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Numero do processo: 26515.400027/87-26
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IAA - CONTRIBUIÇÃO E ADICIONAL. A falta de recolhimento da contribuição e do seu adicional implica a exigência dos acréscimos legais, inclusive da multa de 50%. Reincidência caracterizada. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-04944
Nome do relator: Sebastião Borges Taquary
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Recorrida : SUPERINTENDENCIA REGIONAL DO IAA - SP IAA - CONTRIBUICÂO E ADICIONAL. A falta de recolhimento da contribuiçâo e do seu adicional implica a exigência dos acréscimos legais, inclusive da multa de 50%. Reincidência caracterizada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso inter posto por AGRO INDUSTRIAL SANTA LAURA SIA. • ACORDAM os Membros da Segunda Cámara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das S -s r. .s, em 28 ; e abril de 1992. • .007/ HELVIs 4'0V r BO BAR LOS - P esidente Wfi-o -lator JOSE C-R OS eir - M rDA LEMOS - Procurador-Repre- sentante da Fa- zenda Nacional VISTA EM SESSAO DE 22 MA 1992 Partici param, ainda, do presente Julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, OSCAR LUIS DE MORAIS, ROSALVO VITAL GONZAGA SANTOS (Suplente), ACaCIA DE LOURDES RODRIGUES, RUBENS MALTA DE SOUZA CAMPOS FILHO e ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO. HR/mias/HR t MINISTBRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 26.515-400.027/87-26 Recurso Na' 84.430 Ac6rdão algi g 202-04.944 Recorrente' AGRO INDUSTRIAL SANTA LAURA S/A • RELATOR IO Conforme consta das Notificacries e do Termo de Verifica gão de 06.08.87 (fls. 02 e 03), a ora Recorrente deixou de recolher a contribuição e o adicional incidente sobre a sarda dos seus produtos ali descritos, referentes à safra de 1987, e no per rodo de lo a 31.07.87. • A Notificada defendeu-se, pela Impugnação de fls. 4/7, que foi replicada pela Informa gão Fiscal de fls. 10/11, que é, também, a minuta da decisão de to Grau. • A Decisão Singular (fls. 12) Julgou procedente a Ação Fiscal e manteve a exigéncia, impondo a multa de 50%, considerando a Notificada não-reincidente, além do p rinci pale os acréscimos de Juros e correção monetária, tudo nos termos do art. 4o e parágrafos 142 do Decreto na 62.388, de 12.03.68" art. 11 c/c o art. 12 da Resolução na 2.005/68. do Conselho Deliberativo do Instituto do Açdcar e do Alcool, e arts. 4o, 6a e 11, do Dec.-Lei no 308/67. Depois de intimada no prazo legal, a Notificada inter p hs, contra essa decisão de 1.9 grau, o Recurso Voluntário de • ...h Serviço Pdblico Federal Processo noa 26.515-400.027/87-26 Acdrdão no: 202-04.944 fls. 16/19, onde reeditou as razOes da defesa e enfatizou, em stntese que a decisão recorrida viola a Constituição Federal e nega vigéncia à letra da lei federal, a par de ser absurda a exigéncia das contribuicaes constantes da peça notificatdria, com os acréscimos ali indicados e confirmados na decisão de ia grau. E o relatdrto. • 3 , - • Serviço Póblico Federal Processo na; 26.515-400.027/87-26 Acdrdão ng; 202-04.944 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEBASTIÁO BORGES TAQUARY A hipótese, ora em exame, encontra indmeros precedentes em ambas as Cámaras do 2.12 Conselho de Contribuintes, dos quais são exemp los estes Acórdãos; 202-03.863, de 09.11.90; 202-02.405, de 28.04.891 202-02.403, de 28.04.89; 201-65.648, de 22.09.89; 201-65.801, de 10.11.89 e 201-65.825, de 12.12.69. • Trata-se de não-recolhimento de contribuição e adicional, com seus acréscimos legais, devidos ao IAA. Os fatos ensejadores do lançamento foram comprovados e a exigência conforma-se com a legislação pertinente. Isto posto e por tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para confirmar a decisão de 10 grau, por seus judiciosos fundamentos. Sala das Sess6es, em 28 de abril de 1992. ? /..44-evn BASTI O ‘428 TAS AR 4
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008080/2005-97
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98, DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA E DOS JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC.
Recurso voluntário desprovido da identificação da matéria fática combatida. O auto de infração foi lavrado com base nos registros contidos no livro fiscal de registro das vendas realizadas, devendo ser mantida a autuação por ausência de resistência específica e de comprovação da tributação de receita diversa da receita bruta.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
É defeso à autoridade administrativa afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-17458
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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Segundo Conselho de Contribuintes 4%N..1fAr 29 i.p ile' *00 NO 0.0. U. . Processo n2 : 19647.00808012005-97 J23:. Recurso n2 : 134.665 C Acórdão n2 : 202-17.458 C Rubrica CP".-- Recorrente : DESTILARIA PAI LTDA. Recorrida : DRJ em Recife - PE • NORMAS PROCESSUAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 32 DA LEI N2 9.718/98, DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA E DOS JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. Recurso voluntário desprovido da identificação da matéria fática combatida. O auto de infração foi lavrado com base nos registros contidos no livro fiscal de registro das vendas realizadas, devendo ser mantida a autuação por ausência de resistência específica e de comprovação da tributação de receita diversa da receita bruta. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. É defeso à autoridade administrativa afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário. Recurso negado. _ - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DESTILARIA PAL LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimid . • • de votos, em negar provimento ao recurso. Sala • ás Sessões, e Ode outubro de 2006. An onio Carlos Atulim Presidente SEGURO° CONSELHO DE CONTR:EUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasilia. c13 11 1 Ofo Mana Cristina Roza da sta Ivana Cláudia Silva Castro Relatora ‘Ivt 92136 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Simone Dias Musa (Suplente), Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. ..0=St,"; 20 CC-MF = Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes RIF srauroo CONSELHO DE C ONTRIBUNTES ,.11%•,•71,:W^ CONFERE COM O ORIGNAL Processo n2 : 19647.008080/2005-97 Brasilia t" Recurso n2 : 134.665 Acórdão n2 : 202-17.458 jvaiia Cláuiln Silva Castro MA ',lupe 92136 Recorrente : DESTILARIA PAL LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão proferida pela 2 2 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE. Por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03 a 05 do presente processo, para exigência do crédito tributário referente aos períodos de janeiro a abril e junho a dezembro de 2003, adiante especificado: (tabela não reproduzida) De acordo com o autuante, o referido Auto é decorrente da falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, conforme descrito às fls. 04/05 e no Termo de Verificação Fiscal de fls. 32/37. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou, através de seu procurador, instrumento à fl. 135, a impugnação de fls. 90 a 108, à qual anexou as fls. 109 a 143, onde requer a insubsistência do referido Auto de Infração, por alegar, em síntese: - o Auto de Infração combatido arrima-se centralmente no art. 10 do Decreto n° 4.524/2002, o qual extrai o fundamento dos artigos 2°e 3° da Lei n°9.718/1998. Ocorre que o art. 3° da Lei n° 9.718/1998 padece de manifesta inconstitucionalidade material que já vem sendo reconhecida reiteradamente pelos Tribunais Pátrios; - sobre o questionturzento da constitucionalidaele da multa aplicada, entendendo-a ilegaL confiscatória, em flagrante desrespeito aos princípios constitucionais; - sobre o questionamento da constitucionalidade da aplicação de juros de mora à taxa - SELIC nas relações tributárias,- entendendo-os inconstitucionais. Em sua defesa, são inseridos textos da legislação, da doutrina e da jurisprudência, sobre o assunto abordado." Apreciando as razões postas na impugnação, a Turma Julgadora proferiu decisão, resumida na seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 30/0412003, 01/06/2003 a 31/12/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscaL EXIGÊNCIA LEGAL CONTRIBUIÇÃO E ACRÉSCIMOS LEGAIS. A COFINS e os acréscimos legais exigidos no Auto de Infração estão previstos nas normas válidas e vigentes à época da constituição do respectivo crédito triburáK, P1ãC 2 • Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 20 CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COTIA O ORIGINAL Fl. Brasilia. 0/3 i I -1---°k- Processo n2 : 19647.008080/2005-97 Recurso n2 : 134.665 Ivana Cliudia Silva Castro. Acórdão n2 : 202-17.458 NhI. Siape 92136 havendo como imputar o caráter confiscatório aos valores calculados de conformidade com a legislação regente da espécie. INCONS7TTUCIONALIDADE DAS LEIS. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negar-lhe execução. Lançamento Procedente". A decisão recorrida esta especada nos seguintes fundamentos: 1. quanto à alegação de nulidade: "A autuação foi procedida conforme as formalidades legais exigidas, com ênfase no cumprimento do disposto no decreto citado e suas alterações posteriores, norteadores do Processo Administrativo Fiscal. Do ponto de vista formal, pois, está revestido das condições de legalidade, o presente processo"; 2. quanto à apreciação de inconstitucionalidade de lei pelo julgador administrativo: "as alegações acerca da inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, urna vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional"; _ _ _ 3. quanto à multa de ofício: "a autuada deixou de recolher a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, incidindo, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n.° 9.430/1996, a multa de 75To"; 4. quanto aos juros de mora: "No que tange à exigência de juros de mora, os cálculos nos percentuais constantes à fl. 07, incidentes sobre o valor da respectiva contribuição mensal, estão de acordo com o que estabelece o art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996, devidamente configurado às fls. 07/08, correspondente ao percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia .- SELIC, para títulos federais acumulada mensalmente". A empresa foi intimada a conhecer da decisão em 31/01/2006, contra a qual se insurgiu em 24102/2006, apresentando recurso voluntário a este Egrégio Conselho de CoWnbumtes, com as seguintes razoes dCdissentir: a) inconstitucionalidade do art. 32 da Lei n2 9.718/98 declarada pelo STF, vinculante para os órgãos administrativos e não apreciada pela decisão recorrida; b) expende logo arrazoado acerca da referida declaração de inconstitucionalidade, do que chama de alargamento da base de cálculo da Cofins; c) reporta-se à inconstitucionalidade da multa aplicada, em razão de seu caráter confiscatório, bem como a possibilidade de apreciação, pela Administração, da inconstitucionalidade de atos normativos; e d) defende a inaplicação, por inconstitucionalidade, de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Ao fim, requer a reforma do Acórdão recorrido, dando provimento ao recurso, reconhecendo a improcedência da autuação fiscal. é" \ 3 Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I 2àCC-MF Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Fl ',‘ 75.4. Brasília. 923 / 1 / / atz, Processo n2 : 19647.008080/2005 -97 41...- Recurso n 134.665 Nana Cláudia Silva Castro Acórdão n2 : 202-17.458 Mal. Sia pe 92 Ilô A autoridade preparadora informa, à fl. 196, a efetivação do anojamento de bens para fins de garantir a instância recursal. É o relatório. 4 zirt-sfr• ir% " 22 CC-MF •.-•,,cy,e, Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES R. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGNAL N.-4.4-rAor 073 II Processo n2 : 19647.008080/2005-97 Brasília. I Recurso n2 : 134.665 Acórdão n2 : 202 -17.458 Ivana Cláudia Silva Castro Mat t>iape 921 +6 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA O recurso voluntário atende aos requisitos legais exigidos para sua admissibilidade e conhecimento. •As matérias que deram origem à lide são as seguintes: 1. inconstitucionalidade do art. 32 da Lei n2 9.718/98 declarada pelo STF; 2. inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada, por confiscatória; e 3. inconstitucionalidade dos juros de mora apurados com base na taxa Selic. Primeiramente, antes de adentrar ao mérito, deve ser corrigida a informação contida na capa dos autos acerca da existência de processo fiscal relativo à representação fiscal para fins penais. Ocorre que o referido processo - n 2 19647.008081/2005-31 - está vinculado ao Processo n2 19647.008079/2005-62, concernente ao auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - ERPJ, inexistindo nestes autos qualquer referência que o vincule à referida representação fiscal. Quanto ao mérito, - a recorrente expendeu extenso arrazoado acerca da constitucionalidade e validade jurídica dos atos normativos que embasam a autuação. Entretanto, nada elucida no sentido de demonstrar, apontar quais os valores não estão insertos no seu faturamento ou receita bruta, apropriados pela Fiscalização à base de cálculo, uma vez que no Termo de Verificação Fiscal está explícito que oS Valores que compõem a base de cálculo apurada referem-se às receitas de vendas e foram retirados do livro de Registro de Apuração do ICMS. Constata-se, também, que nos meses de janeiro a junho de 2003 os valores apurados como declarados pela recorrente, com exceção dos meses de fevereiro e abril, referem- - - se-à base de cálculo idêntica ao-vahm rotãtdanaídáS-eietitifradis—ricifefid-o- liVi-b-d-ilfegisixo de Apuração do ICMS. Esse livro fiscal se constitui, exatamente, no registro das receitas de vendas •auferidas por qualquer empresa comercial ou industrial não sujeita ao IPI. À mingua de identificação pelo recorrente de quais valores apropriados na base de cálculo referem-se a valores estranhos à receita de vendas, não acato o argumento de defesa. Quanto à inconstitucionalidade da multa de ofício e dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, não há reparos a fazer no acórdão recorrido. De fato, constatado pela autoridade fiscal o descumprimento de obrigação tributária, esta, na sua atribuição/obrigação legal de zelar pela arrecadação dos tributos, tem o dever legal de exigir o crédito tributário acrescido da penalidade cabível prevista em lei. -) 2° CC-MF Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL - Brasiha. a 3 J I 4:4° Processo n2 : 19647.00808012005-97 Recurso n2 : 134.665 Ivana Cl:ui:lia Silva Castro Acórdão n2 : 202-17.458 Nei. Slave "2116 Assim sendo, no caso em tela a aplicação da multa de 75%, prevista no arti go 42, inciso I, da Lei n2 8.218, de 29 de agosto de 1991, c/c o artigo 44, inciso I, da Lei n 2 9.430, de 1996, e artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, é plenamente legítima. Não cabe à autoridade lançadora qualquer discricionariedade relativa à aplicação da multa de ofício. Apresentou ainda a autuada, em sua defesa, arrazoado sobre a impossibilidade da utilização da Selic como taxa de juros moratórios incidentes sobre débitos de natureza fiscal, em face de sua evidente inconstitucionalidade. A utilização da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para Títulos Federais - Selic como parâmetro de juros moratórios se deu por força do art. 13 da Lei n 2 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 32, da Lei n2 9.430, de 1996. Ressalte-se que a aplicação dos juros de mora calculados pela taxa Selic especa-se no Código Tributário Nacional, recepcionado pela Constituição vigente, que outorga à lei a • faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, estabelecendo em seu artigo 161, § 1 2, que os juros serão calculados à taxa de 1%, se outra não for fixada em lei. Trata-se, pois, de prerrogativa atribuída ao legislador ordinário, que, através da Medida Provisória n2 1.542, de 18/12/1996, e reedições posteriores, estabeleceu a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, como sendo a taxa de juros de mora a ser aplicada tanto nos débitos quanto nos créditos devidos e havidos pela União. Entendo que não cabe reparo ao lançamento, tendo em vista não poder o julgador administrativo negar vigência e eficácia a ato legislativo regularmente promulgado, sendo este entendimento assente na doutrina e na jurisprudência, por mais que diversamente entenda a recorrente. Com essas considerações, e à mingua de carreamento de provas aos autos que infirmassem o lançamento de ofício resistido, voto por negar provimento ao recurso voluntário. SalidSSeTgieS, em 20 de outubid de-2006-. oci,.,1 ç, J4-/ N(ARIA CRISTINA RO DA COSTA ó \\.? 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Numero do processo: 13642.000529/2008-85
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95.
É de se reconhecer a força probante de recibos e declarações, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas às exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$15.000,00 (quinze mil reais), nos termos do voto da relatora. Vencido o(s) Conselheiro(s) Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:24/4/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausência momentânea: JACI DE ASSIS JUNIOR
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95. É de se reconhecer a força probante de recibos e declarações, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas às exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$15.000,00 (quinze mil reais), nos termos do voto da relatora. Vencido o(s) Conselheiro(s) Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso que davam provimento. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:24/4/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausência momentânea: JACI DE ASSIS JUNIOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 00 05 29 /2 00 8- 85 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os autos sobre Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 14/16 na qual se exige R$ 9.876,34 de imposto suplementar, R$ 7.407,25 de multa de ofício de 75%, e acréscimos legais decorrentes da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2005, ano calendário de 2004, em face de glosa de despesas médicas, no montante de R$ 35.000,00 conforme descrição de fl.10 e omissão de rendimentos no valor de R$913,99, conforme DIRF entregue pela Fundação Ezequiel Dias. Apresentada Impugnação de fls. 1/13, acompanhada dos documentos de fls.19/25, na qual o contribuinte acata a omissão de rendimentos e contesta a glosa das despesas médicas, a ação fiscal foi julgada procedente, sob o fundamento de que se deve manter a glosa do valor de R$ 35.000,00, vez que a documentação ofertada pelo contribuinte para a comprovação das despesas médicas, não estavam acompanhadas da comprovação da assunção do efetivo encargo financeiro, pela confirmação do respectivo trânsito financeiro por meio de saques bancários coincidentes com as quantias glosadas. Nas razões de Voluntário (fls. 147/158), o Recorrente argumenta que as despesas médicas informadas na declaração de ajuste anual – ano calendário 2004, tendo como beneficiários os profissionais: Vânia Dulce Leão e Elaine Viana se referem a serviços prestados pelos profissionais, conforme os recibos e declarações e laudos firmados pelos profissionais e já anteriormente apresentados. Ressalta que conforme a legislação em vigor, o recibo é uma prova de boafé do contribuinte, até que a fiscalização prove em contrário. Assevera que no presente caso o fisco não produziu provas contra o contribuinte, mas apenas ignorou a documentação por ele apresentada. Destaca que na legislação vigente, não existe OBRIGATORIEDADE de o contribuinte efetuar pagamentos em cheques, ou, ainda que o faça em espécie, seja obrigado a retirar valor compatível (idêntico) junto à rede bancária. Realça que o fisco solicitou os comprovantes relativos aos pagamentos de despesas médicas, os quais foram prontamente por ele apresentados. Após a apresentação cabe a fiscalização aceitar os comprovantes como válidos ou comprovar que os documentos não são válidos, ou que são inidôneos. Era o essencial a ser relatado Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação na falta de comprovação do efetivo dispêndio. Verificase que a autoridade fiscal intimou o contribuinte para apresentar documentação comprobatória da prestação dos serviços médicos declarados com indicação do efetivo dispêndio por meio de documentação bancária. Na fundamentação do lançamento, não se aponta qualquer vício nos comprovantes de pagamento trazidos aos autos, limitando se a autoridade a afirmar que o contribuinte não logrou apresentar os comprovantes dos efetivos pagamentos. Em primeira instância o lançamento foi mantido sob o fundamento de que apesar de toda a contestação do contribuinte contra a exigência fiscal para a apresentação de documentos subsidiários aos recibos, ele apresentou à Fiscalização os extratos bancários de fls. 94/126, os quais foram objeto de análise por parte da autoridade lançadora. Segundo consta à Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13642.000529/200885 Acórdão n.º 2802002.272 S2TE02 Fl. 597 3 fl. 15, a autoridade lançadora verificou nos extratos bancários não haver saques efetuados compatíveis em data e valor com os recibos apresentados. Em primeira instância, foi apontado, como irregularidade nos recibos de fls. 70/75, a falta de identificação dos beneficiários dos tratamentos. A princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito/dever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e a prestação do serviço, na esteira do comando legal do §3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 1943 A dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. O ponto de partida é a imputação feita no lançamento, se nele não há apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, nem qualquer objeção quanto aos requisitos formais destes documentos, não há elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. O artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Ora, se o contribuinte não apresentasse qualquer comprovação ou justificativa para as deduções questionadas, dúvida não haveria em manterse o lançamento, mas, tendo apresentado comprovantes, fls. 26/39, deveria a fiscalização apontar as razões pelas quais não os acolhe, já que não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Entretanto, para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) As despesas em litígio somam R$35.000,00 e são assim discriminadas: 1. Vânia Dulce Fernandes Leão, R$20.000,00, fls. 70/72; 2. Elaine Viana – R$15.000,00 fls. 73/75/c/c declaração de fls. 25; Assim, cotejando a imputação constante da Notificação de Lançamento, a impugnação, a peça recursal e os documentos trazidos aos autos, especificamente os recibos referentes aos serviços prestados por Elaine Viana – R$15.000,00, 73/75/c/c declaração de fls. 25, com destaque que o importante é que a profissional declara que os serviços foram prestados no ano calendário de 2004, considerase que não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas, tendo em vista que esses preenchem os requisitos do Art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Quanto aos recibos emitidos por Vânia Dulce Fernandes Leão, R$20.000,00, fls. 70/72, eixo de acatar tendo em vista que foi emitido em desacordo com o Art. 8º, III da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995,ou seja, falta de endereço do prestador do serviço. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO EM PARTE, ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$15.000,00 (quinze mil, reais) (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11080.724651/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995, a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-001.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que davam provimento apenas em relação ao recurso dos coobrigados. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que apresenta declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995, a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Recurso Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995, a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que davam provimento apenas em relação ao recurso dos coobrigados. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, que apresenta declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 46 51 /2 01 1- 23 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 478 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Contra o contribuinte em epígrafe foram lavrados autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social s/Lucro Líquido – CSLL (fls. 215 a 230), referentes aos fatos geradores apurados nos anos calendário de 2007 e 2008, pelos quais exigese o crédito tributário no valor total de R$ 4.106.774,32 (discriminado à fl. 214), inclusos os consectários legais até 24/06/2011. As infrações estão assim descritas no auto de infração do IRPJ: 001 – GANHOS E PERDAS DE CAPITAL ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação/baixa de bem do ativo permanente,conforme descrito no Relatório de ação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração, gerando consequentemente redução indevida do lucro sujeito à tributação. 001 – GANHOS DE CAPITAL (A PARTIR DO AC 97) GANHOS DE CAPITAL Valores referente a ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo para fins de incidência do imposto e do adicional, conforme descrito no Relatório de ação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2008 R$ 916.655,01 150,00 31/03/2008 R$ 3.272.805,08 150,00 31/03/2008 R$ 232.546,36 150,00 30/06/2008 R$ 232.546,36 150,00 30/06/2008 R$ 232.546,36 150,00 30/06/2008 R$ 232.546,36 150,00 30/09/2008 R$232.546,36 150,00 30/09/2008 R$ 232.546,36 150,00 30/09/2008 R$ 146.061,40 150,00 Enquadramento Legal Art. 521 do RIR/99. O lançamento da CSLL é decorrente da mesma infração apurada no IRPJ. Enquadramento legal da CSLL: art. 2º e parágrafos, da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96; arts. 28 e 29, inc. II, da Lei nº 9.430/96; art. 37 da Lei nº 10.637/02; art. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 479 3 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. No Relatório de Ação Fiscal produzido (fls. 202 a 210) consta que o ganho de capital é decorrente da venda de ações da Móveis Carraro S.A. (Carraro) para a compradora Todeschini S.A. Indústria e Comércio (Todeschini), o qual deveria ter sido apurado pela fiscalizada e não como foram originalmente reconhecidos nas pessoa físicas dos sócios da empresa. Informam os autuantes que a maioria das ações da Carraro eram de propriedade das pessoas jurídicas (PJs): Gustavo Z Grapiglia Administração e Participações Ltda., TPS Transportes e Participações Sociais Ltda., e Donadel Participações Sociais Ltda.,que somadas, elas detinham 84,61% do capital social total e 86,22% do capital social votante (fl. 115). As operações realizadas que resultaram na transferência das ações da Carraro à Todeschini aconteceram entre setembro de 2007 a janeiro de 2008. Os fatos relatados, em síntese: 04/09/2007: a Todeschini contrata a empresa de auditoria HLB Audilink para análise de Demonstrativo de Estudo de Viabilidade Financeira apresentado pela Carraro com base em balanço de 31/07/2007 (fls. 135/146); 05/10/2007: a Todeschini informa ao mercado que adquiriu a Móveis Carraro S/A, conforme notícias vinculadas na internet (fls. 116/122) e, nessa data, efetua depósito no valor de R$ 13.134.810,00 em conta corrente de um dos vendedores das ações da Móveis Carraro S/A. (fl. 88); 09/10/2007: o Contrato de Compra e Venda de Ações é assinado entre a Todeschini compradora e como vendedores Ademar De Gasperi (sócio da fiscalizada) e Silvino Grapiglia (sócio da Gustavo Z Grapiglia Administração e Participações Ltda (fls. 86/118). Esse contrato estipula que os vendedores se comprometem a transferir as ações que possuem e possuirão no prazo de até 110 dias (cláusula 1.1). Segundo os autuantes, os sócios estão prometendo vender o que não possuem como pessoa física. No contrato de compra e venda também está estipulado que o Sr. Silvino Grapiglia entregaria 6.333.062 ações oriundas de diversas aquisições (fl. 87). Entre essas diversas aquisições estão as ações da PJ Donadel que foram transferidas para seus sócios e destes para o Sr. Silvino apenas em 29/01/2008, conforme cópia do livro registro de ações da Carraro (fls. 130/133). A Donadel é uma pessoa jurídica que entre outras atividades possui a de participações em outras sociedades e cuja administração é exercida por Alsino Donadel e Ladi Sbrissa Donadel. Em 2007 a Donadel tem como sócios Alsino Donadel, com 53,40% do capital social, Ladi Sbrissa Donadel com 45,66% e Teresa Cristina Donadel com 0,93%. O capital social registrado até setembro de 2007 é de R$ 6.902.001,23; 22/01/2008: a PJ Donadel registra alteração contratual datada de 17/01/2008 (fls. 05/07) em que faz uma redução de capital em 74,53%, ou seja, de RS 5.143.909,22 devolvendo recursos aos sócios, dizendo referirse a uma decisão tomada entre os sócios em reunião extraordinária de sócios quotistas de 19/09/2007, publicada no Diário Oficial do Estado em 16/10/2007 (fl 124). A redução de capital com devolução de recursos aos sócios, segundo a ata, é feita de acordo com o previsto no art. 1.082, II do Código Civil (Lei 10.406/02), tendo como justificativa de ele (capital social) é excessivo em relação ao objeto social da sociedade. Segundo os autuantes, o valor final reduzido do capital social e restituído aos sócios de $ Fl. 479DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 480 4 5.143.093,00 corresponde exatamente às ações da Carraro no balanço de dezembro de 2007 a PJ Donadel (fl. 125). 29/01/2008: As ações são transferidas da PJ Donadel para seus sócios no livro competente (fls. 130/131), no entanto a contabilização desse evento só ocorreu em 11/04/2008. Anda no dia 29/01/2008, os sócios Alsino, Ladi e Teresa Cristina transferem suas ações para o Sr. Silvino Grapiglia ( fl. 134) e imediatamente ele transfere todas essas ações que eram da Donadel, junto a outras), para a compradora. Diante da cronologia dos eventos apontados, a fiscalização concluiu que essa transferência das ações da pessoa jurídica Donadel para as pessoas físicas suas sócias mediante devolução de capital a elas apenas com as ações da Carraro foi uma manobra para pagar menos tributo. Registra também que a tributação sobre o ganho de capital na pessoa física é de apenas 15% e feita de forma exclusiva, ou seja, não é somado aos demais rendimentos, enquanto a tributação do ganho de capital na pessoa jurídica é de 15%, com possibilidade de mais um adicional de 10% para o IRPJ e 9% para a CSLL e o ganho de capital é somado ao resultado apurado. Os valores dos ganhos de capital e do IRPJ/CSLL calculados nos regimes de tributação do lucro presumido estão discriminados no relatório fiscal e demonstrativos de apuração dos autos de infração. Os autuantes informam que na apuração do montante do IRPJ devido foram descontados os valores recolhidos a título de imposto de renda em nome das pessoas físicas sócias da fiscalizada. A multa de ofício foi duplicada com base no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Os autuantes consideram que houve fraude e conluio com a simulação dos fatos apresentados. Observam que é mais do que óbvia e clara a intenção de reduzir tributos com simulação do real sujeito passivo da obrigação tributária sobre o ganho de capital. Observam, ainda, que as três pessoas jurídicas que possuíam mais de 80% das ações da Carraro, a Gustavo Z Grapiglia, a Donadel e a TPS, comportaramse da mesma maneira e tiveram o mesmo “modus operandi” no caso da conjunta da mesma ata no Diário Oficial do Estado do RS das atas de reunião extraordinária de sócios quotistas informando redução de capital com devolução de recursos aos sócios com a mesma justificativa legal; b) todas alterações previstas com percentuais superiores ao que efetivamente foi registrado nas alterações sociais; c) todas as devoluções foram única e exclusivamente feita aos sócios das três empresas com as ações da Carraro em poder das pessoas jurídicas; d) as ações devolvidas pelas três empresas aos seus sócios só foram transferidas no livro de registro da Carraro na mesma data de 29/01/2008; e) e, nessa mesma data, todas as ações que eram das empresas que passaram aos seus sócios foram transferidas para os Srs. Silvino Grapiglia e Ademar de Gasperi, lembrando que um era diretor e outro diretor presidente da Carraro; f ) o percentual de redução de capital foi superior ao efetivamente realizado porque quando da data da publicação o patrimônio líquido da Carraro era superior ao que ficou registrado em 31/12/2007 que foi o valor tomado como base para a devolução de capital. Afirmam, também, que houve um conluio entre as três PJs que detinham a maior parte das ações da Carraro, a Gustavo Z Grapiglia, a Donadel e a TPS, para que a tributação do ganho de capital da alienação dessas ações fossem feitas nas pessoas físicas dos sócios quotistas dessas PJs que é menos onerosa que a tributação na pessoa jurídica, e, que todas as três PJs tiveram ações fiscais levadas a efeito com resultados da mesma natureza e relatórios semelhantes. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 481 5 Foram lançados juros de mora com base nos arts. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Foram também lavrados Termos de Sujeição Passiva solidária em nome das pessoas físicas (sócios da fiscalizada) Alsino Donadel, Ladi Sbrissa Donadel,e Teresa Cristina Donadel (fls. 212/217). Segundo a fiscalização, os fatos descritos no relatório de ação fiscal e autos de infração caracterizam a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). II DAS IMPUGNAÇÕES Cientificada da exigência do crédito tributário em 30/06/2011 (fl. 211), a autuada apresenta, em 20/07/2011, a impugnação de fls. 232 a 235, com documentos de fls. 236 a 254, arguindo, em síntese, sob os seguintes títulos, o que segue: Os autos de lançamento são improcedentes. Em que pese os sócios da impugnante saberem da negociação que estava em andamento entre Silvino Grapiglia e Ademar De Gasperi e a Todeschini, porque participaram de uma reunião em 01/09/2007, onde houve a assinatura de um Memorando de Entendimento, não concordaram com os termos da venda das ações que possuíam, razão pela qual não participaram do contrato de compra e venda das ações celebrado em 09/10/2007. O Sr. Alsino Donadel e as Sras. Ladi e Teresa Cristina, pessoas físicas, não poderiam se responsabilizar por atos de gestão na Carraro, bem como garantir qualquer coisa, pois não eram administradores. Chegaram ao ponto de informar que não iram alienar suas ações. Entretanto, dentro da estrita legalidade e sem garantia alguma, a redução do capital social foi realizada, sendo que os sócios Sr. Alsíno Donadel e Sras. Ladi e Teresa Cristina, receberam as ações da Carraro. Não havia qualquer impedimento legal que vedasse a redução do capital social e a devolução das ações, porque: a) a impugnante não participou dos ajustes ocorridos entre Silvino Grapiglia, Ademar De Gasperi e Todeschini, na realização e execução do contrato de 09/10/2007; b) a redução do capital social com reembolso aos sócios, por desnecessário aos objetivos sociais está previsto no art. 1.082, incio II, do CC, tendo sido observados os procedimentos do art. 1.084 do CC para que haja a validade perante terceiros e o arquivamento na Junta Comercial; c) a reunião extraordinária de deliberação e a aprovação da redução do capital social aconteceram em 19/09/2007; e como atos subsequentes (art. 1.084 do CC), a publicação em 16/10/2007, a vacância de no mínimo de 90 dias até ser levado a registro a ata e a alteração contratual; (d) Só após, a importância foi entregue aos sócios, que alienaram as ações a Silvino Grapiglia, conforme contrato particular de compra e venda. Após a redução do capital social aos sócios, com ações, estas não tivessem sido vendidas a Silvino Grapiglia, qual a ilegalidade? Poderiam vendêlas a qualquer pessoa em qualquer tempo. Ainda, se Silvino Grapiglia não dispusesse da Fl. 481DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 482 6 importância contratada, não teria adquirido as ações dos sócios, e mesmo assim a redução e o reembolso seriam legais. Não há ilegalidade neste procedimento. Redução indevida de tributos Alega que não procedem as razões da fiscalização para a tributação na pessoa jurídica autuada. Diz que se há uma norma jurídica tributária em vocatio legis, que não entrou em vigor ainda, o contribuinte é obrigado a ficar aguardando a sua eficácia, podendo agir antes, apenas para pagar mais tributo? Citase como exemplo, as operações financeiras que tem anunciada a majoração de IOF, o contribuinte não pode liquidar antecipadamente a operação financeira e os investimentos, visando afastar a regra tributária? É digno de nota o fato de que, o contrato celebrado entre a Todeschini S.A e os vendedores das ações Ademar De Gasperi e Silvino Grapiglia, era condicional. E estas condições previstas no contrato, estavam de acordo com as regras dos arts. 121 e 125 do Código Civil, e sem efeitos até que fossem concluídas aquelas condições. O Código Tributário Nacional estabelece, também que se considera ocorrido o fato gerador da obrigação tributária e existentes os seus efeitos desde o momento em que esteja definitivamente constituída a situação jurídica, nos termos do direito aplicável (art. 116, inciso II, e art. 117, inciso. I, do CTN). Aquele contrato não estava definitivamente constituído, o fato gerador não havia ocorrido. Mas o que importa é a situação jurídica da impugnante e as ações que possuía como investimento na Carraro. Houve reembolso aos sócios de parte do capital investido, como deliberado e aprovado em reunião extraordinária de 19/09/2007, e foram cumpridos todos os requisitos legais para o reembolso (arts. 1.084 do CC), só após, sem que houvesse impugnação, foram reembolsados os sócios. Após o reembolso, a disponibilidade jurídica (titularidade) das ações passou aos sócios da impugnante, que tinham liberdade de fazer o que melhor lhes aprouvesse com as ações. Esses efetivamente venderam as suas ações a Silvino Grapiglia, posteriormente ao contrato de compra e venda, mas sem qualquer vínculo com a operação de venda das ações da Carraro a Todeschini. Mesmo antes da data do contrato celebrado pela Todeschini S.A com Ademar De Gasperi e Silvino Grapiglia, os sócios poderiam não ter vendido as ações. Mas outorgaram procurações ao Sr. Ademar De Gasperi para representálos na venda das ações, quando em 29.01.2008, foi confirmado que as condições exigidas pelo Sr. Alsino Donadel e pelas Sras. Ladi e Teresa Cristina poderiam ser cumpridas; tanto é verdade que o preço foi pago mediante depósito integral naquela data 29/01/2008. Os elementos constitutivos da obrigação tributária – sujeito passivo – só podem ser verificados no momento da ocorrência do fato gerador. O fato gerador é aquela situação de fato descrita na norma jurídica tributária de incidência. É no momento (critério temporal) da verificação do fato gerador (auferir renda decorrente do ganho de capital) que surge como Fl. 482DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 483 7 consequência o dever jurídico de pagar tributo. E esta consequência só surge para quem auferiu a renda o contribuinte – aquele que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (inciso I do parágrafo único do art. 121 do CTN). Quem aufere renda são aquelas pessoas que detém de forma lícita e legal a titularidade das ações. Só estas pessoas podem compor a relação jurídica tributária, e que se obtiveram renda (art. 43 do CTN), têm o dever jurídico de pagar tributo. No caso, as pessoas físicas não a impugnante. Então, o fundamento legal citado pelos autuantes – art. 521 do RIR/99 – referese à tributação da pessoa jurídica e não da pessoa física. Nulidade por falta de fundamento legal A nulidade do auto de infração deve ser decretada por falta de fundamentação para a imposição tributária, haja vista que o fundamento é da regra de tributação do ganho de capital na pessoa jurídica. E, mais, sem qualquer definição jurídica que permita a imposição do ganho já tributado na pessoa física – contribuinte de fato e de direito. A alegação de que houve manobra para pagar menos tributos sem a devida fundamentação legal não autorizam o fisco a ingressar nas decisões sociais e desconstituir vontades válidas e eficazes apenas sob o argumento de que, o pagamento do ganho de capital na alienação na pessoa física é menor. Informa que se nem o legislador pode alterar institutos, conceitos e formas de direito privado (art. 110 do CTN), é inadmissível que a autoridade administrativa possa simplesmente desconsiderar atos ou negócios jurídicos, para cobrar tributo que em face destes não é devido. Multa de 150% simulação Foi demonstrado que não houve simulação. A redução de capital social da impugnante ocorreu dentro dos exatos termos da lei e dentro da legalidade. Não houve simulação, porque se a venda das ações pelas pessoas físicas não tivesse ocorrido, ainda assim todos os atos que levaram a redução do capital social e a entrega das ações às pessoas físicas não seriam inválidos. A insurgência do Fisco está exclusivamente no fato de que a tributação na pessoa jurídica é maior do que na pessoa física. E para atingir o seu intento, a fiscalização lança mão da legação de fraude e de simulação do real sujeito passivo da obrigação tributária sobre o ganho. Hipótese que não se verifica, pois todos os fatos, cronologicamente verificados, mostram que não havia vínculo com a pessoa jurídica impugnante; não havia fato gerador que impusesse o pagamento diferenciado de tributo, e a alienação das ações da pessoa juridica Donadel aos sócios Alsino, Ladi e Teresa só ocorreu após o cumprimento das disposições do art. 1.084 do CC, sendo que até este momento, o próprio contrato entre aTodeschini, Ademar De Gasperi e Silvino Donadel, não está apto a vincular definitivamente as partes e a produzir os efeitos que lhes seriam próprios. A venda das ações da Carraro, pelas pessoas físicas só se verificou, e nos termos do contrato celebrado com Silvino Grapiglia que foi o adquirente das ações. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 484 8 Pede o afastamento da multa qualificada. Como reforço de argumentação transcreve ementas de acórdãos do CARF sobre a caracterização da simulação. Benefício da dúvida Invoca as disposições do art. 112 do CTN segundo as quais, a lei tributária que define infrações ou comina penalidades interpretase de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; e, quanto à penalidade aplicável ou a sua graduação. Caso não desconstituído integralmente os autos de lançamentos, a regra legal é aplicável ao caso porque, tudo o que a impugnante fez, fez em absoluta observância das leis em vigor. Em nenhum momento escondeu nada do fisco, tanto é verdade que possuía todas as informações necessárias à verificação dos fatos e dos tributos pagos. Razão pela qual, requer a redução da multa de ofício. Requerimentos A impugnante requer que sejam julgados improcedentes os autos de lançamentos do IRPJ e da CSLL; Na hipótese de manutenção dos autos de lançamento requer a redução da multa de ofício, haja vista as disposições do art. 112 do CTN. Também foram apresentadas em 20/07/2011 as reclamações (fls. 255 a 308) contra as imputações de responsabilidades solidárias das pessoas físicas (sócias da fiscalizada) Sr. Alsino Donadel, Ladi Sbrissa Donadel e Teresa Cristina Donadel. Em síntese, estes são os argumentos de defesa, idênticos nas três reclamações: Que é indevida a inclusão das pessoas físicas (sócias da fiscalizada) no pólo passivo da obrigação tributária, porque tem personalidade distinta da pessoa jurídica autuada. O interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal, não se refere a interesse econômico mas sim jurídico. Como reforço de argumentação, cita lições de Paulo de Barros Carvalho e decisão do STJ. Pedem que as razões acima sejam analisadas conjuntamente com as razões apresentadas na impugnação realizada pela pessoa jurídica Donadel Participações Sociais Ltda. Ao final, requerem que seja afastada a solidariedade passiva tributária a eles imputadas e no mérito, a improcedência dos autos de infração do IRPJ e CSLL impugnados. Na hipótese de manutenção das exigências pedem a redução da multa de ofício, haja vista as disposições do art. 112 do CTN. Termos em que pedem e esperam deferimento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – RS prolatou o Acórdão 1035.070 decidindo pela manutenção integral do lançamento bem como da responsabilidade passiva das pessoas físicas, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: Fl. 484DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 485 9 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento. NULIDADE. CAPITULAÇÃO LEGAL. A eventual falha na capitulação legal não causa nulidade se a descrição do fato não impediu a ampla defesa. SIMULAÇÃO. VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS. Os negócios formalizados a título de "planejamento fiscal" não são válidos por si mesmos, devendo sua validade ser verificada à luz da teoria dos fatos jurídicos; e se constatada a presença de simulação, configurada pela divergência entre a vontade manifestada e a vontade real, devem ser desconsiderados. VERDADE MATERIAL. VENDA DE AÇÕES. SIMULAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXOS NA TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL APURADO. Demonstrado que os negócios desenvolvidos possuem aspectos diversos da realidade formal (simulação do real sujeito passivo da obrigação tributária), os ganhos de capital apurados na venda de ações devem ser adicionados às bases de cálculo do lucro real e presumido adotados pela fiscalizada nos períodos de apuração. MULTA QUALIFICADA. EXIGIBILIDADE. Estando configurada a ação dolosa na simulação, para evitar o pagamento do tributo, cabível o agravamento da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal é solidariamente obrigada em relação ao crédito tributário. Impugnação Improcedente Devidamente cientificada, a interessada e os coobrigados apresentaram recursos voluntários a este Colegiado, ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 486 10 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator A autuação originouse da apuração de ganho de capital na alienação da participação societária que a autuada (Donadel) possuía na empresa Móveis Carraro S/A, vendida para a Todeschini S/A Indústria e Comércio. O cerne da questão envolve a desconsideração, pelo Fisco, de duas operações societárias registradas pela Donadel: a redução de capital nela ocorrida pela qual os sócios pessoas físicas receberam a devolução de capital em ações da Móveis Carraro e a posterior alienação dessas ações (pelos sócios pessoas físicas) à Todeschini. No entendimento da Fiscalização, essas duas operações representaram uma manobra com vistas a ocultar a alienação das ações, pertencentes à Donadel, diretamente à Todeschini, e assim pagar menos tributo. A avaliação da operação de redução de capital deve ser feita sob dois enfoques conjuntamente: o cronológico e o motivacional. Quanto ao aspecto temporal, o primeiro fato digno de nota é o contrato feito entre a Todeschini e uma empresa de auditoria em 04/09/2007, com vistas a elaboração de um estudo de viabilidade para a compra da Carraro Móveis S/A . Assim, todos os atos societários e/ou negociais posteriores já levaram em conta esse interesse da Todeschini. Nessa linha, a redução de capital na autuada, deliberada em 19/09/2007, já levava tal fato em consideração. Não é coincidência a ata estabelecer o percentual de redução no valor de 83,56% enquanto o valor efetivamente restituído correspondeu a 74,53%, sem qualquer explicação formal que justificasse a diferença. Isso porque esse percentual corresponde a R$ 5.143.909,22; ou seja, o valor das ações da Móveis Carraro no balanço da autuada menos dividendos a pagar que só foi conhecido em 31/12/2007. Em outras palavras, quando da elaboração da ata ainda não era conhecido o montante representativo das ações da Móveis Carraro no balanço da Donadel. Do exposto, não vislumbrei propósito negocial legítimo que justificasse a redução de capital através da devolução das ações da Móveis Carraro aos sócios pessoas físicas. Entendo que esse procedimento teve como escopo exclusivamente evitar que a alienação das ações à Todeschini fosse registrada na autuada. Correta, destarte, a desconsideração dos efeitos tributários da operação. A inquestionável autonomia na gestão empresarial não é ilimitada, a ponto de legitimar procedimentos que se mostrem voltados exclusivamente à redução artificial da carga tributária. Manifestandose quanto à oponibilidade do Fisco aos atos societários. a eterna Conselheira SANDRA MARIA FARONI, da antiga 1ª Câmara do 1º Conselho, sustentou com precisão (Acórdão 10194.986, Sessão de 19/05/2005): Não se discute que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazêlo de forma a obter maior Fl. 486DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 487 11 economia de tributos possível. Há, todavia, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir artificialmente a carga tributária. O direito do contribuinte de autoorganizar sua vida não é ilimitado. Os direitos de alguns sofrem limitações impostas pelos direitos de outrem. Atuando dentro da lei, o empresário é livre para gerir os seus negócios, mas não para gerir os negócios do Estado. A mais moderna corrente doutrinária entende que a ótica da análise não deve ser sob o ângulo da licitude ou ilicitude (a licitude é requisito prévio), mas sim, da oponibilidade ou inoponibilidade dos seus efeitos ao fisco. O conceito de legalidade a ser observado não tem sentido estrito de corresponder à conduta que esteja de acordo com os preceitos específicos da lei, mas sim um sentido amplo, de conduta que esteja de acordo com o Direito, que abrange, além da lei, os princípios jurídicos.3 Assim, cada caso deve ser analisado com cuidado, para decidir sobre a oponibilidade ao fisco dos negócios formalizados. Dentro dessa ótica, se o negócio lícito, embora inusual, se apoiar em causas reais, em legítimos propósitos negociais, contra ele o Fisco nada pode objetar. Todavia se adotada uma forma de negócio jurídico inusual, sem um real propósito negocial , mas visando apenas reduzir artificialmente a carga tributária, o Fisco a ele pode se opor. Do até aqui exposto, conduzo meu voto no sentido de: negar legitimidade à redução de capital efetuada na interessada, com entrega de ações da Móveis Carraro aos sócios pessoas físicas; desconsiderar a alienação das ações da Móveis Carraro efetuada pelos sócios pessoas físicas à Todeschini S/A; e: entender que a operação efetiva a ser considerada é a venda, pela interessada à Todeschini S/A, da participação societária que detinha na Móveis Carraro S/A Na formalização da exigência a autoridade lançadora utilizou como parâmetro os valores, as datas e as cláusulas de pagamento indicados no contrato de compra e venda das ações formalizado entre as pessoas físicas e a Todeschini. Sobre os valores recebidos estabeleceu uma proporcionalidade em relação ao percentual das ações alienadas que pertenciam à autuada e do tributo apurado deduziu o ganho de capital pago pelas pessoas físicas; conforme explicado em detalhes no Relatório Fiscal. Não houve qualquer argumento de defesa contra a metodologia de cálculo utilizada. A insurgência da autuada dirigiuse contra um susposto equívoco na indicação do fato gerador que, defende, só teria ocorrido em janeiro de 2008, e não na assinatura do contrato (09/10/2007) conforme indicado pela autoridade lançadora, pela existência de condições supensivas a aplicabilidade. Pelo exame do contrato de compra e venda não vislumbrei qualquer cláusula que condicionasse o negócio jurídico a eventos futuros e incertos. O comprometimento dos vendedores em adquirir de terceiros o percentual restante das ações para repassar à Todeschini não inibiria o implemento do contrato, por dois motivos: tratavase de quantidade insignificante (0,16%) em relação ao montante já adquirido e não foi redigida cláusula rescisória condicionada a esse evento. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 488 12 Tanto é assim que o valor original da transação previsto no memorando de entendimento (R$ 105.000.000,00) para aquisição de 100% das ações da Móveis Carraro foi ajustado no contrato (R$ 100.339.200,00) mediante Termo específico, com exclusão do valor correpondente ao percentual não adquirido, justamente para que não houvesse obstáculo à negociação das demais ações. Sendo assim, está correta a indicação dos fatos geradores no auto de infração e a argüição de nulidade deve ser rejeitada. Relativamente à ocorrência da simulação, de acordo com o Relatório Fiscal foi imputada a multa qualificada de 150% porque: “ a fiscalização considera que houve fraude com a simulação dos fatos apresentados”. Mais além o Relatório estabelece: “ Assim sendo também podemos afirmar que houve um conluio entre as três empresas que detinham a maior parte das ações da Móveis Carraro....” Nos termos da legislação de regência, a qualificação da multa é cabível quando ocorrida alguma das hipóteses previstas nos art. 71 a 73, da Lei n 4.502/64. Assim, no que interessa ao presente caso a ocorrência da simulação deve ser avaliada sob o enfoque dos dispositivos mencionados (destaques acrescidos): Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Portanto, de acordo com o Fisco, foi caracterizada a fraude e o conluio. Lembrando que a principal operação a ser analisada é a redução de capital ocorrida na autuada, pela qual as ações da Móveis Carrraro foram restituídas aos sócios pessoas físicas, não foi demonstrado que o capital seria excessivo em relação à sociedade, motivo principal a justificar essa redução. Na verdade, conforme já exposto em momento anterior deste voto a alteração contratual indica flagrante contradição, com registro ao mesmo tempo daquela redução, por excesso de capital em relação ao objeto, e o aumento, pela suposta necessidade de ampliação das atividades sociais. Ficou claro que a redução de capital foi uma operação artificial com o único objetivo de transferir as ações para as pessoas físicas de forma que a alienação posterior à Todeschini, já decidida em momento anterior e de pleno conhecimento dos envolvidos, fosse tributada nessas pessoas físicas em montante inferior àquele decorrente da alienação pela autuada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 489 13 Plenamente caracterizada a fraude pela tentativa de modificar as características essenciais do fato gerador (vendas das ações pela Donadel à Todeschini) através das montagem de outra operação desprovida de lastro motivacional com vista a pagar menos tributo. Interessa notar que todas as pessoas jurídicas que detinham participação societária significativa na Móveis Carraro adotaram a mesma prática, com registro na mesma data e no mesmo jornal. A empresa GUSTAVO Z. GRAPIGLIA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. e a empresa TPS PARTICIPAÇÕES SOCIAIS LTDA. publicaram em 19/09/2007, redução de capital nos percentuais de 74,93% e 83,56%, respectivamente, por excessivo em relação ao objeto social. Estáse diante de um número excessivo de coincidências. As três empresas constatam ao mesmo tempo que estão com capital excessivo em relação ao objeto social e decidem pela redução com devolução aos sócios pessoas físicas da parte correspondente à participação societária na empresa que já estava em tratativas para ser alienada. Posteriormente, efetuaram ajustes para adequar a redução ao valor correto das respectivas participações na Móveis Carraro. Não me parecem simples coincidências. O que fica demonstrado é um planejamento orquestrado das empresas que detém participação societária expressiva na Móveis Carrarro com o objetivo de montar uma operação que lhes permita camuflar a alienação dessas ações e a incidência sobre elas do ganho de capital daí decorrente. Destarte, voto pela manutenção da multa qualificada. Em relação à sujeição passiva solidária, é fundamental para a análise o fato de que a solidariedade não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 1 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 138, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 490 14 Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. 2 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. No que se refere aos sócios pessoas físicas, o interesse jurídico não pode ser aferido pela simples presença no quadro social, sendo necessária a exposição das razões específicas que teriam implicado na lavratura dos Termos de Sujeição Passiva. No entanto, o Termo de Sujeição Passiva foi omisso nesse ponto. Como já afirmado, em regra devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 138, do CTN. Especificamente em relação aos sócios que exerçam atividades gerenciais, o correto é o enquadramento no art. 135, do CTN. Também aqui omitiuse a autoridade lançadora. Nesses termos, entendo que o procedimento fiscal não logrou demonstrar com precisão as razões que levaram à lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária motivo pelo qual voto por excluir a responsabilização dos coobrigados. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto 2 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o Princípio da Preservação da Empresa. Disponível em http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 491 15 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Redator designado. Conforme relatado, a autuação originouse da apuração de ganho de capital na alienação da participação societária que a autuada (DONADEL) possuía na empresa Móveis Carraro S/A, vendida para a Todeschini S/A Indústria e Comércio. O cerne do litigio envolve a desconsideração, pelo Fisco, de duas operações societárias registradas pela DONADEL: a redução de capital nela ocorrida pela qual os sócios pessoas físicas receberam a devolução de capital em ações da Móveis Carraro e a posterior alienação dessas ações (pelos sócios pessoas físicas) à Todeschini. Segundo o fisco, essas duas operações representaram uma manobra com vistas a ocultar a alienação das ações, pertencentes à DONADEL, diretamente à Todeschini, e assim pagar menos tributo. Registrese, de plano, que em nada discordo da Fiscalização e do voto vencido acerca dos fatos. Tem razão o ilustre Relator, Conselheiro Leonardo Couto, ora vencido, ao afirmar que “avaliação da operação de redução de capital deve ser feita sob dois enfoques conjuntamente: o cronológico e o motivacional.” Todavia, manifestei entendimento contrário das conclusões do ilustre Relator em relação a esses 2 pontos, haja vista que: i) a alienação das ações da Móveis Carraro, formal e efetivamente, ocorreu após a redução de capital, ou seja, após o retorno dessas às pessoas físicas; ii) economia de tributos constituise sim em propósito negocial legítimo na atividade empresarial. No caso em tela, não pairam dúvidas sobre a não realização de um lucro evidente pelo DONADEL, em favor dos acionistas preferenciais. Em permanecendo as ações no ativo da Empresa, poucos dias após a DONADEL realizaria um lucro de monta significativa. Resta assim determinar se é mesmo possível contornar a aplicação da presunção legal de DDL na situação versada nos autos. Pois bem, analisando os fatos e os documentos apresentados, é de se concluir que, pelas circunstâncias expostas, resta evidente que não houve congruência entre as operações efetuadas e o motivo apresentado, ou seja, o propósito da DONADEL era mesmo de reduzir a carga tributária ao submeter o lucro a uma tributação favorecida (nas pessoas físicas). Fl. 491DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 492 16 Em verdade, não houve opção legal, mas sim um encadeamento de operações, formalmente válidos em cada uma das etapas, destinados a fins específicos. Ocorre que até 1995, antes da vigência da Lei nº 9.249/95, a hipótese aqui tratada estava sujeita às regras de Distribuição Disfarçada de Lucros, conforme dispõe o inciso VI do artigo 464 do RIR/99, a seguir transcrito: Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; II adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem de pessoa ligada; III perde, em decorrência do não exercício de direito à aquisição de bem e em benefício de pessoa ligada, sinal, depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição; IV transfere a pessoa ligada, sem pagamento ou por valor inferior ao de mercado, direito de preferência à subscrição de valores mobiliários de emissão de companhia; V paga a pessoa ligada aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente ao valor de mercado; VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. (...)”.Grifei Porem, o artigo 22 da própria Lei 9.249/195 estabelece: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Alias próprio artigo 464, § 1º, do RIR/99 estipula expressamente que não se aplica os casos de DDL na hipótese de devolução de participação no capital social. Vejamos: “(...) § 1º O disposto nos incisos I e IV não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22).” Grifei. Evidenciase, pois, que o contribuinte realizou uma verdadeira maratona de eventos societários com a principal finalidade de tributar os notórios ganhos com essa alienação nas pessoas físicas, com de fato fez, sendo que poderia ter feito diretamente, haja vista o respaldo legal. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 493 17 Estou certo de que constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. Repito: a partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Logo, no presente caso, não estamos diante de conduta ilícita, muito menos irregular por parte do contribuinte. Frisese: a distorção está nas próprias normas tributárias que estabelecem alíquota de 15% para o ganho de capital na pessoa física e de até 34% de IRPJ/CSLL sobre os ganhos de mesma natureza das pessoas jurídicas. Por fim, peço vênia para adotar como razões adicionais de decidir, os brilhantes fundamentos da declaração de voto do ilustre conselheiro Sergio Presta, que também integra este Acórdão. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar as exigências contra a empresa DONADEL, confirmando a correta tributação nas pessoas físicas. É este o voto condutor do presente Acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 493DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 494 18 Declaração de Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Na sessão do mês de setembro de 2012, o ilustre Conselheiro Relator Leonardo de Andrade Couto apresentou as razões do seu voto, que acabou vencido, pois o colegiado, por maioria de votos, reconheceu o propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, afastando a incidência da imposição tributária e a qualificação da multa. Apresento aqui minhas homenagens ao Conselheiro Relator Leonardo de Andrade Couto, porém tenho algumas considerações a fazer no que se refere à conduta do Recorrente tipificada pela fiscalização como “fraude e conluio”, visando uma desoneração tributária. Neste ponto, sinto em divergir do Ilustre relator tendo em vista que não consigo vislumbrar nos autos a comprovação de que a Recorrente infringiu a legislação tributária vigente à época ou que tenha agido com o objetivo de mascarar a obrigação tributária principal quando realizou os eventos societários. Além do mais, cabe ao Fisco apresentar os elementos que comprovariam a existência de “fraude” e “conluio” e que os atos realizados pela Recorrente seriam uma forma delituosa de evitar o pagamento dos tributos ou uma distribuição disfarçada de lucros. Essa minha posição decorre da certeza que a elaboração de um planejamento tributário visando pagar menos tributo ou o inadimplemento das obrigações tributárias, não são condutas ensejadoras da tipificação de “fraude e conluio”. Essa minha afirmação decorre de que houve uma sucessão de eventos societários que levaram a tributação para as pessoas físicas caracterizam, no máximo, uma elisão fiscal e não nunca uma evasão fiscal, conforme podemos ver abaixo: Para distinguir a elisão da evasão, em trabalho publicado em 1977, Ricardo Mariz de Oliveira (in “Fundamentos do Imposto de Renda”, Ed. Revista dos Tribunais, p. 303) ressaltou que a elisão deve decorrer de atos ou omissões que não contrariem a lei, e de atos ou omissões efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11080.724651/201123 Acórdão n.º 1402001.252 S1C4T2 Fl. 495 19 Essa lição foi repetida nas “Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda”, encontradas nos Anais do 13° Simpósio IOB de Direito Tributário, IOB, 2004, que transcrevo abaixo: “A elisão fiscal lícita, buscada pelo planejamento tributário, diferenciase da evasão fiscal ilícita por três e apenas três elementos: (I) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é contribuinte) anteriores à ocorrência do fato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões confirmes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados” (grifos nossos). No mesmo trabalho, um pouco mais a frente comentou Ricardo Mariz de Oliveira, “verbis”: “(...)A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida (...) se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando com bastante sabedoria, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, por exemplo, ao final do períodobase de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, com a transferência incabível e inexplicável de lucro de uma pessoa jurídica lucrativa para outra deficitária; a existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal; a exagerada arrumação dos fatos”. Desta forma, por não reconhecer a presença de ilícito nas ações da Recorrente, voto por dar provimento ao recurso voluntário, desonerando a Recorrente da incidência tributária. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 495DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Numero do processo: 35564.006124/2006-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1995, 01/09/1996 a 30/09/1996, 01/11/1996 a 30/11/1996
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.178
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4º do CTN.
Nome do relator: Adriana Sato
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Processo n° 35564.00612412006-00 Recurso n° 144.745 Voluntário Acórdão n° 2301-00.178 — V Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 04 de maio de 2009 Matéria Decadência Recorrente COMPANHIA METROPOLITANA DE HABITAÇÃO DE SÃO PAULO - COHAB SP Recorrida SRP/SÃO PAULO - CENTRO/SP AssuNTo: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1995 a 31/10/1995, 01/09/1996 a 30/09/1996, 01/11/1996 a 30/11/1996 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Processo e 35564.006124/2006-00 S2-C3T1 AaSrdio n.• 2301-00.178 Fl. 477 ACORDAM os membros da 3' Câmara I 1* Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acom,.• • aram o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4 d 1 rt JU 10 VIEIRA GOMES dent I IA AATPS • • tora Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo? 35564.006124/2006-00 82-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.178 a 478 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em razão da solidariedade da empresa contratante COHAB cóm a prestadora de serviços RETENGE ENGENHARIA LTDA. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa prestadora de serviços foi contratada de acordo com o contrato if 04/93 HABI para execução de obras de infra estrutura para 518 unidades habitacionais no local denominado "Jardim Brasília l" e não foi fornecida comprovação de matrícula da obra pela empresa construtora. Foram efetuadas medições de acordo com o período de realização dos serviços conforme consta das notas fiscais de serviços, porém, essas medições não foram apresentadas à fiscalização para que se pudesse discriminar os serviços executados na obra e aplicar os percentuais relativos a cada tipo de serviço. O critério de aferição foi definido nas orientações contidas na IN 100/2003. Os valores foram levantados de acordo com o período de realização dos serviços, conforme discriminado nas notas fiscais de serviços e constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações dos segurados que prestaram serviços à tomadora por intermédio da prestadora, incluídas em nota fiscal/fatura de serviços. Os documentos examinados foram: livros diários da CORAS, notas fiscais/faturas e contratos de prestação de serviços. Em 04/05/2005 (fls.103) e em 06/05/2005 (fls.106), respectivamente, a Recorrente e a prestadora de serviços foram cientificadas da lavratura da NFLD. A Recorrente e a prestadora apresentaram impugnação tempestiva, e, a DN• julgou o lançamento procedente (fls.260/267). Devidamente cientificadas da DN, somente a Recorrente apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: Deixou de efetuar o depósito administrativo por encontrar-se amparada por Mandado de Segurança; Ausência de solidariedade e do beneficio de ordem; Decadência; Inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa selic; Aferição incorreta da remuneração com base nos serviços de infra-estrutura; A Contratada é optante do REFIS; A Recorrida apresentou contra-razões juntada às fls. 411/412. Encaminhado os autos para julgamento, a 4' CaJ decidiu converter o julgamento em diligência (fls. 416/418). Após a ciência da Recorrente e da prestadora do decisório e da diligência, a Recorrente apresentou manifestação juntada às fls. 445/455. É o relatório. 3 PrOCeSSO n°35564.006124/2006-00 S2-C3T1 Acórdão n.°2301-00.178 Fl. 479 Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5 0 do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, ,f 4°, 173 e 174 do CIN. • Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, Kl, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao ,f 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas (1.; esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua 4 • • Processo n° 35564.006124/2006-00 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.178 Fl. 480 revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45. de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2° O Supremo Tribunal Federal: poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua• publicação na imprensa oficial, terá efeito vincul ante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. 12 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Dai, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173,1 do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificada a Recorrente do lançamento em 04/05/2005, ficam alcançadas pela decadência todas contribuições objeto do presente lançamento. Em r. Ao do exposto, acato a preliminar de decadência para DAR PROVIMENTO ao r- u so interposto. Sa Sessõ , 04 de maio de 2009 if 4 4 1 941 , "AS TO - Relatora Page 1 _0065800.PDF Page 1 _0065900.PDF Page 1 _0066000.PDF Page 1 _0066100.PDF Page 1
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Numero do processo: 26515.400037/87-80
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IAA - CONTRIBUIÇÃO E ADICIONAL - A falta de recolhimento da contribuição e do seu adicional implica a exigência dos acréscimos legais, inclusive da multa de 100%. Reincidência caracterizada. Recurso a que se dá provimento, em parte, para reduzir a multa.
Numero da decisão: 202-04968
Nome do relator: Sebastião Borges Taquary
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Reunida DRF EM LONDRINA - PR IAA - CONTRIBUIÇÃO E ADICIONAL. ' A falta de recolhimen to da contribuição e do seu adicional implica a exi- gência dos acréscimos legais, inclusive da multa de 1008. Reincidência caracterizada. Recurso a que se dá provimento, em parte, para reduzir a multa. 11 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AÇÚCAR E ÁLCOOL BANDEIRANTES S.A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte, ao recurso,para reduzir a m Ata, de 1008, para 508. Sala da S•'? e. ls;- , em 2;/ de abril de 1992 AO/ f 4Ar - f HELVIO --u 114, BARAik POS - •residente a )12- • #014, EB- 11:axo'r -N -2 S . Q 'PR' Alator\ daj AmewIir JOS%. • 0-11r ALMEID EMOS - Procurador-Representan te da Fazenda Nacional VISTA EM SESSÃO DE 1 2 JUN-1992 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, OSCAR LUIS DE MORAIS, ROSALVO VITAL GONZAGA SANTOS (suplen te), ACÁCIA DE LOURDES RODRIGUES, RUBENS MALTA DE SOUZA CAMPOS FY_ • LHO e ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO. , . • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N2 26.515-400.037/87-80 Recumo Ng : 84.764 AcordãoNt 202-04.968 Recorrente: AÇOCAR E ÁLCOOL BANDEIRANTES S.A. RELATÓRIO Conforme consta da Notificação s/nO e do Termo de Verifi cação, de 08/12/87 (fls. 02 e 03), a ora recorrente deixou de reco lher a contribuição e o adicional incidentes sobre a saída dos seus produtos ali descritos, referentes à safra de 1987/7, e no período de • lO a 31/10/87. A notificada, defendendo (fls. 04/07), em síntese e subs- tância alega e requer o que se segue: que não procede a exigência,no seu todo, porque lhe falta ampaolegal, a par de ser abuso de autori- dade exigir o crédito objeto da notificação, considerando as condi- ções de crise que atravessa o Setor. Dito isso, requereu fosse cance lada a notificação de lançamento. • A reincidência da ora recorrente não foi confirmada (fls. 11) e não houve réplica. A decisão singular (fls.12 ) julgou procedente a ação fis cal e manteve a exigência, impondo a multa de 100%, considerando a notificada como reincidente; além do principal e os acréscimos de juros e correção monetária tudonns termos do art. 40 e S IQ do Decre to no 62.388 de 12.03.68; art. 11 c/c o art. 12 da Resolução nO 2.005/68, do Conselho Deliberativo do Instituto do Açúcar e do Alco- e ol, e arts. 40, 60 e 11, do Decreto-Lei no 308/67. 1 . • YnangcnróL 26.ns-4°0.m/87-8o Acórdão n4 202-04.968 Depois de intimada e no prazo legal, a notificada in- terpôs, contra essa decisão de 14 grau, o recurso voluntário, de fls. 24/29,onde reeditou as razões da defesae enfatizou, em sinte se, que a decisão recorrida viola a Constituição Federal a par de ser absurda a exigência das contribuições constantes da peça noti- ficatória, com os acréscimos ali indicados e confirmados na deci são de 14 grau. (r É o relatório. • • • segue- , SERVICO PUBLICO FEDERAL Processo no 26.515-400.037/87-80 Acórdão n4 202-04.968 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEHASTIA0 BORGES TAQUARY A hipótese, ora em exame, encontra inúmeros preceden- tes, em ambas as Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, dos 1 quais são exemplos estes Acórdãos: 202-02.405, de 28.04.89; 202-02.403, de 28.04.89; 201-65.648, de 22.09.89; 201-65.801, de 10.11.89, e 201-65.825, de 12.12.89 e 202-03.863, de 09.11.90. Trata-se de não-recolhimento de contribuição e adicio-, nal, com seus acréscimos legais, devidos ao IAA. Os fatos ensejado\ res do lançamento foram comprovados e a exigência conforma-se com\ 1 a legislação pertinente. A reincidencia_não resultou confirmada (flà-11)..,-.? I _ . de Isto posto e por tudo mais que dos autos consta, voto • no \sentado de dar provimento,em parte, ao recurso voluntário, para I reduzir a multa de 100%, para 50%, na forma da legislação vigente, e confirmar quanto ao mais, a decisão de 10 'grau, por seus judicio sos fundamentos. Sala das Sessões, em 28 de abril de 1992 >43AMAO 'Çfipi 5TAO • •
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Numero do processo: 16707.005569/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2009
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
O Processo Administrativo Fiscal constitui-se no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN.
O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assenta-se na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.717-1/PR.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal constituise no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN. O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assentase na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 55 69 /2 00 9- 91 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2009 Data da lavratura do AIOP: 22/10/2009. Data da ciência do AIOP: 26/10/2009. Tratase de Auto de Infração lavrado em face do Município acima identificado, referente à glosa de compensações de contribuições previdenciárias indevidamente realizadas pelo Ente Público, no período de março a julho de 2009, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 11/25 e anexos a fls. 26/42. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 379 3 Informa a Autoridade Lançadora que inexiste qualquer ação judicial em favor do sujeito passivo em relação compensação de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente a título de contribuição previdenciária sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo (Prefeito, Vice Prefeito e vereadores) até 18/09/200. Aduz a fiscalização, como motivação para a lavratura do vertente Auto de Infração, que o direito de pleitear a restituição/compensação está sujeito ao prazo prescricional de cinco anos (05) contados da data do pagamento indevido, nos termos do artigo 168, I do CTN c.c. artigo 3º da Instrução Normativa SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, e sujeitase ainda, no caso da compensação relativa às contribuições pagas sobre remunerações dos exercentes de mandato eletivo, à retificação das GFIP inicialmente entregues, de forma a excluir destas os detentores de mandato eletivo e suas respectivas remunerações até 18/09/2004. Quanto à prescrição do direito à compensação/restituição, a fiscalização entendeu, com fulcro no art. 168 do CTN, que já estariam prescritos os eventuais créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados até o dia 29/02/2004. Assim, o crédito que o contribuinte alega existir estaria restrito apenas aos valores das contribuições relativas às remunerações de Prefeito, de VicePrefeito e vereadores cujos recolhimentos tenham ocorrido a partir de 01/03/2004. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 117/126. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 136/141, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06 de outubro de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 143. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 150/166, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que a contagem do prazo prescricional deve contar a partir da Resolução 26/2005 do Senado Federal; · Prescrição decenal; · Que a retificação da GFIP enseja perda do direito ao tempo de contribuição por parte do Segurado, uma vez que estará excluído do banco de dados da Previdência Social; · Que há um crédito reconhecido de R$ 137.507,01 oriundo de recolhimentos indevidos sobre os subsídios dos agentes políticos, nas competências admitidas pelo auditor fiscal em seu Relatório Fiscal quando da lavratura do Auto de Infração; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que o Relatório Fiscal em momento algum, aborda os parcelamentos firmados pelo Recorrente, os quais abrangem os períodos em que o auditor fiscal afirma que não houve informação em GFIP. Aduz que os recolhimentos referentes às competências 02/1998 a 13/1998 estão inclusos nos DebCad nº 35.226.3610 e 35.226.3636; · Que o período de 01/1999 a 06/2001 também foi objeto de Lançamento de Débito Confessado DebCad nº 35.226.3628 e 35.226.3644. Acrescenta que as competências de janeiro a setembro de 2004 estão inclusas no DebCad nº 60.331.5925; · Que foi apurado um crédito de R$ 94.198,77 referente a verbas de natureza indenizatória, sobre as quais não deve incidir contribuição previdenciária; Que no período de 03/2009 a 09/2009, o Recorrente aplicou indevidamente a alíquota de SAT de 2%, quando a correta seria de 1%, majoração essa que gerou um crédito em favor do município de 53.859,48; Ao fim, requer a homologação integral dos valores compensados. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 06/10/2011. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios no dia 07/11/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alegou, exclusivamente em sede de recurso: · Que há um crédito reconhecido de R$ 137.507,01 oriundo de recolhimentos indevidos sobre os subsídios dos agentes políticos, nas competências admitidas pelo auditor fiscal em seu Relatório Fiscal quando da lavratura do Auto de Infração; · Que o Relatório Fiscal em momento algum, aborda os parcelamentos firmados pelo Recorrente, os quais abrangem os períodos em que o auditor fiscal afirma que não houve informação em GFIP. Aduz que os Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 380 5 recolhimentos referentes às competências 02/1998 a 13/1998 estão inclusos nos DebCad nº 35.226.3610 e 35.226.3636; · Que o período de 01/1999 a 06/2001 também foi objeto de Lançamento de Débito Confessado DebCad nº 35.226.3628 e 35.226.3644. Acrescenta que as competências de janeiro a setembro de 2004 estão inclusas no DebCad nº 60.331.5925; · Que foi apurado um crédito de R$ 94.198,77 referente a verbas de natureza indenizatória, sobre as quais não deve incidir contribuição previdenciária; · Que no período de 03/2009 a 09/2009, o Recorrente aplicou indevidamente a alíquota de SAT de 2%, quando a correta seria de 1%, majoração essa que gerou um crédito em favor do município de 53.859,48; Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 381 7 Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude da preclusão. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA PRESCRIÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, da relatoria do ministro Carlos Velloso, assentou o entendimento de que a instituição de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos titulares de mandato eletivo, antes da vigência da Emenda Constitucional nº 20/1998, mostravase desarmônica com a Carta Federal, tendo em vista não se enquadrarem os agentes políticos no conceito de trabalhador, previsto na redação originária do inciso II do artigo 195 do Diploma Maior, sendo necessária a edição de lei complementar para a disciplina, conforme dessai da ementa do acórdão adiante transcrita, publicada no Diário da Justiça de 21 de novembro de 2003: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: PARLAMENTAR: EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL ou MUNICIPAL. Lei 9.506, de 30.10.97. Lei 8.212, de 24.7.91. C.F., art. 195, II, sem a EC 20/98; art. 195, § 4º; art. 154, I. I. A Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, acrescentou a alínea h ao inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, tornando segurado obrigatório do regime geral de previdência social o exercente de mandato eletivo, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. II. Todavia, não poderia a lei criar figura nova de segurado obrigatório da previdência social, tendo em vista o disposto no art. 195, II, C.F.. Ademais, a Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, ao criar figura nova de segurado obrigatório, instituiu fonte nova de custeio da seguridade social, instituindo contribuição social sobre o subsídio de agente político. A instituição dessa nova contribuição, que não estaria incidindo sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros" (C.F., art. 195, I, sem a EC 20/98), exigiria a técnica da competência residual da União, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º, ambos da C.F. É dizer, somente por lei complementar poderia ser instituída citada contribuição. III. Inconstitucionalidade da alínea ‘h’ do inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506/97, § 1º do art. 13. IV. R.E. conhecido e provido. Com efeito, a Resolução n° 26/2005 do Senado Federal suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL nº 26, de 21 de junho de 2005 O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. De acordo com o previsto no §2º do art. 1º do referido Decreto, os efeitos da suspensão da execução pelo Senado Federal seriam retroativos à data de entrada em vigor da norma declarada inconstitucional. Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 382 9 constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. §1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. (grifos nossos) §2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. O Secretário da Receita Federal do Brasil publicou o Ato Declaratório Executivo RFB n° 60, de 17 de outubro de 2005, dispondo em seu Art. 1º que “A suspensão, pela Resolução nº 26 do Senado Federal, da execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, produz efeitos ex tunc, ou seja, desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional”. Nesse contexto, até o dia 18 de setembro de 2004, os exercentes de mandato eletivo não poderiam ser considerados segurados obrigatórios do RGPS, por falta de previsão legal. Somente a contar da data de vigência da Lei n° 10.887/2004, digase, 19 de setembro de 2004, é que o exercente de mandato eletivo não vinculado a Regime Próprio de Previdência Social passou a ser caracterizado como segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de segurado empregado. Ocorre que a norma disposta no §2º do art. 1º do Decreto n° 2.346/1997, aplicável nas hipóteses em que o Supremo Tribunal Federal, na via incidental, declara inconstitucional lei ou ato normativo, deixa dúvidas quanto o estabelecimento do termo inicial do prazo prescricional para o exercício do direito de repetição de indébito, uma vez que a suspensão da norma pelo Senado Federal não opera efeitos ex tunc, como na hipótese descrita no §1º do mesmo dispositivo legal, mas sim, efeitos ex nunc, de forma que não faz sentido, nestes casos, a decisão retroagir à data de entrada da norma declarada inconstitucional. O Código Tributário Nacional, por seu turno, estatui em seu art. 168, II que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Código Tributário Nacional CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Deflui de uma interpretação teleológica da norma estampada no inciso II do art. 168 acima transcrito que, na hipótese tratada nos autos, o termo a quo para a contagem do prazo tem início com a publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, uma vez que somente a contar de então, os contribuintes estranhos ao Recurso Extraordinário nº 351.7171, passaram a usufruir dos efeitos dimanados da decisão do STF, graças aos efeitos erga omnes em que se opera a Resolução do Senado Federal em foco. Cumpre registrar que a própria Previdência Social já adotou esse entendimento anteriormente no precedente de inconstitucionalidade das contribuições instituídas por meio da Lei n° 7.789, conforme se depreende do teor da norma inscrita no art. 228 da Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003, em excerto rememorado a seguir para a melhor compreensão de seus fundamentos. Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003 Art. 228. O prazo final para apresentação de pedido de restituição ou de início da efetivação da compensação de contribuições sociais previdenciárias relativas a remuneração paga a autônomos, empresários e avulsos, foi estabelecido de acordo com os seguintes critérios: I os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, relativos ao período de setembro de 1989 a outubro de 1991, tiveram por início do prazo prescricional o dia 28 de abril de 1995 (data da publicação da Resolução nº 14 do Senado Federal) e, por término, o dia 28 de abril de 2000; II os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, relativos ao período de novembro de 1991 a abril de 1996, anterior à vigência da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, tiveram por início do prazo prescricional o dia 1º de dezembro de 1995 (data da republicação da decisão proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN nº 1.102/DF) e, por término, o dia 1º de dezembro de 2000. Nessa mesma rota navega a jurisprudência assentada nos Tribunais Superiores, conforme se depreende do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial n° 506.127 PR (2003/00360043), de relatoria do Ministro Luiz Fux, publicada no DJ em 1º de março de 2004, cuja ementa encontrase assim redigida: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA A AVULSOS, AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES. ART. 3º, I, DA LEI 7.787/89 E ART. 22, I, DA LEI 8.212/91. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 383 11 1. O sistema de controle de constitucionalidade das leis adotado no Brasil implica assentar que apenas as decisões proferidas pelo STF no controle concentrado têm efeitos erga omnes. Consectariamente, a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso tem eficácia inter partes. Forçoso, assim, concluir que o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo pelo STF só pode ser considerado como termo inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito quando efetuado no controle concentrado de constitucionalidade, ou, tratandose de controle difuso, somente na hipótese de edição de resolução do Senado Federal, conferindo efeitos erga omnes àquela declaração (CF, art. 52, X). 2. Ressalva do ponto de vista do Relator, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade somente tem o condão de iniciar o prazo prescricional quando, pelas regras gerais do CTN, a prescrição ainda não se tenha consumado. Considerando a tese sustentada de que a ação direta de inconstitucionalidade é imprescritível, e em face da discricionariedade do Senado Federal em editar a resolução prevista no art. 52, X, da Carta Magna, as ações de repetição do indébito tributário ficariam sujeitas à reabertura do prazo prescricional por tempo indefinido, violando o primado da segurança jurídica, e a fortiori, todos os direitos seriam imprescritíveis, como bem assentado em sede doutrinária: "Por isso, o controle da legalidade não é absoluto, exige o respeito do presente em que a lei foi vigente. Daí surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. (...) Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminarseia a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarse iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de repetição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." (Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo, Editora Max Limonad, 2000, p. 271/277) 3. Submissão ao entendimento predominante da Primeira Seção, no julgamento do ERESP nº 423.994/MG, com a ressalva do relator de que essa tese não pode reabrir prazos prescricionais superados à luz do CTN. Destarte, naquele julgamento restaram assentados os seguintes termos iniciais da ação de repetição: a) quando no controle concentrado houver declaração de inconstitucionalidade, iniciase a prescrição quinquenal da ação, do trânsito em julgado da declaração pelo STF; b) quando o controle for difuso, o termo inicial é a data da publicação da resolução do Senado Federal (art. 52, X, da CF); c) inocorrendo declaração de inconstitucionalidade, prevalece a tese dos 5 (cinco) mais 5 (cinco), vale dizer, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional é de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio, computados desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título do tributo. 4. A declaração da inconstitucionalidade da expressão "avulsos, autônomos e administradores", contida no inciso I do art. 3 da Lei 7.787/89, se deu no julgamento do Recurso Extraordinário 177.2964/RJ (controle difuso), publicada no DJ de 09/12/1994. Entretanto, a Resolução nº 14 do Senado Federal, consectária ao referido julgamento, e que suspendeu a execução dos referidos Decretosleis, foi publicada no Diário Oficial da União apenas em 28/04/1995, pelo que este é o termo inicial da prescrição da ação de repetição do indébito, perfazendo o lapso de 5 (cinco) anos para efetivarse a prescrição, em 28/04/2000. 5. Por outro lado, a declaração de inconstitucionalidade da expressão "avulsos, autônomos e administradores" contida no inciso I do art. 3º da Lei 8.212/91, se deu no julgamento da ADIN 1.102/DF, cujo acórdão foi publicado no DJ de 17/11/1995, tendo transitado em julgado em 13/12/1995, perfazendo o lapso de 5 (cinco) anos para efetivarse a prescrição, em 13/12/2000. 6. Agravo regimental provido, para dar parcial provimento ao recurso especial do INSS, reconhecendo prescrita a pretensão de repetição dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga a autônomos, avulsos e administradores sob a vigência da Lei 7.787/89. Estampado nesse matiz o quadro Jurídico aplicável à espécie, avulta como certo que, somente a contar da publicação da Resolução do Senado Federal n° 26/2005 o sujeito passivo passou a ter a seu dispor o Direito de Ação para pleitear a restituição/compensação dos valores indevidamente recolhidos à Seguridade Social. Nesse contexto, o termo inicial do prazo prescricional ora debatido assentase então em 22 de junho de 2005, encerrandose destarte em 21 de junho de 2010. Nesse contexto, não demanda áurea mestria concluir que a prescrição dos créditos decorrentes das contribuições previdenciárias incidentes sobre subsídios de agentes Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 384 13 políticos indevidamente recolhidas até o dia 18 de setembro de 2004 somente ocorre a contar da competência junho/2010, inclusive esta. Assim, sendo o período de apuração do crédito tributário de março de 2009 a julho de 2009, cumpre reconhecer que todas as compensações efetuadas pelo sujeito passivo não se encontram vitimadas pela prescrição. Não procede a tese da prescrição decenal tão veementemente defendida pelo Recorrente. O art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 estatui que, para efeito de interpretação do art. 168, I do CTN, a extinção do crédito tributário, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, dáse quando do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º do mesmo Código. Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 da referida Lei. O inciso III do art. 150 da Constituição Federal, estatui ser vedado aos entes tributantes cobrar tributos "em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado". Temse aí o princípio da irretroatividade das leis tributárias, o qual ostenta como princípio norteador a segurança jurídica dos Contribuintes, impedindo que sejam surpreendidos por mudanças inesperadas na política tributária dos governos. Tal regra não é absoluta, entretanto, sendo excepcionada pela norma tributária encartada no art. 106 do CTN, cujo inciso I dispõe que a lei se aplica a caso pretérito "quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados". Tratase da assim denominada “interpretação autêntica”, a qual dimana da mesma fonte legislativa que formulou o dispositivo interpretado. Em realidade, olhandose com os olhos de ver, a lei interpretativa não retroage, mas apenas esclarece o sentido e alcance do dispositivo legal interpretado. Trata, assim, de garantir a plena eficácia da lei anterior que, se interpretada segundo a mens legislatoris, não teria sofrido certas limitações ou gerado controvérsias exegéticas. Dessarte, as leis denominadas “interpretativas” não inovam o ordenamento jurídico, cingindose apenas a explicitar o sentido e o alcance do texto interpretado. O Recorrente sabe disso, mas, coloquialmente falando, “deu uma de migué”. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS SUBSIDIOS DOS EXERCENTES DE MANDATO EFETIVO DECLARADAS INCONSTITUCIONAIS. Cumpre de plano encarecer que não se encontra em discussão nos presentes autos a legalidade do direito creditório do sujeito passivo, eis que tal direito decorre diretamente da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, que suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida incidenter tantum pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. Cabe iluminar, igualmente, que no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 385 15 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei nº 8.383/91, cujo Art. 66 dispôs que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (com Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, a regulamentação jurídica do instituto da compensação tributária foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 89 assim estatui: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A redação do caput do Art. 89 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de Fl. 419DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 386 17 pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; As disposições inscritas no parágrafo segundo do aludido art. 89 combinadas com as do parágrafo único do art. 11, ambos da Lei nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. O exercício do direito à compensação, entretanto, não se revela incondicionado, haja vista encontrarse circunscrito ao preenchimento de determinados requisitos legais, a ônus do interessado, consistentes, dentre outros, na efetiva demonstração e comprovação da existência e titularidade do crédito tributário que se almeja compensar. De outro eito, o Interessado dispõe de prazo peremptório para o exercício do seu direito creditório, sob pena de prescrição. A Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, ao suspender a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida incidenter tantum pelo Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, alastrou efeitos erga omnes à decisão judicial acima assinalada. Nesse diapasão, a Secretaria da Receita Previdenciária fez publicar no Diário Oficial da União de 18/09/2006 a Instrução Normativa SRP nº 15/2006 dispondo sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/97, nela estatuindo a obrigatoriedade de o ente federativo preceder eventual compensação com a indispensável retificação das GFIP correspondentes, para destas excluir todos os exercentes de mandato eletivo informados, sendo certo que tal retificação deve ser levada a efeito mesmo que o sujeito passivo não opte pela compensação. Instrução Normativa SRP nº 15, de 12/09/2006 Art. 1º Dispor sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, bem como sobre procedimentos relativos aos créditos constituídos com base no referido dispositivo. Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; (grifos nossos) II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; §1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 387 19 I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. §2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no §1º, os valores compensados serão glosados. §3º Os documentos referidos no §1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. §4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. (grifos nossos) §5º O descumprimento do disposto no §4º sujeitará o infrator à multa prevista no §6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Colhemos do texto dos dispositivos legais acima revisitados que, para o exercício regular do direito de compensação de contribuições previdenciárias, figura como condição sine qua non o adimplemento cumulativo dos requisitos abaixo elencados: · Que os subsídios dos agentes políticos, no período de 01/02/1998 a 18/09/2004, tenham sido oferecidos à tributação. Assim, os agentes políticos do Ente municipal requerente (Prefeito, VicePrefeito e Vereadores) devem ter sido registrados, durante o período em foco, como segurados obrigatórios do Município vinculados ao RGPS; · Que o crédito tributário incidente sobre os subsídios dos agentes políticos em tela tenha efetivamente se materializado, seja através do registro nos livros fiscais próprios, seja mediante confissão espontânea, seja por declaração em GFIP, ou ainda tenha sido constituído por meio de lançamento de ofício, através de autuação fiscal; · Que, uma vez constituído o crédito tributário, este tenha sido comprovadamente extinto pelo pagamento. Não basta o mero oferecimento à tributação. É indispensável a comprovação do efetivo recolhimento ao Erário; · Que, a partir de janeiro/1999, os nomes dos agentes políticos em relevo tenham sido declarados nas GFIP correspondentes na condição de segurados empregados; · Que inexistam débitos constituídos em face do Interessado em favor da fazenda pública correspondente, na data da entrega de GFIP em que esteja sendo empreendida a compensação; Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 · Que o ente federativo esteja em situação regular perante a Fazenda Pública, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; · Que o ente federativo esteja em dia com parcelas relativas a eventuais acordos de parcelamento de contribuições previdenciárias, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; · Que a compensação pretendida seja efetivamente realizada dentro do prazo não vitimado pelo instituto da prescrição tributária; · Que as GFIP originárias em que figuravam os nomes dos agentes políticos em apreço tenham sido efetivamente retificadas, de molde a se excluir os exercentes de mandato eletivo, cujas contribuições previdenciárias houveramse por declaradas inconstitucionais. Dessarte, demonstrada a natureza jurídica previdenciária da obrigação tributária principal indevida da qual decorre o crédito alegado pelo sujeito passivo, imperativa se mostra a comprovação da constituição do crédito tributário dela decorrente, a qual pode ser levada a efeito nas formas que se vos seguem: I. A partir de janeiro de 1999, pela declaração em GFIP da remuneração e das contribuições dela decorrentes; II. Pela confissão das contribuições devidas, mediante Lançamento de Débito Confessado; III. Pela constituição de ofício do crédito tributário, mediante Auto de Infração ou Notificação Fiscal de Lançamento. Na sequência, demonstrada a constituição do crédito tributário, há que ser comprovada a sua extinção pelo correspondente pagamento, pois só assim irá se configurar o recolhimento indevido ou a maior, elemento essencial e condição indispensável para o exercício do direito ora pleiteado. Por fim, há que se comprovar, se for o caso, a retificação das GFIP mediante a exclusão dos exercentes de cargo eletivo cujas contribuições previdenciárias houveramse por declaradas inconstitucionais pelo STF, e nas quais se fundamenta o direito creditório do sujeito passivo. Tal exclusão decorre da mais perfunctória lógica do pedido de restituição/compensação. O Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, proferiu decisão definitiva declarando a inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital e municipal, ao fundamento de que tais trabalhadores não se configuravam como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. Por tal motivo, não se enquadrando os agentes políticos em foco como segurados do RGPS, indevida era, por consequência inafastável, a contribuição previdenciária Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 388 21 para o FPAS, instituída por mera lei ordinária, Lei nº 9.506/97, sendo demandado para tanto, um instrumento legislativo do status de Lei Complementar. Dessarte, constando o nome de tais exercentes de mandato eletivo nas GFIP em que foram oferecidas suas respectivas remunerações à tributação, referentes ao período de 01/02/1998 a 18/09/2004, tornase necessário que esses agentes políticos sejam excluídos da base de dados da Seguridade Social, nesse período, mediante a entrega de GFIP retificadora (promovendo tal exclusão). Caso tal exclusão não seja efetuada, os agentes políticos acima referidos continuarão figurando na base de dados da seguridade social, no período ora em destaque, como segurados empregados, qualificação essa que o STF declarou inconstitucional. Compulsando os autos, não logramos encontrar qualquer indício de prova material da entrega de GFIP retificadoras promovendo a exclusão dos agentes políticos em relevo. Corrobora de maneira indiciária a inexistência de tal exclusão a alegação desfiada pelo Recorrente de que a retificação somente poderia ocorrer com a prévia autorização do respectivo exercente de mandato eletivo para esta finalidade. Compete esclarecer ao Recorrente os seguintes tópicos: A Retificação da GFIP é obrigatória, havendo ou não compensação, e não facultativa, conforme dispõe o §4º do art. 6º da IN MPS/SRP nº 15/2006. O disposto no §1º do art. 6º da IN MPS/SRP nº 15/2006 referese, tão somente, à compensação dos valores descontados dos agentes políticos e recolhidos ao Erário, mas, não, às contribuições patronais. Atentese que o titular desse crédito é o agente político de quem foi descontada a contribuição a que se refere o art. 20 da Lei nº 8.212/91. Para que o município possa fazer, em seu nome, uma compensação de tributos, cujo titular do crédito é o agente político, deve comprovar o adimplemento cumulativo das duas condições fixadas nos incisos I e II do aludido §1º. Notese que, de qualquer maneira, o período de 01/02/1998 a 18/09/2004 jamais poderá ser computado como tempo de contribuição em favor dos agentes políticos em foco, nessa condição, para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social, uma vez que, nesse período, por decisão do STF, os exercentes de mandato eletivo não figuravam como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. Não procede, portanto, a alegação recursal de que a IN MPS/SRP nº 15/2006 seria omissa quanto aos casos em que o segurado não abriu mão do seu tempo de contribuição e a de que, nesses casos, o Ente Federativo deve se manter inerte quanto às retificações de GFIP. A retificação da GFIP é obrigatória para o Município. O que depende de autorização não é a retificação, mas, sim, a compensação, pelo município de créditos de titularidade dos agentes políticos. Ora, o Recorrente efetuou compensação ao fundamento de que os exercentes de mandato eletivo não eram segurados obrigatórios do RGPS e, por tal razão, indevidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre seus respectivos subsídios. Contudo, se nega a efetuar a correção das GFIP ao argumento de que, se assim o fizer, os referidos agentes Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 políticos serão excluídos do banco de dados da Previdência Social e irão perder o direito ao tempo de contribuição. Ora bolas! Senão este Relator, alguém está precisando conversar com o Dr. Eiras! Ou os agentes políticos, no período em debate, são segurados obrigatórios do RGPS ou não são. Se são, devidas se revelam as contribuições recolhidas, indevida será a compensação, procedente será a glosa. Se não são, indevidas serão as contribuições previdenciárias, mas os agentes políticos têm que ser excluídos dos bancos de dados da Seguridade Social e haverá a perda do direito a contagem do tempo de contribuição. O STF já bateu o Martelo de forma definitiva: Os agentes políticos, no período em relevo, NÃO SÃO segurados obrigatórios do RGPS. Logo, a retificação das GFIP é mandatória e não facultativa, conforme assim estatui o §4º do art. 6º da IN MPS/SRP nº 15/2006. Assim, enquanto não for promovida a exclusão dos agentes políticos em ribalta da base de dados da Seguridade Social, mediante a entrega das respectivas GFIP retificadoras, obstada se manterá a constituição do respectivo crédito em favor do Recorrente. Em consequência, inexistindo crédito líquido e certo em sua carteira, indevida será a compensação levada a efeito pelo Recorrente. Procedente a glosa. De outro canto, produção de outro lote, porém, o Relatório da ação fiscal assevera que: a) Quanto aos Prefeitos e Viceprefeitos: · O prefeito e o viceprefeito, Sr. Arnaud Macedo de Oliveira e Lúcio Roberto Pereira, respectivamente, não foram declarados em nenhuma das competências de 01/1999 a 12/2000 (período de suas gestões). 0 prefeito Antônio Petronillo Dantas Filho, cuja posse se deu em .01/01/2001, foi informado em todas as competências de 01/2001 a 09/2004, entretanto, o viceprefeito José Radi de Macedo foi informado nas competências 03/2001 a 09/2004, deixando, portanto, de ser informado nas competências 01/2001 e 02/2001. · Quanto à Retificação das GFIPs para fins de exclusão das remunerações: que as GFIP retificadoras excluindo a remuneração do prefeito nas competências de 02/2004 a 09/2004 foram devidamente apresentadas. · Quanto aos recolhimentos conforme declarados nas GFIP, que os valores devidos nas competências de 02/2004 a 09/2004 foram efetivamente recolhidos pelo Município ou incluídos no lançamento de débito no 35.846.3548, consolidado em 13/01/2006. b) Quanto aos Vereadores: · Não foi declarado nenhum vereador para as competências de 01/1999 a 12/2002 e 01/2004 a 09/2004; 11 (onze) vereadores foram declarados nas competências de 01/2003 a 10/2003; 9 (nove) vereadores foram declarados na competência de 11/2003; 8 (oito) vereadores foram declarados na competências de 12/2003. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 389 23 · Quanto à Retificação das GFIPs para fins de exclusão das remunerações: que as GFIP retificadoras excluindo a remuneração dos vereadores nas competências em que foram informados, não foram devidamente apresentadas. · Quanto ao efetivo recolhimento dos valores devidos em virtude do pagamento de remunerações aos vereadores: Não consta recolhimento algum para as competências de: 05/1998 a 13/1998; Os recolhimentos das competências 01/1998 a 04/1998; 01/1999 a 06/2003 e 01/2004 a 09/2004, referemse SOMENTE aos segurados não agentes eletivos, conforme declarado nas próprias GFIP, Folhas de Pagamento e Resumos das Folhas de Pagamento; Os recolhimentos das competências 07/2003 a 12/2003 contemplam os valores das contribuições devidas sobre a remuneração dos detentores de mandato eletivo informados nas respectivas competências. Conforme apurado pela fiscalização, o atendimento aos requisitos exigidos pela legislação previdenciária para o reconhecimento do crédito em favor do município recorrente é apenas parcial. Cumpre atentar que o art. 89 da Lei nº 8.212/91 somente admite a compensação de contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, ou a maior que o devido, desde que atendidas as condições e os termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art.89. As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (grifos nossos) Atendendo ao comando legal assentado no art. 89, caput, in fine, da Lei nº 8.212/91, a Secretaria da Receita Federal do Brasil fez publicar no Diário Oficial da União de 31/12/2008 a Instrução Normativa nº 900/2008 disciplinando a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dispondo em seu art. 34 que não pode ser objeto de compensação o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB, assim como o crédito apurado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) de que trata a Lei nº 9.964/2000, do Parcelamento Especial (Paes) de que trata o art. 1º da Lei nº 10.684/2003 e do Parcelamento Excepcional (Paex) de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 303/2006. Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. (...) §3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no §1º: (...) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB; (...) XII o crédito apurado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, do Parcelamento Especial (Paes) de que trata o art. 1º da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, e do Parcelamento Excepcional (Paex) de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, decorrente de pagamento indevido ou a maior; (...) Diante de tal panorama, avulta não se contentar a legislação tributária com a mera inclusão de contribuições previdenciárias, supostamente indevidas, em parcelamento administrativo não integralmente quitado, para fins de compensação tributária. Dessarte, embora não comprovado nestes autos, se de fato houve a inclusão de contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos nos parcelamentos do Município, este deverá ingressar com pedido de exclusão de tais parcelas na Unidade da RFB, especificando os parcelamentos nos quais estas estariam incluídas. Assim, fulgura mais promissora a revisão administrativa do parcelamento realizado, visando ao expurgo das contribuições tidas como indevidas, e nova consolidação de débitos e créditos do sujeito passivo com o fito de se apurar se houve efetivamente recolhimentos indevidos e, havendo, promoverse a revisão do parcelamento realizado. De todo o exposto, assentado que o Recorrente não promoveu a devida e indispensável retificação das GFIP; considerando que tal retificação mostrase como condição sine qua non para a homologação da compensação pretendida; considerando que o prazo prescricional do direito à compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido das contribuições previdenciárias relativas aos subsídios pagos aos exercentes de mandato eletivo expirou em 21 de junho de 2010, e considerando que não foram comprovadas a liquidez e certeza dos demais créditos alegados pelo Município recorrente, pugnamos pela negativa de provimento aos pedidos formulados no Recurso Voluntário interposto. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16707.005569/200991 Acórdão n.º 2302002.452 S2C3T2 Fl. 390 25 4. DECISÃO Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10166.900626/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - DIREITO CREDITÓRIO - NÃO COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DOS CRÉDITOS.
A não comprovação da existência de suposto crédito tributário em favor da contribuinte, que alega possuir junto à Fazenda Nacional, cabe indeferir o respectivo pedido de restituição/compensação.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente)..
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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A não comprovação da existência de suposto crédito tributário em favor da contribuinte, que alega possuir junto à Fazenda Nacional, cabe indeferir o respectivo pedido de restituição/compensação. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 06 26 /2 00 8- 44 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão de fls. 127/131, prolatado pela DRJ de BrasíliaDF, sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUICAO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2003 CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, com a devida ciência ao contribuinte, resta instaurado o litígio, não havendo, portanto, nenhuma previsão para alteração no direito creditório, o que toma inadmissível a retificação da DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” No caso em tela, alega a interessada que teria informado a origem incorreta do crédito na DCOMP, referente ao PA de 31/01/2003, DARF no valor de R$41.915,36. Constando da manifestação de inconformidade e do recurso, pedido de retificação no sentido de utilizar, como crédito, o pagamento a maior do DARF de PA 31/12/2002, valor de R$76.824,44. Como o PIS apurado em dezembro de 2002 teria sido de R$57.412,45, restaria um crédito a ser aproveitado no valor de R$19.411,99. Como parte deste crédito já teria sido utilizado em outra DCOMP, n°10902.61013.250504.1.3.046073, no valor original de R$6.683,05, restaria para a presente DCOMP, portanto, o montante de R$12.728,94. De acordo com a decisão recorrida, para análise da questão, a principio, cumpre apreciar o artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, que ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos e contribuições, informa no §14 que a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto àfixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensa cão. Nesse sentido, tratandose da retificação da PER/DCOMP, observase que desde a IN SRF n° 460, de 2004, vem sendo adotada a orientação transcrita a seguir, mantida pelos atos normativos que a sucederam, a IN SRF n° 600, de 2006, vigente há época do Despacho Decisório e a IN SRF n° 900, de 2008: Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Fl. 514DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10166.900626/200844 Acórdão n.º 3301001.796 S3C3T1 Fl. 514 3 Art. 57. 0 Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa ez data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrencia da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação a SRF. Pará grafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf IREClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Ao final conclui a decisão recorrida que a retificação da DCOMP somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais, para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa, ou seja, aquela Declaração de Compensação em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF. Cientificada em 21/10/2010 (AR – fl. 133), a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 134/192, reiterando, em síntese, as alegações constantes de sua manifestação de inconformidade. Na sessão de 07/11/2011, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 3301000.081 (fls. 194/198), com a finalidade de analisar a existência dos possíveis créditos remanescentes da Recorrente, realizada a diligência, foi esclarecido, resumidamente, que, em razão da Contribuinte não ter apresentado cópia das fichas do Livro Razão em que foi escriturado o suposto saldo credor, mesmo após ter sido intimada em 11/05/2012 (fls. 500 e 501) e reitimada em 04/06/2012 (fls. 502 e 503), a mesma não logrou atender à exigência, impossibilitando a confirmação do saldo credor de PIS/PASEP que possibilitasse a redução do valor devido referente ao PA de DEZ/2002, de R$70.520,79 para R$57.412,45, concluindo que o valor devido e declarado na DIPJ original de fato no valor de R$70.520,79. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Como o pagamento ocorreu na importância de R$76.82,44, restou saldo credor de ¨R$6.303,65, todavia, o mesmo foi integralmente utilizado na compensação efetuada na DCOMP nº10902.61013.250504.1.3.046073, nos autos do processo nº 10166.900724/200881 (fls. 507 a 509 do citado processo). É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De fato, conforme consta dos autos, restou demonstrado pela Recorrente, através das DCTF's — original e retificadora) que se o seu débito para o período de 12/2003, era de R$57.412,45, a análise do DARF constante dos autos, conduz, invariavelmente, há um recolhimento a maior e indevido de R$ 19.411,99, permitindo aferir que o PER/DCOMP possui lastro a permitir a homologação da compensação, dado que o débito a compensar representa o valor de R$ 13.089,17. Consta ainda que o referido crédito de R$ 19.411,99 também foi utilizado, em parte, no PER/DCOMP no 10902.61013.250504.1.3.046073 (Doc. 05 — da manifestação), para compensar débito de PIS, relativo a 02/2003, no valor de R$ 6.749,88, sem que isso represente a utilização do mesmo crédito em relação a 02 (dois) débitos distintos. Entretanto, como a Recorrente, apesar de ter sido intimada e reintimada a comprovar a existência dos créditos alegados, sobretudo porque a DIJP restou retificada pelo interessado, reduzindo o valor supostamente compensável, de forma que o valor devido de fato é aquele declarado na DIPJ, ou seja, R$70.520,79 e não R$57.412,45. Em face do exposto, e considerando que a recorrente não logrou comprovar mediante a apresentação de DCTF´s (original e retificadora) que teria cometido mero erro de preenchimento da PER/DCOMP, vez que a DIJP apresentada ratificou o valor originalmente constante da DCTF, e diante da não comprovação das alegações, sobretudo com o retorno dos autos em diligência, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 20 de março de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 516DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10166.900626/200844 Acórdão n.º 3301001.796 S3C3T1 Fl. 515 5 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15471.001980/2010-79
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. PODERES DE REPRESENTAÇÃO. LAUDO MÉDICO DE ALIENAÇÃO MENTAL. POSTERIOR OUTORGA DE PROCURAÇÃO A FILHO. AUSÊNCIA DE TERMO DE CURATELA.
O laudo médico oficial que reconhece a alienação mental, por si só, não atribui ao contribuinte a condição de curatelado, que depende de decisão judicial. Na ausência de termo de curatela, a procuração pública outorgada à filha, ainda que emitida após a data de reconhecimento da alienação mental, é hábil para fins de assegurar a defesa dos interesses do contribuinte, se nada nos autos indica que deva ser recusada fé pública à procuração firmada perante o tabelião. Com mais razão, deve-se conhecer o poder de representação, se as petições em outros exercícios foram deferidas sem a exigência do termo de curatela.
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO FAVORAVELMENTE AO CONTRIBUINTE. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.NÃO DECRETAÇÃO. PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Deixa-se de decretar nulidade de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, quando possível decidir o mérito favorável ao contribuinte.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. PODERES DE REPRESENTAÇÃO. LAUDO MÉDICO DE ALIENAÇÃO MENTAL. POSTERIOR OUTORGA DE PROCURAÇÃO A FILHO. AUSÊNCIA DE TERMO DE CURATELA. O laudo médico oficial que reconhece a alienação mental, por si só, não atribui ao contribuinte a condição de curatelado, que depende de decisão judicial. Na ausência de termo de curatela, a procuração pública outorgada à filha, ainda que emitida após a data de reconhecimento da alienação mental, é hábil para fins de assegurar a defesa dos interesses do contribuinte, se nada nos autos indica que deva ser recusada fé pública à procuração firmada perante o tabelião. Com mais razão, deve-se conhecer o poder de representação, se as petições em outros exercícios foram deferidas sem a exigência do termo de curatela. PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO FAVORAVELMENTE AO CONTRIBUINTE. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.NÃO DECRETAÇÃO. PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Deixa-se de decretar nulidade de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, quando possível decidir o mérito favorável ao contribuinte. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido.
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IRPF Recorrente HORTÊNCIA MARQUES FERREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. PODERES DE REPRESENTAÇÃO. LAUDO MÉDICO DE ALIENAÇÃO MENTAL. POSTERIOR OUTORGA DE PROCURAÇÃO A FILHO. AUSÊNCIA DE TERMO DE CURATELA. O laudo médico oficial que reconhece a alienação mental, por si só, não atribui ao contribuinte a condição de curatelado, que depende de decisão judicial. Na ausência de termo de curatela, a procuração pública outorgada à filha, ainda que emitida após a data de reconhecimento da alienação mental, é hábil para fins de assegurar a defesa dos interesses do contribuinte, se nada nos autos indica que deva ser recusada fé pública à procuração firmada perante o tabelião. Com mais razão, devese conhecer o poder de representação, se as petições em outros exercícios foram deferidas sem a exigência do termo de curatela. PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO FAVORAVELMENTE AO CONTRIBUINTE. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.NÃO DECRETAÇÃO. PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Deixase de decretar nulidade de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, quando possível decidir o mérito favorável ao contribuinte. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 19 80 /2 01 0- 79 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, decorrente de apuração de omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$98.809,25 pagos pelo Ministério da Saúde. Houve impugnação assinada por procurador com alegação de que os rendimentos seriam isentos em virtude de moléstia grave e foi requerida prioridade de tramitação do processo com base no Estatuto do Idoso. Foi apresentado documento emitido em abril de 2009 pela Divisão de Saúde Ocupacional do Ministério da Saúde (fls. 08), no qual é informado que a senhora Hortência Marques ferreira é portadora de alienação mental, desde 29/08/2003, devendo ser curatelada. O processo foi baixado em diligência para juntada do termo de curatela pela senhora Elizabeth Marques Ferreira (procuradora signatária da impugnação), uma vez que a procuração apresentada (fls. 06) foi outorgada em 02/10/2007, quando a contribuinte já era considerada portadora de alienação mental, conforme laudo pericial de fls. 8. Foram apresentados os documentos de fls. 44/55. A Delegacia de Julgamento não conheceu da impugnação, pois nos termos do art. 1767 do Código Civil de 2002, a contribuinte necessitaria de curatela, e que, portanto, a senhora Elizabeth Marques Ferreira não era parte legítima para representála à época da impugnação e que a falta de poderes para representação, nos termos do inciso I do art. 9º da Lei 9.784/1999, implica reconhecer inexistência de litígio a ser apreciado. Ciência da decisão em 11/02/2011. A Unidade Preparadora não fez contar a data de recebimento do recurso voluntário datado pelo signatário em 14/02/2011 (fls. 98), nem nos esclarecimentos datados de 15/02/2011. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15471.001980/201079 Acórdão n.º 2802002.260 S2TE02 Fl. 131 3 Na peça recursal, em síntese, a senhora Elizabeth Marques Ferreira descreve as dificuldades no cuidado de sua mãe, que tem atendido a todas as intimações da Receita Federal, cujas respostas tem sido pelo deferimento (junta resultados das SRL de outros exercícios), que a única pendência é o processo de curatela, que desconhecia ser necessário e representa mais uma despesa, somente a partir de 2009 passou a saber que sua mãe era isenta do imposto de renda, assim que tiver o número do processo do inventário informará a este Órgão. É o relato do essencial. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator A falta do registro da data de apresentação do recurso voluntário implica reconhecêlo tempestivo. A questão central é a legitimidade da senhora Elizabeth Marques Ferreira para representar sua mãe no processo administrativofiscal. O processo administrativofiscal tem por natureza a autotutela da Administração e regese pelos princípios do formalismo moderado e da busca da verdade material, entre outros, o que, em situações como a que ora se apresenta, implica reconhecer que não são aplicáveis as mesma formalidades que regem o processo civil. A fundamentação para o não conhecimento da impugnação foi o fato de a procuradora, filha da contribuinte, ter amparado os poderes de representação em procuração outorgados quando a representada já era alienada mentalmente. A conclusão de que o único instrumento de representação hábil é o termo de curatela baseouse no art. 1767 do Código Civil de 2002. Fica uma pergunta: ao ser emitido o laudo do Ministério da Saúde que atestou a alienação mental da contribuinte e afirmando que a mesma “deve ser curatelada”, quem teria poderes para representála no processo administrativo? O Código Civil de 2002 trata do instituto da curatela em uma série de dispositivos, notadamente da interpretação dos art. 1767 a 1.778, decorrem normas aplicáveis à curatela. Ressaltase que o processo de curatela deve ser promovido pelas pessoas identificadas no art. 1.768 e que dentre estas não consta o Ministério da Saúde, ao passo que a condição de curatelada requer decisão de um juiz. Objetivamente podese afirmar que o laudo do Ministério da Saúde não é hábil a tornar uma pessoa legalmente curatelada, muito embora nele conste recomendação para a curatela. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Citamse outros fundamentos: (a) procuração apresentada pela filha da contribuinte é uma procuração pública merecedora de fé pública até que se prove o contrário, nela são outorgados amplos poderes, inclusive de representar a contribuinte perante a Receita Federal; (b) as decisões proferidas nos demais exercícios cancelando as notificações de lançamento sem exigir o termo de curatela caracterizam, neste caso concreto, práticas reiteradas da Administração Tributária que além de possuírem natureza de normas complementares, na dicção do Código Tributário Nacional (art. 96 e 100), tornam aplicável o princípio da proteção da confiança; (c) as normas aplicáveis aos poderes de representação visam a proteger os interesses do contribuinte, mesma finalidade presente na impugnação ora examinada; (d) o conhecimento da impugnação contribui positivamente para o exercício da autotutela da Administração; Diversamente da premissa adotada do acórdão recorrido, a filha da recorrente agiu no exercício de representação de que trata a parte final do inciso I do art. 9º da Lei 9.784/1999, razão pela qual a impugnação deveria ter sido conhecida. Deixase de decretar nulidade do acórdão de primeira instância, dada a evidência do direito material envolvido, pois os documentos do processo, notadamente os de fls. 08/10 e a própria descrição feita no relatório de primeira instância, demonstram que os rendimentos tributados são pensões pagas pelo Ministério da Saúde e que foi reconhecido por laudo médico emitido pelo serviço médico oficial da União que a contribuinte é portadora de alienação mental, desde 2003. Portanto, estão presentes os dois requisitos legais para reconhecimento da isenção prevista no art. 6º da Lei 7.713/1988, inciso XIV. Diante do exposto, devese conhecer o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO para desconstituir o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.910871/2009-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS.
A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
Numero da decisão: 3403-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação, prescindindo, nesse caso, de prévia retificação da DCTF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 71 /2 00 9- 44 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório INDUSTRIAL REX LTDA. formulou o Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, por meio do qual pretendeu restituirse de indébito de Cofins (Cód. 5856), por pagamento efetuado em 14/07/2006, e compensar o direito creditório com débitos de mesma contribuição. Por Despacho Decisório Eletrônico, a DRF/BlumenauSC indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o contribuinte alega que o despacho decisório contestado não adentrou no mérito do crédito postulado . Pleiteia a declaração de nulidade do ato administrativo, em razão de faltarlhe motivação, fundamentação, o que feriria o direito ao contraditório e à ampla defesa. Argúi também a ausência de fundamentação , desvio de finalidade e prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal . E argumenta no sentido da necessidade da busca pela verdade material, princípio reitor da atuação administrativa. Complementarmente, pugna pela não exigência da multa de mora em razão da necessária subordinação aos princípios da vedação ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. E contesta, por fim, a imposição dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, chamando à colação à limitação dos juros de mora pretensamente posta no Código Tributário Nacional. Pleiteia, por fim, a decretação da nulidade do despacho decisório e a obstaculização de qualquer cobrança de valores resultantes do referido ato administrativo. A DRJ/FNS4ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 07029.067, de 25 de maio de 2012, fls. 59 a 63, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910871/200944 Acórdão n.º 3403002.103 S3C4T3 Fl. 105 3 Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/FNS4ª Turma. O arrazoado de fls. 67 a 89, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as arguições de nulidade já cogitadas na manifestação de continuidade. Invoca o princípio da verdade material para protestar por seu direito de provar o crédito mesmo na fase recursal. Tacha de nula a aplicação da multa de mora de 20% sobre os valores que diz serem indevidamente compensados. Da mesma forma, rechaça a incidência de juros Selic sobre o débito emergente da não homologação da compensação. Conclui, requerendo integral provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 67 a 89 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07029.067, de 25 de maio de 2012. Matéria controvertida A decisão recorrida não conheceu da reclamação quanto aos acréscimos legais incidentes sobre o valor do débito que emergiu inadimplido pela não homologação da compensação declarada. Fêlo bem. Tratandose de cobrança propriamente dita, a matéria escapa do rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Incidentalmente, saiba a recorrente que os acréscimos legais sobre os débitos não pagos na data de seu vencimento estão expressamente previstos no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabendo aos agentes da Administração deixar de aplicálos em face de argumentos de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Preliminares de nulidade do Despacho Decisório Nesse ponto, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. O despacho decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, devendo ser refutada a argüição. Ainda que de forma sintética, o despacho decisório contém motivação, base legal e permitiu ao contribuinte total conhecimento das irregularidades imputadas a seu pleito, habilitandolhe o exercício pleno do seu direito de defesa. Também não há que se falar em desvio de finalidade do ato administrativo, até mesmo porque este está corretamente fundamentado. Mérito Afastadas as preliminares argüidas e não conhecida a insurgência contra procedimentos de cobrança, a inconformidade manifestada na reclamação ficou vazia. Nada obstante, a decisão recorrida, assentandose sobre a premissa de que a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação reclama a prévia retificação do valor do débito pretensamente confessado em erro em DCTF, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sumariamente, sem qualquer menção ao “deserto” em que se transformou o presente processo no que diz respeito à prova do direito creditório aventado. Já é entendimento assentado nesta Turma o de que tal óbice deve ser afastado, em face do contido no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), reproduzido no art. 57 do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, norma com aplicação autorizada aos processos da espécie pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. Na verdade, a prévia retificação da DCTF apenas viabiliza o processamento automático dos PER/Dcomp, mas jamais poderia ser tida como requisito para a verificação da liquidez e certeza de direito creditório. Se é certo que a espontaneidade da confissão do débito implica a sua irretratabilidade, também o é que o art. 214 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, admite sua revogação quando produzida em erro de fato. E, conforme visto, mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, pode (e deve) produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, entre elas, a do erro no preenchimento de declaração. Tecidas essas considerações preambulares, por meio das quais se refuta a necessidade de prévia retificação da DCTF e se reafirma o direito de produção probatório do crédito postulado até o momento processual da reclamação, não se pode deixar de reconhecer que não há o menor início de prova do indébito. O recorrente, a certa altura de sua peça recursal, protestou por seu direito de provar o direito creditório. Mas a insurgência limitouse a isso. O recorrente não alega erro na declaração, não questiona legalidade ou inconstitucionalidade da norma de incidência tributária, nem qualquer outra das fantasiosas construções de indébitos freqüentes depois da edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002. Nada. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910871/200944 Acórdão n.º 3403002.103 S3C4T3 Fl. 106 5 Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910871/200944 Acórdão n.º 3403002.103 S3C4T3 Fl. 107 7 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910871/200944 Acórdão n.º 3403002.103 S3C4T3 Fl. 108 9 Conclusão Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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