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Numero do processo: 16327.000738/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
DECADÊNCIA LEI
Nº 8.212/91 INAPLICABILIDADE
SÚMULA
Nº
8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
O prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as
previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São
inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei
nº
1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de
prescrição e decadência de crédito tributário”.
DESISTÊNCIA REFIS
LEI
11.941/09
O pedido de desistência do recurso para inclusão do débito em parcelamento
especial ocasiona a perda de objeto deste recurso, bem como impossibilita o
seu reconhecimento pelo tribunal “ad quem”.
Recurso Voluntário não Conhecido e Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 3302-001.447
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da
relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Inteligência da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. DESISTÊNCIA REFIS LEI 11.941/09 O pedido de desistência do recurso para inclusão do débito em parcelamento especial ocasiona a perda de objeto deste recurso, bem como impossibilita o seu reconhecimento pelo tribunal “ad quem”. Recurso Voluntário não Conhecido e Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 770DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Recurso de Ofício apresentado contra decisão que, aplicando a Súmula nº8 do Supremo Tribunal Federal – STF, cancelou parte do auto de infração (fls. 239/258) que lavrou débito de COFINS referente aos fatos geradores de 01/2000 a 04/2002. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição e juros de mora, calculados até 30/04/2007, perfazia o total de R$ 14.586.192,27, tendo o lançamento sido efetuado com suspensão de exigibilidade em razão de medida liminar obtida empresa. Em resumo, no recurso de Impugnação, em razão do mérito da questão ser objeto de ação judicial, discutiuse apenas a ocorrência de decadência. O acórdão de fls. 509/518 entendeu que, ao contrário do alegado pela Recorrente, em virtude de inexistir pagamento no período, a contagem do prazo decadencial deveria seguir o artigo 173 do Código Tributário Nacional – CTN. Ao afastar a aplicação do artigo 150, §4º do CTN, reconheceuse a decadência apenas do período até novembro/2001, pois para o fato ocorrido mês, o início da contagem do prazo seria 01/01/2002, podendo ser autuado até 31/12/2006. Já o próximo mês, dezembro/2002, teria seu início em 01/02/2003, com a possibilidade de autuação até 31/12/2007. Como a ciência da Recorrente se deu em 16/05/2007, estariam decaídos apenas os períodos de apuração de 01/2000 a 11/2001. Pelo valor exonerado (principal = R$ 3.455.992,56) foi interposto recurso de ofício, bem como a Recorrente interpôs recurso voluntário do saldo remanescente (principal = R$ 931.570,93) discutindo apenas a aplicação do art. 150, § 4º ao invés do artigo 173 do CTN. De acordo com a Manifestação de fls. 750 (fls. 767 digital e fls. 155 do Vol. IV), o caso se resume da seguinte maneira, verbis: “Tratava o processo, originalmente, do acompanhamento de débitos de Cofins, períodos de apuração 01/2000 a 12/2003, lançados através do auto de infração juntado às fls. 239258, conforme termo de verificação às fls. 233 237, cuja ciência foi tomada pelo contribuinte em 16/05/2007. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000738/200717 Acórdão n.º 330201.447 S3C3T2 Fl. 769 3 Os débitos dos períodos de apuração 05/2002 a 12/2003 foram transferidos para o processo administrativo n° 16327.720011/200741. O auto de infração foi impugnado, às fls. 368378, tendo a 8ª Turma da DRJ/SPI considerado o lançamento procedente parcialmente, exonerando os períodos de apuração 01/2000 a 11/2001, haja vista estarem estes decadentes quando da ciência do auto de infração, de acordo a Súmula Vinculante n° 8 do STF. Houve recurso de oficio desta decisão. Ver acórdão nº 16 20.716 juntado às fls. 509 518. Foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte, as fls. 531540. Porém, antes do julgamento do mesmo, o interessado apresentou desistência do recurso conforme petição de fls. 692/693, com o intuito de usufruir os benefícios concedidos pela lei 11.941/2009. Portanto, foi solicitado o processo administrativo através do memorando n° 70/2010, à fl. 689, para a juntada da petição. Diante do exposto, proponho o retorno do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que este se manifeste com relação à petição de desistência do recurso voluntário elaborada pelo contribuinte, juntada às fls. 692/693, tendo em vista a existência de recurso de oficio pendente de julgamento, declarando seu enquadramento na anistia concedida pela lei 11.941/2009.” destaquei É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O Recurso de Ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se verifica dos termos relatados, nos presentes autos remanesce a discussão referente à COFINS devida no período relativo aos fatos geradores ocorridos entre 01/2000 a 04/2002. A única matéria em discussão é o reconhecimento da decadência, ocorrida nos termos dos artigos 150 ou 173 do Código Tributário Nacional – CTN. Inicialmente foram apresentados Recurso Voluntário e de Ofício, sendo que o contribuinte desistiu, em 18/02/2010 (Petição de fls. 692/693 ou 708/709 digital ou 96/97 do Vol. IV) do recurso apresentado. Nos termos da petição apresentada, o então Recorrente informa que: Fl. 772DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 “(...) vem respeitosamente, perante Vossa Senhoria, requerer para efeito do que dispõe a Lei nº11.941 de 27 de maio de 2009, a desistência total do recurso interposto constante do processo administrativo em epígrafe, que visa o reconhecimento da decadência dos créditos tributários relativos ao período de dezembro de 2001 a abril de 2002. Declara, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o referido recurso. Todavia, cumpre fazer a ressalva que esta desistência/renúncia não se aplica aos créditos tributários correspondentes ao período de janeiro de 2000 a novembro de 2001 que foram atingidos pela DECADÊNCIA, conforme decisão administrativa proferida em primeiro grau.” O contribuinte optou, portanto, por incluir seu débito no REFIS IV, juntando ainda cópia da petição que apresentou para o Delegado responsável pela Delegacia de Instituições Financeiras na intenção de consolidar os valores indicados no programa especial de parcelamento. Em face da opção manifestada pelo contribuinte, é de se reconhecer que o recurso voluntário então apresentado, perdeu o objeto e, portanto, não deve ser conhecido. Ainda, em atenção à manifestação de fls. 7501 (fls. 767 digital e fls. 155 do Vol. IV), vale esclarecer que não compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fazer análise de admissibilidade da petição de desistência apresentada pelo contribuinte, cabe apenas aceitar o desejo da forma como foi manifestado. Da mesma forma, este tribunal é incompetente para decidir sobre o enquadramento do contribuinte na anistia concedida pela Lei nº 11.941/2009, esta questão deverá ser analisada pelas autoridades administrativas da Receita Federal competentes, juntamente com todos os outros requisitos necessários para adesão e manutenção dos contribuintes no sistema de parcelamento especial. No que se refere ao Recurso de Ofício, único que está em discussão nos presentes autos, com razão a decisão administrativa de primeira instância. Nos termos relatados percebese que a exoneração foi realizada em virtude de terse reconhecido a decadência dos valores constituídos até 11/01, nos termos da Súmula nº 8 Supremo Tribunal Federal – STF. Claro está que o auto de infração ainda remanescente na discussão em análise referese à Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos até abril/2002. Já a ciência do auto de infração ocorreu em 06/05/2007. É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários nº 55664, 559882 e 559943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula Vinculante nº 8, in verbis: 1 "(...) Diante do exposto, proponho o retorno do processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que este se manifeste com relação à petição de desistência do recurso voluntário elaborada pelo contribuinte, juntada às fls. 692/693, tendo em vista a existência de recurso de oficio pendente de julgamento, declarando seu enquadramento na anistia concedida pela lei 11.941/2009.” Fl. 773DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000738/200717 Acórdão n.º 330201.447 S3C3T2 Fl. 770 5 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento total do que restou do auto de infração. Não apenas em razão de ser uma orientação vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais 5 anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos. Desta forma, não há meios de se manter a exigência, uma vez que o fato gerador ocorreu antes de 5 anos da ciência do auto de infração. In casu, a decisão recorrida aplicou, ainda, o artigo 173 do CTN ao invés do artigo 150, §4º. Esta questão perdeu a relevância pois todos os demais débitos foram incluídos na anistia tributária pelo contribuinte, todavia registrase que esta questão foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça em recurso repetitivo, com conclusão contrária à tese do contribuinte. Assim, e como nos termos do artigo 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo de Recursos Fisca – CARF – a decisão do STJ tornouse vinculante, o entendimento de aplicação do artigo 173 está em consonância com a atual jurisprudência da corte administrativa. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso de Ofício para o fim de negarlhe provimento, mantendo in totum a decisão administrativa ora recorrida e DEIXO DE CONHECER do Recurso Voluntário interposto ante o pedido de desistência apresentado pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 774DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10280.002165/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não provoca cerceamento do direito de defesa o enquadramento em norma posterior, ainda não vigente ao tempo dos fatos, se o dispositivo revogado em vigor à época dos fatos descrevia
idêntica infração, não alterada pela nova redação, se a descrição dos fatos é fiel às provas dos autos, e se a prática da infração não é contestada pelo sujeito passivo
Numero da decisão: 1302-000.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não provoca cerceamento do direito de defesa o enquadramento em norma posterior, ainda não vigente ao tempo dos fatos, se o dispositivo revogado em vigor à época dos fatos descrevia idêntica infração, não alterada pela nova redação, se a descrição dos fatos é fiel às provas dos autos, e se a prática da infração não é contestada pelo sujeito passivo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 240 1 239 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.002165/200755 Recurso nº 921.243 Voluntário Acórdão nº 130200.822 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ BENEFÍCIOS FISCAIS Recorrente COMPANHIA AGROINDUSTRIAL DO PARÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não provoca cerceamento do direito de defesa o enquadramento em norma posterior, ainda não vigente ao tempo dos fatos, se o dispositivo revogado em vigor à época dos fatos descrevia idêntica infração, não alterada pela nova redação, se a descrição dos fatos é fiel às provas dos autos, e se a prática da infração não é contestada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.002165/200755 Acórdão n.º 130200.822 S1C3T2 Fl. 241 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/BEL, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. INÍCIO DO BENEFÍCIO. O gozo do beneficio fiscal de redução do imposto de renda, para empresa instaladas na área da SUDAM, darseá a partir do anocalendário de expedição do laudo constitutivo quando este for expedido após a data de início de operação do projeto beneficiado. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 104108, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, ano(s)calendário 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 1.470.875,80, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 31/05/2007. De acordo com a fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Utilização indevida do benefício de redução do imposto de renda concedido para as empresas instaladas na área da SUDAM. A fiscalização justifica sua exação com fundamentação na impossibilidade de utilização do benefício de redução do imposto de renda em período anterior ao da data de expedição do laudo constitutivo do direito, nos termos do art. 1º da MP nº 2.19914/2001, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 11.196/2005. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 22/06/2007 (fls. 104) e apresentou sua impugnação em 24/07/2007 (fls. 111112), na qual alega a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei nº 11.196/2005. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a fiscalização fundamentou a infração com base no art.32 da Lei nº 11.196/2005, e não na medida provisória nº 2.199/1401. Já o acórdão afirma que o §2º do art. 1º da MP 2.15914/2001 foi a base da autuação, substituindo, assim, de forma inadequada a fundamentação legal originalmente utilizada. O dispositivo aplicado pela fiscalização retroagiu para atingir anocalendário anterior (2003); Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.002165/200755 Acórdão n.º 130200.822 S1C3T2 Fl. 242 3 não foi indicado dispositivo de lei ou de legislação inferior que desse embasamento à multa de ofício, aplicada no percentual de 75%. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.002165/200755 Acórdão n.º 130200.822 S1C3T2 Fl. 243 4 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Não há no processo prova do recebimento da decisão prolatada pela DRJ. O recurso voluntário foi encaminhado a este colegiado, sem quaisquer manifestações dos órgãos de origem. Desta forma, para a garantia da ampla defesa e do contraditório, dele conheço. A questão controversa diz respeito a aplicação retroativa da Lei nº 11.196/2005, que deu nova redação ao art.1º e §1º da Medida Provisória nº 2.19914/2001. Da análise dos autos, vêse que de fato a fiscalização se equivocou ao invocar o dispositivo ulterior a fato passado, pois, via de regra (art. 105 do CTN), a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, não alcançando, pois, os fatos geradores já ocorridos no passado. Todavia, o prejuízo é meramente formal, posto que os dispositivos atacados (art.1º e §1º da MP 2.19914/2001, com a redação dada pela Lei nº 11.196/2005) não sofreram qualquer alteração de sentido deôntico no que tange à infração verificada, vez que as alterações procedidas pela Lei nº 11.196/2005 tiveram por escopo única e exclusivamente alongar o período de concessão dos benefícios regionais, que na redação original tinham prazo final para gozo em 31/12/2013, e com a nova redação este prazo passou a ser derradeiro tão somente para a aprovação dos projetos. Vejamos os fatos. Segundo relata a fiscalização, O Laudo Constitutivo N° 168/2004 (cópia anexa) expedido pelo AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA, atesta que o projeto de implantação para produção de óleo de Palma até 127.025 ton/ano, e para produção de óleo de Palmiste até 4.700 ton/ano entrou em operação em 2002. Há de se observar que tal laudo foi emitido em 29 de outubro de 2004, neste caso, em consonância com a legislação supracitada, o sujeito passivo faz juz ao beneficio a partir do ANOCALENDÁRIO DE 2004. Neste diapasão estão o PARECER SEORT/DRF/BEL/Nº 0249/2006, expedido em 20/07/2006 e DESPACHO DECISÓRIO exarado pelo CHEFE DO SEORT/DRF/BEL de mesma data, ambos constantes do Processo 13204.000006/200636 (cópias anexas ao presente auto de infração) , onde foi concedido o direito a redução de 75% (setenta e cinco por cento) do IRPJ e adicional, calculados com base no lucro da exploração, para o período de 01/01/2004 a 31/12/2013. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.002165/200755 Acórdão n.º 130200.822 S1C3T2 Fl. 244 5 Destarte a empresa utilizou indevidamente o beneficio da redução no AnoCalendário de 2003, razão ensejadora da presente autuação. Como se vê, embora a operação tenhase iniciado em 2002, como o laudo somente foi exarado após em 29/10/2004, ou seja, após o último dia útil de março do ano calendário subseqüente ao início das operações, o gozo é devido somente a partir do ano calendário de 2004 (anocalendário da expedição do laudo), conforme o §2º do art.1º da MP 2.19914/2001, que não sofreu alterações em sua redação, in verbis: § 2o Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1o, a fruição do benefício darseá a partir do ano calendário da expedição do laudo. Como a recorrente utilizouse da redução de tributo já no anocalendário de 2003, a fiscalização, então, verificou aí infração à norma legal concessiva de redução de tributo. Tais questões são incontroversas nos autos. O ponto invocado pela defendente reside no fato de que a fiscalização expressamente invoca a nova redação da Lei nº 11.196/2005 a fato do anocalendário de 2003, embora, conforme acima abordado, as derrogações feitas por esta lei não provocaram efeito direto na disciplina da infração praticada. Em outras palavras, a recorrente não se defende da acusação de ter gozado indevidamente da redução de 75% no anocalendário de 2003, mas prendese à aplicação indevida de dispositivo legal pela fiscalização. A redação original do art.1º e de seu §1º assim dispunha: Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. § 1o A fruição do benefício fiscal referido no caput darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, modernização, ampliação ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional, até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da fruição. Tais redações assim restaram, após a vigência da Lei nº 11.196/2005: Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.002165/200755 Acórdão n.º 130200.822 S1C3T2 Fl. 245 6 dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Notese que além de não haver alterações na disciplina do tema em questão, o prazo a que faz referência o §2º (que disciplina a situação concreta) não sofre alterações (último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação). Além disso, a fiscalização descreveu corretamente a conduta indevida praticada, não havendo prejuízos à defesa, que não obstante a invocação da norma ainda não vigente, teve condições de se defender adequadamente dos fatos narrados pela fiscalização. Desta forma, o erro da fiscalização não provocou prejuízos à defesa, a qual se manteve silente quanto aos fatos a ela imputados. Desta forma, entendo que deva ser rechaçada a argüição de nulidade do procedimento ou do ato de lançamento. No que tange à alegação de que a multa de ofício, aplicada no percentual de 75% não foi fundamentada, esta foi apresentada somente no Recurso Voluntário, não tendo sido ventilada na impugnação. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. Desta forma, não deveria ser aqui sequer apreciada. Todavia, tratandose de ponto de constatação imediata, verificase também de pronto sua improcedência, posto que às fls.103, a autoridade fiscal declina o art.44, I, da Lei nº 9.430/96, que dá fundamento à aplicação da penalidade. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 31 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.002165/200755 Acórdão n.º 130200.822 S1C3T2 Fl. 246 7 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/02/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001500/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NÃO ENFRENTA ALEGAÇÃO DEFENSÓRIA RELEVANTE. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar questão relevante apresentada na impugnação.
Decisão de Primeira Instância Anulada
Numero da decisão: 2401-002.246
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DE CONFECÇÕES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NÃO ENFRENTA ALEGAÇÃO DEFENSÓRIA RELEVANTE. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar questão relevante apresentada na impugnação. Decisão de Primeira Instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório O lançamento em questão diz respeito ao Auto de Infração – AI n.º 37.247.0033, no qual são apuradas as contribuições patronais para outra entidades e fundos. O crédito, com data de consolidação em 16/12/2009, assumiu o montante de R$ 35.354,16 (trinta e cinco mil e trezentos e cinquenta e quatro reais e dezesseis centavos). De acordo com o relato do Fisco, fls. 91/103, os fatos geradores das contribuições aqui lançadas foram as remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços à autuada, conforme folhas e recibos de pagamento, bem como lançamentos contábeis. Afirmase que a empresa incorreu em erro ao se autoenquadrar como optante pelo SIMPLES FEDERAL, não o sendo, deixando assim de declarar como devidas as contribuições objetos do débito deste AI. O Fisco informa que, em 01/03/1999, o contribuinte acima referenciado foi excluído de oficio do SIMPLES FEDERAL, através do ADE — Ato Declaratório de Exclusão n °. 20669, em razão de possuir débito inscrito em dívida ativa da União. A empresa apresentou defesa, fls. 504/515, na qual alegou, em síntese que: a) em 1998 fez a opção pelo regime tributário do SIMPLES e desde 1999 vem efetuando os recolhimentos e prestando as informações conforme prevê a legislação que regula o regime simplificado; b) a exclusão do SIMPLES somente pode ser efetuada por ato do Delegado da Receita Federal, sendo que os autos não comprovam a existência do referido ato administrativo; c) o AI é nulo, posto que a Auditora Fiscal autuante, usou como fundamentos para sua autuação legislação revogada, ou seja, fora do mundo jurídico, sem eficácia jurídica e legal, o que se pode ver dos textos legais revogados que colaciona; d) a Auditoria incorreu em erro in procedendo ao afirmar que a empresa se enquadrou no SUPER SIMPLES; e) deixou de ser acostado o documento comprobatório da exclusão da empresa do SIMPLES; f) os processos que a Auditora Fiscal indicou como inscritos em dívida ativa foram integralmente quitados; g) mesmo o processo de execução fiscal mencionado pelo Fisco, não pode justificar a autuação, uma vez que o crédito tributário já havia sido liquidado antes do ajuizamento, como se pode ver da sentença colacionada; h) A exclusão somente pode ocorrer através de processo especifico e mediante comunicação direta ao excluído,o que não ocorreu no presente caso; Fl. 851DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001500/200949 Acórdão n.º 240102.246 S2C4T1 Fl. 851 3 i) as planilhas colacionadas pelo Fisco não devem prevalecer, posto que a empresa era optante pelo SIMPLES no período da autuação; Ao final requereu o reconhecimento de sua condição de optante pelo SIMPLES e o cancelamento do crédito. A DRJ no Rio de Janeiro I declarou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento, fls. 714/716. No entender o órgão a quo, consta dos autos o documento de exclusão da empresa do SIMPLES, além de que não há nenhuma manifestação de inconformidade contra o referido ato. Acrescentase que não há o que se discutir no processo as causas de exclusão da empresa do regime simplificado, posto que esse fato já se consumou no passado conforme atestam os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Esclarecese ainda que o fato da empresa haver entregue declarações como optante pelo SIMPLES nos anos de 2000 a 2002 em nada alteram a sua situação, ainda mais que o crédito referese aos exercícios de 2005 e 2006. A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 723/736, no qual, em síntese, alegou que: a) teve o seu direito cerceado na medida em que não foi atendida no seu requerimento para que a Administração juntasse documentos que comprovariam a sua situação regular perante o SIMPLES; b) o acórdão recorrido foi omisso na apreciação da argumentação da nulidade do AI, no tocante à impugnação às leis revogadas, e utilizadas pela Fiscal Autuante como fundamentos legais para embasar o lançamento, o que traz nulidade à referida decisão; A seguir, passa a repetir os argumentos lançados na sua defesa e requer: a) o reconhecimento de sua opção pelo SIMPLES nos exercícios de 2005 e 2006; b) a nulificação ou cancelamento do AI; c) que seja reconhecido o cerceamento de defesa e seja determinada a juntada nos termos da Lei 9784/99 Art. 37, dos seguintes documentos: (a) comprovante de quitação do processo judicial de no 2002.50.01.0067727 da l.ª Vara da Justiça Federal; (b) comprovante do Termo de Comunicação Pessoal de Exclusão da Impugnante referente aos anos de 2005/2006 ; (c) Cópia das Declarações simplificadas referentes aos anos de 2003/2004 ; (d) Cópia do Doc. Evento 323 Exclusão do Simples Federal mencionado no Al. (e) juntada de cópia do processo da suposta exclusão referente aos anos 2005/06. É relatório. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento por possuir os requisitos de tempestividade e legitimidade., Nulidade da decisão de primeira instância Alega a recorrente a omissão do acórdão recorrido em analisar o ponto da impugnação que suscita a nulidade do AI em razão da Auditora Fiscal haver fundamentado o lançamento em legislação revogada. De fato, fazendo uma leitura detalhada no Acórdão de n.º 1229.778, pude verificar que nenhuma linha foi gasta para enfrentar a alegação de nulidade do AI por erro na fundamentação legal. Tal omissão acaba por ferir o inciso LV do art. 5.º da Carta Magna1, haja vista que, ao deixar de apreciar razão de direito apresentada na impugnação, órgão de primeira instância atropelou o direito de defesa da empresa, impedindo que uma de suas razões de impugnar produzisse o efeito de se contrapor ao lançamento. A Lei n.º 9.784/1999, que estabelece normas acerca do processo administrativo no âmbito federal , destaca como um direito básico do administrado ter suas alegações apreciadas pelo órgão competente. Eis o texto legal: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (...) Ao tratar da motivação dos atos administrativos, a mesma Lei assim prescreve: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) 1 LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Fl. 853DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001500/200949 Acórdão n.º 240102.246 S2C4T1 Fl. 852 5 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Verificase que ao deixar de apreciar ponto da impugnação do sujeito passivo, a DRJ negligenciou o seu dever de motivação previsto na norma acima. Esse vício, por acarretar em prejuízo ao direito de defesa da recorrente, é punido com a nulidade nos termos do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972, que cuida do processo administrativo tributário no âmbito da União. Eis o dispositivo: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) A jurisprudência do CARF tem se inclinado por anular as decisões das DRJ que deixem de apreciar pontos relevantes da impugnação: Vejam a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS MATÉRIAS SUBMETIDAS À APRECIAÇÃO.De se anular a decisão de Primeira Instância que deixa de tratar de razão de defesa trazido pela autuada em sede de Manifestação de Inconformidade. No caso, não foram analisados os argumentos e comprovantes de que as diferenças apontadas pelo Fisco entre os créditos indicados nos PER/Dcomp e no Dacon conteriam erros e que novos valores haviam sido apurados, bem como, não foram analisados os argumentos e demonstrativos indicando a nova composição do ativo imobilizado, que ensejaria novos créditos a título de depreciação acelerada. Recurso Voluntário Provido. (Primeira Turma/Quarta Câmara/Terceira Seção De Julgamento, Acórdão n.º 3401001.231, Relator Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, 03/02/2011) Seguindo esse posicionamento, entendo que o Acórdão recorrido deva ser anulado, por haver deixado de apreciar aspecto relevante da impugnação. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 854DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 855DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10980.007898/2005-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA. SÓCIO RETIRANTE DA SOCIEDADE,
A responsabilidade solidária de sócio por dividas tributárias da sociedade só pode ser imposta quando presentes os requisitos do art. 135 do CTN, qual seja, quando os créditos tributários sejam "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". Não se aplica aos sócios a situação de coobrigação por interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, descrita no art. 124 do mesmo código.
Precedentes do Conselho de Contribuintes e do Col. ST.1.
Coobrigação que se julga improcedente, por ter-se findado exclusivamente no art. 124 do CTN, deixando de demonstrar a ocorrência das situações fáticas descritas no art, 135 do mesmo diploma legal
Numero da decisão: 1201-000.217
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, não conhecer os recursos interpostos por SERGIO LUIZ RODRIGUES e CARLOS EDUARDO DE MUNHOZ FURTADO, e quanto ao recurso voluntário de ANTONIO EDUARDO DE SOUZA ALBERTINI, por unanimidade de votos, dar provimento para anular o termo de decretação de solidariedade, prejudicada a análise dos demais argumentos. Quanto à anulação do termo de solidariedade acompanha o relator em suas conclusões o Conselheiro Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), nos termos no relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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SÓCIO RETIRANTE DA SOCIEDADE, A responsabilidade solidária de sócio por dividas tributárias da sociedade só pode ser imposta quando presentes os requisitos do art. 135 do CTN, qual seja, quando os créditos tributários sejam "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". Não se aplica aos sócios a situação de coobrigação por interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, descrita no art. 124 do mesmo código. Precedentes do Conselho de Contribuintes e do Col. ST.1. Coobrigação que se julga improcedente, por ter-se findado exclusivamente no art. 124 do CTN, deixando de demonstrar a ocorrência das situações fáticas descritas no art, 135 do mesmo diploma legal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, não conhecer os recursos interpostos por SERGIO LUIZ RODRIGUES e CARLOS EDUARDO DE MUNHOZ FURTADO, e quanto ao recurso voluntário de ANTONIO EDUARDO DE SOUZA ALBERTINI, por unanimidade de votos, dar provimento para anular o termo de decretação de solidariedade, prejudicada a análise dos demais argumentos. Quanto à anulação do termo de solidariedade acompanha o relatar em su cone sões o Conselheiro Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), nos termos o - tório e voto que integram o presente julgado. 1101111 Claude ' lidá! \- 1V(Ialaquias - Presidente. Regis Magalhães So oz Relator. 2,'Nk Processo n°10980 007898/2005-27 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.217 Fl 2 EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) 2 Processo n° 10980.007898/2005-27 SI-C2T1 Acórdão n. 1201-00.217 El 3 Relatório Cuida-se de lançamento de IRPJ, PIS, CSLL e de COFINS, referentes a fatos geradores ocorridos nos anos de 2002 e 2003, no valor consolidado de R$1.167,904,84, com imposição de multa de oficio de 150%. A empresa, regularmente intimada a apresentar os seus livros e documentos fiscais (fl. 03), deixou de apresentá-los. A fiscalização procedeu ao arbitramento dos lucros dos períodos com base na receita bruta conhecida, verificada a partir das cópias das notas fiscais de venda emitidas pela empresa obtidas junto ao Fisco Estadual, Os tributos foram exigidos com a aplicação de multa de oficio qualificada, pois foi caracterizada a inclusão fraudulenta de pessoas inexistentes no quadro societário da empresa, de forma a eximir os reais sócios das suas responsabilidades fiscais e criminais. Juntamente com a pessoa jurídica, foram incluídos como responsáveis solidários as seguintes pessoas fisicas: Antonio Eduardo de Souza Albertini, Carlos Eduardo de Munhoz Furtado, ambos sócios retirantes da sociedade; e Sérgio Luiz Rodrigues e Roberto Ângelo de Siqueira, ambos procuradores com poderes para administrar a pessoa jurídica (fls. 90 e 91). Em 19,8,2005, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento (fl. 254), mas não apresentou impugnação. Em 15,8.2005, o Sr. Carlos foi cientificado do lançamento e de sua sujeição passiva solidária (fl. 269) e, em 12,9.2005, apresentou impugnação de fls. 272 a 279. Em 11.8,2005, o Sr. Roberto foi cientificado do lançamento e de sua sujeição passiva solidária (fl. 270) e, em 9.9,2005 (fl. 408), apresentou impugnação de fls. 302 a 332. O Sr, Antonio foi cientificado do lançamento e de sua sujeição passiva solidária em 15.8,2005 (fl. 271) e apresentou sua impugnação em 9.9,2005 (fl. 407),, O Sr, Sérgio foi cientificado do lançamento e de sua sujeição passiva solidária em 15.8,2005 (fl. 268), apresentando a impugnação de fls, 396 a 403 em 21.9.2005. Como o sujeito passivo não apresentou impugnação e foi declarado revel, a DRJ deixou de apreciar as impugnações dos responsáveis solidários por decisão de fls., da qual foram intimados o sujeito passivo e os responsabilizados, sendo que dessa decisão não houve interposição de nenhum recurso. O procurador Roberto Ângelo de Siqueira propôs, então, ação judicial onde obteve o acórdão de fls. 504 e ss. que declarou a inexistência de relação jurídica tributária entre ele e a União. O sócio retirante Antonio Eduardo de Souza Albertini, a seu turno, impetrou mandado de segurança para garantir o conhecimento e processamento de sua impugnação, o que obteve pelo acórdão de fls. 518 a 522, 3 Processo n° 10980007898/2005-27 S1-C2T1 Acórdão n " 1201-00.217 Fi 4 Assim, os autos foram remetidos à DR.1 após o transito em julgado daqueles processos judiciais, para o prosseguimento do contencioso administrativo fiscal (fi. 523), A decisão então proferida deu parcial provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo arbitrada o valor do 21 e ficou assim ementada: Assunto Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário . 2002, 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ARBITRAMENTO DO LUCRO NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES Sujeita-se ao arbitramento o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, quando optante pela apuração do lucro presumido. RECEITA BRUTA, EXCLUSÃO DO 11'1, O IPI, por ser tributo não cumulativo, deve ser excluído da base de cálculo da receita bruta. INCONSTITUCIONALIDADE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA, IMPOSSIBILIDADE'. É incabível a apreciação, por autoridade julgadora da esfera administrativa, de argüição de inconstitucionalidade de lei, por tratar- se de matéria inserta na competência privativa do Poder Judiciário, TAXA SELIC CAPITALIZAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE. A taxa Selic é cumulativa mês a mês, não havendo o que se falar na sua aplicação capitalizada, por falta de previsão legal. MULTA QUALIFICADA CABIMENTO A conduta dos sócios de se fazerem suceder por pessoas inexistentes na constituição da empresa, por meio de falsos documentos de identidade, evidencia o . fim de se eximirem da persecução fiscal e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude e de sonegação,. SOLIDARIEDADE PASSIVA, São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art 124 do CTN) PERÍCIA. DESNECESSIDADE. - 4 Processo n° 10980.007898/2005-27 S1-C2T1 Acórdão n." 1201-K217 Fl 5 Inexistindo a necessidade de realização de perícia face à clareza das provas contidas nos autos, é de se denegar o pedido, TRIBUTAÇÃO REFLEXA, PIS. COFINS CSLL, Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Contra esse r„ acórdão, Sergio Luiz Rodrigues interpôs recurso voluntário a fls. 566 e ss.; Carlos Eduardo de Munhoz Furtado interpôs recurso voluntário a fls, 688 e ss.; e Antonio Eduardo de Souza Albertini interpôs recurso voluntário a fls. 774 e ss.. É o relatório. 401111 Processo if 10980,007898/2005-27 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.217 Fl. 6 Voto Conselheiro Relator, Regia Magalhães Soares Queiroz 1. cabimento dos recursos voluntários Deixo de conhecer dos recursos voluntários de Sergio Luiz Rodrigues e Carlos Eduardo de Munhoz Furtado com fundamento no art. 42, inc. I, do decreto 70.235/72, uma vez que deixaram de recorrer contra a decisão da DRI que não conheceu de suas impugnações que, então, transitou em julgado. Conheço do recurso voluntário de Antonio Eduardo de Souza Albertini uma vez que foi interposto no prazo. Em resumo, sustenta o recorrente não ser caso de solidariedade; que o lançamento é nulo por ter sido realizado por arbitramento; nulidade por cerceamento de defesa pela negativa de realização de perícia; que a taxa de juros teria sido capitalizada e ilegalidade da multa qualificada. 2. preliminar: ausência de solidariedade do sócio retirante O 'Termo de Verificação Fiscal (TVF) relata que em 31.12.2003 foi realizada a 12 Alteração do Contrato Social da fiscalizada, pela qual se retiraram da sociedade Antonio Eduardo de Souza Albertini e Carlos Eduardo de Munhoz Furtado — sócios retirantes — e nela ingressaram Eduardo Moraes Navarro e Modesto Cantuário Assunção, sócios ingressantes. Em diligências posteriores, a fiscalização constatou que os sócios ingressantes só apresentaram uma única Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, no ano de 2003, cuja análise demonstrou que ambos não teriam capacidade financeira para adquirir suas respectivas participações societárias que, a valores contábeis, seriam de R$402,550,00 e R$15.450,00, vez que suas rendas declaradas não chegariam a meros R$10.000,00 anuais. Que os números dos documentos de identidades dos sócios ingressantes mostraram-se falsos em pesquisa realizada junto ao instituto de identificação de Manaus, localidade onde teriam sido emitidos. Ainda, que diligências realizadas pela Polícia Federal de Manaus não lograram encontrar os sócios ingressantes ou suas residências no endereço declarado como sendo residencial. Concluiu, então, a fiscalização (fls. 243): "Em MO° dos fatos narrados, há fortes indícios de que o Sr Modesto Cantuá rio de assunção Neto e Eduardo Morais Navarro, constantes do quadro societário da Eldorado, são sócios fictícios (fantasmas) [que] foram utilizados de maneira fraudulenta, o que leva a crer que se (71 ,.. . 6 i (_ Processo n° 10980.007898/2005-27 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.217 Fl 7 tratou de um artificio utilizado pela empresa, visando não recolher aos cofres públicos qualquer tributo ou contribuição e, de alguma forma, eximir-se das responsabilidades fiscais e criminais. Entretanto, a retirada fictícia dos sócios e sua substituição por interposta pessoa, ao contrário do alegado, não se consubstancia em "artifício utilizado pela empresa, visando não recolher aos cofres públicos qualquer tributo ou contribuição e, de alguma forma, eximir- se das responsabilidades fiscais". Quando muito poderia implicar em artificio dos sócios retirantes para eximirem-se de eventual responsabilidade solidária pelos débitos da sociedade. A mera substituição de sócio (fraudulenta ou não) não tem, como deveria ser intuitivo, nenhuma relação com a falta de pagamento dos tributos devidos pela sociedade. Em seguida, o TVF fundamenta a imposição da solidariedade aos sócios retirantes nos termos seguintes (fls. 243 e s): "Por tudo que foi exposto, detalhado e comprovado no presente Termo, .fica claro que, em tese, a alteração societária ocorrida a partir de .janeiro de 2004 — décima segunda alteração contratual — fls. 81-84, não se caracterizou de fato, pelas razões já expostas neste Termo. Entendemos que, em tese, os Responsáveis Solidários pelo crédito tributário .formalizados nos Autos de Infração de fls. 210 a 238 são Antonio Eduardo de Souza Albertini (,), Carlos Eduardo de Munhoz Furtado, ); sócios constantes da Décima Primeira Alteração Contratual e os procuradores Sergio Luiz Rodrigues, („) que praticamente assinava todos os cheques da empresa e Roberto Angelo de Siqueira, („); que possui também procuração com amplos poderes para gerir a empresa (fls. 90/9I). Pelos fatos narrados no item 3 deste Termo, levam também a concluir que, em tese, os senhores Modesto Cantuá rio de Assunção Neto e Eduardo Moraes Navarro tiveram seus nomes 'utilizados' indevidamente na 12" Alteração Contratual da empresa objeto dos nossos trabalhos". O termo de sujeição passiva de Antonio Eduardo de Souza Albertini, de fls, 246, indica como fundamento legal para a solidariedade exclusivamente o art. 124 do CTN, que dispõe: Art 124 São solidariamente obrigadas: 1- as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; - as pessoas expressanzente designadas por lei. Parágrafo único,. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Já o v. acórdão a quo assim tratou da solidariedade do sócio retirante, fls, 529 e ss,, verbis: "A justificativa [do impugnantej para ser excluído do pólo passivo da presente exigência é que, desde 2002, já não era sócio da empresa, mas 7 Processo n° 10980.007898/2005-27 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.217 Fl.. 8 por inércia dos adquirentes das cotas sociais, a 12" alteração do contrato social somente foi registrada em 31.122003. Contudo, não é esta a realidade que se depreende dos autos. A 12" alteração contratual da empresa não . foi registrada em 31.12.2003, como afirma o impugnante. Essa é a data da assinatura da alteração (li. 379,), ao tempo em que o registro na Junta Comercial se deu somente em 24,3.2004. Logo, percebe-se claramente que os atos de gestão da empresa, até 31.12,2003, foram praticados pelo impugnante, regularmente investido na função de sócio gerente da sociedade, conforme a cláusula quinta da 11" alteração contratual 372), registrada em 8..6.2001.. (fls. 529 e ss.) Tal conclusão é corroborada pelos documentos de fls. 55, 58 e 60, que comprovam a transferência de valores da conta da Eldorado, ordenada pelo Sr. Antonio (que assinou a autorização).. A 12" alteração contratual da empresa destinou-se à interposição de terceiros à frente da gestão da sociedade, com a evidente finalidade de resguardar os antigos sócios (Sr. Antonio e Sr, Carlos) da responsabilidade pelos débitos correspondentes ao período em que estiveram à frente dos negócios. Tal situação . foi demonstrada à exaustão pela autoridade lançadora, que precisou do auxílio da Polícia Federal e da Polícia Civil do Amazonas para comprovar que os "sócios" ingressantes na sociedade, o Sr, Modesto Canutário Assunção Neto e o Sr. Eduardo Morais Navarro (fl, ,376) são pessoas inexistentes, que se utilizaram (sie) de documentos de identidade falsos (fls. 168 a 172), A fraude prosseguiu pela apresentação de declarações de rendimento em nome dos supostos "sócios" (tis. 163 a 165 e 186 a 188), ambos apontando endereços falsos (ls. 189 e informação de fi. 2421. E, mesmo com as declarações de rendimento falsas, nenhum dos supostos "sócios" informou possuir capacidade econômica de adquirir as cotas de capital informadas pela 12" alteração contratual. Não se trata aqui de desconsideração da pessoa jurídica, como aventado pelo inzpugnante. Na verdade a pessoa jurídica não dispõe de recurso algum para fazer frente às suas obrigações tributárias e seus sócios . foram .fraudulentamente substituídos por pessoas inexistentes, com a utilização de RG falso, Assim, os sócios à época do acontecimento dos fatos tributários devem ser mantidos como responsáveis solidários pelos débitos da empresa, pelo evidente interesse comum na situacão que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I do CTN). Note-se que não há que se falar, no presente caso, de responsabilidade dos sócios capitulada no art. 135, III, do CTN, pois a fiscalização não imputou aos sócios a prática de atos com excesso de poderes ou inflação de lei." (grifamos) Fica evidenciado, então, que a fiscalização desconsiderou a retirada dos sócios, posto que identificasse que os pretensos sócios ingressantes não existiam. Logo, a fiscalização entende que, na verdade, o recorrente Antonio Eduardo de Souza Albertini jamais deixou de ser o verdadeiro sócio da fiscalizada. - 8 Processo Tf 10980.007898/2005-27 S1-C2T! Acórdão n.° 1201-00217 Fl. 9 Adicionalmente, a fiscalização argüiu que no período da ocorrência dos fatos geradores objeto da fiscalização (2002 e 2003), os sócios retirantes ainda não haviam se retirado da sociedade, posto que a assembléia na qual deu-se a retirada deles ocorreu somente em 31.12.2003 (e depois foi levada a registro em 24.03.2004). Ou seja, os fatos geradores dos tributos omitidos ocorreram durante o período em que eles ainda figuravam como sócios_ Apesar de tudo isso, está bastante claro que a fiscalização declarou a solidariedade do sócio-recorrente, no fato de ele ter interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Não o fez, como se vê, fundada na eventual prática de ato ilegal ou com excesso de poder, situações capituladas no art. 135, do CTN, que sequer foi mencionado no termo de responsabilidade solidária, Também é de notar-se inexistir qualquer referência à extinção irregular da sociedade devedora. A solidariedade tributária tratada no art. 124 do CTN é factual, ou seja, decorre da existência de um interesse jurídico, do responsabilizado, na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Mas, conforme explica Marcos Vinicius Neder: "(...) o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim interesse jurídico que surge a partir da existência de direitos e deveres comuns entre pessoas situadas no mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário". 1 (grifamos) Mais adiante, ao analisar especificamente a hipótese de se fixar responsabilidade solidária de sócio por dívidas tributárias da sociedade, o autor discorre concluindo pela impossibilidade, haja vista inexistir interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário. São as suas palavras: 2 "7.2. Responsabilização dos sócios por débitos de pessoa jurídica. Na atividade normal das empresas, não há direitos comuns entre a pessoa jurídica e seus sócios. Os negócios jurídicos da pessoa jurídica são efetivados em seu nome e, por conseguinte, não trazem os sócios como coobrigados. Por óbvio, os sócios e administradores têm interesse no lucro da empresa, mas como procuramos demonstrar ao longo deste estudo, não é esse interesse meramente ,fático que torna possível aplicar a norma de responsabilidade prevista no art. 124, inc. 1 do CTN. Conforme as premissas anteriormente firmada.s, é indispensável ao órgão aplicado,' comprovar o interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário. Solidariedade de direito e de fato — Reflexões acerca de seu conceito, in Responsabilidade Tributária, Dialética, 2007, São Paulo, p. 42. 2 Solidariedade de direito e de fato — Reflexões acerca de seu conceito, in Responsabilidade Tributária, Dialética, 2007, São Paulo, p 44. 9 Processo no i0950..00789812005-27 S1-C2T1 Acórdão n 1201-00.217 Ft 10 Não há, portanto, imputar aos sócios o dever solidário de recolher tributos da sociedade sem que haja comprovação de fraude ou outras práticas ilícitas (nota de rodapé: caso evidenciado a atuação do sócio com excesso de poder ou infração à lei, ao contrato social ou estatuto, a previsão de responsabilidade tributária está prevista nos arts. 135 e 137 do CTN), O CTN expressamente prescreve, nos arts 135 e 137, a responsabilidade pessoal dos sócios, administradores e agentes nesses casos " Nessa linha, há precedente do Co!, ST.I ,onde se fixam premissas alinhadas com aquela doutrina, estabelecendo que "o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível".3 Ou seja, a regra determina a incidência da solidariedade "quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das pessoas que participam da situação que origina o fato gerador" 4. Vale, dizer: para que seja fixada a responsabilidade na forma estatuída pelo CIN, art. 124, devem as partes cuja solidariedade se quer reconhecer estarem posicionadas do mesmo lado da relação jurídica de direito privado, como ocorre, por exemplo, com os condôminos em relação ao 1PTU do condomínio, situação que não é análoga à dos sócios em relação à sociedade. Como vimos, essa é a direção da doutrina de Marcos Vinicius Neder, para quem é inaplicável a solidariedade prevista no inc. 1, do art. 124 do CTN à situação dos sócios em relação às dívidas tributárias da sociedade. Adverte o autor, entretanto, que tal não significa dar carta branca para que o sócio possa agir como bem entender, sem risco de ser chamado para responder, perante o fisco, por seus atos. É que ele pode ser responsabilizado quando se verificarem as situações previstas nos arts. 135 e 137 do CTN, quais sejam, a prática de atos com excesso de poderes ou em infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta é, para a doutrina e a jurisprudência, a única regra de responsabilidade solidária tributária de sócios em relação aos débitos tributários da sociedade, fixada que foi por lei complementar conforme exige o art. 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal. Sobre o tema já decidiu o Col. STJ: 5 5. O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador O art. 13 da Lei n" 8,620/93, portanto, só pode ser aplicado quando presentes as 3 Ementa do REsp. n° 884845 / SC, Rei, Ministro LUIZ FUX, j. 05/02/2009, DM 18/02/2009. "Ementa do AgRg nos HM no REsp 375769 / RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, j, 04/12/2007, IN 14/1212007 p. 379.. 5 Extraído da ementa do R Esp a 717.717 — SP, Rei Min JOSÉ DELGADO, ,,j 28 09 2005, D.3 08/05/2006 411009 Processo n° 10980M07898/2005-27 51-C2T1 Acórdão n 1201-00.217 Fi 11 condições do art 135, 111, do CTIV; não podendo ser interpretado, exclusivamente, em combinação com o art 124, 11, do CTN 6. O teor do art. 1,016 do Código Civil de 2002 é extensivo às Sociedades Limitadas por força do prescrito no art, 1.053, expressando hipótese em que os administradores respondem solidariamente somente por culpa quando no desempenho de suas .funções, o que reforça o consignado no art. 135, 111, do CTN. Ocorre que a fiscalização não se desenvolveu nesse sentido e não fixou a responsabilidade com espeque nas regras dos arts. 1.35 e 137 do CTN, preferindo estabelecê-la no suposto interesse que o sócio teria no lucro da sociedade, o que, como vimos não sustenta a solidariedade. Também não se vê em momento algum referência à dissolução irregular da sociedade, de maneira que esse fundamento também não foi invocado pela fiscalização. 3. Conclusão Por essas razões, não conheço dos recursos voluntários interpostos por Sergio Luiz Rodrigues e Carlos Eduardo de Munhoz Furtado, com fundamento no art. 42, inc. 1, do Decreto 70.2.35/72 e conheço e dou provimento ao recurso voluntário de Antonio Eduardo de Souza Albertini, para anular o ter p0 de decretação de solidariedade, prejudicados os demais argumentos. É O meu VO 1111, 4,/ • Regis Magalhães S4 Que' az 11 ,<- MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISye0.4 SEGUNDA CA1VLARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 10980,007898/2005-27 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do att, 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial IV 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 06 de setembro de 2010,. ÍCüMaria Co ew,ão de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: []apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10680.017839/2003-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1991
Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em
um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento
antecipado.
Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre Programa de Demissão Voluntária (PDV) firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 04 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 1991, por superar o prazo decenal.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-002.083
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado ALOYSIO SÁ FREIRE LIMA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1991 Ementa: PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil para pedidos administrativos de restituição protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos previsto no art. 168, inciso I, do CTN só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre Programa de Demissão Voluntária (PDV) firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 04 de dezembro de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 1991, por superar o prazo decenal. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCELO OLIVEIRA, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, GUSTAVO LIAN HADDAD, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ELIAS SAMPAIO FREIRE, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, GONÇALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.017839/200380 Acórdão n.º 920202.083 CSRFT2 Fl. 70 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 053, interposto pela nobre PGFN contra acórdão, fls. 044, que decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência do direito de pedir da recorrente. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: IRPF — RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PDV — Contase a partir de 6 de janeiro de 1999, data da publicação da Instrução Normativa da Receita Federal n.° 165 o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos Planos de Desligamento Voluntário. IRPF — PDV — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ALCANCE — Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/1999, data da publiCação da Instrução Normativa n.° 165, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. DUPLO GRAU DE :JURISDIÇÃO — Afastada a decadência, procede o julgamento de mérito em primeiro instância, em obediência ao Decreto n.° 70.235, de 1972. Decadência afastada. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, AFASTAR a decadência e, por conseqüência, determinar o retorno dos autos à 5' TURMA/DRJ BELO HORIZONTE/MG, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que a pleito do recorrente ocorreu após o prazo fixado no Art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) e por esse motivo solicita o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 058, deuse seguimento ao recurso especial. O interessado, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A questão em discussão referese aos efeitos da decadência no direito do interessado em obter restituição de tributo pago. Cabe esclarecer, pois importante para o deslinde da questão, que o pedido de restituição, fls. 001, foi protocolado em 04/12/2003 e os pagamento do tributo ocorreu em 1991, fls. 001. Essa turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF) já apreciou caso análogo, com voto extremamente qualificado do competente Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Processo 10830.009341/200382), que demonstro abaixo e utilizo como razões de decidir: “Inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.017839/200380 Acórdão n.º 920202.083 CSRFT2 Fl. 71 5 elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendo se considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 prazo para a repetição do indébito se iniciaria após essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.017839/200380 Acórdão n.º 920202.083 CSRFT2 Fl. 72 7 A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Outra questão relevante diz respeito ao fato do RE nº 566.621/RS ainda não ter transitado em julgado. De fato, em consulta ao sítio da Internet do STF na data deste julgamento, verificase que algumas pessoas entraram com questão de ordem e embargos infringentes, buscando retomar o entendimento do STJ de que a nova lei somente se aplicaria aos pagamentos ocorridos após sua vigência, o que estenderia seus efeitos para ações ajuizadas após essa época. Independentemente do difícil sucesso desses recursos, há que se observar que a Fazenda Nacional não recorreu contra a decisão, o que significa que ela transitou em julgado para a União. Assim, não é mais possível se alterar o entendimento de que ao presente caso deve se aplicar a teoria dos 5+5, pois a Fazenda Nacional não pode mais defender a retroatividade da Lei complementar nº 118, de 2005, e os recorrentes apenas desejam estender os efeitos da legislação anterior. Desse modo, creio ser fundamental a adoção do entendimento definitivo judicial sobre a matéria. Qualquer tentativa de se utilizar interpretação diversa feriria de morte a intenção do art. 62A do anexo II do RICARF, que busca a uniformização dos julgamentos administrativos e judiciais. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 12 de dezembro de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 12 de dezembro de 1993. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO DE INÍCIO DA ATUALIZAÇÃO MOMENTO DA RETENÇÃO INDEVIDA Imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV não se caracteriza como antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, mas retenção e recolhimento indevidos, estando no campo da não incidência do imposto de renda. A declaração de ajuste anual não é meio hábil para restituir integralmente o imposto que incidiu na fonte sobre rendimentos isentos ou não tributáveis, pois somente corrige a restituição a partir do mês seguinte ao prazo de entrega da declaração, e não a partir do mês da efetiva retenção indevida Assim, a atualização monetária deve incidir a partir do mês do pagamento indevido e não do mês seguinte à data da entrega da Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.017839/200380 Acórdão n.º 920202.083 CSRFT2 Fl. 73 9 declaração. Ainda, a taxa Selic deve incidir somente a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10616.823, 6a Câmara/1o CC, sessão de 07/03/2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito para o contribuinte de apresentar regramatriz de repetição de indébito tributário (art. 165 do CTN), independente do ajuste formalizado pela entrega da declaração, de modo que os juros e correção monetária passam a correr já a partir da retenção indevida, sendo a SELIC aplicável a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10423.154, 4a Câmara/1o CC, sessão de 24/04/2008, Relator Gustavo Lian Haddad) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA CORREÇÃO MONETÁRIA Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho, em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito do contribuinte de ser ressarcido do indébito tributário, devendo a correção monetária de seu crédito ser apurada já a partir da retenção indevida. (Acórdão n° 10248.131, 2a Câmara/1o CC, sessão de 24/01/2007, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) PDV. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre verbas de PDV, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção: com atualização monetária pela UFIR, até 31/12/1995, e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. (Acórdão n° 920201.370, 2a Turma/CSRF, sessão de 11/04/2011, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 05 de outubro de 1992, há que se reconhecer que já estava extinto o direito. Portanto, adotando o voto acima no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 04 de dezembro de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 04 de dezembro de 1993. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto em conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial da PGFN, a fim de reconhecer a decadência do direito de se pleitear a repetição do indébito, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10240.001850/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADMINISTRADOR.
Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de
oficio regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Incabível, por carência de previsão
legal, a majoração da multa de oficio pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, simplesmente, no ato de responder as intimações fiscais, o faça de maneira insatisfatória à pretensão fiscal, pois o fundamento legal apenas descreve a omissão de respostas e não respostas genéricas ou incompletas.
Numero da decisão: 1202-000.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade não conheceram o
mérito por se tratar de matéria preclusa e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para desagravar a multa de ofício e reduzir seu percentual para 150% nos
termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de oficio regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Incabível, por carência de previsão legal, a majoração da multa de oficio pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, simplesmente, no ato de responder as intimações fiscais, o faça de maneira insatisfatória à pretensão fiscal, pois o fundamento legal apenas descreve a omissão de respostas e não respostas genéricas ou incompletas.
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LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de oficio regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Incabível, por carência de previsão legal, a majoração da multa de oficio pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, simplesmente, no ato de responder as intimações fiscais, o faça de maneira insatisfatória à pretensão fiscal, pois o fundamento legal apenas descreve a omissão de respostas e não respostas genéricas ou incompletas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade não conheceram o mérito por se tratar de matéria preclusa e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para desagravar a multa de ofício e reduzir seu percentual para 150% nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Viviane Vidal Wagner, que negava provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Fl. 908DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 2 2 Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tomo a liberdade de reproduzir o relatório da decisão de primeira instância, por bem expor a matéria fática e os argumentos de defesa inicial, a saber: “Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de: • Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro Empresas e Empresas de Pequeno PorteSIMPLES (fls. 18 75), relativo ao ano calendário 2005, com crédito total apurado no valor de R$ 6.706.429,77, incluindo o principal, a multa de oficio e os juros de mora, atualizados até 30/10/2009; • Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ; Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social Sobre o Lucro LiquidoCSLL (fls. 91134), relativos ao anocalendário 2006, com crédito total apurado no valor de R$ 4.184.992,39, incluindo o principal, a multa de oficio e os juros de mora, atualizados até 30/10/2009. Integra os Autos de Infração o Termo de Verificação de Infração Fiscal n° 0250100/2008/010335 e anexos (fls. 7689). Foi ainda responsabilizado pelo cumprimento da obrigação tributária o sujeito passivo JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO, CPF 288.230.00282, conforme Termo de Responsabilidade Tributária Solidária n° 0250100/2008/10335 (fls. 316 317). De acordo com os fatos narrados nos Autos de Infração e Termo de Verificação de Infração Fiscal, o(s) sujeito(s) passivo(s) incorreu(am) na(s) seguinte(s) infração(óes): • Anocalendário 2005: Omissão de receita de revendas de mercadorias; Insuficiência de recolhimento de tributos incidentes sobre a receita informada na Declaração Simplificada; • Anocalendário 2006: Omissão de receita de revendas de mercadorias; Fl. 909DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 3 3 Insuficiência de recolhimento de tributos incidentes sobre a receita informada na Declaração Simplificada. A infração de omissão de receitas é decorrente da divergência entre a receita informada nas Declarações Simplificadas e a receita declarada ao fisco estadual, através do Guia de Informa cão de Apuração Mensal do ICMS GIAM (fls. 7981). 0 contribuinte fora optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, durante os anoscalendário 2005 e 2006. Em decorrência da receita apurada no ano calendário 2005 ultrapassar a receita limite de permanência no SIMPLES, a pessoa jurídica foi excluída desta sistemática apuração, em 14/09/2009, com efeitos retroativos à 01/01/2006 (fl. 82). Sobre a exigência relativa à infração de omissão de receita foi aplicada a multa de oficio qualificada e agravada (225%). Sobre a exigência da infração de insuficiência de recolhimento, a multa de oficio regulamentar (75%). 0 lucro do contribuinte, no anocalendário 2006, foi arbitrado em razão da não apresentação dos livros e documentos da escrituração obrigatória. A qualificação e agravamento da multa de oficio tiveram a seguinte fundamentação fática: • A falsidade das informações prestadas nas Declarações Simplificadas, anos calendário 2005 e 2006, evidenciada pela substancial diferença entre a receita declarada e a efetivamente recebida; • 0 não atendimento das intimações durante o procedimento de fiscalização. A responsabilidade solidária da pessoa física JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO decorre do "interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa RONDÔNIA MERCANTIL, haja vista o poder de gerência e administração sobre os negócios da empresa conferidos pelo Contrato Social e Primeira alteração cadastral, suficientes para decidir sobre o cumprimento ou não da legislação tributária, no período em que foram verificadas as omissões e a falta de recolhimento dos tributos/contribuições lançados" (fls. 8485). Os sujeitos passivos (contribuinte e responsável solidário) apresentaram, conjuntamente, suas impugnações ao lançamento em 11/12/2009 (fls. 338351), legando a improcedência da atribuição da responsabilidade solidária e da aplicação da multa de oficio qualificada e agravada, com base nos argumentos a seguir: Da responsabilidade solidária 1. Não há sustentação fática e jurídica para a responsabilização do sócio JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO, na forma do art. 124, inciso I, do CTN, porque a mera inclusão deste no contrato social não é suficiente para dizer que ele praticou os atos que culminaram no presente auto de infração; 2. A fiscalização não descreveu os atos de gerência praticados pelo sócio JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO que justificassem a responsabilidade solidária; 3. A ausência desta descrição ofende os princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório; Fl. 910DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 4 4 4. Se houvesse responsabilização esta seria nos moldes no art. 135, III, do CTN, desde que fossem descritos os atos de gerência praticados pelo sóciogerente; 5. Não há nos autos elementos comprobatórios de que o sócio JOSÉ GERALDO SANTOS ALVES PINHEIRO tenha praticado atos de gestão empresarial a ponto de configurar como responsável solidário; Da multa agravada e qualificada 6. A multa de 225% tem efeito de confisco; 7. 0 agravamento da multa é improcedente porque as intimações foram atendidas no sentido de informar a autoridade fiscalizadora da impossibilidade de apresentação dos documentos solicitados face a apreensão da referida documentação pelo fisco estadual, conforme Processo Administrativo Fiscal n° 2008250060004; 8. Os documentos apreendidos constam da relação, e parte deles foi juntado a esse processo administrativo; 9. Também não houve comprovação do dolo por parte da autuada; 10. A multa aplicada também ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade.” A DRJ julgou o lançamento procedente, adotando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: CARÁTER INQUISITÓRIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA. INÍCIO DO CONTENCIOSO. A ação fiscal tendente a apurar e constituir o crédito tributário é um procedimento administrativo que pode ter caráter inquisitório. 0 crédito tributário constituído, por meio de lançamento de oficio, não é definitivo, nem mesmo na esfera administrativa, porque o sujeito passivo tem o arbítrio de exercer o contraditório e a ampla defesa através da impugnação ao lançamento, quando instaurase o contencioso administrativo fiscal. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a duplicação de multa de oficio regulamentar quanto reste comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Cabível a majoração da multa de oficio pela metade quando a pessoa jurídica, por intermédio de seu administrador, Fl. 911DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 5 5 não presta os esclarecimentos necessários para o bom andamento do procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Ê inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de oficio, que não se reveste do caráter de tributo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADMINISTRADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária ao gestor de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de oficio decorrem de infração dolosa à lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No que se refere a multa qualificada, esclarece a decisão supra que a conduta do contribuinte de prestar informações falsas nas declarações simplificadas, anoscalendário de 2005 e 2006, motivou a configuração da fraude/sonegação. Ou sem, no anocalendário de 2005, o contribuinte omitiu do fisco federal uma receita 21 vezes maior que a declarada e no ano seguinte, repetiu a conduta e omitiu a mesma proporção de receita. Quanto a multa agravada, com base na falta de atendimento das intimações, posto que, mesmo ciente da apreensão pela autoridade fiscal estadual, disse apenas que os documentos não estavam em seu poder, o que dificultou a fiscalização federal. Quanto a responsabilidade solidária, diz que o sócio –administrador não pode se eximir de sua responsabilidade contratual, nessa exclusiva condição administrativa. Assim, em nome do bom senso, não se poderia crer que terceira pessoa administrasse a sociedade à revelia do sócioadministrador, mantendo a solidariedade passiva. Tempestivamente, os contribuintes interpuseram os recursos voluntários, tanto o sujeito passivo como o responsável solidário, praticamente repisando os mesmos argumentos já expostos anteriormente, essencialmente se insurgindo contra a responsabilidade solidária e agravamento e qualificação das multas. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 912DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 6 6 Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, deles tomo conhecimento. Como relatado, tanto o recurso do sujeito passivo, como do responsável solidário se detém nos questionamentos de tal implicação, ou seja, dessa mesma solidariedade tributária nos lançamentos tributários, assim como sobre a qualificação e agravamento da penalidade. Desta feita cabe apreciar em conjunto os inconformismos. Portanto, primeiramente, cabe analisarse a questão da responsabilidade solidária de José Geraldo Santos Alves Pinheiro. A autoridade julgadora de primeira instância também fundamenta seu entendimento sobre o fato inconteste que o responsável é sócioadministrador do sujeito passivo. Tal situação jurídica do responsável está demonstrada cabalmente por documentos societários nos autos. Contudo assim seja, cabe uma consideração perante o argumento da gestão de fato dos negócios do sujeito passivo. O Recorrente reitera que faltou, no trabalho fiscal, comprovar que o responsável solidário agiu nas operações do sujeito passivo. Por seu lado, a Recorrente apenas se escora no argumento que incumbia à fiscalização provar a gestão da atividade econômica e obrigações fiscais, principais e acessórias do sujeito passivo, a fim de tentar o afastamento da configurada responsabilidade tributária solidária. Contudo assim seja, tanto a Recorrente, como o responsável tributário apenas sustentam, em tese, que a responsabilidade solidária não pode decorrer simplesmente de constar o nome do responsável como sócioadministrador do devedor principal, qual seja, a empresa RONDÔNIA. Isto é, constatase apenas um elemento de prova, de cunho contratual societário, que a ver dos defendentes, não seria suficiente para demonstrar o interesse comum nos termos do inciso I do art. 124 do CTN. Em face disso, consultando os autos, tanto as peças processuais com a impugnação, como as que instruem os recursos voluntários, somente se evidencia os contratos sociais e procurações, inexistindo qualquer outro elemento de prova que o sócioadministrador e responsável solidário, tenha outorgado poderes de representação a terceiro ou empregado para a gestão dos negócios e atividades operacionais do sujeito passivo, o que somente reforça a caracterização que o mesmo sujeito, pessoa física, e sócioadministrador, não delegou a ninguém sua atribuição de competência e responsabilidade societária, inclusive majoritária no contrato social, para cuidar integralmente dos negócios atinentes ao objeto da atividade empresarial do sujeito passivo. Nesse sentido, restou bem evidenciado que inexiste qualquer terceiro na administração dos negócios da autuada, apenas o seu sócio majoritário, Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro, notadadamente como administrador da sociedade fiscalizada. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 7 7 Mesmo diante o argumento defensivo que a fiscalização deixou de apresentar provas de gestão tributária, não há como negar que , por outro lado, tanto o sujeito passivo, como o responsável solidário, também não elidiram, por prova em contrário, a evidência contratual de que a sociedade fiscalizada tem como sócioadministrador o responsável solidário, cabendo ao mesmo a atribuição de cuidar, sob todos os aspectos, do negócio social, aí incluídas as obrigações legais, principalmente tributárias e acessórias decorrentes da atividade econômica da contribuinte autuada. Desta feita, sob esse estrito ângulo societário e contratual, válido e considerado sobre prova legítima constituída pela fiscalização, não afastada pelo sujeito passivo e/ou responsável solidário, resta claro que, no caso concreto, o sócio majoritário, cumulado com a atribuição de administração dos negócios sociais, tem interesse comum nos resultados da empresa fiscalizada, mesmo porque inexiste nos autos qualquer outra prova que induza e/ou evidencie a existência de um terceiro, seja em que condição jurídica, interposta, preposto, mandatário,etc que pudesse justificar ausência de comando e gestão dos negócios da fiscalizada. Se ao sócio majoritário, inclusive administrador, não se nota interesse comum, sem qualquer intervenção de outro sócio ou de terceiro, o dispositivo do inciso I do art. 124 é absolutamente inócuo e vazio, com o que não se pode compadescer, em face ao entendimento que prima pela razoabilidade e veracidade relacionada aos fatos infracionais apurados na gestão dos negócios sociais da empresa fiscalizada. Diante disso, é de se reconhecer, inequivocamente, a aplicabilidade da responsabilidade solidária do sócioadministrador, Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro sobre o objeto da autuação fiscal neste processo. Como inexiste argumentos defensivos relativamente ao mérito, tanto no que se refere ao recurso da contribuinte, como do responsável, neste aspecto, é de se negar provimento à pretensão de ambos. No que diz respeito a multa qualificada, insurgemse os recorrentes alegando inexistência de dolo específico para a caracterização dessa agravantes. Todavia, o mero fato comprovado pela fiscalização, de entregas reiteradas de de declarações fiscais expressando, formalmente, um movimento de receita tributável 21 (vinte e uma) vezes menor que a apurada no trabalho fiscal, pela documentação do ICMS, denota a clara intenção de omissão de receitas, passível, portanto, de enquadramento da conduta como cominada pela autoridade fiscalizadora. Sobre essa penalidade qualificada, pois, mantémse a exigência original. Contudo, no que concerne ao agravamento da multa, cabe uma ponderação sobre a motivação que a justificou. Diz a autoridade fiscal a fls. 79, no Termo de Verificação Fiscal : Em respostas as intimações, a empresa protocolizou duas petições, em 03.07.2009 e 24.07.2009, informando encontrarse em processo de inventário em virtude do falecimento do sócio Adrimar Dias dos Santos e ter alterado o endereço para "Avenida Capitão Silvio n. 3385, Setor das Grandes Áreas Especiais em Ariquemes/RO, CEP n. 76870020", por decisão judicial. Em relação aos documentos solicitados (Balanço Patrimonial, Demonstrativos de Resultados e Livros de Registros de Saídas e Entradas) justificou estar "impossibilitada no seu Fl. 914DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 8 8 atendimento, pois referidos documentos não se encontra em seu poder". Na ocasião, apresentou a Sexta Alteração Contratual e o Alvará Judicial com autorização de mudança de endereço. ... Em síntese, a empresa não apresentou os documentos solicitados, não comprovou a retenção/apreensão dos mesmos, não trouxe qualquer fato novo que justificasse o não atendimento as intimações e, ainda, seu representante legal não compareceu para prestar os esclarecimentos necessários, ficando totalmente inerte frente as intimações do Fisco Federal. Tais fatos impuseram a coleta de documentos e informações junto a outros órgãos públicos conforme abaixo: A Contrato Social e alterações fornecidas pela Junta Comercial do Estado de Rondônia; Relatório Sintético de GIAMGuia de Informação e Apuração do ICMS Mensal, Relatório de Demonstrativo de Entradas e Saídas de GIAM e Relatório de Notas Fiscais por Remetente/Destinatário relativos aos AC's 2005 e 2006, todos emitidos pela Secretaria de Estado de Finanças SEFIN/RO; Cópias dos Livros Registros de Apuração do ICMS — 2005 e 2006, apresentada pela S EFIN/RO ; Cópia do Processo Administrativo Fiscal — DFE n° 20082500600004, apresentada pela Secretaria do Estado de Finanças — RO; Ademais, a mesma autoridade fiscal conclui, em seu relatório, a fls. 81, o seguinte: Assim, não obstante o contribuinte ter deixado de apresentar os livros fiscais solicitados, a Fiscalização logrou êxito em apurar a Receita Bruta auferida com base na sua escrita fiscal oferecida, em cópia, pelo Fisco Estadual através de Convênio, restando por este meio comprovada a ocorrência de Receitas auferidas e não declaradas à Receita "Federal nos AC 's 2005 e 2006, aplicandose neste caso os termos dos art. 24 da Lei 9.249/95 e art. 18 da Lei 9.317/96 para fins de determinação da base de calculo dos tributos/contribuições devido. Assim, a fls. 84, do TVF se constata que a autoridade fiscal afirma, categoricamente, que a fiscalizada “deixou de atender as intimações da fiscalização” e também que o seu sócio administrador não prestou esclarecimentos, para agravar pela metade a já qualificada multa de ofício. Contudo sejam essas as conclusões pela autoridade fiscal, pela própria descrição do termo fiscal, transparece que, em verdade, a fiscalizada não deixou de atender as intimações, ou seja, omitiuse em respostas, mas as fez não satisfatoriamente à pretensão de elucidação fática da autoridade fiscal, o que configura situação diferente da prevista em lei, pois um acontecimento é a omissão, ou deixar em branco, sem quaisquer respostas o atendimento, e outro evento é responder sem, contudo, satisfazer o interesse fiscalizatório. A lei citada – 9.430/96 , art. 44, § 2º, inciso I – descreve somente a hipótese de omissão de atendimento e não o atendimento insatisfatório. No presente caso, denotase que a contribuinte e seu sócio responderam as intimações, mas não em conformidade ao pretendido pela autoridade fiscal. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202000.716 S1C2T2 Fl. 9 9 Por isso, carece de correta configuração e subsunção legal citada, as condutas imputadas a contribuinte e seu sócio administrador, posto que, como acima asseverado, em nada prejudicaram o resultado obtido pela fiscalização, como a mesma afirma em suas conclusões no TVF, acima transcrito. Mesmo porque, a insatisfação do atendimento pelas intimações, seja da contribuinte, seja do seu sócio administrador, foram devidamente supridas com as requisições de documentos pertinentes fiscais perante autoridade estadual, em processo administrativo, que constituem as provas principais da acusação fiscal de omissão de receitas, as quais, cabe lembrar, não foram questionadas pelas defesas apresentadas, em sede de primeira instância, assim como perante esta instância, tanto pela contribuinte, como pelo responsável solidário, o sócio administrador. Pela razão exposta, não há como reconhecer subsistente o agravamento da multa. Diante tudo, é de se dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de se desagravar a multa de ofício qualificada, reduzindo seu percentual de 225% para o percentual de 150%, mantendose a autuação principal, quanto ao mérito, por tratarse de matéria preclusa, e a imputação de responsabilidade solidária ao Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro, para todos os efeitos fiscais. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 916DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /04/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 10580.720758/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2008
DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI.
É inadmissível, por ausência de previsão legal, a apropriação créditos de IPI sobre as compras de insumos isentos, conforme posição consolidada do STF.
INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. ÓLEO HIDRÁULICO
Óleo hidráulico, ainda que consumido pelo estabelecimento industrial, não é considerado matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem para fins de crédito de
IPI.
MULTA DE OFÍCIO.
Tratando-se de lançamento de ofício decorrente de infração a
dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa
punitiva correspondente.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.988
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do
voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2008 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por ausência de previsão legal, a apropriação créditos de IPI sobre as compras de insumos isentos, conforme posição consolidada do STF. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. ÓLEO HIDRÁULICO Óleo hidráulico, ainda que consumido pelo estabelecimento industrial, não é considerado matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem para fins de crédito de IPI. MULTA DE OFÍCIO. Tratando-se de lançamento de ofício decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2008 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por ausência de previsão legal, a apropriação créditos de IPI sobre as compras de insumos isentos, conforme posição consolidada do STF. INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. ÓLEO HIDRÁULICO Óleo hidráulico, ainda que consumido pelo estabelecimento industrial, não é considerado matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para fins de crédito de IPI. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 EDITADO EM: 12/06/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Auto de Infração (fls. 02/27) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI pertinente ao período compreendido entre abril de 2005 e dezembro de 2008. No Termo de Verificação (fls. 28/32), o auditor fiscal informa que a autuada, em 03/04/2002, impetrou o Mandado de Segurança nº 2002.33.00.0071995 pleiteando o direito aos créditos do IPI decorrentes das aquisições de insumos imunes, isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, calculados a partir da aplicação da alíquota incidente sobre as saídas dos produtos por ela fabricados. Conforme Certidão Narratória (fl. 122), em 03/07/2002 foi proferida sentença julgando parcialmente procedente o pedido da impetrante. Porém, segundo o autuante, em nenhum momento foi garantido judicialmente à contribuinte o direito de compensar como “outros créditos” em sua escrita fiscal (Livro de Registro de Apuração do IPI – RAIPI às folhas 47/100) os valores do IPI pleiteados no referido MS. A sentença (fls. 127/131) garantiu tãosomente o direito ao registro contábil dos créditos do IPI pleiteados em juízo, ou seja, o reconhecimento à margem da escrituração fiscal de um ganho contingente, correspondente ao aproveitamento futuro de créditos subjudice, encontrandose o processo judicial na 8ª Turma do Tribunal Regional Federal – TRF da 1ª Região para julgamento dos recursos de apelação interpostos pelas partes. Desta forma, considerando que o aproveitamento fiscal do crédito do IPI antes do trânsito em julgado da sentença é expressamente vedado pelo art. 170A do Código Tributário Nacional – CTN, os valores compensados como “outros créditos” no RAIPI foram glosados pelo autuante, conforme item 002 do Auto de Infração. Quanto ao item 001, o autuante informa que a contribuinte creditouse indevidamente do IPI pela entrada no estabelecimento de óleo hidráulico, em desacordo com o disposto no Parecer CST nº 65/79, visto que o óleo não entra em contato direto com o produto em fabricação, nem a ele se incorpora. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10580.720758/200984 Acórdão n.º 3201000.988 S3C2T1 Fl. 2 3 Cientificada do lançamento em 20/03/2009 (fl. 04), a contribuinte apresenta em 31/03/2009 a impugnação de folhas 187/201, alegando em sua defesa, em síntese: 1. Preliminarmente, optou pela adesão ao parcelamento previsto na Medida Provisória nº 449/2008, que possibilitou o pagamento ou parcelamento dos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos até 31/05/2008 "decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI oriundos da aquisição de matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, com incidência de alíquota zero ou como não tributados"; 2. A glosa dos créditos pela entrada do óleo hidráulico não merece prosperar, pois o princípio constitucional da nãocumulatividade se realiza mediante o direito a crédito de todos os produtos que forem consumidos no processo de industrialização, não tendo sido efetuada ressalva quanto a sua efetiva integração ao produto final, ou mesmo quanto à necessidade de contato físico entre ambos, sendo que a única restrição de creditamento referese às aquisições destinadas ao ativo permanente; 3. O Parecer Normativo CST nº 65/79 invocado pela fiscalização, malgrado seja de aplicação obrigatória por parte da administração, não pode vincular os órgãos administrativos de julgamento, notadamente o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda; 4. No que tange à glosa dos créditos do IPI reconhecidos por decisão judicial, a contribuinte, após discorrer sobre a suposta legitimidade do creditamento em questão, alega que, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal reconheceu definitivamente o direito ao crédito na hipótese de isenção, o mesmo tratamento deve ser conferido aos produtos imunes, que possuem regime jurídico que se aproxima mais desta espécie jurídica do que a simples não tributação; 5. A impugnante alega que a decisão judicial não trata de recuperação de crédito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido de tributo, o que dispensa a formalização de pedidos de compensação ou ressarcimento junto à RFB; 6. No Mandado de Segurança nº 2002.33.00.0071995, discutese o direito ao creditamento contábil dos valores do IPI, vinculado integralmente ao princípio constitucional da nãocumulatividade, não estando sujeito às restrições que a Fazenda impõe ao procedimento adotado pela impugnante; 7. Os créditos escriturais, que possuem característica estritamente financeira, concorrem tãosomente para a formação do crédito tributário de IPI, não se confundindo com o imposto devido; Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 8. O procedimento adotado pela impugnante foi erroneamente equiparado à compensação tributária estabelecida no artigo 156 do CTN, pois guarda exclusiva consonância com aquela trazida no bojo do inciso II do § 3º do art. 153 da Constituição Federal, razão pela qual ao presente caso não se aplicam as regras dispostas no art. 170 do CTN, que cuidam de impor limitações à compensação engendrada para fins de extinção do crédito tributário advindo de pagamentos a maior ou indevido do tributo, ou seja, exclusivamente direcionado a ações de repetição de indébito, reputandose, assim, a tutela jurisdicional proveniente da segurança concedida no Mandado de Segurança irretocável e de aplicação imediata; 9. Ainda que a impugnante tenha, por equívoco, deixado de registrar os créditos garantidos na aludida sentença judicial no RAIPI, não há como ser desconsiderada a operação contábil realizada e, como demonstrado na impugnação, concluída a equação entre créditos e débitos, não resta saldo devedor remanescente; 10. Destarte, ainda que persista, ad argumentandum tantum, a autuação em relação ao valor principal do tributo que deixou de ser pago, e os respectivos juros, em razão da apropriação dos aludidos créditos do IPI, ilegítima é a aplicação da multa de ofício, haja vista que este aproveitamento de créditos está, indubitavelmente, abarcado pela decisão proferida no mandamus, cujos efeitos são imediatos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SDR n.º 20.741, de 16/09/2009: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2008 INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. Óleo hidráulico, ainda que consumido pelo estabelecimento industrial, não reveste a condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, cujos conceitos, admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangem os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado. CRÉDITOS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS IMUNES, ISENTAS, NÃOTRIBUTADAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornandose ela definitiva. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. Impugnação Improcedente. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10580.720758/200984 Acórdão n.º 3201000.988 S3C2T1 Fl. 3 5 Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nos autos o direito ao crédito de IPI das entradas de insumos isentos, da compra de óleo hidráulico e da multa aplicada. Dos insumos isentos O STF já se pronunciou sobre o tema, declarando não haver violação ao princípio da não cumulatividade a impossibilidade de creditamento de IPI na compra de insumos isentos, como vemos: DJe n° 115/2007 terçafeira, 02 de outubro Supremo Tribunal Federal RECURSO EXTRAORDINÁRIO 551.2444 (798) PROCED.: SANTA CATARINA RELATOR: MN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : UNIÃO ADV.(A/S): PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : DANICA TERMOINDUSTRIAL LTDA ADV. (A/S): CELSO MEIRA JÚNIOR E OUTRO(A/S) ADV (A/S): JOÃO JOAQUIM MARTINELLI DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário interposto em face de acórdão que reconheceu direito ao crédito de IPI nos casos de insumos adquiridos sob o regime de isenção, ou nãotributação ou sujeitos à alíquota zero. O acórdão recorrido divergiu do entendimento firmado por esta Corte. No julgamento dos RREE 370.682, Rei. limar Galvão, e 353.657, Rei. Marco Aurélio, sessão de 15.2.2007, decidiuse que a admissão do creditamento de IPI, nas hipóteses de produtos favorecidos pela alíquota zero, pela nãotribuiação e pela isenção, implica ofensa ao art. 153, §3°, II, da Carta Magna. O Plenário desta Corte decidiu, ainda, não ser aplicável ao caso a limitação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade (REQO 353.657, Rei. Marco Aurélio, sessão de 25.6.2007). Assim, conheço do recurso e doulhe provimento (art. 557, caput, do CPC). Fixo os ônus da sucumbência em 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa devidamente atualizado. Publiquese. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 Brasília, 10 de agosto de 2007. Ministro GILMAR MENDES Relator Esta Corte também possui entendimento sumulado sobre o assunto: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Assim, não há como ser acolhida a pretensão da contribuinte neste tópico. Do óleo hidráulico O RIPI permite o crédito na compra de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. Questão reside em saber se o óleo hidráulico pode ser enquadrado como tal. O óleo hidráulico, por não ser consumido em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, não dá direito ao crédito de IPI, real ou ficto, por não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e, por óbvio, material de embalagem. Este entendimento está exposto em diversos pareceres administrativos, como vemos: Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 (...) 11 Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto sensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. 11.1 Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito de que trata o inciso I do artigo 66 do RIPI/79. Parecer Normativo nº 181, de 1974 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10580.720758/200984 Acórdão n.º 3201000.988 S3C2T1 Fl. 4 7 lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc. O entendimento do CARF é no mesmo sentido: Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20218204 do Processo 10940000897200102 Data 19/07/2007 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. CRÉDITOS FICTOS. DECISÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. O direito do contribuinte limitase aos termos fixados na parte dispositiva da sentença, que compõe a coisa julgada. GLP, ENERGIA ELÉTRICA, QUEROSENE E ÓLEO DIESEL. O GLP, energia elétrica, querosene e outros produtos, que não sejam consumidos em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, não dão direito ao crédito de IPI, real ou ficto, por não se enquadrarem no conceito de matériaprima e produto intermediário, nos termos definidos no Parecer Normativo CST n.º 65/79. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CRÉDITOS FICTOS. Não há previsão legal para a correção monetária dos créditos escriturais de IPI e nem a sentença judicial reconheceu este direito. Recurso negado. Assim, não pode ser dado guarida ao crédito pretendido. Da multa Em todo o período lançado, sempre houve a previsão legal no art. 80 da Lei n.º 4.502/64 da imposição de multa de 75% nos casos de pagamento parcial de tributos, como é o caso. Assim, correta a multa lançada. Ante o exposto, voto por para negar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, 23 de maio de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 8 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10830.003177/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEDUÇÃO.
Apresentada a documentação que comprove a despesa médica incorrida,
deve-se restabelecer a despesa glosada pela fiscalização.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.965
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no montante de R$ 6.721,20.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. DEDUÇÃO. Apresentada a documentação que comprove a despesa médica incorrida, devese restabelecer a despesa glosada pela fiscalização. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no montante de R$ 6.721,20. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 46DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Abaixo se transcreve o relatório da decisão recorrida, que espelha o objeto da autuação e as razões da impugnação (fl. 30): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a notificação de lançamento de infração de fls. 03, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2003, ano calendário de 2.002, por meio do qual foi glosada parte da dedução a título de despesas médicas, reduzindo o valor da restituição de R$ 1.656,28 para R$ 648,10. 2. Conforme consta na notificação, as deduções foram reduzidas de R$ 27.905,91 para R$ 21.184,71, em face da glosa de R$ 6.721,20, referente pagamento a UNIMED CAMPINAS, por não ter sido apresentado comprovante quando solicitado. 3. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03 a 05, alegando, em síntese, que o Auditor Fiscal não solicitou referido comprovante e, se, não solicitou era porque já tinha concordado e/ou aceitado; se aceitou o informado na Declaração de IRPF/2002/2003, por que "glozou"(sic)? Por entender que a "apuração" a que chegou o Senhor Auditor Fiscal não tem apoio legal justificável, requer a restauração do valor a restituir para R$ 1.656,28. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 9ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1732.291, de 02 de junho de 2009 (fls. 29 e seguintes). A decisão acima manteve a glosa da despesa médica por ausência de comprovação. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 14/07/2009 (fl. 33). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 05/08/2009 (fl. 34). No voluntário, o recorrente alega o que segue, verbis: (...) 1.3. O Contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação de fls.,alegando, em suma, que o Auditor Fiscal solicitou a apresentação do comprovante relativo às despesas médicas e não às despesas com plano de saúde. Assim, considerou sem apoio legal justificável a glosação do valor relativo às despesas com plano de saúde, na medida em que se considerou aceito quando que não se requereu sua comprovação. 1.4. Contudo, foi proferido acórdão no sentido de considerar o lançamento procedente, uma vez que "cabe ao contribuinte comprovar, nos termos da legislação de regência, as deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual". 2. Das Explicações. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.003177/200723 Acórdão n.º 210201.965 S2C1T2 Fl. 2 3 2.1. Em primeiro lugar, é de suma importância ressaltar que a Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho Médico é, como próprio nome diz, uma cooperativa. 2.2. A Unimed Campinas envia anualmente a todos os médicos cooperados documento, com o fito de que estes declarem os rendimentos auferidos sem vínculo empregatício no ano e descontem os gastos com plano de saúde. 2.3. Como o Contribuinte é cooperado há 25 (vinte e cinco anos), anexou tal documento em sua Declaração. 2.4. Espantase observar que o Auditor Fiscal aceitou parte desse documento, aquela que tange aos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, recusando, contudo, a parte relativa às deduções com plano de saúde. 2.5. Informa o Contribuinte que não é verdade a afirmação de que não consta na sua Declaração comprovação dos gastos com plano de saúde, na medida em que consta no documento supra os gasto relativos ao PAH (Piano Auxílio Hospitalar), no valor de R$4.560,00 (quatro mil e quinhentos e sessenta reais), ao PL Máster (Complemento Especial do Plano de Saúde Hospitalar), no valor de R$721,20 (setecentos e vinte e um reais e vinte centavos) e ao PE (Plano Enfermeira), no montante de R$ 1.440,00 (mil quatrocentos e quarenta reais), os quais foram diretamente descontados da produção do Contribuinte. Em virtude disso, foi lançado na Declaração do Contribuinte a dedução total de R$ 6.721,20 (seis mil e setecentos e vinte um e vinte centavos) como sendo despesas com plano de saúde. 2.6. O que pode ter ocorrido é um erro à época da Declaração por parte do Contribuinte por não ter deixado claro ao Auditor Fiscal o significado das siglas PAH, PL MASTER e PE que constavam no documento da Unimed anexado à época pelo Contribuinte. 2.7. Dessa forma, em momento algum a intenção do Contribuinte foi sonegar, motivo pelo qual anexa junto a presente Manifestação novo documento da Unimed Campinas, comprovando que este efetuou, no ano de 2002, pagamento mensal, referente ao PAH, PL Máster e PE, totalizando o valor de R$ 6.721,20 (seis mil e setecentos e vinte um e vinte centavos). (...) O recorrente juntou expediente da UnimedCampinas declarando o valor despendido por ele com a cobertura médica, no importe de R$ 6.721,20 (fl. 37). É o relatório. Voto Fl. 48DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 14/07/2009 (fl. 33), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 05/08/2009 (fl. 34), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 13/08/2009, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Aparentemente, o contribuinte não compreendeu que tinha sido intimado pela autoridade fiscalizadora a comprovar todas as despesas médicas, inclusive com plano de saúde, situação somente apreendida a partir da decisão de primeira instância. Nessa linha, deve ser acatada a inovação probatória vinda com o recurso voluntário, pois necessária a esclarecimento de ponto debatido na decisão recorrida e, com a documentação emitida pela UnimedCampinas e acostada aos autos (fl. 37), restou demonstrada a idoneidade da despesa médica glosada de R$ 6.721,20, outrora declarada na declaração de ajuste anual do exercício fiscalizado (fl. 15), que deve ser restabelecida. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica no montante de R$ 6.721,20. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 49DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 37324.006605/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
Ementa: MÃODEOBRA
EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA – REGULARIZAÇÃO O contribuinte é obrigado a recolher a contribuição previdenciária devida incidente sobre a mãodeobra
empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade.
DECADÊNCIA PARCIAL – INOCORRÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Os documentos previstos na legislação previdenciária vigente à época do lançamento, apresentados pela recorrente, não comprovam a conclusão da obra em período abrangido pela decadência.
Numero da decisão: 2301-002.622
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 Ementa: MÃODEOBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA – REGULARIZAÇÃO O contribuinte é obrigado a recolher a contribuição previdenciária devida incidente sobre a mãodeobra empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade. DECADÊNCIA PARCIAL – INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Os documentos previstos na legislação previdenciária vigente à época do lançamento, apresentados pela recorrente, não comprovam a conclusão da obra em período abrangido pela decadência.
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DECADÊNCIA PARCIAL– INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Os documentos previstos na legislação previdenciária vigente à época do lançamento, apresentados pela recorrente, não comprovam a conclusão da obra em período abrangido pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37324.006605/200584 Acórdão n.º 2301002.622 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de processo que retorna de diligência determinada pela 1a Turma, da 3a Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do CARF. O crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada refere se às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados empregados. Conforme Relatório Fiscal (fls. 38 e seguintes), que são fatos geradores das contribuições lançadas, a remuneração de mão de obra utilizada em obras de construção civil, apurada com base na área construída, padrão da obra, e tomando como base as tabelas CUB. A autoridade lançadora informa que a entidade, apesar de intimada por intermédio de TIAD, deixou de apresentar os documentos suficientes para a comprovação da realização das obras em período decadencial, conforme exigência do art. 496 da IN 100/2003, e que o débito, foi obtido mediante aferição pelo Custo Unitário Básico da Construção Civil (CUB), composto pela mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, conforme § 4°, art. 33, da Lei n° 8.212/91. A auditoria constatou que a contabilidade da entidade não registra mensalmente, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais, de forma a identificar as rubricas integrantes e as nãointegrantes da remuneração, bem como as contribuições arrecadadas dos segurados, as da empresa as quantias retidas de empreiteira ou de subempreiteira e os totais recolhidos, referentes às obras objeto desta NFLD, conforme disposto no inciso II e no § 13 do art 225 do RPS. A empresa notificada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 21.424.4/0744/2005 (fls. 671, volume III), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 686), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega que houve cerceamento de defesa, pois não foram aceitas e apreciadas as provas ofertadas, e contradição no r. decisório, consubstanciado em reconhecer haver sido provado fato essencial, cujo efeito acarretaria a extinção do processo e conseqüente cancelamento do lançamento fiscal, porém não validar as provas pela simplista conclusão de não se tratar das elencadas em dispositivo de Instrução Normativa do INSS. Reitera a impossibilidade de cumulação de lançamentos, de acordo com artigo 9o, do Decreto n° 70.235/72, entendendo que a clareza do citado artigo não permite a interpretação extensiva, como o fez o Julgador, que entendeu que lançamentos distintos somente seriam para fatos geradores diversos. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Argumenta que o texto apresenta determinação expressa para que os autos de infração ou notificação de lançamentos sejam distintos, o que não ocorreu na Notificação, merecendo ser anulada. Reafirma que os lançamentos de débitos não podem subsistir, dado que o término das construções dos prédios ocorreu muito além do decênio legal, de forma a não autorizar a Notificação, nos termos do art. 45 da Lei 8212/91, o que pode ser comprovado pelos documentos exibidos à Fiscalização. Sustenta que, pela natureza da Instituição notificada, é indevida qualquer cobrança de possíveis contribuições previdenciárias, por força da garantia da imunidade expressamente consignada na Constituição Federal, ressaltando o direito que possui à imunidade. Insurgese contra o indeferimento do pedido de produção de prova pericial, alegando cerceamento de defesa e ratifica que a quota de contribuição social relativa ao segurado empregado que atuou na construção do prédio foi integralmente recolhida, e desde àquela oportunidade encontrase à disposição da Fiscalização. Por meio da Resolução nº 2301000.099, esta 1a Turma, da 3a Câmara, da 2a Seção do CARF, considerando a súmula vinculante nº 08, decidiu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização solicitasse os documentos previstos nos normativos que tratam da matéria a fim de averiguar se as obras foram concluídas no período decadencial nos termos do art. 150, § 4o, do CTN Em cumprimento à determinação deste Carf, a autoridade fiscal diligenciou a empresa, solicitando os documentos por meio de TIAD, e informou que foram apresentados apenas a documentação juntadas às fls. 720 a 1035. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37324.006605/200584 Acórdão n.º 2301002.622 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Tratase de processo que retorna de diligência determinada por esta 1a Turma, da 3a Câmara, da 2a Seção do CARF, conforme Resolução nº 2301000.099. Em cumprimento ao solicitado por esta Turma de julgamento, a fiscalização emitiu o competente TIAD, solicitando os documentos previstos na legislação para comprovar a conclusão das obras em período decadencial de que trata o art. 150, § 4o, do CTN. Contudo, verifica que, apesar da solicitação feita pelo agente fiscal, a empresa apresentou apenas a documentação de fls. 720 a 1.035, quais sejam, Procuração, Atas de nomeação da diretoria, Estatuto social, TIPF e Acórdãos da 2a CaJ do CRPS em relação aos Al's por descumprimento de obrigação acessória. Portanto, o notificado não comprovou o término da obra em período decadencial, já que não apresentou qualquer documento previsto na legislação previdenciária como necessário a esse fim, ou seja, aqueles listados no art. 496 da IN 100/2003, vigente à época do lançamento. Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso interposto pela empresa. É como voto Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 321DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 22 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000870/2005-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercícios: 2003, 2004
MULTA DE MORA E JUROS DE MORA RELATIVOS A IRRE NÃO RETIDO E NÃO RECOLHIDO POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL Cabe a cobrança, contra a pessoa jurídica beneficiária do rendimento, da multa de mora e juros de mora relativos ao imposto de renda incidente na fonte, como antecipação em relação ao período de apuração da pessoa
,jurídica, não retido e não recolhido pelos responsáveis tributários por força de liminar em mandado de segurança ou em ação cautelar, de tutela antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, posteriormente revogadas
Numero da decisão: 1103-000.155
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero.
Nome do relator: DECIO LIMA JARDIM
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercícios: 2003, 2004 MULTA DE MORA E JUROS DE MORA RELATIVOS A IRRE NÃO RETIDO E NÃO RECOLHIDO POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL Cabe a cobrança, contra a pessoa jurídica beneficiária do rendimento, da multa de mora e juros de mora relativos ao imposto de renda incidente na fonte, como antecipação em relação ao período de apuração da pessoa ,jurídica, não retido e não recolhido pelos responsáveis tributários por força de liminar em mandado de segurança ou em ação cautelar, de tutela antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, posteriormente revogadas
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Vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Fi ic Moraes de Castro e Silva e Hugo Corteia Sotero AL,aSIO S A SILVA - Presidente ÏTErTIO LIMA JARDIM YRelatoi . Editado 10 11 0 V 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio Jose Percinio da Silva (Presidente da Turma), Decio Lima Jardim, Marcos Shigueo Takata (Vice-Presidente), Eric Moraes de Castro e Silva e Gervasio Nicolau Recktenvakl. Ausente, justiticadamente, o Conselheiro Hugo Correia Sotero Relatório Trata-se de Auto de Infração, com ciência em 14 06,2005, relativo aos anos- calendário de 2002 e 2003, pata cobrança de multa de mora e juros de mora exigidos isoladamente da empresa beneticiiiria dos rendimentos, em virtude da não retenção do IR.RE pela instituição financeira pagador a em data própria, em face de decisão judicial., A recorrente impetrou dois mandados de segurança, ambos visando afastar a incidência do IRRE solme operações de swap, com finalidade de cobertura (hedge) pactuados com instituições financeiras Obteve resultado positivo nesses contratos mas, em firm* de liminares concedidas, os bancos envolvidos não fizeram a retenção do imposto na fonte quando da liquidação das operações, Posteriormente, as liminares foram cassadas e as seguranças denegadas. Ern face disso, a recorrente foi intimada a comprovar o recolhimento do tributo.. Ern atendimento a intimação, foi apresentada copia da - correspondencia emitida pelos bancos, comprovando a não retenção, por força de medida judicial Segundo o Termo de Verificação Fiscal, os rendimentos de swap foram oferecidos à tributação tempestivamente, nos encerramentos dos períodos-bases de 2002 e 2003, tendo sido feito lançamento de oficio, para exigência da multa de moia e clos ¡tiros moratórios, relativos ao lapso dc tempo entre as datas da liquidação das operações e as datas de encerramento dos exercícios. A exigência baseou-se no Parecer Normativo n° 1, de 24,09.2002,. segundo o qual, existindo provimento ,judicial que impeça a fonte pagadora de reter o imposto na fonte, de forma exclusiva ou corno antecipação, será efetuado lançamento de oficio contra o beneficiário do rendimento, pai a exigência da multa de mora e dos juros de mora, quando a obrigação de tributar o rendimento já estiver caracterizada. Inconfermada, a interessada apresentou impugnação, alegando que: a) A impugnante deixou de artier retenção porque obteve judicialmente decisão que afastava essa retenção no momento de liquidação da operação; b) As decisões só deixaram de viger após o ajuste anual em que houve o pagamento do imposto de renda do período base; c) Não pode ser apenada a empresa porque o tributo deixou de ser retido e recolhido por força de medida judicial; cl) Não é cabível no caso, como consta nos autos, aplicação do disposto no inciso 11 do § 1° do art 55 da Medida Provisória n°2 158-35/2001, donde se extrai que só é cabível a exigência de multa e juros de mora quando o tributo 2 Pi ocesso o" 1 8471 00087012005-11 Si -Cl T3 Aciod5o o " 1103-00_155 Fl 2 volta a ser exigível após a cassação da medida judicial e o contribuinte deixou de recolhê-lo; e) Quando o tributo, em tese, voltou a ser exigível, com a revogação das liminares, a receita dos swaps já havia sido oferecida A tributação no período-base respectivo; 1) Não tern cabimento a autuação, porque o tributo não voltou a set exigível corn a revogação das liminares, pois a receita dos contratos ,já for a oferecida tributação, nem a empresa praticou ato ilícito, já que a não-retenção ocorreu ao abrigo de decisão judicial; g) A multa de mora e os juros de mora tem natureza sancionadora e se vinculam a ilicitude, o que não é o caso dos autos; h) A retenção do IR não tem natureza de tributação definitiva; o imposto so se torna devido ao final do período-base; após o encerramento do período, estando o imposto reconhecidamente recolhido, não se pode mais exigir o imposto não antecipado e muito menos cobrar multa e juros ern razão da não antecipação; i) Como a autuação se deu em exercicio posterior ao da prática do fato gerador, a obrigação de antecipação deixou de existir; i ) As receitas foram lançadas no cálculo das estimativas no mesmo mês em que houve a liquidação dos contratos, não havendo que se falar em atraso no pagamento do imposto. Entretanto, a fiscalização, equivocadamente, entendeu que as receitas só foram submetidas A tributação ao final do ano- calendário. A DRJ, examinando as razões apresentadas na impugnação, considerou procedente o lançamento, pi olatando acórdão corn a seguinte ementa: Assunto Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte 1RRF Exercícios de 2003 e 2004 MULTA DE MORA ISOLADA Cabe a cobrança de multa de moia que ficou inter; ompida, devido interposição de ação judicial favorecida coin medida liminar, após ultrapassado o trigésimo dia da publicação de medida judicial que consider ou devido o II/RE .JUROS DE MORA PROCEDINCIA Os MI 05 moratórias não constituem penalidade e são scruple devidos quanto o tributo não tiver sido integralmente pago no vencimento, ainda que sua exigibilidade esteja suspensa por judicial. Lançamento Procedente 3 O ae6rdrio recoil ido aduziu que, não tendo a interessada realizado o depósito judicial previsto no art. 151, 11, do CI N, que tem por finalidade suspender a exigibilidade do crédito tributário, ela incorreu em mora desde a data do fato gerador dos rendimentos financeiros em questão Acrescentou que a Fazenda Pública ficou impedida de dispor dos recursos tinanceiros do imposto retido na fonte, o que .justifica a imposição da cobrança da multa de mora cimos de mora, citando o Parecer Normativo Cosit n° I, de 24L122002, como base de sua ilação, o qual tern a seguinte dicção: 14. Pot °taro lado, se somente após a data previsto pora a era; ego da declaragdo (le artiste anual, no caso de pessoa física, ou, cipós a data previsto polo o encerramento do periodo de opal ação em que o rendimento far tributado, seja Nimes!, al, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa juridica, fbr constatado que não houve retenção do imposto, o deStinatório da exigência passa a se, o connibuinte Com efiato, se a lei exige que o conbibuinte submeto os rendimento.s li ii ibutação, ignite 0 imposto efetivo, consider .ando todos os tendimentos, a par tir das datas rqferidas não se pode mais exigi! da One pagadora o imposto ) 19 .3 Em qualquer hipótese, os juros de mom sei fio devidos .sem qualquer interrupção desde o més seguinte ao vencimento estabelecido na legislação do imposto 20 Em relação as ações ajuizadas o porn, de I" de maio de 2001, independentemente de se natal.. de imposto de rendo incideme exchrsivamente na finte ou sujeito r'r antecipação, termo inicial dos ,jutos de mot a é contado a pai ti, da data do vencimento iginatio da obrigação, par .fill ça do que estabeleceu o ai t 55, .§. 1", I, da Medida .Provisória n" 2 158- 35, de 24 de agosto c/c 2001 21 Existindo provimento judicial que impeça a Ionic pagadora de Teter o imposto de renda incidente na finite, de firma mItisiva ou pai antecipação, sere', *tirade lançamento de oficio cor nome cio contribuinte beneficial lo do lendimento, quando a oln igação de Whom endimento já estiver caracterizado O ac6idão recorrido aduziu também que o art. 161 do CrTN estabelece a regra geral de incidência dos juros de mora e segundo ele, os juros são devidos em qualquer caso, ainda que haja suspensão da exigibilidade, transcrevendo trecho do Acórdão I' CC 103-19963, de 14 04.1999, no seguinte tem . : "JUROS DE MORA - TRIBUTOS' COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA 0.s juros de mora independem de firrinolização an ctvés de lançamento e se; ão devidos sempie que o pi incipal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese de depósito do montante integral (Publicado no D 0 U de 28/05/1999 - n" 101 -E)." Isso posto, o acórdão recorrido negou provimento ao recurso. 4 Plocesso n" 18471 000570/2005-11 S1-C1 1 3 Acótao n " 1103-00.155 Fl 3 Cientificado do acórdão da DR.1 em 25 de outubro de 2008, conforme AR juntado em fls., 361, o contribuinte apresentou, em 26 de dezembro de 2008, o Recurso Voluntário, de fls. 362/371, acompanhado dos documentos de fis. 372/399.. Em seu recurso voluntário, a interessada reiterou que o tributo deixou de ser retido quando estava corn sua exigibilidade suspensa e, quando voltou a sei exigível , já estava qui tado Aduziu que o fato gerador do IR é complexiy°, agregando todas as receitas e despesas, para se apurar, ao final, um resultado, que pode ser, inclusive, negativo Assim, a antecipação não tem o caráter definitivo, devendo prevalecer o resultado final apurado.. Se os cieditos foram lançados no mesmo mês de sua liquidação, não houve atraso que justificasse a imposição da exigência. Repetindo os argumentos apresentados na fase impugnatória, pediu a reforma do acórdão hostilizado . o relatório. Voto Conselheiro Decio Lima Jardim, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento_ A exigência encontra-se fundamentada no fato de que a interessada realizou operações de swap para fazer cobertura de hedge e impetrou mandado de segurança, com pedido de liminar, para que, na eventual ocorrência de ganhos financeiros por ocasião da liquidação dos contratos, não viesse a sofrer a tributação do imposto de renda na fonte IRRF, com aliquota de 20%, a titulo de antecipação cio devido na declaração, nos termos do art. 5° da Lei 9_779/1999. Liquidados os contratos, apurou-se ganho, ficando as fontes pagador as impedidas de realizar a retenção ,. por força de estar em vigor medida liminar, depois cassada, assim como também foi negada a segurança. Ao caso em exame é aplicável o art. 55 da Medida Provisória n" 2 158-35, de 24 de agosto de 2001 que dispõe: Medida Provisória n" 2 158-35, de 24 de agosto de 2001 Art. 55. 0 imposto de ienda incidente na !brae como antecipação do devido na Declaração de Ajuste Antral da pessoa lid/ca ou em relação ao per iodo de apuração da pessoa jurídica, não retido e não recolhido pelos responsáveis ti ibutái iOS pom fbiça de liminar - em mandado de segurança ou em ação cautelar, de Intel(' antecipada em ação de outra natureza, ou de decisão de mérito, portei lo, inente ievogadas, snjeital-se-ti ao disposto neste cii ligo 5 I" Na hipótese deste artigo, a pessoa física ou fui idica beneficiebto do i endimento ficaro sujeita ao pagamento - de juros de inala, Mew) idas desde a data do vencimento da igação, 11 - de de mow ou de oficio, a pal iii do trigésimo dia .s-ubseqiiente ao da revogação da medida judicial 2" Os act éscimos I elei idos no 1" incidi; fio soln e imposto não retido nas condições del idas no capiti .3" O disposto neste artigo. 1 - não milli a incidência do impo.sto de ienda soln e os lespectivos I endimento.s, na Ibrina estabelecido pela legislação do referido imposto, Ii - aplica-se em relação fis ações impel; adas a pal ti, de I" de Indio de 2001 De fato, como ressaltou o acórdão recorrido, a Fazenda Pública .ficou impedida de dispor dos recuisos financeiros do imposto retido na fonte, relativos ao lapso de tempo untie a data de liquidação das operações e a data de encerramento dos exercícios, o que justifica a imposição da cobrança da multa de mora e .juros de mor a Lado outro, a concessão de medida liminar nAo afasta a incidênci a. dos juros fato que, ao apresentar a ação judicial e requerer a concessão de liminar, o contribuinte assume um risco: o de, ao final da ação, ficar decidido que o tributo é devido, ou que, como no caso em exame, é devida a retenção do imposto na fonte Sendo devida a retenção, o sujeito passivo da obrigação não pode pretender que a Fazenda deixe de receber a multa e os juros moiatórios calculados sobre o tributo que deixou de set retido. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oticio, Sala das Sessões, em 10 de março de 2010 ecio Lima Eardinu RIiJ4ítoi.. 6
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