Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11030.902157/2012-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.902157/2012-82
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5323174
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.253
nome_arquivo_s : Decisao_11030902157201282.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 11030902157201282_5323174.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5290042
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046367990972416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 68 1 67 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.902157/201282 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.253 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS MARAU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 57 /2 01 2- 82 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902157/201282 Acórdão n.º 3803005.253 S3TE03 Fl. 69 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da contribuição para o PIS devida em julho de 2002, apurada com base na Lei nº 9.718, de 1998, no montante de R$ 392,82. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição para o PIS, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902157/201282 Acórdão n.º 3803005.253 S3TE03 Fl. 70 3 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1 ADC n° 18/DF Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902157/201282 Acórdão n.º 3803005.253 S3TE03 Fl. 71 4 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902157/201282 Acórdão n.º 3803005.253 S3TE03 Fl. 72 5 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000249/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 06/07/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - ENQUADRAMENTO DE ACORDO COM O CUB - AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO - DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE -NULIDADE - ANALISE DOS ARGUMENTOS - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - NÃO ANÁLISE DOS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a apresentação de laudos, ou mesmo guias apresentadas referentes a 11% de retenção, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2401-003.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 06/07/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - ENQUADRAMENTO DE ACORDO COM O CUB - AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO - DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE -NULIDADE - ANALISE DOS ARGUMENTOS - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - NÃO ANÁLISE DOS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a apresentação de laudos, ou mesmo guias apresentadas referentes a 11% de retenção, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. Decisão de Primeira Instância Anulada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12268.000249/2009-18
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322306
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.266
nome_arquivo_s : Decisao_12268000249200918.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12268000249200918_5322306.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5284905
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046367998312448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12268.000249/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.266 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente BRJ CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 06/07/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL ENQUADRAMENTO DE ACORDO COM O CUB AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE NULIDADE ANALISE DOS ARGUMENTOS DIREITO AO CONTRADITÓRIO NÃO ANÁLISE DOS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a apresentação de laudos, ou mesmo guias apresentadas referentes a 11% de retenção, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 49 /2 00 9- 18 Fl. 742DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000249/200918 Acórdão n.º 2401003.266 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 37.236.4420, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 44 e seguintes a empresa, apesar de apresentar contabilidade formalizada, relativa aos exercícios 2005 e 2006, ela não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados utilizados na execução da obra, assim, a empresa apresentou livros contábeis que contêm informação diversa da realidade e omitem informações verdadeiras. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do RPS. A multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e RPS, artigo 283, inciso II, alínea ‘j’, e o valor da multa aplicável, de acordo com o Relatório Fiscal da Multa Aplicada, fl. 45, corresponde a R$ 13.291,66. Conforme Relatório Fiscal, a empresa Jozem Administração e Participações Ltda. contratou a empresa BRJ Construções Civis Ltda. para executar obra de construção civil (empreitada global) do “Centro Comercial Zem”, matrícula CEI 50.018.75660/78. O presente processo está apensado ao processo principal 12268.000247/2009 11 e contém o mesmo fato gerador e os mesmos elementos de prova. Nos autos do processo principal consta ainda que: a) da análise da documentação apresentada a mãodeobra declarada em GFIP foi insuficiente para os serviços contratados; e b) a contabilidade da empresa não registra o movimento real da remuneração dos segurados empregados utilizados na execução da obra. Por isso, a remuneração da mãodeobra empregada foi aferida, com base na Lei 8.212/91, artigo 33, parágrafos, 3o, 4o e 6o, utilizando se os procedimentos previstos na Seção II do Capítulo IV da Instrução Normativa – IN SRP 3, de 14/7/2005. Consta que a obra de construção civil constituise de um edifício comercial, com área de 7.459 m2, foi matriculada sob o número CEI 50.018.75660/78, e executada no período de 07/2005 a 12/2006. Foi apresentado um único contrato de subempreitada para a execução da estrutura de concreto armado. O cálculo para determinação da mãodeobra arbitrada é apresentado no demonstrativo de fls. 70/71. Importante, destacar que a lavratura do AIOA deuse em 06/07/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 07/07/2009. Inconformado com o AIOP, a notificada BRJ apresentou defesa, conforme fls. 139 a 159. No mesmo sentido apresentou defesa a tomadora (contratante), fls. 730 a 750, questionando, assim com a contratada que a execução do contrato, até a data de vistoria deuse Fl. 744DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 de forma, parcial, perdurando em período posterior e que a responsabilidade solidária não é aplicável ao caso em questão. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 712 a 715. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DOCUMENTOS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar de forma deficiente qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. CONEXÃO. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 719 a 728, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Alega que foi equivocada e ilegal a desconsideração da contabilidade de empresa pelo Auditor Fiscal. Afirma ser esse procedimento extremo, inaplicável ao caso. Cita jurisprudência. 2. Argumenta que os defeitos apontados pela fiscalização baseiamse em suposições e conclusões equivocadas. Aduz que o § 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91 não autoriza a aferição indireta quando houver mera irregularidade nos registros contábeis da empresa, mas apenas quando a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. 3. Diz que a conclusão do fiscal desconsidera outros elementos influenciadores do efetivo dispêndio de mãodeobra, tais como o sistema construtivo, o gerenciamento eficiente, a experiência profissional e a capacidade instalada dos equipamentos. 4. Descreve o que estava previsto no contrato firmado com a Jozem, destacando que uma série de itens de acabamento não seriam executados. Entende que deve ter cometido uma falta ao nominar o contrato como sendo de “empreitada global”, quando, na verdade, foi parcial. Apenas as áreas comuns foram entregues acabadas. As lojas e salas foram entregues sem acabamentos no teto, piso e sem paredes divisórias. 5. Diz que a instalação elétrica iria apenas até um Quadro de Distribuição e sequer a parte hidráulica dos banheiros seria executada, ficando apenas os pontos de espera no local onde posteriormente seriam instalados os banheiros. Ao contrário do que supôs a fiscalização, a obra não foi concluída em meados de 2006 e está inacabada até os dias de hoje. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000249/200918 Acórdão n.º 2401003.266 S2C4T1 Fl. 4 5 6. Para provar o alegado lavrou Ata Notarial onde se materializa vistoria constatando que até a presente data existe pavimento inacabado no edifício em questão. 7. Explica o serviço elétrico realizado e o do encanador. 8. Conclui que a execução parcial da obra é um dos elementos a justificar a proporção de mãodeobra empregada. 9. Afirma que subcontratou a empresa EFG Instalações e Manutenções Elétricas Ltda. por R$ 45.000,00 para fazer as instalações elétricas e promoveu a retenção de 11% sobre o valor pago. Esse fato não foi considerado pelo Auditor Fiscal. 10. Diz que para a execução da estrutura em concreto armado subcontratou a empresa DLM Construções Ltda, no montante de R$ 215.115,00, sendo que foi utilizado concreto usinado, o que determina uma utilização menor de mãodeobra. 11. Alega que também foi terceirizado o serviço de pretensão das lajes, que foi realizado pela empresa Hayahi Tecnologia e Sistemas Ltda, tendo igualmente feito a retenção dos 11%, sendo que o fiscal não aceitou essa terceirização ao argumento de que o valor pago a empresa foi muito baixo. 12. Conclui que em relação a todas as subcontratações cumpriu com suas obrigações fiscais, pois reteve e recolheu os 11% sobre o valor das notas fiscais, sendo necessário considerar tais recolhimentos. 13. Argumenta que foi fiscalizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego e que não foi encontrada qualquer irregularidade. Relata que o fato de a fiscalização do MTE ter encontrado trabalhadores na obra que não constavam na GFIP daquela obra, no máximo, poderia ser caracterizado como uma falha leve da BRJ, mas nunca apenála com a desconsideração de sua contabilidade para fins de utilizar o método de aferição indireta para calcular as contribuições previdenciárias devidas. 14. Acrescenta que alguns dos materiais aplicados na obra foram faturados diretamente em favor da Jozem pelos respectivos fornecedores. 15. Aduz que a adoção de técnicas como utilização de lajes protendidas e concreto usinado exige menor volume de mãodeobra, fato que deve ser levado em consideração. O mesmo se aplica para a instalação de esquadrias metálicas e portas. 16. Alega que foram realizados serviços complementares, pois na primeira etapa da obra não incluía os acabamentos das lojas do piso térreo e das salas dos pavimentos superiores. Após a conclusão da primeira etapa da obra, à medida que a empresa Jozem locava os espaços, a BRJ foi novamente contratada para realizar os serviços de acabamento, inclusive, em algumas unidades, realizou serviços diretamente aos locatários. Nesta época, já havia sido dado baixa na matrícula CEI da obra, razão pela qual não havia GFIPs específicas da obra em relação a tais serviços complementares. Não obstante, toda a mãodeobra alocada para execução desses serviços foi de empregados registrados na BRJ, tendo inclusive os contratantes promovido a retenção de 11% relativo ao pagamento pelos serviços, e todos os funcionários utilizados na execução desses serviços constaram de GFIPs que contamplavam também pessoas alocadas em outras obras em situação semelhante. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 17. Afirma que não há como considerar que a obra foi concluída anteriormente a estes serviços complementares e imprimir cobrança de eventuais diferenças de recolhimento por força de aplicação da aferição indireta. Da mesma forma não podem ser desconsiderados os recolhimentos feitos em período posterior. 18. Insurgese contra a utilização do CUB como parâmetro para a autuação, pois a obra foi parcialmente executada e o CUB contempla o custo total da obra por metro quadrado. 19. Requer seja julgado insubsistente o auto de infração e a juntada de novos documentos, depoimentos testemunhais e prova pericial. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento É o relatório. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000249/200918 Acórdão n.º 2401003.266 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 719. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto ao mérito o cerne da discussão do recorrente repousa na desconsideração da contabilidade e no fato de ao ser utilizado o Aviso de Regularização de Obra. e com conseqüente utilização do valor da mão de obra descrito pelo SINDUSCON, obtevese um valor muito superior de mão de obra do que a empregada nas obras. A empresa autuada apresentou recurso, onde apresenta os mesmos argumentos que constam no recurso do processo principal 12268.000247/200911, ao qual o presente processo está vinculado. Destaca o recorrente que a execução da obra deuse de forma parcial, tendo sido constatado por meio de laudo de vistoria, referida parcialidade e mais que o contrato, tipo nominalmente por empreitada global, na verdade deuse de forma parcial sem diversos acabamentos, muito menos serviços elétricos e hidráulicos foram realizados em sua totalidade, razão pela qual a mão de obra durante a obra nessas atividades foi mais baixa do que os padrões normais de edificação. Já o responsável solidária, além de lançar mão dos mesmos argumentos, quanto aos serviços executados, questiona a responsabilidade solidária que lhe foi atribuída, sem que se esgotasse a cobrança por parte da construtora, Frente aos diversos argumentos lançados pelo recorrente e pelo julgador de primeira instância entendo que a decisão recorrida não enfrentou os argumentos trazidos pelos impugnantes, de forma, que frente aos fatos ali rebatidos pudéssemos enfrentar de forma imparcial a questão. Cito trecho do recurso do recorrente, fls. 1265: O laudo de vistoria e a ata notarial descrevem os trabalhos desempenhados pela recorrente no que concerne a realização da obra, em que as áreas individuais do empreendimento foram entregues apenas com o contrapiso executado, sem paredes divisórias internas, inclusive dos banheiros que contavam apenas com as esperas para bacias sanitárias, pias etc. inexistia forro, inexistia pintura, piso, sendo que as unidades individualizadas foram entregues pendentes de diversos acabamentos para serem finalizados pela Josem. (...) Fl. 748DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Justificase dessa forma, a mão de obra constante das GFIPs e indicada pelo recorrente em sua escrituração contábil, haja vista que não foi responsável pela totalidade da obra, mas sim, pela sua parcialidade. (...) A empresa comprovou a realização parcial da obra, a terceirização de diversos serviços, conforme narrado (instalações elétricas, esquadrias, colocação de concreto armado, protensão de lajes dentre outros) bem como que para o trabalho desempenhado – execução parcial – não seriam necessários mais funcionários que s contratados e que efetivamente laboraram no local. O nível de acabamento que se vê das fotos integrantes da ata notarial e do laudo de vistoria espelham o que de fato foi executado em cada um dos pavimentos relativamente à primeira etapa das obras, findada em junho 2006, em relação a qual se obteve a matrícula CEI específica e que é objeto do presente AI. Necessário esclarecer acerca do concreto usinado que toda a concretagem terceirizada, sendo que as formas, armaduras e o lançamento do concreto foram realizado pela subcontratada DLM Construções Ltda, fato comprovado pela apresentação do respectivo contrato, acostado a impugnação, o que evidencia a menor necessidade de mão de obra própria da BRJ durante a obra Curioso, ainda que muito embora, todos esses argumentos relativos à terceirização de epatas da obra (concretagem, esquadrias, instalações elétricas, laje protendida dentre outros) tenham sido lançados pela BRJ, não houve manifestação acerca dessa particularidade no acordão, reconhecendo apenas, cegamente, que a obra foi concluída em junho de 2006 pela recorrente em sua totalidade. (...) O acordão declara que a retenção de 11% realizada referente às subempreiteiras contratadas sobre o valor da nota fiscal não altera o lançamento, sendo que apenas poderia ser considerada a mão de obra empregada se houvessem sido emitidas GFIPs específicas com vinculação inequívoca à obra. Todavia, não procede, data vênia, o arrazoado eis que as GFIPs apresentadas eram sim específicas, consoante se comprovou no documento 15 anexado à impugnação, razão pela qual a retenção realizada a razão de 11% não pode deixar de ser considerada na hipótese de manutenção do auto de infração. Considerando todos esses argumentos trazidos pelo recorrente, necessário apreciar o enfrentamento da questão pela autoridade julgadora, tendo em vista que o próprio recorrente alega a superficialidade das alegações. Ressaltese que o Termo de Intimação lavrado por Auditor Fiscal do Trabalho, onde constou que existiam na obra 27 trabalhadores na competência 08/05, diverge das GFIPs apresentadas, onde constam 17 trabalhadores. Tal fato foi reconhecido pela autuada em sua defesa ao dizer que “o fato de a fiscalização do MTE ter encontrado trabalhadores na obra que não constavam na GFIP daquela obra, no máximo, poderia ser caracterizado como uma falha leve da BRJ”. Portanto, inegável a utilização de mãodeobra não declarada e que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados utilizados na execução da obra. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000249/200918 Acórdão n.º 2401003.266 S2C4T1 Fl. 6 9 Constatouse também a falta de lançamento de pagamento de remuneração a profissionais utilizados nos serviços que demandem mãodeobra especializada, tais como instalador hidráulico, eletricista e vidraceiro. Observouse o indício da impossibilidade de execução da obra, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou em folhas de pagamento específicas para a obra, referentes à mãodeobra própria ou à terceirizada. A IN SRP 03/05, vigente à época do lançamento, dispõe que: Art. 435. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. [...]§ 2º Serão utilizadas as tabelas do CUB publicadas no mês da emissão do ARO referente ao CUB obtido para o mês anterior. § 3º Em relação à obra de construção civil, consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas: [...]III em qualquer competência no prazo de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal, quando a apuração se der em AuditoriaFiscal de obra para a qual não houve a emissão do ARO. Art. 443. A Remuneração da Mãodeobra Total RMT despendida na obra será calculada mediante a aplicação dos percentuais abaixo definidos na proporção 10 do escalonamento por área, sobre o CGO obtido na forma do art. 442, e somando os resultados obtidos em cada etapa: I nos primeiros 100 m2, será aplicado o percentual de quatro por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e dois por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); II acima de 100 m2 e até 200 m2, será aplicado o percentual de oito por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e cinco por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); III acima de 200 m2 e até 300 m2, será aplicado o percentual de quatorze por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e onze por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista); IV acima de 300 m2, será aplicado o percentual de vinte por cento para a obra tipo 11 (alvenaria) e quinze por cento para a obra tipo 12 (madeira/mista). Art. 445. Caso haja recolhimento de contribuição relativa à obra, a remuneração correspondente a este recolhimento será atualizada até a data de emissão do ARO com aplicação das taxas de juros previstas no caput e na alínea "b" do inciso II, Fl. 750DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 todos do art. 495, e deduzida da RMT, apurada na forma do art. 443 Art. 446. A remuneração relativa à mãodeobra própria, inclusive ao décimoterceiro salário, cujas correspondentes contribuições foram recolhidas com vinculação inequívoca à obra, será convertida em área regularizada, na forma prevista no art. 445, considerandose: (grifo nosso) Art. 448. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração: [...]III correspondente a cinco por cento do valor da nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, independentemente de apresentação do comprovante de recolhimento das contribuições sociais. Art. 451. A remuneração apurada de acordo com os arts. 446 a 448, será deduzida da RMT, definida no art. 443, e, havendo diferença, sobre ela serão exigidas as contribuições sociais previdenciárias e as destinadas a outras entidades ou fundos, observado o disposto no art. 452. Art. 453. Não se aplica o disposto nesta Seção à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados nãovinculados à obra ou cuja função não integre o cálculo do CUB, ainda que conste de GFIP referente à obra. Sendo assim, o auditor fiscal autuante, calculou a mãodeobra a regularizar de acordo com os fatos narrados e o comando da IN SRP 03/05, vigente à época do lançamento. As empresas insistem na tese de que a obra foi parcial, entretanto, consta nos autos atestado de conclusão fornecido pela Prefeitura Municipal de Pinhais, informando que a obra encontrase concluída. Além disso, não foi apresentada Anotação de Responsabilidade Técnica – ART indicando o percentual da obra que foi concluído, o que autorizaria a aferição por obra inacabada. Portanto, correto o procedimento fiscal. Quanto às subempreiteiras contratadas, o fato de ter sido promovida a retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal não tem o condão de alterar o lançamento. Apenas poderia ser considerada a mãodeobra empregada caso as contratadas tivessem emitido GFIPs específicas, com vinculação inequívoca à obra. O mesmo raciocínio se aplica para a mãode obra contratada no período posterior a 06/06, pois referida mãode obra não foi declarada em GFIPs específicas, com vinculação inequívoca a obra. O uso do concreto usinado foi considerado pela fiscalização. Portanto, conforme devidamente explicado no Relatório Fiscal e na Informação Fiscal, por haver inegável utilização de mãode obra não declarada e que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados utilizados na execução da obra, correto o lançamento apurado por aferição indireta. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000249/200918 Acórdão n.º 2401003.266 S2C4T1 Fl. 7 11 A responsabilidade solidária ora verificada decorre do contrato de empreitada total, e tem como subsídio legal o CTN, art. 124, incisos I e II, e a Lei 8.212/91, art. 30, inciso VI, sendo descabido o argumento da responsável solidária (Jozem) de que deve ser esgotada a cobrança em face da construtora, pois não se aplica ao caso o benefício de ordem. A multa cobrada no presente AI possui o devido respaldo legal e é de caráter irrelevável. O procedimento adotado pela fiscalização está de acordo com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09, que dispõe sobre a aplicação de multa após a MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09. Diante das alterações da legislação previdenciária, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09, o valor da multa aplicada deverá ser verificado e revisto, se for o caso, por ocasião do pagamento. Analisando a decisão proferida, observase realmente a falta do julgador, posto que mesmo não refutou os argumentos trazidos pelo recorrente em relação aos laudos apresentados, que determinam a suposta parcialidade da execução, nem tampouco Ora, embora entenda que nem sempre se faz necessário apreciar ponto a ponto trazido na peça impugnatória ou recursal, compete a autoridade fiscal, no mínimo afastar em conjunto as alegações. Contudo, no presente caso, não identifico a análise pontual da questão dos laudos apresentados (que concluíram a parcial conclusão da obra, nem tampouco a questão das retenções apresentadas com GFIP específica, ou mesmo as alegações tanto do contrantante, como do contratado de que após a competência descrita no lançamento, continuaram sendo executadas obras por meio de contratação de terceiros que não foram consideradas na base de cálculo, questões no entender dessa relatora imprescindíveis a verificação da mão de obra empregada e que afetam diretamente a insuficiência de mão de obra declarada que consubstanciou o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000379/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1993 a 31/08/1994
NULIDADE. VÍCIO. MATERIAL.
É material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso - por qualquer regra determinada no CTN - ocorreu a decadência.
Numero da decisão: 2301-003.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento originário como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido à definição colegiada sobre o vício, na questão da decadência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Sustentação oral: Parvati Teles Gonzáles. OAB: 29.434/BA.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1993 a 31/08/1994 NULIDADE. VÍCIO. MATERIAL. É material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso - por qualquer regra determinada no CTN - ocorreu a decadência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13502.000379/2008-12
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5316966
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.596
nome_arquivo_s : Decisao_13502000379200812.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13502000379200812_5316966.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento originário como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido à definição colegiada sobre o vício, na questão da decadência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Parvati Teles Gonzáles. OAB: 29.434/BA. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5251152
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368022429696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 424 1 423 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000379/200812 Recurso nº 168.558 Voluntário Acórdão nº 2301003.596 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CARAÍBA METAIS S.A. E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1993 a 31/08/1994 NULIDADE. VÍCIO. MATERIAL. É material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso por qualquer regra determinada no CTN ocorreu a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento originário como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido à definição colegiada sobre o vício, na questão da decadência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Parvati Teles Gonzáles. OAB: 29.434/BA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 03 79 /2 00 8- 12 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000379/200812 Acórdão n.º 2301003.596 S2C3T1 Fl. 425 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 0321, apresentado contra decisão de primeira instância administrativa, fls. 0301, que decidiu pela procedência do lançamento, nos seguintes termos: LANÇAMENTO CESSÃO DE MÃO DE OBRA: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. A responsabilidade solidária do cessionário de mão de obra é elidida se comprovado o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura pelo cedente. Até o limite de janeiro de 1999, o contratante de quaisquer, serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário,, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes no Plano de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem. DECADÊNCIA — O direito da Seguridade Social apurar e constituir os seus créditos extinguese após dez anos, nos termos do art.45 da Lei n° • 8.212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE Para esclarecimento, o litígio em questão é oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, e constituise em contribuições incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, fls 086 a 0101,os valores da base de cálculo foram obtidos em notas fiscais de prestação de serviço, devido ao instituto da solidariedade. Por fim, o RF informa que o lançamento é substitutivo a lavrado em 18/12/1998 e julgado nulo pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) em 23/01/2003. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 30/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0270 a 0291, acompanhada de anexos, argumentando, em síntese, que: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 1. Tratase de lançamento substitutivo a originário declarado nulo devido a – segundo o CRPS – a fiscalização não demonstrou a ocorrência da cessão de mão de obra em cada um dos contratos de prestação de serviços, limitandose a produzir relatório fiscal genérico e não motivado; 2. A regra decadencial a ser aplicada deve ser a determinada no Art. 150 do CTN; 3. Não se aplica ao caso presente o conceito de cessão de mão de obra; 4. A solicitação de documentos relativos a 1995 – extrapola qualquer prazo decadencial; 5. Os serviços de transporte não podem ser caracterizados como cessão de mão de obra/ 6. Ante o exposto, solicita o provimento de seu recurso. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0321 a 0338, acompanhado de anexos, onde reitera, em síntese, os motivos já apresentados em sua defesa. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0344. A segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara do CARF, analisou a questão, fls. 0345, e decidiu converter o julgamento em diligência, para, em síntese, que fosse anexada a decisão que anulou o lançamento original, a fim de definir os efeitos na regar decadencial a ser aplicada. A Delegacia da Receita Federal em Camaçari anexou as decisões, fls. 0356. O sujeito passivo foi devidamente intimado e apresentou seus argumentos, fls. 0374, pleiteando, em síntese, a decisão pela decadência do crédito lançado, devido a definição do vício como material, conforme decisões reiteradas e citadas, já proferidas pela CARF, em processos em que figura por idênticos motivos É o relatório. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000379/200812 Acórdão n.º 2301003.596 S2C3T1 Fl. 426 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, a questão a ser analisada. Na época dos fatos, estava em vigor o Art. 45, da Lei 8.212/1991, que determinava que o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias era de dez anos. Com a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo citado, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cabe a este colegiado definir qual regra decadencial, expressas no Código Tributário Nacional (CTN), deve ser aplicada ao caso. Para esclarecimento, conforme RF, fls. 088, o lançamento em questão substitui os lançamentos 32.615.9304 (anulado pela decisão 02/00250/2003, de 23/01/2003, fls. 088) e 32.616.1040 (anulado pela decisão 002026, de 02/09/2003, fls. 088). Ressaltese que, em resposta a diligência efetuada foram anexadas as devidas decisões do CRPS, que não definiram o tipo de vício existente no lançamento, fls. 0357 e 0362, consignado, em ambas as decisões, que “caberia ao INSS verificar a oportunidade de adotar os procedimentos eferentes à refiscalização e assim efetuar novo lançamento”. Pois bem, o motivo da nulidade do lançamento dos dois lançamentos originários foi a efetivação de refiscalização, sem nenhuma motivação para tanto (Art. 149 Do CTN), nos seguintes termos: “Quanto ao fato de ser prerrogativa do INSS, concordo; entretanto, tal prerrogativa não pode ser exercida a revelia da lei ou em detrimento do contribuinte. E outro não é o entendimento hoje consolidado pelo INSS, ainda que tardiamente, bastando para tanto vermos como a I. N. INSS/DC 70/02 e O. I. INSS/DIRAR n.° 1/02, tratam o assunto. Assim temos um contribuinte que foi fiscalizado pelo INSS e na ocasião nenhum crédito foi constituído, restando a ele, tão somente a comprovação de estar agindo dentro dos termos da lei e recolhendo corretamente as contribuições fiscalizadas pelo INSS tal situação impossibilitou, inclusive, a correção de eventuais erros ou omissões do contribuinte. Ai, de uma hora para outra, tal estabilidade é alterada, não sendo apresentada a menor justificativa ao contribuinte para tal atitude e quando a 2a CaJ/CRPS buscou alguma explicação, restou tão somente que o ato decorre apenas de prerrogativa e praxe do INSS — nenhum Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 comprovação de fraude, falta funcional da autoridade ou omissão de ato ou formalidade essencial foi apresentada. Por tudo o que foi acima exposto, não vejo melhor decisão que anular a NFLD em pauta, visto que lavrada em flagrante desrespeito aos direitos do Contribuinte.” Para a definição da regra decadencial a ser aplicada, devemos, primeiro definir o vício que anulou os lançamentos originais. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro.1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição, da exteriorização, do crédito tributário. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000379/200812 Acórdão n.º 2301003.596 S2C3T1 Fl. 427 7 Já a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento e corresponde ao conteúdo do ato administrativo, seu objeto. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §50, da Lei n° 8.212/91. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve evidenciar a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. (Acórdão 2302002.258, de 22/11/2012, Relatora: Liége Lacroix Thomasi) Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, como determina o II, Art. 173 do CTN, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Por todo o exposto, entendo como material o vício presente na correta descrição do fato gerador, como no caso em questão, que anulou o lançamento devido a ausência de demonstração de uma das possibilidade de revisão de lançamento, previstas no Art. 149 do CTN, prejudicando o direito de defesa da recorrente. Com decisão do vício como material, a decadência deve ser decretada por qualquer regra presente no CTN (Art. 150 ou 173), pois o prazo continuou a fluir e ciência do lançamento ocorreu em 30/12/2005, fls. 001, com as competências em questão referiremse ao período de 08/1993 a 08/1994. Portanto, por qualquer regra decadencial, aplicáveis ao caso § 4º, Art. 150 do CTN ou I, Art. 173 do CTN) as contribuições lançadas estão alcançadas pela decadência. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13502.000379/200812 Acórdão n.º 2301003.596 S2C3T1 Fl. 428 9 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.976953/2009-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. AUFERIMENTO DE RECEITA. CONTRIBUINTE. PAGAMENTO DEVIDO.
É contribuinte a pessoa jurídica que aufere a receita. Inexistindo responsabilidade ex lege pelo recolhimento da contribuição o pagamento feito por ele é devido, sendo indevido o pagamento dúplice efetuado pela empresa líder do consórcio, que é a legitimada para pleiteá-lo. Inexistindo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
Numero da decisão: 3803-004.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. AUFERIMENTO DE RECEITA. CONTRIBUINTE. PAGAMENTO DEVIDO. É contribuinte a pessoa jurídica que aufere a receita. Inexistindo responsabilidade ex lege pelo recolhimento da contribuição o pagamento feito por ele é devido, sendo indevido o pagamento dúplice efetuado pela empresa líder do consórcio, que é a legitimada para pleiteá-lo. Inexistindo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10880.976953/2009-82
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5307661
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-004.698
nome_arquivo_s : Decisao_10880976953200982.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880976953200982_5307661.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5174049
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368047595520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2239; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 174 1 173 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.976953/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.698 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO CITIBANK S/A. (SUCESSOR UNIVERSAL POR INCORPORAÇÃO DE FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 SUJEIÇÃO PASSIVA DIRETA. AUFERIMENTO DE RECEITA. CONTRIBUINTE. PAGAMENTO DEVIDO. É contribuinte a pessoa jurídica que aufere a receita. Inexistindo responsabilidade ex lege pelo recolhimento da contribuição o pagamento feito por ele é devido, sendo indevido o pagamento dúplice efetuado pela empresa líder do consórcio, que é a legitimada para pleiteálo. Inexistindo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 69 53 /2 00 9- 82 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 03741.42002.141105.1.3.045000, fls. 2/6, utilizando como crédito pagamento supostamente a maior de Cofins cumulativa, relativa ao mês de abril de 2002, no valor de R$ 71.731,97, do DARF pago de R$ 482.694,95. Despacho Decisório eletrônico, de 24 de agosto de 2009, da Derat/São Paulo, fl. 7, não homologou a DComp pelo fato de o pagamento informado já ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 11/19, a Contribuinte argüiu que: a) incluiu na base de cálculo, indevidamente, a receita denominada REDECARD, contabilizada no mês de maio de 2002 (doc.5), na rubrica contábil 7.19.99.00.9 sub 57.199.900.939.8, o que resultou no pagamento da Cofins no valor de R$ 482.694,95; b) com a exclusão da dita receita, conforme planilha demonstrativa à fl. 47 (doc. 4), o tributo devido passou a ser de R$ 364.996,26; c) tal receita foi gerada pela participação da Requerente no Consórcio, onde a REDECARD é a líder. Por força contratual, a FNC tem direito, a partir de 01 de dezembro de 1997, a 33,3333% das operações de desconto receptivo, licenciados e aluguel de POS (conforme 2ª Alteração do Contrato de Constituição do Consórcio REDECARD doc. 7), sendo que os tributos incidentes sobre a referida receita são recolhidos pela Líder do Consórcio, conforme cláusula quinta § 1° do contrato; d) ao fazer a inclusão da "Receita REDECARD" nas bases de cálculo do PIS e da Cofins essa receita acabou sendo tributada em duplicidade, pois foi objeto de tributação na REDECARD (vide bases de cálculo de Cofins e do PIS da REDECARD e DARF doc.8). Sendo assim, não há que se questionar a origem do crédito utilizado pela Requerente; e) a conduta da Administração Pública deve pautarse pelo princípio da legalidade previsto no art. 5o, II, e no art. 150, I, da CF/88, que veda a cobrança de tributos sem previsão legal. Dessa forma, para que exista cobrança de impostos é necessária a ocorrência do fato gerador e que todos os seus elementos estejam previstos em lei; Fl. 175DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.976953/200982 Acórdão n.º 3803004.698 S3TE03 Fl. 175 3 f) tratandose de fato gerador, vigora o princípio da verdade material, sendo que neste caso não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar a incidência tributária; g) ocorreu um equívoco no preenchimento da DCTF, um erro formal, na qual a empresa lançou como débito apurado valor maior que o devido, erro este que a Requerente se prontificou em retificar, mas ficou impossibilitada pois o recolhimento tem período de apuração de abril de 2002. Em julgamento da lide a DRJ/São Paulo I: a) referiu acerca da certeza e liquidez que há de ter o crédito alegado, documentalmente comprovada. b) verificou que foram trazidos aos autos Contrato de Constituição de Consórcio REDECARD, planilha demonstrativa da base de cálculo, cópia simples de balancete e DARF da REDECARD Contudo, considerou que esses documentos não eram suficientes para fazer prova a favor da Manifestante, pois não comprovam o alegado erro na base de cálculo das contribuições, ou seja, que a Receita REDECARD tenha sido tributada em duplicidade. Aduziu que seria importante a apresentação prévia da DCTF retificadora, bem como da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, em obediência ao disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72; c) ressaltou o ônus da prova pertinente à Manifestante. Uma vez dele não se tendo desincumbido, não havia razão para deferir o pedido de diligência. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 15/05/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao Sujeito Passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Cientificada da decisão em 25 de abril de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 105/117, em 22 de maio de 2012, em que reitera todos os fundamentos trazidos na manifestação de inconformidade, mencionando os mesmos documentos ali anexados. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A origem do crédito de Cofins utilizado na declaração de compensação sob análise, conforme o alegado, é pagamento efetuado em duplicidade com o também feito pela empresa líder do Consórcio de que esta pessoa jurídica participa, denominado REDECARD. Argumenta a Recorrente que por força contratual, a FNC tem direito a um terço do resultado das operações decorrentes de desconto receptivo, licenciados e aluguel de POS, conforme 2ª Alteração do Contrato de Constituição do Consórcio REDECARD (doc. 6), sendo que os tributos incidentes sobre a referida receita deviam ser e foram recolhidos pela Líder do Consórcio, conforme cláusula quinta § 1° do referido contrato É fato que o Imposto de Renda Retido na Fonte e os demais tributos incidentes sobre as receitas devem ser retidas das consorciadas, conforme estipulação do parágrafo primeiro do Contrato de Constituição de Consórcio Redecard[1],.assim pactuado entre as Partes contratantes e formadoras do Consórcio. 1 PARÁGRAFO PRIMEIRO: O ISS, PIS, COFINS , Imposto de Renda na Fonte e quaisquer outros tributos incidentes sobre as receitas atribuídas às CONSORCIADAS serão retidos e recolhidos pela LÍDER DO CONSÓRCIO, sendo cada CONSORCIADA, relativamente às incidências tributárias que !he digam respeito, solidária com a LÍDER DO CONSÓRCIO na mesma proporção de cada participação nas receitas, como definido no Anexos I, II, III e1V deste contrato. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.976953/200982 Acórdão n.º 3803004.698 S3TE03 Fl. 176 5 Os diversos documentos contábeis anexados à defesa foram considerados insuficientes para gerar a convicção do Colegiado de primeira instância quanto à certeza e liquidez do crédito da Pleiteante perante a Receita Federal do BrasilRFB, do que, com fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional, o Colegiado a quo exarou sua decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade. Aduziu o Relator que “é de incumbência do contribuinte comprovar ter recolhido de forma indevida ou a maior que o apurado, em conformidade com as hipóteses disciplinadas pelo art. 165 do CTN”. Ressalvado o equívoco do voto condutor na apreciação dos documentos anexados à manifestação de inconformidade, no ponto em que não avalia o Razão da Recorrente em que registra a receita recebida da líder, REDECARD S.A., documento está titulado como balancete. Correta a posição adotada de não contemporizar com a falta do mesmo documento contábil (ou o Diário) da REDECARD S.A. em todos os processos, que visassem à comprovação da sua base de cálculo e, sequencialmente, da duplicidade do pagamento da contribuição. No recurso voluntário, a Recorrente nada mais acrescenta no tocante a documentos comprobatórios, pelo que, não pode ser outro o desfecho do presente conflito, confirmandose o desprovimento na primeira instância. De mais a mais, importa destacar que o direito à compensação de créditos do contribuinte perante a RFB, como é consabido, está regulado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Induvidosamente, a estipulação dessa norma encontra fundamento de validade no art. 170 do CTN citado pela decisão recorrida uma vez que o crédito apurado por contribuinte e utilizado na compensação unilateral de débito tributário que este promove com força extintiva vinculase aos pressupostos de certeza e liquidez. Estes dois atributos pressupostos do crédito apurado hão de ser posteriormente, em tese, objeto de verificação pela Fazenda, tendo em vista a homologação da compensação, momento em que o crédito poderá ser controvertido, não reconhecido e a compensação não homologada, pelo implemento da condição resolutiva. O crédito certo é aquele que é manifesto na sua existência e que se adere ao titular do direito subjetivo de repetilo, por decorrer de pagamento indevido ou a maior. Crédito líquido é aquele delimitado na sua extensão. Assim, líquido e certo é o crédito apto a ser exercitado no momento da sua apuração. O contribuinte só apura crédito perante a Fazenda à luz de um direito subjetivo que julga possuir, dimensionandoo a partir do critério quantitativo do fato gerador (base de cálculo e alíquota). A decisão recorrida ancorou a sua razão de decidir na falta da liquidez e certeza do crédito. No entanto, o fez sob o prisma da liquidez e ante a falta de documentos processualmente idôneos para comprovação das bases de cálculo, em especial da REDECARD Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 S.A.. Deixou de apreciar a questão relativa à certeza do crédito, quanto a sua existência e titularidade. Nesse caminho, cabe verificar se o sujeito passivo pode apurar o crédito que alega possuir para que venha à existência. Isso se faz discernindo que o sujeito passivo da obrigação de pagar a Cofins e a contribuição para o PIS é quem aufere a receita, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.718/98. Regida por esta lei a administração dessas contribuições e disciplinada pela Instrução Normativa SRF nº 247/2002 não há nela preceito elegendo responsável tributário na hipótese de operações realizadas por meio de consórcio. Noutra palavra, quem deve recolher as contribuições é cada consorciada, na razão de suas atividades e faturamento em atuação pelo consórcio. Disso se dessume que a FNC Comércio e Participações Ltda. pagou devidamente as contribuições sobre as receitas recebidas da REDECARD S.A.. Assim, se houve duplicidade de recolhimento quem nela incorrera indevidamente fora a REDECARD S.A, sendo sua a legitimidade de pleitear a repetição do indébito, não da FNC Comércio e Participações. Em que pese disciplina pontual desta matéria somente ter ocorrido com a edição da Instrução Normativa RFB nº 834, de 26 de março de 2008, sabese que regulamento não cria direito, mas dispõe sobre direito preexistente já regulado em lei, no caso a Lei nº 9.718/98, sob cujo regime operaram as empresas consorciadas até o mês de novembro de 2002, relativamente ao PIS e durante todo o ano de 2002 relativamente à Cofins. Os seus arts. 4º e 5º dispõem que: Art. 4º O faturamento correspondente às operações do consórcio será efetuado pelas pessoas jurídicas consorciadas, mediante a emissão de Nota Fiscal ou Fatura próprios, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. § 1º Nas hipóteses autorizadas pela legislação do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) e do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, a Nota Fiscal ou Fatura de que trata o caput poderá ser emitida pelo consórcio no valor total. ( Redação dada pela IN RFB nº 917, de 9 de fevereiro de 2009 ) § 2º Na hipótese do § 1º, o consórcio remeterá cópia da Nota Fiscal ou Fatura às pessoas jurídicas consorciadas, indicando na mesma as parcelas de receitas correspondentes a cada uma para efeito de operacionalização do disposto no caput do art. 3º. § 3º No histórico dos documentos de que trata este artigo deverá ser incluída informação esclarecendo tratarse de operações vinculadas ao consórcio. Art. 5º A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins relativas às operações correspondentes às atividades dos consórcios serão apuradas pelas pessoas jurídicas consorciadas proporcionalmente à participação de cada Fl. 179DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.976953/200982 Acórdão n.º 3803004.698 S3TE03 Fl. 177 7 uma no empreendimento, observada a legislação específica. Esta disciplina está reiterada atualmente na Instrução Normativa RFB nº 1.199, de 14 de outubro de 2011. Demais, reza o Código Tributário Nacional que as convenções particulares, tais como as firmadas mediante o contrato que rege o consórcio REDECARD, não podem ser opostas à Fazenda, segundo dispõe o art. 123, verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721162/2012-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS.
A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (navios-sonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas excuções.
O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitam-se à incidência da Contribuição. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia.
BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE.
A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.702
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto de qualidade, considerou-se que houve a bipartição artificial dos contratos, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz e excluiu-se o crédito tributário decorrente do reajustamento da base de cálculo da CIDE, vencidos os Conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim; b) por maioria de votos, considerou-se desnecessária a existência de transferência de tecnologia para a incidência da CIDE, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti e excluiu-se os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Ricardo Krakowiak, advogado da recorrente, e a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra, Procuradora da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Alexandre Kern
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (navios-sonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas excuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitam-se à incidência da Contribuição. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 16682.721162/2012-35
conteudo_id_s : 5324056
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-002.702
nome_arquivo_s : Decisao_16682721162201235.pdf
nome_relator_s : Alexandre Kern
nome_arquivo_pdf_s : 16682721162201235_5324056.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto de qualidade, considerou-se que houve a bipartição artificial dos contratos, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz e excluiu-se o crédito tributário decorrente do reajustamento da base de cálculo da CIDE, vencidos os Conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim; b) por maioria de votos, considerou-se desnecessária a existência de transferência de tecnologia para a incidência da CIDE, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti e excluiu-se os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Ricardo Krakowiak, advogado da recorrente, e a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra, Procuradora da Fazenda Nacional.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5295267
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368076955648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 56; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 15.183 1 15.182 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721162/201235 Recurso nº 16.682.721162201235 Voluntário Acórdão nº 3403002.702 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria AUTO DE INFRACAO CIDE REMESSAS FINANCEIRAS AO EXTERIOR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (naviossonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas excuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitamse à incidência da Contribuição. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 62 /2 01 2- 35 Fl. 15200DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto de qualidade, considerouse que houve a bipartição artificial dos contratos, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz e excluiuse o crédito tributário decorrente do reajustamento da base de cálculo da CIDE, vencidos os Conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan e Marcos Tranchesi Ortiz. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim; b) por maioria de votos, considerouse desnecessária a existência de transferência de tecnologia para a incidência da CIDE, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti e excluiuse os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Ricardo Krakowiak, advogado da recorrente, e a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra, Procuradora da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS foi autuada pela Fiscalização da DEMAC/RJ, fls. 14.599 a 14.604, para cobrança da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico CIDE, relativa ao anocalendário de 2008, no valor de R$ 329.365.190,15, com multa de ofício e juros de mora, incidente sobre remessas de valores ao exterior. A exação montou a R$ 576.389.082,76. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 14.645 a 14.765 dá conta de que o procedimento fiscal foi provocado por representações fiscais formalizadas pela DRF/Campos de Goytacazes/RJ, em que se apontaram indícios de irregularidades na contratação, pela autuada, de serviços de perfuração, exploração e prospecção em campos de petróleo e/ou gás, em que grande parte da remuneração paga por esses serviços foi atribuída a afretamento de embarcações e destinada ao exterior, sob o benefício de alíquota zero do Imposto sobre a Fl. 15201DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.184 3 Renda Retido na Fonte IRRF, previsto no art. 691 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de Março de 1999 – RIR/99, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 20 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 19971. A Fiscalização examinou a estrutura dos seguintes contratos: UNIDADE DE OPERAÇÃO CONTRATOS 1. STENA DRILLMAX I CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2010.0040506.08.2 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2010.0040444.08.2 2. BLUE SHARK CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0024563.06.2 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 181.2.044.01.1 3. BLUE ANGEL CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0036124.07.2 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0036126.07.2 4. ALASKAN STAR SS39 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.003.983 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.004.98.6 5. FALCON STAR SS45 (depois renomeada ATLANTIC STAR) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.005.98.9 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.006.98.1 6. OCEAN ALLIANCE CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.023.001 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.024.004 7. OCEAN YATZI CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.010.980 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.011.983 8. OCEAN CLIPPER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.037.999 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.038.991 9. OCEAN WINNER CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.004.042 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) 10. OCEAN YORKTOWN CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0031892.07.2 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0031894.072 11. OCEAN WHITTINGTON CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0031896.072 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0031894.072 12. OCEAN CONCORD CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0034168.072 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0034169.07 13. FPSO CIDADE DO RIO DE JANEIRO MV14 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2100.0013183.052 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) 14. PEREGRINE I CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0013711.052 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado 15. NOBLE ROGER EASON NS15 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.013.045 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) 16. NOBLE LEO SEGERIUS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.127.011 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 187.2.128.014 17. NOBLE PAUL WOLF SS53 (AMOS RUNNER) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.038.975 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.039.978 18. NOBLE MURAVLENKO CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.016.043 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0004424.042 19. NOBLE THERALD MARTIN SS62 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0013082.052 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) 20. PRIDE SOUTH AMERICA SS47 (AMETHYST/ENSCO 6000) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.016.0960 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS inúmero não identificado) 1 Art. 1° A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadía e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; Fl. 15202DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 UNIDADE DE OPERAÇÃO CONTRATOS 21. PRIDE BRAZIL (ENSCO 6002) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.008.012 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) 22. SS PRIDE CARLOS WALTER (ENSCO 6001) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.010.016 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) 23. PRIDE RIO DE JANEIRO (ENSCO 6003) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0011673.052 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) 24. PRIDE PORTLAND (ENSCO 6004) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0011676.052 CONTRATO de PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS inúmero não identificado) 25. PRIDE SOUTH ATLANTIC (ENSCO 5005) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0027341.062 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0027343.062 26. PRIDE MEXICO (ENSCO 5000) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0032903.072 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0032906.072 27. FPSO CIDADE DE VITÓRIA CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2300.0014992.052 CONTRATO DE SERVIÇO n° 2300.0014986.05.2 28. FPSO GOLFINHO (CAPIXABA) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2300.009461.052 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2300.0009462.052 29. FPSO MARLIMSUL CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 191.2.001.03.5 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) 30. FPSO ESPADARTE CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.108.988 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.109.980 31. FPSO BRASIL CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 191.2.014.012 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 191.2.015.015 32. SEDCO 707 SS49 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.051.969 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.052.961 33. TRANSOCEAN DRILLER SS50 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.012.042 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS inúmero não identificado) 34. SEDCO 710 SS43 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.108.013 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) 35. DEEPWATER NAVIGATOR CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0013707.052 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0013709.052 36. FALCON 100 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0034726.072 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0034727.072 37. DEEPWATER MILLENIUM Não há de cópia do contrato de serviços A Fiscalização logrou identificar semelhança entre as contratações examinadas no curso do procedimento fiscal com outras, analisadas em procedimentos fiscais anteriores, referindo expressamente os processos administrativos fiscais 18471.000360/2003 87, 18471.001620/200336, 15521.000127/200963, 19395.720024/201262 e 15521.000156/200952, o que, nos termos do referido TVF, demonstraria tratarse de um modelo de contratação sistematicamente adotado pela PETROBRÁS. Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo próprio grupo econômico que presta os ditos serviços. A empresa estrangeira – afretadora da unidade e a empresa nacional – prestadora do serviço pertencem ao mesmo grupo econômico e desempenham, de forma conjunta e solidária, atividades formalmente contratadas de forma segregada, tendo ambas um único objetivo a prestação de serviços para a contratante PETROBRÁS. A maior parte do preço pago pela PETROBRÁS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte e sem o recolhimento da CIDE, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. Ainda, nesse modelo de contratação bipartida, há estreita vinculação entre o contrato de afretamento e o de serviços: a) ambos os contratos, em geral, são assinados na mesma data; Fl. 15203DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.185 5 b) os contratos de afretamento e de prestação de serviços têm execução simultânea; c) a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de serviços acarreta a rescisão, suspensão ou força maior no contrato de afretamento (caso o afretamento tivesse existência autônoma, a rescisão do contrato de serviços não acarretaria, necessariamente, a rescisão do afretamento, pois a PETROBRÁS poderia simplesmente contratar outra prestadora de serviços); d) frequentemente, a fretadora estrangeira figura como co segurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços nacional; e) o contrato de prestação de serviços contém diversas disposições pertinentes ao fornecimento da plataforma (e.g., o contrato de afretamento prevê multa de 20% sobre a taxa diária de operação no caso de não atendimento de determinada cláusula do contrato de prestação de serviços, os cláusulas que atribuem à fretadora a obrigação de fornecimento de mãodeobra especializada para a execução do contrato de prestação de serviços), chegando a mesmo a haver vinculação formal entre os dois contratos. A partir dessa estrutura contratual, a Fiscalização concluiu tratarse de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRÁS, e de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. No contexto concreto dessas contratações, em que pese a repartição formal em dois contratos, não haveria afretamento autônomo. O fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados, que acabam por absorver o afretamento, sendo os serviços a atividadefim, para a qual o afretamento é atividademeio. A autuada infringiu a legislação tributária porque: a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) as unidades fretadas foram todas fornecidas por empresa do mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa prestadora de serviços foi contratada operar unidade que o próprio grupo a que pertence forneceu; Fl. 15204DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda e da CIDE sobre a maior parte da remuneração. Assim sendo, conforme o TVF, os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, correspondem, de fato, à remuneração pela prestação de serviços, já que a natureza desses pagamentos não é definida apenas pelas cláusulas contratuais de um contrato isolado, mas também, e principalmente, pela realidade fática produzida no desempenho dos contratos vinculados e interdependentes, sujeitandose à incidência do IRF e da CIDE. Com base em todo o exposto, a Fiscalização lançou de ofício a CIDE, incidente sobre pagamentos efetuados pela contribuinte a empresas estrangeiras, a título de afretamento, no ano de 2008 (o lançamento de ofício de IRRF foi objeto do processo administrativo 16682.721161/201291). O tributo foi calculado sobre os pagamentos selecionados pela fiscalização, com as características descritas na inferência fiscal, ou seja, em que o suposto afretamento é parte integrante e indissociável dos serviços prestados pelo grupo econômico contratado pela PETROBRAS, a partir das invoices e boletins/relatórios de medição apresentados pela autuada, referenciando uns e outros no demonstrativo "Demonstrativo Analítico dos Pagamentos a Título de Afretamento para Beneficiários no Exterior", fls. 14.590 a 14.598. Sobreveio impugnação, fls. 14.782 a 14.849. A matéria controvertida pode ser assim sintetizada: a) Os indícios apontados pelo Fisco para concluir que no caso haveria um único contrato de prestação de serviços que abarcaria o afretamentodas embarcações denotam apenas a existência de contratos coligados união de contratos com dependência recíproca necessária/voluntária, figura conhecida e reconhecida pela doutrina civilista e que nada tem de ilegal; b) Os contratos de afretamento podem ser de várias modalidades, interessando ao caso o afretamento a casco nu, semelhante a aluguel de coisa móvel, e o afretamento por tempo, no qual a embarcação é entregue armada e tripulada, ou seja, envolve prestação dos serviços que constituem a gestão náutica da embarcação. Porém, a gestão comercial utilizar a embarcação nos fins a que se destina, que em última análise é o objetivo do afretamento será sempre transferida ao afretador, que pode exercêla de forma direta ou terceirizada, como faz a Recorrente quando contrata empresa no Brasil para prestar serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, fato que afasta a pretensão fiscal de que o afretamento seja parte de tais serviços, ainda que estes sejam prestados pela dona da embarcação; c) No caso está havendo alteração via interpretação da qualificação da relação jurídica entre as partes, com violação aos artigos 170 da CF/88, 109 e 110 do CTN e da jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 15205DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.186 7 d) O auto de infração foi lavrado sem que fossem solicitados à Requerente e muito menos examinados pela autoridade Fiscal os contratos de prestação de serviços relacionados no Auto de Infração. As autuações foram lavradas a partir de cópias dos contratos de prestação de serviços de duas embarcações (NOBLE MURAVLENKO e NOBLE SEGERIUS) e do convite relativo à unidade OCEAN WINNER, obtidos no curso de outros procedimentos fiscais, e o que é pior, pretensamente em razão das conclusões a que chegaram os Fiscais autuantes nesses outros procedimentos. Daí a nulidade do lançamento em relação aos contratos que não foram solicitados nem examinados pela autoridade lançadora. e) diferentemente do que concluiu a autoridade lançadora, não ocorre o fato gerador da CIDE, já que os valores remetidos pela Recorrente ao exterior não remuneram serviços técnicos, mas o afretamento de embarcações; f) a exigência da contribuição instituída pela Lei nº 10.168, de 2000 não é legítima relativamente às situações em que, como no caso concreto, não haja transferência de tecnologia; g) a Recorrente já contribuiu de forma específica para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico FNDCT nos termos do Decreto nº 2.851/98, sendo ilegítima cobrança genérica da CIDE instituída pela Lei nº 10.168, de 2000 para financiar a mesma atividade; h) não é legítimo o reajustamento ("Gross up") da base de cálculo da CIDE uma vez que: i. a base de cálculo da CIDE prevista no § 3o do artigo 2° da Lei nº 10.168, de 2008, não permite sua incidência sobre o IRRF; ii. não é possível a exigência da CIDE sobre o IRRF em face da ausência de previsão legal; iii. o artigo 725 do RIR/99 é norma própria do imposto sobre a renda, não podendo ser aplicada à CIDE por analogia; e Fl. 15206DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 i) em qualquer hipótese, não poderão ser exigidos juros de mora sobre o valor lançado a título de multa de ofício, por falta de previsão legal. A impugnação foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/RJ1. O Acórdão nº 1254.294, de 26 de março de 2013, fls. 14.990 a 15.016, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE Anocalendário: 2008 CONTRATO DE AFRETAMENTO DE PLATAFORMA E CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NATUREZA DO PAGAMENTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS Para fins tributários, é necessário verificar qual a natureza dos pagamentos, tendo em vista a realidade fática, e não a formalidade dos contratos. Dos fatos apontados nos autos, restou comprovado tratarse de um único contrato de prestação de serviços, embora formalmente sejam firmados dois acordos, um de afretamento e outro de prestação de serviços. NULIDADE AUSÊNCIA DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INCABÍVEL Não cabe declarar nulidade do lançamento quando está demonstrada, por outros meios de prova, a infração apurada. Caberia, se fosse o caso, à autuada demonstrar o equívoco no lançamento com provas apresentadas na impugnação. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA e SEMELHANTES INCIDÊNCIA DA CIDE A partir de 1° de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, não havendo, nestes casos, para a caracterização da hipótese de incidência da contribuição, qualquer vinculação com transferência de tecnologia. CONTRIBUIÇÃO PARA O FNDCT VIA PARCELA DOS ROYALTIES BIS IN IDEM INAPLICABILIDADE A contribuição para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mediante parcela dos royalties pagos, não afasta a cobrança da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de contratos de prestação de serviços técnicos e de assistência técnica. Não ocorre “bis in idem”, pois os pagamentos possuem naturezas jurídicas distintas. BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição Fl. 15207DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.187 9 de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO BASE LEGAL A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. JUROS DE MORA. TAXA SELIC BASE LEGAL SÚMULA nº 4 CARF A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 5ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 15.024 a 15.110, após síntese dos fatos relacionados com a lide, repete os argumentos de defesa esposados na impugnação, relativos a: a) inocorrência do fato gerador da CIDE, visto que os valores remetidos pela recorrente ao exterior não remuneram serviço técnico; b) violação aos artigos 109 e 110 do CTN e 170 da CF/88; c) nulidade do auto de infração em relação aos contratos de prestação de serviço que não foram solicitados nem examinados pela autoridade fiscal; d) não incidência da CIDE em razão da inexistência de transferência de tecnologia; e) ilegitimidade da cobrança em duplicidade da CIDE para financiar a mesma atividade, visto que a recorrente já contribui para o FNDCT via parcela dos royalties; f) impossibilidade do reajustamento ("gross up") da base de cálculo; g) a não incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Refuta expressamente o que considera equívocos cometidos pela decisão recorrida: a) a recorrente jamais afirmou, especificamente quanto às plataformas e naviossonda, que o afretamento se limitaria a prestar apoio à execução destas atividades, afirmação restrita apenas a duas unidades de apoio a operações de estimulação de poços (WSSV BLUE SHARK E BLUE ANGEL) Fl. 15208DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 b) a decisão recorrida distorceu as conclusões do parecer referido na impugnação, diferenças entre o afretamento marítimo e o de plataformas descritas como WSSV (Well Stimulation Support Wessel) Pede provimento. O recurso voluntário foi contrarrazoado pela PGFN, fls. 15.146 a 15.181. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 15024 a 15110 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ5ª Turma da DRJ/RJ1 nº 12 054.294, de 26 de março de 2013. Preliminar de nulidade De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (item 4. Da Presente Ação Fiscal), no curso do procedimento, a Fiscalização intimou a ora recorrente, por diversas vezes, a apresentar cópia dos instrumentos dos contratos de afretamento celebrados. Entre 20/04/2011, data da expedição do Termo de Início de Fiscalização e 02/10/2012, foram lavrados 14 (quatorze) termos de intimação. Metade deles foram objeto de pedido de prorrogação de prazo (fls. 7, 100, 1238, 1239, 1242, 3386 e 3842). O contribuinte teve ainda de ser reintimado algumas vezes, inclusive sob ameaça de agravamento das penalidades, seja porque simplesmente não atendeu ao que lhe foi demandado, ou mesmo porque se recusou expressamente a fazêlo. Dignas de nota as efemérides relacionadas com a Intimação nº 13, de 30/08/2012: Neste Termo formularamse as seguintes exigências (cf. Fls. 14669 e 1470): a) com base nos dados obtidos do Banco Central, preenchimento de planilha identificando os Registros de Operação Financeira ROF relativos a afretamento, os valores efetivamente pagos ao exterior (em USD e R$), as datas de pagamento e os correspondentes valores de IRF (modelo da planilha fornecido junto com o Termo); b) apresentação de nova relação de pagamentos de afretamento efetuados no ano de 2008 (completa), seguindo modelo fornecido com o Termo; c) apresentação dos contratos relativos aos pagamentos referidos no item anterior, porventura ainda não fornecidos; e d) apresentação das invoices e Relatórios de Medição correspondentes aos pagamentos referidos no item 2, porventura ainda não fornecidos. Fl. 15209DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.188 11 Sobreveio pedido de prorrogação de prazo para atendimento, deferido. Em correspondência datada de 18/09/2012, a fiscalizada apresentou resposta ao item 1 do Termo de Intimação 13, na forma de planilha eletrônica. Em 19/09/2012 lavrouse Termo de Reintimação Fiscal, renovando exigências do Termo de Intimação 13 e requerendo, ainda, a entrega de invoices ausentes na resposta ao Termo de Intimação 12. Em correspondência datada de 26/09/2012, a contribuinte entregou resposta aos itens 1 e 2 do Termo de Intimação 13, na forma de CD contendo a nova relação de pagamentos a título de afretamento, efetuados em 2008, em favor de empresas com sede/domicílio no exterior. Transcrevo as conclusões da Fiscalização a propósito das respostas obtidas (fls. 14670): A resposta ao Termo de Intimação 13 veio a comprovar o que já se suspeitava, isto é, a existência de grande número de contratos e pagamentos não informados pela contribuinte, nas respostas às intimações anteriores. Foram efetuados 3.119 pagamentos a 243 beneficiários, referentes ao afretamento de 567 unidades. O montante pago foi de cerca de nove bilhões de Reais no ano de 2008, sem retenção de IRRF e sem recolhimento da CIDE. Diante do grande volume de dados a ser trabalhado, a Fiscalização restringiu sua análise, num primeiro momento, a quinze beneficiários de pagamentos, conforme planilha de fls. 14671. Delimitado esse universo, lavrouse então o Termo de Intimação 14 com o fito de obter os contratos e comprovantes de pagamento ainda não apresentados. Seguiuse pedido de prorrogação de prazo, deferido, e de reintimação para entrega de 32 contratos. Esse segundo lote de contratos de afretamento foi entregue em CDs. Uma vez analisados, a Fiscalização concluiu que todos reproduziam o mesmo modelo de contratação do lote anterior, em que o afretamento é parte integrante e inseparável dos serviços prestados. Em função do prazo disponível para conclusão do trabalho, do histórico de pedidos de prorrogação de prazo e da recalcitrância demonstrada pela contribuinte e do risco de decadência de créditos tributários, a Fiscalização optou por não intimar a fiscalizada a apresentar os contratos de prestação de serviços vinculados a esse segundo lote de afretamentos informados. Vem agora a recorrente requerer a decretação da nulidade do auto de infração, em relação a esses contratos de prestação de serviço que não teriam sido examinados pela autoridade fiscal. Como se sabe, o sistema de nulidades do Processo Administrativo Fiscal concebe nulo o ato lavrado por pessoa incompetente (art. 12, inc. I, do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) e, no que diz respeito a formalidades essenciais, o Auto de Infração que não contenha os requisitos elencados nos incisos I a VI do art. 39 do mesmo Regulamento. Nada disso aconteceu no caso concreto. A recorrente tampouco aventou cerceamento do seu direito de defesa e eu não o vislumbrei. Na verdade, a arguição de nulidade do auto de infração em relação aos contratos de prestação de serviço que não foram solicitados e nem examinados pelo auditor fiscal diz respeito à falta de prova da ocorrência do fato gerador da CIDE. Tratase portanto, não de nulidade, mas de improcedência do lançamento. Fl. 15210DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 Adianto, nada obstante, que a prova de ocorrência do fato gerador da CIDE não guarda qualquer relação com pagamentos feitos a nacionais, prestadores de serviço nesses contratos, mas com os pagamentos feitos a beneficiários estrangeiros, a título de afretamento. E todos os contratos de afretamento de interesse estão nos autos. Rejeito a preliminar. Os contratos celebrados O arrazoado recursal, exibindo farta cultura jurídica, digressiona sobre os contratos de afretamento. Remetendo meus pares ao texto recursal, caso queiram esclarecimentos detalhados sobre o assunto, entendo que a síntese que faço na continuação é suficiente para o enfrentamento da controvérsia dos autos: Contrato de Afretamento: Como tal se designa o contrato pelo qual, mediante um preço ou aluguel ajustado (frete), um dos contratantes, proprietário de um navio ou qualquer embarcação (fretador) concede ou aluga a outro contratante (afretador) o uso parcial ou total do navio ou da embarcação, para transporte de mercadorias ou de outros objetos. Também se diz fretamento, nome aliás mais vulgarmente empregado, e o instrumento, em que semelhante contrato se formula, recebe a denominação de cartapartita ou carta de fretamento. 2 “Fretamento ou afretamento é o contrato pelo qual uma pessoa, o fretador, coloca à disposição de outra pessoa, o afretador, seu navio ou partes dele, mediante o pagamento de uma soma denominada de frete. É um contrato misto de locação de coisas e prestação de serviços, variando os dois conforme a modalidade que se apresente” São duas as espécies do gênero contrato de afretamento: contrato de afretamento a casco nu; contrato de afretamento por tempo. Contrato de Afretamento a Casco Nu (Bareboat ou Demise Charter Party) Contratos de afretamento a casco nu (bareboat ou demise charter parties) são aqueles que se caracterizam pela utilização (arrendamento) do navio, por um tempo determinado, no qual o proprietário dispõe de seu navio ao afretador a casco nu, o qual assume a posse e o controle do mesmo, mediante uma retribuição – hire – pagável em intervalos determinados durante o período do contrato. É um contrato de utilização do navio. O navio é tomado em afretamento desprovido do comandante, tripulação, e demais itens inerentes necessários à navegação. Quer significar que o comandante e às vezes alguns tripulantes (chefe de máquina, principalmente) poderão ser indicados pelo 2 SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Atualizadores Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 27ª ed, Rio de janeiro: Forense. 2008, p. 75. Fl. 15211DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.189 13 proprietário, porém contratados e controlados, e por conseqüência empregados, do afretador a casco nu. Contrato de Afretamento por Tempo (Time Charter Party) Contrato de afretamento por tempo (time charterparty) caracterizase pela utilização (arrendamento) do navio, por um tempo determinado, no qual o proprietário ou armador disponente coloca o navio completamente armado, equipado e em condição de navegabilidade, a disposição do afretador por tempo, o qual assume a posse a o controle do mesmo (gestões náutica e comercial) mediante uma retribuição – hire – pagável em intervalos determinados durante o período do contrato. É um contrato de utilização dos serviços do navio. 3 Essas definições deixam claro. O objeto dos contratos de afretamento é navio ou embarcação. Toca agora buscar definição do que seja embarcação. Comecemos pelos principais dicionários da língua portuguesa. a) Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa4: n substantivo feminino 1. Estatística: pouco usado. m.q. embarque 2. Rubrica: termo de marinha. qualquer estrutura flutuante destinada ao transporte de pessoal e/ou carga 2.1. Rubrica: termo de marinha. qualquer meio flutuante de pequeno porte b) Novo Dicionário Aurélio5: Designação comum a toda construção destinada a navegar sobre água. c) Nova Enciclopédia Barsa6: Denominase embarcação todo veículo flutuante, feito de madeira, metal, ou outros materiais, que se desloca sobre as superfícies das águas para transportar carga ou passageiros, servindose do vento, de remos ou motores para sua propulsão. Os submarinos, destinados à navegação sob a superfície do mar, também são considerados embarcação. 3 ANJOS, J. Haroldo dos, GOMES, Carlos Rubens Caminha. Curso de direito marítimo. Rio de Janeiro: Renovar, 1992. p.184. 4 v. 1.0, 2001. 5 2ª ed, revista e aumentada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 630. 6 Rio de Janeiro: Encyclopédia Britannica do Brasil. 1998 Fl. 15212DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 d) Iêdo Batista Neves: 7 Embarcação — dizse de qualquer veículo de pequena tonelagem, capaz de se locomover n'água para atender aos fins a que se destina. Embarcação mercante dizse daquela que se usa como meio de transporte por água destinada à indústria da navegação, quaisquer que sejam as suas características e o lugar de tráfego. e) De Plácido e Silva8: Possuindo dois sentidos distintos, é, por este motivo, tido o vocábulo como derivado de embarcar (embarcoar) e do espanhol embarcación. Como derivado de embarcar, em sentido amplo, é empregado para designar todo ato ou ação de colocar qualquer veículo , transporte ou meio de condução, coisas ou pessoas, para que sejam transportadas ou conduzidas de um lugar a outro. Nesta acepção, no entanto, é mais vulgarizado o vocábulo embarque, embora se considere embarcação melhor vernáculo. E também se diz embarcamento, de um modo geral, quando se trata de coisas ou pessoas, e carregamento, propriamente, para o embarque de coisas.Embarcação. No sentido que lhe empresta a derivação espanhola, é designação genérica dada a toda espécie de barco, sem coberta, movido a remos, a velas ou a motor. Mas, na terminologia do Direito Marítimo, não se faz essa distinção, sendo embarcação qualquer espécie de navio ou barco, de qualquer natureza, destinado à navegação ou ao transporte em águas navegáveis. Desse modo, tenha ou não convés, qualquer espécie de barco ou nau, é genericamente considerada embarcação, formando, no entanto, as espécies, que os distinguem entre si: navio, barco, barcaça, bote, batel, canoa, jangada, etc. f) Leandro Pereira9: “Espécie do gênero embarcação, construção flutuante de natureza móvel, destinada a uma navegação que habitualmente o submete aos riscos do mar, sendo necessário que tenha robustez para enfrentar as fortunas das viagens marítimas, personalidade, nacionalidade e nome. A Convenção Internacional para Unificação de Certas Regras em Matéria de Conhecimentos Marítimos, em seu art. 1°, define navio como sendo “toda embarcação destinada ao transporte de mercadorias por mar”. (Pereira) g) Osvaldo Agripino Castro Jr10: 7 NEVES, Iêdo Batista. Vocabulário Prático de Tecnologia Jurídica, São Paulo: Edições Fase, 1990. 8 SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Atualizadores Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 27ª ed, Rio de janeiro: Forense. 2008, p. 514. 9 PEREIRA, Leandro. A responsabilidade civil do transportador nos contratos de transporte marítimo internacional de mercadoria. Monografia submetida à Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Direito. Itajaí, SC:2006. Disponível em <http://www.siaibib01.univali.br/pdf/Leandro%20Pereira.pdf>. Acesso em 30/08/2013. 10 CASTRO JR, Osvaldo Agripino. Introdução ao direito marítimo In: CASTRO JR, Osvaldo Agripino de. (org.) Temas Atuais de Direito do Comércio Internacional, vol. I. Florianópolis: OAB/SC, 2004. p. 105. Fl. 15213DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.190 15 A embarcação, por sua vez, de acordo com o item 0108 da NORMAM 0311, expedida pela Diretoria dos Portos e Costas, ao regulamentar a Lei 9.537, de 11 de dezembro de 1997, que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário – LESTA, “é qualquer construção inclusive as plataformas flutuantes e as fixas, quando rebocadas, sujeitas à inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas”. No caso de embarcação de esporte ou recreio, o seu registro de propriedade, conforme item 0209, da NORMAM 03, será deferido à pessoa física residente e domiciliada no País, às entidades públicas ou privadas sujeitas às leis brasileiras, e aos estrangeiros, mesmo aqueles não residentes nem domiciliados no País, de acordo com a Lei n° 7.652/88 alterada pela Lei n° 9.774/98” h) Celso D. de Albuquerque Mello 12: Esse autor registra que "a legislação brasileira que 'regula a execução dos contratos de hipoteca de navio' (Decreto n° 15.788/22) define o navio como sendo 'toda construção náutica destinada à navegação de longo curso, de grande ou pequena cabotagem, apropriada ao transporte marítimo ou fluvial...", e que "...talvez seja a melhor definição a que está consagrada no art. 11, da Lei n° 2.180, de 05/02/54: 'considerase embarcação mercante toda construção utilizada como meio de transporte por água, e destinada à indústria de navegação, quaisquer que sejam as suas características e lugar de tráfego". Ressalta, ainda, que, no Direito Internacional Público, "a palavra navio é empregada em sentido amplo (...), isto é, abrangendo os navios propriamente ditos e as embarcações", definidas como "toda construção destinada a correr sobre as águas, reservando a palavra navio para a embarcação utilizada na indústria da navegação". i) Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias e suas Notas Explicativas (do Conselho de Cooperação Aduaneira). No Sistema Harmonizado, o capitulo 89 compreende as "Embarcações e Estruturas Flutuantes". O capítulo separa os dois tipos de mercadorias: (I) embarcações, por certo nas posições 89.01 a 89.04 e 89.06 (outras embarcações); (II) estruturas flutuantes, nas posições 89.05 e 89.07 (outras estruturas flutuantes). Ainda, na posição 89.08, classificamse embarcações e outras estruturas flutuantes, para demolição. 11 NORMAS DA AUTORIDADE MARÍTIMA PARA AMADORES, EMBARCAÇÕES DE ESPORTE E/OU RECREIO E PARA CADASTRAMENTO E FUNCIONAMENTO DAS MARINAS, CLUBES E ENTIDADES DESPORTIVAS NÁUTICAS NORMAN03/DPC. 12 MELLO, Celso D. de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Público. Rio de Janeiro: Renovar, 1997, p. 11031121. Fl. 15214DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 16 Todas as embarcações guardam como característica a função de moverse sobre água no transporte de pessoas ou mercadorias. São embarcações: os transatlânticos (8901.10.00), os naviostanque (8901.20.00), os barcos de pesca (8902.00), os iates e outras embarcações de recreio ou de esporte (8903) e, ainda, os rebocadores e empurradores (8904). São estruturas flutuantes as dragas (8905.10.00) e as plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis (8905.20.00); 89.07 Outras Estruturas — exemplos: as balsas, reservatórios, caixões, bóias de amarração, bóias de sinalização. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, a respeito de cada posição, destacam os seguintes pontos: 89.01 TRANSATLÂNTICOS, BARCOS DE CRUZEIRO, "FERRYBOATS", CARGUEIROS, CHATAS E EMBARCAÇÕES SEMELHANTES, PARA O TRANSPORTE DE PESSOAS OU DE MERCADORIAS. A presente posição compreende todas as embarcações para o transporte de pessoas ou de mercadorias, destinadas à navegação marítima ou à navegação interior (em lagos, canais, rios, estuários, por exemplo), exceto as embarcações da posição 89.03 e os barcos salvavidas, que não sejam a remos, os navios para o transporte de tropas e os navioshospitais (posição 89.06). 89.02 BARCOS DE PESCA; NAVIOSFÁBRICAS E OUTRAS EMBARCAÇÕES PARA O TRATAMENTO OU CONSERVAÇÃO DE PRODUTOS DA PESCA. Esta posição compreende os barcos de pesca de todos os tipos, concebidos para a pesca profissional, no mar ou em águas interiores exceto, todavia, os barcos a remos utilizados para pesca da posição 89.03. Podem citarse, a titulo de exemplo, as chinchas, os barcos para a pesca de atum, bem como os barcos armados para pesca de baleias. 89.03 IATES E OUTROS BARCOS E EMBARCAÇÕES DE RECREIO OU DE ESPORTE; BARCOS A REMOS E CANOAS. Classificamse aqui todas as embarcações que se destinam à navegação de recreio ou de esporte, bem como todos os barcos a remos e canoas. Podem citarse, a título de exemplo, os iates, os jetskies e outros barcos à vela ou de motor, lanchas e escaleres, barcos de regata, ioles, caiaques, botes de dois remos, esquifes pedalinhos, os barcos de pesca esportiva, os barcos infláveis e as embarcações dobráveis ou desmontáveis. 89.04 REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇÕES. A presente posição compreende: A. Os rebocadores, que são barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades. Podem ser do tipo que sé utiliza no mar ou para navegação Fl. 15215DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.191 17 interior, e diferenciamse das outras embarcações pelo seu aspecto particular, seu casco reforçado de forma especial, suas possantes máquinas motoras e diversos equipamentos para movimentação e engate dos cabos, amarras, etc. B. Os barcos concebidos para empurrar outras embarcações, que são barcos especialmente concebidos para empurrar barcaças ou alijos13, entre outros. Caracterizamse essencialmente pela sua proa achatada, concebida para empurrar, bem como pela posição particularmente elevada da cabina do timoneiro, que pode ser telescópica. 89.05 BARCOSFARÓIS, BARCOSBOMBAS, DRAGAS, GUINDASTES FLUTUANTES E OUTRAS EMBARCAÇÕES EM QUE A NAVEGAÇÃO É ACESSÓRIA DA FUNÇÃO PRINCIPAL; DOCAS OU DIQUES FLUTUANTES; PLATAFORMAS DE PERFURAÇÃO OU DE EXPLORAÇÃO, FLUTUANTES OU SUBMERSÍVEIS. 8905.10 – Dragas 8905.20 Plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis 8905.90 – Outros A presente posição compreende: A) Os barcosfaróis, barcosbombas, dragas, guindastes flutuantes e outras embarcações em que a navegação é acessória da função principal. Entre estas embarcações, geralmente estacionárias quando desempenham a sua função, podem citarse: os barcosfaróis, barcosperfuradores, barcosbombas, dragas de todos os tipos (dragas com alcatruzes, dragas com aspiradores, etc.), barcos que se destinam a fazer flutuar os navios afundados, barcos bóias de salvamento, batiscafos, pontões equipados com instrumentos de elevação ou de movimentação (derricks, guindastes, elevadores de cereais, etc.) montados sobre portões, bem como os pontões especialmente concebidos para servir de base a esses instrumentos. Os barcoshabitações, os barcoslavanderias e os moinhos flutuantes classificamse também neste grupo. B) As docas ou diques flutuantes. As docas ou diques flutuantes são verdadeiras oficinas flutuantes que se destinam a substituir, as docas secas dos portos. Compõemse de uma estrutura cuja seção transversal apresenta geralmente a forma de U. Graças aos lastros de que são 13 Embarcação que acompanha um navio para receber a carga por ele alijada; alijamento. Fl. 15216DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 18 providas, estas docas ou diques submergem parcialmente a fim de permitir a entrada dos navios a reparar; podem também ser rebocados. Outros tipos de docas ou diques flutuantes funcionam de maneira análoga e são também equipados de poderosos órgãos motores que permitem o seu próprio deslocamento. Utilizamse então para a reparação de veículos anfíbios ou de outras embarcações que transportam. C) As plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis. São geralmente concebidas para pesquisas ou explorações de jazidas de petróleo ou de gás natural. Estas plataformas comportam, além do material necessário à perfuração ou exploração, como derricks, guindastes, bombas, unidades de cimentação, silos, etc., locais de habitação para o seu pessoal. Estas plataformas, rebocadas ou eventualmente autopropulsionadas até o local de exploração, podem ser deslocadas por flutuação até outro lugar de trabalho e pertencem a um dos seguintes grupos: 1) Plataformas autoelevadoras que compreendem, independentemente da própria plataforma de trabalho, dispositivos (cascos, caixões, etc.) que lhes permitem flutuar e pilares retráteis que, no local de trabalho, se rebaixam de modo a apoiaremse no fundo do mar e, desta forma, elevar a plataforma de trabalho acima do nível da água. 2) Plataformas submersíveis cuja infraestrutura se encontra submersa nos locais de trabalho para que os seus caixões lastros repousem no fundo a fim de assegurar uma grande estabilidade à plataforma de trabalho, que se mantém acima do nível da água. Os caixõeslastros podem ser equipados de saias ou pilares que penetram mais ou menos profundamente no solo. 3) Plataformas semisubmersíveis, análogas às plataformas submersíveis, mas diferenciamse destas pelo fato de que as partes imersas não repousam no fundo. Estas plataformas mantêmse, no decurso do trabalho, em posição fixa, por meio de cabos de ancoragem ou por estabilização dinâmica. 89.06 OUTRAS EMBARCAÇÕES, INCLUÍDOS OS NAVIOS DE GUERRA E OS BARCOS SALVAVIDAS, EXCETO OS BARCOS A REMO. Esta posição compreende todas as embarcações que não se classificam mais especificamente nas posições 89.01 a 89.05. 89.07 OUTRAS ESTRUTURAS FLUTUANTES (POR EXEMPLO: BALSAS, RESERVATÓRIOS, CAIXÕES, BÓIAS DE AMARRAÇÃO, BÓIAS DE SINALIZAÇÃO E SEMELHANTES). Fl. 15217DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.192 19 Esta posição compreende diversas estruturas flutuantes, exceto as que possuem características de barcos. São geralmente fixas e compreendem, em particular: 1) Os caixões cilíndricos ocos que se utilizam para sustentar as pontes provisórias, etc. Os pontões que apresentam as características de embarcações classificamse nas posições 89.01 ou 89.05. 2) Os viveiros flutuantes, crivados de orifícios, utilizados para conservar vivos os crustáceos e peixes. 89.08 EMBARCAÇÕES E OUTRAS ESTRUTURAS FLUTUANTES, PARA DEMOLIÇÃO. Esta posição compreende apenas as embarcações e outras estruturas flutuantes que se classificam nas posições 89.01 a 89.07, quando apresentadas para serem desmanteladas. Tratase geralmente de embarcações que sofreram avarias, embarcações fora de uso por serem muito antigas, desprovidas, às vezes, de seus aparelhos de navegação, de seus órgãos motores, etc. A par dessas acepções técnicas, há ainda definições de ordem legal, consubstanciadas na Lei nº 9.537, de 11 de dezembro de 1997, que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional. Os incisos V e XIV de seu art. 2º estabelece os seguintes conceitos e definições: V Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita à inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas; XIV Plataforma instalação ou estrutura fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo; As embarcações, conforme definidas no inciso V, devem necessariamente conter três características fundamentais: serem uma construção; estarem sujeitas à inscrição na autoridade marítima; serem suscetíveis de se locomover na água, transportando pessoas ou cargas. Considerada a essência do conceito, a definição do inciso V não criou algo que não estivesse contido na definição dos dicionários, acima transcritos, que consolidam o entendimento lingüístico do termo: ou seja, devem ter a propriedade de flutuar e devem ter a finalidade de transportar cargas e/ou pessoas. Isso fica ainda mais patente quando se lê o inciso XIV da referida norma legal, que define as plataformas. Apesar de se admitir nelas a propriedade de flutuar, a finalidade a que se destinam não se relaciona com transporte ou navegação, mas apenas com pesquisa, exploração e explotação de recursos marítimos, fluviais e do subsolo. Notese que esses conceitos são mutuamente excludentes, visto constarem de incisos diferentes de um mesmo artigo. Fl. 15218DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 20 A recorrente decidiu levar essa matéria ao Judiciário, na Ação Anulatória de Lançamento Fiscal nº 2012.51.01.0028870, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, em face da União Federal, requerendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do Processo Administrativo nº 18471.001620/200336. Alegou, em síntese, fazer jus a benefício fiscal previsto no art. 749 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994, porque as plataformas contam com atestados de inscrição temporária de embarcação estrangeira, e que o Parecer CST nº 145 expressou o entendimento de que as plataformas são embarcações. Na sentença, reiterando os termos da decisão que indeferiu os efeitos da antecipação da tutela, a Drª Sandra Meirim Chalu Barbosa de Campos, Juíza Federal Titular da 29ª Vara Federal do Rio de Janeiro, asseverou que (grifos do original): “[...] No entanto, é importante ressaltar que a definição de embarcação aplicada no supracitado precedente deuse tão somente porque os fatos geradores, no caso, eram anteriores à vigência da Lei nº 9.537/97. Assim, com a superveniência da Lei nº 9.537/97, que trouxe os conceitos e definições de embarcação e plataforma, não mais se aplica a definição genérica da legislação anterior. Ademais, o Processo Administrativo nº 18471.001620/200336, constituído através da lavratura de auto de infração relativo à falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte sobre remessas de numerário para o exterior, em pagamento de afretamentos de plataformas petrolíferas móveis, referese ao período de 1999 a 2002. Da mesma forma, não há qualquer ilegalidade na decisão da Sexta Câmara do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que manteve a decisão da DRJ, tendo em vista que os elementos do lançamento tributário podem ser analisados e conhecidos mesmo que não tenham constado do auto de infração, posto que a capitulação legal pode ser conhecida de ofício. É importante ressaltar que o Recurso Especial interposto pelo contribuinte, desta decisão, sequer foi conhecido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos. No mais, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, no julgamento do recurso do Contribuinte, no qual afirma que plataforma está incluída no conceito de embarcação e, desta forma, está amparado pela alíquota zero prevista no artigo 1º, da Lei nº 9.481/97, assim se manifestou, quanto ao mérito da questão: “(...) A Lei nº 9.537/1997, conforme alega o contribuinte, de fato, regula matéria referente ao transporte marítimo administrativo, portanto, norma de direito marítimo administrativo, e, sendo assim, não é lei tributária. Os auditores não forçaram, no entanto, uma interpretação extensiva e apropriaram livremente conceitos, tampouco utilizaram a analogia para criar a exação. Eles apenas aplicaram o que prevê o art. 109 do CTN para a busca do conceito de embarcação, in verbis: Fl. 15219DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.193 21 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Ou seja, para definir o efeito tributário de dado instituto, conceito ou forma buscase seu alcance no direito privado. LUCIANO AMARO assim entende o alcance do artigo supracitado: “O preceito referese a situações nas quais a norma tributária utiliza um instituto, um conceito ou uma forma jurídica pertinente ao direito privado, e, a partir desse enunciado, estatui certos efeitos tributários. (...) Assim, o que o Código Tributário Nacional pretende dizer é que os institutos de direito privado devem ter sua definição, seu conteúdo e seu alcance pesquisados com o instrumental técnico fornecido pelo direito privado, não para efeitos privados (o que seria óbvio e não precisaria, nem caberia, ser dito num código tributário), mas sim para efeitos tributários. Ora, em que hipóteses isso se daria? É claro que nas hipóteses em que tais institutos sejam referidos pela lei tributária na definição de pressupostos de fato de aplicação de normas tributárias, pois – a conclusão é acaciana – somente em tais situações é que interessa ao direito tributário a pesquisa de institutos de direito privado. (grifos nossos) (DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 5ª. Edição, Saraiva, 2000, p. 207 e 208) (...) Apesar de o contribuinte afirmar que a plataforma é espécie de embarcação, da leitura do dispositivo acima não podiam os fiscais chegar a esta conclusão, isto porque as plataformas utilizadas pelo contribuinte, até se locomovem na água, mas não se destinam ao transporte de pessoas ou coisas. Na realidade são estruturas fixas ou flutuantes que visam à prospecção de petróleo, por isso, o legislador na Lei de Transporte Aquaviários as distinguiu das embarcações. Não é correta, portanto, a conclusão apresentada pelo contribuinte de que plataforma seja espécie de embarcação. O que se depreende do dispositivo supracitado é que plataforma e embarcação são gêneros distintos de bens. Já que plataforma não designa uma construção destinada a correr sobre a água, mas sim, como acima definido, uma instalação destinada às atividades associadas à prospecção de recursos minerais. Os seja, os fins dos bens em análise são distintos. Além disso, corrobora o exposto – de que plataforma não é espécie de embarcação, o entendimento assentado no próprio Código Comercial, esta sim lei de direito privado, o que emprega o vocábulo embarcação como sinônimo de navio, assim, por exemplo, do art. 566 até o art. 570, ao tratar do mesmo bem, denominao ora de embarcação, ora de navio, in verbis: (...) O que ocorreu no caso em análise é que a Lei n°. 9.537/1997, norma de direito público, excepcionalmente, ampliou o conceito de embarcação, previsto no Código Comercial, norma de direito privado, para abarcar ao conceito de embarcações às Fl. 15220DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 22 plataformas que efetuam o transporte aquaviário. O art. 109 do CTN no caso é claro, no sentido de afirmar que se deve buscar os conceitos dos institutos no âmbito do direito privado, portanto, aplicase no caso a definição prevista no art. 2º, XIV, da Lei nº 9.537/1997 ou no Código Comercial o qual trata embarcação como sinônimo de navio, e plataforma não é navio. Do exposto, ficam sem sentido as alegações do contribuinte de que a Lei de Transportes Aquaviários não tributou nem contemplou qualquer dispositivo que mandasse tributar o afretamento de plataformas e de que não existe, na legislação do imposto de renda aplicável ao caso vertente, inciso ou parágrafo excludente do benefício que socorre as plataformas. Afirmo isto, porque ao buscar o alcance do conceito de embarcação no direito privado, verificase que não estão incluídas as plataformas do contribuinte. Sendo assim, não poderiam eles usufruir de um benefício direcionado apenas às embarcações. A definição dada pelo legislador de embarcação no item V é norma de direito público, portanto rege as relações entre a Autoridade Marítima responsável pela segurança do transporte aquaviário – neste caso representante do Estado – e os particulares. Ou seja, no momento em que as plataformas fixas ou flutuantes estiverem transportando pessoas ou cargas, deve a autoridade marítima dar a elas o mesmo tratamento de embarcações., por isso, a plataforma, formalmente, deve ser registrada no Tribunal Marítimo, segundo o Regulamento do Tráfego Marítimo. Tratar de modo diferenciado as plataformas quando, excepcionalmente, em locomoção, por uma questão de segurança de tráfego aquaviário, por se tratar a Lei nº 9.537/97 de norma de direito público, não significa dizer que plataforma é embarcação ou espécie de embarcação. Se plataforma é espécie de embarcação, como incluir as plataformas fixas, bens imóveis, no conceito de embarcação, vem imóvel!? Do mesmo modo, não teria o legislador definido plataforma expressamente no inc. XIV. Observase que o legislador não utilizou o substantivo embarcação ou navio para definir plataforma, mas sim, os vocábulos “instalação ou estrutura”. (...) Desta forma, se no conceito de embarcação não encontramos as plataformas, não há como se interpretar extensivamente o dispositivo para abarcálas, pois, conforme reconhece o próprio contribuinte, a redução a 0% da alíquota do imposto produz os mesmos efeitos da isenção tributária. O ato normativo que a estabelece deve ser interpretado literalmente. Entendo que se o legislador quisesse incluir as plataformas no benefício em questão, deveria fazêlo por lei específica, de acordo com o que prevê o art. 150, § 6º, da Constituição. Ou seja, a norma, que prevê a hipótese de alíquota zero, afirma que o benefício se aplica apenas a embarcação, incluir as plataformas no benefício seria utilizar a analogia ou a interpretação extensiva e, no caso, devese utilizar a interpretação literal, conforme prev6e o art. 111 do CTN. Também, fica sem sentido a afirmação de que, tradicionalmente, a lei tributária não tributa peças, partes, componentes, etc., indo até as embarcações e aeronaves (Decreto nº 2.434/88, Lei nº 7.988/99 e Lei nº 8.007/90), pelo que a interpretação do Fisco Fl. 15221DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.194 23 Federal seguiu na contramão da política fiscal. Inclusive, porque a L. 9.481/1997, ao beneficiar as embarcações, diferentemente do que afirma o contribuinte, o fez também às aeronaves e aos containers, numa clara demonstração do seu escopo extrafiscal – não tributar aluguéis de equipamentos ou veículos que realizam transporte de carga ou pessoas com o fito de incentivar o comércio para o exterior. Ir de encontro à política extrafiscal almejada pela L. 9481/1997 seria incluir as plataformas para beneficiar, não o comércio para o exterior, mas sim, a prospecção de petróleo. (...)”. Eis o teor do supracitado dispositivo legal – artigo 2º, incisos V e XIV, da Lei nº 9.537/97: Art. 2° Para os efeitos desta Lei, ficam estabelecidos os seguintes conceitos e definições: (...) V Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas; (...) XIV Plataforma instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo; (...)”. Ao final, o voto concluiu que “... o auto de infração, em tela, interpreta os dispositivos da Lei nº 9.481/97 de acordo com o que determina o art. 109 do CTN. Correto, portanto, o lançamento de IRRF efetuado pelos auditores com base nos aluguéis pagos a empresas localizadas no exterior por plataformas ou por FPSO utilizados pelo contribuinte, uma vez que apenas a embarcação, entendida no ordenamento jurídico privado brasileiro como navio, e, sendo assim, construção destinada a percorrer águas, de forma itinerante e autônoma , está amparada pelo benefício da alíquota zero”. Assim, correto o entendimento da autoridade fiscal, posto que, de fato, no momento em que as plataformas fixas ou flutuantes estiverem transportando pessoas ou cargas, deve a autoridade marítima dar a elas o mesmo tratamento de embarcações, hipótese diversa da presente em que as plataformas são destinadas às atividades previstas no inciso XIV, do supracitado artigo 2º, da Lei nº 9.537/97. Se não fosse o objetivo do legislador estabelecer tal diferenciação, não existiria o inciso XIV. Fl. 15222DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 24 (...)”. De tudo que até aqui se registrou – conceitos técnicos, definições legais, interpretação jurisprudencial , penso ter ficado evidente que as unidades petrolíferas de que se trata não se confundem com embarcações. Embarcações são destinadas ao transporte de pessoas e/ou carga sobre ou sob a água. As plataformas são instalações ou estruturas marítimas para as atividades relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação de recursos petrolíferos. Eventualmente, até se locomovem na água, mas jamais se destinarão ao transporte de pessoas ou coisas. A recorrente louvouse no Parecer nº 023/06, anexo ao Ofício nº 573/2006 DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, item 31, para asseverar que “...a natureza jurídica da plataforma móvel é de uma embarcação especial...”. Há de se convir que essa interpretação sucumbe diante da própria definição legal. Ademais, a NORMAN 01DPC14, aprovada pela Portaria nº 9, de 11 de fevereiro de 2000, estabelece no item 3, letra "b", que se aplicam as definições constantes do art. 2° da Lei nº 9.537, de 1997. Ou seja, não há contradição entre o entendimento da Autoridade Marítima e a referida lei. A obrigatoriedade de registro no órgão marítimo competente tampouco tem o condão de transformar em embarcações as plataformas móveis, os barcosfaróis, bóias de amarração, as bóias de sinalização ou quaisquer outras estruturas flutuantes. Da violação aos artigos 109 e 110 do CTN e 170 da CF/88 A recorrente alega que a Fiscalização violou os arts. 109 e 110 do CTN, pois estaria alterando a forma e a substância de contrato típico do direito privado. A estratégia de defesa é justamente essa: insistir na tipificação do contrato de afretamento, discorrendo sobre suas tecnicalidades, modalidades, gestão náutica, gestão comercial, não incidência do ISS15, coligação de contratos etc., para então acusar a Fiscalização de transformálo em contrato de prestação de serviço, interferindo na sua liberdade de contratação e de organização de seus negócios, enfim, em sua autonomia privada. A arguição não se sustenta. Primeiro, porque os contratos celebrados não guardam a tipicidade blefada. Como dar tipicidade de afretamento a contratos que não têm como objeto um embarcação? Em absoluto, a Fiscalização não forçou interpretação extensiva, ou apropriouse livremente de conceitos, tampouco utilizou analogia para criar exação. Nesse aspecto, não foi a Fiscalização, mas a própria recorrente que deturpou o instituto do direito privado – ao nominar de “contrato de afretamento de embarcação” algo que materialmente não o é , para, senão deliberadamente, ao menos involuntariamente, beneficiarse dos respectivos efeitos tributários dessa perversão. Mas o que fez a Fiscalização? Durante a ação fiscal, constatouse que a recorrente firmou dois contratos distintos, sendo um com empresa estrangeira, específico para “afretamento” de plataformas, e outro, com empresa sediada no Brasil, para prestação de serviços de perfuração/exploração de gás e petróleo. Via de regra, o contrato dito de afretamento envolvia grandes valores, em torno 14 Normas da Autoridade Marítima para Embarcações Empregadas na Navegação de Mar Aberto. 15 Acerca do Recurso Especial nº 1.054.144, em que o STJ afasta da tributação do ISS qualquer das três modalidades de afretamento (a casco nu, por tempo e por viagem), há que se considerar que, no caso em concreto, os contratos referiamse a afretamento das embarcações DANKO TIDE, KAREN TIDE II e MILAN TIDE, da classe “suppliers – supridores de plataformas marítimas, que efetivamente caracterizamse como tal, por se destinarem ao transporte de cargas. Fl. 15223DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.195 25 de 90% da soma dos dois contratos firmados, enquanto que o contrato celebrado com a empresa sediada no Brasil previa pagamentos da ordem de apenas de 10%. A Fiscalização tratou então de dissecar os referidos contratos. Sintetizo a análise feita na planilha abaixo: Equipamento/contratos Observações da Fiscalização 1. STENA DRILLMAX I (NS) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2010.0040506.08.2 (26/02/2008) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2010.0040444.08.2 (20/03/2008) • O contrato de prestação de serviços contém diversas disposições pertinentes ao fornecimento da plataforma: • cláusula do contrato de prestação de serviços diz que, caso PETROBRAS deixe de pagar pelos serviços prestados, STENA poderá retirar a plataforma, pondo fim ao contrato de afretamento; • cláusula do contrato de prestação de serviços diz que, finda a execução dos serviços, PETROBRAS deverá devolver a plataforma no estado em que a recebeu, com o desgaste natural; • cláusula do contrato de prestação de serviços dispõe sobre "ônus sobre equipamento da contratada", e diz que a contratada "se compromete a não criar ou praticar qualquer ato, compromisso ou coisa que resulte na criação de qualquer ônus sobre o equipamento da contratada, impedindo a contratada de desempenhar os serviços diligentemente ...” 2. BLUE SHARK (WSSV) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0024563.06.2 (01/09/2006) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 181.2.044.01.1 (01/09/2006) • Os contratos foram assinados na mesma data; • Os contratos têm o mesmo prazo; • O contrato de prestação de serviços atribui às contratadas obrigações atinentes ao contrato de afretamento (armação da embarcação, devendo estas fornecer a tripulação, operar a unidade e regularizar sua permanência no Brasil, obtendo avais e fianças); • Há estreita vinculação entre os contratos, de tal modo que a rescisão de um é base para o mesmo efeito no outro; a prorrogação de acarretou idêntica prorrogação no outro; • No contrato de afretamento, assina como solidariamente responsável a Contratada no contrato de serviços. Já no contrato de prestação de serviços assina como solidária a Fretadora no contrato de afretamento; • Cláusula do contrato de afretamento diz que a medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de Medição assinados por ambas as partes. Cláusula do contrato de serviços também prevê a medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição. O período de medição do afretamento é o mesmo adotado para a medição dos serviços; • Tanto em 2006 como em 2008, a prestadora de serviços era controlada pela fretadora; • Nas invoices relativas aos afretamentos pagos em 2008, quem assina, como representante da Fretadora estrangeira é empregado da prestadora de serviços nacional. 3. BLUE ANGEL (WSSV) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0036124.07.2 (19/10/2007) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0036126.07.2 (19/10/2007) • Os contratos foram assinados na mesma data; • Os contratos têm o mesmo prazo; • O contrato de prestação de serviços atribui às contratadas obrigações atinentes ao contrato de afretamento (armação da embarcação, devendo estas fornecer a tripulação, operar a unidade e regularizar sua permanência no Brasil, obtendo avais e fianças); • Há estreita vinculação entre os contratos, de tal modo que a rescisão de um é base para o mesmo efeito no outro; a prorrogação de acarretou idêntica prorrogação no outro; • No contrato de afretamento, assina como solidariamente responsável a Contratada no contrato de serviços. Já no contrato de prestação de serviços assina como solidária a Fretadora no contrato de afretamento; • Cláusula do contrato de afretamento diz que a medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de Medição assinados por ambas as partes. Cláusula do contrato de serviços também prevê a medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição. O período de medição do afretamento é o mesmo Fl. 15224DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 26 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização adotado para a medição dos serviços; • Tanto em 2006 como em 2008, a prestadora de serviços era controlada pela fretadora; • Nas invoices relativas aos afretamentos pagos em 2008, quem assina, como representante da Fretadora estrangeira é empregado da prestadora de serviços nacional. 4. ALASKAN STAR SS39 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.003.983 (29/04/1998) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.004.98.6 (29/04/1998) • Os contratos foram assinados na mesma data; • Os contratos têm o mesmo prazo; • As (sucessivas prorrogações de prazo do afretamento são acompanhadas por iguais prorrogações do contrato de serviços, por meio de aditivos assinados nas mesmas datas; • O contrato de afretamento declarase estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços, e vice versa ; a rescisão num contrato implica o mesmo efeito no outro; • A fretadora figura como interveniente, solidariamente responsável, no contrato de prestação de serviços; a prestadora é interveniente, solidariamente responsável, no de afretamento; • Cláusula do contrato de afretamento diz que a medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de Medição assinados por ambas as partes. Cláusula do contrato de serviços também prevê a medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição. O período de medição do afretamento é o mesmo adotado para a medição dos serviços; • Na época da assinatura dos contratos, a Fretadora era subsidiária integral da prestadora de serviços. Observese que, no contrato de afretamento, quem assina em nome da fretadora é o presidente da prestadora de serviços. • Nas invoices relativas aos afretamentos pagos em 2008, quem assina, como representante da Fretadora estrangeira é empregado da prestadora de serviços nacional. 5. FALCON STAR SS45 (depois renomeada ATLANTIC STAR) CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.005.98.9 (29/04/1998) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.006.98.1 (29/04/1998) • Os contratos foram assinados na mesma data; • Os contratos têm o mesmo prazo; • As (sucessivas prorrogações de prazo do afretamento são acompanhadas por iguais prorrogações do contrato de serviços, por meio de aditivos assinados nas mesmas datas; • O contrato de afretamento declarase estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços, e vice versa ; a rescisão num contrato implica o mesmo efeito no outro; • A fretadora figura como interveniente, solidariamente responsável, no contrato de prestação de serviços; a prestadora é interveniente, solidariamente responsável, no de afretamento; • Cláusula do contrato de afretamento diz que a medição do afretamento se dará por meio de Relatórios de Medição assinados por ambas as partes. Cláusula do contrato de serviços também prevê a medição dos serviços por meio de Relatórios de Medição. O período de medição do afretamento é o mesmo adotado para a medição dos serviços; • Na época da assinatura dos contratos, a Fretadora era subsidiária integral da prestadora de serviços. Observese que, no contrato de afretamento, quem assina em nome da fretadora é o presidente da prestadora de serviços. • Nas invoices relativas aos afretamentos pagos em 2008, quem assina, como representante da Fretadora estrangeira é empregado da prestadora de serviços nacional. 6. OCEAN ALLIANCE SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.023.001 (21/06/2000) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.024.004 (21/06/2000) • Contrato de afretamento declarase vinculado a contrato de prestação de serviços assinados na mesma data; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviço assina como solidariamente responsável; • Cláusula do contrato de afretamento diz que a responsabilidade pela operação, movimentação e administração da unidade, atividades típicas da prestação de serviços, ficarão sob controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de Fl. 15225DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.196 27 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização afretamento; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como tool pusher, sondador, torrista, etc. 7. OCEAN YATZI SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.010.980 (06/04/1198) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.011.983 (06/04/1998) • Contrato de afretamento declarase vinculado a contrato de prestação de serviços assinados na mesma data; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviço assina como solidariamente responsável; • Cláusula do contrato de afretamento diz que a responsabilidade pela operação, movimentação e administração da unidade, atividades típicas da prestação de serviços, ficarão sob controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como tool pusher, sondador, torrista, etc. 8. OCEAN CLIPPER NS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.037.999 (09/09/1999) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.038.991 (09/09/1999) • Contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado, na mesma data; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina como solidariamente responsável com a fretadora; • Cláusula do contrato de afretamento diz que a responsabilidade pela operação, movimentação e administração da unidade – atividades inerentes à prestação de serviço ficará sob controle e comando exclusivo da fretadora ou seus prepostos; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento. 9. OCEAN WINNER SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.004.042 (09/03/2004) CONTRASTO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) (09/03/2004) • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços foram assinados na mesma data e têm o mesmo prazo; • A prestadora de serviços é interveniente no contrato de afretamento, enquanto a fretadora é interveniente no contrato de prestação de serviços; • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços declaramse vinculados ao mesmo convite e mutuamente vinculados; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina, como solidariamente responsável com a fretadora; no contrato de prestação de serviços, a fretadora assina como solidariamente responsável com a fretadora; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade recai sobre fretadora e prestadora de serviços, segundo cláusula constante nos dois contratos; • Anexo ao contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Informações extraídas da internet comprovam que prestadora de serviços é o braço nacional da fretadora. 10. OCEAN YORKTOWN SS CONTRATO DE • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; Fl. 15226DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 28 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização AFRETAMENTO n° 2050.0031892.07.2 (16/08/2007) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0031894.072 (16/08/2007) • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina, como solidariamente responsável com a fretadora; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços; • Informações extraídas da internet comprovam que prestadora de serviços é o braço nacional da fretadora. 11. OCEAN WHITTINGTON SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0031896.072 (06/06/2007) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0031894.072 (06/06/2007) • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina, como solidariamente responsável com a fretadora; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços; • Informações extraídas da internet comprovam que prestadora de serviços é o braço nacional da fretadora. 12. OCEAN CONCORD SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0034168.072 (16/08/2007) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0034169.07 (16/08/2007) • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina como solidariamente responsável com a fretadora; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços; • Informações extraídas da internet comprovam que prestadora de serviços é o braço nacional da fretadora. 13. CIDADE DO RIO DE JANEIRO MV14 FPSO CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2100.0013183.052 (21/07/2005) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) • Contrato de afretamento estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços de operação da unidade; • A rescisão verificada em um contrato é base para o mesmo efeito no outro; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina como solidariamente responsável com a fretadora; • Cláusula prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade recai conjuntamente sobre fretadora e prestadora de serviços; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços; • Cláusula do contrato de afretamento diz que a fretadora deverá fornecer à PETROBRAS "Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados"; 14. PEREGRINE I NS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0013711.052 (10/09/2005) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado (10/09/2005) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina como solidariamente responsável com a fretadora; • A Fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços com a unidade; • Cláusulas do contrato de afretamento prevêem que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a prestadora dos serviços de perfuração; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade, atividades típicas da prestação de serviço, ficará sob o controle e comando exclusivo da fretadora ou seus prepostos. • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que fretadora deve apresentar a Fl. 15227DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.197 29 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização certificação em controle de poço, atividade típica da prestação de serviços; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc; • A prestadora de serviços detém 100% do capital da afretadora, sua controlada. • Pesquisa no site da prestadora de serviços na internet revela que a empresa brasileira opera e gerencia o naviosonda PEREGRINE I. Outra fonte na internet revela que a prestadora de serviços nacional negociou, em 2007, a extensão dos contratos de afretamento e serviços na unidade PEREGRINE I NOBLE ROGER EASON NS15 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.013.045 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) • Contratos firmados na mesma data; • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços ; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento ; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços interveniente assina como solidariamente responsável; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços interveniente, segundo cláusula do contrato de afretamento; • Cláusulas do contrato de afretamento prevêem que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente fretadora e prestadora de serviços interveniente; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade – atividade relacionada à prestação de serviços ficará sob o controle e comando exclusivo da fretadora ou seus prepostos; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora ; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço, atividade típica da prestação de serviços; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc; • A fretadora estrangeira controla 99,99% da prestadora de serviços nacional; • Informações extraídas do site da fretadora relacionam as empresas que compõem seu grupo, entre elas, a prestadora de serviços nacional. NOBLE LEO SEGERIUS NS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.127.011 (23/08/2001) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 187.2.128.014 (23/08/2001) • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços foram assinados na mesma data, prevendo o mesmo prazo; • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços declaramse mutuamente vinculados e vinculados ao mesmo Convite PETROBRAS; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento assina, como Interveniente, a contratada para a prestação de serviços. No contrato de prestação de serviços assina, como Interveniente, a empresa contratada para fornecer o afretamento. Ambas empresas pertencem ao mesmo grupo econômico. • A fretadora e a prestadora de serviços assinam como solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes de ambos contratos; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços interveniente, nos termo de cláusula do contrato de afretamento; • Cláusulas dos contratos prevêem que, em caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, fretadora e prestadora de serviços respondem conjuntamente; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora ; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente, ligados à Fl. 15228DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 30 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Segundo informação extraída da DIPJ do ano 2008, naquele ano a prestadora de serviços nacional era controlada em 99,99% pela fretadora estrangeira. 17. NOBLE PAUL WOLF (AMOS RUNNER) SS53 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.038.975 (02/07/1997) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.039.978 (02/07/1997) • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços foram assinados na mesma data, prevendo o mesmo prazo; • Os contratos de afretamento e de prestação de serviços declaramse mutuamente vinculados e vinculados ao mesmo Convite da PETROBRAS; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento assina, como nterveniente, a contratada para a prestação de serviços. No contrato de prestação de serviços assina, como interveniente, a empresa contratada para fornecer o afretamento. Ambas empresas pertencem ao mesmo grupo econômico. • A fretadora e a prestadora de serviços assinam como solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes de ambos contratos; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços interveniente, nos termo de cláusula do contrato de afretamento; • Cláusulas dos contratos prevêem que, em caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, fretadora e prestadora de serviços respondem conjuntamente; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora ; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente, ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Segundo informação extraída da DIPJ do ano 2008, naquele ano a prestadora de serviços nacional era controlada em 99,99% pela fretadora estrangeira. 18. NOBLE MURAVLENKO NS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.016.043 (30/09/2004) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0004424.042 (30/09/2004) • O contrato de afretamento e o contrato de serviços declaramse vinculados ao mesmo Convite da PETROBRAS; • Os contratos de afretamento e de serviços foram assinados nas mesmas datas, prevendo o mesmo prazo. • O contrato de afretamento e o contrato de prestação de serviços declaramse mutuamente vinculados; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento assina, como interveniente, a contratada para a prestação de serviços; no contrato de prestação de serviços assina, como interveniente, a empresa contratada para fornecer o afretamento. Ambas pertencem ao mesmo grupo econômico; • A fretadora e a prestadora de serviços assinam como solidariamente responsáveis, pelas obrigações assumidas; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços interveniente, conforme cláusula do contrato de afretamento; • No caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a prestadora de serviços, nos termos de cláusula dos dois contratos; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora ; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço, atividade típica da prestação de serviços; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará sob o controle e comando exclusivo da fretadora ou seus prepostos. No contrato de prestação de serviços, a mesma cláusula prevê que a operação da unidade ficará sob controle e comando exclusivo da prestadora de serviços ou seus prepostos, concluindo tratarse da mesma equipe; Fl. 15229DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.198 31 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização • Segundo informação extraída da DIPJ do ano 2008, naquele ano a prestadora de serviços nacional era controlada em 99,99% pela fretadora estrangeira. 19. NOBLE THERALD MARTIN SS62 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0013082.052 (04/01/2006) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) (04/01/2006) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços, assinados na mesma data; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina assina, como solidariamente responsável com a fretadora; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços interveniente, conforme cláusula do contrato de afretamento; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a a prestadora de serviços de perfuração; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora, conforme cláusula do contrato de afretamento; • A fretadora fica obrigada a apresentar a certificação em controle de poço, atividade típica da prestação de serviços; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará sob o controle e comando exclusivo da fretadora ou seus prepostos; • Segundo informação extraída da DIPJ do ano 2008, naquele ano a prestadora de serviços nacional era controlada em 99,99% pela fretadora estrangeira. 20. PRIDE SOUTH AMERICA (AMETHYST/ENSCO 6000) SS47 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.016.0960 (01/04/1996) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS inúmero não identificado) (01/04/1996) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre a PETROBRAS e a Interveniente; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços interveniente assina como solidariamente responsável; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente prestadora de serviços, conforme cláusula do contrato de afretamento; • Segundo informação extraída da DIPJ de 2008, naquele ano a prestadora de serviços era controlada pela fretadora estrangeira em 99,99%. 21. PRIDE BRAZIL (ENSCO 6002) SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.008.012 (22/01/2001) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) (22/01/2001) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mestria data; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina como solidariamente responsável; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente prestadora de serviços, conforme cláusula do contrato de afretamento; • Segundo informação extraída da DIPJ de 2008, naquele ano a prestadora de Fl. 15230DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 32 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização serviços era controlada pela fretadora estrangeira em 99,99%. 22. PRIDE CARLOS WALTER (ENSCO 6001) SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.010.016 (22/01/2001) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) (22/01/2001) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mestria data; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina como solidariamente responsável; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente prestadora de serviços, conforme cláusula do contrato de afretamento; • Segundo informação extraída da DIPJ de 2008, naquele ano a prestadora de serviços era controlada pela fretadora estrangeira em 99,99%. 23. PRIDE RIO DE JANEIRO (ENSCO 6003) SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0011673.052 (10/07/2005) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) (10/07/2005) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mestria data; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina como solidariamente responsável; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente prestadora de serviços, conforme cláusula do contrato de afretamento; • Segundo informação extraída da DIPJ de 2008, naquele ano a prestadora de serviços era controlada pela fretadora estrangeira em 99,99%. 24. PRIDE PORTLAND (ENSCO 6004) SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0011676.052 (10/07/2005) CONTRATO de PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS inúmero não identificado) (10/07/2005) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mestria data; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina como solidariamente responsável; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente prestadora de serviços, conforme cláusula do contrato de afretamento; • Segundo informação extraída da DIPJ de 2008, naquele ano a prestadora de serviços era controlada pela fretadora estrangeira em 99,99%. 25. PRIDE SOUTH ATLANTIC (ENSCO 5005) SS • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; Fl. 15231DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.199 33 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0027341.062 (13/06/2007) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0027343.062 (13/06/2007) • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina como solidariamente responsável; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente prestadora de serviços, conforme cláusula do contrato de afretamento; • Segundo informação extraída da DIPJ de 2008, naquele ano a prestadora de serviços era controlada pela fretadora estrangeira em 99,99%. 26. PRIDE MEXICO (ENSCO 5000) SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0032903.072 (31/01/2008) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0032906.072 (31/01/2008) • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina como solidariamente responsável; • A fretadora é cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente prestadora de serviços, conforme cláusula do contrato de afretamento; • Segundo informação extraída da DIPJ de 2008, naquele ano a prestadora de serviços era controlada pela fretadora estrangeira em 99,99%. 27. CIDADE DE VITÓRIA FPSO CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2300.0014992.052 (23/09/2005) CONTRATO DE SERVIÇO n° 2300.0014986.05.2 (23/09/2005) • Contrato de afretamento estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data ; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços nacional assina como solidariamente responsável com a fretadora estrangeira; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade recai sobre a fretadora estrangeira e sobre a interveniente e prestadora de serviços nacional; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços, em cláusula do contrato de afretamento; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a fretadora deverá fornecer a "Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Produção e Supervisor de Produção. 28. GOLFINHO (CAPIXABA) FPSO CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2300.009461.052 (25/04/2005) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2300.0009462.052 (25/04/2005) • Contrato de afretamento estreitamente vinculado ao contrato de prestação de serviços de operação da unidade, assinado na mesma data ; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina como solidariamente responsável; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade recai conjuntamente sobre a fretadora e sobre a interveniente e prestadora de serviços; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços, cf. cláusula do contrato de afretamento; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a fretadora deverá fornecer "Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como tool pusher, Supervisor de Produção e Técnico de Produção; • Há evidências de que tanto a fretadora como a prestadora de serviços Fl. 15232DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 34 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. 29. MARLIMSUL FPSO CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 191.2.001.03.5 (03/03/2003) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) (03/03/2003) • Contrato de afretamento estreitamente vinculado a contrato de prestação de serviços assinado na mesma data ; • a rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento ; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina como solidariamente responsável com a fretadora; • Cláusula do contrato de afretamento diz que a fretadora deverá fornecer à PETROBRAS Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fetadora; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fetadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Produção, Supervisor de Produção, Técnico de Produção, etc. • Há evidências de que tanto a fretadora como a prestadora de serviços pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. 30. ESPADARTE FPSO CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.108.988 (15/01/1999) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.109.980 (15/01/1999) • Contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento ; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina como solidariamente responsável ; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado em razão do contrato de prestação de serviços , cf. cláusula do contrato de afretamento); • Há evidências de que tanto a fretadora como a prestadora de serviços pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. 31. BRASIL FPSO CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 191.2.014.012 (05/06/2001) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 191.2.015.015 (05/06/2001) • Contrato de afretamento declarase vinculado ao Contrato de Prestação de Serviços. assinado na mesma data ; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento ; • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina como solidariamente responsável ; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • Anexo ao contrato de afretamento menciona relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora; • Há evidências de que tanto a fretadora como a prestadora de serviços pertencem ao grupo econômico liderado por SBM OFFSHORE. 32. SEDCO 707 SS49 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 101.2.051.969 (12/06/1996) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 101.2.052.961 (12/06/1996) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a Interveniente assina como solidariamente responsável com a fretadora; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela Interveniente, em razão de contrato de prestação de serviços firmado entre esta e a PETROBRAS; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente prestadora de serviços de perfuração). • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • Fretadora e prestadora são pertencentes do mesmo grupo econômico Transocean. 33. TRANSOCEAN DRILLER SS50 • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que a operação da unidade ficará Fl. 15233DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.200 35 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 186.2.012.042 (24/08/2004) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS inúmero não identificado) (24/08/2004) sob o controle e comando exclusivo da fretadora ou seus prepostos; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora, cf. Cláusula do contrato de afretamento; • A fretadora deve apresentar a certificação em controle de poço, atividade típica da prestação de serviços; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina como solidariamente responsável com a fretadora; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente, em razão de contrato de prestação de serviços firmado entre esta e PETROBRAS; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente prestadora de serviços de perfuração; • Fretadora e prestadora são pertencentes do mesmo grupo econômico Transocean. 34. SEDCO 710 SS43 CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 187.2.108.013 (29/08/2001) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (número não identificado) (29/08/2001) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao contrato de prestação de serviços assinado na mesma data, entre PETROBRAS e a prestadora de serviços interveniente; • A tripulação deve ser fornecida e mantida pela fretadora; • Anexo do contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela fretadora, em que estão listados cargos diretamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Sondador, Assistente de Sondador, Torrista, etc. • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a interveniente assina, como solidariamente responsável com a fretadora; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela interveniente, em razão de contrato de prestação de serviços firmado entre esta e PETROBRAS; • Fretadora e prestadora são pertencentes do mesmo grupo econômico Transocean. 35. DEEPWATER NAVIGATOR NS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0013707.052 (10/09/2005) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0013709.052 (10/09/2005) • O contrato de afretamento declarase vinculado ao de prestação de serviços, assinado, na mesma data; • Segundo a cláusula do contrato de afretamento, a fretadora deve elaborar Atestado Diário de Operações – ADO, segundo instruções contidas em Anexo do contrato de prestação de serviços; • Cláusula seguinte determina que esse documento terá quatro vias, sendo duas para a PETROBRAS e as outras duas para a fretadora, restando claro que a fretadora se confunde com a prestadora de serviços; • Cláusula do contrato de afretamento prevê multa de 20% sobre a taxa diária de operação no caso de nãoatendimento a cláusula do contrato de prestação de serviços; • A rescisão do contrato de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • Cláusula do contrato de afretamento prevê que, no caso de despejo de petróleo, óleo ou outros resíduos no mar, respondem conjuntamente a fretadora e a interveniente prestadora de serviços; • No contrato de afretamento, a interveniente prestadora de serviços assina, como solidariamente responsável com a fretadora; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços, cf. cláusula do contrato de afretamento; • Fretadora e prestadora são pertencentes do mesmo grupo econômico Fl. 15234DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 36 Equipamento/contratos Observações da Fiscalização Transocean. 36. FALCON 100 SS CONTRATO DE AFRETAMENTO n° 2050.0034726.072 (14/11/2007) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS n° 2050.0034727.072 (14/11/2007) • O contrato de afretamento tem execução sempre simultânea ao contrato de prestação de serviços, assinado na mesma data; • A rescisão do contrato de prestação de serviços é base para a rescisão do contrato de afretamento; • No contrato de afretamento, a prestadora de serviços assina como solidariamente responsável com a fretadora; • A fretadora figura como cosegurada em seguro de responsabilidade civil firmado pela prestadora de serviços, cf. cláusula do contrato de afretamento; • Fretadora e prestadora são pertencentes do mesmo grupo econômico Transocean. Destaco algumas das particularidades pontuadas pela Fiscalização naquilo que chamou de modelo de contratação: a) As contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico; b) As contratadas assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos; c) Os contratos são celebrados simultaneamente; d) Os contratos são executados simultaneamente, e a rescisão de um implica a rescisão do outro. e) Cláusulas do contrato de afretamento prevêem obrigações decorrentes da prestação de serviço; f) Cláusulas do contrato de afretamento prevêem o fornecimento de pessoal especializado para a prestação de serviço. g) Cláusulas do contrato de afretamento prevêem penalidades para a fretadora em caso de falhas inerentes à prestação de serviço (e.g. derramamento de óleo ao mar). Essas idiossincrasias das cláusulas desses contratos levaram a Fiscalização a concluir que os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos de afretamento não poderiam ser atribuídos, exclusivamente, ao aluguel das unidades porque a sua utilização era parte integrante indissociável, inerente ao serviços contratados. Os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras corresponderiam, de fato, à remuneração pelos serviços de perfuração e produção de petróleo prestados, causa econômica última da contratação. Pareceme que o conjunto indiciário reunido pela Fiscalização é consistente e corrobora essa conclusão. Em primeiro lugar, os contratos ditos de afretamento de afretamento não são, pois não têm como objeto embarcação. Ademais, as unidades de perfuração e de produção de petróleo offshore, objeto dos contratos de afretamento, não são meras estruturas metálicas, sobre as quais desembarcam e atuam os operadores da companhia prestadora de serviço contratada. Em absoluto. As unidades são, justamente, os equipamentos que serão operados para a consecução do objetivo último da Petrobrás, que é a perfuração ou produção do poço de Fl. 15235DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.201 37 petróleo.E, penso ser evidente, tratase de equipamentos sofisticados, construídos sob encomenda, com projeto único, que incorpora, em geral, o último estágio de desenvolvimento da tecnologia. Nesse sentido, seus operadores são designados já durante a fase de construção, no estaleiro, tamanha é a intimidade com equipamento requerida para operálos. Saliento esse aspecto porque, ainda que se considere a natureza genérica dos contratos, como contrato de aluguel de bens, o que sobressai é que tal contratação é absolutamente dispensável. Bastaria que a Petrobrás celebrasse contrato único, de prestação de serviços, fosse com a nacional ou com a empresa estrangeira, ainda assim as unidades seriam fornecidas, simplesmente, porque não há como prestar os serviços sem elas. Aliás, esse é exatamente o modelo de contratação para a perfuração e produção de petróleo em terra. A Petrobrás, em terra, não se dá ao trabalho de contratar o aluguel de uma sonda de perfuração de terra SPT e, simultaneamente, contratar a prestação do serviço, pois é ilógico, desnecessário, antieconômico16. E, se ainda assim, por qualquer razão que se nos escape, a Petrobrás insistisse nesse modelo de contratação, a hipotética locatária dos equipamentos jamais admitiria que os mesmos fossem operados por terceiros. Portanto, pareceme que a conclusão a que chegou a Fiscalização a respeito da essência desses contratos está correta. A bipartição do contrato em “afretamento” e prestação de serviços – a também, por óbvio, a sua coligação voluntária17 é artificial, desnecessária, sem propósito. A recorrente nessa hora bradará princípios constitucionais como da Livre Iniciativa (art. 1º, IV), da Livre Concorrência (art. 170, IV) ou mesmo da Propriedade Privada (art. 170, II), e que o ordenamento jurídico brasileiro outorga ao contribuinte o direito de organizarse de forma que se lhe imponha a menor carga tributária possível. Pugnará por que se analisem os contratos celebrados sob uma concepção estritamente formal da legalidade. Enfim, invocará a clássica cantilena liberal formalista que leva à (equivocada) conclusão de que, em matéria de planejamento tributário, tudo o que não estiver expressamente proibido é lícito ao contribuinte. Marciano Seabra de Godoi diagnostica que essa postura parte de certos valores arraigados e que não mais se compatibilizam com o atual estado de arte da dogmática constitucional e tributária nacional, quais sejam, o tributo visto como uma agressão ou um castigo que se aceita mas não se justifica; a segurança jurídica como um valor absoluto; a aplicação mecânica e não valorativa da lei como um mito sagrado; o individualismo e a autonomia da vontade sobrevalorizados e hipertrofiados, como se vivêssemos em pleno século XIX18. Atualmente, as bases da tributação são liberdade, igualdade e solidariedade. Neste cenário, a interpretação dos atos jurídicos e das operações não se pode valer da máxima de hipossuficiência dos contribuintes frente ao todopoderoso Estado, sob pena de se obstar a 16 No insight de Michael J. Graetz, "...a deal done by very smart people that, absent tax considerations, would be very stupid". Disponível em <http://www.nytimes.com/2008/09/10/business/businessspecial3/10TAX.html?pagewanted=all&_r=0> Acessado em 31/08/2013. 17 A recorrente invoca a doutrina de Orlando Gomes sobre coligação de contratos para justificar as peculiaridades do clausulamento dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Se é certo que o instituto explica a execução simultânea e a sua mútua dependência, não ampara, sob qualquer ângulo que se adote, a confusão das cláusulas, por exemplo, de fornecimento de pessoal especializado para a prestação de serviço ou de multa por derramamento de óleo no mar num contrato de afretamento. 18 apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 173. Fl. 15236DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 38 aplicação de outros princípios constitucionais. Há diversos outros que podem ser tolhidos caso planejamentos sejam indiscriminadamente considerados válidos e legítimos tãosomente porque adotaram forma jurídica prevista em texto de lei (Dignidade da Pessoa Humana, Função Social da Propriedade, Isonomia). O planejamento tributário deve ser analisado “não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça” 19. Enfim, exigese, para além de uma economia de tributos, um propósito negocial. Nesse sentido, a doutrina propõe um teste para se constatar ausência de propósito negocial 20: a) o elemento temporal: já que muitas vezes se verifica que o planejamento, em geral atividade pensada e preparada, é realizada às pressas, com a assinatura de vários documentos em um único momento, alguns desfazendo transações que se celebram no mesmo instante; b) a independência ou não das partes, eis que muitas fusões, cisões e incorporações se dão apenas como forma de alocar perdas e ganhos entre empresas de mesmo grupo, sempre visando à redução da tributação; c) ausência de coerência, quando se realizam transações que não se inserem na rotina da empresa ou na lógica empresarial. Marco Aurélio Greco21 revela os indícios de mera tentativa despropositada de economia de tributo: a) operações estruturas em seqüência, em que uma etapa não tem sentido a não ser quando vista a partir do conjunto de etapas [...]; b) operações invertidas, no sentido de serem realizadas ao contrário do que indica o juízo comum, por exemplo, a incorporação da controladora pela controlada; c) operações entre partes relacionadas, pois nestas é mais rigoroso o juízo sobre os critérios de eqüitatividade em que devem ser feitas certas operações quando comparadas com operações com terceiros; d) o uso de pessoas jurídicas para realizar determinadas operações, pois além de poderem configurar uma interposta pessoa, estas sociedades podem se apresentar como meros instrumentos de passagens de recursos destinados a 19 GRECO. Marco Aurélio. Planejamento tributário. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 195. 20 SCHOUERI, Luís Eduardo. O desafio do planejamento tributário. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITRAS, Rodrigo de (org,). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187. 21 GRECO, Marco Aurélio. Perspectivas teóricas do debate sobre planejamento tributário. Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, ano 7, n. 42, ano 2009. Apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187. Fl. 15237DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.202 39 terceiros (conduint companies) ou assumirem a condição de sociedade aparentes, fictícias ou efêmeras; e) operações que impliquem deslocamento da base tributável para o exterior, pois isto afeta a soberania e a imperatividade da norma tributária; f) as substituições ou montagens jurídicas em que as formas contratuais são construídas meramente para vestir determinado conteúdo sem que haja razões reais e efetivas que as justifiquem. O modelo de contratação da Petrobrás sucumbe em todos os testes que lhe são pertinentes: a) Quanto ao aspecto temporal, revelase a simultaneidade da celebração dos pares de contratos; b) A interdependência das partes contratantes é nota característica: a prestadora dos serviços nacional é controlada pela “fretadora” estrangeira; c) Ausência de coerência: a Petrobrás não reproduz o modelo de contratação bipartida, mutatis mutandis, nas suas operações terrestres; d) Deslocamento da base tributável para o exterior: a Petrobrás atribui ao contrato de afretamento, celebrado com a empresa estrangeira, 90% do valor total da causa dos contratos (a exploração dos poços de petróleo); e) Montagem jurídica: a bipartição de contrato que tem causa unitária – a exploração de poços de petróleo – é artificial e despropositada. O fato gerador da CIDE A recorrente retoma também o argumento de que, mesmo que se considerasse a ocorrência predominante de prestação de serviços, não haveria incidência da CIDE, pois não houve transferência de tecnologia. Alega que os prestadores de serviços usam a tecnologia para entregar o produto, e que não pode haver confusão entre os mesmos. A questão que se coloca, nesse ponto, é a definição do fato gerador da Contribuição. Neste aspecto, devese considerar que a Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, alterou os §§ 2º, 3º e 4º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, cuja redação atual transcrevo abaixo: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) Fl. 15238DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 40 § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.(Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) (grifei) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) (Produção de efeito) Regulamentando o dispositivo acima, o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, em seu artigo, esclarece em que situações ocorre a incidência da CIDE: Art.10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: Ifornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; Fl. 15239DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.203 41 b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. De acordo com os dispositivos acima, concluise que a CIDE, além de incidir sobre contratos cujo objeto seja o fornecimento de tecnologia (inciso I), também incide quando a remuneração for relativa à contratos que tenham por objeto prestação de serviços técnicos (inciso III ), ainda que não haja transferência de tecnologia. É o que ocorre no caso concreto. A própria autuada afirma que os serviços prestados seriam de perfuração, avaliação e completação de poços de petróleo, bem como de produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás. Não importa que a autuada receba o produto apenas, sem a transferência de tecnologia. Restou comprovado que houve a ocorrência da hipótese prevista em lei para incidência da CIDE, ou seja, remuneração a residentes no exterior, em decorrência de contratos para prestação de serviços técnicos. Continuando, a lei claramente estabelece quem é o sujeito passivo da obrigação tributária, no caso, aquele que efetua os pagamentos. Assim, uma vez que esta autoridade julgadora está vinculada aos ditames da lei, não cabe apreciar a alegação de que a lei não pode extrapolar o grupo de beneficiários diretos ou indiretos da atuação estatal, sob pena de inconstitucionalidade. E sequer pode aferir se há relação de proporcionalidade entra a contribuição criada e o âmbito da intervenção. A apreciação destas questões é de competência do poder judiciário, nos termos do artigo 97 e 102 da CF/88. Pelo exposto, correto presente lançamento para cobrança da CIDE, ainda que na prestação do serviço não tenha ocorrido transferência de tecnologia. Ocorrência de bin is idem com a contribuição para o FNDCT? Transferência de tecnologia? Serviços técnicos especializados?) Alega a interessada que, por força do Decreto nº 2.851/98, já contribui para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mediante parcela dos royalties pagos. Afirma que esta contribuição é específica para o financiamento de pesquisas cientificas e desenvolvimento tecnológico, enquanto que CIDE se refere a um programa geral com o mesmo objetivo. Assim, a cobrança da CIDE deve ser afastada em razão do “bis in idem”. Primeiramente, cabe esclarecer que o pagamento de royalties não se confunde com o pagamento da CIDE. Os royalties, conforme define o artigo 11 do Decreto nº 2.705/98, constituem compensação financeira devida pelos concessionários de exploração e produção de petróleo ou gás natural, e serão pagos mensalmente, com relação a cada campo, a partir do mês em que ocorrer a respectiva data de início da produção, vedada quaisquer deduções. Já a CIDE tem natureza jurídica de tributo. Segundo Hugo de Brito Machado, em sua obra Curso de Direito Tributário, o Fl. 15240DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 42 crédito tributário “... é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” Assim, uma vez ocorrendo o fato gerador, previsto na lei instituidora do tributo, surge a obrigação tributária, devendo o crédito tributário ser constituído e pago. Se a autuada incorre nestas duas situações, deve se submeter aos ditames da lei, e cumprir com as obrigações, seja de natureza tributária (crédito tributário), seja de natureza compensatória (royalties). Cabe ainda ressaltar que, nos termos do artigo 141 do CTN, a exclusão de crédito tributário deve ter previsão legal, o que não ocorre no presente caso. Logo, correta a cobrança da CIDE, mesmo que a destinação dos recursos seja a mesma da parcela dos royalties pagos. E por terem naturezas diversas, não há que se falar em “bis in idem”, instituto que só ocorre quando há cobrança de mais de um tributo sobre o mesmo fato gerador, e pelo mesmo ente tributante. Reajustamento da base de cálculo da CIDE O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da CIDE, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Esse é o entendimento da Administração Tributária, manifestado na Solução de Divergência Cosit nº 17, de 29 de junho de 2011. Esse entendimento encontra respaldado na melhor doutrina. A propósito, transcrevo a lição de Higushi22: Dúvidas têm surgido na remessa de rendimentos, ao exterior, sujeitos ao pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE quando a fonte pagadora assumiu o ônus do imposto de renda na fonte. Para resolver a dúvida é necessário examinar a natureza da despesa representada pelo imposto de renda na fonte assumido pela fonte pagadora de rendimentos. O § 3o do art. 344 do RIR/99 dispõe que a dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do Imposto. A redação é infeliz porque quando a fonte pagadora do rendimento não assumir o ônus do imposto de renda não há que falar da dedutibilidade ou indedutibilidade do tributo. A origem daquele parágrafo está no Parecer Normativo CST n° 2/80 cuja ementa diz: Integra o montante do custo ou despesa, e como tal é dedutível, o imposto de renda devido na fonte quando a pessoa jurídica assuma o ônus do imposto e o rendimento pago ou creditado a terceiro seja dedutível como custo ou despesa. 22 HIGUSHI, Hiromi; HIGUSHI, Fábio Hiroshi e HIGUSHI, Celso Hiroyuki. O IMPOSTO DE RENDA DAS EMPRESAS. Interpretação e prática. 36ª ed. São Paulo: IR Publicações. 2011. p.929 e 930. Fl. 15241DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.204 43 Quando a fonte pagadora de rendimentos assumir o ônus do imposto de renda, a legislação considera o tributo como parte integrante do rendimento pago ou creditado. Se pagou royalty e assumiu o imposto, este é considerado parte integrante de royalty. Se pagou remuneração de serviços técnicos e assumiu o imposto, este é parte integrante daquela remuneração. Como o imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos passa a ter a mesma natureza do rendimento pago, a dedutibilidade ou indedutibilidade do imposto de renda assumido depende da natureza da despesa. Com isso, se pagou royalty dedutível, o imposto de renda assumido também é dedutível a título de royalty. Se a legislação do imposto de renda considera o imposto assumido pela fonte pagadora de rendimento como despesa de mesma natureza da despesa paga, a base de cálculo da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico CIDE é o rendimento líquido pago acrescido do imposto de renda assumido pela fonte pagadora, independente da dedutibilidade da despesa. O § 3o do art. 2° da Lei nº° 10.168/00, com nova redação dada pelo art. 6o da Lei nº 10.332, de 191201, dispõe que a contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. Nas expressões valores pagos ou creditados está compreendido o valor do imposto de renda assumido pela fonte pagadora de rendimentos. Isso porque o art. 123 do CTN dispõe que salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Isso significa que o sujeito passivo do imposto de renda na fonte é sempre o beneficiário do rendimento, salvo disposição de lei em contrário. Nos pagamentos sujeitos à CIDE a alíquota do imposto de renda é sempre de 15%, salvo no caso de beneficiário residente no Japão e o rendimento enquadrar na alíquota de 12,5%. Assim, no pagamento de R$ 500.000,00 de royalty pela licença de exploração de patente, com imposto de renda assumido pela fonte pagadora, a base de cálculo da CIDE será de: 500.000,00 + (100 15) = R$ 588.235,29 A alíquota de CIDE de 10% incidirá sobre o rendimento reajustado de R$ 588.235,29. É interessante notar que o ônus tributário modificou de acordo com as cláusulas contratuais existentes entre o beneficiário do rendimento e a fonte pagadora. Se o ônus do imposto de renda na fonte era do beneficiário do rendimento na forma da lei, este passou a ter menor ônus porque a alíquota do imposto foi reduzida de 25% para 15%. O ônus da fonte pagadora aumentou com a instituição da CIDE à alíquota de 10%. Se o ônus do imposto de renda era por conta da fonte pagadora, não houve alteração para o beneficiário do rendimento, mas houve pequena redução da carga tributária para a fonte pagadora. Isso porque, na remessa de R$ 75.000,00 o imposto de renda na fonte à alíquota de 25% era calculado sobre o rendimento reajustado de R$ 100.000,00 que resultava no imposto de R$ 25.000,00. Fl. 15242DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 44 Com a redução da alíquota do imposto de renda para 15% o rendimento reajustado passa para R$ 88.235,29. Neste caso, o imposto de renda à alíquota de 15% resulta em R$ 13.235,29 enquanto a CIDE à alíquota de 10% resulta em R$ 8.823,52 cuja soma resulta em R$ 22.058,81 em vez de R$ 25.000,00 quando não tinha CIDE. A Solução de Divergência da COSIT nº 17 (DOU de 050711) diz que o valor do imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento, crédito ou remessa ao exterior compõe a base de cálculo da CIDE, independente de a fonte pagadora assumir o ônus do IRRF. A decisão é correta e tem base legal. Há também jurisprudência administrativa que defende que o IRRF e a CIDE, embora recaiam sobre a mesma base de cálculo, são tributos autônomos, não havendo superposição entre eles no que diz respeito ao cálculo do valor devido a título de cada um. Portanto, o valor correspondente ao IRRF, sendo o seu ônus assumido ou não pela fonte pagadora, compõe a base de cálculo da CIDE, nas hipóteses em que esta seja devida. Vejase, por exemplo, o Acórdão nº 3301001.683, de 29 de novembro de 2012, da 1ª Turma da 3ª Câmara do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE Período de apuração: 05/06/2003 a 21/12/2004 CIDE. BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. A base de cálculo da CIDE é o valor do serviço contratado, creditado e/ ou pago ao prestador no exterior. Inexiste amparo legal para a exclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), em nome e por conta a licenciante, da base de cálculo desta contribuição. Recurso Voluntário Negado. Assim, amparado pela doutrina de Higuchi e acompanhando a jurisprudência referida, adoto como razão de decidir as conclusões da SD Cosit nº 17, de 2011, ousando discordar de entendimento contrário, manifestado pelo ínclito Conselheiro Antônio Carlos Atulim, presidente deste Colegiado, proferido no Acórdão nº 3403001.732, de 22 de agosto de 2012. Mantenhase o reajustamento da base de cálculo da CIDE, para fazêla incidir inclusive sobre o IRRF devido. Juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício Por fim, questiona a Recorrente a incidência da SELIC sobre as multas aplicadas, entendendo que, por ausência de previsão no Código Tributário Nacional, os juros não podem incidir sobre a multa aplicada. Tenho manifestado o entendimento de que o acréscimo de juros sobre o valor da multa de lançamento de ofício não é matéria atinente ao lançamento de ofício. Tratase tão somente de consectário legal decorrente da mora no cumprimento da obrigação, que se evidencia, na tentativa de cobrança amigável, pela emissão do DARF que acompanha a carta cobrança que noticia o resultado do julgamento de primeira instância. A arguição de ilegalidade desse acréscimo, enquanto procedimento de cobrança, não pode ser conhecida no Fl. 15243DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.205 45 âmbito do rito processual instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, já que essa cartacobrança ou mesmo esse DARF em que consta o acréscimo de juros, não são meio formal de constituição de crédito tributário, nem traduzem, autonomamente, qualquer relação jurídica tributária. Ademais, é de regra que a matéria nem seja abordada pela decisão recorrida, já que não constou da impugnação, fato que retira, definitivamente, sua apreciação da competência desta Turma Recursal, consoante interpretação a contrario sensu da disposição do caput do art. 4º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. Abro exceção e conheço da matéria nos casos em que, como no presente processo, a matéria já tenha sido arguida em impugnação e conste do acórdão da DRJ. Argumenta a Recorrente que inexiste previsão legal para esse acréscimo. Sem razão a Recorrente. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Quanto aos acréscimos legais ao crédito tributário, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o. de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3°. do art. 5°., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior Nesse contexto, a multa de ofício é débito para com a União e decorre de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos dos seguintes dispositivos do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Fl. 15244DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 46 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1°. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Decorre, assim, das expressas disposições legais que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária e, nesse sentido, sequer se poderia afirmar que a multa de ofício não seria decorrente da exigência de tributos e contribuições. Na verdade, a exigibilidade dos tributos e contribuições é o fundamento para a própria exigibilidade da multa de ofício. A própria Lei nº 9.430, de 1996, no artigo 43, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora e os juros de mora devidos, isolada ou conjuntamente, e não teria sentido admitir a incidência dos juros de mora sobre a multa de mora e sobre os próprios juros de mora lançados exofficio e afastar a incidência nos casos de multa objeto de lançamento de ofício. Não há discrimine na legislação que ampare tal distinção. É a seguinte a redação do artigo 43: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A aplicação às multas de lançamento de ofício do mesmo regime jurídico previsto para a cobrança dos tributos é defendida também na doutrina23: “O § 1º do art. 113 recebe duras críticas da doutrina, devido à redação de sua parte final, onde diz que a obrigação principal pode ter por objeto o pagamento de penalidade pecuniária. É que o próprio art. 3º do Código Tributário Nacional determina que o tributo não pode consistir no pagamento de prestação pecuniária sancionatória de ato ilícito. Há o estabelecimento, 23 BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2001, pp. 192 a 194. Fl. 15245DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.206 47 pelo menos aparente, de verdadeira contradição, por excluir aquele artigo, de maneira cabal, o pagamento das multas como prestação tributária. Com efeito, a afirmação de que a obrigação principal pode versar sobre penalidade pecuniária quadra mal com o anteriormente exposto. O § 3º do art. 113 visa estabelecer uma sanção destinada a punir aquele que descumpre a obrigação acessória. Escolhe a modalidade de uma penalidade de natureza pecuniária. Até esse ponto os tributaristas marcham concordes. Com efeito, nada mais apropriado do que impor uma sanção pecuniária àquele que descumpre com os deveres acessórios. Mas os mesmos críticos que há pouco encrespavam contra a possibilidade de que a obrigação principal pudesse ter por objeto tanto o pagamento de tributo quanto o de penalidade pecuniária, investem agora contra o fato de a obrigação acessória poder converterse em principal, quando não cumprida. Parece, com efeito, do estrito ponto de vista lógico, proceder a crítica destes autores. Não há que falarse em conversão da obrigação acessória em principal, mas sim em sanção. Contudo, a intenção do texto é tão manifesta que acaba por relevar este pecadilho de ordem lógica. É que resulta claro que o que o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável a tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para sua cobrança. O direito tem estas liberdades, que não precisam ser objeto de escândalo.” (negritamos) Portanto, sendo a multa de ofício débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurase regular a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Nesse sentido vemse solidificando a jurisprudência desta instância recursal, embora reconheça ainda não ser dominante. Ilustro a asserção: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138 1ª. Seção. 2 . Câmara. 1ª Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155 1ª Seção. 4ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Fl. 15246DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 48 E, ainda, o julgado da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido no Acórdão nº 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010 de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Do referido julgado, sobreleva extrair os seguintes trechos: O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p. 172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: [...]. Como referi, há dissenso. Turmas há que admitem o acréscimo, limitandoo à taxa de 1% a.m. (e.g. Acórdão nº 140200.213, Relator Antônio José Praga de Souza), ao passo que outras, como esta, esforçamse para demonstrar a sua impossibilidade (Acórdão nº 3403 002.051, de 24 de abril de 2013, Relator Antônio Carlos Atulim). Se o CARF ainda está dividido, pareceme que vem se pacificando nas duas Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o entendimento pela legalidade da incidência de juros de mora sobre multas de lançamento de ofício. AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR (2012/01537730) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES AGRAVANTE : … ADVOGADOS : … AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito Fl. 15247DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.207 49 tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ari Pargendler, Arnaldo Esteves Lima (Presidente) e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 04 de dezembro de 2012 (Data do Julgamento) Nego provimento ao recurso também nesta parte. Conclusões Com essas considerações, eu nego provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2014 Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado Divirjo do Relator quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Já defendi a impossibilidade dessa incidência no voto condutor do Acórdão nº 002.367, de 24 de julho de 2013, que a seguir transcrevo: (...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão débitos tributários abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual Fl. 15248DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 50 for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 2 / O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis . A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 1 A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. 2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 3 Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o 3 do art. 5 , a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão débitos ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. Fl. 15249DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.208 51 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os débitos referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é créditos . Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Com essas considerações, divirjo do ilustre relator e voto por que se dê provimento ao recurso quanto a esta matéria. Rosaldo Trevisan Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2014 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator designado. No que tange ao reajustamento da base de cálculo da CIDE, controvertese exclusivamente sobre matéria de direito. A questão versada nos autos diz respeito à possibilidade jurídica de a CIDE incidir sobre o valor pago ao fornecedor no exterior, adicionado do IRRF retido sobre o valor da remessa, cujo ônus foi assumido pelo tomador do serviço no Brasil. Fl. 15250DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 52 O art. 149 da CF/88 atribuiu à União a competência para instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais, observadas as limitações contidas no art. 146, III, e 150, I e III, quanto às duas últimas espécies. No julgamento do RE nº 451.915, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento segundo o qual as contribuições de intervenção no domínio econômico podem ser instituídas por lei ordinária. A menção à observância do art. 146, III pelo art. 149 da Constituição significa apenas que as contribuições de intervenção no domínio econômico estão sujeitas à lei complementar de normas gerais e não que a União deva lançar mão dessa espécie normativa para instituílas. Sendo assim, é perfeitamente válida a exigência da CIDE segundo os ditames do art. 2º da Lei nº 10.168, de 29/12/2000 (DOU 30/12/200 extra), com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.332, de 19/12/2001 (DOU de 20/12/2001), que para maior comodidade transcrevese a seguir: “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador.” Interessa ao deslinde da controvérsia instaurada nos autos desvendar o conteúdo do critério quantitativo do consequente da regramatiz de incidência do tributo. No caso da CIDE, o critério quantitativo é definido pela alíquota de 10%, prevista no § 4º, que deverá incidir sobre a base de cálculo prevista no § 3º. A base de cálculo está descrita no texto legal como sendo o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título da remuneração estipulada para as obrigações contraídas por meio de contratos que envolvam licença de uso ou transferência de conhecimentos tecnológicos. A palavra chave para definir a base de incidência da CIDE é remuneração. Isto porque “pagar”, “creditar”, “entregar”, “empregar” ou “remeter” Fl. 15251DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.209 53 quantias ao exterior como contraprestação dos contratos que envolvam o uso ou a transferência de tecnologia, significa o mesmo que remunerar o fornecedor domiciliado ou residente no exterior pelas obrigações contraídas. O estudo do critério quantitativo do consequente da regramatriz revela que em momento algum a Lei nº 10.168/2000 cogitou da incidência da CIDE sobre o IRRF quando o tomador do serviço, domiciliado no Brasil, assume o ônus financeiro por aquele imposto. Muito menos cogitou da hipótese contrária, qual seja: a de exclusão do IRPF da base de cálculo da CIDE, quando o contribuinte daquele imposto (o prestador do serviço domiciliado no exterior) arca com o ônus pelo recolhimento do tributo. Em outras palavras: a assunção do ônus financeiro pelo recolhimento do IRRF é um fato juridicamente irrelevante para o fim de se determinar a base de cálculo da CIDE. Isto porque a base de incidência é mesmo aquela definida no art. 2º, § 3º da Lei nº 10.168/2000, in verbis: "§ 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo." A fiscalização e o ilustre relator entenderam que o valor do IRRF deveria ser adicionado ao valor transferido para o exterior a título de remuneração pois, no caso concreto, a empresa brasileira (tomadora do serviço) assumiu o ônus pelo pagamento do IRRF, cujo contribuinte é o beneficiário do pagamento localizado no exterior. Em outras palavras, entenderam que os pagamentos efetivamente realizados teriam sido maiores do que os valores remetidos a título de remuneração, consistindo a base de cálculo efetiva da CIDE na soma desta quantia com a quantia provisionada ou recolhida pela empresa brasileira a título de IRRF. Tal entendimento seria o resultado lógico da comparação do caso concreto com a situação econômica encontrada na hipótese contrária, quando o ônus do IRRF é suportado pelo próprio beneficiário do pagamento no exterior. Nesta hipótese, entendem alguns que ocorreria a incidência da CIDE sobre o IRRF, em razão de o valor do imposto de renda estar “embutido” no valor da remuneração paga ao beneficiário no exterior. É que após a retenção do valor do IRRF pelo tomador do serviço (responsável pela retenção), o valor líquido efetivamente enviado ao exterior seria menor do que o valor da remuneração pactuada em contrato. Desse modo, com base nesse raciocínio econômico, os partidários do reajustamento da base de cálculo da CIDE sustentam que se ocorre a incidência da CIDE sobre o IRRF quando o contribuinte deste imposto assume o ônus financeiro por seu recolhimento, por uma questão de isonomia também deverá incidir quando o ônus financeiro for assumido pela fonte pagadora (tomador do serviço), resultando daí a conclusão no sentido de que é preciso reajustar a base de cálculo da CIDE por meio da adição do valor do IRRF. Entretanto, tal raciocínio carece de sustentabilidade jurídica. A uma porque o fato de o IRRF estar "embutido" na remuneração do serviço e de uma das partes assumir o ônus pelo seu recolhimento é um dado econômico não juridicizado pelo legislador. E, a duas, porque o aplicador do direito não pode estabelecer como premissa válida que o IRRF deve incidir antes da CIDE para, em seguida, concluir que a CIDE deve incidir sobre o IRRF. Vejamos. Fl. 15252DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 54 A incidência tributária é um fenômeno puramente jurídico, não sendo lícito ao aplicador do direito utilizar dados econômicos para alterar a base de cálculo da CIDE, que se encontra prevista em lei. Não se olvide que a assunção do ônus financeiro pelo recolhimento do IRRF é um fato juridicamente irrelevante para a Lei nº 10.168/2000. Nesse passo, não se pode assumir que o valor a ser pago ao beneficiário no exterior seja composto pela remuneração do serviço e pelo IRRF. Isto porque, num primeiro momento, o que existe é a apenas a remuneração estabelecida em contrato, ou seja, um valor único a ser pago a título de contraprestação por um bem ou serviço recebido. Somente após o pagamento, ou melhor, somente após o pagamento se transformar em rendimento do beneficiário no exterior é que será cabível falar em incidência de Imposto de Renda. Assim, embora sob o ponto de vista econômico seja possível sustentar que o valor do IRRF esteja contido no valor da remuneração do serviço, sob o ponto de vista jurídico o que existe é apenas a remuneração. E apenas a remuneração estipulada em contrato foi eleita pela lei como sendo a base de cálculo da CIDE. Além disso, o raciocínio engendrado para sustentar a possibilidade de reajustamento da base de cálculo da CIDE encerra um vício de ordem lógica, pois estabelece como válida a premissa de que o IRRF incide ou deve incidir antes da CIDE. Ao criticar as teorias tradicionais que tentam explicar o fenômeno da isenção tributária, Paulo de Barros Carvalho consignou que não existe cronologia entre as normas jurídicas que incidem sobre um mesmo fato da realidade social, in verbis: "(...) E, de fato, é insustentável a teoria da isenção como dispensa do pagamento de tributo devido. Traz o pressuposto de que se dá a incidência da regra matriz, surge a obrigação tributária e, logo a seguir, acontece a desoneração do obrigado, por força da percussão da norma isentiva. O preceito da isenção permaneceria latente, aguardando que o fato ocorresse, que fosse juridicizado pela norma tributária, para, então, irradiar seus efeitos peculiares, desjuridicizandoo como evento ensejador de tributo, e transformandoo em fato isento. Essa desqualificação factual seria obtida mediante a exclusão do crédito, outra providência logicamente impossível. Traduz, na verdade, uma cadeia de expedientes imaginativos, para amparar uma inferência absurda e contrária ao mecanismo da dinâmica normativa. Não há cronologia na atuação de normas vigorantes num dado sistema, quando contemplam idêntico fato do relacionamento social. Equivaleria a atribuir maior velocidade à regramatriz de incidência tributária, que chegaria primeiro ao fato, de tal sorte que, quando chegasse a norma de isenção, o acontecimento do mundo real já se encontrasse juridicizado. Sobre ferir concepções elementares do modo como se processa a normatização dos fatos sociais pelo direito, a tese confere predicados à dinâmica de atuação das normas, que elas verdadeiramente não têm. (...)"24 Mutatis mutandis, não se pode atribuir maior velocidade de incidência à normapadrão do IRRF de modo que ela alcance a remessa efetuada ao exterior antes do que a normapadrão da CIDE. Portanto, se não existe cronologia na incidência de normas jurídicas que atuem sobre um mesmo fato, então não é possível estabelecer como premissa válida, no caso das remessas ao exterior pela remuneração de serviços, que primeiro se deve apurar o imposto 24 Carvalho, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 7 ed, 1995, pág 326327. Fl. 15253DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16682.721162/201235 Acórdão n.º 3403002.702 S3C4T3 Fl. 15.210 55 de renda sobre a operação para depois adicionálo à base de cálculo da CIDE, caso o responsável pela retenção do IRRF assuma o ônus financeiro pelo seu pagamento. Sem previsão legal expressa, o aplicador do direito não pode escolher o tributo que deve incidir primeiro sobre as remessas ao exterior. Isto porque as hipóteses de incidência do IRRF e da CIDE estão previstas em normas jurídicas de igual hierarquia, vigentes de forma concomitante no tempo e no espaço. Se as duas leis são concomitantes no tempo e no espaço, é necessário fazer as seguintes indagações: 1) com base em quê o aplicador do direito escolherá a norma que incidirá primeiro?; 2) por qual razão o IRRF deve incidir primeiro? 3) no caso do ônus pelo IRRF ser assumido pelo tomador do serviço, com base em qual razão jurídica o IRRF deve ser adicionado ao valor da remuneração para só então ocorrer a incidência da CIDE? Parece óbvio que diante da inexistência de lei determinando a precedência de um tributo sobre o outro ou mesmo a incidência em cascata de um sobre o outro, não cabe ao intérprete valerse de considerações econômicas e não cogitadas pela lei (o IRRF estar embutido” na remuneração e a assunção do ônus pelo seu pagamento) para concluir que o valor desse imposto deva ser adicionado à base de cálculo da CIDE. Tratandose de tributos cujas normas de incidência estão vigentes de forma concomitante no tempo e no espaço e diante da inexistência de lei, não só no sentido de determinar a precedência de um tributo relação ao outro, mas também no sentido de que um deva integrar a base de cálculo do outro, só resta ao aplicador do direito fazer com que as normas incidam de forma isolada e simultânea sobre o mesmo fato. Não há como sustentar com argumentos jurídicos válidos a incidência de um tributo sobre o outro. Se não existe cronologia entre normas que incidam sobre o mesmo fato, o IRRF e a CIDE devem incidir no mesmo instante sobre a remuneração estipulada em contrato, não havendo que se cogitar da inclusão ou da exclusão do IRRF de sua base de cálculo. Não foi por outro motivo que o art. 10 do Decreto nº 4.195/02, que regulamentou a Lei nº 10.168/00, reafirmou que a base de cálculo da contribuição é a remuneração prevista "nos respectivos contratos", in verbis: "Art.10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, (...)" Por outro lado, é necessário lembrar que a fonte pagadora ao assumir o ônus financeiro pelo pagamento do IRRF recolhe tributo de terceiro, mas, ao recolher a CIDE, recolhe tributo em nome próprio. No caso do IRRF, sustentouse no passado que quando o ônus financeiro do contribuinte era suportado pela fonte pagadora, o pagamento efetivo era maior do que a importância líquida transferida ao beneficiário, pois nesta hipótese a fonte pagadora incorria em uma despesa maior ao recolher um encargo que não era dela. Tratavase, como é óbvio, de um raciocínio econômico e para que fosse possível o reajustamento da base de cálculo nos casos em que o ônus financeiro do imposto de Fl. 15254DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN 56 renda fosse assumido pela fonte pagadora, foi necessária a introdução de previsão legal específica no art. 5º da Lei nº 4.154/62 (art. 725 do RIR/99). Com o advento do art. 5º da Lei nº 4.154/62, o raciocínio econômico foi juridicizado pelo legislador, tornando jurídica a exigência no sentido de que a fonte pagadora considerasse líquida a quantia creditada ao beneficiário, cabendo o reajustamento da base de cálculo do IRRF. Entretanto, a mesma situação não ocorre no caso da CIDE, pois neste caso o contribuinte é a própria fonte pagadora da remuneração. Portanto, não existe justificativa econômica para reajustar a base de cálculo da CIDE, uma vez que ao recolher esta contribuição a fonte pagadora recolhe tributo próprio e não de terceiro. Por tais razões é que nem a Lei nº 10.168/2000 e tampouco o decreto que a regulamentou cogitaram do reajustamento da base de cálculo da CIDE por meio da adição de um valor que corresponde a outra espécie tributária: o IRRF. Resumindo: independente de quem assuma o ônus financeiro pelo recolhimento do IRRF, a contribuição instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168/00 incide sobre o valor da remuneração pactuada em contrato, sendo incabível incluir ou excluir de sua base de cálculo o IRRF incidente sobre o mesmo fato. Com esses fundamentos, divirjo do ilustre relator e voto no sentido de excluir do lançamento o crédito tributário apurado em decorrência do reajustamento da base de cálculo da CIDE. Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2014 Antonio Carlos Atulim Fl. 15255DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720203/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA STF EM AÇÃO PRÓPRIA. DECISÃO PLENÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. OBSERVÂNCIA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 62 DO RICARF.
Na esteira da jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, em que a autuada figura como parte, uma vez decretada à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por sub-rogação da empresa adquirente, impõe-se reconhecer a improcedência de lançamentos escorados naquelas malfadadas normas, o que se vislumbra na hipótese dos autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA STF EM AÇÃO PRÓPRIA. DECISÃO PLENÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. OBSERVÂNCIA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 62 DO RICARF. Na esteira da jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, em que a autuada figura como parte, uma vez decretada à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por sub-rogação da empresa adquirente, impõe-se reconhecer a improcedência de lançamentos escorados naquelas malfadadas normas, o que se vislumbra na hipótese dos autos. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10970.720203/2012-44
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5323246
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.326
nome_arquivo_s : Decisao_10970720203201244.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10970720203201244_5323246.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5291075
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368107364352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 256 1 255 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.720203/201244 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.326 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria PRODUÇÃO RURAL Recorrente MATABOI ALIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA STF EM AÇÃO PRÓPRIA. DECISÃO PLENÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. OBSERVÂNCIA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 62 DO RICARF. Na esteira da jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal, especialmente nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, em que a autuada figura como parte, uma vez decretada à inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, atualizada pela Lei n° 9.528/97, os quais contemplam as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos de pessoas físicas, exigidas por subrogação da empresa adquirente, impõese reconhecer a improcedência de lançamentos escorados naquelas malfadadas normas, o que se vislumbra na hipótese dos autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 03 /2 01 2- 44 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720203/201244 Acórdão n.º 2401003.326 S2C4T1 Fl. 257 3 Relatório MATABOI ALIMENTOS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão nº 0941.693/2012, às fls. 201/209, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela empresa ao INSS, na condição de subrogada, correspondentes à contribuição sobre a produção rural (art. 25, inciso I, Lei nº 8.212/91), ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT (art. 25, inciso II, Lei nº 8.212/91), e as destinadas a Terceiros (SENAR), incidentes sobre o valor da comercialização de produtos rurais adquiridos junto a pessoas físicas, em relação ao período de 01/2009 a 12/2009, conforme Relatório Fiscal, às fls. 20/27. Tratase de Autos de Infração (Descumprimento de Obrigação Principal antiga NFLD), DEBCAD’s n°s 51.028.1745 e 51.028.1753, lavrados em 16/08/2012, contra a contribuinte acima identificada, constituindo créditos tributários consignados nas folhas de rosto dos autos. De conformidade com o Relatório Fiscal, a contribuinte possui decisão judicial exarada nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852, onde o Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a alteração introduzida no artigo 25 da Lei n° 8.212/91 pelo art. 1o da Lei n° 8.540/92 – contribuição sobre a comercialização da produção rural – infringiu o § 4° do art. 195 da Constituição, por instituir nova fonte de custeio da Previdência Social sem a observância da obrigatoriedade de lei complementar. Acrescenta, o fiscal autuante, que naquele julgado restou assentado aludido entendimento até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, viesse a instituir a contribuição, o que veio a ocorrer com a edição da Lei n° 10.256/2001, que deu nova redação ao artigo 25 da Lei n° 8.212/91, superando a inconstitucionalidade da contribuição. Inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às fls. 215/247, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, por entender que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, baseando a autuação em meras presunções. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, sob o argumento de estar apoiada em simples suposições, sem a devida comprovação com fatos concretos, afastandose das informações alegadas pela impugnante, declinando falta de robustez para afirmar a ação fiscal. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Assevera que as autoridades julgadoras administrativas têm competência para reconhecer a inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de Lei ou atos normativos, com base no artigo 37 da Constituição Federal, entendimento corroborado pela jurisprudência e doutrina pátria transcrita na peça recursal. Traz à colação estudo a propósito da evolução da legislação que contempla a cobrança dos tributos ora lançados, opondose à exigência, por subrogação, das contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos rurais, alegando ser ilegal e/ou inconstitucional sua cobrança, fundamentada no artigo 25, inciso I e II, da Lei nº 8.212/91, como restou decidido pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852, em que a recorrente figura como parte interessada. Ressalta que a edição da Lei n° 10.256/2001 não tem o condão de sanear a inconstitucionalidade de referida contribuição previdenciária e, bem assim, fundamentar a exigência fiscal sob análise, uma vez que nela não estão estabelecidas a base de cálculo nem as alíquotas a serem adotadas por ocasião da constituição do crédito tributário, se apresentando, assim, como uma lei sem eficácia, porque mutilada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720203/201244 Acórdão n.º 2401003.326 S2C4T1 Fl. 258 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. Em suas razões de recurso, pretende a recorrente a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo, em síntese, que as contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produtos rurais, fundamentada no artigo 25, inciso I e II, da Lei nº 8.212/91, encontramse inquinadas de vícios de inconstitucionalidade, como restou decidido pelo STF, nos autos do RE nº 363.852, em que a autuada figura como parte, devendo ser decretada a insubsistência do feito. Acrescenta alegações periféricas a propósito da sua pretensa desobrigação de recolhimento das contribuições previdenciárias ora exigidas, opondose ao lançamento fiscal em epígrafe, as quais deixaremos de abordar em virtude de conferir razão à recorrente em relação à inconstitucionalidade da presente exação, nos termos da jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal Federal. Com efeito, a lavratura dos Autos de Infração deveuse a constatação de pretensas contribuições previdenciárias devidas pela autuada ao INSS, na condição de sub rogada, incidentes sobre o valor da comercialização de produtos rurais adquiridos junto a pessoas físicas, em relação ao período de 01/2009 a 12/2009. Destarte, os artigos 25 e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, determinam que, por substituição tributária, a empresa adquirente de produtos rurais de pessoas físicas ficará subrogada nas obrigações tributárias daqueles produtores, devendo reter e repassar ao INSS os tributos por eles devidos, in verbis: “Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97 § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 [...] Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/1/93) [...] IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” De conformidade com os dispositivos encimados, as contribuições previdenciárias dos produtores rurais pessoas físicas, incidente sobre a comercialização da produção rural, por substituição tributária, foram subrogadas passando a obrigação de retenção e recolhimento a ser do adquirente daqueles produtos. Ocorre que, após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal entendeu por bem decretar a inconstitucionalidade da exigência fiscal em comento, nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, senão vejamos: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010.” Em verdade, entendeu o STF que as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtos rurais se apresentam como nova fonte de custeio da Seguridade Social, exigindo, por conseguinte, a edição de Lei Complementar para sua instituição, com esteio no artigo 195, § 4°, da Constituição Federal, o que não se vislumbra na hipótese vertente, tendo em vista que foram contempladas via Lei Ordinária. Nesse sentido, declarouse a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII; 25, incisos I e II; e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada pela Lei n° 9.528/97. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720203/201244 Acórdão n.º 2401003.326 S2C4T1 Fl. 259 7 Nessa toada, estando a presente exigência fiscal escorada em dispositivos legais declarados inconstitucionais, mormente em relação à forma de cobrança por substituição tributária (subrogação), ainda que se pretenda inferir que após a edição da Lei n° 10.256/2001 passou a encontrar amparo na Constituição Federal, imperioso reconhecer a improcedência do feito na linha do decisório definitivo exarado pelo STF, conforme possibilita o artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou [...]” A jurisprudência administrativa, aliás, vem reconhecendo a insubsistência das contribuições previdenciárias cobradas da empresa, por subrogação, incidentes sobre a comercialização de produtos rurais com pessoas físicas, consoante se infere do Acórdão n° 240101.969, da lavra do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, exarado nos autos do processo administrativo n° 14098.000199/200812, de onde peço vênia para transcrever ementa e excerto do voto e adotar como razões de decidir, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2006 SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS E SEGURADOS ESPECIAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n. 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições previdenciárias exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física e do segurado especial na condição de subrogado. [...] VOTO [...] Aplicação do Recurso Extraordinário RE n. 863.352/MG No RE em questão discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuição social prevista no art. 25, I, da Lei n. 8.212/1991, com redação dada pela Lei n. 8.540/1992. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: [...] Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 17 de março de 2011. Uma vez não caber mais recurso contra o RE em tela e tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve o referido julgado ser observado nos julgamentos do CARF, nos termos do que dispõe o inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: [...] Verifico então que tendo o crédito em questão sido edificado sobre a legislação declarada inconstitucional, em decisão plenária, pelo STF, entendo que o mesmo não deve prosperar, devendo ser decretado o seu cancelamento. E não me convenço de que os pressupostos para a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo atualmente já estejam superados pelo fato da questão ter sido contemplada pela Lei n.º 10.256/2001, esta editada já sob a égide da Emenda Constitucional n. 20/1998. É que a subrogação do adquirente nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial pelo recolhimento das contribuições sobre a receita bruta da comercialização foi objeto da declaração de inconstitucionalidade uma vez que introduzida pelo art. 1. da Lei n. 8.540/1992, ao dar redação ao inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Eis os textos desde a redação original até a que vige atualmente: [...] Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.528/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n. 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30, da Lei n. 8.212/1991, não foi alterado pela Lei n. 10.256/2001, a Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10970.720203/201244 Acórdão n.º 2401003.326 S2C4T1 Fl. 260 9 declaração de inconstitucionalidade o atingiu, não podendo subsistir o crédito tributário arrimado nesse dispositivo. [...]” In casu, o que torna ainda mais digno de realce é que a contribuinte é parte nos autos do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, onde restara declarada a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização de produtos rurais com pessoas físicas e, principalmente para estes autos, também a forma de cobrança de referida exação, por sobrogação, devendo este Colegiado observar a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal naquele RE. Neste contexto, impõese acolher a pretensão da contribuinte no sentido da inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias ora exigidas, incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida de pessoas físicas, na esteira da jurisprudência de nossos Tribunais Superiores e adotada neste Egrégio Colegiado. Por todo o exposto, estando os Autos de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, para afastar a exigência fiscal, subrogação, relativa à aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 07/02/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10825.002400/2001-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE DE ALÇADA.
Para o cabimento do recurso de ofício, a decisão que exonera o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa deve suplantar o limite de alçada da autoridade judicante.
RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 3101-001.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso de ofício, , por ausência de pressuposto processual (abaixo do limite de alçada).
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes,Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE DE ALÇADA. Para o cabimento do recurso de ofício, a decisão que exonera o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa deve suplantar o limite de alçada da autoridade judicante. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10825.002400/2001-07
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315783
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.494
nome_arquivo_s : Decisao_10825002400200107.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 10825002400200107_5315783.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso de ofício, , por ausência de pressuposto processual (abaixo do limite de alçada). Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Luiz Roberto Domingo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes,Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5242141
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368110510080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1691; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 216 1 215 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.002400/200107 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3101001.494 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria Recurso de Ofício Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE CANA, AÇÚCAR EÁLCOOL DO ESTADO DE SAO PAULO S/A COPERSUCAR ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO LIMITE DE ALÇADA. Para o cabimento do recurso de ofício, a decisão que exonera o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa deve suplantar o limite de alçada da autoridade judicante. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso de ofício, , por ausência de pressuposto processual (abaixo do limite de alçada). Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes,Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 24 00 /2 00 1- 07 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício que exonerou a Interessada da multa de ofício em lançamento para constituir crédito tributário, cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de decisão judicial. O valor exonerado foi de R$ 905.810,82. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Relator Cabível ao presente caso o juízo de admissibilidade. Para o cabimento do recurso de ofício, a decisão que exonera o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa deve suplantar o limite de alçada da autoridade judicante, que, neste cão foi fixado pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, com a seguinte redação: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Considerando que no presente caso o valor exonerado foi de R$ 905.810,82, inferior ao limite de alçada, NÃO CONHEÇO do Recurso de Ofício. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 470DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.006335/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
O pedido de relevação da multa aplicada deve ser precedido da prova inequívoca do preenchimento dos requisitos constantes no art. 291 do Decreto 3.048/99.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho.
Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. O pedido de relevação da multa aplicada deve ser precedido da prova inequívoca do preenchimento dos requisitos constantes no art. 291 do Decreto 3.048/99. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10510.006335/2008-09
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5310807
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.635
nome_arquivo_s : Decisao_10510006335200809.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 10510006335200809_5310807.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro Jose Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5198046
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368111558656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2177; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 429 1 428 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.006335/200809 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.635 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2013 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente UP PETRÓLEO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA. ANÁLISE DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE. PROIBIÇÃO EXPRESSA AO CARF. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. O pedido de relevação da multa aplicada deve ser precedido da prova inequívoca do preenchimento dos requisitos constantes no art. 291 do Decreto 3.048/99. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O reconhecimento da existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho. Em relação a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 63 35 /2 00 8- 09 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa UP PETRÓLEO BRASIL LTDA. em face da decisão que manteve o lançamento do crédito tributário referente ao descumprimento de obrigação acessória no período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (ff. 19/24), o contribuinte apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme transcrito abaixo: “1. O autuado entregou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 2. Não foram declarados em GFIP os seguintes fatos geradores: 2.1. Código de Levantamento ABN: cuida da remuneração a título de abono salarial dos segurados empregados. 2.1.1. O valor deste fato gerador para os meses de 01/2004 e 07/2004 foi apurado nas folhas de pagamento de abono (cópias anexas). 2.1.2. A competência 02/2004 referese à segurada empregada Maria das Graças Lins de Pádua, que teve o contrato de trabalho rescindido em 12/02/2004 (cópia anexa do termo de rescisão do contrato de trabalho). O valor foi apurado de acordo com os lançamentos feitos na conta contábil: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10510.006335/200809 Acórdão n.º 2301003.635 S2C3T1 Fl. 430 3 3220114 – abono salarial. Salientase, ainda, que a empresa informou na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, com o código: 0561 – rendimentos do trabalho assalariado, esse mesmo valor apurado. 2.1.3. O abono tratado neste levantamento é fato gerador de contribuição previdenciária, tendo em vista a determinação da alínea j, do inciso V, do § 9º, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. (...) 2.1.4. Em consonância com a situação fática, a fiscalização considerou o abono como remuneração de segurado empregado, sendo a contribuição previdenciária não declarada resultante da aplicação da alíquota de 23% (vinte e três por cento) sobre a base de cálculo (BC) não declarada e que foi calculada, tendo em vista o art. 20, da Lei nº 8.212/91. (...) 2.2. Código de Levantamento CDN: neste levantamento encontrase o pró labore pago ao administrador James Addison Harvick, segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual. (...) 2.2.2. Em relação a este fato gerador, a contribuição previdenciária não declarada resulta da aplicação da alíquota de 20% (vinte por cento), de acordo com o inciso III, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, sobre a base de cálculo (PRO) não declarada, somandose ao resultado a contribuição do segurado contribuinte individual (CCI) não declarada e que foi calculada, tendo em vista o art. 4º da Lei nº 10.666/03, combinado com o § 26, do art. 216, do RPS. 2.3. Código de Levantamento CFN: contém a remuneração do segurado contribuinte individual José Marcos S. Dantas que prestou serviço de transporte à empresa. (...) 2.3.2. Em relação a este fato gerador, a contribuição previdenciária não declarada é resultante da aplicação da alíquota de 20% (vinte por cento), de acordo com o inciso III, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, sobre a base de cálculo não declarada, somandose ao resultado a contribuição do segurado contribuinte individual (CCI) não declarada e que foi calculada, tendo em vista o art. 4º da Lei nº 10.666/03, combinado com o § 26, do art. 216, do RPS. 2.3.3. A base de cálculo corresponde a 20% do pagamento (PFT) feito ao transportador rodoviário autônomo, conforme § 4º, do art. 201, do RPS. (...) 2.4. Código de Levantamento CGN: cuida da remuneração dos segurados contribuintes individuais, definidos no inciso V, do art. 12, da Lei nº Fl. 431DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 8.212/91, que prestaram serviço à empresa, com exceção daqueles que estão retratados nos códigos de levantamento CDN e CFN. (...) 2.5. Código de Levantamento REN: contém a remuneração dos segurados empregados que não foi declarada em GFIP, tendo sido apurada por meio das folhas de pagamento (cópias anexas) apresentadas pela empresa. (...) 2.6. Código de Levantamento UNN: referese aos serviços prestados ao autuado pela Unimed Sergipe – Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ: 13.360.276/000122, apurados por meio das faturas (cópias anexas). (...) 4. Em razão da omissão, em GFIP, dos fatos geradores relatados no item 2, o autuado incorreu na infração prevista no inciso IV e no § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, e no inciso II, do art. 284, do RPS. 5. O autuado é primário, nos termos do parágrafo único, do art. 290, do RPS, e a fiscalização não constatou agravante.” 3. Consta no relatório fiscal da aplicação da multa que o seu valor fixado com base no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 284, inciso II, do RPS foi determinado considerandose que a multa para cada mêscompetência corresponde a 100% da contribuição previdenciária não declarada em GFIP, respeitandose os limites contidos em tabela do artigo 32, § 4º, da Lei nº 8.212/91. A utilização do limite máximo para aplicação da multa resta comprovada pelo quadro demonstrativo de sua aplicação (f. 27). 4. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (ff. 63/78), na qual requereu a relevação da multa aplicada. Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância decidiu pela procedência do lançamento e pela rejeição do pedido de relevação, ao entender que a empresa transmitiu declarações retificadoras com alíquota de grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT/SAT/GILRAT) correspondente a 2%, quando a alíquota correta é de 3%. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. A empresa é obrigada a informar mensalmente, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da Administração Tributária. CORREÇÃO DA FALTA ATÉ O TERMO FINAL DO PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA. PEDIDO INDEFERIDO. A relevação requerida pelo contribuinte era benefício para o qual se exigia pedido, primariedade, ausência de circunstância agravante e correção da falta no prazo para impugnação, com previsão regulamentar até o dia 12/01/2009, véspera da publicação do Decreto nº 6.727, de 12 de maio de 2009, que revogou o art. 291 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10510.006335/200809 Acórdão n.º 2301003.635 S2C3T1 Fl. 431 5 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (ff. 403/413), no qual aduz em síntese: a) alega que faz jus à relevação da multa aplicada, considerando que corrigiu a falta apontada pelo fisco até a decisão do Colegiado de primeira instância, além de ser infrator primário e não existir circunstâncias agravantes, o que, segundo o art. 291 do RPS, dá ensejo ao direito postulado; b) aponta que reconheceu o erro e realizou o procedimento retificatório das GFIP’s dentro do prazo para apresentação da impugnação e em data anterior à revogação do referido artigo pelo Decreto nº 6.727/2009, o que deixa claro o direito adquirido de obter o benefício da relevação da multa, uma vez preenchidos todos os requisitos legais vigentes à época; c) caso a multa lançada no auto de infração não seja relevada, pugna pelo cancelamento da multa de 100% prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, uma vez que o dispositivo legal foi revogado pela Lei nº 11.941/2009 e os contribuintes estão amparados pelo princípio da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN; d) quanto à aplicação da penalidade prevista no art. 284, inciso II, do RPS, entende que faz jus a gradação da multa frente à inexistência de circunstâncias agravantes, conforme dispõe o art. 292, inciso I, do RPS; e e) considera que a submissão aos valores lançados no auto de infração é uma penalidade excessiva e desproporcional à infração praticada, revestindo se de caráter confiscatório, o que viola os princípios da moralidade e proporcionalidade previstos na Constituição Federal e desvirtua a norma do CTN. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 DA RELEVAÇÃO DA MULTA 2. A questão trazida nos autos diz respeito à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Conforme relatado acima, o contribuinte apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias relativas ao período de 01/2004 a 12/2004. 3. Por esta razão, entendeu o relatório fiscal da infração que “o autuado incorreu na infração prevista no inciso IV e no § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, e no inciso II, do art. 284, do RPS” (f. 23). 4. O contribuinte requereu, tanto em sede de impugnação apresentada ao colegiado de primeira instância, quanto em recurso voluntário a este Conselho, a relevação da multa aplicada. 5. O acórdão de primeira instância entendeu que o contribuinte não procedeu à correção da falta corretamente para que pudesse ser beneficiado com a relevação da multa, uma vez que as declarações retificadoras foram transmitidas com a alíquota RAT/SAT/GILRAT correspondente a 2%, quando o relatório de autuação fiscal registra que a alíquota correta é de 3%, em razão da atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, qual seja extração de petróleo e gás natural. 6. É importante notar que o Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, dispõe em seu art. 202: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. 7. O citado Anexo V, em vigor na data da fiscalização pela RFB, determinava que, para a atividade desenvolvida pelo contribuinte, a alíquota a ser considerada era a de 3%, Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10510.006335/200809 Acórdão n.º 2301003.635 S2C3T1 Fl. 432 7 conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE. Assim, a retificação das GFIP’s efetuadas pela empresa deveria seguir este comando legal. 8. Ademais, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, trouxe, em seu anexo I, relação constando as alíquotas a serem aplicadas aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2010, no qual permanece inalterado o percentual de 3%. 9. Cumpre verificar, desse modo, que a conduta do sujeito passivo não pode ser beneficiada pela regra contida no art. 291, § 1º do RPS. Este dispositivo – vigente à época dos fatos imponíveis, da autuação e da impugnação, vez que foi revogado pelo Decreto nº 6.727/2009 – trazia em seu texto a previsão da relevação da multa aplicada quando o contribuinte protocolasse o pedido dentro do prazo de defesa, fosse primário e tivesse corrigido a falta em tempo, in verbis: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.” 10. Embora seja primária e tenha protocolizado o pedido no prazo previsto em lei, a empresa não corrigiu integralmente a falta para que pudesse beneficiarse com a regra, pelo que mantenho a decisão de primeira instância no tocante à relevação da multa, vez que, conforme assentado no voto daquela instância, não há “previsão normativa para relevação ou atenuação parcial intraocorrência” (f. 397). CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA 11. Alega a recorrente que os valores lançados no auto de infração são demasiadamente exagerados, caracterizandose a penalidade como confiscatória. Porém, esta alegação não deve prosperar, pois o caráter confiscatório da multa somente resta configurado quando o valor agredir violentamente o patrimônio do contribuinte, o que não ocorre na hipótese analisada. 12. Ademais, a irresignação não pode ser analisada por este Conselho, em respeito à competência privativa do Poder Judiciário, já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Conselho. 13. Sobre a questão, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 14. Em outras palavras, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único, do seu Regimento Interno, quais sejam: “I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 199.” 15. No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. 16. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 17. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 18. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 19. Além disso, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal, que é a quem compete a guarda da Constituição. Poderseia, nesses casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. 20. Portanto, não há que se falar em caráter confiscatório da multa prevista no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, posto que a atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. GRADAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 284, II, DO RPS 21. Aduz o contribuinte que faz jus à gradação da multa diante da inexistência de circunstâncias agravantes, conforme previsto no art. 292, inciso I, in verbis: Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10510.006335/200809 Acórdão n.º 2301003.635 S2C3T1 Fl. 433 9 “Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I – na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no §3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso” 22. Para que se possa aferir a possibilidade de concessão do benefício pretendido pela empresa, é importante verificar o disposto no art. 290, do RPS, que define o que seja circunstância agravante da infração: “ Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: I tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência.” 23. Pelo exposto, verificase que a empresa não possui qualquer circunstância agravante que obste a concessão da gradação da multa prevista no citado art. 292, do RPS, tendo a fiscalização, inclusive, apontado no relatório fiscal da infração a inexistência de circunstâncias agravantes e a primariedade do contribuinte. 24. Ocorre que, verificando atentamente o relatório fiscal, resta evidente que a fiscalização não aplicou a gradação da multa, o que seria prejudicial para o contribuinte, de maneira que não há o que retificar na decisão recorrida. 25. Com base nessas alegações, não há razão em relação à alegação da recorrente. DA MULTA APLICADA 26. O contribuinte alega que “fazse imprescindível o cancelamento da multa de 100% prevista no Art. 32, §5º da Lei nº 8.212/91, uma vez que o dispositivo legal foi revogado pela Lei 11.941/2009 e os Contribuintes estão amparados pelo Princípio da Retroatividade Benigna”. 27. De fato, o dispositivo legal previa que, para o caso de apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, o infrator estaria sujeito à multa de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada. Porém, estando o dispositivo revogado, não há como se aplicar ao caso em tela, assistindo razão ao contribuinte. 28. Ressaltase que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores das penalidades aplicadas pelo fisco: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 29. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10510.006335/200809 Acórdão n.º 2301003.635 S2C3T1 Fl. 434 11 d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 30. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 31. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 32. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 33. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 34. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 35. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 36. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 37. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 38. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10510.006335/200809 Acórdão n.º 2301003.635 S2C3T1 Fl. 435 13 de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 39. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 40. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 41. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em que a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 42. Por isso, entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, se mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10510.006335/200809 Acórdão n.º 2301003.635 S2C3T1 Fl. 436 15 43. Feitas tais considerações, voto por CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, reduzindo a multa aplicada conforme determina o artigo 32A, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfico para o contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902202/2012-23
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-005.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10945.902202/2012-23
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5323002
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.015
nome_arquivo_s : Decisao_10945902202201223.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 10945902202201223_5323002.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5289202
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368116801536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 75 1 74 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.902202/201223 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.015 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO PIS Recorrente CGS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 02 /2 01 2- 23 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902202/201223 Acórdão n.º 3803005.015 S3TE03 Fl. 76 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902202/201223 Acórdão n.º 3803005.015 S3TE03 Fl. 77 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902202/201223 Acórdão n.º 3803005.015 S3TE03 Fl. 78 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902202/201223 Acórdão n.º 3803005.015 S3TE03 Fl. 79 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido: verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.902202/201223 Acórdão n.º 3803005.015 S3TE03 Fl. 80 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Se este é o entendimento que se tem sob égide da Lei nº 9.718/98, não há distinção quando se considera a ampliação da base de cálculo implementada pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, porquanto não se está a tratar de receita outra que se agregue à de venda de mercadorias e serviços. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10725.000321/2010-72
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS - DCTF -
É devida multa por atraso na apresentação da DCTF, quando comprovado que a sua entrega ocorreu fora do prazo. Penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.
Numero da decisão: 1803-001.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS - DCTF - É devida multa por atraso na apresentação da DCTF, quando comprovado que a sua entrega ocorreu fora do prazo. Penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10725.000321/2010-72
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5305835
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1803-001.052
nome_arquivo_s : Decisao_10725000321201072.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
nome_arquivo_pdf_s : 10725000321201072_5305835.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
id : 5163412
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046368145113088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 128 1 127 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.000321/201072 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 1803001.052 – 3ª Turma Especial Sessão de 05 de outubro de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente SHIMMER INSP REP, AND MAINTEN OF EQUIPMENTS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF É devida multa por atraso na apresentação da DCTF, quando comprovado que a sua entrega ocorreu fora do prazo. Penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 03 21 /2 01 0- 72 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/1 1/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10725.000321/201072 Acórdão n.º 1803001.052 S1TE03 Fl. 129 2 “Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativa ao primeiro semestre do anocalendário de 2009, no valor total de RS 36.265,83. O Enquadramento Legal indicado na notificação de lançamento foi art. 7º da Lei n° 10.426/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051 de 29/12/2004. Cientificada do feito em 15/04/2010 (data da transmissão da DCTF), a contribuinte apresentou sua impugnação em 25/04/2010 aduzindo as seguintes alegações, em síntese: a) Que apresentou a DCTF intempestivamente, mas espontaneamente, razão pela qual faz jus ao benefício da denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN; b) que o auto de infração só poderia ter sido feito após intimação para a apresentação da DCTF conforme dispõe o caput do artigo 7º da Lei n° 10426/2002; c) que a empresa impugnante após detectar a falta da entrega da declaração promoveu imediatamente as medidas corretivas para cumprimento da obrigação acessória, frisase espontaneamente.” A 9ª Turma da DRJ/RIO DE JANEIRO1–RJ, em sessão de 11 de fevereiro de 2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1235.662 onde decidiu “por unanimidade de votos, não dar provimento à impugnação mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 36.265,83”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADE. O instituto da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, sem vínculo com o fato gerador do tributo, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os parágrafos de um artigo são para restringilo ou complementálo, devendo o intérprete não se limitar apenas ao disposto no caput. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado da decisão em 03/03/2011, interpôs o contribuinte, em 07/04/2011, Recurso Voluntário a este Conselho, onde a Recorrente manteve os mesmos argumentos da peça impugnatória apresentada. É o relatório do essencial. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/1 1/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10725.000321/201072 Acórdão n.º 1803001.052 S1TE03 Fl. 130 3 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão dos autos trata de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e créditos Tributários Federais – DCTF referente ao 1º trimestre do ano calendário de 2009. Contudo não consigo encontrar no Recurso nem tampouco na impugnação qualquer comprovação que as DCTF’s do 1º trimestre do ano calendário de 2009 foram entregues no prazo determinado pela legislação. Esta 3ª Turma Especial já vem, reiteradamente, decidindo que apresentação da DCTF fora do prazo enseja a aplicação da multa de oficio, nos termos do que preceituam os dispositivos legais indicados no Auto de Infração. A penalidade é exigida em razão do descumprimento de obrigação acessória pelos contribuintes, mesmo nos casos em que não houve qualquer dano aos cofres públicos. Até porque, a responsabilidade dos contribuintes por infração tributária independe da sua intenção, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do CTN. Deste modo, apesar de a Recorrente sustentar que a não entrega da DCTF aconteceu por motivos alheios a sua vontade, sua pretensão não merece acolhida, pois não afasta a sua responsabilidade, imposta pela legislação, de apresentar as suas declarações no prazo estipulado. Até porque, em se tratando de aplicação de multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao ano calendário de 2007, incide por força das determinações constantes do Art. 7° da Lei n° 10.426/2002, que pode ser observado na forma esquemática a seguir transcrita: A B C D 1 O sujeito passivo que deixar de apresentar: Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF); Declaração Simplificada Será intimado a apresentar Sujeitarseá I – de 2% por mês calendário ou fração incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega da declaração, ou entrega após o prazo, limitada a 20%. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/1 1/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10725.000321/201072 Acórdão n.º 1803001.052 S1TE03 Fl. 131 4 da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados a declaração original, no caso de não apresentação às seguintes multas II – de 2% no mês calendário ou fração incidente sobre o montante de tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%. 2 Ou que as apresentar com incorreções ou omissões Ou a prestar esclarecimentos nos demais casos, no prazo estipulado pela Receita Federal do Brasil III – de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. Observando a planilha acima, atentese que a coluna C (“sujeitarseá às seguintes multas”) é ligada pela conjunção “e” (e não “ou”), o que obriga sempre A. aplicação de multa por atraso em qualquer das hipóteses das linhas 1 e 2; ou seja, intimandose previamente ou não o contribuinte. E, o denominado “prazo fixado” a que se refere à coluna A, linha 1, é o prazo fixado pela legislação tributária (art.6° da IN SRF n° 482/2004) para entrega da DCTF, e não um prazo aleatório posteriormente fixado pela Administração. Outrossim, a intimação prévia para prestar esclarecimentos só se aplica no caso de apresentação de declaração com incorreções ou omissões (linha 2). Diante desse fato, não há o que se falar se houve ou não pronunciamento ou qualquer ação por parte do fisco em relação ao atraso na entrega da DCTF, tendo em vista que a Recorrente tinha um prazo para cumprir a obrigação e simplesmente não a fez. E, mesmo que o Fisco não tenha feito qualquer movimento para cobrar o cumprimento da obrigação acessória da Recorrente, a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea. Essa é a posição da Súmula Carf nº 49, com o seguinte teor: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é pacífica em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/1 1/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10725.000321/201072 Acórdão n.º 1803001.052 S1TE03 Fl. 132 5 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/1 1/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10725.000321/201072 Acórdão n.º 1803001.052 S1TE03 Fl. 133 6 Por fim, como vem afirmando o Preeminente Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes em diversos julgamentos análogos realizados por essa 3ª Turma Especial “não se afasta a responsabilidade da empresa no caso, porque culpa lhe cabe, tanto na escolha do encarregado da elaboração e entrega das declarações (culpa in eligendo), quanto na fiscalização das suas tarefas (culpa in vigilando)”. Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, voto no sentindo de negar provimento parcial ao Recurso para manter a cobrança da multa pela ausência da entrega das DCTF apuradas no auto de infração efetivado pela fiscalização e ratificadas pelo Acórdão n° 1235.662 proferido pela 9ª Turma da DRJ/RIO DE JANEIRO1–RJ. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Assinado Digitalmente Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/1 1/2013 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
score : 1.0
