item 3 desta Resolução; 143.5. dê ciência à diligenciada das conclusões a que atingir, facultandolhe pronunciamento a respeito no prazo de 30 (trinta) dias, após o que os correntes autos devem ser devolvidos a esta Turma para continuidade do julgamento". IV. Da Informação Fiscal: Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 720 31 140. Concluída a diligência solicitada, foi elaborada a Informação Fiscal de fls. 304/327, que, inicialmente, expõe que, no âmbito da RFB, o ressarcimento e a compensação estão disciplinados pela Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012, cujos arts. 21 e 41 foram reproduzidos. 141. Em seguida, discorre sobre o histórico normativo, abaixo sintetizado, relacionado à criação/regulamentação de diversos créditos presumidos de IPI: 141.1. crédito presumido de IPI, criado pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996, como ressarcimento das contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes nas compras de insumos no mercado interno utilizados por empresas exportadoras, cujo texto legal expressamente admitiu a possibilidade do ressarcimento do crédito; 141.2. crédito presumido de IPI criado pela Lei nº 9.440, de 14/03/199712, com vigência até 31/12/1999, correspondente ao dobro da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre o faturamento das empresas referidas no §1º , do art. 1º, de referida Lei, a qual, sem prever a possibilidade de ressarcimento/compensação, autorizou que regulamento dispusesse sobre a utilização do comentado crédito (§14, do art. 1º), o que foi efetivado pelo Decreto nº 2.179, de 10/03/1997, que, inicialmente, não trouxe autorização para ressarcimento/compensação do comentado crédito presumido; 141.2.1. prorrogação, prevista no inciso IV, do art. 11, da Lei nº 9.440/97, da vigência do sobredito benefício para o período de janeiro de 2000 a dezembro de 2010, o que foi promovido pelo Decreto nº 3.893, de 22/08/2001; 141.2.2. autorização de ressarcimento/compensação, dos comentados créditos presumidos de IPI excedentes, aos moldes do art. 6º, IV e §§1º a 3º, do Decreto nº 6.556, de 08/09/2008, c/c o art. 135, §6º, do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010; 141.3. crédito presumido de IPI, criado pelo art. 11A, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Lei nº 12.218, de 30/03/2010, com vigência de janeiro de 2011 a dezembro de 2015, apurado no valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno, multiplicado por: (i) 2 (dois), no período de 01/01 a 31/12/2011; (ii) 1,9 (um inteiro e nove décimos), no período de 01/01 a 31/12/2012; (iii) 1,8 (um inteiro e oito décimos), no período de 01/01 a 31/12/2013; (iv) 1,7 (um inteiro e sete décimos), no período de 01/01 a 31/12/2014; e (v) 1,5 (um inteiro e cinco décimos), no período de 01/01 a 31/12/2015; 141.3.1. aduz a Informação Fiscal que, apesar de estarem no mesmo diploma legal e de guardarem semelhança, o incentivo do art. 11A, da Lei nº 9.440/97 não se confunde com o do inciso IX, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, pois: (i) o art. 11 não foi revogado Fl. 735DF CARF MF 32 ou alterado; (ii) os benefícios têm vigências distintas e bem delimitadas; (iii) a apuração do crédito presumido estabelecida no art. 11A, cujo multiplicador varia ao longo do tempo (de 2 a 1,5), é diferente do incentivo do art. 11, cujo multiplicado é fixo (dobro);e (iv) o novo benefício exige condicionantes para fruição, tais como investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região de instalação, que não constam do benefício anterior (art. 11A, §4º); 141.3.2. ademais, menciona que o comentado benefício foi regulamentado pelo Decreto nº 7.422, de 31/12/2010, que, tal como a Lei nº 12.218/2010, não traz qualquer referência à possibilidade de ressarcimento; 141.4. crédito presumido de IPI previsto no art. 11B, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Medida Provisória nº 512, de 25/11/2010 (convertida na Lei nº 12.407, de 19/05/2011), equivalente ao resultado da aplicação das alíquotas do art. 1º, da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, sobre o valor das vendas no mercado interno (débitos), em cada mês, multiplicado por (i) 2 (dois), até o 12º mês de fruição do beneficio; (ii) 1,9 (um inteiro e nove décimos), do 13º ao 24º mês de fruição do benefício; (iii) 1,8 (um inteiro e oito décimos), do 25º ao 36º mês de fruição do benefício; (iv) 1,7 (um inteiro e sete décimos), do 37º ao 48º mês de fruição do benefício; e (v) 1,5 (um inteiro e cinco décimos), do 49º ao 60º mês de fruição do benefício; 141.4.1. menciona que o comentado incentivo foi regulamentado pelo Decreto nº 7.389, de 09/12/2010, que, assim como a Lei nº 12.407/2011, não faz qualquer referencia ou menção à possibilidade de ressarcimento de eventual saldo credor; 141.5. crédito presumido de IPI, criado pelo art. 56, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2011, equivalente a 3% do valor do imposto destacado na Nota Fiscal, cuja norma de instituição não faz qualquer referência ou menção à possibilidade de ressarcimento de eventual saldo credor; 141.6. crédito presumido de IPI criado pela Lei nº 12.715, de 17/09/2012, para o qual o Decreto nº 7.819, de 03/10/2012, expressamente admitiu o ressarcimento/compensação, aos moldes de seu art. 15, §§1º a 3º. 142. Feito o apanhado acima, a Informação Fiscal faz remissão aos arts. 256 a 258, do Decreto nº 7.212/2010 que tratam das normas gerais para utilização dos créditos de IPI e deixam claro que o eventual saldo credor do imposto apenas pode ser utilizado de acordo com as normas expedidas pela RFB; ademais, reproduziu o art. 268, deste Decreto. 143. A partir das normas apresentadas, conclui a Informação Fiscal que "sempre que a legislação quis oferecer ao contribuinte a possibilidade de requerer o ressarcimento em espécie ou utilizar em compensações os créditos presumidos do IPI o fez expressamente" e que "Como visto, não há para o crédito presumido de IPI instituído pelos artigos 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, introduzidos pelas Leis nº 12.218/2010 e 12.407/2011, respectivamente, expressa autorização legal ou Fl. 736DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 721 33 regulamentar que conceda a estes créditos a prerrogativas de ressarcíveis ou compensáveis e, portanto, passíveis de utilização em PERDCOMP. Também, pelo mesmo fundamento, não é ressarcível o crédito de que trata o art. 56, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835/2001", pelo que tais créditos "não atendem às exigências previstas no § 3º, do art. 21, da Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012. Por esse motivo, não podem ser objeto de ressarcimento". 144. Então, comenta a sistemática da nãocumulatividade do IPI disposta no art. 225, do Decreto nº 7.212/2010, e as distintas espécies de créditos do imposto previstos na legislação tributária (básicos, por devolução ou retorno, incentivados, presumidos e de outras naturezas) e destaca que os arts. 256 e 257, do Decreto nº 7.212/2010, e o art. 11, da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, estabelecem a regra geral de que os créditos de IPI apenas sejam utilizados para deduzir o imposto devido na saída de produtos do estabelecimento, repisando que o aproveitamento mediante ressarcimento/compensação depende de previsão legal expressa. 145. Alude que, nos termos dos arts. 226 a 250, do RIPI, e no art. 21, §3º, I, da IN RFB nº 1.300/2012, para que o crédito seja ressarcido/compensado é necessário que se refira à aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem aplicados na industrialização, pelo que, "dos créditos escriturados pelo contribuinte somente são passíveis de ressarcimento aqueles decorrentes de aquisição de insumos e transferências para industrialização, pois todos esses insumos foram utilizados em processos de industrialização", sendo que "Os demais créditos não são ressarcíveis, uma vez que as operações de que foram originados não são definidas como industrialização. As devoluções se referem a veículos anteriormente produzidos. Ou seja, não sofreram nenhum processo de industrialização posterior. Do mesmo medo, as mercadorias recebidas em transferência de outras filiais e que foram objeto de comercialização". 146. Conclui, do mesmo modo, que "os veículos adquiridos no exterior e revendidos no país também não sofreram nenhuma operação de industrialização, ocorrendo uma simples comercialização. Esse fato foi suficientemente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, em especial nas páginas 12, 21 e 24". 147. Em item intitulado "DOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO", a Informação Fiscal expõe que a contribuinte apresentou Pedidos de Ressarcimento em cuja Ficha "Notas fiscais de créditos extemporâneos e demais créditos" informou créditos presumidos de IPI dos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, que foram reduzidos na apuração fiscal inicial. 148. Menciona que "adveio a publicação da SCI nº 25/2016, que, em caráter interpretativo, concluiu que os créditos presumidos Fl. 737DF CARF MF 34 do IPI criados pelos artigos 11A e 11B da Lei 9.440/97 não são ressarcíveis. Esta conclusão está corroborada no item 2 dessa informação fiscal", pelo foi necessária a apuração e classificação dos créditos, de modo a identificar quais são ressarcíveis, ou não, e o reflexo disto no lançamento de ofício e nos Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação. 149. Elucida que a reclassificação de créditos pode repercutir nos valores lançados de ofício, pois os montantes objeto de pedido de ressarcimento são deduzidos na escrita fiscal do IPI e, assim, nos meses em que há excesso de débitos em relação aos créditos, o saldo devedor não é reduzido pelo saldo credor anterior que poderia existir caso não houvesse o ressarcimento, sendo que, com a reclassificação dos créditos para não ressarcíveis, referidos valores permanecem na escrita fiscal, acumulando para o mês posterior a fim de compensar com o IPI devido. 150. Adiante, no item "5 CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS EM RESSARCÍVEIS E NÃO RESSARCÍVEIS", elucida que, diante das razões expostas, foram considerados ressarcíveis as entradas sob os CFOP nº 1101, 1124, 1151, 2101, 2122, 2124, 2401, 2151 e 2653 e, por exclusão, "os demais créditos decorrentes das entradas foram considerados como não ressarcíveis. Na mesma classificação, seguindo o que já foi exposto, ficam também os créditos escriturados como 'outros créditos do IPI', uma vez que são escriturados no RAIPI como decorrentes dos créditos presumidos do IPI (artigos 11A e 11B da Lei 9.440 e artigo 56 da MP 2.15835/2001), além de ajustes diversos, como notas de crédito, estorno de material de consumo, débitos indevidos, notas canceladas, etc". 151. Registra que, na apuração do saldo passível de ressarcimento, inicialmente foram descontados, do saldo devedor, os créditos não ressarcíveis e, nos períodos em que estes foram superiores aos débitos, os créditos ressarcíveis ficaram integralmente disponíveis para ressarcimento. 152. Prosseguindo, a Informação Fiscal elabora demonstrativo, por trimestre, dos valores passíveis de ressarcimento (2º trimestre de 2012 ao 4º trimestre de 2014), tendo ressaltado que, como os valores ressarcíveis "estão menores do que os apurados anteriormente, fazse necessária a emissão de Despacho Decisório Revisor, cuja competência é do Delegado da Receita Federal do Brasil em Lauro de Freitas. Havendo a emissão do Despacho, com o não ressarcimento dos demais créditos e a respectiva manutenção na escrita fiscal, ocorrerá alterações nos períodos em que houve saldo devedor e lançamento de ofício", conforme demonstrativo que apresenta. V. Do Segundo Despacho Decisório: 153. Embasado na Informação Fiscal acima, e, ainda, com fundamento no art. 149 da Lei n° 5.172. de 25/10/1966, nos arts. 48 e 53 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, e, também, em consonância com as Súmulas n° 346 e 473, do STF, foi proferido um segundo Despacho Decisório, que reviu aquele anteriormente proferido nos presentes autos, para deferir, Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 722 35 parcialmente, o pedido de ressarcimento de IPI, referente ao 1º trimestre de 2014, e reconhecer o direito a ressarcimento na importância de R$ 6.690.955,29 e, por decorrência, homologar, no limite direito creditório cujo ressarcimento foi admitido, as compensações declaradas pelo sujeito passivo. 154. Ressaltou o aludido Despacho Decisório que: (i) "verificou se eventuais reflexos (consequências) decorrentes do disposto na SCI COSIT n° 25/2016 (fls. 270279), tanto com relação à parte não litigiosa do direito creditório reconhecido, quanto com relação à parte litigiosa que, desde então, já era e continua sendo objeto deste Processo Administrativo"; e (ii) não foi alterado o saldo credor apurado pelo procedimento fiscal anterior, mas apenas houve a reclassificação dos créditos como "ressarcíveis" ou "não ressarcíveis", sendo que apenas a primeira parcela foi considerada disponível para fins de ressarcimento. VI. Da segunda Manifestação de Inconformidade: 155. Cientificado aos 04/08/2017, fl. 373, a contribuinte, aos 30/08/2017, fl. 375, protocolizou a Manifestação de Inconformidade de fls. 377/426, por meio da qual se pronuncia sobre a diligência realizada e sobre o Despacho Decisório de fls. 330/332. 156. Suscita, preliminarmente, nulidade da Resolução expedida nos presentes autos, que converteu o julgamento em diligência, pois seu objeto teria extrapolado os limites da competência deste Colegiado, na medida em que apenas uma das determinações de referida diligência estaria relacionada com os fatos narrados nos autos, e, destarte, esta Turma teria agido como órgão preparador e autuante, determinando a realização de lançamento, atividade privativa da autoridade fiscal, aos moldes do art. 142, do CTN. 157. Censura, ademais, ser incabível que a Resolução resolva que "que a autoridade fiscal reveja as homologações e. pior, informe sobre a formalização da multa de oficio nos processos de compensação", pois a realização de diligências e perícias "expressamente previstas no processo administrativo, visam a dirimir dúvidas acerca da matéria posta em litígio, pelo contribuinte ou de ofício, mas limitadas à parte controversa da exação". 158. Quanto à multa isolada, complementa que sequer a autoridade fiscal respondeu à DRJ o que evidenciaria a usurpação de competência por este Colegiado e afirma que, "ao se considerar o artigo 116, II do CTN, por se tratar de direito positivo, o lançamento da multa isolada somente poderia ser efetuado após a decisão definitiva desfavorável ao contribuinte no processo que glosou a compensação, ocasião na qual se caracterizaria o então fato gerador". 159. Exproba que "nos termos do Decreto n° 70.235/72, art. 59, II (art. 12 do Decreto n° 7.574/2011, com a redação dada pelo Fl. 739DF CARF MF 36 Decreto n° 8.853/2016), é nula a decisão da DRJ, posto que além de proferida por autoridade incompetente, usurpou o direito de defesa da Requerente ao determinar a aplicação, pela fiscalização, de Solução de Consulta posterior e da qual a requente não foi cientificada". 160. Ademais, alega que a Solução de Consulta Interna seria inócua no caso vertente, por quatro razões: (i) extinção do crédito tributários por compensação e inaplicabilidade do art. 149, do CTN; (ii) irretroatividade dos efeitos da SCI; (iii) o objeto da SCI não atinge os fatos tratados nos presentes autos; e (iv) cerceamento do direito de defesa. 161. Quanto ao primeiro ponto, aduz que, nos termos do art. 74, §2º, da Lei nº 9.430/96, a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, que foi operada, em relação à fração inicialmente homologada, pelo primeiro Despacho Decisório proferido nos correntes autos, que extinguiu, definitivamente, os débitos compensados, nos termos do art. 156, II, do CTN, persistindo apenas a discussão da parcela da compensação que não fora homologada, aos moldes do §9º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. 162. Pondera que o legislador não previu a possibilidade de as compensações homologadas serem objeto de revisão, justamente por as considerarem definitivas e irreformáveis, tratandose a homologação de ato jurídico perfeito, completo e definitivo, cuja anulação/modificação depende da existência de eventuais vícios, o que não estaria caracterizado neste processo administrativo. 163. Censura que, apesar disto, este Colegiado teria determinado "a conversão do julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal revisse r. Despacho Decisório (...) para que fosse aplicado o entendimento perfilhado na Solução de Consulta Interna proferida em momento posterior ao Despacho Decisório", o que foi feito por Despacho Revisor da Unidade de Origem, que "fundamenta, com a devida vênia, a tentativa de refazer ressurgir o lançamento que estava extinto, no artigo 149 do CTN, nos arts. 48 e 53, da Lei nº 9.784/99 e Súmulas 346 e 473 do STF". 164. Quanto ao art. 149, do CTN, alega que não estaria caracterizada, in casu, nenhuma das hipóteses para revisão do lançamento, ali taxativamente previstas, e que a falta de indicação específica, no Despacho Decisório revisor, do inciso supostamente aplicado, dáse, justamente, porque o art. 149, do CTN, cuida de lançamento de ofício e não é aplicável às Declarações de Compensação tratadas neste processo administrativo. 165. Quanto às Súmulas 346 e 473, do STF, argumenta que elas não suportariam adequadamente a justificativa para o Despacho Decisório revisor, pois "não há qualquer vício no Despacho Decisório (...) bem como a SCI (cujo entendimento se pretendeu aplicar) sequer existia quando proferida a decisão que homologou a compensação". E pondera que "ainda que o entendimento adotado pela decisão consubstanciada no r. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 723 37 Despacho Decisório fosse divergente daquele posteriormente trazido pela Solução de Consulta Interna, isso não implica, de forma alguma, em qualquer tipo de ilegalidade ou vício da decisão a ensejar a sua revisão de ofício. Contrariedade não é ilegalidade". 166. Assegura que a revisão de ofício somente seria cabível "nas estritas hipóteses de excesso de exação, abuso de poder ou ilegalidade, mas nunca na hipótese, descontentamento do órgão julgador acerca do resultado, decorrente de exclusiva divergência de interpretação", pois, do contrário, "seria possível admitirse processo infindáveis, intermináveis, nos quais, independentemente da decisão final proferida, as autoridades administrativas sempre poderiam encontram alternativas para inovar o fundamento e impedir direito reconhecido dos contribuintes". 167. Remetese, por analogia, a julgamento do STJ no MS 8.810/DF, que conclui pela incompetência de o Ministro de Estado da Fazenda cassar decisões do CARF sob o fundamento de que o Colegiado errou na interpretação da Lei. 168. Sobre o segundo aspecto, pontua que a sobredita Solução de Consulta não poderia incidir retroativamente, porque, inexistente vício ou ilegalidade na decisão proferida, descabida a revisão de oficio pela autoridade administrativa das homologações das compensações já efetuadas; destarte, "apresentada a impugnação, caberia à autoridade julgadora, tão somente, apreciar a questão nos termos em que postos ao contribuinte, não podendo alterar o critério jurídico após a apresentação da defesa". 169. Outrossim, sublinha desconhecer a Solução de Consulta que, não publicada em repositório oficial, não produz efeitos em relação à defendente, aos moldes do art. 2º, parágrafo único, inciso V, da Lei nº 9.784/9913. Quanto ao temário, relembra que o art. 1º, do DecretoLei n° 4.657, de 04/09/1942, a lei e também todo e qualquer ato de norma cogente "começa a vigorar em todo o país 45 dias depois de oficialmente publicada", sendo que esta medida não é suprida pela veiculação em sítio na rede mundial internet. 170. Avalia que tampouco a juntada aos autos da reportada SCI tem o condão de conferir força de norma cogente a ato não oficialmente publicado; contrariamente, esta medida apenas deixa claro que a requerente apenas veio a ter conhecimento de reportado ato ao ser intimada a ser pronunciar sobre a Informação Fiscal. 171. Reportase ao disposto no art. 5º, II, da CF/88, e pondera que a "Consulta Fiscal deve ter caráter nitidamente instrutivo e deve ser aplicada pela administração pública de forma ética e orientadora, com a finalidade única de atribuir segurança jurídica no cumprimento das obrigações fiscais" e, para ter validade perante todos os contribuintes, "deve atender à legalidade, a legitimidade, a eficiência, moralidade e Fl. 741DF CARF MF 38 publicidade, vinculando o órgão Consultado à obrigação de atuação ética com a exclusiva finalidade de garantir a segurança jurídica". 172. Aduz que a alegada falta de publicidade da SCI já seria suficiente para afastar sua aplicação a fatos pretéritos, haja visto o disposto no art. 37, da CF/88, em especial o princípio da publicidade. 173. Complementa que o Decreto nº 70.235/72, justamente para garantir a segurança jurídica, veda a instauração de procedimento fiscal relativo à espécie consultada até o trigésimo dia subsequente à ciência do consulente sobre a decisão final da consulta, de modo a permitir ao contribuinte a sua adequação à orientação apontada pela Solução de Consulta; logo, a defendente reputa ainda mais gravosa a aplicação do por ela desconhecido entendimento perfilhado na SCI a fatos pretéritos e a créditos tributários já definitivamente extintos por decisão homologatória. 174. Encerrando este ponto, pondera que, ainda que fosse aplicável a SCI, isto apenas poderia ocorrer, em observância à segurança jurídica e ao direito de defesa, para casos futuros, mas jamais retroativamente, indevidamente afetando créditos tributários extintos por compensação já homologada, mediante evidente alteração de critério jurídico do lançamento. 175. Na sequência, a contribuinte expõe que o art. 11B, da Lei nº 9.440/97 que diz ser o único objeto da multicitada SCI , não foi, em momento algum, questionado no caso vertente: muito pelo contrário, foi inteiramente convalidado. 176. Exproba que a resposta à consulta formulada abrangeu, de modo equivocado como se fossem questão única, os incentivos dos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, quando apenas o segundo foi objeto da consulta, pelo que reputa que a resposta dada excedeu os limites da controvérsia e extrapolou a sua competência, razão por que não teria legítimos efeitos vinculantes às unidades da RFB. 177. Observa, ainda, que "o único intuito precípuo da Consulta Tributária foi desviado posto que somente o contribuinte (notoriamente conhecido por se tratar de Montadora sediada no Estado de Minas Gerais) localizado na jurisdição da DRF Consulente (em Contagem/MG) poderia receber em transferência créditos de IPI decorrentes da norma contida no art. 11B da Lei 9.440/97, não havendo, portanto, abrangência nacional e eventual divergência (ao menos que tenha sido expressamente demonstrada), entre unidades de RFB". 178. Critica que "a d. fiscalização passou a considerar a SCI n° 25/2016 (por indevida determinação da DRJ) como decisão verdadeiramente vinculante aos demais órgãos da administração pública, equiparando a Cosit a um órgão máximo de Julgamento administrativo". 179. Então, por mais este motivo, reputa inaplicável a SCI ao caso vertente. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 724 39 180. O quarto motivo indicado para a nãoaplicação da SCI é que seus efeitos apenas poderiam incidir sobre a requerente depois que ela conhecesse todos os seus termos, sobremaneira a suposta divergência de interpretação, dita como existente (reportase à frase "tendo em vista a divergência de entendimento sobre o assunto entre unidades da RFB", constante do item 2, do Relatório da SCI). 181. Argumenta que "se há entendimentos divergentes significa dizer que há unidades da própria RFB que se posicionam no sentido favorável ao defendido pela Requerente. Por outro lado, considerando que são pouquíssimos os contribuintes enquadrados nos termos da Lei n° 9.440/97, é muito provável que a unidade da jurisdição da Requerente seja, até então, favorável ao entendimento do contribuinte, o que é corroborado pelo Despacho Decisório n° 131/2016, que extinguiu o crédito tributário". Destarte, tem como transparente a alteração de critério jurídico, mesmo depois de extinto o débito, o que desrespeitaria o art. 146, do CTN, e ensejaria preterição do direito de defesa do sujeito passivo e, consequentemente, a nulidade do ato, haja vista o comando contido no art. 59, II, do CTN. 182. Fala que o autuante, "ao lançar de oficio e glosar parcialmente as compensações, apenas levou em consideração, naquele momento e em seu entender, a impossibilidade de inclusão das receitas de venda dos veículos importados e a metodologia utilizada, nada obstando quanto à compensação do crédito presumido, quando verificado excedente ao final do trimestrecalendário". Para evidenciar, reproduziu o seguinte trecho do TVF: "Devese considerar, ainda, que a filial de Camaçari utiliza o saldo credor do IPI, que está fortemente influenciado pelo crédito presumido decorrente da Lei 9.440 para compensar débito de PIS e COFINS apurados pela matriz. Ou seja, a filial de Camaçari utiliza um incentivo cuja base de apuração é o PIS e a COFINS devidos para pagar débitos decorrentes desses mesmos tributos". 183. Destarte, tem como nítida a alteração de critério jurídico. 184. Avante, por argumentação, censura o mérito da enfocada SCI, pois: (i) os arts. 1º, IX, 11A e 11B contêm o mesmo comando legal; e (ii) o Decreto nº 2.179/1997 prevê a possibilidade de ressarcimento de crédito presumido. 185. Inicialmente, diz que a própria COSIT considera que os arts. 11A e 11B "carregam o mesmo comando legal, sendo a interpretação da natureza de um a extensão do outro". 186. Detalha que o art. 1º, IX, da Lei nº 9.440/97, prevê o crédito presumido de IPI, com vigência até 31/12/1999 e que, por sua vez, o art. 11, desta Lei, previu a possibilidade de "extensão" Fl. 743DF CARF MF 40 deste dispositivo até 31/12/2010, como ocorreu no caso da contribuinte. 187. Comenta que, terminado o prazo de vigência do caput do art. 11, da Lei nº 9.430/97, o art. 11A, da mesma Lei, incluído pela Lei nº 12.218/2010, estabeleceu hipóteses de apuração do crédito presumido de IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, decorrentes de vendas no mercado interno, estabelecendo a forma e a quantificação destes créditos. 188. Outrossim, narra que, por sua vez, o art. 11B, da Lei nº 9.440/97, inserido pela Lei nº 12.407, de 19/05/2011, "especificando o próprio §1° do artigo 1o, prevê os mesmos benefícios, apenas estabelecendo que as empresas habilitadas nos termos do art. 12 farão jus ao benefício 'desde que apresentem projetos que contemplem novos investimentos e a pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos ou novos modelos de produtos já existentes'". 189. Reprova a conclusão da SCI COSIT nº 25/2016 de que os créditos dos arts. 11 A e 11B, da Lei nº 9.440/97, não seriam ressarcíveis/compensáveis por falta de previsão legal nem teriam sido tratados pela IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012 que, no seu capítulo III versa, especificamente, do ressarcimento de créditos de IPI , pois, apesar deste entendimento, "não há como se negar que tais artigos são extensões da previsão legal trazida pelo artigo 1o da Lei n° 9.440/11 (sic) que trata do benefício fiscal originário do Decreto 2.179/97 (sic)". 190. Ressalta que a IN RFB 1.300, ao tratar, aos 20/12/2012, do crédito do art. 1º, inciso IX cuja vigência foi encerrada aos 31/12/1999 evidentemente o fez por considerar que os arts. 11 A e 11B são extensão do incentivo, pois, contrariamente, "é admitir que o legislador administrativo gastou tinta e seu precioso tempo com um dispositivo legal que nenhum efeito mais produzia", pelo que reputa que "as letras A e B do artigo 11 tratam tão somente de metodologias distintas de apuração do credito, razão pela qual seus respectivos decretos regulamentadores previam respectiva e somente tal metodologia diferenciada (sic)". 191. Frisa que o Relatório Fiscal, em diversas passagens, admite o entendimento de que os benefícios fiscais previstos nos art. 11 A e 11B, da Lei nº 9.440/97, seriam variações daquele instituído pelo art. 1º, desta Lei, o que pretende demonstrar pelos seguintes excertos: "Pelo exposto, concluise que o incentivo instituído pelo artigo 1o, inciso IX, combinado com o artigo 11A, da Lei n° 9.440, e disposições regulamentares, somente poderá ser utilizado pelos estabelecimentos industriais descritos no §1° do referido artigo 1o, alcançando exclusivamente as vendas dos produtos resultantes das industrializações executadas nestes estabelecimentos e referidas no artigo 4º do RIPI/2010. (pág. 14, do Relatório Fiscal, com grifo da peticionante). "Também a Exposição de Motivos da Lei 12.407/2011 (EM n° 175/MF,MDIC/MCT), Fl. 744DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 725 41 que incluiu o artigo 11B na Lei nº 9.440, menciona que o incentivo existente visa direcionar investimentos da indústria automotiva para as regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Confirma, ainda, que a Lei 12.218 teve por objetivo garantir os benefícios do programa em relação ao aumento do emprego, exportações e produção do setor automotivo nas regiões abrangidas. Por fim, ressalta que a atração de investimentos na indústria automotiva tem efeitos multiplicadores devido à atração de fabricantes de autopeças para a região" (pág. 15, do Relatório Fiscal, com grifo da recorrente). 192. Aduz que "a fiscalização Federal, ao autuar a Requerente, pontificou o entendimento segundo o qual o art. 11A é uma extensão do art. 1o da Lei 9440/97 e, por sua vez, o art. 11B tem a mesma natureza que aquele (...) e não por outro motivo são o próprio artigo 11 em si, apenas acrescido das letras A e B", existindo uma mera "alteração de metodologia de apuração quando da introdução do 11A e do 11B, permanecendo o incentivo, sempre, como sendo um crédito de IPI como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS". 193. Sustenta, quanto ao incentivo do art. 11A, que a própria exposição de Motivos da MP nº 471/2009, convertida na Lei nº 12.218/2010, cita a necessidade de prorrogar os incentivos estabelecidos pelas Leis nº 9.440/97 e 9.826/99 e, quanto ao benefício fiscal do art. 11B, aduz que a exposição de motivos da MP nº 512/2010, convertida na Lei nº 12.407/2011, expõe que apenas as empresas já habilitadas poderiam apresentar projetos e fala de reabertura de prazo ao regime previsto na Lei: "6. A prorrogação da vigência dos incentivos fiscais estabelecidos nas Leis nº 9.440, de 1997 e nº 9.826, de 1999, por um período adicional de 5 (cinco) anos, enseja a manutenção de medidas indutoras da melhoria dos níveis de investimento, produção, vendas e emprego e propiciara a preservação do potencial competitivo da indústria automotiva brasileira, podendo atrair ainda novas inversões para a região". http:/www.planalto.gov.br/ccivil 03/ Ato2007 20iO/2009/Exm/EMl 66MFMCTMDIC 09Mpv471.htm "8. O art. 1o da presente minuta propõe, portanto, o acréscimo do Art. I 1 B à Lei n° 9,440, de 1997, para permitir, com o § 2º do novo artigo, a reabertura de prazo até 29 de dezembro de 2010 para que as empresas hoje habilitadas ao regime previsto na referida Lei possam apresentar novos projetos de investimento produtivos". http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Ato2007 2010/2010/Exm/EMI175mfmdicmct Mpv51010.htm 194. Exterioriza que apenas os empreendimentos habilitados, até 31/05/1997, "puderam e podem usufruir da norma prevista pelo art. 12 da Lei nº 9.440/1997" e que as empresas habilitadas em 1997 "firmaram um Termo de compromisso com o Ministério de Fl. 745DF CARF MF 42 Desenvolvimento Indústria e Comércio cujo número permaneceu inalterado, tendo apenas aditivos de rerratifícação quando da introdução dos artigos 11A e 11B Termo de Compromisso MDIC/SDP n° 168 I (11), II (11B) e III (11A)". 195. Finaliza este ponto dizendo que, caso prevalecesse o entendimento da discutida SCI, deveria ter sido reaberto prazo para habilitação de novos empreendimentos, quando da introdução na legislação dos aqui comentados artigos 11A e 11 B, o que não ocorreu. 196. Continuando, sustenta que os Decretos nº 7.389, de 09/12/2010, e 7.422, de 31/12/2010, apenas regulamentam as alterações da metodologia de apuração dos créditos, mas não interferem na então vigente regulamentação da Lei nº 9.440/97; logo, o Decreto nº 2.179/97 cujo art. 6º, §3º, com a redação dada pelo Decreto nº 6.556/2008, dispõe sobre o aproveitamento do crédito presumido conferido por citada Lei não foi revogado, nem expressa tampouco tacitamente, por nenhum dispositivo normativo posterior, sendo o comando normativo aplicável, portanto, tanto em relação ao incentivo do art. 1º, quanto aos dos arts. 11 A e 11B, todos da Lei nº 9.440/97. 197. Estima a contribuinte os Decretos nº 7.389/2010 e 7.422/2010 não têm sequer previsão da possibilidade de lançamento do crédito presumido de IPI na escrita fiscal do IPI para abatimento deste imposto, mas, apesar disto, seria absurdo o entendimento de que isto não poderia ser realizado, porque, do contrário, os arts. 11A e 11B representariam um "nada jurídico" e afirma que "Os Decretos não tratam da forma do aproveitamento do Crédito Presumido posto que por serem da mesma natureza do artigo 1º, inciso IX da lei n° 9.440/97, tal previsão já consta expressamente do §3° do artigo 6o do Decreto 2179/97". 198. Inobstante, advoga que, se o saldo credor, "ordinário" do IPI, decursivo de operações normais do estabelecimento industrial, é passível de ressarcimento/compensação (art. 268, do RIPI), "não é crivei interpretar que um crédito 'extraordinário', para fomento da indústria e, mais ainda, de região do País, encontre o óbice pretendido pela SC". 199. Destaca que o art. 135, do RIPI, dispõe sobre o crédito presumido da Lei nº 9.440/97 e estabelece, em seu §6º, que, caso reste saldo ao final de cada trimestre calendário, ele pode ser aproveitado segundo o disposto no art. 268, do RIPI, e nas disposições da RFB, sendo impertinente o argumento de que os incentivos dos arts. 11A e 11B teriam instituído novo crédito presumido ou de natureza distinta, pois estes artigos estão incorporados ao próprio texto da Lei nº 9.440/97, além do que " inseremse no mesmo contexto em que o Poder Legislativo estabeleceu política de incentivo e incremento ao desenvolvimento da indústria automobilística, criando estímulos a que a mesma se deslocasse para outras Regiões do País que o próprio legislador pretendeu estimular mediante a oportunidade de que indústrias nestas Regiões se instalassem e criassem novos polos de desenvolvimento e geração de riquezas e postos de trabalho". Fl. 746DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 726 43 200. Garante que, por meio dos arts. 11A e 11B, o legislador apenas prorrogou, até 31/12/2015, o mesmo crédito presumido já previsto no art. 11, da Lei nº 9.440/97, que possuía limitação no tempo até 31/12/2010, cujas hipóteses de utilização e aproveitamento estão contidas no art. 135, do RIPI. E diz que tanto é assim que "Houvesse a intenção do legislador ao baixar o RIPI em 15/06/2010 estabelecer hipótese diversa de aproveitamento dos créditos relativos aos arts. 11A e 11B da Lei n° 9.440, introduzidas pela Lei n° 12.218, editada em 30/03/2010 e, por certo, teria ou haveria de ter estabelecido clara e expressamente, o que por evidente não o fez". 201. Em seguida, discorre sobre o aproveitamento de créditos de IPI na forma preconizada pelo §6º, do art. 135, c/c o art. 268, do RIPI, e fala que a autorização para ressarcimento/compensação deste créditos está contida no art. 21, §§ 2º e 3º, inciso III, da IN/RFB n° 1.300/2012, na medida em que os arts. 11A e 11B da Lei n° 9.440 tratam do mesmo crédito presumido do inciso IX, do art. 1º. 202. Ressalta que, quando pretendeu vedar o ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, a RFB expressamente o fez, como ocorreu em relação a outro incentivo do setor automotivo o INOVAR AUTO, regulamentado pelo Decreto nº 7.819, de 03/10/2012, cujo art. 15, apesar de permitir a compensação com outros tributos federais da matriz, veda este procedimento se o crédito for transferido por outro estabelecimento. 203. Desaprova a interpretação da SCI porquanto ela tornaria "letra morta" tanto os arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, quanto o §3º, do art. 6º, do Decreto nº 2.179/1997, com a redação dada pelo Decreto nº 6.556/2008. 204. Argumenta que a interpretação literal dos dispositivos que concedem incentivo fiscal, aos moldes do art. 111, do CTN, não pode se dar ao ponto de restringir o direito e de desvirtuar a intenção da concessão do incentivo, tornandoo inócuo. 205. Outrossim, adverte que aqui não se está tratando mero incentivo fiscal, mas, sim, um contrato firmado entre as partes e que prevê diversas condições como, de um lado, as hipóteses e a forma de apuração do crédito presumido de IPI e, de outro, por exemplo, a obrigação de a Requerente em apresentar investimentos em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região a ser fomentada (aqui, reporta se ao Termo de Compromisso aditivo que trata do crédito presumido de IPI no período de 01/01/2011 a 31/12/2015) e cujo descumprimento unilateral pode implicar em denúncia por descumprimento e, inclusive, render ensejo a perdas e danos. 206. Destaca que tanto a lei, como o contrato firmado, "garantem claramente que o crédito presumido será concedido como forma de RESSARCIMENTO do PIS e da COFINS", razão por que eventual dispositivo em sentido contrário estaria Fl. 747DF CARF MF 44 contrariando a legalidade, a vontade do legislador e, sobremaneira, o contrato firmado pelo Governo Federal. 207. Em item do recurso intitulado "DO MÉRITO", a interessada repisa as razões de defesa inicialmente apresentadas. 208. Neste tópico, reportandose às ponderações do TVF relatadas nos itens 50 e 51 acima, censura que elas teriam vários equívocos e que, inclusive, a exigência de "DACON segregado" foi criado pela Fiscalização e inexiste na legislação regente, que só prevê a entrega do DACON pela matriz, com as operações centralizadas. 209. Diz que, num suposto hercúleo esforço, que não pode ter o condão de confundir os intérpretes e julgadores, para retirar o que o Governo Federal formalizou por meio de contrato administrativo, a Fiscalização faz tamanho desalinho com conceitos/institutos jurídicos a partir do qual seria possível concluir que o crédito presumido da Lei n° 9440/97 se refere à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS devidas pela empresa, o que não tem amparo legal, eis que a opção da matriz não exerce qualquer interferência no valor do crédito presumido aqui tratado. 210. Fazendo remissão ao exemplo da distorção apontada pela Fiscalização em relação ao mês de julho de 2012, relatado no item 50 acima, aduz que este é o único período em que o efeito ali apontado ocorre, o que pretende patentear por meio de planilha na qual se poderia verificar que "em todos os outros períodos, a utilizar o método preconizado pela d. fiscalização, a Requerente não ultrapassa o limite do fator do crédito presumido, ao contrário, tomou crédito menor que o permitido por esse método da fiscalização. Estarseá, pois, a contrário senso, sendo reconhecido um crédito adicional no valor de 200.247.744,23". 211. E complementa que "Talvez, aí sim, estarseia a assumir a possibilidade de que seja encontrado um valor de benefício maior do que o pretendido peio legislador, aumentando indevidamente a renúncia fiscal", pelo que " a conclusão inobjetável é aquela segundo a qual a alegação fiscal é improcedente, sendo improcedente também o lançamento de oficio e as glosas", mas, caso assim não se entenda, requereu "seja reconhecido o crédito em favor da Requerente no valor acima mencionado". 212. Dadas as razões acima, requereu: (i) seja anulada a decisão da DRJ que converteu o julgamento em diligência, e, por decorrência, seja julgada a impugnação anteriormente apresentada; e (ii) seja tornada sem efeito e decretada a nulidade da Informação Fiscal proferida nos autos do processo nº 13502.721584/201536 para que ela não produza quaisquer consequências para o presente processo; e (iii) seja anulado o Despacho Decisório Revisor proferido nos presentes autos. E, se não acolhidas as preliminares, requer que: (i) seja reformado o aludido Despacho Decisório Revisor para que sejam homologados os créditos que já estavam extintos nos termos do Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 727 45 Despacho Decisório anteriormente proferido neste processo administrativo; e (ii) sejam deferido o pedido de ressarcimento aqui tratado e homologadas as compensações remanescentes, nos termos expostos na Manifestação de Inconformidade anteriormente interposta." Segue transcrita a seguir a Ementa apresentada na decisão de primeira instância: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA ESPECÍFICA. DESCABIMENTO. Descabido, por falta de falta de previsão normativa específica, o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de IPI criados pelos art. 11A e 11B da Lei nº 9.440, de 1997, que não se confundem com o crédito presumido do imposto previsto no inciso IX, do art. 1º, e art. 11, IV, da Lei nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NO ART. 11A, DA LEI Nº 9.440/97. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que trata o art. 11 A, da Lei nº 9.440/97, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ART. 11A, DA LEI Nº 9.440/97. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto no art. 11A, da Lei nº 9.440/97, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da nãocumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DOS CORRESPONDENTES CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE Fl. 749DF CARF MF 46 APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NO ART. 11A, DA LEI Nº 9.440/97. As receitas de vendas de veículo para consumo na Zona Franca de Manaus estão submetidas à alíquota zero, não tendo natureza de receitas de exportação, devendo ser mantidos os respectivos créditos para o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que trata o art. 11A, da Lei nº 9.440/97. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 LEI. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO OU INOBSERVÂNCIA. VEDAÇÃO AOS ÓRGÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Ressalvadas as hipóteses, não configuradas nos autos, previstas do art. 26 A, §6º, do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 19, §5º, da Lei nº 10.522/2002, é vedado aos órgãos de julgamento administrativo de primeira instância, sob fundamento de inconstitucionalidade, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO A SER RESSARCIDO/ COMPENSADO. APARENTE VÍCIO DE LEGALIDADE. DILIGÊNCIA PARA EXAME PELA AUTORIDADE ADMINSTRATIVA COMPETENTE. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Em face do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, é dever da autoridade administrativa submeter, à autoridade competente para eventualmente rever o ato, aparente vício de legalidade no reconhecimento de crédito a ser ressarcido/compensado para adoção das medidas que aquela autoridade acaso reputar pertinentes, pelo que é impertinente a preliminar de nulidade de Resolução que, sem adentrar no mérito da questão, com este objetivo encaminha os autos à Unidade de Origem em diligência. DESPACHO DECISÓRIO HOMOLOGATÓRIO DE COMPENSAÇÃO. REVISÃO. POSSIBILIDADE NO PRAZO DE CINCO ANOS DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O Despacho Decisório que homologar compensação pode ser revisto no prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da correspondente Declaração de Compensação. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO. DEVOLUÇÃO DO PRAZO PARA A CONTRIBUINTE SE PRONUNCIAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPERTINÊNCIA. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 728 47 É impertinente a alegação de ocorrência de cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo de Despacho Decisório que, no prazo de cinco anos da transmissão da Declaração de Compensação, revê Despacho Decisório anteriormente emitido, deixa de homologar compensações realizadas com crédito presumido de IPI não passível de ressarcimento/ compensação e devolve o prazo para que a contribuinte se pronuncie a respeito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Em fls. 635, a União apresentou sua contra razões e reforçou os argumentos dos Despachos Decisório e decisão de primeira instância. Após protocolado o Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos nos termos do Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. DA PRELIMINAR DE NULIDADE É preciso trazer aos autos as razões pelas quais se forma a convicção de que o presente procedimento administrativo não está em condições de julgamento. Em Recurso Voluntário o contribuinte apresentou suas razões para a anulação do Acórdão recorrido. Em resumo, é possível verificar que a DRJ/PE impulsionou a revisão do lançamento, com reformatio in pejus ao contribuinte, de acordo com a Resolução desta delegacia de fls 280. Fl. 751DF CARF MF 48 Ficou evidente que a glosa inicial, da autoridade lançadora, concordou com os cálculos do crédito presumido a serem ressarcidos, conforme trechos do TVF original, anexo ao primeiro Despacho Decisório, reproduzido parcialmente a seguir: "O benefício previsto no artigo 11B foi devidamente analisado e constatamos que os valores apurados estão corretos." Com fundamento na SCI n.º 25 de 2016, apontada pela DRJ, a autoridade de origem refez o Despacho Decisório original e afirmou justamente o contrário, afirmou que os créditos não são ressarcíveis, nos moldes dessa solução de consulta. Seria diferente se a autoridade de origem, sem qualquer movimentação alheia, sem inércia, revisasse seu Despacho Decisório. Ainda assim, por mais que os órgãos administrativos possam revisar seus atos, tais revisões possuem regras para acontecer e algumas delas estão dispostas no Art. 149 do CTN, exposto a seguir: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 729 49 Nenhum dos requisitos que justificasse a revisão do Despacho Decisório original pode ser verificado nos autos. Justamente, conforme determinado no Art. 59 do PAF (Decereto 70.235), devem ser declarados nulos os atos administrativos que criem, de forma atípica ou em desacordo com a legislação, uma reforma prejudicial ao contribuinte. O lançamento deve ser revisto e lançado somente pela autoridade de origem, jamais revisto pela Delegacia de julgamento, situação que criou a nulidade de sua decisão, conforme regras positivadas nos Art. 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional. De acordo com a legislação que regula o processo administrativo fiscal, é inválida a decisão que enfrenta e decide litígio não existente na lide administrativa fiscal original, causa de pedir ou alegação não suscitada pela fiscalização ou pela defesa, por ofensa à segurança jurídica, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação e imparcialidade das decisões. Da mesma forma, considerando que não há previsão legal para recurso de ofício de despacho decisório, é possível concluir que a DRJ mandou apreciar matéria que já não era mais objeto da lide administrativa fiscal, o que é vedado pelo Art. 492 do CPC (com aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal), conforme reprodução a seguir: "CPC Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional." Todos os atos posteriores à revisão capitaneada pela delegacia de julgamento estão contaminados pela nulidade. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO à preliminar de nulidade. DO MÉRITO Em julgamento, o voto de provimento à preliminar de nulidade foi vencida, logo, o voto de mérito também deve ser registrado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ART. 11A, LEI Nº 9.440/1997. Após extenso debate em diversas sessões e após extensa análise da legislação, das peças recursais e de precedentes judiciais, é possível concluir que, no presente Fl. 753DF CARF MF 50 caso, o incentivo fiscal ao setor automobilístico previsto na Lei 9.440/97 continuou em vigor e não se limitou ao mero abatimento com débitos de IPI e acúmulo de saldo credor, uma vez que houve uma mera alteração de metodologia por meio do Art. 11A desta Lei e não uma limitação ou impedimento à sua aplicação. Este entendimento pode ser encontrado na seguinte decisão, proferida no âmbito do TRF da 5.ª região, processo n.º 08184519720174058300, conforme trechos de sua ementa e voto condutor expostos a seguir: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. REGIME AUTOMOTIVO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11A E 11B DA LEI N. 9.440/97. IDENTIDADE. PREVISÃO REGULAMENTAR DE COMPENSAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 1.717/2017 DA RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE RESSARCIMENTO (COMPENSAÇÃO) COM OUTROS TRIBUTOS. ILEGALIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/96. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DESTE TRIBUNAL. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL IMPROVIDAS. 1. Inexistência de discussão quanto à habilitação, por parte da apelada, para fruição do crédito presumido de IPI. Em nenhum momento a autoridade apontou a inexistência do direito de creditamento do IPI, conquanto afirme a impossibilidade de ressarcimento. 2. Não se discute, igualmente, que recentemente, a partir da Solução de Consulta COSIT n. 25/2016, foi editada a Instrução Normativa n. 1.717/2017, a qual deixou de prever de forma expressa a possibilidade de ressarcimento e compensação dos créditos presumidos de IPI de que trata o inciso IX do art. 1º da Lei n. 9.440/97. 3. Para a apelante, não existe ato ilegal por parte da autoridade, isso porque: a) os benefícios previstos nos arts. 11A e 11B da Lei nº 9.440/97 seriam distintos daquele de que trata o inciso IX do art. 1º da mesma lei; b) o art. 11B da Lei nº 9.440/97 não teria criado apenas uma nova forma de cálculo do benefício do inciso IX do art. 1º da referida lei; c) O aproveitamento como ressarcimento ou compensação, fora do próprio IPI, foi previsto no Decreto nº 6.556/2008 somente para a hipótese do inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440/97; d) o benefício previsto no inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440/97 foi extinto em razão do decurso do prazo; e) falta amparo legal para a compensação de crédito presumido de IPI; f) inexistência de mudança de entendimento por parte da Receita Federal, pois a Instrução Normativa nº 1.717/2017, ao não prever mais a forma de aproveitamento mediante ressarcimento dos créditos presumidos de IPI não compensados com o próprio IPI em nada inovou no sistema, pois simplesmente deixou de prever uma forma de aproveitamento não mais existente por decurso do prazo legal desde 2010; g) Fl. 754DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 730 51 violação à Separação de Poderes no comando judicial em face da ausência de autorização legislativa. 4. Mesmo tendo ocorrido alterações na legislação no tocante à prazo de vigência, forma de apuração e requisitos de investimentos, as disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11A e 11B, todos da Lei n. 9.440/97, tratam do mesmo incentivo fiscal. 5. A própria Receita Federal, ao firmar entendimento na Solução de Consulta COSIT nº 14/2016, considerou que a sucessão de disposições referentes ao crédito presumido de IPI ora tratado revelava um único incentivo fiscal, isso na medida em que asseverou que previram três períodos de vigência distintos. 6. A exposição de motivos da Medida Provisória n. 471/2009, instituidora do art. 11A da Lei n. 9.440/97, considerou expressamente que a proposta visava "ampliar o prazo de vigência de incentivos fiscais destinados a fomentar o desenvolvimento regional". 7. Se de fato teria ocorrido o fim do aproveitamento do art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97 em 2010, permaneceria sem explicação o motivo pelo qual a Instrução Normativa n. 1.300, de 2012, previa o ressarcimento do crédito de IPI auferido em razão do referido dispositivo legal. 8. Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. 9. Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11A e art. 11B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei vista a partir da Constituição Federal (art. 43, parágrafo 2º, III; art. 151, I). 10. Em suma: 1) há identidade de benefícios; 2) o art. 11B não é benefício que deva ser considerado como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97; 3) Se há identidade de benefício, é possível o aproveitamento; 4) foi extinto o primeiro prazo; 5) o amparo legal existe em razão da existência do reconhecimento da identidade de incentivo fiscal; 6) houve, sim, mudança de entendimento ao ser editada a IN 1.1717/2017; 7) há lastro legal para o comando judicial que possibilitou o ressarcimento. 11. Ainda que o incentivo fiscal do art. 11B da Lei n. 9.440/97 não fosse visto como o mesmo do art. 1º, IX, da mesma lei, constatase que a própria disposição normativa estabelece que o crédito presumido de IPI será objeto deressarcimento. 12. Com a previsão de ressarcimento, aplicase o permissivo contido no art. 74 da Lei n. 9.430/96. 13. Este Tribunal já teve oportunidade de se debruçar sobre a questão da limitação da possibilidade de ressarcimento, via compensação, do crédito presumido do IPI decorrente do Fl. 755DF CARF MF 52 referido benefício fiscal ao proclamar que "o art. 6º, VI e parágrafo único, do Decreto n. 2.179/97 invocado pela Fazenda , ao limitar o aproveitamento de crédito presumido à dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados, desbordou do propósito insculpido na lei regulamentada (Lei n. 9.440/97), afastandose da concepção de "fiel execução" a qual deveria atender. (Proc. 080114409.2012.405.8300, Rel. Des. LUIZ ALBERTO GURGEL DE FARIA). 14. Na linha do precedente invocado, não se poderia pensar em limitar a aplicação do incentivo fiscal em debate mediante a simples consideração de que o Executivo poderia desbordar do objetivo traçado pelo legislador para impedir a utilização do ressarcimento via compensação. 15. Apelação e remessa oficial improvidas." (PROCESSO: 08184519720174058300, DESEMBARGADOR FEDERAL MANUEL MAIA, 4ª Turma, JULGAMENTO: 20/08/2018, PUBLICAÇÃO: ) (...) "5. Na visão da apelante, a autorização de utilização de crédito presumido para abatimento de outros créditos tributários, encontrada no Decreto n. 2.179/97 (com a redação dada pelo Decreto n. 6.556, de 2008) somente diz respeito aos arts. 1º, IX, c/c art. 11, ambos da Lei n. 9.440/97. 6. O Juízo de primeiro grau, atendendo ao reclamo da impetrante, ora apelada, considerou que as disposições contidas nos arts. 1º, IX, 11A e 11B, todos da Lei nº 9.440/97, tratam do mesmo benefício fiscal, pois anotou que "indústrias que já estivessem habilitadas no 'Regime Automotivo' e que visassem à continuação de investimentos hipótese dos autos, consoante se verifica do exame dos elementos de convicção amealhados nas referidas regiões, a partir da apresentação e concretização de novos projetos de desenvolvimento, poderiam continuar a fazer uso do crédito presumido de IPI estabelecido no inciso IX do art. 1º da Lei n. 9.440/97". 7. Importante registrar, em primeiro lugar, que não se está diante de uma situação que possa ser resolvida sem maior esforço por parte do intérprete. 8. Os dispositivos da Lei n. 9.440/97 que provocam o presente debate são as seguintes: "Art. 1º Poderá ser concedida, nas condições fixadas em regulamento, com vigência até 31 de dezembro de 1999: (...) IX crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ns. 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no § 1º deste artigo. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 731 53 § 1º O disposto no caput aplicase exclusivamente às empresas instaladas ou que venham a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, e que sejam montadoras e fabricantes de: a) veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de duas rodas ou mais e jipes; b) caminhonetas, furgões, pickups e veículos automotores, de quatro rodas ou mais, para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a quatro toneladas; (...) h) partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados e pneumáticos, destinados aos produtos relacionados nesta e nas alíneas anteriores. (...) § 14 A utilização dos créditos de que trata o inciso IX será efetivada na forma que dispuser o regulamento. "Art. 11. O Poder Executivo poderá conceder, para as empresas referidas no § 1º do art. 1º, com vigência de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2010, os seguintes benefícios: (...) IV extensão dos benefícios de que tratam os incisos IV, VI, VII, VIII e IX do art. 1º."(grifo acrescido) "Art. 11A. As empresas referidas no § 1º do art. 1º, entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, poderão apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno, multiplicado por: (...) § 4º O benefício de que trata este artigo fica condicionado à realização de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondentes a, no mínimo, 10% (dez por cento) do valor do crédito presumido apurado." (redação dada pela Medida Provisória n. 471, de 2009, convertida na Lei n. 12.218/2010). "Art. 11B. As empresas referidas no § 1º do art. 1º, habilitadas nos termos do art. 12, farão jus a crédito presumido do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ns. 7, de 7 de setembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, desde Fl. 757DF CARF MF 54 que apresentem projetos que contemplem novos investimentos e a pesquisa para desenvolvimento de novos produtos ou novos modelos já existentes. (...) § 4º O benefício de que trata este artigo fica condicionado à realização de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondentes a, no mínimo, dez por cento do valor do crédito presumido apurado. (....) § 6º O crédito presumido de que trata o caput extinguese em 31 de dezembro de 2020, mesmo que o prazo de que trata o § 2º ainda não tenha se encerrado." (redação dada pela Medida Provisória n. 510, de 2010, convertida na Lei n. 12.407, de 2011). 9. Mesmo tendo ocorrido alterações na legislação no que diz respeito "à forma de apuração, prazo de vigência e requisitos de investimentos regionais", considero que as disposições acima tratam do mesmo incentivo fiscal. 10. Explico. 11. Cumpre observar, neste momento, que tal visão não foi dada exclusivamente pela apelada e pelo Juízo de primeiro grau. 12. Bem acentua a recorrida, nas suas contrarrazões, que a própria Receita Federal, ao firmar entendimento na Solução de Consulta COSIT nº 14/2016, considerou que a sucessão de disposições referentes ao crédito presumido de IPI ora tratado revelava um único incentivo fiscal, in verbis: "Em relação a tal benefício fiscal, as normas previram três períodos de vigência distintos: a) o primeiro, com vigência até 31 de dezembro de 1999, conforme caput do art. 1º da Lei n. 9.440/97, regulamentado pelo Decreto n. 2.179, de 18 de março de 1997; b) o segundo, com vigência entre 1º de janeiro de 2000 e 31 de dezembro de 2010, conforme art. 11 da Lei n. 9.440, de 1997, regulamentado pelo Decreto n. 3.893, de 22 de agosto de 2001; c) o terceiro, com vigência entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, conforme art. 11A da Lei n. 9.440, de 1997, regulamentado pelo Decreto n. 7.422, de 31 de dezembro de 2010." (grifei) 13. Por sua vez, a exposição de motivos da Medida Provisória n. 471/2009, que gerou o art. 11A da Lei n. 9.440/97, considerou expressamente que a proposta visava "ampliar o prazo de vigência de incentivos fiscais destinados a fomentar o desenvolvimento regional" (grifei). 14. Mais uma vez, a exposição de motivos da Medida Provisória 512/2010, a qual gerou a inclusão do art. 11B à Lei n. 9.440/97, revela a intenção de possibilitar às empresas abrangidas pelo Regime Automotivo de continuar a fazer uso do crédito do IPI (item 8): Fl. 758DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 732 55 15. A apelante diz que a modificação feita pela Instrução Normativa 1.717/17 não significa mudança de entendimento por parte da Receita Federal ao não mais estabelecer a forma de aproveitamento mediante ressarcimento dos créditos presumidos de IPI não compensados com o próprio IPI, porque esse aproveitamento já não existia por decurso de prazo desde 2010. 16. Se de fato teria ocorrido o fim do aproveitamento em 2010, deixa a apelante de explicar o motivo pelo qual a Instrução Normativa n. 1.300, de 2012, previa o ressarcimento do crédito de IPI auferido em razão do disposto no art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97. 17. O que é perceptível é que a própria Receita Federal, pelo menos até recentemente, considerava o incentivo fiscal do art. 1º, IX, da Lei n. 9.444/97 o mesmo previsto nos arts. 11A e 11B da mesma lei, daí ser possível afirmar que o seu prazo de vigência somente findará em dezembro de 2020. 18. Explicase o posicionamento aqui adotado levando em conta que os "incentivos fiscais devem ser interpretados de modo a atingir a maior amplitude possível dos resultados pretendidos pela norma, em busca do bem comum, sempre dentro dos limites da razoabilidade" (DINIZ, Marcelo de Lima Castro; FORTES, Fellipe Cianca; Incentivos Fiscais no STJ; in Incentivos fiscais: questões pontuais nas esferas federal, estadual e municipal/Ives Gandra da Silva Martins, André Elali, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores); São Paulo: MP Ed, 2007, p. 281). 19. Respondendo à indagação feita pela apelada em suas contrarrazões, não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. 20. Destaco da referida peça o seguinte esclarecimento quanto ao creditamento do IPI e a falta de razoabilidade na interpretação dada pela apelante: "Segundo dispõe o artigo 1º da Lei n. 10.485/04, os veículos produzidos pela Apelada estão sujeitos à incidência monofásica do PIS/COFINS, o que lhes impõe a observância de alíquotas de 2% e 9,6% respectivamente. Como o crédito presumido outorgado é de 1,5 a 2 vezes o montante devido pela apelada de PIS/COFINS, na prática a venda dos veículos asseguralhes crédito de 17,4% até 23,2%. Por outro lado, a alíquota média de IPI para o setor automotivo e especificamente para a apelada é de cerca de 11%. Ora, não é necessário nada além de raciocínio lógico elementar para se identificar que os créditos presumidos de IPI serão, inexoravelmente, muito superiores ao imposto devido pela Apelada." Fl. 759DF CARF MF 56 21. Portanto, não se poderia pensar na instalação no Nordeste de indústria automobilística de tal magnitude sem que o incentivo fiscal atribuído à contribuinte não permitisse ter ganhos que compensassem a instalação de parque fabril distante dos maiores centros consumidores. 22. O incentivo fiscal em debate tem de ser visto como "medida para impulsionar ações ou corretivos de distorções do sistema econômico" (TORRES, Heleno Taveira, apud ELALI, André; Incentivos fiscais, neutralidade da tributação e desenvolvimento econômico: a questão da redução das desigualdades regionais e sociais, in Incentivos fiscais: questões pontuais nas esferas federal, estadual e municipal/Ives Gandra da Silva Martins, André Elali, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores); São Paulo: MP Ed, 2007, p. 51) e não se pode permitir que sua aplicação, de fato, resulte em quase nulo proveito econômico para quem acreditou nas ofertas do Poder Público. 23. Na verdade, a interpretação aqui dada aos dispositivos da Lei nº 9.440/97 levam em conta, ademais, a finalidade da lei vista a partir da Constituição Federal (art. 43, § 2º, III; art. 151, I). 24. Por outro lado, a atitude da apelada revela desprestígio e desrespeito ao princípio da segurança jurídica, "pois as relações jurídicas, mormente as estabelecidas entre Poder Público e particulares eis que é neste campo de tensão que se justifica, em um primeiro momento, a afirmação dos direitos fundamentais devem pautarse, além dos parâmetros especialmente definidos na Lei Fundamental (repitase, aqui novamente: ato jurídico perfeito, direito adquirido, coisa julgada, irretroatividade das normas penais e anterioridade da norma tributária, devido processo legal, dentre outros) por padrões gerais de estabilidade, previsibilidade e calculabilidade (CLÈVE, Clèmerson Merlin Clève; parecer sobre "créditoprêmio de IPI"; in Crédito Prêmio de IPI: estudos e pareceres; Paulo de Barros Carvalho...[et. al]; Barueri: Manole, 2005, p. 132, grifos acrescidos). 25. Em resposta aos argumentos da apelante: a) há identidade de benefícios; b) o art. 11B não é benefício que deva ser considerado como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97; c) Se há identidade de benefício, é possível o aproveitamento; d) foi extinto o primeiro prazo; e) o amparo legal existe em razão da existência do reconhecimento da identidade de incentivo fiscal (questão referente à lastro legal para compensar, mesmo que não se considere o mesmo incentivo, será abordada logo mais); f) houve, sim, mudança de entendimento ao ser editada a IN 16/2017; g) se há lastro legal, cai por terra a alegação de violação à separação de poderes. 26. Ainda que o incentivo fiscal do art. 11B da Lei n. 9.440/97 não fosse visto como o mesmo do art. 1º, IX, da mesma lei, constatase que a própria disposição normativa estabelece que o crédito presumido de IPI será objeto de ressarcimento. 27. Ora, como registra a doutrina, "no ressarcimento do crédito tributário, à semelhança da restituição do indébito, o sujeito Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 733 57 passivo pode receber, em moeda ou por meio de compensação, a liquidação de um direito de crédito contra a Fazenda Pública", sendo que "quanto aos objetivos a serem atingidos pelo ressarcimento, os mesmos variam, seja o ressarcimento realizado por meio de liquidação em moeda ou por meio de compensação" (PETRY, Rodrigo Caramori; Restituição, repetição de indébito, ressarcimento, compensação e creditamento teoria geral e aplicação às contribuições Cofins e PISPasep; in Revista Dialética de Direito Tributário, p. 70). 28. Aliás, com a previsão de ressarcimento, aplicase o permissivo contido no art. 74 da Lei n. 9.430/96. 29. Este Tribunal já teve oportunidade de se debruçar sobre a questão da limitação da possibilidade de ressarcimento, via compensação, do crédito presumido do IPI decorrente do referido benefício fiscal. 30. Eis a ementa do julgado: "TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DECRETO. LIMITAÇÃO DAS HIPÓTESES DE COMPENSAÇÃO. REDUÇÃO DO ALCANCE DA LEI REGULAMENTADA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os atos normativos (caso do Decreto) têm o efeito de complementar a lei (ato normativo originário e autônomo), "para sua fiel execução". Tais atos não podem inovar na ordem jurídica, sob pena de afrontar o comando do art. 5º, II, da CF/88, devendo apenas complementar a legislação, preocupandose não em alterála, mas em tornála exeqüível. 2. A Lei n. 9.440/97, visando ao desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, autorizou às empresas do ramo automotivo instaladas ou que viessem a se instalar) em tais regiões creditaremse do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições para o PISPASEP e a COFINS, incidentes sobre o seu faturamento. 3. Na hipótese dos autos, verificase que o art. 6º, VI e parágrafo único, do Decreto n. 2.179/97 invocado pela Fazenda , ao limitar o aproveitamento de crédito presumido à dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados, desbordou do propósito insculpido na lei regulamentada (Lei n. 9.440/97), afastandose da concepção de "fiel execução" a qual deveria atender. 4. Apelação e remessa oficial desprovidas." (Proc. 0801144 09.2012.405.8300, Rel. Des. LUIZ ALBERTO GURGEL DE FARIA, Terceira Turma, julgado em 20.03.2014). 31. Ao aplicar o precedente acima, temse que não se poderia pensar em limitar a aplicação do incentivo fiscal em debate mediante a simples consideração de que o Executivo poderia desbordar do objetivo traçado pelo legislador para impedir a utilização do ressarcimento via compensação. Fl. 761DF CARF MF 58 32. Não se trata aqui de ato jurisdicional que invada a competência do Poder Executivo, pois, na verdade, estáse a impedir que o Executivo retire a eficácia da leI. 33. Registrese, por fim, quanto à possibilidade de cumprimento do comando judicial, isso desde o provimento de urgência concedido pelo Juízo de primeiro grau, a disposição contida no art. 170A diz respeito a demanda na qual o tributo esteja sendo objeto de discussão. No presente caso, a discussão não trata de indébito tributário, pois é fato incontroverso o crédito do IPI. 34. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO à apelação e à remessa oficial." Diante do exposto, o Recurso Voluntário merece provimento neste tópico. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VEÍCULOS IMPORTADOS. Apesar do montante das vendas de veículos importados constituir parcela integrante do faturamento oriundo das receitas no mercado interno, conforme alegado pelo contribuinte, o ressarcimento do IPI, no caso em concreto, não pode ser aplicado em uma mera revenda, por falta de previsão legal e previsão expressa ao contrário, de forma que o incentivo aplicase exclusivamente nas atividades industriais. Somente a receita da venda dos produtos industrializados pela recorrente e vendidos no mercado interno é que serão objeto da apuração do incentivo fiscal previsto na Lei 9.440/97. O contribuinte, por sua vez, deixou de comprovar que os produtos importados sofreram qualquer tipo de industrialização, o que permite concluir que houve uma mera revenda, situação incompatível com o benefício fiscal. A matéria foi muito bem abordada no voto do colega e conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira nos Acórdãos nº 3301004.691 e 3301004.703. As razões expostas no mencionados Acórdãos, as quais são adotadas neste voto, em resumo são as seguintes: é descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. Portanto, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODOS DE APURAÇÃO DA MATRIZ E FILIAL. Com relação aos métodos de apuração da matriz e da filial, a especialidade das regras previstas na Lei n.º 9.440/97 não cria uma regra de exceção à regra geral de Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 734 59 apuração, de forma que o valor das contribuições devidas pela pessoa jurídica segundo o método adotado pelo estabelecimento matriz, abrange todos os estabelecimentos. Para fins de cálculo do crédito presumido de IPI, deve ser adotado o método de rateio proporcional, aplicado pela matriz, conforme determinação do inciso I, do § 8°, do Art. 3° da Lei n° 10.833/03. Por mais que faça sentido, não há previsão legal que permita a forma mista de apuração utilizada pelo contribuinte. A matéria foi muito bem abordada no voto do colega e conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira nos Acórdãos nº 3301004.691 e 3301004.703 As razões expostas no mencionados Acórdãos, as quais são adotadas neste voto, em resumo são as seguintes: o método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos Arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da nãocumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Diante do exposto, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. DOS INSUMOS TRANSFERIDOS PARA FILIAL DE CAMAÇARI. A simples exposição a respeito dos regulamentos do ICMS de São Paulo de da Bahia e argumentação a respeito da distinção de tratamento das legislação a respeito da atualização monetária dos custos não enfrentou a questão colocada pela fiscalização e analisada em decisão de primeira instância. De fato, tanto a fiscalização quanto a DRJ analisaram em detalhes o efeito das transferências dos insumos na sistemática de aproveitamento, de forma que houve influência negativa nos valores dos créditos a descontar das contribuições, conforme razão de decidir da decisão de primeira instância transcrita parcialmente a seguir: "315. Enquanto o TVF explica, em detalhes, no que os insumos transferidos pelas filiais de Taubaté e de São Bernardo do Campo, diante da sistemática de aproveitamento adotada pela empresa, influenciam, negativamente, os valores dos créditos a descontar da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS [não aproveitamento de créditos com materiais indiretos (graxa, estopa, lubrificantes, etc), energia elétrica, armazenagem, serviços, além de despesas com frete e armazenagem , aluguéis de máquinas e equipamentos, etc, que são todos apropriados pelas filiais que produzem as peças (Taubaté e São Bernardo)], o sujeito passivo, na sua Manifestação de Inconformidade, Fl. 763DF CARF MF 60 limitase a, simplesmente, expor o texto dos regulamentos do ICMS de São Paulo e da Bahia e a falar de questão de distinção de tratamento das legislações paulista e baiana quanto à atualização monetária de custos, não tendo enfrentando a questão colocada no TVF, cuja sistemática de cálculo não foi, no peculiar, expressamente combatida. 316. Assim, diante do que dispõe o art. 16, III, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, mantenho o levantamento realizado pelas autoridades fiscais em relação aos créditos das contribuições sobre insumos oriundos das duas filiais acima mencionadas." As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, por questões probatórias, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. INCLUSÃO DOS VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE ICMS, DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS NO CÔMPUTO DA RECEITA BRUTA PARA FINS DE APURAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgado proferido no RE nº 574.706, solidificou o tema, conforme ementa a seguir transcrita: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos." (Processo nº 10880.674237/201188; Acórdão nº 3201004.124; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 25/07/2018). Contudo, é possível verificar que não houve comprovação a respeito dos pagamentos ou contabilizarão do Pis e Cofins sobre o ICMS, assim como não houve demonstração material acerca do cômputo do ICMS no cálculo dos créditos presumidos de IPI. Com acerto o conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira abordou o tema no julgamento do Acórdão nº 3301004.693, conforme trecho de seu voto transcrito a seguir: Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 735 61 "Contudo, no presente caso, para que pudesse dar provimento aos argumentos da recorrente, teria de constar na peça de defesa, que: i) o contribuinte comprovadamente não pagava e tampouco contabilizava PIS e COFINS sobre ICMS; ii) ao calcular as contribuições devidas, sobre as quais calculou o crédito presumido de IPI, também não computou o ICMS, pois, caso contrário, haveria distorções no cálculo do incentivo fiscal. Isto posto, não tenho fundamento para propor alterações nos cálculos da fiscalização, efetuado com base nos registros contábeis e fiscais do contribuinte." As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, por questões probatórias, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA RECEITA DE VENDAS NO MERCADO INTERNO E EXPORTAÇÃO. É possível verificar que ocorreu um erro material na determinação da receita de vendas no mercado interno e na composição de receitas de exportação, situação em que as provas apresentadas pelo contribuinte foram insuficientes. Neste tópico, utilizase as mesmas razões de decidir expostas na decisão de primeira instância, transcritas a seguir: "335. Quanto ao equívoco visualizado pela Fiscalização na determinação das receitas de vendas no mercado interno a partir da conta contábil “23A01A00LOCAL” em razão da adoção do “Revenue Recognition”, correspondente a ajustes que representam os veículos faturados que ainda estão no pátio do estabelecimento, com lançamentos a crédito e a débito (cujo histórico possui o texto “REVERSAO DE VENDAS NÃO EMBARC”), limitouse a contribuinte a dizer que “não tendo havido a saída dos produtos do estabelecimento fabril, os documentos fiscais não compuseram o faturamento, que foi suspenso, para ser reconhecido o respectivo valor quando concretizado” (g.n.) e que, quando muito, poderseia “conjecturar tratarse de postergação, com a consequência de tornar ocorridos os seus efeitos para o cômputo da receita bruta do período seguinte, inocorrendo prejuízos ao Fisco”. 336. Ocorre que a manifestante não apontou a base legal com fundamento na qual considerou “suspenso” o faturamento e chega mesmo a admitir a possibilidade de que tenha ocorrido postergação, diante do que, e considerando que a Nota Fiscal é importante documento de controle fiscal, não há como se desconsiderar ocorrido o faturamento quando de sua emissão. Fl. 765DF CARF MF 62 Neste sentido, consta da ementa da Solução de Consulta COSIT nº 4, de 12/01/2017, que trata da contribuição para o PIS/PASEP e das COFINS, que “A emissão de nota fiscal pela pessoa jurídica tem caráter instrumental e probatório em relação ao fato gerador da contribuição, gerando contra ela presunção relativa de veracidade de seus dados, aplicável pelo fisco, a seu critério, inclusive no caso de irregularidade na emissão”. 337. Logo, mantenho, no peculiar, o levantamento realizado pelas autoridades fiscais. 338. A contribuinte questiona a exclusão, do cômputo das receitas de exportação no cálculo do fator de rateio apurado pela Fiscalização, da parcela correspondente às receitas de revenda de CKD cujos componentes foram integralmente fabricados por outras pessoas jurídicas. 339. Em atenção ao argumento da contribuinte no sentido de que no “primeiro parágrafo às págs. 30 do TVF e lá consta a afirmação segundo a qual: ‘No caso do CKD, a maior parte dos módulos e peças, são produzidos pelos fornecedores ...’” e de que “se a própria Fiscalização reconhece e admite que a ‘maior parte dos módulos e peças’ são produzidos pelos fornecedores, a boa lógica e o sempre oportuno bom senso faz com que a menor parte dos módulos e peças são efetivamente produzidas pela Impugnante, o que aliás encontrase corroborado pela resposta a intimação de 25/09/2015 e acolhida pela Fiscalização”, impõese inicialmente elucidar que a Fiscalização, justamente porque admitiu que parte dos CKD eram de fabricação da ora recorrente, considerou esta parcela na receita de exportação, como bem se verifica na linha “EXPORTAÇÕES CKD” do Anexo “D” do TVF. 340. Além disto, convém desde logo esclarecer que, diferentemente do que alega a recorrente, não se visualiza, no citado Anexo “D”, qualquer adição de receitas de exportação de CKD às receitas no mercado interno. 341. Também preliminarmente neste tópico, registro que a contribuinte não apresentou qualquer contestação expressa de que as receitas de CKD indicadas no Anexo D correspondem aos dos kits por ela fabricados (no sentido de que não foram industrializados seus componentes por outras pessoas jurídicas). 342. Ultrapassadas as questões acima, passo a analisar a exclusão, do cômputo das receitas de revenda de CKD, daqueles cujos componentes foram totalmente fabricados por outras pessoas jurídicas. 343. Ora, os custos, encargos e despesas que incorre a contribuinte – que foram proporcionalmente rateados pela Fiscalização são, essencialmente, incorridos em sua atividade de industrialização. Portanto, não estão associados à mera revenda de produtos fabricados por outras pessoas jurídicas e, por isto, não tem sentido incluir no rateio a venda de CKD, cujos componentes já são recebidos prontos pela contribuinte de outras pessoas jurídicas. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 736 63 344. Notese, por outro lado, que, aos moldes já explicados, o incentivo apenas deve ser calculado em relação aos veículos de fabricação própria da Impugnante. 345. Em face do exposto, julgo improcedente no particular as Manifestações de Inconformidade." As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, por questões probatórias, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. DA RECEITAS DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente às receitas de exportação, conforme exposto a seguir: “Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1743/2016 desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Fl. 767DF CARF MF 64 FABRÍCIO DA SOLLER" Em virtude de uma questão temporal da legislação, a jurisprudência deste Conselho não foi pacifica com relação à incidência da Pis e Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus, mas no Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67, em especial do seu Art. 4.º. Nesse sentido, é importante considerar o entendimento jurisprudencial do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, por meio do Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), assim como por meio dos seguintes precedentes: AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. Diante do exposto, o Recurso Voluntário merece provimento neste tópico. CONCLUSÃO. Em face do exposto, votase para que a preliminar de nulidade da reformatio in pejus seja acolhida e que, conseqüentemente, somente o primeiro Despacho Decisório (fls. 272) proferido tenha validade. Superadas as preliminares, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado Com a devida vênia, divergimos do il. Relator. Segundo consta dos autos, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, instou a unidade preparadora a promover a revisão do Despacho Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13819.903989/201446 Acórdão n.º 3201004.923 S3C2T1 Fl. 737 65 Decisório, a fim de que se pudesse tomar "as medidas que a respeito entender oportunas", em face do que disposto em Solução de Consulta Interna que dispunha sobre a mesma matéria nele tratada. Entende ter havido reforma para pior de sua situação, violação do princípio da imparcialidade e decisão "extra petita". Bom, cabe ressaltar, que, como sabido, o tema da reforma para pior no processo administrativo é um tanto quanto controverso. Em síntese, o princípio da non reformatio in pejus veda que o órgão ad quem, ao julgar o recurso apresentado pela parte, profira decisão que lhe seja mais desfavorável. Contudo, o fato aqui não é de reforma para pior, mas de controle da legalidade – o poder de autotutela da Administração Pública de rever seus próprios atos quando eivados de vícios de legalidade. Não há, ademais, no processo administrativo, a figura do trânsito em julgado, como se verifica em sede judicial. O fato de serem tais hipóteses diferentes resta bem pontuado nessa sintética passagem escrita por Lúcia Valle Figueiredo (FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Curso de direito administrativo. 8ªed. São Paulo: Malheiros Editores, 2006. p. 455), nos seguintes termos: “E, nesta hipótese, falase impropriamente em reformatio in pejus. Houve, na verdade, ato de controle de legalidade, por importar nulidade do procedimento; caso assim não se procedesse, estaria a Administração agindo contra legem.” Esse poderdever conferido à Administração Pública, que decorre do princípio da indisponibilidade do interesse público sobre o privado, encontrase plasmado no art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, segundo o qual “A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos (o dispositivo positivou matéria já sumulada pelo Supremo Tribunal Federal: Súmula nº 473 – “A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”). Enfim, nada obstava – aliás, tudo exigia – pudesse a DRJ agir como agiu, mas desde que à Recorrente fosse conferida a oportunidade de comparecer novamente aos autos, apresentando os argumentos que entendesse necessários, o que, como se viu, findou por ocorrer. Nulidade, portanto, não há. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 769DF CARF MF 66 Fl. 770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007685/90-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988
PROVA EMPRESTADA. VALIDADE
Legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de elementos probatórios produzidos em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, desde que não haja simples transposição das conclusões sem a juntada das provas correspondentes.
OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA.
A prática da emissão de nota calçada - procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrada outra operação com valor inferior - configura omissão de receitas e justifica o lançamento fiscal sobre a diferença apurada.
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA EMPRESTADA PELO FISCO ESTADUAL. PAGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE ICMS.
Confirma a procedência do lançamento de IRPJ efetuado nos autos, com base em elementos probatórios produzidos em processos instaurados pela fiscalização do ICMS, quando os autos de infração lavrados pelo fisco estadual, inicialmente impugnados, acabaram sendo pagos e/ou parcelados pela contribuinte.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988
DECADÊNCIA.
Tendo o lançamento fiscal sido regularmente intimado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodos-base de 1985 a 1988, seja com base na contagem do prazo decadencial previsto no § 4º do artigo 150 do CTN (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador), seja com base no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal (contagem do prazo decadência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), aplicável ao caso em face de ter sido detectada conduta dolosa pela emissão de notas calçadas.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
A prescrição intercorrente, ou seja, a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária.
Numero da decisão: 1402-003.818
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE Legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de elementos probatórios produzidos em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, desde que não haja simples transposição das conclusões sem a juntada das provas correspondentes. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. A prática da emissão de nota calçada - procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrada outra operação com valor inferior - configura omissão de receitas e justifica o lançamento fiscal sobre a diferença apurada. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA EMPRESTADA PELO FISCO ESTADUAL. PAGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE ICMS. Confirma a procedência do lançamento de IRPJ efetuado nos autos, com base em elementos probatórios produzidos em processos instaurados pela fiscalização do ICMS, quando os autos de infração lavrados pelo fisco estadual, inicialmente impugnados, acabaram sendo pagos e/ou parcelados pela contribuinte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1985, 1986, 1987, 1988 DECADÊNCIA. Tendo o lançamento fiscal sido regularmente intimado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodos-base de 1985 a 1988, seja com base na contagem do prazo decadencial previsto no § 4º do artigo 150 do CTN (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador), seja com base no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal (contagem do prazo decadência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), aplicável ao caso em face de ter sido detectada conduta dolosa pela emissão de notas calçadas. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A prescrição intercorrente, ou seja, a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 344 1 343 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.007685/9030 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.818 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2019 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS OUTROS Recorrente BELPAR DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1985, 1986, 1987, 1988 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE Legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de elementos probatórios produzidos em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, desde que não haja simples transposição das conclusões sem a juntada das provas correspondentes. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. A prática da emissão de “nota calçada” procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrada outra operação com valor inferior configura omissão de receitas e justifica o lançamento fiscal sobre a diferença apurada. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA EMPRESTADA PELO FISCO ESTADUAL. PAGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE ICMS. Confirma a procedência do lançamento de IRPJ efetuado nos autos, com base em elementos probatórios produzidos em processos instaurados pela fiscalização do ICMS, quando os autos de infração lavrados pelo fisco estadual, inicialmente impugnados, acabaram sendo pagos e/ou parcelados pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1985, 1986, 1987, 1988 DECADÊNCIA. Tendo o lançamento fiscal sido regularmente intimado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodos base de 1985 a 1988, seja com base na contagem do prazo decadencial previsto no § 4º do artigo 150 do CTN (cinco anos contados da ocorrência do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 76 85 /9 0- 30 Fl. 344DF CARF MF 2 fato gerador), seja com base no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal (contagem do prazo decadência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), aplicável ao caso em face de ter sido detectada conduta dolosa pela emissão de “notas calçadas”. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A prescrição intercorrente, ou seja, a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Da autuação: Por detalhar e bem esclarecer o auto de infração, transcrevo sua análise e excertos destacados do termo de verificação fiscal: Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 345 3 Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foi lavrado o auto de infração de Imposto de PIS Faturamento (fls. 18 21), que exige o recolhimento de 4.476,81 BTNF de contribuição, 6.715,21 BTNF de multa de ofício de 150%, à época prevista no art. 2º da Lei nº 7.683, de 2 de dezembro de 1988, e art. 86, § 1º, da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e 1.747,22 BTNF de juros de mora. 2. A exigência é reflexo do lançamento de IRPJ (processo nº 10980.007686/9001) e decorre da omissão de receitas caracterizada por “notas calçadas”, apurada mediante confronto entre as primeiras e quintas vias das notas fiscais emitidas pela contribuinte, com destinatários e valores diversos, com base em levantamento efetuado pela fiscalização do ICMS, conforme descrito no item 1 do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 0409), com infração ao disposto no art. 3º, “b”, § 1º, da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, e título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II do Regulamento do PIS/PASEP (aprovado pela Portaria MF 142, de 1982). 3. Regularmente intimada em 01/10/1990, a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 24), apresentou, em 29/10/1990, a tempestiva impugnação de fl. 23, na qual invoca a defesa apresentada contra o lançamento de IRPJ no processo nº 10980.0076869001. 4. Na impugnação ao lançamento de IRPJ, a impugnante apresentou as seguintes alegações de defesa: a) para solução do presente conflito há duas questões a serem analisadas: (i) a metodologia da presunção, da ficção e dos indícios, utilizadas pela autoridade fiscal para tipificar a infração tributária; (ii) a inexistência de dano ao erário público federal; b) a presunção é figura de metodologia exegética que permite, em face de determinados comportamentos conhecidos, seja considerado ocorrido comportamento final desconhecido; a ficção jurídica é mentira, que se torna verdade por força de lei; os indícios são elementos de menor densidade probatória que as presunções, os quais podem levar à conformação de uma situação jurídica desconhecida, mas provável por força de sua existência; c) a presunção é inadmissível do ponto de vista da doutrina pura porque a lei não pode criar a presunção absoluta em eventual conflito com os fatos, nem pode permitir a presunção relativa em detrimento do sujeito passivo sem ferir a tipicidade cerrada que deve acompanhar o perfil da imposição; a ficção legal não pode ser adotada porque a lei não tem o direito de criar “mentira oficial”; os indícios, porque sua densidade probatória é ainda inferior à das presunções; a coerência do sistema tributário nacional afasta a possibilidade de adoção criterial das ficções, presunções e indícios, como técnica impositiva, em face da falta de conformação absoluta entre o fato detectado e a norma posta; d) no presente caso, o fisco federal, ao basearse em autos de infração lançados pela administração estadual, devidamente impugnados sob nºs 507/508/509/510 e 511 de 1990, na 1ª Delegacia da Receita Federal (sic), ofendeu o princípio constitucional do devido processo legal; presumir uma infração à legislação federal tomando por base os autos de infração lançados pela administração estadual, enquanto ainda controversos os recursos administrativos, caracteriza clara ofensa ao processo legal, visto que ditas infrações poderão ser rejeitadas por decisão administrativa, razão pela qual é de boa prudência aguardar o Fl. 346DF CARF MF 4 julgamento dos recursos interpostos a nível estadual; as garantias constitucionais da estrita legalidade e da tipicidade fechada não são compatíveis com as ficções, presunções e indícios, transformados em poderosas técnicas de arrecadação; e) relata que desenvolve suas atividades no ramo de cosméticos e teve a infelicidade de contar, nas áreas administrativas e de expedição, com funcionários despreparados e de duvidosa idoneidade moral, que foram demitidos por justa causa em razão de, entre outras irregularidades, terem emitido notas fiscais com consignações diferentes nas respectivas vias, com claro intuito de vender créditos a pessoas com eles coniventes, conforme apurado em auditoria interna; que essa auditoria, em prévio levantamento, constatou que as notas fiscais, emitida com objetivo de venda de crédito, não foram computadas para efeito de apuração de estoque, fato que não deixa dúvida de que a empresa não teve qualquer participação no ilícito e foi vítima de inescrupulosos empregados; f) considerando que a reclamante não teve participação no ilícito tributário, não lhe pode ser debitada uma penalidade de natureza tão grave quanto a prevista nos arts. 157, § 1º, 158, 181, 743, III e IV, 745 e 746 do RIR de 1980; as atividades da empresa, pelo seu movimento econômico, não poderiam jamais gerar um lucro real no montante apurado pela autoridade fiscal; g) ao final requer: (i) a produção de prova pericial, com base art. 17, parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 1972, como forma de comprovar a inexistência de dano ao erário público; indica, para tanto, o contador Euclides Locatelli, com escritório na Rua XV de Novembro, 266, conj. 33, Curitiba; (ii) anulação dos autos de infração nºs 05147, 05656, 05655, 05668 e 05657. 5. No julgamento de primeira instância à época realizado, a DRF/Curitiba, por meio da Decisão nº 235/91, de 28/03/1991 (fls. 3234), pela relação de causa e efeito, aplicou ao presente processo o que ficou decidido no processo matriz e manteve integralmente a exigência fiscal. 6. Tendo a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 10/01/1992, convertido o julgamento do recurso em diligência (Diligência nº 202 1.320, às fls. 4445), para que a unidade de origem juntasse cópia da decisão proferida no processo de IRPJ pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, foi juntada, em 11/03/1993 (fl. 53), cópia do Acórdão nº 1057.015, sessão de 17/11/1992, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. 7. Assim, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 20205.886, sessão de 17/06/1993 (fls. 5560), por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte e confirmou a decisão proferida pela DRF/Curitiba. 8. Em 18/11/1993, a interessada apresentou recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 6672), cujo seguimento foi negado pelo Presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 15/03/1994 (fls. 7576). 9. Inscrita na Dívida Ativa da União, a exigência fiscal foi objeto da Execução Fiscal nº 95.00.045869 (fls. 9495), cujo andamento foi paralisado em razão de decisão judicial favorável nos autos da Ação Ordinária nº 94.00.095678 e da Ação Cautelar nº 94.00.055030, tendo o Juiz da 6ª Vara Federal de Curitiba, em 29/03/1996, entendido que há imperiosa necessidade de perícia contábil/fiscal para se apurar, com critério e equilibro, a alegada prática de “omissão de receita”, razão pela qual anulou o procedimento administrativo em análise a partir da decisão da DRF/Curitiba, que negou a realização da prova pericial. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 346 5 10. Em sessão realizada em 19/08/1999, a Segunda Turma do TRF da 4ª Região, nos autos da Remessa ExOfficio em Ação Cautelar nº 96.04.388347/PR e nº 96.04.383027/PR, negou provimento à remessa oficial e acolheu o entendimento esposado pelo Juízo a quo, em decisão assim ementada (decisão transitada em julgado em 16/11/1999): ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL NO PROCESSO ADMIINISTRATIVO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Configurado o cerceamento de defesa, face ao indeferimento de perícia indispensável ao esclarecimento dos fatos, deve ser anulado o procedimento administrativo, a partir do ato que indeferiu a perícia. 11. A Procuradoria da Fazenda Nacional cancelou as inscrições em dívida ativa dos débitos de IRPJ e lançamentos reflexos e encaminhou os processos administrativos à RFB em 22/04/2014, para análise quanto às providências eventualmente cabíveis, ante a decisão judicial transitada em julgado em 16/11/1999 (fls. 9698). 12. Por conseguinte, em cumprimento à decisão judicial transitada em julgado em 16/11/1999 e com base no disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 35 e 36 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, e art. 224, inciso XXVI, da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, esta Turma da DRJ/Curitiba, por meio do Despacho nº 40, de 21/08/2014 (fls. 103105), devolveu o processo à DRF/Curitiba para designação de servidor, como perito da União, para acompanhar a realização da perícia requerida pela interessada, além de efetuar outros exames nos livros e documentos comerciais e fiscais da interessada dos períodosbase de 1985 a 1988, porventura ainda existentes, e obter cópia da decisão proferida pela Receita Estadual no julgamento dos autos de infração nºs 3.612.3157, 3.612.3162 e 3.612.3173 e demais autuações de ICMS relacionadas com as notas fiscais arroladas pela fiscalização do IRPJ. 13. O AFRFB designado como perito na União, Celso Guimarães Senra Vidal, lavrou Termo de Informação de Diligência (fls. 218222), por meio do qual relatou que: . se dirigiu ao domicílio tributário declarado pela interessada no cadastro do CNPJ (Rua José Antunes Ferreira, 83, CIC, Curitiba/PR), onde constatou que estava estabelecida a empresa São Gabriel Transportes, Logística e Distribuição Ltda. (CNPJ nº 115.488.297/000153), razão pela qual o Termo de Início de Diligência Fiscal (fls. 109110) foi cientificado por meio do Edital/Sefis nº 165/2014 (fl. 118), afixado no período de 12 a 27/11/2014, mas resposta alguma foi apresentada; . o perito indicado pelo sujeito passivo, Euclides Locatelli entregou termo esclarecendo que carece de elementos técnicos para realização da Perícia Contábil; . em resposta aos Ofícios nº 395/2014/RFB/DRF/SEFIS/CTA, de 09/10/2014, e 421/2014/RFB/DRF/SEFIS/CTA, de 19/10/2014 (fls. 132133), a Inspetoria Geral de Tributação da Receita Estadual, por meio do Ofício nº 88/2014 – IGT (fl. 134), de 07/11/2014, forneceu os seguintes documentos: (i) cópia das decisões proferidas no julgamento dos autos de infração nºs 36123157, 36123165, 36123173 e 36873830 (fls. 152186); (ii) tela com dados de débitos inscritos em dívida ativa e incluído em parcelamentos (fls. 187215); (iii) Informação nº Fl. 348DF CARF MF 6 504/2014 da Inspetoria Geral de Tributação da Receita Estadual (fls. 216217), no qual consta que os autos de infração nºs 36123157, 36123165 e 36123173 (lavrados em 18/03/1988) e nºs 36873830 e 36873849 (lavrados em 19/09/1990) foram objeto de parcelamento pelo sujeito passivo, estando totalmente quitados, enquanto os autos de infração nºs 36873814 e 36873822 (lavrados em 19/09/1990) foram pagos pelo sujeito passivo; . considerando a manutenção de todos os autos de infração lavrados na esfera estadual, concluiu que as operações retratadas nas primeiras vias das nota fiscais arroladas nos autos foram efetivamente realizadas. 14. À fl. 224 consta o Despacho nº 3, de 27 de fevereiro de 2015, desta Turma da DRJ/Curitiba, por meio do qual foi solicitado à DRF/Curitiba que desse ciência do Termo de Informação de Diligência de fls. 218222 à interessada e a seu sóciogerente Oscar Ferreira Pinto, com consequente abertura de prazo de 30 dias para oportunizar a apresentação de novos argumentos impugnatórios. 15. Como o AR com o Termo de Informação de Diligência enviado à interessada (fl. 228) foi devolvido com o motivo “MUDOUSE, a interessada foi cientificada por Edital Eletrônico publicado em 17/03/2015 (fl. 230). O AR enviado a Oscar Ferreira Pinto foi devolvido com o motivo “FALECIDO” (fls. 231233), mas autoridade fiscal informou, por meio de Relatório de Diligência (fl. 257), que foi dada ciência postal do relatório de diligência à atual sócia administrativa da sociedade, Laura Crispin (AR recebido em 11/06/2015, à fl. 240). Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, em que expõe, os seguintes argumentos e elementos, os quais aproveito do v. acórdão recorrido, por bem exporem o alegado nesta peça processual: 16. Portanto, a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 256), apresentou, em 09/07/2015, a tempestiva contestação de fls. 241254, instruída com os documentos de fls. 255256, cujas alegações são sintetizadas a seguir: a) no tópico “Tempestividade”, alega que, como foi cientificada do Termo de Informação de Diligência em 11/06/2015, o prazo de 30 dias venceu no dia 13/07/2015; b) no tópico “Prescrição ou decadência” argumenta que os débitos fiscais em análise foram objeto da execução fiscal n° 95.00045869 da 1ª Vara de Execuções Fiscais de Curitiba, extinta em decorrência do julgamento da ação n° 95.00055030 pelo TRF da 4ª Região em 19/08/1999 (RNAC 96.04.388347 e 96.04.383027), cujo acórdão transitou em julgado em 16/11/1999; a Fazenda foi novamente intimada da baixa dos autos em 23/04/2002 (na ação ordinária) e em 26/08/2003 (na execução fiscal), tendo ambas as ações sido encaminhadas ao Arquivo Geral para baixa e arquivamento em 30/09/2003; apenas em abril/2014, após pleito de baixa de arrolamento administrativo dos 2 caminhões que ficaram com registro de alerta no Detran em decorrência dos referidos débitos (processo 2013.0043778 da PGFN) é que esta Delegacia resolveu reabrir os PAF's; c) o prazo prescricional ou decadencial, portanto, iniciouse com o trânsito em julgado da decisão que anulou o PAF em 16/11/1999, data a partir da qual a Fazenda poderia ter reaberto o PAF, mas a Fazenda simplesmente quedouse inerte por 15 anos; sendo assim, seja pelo transcurso do prazo de 15 anos entre data da Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 347 7 decisão judicial e a data da reabertura do PAF, seja pelo fato do processo administrativo ter ficado paralisado igualmente por este mesmo período, em total desídia do fisco, implementouse a extinção de eventuais créditos tributários pela prescrição ou decadência, na forma dos arts. 173, II, e 174 do CTN ou do art. 1º, § 1º, da Lei n° 9.873/1999; cita julgados do STJ; d) qualquer que seja o entendimento a ser aplicado, decadência (se for considerado que a decisão judicial determinou a nulidade formal do processo administrativo de lançamento e constituição do crédito tributário, contandose o prazo de 5 anos a partir da decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, consoante art. 173, II, do CTN), prescrição (se for considerado que a notificação da decisão final no PAF é o marco inicial da prescrição, que ficou suspensa durante o trâmite do PAF, na forma do art. 174 do CTN, prescrição esta que foi interrompida pelo despacho que ordenou a citação na execução fiscal, conforme art. 8º, § 2º, da Lei n° 6.830, de 1980, e art. 219 do CPC, voltando a correr a partir do trânsito em julgado da decisão que cancelou as CDA's e extinguiu a execução) ou prescrição intercorrente (se for considerado que o processo administrativo permaneceu paralisado por mais de 5 anos ou ainda pelo prazo mais restritivo de 3 anos do art. 1º, § 1º, da Lei n° 9.873, de 1999), o crédito tributário perseguido encontrase extinto na mais elastecida das hipóteses desde 16/11/2004, ou seja, há mais de 10 anos; e) ainda que o processo administrativo possa suspender a prescrição durante o seu trâmite, o fato é que o processo administrativo foi julgado em instância final administrativa, momento a partir do qual a prescrição teve seu início, sendo interrompido pelo processo de execução fiscal, voltando a correr com o trânsito em julgado da decisão que cancelou as CDA's e extinguiu o crédito tributário em 16/11/1999, contando a partir desta data o prazo para que o Fisco concluísse o processo administrativo e promovesse nova execução ou ao menos para que procedesse a reabertura do processo administrativo, exatamente como já decidido pelo STJ, sob pena do crédito tributário se tornar imprescritível, figura inexistente em nosso ordenamento jurídico; f) no tópico “Nulidade da intimação por Edital” aduz que não houve esgotamento dos meios para a localização da empresa, visto que a mesma possui advogados constituídos no processo administrativo, sendo, portanto, inválida a intimação por Edital; a prova máxima de que não houve o esgotamento dos meios para a cientifícação da empresa da reabertura do processo administrativo fiscal é que a empresa possui domicílio em seu contrato social diverso do endereço em que o Fisco tentou localizála (contrato social e procuração atualizada em anexo) e também pelo fato da Fazenda ter procedido a intimação pessoal da representante legal da empresa para se manifestar sobre o Termo de Diligência realizado, em substituição à perícia determinada pela decisão judicial; g) o direito processual brasileiro adota um padrão de cientifícação de atos processuais para as partes em litígio, seja para processos de natureza judicial, seja para processos de ordem administrativa; a citação, ato de comunicação inicial da existência do processo, é feita via de regra à parte; os demais procedimentos de comunicação de atos do processo, depois da citação, devem ser dirigidas aos advogados, profissionais do direito e que possuem procuração com poderes específicos de representação; com estes poderes compete aos advogados procederem aos atos necessários à defesa e, portanto, tornase imprescindível sua intimação de todos os atos do processo indispensáveis à defesa, sob pena de ofensa aos princípios do devido processo legal e da publicidade; afastar a regra processual da intimação dos atos do processo ao representante legal especialmente designado, sob o Fl. 350DF CARF MF 8 argumento de que há norma expressa prevista no Decreto nº 70.235, de 1972, elegendo o domicílio tributário do sujeito passivo, é uma ofensa às regras processuais indispensáveis à formação do processo administrativo e ao seu desenlace; h) o argumento de que no processo administrativo o interesse da administração prevalece frente o interesse privado não mais se sustenta, tendo em vista as garantias do contribuinte na nova ordem constitucional; a paridade de armas no caso entre fisco e contribuinte é tão desproporcional que ao Fisco é assegurada a intimação pessoal do procurador da fazenda, ao passo que ao contribuinte, se prevalecer a intimação da forma como realizada, seu procurador constituído somente tomará ciência do ato por intermédio de terceiros; é nulo, portanto, o feito, a partir da notificação por Edital da reabertura do PAF e no qual se exige a apresentação pela empresa de seus livros fiscais, restabelecendose o devido processo legal; i) no tópico “A não realização da prova pericial se deu por culpa única e exclusiva do fisco” argumenta que a sentença transitada em julgado em 16/11/1999 é clara quanto à indispensabilidade da prova pericial, tendo em vista que o lançamento dos créditos tributários federais foi realizado sem qualquer elemento de prova, além dos carreados pela Receita Estadual, que demonstre a existência de omissão de receita pela empresa no período da autuação; o fisco no intento de cumprir a decisão judicial que anulou o PAF intimou o assistente técnico para dar início aos trabalhos, mas referido assistente técnico, indicado pela parte 20 anos atrás, não mais possui qualquer vínculo com o contribuinte desde 2008, nem mesmo possui qualquer documento da empresa, documentos estes que se encontram de posse de sua representante legal; j) o fisco intimou o assistente técnico, mas não intimou os advogados constituídos nos autos, o que é mais uma prova da ofensa ao devido processo legal, pois foi reaberto um PAF e iniciada uma perícia em absoluta revelia da empresa e de seus advogados constituídos; além de todas as irregularidades já relatadas, o Termo de Diligência ainda assevera que o assistente técnico teria dito carecer de elementos técnicos para a realização da perícia; estranhando o fato, entrou a empresa em contato com o assistente técnico, o qual informou ter dito apenas que não possui mais qualquer documento da época, pois não mais trabalha para a empresa, estando a documentação de posse do contribuinte; k) se o assistente técnico, indicado à época (20 anos atrás), afirma não possuir qualquer documento da empresa, a empresa é quem deveria ter sido notificada a apresentar a documentação que o fisco entende necessária; ainda que viesse a ser constatada eventual ausência de documentação, o que não é o caso dos autos, pois a empresa sequer foi notificada para apresentar qualquer documento, a suposta inviabilização da perícia, pelo longo tempo transcorrido, seria de culpa única e exclusiva do fisco, pois quedouse inerte por quinze anos, abandonando completamente a perseguição do crédito; l) se pretende o fisco realizar agora a prova técnica, mesmo estando extinto o crédito tributário pela decadência ou prescrição, deveria ter esgotado os meios para a notificação da empresa da reabertura do PAF e não notificar uma pessoa (contador) que não mais possui qualquer vínculo com a empresa; “Ad argumentandum tantum”, ainda que a perícia venha a ser considerada inviável, pelo longo transcurso de prazo desde a época dos fatos que levaram ao lançamento tributário, o que não é o caso dos autos, não pode agora responsabilizar a contribuinte pelo excesso de prazo; m) no tópico “Anistia” alega que, ao contrário do que consta do Termo de Informação de Diligência, os créditos tributários estaduais não foram parcelados, mas sim anistiados, na forma da Lei n° 11.800, de 1997, que concedeu anistia da Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 348 9 multa e atualização monetária, remissão dos juros e exclusão dos honorários de sucumbência, de forma que os créditos tributários estaduais, por serem anteriores à estabilização monetária do plano real (1988 e 1990), praticamente foram zerados; a adesão à anistia pela empresa deuse, única e exclusivamente, em razão de critérios econômicos, visto que os créditos tributários estaduais foram reduzidos para um valor inferior, inclusive, aos custos com despesas judiciais e com as perícias técnicas que haviam sido determinadas nas ações anulatórias que se encontravam em trâmite na justiça comum (autos n°s 14.175/0000, 14.176/000, etc, da 3ª Vara Fazenda Pública da Capital); n) a adesão da parte à anistia dos créditos tributários estaduais não implica em reconhecimento dos créditos tributários federais, mesmo porque, a decisão judicial transitada em julgado na ação anulatória, que decidiu pela imprescindibilidade da prova pericial junto ao PAF, pontificou que os procedimentos realizados pela Receita Estadual não podem ser utilizados como elemento de prova pela Receita Federal, sem que seja realizada perícia técnica que aponte a existência ou não de lucro real no período, não podendo, portanto, ser descumprida pelo Fisco, sob pena de usurpação da jurisdição do poder judiciário e do óbice intransponível do manto da coisa julgada (cláusula pétrea de nossa Constituição Federal CF art. 5º, XXXVI); o) ao final, requer: (i) a extinção de eventual crédito tributário, em face da decadência ou prescrição; (ii) a nulidade da notificação de reabertura do PAF realizada via Edital; (iii) a nulidade do Termo de Informação de Diligência, pois além dos vícios assinalados, fundamentouse, única e exclusivamente, no processo fiscal estadual, em manifesta contrariedade à decisão judicial transitada em julgado, não podendo, portanto, substituir a prova pericial determinada; (iv) cancelamento das autuações, com a imediata baixa junto aos cadastros da Receita Federal do Brasil. Da decisão da DRJ: A decisão da DRJ, como já exposto logo no início do presente relatório, julgou a impugnação improcedente, o que foi acompanhado unanimamente pelos seus pares do colegiado de primeiro grau administrativo. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1985, 1986, 1987, 1988 RETORNO DOS AUTOS PARA REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo as decisões administrativas de 1ª e 2ª instâncias sido anuladas por decisão judicial transitada em julgado, porquanto foi negada a realização da prova pericial requerida pela impugnante, procedese ao novo julgamento de 1ª instância. PERÍCIA CONTÁBIL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 352DF CARF MF 10 Inviável a realização da pericial contábil requerida pela impugnante quando o perito por ela indicado declara não mais possuir elementos técnicos para sua realização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO DE ATOS E DECISÕES AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o disposto no art. 23 do Decreto 70.235, de 1972, as intimações de atos e decisões do processo administrativo fiscal devem ser enviadas à própria contribuinte, inexistindo previsão para envio ao endereço de advogados ou representante em local diverso ao domicílio tributário eleito pela contribuinte. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Válida é a intimação por edital quando resultar improfícuo um dos meios previstos no artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, a intimação pessoal, por via postal ou por meio eletrônico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1985, 1986, 1987, 1988 PROVA EMPRESTADA. VALIDADE Legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de elementos probatórios produzidos em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, desde que não haja simples transposição das conclusões sem a juntada das provas correspondentes. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTA CALÇADA. A prática da emissão de “nota calçada” procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrada outra operação com valor inferior configura omissão de receitas e justifica o lançamento fiscal sobre a diferença apurada. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA EMPRESTADA PELO FISCO ESTADUAL. PAGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DE ICMS. Confirma a procedência do lançamento de IRPJ efetuado nos autos, com base em elementos probatórios produzidos em processos instaurados pela fiscalização do ICMS, quando os autos de infração lavrados pelo fisco estadual, inicialmente impugnados, acabaram sendo pagos e/ou parcelados pela contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1985, 1986, 1987, 1988 DECADÊNCIA. Tendo o lançamento fiscal sido regularmente intimado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodos base de 1985 a 1988, seja com base na contagem do prazo decadencial previsto no § 4º do artigo 150 do CTN (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador), seja com base no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal (contagem do prazo decadência no primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 349 11 em que o lançamento poderia ter sido efetuado), aplicável ao caso em face de ter sido detectada conduta dolosa pela emissão de “notas calçadas”. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Como a prescrição não corre contra quem não pode agir (agere non valenti non currit praescriptio), o prazo prescricional de cinco anos é contado somente a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, nos termos do caput do artigo 174 do CTN, ou seja, a partir do momento em que a Fazenda Pública puder exigir, do devedor, a prestação tributária; estando o presente processo pendente de decisão administrativa definitiva, haja vista a decisão judicial transitada em julgado ter anulado as decisões administrativas de 1ª e 2ª instâncias anteriormente proferidas, o prazo prescricional somente começará a fluir após a notificação da nova decisão administrativa definitiva. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. A prescrição intercorrente, ou seja, a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: considerou as alegações de defesa apresentadas em 29/10/1990 e em 09/07/2015; da nulidade da intimação por edital, pois não fora dirigido ao advogado, conforme alega, o acórdão recorrido decidiu que o processo administrativo é informal, não seguindo o mesmo rigor que os processos judiciais. Cita ementas de acórdãos do CARF sobre a matéria, em que as intimações relativas a atos e decisões do processo administrativo são efetuadas pessoalmente ao próprio contribuinte, no seu domicílio tributário. De qualquer forma, em análise material, não se encontra nos autos qualquer requerimento para que as intimações fossem para o endereço do representante legal, e que o auditorfiscal designado como perito se dirigiu ao domicílio tributário do contribuinte, onde constatou outra empresa não relacionada no endereço; decadência e prescrição, em que o contribuinte, então impugnante, alega que a execução fiscal foi considerada extinta em 19/08/1999, e a Fazenda Nacional arquivou a ação em 30/09/2003, apenas em abril/2014 é que a DRF/Curitiba resolveu reabrir os PAF's. Assim, alega que ocorreu prescrição ou decadência para reabrir o PAF. A DRJ entendeu que no presente caso, não há mais que se falar em decadência, já que o auto de infração foi regulamente constituído com a ciência em 01/10/1990. Igualmente, a decisão judicial anulou apenas o processo administrativo fiscal. Quanto à prescrição, o art. 174 do CTN estabelece que o prazo é contado somente a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou seja, a partir do momento que a Fazenda Pública puder exigir, do devedor, a prestação tributária. A DRJ também evoca a súmula 11 do Carf a respeito; Fl. 354DF CARF MF 12 quanto ao pleito de perícia contábil/fiscal, o perito indicado pelo contribuinte foi instado a realizar a perícia, após decisão judicial pertinente, mas o mesmo se negou a fazer. Demais alegações de que não foi a contribuinte intimada a respeito, ela não atualizou seu domicílio tributário, o que impediu o contato da autoridade fiscal a respeito; quanto ao protesto do contribuinte contra o fato da autoridade fiscal ter se baseado em prova emprestada do fisco estadual, a DRJ rejeito pois há amparo legal (citado no voto) para tanto, e jurisprudência administrativa formada sobre a matéria no CARF; quanto à questão das notas calçadas, em que o contribuinte alega que seriam meras presunções e indícios, a DRJ entendeu que há uma prova direta da omissão de receitas. Igualmente, os lançamentos do ICMS foram integralmente mantidos na esfera administrativa da Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná. A sua alegação de que os valores do ICMS foram anistiados não procede, pois o que foi anistiado foram as multas e a atualização monetária sobre ela incidente; quanto à glosa de despesas operacionais não comprovadas, não há elementos arguidos (e nem provas) pelo contribuinte, mas como solicita o cancelamento integral da autuação fiscal, a DRJ entendeu por bem ressaltar que está devido o lançamento desta parte da matéria principal do auto de infração. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência do v. acórdão de primeiro grau administrativo em 09/09/2015, apresentou o recurso voluntário em 05/10/2015, ou seja, tempestivamente. No seu recurso voluntário, expõe e repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória. Sucintamente, em contraponto à decisão recorrida, replica a mesma linha argumentativa da sua peça impugnatória, dos quais destaco os seguintes pontos: traz alegações de decadência e prescrição requer a nulidade da intimação por edital; que a não realização da prova pericial se deu por culpa única e exclusiva do fisco; alega que a anistia do estado do Paraná foi no sentido de praticamente zerar os débitos do ICMS em discussão; seu pedido foi na seguinte linha: DO PEDIDO Diante do exposto, requerse seja o RECURSO VOLUNTÁRIO provido em todos os seus fundamentos para o fim de extinguir eventual crédito tributário, em face da decadência ou prescrição, ou, caso não seja este o entendimento deste CARF, para decretar a nulidade do feito por cerceamento de defesa, seja peia nulidade da notificação de reabertura do PAF realizada via Edital, seja pela ilegal supressão da prova pericial, em Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 350 13 manifesta ofensa à coisa julgada, por ser de direito e merecida Justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Da situação processual Como e apesar de já relatado acima, o presente processo envolve algumas peculiaridades, dos quais procurarei sintetizar abaixo. Trata o presente processo de auto de infração de PISfaturamento, cientificado em 01/01/1990. Na autuação fiscal, houve a imputação das seguinte infrações: a) omissão de receitas caracterizada por notas fiscais calçadas, apuradas com base em levantamento do fiscal estadual do estado Paraná, mediante o confronto entre a primeira e quinta vias de inúmeras notas fiscais emitidas pela recorrente ao longo dos anos calendário de 1985 a 1988; b) glosa de despesas operacionais por falta de comprovação, no ano calendário de 1985, pois as notas fiscais estariam por demais simplificadas e/ou sem identificação do beneficiário. A recorrente, então impugnante, apresentou impugnação procurando justificar que tais notas fiscais calçadas teriam sido emitidas em sua autorização por, então, ex funcionários, demitidos por justa causa, com o intuito de vender créditos a pessoas a eles coniventes. Informou que não houve nenhum dano ao erário, pois as notas fiscais com objetivo de venda de crédito não foram computadas para efeito de apuração de estoque, razão pela qual requereu a produção de prova pericial, como forma de comprovação da existência ou não de tal dando ao erário. Em julgamento realizado em 21/03/1991, à época realizado pela DRF/Curitiba, indeferiu o pedido de realização de perícia e, no mérito, manteve integralmente a autuação fiscal, decisão esta, após recurso voluntário, confirmada pelo Primeiro Conselho de Fl. 356DF CARF MF 14 Contribuintes, em acórdão proferido em 17/11/1992. A recorrente interpôs recurso especial a CSRF, ao qual foi negado sua admissibilidade. Desta sorte, os valores autuados foram inscritos na Dívida Ativa da União e objeto de execução fiscal. Contudo, a execução fiscal foi cancelada em virtude de posterior decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional cancelou a inscrição em Dívida Ativa da União em 22/04/2014, e devolveu o processo à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esta decisão judicial, no que tange ao primeiro grau judicial, foi proferida em 29/03/1996, pelo entendimento de que haveria imperiosa necessidade de perícia contábil/fiscal para se apurar a alegada prática de omissão de receita, em que entendeu por anular o procedimento administrativo a partir da decisão da DRF/Curitiba, que negou a realização de prova pericial. Em 19/08/1999, o TRF da 4ª Região acolheu e confirmou a decisão do juiz de primeiro grau, tendo tal decisão transitado em definitivo em 16/11/1999. Por conseguinte, o presente processo recomeçou desde o julgamento da peça impugnatória, recomeçando o processo administrativo fiscal a partir deste momento. Dos pontos suscitados no recurso voluntário: Primeiramente, cabe destacar que a recorrente interpõe recurso idêntico para os processos 10980.007686/9001, 10980.007681/9089, 10980.007683/9012 e 10980.007685/9030, todos pautados nesta sessão. Cita também os processos 10980.007684/9077 e 10980.007682/9041 na sua peça recursal. Em relação ao processo 10980.007684/9077, que envolve o tributo IRRF, já houve decisão neste CARF, na câmara baixa, da autuação fiscal, tendo sido negado provimento na sua integralmente às alegações do recurso voluntário, nos termos do acórdão 1302003.169, sessão de 18/10/2018. No momento, está na unidade local de circunscrição do contribuinte aguardando prazo da ciência da decisão por edital, conforme pesquisas efetuadas no sistema e processo. Em relação ao processo 10980.007682/9041, que envolve o tributo CSLL, a DRJ cancelou a autuação fiscal, pois a exigência de tal tributo até 1988 foi declarada constitucional, nos termos do acórdão 0653220, em sessão de 17/08/2015. Conforme pesquisas efetuadas no sistema eprocesso, este processo está parado na unidade de circunscrição do contribuinte. Como as matérias alegadas são idênticas em todos os processos agora pautados (10980.007686/9001, 10980.007681/9089, 10980.007683/9012 e 10980.007685/9030), passo a analisar cada um dos processos. das alegações de decadência e prescrição Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 351 15 Alega a recorrente que em virtude da ação judicial de primeiro grau, e confirmada pelo segundo grau judicial TRF da 4ª Região em 19/08/1999, cujo acórdão transitou em julgado em 16/11/1999, que extinguiu a execução fiscal promovida pelo presente processo após transcorrido todo o processo administrativo fiscal então vigente, bem como extinguiu os débitos fiscais do presente processo.Aduz que a Fazenda Nacional foi intimada da baixa dos autos em 23/04/2002 (na ação ordinária) e em 26/08/2003 (na execução fiscal), sendo que ambas ações judiciais encaminhadas para baixa e arquivamento em 30/09/2003. Assim, alega que apenas em abril/2004, após pleito incidental de baixa de arrolamento administrativo dos 2 caminhões que ficaram com registro de alerta no Detran em decorrência dos referidos débitos, é que a DRF Curitiba resolveu reabrir os processos administrativos fiscais em questão. Desta forma. alega que o processo incorreu em prazo prescricional ou decadencial, que se iniciara com a decisão que anulou o processo administrativo fiscal em 16/11/1999, data a partir da qual a Fazenda Nacional poderia ter reaberto o processo, o que não ocorreu. Assim, pelo transcurso do prazo de 15 (quinze) anos entre esta data da decisão judicial e a data da reabertura do processo, e o mesmo ter ficado paralisado todo este período, entende a recorrente que teria havido a extinção de créditos tributários pela prescrição ou decadência, na forma dos artigos 173, II, e 174 do Código Tributário Nacional (CTN) ou do artigo 1°, § 1°, da Lei n° 9.873, de 1999. A decisão a quo entendeu que o direito da Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese, na regra geral, no prazo de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador. Ressalta que, no presente caso, como o lançamento fiscal foi regularmente cientificado em 01/10/1990, não há que se falar em decadência para os fatos geradores ocorridos nos períodosbase de 1985 a 1988. Ainda ressalta que, da mesma forma, não cabe a alegação de nulidade formal do processo administrativo de lançamento e constituição do crédito tributário, com contagem do prazo de cinco anos a partir da decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, consoante disposto no artigo 173, inciso II, do CTN, porquanto a decisão judicial transitada em julgado não anulou o lançamento fiscal, mas apenas o processo administrativo a partir da decisão proferida pela DRF/Curitiba em 21/03/1991. Entendeu que quanto à alegação de que extinguiu a execução fiscal, seria descabida, pois a mesma fora é sobrestada por decisão judicial. Antes de qualquer outra construção, entendo pertinente reavaliar o conteúdo e respectiva extensão dos efeitos da decisão judicial evocada pela recorrente. Nos temos da decisão judicial de primeiro grau, consta ao seu final o seguinte: À vista do exposto e o mais que dos autos consta julgo procedente a ação anulatória de débito fiscal, simultaneamente com a medida cautelar em apenso, o que faço para anular o procedimento administrativo noticiado nos autos, a partir da decisão que negou a realização da prova pericial. (grifo meu) A decisão judicial de segundo grau TRF 4ª Região confirmou a decisão retromencionada, nos seguintes termos na sua conclusão, após transcrever excertos da decisão judicial de primeiro grau em questão: Por acolher o mesmo entendimento esposado pelo Juízo a quo, reportome à decisão acima transcrita como razão de decidir. Fl. 358DF CARF MF 16 Ou seja, a decisão judicial não anulou a constituição do crédito tributário, e sim, a decisão de primeiro grau administrativo (na época a DRF) que negou a perícia. Assim, na mesma linha da decisão a quo, entendo que no momento que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal, em 01/10/1990, e apresentou impugnação em 29/10/1990, a exigibilidade foi suspensa nos termos do art. 151, inciso III do CTN1. Como o processo aqui em questão ainda se encontra pendente de decisão administrativa definitiva, em virtude da decisão judicial transitada em julgado ter anulado as decisões administrativas de 1a e 2a instâncias anteriormente proferidas, o prazo prescricional previsto no caput do artigo 174 do CTN somente começará a fluir com a notificação da decisão, desfavorável à recorrente, do último recurso administrativo por ela impetrado. Quanto às alegações que o presente processo incorreu em prescrição intercorrente, nos termos do artigo 1°, § 1°, da Lei n° 9.873, de 23 de novembro de 1999, ao qual cito abaixo: Art. 1°. Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1°. Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. § 2o. Quando o fato objeto da ação punitiva da Administração também constituir crime, a prescrição regerseá pelo prazo previsto na lei penal. Art. 1°A. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal relativa a crédito decorrente da aplicação de multa por infração à legislação em vigor. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). Ressaltese que apesar do artigo 5° da mesma norma legal dispor expressamente que a perda do direito de ação pela paralisação do procedimento administrativo por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária: Art. 5°. O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 352 17 Assim, configurada a situação acima, resta a aplicação da aplicação da Súmula 11 do CARF dispõe que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Por todo o acima exposto, VOTO por rejeitar as alegações relativas à decadência, prescrição e prescrição intercorrente do crédito tributário. da alegação de nulidade da intimação por edital Alega a recorrente que houve nulidade da intimação por edital para ciência do Termo de Início de Diligência Fiscal, sob o argumento de ofensa aos princípios do devido processo legal e da publicidade, pois não teria havido o esgotamento dos meios para a localização da empresa. Alega que o advogado constituído no processo deveria ter sido intimado de todos os atos do processo indispensáveis à defesa. Contudo, não há respaldo legal para tal pleito. A administração tributária não tem obrigação e nem respaldo legal para efetuar a intimação de atos processuais na pessoa e no domicílio do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. As intimações no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são regidas pelo art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que limita o envio ao endereço postal fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, não contemplando o endereçamento a advogados ou representantes localizados em domicílio diverso. Tal matéria atualmente encontrase sumulada, nos termos da súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Cabe frisar que além da falta de previsão legal e matéria já sumulada quanto à intimação diretamente ao advogado da recorrente, para ciência do Termo de Início de Diligência Fiscal, não há nos autos qualquer requerimento no sentido de que as intimações fossem dirigidas ao representante legal. Com relação à intimação por edital, registrouse que o Auditor Fiscal designado como perito na União Federal, Celso Guimarães Senra Vidal, se dirigiu, em 12/11/2014, ao domicílio tributário declarado pela interessada no cadastro do CNPJ, à Rua José Antunes Ferreira, 83, CIC, Curitiba/PR, onde constatou que estava estabelecida a empresa São Gabriel Transportes, Logística e Distribuição Ltda. (CNPJ n° 115.488.297/000153), conforme relatado no Termo de Diligência Fiscal. Nesse sentido, considerando que § 1° do artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelas Leis n°s 11.196, de 2005, e 11.941, de 2009, dispôs que a intimação poderá ser feita por edital quando resultar improfícuo um dos meios previstos naquele artigo intimação pessoal, por via postal ou meio eletrônico o Termo de Início de Fl. 360DF CARF MF 18 Diligência Fiscal foi cientificado por meio do Edital Sefis n° 165/2014, afixado no período de 12 a 27/11/2014. Pelo exposto, não há como acatar a alegação de não ter sido intimada a realizar a perícia determinada por decisão judicial transitada em julgado, VOTO por rejeitar as alegações da recorrente a respeito. da questão da prova pericial e da validade da constituição do crédito tributário Alega a recorrente na sua peça recursal que a não realização da prova pericial se deu por culpa única e exclusiva do fisco. Entende que a sentença judicial teria sido clara quanto à imprescindibilidade da prova pericial, pois no seu entender, o lançamento dos créditos tributários federais foi realizado sem qualquer elemento de prova, algo que estaria no teor da sentença judicial. Traz alegações de que o assistente técnico apenas alegou que não tinha mais os documentos, que estariam com o contribuinte. Aqui cabe ressaltar algo já analisado na decisão a quo. Quando os autos retornaram à alçada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, voltaram no seu estágio que a sentença judicial decidiu ao anular o procedimento administrativo da DRF (então 1ª instância administrativa) e suas etapas subsequentes. Ou seja, retorna os autos em fase posterior à impugnação, para a prova pericial requerida pelo contribuinte então, negada administrativamente, e albergada judicialmente. Assim, os autos retornaram à DRJ de Curitiba, a qual em 14/05/2012 despachou o processo, devolvendo à DRF de Curitiba para: a) designar servidor, como perito da União, para realizar o exame pericial dos livros comerciais e fiscais da interessada dos períodosbase de 1985 a 1988 e correspondente documentação comprobatória, porventura ainda existentes, para atestar se foram efetivamente realizadas as operações de venda de mercadorias retratadas nas primeiras vias das notas fiscais arroladas pela fiscalização do IRPJ; b) determinar que o perito indicado pelo sujeito passivo, o contador Euclides Locatelli, seja intimado a realizar o exame à época requerido, como forma de comprovar "a existência ou não de dano ao erário público"; c) considerando que na sentença proferida em 29/03/1996, o Juiz Federal da 6a Vara Federal acolheu a tese de que há vinculação entre a ação fiscal em análise (IRPJ e lançamentos reflexos) com a ação fiscal realizada pela fiscalização do ICMS, razão pela qual entendeu que não há como se negar a adoção da figura da "prova emprestada", obter cópia da decisão proferida pela Receita Estadual no julgamento dos autos de infração n°s 3.612.3157, 3.612.3162 e 3.612.3173 e demais autuações de ICMS relacionadas com as notas fiscais arroladas pela fiscalização do IRPJ; em caso de manutenção, total ou parcial, das exigências de ICMS, confirmar se os débitos correspondentes foram pagos, parcelados ou extintos de outra forma pelo contribuinte. O Auditor designado como perito da União Federal, Celso Guimarães Senra Vidal, lavrou Termo de Informação de Diligência, por meio do qual relatou as seguintes constatações: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 353 19 a) quanto à solicitação de exame dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do sujeito passivo dos anoscalendário de 1985 a 1988, informa que se dirigiu ao domicílio tributário declarado pela interessada no cadastro do CNPJ à Rua José Antunes Ferreira, 83, CIC, Curitiba/PR , onde constatou que estava estabelecida a empresa São Gabriel Transportes, Logística e Distribuição Ltda. (CNPJ n° 115.488.297/000153), razão pela qual o Termo de Início de Diligência Fiscal foi cientificado por meio do Edital/Sefis n° 165/2014, afixado no período de 12 a 27/11/2014, mas resposta alguma foi apresentada; b) com relação à determinação para que o perito indicado pelo sujeito passivo, Euclides Locatelli, realizasse o exame requerido, informa que após contato telefônico, referido perito compareceu pessoalmente na DRF Curitiba para entregar termo esclarecendo que "quanto à Perícia Contábil, carece de elementos técnicos para a sua realização"; c) no que diz respeito à obtenção de cópia das decisões proferidas pela Receita Estadual, informa que, em resposta aos Ofícios n° 395/2014/RFB/DRF/SEFIS/CTA, de 09/10/2014, e 421/2014/RFB/DRF/SEFIS/CTA, de 19/10/2014, a Inspetoria Geral de Tributação da Receita Estadual, por meio do Ofício n° 88/2014 IGT, de 07/11/2014, forneceu os seguintes documentos: (i) cópia das decisões proferidas no julgamento dos autos de infração n°s 36123157, 36123165, 36123173 e 36873830; (ii) tela com dados de débitos inscritos em dívida ativa e incluído em parcelamentos; (iii) Informação n° 504/2014 da Inspetoria Geral de Tributação da Receita Estadual, no qual consta que os autos de infração n°s 36123157, 36123165 e 36123173 (lavrados em 18/03/1988) e n°s 36873830 e 36873849 (lavrados em 19/09/1990) foram objeto de parcelamento pelo sujeito passivo, estando totalmente quitados, enquanto os autos de infração n°s 36873814 e 36873822 (lavrados em 19/09/1990) foram pagos pelo sujeito passivo; d) ao final, considerando a manutenção de todos os autos de infração lavrados na esfera estadual, concluiu que as operações retratadas nas primeiras vias das notas fiscais arroladas nos autos foram efetivamente realizadas. O processo foi devolvido para a DRJ Curitiba para novo julgamento que, por meio do Despacho n° 7, de 27 de fevereiro de 2015, encaminhou novamente o processo à DRF Curitiba para que fosse dado ciência do Termo de Informação de Diligência à Recorrente e a seu sóciogerente Oscar Ferreira Pinto, com consequente abertura de prazo de 30 dias para oportunizar a apresentação de manifestação. Como o AR com o Termo de Informação de Diligência enviado à Recorrente foi devolvido com o motivo "MUDOUSE", a contribuinte foi cientificada por Edital Eletrônico publicado em 17/03/2015 . O AR enviado a Oscar Ferreira Pinto foi devolvido com o motivo "FALECIDO", mas autoridade fiscal informou que foi dada ciência postal do relatório de diligência à atual sócia administrativa da sociedade, Laura Crispin, que, por intermédio de seus representantes legais, apresentou nova Impugnação, em 09/07/2015. Assim, houve demonstração cabal do intento da autoridade fiscal de localizar representante da recorrente. Sobre essa alegação, o acórdão recorrido registrou que, era necessário reiterar que, a ciência do Termo de Início de Diligência Fiscal foi dada por meio do Edital/Sefis n° 165/2014 em decorrência exclusiva do fato de a interessada não ter atualizado o seu domicílio tributário no cadastro do CNPJ, o que impediu que ela fosse localizada para acompanhar a perícia contábil/fiscal por ela requerida na impugnação apresentada em 29/10/1990. Fl. 362DF CARF MF 20 A DRJ salientou que, independentemente das razões pelas quais o processo em tela somente foi devolvido pela Procuradoria da Fazenda Nacional para a Receita Federal do Brasil em 22/04/2014, o fato é que a perícia contábil/fiscal determinada pela decisão judicial transitada em julgado é aquela requerida na impugnação apresentada em 29/10/1990, com fundamento no disposto no artigo 17, parágrafo único, do Decreto n° 70.235, de 1972, na qual foi indicado o contador Euclides Locatelli como seu perito. Destaca que, como na manifestação de 09/07/2015 a Recorrente limitouse a demonstrar irresignação contra o fato de a autoridade fiscal não ter intimado os advogados por ela constituídos para apresentar a documentação que comprovaria a inexistência de dano ao erário público (o quesito formulado para o exame pericial requerido em 29/10/1990), a Recorrente teria perdido nova oportunidade para demonstrar que não ocorreram as operações registradas nas primeiras vias das notas fiscais arroladas nos autos, pois sequer um indício de prova foi apresentado em sua defesa. Com relação à alegação de que as atividades da Recorrente, pelo seu movimento econômico, não poderiam jamais gerar um lucro real no montante apurado pela autoridade fiscal, a DRJ registrou que, não havia como se deixar de ponderar a possibilidade de a contribuinte, da mesma forma que procedeu com as "notas calçadas", ter deixado de escriturar parte das aquisições de mercadorias para revenda. Pelo exposto, compartilho do entendimento da DRJ no sentido de que foram cumpridas as determinações cabíveis para atender ao pedido de perícia contábil/fiscal e, sendo assim, não há cerceamento de defesa, nem mesmo infração ao princípio do devido processo legal. De qualquer forma, conforme ressaltado pela DRJ, ainda que não tenha sido possível realizar a perícia contábil/fiscal requerida pela Recorrente, há nos autos elementos probatórios que permitem a formação de convicção de ocorreram as operações registrada nas primeiras vias das notas fiscais arroladas nos autos. No que tange à prova emprestada, na qual a recorrente protestou do fato da Receita Federal terse baseado em autos de infração de ICMS lavrados pela Receita Estadual lavrados em 18/03/1988 e 19/09/1990, a doutrina processual entende que como totalmente aceito, com previsão no Código de Processo Civil e até no CTN (art. 199). A jurisprudência administrativa do CARF também admite a utilização da prova emprestada produzida pela fiscalização estadual, conforme pesquisa nos acórdãos. De qualquer forma, inobstante seja legítima a utilização de prova emprestada, ou seja, o aproveitamento de provas da infração produzidas em processos instaurados por autoridades fiscais de uma esfera de poder por outra, contra o mesmo contribuinte, cabe destacar que o lançamento em análise não se limita a simples transposição das conclusões da fiscalização do ICMS, pois a omissão de receitas está efetivamente comprovada pelas notas fiscais emitidas pela interessada (primeiras e quintas vias), cuja análise autoriza concluir pela prática da emissão de “notas calçadas”. No lançamento fiscal foi constatada a prática da emissão de “notas calçadas”, procedimento que consiste no registro do valor real da operação na primeira via da nota fiscal (via do destinatário), enquanto nas demais vias é registrado um valor inferior para fins contábeis e fiscais, prática considerada crime de sonegação fiscal pelo artigo 1º, inciso III, da Lei nº 4.729, de 14, de julho de 1965, e enquadrada como crime contra a ordem tributária pelo artigo 1º, inciso III, da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 354 21 Mediante confronto entre as primeiras e quintas vias das notas fiscais abaixo relacionadas, foi apurada uma omissão de receitas no montante de Cr$ 5.101.559.752,00, Cz$ 11.936.206,84, NCz$ 14.827.680,04 e NCz$ 1.832.715,66 nos períodosbase de 1985, 1986, 1987 e 1988, respectivamente: Omissão de Receitas – Períodobase 1985 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 2941 1ª via 01/02/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 257.900.642,00 5ª via 28/03/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 75.950,00 257.824.692,00 2954 1ª via 12/02/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 201.780.000,00 5ª via 29/03/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 37.975,00 201.742.025,00 2973 1ª via 23/02/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 73.207.200,00 5ª via Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 82.836,00 73.124.364,00 2989 1ª via 13/04/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 75.000.000,00 5ª via 30/03/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 89.208,00 74.910.792,00 3841 1ª via 26/06/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 340.317.015,00 5ª via 20/06/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 192.979,00 340.124.036,00 3852 1ª via 26/06/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 340.282.114,00 5ª via 21/06/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 111.829,00 340.170.285,00 3868 1ª via 25/07/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 348.987.733,00 5ª via 3106/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 180.646,00 348.807.087,00 3877 1ª via 26/07/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 343.695.945,00 5ª via 24/06/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 104.045,00 343.591.900,00 4937 1ª via 17/08/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 342.971.057,00 5ª via 13/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 195.084,00 342.775.973,00 4956 1ª via 18/08/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 342.971.056,00 5ª via 14/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 162.756,00 342.808.300,00 4975 1ª via 22/08/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 342.971.056,00 5ª via 16/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 160.992,00 342.810.064,00 4986 1ª via 24/08/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 342.971.056,00 5ª via 17/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 120.612,00 342.850.444,00 5000 1ª via 13/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 289.646.879,00 5ª via 18/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 121.932,00 289.524.947,00 5025 1ª via 18/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 289.646.879,00 5ª via 19/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 157.884,00 289.488.995,00 5066 1ª via 23/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 287.625.000,00 5ª via 23/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 700.752,00 286.924.248,00 5067 1ª via 23/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 287.625.000,00 5ª via 23/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 455.196,00 287.169.804,00 5223 1ª via 30/09/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 135.100.000,00 5ª via 30/09/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 114.400,00 134.985.600,00 5903 1ª via 13/11/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 97.500.000,00 5ª via 13/11/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 234.108,00 97.265.892,00 6042 1ª via 25/11/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 65.000.000,00 5ª via 25/11/1985 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cr$ 234.108,00 64.765.892,00 6293 1ª via 30/11/1985 Casa do Perfume Ltda. Cr$ 300.145.272,00 5ª via 30/11/1985 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cr$ 250.860,00 299.894.412,00 Total 1ª via Cr$ 5.105.343.904,00 5ª via Cr$ 3.784.152,00 5.101.559.752,00 Nota Omissão de Receitas – Períodobase 1986 Diferença Fl. 364DF CARF MF 22 Via Data Cliente Moeda Valor 7140 1ª via 10/01/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 640.967,04 5ª via 31/01/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 81,14 640.885,90 7151 1ª via 15/01/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 640.967,04 5ª via 31/01/1986 Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 41,41 640.925,63 7175 1ª via 20/01/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 646.358,47 5ª via Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 51,72 646.306,75 7176 1ª via 05/02/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 449.736,00 5ª via 07/02/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 65,28 449.670,72 7200 1ª via 12/02/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 449.736,00 5ª via 07/02/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 59,28 449.676,72 7201 1ª via 18/02/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 525.527,91 5ª via 07/03/1986 Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 57,34 525.470,57 7765 1ª via 02/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 70.800,00 5ª via 02/04/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 121,00 70.679,00 7897 1ª via 08/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 70.800,00 5ª via Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 68,20 70.731,80 8184 1ª via 23/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 49.350,00 5ª via 23/04/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 112,00 49.238,00 8210 1ª via 24/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 43.500,00 5ª via 24/04/1986 Diprobel Represent.Comerciais Cz$ 60,36 43.439,64 8211 1ª via 24/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 65.250,00 5ª via 24/04/1986 Diprofarma Distr.Prod.F.Mar Cz$ 112,00 65.138,00 8284 1ª via 28/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 57.450,00 5ª via 28/04/1986 Delfarma Farm.Perfumaria Cz$ 60,36 57.389,64 8304 1ª via 29/04/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 749.760,00 5ª via 29/04/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 68,20 749.691,80 8444 1ª via 08/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 35.400,00 5ª via Diprobel Repres.Comerciais Cz$ 112,00 35.288,00 8445 1ª via 08/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 5.814,00 5ª via 08/05/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 60,36 5.753,64 8507 1ª via 15/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 106.200,00 5ª via 15/05/1986 Dimecal Distr.Catar.Med.Ltda. Cz$ 60,36 106.139,64 8647 1ª via 22/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 6.756,00 5ª via Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 60,36 6.695,64 8668 1ª via 22/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 229.800,00 5ª via 22/05/1986 Drogabem Com.Med.Perf.Ltda. Cz$ 60,36 229.739,64 8719 1ª via 30/05/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 114.900,00 5ª via 27/05/1986 Daniel Floriano & Cia.Ltda. Cz$ 78,72 114.821,28 8808 1ª via 02/06/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 90.000,00 5ª via 02/06/1986 Deltron Assess.Proj.Elétr.Ltda. Cz$ 78,72 89.921,28 8949 1ª via 10/06/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 90.000,00 5ª via Divino Matinho de Oliveira Cz$ 86,16 89.913,84 8950 1ª via 10/06/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 83.000,00 5ª via 30/06/1986 Dep.Mat.Const.Triângulo Ltda. Cz$ 86,16 82.913,84 9029 1ª via 13/06/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 51.840,00 5ª via 13/06/1986 Drogarei Farmática Ltda. Cz$ 78,72 51.761,28 9383 1ª via 02/07/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 130.500,00 5ª via 02/07/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 78,72 130.421,28 9660 1ª via 15/07/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 136.500,00 5ª via 15/07/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 78,72 136.421,28 9923 1ª via 26/07/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 46.500,00 5ª via 26/07/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 420,00 46.080,00 10157 1ª via 07/08/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 43.500,00 5ª via 07/08/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 525,00 42.975,00 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 355 23 Omissão de Receitas – Períodobase 1986 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 10962 1ª via 09/09/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 46.500,00 5ª via 09/09/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 756,00 45.744,00 10979 1ª via 27/06/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 567.560,00 5ª via 09/09/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 504,00 567.056,00 10992 1ª via 24/07/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 587.893,63 5ª via 09/09/1986 Krei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 363,36 587.530,27 11001 1ª via 28/07/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 587.893,64 5ª via 10/09/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 363,36 587.530,28 11010 1ª via 05/08/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 594.655,70 5ª via 10/09/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 527,04 594.128,66 11033 1ª via 14/08/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 594.655,71 5ª via 10/09/1986 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 588,00 594.067,71 11042 1ª via 21/09/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 573.724,11 5ª via 10/09/1986 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 420,00 573.304,11 11170 1ª via 19/09/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 43.500,00 5ª via 15/09/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 672,00 42.828,00 11675 1ª via 24/10/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 27.000,00 5ª via 24/10/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 252,00 26.748,00 11714 1ª via 07/11/1986 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 55.800,00 5ª via 07/11/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 420,00 55.380,00 11751 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 528.439,80 5ª via 17/11/1986 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 420,00 528.019,80 11768 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 530.046,00 5ª via 21/11/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 420,00 529.626,00 11778 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 538.077,00 5ª via 25/11/1986 Distr.Perf.Cosm.Pirâmide Ltda. Cz$ 420,00 537.657,00 11791 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 540.486,30 5ª via 02/12/1986 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 420,00 540.066,30 11811 1ª via 27/10/1986 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 498.766,90 5ª via 02/12/1986 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 336,00 498.430,90 Total 1ª via Cz$ 11.945.911,25 5ª via Cz$ 9.704,41 11.936.206,84 Omissão de Receitas – Períodobase 1987 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 2674 1ª via 23/02/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.625.000,00 5ª via Café Alvorada S/A Cz$ 294,00 1.624.706,00 2696 1ª via 24/02/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.625.000,00 5ª via Kyrlei Boff Cz$ 398,25 1.624.601,75 2743 1ª via 25/02/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.549.192,50 5ª via 30/03/1987 Matusita & Cia.Ltda. Cz$ 437,80 1.548.754,70 3954 1ª via 22/06/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 705.614,04 5ª via 22/06/1987 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 154,00 705.460,04 3972 1ª via 26/06/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 705.819,38 5ª via 23/06/1987 Kyrlei Boff Cz$ 214,17 705.605,21 5425 1ª via 31/08/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.874.592,84 5ª via 30/09/1987 Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 657,60 1.873.935,24 5476 1ª via 09/09/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.875.120,30 5ª via 30/09/1987 Kyrlei Boff Cz$ 421,56 1.874.698,74 Fl. 366DF CARF MF 24 Omissão de Receitas – Períodobase 1987 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 5495 1ª via 18/09/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.875.120,30 5ª via 06/10/1987 Distr.Perf.Cosmét.Silva Ltda. Cz$ 807,96 1.874.312,34 5558 1ª via 26/09/1987 Casa do Perfume Ltda. Cz$ 1.875.166,56 5ª via 08/10/1987 Matusita e Cia.Ltda. Cz$ 622,20 1.874.544,36 5625 1ª via 15/10/1987 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 900.000,00 5ª via 15/10/1987 Kirei Com.Cosméticos Ltda. Cz$ 622,20 899.377,80 5839 1ª via 28/10/1987 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 222.000,00 5ª via 28/10/1987 Kyrlei Boff Cz$ 316,14 221.683,86 Total 1ª via Cz$ 14.832.625,92 5ª via Cz$ 4.945,88 14.827.680,04 Omissão de Receitas – Períodobase 1988 Nota Fiscal Via Data Cliente Moeda Valor Diferença 7812 1ª via 29/01/1988 Cosmetel Perf.e Cosmét.Ltda. Cz$ 1.836.000,00 5ª via 29/02/1988 Jady Coml.de Cosmét.Ltda. Cz$ 3.284,34 1.832.715,66 Total 1ª via Cz$ 1.836.000,00 5ª via Cz$ 3.284.34 1.832.715,66 Observese que nas primeiras vias dessas notas fiscais constam expressivas vendas de mercadorias para apenas dois clientes, Casa do Perfume Ltda. (CNPJ nº 21.174.305/000190, com sede em Belo Horizonte/MG) e Cosmetel Perfumaria e Cosméticos Ltda. (CNPJ nº 48.213.714/000104, em São Paulo/SP), enquanto nas quintas vias constam ínfimas vendas a diversos clientes em Curitiba/PR. Por conseguinte, qualquer dúvida acerca da efetividade das vendas registradas nas primeiras vias das notas fiscais foi definitivamente suprimida quando a contribuinte reconheceu a procedência dos autos de infração lavrados pela Receita Estadual, com base nas mesmas operações tributadas nos presentes autos, quando efetuou o pagamento e/ou parcelamento (que exige confissão da dívida) daquelas exigências de ICMS, conforme consta da Informação nº 504/2014 da Inspetoria Geral de Tributação da 1ª Delegacia Regional da Receita do Estado do Paraná : AI/PAF Situação do encerramento do AI/PAF Situação da Dívida Ativa 36123157 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 17975539 Parcelamento TAP nº 01.5171154, já quitado 36123165 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 17975512 Parcelamento TAP nº 01.5171154, já quitado 36123173 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 17975520 Parcelamento TAP nº 01.5171154, já quitado 36873830 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 19481134 Parcelamento TAP nº 01.5385316, já quitado 36873849 Inscrito na dívida ativa (DA) nº 19224190 Parcelamento TAP nº 01.5385316, já quitado 36873814 Baixado por pagamento 36873822 Baixado por pagamento Esses lançamentos de ICMS foram integralmente mantidos nos julgamentos administrativos de 1ª e 2ª instâncias da Secretaria de Estado da Fazenda do Estado do Paraná: . no julgamento das impugnações apresentadas contra os lançamentos de ICMS, os autos de infração lavrados em 18/03/1988 (nºs 36123157, 36123165 e 36123173) e 19/09/1990 (nºs 36873830, 36873849, 36873814 e 36873822) foram julgados integralmente procedentes Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10980.007685/9030 Acórdão n.º 1402003.818 S1C4T2 Fl. 356 25 tanto pela Inspetoria Regional de Tributação da 1ª Delegacia Regional da Receita do Estado do Paraná e como pelo Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná; . os débitos constantes dos autos de infração de ICMS nºs 36123157, 36123165 e 36123173 foram inscritos na Dívida Ativa em 13/03/1990, enquanto os dos autos de infração nºs 36873830 e 36873849 foram inscritos em 23/04/1994 e 25/06/1993, respectivamente; . os débitos dos autos de infração nºs 36873814 e 36873822 foram recolhidos pelo sujeito passivo em 02/09/1992; . os débitos dos autos de infração nºs 36123157, 36123165 e 36123173 foram incluídos no parcelamento TAP nº 01.5171154, com 36 parcelas, tendo a última sido quitada em 17/02/1993, enquanto os débitos dos autos de infração nºs 36873830 e 36873849 foram incluídos no parcelamento TAP nº 15385316, com 100 parcelas, a última quitada em 24/02/2006. Dessa forma, restando confirmada a divergência entre as primeiras e quintas vias das notas fiscais emitidas pela interessada, voto por manter a exigência correspondente. Conclusão: Em face de todo o exposto acima, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário da recorrente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721914/2017-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2014
COMPENSAÇÃO.GLOSA.
Impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório.
Numero da decisão: 2201-004.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para na parte provida determinar o desmembramento do processo para exclusão dos valores já pagos, bem como confessados através da adesão ao PERT.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2014 COMPENSAÇÃO.GLOSA. Impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para na parte provida determinar o desmembramento do processo para exclusão dos valores já pagos, bem como confessados através da adesão ao PERT. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 19 14 /2 01 7- 79 Fl. 6011DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.012 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0445.100 3a Turma da DRJ/CGE, procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Adoto o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de glosa parcial de compensação de contribuições previdenciárias patronais informadas em GFIPs (fls. 02 a 2665), acompanhadas de documentos anexos, no valor originário de R$ 93.118.010,15. DESPACHO DECISÓRIO Em 19/09/2017, a Delegacia da RFB em Barueri/SP emitiu o Despacho Decisório SEORT/DRF/BRE n ° 387/2011 (fls. 2711 a 2720), homologando parcialmente a compensação previdenciária patronal, requisitadas por intermédio de GFIPs (fls. 02 a 2665), referente a créditos decorrentes do período de 04/2012 a 02/2013, no valor de R$13.941.575,23, sob as seguintes justificativas: O reconhecimento de valores compensados em GFIPs demanda, sobretudo, a apuração da liquidez e certeza dos créditos aproveitados e a regularidade no cumprimento das exigências previstas na legislação pertinente. Para o exame dos dados das compensações, foi necessário o requerimento de complementação das informações constantes nos sistemas, especialmente, no que se refere à origem dos montantes utilizados. Posto isto, foi solicitado ao interessado, por meio do Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/BRE n° 92/2017 e Termo de Reintimação Fiscal SEORT/DRF/BRE n° 133/2017, esclarecimentos da origem, detalhada por competência e discriminada por estabelecimento, dos créditos utilizados em compensações. Em sua resposta, o contribuinte informou que, parte do campo compensação das GFIPs referese ao ajuste da desoneração da folha de pagamento promovida pela Lei n° 12.546/2011. Alegou que desde de abril de 2012, a empresa estaria enquadrada no regime misto de tributação, devendo apurar, concomitantemente, a Contribuição Previdenciária Patronal (reduzida) e a Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Ressaltou ainda que, de acordo com o Ato Declaratório CODAC n° 93/2011, utilizou o campo "compensação" da GFIP para realizar o "ajuste" de referida desoneração em folha. Esclareceu que, apesar de a empresa estar sujeita a esse regime de tributação desde abril de 2012, houve apuração e recolhimento integral da Contribuição Previdenciária Patronal até fevereiro de 2013, acarretando saldo credor a favor do contribuinte. Posteriormente, verificado o pagamento indevido, foi promovida a retificação das GFIPs, com inclusão no campo Fl. 6012DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.013 3 compensação: (I) de todos os "ajustes" relativos à desoneração em folha apurados desde abril/2012 e (II) a utilização do crédito daquele recolhimento indevido ou a maior de Contribuição Previdenciária Patronal nos períodos de maio/2013 a novembro/2013 e de março/2014 a setembro/2014. Em cumprimento ao Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/BRE n° 156/2017, foram retificadas as EFD Contribuições de 2012 a 2015, com inclusão do Bloco P, com objetivo de viabilizar a auditoria da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta e, consequentemente, da desoneração na folha de pagamento, que compõe parte do campo 'compensação' da GFIP. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 378/391): ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Os atos administrativos, quaisquer que sejam sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que os estabeleçam. Essa presunção decorre do princípio da legalidade estrita que vincula a Administração. Em conseqüência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na Impugnação consolidamse administrativamente e não serão objeto de análise, visto que não se tornaram controvertidas. PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação, na legislação tributária e previdenciária, é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social, reservandose ao sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar os valores indevidamente compensados. É vedada a compensação da contribuição devida com créditos não comprovados (ilíquidos e incertos) e daqueles oriundos de verbas que se constituem, perante a legislação, basesdecálculo de contribuições previdenciárias; mormente quando sua exigibilidade está sendo questionada judicialmente e ainda não se operou o transito em julgado. Também corresponde à hipótese de compensação indevida aquelas formuladas em desacordo com as normas que disciplinam a matéria, vale dizer, aquelas que não foram precedidas de habilitação (quando oriundas de decisões Fl. 6013DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.014 4 judiciais) e retificação das declarações que motivaram os recolhimentos incorretos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviço. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. As hipóteses de nãoincidência do salário de contribuição são aquelas arroladas em relação exaustiva no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, observadas as vigências da redação original e alterações posteriores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida e uma vez presente o elemento de falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. MULTA. LEGALIDADE. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. Consectários legais cobrados nas formas da legislação de regência possuem respaldo legal e não podem ser afastados no âmbito da Administração Tributária sob o argumento do ferimento a princípios constitucionais tributários. Por fim, sobre os débitos compensados no período de novembro/2014 a março/2015, alegou a utilização de créditos (não discriminados) advindos da parcela de Contribuição Previdenciária não incidente sobre o terço constitucional de férias, bem como sobre os primeiros quinze dias de afastamento do empregado no gozo de AuxílioDoença ou de Auxílio Acidente. Afirmou que a Receita Federal do Brasil estaria vinculada ao julgamento do Recurso Repetitivo n° 1.230.957/STJ que versa sobre a não incidência de Contribuição Previdenciária sobre tais rubricas, de acordo com Parecer PGFN/CDA/CRJ n° 396/2013 e art. 62A do Regimento interno do CARF Portaria MF n° 256/2009. Além disso, juntou certidão judicial referente ao Mandado de Segurança n°. 0004097.19.2007.401.3400 Fl. 6014DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.015 5 (2007.34.00.0041427/DF), com o julgamento sobrestado desde 29/08/2014. Fundamentou seu pedido no artigo 1.036 do Código de Processo Civil o qual prevê: Art. 1.036. Sempre que houver multiplicidade de recursos extraordinários ou especiais com fundamento em idêntica questão de direito, haverá afetação para julgamento de acordo com as disposições desta Subseção, observado o disposto no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e no do Superior Tribunal de Justiça. Os citados Termos de Intimação Fiscal, as respectivas respostas e os documentos apresentados, inicialmente incluídos no dossiê n° 10010.028656/031769, foram devidamente inseridos na instrução do presente processo nas fls. 2.666 a 2.710. Do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior relativo à desoneração da folha de pagamentos. A Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta foi instituída pela Medida Provisória n° 540, de 2 de agosto de 2011 e posteriormente convertida na Lei n° 12.546, de 14 de dezembro de 2011. Consiste na substituição das Contribuições Previdenciárias Patronais (CPP) incidentes sobre a remuneração de empregados e contribuintes individuais previstas, respectivamente, nos incisos I e III do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, por uma contribuição sobre base de cálculo extraída da receita bruta, denominada Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB). A substituição não alcançou as demais contribuições patronais que têm por base de cálculo a remuneração empregados e contribuintes individuais, mantendose exigíveis a contribuição decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) prevista no inc. II do art. 22 da Lei n° 8.212/19, assim como as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros). De acordo com a Lei n° 12.546/2011, o enquadramento da pessoa jurídica se dá, dentre outras formas, pelo tipo de atividade desenvolvido pela empresa. No cenário analisado, o contribuinte pertence ao segmento de Tecnologia da Informação (TI) (CNAE n° 6209100: suporte técnico, manutenção e outros serviços de tecnologia) sendo que referida atividade está sujeita à incidência de CPRB desde abril de 2012, segundo rol constante do Anexo I da IN RFB n° 1.436/2013. permanecem sujeitas à CPP. Por essa razão, o contribuinte enquadrase no regime misto de tributação, isto é, incide CPRB sobre a parcela da receita bruta advinda da atividade de TI e sobre a parcela de receita bruta oriunda de outras atividades, permanece a obrigação de recolhimento de Contribuição Previdenciária sobre a folha de salários, reduzida proporcionalmente à razão entre as receitas de atividades não desoneradas e a receita bruta total. Fl. 6015DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.016 6 Nessa toada, analisando as GFIPs originais transmitidas pelo contribuinte em abril/2012 até fevereiro/2013, constatouse que, inicialmente, não houve apuração e recolhimento de CPRB, mas foi identificada apuração e recolhimento integral CPP por meio de GPS. Posteriormente, com objetivo de regularizarse, a empresa retificou o campo compensação das GFIPs, incluindo os ajustes da desoneração da folha de pagamento, dando origem aos créditos de pagamento indevido nesse período. Concomitantemente, o contribuinte declarou em DCTF débitos de CPRB, estes compatíveis com as EFD Contribuições dessas competências. Com base nas informações coletadas nas EFD Contribuições, levantouse o total de receita bruta apurado pela empresa e a segregação entre receitas desoneradas e não desoneradas. O percentual de receita bruta desonerada corresponde ao fator de redução da CPP, o qual foi utilizado para o levantamento do montante recolhido a maior de CPP nesse período, conforme demonstrado no Anexo I e II. Além disso, notase que empresa cumpriu com o disposto na legislação tributária que autoriza a utilização de créditos decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuição previdenciária em compensações com tributo da mesma espécie e entre estabelecimentos da mesma empresa, no prazo de cinco anos a contar da data do pagamento indevido. Pois bem, em relação ao pagamento indevido de Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento nas competências de abril/2012 a fevereiro/2013, contatouse a existência de créditos no valor de R$ 13.941.575,23 (treze milhões, novecentos e quarenta e um mil, quinhentos e setenta e cinco reais e vinte e três centavos), conforme Anexo II. Entretanto, após apuração do montante do crédito disponível, verificouse, com apoio dos sistemas da RFB, que os créditos não foram suficientes para abater todos os débitos indicados pelo contribuinte. Apurouse um saldo remanescente no valor de R$ 84.105,01 (oitenta e quatro mil, cento e cinco reais e um centavo) relativo à competência setembro de 2014, conforme Anexo IV. Do crédito decorrente de decisões judiciais Inicialmente, em relação ao Mandado de Segurança citado, o contribuinte apenas juntou certidão judicial emitida pelo Superior Tribunal de Justiça sobre Agravo Regimental, com trânsito em julgado em 08/06/2015 e não apresentou qualquer decisão judicial que comprovasse o direito à não incidência de CPP sobre as rubricas abordadas neste processo. Com base em pesquisas realizadas nos sites oficiais dos tribunais, verificouse que referido processo se encontra sobrestado no Tribunal Regional Federal da Primeira Fl. 6016DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.017 7 Região, desde 29/08/2014, aguardando decisão final no Supremo Tribunal Federal, em sede de Repercussão Geral sobre matéria equivalente. Tratandose de crédito que dependa de decisão judicial, a compensação exige o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. O contribuinte, ao reduzir o montante da contribuição que deveria ter declarado como formalmente devida, com a inclusão de informação de créditos inexistentes em GFIP, descumpriu as disposições do CTN supracitadas. No que concerne a julgamentos desfavoráveis à Fazenda Nacional, submetidos à sistemática prevista nos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os respectivos créditos tributários após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, nos termos do § 4°, art. 19 da Lei n° 10.522/2002. A Receita Federal do Brasil RFB deve seguir o entendimento emanado nas decisões julgadas pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, e pelo STF, em repercussão geral, após a expedição de ato normativo emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN. Não havendo ato normativo da PGFN que autorize seguir tal entendimento e considerando que a atividade administrativa é vinculada ao princípio da estrita legalidade, esta autoridade tributária não possui respaldo legal para dar cumprimento imediato aos julgados submetidos à sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC. No caso em questão, o RESP n°. 1.230.957/RS (temas 479 e 738 de recursos repetitivos), julgado pelo STJ de forma desfavorável à Fazenda Nacional, aborda a não incidência de contribuição previdenciária, a cargo do empregado, sobre valores pagos a título de terço constitucional de férias e remuneração dos primeiros quinze dias de afastamento do trabalhador por incapacidade, haja vista sua natureza indenizatória. Referido assunto também foi submetido ao STF, por meio do RE n°. 892.238/RS (tema 908), que denegou a existência de repercussão geral por tratarse de matéria infraconstitucional (artigo 28 da Lei n°. 8212/91). Assim, em virtude do que decidiu o STF (RE n°. 892.238) em conjunto com o decidido pelo STJ (Resp n°. 1.230.957/RS), a PGFN autorizou a dispensa para contestar e recorrer das contribuições previdenciárias a cargo do empregado quanto ao terço constitucional de férias e a remuneração paga pelo empregador durante os primeiros quinze dias de afastamento do trabalho por incapacidade, conforme Nota PGFN/CRJ n° 115/2017. Por esse motivo, a incidência de contribuição previdenciária, a cargo do empregador, DA empresa e da entidade a ela Fl. 6017DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.018 8 equiparada na forma da lei, sobre o terço constitucional de férias e sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença e auxílioacidente, permanecem sendo objeto de impugnação e recurso pela PGFN e, consequentemente, pela RFB. Além disso, a Solução de Consulta n° 119 COSIT (07/02/2017) determinou que ainda estando a Receita Federal do Brasil vinculada aos entendimentos desfavoráveis à Fazenda Nacional, firmados sob a sistemática de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de recurso especial repetitivo, a partir da ciência da Nota Explicativa da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1, de 2014 e, não obstante esse direito for postulado mediante ação judicial própria, o contribuinte deve aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial, para então proceder à execução judicial ou à compensação administrativa. Por outro lado, em relação ao recolhimento a cargo do empregado, deve ser comprovada a devolução dos correspondentes valores retidos do trabalhador, fato que não restou comprovado pelo contribuinte, contrariando o disposto no art. 166 do CTN e parágrafo único, do art. 12, da IN n°1.777/17. Mesmo assim, conforme determina o art. 170 do CTN, para ensejar o direito à compensação, o crédito do contribuinte deve estar revestido de liquidez e certeza. O direito à compensação sujeitase à apuração da existência do recolhimento e da quantificação da importância certa e determinada. Não podem ser compensados créditos indicados aleatoriamente sob alegação de que a contribuição foi paga indevidamente em determinado período. Nas competências de novembro/2014 a março/2015, o contribuinte informou compensações em GFIPs de diversos estabelecimentos da empresa, para as quais não foram apresentadas informações sobre a origem do crédito, tampouco foram especificados valores, estabelecimentos ou GPS a que se referiam o crédito tributário. Ademais, pela falta de especificidade, sequer foi possível verificar a tempestividade do direito creditório. Assim, os créditos utilizados pelo interessado para o procedimento de compensação inexistem, ainda que se tenha corrente doutrinária e jurisprudencial em favor das teses projetadas pelos levantamentos de crédito. Mesmo as rubricas objeto de ação judicial em curso, pelo fato de inexistir ainda o trânsito em julgado do mérito das mesmas, verificase obstáculo previsto no artigo 170A do CTN. Ressaltese que referida norma impõe ao contribuinte a observância ao trânsito em julgado, sempre que vislumbrar a existência de créditos que dependam de decisão judicial, sob pena de ser considerada fraudulenta a compensação reiterada que aproveitar créditos espúrios, com aplicação das penalidades cabíveis. Fl. 6018DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.019 9 Portanto, pelos motivos acima expostos, restaram afastados os pressupostos de liquidez e certeza do crédito utilizado a tal título, impondose a não homologação das competências declaradas em GFIP neste período. Das compensações não justificadas Apurouse uma divergência de R$ 124.910,60 ao comparar os valores do total do campo compensação declarado em GFIP, coluna 'A' do Anexo III, com o campo 'B', que resulta da soma entre os ajuste de CPRB, PGIM de CPP e PGIM de Ação Judicial, conforme demonstrado pelo contribuinte em sua planilha. Sendo assim, essas diferenças serão não homologadas por falta de justificativas, conforme detalhado no Anexo III. Decisão Por todo o exposto, em conformidade com o relatório e a fundamentação acima, e, nos termos da atribuição estabelecida no art. 6° da Lei n° 10.593/2002, combinado com o disposto no art. 224 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n.° 203/2012, os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, infraassinados, DECIDEM: RECONHECER o direito creditório relativo ao Pagamento Indevido ou a Maior de Contribuição Previdenciária Patronal do período de 04/2012 a 02/2013, no valor original de R$ 13.941.575,23 (treze milhões, novecentos e quarenta e um mil, quinhentos e setenta e cinco reais e vinte e três centavos), conforme discriminado Anexo II e HOMOLOGAR as compensações daí decorrentes, até o limite do crédito reconhecido, conforme discriminado no Anexo III. NÃO HOMOLOGAR as compensações cujo crédito é oriundo de ações judiciais e demais compensações não justificadas, discriminadas no Anexo III. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 2820 a 2873), apresentada em 20/12/2017 (fl. 5778), a pleiteante profere as seguintes alegações: Os valores dos créditos compensados em razão da decisão judicial processo n° 000409719.2007.4.01.3400 (2007.34,00.0041427/DF) e acórdão do Recurso Repetitivo 1.230.957 STJ, observam a legalidade em seus procedimentos. • Mandado de Segurança n° 000409719.2007.4.01.3400: Foi ajuizada ação com o objetivo da Impugnante não ser compelida ao recolhimento da contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados em relação aos valores pagos nos 15 Fl. 6019DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.020 10 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílio acidente), bem como, a título de saláriomaternidade. férias e adicional de férias de 1/3 (um terço). Houve interposições de Recursos Extraordinários pelas partes e aguardase julgamento autos sobrestados. Assim, tendo havido recolhimentos indevidos a título dos valores em questão, a Impugnante faz jus à compensação desses valores, na forma declarada em suas GFIP's pertinentes aos débitos e os períodos em lume. Inobstante, os autos acima mencionados, a Impugnante apenas compensou as verbas de 1/3 de férias e os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílio acidente), observando a estrita legalidade consoante o Recurso Repetitivo 1.230.957 STJ. No que tange às demais verbas previdenciârias, a Impugnante fez a retificadora das GFIP's e formalizou a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária PERT. nos termos do art. 8° da IN n° 1711/2017, conforme termo de adesão e guia comprobatória de pagamento da primeira parcela anexos. (Valor principal R$ 5.026.930,95, Multa R$ 1.005.386,04, Juros R$ 1.523.567,55 = Total de R$ 7.555.884,54), fato este ignorado pela equipe de fiscalização em seu despacho decisório, acarretando, ainda, em duplicidade da cobrança, uma pela via do PERT e outra através de processo lançado no despacho decisório, devendo ensejar a nulidade do referido processo administrativo. Desse modo, os valores apontados para inclusão no programa de Parcelamento encontram se com a exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional, já o segundo processo, aquele identificado acima, cuja impugnação se apresenta neste momento. Com efeito, o despacho decisório ora combatido foi elaborado à margem da Constituição Federal e a legislação atinente, conforme ficará amplamente explanado na presente Impugnação, isto porque, entendeu por bem a fiscalização em proceder a lavratura, sem, sequer, analisar os documentos apresentados pela Impugnante, os quais seriam suficientes para a homologação dos créditos efetivamente compensados e os demais valores foram parcelados no Programa Especial de Regularização Tributária PERT . Senão vejamos. DA NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR VIOLAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Fl. 6020DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.021 11 Mais uma vez, corroborada a nulidade do despacho decisório impugnado, posto que enfrentou matérias prejudiciais à manutenção do crédito tributário nos termos em que lançado. Como se sabe, o ato administrativo é ato jurídico que se diferencia do simples ato jurídico de direito privado por sua inerente capacidade de exprimir uma relação de administração, sua ininterrupta ligação com o interesse público, sua capacidade de constituir unilateralmente as obrigações aos administrados (imperatividade ou poder extroverso) e sua autoexecutoriedade, que significa a execução cogente em via administrativa. Além disso, o ato administrativo goza de presunção júris tantum de legitimidade baseada em circunstâncias aparentes. Porém, não se pode olvidar jamais que são elementos indissociáveis do ato administrativo o conteúdo e a forma. A ora Impugnante apenas compensou as verbas de 1/3 de férias e os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoenca ou do auxílioacidente observando a estrita legalidade consoante o Recurso Repetitivo 1.230.957STJ. Quanto às demais verbas, a Impugnante fez a retificadora das GFIP's e formalizou a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária PERT. nos termos do art. 8°. da IN n° 1711/2017. Ademais, o simples ato de indicar e transcrever dispositivos legais, como ocorreu no presente caso, não pode ser confundido com fundamentação, sob pena de subversão completa da Ordem Constitucional vigente. O modo superficial como a questão foi tratada no despacho decisório torna impossível para a Impugnante compreender ou saber do que são constituídas as imputações que pesam sobre si. O Legislador ao determinar que a decisão deverá ser obrigatoriamente explicita, clara e congruente, pois o contrário, significa que o administrado não poderá reunir condições de exercer a sua ampla defesa. Portanto, o despacho decisório não pode prosperar, tendo em vista sua nítida carência de fundamentação, se impondo a sua anulação. DA PRESENTE DEFESA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO SUPOSTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A presente Impugnação apresentada pela Impugnante vislumbra a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 6021DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.022 12 Isto porque a própria legislação sobre o tema, corroborada pela majoritária jurisprudência assim determinam, especialmente o Decreto n°. 70.235/72, e o §11 do art. 74 da Lei n°. 9.430/96. Desse modo, evidente a necessidade de suspensão da exigibilidade dos créditos tributários que a Impugnação, enquadrase no disposto no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Portanto, evidente o dever de suspensão de exigibilidade dos débitos ora discutidos, em razão do manuseio da presente Impugnação, devendo a autoridade competente tomar as medidas cabíveis para que os débitos não constem como qualquer restrição. DO DIREITO. Em face da Impugnante está sendo exigida pelo fisco Federal, por meio do despacho decisório, a Contribuição Previdênciaria que trata a Lei n°. 8.212/1991, em seu artigo 11, parágrafo único, alínea "a", bem como no artigo 22, I, ante a ausência de pagamento da aludida exação, tendo em vista a utilização de créditos posteriormente glosados pela Fiscalização sob forma de compensação, em detrimento do recolhimento ordinário. DO CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR RELATIVO À DESONERAÇÃO DA FOLHA DE PAGAMENTOS Conforme descrito no item "2.1" do Despacho Decisório em comento, com base na análise das informações e documentos relativos à desoneração da folha instituída pela Lei 12.546/11, bem como dos dados obtidos dos sistemas da própria Receita Federal do Brasil (RFB), a autoridade fiscal concluiu pela existência de créditos de INSS do período de abr/12 a fev/13 no montante de R$ 13.941.575,23, sendo que, os mesmos foram considerados insuficientes para abater o total dos débitos de INSS compensados nos períodos de maio a novembro de 2013 e março a setembro de 2014, tendo sido apurado, portanto, um suposto saldo remanescente não homologado de R$ 84.105,01. Ocorre que, a partir da análise do relatório "ANEXO II" do despacho ora guerreado, a Requerente constatou que o valor do crédito de INSS sobre 13°/12 informado na coluna "Crédito Original Pleiteado" no montante total de R$ 665.510,73 não condiz com o valor correto de crédito de INSS do citado período que a mesma faz jus e que perfaz o montante de R$ 742.783,30. Isto porque, a Recorrente incorreu em erro no preenchimento do campo "Compensação" das SEFIP's/GFIP's do 13°/12, informando valores equivocados e diversos daqueles corretos, fato que certamente prejudicou a correta mensuração do crédito de INSS do 13°/12 pelas autoridades fiscais. Fl. 6022DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.023 13 Na realidade, o efetivo crédito que deveria constar do campo "Compensação" das SEFIP's/GFIP's do 13°/12 está demonstrado na planilha de cálculo anexa a este recurso (Doc. n° 01), devidamente amparada peio resumo da folha de salários (Doc. n° 01A), bem como por relatórios de faturamento (Doc. n° 01B) conciliados com os respectivos balancetes (Doc. n° 01C); planilha esta que, frisese, já havia sido fornecida as autoridades fiscais no decorrer do processo de fiscalização, como prova da existência do efetivo crédito de tal período. Desta forma, se consideramos o real crédito de INSS do 13°/12, devidamente comprovado consoante descrito no parágrafo anterior, conjuntamente com o total dos créditos já homologados pelas autoridades fiscais, podemos concluir que o crédito de INSS advindo da desoneração do período de abr/12 a fev/13 é sim suficiente para abater todos os débitos do período de maio a novembro de 2013 e marco a setembro de 2014. conforme demonstra a planilha de controle de compensação anexa (Doc n° 02), motivo pelo qual, o saldo remanescente de R$ 84.105,01 que está sendo exigido deve ser totalmente homologado. É importante destacar que a única razão para a não homologação do valor de R$ 84.105,01 foi o equívoco então cometido pela Requerente quando do preenchimento do campo "Compensação" das SEFIP's/GFIP's do 13°/12, o qual somente foi percebido após a análise pela Requerente do campo "Crédito Original Pleiteado" do "ANEXO II" do despacho em referência. No entanto, em que pese o equívoco cometido, o crédito efetivo de INSS do 13°/12 no valor de R$ 742.783,30, utilizado via compensação pela Requerente e diverso daquele apontado pela fiscalização, existe de fato e está devidamente demonstrado e embasado conforme documentos anexos a esta manifestação. Ademais, além da comprovação da certeza e liquidez do crédito correto de INSS do 13°/12, conforme já exposto mais acima, informa a Requerente que já procedeu à retificação das SEFIP's/GFIP's do 13°/12 (Doc. n° 03) para informar no campo "Compensação" o valor correto do INSS desonerado que deu origem ao crédito de INSS então utilizado pela ora Requerente via compensação. Isto posto, não há qualquer razão para a não homologação do montante de R$ 84.105,01, uma vez que restou totalmente demonstrado que: o crédito correto e devidamente comprovado do INSS do 13°/12 é no valor de R$ 742.783,30 e não no valor de R$ 665.510,73, sendo que este último somente foi apontado pela fiscalização em razão de erro cometido pela Requerente no preenchimento das SEFIPs/GFIP's do 13°/12; a Requerente já procedeu à retificação das SEFIPs/GFIP's do 13°/12 para consignar o crédito correto de INSS no valor de R$ 742.783,30, e Fl. 6023DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.024 14 com o recálculo das compensações realizadas no período de maio a novembro de 2013 e março a setembro de 2014 com a utilização do crédito de INSS do período de abr/12 a fev/13, considerando agora o valor correto do crédito de INSS do 13°/12 de R$ 742.783,30 em substituição ao valor equivocado de R$ 665.510,73, é possível concluir que o crédito de INSS do citado período é sim suficiente para abater todos os débitos de INSS compensados nos períodos de maio a novembro de 2013 e março a setembro de 2014. Assim, temos que a compensação do valor de R$ 84.105,01 deve ser integralmente homologada, posto que, consoante já comprovado, o confronto dos créditos de INSS (abr/12 a fev/13) com as compensações de INSS então realizadas (maio a novembro de 2013 e março a setembro de 2014), não resultou em insuficiência de créditos ou mesmo em saldo de débito de INSS a recolher. DO CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÕES JUDICIAIS Com relação ao item "2.2" do Despacho Decisório, temos que os créditos tomados são absolutamente legais, haja vista a manifesta existência de pagamentos a título da Contribuição Previdenciaria a maior por longo período, porquanto o fisco sempre exigiu parcelas indevidas das contribuições em teia, quais sejam, aquelas incidentes sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), a título de saláriomaternidade, férias além do 1/3 (um terço) constitucional de férias: adicional de horas extras, noturno, insalubridade, periculosidade, transferência, aviso prévio indenizado e a respectiva parcela do 13° salário. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, reconheceu a relevância da matéria, tendo em vista a ausência de contraprestação pelo serviço prestado nestas hipóteses, aceitando discutir a questão em sede de Recurso Especial REsp 1322945/DF, Rei. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, Votação unânime, julgado em 27/02/2013, DJe 08/03/2013), conforme teor do Acórdão transcrito abaixo: (Reproduz jurisprudência). Em primeiro lugar, não há falar em desrespeito à decisão judicial, por certo que a compensação, na forma da lei, não exige outorga judicial. Antes, a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que dispõe sobre o procedimento de compensação dos tributos federais, é clara em seu artigo 66 quanto à possibilidade. A simples leitura do dispositivo revela que o referido Diploma permite ao contribuinte a realização da compensação de tributos federais indevidamente pagos. Ademais, é certo que inexiste na Lei 8.383/91 qualquer exigência de prévia autorização da Receita Federal para a realização da compensação. Fl. 6024DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.025 15 Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça assentou, em sede de embargos de divergência, que, na hipótese de tributos lançados por homologação, o contribuinte pode realizar a compensação independente de qualquer procedimento administrativo preparatório. Tal compensação realizada pelo contribuinte estará, naturalmente, apenas sujeita à posterior homologação pelo Fisco. (Reproduz jurisprudência). Além disso, o STJ possui firme entendimento, no sentido da desnecessidade de ação judicial prévia, em cujo bojo o contribuinte pleiteie compensação nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383/91: (Reproduz jurisprudência). Dessa forma, temse claro que não há nenhuma ilegalidade no procedimento levado a efeito pela Impugnante, bem como não foi utilizado nenhum meio ardil com o objetivo de fraudar a arrecadação. Antes, tratase de compensação perfeitamente autorizada peio Ordenamento Jurídico, efetivada por meio de expedientes contábeis próprios. A Impugnante, ao contrário do que sugerido no teor do despacho decisório praticou o procedimento de forma escorreita, cabendo ao Fisco homologar ou não a sua compensação, Por outro lado, também não houve violação ao artigo 170A do CTN, uma vez que esta é uma regra que o Legislador dirigiu ao Poder Judiciário e não ao contribuinte. O Juiz, ante a imposição do artigo 170A do CTN, está impedido de autorizar a compensação antes do trânsito em julgado, mas o dispositivo não proíbe que o contribuinte faça seu regular pedido de compensação. Neste sentido, cumpre delinear inicialmente o alcance da Contribuição Previdenciária ora guerreada para demonstrar a existência de valores indevidamente pagos, os quais ensejam o direito ao ressarcimento da Impugnante através de créditos compensáveis com parcelas vincendas do mesmo tributo. DA NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS DA IMPUGNANTE. Ao longo de muitos anos, o Fisco cobrou da Impugnante a contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxílio doença ou do auxílioacidente), bem como, a título de saláriomaternidade, férias e adicional de férias de 1/3 (um terço), décimo terceiro e aviso prévio indenizado, adicional de horas extras, noturno, insalubridade, periculosidade, transferência, aviso prévio indenizado e a respectiva parcela do 13° salário. Fl. 6025DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.026 16 Entretanto, imprescindível esclarecerse que a nãoincidência da contribuição previdenciária patronal sobre tais verbas resta inequívoca diante da análise da hipótese de incidência aplicável ao caso. NÃO SE DISCUTE a eventual natureza destes valores se remuneratória, salarial ou indenizatória nem mesmo o conteúdo destes conceitos para fins previdenciários ou trabalhistas, posto que construídos em outros contextos e arraigados sob outras óticas. Do mesmo modo, NÃO SE DISCUTE o fato destes pagamentos serem incorporáveis ou não ao salário, se são considerados para fins de aposentadoria, ou, ainda, se integram ou não o salário de contribuição dos segurados. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, reconheceu a relevância da matéria, tendo em vista a ausência de contraprestação pelo serviço prestado nestas hipóteses, aceitando discutir a questão em sede de Recurso Especial REsp 1322945/DF, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, votação unânime, julgado em 27/02/2013, DJe 08/03/2013),conforme teor do Acórdão transcrito abaixo: (Reproduz jurisprudência). Na verdade, analisase, sob a égide do princípio da legalidade tributária (CF. art. 150. inc. I). se tais valores subsumemse à hipótese de incidência eleita pelo legislador para fins de exigência da contribuição previdenciária devida pelas empresas, qual seja, a prevista no artigo 22. inciso I. da Lei n° 8.212/91. DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. Atribuise no artigo 195 da Carta Magna a competência tributária para criação de contribuições sociais a serem estabelecidas e recolhidas, distintamente, pelo empregador, trabalhador, realizador de concursos de prognósticos e, ainda, pelo importador de bens ou serviços. Exercendo a competência que lhe foi atribuída no artigo 195, inciso I, alínea "a", da CF, a União, através da Lei n° 8.212/91, elegeu o legislador ordinário, como hipótese de incidência3 ou hipótese tributária4 da contribuição previdenciária patronal o pagamento de remunerações destinadas a retribuir o trabalho, seja pelos serviços prestados, seja pelo tempo em que o empregado ou trabalhador avulso permanece à disposição do empregador ou tomador de serviços. Curial destacarse que a delimitação da incidência da contribuição em tela foi observada pela própria Receita Federal do Brasil em sua Instrução Normativa RFB n° 971, de 13.11.2009 (IN RFB 971/09) publicada no DOU de 17.11.2009. Importante observarse que a delimitação da incidência da contribuição patronal sobre os valores pagos destinados a Fl. 6026DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.027 17 retribuir o trabalho efetivo ou potencial também foi consagrada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. De fato, pretendeuse, através das Medidas Provisórias 1.52313 e 1.59614, ampliar a hipótese tributária em debate para além dos valores pagos em decorrência de contraprestação de serviços, de modo a se abranger todos os quaisquer valores pagos pela empresa aos trabalhadores inclusive verbas rescisórias restando, à época, assim redigido o § 2° do artigo 22 da Lei n° 8.212/91. Ocorre que a ampliação supra já sob a égide do artigo 195, inciso I, da CF foi prontamente obstada à unanimidade peio Pleno da SUPREMA CORTE nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) n° 1.6596. Não bastasse o controle de constitucionalidade exercido na ADIN supra, a malfada alteração do § 2 ° do artigo 22 da Lei n° 8.212/91 restou expressamente rejeitada quando da conversão da MP 159614 na Lei n° 9,528, de 10 de dezembro de 1.997. Ocorre que em inegável ofensa ao princípio da legalidade estrita (CF, 150, inc. I) bem como ao histórico legislativo e jurisprudencial exigiu a autoridade Administrativa o recolhimento da contribuição social previdenciária pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados, ou seja, hipóteses que desbordam do fato gerador in abstracto. odavia, são todas circunstâncias em que o empregado acidentado, doente, gestante ou em gozo de férias não está, obviamente, prestando serviços nem se encontra à disposição da empresa! DOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DOS FUNCIONÁRIOS DOENTES E/OU ACIDENTADOS. Inicialmente, no que se refere aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do trabalhador doente ou acidentado anteriores à eventual obtenção do benefício previdenciário de auxíliodoença e/ou acidente, observase na Lei n° 8.213/91. Assim, valendose da expressão "salário" contida na parte final do § 3 ° do artigo 60 supra transcrito, a Fiscalização, à margem da razoabilidade, legalidade e bom senso, exige a contribuição previdenciaria patronal sobre os valores pagos pela Impugnante nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento de seus funcionários doentes ou acidentados. Porém, o trabalhador doente ou acidentado não está prestando serviço algum nem de modo efetivo, nem de forma potencial sendo certo que o valor a este pago pela empresa préconcessão de beneficio previdencia rio não se insere na hipótese de incidência prevista no artigo 22. inciso I. da Lei n° 8.212/91. Fl. 6027DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.028 18 Nesse contexto, pouco importa a denominação que se dê a este pagamento (até mesmo "salário"), como também é indiferente a natureza que se lhe queira atribuir (indenizatória, etc.). O que é relevante invocandose a introdução feita no tópico "III. 1.1" supra é que tal pagamento não se subsume à hipótese tributária em debate! A jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) em que pese eventuais alusões a conceitos de ordem trabalhista e previdenciária e à natureza destes valores (abordagens estas que desbordam da presente tese) é pacífica quanto a nãoincidência em tela. Imperioso destacar que o entendimento esposado nas decisões judiciais supra citadas a despeito de tratarem especificamente da nãoincidência da contribuição previdenciària sobre as verbas pagas pela empresa na hipótese de afastamento do funcionário doente ou acidentado , estendese, claramente, ao saláriomaternidade, férias e adicional de férias de 1/3, invocandose aqui a máxima "ubi eadem ratio ibi idem ius". Ora, a hipótese de incidência, insistase, é o pagamento de remunerações devidas em razão de trabalho prestado, efetiva ou potencialmente. Desse modo, quais "os serviços efetivamente prestados" pela pessoa que se encontra afastada (seja doente, acidentada ou gestante) ou em férias? Por quanto tempo permanece "à disposição do empregador ou tomador de serviço" ? De fato, quando são pagos os valores em debate, não se está retribuindo trabalho algum, não se realizando no mundo físico a hipótese legal prevista, devendo tais valores serem afastados da autuação. DAS FÉRIAS E DO TERÇO CONSTITUCIONAL. No que se refere ás férias gozadas e seu respectivo adicional constitucional de 1/3 (terço), a Fiscalização também faz indevida equiparação entre as contribuições patronal e dos empregados. Nesse contexto, exigese a contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos a tais títulos ao argumento de que estão excluídas do salário de contribuição apenas as férias indenizadas e respectivo terço constitucional. Ocorre que o salário de contribuição repitase é a base de cálculo da contribuição devida pelos segurados, não a base de cálculo da contribuição patronal, conforme previsto no já transcrito artigo 20 da Lei n° 8.212/91. Como se não bastasse, esta indevida exigência é sustentada pela autoridade coatora em dispositivos infralegais, contidos na citada IN RFB 971/09: Fl. 6028DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.029 19 Todavia, nos mesmos moldes que em relação ao salário maternidade, inadmissível. ilegal e inconstitucional que dispositivos de Instrução Normativa extrapolem a hipótese tributária, ocorrendo indubitável desrespeito ao princípio da legalidade. Na verdade, de acordo com o que já foi exaustivamente exposto, a hipótese de incidência da contribuição previdenciária patronal, bem como, sua base de cálculo, dizem respeito exclusivamente aos valores pagos, destinados a retribuir um trabalho efeito ou potencial o que não é o caso dos funcionários em gozo de férias não havendo, mais uma vez, que se invocar peculiaridades do salário de contribuição, atinente â contribuição dos trabalhadores. No que se refere ao adicional constitucional de 1/3 (terço) de férias, a jurisprudência dos Tribunais Superiores também é pacífica quanto a não incidência da contribuição previdenciária patronal. DO PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO A RECOMPOSIÇÃO DA PARCELA INDEVIDAMENTE RECOLHIDA. Em decorrência da nãoincidência da Contribuição Social sobre os pagamentos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como do adicional de férias de 1/3 (um terço); e tendo em vista o regular recolhimento da exação com a inclusão de tais valores por longo período, verificase o pagamento indevido do tributo ora guerreado, o que dá ensejo à sua devolução. Neste ínterim, dispõe o artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. Da leitura acima depreendese que, verificando o contribuinte o pagamento a maior de determinado tributo, tem o direito de reavêío, na exata medida do quantum pago indevidamente, independente de prévio protesto. Aliás, negar esta possibilidade seria admitir o enriquecimento ilícito do ente tributante, ou seja, seu acréscimo patrimonial sem lastro em qualquer fundamento jurídico; Olvidar tal situação é desmerecer os princípios e garantias conferidos pela Carta Magna, em especial o do não confisco (art. 150, IV da CF); Desconsiderar o quanto disposto também em legislação infraconstitucional. em especial os artigos 884 a 886 do Código Civil. Portanto, não há que se falar em glosa da compensação, enquanto modalidade de restituição dos valores recolhidos indevidamente facultado à contribuinte, ainda considerando a higidez dos créditos tomados pela Impugnante, nos termos da legislação aplicável. DA EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL CORRELATA. Fl. 6029DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.030 20 Informa a Impugnante, finalmente, a existência do Mandado de Segurança, distribuído sob o n°. 0004097.19.2007.401.3400 (2007.34.00.0041427/DF), que guarda pertinência com o quanto debatido no despacho decisório. Nada obstante, cumpre ressaltar que a existência do pleito judicial em comento não prejudica o direito da Impugnante em reaver valores comprovadamente pagos a maior, conforme todo o exposto, precipuamente no concernente às disposições do artigo 165, I do CTN. Pelo contrário, constitui óbice ao lançamento fiscal ora guerreado. Isto porque a contribuinte ajuizou os mencionado writs visando à suspensão de exigibilidade em decorrência da inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento da contribuição previdência ria patronal prevista no art. 22, inciso I, da Lei n° 8.212/91, sobre as remunerações pagas aos seus empregados nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento de funcionários doentes (antes da obtenção do auxíliodoença e auxílio acidente), bem como a título de salário maternidade, férias gozadas e um terço constitucional de férias. Outrossim, quanto ao aviso prévio indenizado e a respectiva parcela de décimo terceiro salário proporcional, adicionais de horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade; e adicional de transferência. Ocorre que o Sr. Auditor Fiscal, quando da lavratura o despacho decisório, olvidandose de tal condição, lançou tais valores relativos à parte suspensa da Contribuição Previdenciária, bem como valores incluídos ao Programa Especial de Regularização Tributária PERT. nos termos do art. 8°. da IN n° 1711/2017. Observase assim claramente a insubsistência do despacho decisório, uma vez que ao menos parte dos débitos nele englobados encontrase com exigibilidade suspensa. Portanto, imperioso o provimento da Impugnação para, cancelar o despacho decisório, haja vista a ausência de liquidez, certeza e mesmo executoriedade Quanto aos valores lançados. Subsidiariamente, requer a Impugnante seja o julgamento do presente processo convertido em diligência, para que se apure e exclua no cômputo total do suposto débito a parcela inegavelmente suspensa da Contribuição Previdenciária. DA APLICAÇÃO DO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA REPETITIVO ART. 1036 DO CPC. Fl. 6030DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.031 21 As circunstâncias em que o empregado acidentado, doente, gestante ou em gozo de férias não está, obviamente, prestando serviços nem se encontra à disposição da empresa, foram julgadas pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp n° 1.230.957/RS. Como o referido recurso foi julgado pela sistemática do artigo 1.036 do Código de Processo Civil Recurso Representativo Da Controvérsia ("Repetitivo"), o referido aresto vincula todos os Tribunais de 2a Instância, bem como os Juízos de 1° grau, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Parecer PGFN/CDA/CRJ/ N 396/2013), a Procuradoria da Fazenda Nacional (Lei n. 10.522/2002, artigo 19, inciso V), além deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n ° 256/2009, artigo 62A), devendo a decisão em tela ser plenamente observada e cumprida. Destarte, imprescindível esclarecerse que a nãoincidência da contribuição previdenciária patronal sobre tais verbas resta inequívoca, seja diante da análise da hipótese de incidência aplicável ao caso, seja diante do assentado no julgamento do REsp n° 1.230.957/RS, apreciado sob a sistemática do artigo 1.036, e cujo decisão deve ser obedecida por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Não obstante, em recente decisão a Colenda 1a Turma do egrégio Superior Tribunal de Justiça reconheceu, à unanimidade, a indiscutível ausência de contraprestação de serviço, a afastar a incidência da contribuição em tela sobre os valores pagos a título de salário maternidade e férias gozadas, tendo admitido que a antiga e, data vénia, ultrapassada jurisprudência em sentido contrário deve ser revista, culminando por encaminhar o debate à 1 a Seção daquela Corte. Portanto, por ter recolhido a contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, e a título de saláriomaternidade, férias gozadas, adicional de férias de 1/3 (um terço), certo é que efetuou o contribuinte, ora Impugnante, pagamentos indevidos de tributos. Assim, forte no artigo 66 da Lei n° 8.383/918, o ora Impugnante, procedeu à compensação dos respectivos valores recolhidos nos últimos cinco anos (e eventualmente no curso da demanda), de acordo com a exegese dos artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, ambos do CTN com débitos próprios. Nesse contexto, é curial lembrar que se depreende da leitura do citado dispositivo que o referido Diploma permite ao contribuinte a realização da compensação de tributos federais indevidamente pagos, bem como não faz qualquer exigência de prévia autorização da Receita Federal para a realização da compensação. Fl. 6031DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.032 22 Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça assentou, em sede de embargos de divergência, que, na hipótese de tributos lançados por homologação, o contribuinte pode realizar a compensação independente de qualquer procedimento administrativo preparatório, a quai estará, naturalmente, apenas sujeita à posterior homologação pelo Fisco. Dessa forma, temse claro que não há nenhuma ilegalidade no procedimento levado a efeito pela Impugnante, bem como não foi utilizado nenhum ardil com o objetivo de fraudar a arrecadação. Antes, tratase de compensação perfeitamente autorizada pelo Ordenamento Jurídico, efetivada por meio de expedientes contábeis próprios. DAS COMPENSAÇÕES NÃO JUSTIFICADAS Conforme descrito no item "2.3" do despacho decisório em análise, a autoridade fiscal entendeu por bem não homologar determinadas compensações realizadas em algumas filiais da Requerente nos meses de jul/13, fev/15. abr/15. mai/15 e nov/15, por entender que a abertura do montante total de INSS compensado fornecida pela Requerente é inferior ao valor total de INSS compensado e declarado na SEFIP/GFIP. Tais compensações dos citados períodos, consideradas como não homologadas pela fiscalização, constam da coluna "Compensação não Justificada" do ANEXO III do despacho em análise. De pronto é importante salientar que a não homologação das compensações realizadas nos períodos acima, tem como origem tão e somente a diferença apontada entre o total de INSS compensado e declarado em GFIP e o total do INSS compensado e informado pela Requerente, por requisição da fiscalização, de forma segregada e segundo a natureza de cada compensação. Pois bem, com relação aos meses de jul/13, de fev/15 (filial 000129) e nov/15, o que ocasionou essa suposta diferença entre o total de INSS compensado e declarado nas GFIP'S e o total de INSS compensado e informado pela Requerente a fiscalização foi o equívoco nos valores referentes ao INSS desonerado então fornecidos a fiscalização, que por sua vez os informou na coluna "Ajuste CPRB" do 'ANEXO IH" do despacho em comento e que resultou nos valores não homologados constantes na coluna "Compensação não Justificada" do referido anexo. Na realidade, os valores corretos de INSS desonerado referente aos meses de jul/13, fev/15 (filial 000129) e nov/15 estão demonstrados na planilha de cálculo anexa a este recurso (Docs. n° 04, 05 e 06, respectivamente) devidamente amparada pelos resumos da folha (Docs. n° 04A, 05A e 06A, respectivamente), bem como por relatórios de faturamento (Docs. n° 04B, 05B e 06B, respectivamente) conciliados com os respectivos balancetes (Docs. n° 04C, 05C e 06C, respectivamente). Desta forma, se consideramos os valores corretos de INSS desonerado, devidamente comprovados pelos documentos ora Fl. 6032DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.033 23 anexados ao presente recurso, podemos concluir que a abertura da composição do valor total do INSS compensado de tais períodos é suficiente para justificar o valor total de INSS compensado e declarado em GFIP. Para melhor visualização, elaboramos na tabela em anexo (Doc n° 07) dois cenários (A e B), sendo que o cenário A reflete o montante equivocado de INSS desonerado informado inicialmente à fiscalização ao passo que o Cenário B, confeccionado com base nos cálculos do INSS desonerado anexos ao presente recurso, reflete o montante correto de INSS desonerado dos períodos ora analisados. Percebase da simples visualização do "Cenário B" da tabela acima que a abertura correta dos valores de INSS compensados, isto para a grande maioria das competências e filiais informadas, é suficiente para justificar o montante declarado no campo "Compensação" da GFIP, motivo pelo qual os mesmos devem ser homologados. Vale destacar que o erro cometido pela Requerente e que deu origem as maiores exigências apontadas no campo "Compensação não Justificada" do "ANEXO III" do despacho em referência (mês de comp. jul/13). reside no fato de que o total do INSS compensado e informado à fiscalização foi exatamente igual ao total do INSS compensado e informado no mês de jun/13. Tal assertiva pode ser facilmente constatada pela análise da tabela constante em anexo (Doc. n° 08), elaborada com base no total das compensações informadas pela Requerente dos meses de junho e julho de 2013 e utilizadas pela fiscalização para a confecção do "ANEXO III" do despacho em análise. Notese que o total do INSS compensado dos meses de junho e julho de 2013, informado pela Requerente a pedido da fiscalização, tem o mesmo valor, ou seja, são exatamente iguais. Isto demonstra o erro inequívoco da Requerente no momento da prestação das informações requisitadas pela fiscalização na medida em que, erroneamente, informou no mês de iulho o mesmo montante de INSS compensado do mês de junho de 2013. fato que gerou as diferenças não justificadas e não homologadas pela fiscalização e constantes do "ANEXO III" do despacho decisório. Ora, é evidente o equívoco cometido pela Requerente quando do fornecimento das informações a fiscalização, uma vez que o valor total de INSS compensado de julho foi exatamente igual ao valor total do INSS compensado de junho de 2013, fato que, salvo improvável coincidência, é extremamente incomum, principalmente se considerarmos que não se verificou em qualquer outro período de competência ora analisado pela fiscalização. Contudo, ainda que tenha havido o equívoco na informação fornecida pela ora Requerente quanto ao valor total do INSS Fl. 6033DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.034 24 compensado do mês de julho de 2013 (foi informado o valor de junho ao invés do valor de julho), restouse plenamente demonstrado através de documentos hábeis e idôneos, a liquidez e certeza do montante correto de INSS compensado no mês de julho de 2013 que é suficiente para comprovar a compensação declarada na SEFIP/GFIP e apontada pela fiscalização. Logo, reforça a Requerente que devem ser homologadas todas as compensações constantes no campo "Compensações não Justificadas" do ANEXO III" do despacho em comento e relativas ao mês de julho de 2013. Por outro lado, com relação as "Compensações não Justificadas" constantes no ANEXO III do despacho decisório, relativas a filial 029453 do mês de fev/15 (R$ 127,56), filial 000471 do mês de abr/15 (R$ 7.493,61) e filial 000471 do mês de mai/15 (R$ 844,03) informa a Requerente que não logrou êxito em identificar as justificativas para as diferenças então apontadas, razão pela qual, irá providenciar o recolhimento de tais valores com os devidos acréscimos legais, cujas Guias de Recolhimento serão juntadas posteriormente ao processo referente ao despacho decisório ora analisado. É de sabença de todos da comunidade jurídica que no processo administrativo fiscal predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Melhor dizendo, a perquirição da verdade material é requisito indispensável e indeclinável da Administração. É seu o dever desta busca: apurar e lançar com fulcro na verdade material. No processo administrativo fiscal tanto o Contribuinte quanto o Fisco tem os seus direitos e deveres prescritos. Entre os deveres, o Fisco tem o de investigar e o Contribuinte o de colaborar, ambos com um único escopo: propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos, isso, evidentemente, sem prejuízo de todas as garantias inerentes à ampla defesa e ao “due process of law”. A convergência do fato imponivel à hipótese de incidência descrita em Lei deve ser analisada á luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em Lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Portanto, erros ou equívocos não tem, perante a legislação tributária, o condão de se transformar em fatos geradores de impostos e/ou multas, devendo sempre, prevalecer a verdade material dos fatos. Fl. 6034DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.035 25 Neste sentido, consoante amplamente já explicitado no decorrer deste recurso, a Requerente incorreu em dois equívocos, a saber: preenchimento da SEFIP/GFIP do 13°/12 com valores incorretos de INSS desonerado no campo "Compensação'' e abertura com valores incorretos e insuficientes da composição requisitada pela fiscalização para compor o campo "Compensação" da SEFIP/GFIP dos períodos de jul/13, fev/15 (filial 000129) e nov/15. Ambos os equívocos cometidos pela ora Requerente dificultaram ou até mesmo impossibilitaram a devida análise realizada pela RFB acerca das compensações atinentes a tais períodos, tendo o referido órgão, inclusive, concluído pela não homologação das mesmas. Todavia, em que pesem os citados equívocos cometidos pela Requerente, os mesmos não podem ser utilizados como óbice a homologação das compensações então realizadas e relacionadas aos referidos períodos, uma vez que deve sempre prevalecer o princípio da verdade material dos fatos, consubstanciada pela juntada a este recurso dos cálculos corretos do INSS desonerado dos períodos do 13°/12, jul/13, fev/15 (filial 000129) e nov/15. O julgamento administrativo é norteado pelo princípio da busca da verdade material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada." Em outros dizeres, a Administração Pública deve se desapegar de formalismos e investigar a fundo a verdade dos fatos, para corretamente avaliar a existência ou não do fato gerador ou da obrigação imposta ao contribuinte. No caso em apreço, analisando com vagar todos os documentos ora apresentados pela Requerente, terseá a certeza de que a não homologação das compensações então realizadas e já descritas nos tópicos próprios desta manifestação, ocorreu unicamente em razão do preenchimento com valores equivocados de INSS desonerado no campo "Compensação" na SEFIP/GFIP do 13°/12 e dos valores incorretos informados a fiscalização, relativos à abertura do campo "Compensação" da SEFIP/GFIP do INSS dos períodos de jul/13, de fev/15 (filial 000129) e nov/15. Isto porque, os robustos documentos ora anexados a este recurso, comprovam de maneira clara e cristalina o cálculo correto do INSS desonerado do 13°/12 que demonstra o erro cometido pela Requerente quando do preenchimento do campo "Compensação" da SEFIP/GFIP do 13°/12; além do que, comprovam também, o cálculo correto do INSS desonerado dos períodos de jul/13, fev/15 (filial 000129) e nov/15 que demonstram o erro cometido pela Requente quando das informações prestadas a fiscalização sobre o montante de INSS desonerado de tais períodos. Fl. 6035DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.036 26 Desta forma, uma vez demonstrado que os montantes não homologados pela fiscalização e descritos nos itens "2.1" e "2.3" do despacho decisório ora analisado, somente receberam este status em decorrência de equívocos cometidos pela Requerente na prestação de informações e tendo em vista a aplicação e a observância do princípio da verdade material, materializada através dos cálculos corretos do INSS desonerado, devidamente embasados em documentos hábeis, temos que deve ser integralmente homologada a compensação do valor de R$ 84.105,01, bem como as "Compensações não Justificadas" dos períodos de jul/13, fev/15 (filial 000129) e nov/15, constantes do "ANEXO III" do despacho decisório ora analisado. Pedido A interessada requer: Ante todo o exposto, é medida de Direito, data máxima vénia, seja acolhido a presente impugnação, preliminarmente, anulandose o despacho decisório por preterição ao direito de defesa, ou por violação da motivação dos atos administrativos, do contraditório e da ampla, ou, subsidiariamente, no mérito, determinandose a anulação do despacho decisório, por sua insubsistência, ensejando, assim, a convalidacão da compensação efetuada, inexistindo tributo ou qualquer cominação que dele advenha a ser recolhido, ainda que em parte, haja vista que não foi considerado que a Impugnante retificou as suas GFIPs e aderiu ao Programa Especial de Regularização Tributária PERT. nos termos do art. 8°. da INn° 783/2017, conquanto vem procedendo com o pagamento das parcelas regularmente. Outrossim, requer: a nãoincidência da contribuição social previdenciária patronal pretensamente incidente sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados (de modo efetivo ou potencial), quais sejam, os referentes aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentados (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), bem como ao adicional de férias de 1/3. a existência de crédito da Impugnante, decorrente dos pagamentos realizados a maior da Contribuição a tais títulos possibilitandose a repetição do indébito através de compensação amparado por decisão judicial; a aplicação da sistemática do Recurso Repetitivo art. 1036, do CPC; seja reconhecido o crédito correto de INSS do 13°/12 no valor de R$ 742.783,30 e, em consequência, seja homologada a compensação relativa ao mês de competência setembro de 2014 no valor de R$ 84.105,01 (item "2.1" do despacho em referência). Fl. 6036DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.037 27 que as quantias consideradas como "Compensações não Justificadas” dos periodos de jul/13, fev/15 (filial 000129) e nov/15, constantes do "ANEXO III" (item "2.3" do despacho em referência) sejam devidamente homologadas. Por fim, requer a intimação da Impugnante na pessoa de seu representante legal infraassinado para oportuna SUSTENTAÇÃO ORAL, quando do julgamento da referida Impugnação; bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 5781/5824): CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. CRÉDITOS MANTIDOS EM DUPLICIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. A apresentação da manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. O princípio da ampla defesa é prestigiado na medida em que o contribuinte tem total liberdade para apresentar sua peça de defesa, com os argumentos que julga relevantes, fundamentados nas normas que entende aplicáveis ao caso, e instruída com as provas que considera necessárias. Todas as atividades exercidas pela administração pública são norteadas pelos princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, visando assegurar a estabilidade da ordem jurídica na relação entre o Estado e seus administrados. Fl. 6037DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.038 28 Eventuais créditos mantidos em duplicidade em decorrência de adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária para Débitos Previdenciários devem ser revisados de ofício ou a pedido pelo órgão de origem, situação esta que não acarreta nulidade do processo. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. RECURSO REPETITIVO. TRANSFERENCIA DO ÔNUS FINANCEIRO. COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ. Até a manifestação da PGFN , nos moldes previstos no art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e consequente emissão de Nota Explicativa, a RFB não se encontra vinculada à decisão judicial proferida no âmbito de Recurso Especial repetitivo. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. A empresa ou equiparada somente poderá requerer a restituição do valor descontado indevidamente do empregado se comprovar o ressarcimento a estes segurados. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A RECEITA BRUTA SUBSTITUIÇÃO À CONTRIBUIÇÃO PATRONAL DA LEI N° 8.212/91, ART. 22, I E III. RECOLHIMENTO INDEVIDO. REQUISITOS. RETIFICAÇÃO GFIP. APRESENTAÇÃO DA DCTF E EFD. A entrega de Gfip retificadora em que restar corretamente declarado o valor da retenção objeto de pedido de compensação, desde que esteja plenamente justificada e comprovada a origem e os valores dos recolhimentos indevidos, é suficiente para regularizar o pedido e permitir a compensação pleiteada. Para realizar a compensação de recolhimento indevido de contribuição previdenciária, por pessoa jurídica obrigada ao recolhimento de contribuição previdenciária patronal incidente sobre a receita, devese demonstrar que os valores de contribuições constam declarados em DCTF e na EFD, devendo Fl. 6038DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.039 29 ser mantida a glosa de compensações quando o sujeito passivo não as apresenta. PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Extinguese o crédito tributário, dentre outras, pela modalidade do pagamento, conforme preceitua o artigo 156, inciso I e VII, do CTN. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL. PREVISÃO LEGAL. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Não há previsão legal na legislação que regulamenta o processo administrativo fiscal para sustentação oral do contribuinte em sessão de julgamento de primeira instância. Em face da referida decisão, da qual foi intimada em 07/06/2018 (fl.5839), a contribuinte manejou Recurso Voluntário tempestivamente (fls. 5844/5864) em 04/07/2018, reiterando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade, acrescentando que a decisão recorrida é obscura, nos seguintes termos: (...) a questão aventada pela ora Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, no sentido de que os valores relativos a créditos tributários referentes ao salário maternidade e férias gozadas foram incluídos no PERT e vêm sendo objeto de regular pagamento, restou deveras obscura e, com a devida vénia, mal resolvida, gerando grave situação de insegurança jurídica, que deve ser de pronto sanada por esse C. Conselho. Isso porque restou determinado no bojo da r. decisão ora guerreada a mera expedição de Comunicação à DRF para verificar se há cobrança em duplicidade deste montante, quando, na realidade, deveria ter sido reconhecida de plano a prejudicialidade da cobrança, em vista da incontestável adesão ao PERT e regular pagamento. É o relato do necessário. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do mérito Fl. 6039DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.040 30 A decisão recorrida reconheceu a compensação do crédito tributário de 09/2014 no valor de R$ 84.105,01; e a extinção pelo pagamento com relação as "Compensações não Justificadas" constantes no ANEXO III do despacho decisório, relativas a filial 029453 do mês de fev/15 (R$ 127,56), filial 000471 do mês de abr/15 (R$ 7.493,61) e filial 000471 do mês de mai/15 (R$ 844,03). De outro lado, não foram homologadas as compensações de contribuições previdenciárias relativas a créditos de terço constitucional de férias e remuneração dos primeiros quinze dias de afastamento por incapacidade, do período de 11/2014 a 03/2015, em relação à parte patronal, tendo em vista a falta de certeza e liquidez dos valores a serem compensados e por carecer do requisito do trânsito em julgado na esfera judicial. E ainda, não restou homologada a compensação do crédito tributário das competências 06 e 07/2013, no valor de R$ 124.910,60, haja vista não constar que foram retificadas a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e a Escrituração Fiscal Digital das contribuições incidentes sobre a receita EFD Contribuições, apresentadas em sede de fiscalização. A recorrente se insurge, ainda, contra a falta de clareza da decisão de piso em relação aos valores referentes a saláriomaternidade e férias gozadas, objeto de inclusão no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT). Não obstante a plausibilidade do direito invocado pela recorrente, o certo é que todas as verbas discutidas no processo judicial não podem ser objeto de apreciação por este julgador à luz do que preconiza a Súmula CARF nº 01. A matéria objeto deste processo administrativo é a mesma daquela constante da ação judicial ajuizada pela autuada. Com efeito, nos termos do art. 5°, XXXV, da Constituição Federal, é assegurado a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de seus direitos, sendo que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão se reveste do caráter definitivo e imutável prevalecendo na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a decisão judicial. Observase que a recorrente ingressou com ação judicial com pretensão de afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, de 1/3 (um terço) de férias. E no presente processo administrativo fiscal tece as mesmas considerações em relação à matéria de fundo submetida à apreciação judicial. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto impugnado administrativamente, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Fl. 6040DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.041 31 Nesse sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desse modo, o presente julgamento deve ficar adstrito à matéria diferenciada da submetida à apreciação do Poder Judiciário. O ponto nodal da presente controvérsia é a compensação de valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, de 1/3 (um terço) de férias, saláriomaternidade e aviso prévio indenizado, cuja inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária é controversa à luz do atual posicionamento da jurisprudência. Ainda que a recorrente tenha obtido, eventualmente, provimento jurisdicional favorável à sua tese, o direito à compensação dos valores recolhidos a título de tais rubricas só se perfectibiliza após o trânsito em julgado da decisão judicial, à luz do que preconiza o art. 170A, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Depreendese da norma supra transcrita que não há distinção entre a modalidade processual escolhida. Assim, tanto faz a busca da tutela jurisdicional ter se dado por Mandado de Segurança ou por ação ordinária, por exemplo, a condição para o nascimento do direito à compensação será o trânsito em julgado da decisão judicial respectiva. No presente caso, a recorrente optou por se compensar do crédito antes do trânsito em julgado da decisão, em afronta ao disposto no supra transcrito art. 170A do CTN, tendo a autoridade fiscal o poderdever de efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados e constituir o crédito tributário correspondente. No que pertine a não homologação da compensação do crédito tributário das competências 06 e 07/2013, no valor de R$ 124.910,60, a decisão de piso indeferiu o pleito haja vista não constar que foram retificadas a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e a Escrituração Fiscal Digital das contribuições incidentes sobre a receita EFD Contribuições, apresentadas em sede de fiscalização. Eis o assentado na decisão da DRJ: Em relação à não homologação, por falta de justificativa, no valor de R$ 124.910,60, em que pese a interessada haver demonstrado que cometeu erro no preeenchimento da sua planilha de receitas brutas para atividade de TI, ao informar os mesmos valores para as competências junho/2013 e julho/2013, resultando na planilha do Anexo I Apuração do Valor Devido A Previdência (VDP) do Despacho Decisório que, por sua vez, Fl. 6041DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.042 32 serviu de fonte de dados para a elaboração do Anexo III, mais especificamente para a coluna Compensação Não Justificada (A B), não é cabível, apenas pela apresentação da sua planilha de ajuste (fls. 5411), acompanhada das suas folhas de pagamentos (fls. 3366 a 3368), dos relatórios de receitas (3385 a 3743) e dos balancetes (fls. 3144 a 3756), homologar estas compensações, haja vista não constar que também foram retificadas a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (Instrução Normativa RFB n° 1.599, de 11 de dezembro de 2015, art. 6°, XII) e a Escrituração Fiscal Digital das contribuições incidentes sobre a receita EFD Contribuições (Instrução Normativa RFB n° 1.252, de 1° de março de 2012, art. 4°, V), apresentadas em sede de fiscalização, e que serviram para avalizar a homologação da compensação limitada ao montante de R$ 13.941.575,23. Como se vê, a decisão recorrida reconhece que a contribuinte demonstrou o cometimento de erro no preenchimento da sua planilha de receitas brutas para atividade de TI, ao informar os mesmos valores para as competências junho/2013 e julho/2013. Todavia, a falta de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (Instrução Normativa RFB n° 1.599, de 11 de dezembro de 2015, art. 6°, XII) e a Escrituração Fiscal Digital das contribuições incidentes sobre a receita EFD Contribuições (Instrução Normativa RFB n° 1.252, de 1° de março de 2012, art. 4°, V) foram óbices para o deferimento do pleito da recorrente. Em sede de recurso voluntário foram apresentados e extratos de DCTF e EFD retificadoras para as competências 06/2013 e 07/2013. Todavia, não há informação de compensação especificamente em relação ao tributo contribuições sociais previdenciárias. Concluise, portanto, que não há prova nos autos de que a recorrente tenha corrigido o erro de informar os mesmos valores para as competências junho e julho de 2013 em DCTF e EFD, não podendo, pois, ser atendido o seu pleito de homologação do valor de R$ 124.910,60, por ausência de justificativa. No que pertine a alegação de falta de clareza da decisão de piso em relação aos valores referentes a saláriomaternidade e férias gozadas, objeto de inclusão no Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), temos que o acórdão da DRJ foi diligente no sentido de informar à unidade preparadora, nos termos seguintes: Para fins de providência, informase a DRF de origem que a interessada aderiu ao Programa Especial de Regularização Tributária Para Débitos Previdenciários PERT, via internet, conforme consta do Recibo Adesão (fl. 5414), objetivando evitar eventual ocorrência de créditos previdenciários em duplicidade, e que efetuou o pagamento de parte dos créditos previdenciários, e anexou aos autos os Comprovantes de Arrecadação (fl. 3753 a 3755). Todavia, as providências devem ir mais além. De acordo com a lei que regula o Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), a adesão ao referido programa importa em a confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo. Vejamos o que dispõe a Lei nº 13.496, de 24 de outubro de 2017, conversão da Medida Provisória nº 783, de 2017: Fl. 6042DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.043 33 Art. 1º (...) § 4o A adesão ao Pert implica: I a confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo, na condição de contribuinte ou responsável, e por ele indicados para compor o Pert, nos termos dos arts. 389 e 395 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). (...) Art. 5o Para incluir no Pert débitos que se encontrem em discussão administrativa ou judicial, o sujeito passivo deverá desistir previamente das impugnações ou dos recursos administrativos e das ações judiciais que tenham por objeto os débitos que serão quitados e renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundem as referidas impugnações e recursos ou ações judiciais, e protocolar, no caso de ações judiciais, requerimento de extinção do processo com resolução do mérito, nos termos da alínea c do inciso III do caput do art. 487 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). § 1o Somente será considerada a desistência parcial de impugnação e de recurso administrativo interposto ou de ação judicial proposta se o débito objeto de desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos no processo administrativo ou na ação judicial. § 2o A comprovação do pedido de desistência e da renúncia de ações judiciais deverá ser apresentada na unidade de atendimento integrado do domicílio fiscal do sujeito passivo até o último dia do prazo estabelecido para a adesão ao Pert. Verificase, pois, que o presente processo administrativo fiscal já deveria ter sido desmembrado. No entanto, estamos diante de mera irregularidade que poderá ser sanada no presente momento processual, com o desmembramento do processo administrativo fiscal, excluindo os valores já pagos pela recorrente, em que se operou a extinção do crédito tributário, bem como apartando o débito correspondente à parte em que ocorreu a confissão irretratável. Ressaltese que tais providências deverão ser empreendidas pela unidade preparadora do domicílio tributário da contribuinte. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para darlhe parcial provimento, determinando o desmembramento dos autos para a exclusão do crédito tributário dos valores pagos, bem como confessados através da adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT). Fl. 6043DF CARF MF Processo nº 13896.721914/201779 Acórdão n.º 2201004.946 S2C2T1 Fl. 6.044 34 (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 6044DF CARF MF
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