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5678358 #
Numero do processo: 18471.001346/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JACOB EZRA SALEM. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Márcio de Lacerda Martins. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/2007­29  Resolução nº  2202­000.547  S2­C2T2  Fl. 3            2 RELATÓRIO  Em  desfavor  do  contribuinte,  JACOB  EZRA  SALEM,  foi  lavrado  o  Auto  de  Infração  as  fls.  284  a  315,  relativo  ao  Imposto  de Renda Pessoa Física,  exercício  2003,  ano  calendário 2002, no valor total de R$ 3.856.126,90 (três milhões, oitocentos e cinqüenta e seis  mil, cento e vinte e seis reais e noventa centavos), sendo:  Imposto R$ 1.584.405,93  Juros de mora (calculados até 31/08/2007) R$ 1.083.416,70  Multa proporcional (passível de redução) R$ 1.188.304,37  No  termo  de  Constatação  Fiscal  de  fls.  284  a  286,  que  faz  parte  do Auto  de  Infração, a fiscalização esclarece que restou não comprovada, por meio de documentação hábil  e idônea, a origem dos depósitos/créditos bancários, conforme relação de fls. 294 a 315, sendo  lavrado  o  presente  auto  de  infração  por  meio  do  qual  foi  apurada  omissão  de  rendimentos  caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada.  Nota­se,  da  análise  cuidadosa  do  processo,  que  os  depósitos  bancários  em  análise  foram  sido  obtidas  as  informações  mediantes  emissão  RMFs  de  Requisição  de  informação sobre a movimentação financeira do fiscalizado de fls. 153 e 188.  É isto que interessa relatar até o momento.  Fl. 586DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/2007­29  Resolução nº  2202­000.547  S2­C2T2  Fl. 4            3 VOTO  Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator  Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a  sobrestamento.  Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de  julgado  feito  de  ofício  pelo  relator,  nos  termos  do  art.  62­A  e  parágrafos  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis:  Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista pelos  artigos  543­B  e 543­C da Lei  nº  5.869,  de 11  de  janeiro  de  1973, Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito do CARF.  § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também  sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida  decisão nos termos do art. 543­B.   § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por  provocação das partes.   Ocorre  que  está  em  Repercussão  Geral  o  fornecimento  de  informações  sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º  da Lei Complementar  nº  105/2001  (RE  601314),  bem  como  a  possibilidade,  ou  não,  da  aplicação  da  Lei  nº  10.174/2001  para  apuração  de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios anteriores ao de sua vigência.  Recurso  extraordinário  em  que  se  discute,  à  luz  dos  artigos  5º,  X,  XII,  XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade,  ou  não,  do  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001,  que  permitiu  o  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial,  bem  como  a  possibilidade,  ou  não,  da  aplicação  da  Lei  nº  10.174/2001  para  apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.  A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de  instrumentos  infraconstitucionais  ­  utilização  de  dados  da CPMF e obtenção  de  informações  junto  às  instituições  através da RMF  ­  está  sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso  Extraordinário  nº  601.314,  que  tramita  em  regime  de  repercussão  geral,  reconhecida  em  22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita:  CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE  APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE  Fl. 587DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/2007­29  Resolução nº  2202­000.547  S2­C2T2  Fl. 5            4 SUA  VIGÊNCIA.  RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL  Conforme disposto no § 1º do art. 62­A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  que  versarem  sobre matéria  cuja  repercussão  geral  tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco  referido vai ao encontro da  segurança  jurídica,  da  estabilidade  e  da  eficiência,  pois  ao  tempo  em  que  assegura  a  coerência  do  ordenamento,  confere  utilidade  à  atividade  judicante  exercida  no  âmbito  do  CARF.  Assim,  reconhecida,  pelo  STF,  a  relevância  constitucional  de  tema  prejudicial  à  validade  do  procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento  do recurso no CARF.   Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que  acolheu  o  recurso  extraordinário  interposto  pelos  contribuintes.  O  Recurso  foi  pautado  pelo  Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do  RISTF,  que  determina  que  todos  os  recursos  relacionados  ao  tema  do  caso  admitido  como  paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um  ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto  à  mecânica  processual  de  julgamento  dos  recursos  extraordinários  anteriores  à  Emenda  Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente  adstrito  à  reanálise  da  medida  cautelar  requerida  pela  parte  recorrente,  desbordou  para  enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada,  sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de  votação. A atipicidade do  caso,  entretanto,  não  indica posicionamento da Corte  afastando  as  consequências  imediatas  da  repercussão  geral,  como  o  sobrestamento  dos  processos  que  veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda.   O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE  389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos  recursos  extraordinários  que veiculam  a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº  601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas:  D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia  do  sigilo  fiscal  em face do  inciso II  do artigo 17 da Lei n° 9.393/96,  que  possibilitou  a  celebração  de  convênios  entre  a  Secretaria  da  Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura ­ CNA e a  Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a  fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais  para  possibilitar  cobranças  tributárias.  Verifica­se  que  no  exame  do  RE  n°  601.314/SP,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  foi  reconhecida  a  repercussão  geral  de  matéria  análoga  à  da  presente  lide,  e  terá  seu  mérito  julgado  no  Plenário  deste  Supremo  Tribunal  Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão  do  julgamento  do  mencionado  RE  nº  601.314/SP.  Devem  os  autos  permanecer  na  Secretaria  Judiciária  até  a  conclusão  do  referido  julgamento. Publique­se. Brasília, 9 de  fevereiro de 2011. Ministro D  IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente  (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011,  publicado em DJe­035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011)   DECISÃO  REPERCUSSÃO  GERAL  ADMITIDA  ?  PROCESSOS  VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO ­ DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ?  Fl. 588DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/2007­29  Resolução nº  2202­000.547  S2­C2T2  Fl. 6            5 AFASTAMENTO  ?  ARTIGO  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  105/2001  ?  SOBRESTAMENTO.  1.  O  Tribunal,  no  Recurso  Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski,  concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade  de  o Fisco  exigir  informações  bancárias  de  contribuintes mediante  o  procedimento  administrativo  previsto  no  artigo  6º  da  Lei  Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o  recurso  veicular  a mesma matéria,  tendo  a  intimação do  acórdão da  Corte  de  origem  ocorrido  anteriormente  à  vigência  do  sistema  da  repercussão  geral,  determino  o  sobrestamento  destes  autos.  3.  À  Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04  de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator  (AI  691349  AgR,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  julgado  em  04/10/2011,  publicado  em  DJe­213  DIVULG  08/11/2011  PUBLIC  09/11/2011)   REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI  10.174/01.  APLICAÇÃO  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE  SUA  VIGÊNCIA.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  DA  UNIÃO  PREJUDICADO.  POSSIBILIDADE.  DEVOLUÇÃO  DO  PROCESSO  AO TRIBUNAL DE ORIGEM  (ART.  328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO  RISTF  ).  Decisão:  Discute­se  nestes  recursos  extraordinários  a  constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial;  bem  como  a  possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento  à  remessa  oficial  e  à  apelação  da  União,  reconhecendo  a  impossibilidade  da  aplicação  retroativa  da  LC  105/01  e  da  Lei  10.174/01.  Contra  essa  decisão,  a  União  interpôs,  simultaneamente,  recursos  especial  e  extraordinário,  ambos  admitidos  na  Corte  de  origem. Verifica­se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento  ao  recurso  especial  em  decisão  assim  ementada  (fl.  281):  "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA  CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ?  IMPOSTO  DE  RENDA  ?  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  ?  PERÍODO  ANTERIOR  À  LC  105/2001  ?  APLICAÇÃO  IMEDIATA  ?  RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART.  144,  §  1º,  DO CTN  ?  PRECEDENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO  ?  RECURSO  ESPECIAL  PROVIDO."  Irresignado,  Gildo  Edgar  Wendt  interpôs  novo  recurso  extraordinário,  alegando,  em  suma,  a  inconstitucionalidade  da  LC  105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 .  O  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  repercussão  geral  da  controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do  Pleno  desta  Corte,  nos  autos  do  RE  601.314,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  Pelo  exposto,  declaro  a  prejudicialidade  do  recurso  extraordinário  interposto  pela  União,  com  fundamento  no  disposto  no  artigo  21,  inciso  IX,  do  RISTF.  Com  relação  ao  apelo  extremo  interposto  por  Gildo  Edgar  Wendt,  revejo  o  sobrestamento  anteriormente  determinado  pelo  Min.  Eros  Grau,  e,  aplicando  a  decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n.  503.064­AgR­AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626­AgR­ Fl. 589DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/2007­29  Resolução nº  2202­000.547  S2­C2T2  Fl. 7            6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473­ED, Rel.  Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de  origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543­B e seus  parágrafos do Código de Processo Civil). Publique­se. Brasília, 1º de  agosto  de  2011.  Ministro  Luiz  Fux  Relator  Documento  assinado  digitalmente  (RE  602945,  Relator(a):  Min.  LUIZ  FUX,  julgado  em  01/08/2011,  publicado em DJe­158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011)   DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão  em  torno  da  suposta  transgressão  à  garantia  constitucional  de  inviolabilidade  do  sigilo  de  dados  e  da  intimidade  das  pessoas  em  geral,  naqueles  casos  em que  a  administração  tributária,  sem  prévia  autorização  judicial, recebe, diretamente, das  instituições  financeiras,  informações  sobre  as  operações  bancárias  ativas  e  passivas  dos  contribuintes ­ será apreciada no recurso extraordinário representativo  da  controvérsia  jurídica  suscitada  no  RE  601.314/SP,  Rel.  Min.  RICARDO  LEWANDOWSKI,  em  cujo  âmbito  o  Plenário  desta Corte  reconheceu  existente  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional.  Sendo  assim,  impõe­se  o  sobrestamento  dos  presentes  autos,  que  permanecerão  na  Secretaria  desta  Corte  até  final  julgamento  do  mencionado recurso extraordinário. Publique­se. Brasília, 21 de maio  de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator  (RE  479841,  Relator(a):  Min.  CELSO  DE  MELLO,  julgado  em  21/05/2010,  publicado  em  DJe­100  DIVULG  02/06/2010  PUBLIC  04/06/2010)   Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao  art. 26­A, §1º, da Portaria 256/09,  ratificado pelas decisões acima  transcritas, que retratam o  quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses  termos,  voto  para  que  seja  sobrestado  o  presente  recurso,  até  o  julgamento  definitivo  do  Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF.  Diante de  todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do  julgamento do  presente  Recurso,  conforme  previsto  no  art.  62,  §1o  e  2o,  do  RICARF.  Observando­se  que  após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara  que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da  Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta  após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez        Fl. 590DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA

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Numero do processo: 10882.904445/2012-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/2012­88  Acórdão n.º 3801­003.685  S3­TE01  Fl. 3          2   (assinado digitalmente)  PAULO SERGIO CELANI ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes,  Paulo  Sergio  Celani,  Marcos  Antônio  Borges,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte­DRJ/BHE,  que  julgou  improcedente  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  despacho  decisório  que  não  homologou  PER/DCOMP  transmitida  pela  contribuinte  com  o  objetivo  de  compensar  débitos  nele  declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior.  Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho:  “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF  descrito  no  PerDcomp  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO  FOI HOMOLOGADA.  Como enquadramento legal citou­se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de  outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 1996.  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de  inconformidade alegando, em síntese, o que se segue:  ­ que o despacho é  eletrônico e não passou pelo  crivo de um auditor  fiscal,  sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema  informatizado  e  que  lhe  falta  fundamentação  e  motivação  devendo  ser  declarado  nulo;  ­ que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que  estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  e  poderá  determinar  a  realização  de  diligência fiscal;  ­  que  transmitiu  Declaração  de  Compensação  de  COFINS,  apurado  em  30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia  nenhum  débito  anterior  a  ele  vinculado  e  que,  agora,  a  RFB  vem  inquirir  que  o  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/2012­88  Acórdão n.º 3801­003.685  S3­TE01  Fl. 4          3 crédito  utilizado  na  compensação  foi  utilizado  antes  para  quitação  do  débito  de  COFINS  de  30/06/04  quando  já  havia  perecido  o  direito  do  Fisco  de  cobrar  o  pretenso débito;  ­ que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de  suspensão da exigibilidade;  ­  que  passou mais  de  5  anos  e  o  débito  não  pode  ser  exigido,  pois  com  a  aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência.  Requer a reavaliação do Despacho Decisório  A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte:  “DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não  se admite  compensação com crédito que não se  comprova  existente.”  No  recurso  voluntário,  a  contribuinte  alega  que  não  houve  qualquer  antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não  foi  homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que  a  contribuinte  pagasse  o  débito;  que,  em  decorrência  disto  tudo,  “não  há  que  se  falar  em  crédito  tributário  constituído  pelo  lançamento,  motivo  pelo  qual,  em  face  de  sua  inércia,  deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art.  150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.”  É o relatório.  Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/2012­88  Acórdão n.º 3801­003.685  S3­TE01  Fl. 5          4     Voto             Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  para julgamento nesta turma especial.  Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no  recurso voluntário.  Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza  Apesar  de  a  recorrente  não  atacar  os  fundamentos  do  despacho  decisório,  traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório.  A RFB,  baseando­se  em  dados  constantes  de  seus  sistemas  informatizados,  alimentados  por  informações  prestadas  pela  própria  contribuinte,  por  meio  de  declarações  fiscais  próprias,  constatou  que  o  pagamento  informado  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  débito  da  contribuinte,  referente  a  tributo  informado  em  DCTF,  logo,  tributo  considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do Decreto­Lei nº 2.124, de 1984, é  instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando  crédito disponível a ser restituído.  Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada.  O  fundamento  legal  está  expresso  no  quadro  “3  –  FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo  165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN).  Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o  DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum.  E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF.  Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte  tem  direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo  indevido ou maior que o devido;  erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  reforma,  anulação  revogação  ou  rescisão  de  decisão condenatória.  Não  foi  atendido  o  art.  170  do  CTN  que  diz  que  a  lei  poderá  autorizar  a  compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do  sujeito passivo contra a Fazenda Pública..  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/2012­88  Acórdão n.º 3801­003.685  S3­TE01  Fl. 6          5 E  a  liquidez  e  certeza  não  foram  comprovada  pela  contribuinte,  a  quem  incumbia  esse  ônus,  à  luz  do  art.  333  do  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  aplicável  subsidiariamente  ao  caso, que determina que o ônus da prova  incumbe a quem alega  fato  constitutivo de direito.  Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante.  Veja­se, como exemplo, a ementa do acórdão 3801­00.190, de 22/05/2012,  relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes:  “Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Data do fato gerador: 31/12/2002  COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA  DO DESPACHO DECISÓRIO.  A  simples  retificação  de  DCTF  não  é  elemento  de  prova  suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório.  COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO.  A  compensação  não  pode  ser  homologada  quando  o  sujeito  passivo não comprova a origem de seu direito creditório.  Recurso Voluntário Negado.”  Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo  entendimento  os  Acórdãos  3802­001.290,  de  25/09/2012,  relatado  pelo  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  e  3802­001.593,  de  27/02/2013,  relatado  pelo  Conselheiro  Francisco José Barroso Rios.  Transcrevo a parte que interessa do primeiro:  Acórdão nº 3802­001.290:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  COMPENSAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  (DCOMP).  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  COMPROVADO  NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA  MANTIDA.  Na  ausência  da  comprovação  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  utilizado  no  procedimento  compensatório,  deve  ser mantida  a  decisão  recorrida  que  não  homologou  a  compensação  declarada pelo mesmo motivo.  (...)”  O  direito  de  crédito  deve  ser  provado  e  apenas  créditos  líquidos  e  certos  podem ser compensados ou restituídos.  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/2012­88  Acórdão n.º 3801­003.685  S3­TE01  Fl. 7          6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário.  A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário.  A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões  da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações  recursais. Destaco o seguinte:  Com base no art. 5º, §1º, do Decreto­Lei nº 2.124, de 1984, conclui­se que a  DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito  tributário nela declarado.  Com  fundamento  no  §  2º  do  art.  74  da  Lei  n.º  9.430,  27/12/1996,  a  compensação  declarada  à  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação.  O  §  5º  deste  artigo  diz  que  o  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de  compensação.  Transcorrido esse prazo após a  transmissão do PER/DCOMP e não  tendo o  fisco  se  manifestado,  considera­se  extinto  o  débito  nele  confessado,  independentemente  da  confirmação do crédito utilizado: opera­se a homologação tácita.  No  caso,  como  a  própria  contribuinte  reconhece,  a homologação  tácita  não  ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da  transmissão do PER/DCOMP.  Os  parágrafos  6º  e  7º  do  mesmo  artigo  determinam  que  a  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a  autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá­lo a efetuar, no prazo de  30  (trinta)  dias,  contado  da  ciência  do  ato  que  não  a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente compensados.  O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação  com as seguintes palavras:  “Fica  o  sujeito  passivo  CIENTIFICADO  deste  despacho  e  INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da  ciência  deste,  efetuar  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  à  Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento,  no mesmo  prazo,  nos  termos dos §§ 7º  e 9º do art.  74 da Lei nº 9.430, de 1996,  com  alterações  posteriores.  Não  havendo  pagamento  ou  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade,  os  débitos  indevidamente  compensados,  com  os  acréscimos  legais,  serão  inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.”  Dos  fundamentos  acima,  decorre  que  não  é  necessário  auto  de  infração  ou  notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/2012­88  Acórdão n.º 3801­003.685  S3­TE01  Fl. 8          7 em DCTF  ou  em DCOMP,  logo,  não  há  que  se  falar  em  decadência  do  direito  de  lançar  o  crédito tributário no caso presente.  Conclusão  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo­se  a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani ­ Relator                                Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10680.721768/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 418          1 417  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.721768/2010­42  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.324  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de outubro de 2014  Matéria  PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO  Recorrente  SUPERMERCADOS BH LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/11/2005 a 30/03/2006  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE  INFRAÇÃO NÃO  IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que  a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que  fora  lavrado  em  seu  desfavor,  apenas  se  resumindo  a  questionar  a  multa  aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do  lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72.  LEI TRIBUTÁRIA.  INCONSTITUCIONALIDADE. Não  cabe  ao CARF a  análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 68 /2 01 0- 42 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2   ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso voluntário.       Júlio César Vieira Gomes ­ Presidente      Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Vieira  Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda  Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.721768/2010­42  Acórdão n.º 2402­004.324  S2­C4T2  Fl. 419          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto por SUPERMERCADOS BH, em  face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.275.712­0, lavrado para a cobrança  de  contribuições  previdenciárias  parte  da  empresa  e  as  destinadas  ao  financiamento  do  GILRAtT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e sobre pró­labore  pagos aos Srs. Leonardo Lavorato Arantes e Bruno Santos de Oliveira.  Consta  do  relatório  fiscal  que  o  lançamento  foi  efetuado  em  face  do  batimento  das  informações  constantes  em  folha  de  pagamentos  e  GIFP´s  apresentadas  pela  recorrente.  A  recorrente  apresentou  impugnação  apenas  requerendo  que  as multas  que  lhe foram aplicadas, fossem reduzidas ao patamar mínimo, diante de sua primariedade.   O lançamento compreende as competências de 11/2005 a 03/2006, tendo sido  o contribuinte cientificado do relatório fiscal aditivo em 09/07/2010 (fls. 01).  Devidamente  intimado  do  julgamento  da  DRJ  em  primeira  instância,  a  recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta:  1.  que  a multa  aplicada deve  ser  reduzida  ao  seu  patamar  mínimo,  por  ser  primária  no  descumprimento  de  obrigações tributárias;  2.  que a multa aplicada é confiscatória;  Processado  o  recurso  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4   Voto             Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator  CONHECIMENTO  Tempestivo o recurso, dele conheço.  Sem Preliminares.  MÉRITO  Inicialmente cumpre apontar que em momento algum a recorrente insurgiu­se  quanto  a  imposição  fiscal  objeto  do Auto  de  Infração,  de modo  que  o  lançamento,  por  este  motivo, é incontroverso.  Ademais,  quanto  a  matéria  de  recurso,  resume­se  a  repetir  os  argumentos  trazidos  em  sede  de  impugnação,  requerendo  a  redução  da multa  diante  da  sua  condição  de  primária e natureza consfiscatória.  Sobre o assunto, tenho que não assiste razão à recorrente.  Quanto ao pedido de redução de multa, como bem apontou o v. acórdão de  primeira  instância,  sequer  houve  a  aplicação  de  qualquer  agravante  no  presente  caso,  se  resumindo a autoridade fiscal a efetuar o lançamento em conformidade com o disposto no art.  33 da Lei 8.212.91, a seguir:  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).   § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  o  exame  da  contabilidade  das  empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.(Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  Ao  assim  proceder,  quando  verificou  o  descumprimento  à  legislação  tributária,  simplesmente  aplicou  ao  caso  as  multas  em  conformidade  com  a  legislação  de  regência,  atentando­se,  ainda  a  observância  da  retroatividade  benigna  em  decorrências  das  alterações trazidas pela Lei 11.941/09, cálculo este que sequer veio a ser objeto de contestação  pela recorrente, tendo sido aplicado ao caso a multa em conformidade com o art. 44, I, da Lei  9.430/96.  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.721768/2010­42  Acórdão n.º 2402­004.324  S2­C4T2  Fl. 420          5 Assim,  não  há  que  se  falar  em  redução  ao  seu  patamar mínimo,  a  uma  em  razão  da multa  ter  sido  aplicada  em  conformidade  com  a  legislação  de  regência,  a  duas  em  razão de não haver qualquer previsão legal de sua diminuição no presente caso.  Por  fim,  no  que  se  refere  ao  caráter  confiscatório  da multa  aplicada,  tenho  que  tal  irresignação  não  pode  ser  analisadas  por  este  Conselho,  em  respeito  a  competência  privativa  do  Poder  Judiciário,  já  que,  o  afastamento  da  aplicação  da  Legislação  referente  as  contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em  vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é  vedado a este Eg. Conselho.  Sobre  o  tema,  o  CARF  consolidou  referido  entendimento  por  meio  do  enunciado da Súmula n. 02, a seguir:  “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária  Ante  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário.  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                              Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 13840.000818/2003-33
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 1999 PAF - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - DIVERGÊNCIA ENTRE MOTIVAÇÃO DISPOSTA NO ACÓRDÃO E RESULTADO DE JULGAMENTO Embargos acolhidos para adequar a motivação do voto relator com o resultado do julgamento. Prevalência da motivação da parte dispositiva do acórdão embargado.
Numero da decisão: 9101-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, embargos de declaração acolhidos e providos para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão de prover o Recurso Especial. Vencido o Conselheiro Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 2          1 1  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13840.000818/2003­33  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  9101­002.014  –  1ª Turma   Sessão de  07 de outubro de 2014  Matéria  PAF  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  PROCAD PROJETOS E DETALHAMENTO S/C LTDA.    ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS  E CONTRIBUIÇÕES  DAS MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS  DE  PEQUENO PORTE ­ SIMPLES  Exercício: 1999  PAF  ­  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  ­  DIVERGÊNCIA  ENTRE  MOTIVAÇÃO  DISPOSTA  NO  ACÓRDÃO  E  RESULTADO DE JULGAMENTO  Embargos  acolhidos  para  adequar  a  motivação  do  voto  relator  com  o  resultado  do  julgamento.  Prevalência  da  motivação  da  parte dispositiva do acórdão embargado.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  1ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos   FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, embargos de declaração acolhidos e providos para rerratificar  o acórdão embargado, mantida a decisão de prover o Recurso Especial. Vencido o Conselheiro  Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Karem Jureidini Dias ­ Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 08 18 /2 00 3- 33 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/2003­33  Acórdão n.º 9101­002.014  CSRF­T1  Fl. 3          2   Participaram do julgamento os Conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO  (Presidente). MARCOS AURÉLIO  PEREIRA  VALADÃO,  VALMIR  SANDRI,  VALMAR  FONSECA  DE  MENEZES,  KAREM  JUREIDINI  DIAS,  JORGE  CELSO  FREIRE  DA  SILVA,  ANTONIO  LISBOA  CARDOSO  (Suplente  Convocado),  RAFAEL  VIDAL  DE  ARAÚJO,  JOÃO  CARLOS  DE  LIMA  JUNIOR,  PAULO  ROBERTO  CORTEZ  (Suplente  Convocado)  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/2003­33  Acórdão n.º 9101­002.014  CSRF­T1  Fl. 4          3 Relatório  Trata­se de Embargos de Declaração opostos pela d. Procuradoria da Fazenda  Nacional, em face do acórdão nº 9101­001.105, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior  de Recursos Fiscais, em sessão de 29 de junho de 2011, de relatoria da então Conselheira Susy  Gomes Hoffmann.  O contribuinte foi excluído do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e  das Contribuições  das Microempresas  e  das Empresas  de Pequeno Porte  (Simples)  pelo Ato  Declaratório nº 126.538/1999 (fl. 9), segundo o qual sua atividade não é permitida para efeito  de inclusão no Simples.  Irresignado, o  contribuinte pediu  revisão dessa  exclusão,  conforme Solicitação  de Revisão da Exclusão do Simples, fl. 1.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  Campinas  entendeu  que  a  atividade  exercida  pelo  contribuinte,  de  fato,  não  enseja  direito  ao  Simples,  visto  que  essa  atividade (desenho  técnico na área de engenharia)  impede,  segundo o art. 9°,  inciso XIII, da  Lei nº 9.317/96, a opção pelo Simples. A decisão restou assim ementada:  “DESENHO TÉCNICO. VEDAÇAO.  Não  podem  optar  pelo  Simples  as  pessoas  jurídicas  que  prestem  serviços  de  desenho  técnico,  pois  essa  atividade  é  exercida  por  profissionais  com  habilitação  legalmente  exigida  ou  a  eles  assemelhados.  Solicitação Indeferida.”  O  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário  (fls.  38/43),  alegando  que  o  seu  objeto social exclui a prestação de serviços que dependam de autorização de registro especial.   A  antiga  Terceira  Câmara  do  Terceiro  Conselho  de  Contribuintes  deu  provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado:  “SIMPLES.  EXCLUSÃO.  ATIVIDADE  ECONÔMICA.  PRESTAÇÃO  DE SERVIÇOS DE DESENHOS TÉCNICOS E DETALHAMENTOS".  LC 123, DE 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14  de  dezembro  de  2006,  art.  17,  sS.  2°,  "poderão  optar  pelo  Simples  Nacional  sociedades  que  se  dediquem  exclusivamente  a  prestação  de  outros  serviços  que  não  tenham  sido  objeto  de  vedação  expressa  no  caput deste artigo".  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.”  A  Procuradoria  da  Fazenda Nacional,  por  sua  vez,  interpôs  Recurso  Especial  (fls. 93/102), argumentando que a decisão recorrida violou o artigo 9°,  inciso XIII, da Lei n°  9.317/96, sustentando que a lista disposta em tal dispositivo legal não é exaustiva, abrangendo  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/2003­33  Acórdão n.º 9101­002.014  CSRF­T1  Fl. 5          4 “qualquer  outra  profissão  cujo  exercício  depende  de  habilitação  profissional  legalmente  exigida”. Assim, postulou pela reforma do acórdão recorrido.  Esta  Turma  proferiu  Acórdão  nº  9101­001.105  (fls.  117/120)  deferindo  o  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  com  o  fundamento  de  que  já  é  entendimento  consolidado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a atividade da recorrente não  enseja ao regime do Simples. A decisão possui a seguinte ementa:  “SIMPLES.  DESENHO  TÉCNICO.  ATIVIDADE  DE  CARÁTER  PESSOAL  ASSEMELHADA  A  DE  ARQUITETO  E  ENGENHEIRO.  INCIDÊNCIA DO ARTIGO 90, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317/96. Não  pode  optar  pelo  Simples  a  empresa  que  desenvolve  atividade  de  desenho  técnico,  consistente  em execução e  detalhamento de projetos  produzidos  por  engenheiros.  Atividade  que  a  esta  se  assemelhada.  Regência do artigo 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96.”  Da decisão acima, a Procuradoria opôs Embargos de Declaração alegando que,  pelo  exame  da  fundamentação  do  mencionado  acórdão,  foi  dado  provimento  ao  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  ao  passo  que  no  resultado  de  julgamento  constou,  contraditoriamente,  que  foi  negado  provimento  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional.  Requer,  assim, que seja conhecido os Embargos para que seja corrigido o dispositivo do Acórdão.  Verifico que de  fato há  uma contraditoriedade  entre o que  consta do voto  e o  resultado  de  julgamento.  Isto  porque,  a  Conselheira  Relatora,  ao  final  de  seu  voto  conclui:  “Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.”.   De outro  lado, no  resultado de  julgamento,  constou “acordam os membros do  colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional”.  Neste passo, em razão da contrariedade apontada pela Procuradoria entre o voto  condutor e o resultado de julgamento, os Embargos de Declaração foram acolhidos.  É o relatório.    Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/2003­33  Acórdão n.º 9101­002.014  CSRF­T1  Fl. 6          5 Voto             Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora  Os embargos são tempestivos.  Conforme relatado, aduz a embargante a ocorrência de contradição no acórdão  da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no que tange ao conteúdo do voto e ao  resultado do julgamento.  De fato,  tal contrariedade se faz presente, visto que a Conselheira Relatora, ao  final de seu voto conclui: “Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda  Nacional.”.  Entretanto,  no  resultado  de  julgamento,  constou  “acordam  os  membros  do  colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional”.  Como o  acórdão  embargado,  de  fato,  deu  provimento  ao Recurso Especial  da  Procuradoria e, a despeito de não ser a relatora à ocasião, parece ter de fato assim intentado, em  face dos motivos que sucederam a conclusão, entendo que o resultado de julgamento deve ser  alterado para que nele se faça constar o que de fato foi decidido.  Quanto  ao  efetivo  julgamento  ocorrido  à  época  da  apreciação  do  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional  importa  consignar  que,  de  acordo  com o  acórdão  embargado,  constou:  (i)  No relatório, que o contribuinte foi excluído do Simples, por atividade,  consistente em “serviços de desenho técnico especializado”.  (ii)  No voto, restou relatado que “Segundo o contrato social do contribuinte,  cláusula terceira, tem­se que o seu objeto social consiste em ‘Prestação  de  serviços  na  área  de  projetos  e  detalhamentos,  exceto  aqueles  que  dependam de autorização de registro especial’”.  (iii)  Foi relatado ainda que “Conforme se depreende dos autos, as alegações  do contribuinte são no sentido de que possui um programa de desenho  (Autocad),  pelo  qual  somente  processa  os  dados  solicitados  pelos  profissionais  responsáveis,  que  são  os  engenheiros.  A  sua  atividade  resume­se à execução, sem qualquer responsabilidade técnica.”.  (iv)  Mais  adiante,  o  voto  caminha  no  sentido  de  relatar  que  a  atividade  do  contribuinte  enquadra­se  na  descrição  catalogada  no Código  Brasileiro  de  Ocupação  nº  3181  (e  não  no  código  2624­10).  De  acordo  com  a  descrição  do  CBO  tem­se  a  elaboração  de  desenhos  de  arquitetura  e  engenharia  civil,  utilizando­se  softwares  específicos  para  desenho  técnico, dentre outras análises. Prossegue o voto, ainda, concluindo que a  atividade desenvolvida pelo contribuinte enquadra­se entre as listadas no  art. 9º inciso XIII, da Lei nº 9.317/96.  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/2003­33  Acórdão n.º 9101­002.014  CSRF­T1  Fl. 7          6 (v)  Cita,  por  fim,  jurisprudência  do  CARF  no  mesmo  sentido  da  ementa,  vale  dizer,  que  a  pessoa  jurídica  que  exercer  atividade  de  desenho  técnico e assemelhados à engenharia e arquitetura não poderá optar pelo  Simples   Feitas  estas  considerações  sobre  o  acórdão  embargado  e,  tendo  em  vista  que,  esses  embargos  não  se  prestam  a  um  novo  julgamento,  mas,  tão  somente,  para  eliminar  a  contrariedade entre o voto e o resultado transcrito, atenho­me às razões proferidas no voto, bem  como à sua parte dispositiva, que com ele é coerente, ao dar provimento ao Recurso Especial  da Fazenda Nacional.  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  dos  embargos  e  DOU  PROVIMENTO  para  reconhecer a contrariedade no acórdão embargado, retificando o resultado do julgamento para  constar que, de acordo com o acórdão nº 9101­001.105, ratificando o acórdão e retificando o  resultado de julgamento foi no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.    Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2014  (ASSINADO DIGITALMENTE)  Karem Jureidini Dias ­ Relatora                                Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS

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5650031 #
Numero do processo: 19839.004306/2011-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02//2006 a 28/02/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributário-previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02//2006 a 28/02/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributário-previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T3  Fl. 103          1 102  S2­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19839.004306/2011­71  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2403­002.531  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de março de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  CEMAPE TRANSPORTES S A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/02//2006 a 28/02/2006  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­  IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO  ­ INOCORRÊNCIA.   Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as  circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a  penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua  lavratura, não há que se  falar em nulidade da autuação  fiscal posto  ter sido  elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  DEIXAR  DE  EXIBIR  LIVRO  OU  DOCUMENTO  RELACIONADO  COM,  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS.  Constitui  infração á legislação  tributário­previdenciária deixar a empresa de  exibir  qualquer  documento  ou  livro  relacionados  com  as  contribuições  previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro  que  não  atenda  às  formalidades  legais  exigidas,  que  contenha  informação  diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.  Recurso Voluntário Negado         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 43 06 /2 01 1- 71 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso.      Carlos Alberto Mees Stringari ­ Presidente    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Carlos  Alberto Mees  Stringari,  Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa  Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.    Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/2011­71  Acórdão n.º 2403­002.531  S2­C4T3  Fl. 104          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  Recorrente  –  CEMAPE  TRANSPORTES  S.A.  contra  Decisão­Notificação  nº  21.401.4/0384/2006  da  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  de  São  Paulo  Centro  ­  SP  que  julgou  procedente  a  autuação  por  descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº.  35.875.706­1, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 23.137,66.  Conforme  o  Relatório  Fiscal  da  Infração  às  fls.  13,  o  Auto  de  Infração,  Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente  por ela ter apresentado a documentação relativa à obra de construção civil edificada em Bauru­ SP,  matricula  CEI  21.909.04795/72,  de  forma  deficiente,  não  realizando  prova  regular  e  formalizada  do  montante  dos  salários  pagos  pela  execução  de  obra  de  construção  civil,  deixando  de  atender  tais  documentos  ou  livros  as  formalidades  legais  exigidas,  cometendo  infração ao disposto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33, parágrafos 2. e 3., combinado com o  art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto  3.048/1999.  Outrossim,  o  Relatório  Fiscal  da  conexa  autuação  principal,  NFLD  nº  35.718.261­8, anexado aos autos  às  fls. 20 a 22, apresenta os  fatos geradores ensejadores da  autuação principal:  3.  Os  fatos  geradores  das  contribuições  apuradas  no  lançamento  do  débito,  referem­se  à  obra  de  construção  civil  executada  pelo  contribuinte  na  cidade  de BAURU­SP, Rodovia  Marechal  Rondon,  Km.  338  ­  Vila  Aviação  ­  CEP  17028­852,  matriculada  no  INSS  ­  CEI  21.909.04795/72,  em  13/11/1998,  caracterizada  pelo ACRÉSCIMO DE  328,09 metros  quadrados  (m2)  de  área  construída,  conforme  planta  aprovada  pela  PMBauru  n.  25.996  em  30/11/1998  e  DEMOLIÇÃO  da  área  construída  de  51,97m2,  constando  anteriormente  área  construída  existente  de  848,62  m2  para  escritório  e  garagem,  conforme habite­se n. 809 de 09/09/1987 da PMBauru, período  da obra  inicio IA 13­11­1998 (matricula INSS) e encerrada AE  28­02­2006.  4. Em  razão  da  falta  de  prova  regular  e  formalizada  por  não  constar as remunerações relativas à obra, dos livros diários da  contabilidade  da  empresa,  o  montante  dos  salários  pagos  a  segurados  empregados  pela  execução  da  referida  obra  de  construção  civil,  foram  apurados  mediante  aferição  indireta,  com  base  no  CUB­SINDUSCON,  tipo  11­  Alvenaria,  padrão  COMERCIALSALAS  E  LOJAS  ­  4A,  fixado  e  divulgado  pelo  Sindicato da Indústria da Construção Civil cm São Paulo, em R$  935,61 por m2, para 02­2006 multiplicado pela área construída  em  acréscimo  de  328,09m2,  perfaz  o  custo  global  de  R$  306.964,28 e a mão de obra (salários) calculada em 20% (vinte  por  cento)  deste,  no  valor  de  R$  61.392,86  para  a  área  edificada. Da mesma forma foi apurada a DEMOLIÇÃO da área  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   4 de  51,97m2  multiplicada  por  R$  935,61  perfaz  o  valor  de  R$  48.623,65,  ao  qual  se  aplicou  a  redução  legal  de  90%  produzindo o custo global da demolição de R$ 4.862,36 e a mão  de obra (salários) calculada em 20% (vinte por cento) deste, no  valor  de  R$  972,47,  dispensado  de  declaração  em  Guia  de  Recolhimento ao FGTS e Informação a Previdência Social.  O Relatório  Fiscal  da  Infração  informa  ainda  a  existência  de  circunstância  agravante, por ter a empresa incorrida em reincidência genérica por ter sofrido em 29/03/2005  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  n.  35.718.269­3,  fundamento  legal  código  91  e  dispositivo  legal:  artigo  32,  inciso  IV  parágrafos  1  e  3  da  Lei  8212/91,  c/c  artigo  225  inciso  IV  do  Regulamento da Previdência Social, Decreto 3048/99.  A  multa  a  ser  aplicada  tem  enquadramento  legal  na  Lei  n°  8.212,  de  24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto  n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373.  O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 14, informa que a multa foi  majorada, em razão da ocorrência da agravante de reincidência genérica, por ter o contribuinte  sofrido,  em  29/03/2005  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  n.  35.718.269­3,  fundamento  legal  código 91 e dispositivo legal: artigo 32, inciso IV parágrafos 1 e 3 da Lei 8212/91, c/c artigo  225  inciso  IV do Regulamento da Previdência Social, Decreto 3048/99 o que eleva em duas  vezes o valor da multa de R$ 11.568,83, por ter a empresa apresentado documentos relativos à  obra  de  construção  civil  edificada  em  Bauru­SP,  matricula  CEI  21.909.04795/72,  de  forma  deficiente,  não  realizando  prova  regular  e  formalizada  do  montante  dos  salários  pagos  pela  execução  de  obra  de  construção  civil,  deixando  de  atender  tais  documentos  ou  livros  as  formalidades legais exigidas.  O período objeto do débito,  conforme o Relatório Fiscal da  Infração é  na  competência 02/2006.  A Recorrente teve ciência do AIOA no dia 29.05.2006, conforme fls. 01.  A Recorrente  apresentou  Impugnação  tempestiva,  em  apertada  síntese,  conforme o Relatório da decisão de primeira instância:  5. A empresa apresentou Impugnação tempestiva a fls. 26 a 29,  alegando, em síntese, que:  a)  "  A  multa  aplicada  pelo  Auto  de  Infração  não  atende  por  completo com a realidade dos fatos. É que quanto à ausência de  fatos geradores das contribuições previdenciárias em GFIP, essa  acusação  não  condiz  com  as  informações  transmitidas  pela  impugnante".  B)  "  De  fato,  verificar­se­á  do  relatório  folha  de  pagamentos  apresentados a AFPS, que a impugnante não deixou de constar  em sua folha de pagamentos a relação de valores constantes ao  demonstrativo  fiscal  anexo  ao Al  ­ Auto  de  Infração. Mais  que  isso, é de  se verificar que a  impugnante  informou praticamente  100%  (  por  cento  )  de  todas  informações  exigidas  nas  respectivas  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo de Serviço e  Informações à Previdência Social ou outro  documento fiscal qualquer".  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/2011­71  Acórdão n.º 2403­002.531  S2­C4T3  Fl. 105          5 c) " Demais a mais, peca o lançamento fiscal quanto à indicação  do dispositivo legal respectivo ao documento exigido pelo AFPS,  uma vez que sequer é citado no Al ­ Auto de Infração o arquivo  magnético  na  qual  deveria  a  impugnante  apresentar,  inclusive,  com  a  citação  de  Portaria  ou  Instrução  Normativa,  não  bastando, simplesmente a indicação genérica do disposto no art.  33, parágrafos 2o e 3o da Lei n° 8.212, de 24.07.91".  d)  "  De  outra  sorte,  se  eventualmente  algum  valor  deixou  de  constar  nas  guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo de Serviço e  Informações à Previdência Social ou outro  documento  qualquer,  ainda  é  dado  à  impugnante  o  direito  de  retificá­la, aplicando a circunstância atenuante prevista no art.  291  do  Regulamento  da  Previdência  Social  c/c  art.  322  da  Instrução Normativa DC/INSS 70/2002....".  A  Recorrida,  conforme  a  Decisão­Notificação  nº  21.401.4/0384/2006  da  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  de  São  Paulo  Centro  ­  SP  analisou  a  autuação  e  a  impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir:  PROCESSO: Al n° 35.875.706­1, de 29/05/2006   INTERESSADO: CEMAPE TRANSPORTES S/A.  CNPJ: 47.288.162/0001­30   ENDEREÇO:  Rua  Visconde  de  Camamu,  11  ­  Heliópolis  ­  S.  PAULO ­ CEP 04.229­000  INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  DEIXAR A EMPRESA DE EXIBIR QUALQUER DOCUMENTO  OU  LIVRO  RELACIONADOS  COM  AS  CONTRIBUIÇÕES  PARA A SEGURIDADE SOCIAL.  Constitui  infração  deixar  a  empresa  de  exibir  à  fiscalização  qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições  para a Seguridade Social.  AUTUAÇÃO PROCEDENTE  Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou  tempestivamente Recurso Voluntário, às  fls. 46 a 49,  reiterando os argumentos utilizados em  sede de Impugnação, em apertada síntese:  (i)  De  fato,  verificar­se­á  do  relatório  de  folha  de  pagamentos  apresentado a AFPS, que a recorrente não deixou de constar em  sua  folha  de  pagamentos  a  relação  de  valores  constantes  ao  demonstrativo fiscal anexo ao AI.  (ii) Mais  que  isso,  é  de  se  verificar  que  a  recorrente  informou  praticamente 100% dos autônomos prestadores de  serviços nas  respectivas GFIP's.  (iii)  De  mais  a  mais,  peca  o  lançamento  fiscal  quanto  à  indicação do dispositivo  legal  respectivo ao documento  exigido  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   6 pelo  AFPS,  uma  vez  que  sequer  é  citado  no  AI,  o  arquivo  magnético  na  qual  deveria  a  impugnante  apresentar,  inclusive,  com  a  citação  da  Portaria  ou  Instrução  Normativa,  não  bastando simplesmente a indicação genérica do disposto no art.  33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91.  (iv)  De  outra  sorte,  se  eventualmente  algum  valor  deixou  de  constar na GFIP's ou outro documento qualquer, ainda é dado à  recorrente  o  direito  de  retificá­la,  aplicando  a  circunstância  atenuante  prevista  no  art.  291  do  RPS  c/c  art.  322  da  IN/DC/LNSS 70/2002.    Após,  o  Recurso  Voluntário  foi  considerado  deserto  por  falta  de  depósito  recursal, inscrito em dívida ativa e quando, em de Execução Fiscal, foi remetido novamente à  instância administrativa para julgamento e processamento do Recurso Voluntário no âmbito do  CARF.  Posteriormente, então, os autos  foram enviados  ao Conselho, para análise e  decisão, fls. 97.      É o Relatório.    Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/2011­71  Acórdão n.º 2403­002.531  S2­C4T3  Fl. 106          7   Voto             Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator    PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 51 e 97.  Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao Mérito.    DAS QUESTÕES PRELIMINARES     (A) Da regularidade do lançamento.   Analisemos.  Não  obstante  a  argumentação  do  Recorrente,  não  confiro  razão  ao  mesmo  pois, de plano, nota­se que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não  havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa.   Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pela  Recorrente  –  CEMAPE  TRANSPORTES  S.A.  contra  Decisão­Notificação  nº  21.401.4/0384/2006  da  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  de  São  Paulo  Centro  ­  SP  que  julgou  procedente  a  autuação  por  descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº.  35.875.706­1, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 23.137,66.  Conforme  o  Relatório  Fiscal  da  Infração  às  fls.  13,  o  Auto  de  Infração,  Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente  por ela ter apresentado a documentação relativa à obra de construção civil edificada em Bauru­ SP,  matricula  CEI  21.909.04795/72,  de  forma  deficiente,  não  realizando  prova  regular  e  formalizada  do  montante  dos  salários  pagos  pela  execução  de  obra  de  construção  civil,  deixando  de  atender  tais  documentos  ou  livros  as  formalidades  legais  exigidas,  cometendo  infração ao disposto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33, parágrafos 2. e 3., combinado com o  art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto  3.048/1999.  Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº  37.284.361­1 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o  documento  constitutivo de  crédito  relativo  às  contribuições  devidas  à Previdência Social  e  a  outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal:  ­ Lei n° 8.212/91  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   8 Art.  37.  Constatado  o  não­recolhimento  total  ou  parcial  das  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  não  declaradas  na  forma  do  art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado  ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento. (Redação dada pela  Lei nº 11.941, de 2009).  ­ IN RFB n° 971/2009  Art.  460.  São  documentos  de  constituição  do  crédito  tributário  relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa:  (...)  III  ­  Auto  de  Infração  (AI),  é  o  documento  constitutivo  de  crédito,  inclusive  relativo  à  multa  aplicada  em  decorrência  do  descumprimento de obrigação acessória,  lavrado por AFRFB e  apurado mediante procedimento de fiscalização;  Art.  467.  Será  lavrado  Auto  de  Infração  ou  Notificação  de  Lançamento  para  constituir  o  crédito  relativo  às  contribuições  de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007.  Art.  468.  A  autoridade  administrativa  competente  para  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  pelo  descumprimento  de  obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196  da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6  de  dezembro  de  2002,  é  o  AFRFB  que  presidir  e  executar  o  procedimento fiscal.  Parágrafo  único.  Considera­se  procedimento  fiscal  quaisquer  das  espécies  elencadas  no  art.  7º  e  seguintes  do  Decreto  nº  70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB.  Cumpre­nos  esclarecer  ainda,  que  o  lançamento  fiscal  foi  elaborado  nos  termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991,  bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional.  O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991:  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  (...)  §  2o  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou  extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros  relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).   § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar  de  ofício  a  importância  devida.(Redação  dada  pela Lei nº 11.941, de 2009).  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/2011­71  Acórdão n.º 2403­002.531  S2­C4T3  Fl. 107          9 Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999:  Art. 232.  A  empresa,  o  servidor  de  órgão  público  da  administração  direta  e  indireta,  o  segurado  da  previdência  social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante  legal,  o  comissário  e  o  liquidante  de  empresa  em  liquidação  judicial  ou  extrajudicial  são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos e livros relacionados com as contribuições previstas  neste Regulamento.  Art. 233.  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  e  a  Secretaria  da  Receita  Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas  de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem  devida,  cabendo  à  empresa,  ao  empregador  doméstico  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário.  Parágrafo único.  Considera­se  deficiente  o  documento  ou  informação  apresentada  que  não  preencha  as  formalidades  legais,  bem  como  aquele  que  contenha  informação  diversa  da  realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.   O art. 113, CTN, estabelece que:  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.   §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.   §  2º  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.   §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.  O art. 115, CTN, estabelece que:  Art.  115.  Fato  gerador  da  obrigação  acessória  é  qualquer  situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática  ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.  O art. 122, CTN, estabelece que:  Art.  122.  Sujeito  passivo  da  obrigação  acessória  é  a  pessoa  obrigada às prestações que constituam o seu objeto.  Pode­se elencar as etapas necessárias à realização do procedimento:  A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início  do  Procedimento  Fiscal,  o  qual  contém  o  Mandado  de  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   10 Procedimento Fiscal  – MPF­ F,  com  a  competente  designação  do  Auditor­Fiscal  responsável  pelo  cumprimento  do  procedimento,  bem  como  a  intimação  para  que  o  contribuinte  para  que  apresentasse  todos  os  documentos  capazes  de  comprovar o cumprimento da legislação previdenciária;   A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado,  com  a  apresentação  ao  contribuinte  dos  fatos  geradores  e  fundamentação  legal  que  constituíram  a  lavratura  do  auto  de  infração  ora  contestado,  com  as  informações  necessárias  para  que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse  pertinentes:  a.  IPC  ­  Instrução  para  o  Contribuinte,  onde  constam  as  instruções  necessárias  à  empresa  no  tocante  ao  recolhimento,  parcelamento, apresentação de defesa e demais informações;  b.  VÍNCULOS  ­  Relação  de  Vínculos,  que  relaciona  todas  as  pessoas  físicas  ou  jurídicas  de  interesse  da  administração  previdenciária  em  razão  do  seu  vínculo  com  o  sujeito  passivo,  representantes  legais  ou  não,  indicando  o  tipo  de  vínculo  existente e o período correspondente;  c.  REFISC  –  Relatório  Fiscal  da  Infração  e  da  Aplicação  da  Multa.  Ademais,  não  compete  ao  Auditor­Fiscal  agir  de  forma  discricionária  no  exercício  de  suas  atribuições.  Desta  forma,  em  constatando  a  falta  de  recolhimento,  face  a  ocorrência do fato gerador, cumpri­lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de  débito  de  forma  vinculada,  constituindo  o  crédito  previdenciário.  O  art.  243  do  Decreto  3.048/99, assim dispõe neste sentido:  Art.243.  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância  devida  nos  termos  deste  Regulamento,  a  fiscalização  lavrará,  de  imediato,  notificação  fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes.  Desta  forma,  o  procedimento  fiscal  atendeu  todas  as  determinações  legais,  não prosperando as alegações da Recorrente.       DO MÉRITO.    (iii)  De  mais  a  mais,  peca  o  lançamento  fiscal  quanto  à  indicação do dispositivo  legal  respectivo ao documento  exigido  pelo  AFPS,  uma  vez  que  sequer  é  citado  no  AI,  o  arquivo  magnético  na  qual  deveria  a  impugnante  apresentar,  inclusive,  com  a  citação  da  Portaria  ou  Instrução  Normativa,  não  bastando simplesmente a indicação genérica do disposto no art.  33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91.  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/2011­71  Acórdão n.º 2403­002.531  S2­C4T3  Fl. 108          11 Analisemos.  Em relação à indicação do dispositivo legal, foi informado expressamente no  Relatório Fiscal da Infração o amparo legal para a autuação, conforme o disposto às fls. 13:  "(...)  cometendo  infração  ao  disposto  na  Lei  n.  8.212,  de  24.07.91, art. 33, parágrafos 2. e 3., combinado com o art. 233,  parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social  ­ RPS,  aprovado pelo Decreto 3.048/1999."  Em relação ao arquivo magnético na qual a Recorrente deveria apresentar, o  Relatório  Termo  de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos  ­  TIAD,  às  fls.  09  e  10,  apresenta a relação de documentos requeridos na Auditoria­Fiscal.   Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente.    (i)  De  fato,  verificar­se­á  do  relatório  de  folha  de  pagamentos  apresentado a AFPS, que a recorrente não deixou de constar em  sua  folha  de  pagamentos  a  relação  de  valores  constantes  ao  demonstrativo fiscal anexo ao AI.  (ii) Mais  que  isso,  é  de  se  verificar  que  a  recorrente  informou  praticamente 100% dos autônomos prestadores de  serviços nas  respectivas GFIP's.  Analisemos conjuntamente os itens (i) e (ii).  Conforme  o  Relatório  Fiscal  da  Infração  às  fls.  13,  o  Auto  de  Infração,  Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente  por ela ter apresentado a documentação relativa à obra de construção civil edificada em Bauru­ SP,  matricula  CEI  21.909.04795/72,  de  forma  deficiente,  não  realizando  prova  regular  e  formalizada  do  montante  dos  salários  pagos  pela  execução  de  obra  de  construção  civil,  deixando  de  atender  tais  documentos  ou  livros  as  formalidades  legais  exigidas,  cometendo  infração ao disposto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33, parágrafos 2. e 3., combinado com o  art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto  3.048/1999.  A autuação por descumprimento de obrigação acessória ocorreu  em  função  da falta de prova regular e formalizada por não constar as remunerações relativas à obra, dos  livros  diários  da  contabilidade  da  empresa,  o  montante  dos  salários  pagos  a  segurados  empregados pela execução da obra de construção civil na matrícula CEI 21.909.04795/72.   Neste  sentido,  o  Relatório  Fiscal  da  conexa  autuação  principal,  NFLD  nº  35.718.261­8, anexado aos autos  às  fls. 20 a 22, apresenta os  fatos geradores ensejadores da  autuação principal:  3.  Os  fatos  geradores  das  contribuições  apuradas  no  lançamento  do  débito,  referem­se  à  obra  de  construção  civil  executada  pelo  contribuinte  na  cidade  de BAURU­SP, Rodovia  Marechal  Rondon,  Km.  338  ­  Vila  Aviação  ­  CEP  17028­852,  matriculada  no  INSS  ­  CEI  21.909.04795/72,  em  13/11/1998,  Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI   12 caracterizada  pelo ACRÉSCIMO DE  328,09 metros  quadrados  (m2)  de  área  construída,  conforme  planta  aprovada  pela  PMBauru  n.  25.996  em  30/11/1998  e  DEMOLIÇÃO  da  área  construída  de  51,97m2,  constando  anteriormente  área  construída  existente  de  848,62  m2  para  escritório  e  garagem,  conforme habite­se n. 809 de 09/09/1987 da PMBauru, período  da obra  inicio IA 13­11­1998 (matricula INSS) e encerrada AE  28­02­2006.  4. Em  razão  da  falta  de  prova  regular  e  formalizada  por  não  constar as remunerações relativas à obra, dos livros diários da  contabilidade  da  empresa,  o  montante  dos  salários  pagos  a  segurados  empregados  pela  execução  da  referida  obra  de  construção  civil,  foram  apurados  mediante  aferição  indireta,  com  base  no  CUB­SINDUSCON,  tipo  11­  Alvenaria,  padrão  COMERCIALSALAS  E  LOJAS  ­  4A,  fixado  e  divulgado  pelo  Sindicato da Indústria da Construção Civil cm São Paulo, em R$  935,61 por m2, para 02­2006 multiplicado pela área construída  em  acréscimo  de  328,09m2,  perfaz  o  custo  global  de  R$  306.964,28 e a mão de obra (salários) calculada em 20% (vinte  por  cento)  deste,  no  valor  de  R$  61.392,86  para  a  área  edificada. Da mesma forma foi apurada a DEMOLIÇÃO da área  de  51,97m2  multiplicada  por  R$  935,61  perfaz  o  valor  de  R$  48.623,65,  ao  qual  se  aplicou  a  redução  legal  de  90%  produzindo o custo global da demolição de R$ 4.862,36 e a mão  de obra (salários) calculada em 20% (vinte por cento) deste, no  valor  de  R$  972,47,  dispensado  de  declaração  em  Guia  de  Recolhimento ao FGTS e Informação a Previdência Social.  Ora,  a Recorrente não produz qualquer prova documental ou  traz aos  autos  fato  novo  que  possa  infirmar  a  decisão  recorrida  para  se  demonstrar  o  cumprimento  da  obrigação acessória.  Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente.    (iv)  De  outra  sorte,  se  eventualmente  algum  valor  deixou  de  constar na GFIP's ou outro documento qualquer, ainda é dado à  recorrente  o  direito  de  retificá­la,  aplicando  a  circunstância  atenuante  prevista  no  art.  291  do  RPS  c/c  art.  322  da  IN/DC/LNSS 70/2002.  Analisemos.  A Recorrente requer a atenuação da autuação fiscal com base no disposto no  art.  291  do Decreto  3.048/1999,  na  redação  à  época  dos  fatos  geradores  pois  atualmente  já  revogado pelo Decreto 6.727/2009:   Art.291.  Constitui  circunstância  atenuante  da  penalidade  aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  a  decisão  da  autoridade julgadora competente.    §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de  defesa,  ainda  que  não  contestada  a  infração,  se  o  infrator  for  primário,  tiver  corrigido  a  falta  e  não  tiver  ocorrido  nenhuma  circunstância agravante.  Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/2011­71  Acórdão n.º 2403­002.531  S2­C4T3  Fl. 109          13 Ora, a Recorrente não faz juz à atenuação da autuação por descumprimento  de obrigação acessória pois não demonstrou nos autos ter corrigido a falta.  Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente.        CONCLUSÃO      Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR­LHE provimento.      É como voto.    Paulo Maurício Pinheiro Monteiro                               Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI

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Numero do processo: 10830.010969/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. NECESSIDADE DE ESTABELCIMENTO DE METAS. CIÊNCIA DO SINDICATO. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante e II - convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. No presente caso, a previsão e a consequente obrigação, nos acordos celebrados, somados às demonstrações, por documentos, de fixação de metas e acompanhamentos, demonstram que o acordo, quando prevê instituição de programa e metas para cargos distintos, cumpre a legislação, devendo a parcela ser isenta de incidência de contribuição, como determina a legislação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. PREVISÃO DE METAS COMPATIBILIDADE COM A DETERMINAÇÃO LEGAL. No presente caso, na análise dos acordos, há parcelas pagas oriundas de cumprimento de metas, motivo de exclusão dos valores lançados relativos a essas parcelas (relatórios fiscais, itens 3.3.2 e 3.3.3). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INCIDÊNCIA. DESOBEDIÊNCIA À LEI 10.101/2001. AUSÊNCIA. Não integram o salário-de-contribuição (SC), para os fins da Lei 8.212/1991, a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei 10.101/2000. Para que a exigência tributária, fundamentada no descumprimento da Lei 10.101/200, prevaleça, faz-se necessário, por parte do Fisco, a demonstração, por p´rovas e indícios, deste descumprimento. No presente caso, para o estabelecimento 45.990.181/0029-80, a fiscalização fundamenta sua acusação em pontos de acordo coletivo que teriam descumprido a Lei 10.101/2000, mas não anexa prova alguma que comprove essse descumprimento, impedindo a verificação sobre a ocorência do fato gerador, motivo do proviemtno do recurso neste pontro. SALÁRIO-UTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. PROVA RETIRADA DE CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário-utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Cabe ao fisco demonstrar a dispensabilidade do veículo. Prova feita pela demonstração de que a própria empresa considerou, para efeito de imposto de renda, que parte da utilização era dispensável para o trabalho. SALÁRIO-UTILIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS DA EMPRESA POR VALOR INFERIOR AO MERCADO. NECESIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). AUSÊNCIA. Entende-se por salário-de-contribuição (SC), para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Para ocorrer o fato gerador da contribuição porevidenciária, conforme a definição acima, faz-se necessário que o ganho do segurado, sua remuenração, seja oriubda de retribuição por serviços prestados ao empregador. No presente caso, lançamento, em que cabe ao Fisco, como acusador, a comprovação da ocorrência do fato gerador, não restou demonstrado que a diferença entre o valor de mercado do bem (veículos) e o valor de venda aos segurados empregados configurava-se em um benefício específico a seguardos a serviço do sujeito passivo, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo, neste ponto. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PARECER DA AGU. CARACTERIZAÇÃO DE VERBA indenizatória. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, segundo a Advocacia Geral da União 9AGU). LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2003, anteriores a 10/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a; b) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas recebidas pelos segurados, fixas, sem a obrigatoriedade de alcance de metas, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação ao item 3.3.5, CNPJ: 45.990.181/0030-13, devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo - em relação ao item 3.3.1, CNPJ´s: 45.990.181/0001-89, 45.990.181/0004-21, 45.990.181/0008-55, 45.990.181/0011-50, 45.990.181/0013-12, 45.990.181/0016-65 e 45.990.181/0019-08 - devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; e) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte, devido à sua natureza jurídica, indenização, conforme parecer da A.G.U., nos termos do voto do Relator; f) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações do sujeito passivo, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade; a) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo, no argumento do lançamento referente aos valores oriundos de pagamentos de PLR a segurados com cargos de direção, nos termos do voto do Redator; Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao Recurso, na questão de uso de veículo da empresa para utilização diversa do trabalho, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Léo Meirelles do Amaral, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo - item 3.3.2, CNPJ: 45.990.181/0012-31 - nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo - item 3.3.3, CNPJ: 45.990.181/0027-18 ¿ nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo - item 3.3.4, CNPJ: 45.990.181/0029-80 ¿ devido à ausência de comprovação do fato gerador, pela falta de provas de que a legislação foi descumprida (acordo coletivo), nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento ao recurso, na questão da venda de veículos abaixo do preço de mercado, pela ausência de acusação, por parte da fiscalização, de que as condições ofertadas são restritas aos segurados que prestem serviço à empresa, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP. Fez sustentação oral: ROBERT BOSCH LTDA Outros eventos ocorridos: Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram, do presente julgamento, os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2003, anteriores a 10/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a; b) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas recebidas pelos segurados, fixas, sem a obrigatoriedade de alcance de metas, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação ao item 3.3.5, CNPJ: 45.990.181/0030-13, devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo - em relação ao item 3.3.1, CNPJ´s: 45.990.181/0001-89, 45.990.181/0004-21, 45.990.181/0008-55, 45.990.181/0011-50, 45.990.181/0013-12, 45.990.181/0016-65 e 45.990.181/0019-08 - devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; e) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte, devido à sua natureza jurídica, indenização, conforme parecer da A.G.U., nos termos do voto do Relator; f) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações do sujeito passivo, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade; a) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo, no argumento do lançamento referente aos valores oriundos de pagamentos de PLR a segurados com cargos de direção, nos termos do voto do Redator; Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao Recurso, na questão de uso de veículo da empresa para utilização diversa do trabalho, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Léo Meirelles do Amaral, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo - item 3.3.2, CNPJ: 45.990.181/0012-31 - nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo - item 3.3.3, CNPJ: 45.990.181/0027-18 ¿ nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo - item 3.3.4, CNPJ: 45.990.181/0029-80 ¿ devido à ausência de comprovação do fato gerador, pela falta de provas de que a legislação foi descumprida (acordo coletivo), nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento ao recurso, na questão da venda de veículos abaixo do preço de mercado, pela ausência de acusação, por parte da fiscalização, de que as condições ofertadas são restritas aos segurados que prestem serviço à empresa, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP. Fez sustentação oral: ROBERT BOSCH LTDA Outros eventos ocorridos: Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram, do presente julgamento, os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL.

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. NECESSIDADE DE ESTABELCIMENTO DE METAS. CIÊNCIA DO SINDICATO. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante e II - convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. No presente caso, a previsão e a consequente obrigação, nos acordos celebrados, somados às demonstrações, por documentos, de fixação de metas e acompanhamentos, demonstram que o acordo, quando prevê instituição de programa e metas para cargos distintos, cumpre a legislação, devendo a parcela ser isenta de incidência de contribuição, como determina a legislação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. PREVISÃO DE METAS COMPATIBILIDADE COM A DETERMINAÇÃO LEGAL. No presente caso, na análise dos acordos, há parcelas pagas oriundas de cumprimento de metas, motivo de exclusão dos valores lançados relativos a essas parcelas (relatórios fiscais, itens 3.3.2 e 3.3.3). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INCIDÊNCIA. DESOBEDIÊNCIA À LEI 10.101/2001. AUSÊNCIA. Não integram o salário-de-contribuição (SC), para os fins da Lei 8.212/1991, a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei 10.101/2000. Para que a exigência tributária, fundamentada no descumprimento da Lei 10.101/200, prevaleça, faz-se necessário, por parte do Fisco, a demonstração, por p´rovas e indícios, deste descumprimento. No presente caso, para o estabelecimento 45.990.181/0029-80, a fiscalização fundamenta sua acusação em pontos de acordo coletivo que teriam descumprido a Lei 10.101/2000, mas não anexa prova alguma que comprove essse descumprimento, impedindo a verificação sobre a ocorência do fato gerador, motivo do proviemtno do recurso neste pontro. SALÁRIO-UTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. PROVA RETIRADA DE CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário-utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Cabe ao fisco demonstrar a dispensabilidade do veículo. Prova feita pela demonstração de que a própria empresa considerou, para efeito de imposto de renda, que parte da utilização era dispensável para o trabalho. SALÁRIO-UTILIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS DA EMPRESA POR VALOR INFERIOR AO MERCADO. NECESIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). AUSÊNCIA. Entende-se por salário-de-contribuição (SC), para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Para ocorrer o fato gerador da contribuição porevidenciária, conforme a definição acima, faz-se necessário que o ganho do segurado, sua remuenração, seja oriubda de retribuição por serviços prestados ao empregador. No presente caso, lançamento, em que cabe ao Fisco, como acusador, a comprovação da ocorrência do fato gerador, não restou demonstrado que a diferença entre o valor de mercado do bem (veículos) e o valor de venda aos segurados empregados configurava-se em um benefício específico a seguardos a serviço do sujeito passivo, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo, neste ponto. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PARECER DA AGU. CARACTERIZAÇÃO DE VERBA indenizatória. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, segundo a Advocacia Geral da União 9AGU). LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.555          2 A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos  procedimentos  a  seguir  descritos,  escolhidos pelas partes de comum acordo:  I  ­  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante  e  II  ­  convenção  ou  acordo coletivo.  Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos  para  revisão  do  acordo,  podendo  ser  considerados, entre outros, os  seguintes critérios e condições:  I  ­  índices de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  e  II  ­  programas  de  metas, resultados e prazos, pactuados previamente.  No  presente  caso,  a  previsão  e  a  consequente  obrigação,  nos  acordos  celebrados, somados às demonstrações, por documentos, de fixação de metas  e acompanhamentos, demonstram que o acordo, quando prevê instituição de  programa  e  metas  para  cargos  distintos,  cumpre  a  legislação,  devendo  a  parcela ser isenta de incidência de contribuição, como determina a legislação.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  ACORDO.  PREVISÃO  DE  METAS  COMPATIBILIDADE COM A DETERMINAÇÃO LEGAL.  No  presente  caso,  na  análise  dos  acordos,  há  parcelas  pagas  oriundas  de  cumprimento de metas, motivo de exclusão dos valores  lançados relativos a  essas parcelas (relatórios fiscais, itens 3.3.2 e 3.3.3).  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS E RESULTADOS. INCIDÊNCIA. DESOBEDIÊNCIA À LEI  10.101/2001. AUSÊNCIA.  Não integram o salário­de­contribuição (SC), para os fins da Lei 8.212/1991,  a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada  de acordo com lei 10.101/2000.  Para  que  a  exigência  tributária,  fundamentada  no  descumprimento  da  Lei  10.101/200, prevaleça, faz­se necessário, por parte do Fisco, a demonstração,  por p´rovas e indícios, deste descumprimento.  No presente caso, para o estabelecimento 45.990.181/0029­80, a fiscalização  fundamenta  sua  acusação  em  pontos  de  acordo  coletivo  que  teriam  descumprido a Lei 10.101/2000, mas não anexa prova alguma que comprove  essse  descumprimento,  impedindo  a  verificação  sobre  a  ocorência  do  fato  gerador, motivo do proviemtno do recurso neste pontro.  SALÁRIO­UTILIDADE.  VEÍCULO  FORNECIDO  PELA  EMPRESA.  NECESSIDADE  DE  PROVAR  A  DISPENSABILIDADE  PARA  O  TRABALHO.  PROVA  RETIRADA  DE  CONFISSÃO  DA  EMPRESA  EM SUA CONTABILIDADE.  Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual,  quando dispensáveis para a  realização do  trabalho,  têm natureza de  salário­ utilidade,  compõem  a  remuneração  e  estão  no  campo  da  incidência  da  Fl. 4556DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.556          3 contribuição  previdenciária,  seja  a  incidente  sobre  a  remuneração  dos  empregados  ou  aquela  incidente  sobre  a  remuneração  dos  contribuintes  individuais. Cabe  ao  fisco  demonstrar  a  dispensabilidade  do  veículo.  Prova  feita pela demonstração de que a própria empresa considerou, para efeito de  imposto de renda, que parte da utilização era dispensável para o trabalho.  SALÁRIO­UTILIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS DA EMPRESA POR  VALOR  INFERIOR  AO  MERCADO.  NECESIDADE  DE  COMPROVAÇÃO  DAS  CARACTERÍSTICAS  DO  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO (SC). AUSÊNCIA.  Entende­se por salário­de­contribuição (SC), para o empregado e trabalhador  avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção  ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.  Para  ocorrer  o  fato  gerador  da  contribuição  porevidenciária,  conforme  a  definição  acima,  faz­se  necessário  que  o  ganho  do  segurado,  sua  remuenração,  seja  oriubda  de  retribuição  por  serviços  prestados  ao  empregador.  No  presente  caso,  lançamento,  em  que  cabe  ao  Fisco,  como  acusador,  a  comprovação  da  ocorrência  do  fato  gerador,  não  restou  demonstrado  que  a  diferença entre o valor de mercado do bem (veículos) e o valor de venda aos  segurados  empregados  configurava­se  em  um  benefício  específico  a  seguardos a serviço do sujeito passivo, motivo do provimento do recurso do  sujeito passivo, neste ponto.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  VALE  TRANSPORTE.  PARECER DA AGU. CARACTERIZAÇÃO DE VERBA indenizatória.  Não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  vale­transporte  pago em pecúnia, considerando o caráter  indenizatório da verba,  segundo a  Advocacia Geral da União 9AGU).  LANÇAMENTOS  REFERENTES  FATOS  GERADORES  ANTERIORES A MP  449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO  DA  ALÍNEA  “C”,  DO  INCISO  II,  DO  ARTIGO  106  DO  CTN.  LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.  A  mudança  no  regime  jurídico  das  multas  no  procedimento  de  ofício  de  lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a  aplicação  da  alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo  106  do CTN. No  tocante  à  multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art.  61 da lei 9.430/96, 20%.  Recurso Voluntário Provido em Parte.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 4557DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.557          4 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar  provimento  parcial  ao  recurso,  nas  preliminares,  para  excluir  do  lançamento,  devido  à  regra  decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência  09/2003, anteriores a 10/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a; b) em negar provimento ao  recurso  do  sujeito  passivo,  em  relação  às  parcelas  recebidas  pelos  segurados,  fixas,  sem  a  obrigatoriedade de alcance de metas, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento  ao recurso do sujeito passivo, em relação ao item 3.3.5, CNPJ: 45.990.181/0030­13, devido à  ausência  de  metas  especificadas  nos  acordos,  nos  termos  do  voto  do  Relator;  d)  em  negar  provimento ao recurso do sujeito passivo ­ em relação ao item 3.3.1, CNPJ´s: 45.990.181/0001­ 89,  45.990.181/0004­21,  45.990.181/0008­55,  45.990.181/0011­50,  45.990.181/0013­12,  45.990.181/0016­65  e  45.990.181/0019­08  ­  devido  à  ausência  de  metas  especificadas  nos  acordos, nos termos do voto do Relator; e) em dar provimento ao recurso, na questão do vale  transporte,  devido  à  sua  natureza  jurídica,  indenização,  conforme  parecer  da  A.G.U.,  nos  termos do voto do Relator; f) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações do sujeito  passivo, nos  termos do voto do Relator;  II) Por voto de qualidade; a) em dar provimento ao  recurso  do  sujeito  passivo,  no  argumento  do  lançamento  referente  aos  valores  oriundos  de  pagamentos  de  PLR  a  segurados  com  cargos  de  direção,  nos  termos  do  voto  do  Redator;  Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Wilson Antônio  de  Souza Correa,  que  votaram  em  negar  provimento  ao  recurso  nesta  questão;  b)  em  negar  provimento  ao Recurso,  na questão de uso de veículo da  empresa para utilização diversa do  trabalho,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos  os  Conselheiros  Adriano Gonzáles  Silvério, Wilson Antônio  de Souza Correa  e  Léo Meirelles  do Amaral,  que votaram  em dar  provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial  ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo  ­  item  3.3.2,  CNPJ:  45.990.181/0012­31  ­  nos  termos  do  voto  do  Redator.  Vencido  o  conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em  dar provimento parcial  ao  recurso do  sujeito passivo,  em  relação às parcelas dependentes de  metas  previstas  no  acordo  ­  item 3.3.3, CNPJ:  45.990.181/0027­18  ¿  nos  termos  do  voto  do  Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso  nesta  questão;  c)  em  dar  provimento  ao  recurso  do  sujeito  passivo  ­  item  3.3.4,  CNPJ:  45.990.181/0029­80 ¿ devido à ausência de comprovação do fato gerador, pela falta de provas  de que a legislação foi descumprida (acordo coletivo), nos termos do voto do Redator. Vencido  o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; d)  em dar provimento ao recurso, na questão da venda de veículos abaixo do preço de mercado,  pela ausência de acusação, por parte da fiscalização, de que as condições ofertadas são restritas  aos  segurados  que  prestem  serviço  à  empresa,  nos  termos  do  voto  do  Redator.  Vencido  o  Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em  dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art.  61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).  Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em  manter  a  multa  aplicada.  Redator:  Marcelo  Oliveira.  Sustentação:  Mariana  Vito.  OAB:  158.516/SP.   Fez sustentação oral: ROBERT BOSCH LTDA  Outros eventos ocorridos: Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP.      Fl. 4558DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.558          5     (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira – Presidente e Redator.        (assinado digitalmente)  Mauro José Silva ­ Relator.        Participaram,  do  presente  julgamento,  os  conselheiros:  MARCELO  OLIVEIRA  (Presidente),  ADRIANO  GONZALES  SILVERIO,  WILSON  ANTONIO  DE  SOUZA  CORREA,  DANIEL  MELO MENDES  BEZERRA,  MAURO  JOSE  SILVA,  LEO  MEIRELLES DO AMARAL.  Fl. 4559DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.559          6 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  contra  decisão  de  primeira  instância  que  julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o).  O  crédito  tributário  tratado  no  presente Acórdão  diz  respeito  aos  processos  abaixo relacionados, conforme consta do Acórdão a quo:    Processo n° 10830.010969/2008­35  Trata­se  de  Auto  de  Infração  (DEBCAD  n°  37.188.693­7),  objetivando  a  exigência  das  contribuições  previdenciárias  indicadas nos incisos I,  II, e IV do artigo 22 da Lei n° 8.212, de  24/07/1991.  Os  fatos  geradores  dessas  contribuições  não  foram  declarados,  sistematicamente, em GFIP ­ Guias de Recolhimento do Fundo de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social, o que ensejou a lavratura do AI/DEBCAD nº 37.149.309­ 9,  situação  que  será  objeto  de  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  por  configurar,  em  tese,  crime  de  sonegação  fiscal,  em  relatório à parte.  Mencionado  crédito,  na  data  da  consolidação,  27/10/2008,  importava  em  R$96.881.070,00  (noventa  e  seis  milhões,  oitocentos e oitenta e um mil e setenta reais) já incluídos ness  valor juros e a multa de mora.    Processo n° 10830.010970/2008­60  Trata­se  de  Auto  de  Infração  (DEBCAD  n°  37.196.966­2),  (...)  das  contribuições  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos,  quais  sejam INCRA, SEBRAE e FNDE, arrecadadas pela Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  por  força  (...)  Lei  11.457,  de  16/03/2007.  Mencionado  crédito,  na  data  da  consolidação,  27/10/2008,  importava  em R$  5.724.330,06  (cinco  milhões,  setecentos  e  vinte e quatro mil trezentos e trinta reais e seis centavos) já  incluídos nesse valor juros e a multa de mora.  Processo n° 10830.011011/2008­61  Trata­se  de  Auto  de  Infração  (DEBCAD  n°  37.196.968­9),  objetivando  a  exigência  das  contribuições  destinadas  ao  Fundo  Nacional  de  Educação  ­  FNDE,  arrecadadas  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil por força do artigo 3o da Lei 11.457, de  Fl. 4560DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.560          7 16/03/2007.  Mencionado  crédito,  na  data  da  consolidação,  27/10/2008,  importava  em  R$8.679.838,40  (oito  milhões,  seiscentos  e  setenta e nove mil, oitocentos e trinta e oito reais e quarenta  centavos) já incluídos nesse valor juros e a multa de mora.    Considerando  a  diversidade  fática  do  caso,  reproduzimos  o  relatório  que  consta do Acórdão a quo:    Dos  Levantamentos  PL  e  PLT:  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS E RESULTADOS ­PLR  (...)  3.3.1  ­  Estabelecimentos  45.990.181/0001­89,  45.990.181/0004­21,  45.990.181/0008­55,  45.990.181/0011­50,  45.990.181/0013­12, 45.990.181/0016­65 e 45.990.181/0019­08:  •  A  empresa  apresentou  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  para os anos de 2002 a 2007, o qual faz referência às metas internas  programadas pela Bosch, sem, contudo, discrimina­las;  •  As planilhas de metas apresentadas pela empresa para  o período de 2002 a 2004 não comprovam ter havido participação  do Sindicato da categoria em sua definição e, para os anos de 2005  a 2007, embora mencione a existência de uma Comissão de PLR,  não foi apresentada, à fiscalização, documentação pertinente;  •  Durante  todo  o  período  citado,  a  empresa  pagou  um  PLR  diferenciado  a  uma  parcela  de  seus  colaboradores,  a  seguir  discriminados,  em  função  de  avaliações  individuais  realizadas,  também, sem a participação do Sindicato:  2002: detentores de cargos de confiança;  2003  a  2004:  detentores  de  cargos  de  confiança,  supervisores,  líderes e mensalistas;  2005  a  2007:  detentores  de  cargos  de  confiança,  supervisores,  líderes, mensalistas e horistas indiretos;  3.3.2  ­ Estabelecimento 45.990.181/0012­31:  •  Os Acordos Coletivos prevêem o pagamento de um PLR fixo,  .dependente  de metas  e,  portanto,  em  desacordo  com  a  legislação.  Senão vejamos:  Acordo Coletivo 2002 a 2006 ­ Cláusula 2a, Parágrafo Primeiro: “Na  hipótese de não atingimento de nenhum dos indicadores firmados na  cláusula quinta, fica pactuado que o valor mínimo garantido a todos  os colaboradores será de... ”  Ala  n°  36/2003  referente  PLR  complementar  2003,  §  2:  “Em  substituição ao pleito de aumento  real a Bosch distribuirá aos  seus  empregados  a  título  de  PARTICIPAÇÃO  NOS  RESULTADOS  COMPLEMENTAR o valor fixo de... ”  Fl. 4561DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.561          8 Termo Aditivo do Acordo Coletivo de Trabalho PLR 2004 a 2006  —  Cláusula  Segunda:  “A  Bosch  distribuirá  aos  seus  empregados  abrangidos  pelo  acordo  coletivo  ora  mencionado  a  título  de  PARTICIPAÇÃO  NOS  RESULTADOS  COMPLEMENTAR  e  decorrente de instrumento normativo firmado com o SINDICATO o  valor fixo de...”  Os  indicativos  de  metas  constantes  da  cláusula  sexta  do  Acordo  Coletivo 2007, prevêem o  recebimento de um valor mínimo, ainda  que nenhuma meta seja atendida;  •  A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus  colaboradores, detentores de cargos de confiança e mensalistas, em  função  de  avaliações  individuais  realizadas  sem  a  participação  do  Sindicato;  3.3.3  ­ Estabelecimento 45.990.181/0027­18:  •  Os Acordos Coletivos prevêem o pagamento de um PLR fixo,  independente de metas e, portanto, em desacordo com a legislação.  Senão vejamos:  Acordo Coletivo 2002 — Cláusula Terceira — Parágrafo Primeiro;  “Para o ano de 2002,  fica estabelecido um valor mínimo garantido  de ... ”;  Acordo Coletivo 2003 ­ Cláusula Quarta: “Em razão do disposto nas  cláusulas primeira, e segunda, BOSCH e SINDICATO acordam que  essa participação dos empregados nos resultados da BOSCH durante  o  ano  calendário  de  2003  será  consubstanciada  no  pagamento  dos  valores  divididos  da  seguinte  forma: A  ­  Um  pagamento  no  valor  fixo de ... ”;  Acordo  Coletivo  2004  a  2007  ­  Cláusula  Quarta  ­  “Em  razão  do  disposto nas cláusulas primeira e segunda, BOSCH e SINDICATO  acordam  que  essa  participação  dos  empregados  nos  resultados  da  BOSCH durante o ano calendário de 2003 será consubstanciada no  pagamento dos valores divididos da seguinte forma: A ­ Valor total  garantido de ... ”;  A  empresa  pagou  um  PLR  diferenciado  a  uma  parcela  de  seus  colaboradores,  a  seguir  discriminados,  em  função  de  avaliações  individuais realizadas sem a participação do Sindicato:  2002: detentores de cargos de confiança e supervisores/líderes;  2003  a  2007:  detentores  de  cargos  de  confiança,  supervisores  e  mensalistas;  3.3.4  ­ Estabelecimento 45.990.181/0029­80:  •  Mesmo  tendo sido  solicitado por Termo de  Intimação  para  Apresentação  de  Documentos  —  TJAD,  a  empresa  não  apresentou o Acordo Coletivo relativo ao ano calendário 2002;  •  O  Acordo  Coletivo  do  ano  de  2003,  datado  de  16/07/2003, pactua as metas a serem atingidas, garantindo, antes da  apuração  das  mesmas,  um  pagamento  mínimo  a  todos  os  trabalhadores. Senão vejamos:  Fl. 4562DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.562          9 Cláusula 2a ­ § 3o: “Com base nos resultados das metas já alcançadas  até 30/06/2003, fica garantido o pagamento mínimo de ... ”  •  O  Acordo  Coletivo  2004  prevê  em  sua  Cláusula  3a  que:  “  O  valor  a  ser  distribuído,  conforme  cláusula  2a,  fica  condicionado ao  cumprimento das metas  ...  a  serem aprovadas  pelo  Sindicato  representante  dos  trabalhadores.  ”. Ocorre  que  tais metas  não foram apresentadas à fiscalização;  3.3.5  ­ Estabelecimento 45.990.181/0030­13:  •  A  empresa  apresentou  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  para  os  anos  de  2002  a  2007,  o  qual  faz  referência  às metas,  sem,  contudo, discriminá­ las;  •  A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela  de  seus  colaboradores,  a  seguir  discriminados,  em  função  de  avaliações individuais realizadas sem a participação do Sindicato:  2002: empregados contemplados com a apolítica interna de avaliação  por objetivos individuais (MAG);  2003:  Diretores,  gerentes,  Chefes,  Assessores  Profissionais  e  mensalistas;  2004  e 2005: Diretores,  gerentes, Chefes, Assessores, mensalistas  e  horistas indiretos;  2006: Diretores, gerentes, Chefes, Assessores e mensalistas;  (...)    Dos  Levantamentos  SU  e  SUT:  Rubrica  0481  ­  SALÁRIO  UTILIDADE ­ SÚMULA 367  Consta do Relatório Fiscal que a BOSCH incluía em sua folha de  pagamento  a  rubrica 0481,  referente  à utilização de  veículos  fora  do horário de trabalho e que esse pagamento a seus colaboradores  sofria  incidência  do  imposto  de  renda,  porém,  tal  verba  não  era  tratada como salário de contribuição para fins previdenciários.  (...)  Dos Levantamentos VTe VTT: VALE TRANSPORTE  Indicam,  as Auditoras,  que  o Vale Transporte  foi  distribuído  aos  empregados  lotados  nos  estabelecimentos  45.990.181/0001­89  e  45.990.181/0012­31,  no  período  de  12/2002  a  12/2007,  em  desacordo com o parágrafo único, artigo 4o da Lei 7.418/85.  Esclarecem  que  a  empresa  não  efetuou  o  desconto  da  parcela  devida  pelo  segurado  ou  efetuou  um  desconto  bem  abaixo  do  previsto,  o  que  acarreta  aumento  de  remuneração  para  os  trabalhadores, referente à parcela não descontada. Ainda, as bases  de cálculo estão discriminadas no Anexo IV, em meio magnético.  Do Levantamento COP: COOPERATIVAS DE TRABALHO  Fl. 4563DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.563          10 Está  lançada  nesse  levantamento  a  contribuição  estabelecida  pelo  inciso  IV,  .  22  da  Lei  8.212/91,  aos  serviços  que  lhe  foram  prestados  por  cooperados,  por  intermédio  das  cooperativas  de  trabalho abaixo relacionadas:  ­  UNIMED CAMPINAS COOPERATIVA DE TRABALHO  MÉDICO,  CNPJ:46.124.624/0001­11,  período  de  09/2007  a  12/2007;  ­  UNIODONTO  DE  CAMPINAS  COOPERATIVA  ODONTOLÓGICA, CNPJ: 51.304.798/0001­04, períodos 12/2003  a 11/2005, 03/2006 a 04/2007 e 06/2007 a 12/2007.  A base de cálculo foi apurada com base nos Contratos de Prestação  de Serviços e nas Notas Fiscais/Faturas, fornecidos pela empresa e  encontra­se discriminada nos ANEXOS V e XII, apresentados em  meio magnético.  Há que se salientar que este levantamento foi  lançado somente no  Auto de Infração DEBCAD n° 37.188.693­7.  Dos  Levantamentos  SI  e  SIT:  VENDA  DE  VEÍCULOS  ABAIXO DO PREÇO DE MERCADO  As Auditoras relatam que a BOSCH vendeu aos seus funcionários  veículos por valores inferiores à cotação de mercado, no período de  08/2003,  02/2004  a  05/2004  e  11/2005  a  12/2007,  assim,  a  diferença foi considerada como salário de contribuição.    Em  resumo,  com  relação  aos  levantamentos  relacionados  com  a  PLR,  tivemos a seguinte motivação para a inclusão das respectivas parcelas na base de cálculo das  contribuições previdenciárias:  1.  falta de acordo;  2.  metas não definidas em acordo;  3.  metas definidas fora do acordo sem a participação do sindicato;  4.  pagamentos diferenciados por avaliações individuais sem participação  do sindicato;  5.  pagamentos fixos independentes de metas;  Após  tomar  ciência  pessoal  da  autuação  em  27/10/2008,  a  recorrente  apresentou  impugnação  na  qual  apresentou  argumentos  similares  aos  constantes  do  recurso  voluntário.   A  9ª  Turma  da  DRJ/Campinas  no  Acórdão  de  fls.  2565/2581  julgou  a  impugnação  improcedente,  tendo  a  recorrente  sido  cientificada  do  decisório  em  15/07/2009,  Fl. 4564DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.564          11 fls.  2582.  O  decisório  reconheceu  a  concomitância  em  relação  à  discussão  relativa  a  cooperativas de trabalho.  O recurso voluntário, apresentado em 14/08/2009, fls. 2585/2644, apresentou  argumentos conforme a seguir resumimos.  Insiste  que  os  valores  pagos  aos  trabalhadores  a  título  de  Participação  nos  Lucros  ou Resultados  (PLR)  não  tem  natureza  salarial  por  conta  de  previsão  constitucional.  Apresenta histórico legislativo sobre o assunto.  Sustenta que a lei não obriga a presença de metas nos acordos, pois utiliza a  expressão "poderão" no art. 2º.  Havia  estabelecimentos  que  eram  apenas  escritórios  de  venda  ,  bem  como  havia outros que já não possuem mais atividades. A decisão de primeira instância ficou silente  em relação às filiais encerradas.  Os  acordos  foram  firmados  com o  respectivo  sindicato  com  regras  claras  e  objetivas como determina a lei. Em alguns estabelecimentos, como na Matriz, o Acordo fixava  regras e diretrizes gerais, deixando para uma comissão de PLR o detalhamento das metas, com  a devida anuência da entidade sindical. Após isso, eram distribuídos manuais que informavam  as metas estipuladas, bem como os métodos para apuração do resultado.  Em outros estabelecimentos, as metas estavam estampadas no Acordo, como  na filial Aratu.  Todos os acordos tinham seus critérios e metas estabelecidos antes do início  do período a que se referiam. Apenas a assinatura do instrumento é que, em alguns casos, deu­ se em período posterior. Os empregados tinham total conhecimento das metas antes do período  se iniciar.  A  PLR  diferenciada  para  alguns  cargos  e  funções  se  justificava  pela  importância desses. Nesses casos, as metas individuais eram discutidas com cada funcionário  posteriormente, formalizadas em plano individualizado.  Discorda  do  argumento  de  que  houve  pagamento  de  PLR  sem  que  a meta  fosse atingida. O que havia era um primeiro pagamento fixo, uma espécie de adiantamento com  base  no  histórico  de  pagamentos  anteriores,  e  um  segundo  pagamento  variável  apurado  de  acordo com as metas.  Se em algum acordo houve a estipulação de pagamentos sem atingimento de  meta, tal cláusula teve a anuência do sindicato.  Com  relação  aos  acordos  em  geral  e,  particularmente,  em  relação  ao  pagamento  de  parcelas  de  PLR  diferenciadas,  argumenta  que  houve  ciência  e  anuência  dos  sindicatos.  Aponta  que  a  exigência  de  apresentação  de  comprovantes  de  eleição  dos  membros  da  comissão  de  empregados  não  encontra  amparo  legal.  Diferentemente  do  que  afirmou a fiscalização, o sindicato participou das negociações.  Fl. 4565DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.565          12 Sustenta que a regra é a livre negociação entre as partes em relação a acordos  e convenções coletivas de trabalho. Ao lançar, a fiscalização estaria desrespeitando a legislação  de regência.  Entende  que  a  ausência  de  desconto  integral  da  parcela  de  6%  dos  empregados não  representa violação à  legislação de  regência. Argumenta que não deixou de  descontar os 6% mas apenas fez desconto menor que o percentual previsto pela lei.  Aponta que os dispêndios com veículos desfrutam da  incidência do art. 28,  §9º,  alínea"r"  da Lei  8.212/91. Ademais,  os  veículos  eram da  frota da  empresa  e  fornecidos  para a execução do trabalho e não pela execução do trabalho. Cita jurisprudência do Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  (CRPS)  que  ampara  seu  argumento.  Insiste  que  o  caso  amolda­se  no  art.  458,  §2º  da CLT  no  sentido  de  não  ser  considerado  salário  esta  utilidade  fornecida pela empresa.  Sustenta  que  a  venda  de  veículos  de  sua  frota  aos  seus  funcionários  foi  realizada no contexto de relações jurídicas comerciais, não havendo que se falar em incidência  das contribuições. O preço de venda praticado é a média do valor de mercado, oferecendo­se  um desconto de 30% aos empregados mediante pagamento à vista. Colaciona decisão do TST a  seu  favor. Destaca que a doutrina afasta a natureza salarial de utilidades  fornecidas  sem que  haja continuidade e gratuidade. Insiste no nítido caráter eventual das aquisições.  Confirma que a constitucionalidade da cobrança dos tributos em relação aos  pagamentos a cooperativas de trabalho foi submetida à apreciação do Poder Judiciário.  Pleiteia  a  exclusão  do  lançamento  de  fatos  geradores  atingidos  pela  decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN.  Iniciado  o  julgamento,  a  recorrente  apresentou  memoriais  com  planilhas  apontando os documentos que sustentavam seus argumentos.  É o relatório.  Fl. 4566DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.566          13 Voto Vencido  Conselheiro Mauro José Silva    Reconhecemos  a  tempestividade  do  recurso  apresentado  e  dele  tomamos  conhecimento.    Concomitância entre processo administrativo e processo judicial. Renúncia às instâncias  administrativas em relação às matérias idênticas. Súmula CARF Nº 1.    A  recorrente  impetrou  o Mandado  de  Segurança  2004.70.00.033148­6  que  trata  de  uma  das  questões  suscitadas  no  Recurso  Voluntário  ­  a  incidência  da  contribuição  sobre os pagamentos  a cooperativas de  trabalho  ­,  como a própria  recorrente admitiu. Assim  deve ser aplicada ao caso a Súmula CARF nº 1, in verbis:    “Súmula  CARF  nº  1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante  do processo judicial.“  Logo, a discussão sobre as cooperativas de trabalho não pode ser conhecida.    Decadência. Súmula CARF 99.     Com  fundamento  no  art.  72,  §4º  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF),  com  relação  à  decadência  aplicamos  o  conteúdo do Súmula CARF 99, in verbis:  Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150,  § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  na  competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  Fl. 4567DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.567          14 recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida  no auto de infração.     Observamos  que  a  fiscalização  declarou  no  Termo  de  Encerramento  de  Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 226 ter analisado comprovantes de recolhimento no período  fiscalizado, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN.  Tendo  sido  o  lançamento  cientificado  em  27/10/2008,  o  fisco  poderia  efetuar  o  lançamento  para  fatos  geradores  posteriores  a  09/2003.  Todos  ao  fatos  geradores  anteriores  a  tal  competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade.   Nulidade por inconsistências no lançamento    Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo  com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  e  das  obrigações  acessórias,  fazendo  constar,  nos  relatórios  que  compõem  a  autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas,  cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN.  O  Relatório  Fiscal,  juntamente  com  todos  os  anexos  do AI  constantes  dos  autos,  traz  todos  os  elementos  que  motivaram  a  lavratura  do  lançamento  e  o  relatório  Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao  procedimento  do  lançamento,  separados  por  assunto  e  período  correspondente,  garantindo,  dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada.   Incabível  a  declaração  de  nulidade  de  lançamento  que  traz  um  enquadramento  legal  das  infrações  que  permite  ao  sujeito  passivo  identificar  os  dispositivos  legais  aplicáveis  de  modo  a  construir  adequadamente  sua  defesa.  O  enquadramento  legal  contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo  sentido há vários julgados deste Colegiado:   CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ­ INEXISTÊNCIA  Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu  enquadramento  legal,  permitindo  amplo  conhecimento  da  alegada infração. ( Ac. 1º CC ­ 108­05.383)    PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  NULIDADE  ­  Contendo  o  auto  de  infração  completa  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal,  mesmo  que  sucintos,  atendendo  integralmente  ao  que  determina  o  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/72,  não  há  que  se  falar  em  cerceamento  do  direito  de  defesa,  especialmente  quando  a  infração  detectada  foi  simples  falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC ­ 202­11700)  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  ­  CERCEAMENTO  DE  DEFESA  ­  Incabível  a  argüição  de  nulidade  do  procedimento  fiscal  quando  este  atender  as  formalidades  legais  e  for  efetuado  por  servidor  competente.  Fl. 4568DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.568          15 Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a  permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo,  não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento  de  defesa.  O  cerceamento  do  direito  de  defesa  não  prevalece  quando  todos os valores utilizados na autuação se originam de  documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo.  (Acórdão 1º CC, 106­13409)  Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o  que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do referido ato administrativo.    Requistos  para  a  imunidade  dos  pagamentos  a  título  de  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados (PLR)  Inicio  a  análise  do  litígio  posicionando­me  sobre  a  natureza  jurídica  do  benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR.  Definir a natureza  jurídica do benefício  fiscal será crucial para adotarmos a  metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma  interpretação  literal,  ou  seja,  veda  uma  interpretação  analógica  ou  extensiva,  preferindo  a  interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente  uma  exclusividade  do  método  literal  ou  gramatical  na  interpretação  da  isenção  –  tarefa  hermenêutica  impossível  diante  da  pluralidade  de  sentidos  do  conteúdo  de  algumas  normas  isencionais  ­,  a  interpretação da  isenção deve buscar o  sentido mais  restritivo da norma. Por  outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos –  literal, histórico, sistemático e teleológico.   É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de  Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120­ 121):  “A distinção [entre não incidência,  imunidade e  isenção], além  da  importância  que possui  sob  o  ponto  de  vista  doutrinário ou  teórico,  tem  conseqüências  práticas  importantes,  no  que  se  refere  à  interpretação.  É  que,  sendo  a  isenção  uma  exceção  à  regra de que, havendo  incidência,  deve  ser  exigido o  tributo, a  interpretação  dos  preceitos  que  estabeleçam  isenção  deve  ser  estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos  de incidência, quer nos de não­incidência, que, portanto, nos de  imunidade,  é  ampla,  no  sentido  de  que  todos  os  métodos,  inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”.  Adotamos,  para  a  interpretação  das  imunidades,  a  sistematização  de  suas  características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado  de  direito  constitucional  financeiro  e  tributário,  v.  III;  os  direitos  humanos  e  a  tributação:  imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97):  “Nessa  perspectiva  podemos  dizer  que  a  interpretação  das  imunidades  fiscais: a) adota o pluralismo metodológico,  com o  equilíbrio  entre  os  métodos  literal,  histórico,  lógico  e  sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das  Fl. 4569DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.569          16 finalidades];  b)  modera  os  resultados  da  interpretação,  admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto  a objetiva quanto a subjetiva,  todas em equilíbrio e a depender  do  texto  a  ser  interpretado;  c)  apóia­se  no  pluralismo  teórico,  com o princípio respectivo da não­identificação com ideologias  triviais;  d)  recusa,  da  mesma  forma  que  a  interpretação  das  isenções,  a  analogia,  que  implica  a  extensão  da  imunidade  a  direitos  não­fundamentais;  e)  busca  o  pluralismo  dos  valores,  com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”.  Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício  fiscal concedido os pagamentos a título de PLR.  Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal  concedido aos pagamentos a  título de PLR: os que o consideram uma  imunidade e os que o  consideram uma isenção.  Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a  PLR  da  remuneração,  o  que  equivaleria  a  afastar  a  natureza  de  remuneração  e,  em  conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II.  Dessa  forma,  estaria  configurada  uma  supressão  da  competência  constitucional  impositiva  atendendo ao conceito clássico de imunidade.   Na  jurisprudência,  encontramos  o  anterior  presidente  desta  Câmara,  Júlio  César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 205­00.563, asseverou:  “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e  resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção,  como  a  maioria  das  rubricas  excluídas  da  incidência  de  contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei  8.212  de  24/07/91.  Isto  porque  cuidou  a  própria  Constituição  Federal  de  desvincular  o  beneficio  da  remuneração  dos  trabalhadores(...)”  Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza  jurídica de imunidade no texto a seguir:  “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a  repartirem  seus  lucros  ou  resultados  com  os  seus  empregados,  promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar  o  justo  equilíbrio  entre  o  capital  e  o  trabalho,  prescreveu  no  inciso  XI  do  art.  7º  da  Carta  Política,  que  a  PLR  fica  desvinculada  da  remuneração.  Em  outras  palavras,  retirou  do  campo  do  exercício  da  competência  impositiva  prevista  no  art.  195,  I,  a  da CF  tudo  o  que  for  pago  pela  empresa  a  título  de  participação  nos  lucros,  ou  resultados.  (...)A  PLR,  uma  vez  imunizada pela Constituição,  jamais poderia integrar a base de  cálculo  da  contribuição  previdenciária,  sem  gravíssima  ofensa  ao  texto  constitucional.”  (HARADA,  Kiyoshi;  SANCHES,  Sydney.  Participação  dos  empregados  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa:  incidência  de  contribuições  previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev.  2006.  Disponível  em:  Fl. 4570DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.570          17 <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>.  Acesso  em:  13  jan.  2011)  A  princípio,  não  entendemos  que  houve  a  total  supressão  da  competência  constitucional  impositiva,  pois  não  podemos  deixar  de  considerar  que  a  competência  constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está  inserto no art. 195, mas  também o que está previsto no §11º do art. 201  (ganhos habituais a  qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284:  “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do  artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da  competência  da  União  instituir  contribuição  previdenciária  sobre  a  PLR  na  forma  de  remuneração,  mas  não  na  forma  de  ganho  habitual.  Ocorre  que,  a  despeito  de  possuir  competência  constitucional  para  criar  contribuição  previdenciária  sobre  ganhos  habituais  a  qualquer  título,  a  União  somente  o  fez  em  relação  aos  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades,  conforme  consta  da  segunda  parte  do  inciso  I  do  art.  22(contribuição  da  empresa  sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário­ de­contribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária  se  tomar  a  forma  de  remuneração.  E  isso  só  poderá  ocorrer  se  houver  desobediência  à  lei  reguladora da imunidade.   Curioso  notar  que  a  natureza  jurídica  de  imunidade  que  o  benefício  fiscal  concedido  ao  pagamento  de  PLR  alcança  coloca­nos  diante  da  ausência  de  uma  norma  reguladora  constitucionalmente  válida,  pois,  como  limitação  constitucional  ao  poder  de  tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser  regulada por  lei  complementar,  status  que  a Lei  10.101/200 não  possui.  Se  confirmada  pelo  STF  a  tese  de  que  o  inciso  XI  do  art.  7º  é  norma  de  eficácia  limitada,  teríamos,  em  conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade.  Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26­A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a  proibição  dos  órgãos  de  julgamento  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  acatarem  argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma  reguladora da imunidade.  Não  ignoramos  que  o STJ  já  se manifestou  no  sentido  de  considerar  como  isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que  transcrevemos:  RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  CARACTERIZAÇÃO.  MATÉRIA  FÁTICO­PROBATÓRIA.  INCIDÊNCIA  DA  SÚMULA  07/STJ.  PROCESSO  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ.  1.  A  isenção  fiscal  sobre  os  valores  creditados  a  título  de  participação nos  lucros  ou  resultados  pressupõe  a  observância  da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91.  RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon  Fl. 4571DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.571          18 PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA  À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.  (...)  2. O gozo da  isenção  fiscal sobre os valores creditados a título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados  pressupõe  a  observância  da  legislação  específica  regulamentadora,  como  dispõe a Lei 8.212/91.    Com  o  respeito  devido  aos  Ministros  do  STJ  que  assumiram  tal  posição,  reiteramos  que nossa  conclusão  é  a  de  que  existe  imunidade  para  os  pagamentos  a  título  de  PLR na forma de remuneração.  Estabelecida  a  natureza  jurídica  do  benefício  fiscal  concedido  aos  pagamentos  a  título  de  PLR  no  tocante  às  contribuições  previdenciárias  como  imunidade,  passemos  a  investigação  de  quais  finalidades  devem  ser  atendidas  pela  norma  reguladora  exigida no texto constitucional.   Iniciamos  a  investigação  sobre  as  finalidades  da  norma  reguladora  da  imunidade  com  a  lição  de  Luís  Eduardo  Schoueri.  Para  o  autor,  não  existem  tributos  que  tenham  uma  função  estritamente  fiscal  (arrecadatória)  sem  que  possuam  qualquer  efeito  indutor  a  atuar  no  Domínio  Econômico.  (SCHOUERI,  Luís  Eduardo.  Normas  tributárias  indutoras e  intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue  afirmando  que  há  normas  que  possuem  o  caráter  indutor  em  destaque.  Assim,  as  normas  indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento  um  conseqüente,  que  poderá  consistir  em  vantagem  (estímulo)  ou  agravamento  da  natureza  tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica  chamaria de norma extrafiscal stricto sensu.   Parece­nos que a norma do art. 7º,  inciso XI da Constituição, bem como as  normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de  comportamento.   Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a  serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação  do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o  trabalhador de fraude que poderia ser  perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário  do trabalhador. Nas palavras do Ministro:    “É  uma  cláusula  pedagógica  para  evitar  o  drible  pelos  empregadores,  a  compensação,  o  esvaziamento  do  direito  constitucional”  A  fraude  que  pode  estar  relacionada  à  PLR  não  está  relacionada  apenas  à  compensação  do  salário  com  o  direito  de  índole  constitucional.  A  solidariedade  no  financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na  Fl. 4572DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.572          19 medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão  da  contribuição  previdenciária.  Esse  é  outro  aspecto  da  fraude  que  a  regulamentação  tenta  evitar e que  já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes,  em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 205­00.563 ao afirmar que:  “é  possível  que  esse  importante  direito  trabalhista  [a  participação  nos  lucros  e  resultados]  seja  malversado  em  prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a  autoridade  fiscal  dissimulação  do  pagamento  de  salários  com  participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade  Material  para  considerar os  valores  pagos  integrantes  da  base  de cálculo , das contribuições previdenciárias”.  Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em  sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do  trabalho  e  da  livre  iniciativa  (art.  1º,  inciso  IV  da  CF)  ­,  incrementar  os  meios  para  o  atingimento de,  pelo menos,  dois dos objetivos da Republica:  construir  uma  sociedade  livre,  justa  e  solidária  e  garantir  o  desenvolvimento  nacional(  art.  3º,  incisos  I  e  II  da CF). Nesse  sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo  social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização  do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma  nova  cultura,  uma  nova mentalidade,  a  mentalidade  do  compartilhamento  do  progresso  da  empresa  com  seus  atores  sociais,  com  os  seus  protagonistas”  (Ministro  Carlos  Britto,  RE  398.284).  Como  se  vê,  os  Ministros  do  STF  capturaram  as  duas  preocupações  que  devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos  exigidos pelo Texto Magno:  evitar a  fraude e  levar as  relações  entre capital  e  trabalho a um  patamar  mais  harmônico.  Assim  agindo,  o  intérprete  estará  garantindo  que  a  finalidade  indutora  ou  o  caráter  extrafiscal  stricto  sensu  da  norma  regulamentadora  da  imunidade  seja  atingido.  Portanto,  no  transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista  que os requisitos da lei  reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude ­  contra  os  trabalhadores  ou  contra  a  solidariedade  no  financiamento  da  seguridade  social  ­  e  para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho.  Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente  caso.    Data da assinatura dos acordos    Questão  recorrente  nas  discussões  sobre  a  incidência  da  contribuição  previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura  dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i)  data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data  do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e  (iii) data do recebimento, pelo  empregado dos pagamentos de PLR.  Fl. 4573DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.573          20 Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis:  Art. 2o  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes,  integrada,  também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  § 1o  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I ­ índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II ­ programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  § 2o  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  Faremos  a  interpretação  de  tal  dispositivo  considerando  as  finalidades  dos  requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o  combate  à  fraude  ­  contra  os  trabalhadores  ou  contra  a  solidariedade  no  financiamento  da  seguridade social ­ e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho.  Inicialmente,  extraímos  do  dispositivo  legal  que  é  necessário  que  haja uma  negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com  o  objetivo  de  contribuir  para  a melhoria  das  relações  entre  capital  e  trabalho. Certamente,  a  norma  se  refere  a  uma  negociação  concluída  e  não  a  uma  negociação  em  curso,  o  que  nos  coloca  diante  de  um  primeiro  requisito  temporal:  a  negociação  entre  empresa  e  empregados  deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação  de que, antes de assinado, antes de se  tornar um ato  jurídico perfeito, a proposta da empresa  pode  ser  retirada  ou  alterada,  bem  como  o  pleito  dos  trabalhadores  pode  ser  alterado.  Em  adição,  devemos  considerar  que,  em  tese,  a  demora  na  conclusão  de  uma  negociação  em  andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados  sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba  salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar  o  acordo.  É  uma  porta  aberta  para  a  fraude.  Como  somente  com  a  assinatura  do  termo  de  acordo  entre  as  partes  ou  do  acordo  coletivo  é  que  teremos  a  formalização  do  término  da  negociação  e  estaremos  diante  de  um  ato  jurídico  perfeito  apto  a  exarar  efeitos  jurídicos,  concluímos  que  o  termo  de  acordo  entre  as  partes  ou  o  acordo  coletivo  deve  estar  assinado  antes do pagamento da PLR.  Fl. 4574DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.574          21 Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade  sindical  dos  trabalhadores.  Tal  exigência,  constante  do  §2º  pretende  dar  transparência  ao  instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pós­datada de um  acordo entre as partes.  Resta­nos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem  os  lucros  ou  resultados  deve  se  considerada.  Tomando  o  conteúdo  do  inciso  II  do  §1º  do  dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia  dos programas de metas,  resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os  incisos  do  §1º  não  são  taxativos,  o  que  poderia  nos  levar  a  concluir  que  a  necessidade  de  pactuação  prévia  não  é  extensível,  por  exemplo,  aos  casos  enquadrados  no  inciso  I.  Esse  argumento isolado, portanto, é frágil.   Tomamos  outro  caminho.  É  certo  que  o  dispositivo  do  art.  2º  da  Lei  10.101/200  exige  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e  prazos  para  revisão  do  acordo.  Trata­se  de  exigência  que  está  em  harmonia  tanto  com  a  finalidade  de  combater  a  fraude  quanto  com  a  finalidade  de  contribuir  para  a  melhoria  da  qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto  ao  atingimento  dos  lucros  ou  resultados  antes  do  término  do  período  a  que  se  referem,  não  haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante  de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados  valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação  dos  serviços.  Conhecidos  os  lucros  ou  resultados,  seria  possível  instituir  objetivos  para  os  empregados  que,  de  antemão,  a  empresa  saberia  que  seriam  atingidos. Diante  da  certeza  do  pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na  sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho.   A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma  determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de  aferição das  informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição  do que  foi  acordado é porque não deve o  lucro ou  resultado estar  totalmente configurado no  momento  da  assinatura  do  instrumento  de  acordo.  Portanto,  harmonizando o  texto  da  norma  com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado  na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados.   Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado  na  entidade  sindical  antes  do  término  do  período  a  que  se  refiram  os  lucros  ou  resultados,  podemos  indagar  se  cumpriria  a  exigência  da  norma  se,  por  exemplo,  a  assinatura  e  arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou  resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura  posterior.  Os  lucros  e  resultados  já  estariam,  com  um  alto  grau  de  previsibilidade,  consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de  término do período a que se  refiram os  lucros ou  resultados haja um  intervalo  temporal que  tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado  como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no  financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal ­ não esclarece  qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete  adote  uma  posição,  utilizaremos  como  data  limite  para  a  assinatura  e  arquivamento  dos  Fl. 4575DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.575          22 instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se  refiram  os  lucros  ou  resultados.  Caso  a  empresa  comprove  que  as  negociações  estavam  em  curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou  resultados  a  serem  atingidos,  consideraremos  como  prazo  limite  para  a  assinatura  e  arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do  período a que se refiram os lucros ou resultados.   É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação  à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos  devem  estar  assinados  antes  do  início  do  período  a  que  se  refiram  os  lucros  ou  resultados,  tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 2401­00.276 nos seguintes termos    “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da  Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e  objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais  questões  sejam  decididas  a  priori,  ou  seja,  antes  do  início  do  exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com  seus empregados.  Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao  início  do  exercício  para  o  qual  deveria  ser  aferida  a  participação  dos  empregados  na  obtenção  do  lucro  ou  resultado.”  No mesmo sentido temos o Acórdão 2401­00.545 cuja redatora designada foi  a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que  adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses  do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam ­ os interessados tenham  três  meses  para  iniciar  e  avançar  nas  negociações  e  três  meses  adicionais  para  sua  total  conclusão.  Além  de  razoáveis,  os  limites  adotados  atendem  à  finalidade  de  que  haja  tempo  hábil  para  negociações  de modo  contribuir  para  a melhoria  da  qualidade  das  relações  entre  capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a  uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude ­, mas acabaria por criar  um  significativo  obstáculo  para  a  concessão  da  PLR,  o  que  impediria  que  o  acesso  dos  trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal.  Em  resumo,  concluímos  que  os  instrumentos  de  acordo  (entre  as  partes  ou  coletivo)  que  versem  sobre  pagamentos  de  PLR  a  empregados  devem  estar  assinados  e  arquivados  na  entidade  sindical  até  o  último  dia  do  semestre  anterior  ao  encerramento  do  período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações  estavam em curso  e que os empregados  tinham amplo conhecimento de  sua proposta quanto  aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura  e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do  período a que se refiram os lucros ou resultados.    Fl. 4576DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.576          23 Regras claras e objetivas     A  Lei  10.101/2000  determinou  que  a  PLR  seja  objeto  de  negociação  entre  empresas  e  empregados,  seja  por meio  de  comissão  escolhida  entre  as  partes  ou  por  acordo  coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto,  podemos  afastar  possibilidade  de  as  regras  para  o  recebimento  da  PLR  serem  estabelecidas  unilateralmente. Todo o contorno das  regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É  uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho.  Mas o que seriam regras claras e objetivas?  Entre  os  sentidos  possíveis  para  a  expressão  “regras  claras”,  segundo  o  dicionário  Michaelis,  temos:  regras  fáceis  de  entender,  evidentes,  explícitas,  inequívocas,  manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo  exterior;  regras que existem fora do espírito e  independentemente do  conhecimento que dele  possua  o  sujeito  pensante;  ou  regras  que  não  se  relacionam com os  sentimentos  pessoais  do  sujeito  pensante.  Em  síntese,  regras  claras  e  objetivas  são  regras  inequívocas,  fáceis  de  entender  pelo  empregado  e  que  se  referem  ao  mundo  dos  objetos,  não  podendo  estar  relacionadas com sentimentos pessoais.  Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo  tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de  parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos  deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio  moral  e  todo  o  tipo  de  discriminação  no  ambiente  do  trabalho,  o  que  não  contribui  para  a  melhoria da relação entre capital e  trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa  humana (art. 1º, inciso III da CF).  Com  relação  a  esse  aspecto,  no  julgamento  do  Recurso  144.015,  o  Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou:  “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é  no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação  nos  lucros  se efetive. Não há regras detalhadas na  lei  sobre os  critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os  sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º,  têm  liberdade  para  fixarem  os  critérios  e  condições  para  a  participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção  do  legislador  foi  impedir  que  critérios  ou  condições  subjetivos  obstassem  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados. As  regras devem ser  claras  e objetivas para que os  critérios  e  condições  possam  ser  aferidos.  Com  isto,  são  alcançadas  as  duas  finalidades  da  lei:  a  empresa  ganha  em  aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com  sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso)  Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo  e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair  dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200.  Fl. 4577DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.577          24 Nesse  sentido  o  voto  do  Conselheiro  Marco  André  Ramos  Vieira,  no  Acórdão 2302­00.256  “As  regras  claras  e  objetivas  quanto  ao  direito  substantivo  referem­se  à  possibilidade  de  os  trabalhadores  conhecerem  previamente,  no  corpo  do  próprio  instrumento  de  negociação,  quanto  irão  receber  a  depender  do  lucro  auferido  ou  do  resultado  obtido  pelo  empregador­  se  os  objetivos  forem  cumpridos. “  Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos  aceitar  o  conteúdo  de  acordo  coletivo  que,  nitidamente,  convencionou  uma  avaliação  individual  baseada  em  critérios  subjetivos.  A  autonomia  privada  pode  prevalecer  ainda  que  ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN?  Vejamos o comando da norma complementar in verbis:   Art. 123. Salvo disposições de  lei  em contrário,  as convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.     Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que  paga  parcela  a  título  de  PLR  que  foi  regida  por  regras  subjetivas  não  pode  beneficiar­se  da  imunidade  da  contribuição  previdenciária  respectiva.  Se  a  parte  paga  com  base  em  critérios  subjetivos  não  for  atingida  pela  tributação,  por  conta  do  conteúdo  de  acordo  coletivo,  estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição  do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  –  a  empresa  ­,  configurando  ofensa  frontal  ao  estabelecido no art.  123 do CTN. Nesse  sentido,  em sua manifestação no RE 398.284­2 que  discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas  antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da  tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”.  Parece­nos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire  no Acórdão 9202­00.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente  as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles  casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito  àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela  fiscalização.  Alguns  trechos  do  voto  daquele  julgado  evidenciam  a  posição  do mencionado  relator:  Existe  sim,  a  obrigação  de  se  negociar  com  os  empregados  regras  claras  e  objetivas,  combinando  de  que  forma  e  quando  haverá  liberação  de  valores,  caso  os  objetivos  e  metas  estabelecidas e negociadas forem atingidas.  (..)  Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo  coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir  dos  fundamentos  adotados  pelo  relator  do  voto  condutor  do  Fl. 4578DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.578          25 acórdão  recorrido,  ao  concluir  que  foram  atendidas  as  exigências  de  que  dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  entre  empregador  e  empregados  constem  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos para revisão do acordo,...    Além  de  representar  ofensa  ao  art.  123  do  CTN,  o  conteúdo  de  Acordo  Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da  Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma  cogente  que  protege ou  beneficia o  trabalhador,  conforme  consta  do OJ 31  da SDC daquele  Tribunal:    OJ 31  SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS   N 31  ESTABILIDADE  DO  ACIDENTADO.  ACORDO  HOMOLOGADO.  PREVALÊNCIA.  IMPOSSIBILIDADE.  VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91  (inserida em 19.08.1998)  Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente,  quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o  caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da  vontade das partes.  Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras  claras  e  objetivas,  ou  seja,  regras  inequívocas,  fáceis  de  entender  pelo  empregado  e  que  se  refiram  ao mundo  dos  objetos.  Ou  seja,  as  regras  estipuladas  no Acordo  não  podem  conter  critérios  subjetivos  para  a  concessão  da  PLR  de  modo  a  contrariar  o  que  determina  a  Lei,  conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os  preceitos do art. 123 do CTN.    Pagamento mínimo sem que a meta seja atingida    Ainda que o Acordo traga regras claras e objetivas, entre estas poderá existir  a determinação de um pagamento mínimo no caso de as metas não serem atingidas?   Entendemos que a resposta a esse questionamento só pode ser negativa, pois  é  uma  exigência  da  finalidade  de  combate  à  fraude  que  a  norma  reguladora  da  imunidade  Fl. 4579DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.579          26 assume.  O  pagamento  mínimo  permite  que  uma  verba  remuneratória  seja  substituída  pelo  pagamento de PLR, dada a certeza de  seu  recebimento. É uma ofensa direta ao  conteúdo do  caput do art. 3º da Lei 10.101/2000 no trecho em que prescreve que a PLR “não substitui ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado”.  Nesse sentido, o Conselheiro Elias Sampaio Freire já destacou que os valores  de PLR só são liberados se os objetivos e metas forem atendidos. Vejamos o trecho do voto do  Conselheiro no Acórdão CSRF 9202­00.503:    “Existe  sim,  a  obrigação  de  se  negociar  com  os  empregados  regras  claras  e  objetivas,  combinando  de  que  forma  e  quando  haverá  liberação  de  valores,  caso  os  objetivos  e  metas  estabelecidas e negociadas forem atingidas.”    Logo,  ainda  que  constante  do  Acordo,  valores  pagos  a  título  de  PLR  em  situações  nas  quais  as  metas  de  lucros  ou  resultados  não  forem  atingidas,  não  possuem  a  natureza pretendida,  o  que  lhes  impõe  a  natureza  de  remuneração  e  sua  inclusão  na  base de  cálculo da contribuição previdenciária.  A par das digressões jurídicas genéricas já apresentadas, passamos a analisar  o caso concreto.  Conforme exposto  acima,  a  lei  exige que  exista a participação do  sindicato  nas  negociações  sobre  PLR,  seja  em  acordo  coletivo  ou  comissão  escolhida  pelas  partes.  Observamos, entretanto, que, confirmando o que havia sido apontado pela fiscalização, houve  negociações  realizadas  sem  a  presença  do  sindicato  no  anos  de  2005  e  2007,  conforme  apontado no item 3.3.1 do Relatório.  Nosso  posicionamento,  seguindo  as  premissas  já  apresentadas,  é  pela  necessidade  de  regras  claras  e  objetivas  no  instrumento  de  acordo,  nada  ficando para  acerto  posterior direto com a empresa. A fiscalização apontou que a recorrente em algumas situações,  deixou o detalhamento das metas a critério da empresa, o que constatamos ter, de fato, ocorrido  nos  casos  apontados  pela  fiscalização  e  conforme  Planilha  do  Relator  que  anexamos  ao  presente.  O pagamento a título de PLR sem que a meta tenha sido alcançada é, como  vimos,  uma  situação  que  desnatura  o  pagamento,  pois  um  verdadeiro  programa  de  PLR  pressupõe uma meta. Sem alcance da meta não há que se falar em pagamento a título de PLR.  Portanto, confirmamos todas as motivações apresentadas pela fiscalização, de  modo a votar pela negativa de provimento ao recurso quanto a PLR.  Com  relação  aos  argumentos  e  provas  apontados  em  memoriais,  nossa  Planilha do Relator contém nossas conclusões em relações a todos os elementos trazidos pela  recorrente, em sintonia com o que já expomos.  Fl. 4580DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.580          27 Em adição à citada planilha, em relação ao item 3.3.4 do Relatório Fiscal na  parte que fala da ausência de metas acordadas, a recorrente não foi capaz de demonstrar que as  metas foram definidas em acordo com o sindicato daquela filial.     Vale transporte.     O  transporte  concedido  pelo  empregador  ao  empregado  em  deslocamento  para o trabalho era considerado salário­utilidade até a alteração da CLT em 06/2001 pela Lei  10.243/2001. A partir desse diploma normativo, tal utilidade deixou de ser considerada salário,  mas não perdeu sua condição de utilidade fornecida pela empregador, o que ainda a deixa no  campo da incidência da contribuição previdenciária, conforme a segunda parte do inciso I, do  art.  28  da  Lei  8.212/91.  No  entanto,  o  empregador  poderá  desfrutar  da  isenção  prevista  na  alínea “f”, §9º do art. 28, desde que o vale transporte obedeça a legislação própria.  Foi  a  Lei  7.418/85  que  instituiu  o  vale  transporte  e  que  disciplina  as  condições para sua concessão. A imensa maioria da jurisprudência e da doutrina tem concluído  que nesta lei existe a exigência de que o empregador faça o desconto de 6% do salário base do  empregado  como  requisito  para  desfrute  da  isenção.  Com  a  devida  vênia,  não  conseguimos  assim concluir. Vejamos o texto de alguns dispositivos da lei:    Art.  2º  ­ O Vale­Transporte,  concedido  nas  condições  e  limites  definidos,  nesta  Lei,  no  que  se  refere  à  contribuição  do  empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987)   a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração  para quaisquer efeitos;  (...)    Art.  4º  ­  A  concessão  do  benefício  ora  instituído  implica  a  aquisição  pelo  empregador  dos  Vales­Transporte  necessários  aos  deslocamentos  do  trabalhador  no  percurso  residência­ trabalho  e  vice­versa,  no  serviço  de  transporte  que  melhor  se  adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (Vide  Medida Provisória nº 2.189­49, de 2001) (Vide Medida Provisória  nº 280, de 2006)   Parágrafo  único  ­  O  empregador  participará  dos  gastos  de  deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à  parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico.    No art. 2º acima transcrito vemos que a parte custeada pelo empregador não  tem  natureza  salarial,  ao  passo  que  no  art.  4º  temos  a  determinação  de  que  o  empregador  custeará  aquilo  que  exceder  6%  do  salário  básico  do  empregado.  Em  outras  palavras,  o  Fl. 4581DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.581          28 empregado deve suportar o custo do vale transporte com seu próprio salário até o limite de 6%.  Não interpretamos existir no art. 4º uma condição expressa para o desfrute da isenção, mas uma  delimitação  daquilo  que  será  custeado  pelo  empregado  e  daquilo  que  será  custeado  pelo  empregador.  Se  o  empregador  resolve,  por vontade própria ou  por  força de  acordo  coletivo,  nada  descontar  do  empregado,  equivale  a  ter  concedido  uma  nova  parcela  salarial  ao  empregado, mas não na  totalidade do valor pago a título de vale transporte, mas somente até  6% do salário base, pois é esta parte que o empregado deve suportar. A parcela que exceder 6%  ainda continuará custeada pelo empregador.  Com  relação  ao  requisitos  para  a  isenção,  vislumbramos  estarem  estes  nos  arts. 1º e 4º da Lei 7.418/85:  · utilização efetiva em despesas de deslocamento residência­trabalho e  vice­versa;  · utilização através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou  intermunicipal e/ou interestadual com características semelhantes aos  urbanos, geridos diretamente ou mediante concessão ou permissão de  linhas  regulares  e  com  tarifas  fixadas  pela  autoridade  competente,  excluídos os serviços seletivos e os especiais;  · não  serem  pagos  em  dinheiros,  uma  vez  que  o  art.  4º  fala  em  aquisição de Vales Transporte, o que afasta a possibilidade de o valor  respectivo ser entregue em moeda ao trabalhador.  Esse último  requisito  conflito  com o que decidiu o STF no RE 478.410,  in  verbis:  RE 478410 / SP ­ SÃO PAULO     EMENTA:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INCIDÊNCIA.  VALE­TRANSPORTE.  MOEDA.  CURSO  LEGAL  E  CURSO  FORÇADO.  CARÁTER  NÃO  SALARIAL  DO  BENEFÍCIO.  ARTIGO  150,  I,  DA  CONSTITUIÇÃO  DO  BRASIL.  CONSTITUIÇÃO  COMO  TOTALIDADE  NORMATIVA.  1.  Pago  o  benefício  de  que  se  cuida  neste  recurso  extraordinário  em  vale­transporte  ou  em  moeda,  isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A  admitirmos não possa esse benefício  ser pago em dinheiro  sem  que  seu  caráter  seja  afetado,  estaríamos  a  relativizar  o  curso  legal  da  moeda  nacional.  3.  A  funcionalidade  do  conceito  de  moeda  revela­se  em  sua  utilização  no  plano  das  relações  jurídicas.  O  instrumento  monetário  válido  é  padrão  de  valor,  enquanto  instrumento  de  pagamento  sendo  dotado  de  poder  liberatório:  sua  entrega  ao  credor  libera  o  devedor.  Poder  liberatório  é  qualidade,  da  moeda  enquanto  instrumento  de  pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano  jurídico:  somente  ela  permite  essa  liberação  indiscriminada,  a  todo  sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial.  4.  A  aptidão  da  moeda  para  o  cumprimento  dessas  funções  decorre  da  circunstância  de  ser  ela  tocada  pelos  atributos  do  curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação  Fl. 4582DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.582          29 da  moeda  está  relacionada  ao  curso  legal,  que  respeita  ao  instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do  curso  forçado,  dado  que  este  atinge  o  instrumento  monetário  enquanto  valor  e  a  sua  instituição  [do  curso  forçado]  importa  apenas  em  que  não  possa  ser  exigida  do  poder  emissor  sua  conversão  em  outro  valor.  6.  A  cobrança  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  valor  pago,  em  dinheiro,  a  título  de  vales­transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a  Constituição,  sim,  em  sua  totalidade  normativa.  Recurso  Extraordinário a que se dá provimento.    A  referida  decisão  do  STF  transitou  em  julgado  em  02/03/2012.  Ademais,  existe a Súmula AGU 60, in verbis:  Ementa:  "Não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter  indenizatório da verba".  Logo,  tendo  o  vale  transporte  caráter  indenizatório,  não  deve  incidir  a  contribuição previdenciária.    Venda  de  veículos  para  empregados  abaixo  do  preço  de  mercado.  Afastamento  da  natureza comercial. Operação que se deu em razão da relação trabalhista. Incidência da  contribuição previdenciária.    Com  relação à venda de veículos  a empregados,  a  recorrente  alega que  se  trata de uma operação comercial, porém reconhece que a venda foi feita por valor 30% inferior  ao  valor  de mercado.  Sendo  assim,  fica  desnaturada  natureza  comercial  da  operação,  pois  o  desconto de 30% para pagamento à vista não foi oferecido ao público em geral, mas somente  aos empregados, o que deixa a operação vinculada à  relação  trabalhista entre empregadora  e  empregado. Fácil perceber que a diferença entre o preço de mercado e o preço adquirido pelo  empregado constitui­se em contraprestação pelo trabalho, pois a operação só foi realizada com  tal  conformação  dada  a  existência  de  vínculo  trabalhista  entre  as  partes.  A  suposta  voluntariedade  do  negócio,  considerando  que  a  aquisição  de  veículos  é  uma  opção  do  empregado, não subsiste diante da óbvia racionalidade do homem médio, bonus pater familias,  que  não  ignoraria  uma  oportunidade  de  obter  em  seu  benefício  a  diferença  entre  preço  de  mercado e preço de venda da empregadora.   Sendo  contraprestação  pelo  trabalho,  deve  compor  a  base  de  cálculo  da  contribuição previdenciária.        Fl. 4583DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.583          30   Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009.    Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal  questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratar­se de questão  de ordem pública.  Antes  da  MP  449,  se  a  fiscalização  das  contribuições  previdenciárias  constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas  da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que  esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o  inciso  II do art. 35 da Lei 8.212/91.  Além disso,  a  fiscalização  lançava  as multas dos §§4º,  5º  e 6º do  art.  32 por  incorreções ou  omissões  na  GFIP.  O  §4º  tratava  da  não  apresentação  da  GFIP,  o  §5º  da  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  e  o  §6º  referia­se  a  apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos  geradores. ­  Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32­A da Lei 8.212/91 que  trata  da  falta  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  trata  da  apresentação  com  omissões  ou  incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35­A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96  para os casos de lançamento de ofício. Interessa­nos o inciso I do referido dispositivo no qual  temos  a multa  de  75%  sobre  a  totalidade  do  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.   Tais  inovações  legislativas  associadas  ao  fato  de  a  fiscalização  realizar  lançamento  que  abrangem  os  últimos  cinco  anos  e  de  existirem  lançamentos  pendentes  de  definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocam­nos  diante de duas situações:  · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores posteriores a esta;  · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém  ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Vamos analisar individualmente cada uma das situações.    Lançamentos  realizados  após  a  edição  da  MP  449  e  referentes  a  fatos  geradores posteriores a esta    Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos  geradores  posteriores  a  esta,  o  procedimento  de  ofício  está  previsto  no  art.  35­A  da  Lei  Fl. 4584DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.584          31 8.212/91,  o  que  resulta  na  aplicação  do  art.  44  da  Lei  9.430/96  e  na  impossibilidade  de  aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91.  Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio  tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta  de  recolhimento,  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata.  A  falta  de  recolhimento  é  uma  hipótese nova de  infração que, portanto,  só pode atingir os  fatos geradores posteriores  a MP  449.  Por  outro  lado,  com  relação  às  contribuições  previdenciárias,  a  falta  de  declaração  e  a  declaração inexata referem­se a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A  falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era  punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não  (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões.  É  certo que,  a princípio,  podemos vislumbrar duas normas punitivas para a  não  apresentação  e  a  apresentação  inexata  da  GFIP  relacionada  a  fatos  geradores  de  contribuições: o art. 32­A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em  conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada  com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar.   Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96  seria  aplicável para os  casos  relacionados  à existência de diferença de contribuição ao passo  que o art. 32­A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de  contribuição.  No  entanto,  tal  conclusão  não  se  sustenta  se  analisarmos  mais  detidamente  o  conteúdo do  art.  32­A da Lei  8.212/91. No  inciso  II,  temos  a previsão  da multa  de “de 2%  (dois por cento) ao mês­calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável  quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for  apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplica­se  também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal  conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos  casos  de  omissão  de  declaração  com  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária.  Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos,  tanto o art. 44,  inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32­A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de  declaração  ou  declaração  inexata de GFIP quando  for  apurada  diferença  de  contribuição  em  procedimento  de  ofício.  Temos,  então,  configurado  um  aparente  conflito  de  normas  que  demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são  normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério  da especialidade e critério hierárquico.  O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não  nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei  9.430/96  e  a  inclusão  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91  foram  veiculados  pela  mesma  Lei  11.941/2009.  O  critério  hierárquico  também  não  soluciona  a  antinomia,  posto  que  são  normas de igual hierarquia.  Resta­nos o critério da especialidade.   Fl. 4585DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.585          32 Observamos  que  o  art.  44,  inciso  I  da  Lei  9.430/86  refere­se,  de  maneira  genérica,  a  uma  falta  de  declaração  ou  declaração  inexata,  sem  especificar  qual  seria  a  declaração. Diversamente, o art. 32­A faz menção específica em seu caput à GFIP no  trecho  em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do  caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da  Lei 9.430/96 e o art. 32­A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e,  seguindo  o  critério  da  especialidade,  deve  ter  reconhecida  a  prevalência  de  sua  força  vinculante.  Em adição, a aplicação do art. 32­A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo  nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32­A assume, facilitando , no futuro, o cálculo  do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32­A estimular a apresentação da GFIP  na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de  qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da  declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido  em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a  favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art.  29  da  Lei  8.213/91,  “serão  considerados  para  cálculo  do  salário­de­benefício  os  ganhos  habituais  do  segurado  empregado,  a  qualquer  título,  sob  forma  de  moeda  corrente  ou  de  utilidades,  sobre  os  quais  tenha  incidido  contribuições  previdenciárias,  exceto  o  décimo­ terceiro  salário  (gratificação  natalina).”  Se  o  cálculo  do  salário­de­benefício  considerará  a  base  de  cálculo  das  contribuições,  certamente  a  GFIP  é  um  importante  meio  de  prova  dos  valores  sobre os quais  incidiram as  contribuições. Se  aplicássemos o  art.  44,  inciso  I  da Lei  9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP.  Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença  das  contribuições  sem  que  a  apresentação  da  GFIP  pudesse  alterar  tal  valor. O  empregador  poderia  simplesmente  pagar  a  multa  e  continuar  omisso  em  relação  à  GFIP,  deixando  o  empregado sem este  importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria.  Assim,  a  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário  reforça  a  necessidade de prevalência do art. 32­A.  Portanto,  seja  pela  aplicação  do  critério  da  especialidade  ou  pela  hermenêutica  sistemática  considerando  o  regime  jurídico  previdenciário,  temos  justificada  a  aplicação do art. 32­A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com  informações inexatas.  Acrescentamos  que  não  há  no  regime  jurídico  do  procedimento  de  ofício  previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de  ter  ocorrido  atraso  no  recolhimento.  Trata­se  de  infração  –  o  atraso  no  recolhimento  ­  que  deixou  de  ser  punida  por meio  de  procedimento  de  ofício.  Outra  infração  similar,  mas  não  idêntica,  foi  eleita  pela  lei:  a  falta  de  recolhimento.  Apesar  de  mantermos  nossa  posição  a  respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos  de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões  do Colegiado  no  sentido  de manter  a multa  de mora  que  registraram  nossa  posição  isolada.  Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a  aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20%  com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96.  Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008:  Fl. 4586DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.586          33 · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%;  · A multa de ofício de 75% é aplicada pela  falta de recolhimento  da  contribuição,  podendo  ser  majorada  para  150%  em  conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos  casos  em  que  existam  provas  de  atuação  dolosa  de  sonegação,  fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de  não  atendimento  de  intimação  no  prazo marcado,  conforme §2º  do art. 44 da Lei 9.430/96;  · A  multa  pela  falta  de  apresentação  da  GFIP  ou  apresentação  deficiente desta é aquela prevista no art. 32­A da Lei 8.212/91.  Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  previsto  pela MP  449,  convertida  na  Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP.  Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda  não definitivamente julgados na esfera administrativa.    Com  base  nesse  novo  regime  jurídico  vamos  determinar  a  penalidade  aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores  anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa.  Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com  o art. :   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.   § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.   § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  Fl. 4587DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.587          34  a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;   c)  quando  lhe  comine penalidade menos  severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.    A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que  devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência  dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver  deixado de definir um fato como infração.  O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da  penalidade  mais  benéfica  por  infração  e  não  em  um  conjunto.  Assim,  cada  infração  e  sua  respectiva penalidade deve ser analisada.  Para  os  lançamentos  referentes  a  fatos  geradores  anteriores  a MP  449,  de  plano  devemos  afastar  a  incidência  da  multa  de  mora,  pois  a  novo  regime  jurídico  do  lançamento de ofício deixou de punir  a  infração por  atraso no  recolhimento. O novo  regime  pune  a  falta  de  recolhimento  que,  apesar  de  similar,  não  pode  ser  tomada  como  idêntica  ao  atraso.  O  atraso  é  graduado  no  tempo,  ao  passo  que  a  falta  de  recolhimento  é  infração  instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de  12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e  pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício.  Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no  princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo,  tem a mesma estrutura de pessoal e de  remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório  contábil para tratar de sua vida fiscal.   A  empresa  A  foi  fiscalizada  em  2007  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006  e  teve  contra  si  lançada  a  contribuição,  a multa  de mora  e  a multa por  incorreções  na  GFIP  prevista  no  art.  32,  §5º  da  Lei  8.212/91.  Quando  do  julgamento  de  seu  processo,  considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve  o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa  do 32­A da Lei 8.212/91.  A  empresa  B  foi  fiscalizada  em  2009  com  relação  aos  fatos  geradores  de  2006 e teve contra si  lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela  declaração inexata da GFIP com base no art. 32­A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º  da Lei 8.212/91, o que  lhe for mais  favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B  responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora.  Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora  no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e  B.  Fl. 4588DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.588          35 Conforme  já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a  respeito da  inexistência  de  multa  de  mora  no  novo  regime  do  procedimento  de  ofício,  deixamos  de  apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do  Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim,  nosso  voto  é  no  sentido  de,  acompanhando  os  demais  membros  do  Colegiado,  manter  a  aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20%  com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96.  No  tocante  às  penalidades  relacionadas  com  a  GFIP,  deve  ser  feito  o  cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32­A para as infrações relacionadas com a  GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei  8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106,  inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplica­se, inclusive, para a multa de ofício aplicada com  fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração  inexata.  Passamos a  resumir nossa posição sobre o  regime  jurídico de aplicação das  multas para fatos geradores até 11/2008.  A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato  pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008:    · As  multas  por  infrações  relacionadas  a  GFIP  (falta  de  apresentação  ou  apresentação  deficiente),  previstas  nos  parágrafos  do  art.  32  da  Lei  8.212/91,  devem  ser  comparadas  com  a multa  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/91,  devendo  prevalecer  aquela que for mais benéfica ao contribuinte;  · Nas  competências  nas  quais  a  fiscalização  aplicou  somente  a  penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta  deve ser mantida, mas limitada a 20%;  · Nas  competências  nas  quais  a  fiscalização  aplicou  a penalidade  de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar  da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da  multa  de  mora  e  da  multa  por  infrações  relacionadas  a  GFIP,  deve ser mantida  a penalidade  equivalente  à  soma de: multa de  mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a  multa do art. 32 com a multa do art. 32­A da Lei 8.212/91.  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de CONHECER  EM  PARTE  e,  na  parte  conhecida,  DAR  PROVIMENTO PARCIAL  ao Recurso Voluntário,  de modo  a:  (a)  excluir do lançamento os fatos geradores até 09/2003, inclusive; (b) excluir do lançamento os  valores pagos a título de vale transporte; (c) limitar a multa de mora a 20%.  (assinado digitalmente)  Mauro José Silva – Relator  Fl. 4589DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.589          36 Voto Vencedor  Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado.  Com  todo  respeito ao nobre relator, divirjo de  seu entendimento  em alguns  pontos, analisados a seguir.  Importante  destacar,  de  início,  que  como  a  decadência  das  contribuições  –  conforme  voto  do  Relator,  acompanhado  por  unanimidade  pelo  colegiado,  inclusive  pela  aplicação de súmula, alcançou as contribuições apuradas até a competência 09/2003, anteriores  a 10/2003, analisaremos, pela lógica, somente as questões que, após aplicada a decisão sobre a  regra decadencial, nos períodos que importam.    1ª  QUESTÃO  ­  REGRAS  DE  PAGAMENTO  DE  PLR  COM  PREVISAÕ DE ELABORAÇÃO EM ACORDO.  No  primeiro  ponto  de  discordância  do  relator,  a  acusação,  fiscalização,  argumenta,  em  síntese,  que  deve  incidir  contribuição  previdenciária  sobre  o  valor  pago  ­  a  título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) – a segurados de cargo de direção, pois as  regras não constam do acordo.  Essa  acusação  encontra­se  presente  em  itens  do Relatório  Fiscal  (RF),  que  foram criados por relacionarem­se a acordos que vigoraram em estabelecimentos:  3.3.1  Estabelecimento(s):  45.990.181/0001­89,  45.990.181/0004­21,  45.990.181/0008­55,  45.990.181/0011­50,  45.990.181/0013­12,  45.990.181/0016­65  e  45.990.181/0019­08;  3.3.2  Estabelecimento(s):  45.990.181/0012­31;  3.3.3  Estabelecimento(s):  45.990.181/0027­18;  3.3.5  Estabelecimento(s): 45.990.181/0030­13.  Somente para o item 3.3.4, referente ao estabelecimento 45.990.181/0029­80,  não há essa acusação.  Na verificação de cada acordo chegamos a conclusões, a seguir expostas.  Fl. 4590DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.590          37 Para os  estabelecimentos  citados  no  item 3.3.1  há  acordo,  fls.  0519,  com a  seguinte determinação:  “CLAUSULA  SEXTA  ­  CARGOS  DE  CONFIANÇA  (GERÊNCIA,  DIRETORIA,  CHEFIA/ASSESSORIA),  SUPERVISORES/LÍDERES e MENSALISTAS   Para  os  empregados  acima  definidos  pela  BOSCH,  será  aplicada  política  própria  da  Empresa  (Política  interna  —  Objetivos  Individuais) para o pagamento da PLR, utilizando­se  do sistema de avaliação especifica (MAG).  A  tais  empregados  fica  assegurado  o  valor  estabelecido  na  Cláusula  Terceira,  iltern  "C",  sendo  que  tais  empregado  receberão no dia 11/07/2003 o valor à titulo de Antecipação de  R$ 1.000,00 (Hum Mil Reais), sendo o restante (complementação  de valores) pago juntamente com a­ Folha de Pagamento do mês  de Abril/2004, por intermédio do Banco Bradesco.”  Com essa  redação,  as partes envolvidas no  acordo,  segurados  (devidamente  representado pelo sindicato) e empresa, concordam em aplicar sistema de avaliação específica;  Portanto,  havia  avaliação  –  inclusive  como  demonstram  as  provas  e  documentos  dos  autos  –  e  a  existência  dessa  avaliação  era  de  conhecimento  das  partes,  possibilitando  que  o  sindicato  a  contestasse,  assim  como  possibilitando  que  o  Fisco  a  verificasse.  A fiscalização não procedeu a análise dessa avaliação específica, tributando­a  de forma integral, sob seguinte o argumento:  “Durante  todo  o  período  citado,  a  empresa  pagou  um  PLR  diferenciado  a  uma  parcela  de  seus  colaboradores,  a  seguir  discriminados,  em  função  de  avaliações  individuais  realizadas,  também, sem a participação do Sindicato:”  É de se ressaltar que há duas acusações na frase acima:  1.  Que  pagamento  de  PLR  diferenciado  faria  incidir  a  contribuição  previdenciária,  pelo  descumprimento  da  Lei 10.101/2000; e  2.  Que  o  sindicato  não  participou  das  definições  das  metas e das conseqüentes avaliações, o que faria incidir  a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da  Lei 10.101/2000.  Quanto à primeira acusação ­ pagamento de PLR diferenciado faria incidir a  contribuição previdenciária, esclarecemos que não há – em toda lei 10.101/2000, ao contrário  de  outras  determinações  legais  ­  qualquer  regra  que  exija  pagamento  uniforme  a  todos  os  segurados.  Portanto,  sem  mais  comentários,  pois  não  são  necessários,  como  não  há  determinação legal em contrário, não há motivo para tributação sob este argumento.  Fl. 4591DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.591          38 Quanto  à  segunda  acusação  ­  sindicato  não  participou  das  definições  das  metas  e das  conseqüentes  avaliações –  esta  só  é possível de  ter ocorrido  se o  sindicato,  que  assina todos os acordos, tiver sido displicente com suas funções básicas, proteção dos direitos  de  seus  filiados,  pois  ele,  assim  como  os  segurados,  teve  total  ciência  da  existência  de  avaliação específica, demonstrada pelas provas dos autos.  Portanto, não há motivo para a tributação, devido a esse ponto.  As mesmas  conclusões podemos aplicar  aos  acordos dos  anos de 2004,  fls.  0500, de 2005, fls. 0510, de 2006, fls. 0516, e de 2007, fls. 0521.  Assim, nossa posição e a definição valem para todos os acordos, motivo do  provimento do recurso nas duas acusações citadas (pagamento de PLR diferenciado e sindicato  não participou das definições das metas e das conseqüentes avaliações).    Para  o(s)  estabelecimento(s)  citado  no  item  3.3.2  (45.990.181/0012­31)  há  acordo, fls. 0428, com a seguinte determinação:  “2.1  CARGOS  DE  CONFIANÇA  (DIRETORIA,  GERÊNCIA,  CHEFIA . E SUPERVISÃO) e MENSALISTAS  Para  os  empregados  contemplados  com  a  política  interna  por  objetivos  individuais  (MAG),  fica  acordado  que  o  valor  correspondente  ao  pagamento  da PLR  deve  ser  feito  com  base  nos  critérios  desta  política,  em  data  a  ser  definida,  não  sendo  devidos os valores programados na cláusula segunda.”  Com essa  redação,  as partes envolvidas no  acordo,  segurados  (devidamente  representado pelo sindicato) e empresa, concordam em aplicar sistema de avaliação específica;  Portanto,  havia  avaliação  –  inclusive  como  demonstram  as  provas  e  documentos  dos  autos  –  e  a  existência  dessa  avaliação  era  de  conhecimento  das  partes,  possibilitando  que  o  sindicato  a  contestasse,  assim  como  possibilitando  que  o  Fisco  a  verificasse.  A fiscalização não procedeu a análise dessa avaliação específica, tributando­a  de forma integral, sob seguinte o argumento:  “A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus  colaboradores, detentores de cargos de confiança e mensalistas,  em  função  de  avaliações  individuais  realizadas  sem  a  participação do Sindicato.”  É de se ressaltar que há duas acusações na frase acima:  3.  Que  pagamento  de  PLR  diferenciado  faria  incidir  a  contribuição  previdenciária,  pelo  descumprimento  da  Lei 10.101/2000; e  4.  Que  o  sindicato  não  participou  das  definições  das  metas e das conseqüentes avaliações, o que faria incidir  Fl. 4592DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.592          39 a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da  Lei 10.101/2000.  Pelos fundamentos da acusação serem os mesmos já citados acima, no item  referente ao item 3.3.1, também deve ser dado provimento ao recurso, pelas razões idênticas.  A  mesma  conclusão  podemos  aplicar  aos  acordos  dos  anos  de  2004,  fls.  0500, de 2005, fls. 0450, de 2006, fls. 0516, e de 2007, fls. 0521.    Para  o(s)  estabelecimento(s)  citado  no  item  3.3.3  (45.990.181/0027­18)  há  acordo, fls. 0405, com a seguinte determinação:  “CLAUSULA  OITAVA  ­  CARGOS  DE  CONFIANÇA  (DIRETORIA,  GERÊNCIA,  CHEFIA/ASSESSORIA)  ,  SUPERVISORES/LIDERES e CARGOS MENSALISTAS.  Para os empregados que exercem cargos de Diretoria, Gerência,  Chefia/Assessoria,  Supervisão/Liderança  e Cargos Mensalistas,  será aplicada política própria da empresa para o pagamento da  PLR,  utilizando­se  de  sistema  de  avaliação  especifica,  estando  garantido um valor mínimo igual a PLR negociada neste acordo  Com essa  redação,  as partes envolvidas no  acordo,  segurados  (devidamente  representado pelo sindicato) e empresa, concordam em aplicar sistema de avaliação específica;  Portanto,  havia  avaliação  –  inclusive  como  demonstram  as  provas  e  documentos  dos  autos  –  e  a  existência  dessa  avaliação  era  de  conhecimento  das  partes,  possibilitando  que  o  sindicato  a  contestasse,  assim  como  possibilitando  que  o  Fisco  a  verificasse.  A fiscalização não procedeu a análise dessa avaliação específica, tributando­a  de forma integral, sob seguinte o argumento:  “A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus  colaboradores, a seguir discriminados, em função de avaliações  individuais realizadas sem a participação do Sindicato:”  É de se ressaltar que há duas acusações na frase acima:  5.  Que  pagamento  de  PLR  diferenciado  faria  incidir  a  contribuição  previdenciária,  pelo  descumprimento  da  Lei 10.101/2000; e  6.  Que  o  sindicato  não  participou  das  definições  das  metas e das conseqüentes avaliações, o que faria incidir  a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da  Lei 10.101/2000.  Pelos fundamentos da acusação serem os mesmos já citados acima, no item  referente ao item 3.3.1, também deve ser dado provimento ao recurso, pelas razões idênticas.  Fl. 4593DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.593          40 A  mesma  conclusão  podemos  aplicar  aos  acordos  dos  anos  de  2004,  fls.  0410, de 2005, fls. 0416, de 2006, fls. 0422, e de 2007, fls. 0422.    Para  o(s)  estabelecimento(s)  citado  no  item  3.3.5  (45.990.181/0030­13)  há  acordo, fls. 0482, com a seguinte determinação:  “Para  os  empregados  contemplados  corn  a  política  interna  de  avaliação  por  objetivos  individuais  (MAG),  ou  seja,  Diretores,  Gerentes,  Chefes,  Assessores  Profissionais  e  Mensalistas,  fica  acordado que o cálculo do valor correspondente ao pagamento  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  deve  ser  feito  com  base nos critérios desta política, e em data a ser definida, sendo  devidos  os  valores  definidos  no  item  A  desta  clausula  apenas  como antecipação.”  Com essa  redação,  as partes envolvidas no  acordo,  segurados  (devidamente  representado pelo sindicato) e empresa, concordam em aplicar sistema de avaliação específica;  Portanto,  havia  avaliação  –  inclusive  como  demonstram  as  provas  e  documentos  dos  autos  –  e  a  existência  dessa  avaliação  era  de  conhecimento  das  partes,  possibilitando  que  o  sindicato  a  contestasse,  assim  como  possibilitando  que  o  Fisco  a  verificasse.  A fiscalização não procedeu a análise dessa avaliação específica, tributando­a  de forma integral, sob seguinte o argumento:  “A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus  colaboradores, a seguir discriminados, em função de avaliações  individuais realizadas sem a participação do Sindicato:”  É de se ressaltar que há duas acusações na frase acima:  7.  Que  pagamento  de  PLR  diferenciado  faria  incidir  a  contribuição  previdenciária,  pelo  descumprimento  da  Lei 10.101/2000; e  8.  Que  o  sindicato  não  participou  das  definições  das  metas e das conseqüentes avaliações, o que faria incidir  a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da  Lei 10.101/2000.  Pelos fundamentos da acusação serem os mesmos já citados acima, no item  referente ao item 3.3.1, também deve ser dado provimento ao recurso, pelas razões idênticas.  A  mesma  conclusão  podemos  aplicar  aos  acordos  dos  anos  de  2004,  fls.  0486, de 2005.  Por  fim,  de  extrema  relevância,  cabe  deixar  claro  que  votamos  pelo  provimento do recurso somente na questão das parcelas variáveis dos pagamentos a ocupantes  Fl. 4594DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.594          41 de  cargos  citados  no  relatório  fiscal,  devendo  incidir  contribuição  sobre  a  parcela  fixa,  sem  metas.  Em  razão  do  exposto,  pelas  partes  interessadas  no  acordo  (segurados/sindicato e empresa) estarem cientes da clausula e pelas provas anexas aos autos,  que demonstram a existência de metas e a verificação de seu cumprimento, dou provimento ao  recurso neste ponto, excluindo­se do lançamentos os valores referentes a pagamentos de PLR a  ocupantes de cargos citados no relatório fiscal, subordinados a metas.    2ª QUESTÃO ­ PARCELAS DEPENDENTES DE METAS PREVISTAS  NO ACORDO ­ ITEM 3.3.2:  Em outro ponto, o relator nega provimento ao recurso, em relação ás parcelas  dependentes de metas, item 3.3.2, no estabelecimento 45.990.181/0012­31.  Com todo respeito, discordamos do relator.  A acusação fiscal assim fundamenta seu ponto de vista:  “3.3.2 ­ Estabelecimento 45.990.181/0012­31:  • Os Acordos Coletivos prevêem o pagamento de um PLR fixo,  independente  de  metas  e,  portanto,  em  desacordo  com  a  legislação. Senão vejamos:  ­  Acordo  Coletivo  2002  a  2006  —  Cláusula  2,  Parágrafo  Primeiro:  "Na  hipótese  de  não  atingimento  de  nenhum  dos  indicadores  firmados  na  cláusula  quinta,  fica  pactuado  que  o  valor mínimo garantido a todos os colaboradores será de..."  ­  Ata  n°  36/2003  referente PLR  complementar  2003,  §  2:  "Em  substituição  ao  pleito  de  aumento  real  a Bosch  distribuirá  aos  seus  empregados  a  titulo  de  PARTICIPAÇÃO  NOS  RESULTADOS COMPLEMENTAR o valor fixo de..."  ­  Termo  Aditivo  do  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  PLR  2004  a  2006  —  Cláusula  Segunda:  "A  Bosch  distribuirá  aos  seus  empregados abrangidos pelo acordo coletivo ora mencionado a  titulo  de  PARTICIPAÇÃO  NOS  RESULTADOS  COMPLEMENTAR  e  decorrente  de  instrumento  normativo  firmado com o SINDICATO o valor fixo de ..."  ­ Os indicativos de metas constantes da cláusula sexta do Acordo  Coletivo  2007,  prevêem  o  recebimento  de  um  valor  mínimo,  ainda que nenhuma meta seja atendida;  Portanto, a fiscalização apresenta sua acusação afirmando que sobre valores  fixos deve incidir contribuição.  Na  verificação  dos  acordos  relacionados  à  acusação,  fls.  0427  (ano  2003),  0437  (ano  2004),  0449  (ano  2005),  0459  (ano  2006)  e  0473  (ano  2007,  verificamos,  sim,  a  existência  de  pagamentos  fixos,  sem  metas,  garantidos,  portanto  em  discordância  com  a  Fl. 4595DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.595          42 legislação, mas encontramos valores atrelados à obtenção de metas, que devem ser excluídos  do lançamento, conforme tabela abaixo:  CNPJ: 45.990.181/0012­31, item 3.3.2 do relatório fiscal  A  B  C  ANO  Valor a ser recebido,  dependente de metas, para  excluir.  Fls.  2003  R$ 400,00 ((R$ 1.300,00 (a) –  R$  1.000,00  (b)  + R$  100,00  (c))  0427  2004  R$  704,00  =  R$  2.200,00  (clausula  segunda)  –  R$  1.496,00  (§1º,  clausula  segunda)  0437  2005  R$  960,00  =  R$  3.200,00  (clausula  segunda)  –  R$  2.240,00  (§1º,  clausula  segunda)  0449  2006.  R$  960,00  =  R$  3.200,00  (clausula  segunda)  –  R$  2.240,00  (§1º,  clausula  segunda)  0459  2007  R$  3.300,00  (pagamento  integralmente  sujeito  à metas,  conforma clausula segunda)  0473    Conseqüentemente,  pelas  razões  expostas,  ou  seja,  por  existirem  metas  condicionando o pagamento de valor parcial ou integral da PLR, ao contrário do que afirma o  Fisco, dou provimento parcial ao recurso ­ neste estabelecimento, por essas razões – a fim de  excluir  do  lançamento,  por  segurado  que  recebeu  PLR  em  seu  valor  integral,  os  valores  constantes da tabela acima, coluna B. pela acusação não possuir suporte fático.    3ª QUESTÃO ­ PARCELAS DEPENDENTES DE METAS PREVISTAS  NO ACORDO ­ ITEM 3.3.3:  Em ponto semelhante à acusação citada acima, com estabelecimento e  item  diferente,  item  3.3.3,  estabelecimento  45.990.181/0027­18,  o  relator  nega  provimento  ao  recurso, em relação ás parcelas dependentes de metas.  Fl. 4596DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.596          43 Com todo respeito, discordamos do relator.  A acusação fiscal assim fundamenta seu ponto de vista:  “3.3.3 ­ Estabelecimento 45.990.181/0027­18:  • Os Acordos Coletivos prevêem o pagamento de um PLR  fixo,  independente  de  metas  e,  portanto,  em  desacordo  com  a  legislação. Sendo vejamos:  ­  Acordo  Coletivo  2002  —  Cláusula  Terceira  —  Parágrafo  Primeiro;  "Para  o  ano  de  2002,  fica  estabelecido  um  valor  mínimo garantido de ...";  ­  Acordo  Coletivo  2003  —  Cláusula  Quarta:  "Em  razão  do  disposto  nas  cláusulas  primeira  e  segunda,  BOSCH  e  SINDICATO  acordam  que  essa  participação  dos  empregados  nos  resultados  da  BOSCH  durante  o  ano  calendário  de  2003  será  consubstanciada  no  pagamento  dos  valores  divididos  da  seguinte forma: A — Um pagamento no valor fixo de ...";  ­ Acordo Coletivo 2004 a 2007 — Cláusula Quarta ­ "Em razão  do  disposto  nas  cláusulas  primeira  e  segunda,  BOSCH  e  SINDICATO  acordam  que  essa  participação  dos  empregados  nos  resultados  da  BOSCH  durante  o  ano  calendário  de  2003  será  consubstanciada  no  pagamento  dos  valores  divididos  da  seguinte forma: A — Valor total garantido de ...";  Portanto, a fiscalização apresenta sua acusação afirmando que sobre valores  fixos deve incidir contribuição.  Na  verificação  dos  acordos  relacionados  à  acusação,  fls.  0404  (ano  2003),  0408  (ano 2004),  0414  (ano 2005),  0420  (ano 2006) e 0422  (ano 2007),  verificamos,  sim,  a  existência  de  pagamentos  fixos,  sem  metas,  garantidos,  portanto  em  discordância  com  a  legislação, mas encontramos valores atrelados à obtenção de metas, que devem ser excluídos  do lançamento, conforme tabela abaixo:  CNPJ: 45.990.181/0027­18, item 3.3.3 do relatório fiscal.  A  B  C  ANO  Valor a ser recebido,  dependente de metas, para  excluir.  Fls.  2003  R$ 150,00 (clausula quarta)  0404  2004  R$ 190,00 = R$ 1.140,00 ­ (C,  clausula  quarta)  –  R$  950,00  (A, clausula quarta)  0408  2005  R$  250,00  =  R$  1.500,00,00  (3,  clausula  quarta)  –  R$  0414  Fl. 4597DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.597          44 1.250,00 (1., clausula quarta)  2006.  R$  200,00  =  R$  1.700,00  (3,  clausula quarta) – R$ 1.500,00  (1, clausula quarta)  0420  2007  R$  150,00  =  R$  1.700,00  (clausula  décima,  fls.  0422)  –  R$  1.550,00  (parcela  fixa  garantida, fls. 0425)  0422 e 0425    Conseqüentemente,  pelas  razões  expostas,  ou  seja,  por  existirem  metas  condicionando o pagamento de valor parcial ou integral da PLR, ao contrário do que afirma o  Fisco, dou provimento parcial ao recurso ­ neste estabelecimento, por essas razões – a fim de  excluir  do  lançamento,  por  segurado  que  recebeu  PLR  em  seu  valor  integral,  os  valores  constantes da tabela acima, coluna B. pela acusação não possuir suporte fático.    4ª QUESTÃO – PLR ­ ITEM 3.3.4, AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO  DO FATO GERADOR  Quanto à acusação presente no item 3.3.4, do Relatório Fiscal, referentes ao  CNPJ: 45.990.181/0029­80, voto em dar provimento ao recurso, pois não há nos autos como  comprovar, dar suporte, às razões do Fisco.  Verificamos,  várias  vezes,  os  autos  e  não  encontramos  os  acordos  que,  descumprindo a legislação, deram suporte ao lançamento.  Ressalte­se  que  não  é  o  caso  de  nulidade  do  lançamento,  mas  sim  de  seu  provimento, pois não há comprovação da ocorrência do fato gerador, pelo descumprimento da  Lei 10.101/2000.  Outro  ponto  de  relevância  é  a  impossibilidade  de  ­  neste  momento  –  reabrirmos a discussão, solicitando novas provas, pois estaríamos fundamentando à acusação,  atitude vedada ao julgador, que deve primar pela imparcialidade, em respeito ao Princípio do  Devido Processo Legal.  Portanto,  por  não  estar  comprovado  a  ocorrência  do  fato  gerador,  dou  provimento  ao  recurso,  para  excluir  do  lançamento  todas  as  contribuições  exigidas  com  fundamento nas acusações presentes no item 3.3.4, CNPJ: 45.990.181/0029­80, do relato fiscal.    5ª QUESTÃO – VENDA DE VEÍCULOS:  A fiscalização, em sua acusação, afirma que deve incidir contribuição sobre a  diferença entre valores de mercado e valores de veículos de propriedade do sujeito passivo, que  são comercializados com segurados à serviço da recorrente. nos seguintes termos, fls. 0230:  Fl. 4598DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.598          45 “7.1  —  A  empresa  efetuou  a  venda  de  veículos  aos  trabalhadores, por valores inferiores a cotação do mercado, no  período  abrangido  pelas  competências  08/2003,  02/2004  a  05/2004  e  11/2005  a  12/2007,  sendo  considerado  por  esta  fiscalização, como salário indireto, o valor da diferença entre o  prego de venda e o prego de mercado;  7.2 — Tais  valores  foram apurados  com  base  nas  informações  constantes da planilha "Controle de Carros Vendidos", citada no  item 2.2 que discrimina os dados dos trabalhadores, dos veículos  e  valores  de  cotação  e  venda,  tendo  sido  lançados  com  os  códigos  de  levantamento  "SI"  e  "SIT"  e  se  encontram  discriminados no ANEXO III deste Auto de Infração.  O nobre relator acompanhou a acusação da fiscalização, negando provimento  ao recurso do sujeito passivo, posição que discordamos.  O Salário  de Contribuição,  fato  gerador  e  base  de  cçalculo  da  contribuição  das empresas, possui conceituação na lei.  Lei 8.212/1991:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo  de trabalho ou sentença normativa.  Portanto,  claro  está  que  a  remuneração,  salário  indireto,  como  conceitua  o  Fisco na acusação, deve ser destinado a retribuir o trabalho.  Esse requisito – retribuição pelo trabalho prestado – deve ser comprovado na  acusação.  Ocorre que não encontramos esse requisito na acusação fiscal, acima.   É  fato  notório  que  grandes  empresas  comercializam  seus  veículos  usados,  com segurados a seu serviço, ou não.  Também é fato notório que o valor de mercado, muitas vezes vinculado, por  exemplo,  à  tabela  FIPE,  pode,  dependendo  das  condições  do  mercado  de  veículos  usados,  nunca ser alcançado.  Portanto, para esses valores  integrarem o SC o Fisco deveria, pro  exemplo,  comprovar que os veículos foram somente ofertados aos segurados a serviço do sujeito passivo  Fl. 4599DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.599          46 (restrição  de mercado  para  retribuir  o  trabalho)  e  que  os  valores  que  foram  comercializados  eram de menor valor aos praticados na época de sua comercialização.  Como esses pontos não  foram comprovados,  não houve a demonstração  da  ocorrência do fato gerador, pela comprovação do benefício vinculado à retribuição ao trabalho,  motivo do provimento do recurso neste ponto.  CONCLUSÃO:  Em razão do exposto, voto:  1)  Em acompanhar as conclusões do relator em relação:  1.1  a excluir do lançamento os fatos geradores até 09/2003, inclusive;  1.2  a excluir do lançamento os valores pagos a título de vale transporte;  1.3  a negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas  recebidas  pelos  segurados,  fixas,  sem  a  obrigatoriedade  de  alcance  de  metas;  1.4  a  negar  provimento  ao  recurso  do  sujeito  passivo,  em  relação  ao  item  3.3.5,  CNPJ:  45.990.181/0030­13,  devido  à  ausência  de  metas  especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator;  1.5  a negar provimento  ao  recurso do  sujeito passivo  ­  em  relação ao  item  3.3.1,  CNPJ´s:  45.990.181/0001­89,  45.990.181/0004­21,  45.990.181/0008­55,  45.990.181/0011­50,  45.990.181/0013­12,  45.990.181/0016­65 e 45.990.181/0019­08 ­ devido à ausência de metas  especificadas nos acordos;   1.6  a negar provimento ao Recurso, na questão de uso de veículo da empresa  para utilização diversa do trabalho;  2)  Em divergir do Relator e apresentar voto vencedor, em relação:  2.1  a  dar  provimento  ao  recurso  do  sujeito  passivo,  no  argumento  do  lançamento  referente  aos  valores  oriundos  de  pagamentos  de  PLR  a  segurados com cargos citados;  2.2  a  dar  provimento  parcial  ao  recurso  do  sujeito  passivo,  em  relação  às  parcelas dependentes de metas previstas no acordo  ­  item 3.3.2, CNPJ:  45.990.181/0012­31;  2.3  a  dar  provimento  parcial  ao  recurso  do  sujeito  passivo,  em  relação  às  parcelas dependentes de metas previstas no acordo  ­  item 3.3.3, CNPJ:  45.990.181/0027­18;  2.4  a  dar  provimento  ao  recurso  do  sujeito  passivo  ­  item  3.3.4,  CNPJ:  45.990.181/0029­80  ­  devido  à  ausência  de  comprovação  do  fato  gerador, pela falta de provas de que a legislação foi descumprida (acordo  coletivo);  Fl. 4600DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/2008­35  Acórdão n.º 2301­004.129  S2­C3T1  Fl. 4.600          47 2.5  a dar provimento ao recurso, na questão da venda de veículos abaixo do  preço de mercado, pela ausência de acusação, por parte da fiscalização,  de  que  as  condições  ofertadas  são  restritas  aos  segurados  que  prestem  serviço à empresa        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                Fl. 4601DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA

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Numero do processo: 10880.904536/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/08/2004 COMPENSAÇÃO DECLARADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA MEDIDA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial apresentada pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ou seja, somente com o trânsito em julgado os créditos pleiteados se revestem da certeza e liquidez indispensáveis à compensação tributária. Inteligência do art. 170A do CTN.
Numero da decisão: 1301-001.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1895; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 11          1 10  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.904536/2009­38  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­001.656  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de setembro de 2014  Matéria  CSLL/RECEITA DE EXPORTAÇÃO/COMPENSAÇÃO/  Recorrente  CLARIANT S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 31/08/2004  COMPENSAÇÃO DECLARADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO  DA MEDIDA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE.  É  vedada  a  compensação mediante  o  aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado da  respectiva  decisão  judicial. Ou  seja,  somente  com o  trânsito  em  julgado  os  créditos  pleiteados  se  revestem  da  certeza  e  liquidez  indispensáveis à compensação tributária. Inteligência do art. 170A do CTN.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.  (assinado digitalmente)  Valmar Fonseca de Menezes ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Valmar  Fonseca  de  Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo  Jakson da Silva Lucas, Edwal  Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 36 /2 00 9- 38 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     2     Relatório  Trata­se de  despacho decisório  pelo  qual  a DERAT/SPO não  reconheceu  o  direito  creditório  fundado  em  indébito  de CSLL,  código  2484,  recolhido  em 31/08/2004,  no  valor de R$ 1.374.423,27 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP  n° 14954.55442.180708.1.3.04­3584, uma vez verificado que o pagamento discriminado como  indébito foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte (CSLL apurada em  junho de 2008, vencimento em 31/07/2008, valor R$ 792.299,24).  A  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  alegando,  em  síntese, que:  ­  a compensação pretendida está baseada  em decisões  judiciais  (liminar  em  agravo de instrumento e sentença concessiva) proferidas nos autos do Mandado de Segurança  n°  2004.61.00.022023­7,  nas  quais  foi  reconhecida  a  inexigibilidade  dos  recolhimentos  de  CSLL por estimativa incidentes sobre as receitas de exportação auferidas pela contribuinte no  ano calendário de 2004;  ­  havendo  crédito  em  favor  da  contribuinte  reconhecido  judicialmente,  a  compensação efetuada nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional não pode ser  obstaculizada, conforme disciplinado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96;  ­  a SRFB, quando da  apreciação da Consulta n°  285/09, de 17 de  julho  de  2009, esclareceu que os recolhimentos indevidos ou a maior a  titulo de antecipações mensais  por estimativa podem ser objeto de Declaração de Compensação no próprio ano­calendário;  Em anexo às razões de defesa, foram apresentadas cópias da liminar deferida  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  3a.  Região  em  26/08/2004  e  da  sentença  concessiva  proferida  em  11/12/2007,  as  quais  atestam  o  reconhecimento  judicial  da  não  incidência  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido  sobre  as  receitas  de  exportação  auferidas  pela  contribuinte no ano­calendário de 2004.  A  DRJ/SÃO  PAULO  I  decidiu  a  matéria  representada  pelo  Acórdão  16­ 27.813,  de  17/11/2010  (fls.  65),  julgando  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade,  tendo sido lavrada a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO/CSLL  Data do fato gerador: 31/08/2004  PER/DCOMP.  PAGAMENTO  INDEVIDO.  DECISÃO  JUDICIAL.  AUSÊNCIA  DE TRANSITO EM JULGADO.  0 crédito reconhecido em decisão judicial não transitada em julgado não apresenta o  atributo  da  certeza,  que  é  necessário  à  utilização  do  crédito  pela  contribuinte  mediante restituição ou compensação na via administrativa.  SUBSUNÇÃO DA HIPÓTESE AO PROVIMENTO JUDICIAL.  0  crédito  sobre  o  pagamento  considerado  indevido  na  esfera  judicial  deve  ser  reconhecido na via administrativa somente se a requerente comprovar que o referido  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.904536/2009­38  Acórdão n.º 1301­001.656  S1­C3T1  Fl. 12          3 pagamento  corresponde,  de  fato,  à  CSLL  cuja  exigibilidade  restou  afastada  pela  decisão judicial obtida, qual seja, aquela incidente sobre receitas de exportação.  ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO.  A  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  que  efetuar  pagamento  indevido  ou  a  maior a titulo de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução  do tributo devido ao final do período de apuração.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  É o relatório.  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     4     Voto             Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas  O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço.  Insurge­se a recorrente ao indeferimento das autoridades fiscais (DRF e DRJ)  à restituição/compensação pleiteada nos seguintes termos: beneficiando­se de decisão judicial  tramitada  no  processo  2004.61.00.022.023­7  (Agravo  de  Instrumento  2004.03.00.048485­7)  que  lhe  garante  por  meio  de  decisão  prolatada  em  17/08/2004,  a  exclusão  das  receitas  de  exportação da base de cálculo da CSLL, inclusive para o ano calendário de 2004, compensou  os  valores  que  haviam  sido  recolhidos  pelo  regime  de  estimativa,  nos  meses  anteriores  à  concessão da liminar.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  indeferiu  o  direito  creditório  alegando: a) ausência de transito em julgado da decisão judicial; b) não comprovação de que os  créditos utilizados  tratavam de CSLL sobre exportação e, c)  impossibilidade de utilização da  estimativa mensal.  Aduz  que  o  pagamento  que  deu  origem  aos  créditos  utilizados  foi  feito  indevidamente, visto que, ao encerrar seu exercício fiscal (dezembro/2004), não deveria incluir  suas receitas de exportação na base de cálculo da CSLL, haja vista a decisão judicial que lhe  garantiu tal direito. Valores posteriores a concessão da medida judicial.  Por fim, informa a recorrente que a medida liminar fora cassada em setembro  de  2010,  ocasião  em  que  recolheu  todos  os  valores  discutidos  (doc.  5).  Por  isso,  se  não  autorizada a restituição/compensação dos valores aqui em discussão, a recorrente se sujeitará a  uma dupla exigência da CSLL sobre as receitas de exportação no ano de 2004, razão pela qual  é imperiosa a reforma da respeitável decisão recorrida.  Pois  bem.  O  artigo  165  do  Código  Tributário  Nacional — CTN  ampara  a  restituição dos valores de  tributos pagos a maior ou  indevidamente.  Já as disposições do art.  170 do CTN estabelecem que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com  créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  Por  seu  turno  as  disposições  do  art.  170­A  do  CTN  vedam  a  compensação  mediante  o  aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito  em julgado da correspondente decisão judicial.  No  caso  em  análise,  é  fato  que  o  contribuinte  não  aguardou  o  transito  em  julgado para promover a compensação, não respeitando, por consectário, o quanto disposto no  art. 170A do CTN, in verbis:  Art. 170A.  É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.904536/2009­38  Acórdão n.º 1301­001.656  S1­C3T1  Fl. 13          5 Ora, como se  sabe, a  autoridade administrativa deve agir  sempre de acordo  com a  lei  e as  sentenças  judiciais. No presente caso, como a  lei não  reconhece o direito  aos  créditos utilizados, a autoridade deve ater­se ao cumprimento do provimento judicial. Todavia,  a compensação de créditos  só poderia  implementar­se após o  trânsito  em  julgado da decisão  judicial, o que não ocorreu.  Como  bem  assentado  no  voto  recorrido,  da  análise  das  decisões  judiciais  apresentadas,  constata­se  que  o  provimento  judicial  obtido  impede  a  eventual  cobrança  ou  aplicação de penalidade por conta da exclusão do lucro das exportações da base de cálculo da  CSLL  discutida  (suspensão  da  exigibilidade),  mas  não  confere  à  contribuinte,  contudo,  o  direito  à  utilização, mediante  compensação,  do  crédito  correspondente  a  essa  exclusão,  com  seus próprios débitos.  A liminar deferida, confirmada em sentença de primeiro grau, bem esclarece  o real alcance de seu provimento, conforme excerto abaixo:  "Assim,  reputo  relevante  a  fundamentação  e  caracterizado  o  periculum  in  mora, diante do risco da agravante sofrer autuação em decorrência da exclusão do  lucro das exportações da base de cálculo da CSLL.  Em face do todo o exposto, DEFIRO a liminar pleiteada em antecipação de  tutela  da  pretensão  recursal  para  suspender  a  exigibilidade  da  CSLL  incidente  sobre  as  receitas  auferidas  pela  agravante  no  processo  de  exportação,  inclusive  com relação ao ano­calendário de 2004 ".  Considerando que  a  compensação  dos  créditos  discutidos  na  esfera  judicial  não foi abordada pela referida decisão judicial, eventual compensação na esfera administrativa  deve ser  efetuada  segundo as normas gerais e abstratas que disciplinam o procedimento de  compensação na esfera administrativa.  Além  disso,  para  que  o  crédito  reconhecido  judicialmente  possa  ser  compensado na esfera administrativa, deve o mesmo apresentar­se liquido e certo, mostrando­ se  indispensável  a  ocorrência  do  trânsito  em  julgado  da  decisão  judicial  que  reconheceu  o  crédito sobre o qual recai a pretensão compensatória, nos termos dos artigos 170 e 170­A, do  Código Tributário Nacional.  Assim,  não  só  ao  arrepio  da  Lei,  mas  também  sem  qualquer  supedâneo  jurisdicional, foram efetuadas as compensações ora sob análise.  Dessa  forma,  a  compensação  feita  com  base  em  decisão  judicial  não  transitada em julgado deve ser considerada indevida e não pode produzir os efeitos desejados  pelo contribuinte.  Portanto, a autoridade julgadora a quo decidiu escorreitamente ao indeferir o  pedido  de  restituição,  seguido  de  pedidos  de  compensação  manejados  nestes  autos,  sob  os  fundamentos de: primeiro, ausência do transito em julgado da decisão judicial e, segundo, não  ter a requerente comprovado que a contribuição paga supostamente de forma indevida de fato  incidiu sobre receitas de exportação.  De outra banda, é incontroverso o fato de que o valor apurado e recolhido a  título  de  estimativa  só  pode  ser  utilizado  na  composição  do  resultado  final  do  período  de  apuração. Entretanto, não é desse valor (estimativa) que trata a lide sob exame. Aqui, trata­se  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES     6 de  valores  discutidos  judicialmente  relativo  a  CSLL  de  receitas  de  exportação  em  que  o  recorrente  entende  ter  sido  o  recolhimento  indevido.  No  caso,  comprovado  o  pagamento  indevido poderá a recorrente interpor processo específico de repetição de indébito.  Por  todo o  exposto, NEGA­SE PROVIMENTO ao  recurso,  para manter na  íntegra o acórdão recorrido.  (assinado digitalmente)  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas  ­  Relator                               Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES

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Numero do processo: 19647.004471/2003-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2000, 2003 CSLL. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 420          1 419  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19647.004471/2003­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.281  –  3ª Turma Especial   Sessão de  31 de julho de 2014  Matéria  IRPJ E CSLL ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  JOSVALDO GONÇALVES DE LIMA ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2000, 2003  DIFERENÇA  ENTRE  OS  VALORES  ESCRITURADOS  E  OS  DECLARADOS. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA.  Mantém­se a exigência decorrente da diferença entre os valores escriturados  (Registro  de  Apuração  do  ICMS)  e  os  declarados  (Declaração  de  Contribuições e Tributos Federais ­ DCTF), quando os elementos de fato ou  de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar  os valores lançados pela Fiscalização.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2000, 2003  CSLL. DECORRÊNCIA.  Ressalvados  os  casos  especiais,  igual  sorte  colhem  os  lançamentos  que  tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem  fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 44 71 /2 00 3- 71 Fl. 843DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/2003­71  Acórdão n.º 1803­002.281  S1­TE03  Fl. 421          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  Cármen Ferreira Saraiva – Presidente    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Cármen  Ferreira  Saraiva, Victor Humberto  da  Silva Maizman,  Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur  José André  Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.    Fl. 844DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/2003­71  Acórdão n.º 1803­002.281  S1­TE03  Fl. 422          3   Relatório  Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório  do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 360 a 362):  Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 07/19 (IRPJ) e 20/26 e  208/217  (CSLL),  lavrados pela Delegacia da Receita Federal  do Brasil  no Recife­ PE,  através  dos  quais  foram  consubstanciadas  as  exigências  relativas  ao  IRPJ,  no  valor de R$ 82.207,90, e à CSLL, no valor de R$ 60.977,43, com multa de 75% e  juros moratórios.   2.         Relativamente  ao  IRPJ,  conforme  relatório  de  fls.  02/04  e  folhas  de  continuação  do  auto  de  infração  (fls.  09/10),  constam,  na  “Descrição dos Fatos”, as seguintes constatações:  2.1.  DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O  DECLARADO/PAGO.  Infração  que  decorre  de  divergências  entre  os  valores  escriturados  e  os  valores  informados  na  DCTF  apresentada  pela  autuada,  optante  pelo lucro presumido, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anos­calendário  de 1999 e 2002, com enquadramento legal à fl. 09;  [...];  3.    O lançamento relativo à CSLL foi lavrado em decorrência da apuração  da  infração  consubstanciada  no  auto  de  infração  referente  ao  IRPJ,  com  enquadramento legal às fls. 23 e 211.   4.  Cientificada  dos  lançamentos  em  tela  em  20/11/2003,  a  Interessada  apresentou  em  22/12/2003  as  impugnações  de  fls.  153/160  (IRPJ)  e  310/321  (CSLL), nas quais alega, em síntese, que:   4.1­ a presente impugnação é parcial, e toda parte lançada e sem objeção tem ­  em  anexo  ­  os  comprovantes  de  parcelamento  efetuado,  para  fins  de  se  evitar  o  acréscimo da multa de ofício;  4.2­  o  autuante  baseou­se  nos  livros  de  apuração  do  ICMS para  chegar  aos  valores que definiram os fatos geradores apontados;  [...];  4.6­  conforme  planilha  em  anexo,  elaborada  por  perito  contábil,  há  uma  divergência  dos  fatos  geradores/receitas  apuradas,  elementos  estes  que  geraram  aumento  da  carga  tributária  sem  motivação,  ferindo  o  princípio  da  legalidade  objetiva – inserto no art. 150, I, e art. 37 da CF;  4.7­ para não marcar com nulidade o ato do Fiscal autuante, necessária se faz  a revisão dos valores apontados;  4.8­ no ano de 1999, as  receitas  foram apuradas pelo Fisco com erros e nos  anos  de  [...]  e  2002,  o  Fisco  não  considerou  que,  no  total  das  notas  fiscais,  estão  incluídos os valores referentes à substituição tributária, os quais não constituem base  de cálculo do IRPJ;  Fl. 845DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/2003­71  Acórdão n.º 1803­002.281  S1­TE03  Fl. 423          4 4.9­ no ano de 1999 ­ quando na alteração do valor da Cofins, 1/3 da mesma  serviria para abater a CSLL;  4.10­  do  exposto,  demonstrada  a  insubsistência  e  improcedência  da  ação  fiscal,  espera  e  requer  que  seja  acolhida  a  presente  impugnação  em  sua  integralidade,  rogando  pela  nulidade  dos  autos  de  infração  apresentados  pelo  autuante  ou  –  alternativamente  –  nas  condições  de  mérito  apresentadas  –  pelo  cancelamento dos mesmos autos de infração;  4.11­  requer,  ainda,  a  produção  de  provas  admitidas  no  processo  administrativo  fiscal,  notadamente  pela  juntada  de  novos  documentos,  eventual  perícia contábil e outras que se fizerem necessárias.  2.  A decisão  da  instância a quo  foi  assim  ementada,  na  parte  ainda  objeto  de  litígio (fls. 358 e 359):  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1999, 2001, 2002  NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não há como se anular um lançamento se  a Interessada entendeu os motivos que ensejaram a autuação.  PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser  apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro  momento  processual,  a  menos  que  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação oportuna por motivo de força maior ou que se refira a fato ou a direito  superveniente  ou  ainda  que  se  destine  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidos aos autos.   DIFERENÇA  ENTRE  O  VALOR  ESCRITURADO  E  O  DECLARADO/PAGO. Mantém­se  a  exigência  decorrente  da  diferença  verificada  entre  os  valores  declarados  e  os  escriturados,  quando  os  elementos  de  fato  ou  de  direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores  lançados pela Fiscalização.  [...].  Outros Tributos ou Contribuições  TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. Uma vez  julgada a matéria contida  no lançamento principal, igual sorte colhe o auto de infração lavrado por decorrência  do mesmo fato que ensejou aquele.  Lançamento Procedente em Parte  3.  Cientificada  da  referida  decisão  em  26/11/2007  (fls.  376),  a  tempo,  em  26/12/2007, apresenta a interessada Recurso de fls. 379 a 385, instruído com os documentos de  fls. 386 a 413, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos.  Em mesa para julgamento.  Fl. 846DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/2003­71  Acórdão n.º 1803­002.281  S1­TE03  Fl. 424          5 Voto             Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator  Atendidos  os  pressupostos  formais  e  materiais,  tomo  conhecimento  do  Recurso.  4.  Constou da decisão recorrida (fls. 363, 365 e 366):  13.  Relativamente  ao  item  001  do  auto  de  infração  (AI),  correspondente aos  fatos geradores ocorridos em 1999 e 2002,  verifica­se,  dos  autos  do  presente  processo,  que  o  autuante  constatou  divergências  entre  os  valores  escriturados  (Livro  de  Registro  de  Apuração  do  ICMS)  e  os  declarados  na DCTF  (a  menor),  nos  anos­calendário  de  1999  e  2002,  resultando  na  diferença  entre  o  valor  escriturado  e  o  declarado/pago,  conforme demonstrativos de fls. 34 e 145.  [...].  22. Outras reclamações da autuada dizem respeito a um possível  erro  do  autuante,  no  ano  de  1999,  referente  à  apuração  das  receitas e que, nos anos de [...] 2002, no sentido de que o Fisco  não considerou que, no total das notas fiscais, estão incluídos os  valores  referentes  à  substituição  tributária,  os  quais  não  constituem base de cálculo do IRPJ, a este respeito, vê­se que a  Interessada  não  comprova,  por  qualquer meio,  que  o  autuante  tenha  se  equivocado  quando  da  lavratura  do  referido  auto  de  infração.   23.  Ademais,  a  alegação  de  que  há  divergência  dos  fatos  geradores/receitas  apuradas  que  geraram  aumento  da  carga  tributária  sem  motivação,  conforme  planilhas  de  fls.  168/171,  verifica­se que as citadas planilhas vieram desacompanhadas de  documentação comprobatória de que os valores nelas constantes  estariam corretos.  24.  Também  questiona  a  Interessada  que,  no  ano  de  1999  ­  quando na alteração do valor da Cofins, 1/3 da mesma serviria  para  abater  a  CSLL,  no  entanto,  a  mesma  não  comprova  ter  recolhido, no ano­calendário de 1999, qualquer valor a título de  Cofins.  Ainda  a  despeito  desta  questão,  compulsando  a  DIPJ/2000,  de  fls.  238/256,  verifica­se  que  a  Interessada  declarou  zero  (0,00)  na  Ficha  33­A,  implicando  que  nenhum  valor  de  Cofins  a  pagar  foi  apurado,  portanto,  não  há  que  se  falar em compensação de Cofins na apuração da CSLL referente  ao ano­calendário de 1999.  5.  Em  seu  Recurso,  não  apresenta  a  contribuinte  qualquer  documentação  ou  mesmo réplica ao que fora acima afirmado pela decisão recorrida, limitando­se a reiterar o que  havia dito em sua impugnação inicial.  Fl. 847DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/2003­71  Acórdão n.º 1803­002.281  S1­TE03  Fl. 425          6 6.  Observa­se que os valores constantes dos demonstrativos fiscais de fls. 34 e  145,  acima  mencionados  (receitas  auferidas  pela  empresa  em  1999  e  em  2002)  ou  foram  lançados no Registro de Apuração do ICMS (fls. 102 a 105, e 133 a 144) ou informados pela  própria Recorrente em planilha e disquete (fls. 95, e 230 a 232).  7.  Por sua vez, a planilha de fls. 169, apresentada pela Recorrente, que apontaria  valores  relativos  a  suposta  substituição  tributária,  no  ano­calendário  de  2002,  não  está  acompanhada do necessário suporte documental.  8.  Já os valores declarados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais  (DCTF), e devidamente deduzidos nos respectivos autos de infração, constam das planilhas de  fls. 147 e 148 (IRPJ) e 220 e 221 (CSLL), não contraditadas pela Recorrente.  9.  Por  fim,  pela  Declaração  de  Informações  Econômico­fiscais  da  Pessoa  Jurídica (DIPJ), fls. 54 a 59, verifica­se a inexistência de apuração de Cofins a pagar, não tendo  a  Recorrente,  além  disso,  comprovado  qualquer  pagamento  (e  não  mera  declaração)  a  esse  título,  passível  de  ser  considerada,  no  ano­calendário  de  1999,  como  “Cofins  efetivamente  paga”, para fins de possível dedução da CSLL devida.  CSLL  10.  Ressalvados  os  casos  especiais,  igual  sorte  colhem  os  lançamentos  que  tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou  argumentos novos a ensejar conclusões diversas.  Conclusão  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Sérgio Rodrigues Mendes                            Fl. 848DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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Numero do processo: 16000.000216/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Ao enviar os documentos representativos do lançamento para a pessoa jurídica, presume-se estarem cientificados os seus representantes legais. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. Na espécie inexistiu desconsideração da personalidade jurídica da empresa, posto que o lançamento foi efetuado em seu nome e a Relação de Vínculos anexada ao processo tem caráter apenas informativo, não havendo, durante o processo administrativo, imputação de responsabilidade tributária a quaisquer das pessoas ali arroladas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
Numero da decisão: 2401-003.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares de nulidade do lançamento; II) indeferir o pedido para exclusão dos recorrentes da Relação de Vínculos; III) reconhecer a decadência até a competência 11/2001; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2316; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 245          1 244  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16000.000216/2007­90  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­003.675  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  9 de setembro de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ­ CONSTRUÇÃO CIVIL  Recorrente  TUBOCITY INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TUBOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006  CONJUNTO  PROBATÓRIO  CARREADO  PELO  FISCO.  COMPROVAÇÃO DA VINCULAÇÃO À EMPRESA DE PESSOAS NÃO  CONSTANTES DO CONTRATO SOCIAL.  Além  das  provas  testemunhais,  o  fisco  acostou  outros  elementos,  que  apreciados  conjuntamente  levam  ao  convencimento  de  que  os  sócios­ administradores da empresa fiscalizada eram pessoas que não  figuravam no  seu quadro societário.  FALTA  DE  PROVA  REGULAR  E  FORMALIZADA  DAS  REMUNERAÇÕES  PAGAS  PARA  EXECUÇÃO  DE  OBRA  DE  CONSTRUÇÃO  CIVIL.  POSSIBILIDADE  DE  ARBITRAMENTO  DAS  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  Abre­se ao Fisco a possibilidade de arbitrar as contribuições previdenciárias  devidas,  quando  o  sujeito  passivo  deixa  de  apresentar  prova  regular  e  formalizada  das  remunerações  pagas  para  execução  de  obra  de  construção  civil.  JUROS  SELIC.  INCIDÊNCIA  SOBRE  OS  DÉBITOS  TRIBUTÁRIOS  ADMINISTRADOS PELA RFB.   A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  MULTA.  CARÁTER  CONFISCATÓRIO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.  Não  pode  a  autoridade  fiscal  ou  mesmo  os  órgãos  de  julgamento  administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob  a justificativa de que têm caráter confiscatório.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 0. 00 02 16 /2 00 7- 90 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO.  NFLD.  EXIGÊNCIA  DE  ASSINATURA  DA  CHEFIA  DO  ÓRGÃO.  INEXISTÊNCIA.  Na data do lançamento, não era aplicável às contribuições previdenciárias as  normas  do Decreto  n.  70.235/1972,  portanto,  não  havia  obrigatoriedade  de  assinatura da chefia imediata do auditor fiscal no corpo da notificação fiscal.  ENVIO  DO  LANÇAMENTO  PARA  A  PESSOA  JURÍDICA.CIENTIFICAÇÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS.  Ao  enviar  os  documentos  representativos  do  lançamento  para  a  pessoa  jurídica, presume­se estarem cientificados os seus representantes legais.  DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. INOCORRÊNCIA.  Na espécie  inexistiu  desconsideração  da  personalidade  jurídica  da  empresa,  posto que o lançamento foi efetuado em seu nome e a Relação de Vínculos  anexada ao processo tem caráter apenas informativo, não havendo, durante o  processo administrativo, imputação de responsabilidade tributária a quaisquer  das pessoas ali arroladas.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  AUSÊNCIA  DE  ANTECIPAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  PRAZO  DECADENCIAL.  CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.  Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a  contagem  do  prazo  decadencial  tem  como marco  inicial  o  primeiro  dia  do  exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar  as preliminares de nulidade do lançamento; II) indeferir o pedido para exclusão dos recorrentes  da Relação  de Vínculos;  III)  reconhecer  a  decadência  até  a  competência  11/2001;  e  IV)  no  mérito, negar provimento ao recurso.      Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Kleber Ferreira de Araújo – Relator  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/2007­90  Acórdão n.º 2401­003.675  S2­C4T1  Fl. 246          3 Participaram  do  presente  julgamento  o(a)s  Conselheiro(a)s  Elias  Sampaio  Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira,  Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     4   Relatório  Trata­se de recurso interposto contra o Acórdão n.º 04­13.405 de lavra da 3.ª  Turma da Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  – DRJ  em Campo Grande  (MS),  que  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada  para  desconstituir  o  Notificação  Fiscal de Lançamento de Débito ­ NFLD n.º 37.061.714­2.  No  crédito  em  questão  são  exigidas  as  contribuições  patronais  para  a  Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho, e para outras entidades ou fundos.  Nos  termos  do  relatório  fiscal  os  fatos  geradores  contemplados  no  lançamento decorreram do pagamento de remunerações aos segurados que laboraram nas obras  de construção civil matriculadas junto ao Cadastro Especifico do Instituto Nacional do Seguro  Social  —  CEI  sob  n.  21.046.00327/71,  referente  à  construção  de  galpão  industrial  e  à  demolição da mesma edificação, conforme Aviso de Regularização de Obra — ARO à fl. 28.  As  contribuições  foram  obtidas  por  arbitramento,  em  razão  da  recusa  da  empresa de apresentar os seus documentos fiscais e contábeis, fato que motivou a lavratura de  Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória.  O  fisco  relata  que  diligenciou  no  endereço  da  notificada  constante  no  cadastro da Receita Previdenciária, constatando que:  a) no referido local existe outra empresa em funcionamento;  b)  o  terreno  correspondente  foi  arrematado  em  leilão  pela  empresa  Construções Metálicas ICEC; e  c)  o  galpão  que  servia  de  instalação  para  fábrica  de  tubos  da  empresa  fiscalizada houvera sido desmontado e vendido à empresa Ligaforte Equipamentos Ltda – ME.  Outras  diligências  foram  realizadas  no  afã  de  localizar  a  empresa  autuada,  tendo o fisco concluído que esta houvera encerrado as atividades e que fora gerida no período  do lançamento, de fato, por Agnaldo Ferraz Júnior e Terezinha Paula de Borges Ferraz.  Reproduzo trecho do relatório da decisão de primeira instância, que trata das  afirmações do fisco para demonstrar que as pessoas acima eram os verdadeiros sócios­gerentes  da empresa.  “A fim de localizar a empresa, realizou diligências no endereço  dos  ex­sócios  Eva  Maria  da  Silva,  Margareth  Olher,  Leo  Emerson Castilho Floriano, no 2 ° Cartório de Notas e Protestos  de  Araçatuba,  na Organização  Contábil  Continental  S/C  Ltda,  escritório  responsável  pela  contabilidade  da  notificada,  nas  Varas  do  Trabalho  de  São  José  do  Rio  Preto  e  no  sistema  Cadastro  Nacional  de  Informações  da  Previdência  Social  —  CNIS, tendo concluído, primeiro, que a empresa notificada havia  encerrado  suas  atividades,  e,  segundo,  que  os  sócios  Agnaldo  Ferraz  Júnior  e Terezinha  de Paula Borges Ferraz  são  sócios­ Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/2007­90  Acórdão n.º 2401­003.675  S2­C4T1  Fl. 247          5 gerentes de fato em todo o período do lançamento, considerando  os elementos a seguir descritos, em síntese:  a)  conforme  depoimento  pessoal  do  ex  ­sócio  e  ex­empregado  da notificada, Leo Emerson Castilho Floriano, ele, Wagner  Couto  Afonso,  Ayres  José  de  Paula,  e  Osvaldo  Beserra  Pessoa,  que  figuram  nos  contratos  sociais  como  sócios  da  notificada no período de 02/07/1997 a 05/05/2003, não têm  nenhuma  relação  societária  de  fato  com  a  empresa,  sendo  que:  a.1)  os  verdadeiros  proprietários  da  empresa  sempre  foram  Agnaldo  Ferraz  Júnior  e  Terezinha  de  Paula  Borges  Ferraz,  sendo  que  ele  (Leo  Emerson  Castilho  Floriano)  e  Osvaldo  Beserra  Pessoa  eram  empregados  registrados  na  empresa  notificada,  o  que  foi  confirmado  pela  fiscalização  por meio  de  consulta  ao  sistema Cadastro Nacional  de  Informações  Sociais  —  CNISA.  Acrescenta  que  concordaram,  para  não  serem  demitidos,  em  figurar  como  sócios  "de  fachada"  da  empresa  notificada  e  da  empresa  Tubrás  Tubos  e  Estruturas  do  Brasil  Ltda, a qual também pertence a Agnaldo Ferraz Júnior e tem os  mesmos  sócios  da  Tubocity,  tendo  sido  realizado  "contrato  de  gaveta"  entre  eles  e  os  verdadeiros  proprietários,  consignando  que  a  empresa  passaria  para  a  propriedade  desses  últimos  em  caso de falecimento dos sócios "de fachada". Esses  fatos foram  consignados  no  boletim  de  ocorrência  n°  29/2005,  perante  a  Delegacia  de  Policia  do  Município  de  Bady  Bassit,  em  31.01.2005,  para  "preservação  de  direitos",  de  onde  se  extrai,  ainda,  que  no  final  de  2004  o  Sr.  Agnaldo  Ferraz  Júnior  encerrou  as  atividades  da  empresa,  vendeu  os  maquinários  e  equipamentos  e  dispensou  todos  os  funcionários  (ver  inteiro  teor)  a.2)  Wagner  Couto  Afonso  e  Ayres  José  de  Paula  eram  empregados registrados na empresa Tubrás Tubos e Estruturas  do Brasil Ltda, o que foi confirmado pela fiscalização por meio  de  consulta  ao  sistema  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais — CNISA.  a.3)  José  Luis  Mitidieri  Neto  é  o  procurador  da  empresa  notificada, o que foi corroborado pelas procurações obtidas pela  fiscalização  junto  ao  Cartório  de  Notas  e  Protestos  de  Araçatuba, com amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e  administrar a empresa notificada.  b)  conforme  depoimento  pessoal  de  Eva  Maria  da  Silva  e  Margareth Olher, que figuram nos contratos sociais como sócias  da  notificada  no  período  a  partir  de  05/05/2003,  elas  não  têm  nenhuma  relação  societária  de  fato  com  a  empresa  notificada,  pois  não  conhecem  a  empresa,  seus  sócios  anteriores  e  seu  procurador,  nem  qualquer  pessoa  que  nela  tenha  trabalhado,  declarando  ainda  que  assinaram  papéis  sem  saber  o  que  assinavam e que não lembram quem levou os papéis para serem  assinados. Por fim, a primeira diz que é empregada doméstica e  a segunda atualmente está desempregada.  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     6 c)  conforme  depoimento  pessoal  de  Maria  Cristina  Toledo,  funcionária  da  empresa Organização Contábil Continental  S/C  Ltda,  encarregada  da  escrituração  da  notificada,  quem  se  apresentava como proprietário da Tubociy  era Agnaldo Ferraz  Júnior,  sendo  que  "Léo"  (Leo  Emerson  Castilho  Floriano)  e  "Osvaldo"  (Osvaldo  Beserra  Pessoa)  eram  empregados  da  notificada  nas  funções  de  encarregado  financeiro  e  vendas,  respectivamente.  Concluiu  informando  que  no  inicio  de  2005  o  Sr.  Agnaldo  retirou os livros contábeis do escritório e que o último serviço do  escritório prestado à notificada foi o preenchimento e entrega da  DIPJ e DCTJ ano base 2004, entregues em 2005.  d)  de  acordo  com  as  petições  iniciais  extraídas  de  ações  trabalhistas  sobre  fatos  ocorridos  no  período  do  presente  lançamento, Agnaldo Ferraz Júnior, Terezinha de Paula Borges  Ferraz e José Luiz Metidieri Neto figuram como responsáveis de  fato  pela  empresa  nas  ações  ajuizadas  pelos  reclamantes,  ex­ empregados  da  notificada:  Antônio  Luiz  Fidelis,  Demetrio  Maiotto  e  José  Luiz  de  Souza  Júnior  (n  °  330/2005­3  a  Vara;  355/2005­3.ª Vara, 436/2005­3.ª Vara, respectivamente, todos da  comarca de São José do Rio Preto­SP).  e) conforme consulta ao banco de dados da Previdência Social  CNISA  (Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais),  não  há  informação de  vínculo  societário  entre a notificada e os  sócios  Ayres  José  de  Paula,  Wagner  Couto  Afonso,  Osvaldo  Beserra  Pessoa,  Leo Emerson Castilho Floriano, Eva Maria da  Silva  e  Margareth  Olher.  Em  relação  a  essas  pessoas,  constam  os  seguintes vínculos:  e.1)  vinculo  empregaticio  de  Ayres  José  de  Paula  e  Wagner  Couto  Afonso,  com  a  empresa  Tubrás  e  de  Osvaldo  Beserra  Pessoa  e  Leo  Emerson  Castilho  Floriano,  com  a  empresa  Tubocity .  e.2)  Eva  Maria  da  Silva,  está  inscrita  perante  a  Previdência  Social  como  empregada  doméstica  desde  01.09.1986  e  Margareth  Olher,  como  vendedora  ambulante,  desde  03.04.1995.  Diante  do  exposto,  a  fiscalização  constata  que,  embora  o  Sr.  Agnaldo  Ferraz  Júnior  e  a  Sra.  Terezinha  de  Paula  Borges  Ferraz  tenham  figurado  nos  atos  constitutivos  da  notificada  como  sócios  gerentes  apenas  no  período,  respectivamente,  de  15.02.90  a  02.07.97  e  17.10.96  a  02.07.97,  são  de  fato  os  proprietários da empresa e participaram da sua gestão durante  todo o período do lançamento, motivo pelo qual foram arrolados  como co­responsáveis pelo crédito ora constituído (cf.  relatório  CORESP)  Por  fim,  a  Auditoria  Fiscal  informa  que  formalizou  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  contemplando  os  fatos  aqui relatados.  Agnaldo  Ferraz  Júnior  e  Terezinha  Paula  de  Borges  Ferraz  apresentaram  impugnação de fls. 160/174, reiterada às fls. 199/219, onde em síntese se insurgiram contra a  Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/2007­90  Acórdão n.º 2401­003.675  S2­C4T1  Fl. 248          7 responsabilidade a eles imputada, além de suscitarem a nulidade do lançamento e, no mérito, a  sua improcedência ou, alternativamente, a redução dos juros para 1% ao mês.  A DRJ não acatou as razões do recurso e indeferiu o pedido de exclusão das  referidas pessoas do rol de corresponsáveis, além de declarar procedente o lançamento. Eis a  ementa do acórdão de primeira instância:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/12/2006  a  31/12/2006  SÓCIOS  GERENTES DE FATO. CO­RESPONSABILIDADE.  LEGITIMIDADE.  Os reais proprietários e administradores da empresa, arrolados  como co­responsáveis pela fiscalização, têm legitimidade para  impugnar o lançamento na qualidade de terceiros interessados  e  na  qualidade  de  sujeito  passivo,  neste  último  caso,  por  exprimirem a vontade da pessoa jurídica.  NFLD. ASSINATURA CHEFIA.  A assinatura do chefe imediato do auditor fiscal notificante não  é  requisito  de  validade  dos  lançamentos  de  contribuições  previdenciárias,  posto  que não  contemplada  no  art. 37  da  lei  8.212/91. A previsão, neste  sentido,  contida  no  art. 11,  IV  do  Decreto 70.235/72, não prevalece ao art. 37 da lei 8.212/91 por  se tratar, este Ultimo, de norma especial.  DESCONSIDERAÇÃO  DO  CONTRATO  SOCIAL.  PROVA  TESTEMUNHAL.  PETIÇÕES  INICIAIS.  CONLUIO.  PROCEDIMENTO  ESPECIAL  DESCONSIDERAÇÃO  DA  PERSONALIDADE  JURÍDICA  DA  EMPRESA.  CERCEAMENTO DE DEFESA.  0  conjunto  de  indícios  colhidos  pela  fiscalização  (depoimento  pessoal  de  ex­sócios  da  empresa,  depoimento  pessoal  de  funcionário  responsável  pela  contabilidade  da  empresa,  informações  prestadas  pela  empresa  contidas  no  Cadastro  de  Informações  Sociais  da  Previdência  Social  e  informações  contidas  em  petições  iniciais  em  processos  trabalhistas  de  diversos  ex­funcionários  da  empresa)  são  suficientes  para  presumir  a  prática  de  simulação  de  ato  jurídico  mediante  alteração do quadro societário da pessoa jurídica com o objetivo  de  desincumbir  de  responsabilidade  os  reais  proprietários  da  empresa.  0  processo  administrativo­tributário  admite  todas  as  provas  e  meios de provas lícitos, inclusive os indícios e presunções.  Por  se  tratar  de  restrição  à  garantia  fundamental  da  ampla  defesa,  a  limitação  da  prova  deve  restringir­se  às  hipóteses  previstas em lei. A vedação da prova exclusivamente testemunhal  restringe­se  comprovação  do  tempo  de  serviço,  nos  termos  do  art. 55 § 3° da lei 8.212/91.  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     8 A ausência de decisão judicial não altera o valor indiciário dos  fatos declarados  em petições  iniciais  em processos  trabalhistas  porque  não  há  identidade  de  causa  entre  os  processos  trabalhistas e a NFLD, nem a Justiça do Trabalho é competente  para decidir a matéria em questão.  Os  fatos  declarados  em  depoimentos  foram  corroborados  por  outros  elementos,  não  sendo  suficiente  para  afastar  sua  idoneidade  a  alegação  não  comprovada  de  que  resultam  de  conluio.  0  efeito  da  desconsideração  do  contrato  social  quanto  responsabilização  dos  reais  proprietários  da  empresa  poderá  ocorrer  apenas  na  via  judicial,  em  sede  de  execução  fiscal,  oportunidade em que lhes serão assegurados o contraditório e a  ampla defesa, motivo pelo qual não há que se falar na adoção de  procedimento especial na esfera administrativa.  Na  fase  administrativa  não  há  desconsideração  da  personalidade  jurídica  da  empresa,  permanecendo  no  pólo  passivo  o  contribuinte  que  tem  relação  direta  com  o  fato  gerador. A substituição do sujeito passivo pelos sócios gerentes  depende  de  decisão  judicial  em  eventual  execução  em  face  desses últimos.  CITAÇÃO  DA  PESSOA  JURÍDICA  NA  PESSOA  DE  EX­ SÓCIOS E SÓCIOS DE FATO.  São  válidas  as  intimações da  empresa  realizadas  na pessoa  de  seus sócios de fato ou de direito, como corolário do principio da  boa­fé objetiva.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INACESSO  AOS  DOCUMENTOS DO SUJEITO PASSIVO.  A  ampla  defesa  foi  garantida  no  processo  administrativo  por  meio da  intimação válida do sujeito passivo por edital, e pela  ciência, suprida pela impugnação, na pessoa dos sócios de fato,  permitindo  acesso  a  todas  as  informações do processo,  direito  de vista, de ser ouvido, de fazer provas, direito à resposta, dentre  outros. Eventuais  limitações  probatórias  em  razão  do  estado  ou condições do próprio interessado, não podem ser opostas ao  Fisco quando este não tenha dado causa a elas.  CO­RESPONSABILIDADE. PERÍODO.  0  período  da  co­responsabilidade  dos  sócios  coincide  com  o  período  em  que  participaram  da  real  gestão  do  negócio,  independente do contido no contrato social.  OMISSÃO DE DOCUMENTOS. PRESUNÇÃO.  A  empresa,  devidamente  intimada,  deixou  de  apresentar  à  fiscalização os documentos por ela solicitados e não  fez prova  do contrário.  FATO GERADOR. PRESUNÇÃO. INDETERMINAÇÃO.  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/2007­90  Acórdão n.º 2401­003.675  S2­C4T1  Fl. 249          9 A  ocorrência  dos  fatos  geradores  não  foi  presumida  porque  materializada nas próprias declarações da empresa.  0 lançamento discrimina com clareza os fundamentos  fáticos e  jurídicos  do  crédito  nele  contido,  nos  termos  do  art.  142  do  CTN e art. 37 da lei 8.212/91.  MULTA E JUROS.  Os  juros  e  a  multa  foram  calculados  de  acordo  com  os  dispositivos  legais, não cabendo, A Administração, manifestar­ se  sobre  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  das  normas  em  vigor.  Lançamento Procedente  Contra esta decisão foi interposto recurso voluntário, de fls. 190/223, no qual  as pessoas físicas, arroladas como administradoras de fato, alegaram, em apertada síntese, que:  a) a NFLD é nula posto que no seu corpo não consta a assinatura da chefia  imediata  da  autoridade  lançadora,  requisito  essencial  nos  termos  do  art.  11  do  Decreto  n.  70.235/1972;  b)  outra  causa  de  nulidade  é  o  cerceamento  ao  direito  de  defesa  dos  verdadeiros sócios da empresa, uma vez a notificação foi encaminhada erroneamente a pessoas  que não fazem parte do quadro social da autuada;  c)  não  se  concebe  que  uma  lavratura  fiscal  seja  edificada  apenas  em  suposições sem a devida comprovação dos fatos narrados no relatório da auditoria. Tal conduta  da autoridade lançadora invalida todo o procedimento;  d)  não  se  admite  que  o  lançamento  tenha  como  fundamento  apenas  provas  testemunhais e reclamatórias trabalhistas, estas sem decisão final;  e) os fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos da ciência do lançamento  foram fulminados pela decadência;  f)  o  registro  público  deve  prevalecer,  de  modo  que  o  referido  crédito  previdenciário  não  pode  ser  exigido  dos  ex­sócios  da  autuada,  os  quais,  conforme  alteração  societária acostada, retiraram­se da sociedade em 02/07/1997;  g)  a  falta  de  apresentação  de  documentos  não  faz  nascer  a  obrigação  tributária,  além de  que  o  fisco  não  se  preocupou  em perquirir  se  efetivamente ocorreram os  fatos geradores das contribuições, nem de determinar a matéria tributável;  h) os lançamentos anteriores consubstanciados na NFLD n. 35.781.836­9 e na  NFLD  n.  35.781.765­0  foram  anulados  e  não  cabe  agora  à  Fazenda  querer  impor  novas  exigências sobre os mesmos fatos, alcançando inclusive ex­sócios da empresa;  i) a desconsideração da personalidade só se aplica diante da prática de atos de  atividade irregular, o que não é o caso, haja vista que os ex­sócios se desligaram da empresa  em 02 de julho de 1997, assim, 10 anos se passaram e agora a autoridade administrativa, por  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     10 meras declarações unilaterais sem comprovação e sem que houvesse a intimação dos ex­sócios  que o fisco entendeu serem os proprietários da empresa;  j)  pela  teoria  da  desconsideração  da  personalidade  jurídica  da  empresa,  os  terceiros somente podem ser chamados a responder por dívida daquela se lhes foi facultada a  oportunidade de se defenderem desde o processo de conhecimento;  k) é inaplicável a taxa de juros Selic para fins tributários;  l) a multa aplicada é inconstitucional, por ter caráter de confisco.  Ao  final  requereram  a  declaração  da  nulidade  do  lançamento,  o  reconhecimento  da  decadência  e,  no  mérito,  pelo  provimento  do  recurso,  com  consequente  cancelamento da NFLD e a exclusão da responsabilidade dos ex­sócios.  É o relatório.  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/2007­90  Acórdão n.º 2401­003.675  S2­C4T1  Fl. 250          11   Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator  Admissibilidade  O  recurso  merece  conhecimento,  posto  que  preenche  os  requisitos  de  tempestividade e legitimidade.  Assinale­se  que  a  legitimidade  dos  supostos  sócios  de  fato Agnaldo  Ferraz  Júnior e Terezinha Paula de Borges Ferraz para apresentar o recurso decorre do seu interesse  de  agir  no  processo  administrativo,  haja  vista  que  foram  incluídos  na  relação  de  pessoas  vinculadas a pessoa jurídica, podendo na fase de execução serem chamados a responder pelo  crédito previdenciário.  Demais  disso,  o  órgão  julgador  de  primeira  instância  foi  enfático  em  determinar que estas pessoas fossem cientificadas de seu acórdão.  Preliminares de nulidade  a) falta na NFLD de assinatura da chefia imediata  Na  data  do  lançamento,  08/03/2007,  não  era  aplicável  ao  processo  administrativo fiscal de exigência de contribuições previdenciárias as disposições do Decreto n.  70.235/1972. Este passou a reger o processos de débito previdenciário somente a partir de abril  de 2008, nos termos do art. 25 da Lei n. 11.457, 16/03/2007, assim redigido:  Art.  25. Passam  a  ser  regidos  pelo Decreto  n  70.235,  de  6  de  março de 1972:  1­  a  partir  da  data  fixada  no  §  1.º  art.  16  desta  Lei,  os  procedimentos  fiscais  e  os  processos  administrativo­fiscais  de  determinação  e  exigência  de  créditos  tributários  referentes  às  contribuições de que tratam os arts. 2.º e 3.º desta Lei;  Por sua vez o § 1. do art. 16 previa:  Art. 16. (...)  § 1o A partir do 1o (primeiro) dia do 13o (décimo  terceiro) mês  subseqüente  ao  da  publicação  desta  Lei,  o  disposto  no  caput  deste artigo  se  estende à dívida ativa do  Instituto Nacional do  Seguro Social ­ INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento  da  Educação  ­  FNDE  decorrente  das  contribuições  a  que  se  referem os arts. 2o e 3o desta Lei.  (...)  Assim, não deve ser acolhido o argumento da empresa de que o lançamento  seria nulo por não atender ao disposto no inciso IV do art. 11 do Decreto n. 70.235/1972, haja  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     12 vista que os processos administrativos de exigência de contribuições previdenciárias, na data  do  lançamento, não eram regidos por esse diploma, mas pelo art. 37 da Lei n. 8.212/1991, o  qual não continha exigência relativa à aposição da assinatura da chefia imediata da autoridade  lançadora na notificação.  b) impossibilidade de arrolar os ex­sócios na Relação de Vínculos  As pessoas físicas recorrentes alegam que, não sendo sócias da recorrente, o  lançamento representa cerceamento ao direito de defesa, pois:  a)  o  procedimento  de  afastar  as  informações  contidas  em  contrato  social  objeto  de  registro  público  foi  realizado  unilateralmente  pela  fiscalização  previdenciária,  ao  passo  que  seria  necessária  a  instauração  de  processo  especifico  para  apuração  de  eventual  modificação  de  fato  da  sociedade,  no  qual  fosse  assegurado  aos  interessados,  incluindo  os  impugnantes, o contraditório e a ampla defesa;  b) aos impugnantes é inviável a apresentação detalhada de defesa porque não  têm acesso aos documentos da empresa, uma vez que não são representantes legais da empresa;  c) como os verdadeiros  sócios da empresa deixaram de ser notificados, não  lhes  foi  oportunizado  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  (art.  5°  IV  da  CF),  o  que  já  havia  ocorrido  nos  processos  NFLD  35.781.836­9  e  NFLD  35.781.765­0,  anulados  administrativamente.  Inicialmente cabe  enfatizar que não procede o  argumento da não  intimação  dos  sócios de direito da  autuada. Ao encaminhar a NFLD à  empresa obviamente  também se  está dando ciência do lançamento aos representantes legais da pessoa jurídica.  Até porque o fisco não  imputou a  responsabilidade solidária pela satisfação  dos  créditos  nem  aos  sócios  constantes  no  contrato  social,  nem  àqueles  que  supostamente  seriam  administradores  de  fato.  A  Relação  de  Vínculos  tem  apenas  caráter  informativo  e  o  chamamento das pessoas ali listadas para satisfação do crédito poderá ocorrer, mas somente na  fase de cobrança judicial das contribuições.  É  esse  entendimento  que  se  extrai  da  jurisprudência  do  CARF,  da  qual  decorreu a seguinte súmula:  Súmula  CARF  nº  88:  A  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e  a  “Relação  de  Vínculos  –  VÍNCULOS”,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente  informativa.  Quanto  à  inclusão  de  Agnaldo  Ferraz  Júnior  e  Terezinha  Paula  de  Borges  Ferraz  é  matéria  que  comporta  uma  análise  mais  aprofundada,  posto  que  essas  pessoas  formalmente não estavam incluídas no quadro societário da autuada no período da notificação.  O fisco conclui que, malgrado a composição social da empresa constante no  seu  contrato  de  constituição  contivesse  outra  configuração,  os  verdadeiros  sócios  administradores eram Agnaldo Ferraz Júnior e Terezinha Paula de Borges Ferraz. Para edificar  essa  conclusão,  a  autoridade  lançadora  se  valeu  basicamente  de  depoimentos  dos  sócios  constantes no contrato  social, de ex­empregados e de pessoa vinculada ao escritório contábil  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/2007­90  Acórdão n.º 2401­003.675  S2­C4T1  Fl. 251          13 que  prestava  serviço  à  Tubocity,  além  de  consultas  ao  sistema  informatizado  do  INSS,  a  cartório  da  comarca  de  localização  da  empresa  e  a  processos  trabalhistas  movidos  contra  a  notificada e seus administradores de fato.  Recapitulemos os fatos narrado no relatório fiscal.  Leo  Emerson  Castilho  Floriano,  ex­empregado  e  também  ex­sócio  da  empresa  fiscalizada  revelou  que  ele,  juntamente  com Wagner  Couto Afonso, Ayres  José  de  Paula,  e  Osvaldo  Beserra  Pessoa,  figuraram  no  período  de  1997  a  2003  como  sócios  da  empresa, sem que de fato tivessem qualquer autonomia administrativa, posto que na realidade a  empresa era gerida por Agnaldo e Terezinha Ferraz. O vínculo empregatício de Wagner Couto  e Osvaldo Beserra foram confirmados no sistema informatizado do INSS.  Esse  mesmo  depoente  afirmou  que  concordou  em  figurar  como  sócio  da  notificada e da empresa Turbrás Tubos e Estrutura (também de propriedade de Agnaldo Ferraz)  para evitar a perda do emprego.  Outros  depoimentos  bastante  elucidativos  foram  aqueles  prestados  por  Eva  Maria  da  Silva  e  Margareth  Olher,  as  quais  figuram  como  sócias  da  Tubocity  a  partir  de  05/05/2003. As falas dessas duas pessoas coincidem na afirmativa de que nunca administraram  a empresa e que não conheciam os ex­sócios, o procurador, além de que, a primeira trabalha  como empregada doméstica, e a outra encontrava­se desempregada, porém seu vínculo com a  Previdência  Social  era  na  categoria  de  contribuinte  individual,  na  função  de  vendedora  ambulante.  Maria  Cristina  Toledo,  funcionária  da  empresa  responsável  pela  escrita  contábil da autuada, mencionou que Agnaldo Ferraz é quem se apresentava como proprietário  da  empresa  Tubocity  e  que  Leo  Emerson  e  Osvaldo  Beserra  eram  empregados  desta  nas  funções de encarregado financeiro e de vendas, respectivamente.  Pesquisando  ações  trabalhistas  movidas  contra  a  fiscalizada,  o  fisco  pode  constatar que Agnaldo e Terezinha Ferraz,  além de  José Luiz Metidieri Neto  (procurador da  empresa  com  poderes  gerais)  foram  arrolados  como  corresponsáveis  em  reclamatórias  trabalhistas  ajuizadas  pelos  ex­empregados  da  Tubocity  Antônio  Luiz  Fidelis,  Demétrio  Maiotto e José Luiz de Souza Júnior.  Sobre essa questão vale frisar que às fl. 43/48, consta sentença proferida nos  autos do processo n° 330/2005, da 3.ª Vara do Trabalho de São José do Rio Preto, em razão da  reclamação  ajuizada por Antônio Luiz Fidelis,  reconhecendo,  como efeito da  revelia,  que os  aqui recorrentes eram sócios da empresa e que deveriam responder pelas verbas trabalhistas em  fase de execução, subsidiariamente à pessoa jurídica.  Para mim, todo esse conjunto probatório carreado pela autoridade lançadora é  suficiente  para  demonstrar  que  Agnaldo  e  Terezinha  Ferraz  devem  figurar  na  Relação  de  Vínculos,  posto  que  de  fato  eram  os  administradores  da  empresa  notificada  no  período  do  lançamento.  Não detectei prejuízo ao direito de defesa dessas pessoas, uma vez que eles  tiveram  oportunidade  de  apresentar  defesa  e  recurso  administrativos  para  demonstrar  que  as  conclusões do fisco estavam equivocadas.  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     14 Outro  ponto  que  deve  ser  muito  bem  esclarecido  é  que  não  houve  a  desconsideração da pessoa jurídica no presente caso, uma vez que a lavratura se deu em nome  da  Tubocity  Indústria  e  Comércio  de  Tubos,  assim,  a  princípio,  a  responsabilidade  pela  satisfação do  crédito  é unicamente da pessoa  jurídica,  não  se verificando no procedimento  e  processo  administrativo  qualquer  imputação  de  solidariedade  às  pessoas  físicas  arroladas  na  Relação de Vínculos.  c) das provas utilizadas pela fiscalização  Engana­se  a  recorrente  quando  afirma  que  a  prova  testemunhal  não  teria  validade para comprovar os fatos narrados pela auditoria. Fosse um depoimento isolado, este  seria  apenas uma prova  indiciária, mas  a  fala de diversas  testemunhas  relatando o  fato  a  ser  provado, isso aliado a outras fontes como processos trabalhistas e registros do banco de dados  da  Previdência  Social  são  elementos  consistentes  a  demonstrar  a  vinculação  de  Agnaldo  e  Terezinha  Ferraz  à  empresa  autuada,  de  modo  a  justificar  a  sua  inclusão  na  Relação  de  Vínculos. Em absoluto pode se falar em conclusões baseadas em meras presunções, conforme  afirmou o sujeito passivo.  O  próprio  CARF  tem  admitido  a  utilização  de  prova  testemunhal  para  demonstrar a ocorrência de fatos tributários, como se pode ver do Acórdão n. 1102­00.397, de  24/02/2011, cuja relatoria coube a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   NULIDADES  PAF:  NULIDADE  DA  DECISÃO/CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  —  0  julgador  não  está  obrigado  a  contestar,  item  por  item,  os  argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de  mérito.  (STJ — Resp 652.422 — 2004/0099087­0) RET n 43 —  maio/junho/2005, p.136:5691)   PROVA  TESTEMUNHAL  ­  As  declarações  constantes  de  documentos assinados presumem­se verdadeiras, principalmente  quando  nos  depoimentos  os  próprios  Recorrentes  prestaram  informações  a  termo,  perante  autoridade  fiscal,  confirmando  fatos  que  apontam  para  ocorrência  de  crime  contra  a  ordem  tributária.   SUJEITO  PASSIVO  ­  RESPONSABILIDADE  TRIBUTARIA  ­  SOLIDARIEDADE  ­  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos correspondentes a obrigações tributárias, resultantes de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  os  mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado.  Respondem  pelo  crédito  tributário  os  verdadeiros  sócios  da  pessoa  jurídica,  pessoas  fisicas,  acobertadas  por  terceiras  pessoas  que  apenas  emprestavam  o  nome  para  que  eles  realizassem  operações  em  nome  da  pessoa  jurídica,  da  qual  detinham amplos poderes para agir.  Por  outro  lado,  os  recorrentes  não  conseguiram  apresentar  nenhuma  prova  com  força  suficiente  a  afastar  às  conclusões  do  fisco,  adotadas,  repita­se  com esteio  em um  conjunto probatório consistente.  De  se  concluir  que  inexistiu  cerceamento  ao  direito  de  defesa  das  pessoas  físicas  tomadas  como  verdadeiros  administradores  da  empresa,  haja  vista  que  restou  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/2007­90  Acórdão n.º 2401­003.675  S2­C4T1  Fl. 252          15 comprovado que o comando da empresa era de fato exercido por estas pessoas. Assim não é  verdade  que  elas  estariam  impedidas  de  se  defender  por  falta  de  acesso  aos  documentos  da  empresa.  Decadência  É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º  8.212/1991  pela  Súmula  Vinculante  n.º  08,  editada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  12/06/2008,  o  prazo  decadencial  para  as  contribuições  previdenciárias  passou  a  ser  aquele  fixado no CTN.  Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem  do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição:  Art. 150 (...)  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  ................................................................................................  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:   I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;   II  ­  da  data  em que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  (...)  A  jurisprudência majoritária do CARF,  seguindo entendimento do Superior  Tribunal  de  Justiça,  tem  adotado  o  §  4.º  do  art.  150  do  CTN  para  os  casos  em  que  há  antecipação  de  pagamento  do  tributo,  ou  até  nas  situações  em que não  havendo  a menção  à  ocorrência  de  recolhimentos,  com  base  nos  elementos  constantes  nos  autos,  seja  possível  se  chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado.  O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o  contribuinte  não  tenha  antecipado  o  pagamento  das  contribuições,  na  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação  e  também para os  casos  de  aplicação  de multa  por  descumprimento  de  obrigação acessória.  Por  fim,  o  art.  173,  II,  merece  adoção  quando  se  está  diante  de  novo  lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal.  No caso sob apreciação, deve ser aplicado o inciso I do art. 173 do CTN para  contagem do  prazo  decadencial,  posto  que  não  foram  efetuados  recolhimentos  para  obra  em  questão. A ciência  do  lançamento  foi  feita  por  edital,  com publicação  na  imprensa  local  em  10/04/2007, portanto, considera­se a empresa intimada em 25/04/2007.  Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     16 Assim, estão decadentes as competências até 11/2001. Considerando­se que  de acordo com ARO, fl. 28, a obra iniciou em 01/01/1996, com término em 22/12/2006, deve­ se considerar no cálculo das contribuições devidas a decadência mencionada.  O lançamento  A ocorrência dos fatos geradores é inconteste, uma vez que a própria empresa  efetuou a matrícula da obra de construção civil no INSS. Ora não se pode falar em presunção  da  prestação  de  serviço  remunerado,  fato  gerador  das  contribuições,  posto  que  está  comprovado nos autos que a obra existiu e que era de propriedade da empresa autuada.  Por outro lado, a mensuração da base de cálculo foi demonstrada pelo fisco,  que efetuou o cálculo da remuneração dos segurados envolvidos na execução da obra mediante  aferição indireta, a qual se justificou diante da recusa da empresa de apresentar os documentos  necessários à apuração das contribuições devidas.  Esse proceder encontra guarida no art. 148 do CTN e art. 33 §§ 3. e 4° da Lei  8.212/91.  O  critério  utilizado  para  mensuração  da  matéria  tributável  foi  o  Custo  Unitário  Básico da Obra de Construção Civil — CUB, disponibilizado pelo Sindicato da  Indústria da  Construção Civil — SINDUSCON.  De se concluir que o lançamento foi efetuado em perfeita consonância com as  normas  de  regência,  em  especial  o  art.  142  do CTN,  notadamente  quando  se  constata que  a  Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  e  seus  anexos  demonstram  com  clareza  os  fundamentos de fato e de direito do lançamento, ou seja, os fatos geradores, o crédito apurado,  o período, as alíquotas utilizadas e os fundamentos legais autorizadores.  Juros Selic  Quanto  à  inaplicabilidade  da  taxa  de  juros  SELIC  para  fins  tributários,  é  matéria  que  já  se  encontra  sumulada  nesse  Tribunal  Administrativo,  nos  termos  da  Súmula  CARF n. 04:  Súmula CARF nº  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do  CARF,  nos  temos  do  “caput”  do  art.  72  do  Regimento  Interno  do  CARF1.,  não  pode  esse  colegiado afastar a utilização da  taxa de  juros aplicada às contribuições  lançadas no presente  lançamento.  Por  outro  lado,  o Superior Tribunal  de  Justiça  – STJ,  decidiu  com base  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (art.  543­C  do CPC)  que  é  legítima  a  aplicação  da  taxa  SELIC  aos  débitos  tributários,  o  que  faz  com  que  essa  discussão  torne­se,  até  certo  ponto,  desnecessária. Eis a ementa do julgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL  SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543­C DO                                                              1  Art.  72.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória pelos membros do CARF.  (...)  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/2007­90  Acórdão n.º 2401­003.675  S2­C4T1  Fl. 253          17 CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO­OCORRÊNCIA.  REPETIÇÃO DE  INDÉBITO.  JUROS DE MORA  PELA  TAXA  SELIC.  ART.  39,  §  4º,  DA  LEI  9.250/95.  PRECEDENTES  DESTA CORTE.  1.  Não  viola  o  art.  535  do  CPC,  tampouco  nega  a  prestação  jurisdicional,  o  acórdão  que  adota  fundamentação  suficiente  para decidir de modo integral a controvérsia.  2. Aplica­se a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização  monetária  do  indébito  tributário,  não  podendo  ser  cumulada,  porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização  monetária.  3.  Se  os  pagamentos  foram  efetuados  após  1º.1.1996,  o  termo  inicial  para  a  incidência  do  acréscimo  será  o  do  pagamento  indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores  à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC  terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em  tela, ou seja, janeiro de 1996.  Esse  entendimento  prevaleceu  na  Primeira  Seção  desta  Corte  por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC  e 425.709/SC.  4.  Recurso  especial  parcialmente  provido.  Acórdão  sujeito  à  sistemática  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  c/c  a  Resolução  8/2008 ­ Presidência/STJ.  (REsp  1111175  /  SP,  Relatora  Ministra  Denise  Arruda,  DJe.  01/07/2009)   Multa – alegação de caráter confiscatório  Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu  caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da  multa  por  descumprimento  de  obrigação  de  pagar  o  tributo  é  operação  vinculada,  que  não  comporta  emissão  de  juízo  de  valor  quanto  à  agressão  da medida  ao  patrimônio  do  sujeito  passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica  vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restando­lhe apenas aplicar a multa  no quantum previsto pela legislação.  Cumprindo  essa  determinação  a  autoridade  fiscal,  diante  da  ocorrência  da  falta  de  pagamento  do  tributo  ­  fato  incontestável  ­  aplicou  a  multa  no  patamar  fixado  na  legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que  são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento.  Ao contrário do que afirma a recorrente a multa  foi aplicada no patamar de  trinta por cento, conforme previa o revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da  ocorrência dos fatos geradores.  Além  do  mais,  salvo  casos  excepcionais,  é  vedado  a  órgão  administrativo  declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe  Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     18 o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106,  de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009):  Súmula CARF Nº 2   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Essa súmula é de observância obrigatória, nos  termos do “caput” do art. 72  do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se  pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco  tão­somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha.  Conclusão  Voto por afastar as preliminares de nulidade do  lançamento, por  indeferir o  pedido para exclusão dos recorrentes da Relação de Vínculos, por reconhecer a decadência até  a competência 11/2001 e, no mérito, por negar provimento ao recurso.    Kleber Ferreira de Araújo.                                                              2  Art.  72.  As  decisões  reiteradas  e  uniformes  do  CARF  serão  consubstanciadas  em  súmula  de  observância  obrigatória pelos membros do CARF.  (...)                              Fl. 262DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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5735463 #
Numero do processo: 10315.000013/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DE LUCRO. A exclusão do regime do SIMPLES e a falta de apresentação de Livros e Documentos obrigatórios para a tributação com base no lucro real, ou lucro presumido, justificam o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não poderá permanecer no SIMPLES a Pessoa Jurídica que tenha sido excluída do regime por meio de Ato Declaratório não impugnado pelo Sujeito Passivo. ARGUMENTO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL Não provada violação das normas tributárias. Descabe o argumento de nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente.
Numero da decisão: 1401-001.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10315.000013/2009­35  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1401­001.141  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2014  Matéria  lucro arbitrato  Recorrente  CICERO CABRAL PINHEIRO   Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005, 2006  ARBITRAMENTO DE LUCRO. A exclusão do  regime do SIMPLES e a  falta de apresentação de Livros e Documentos obrigatórios para a tributação  com  base  no  lucro  real,  ou  lucro  presumido,  justificam  o  arbitramento  do  lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa.   EXCLUSÃO DO SIMPLES.  Não  poderá  permanecer  no  SIMPLES  a  Pessoa  Jurídica  que  tenha  sido  excluída do regime por meio de Ato Declaratório não impugnado pelo Sujeito  Passivo.  ARGUMENTO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL  Não  provada  violação  das  normas  tributárias.  Descabe  o  argumento  de  nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração.   TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA  DE  INTEGRAÇÃO  SOCIAL  PIS.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  COFINS.  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL  Aplica­se às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz,  devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações  exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de  interpretação ou de legislação superveniente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 00 13 /2 00 9- 35 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     2 Jorge Celso Freire da Silva ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da  Silva  (Presidente),  Alexandre  Antonio  Alkmim  Teixeira,  Mauricio  Pereira  Faro,  Antonio  Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta.  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/2009­35  Acórdão n.º 1401­001.141  S1­C4T1  Fl. 3          3     Relatório  Trata  o  presente  feito  de  auto  de  infração  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS  relativos  aos  anos  calendário  2005  e  2006,  apurados  pelo  lucro  arbitrado  e  acrescidos  de  juros  e  multa.  Por  bem  retratar  a  questão  posta  em  debate,  adoto  e  transcrevo o relatório da DRJ (fls. 214/218), lavrado nos seguintes termos:  Contra  o  Sujeito  Passivo  acima  identificado  foram  lavrados  Autos  de  Infração  pelo  Regime  Tributário  do  ARBITRAMENTO  DO  LUCRO,  relativos  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ),  da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  da  Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da  Contribuição  Social  sobre  o Lucro Líquido  (CSLL),  anos  calendário  2005,  2006,  fls.  04/47,  Termos  de  Intimação,  fls.  67/68,  71/72,  137/139,  Termo  de  Encerramento,  fls.  146, para formalização e cobrança dos créditos tributários  neles  estipulados,  incluindo  encargos  legais,  conforme  discriminação seguinte:    Imposto/Contribuição   Valor  Apurado  (R$)   Fls.  IRPJ   94.250,75   04/14  PIS   42.795,18   15/25  COFINS   197.517,83   26/36  CSLL   70.687,96   37/47  TOTAL   405.251,72  ­­­­­­­­­­­  A  infração  detectada  pela  Fiscalização  e  relatada  na  Descrição dos Fatos  e Enquadramento Legal dos  citados  Lançamentos,  e  com  especificação  de  datas  e  valores  do  fato gerador discriminados às fls. 6/8, 17/19, 28/30, 39/41,  relativas  aos  anos  calendário  2005,  2006,  salientando  se  os esclarecimentos apresentados pelo Termo de Intimação  de  fls.  137/139,  acha­se  exposta,  em  síntese,  conforme  indicado a seguir:  Autos  de  Infração/Descrição  dos  Fatos,  fls.  6/8,  17/19,  28/30, 39/41:  DISCRIMINAÇÃO DA INFRAÇÃO APURADA: RECEITA  OPERACIONAL OMITIDA. RECEITA DE TRANSPORTE:  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     4 Arbitramento  do  lucro  que  se  faz  tendo  em  vista  que  o  Contribuinte,  notificado  a  apresentar  os  Livros  e  Documentos  da  sua  escrituração,  conforme  Termo  de  Início de Fiscalização  e Termos  de  Intimação,  fls.  49/51,  67/68, 71/72, 75/79, 137/139, deixou de apresentá­los.  Omissão de receitas de transporte de cargas apurada com  base  nos  Livros  Registro  de  Apuração  de  ICMS  e  nos  Livros  Registro  de  Saídas,  de  Contribuinte  excluído  do  SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2005, nos  termos  do Ato Declaratório Executivo da DRF/JNE, fls. 58/59, 61.  Intimado  a  apresentar  Livros  Diário  e  Razão  (na  forma  das  leis  comerciais  e  fiscais,  inclusive  com  as  Demonstrações  Financeiras  exigidas  pela  Legislação  Fiscal)  e  o  Livro  Registro  de  Apuração  do  Lucro  Real  (LALUR),  e  a  apresentar  as  Declarações  a  que  são  obrigadas  as  Pessoas  Jurídicas  tributadas  com  base  no  Lucro Real, o Contribuinte não o fez, limitando­se a alegar  que  no  período  era  optante  do  SIMPLES  e  que  pela  Legislação Vigente à época não era obrigado a apresentar  DIPJ,  DCTF  e  DACON,  e  nem  escriturar  os  Livros  DIÁRIO, RAZÃO E LALUR.  Foi tornado claro ao Contribuinte que, com a exclusão do  SIMPLES  com  efeitos  a  partir  de  01/01/2005,  a  Pessoa  Jurídica passou a se sujeitar, desde essa data, às normas  de  tributação  aplicáveis  às  demais  Pessoas  Jurídicas,  conforme dispõe o art. 16 da Lei n° 9.317/96. Desse modo,  desde que a  exclusão  se  tornou definitiva,  o Contribuinte  ficou omisso da entrega de DIPJ, DCTF e DACON, com a  apuração  do  Imposto  de Renda  feita  com  base  no  Lucro  Real ou, não o fazendo, com base no Lucro Arbitrado (art.  530, incisos I e VI do RIR/99).  Uma  vez  sujeita  à  tributação  com  base  no  lucro  real,  a  Pessoa  Jurídica  deve  manter  escrituração  com  observância  das  leis  comerciais  e  fiscais,  conforme  disposto  pelo  art.  7o  do  Decreto­Lei  1.598/1977.  O  não  atendimento  a  essa  condição  impõe  que  a  Autoridade  Fiscal  apure  os  tributos  a  serem  lançados  de  oficio  com  base no lucro arbitrado.  Uma vez que os Livros entregues, Registro de Apuração do  ICMS e Registro de Saídas, não servem para a apuração  do lucro real, mas contêm a receita bruta de prestação de  serviço  de  transporte  de  cargas  contabilizada,  essas  informações foram usadas como base para a determinação  dos valores de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS (esses  três últimos como reflexos) lançados de oficio.  TERMO  DE  INTIMAÇÃO,  fls.  137/139:  Conforme  o  último  Termo  de  Intimação  do  qual  a  Empresa  foi  devidamente  cientificado,  fls.  137/139,  após  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização  e  os  Termos  de  Intimação  Anteriores  de  fls.  49/51,  67/68,  71/72,  o  Contribuinte  foi  reintimado  a  apresentar  os  Livros  Diário  e  Razão,  na  forma  das  leis  comerciais  e  fiscais,  inclusive  com  as  Demonstrações  Financeiras  exigidas  pela  Legislação  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/2009­35  Acórdão n.º 1401­001.141  S1­C4T1  Fl. 4          5 Fiscal, bem como o Livro Registro de Apuração do Lucro  Real (LALUR).  Foi  esclarecido  que,  se  a  Empresa  não  dispusesse  dos  Livros obrigatórios para apuração do Lucro Real (Diário,  Razão e Lalur), mas tivesse os elementos necessários para  fazer a escrituração (notas fiscais de entrada e de saída de  mercadorias,  comprovantes  das  despesas  realizadas  e  demais  receitas  auferidas,  extratos  bancários),  e  pretendesse  fazê­la,  apresentasse  declaração  informando  que  dispunha  de  toda  a  documentação  necessária  para  escriturar  os  referidos  Livros,  conforme  a  legislação  aplicável acerca do seu conteúdo e da forma de escriturá­ los,  para  os  anos­calendário  2005  e  2006,  e  o  prazo  previsto para realização desse trabalho. Caso necessitasse  de algum documento entregue no curso da Ação Fiscal, o  Responsável  Legal  da  Empresa  poderia  comparecer  à  DRF  para  recebê­lo  de  volta  ou  autorizar  por  escrito  a  devolução a outra pessoa, ocasião em que seria lavrado o  devido  Termo  de  Devolução.  Caso  não  apresentasse  os  Livros  e Demonstrativos  exigidos  por  Lei  para  apuração  do  Lucro Real,  seus  resultados  e  tributos  devidos  seriam  apurados no regime do Lucro Arbitrado.   Levando­se  em  conta  que  não  foram  apresentados  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  (DCTF), a Declaração de Informações Econômico­Fiscais  da Pessoa Jurídica (DIPJ) e o Demonstrativo de Apuração  de Contribuições Sociais  (DACON), documentos relativos  aos  anos­calendário  2005  e  2006,  ficou  a  Empresa  REINTIMADA, também, a entregar essas Declarações. Em  resposta ao Termo de Intimação Fiscal 0002, recebida em  17/10/2008,  fls.  75,  o  Sr.  Cícero Cabral  Pinheiro  alegou  que  "para  os  períodos  de  apuração  2005  e  2006  éramos  optantes pelo SIMPLES". Contudo, nos autos do processo  administrativo  10315.000767/200812  fora  formalizada  a  exclusão do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2005,  nos termos do Ato Declaratório Executivo 05 da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Juazeiro  do  Norte/CE,  assinado  em  02/07/2008,  do  qual  o  Contribuinte  tomou  ciência por via postal com Aviso de Recebimento (AR) em  17/07/2008,  fls.  63,  em  anexo  à  Notificação  SARAC/DRF/JNE  073/2008,  de  03/07/2008.  Aliás,  em  24/06/2008  o  próprio  Cícero  Pinheiro  assinara  o  AR  atestando  o  recebimento  do  ADE  04  de  18/06/2008,  excluindo  quaisquer  possibilidades  de  prosperarem  argumentos embasados em qualquer desconhecimento por  parte do Empresário.  Alegou  ainda  que  "pela  legislação  vigente  à  época  não  éramos obrigados a apresentar DIPJ, DCTF e DACON, e  nem escriturar os Livros DIÁRIOS, RAZÃO E LALUR".  Acontece que, com a exclusão do SIMPLES com efeitos a  partir  de  01/01/2005,  a  Pessoa  Jurídica  passou  a  se  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     6 sujeitar,  desde  essa  data,  às  normas  de  tributação  aplicáveis às demais Pessoas Jurídicas, conforme dispõe o  art.  16  da  Lei  9.317/1996.  Desse  modo,  desde  que  a  exclusão se tornou definitiva, o Contribuinte  ficou omisso  da entrega de DIPJ, DCTF e DACON, com a apuração do  Imposto de Renda feita com base no Lucro Real ou, não o  fazendo, com base no Lucro Arbitrado (art. 530, incisos I e  VI,  do  RIR/1999).  A  observação  feita  é  que,  uma  vez  sujeita  à  tributação  com  base  no  lucro  real,  a  Pessoa  Jurídica  deve  manter  escrituração  com  observância  das  leis comerciais e fiscais, conforme disposto pelo art. 7° do  Decreto­Lei  1.598/1977.  O  não  atendimento  a  essa  condição  impôs  que  a  Autoridade  Fiscal  apurasse  os  tributos  lançados  de  oficio  com  base  no  lucro  arbitrado,  motivo  pelo  qual  foi  dada  mais  uma  vez  a  oportunidade  para  que  a  Empresa  apresentasse  os  documentos  solicitados acima.  Uma  última  alegação  feita  pelo  Empresário  é  que  "discordamos  de  qualquer  exclusão  do  sistema SIMPLES  para  os  períodos  2005  e  2006  sem  prévio  julgamento  e  defesa".  Porém,  conforme  se  lê  claramente  no  texto  do  ADE  DRF/JNE  05/2008,  fls.  61/63,  foi  dada  ciência  ao  Contribuinte  de  que  ele  poderia,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  manifestar  por  escrito,  nos  termos  da  legislação  relativa  ao  Processo  Administrativo  Fiscal  da  União,  de  que trata o Decreto 70.235/1972, sua inconformidade com  a  exclusão  objeto  desse  Ato,  por  meio  de  Solicitação  de  Revisão  da  Exclusão  da  Opção  pelo  SIMPLES,  assegurados  assim  o  contraditório  e  a  ampla  defesa,  conforme  dispõe  o  artigo  23,  parágrafo  único,  da  Instrução Normativa 608, de 09/01/2006.  Foi  esclarecido  ainda  que,  "não  havendo  manifestação  neste  prazo,  a  exclusão  tornar­se­á  definitiva".  Consequentemente,  se  o  Contribuinte  discordava  da  exclusão  do  SIMPLES,  uma  vez  que  recebera  toda  instrução necessária para apresentar sua discordância de  acordo  com  as  normas  processuais  administrativas  aplicáveis e, não o tendo feito, deixou de ter motivos para  reclamar da falta de julgamento e defesa. Afinal, a pessoa  a quem cabia a iniciativa de apresentar defesa e instaurar  a  lide  administrativa,  o  representante  do  Contribuinte  excluído  do  SIMPLES,  não  o  fez.  Após  ficar  claro  que  haviam sido assegurados ao Contribuinte o contraditório e  a  ampla  defesa,  nos  termos  do  art.  15,  §  3°,  da  Lei  9.317/1996, e que não constava nos autos a apresentação  de Contestação, a Autoridade Fiscal competente concluiu  que  se  tornara  definitiva  a  referida  exclusão,  conforme  despacho  à  folha  56  do  supracitado  processo  administrativo  de  Exclusão  do  SIMPLES  (fls.  61  do  processo da Autuação em lide).  IMPUGNAÇÃO:  Inconformado com as Exigências descritas, fls. 04/47, das  quais fora cientificado em 07/01/2009, fls. 143, apresentou  o Sujeito Passivo Impugnação em 27/01/2009, fls. 148/151,  Fl. 255DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/2009­35  Acórdão n.º 1401­001.141  S1­C4T1  Fl. 5          7 Instrumento  de  Procuração,  fls.  152,  requerendo  que  a  Autuação  fosse  julgada  totalmente  improcedente,  argumentando  que  os  tributos  exigidos  seriam  indevidos,  pois  não  teriam  ocorrido  os  fatos  geradores,  os  Autos  haveria contrariado a Jurisprudência aplicável ao caso em  espécie  do  antigo  Egrégio  Conselho  de  Contribuintes  e  Egrégia Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais,  que  teria  havido  falta  de  provas  e  de  suas  demonstrações,  o  que  competia  ao  Fisco,  alegando  em  síntese:  A  suposta  omissão de  receitas  foi  embasada nos Livros  de Registro  de Apuração de ICMS e nos Livros de Registro de Saídas,  conforme  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento(s)  Legal(is)  do Auto mencionado. O  embasamento  citado  se  deu por consequência abusiva e ilegal do Ato Declaratório  Executivo  da  DRF/JNE,  que  excluíra  precipitada  e  indevidamente  o  Contribuinte  do  SIMPLES,  inclusive,  atribuindo  efeito  retroativo  à  sua  decisão,  fazendo  tais  efeitos retroagirem à data de 01/01/2005, sem aguardar o  resultado  da  Defesa  Administrativa  protocolada  em  23/04/2008, a qual atacou o Auto de Infração oriundo do  MPF  03.1.02.002007001561,  fls.  200,  O  QUAL  FOI  O  MOTIVO  ENSEJADOR  DA  DITA  EXCLUSÃO  DO  CONTRIBUINTE DO SIMPLES.  Como  consequência  do  ato  precipitado,  ilegal,  nulo  e/ou  anulável  de  pleno  direito  que  excluiu  o  Contribuinte  do  SIMPLES,  sem  ao  menos  saber  se  o  AI  proveniente  do  MPF  03.1.02.002007001561  seria  julgado  procedente  ou  improcedente,  pelo  que,  no  caso  de  ser  tal  AI  julgado  improcedente,  estaria  plenamente  provado  que  o  Contribuinte,  em  momento  algum,  teria  faltado  com  as  condições  exigidas  para  continuar  sendo  optante  do  SIMPLES,  benefício  esse  já  concedido  a  Ele,  passou  o  Auditor  a  cometer  abusos  no  ato  de  fiscalizar,  sendo  ele  sabedor  de  que  suas  exigências  não  poderiam  ser  cumpridas  diante  do  novo  quadro.  A  partir  de  então,  passou  a  exigir  que  o  Contribuinte  apresentasse  (retroativamente  a  01/01/2005,  época  em  que  Ele  era  optante  do  SIMPLES  e  em  que  permaneceu  até  o  famigerado  Ato  citado)  a  DIPJ,  DCTF  e  DACON,  bem  como  a  escrituração  dos  Livros  DIÁRIO,  RAZÃO  e  LALUR,  exigências  essas  não  obrigatórias  para  os  optantes do SIMPLES.  Se o Contribuinte não era obrigado na época a escriturar  tais Livros e nem tampouco possuir tais documentos, como  se  exigir  o  que  não  lhe  era  obrigado outrora? Conforme  afirmado, o Contribuinte não teve os rendimentos que lhe  são atribuídos no Auto de Infração.  Da mesma forma, é ilegal, não podendo produzir qualquer  efeito punitivo, a forma como o Auditor procedeu (usando  informações contidas nos Livros de Apuração do ICMS e  Registros de Saídas),  os quais,  diga­se de passagem, não  servem  para  a  apuração  do  lucro  real,  sendo  tal  fato  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     8 mencionado  e  explicado  pelo  próprio  Auditor  na  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento(s)  Legal(is),  não  podendo portanto os impostos e seus acessórios terem sido  calculados  de  maneira  devida,  legal  e  real,  sendo  considerado  portanto  totalmente  improcedente  o  Auto  de  Infração pela AUSÊNCIA DO FATO GERADOR.  Mas  não  é  só.  Além  de  os  fatos  não  terem  ocorrido  da  forma  como  o  Autuante  PRESUMIU,  e  de  isto  ter  sido  demonstrado  nesta  defesa,  não  é  admissível,  em  Direito  Tributário,  um  Auto  baseado  apenas  em  frágeis  PRESUNÇÕES. Em conclusão: sendo nulo o Lançamento,  não  há  dívida  tributária,  não  estando  materializada  a  conduta típica. Afinal, não se pode punir um Contribuinte  por não  ter pago um débito  indevido. Há ainda um dado  da maior relevância, que não pode ser desconsiderado: a  impossibilidade  de  alguém  ser  punido  com  base  em  presunções.  Ainda  que  fosse  possível  o  que  nem  para  argumentar  se  admite  exigir  um  tributo  (no  plano  cível),  com  base  apenas  em  presunções,  poderia  implicar,  sob  pena  de  destruição  do  princípio  da  presunção  de  inocência, a possibilidade de se sancionar penalmente uma  pessoa  por  não  ter  pago  esse  tributo  cuja  existência  é  apenas presumida. A presunção pressupõe a existência de  um fato conhecido e provado para que dele seja extraída a  ilação de veracidade quanto ao  fato desconhecido,  sendo  imprescindível a  verificação da causalidade entre ambos,  vez que "o direito não tolera que se presuma o fato e dele  se  induza  a  presunção,  nem  se  admite  que  se  deduza  presunção de presunção".    A  DRJ,  em  julgamento  da  Impugnação  apresentada  pela  Recorrente,  entendeu pela sua improcedência, de modo a manter o lançamento integral constante no  auto de infração combatido.  O Recorrente, em suma, reitera suas razões de impugnação, repetindo a  alegação  de  que  não  estava  obrigado  manter  as  escriturações  contábeis  exigidas  pelo  Fisco, vez que era optante pelo SIMPLES no período  fiscalizado. Alega que o ônus da  prova dos fatos retratados no Auto de Infração incumbem ao Fisco; que as notas fiscais  de saída de mercadorias não são meios hábeis a permitir o arbitramento do lucro para fins  de  tributação;  que  há  nulidade  no  lançamento  por  ausência  de  tipicidade  e  pugna  pelo  cancelamento do auto de infração.  É o relatório.    Fl. 257DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/2009­35  Acórdão n.º 1401­001.141  S1­C4T1  Fl. 6          9 Voto             Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.    O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço.    DA OMISSÃO DE RECEITA  Conforme  se  apura  pela  análise  das  fls.  57/65  do  presente  processo  administrativo, o Recorrente, em razão de sua receita ultrapassar o limite legal para o optante  do  regime  de  tributação  pelo  SIMPLES,  foi  devidamente  notificado  da  exclusão  do  regime,  sendo a ele conferido prazo para, caso desejasse, impugnar a exclusão do regime de tributação,  ou indicar qual regime de apuração do lucro seria aferida a tributação da renda.   Não obstante  a notificação, o Recorrente manteve­se  inerte.  Incabível  falar,  portanto,  em  privação  à  ampla  defesa  e  contraditório,  vez  que  o  recorrente  foi  devidamente  notificado, e assinou pessoalmente o aviso de recebimento da notificação (fl. 60), de maneira  que  poderia  opor­se  à  exclusão  do  SIMPLES  e  ter  o  seu  pleito  apreciado  em  procedimento  administrativo próprio.   A notificação informa que a exclusão do SIMPLES tem efeito retroativo ao  ano­calendário de 2005, de maneira que, já que inerte e automaticamente inserido no regime de  lucro  real,  desde  então  o  Recorrente  deveria  escriturar  os  Livros  DIÁRIOS,  RAZÃO  E  LALUR.   Devidamente  intimado a apresentar os documentos durante a fiscalização, o  Recorrente  manteve­se  omisso,  mesmo  sendo­lhe  oportunizado  ofertar  qualquer  documento  hábil  a  apuração  do  seu  lucro  no  período  de  fiscalização,  apenas  firmando não  ser obrigado  legalmente a manter os livros contábeis solicitados.  Sabe­se  que  a  apuração  do  lucro  por  arbitramento  é  medida  extrema,  e  somente  deve  ser  usada  pelo  Fisco  ante  a  imprestabilidade  dos  documentos  mantidos  pelo  fiscalizado, ou na completa ausência deles.   Como se vê no caso em debate, o Recorrente não apresentou os documentos  solicitados ou qualquer documento hábil a apuração do seu lucro, razão pela qual se verifica a  omissão de receita e cabível o lançamento pelo lucro arbitrado nos termos ao Auto de Infração.    DA  LEGALIDADE  DO  USO  DAS  INFORMAÇÕES  DE  LIVROS  FISCAIS  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA     10 O Fisco, na ausência de documentos ofertados pelo Recorrente, prestou­se de  notas  de  saída  de  ICMS  e  demais  livros  fiscais  para  arbitrar  o  lucro  ao  lavrar  o  auto  de  infração.   Muito  embora  o  Recorrente  discorde  da  medida  adotada  pela  autoridade  fazendária, tem­se por esta manifestamente legítima, vez que as notas de saída e demais livros  fiscais são meios hábeis a permitir ao Fisco que possa apurar o lucro por meio de arbitramento  e lavrar o auto de infração.   Não houve, assim, a alegada violação de normas tributárias, vez que o Fisco  valeu­se das previsões do legais para apurar o lucro arbitrado. Razão não assiste o Recorrente.    DA PRESUNÇÃO EM FAVOR DO FISCO  O Recorrente  ataca  a  presunção  que  inverte  o  ônus  da  prova  em  favor  do  Fisco, sob a alegação de que deve ser aplicado o inciso II do artigo 333 do Código de Processo  Civil, por considerar excessivamente difícil a comprovação dos fatos.   O  entendimento  do  Recorrente  não  merece  amparo,  sobre  o  que  os  documentos tomados por base pelo fisco são livros escriturados pelo próprio recorrente, e notas  de saída por ele emitidas.   Não admiti­los seria, por via oblíqua, presumir inválidos outros documentos,  sem amparo legal, de maneira a inverter a lógica da argumentação do Recorrenre Não há como  afastar  a  presunção  que  se  impõe  pelo  artigo  334,  IV  do  CPC,  razão  pela  qual  o  auto  de  infração deve ser mantido.    DA OCORRÊNCIA DO FATO IMPONÍVEL E REGULARIDADE DO  LANÇAMENTO  O Recorrente alega que não ocorreram os fatos imponíveis que dão ensejo à  incidência  da  norma  jurídica  tributária  apta  a  fundamentar  a  lavratura  do  auto  de  infração.  Melhor sorte não lhe assiste nos argumentos articulados.   O auto de  infração,  como norma  individual  e  concreta,  faz  alusão  à  evento  pretérito,  vertendo­o  em  linguagem  competente  para  atribuir­lhe  o  status  de  fato  imponível.  Para  tanto,  é  necessário  que  haja  subsunção  do  antecedente  da  norma  jurídica  ao  fato  que  ocorre no mundo fenomênico, de maneira a classificá­lo como fato jurídico tributário.   A  exclusão  do  regime  de  tributação  SIMPLES,  com  a  devida  notificação,  imputou ao Recorrente a obrigação de escriturar os livros obrigatórios aos que não fazem parte  do  grupo  beneficiado  pela  tributação  diferenciada.  Não  havendo  cumprimento  dos  deveres  instrumentais  imputados  por  norma  jurídica  própria,  há  clara  ocorrência  do  fato  imponível  necessário e suficiente para a lavratura do auto de infração. Ademais, foi ofertado ao recorrente  a possibilidade de fornecer documentos que aparelhassem o Fisco a apurar o lucro para fins de  tributação.  Sua  inércia  fez  incidir  a norma que  autoriza  o Fisco  a  arbitrar o  lucro  e  lavrar  o  competente auto de infração.  Pelo que se infere, não há mácula que fere de nulidade o lançamento efetuado  pelo Fisco, razão pela qual deve ser mantido por estar de acordo com as normas tributárias.  Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/2009­35  Acórdão n.º 1401­001.141  S1­C4T1  Fl. 7          11 DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA   À  semelhança  das  normas  de  incidência  do  IRPJ,  aplica­se  a  tributação  reflexa pelos mesmos fundamentos acima apostos.    DA CONCLUSÃO  Neste sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.  (assinado digitalmente)  Alexandre Antonio Alkmim Teixeira ­ Relator                                Fl. 260DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA

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