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Numero do processo: 13660.000494/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 2).
IRPF. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO CÔNJUGE OU COMPANHEIRO(A). Nos casos de opção pela declaração em conjunto, formalizada pela indicação desta opção em campo próprio da declaração, os rendimentos do cônjuge ou companheiro(a) devem, necessariamente, ser informados na declaração e tributados em conjunto. No caso de omissão dos rendimentos do cônjuge ou
companheiro(a), a diferença de imposto pode ser exigida mediante
lançamento de ofício, acrescida de multa e juros de mora.
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO OU ACORDO
JUDICIAL. Somente são dedutíveis, para fins da apuração do imposto de renda da pessoa física, os valores de pensão alimentícia paga por força de acordo ou decisão judicial homologada e nos seus limites.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.602
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França (Relatora), que deu provimento parcial ao recurso para aceitar a exclusão do dependente. Designado para redigir o voto
vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 2). IRPF. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO CÔNJUGE OU COMPANHEIRO(A). Nos casos de opção pela declaração em conjunto, formalizada pela indicação desta opção em campo próprio da declaração, os rendimentos do cônjuge ou companheiro(a) devem, necessariamente, ser informados na declaração e tributados em conjunto. No caso de omissão dos rendimentos do cônjuge ou companheiro(a), a diferença de imposto pode ser exigida mediante lançamento de ofício, acrescida de multa e juros de mora. IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. Somente são dedutíveis, para fins da apuração do imposto de renda da pessoa física, os valores de pensão alimentícia paga por força de acordo ou decisão judicial homologada e nos seus limites. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França (Relatora), que deu provimento parcial ao recurso para aceitar a exclusão do dependente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Redator designado. EDITADO EM: 11/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 22/25), para exigir crédito tributário de IRPF, exercício 2008, no montante de R$12.325,45, incluídos os acréscimos legais, decorrente da omissão de rendimentos próprios e de dependentes, no total de R$24.221,70. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls.38/41), cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: “1 — que o lançamento de Creusa Maria de Castro Pereira, CPF 545.837.30659, como dependente em sua DIRPF/2007 fora equivocado, uma vez que não mais era sua companheira, sendo que pretendia registrála no campo de beneficiária de "pagamentos e doações efetuados", por conta de pensões pagas mensalmente, já que é pai de Me11 Castro Pereira Junqueira, nascida em 18/04/2006; 2 — concorda com as omissões de rendimentos próprios percebidos das fontes pagadoras Associação de Pais e Alunos do Colégio Minas Austral (R$ 8.586,21), Associação Educacional e Missionária Evangélica de Caxambu (R$ 4.071,37) e Associação Cultura Franciscana (R$ 68,92); 3 — por outro lado, conforme o que já expôs acerca de sua ex companheira, as omissões de rendimentos de valores atinentes as fontes pagadoras dessa devem ser excluídas do lançamento, uma vez que não era sua dependente; 4 — requer que sejam incluídas as deduções a titulo de pensão alimentícia (R$ 9.000,00) e de contribuição previdenciária de empregado doméstico (R$ 168,00); 5 — reconhece o interessado, de acordo com o demonstrativo de fl. 40, ser exigível o imposto suplementar equivalente a R$ 1.273,78. Para amparo de suas alegações, o impugnante fez colacionar os elementos de fls. 42/59.” Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13660.000494/200866 Acórdão n.º 2201001.602 S2C2T1 Fl. 2 3 improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/JFA n°0932.078 de 22 de outubro de 2010, fls. 70//71, em decisão assim ementada: “RENDIMENTOS OMITIDOS. DEPENDENTE. COMPANHEIRA. Exercida pelo contribuinte a opção de consignar a companheira como dependente, os rendimentos percebidos por essa também são levados tributação, não se permitindo, por força da legislação, a exclusão da citada dependência após iniciado o procedimento de oficio. Impugnação Improcedente.” Cientificado dessa decisão em 15/12/2006 (fls. 42), o contribuinte apresentou, em 20/12/2010, recurso voluntário tempestivo de fls. 75/77, fazendo referência a entrevista do expresidente Luiz Inácio da Silva e alegando em síntese: O Relator “não considerou em tempo algum, que as pessoas podem errar”. O contribuinte tinha “uma vida em comum com sua companheira, desta comunhão nasceu uma criança em 18/04/2006, o mesmo resolve pagar pensão para sua companheira, se estava pagando pensão é porque houve uma separação”. Insurgese contra o art.78 do RIR/99 que apenas permite a dedução de pagamento de pensão de acordo judicialmente homologado para reconhecer a separação. Cumpriu com suas obrigações acessórias e tributárias; o valor que deseja excluir da sua tributação já foi declarado pela titular e recolhido os impostos. Houve julgamento sem a devida análise dos fatos com um todo. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. A controvérsia posta a apreciação desse colegiado trata da omissão de rendimentos da dependente do contribuinte, declarada como sua companheira, bem como de pensão alimentícia paga a mesma. Inicialmente, cabe ressaltar que a análise dos julgadores administrativos está adstrita aos fatos comprovados e legislação em vigor. É certo que não nos cabe declarar a inconstitucionalidade da lei tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Inclusive esse entendimento é matéria sumulada, através da Súmula n.2 do CARF, que determina: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fato é que o contribuinte declarou sua companheira como dependente. Entretanto, no processo não consta cópia da declaração para que se possa verificar, se o Recorrente indicou no campo próprio da declaração opção pela declaração em conjunto. Sobre a declaração em conjunto ou separado valhome dos elucidativos esclarecimentos prestados pelo Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, no Acórdão 10421.123 de 09/11/2005, que exarou o seguinte voto vencedor: “É cediço que os contribuintes casados (ou em união estável) têm a opção de entregar Declaração de Rendimentos separadamente ou em conjunto, sendo a regra a declaração em separado. A opção pela declaração em conjunto é exercida com a explicitação da escolha com o preenchimento de campo próprio da declaração, reforçada com a indicação do cônjuge ou companheiro como dependente. Sem o exercício dessa opção não há que se falar em declaração em conjunto, devendo o cônjuge ou companheiro apresentar sua própria declaração, em separado. É amplamente conhecido também e dispensa maiores comentários, que, no caso de opção pela declaração em conjunto, devem ser somados os rendimentos de ambos os cônjuges ou companheiros bem como podem ser deduzidas as despesas pessoais de ambos os declarantes e de seus dependentes, conforme previsão legal. Pois bem, a contrário sendo, a opção pela declaração em separado implica na separação, por um lado, dos rendimentos próprios, e por outro, das deduções referentes a despesas pessoais de cada um. A matéria está disciplinada nos artigos 7º e 8º do Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, verbis: “Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13660.000494/200866 Acórdão n.º 2201001.602 S2C2T1 Fl. 3 5 Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo.” Como se vê, a declaração pode ser entregue em conjunto ou separadamente, por opção dos declarantes. De acordo com a opção feita decorrem regras específicas de procedimento, como acima referido.”(Grifei.) Cabe ressaltar que a Sra. Creusa Maria de Castro Pereira somente apresentou DIPF após iniciado o procedimento fiscal contra o recorrente, cujos rendimentos correspondem à omissão ora analisada (R$11.495,20), mais a suposta pensão alimentícia (R$ 9.000,00), resultando em um rendimento de R$ 20.495,20, sobre os quais a mesma pagou imposto. A prova de que o casal já estava separado quando da apresentação da declaração de imposto de renda é bastante difícil. Entretanto, estando os rendimentos relativo a omissão, declarados pela cônjuge, mesmo após o inicio do procedimento fiscal contra o recorrente, levame a presumir que eles apresentaram declaração em separado. Dessa forma, o rendimento relativos a ela devem ser excluídos do lançamento, assim como o valor relativo a sua dedução. Não obstante, o valor pago por pensão alimentícia não pode ser deduzido pelo contribuinte pois a lei é clara ao determinar, no próprio Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99: Seção IV Pensão Alimentícia Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais Não há dúvida, que o contribuinte por liberalidade pode pagar pensão à sua excompanheira ou aos seus filhos. Entretanto, é requisito para a dedutibilidade da pensão alimentícia no imposto de renda que seja ela paga em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir a Sra. Creusa Maria de Castro Pereira dos dependentes do contribuinte. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Voto Vencedor Fl. 95DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Fundamentação Divergi do bem articulado voto da I. Conselheirarelatora quanto à exclusão de Creusa Maria de Castro Pereira como dependente do Contribuinte e, consequentemente, quanto à exclusão dos rendimentos por ela recebimento da base de cálculo do lançamento. Conforme ressaltou a decisão de primeira instância, não está em discussão no processo os valores apurados pela fiscalização como omissão de rendimentos, mas apenas o fato de poderem ou não tais rendimentos integrar a base de cálculo do lançamento, pois o Contribuinte sustenta que, apesar de ter indicado a referida Creusa Maria de Castro Pereira como sua dependente, na DIRPF/2007, tal informação estava errada, pois em 2006 a referida senhora não mais era sua companheira. Pois bem, a questão está disciplinada da seguinte forma da legislação tributária: RIR/99: Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo.” Portanto, os contribuintes casados (ou em união estável) têm a opção de entregar Declaração de Rendimentos separadamente ou em conjunto, sendo a regra a declaração em separado. A opção pela declaração em conjunto é exercida com a explicitação da escolha mediante o preenchimento de campo próprio na declaração, reforçada com a indicação do cônjuge ou companheiro como dependente. Sem o exercício dessa opção não há falar em declaração em conjunto, devendo o cônjuge ou companheiro apresentar sua própria Fl. 96DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13660.000494/200866 Acórdão n.º 2201001.602 S2C2T1 Fl. 4 7 declaração, em separado. Já no caso de opção pela declaração em conjunto, devem ser somados os rendimentos de ambos os cônjuges ou companheiros bem como podem ser deduzidas as despesas pessoais de ambos os declarantes e de seus dependentes, conforme previsão legal. Conforme a opção feita decorrem regras específicas de procedimento, como acima referido. Pois bem, no caso concreto o Contribuinte informou que apresentava declaração em conjunto e, portanto, os rendimentos da parceira deveriam, necessariamente, ser informados na declaração. Esta informação até poderia ter sido alterada, mediante apresentação de declaração retificadora, porém antes do início do procedimento fiscal. A retificação da declaração e a declaração apresentada pela companheira após o início da ação fiscal ou da autuação não são válidas. O Contribuinte, por outro lado, não apresentou nenhum elemento que demonstrasse, de forma inequívoca, que incorreu em erro de fato ao apresentar a declaração original. A escritura de fls. 49/50, lavrada apenas em 30/10/2008, portanto, também após a autuação, segundo a qual, desde maio de 2006, vem pagando regularmente pensão para sua filha, fruto da união com a referida Sra. Creusa Maria, nada prova a respeito da declaração em conjunto ou em separado. Assim, considerada a opção pela declaração em conjunto, corroborada pela ausência de declaração, apresentada tempestivamente, pela dependente, entendo que deve ser considerado, para efeitos fiscais, a declaração em conjunto e, consequentemente, correto o lançamento que incluiu na base de cálculo do lançamento, os rendimentos da dependente. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 97DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 44021.000452/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO AUDITOR FISCAL. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE POR DECRETO. POSSIBILIDADE.
A definição, por Regulamento Presidencial, do grau de periculosidade das
atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na
legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu
conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de
incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade
insculpido no art. 97 do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE
INDIVIDUAL. LC Nº 84/96.
A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados
contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de
janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da
União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III
da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE
Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio
econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela
Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como
ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55.
A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua
incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural.
SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE
INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO.
A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de
contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei
complementar para a sua criação, revelandose
constitucional, portanto, a sua
instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis
8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas
contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das
microempresas e das empresas de pequeno porte.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente
pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter
irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
a que se
refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.894
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência dos Órgãos Colegiados de Julgamento em Instância Administrativa a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO AUDITOR FISCAL. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO DA ATIVIDADE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 A definição, por Regulamento Presidencial, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LC Nº 84/96. A contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais foi instituída pela Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, no exercício da competência tributária residual exclusiva da União, sendo o seu regramento, após a EC nº 20/98, assentado no inciso III da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.876/99. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 107 3 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2007 Data da lavratura da NFLD: 12/07/2007. Data da Ciência da NFLD: 12/07/2007. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados e da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e de administradores, cujos fatos geradores foram apurados diretamente das folhas de pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP e livros Razão, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 102/108. Informa a Autoridade Lançadora que, dentre os fatos geradores declarados em GFIP, foram constituídos os seguintes levantamentos: FPG FOLHA DE PAGAMENTO FPAS 515 Período de 04/2004 a 12/2006 Referese a folhas de pagamento dos empregados e empregadores (exceto temporários) e resumos de folha com a incidência de rubricas consideradas pela empresa como base de cálculo. FGT FOLHA DE PAGAMENTO TEMPORÁRIOS FPAS 655 Período de 04/2004 a 12/2006. Referese a folhas de pagamento dos empregados temporários e resumos de folha com a incidência de rubricas consideradas pela empresa como base de cálculo. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 De outro canto, dentre os fatos geradores não declarados em GFIP, foram constituídos os seguintes levantamentos: "FPC" COMPLEMENTAÇÃO SALARIAL CLT FPAS 515 Período de 04/2004 a 12/2006; Incidentes sobre SALÁRIO UTILIDADE na forma de Vale Transporte pago em dinheiro pela empresa em benefício de seus empregados. "FTC" COMPLEMENTAÇÃO SALARIAL TEMPORÁRIOS FPAS 655 Período de 04/2004 a 12/2006 Incidentes sobre SALÁRIO UTILIDADE na forma de Vale Transporte pago em dinheiro pela empresa em benefício de seus empregados. "R1" COMPLEMENTAÇÃO SALARIAL VALE REFEIÇÃO TEMPORÁRIOS FPAS 655 período de 06/2004 a 12/2006 Incidentes sobre SALÁRIO UTILIDADE na forma de Vale Refeição pago em dinheiro pela empresa em benefício de seus empregados. “R2” COMPLEMENTAÇÃO SALARIAL VALE REFEIÇÃO CLT INTERNOS FPAS 515 Período de 07/2004 a 01/2005. Incidentes sobre SALÁRIO — UTILIDADE na forma de Vale Refeição pago em dinheiro pela empresa em benefício de seus empregados. Irresignada com o supracitado lançamento tributário, a notificada apresentou impugnação a fls. 113/157. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 274/291, julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 22 de novembro de 20078, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 294. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 297/341, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que a notificação de lançamento ora questionada possui erro latente, uma vez que não é o competente meio para efetivação da cobrança. Aduz que caberia ao AuditorFiscal apenas constatar e descrever a infração, ou seja, tem que fazer apenas o relatório circunstanciado e a capitulação e não a aplicação da penalidade, pois assim o fazendo, o estará usurpando a função privativa do órgão judicante; • Que a relação exaustiva e genérica das leis contidas em folhas avulsas, obstruiu de forma incontornável a defesa da recorrente. Aduz que ao Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 108 5 Contribuinte deve ser dada ciência apenas dos dispositivos legais que embasaram a notificação e nos quais o infrator estaria incurso; • Que não procede a fundamentação de que não caberia discutir na esfera administrativa a inconstitucionalidade das leis que regem as contribuições exigidas na NFLD, bem como as ilegalidades dos acréscimos legais; • Inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais instituída pela Lei Complementar 84/96, porque ofenderia o disposto no artigo 154, I, da Constituição Federal, na medida em que deteria natureza de imposto e incidiria sobre mesmo fato gerador e base de cálculo de impostos já existentes; • Ilegalidade e inconstitucionalidade do SAT, pois seria vedado ao Poder Executivo dispor sobre quais atividades seriam consideradas de risco leve, médio ou grave, para fins de enquadramento na correspondente alíquota do SAT, bem como estabelecer por decreto se a atividade seria considerada em cada estabelecimento ou na empresa como um todo; • Que a contribuição para o SEBRAE somente seria devida pelas empresas comerciais; • Que a contribuição ao INCRA não seria devida pelas empresas urbanas; • Impossibilidade de aplicação de taxa Selic como taxa de juros moratórios; • Que a multa moratória tem caráter confiscatório; Ao fim, requer a anulação da NFLD em comento, por serem indevidos os valores ora cobrados, como medida de pleno direito e de inteira JUSTIÇA ! Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 22/11/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17 de dezembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA MANIFESTAÇÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Sustenta o Recorrente que a administração tributária tem que se manifestar sobre a constitucionalidade e a legalidade de normas aplicadas ao caso concreto. O Recorrente introduziu nos autos extensa peça impugnatória, aproveitando o momento processual oportuno, concedido para atacar a tese e espancar as razões sobre as quais se escorou o órgão a quo, no juízo negativo de apreciação da constitucionalidade das normas legais. Mostrase imperioso neste comenos destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Registrese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 109 7 § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, tão veementemente defendida pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.2. DO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO FLD Alega o Recorrente que a relação exaustiva e genérica das leis contidas em folhas avulsas obstruiu de forma incontornável a defesa da recorrente. Aduz que ao Contribuinte deve ser dada ciência apenas dos dispositivos legais que embasaram a notificação e nos quais o infrator estaria incurso. Razão não lhe assiste. Em primeiro plano urge esclarecer que o instrumento de lançamento tributário é constituído por uma diversidade de documentos e relatórios exigidos pela legislação tributária. Nessa prumada, a relação dos dispositivos que fornecem esteio legal e constitucional ao presente lançamento não se encontram arrolados de forma genérica em folhas avulsas, como assim enxergou o Recorrente, mas sim, dispostos de forma sistemática, por assunto e matéria, no relatório intitulado FLD – Fundamentos Legais do Débito, a fls. 89/93. Com efeito, a Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 110 9 Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional CTN estabeleceu o discrimen entre as obrigações definidas como principais e aquelas conceituadas como acessórias, estas decorrentes da legislação tributária, assim entendidas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, ostentando por objeto tal espécie de obrigação tributária as prestações, positivas ou negativas, fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O marco primitivo da fundamentação legal em que se sustentam as obrigações tributárias estabelece, outrossim, que a ocorrência de violação a qualquer obrigação acessória tem natureza objetiva, sendo bastante e suficiente para a sua caracterização a mera inobservância de seus preceitos. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da lavratura da presente NFLD, estabeleceu que, sendo constatado pela fiscalização o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Malgrado a norma legal acima transcrita se refira expressamente ao descumprimento de obrigação principal, o mesmo esmero na discriminação clara e precisa dos fatos geradores e dos períodos a que se referem deve ser observado em relação ao Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 descumprimento de obrigação acessória, em atenção ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. No presente caso, mediante a lavratura da NFLD nº 37.010.7187 foi constatada violação a obrigação tributária principal consistente no não recolhimento de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Todas as informações postadas no parágrafo precedente encontramse devidamente relatadas no Relatório Fiscal, em cumprimento aos requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem. O Relatório Fiscal suso referido informa de maneira clara e precisa, logo em sua introdução, a matéria tributável e as bases de cálculo da exação em apreço, assim como os procedimentos adotados pela Autoridade Lançadora na condução da ação fiscal. Informa igualmente os documentos analisados e os fatos geradores apurados, as bases de cálculo e as alíquotas correspondentes a cada uma das contribuições sociais ora lançadas, destacando, ainda, os valores de dedução legal considerados, assim como os códigos de levantamento associados. De outro eito, as informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, a fls. 04/39, de forma discriminada por rubricas, alíquota, valor absoluto, base de cálculo, competência e estabelecimento, de molde que sua correcção e consistência pode ser sindicada a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, as GPS recolhidas, os valores de dedução legal e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra a presente notificação fiscal e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado, foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 89/93. Não há, de maneira alguma, qualquer amontoado genérico de diplomas normativos na capitulação legal da exação em constituição. O relatório Fundamentos Legais do Débito é elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 111 11 Não há dúvidas de que o relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito revelouse, de fato, bastante amplo e vasto, característica decorrente da complexidade da matéria em apreço e da circunstância de o período de apuração do presente lançamento abranger várias competências, sendo certo que a legislação pertinente experimentou diversas alterações nesse interregno. Assim, não procede a alegação da empresa de que ao Contribuinte deve ser dada ciência apenas dos dispositivos legais que embasaram a notificação e nos quais o infrator estaria incurso. No caso em análise, todos os dispositivos constitucionais, legais e infralegais dispostos no FLD em comento guardam relação jurídica com o vertente lançamento, muito embora, ao que deixa transparecer as alegações recursais, o Recorrente não tenha percebido tal relação. Igualmente se revela sem fundamento a alegação de que “a relação exaustiva e genérica das leis contidas em folhas avulsas obstruiu de forma incontornável a defesa da Recorrente”. De fato, no FLD encontramse dispostos de maneira o mais exaustiva e completa possível, todos os fundamentos jurídicos que fornecem sustentação de Direito ao lançamento que ora se opera. Quanto ao fato dessa completude ter obstruído a defesa do Recorrente, tal empecilho não pode ser imputado à administração fazendária, eis que o seu dever legal é de informar ao sujeito passivo todos os fundamentos de fato e de direito que embasam o lançamento. Tal circunstância me traz à mente uma das citações da grande filósofa lusitana Deolinda Costa, “pra quem não sabe andar de bicicleta até o guidão atrapalha”. Como visto, verificase que a Notificação Fiscal em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária principal violada, os fatos jurígenos não adimplidos, a composição pecuniária das bases de cálculo, obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao notificado. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo sujeito passivo, razão pela qual impende repelir peremptoriamente a preliminar de cerceamento de defesa tão veementemente sustentada pelo Recorrente. 2.3. DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD Pondera o Contribuinte que a notificação de lançamento ora questionada possui erro latente, vez que não é o competente meio para efetivação da cobrança. Aduz que caberia ao AuditorFiscal apenas constatar e descrever a infração, ou seja, tem que fazer apenas o relatório circunstanciado e a capitulação e não a aplicação da penalidade, pois assim o fazendo, o estará usurpando a função privativa do órgão judicante. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 O Recorrente precisa ser apresentado, com urgência, em meio a requintes de intimidade, com os artigos 142 e 149, I do CTN e art. 37 da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. O caso ora em apreciação trata de notificação fiscal mediante a qual a autoridade fiscal, de maneira privativa, promove o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas aos cofres da Autarquia Previdenciária Federal. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a condução do procedimento de constituição do crédito tributário é prerrogativa privativa da autoridade fiscal, jamais do órgão judicante, o qual detém a atribuição de sindicar a legalidade dos atos levados a efeito no curso do lançamento. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 112 13 Nessa prumada, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 149, I do CTN, havendo o auditor fiscal constatado o atraso total ou parcial o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições previdenciárias em foco, teve ele por dever de ofício, ante a natureza plenamente vinculada de suas atribuições institucionais, que lavrar a competente notificação de lançamento, descrevendo de maneira clara e precisa os fatos geradores apurados, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, como de fato assim se observa nos variados e específicos relatórios que integram o presente instrumento de constituição de crédito tributário. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre ab initio assentar que não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as questões já decididas pelo órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SAT. No que pertine à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, esta houve por instituída pelo art. 22, II da Lei n° 8.212/91, revestindo se de perfeita legalidade e constitucionalidade. O art. 195, I da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 113 15 c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Registrese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Devese atentar igualmente para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ao revés, o Pretório Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se transcreve, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 114 17 No caso do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, o art. 22, II da Lei nº 8.212/91, instituiu a cobrança da contribuição social em ribalta, estabelecendo todos os elementos conformadores da hipótese de incidência tributária, digase: (a) fato gerador remuneração paga, creditada ou devida, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o montante global dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos na ordem de 1%, 2% ou 3%, fixados em função do risco de acidentes do trabalho. Nessa perspectiva, havendo sido fixadas, mediante lei formal, as condições de contorno essenciais da exação em tela, o estabelecimento por Regulamento do Poder executivo dos limites do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas por cada empresa não extravasa as fronteiras insertas na Lei de Custeio da Seguridade Social, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. O egrégio STJ já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, consoante se extrai do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 753.635/PR, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: AgRg no REsp 753.635/PR AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00845620 Relator: Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 16/09/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 02/10/2008 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ARTS. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI Nº 8.212/91, ART. 22, II. DECRETO N.º 2.173/97. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELOS GRAUS DE RISCO DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DESEMPENHADA EM CADA ESTABELECIMENTO DA EMPRESA, DESDE QUE INDIVIDUALIZADO POR CNPJ PRÓPRIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. SÚMULA 07/STJ. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. LC 11/71. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS AO INSS. IMPOSSIBILIDADE. DESTINAÇÃO DIVERSA. INAPLICABILIDADE DO ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. TAXA SELIC. LEI 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 2. A Primeira Seção assentou que: A Lei nº 8.212/91, no art. 22, inciso II, com sua atual redação constante na Lei nº 9.732/98, Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 autorizou a cobrança da contribuição do SAT, estabelecendo os elementos formadores da hipótese de incidência do tributo, quais sejam: (a) fato gerador remuneração paga, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; (b) a base de cálculo o total dessas remunerações; (c) alíquota percentuais progressivos (1%, 2% e 3%) em função do risco de acidentes do trabalho. Previstos por lei tais critérios, a definição, pelo Decreto nº 2.173/97 e Instrução Normativa nº 02/97, do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapolou os limites insertos na referida legislação, porquanto tenha tão somente detalhado o seu conteúdo, sem, contudo, alterar qualquer daqueles elementos essenciais da hipótese de incidência. Não há, portanto, ofensa ao princípio da legalidade, posto no art. 97 do CTN, pela legislação que institui o SAT Seguro de Acidente do Trabalho. (EREsp n.º 297.215/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 12/09/2005). 3. A Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência da Corte, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho SAT, de que trata o art. 22, II, da Lei n.º 8.212/91, deve corresponder ao grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento da empresa, individualizado por seu CNPJ. Possuindo esta um único CNPJ, a alíquota da referida exação deve corresponder à atividade preponderante por ela desempenhada (Precedentes: ERESP nº 502.671/PE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, julgado em 10/08/2005; EREsp nº 604.660/DF, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 01/07/2005 e EREsp nº 478.100/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/02/2005). (grifos nossos) 4. A alíquota da contribuição para o seguro de acidentes do trabalho deve ser estabelecida em função da atividade preponderante da empresa, considerada esta a que ocupa, em cada estabelecimento, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, nos termos do Regulamento vigente à época da autuação (§ 1º, artigo 26, do Decreto nº 612/92). (grifos nossos) 5. Vale ressaltar que o reenquadramento do pessoal administrativo em grau de risco adequado e a estipulação da alíquota devida, assentados pela instância ordinária com fundamento na prova produzida nos autos, decorre de enquadramento tarifário, restando, assim, inviável o exame da matéria pelo E. STJ, a teor do disposto na Súmula 07, desta Corte, que assim determina: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 6. A contribuição para o INCRA não se destina a financiar a Seguridade Social. Assim, os valores recolhidos indevidamente a este título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. Não se aplica, portanto, o §1º do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O encontro de contas só pode ser efetuado com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 7. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nº 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELIC, operação que atende ao princípio da legalidade. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 115 19 8. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 9. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 10. Agravo regimental desprovido. E não se desdenhe do poder normativo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Atentese que os Incisos II, IV e VI, ‘a’ do art. 84 da Constituição da República afloram como fontes jurídicas de onde dimana a competência do Presidente da República para o exercício da direção superior da Administração Pública Federal, com o auxílio dos Ministros de Estado, e o poder presidencial para sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução, bem assim como dispor sobre a organização e o funcionamento da máquina do Executivo Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: II exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal; (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; (...) VI dispor, mediante decreto, sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos; Depreendese, do exposto, que o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, decorre da competência constitucional do Presidente da República agente político da mais elevada estatura ocupante do arquétipo fundamental de Poder, o qual, nestas circunstâncias, exerce o seu poder constitucional para formar a vontade superior do Estado, na ordenação estrutural do Poder Executivo Federal. Assim, com esteio na Ordem Constitucional desfraldada nos parágrafos anteriores, e no uso das atribuições conferidas pelo §3º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, o Presidente da República fez editar o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, cujo Anexo V, combinado com o §4º do seu art. 202, estabeleceram a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE para efeito da Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. §1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. §2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. §3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. §4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. §5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 §6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. Alterado pelo Decreto nº 6.042 de 12/2/2007 DOU DE 12/2/2007 Assentado que o Regulamento Suso citado encontrase dotado de normatividade em grau necessário e suficiente à partilha interna corporis das atribuições do Ministério da Previdência Social, deflui daí que, de acordo com a norma administrativa em realce, a empresa encontrase agrilhoada à obrigação tributária principal de recolher a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 116 21 contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, segundo a alíquota prevista nas alíneas ‘a’, ‘b’ ou ‘c’ do inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212/91, a qual será definida em função do grau de risco da atividade econômica preponderante por ela exercida, conforme relação fixada no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. 3.2. DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Defende o Recorrente a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais instituída pela Lei Complementar 84/96, porque ofenderia o disposto no artigo 154, I, da Constituição Federal, na medida em que deteria natureza de imposto e incidiria sobre mesmo fato gerador e base de cálculo de impostos já existentes. As alegações do Recorrente não merecem acolhida. Até 16 de dezembro de 1998, data da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, assim dispunha o art. 195, I da Constituição Federal: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Conforme redação acima transcrita, não figurava abarcada no campo de incidência das contribuições previdenciárias, a exação incidente sobre a remuneração de segurados que não se enquadrassem no conceito de folha de salários. Assim, a instituição de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados não empregados, dentre eles os assim denominados segurados contribuintes individuais, somente poderia ser promovida mediante Lei Complementar, no exercício da competência residual exclusiva da União, prevista no art. 150, I da CF/88, conforme estatuído expressamente no art. 195, §4º da Carta. Nessa perspectiva, no desempenho da competência residual supra referida e trilhando um processo legislativo em perfeita sintonia com o ordenamento jurídico vigente à época, foi editada pelo Congresso Nacional, imerso na ordem constitucional então vigente, e Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 promulgada pelo Presidente da República, a Lei Complementar n° 84/1996, instituindo a novel fonte de custeio previdenciário incidente sobre a remuneração de trabalhadores autônomos, empresários e trabalhadores avulsos e demais pessoas físicas. LEI COMPLEMENTAR nº 84, de 18 de janeiro de 1996. Art.1º Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas; Posteriormente, com a publicação da citada Emenda Constitucional n° 20/1998, foi alterado o teor normativo do art. 195, I da Constituição Federal, cuja redação passou a dispor, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. (...) Da leitura de tais comandos constitucionais, deflui que as normas que disciplinam a espécie ora em apreciação não impõem mais qualquer exigência de Lei Complementar para a imposição de tributação sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, a qual pode ser instituída mediante mera lei ordinária, em obediência à reserva legal prevista no art. 97 do CTN, in verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 117 23 §1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Nessa perspectiva, sem que tenha ocorrido solução de continuidade, foi editada já sob a nova ordem constitucional a lei nº 9.876/99 que majorou a alíquota de 15% para 20%, ao mesmo tempo em que fez inserir, no corpo da lei de custeio da Seguridade Social, precisamente em seu art. 22, o inciso III estabelecendo o regramento da exação previdenciária ora em debate. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Conforme detalhadamente descrito, a contribuição social previdenciária a cargo das empresas e pessoas jurídicas, incidente total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vínculo empregatício, os segurados contribuintes individuais, assim qualificados os empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas, foi instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, cumprindo às exigências fixadas no art. 195, §4º c.c. art. 154, I da CF/88. Anotese que a instituição de nova fonte de custeio destinada a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social depende de lei complementar, no entanto, a majoração de alíquota só depende de lei ordinária, assim como a extinção de qualquer fonte de custeio, a teor do art. 97 do CTN. Cabenos chamar atenção ao seguinte fato: Uma vez instituída a contribuição previdenciária a cargo da empresa, incidente sobre o Salário de Contribuição dos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços, exauriuse a competência exclusiva da lei complementar prevista na Carta Constitucional, qual seja, a de instituir a espécie tributária em foco, isto é, a de introduzir no ordenamento jurídico a norma cogente em debate, e, com ela, a obrigação tributária principal correspondente. Uma vez inserida no ordenamento jurídico houve por esgotada a função da Lei Complementar nº 84/96. Registrese, por relevante, que a matéria relativa à majoração de alíquota de tributo não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o atendimento ao princípio da legalidade pode ser satisfeito mediante lei ordinária. A matéria ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 Constitucional n. 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Nesse panorama, em conformidade com os dispositivos legais e constitucionais suso selecionados, avulta que, após a vigência da Emenda Constitucional nº 20/98, a condução do regramento a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais passou a ser prerrogativa reservada à lei ordinária, in casu, a lei nº 9.876/99, que fez incluir o inciso III ao art. 22 da Lei Orgânica da Seguridade Social, mantendo a contribuição previdenciária a cargo da empresa, à alíquota de 20% incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. 3.3. DA EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. Merece ser enaltecido, de plano, que uma contribuição pode ser conceituada como uma espécie de tributo, de natureza autônoma, caracterizada por uma destinação social particularizada em lei, desvinculada de atuação estatal específica, com hipótese de incidência própria, e não restituível. A doutrina elege três modalidades de contribuições: Sociais; coorporativas e interventivas. A investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA tem sido por demais tormentosa ao longo dos últimos anos. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Ag. Regimental no Agravo de Instrumento de despacho que inadmitiu Rec. Extraordinário contra Acórdão do TRF da 3ª Região , ementado como se segue : TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AO INCRA E AO FUNRURAL – EMPREGADOR URBANO – CONSTITUCIONALIDADE. A exação de que trata o artigo 15, II da Lei Complementar nº 11/71, destinada parte ao FUNRURAL (2,4%) e parte ao INCRA (0,2%), pode ser exigida de empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55, em benefício do então criado Serviço Social Rural. Constitucionalidade. Precedentes Jurisprudenciais desta Corte. Apelação Improvida. pacificou o entendimento no sentido da inexistência de qualquer empecilho constitucional que obste a cobrança das contribuições para o INCRA e para o FUNRURAL, consoante se depreende da ementa da decisão exarada: EMENTA: Contribuição para o FUNRURAL: empresas urbanas: acórdão recorrido que se harmoniza com o entendimento do STF, no sentido de não haver óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, a referida contribuição, destinada a cobrir os Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 118 25 riscos a que se sujeita toda a coletividade de trabalhadores: precedentes. (STF, AIAgRg nº 334.360/SP; Rel. Min. Sepúlveda Pertence; 1ª Turma; DJ 25.02.2005) O Superior Tribunal de Justiça, por seu turno, após um longo período em que oscilou sua jurisprudência, sedimentou o entendimento de que a contribuição destinada ao INCRA ostenta natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, no adorno moldado pelo art. 149 da CF/88, não sendo tal contribuição sujeita às normas inscritas nas Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91. VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.789/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, § 1º, da Lei nº 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. STJ; EREsp 770.451/SC; R.P/ACÓRDÃO Min. CASTRO MEIRA; DJ: 11/06/2007) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliane Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 119 27 toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. Cumpre neste comenos destacar que escapa à competência deste Colegiado a sindicância relativa à adequação da norma legal aos princípios norteadores do ordenamento jurídicos que permeiam a Constituição Federal, eis que tal tarefa foi outorgada, por Ulisses et alli, ao Poder Judiciário, exclusivamente. A esta 2ª Seção foi deferida, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Assentado que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituemse prerrogativas outorgadas pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podem os agentes da Administração Pública imiscuíremse sponte propria nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. 3.4. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SEBRAE Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 A Contribuição para o SEBRAE foi instituída pelo §3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90 com o objetivo exclusivo de atender a execução da política governamental de apoio às micro e às pequenas empresas, sendo exigida como tributo complementar às Contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, para o Serviço Social da Indústria SESI e para o Serviço Social do Comércio SESC, nos seguintes termos: Lei nº 8.029/90 de 12 de abril de 1990 Art. 8° É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. (...) §3º. Para atender à execução da política de Apoio às Micro e às Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: (redação dada pela Lei nº 8.154/90) a) 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b) 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e c) 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. §4º. O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. DECRETOLEI Nº 2.318 DE 30 DE DEZEMBRO DE 1986 Art. 1º Fica mantida a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades beneficiárias das contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, para o Serviço Nacional de aprendizagem Comercial SENAC, para o Serviço Social da Indústria SESI, e para o Serviço Social do Comércio SESC, ficam revogados: I o tetolimite a que se referem os artigos 1º e 2º do decretoLei nº 1.861, de 25 de fevereiro de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei nº 1.867, de 25 de março de 1981; II o artigo 3º do DecretoLei nº 1.861, de 25 de fevereiro de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei nº 1.867, de 25 de março de 1981. Assim, a partir de janeiro de 1991, foi criada a contribuição destinada ao SEBRAE, a cargo das empresas que já contribuíam para o SESC, SENAC, SESI e SENAI (Lei nº 8029/90 e Lei nº 8154/90 e OS/INSS/DAF05/9l) mediante às alíquotas de 0,1% (1991), 0,2% (1992) e 0.3% (a partir de 1993) para cada uma das entidades acima citadas. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 120 29 No caso do Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS 5070, ao qual se vincula a empresa recorrente, esta passou a contribuir para o SEBRAE, em 1991 com adicional de 0,2% (0,1 % referente ao SESI e 0,1% referente ao SENAI); em 1992 com o adicional de 0,4% (0,2 % referente ao SESI e 0,2% referente ao SENAI) e a partir de 1993, com o adicional de 0,6% (0,3 % referente ao SESI e 0,3% referente ao SENAI). Tal controvérsia já foi bater às portas da Suprema Corte de Justiça, que irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação da matéria ora tratada, conforme dessai do seguinte julgado assim ementado: REsp 892084/RJ Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 07/05/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 18/05/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO SESC/SENAC E SESI/SENAI. CABIMENTO. 1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial, a despeito da oposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial (Súmula 211 do STJ). 2. A controvérsia acerca da exigibilidade da contribuição para o SEBRAE, imposta pela Lei 8.029/90, foi decidida por fundamentos de natureza eminentemente constitucional, insuscetíveis de exame em recurso especial. 3. É devido o pagamento efetuado com base no adicional de 0,3% sobre cada uma das contribuições sociais devidas ao SESC/SENAC e ao SESI/SENAI. Precedentes: AgRg no REsp 500.634/SC, 2ª Turma, Min. Herman Benjamin, DJe de 31.10.2008; REsp 491.105/SC, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ de 13.12.2004. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. É de sabença universal que o título nominativo de um instituto de Direito não tem o condão de lhe modificar a natureza jurídica. Nessa perspectiva, nada obstante a lei supramencionada têla rotulado como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais repassadas ao SESI, SENAI, SESC e SENAC, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que a contribuição para o SEBRAE consubstanciase numa contribuição de intervenção no domínio econômico, na concepção plasmada no art. 149, caput, da Constituição Federal, conforme consignado definitivamente no julgamento do Recurso Extraordinário RE 396.266/SC, cuja ementa pedimos a devida vênia para transcrevêla: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 30 ECONÔMICO. LEI 8.029, DE 12.4.1990, ART. 8o, §3o. LEI 8.154, DE 28.12.1990. LEI 10.668, DE 14.5.2003. CF, ART. 146, III; ART. 149; ART. 154, I; ART. 195, §4º. I – As contribuições do art. 149, CF – contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas – posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, §4º, CF, decorrente de ‘outras fontes’, é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. (grifos nossos) II – A contribuição do SEBRAE – Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 – é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, CF. III – Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV – RE conhecido, mas improvido. (STF, RE 396266/SC, Tribunal Pleno, Rel. Min. Carlos Velloso, j. em 26112003, DJU de 27/2/2004, p. 22) Por esse motivo, a contribuição ao SEBRAE não se inclui no rol do art. 240 da Constituição Federal, uma vez que se mostra totalmente autônoma e desvinculada das contribuições ao SESI/SENAI e ao SESC/SENAC, e não destas um mero adicional, conclusão que não discrepa do entendimento firmado no Excelso Pretório, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, §3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 121 31 social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Acrescentese, ainda, que o SEBRAE não presta serviços somente às micro e pequenas empresas, mas a todas as atividades empresariais conexas, atendendo ao bem comum de toda a sociedade. Assim, considerandose o princípio da solidariedade social que permeia o art. 195, caput, da CF/88, por se tratar de contribuição de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao SEBRAE deve ser recolhida por todas as empresas, e não apenas pelas micro e pequenas empresas, não existindo, necessariamente, correspondência entre contribuição e prestação, nem tampouco entre o contribuinte e os benefícios decorrentes da exação. As vozes dimanadas do STF também produzem eco no Plenário da Corte Superior de Justiça, cuja consolidada jurisprudência não se mostra dissonante, consoante ressai do julgado referente ao Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 840.946/RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007, assim ementado: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 32 3. Agravo regimental improvido. De toda essa exposição deflui não proceder o argumento do Recorrente de que a contribuição para o SEBRAE deveria ter sido instituída mediante Lei Complementar. Isto porque tal contribuição, conforme exaustivamente demonstrado, possui natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, e não de Imposto. Assim, não exige nossa Lei Soberana Lei Complementar para sua instituição e exigência, mas mera lei ordinária, conforme art. 5º, II da Carta. Tal controvérsia já reclamou a manifestação do Excelso Pretório, que sedimentou o entendimento no sentido da não exigência de Lei Complementar para a sua instituição, tampouco para a definição de sua hipótese de incidência, base imponível e contribuintes, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, §3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, §4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, §4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. (grifos nossos) III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, §3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 122 33 Corretíssimos, portanto, a Autoridade Lançadora, ao efetuar a lavratura da NFLD sub examine, bem como o órgão julgador a quo, por não dar provimento à impugnação ofertada pelo sujeito passivo em foco, inexistindo, ao nosso sentir, na decisão recorrida, arestas a serem aparadas. 3.5. DA TAXA SELIC. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 34 crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 123 35 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 36 Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de inconstitucionalidade/ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.6. DA APLICAÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 124 37 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Mergulhada nessa Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 38 CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme já anteriormente articulado, escapa da competência deste colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 44021.000452/200701 Acórdão n.º 230201.894 S2C3T2 Fl. 125 39 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa moratória aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 40 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 15586.001439/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO Nº 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO – PEREMPÇÃO – NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, por perempto, o recurso do contribuinte apresentado após o decurso do prazo de 30 dias da ciência da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, contado na forma estabelecida pelo artigo 5º do referido diploma legal.
Numero da decisão: 1202-000.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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DECRETO Nº 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO – PEREMPÇÃO – NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, por perempto, o recurso do contribuinte apresentado após o decurso do prazo de 30 dias da ciência da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, contado na forma estabelecida pelo artigo 5º do referido diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Luiz Tadeu Mathozinhos Machado e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 9635DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.636 2 Relatório Adoto, inicialmente, o relatório da decisão de 1ª instância por entender que o mesmo descreve de forma precisa os fatos dos autos até aquele momento processual: “Trata o presente processo de exigência fiscal formulada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória ES contra o interessado acima identificado, inscrito no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples, de que resultou a lavratura dos autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ/SIMPLES, fls. 2.208/2.223, no valor de R$ 39.767,94, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/SIMPLES, de fls.2.224/2.231, no valor de R$ 39.767,84, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL/SIMPLES, de fls. 2.232/2.239, no valor de R$ 62.261,08, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS/SIMPLES, de fls. 2.240/2.247, no valor de R$ 124.522,17, e da Contribuição para a Seguridade Social INSS/SIMPLES, de fls. 2.248/2.255, no valor de R$ 256.229,15, todos referentes ao anocalendário de 2005 e acrescidos de multa de ofício agravada no percentual de 225%, sobre o principal e de juros de mora. Além disso, foram lavrados, também, um auto de infração referente à Multa por falta de comunicação da exclusão do Simples, no valor de R$ 17.108,71, e, relativamente ao anos calendário de 2006 e 2007, autos de infração com base no arbitramento do lucro, para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, de fls. 2.260/2.274, no valor de R$ 1.680.361,34, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de fls. 2.275/2.285, no valor de R$ 465.111,45, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, de fls. 2.286/2.299, no valor de R$ 771.771,50, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de fls. 2.300/2.310, no valor de R$ 2.141.433,00, todos acrescidos de multa de ofício agravada no percentual de 225%, sobre o principal e de juros de mora. ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS SISTEMÁTICA DOS SIMPLES. ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS (DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS). De acordo com o relato do autuante no Termo de Verificação de Infração Fiscal às fls. 2.311/2.390, o procedimento fiscal teve por escopo a verificação da regularidade fiscal do contribuinte em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e para o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno PorteSIMPLES, referente aos fatos geradores ocorridos nos anos calendários de 2005, 2006 e 2007. A seleção do interessado para o procedimento de fiscalização foi baseada no cruzamento das informações de sua Movimentação Financeira com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica do ano Fl. 9636DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.637 3 calendário de 2005 que apresentava a situação INATIVA. Constatada que as inconsistências se estendiam para os anos calendários de 2006 e 2007, conforme tabela de fls. 2.312, foi estendido o procedimento fiscal para os ditos anos. Em 04/04/2008, a partir do MPF n° 0720100.2008.007101, foi emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03 e 04), intimando o interessado a apresentar, no prazo de 20 dias contados da data de sua ciência, o Livro Caixa, Livro RazãoConta Bancos e Extratos bancários das contascorrentes, poupanças e aplicações Financeiras. Em 06/05/2008, através de requerimento de fls. 06, o interessado, por intermédio de seu procurador (procuração doe. fls. 07) solicitou prorrogação de 15 (quinze) dias no prazo para atendimento da citada intimação, sendo então o prazo prorrogado até o dia 23/05/2008. Às fls. 2.313, do Termo de Verificação, está registrado que o interessado quando da apresentação da documentação em 27/05/2008, não atendeu por completo ao solicitado no Termo de Início do Procedimento Fiscal, faltando apresentar os Livros Caixa e Razão Conta Bancos. Em 03/06/2008 o interessado apresentou o Livro Caixa (fls. 178 a 199 e 202 a 204), o Razão Analítico da Conta Contábil "Bancos" BANESTES S/A (código10503) e BRADESCO S/A (código 10504) (fls. 205 a 228). Atendendo à intimação de 21/10/2009 (fls. 239/240) através do Sr. Valmir Pandolfi, em 28/10/2009, o interessado, apresentou através do protocolo e procuração de fls. 241/242, os extratos bancários da conta corrente n° 9.599.069 da agência Fundão do BANESTES S/A referente ao ano calendário de 2005 (fls. 09/152); os extratos bancários da conta corrente n° 9.3238 da agência n° 630 do BRADESCO S/A referentes ao período de 21/11/2005 a 15/04/2008 (fls. 153/174), e 09 (nove) contratos Particulares de Confissão de Dívida (contratos de empréstimos) entre o interessado e o Sr. João Batista Sobreira Prucoli CPF n° 450.920.0174 (doe. fls. 243/260), e Contrato Social e 3 (três) Alterações Contratuais (fls. 261/277). Em 05/11/2009, o interessado foi reintimado (fls. 278/279,) onde foi solicitada a apresentação dos mesmos documentos já relacionados na intimação de 21/10/2009. Em virtude da ampliação do período a ser auditado no procedimento fiscal, em 04/03/2010, foi emitido Termo de Intimação Fiscal, às fls. 285/286, com ciência do interessado em 08/03/2010 (fl. 287), solicitando a apresentação da documentação contábil/fiscal referente ao período de 01/01/2005 a 31/12/2007. Em 29/03/2010, através de protocolo e procuração de fls. 288/289, o interessado apresentou os extratos bancários da conta corrente n° 9.599.069 da agência Fundão do BANESTES S/A referentes ao período Fl. 9637DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.638 4 de janeiro de 2006 a dezembro de 2007 (fls. 290/399, 402/599 e 602/733) e os extratos bancários da conta corrente n°9.3238, da agência n°630 do BRADESCO S/A referentes ao período de 21/11/2005 a 15/04/2008 (doc. fls. 153/174). Em 29/03/2010 o interessado foi intimado (fls.734/751), com ciência na mesma data, a apresentar, no prazo de 05 (cinco) dias, documentação hábil e idônea comprovando a origem e natureza dos créditos recebidos tais como vendas de bens e/ou serviços, aluguéis, empréstimos/mútuos, doações e transferências de outras contas bancárias do mesmo titular, conforme discriminado nas planilhas que compõem o referido Termo. Foi ressaltado que todos os créditos deveriam ter a sua origem comprovada de forma individualizada, conforme § 3º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, exigindose também a comprovação dos valores referentes aos Contratos Particulares de Confissão de Dívida, que estão relacionados às fls. 2.317. Como não foram apresentados os extratos bancários do Banco do Brasil S/A, as notas fiscais de entrada e saídas, os livros contábeis fiscais dos anos de 2006 e 2007, e considerando ainda que a apresentação dos extratos do Bradesco S/A ocorreu de forma deficiente, foram emitidas em 09/04/2010, com base no artigo 6º da lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724 da mesma data, Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF n°s 07201002010000720 para o Banco do Brasil S/A (fls. 752/754) e 07201002010000739 para o Bradesco (fls. 755/757). Em 20/04/2010 o interessado apresentou os extratos bancários da conta corrente n° 9.2622, agência 2.1121 do Banco do Brasil referentes ao período de setembro de 2006 a dezembro de 2007 (fls. 759/783), além de parte das notas fiscais de saída relacionadas às fls. 2.317/2.318 do Termo de Verificação de Infração. Em 03/05/2010, considerando a ampliação do período auditado, novamente foi solicitada a documentação contábil/fiscal relativa ao período de 01/01/2005 a 31/12/2007. Em 04/05/2010, em atendimento ao fisco, o Banco do Brasil S/A encaminhou a documentação de fls. 934/958, referente à movimentação bancária da conta corrente n° 9.2622 da agência 2.1121 de IbiraçuES, referente ao período de setembro de 2006 a dezembro de 2007, extratos estes também apresentados pelo interessado anteriormente. Em 17/05/2010, o Banco do Brasil S/A encaminhou a documentação de fls. 961/976, complementando a enviada já anteriormente em 04/05/2010. Fl. 9638DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.639 5 Em 17/05/2010, a Secretaria Estadual de Fazenda SEFAES entregou ao Fisco um CD contendo arquivos do sistema SINTEGRA, onde constam as relações de Notas Fiscais de Entrada e de Saída, sendo relacionado às fls.2.321/2.322, após análise do mesmo, as notas fiscais faltantes. Em 08/06/2010, às fls. 1236/1237, atendendo a solicitação do fisco, o Banco Bradesco S/A encaminhou a documentação referente à movimentação bancária das seguintes contas correntes n° 69.1003 agência 04146 período de 07/01/2005 a 28/12/2007 (fls. 1238/1272), c/c n° 70.3338 agência 04146 período de 28/10/2005 a 28/12/2007 (fls. 1273/1399 e 1402/1433), c/c 9.3238 agência 06300 período de 25/11 /2005 a 12/12/2007 (fls. 1434/1463). Em 15/06/2010, conforme protocolo de fls. 1464, o interessado apresentou ao fisco 01 (um) CD contendo arquivos com os registros de Notas Fiscais de Entrada e Livro de Registro de Saídas, conforme relato de fls. 2.323 onde se constataram algumas irregularidades. Em virtude do atendimento insatisfatório das intimações lavradas até a data de então, mais uma intimação foi efetuada (fls. 1549/1599 e 1602/1628), com ciência do interessado em 23/06/2010 (fls. 1.629), solicitando toda documentação contábil e fiscal, com a comprovação da origem e da natureza dos créditos, onde foi ressaltada a necessidade de que todos os créditos deveriam ter a sua origem comprovada de forma individualizada conforme § 3º do art. 42 da Lei n° 9.430/96, além das comprovações dos valores dos depósitos com fulcro nos contratos Particulares de Confissão de Dívida. Foi apurado pela fiscalização que a receita bruta do interessado nos anos calendário de 2005 e 2006, ultrapassou o limite legal para sua permanência no Simples, e em 27/10/2010 foi emitida Representação Fiscal para Exclusão do Simples (fls. 2.197/2.198) com a consequente emissão do Ato Declaratório Executivo ADE n° 157, de 28/10/2010 (fls.2.199). Em 28/10/2010 foi lavrado um Termo de Ciência da Exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2006 (fls. 2.202), com ciência pelo interessado em 03/11/2010 (fls. 2.203), tendo sido o mesmo intimado, mais uma vez, a apresentar sua escrituração contábil elaborada de acordo com as Leis Comerciais e Fiscais, referente aos anos calendário de 2006 e 2007. Também em 28/10/2010 foi emitido o Termo de Constatação Fiscal (fls.2.204/2.205) com ciência do interessado em 03/11/2010 (fls. 2.206), informando que apesar de intimado reiteradas vezes através dos termos próprios a apresentar sua escrituração contábil e fiscal juntamente com toda a documentação que lhe deu origem, bem como dos arquivos digitados e outros esclarecimentos, todos referentes aos anos calendário de 2005, 2006 e 2007, deixou de fazêlo satisfatoriamente, não apresentando diversos documentos neles Fl. 9639DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.640 6 relacionados, sendo que para algumas intimações nem houve a resposta. Às fls. 2.331, estão relacionados os documentos não apresentados pelo interessado. No tocante aos 09 (nove) contratos particulares de confissão de dívida (fls. 243/260), referente a empréstimos firmados no decorrer do ano de 2005, mesmo intimado e reintimado, o interessado não apresentou a comprovação dos repasses (pagamentos) dos ditos valores contratados, na documentação apresentada para os anos de 2005 a 2007, apesar de constar nos citados contratos que os pagamentos deveriam se iniciar no decorrer do ano de 2005, com término no ano de 2010. Conforme relato no Termo de Verificação às fls 2.335/2.340, ficou constatado que a situação financeira e patrimonial dos Srs. Francisco Marcelo Barreto, Edivaldo Martins Dias e Valdivino Braga de Amorim revelouse incompatível para constarem como proprietários de uma empresa que movimentou valores superiores a R$ 63,6 milhões nos anos de 2005 a 2007, não havendo provas de que esses senhores receberam os valores referentes às supostas vendas das quotas do capital do interessado que lhes pertenciam, as próprias declarações dos mesmos não trazem estas receitas, restando claro serem pessoas sem qualquer condição para responder pelas operações realizadas pelo interessado e por consequência pelo crédito tributário constituído em nome dos mesmos. Em virtude das constatações acima se concluiu que os Srs. Francisco Marcelo Barreto, Edivaldo Martins Dias e Valdivino Braga de Amorim foram utilizados como "interpostas pessoas", no quadro societário do interessado, sendo os Srs. Renan Massarioli Simmer e Valmir Pandolfi os reais e verdadeiros proprietários desde o início do empreendimento. Às fls. 2.341/2.343, estão relacionados os depósitos bancários conforme os extratos da c/c n° 9.599.069 da agência Fundão ES do BANESTES S/A dos anos calendário 2005 (fls. 09/152), 2006 (fls. 290/399 e 402/531) e de 2007 (fls. 532/599 e 602/733); do BRADESCO S/A c/c n°s 69.1003agência 044146 (fls. 1238/1272), c/c 70.3338 agência 04146 (fls. 1.273/1433) e c/c 9.3238 agência 06300 (fls. 153/174 e 1.434/1.463) e do BANCO DO BRASIL S A c/c 9.2622 agência 21121 do período de setembro de 2006 a dezembro de 2007 (fls. 759/783). Registrese que da citada relação foram deduzidos os valores correspondentes aos cheques depositados e devolvidos, transferências entre contas de mesma titularidade, estorno de lançamentos indevidos, cheques emitidos e devolvidos por divergência de assinatura, estorno por operações irregulares, bem como os créditos correspondentes à liberação de financiamento, encargos limite de crédito, devolução de cheque sustado, devolução de cheques compensados irregularmente e transferências de valores entre contas. Fl. 9640DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.641 7 Apesar de o interessado ter apresentado declaração de inatividade em 2005 (fls. 2.064) e com registro de pequenas receitas em 2006 e 2007 (fls. 2.065/2.092), além de só ter emitido a 1ª nota fiscal de saída em 01/07/2006, conforme informações do sistema SINTEGRA da Secretaria da Receita Estadual, a Fiscalização constatou que houve uma expressiva movimentação financeira no decorrer dos respectivos anos, demonstrando uma intensa atividade comercial e clara infração à legislação tributária com a omissão de receita. A escrita fiscal do interessado foi considerada em estado caótico, em virtude da falta do registro de grande parte da notas fiscais de saída, além de outras irregularidades, só restando ao fisco apurar a receita bruta a partir dos valores obtidos através das notas fiscais de saída encontradas, tomandose o cuidado de se considerar apenas um valor quando elas apresentavam dados em mais de uma fonte, receita esta que serviu, enfim, de base para o arbitramento do lucro nos anos de 2006 e 2007. Para fins de tributação, foram consideradas as receitas provenientes das notas fiscais relativas à comercialização de bovinos e prestação serviços no abate de bovinos para terceiros, conforme descrito às fls. 2.355/2.356, bem como, os créditos relativos a depósitos bancários de origem não comprovada, considerados como omissão de receitas, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, discriminados as fls. 2.357/2366. INTERPOSTA PESSOA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Segundo o entendimento da Fiscalização, houve a utilização de terceiras pessoas conhecidas como "laranjas", que apenas emprestaram seus nomes para compor o quadro societário do interessado, objetivando transferir a responsabilidade tributária para terceiros que não tinham nenhuma relação direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, afastando, os verdadeiros beneficiários econômicos da atividade empresarial. Os atos constitutivos do interessado tiveram como hipotéticos sócios os Srs. Francisco Marcelo Barreto, Edivaldo Martins Dias e Valdívino Braga de Amorim. Porém, os elementos acostados aos autos supostamente comprovam que estas pessoas nunca tiveram poder de mando — exercendo inclusive, num caso, atividade braçal para outro empregador —, e nunca receberam qualquer remuneração do interessado, mesmo a título de prólabore ou distribuição de lucros, o que seria o normal para uma empresa deste porte, demonstrando cabalmente que estas pessoas foram apenas arregimentadas para compor o quadro societário, (fls. 2.352). Por outro lado, afirma a Fiscalização que os Srs. Renan Massarioli Simmer CPF n° 110.758.98791 e Valmir Pandolfi CPF n° 896.559.66704 apesar de só constarem como "sócios de direito" a Fl. 9641DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.642 8 partir de 19/07/2005 e 15/04/2009, respectivamente, foram os responsáveis por todos os atos de mando, administração, gerência e decisão, inclusive junto às instituições financeiras e contratos particulares. Eram eles os reais e verdadeiros beneficiários do empreendimento comercial. FALTA DE COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES O interessado optou pelo SIMPLES em 22/10/2003, porém no ano calendário de 2005 a sua receita bruta excedeu aos limites estabelecidos pelos Incisos I e II do art. 9º da Lei n° 9.317/1996, com as alterações da Lei n° 11.307/2006. Com isso deveria ter, obrigatoriamente, e mediante alteração cadastral efetuada até o dia 31/01/2006, comunicado a sua exclusão do SIMPLES à RFB, conforme determina a alínea "a", inciso II do art. 13 e seus §§ 1º e 3º desse mesmo diploma legal. Como o interessado não efetuou a comunicação acima citada, infringindo a legislação do SIMPLES, foi aplicada multa, conforme preceitua o artigo 21 da Lei n° 9.317/96 nos termos da tabela às fls. 2.362. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMAS DE TRIBUTAÇÃO. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, uma parte expressiva das receitas auferidas pelo interessado não foi declarada na DIPJ, caracterizandose, assim, omissão de receitas, bem como, as contribuições e os tributos devidos sobre essas receitas não foram informados em DCTF e nem recolhidos. Como para o ano calendário de 2005, o interessado era optante do Simples, foi com base nessa sistemática que se apuraram os tributos e contribuições devidos. A base de cálculo dos tributos e das contribuições para o ano calendário de 2005, pela sistemática do Simples, foi composta dos depósitos bancários de origem não comprovada, tendo sido apurada conforme subitem 6.2 do Termo de Verificação, amparado pelo artigo 18 da Lei n° 9.317/1996 e demonstrada às fls. 2.372/2.373. Já para os anos calendários de 2006 e 2007, em virtude da exclusão do interessado do simples, a partir de 01/01/2006, nos anos calendários de 2006 e 2007, a forma de tributação utilizada pela fiscalização para apuração do IRPJ e seus reflexos, baseouse nas regras do Lucro Arbitrado, uma vez que, apesar de intimado reiteradas vezes a apresentar os livros e documentos de sua escrituração fiscal e contábil, conforme os termos constantes dos autos, deixou de atender satisfatoriamente as solicitações, não apresentando diversos documentos, dentre os quais destacase o Livro Caixa ou Razão e Diário, os documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos valores creditados nas contas bancárias referentes algumas contas correntes (fls. 2.370) Fl. 9642DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.643 9 O lançamento de ofício do crédito tributário com base no Lucro Arbitrado, efetuouse conforme preceituam os Incisos II e III do artigo 530 do Decreto n° 3.000 RIR/99, estando o enquadramento legal da base de calculo para fins de apuração do tributo e das contribuições, descrito às fls. 2.374/2379. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Conforme apurado na ação fiscal, o interessado auferiu receitas provenientes da comercialização de mercadorias (bovinos abatidos) e da prestação de serviços de abate para terceiros, como fartamente comprovado por meio da documentação por ele mesmo fornecida, e somente uma pequena parcela dessa receita foi incluída em declarações apresentadas ao fisco (PJSI e DIPJ). Agindo assim, o interessado teria omitido, livre e conscientemente, com intenção fraudulenta, uma expressiva parte das receitas auferidas e que deveria ter sido oferecida á tributação, obtendo, portanto, êxito no não pagamento das contribuições e tributos devidos. Além disso, não elaborou os livros contábeis para os anos de 2006 e 2007, conforme determinado pela legislação e o Livro Caixa do ano calendário de 2005, que foi apresentado ao fisco possuía vícios, erros e deficiências que o tornaram imprestável para a correta identificação da sua movimentação financeira, inclusive a bancária. A Fiscalização ressalta ainda o fato de o interessado ter tido, comprovadamente, atividade comercial desde o início do ano calendário de 2005 — conforme se constata pela movimentação bancária com o pagamento de fornecedores, recebimento de clientes e débitos de folha de pagamento de seus empregados — e somente ter emitido notas fiscais de saída a partir de julho de 2006, restando, assim, também configurado crime contra ordem tributária. Não fosse isso suficiente, deixou de incluir nos livros de registros de saídas (apresentados através de arquivos contidos em CD'S) uma gigantesca quantidade de notas fiscais efetivamente emitidas, conforme planilhas confeccionadas, às fls. 1.797/1.879), tendo como objetivo o firme propósito de esconder a receita auferida e consequentemente pagar menos impostos e contribuições, conforme demonstra tabela às fls.2.381. AGRAVAMENTO DA MULTA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES PARA APRSENTAR DOCUMENTOS E/OU ESCLARECIMENTOS O interessado foi intimado reiteradas vezes a apresentar diversos documentos e/ou esclarecimentos conforme se verifica nos Termos de Início de Procedimento Fiscal (fls. 03/04) e de Intimação Fiscal (fls. 239/240, 278/279, 285/286, 734/751, 929/931, 1.549/1.628 e 2.202). No entanto, como relatado no Termo de Constatação Fiscal de fls.2.204/2.205, deixou de atender a várias dessas intimações, não apresentando um rol de elementos imprescindíveis à execução do procedimento fiscal, conforme consta no item 4 do Termo de Fl. 9643DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.644 10 Verificação de Infração, as fls. 2.331, ignorando completamente a última intimação para apresentação dos livros comerciais e fiscais. Em face da não apresentação de diversos documentos, entendeu a Fiscalização que o Interessado teria acarretando efetivo prejuízo ao procedimento fiscal, dado a necessidade de recorrer à Secretaria da Fazenda Estadual do Espírito Santo para obter informações a respeito das notas fiscais de saída, a fim de apurar o faturamento, e também a instituições bancárias, no tocante aos extratos, para identificar a real movimentação financeira. Por conta do exposto, teria ficado caracterizada a desídia do interessado em relação às intimações a ele feitas, o que justificaria o agravamento da multa, como disposto no do artigo 44 Caput, § 2º, inciso II, da Lei n° 9.430/1996. AUTUAÇÕES REFLEXAS (PIS, COFINS e CSLL) As autuações reflexas têm origens nos mesmos fatos descritos acima. IMPUGNAÇÕES Regularmente cientificado em 16/12/2010, por AR, às fls. 2.397/2398, das autuações referentes ao IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS, pela sistemática do SIMPLES, e também do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES, apresentou o interessado, em 13/01/2011, impugnações (fls.2.403/2404, 2.443/2.444, 2.451/2.452 e 2.459/2.460), alegando em síntese que: • no decorrer do exercício de 2005 tomou emprestado do Sr. João Batista Sobreira Prucoli, CPF n° 450.920.01704 o valor de R$ 1.725.000,00, conforme contratos de empréstimos firmados respectivamente em 21/02/2005, 03/03/2005, 27/05/2005, 06/06/2005, 12/07/2005, 18/08/2005, 23/09/2005, 14/11/2005 e 01/12/2005 (cópias dos contratos juntadas às fls. 2.407/2442), tendo sido os recursos movimentados principalmente na Agencia do Banco Banestes S/A, Cidade de Fundão ES; os ganhos verificados no ano de 2005 decorrem da prática de intermediação de negócios da compra e venda de bovinos; • os valores mensais referentes à receita bruta que constam dos autos, tributados pela sistemática do Simples, não refletem a realidade operacional do requerente; • no tocante à qualificação das multas de ofício, afirma que não houve nenhuma intenção de sonegar, ou de dificultar a fiscalização ou mesmo de ocultar documentos ou informações, não tendo se negado tampouco a apresentar documentos, uma vez que na realidade não os tinha organizados, na forma determinada pelas normas e convenções contábeisfiscais; • realmente seus registros contábeis não foram tempestivos, nem realizados dentro dos requisitos legais, ficando incompletos, fatos Fl. 9644DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.645 11 estes ligados muito mais a critérios de gestão administrativa, do que a qualquer tentativa de sonegação; • as multas aplicadas, conforme consta dos autos, além de punitivas, são confiscatórias; • apesar de os documentos não retratarem a movimentação real das operações da empresa, não houve falsidade em sua apresentação; na verdade, os documentos determinantes da comprovação dos fatos geradores de tributos são a movimentação financeira oriunda dos contratos de empréstimos já citados; • diante do exposto, vem solicitar permissão para que sejam reapresentados os livros fiscais e contábeis com a consequente apuração de novos valores, pois a receita anual apurada nos autos não corresponde à sua verdadeira movimentação tributável; • demonstrada a insubsistência da ação fiscal, requer seja acolhida à impugnação para ser cancelado o débito fiscal reclamado. Regularmente cientificado em 16/12/2010, por AR, às fls. 2.397/2.398, das autuações referentes ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, pela metodologia do Arbitramento do Lucro, apresentou o interessado, em 13/01/2011, impugnações (fls. 2.443/2.444 e 2.451/2.452), alegando em síntese que: • conforme emissão de notas fiscais de saídas (vendas de produto e serviços) classificados nos CFOP'S (Código Fiscal de Operações na Compra e Venda de Bens e Serviços) 5.101, 5.102, 5.124, 6.101 e 6.102, a receita tributável da empresa está em desacordo com a receita identificável nos autos. Exemplificando: Mês de abril/2007 Vendas conforme notas fiscais R$ 801.468,20 Mês de junho/2007 Vendas conforme notas fiscais R$ 1.367.213,43 • o valor da base tributável das operações de uma empresa deve sempre levar em conta os seus custos e despesas, notadamente no ramo de frigorífico onde o custo da matéria prima é relevante e decisiva no cálculo dos tributos; • no tocante à qualificação da multa de ofício, afirma que não houve nenhuma intenção de sonegar ou de dificultar a fiscalização, ou mesmo de ocultar documentos e informações, não tendo se negado tampouco a apresentar documentos, uma vez que na realidade não os tinha organizados, na forma determinada pelas normas e convenções contábeisfiscais; • realmente seus registros contábeis não foram tempestivos, nem realizados dentro dos requisitos legais, ficando incompletos, fatos estes ligados muito mais a critérios de gestão administrativa, do que a qualquer tentativa de sonegação; Fl. 9645DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.646 12 • as multas aplicadas, conforme consta dos autos, além de punitivas, são confiscatórias; • vem procurando manter a regularidade do funcionamento das suas instalações, cumprindo com todas as obrigações fiscais e tributárias pertinentes, regularizando as que tenham porventura ficado pendentes; • diante do exposto, vem solicitar permissão para que sejam reapresentados os livros fiscais e contábeis com a consequente apuração de noivos valores, pois a receita anual apurada nos autos não corresponde à sua verdadeira movimentação tributável; • demonstrada a insubsistência da ação fiscal, requer seja acolhida à impugnação para ser cancelado o débito fiscal reclamado. Regularmente cientificado em 16/12/2010, por AR, às fls. 2.397, do termo de sujeição passiva solidária, apresentou o Sr. Renan Massariolli Simmer, em 13/01/2011, impugnação (fls. 2.459/2.460), alegando em síntese que: • como sócio da empresa jamais agiu de forma a evitar o descumprimento das obrigações tributárias; • reconhece que em face da delegação de poderes de gestão administrativa, podem ter ocorrido falhas que vieram dar origem às demandas em questão; • sempre procurou cumprir suas obrigações perante o fisco e, se antes não o fez corretamente, informando valores equivocados, foi em virtude da falta de acompanhamento de um profissional capacitado para assessorálo no preenchimento das Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física; • em face do exposto, vem solicitar cancelamento da sua caracterização como "sujeito passivo solidário" nos autos, bem como sejam revisados os documentos fiscalizados com a consequente exclusão do seu nome da autuação. Regularmente cientificado em 16/12/2010, por AR, às fls. 2.397, do termo de sujeição passiva solidária apresentou o Sr. Valmir Pandolfi, em 3/01/2011, impugnação (fls. 2.463/2.464), alegando em síntese que: • como sócio da empresa jamais agiu de forma a evitar o descumprimento das obrigações tributárias; • reconhece que em face da delegação de poderes de gestão administrativa, podem ter ocorrido falhas que vieram dar origem às demandas em questão; • sempre procurou cumprir suas obrigações perante o fisco e, se antes não o fez corretamente, informando valores equivocados, foi em virtude da falta de acompanhamento de um profissional capacitado Fl. 9646DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.647 13 para assessorálo no preenchimento das Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física; • em face do exposto, vem solicitar cancelamento da sua caracterização como "sujeito passivo solidário" nos autos, bem como sejam revisados os documentos fiscalizados com a consequente exclusão do seu nome da autuação. Ato seguinte, a decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte Ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pelo regime do Simples. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. SIMPLES. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ANUAL SUPERIOR AO LIMITE LEGAL Será excluída do Simples, a partir do exercício seguinte, a pessoa jurídica que houver auferido, no anocalendário em curso, receita bruta superior ao limite legal. | MULTA PELA FALTA DE COMUNICAÇÃO DA EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA DO SIMPLES. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE OS TRIBUTOS NÃO RECOLHIDOS. Incabível a aplicação concomitante da multa de ofício pela falta de recolhimento dos tributos devidos no Simples e da multa isolada pela falta de comunicação da exclusão obrigatória do regime, em razão do fato de a receita omitida haver excedido o limite legal. A segunda infração, sendo mero exaurimento da primeira, constitui pósfato impunível. Aplicação do critério da consunção. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO. Correto o arbitramento do lucro da pessoa jurídica que, tendo sido intimada reiteradas vezes, deixa de apresentar os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. BASE DE CÁLCULO. Verificada omissão de receitas, seja por presunção legal (depósitos bancários sem comprovação da origem), seja por constatação direta (vendas escrituradas e não declaradas), o montante omitido será computado para determinação do lucro arbitrado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Correta a aplicação de multa de ofício qualificada, quando demonstrada a intenção do contribuinte de omitir do conhecimento do Fisco a receita de sua Fl. 9647DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.648 14 atividade, apresentando, por anos consecutivos, declarações com valores muito menores do que aqueles apurados na ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES FISCAIS. Configurada a desídia do contribuinte, que deixa de atender a diversas intimações do Fisco, justificase o agravamento da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. O lançamento deve observar, obrigatoriamente, a lei aplicável, que goza de presunção de constitucionalidade. É defeso ao agente público imiscuir se no exame de aspectos constitucionais, cuja competência de apreciação é reservada ao Poder Judiciário. Correta, portanto, a aplicação da multa de oficio de 225%, prevista no art. 44, inciso I, §§ 1 o e 2 o , da Lei n° 9.430/1996, devendo ser rejeitada a arguição de confisco. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados e os administradores de fato das pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” Dessa forma, restou decidido o seguinte: “a) por maioria de votos, JULGAR PROCEDENTES os lançamentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ/SIMPLES, no valor de R$ 39.767,94, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/SIMPLES, no valor de R$ 39.767,94, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL/SIMPLES, no valor de R$ 62.261,08, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS/SIMPLES, no valor de R$ 124.522,17 e da Contribuição para a Seguridade Social INSS/SIMPLES, no valor de R$ 256.229,15, com as respectivas multas d e ofício de 225% e juros de mora, nos termos da legislação vigente — Vencido o julgador Elizeu da Silva Marinho, que reduzia o percentual da multa de ofício para 150%, afastando o agravamento aplicado em razão da falta de atendimento às intimações fiscais; b) pelo voto de qualidade, EXONERAR o Interessado da MULTA por falta de comunicação da exclusão obrigatória do SIMPLES, no valor de R$ 17.108,71 — Vencidos os julgadores Jorge da Costa Neves (Relator) e Ricardo Araújo de Oliveira — Redigiu o voto vencedor, quanto a este item, o julgador Marcelo Franco de Matos; c) por unanimidade de votos, CONFIRMAR o Ato Declaratório Executivo n° 157, de 28/10/2010, que excluiu o Interessado do SIMPLES, a partir de 01/01/2006; d) por maioria de votos, JULGAR PROCEDENTES os lançamentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.680.361,34, da Contribuição Fl. 9648DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.649 15 para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 465.111,45, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 771.771,50 e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 2.141.433,00, com as respectivas multas de ofício de 225%, e juros d e mora, nos termos da legislação vigente — Vencido o julgador Elizeu da Silva Marinho, que reduzia o percentual da multa de ofício para 150%, afastando o agravamento aplicado em razão da falta de atendimento às intimações fiscais; e) por unanimidade de votos, MANTER no pólo passivo da obrigação tributária, na condição de responsáveis solidários, os Srs. Renan Massarioli Simmer CPF n° 110.758.98791 e Valmir Pandolfi CPF n° 896.559.66704.” Inconformado com a decisão de 1ª instância o Recorrente, interpôs em 18 de agosto de 2009 Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: (i) A movimentação de recursos de terceiros ao longo de um ou mais exercícios não pode ser considerada geração de receita de operação própria e sofrer tributação regulamentar; (ii) O que deveria ter sido tributado seriam os ganhos advindos desse recurso e que não teve condições de apresentar todas as planilhas confirmatórias; (iii) A não apresentação de documentos não decorreu de máfé, mas sim da desorganização dos documentos. Nesse momento requer seja dada oportunidade de reapresentação dos documentos comprobatórios da movimentação financeira que não foram apresentados tempestivamente no momento oportuno; (iv) As multas constantes dos autos são estritamente punitivas, destrutivas e confiscatórias; (v) A manutenção das multas preconizaria um castigo por parte do Estado e a sua presunção o contribuinte teria agido antecipadamente de má fé, contradiz o direito de ampla defesa, descrito no artigo 5º da CF; (vi) As pessoas citadas, que na ocasião constavam como sócias da Forte Boi Industria de Alimentos Ltda, reuniam todas as condições necessárias para o exercício de suas funções, ressalvando o reconhecimento de que os registros contábeis foram omissos e não registraram os fatos como deveria. (vii) Solicitou por fim, a reapresentação das notas fiscais de saída e dos Livros contábeis e fiscais; revisão do tratamento dado aos empréstimos do Sr. João Batista Sobreira Prucoli; recalculo do imposto incidente sobre as operações reais da empresa e eliminação da multa punitiva e confiscatória. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 9649DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.650 16 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Tratase de recurso voluntário interposto por Forte Boi Indústria de Alimentos Ltda. contra a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente mantendo em parte o crédito tributário. A norma reguladora do prazo para a interposição de recurso voluntário contra decisão de primeira instância está expressa no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972, que estabelece o seguinte: “Art. 33: Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” (grifo nosso) A legislação acima transcrita, a qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é clara e objetiva ao estabelecer prazo limite para que o contribuinte possa exercer o seu direito de defesa em segunda instância no contencioso administrativo. Os prazos para interposição de impugnações e recursos estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 são fatais, de forma que as petições da espécie apresentadas após os prazos estabelecidos em lei não devem ser conhecidas pelas instâncias administrativas julgadoras. No caso em exame verificase que, pelo aviso de recebimento (fls.9.618), a Recorrente foi regularmente notificada em seu domicílio fiscal em 18 de julho de 2011 (segundafeira). No entanto, o recurso voluntário foi interposto em 18 de agosto de 2011 (quintafeira), ou seja, 1 dias após o término do prazo legal, contado nos termos do artigo 5º do referido Decreto. Destarte, os elementos constantes do presente processo demonstram, de forma inequívoca, que a Recorrente não observou o prazo de 30 dias estabelecido na norma legal para interposição de recurso voluntário, o qual venceu em 17 de agosto de 2009 (quarta feira). A fim de evitar quaisquer dúvidas quanto à perempção existente nesse caso, a própria Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória emitiu um termo de Perempção (fls. 9622), informando que havia transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias sem que a interessada tivesse interposto recurso voluntário. Em vista dos fatos, não pairam dúvidas sobre a ocorrência da perempção, razão pela qual voto que não se conheça do recurso voluntário, em atendimento também ao posicionamento deste E. Conselho, a exemplo da ementa abaixo transcrita: “SIMPLES. EXCLUSÃO. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido Fl. 9650DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15586.001439/201073 Acórdão n.º 1202000.739 S1C2T2 Fl. 9.651 17 por perempção. Precedentes: Acórdão 30132.786, 3027.575, 30127.583, 30127.584, 30233.878 e 303 27.884, dentre outros. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.” (Terceiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30131149). Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer o Recurso Voluntário, por intempestivo. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 9651DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO
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Numero do processo: 13807.001443/97-71
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/1991 a 31/03/1992
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nego provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 14 43 /9 7- 71 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nego provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 327 a 339) contra o v. acórdão proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 319 a 323) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial, entendendo que não ocorreu a prescrição do direito do contribuinte, pois o termo a quo para o pedido de restituição começaria a contar da data da publicação da MP nº 1.110 em 31/08/1995, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5%. Verificase que os pagamentos objeto do pedido de compensação ocorreram entre março de 1991 a abril de 1992 (fls.7 a 20). Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao extraordinário, é o seguinte, verbis: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.001443/9771 Acórdão n.º 9900000.608 CSRFPL Fl. 362 3 “Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 272/291) interposto pela i. Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 30131.817 (fls. 258/270), exarado pela E. Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sintetizado na ementa abaixo transcrita: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O prazo para requerer o indébito tributário decorrente de declaração de inconstitucionalidade das majorações de aliquota do Finsocial é de 5 anos, contado de 12/6/98, data de publicação da Medida Provisória n° 1.62136/98, que, de forma definitiva, trouxe a manifestação do Poder Executivo no sentido de reconhecer o direito e possibilitar ao contribuinte fazer a correspondente solicitação. Recurso a que se dá provimento, para determinar o retorno do processo à DRJ para exame do mérito. Em suas razões recursais, a i. Procuradoria alega, em síntese, que, nos termos do AD/SRF ri° 96/99, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional), ocorrido com o pagamento do tributo. Regularmente intimada do supra citado recurso em 18 de outubro de 2005, a contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessada) não apresentou suas contrarazões. É o relatório. A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. PRAZO PARA REQUERER A RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Resguardada minha opinião, adoto, no caso presente, a jurisprudência pacificada por esta Turma, no sentido de que, o prazo de cinco anos para requerer a restituição ou a compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição ao Finsocial, deve ser contado a partir da data da publicação da MP n° 1.110, de 31 de agosto de 1995. Recurso Especial Negado.” Irresignada, insurgese a Recorrente contra o acórdão a quo por meio do presente recurso extraordinário. Junta a Recorrente julgados deste Colegiado, satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar seu apelo. Aponta, em síntese, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de Fl. 371DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos, contandose o referido prazo a partir da data do pagamento indevido. A Recorrida apresentou contrarrazões (fls. 310 a 321), defendendo, em síntese, seu direito à restituição, seja com espeque nos fundamentos da decisão recorrida, seja à luz da tese dos cinco mais cinco. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao termo inicial do prazo decadencial para a repetição de indébito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.001443/9771 Acórdão n.º 9900000.608 CSRFPL Fl. 363 5 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não Fl. 373DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que Fl. 374DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.001443/9771 Acórdão n.º 9900000.608 CSRFPL Fl. 364 7 os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à Fl. 375DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.001443/9771 Acórdão n.º 9900000.608 CSRFPL Fl. 365 9 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição/compensação formulado em 23/12/1997 (fls. 1), de parcelas de FINSOCIAL indevidamente pagas nos períodos de março de 1991 a abril de 1992 compensados com tributos de períodos subsequentes. Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do direito de restituição/compensação seria em 2001 e 2002, respectivamente. Como o pedido de restituição/compensação ora em apreço foi apresentado em 23/12/1997, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido de restituição/compensação tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 377DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.003899/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário:2005
Ementa:
PRELIMINAR. COMPETÊNCIA DO CARF.
Pode, tanto a Administração Tributária, quanto as instância de revisão, verificar a aplicação da norma tributária tomando em consideração a realidade dos negócios e a licitude dos negócios que tenham relevância na composição da obrigação tributária.
GLOSA DE DESPESAS. DESPESA ILEGAL NÃO CARACTERIZADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE OFENSA AO DIREITO DA CONCORRÊNCIA.
Para caracterizar ofensa ao direito da livre concorrência, na livre concorrência, é necessário atentar para três pressupostos, quais sejam, (i) identidade de tempo, (ii) saber quais os mercados de produtos atingidos e (iii) qual o mercado geograficamente relevante que fora impactado com esses
contratos. No entanto, tendo em vista a natureza difusa dos mecanismos de controle da concorrência, não é possível afirmar, a priori, a existência de ofensa ao direito da concorrência, sem a atuação dos órgãos de controle habilitados a aplicação de tais mecanismos.
Numero da decisão: 1401-000.718
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva que negava provimento. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Karem Jureidini Dias votaram pelas conclusões em relação a preliminar, por restringirem a análise da matéria à competência do CARF.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:2005 Ementa: PRELIMINAR. COMPETÊNCIA DO CARF. Pode, tanto a Administração Tributária, quanto as instância de revisão, verificar a aplicação da norma tributária tomando em consideração a realidade dos negócios e a licitude dos negócios que tenham relevância na composição da obrigação tributária. GLOSA DE DESPESAS. DESPESA ILEGAL NÃO CARACTERIZADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE OFENSA AO DIREITO DA CONCORRÊNCIA. Para caracterizar ofensa ao direito da livre concorrência, na livre concorrência, é necessário atentar para três pressupostos, quais sejam, (i) identidade de tempo, (ii) saber quais os mercados de produtos atingidos e (iii) qual o mercado geograficamente relevante que fora impactado com esses contratos. No entanto, tendo em vista a natureza difusa dos mecanismos de controle da concorrência, não é possível afirmar, a priori, a existência de ofensa ao direito da concorrência, sem a atuação dos órgãos de controle habilitados a aplicação de tais mecanismos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003899/200997 Recurso nº 887.121 Voluntário Acórdão nº 1401000.718 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: PRELIMINAR. COMPETÊNCIA DO CARF. Pode, tanto a Administração Tributária, quanto as instância de revisão, verificar a aplicação da norma tributária tomando em consideração a realidade dos negócios e a licitude dos negócios que tenham relevância na composição da obrigação tributária. GLOSA DE DESPESAS. DESPESA ILEGAL NÃO CARACTERIZADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE OFENSA AO DIREITO DA CONCORRÊNCIA. Para caracterizar ofensa ao direito da livre concorrência, na livre concorrência, é necessário atentar para três pressupostos, quais sejam, (i) identidade de tempo, (ii) saber quais os mercados de produtos atingidos e (iii) qual o mercado geograficamente relevante que fora impactado com esses contratos. No entanto, tendo em vista a natureza difusa dos mecanismos de controle da concorrência, não é possível afirmar, a priori, a existência de ofensa ao direito da concorrência, sem a atuação dos órgãos de controle habilitados a aplicação de tais mecanismos. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Fl. 643DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 Silva que negava provimento. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Karem Jureidini Dias votaram pelas conclusões em relação a preliminar, por restringirem a análise da matéria à competência do CARF. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003899/200997 Acórdão n.º 1401000.718 S1C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL lavrado pela Delegacia da Receita Federal de São Paulo, tendo em vista a glosa de despesas incorridas pela Recorrente. Segundo se extrai do termo de constatação acostado às fls. 256/258, in verbis: No exercício das funções de Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, intimamos o contribuinte através da Intimação datada de 30/08/2008, a apresentar planilha demonstrando a decomposição da conta informada na Ficha 05 A — Despesas Operacionais — Linha 30 — Outras Despesas Operacionais no valor de R$ 59.651.025,55, relativa a DIPJ 2006.; 1) Em cumprimento a solicitação supra o contribuinte apresentou à esta fiscalização a respectiva planilha, onde procedemos por amostragem a solicitação da cópia das notas fiscais, bem como dos comprovantes de pagamento, conforme Intimação datada de 18/02/2009; 2) Em análise feita junto a documentação entregue pelo contribuinte constatamos que os valores relativos a subconta 959800 — Deduções Diversas Exerc. Corren. no valor de R$ 33.372.638,71 (trinta e três milhões trezentos e setenta e dois mil seiscentos e trinta e oito reais e setenta e hum centavos) referem se a pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao "Contrato de consumo de latas de alumínio" celebrado com a Companhia de Bebidas das Américas — AMBEV e a Carta de Intenção celebrada com os engarrafadores da America do Sul no sistema CocaCola e com a CocaCola Trading Company; 3) Ao analisarmos o conteúdo destes contratos verificamos tratarse de pagamentos efetuados as seguintes empresas (envasadoras de bebidas): Spal Ind. Brasileira S/A, CNPJ: 61.186.888/000193; RJ Refrescos Ltda., CNPJ: 00.074.569/000100; SPAIPA S/A Indústria Brasileira de Bebidas, CNPJ: 00.904.448/000130; Vonpar Refrescos S/A, CNPJ: 91.235.549/000110; Companhia Brasileira de Bebidas, CNPJ: 60.522.000/001317; e Companhia de Bebidas das Américas — CSC (Centro de Serviços Compartilhados), CNPJ: 02.808.708/001251, com o intuito de incentivar a venda de bebidas envasadas em latas de alumínio, ao invés de garrafas "pet" e vidros; 4) Em 16/09/2009 intimamos o contribuinte a apresentar esclarecimentos por escrito quanto à natureza dos pagamentos efetuados pelo contribuinte às empresas envasadoras de bebidas, Fl. 645DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 4 à titulo de despesas operacionais, conforme os Contratos acima mencionados; 5) Em resposta à Intimação supra, o contribuinte esclareceu tratarse de despesas de patrocínio as despesas de marketing das envasadoras, conforme fls. ; 6) É importante salientar que o contribuinte tem como objeto social a produção de chapas de alumínio para latas de bebidas, onde seus principais consumidores são as empresas produtoras de latas de alumínio, não possuindo nenhuma relação comercial direta com as envasadoras acima mencionadas; logo, tais pagamentos não podem ser considerados despesas necessárias, pois de acordo com o Art. 299 — "Sao operacionais as despesas não computadas os custos, necessárias à atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte produtora.". Parágrafo 1° — "São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa; Parágrafo 2° "As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa". Cabe salientar que de acordo com o Art. 13 da Lei 8.158, de 8 de janeiro de 1991 "Os ajustes, acordos ou convenções, sob qualquer forma manifestados, que possam limitar ou reduzir a concorrência entre empresas, somente serão considerados validos desde que, dentro do prazo de trinta dias após sua realização, sejam apresentados para exame e anuência da SNDE (Secretaria Nacional de Direito Econômico) 7) Diante do exposto, elaboramos o competente Auto de Infração — IRPJ e Reflexos, cujos valores referentes à subconta 959800 — Deduções Diversas — Exerc. Corren. da conta "Outras Despesas Operacionais", referente ao anocalendário 2005 constituirão sua base de cálculo, de acordo com os Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99; Cabe ressalvar que ao elaborarmos o Auto de Infração — IRPJ e Reflexos, verificamos que o contribuinte utilizouse indevidamente do saldo de Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores (CSLL), logo, o valor apurado será lançado em outro processo administrativo fiscal relativo ao Auto de Infração — CSLL. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo em 03 (três) vias, de igual forma e teor, assinado pela Auditora Fiscal da Receita Federal e pelo contribuinte e/ou representante legal da empresa, que neste ato recebe uma das vias do presente Termo. Como conseqüência da referida glosa de despesas, a Autoridade Fiscal lavrou o termo de constatação e redução de prejuízo fiscal e da base de cálculo da CSLL de fls. 276/278, pelo que a Recorrente, que havia registrado prejuízo de R$ 142.583,69, não utilizados em compensação, passou a auferir lucro tributável de R$ 140.545.714,40, conforme tabela às fls. 277. Em sede de impugnação, a Recorrente opôsse à conclusão da Autoridade Fiscal, com fundamento, em suma, nas seguintes alegações: Fl. 646DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003899/200997 Acórdão n.º 1401000.718 S1C4T1 Fl. 3 5 1) Que dedicase à produção de chapas de alumínio próprias para a fabricação de latas, sendo a única indústria que produz referido insumo na América do Sul, utilizado para fabricação de latas de alumínio; 2) que não produz latas de alumínio nem envasa líquidos em referidas latas, restringindo seu objeto social na fabricação de chapas de alumínio (industrialização etapa 1) que serão posteriormente utilizadas por empresas especializadas na fabricação de latas de alumínio (industrialização etapa 2) que, por sua vez, serão utilizadas por empresas envasadoras de bebidas (industrialização etapa 3); 3) que, dessa forma, apesar de não comercializar o seu produto com o consumidor final, assim como com as empresas envasadoras (etapa 3), quanto mais latas de alumínio forem envasadas e consumidas, maior será a procura pelo produto que produz com exclusividade, qual seja, as chapas de alumínio; 4) que, apesar de ser a única produtora de chapas de alumínio no mercador sulamericano, as latas de alumínio enfrentam grande concorrência junto às empresas envasadoras com relação a outras formas de envasamento, tais como embalagens PET, embalagens de vidro e embalagens em folhas de aço (também conhecidas como folhas de flandres); 5) que, como ação para aumento do seu mercado, a Recorrente celebrou contratos com as empresas evasadoras, como forma de estimular o consumo de latas produzidas a partir das chapas de alumínio que fabrica; 6) que, “como não é fabricante de latas, a Novelis não possui meios para incentivar o aumento da participação das latas de alumínio no “mix” das embalagens de bebidas. Da mesma forma, por não ser envasadora de bebidas, a Novelis não tem como exercer influência sobre a escolha do consumidor final em relação ao tipo de embalagem de bebida que consome” (fls. 288); 7) que, como forma de incrementar a aquisição de seus produtos, passou a trabalhar em campanhas para o consumo de latas de alumínio, diretamente, ou por meio das empresas envasadoras que compram as embalagens das empresas fabricantes de latas de alumínio, que por sua vez compram as chapas de alumínio que produz; 8) assim foi que a Recorrente buscou “estabelecer parcerias com as fabricantes e envasadoras de bebidas, por meio das quais a Novelis se comprometeu a fazer pagamentos cujo objetivo é patrocinar ações de marketing promovidas para estimular o consumo de bebidas envasadas em latas de alumínio” (fls. 289); 9) que “Esse tipo de acordo somente poderia ser estabelecido com as fabricantes/envasadoras de bebidas, que têm real capacidade de influenciar o mercado consumidor de bebidas. Não seria eficaz, portanto, se a Novelis firmasse acordos com seus clientes fabricantes de latas, haja vista a reduzida (para não dizer nula) influência desses últimos sobre o consumidor final das bebidas. Basta lembrar que empresas como Rexam, Crown Cork, LatapackBall, etc., principais fabricantes de latas de alumínio no Brasil, sequer são conhecidas do público consumidor de bebidas” (fls. 289) 10) assim foi que a Recorrente celebrou contratos com as empresas envasadoras de bebidas, em especial as componente do Grupo AMBEV e do Grupo Coca Cola, pelo que “qualquer medida da AmBev e/ou da CocaCola que cause impacto positivo ou Fl. 647DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 6 negativo no consumo de bebidas em latas também impacta as vendas de chapas de alumínio da Novelis para os seus clientes, fabricantes das latas” (fls. 289); 11) que a Recorrente celebrou contrato com o Sistema CocaCola das Engarrafadoras na América do Sul (doc. 24 e 24A), cujos pagamentos realizados pela Recorrente foram considerados como indedutíveis pela Autoridade Fiscal; 12) que nos termos desse contrato, “CocaCola deveria adquirir determinado volume de latas de alumínio por ano (metas préestabelecidas), que deveriam ser fabricadas a partir das chapas de alumínios produzidas pela Novelis. A contraprestação prevista no contrato consistia em pagamentos trimestrais pela Novelis para as envasadoras CocaCola, os quais variavam de acordo com a quantidade de latas de alumínio verificadas no estoque dessas empresas” (fls. 290); 13) que “o beneficio para a Novelis é mais do que evidente: o aumento no volume de latas de alumínio adquirido pela CocaCola corresponderia necessariamente a uma maior quantidade de chapas de alumínio fabricadas e vendidas pela Novelis para seus clientes, os fabricantes de latas”; 14) que também celebrou contrato com a AMBEV, cujo objeto era “geração de ganhos de eficiência resultantes do aumento do fornecimento de chapas de alumínio para embalagem de bebidas fabricadas e comercializadas pela Novelis, por meio de concessão de incentivos AmBev para aquisição de latas de alumínio" (fls. 291); 15) que “o contrato estabelecia metas de consumo de latas de alumínio pela AmBev. Além disso, havia expressa previsão do dever da AmBev de desenvolver o mercado de latas de alumínio, mediante a adoção de promoções anuais que visassem ao aumento do consumo de bebidas em lata” (fls. 292); 16) que “A Novelis, por sua vez, estava obrigada a pagar um prêmio AmBev em decorrência dessas ações de marketing tendentes a desenvolver o mercado de latas de alumínio, desde que atingidas as metas de consumo das latas préestabelecidas em contrato. O item 7.1. do contrato evidencia que o prêmio pago pela Novelis era calculado a partir da apresentação de um relatório com o volume de latas que a AmBev havia adquirido” (fls. 292). 17) que os valores pagos pela Recorrente não representavam a totalidade dos custos incorridos pela AMBEV e pela CocaCola em campanhas de marketing, mesmo porque o critério utilizado para realizar os pagamentos estava baseado no volume de latas de alumínio envasadas; e não no custo incorrido pelas envasadoras com a publicidade; 18) que, nessa condição, as despesas incorridas pela Recorrente enquadram se no conceito legal de despesas operacionais constante do art. 299 do RIR/99, posto que “atrelada, ainda que indiretamente, à atividade produtiva e à manutenção da fonte de produção do contribuinte” (fls. 294); 19) teceu considerações acerca dos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade das despesas segundo a melhor doutrina, e traçou paralelos com vários casos de despesas incorridas pelas empresas por meios de ações indiretas, mas comprovadamente, provocam benefícios diretos à empresa, tornandoas, assim, dedutíveis, recheandoos de jurisprudência desse Conselho; 20) por fim, pede o cancelamento do auto de infração de IRPJ e o seu reflexo de CSLL, assim como a recomposição do prejuízo retificado. Posto o feito em julgamento perante a DRJ de São Paulo, entendeu a mesma estarem presentes os pressupostos suficientes para a manutenção do lançamento, tendo a decisão sido assim ementada: Fl. 648DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003899/200997 Acórdão n.º 1401000.718 S1C4T1 Fl. 4 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 GLOSA. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. MONOPÓLIO COM BARREIRA TARIFÁRIA. LAMINADOS DE ALUMÍNIO. PRÉMIOS A INDÚSTRIAS DE DOIS GRANDES GRUPOS DA CADEIA DE PRODUÇÃO DE BEBIDAS PELA UTILIZAÇÃO DE EMBALAGENS FABRICADAS POR TERCEIROS COM SUA MATÉRIAPRIMA. Sao desnecessárias as despesas de prêmios pagos a dois grandes grupos fabricantes dc bebidas, realizadas por empresa monopolista com base em contratos que deveriam ter sido submetidos A apreciação do CADE, em razão dos possíveis prejuízos causados A concorrência. AUTO REFLEXO. CSLL. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração estabelecidas para o IRPJ, portanto, o voto referente ao IRPJ aplicase ao seu reflexo. Em suma, o voto condutor do acórdão que manteve o lançamento traz inúmeras transcrições de sítios da internet, com o objetivo de contextualizar a controvérsia, de forma a emoldurar a existência de um conflito entre as empresas produtoras de latas de alumínio e a Recorrente, principalmente no que toca ao pleito de retirada de barreiras tarifárias então incidentes sobre os produtos produzidos pela Recorrente em regime de monopólio. Segundo a DRJ: Para uma visão mais profunda do grau de concentração dessa indústria, tanto no panorama internacional como no nacional, vejase o estudo "LATAS PARA CERVEJAS E REFRIGERANTES: 0 DESAFIO ALUMÍNIO X AÇO" de autoria de Maria Lúcia Amarante de Andrade, José Ricardo Martins Vieira e Luiz Mauricio da Silva Cunha, respectivamente, gerente, engenheiro e economista da Gerência Setorial de Mineração e Metalurgia do BNDES, com colaboração das estagiárias Elianc Figueiredo Costa de Oliveira c Renata Strube11 Fuld, no domínio "bndes.gov.br". Em resumo: há, nesse mercado, no Brasil, a detenção do monopólio de produção de laminados de alumínio para latas de bebidas, pelo interessado, protegido por significativa barreira tarifária. Há, no mundo, poucos fabricantes, o que caracteriza oligopólio. Há poucos fabricantes de latas, tanto no Brasil, como no mundo, o que caracteriza oligopsônio e oligopólio. A tendência de concentração dos fabricantes de bebidas (refrigerantes e cervejas), no Brasil e no mundo, já é fato notório, sendo que dois desses gigantes são a COCACOLA (com quem a impugnante contrata desde 1999) e a AMBEV (com quem a Fl. 649DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 8 impugnante contrata desde abril de 2004, ou seja, logo após a fusão desta, em matgo de 2004, com a Interbrew, criando a InterbrewAmBev, a maior cervejaria do mundo). Ainda, segundo a DRJ, in verbis: Quanto ao caso concreto, o motivo apontado pelo interessado para firmar tais contratos é o poder de influência que a COCA COLA e a AMBEV têm sobre o consumidor final, de forma que suas vendas poderiam crescer em função do crescimento natural do mercado dessas duas empresas ou em função de maior participação no "mix" de embalagens. No entanto, sendo o interessado o monopolista dos laminados de alumínio para latas de bebidas e sendo essas duas empresas as dominantes nos seus mercados, é obvio que as vendas melhorariam com ou sem crescimento no "mix". Ou seja: os resultados positivos que a impugnante atribui a esses contratos são de difícil senão impossível mensuração. De qualquer forma, não há, no processo, quaisquer evidencias de vendas da impugnante melhoraram devido a esses contratos. Aliás, embora mencionada, há evidências da participação da impugnante na aprovação de campanhas da AMBEV. Quanto às auditorias a que se referem os contratos, para apurar a base de cálculo das despesas, delas tampouco há noticias. 0 mais próximo disso é a referência que a impugnante faz a relatórios para apurar tal base de cálculo Ainda, segundo a DRJ, nesse contexto, como somente foram celebrados contratos com a AMBEV e a CocaCola, “O efeito mais evidente desses contratos é criar um beneficio em termos de custo real mais baixo para as empresas dominantes no mercado, prejudicando as condições de concorrência dos demais fabricantes de refrigerantes e cervejas que utilizam latas de alumínio”. E mais: “Outro efeito importante é criar uma noção distorcida de preço no mercado de laminados de alumínio, fazendoo parecer mais caro do que realmente é (ou pelo menos do que poderia ser), estimulando, dessa forma, a manutenção da barreira tarifária brasileira em nome da preservação da indústria local”. Diante desse contexto, a decisão recorrida entendeu que “os contratos em tela deveriam ter sido submetidos à aprovação do CADE. No entanto, não há noticia, no processo, de que tal providencia tenha sido tomada”, pelo que os mesmos devem ser considerados ilegais. Por fim, a DRJ criticou duramente o fato de que os contratos celebrados pela Recorrente com as empresas envasadoras estarem protegidos por cláusula de sigilo, o que denunciaria a sua prejudicialidade à livre concorrência. A Recorrente, indisposta com a decisão proferida, aviou o presente recurso, repisando as razões de impugnação e argumentando acerca da ausência de ofensa ao direito da concorrência invocado pela DRJ como complemento à manutenção do lançamento. Em resposta, a Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao recurso voluntário, alegando que o CARF tem competência para analisar a legalidade dos contratos celebrados entre a Recorrente e as empresas envasadoras de bebidas, sendo que “despesas consideradas ilegais não podem ser tidas como operacionais e que todo e qualquer tipo de Fl. 650DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003899/200997 Acórdão n.º 1401000.718 S1C4T1 Fl. 5 9 dedução da base de cálculo deve guardar estrita conformidade com as exigências legais e regulamentos pertinentes”. Argumenta que “se a recorrente tivesse submetido os contratos por ela celebrados, tanto com a AMBEV como com a CocaCola, à notificação daquele Conselho, e se aquela autarquia tivesse aprovado os acordos, entendendo se tratar de negócios jurídicos que não prejudicariam a concorrência, por óbvio que a autoridade autuante e a DRJ não analisariam as supostas ilegalidades das despesas, já que os acordos que a ela deram origem teriam tido sua validade reconhecida.No entanto, como no caso em questão a recorrente se omitiu em levar os contratos à apreciação do CADE, essa simples conduta já é suficiente para que as autoridades fiscais concluíssem que a despesa deduzida é ilegal, desnecessária e, portanto, indedutível.” Em defesa de seus argumentos, citou precedente da 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, acórdão 105.16929, em que foi decretada a indedutibilidade da despesa por reconhecer a ilegalidade do contrato em que a mesma se baseava. Aduz, a Fazenda Nacional, que a prática realizada pela Recorrente ofende o direito de livre concorrência resguardado pela lei nº 8.884/94, principalmente porque voltada à manutenção de seu monopólio, sendo que “ao tempo da vigência daqueles acordos, em especial de suas prorrogações, muito se discutia sobre a necessidade de redução das barreiras alfandegárias impostas às chapas de alumínio, tendo havido, inclusive, recomendação do CADE para que a Câmara de Comércio Exterior diminuísse a tarifa de importação daquele produto (ainda que sob manifestações contrárias da recorrente), o que permitiria a promoção da concorrência, com o aumento da competitividade através de produtos importados em setor monopolizado” Teceu outras considerações acerca da indedutibilidade das despesas pela ausência de necessidade e pediu o desprovimento do recurso. É este o relatório. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 10 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, relator: O recurso é tempestivo e, atendidos os requisitos legais, dele conheço. A questão posta à análise e julgamento no presente feito decorre da imputação, feita pela Autoridade Fiscal, acerca da indedutibilidade das despesas incorridas pela Recorrente fundadas em dois contratos, um com o Grupo AMBEV e outro com o Grupo Coca Cola, tidos por (i) ilegais, por ferir as normas de concorrência e (ii) desnecessárias, por não terem sido firmadas com pessoas comercialmente ligadas diretamente ao objeto social da Recorrente. No entanto, antes de adentrar no mérito da questão posta em julgamento, importante saber se este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem competência para falar acerca da legalidade de contratos celebrados entre pessoas de direito privado, ante a ausência de pronunciamento prévio de outras instâncias acerca de referido negócio jurídico. Competência do CARF. Análise de Legalidade de Contratos. O direito tributário regese pela rigidez na identificação dos elementos componentes da norma de tributação, na esteira do que Misabel Derzi1 chama de “tipicidade imprópria”, pelo que somente poderá se estar diante de um fato jurídico tributariamente relevante quando todos os elementos descritos hipoteticamente na norma tributária se adequarem ao evento ocorrido no mundo da realidade. Cabe, assim, à Autoridade Administrativa, no desenvolvimento da atividade tributária, identificar a ocorrência de uma situação da vida real que se adéqüe à descrição normativa constante da regra matriz de incidência, de forma a que configure a ocorrência da incidência tributária, com o surgimento da relação jurídicoobrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, nos moldes que prevista hipoteticamente no comando da norma tributária. Este fenômeno, muito bem descrito por Paulo Barros Carvalho, remete a dois momentos: um primeiro, hipotético e um segundo, concreto, quando da ocorrência do fato a que norma se refere. Neste sentido, a hipótese tributária fala sobre a descrição normativa do evento que implicará o mandamento da norma. Evento jurídico tributário, por sua vez, é a presença do fato no mundo fenomênico que, uma vez identificado pela descrição normativa da hipótese tributária, dará ensejo à identificação do fato jurídico tributário. Este fenômeno, de identidade entre a descrição hipotética da norma e a ocorrência do evento no mundo fenomênico que a ela se adequa, é chamado de subsunção. O evento se subsume à norma formando o fato jurídico quando guarda absoluta identidade com a descrição constante da hipótese normativa. Daí, também, a importância, da configuração do conceito de tipicidade, pelo que o evento, para se tornar um fato tributário, deve preencher todos os requisitos presentes na norma de tributação é o que Misabel Derzi chama de conceito classificatório, com maior rigor científico que o termo tipicidade, posto que o primeiro é a 1 DERZI, Misabel de Abreu Machado. Direito Tributário, Direito Penal e Tipo. São Paulo, Revista dos Tribunais. 2007. 2 ed. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003899/200997 Acórdão n.º 1401000.718 S1C4T1 Fl. 6 11 descrição fechada de características do elemento, enquanto o segundo referese a uma descrição de padrões abertos, sujeitos à aplicação parcial. Diante desses conceitos, temos que a atividade da Administração Tributária nada mais é do que a identificação, no plano da concretude, da existência dos elementos constantes da norma hipotética de tributação. Identificada a ocorrência, no mundo fenomênico, de evento que se adéqua aos critérios descritos na hipótese de tributação, estão presentes os elementos suficientes para desencadear o nascimento da relação jurídico tributária entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, hipoteticamente descrito no mandamento da norma tributária. Num momento lógico, e não cronológico, a relação jurídicotributária deverá ser descrita em linguagem competente com a identificação, no caso concreto, dos sujeitos pertencentes à relação jurídico obrigacional, e os elementos concretos que informem o teor da obrigação tributária, principalmente quanto ao montante pecuniário que compõe a relação obrigacional do sujeito passivo perante o sujeito ativo. Isso vem por meio do lançamento, ou do autolançamento, em que o operador identifica a composição da regra obrigacional concreta, com a aplicação dos elementos previstos nos critérios subjetivo e quantitativo da regra matriz de incidência. No caso do imposto de renda, assim como da CSLL, os elementos que irão compor a base de cálculo do tributo incidente sobre a renda constam de lei, no critério quantitativo hipotético, que informam precisamente a forma de cálculo do que se considera renda e do que se considera lucro para fins de aplicação das alíquotas constantes da normas de tributação do IRPJ e da CSLL, respectivamente. Vejase que, nesse contexto, o aplicador da norma tributária ocupase com a realidade, com o evento ocorrido no mundo real e que, transcrito em linguagem jurídica competente, permite a formação da norma individual e concreta de tributação. É esta, a norma individual e concreta, formada a partir da prescrição hipotética da regra matriz de incidência, que rege a relação jurídico obrigacional. No entanto, para a edição dessa norma individual e concreta, por meio do lançamento, deve haver intrínseca identificação, no plano da concretude, dos elementos hipoteticamente prescritos na norma geral e abstrata. Diante disso, verificase que o aplicador do direito tributário trabalha na estreita vinculação entre o mundo real e o mundo jurídico, pois só existirá a norma jurídica individual e concreta de tributação quando identificado, no plano da realidade, os elementos hipoteticamente descritos na norma de tributação geral e abstrata. Neste diapasão, entender que o aplicador da norma tributária não pode reconhecer a ilegalidade de contratos celebrados entre particulares, em seus efeitos tributários, é dizer que o aplicador da norma tributária não pode verter, em linguagem jurídica tributária, aquilo que identifica no plano da realidade. Ora, se um contrato, um negócio ou um evento qualquer no plano da realidade não puder passar por um crivo de legalidade para ser considerado ou desconsiderado para fins de aplicação da norma geral e abstrata de tributação, a prestação tributária, descrita hipoteticamente no mandamento dessa norma, nunca poderia ser vertida em norma individual e concreta de tributação, ou seja, nunca seria propriamente, uma obrigação. Daí a importância de este Conselho, a partir da jurisprudência construída desde 2006, tomar em consideração a realidade dos negócios para fins de aplicação da norma tributária, principalmente em casos de planejamento tributário; e ter reforçado a aplicação do princípio da realidade na análise dos litígios postos à sua apreciação. É importante, na construção da norma individual e concreta, e principalmente, na função de revisão exercida por Fl. 653DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 12 este Conselho, dessa norma individual e concreta editada por meio do lançamento direto, que o julgador tenha condições de identificar a concretude e licitude dos elementos formadores relação jurídico tributária. Com esses argumentos, entendo que pode, tanto a Administração Tributária, quanto as instância de revisão, verificar a aplicação da norma tributária tomando em consideração a realidade dos negócios e a licitude dos negócios que tenham relevância na composição da obrigação tributária. Neste sentido, acompanhei o voto do eminente Conselheiro José Carlos Passuelo, no julgamento do processo nº 11080.011.905/200330, acórdão 10516929, da 5ª Câmara do extinto 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, em que ficou consignado o entendimento de que, reconhecida a ilegalidade do contrato que originou pagamentos realizados pela contribuinte, referidos pagamentos são considerados indedutíveis para fins de formação da base de cálculo do imposto sobre a renda. Com este fundamentos, entendo ter, este Conselho, competência para analisar, em tese, a legalidade de negócios jurídicos realizados pelos contribuintes que possuam impacto direto na formação da norma individual e concreta de tributação. Imputação de Ilegalidade. Ofensa às Normas de Concorrência. Reconhecida a competência deste Conselho para falar acerca da legalidade dos contratos celebrados entre a Recorrente e as empresas do Grupo AMBEV e do Grupo CocaCola, impõe saberse se existem elementos que permitam dizer, com a certeza exigida pelo direito tributário, que referidas avenças consideramse ilegais. Segundo a imputação constante do TVF, referidos contratos são ilegais, tendo em vista que “de acordo com o Art. 13 da Lei 8.158, de 8 de janeiro de 1991 "Os ajustes, acordos ou convenções, sob qualquer forma manifestados, que possam limitar ou reduzir a concorrência entre empresas, somente serão considerados validos desde que, dentro do prazo de trinta dias após sua realização, sejam apresentados para exame e anuência da SNDE (Secretaria Nacional de Direito Econômico)”. No entanto, como bem salientado nas razões de impugnação e de recurso voluntário, o dispositivo legal invocado estava revogado quando da ocorrência dos pagamentos cuja glosa está em discussão, razão pela qual, por si só, não é suficiente para decretar a ilegalidade do pacto e, como conseqüência, a ilegalidade do pagamento. De fato, a lei nº 8.158 foi revogada pela lei nº 8.884/1994, e os pagamentos ora em discussão referemse ao ano calendário 2005. Contudo, a decisão proferida pela DRJ de São Paulo também analisou a questão sob a ótica da lei nº 8.884/94, pelo que, na esteira da verificação da legalidade supra explanada, entendo que também aqui, neste Conselho, a questão deva ser debatida. Segundo a DRJ de São Paulo, referindose às avenças em questão, in verbis: O efeito mais evidente desses contratos é criar um beneficio em termos de custo real mais baixo para as empresas dominantes no mercado, prejudicando as condições de concorrência dos demais fabricantes de refrigerantes c cervejas que utilizam latas de alumínio. Outro efeito importante é criar uma noção distorcida de preço no mercado de laminados de alumínio, fazendoo parecer mais caro do Fl. 654DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003899/200997 Acórdão n.º 1401000.718 S1C4T1 Fl. 7 13 que realmente é (ou pelo menos do que poderia ser), estimulando, dessa forma, a manutenção da barreira tarifária brasileira em nome da preservação da indústria local. Esse duplo efeito remete à necessidade de examinar a legalidade dessas despesas. E, contrapondo os contratos aos termos da lei nº 8.884/94, entendeu a decisão recorrida que “os contratos em tela deveriam ter sido submetidos à aprovação do CADE. No entanto, não há noticia, no processo, de que tal providencia tenha sido tomada. Ao contrário, inferese da cláusula de confidencialidade e do pedido já referido (de que fosse mantido "estrito sigilo, com utilização apenas para os fins específicos da presente fiscalização"), que os contratos não foram submetidos à apreciação do CADE, violando, assim, tanto o interessado como os beneficiários, o art. 54 da Lei n.° 8.884/94”. Em reforço a este entendimento, a Fazenda Nacional argumentou nas contrarrazões apresentadas que “como no caso em questão a recorrente se omitiu em levar os contratos à apreciação do CADE, essa simples conduta já é suficiente para que as autoridades fiscais concluíssem que a despesa deduzida é ilegal, desnecessária e, portanto, indedutível”. Na ótica do direito concorrencial, em especial da lei nº 8.884/94, a questão não é tão simples assim. Segundo o escólio de Isabel Vaz2, “para que se verifique a concorrência, na opinião de Ferreira de Souza, tornase necessária a coexistência de três “identidades”: a) de tempo; b) de objeto; e c) de mercado. No desdobramento dos pressupostos apontados, afirma, quanto ao “tempo”, que deve tratarse de mesma época, pois não se opõem economicamente produtores, comerciais ou industriais de fases distantes entre si. Como a concorrência supõe a possibilidade de uma disputa pela preferência de terceiro, não se verifica o fenômeno, se as pessoas estiverem afastadas no tempo. A identidade do “objeto” deve ser compreendida em sentido relativo, abrangendo não apenas os de espécie idêntica (“concorrência direta”), mas ainda os afins, os que substituem, embora não inteiramente iguais, nem dotados do mesmo grau de utilidade (“concorrência indireta”). Ainda segundo Ferreira de Souza, por mais ampla que se mostre, a capacidade de absorção dos consumidores tem um fim; existe um ponto de saturação, quer em relação à quantidade dos produtos, quer quanto aos preços. (...) O terceiro requisito, a “identidade de mercado”, vem substituindo a idéia de “identidade territorial”. O notável progresso e o aperfeiçoamento dos meios de transporte e de comunicação relativizam distâncias. Na expressiva linguagem de Ferreira de Souza, “as maravilhas da inteligência humana zombam dos pequenos âmbitos territoriais, alargando o conceito de 2 VAZ, Isabel. Direito Econômico da Concorrência. Rio, de Janeiro, Forense, 1993. p. 24/25 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 14 mercado, para o efeito de realização dos negócios e consequente ajustamento dos preços”. Para falar, assim, acerca dos produtos produzidos pela Recorrente e o impacto que os contratos celebrados com as evasadoras possuem na livre concorrência, é necessário atentar para esses três pressupostos, quais sejam, (i) identidade de tempo, (ii) saber quais os mercados de produtos atingidos e (iii) qual o mercado geograficamente relevante que fora impactado com esses contratos. No que toca ao mercado de produtos, necessário frisar que, quanto maior a substitutibilidade do produto, menor é o poder da empresa no cerceamento da concorrência. Demais disso, Isabel Vaz esclarece que “A noção tradicional de concorrência pressupõe uma ação desenvolvida por um grande número de competidores, atuando livremente no mercado de um mesmo produto, de maneira que a oferta e a procura provenham de compradores ou de vendedores cuja igualdade de condições os impeça de influir, de modo permanente ou duradouro, no preço dos bens ou serviços” 3. Em verdade, a proteção da concorrência não é um objetivo em si próprio. O que se pretende proteger é o mercado, com fins à proteção, em última instância, do consumidor final. O que se quer, na proteção da livre concorrência, é que não haja concentração de mercado que permita controle abusivo de preços, com prejuízo do consumidor na aquisição de determinado produto. Esse espírito, trazido no bojo da lei nº 8.884/94, está claro em seu art. 1º, quando diz que “Esta lei dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico”. Assim, os mecanismos de controle da livre concorrência atuam com olhos nos efeitos concretos ou potenciais dos negócios realizados. Nessa esteira, a lei nº 8.884/94 trouxe instrumentos importantes para o balizamento na implementação dos negócios potencialmente ofensivos ou prejudiciais à livre concorrência e afastouse do princípio do ilícito per se, ou do per se condenazione, em que a mera prática do ato potencialmente ofensivo o tornaria ilegal. Na verdade, os órgãos de controle da livre concorrência, SDE – Secretaria de Dsenvolvimento Econômico e CADE – Conselho Administrativo de Direito Econômico, podem se valer de compromissos de cessação da conduta anticoncorrencial, de compromisso de desempenho ou até mesmo de aprovação de atos e negócios condicionadas a medidas que garantam a livre concorrência, sempre levando em consideração elementos do mercado de acesso final do consumidor, balizandoo com os princípios da livre iniciativa, posto que “a intervenção do Estado (...) constitui exceção e adquire caráter supletivo da iniciativa econômica individual4”. Nessa linha de entendimento, a princípio, atos que poderiam por si só serem representativos de restrição da concorrência, podem ser aprovados, ou aprovados com restrições, ressalvas ou compromissos que garantam a livre concorrência (i) em determinado tempo, (ii) em determinado mercado de produtos e/ou (iii) em determinado mercado geográfico. Diante desses elementos constantes da lei nº 8.884/94, e do que consta dos autos, não vejo como possa a Autoridade Fiscal, ou este Conselho Administrativo de Recursos 3 op. cit. p. 27 4 Idem, p. 19 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003899/200997 Acórdão n.º 1401000.718 S1C4T1 Fl. 8 15 Fiscais – CARF, considerar ilegal os contratos celebrados pela Recorrente com as empresas do Grupo AMBEV e do Grupo CocaCola. Isso porque a análise técnica de verificação de ofensa de concorrência em mercado relevante, tanto sob o aspecto de produtos, quando sob o aspecto geográfico, foge muito à capacidade técnica e operacional da Receita Federal do Brasil e deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Há que se ressaltar, em análise dos fundamentos da decisão recorrida que, de fato, parece, a princípio, estarem presentes indícios de que os contratos em referência deveriam ter sido submetidos à análise dos órgãos de defesa da livre concorrência, por aparentarem interferir nos mercado de embalagens de bebidas em nível nacional. Todavia, não existem pressupostos suficientes para dizer, com a certeza necessária, que referidos contratos são ilegais – mesmo porque, como já dito, este Conselho Fiscal não pode aplicar os instrumentos de controle e balizamento próprios da SDE e do CADE. E não se diga, por hipótese, que a mera não apresentação dos contratos para fins de análise perante a SDE e perante o CADE possa caracterizar a ilegalidade pretendida na autuação fiscal, por dois motivos: 1º) a lei nº 8.158, como ressaltado assim, que condicionava a validade dos contratos potencialmente ofensivos à livre concorrência à sua prévia análise pela Secretaria Nacional de Defesa Econômica, foi revogada pela lei nº 8.884/94; 2º) a lei nº 8.884/94 não condiciona a validade dos negócios entabulados entre os atores do mercado à sua apreciação prévia pelo CADE. De fato, segundo o art. 54 da lei nº 8.884/94, exigese que os atos potencialmente lesivos à livre concorrência sejam submetidos à aprovação do CADE, sob pena de aplicação de multas e outras conseqüência. Vejase o dispositivo, in litteris: “Art, 54. Os atos, sob qualquer forma manifestados, que possam limitar ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência, ou resultar na dominação de mercados relevantes de bens ou serviços, deverão ser submetidos à apreciação do CADE. (...) § 4º Os atos de que trata o caput deverão ser apresentados para exame, previamente ou no prazo máximo de quinze dias úteis de sua realização, mediante encaminhamento da respectiva documentação em três vias à SDE, que imediatamente enviará uma via ao CADE e outra à Seae. § 5º A inobservância dos prazos de apresentação previstos no parágrafo anterior será punida com multa pecuniária, de valor não inferior a 60.000 (sessenta mil) Ufir nem superior a 6.000.000 (seis milhões) de Ufir a ser aplicada pelo CADE, sem prejuízo da abertura de processo administrativo, nos termos do art. 32. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 16 Vejase que a redação do art. 54 da lei nº 8.884/94 difere em muito daquela invocada pela Autoridade Fiscal, que condicionava a validade do ato à sua apreciação pela SNDE. Ao contrário, na vigência da lei nº 8.884/94, tendo em vista os instrumentos de razoabilidade e de finalidade, a aplicação da restrição somente ocorrerá quando os efeitos dos atos foram lesivos à livre concorrência com verificação técnica dos mercados por ventura atingidos pelo pacto celebrado entre as partes. Em sequencia, quanto aos efeitos, inclusive para fins fiscais, da implementação dos atos ou contratos não submetidos ao CADE quando devidos, a lei nº 8.884/94 não invalida a avença. Ao contrário, impõe conseqüências que poderão ser impostas por aquele Órgão, a serem suportadas pela empresa desidiosa. Leiase o disposto no § 9º do mesmo art. 54, a saber: § 9º Se os atos especificados neste artigo não forem realizados sob condição suspensiva ou deles já tiverem decorrido efeitos perante terceiros, inclusive de natureza fiscal, o Plenário do CADE, se concluir pela sua não aprovação, determinará as providências cabíveis no sentido de que sejam desconstituídos, total ou parcialmente, seja através de distrato, cisão de sociedade, venda de ativos, cessação parcial de atividades ou qualquer outro ato ou providência que elimine os efeitos nocivos à ordem econômica, independentemente da responsabilidade civil por perdas e danos eventualmente causados a terceiros. É dizer, se o Plenário do CADE, em análise futura, identificar danos à livre concorrência pelos contratos celebrados pela Recorrente, poderá aplicar sanções à empresa, ordenando, inclusive, o distrato compulsório. Não existe, todavia, previsão de invalidação retroativa do contrato, resolvendose, os danos causados, em responsabilização civil dos prejudicados pela medida anticoncorrencial. Noutro norte, temse que a decisão recorrida invocou o art. 20 da lei nº 8.884/94, para dizer que a existência de monopólio na produção e comercialização de lâminas de alumínio detido pela Recorrente estaria tipificado como infração; assim como a contratação celebrada junto às empresas do Grupo AMBEV e do Grupo CocaCola serviria para ocultar o preço real de suas mercadorias, como subterfúgio para manter a proteção comercial na imposição de barreiras tarifárias pelo Governo Brasileiro. Não vejo razão em nenhum dos dois argumentos. De fato, o art. 20 da lei nº 8.884 descreve, como infração à ordem econômica, o domínio de mercado relevante de produtos, in verbis: Art. 20. Constituem infração da ordem econômica, independentemente de culpa, os atos sob qualquer forma manifestados, que tenham por objeto ou possam produzir os seguintes efeitos, ainda que não sejam alcançados: I limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa; II dominar mercado relevante de bens ou serviços; III aumentar arbitrariamente os lucros; Fl. 658DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003899/200997 Acórdão n.º 1401000.718 S1C4T1 Fl. 9 17 IV exercer de forma abusiva posição dominante. No entanto, o § 1º do mesmo artigo diz que “A conquista de mercado resultante de processo natural fundado na maior eficiência de agente econômico em relação a seus competidores não caracteriza o ilícito previsto no inciso II”. E, a princípio, não há notícia nos autos de que alguma outra empresa produtora de lâminas de alumínio tenha sido tolhida de se instalar no país por atos praticados pela Recorrente. No que toca à utilização desses contratos como subterfúgio à manutenção da barreira tarifária para importação de lâminas de alumínio, acredito que referido argumento é totalmente desprovido de fundamento. A uma, referida alegação pressupõe uma ingenuidade dos formatadores da política industrial e comercial brasileira, em não saber qual o preço real e a lucratividade de determinado produto produzido no Brasil, em comparação com os similares de origem estrangeira, para fins de determinação de barreiras tarifárias na importação de referidos produtos. A duas, por existir, no próprio voto recorrido, evidentes provas de que a imposição da sobretaxa pelo Governo Brasileiro na importação de lâminas de alumínio não decorre do desconhecimento desse mercado relevante. Muito ao contrário, está registrado pela DRJ, e também nas contrarrazões da Fazenda Nacional, que houve uma decisão do CADE, no processo em que analisou a compra da Recorrente pela empresa indiana Hindalco, em que se consignou uma recomendação do CADE à Câmara de Comércio Exterior – CACEX e à Secretaria de Acompanhamento Econômico – SEAE, para exclusão da sobretaxa de 12% então existente sobre a importação de lâminas de alumínio. E também se registrou naquelas oportunidades, as divergências entre o CADE e a CACEX no que toca à elaboração da política comercial brasileira. Permissa venia, não cabe a este Conselho imiscuirse em assunto que não é de sua alçada. Por certo a Sra. Presidenta da República é quem detém o poder para ditar a política industrial e comercial brasileira e eventualmente, por mero decreto presidencial, poderá expurgar, reduzir ou aumentar as alíquotas dos tributos incidentes sobre a importação, orientada pelos órgão competentes para a formatação da política industrial e comercial do país. Com estes fundamentos, afasto a imputação de ilegalidade nos contratos celebrados entre a Recorrente e as empresas do Grupo AMBEV e do Grupo Coca Cola. Dedutibilidade das Despesas Incorridas. Operacionalidade das Despesas Superada a questão atinente à legalidade dos contratos celebrados pela Recorrente, dos quais resultaram os pagamentos objeto da glosa, resta saber se referidas despesas podem ser consideradas como operacionais, ou se, contrario sensu, são meras liberalidades. Segundo o art. 299 do RIR/99, são consideradas despesas operacionais aquelas relacionadas ao objeto social da empresa e que tenham por finalidade influenciar no seu resultado. Leiase o dispositivo, in verbis: Fl. 659DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 18 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. . De fato, causa certa estranheza supor que pagamentos a terceiros, com quem a Recorrente não comercializa diretamente, possa caracterizar despesas operacionais. No entanto, o caso em análise é bastante peculiar: tratase de uma empresa que produz insumos em monopólio, que são vendidos para empresas que produzem produtos intermediários, que são, por sua vez, adquiridos pelas empresas produtoras da mercadoria que será vendida ao consumidor final. Tratase de uma industrialização em três etapas, sendo certo que, tendo em vista o monopólio do insumo mantido pela Recorrente, todos os produtos produzidos ao final da cadeia, por quem quer que seja, a princípio originaramse dos insumos que ela produz. Adotandose a lógica inversa da cadeia de produção e consumo, temse que as latinhas de bebidas adquiridas pelos consumidores finais produzidas no Brasil, de qualquer marca, originaramse de empresas envasadoras que, por sua vez, adquiriram as latas das empresas fabricantes de latas, sendo que todas estas empresas fabricantes de latas no país adquiriram lâminas de alumínio da Recorrente. Em resumo, não importa quem envasou as latas de alumínio ou quem fabricou as latas de alumínio: no final do dia, o consumidor final que adquirir bebidas nas latas de alumínio produzidas e envasadas no Brasil o farão a partir das chapas fabricadas pela Recorrente. O esquema apresentado pela Recorrente em sua impugnação é bastante elucidativo: ”. Diante dessa situação fática peculiar, decorrente justamente do monopólio detido pela Recorrente na produção de chapas de alumínio, é possível afirmar que, quando ocorre o aumento do consumo de bebidas em latas de alumínio, ocorre um aumento direto da demanda pela produção das lâminas de alumínio produzidas pela Recorrente. Assim, ao incentivar o consumo de bebidas em latas de alumínio, mediante a outorga de benefícios às Fl. 660DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003899/200997 Acórdão n.º 1401000.718 S1C4T1 Fl. 10 19 empresas envasadoras, com marketing e propaganda do produto em lata, não se está diante de mera liberalidade da Recorrente. Ao contrário, a muito bem pensada estrutura de marketing e promoção do consumo final como forma de aumentar a demanda pela empresa que produz os insumos em monopólio é digna de encômios. Isso porque, apesar de as despesas decorrentes dos contratos ora questionados não serem feitas diretamente às pessoas que adquirem das lâminas de alumínio fabricadas pela Recorrente, produzem um resultado direto na demanda por este insumo e, com isso, aumentam a atividade da empresa e de sua fonte produtora. Por fim, é contraditório pensar que a despesa não atinge os seus objetivos quando a própria Autoridade Fiscal acredita que os efeitos desses contratos ofendem às normas de concorrência, ou seja, efetivamente influem no mercado sobre o qual atua. Diante do exposto, entendo estarem presentes os requisitos suficientes para que as despesas incorridas pela Recorrente nos contratos celebrados com o Grupo AMBEV e com o Grupo CocaCola sejam consideradas operacionais, passível, assim, de dedução da base de formação do imposto de renda. Auto Reflexo e Termo de Constatação para Redução de Prejuízo Fiscal Firmado o entendimento de legalidade e dedutibilidade das despesas incorridas pela Recorrente, entendo que a solução deva ser estendida para o auto de infração de CSLL e para o termo de redução de prejuízo fiscal, com o cancelamento de ambos. Dispositivo Pelo exposto, entendo deva ser rejeitada a preliminar e, no mérito, seja dado provimento integral ao recurso, com o cancelamento dos autos de infração de IRPJ e CSLL, assim como do termo de redução de prejuízo fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 661DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001472/2005-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Período de apuração: 30/09/2000, 31/01/2001 a 30/06/2001, 30/04/2002 a
31/05/2002, 31/10/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. APLICABILIDADE
O benefício da denúncia espontânea aplica-se
aos tributos sujeitos a
lançamento por homologação e liquidados a destempo, antes de declarados
em obrigação acessória.
Numero da decisão: 3302-000.827
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco acompanharam o relator pelas conclusões.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ART. 138 CTN. APLICABILIDADE O benefício da denúncia espontânea aplicase aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e liquidados a destempo, antes de declarados em obrigação acessória. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco acompanharam o relator pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 09/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10925.001472/200524 Acórdão n.º 330200.827 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido. Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurado falta de recolhimento da multa de mora relativa a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 09/2000 a 01/2001, 04/2001 a 06/2001, 08/2001, 04/2002 a 05/2002, 07/2002 e 10/2002, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03 e 04 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de multa isolada perfazendo o total de R$ 148.992,77 (cento e quarenta e oito mil, novecentos e noventa e dois reais e setenta e sete centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts. 43, 44, § 1°, inciso II e 61, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9430/96. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada, a contribuinte protocolou em 09.08.2005, a impugnação de fls. 3242, acompanhada dos documentos de fls. 4386, na qual alega em resumo: Que os tributos em questão (2000, 2001, e 2002) foram recolhidos pela empresa Requerente fora do prazo regulamentar. O fez, no entanto, com acréscimos dos juros e correção, porém, sem a multa de mora, conforme se pode observar das respectivas guias de recolhimentos anexas. Que após efetuados os recolhimentos, a empresa procedeu à entrega das DCTF respectivas, também em anexo. Em 29/06/2004, através de comunicação administrativa, informou a SRF sobre o ocorrido (fls. 1516). Alegou que a denúncia espontânea, inserida no artigo 138 do CTN, traçou uma visão mais coerente e justa para aqueles que, em função da obrigação de recolher impostos e que por uma razão ou outra deixaram de fazêlo, dispõese a corrigir seus erros, em se adiantando à ação do fisco, procuram os órgãos responsáveis denunciando espontaneamente seus débitos, parcelandoos ou quitandoos. Reproduz o art. 138 do CTN e seu parágrafo único e jurisprudência do STJ e dos Tribunais Regionais. Por fim, requereu que a impugnação fosse julgada totalmente procedente e fosse notificada do resultado do julgamento na pessoa dos procuradores que esta subscrevem, no endereço constante do rodapé da página. Levada a julgamento, os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, consideraram procedente em parte o lançamento. Inconformada a Requerente interpôs Recurso Voluntário. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10925.001472/200524 Acórdão n.º 330200.827 S3C3T2 Fl. 3 3 O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da ocorrência da denúncia espontânea No caso, a lide restringese à aplicação dos efeitos da denúncia espontânea, enumerada no artigo 138 do CTN, sobre o recolhimento efetuado pela recorrente dos tributos em questão, referentes aos períodos de 2000 a 2002, com acréscimos dos juros e correção monetárias devidos, em data anterior ao início de qualquer procedimento fiscal. Vale salientar, que a recorrente, primeiramente, efetuou o pagamento dos tributos em questão, para, somente posteriormente, entregar à Delegacia da Receita Federal do Brasil as DCTF´s, respectivas. Tudo isso ocorrendo antes do inicio de qualquer procedimento de fiscalização realizada pela DRF. O artigo 138 deve ser aplicado para a exclusão da multa de mora, não havendo que se falar em distinção entre multa punitiva e multa compensatória. É certo que caso o tributo seja pago em atraso ensejará a aplicação da multa moratória. Todavia, a responsabilidade por essa infração é excluída pela denúncia espontânea, nos termos do referido artigo 138 do CTN. A denúncia espontânea serve para incentivar o contribuinte a denunciar situações em que ocorreram fatos geradores, mas que por algum motivo, foram omitidos da fiscalização. Aliás, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que na aplicação do artigo 138 do CTN não é permitido a distinção entre multa punitiva e moratória, não veiculou qualquer distinção dessa natureza: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA.EXCLUSÃO. 1. O art. 138 do CTN não estabelece distinção entre a multa moratória e a punitiva, de modo que ambas são excluídas pela denúncia espontânea. Precedentes. 2. Recurso Especial não conhecido. (STJ. REsp 922.206. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. D.J 22/08/2008) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (STJ. AGRESP nº 1136372. Rel. Min. Hamilton Carvalhido. D.J. 18/05/2010) No caso concreto a recorrente cumpriu a sua obrigação, pois ao recolher os tributos em atraso o fez com juros e correção monetária devidos, caracterizandose assim a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10925.001472/200524 Acórdão n.º 330200.827 S3C3T2 Fl. 4 4 hipótese de aplicação da denúncia espontânea, devendo ser excluída a sanção pelo atraso no pagamento. Exigir a multa moratória, in casu, seria desconsiderar o motivo pelo qual a denúncia espontânea foi insituída, incentivando o contribuinte por conseguinte a permanecer na indesejada via da impontualidade. Com efeito, uma vez recolhido o tributo sem que houvesse qualquer tipo de instauração de procedimento administrativo por parte das autoridades fiscais, excluise a responsabilidade da recorrente por qualquer infração à legislação tributária, excluindose nessa linha de raciocínio qualquer incidência de multa moratória ou punitiva sobre os valores recolhidos em atraso. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Esse é o conteúdo da Súmula STJ nº 360, com base no RESP 886.462, Min. Teori Zavascki e no RESP 962.379, do mesmo ministro. Assim o dispõe: “SÚMULA Nº 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.” Reiterando, no caso concreto, a recorrente apresentou suas DCTF´s a posteriori, ou seja, não fora regularmente declarada, razão pela qual entendo que não se aplicar a súmula ao caso. Portanto, como a recorrente cumpriu a sua obrigação prevista em lei, consumada pelo pagamento do tributo, e apresentou a obrigação acessória a posteriori, voto por dar provimento à sua pretensão. É como voto. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000354/2005-19
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANUTENÇÃO E REPAROS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57).
Numero da decisão: 1803-001.293
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANUTENÇÃO E REPAROS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANUTENÇÃO E REPAROS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.000354/200519 Acórdão n.º 180301.293 S1TE03 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.000354/200519 Acórdão n.º 180301.293 S1TE03 Fl. 3 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 59verso e 60): Trata o processo de manifestação de inconformidade pela exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, por motivo de exercício de atividade vedada. 2. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples DRF/Ponta Grossa n° 027, emitido em 17/03/2005, às fls. 50/51, excluiu o contribuinte do regime do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2003, por incorrer nas vedações previstas no art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. 3. Intimada do ADE em 23/03/2005, conforme AR de fl. 53, tempestivamente, em 15/04/2005, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 54/55, que se resume a seguir: a. Alega que desenvolve atividade de oficina mecânica de pequeno porte, exclusivamente de prestação de serviço e, em nenhum momento, foram utilizadas, pela empresa, técnicas que dependessem de profissional habilitado, utilizando trabalhos sem nenhuma aptidão técnica, e que as atividades não são enquadradas entre as atribuições específicas dos engenheiros, não utilizando qualquer tipo de equipamento eletrônico; b. Cita decisão judicial e do Conselho de Contribuintes; c. Explica que, em 04/02/2005, através da Informação Fiscal e despacho decisório 073/2005, foi notificado que, através do Ato Declaratório Executivo SRF n° 8, de 18/01/2005, restaram cancelados os ADEs que excluíram do Simples as pessoas jurídicas a que se refere; d. Esclarece que havia entendido, na época, que o processo tinha sido arquivado, e a empresa reenquadrada no Simples, mas que agora recebeu notificação dizendo o contrário; e afirma que não consegue entender tal decisão tomada; e. Justifica que sua atividade mercantil não está vinculada à manutenção eletromecânica, ou seja, alinhamento, balanceamento, suspensão, injeção eletrônica, descarbonização de motor, por se caracterizar prestação de serviço de engenharia, assemelhados e de outras profissões que dependam de habilitação profissional legalmente exigida, simplesmente, sua atividade é exercida por mecânicos, e não por engenheiros mecânicos ou atividades semelhantes, conforme entendimento da 10ª Região Fiscal da SRF, em processo de consulta; f. Requer a improcedência do desenquadramento do Simples. 4. Às fls. 56/57 consta despacho proferido pela DRF/Ponta Grossa, com data de 04/02/2005, determinando o arquivamento do presente processo, em vista da perda do objeto, levando em conta o Ato Declaratório Executivo SRF n° 8, de 18/01/2005, que cancela os ADEs que excluíram do Simples as pessoas jurídicas a que se refere. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.000354/200519 Acórdão n.º 180301.293 S1TE03 Fl. 4 4 5. Novo despacho foi proferido pela DRF/Ponta Grossa, à fl. 58, em 25/04/2005, dando conta de que, apesar do cancelamento do ADE, constatouse, através das notas fiscais juntadas aos autos, a prática de atividade vedada pelo contribuinte. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 59): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SERVIÇO DE REPARAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE MÁQUINAS E APARELHOS AGRÍCOLAS. ATIVIDADE DE ENGENHEIRO. VEDAÇÃO Os serviços de reparação e conservação de máquinas e aparelhos agrícolas, por configuraram atividade de engenheiro, são vedados no Simples. Solicitação Indeferida. 3. Cientificada da referida decisão, a tempo, reitera a Recorrente os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.000354/200519 Acórdão n.º 180301.293 S1TE03 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Em discussão o cabimento, ou não, da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) da atividade de “reparação e conservação de máquinas e aparelhos agrícolas, comerciais, industriais e comércio de peças para máquinas e aparelhos agrícolas, comerciais e industriais” (fls. 8 e 9). 5. Aplicase à espécie a Súmula CARF nº 57, de seguinte teor (grifouse): A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. 6. Afirma a decisão recorrida que, “pelo exame das notas fiscais de fls. 11/43, concluise que os serviços de manutenção e reparação desempenhados pela empresa não estão relacionados a veículos ou máquinas de escritório, nem eletrodomésticos” (fls. 61verso, item 18). 7. Sucede que, por força dos termos da Súmula já citada, de observância obrigatória por todos os Conselheiros deste Colegiado, a não equiparação a serviços profissionais prestados por engenheiros alcança quaisquer máquinas e equipamentos, e não apenas os previstos nos incisos I a V do art. 4º da Lei º 10.964, de 28 de outubro de 2004 (automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; acessórios para veículos automotores; motocicletas, motonetas e bicicletas; máquinas de escritório e de informática; e aparelhos eletrodomésticos, respectivamente). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.000354/200519 Acórdão n.º 180301.293 S1TE03 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10865.003422/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO.
A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, à luz da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico tributária os dirigentes de órgãos públicos como pessoalmente responsáveis por infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.434
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, à luz da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico tributária os dirigentes de órgãos públicos como pessoalmente responsáveis por infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.122.7780, lavrado contra o autuado, em razão da sua condição de gestor do Município de Itapira (SP), no qual foram detectadas infrações à legislação previdenciária, mais precisamente a falta de declaração de todos os fatos geradores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. A base legal para imputação da penalidade ao dirigente foi o art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Inconformado com a decisão de primeira instância, que declarou procedente em parte o lançamento, o autuado recorreu a ao CARF, pugnando pela reforma da decisão da Receita Federal. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003422/200703 Acórdão n.º 2401002.434 S2C4T1 Fl. 356 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 – exclusão das multas aplicadas aos gestores de órgãos públicos com esteio nesse dispositivo A lavratura ocorreu em razão de falta de declaração da totalidade dos fatos geradores ocorridos na Prefeitura Municipal de Itapira (SP). A penalidade foi imputada ao recorrente em razão do que dispunha o art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal responde pessoalmente pela multa aplicada por infração a dispositivos desta lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição.” Ocorre que, o artigo 41 da Lei nº 8.212/91, esteio da pretensão fiscal, ou melhor, da legitimidade passiva do autuado, fora revogado pela Lei nº 11.941/2009, passando a responsabilidade pelo descumprimento da obrigação acessória ser do próprio Órgão Público. Partindo dessa premissa, em decorrência da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, in casu, revogando o dispositivo legal que atribuía à legitimidade passiva do autuado, impõese à aplicação desse novo regramento, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Nessa toada, impende rechaçar a responsabilidade do autuado pelo descumprimento da obrigação acessória objeto da presente autuação, de maneira a decretar a improcedência do auto de infração. Esse entendimento foi pacificado nesse Tribunal Administrativo que editou a seguinte Súmula: Súmula CARF nº 65: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Conclusão Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 358DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004070/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - CSLL Ano-calendário: 2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PESSOA JURÍDICA EM PROCESSO DE FALÊNCIA. A constituição do crédito tributário mediante lançamento é atividade vinculada e obrigatória independente do processo de falência e a exoneração de multas de ofício e juros de mora de pessoas jurídicas em estado falimentar diz respeito à fase de execução, não cabendo ao julgador declará-la indevida quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PESSOA JURÍDICA EM PROCESSO DE FALÊNCIA. A constituição do crédito tributário mediante lançamento é atividade vinculada e obrigatória independente do processo de falência e a exoneração de multas de ofício e juros de mora de pessoas jurídicas em estado falimentar diz respeito à fase de execução, não cabendo ao julgador declarála indevida quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.004070/200821 Acórdão n.º 140201.112 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório MASSA FALIDA DE PROCID INVESTIMENTO, PARTICIPACOES E NEGOCIOS S.A. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo, do auto de infração de fls. 81 a 84, para exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 873.950,94 (oitocentos e setenta e três mil e novecentos e cinqüenta reais e noventa e quatro centavos), relativa ao anocalendário de 2003, além da multa de ofício e dos juros de mora calculados até 31/07/2008. De acordo com a descrição dos fatos, o lançamento foi efetuado sob as seguinte alegação: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL "Insuficiência de recolhimento ou declaração da contribuição social devida, apurada pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal O Termo de Constatação de fls. 74 nos informa que no anocalendário de 2003, conforme se verifica pela DIRPJ o contribuinte apurou Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 9.710.565,96. Assim sendo, teve Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL a pagar, no valor de R$ 873.950,94. Dessa forma, o montante de R$ R$ 873.950,94. acima, será objeto de lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração com fundamento nos arts. 841, incisos I, III e IV do RIR/1999. Cientificada da autuação em 14/08/2008, em 15/09/2008 a interessada protocoliza petição na repartição competente, apresentando, em síntese, as seguintes argumentações: a) "inicialmente, cumpre informar que a Procid Investimentos, Participações e Negócios S/A, teve decretada sua falência em 23/10/2000, nos termos da Lei n.° 11.101/05, processo este que tramita perante o Douto Juízo da 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo, sob n.° 583.00.2005.1192851"; b) "desta forma, estando a ora Impugnante sob a égide da Lei n.° 11.101/05 deve o presente crédito apurado e exarado no Auto de Infração ora impugnado, respeitar todo o procedimento codificado em Lei Especial, pois, o estado falimentar é um estado de direito, vale dizer, só existe quando declarado no devido processo regulado por lei especial"; c) "o primeiro ponto a ser enfrentado versa quanto à aplicação de multa em face dos débitos da Massa Falida, o que não deve, e nem se espera, prosperar no Fl. 217DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.004070/200821 Acórdão n.º 140201.112 S1C4T2 Fl. 0 3 presente procedimento, como é o entendimento da mais pura doutrina e jurisprudência"; d) "trazendo ao PAF extensa jurisprudência a respeito do tema aqui tratado, conclui que a "multa e os juros são excluídos, não podendo sequer ser cobrados mediante o procedimento da Lei n.° 6.830/80, para que os credores não sejam compelidos ao ônus de arcarem com o prejuízo, gozando de privilégios tão somente o Estado. O mesmo caráter social veio inserido na nova Lei de Falências, a saber, a Lei n.° 11.101/05, que trouxe inclusive novos entendimentos acerca da classificação dos créditos e da recuperação das Empresas"; e) "ainda que se entenda ser devida a multa decorrente de débito tributário, necessário esclarecer que a luz de todo o raciocínio empreendido, ela foi inserida na nova sistemática, dentro da ordem de classificação dos créditos, no inciso VII, da Lei n.° 11.101/05, logo após os créditos quirografarios, em atendimento ao todo exposto, e para que os credores não arcassem com o ônus de suportála ao verem o ativo se dilapidando em atendimento única e exclusivamente ao Estado... É exatamente dentro desta visão que se atribui a preferência ao principal valor do tributo, afastando os juros e a multa, que obtiveram nova classificação dentro da ordem legal, na tentativa de que restem recursos para satisfazer os demais credores, que se encontram após o fisco"; f) "nessa linha, a multa inserida no débito da Massa, lançada de ofício, juntamente com o principal, deve respeitar a ordem instituída pela nova Lei de Falência, caso entendida como devida, o que se menciona apenas por argumentar, pois já se tem decido nos Tribunais Superiores que a multa não pode ser objeto sequer de Execução Fiscal"; g) "no tocante ao Auto de Infração, importante frisar que o tributo sub examine foi lançado como recolhido de forma insuficiente, o que se comprova com a análise do Auto de Infração que ora se junta, no qual consta a seguinte descrição. Vejamos: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO"; h) "frisese que, se estivéssemos diante de um caso de insuficiência de declaração, teria sido efetuada a apuração do valor complementar e efetuado o seu respectivo lançamento, mas o que ocorreu foi o lançamento do valor em sua integralidade, como se comprova da análise da página 16, ficha 17, da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica de 2004, referente ao ano calendário de 2003, mais precisamente no item 37, a saber, R$ 873.950,94"; i) "nesse sentido, o que se quer deixar claro é o fato de que se houve insuficiência no recolhimento, como reconhecido pela administração pública, nos leva a crer que urna parte do valor foi devidamente quitada, o que deve ser apurado. Assim o Auto de Infração lavrado e o lançamento ora efetuado, no mínimo, deve ser anulado e revisto, por terem temerários os valores nele contido, o que desde já se requer"; j) "ante o exposto, e por todos os fundamentos fáticos, jurídicos e legais aplicáveis, requer a Impugnante, respeitosamente, seja o Auto de Infração sob trato julgado totalmente improcedente, com sua conseqüente anulação e arquivamento, uma vez que restou demonstrado na presente Impugnação que devem ser afastadas multas e/ou penas pecuniárias de qualquer espécie, bem como juros, nos débitos da Massa Liquidando, nos moldes de toda a matéria ventilada, tomandose todos os fatos como impugnados devendo os valores atribuídos a título de insuficiência sejam verificados e retificados, por ser medida legal e de justiça". Fl. 218DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.004070/200821 Acórdão n.º 140201.112 S1C4T2 Fl. 0 4 A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO.Verificandose que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente, e em consonância com a legislação vigente, descabe argüir sua nulidade. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PESSOA JURÍDICA EM PROCESSO DE FALÊNCIA. A constituição do crédito tributário mediante lançamento é atividade vinculada e obrigatória independente do processo de falência e a exoneração de multas de ofício e juros de mora de pessoas jurídicas em estado falimentar diz respeito à fase de execução, não cabendo ao julgador declarála indevida quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta os fundamentos da decisão recorrida e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): “(...) (...) Fl. 219DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.004070/200821 Acórdão n.º 140201.112 S1C4T2 Fl. 0 5 (...) É o relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.004070/200821 Acórdão n.º 140201.112 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Como já relatado, o presente lançamento decorreu da falta de recolhimento ou declaração da CSLL devida no anocalendário de 2003, apurada pelo confronto dos dados escriturados e informados em DIPJ com os dados declarados e recolhimentos efetuados. A infração em si, não é está em litígio, apenas a multa de oficio e juros de mora. Isso porque em 2005 foi decretada a falência da empresa e o lançamento ocorreu apenas em 2008. A recorrente reitera a alegação de que os juros de mora não podem mais incidir após a falência e a multa de ofício também deve ser cancelada em razão dessa. Conforme asseverado na decisão recorrida, a manutenção ou exoneração de multas e juros aplicados a empresas em processo de falência, diz respeito à fase de execução, e cingese ao âmbito do processo falimentar, não alcançando o processo administrativo ou afetando a prerrogativa da Fazenda de constituir o crédito tributário mediante lançamento. (...) A Lei 11.101/2005, que atualmente regula os processos de falência, com referência às multas tributária, apenas as classifica em ordem inferior às demais obrigações tributárias, inexistindo qualquer impedimento legal à sua aplicação, conforme dispõe o seu art. 83, incisos III e VII (...). Em síntese: não há amparo legal para excluir os encargos de multa e juros no caso de falência, nesse sentido já decidiu este Conselho, a exemplo dos seguintes acórdãos: Acórdão 10321.848 de 23/02/2005 LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA A questão sobre a exigibilidade ou não da multa de ofício e juros de mora das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada antes da realização da execução. Acórdão 10319.745 de 11/11/1998 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ENCARGOS DA MASSA FALIDA O Decretolei nº 1.893/81 fixa, em seu art. 9º, que os créditos da Fazenda Nacional decorrentes de multa ou penalidades aplicadas até a data da decretação da falência constituem encargos da massa. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.004070/200821 Acórdão n.º 140201.112 S1C4T2 Fl. 0 7 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10120.001595/2001-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS; RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE PRODUTOS NT NA TIPI; E ATUALIZAÇÃO SELIC.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC.
No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso do Sujeito Passivo Provido.
RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PRODUTOS NT NA TIPI.
Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos anotados como NT na TIPI. Todavia, deixa-se de aplicar essa fórmula de cálculo ao caso sob exame posto que seria mais gravosa à recorrente.
Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.881
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS; RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE PRODUTOS NT NA TIPI; E ATUALIZAÇÃO SELIC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso do Sujeito Passivo Provido. RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PRODUTOS NT NA TIPI. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos anotados como NT na TIPI. Todavia, deixase de aplicar essa fórmula de cálculo ao caso sob exame posto que seria mais gravosa à recorrente. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Inconformada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, pugnando pela inclusão, na base de cálculo da Receita Operacional Bruta, do valor referente à exportação de produtos anotados na TIPI como NT. O recurso foi admitido, nos termos do despacho de fls. 212/213. Cientificado do acórdão e, também, do despacho de admissibilidade do recurso da Fazenda Nacional, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões ao apelo fazendário, e, também, recurso especial, onde defendeu a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das matériasprimas adquiridas de pessoas físicas. Pugnou, também, pela atualização Selic dos créditos a ressarcir Por meio do despacho de fl. 378 o recurso do sujeito Passivo foi conhecido. Contrarrazões a esse recurso vieram às fls. 381 a 395. É o relatório. Voto Fl. 421DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.001595/200105 Acórdão n.º 930301.881 CSRFT3 Fl. 398 3 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Inicialmente, passo a examinar o recurso da Fazenda Nacional, que é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. A teor do relatado, o inconformismo da Fazenda Nacional diz respeito à inclusão no cálculo da Receita Operacional Bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos NT na TIPI. Antes de adentrarse nas questões trazidas a debate, fazse necessário breve esclarecimento sobre o cálculo do crédito presumido e seus estágios: primeiro, cotejase a receita de exportação com a operacional bruta para se encontrar o coeficiente a ser aplicado sobre as aquisições dos insumos; segundo, apurase o total das compras de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) utilizados no processo de industrialização do produtor exportador. Nesse total não se incluem, obviamente, os produtos que sem qualquer industrialização efetuada pelo adquirente, são revendidos no mercado interno ou são exportados para o exterior. Do total das compras de insumos, são excluídos aqueles que não geram direito ao crédito presumido, tais como os que não se caracterizam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. Devem ainda ser excluídos os valores correspondentes às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos NT na TIPI, de produtos não acabados e de produtos acabados, mas não vendidos em estoque no último trimestre do ano ou no último que houve exportação. Feitas as exclusões, sobre o valor restante aplicase o citado coeficiente para se chegar às aquisições incentivadas, que são a base de cálculo do crédito presumido. Para se chegar ao valor do crédito presumido a ressarcir, aplicase sobre essas aquisições incentivadas o percentual de 5,37%. No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos não tributados pelo IPI, por serem NT na TIPI, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor Fl. 422DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados (NT na TIPI) devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Aliás, essa foi a decisão do Colegiado recorrido: excluir esses valores tanto da receita de exportação quanto da operacional bruta, o que, a meu ver, não seria a melhor solução, mas, mesmo assim, é melhor do que excluir de uma e deixar em outra, como pretende a recorrente. Repare que se prevalecesse a posição da Fazenda Nacional, haveria a distorção do índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições. Assim, não se deve admitir que tais valores constem apenas de uma das receitas, quer da de exportação, quer da operacional bruta. No primeiro caso, a distorção seria favorável ao sujeito passivo, no segundo, à Fazenda Nacional. Como dito anteriormente, o mais correto seria acrescentar o valor das vendas para o exterior desses produtos NT no cálculo da receita de exportação e, também, no da receita operacional bruta, ao invés de excluir de ambas, como fez a decisão recorrida. Todavia, essa providência acarretaria prejuízo à Fazenda Nacional em relação ao que foi decidido no acórdão recorrido, situação incompatível com o princípio do non reformatio in pejus. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem utilizados na produção dessas mercadorias que são exportadas. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. Diante do exposto, devese negar provimento ao apelo fazendário. Julgado o apelo da fazenda Nacional, passase de imediato ao recurso do Sujeito Passivo. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.001595/200105 Acórdão n.º 930301.881 CSRFT3 Fl. 399 5 O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele se deve conhecer. A teor do relatado, as questões veiculadas no especial do sob exame versam sobre a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das matériasprimas adquiridas de pessoas físicas, e, também, sobre a atualização monetária do crédito a ressarcir. Nessas matérias, o meu entendimento é no sentido contrário à pretensão do sujeito passivo. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, ressalvo meu entendimento em contrário, explicitado em inúmeros votos neste Colegiado, e, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às matériasprimas adquiridas junto a pessoas físicas, e a atualização dos créditos a ressarcir pela variação da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo; e de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 425DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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