Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.012155/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
CERCEAMENTO DE DIRETO DE DEFESA
Não cabe falar em cerceamento de direito de defesa quando o lançamento é claro e preciso quanto à matéria tributada e foi assegurado ao sujeito passivo todos a oportunidade de contestação do crédito discutido.
EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA.
Não cabe aos órgãos administrativos decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de norma legal.
Numero da decisão: 2402-007.243
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 CERCEAMENTO DE DIRETO DE DEFESA Não cabe falar em cerceamento de direito de defesa quando o lançamento é claro e preciso quanto à matéria tributada e foi assegurado ao sujeito passivo todos a oportunidade de contestação do crédito discutido. EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA. Não cabe aos órgãos administrativos decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de norma legal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.012155/2008-11
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6016768
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.243
nome_arquivo_s : Decisao_10980012155200811.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO SERGIO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10980012155200811_6016768.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7770363
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906439380992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 158 1 157 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.012155/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.243 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de maio de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA Recorrente AMAURI DUTRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 CERCEAMENTO DE DIRETO DE DEFESA Não cabe falar em cerceamento de direito de defesa quando o lançamento é claro e preciso quanto à matéria tributada e foi assegurado ao sujeito passivo todos a oportunidade de contestação do crédito discutido. EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA. Não cabe aos órgãos administrativos decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de norma legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 21 55 /2 00 8- 11 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10980.012155/200811 Acórdão n.º 2402007.243 S2C4T2 Fl. 159 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 148) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou apenas parcialmente procedente a impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, no valor de 40.009,98 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre glosa dedução indevida de despesas médicas, de despesas com instrução, de dedução de dependentes, de contribuição para previdência oficial e privada, declaradas pelo contribuinte na DIRPF2003 a 2007. A autoridade de piso assim resumiu a impugnação apresentada: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10980.012155/200811 Acórdão n.º 2402007.243 S2C4T2 Fl. 160 3 Ao analisar o caso, considerando 1) que o prazo decadencial aplicável ao caso seria o previsto no art 173, §1, do Código Tributário Nacional (CTN); 2) que o Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10980.012155/200811 Acórdão n.º 2402007.243 S2C4T2 Fl. 161 4 contribuinte devia ter realizado suas provas junto com a impugnação, não sendo cabível a realização de diligência; 3) que restou demonstrada a relação de dependência de parte das pessoas declaradas; 4) que o contribuinte não provou a correção de parte das despesas com instrução de dependentes declaradas e 5) nem a correção das despesas declaradas com contribuições à previdência oficial 6) ou de parte das despesas com previdência privada, foi decidido pela procedência parcial da impugnação, retificando o crédito constituído. Ainda irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando cerceamento de direito de defesa e efeito confiscatório da multa de ofício aplicada, para pedir o cancelamento do auto de infração ou ao menos a exclusão/diminuição da penalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Quanto às alegações do recorrente Tratase de recurso meramente procrastinatório onde o recorrente traz apenas alegações processuais genéricas e aborda o efeito confiscatório da multa de ofício aplicada. Especificamente quanto à alegação de cerceamento de defesa, analisados os autos, verificase que os fatos geradores mais recentes apontados pela auditoria ocorreram no anocalendário de 2006 e que a fiscalização teve início apenas em 30.07.2008, ocasião em que a auditoria concedeu 20 dias de prazo para o contribuinte fornecer os comprovantes da despesas médicas declaradas, somandose a isso outros 30 dias para o contribuinte instruir sua impugnação com as provas que julgasse necessárias. Inclusive, vale destacar que, nos termos do art. 16, III, do decreto 70.235/72, é a impugnação o momento adequando para o contribuinte interessado juntar todas as provas necessárias à sua defesa, oportunidade esta que o recorrente efetivamente utilizou, tanto é que o valor do crédito em apreço caiu consideravelmente em relação ao valor originalmente lançado. Não obstante tal regra legal, poderia ter o contribuinte instruído seu recurso com outras provas que eventualmente houvesse tido acesso somente depois da impugnação. No entanto, passados mais de 10 anos da emissão da decisão recorrida, eis que nenhum novo documento ou esclarecimento foi trazido aos autos, sendo descabido, portanto, aventar cerceamento de direito de defesa, quando o próprio recorrente não demonstrou interesse ou condições de apresentar novos esclarecimentos ao processo. No que se refere à alegação de inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada, entendendo o contribuinte ser confiscatória tal penalidade, devese esclarecer que a Instância Administrativa não é o foro adequado para esse tipo de exame, cuja competência é Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10980.012155/200811 Acórdão n.º 2402007.243 S2C4T2 Fl. 162 5 exclusiva do Poder Judiciário, pois a partir do momento em que a norma passa integrar o ordenamento jurídico, cabe à Administração tãosomente aplicar a regra legal vigente. Assim, entendese que não há razão nas alegações do contribuinte. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, por NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido, nos termos decididos pela instância de piso. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902278/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Compensação. Transformação do Pleito Original Baseado em Pagamento Indevido ou a Maior em Outro, com Fundamento no Saldo Negativo do Período. Possibilidade.
Reconhece-se a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomando-se o rito processual, a partir daí.
Numero da decisão: 1301-003.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar o crédito pleiteado em saldo negativo, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que lá seja analisada a liquidez do crédito referente ao saldo negativo, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e demais provas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior (Relator) e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 Compensação. Transformação do Pleito Original Baseado em Pagamento Indevido ou a Maior em Outro, com Fundamento no Saldo Negativo do Período. Possibilidade. Reconhece-se a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomando-se o rito processual, a partir daí.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10665.902278/2013-86
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6007989
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1301-003.842
nome_arquivo_s : Decisao_10665902278201386.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROBERTO SILVA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10665902278201386_6007989.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar o crédito pleiteado em saldo negativo, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que lá seja analisada a liquidez do crédito referente ao saldo negativo, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e demais provas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior (Relator) e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
id : 7743817
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906591424512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 192 1 191 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.902278/201386 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.842 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA Recorrente SIDERÚRGICA ALTEROSA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, mas sem homologar a compensação por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que, mediante despacho complementar, analise a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, retomandose o rito processual, a partir daí. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar o crédito pleiteado em saldo negativo, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que lá seja analisada a liquidez do crédito referente ao saldo negativo, assegurando ao contribuinte o direito de apresentação de documentos, esclarecimentos e demais provas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior (Relator) e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 22 78 /2 01 3- 86 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10665.902278/201386 Acórdão n.º 1301003.842 S1C3T1 Fl. 193 2 (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de recurso interposto por SIDERÚRGICA ALTEROSA S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1458.537, da 15ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, que, negando provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, não homologou a compensação formalizada através da declaração nº 36712.13688.231209.1.3.04 3060. A recorrente indicara, na declaração de compensação (dcomp), como crédito em seu favor uma quantia recolhida a título de estimativa de CSLL. A DRF Divinópolis, entretanto, não reconheceu o direito creditório, alegando que, embora encontrado o pagamento, o valor estava totalmente utilizado para quitação de outro débito da própria recorrente, não remanescendo crédito a ser compensado. Não resignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, à qual a DRJ RPO negou provimento em decisão resumida na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da origem do direto creditório, de Pagamento Indevido ou a Maior que o Devido para Saldo Negativo de CSLL, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Não se reconhece o direito creditório pleiteado, nem se homologam as compensações declaradas. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10665.902278/201386 Acórdão n.º 1301003.842 S1C3T1 Fl. 194 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra o acórdão da DRJ foi interposto recurso, no qual a recorrente alegou que a decisão recorrida havia se apegado a detalhes de forma; especificamente, o equívoco de indicar como crédito o pagamento indevido de estimativa, ao invés de indicar o saldo negativo. Aduziu ter direito de retificar o pedido de compensação, alterando o crédito para saldo negativo. Com isso, o processo retornaria à unidade de origem para prosseguimento da análise. A retificação pretendida encontraria óbice no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, que não impede a alegação de qualquer matéria, inclusive a inovação de fatos e argumentos. A recorrente reiterou ter direito de retificar erros formais cometidos na declaração de compensação. Nesse sentido, invocou o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que determina a revisão do despacho decisório na hipótese de "erro de fato" quando do preenchimento da DCTF ou da DIPJ. Ademais, conforme o ADE Corec nº 4/2013 e a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007, o contribuinte pode unilateralmente corrigir irregularidades. Alegou, por fim, que teria havido descumprimento da referida norma de execução e dos princípios da proporcionalidade, informalidade e verdade material. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação da compensação ou pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa revise a dcomp, considerando o crédito nela declarado como saldo negativo ou permita à recorrente retificar a declaração. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10665.902278/201386 Acórdão n.º 1301003.842 S1C3T1 Fl. 195 4 Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Junior Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O problema pode ser resumido em poucas palavras. A recorrente apresentou uma declaração de compensação, na qual informara como crédito o valor recolhido a título de estimativa de CSLL, referente a um mês de 2008. A DRF, porém, decidiu não homologar a compensação, fundada no fato de que o pagamento já estava integralmente alocado a outro débito da própria recorrente. Esta se opôs à decisão, alegando ter cometido um mero erro de preenchimento da dcomp. Sua intenção era, desde o início, compensar o saldo negativo de CSLL, porém, por "erro de fato", informou o valor da estimativa mensal. Pretende, portanto, que o erro seja corrigido de ofício pela Receita Federal. A recorrente sustenta que sua pretensão encontra amparo na legislação em vigor, em especial no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, no Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, no ADE Corec nº 4/2013 e na Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. A legislação citada prevê a possibilidade de retificação de "inexatidões materiais". Isso, entretanto, não pode ser interpretado como autorização para modificar aspectos essenciais da declaração, e tampouco para refazer por completo a dcomp. Nesse sentido, era cristalina a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, vigente ao tempo da transmissão da dcomp: Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Disposições idênticas foram reproduzidas nas Instruções Normativas RFB 1.300/2012 e 1.717/2017, esta atualmente em vigor. As normas que disciplinam a compensação no âmbito da Receita Federal são bastante restritivas no que tange à possibilidade de retificação de dcomp, só o permitindo na hipótese de inexatidão material. Por inexatidão material se deve entender tãosomente o erro de escrita ou de cálculo, caracterizado por uma clara desconformidade entre o dado inserido no documento e a vontade manifestada pelo contribuinte. Nessa linha de entendimento, inexatidão material seria, por exemplo, o erro quanto ao código de arrecadação do tributo, ou quanto ao período de apuração ou a data de vencimento. Enfim, são inconsistências passíveis de ser percebidas a olho nu, pelo simples confronto com os demais dados constantes da mesma dcomp. Só esses erros dão ensejo à retificação da dcomp. Não se pode refazer por completo a declaração, a pretexto de corrigir "erro de fato", sob pena de subverter a lógica da compensação prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10665.902278/201386 Acórdão n.º 1301003.842 S1C3T1 Fl. 196 5 Não discrepam dessa ótica o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, o ADE Corec nº 4/2013, nem a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6/2007. É importante que se diga que a eventual correção da DIPJ ou da DCTF, a que se referem o parecer e a norma de execução, recai apenas sobre inexatidões materiais que tenham gerado desconformidade com a dcomp examinada. A toda evidência, a retificação da DIPJ não pode ser feita para modificar a forma de apuração do lucro, de presumido para real, a fim de "gerar" saldo negativo de IRPJ ou de CSLL e, dessa forma, tornar compatíveis as informações da dcomp com a DIPJ, viabilizando a compensação. Cabe ainda esclarecer que as chamadas normas de execução são editadas pela Receita Federal com o propósito de orientar seus servidores quanto a determinados procedimentos, funcionando assim como uma espécie de manual, sem criar direito subjetivo para o contribuinte. Quando a orientação precisa vir revestida de caráter normativo, ela é veiculada sob a forma de instrução normativa ou outro ato de mesma natureza. Portanto, ainda que ocorra um eventual descumprimento de norma de execução, isso não gera, por si só, nulidade do ato administrativo. Em síntese, a legislação que disciplina a compensação no âmbito administrativo só admite que se retifiquem as dcomps na hipótese de inexatidão material. No caso em tela, todavia, o erro cometido pela recorrente não consistiu em mera inexatidão material ou em simples erro de preenchimento. A recorrente alegou que pretendia compensar crédito materializado na forma de saldo negativo. Mas a dcomp não corrobora tal informação. O código da receita, o período de apuração, o vencimento e o valor correspondem aos da estimativa mensal. Enfim, todas as informações apontam no mesmo sentido. Nada indica que a vontade da recorrente fosse compensar saldo negativo. Como se vê, a recorrente busca modificar a dcomp, alterando o crédito informado. O erro alegado é insuscetível de correção, seja pelo próprio contribuinte ou pela Administração Tributária. Para sanar o problema é necessário refazer integralmente a declaração, o que já não se admite nesta fase. A recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Porém, seria cabível a diligência apenas se houvesse alguma questão de fato a ser esclarecida. Os fatos, porém, são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em suposto saldo credor, apurado no final do período base. A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem à Delegacia da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, não se trata de mero erro formal. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10665.902278/201386 Acórdão n.º 1301003.842 S1C3T1 Fl. 197 6 Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório implicará prejuízo aos controles da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em dcomps diferentes. Notese que as dcomps que envolvem saldo negativo têm ficha própria para que sejam discriminados os valores que compõem aquele saldo, sendo tal informação necessária para a correta verificação da existência do pretenso direito de crédito. Importa ressaltar ainda que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar, no prazo de cinco anos, a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que a extinção do crédito tributário se torna definitiva. A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Em síntese: não se homologa compensação que utiliza como crédito valor pago a título de estimativa mensal, quando o pagamento se encontra inteiramente utilizado para quitar outro débito do próprio contribuinte, não se admitindo, em nenhuma hipótese, que no curso do processo administrativo seja indicado outro crédito, a fim de viabilizar a compensação. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10665.902278/201386 Acórdão n.º 1301003.842 S1C3T1 Fl. 198 7 Voto Vencedor Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese o entendimento do ilustre Relator quanto à impossibilidade de transformar o pleito original baseado em pagamento indevido ou a maior em outro, com fundamento em saldo negativo do período, durante as discussões em sessão surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Assim, passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões do Colegiado acerca dessa matéria. Como relatado, tratase de pleito compensatório de direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior, no período de apuração especificado, relativo à estimativa de CSLL, apresentado via Dcomp. Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP ou outra declaração da mesma espécie, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170 do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal, cabendo à Fiscalização, na hipótese de divergência de informações provenientes de outras declarações, ao menos, questionar a divergência existente, e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma ou mais das declarações apresentadas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de que o contribuinte fora intimado para proceder a retificação de quaisquer das declarações, antes do despacho decisório. Ora, se de um lado, indeferese o pedido de restituição/compensação porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta, por outro lado, impedese que o contribuinte possa cancelar a Perdcomp, ou mesmo adequála de forma devida, de forma fosse comprovado o efetivo crédito. Consciente desse problema, a Administração Tributária modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento, pois atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo regulamentar, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Por outro lado, de fato, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, ocorrendo, em tese, saldo negativo de CSLL no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos quando da apresentação da declaração, por outro, deixou inequívoco em suas razões de defesa de que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10665.902278/201386 Acórdão n.º 1301003.842 S1C3T1 Fl. 199 8 Embora em situações anteriores, apreciando fatos semelhantes, tenha adotado o entendimento de converter o julgamento em diligência, para oportunizar ao contribuinte retificar as declarações apresentadas e apresentar provas da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, alterei meu entendimento para reconhecer parte do pedido, evitandose, com isso, eventuais alegações de supressão de instâncias. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001254/2008-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10865.001254/2008-94
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6011910
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.704
nome_arquivo_s : Decisao_10865001254200894.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10865001254200894_6011910.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7756568
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906666921984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.001254/200894 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.704 – 2ª Turma Sessão de 27 de março de 2019 Matéria FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida IBERIA INDÚSTRIA DE EMBALAGENS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DESATENDIMENTO DE PRESSUPOSTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Relator), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 12 54 /2 00 8- 94 Fl. 339DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, Debcad nº 37.152.2340, relativo a contribuições a cargo da empresa destinada a terceiros (Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAI), incidentes sobre valores pagos a empresa fornecedora de alimentação, as quais não constaram cadastradas no Programa de, Alimentação do –Trabalhador – PAT. Em sessão plenária de 07/02/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001.014 (fls. 226/234), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2003 PRELIMINARMENTE. NÃO OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA QUINQUENAL COM BASE NO ART.150, PARÁGRAFO 4 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. MÉRITO. VALORES PAGOS A TÍTULO DE CESTA BÁSICA. SALÁRIO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. FORMALIDADE EXACERBADA. NÃO IMPEDIMENTO.EXCLUSÃO. VERBA NÃO REMUNERATÓRIA. O fornecimento de alimentação pelo empregador, por ser espécie de salário in natura, impede que a contribuição previdenciária venha a incidir sobre tal parcela, mesmo que a empresa fornecedora não esteja inscrita no PAT, tendo em vista que o descumprimento dessa exigência constitui mera irregularidade que não desvirtua o caráter não remuneratório da verba. Recurso Voluntário Provido. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10865.001254/200894 Acórdão n.º 9202007.704 CSRFT2 Fl. 3 3 O processo foi encaminhado à PGFN em 09/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de fl. 235) e, em 10/05/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 236/246 (Despacho de Encaminhamento de fl. 283), com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, visando rediscutir a matéria “fornecimento de auxílio alimentação, sem adesão ao PAT”. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 066/2013, datado de 15/01/2013 (fls. 285/287). A Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: o presente apelo objetiva esclarecer que os valores fornecidos aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriode contribuição, já que pagos em desacordo com o PAT; de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais. Porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n° 8.212/1991; conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976; para a não incidência da contribuição previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura” e em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, nos termos do art. 3º, da Lei nº 6.321/1976; inexistindo comprovação de participação do contribuinte no PAT, é inequívoco que o fornecimento de alimentação “in natura”, pelo contribuinte, sem adesão ao PAT não está incluído na hipótese legal de isenção, prevista na alínea “c”, § 9º, art. 28, da Lei nº 8.212/1991; a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I; ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/1991, o que vai de encontro com a legislação tributária; não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento. Requer a Fazenda Nacional seja conhecido e provido o presente recurso especial, para reformar o acórdão recorrido e restaurar o lançamento. Fl. 341DF CARF MF 4 Cientificado do acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 28/05/2013 (fls. 291/292), a Contribuinte, em 12/06/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fl. 293), ofereceu as Contrarrazões de fls. 294/302, alegando, em resumo o que segue: a tese de direito defendida pela Fazenda Nacional não merece prosperar, devendo prevalecer o acórdão n° 2403001.014, prolatado nos presentes autos, e que decidiu que a incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de alimentação somente deverá ocorrer se o fornecimento ocorrer em pecúnia (dinheiro), pouco importando se o fornecedor de alimentos esteja inscrito no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT; não integram o saláriodecontribuição, para fins da Lei n° 8.212/91, a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Governo Federal; restou definido pela Jurisprudência Pátria que a exigência da inscrição do fornecedor de alimentos no Governo Federal, para fins de não incidência da Contribuição Previdenciária, poderia ser dispensada, tratandose de verdadeira burocracia demasiada/formalidade exacerbada; referido entendimento busca privilegiar o caráter não remuneratório da chamada “ajuda alimentação” (in natura), uma vez que não é possível afirmar que esta é entregue pelo empregador ao empregado como forma de retribuir o trabalho prestado. Transcreve jurisprudência do STJ. Requer, por fim, que se negue provimento ao Recurso Especial, com a manutenção da decisão recorrida. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Conforme relatado, temse Auto de Infração relativo a contribuições cargo da empresa destinada a terceiros (Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAI), incidentes sobre valores pagos a empresa fornecedora de alimentação, as quais não constaram cadastradas no Programa de, Alimentação do Trabalhador – PAT. O acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Voluntário ao argumento de que o valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 e Ato Declaratório 03/2011 A Fazenda Nacional, por sua vez, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose integralmente o lançamento. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10865.001254/200894 Acórdão n.º 9202007.704 CSRFT2 Fl. 4 5 Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a contribuinte recorre a jurisprudência STJ que entende não incidir contribuições previdenciárias em relação ao auxílio alimentação pago in natura. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que estamos diante de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face do mesmo arcabouço jurídiconormativo. Feitas essas breves considerações, afigurase necessário esclarecer que, no caso do acórdão recorrido, o recurso voluntário foi provido tendo em vista que, mesmo sem adesão ao PAT, a empresa forneceu aos segurados empregados alimentação in natura, ou seja, pagamentos efetuados à empresa Hiper Cheque para aquisição de alimentos concedidos aos segurados empregados a serviço da empresa (cestas básicas). Esse fato é corroborado pelo Relatório Fiscal (fls. 22/25). Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar – fornecimento de alimentação in natura (cestas básicas ou mesmo refeições preparadas) – se entendesse pela incidência das contribuições devidas à Seguridade Social em vista da não inscrição da empresa no PAT. Entretanto, analisando o inteiro teor do primeiro paradigma – Acórdão nº 20601.313 – verificase que a decisão ali adotada foi motivada pelo fato de a parcela intitulada “ajuda alimentação” ter sido paga em pecúnia. Confirase: No que tange aos auxílios alimentação e transporte, os dispositivos que tratam dos mesmos são as alíneas "c" e "f' do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/1991, respectivamente, abaixo transcritos: [...] A alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT, as quais podem se dar pelas seguintes modalidades: [...] Portanto, o fornecimento de alimentação em pecúnia paga junto com a folha de salários integra o salário de contribuição. (Grifouse) Com efeito, a leitura dos excertos colacionados, permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. No recorrido, verificouse que a empresa fornecia cestas básicas aos trabalhadores, contudo sem a devida inscrição no PAT. Diferentemente disso, no paradigma o que motivou o lançamento foi o pagamento de ajuda alimentação em pecúnia que, segundo consta, não se constitui em qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no Programa de Alimentação administrado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Nestas circunstâncias, em virtude da ausência de similitude fática, não se verificou caracterizada a divergência. Fl. 343DF CARF MF 6 Quanto ao segundo paradigma – Acórdão 20601.462 – percebese mais uma vez que as circunstâncias descritas em referida decisão não guardam a necessária identidade com aquela retratada no decisum atacado. É que no aresto paradigmático, conquanto a contribuinte não esteja regularmente inscrita no PAT, a concessão do benefício é feita por meio de vale alimentação/refeição e não com o fornecimento de cestas básicas, como, repisese, verificase no caso em questão. Senão vejamos trechos do Acórdão 20601.462: Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do "beneficio" em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem qualquer observância às normas legais. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados Vale Alimentação/Refeição e Indenização do labor em intervalo para descanso e/ou alimentação (intervalo intrajomada), sem levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. (Grifouse) Forçoso concluir mais uma vez pela inexistência de dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim das especificidades fáticas de cada um dos casos. Em razão da dessemelhança entre situação retratada nos autos e nos casos trazidos a cotejo, não há como se afirmar que os colegiados prolatores de tais decisões chegariam a conclusão análoga, caso estivessem diante do cenário aqui refletido. Em razão do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados não lograram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662846/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 18/04/2008
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.
Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Numero da decisão: 3301-006.008
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 18/04/2008 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.662846/2012-75
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6012640
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.008
nome_arquivo_s : Decisao_10880662846201275.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880662846201275_6012640.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7758112
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906671116288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.662846/201275 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301006.008 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria COFINS Recorrente STAMPTEC INDUSTRIA E COMERCIO DE PECAS ESTAMPADAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 18/04/2008 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 28 46 /2 01 2- 75 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.662846/201275 Acórdão n.º 3301006.008 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini Relatório Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação onde se pleiteia a compensação de crédito oriundo de pagamento a maior de COFINS não cumulativa, com débitos tributários de sua titularidade. Em análise da Declaração de Compensação transmitida, a unidade de origem emitiu o Despacho Decisório, tendo como resultado a não homologação da compensação. Contra esta decisão a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese: Que após o pagamento da contribuição, verificou que não havia considerado em sua apuração o desconto de créditos que lhe são conferidos pelo art. 3º da Lei nº 10.833/03; Que seu crédito pode ser aferido pela análise do DACON Retificador, juntado ao presente, que comprova a correta apuração da COFINS sob o regime nãocumulativo; Que a falta de retificação da DCTF não é suficiente para negarlhe o crédito a quem tem direito; Que deve prevalecer o princípio da verdade material. Que o Parecer Normativa Cosit nº 02/2015 ampara seu pleito; Requer a realização de diligência bem como a juntada posterior de documentos; Anexa cópias da DACON original e retificadora e memória de cálculo de apuração da contribuição. 5. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14067.497. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa os mesmos fundamentos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade dirigida á DRJ, requerendo in fine : Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.662846/201275 Acórdão n.º 3301006.008 S3C3T1 Fl. 4 3 seja reconhecida a procedência integral dos argumentos narrados neste Recurso Voluntário, a fim de que, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, seja reconhecida a totalidade do direito creditório pleiteado sob os auspícios da verdade material, com a sequente homologação das compensações declaradas e a respectiva extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional Subsidiariamente, na remota hipótese do não reconhecimento imediato do direito invocado, o que não se acredita, requer sejam considerados todos os elementos probatórios carreados aos autos – sobretudo a memória de cálculo de apuração da COFINS do período e respetiva Ficha 16A do DACON Retificador –como indícios suficientes à veracidade do crédito tributário para, novamente à luz do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, autorizar/determinar a realização de diligência fiscal para análise/validação da apuração do tributo efetivada pela Recorrente, em observância à necessária busca pela verdade material dos fatos e relativização de questões meramente formais / burocráticas (entre elas o erro de preenchimento da DCTF). É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.990, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.662828/201293, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.990): "8. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 9. O próprio recurso voluntário traz a síntese fática base da discussão nestes autos que, em breve resumo, trata da não homologação de compensação declarada, diante da inexistência de crédito, pois o crédito pleiteado é oriundo de recolhimento efetuado por documento DARF totalmente vinculado a débito confessado em DCTF, ou seja, o débito confessado em DCTF foi totalmente liquidado pelo pagamento efetivado pelo DARF utilizado como argumento como nascedouro do crédito a ser utilizado na compensação. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.662846/201275 Acórdão n.º 3301006.008 S3C3T1 Fl. 5 4 10. Assim se manifesta a recorrente, em sua tese recursal : I – SÍNTESE DOS FATOS Tratase de processo administrativo instaurado para controle e análise depedido de compensação de créditos de COFINS formulado pela Recorrente, devidamente declarado via sistema PER/DCOMP que, ao ser analisado pela Autoridade Fiscal, não foi homologado, com amparo na seguinte motivação: “[...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...]” (destacado e grifado) Como se verifica, o fundamento do r. despacho decisório em questão reside unicamente na suposta inexistência do crédito oriundo do pagamento a maior efetuado através do DARF indicado no PER/DCOMP, pois a integralidade do crédito pleiteado estaria vinculada a débito declarado pela Recorrente, ou seja, o DARF em referência teria quitado, sem qualquer saldo remanescente, o débito correspondente à COFINS apurada no período. No entanto, o crédito constante no PER/DCOMP transmitido decorre do indébito de COFINS, o qual pode ser aferido pela análise do DACON retificador que comprova a correta apuração da COFINS sob o regime da nãocumulatividade. Com efeito, o DARF vinculado no PER/DCOMP teve por base o valor indicado no primeiro DACON transmitido, cuja apuração, por equívoco da Recorrente, não considerou os créditos inerentes ao regime da nãocumulatividade, tais como (i) os valores pagos à pessoa jurídica, referentes a aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados em suas atividades empresariais, (ii) as despesas incorridas na aquisição de bens e serviços caracterizados como insumos, (iii) custos com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, (iv) encargos de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado, (v) encargos de depreciação e amortização relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, também utilizados nas atividades da Recorrente, entre outros. Desta forma, com a retificação da apuração da COFINS, a Recorrente verificou a existência de crédito tributário Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.662846/201275 Acórdão n.º 3301006.008 S3C3T1 Fl. 6 5 decorrente do pagamento a maior praticado, com o consequente direito à compensação do indébito correlato, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como da Instrução Normativa RFB nº 900/08, à época vigente, motivo pelo qual é medida imperiosa a homologação da compensação em tela, justamente diante da inequívoca existência do crédito regularmente compensado. Nesse sentido, a Recorrente apresentou tempestivamente sua Manifestação de Inconformidade, demonstrando e comprovando pelos diversos documentos juntados aos autos que o r. despacho decisório carece de reforma integral, tendo em vista a total e incontroversa existência do saldo credor de COFINS pleiteado, consoante detalhadamente exposto. 12. Ou seja, defende a recorrente que o crédito objeto de pretensa compensação teria origem em erro da recorrente, ao deixar de apurar créditos da não cumulatividade, por aquisições no mercado interno de insumos e serviços, o que teria a levado a recolher a maior o valor da COFINS. Ao refazer a apuração de tais créditos, a recorrente alega que os créditos apurados foram utilizados para dedução da COFINS devida, o que teria reduzido o valor da COFINS a pagar, sendo que o valor utilizado para tal pagamento teria se tornado, desta forma, maior do que o devido, gerando um crédito a seu favor, crédito este que a recorrente utilizou para quitação de débitos via compensação. 13. A rigor, pretende a recorrente que se reconheça o direito creditório originado desta apuração de créditos da não cumulatividade, e que se homologue a compensação pleiteada, para que seja autorizada a sua utilização para liquidação de débitos indicado na DCOMP. 14. Entretanto, negase a recorrente a proceder a correção da DCTF, para desvincular o pagamento do débito confessado, o que teria como consequencia, se aceito o pedido da recorrente (de se reconhecer o direito creditório oriundo de pagamento a maior), um débito confessado em DCTF, portanto auto lançado e exigível, em aberto, o que traria á recorrente um prejuízo de igual monta, diante da liquidação dos débitos declarados em DCOMP. 15. Temos ainda a alegação da recorrente que não é mais possível a retificação da DCTF, por ter decorrido o prazo de cinco anos, portanto o sistema eletrônico não admitiria mais nenhuma alteração no documento DCTF, o que obrigaria a recorrente a possuir, em sua integralidade, os documentos comprobatórios da origem dos créditos e sua apuração. 16. Em sua defesa, a recorrente alega que seria necessária diligência, por parte da Fiscalização da Secretaria da Receita Federal, uma vez que “ a realização de diligências teria o condão de afastar toda e qualquer dúvida acerca de seu direito creditório, prevalecendo a verdade material dos fatos em Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.662846/201275 Acórdão n.º 3301006.008 S3C3T1 Fl. 7 6 face da existência de meros erros formais / obrigações acessórias.” . 17. Assim, o que deseja a recorrente não é comprovar o seu direito, e sim que a Fiscalização, através de diligências, apure o seu direito, uma vez que alega que retificou a DACON e apresentou planilhas demonstrando seu direito, o que seria suficiente para o reconhecimento do direito creditório. Desta forma, considero correta a decisão da DRJ, o que corroboro, em não ver necessidade de realização de diligências, uma vez que as provas apresentadas pela recorrente, como portadora do ônus da prova de demonstrar seu direito, são aquelas que a recorrente julgou aptas a tal demonstração, e são estas que devem ser a base do julgamento. 18. Diz a recorrente : “ Além do mais, relembrese o amplo acervo probatório juntado pela Recorrente nos presentes autos, especialmente a Memória de Cálculo (Doc. 05 da Manifestação de Inconformidade), que traz a abertura de todos os créditos utilizados na apuração da COFINS posteriormente retificada. Referido documento, em conjunto com a Ficha 16A, do DACON Retificador (Doc. 03 da manifestação de Inconformidade), demonstra especificamente cada uma das modalidades de crédito apuradas, a exemplo dos (i) bens e serviços utilizados como insumos, (ii) despesas de energia elétrica, (iii) armazenagem e frete, (iv) depreciação do ativo imobilizado e (v) devoluções de venda. Dessa forma, as referidas informações, com seus valores analiticamente expostos, comprovam a liquidez e validade dos créditos da COFINS apurados no período, afastando de plano qualquer alegação contrária da D. Autoridade Fiscal a esse respeito.' , reafirmando que julgue os elementos que trouxe aos autos suficientes para comprovar seu direito. 19. Aduz a recorrente que o despacho decisório estaria incorreto, pois carreou, como demonstrado, aos autos, as provas suficientes para que o seu direito creditório fosse reconhecido e que, em respeito ao princípio da verdade material, deveriam os julgadores terem buscado tal verdade, admitindo provas após a impugnação e solicitado diligências para apuração dos créditos. 20. Afirma a recorrente que “ sem prejuízo, a Recorrente reconhece que, por lapso, não adotou as providências adequadas relativas à retificação das informações sobre a apuração da contribuição e do recolhimento via código DARF errôneo (2172), pois deveria primeiramente promover a retificação do DARF recolhido (Redarf), nos termos do Anexo I, da Instrução Normativa SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006, adequando o pagamento efetuado para o código de receita nº 5856 (COFINS NÃOCUMULATIVA), com a posterior retificação da DCTF correspondente. Todavia, o descumprimento destas obrigações acessórias não invalida a existência do crédito pleiteado, devidamente declarado no DACON retificador, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material, o qual compele a Autoridade Fiscal à realização de todas a diligências Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.662846/201275 Acórdão n.º 3301006.008 S3C3T1 Fl. 8 7 necessárias à efetiva verificação do crédito pleiteado pelo contribuinte, assim como exposto no tópico a seguir.” Tal afirmativa demonstra o reconhecimento da recorrente de que a vinculação do documento DARF ao débito confessado em DCTF deveria ter sido corrigida, para que restasse crédito disponível para reconhecimento do direito creditório, o que não foi feito. 21. Portanto, resta claro que, diante dos documentos carreados aos autos – DACON RETIFICADORA e planilhas de cálculo – o acervo probatório se mostrou insuficiente para comprovar o direito creditório, qual seja a origem documental dos créditos e a sua apuração registrada em documentos contábeis, devidamente conciliados, para tais créditos da não cumulatividade restassem indubitavelmente reconhecidos. Sem tais elementos, correta a decisão de piso em não reconhecer o direito creditório. 22. Quanto a considerarse como erro de fato o preenchimento da DCTF, tal argumento não socorre a recorrente, pois não há erro de fato na situação descrita, há sim uma nova apuração de valores que culminou, nas alegações da recorrente, em crédito a seu favor, e defende que as planilhas apresentadas demonstram tal crédito de forma inconteste, desta forma, realmente não se pode aceitar o argumento de erro de fato. 23. Defende ainda a recorrente que o seu descumprimento de suas obrigações – retificação do DARF e da DCTF – não ocasionaram dano ao erário, por tal razão, deve ser reconhecido o direito creditório. Assim se defende a recorrente: “ conquanto a necessária observância ao princípio da verdade material, por si só, resguarde o direito creditório da Recorrente, justamente pelo confronto do montante recolhido versus o valor declarado no DACON retificador, destacase que o não cumprimento das obrigações acessórias relativas ao Redarf (correção do código de recolhimento) e à consequente retificação da DCTF correspondente, também não seriam suficientes a não homologação da compensação em tela, quando analisadas sob a ótica da ausência de prejuízo ao Erário. Isto porque, se é verdade que a situação fática vivenciada pela Recorrente demonstra a regularidade da compensação praticada, pois não há dúvida quanto à existência do crédito tributário (apuração de créditos em decorrência da nãocumulatividade da contribuição recolhida), igualmente verdadeira é a completa ausência de prejuízo ao Erário advindo pelo não cumprimento das obrigações acessórias, principalmente diante da declaração idônea e devidamente entregue ao Fisco que permite a perfeita identificação da origem do crédito apurado (DACON Retificador). Neste sentido, o não cumprimento destas obrigações acessórias não apenas não seria idôneo para invalidar o crédito pleiteado (princípio da verdade material), como também não criou óbices à fiscalização ou, muito menos, resultou em prejuízos aos cofres públicos, o que impõe a conclusão pela absoluta ausência de prejuízos ao Erário, contexto este que da mesma maneira sinaliza a necessidade premente de homologação da compensação, seja pela Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.662846/201275 Acórdão n.º 3301006.008 S3C3T1 Fl. 9 8 comprovação do crédito requerido, seja pela inexistência de desfalques financeiros à Autoridade Fiscal na conduta da Recorrente. Em relação às autuações fiscais que padecem deste tipo de vício, consistente na exigência de tributo devidamente pago, com inexistência de prejuízo do Erário, há vários precedentes jurisprudenciais, administrativos e judiciais, favoráveis sendo oportuno destacar os seguintes ….” (grifamos). 24. Portanto, a própria recorrente admite que o tributo foi devidamente pago, o que traz duas possibilidades : uma a compensação, no ver da recorrente, deve ser homologada, o que ensejaria a consideração de pagamento a maior e a abertura de débito confessado em DCTF, assim o débito confessado em DCOMP estaria liquidado e o débito confessado em DCTF restaria em aberto e exigível, duas o débito confessado em DCTF estaria liquidado pelo recolhimento efetuado em DARF e não restaria direito creditório, pois não haveria pagamento a maior, o que deixaria em aberto os débitos confessados em DCOMP. Pelas duas análises, não haveria possibilidade de reconhecimento do direito sem a retificação da DCTF , ou do DARF, ou comprovação do direito por elementos de prova mais consistentes. 25. Quanto á aplicação do Parecer COSIT nº 2/2015, utilizandose do formalismo moderado, como defende a recorrente, o próprio parecer esclarece que a DCTF pode ser retificada mesmo após a emissão do despacho decisório eletrônico, ou ainda pode ter sua retificação objeto de análise administrativa, abrindo uma única possibilidade quando do impedimento para tal retificação, diz o Parecer citado : “ a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios”, o que obriga a recorrente a carrear aos autos todos os elementos que se façam necessários para a demonstração do seu direito ao reconhecimento dos créditos da não cumulatividade oriundos de aquisições no mercado interno, como já dito, por meio de documentos fiscais, notas fiscais de aquisição, demonstração da apuração dos créditos e sua devida conciliação na sua escrita contábil e fiscal, o que definitivamente não foi apresentado pela recorrente. 26. Por fim, quanto ao pedido subsidiário de ' realização de diligência fiscal para o levantamento e constatação in concreto de todo o conjunto de elementos fático jurídicos que dão suporte aos procedimentos realizados, levandose em consideração a realidade fática efetivamente vivenciada e devidamente comprovada.” , este mostrase completamente descabido, pois caberia á recorrente, que alega possuir o direito, carrear aos autos os elementos de prova, uma vez que confessou em Declaração de Compensação que os possuía, o que nos leva a concluir que a recorrente possuía, á época da transmissão da DCOMP, todos os elementos de prova já citados. O que propõe a recorrente, é que a Fiscalização da Secretaria da Receita Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.662846/201275 Acórdão n.º 3301006.008 S3C3T1 Fl. 10 9 Federal atue como sua consultoria contábil para localizar, apurar e demonstrar os seus créditos da não cumulatividade. 27. Por todo o exposto, indefiro o pedido de diligência, por concordar com o julgador da DRJ, de que tal procedimento se mostra desnecessário, sendo suficientes os elementos trazidos aos autos pela recorrente para formar o convencimento deste relator. Conclusão 28. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, não reconhecendo o direito creditório por não ter a recorrente retificado a DCTF, não ter retificado o documento DARF e não ter apresentado elementos comprobatórios suficientes para que se possa aferir o seu direito aos créditos da não cumulatividade pleiteados. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721220/2015-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. DECISÃO JUDICIAL
A validade da presente decisão está condicionada à subsistência da determinação judicial que a motivou. Em caso de reversão do provimento judicial, o processo administrativo retornará a seu estado anterior, qual seja, de definitividade do acórdão que negou provimento aos recursos voluntários e deu provimento ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade tributária da embargante, na medida em que os recursos especiais interpostos não tiveram seguimento.
RESPONSABILIDADE DE SUCESSORES. TRIBUTOS DEVIDOS. CONTABILIZADOS OU QUE DEVERIAM TER SIDO CONTABILIZADOS.
A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. Ou seja, ocorrido o fato gerador, o passivo deve ser reconhecido contabilmente, ainda que o vencimento da obrigação se dê em momento posterior. Assim, na acepção do art. 133 do CTN, tributos devidos são aqueles contabilizados ou que deveriam ter sido contabilizados, em razão da ocorrência do fato gerador e consequente surgimento da obrigação principal.
Numero da decisão: 1402-003.797
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, em observância à ordem judicial, sem efeitos infringentes..
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. DECISÃO JUDICIAL A validade da presente decisão está condicionada à subsistência da determinação judicial que a motivou. Em caso de reversão do provimento judicial, o processo administrativo retornará a seu estado anterior, qual seja, de definitividade do acórdão que negou provimento aos recursos voluntários e deu provimento ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade tributária da embargante, na medida em que os recursos especiais interpostos não tiveram seguimento. RESPONSABILIDADE DE SUCESSORES. TRIBUTOS DEVIDOS. CONTABILIZADOS OU QUE DEVERIAM TER SIDO CONTABILIZADOS. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. Ou seja, ocorrido o fato gerador, o passivo deve ser reconhecido contabilmente, ainda que o vencimento da obrigação se dê em momento posterior. Assim, na acepção do art. 133 do CTN, tributos devidos são aqueles contabilizados ou que deveriam ter sido contabilizados, em razão da ocorrência do fato gerador e consequente surgimento da obrigação principal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10835.721220/2015-04
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6000650
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.797
nome_arquivo_s : Decisao_10835721220201504.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EVANDRO CORREA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10835721220201504_6000650.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, em observância à ordem judicial, sem efeitos infringentes.. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7721656
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906732982272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 7.051 1 7.050 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.721220/201504 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402003.797 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria CONTRADIÇÃO E MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS Embargante AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. DECISÃO JUDICIAL A validade da presente decisão está condicionada à subsistência da determinação judicial que a motivou. Em caso de reversão do provimento judicial, o processo administrativo retornará a seu estado anterior, qual seja, de definitividade do acórdão que negou provimento aos recursos voluntários e deu provimento ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade tributária da embargante, na medida em que os recursos especiais interpostos não tiveram seguimento. RESPONSABILIDADE DE SUCESSORES. TRIBUTOS DEVIDOS. CONTABILIZADOS OU QUE DEVERIAM TER SIDO CONTABILIZADOS. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ou seja, ocorrido o fato gerador, o passivo deve ser reconhecido contabilmente, ainda que o vencimento da obrigação se dê em momento posterior. Assim, na acepção do art. 133 do CTN, tributos devidos são aqueles contabilizados ou que deveriam ter sido contabilizados, em razão da ocorrência do fato gerador e consequente surgimento da obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, em observância à ordem judicial, sem efeitos infringentes.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 12 20 /2 01 5- 04 Fl. 7052DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.052 2 (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório Foram lavrados Autos de Infração de IRPJ e CSLL, período de janeiro a março de 2012, em face da contribuinte Agropastoril Estevam Ltda., por omissão de ganho de capital, o qual foi apurado com base no valor dos imóveis alienados. Conforme relatório Fiscal, a Embargante é sucessora da empresa Agropastoril Estevam Ltda, nos termos do art. 133, inciso II, do Código Tributário Nacional. Inconformada, a Embargante apresentou a competente impugnação (fls. 4722/4776) a qual foi acolhida pela Autoridade Julgadora de 1ª instância para afastar a sua responsabilidade (fls. 5087/5117), uma vez que os débitos se referem a fatos ocorridos após a transferência dos estabelecimentos e o sucessor somente responde por débitos relativos a fatos geradores ocorridos até a data do negócio. Essa decisão, porém, foi reformada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) no julgamento do recurso de ofício contra ela interposto (fls. 5339/5374), que considerou o marco temporal da responsabilidade do sucessor sendo a data de registro na Junta Comercial da trigésima segunda alteração do contrato social da Agropastoril Estevam Ltda., em que realizouse o cancelamento das filiais, adquiridas pela JBS. A Embargante, na qualidade de responsável pelo crédito tributário constituído em face da contribuinte Agropastoril Estevam Ltda., opôs Embargos de Declaração, no qual afirma haver evidente contradição na sua fundamentação. Alega que "embora os julgadores tenham reconhecido que o sucessor somente responde pelos débitos até a data da alienação – que, no caso concreto, ocorreu em 09/03/2012, sendo este um fato incontroverso nos autos –, entenderam que o marco temporal para decidir pela responsabilização ou não da Requerente seria a data em que houve o registro Fl. 7053DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.053 3 na JUCESP de alteração contratual da Agropastoril realizando o cancelamento das filiais adquiridas pela Requerente". O Presidente Substituto da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, rejeitou os Embargos de Declaração, em decisão monocrática, sob o argumento de que tal recurso não seria cabível para o saneamento de suposto error in judicando. Transcrevese excertos do exame de admissibilidade dos referidos Embargos Declaratórios (fls. 5846 a 5850): "Tratase de exame de admissibilidade dos embargos declaratórios opostos pelo sujeito passivo em epígrafe, na qualidade de responsável pelo crédito tributário constituído em face da contribuinte Agropastoril Estevam Ltda. Afirma a embargante que a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1402002.756, incorreu em contradição, pois: (i) conforme escritura pública, os imóveis foram adquiridos em 20/03/2012; e (ii) ao deslocar o marco temporal, a Turma alterou a hipótese de incidência do ganho de capital. Feito esse breve relato, passase, a seguir, ao exame da presença dos pressupostos para admissibilidade dos embargos declaratórios, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar se a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. §2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. §3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 7054DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.054 4 (...) Pois bem, os embargos foram opostos por parte legítima, qual seja, o responsável tributário, por intermédio de procurador regularmente constituído. Quanto à tempestividade, embora a embargante tenha sido cientificada do acórdão recorrido em 26/12/2017 (efl. 5396), e o termo de análise de solicitação de juntada informe que a data de apresentação dos embargos se deu apenas em 13/01/2018 (e fl. 5401), consideroos tempestivos tendo em vista que no documento de efl. 5402 consta sua recepção pela DERAT/SP no dia 29/12/2017. 1) Da Alegação de Contradição Alega a embargante que a Turma incorreu em contradição, conforme trechos de seus embargos a seguir reproduzidos (efl. 5406 e ss.): II DA CONTRADIÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO 7. Como é sabido, o art. 133 do CTN, utilizado pela fiscalização como subsídio para imputar responsabilidade tributária à Embargante, prevê a responsabilidade por tributos devidos até a data da aquisição do fundo de comércio ou estabelecimento comercial (limite temporal). A redação do dispositivo é clara nesse sentido: (...) 8. Assim, o IRPJ e a CSLL incidentes sobre eventual ganho de capital obtido pela AGROPASTORIL (decorrente de alienação à Embargante) é de sua responsabilidade exclusiva ou de seus sócios, na medida em que esses tributos surgiram incontroversamente APÓS a aquisição do estabelecimento e fundo de comércio. (...) 10. A partir do contrato firmado entre a compradora (JBS S/A) e a vendedora (Agropastoril), a Embargante demonstrou que os imóveis da Agropastoril foram alienados em março/2012, motivo pelo qual não há como a adquirente (Embargante) ser responsável por um tributo apurado e devido somente após a data do ato de aquisição, conforme determina o art. 133 do CTN. 11. Destacase que o fato dos imóveis terem sido alienados em março/2012 era incontroverso nos autos, na medida em que tal operação não foi questionada no decorrer do processo administrativo ou na fiscalização, 12. O acórdão embargado, contudo, a fim de manter a responsabilidade da Embargante, inovou em relação à data da aquisição dos imóveis – fato que era incontroverso até então pois considerou que os imóveis foram adquiridos em 10/04/2012, data da 32ª alteração do contrato social da Agropastoril que tratou do cancelamento de suas filiais. 13. Notase, portanto, que a decisão embargada, deliberadamente, desconsiderou o contrato de compromisso de compra e venda apresentado nos autos e se valeu da data do cancelamento das Fl. 7055DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.055 5 filiais da Agropastoril para definir a data da aquisição do fundo de comércio ou estabelecimento comercial. 14. Ora, se havia dúvidas em relação à data de aquisição dos imóveis, caberia ao relator, data maxima venia, intimar a Embargante para demonstrar a efetiva data da operação de compra e venda, em sede de conversão de julgamento em diligência fiscal. (...) 15. De toda forma, em respeito ao princípio da verdade material e a fim de sanar eventuais dúvidas quanto ao marco temporal para verificar a responsabilidade da Embargante, requerse a juntada das escrituras de venda e compra referentes aos imóveis adquiridos pela JBS S/A (DOC. 01). 16. A partir de tais documentos é possível verificar que os imóveis foram adquiridos pela Embargante em 20/03/2012, ou seja, antes do fato gerador do IRPJ e da CSLL, que passaram a ser exigíveis em 30/04/2012. (...) 18. Fica claro, assim, que os imóveis foram adquiridos pela Embargante em 20/03/2012, o que se comprova por meio de Instrumento Público. 19. Considerando que o art. 133 do CTN determina que o sucessor responde pelos tributos devidos pelo sucedido até a data do negócio, não pode a Embargante responder pelos tributos exigidos no vertente processo. 20. A decisão embargada, portanto, é contraditória, pois, conforme documentos anexos (DOC. 01, já mencionado), os imóveis não foram adquiridos pela Embargante em 10/04/2012, mas sim em 20/03/2012, data esta que deve ser considerada como marco temporal para se verificar a responsabilidade da Embargante. 21. Frisase, ainda, que o i. Relator, data maxima venia, deslocou o marco temporal da aquisição dos imóveis com fato desconexo com a hipótese de incidência do ganho de capital, pois considerou que o cancelamento das filiais da Agropastorial como sendo a hipótese de incidência para caracterizar o ganho de capital. DF CARF MF 22. Impõese, assim, o conhecimento e provimento dos presentes embargos para correção da mencionada contradição. (...) Inicialmente devese esclarecer que, conforme doutrina e jurisprudência pacíficas, os embargos declaratórios constituemse em meio processual empregado para sanear erro in procedendo, e, ainda assim, somente erro in procedendo tipificados. Error in procedendo são erros que dizem respeito a aspectos formais da decisão. No âmbito do PAF os erros in procedendo que autorizam o manejo dos declaratórios são os seguintes: (i) obscuridade, omissão ou contradição entre a Fl. 7056DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.056 6 decisão e seus fundamentos; ou ainda (ii) omissão de ponto sobre o qual deveria haver se pronunciado a Turma. Não se encontram entre os vícios passíveis de saneamento pela via dos embargos declaratórios supostos erros in judicando, ou seja, erros do órgão julgador quanto à apreciação/valoração das provas carreadas aos autos e/ou quanto à interpretação/aplicação do direito ao caso concreto. No caso, embora alegue estar o acórdão embargado eivado de contradição, a embargante pretende, em verdade, que a Turma simplesmente reveja o seu entendimento segundo o qual o marco temporal para atribuição de responsabilidade tributária ao sucessor é o dia 10/04/2012, e não o dia 20/03/2012. De fato, sobre a questão da responsabilidade tributária da ora embargante a Turma assim se pronunciou (efl. 5368 e ..): Pontuase, nesse caso, que é o momento do ato de alienação que determina a aplicação das regras de responsabilização, há que se falar em responsabilidade do sucessor até a data de alienação. Verificase de acordo com o Art. 1.144 do Código civil que: "O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial". No processo não consta a averbação no Registro Público de Empresas Mercantis e a publicação na imprensa oficial do contrato de alienação do contrato de venda e compra firmado entre a Agropastoril Estevam Ltda. e a JBS S/A, contudo verificase que na que trigésima segunda alteração do contrato social da Agropastoril Estevam Ltda, registrado na JUCESP em 10 de abril de 2012, realizouse o cancelamento das filiais, adquiridas pela JBS S/A, localizadas no endereço na Rodovia BR364, km. 518, Setor Industrial, na cidade de AriquemesRO., CEP76877221 NIRE 11900134665 e CNPJ 64.611.213/000647; na Rodovia BR364, km. 10, Distrito Industrial, na cidade de Rio BrancoAC., CEP69914220 NIRE 12900101563 e CNPJ 64.611.213/000728 (fls. 36 a 42). Portanto considerase que 10 de abril de 2012 é o marco temporal para se falar em responsabilidade do sucessor. (g.n.) (...) No caso em concreto, tenho ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL e por conseqüência o surgimento da obrigação principal, em 31/03/2002, concluise que a JBS S/A é responsável, por sucessão, pelo crédito tributário constituído no presente processo Por essa razão deve ser restabelecida a responsabilidade subsidiária da JBS S/A no termos do Art. 133 inciso II do CTN. (...) Tratase, portanto, de pedido para saneamento de suposto error in judicando, algo que, como visto, não pode ser levado a efeito por meio de embargos declaratórios. 2) CONCLUSÃO Tendo em vista o exposto, e nos termos do art. 65, §§ 1º e 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, REJEITO, em caráter definitivo, os presentes embargos declaratórios opostos pelo responsável Fl. 7057DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.057 7 pelo crédito tributário, em razão de essa espécie recursal revelarse inadequada para o saneamento de suposto error in judicando." Diante desta situação, a Requerente impetrou o Mandado de Segurança nº 102978325.2018.4.01.0000 para ver garantido o seu direito líquido e certo de ver analisado o mérito de seus Embargos de Declaração pelo órgão colegiado que proferiu a decisão embargada, como forma de garantir a ampla defesa e o contraditório. Naqueles autos, com fundamento no art. 7º, III, da Lei nº 12.016/09, a Requerente pleiteou a concessão de medida liminar para admissão e julgamento dos Embargos de Declaração pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, todavia o pedido fora indeferido pelo MM. Juízo de 1ª instância. Ato contínuo, a Requerente interpôs Agravo Instrumento contra a r. decisão, distribuído sob o nº 102978325.2018.4.01.0000, onde foi deferida a antecipação da pretensão recursal, com base no art. 1.019, I, do NCPC, para determinar a apreciação dos Embargos de Declaração opostos nos presentes autos (DOC. 01), in verbis: "Tratase de agravo de instrumento, com pedido de antecipação da pretensão recursal, interposto por JBS S/A contra a decisão proferida pela MM. Juíza Federal da 3ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal que, nos autos de mandado de segurança impetrado contra ato do PRESIDENTE SUBSTITUTO DA 2º TURMA ORDINÁRIA DA 4ª CÂMARA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF, indeferiu o pedido liminar para determinar que a autoridade coatora admita os embargos de declaração opostos pela agravante no Processo Administrativo nº 10835.721220/201504 e determine o julgamento de seu mérito. Em síntese, a parte agravante alega que impetrou mandado de segurança com o fito de afastar a rejeição monocrática e sumária, pelo Presidente Substituto da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, de embargos de declaração opostos à decisão proferida em recurso voluntário nos autos do referido processo administrativo. Informa que foi autuada como responsável subsidiária pelos débitos da empresa Agropastoril Estevam Ltda. constituídos do PA nº 10835.721220/201504, tendo apresentado impugnação, acolhida pela Autoridade Julgadora de 1ª instância para afastar a sua responsabilidade, uma vez que os débitos referemse a fatos ocorridos após a transferência dos estabelecimentos e o sucessor somente responde por débitos relativos a fatos geradores ocorridos até a data do negócio. Contudo, sustenta que tal decisão foi reformada pelo CARF, em julgamento ao recurso de ofício, razão pela qual opôs embargos de declaração considerandose a presença de contradição na fundamentação da decisão, uma vez que, embora tenha havido o reconhecimento de que o sucessor responde pelos débitos somente até a data de sua alienação – ocorrida em Fl. 7058DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.058 8 09/03/2012, entendeuse que o marco temporal para decidir pela sua responsabilização (ou não) seria a ata em que houve o registro no JUCESP de alteração contratual da Agropastoril, realizando o cancelamento das filiais adquiridas. Aduz, ainda, que a decisão monocrática entendeu não ser cabível tal recurso para o saneamento de suposto erro in , impedindo a análise do mérito dos embargos pela turma julgadora, o que viola o direito líquido e certo judicando da agravante à ampla defesa e ao contraditório. Conclusos, decido. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, assim dispõe acerca dos embargos de declaração: [...] O art. 65, § 1º, da norma supracitada, determina, portanto, que a petição de embargos de declaração deve ser dirigida ao Presidente da Turma, o qual é incumbido de não conhecer os embargos intempestivos e de rejeitar, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estejam objetivamente apontadas, conforme § 3º do mesmo artigo. Compulsando os autos, verifico que as decisões impugnadas devem ser objeto de análise pelo órgão julgador, uma vez que foram arguidos pelo agravante diversos aspectos relevantes que merecem detida análise quando do julgamento do mérito da ação. Diante do acima exposto, vislumbro, neste exame perfunctório da matéria, a presença simultânea dos requisitos da probabilidade do direito e do perigo de dano, impondose o deferimento da antecipação da pretensão recursal requerida, tendo em vista que a decisão, ao impedir a análise do mérito dos embargos pela turma julgadora, viola os princípios do contraditório e da ampla defesa. Pelo exposto, presentes os requisitos previstos no artigo 300 do NCPC, DEFIRO A ANTECIPAÇÃO DA PRETENSÃO RECURSAL, com base no art. 1.019, I, do mesmo Código, para determinar a apreciação dos embargos opostos pela agravante no Processo Administrativo nº 10835.721220/2015 04.” Diante do exposto, a Requerente solicitou a designação de data para julgamento dos Embargos de Declaração opostos contra o acórdão nº 1402002.756, pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 7059DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.059 9 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE A Embargante, trouxe novas razões e documentos de prova que foram consideradas como alegações de suposto erro in judicando, por esse motivo os seus Embargos de Declaração foram rejeitados pelo Presidente Substituto da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, contudo, através de decisão judicial no Agravo de Instrumento distribuído sob o nº 102978325.2018.4.01.0000, deferiuse a ANTECIPAÇÃO DA PRETENSÃO RECURSAL, para determinar a apreciação dos embargos opostos pelo responsável tributário no Processo Administrativo nº 10385.721.220/201504. Verificase que os embargos opostos pelo responsável tributário devem ser objeto de análise pelo órgão julgador, uma vez que a decisão judicial (fls. 6831/6834) entendeu que foram arguidos pelo agravante diversos aspectos relevantes que merecem detida análise quando do julgamento do mérito da ação. A decisão judicial pautouse na presença simultânea dos requisitos da probabilidade do direito e do perigo de dano, impondose o deferimento da antecipação da pretensão recursal requerida, tendo em vista que o exame de admissibilidade proferido pela Presidência deste Colegiado ao impedir a análise do mérito dos embargos pela turma julgadora, viola os princípios do contraditório e da ampla defesa. Neste contexto, a cognição dos argumentos deduzidos (fls. 5404/5410) deve ser ampla, assim não comportando avaliação acerca da efetiva ocorrência de contradição na forma regimentalmente prevista, ou mesmo da impossibilidade de correção de error in judicando, como aventado no exame de admissibilidade. Observese, ainda, que a cognição alcança, apenas, os embargos apresentados, descabendo avaliar qualquer outro argumento eventualmente deduzido ao longo do Mandado de Segurança nº 101593723.2018.4.01.3400. Registrese que a validade da presente decisão está condicionada à subsistência da determinação judicial que a motivou. Em caso de reversão do provimento judicial, o processo administrativo retornará a seu estado anterior, qual seja, de definitividade do acórdão que negou provimento aos recursos voluntários e deu provimento ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade tributária da embargante, na medida em que os recursos especiais interpostos não tiveram seguimento. Passase, assim, ao exame dos embargos em observância à decisão judicial. 2 EXAME DOS EMBARGOS Relata a embargante que a imputação de responsabilidade por sucessão que lhe foi dirigida nestes autos, com fundamento no art. 133, inciso II do CTN, restou cancelada na decisão de 1ª instância porque, considerando que o período de apuração objeto de lançamento encerrouse em 31.03.2012 e os tributos correspondentes passaram a ser exigíveis Fl. 7060DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.060 10 em 30.04.2012, enquanto a transferência dos estabelecimentos ocorreu em 9 de março de 2012. Como a responsabilidade prevista naquele dispositivo legal atribui ao sucessor os tributos devidos pelo sucedido até a data do negócio, a embargante não responderia por tributos vencidos depois desta data. Contudo, na apreciação do recurso de ofício, este Conselho firmou a sucessão em 10/04/2012, data em que foram canceladas as filiais da Agropastoril Estevam Ltda., conforme sua 32ª alteração do contrato social, imputando à embargante a responsabilidade pelos créditos tributários de IRPJ e CSLL cujo fato gerador ocorreu em 31/03/2012. Em seu entendimento, referida decisão seria contraditória, na medida em que o IRPJ e CSLL foram apurados sobre eventual ganho de capital obtido pela AGROPASTORIL (decorrente de alienação à Embargante), e assim surgiram incontroversamente APÓS a aquisição do estabelecimento e fundo de comércio. Na medida em que a ocorrência da alienação em março/2012 era fato incontroverso nos autos, o acórdão embargado teria inovado em relação à data da aquisição dos imóveis, sem qualquer intimação prévia para esclarecimentos pela embargante, mediante conversão do julgamento em diligência, razão pela qual ela trouxe provas que evidenciariam a operação em 20/03/2012, integrando os débitos de IRPJ e CSLL exigíveis apenas em 30/04/2012. Frisando que o i. Relator, data máxima vênia, deslocou o marco temporal da aquisição dos imóveis com fato desconexo com a hipótese de incidência do ganho de capital, pois considerou que o cancelamento das filiais da Agropastoril como sendo a hipótese de incidência para caracterizar o ganho de capital, a embargante pede o conhecimento e provimento dos embargos para correção da mencionada contradição. Em síntese, o lançamento decorre do arbitramento dos lucros nos trimestres do anocalendário 2012, dado que o sujeito passivo não apresentou escrituração contábil compatível com sua condição de obrigado ao lucro real. O arbitramento teve em conta a receita bruta conhecida de vendas de produtos, já deduzidas das devoluções, bem como a receita conhecida da venda dos estabelecimentos industriais. A acusação fiscal aponta que as unidades frigoríficas de Ariquemes e Rio Branco passaram para a titularidade da JBS S/A no fim de março de 2012 e os empregados continuaram a trabalhar na mesma atividade sem solução de continuidade, bem como que a Agropastoril Estevam paralisou suas atividades logo em seguida a venda dos estabelecimentos industriais e comerciais à JBS SA em março de 2012, sendo que embora tenha deixado e restado somente a matriz como ativa, este estabelecimento também de fato paralisou suas atividades. Assim, sob a premissa de sucessão de fato em março/2012, e de paralisação das atividades de Agropastoril Estevam Ltda., mas com continuidade das atividades exploradas pelo grupo familiar que a controlava, e observando que a alienação alcançou a íntegra do fundo de comércio e da empresa Agropastoril Estevam Ltda., a autoridade fiscal concluiu que a responsabilidade do adquirente JBS S/A seria classificada como subsidiária nos termos do art. 133 inciso II do CTN. Em impugnação a embargante questionou a apuração do ganho de capital, apontou obscuridade quanto à efetiva imputação de responsabilidade subsidiária, observando Fl. 7061DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.061 11 que não foi provada a incapacidade dos responsáveis originais adimplirem as obrigações, defendeu a responsabilidade exclusiva, originária e pessoal destes. Apontou cerceamento ao seus direito de defesa, superficialidade da investigação fiscal, presunção de sucessão de fato e falta de provas da efetiva aquisição do fundo de comércio. Acrescentou que a Agropastoril Estevam Ltda. permanece proprietária do fundo de comércio, verificandose apenas aquisição de algumas unidades industriais, e não da empresa, sendo que em caso de continuidade das atividades pelo alienante, o adquirente somente responde pelos tributos do fundo ou estabelecimento adquiridos e depois de executados os bens do alienante, a evidenciar a impropriedade da imputação de responsabilidade à embargante sem prévia comprovação da incapacidade do sujeito passivo. Especificamente no que concerne ao alcance temporal da responsabilidade imputada, a impugnação está assim relatada na decisão de 1ª instância: • O art. 133 do CTN, utilizado pela fiscalização como subsídio para imputar responsabilidade tributária à Impugnante, prevê a responsabilidade por tributos devidos até a data da aquisição do fundo de comércio ou estabelecimento comercial (limite temporal). • O IRPJ e a CSLL incidentes sobre eventual ganho de capital obtido pela AGROPASTORIL (decorrente de alienação à Impugnante) é de sua responsabilidade exclusiva ou de seus sócios, na medida em que esses tributos surgiram incontroversamente APÓS a aquisição do estabelecimento e fundo de comércio. • Como a venda ocorreu em março/2012, a alienante (AGROPASTORIL) deveria, nos termos da legislação do imposto de renda, declarar o ganho de capital apenas no exercício seguinte (2013), assim, não há como a adquirente (Impugnante) ser responsável por um tributo apurado e devido somente após a data do ato de aquisição, conforme determina o art. 133 do CTN. Apreciando a impugnação, a Turma Julgadora observou inicialmente que, apesar de a autoridade fiscal apontar conluio entre a embargante e os alienantes para redução do ganho de capital, a imputação de responsabilidade se deu, apenas, com fundamento no art. 133, II do CTN. Apreciando essa acusação, afastou os questionamentos acerca do benefício de ordem, aplicável apenas em execução, bem como a exclusividade da responsabilização com base no art. 135 do CTN. Refutou, também, a alegação de falta de provas e uso de presunção, declarou incontroverso o valor de alienação dos estabelecimentos industriais e concluiu estar demonstrada a aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento, com a continuidade da exploração da atividade pelo alienante. Neste cenário, concluiu que: Com relação aos entendimentos doutrinários colacionados, segundo os quais a sucessão tributária estaria restrita ao ISS, ao ICMS e ao IPI, além de não vincularem as decisões administrativas, não encontram respaldo na legislação tributária. Fl. 7062DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.062 12 Argumenta ainda a JBS S/A que os tributos dela exigidos surgiram após a aquisição dos estabelecimentos ou fundos de comércio, o que afastaria sua responsabilidade. Entendo que neste ponto assiste razão à impugnante. Como se sabe o fato gerador do IRPJ, como também da CSLL, é complexivo ou periódico, com apuração trimestral. Ou seja, considerase ocorrido o fato gerador ao final de cada trimestre. No caso ora apreciado, o período de apuração objeto de lançamento encerrouse em 31.03.2012 e os tributos correspondentes passaram a ser exigíveis em 30.04.2012, enquanto a transferência dos estabelecimentos ocorreu em 9 de março de 2012, segundo o contrato de venda e compra firmado entre a Agropastoril Estevam Ltda. e a JBS S/A (fls. 2675 a 2681). Uma vez que o artigo 133 do CTN determina que o sucessor responde pelos tributos devidos pelo sucedido até a data do negócio, não poderá a JBS S/A responder pelos tributos cobrados no vertente processo. Nestes termos, a responsabilidade da JBS S/A pelo crédito tributário constituído no presente processo deverá ser afastada. Apreciando o recurso de ofício, o voto condutor do acórdão embargado traz consignado que: A responsabilidade por sucessão tem seu regramento previsto no artigo 129 e seguintes do CTN. O art. 129 do CTN preceitua que a responsabilidade dos sucessores abrange tanto os créditos definitivamente constituídos à data dos atos nelas referidos, quanto aos créditos constituídos posteriormente desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Posto que, este artigo aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Pontuase, nesse caso, que é o momento do ato de alienação que determina a aplicação das regras de responsabilização, há que se falar em responsabilidade do sucessor até a data de alienação. Verificase de acordo com o Art. 1.144 do Código civil que: "O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial". No processo não consta a averbação no Registro Público de Empresas Mercantis e a publicação na imprensa oficial do contrato de alienação do contrato de venda e compra firmado entre a Agropastoril Estevam Ltda. e a JBS S/A, contudo verificase que na que trigésima segunda alteração do contrato Fl. 7063DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.063 13 social da Agropastoril Estevam Ltda, registrado na JUCESP em 10 de abril de 2012, realizouse o cancelamento das filiais, adquiridas pela JBS S/A, localizadas no endereço na Rodovia BR364, km. 518, Setor Industrial, na cidade de AriquemesRO., CEP76877221 NIRE 11900134665 e CNPJ 64.611.213/0006 47; na Rodovia BR364, km. 10, Distrito Industrial, na cidade de Rio BrancoAC., CEP69914220 NIRE 12900101563 e CNPJ 64.611.213/000728 (fls. 36 a 42). Portanto considerase que 10 de abril de 2012 é o marco temporal para se falar em responsabilidade do sucessor. [...] No caso em concreto, tenho ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL e por conseqüência o surgimento da obrigação principal, em 31/03/2002, concluise que a JBS S/A é responsável, por sucessão, pelo crédito tributário constituído no presente processo. Por essa razão deve ser restabelecida a responsabilidade subsidiária da JBS S/A no termos do Art. 133 inciso II do CTN. A embargante entende que o acórdão embargado inovou em relação à data de aquisição dos imóveis fato que era incontroverso até então pois considerou que os imóveis foram adquiridos em 10/04/2012, data da 32ª alteração do contrato social da Agropastoril que tratou do cancelamento de suas filiais. Todavia, a argumentação acima exposta apenas localiza o marco para responsabilização do sucessor, na forma do art. 1.144 do Código Civil, e em momento algum vincula os demais efeitos do contrato à data da averbação do contrato. Referido dispositivo legal claramente se presta a assegurar ampla publicidade da alienação em benefício, especialmente, de credores, que, na condição de terceiros, não figurando na relação jurídica de alienação do estabelecimento, podem ter seus direitos afetados por esta ocorrência. Neste sentido também é a disposição seguinte do mesmo Código Civil: Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. Ou seja, o credor tem o direito de questionar a alienação promovida em prejuízo a seus direitos, estando o alienante obrigado a manter patrimônio suficiente para quitar suas dívidas, e somente podendo alienar o estabelecimento sem esta reserva se todos os credores consentirem após prévia notificação. Neste cenário, a publicidade estipulada no art. 1.144 do Código Civil afeta, justamente, o marco temporal para responsabilização das partes do contrato pelos prejuízos a credores em razão do deslocamento da propriedade sobre o estabelecimento ou sobre o fundo de comércio. A apuração do ganho de capital, de outro lado, deve necessariamente observar os contornos da operação acordada entre as partes, sendo irrelevante a eficácia deste ato perante terceiros para fins de registro contábil da baixa do ativo e do ingresso dos valores recebidos. Obviamente as partes não dependem da publicidade referida no art. 1.144 do Código Fl. 7064DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.064 14 Civil para ter conhecimento da operação e implementar suas repercussões contábeis e tributárias. A embargante, por sua vez, se empenha em demonstrar que as alienações ocorreram em 20/03/2012, e assim integrariam o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorrido em 31/03/2012, data da apuração trimestral na sistemática do lucro arbitrado. Na medida em que a autoridade fiscal também imputou o fato gerador como ocorrido neste momento, e o art. 1.144 do Código Civil posterga para o registro a definição acerca da responsabilidade das partes em razão da referida alienação, não há reparos à conclusão do acórdão embargado de que a responsabilidade subsidiária do adquirente se impõe relativamente aos tributos lançados no 1º trimestre de 2002, na medida em que eles já eram devidos na data em que a alienação operou efeitos em relação a terceiros. Considerese, ainda, que a autoridade julgadora de 1ª instância opera em erro ao interpretar que o art. 133 do CTN, ao se reportar a tributos devidos, alcançaria apenas aqueles exigíveis, quais sejam, aqueles cujo prazo de recolhimento já estivesse expirado. Na forma do art. 113, §1º do CTN, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ou seja, ocorrido o fato gerador, o passivo deve ser reconhecido contabilmente, ainda que o vencimento da obrigação se dê em momento posterior. Assim, na acepção do art. 133 do CTN, tributos devidos são aqueles contabilizados ou que deveriam ter sido contabilizados, em razão da ocorrência do fato gerador e consequente surgimento da obrigação principal. E, quanto à não contabilização dos tributos devidos, importa registrar a pertinente análise de Maria Rita Ferragut1 acerca da irrelevância da contabilização para fins de responsabilização do sucessor pelo crédito tributário: Outro ponto importante a ser visto nesse momento diz respeito ao artigo 1.146 do Código Civil, in verbis: Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Assim, quem adquire estabelecimento responde, a partir da vigência do Código Civil de 2002, pelos débitos a ele relativos desde que devidamente contabilizados", continuando o alienante solidariamente obrigado por um ano, a contar da publicação do trespasse no caso de obrigações vencidas, ou a contar do vencimento no caso das dívidas vincendas. Diante dessa afirmação, inevitável a pergunta: e se os débitos não estiverem contabilizados? Nessa hipótese, eles devem permanecer garantidos pelo patrimônio do antigo proprietário. 1 Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002, p. 9394. São Paulo: Editora Noeses, 2005. Fl. 7065DF CARF MF Processo nº 10835.721220/201504 Acórdão n.º 1402003.797 S1C4T2 Fl. 7.065 15 A aplicabilidade desse artigo, na esfera tributária, é apenas parcial, pois o artigo 133 do CTN não faz qualquer menção quanto à necessidade de contabilização para que a sucessão ocorra. Certamente a ausência dessa condição é positiva, pois de certa forma evita alienações indiscriminadas e fraudulentas que objetivem a impossibilidade de cobrança do crédito tributário. Portanto, os artigos 1.146 do Código Civil e 133 do CTN, ao tratar da sucessão de forma diversa, devem ser interpretados da seguinte forma: 1) A norma veiculada no CTN sobrepõese à do Código Civil, por ser específica e hierarquicamente superior. Nesse sentido, a necessidade de contabilização dos débitos fiscais, para a eficácia da sucessão tributária, é incabível; e 2) Naquilo que o Código Civil não conflitar com o CTN (solidariedade do devedor primitivo, por um ano), a norma deverá se aplicada, conforme autoriza o artigo 128 do CTN. Logo, se os tributos eram devidos em 31/03/2002, e a alienação do fundo de comércio só operou efeitos em relação à responsabilidade tributária do adquirente em 10/04/2002, esta é considerada a "data do ato" na dicção do caput do art. 133 do CTN, devendo ser mantido o provimento ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade tributária da embargante, de forma subsidiária com o alienante, consoante exposto na acusação fiscal. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos, em observância à ordem judicial, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Fl. 7066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903389/2008-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
RESSARCIMENTO DE IPI. DCOMP. VALOR DO CRÉDITO RECONHECIDO. CORREÇÃO DE ERRO CONSTANTE DA DECISÃO RECORRIDA.
Uma vez constatada a existência de erro na parte dispositiva da decisão recorrida no que tange à identificação do valor do crédito adicional a ser reconhecido, em dissonância com os demais fundamentos constantes daquela decisão, este erro deverá ser sanado por esta instância julgadora.
SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR POSTERIORMENTE ESTORNADO NA INTEGRALIDADE. APROVEITAMENTO PARA ABATER DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO.
Não é admissível o aproveitamento escritural, para efeito de determinação do menor saldo credor apurado em períodos posteriores ao do trimestre de ressarcimento, de saldo credor de período anterior que tenha sido integralmente estornado do livro de apuração do IPI pelo próprio contribuinte, ainda que posteriormente ao pedido de ressarcimento apresentado.
Numero da decisão: 3002-000.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecer o direito creditório no importe de R$ 25.001,46.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO DE IPI. DCOMP. VALOR DO CRÉDITO RECONHECIDO. CORREÇÃO DE ERRO CONSTANTE DA DECISÃO RECORRIDA. Uma vez constatada a existência de erro na parte dispositiva da decisão recorrida no que tange à identificação do valor do crédito adicional a ser reconhecido, em dissonância com os demais fundamentos constantes daquela decisão, este erro deverá ser sanado por esta instância julgadora. SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR POSTERIORMENTE ESTORNADO NA INTEGRALIDADE. APROVEITAMENTO PARA ABATER DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Não é admissível o aproveitamento escritural, para efeito de determinação do menor saldo credor apurado em períodos posteriores ao do trimestre de ressarcimento, de saldo credor de período anterior que tenha sido integralmente estornado do livro de apuração do IPI pelo próprio contribuinte, ainda que posteriormente ao pedido de ressarcimento apresentado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10935.903389/2008-15
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6006711
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.679
nome_arquivo_s : Decisao_10935903389200815.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10935903389200815_6006711.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecer o direito creditório no importe de R$ 25.001,46. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7738261
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:44:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906756050944
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-10T22:15:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-10T22:15:06Z; Last-Modified: 2019-05-10T22:15:06Z; dcterms:modified: 2019-05-10T22:15:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-05-10T22:15:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-10T22:15:06Z; meta:save-date: 2019-05-10T22:15:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-10T22:15:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-10T22:15:06Z; created: 2019-05-10T22:15:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-05-10T22:15:06Z; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-10T22:15:06Z | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 227 1 226 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.903389/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.679 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2019 Matéria RESSARCIMENTO IPI. ESTORNO DO CRÉDITO. Recorrente INDÚSTRIA DE MÓVEIS SIMOSUL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO DE IPI. DCOMP. VALOR DO CRÉDITO RECONHECIDO. CORREÇÃO DE ERRO CONSTANTE DA DECISÃO RECORRIDA. Uma vez constatada a existência de erro na parte dispositiva da decisão recorrida no que tange à identificação do valor do crédito adicional a ser reconhecido, em dissonância com os demais fundamentos constantes daquela decisão, este erro deverá ser sanado por esta instância julgadora. SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR POSTERIORMENTE ESTORNADO NA INTEGRALIDADE. APROVEITAMENTO PARA ABATER DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Não é admissível o aproveitamento escritural, para efeito de determinação do menor saldo credor apurado em períodos posteriores ao do trimestre de ressarcimento, de saldo credor de período anterior que tenha sido integralmente estornado do livro de apuração do IPI pelo próprio contribuinte, ainda que posteriormente ao pedido de ressarcimento apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins de reconhecer o direito creditório no importe de R$ 25.001,46. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 33 89 /2 00 8- 15 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10935.903389/200815 Acórdão n.º 3002000.679 S3C0T2 Fl. 228 2 (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o Conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 203/204 dos autos: Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 3 e 4) apresentada em 05 de dezembro de 2008 contra despacho decisório (efls. 61 a 71) de 07 de novembro de 2008, cientificado em 18 de novembro de 2008, que não homologou declarações de compensação com créditos de IPI do 1º trimestre de 2003, apresentadas a partir de 13 de outubro de 2004. De acordo com o despacho decisório, foi apurado o seguinte: Analisadas as Informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 27.003,28 Valor do crédito reconhecido: R$ 18.937,54 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos. Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é Inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização Integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi Insuficiente para compensar Integralmente os débitos Informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 40732.48660.170505.1.3.010052 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 09550.91706.200505.1.3.018006 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 42247.88205.131004.1.1.010669 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10935.903389/200815 Acórdão n.º 3002000.679 S3C0T2 Fl. 228 3 Os demonstrativos anexos ao despacho decisório dão conta de que houve glosa de créditos ressarcíveis, no montante de R$ 1.103,05, em razão de haver notas fiscais emitidas por estabelecimentos não inscritos no CNPJ (00.087.743/000140, 77.916.245/0001 98, 00.115.136/000147 e 03.321.986/000170). Além disso, como os saldos de créditos dos períodos do 3º decêndio de abril, do 3º decêndio de maio e do 3º decêndio de junho de 2003 foram inferiores ao saldo apurado no trimestre do ressarcimento, constatouse a utilização, na escrituração fiscal, de parte do saldo objeto do pedido, reduzindoo para o menor saldo credor apurado. Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou o seguinte: 3. Relativamente à diferença de R$ 7.918,93, após vários exercícios cerebrinos, o demonstrativo constante do Despacho Decisório sinaliza que o não reconhecimento do crédito ocorreu porque a Manifestante, ao invés de utilizar o menor saldo credor posterior ao período do Pedido de Ressarcimento, utilizou o saldo credor apurado no próprio trimestre de referência. O procedimento adotado pela Manifestante não merece reparos porque o saldo credor do IPI existente no 4o trimestre de 2001 não foi considerado pelo seu valor correto no demonstrativo anexo ao Despacho Decisório. Assim, se referido saldo credor fosse considerado o demonstrativo deveria indicar um montante de saldo credor do período anterior correspondente óo Io decêndio de janeiro de 2003. Como se observa, no demonstrativo, não foi informado nenhum saldo credor. O saldo credor a ser utilizado, conforme PER/COMP n° 42247.88205.1314.1.1.01.0 deveria ser de R$ 140.903,36. O equívoco cometido no levantamento constante do Despacho repelido refere se à tomada do saldo credor do período anterior Não poderia ser igual a zero porque no 4º trimestre de 2001 o saldo constante da conta gráfica no Livro Registro de Apuração do IPI era igual a R$ 76.940,84. Referido valor, aliás, foi informado no PER/DCOMP n° 05075.88450.120304.1.1.01 1090 (documento anexo) De acordo com o explanado no item 4, retro, considerandose o saldo credor do trimestre de 2001, no montante de R$ 76.940,84, constante da conta gráfica do IPI (documento anexo) e do PER/DCOMP acima mencionado, o menor saldo credor do período posterior ao Pedido de Ressarcimento seria, indubitavelmente, sempre superior ao crédito solicitado na correspondente DCOMP. Todos os valores de IPI solicitados e aproveitados em DCOMP foram regularmente estornados na conta gráfica do IPI (documentos anexos) e, destarte, se persistir a glosa do crédito constante do Despacho Decisório, a Manifestante não terá como reaproveitálo uma vez que já foi operada a decadência. O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, despacho decisório, contrato social, PER/DCOMP, notas fiscais, cartões de CNPJ, recibo de entrega do pedido de ressarcimento do IPI, pedido de ressarcimento ou restituição declaração de compensação, livro de apuração do IPI (fls. fls 05/197). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10935.903389/200815 Acórdão n.º 3002000.679 S3C0T2 Fl. 228,5 4 Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, conforme decisão (fls. 202/211) que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. GLOSA DE CRÉDITOS. ESTABELECIMENTO EMISSOR NÃO CADASTRADO NO CNPJ. ERRO. PROVA. Demonstrada a regular inscrição do estabelecimento emitente da nota fiscal, considerase regular o crédito de IPI escriturado. SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR POSTERIORMENTE ESTORNADO NA INTEGRALIDADE. APROVEITAMENTO PARA ABATER DÉBITOS. IMPOSSIBILIDADE. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Não é admissível o aproveitamento escritural, para efeito de determinação do menor saldo credor apurado em períodos posteriores ao do trimestre de ressarcimento, de saldo credor de período anterior que tenha sido integralmente estornado do livro de apuração do IPI pelo próprio contribuinte. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 23/12/14 (vide termo de ciência à fl. 219 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 07/01/2015, Recurso Voluntário (fls. 220/224). Em seu recurso, o contribuinte se insurgiu contra a decisão de primeira instância, apresentando dois argumentos: i) a decisão de primeiro grau teria se equivocado ao reconhecer um direito creditório de R$ 2001,82; ii) o acórdão desconsiderou o saldo credor do quarto trimestre de 2001, no valor de R$ 76.940,84, contudo, o contribuinte entende que o saldo credor do IPI passível de ressarcimento encontravase em harmonia com o valor pleiteado. Pediu, ao fim, a reforma da decisão de primeira instância para reconhecerse o direito creditório de R$ 25.001,46, ou considerar o montante de R$ 76.940,84 como integrante do saldo credor de IPI em 31/12/2001 e, consequentemente, reconhecer o pleito inicial de R$ 27.803,28. Não juntou novos documentos em seu recurso. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10935.903389/200815 Acórdão n.º 3002000.679 S3C0T2 Fl. 229 5 Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, parte do pleito do contribuinte já fora acolhido em primeira instância administrativa, a qual reconheceu a improcedência da glosa no que tange aos valores relacionados à operações realizadas com estabelecimentos emissores supostamente não cadastrado no CNPJ, uma vez demonstrada a regular inscrição dos referidos estabelecimentos. Permaneceu em discussão, portanto, o fundamento relacionado à constatação de que o saldo do crédito passível de ressarcimento seria inferior ao pleiteado, somada à constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência até a data da apresentação da PER/DCOMP. A contestação apresentada pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário pode ser resumido em dois pontos: (i) erro na indicação do valor adicional do crédito pleiteado, devendo ser reconhecido o direito creditório no importe de R$ 25.001,46 e não apenas o valor adicional de R$ 2.001,82, como constou da decisão recorrida; (ii) direito à consideração do montante de R$ 76.940,84 como integrante do saldo credor do IPI em 31/12/2001., reconhecendo, consequentemente, o direito ao ressarcimento do IPI originalmente pleiteado no importe de R$ 27.803,28. Quanto ao primeiro argumento apresentado, entendo que assiste razão à Recorrente. De fato, da análise da decisão recorrida, verificase que a DRJ, em detida análise realizada quanto ao montante ressarcível, chega à conclusão de que o saldo correto a ser considerado corresponde ao importe de R$ 25.001,46 (vide fls. 210/211 dos autos). Acontece que, em que pese ter chegado a este conclusão, fez constar ao final do seu voto, equivocadamente, que deveria ser reconhecido o direito ao crédito adicional de R$ 2.001,82. Da análise dos valores objeto da presente contenda, contudo, verificase que houve um erro na decisão recorrida ao fazer referência ao referido valor. Em verdade, o montante de R$ 2.001,82 diz respeito ao valor da glosa mantida (resultado da subtração do valor do crédito pleiteado nesta DCOMP, no importe de R$ 27.003,28, o valor reconhecido pela DRJ, no montante de R$ 25.001,46), e não do crédito adicional a ser concedido. Isso porque, consoante acima narrado, verificase que a recorrente solicitou crédito no importe de R$ 27.003,28, ao passo que a fiscalização reconheceu, por meio do despacho decisório, crédito no importe de R$ 18.937,54. Sendo assim, ao concluir que o crédito do contribuinte corresponde, em verdade, ao montante de R$ 25.001,46, verificase que o crédito adicional reconhecido pela DRJ, em verdade, corresponde ao montante de R$ 6.063,91 (R$ 25.001,46 reconhecido conforme fundamentos constantes da decisão recorrida + R$ 18.937,54 já reconhecido por meio do despacho decisório). Uma vez constatada a existência de erro na parte dispositiva da decisão recorrida no que tange à identificação do valor do crédito adicional a ser reconhecido, em dissonância com os demais fundamentos constantes daquela decisão, este erro deverá ser sanado por esta instância julgadora. Nesse contexto, nos moldes da própria análise realizada pela DRJ nos presentes autos, há de ser reconhecido o direito creditório da Recorrente no importe de R$ Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10935.903389/200815 Acórdão n.º 3002000.679 S3C0T2 Fl. 229,5 6 25.001,46, que corresponde ao crédito adicional de R$ 6.063,91 em relação ao valor já reconhecido pelo próprio despacho decisório (R$ 18.937,54). Por outro lado, quanto ao segundo fundamento, entendo que não assiste razão à Recorrente. Isso porque, consoante também fora detidamente analisado pela DRJ na decisão Recorrida, o crédito de R$ 76.940,84 não fora considerado pela própria Recorrente, a qual procedeu ao seu estorno em 2007. E, por concordar com os fundamentos constantes da decisão Recorrida, transcrevoos a seguir, adotandoos como razão de decidir: Não procede a alegação da Interessada de que "O equívoco cometido no levantamento constante do Despacho repelido referese à tomada do saldo credor do período anterior não poderia ser igual a zero porque no 4º trimestre de 2001 o saldo constante da conta gráfica no Livro Registro de Apuração do IPI era igual a R$ 76.940,84", uma vez que, para efeito da apuração do demonstrativo em questão, o saldo credor inicial considerado foi o do período seguinte. De acordo com o acórdão pronunciado no processo n. 10935.901556/201199, o saldo do R$ 76.940,84 era originário do ano de 2001 e foi integralmente estornado no primeiro trimestre de 2007. Portanto, esse saldo não foi aproveitado entre o período de sua apuração e o 1º trimestre de 2007 e, assim, não poderia influenciar a apuração do saldo em análise. No PERDCOMP apresentado pela Interessada (efl. 40), o valor foi lançado junto ao "saldo credor no período anterior", relativamente ao 3º decêndio de dezembro de 2002. A Interessada apresentou cópias do livro de apuração do IPI (LRAIPI), relativamente ao mês de janeiro de 2002 (efl. 53 a 55) e a 2004 (efls. 55 e 56), deixando de apresentar as cópias relativas aos trimestres em análise. Vejase que, alterandose o saldo inicial do 1º decêndio de abril de 2003 para o valor alegado, o saldo credor ressarcível ao final do trimestre estaria de acordo com a alegação da Interessada. Isso por que, se fosse assim, esse saldo inicial que não é ressarcível teria abatido os débitos de IPI dos períodos posteriores ao trimestre em análise, fazendo com que os créditos ressarcíveis apurados no período não fossem aproveitados para abatimento de débitos. Entretanto, essa informação não corresponde à realidade, uma vez que, conforme já se afirmou, o referido saldo foi integralmente estornado em 2007 e, além disso, a própria Interessada somente pediu o ressarcimento de R$ 27.003,28, que estaria dentro do valor apurado dos créditos ressarcíveis não aproveitados escrituralmente no trimestre. Nesse aspecto, a recomposição do saldo escritural foi refeita nos julgamentos das manifestações de inconformidade dos processos 10935.903378/200835 e 10935.903385/200837, onde ficou demonstrado que o saldo inicial de abril de 2002 não foi de R$ 88.615,63, mas de 17.034,13. (...) Entretanto, como já se afirmou, a Interessada manteve o saldo alegado de crédito de R$ 76.940,84 na escrituração, sem o aproveitar, até 2007. Permitir o aproveitamento de tal crédito no momento em questão implicaria, assim, a redução Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10935.903389/200815 Acórdão n.º 3002000.679 S3C0T2 Fl. 230 7 do saldo credor do 1º trimestre de 2007 no exato valor de R$ 5.833,11, pois, mais uma vez, no período mencionado, a Interessada estornou o valor integral de R$ 76.940,84. Como no processo mencionado foi reconhecido o direito ao crédito requerido, não se pode admitir, no presente processo, a utilização desse saldo de crédito. Importa esclarecer que o efeito da manutenção do referido crédito na escrituração, sem aproveitamento, não resultou em alteração na conta gráfica, conforme alegado na manifestação de inconformidade, devido aos créditos acumulados pela Interessada a partir 2º decêndio de abril de 2002. Por fim, não cabe, na presente decisão, cogitarse especificamente do que levou a Interessada a efetuar a glosa desse saldo de R$ 76.940,84 em janeiro de 2007. No acórdão do processo n. 10935.901556/201199, considerouse o seguinte: Na apuração efetuada pela Interessada, esse valor deveria ser de R$ 38.299,38, não abrangendo o valor de R$ 76.940,84 informado a título de estorno de créditos. Verificase que valor em questão, conforme cópia do livro registro de apuração do IPI (LRAIPI) de efl. 214, referiuse, supostamente, ao “estorno saldo credor 2001”, que somente poderia ser mantido na escrituração até o ano de 2006, à vista do prazo de cinco anos. Portanto, a Interessada efetuou corretamente o estorno de crédito no LRAIPI, informouo no demonstrativo do PER que transmitiu. Entretanto, como o saldo inicial considerado pelo sistema foi nulo, podese concluir que o referido saldo de créditos não foi considerado como saldo credor de períodos anteriores não ressarcível. Em tese, se o estorno ocorreu por limite temporal para aproveitamento dos créditos (5 anos), não haveria razão para não permitir o aproveitamento do crédito em 2002, quando ainda não havia decorrido o prazo. Poderia, entretanto, tratarse de crédito simplesmente indevido, registrado em 2001. Além disso, remanesce o fato incontestável de que o crédito foi estornado integralmente em 2007 sem aproveitamento, o que reforça essa possibilidade. Se o estorno não ocorreu por imposição legal (esgotamento do prazo para aproveitamento escritural), ocorreu por opção da Interessada, que não o contestou, nem alegou haverse tratado de engano. Quanto a este ponto, a Recorrente limitouse em seu Recurso Voluntário a combater a decisão recorrida sob o enfoque temporal de que o crédito em questão teve origem em 2001 e que somente foi estornado em 2007. Sendo assim, no seu entendimento seria possível admitir tal crédito em 2004, quando da transmissão do pedido de ressarcimento aqui analisado. Penso, contudo, que o aspecto temporal indicado pelo Recorrente não altera a conclusão a que chegou a DRJ em sua decisão. Isso porque, como restou repetidamente analisado naquela oportunidade, é incontroverso que houve o estorno do referido crédito na contabilidade da Recorrente em 2007, sem a sua utilização. E, como bem ressaltou o julgador, Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10935.903389/200815 Acórdão n.º 3002000.679 S3C0T2 Fl. 230,5 8 não se sabe ao certo a razão da realização deste estorno, podendo se tratar, inclusive, de crédito indevido. Sendo assim, para fins de reconhecimento do crédito tributário pleiteado, cabia ao contribuinte não apenas alegar a possibilidade de utilização do crédito em questão face ao aspecto temporal relacionado, como também comprovar a validade deste crédito, o que não foi feito. Até porque, como é cediço, o ônus probatório compete ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação) quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). Em outras palavras, em casos de pedidos de compensação, o ônus probatório é do Recorrente. É o que se extrai tanto do teor do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, quanto o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, in verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. *** Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, verificase que a Recorrente não se desimcumbiu do seu ônus probatório, não tendo trazido aos autos qualquer elemento apto a abalar a conclusão a que chegou a DRJ sobre o presente caso. Entendo, portanto, que a decisão recorrida há de ser mantida neste ponto. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente in casu, para fins de reconhecer o direito creditório no importe de R$ 25.001,46. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.911810/2009-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. INÍCIO DE PROVA.
A Recorrente comprovou o valor do imposto pago por estimativas no ano calendário em análise. Em razão das provas apresentas no recurso voluntário, o processo deve retornar à DRF de origem para reanálise da liquidez e certeza do crédito
Numero da decisão: 1003-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer início de prova capaz de corroborar as alegações da Recorrente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o conseqüente retorno dos autos à DRF de origem, a fim de seja refeito o despacho decisório, levando em consideração as provas e informações constantes neste processo, bem como outras informações disponíveis no sistema da Receita Federal.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. INÍCIO DE PROVA. A Recorrente comprovou o valor do imposto pago por estimativas no ano calendário em análise. Em razão das provas apresentas no recurso voluntário, o processo deve retornar à DRF de origem para reanálise da liquidez e certeza do crédito
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.911810/2009-09
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6014489
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.680
nome_arquivo_s : Decisao_10166911810200909.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 10166911810200909_6014489.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer início de prova capaz de corroborar as alegações da Recorrente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o conseqüente retorno dos autos à DRF de origem, a fim de seja refeito o despacho decisório, levando em consideração as provas e informações constantes neste processo, bem como outras informações disponíveis no sistema da Receita Federal. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7763278
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:46:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906911240192
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-23T22:06:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-23T22:06:04Z; Last-Modified: 2019-05-23T22:06:04Z; dcterms:modified: 2019-05-23T22:06:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-05-23T22:06:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-23T22:06:04Z; meta:save-date: 2019-05-23T22:06:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-23T22:06:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-23T22:06:04Z; created: 2019-05-23T22:06:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-05-23T22:06:04Z; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-23T22:06:04Z | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.911810/200909 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.680 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 08 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HC PEÇAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. INÍCIO DE PROVA. A Recorrente comprovou o valor do imposto pago por estimativas no ano calendário em análise. Em razão das provas apresentas no recurso voluntário, o processo deve retornar à DRF de origem para reanálise da liquidez e certeza do crédito Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer início de prova capaz de corroborar as alegações da Recorrente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o conseqüente retorno dos autos à DRF de origem, a fim de seja refeito o despacho decisório, levando em consideração as provas e informações constantes neste processo, bem como outras informações disponíveis no sistema da Receita Federal. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 18 10 /2 00 9- 09 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10166.911810/200909 Acórdão n.º 1003000.680 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 03047.580, de 22 de março de 2012, da 4ª Turma da DRJ/BSB, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 848522011, emitido em 07/10/2009, que não homologo a declaração no PER/DCOMP nº 37007.98755.240206.1.3.029213, destacando em suas alegações que possuía saldo negativo do ano calendário 2003 e não entendia os motivos da não homologação. A DRJ/BSB julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 Compensação – Impossibilidade – Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Ilmo. Julgador na DRJ destacou em sua fundamentação que a Recorrente teria cometido erro no preenchimento da Dcomp, pois teria informado como “pagamentos” o valor do saldo negativo utilizado na Dcomp, quando deveria fazer constar os pagamentos de estimativa recolhidos em 2004. Continua informando ter verificado que os pagamentos de estimativa totalizavam R$ 97.572,25 e nãoer saldo negativo o importe de R$ 120.410,72, que constava na DIPJ como pagamentos e daí concluiu não haver saldo negativo. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário que, em síntese, alegou: (i) tratase de declaração de compensação de débito próprio do contribuinte com crédito de saldo negativo de IRPJ, ano base 2007. A acórdão recorrido se fundamenta na falta de comprovação do crédito tributário que sustenta a declaração, contudo afirma ser o crédito líquido e certo e junta um quadro demonstrativo abaixo: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10166.911810/200909 Acórdão n.º 1003000.680 S1C0T3 Fl. 4 3 (ii) Em razão do quadro acima, explica a Recorrente que a autoridade fiscal, no cômputo do valor recolhido em 2007, desprezou o valor de R$ 22.838,47, recolhido a maior no anocalendário de 2003. Fato que poderia ser consultado na DIPJ anocalendário 2006. Por fim, requereu a reforma do r. acórdão, para o fim de que seja deferido, em favor da Recorrente, a compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10166.911810/200909 Acórdão n.º 1003000.680 S1C0T3 Fl. 5 4 Primeiramente, cumpre esclarecer que o objeto dos presentes autos é a não homologação da PER/DCOMP nº 37007.98755.240206.1.3.029213, que pleiteava a declaração de homologação de pagamento de débito de IRPJ, período de apuração janeiro/2005, com créditos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, exercício 2005. Em seu recurso voluntário a Recorrente comete equívocos em relação ao período em análise, informando se tratar do ano base 2007 e, em consequencia, fala para analisar a DIPJ 2006. Vêse, portanto, que a Recorrente comete erro em relação aos períodos objetos destes autos. Não obstante o erro apontado,. a Recorrente colaciona documentos sobre o período correto, como apresenta o quadro constante no Recurso e reproduzido no Relatório com valores compatíveis com os comprovantes de recolhimentos do ano de 2004 juntados aos recurso voluntário. Logo, tratase de erro de fato passível de correção de ofício. Ao ver da Recorrente, a autoridade fiscal, no cômputo do valor recolhido em 2004, desprezou o valor de R$ 22.838,47. Pela planilha acostada pela Recorrente, verificase que esse valor foi compensado em fevereiro de 2004 com créditos do ano de 2003. No recurso voluntário, a Recorrente juntou aos autos a DIPJ de 2004 e de 2005, os comprovantes de recolhimentos de IRPJ efetuados no ano de 2004, uma planilha de demonstrativo contábil elaborada pela própria Recorrente e as PER/DCOMPs demonstrando as compensações. Pelos comprovantes de recolhimentos juntados ao processo, restou comprovado o pagamento de estimativas de IRPJ, anocalendário 2004, no valor de R$ 97.572,25 (efls. 182 a 193). Diante disso, o Ilmo. Julgador da DRJ concluiu que as estimativas pagas eram inferiores ao declarado na DIPJ 2005 (efls. 110 a 181), que demonstrava o valor do imposto de renda mensal pago por estimativa o montante de R$ 120.410,72. A diferença, segundo a Recorrente, ocorreu em razão da não identificação pela autoridade fiscal das compensações efetuadas a partir de créditos apurados no ano de 2003, efls. 198 a 256 para o vencimento de tributos em 27/02/2004. Pela análise das PER/DCOMP acostadas, verificase: PER/DCOMP nº 21257.27850.270204.1.3.048090, declaração de compensação de débito de IRPJ, período de apuração janeiro/ 2004, vencimento 27/02/2004, no valor de R$ 5.710,76 com crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS DARF com vencimento em 15/01/2003 no valor de R$ 10.000,00. PER/DCOMP nº 22366.11763.270204.1.3.045107, declaração de compensação de débito de IRPJ, período de apuração janeiro/ 2004, vencimento 27/02/2004, no valor de R$ 17.127,71 com crédito de pagamento indevido ou a maior de COFINS DARF com vencimento em 15/01/2003 no valor de R$ 22.000,00 Vêse, pois, ter a recorrente logrado êxito em demonstrar ter havido compensação em relação ao período de apuração de janeiro/2004, vencimento 27/02/2004, no valor total de R$ 22.838,47. Contudo, pelas informações constantes no processo, até o presente momento, não temos a confirmação de terem os PER/DCOMP nºs 21257.27850.270204.1.3.048090 e Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10166.911810/200909 Acórdão n.º 1003000.680 S1C0T3 Fl. 6 5 22366.11763.270204.1.3.045107 sido efetivamente homologados. A Recorrente juntou prova de ter apresentado os mesmos, porém não há informações de estarem eles homologados. É importante observar que os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar seia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, qualquer alteração no pedido desnatura o objeto. Entendese que, comprovadas as compensações realizadas com débitos de janeiro/2004, o valor do imposto de renda mensal pago por estimativa perfaz a importância de R$120.410,72, corroborando a tese da Recorrente de possuir o crédito no momento da apresentação do PER/DCOMP objeto destes autos. As inexatidões no PER/DCOMP apontadas pela autoridade julgadora de piso não são suficientes para descaracterizar eventual existência de crédito. Esses erros, uma vez identificada a existência do crédito, podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Outrossim, é digno de destaque que os documentos acostados no recurso voluntário, especialmente as PER/DCOMP utilizadas para compensar débitos de janeiro/2004, não foram analisadas pelas instâncias anteriores e devem, para evitar a supressão de instância, ser reexaminados pela unidade de origem. Ainda, o valor do imposto de renda mensal pago por estimativa informado na DIPJ 2005 pode ser confirmado pelas compensações e a verificação da existência de saldo negativo no ano de 2004 deve ser reavaliado. Isto posto, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reconhecer início de prova capaz de corroborar as alegações da Recorrente, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o conseqüente retorno dos autos à DRF a fim de seja refeito o despacho decisório, levando em consideração as provas e informações constantes neste processo, bem como outras informações disponíveis no sistema da Receita Federal. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000813/2004-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
PROCESSO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Após a lavratura do auto de infração, instaura-se a fase litigiosa entre o fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao
contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa.
SIGILO BANCÁRIO. LEI TRIBUTARIA. INCONSTITUCIONALIDADE.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula 2 do CARF).
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
0 artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
"A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n. 4 do CARF).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.988
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 PROCESSO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Após a lavratura do auto de infração, instaura-se a fase litigiosa entre o fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa. SIGILO BANCÁRIO. LEI TRIBUTARIA. INCONSTITUCIONALIDADE. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula 2 do CARF). IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. 0 artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n. 4 do CARF). Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 19515.000813/2004-60
conteudo_id_s : 6003701
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.988
nome_arquivo_s : Decisao_19515000813200460.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000813200460_6003701.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
id : 7726299
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051906948988928
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-04-11T15:31:33Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-04-11T15:31:33Z; Last-Modified: 2012-04-11T15:31:33Z; dcterms:modified: 2012-04-11T15:31:33Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d24fb9f5-ad93-40d1-b989-e7c8a4a1f473; Last-Save-Date: 2012-04-11T15:31:33Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-04-11T15:31:33Z; meta:save-date: 2012-04-11T15:31:33Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-04-11T15:31:33Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-04-11T15:31:33Z; created: 2012-04-11T15:31:33Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2012-04-11T15:31:33Z; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-04-11T15:31:33Z | Conteúdo => S2-CITI Fl. 212 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19515.000813/2004-60 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 2101-00.988 — P Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente HILDA JORGE FARIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 PROCESSO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Após a lavratura do auto de infração, instaura-se a fase litigiosa entre o fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa administrativa. SIGILO BANCÁRIO. LEI TRIBUTARIA. INCONSTITUCIONALIDADE. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula 2 do CARF). IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. 0 artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n. 4 do CARF). Recurso negado. r- Processo n° 19515.000813/2004-60 S2-CITI AcOrdao n.° 2101-00.988 Fl. 213 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. CAIO MARCOS CÂNDIDO te d-r ALEXANDRE NAOKI NISHI•KA Relator EDITADO EM: 16.02.2012 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 189/210) interposto em 03 de abril de 2008 contra o acórdão de fls. 170/181, do qual a Recorrente teve ciência em 05 de março de 2008 (fl. 186), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Sao Paulo II (SP), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 128/130, lavrado em 24 de junho de 2004, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, verificada no ano-calendário de 2001. O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. OBTENÇÃO ILEGAL DE DADOS BANCÁRIOS. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n.° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Não se trata de quebra de sigilo, mas de transferência de dados, com a responsabilidade da manutenção do sigilo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. 2 Processo n° 19515.000813/2004-60 S2-C1T1 Acórdão n,° 2101-00.988 Fl. 214 Após 1 0 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não lograr comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. EFEITO DE CONFISCO A utilização da taxa SELIC como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Outrossim, refoge A competência da autoridade administrativa a análise de aspectos constitucionais atinentes ao confisco. Lançamento Procedente" (fls. 170/171). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 189/210, pedindo a reforma do acórdão recorrido. o relatório. Voto conheço. Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele Inicialmente, é preciso esclarecer que não houve qualquer omissão no acórdão recorrido, uma vez que foram apreciados todos os pontos ventilados pela ora Recorrente em sua impugnação. A contribuinte está sendo questionada sobre a origem de depósitos bancários, e não sobre acréscimo patrimonial a descoberto, motivo pelo qual não haveria qualquer motivo para que o órgão julgador a quo se pronunciasse a respeito da referida matéria. Relativamente As alegações de: i) falta de indicação dos depósitos bancários no auto de infração e no termo de verificação fiscal; ii) impossibilidade do lançamento ser feito apenas com base nos extratos bancários, e iii) ausência de fundamentação para quebra de sigilo bancário, entendo que são desprovid as de fundamento. Nesse sentido, conforme preceitua o artigo 42 da Lei n.° 9.430/96: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1°. 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitidos sera considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2°. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão As normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente A época em que auferidos ou recebidos." 3 Processo n° 19515.000813/2004-60 S2-C I Ti Acórdao n.° 2101-00.988 Fl. 215 Na realidade, instituiu o referido dispositivo autentica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindo-o ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutá-la. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de una fato provado de forma indireta. Ou seja, provando- se diretamente o fato indiciario, tern-se, por conseguinte, a formação de um juizo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, prova-se especificamente a ocorrência de movimentagbes bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, para afastar-se a presunção de omissão de rendimentos erigida pelo dispositivo legal em referência, cabe ao contribuinte comprovar, efetivamente, a origem dos valores depositados de forma individualizada, de maneira a permitir-se a desconstituição da prova obtida por meio do fato indicidrio legalmente previsto pela norma de presunção. Ou seja, não é dever do Fisco especificar os depósitos bancários objeto de lançamento, a ele cabe demonstrar a ocorrência de movimentntles bancarias injustificadas. Sendo assim, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.° 9.430/96 é legitima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária ern vigor. Esse Conselho, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n.° 9.430/96, é valida a presunção ern referência, sendo 'emus do contribuinte desconstitui-la corn a apresentação de provas suficientes para tanto. E o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1 0 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ONUS DA PROVA - Se o anus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar - seus depósitos bancários." (I° Conselho de Contribuintes, 2a Câmara, Recurso Voluntário n.° 158.81 relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) "LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA - procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade corn o que preceitua o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, em que se presume corno omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, 4 Processo if 19515.000813/2004-60 S2-C IT I Acórdão n.° 2101-00.988 Fl. 216 mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação habit e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ONUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituida por meras alegações." (1° Conselho de Contribuintes, T Câmara, Recurso Voluntário n.° 141.207, relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) No mais, os documentos que comprovem a origem dos valores movimentados devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais tam para constituir possível crédito. Nesse sentido, colaciona-se alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: "NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — PROVA — No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciar-se com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do ano-calendário tem prazo para guarda igual Aquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário." (1° Conselho de Contribuintes, 2a Camara, Recurso Voluntário n.° 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) "DOCUMENTOS — GUARDA — 0 prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de oficio o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei IV 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte." (1° Conselho de Contribuintes, 2a Câmara, Recurso Voluntário n. ° 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Considerando-se, portanto, o exposto, deve-se salientar que, em que pese a indignação da Recorrente, suas alegações não afastam a presunção de omissão de rendimento pois em nenhum momento houve a comprovação da origem dos depósitos bancários. Sao meras afirmações desprovidas de prova, que devem, portanto, ser desconsideradas. Note-se, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.° 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. Assim, não tendo a Recorrente comprovado a origem dos respectivos depósitos bancários mediante documentação hábil e idônea, deve-se manter o acórdão recorrido também quanto a este aspecto. 5 Processo n° 19515.000813/2004-60 S2-CIT1 AcOrclao n.° 2101-00.988 Fl. 217 No mais, sustenta a Recorrente a nulidade do auto de infração, tendo em vista, sinteticamente, a ausência de fundamentação no Termo de Verificação Fiscal para a quebra do sigilo bancário, tendo em vista que não foi apontado o dispositivo legal que justificaria a quebra, o que acarretaria no cerceamento ao direito de defesa e contraditório, antes da lavratura e cientificação do referido auto. De fato, como aponta a jurisprudência pacifica deste órgão judicante, apenas com a intimação do contribuinte, por meio do auto de infração, é que se instaura a fase litigiosa do processo administrativo, sendo, portanto, incabível falar-se em cerceamento de defesa do contribuinte. Nesse sentido, cumpre conferir o seguinte acórdão, da lavra do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cuja ementa segue transcrita: "DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas fisicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCARIO - QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO DE FORMA PARCIAL PELO PODER JUDICIARIO - LIMITAÇÃO DE ACESSO - NULIDADE DO LANÇAMENTO - Descabe a pretensão de nulidade do auto de infração, ainda que acostadas aos autos cópias integrais de extratos bancários, fornecidos pelas instituições financeiras, em decorrência de ordem judicial que autorizou a quebra do sigilo bancário envolvendo operações iguais ou superiores a R$ 50.000,00 (cinqüenta mil Reais), se no lançamento foram considerados apenas os valores determinados pela justiça. CERCEAMENTO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos" (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2' Câmara, Recurso Voluntário n.° 141.595, relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, sessão de 18/05/2005). Ademais, da análise dos presentes autos, não se infere em nenhum momento qualquer prejuízo A sua defesa, uma vez que não se vislumbrou negativa de acesso aos autos. Salienta-se, inclusive, que a Recorrente elaborou suas defesas, teve pleno acesso aos autos, logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração, aplicando-se, pois, o brocardo pas de nullité sans grief Ora, a Recorrente poderia ter apresentado todas as provas que considerasse necessárias A sua defesa e consequente afastamento do lançamento no momento da apresentação da sua impugnação e, até mesmo, em fase de recurso voluntário, na hipótese de ter conseguido a documentação hábil nesse momento da sua defesa. A contribuinte defende, ainda, a tese de que, por ser o sigilo bancário uma das garantias constitucionais, não poderia a Fazenda Pública ter quebrado referido sigilo sem prévia autorização judicial, o que teria maculado de nulidade o presente feito. Importante se faz salientar que a Lei n.° 4.595/64, no que toca obrigatoriedade de autorização judicial para a quebra de sigilo fiscal, foi revogada pela Lei 6 Processo n° 19515.000813/2004-60 S2-C I T1 AcerclAo n.° 2101-00.988 FL 218 Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 01, que, ao dispor sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinou: "Art. 10 As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: [...1 III — o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. I 1 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996; Art. 5° 0 Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços E.. .] § 40 Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5 0 As informações a que se refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor." Consoante a citada lei complementar, o acesso as informações bancárias independe de autorização judicial, não constituindo quebra de sigilo. As informações obtidas permanecem protegidas. A Lei n.° 5.172, de 1966 (CTN), em seu artigo 198, veda sua divulgação para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública Nacional ou de seus funciondrios, sem prejuízo do disposto na legislação criminal. Nos termos do inciso II do art. 197 da Lei n.° 5.172/1.966, as entidades financeiras estão obrigadas a fornecer ao Fisco as informações solicitadas. Diz o referido dispositivo legal que: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham coin relação aos ben negócios ou atividades de terceiros. E- - -1 II — os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras". A propósito, de acordo com o Comunicado BACEN/DEF1S n.° 373/1.987, a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude o § 5° do art. 38 da Lei n° 4.595/64, não constituem quebra de sigilo bancário. 7 Processo n° 19515.000813/2004-60 82-C 11'1 At:61-n.° n.° 2101 -00.988 Fl, 219 0 sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e de seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a Lei Complementar n.° 105/01 e o art. 197, II, da Lei n.° 5.172, de 25/10/66, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do Código Tributário Nacional, como, aliás, prevê o inciso XXXIII do art. 5° da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e ern crime (§ 7' do art. 38 da Lei n.° 4.595/64; art. 198 do CTN; art. 325 do CPC). Para melhor compreensão, segue abaixo a transcrição dos citados dispositivos legais. Lei n.° 5.172/66 "Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários, de qualquer informação, obtida em razão do oficio, sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades. Parágrafo único. Excetuam-se do disposto neste artigo, unicamente, os casos previstos no artigo seguinte e os de requisição regular da autoridade judiciária no interesse da justiça. Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestar-se-Ao mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou especifico, por lei ou convênio." Lei n° 4.595/64 "Art. 38.... § 7°. A quebra do sigilo de que trata este artigo constitui crime e sujeita os responsáveis it pena de reclusão, de um a quatro anos, aplicando-se, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis." Código Penal "Violação de Sigilo Funcional Art. 325. Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação: Pena — detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais grave." A matéria em foco é regulada, também, nos arts. 918, 998 e 999 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (RIR) aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26/03/99. Decreto n.° 3.000/99 8 Processo n° 19515.000813/2004-60 S2-C I TI Acórdão n." 2101-00.988 Fl. 220 "Art. 918. Iniciado o procedimento fiscal, os Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional poderão solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n° 4.595, de 1964 (Lei n°4.595. de .964, art. 38, §§ 5° e 6°, e Lei n° 8.021, de 1990, art. 8°). Art. 998. Nenhuma informação poderá ser dada sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades (Lei n° 5.172, de 1.966, arts. 198 e 199). (...) § 2° A obrigação de guardar reserva sobre a situação de riqueza dos contribuintes se estende a todos os funcionários públicos que, por dever de oficio, vierem a ter conhecimento dessa situação (Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 10) . § 3° t. expressamente proibido revelar ou utilizar, para qualquer fim, o conhecimento que os servidores adquirirem quanto aos segredos dos negócios ou da profissão dos contribuintes (Decreto-lei n° 5844, de 1943, art. 201, § 2'). Art. 999. Aquele que, em serviço da Secretaria da Receita Federal, revelar informações que tiver obtido no cumprimento do dever profissional ou no exercício de oficio ou emprego, será responsabilizado como violador de segredo, de acordo com a lei penal (Decreto-lei n°5.844, de 1943, art. 202)." Frise-se, pois, que as informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal, a par de amparada legalmente (Lei Complementar n.° 105/201; art. 197, inc. II, da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966; art. 918 do RIR aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26/03/1999; Portaria MF/GB n.° 493/68; Comunicado BACEN/DEFIS n.° 373/87), não implicam quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais (art. 201 e §§ 1° e 2°, e art. 202 do Decreto-lei n.° 5.844/43, dispositivos consolidados nos art. 998 e 999 do vigente Regulamento do Imposto de Renda), de sorte que inocorre ilicitude na obtenção de provas. Dessa forma, não pode prosperar a alegação feita, no que tange à quebra de sigilo bancário. Quanto ao dever de analise de questões relativas à inconstitucionalidade da leis, aduzidas pela Recorrente, é cediço que as instâncias administrativas são incompetentes para tanto. E o que estabelece a Súmula n.° 2 do CARF: "Súmula n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Dessa forma, foge da competência dessa Câmara analisar as questões de inconstitucionalidade suscitadas pela Recorrente. Ademais, impende salientar que é desarrazoado o argumento da Recorrente, relativamente à impossibilidade de correção da multa, isso porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer correção sobre o valor da multa, que é de 112,5%, aplicado sobre o valor do principal. 9 Processo n° 19515.000813/2004-60 82-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.988 Fl. 221 Ern relação aos juros com base na variação acumulada da taxa SELIC, sua aplicação é devida nos termos da Lei n.° 9.065/1995, que deu nova redação a dispositivos da Lei n.° 8.981/1995, o que aliás afasta o argumento segundo o qual deveria ser utilizado o percentual de 1% ao mês, já que este somente tern lugar nas hipóteses de ausência de lei. Trata- se de matéria já sumulada neste CARF: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Sitmula CARF n. 4). Eis os motivos pelos quais voto no senti de AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Li ALEXANDRE AOKI NIS ri IOKA Relator I O
score : 1.0
Numero do processo: 15374.970255/2009-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE.
A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.970255/2009-15
anomes_publicacao_s : 201905
conteudo_id_s : 6012686
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.709
nome_arquivo_s : Decisao_15374970255200915.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 15374970255200915_6012686.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
dt_sessao_tdt : Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7758235
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:45:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907248881664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1485; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.970255/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.709 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 9 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FDA COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS CIENTÍFICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva –Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça –Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 02 55 /2 00 9- 15 Fl. 112DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1239.110, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. O presente processo versa sobre PER/DCOMP de nº 28528.19693.230109.1.3.044716, no qual fora informado, como crédito para compensação, o montante constante no DARF pago em 29/07/2005, PA 30/06/2005 (CÓDIGO 2372), no valor 21.911,13. Fazse a ressalva de que referido crédito, ora em discussão, tratase do mesmo não reconhecido no Processo nº 15374.964146/200951 através do Despacho Decisório nº 848.612.587, diante da inexistência do crédito, não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP 36785.28789.311008.1.3.041570. Por sua vez, a DERAT/RJ, por meio de Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, nos seguintes termos: Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade e alegou, em síntese, que “incorreu no erro em não retificar sua DIPJ e sua DCTF disponibilizando o crédito para compensação” e que a verdade material deve prevalecer. Ao apreciar a referida manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por bem julgála improcedente e manteve o crédito tributário lançado, cuja ementa da decisão segue transcrita: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.970255/200915 Acórdão n.º 1003000.709 S1C0T3 Fl. 3 3 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior constitui uma grandeza una e, sendo objeto de análise em outro processo, só pode ser discutido na via recursal daquele processo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Inconformada, com o objetivo de reforma da decisão, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, cujos argumentos, em síntese, foram: a) a compensação fora efetuada de acordo com a legislação de regência e apenas por um erro no preenchimento de suas DCTF e DIPJ onde não constariam tais créditos, não houve a homologação daquela e, que, b) tais declarações foram devidamente retificadas no sentido da comprovação do suposto crédito utilizado na compensação em questão, apesar de entender que o que garante o direito à compensação é o pagamento indevido ou maior, e não o correto preenchimento de declarações fiscais. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Conforme já relatado, o presente processo versa sobre declaração de compensação não homologada, visto que a "partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Isso se deu porque a DERAT, ao confrontar as informações prestadas na declaração de compensação com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O DARF foi, assim, totalmente alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, a qual tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Fl. 114DF CARF MF 4 Por sua vez, na manifestação de inconformidade, a Recorrente admitiu que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada posteriormente ao despacho decisório (mesma data da retificação da DIPJ). Ocorre que, pela análise dos autos, está claro que Recorrente não acostou aos autos conjunto probatório robusto que comprovasse existência do crédito alegado, bem como possibilidade a retificação de suas declarações após ser proferido o Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada. Afinal, o ônus da prova é do contribuinte a obrigação de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações anteriormente declaradas, já que as declarações apresentadas do contribuinte devem refletir a realidade de sua contabilidade. A razão disso é simples: a autoridade administrativa profere julgamento analisando os documentos carreados aos autos pela Recorrente, visando à busca da verdade material. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Assim sendo, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar documentalmente a existência de suposto erro de fato que desse guarida à retificação das declarações apresentadas. Erro de fato é aquele que se situa, por exemplo, no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. Portanto, apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, desde que devidamente comprovadas, e, como já foi dito, isso não ocorreu E ausência de comprovação, como já dito, é incompatível com a retificação das declarações apresentadas pela Recorrente após a prolação do Despacho Decisório. É importante registrar que a DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Qualquer alteração da DCTF, ou mesmo na DIPJ, após o despacho decisório deve ser realizada munidos de documentos fiscais suficientes para comprovar eventual erro anterior. Ademais, a determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito anteriormente não declarado, longe de ser mero formalismo, é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15374.970255/200915 Acórdão n.º 1003000.709 S1C0T3 Fl. 4 5 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A comprovação, portanto, é conditio sine qua non para admissão da retificação realizada, quando essa, como no caso dos autos, reduz tributos. E, a Recorrente poderia têla providenciado em todo decorrer do processo. Mesmo em grau de recurso voluntário a jurisprudência do CARF, na qual me filio, tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade, desde que esclareça pontos fundamentais na ação de retificação. Contudo, repisese: a Recorrente não trouxe à colação qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que evidenciasse o suposto erro no preenchimento das declarações, o que justificaria o recolhimento do imposto em valor superior ao declarado e a possibilidade de retificação das DCTF e DIPJ. Outrossim, é em razão do princípio da verdade material que a Recorrente deveria ter colacionado aos autos os documentos contábilfiscais da empresa, pois a autoridade fiscal poderia ter efetuado a homologação de ofício, uma vez identificada a correição das retificações realizadas. O contrário homologar a compensação sem os documentos contábeis indispensáveis, considerando apenas as declarações da DIPJ e DCTF , ainda que retificadas, não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não pode ser identificada a liquidez e certeza dos créditos em discussão nestes autos (art. 170 CTN). Ademais, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, incumbindolhe, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. De fato, a compensação válida pressupõe o encontro de valores líquidos e certos, inclusive, harmônicos com todos os registros e declarações do interessado, não podendo estar presentes incertezas e dúvidas para o cotejo de contas. Logo, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve haver homologação da 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 116DF CARF MF 6 compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pela própria Recorrente. Ressaltase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados, concluindose que não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciassem a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.903335/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.673
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 PROVAS. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10735.903335/2012-92
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5996444
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.673
nome_arquivo_s : Decisao_10735903335201292.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10735903335201292_5996444.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7714305
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:43:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051907496345600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.903335/201292 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.673 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria Declaração de Compensação Recorrente EVANIL TRANSPORTES E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 PROVAS. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 33 35 /2 01 2- 92 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10735.903335/201292 Acórdão n.º 3302006.673 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito (s) nele discriminado(s) com crédito de Cofins, decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior que o devido. A compensação não foi homologada, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: que o despacho decisório não preencheu os requisitos do ato administrativo, faltandolhe a forma e objeto; que a compensação pleiteada originouse de sobra de valores de Cofins pago a maior e não retificado em DCTF, sendo que, persistindo a não homologação da DCOMP apresentada, estará sendo obrigado a pagar tributos em duplicidade, em flagrante desrespeito a legislação pátria vigente e que a DCTF é apenas informativa; que é ilegal a aplicação da taxa SELIC para correção monetária do crédito tributário constituído, sendo que o correto seria aplicar o percentual de 1%, conforme CTN; que a multa aplicada fere o "princípio da proporcionalidade razoável" e possui caráter confiscatório. O colegiado a quo julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02051.789. Inconformado com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário ora em apreço, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.663, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903325/201257, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.663): Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10735.903335/201292 Acórdão n.º 3302006.673 S3C3T2 Fl. 4 3 "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O Decreto 70.235, de 1972 prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que ora se instala que esse direito é exercido. O fundamento de fato para o indeferimento do pedido é a insuficiência do crédito utilizado na compensação e o despacho decisório demonstra isso. No quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” está indicado o débito (código da receita e período de apuração de tributo) quando o Darf foi utilizado para pagamento de tributo declarado pelo contribuinte, ou o número do PerDcomp quando o Darf foi utilizado em outro processo de compensação ou restituição. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10735.903335/201292 Acórdão n.º 3302006.673 S3C3T2 Fl. 5 4 O fundamento legal também esta informado no despacho. Portanto, não há como se acatar a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, referente ao período de apuração 31/12/2009. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, a pedra angular do litígio posta nos autos cingese em avaliar a existência de provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Contudo, antes de entrar na análise das provas, cabe tecer algumas linhas sobre provas no processo. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10735.903335/201292 Acórdão n.º 3302006.673 S3C3T2 Fl. 6 5 § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10735.903335/201292 Acórdão n.º 3302006.673 S3C3T2 Fl. 7 6 relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10735.903335/201292 Acórdão n.º 3302006.673 S3C3T2 Fl. 8 7 interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, DARF, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10735.903335/201292 Acórdão n.º 3302006.673 S3C3T2 Fl. 9 8 identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem nenhum documento probante. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Multa de Mora. Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10735.903335/201292 Acórdão n.º 3302006.673 S3C3T2 Fl. 10 9 Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
