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Numero do processo: 18471.001346/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JACOB EZRA SALEM.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Márcio de Lacerda Martins.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Márcio de Lacerda Martins. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 34 6/ 20 07 -2 9 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/200729 Resolução nº 2202000.547 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, JACOB EZRA SALEM, foi lavrado o Auto de Infração as fls. 284 a 315, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, ano calendário 2002, no valor total de R$ 3.856.126,90 (três milhões, oitocentos e cinqüenta e seis mil, cento e vinte e seis reais e noventa centavos), sendo: Imposto R$ 1.584.405,93 Juros de mora (calculados até 31/08/2007) R$ 1.083.416,70 Multa proporcional (passível de redução) R$ 1.188.304,37 No termo de Constatação Fiscal de fls. 284 a 286, que faz parte do Auto de Infração, a fiscalização esclarece que restou não comprovada, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos/créditos bancários, conforme relação de fls. 294 a 315, sendo lavrado o presente auto de infração por meio do qual foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise foram sido obtidas as informações mediantes emissão RMFs de Requisição de informação sobre a movimentação financeira do fiscalizado de fls. 153 e 188. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/200729 Resolução nº 2202000.547 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 587DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/200729 Resolução nº 2202000.547 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 588DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/200729 Resolução nº 2202000.547 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 589DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 18471.001346/200729 Resolução nº 2202000.547 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 590DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/10/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904445/2012-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/07/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 44 45 /2 01 2- 88 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/201288 Acórdão n.º 3801003.685 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/201288 Acórdão n.º 3801003.685 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/201288 Acórdão n.º 3801003.685 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/201288 Acórdão n.º 3801003.685 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/201288 Acórdão n.º 3801003.685 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904445/201288 Acórdão n.º 3801003.685 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721768/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado.
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AUTO DE INFRAÇÃO NÃO IMPUGNADO. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Tendo em vista que a recorrente deixou de impugnar de forma expressa o lançamento fiscal que fora lavrado em seu desfavor, apenas se resumindo a questionar a multa aplicada, outra não é a conclusão, senão pela necessidade de manutenção do lançamento, a teor do disposto no art. 17 do Decreto 70.235/72. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 68 /2 01 0- 42 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.721768/201042 Acórdão n.º 2402004.324 S2C4T2 Fl. 419 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SUPERMERCADOS BH, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.275.7120, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAtT, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e sobre prólabore pagos aos Srs. Leonardo Lavorato Arantes e Bruno Santos de Oliveira. Consta do relatório fiscal que o lançamento foi efetuado em face do batimento das informações constantes em folha de pagamentos e GIFP´s apresentadas pela recorrente. A recorrente apresentou impugnação apenas requerendo que as multas que lhe foram aplicadas, fossem reduzidas ao patamar mínimo, diante de sua primariedade. O lançamento compreende as competências de 11/2005 a 03/2006, tendo sido o contribuinte cientificado do relatório fiscal aditivo em 09/07/2010 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a multa aplicada deve ser reduzida ao seu patamar mínimo, por ser primária no descumprimento de obrigações tributárias; 2. que a multa aplicada é confiscatória; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem Preliminares. MÉRITO Inicialmente cumpre apontar que em momento algum a recorrente insurgiuse quanto a imposição fiscal objeto do Auto de Infração, de modo que o lançamento, por este motivo, é incontroverso. Ademais, quanto a matéria de recurso, resumese a repetir os argumentos trazidos em sede de impugnação, requerendo a redução da multa diante da sua condição de primária e natureza consfiscatória. Sobre o assunto, tenho que não assiste razão à recorrente. Quanto ao pedido de redução de multa, como bem apontou o v. acórdão de primeira instância, sequer houve a aplicação de qualquer agravante no presente caso, se resumindo a autoridade fiscal a efetuar o lançamento em conformidade com o disposto no art. 33 da Lei 8.212.91, a seguir: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Ao assim proceder, quando verificou o descumprimento à legislação tributária, simplesmente aplicou ao caso as multas em conformidade com a legislação de regência, atentandose, ainda a observância da retroatividade benigna em decorrências das alterações trazidas pela Lei 11.941/09, cálculo este que sequer veio a ser objeto de contestação pela recorrente, tendo sido aplicado ao caso a multa em conformidade com o art. 44, I, da Lei 9.430/96. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.721768/201042 Acórdão n.º 2402004.324 S2C4T2 Fl. 420 5 Assim, não há que se falar em redução ao seu patamar mínimo, a uma em razão da multa ter sido aplicada em conformidade com a legislação de regência, a duas em razão de não haver qualquer previsão legal de sua diminuição no presente caso. Por fim, no que se refere ao caráter confiscatório da multa aplicada, tenho que tal irresignação não pode ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 12/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13840.000818/2003-33
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 1999
PAF - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - DIVERGÊNCIA ENTRE MOTIVAÇÃO DISPOSTA NO ACÓRDÃO E RESULTADO DE JULGAMENTO
Embargos acolhidos para adequar a motivação do voto relator com o resultado do julgamento. Prevalência da motivação da parte dispositiva do acórdão embargado.
Numero da decisão: 9101-002.014
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, embargos de declaração acolhidos e providos para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão de prover o Recurso Especial. Vencido o Conselheiro Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, embargos de declaração acolhidos e providos para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão de prover o Recurso Especial. Vencido o Conselheiro Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado)
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 1999 PAF EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DIVERGÊNCIA ENTRE MOTIVAÇÃO DISPOSTA NO ACÓRDÃO E RESULTADO DE JULGAMENTO Embargos acolhidos para adequar a motivação do voto relator com o resultado do julgamento. Prevalência da motivação da parte dispositiva do acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, embargos de declaração acolhidos e providos para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão de prover o Recurso Especial. Vencido o Conselheiro Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 08 18 /2 00 3- 33 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/200333 Acórdão n.º 9101002.014 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/200333 Acórdão n.º 9101002.014 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 9101001.105, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 29 de junho de 2011, de relatoria da então Conselheira Susy Gomes Hoffmann. O contribuinte foi excluído do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e das Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) pelo Ato Declaratório nº 126.538/1999 (fl. 9), segundo o qual sua atividade não é permitida para efeito de inclusão no Simples. Irresignado, o contribuinte pediu revisão dessa exclusão, conforme Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, fl. 1. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas entendeu que a atividade exercida pelo contribuinte, de fato, não enseja direito ao Simples, visto que essa atividade (desenho técnico na área de engenharia) impede, segundo o art. 9°, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, a opção pelo Simples. A decisão restou assim ementada: “DESENHO TÉCNICO. VEDAÇAO. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços de desenho técnico, pois essa atividade é exercida por profissionais com habilitação legalmente exigida ou a eles assemelhados. Solicitação Indeferida.” O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 38/43), alegando que o seu objeto social exclui a prestação de serviços que dependam de autorização de registro especial. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: “SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE DESENHOS TÉCNICOS E DETALHAMENTOS". LC 123, DE 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, art. 17, sS. 2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente a prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no caput deste artigo". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, interpôs Recurso Especial (fls. 93/102), argumentando que a decisão recorrida violou o artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, sustentando que a lista disposta em tal dispositivo legal não é exaustiva, abrangendo Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/200333 Acórdão n.º 9101002.014 CSRFT1 Fl. 5 4 “qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida”. Assim, postulou pela reforma do acórdão recorrido. Esta Turma proferiu Acórdão nº 9101001.105 (fls. 117/120) deferindo o Recurso Especial da Fazenda Nacional, com o fundamento de que já é entendimento consolidado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a atividade da recorrente não enseja ao regime do Simples. A decisão possui a seguinte ementa: “SIMPLES. DESENHO TÉCNICO. ATIVIDADE DE CARÁTER PESSOAL ASSEMELHADA A DE ARQUITETO E ENGENHEIRO. INCIDÊNCIA DO ARTIGO 90, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317/96. Não pode optar pelo Simples a empresa que desenvolve atividade de desenho técnico, consistente em execução e detalhamento de projetos produzidos por engenheiros. Atividade que a esta se assemelhada. Regência do artigo 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96.” Da decisão acima, a Procuradoria opôs Embargos de Declaração alegando que, pelo exame da fundamentação do mencionado acórdão, foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, ao passo que no resultado de julgamento constou, contraditoriamente, que foi negado provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Requer, assim, que seja conhecido os Embargos para que seja corrigido o dispositivo do Acórdão. Verifico que de fato há uma contraditoriedade entre o que consta do voto e o resultado de julgamento. Isto porque, a Conselheira Relatora, ao final de seu voto conclui: “Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.”. De outro lado, no resultado de julgamento, constou “acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional”. Neste passo, em razão da contrariedade apontada pela Procuradoria entre o voto condutor e o resultado de julgamento, os Embargos de Declaração foram acolhidos. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/200333 Acórdão n.º 9101002.014 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Os embargos são tempestivos. Conforme relatado, aduz a embargante a ocorrência de contradição no acórdão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no que tange ao conteúdo do voto e ao resultado do julgamento. De fato, tal contrariedade se faz presente, visto que a Conselheira Relatora, ao final de seu voto conclui: “Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.”. Entretanto, no resultado de julgamento, constou “acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional”. Como o acórdão embargado, de fato, deu provimento ao Recurso Especial da Procuradoria e, a despeito de não ser a relatora à ocasião, parece ter de fato assim intentado, em face dos motivos que sucederam a conclusão, entendo que o resultado de julgamento deve ser alterado para que nele se faça constar o que de fato foi decidido. Quanto ao efetivo julgamento ocorrido à época da apreciação do Recurso Especial da Fazenda Nacional importa consignar que, de acordo com o acórdão embargado, constou: (i) No relatório, que o contribuinte foi excluído do Simples, por atividade, consistente em “serviços de desenho técnico especializado”. (ii) No voto, restou relatado que “Segundo o contrato social do contribuinte, cláusula terceira, temse que o seu objeto social consiste em ‘Prestação de serviços na área de projetos e detalhamentos, exceto aqueles que dependam de autorização de registro especial’”. (iii) Foi relatado ainda que “Conforme se depreende dos autos, as alegações do contribuinte são no sentido de que possui um programa de desenho (Autocad), pelo qual somente processa os dados solicitados pelos profissionais responsáveis, que são os engenheiros. A sua atividade resumese à execução, sem qualquer responsabilidade técnica.”. (iv) Mais adiante, o voto caminha no sentido de relatar que a atividade do contribuinte enquadrase na descrição catalogada no Código Brasileiro de Ocupação nº 3181 (e não no código 262410). De acordo com a descrição do CBO temse a elaboração de desenhos de arquitetura e engenharia civil, utilizandose softwares específicos para desenho técnico, dentre outras análises. Prossegue o voto, ainda, concluindo que a atividade desenvolvida pelo contribuinte enquadrase entre as listadas no art. 9º inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13840.000818/200333 Acórdão n.º 9101002.014 CSRFT1 Fl. 7 6 (v) Cita, por fim, jurisprudência do CARF no mesmo sentido da ementa, vale dizer, que a pessoa jurídica que exercer atividade de desenho técnico e assemelhados à engenharia e arquitetura não poderá optar pelo Simples Feitas estas considerações sobre o acórdão embargado e, tendo em vista que, esses embargos não se prestam a um novo julgamento, mas, tão somente, para eliminar a contrariedade entre o voto e o resultado transcrito, atenhome às razões proferidas no voto, bem como à sua parte dispositiva, que com ele é coerente, ao dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos e DOU PROVIMENTO para reconhecer a contrariedade no acórdão embargado, retificando o resultado do julgamento para constar que, de acordo com o acórdão nº 9101001.105, ratificando o acórdão e retificando o resultado de julgamento foi no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2014 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 19839.004306/2011-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02//2006 a 28/02/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração á legislação tributário-previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.531
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02//2006 a 28/02/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributário-previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributárioprevidenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 43 06 /2 01 1- 71 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/201171 Acórdão n.º 2403002.531 S2C4T3 Fl. 104 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – CEMAPE TRANSPORTES S.A. contra DecisãoNotificação nº 21.401.4/0384/2006 da Delegacia da Receita Previdenciária de São Paulo Centro SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 35.875.7061, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 23.137,66. Conforme o Relatório Fiscal da Infração às fls. 13, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a documentação relativa à obra de construção civil edificada em Bauru SP, matricula CEI 21.909.04795/72, de forma deficiente, não realizando prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, deixando de atender tais documentos ou livros as formalidades legais exigidas, cometendo infração ao disposto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33, parágrafos 2. e 3., combinado com o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Outrossim, o Relatório Fiscal da conexa autuação principal, NFLD nº 35.718.2618, anexado aos autos às fls. 20 a 22, apresenta os fatos geradores ensejadores da autuação principal: 3. Os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento do débito, referemse à obra de construção civil executada pelo contribuinte na cidade de BAURUSP, Rodovia Marechal Rondon, Km. 338 Vila Aviação CEP 17028852, matriculada no INSS CEI 21.909.04795/72, em 13/11/1998, caracterizada pelo ACRÉSCIMO DE 328,09 metros quadrados (m2) de área construída, conforme planta aprovada pela PMBauru n. 25.996 em 30/11/1998 e DEMOLIÇÃO da área construída de 51,97m2, constando anteriormente área construída existente de 848,62 m2 para escritório e garagem, conforme habitese n. 809 de 09/09/1987 da PMBauru, período da obra inicio IA 13111998 (matricula INSS) e encerrada AE 28022006. 4. Em razão da falta de prova regular e formalizada por não constar as remunerações relativas à obra, dos livros diários da contabilidade da empresa, o montante dos salários pagos a segurados empregados pela execução da referida obra de construção civil, foram apurados mediante aferição indireta, com base no CUBSINDUSCON, tipo 11 Alvenaria, padrão COMERCIALSALAS E LOJAS 4A, fixado e divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil cm São Paulo, em R$ 935,61 por m2, para 022006 multiplicado pela área construída em acréscimo de 328,09m2, perfaz o custo global de R$ 306.964,28 e a mão de obra (salários) calculada em 20% (vinte por cento) deste, no valor de R$ 61.392,86 para a área edificada. Da mesma forma foi apurada a DEMOLIÇÃO da área Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 de 51,97m2 multiplicada por R$ 935,61 perfaz o valor de R$ 48.623,65, ao qual se aplicou a redução legal de 90% produzindo o custo global da demolição de R$ 4.862,36 e a mão de obra (salários) calculada em 20% (vinte por cento) deste, no valor de R$ 972,47, dispensado de declaração em Guia de Recolhimento ao FGTS e Informação a Previdência Social. O Relatório Fiscal da Infração informa ainda a existência de circunstância agravante, por ter a empresa incorrida em reincidência genérica por ter sofrido em 29/03/2005 a lavratura do Auto de Infração n. 35.718.2693, fundamento legal código 91 e dispositivo legal: artigo 32, inciso IV parágrafos 1 e 3 da Lei 8212/91, c/c artigo 225 inciso IV do Regulamento da Previdência Social, Decreto 3048/99. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 14, informa que a multa foi majorada, em razão da ocorrência da agravante de reincidência genérica, por ter o contribuinte sofrido, em 29/03/2005 a lavratura do Auto de Infração n. 35.718.2693, fundamento legal código 91 e dispositivo legal: artigo 32, inciso IV parágrafos 1 e 3 da Lei 8212/91, c/c artigo 225 inciso IV do Regulamento da Previdência Social, Decreto 3048/99 o que eleva em duas vezes o valor da multa de R$ 11.568,83, por ter a empresa apresentado documentos relativos à obra de construção civil edificada em BauruSP, matricula CEI 21.909.04795/72, de forma deficiente, não realizando prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, deixando de atender tais documentos ou livros as formalidades legais exigidas. O período objeto do débito, conforme o Relatório Fiscal da Infração é na competência 02/2006. A Recorrente teve ciência do AIOA no dia 29.05.2006, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 5. A empresa apresentou Impugnação tempestiva a fls. 26 a 29, alegando, em síntese, que: a) " A multa aplicada pelo Auto de Infração não atende por completo com a realidade dos fatos. É que quanto à ausência de fatos geradores das contribuições previdenciárias em GFIP, essa acusação não condiz com as informações transmitidas pela impugnante". B) " De fato, verificarseá do relatório folha de pagamentos apresentados a AFPS, que a impugnante não deixou de constar em sua folha de pagamentos a relação de valores constantes ao demonstrativo fiscal anexo ao Al Auto de Infração. Mais que isso, é de se verificar que a impugnante informou praticamente 100% ( por cento ) de todas informações exigidas nas respectivas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social ou outro documento fiscal qualquer". Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/201171 Acórdão n.º 2403002.531 S2C4T3 Fl. 105 5 c) " Demais a mais, peca o lançamento fiscal quanto à indicação do dispositivo legal respectivo ao documento exigido pelo AFPS, uma vez que sequer é citado no Al Auto de Infração o arquivo magnético na qual deveria a impugnante apresentar, inclusive, com a citação de Portaria ou Instrução Normativa, não bastando, simplesmente a indicação genérica do disposto no art. 33, parágrafos 2o e 3o da Lei n° 8.212, de 24.07.91". d) " De outra sorte, se eventualmente algum valor deixou de constar nas guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social ou outro documento qualquer, ainda é dado à impugnante o direito de retificála, aplicando a circunstância atenuante prevista no art. 291 do Regulamento da Previdência Social c/c art. 322 da Instrução Normativa DC/INSS 70/2002....". A Recorrida, conforme a DecisãoNotificação nº 21.401.4/0384/2006 da Delegacia da Receita Previdenciária de São Paulo Centro SP analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: PROCESSO: Al n° 35.875.7061, de 29/05/2006 INTERESSADO: CEMAPE TRANSPORTES S/A. CNPJ: 47.288.162/000130 ENDEREÇO: Rua Visconde de Camamu, 11 Heliópolis S. PAULO CEP 04.229000 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR A EMPRESA DE EXIBIR QUALQUER DOCUMENTO OU LIVRO RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. Constitui infração deixar a empresa de exibir à fiscalização qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, às fls. 46 a 49, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) De fato, verificarseá do relatório de folha de pagamentos apresentado a AFPS, que a recorrente não deixou de constar em sua folha de pagamentos a relação de valores constantes ao demonstrativo fiscal anexo ao AI. (ii) Mais que isso, é de se verificar que a recorrente informou praticamente 100% dos autônomos prestadores de serviços nas respectivas GFIP's. (iii) De mais a mais, peca o lançamento fiscal quanto à indicação do dispositivo legal respectivo ao documento exigido Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 pelo AFPS, uma vez que sequer é citado no AI, o arquivo magnético na qual deveria a impugnante apresentar, inclusive, com a citação da Portaria ou Instrução Normativa, não bastando simplesmente a indicação genérica do disposto no art. 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91. (iv) De outra sorte, se eventualmente algum valor deixou de constar na GFIP's ou outro documento qualquer, ainda é dado à recorrente o direito de retificála, aplicando a circunstância atenuante prevista no art. 291 do RPS c/c art. 322 da IN/DC/LNSS 70/2002. Após, o Recurso Voluntário foi considerado deserto por falta de depósito recursal, inscrito em dívida ativa e quando, em de Execução Fiscal, foi remetido novamente à instância administrativa para julgamento e processamento do Recurso Voluntário no âmbito do CARF. Posteriormente, então, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 97. É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/201171 Acórdão n.º 2403002.531 S2C4T3 Fl. 106 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 51 e 97. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – CEMAPE TRANSPORTES S.A. contra DecisãoNotificação nº 21.401.4/0384/2006 da Delegacia da Receita Previdenciária de São Paulo Centro SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 35.875.7061, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 23.137,66. Conforme o Relatório Fiscal da Infração às fls. 13, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a documentação relativa à obra de construção civil edificada em Bauru SP, matricula CEI 21.909.04795/72, de forma deficiente, não realizando prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, deixando de atender tais documentos ou livros as formalidades legais exigidas, cometendo infração ao disposto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33, parágrafos 2. e 3., combinado com o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.284.3611 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: (...) III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/201171 Acórdão n.º 2403002.531 S2C4T3 Fl. 107 9 Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; b. VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não prosperando as alegações da Recorrente. DO MÉRITO. (iii) De mais a mais, peca o lançamento fiscal quanto à indicação do dispositivo legal respectivo ao documento exigido pelo AFPS, uma vez que sequer é citado no AI, o arquivo magnético na qual deveria a impugnante apresentar, inclusive, com a citação da Portaria ou Instrução Normativa, não bastando simplesmente a indicação genérica do disposto no art. 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/201171 Acórdão n.º 2403002.531 S2C4T3 Fl. 108 11 Analisemos. Em relação à indicação do dispositivo legal, foi informado expressamente no Relatório Fiscal da Infração o amparo legal para a autuação, conforme o disposto às fls. 13: "(...) cometendo infração ao disposto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33, parágrafos 2. e 3., combinado com o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999." Em relação ao arquivo magnético na qual a Recorrente deveria apresentar, o Relatório Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, às fls. 09 e 10, apresenta a relação de documentos requeridos na AuditoriaFiscal. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (i) De fato, verificarseá do relatório de folha de pagamentos apresentado a AFPS, que a recorrente não deixou de constar em sua folha de pagamentos a relação de valores constantes ao demonstrativo fiscal anexo ao AI. (ii) Mais que isso, é de se verificar que a recorrente informou praticamente 100% dos autônomos prestadores de serviços nas respectivas GFIP's. Analisemos conjuntamente os itens (i) e (ii). Conforme o Relatório Fiscal da Infração às fls. 13, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a documentação relativa à obra de construção civil edificada em Bauru SP, matricula CEI 21.909.04795/72, de forma deficiente, não realizando prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, deixando de atender tais documentos ou livros as formalidades legais exigidas, cometendo infração ao disposto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33, parágrafos 2. e 3., combinado com o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A autuação por descumprimento de obrigação acessória ocorreu em função da falta de prova regular e formalizada por não constar as remunerações relativas à obra, dos livros diários da contabilidade da empresa, o montante dos salários pagos a segurados empregados pela execução da obra de construção civil na matrícula CEI 21.909.04795/72. Neste sentido, o Relatório Fiscal da conexa autuação principal, NFLD nº 35.718.2618, anexado aos autos às fls. 20 a 22, apresenta os fatos geradores ensejadores da autuação principal: 3. Os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento do débito, referemse à obra de construção civil executada pelo contribuinte na cidade de BAURUSP, Rodovia Marechal Rondon, Km. 338 Vila Aviação CEP 17028852, matriculada no INSS CEI 21.909.04795/72, em 13/11/1998, Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 caracterizada pelo ACRÉSCIMO DE 328,09 metros quadrados (m2) de área construída, conforme planta aprovada pela PMBauru n. 25.996 em 30/11/1998 e DEMOLIÇÃO da área construída de 51,97m2, constando anteriormente área construída existente de 848,62 m2 para escritório e garagem, conforme habitese n. 809 de 09/09/1987 da PMBauru, período da obra inicio IA 13111998 (matricula INSS) e encerrada AE 28022006. 4. Em razão da falta de prova regular e formalizada por não constar as remunerações relativas à obra, dos livros diários da contabilidade da empresa, o montante dos salários pagos a segurados empregados pela execução da referida obra de construção civil, foram apurados mediante aferição indireta, com base no CUBSINDUSCON, tipo 11 Alvenaria, padrão COMERCIALSALAS E LOJAS 4A, fixado e divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil cm São Paulo, em R$ 935,61 por m2, para 022006 multiplicado pela área construída em acréscimo de 328,09m2, perfaz o custo global de R$ 306.964,28 e a mão de obra (salários) calculada em 20% (vinte por cento) deste, no valor de R$ 61.392,86 para a área edificada. Da mesma forma foi apurada a DEMOLIÇÃO da área de 51,97m2 multiplicada por R$ 935,61 perfaz o valor de R$ 48.623,65, ao qual se aplicou a redução legal de 90% produzindo o custo global da demolição de R$ 4.862,36 e a mão de obra (salários) calculada em 20% (vinte por cento) deste, no valor de R$ 972,47, dispensado de declaração em Guia de Recolhimento ao FGTS e Informação a Previdência Social. Ora, a Recorrente não produz qualquer prova documental ou traz aos autos fato novo que possa infirmar a decisão recorrida para se demonstrar o cumprimento da obrigação acessória. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (iv) De outra sorte, se eventualmente algum valor deixou de constar na GFIP's ou outro documento qualquer, ainda é dado à recorrente o direito de retificála, aplicando a circunstância atenuante prevista no art. 291 do RPS c/c art. 322 da IN/DC/LNSS 70/2002. Analisemos. A Recorrente requer a atenuação da autuação fiscal com base no disposto no art. 291 do Decreto 3.048/1999, na redação à época dos fatos geradores pois atualmente já revogado pelo Decreto 6.727/2009: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 19839.004306/201171 Acórdão n.º 2403002.531 S2C4T3 Fl. 109 13 Ora, a Recorrente não faz juz à atenuação da autuação por descumprimento de obrigação acessória pois não demonstrou nos autos ter corrigido a falta. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE provimento. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10830.010969/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA.
Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO.
O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. NECESSIDADE DE ESTABELCIMENTO DE METAS. CIÊNCIA DO SINDICATO.
A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante e II - convenção ou acordo coletivo.
Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.
No presente caso, a previsão e a consequente obrigação, nos acordos celebrados, somados às demonstrações, por documentos, de fixação de metas e acompanhamentos, demonstram que o acordo, quando prevê instituição de programa e metas para cargos distintos, cumpre a legislação, devendo a parcela ser isenta de incidência de contribuição, como determina a legislação.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. PREVISÃO DE METAS COMPATIBILIDADE COM A DETERMINAÇÃO LEGAL.
No presente caso, na análise dos acordos, há parcelas pagas oriundas de cumprimento de metas, motivo de exclusão dos valores lançados relativos a essas parcelas (relatórios fiscais, itens 3.3.2 e 3.3.3).
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INCIDÊNCIA. DESOBEDIÊNCIA À LEI 10.101/2001. AUSÊNCIA.
Não integram o salário-de-contribuição (SC), para os fins da Lei 8.212/1991, a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei 10.101/2000.
Para que a exigência tributária, fundamentada no descumprimento da Lei 10.101/200, prevaleça, faz-se necessário, por parte do Fisco, a demonstração, por p´rovas e indícios, deste descumprimento.
No presente caso, para o estabelecimento 45.990.181/0029-80, a fiscalização fundamenta sua acusação em pontos de acordo coletivo que teriam descumprido a Lei 10.101/2000, mas não anexa prova alguma que comprove essse descumprimento, impedindo a verificação sobre a ocorência do fato gerador, motivo do proviemtno do recurso neste pontro.
SALÁRIO-UTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. PROVA RETIRADA DE CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE.
Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário-utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Cabe ao fisco demonstrar a dispensabilidade do veículo. Prova feita pela demonstração de que a própria empresa considerou, para efeito de imposto de renda, que parte da utilização era dispensável para o trabalho.
SALÁRIO-UTILIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS DA EMPRESA POR VALOR INFERIOR AO MERCADO. NECESIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). AUSÊNCIA.
Entende-se por salário-de-contribuição (SC), para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
Para ocorrer o fato gerador da contribuição porevidenciária, conforme a definição acima, faz-se necessário que o ganho do segurado, sua remuenração, seja oriubda de retribuição por serviços prestados ao empregador.
No presente caso, lançamento, em que cabe ao Fisco, como acusador, a comprovação da ocorrência do fato gerador, não restou demonstrado que a diferença entre o valor de mercado do bem (veículos) e o valor de venda aos segurados empregados configurava-se em um benefício específico a seguardos a serviço do sujeito passivo, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo, neste ponto.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PARECER DA AGU. CARACTERIZAÇÃO DE VERBA indenizatória.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, segundo a Advocacia Geral da União 9AGU).
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2003, anteriores a 10/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a; b) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas recebidas pelos segurados, fixas, sem a obrigatoriedade de alcance de metas, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação ao item 3.3.5, CNPJ: 45.990.181/0030-13, devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo - em relação ao item 3.3.1, CNPJ´s: 45.990.181/0001-89, 45.990.181/0004-21, 45.990.181/0008-55, 45.990.181/0011-50, 45.990.181/0013-12, 45.990.181/0016-65 e 45.990.181/0019-08 - devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; e) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte, devido à sua natureza jurídica, indenização, conforme parecer da A.G.U., nos termos do voto do Relator; f) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações do sujeito passivo, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade; a) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo, no argumento do lançamento referente aos valores oriundos de pagamentos de PLR a segurados com cargos de direção, nos termos do voto do Redator; Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao Recurso, na questão de uso de veículo da empresa para utilização diversa do trabalho, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Léo Meirelles do Amaral, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo - item 3.3.2, CNPJ: 45.990.181/0012-31 - nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo - item 3.3.3, CNPJ: 45.990.181/0027-18 ¿ nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo - item 3.3.4, CNPJ: 45.990.181/0029-80 ¿ devido à ausência de comprovação do fato gerador, pela falta de provas de que a legislação foi descumprida (acordo coletivo), nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento ao recurso, na questão da venda de veículos abaixo do preço de mercado, pela ausência de acusação, por parte da fiscalização, de que as condições ofertadas são restritas aos segurados que prestem serviço à empresa, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP.
Fez sustentação oral: ROBERT BOSCH LTDA
Outros eventos ocorridos: Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente e Redator.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram, do presente julgamento, os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2003, anteriores a 10/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a; b) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas recebidas pelos segurados, fixas, sem a obrigatoriedade de alcance de metas, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação ao item 3.3.5, CNPJ: 45.990.181/0030-13, devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo - em relação ao item 3.3.1, CNPJ´s: 45.990.181/0001-89, 45.990.181/0004-21, 45.990.181/0008-55, 45.990.181/0011-50, 45.990.181/0013-12, 45.990.181/0016-65 e 45.990.181/0019-08 - devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; e) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte, devido à sua natureza jurídica, indenização, conforme parecer da A.G.U., nos termos do voto do Relator; f) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações do sujeito passivo, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade; a) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo, no argumento do lançamento referente aos valores oriundos de pagamentos de PLR a segurados com cargos de direção, nos termos do voto do Redator; Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao Recurso, na questão de uso de veículo da empresa para utilização diversa do trabalho, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Léo Meirelles do Amaral, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo - item 3.3.2, CNPJ: 45.990.181/0012-31 - nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo - item 3.3.3, CNPJ: 45.990.181/0027-18 ¿ nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo - item 3.3.4, CNPJ: 45.990.181/0029-80 ¿ devido à ausência de comprovação do fato gerador, pela falta de provas de que a legislação foi descumprida (acordo coletivo), nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento ao recurso, na questão da venda de veículos abaixo do preço de mercado, pela ausência de acusação, por parte da fiscalização, de que as condições ofertadas são restritas aos segurados que prestem serviço à empresa, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP. Fez sustentação oral: ROBERT BOSCH LTDA Outros eventos ocorridos: Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Redator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram, do presente julgamento, os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. NECESSIDADE DE ESTABELCIMENTO DE METAS. CIÊNCIA DO SINDICATO. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante e II - convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. No presente caso, a previsão e a consequente obrigação, nos acordos celebrados, somados às demonstrações, por documentos, de fixação de metas e acompanhamentos, demonstram que o acordo, quando prevê instituição de programa e metas para cargos distintos, cumpre a legislação, devendo a parcela ser isenta de incidência de contribuição, como determina a legislação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. PREVISÃO DE METAS COMPATIBILIDADE COM A DETERMINAÇÃO LEGAL. No presente caso, na análise dos acordos, há parcelas pagas oriundas de cumprimento de metas, motivo de exclusão dos valores lançados relativos a essas parcelas (relatórios fiscais, itens 3.3.2 e 3.3.3). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INCIDÊNCIA. DESOBEDIÊNCIA À LEI 10.101/2001. AUSÊNCIA. Não integram o salário-de-contribuição (SC), para os fins da Lei 8.212/1991, a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei 10.101/2000. Para que a exigência tributária, fundamentada no descumprimento da Lei 10.101/200, prevaleça, faz-se necessário, por parte do Fisco, a demonstração, por p´rovas e indícios, deste descumprimento. No presente caso, para o estabelecimento 45.990.181/0029-80, a fiscalização fundamenta sua acusação em pontos de acordo coletivo que teriam descumprido a Lei 10.101/2000, mas não anexa prova alguma que comprove essse descumprimento, impedindo a verificação sobre a ocorência do fato gerador, motivo do proviemtno do recurso neste pontro. SALÁRIO-UTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. PROVA RETIRADA DE CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário-utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Cabe ao fisco demonstrar a dispensabilidade do veículo. Prova feita pela demonstração de que a própria empresa considerou, para efeito de imposto de renda, que parte da utilização era dispensável para o trabalho. SALÁRIO-UTILIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS DA EMPRESA POR VALOR INFERIOR AO MERCADO. NECESIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). AUSÊNCIA. Entende-se por salário-de-contribuição (SC), para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Para ocorrer o fato gerador da contribuição porevidenciária, conforme a definição acima, faz-se necessário que o ganho do segurado, sua remuenração, seja oriubda de retribuição por serviços prestados ao empregador. No presente caso, lançamento, em que cabe ao Fisco, como acusador, a comprovação da ocorrência do fato gerador, não restou demonstrado que a diferença entre o valor de mercado do bem (veículos) e o valor de venda aos segurados empregados configurava-se em um benefício específico a seguardos a serviço do sujeito passivo, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo, neste ponto. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PARECER DA AGU. CARACTERIZAÇÃO DE VERBA indenizatória. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, segundo a Advocacia Geral da União 9AGU). LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PLR VALE TRANSPORTE SALÁRIO UTILIDADE Recorrente ROBERT BOSCH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS INSERTAS NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. NECESSIDADE DE ESTABELCIMENTO DE METAS. CIÊNCIA DO SINDICATO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 09 69 /2 00 8- 35 Fl. 4555DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.555 2 A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante e II convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. No presente caso, a previsão e a consequente obrigação, nos acordos celebrados, somados às demonstrações, por documentos, de fixação de metas e acompanhamentos, demonstram que o acordo, quando prevê instituição de programa e metas para cargos distintos, cumpre a legislação, devendo a parcela ser isenta de incidência de contribuição, como determina a legislação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ACORDO. PREVISÃO DE METAS COMPATIBILIDADE COM A DETERMINAÇÃO LEGAL. No presente caso, na análise dos acordos, há parcelas pagas oriundas de cumprimento de metas, motivo de exclusão dos valores lançados relativos a essas parcelas (relatórios fiscais, itens 3.3.2 e 3.3.3). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INCIDÊNCIA. DESOBEDIÊNCIA À LEI 10.101/2001. AUSÊNCIA. Não integram o saláriodecontribuição (SC), para os fins da Lei 8.212/1991, a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei 10.101/2000. Para que a exigência tributária, fundamentada no descumprimento da Lei 10.101/200, prevaleça, fazse necessário, por parte do Fisco, a demonstração, por p´rovas e indícios, deste descumprimento. No presente caso, para o estabelecimento 45.990.181/002980, a fiscalização fundamenta sua acusação em pontos de acordo coletivo que teriam descumprido a Lei 10.101/2000, mas não anexa prova alguma que comprove essse descumprimento, impedindo a verificação sobre a ocorência do fato gerador, motivo do proviemtno do recurso neste pontro. SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. PROVA RETIRADA DE CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da Fl. 4556DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.556 3 contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Cabe ao fisco demonstrar a dispensabilidade do veículo. Prova feita pela demonstração de que a própria empresa considerou, para efeito de imposto de renda, que parte da utilização era dispensável para o trabalho. SALÁRIOUTILIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS DA EMPRESA POR VALOR INFERIOR AO MERCADO. NECESIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (SC). AUSÊNCIA. Entendese por saláriodecontribuição (SC), para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Para ocorrer o fato gerador da contribuição porevidenciária, conforme a definição acima, fazse necessário que o ganho do segurado, sua remuenração, seja oriubda de retribuição por serviços prestados ao empregador. No presente caso, lançamento, em que cabe ao Fisco, como acusador, a comprovação da ocorrência do fato gerador, não restou demonstrado que a diferença entre o valor de mercado do bem (veículos) e o valor de venda aos segurados empregados configuravase em um benefício específico a seguardos a serviço do sujeito passivo, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo, neste ponto. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PARECER DA AGU. CARACTERIZAÇÃO DE VERBA indenizatória. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, segundo a Advocacia Geral da União 9AGU). LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4557DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.557 4 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2003, anteriores a 10/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a; b) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas recebidas pelos segurados, fixas, sem a obrigatoriedade de alcance de metas, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação ao item 3.3.5, CNPJ: 45.990.181/003013, devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao recurso do sujeito passivo em relação ao item 3.3.1, CNPJ´s: 45.990.181/0001 89, 45.990.181/000421, 45.990.181/000855, 45.990.181/001150, 45.990.181/001312, 45.990.181/001665 e 45.990.181/001908 devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; e) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte, devido à sua natureza jurídica, indenização, conforme parecer da A.G.U., nos termos do voto do Relator; f) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações do sujeito passivo, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade; a) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo, no argumento do lançamento referente aos valores oriundos de pagamentos de PLR a segurados com cargos de direção, nos termos do voto do Redator; Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao Recurso, na questão de uso de veículo da empresa para utilização diversa do trabalho, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa e Léo Meirelles do Amaral, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo item 3.3.2, CNPJ: 45.990.181/001231 nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo item 3.3.3, CNPJ: 45.990.181/002718 ¿ nos termos do voto do Redator. Vencido o conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento ao recurso do sujeito passivo item 3.3.4, CNPJ: 45.990.181/002980 ¿ devido à ausência de comprovação do fato gerador, pela falta de provas de que a legislação foi descumprida (acordo coletivo), nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; d) em dar provimento ao recurso, na questão da venda de veículos abaixo do preço de mercado, pela ausência de acusação, por parte da fiscalização, de que as condições ofertadas são restritas aos segurados que prestem serviço à empresa, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; e) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP. Fez sustentação oral: ROBERT BOSCH LTDA Outros eventos ocorridos: Sustentação: Mariana Vito. OAB: 158.516/SP. Fl. 4558DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.558 5 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, MAURO JOSE SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL. Fl. 4559DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.559 6 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O crédito tributário tratado no presente Acórdão diz respeito aos processos abaixo relacionados, conforme consta do Acórdão a quo: Processo n° 10830.010969/200835 Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.188.6937), objetivando a exigência das contribuições previdenciárias indicadas nos incisos I, II, e IV do artigo 22 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Os fatos geradores dessas contribuições não foram declarados, sistematicamente, em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, o que ensejou a lavratura do AI/DEBCAD nº 37.149.309 9, situação que será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, por configurar, em tese, crime de sonegação fiscal, em relatório à parte. Mencionado crédito, na data da consolidação, 27/10/2008, importava em R$96.881.070,00 (noventa e seis milhões, oitocentos e oitenta e um mil e setenta reais) já incluídos ness valor juros e a multa de mora. Processo n° 10830.010970/200860 Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.196.9662), (...) das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, quais sejam INCRA, SEBRAE e FNDE, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por força (...) Lei 11.457, de 16/03/2007. Mencionado crédito, na data da consolidação, 27/10/2008, importava em R$ 5.724.330,06 (cinco milhões, setecentos e vinte e quatro mil trezentos e trinta reais e seis centavos) já incluídos nesse valor juros e a multa de mora. Processo n° 10830.011011/200861 Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.196.9689), objetivando a exigência das contribuições destinadas ao Fundo Nacional de Educação FNDE, arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por força do artigo 3o da Lei 11.457, de Fl. 4560DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.560 7 16/03/2007. Mencionado crédito, na data da consolidação, 27/10/2008, importava em R$8.679.838,40 (oito milhões, seiscentos e setenta e nove mil, oitocentos e trinta e oito reais e quarenta centavos) já incluídos nesse valor juros e a multa de mora. Considerando a diversidade fática do caso, reproduzimos o relatório que consta do Acórdão a quo: Dos Levantamentos PL e PLT: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR (...) 3.3.1 Estabelecimentos 45.990.181/000189, 45.990.181/000421, 45.990.181/000855, 45.990.181/001150, 45.990.181/001312, 45.990.181/001665 e 45.990.181/001908: • A empresa apresentou Acordo Coletivo de Trabalho para os anos de 2002 a 2007, o qual faz referência às metas internas programadas pela Bosch, sem, contudo, discriminalas; • As planilhas de metas apresentadas pela empresa para o período de 2002 a 2004 não comprovam ter havido participação do Sindicato da categoria em sua definição e, para os anos de 2005 a 2007, embora mencione a existência de uma Comissão de PLR, não foi apresentada, à fiscalização, documentação pertinente; • Durante todo o período citado, a empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus colaboradores, a seguir discriminados, em função de avaliações individuais realizadas, também, sem a participação do Sindicato: 2002: detentores de cargos de confiança; 2003 a 2004: detentores de cargos de confiança, supervisores, líderes e mensalistas; 2005 a 2007: detentores de cargos de confiança, supervisores, líderes, mensalistas e horistas indiretos; 3.3.2 Estabelecimento 45.990.181/001231: • Os Acordos Coletivos prevêem o pagamento de um PLR fixo, .dependente de metas e, portanto, em desacordo com a legislação. Senão vejamos: Acordo Coletivo 2002 a 2006 Cláusula 2a, Parágrafo Primeiro: “Na hipótese de não atingimento de nenhum dos indicadores firmados na cláusula quinta, fica pactuado que o valor mínimo garantido a todos os colaboradores será de... ” Ala n° 36/2003 referente PLR complementar 2003, § 2: “Em substituição ao pleito de aumento real a Bosch distribuirá aos seus empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS COMPLEMENTAR o valor fixo de... ” Fl. 4561DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.561 8 Termo Aditivo do Acordo Coletivo de Trabalho PLR 2004 a 2006 — Cláusula Segunda: “A Bosch distribuirá aos seus empregados abrangidos pelo acordo coletivo ora mencionado a título de PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS COMPLEMENTAR e decorrente de instrumento normativo firmado com o SINDICATO o valor fixo de...” Os indicativos de metas constantes da cláusula sexta do Acordo Coletivo 2007, prevêem o recebimento de um valor mínimo, ainda que nenhuma meta seja atendida; • A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus colaboradores, detentores de cargos de confiança e mensalistas, em função de avaliações individuais realizadas sem a participação do Sindicato; 3.3.3 Estabelecimento 45.990.181/002718: • Os Acordos Coletivos prevêem o pagamento de um PLR fixo, independente de metas e, portanto, em desacordo com a legislação. Senão vejamos: Acordo Coletivo 2002 — Cláusula Terceira — Parágrafo Primeiro; “Para o ano de 2002, fica estabelecido um valor mínimo garantido de ... ”; Acordo Coletivo 2003 Cláusula Quarta: “Em razão do disposto nas cláusulas primeira, e segunda, BOSCH e SINDICATO acordam que essa participação dos empregados nos resultados da BOSCH durante o ano calendário de 2003 será consubstanciada no pagamento dos valores divididos da seguinte forma: A Um pagamento no valor fixo de ... ”; Acordo Coletivo 2004 a 2007 Cláusula Quarta “Em razão do disposto nas cláusulas primeira e segunda, BOSCH e SINDICATO acordam que essa participação dos empregados nos resultados da BOSCH durante o ano calendário de 2003 será consubstanciada no pagamento dos valores divididos da seguinte forma: A Valor total garantido de ... ”; A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus colaboradores, a seguir discriminados, em função de avaliações individuais realizadas sem a participação do Sindicato: 2002: detentores de cargos de confiança e supervisores/líderes; 2003 a 2007: detentores de cargos de confiança, supervisores e mensalistas; 3.3.4 Estabelecimento 45.990.181/002980: • Mesmo tendo sido solicitado por Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TJAD, a empresa não apresentou o Acordo Coletivo relativo ao ano calendário 2002; • O Acordo Coletivo do ano de 2003, datado de 16/07/2003, pactua as metas a serem atingidas, garantindo, antes da apuração das mesmas, um pagamento mínimo a todos os trabalhadores. Senão vejamos: Fl. 4562DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.562 9 Cláusula 2a § 3o: “Com base nos resultados das metas já alcançadas até 30/06/2003, fica garantido o pagamento mínimo de ... ” • O Acordo Coletivo 2004 prevê em sua Cláusula 3a que: “ O valor a ser distribuído, conforme cláusula 2a, fica condicionado ao cumprimento das metas ... a serem aprovadas pelo Sindicato representante dos trabalhadores. ”. Ocorre que tais metas não foram apresentadas à fiscalização; 3.3.5 Estabelecimento 45.990.181/003013: • A empresa apresentou Acordo Coletivo de Trabalho para os anos de 2002 a 2007, o qual faz referência às metas, sem, contudo, discriminá las; • A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus colaboradores, a seguir discriminados, em função de avaliações individuais realizadas sem a participação do Sindicato: 2002: empregados contemplados com a apolítica interna de avaliação por objetivos individuais (MAG); 2003: Diretores, gerentes, Chefes, Assessores Profissionais e mensalistas; 2004 e 2005: Diretores, gerentes, Chefes, Assessores, mensalistas e horistas indiretos; 2006: Diretores, gerentes, Chefes, Assessores e mensalistas; (...) Dos Levantamentos SU e SUT: Rubrica 0481 SALÁRIO UTILIDADE SÚMULA 367 Consta do Relatório Fiscal que a BOSCH incluía em sua folha de pagamento a rubrica 0481, referente à utilização de veículos fora do horário de trabalho e que esse pagamento a seus colaboradores sofria incidência do imposto de renda, porém, tal verba não era tratada como salário de contribuição para fins previdenciários. (...) Dos Levantamentos VTe VTT: VALE TRANSPORTE Indicam, as Auditoras, que o Vale Transporte foi distribuído aos empregados lotados nos estabelecimentos 45.990.181/000189 e 45.990.181/001231, no período de 12/2002 a 12/2007, em desacordo com o parágrafo único, artigo 4o da Lei 7.418/85. Esclarecem que a empresa não efetuou o desconto da parcela devida pelo segurado ou efetuou um desconto bem abaixo do previsto, o que acarreta aumento de remuneração para os trabalhadores, referente à parcela não descontada. Ainda, as bases de cálculo estão discriminadas no Anexo IV, em meio magnético. Do Levantamento COP: COOPERATIVAS DE TRABALHO Fl. 4563DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.563 10 Está lançada nesse levantamento a contribuição estabelecida pelo inciso IV, . 22 da Lei 8.212/91, aos serviços que lhe foram prestados por cooperados, por intermédio das cooperativas de trabalho abaixo relacionadas: UNIMED CAMPINAS COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, CNPJ:46.124.624/000111, período de 09/2007 a 12/2007; UNIODONTO DE CAMPINAS COOPERATIVA ODONTOLÓGICA, CNPJ: 51.304.798/000104, períodos 12/2003 a 11/2005, 03/2006 a 04/2007 e 06/2007 a 12/2007. A base de cálculo foi apurada com base nos Contratos de Prestação de Serviços e nas Notas Fiscais/Faturas, fornecidos pela empresa e encontrase discriminada nos ANEXOS V e XII, apresentados em meio magnético. Há que se salientar que este levantamento foi lançado somente no Auto de Infração DEBCAD n° 37.188.6937. Dos Levantamentos SI e SIT: VENDA DE VEÍCULOS ABAIXO DO PREÇO DE MERCADO As Auditoras relatam que a BOSCH vendeu aos seus funcionários veículos por valores inferiores à cotação de mercado, no período de 08/2003, 02/2004 a 05/2004 e 11/2005 a 12/2007, assim, a diferença foi considerada como salário de contribuição. Em resumo, com relação aos levantamentos relacionados com a PLR, tivemos a seguinte motivação para a inclusão das respectivas parcelas na base de cálculo das contribuições previdenciárias: 1. falta de acordo; 2. metas não definidas em acordo; 3. metas definidas fora do acordo sem a participação do sindicato; 4. pagamentos diferenciados por avaliações individuais sem participação do sindicato; 5. pagamentos fixos independentes de metas; Após tomar ciência pessoal da autuação em 27/10/2008, a recorrente apresentou impugnação na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 9ª Turma da DRJ/Campinas no Acórdão de fls. 2565/2581 julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 15/07/2009, Fl. 4564DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.564 11 fls. 2582. O decisório reconheceu a concomitância em relação à discussão relativa a cooperativas de trabalho. O recurso voluntário, apresentado em 14/08/2009, fls. 2585/2644, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Insiste que os valores pagos aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) não tem natureza salarial por conta de previsão constitucional. Apresenta histórico legislativo sobre o assunto. Sustenta que a lei não obriga a presença de metas nos acordos, pois utiliza a expressão "poderão" no art. 2º. Havia estabelecimentos que eram apenas escritórios de venda , bem como havia outros que já não possuem mais atividades. A decisão de primeira instância ficou silente em relação às filiais encerradas. Os acordos foram firmados com o respectivo sindicato com regras claras e objetivas como determina a lei. Em alguns estabelecimentos, como na Matriz, o Acordo fixava regras e diretrizes gerais, deixando para uma comissão de PLR o detalhamento das metas, com a devida anuência da entidade sindical. Após isso, eram distribuídos manuais que informavam as metas estipuladas, bem como os métodos para apuração do resultado. Em outros estabelecimentos, as metas estavam estampadas no Acordo, como na filial Aratu. Todos os acordos tinham seus critérios e metas estabelecidos antes do início do período a que se referiam. Apenas a assinatura do instrumento é que, em alguns casos, deu se em período posterior. Os empregados tinham total conhecimento das metas antes do período se iniciar. A PLR diferenciada para alguns cargos e funções se justificava pela importância desses. Nesses casos, as metas individuais eram discutidas com cada funcionário posteriormente, formalizadas em plano individualizado. Discorda do argumento de que houve pagamento de PLR sem que a meta fosse atingida. O que havia era um primeiro pagamento fixo, uma espécie de adiantamento com base no histórico de pagamentos anteriores, e um segundo pagamento variável apurado de acordo com as metas. Se em algum acordo houve a estipulação de pagamentos sem atingimento de meta, tal cláusula teve a anuência do sindicato. Com relação aos acordos em geral e, particularmente, em relação ao pagamento de parcelas de PLR diferenciadas, argumenta que houve ciência e anuência dos sindicatos. Aponta que a exigência de apresentação de comprovantes de eleição dos membros da comissão de empregados não encontra amparo legal. Diferentemente do que afirmou a fiscalização, o sindicato participou das negociações. Fl. 4565DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.565 12 Sustenta que a regra é a livre negociação entre as partes em relação a acordos e convenções coletivas de trabalho. Ao lançar, a fiscalização estaria desrespeitando a legislação de regência. Entende que a ausência de desconto integral da parcela de 6% dos empregados não representa violação à legislação de regência. Argumenta que não deixou de descontar os 6% mas apenas fez desconto menor que o percentual previsto pela lei. Aponta que os dispêndios com veículos desfrutam da incidência do art. 28, §9º, alínea"r" da Lei 8.212/91. Ademais, os veículos eram da frota da empresa e fornecidos para a execução do trabalho e não pela execução do trabalho. Cita jurisprudência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) que ampara seu argumento. Insiste que o caso amoldase no art. 458, §2º da CLT no sentido de não ser considerado salário esta utilidade fornecida pela empresa. Sustenta que a venda de veículos de sua frota aos seus funcionários foi realizada no contexto de relações jurídicas comerciais, não havendo que se falar em incidência das contribuições. O preço de venda praticado é a média do valor de mercado, oferecendose um desconto de 30% aos empregados mediante pagamento à vista. Colaciona decisão do TST a seu favor. Destaca que a doutrina afasta a natureza salarial de utilidades fornecidas sem que haja continuidade e gratuidade. Insiste no nítido caráter eventual das aquisições. Confirma que a constitucionalidade da cobrança dos tributos em relação aos pagamentos a cooperativas de trabalho foi submetida à apreciação do Poder Judiciário. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Iniciado o julgamento, a recorrente apresentou memoriais com planilhas apontando os documentos que sustentavam seus argumentos. É o relatório. Fl. 4566DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.566 13 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Concomitância entre processo administrativo e processo judicial. Renúncia às instâncias administrativas em relação às matérias idênticas. Súmula CARF Nº 1. A recorrente impetrou o Mandado de Segurança 2004.70.00.0331486 que trata de uma das questões suscitadas no Recurso Voluntário a incidência da contribuição sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho , como a própria recorrente admitiu. Assim deve ser aplicada ao caso a Súmula CARF nº 1, in verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.“ Logo, a discussão sobre as cooperativas de trabalho não pode ser conhecida. Decadência. Súmula CARF 99. Com fundamento no art. 72, §4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com relação à decadência aplicamos o conteúdo do Súmula CARF 99, in verbis: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste Fl. 4567DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.567 14 recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Observamos que a fiscalização declarou no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 226 ter analisado comprovantes de recolhimento no período fiscalizado, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 27/10/2008, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 09/2003. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Fl. 4568DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.568 15 Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do referido ato administrativo. Requistos para a imunidade dos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) Inicio a análise do litígio posicionandome sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR. Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das Fl. 4569DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.569 16 finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: Fl. 4570DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.570 17 <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon Fl. 4571DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.571 18 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na Fl. 4572DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.572 19 medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Fl. 4573DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.573 20 Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Fl. 4574DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.574 21 Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos Fl. 4575DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.575 22 instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Fl. 4576DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.576 23 Regras claras e objetivas A Lei 10.101/2000 determinou que a PLR seja objeto de negociação entre empresas e empregados, seja por meio de comissão escolhida entre as partes ou por acordo coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto, podemos afastar possibilidade de as regras para o recebimento da PLR serem estabelecidas unilateralmente. Todo o contorno das regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Mas o que seriam regras claras e objetivas? Entre os sentidos possíveis para a expressão “regras claras”, segundo o dicionário Michaelis, temos: regras fáceis de entender, evidentes, explícitas, inequívocas, manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo exterior; regras que existem fora do espírito e independentemente do conhecimento que dele possua o sujeito pensante; ou regras que não se relacionam com os sentimentos pessoais do sujeito pensante. Em síntese, regras claras e objetivas são regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se referem ao mundo dos objetos, não podendo estar relacionadas com sentimentos pessoais. Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio moral e todo o tipo de discriminação no ambiente do trabalho, o que não contribui para a melhoria da relação entre capital e trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III da CF). Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso) Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200. Fl. 4577DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.577 24 Nesse sentido o voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no Acórdão 230200.256 “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. “ Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos aceitar o conteúdo de acordo coletivo que, nitidamente, convencionou uma avaliação individual baseada em critérios subjetivos. A autonomia privada pode prevalecer ainda que ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN? Vejamos o comando da norma complementar in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que paga parcela a título de PLR que foi regida por regras subjetivas não pode beneficiarse da imunidade da contribuição previdenciária respectiva. Se a parte paga com base em critérios subjetivos não for atingida pela tributação, por conta do conteúdo de acordo coletivo, estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição do sujeito passivo da obrigação tributária – a empresa , configurando ofensa frontal ao estabelecido no art. 123 do CTN. Nesse sentido, em sua manifestação no RE 398.2842 que discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”. Parecenos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão 920200.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela fiscalização. Alguns trechos do voto daquele julgado evidenciam a posição do mencionado relator: Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. (..) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do Fl. 4578DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.578 25 acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,... Além de representar ofensa ao art. 123 do CTN, o conteúdo de Acordo Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma cogente que protege ou beneficia o trabalhador, conforme consta do OJ 31 da SDC daquele Tribunal: OJ 31 SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS N 31 ESTABILIDADE DO ACIDENTADO. ACORDO HOMOLOGADO. PREVALÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91 (inserida em 19.08.1998) Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente, quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da vontade das partes. Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ou seja, as regras estipuladas no Acordo não podem conter critérios subjetivos para a concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei, conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os preceitos do art. 123 do CTN. Pagamento mínimo sem que a meta seja atingida Ainda que o Acordo traga regras claras e objetivas, entre estas poderá existir a determinação de um pagamento mínimo no caso de as metas não serem atingidas? Entendemos que a resposta a esse questionamento só pode ser negativa, pois é uma exigência da finalidade de combate à fraude que a norma reguladora da imunidade Fl. 4579DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.579 26 assume. O pagamento mínimo permite que uma verba remuneratória seja substituída pelo pagamento de PLR, dada a certeza de seu recebimento. É uma ofensa direta ao conteúdo do caput do art. 3º da Lei 10.101/2000 no trecho em que prescreve que a PLR “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado”. Nesse sentido, o Conselheiro Elias Sampaio Freire já destacou que os valores de PLR só são liberados se os objetivos e metas forem atendidos. Vejamos o trecho do voto do Conselheiro no Acórdão CSRF 920200.503: “Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas.” Logo, ainda que constante do Acordo, valores pagos a título de PLR em situações nas quais as metas de lucros ou resultados não forem atingidas, não possuem a natureza pretendida, o que lhes impõe a natureza de remuneração e sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária. A par das digressões jurídicas genéricas já apresentadas, passamos a analisar o caso concreto. Conforme exposto acima, a lei exige que exista a participação do sindicato nas negociações sobre PLR, seja em acordo coletivo ou comissão escolhida pelas partes. Observamos, entretanto, que, confirmando o que havia sido apontado pela fiscalização, houve negociações realizadas sem a presença do sindicato no anos de 2005 e 2007, conforme apontado no item 3.3.1 do Relatório. Nosso posicionamento, seguindo as premissas já apresentadas, é pela necessidade de regras claras e objetivas no instrumento de acordo, nada ficando para acerto posterior direto com a empresa. A fiscalização apontou que a recorrente em algumas situações, deixou o detalhamento das metas a critério da empresa, o que constatamos ter, de fato, ocorrido nos casos apontados pela fiscalização e conforme Planilha do Relator que anexamos ao presente. O pagamento a título de PLR sem que a meta tenha sido alcançada é, como vimos, uma situação que desnatura o pagamento, pois um verdadeiro programa de PLR pressupõe uma meta. Sem alcance da meta não há que se falar em pagamento a título de PLR. Portanto, confirmamos todas as motivações apresentadas pela fiscalização, de modo a votar pela negativa de provimento ao recurso quanto a PLR. Com relação aos argumentos e provas apontados em memoriais, nossa Planilha do Relator contém nossas conclusões em relações a todos os elementos trazidos pela recorrente, em sintonia com o que já expomos. Fl. 4580DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.580 27 Em adição à citada planilha, em relação ao item 3.3.4 do Relatório Fiscal na parte que fala da ausência de metas acordadas, a recorrente não foi capaz de demonstrar que as metas foram definidas em acordo com o sindicato daquela filial. Vale transporte. O transporte concedido pelo empregador ao empregado em deslocamento para o trabalho era considerado salárioutilidade até a alteração da CLT em 06/2001 pela Lei 10.243/2001. A partir desse diploma normativo, tal utilidade deixou de ser considerada salário, mas não perdeu sua condição de utilidade fornecida pela empregador, o que ainda a deixa no campo da incidência da contribuição previdenciária, conforme a segunda parte do inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91. No entanto, o empregador poderá desfrutar da isenção prevista na alínea “f”, §9º do art. 28, desde que o vale transporte obedeça a legislação própria. Foi a Lei 7.418/85 que instituiu o vale transporte e que disciplina as condições para sua concessão. A imensa maioria da jurisprudência e da doutrina tem concluído que nesta lei existe a exigência de que o empregador faça o desconto de 6% do salário base do empregado como requisito para desfrute da isenção. Com a devida vênia, não conseguimos assim concluir. Vejamos o texto de alguns dispositivos da lei: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; (...) Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (Vide Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 280, de 2006) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. No art. 2º acima transcrito vemos que a parte custeada pelo empregador não tem natureza salarial, ao passo que no art. 4º temos a determinação de que o empregador custeará aquilo que exceder 6% do salário básico do empregado. Em outras palavras, o Fl. 4581DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.581 28 empregado deve suportar o custo do vale transporte com seu próprio salário até o limite de 6%. Não interpretamos existir no art. 4º uma condição expressa para o desfrute da isenção, mas uma delimitação daquilo que será custeado pelo empregado e daquilo que será custeado pelo empregador. Se o empregador resolve, por vontade própria ou por força de acordo coletivo, nada descontar do empregado, equivale a ter concedido uma nova parcela salarial ao empregado, mas não na totalidade do valor pago a título de vale transporte, mas somente até 6% do salário base, pois é esta parte que o empregado deve suportar. A parcela que exceder 6% ainda continuará custeada pelo empregador. Com relação ao requisitos para a isenção, vislumbramos estarem estes nos arts. 1º e 4º da Lei 7.418/85: · utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa; · utilização através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal e/ou interestadual com características semelhantes aos urbanos, geridos diretamente ou mediante concessão ou permissão de linhas regulares e com tarifas fixadas pela autoridade competente, excluídos os serviços seletivos e os especiais; · não serem pagos em dinheiros, uma vez que o art. 4º fala em aquisição de Vales Transporte, o que afasta a possibilidade de o valor respectivo ser entregue em moeda ao trabalhador. Esse último requisito conflito com o que decidiu o STF no RE 478.410, in verbis: RE 478410 / SP SÃO PAULO EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação Fl. 4582DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.582 29 da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. A referida decisão do STF transitou em julgado em 02/03/2012. Ademais, existe a Súmula AGU 60, in verbis: Ementa: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Logo, tendo o vale transporte caráter indenizatório, não deve incidir a contribuição previdenciária. Venda de veículos para empregados abaixo do preço de mercado. Afastamento da natureza comercial. Operação que se deu em razão da relação trabalhista. Incidência da contribuição previdenciária. Com relação à venda de veículos a empregados, a recorrente alega que se trata de uma operação comercial, porém reconhece que a venda foi feita por valor 30% inferior ao valor de mercado. Sendo assim, fica desnaturada natureza comercial da operação, pois o desconto de 30% para pagamento à vista não foi oferecido ao público em geral, mas somente aos empregados, o que deixa a operação vinculada à relação trabalhista entre empregadora e empregado. Fácil perceber que a diferença entre o preço de mercado e o preço adquirido pelo empregado constituise em contraprestação pelo trabalho, pois a operação só foi realizada com tal conformação dada a existência de vínculo trabalhista entre as partes. A suposta voluntariedade do negócio, considerando que a aquisição de veículos é uma opção do empregado, não subsiste diante da óbvia racionalidade do homem médio, bonus pater familias, que não ignoraria uma oportunidade de obter em seu benefício a diferença entre preço de mercado e preço de venda da empregadora. Sendo contraprestação pelo trabalho, deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Fl. 4583DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.583 30 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei Fl. 4584DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.584 31 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 4585DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.585 32 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: Fl. 4586DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.586 33 · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 4587DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.587 34 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Fl. 4588DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.588 35 Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a: (a) excluir do lançamento os fatos geradores até 09/2003, inclusive; (b) excluir do lançamento os valores pagos a título de vale transporte; (c) limitar a multa de mora a 20%. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Fl. 4589DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.589 36 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento em alguns pontos, analisados a seguir. Importante destacar, de início, que como a decadência das contribuições – conforme voto do Relator, acompanhado por unanimidade pelo colegiado, inclusive pela aplicação de súmula, alcançou as contribuições apuradas até a competência 09/2003, anteriores a 10/2003, analisaremos, pela lógica, somente as questões que, após aplicada a decisão sobre a regra decadencial, nos períodos que importam. 1ª QUESTÃO REGRAS DE PAGAMENTO DE PLR COM PREVISAÕ DE ELABORAÇÃO EM ACORDO. No primeiro ponto de discordância do relator, a acusação, fiscalização, argumenta, em síntese, que deve incidir contribuição previdenciária sobre o valor pago a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) – a segurados de cargo de direção, pois as regras não constam do acordo. Essa acusação encontrase presente em itens do Relatório Fiscal (RF), que foram criados por relacionaremse a acordos que vigoraram em estabelecimentos: 3.3.1 Estabelecimento(s): 45.990.181/000189, 45.990.181/000421, 45.990.181/000855, 45.990.181/001150, 45.990.181/001312, 45.990.181/001665 e 45.990.181/001908; 3.3.2 Estabelecimento(s): 45.990.181/001231; 3.3.3 Estabelecimento(s): 45.990.181/002718; 3.3.5 Estabelecimento(s): 45.990.181/003013. Somente para o item 3.3.4, referente ao estabelecimento 45.990.181/002980, não há essa acusação. Na verificação de cada acordo chegamos a conclusões, a seguir expostas. Fl. 4590DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.590 37 Para os estabelecimentos citados no item 3.3.1 há acordo, fls. 0519, com a seguinte determinação: “CLAUSULA SEXTA CARGOS DE CONFIANÇA (GERÊNCIA, DIRETORIA, CHEFIA/ASSESSORIA), SUPERVISORES/LÍDERES e MENSALISTAS Para os empregados acima definidos pela BOSCH, será aplicada política própria da Empresa (Política interna — Objetivos Individuais) para o pagamento da PLR, utilizandose do sistema de avaliação especifica (MAG). A tais empregados fica assegurado o valor estabelecido na Cláusula Terceira, iltern "C", sendo que tais empregado receberão no dia 11/07/2003 o valor à titulo de Antecipação de R$ 1.000,00 (Hum Mil Reais), sendo o restante (complementação de valores) pago juntamente com a Folha de Pagamento do mês de Abril/2004, por intermédio do Banco Bradesco.” Com essa redação, as partes envolvidas no acordo, segurados (devidamente representado pelo sindicato) e empresa, concordam em aplicar sistema de avaliação específica; Portanto, havia avaliação – inclusive como demonstram as provas e documentos dos autos – e a existência dessa avaliação era de conhecimento das partes, possibilitando que o sindicato a contestasse, assim como possibilitando que o Fisco a verificasse. A fiscalização não procedeu a análise dessa avaliação específica, tributandoa de forma integral, sob seguinte o argumento: “Durante todo o período citado, a empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus colaboradores, a seguir discriminados, em função de avaliações individuais realizadas, também, sem a participação do Sindicato:” É de se ressaltar que há duas acusações na frase acima: 1. Que pagamento de PLR diferenciado faria incidir a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da Lei 10.101/2000; e 2. Que o sindicato não participou das definições das metas e das conseqüentes avaliações, o que faria incidir a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da Lei 10.101/2000. Quanto à primeira acusação pagamento de PLR diferenciado faria incidir a contribuição previdenciária, esclarecemos que não há – em toda lei 10.101/2000, ao contrário de outras determinações legais qualquer regra que exija pagamento uniforme a todos os segurados. Portanto, sem mais comentários, pois não são necessários, como não há determinação legal em contrário, não há motivo para tributação sob este argumento. Fl. 4591DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.591 38 Quanto à segunda acusação sindicato não participou das definições das metas e das conseqüentes avaliações – esta só é possível de ter ocorrido se o sindicato, que assina todos os acordos, tiver sido displicente com suas funções básicas, proteção dos direitos de seus filiados, pois ele, assim como os segurados, teve total ciência da existência de avaliação específica, demonstrada pelas provas dos autos. Portanto, não há motivo para a tributação, devido a esse ponto. As mesmas conclusões podemos aplicar aos acordos dos anos de 2004, fls. 0500, de 2005, fls. 0510, de 2006, fls. 0516, e de 2007, fls. 0521. Assim, nossa posição e a definição valem para todos os acordos, motivo do provimento do recurso nas duas acusações citadas (pagamento de PLR diferenciado e sindicato não participou das definições das metas e das conseqüentes avaliações). Para o(s) estabelecimento(s) citado no item 3.3.2 (45.990.181/001231) há acordo, fls. 0428, com a seguinte determinação: “2.1 CARGOS DE CONFIANÇA (DIRETORIA, GERÊNCIA, CHEFIA . E SUPERVISÃO) e MENSALISTAS Para os empregados contemplados com a política interna por objetivos individuais (MAG), fica acordado que o valor correspondente ao pagamento da PLR deve ser feito com base nos critérios desta política, em data a ser definida, não sendo devidos os valores programados na cláusula segunda.” Com essa redação, as partes envolvidas no acordo, segurados (devidamente representado pelo sindicato) e empresa, concordam em aplicar sistema de avaliação específica; Portanto, havia avaliação – inclusive como demonstram as provas e documentos dos autos – e a existência dessa avaliação era de conhecimento das partes, possibilitando que o sindicato a contestasse, assim como possibilitando que o Fisco a verificasse. A fiscalização não procedeu a análise dessa avaliação específica, tributandoa de forma integral, sob seguinte o argumento: “A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus colaboradores, detentores de cargos de confiança e mensalistas, em função de avaliações individuais realizadas sem a participação do Sindicato.” É de se ressaltar que há duas acusações na frase acima: 3. Que pagamento de PLR diferenciado faria incidir a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da Lei 10.101/2000; e 4. Que o sindicato não participou das definições das metas e das conseqüentes avaliações, o que faria incidir Fl. 4592DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.592 39 a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da Lei 10.101/2000. Pelos fundamentos da acusação serem os mesmos já citados acima, no item referente ao item 3.3.1, também deve ser dado provimento ao recurso, pelas razões idênticas. A mesma conclusão podemos aplicar aos acordos dos anos de 2004, fls. 0500, de 2005, fls. 0450, de 2006, fls. 0516, e de 2007, fls. 0521. Para o(s) estabelecimento(s) citado no item 3.3.3 (45.990.181/002718) há acordo, fls. 0405, com a seguinte determinação: “CLAUSULA OITAVA CARGOS DE CONFIANÇA (DIRETORIA, GERÊNCIA, CHEFIA/ASSESSORIA) , SUPERVISORES/LIDERES e CARGOS MENSALISTAS. Para os empregados que exercem cargos de Diretoria, Gerência, Chefia/Assessoria, Supervisão/Liderança e Cargos Mensalistas, será aplicada política própria da empresa para o pagamento da PLR, utilizandose de sistema de avaliação especifica, estando garantido um valor mínimo igual a PLR negociada neste acordo Com essa redação, as partes envolvidas no acordo, segurados (devidamente representado pelo sindicato) e empresa, concordam em aplicar sistema de avaliação específica; Portanto, havia avaliação – inclusive como demonstram as provas e documentos dos autos – e a existência dessa avaliação era de conhecimento das partes, possibilitando que o sindicato a contestasse, assim como possibilitando que o Fisco a verificasse. A fiscalização não procedeu a análise dessa avaliação específica, tributandoa de forma integral, sob seguinte o argumento: “A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus colaboradores, a seguir discriminados, em função de avaliações individuais realizadas sem a participação do Sindicato:” É de se ressaltar que há duas acusações na frase acima: 5. Que pagamento de PLR diferenciado faria incidir a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da Lei 10.101/2000; e 6. Que o sindicato não participou das definições das metas e das conseqüentes avaliações, o que faria incidir a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da Lei 10.101/2000. Pelos fundamentos da acusação serem os mesmos já citados acima, no item referente ao item 3.3.1, também deve ser dado provimento ao recurso, pelas razões idênticas. Fl. 4593DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.593 40 A mesma conclusão podemos aplicar aos acordos dos anos de 2004, fls. 0410, de 2005, fls. 0416, de 2006, fls. 0422, e de 2007, fls. 0422. Para o(s) estabelecimento(s) citado no item 3.3.5 (45.990.181/003013) há acordo, fls. 0482, com a seguinte determinação: “Para os empregados contemplados corn a política interna de avaliação por objetivos individuais (MAG), ou seja, Diretores, Gerentes, Chefes, Assessores Profissionais e Mensalistas, fica acordado que o cálculo do valor correspondente ao pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados deve ser feito com base nos critérios desta política, e em data a ser definida, sendo devidos os valores definidos no item A desta clausula apenas como antecipação.” Com essa redação, as partes envolvidas no acordo, segurados (devidamente representado pelo sindicato) e empresa, concordam em aplicar sistema de avaliação específica; Portanto, havia avaliação – inclusive como demonstram as provas e documentos dos autos – e a existência dessa avaliação era de conhecimento das partes, possibilitando que o sindicato a contestasse, assim como possibilitando que o Fisco a verificasse. A fiscalização não procedeu a análise dessa avaliação específica, tributandoa de forma integral, sob seguinte o argumento: “A empresa pagou um PLR diferenciado a uma parcela de seus colaboradores, a seguir discriminados, em função de avaliações individuais realizadas sem a participação do Sindicato:” É de se ressaltar que há duas acusações na frase acima: 7. Que pagamento de PLR diferenciado faria incidir a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da Lei 10.101/2000; e 8. Que o sindicato não participou das definições das metas e das conseqüentes avaliações, o que faria incidir a contribuição previdenciária, pelo descumprimento da Lei 10.101/2000. Pelos fundamentos da acusação serem os mesmos já citados acima, no item referente ao item 3.3.1, também deve ser dado provimento ao recurso, pelas razões idênticas. A mesma conclusão podemos aplicar aos acordos dos anos de 2004, fls. 0486, de 2005. Por fim, de extrema relevância, cabe deixar claro que votamos pelo provimento do recurso somente na questão das parcelas variáveis dos pagamentos a ocupantes Fl. 4594DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.594 41 de cargos citados no relatório fiscal, devendo incidir contribuição sobre a parcela fixa, sem metas. Em razão do exposto, pelas partes interessadas no acordo (segurados/sindicato e empresa) estarem cientes da clausula e pelas provas anexas aos autos, que demonstram a existência de metas e a verificação de seu cumprimento, dou provimento ao recurso neste ponto, excluindose do lançamentos os valores referentes a pagamentos de PLR a ocupantes de cargos citados no relatório fiscal, subordinados a metas. 2ª QUESTÃO PARCELAS DEPENDENTES DE METAS PREVISTAS NO ACORDO ITEM 3.3.2: Em outro ponto, o relator nega provimento ao recurso, em relação ás parcelas dependentes de metas, item 3.3.2, no estabelecimento 45.990.181/001231. Com todo respeito, discordamos do relator. A acusação fiscal assim fundamenta seu ponto de vista: “3.3.2 Estabelecimento 45.990.181/001231: • Os Acordos Coletivos prevêem o pagamento de um PLR fixo, independente de metas e, portanto, em desacordo com a legislação. Senão vejamos: Acordo Coletivo 2002 a 2006 — Cláusula 2, Parágrafo Primeiro: "Na hipótese de não atingimento de nenhum dos indicadores firmados na cláusula quinta, fica pactuado que o valor mínimo garantido a todos os colaboradores será de..." Ata n° 36/2003 referente PLR complementar 2003, § 2: "Em substituição ao pleito de aumento real a Bosch distribuirá aos seus empregados a titulo de PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS COMPLEMENTAR o valor fixo de..." Termo Aditivo do Acordo Coletivo de Trabalho PLR 2004 a 2006 — Cláusula Segunda: "A Bosch distribuirá aos seus empregados abrangidos pelo acordo coletivo ora mencionado a titulo de PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS COMPLEMENTAR e decorrente de instrumento normativo firmado com o SINDICATO o valor fixo de ..." Os indicativos de metas constantes da cláusula sexta do Acordo Coletivo 2007, prevêem o recebimento de um valor mínimo, ainda que nenhuma meta seja atendida; Portanto, a fiscalização apresenta sua acusação afirmando que sobre valores fixos deve incidir contribuição. Na verificação dos acordos relacionados à acusação, fls. 0427 (ano 2003), 0437 (ano 2004), 0449 (ano 2005), 0459 (ano 2006) e 0473 (ano 2007, verificamos, sim, a existência de pagamentos fixos, sem metas, garantidos, portanto em discordância com a Fl. 4595DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.595 42 legislação, mas encontramos valores atrelados à obtenção de metas, que devem ser excluídos do lançamento, conforme tabela abaixo: CNPJ: 45.990.181/001231, item 3.3.2 do relatório fiscal A B C ANO Valor a ser recebido, dependente de metas, para excluir. Fls. 2003 R$ 400,00 ((R$ 1.300,00 (a) – R$ 1.000,00 (b) + R$ 100,00 (c)) 0427 2004 R$ 704,00 = R$ 2.200,00 (clausula segunda) – R$ 1.496,00 (§1º, clausula segunda) 0437 2005 R$ 960,00 = R$ 3.200,00 (clausula segunda) – R$ 2.240,00 (§1º, clausula segunda) 0449 2006. R$ 960,00 = R$ 3.200,00 (clausula segunda) – R$ 2.240,00 (§1º, clausula segunda) 0459 2007 R$ 3.300,00 (pagamento integralmente sujeito à metas, conforma clausula segunda) 0473 Conseqüentemente, pelas razões expostas, ou seja, por existirem metas condicionando o pagamento de valor parcial ou integral da PLR, ao contrário do que afirma o Fisco, dou provimento parcial ao recurso neste estabelecimento, por essas razões – a fim de excluir do lançamento, por segurado que recebeu PLR em seu valor integral, os valores constantes da tabela acima, coluna B. pela acusação não possuir suporte fático. 3ª QUESTÃO PARCELAS DEPENDENTES DE METAS PREVISTAS NO ACORDO ITEM 3.3.3: Em ponto semelhante à acusação citada acima, com estabelecimento e item diferente, item 3.3.3, estabelecimento 45.990.181/002718, o relator nega provimento ao recurso, em relação ás parcelas dependentes de metas. Fl. 4596DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.596 43 Com todo respeito, discordamos do relator. A acusação fiscal assim fundamenta seu ponto de vista: “3.3.3 Estabelecimento 45.990.181/002718: • Os Acordos Coletivos prevêem o pagamento de um PLR fixo, independente de metas e, portanto, em desacordo com a legislação. Sendo vejamos: Acordo Coletivo 2002 — Cláusula Terceira — Parágrafo Primeiro; "Para o ano de 2002, fica estabelecido um valor mínimo garantido de ..."; Acordo Coletivo 2003 — Cláusula Quarta: "Em razão do disposto nas cláusulas primeira e segunda, BOSCH e SINDICATO acordam que essa participação dos empregados nos resultados da BOSCH durante o ano calendário de 2003 será consubstanciada no pagamento dos valores divididos da seguinte forma: A — Um pagamento no valor fixo de ..."; Acordo Coletivo 2004 a 2007 — Cláusula Quarta "Em razão do disposto nas cláusulas primeira e segunda, BOSCH e SINDICATO acordam que essa participação dos empregados nos resultados da BOSCH durante o ano calendário de 2003 será consubstanciada no pagamento dos valores divididos da seguinte forma: A — Valor total garantido de ..."; Portanto, a fiscalização apresenta sua acusação afirmando que sobre valores fixos deve incidir contribuição. Na verificação dos acordos relacionados à acusação, fls. 0404 (ano 2003), 0408 (ano 2004), 0414 (ano 2005), 0420 (ano 2006) e 0422 (ano 2007), verificamos, sim, a existência de pagamentos fixos, sem metas, garantidos, portanto em discordância com a legislação, mas encontramos valores atrelados à obtenção de metas, que devem ser excluídos do lançamento, conforme tabela abaixo: CNPJ: 45.990.181/002718, item 3.3.3 do relatório fiscal. A B C ANO Valor a ser recebido, dependente de metas, para excluir. Fls. 2003 R$ 150,00 (clausula quarta) 0404 2004 R$ 190,00 = R$ 1.140,00 (C, clausula quarta) – R$ 950,00 (A, clausula quarta) 0408 2005 R$ 250,00 = R$ 1.500,00,00 (3, clausula quarta) – R$ 0414 Fl. 4597DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.597 44 1.250,00 (1., clausula quarta) 2006. R$ 200,00 = R$ 1.700,00 (3, clausula quarta) – R$ 1.500,00 (1, clausula quarta) 0420 2007 R$ 150,00 = R$ 1.700,00 (clausula décima, fls. 0422) – R$ 1.550,00 (parcela fixa garantida, fls. 0425) 0422 e 0425 Conseqüentemente, pelas razões expostas, ou seja, por existirem metas condicionando o pagamento de valor parcial ou integral da PLR, ao contrário do que afirma o Fisco, dou provimento parcial ao recurso neste estabelecimento, por essas razões – a fim de excluir do lançamento, por segurado que recebeu PLR em seu valor integral, os valores constantes da tabela acima, coluna B. pela acusação não possuir suporte fático. 4ª QUESTÃO – PLR ITEM 3.3.4, AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR Quanto à acusação presente no item 3.3.4, do Relatório Fiscal, referentes ao CNPJ: 45.990.181/002980, voto em dar provimento ao recurso, pois não há nos autos como comprovar, dar suporte, às razões do Fisco. Verificamos, várias vezes, os autos e não encontramos os acordos que, descumprindo a legislação, deram suporte ao lançamento. Ressaltese que não é o caso de nulidade do lançamento, mas sim de seu provimento, pois não há comprovação da ocorrência do fato gerador, pelo descumprimento da Lei 10.101/2000. Outro ponto de relevância é a impossibilidade de neste momento – reabrirmos a discussão, solicitando novas provas, pois estaríamos fundamentando à acusação, atitude vedada ao julgador, que deve primar pela imparcialidade, em respeito ao Princípio do Devido Processo Legal. Portanto, por não estar comprovado a ocorrência do fato gerador, dou provimento ao recurso, para excluir do lançamento todas as contribuições exigidas com fundamento nas acusações presentes no item 3.3.4, CNPJ: 45.990.181/002980, do relato fiscal. 5ª QUESTÃO – VENDA DE VEÍCULOS: A fiscalização, em sua acusação, afirma que deve incidir contribuição sobre a diferença entre valores de mercado e valores de veículos de propriedade do sujeito passivo, que são comercializados com segurados à serviço da recorrente. nos seguintes termos, fls. 0230: Fl. 4598DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.598 45 “7.1 — A empresa efetuou a venda de veículos aos trabalhadores, por valores inferiores a cotação do mercado, no período abrangido pelas competências 08/2003, 02/2004 a 05/2004 e 11/2005 a 12/2007, sendo considerado por esta fiscalização, como salário indireto, o valor da diferença entre o prego de venda e o prego de mercado; 7.2 — Tais valores foram apurados com base nas informações constantes da planilha "Controle de Carros Vendidos", citada no item 2.2 que discrimina os dados dos trabalhadores, dos veículos e valores de cotação e venda, tendo sido lançados com os códigos de levantamento "SI" e "SIT" e se encontram discriminados no ANEXO III deste Auto de Infração. O nobre relator acompanhou a acusação da fiscalização, negando provimento ao recurso do sujeito passivo, posição que discordamos. O Salário de Contribuição, fato gerador e base de cçalculo da contribuição das empresas, possui conceituação na lei. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Portanto, claro está que a remuneração, salário indireto, como conceitua o Fisco na acusação, deve ser destinado a retribuir o trabalho. Esse requisito – retribuição pelo trabalho prestado – deve ser comprovado na acusação. Ocorre que não encontramos esse requisito na acusação fiscal, acima. É fato notório que grandes empresas comercializam seus veículos usados, com segurados a seu serviço, ou não. Também é fato notório que o valor de mercado, muitas vezes vinculado, por exemplo, à tabela FIPE, pode, dependendo das condições do mercado de veículos usados, nunca ser alcançado. Portanto, para esses valores integrarem o SC o Fisco deveria, pro exemplo, comprovar que os veículos foram somente ofertados aos segurados a serviço do sujeito passivo Fl. 4599DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.599 46 (restrição de mercado para retribuir o trabalho) e que os valores que foram comercializados eram de menor valor aos praticados na época de sua comercialização. Como esses pontos não foram comprovados, não houve a demonstração da ocorrência do fato gerador, pela comprovação do benefício vinculado à retribuição ao trabalho, motivo do provimento do recurso neste ponto. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto: 1) Em acompanhar as conclusões do relator em relação: 1.1 a excluir do lançamento os fatos geradores até 09/2003, inclusive; 1.2 a excluir do lançamento os valores pagos a título de vale transporte; 1.3 a negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas recebidas pelos segurados, fixas, sem a obrigatoriedade de alcance de metas; 1.4 a negar provimento ao recurso do sujeito passivo, em relação ao item 3.3.5, CNPJ: 45.990.181/003013, devido à ausência de metas especificadas nos acordos, nos termos do voto do Relator; 1.5 a negar provimento ao recurso do sujeito passivo em relação ao item 3.3.1, CNPJ´s: 45.990.181/000189, 45.990.181/000421, 45.990.181/000855, 45.990.181/001150, 45.990.181/001312, 45.990.181/001665 e 45.990.181/001908 devido à ausência de metas especificadas nos acordos; 1.6 a negar provimento ao Recurso, na questão de uso de veículo da empresa para utilização diversa do trabalho; 2) Em divergir do Relator e apresentar voto vencedor, em relação: 2.1 a dar provimento ao recurso do sujeito passivo, no argumento do lançamento referente aos valores oriundos de pagamentos de PLR a segurados com cargos citados; 2.2 a dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo item 3.3.2, CNPJ: 45.990.181/001231; 2.3 a dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, em relação às parcelas dependentes de metas previstas no acordo item 3.3.3, CNPJ: 45.990.181/002718; 2.4 a dar provimento ao recurso do sujeito passivo item 3.3.4, CNPJ: 45.990.181/002980 devido à ausência de comprovação do fato gerador, pela falta de provas de que a legislação foi descumprida (acordo coletivo); Fl. 4600DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.010969/200835 Acórdão n.º 2301004.129 S2C3T1 Fl. 4.600 47 2.5 a dar provimento ao recurso, na questão da venda de veículos abaixo do preço de mercado, pela ausência de acusação, por parte da fiscalização, de que as condições ofertadas são restritas aos segurados que prestem serviço à empresa (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 4601DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10880.904536/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/08/2004
COMPENSAÇÃO DECLARADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA MEDIDA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial apresentada pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ou seja, somente com o trânsito em julgado os créditos pleiteados se revestem da certeza e liquidez indispensáveis à compensação tributária. Inteligência do art. 170A do CTN.
Numero da decisão: 1301-001.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial apresentada pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ou seja, somente com o trânsito em julgado os créditos pleiteados se revestem da certeza e liquidez indispensáveis à compensação tributária. Inteligência do art. 170A do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 36 /2 00 9- 38 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Tratase de despacho decisório pelo qual a DERAT/SPO não reconheceu o direito creditório fundado em indébito de CSLL, código 2484, recolhido em 31/08/2004, no valor de R$ 1.374.423,27 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 14954.55442.180708.1.3.043584, uma vez verificado que o pagamento discriminado como indébito foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte (CSLL apurada em junho de 2008, vencimento em 31/07/2008, valor R$ 792.299,24). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: a compensação pretendida está baseada em decisões judiciais (liminar em agravo de instrumento e sentença concessiva) proferidas nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.61.00.0220237, nas quais foi reconhecida a inexigibilidade dos recolhimentos de CSLL por estimativa incidentes sobre as receitas de exportação auferidas pela contribuinte no ano calendário de 2004; havendo crédito em favor da contribuinte reconhecido judicialmente, a compensação efetuada nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional não pode ser obstaculizada, conforme disciplinado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96; a SRFB, quando da apreciação da Consulta n° 285/09, de 17 de julho de 2009, esclareceu que os recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de antecipações mensais por estimativa podem ser objeto de Declaração de Compensação no próprio anocalendário; Em anexo às razões de defesa, foram apresentadas cópias da liminar deferida pelo Tribunal Regional Federal da 3a. Região em 26/08/2004 e da sentença concessiva proferida em 11/12/2007, as quais atestam o reconhecimento judicial da não incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido sobre as receitas de exportação auferidas pela contribuinte no anocalendário de 2004. A DRJ/SÃO PAULO I decidiu a matéria representada pelo Acórdão 16 27.813, de 17/11/2010 (fls. 65), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO/CSLL Data do fato gerador: 31/08/2004 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. 0 crédito reconhecido em decisão judicial não transitada em julgado não apresenta o atributo da certeza, que é necessário à utilização do crédito pela contribuinte mediante restituição ou compensação na via administrativa. SUBSUNÇÃO DA HIPÓTESE AO PROVIMENTO JUDICIAL. 0 crédito sobre o pagamento considerado indevido na esfera judicial deve ser reconhecido na via administrativa somente se a requerente comprovar que o referido Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.904536/200938 Acórdão n.º 1301001.656 S1C3T1 Fl. 12 3 pagamento corresponde, de fato, à CSLL cuja exigibilidade restou afastada pela decisão judicial obtida, qual seja, aquela incidente sobre receitas de exportação. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Insurgese a recorrente ao indeferimento das autoridades fiscais (DRF e DRJ) à restituição/compensação pleiteada nos seguintes termos: beneficiandose de decisão judicial tramitada no processo 2004.61.00.022.0237 (Agravo de Instrumento 2004.03.00.0484857) que lhe garante por meio de decisão prolatada em 17/08/2004, a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL, inclusive para o ano calendário de 2004, compensou os valores que haviam sido recolhidos pelo regime de estimativa, nos meses anteriores à concessão da liminar. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu o direito creditório alegando: a) ausência de transito em julgado da decisão judicial; b) não comprovação de que os créditos utilizados tratavam de CSLL sobre exportação e, c) impossibilidade de utilização da estimativa mensal. Aduz que o pagamento que deu origem aos créditos utilizados foi feito indevidamente, visto que, ao encerrar seu exercício fiscal (dezembro/2004), não deveria incluir suas receitas de exportação na base de cálculo da CSLL, haja vista a decisão judicial que lhe garantiu tal direito. Valores posteriores a concessão da medida judicial. Por fim, informa a recorrente que a medida liminar fora cassada em setembro de 2010, ocasião em que recolheu todos os valores discutidos (doc. 5). Por isso, se não autorizada a restituição/compensação dos valores aqui em discussão, a recorrente se sujeitará a uma dupla exigência da CSLL sobre as receitas de exportação no ano de 2004, razão pela qual é imperiosa a reforma da respeitável decisão recorrida. Pois bem. O artigo 165 do Código Tributário Nacional — CTN ampara a restituição dos valores de tributos pagos a maior ou indevidamente. Já as disposições do art. 170 do CTN estabelecem que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Por seu turno as disposições do art. 170A do CTN vedam a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da correspondente decisão judicial. No caso em análise, é fato que o contribuinte não aguardou o transito em julgado para promover a compensação, não respeitando, por consectário, o quanto disposto no art. 170A do CTN, in verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10880.904536/200938 Acórdão n.º 1301001.656 S1C3T1 Fl. 13 5 Ora, como se sabe, a autoridade administrativa deve agir sempre de acordo com a lei e as sentenças judiciais. No presente caso, como a lei não reconhece o direito aos créditos utilizados, a autoridade deve aterse ao cumprimento do provimento judicial. Todavia, a compensação de créditos só poderia implementarse após o trânsito em julgado da decisão judicial, o que não ocorreu. Como bem assentado no voto recorrido, da análise das decisões judiciais apresentadas, constatase que o provimento judicial obtido impede a eventual cobrança ou aplicação de penalidade por conta da exclusão do lucro das exportações da base de cálculo da CSLL discutida (suspensão da exigibilidade), mas não confere à contribuinte, contudo, o direito à utilização, mediante compensação, do crédito correspondente a essa exclusão, com seus próprios débitos. A liminar deferida, confirmada em sentença de primeiro grau, bem esclarece o real alcance de seu provimento, conforme excerto abaixo: "Assim, reputo relevante a fundamentação e caracterizado o periculum in mora, diante do risco da agravante sofrer autuação em decorrência da exclusão do lucro das exportações da base de cálculo da CSLL. Em face do todo o exposto, DEFIRO a liminar pleiteada em antecipação de tutela da pretensão recursal para suspender a exigibilidade da CSLL incidente sobre as receitas auferidas pela agravante no processo de exportação, inclusive com relação ao anocalendário de 2004 ". Considerando que a compensação dos créditos discutidos na esfera judicial não foi abordada pela referida decisão judicial, eventual compensação na esfera administrativa deve ser efetuada segundo as normas gerais e abstratas que disciplinam o procedimento de compensação na esfera administrativa. Além disso, para que o crédito reconhecido judicialmente possa ser compensado na esfera administrativa, deve o mesmo apresentarse liquido e certo, mostrando se indispensável a ocorrência do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o crédito sobre o qual recai a pretensão compensatória, nos termos dos artigos 170 e 170A, do Código Tributário Nacional. Assim, não só ao arrepio da Lei, mas também sem qualquer supedâneo jurisdicional, foram efetuadas as compensações ora sob análise. Dessa forma, a compensação feita com base em decisão judicial não transitada em julgado deve ser considerada indevida e não pode produzir os efeitos desejados pelo contribuinte. Portanto, a autoridade julgadora a quo decidiu escorreitamente ao indeferir o pedido de restituição, seguido de pedidos de compensação manejados nestes autos, sob os fundamentos de: primeiro, ausência do transito em julgado da decisão judicial e, segundo, não ter a requerente comprovado que a contribuição paga supostamente de forma indevida de fato incidiu sobre receitas de exportação. De outra banda, é incontroverso o fato de que o valor apurado e recolhido a título de estimativa só pode ser utilizado na composição do resultado final do período de apuração. Entretanto, não é desse valor (estimativa) que trata a lide sob exame. Aqui, tratase Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 de valores discutidos judicialmente relativo a CSLL de receitas de exportação em que o recorrente entende ter sido o recolhimento indevido. No caso, comprovado o pagamento indevido poderá a recorrente interpor processo específico de repetição de indébito. Por todo o exposto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004471/2003-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000, 2003
CSLL. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. Mantémse a exigência decorrente da diferença entre os valores escriturados (Registro de Apuração do ICMS) e os declarados (Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF), quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000, 2003 CSLL. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 44 71 /2 00 3- 71 Fl. 843DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/200371 Acórdão n.º 1803002.281 S1TE03 Fl. 421 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/200371 Acórdão n.º 1803002.281 S1TE03 Fl. 422 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 360 a 362): Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 07/19 (IRPJ) e 20/26 e 208/217 (CSLL), lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife PE, através dos quais foram consubstanciadas as exigências relativas ao IRPJ, no valor de R$ 82.207,90, e à CSLL, no valor de R$ 60.977,43, com multa de 75% e juros moratórios. 2. Relativamente ao IRPJ, conforme relatório de fls. 02/04 e folhas de continuação do auto de infração (fls. 09/10), constam, na “Descrição dos Fatos”, as seguintes constatações: 2.1. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Infração que decorre de divergências entre os valores escriturados e os valores informados na DCTF apresentada pela autuada, optante pelo lucro presumido, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1999 e 2002, com enquadramento legal à fl. 09; [...]; 3. O lançamento relativo à CSLL foi lavrado em decorrência da apuração da infração consubstanciada no auto de infração referente ao IRPJ, com enquadramento legal às fls. 23 e 211. 4. Cientificada dos lançamentos em tela em 20/11/2003, a Interessada apresentou em 22/12/2003 as impugnações de fls. 153/160 (IRPJ) e 310/321 (CSLL), nas quais alega, em síntese, que: 4.1 a presente impugnação é parcial, e toda parte lançada e sem objeção tem em anexo os comprovantes de parcelamento efetuado, para fins de se evitar o acréscimo da multa de ofício; 4.2 o autuante baseouse nos livros de apuração do ICMS para chegar aos valores que definiram os fatos geradores apontados; [...]; 4.6 conforme planilha em anexo, elaborada por perito contábil, há uma divergência dos fatos geradores/receitas apuradas, elementos estes que geraram aumento da carga tributária sem motivação, ferindo o princípio da legalidade objetiva – inserto no art. 150, I, e art. 37 da CF; 4.7 para não marcar com nulidade o ato do Fiscal autuante, necessária se faz a revisão dos valores apontados; 4.8 no ano de 1999, as receitas foram apuradas pelo Fisco com erros e nos anos de [...] e 2002, o Fisco não considerou que, no total das notas fiscais, estão incluídos os valores referentes à substituição tributária, os quais não constituem base de cálculo do IRPJ; Fl. 845DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/200371 Acórdão n.º 1803002.281 S1TE03 Fl. 423 4 4.9 no ano de 1999 quando na alteração do valor da Cofins, 1/3 da mesma serviria para abater a CSLL; 4.10 do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente impugnação em sua integralidade, rogando pela nulidade dos autos de infração apresentados pelo autuante ou – alternativamente – nas condições de mérito apresentadas – pelo cancelamento dos mesmos autos de infração; 4.11 requer, ainda, a produção de provas admitidas no processo administrativo fiscal, notadamente pela juntada de novos documentos, eventual perícia contábil e outras que se fizerem necessárias. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 358 e 359): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2001, 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não há como se anular um lançamento se a Interessada entendeu os motivos que ensejaram a autuação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior ou que se refira a fato ou a direito superveniente ou ainda que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores declarados e os escriturados, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. [...]. Outros Tributos ou Contribuições TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o auto de infração lavrado por decorrência do mesmo fato que ensejou aquele. Lançamento Procedente em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 26/11/2007 (fls. 376), a tempo, em 26/12/2007, apresenta a interessada Recurso de fls. 379 a 385, instruído com os documentos de fls. 386 a 413, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/200371 Acórdão n.º 1803002.281 S1TE03 Fl. 424 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Constou da decisão recorrida (fls. 363, 365 e 366): 13. Relativamente ao item 001 do auto de infração (AI), correspondente aos fatos geradores ocorridos em 1999 e 2002, verificase, dos autos do presente processo, que o autuante constatou divergências entre os valores escriturados (Livro de Registro de Apuração do ICMS) e os declarados na DCTF (a menor), nos anoscalendário de 1999 e 2002, resultando na diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, conforme demonstrativos de fls. 34 e 145. [...]. 22. Outras reclamações da autuada dizem respeito a um possível erro do autuante, no ano de 1999, referente à apuração das receitas e que, nos anos de [...] 2002, no sentido de que o Fisco não considerou que, no total das notas fiscais, estão incluídos os valores referentes à substituição tributária, os quais não constituem base de cálculo do IRPJ, a este respeito, vêse que a Interessada não comprova, por qualquer meio, que o autuante tenha se equivocado quando da lavratura do referido auto de infração. 23. Ademais, a alegação de que há divergência dos fatos geradores/receitas apuradas que geraram aumento da carga tributária sem motivação, conforme planilhas de fls. 168/171, verificase que as citadas planilhas vieram desacompanhadas de documentação comprobatória de que os valores nelas constantes estariam corretos. 24. Também questiona a Interessada que, no ano de 1999 quando na alteração do valor da Cofins, 1/3 da mesma serviria para abater a CSLL, no entanto, a mesma não comprova ter recolhido, no anocalendário de 1999, qualquer valor a título de Cofins. Ainda a despeito desta questão, compulsando a DIPJ/2000, de fls. 238/256, verificase que a Interessada declarou zero (0,00) na Ficha 33A, implicando que nenhum valor de Cofins a pagar foi apurado, portanto, não há que se falar em compensação de Cofins na apuração da CSLL referente ao anocalendário de 1999. 5. Em seu Recurso, não apresenta a contribuinte qualquer documentação ou mesmo réplica ao que fora acima afirmado pela decisão recorrida, limitandose a reiterar o que havia dito em sua impugnação inicial. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.004471/200371 Acórdão n.º 1803002.281 S1TE03 Fl. 425 6 6. Observase que os valores constantes dos demonstrativos fiscais de fls. 34 e 145, acima mencionados (receitas auferidas pela empresa em 1999 e em 2002) ou foram lançados no Registro de Apuração do ICMS (fls. 102 a 105, e 133 a 144) ou informados pela própria Recorrente em planilha e disquete (fls. 95, e 230 a 232). 7. Por sua vez, a planilha de fls. 169, apresentada pela Recorrente, que apontaria valores relativos a suposta substituição tributária, no anocalendário de 2002, não está acompanhada do necessário suporte documental. 8. Já os valores declarados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), e devidamente deduzidos nos respectivos autos de infração, constam das planilhas de fls. 147 e 148 (IRPJ) e 220 e 221 (CSLL), não contraditadas pela Recorrente. 9. Por fim, pela Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 54 a 59, verificase a inexistência de apuração de Cofins a pagar, não tendo a Recorrente, além disso, comprovado qualquer pagamento (e não mera declaração) a esse título, passível de ser considerada, no anocalendário de 1999, como “Cofins efetivamente paga”, para fins de possível dedução da CSLL devida. CSLL 10. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 848DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 16000.000216/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Ao enviar os documentos representativos do lançamento para a pessoa jurídica, presume-se estarem cientificados os seus representantes legais.
DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. INOCORRÊNCIA.
Na espécie inexistiu desconsideração da personalidade jurídica da empresa, posto que o lançamento foi efetuado em seu nome e a Relação de Vínculos anexada ao processo tem caráter apenas informativo, não havendo, durante o processo administrativo, imputação de responsabilidade tributária a quaisquer das pessoas ali arroladas.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
Numero da decisão: 2401-003.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares de nulidade do lançamento; II) indeferir o pedido para exclusão dos recorrentes da Relação de Vínculos; III) reconhecer a decadência até a competência 11/2001; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Ao enviar os documentos representativos do lançamento para a pessoa jurídica, presume-se estarem cientificados os seus representantes legais. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. Na espécie inexistiu desconsideração da personalidade jurídica da empresa, posto que o lançamento foi efetuado em seu nome e a Relação de Vínculos anexada ao processo tem caráter apenas informativo, não havendo, durante o processo administrativo, imputação de responsabilidade tributária a quaisquer das pessoas ali arroladas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
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COMPROVAÇÃO DA VINCULAÇÃO À EMPRESA DE PESSOAS NÃO CONSTANTES DO CONTRATO SOCIAL. Além das provas testemunhais, o fisco acostou outros elementos, que apreciados conjuntamente levam ao convencimento de que os sócios administradores da empresa fiscalizada eram pessoas que não figuravam no seu quadro societário. FALTA DE PROVA REGULAR E FORMALIZADA DAS REMUNERAÇÕES PAGAS PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Abrese ao Fisco a possibilidade de arbitrar as contribuições previdenciárias devidas, quando o sujeito passivo deixa de apresentar prova regular e formalizada das remunerações pagas para execução de obra de construção civil. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 0. 00 02 16 /2 00 7- 90 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. NFLD. EXIGÊNCIA DE ASSINATURA DA CHEFIA DO ÓRGÃO. INEXISTÊNCIA. Na data do lançamento, não era aplicável às contribuições previdenciárias as normas do Decreto n. 70.235/1972, portanto, não havia obrigatoriedade de assinatura da chefia imediata do auditor fiscal no corpo da notificação fiscal. ENVIO DO LANÇAMENTO PARA A PESSOA JURÍDICA.CIENTIFICAÇÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Ao enviar os documentos representativos do lançamento para a pessoa jurídica, presumese estarem cientificados os seus representantes legais. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. Na espécie inexistiu desconsideração da personalidade jurídica da empresa, posto que o lançamento foi efetuado em seu nome e a Relação de Vínculos anexada ao processo tem caráter apenas informativo, não havendo, durante o processo administrativo, imputação de responsabilidade tributária a quaisquer das pessoas ali arroladas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares de nulidade do lançamento; II) indeferir o pedido para exclusão dos recorrentes da Relação de Vínculos; III) reconhecer a decadência até a competência 11/2001; e IV) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/200790 Acórdão n.º 2401003.675 S2C4T1 Fl. 246 3 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão n.º 0413.405 de lavra da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.061.7142. No crédito em questão são exigidas as contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e para outras entidades ou fundos. Nos termos do relatório fiscal os fatos geradores contemplados no lançamento decorreram do pagamento de remunerações aos segurados que laboraram nas obras de construção civil matriculadas junto ao Cadastro Especifico do Instituto Nacional do Seguro Social — CEI sob n. 21.046.00327/71, referente à construção de galpão industrial e à demolição da mesma edificação, conforme Aviso de Regularização de Obra — ARO à fl. 28. As contribuições foram obtidas por arbitramento, em razão da recusa da empresa de apresentar os seus documentos fiscais e contábeis, fato que motivou a lavratura de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória. O fisco relata que diligenciou no endereço da notificada constante no cadastro da Receita Previdenciária, constatando que: a) no referido local existe outra empresa em funcionamento; b) o terreno correspondente foi arrematado em leilão pela empresa Construções Metálicas ICEC; e c) o galpão que servia de instalação para fábrica de tubos da empresa fiscalizada houvera sido desmontado e vendido à empresa Ligaforte Equipamentos Ltda – ME. Outras diligências foram realizadas no afã de localizar a empresa autuada, tendo o fisco concluído que esta houvera encerrado as atividades e que fora gerida no período do lançamento, de fato, por Agnaldo Ferraz Júnior e Terezinha Paula de Borges Ferraz. Reproduzo trecho do relatório da decisão de primeira instância, que trata das afirmações do fisco para demonstrar que as pessoas acima eram os verdadeiros sóciosgerentes da empresa. “A fim de localizar a empresa, realizou diligências no endereço dos exsócios Eva Maria da Silva, Margareth Olher, Leo Emerson Castilho Floriano, no 2 ° Cartório de Notas e Protestos de Araçatuba, na Organização Contábil Continental S/C Ltda, escritório responsável pela contabilidade da notificada, nas Varas do Trabalho de São José do Rio Preto e no sistema Cadastro Nacional de Informações da Previdência Social — CNIS, tendo concluído, primeiro, que a empresa notificada havia encerrado suas atividades, e, segundo, que os sócios Agnaldo Ferraz Júnior e Terezinha de Paula Borges Ferraz são sócios Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/200790 Acórdão n.º 2401003.675 S2C4T1 Fl. 247 5 gerentes de fato em todo o período do lançamento, considerando os elementos a seguir descritos, em síntese: a) conforme depoimento pessoal do ex sócio e exempregado da notificada, Leo Emerson Castilho Floriano, ele, Wagner Couto Afonso, Ayres José de Paula, e Osvaldo Beserra Pessoa, que figuram nos contratos sociais como sócios da notificada no período de 02/07/1997 a 05/05/2003, não têm nenhuma relação societária de fato com a empresa, sendo que: a.1) os verdadeiros proprietários da empresa sempre foram Agnaldo Ferraz Júnior e Terezinha de Paula Borges Ferraz, sendo que ele (Leo Emerson Castilho Floriano) e Osvaldo Beserra Pessoa eram empregados registrados na empresa notificada, o que foi confirmado pela fiscalização por meio de consulta ao sistema Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNISA. Acrescenta que concordaram, para não serem demitidos, em figurar como sócios "de fachada" da empresa notificada e da empresa Tubrás Tubos e Estruturas do Brasil Ltda, a qual também pertence a Agnaldo Ferraz Júnior e tem os mesmos sócios da Tubocity, tendo sido realizado "contrato de gaveta" entre eles e os verdadeiros proprietários, consignando que a empresa passaria para a propriedade desses últimos em caso de falecimento dos sócios "de fachada". Esses fatos foram consignados no boletim de ocorrência n° 29/2005, perante a Delegacia de Policia do Município de Bady Bassit, em 31.01.2005, para "preservação de direitos", de onde se extrai, ainda, que no final de 2004 o Sr. Agnaldo Ferraz Júnior encerrou as atividades da empresa, vendeu os maquinários e equipamentos e dispensou todos os funcionários (ver inteiro teor) a.2) Wagner Couto Afonso e Ayres José de Paula eram empregados registrados na empresa Tubrás Tubos e Estruturas do Brasil Ltda, o que foi confirmado pela fiscalização por meio de consulta ao sistema Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNISA. a.3) José Luis Mitidieri Neto é o procurador da empresa notificada, o que foi corroborado pelas procurações obtidas pela fiscalização junto ao Cartório de Notas e Protestos de Araçatuba, com amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa notificada. b) conforme depoimento pessoal de Eva Maria da Silva e Margareth Olher, que figuram nos contratos sociais como sócias da notificada no período a partir de 05/05/2003, elas não têm nenhuma relação societária de fato com a empresa notificada, pois não conhecem a empresa, seus sócios anteriores e seu procurador, nem qualquer pessoa que nela tenha trabalhado, declarando ainda que assinaram papéis sem saber o que assinavam e que não lembram quem levou os papéis para serem assinados. Por fim, a primeira diz que é empregada doméstica e a segunda atualmente está desempregada. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 c) conforme depoimento pessoal de Maria Cristina Toledo, funcionária da empresa Organização Contábil Continental S/C Ltda, encarregada da escrituração da notificada, quem se apresentava como proprietário da Tubociy era Agnaldo Ferraz Júnior, sendo que "Léo" (Leo Emerson Castilho Floriano) e "Osvaldo" (Osvaldo Beserra Pessoa) eram empregados da notificada nas funções de encarregado financeiro e vendas, respectivamente. Concluiu informando que no inicio de 2005 o Sr. Agnaldo retirou os livros contábeis do escritório e que o último serviço do escritório prestado à notificada foi o preenchimento e entrega da DIPJ e DCTJ ano base 2004, entregues em 2005. d) de acordo com as petições iniciais extraídas de ações trabalhistas sobre fatos ocorridos no período do presente lançamento, Agnaldo Ferraz Júnior, Terezinha de Paula Borges Ferraz e José Luiz Metidieri Neto figuram como responsáveis de fato pela empresa nas ações ajuizadas pelos reclamantes, ex empregados da notificada: Antônio Luiz Fidelis, Demetrio Maiotto e José Luiz de Souza Júnior (n ° 330/20053 a Vara; 355/20053.ª Vara, 436/20053.ª Vara, respectivamente, todos da comarca de São José do Rio PretoSP). e) conforme consulta ao banco de dados da Previdência Social CNISA (Cadastro Nacional de Informações Sociais), não há informação de vínculo societário entre a notificada e os sócios Ayres José de Paula, Wagner Couto Afonso, Osvaldo Beserra Pessoa, Leo Emerson Castilho Floriano, Eva Maria da Silva e Margareth Olher. Em relação a essas pessoas, constam os seguintes vínculos: e.1) vinculo empregaticio de Ayres José de Paula e Wagner Couto Afonso, com a empresa Tubrás e de Osvaldo Beserra Pessoa e Leo Emerson Castilho Floriano, com a empresa Tubocity . e.2) Eva Maria da Silva, está inscrita perante a Previdência Social como empregada doméstica desde 01.09.1986 e Margareth Olher, como vendedora ambulante, desde 03.04.1995. Diante do exposto, a fiscalização constata que, embora o Sr. Agnaldo Ferraz Júnior e a Sra. Terezinha de Paula Borges Ferraz tenham figurado nos atos constitutivos da notificada como sócios gerentes apenas no período, respectivamente, de 15.02.90 a 02.07.97 e 17.10.96 a 02.07.97, são de fato os proprietários da empresa e participaram da sua gestão durante todo o período do lançamento, motivo pelo qual foram arrolados como coresponsáveis pelo crédito ora constituído (cf. relatório CORESP) Por fim, a Auditoria Fiscal informa que formalizou Representação Fiscal para Fins Penais contemplando os fatos aqui relatados. Agnaldo Ferraz Júnior e Terezinha Paula de Borges Ferraz apresentaram impugnação de fls. 160/174, reiterada às fls. 199/219, onde em síntese se insurgiram contra a Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/200790 Acórdão n.º 2401003.675 S2C4T1 Fl. 248 7 responsabilidade a eles imputada, além de suscitarem a nulidade do lançamento e, no mérito, a sua improcedência ou, alternativamente, a redução dos juros para 1% ao mês. A DRJ não acatou as razões do recurso e indeferiu o pedido de exclusão das referidas pessoas do rol de corresponsáveis, além de declarar procedente o lançamento. Eis a ementa do acórdão de primeira instância: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 SÓCIOS GERENTES DE FATO. CORESPONSABILIDADE. LEGITIMIDADE. Os reais proprietários e administradores da empresa, arrolados como coresponsáveis pela fiscalização, têm legitimidade para impugnar o lançamento na qualidade de terceiros interessados e na qualidade de sujeito passivo, neste último caso, por exprimirem a vontade da pessoa jurídica. NFLD. ASSINATURA CHEFIA. A assinatura do chefe imediato do auditor fiscal notificante não é requisito de validade dos lançamentos de contribuições previdenciárias, posto que não contemplada no art. 37 da lei 8.212/91. A previsão, neste sentido, contida no art. 11, IV do Decreto 70.235/72, não prevalece ao art. 37 da lei 8.212/91 por se tratar, este Ultimo, de norma especial. DESCONSIDERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL. PROVA TESTEMUNHAL. PETIÇÕES INICIAIS. CONLUIO. PROCEDIMENTO ESPECIAL DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA EMPRESA. CERCEAMENTO DE DEFESA. 0 conjunto de indícios colhidos pela fiscalização (depoimento pessoal de exsócios da empresa, depoimento pessoal de funcionário responsável pela contabilidade da empresa, informações prestadas pela empresa contidas no Cadastro de Informações Sociais da Previdência Social e informações contidas em petições iniciais em processos trabalhistas de diversos exfuncionários da empresa) são suficientes para presumir a prática de simulação de ato jurídico mediante alteração do quadro societário da pessoa jurídica com o objetivo de desincumbir de responsabilidade os reais proprietários da empresa. 0 processo administrativotributário admite todas as provas e meios de provas lícitos, inclusive os indícios e presunções. Por se tratar de restrição à garantia fundamental da ampla defesa, a limitação da prova deve restringirse às hipóteses previstas em lei. A vedação da prova exclusivamente testemunhal restringese comprovação do tempo de serviço, nos termos do art. 55 § 3° da lei 8.212/91. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A ausência de decisão judicial não altera o valor indiciário dos fatos declarados em petições iniciais em processos trabalhistas porque não há identidade de causa entre os processos trabalhistas e a NFLD, nem a Justiça do Trabalho é competente para decidir a matéria em questão. Os fatos declarados em depoimentos foram corroborados por outros elementos, não sendo suficiente para afastar sua idoneidade a alegação não comprovada de que resultam de conluio. 0 efeito da desconsideração do contrato social quanto responsabilização dos reais proprietários da empresa poderá ocorrer apenas na via judicial, em sede de execução fiscal, oportunidade em que lhes serão assegurados o contraditório e a ampla defesa, motivo pelo qual não há que se falar na adoção de procedimento especial na esfera administrativa. Na fase administrativa não há desconsideração da personalidade jurídica da empresa, permanecendo no pólo passivo o contribuinte que tem relação direta com o fato gerador. A substituição do sujeito passivo pelos sócios gerentes depende de decisão judicial em eventual execução em face desses últimos. CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA NA PESSOA DE EX SÓCIOS E SÓCIOS DE FATO. São válidas as intimações da empresa realizadas na pessoa de seus sócios de fato ou de direito, como corolário do principio da boafé objetiva. CERCEAMENTO DE DEFESA. INACESSO AOS DOCUMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. A ampla defesa foi garantida no processo administrativo por meio da intimação válida do sujeito passivo por edital, e pela ciência, suprida pela impugnação, na pessoa dos sócios de fato, permitindo acesso a todas as informações do processo, direito de vista, de ser ouvido, de fazer provas, direito à resposta, dentre outros. Eventuais limitações probatórias em razão do estado ou condições do próprio interessado, não podem ser opostas ao Fisco quando este não tenha dado causa a elas. CORESPONSABILIDADE. PERÍODO. 0 período da coresponsabilidade dos sócios coincide com o período em que participaram da real gestão do negócio, independente do contido no contrato social. OMISSÃO DE DOCUMENTOS. PRESUNÇÃO. A empresa, devidamente intimada, deixou de apresentar à fiscalização os documentos por ela solicitados e não fez prova do contrário. FATO GERADOR. PRESUNÇÃO. INDETERMINAÇÃO. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/200790 Acórdão n.º 2401003.675 S2C4T1 Fl. 249 9 A ocorrência dos fatos geradores não foi presumida porque materializada nas próprias declarações da empresa. 0 lançamento discrimina com clareza os fundamentos fáticos e jurídicos do crédito nele contido, nos termos do art. 142 do CTN e art. 37 da lei 8.212/91. MULTA E JUROS. Os juros e a multa foram calculados de acordo com os dispositivos legais, não cabendo, A Administração, manifestar se sobre inconstitucionalidade e ilegalidade das normas em vigor. Lançamento Procedente Contra esta decisão foi interposto recurso voluntário, de fls. 190/223, no qual as pessoas físicas, arroladas como administradoras de fato, alegaram, em apertada síntese, que: a) a NFLD é nula posto que no seu corpo não consta a assinatura da chefia imediata da autoridade lançadora, requisito essencial nos termos do art. 11 do Decreto n. 70.235/1972; b) outra causa de nulidade é o cerceamento ao direito de defesa dos verdadeiros sócios da empresa, uma vez a notificação foi encaminhada erroneamente a pessoas que não fazem parte do quadro social da autuada; c) não se concebe que uma lavratura fiscal seja edificada apenas em suposições sem a devida comprovação dos fatos narrados no relatório da auditoria. Tal conduta da autoridade lançadora invalida todo o procedimento; d) não se admite que o lançamento tenha como fundamento apenas provas testemunhais e reclamatórias trabalhistas, estas sem decisão final; e) os fatos geradores ocorridos a mais de cinco anos da ciência do lançamento foram fulminados pela decadência; f) o registro público deve prevalecer, de modo que o referido crédito previdenciário não pode ser exigido dos exsócios da autuada, os quais, conforme alteração societária acostada, retiraramse da sociedade em 02/07/1997; g) a falta de apresentação de documentos não faz nascer a obrigação tributária, além de que o fisco não se preocupou em perquirir se efetivamente ocorreram os fatos geradores das contribuições, nem de determinar a matéria tributável; h) os lançamentos anteriores consubstanciados na NFLD n. 35.781.8369 e na NFLD n. 35.781.7650 foram anulados e não cabe agora à Fazenda querer impor novas exigências sobre os mesmos fatos, alcançando inclusive exsócios da empresa; i) a desconsideração da personalidade só se aplica diante da prática de atos de atividade irregular, o que não é o caso, haja vista que os exsócios se desligaram da empresa em 02 de julho de 1997, assim, 10 anos se passaram e agora a autoridade administrativa, por Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 meras declarações unilaterais sem comprovação e sem que houvesse a intimação dos exsócios que o fisco entendeu serem os proprietários da empresa; j) pela teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, os terceiros somente podem ser chamados a responder por dívida daquela se lhes foi facultada a oportunidade de se defenderem desde o processo de conhecimento; k) é inaplicável a taxa de juros Selic para fins tributários; l) a multa aplicada é inconstitucional, por ter caráter de confisco. Ao final requereram a declaração da nulidade do lançamento, o reconhecimento da decadência e, no mérito, pelo provimento do recurso, com consequente cancelamento da NFLD e a exclusão da responsabilidade dos exsócios. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/200790 Acórdão n.º 2401003.675 S2C4T1 Fl. 250 11 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Assinalese que a legitimidade dos supostos sócios de fato Agnaldo Ferraz Júnior e Terezinha Paula de Borges Ferraz para apresentar o recurso decorre do seu interesse de agir no processo administrativo, haja vista que foram incluídos na relação de pessoas vinculadas a pessoa jurídica, podendo na fase de execução serem chamados a responder pelo crédito previdenciário. Demais disso, o órgão julgador de primeira instância foi enfático em determinar que estas pessoas fossem cientificadas de seu acórdão. Preliminares de nulidade a) falta na NFLD de assinatura da chefia imediata Na data do lançamento, 08/03/2007, não era aplicável ao processo administrativo fiscal de exigência de contribuições previdenciárias as disposições do Decreto n. 70.235/1972. Este passou a reger o processos de débito previdenciário somente a partir de abril de 2008, nos termos do art. 25 da Lei n. 11.457, 16/03/2007, assim redigido: Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972: 1 a partir da data fixada no § 1.º art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2.º e 3.º desta Lei; Por sua vez o § 1. do art. 16 previa: Art. 16. (...) § 1o A partir do 1o (primeiro) dia do 13o (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput deste artigo se estende à dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2o e 3o desta Lei. (...) Assim, não deve ser acolhido o argumento da empresa de que o lançamento seria nulo por não atender ao disposto no inciso IV do art. 11 do Decreto n. 70.235/1972, haja Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 vista que os processos administrativos de exigência de contribuições previdenciárias, na data do lançamento, não eram regidos por esse diploma, mas pelo art. 37 da Lei n. 8.212/1991, o qual não continha exigência relativa à aposição da assinatura da chefia imediata da autoridade lançadora na notificação. b) impossibilidade de arrolar os exsócios na Relação de Vínculos As pessoas físicas recorrentes alegam que, não sendo sócias da recorrente, o lançamento representa cerceamento ao direito de defesa, pois: a) o procedimento de afastar as informações contidas em contrato social objeto de registro público foi realizado unilateralmente pela fiscalização previdenciária, ao passo que seria necessária a instauração de processo especifico para apuração de eventual modificação de fato da sociedade, no qual fosse assegurado aos interessados, incluindo os impugnantes, o contraditório e a ampla defesa; b) aos impugnantes é inviável a apresentação detalhada de defesa porque não têm acesso aos documentos da empresa, uma vez que não são representantes legais da empresa; c) como os verdadeiros sócios da empresa deixaram de ser notificados, não lhes foi oportunizado o contraditório e a ampla defesa (art. 5° IV da CF), o que já havia ocorrido nos processos NFLD 35.781.8369 e NFLD 35.781.7650, anulados administrativamente. Inicialmente cabe enfatizar que não procede o argumento da não intimação dos sócios de direito da autuada. Ao encaminhar a NFLD à empresa obviamente também se está dando ciência do lançamento aos representantes legais da pessoa jurídica. Até porque o fisco não imputou a responsabilidade solidária pela satisfação dos créditos nem aos sócios constantes no contrato social, nem àqueles que supostamente seriam administradores de fato. A Relação de Vínculos tem apenas caráter informativo e o chamamento das pessoas ali listadas para satisfação do crédito poderá ocorrer, mas somente na fase de cobrança judicial das contribuições. É esse entendimento que se extrai da jurisprudência do CARF, da qual decorreu a seguinte súmula: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Quanto à inclusão de Agnaldo Ferraz Júnior e Terezinha Paula de Borges Ferraz é matéria que comporta uma análise mais aprofundada, posto que essas pessoas formalmente não estavam incluídas no quadro societário da autuada no período da notificação. O fisco conclui que, malgrado a composição social da empresa constante no seu contrato de constituição contivesse outra configuração, os verdadeiros sócios administradores eram Agnaldo Ferraz Júnior e Terezinha Paula de Borges Ferraz. Para edificar essa conclusão, a autoridade lançadora se valeu basicamente de depoimentos dos sócios constantes no contrato social, de exempregados e de pessoa vinculada ao escritório contábil Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/200790 Acórdão n.º 2401003.675 S2C4T1 Fl. 251 13 que prestava serviço à Tubocity, além de consultas ao sistema informatizado do INSS, a cartório da comarca de localização da empresa e a processos trabalhistas movidos contra a notificada e seus administradores de fato. Recapitulemos os fatos narrado no relatório fiscal. Leo Emerson Castilho Floriano, exempregado e também exsócio da empresa fiscalizada revelou que ele, juntamente com Wagner Couto Afonso, Ayres José de Paula, e Osvaldo Beserra Pessoa, figuraram no período de 1997 a 2003 como sócios da empresa, sem que de fato tivessem qualquer autonomia administrativa, posto que na realidade a empresa era gerida por Agnaldo e Terezinha Ferraz. O vínculo empregatício de Wagner Couto e Osvaldo Beserra foram confirmados no sistema informatizado do INSS. Esse mesmo depoente afirmou que concordou em figurar como sócio da notificada e da empresa Turbrás Tubos e Estrutura (também de propriedade de Agnaldo Ferraz) para evitar a perda do emprego. Outros depoimentos bastante elucidativos foram aqueles prestados por Eva Maria da Silva e Margareth Olher, as quais figuram como sócias da Tubocity a partir de 05/05/2003. As falas dessas duas pessoas coincidem na afirmativa de que nunca administraram a empresa e que não conheciam os exsócios, o procurador, além de que, a primeira trabalha como empregada doméstica, e a outra encontravase desempregada, porém seu vínculo com a Previdência Social era na categoria de contribuinte individual, na função de vendedora ambulante. Maria Cristina Toledo, funcionária da empresa responsável pela escrita contábil da autuada, mencionou que Agnaldo Ferraz é quem se apresentava como proprietário da empresa Tubocity e que Leo Emerson e Osvaldo Beserra eram empregados desta nas funções de encarregado financeiro e de vendas, respectivamente. Pesquisando ações trabalhistas movidas contra a fiscalizada, o fisco pode constatar que Agnaldo e Terezinha Ferraz, além de José Luiz Metidieri Neto (procurador da empresa com poderes gerais) foram arrolados como corresponsáveis em reclamatórias trabalhistas ajuizadas pelos exempregados da Tubocity Antônio Luiz Fidelis, Demétrio Maiotto e José Luiz de Souza Júnior. Sobre essa questão vale frisar que às fl. 43/48, consta sentença proferida nos autos do processo n° 330/2005, da 3.ª Vara do Trabalho de São José do Rio Preto, em razão da reclamação ajuizada por Antônio Luiz Fidelis, reconhecendo, como efeito da revelia, que os aqui recorrentes eram sócios da empresa e que deveriam responder pelas verbas trabalhistas em fase de execução, subsidiariamente à pessoa jurídica. Para mim, todo esse conjunto probatório carreado pela autoridade lançadora é suficiente para demonstrar que Agnaldo e Terezinha Ferraz devem figurar na Relação de Vínculos, posto que de fato eram os administradores da empresa notificada no período do lançamento. Não detectei prejuízo ao direito de defesa dessas pessoas, uma vez que eles tiveram oportunidade de apresentar defesa e recurso administrativos para demonstrar que as conclusões do fisco estavam equivocadas. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Outro ponto que deve ser muito bem esclarecido é que não houve a desconsideração da pessoa jurídica no presente caso, uma vez que a lavratura se deu em nome da Tubocity Indústria e Comércio de Tubos, assim, a princípio, a responsabilidade pela satisfação do crédito é unicamente da pessoa jurídica, não se verificando no procedimento e processo administrativo qualquer imputação de solidariedade às pessoas físicas arroladas na Relação de Vínculos. c) das provas utilizadas pela fiscalização Enganase a recorrente quando afirma que a prova testemunhal não teria validade para comprovar os fatos narrados pela auditoria. Fosse um depoimento isolado, este seria apenas uma prova indiciária, mas a fala de diversas testemunhas relatando o fato a ser provado, isso aliado a outras fontes como processos trabalhistas e registros do banco de dados da Previdência Social são elementos consistentes a demonstrar a vinculação de Agnaldo e Terezinha Ferraz à empresa autuada, de modo a justificar a sua inclusão na Relação de Vínculos. Em absoluto pode se falar em conclusões baseadas em meras presunções, conforme afirmou o sujeito passivo. O próprio CARF tem admitido a utilização de prova testemunhal para demonstrar a ocorrência de fatos tributários, como se pode ver do Acórdão n. 110200.397, de 24/02/2011, cuja relatoria coube a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES PAF: NULIDADE DA DECISÃO/CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — 0 julgador não está obrigado a contestar, item por item, os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito. (STJ — Resp 652.422 — 2004/00990870) RET n 43 — maio/junho/2005, p.136:5691) PROVA TESTEMUNHAL As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras, principalmente quando nos depoimentos os próprios Recorrentes prestaram informações a termo, perante autoridade fiscal, confirmando fatos que apontam para ocorrência de crime contra a ordem tributária. SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA SOLIDARIEDADE São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas fisicas, acobertadas por terceiras pessoas que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual detinham amplos poderes para agir. Por outro lado, os recorrentes não conseguiram apresentar nenhuma prova com força suficiente a afastar às conclusões do fisco, adotadas, repitase com esteio em um conjunto probatório consistente. De se concluir que inexistiu cerceamento ao direito de defesa das pessoas físicas tomadas como verdadeiros administradores da empresa, haja vista que restou Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/200790 Acórdão n.º 2401003.675 S2C4T1 Fl. 252 15 comprovado que o comando da empresa era de fato exercido por estas pessoas. Assim não é verdade que elas estariam impedidas de se defender por falta de acesso aos documentos da empresa. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. No caso sob apreciação, deve ser aplicado o inciso I do art. 173 do CTN para contagem do prazo decadencial, posto que não foram efetuados recolhimentos para obra em questão. A ciência do lançamento foi feita por edital, com publicação na imprensa local em 10/04/2007, portanto, considerase a empresa intimada em 25/04/2007. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Assim, estão decadentes as competências até 11/2001. Considerandose que de acordo com ARO, fl. 28, a obra iniciou em 01/01/1996, com término em 22/12/2006, deve se considerar no cálculo das contribuições devidas a decadência mencionada. O lançamento A ocorrência dos fatos geradores é inconteste, uma vez que a própria empresa efetuou a matrícula da obra de construção civil no INSS. Ora não se pode falar em presunção da prestação de serviço remunerado, fato gerador das contribuições, posto que está comprovado nos autos que a obra existiu e que era de propriedade da empresa autuada. Por outro lado, a mensuração da base de cálculo foi demonstrada pelo fisco, que efetuou o cálculo da remuneração dos segurados envolvidos na execução da obra mediante aferição indireta, a qual se justificou diante da recusa da empresa de apresentar os documentos necessários à apuração das contribuições devidas. Esse proceder encontra guarida no art. 148 do CTN e art. 33 §§ 3. e 4° da Lei 8.212/91. O critério utilizado para mensuração da matéria tributável foi o Custo Unitário Básico da Obra de Construção Civil — CUB, disponibilizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil — SINDUSCON. De se concluir que o lançamento foi efetuado em perfeita consonância com as normas de regência, em especial o art. 142 do CTN, notadamente quando se constata que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e seus anexos demonstram com clareza os fundamentos de fato e de direito do lançamento, ou seja, os fatos geradores, o crédito apurado, o período, as alíquotas utilizadas e os fundamentos legais autorizadores. Juros Selic Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000216/200790 Acórdão n.º 2401003.675 S2C4T1 Fl. 253 17 CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Multa – alegação de caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente a multa foi aplicada no patamar de trinta por cento, conforme previa o revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento, por indeferir o pedido para exclusão dos recorrentes da Relação de Vínculos, por reconhecer a decadência até a competência 11/2001 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10315.000013/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ARBITRAMENTO DE LUCRO. A exclusão do regime do SIMPLES e a falta de apresentação de Livros e Documentos obrigatórios para a tributação com base no lucro real, ou lucro presumido, justificam o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa.
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Não poderá permanecer no SIMPLES a Pessoa Jurídica que tenha sido excluída do regime por meio de Ato Declaratório não impugnado pelo Sujeito Passivo.
ARGUMENTO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL
Não provada violação das normas tributárias. Descabe o argumento de nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente.
Numero da decisão: 1401-001.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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A exclusão do regime do SIMPLES e a falta de apresentação de Livros e Documentos obrigatórios para a tributação com base no lucro real, ou lucro presumido, justificam o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não poderá permanecer no SIMPLES a Pessoa Jurídica que tenha sido excluída do regime por meio de Ato Declaratório não impugnado pelo Sujeito Passivo. ARGUMENTO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL Não provada violação das normas tributárias. Descabe o argumento de nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Aplicase às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 00 13 /2 00 9- 35 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/200935 Acórdão n.º 1401001.141 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos aos anos calendário 2005 e 2006, apurados pelo lucro arbitrado e acrescidos de juros e multa. Por bem retratar a questão posta em debate, adoto e transcrevo o relatório da DRJ (fls. 214/218), lavrado nos seguintes termos: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração pelo Regime Tributário do ARBITRAMENTO DO LUCRO, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), anos calendário 2005, 2006, fls. 04/47, Termos de Intimação, fls. 67/68, 71/72, 137/139, Termo de Encerramento, fls. 146, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados, incluindo encargos legais, conforme discriminação seguinte: Imposto/Contribuição Valor Apurado (R$) Fls. IRPJ 94.250,75 04/14 PIS 42.795,18 15/25 COFINS 197.517,83 26/36 CSLL 70.687,96 37/47 TOTAL 405.251,72 A infração detectada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos citados Lançamentos, e com especificação de datas e valores do fato gerador discriminados às fls. 6/8, 17/19, 28/30, 39/41, relativas aos anos calendário 2005, 2006, salientando se os esclarecimentos apresentados pelo Termo de Intimação de fls. 137/139, achase exposta, em síntese, conforme indicado a seguir: Autos de Infração/Descrição dos Fatos, fls. 6/8, 17/19, 28/30, 39/41: DISCRIMINAÇÃO DA INFRAÇÃO APURADA: RECEITA OPERACIONAL OMITIDA. RECEITA DE TRANSPORTE: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o Contribuinte, notificado a apresentar os Livros e Documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação, fls. 49/51, 67/68, 71/72, 75/79, 137/139, deixou de apresentálos. Omissão de receitas de transporte de cargas apurada com base nos Livros Registro de Apuração de ICMS e nos Livros Registro de Saídas, de Contribuinte excluído do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2005, nos termos do Ato Declaratório Executivo da DRF/JNE, fls. 58/59, 61. Intimado a apresentar Livros Diário e Razão (na forma das leis comerciais e fiscais, inclusive com as Demonstrações Financeiras exigidas pela Legislação Fiscal) e o Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR), e a apresentar as Declarações a que são obrigadas as Pessoas Jurídicas tributadas com base no Lucro Real, o Contribuinte não o fez, limitandose a alegar que no período era optante do SIMPLES e que pela Legislação Vigente à época não era obrigado a apresentar DIPJ, DCTF e DACON, e nem escriturar os Livros DIÁRIO, RAZÃO E LALUR. Foi tornado claro ao Contribuinte que, com a exclusão do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2005, a Pessoa Jurídica passou a se sujeitar, desde essa data, às normas de tributação aplicáveis às demais Pessoas Jurídicas, conforme dispõe o art. 16 da Lei n° 9.317/96. Desse modo, desde que a exclusão se tornou definitiva, o Contribuinte ficou omisso da entrega de DIPJ, DCTF e DACON, com a apuração do Imposto de Renda feita com base no Lucro Real ou, não o fazendo, com base no Lucro Arbitrado (art. 530, incisos I e VI do RIR/99). Uma vez sujeita à tributação com base no lucro real, a Pessoa Jurídica deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, conforme disposto pelo art. 7o do DecretoLei 1.598/1977. O não atendimento a essa condição impõe que a Autoridade Fiscal apure os tributos a serem lançados de oficio com base no lucro arbitrado. Uma vez que os Livros entregues, Registro de Apuração do ICMS e Registro de Saídas, não servem para a apuração do lucro real, mas contêm a receita bruta de prestação de serviço de transporte de cargas contabilizada, essas informações foram usadas como base para a determinação dos valores de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS (esses três últimos como reflexos) lançados de oficio. TERMO DE INTIMAÇÃO, fls. 137/139: Conforme o último Termo de Intimação do qual a Empresa foi devidamente cientificado, fls. 137/139, após o Termo de Início de Fiscalização e os Termos de Intimação Anteriores de fls. 49/51, 67/68, 71/72, o Contribuinte foi reintimado a apresentar os Livros Diário e Razão, na forma das leis comerciais e fiscais, inclusive com as Demonstrações Financeiras exigidas pela Legislação Fl. 253DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/200935 Acórdão n.º 1401001.141 S1C4T1 Fl. 4 5 Fiscal, bem como o Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR). Foi esclarecido que, se a Empresa não dispusesse dos Livros obrigatórios para apuração do Lucro Real (Diário, Razão e Lalur), mas tivesse os elementos necessários para fazer a escrituração (notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias, comprovantes das despesas realizadas e demais receitas auferidas, extratos bancários), e pretendesse fazêla, apresentasse declaração informando que dispunha de toda a documentação necessária para escriturar os referidos Livros, conforme a legislação aplicável acerca do seu conteúdo e da forma de escriturá los, para os anoscalendário 2005 e 2006, e o prazo previsto para realização desse trabalho. Caso necessitasse de algum documento entregue no curso da Ação Fiscal, o Responsável Legal da Empresa poderia comparecer à DRF para recebêlo de volta ou autorizar por escrito a devolução a outra pessoa, ocasião em que seria lavrado o devido Termo de Devolução. Caso não apresentasse os Livros e Demonstrativos exigidos por Lei para apuração do Lucro Real, seus resultados e tributos devidos seriam apurados no regime do Lucro Arbitrado. Levandose em conta que não foram apresentados a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), documentos relativos aos anoscalendário 2005 e 2006, ficou a Empresa REINTIMADA, também, a entregar essas Declarações. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 0002, recebida em 17/10/2008, fls. 75, o Sr. Cícero Cabral Pinheiro alegou que "para os períodos de apuração 2005 e 2006 éramos optantes pelo SIMPLES". Contudo, nos autos do processo administrativo 10315.000767/200812 fora formalizada a exclusão do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2005, nos termos do Ato Declaratório Executivo 05 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juazeiro do Norte/CE, assinado em 02/07/2008, do qual o Contribuinte tomou ciência por via postal com Aviso de Recebimento (AR) em 17/07/2008, fls. 63, em anexo à Notificação SARAC/DRF/JNE 073/2008, de 03/07/2008. Aliás, em 24/06/2008 o próprio Cícero Pinheiro assinara o AR atestando o recebimento do ADE 04 de 18/06/2008, excluindo quaisquer possibilidades de prosperarem argumentos embasados em qualquer desconhecimento por parte do Empresário. Alegou ainda que "pela legislação vigente à época não éramos obrigados a apresentar DIPJ, DCTF e DACON, e nem escriturar os Livros DIÁRIOS, RAZÃO E LALUR". Acontece que, com a exclusão do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2005, a Pessoa Jurídica passou a se Fl. 254DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 sujeitar, desde essa data, às normas de tributação aplicáveis às demais Pessoas Jurídicas, conforme dispõe o art. 16 da Lei 9.317/1996. Desse modo, desde que a exclusão se tornou definitiva, o Contribuinte ficou omisso da entrega de DIPJ, DCTF e DACON, com a apuração do Imposto de Renda feita com base no Lucro Real ou, não o fazendo, com base no Lucro Arbitrado (art. 530, incisos I e VI, do RIR/1999). A observação feita é que, uma vez sujeita à tributação com base no lucro real, a Pessoa Jurídica deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, conforme disposto pelo art. 7° do DecretoLei 1.598/1977. O não atendimento a essa condição impôs que a Autoridade Fiscal apurasse os tributos lançados de oficio com base no lucro arbitrado, motivo pelo qual foi dada mais uma vez a oportunidade para que a Empresa apresentasse os documentos solicitados acima. Uma última alegação feita pelo Empresário é que "discordamos de qualquer exclusão do sistema SIMPLES para os períodos 2005 e 2006 sem prévio julgamento e defesa". Porém, conforme se lê claramente no texto do ADE DRF/JNE 05/2008, fls. 61/63, foi dada ciência ao Contribuinte de que ele poderia, no prazo de 30 (trinta) dias, manifestar por escrito, nos termos da legislação relativa ao Processo Administrativo Fiscal da União, de que trata o Decreto 70.235/1972, sua inconformidade com a exclusão objeto desse Ato, por meio de Solicitação de Revisão da Exclusão da Opção pelo SIMPLES, assegurados assim o contraditório e a ampla defesa, conforme dispõe o artigo 23, parágrafo único, da Instrução Normativa 608, de 09/01/2006. Foi esclarecido ainda que, "não havendo manifestação neste prazo, a exclusão tornarseá definitiva". Consequentemente, se o Contribuinte discordava da exclusão do SIMPLES, uma vez que recebera toda instrução necessária para apresentar sua discordância de acordo com as normas processuais administrativas aplicáveis e, não o tendo feito, deixou de ter motivos para reclamar da falta de julgamento e defesa. Afinal, a pessoa a quem cabia a iniciativa de apresentar defesa e instaurar a lide administrativa, o representante do Contribuinte excluído do SIMPLES, não o fez. Após ficar claro que haviam sido assegurados ao Contribuinte o contraditório e a ampla defesa, nos termos do art. 15, § 3°, da Lei 9.317/1996, e que não constava nos autos a apresentação de Contestação, a Autoridade Fiscal competente concluiu que se tornara definitiva a referida exclusão, conforme despacho à folha 56 do supracitado processo administrativo de Exclusão do SIMPLES (fls. 61 do processo da Autuação em lide). IMPUGNAÇÃO: Inconformado com as Exigências descritas, fls. 04/47, das quais fora cientificado em 07/01/2009, fls. 143, apresentou o Sujeito Passivo Impugnação em 27/01/2009, fls. 148/151, Fl. 255DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/200935 Acórdão n.º 1401001.141 S1C4T1 Fl. 5 7 Instrumento de Procuração, fls. 152, requerendo que a Autuação fosse julgada totalmente improcedente, argumentando que os tributos exigidos seriam indevidos, pois não teriam ocorrido os fatos geradores, os Autos haveria contrariado a Jurisprudência aplicável ao caso em espécie do antigo Egrégio Conselho de Contribuintes e Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, que teria havido falta de provas e de suas demonstrações, o que competia ao Fisco, alegando em síntese: A suposta omissão de receitas foi embasada nos Livros de Registro de Apuração de ICMS e nos Livros de Registro de Saídas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do Auto mencionado. O embasamento citado se deu por consequência abusiva e ilegal do Ato Declaratório Executivo da DRF/JNE, que excluíra precipitada e indevidamente o Contribuinte do SIMPLES, inclusive, atribuindo efeito retroativo à sua decisão, fazendo tais efeitos retroagirem à data de 01/01/2005, sem aguardar o resultado da Defesa Administrativa protocolada em 23/04/2008, a qual atacou o Auto de Infração oriundo do MPF 03.1.02.002007001561, fls. 200, O QUAL FOI O MOTIVO ENSEJADOR DA DITA EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SIMPLES. Como consequência do ato precipitado, ilegal, nulo e/ou anulável de pleno direito que excluiu o Contribuinte do SIMPLES, sem ao menos saber se o AI proveniente do MPF 03.1.02.002007001561 seria julgado procedente ou improcedente, pelo que, no caso de ser tal AI julgado improcedente, estaria plenamente provado que o Contribuinte, em momento algum, teria faltado com as condições exigidas para continuar sendo optante do SIMPLES, benefício esse já concedido a Ele, passou o Auditor a cometer abusos no ato de fiscalizar, sendo ele sabedor de que suas exigências não poderiam ser cumpridas diante do novo quadro. A partir de então, passou a exigir que o Contribuinte apresentasse (retroativamente a 01/01/2005, época em que Ele era optante do SIMPLES e em que permaneceu até o famigerado Ato citado) a DIPJ, DCTF e DACON, bem como a escrituração dos Livros DIÁRIO, RAZÃO e LALUR, exigências essas não obrigatórias para os optantes do SIMPLES. Se o Contribuinte não era obrigado na época a escriturar tais Livros e nem tampouco possuir tais documentos, como se exigir o que não lhe era obrigado outrora? Conforme afirmado, o Contribuinte não teve os rendimentos que lhe são atribuídos no Auto de Infração. Da mesma forma, é ilegal, não podendo produzir qualquer efeito punitivo, a forma como o Auditor procedeu (usando informações contidas nos Livros de Apuração do ICMS e Registros de Saídas), os quais, digase de passagem, não servem para a apuração do lucro real, sendo tal fato Fl. 256DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 mencionado e explicado pelo próprio Auditor na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), não podendo portanto os impostos e seus acessórios terem sido calculados de maneira devida, legal e real, sendo considerado portanto totalmente improcedente o Auto de Infração pela AUSÊNCIA DO FATO GERADOR. Mas não é só. Além de os fatos não terem ocorrido da forma como o Autuante PRESUMIU, e de isto ter sido demonstrado nesta defesa, não é admissível, em Direito Tributário, um Auto baseado apenas em frágeis PRESUNÇÕES. Em conclusão: sendo nulo o Lançamento, não há dívida tributária, não estando materializada a conduta típica. Afinal, não se pode punir um Contribuinte por não ter pago um débito indevido. Há ainda um dado da maior relevância, que não pode ser desconsiderado: a impossibilidade de alguém ser punido com base em presunções. Ainda que fosse possível o que nem para argumentar se admite exigir um tributo (no plano cível), com base apenas em presunções, poderia implicar, sob pena de destruição do princípio da presunção de inocência, a possibilidade de se sancionar penalmente uma pessoa por não ter pago esse tributo cuja existência é apenas presumida. A presunção pressupõe a existência de um fato conhecido e provado para que dele seja extraída a ilação de veracidade quanto ao fato desconhecido, sendo imprescindível a verificação da causalidade entre ambos, vez que "o direito não tolera que se presuma o fato e dele se induza a presunção, nem se admite que se deduza presunção de presunção". A DRJ, em julgamento da Impugnação apresentada pela Recorrente, entendeu pela sua improcedência, de modo a manter o lançamento integral constante no auto de infração combatido. O Recorrente, em suma, reitera suas razões de impugnação, repetindo a alegação de que não estava obrigado manter as escriturações contábeis exigidas pelo Fisco, vez que era optante pelo SIMPLES no período fiscalizado. Alega que o ônus da prova dos fatos retratados no Auto de Infração incumbem ao Fisco; que as notas fiscais de saída de mercadorias não são meios hábeis a permitir o arbitramento do lucro para fins de tributação; que há nulidade no lançamento por ausência de tipicidade e pugna pelo cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/200935 Acórdão n.º 1401001.141 S1C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. DA OMISSÃO DE RECEITA Conforme se apura pela análise das fls. 57/65 do presente processo administrativo, o Recorrente, em razão de sua receita ultrapassar o limite legal para o optante do regime de tributação pelo SIMPLES, foi devidamente notificado da exclusão do regime, sendo a ele conferido prazo para, caso desejasse, impugnar a exclusão do regime de tributação, ou indicar qual regime de apuração do lucro seria aferida a tributação da renda. Não obstante a notificação, o Recorrente mantevese inerte. Incabível falar, portanto, em privação à ampla defesa e contraditório, vez que o recorrente foi devidamente notificado, e assinou pessoalmente o aviso de recebimento da notificação (fl. 60), de maneira que poderia oporse à exclusão do SIMPLES e ter o seu pleito apreciado em procedimento administrativo próprio. A notificação informa que a exclusão do SIMPLES tem efeito retroativo ao anocalendário de 2005, de maneira que, já que inerte e automaticamente inserido no regime de lucro real, desde então o Recorrente deveria escriturar os Livros DIÁRIOS, RAZÃO E LALUR. Devidamente intimado a apresentar os documentos durante a fiscalização, o Recorrente mantevese omisso, mesmo sendolhe oportunizado ofertar qualquer documento hábil a apuração do seu lucro no período de fiscalização, apenas firmando não ser obrigado legalmente a manter os livros contábeis solicitados. Sabese que a apuração do lucro por arbitramento é medida extrema, e somente deve ser usada pelo Fisco ante a imprestabilidade dos documentos mantidos pelo fiscalizado, ou na completa ausência deles. Como se vê no caso em debate, o Recorrente não apresentou os documentos solicitados ou qualquer documento hábil a apuração do seu lucro, razão pela qual se verifica a omissão de receita e cabível o lançamento pelo lucro arbitrado nos termos ao Auto de Infração. DA LEGALIDADE DO USO DAS INFORMAÇÕES DE LIVROS FISCAIS Fl. 258DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 O Fisco, na ausência de documentos ofertados pelo Recorrente, prestouse de notas de saída de ICMS e demais livros fiscais para arbitrar o lucro ao lavrar o auto de infração. Muito embora o Recorrente discorde da medida adotada pela autoridade fazendária, temse por esta manifestamente legítima, vez que as notas de saída e demais livros fiscais são meios hábeis a permitir ao Fisco que possa apurar o lucro por meio de arbitramento e lavrar o auto de infração. Não houve, assim, a alegada violação de normas tributárias, vez que o Fisco valeuse das previsões do legais para apurar o lucro arbitrado. Razão não assiste o Recorrente. DA PRESUNÇÃO EM FAVOR DO FISCO O Recorrente ataca a presunção que inverte o ônus da prova em favor do Fisco, sob a alegação de que deve ser aplicado o inciso II do artigo 333 do Código de Processo Civil, por considerar excessivamente difícil a comprovação dos fatos. O entendimento do Recorrente não merece amparo, sobre o que os documentos tomados por base pelo fisco são livros escriturados pelo próprio recorrente, e notas de saída por ele emitidas. Não admitilos seria, por via oblíqua, presumir inválidos outros documentos, sem amparo legal, de maneira a inverter a lógica da argumentação do Recorrenre Não há como afastar a presunção que se impõe pelo artigo 334, IV do CPC, razão pela qual o auto de infração deve ser mantido. DA OCORRÊNCIA DO FATO IMPONÍVEL E REGULARIDADE DO LANÇAMENTO O Recorrente alega que não ocorreram os fatos imponíveis que dão ensejo à incidência da norma jurídica tributária apta a fundamentar a lavratura do auto de infração. Melhor sorte não lhe assiste nos argumentos articulados. O auto de infração, como norma individual e concreta, faz alusão à evento pretérito, vertendoo em linguagem competente para atribuirlhe o status de fato imponível. Para tanto, é necessário que haja subsunção do antecedente da norma jurídica ao fato que ocorre no mundo fenomênico, de maneira a classificálo como fato jurídico tributário. A exclusão do regime de tributação SIMPLES, com a devida notificação, imputou ao Recorrente a obrigação de escriturar os livros obrigatórios aos que não fazem parte do grupo beneficiado pela tributação diferenciada. Não havendo cumprimento dos deveres instrumentais imputados por norma jurídica própria, há clara ocorrência do fato imponível necessário e suficiente para a lavratura do auto de infração. Ademais, foi ofertado ao recorrente a possibilidade de fornecer documentos que aparelhassem o Fisco a apurar o lucro para fins de tributação. Sua inércia fez incidir a norma que autoriza o Fisco a arbitrar o lucro e lavrar o competente auto de infração. Pelo que se infere, não há mácula que fere de nulidade o lançamento efetuado pelo Fisco, razão pela qual deve ser mantido por estar de acordo com as normas tributárias. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10315.000013/200935 Acórdão n.º 1401001.141 S1C4T1 Fl. 7 11 DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA À semelhança das normas de incidência do IRPJ, aplicase a tributação reflexa pelos mesmos fundamentos acima apostos. DA CONCLUSÃO Neste sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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