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Numero do processo: 14474.000012/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/08/2004
REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo/cartão premiação, administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 31/08/2004 REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo/cartão premiação, administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado
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PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo/cartão premiação, administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 00 12 /2 00 8- 38 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito fiscal constituído contra a empresa supra identificada, competências julho de 2004 e agosto de 2004, que, conforme Relatório Fiscal de fl. 23 a 25, corresponde às contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social, relativas a parte dos empregados, patronal e a entidades denominadas TERCEIROS (SALARIO EDUCAÇÃO INCRA E FUNDO AEROVIÁRIO), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, por meio de crédito nas contas dos cartões fornecidos pela empresa Spirit Marketing Promocional Ltda, CNPJ 04.182.848/000130, para serem utilizados em qualquer loja da rede conveniada ou mediante saque em caixas eletrônicas das instituições financeiras credenciadas. Os valores foram apurados por aferição indireta (art. 33, §3°, da Lei 8.212, de 1991), tendo como base as notas fiscais/faturas de prestação de serviços emitidas pela empresa Spirit Marketing Promocional Ltda, e que tais valores foram confrontados com os lançamentos contábeis do livro Diário n°08 – contas números 31211309 Publicidade e Propaganda e 31212212 Serviço de Consultoria. A autuada não apresentou o contrato de prestação de serviços firmado com a citada empresa, a relação dos beneficiários do prêmio pago, e, também, não declarou referidos valores em GFIP. O Levantamento efetuado está explicitado nos demais anexos da NFLD (DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO, fl. 7; DSD – DISCRIMINATIVO SINTÉTICO DE DÉBITO, fl. 8; e RL RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS, fl. 9). A fundamentação legal foi exposta no anexo FLD— FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, fls. 10/12. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente a autuação fiscal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, em síntese: os valores reembolsados ou adiantados, mediante cartão, foram destinados a cobrir custos de viagem, alimentação e hospedagem, dos empregados, dos clientes e fornecedores da empresa recorrente, traduzindose portanto em custos de publicidade e propaganda da empresa. Não é retribuição pelo trabalho; a recorrente celebrou os contratos com a Spirit Card de forma a possibilitar a facilitação do pagamento das despesas dos empregados em transito, além daquelas despesas com os fornecedores e/ou clientes, quer seja, jantares, hospedagem, traslado, enquanto a divulgação da marca de excelência da qualidade da empresa é que estava sendo visada. Trata Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14474.000012/200838 Acórdão n.º 2803003.720 S2TE03 Fl. 211 3 se de premiação a seus colaboradores. O objetivo da contratação é realizar uma prestação de serviço idônea e viabilizar os sistemas produtivos da empresa de maximização de resultados; os beneficiados observados pela fiscalização são empregados registrados em cargos administrativos, executivos e ou gerenciais, numa demonstração cabal de que não se trata de remuneração, nem mesmo na modalidade in natura, que ensejasse o seu oferecimento tributação; a fiscalização não levou em consideração o valor pago à administradora pelo serviço prestado, conforme consta do contrato celebrado e na contabilidade; por fim, requer a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, será analisado. Consta de Relatório Fiscal de fl. 23 a 25 a recorrente: a) mesmo intimada deixou de apresentar o contrato de prestação de serviço celebrado com a Spirit Marketing Promocional Ltda; b) foi detectado pela fiscalização que se tratar de cartão (SPIRITCARD) similar a outros existentes no mercado, que remuneram indiretamente através de crédito nas contas dos cartões entregues aos empregados e que podem ser utilizados em lojas conveniadas ou através de saques em caixas eletrônicos; c) Os elementos que serviram de base para o levantamento foram as notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitidas pela Spirit Marketing Promocional Ltda, apresentadas pela recorrente, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período no Livro Diário nº 08/2004. A aferição indireta encontra respaldo no art. 33, §3°, da Lei 8.212, de 1991; d) as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados foram aferidas pela alíquota mínima, visto que a recorrente, devidamente intimado, não apresentou a relação de beneficiários, impossibilitando assim o correto enquadramento; e) os valores não foram declarados em GFIP; f) os valores resultantes dos fatos geradores supra encontramse discriminados no Relatório de Lançamentos RL (anexo), levantamento SPT Cartão Spirit,. As alíquotas encontramse descritas no Discriminativo Analítico de Débito DAD e Discriminativo Sintético de Débito DSD. A matéria referente aos valores pagos aos segurados, por intermédio da utilização de cartão premiação da empresa Spirit Marketing Promocional Ltda e similares, já foi debatida exaustivamente pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, concluindo suas Turmas de Julgamento pela caracterização de tal rubrica como integrante do salário de contribuição do segurado. A premiação é contrapartida do serviços prestados pelos segurados ao contribuinte, assim, é considerada salário de contribuição. Destarte, da análise dos autos e das decisões proferidas pelo CARF sobre o assunto, bem como, da decisão da notificação fiscal em comento, julgo improcedente os argumentos apresentados pelo contribuinte. Correta a decisão de primeira instância administrativa fiscal que julgou procedente o lançamento nos seguintes termos, fls. 180/190: Voto Conforme consta dos autos, o fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas nesta NFLD consiste na remuneração Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14474.000012/200838 Acórdão n.º 2803003.720 S2TE03 Fl. 212 5 devida, paga ou creditada pela empresa aos segurados empregados, em retribuição ao aumento da rentabilidade, da qualidade dos serviços prestados e da eficiência operacional, disponibilizada por meio da empresa SPIRIT MARKETING PROMOCIONAL LTDA. Informa a Autoridade notificante que: "0 presente lançamento está sendo arbitrado em virtude de que o sujeito passivo devidamente intimado por TIAF Termo de Inicio da Ação Fiscal e TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos que acompanham esta notificação, deixou de apresentar o contrato de prestação de serviço celebrado com a Spirit Marketing Promocional Ltda, pelo que foi autuado (Auto de Infração 37.115.756 0). 2.1.3.1. Desta forma ficou impossível a fiscalização verificar de que forma o serviço era prestado e se haveria ou não incidência de contribuição previdenciária. Entretanto foi detectado se tratar de um cartão (SPIRITCARD) similar a outros existentes no mercado, que remuneram indiretamente através de crédito nas contas dos cartões entregues aos empregados e que podem ser utilizados em lojas conveniadas ou através de saques em caixas eletrônicos. Sobre o SPIRITCARD relata que: 0 valor tributável foi apurado com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitidas pela Empresa Spirit Marketing Promocional Ltda CNPJ 04.182.848/0001 30, apresentadas pelo sujeito passivo, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 07 e 08/2004. Esses gastos foram registrados na contabilidade da Autuada na Contas/Rubricas n° 31211309 e 31212212 denominadas de "Publicidade e Propaganda" e "Serviço de Consultoria" respectivamente." Como se observa nos textos acima, ao contrário do que afirma a notificada, a Fiscalização agiu corretamente ao identificar a natureza salarial dos benefícios concedidos e, de pronto, constituir o presente crédito, apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas, na ação fiscal, em virtude da autuada, apesar de devidamente notificada (TIAD de fl. 17), não ter apresentado o contrato de prestação de serviços firmado com a empresa Spirit Marketing Promocional Ltda e nem indicar documentalmente quais eram os beneficiários dos prêmios concedidos. Assim, temse que tais valores integram o salário de contribuição dos empregados para efeito de contribuição previdenciária, nos precisos termos do artigo 28 da Lei n°8.212, de 1991, porque se tratam de rendimentos pagos a qualquer titulo e qualquer que seja sua forma, não importando o nome que se dê "marketing de incentivo, prêmios, etc.", pois se destinam a retribuir o trabalho desses empregados, através de critérios pré estabelecidos (desempenho, esforço e produtividade), em favor de maior rentabilidade nos resultados da empresa. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Além disso, o presente caso não se encontra em nenhuma das situações de não incidência contributiva previstas no parágrafo 9° do artigo 28 do mesmo diploma legal. Mesmo assim, na peça de defesa, a impugnante insiste na questão de que tais prêmios não se constituiriam em remuneração e não integrariam o salário de contribuição dos empregados, conforme previsão do artigo 28 da Lei 8.212, de 1991, pois tais pagamentos estavam sujeitos a critérios de desempenho, esforço e produtividade. Mais adiante, argumenta que o objetivo do contrato é a viabilização dos sistemas produtivos da empresa visando a maximiza cão de resultados. É óbvio que o prêmio não foi concedido a todos os empregados. Ora, para receber tal "incentivo" ou "prêmio", os funcionários eram submetidos à critérios de avaliação, sendo premiados aqueles que tiveram um desempenho superior, gerando aumento de produtividade nos serviços oferecidos, e, por conseqüência, projetando melhor imagem e aceitabilidade dessa empresa no mercado, a prova disso foi a contabilização desses valores em contas de "Publicidade" e "Serviços de Consultoria". A lei não estabelece que a remuneração esteja relacionada ao esforço extraordinário do empregado e nem que para que ocorra seja preciso cumprimento de metas. Basta o desempenho laboral dos empregados para comprovar a contraprestação pelo serviço prestado, não importando a nomenclatura que se queira dar aos pagamentos: incentivos, prêmios, etc. A verdade é que se trata de remuneração pelo serviço prestado, ainda que indiretamente, à notificada. Aliás, é a conclusão lógica a que se chega a partir da análise do texto constitucional, no capitulo destinado à Seguridade Social. A Constituição Federal dispõe, em seu art. 195, que a contribuição do empregador incide sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe preste serviço, bem como, no art. 201, § 11, estabelece que os ganhos habituais serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária, in verbis: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n."20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n."20, de 1998) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14474.000012/200838 Acórdão n.º 2803003.720 S2TE03 Fl. 213 7 observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atendera, nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional n."20, de 1998) Para ARNALDO SUSSEKIND in Instituições do Direito do Trabalho, vol. I, pág. 308 e seguintes, Freitas Bastos, 1987, salário é a retribuição das obrigações cumpridas pelo empregado. 0 trabalho é a prestação; o salário é a contraprestação. Vale dizer é tudo aquilo que o empregado recebe do empregador em razão do vinculo contratual. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pelo empregador, a qualquer titulo, ao empregado faz parte da 'folha de salários", que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ademais, para que não restassem dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou ".... e demais rendimentos do trabalho". Por outro lado, o artigo 22, inciso XXIII, da Carta Magna, prevê que compete privativamente A União legislar sobre Seguridade Social. No uso de tal prerrogativa, foi expedida a Lei n.° 8.212, de 1991, que, ao definir saláriodecontribuição, empregou o termo remuneração, na qualidade de gênero, como se verifica da transcrição de seu artigo 28: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação alterada pela MP n° 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei n ° 9.528, de 10/121197) Diante dos dispositivos legais acima citados, vêse que a legislação previdenciária, ao definir a base de calculo das contribuições devidas A Seguridade Social, utilizou, para o conceito de saláriodecontribuição, um critério amplo, pois entendeu como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados, a qualquer titulo, Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Quando o legislador entendeu que determinada verba salarial devesse, por várias razões (interesse social, econômico ou político ), ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias, ele expressamente, por meio de lei, assim o fez, como nas hipóteses do parágrafo 9° do art. 28 da Lei n.° 8.212, de 1991. Assim, a não incidência de contribuições, por ser exceção, deve ser expressa e nunca presumida, sendo que a exclusão de verbas remunerat6rias da base de cálculo das contribuições devidas A Seguridade Social somente pode ser feita por meio de lei. A legislação previdenciária, conforme já mencionado, inclui no ganho do empregado, para efeito de salário de contribuição, não só a remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer titulo durante o mês, mas também os ganhos habituais em forma de utilidades. A natureza salarial da verba ora em discussão, com base no conceito de remuneração do referido dispositivo legal, se constitui em uma vantagem econômica ao beneficiário, auferida como retribuição ao trabalho prestado A empresa. Ao referirse "a qualquer título", deixa claro a não relevância do titulo dado ao pagamento, pois titulo nenhum lhe retira a condição de integrante do conceito de saláriodecontribuição. A inclusão decorre da análise da natureza do pagamento e a exclusão, da subsunção a uma das hipóteses previstas, taxativamente, nas alíneas do § 9° do art. 28 da Lei n.° 8.212, de 1991. A Impugnante diz se tratar de "marketing de incentivo", até pode, pois não deixa de ser uma forma de a empresa incentivar seus empregados administrativos, altos executivos e gerentes, a aumentarem sua capacidade produtiva, a qualidade dos serviços prestados, a melhoria da eficiência operacional para a excelência no atendimento A clientela, pagamento esse vinculado ao preenchimento de condições preestabelecidas, como o desempenho do participante e cumprimento de metas de produtividade. Tais condições, sempre, pressupõem o devido cumprimento do próprio contrato de trabalho, ou seja, o adimplemento das obrigações de colaboração, diligencia, perfeição técnica e produtividade. Uma vez atendidas as condições a que está subordinado o pagamento, este é devido e sofre incidência contributiva para a Previdência Social. AMAURI MASCARO NASCIMENTO, em sua obra intitulada "Iniciação ao Direito do Trabalho", LTR, 27 edição, 2001, página 366, define e discorre sobre a natureza jurídica da rubrica "premio", o que pode perfeitamente se aplicar no caso presente, visto tratarse de mera questão de denominação: "Prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência etc. Não pode ser forma única de pagamento. (..) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14474.000012/200838 Acórdão n.º 2803003.720 S2TE03 Fl. 214 9 A natureza jurídica salarial do prêmio não sofre, praticamente, contestações. t uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra, a sua produção. Dai se falar, também, em salário por rendimento, ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resulta, deve ser pago. (...) Diante da natureza jurídica salarial os prêmios: a) integram a remuneraçãobase para recolhimento do depósitos do Fundo de Garantia do tempo de Serviço, de contribuições previdenciárias, cálculo de indenização, 132 salário, repouso remunerado, férias etc.; b) não podem ser suprimidos unilateralmente; c) não podem ser absorvidos pelo salário, salvo concordância do empregado e desde que não o prejudique; d) se não verificada a condição que os causa, não são exigíveis pelo empregado; e) obedecem ao critério de médias, para o cômputo da remuneração; j) por serem aleatórios, como a participação nos lucros e as gratificações de balanço, não podem ser admitidos como forma única de salário, pressupondo sempre a existência, ao seu lado, de um salário fixo, garantido e invariável para a subsistência do trabalhador." Neste aspecto, as duas câmaras do 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que julgam recursos relativos a matéria previdenciária, já se posicionaram favoravelmente à exigibilidade: Acórdão n° 20500095, de 20/11/2007, publicado no DOU de 16/01/2008, p. 31, rel. MISAEL LIMA BARRETO Premiação ao empregado vinculada a produtividade e aumento de vendas, portanto pelo desempenho no trabalho, compõe a base de cálculo de contribuições previdenciárias. Acórdão n° 20600286, de 11/12/2007, publicado no DOU de 28/02/2008, p. 44, rel. ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE.A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 10 Não bastassem as decisões do órgão jurisdicional administrativo, também o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DAS EMPRESAS EM GERAL. LEI 7.787/89. INCIDÊNCIA SOBRE PARCELA DENOMINADA 'PRÊMIO PRODUCÃO'. CARÁTER REMUNERATÓRIO. I. 0 lançamento de contribuição previdenciária patronal, relativa aos meses de julho, agosto e setembro do ano de 1990 regese pela Lei 7.787/89, vigente à época do fato gerador (CT1V, art. 144). 2. Dispondo, o art. 3" da Lei 7.787/89, que a base de cálculo da exa cão "o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados empregados" e, considerandose que o "premio produção", no caso concreto, consistiu em "gratificação destinada a recuperação do serviço telefônico prejudicado por movimento paredista deflagrado pelo Sindicato dos empregados" (fl.167), de caráter nitidamente remuneratório, resta evidente a incidência da contribuição previdenciária patronal.(..).(RESP — Recurso Especial 565375; Processo 200301178126/RS; Superior Tribunal de Justiça; Relator Teori Albino Zavascki; DJ de 31/08/2006)(g.n. ) Vejase, também, o acórdão em Embargos de Recurso de Revista (TSTERR 195.573/95.7), do qual transcrevo a ementa e trechos: "GRATIFICAÇÕES DE INCENTIVO BONIFICAÇÕES. REPERCUSSÃO NO REPOUSO SEMANAL REMUNERADO. 0 valor da gratificação de incentivo (bonificações), que se vincula diretamente ao rendimento do empregado, repercute no cálculo do repouso semanal remunerado, eis que nada mais é do que uma paga pelo trabalho realizado a cada dia. (..) A Eg. Turma conheceu, mas negou provimento ao recurso de revista da reclamada, no particular, mantendo a decisão regional que consignou, com base no art. 457, ,¢ 1", da CL T, que a concessão da bonificação, dada a habitualidade (pagamento semanal), e o fato de ter causa certa (incentivo à produtividade e assiduidade), assume caráter nitidamente salarial, integrando o salário bem como os repousos semanais remunerados. (Ac. SBDI1 5281/97)7 Grifei) Repitase, ao contrário do que alega a defendente, a verba paga tem, sim, o caráter de retributividade, gerando um ganho econômico e conseqüente acréscimo patrimonial aos trabalhadores. 0 fato de estar subordinada ao implemento de condições não lhe retira a natureza salarial, pois é uma remuneração do trabalho realizado, paga Aqueles que cumprem as condições estipuladas. Logo, integra o saláriodecontribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n.° 8212, de 1991, e artigo 214, inciso I, do Regulamento de Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14474.000012/200838 Acórdão n.º 2803003.720 S2TE03 Fl. 215 11 Argúi ainda a notificada, que a Fiscalização no subitem 2.1.6 do REF1SC, informou que no AI n. 37.115.7560, consta apenas que a empresa não apresentou o contrato firmado com a empresa Spirit Marketing, e que todos os documentos foram apresentados, inclusive, o relatório dos beneficiários. É necessário dizer que tal assunto não merece discussão neste processoque trata de descumprimento de obrigação principal, da constituição do crédito da Seguridade Social através da NFLD, e sim no AI citado que trata de descumprimento de obrigação acessória contra o parágrafo do artigo 33 da Lei n°8.212, de 1991 por ter a empresa deixado de apresentar os documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, devidamente solicitados no TIAD de fl.10 daqueles autos. Além disso, cai por terra, a afirmação de que todos os documentos foram apresentados, inclusive, a relação dos beneficiários. Nos autos a empresa não juntou nenhum documento comprovando essa afirmação. Alega que a aferição utilizada pelo Auditor Fiscal não tem respaldo técnico. Novamente a defendente comete enganos, pois na ausência de documentos que facilitariam a auditoria fiscal, cito o contrato firmado com a empresa prestadora de serviços e o rol dos beneficiários, outra alternativa não restou a Fiscalização sendo lavrar, por meio da aferição indireta, os valores devidos A Previdência Social, amparada no artigo 148 do Código Tributário Nacional CTN , no artigo 33, § 3 0, da Lei n.° 8.212, de 1991, e no artigo 233 do Decreto n°3.048, de 1999,verbis: "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou prego de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou prego, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Art.33 " §3`: Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio a importância que reputarem devida, cabendo it empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário." (grifei) Art. 233 — Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de oficio importância que reputarem Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 12 devida, cabendo a empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário." A respeito do assunto, ALIOMAR BALEEIRO, afirma que: "0 sujeito passivo deve também as obrigações de fazer, new fazer, ou tolerar, como informar, documentar, esclarecer, etc., do § 2" do art. 113, e do art. 122, do CTN. t dever a ser prestado com lealdade e boafé, sem tergiversações, nem reticências. Se o sujeito passivo, seja o da obrigação principal, seja o das acessórias, recusase a esclarecer ou não esclarece, nem fornece cópias autênticas de documentos, extratos contabilidade etc. de maneira cabal, respondendo a indagações pertinentes, caberá também à autoridade o lançamento ex officio, abandonandose, no todo ou em parte, os dados da declaração ou informação duvidosa."1 A jurisprudência também adota o mesmo sentido: "Acórdão Origem: TRIBUNAL QUINTA REGIAO Classe: AC Apelação Cível — 132530 Processo: 9805071537 UF: SE Órgão Julgador: Segunda Turma Data da decisão: 10/11/1998 Documento: TRF500031932 Fonte DJ Data:: 15/01/1999 Página: 148 Relator(a) Desembargador Federal Francisco Cavalcanti Decisão UNÂNIME Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS 24 EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. APURAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIA10. MÉTODO EXCEPCIONAL POR AFERIÇÃO INDIRETA. EXIGÊNCIA DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO IMPROVIDA. Data Publicação 15/01/1999" A alegada falta de amparo legal para aferição dos valores lavrados, não tem como prosperar. Como visto em linhas anteriores, a documentação apresentada foi deficiente. Por esse motivo, corretamente, a Fiscalização apurou o crédito por aferição indireta. A defendente ainda afirma que o sr. Auditor Fiscal não levou em consideração os valores pagos à administradora, conforme contrato celebrado, tributando integralmente, causando majora cão significativa ao contribuinte. Sobre o assunto, informa a Fiscalização que na NFLD foi tomada como base de cálculo para os valores apurados, o valor bruto pago, a titulo de prêmios, contido nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa Spirit Marketing Promocional Ltda, valores confrontados com os lançamentos contábeis. E caso tenha ocorrido majoração significativa nos valores apurados, a culpa recai sobre a própria autuada, que sonegou documentos, como por exemplo, o contrato de prestação de serviços com a empresa Spirit Marketing Promocional Ltda, que, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14474.000012/200838 Acórdão n.º 2803003.720 S2TE03 Fl. 216 13 com certeza, possibilitaria a exclusão dos honorários da contratada e do valor pago pelos cartões. E como o ônus da prova é da notificada, e essa não juntou nenhum documento esclarecedor, anexando aos autos, apenas a procuração aos Advogados, o Contrato Social e 9a Alteração Contratual e cópia da NFLD/anexos, aqui, também, suas queixas não encontram amparo. Com relação aos acréscimos legais (juros e multa) que incidem sobre o débito principal, estes foram calculados de acordo com os ditames dos artigos 34 e 35 da Lei 8.212, de 1991. Por isto, ao contrário do que supõe a impugnação achamse todos dentro dos estritos limites legais. Assim, descabe falar em confisco. Posto isso, voto e pela procedência do lançamento, mantendo o crédito lavrado. A recorrente teve a oportunidade de apresentar provas documentais para contestar o lançamento fiscal e desconstituílo, entretanto não fez. Assevera a recorrente que os valores pagos mediante cartão foram destinados a cobrir custos de viagem, alimentação e hospedagem, dos empregados, dos clientes e fornecedores, sendo custos de publicidade e propaganda, não caracterizando retribuição pelo trabalho, todavia não apresenta prova do alegado. Menciona que se tratase de premiação a seus colaboradores, considerando o objetivo da contratação para realizar prestação de serviço e viabilizar os sistemas produtivos da empresa de maximização de resultados. Informa, ainda, que os beneficiados observados pela fiscalização são empregados registrados em cargos administrativos, executivos e ou gerenciais, numa demonstração cabal de que não se trata de remuneração, nem mesmo na modalidade in natura, que ensejasse o seu oferecimento tributação. Entretanto, não demonstra nem provas a sua tese. A fiscalização não levou em consideração o valor pago à administradora pelo serviço prestado, em razão da recorrente não ter apresentados os contratos e a relação de beneficiários do cartão fornecido pela empresa, dificultando a conferência dos fatos pela fiscalização e forçando a lavratura de lançamento fiscal por arbitramento e aferição indireta, fundamenta no art. 33, §3°, da Lei 8.212, de 1991. Diante do exposto, os valores pagos aos segurados por intermédio da utilização de cartão premiação são considerados salário de contribuição, nos termos do art. 28, inciso I, da lei 8.212/91, não se enquadrando na exclusão de incidência previdência disposta no item 7 , alínea "e", parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD, as Instruções para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 14 Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000225/2010-99
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.
Conforme se pode verificar do despacho de fls. 304, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo. Não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2803-003.840
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. 1. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. 2. Conforme se pode verificar do despacho de fls. 304, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo. Não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 02 25 /2 01 0- 99 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000225/201099 Acórdão n.º 2803003.840 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000225/201099 Acórdão n.º 2803003.840 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições devidas à Seguridade Social, parte patronal e alíquota para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT incidentes sobre os valores das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a serviço do contribuinte, nas competências de 01/2005 a 08/2007 e 10/2007 O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 06 de julho de 2010 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMRPEGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. SAT / RAT. São devidas as contribuições previdenciárias correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais, desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. LANÇAMENTO INCOTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 307DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000225/201099 Acórdão n.º 2803003.840 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso INTEMPESTIVO, onde alega, em síntese, o seguinte: Preliminarmente, reitera em todos os seus termos a impugnação Total apresentada ao Auto de Infração, relativamente ao DEBCAD nº 37.272.7328 e documentos apresentados com a mesma. No mais, antes de falar em pagamento parcelamento pela manutenção da imposição de penalidade, requer a peticionária, a Revisão do Ato Cancelatório de isenção das Contribuições Previdenciárias, a partir de 01/01/2001, porquanto a entidade, após essa data foi regularizada como entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social, Filantrópica e sem Fins Lucrativos, conforme documentos em anexo, estado até a presente data cadastrada junto ao CNAS, não havendo que se falar em Apropriação Indébita e Sonegação de Contribuição Previdenciária, ante a isenção que é concedida a todas as entidades Beneficentes de Assistência Social, como é o caso da peticionária. O embasamento legal do pedido se dá em virtude de que desde o ano de 2001 até a presente data, a entidade gozou e goza dos benefícios de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, Filantrópica e sem Fins Lucrativos, não havendo razão para recolhimento da penalidade imposta. Pelo exposto, requer a Vossa Excelência, a Revisão do Ato Cancelatório da Isenção das Contribuições Previdenciárias, a partir de 01/01/2001, porquanto a entidade, após essa data foi regularizada como Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, Filantrópica e sem Fins Lucrativos, conforme documentos anexos, estado até a presente data cadastrada junto ao CNAS, não havendo que se falar em Apropriação Indébita e Sonegação de Contribuição Previdenciária, ante a isenção que é concedida a todas as entidades Beneficentes de Assistência Social, anulando destarte o auto de imposição de penalidade, bem como os valores nele estampados, por ser media de direito e de JUSTIÇA. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 18088.000225/201099 Acórdão n.º 2803003.840 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O artigo 35 do mesmo diploma legal aduz que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Conforme se pode verificar do despacho de fls. 304, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário Intempestivo, verbis: 1 – Dado ciência ao contribuinte do Acórdão nº 14.30.041, em 20/08/2010, a Entidade apresentou Recurso Voluntário Intempestivo, protocolado em 28/10/2010, na DRFB – Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, juntado às folhas 129 a 152, referente ao AI DEBCAD nº 37.272.7328. Vêse, portanto, que o contribuinte não foi diligente quanto ao prazo para interposição do Recurso Voluntário, situação que atrai o instituto da perempção. Desse modo, não tendo o contribuinte observado o prazo fatal para defender seus interesses, conforme acima explicitado, o recurso não será conhecido, tendo em vista a intempestividade. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso aviado pelo contribuinte, tendo em vista a intempestividade. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10680.912792/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó..
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS em face do Acórdão nº 0238.0552ª Turma da DRJ/BHE, prolatado em 20 de março de 2012. Por bem relatar os fatos, transcrevese a seguir o relatório do Acórdão recorrido: “DO DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 79 2/ 20 09 -5 5 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912792/200955 Resolução nº 3302000.453 S3C3T2 Fl. 168 2 O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 07), referente ao PER/DCOMP nº 28602.16325.141105.1.3.040102. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$ 1.827,36, representado por Darf recolhido em 15/08/2003 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse:arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 49, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912792/200955 Resolução nº 3302000.453 S3C3T2 Fl. 169 3 Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Por sua vez, a DRF de origem se manifesta a respeito da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada.” Julgando o litígio estabelecido, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, decide pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado, nos termos da ementa e dispositivo do Acórdão recorrido, a seguir transcrito: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..” Cientificada da decisão de 1ª Instância de Julgamento administrativo em 09/04/201 (AR de efl 61), por meio do Termo de Ciência e Notificação de efls. 56/58, a contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 09/05/2012, o seu recurso voluntário, por meio do qual sustenta que: (a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito possivelmente “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; (b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524/2002 , que mencionado Decreto extrapola previsão legal dos limites da incidência do PIS Folha; (c) a decisão de Ia instância contraria o entendimento da Receita Federal, que na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912792/200955 Resolução nº 3302000.453 S3C3T2 Fl. 170 4 exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. (d) O Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não está prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; (e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança do PIS Folha (até porque as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002 dizem respeito à cooperativas de produção e não de trabalho); (f) a Recorrente não deduziu da base de cálculo do PIS Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998. Afirma que sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não pode prevalecer o entendimento de Ia instância. E anexa, ao final de seu recurso, planilha, comprovante de pagamento, cópia da Solução de Consulta SRRF06/DISIT nº 412, de 15 de dezembro de 2004 e cópia de balancete parcial referente ao mês do período de apuração do PIS Folha, dito como pago indevidamente(código 8301) e cópias de procuração e do Estatuto Social. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. VOTO Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A contribuinte pretende compensar como pagamento indevido ou a maior valor recolhido sob o código de receita 8301 (PIS FOLHA DE PAGAMENTO), consoante consignado na DComp em causa. O despacho decisório eletronicamente emitido que deu origem ao presente processo entendeu que o crédito referente ao PIS folha, na forma solicitado pela contribuinte, seria inexistente, eis que já vinculado a suposto débito de PIS Folha, motivo pelo o qual não homologou a compensação declarada. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912792/200955 Resolução nº 3302000.453 S3C3T2 Fl. 171 5 Conforme relatado, em seu recurso voluntário, a contribuinte aduz que possivelmente tal conclusão “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio” Para melhor esclarecimento, adoto as palavras do julgador Márcio André Moreira Brito, em voto proferido no Acórdão nº 1146.072 – da 2ª Turma da DRJ/REC, quando de análise de caso similar ao aqui ocorrido: “a DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco. Conquanto não padeça de qualquer vício o Despacho Decisório que, na análise do indébito, norteouse em informações de caráter confessional prestadas pelo próprio contribuinte, a este é facultado, caso se julgue prejudicado, interpor, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, Manifestação de Inconformidade para desconstituir, total ou parcialmente, tal confissão, já que o art. 214, do Código Civil, prevê que ‘A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou coação’. No entanto, do ônus probante que sobre ele recai de comprovar equívoco na confissão (art. 36, da Lei nº 9.784/99 e art. 333, I, do CPC), deve o contribuinte se desincumbir quando da interposição deste recurso, ao qual devem ser anexadas as correspondentes provas, na forma do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses previstas no §4º, deste artigo.”. Neste sentido fundamentou o Acórdão ora recorrido quando assim posicionou se: “Portanto, está correto o Despacho Decisório, uma vez que os indícios apurados com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte evidenciaram a inexistência do crédito pretendido. Estando correto o entendimento expresso no Despacho Decisório, caberia ao manifestante, na condição de postulante de um direito a crédito compensável, apresentar provas cabais da ocorrência do pagamento indevido ou a maior.” In casu, o Acórdão recorrido dá conta que a documentação anexada aos autos pela contribuinte é essencialmente constituída de cópia do comprovante de arrecadação, da DComp e do seu estatuto social, concluindo que tal documentação, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido de PIS – Folha de Salário. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912792/200955 Resolução nº 3302000.453 S3C3T2 Fl. 172 6 Em seu voto, seguido por unanimidade pelos membros do colegiado, o relator do Acordo recorrido esclarece que: “Nesse aspecto, tomandose o citado estatuto social, ainda que se considere a situação do contribuinte, na condição de federação regida pela legislação cooperativista, não há como afirmar, nem o manifestante alegou na defesa apresentada, que estaria dispensado do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, uma vez que a própria legislação prevê a hipótese de recolhimento concomitante dessa exação e do PIS Faturamento, a exemplo das disposições do § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que determinam que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Ou seja, sob qualquer ótica que se faça a análise da manifestação de inconformidade apresentada, não há como reconhecer o direito creditório postulado, lembrando que é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica.” Em face de tal citação, a contribuinte, em seu recurso voluntário apresenta seus argumentos de defesa, visando demonstrar não se enquadrar na incidência do PIS Folha. Entre outras coisas alegações, argúi que a Autoridade a quo desconsiderou a Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. Anexa cópia da referida Solução de Consulta. Sobre tal consulta, esclarece que entendendo estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158. Não menciona quando a consulta foi formulada. Tal informação é confirmada pela leitura da referida Solução de Consulta, cuja cópia foi anexada ao recurso, e de onde se extrai trechos de parágrafos ali inserto: “A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n° 5.674/71 e de seu estatuto. Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência atuação, tratandose também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. Cita o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto 2001, ao qual faz menção aos sindicatos, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Cofins as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários.” Fl. 172DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912792/200955 Resolução nº 3302000.453 S3C3T2 Fl. 173 7 A referida solução de consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, em sua parte dispositiva assim decide: “À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.”(grifei) Verificase que a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, na parte dispositiva, não se pronunciou especificamente sobre o art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. É verdade que a Solução de Consulta vincula o consulente. Mas, tal vinculação fica adstrita aos termos expostos na consulta. De modo que, em caso de a Solução de Consulta não contemplar a hipótese prevista no art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, a contribuinte possui o ônus de comprovar a não ocorrência das deduções mencionadas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. Embora a recorrente alegue não ter efetuado tais deduções quando do cálculo dos valores do PIS Faturamento cujas apurações, diz, foram efetuadas na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998, depositados judicialmente, e, embora tenha anexado planilha de cálculo de apuração do PIS Faturamento e Balancete Parcial referente ao mesmo período de apuração do alegado crédito do PIS Folha, de suas análises não se detectou se as sobras de que trata o art. 32, VI do Decreto nº 4.524, de 2002, foram ou não excluídas da respectiva base de cálculo. Ressaltese que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. Por outro lado, em seu recurso voluntário, a contribuinte menciona ter impetrado Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, no qual foram efetuados depósitos judiciais do PIS Faturamento, sob o código 7460. Em consulta ao sistema eprocesso, verificase que tal Mandado de Segurança encontrase controlado por meio do Processo nº 10680.010675/200289 e foi preventivamente impetrado em 18/06/2002, objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”. O Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732 encontrase em fase de Recurso especial nº 1.366.315 MG (2012/00896109), sobrestado, pelo o fato de que, nas palavras da Decisão proferida pelo o relator Ministro Humberto Martins, “referida temática encontrase afetada à Primeira Seção do STJ, aguardando o julgamento do REsp 1.141.667/RS, relatoria Min. Napoleão Nunes Maia Filho, sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC)” A Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, que dispõe sobre a consulta acerca da interpretação da legislação tributária e da classificação de mercadorias, no Fl. 173DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912792/200955 Resolução nº 3302000.453 S3C3T2 Fl. 174 8 âmbito da Secretaria da Receita Federal, vigente à época da emissão da Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, em seu art. 15estabelece: “Art. 15 . Não produz efeitos a consulta formulada: (...); IV sobre fato objeto de litígio, de que o consulente faça parte, pendente de decisão definitiva nas esferas administrativa ou judicial; (...).”(grifei). Viuse acima que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança preventivo em 18/06/2002 e que a Solução de Consulta nº 412 foi emitida em 15 de dezembro de 2004. Em ambos a contribuinte pretendia ser tributado pelo PIS Folha e não sobre o PIS Faturamento. Não se tem a informação, porém, de quando a contribuinte apresentou na RFB a sua consulta, se antes ou depois de ter impetrado o Mandado de Segurança e em quais termos foi a mesma formulada, de modo a saber se a sua consulta teria ou não efeito, consoante a previsão contida no inciso IV do art. 15 da IN 230/2002 acima transcrito. Necessário, portanto, ter o conhecimento dessa informação, para que se decida com segurança acerca do presente litígio. Assim, tendo em vista que: ● o recurso voluntário devolve à Administração, em segunda instância, a revisão dos fundamentos do Acórdão recorrido, naquilo em que foram contestados pela contribuinte; ● somente no Acórdão da Autoridade a quo foi feita menção ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; ● a contribuinte impetrou em 18/06/2002 Mandado de Segurança preventivo , objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”; ● igualmente, por entender estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158; ● tendo havido recolhimento de PIS sobre a folha de pagamento e depósito judicial sobre o faturamento, mostrase viável que possa haver efetivamente, ao menos em tese, algum recolhimento indevido a título da referida contribuição; ● não restou comprovado que a contribuinte efetivamente não efetuou deduções previstas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, consoante suas alegações; ● sendo determinante para o julgamento dos presentes autos a anexação das informações e documentos, já acima mencionados; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912792/200955 Resolução nº 3302000.453 S3C3T2 Fl. 175 9 Voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para: i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; iii)Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii) retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10805.901079/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1201-000.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, João Carlos de Lima Júnior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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CHRISTOVÃO DA GAMA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, João Carlos de Lima Júnior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 10 79 /2 00 8- 41 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação de débitos próprios, relativos à base negativa da CSLL, anocalendário 2003. As questões de fato atinentes ao processo foram bem descritas no relatório da decisão recorrida, abaixo reproduzido: 1. Tratase do Despacho Decisório nº 763964314, emitido em 20/05/2008, pela DRF Santo André/SP, à fl. 42, NÃO HOMOLOGANDO a compensação formalizada pela contribuinte em epígrafe, na DCOMP nº 20661.13218.290404.1.3.032082 (cópia às fls. 45/53), na qual fora indicado crédito relativo ao saldo negativo de CSLL apurado no exercício 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 204.077,85, e os débitos abaixo demonstrados: PER/DCOMP n. 20661.13218.290404.1.3.032082 Exercício – 2004 Valor do Saldo Negativo R$ 204.077,85 Crédito utilizado na DCOMP R$ 203.729,29 Débitos Compensados: Código do Tributos Período de Apuração Valor Principal 6773 Jan a Dez/2003 114.897,45 2484 Jan/2004 44.545,84 2484 Fev/2004 37.919,51 2482 Mar/2004 11.154,13 2. Nos sistemas informatizados da RFB verificase que, em 28/02/2007, foi emitida intimação (nº de rastreamento 672996082) vinculada à DCOMP referida, porque constatado que o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ (fl. 57), solicitandose a retificação da DIPJ ou a apresentação de DCOMP retificadora. A ciência do interessado se verificou em 09/03/2007. 3. Nada sendo feito e subsistindo tais inconsistências, foi emitido despacho decisório de nãohomologação das compensações (fl. 42), conforme exposto: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 4 3 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com Demonstrativo de crédito: R$ 204.077,85 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 89.180,39.” 4. Em função de tal divergência não foram homologadas as compensações declaradas dos débitos, sendo exigido o saldo devedor a seguir consolidado: Principal Multa Juros Total 208.516,93 41.703,37 125.959,23 376.179,53 5. Cientificada do ato de não homologação das compensações, em 27/05/2008, e discordando da cobrança dos débitos compensados, em 26/06/2008, a contribuinte, por meio de seu representante legal, apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 02/05, na qual registra ter incorrido em equívoco quando da apresentação da DCOMP em litígio. 6. Informa a manifestante que o crédito pleiteado, na verdade, referirseia ao valor devidamente declarado em DIPJ, ou seja, o crédito de R$ 89.190,39, segundo ela jamais questionado pela RFB. 7. Pelo exposto, requer a homologação parcial de sua DCOMP, até o limite do crédito constante da DIPJ/2004 válida. 8. Em 16/04/2009, apresenta a manifestante petição complementando as razões de defesa, afirmando, em apertada síntese, que parte do débito constante da DCOMP em análise não seria devido. 9. Explica que o débito relativo ao ajuste anual do ano calendário 2003, no valor de R$ 114.897,46 já teria sido quitado através dos valores recolhidos no período, restando, por este motivo, crédito de saldo negativo de R$ 89.180,39. 10. Dessa forma, requer não só o reconhecimento do crédito de saldo negativo constante da DIPJ ativa (R$ 89.180,39), como pugna também pela extinção do débito declarado, de R$ 114.897,46, por inexistente. 11. Em apenso ao presentes autos, encontrase o processo nº 10805.720666/200831, onde controlada a DCOMP nº 09386.22521.240807.1.3.038540, buscando o mesmo crédito ora tratado (saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003). 12. Através do despacho decisório de fls. 75/76, emitido em 30/09/2008, a DRF Santo André estendeu a decisão exarada no processo nº 10805.901079/200841 (presente), despacho decisório nº de rastreamento 763964314, também à DCOMP referida, restando não homologadas as compensações nela declaradas. 13. Cientificada em 27/10/2008, a contribuinte, por meio de seu representante legal, aduz a ocorrência de erro quando da Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 5 4 transmissão da DCOMP nº 09386.22521.240807.1.3.038540, posto que dela constariam débitos e crédito de valores coincidentes com aqueles informados na DCOMP nº 20661.13218.290404.1.3.032082, pelo que, requer seu cancelamento. 14. Em 27/08/2012 fora recebido nesta DRJ/ Campinas Ofício nº 555/2012, de lavra do Excelentíssimo Sr. Juiz da 1ª Vara Federal de Santo André26 ª Subseção Judiciária de São Paulo, emitido em 04 de julho de 2012, nos seguintes dizeres: Em 04 de outubro de 2012, a 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, por unanimidade, decidiu JULGAR IMPROCEDENTES as manifestações de inconformidade, NÃO CONHECER dos pedidos de retificação, NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado e NÃO HOMOLOGAR as compensações trazidas a litígio. As ementas abaixo sintetizam a razão de decidir daquela instância de julgamento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO IRPJ. DIVERGÊNCIA DE VALORES ENTRE DIPJ E DCOMP. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 6 5 Superada a inconsistência detectada pelo sistema entre os valores do saldo negativo apontado na DIPJ e na DCOMP em questão, deve o órgão julgador prosseguir na análise do direito creditório apurado com base nas informações constantes dos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário, no qual, em suma, repete os mesmos argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade, ao combater a decisão prolatada com a apresentação de tabelas que demonstrariam, em tese, o direito creditório. Alegou, ainda, que parte do saldo remanescente da compensação que não foi homologado está sendo quitado por meio de parcelamento enquanto outra parte teria sido quitada mediante pagamento de DARF. Contudo, não apresentou os documentos comprobatórios de tais alegações. Os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. O tema central debatido nos autos diz respeito aos procedimentos adotados pela Recorrente para a compensação dos débitos declarados na PER/DCOMP 20661.13218.290404.1.3.032082, originalmente no valor de R$ 204.077,85, montante que, posteriormente, foi reduzido para R$ 89.180,39, como reconhece a própria interessada, em razão de erro no preenchimento da declaração. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 7 6 Ocorre que consta dos autos que a Recorrente foi intimada a retificar suas declarações ou apresentar créditos compatíveis com os valores informados à Receita Federal. Só que a interessada simplesmente não atendeu a tal solicitação. Nesse sentido, embora seja inquestionável que a interessada, como qualquer contribuinte, tem direito à compensação, também é evidente que a existência desse direito exige comprovação, a cargo da empresa, sobre a certeza e liquidez dos créditos pleiteados, o que há de ser demonstrado por meio de documentos ou provas hábeis, que não são encontrados nos autos. E foi justamente com base nessas premissas legais que o despacho decisório se baseou para não homologar a compensação, exercendo a prerrogativa que lhe confere o artigo 74, § 2o, da Lei n. 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (grifamos) Como salientado na decisão recorrida, cabe ao contribuinte zelar pelo cumprimento de suas obrigações acessórias, de modo a oferecer à Secretaria da Receita Federal informações fidedignas e compatíveis com os seus demonstrativos contábeis, devidamente suportadas por provas hábeis e idôneas. Isso porque a legislação autoriza a Receita Federal do Brasil a regulamentar os procedimentos de compensação, sendo que, à época dos fatos (transmissão da primeira PER/DCOMP), verificamos que a Instrução Normativa n. 460/2004, como outras que a precederam ou lhe foram posteriores, tratava da questão da retificação das informações nos seguintes termos: Art. 55. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será Fl. 195DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 8 7 juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 56. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 57 e 58. Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. De se notar que o contribuinte foi regularmente intimado a retificar suas declarações, mas não o fez, de modo que tanto o despacho decisório como a decisão recorrida se basearam nas informações presentes nos sistemas da Receita Federal para analisar os créditos. A verificação sobre a origem, pertinência e possibilidade de compensação dos créditos pleiteados se fundamenta no artigo 170 do CTN, que exige, para fins de extinção do crédito tributário por meio de compensação, que os valores declarados sejam líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante desses comandos, a decisão recorrida procedeu, no meu entender, de forma criteriosa, à verificação dos créditos, que culminou na elaboração das planilhas e conclusões a seguir reproduzidas: Adiante são reproduzidos os valores constantes da Ficha 16 da DIPJ/2004 válida, bem como aqueles declarados na DCTF, e suas vinculações com compensações com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, conforme Dcomp nº 04425.24093.230703.1.03.035088 e Dcomp nº 31647.84560.050204.1.3.031814 e parcelamentos liquidados: Fl. 196DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 9 8 Registrese que, conforme informado no quadro acima, todos os débitos resultantes de estimativas do anocalendário 2003 declaradas em DCTF, com exceção de pequena parcela de R$ 8.523,92 da estimativa referente a DEZEMBRO, devidamente recolhida, foram quitados por meio de transmissão das Dcomp nº 04425.24093.230703.1.3.035088 e 31647.84560.050204.1.3.031814 ou por parcelamento constante do processo nº 10805.720152/201181. Digase que ambas as DCOMP encontramse controladas no processo nº 10805.901090/200640, tendo sido a primeira homologada e a segunda apenas parcialmente homologada pela DRF Santo André, devido à insuficiência de crédito, não sendo o remanescente do crédito nela pleiteado objeto de manifestação de inconformidade. Pelo exposto, considerarseia a existência de antecipações de CSLL efetuadas durante o anocalendário 2003 no montante de R$ 189.575,96. Entretanto, com base nos valores constantes da planilha acima, resta patente a inconsistência dos débitos de CSLL apurados pela contribuinte durante o anocalendário 2003. (grifamos) Conforme se extrai das informações apostas em DIPJ, os valores apurados de estimativas no período perfariam o montante de R$ 173.773,13. Em contraste a tais informações, consta das DCTF transmitidas à RFB, instrumento de confissão de dívida, elaboradas supostamente com base nos mesmos balanços de suspensão ou redução que embasaram a DIPJ, estimativas devidas no período no montante de R$ 204.077,85, como se segue: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 10 9 Ora, tal dissonância põe em cheque a veracidade das declarações trazidas aos autos, repercutindo diretamente no ajuste anual do período, não havendo como se considerar líquido e certo o crédito apurado quando não logrou a contribuinte demonstrar que seus pagamentos, compensações e parcelamentos se mostrariam suficientes para quitar os débitos de ajuste anual efetivamente existentes. Inclusive, o valor de ajuste anual do anocalendário 2003, declarado em DCOMP como débito no período (código 6773CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal ajuste anual), no valor de R$ 114.897,46, somente corrobora ao entendimento aqui esposado. Se a própria empresa declara restar em aberto, após consideradas as antecipações supostamente recolhidas durante o anocalendário, débito de ajuste anual de CSLL, não há como considerar sustentável o crédito ora pleiteado. Assim, entendo que a decisão original analisou adequadamente os fatos, bem como fundamentou juridicamente seu entendimento, no sentido de que o crédito a compensar era incompatível com o declarado à Receita Federal, sem qualquer dano ou prejuízo aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, nem tampouco ao consagrado princípio da verdade material, inerente aos processos administrativos. Penso que, no caso dos autos, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar o seus argumentos, no sentido de contrariar o que fora decidido nas instâncias anteriores. Aliás, a necessidade de prova e o respectivo ônus do contribuinte já foram extensamente discutidos na esfera judicial e no âmbito deste Conselho. No Superior Tribunal de Justiça o tema já foi debatido, entre tantos outros julgados semelhantes, nos seguintes termos: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 11 10 A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007 Seguindo igual raciocínio, podemos encontrar inúmeros julgados no CARF, inclusive da lavra desta Turma, nos quais se decidiu que no caso de compensação, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido (Acórdãos 110200432, 110200443, 110200438, entre tantos outros). Portanto, caberia à Recorrente trazer aos autos documentos hábeis a comprovar seus argumentos, como cópia dos livros contábeis, balanços ou balancetes de suspensão ou redução, além dos comprovantes dos pagamentos efetuados e dos parcelamentos porventura concedidos. Em razão disso, entendo que não merece reparos a decisão recorrida, que deve ser mantida integralmente. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.901079/200841 Acórdão n.º 1201000.983 S1C2T1 Fl. 12 11 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 09/10/2 014 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13971.005408/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2010
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa.
Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN.
O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizando-se dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude.
ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA.
A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interpostas pessoas jurídicas.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa. Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizando-se dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interpostas pessoas jurídicas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa. Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 54 08 /2 01 0- 12 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizandose dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interpostas pessoas jurídicas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela desses segurados, não recolhida em época própria, para as competências 10/2005 a 06/2010. O Relatório Fiscal (fls. 27/54) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são oriundos das remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços às pessoas jurídicas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME. Isso porque, em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas referidas empresas, todas optantes pelo SIMPLES, constatouse que estas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, que foram instituídas com o propósito de abrigar a mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que todos os recursos eram provenientes desta. Dessa forma, a autuada deixou de recolher a contribuição previdenciária patronal devida, incidente sobre a remuneração dos segurados, pois 95% dos empregados foram registrados nos CNPJ das empresas vinculadas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 08/12/2010 (fls. 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 68/115), alegando, em síntese, que: 1. a fiscalização, na tentativa de vincular a impugnante às empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, inscrita no SIMPLES, se se apegou a algumas questões, valendose de parcas provas, sem se atentar à realidade das operações de natureza têxtil, onde é muito comum a abertura de empresas por antigos empregados, para regularmente atender aos antigos patrões, algumas vezes com caráter de exclusividade e outras não. Os depoimentos colhidos pela fiscalização não se prestam ao fim pretendido, pois são fruto de perguntas direcionadas e tendenciosas, tudo com o objetivo de montar uma realidade inexistente de fato; 2. ela mantém contratos de prestação de serviços com as empresas Patrick Malhas e Novatextil, a teor de tais instrumentos a contratada é responsável por todos os encargos trabalhistas, previdenciários e sociais, relativos aos empregados utilizados na execução dos serviços objeto deste contrato, tampouco estabelecem qualquer vínculo empregatício em relação ao pessoal que a contratada empregar para execução dos serviços ora contratados; 3. quanto às alegadas transferências de empregados de uma empresa para outra, afirma que as mesmas se deram conforme as conveniências de cada uma das empresas envolvidas, sendo que a Fl. 353DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 ausência de pagamento das verbas rescisórias decorre, única e tão somente, da relação de confiança instalada entre elas, no sentido de que os trabalhadores não terão os seus direitos preteridos. O fato de a contabilidade de todas as empresas ser de responsabilidade do Sr. Raul de Oliveira é irrelevante, pois é dado aos profissionais desta área atender a vários clientes simultaneamente; é perfeitamente possível que a sociedade outorgue procuração para que um estranho ao quadro societário a represente; 4. no tocante as despesas, pretensamente suportadas pela impugnante, cumpre dizer que, além de não comprovadas as referidas alegações, ainda que esta situação fosse verdade, isto seria facilmente explicável, vez que as terceiras empresas, por conta das industrializações procedidas, têm créditos contra a impugnante, que poderiam ser parcialmente compensados com estas despesas; 5. no tocante ao maquinário, aduz é muito normal à cessão de uso, a título gratuito, por empresas que encomendam industrialização de terceiros, para que estes o operem; em muitos casos há máquinas "encalhadas" de um lado e pessoas interessadas em utilizálas de outro, havendo empréstimos apenas por questões de amizade ou relações comerciais; tanto isto é verdade que a Patrick Malhas, por ex., recebeu em comodato máquinas da empresa Erdeck Comércio e Representações; além disso, consoante documentos anexos 6, comprovam que as referidas empresas também o adquirem, em seu nome, máquinas e equipamentos, o que obviamente desqualifica a pretendida vinculação patrimonial; 6. no ramo de confecções é comum a montagem apenas de um setor administrativo, para conduzir a industrialização procedida por terceiras empresas. O que vale, em tais negócios, é o knowhow dessas pessoas; o envio de insumos, para terceiros os transformarem em produtos acabados é uma atividade tipicamente industrial e licita, não havendo motivos para lhe aplica a pecha de fraude; ao contrário do alega a fiscalização não há em ordem de serviços, mas, sim, “direito a exigir eficiência e qualidade na fabricação dos produtos”; 7. inexiste prova material de pessoalidade, nãoeventualidade, subordinação e nem de onerosidade entre a impugnante e os funcionários/sócios das terceiras empresas, não havendo, ao contrário do que pretende a fiscalização, como se falar em relação de emprego; 8. no que tange ao levantamento das contribuições incidentes sobre os supostos valores pagos por fora da folha de pagamento cumpre registrar que, diante da falta da lavratura do termo de apreensão dos recibos que serviram de base para a fiscalização, não foram respeitadas as formalidades inerentes ao processo previstas no art. 9º, do Decreto 70.235/1972, logo, os referidos documentos não podem ser convalidados e conseqüentemente, o levantamento padece do vício de nulidade; nos termos da teoria dos frutos podres, toda e qualquer pretensa evidência, colhida de uma prova inválida, também deve ser tida por improcedente; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 4 5 9. na base de cálculo das contribuições em análise foram incluídas diversas verbas indevidas, tais como: auxiliadoença, salário maternidade, terço constitucional de férias, férias indenizadas, aviso prévio indenizado, 13 ° salário auxilio creche e adicionais noturno, de insalubridade, de periculosidade e de horasextras, devendo eles ser excluídos, mas como não é possível proceder de tal forma, forçosamente se conclui pela incerteza e iliquidez do débito reclamado, impondo como medida de justiça o seu cancelamento por completo. Caso não se repute totalmente nulas as notificações fiscais, então deverão ser excluídos os valores acima mencionados, mediante a formalização das diligências necessárias e reabertura de prazo para defesa; 10. o agente fiscal cometeu um grande equivoco ao fundir as duas espécies de penalidade aplica (multa isolada + multa de oficio), mediante aplicação retroativa da Lei 11.941/2009. Enquanto a multa em tese cabível neste auto de infração decorre do não recolhimento de tributo, o ilustre fiscal alterou a natureza da penalidade, tratando da multa isolada e da multa de oficio como se fossem uma única coisa, o que não subsiste, frente às regras vigentes ao tempo dos fatos geradores; assim, na remota hipótese de se entender pela subsistência de alguma das penalidades, deve ser aplicada ao caso em concreto as disposições contidas no art. 35, da Lei 8.212/1991, que como se sabe tem sua multa iniciada em 12%, progressiva no tempo, podendo chegar a até 100%; 11. o pressuposto para a aplicação da multa de oficio majorada, tanto na redação original do art. 44, da Lei 9.430/1996, como na redação atual, dada pela Lei 11.488/2007, é que esteja configurada ao menos uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, todos da Lei 4.502/1964; da leitura dos referidos dispositivos se colhe que todas as condutas neles descritas somente podem ser consideradas como efetivamente ocorridas nos casos em que se observe ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte, no intuito de encobrir o surgimento da obrigação tributária. Imprescindível, portanto, a prova da prática dolosa dos crimes de sonegação, fraude e/ou conluio, eis que o dolo é elemento ínsito a essas condutas, sendo certo que o dolo não se presume, se prova, o que não ocorreu no caso em comento, inconcebível, portanto a sua aplicação; 12. afirma que as contribuições apuradas na competência 11/2005 e anteriores restam fulminadas pelo instituto da decadência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0731.809 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 238/253) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas na caracterização do fato gerador e na aplicação da multa. Assim, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo o lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador e das multas lançadas. Tratandose de lançamento de ofício, a multa a ser aplicada é a de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, ou a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, conforme determina o art. 35A da Lei 8.212/1991, dependendo da data do fato gerador da contribuição, haja vista as alterações da legislação pertinente, introduzida pela MP nº 449 de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Esses fundamentos legais foram devidamente registrados nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) e nas planilhas de cálculos comparativos da aplicação da multa. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/230) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Fl. 357DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 27/54) e seus anexos (fls. 01/26 e 55/230) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Discriminativo Sindético de Debito (DSD); planilhas de cálculos comparativos de aplicação da multa; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/230) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Dentro desse contexto, a Recorrente alega que a decisão de primeira instância não examinou os itens 145 a 161 da sua peça de impugnação e, com isso, deixou de apreciar, no cálculo da multa, as GFIP’s apresentadas pelas terceiras pessoas. Tal alegação não será acatada, já que a decisão de primeira instância mencionou que “(...) os argumentos apresentados pela defendente não desqualificam o procedimento fiscal, ou porque são irrelevantes, ou porque não trouxeram aos autos nenhuma prova de suas alegações, ou porque tais não podem ser analisados isoladamente como pretende. O que prevalece, no presente caso, é o somatório de fatos importantes, que se fossem analisados isoladamente seriam apenas indícios, mas é o conjunto probatório, harmônico entre si e no mesmo sentido, que conduz à inevitável conclusão de que as empresas estão intimamente interligadas, fato que não acontece em simples relações comerciais”. Além disso, a decisão de primeira instância registrou que apreciou as folhas de pagamento das terceiras pessoas no momento em que mencionou que “(...) os valores constantes dos levantamentos FO, FF, FS e F7 e desdobramentos, foram extraídos das folhas de pagamento das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA. ME e Confecções Sevem LTDA. ME, sendo por elas declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Fl. 358DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 6 9 Informações à Previdência Social GFIP, observadas as peculiaridades devidas das rubricas declaradas”. E, nesse caminhar, percebese que o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n. 799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, segundo a doutrina, entendese que há distinção entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, o julgador deve enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, não estando obrigado a enfrentar todas as alegações feitas pela parte a respeito dessa questão – no caso em tela a utilização de terceiras pessoas na contratação de mão de obra –, bastando que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008). Com relação à alegação de que os recibos de pagamentos por fora (extrafolha) não foram entregues pela Recorrente e nem houve o termo de apreensão desses recibos, cumpre esclarecer que a Recorrente foi devidamente intimada para a apresentação das pastas referentes aos documentos dos empregados, e, junto a estes documentos, encontravam se tais recibos de pagamentos. Os valores constante dos recibos de pagamentos não constavam da folha de pagamento, tampouco foram declarados em GFIP, conforme cópias de fls. 250/356 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 (processo 13971.005406/201023). Com isso, esses valores foram lançados como salário de contribuição (base de cálculo), sendo, portanto, correto o procedimento adotado pelo Fisco e não será acatada a alegação da Recorrente de nulidade desse procedimento. Também não se pode esquecer que a nulidade do lançamento fiscal e da decisão de primeira instância está diretamente ligada à ocorrência de prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, observandose o princípio do pás de nullité sans grief, o que não foi demonstrado nos autos. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal e da decisão de primeira instância são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente alega que seja declarada, em parte, a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os créditos apurados até a competência 11/2005 teriam sido atingidos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 360DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 7 11 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento fiscal em tela referese às competências 10/2005 a 06/2010 e foi efetuado em 08/12/2010, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 02). Contudo, no caso ora em análise, verificase que a conclusão fiscal foi de que a empresa simulou ou fraudou uma situação que não aparenta a realidade dos fatos contábeis, eis que o Fisco evidenciou que, do ponto de vista formal, havia apenas uma empresa, a Recorrente, conforme os fatos delineados no Relatório Fiscal (itens 9 a 11, fls. 70/95, processo 13971.005406/201023). Tais fatos evidenciaram que a escrituração contábil da Recorrente não registrou o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, escampando para uma Fl. 361DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 simulação na contratação da mão de obra por meio de interpostas pessoas jurídicas (empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA ME e Confecções Sevem LTDA ME), e serão enumerados no item seguinte. Ao contrário do afirmado pela Recorrente e considerando que o próprio art. 150, § 4º, do CTN, excetua a sua aplicação na ocorrência dessa situação (simulação ou fraude), entendese pela aplicação da regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que nenhuma competência lançada foi abrangida pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a alegação de decadência não será acatada, eis que as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência e o lançamento fiscal referese ao período de 10/2005 a 06/2010, fora do período decadencial, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. Diante disso, rejeito a alegação de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame das demais questões. Com relação à caracterização da relação jurídica material dos segurados empregados, constatase que o Fisco concluiu que, durante o período fiscalizado, havia apenas uma única empresa, qual seja, a Vog Comercial Têxtil Ltda (Recorrente). E, afirma que essa relação material dos empregados era distinta da relação formal estabelecida com as empresas: Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, todas optante pelo SIMPLES a época dos fatos geradores. No presente caso analisado, os elementos informativos apontam que não há três empresas, relativamente aos trabalhadores remunerados, mas apenas uma, a saber, a Recorrente (Vog Comercial Têxtil Ltda), pelos seguintes motivos: 1. a Recorrente iniciou suas atividades em 01/10/2002, com o nome de Novatêxtil Ltda, tendo como sócios o casal Odete e Vilmar Glasenapp (sócio da Villa Confecções Ltda., até 01/10/2002), ambos com 50% de participação e objeto social o ramo de indústria e comércio e representação de confecções em malha, com sede na Rua: Gustavo Zimmermann, número 4.075, Bairro Itupava, Blumenau/SC. Em janeiro de 2003 o sócio Vilmar foi substituído na sociedade pela sua filha menor, representada pelo pai. Odete Glasenapp passou a responder pela empresa. E em sua 5ª alteração alterou o nome empresarial para VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda., e o seu objeto social passou a ser "desenvolvimento de produtos da moda em malha, show room, indústria, comércio e exportação de artigos do vestuário em geral, tendo como atividade secundária o fornecimento de alimentos através de seu próprio refeitório"; 2. a Novatêxtil Ltda – ME, iniciou suas atividades em 01/08/2003, tendo como sócios Alirio José Nardeli (administrador) – exfuncionário de Villa Confecções Ltda., no período de 02/05/2000 a 30/08/2003 –, e Gisela de Souza também era funcionária da Villa Confecções Ltda. até 03/2003, e objetivo social de explorar o ramo de "indústria, comércio e facção de artigos do vestuário em geral. Em 20/07/2004, Alirio José Nardeli foi substituído na sociedade por Raul de Oliveira (contador) e a partir de 01/08/2004, foi registrado na própria empresa como encarregado do setor de costura. Enquanto que Gisela de Souza, Fl. 362DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 8 13 além de fazer parte do quadro societário da empresa Novatêxtil Ltda. – ME, a partir de 01/05/2008 foi registrada pela Recorrente como inspetora de qualidade de produtos oriundas das facções. Várias foram as alterações contratuais relativas à mudança de endereço, todas no sentido de acompanhar as mudanças de endereço da VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda. Atualmente os segurados empregados de ambas empresas trabalham juntos no mesmo endereço; 3. a Patrick Malhas Ltda ME iniciou suas atividades em 01/08/2003. Seu objetivo era a "industrialização de artigos têxteis, corte de malhas, estampa e embalagem de artigos em malha, tendo como sócios Nelson Stolb (administrador) que até 01/08/2003 também era funcionário da Villa Confeccções Ltda., Lorimar Rohweder e René Beck. Na 3º alteração contratual (abril de 2010), o seu objeto social passou a ser "fabricação de tecidos de malha por conta e ordem de terceiros" e novos sócios Renaldo Testoni e Bianca Testoni assumiram a sociedade. A maioria dos seus empregados também no mesmo endereço que os empregados das empresas Novatêxtil Ltda. – ME, e VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda; 4. A Confecções Sevem Ltda – ME, foi constituída em 01/05/1997, tendo como sócios Nilson Nivaldo de Oliveira e Rosane Fiedier de Oliveira exfuncionária da Villa Confecções Ltda. Mas, apesar de manter 45 empregados registrados e trabalhando em um endereço fora da sede da autuada, em entrevista Rosane Fiedier de Oliveira declarou “que o Sr. Vilmar Glasenapp é responsável pelo pagamento de salário dos seus empregados, todas as despesas, tributos, processos trabalhistas, etc..., inclusive paga um salário” pra ela na condição de sócia gerente. Ou seja, eles são “sócios” mas não correm nenhum risco econômico; 5. as despesas como água, luz, telefone, refeitório, matérias de consumo, matéria prima, despesas operacionais e as demandas trabalhistas, incorridas pelas contratadas são todas suportadas pela Recorrente; 6. apesar de cada uma das empresas vinculadas possuírem conta em banco, existem procurações envolvendo todos os “supostos sócios”, o contador, a financeira e Vilmar Glasenapp, dando plenos poderes para estes movimentarem as referidas contas. Algumas dessas procurações são públicas e outras não, de acordo com a relevância do compromisso de modo que as contas são pagas conforme a disponibilidade do caixa e quando não pela transferência entre as contas bancárias como se pode ver nos lançamentos contábeis e extratos da autuada em anexo. Os documentos de caixa apresentados pelas empresas vinculadas em todo o período fiscalizado não enchem uma caixa de arquivo e se restringem a comprovante de contas pagas de fato pela impugnante. Dentre os poucos papéis se pode ver que o carimbo "novatêxtil" nos recibos de pagamentos é o mesmo usado para as despesas de todos os CNPJ envolvidos, seja para pagamento de advogado, padaria, oficina, combustível, vale transportes, aluguéis, Fl. 363DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 dentre outros. Os pagamentos de tributos, FGTS das empresas do Simples são identificados com o telefone 33386362 da Recorrente como responsável. Os recados da contabilidade para os pagamentos e fluxo de caixa são encaminhados para a Iracema Baer responsável pelo setor financeiro e para Vilmar Glasenapp e envolve todos os empregados. Independente de onde estejam registrados, as informações leva a marca "novatêxtil"; 7. o contador deixou de apresentar a contabilidade das empresas vinculadas, justificandose que as mesmas são optante pelo Simples. Apresentou apenas o razão da conta caixa, o qual, haja vista a discrepância existente entre os dados apresentados e as contas pagas, não serve para qualquer análise. As referidas empresas apresentam as contas como pagas por ela, sem, no entanto, registrar esses pagamentos porque na verdade foram pagos pelo caixa/financeiro da Recorrente; 8. as máquinas e equipamentos são de propriedade da Recorrente, os quais, por meio de um Contrato de Comodato e Prestação de Serviços foram transferidos para o imobilizado da empresas “simuladas”, sem qualquer garantia ou fiador. No referido contrato, as empresas deixam claro que o objetivo do contrato é a prestação de serviços (locação de mão de obra para confecção) "na fabricação e risco, infesto, corte, costura, bordado, estamparia, embalagem e expedição de malha em geral". Ou seja, frise – se novamente, os empregados registrados nas empresas optante pelo SIMPLES fazem toda a parte industrial (o trabalho bruto), usando os equipamentos e as máquinas cedidas a título de comodato para a confecção dos artigos solicitados enquanto que os registrados na autuada cuidam do desenvolvimento do produto, compra, venda e administração do negócio; 9. no período fiscalizado, da análise do demonstrativo de resultado das empresas, fls. 88 e 89, verificase que faturamento das interpostas pessoas jurídicas não era suficiente para cobrir as despesas com as suas respectivas folhas de pagamento, enquanto que a folha de pagamento da Recorrente não chegou a 3% do seu faturamento. A Recorrente é o único cliente destas, para quem as mesmas fornecem toda a mão de obra através de contrato de prestação de serviço com exclusividade. A requerente encaminha toda a matériaprima por meio de nota de remessa para industrialização por encomenda enquanto que as supostas prestadoras de serviço devolvem as mercadorias como serviço prestado; 10. entrevistas realizadas com os segurados das empresas arroladas e informações extraídas do sistema informatizado CNIS, extratos de fls. 214/237 demonstraram o movimento de registro de empregados entre as empresas, os quais na maioria das vezes permaneceram executando as mesmas funções no mesmo local. Esses elementos fáticos probatórios apontados acima, no meu entendimento, caracteriza a fraude objetiva ou simulação objetiva da relação empregatícia em decorrência da relação obrigacional com as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME ser apenas formal e não material. E, estando presentes os Fl. 364DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 9 15 requisitos da relação de emprego (pessoalidade, subordinação, não eventualidade, onerosidade e alteridade – art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, e arts. 2º e 3º da CLT), numa determinada prestação ou relação de trabalho, é indiferente para a relação empregatícia a presença ou não do consilium fraudis (elemento subjetivo a máfé, o intuito malicioso de prejudicar) entre as partes ou mesmo da conscientia fraudis (elemento subjetivo com a consciência ou vontade de fraudar) por parte do empregador, com o consequente afastamento dos atos fraudulentos e o reconhecimento da real relação obrigacional tributária entre as partes: segurados empregados e a Recorrente. Dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação “(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citandose, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica (“pejotização”) pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes” (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, n. 36, 2010; pág. 170/171). Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que “(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor” (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). A Recorrente alega que o Fisco não poderia desconsiderar a constituição da empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, nem poderia aplicar os artigos 116 e 149 do CTN. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco poderá descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, a relação real entre as empresas, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária, desde que haja elementos probatórios apontado o real sujeito passivo da obrigação tributária, que foi o caso dos autos. De mais a mais, a legislação tributária, expressamente, confere atribuição à autoridade fiscal para impor “sanções” sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, conforme regras previstas nos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar o Fl. 365DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ......................................................................................................... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (g.n.) Para tanto, o Fisco informa que o lançamento fiscal tem como fundamento o fato de que as empresas vinculadas estão sendo utilizadas pela VOG Comercial Têxtil Ltda com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada por ela, e delineia, dentre outros, os seguintes motivos: “[...] CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS 9. Introdução 9.1. A VOG mantém em torno de 280 empregados alocados nessas empresas vinculadas, constituídas para serem optantes pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. Tais empresas estão em nome de seus empregados e operam exclusivamente para a VOG em suas instalações ou em tomo dela, usando seus próprios maquinários e equipamentos, sendo administradas por ela através do seu financeiro, ou seja, ela paga todas as despesas desses CNPJ vinculados como energia elétrica, água, telefone, alimentação, tributos, folhas de pagamentos etc. (...) DA CONTABILIDADE BLUMECON 0 contador Raul de Oliveira é outro parceiro do Sr. Vilmar desde a Villa Confecções. É dele a responsabilidade de constituir essas ME e "sócio" da Novatêxtil. E o assessor direto do proprietário e tem procuração para administrar a VOG e as firmas vinculadas. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 10 17 Curioso é que a Blumecon paralisou as suas atividades previdenciárias de abril de 2004 até fevereiro de 2010. Simplesmente não registrou ninguém, não declarou nada e não contribuiu com nada para o INSS (nem mesmo sobre o pró labore). Mas como assessorar um negócio do tamanho da VOG, envolvendo vários CNPJ e outros pequenos terceirizados sozinho. Simples. Utilizando a mão de obra de empregados registrados em outras ME. Alessandro Muller (o Sandro), conhecido no bairro como "sócio" do sr. Raul e responsável por todas as folhas de pagamento e GFIP geradas pela Blumecon Sandra Helena de Oliveira (esposa do sr. Raul) eram registrados na Stolle de fevereiro/2005 até março/2010;e Fabiana Jensen registrada na Confecções Seven. Só a partir de abril de 2010, esses empregados foram registrados na Blumecon. Sobre o trabalho de Sandra Helena na Representada, na entrevista com o encarregado do setor Sr. Nelson Stolb , que era o "sócio" dessa firma até o final de 2009, declarou desconhecer essa empregada e que jamais trabalhou na estamparia. (...) DA ESTRATÉGIA DE MARKETING Como se pode observar no organograma, no setor industrial/produção (na base da pirâmide) estão os colaboradores registrados no CNPJ das firmas do SIMPLES (que abrigou os funcionários vindos da Novatêxtil e sua filial e da Stolle) e no setor administrativo, que comprovadamente mantém o controle empresarial, estão os registrados na VOG. Enquanto que a Contabilidade Blumecon, sob a supervisão do sr. Raul de Oliveira, é a responsável pelo departamento pessoal, RH, controle de ponto, seleção e admissão do pessoal sob as ordens do Sr. Vilmar, direcionando o pessoal selecionado para os CNPJ convenientes. Recordo que até o inicio de 2010, a Blumecon exerceu suas atividades com a colaboração de empregados, cujos registros se deram nos CNPJ dessas firmas do Simples. (...) Os empregados são jogados de uma pessoal jurídica para outra, a maioria deles sem saber de nada, haja vista que não ocorre a rescisão do contrato de trabalho quando da mudança, mantendo a mesma data da sua primeira admissão. Esta prática é permitida conforme a CLT para transferências de empregados de mesmo grupo econômico, cisão e fusão de empresas. A família administra o negócio de forma única, com certeza. A partir da central telefônica – a mesma para todos os empregados –, email, material de expediente, marketing, centro administrativo, loja da fábrica, mesmo endereço, mesmo refeitório, RH, financeiro, contabilidade, enfim, única empresa, Fl. 367DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 cujos diretores estão no topo do organograma e se chamam Vilmar e Odete Glasenapp – VOG. (...) DO REFEITÓRIO e ANIVERSARIANTES DO MÊS Em fevereiro de 2007 quando da 4a . alteração contratual da empresamãe para incluir um segundo objetivo social "fornecer alimentação aos colaboradores..." a VOG formalizou o fornecimento de refeição para todos os seus colaboradores, registrados em diversos CNPJ (Novatêxtil e filial , Stolle, Seven e VOG), incluindo em seu mobilizado todo o mobiliário da cozinha, sendo que o registro do pessoal da cozinha sempre esteve na Representada. Refeições à parte, toda a despesa com alimentação do pessoal (supermercado, padaria, lanchonete etc) como podemos ver nos documentos de caixa sempre foi pago pela VOG. A lista de consumo mensal nas padarias da região vem discriminada nos valores dos recibos o nome do responsável de cada firma, por ex., Rosane da Seven, Bernadete da filial, Odete da Novatêxtil, Nelson da Estamparia (Stolle) com os recibos em nome da empresamãe (carimbo padrão da empresa – era Novatêxtil). É no restaurante que a empresa também comemora o aniversário de todos os empregados que trabalham no mesmo local, cuja lista de aniversariantes é de responsabilidade da recepcionista (registrada na VOG) e que mensalmente é exposta ali. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS e PROCURAÇÕES Apesar dessas empresas vinculadas terem conta em banco, entre eles existem as procurações envolvendo todos os "supostos sócios", o contador, a financeira e o sr. Vilmar para eles movimentarem as contas. Algumas dessas procurações são públicas e outras não, de acordo com o relevância do compromisso de modo que as contas são pagas conforme a disponibilidade do caixa e quando não pela transferência entre as contas bancárias como se pode ver nos lançamentos contábeis e extratos da VOG. Os documentos de caixa apresentados pelas firmas vinculadas em todo o período fiscalizado não enchem uma caixa de arquivo e se restringem a comprovante de contas pagas de fato pela empresamãe. Mesmo dentro destes poucos papéis se pode ver que o carimbo "novatêxtil" nos recibos de pagamentos é o mesmo usado para as despesas de todos os CNPJ envolvidos, seja para pagamento de advogado, padaria, oficina, combustível!, vale transportes, aluguéis, etc. Os pagamentos de tributos, FGTS das empresas do Simples são identificados com o telefone 33386362 da VOG como responsável. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 11 19 Os recados da contabilidade para os pagamentos e fluxo de caixa são encaminhados para a sra. Iracema e para o Sr. Vilmar e envolve todos os empregados. Independente de onde estejam registrados, as informações levam a marca "novatêxtil". DOS PAGAMENTOS POR FORA (EXTRAFOLHA) (...) Solicitado a pasta de documentação dos empregados, foi constatado através de recibos de pagamentos que os funcionários de destaque recebem "por fora" quantias muito superiores às declaradas em GFIP. Esses recibos são assinados e arquivados mensalmente em suas pastas no RH. Os valores não sofrem o desconto do INSS e o FGTS vem somado a mais nos recibos. Assim são os ordenados dos seguintes funcionários: 1. Iracema Baer – financeira – registrada na Novatêxtil e na VOG. 2. Manfredo Baer (esposo de Iracema) – chefe do PCP – registrado na VOG. 3. Gisela Krueger – inspetora de qualidade das facções – registrada na VOG e sócia da Representada. 4. Astrid Litzenberger – encarregada de corte – registrada na Novatêxtil. 5. Ledir Lunelli – carregada da talhação – registrada na VOG. 6. Renaldo Testoni – encarregado da fiação – registrado na Stolle. DO CONTROLE DO VALE TRANSPORTE, DOS ALUGUEIS e VÍCIOS / ERROS SEMELHANTES Outro exemplo que a VOG administra os empregados registrados em seus diversos CNPJ é o controle de pagamento do vale transporte encontrado nos documentos de caixa da empresamãe: cada qual com a guia de pagamento em cada CNPJ (em nome do Consórcio Siga) e a relação nominal discriminada acompanhando o boleto de cobrança emitido pela administração da empresa. Assim também o pagamento de quem usa o transporte por Vans. Não é diferente o pagamento do aluguel, ele vem em planilha para a VOG, discriminando a firma, mas controlado e quitado pela VOG, embora a contabilidade procure encaminhar para o registro contábil de cada uma delas. Os "sócios" dessas firmas de fato são empregados da VOG. Tiramos por ex. os pagamentos dos 13o salários de todo o período fiscalizado. Embora sob o titulo de prólabore, a empresa faz questão de pagar o salário do "sócio Fl. 369DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 empregadores" e é lançado na folha de pagamento de cada um desses CNPJ como para os demais funcionários. Mais um detalhe semelhante: o contador deixou de encaminhar a GFIP e pagar o INSS do 13o salário de 2006 de todas essas firmas do SIMPLES (da Novatêxtil e sua filial, da Stolle e da Seven). Ou seja, na condição de que o que faz para uma dessas firmas, faz para as demais; quando paga um documento, paga para todas as outras, quando deixa de pagar para uma, deixa para todas. São erros (ou vícios) semelhantes de quem administra todo o negócio de forma única. DO RELATÓRIO DE PAGAMENTO DE DUPLICATAS e OPERADOR DA CONTA A VOG emitia um relatório apenas para controlar as duplicatas a pagar em ordem de vencimento em nome dela e no final da página anotava à mão (manuscrito) o valor do material consumido em cada um de seus CNPJ. Outra prova da administração da VOG pelo sr. Vilmar Glasenapp são os vários protocolos de autorização de movimentação da conta Rail Bankline da empresa como sendo ele próprio o operador do sistema para o pagamento das despesas de todas as firmas. DO COMODATO DOS EQUIPAMENTOS E MAQUINAS e PRESTAÇÃO DE SERVIÇO Como tudo é administrado pela empresamãe, a opção encontrada para "simular' a operação de empresa independente dando transparência de legalidade ao ato de transferir o imobilizado para os CNPJ vinculados, sem cobrar aluguel dele mesmo , foi o uso de "CONTRATO DE COMODATO e PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS", onde a VOG entra no negócio com todos os equipamentos, as máquinas, o pagamento de todos os custos industriais e os encargos e a Representada registra os empregados para a mão de obra da produção. Sequer garantia as empresas firmam entre elas nem fiador. No contrato, as empresas deixam claro que o objetivo do contrato é a prestação de serviços (locação de mão de obra para confecção) "na fabricação e risco, infesto, corte, costura, bordado, estamparia, embalagem e expedição de malha em geral" (no ex. do contrato com a Novatêxtil). Significa, portanto, que os empregados registrados nessas ME fazem toda a parte industrial (o trabalho bruto), usando os equipamentos e as máquinas cedidas pela empresamãe a titulo de comodato para a confecção dos artigos solicitados enquanto que os registrados na VOG cuidam do desenvolvimento do produto, compra, venda e administração do negócio. Numa rápida análise, percebese que o faturamento dessas fumas do Simples não é o suficiente para cobrir a folha de pagamento. O comodato justificaria o não pagamento dos equipamentos e das máquinas: imobilizados fundamentais para a execução dos serviços. Ou seja, os CNPJ dessas empresas vinculadas existem exclusivamente para o registro de cerca de Fl. 370DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 12 21 95% dos empregados do grupo na prestação de serviço de mão de obra, apenas. DA TRANSFERÊNCIA DE EMPREGADOS Entrevistas realizadas com os funcionários e documentos do FGTS/CNIS demonstram o movimento de registros entre as empresas e esses empregados permaneceram, em sua maioria, executando suas funções no mesmo local. 0 RH e a contabilidade são os mesmos para todas as firmas e usam o mesmo sistema de informação/software da VOG e trabalha com os dados de todos os empregados ao mesmo tempo como se fosse uma única empresa, dividida em departamentos (inclusive para os funcionários da Seven). Portanto tudo é gerado ali. De fato, única empresa. Foram mais de 40 entrevistas com empregados registrados em todos esses CNPJ citados e a praticamente 100% afirmaram que "os donos disso tudo são o casal Vilmar e Odete" Glasenapp e eles quem administram. (...) DA ADMINISTRAÇÃO E GERENCIAMENTO FINANCEIRO A gestão administrativofinanceira da VOG e dessas ME é exercida pelos proprietários do negócio. Seus parentes, amigos e empregados estão no contrato social dessas empresas apenas como parte figurativa do processo, isto 6, a sociedade possui um único comando, independentemente de onde estejam registrados os trabalhadores. Tudo é feito na sua administração: o atendimento, a compra, a venda, o expediente, a produção, a execução do serviço tem a marca VOG / NOVATEXTIL e são realizados sob o comando dos srs. Vilmar e Odete Glasenapp. Esses CNPJ na verdade foram utilizados para simular a terceirização de serviço de mão de obra com exclusividade. O sr. Vilmar (e os mentores do negócio) tem procuração entre si com poderes ilimitados para gerir as firmas vinculadas e a VOG e assim movimentar suas contas conforme as suas necessidades como podemos ver nos pagamentos feitos via internet onde ele paga as contas ao mesmo tempo de todas as empresas ou nos extratos bancários onde aparecem pagamentos, DOC, TED e transferência entre as contas para todos os CNPJ envolvidos. O objetivo da utilização dessas firmas é desenvolver a atividade com várias empresas paralelas: nas do SIMPLES estão registrados 95% dos empregados e contabilizadas os custos da mãodeobra e na VOG (lucro presumido) registra poucos empregados e é usada exclusivamente para o faturamento. Essas ME de fato só existem para registrar os empregados, no papel. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Ela não dispõem de patrimônio e capacidade operacionais necessários à realização de seu objetivo. Tratase de uma "simulação" quando comprovadamente uma empresa optante pelo SIMPLES não cumpre o seu objeto social; tem massa salarial incompatível com seu faturamento; "desenvolve" suas atividades utilizando bens constantes no ativo permanente da empresamãe sem nenhum vínculo jurídico justificador dessa utilização; igualmente possui despesas operacionais referentes a pagamentos da manutenção desses bens etc. Concluise que esses CNPJ vinculados estão sendo utilizados pela VOG Comercial Têxtil Ltda com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada por ela. [...]”. (Relatório Fiscal, fls. 70/95, processo 13971.005406/201023) Além da outorga de poderes explícitos ao Fisco para identificar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, nos termos do art. 142 do CTN, supõe que se reconheça, ainda que por implicitude, à autoridade responsável pelo lançamento fiscal a titularidade de meios destinados a viabilizar a concretude da regra prevista no art. 149, inciso VII, do CTN, permitindo, assim, que se confira efetividade aos fins legais nessa empreitada de caracterizar a real sujeição passiva da obrigação tributária decorrente de fraude ou simulação objetiva. Se assim não fosse esvaziarseiam, por completo, as atribuições legais expressamente concedidas ao Fisco em sede de lançamento fiscal de ofício oriundo do fato de que o sujeito passivo agiu com fraude ou simulação, já que os elementos informativos acostados aos autos apontam para a inexistência das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, e para a efetiva contratação dos segurados empregados pela Recorrente. Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo da relação tributária, o Fisco não está aplicando a regra prevista no art. 116 do CTN – nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil –, já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária e tributária, e encontra respaldo legal nesses artigos 142 e 149, inciso VII, do CTN. Cumpre esclarecer que as alegações da Recorrente, registradas na peça recursal e na peça de impugnação, não estão consubstanciadas em documentos probatórios e sim em meros relatos de que o Fisco não poderia desconsiderar a constituição da empresa Candói Indústria de Pasta e Papel Ltda nem aplicar os artigos 116 e 149 do CTN. Essas alegações da Recorrente, desacompanhadas de elementos subjacentes ao fato que se pretende comprovar, não constituem, por si só, elementos de prova. Além disso – visando comprovar a fidedignidade dos registros contidos nos seus documentos declaratórios do pacto firmado entre a Recorrente e as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, expostos na sua tese de defesa –, caberia à Recorrente apresentar documentos, contemporâneos à prestação de serviços, contábeis e fiscais que demonstrassem o contrário do que foi apontado e comprovado pelo Fisco como a real inexistência das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual entendo que foi materializado no Relatório Fiscal (fls. 70/95, processo 13971.005406/201023) e nos documentos acostados aos autos de fls. 96/420 –, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 13 23 Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Assim, uma vez ausente a autonomia organizacional das empresas intermediárias Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, e sem assunção ativa (propriedade dos meios de produção) e passiva (responsabilidade pelos riscos do empreendimento), acrescida do fato de serem os sócios da empresa Vog Comercial Têxtil Ltda (Recorrente) procuradores dessas empresas intermediárias, estáse diante de típica relação de fraude ou simulação objetiva, o que invoca a aplicação dos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN. É importante frisar que, para fins tributários, a comprovação da relação obrigacional não depende exclusivamente da demonstração da ocorrência de dolo, culpa ou fraude no ato de constituição das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que originou a relação jurídica tributária. A obrigação da empresa é recolher a contribuição social previdenciária decorrente dos segurados empregados, devidamente relacionados e caracterizados diante da realidade fática evidenciada pelo Fisco, não cabendo a este analisar os motivos subjetivos do não recolhimento dos tributos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Na peça recursal, a Recorrente alega que o Fisco não pode desconsiderar a personalidade jurídica das empresas intermediárias Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA ME e Confecções Sevem LTDA ME, que foram legalmente constituídas, e apurar as pretensas contribuições sociais previdenciárias. Tal argumento é impertinente ao presente processo, eis que restou demonstrado nos autos que não houve desconsideração da personalidade jurídica, sendo que a apuração das contribuições lançadas decorre dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente e da realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços, já que houve a demonstração de que as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME não tinham quaisquer relação empregatícia com os segurados empregados. Com efeito, o Fisco tem competência para afastar os efeitos de negócios jurídicos formalizados com aparência de licitude tributária, quando, de acordo com os elementos fáticos evidenciados no procedimento de auditoria fiscal, revelarem que foram celebrados com o objetivo de não possibilitar a incidência da contribuição social previdenciária no real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, haja vista que relativamente ao plano da eficácia, tais negócios não são oponíveis ao Fisco. Nesse sentido, deve o auditor fiscal Fl. 373DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 efetuar o lançamento, constituindo o crédito tributário, como determinam os artigos 142 e 149, inciso VII. Com relação à base de cálculo, a Recorrente afirma que houve a inclusão de verbas com caráter indenizatório e solicita a exclusão de tais verbas dos valores lançados. Tal alegação não será acatada, eis que não houve a comprovação de que as verbas mencionadas pela Recorrente compuseram a base de cálculo dos valores lançados, tratandose apenas de afirmações sem a devida comprovação. Acrescentase a isso que as verbas pagas aos segurados empregados a título de saláriomaternidade, horasextras, bem como os adicionais noturno, de periculosidade e de insalubridade, possuem natureza salarial e compõem a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, a teor do art. 28 da Lei 8.212/1991. Por sua vez, as verbas oriundas do auxíliodoença (15 primeiros dias), do terço constitucional de férias, do avisoprévio indenizado, das férias indenizadas e do auxílio creche possuem natureza indenizatória e, caso houvesse a comprovação nos autos de que tais verbas compuseram a base de cálculo, elas poderiam ser excluídas dos valores lançados, fato este não evidenciado nos autos. Além disso, as remunerações (verbas) lançadas no presente Auto Infração foram declaradas em GFIP pelas empresas vinculadas, exceto o levantamento PF “salário por fora”. Logo, rejeitase a pretensão recursal. No que tange à multa qualificada de 150%, entendo que houve a demonstração dos fundamentos fáticos e jurídicos da multa agravada pelo Fisco. A multa qualificada no percentual de 150% foi aplicada sobre os valores lançados para as competências 12/2008 a 06/2010. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência a regra do art. 44 da Lei 9.430/1996 para as multas oriundas da legislação previdenciária (Lei 8.212/1991). Aplica se a multa qualificada nos casos de evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Esses fundamentos jurídicos foram esposados nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) e no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] 15. Da Multa Qualificada Nos próximos parágrafos, abordaremos os aspectos relacionados A aplicação da multa de oficio prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Em suma, demonstraremos que no presente caso, é de se aplicar a multa em seu percentual duplicado, 2 x 75% = 150%, por restar caracterizada a prática de fraude prevista no art. 72 a Lei 4.502/64. 15.1. A aplicação da multa qualificada se dará a partir da competência 12/2008, tendo em vista que os dispositivos acima citados aplicamse as contribuições previdenciárias a partir da edição da Medida Provisória n° 449 de 04/12/2008. (...) Fl. 374DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 14 25 15.4. Devemos verificar se os fatos anteriormente narrados, que detalham a conduta da fiscalizada, se encaixam em uma das definições estampadas nos arts. 71, 72 e 73, acima transcritas. A conduta a ser analisada no presente caso 6: simular a contratação de empregados pela VOG Comercial através de interpostas pessoas jurídicas (as três empresas vinculadas), constituídas em separado para ser optante pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. 15.5. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela VOG Comercial através de interpostas pessoas jurídicas com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento na definição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito. 15.6. Desta forma, a multa de oficio de 75% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas será duplicada na forma do artigo 44, §1o da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) para as competência 12/2008 a 06/2010.[...]” Assim, entendese que a multa aplicada de 150% foi tipificada legalmente nos Fundamentos Legais do Débito (FLD), conforme os tipos abstratos do art. 44 da Lei 9.430/96 combinados com os arts. 71, 72, 73 da Lei 4.502/1964. Nesse caminhar, o Relatório Fiscal delineou que o negócio jurídico estabelecido entre a Recorrente e as empresas intermediárias (Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME) ocorreu com a finalidade de simular a realidade fática, concluindo que esta foi constituída com o fim de absorver a mão de obra empregada no processo produtivo da própria Recorrente, para obter os benefícios do “Simples” na redução dos encargos tributários. Esse raciocínio decorre dos elementos fáticos registrados nos itens 9 a 11 do Relatório Fiscal (fls. 70/95), que também foram devidamente registrados na decisão de primeira instância nos seguintes termos: “[...] Para melhor descrever a situação de fato antes transcrita vale transcrever a conclusão do auditor fiscal “os empregados são jogados de uma pessoal jurídica para outra, a maioria deles sem saber de nada, haja vista que não ocorre a rescisão do contrato de trabalho quando da mudança, mantendo a mesma data da sua primeira admissão. Esta prática é permitida conforme a CLT para transferências de empregados de mesmo grupo econômico, cisão e fusão de empresas. A família Glasenapp administra o negócio de forma única, com certeza. A partir da central telefônica – a mesma para todos os empregados, email, material de expediente, marketing, centro administrativo, loja da fábrica, mesmo endereço, mesmo refeitório, RH, financeiro, contabilidade, enfim, única empresa, cujos diretores estão no topo do organograma e se chamam Vilmar e Odete Glasenapp” [...]”. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 Percebese, então, que a Recorrente utilizouse das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME para simular a realidade fática evidenciada pelo Fisco, visando esconder o fato gerador da contribuição previdenciária, já que ficou demonstrado que a Recorrente utilizouse de interpostas pessoas jurídicas para absorver a mão de obra empregada no seu processo produtivo. Logo, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada que houve a prática de interpostas pessoas na contratação da mão de obra. O mesmo entendimento, apenas sendo distinta a espécie de tributos, foi manifestado no enunciado da Súmula CARF nº 34: “Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas”. Em relação ao pretenso aspecto confiscatório da multa lançada, melhor sorte não socorre a Recorrente, a teor do art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988 que positivou o princípio do nãoconfisco. Constituição Federal de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Como estampado no art. 3° do Código Tributário Nacional (CTN), tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito tem na multa pecuniária uma de suas espécies. Assim, tratandose de multa pecuniária, não há que falar em princípio nãoconfisco. Vêse, claramente, que o CTN extrema os conceitos de tributo e de multa, não havendo identidade entre estes. O princípio do não confisco (art. 150, IV) somente se aplica a tributos. Com isso, rejeitase a pretensão recursal. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19911). 1 Lei 8.212/1991: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 15 27 De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005408/201012 Acórdão n.º 2402004.380 S2C4T2 Fl. 16 29 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000283/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003
RECURSO PROTOCOLADO APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. OCORRÊNCIA.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário dentro do prazo legal.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003 RECURSO PROTOCOLADO APÓS O TRANSCURSO DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. OCORRÊNCIA. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário dentro do prazo legal. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 02 83 /2 00 7- 36 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de notificação de débito constituída em 19/09/2007 para exigir contribuição previdenciária cota patronal, GILRAT e contribuições de terceiros, no período de 01/1997 a 12/2003. A Recorrente apresentou impugnação pleiteando a total insubsistência da autuação (fls. 428/462). A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou o lançamento procedente (fls. 465/479), sob os argumentos de que: (i) o prazo para a constituição de créditos previdenciários é de 10 anos; (ii) a NFLD foi devidamente motivada; (iii) não houve cerceamento do direito de defesa; (iv) a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação; (v) a simples negativa geral do sujeito passivo em relação ao fato constitutivo do lançamento não provoca o seu cancelamento; (vi) não se considera o pedido de perícia quando este é formulado sem os quesitos referentes aos exames desejados e nem indica o perito; e (vii) a instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 498/515) alegando que: (i) o recebimento da intimação da decisão recorrida foi dado por pessoa que não tem poderes para receber notificações, o que resultou na impossibilidade de apresentação do recurso dentro do prazo legal; (ii) deve ser realizada perícia, pois somente dessa forma seria possível conferir todo o trabalho fiscal, notadamente pelo fato de a fiscalização ter durado mais de dois meses; e (iii) os débitos se encontram parcialmente decaídos. É o relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16024.000283/200736 Acórdão n.º 2402004.361 S2C4T2 Fl. 690 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Ao analisar o recurso interposto pela Recorrente, verificase que o mesmo não preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, a Recorrente tomou ciência da decisão de 1ª instância em 28/02/2008 (fl. 484) e protocolou o recurso voluntário em 18/06/2008 (fl. 498), ou seja, após o prazo fatal, que ocorreu em 31/03/2008. Como é cediço, o prazo para interposição de recurso voluntário é de 30 dias, contados do primeiro dia subsequente à data da ciência da decisão, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, abaixo transcrito: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Assim, resta evidente que a Recorrente interpôs o referido recurso depois do transcurso do prazo de 30 dias, motivo pelo qual a r. decisão recorrida se torna definitiva, nos termos do art. 42, inc. I, do Decreto nº 70.235/1972: “ Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...)” Diante disso, entendo que o recurso voluntário não deve ser conhecido, por não preencher a todos os requisitos de admissibilidade. Por fim, destacase que existem competências que se encontram em períodos abarcados pela decadência, considerando o exposto na Súmula Vinculante nº 08 do STF, devendo as autoridades administrativas tomar as providências cabíveis antes de proceder com a exigência, dado este assunto ser de ordem pública. Ante todo o exposto, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909590/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 90 /2 01 2- 51 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909590/201251 Acórdão n.º 3801002.741 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.010642/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004
PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
É dever da autoridade julgadora zelar pelo cumprimento do princípio do contraditório e da ampla defesa nos procedimentos administrativos sob a sua direção, intimando às partes para se manifestarem quanto aos atos praticados pela autoridade administrativa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2402-004.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2004 PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É dever da autoridade julgadora zelar pelo cumprimento do princípio do contraditório e da ampla defesa nos procedimentos administrativos sob a sua direção, intimando às partes para se manifestarem quanto aos atos praticados pela autoridade administrativa. Decisão Recorrida Nula
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INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É dever da autoridade julgadora zelar pelo cumprimento do princípio do contraditório e da ampla defesa nos procedimentos administrativos sob a sua direção, intimando às partes para se manifestarem quanto aos atos praticados pela autoridade administrativa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 06 42 /2 00 7- 69 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Luciana de Souza Espíndola Reis. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10980.010642/200769 Acórdão n.º 2402004.364 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 27/09/2006 (fl. 118) para exigir contribuição previdenciária da empresa, contribuição dos segurados e GILRAT, no período de 01/1999 a 03/2004. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 119/140) requerendo a extinção dos débitos exigidos. O serviço do Contencioso Administrativo determinou que a fiscalização esclarecesse a apropriação realizada do salário da servidora Silvana de Assis G. Lacerda no mês de 05/1999, pois de acordo com o lançamento estaria sendo computado o salário duas vezes no mesmo mês (fl. 143). O serviço de Fiscalização apresentou informação fiscal (fls. 185/187) retificando o lançamento, por ter a Recorrente comprovado que os comissionados Gerson Luiz Ferreira, Marlize Terese Eggers Jorge e Jussara de Carvalho são servidores estatutários efetivos da Prefeitura Municipal de Curitiba, cedidos para a Suderhsa. Pontuou também que o salário de 04/1999 da servidora Silvana estava equivocadamente lançando no período de 05/1999, por ter sido pago em atraso. A d. DRJ em Curitiba/PR julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 193/207), propondo a retificação do lançamento conforme informação fiscal. A Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 211/279), alegando que: (i) não foi considerada a solicitação de apropriar para o mês de 01/2001, os servidores Alexandre Rodrigues e Rudi Celso Fischer, pois foi recolhido o atrasado no mês de 03/2001; (ii) os valores exigidos nas competências de 01/1999, 02/1999, 03/1999, 07/1999, 01/2011, 02/2002, 06/2002, 08/2002, 04/2003 e 12/2003 não são devidos; (iii) o Regime Geral da Previdência Social não oferece nenhuma contraprestação aos ocupantes de cargos comissionados, configurando a exigência ofensa ao princípio do não confisco. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Como se pode verificar no presente caso, a Recorrente não foi intimada do resultado da diligência que resultou na retificação do débito, tendo o processo sido encaminhado diretamente para julgamento da DRJ. Portanto, não lhe foi oportunizado o direito de defesa, em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo imprescindível que a r. decisão recorrida seja anulada. Nesse sentido, esta Corte Administrativa assim já se manifestou: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO. INOBSERVÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO. I É dever da autoridade julgadora, observar o princípio do contraditório nos procedimentos administrativos sob a sua direção, oportunizando a parte se manifestar nos autos sempre que a outra o fizer, eis que do contrário, implica em flagrante desprestígio ao principio constitucional acima indicado, impondo a anulação de sua decisão. Processo Anulado.”(CARF, 2º CC, 6ª Câmara, PAF nº 353.011658/200631), RV nº 142.085, Acórdão nº 20601.354, Sessão de 07/10/2008) Diante do exposto, voto no sentido de anular a decisão de 1ª instância para que a Recorrente seja devidamente notificada acerca do resultado da diligência de fls. 185/187, oportunizandolhe o contraditório, devendo a d. DRJ realizar novo julgamento do processo após manifestação do contribuinte. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10950.904959/2012-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 59 /2 01 2- 82 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904959/201282 Acórdão n.º 3801004.505 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10467.720133/2011-33
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ESTABILIDADE. RETIFICAÇÃO DE DIPJ
A retificação de DIPJ realizada após a ciência do lançamento tributário não afeta a situação jurídica do autuado na época da ação fiscal e não é causa suficiente para a alteração do lançamento realizado.
DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA.
O sujeito passivo deve demonstrar a dedutibilidade das despesas, por meio de informações coesas e embasadas em documentos, as quais foram perquiridas pela fiscalização, cabendo a manutenção das glosas naquilo em que tal mister não foi cumprido.
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. JUROS PASSIVOS.
Não é dedutível da base de cálculo do IRPJ despesa com juros passivos devidos a empréstimo cujos recursos não estão à disposição da empresa, em razão de bloqueio determinado em decisão judicial contrária ao credor do empréstimo.
Numero da decisão: 1801-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca e Alexandre Fernandes Limiro que deram provimento em parte por exonerar a glosa das despesas a título de juros por mútuo com sócio.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Presumese a omissão de receitas quando o registro de suprimento de numerário, efetuado por sócio da empresa, não for comprovado por documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores. DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA. O sujeito passivo deve demonstrar a dedutibilidade das despesas, por meio de informações coesas e embasadas em documentos, as quais foram perquiridas pela fiscalização, cabendo a manutenção das glosas naquilo em que tal mister não foi cumprido. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. JUROS PASSIVOS. Não é dedutível da base de cálculo do IRPJ despesa com juros passivos devidos a empréstimo cujos recursos não estão à disposição da empresa, em razão de bloqueio determinado em decisão judicial contrária ao credor do empréstimo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ESTABILIDADE. RETIFICAÇÃO DE DIPJ A retificação de DIPJ realizada após a ciência do lançamento tributário não afeta a situação jurídica do autuado na época da ação fiscal e não é causa suficiente para a alteração do lançamento realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 01 33 /2 01 1- 33 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 238 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca e Alexandre Fernandes Limiro que deram provimento em parte por exonerar a glosa das despesas a título de juros por mútuo com sócio. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório SINAL MOTOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1142.041 (fl. 174), pela DRJ Recife, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2007, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (75%) TOTAL FLS. IRPJ 85.913,42 29.948,95 64.435,04 180.297,41 124 PIS/PASEP 7.544,73 2.699,52 5.658,54 15.902,79 135 COFINS 34.751,49 12.434,37 26.063,61 73.249,47 143 CSLL 39.568,83 13.776,67 29.676,61 83.022,11 151 A empresa foi autuada por três infrações: (i) omissão de receita por suprimento de numerário; (ii) glosa de custos não comprovados e (iii) glosa de despesas desnecessárias. Conforme a narrativa contida no Relatório de Fiscalização (fl. 118), a empresa mantinha conta do grupo do Ativo Realizável a Curto Prazo denominada Empréstimos a Sócios, que funcionava como um conta corrente entre a empresa e o então sócio Rafael Roberto Furtado. As retiradas eram registradas a título de empréstimos e os ingressos a título de pagamento dos empréstimos. Ao longo do ano fiscalizado, os ingressos totalizaram R$ 457.256,55. A empresa foi intimada a comprovar a origem e a efetiva entrega desses ingressos (fls. 17/20). Em sua resposta, afirma que os valores foram aportados no caixa da Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 239 3 empresa e apresenta como comprovação cópia de recibos assinados pela sua diretora financeira (fls. 23/44). A fiscalização entendeu que os recibos de pagamento apresentados pela fiscalizada não se prestavam a demonstrar que os valores saíram da esfera de patrimônio do sócio supridor e que, efetivamente, entraram no patrimônio da empresa. Por isso, realizou o lançamento por omissão de receita presumida por suprimento de numerário. A glosa de despesas indedutíveis foi assim motivada pela fiscalização (fl. 120): No termo de intimação lavrado em 06.01.11 (fl. 22), a empresa foi intimada a explicar a origem do valor de R$ 4.000.000,00 contabilizado em conta do Passivo Exigível a Longo Prazo denominada JOSÉ ROBERTO SOBRINHO, cód. 2220201001 (cópia do balancete à fl.103). Em sua resposta, a empresa alegou que esse valor se refere a um empréstimo feito pelo então sócio José Roberto Sobrinho em 2004 e que esse recurso havia sido bloqueado por ordem judicial. Para comprovar, foram apresentadas uma cópia de contrato de mútuo assinado pela fiscalizada e pelo citado sócio e cópia do acórdão do Tribunal de Justiça da Paraíba na apelação cível 200.2004.0023281/ 001 9 (fls. 47 a 53). Como contrapartida à apropriação da obrigação registrada no Passivo Exigível a Longo Prazo, o valor aportado pelo exsócio na SINAL MOTOS LTDA encontrase investido em aplicações financeiras contabilizadas no Ativo Realizável a Longo Prazo, no grupo de contas denominado BLOQUEIO JUDICIAL – Aplicações de Longo Prazo, conta sintética 1220401 (cópia do balancete à fl. 101) Da leitura dos documentos apresentados, verificase que JOSÉ ROBERTO SOBRINHO era sócio tanto da SINAL MOTOS LTDA como de uma empresa chamada Nordeste Brasil Representações Ltda de cujo quadro social se retirou em 2004. Logo após sua saída da Nordeste Brasil Representações Ltda, JOSÉ ROBERTO SOBRINHO, segundo consta do citado acórdão, retirou indevidamente da empresa a quantia de R$ 4.000.000,00 e a depositou em conta bancária da fiscalizada. Dos fatos acima expostos constatase que, na realidade, não houve empréstimo e que o contrato de mútuo apresentado apenas intenta dar uma aparência de legalidade a uma operação que o Judiciário imputou ilegal. Ou seja, o fato que o contrato de mútuo tenta eclipsar é que o aporte do valor na fiscalizada era, na verdade, uma tentativa de ocultação de recursos retirados irregularmente de outra empresa. Observese que JOSÉ ROBERTO SOBRINHO assina o suposto contrato de mútuo tanto pela mutuante como pelo mutuário. Não há sequer testemunhas no contrato. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 240 4 Como a corroborar esse entendimento de que o valor de R$ 4.000.000,00 é estranho ao patrimônio da empresa, a própria fiscalizada não oferece à tributação as receitas financeiras decorrentes de sua aplicação em produtos financeiros. Essas receitas estão sendo apropriadas em Resultado de Exercícios Futuros (Grupo de contas 24). Até por uma questão de coerência, se as receitas financeiras decorrentes da aplicação desses R$ 4.000.000,00 não são oferecidas à tributação, as correspondentes despesas com juros do suposto empréstimo não poderiam ser deduzidas do lucro A glosa de custos deveuse ao fato de o contribuinte não ter apresentado três notas fiscais de entrada: nº 147723, de 01/06/07, no valor de R$ 23.495,34; nº 151096, de 15/06/07, no valor de R$ 23.495,34 e nº 000188, de 26/12/07, no valor de R$ 1.943,00. O autuado apresentou impugnação, cujas razões foram assim resumidas, no relatório da decisão recorrida (fl. 178): I. no tocante aos suprimentos de caixa pretensamente não comprovados, a própria escrituração do contribuinte denuncia a origem dos recursos, oriundos de empréstimos tomados pelo sócio Rafael Furtado junto à empresa fiscalizada, com posterior pagamento dos mútuos, conforme recibos acostados aos autos, não havendo falar na presunção do art. 282 do Decreto nº 3.000/99, inclusive porque não houve qualquer acréscimo patrimonial a justificar a incidência do IRPJ e da CSLL; II. a fiscalizada tomou o empréstimo junto a exsócio, para incremento de suas atividades, à taxa de juros inferiores à praticada no mercado, para formação de capital de giro, devendo, assim, ser deferida a dedução da despesa com juros passivos da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Devese frisar que a decisão judicial que bloqueou os recursos não é definitiva, aguardando o trâmite da via judicial; III. Já no tocante à glosa de custos, “A não apresentação dos documentos remanescentes deveuse exclusivamente a um caso fortuito de depreciação de parte do arquivo da empresa. Não obstante a situação fortuita verificada, para atender à solicitação da auditoria foi reconstruído junto a fornecedores e arquivos auxiliares, o que denota de pronto, o interesse da empresa fiscalizada em atender fielmente as intimações recebidas. Noutro norte, a documentação apresentada indica que a escrituração espelha fielmente sua movimentação contábil e fiscal. Dessa forma, utilizando a auditoria de análises das contas inerentes à movimentação dos estoques da empresa autuada, seria possível verificar a propriedade da escrituração desta, restando evidente a correta apropriação dos custos quando cotejados com as respectivas saídas. Assim, a autuação pela glosa dos custos não comprovados na forma do item 3.3. do Fl. 240DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 241 5 relatório de fiscalização decorre exclusivamente de exacerbado formalismo a ser elidida pela escorreita contabilização analisada” (fl. 167). A DRJ considerou a impugnação improcedente. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SUPRIMENTO DE CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. MEROS RECIBOS QUE BUSCAM ATESTAR MÚLTIPLOS SUPRIMENTOS AO CAIXA, SEM QUALQUER DOCUMENTAÇÃO ADICIONAL DE SUPORTE. IMPOSSIBILIDADE DO AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS PLASMADA NO ART. 282 DO DECRETO Nº 3.000/99. Meros recibos emitidos pela fiscalizada, sem quaisquer outros documentos de suporte, não são meios hábeis a comprovar a entrega e a origem dos recursos supridos ao caixa da empresa, quando feitos por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, presumindose, assim, receitas omitidas, na forma do art. 282 do Decreto nº 3.000/99. DESPESAS DE JUROS. MÚTUO. DESNECESSIDADE PARA A ATIVIDADE DA EMPRESA OU MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA DAS RECEITAS. INDEDUTIBILIDADE. Efetivamente, não há qualquer comprovação nos autos de que o mútuo em debate seria necessário à atividade da empresa fiscalizada e à manutenção de suas operações, pois os recursos permanecem bloqueados pela justiça. Parece claro que a fiscalizada funcionou como um porto seguro dos recursos transferidos de terceira empresa, quer porque não há qualquer comprovação da necessidade deles para o giro ou inversão nos negócios da fiscalizada, quer porque o instrumento que formalizou o pretenso mútuo foi subscrito pela mesma pessoa, por parte do mutuante e do mutuário, sem testemunhas, o que enfraquece sua força probante. CUSTOS GLOSADOS. NOTAS FISCAIS NÃO APRESENTADAS. HIGIDEZ DA GLOSA. Era ônus do fiscalizado, quando intimado, comprovar com documentação de suporte seus registros contábeis. Se por qualquer motivo tivesse havido o extravio das notas fiscais comprobatórias dos custos, deveria ter envidado esforços junto aos fornecedores, com o fito de trazer aos autos tais notas (ou, em caso de insucesso, as providências que tomou), e não simplesmente alegar, como alegou, que seus registros contábeis Fl. 241DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 242 6 representavam fielmente sua contabilidade ou que a fiscalização deveria fazer uma auditoria de estoque. Não era ônus da fiscalização produzir prova para o contribuinte, auditando seu estoque, para daí concluir que seria indevida a glosa de custos, porque não cabe à fiscalização produzir provas para o contribuinte. Cientificado dessa decisão em 29/08/2013, por via postal (fl. 196), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 197), em 11/09/2013, trazendo os argumentos sintetizados a seguir. i) em relação à infração de omissão de receitas presumidas pelos suprimentos de numerário, o recorrente insiste que os ingressos foram pagamentos de empréstimos anteriormente tomados pelo seu sócio, conforme registrado em sua contabilidade, o que não pode ser caracterizado como aumento patrimonial; ii) em relação à glosa de despesas não dedutíveis (juros passivos), o recorrente afirma que os referidos juros não compuseram a base de cálculo do IRPJ, conforme apurado em sua DIPJ retificadora. Ademais, ainda que houvessem diminuído a base de cálculo do imposto, mesmo assim a empresa teria apurado prejuízo fiscal no período, não sendo devida a exigência realizada; iii) em relação à glosa de custos não comprovados, o recorrente afirma que, mesmo glosando se os referidos custos, a empresa teria apurado prejuízo fiscal no período, conforme apurado em sua DIPJ retificadora, não sendo devida a exigência realizada. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO O recorrente afirma que realizou múltiplos empréstimos de dinheiro ao sócio Rafael Furtado e que os ingressos apontados pela fiscalização correspondem a pagamentos desses empréstimos. Reclama que apresentou recibos de pagamento que comprovam o efetivo ingresso dos numerários em seu caixa e que eles foram devidamente contabilizados. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, nos termos do artigo 9º, §1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou Fl. 242DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 243 7 esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Contudo, cabe ao Fisco verificar os lançamentos contábeis e a idoneidade dos documentos que o comprovam. A fiscalização entendeu que os recibos apresentados pelo contribuinte não eram suficientes para demonstrar o efetivo ingresso dos recursos e esse entendimento é combatido pelo recorrente. A questão reside na valoração das provas apresentadas. Os recibos em questão foram assinados pela diretora financeira da empresa, Lorena Furtado Roberto, que atesta o recebimento de numerário do sócio Rafael Furtado Roberto (fls. 24/44). Destaco os nomes porque eles evidenciam o próximo parentesco entre as pessoas envolvidas. Ou seja, além da relação de subordinação direta entre o sócio administrador e a diretora financeira, há uma relação de parentesco evidente. Entendo que essa relação enfraquece demasiadamente o valor probante dos recibos apresentados. Esses recibos não foram aceitos como prova desde a ação fiscal. Após transcorrido todo o processo fiscal, o autuado não se dignou de apresentar outras evidências em seu favor, embora tenha tido múltiplas oportunidades de acrescer provas. Diante do exposto, entendo que não há nos autos prova suficiente par demonstrar o efetivo ingresso do numerário apontado, devendo ser mantida a correspondente exigência. GLOSA DE DESPESA A fiscalização glosou despesa com juros passivos, por considerála não dedutível na apuração do IRPJ. Em sua defesa, o recorrente afirma que os referidos juros não compuseram a base de cálculo do IRPJ, conforme apurado em sua DIPJ retificadora (fl. 200). Ademais, ainda conforme a referida DIPJ, a empresa apurou prejuízo fiscal no período superior ao valor lançado, não sendo devida a exigência realizada. Todavia, a DIPJ retificadora supracitada foi entregue apenas no dia 20/11/2010 (fl. 201), meses após a ciência dos autos de infração, ocorrida em 11/02/2010 (fl. 161). Portanto, a nova declaração não tem o condão de alterar a situação jurídica pretérita do contribuinte, quando este foi submetido à regular ação fiscal e foi constatada infração tributária, mediante ato de ofício. Esse entendimento tem como fundamento a inalterabilidade do lançamento tributário, insculpida no artigo 145 do Código Tributário Nacional. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10467.720133/201133 Acórdão n.º 1801002.136 S1TE01 Fl. 244 8 Esse entendimento foi pacificado no âmbito desta corte administrativa mediante a Súmula Carf nº 33: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Até mesmo a possibilidade de compensação de prejuízos acumulados foi verificada pela autoridade autuante, conforme se verifica nas fls. 114/117, considerando a situação fiscal encontrada naquela época. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. GLOSA DE CUSTOS A fiscalização glosou custos operacionais em razão da falta de comprovação da aquisição de mercadoria. Em sua defesa, o recorrente afirma que a empresa apurou prejuízo fiscal no período superior ao valor lançado, conforme apurado em sua DIPJ retificadora (fl. 200), não sendo devida a exigência realizada. Conforme o que já foi exposto no item anterior, a DIPJ retificadora supracitada foi entregue apenas no dia 20/11/2010 (fl. 201), meses após a ciência dos autos de infração, ocorrida em 11/02/2010 (fl. 161), não sendo suficiente para alterar a situação jurídica pretérita do contribuinte. Portanto, aqui também não assiste razão ao contribuinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 244DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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