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Numero do processo: 16366.000114/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acata-se os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo.
COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO.
No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte.
Numero da decisão: 9303-005.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto à incidência da taxa Selic ao pedido de ressarcimento e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformular o acórdão apenas em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acata-se os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto à incidência da taxa Selic ao pedido de ressarcimento e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformular o acórdão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 01 14 /2 00 8- 14 Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 3 2 apenas em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 330100.689, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que somente os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens geram créditos passíveis de ressarcimento, e gastos com mão deobra avulsa, ainda que contratada por intermédio de sindicato, não geram direito ao ressarcimento de créditos de COFINS. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Cuidase de recurso em face do Acórdão 0622.698 da 3a Turma da DRJ/CTA, que deferiu apenas em parte o ressarcimento de créditos de insumos decorrentes da Cofíns nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.833/2003, do período de apuração de 01/10/2007 a 31/12/2007 ( 4 o trimestre/2007). Cientificada em 08/09/2009 (AR fl. 459), a recorrente apresentou em 18/10/2009, o recurso de fls. 460/478, alegando, em síntese, que apesar da decisão recorrida ter reconhecido como indevida a inclusão na base de cálculo da Cofíns, dos valores de créditos recuperados de ICMS, no mês de Dezembro/2007, com base na referente aos valores recolhidos indevidamente entre os meses de junho/2004 a junho/2005, com fundamento no Decreto n° 35.528/2004 do Estado do Rio de Janeiro, o qual, em 06/09/2007, foi declarado inconstitucional pela composição plenária do Supremo Tribunal Federal AD1N n°3. 389, todavia, a Recorrente demonstrou o dispêndio Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 4 3 financeiro (gasto) com custos/insumos aplicados diretamente na produção de bens destinados à venda de produtos, apurando, por conseqüência e nos termos da legislação vigente, os respectivos créditos da contribuição à COFINS. Contesta a glosa dos créditos relativos aos custos/despesas com alimentação, cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, uniforme e vestuário, equipamento de proteção individual, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviços de segurança c vigilância, serviços de conservação e limpeza, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO As despesas com alimentação, cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, uniforme e vestuário, equipamento de proteção individual, materiais químicos e de laboratórios, materiais dc limpeza, materiais de expediente, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza não geram créditos passíveis de dedução da contribuição mensal devida, bem como as despesas com mãodeobra pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da Cofins com incidência nãocumulativa é a receita bruta decorrente da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, não sendo aplicável, no caso, a decisão do Supremo Tribunal Federal (RE346.084) que declarou a inconstitucionalidade do § I o do art. 3 o , da Lei n° 9.718, de 1998. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Contribuinte ingressou com embargos de declaração, alegando a existência de obscuridade no acórdão embargado. O Presidente da 3ª Seção de julgamento, rejeitou os embargos por entender que não houve nenhuma obscuridade no acórdão embargado. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 5 4 Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, requerendo que seja dado provimento integralmente ao crédito pleiteado, ensejando, por conseqüência, a homologação das compensações vinculadas. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3401001.713, 930301.741 e 9303002.101. Em seguida, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 1259/1266. Vejamos: "Portanto, presentes os demais pressupostos de admissibilidade, deve o recurso especial ser admitido, parcialmente, quanto à interpretação do termo “insumo”, à exceção de Serviços Temporários intermediados por sindicato, e quanto à atualização dos valores pedidos em ressarcimento pela taxa Selic". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose incólume a decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselherio Demes Brito Relator Os Recurso foi apresentado com observância no prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Com efeito, as matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, envolve à interpretação do termo “insumo” e atualização dos valores solicitados em ressarcimento pela taxa Selic". Quanto a divergência do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, tomo conhecimento da matéria. No que tange atualização dos valores solicitados em ressarcimento pela taxa Selic, não tomo conhecimento matéria. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 6 5 Explico e fundamento: Nos termos do exame de admissibilidade do Recurso, processo nº 10930.002522/200431, a Contribuinte apresentou o acórdão nº 9303002.101, o mesmo utilizado no presente Recurso. O Presidente da 3º Seção de Julgamento, entendeu que naquele acórdão paradigma não logrou êxito em comprovar a divergência. Vejamos: "Atualização pela taxa Selic sobre os valores passíves de ressarcimento. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou o seguinte paradigma: Acórdão nº 9303002.101 proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na apreciação da matéria no paradigma, decidiuse pela aplicação do artigo 62A do RICARF, não tecendo, o relator, maiores considerações sobre o litígio. Por sua vez, o acórdão proferido pelo STJ, apresentado como representativo da aplicação do rito previsto no artigo 543C do CPC, AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS, interpretou a possibilidade de atualização monetária em vista da Lei nº 9.363, de 1996 e da Súmula nº 411 do STJ, as quais tratam do ressarcimento de créditos de IPI. Já o acórdão proferido no Recurso Especial nº 1.035.847 – RS (2008/00448972), precedente da controvérsia submetida ao rito de recurso repetitivo, analisou o artigo 11 da Lei nº 9.779. de 1999, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e o artigo 39 da Lei nº 9.250, de 1995. Por outro lado, o acórdão recorrido adotou os fundamentos da decisão de primeira instância, a qual interpretou, além de outros, o artigo 13 da Lei nº 10.833, de 2003, que trata da vedação legal quanto à atualização monetária ou incidência de juros sobre o aproveitamento de créditos da não cumulatividade da Cofins (aplicável ao PIS pelo artigo 15 da Lei nº 10.833, de 2003), dispositivo legal não interpretado no acórdão paradigma, o qual dispôs sobre a atualização monetária de créditos presumidos de IPI, nem referido nos acórdãos proferidos pelo STJ sob o rito do artigo 543C do CPC. Verificase, portanto, que a recorrente não logra comprovar a divergência suscitada, pelo fato de que a decisão atacada e o acórdão paradigma tratarem de situações fáticas e jurídicas distintas1". Em atenção ao despacho de admissibilidade do processo (Processo nº 10930.002522/200431), a Contribuinte não logrou êxito em comprovar divergência jurisprudencial quanto atualização do pedido de ressarcimento pela Taxa Selic, portanto, o recurso não deve ser conhecido quanto esta matéria. 1 Despacho de Admissibilidade do Processo Paradigma nº10930.002522/200431, fls. 889/904. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 7 6 Passo ao julgamento da divergência do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que somente os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens geram créditos passíveis de ressarcimento, e gastos com mãodeobra avulsa, ainda que contratada por intermédio de sindicato, não geram direito ao ressarcimento de créditos de PIS, por fim, afastou a possibilidade de correção monetária pela Taxa Selic, por ausência de previsão legal. No presente caso foram glosados créditos decorrentes das despesas de aquisições dos seguintes itens: "Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laborara Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; O Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância, Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais". Neste passo, em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 8 7 totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte industrializa, comercializa no mercado interno e exporta diversos produtos (café solúvel, óleo de café, extrato de café, etc), de industrialização própria. Exporta ainda mercadorias adquiridas de terceiros. Tais valores estão devidamente registrados em seus livros contábeis/fiscais. Destarte, ressaltase que a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. As aquisições estão relacionadas, por divisão, juntamente com amostragem dos documentos, às fls. 373 a 399 e 402 a 411. Os créditos aproveitados pela Contribuinte foram acrescidos do ICMS e diminuídos do IPI (divisão de embalagens). Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 9 8 Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 10 9 o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, o que se coaduna com o presente caso ( PIS). Dessa forma, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS. Diferentemente do presente caso, as glosas referentes alimentação; cesta básica; vale transporte; assistência médica/odontológica; materiais de manutenção/conservação; materiais químicos e de laboratório, materiais de limpeza; materiais de expediente; materiais de consumo; serviço temporário; serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza; serviços de manutenção e reparos; outros serviços de terceiros; exportação e gastos gerais, entendo não serem essenciais ao processo de produção da Contribuinte. Como se observa, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. Por outro lado, a Contribuinte não teve nenhum interesse em apresentar seu processo produtivo, e fundamentar seu direito, pelo contrario, em sua peça Recursal alega apenas que o direito a crédito " conceito de insumo" deve ser o mesmo aplicado ao imposto de renda, visto que, para se auferir lucro. Esta E. Câmara Superior, atual composição, tem como regra debater "insumo" por "insumo", para verificar se de fato os insumos utilizados no processo produtivo são essenciais ao processo de produção, salvo entendimento dos Conselheiros Fazendários que não adotam o critério da essencialidade. Neste sentido, em recente julgamento por esta Turma, os acórdãos de nºs 9303005.678 e 9303005.679, julgado na sessão de 19 de setembro, de Relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, empreendeu toda fundamentação lastreada em laudos, processo de produção e essencialidade dos insumos utilizados no processo de produção. Como dito, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido. Nos termos do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, como pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, entendo ser essencial atividade da Contribuinte, uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. in verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 11 10 O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para reverter as glosas referente a uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo em parte de suas conclusões a respeito da possibilidade de apurar créditos da não cumulatividade relativa ao PIS e à Cofins. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto o relator aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Concordei com o relator em relação à maioria das glosas mantidas por ele. Nossa discordância é específica em relação a uniforme/vestuário e combustíveis/lubrificantes, tendo em vista que concordo com o afastamento da glosa relativa aos equipamentos de proteção individual na medida em que são consumidos, com o tempo, em aplicação necessária durante o processo de produção e não compõem o ativo imobilizado do contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da Cofins: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 13 12 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. O legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 16366.000114/200814 Acórdão n.º 9303005.925 CSRFT3 Fl. 14 13 Portanto, antes de iniciado ou após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela lei). Ressalto que considero que os uniformes/vestimentas utilizadas na fábrica em razão de exigências de ordem sanitárias em decorrência de normas legais, podem ser apropriados como créditos em face de seu consumo, com o tempo, diretamente no processo produtivo. Porém uniformes/vestimentas adotados por mero interesse do fabricante, sem demonstração de que sejam utilizados no chão da fábrica, não se revestem da previsão legal ao direito ao crédito. Quanto aos combustíveis/lubrificantes observase que há previsão expressa no inciso II do art. 3º, acima transcrito, quanto à possibilidade do creditamento quando utilizados diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda. Acontece que estes créditos relativos aos combustíveis/lubrificantes já foram considerados e concedidos quando da análise original do pedido de ressarcimento. Portanto, eventuais consumo de combustíveis e lubrificantes utilizados antes de iniciado o processo produtivo ou em etapa posterior, não dão direito ao crédito por falta de previsão legal. Portanto os combustíveis/lubrificantes objetos da presente discussão não referemse ao uso direto no processo produtivo, mas aos usados em períodos anteriores ou posteriores à produção do produto destinado à venda. Assim, efetivamente não há base legal para sua concessão. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, somente para acatar o direito à apropriação de créditos com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.909285/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REDUÇÃO DO IRPJ.
O direito a redução do IRPJ, calculado sobre o lucro da exploração, deve ser reconhecido, quando comprovado que a pessoa jurídica preenchia as condições e os requisitos legais exigidos para obtenção do benefício requerido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1201-001.926
Decisão: (assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (presidente da turma), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli e José Carlos de Assis Guimarães. Ausentes justificadamente os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REDUÇÃO DO IRPJ. O direito a redução do IRPJ, calculado sobre o lucro da exploração, deve ser reconhecido, quando comprovado que a pessoa jurídica preenchia as condições e os requisitos legais exigidos para obtenção do benefício requerido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (presidente da turma), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli e José Carlos de Assis Guimarães. Ausentes justificadamente os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa. Fez sustentação oral o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. Relatório A Recorrente transmitiu sua Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2003), anocalendário de 2002, versão original, apurando um imposto a pagar de R$ 2.711.016,50. Entretanto, referida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 92 85 /2 00 6- 21 Fl. 1280DF CARF MF 2 Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2003) foi retificada por duas vezes, sendo que a última versão, ficha 12A, demonstrou um saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), equivalente a R$ 10.727.456,57 (linha 18). Em resumo, o saldo negativo é proveniente das deduções do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 5.550.765,59 (linha 13), do pagamento de estimativas no valor de R$ 35.020.939,79 (linha 16) e da redução de 37,5% do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais Não Restituíveis devido no valor de R$ 19.471.881,56 (linha 10). O acórdão nº 1228.598, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ I), negando provimento à Manifestação de Inconformidade formalizada pela contribuinte, relatou os fatos e fundamentos jurídicos até àquela fase processual, conforme a seguir reproduzido: Trata o processo de DCOMP Eletrônica, abaixo listadas, onde a interessada pretende compensar débitos mediante aproveitamento de crédito decorrente de pagamento indevido de IRPJ, recolhido em 31/03/2003, no valor original de R$ 11.746.710,67. Posteriormente, a interessada alterou o valor do crédito para R$ 14.534.448,94. Em 11/06/2008, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/DIORT, fl. 299, com base no Parecer Conclusivo n° 248/2008, fls. 294/298, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. 0 indeferimento do pleito teve como motivo as seguintes constatações: • A interessada apresentou Declaração Retificadora, alterando o resultado de imposto a pagar de R$ 2.711.016,50 para saldo negativo de R$ 10.727.456,57. • A redução decorre do reconhecimento à BILLITON METAIS S.A., pela SUDENE, do direito à redução do Imposto sobre a Renda e Adicionais, com base no Lucro da Exploração, a teor do Laudo Constitutivo n° 30/2003, fls. 88/94. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10768.909285/200621 Acórdão n.º 1201001.926 S1C2T1 Fl. 1.277 3 • Entretanto, em diligência fiscal, verificouse que o Consórcio Alumar é uma sociedade de fato, distinta da interessada, e que realiza toda a produção, ocorrendo a total separação das receitas e despesas entre o consórcio e a interessada. Cabe à sociedade de fato Consórcio Alumar o direito à redução. • Portanto, concluiuse pela nulidade, extunc, do laudo constitutivo n° 30/2003, não possuindo a interessada direito a quaisquer beneficios fiscais, sendo nula a Isenção e Redução do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, originário do Lucro da Exploração da Atividade com Redução de 37,50%. • Diante de tal conclusão, e considerando que a certeza e liquidez do crédito constituem requisitos indispensáveis conforme artigo 170 do CTN, a DERAT não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações. A interessada tomou ciência da decisão em 12/06/2008, fls. 300. Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade em 14/07/2008, fls. 324/345, com as seguintes alegações: I — Alega a tempestividade da manifestação de inconformidade. II — Histórico das Compensações. • Para o desenvolvimento de suas atividades, constituiu o Consórcio de Alumínio do Maranhão (ALUMAR) juntamente com outras sociedades. • Por preencher os requisitos do artigo 14 da Lei n° 4.239/1963, foi concedido incentivo fiscal consistente na redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, aplicandose a aliquota de 37,5% para o anocalendário de 2002. • Aplicando a redução, apurou saldo negativo de IRPJ em razão de haver procedido a adiantamentos — retenções na fonte e pagamentos mensais por estimativa — em montante superior devido. • Utilizou os respectivos créditos para proceder a compensação de débitos correspondentes a tributos, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. • Alega que a DEFIS/RJ deixou de analisar os documentos trazidos durante a diligência por conta da proximidade do fim do prazo previsto no artigo 74, §5° da Lei n° 9.430/96, adotando como exclusivo fundamento a decisão da Fiscalização de Poços de Caldas relativa a contribuinte diverso, no sentido de Fl. 1282DF CARF MF 4 desconsiderar a validade do respectivo beneficio, pois concluiu que o Consórcio Alumar é uma sociedade de fato, distinta das demais, que realiza toda a produção, que é comercializada pela BHP Billiton Metais S.A., opinando pela nulidade das Isenção e Redução do Imposto sobre o Lucro Real, originário do Lucro da Exploração da Atividade com redução de 37,50%. III — 0 Direito A compensação. • 0 direito A compensação do pagamento indevido de IRPJ decorre do reconhecimento do direito A redução do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, tendo em vista o Laudo Constitutivo n° 030/2003, expedido pelo Ministério da Integração Nacional (Inventariança Extrajudicial da SUDENE). • Tendo efeito retroativo a 2002, a interessada procedeu A retificação da DIPJ fazendo nela constar a informação correta, apurando saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 10.727.456,00. • Foi uma parcela de referido saldo negativo que foi objeto da compensação não homologada neste processo. • 0 fundamento exclusivo da negativa de homologação da compensação reside na consideração de que o objeto de redução do imposto usufruído estaria ocorrendo no âmbito do Consórcio Alumar, não podendo a interessada se beneficiar da redução do imposto de renda. • A recaracterização do Consórcio Alumar como Sociedade de Fato tem sua origem em Representação Fiscal originária da DRF de Poços de Caldas/MG, a qual subsidiou dezenas de diligências fiscais, destacandose a decisão da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora/MG, na qual se reconhece que o Consórcio Alumar é a única unidade produtiva, que teria o direito A redução, não se confundindo com a interessada. • Assim, com base em "prova emprestada" de processo referente a outro contribuinte e ainda não encerrado na esfera administrativa, e sem qualquer outra fundamentação adicional, que a DERAT/RJ negou a existência do Consórcio Alumar e recusou a compensação pleiteada, subscrevendo uma "declaração de nulidade com efeitos retroativos da isenção parcial de IRPJ", que foi devidamente reconhecida em processo regular pelos órgãos competentes do Poder Executivo Federal, inclusive a Receita Federal. • 0 Acórdão n° 0914271, da 2 Turma da DRJ/JFA fundamenta a caracterização do Consórcio Alumar Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 10768.909285/200621 Acórdão n.º 1201001.926 S1C2T1 Fl. 1.278 5 como sociedade de fato posto que deixou cumprir o requisito legal de ser "constituído para executar determinado empreendimento", já que foi verificado a "abrangência da finalidade da constituição", a "amplitude do objeto empreendido pelo consórcio" e a "possibilidade de ser reiteradamente prorrogado", sendo que cada item será atacado. III — A Natureza Jurídica do Consórcio e a correta interpretação do requisito do "empreendimento determinado". • 0 Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado. o No direito brasileiro, consórcio é o contrato pelo qual duas ou mais , sociedades se obrigam, entre si, de forma coordenada, a executar determinado empreendimento, não resultando a criação de um novo ente dotado de personalidade. o Regulamento nos artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404/76. o Empreendimento consiste num objetivo econômico a ser perseguido na produção, industrialização ou comercialização de bens e serviços. o Traz doutrina quanto à definição de "determinado empreendimento" para fins de caracterização do consórcio. o Conclui que atendem plenamente ao requisito da lei aqueles consórcios que abrangem mais de uma operação em base permanentes, sendo este o caso da Consórcio Alumar, conforme objeto do contrato, ficando evidenciada a absoluta precariedade jurídica das razões que fundamentaram o citado Acórdão. • 0 Consórcio Alumar como consórcio operacional para execução de negócios jurídicos relativos A. atividade industrial determinada. o Rebate a afirmação na ementa no referida Acórdão, segundo a qual: "É necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido". o Afirma que o contrato traz que o Consórcio Alumar é um consórcio operacional constituído para execução de um empreendimento determinado consistente na prática de negócios jurídicos relacionados com a exploração de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais. • Existência de prazo determinado. Fl. 1284DF CARF MF 6 o A lei não exige a fixação de um prazo determinado, devendo apenas constar no contrato sua duração, no caso, em 31/03/2050, compatível com o empreendimento, e determinado com base em estudos econômicos. IV — Do pedido: requer que seja dado provimento à manifestação de inconformidade, reconhecendose a extinção dos créditos tributários. Considerando a origem do crédito no mesmo saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao anocalendário de 2002, outras declarações eletrônicas de compensação (DCOMPs) não foram homologadas, sobrevindo o apensamento dos seguintes processos administrativos ao presente: Em 25 de outubro de 2010, a Recorrente foi intimada do acórdão nº 1228.598(fl. 424), interpondo seu Recurso Voluntário em 23 de novembro de 2010 (fl. 425), argumentando a regularidade do benefício fiscal nos seguintes termos: 9. O principal aspecto do acórdão recorrido respeita à suposição de que não ficou comprovado o reconhecimento, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, do direito redução do Imposto sobre a Renda e adicionais não restituíveis originalmente previsto no art. 14 da Lei n.°4.239, de 27 de junho de 1963 com posteriores alterações. 10. Não é árduo demonstrar a regularidade do reconhecimento do beneficio concedido RECORRENTE e, para este fim, passase a expor um histórico fático com o devido embasamento legal para que não restem indagações: 11. Em 11 de outubro de 2002, a RECORRENTE apresentou pleito ao Ministério da Integração Nacional para ver reconhecido seu direito à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis sobre o lucro de operação, de acordo dos os percentuais e prazos estabelecidos no art. 3°, § 2°, incisos I, II e III, da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. 12. Logo, em 31 de março de 2003, após exame e constatação do pleno atendimento das condições e requisitos legais, o Ministério da Integração Nacional, sucessor da SUDENE, expediu o Laudo Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 10768.909285/200621 Acórdão n.º 1201001.926 S1C2T1 Fl. 1.279 7 Constitutivo n° 0030/2003 (doc.2), reconhecendo que a RECORRENTE faz jus a referida redução. 13. Ocorre que assim dispõe o Decreto n.° 4.213, de 26 de abril de 2002 quanto o reconhecimento do direito ao beneficio fiscal: "Art. 3° 0 direito a redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional." 14. Como não poderia deixar de ser, a RECORRENTE atendeu a este requisito em 13 de maio de 2003, data em que submeteu à apreciação da Delegacia da Receita Federal em São Luis, Maranhão o pedido de reconhecimento do direito ao incentivo, autuado sob o n.° 10320.000791/2003 60 (doc. 3). 15. De acordo com o § 1° do art. 3° do supracitado Decreto 4.213/02, o Chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidiria sobre o pedido de reconhecimento em 120 (cento e vinte) dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. 16. Com efeito, até a presente data a RECORRENTE não foi notificada de qualquer decisão proferida nos autos daquele processo de reconhecimento. Antevendo os problemas que a inércia da Autoridade Fiscal poderia causar aos contribuintes, fezse constar no mesmo artigo 3° do Decreto n.° 4.213/2002 o seguinte: "§ 2° Expirado o prazo indicado no § 1º, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida." 17. Ou seja, é forçoso reconhecer que a RECORRENTE encontrase no pleno gozo da redução pleiteada, uma vez resguardado seu direito de redução até que seja proferida decisão irrecorrível no processo de reconhecimento deste direito. Em 25 de março de 2015, analisando o mesmo saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) nos autos do processo administrativo nº 15374.721967/200813, a 1ª Turma Ordinária desta 2ª Câmara Fl. 1286DF CARF MF 8 converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, prolatando a Resolução nº 1201000.170, com a relatoria do conselheiro, Rafael Correia Fuso, entendendo que "para a análise do direito creditório objeto da compensação realizada pela Recorrente é necessário ter informações do processo nº 10320.000791/200360, para que possamos identificar o que ocorreu com o pedido de redução do IRPJ feito pela BHP", por fim, determinando a "baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização encaminhe ao CARF cópia integral do processo administrativo nº 10320.000791/200360." Como explanado em Recurso Voluntário, a cópia integral dos autos do processo administrativo nº 10320.000791/200360 ratificou que a Recorrente solicitou o reconhecimento do direito ao incentivo fiscal para Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Luís/MA, protocolando esse pedido em 13 de maio de 2003, entre outros documentos, anexando o Laudo Constitutivo nº 0030/2003, emitido pelo Ministério de Integração Nacional, sucessor da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). De acordo com a cópia integral dos autos do processo administrativo nº 10320.000791/200360, encaminhada conforme solicitado pela Resolução nº 1201000.170, em 27 de abril de 2011, foi expedido o Parecer Conclusivo n° 063/2011 (fl.152) e o Despacho Decisório (fl.153), ambos reconhecendo o benefício fiscal requerido pela Recorrente. Neste sentido, importante transcrever o aludido Despacho Decisório (fl.153), deferindo a redução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais Não Restituíveis, pleiteada pela Recorrente desde 13 de maio de 2003 e, consequentemente, validando o Laudo Constitutivo nº 0030/2003, emitido pelo Ministério de Integração Nacional, sucessor da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE): DESPACHO DECISÓRIO INCENTIVO FISCAL REDUÇÃO IRPJ. O direito a redução do IRPJ calculado sobre o lucro da exploração na área de atuação da SUDENE deve ser reconhecido quando comprovado que a pessoa jurídica requerente preencheu as condições e os requisitos legais exigidos para obtenção do benefício requerido. PEDIDO RECONHECIDO. Com base no Parecer Conclusivo n° 063/2011, fls. 152, que aprovo e adoto, o qual fica fazendo parte integrante deste Despacho Decisório, e de tudo mais que do processo consta, no exercício da atribuição que me confere o art. 295 inciso VI do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n.° 587, de 21/12/2010, delegada pelo inciso III do artigo 4 da Portaria DEMAC/RJO n.° 028, de 28/02/2011, publicada no D.O.U. Em 02/03/2011, c/c art. 3o do Decreto n° 4.213, de 26/04/2002, e art. 60 da Instrução Normativa SRF n° 267, de 23/12/2002, RECONHEÇO o direito da requerente a redução do imposto de renda sobre o lucro da exploração referente ao estabelecimento incentivado CNPJ n.° 42.105.890/000901, nos Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 10768.909285/200621 Acórdão n.º 1201001.926 S1C2T1 Fl. 1.280 9 termos do Laudo Constitutivo SUDENE n.° 0030/2003. Ao Grupo de Execução da DiortDemacRJO a fim de dar ciência ao contribuinte deste despacho, após comuniquese à SUDENE. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em 13 de maio de 2003, como noticiado, a Recorrente protocolou seu pedido de incentivo fiscal na Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Luís/MA, aguardando o deferimento da redução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais Não Restituíveis, equivalente a 37,5%, anexando o respectivo Laudo Constitutivo nº 0030/2003, emitido pelo Ministério de Integração Nacional, sucessor da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Em virtude do efeito declaratório do aguardado Despacho Decisório, foi retificada a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2003), anocalendário de 2002, reduzindo em 37,5% o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais Não Restituíveis devido no valor de R$ 19.471.881,56 (ficha 12A, linha 10), apurado com fundamento no lucro de exploração e, enfim, aumentando o saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) para R$ 10.727.456,57 (linha 18). O acórdão nº 1228.598, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ I), modificou o fundamento para não reconhecimento do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), exigindo a comprovação prévia de que a Recorrente formalizou o pedido de reconhecimento de redução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais Não Restituíveis e aguardava o pronunciamento da Receita Federal do Brasil, segundo o artigo 3º do Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002. Assim sendo, justificável a sobrevinda de novos documentos em anexo ao Recurso Voluntário, contraditando a premissa exarada no acórdão recorrido nº 12 28.598 (artigo 57, inciso V, parágrafo quarto, item III, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). O artigo 3º, parágrafos primeiro e segundo, do Decreto n° 4.213/2002, ratifica a pretensão da Recorrente, fixando o período para análise do supracitado pedido pela Receita Federal do Brasil em 120 dias e, expirado tal prazo sem decisão contrária, reconhecendo "a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida" : "Art. 3° 0 direito a redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa Fl. 1288DF CARF MF 10 jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional § 1º O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2° Expirado o prazo indicado no § 1º, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida." Em 27 de abril de 2011, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Luís/MA emitiu o Parecer Conclusivo n° 063/2011 (fl.152, dos autos do processo administrativo nº 10320.000791/200360 ) e o Despacho Decisório (fl.153, dos autos do processo administrativo nº 10320.000791/200360), finalmente, reconhecendo o benefício fiscal requerido pela Recorrente, conforme o Laudo Constitutivo nº 0030/2003, expedido pelo Ministério de Integração Nacional, sucessor da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Concluise que não existiu qualquer impedimento para a retificação da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2003), anocalendário de 2002, aumentando o saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) para R$ 10.727.456,57, consubstanciado em incentivo fiscal vigente e com reconhecimento ulterior expresso pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Luís/MA. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para reconhecer o saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), anocalendário de 2002, exercício de 2003, oriundo da redução de 37,5% do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Adicionais Não Restituíveis devido, apurado sobre o lucro de exploração (Laudo Constitutivo nº 0030/2003, emitido pelo Ministério de Integração Nacional). (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 1289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.005212/2002-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 04/09/1997 a 05/12/1997
CONTRADIÇÃO. RECONHECIMENTO. VALOR DE ALÇADA DE RECURSO DE OFÍCIO
Revisão do valor exonerado pela decisão de 1ª instância administrativa. Multa isolada. Vício identificado e corrigido com conhecimento de recurso de ofício.
REVISÃO DA DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA DE JULGAMENTO. RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO DA MULTA ISOLADA. RECONHECIMENTO DE PAGAMENTO PELO CONTRIBUINTE.
Reconhecido o pagamento do crédito tributário após revisão da decisão de primeira instância, mantêm-se a decisão pro seus próprios fundamentos e por consequência afastada a multa isolada relacionado aos pagamentos reconhecidos.
Numero da decisão: 2201-003.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração para, sanando a contradição apontada, conhecer do recurso de ofício interposto e no mérito, negar-lhe provimento.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 22/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 04/09/1997 a 05/12/1997 CONTRADIÇÃO. RECONHECIMENTO. VALOR DE ALÇADA DE RECURSO DE OFÍCIO Revisão do valor exonerado pela decisão de 1ª instância administrativa. Multa isolada. Vício identificado e corrigido com conhecimento de recurso de ofício. REVISÃO DA DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA DE JULGAMENTO. RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO DA MULTA ISOLADA. RECONHECIMENTO DE PAGAMENTO PELO CONTRIBUINTE. Reconhecido o pagamento do crédito tributário após revisão da decisão de primeira instância, mantêm-se a decisão pro seus próprios fundamentos e por consequência afastada a multa isolada relacionado aos pagamentos reconhecidos.
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RECONHECIMENTO. VALOR DE ALÇADA DE RECURSO DE OFÍCIO Revisão do valor exonerado pela decisão de 1ª instância administrativa. Multa isolada. Vício identificado e corrigido com conhecimento de recurso de ofício. REVISÃO DA DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA DE JULGAMENTO. RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO DA MULTA ISOLADA. RECONHECIMENTO DE PAGAMENTO PELO CONTRIBUINTE. Reconhecido o pagamento do crédito tributário após revisão da decisão de primeira instância, mantêmse a decisão pro seus próprios fundamentos e por consequência afastada a multa isolada relacionado aos pagamentos reconhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração para, sanando a contradição apontada, conhecer do recurso de ofício interposto e no mérito, negarlhe provimento. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 52 12 /2 00 2- 97 Fl. 958DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.971 S2C2T1 Fl. 959 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 22/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Embargos de Declaração de fls. 950/953 opostos pela PGFN com o fito de corrigir “omissão/contradição” ocorrido no V. Acórdão de nº 2201003.675 de fls. 938/948 dos autos assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 04/09/1997 a 05/12/1997 COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSÁVEL. EXIGÊNCIA. Não restando comprovada a compensação tributária, por ausência do direito creditório, devese manter a exigência do crédito tributário. 2 Os embargos foram assim opostos às fls 80/81: “Conforme voto condutor o recurso de ofício não foi conhecido em razão do valor exonerado: 'Quanto ao Recurso de ofício não o conheço em vista do valor exonerado do crédito tributário ser inferior ao valor estabelecido pela Portaria MF 63/2017.' Ocorre que, s.m.j., o valor exonerado pela primeira instância encontrase amparado pela Portaria MF nº 63/2017. Vejamos. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJSPOI (fls. 54 e Fl. 959DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.971 S2C2T1 Fl. 960 3 seguintes – vol. 03, numeração do eprocesso) que julgou procedente em parte a Impugnação e manteve em parte o crédito tributário relativo a IRRF lançado através do Auto de Infração Eletrônico nº 0057576 (fls. 46/79) no valor de R$ 9.851.658,24, sendo R$ 2.459.909,83 de principal IRRF, R$ 1.844.932,37 de multa de ofício, R$ 2.248.896,95 de juros de mora, R$ 830,14 de multa paga a menor, R$ 505,82 de juros não pagos ou pagos à menor e R$ 3.296.553,13 de multa isolada. Diante dos novos documentos apresentados pelo contribuinte, e considerando a necessidade de verificar a procedência das alegações de pagamentos feitos, a 5ª Turma da DRJSPOI devolveu o processo à autoridade preparadora, para nova revisão de ofício do lançamento. Consta às fls. 31 do vol. 03 (numeração e processo) quadro resumo dos créditos lançados após a revisão do lançamento, com o valor total remanescente de R$ 7.416.951,06. E após mencionada revisão, a DRJ por meio do acordão nº 1619.851, julgou parcialmente procedente o lançamento, consignando quadro demonstrativo do crédito tributário mantido, do qual se extrai o valor mantido de R$ 1.980.007,62 (fls. 58 do vol. 03 – numeração eprocesso). Ou seja, pela simples comparação do valor remanescente após a revisão de ofício com o valor mantido pela DRJ, s.m.j., parecenos que o valor exonerado foi bem acima do novo limite estabelecido na Portaria MF nº 63/2017 para a interposição de recurso de ofício. (….) omissis Assim, pela simples verificação do acima exposto, percebese que a DRJ exonerou, além de parte do IRRF, parcialmente as multas isoladas, em valor superior ao exigido pela Portaria MF nº 63/2017, razão pela qual deve o recurso de ofício ser conhecido.” 3 Em decisão de admissibilidade dos embargos às fls. 956/957 a I. Presidência dessa E. Turma admitiu os embargos em decisão abaixo indicada sendo o relatório do essencial: Fl. 960DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.971 S2C2T1 Fl. 961 4 “Alega a Embargante que o Acórdão n° 2201003.675, de 07/06/2017, possui omissão/contradição, já que não conheceu o recurso de ofício interposto pela DRJ, que exonerou crédito tributário superior a R$ 2.5000.000,00 (Portaria MF nº 63/2017). De início, verificase que o crédito tributário lançado perfaz o montante de R$ 9.851.658,24, sendo R$ 2.459.909,83 de IRRF, R$ 1.844.932,37 de multa de ofício, R$ 2.248.896,95 de juros de mora, R$ 830,14 de multa paga a menor, R$ 505,82 de juros não pagos e R$ 3.296.553,13 de multa isolada, conforme se extrai da leitura do Demonstrativo "Quadro 1" à fl. 32 volume 1. Por sua vez, o acórdão nº 1619.851 da 5ª Turma da DRJ/SPOI, de 12/12/2008, fl. 457 volume 3, exonerou do crédito tributário principal o montante de R$ 375.651,03 e seus consectários legais, além da multa isolada. Em razão do provimento parcial, restou exigível o valor principal de R$ 1.978.098,78 e multa de R$ 1.038.501,85, além dos valores de R$ 830,14; R$ 830,14; R$ 505,62 e R$ 505,62, conforme DARFs de fls. 458/460. Assim, verificase que o valor exonerado pela DRJ a título de tributo e encargos de multa supera o montante de R$ 2.5000.000,00 e, dessa feita, o recurso de ofício deve ser conhecido, consoante dispõe a Portaria MF nº 63/2017. Ante ao exposto, entendo que restou demonstrado o vício apontado pela Fazenda Nacional, razão pela qual acolho os Embargos Declaratórios.” 4 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 – Conheço dos embargos pois preenchem os requisitos de tempestividade e admissibilidade. 6 – Com razão a embargante, houve a contradição do V. Acórdão em relação a análise do valor exonerado do crédito tributário, na medida em que houve a menção no relatório da decisão de piso à questão em litígio da seguinte forma: Fl. 961DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.971 S2C2T1 Fl. 962 5 7 – E portanto, esse Relator foi induzido em erro em decorrência do quadro resumo reproduzido no V. Acórdão recorrido da DRJ que identifica apenas como crédito tributário exonerado o valor de R$ 375.651,03 e portanto bem abaixo dos valores indicados na Portaria MF 63/2017: Fl. 962DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.971 S2C2T1 Fl. 963 6 8 – Ocorre que por um lapso após o quadro resumo da decisão da DRJ que antecede esse quadro, às fls. 779 existe a decisão cancelando a multa isolada que foi mantida após revisão da autoridade lançadora no valor de R$ 3.296.553,13. 9 Em vista dessa omissão conheço dos embargos de declaração para acolhê los e conhecer do recurso de ofício e dessa forma passo a sua análise. 10 – Preenchidos os requisitos legais conheço do recurso de ofício da Fazenda Nacional, contudo, no mérito os rejeito. 11 – Conforme bem elaborada análise por parte do julgador de piso, no quadro demonstrativo abaixo e que consta da própria decisão restou confirmado os pagamentos do contribuinte em relação a parte do crédito em discussão e por conta dessas confirmações a multa isolada consequentemente foi cancelada: Fl. 963DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.971 S2C2T1 Fl. 964 7 Conclusão 12 Diante de todo o exposto, voto por admitir e acolher os embargos sanando a omissão para conhecer do recurso de ofício interposto pela Fazenda Nacional e no mérito negar provimento de acordo com os termos acima expostos. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 964DF CARF MF Processo nº 11831.005212/200297 Acórdão n.º 2201003.971 S2C2T1 Fl. 965 8 Fl. 965DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.720757/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
Constitui omissão de receita o valor da prestação de serviços de locação de mão de obra correspondente à parcela da receita bruta que não foi contabilizada, escriturada, nem informada na DIPJ pertinente.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO.
A base de cálculo do imposto e do adicional, no caso de tributação pelo lucro presumido, em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual fixado na legislação sobre a receita bruta auferida no período de apuração.
No caso da prestação de serviço de locação de mão de obra, a receita bruta corresponde ao preço dos serviços prestados, que consiste no valor total contratado e faturado. Não há previsão legal para exclusão da base de cálculo para apuração do lucro presumido dos valores pagos a título de salários e encargos sociais relativos aos trabalhadores temporários colocados à disposição dos tomadores de serviços.
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. FORNECIMENTO DE MATERIAIS. BASE DE CÁLCULO.
A receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, decorrente da prestação de serviços em geral, como limpeza e locação de mão de obra, ainda que sejam fornecidos os materiais, está sujeita à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinação da base de cálculo do IRPJ.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1301-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Bianca Felícia Rothschild, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Constitui omissão de receita o valor da prestação de serviços de locação de mão de obra correspondente à parcela da receita bruta que não foi contabilizada, escriturada, nem informada na DIPJ pertinente. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. BASE DE CÁLCULO. LUCRO PRESUMIDO. A base de cálculo do imposto e do adicional, no caso de tributação pelo lucro presumido, em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual fixado na legislação sobre a receita bruta auferida no período de apuração. No caso da prestação de serviço de locação de mão de obra, a receita bruta corresponde ao preço dos serviços prestados, que consiste no valor total contratado e faturado. Não há previsão legal para exclusão da base de cálculo para apuração do lucro presumido dos valores pagos a título de salários e encargos sociais relativos aos trabalhadores temporários colocados à disposição dos tomadores de serviços. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. FORNECIMENTO DE MATERIAIS. BASE DE CÁLCULO. A receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, decorrente da prestação de serviços em geral, como limpeza e locação de mão de obra, ainda que sejam fornecidos os materiais, está sujeita à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinação da base de cálculo do IRPJ. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 07 57 /2 01 4- 25 Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 686 2 A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos reflexos quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Bianca Felícia Rothschild, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 687 3 Relatório LABORH SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 02 61.746 proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizone que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: I – DO LANÇAMENTO. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração e respectivos Anexos, de fls 03/27, a saber: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$8.005.698,44, cumulado com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 01.2014. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$2.500.693,09, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 01.2014. I.1 – DESCRIÇÃO DOS FATOS. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “LANÇAMENTO DO IRPJ. 0001 – RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA Receita da prestação de serviços em geral escriturada no Passivo, conta sintética: 2.3.01.01 – RECEITAS REEMBOSÁVEIS GERAL, e não declarada, apurada conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009 Art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 518 e 519, §1º, inciso III, alínea “a”, e §§ 4º e 5º, do RIR/99”. I.2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (FLS. 16/26). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 688 4 Iniciouse a fiscalização da empresa no dia 04/09/2013, relativamente ao IRPJ e à CSLL, do período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2009. 1 – DOS FATOS E CIRCUNSTÂNCIAS VERIFICADOS (...) Para o período em análise – anocalendário 2009 – a empresa optou como forma de tributação pelo Lucro Presumido, conforme escolha manifestada na DIPJ, entregue em 14/09/2010 (nº da declaração: 1401429). (...) Análises realizadas na contabilidade constataram que a LABORH não registrou suas receitas brutas da prestação de serviços em contas de resultado, conforme preconizam as normas contábeis. Adotou o procedimento de lançalas indevidamente em contas passivas e reconhecer apenas parte desses valores. As receitas efetivamente obtidas pela prestação de serviços foram registradas a crédito no Passivo, contas pertencentes ao grupo “2.3.01.01 – RECEITAS REEMBOLSÁVEIS GERAL”, cujas contrapartidas (a débito) foram escrituradas no Ativo, grupos “1.1.02.01 – DUPLICATAS A RECEBER” e “1.1.06 – IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES A RECUPERAR”. No período o montante efetivo das receitas foi de R$61.666.112,11. A empresa reconheceu como receitas auferidas no anocalendário 2009 apenas a parcela de R$15.326.842,45, montante registrado mensalmente a crédito das contas do grupo “3.1.01.01 – VENDA DE SERVIÇOS” (DOC. 4). (...) 2 – APURAÇÃO DAS RECEITAS BRUTAS As receitas decorrentes da prestação de serviços, anocalendário 2009, foram levantadas a partir da contabilidade em meio digital, (...). (...) 3 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL A Fiscalização constatou que no decorrer do anocalendário 2009 a LABOHR auferiu receita bruta anual no montante de R$61.666.112,11. No entanto, quando o contribuinte apresentou DIPJ e DCTF, omitiu a maior parte desta receita, informando para o período apenas R$15.326.842,45. Diante disso, a Fiscalização determinou as insuficiências de recolhimento do imposto e da contribuição social, apuradas com base no lucro presumido, referente a cada trimestre de 2009, efetuando de ofício o lançamento sobre as diferenças apuradas. Os valores do imposto e da contribuição social retidos pelas fontes pagadoras foram considerados e deduzidos nos cálculos, (...). II – DA IMPUGNAÇÃO Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 689 5 Tendo sido dele cientificado pessoalmente (vide Termo de Ciência de fls. 36/39) em 04.02.2014, o sujeito passivo contestou o lançamento em 06.03.2014, mediante o instrumento de fls. 498/522. Adiante compendiamse suas razões. 01. DOS FATOS (...) A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, que exerce atividade de prestação de serviços diversos, dentre os quais se inclui o agenciamento de mãodeobra; e contribuinte do IRPJ e da CSLL, ambos apurados com base no lucro presumido, que representa a aplicação de um coeficiente incidente sobre sua receita bruta tributável. (...) Ao fazer uma análise minuciosa acerca de legitimidade do presente Auto de Infração, a Impugnante pode constatar que mesmo está eivado de ilegitimidade, o que compromete a sua exigibilidade, levandoa a apresentar a presente Impugnação. O primeiro equívoco reside no fato de que, se levar em consideração que todas as ENTRADAS que transitam pela contabilidade da Impugnante sejam consideradas receitas de prestação de serviços, o IRPJ e a CSLL deveriam ser calculados com no LUCRO REAL, e não com base no lucro presumido, tendo em vista que o valor da receita supostamente tributável seria superior ao valor de R$48.000.000,00. O segundo equívoco se deu quando o Fisco, mesmo considerando o regime do lucro presumido, desconsiderou que a determinação da base de cálculo do imposto e da contribuição sociaL sofre variações, quando os serviços executados são exclusivamente de “cessão de mãodeobra”, daqueles serviços prestados sob o regime de empreitada global, popularmente chamados de mistos ou híbridos, que envolvem a “cessão de mãodeobra e o fornecimento de materiais pelo prestador dos serviços”. A diferença não é pouca, tendo em vista que as empresas que apenas promovem a cessão de mãodeobra devem apurar o IRPJ e a CSLL sobre 32% da receita bruta, enquanto que as empresas que cedem mãodeobra e custeiam os materiais e despesas necessárias à execução da prestação de serviço devem apurar o IRPJ com base em 8% e a CSLL, em 12%, da receita bruta. Considerando que a Impugnante custeia e disponibiliza todos os materiais necessários à execução dos contratos de prestação de serviço, ela faz jus à redução dos percentuais aplicados sobre a receita bruta para apuração do IRPJ e da CSLL. O terceiro equívoco reside no fato de que, se for considerado a natureza da atividade exercida pela Impugnante, qual seja de INTERMEDIAÇÃO/AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA, há de se considerar como receita bruta apenas o resultado auferido nas operações em conta alheia, ou seja, a sua comissão. O quarto e último equívoco, diz respeito ao fato de o Fisco ter aplicado a multa no percentual de 75%, o que lhe reveste de caráter eminentemente confiscatório. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 690 6 02. DA PRELIMINAR – DA SUSPENSIVIDADE DOS VALORES CONSTANTES NO AUTO DE INFRAÇÃO IMPUGNADO. Salienta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído, com base no art. 151, III, do CTN. 03. DO DIREITO 3.1. PRELIMINAR DE MÉRITO – DA IMPOSSIBILIDADE DE APURAR O IRPJ E A CSLL COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO – NULIDADE MATERIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. (...) Partindo do entendimento do Fisco, vêse claramente que a Impugnante não poderia ter constituído contra si Autos de Infração relativos ao IRPJ e à CSLL pelo regime de tributação com no LUCRO PRESUMIDO. Isso porque, a receita supostamente tributável no ano de 2009, foi apurada no montante total de R$61.666.112,11, o que já supera o limite de R$48.000.000,00 previsto no art. 13 da Lei nº 9.718, de 1998. Ora, se adotado o mesmo critério, para o anocalendário de 2008, o total global da receita foi de R$57.034.998,25 (conforme balanço – DOC. 05). Assim, dúvidas não restam de que a receita total do ano de 2008 ultrapassou o limite de R$48.000.000,00, o que implica na nulidade do presente Auto de Infração, uma vez que deveria ter sido apurado com base no LUCRO REAL e, acaso a Impugnante não dispusesse de elementos necessários para determinação do LUCRO REAL, ai sim, os tributos deveriam ser apurados com base no LUCRO ARBITRADO. Logo, o Auto de Infração em testilha é nulo de pleno direito. (...) 3.2. DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS (...) Conforme será demonstrado nos tópicos a seguir, não houve omissão de receitas; ademais, a apuração do crédito tributário se deu de forma equivocada, agravada por multa no patamar de 75%, de caráter eminentemente confiscatório. 3.3 DA REDUÇÃO DOS PERCENTUAIS APLICADOS SOBRE A RECEITA BRUTA PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL – DESPESAS COM A EXECUÇÃO DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. (...) O Fisco considerou que a totalidade das receitas auferidas pela Impugnante era exclusiva de INTERMEDIAÇÃO/AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA, portanto, Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 691 7 considerou que a base de cálculo dos referidos tributos seria apurada mediante aplicação do percentual de 32% incidente sobre a receita bruta. Todavia, a Impugnante quando presta os seus serviços fornecendo os materiais essenciais e indispensáveis à sua execução ou empreitada global, nos termos dos contratos firmados com os seus diversos clientes, anexados por amostragem (Docs. 06 e 07), a base de cálculo do IRPJ deveria ser apurada mediante a aplicação do percentual de 8% e a da CSLL, de 12%, sobre a receita bruta. (...) Diante disso, a Impugnante entende que quando presta serviços fornecendo os materiais indispensáveis e necessários à sua execução (empreitada global), a base de cálculo do IRPJ e da CSLL deve ser reduzida mediante aplicação do percentual, respectivamente, de 8% e 12%, incidentes sobre a receita bruta. A Impugnante ainda, citando atos normativos, alega que quando presta serviços aos órgãos públicos, a retenção na fonte é equivalente ao valor do imposto devido, que para os SERVIÇOS PRESTADOS COM EMPREGOS DE MATERIAIS é apurado sobre a base de cálculo reduzida do IRPJ (8%) e da CSLL (12%). (...) 3.4. DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ/CSLL PARA AS EMPRESAS DE AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA. A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado que exerce a atividade de prestação de serviços, dentre as quais se incluem: a LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA ESPECIALIZADA de seus empregados (Docs. 06 e 07); o AGENCIMANTO/INTERMEDIAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA de nãoempregados (Doc. 08). (...) Sendo assim, resta comprovada a manutenção de 2 (dois) vínculos distintos entre a Impugnante e os trabalhadores, o que faz com que a matéria seja analisada cuidadosamente à luz da atual jurisprudência do STJ e do CARF. A Impugnante cita jurisprudência do STJ. (...) Entende a Impugnante que, quando realiza a atividade de agenciamento de mãodeobra (FPAS 655), não pode contabilizar como sendo sua receita os valores pertencentes aos trabalhadores, posto que nessa operação, ela aufere apenas os resultados obtidos em conta alheia, sua comissão, pelos serviços prestados, nos termos previstos no art. 31 da Lei nº 8.981/95. (...) Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 692 8 3.4.2. DO AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (INTERMEDIAÇÃO DE PESSOAS). (...) Entende a Impugnante que deve recolher os tributos devidos sobre o valor efetivamente recebido pela prestação dos seus serviços, ou seja, o valor que deverá integrar o seu patrimônio, que ingresse na sua contabilidade com o intuito de ali permanecer, ou seja, a TAXA ou COMISSÃO de Agenciamento. (...) 3.4.3. DA OBRIGATORIEDADE DO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS FEDERAIS PARA A ATIVIDADE DE AGENCIAMENTO DE PESSOAS (INTERMEDIAÇÃO DE PESSOAS). (...) Alega, a exigência do IRPJ e da CSLL sobre o somatório dos valores brutos das notas fiscais emitidas pela Impugnante fere os princípios básicos que norteiam o Direito Tributário, e que são assegurados constitucionalmente a todos os contribuintes, tais como: da Capacidade Contributiva, Isonomia, Legalidade, Vedação ao Confisco e Competência Residual da União. (...) 3.5. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COM EFEITO DE CONFISCO. A Impugnante defende que a multa de ofício aplicada no percentual de 75% caracteriza claramente a exigência de tributos com efeito de Confisco, prática completamente vedada pela Constituição Federal de 1988. (...) 04. DO PEDIDO. Em vista do exposto, a Impugnante postula pelo conhecimento e total provimento da presente impugnação, com vistas a decretar a nulidade dos Autos de Infração lavrados (IRPJ e CSLL). Analisando a impugnação apresentada o colegiado a quo julgoua improcedente. O contribuinte foi intimado da decisão em 02 de fevereiro de 2015 (fl. 647), apresentando em 12 de fevereiro de 2015 recurso voluntário de fls. 649666, reafirmando, em resumo, os termos de sua de sua impugnação. É o relatório. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 693 9 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO Inicialmente, alega a recorrente que a autuação deveria ser cancelada em razão de o lançamento ter sido formalizado com base no lucro presumido, mas, em razão da omissão de receita apontada pela Fiscalização, o total de receita auferida no anocalendário (R$ 61.666.112,11) teria superado o limite de R$ 48.000.000,00, fixado no art. 13 da Lei nº 9.718, de 1998, para manutenção do contribuinte nesse regime de tributação. Aduz que o lançamento deveria ter sido realizado com base no lucro real. Não lhe assiste razão. O limite de receita bruta fixado em lei para opção pelo lucro presumido sempre diz respeito à receita auferida no ano anterior a tal opção, não importando a receita auferida no próprio ano de opção. Vejase a redação do art. 13 da Lei nº 9.718, de 1998, vigente no período de apuração a que se refere o lançamento: Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a de R$4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze), poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (Redação dada pela Lei 10.637, de 2002). Como o lançamento diz respeito ao anocalendário de 2009, para que o contribuinte não pudesse ser tributado com base no lucro presumido nesse período deveria ser analisado montante de receita bruta auferido no anocalendário de 2008. Conforme consta na decisão de primeira instância, em 2008 o contribuinte auferiu R$ 9.770.755,93 de receita bruta (informação prestada pela própria recorrente em sua impugnação). Como não houve lançamento em relação ao anocalendário de 2008, não há como se computar outros valores para se determinar o total de receita bruta auferida em tal período, tal qual requer o contribuinte. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 694 10 Desse modo, não havendo excesso de receita bruta auferida no ano calendário de 2008, o lançamento realizado não padece de qualquer vício por ter mantido a opção do contribuinte em ser tributado com base no lucro presumido. Na questão de fundo da exigência, tratase de lançamento decorrente de suposta omissão de receitas de prestação de serviços de locação de mão de obra. Argumenta a recorrente que não desenvolve somente a atividade de locação de mão de obra, mas também agenciamento de mão de obra, hipótese em que somente a taxa de administração deveria ser considerada sua receita bruta. Conforme se verifica do contrato social da empresa (fl. 434) seu objeto social consiste na locação de mão de obra temporária, nos termos da Lei 6.019, de 1974, agenciamento de emprego (intermediação de emprego), e outras atividades. A recorrente informa que está inserida no âmbito da Lei 6.019/74, que trata do trabalho temporário, e dessa forma, o serviço que presta tem natureza de intermediação, entre o trabalhador temporário e o tomador da mão de obra temporária, cobrando para tanto, uma taxa de administração, sendo esta a sua remuneração. E em que pese os funcionários pertencerem ao seu quadro de funcionários, isto apenas ocorre em função de determinação legal. E que esses valores de salários e todos os reflexos são cobrados da tomadora do serviço, à título de reembolso, não se qualificando como receitas da sua atividade, motivo pelo qual não as tributa. E que por força daquela norma, ela não possui qualquer gerência sobre o serviço a ser prestado pelo trabalhador temporário. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, e também a decisão recorrida, a base de cálculo para fins de IRPJ e CSLL da recorrente deve ser composta não somente da referida taxa de administração, como também dos demais valores recebidos pela empresa do tomador do serviço a título de reembolso, tais como salário e demais encargos de folha. Destaco o seguinte excerto do voto condutor do aresto recorrido: Assim, caso constituísse mera intermediação, bastaria tão somente que o cliente (empresa tomadora de serviço) diretamente contratasse e efetuasse o pagamento ao empregado. Ocorre que a interessada recebe de seus clientes os valores totais contratados, cabendo a ela, por força contratual, todo o gerenciamento do negócio. [...] Ainda, a legislação invocada pela autuada em nada a socorre, por não dispor sobre norma tributária relativa à contribuição em foco, não havendo, pelo menos até o momento, disposição legal expressa que lhes permita a exclusão dos valores repassados. Seja a que título for, a interessada fatura o valor total. Isto porque cobra por todo o serviço, sendo tarefa sua a viabilização da atividade contratada. Cumpre ressaltar, valendonos de legislação específica, o que, formalmente, vem a ser o valor total a pagar, consignado quando da emissão da fatura de prestação de serviços. Nesse sentido, a Lei nº 5.474, de 18 de julho de 1968, Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 695 11 dispondo sobre a emissão de duplicatas e faturas, preceitua em seu art. 20, in verbis: “Art. 20. As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem à prestação de serviços, poderão, também, na forma desta Lei, emitir fatura e duplicata”. § 1º. A fatura deverá discriminar a natureza dos serviços prestados . §2º. A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestado.” O texto legal é claro quanto ao fato de considerarse como preço dos serviços prestados o valor expressamente contido na fatura. Consequentemente, não importa se a título de serviços próprios ou de terceiros, previstos ou não em contrato, porquanto, uma vez faturados, esses valores compõem o preço dos serviços prestados. Logo, em sendo preço, deve sofrer, evidentemente, diante do que determina a legislação de regência, a incidência dos tributos que forem devidos. De fato, conforme discorrido pelo voto condutor do aresto recorrido, se a atividade fosse de mera intermediação, os recursos para pagamento de salários e demais encargos deveria ser suportado diretamente pelo tomador de serviço. Por conseguinte, o argumento da recorrente de que a decisão recorrida não teria se pronunciado a respeito do exercício de agenciamento se mostra equivocado. Superado tal celeuma, passo à análise da legislação tributária que trata do tema em debate. O art. 518 do RIR/99 determina que no caso de apuração pelo lucro presumido, a base de cálculo é a receita bruta auferida no período de apuração. E o art. 519, explica que a receita bruta é aquela do art. 224. Nos termos do art. 224 do RIR, a receita bruta é o somatório dos preços percebidos pelo contribuinte. Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei º 8.981,de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único) A legislação determina que o faturamento e, ou, a receita é a soma de todos os valores recebidos pela empresa locadora de mão de obra, inclusive taxa de administração e os demais encargos recebidos pela contratante, no caso em tela, o faturamento do contribuinte é o valor o qual foi contratada a prestação de serviço e a locação de mão de obra. A respeito da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento pacífico sobre os casos envolvendo locação de mão de obra. Destaco a ementa do julgado: Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 696 12 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS, COFINS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS. INCIDÊNCIA. PRECEDENTE EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IRPJ E CSLL. OPÇÃO PELO REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. DEDUÇÃO DE SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS. DESCABIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE MISCIGENAÇÃO ENTRE REGIMES DE APURAÇÃO DISTINTOS. [...]. 2. Esta Corte consolidou o entendimento de que os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. (gn) 3. Precedente: REsp 1141065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1.2.2010, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08. 4. As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo das referidas exações os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei.(gn) 5. Precedentes: AgRg nos EDcl no AgRg no Ag nº 1.105.816/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2.12.2010; REsp 971.066/SC, Rel. Min. Denise Arruda, Rel. p/ Acórdão Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 18.8.2010; REsp 1179448/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 6.5.2010; REsp 1088802/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 7.12.2009. 6. Recurso especial da Fazenda Nacional provido e recurso especial do Sindicato das Empresas Contábeis Assessoramento Perícias Informações e Pesquisas de Londrina não provido. (REsp 963196/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2010, Dje 08/02/2011).”(gn) No mesmo sentido, no julgamento do REsp 1141065/SC sob o rito dos recursos representativos de controvérsia (“recursos repetitivo”), decisões que vinculam este Colegiado, na análise da base de cálculo de PIS e de Cofins das empresas locadoras de mão de obra, assim consta no voto do Ministro Relator Luiz Fux: 1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. [...] Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 697 13 6. In casu, cuidase de empresa prestadora de serviços de locação de mão de obra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74, consoante assentado no acórdão regional), razão pela qual, independentemente do regime normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS.(gn) Assim, nos termos da norma tributária e entendimento jurisprudencial, a receita bruta das empresas locadoras de mão de obra temporária é o valor total faturado e não parte dela, ou só a taxa de administração, de tal forma que a dedução ou não tributação de valores que a recorrente trata como reembolso de despesas não possuem base legal. A autoridade fiscal autuante, por sua vez, com base nas notas fiscais emitidas pelo contribuinte apurou o montante da receita bruta efetivamente auferida pela recorrente e contabilizada indevidamente, computandoa nas bases de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, procedimento que se mostra irretocável, tal qual decidido pela decisão de primeira instância. Não procedem, assim os argumentos da recorrente de que a decisão recorrida dos supostos argumentos sobre inexistência de omissão Em relação aos argumentos que questionam a suposta violação de diversos princípios constitucionais, incluindo o princípio da capacidade contributiva e do não confisco, por conta da Súmula nº 2 do CARF1, deixo de apreciálos, por se tratar, em tese, de questionamentos de ordem constitucional sobre a legislação posta. Assim, diante da própria determinação legal de se tributar a receita bruta, bem como inexistência de previsão legal de exclusão ou não tributação de valores relativos a reembolso de despesas na atividade de locação de mão de obra temporária, entendo que a glosa deve ser mantida em sua integralidade. No que diz respeito à aplicação dos coeficientes de presunção de lucro de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL por se tratar de prestação de serviço com fornecimento de materiais, há de se ressaltar que a legislação somente contempla tal hipótese no caso de prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, nos termos da Lei nº 9.249, de 1995, arts. 15 e 20, e IN RFB nº 1.234, art. 2º, §§ 7º a 9º, e art. 38, inciso II. A respeito do tema e, nesse mesmo sentido, recentemente a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta nº 55 – Cosit, de 30 de dezembro de 2013, pronunciouse sobre a inaplicabilidade de tais coeficientes no caso de prestadores de serviço em geral, mesmo no caso de fornecimento de materiais. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 55 – COSIT. DE 30 DE DEZEMBRO DE 2013. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. FORNECIMENTO DE MATERIAIS. BASE DE CÁLCULO. 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 698 14 A receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, decorrente da prestação de serviços em geral, como limpeza e locação de mão de obra, ainda que sejam fornecidos os materiais, está sujeita à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinação da base de cálculo do IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. BASE DE CÁLCULO. A receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, decorrente da prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, está sujeita à aplicação do percentual de 8% (oito por cento) para determinação da base de cálculo do IRPJ. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, art. 15; IN RFB nº 1.234, art. 2º, §§ 7º a 9º, e art. 38, inciso II. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. FORNECIMENTO DE MATERIAIS. BASE DE CÁLCULO. A receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, decorrente da prestação de serviços em geral, como limpeza e locação de mão de obra, ainda que sejam fornecidos os materiais, está sujeita à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinação da base de cálculo da CSLL. LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. BASE DE CÁLCULO. A receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, decorrente da prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, está sujeita à aplicação do percentual de 12% (doze por cento) para determinação da base de cálculo da CSLL. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 1995, arts. 15 e 20; IN RFB nº 1.234, art. 2º, §§ 7º a 9º, e art. 38, inciso II. Ainda sobre esse pronunciamento, destaco excertos de sua fundamentação e suas conclusões: 17. Por outro lado, no que se refere à prestação de outros serviços, como limpeza, locação de mão de obra etc., independentemente de haver fornecimento de material, aplicase sobre a receita bruta da atividade, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no caso do lucro presumido, o percentual de 32% (trinta e dois por cento) estabelecido no inciso III, § 1º do art. 15 da Lei º 9.249, de 1995. Este é o percentual aplicado pelo anexo I da IN RFB 1234/2012, que prevê do seguinte modo: Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 699 15 Limpeza, locação de mãodeobra, demais serviços: percentual de retenção do IRPJ de 4,8%, correspondente a 15% (alíquota do imposto) de 32% (percentual da base de cálculo) da receita bruta. 18. Em resumo, constatase que, para a determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, na forma do lucro presumido, a legislação não contempla a diferenciação de percentual sobre a receita bruta por serviços prestados, seja com emprego de materiais às expensas do contratado ou do contratante, exceto na prestação de serviços hospitalares e de assistência à saúde especificados, e sob condições determinadas, e de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] CONCLUSÃO. Diante do exposto, concluise que: a) a receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, decorrente da prestação de serviços em geral, como limpeza e locação de mão de obra, ainda que sejam fornecidos os materiais, está sujeita à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) estabelecido no inciso III, § 1º do art. 15 da Lei º 9.249, de 1995, para determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; b) excepcionalmente, a receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, decorrente da prestação de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, está sujeita à aplicação dos percentuais de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), respectivamente, para determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.” [grifos nossos] Conforme se observa, o pedido da recorrente para que fossem aplicados os coeficientes de presunção de lucro de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL colidem frontalmente com dispositivos expressos de lei, não havendo reparos no lançamento realizado. 2.1 MULTA DE OFÍCIO No caso dos autos, foi aplicada a multa de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, verbis: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 700 16 Conforme se observa, a multa de ofício cominada (75%), tratase tão somente de aplicação de dispositivo literal de lei (art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), não podendo este Colegiado analisar a constitucionalidade desse dispositivo, nos termos da Súmula CARF nº 2. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. A respeito da decisão do STF sobre o patamar máximo de multa em 100% do tributo, há de se ressaltar que no caso concreto a multa cominada foi de 75%. No que diz respeito ao precedente declarando inconstitucional multa de 60% (AgRg no RE 591969), é importante destacar que o caso em apreço dizia respeito a mera multa moratória, não tratando de hipótese de lançamento de ofício, tampouco de casos envolvendo sonegação, fraude ou conluio. Desse modo, voto por manter a multa cominada no percentual de 75%. 2.2 LANÇAMENTOS REFLEXOS Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Como o recurso voluntário não traz qualquer argumento novo que refute as conclusões da DRJ, adoto tais razões como fundamento de meu voto. Assim, mantido o lançamento quanto ao IRPJ, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, incluindo no que diz respeito à CSLL, é de se manter também essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispõe o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Diante do exposto, os lançamentos reflexos a que refere o recurso voluntário devem ser mantidos. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10480.720757/201425 Acórdão n.º 1301002.623 S1C3T1 Fl. 701 17 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 701DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.019859/97-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1993
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Arau´jo, Fla´vio Franco Corre^a e Adriana Gomes Re^go, que na~o conheceram do recurso. No me´rito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinatura digital)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício e redatora designada.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL (UNIÃO) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1993 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinatura digital) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício e redatora designada. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 98 59 /9 7- 80 Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.587 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto por NETWORK DISTRIBUIDORA DE FILMES S.A. (doravante “recorrente” ou “contribuinte”), em face do acórdão nº 108 09.816 (doravante “acórdão a quo” ou “decisão recorrida”), proferido pela 8a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes (doravante “Turma a quo”). A decisão recorrida restou assim ementada (efls. 1145 e seg): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1993 IRPJ CONT A REF V ARIAÇÕES MONETÁRIAS P ASSIV AS Levandose em conta que o contribuinte procedeu a atualização monetária e a variação monetária de obrigação não monetária e que a conta clientes é encerrada muito antes da conta REF, a atualizaçaõ da conta REF não é anulada e, se a obrigação não monetária não deveria gerar atualização/variação, então é indevida esta atualização/variação monetária. IMPOSTO DE RENDA RETENÇAÕ NA FONTE SOCIEDADE POR AÇOẼS. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento do RE 172.058, entendeu que o artigo 35 da Lei n° 7.713/88 é inconstitucional, ao revelar como fato gerador do imposto de renda na modalidade "desconto na fonte", relativamente aos acionistas, a simples apuraçaõ, pela sociedade e na data do encerramento do períodobase, do lucro líquido, já que o fenômeno não implica qualquer das espécies de disponibilidade versadas no artigo 43 do Código Tributário Nacional, isto diante da Lei n° 6.404/76. LANÇAMENTOS REFLEXOS Subsistindo o lançamento principal, igual sorte seguem os lançamentos que tenham sido formalizados em decorrência daquele, em razão da íntima relacã̧o de causa e efeito. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em face da referida decisão foram opostos embargos de declaração (efls. 1.173 e seg.), o qual restou assim ementado (efls. 1246 e seg.): EMBARGOS DE DECLARAÇAÕ. Embargos de Declaraçaõ conhecidos parcialmente para saneamento de dúvida sem, contudo, alterar o decidido. Os Embargos de Declaraca̧õ não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente com o acórdão recorrido. O contribuinte, então, interpôs recurso especial (efls. 1.499 e seg.), versando sobre: (i) observância ao princípio da verdade material; (ii) ocorrência de postergação de pagamento; (iii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; (iv) nulidade do procedimento fiscal quando caracterizada ausência de nexo entre a capitulação legal contida no auto de infração e o fato tido como infrator. Contudo, nenhuma das matérias ventiladas no referido recurso foi admitida por despacho (efls. 1.518 e seg.), o que restou confirmado em sede de despacho de reexame de admissibilidade (efls. 1.523 e seg.) Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.588 3 A referida negativa de seguimento ao recurso especial ensejou o ajuizamento de medida judicial pelo contribuinte (Mandado de Segurança n. 100152388.2016.4.01.3400). Nos autos do referido processo judicial, foi proferida decisão pelo Juízo da 14a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, deferindo parcialmente o pedido, de forma a determinar o conhecimento e julgamento da irresignação do contribuinte pertinente à incidência de juros sobre a multa de ofício (efls. 1.546 e seg.). A PFN apresentou contrarrazões, em que requer seja negado provimento ao recurso especial (efls. 1.573 e seg.). Por fim, vale observar que o contribuinte peticionou nos autos requerendo o sobrestamento do julgamento deste recurso especial até decisão definitiva no Mandado de Segurança n. 100152388.2016.4.01.3400, em que ainda haveria a expectativa de provimento judicial que reconheça a admissibilidade integral do recurso (efls. 1.583 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Quanto ao conhecimento do recurso especial do contribuinte, não cabem maiores questionamentos, tendo em vista a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 100152388.2016.4.01.3400, a qual determina seja conhecida a julgada por este Colegiado exclusivamente a questão atinente à incidência de juros de mora sobre multa de ofício. É relevante transcrever o dispositivo da decisão judicial em questão, a qual, conforme compreendo, não permite que este Colegiado deixe de analisar o mérito atinente à incidência de juros sobre a multa, in verbis: Ante o exposto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, para determinar à Autoridade Impetrada que admita e dê seguimento ao Recurso Especial apresentado pela Impetrante no Processo Administrativo n. 10768.019859/9780, na matéria referente à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o qual deverá ser julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Quanto ao pedido do contribuinte de sobrestamento processual, apresentado por meio de petição (efls. 1.583 e seg.) e em sustentação oral, compreendo não ser devido. Ocorre que, ainda que ainda existe a possibilidade de alteração do provimento judicial, de forma a determinarse o conhecimento de mais matérias constantes no recurso especial, na presente sessão de julgamento tem eficácia os referidos despachos de não conhecimento proferidos nestes autos (efls. 1.518 e seg.; efls. 1.523 e seg.). Tais despachos são definitivos nesta esfera administrativa, eficácia permanece incólume face à decisão judicial atual. Ademais, é importante observar que, caso decisão judicial futura venha a reconhecer o cabimento do recurso especial em relação às demais matérias apresentadas pelo contribuinte, certamente o Poder Judiciário é detentor da competência para determinar o retorno dos autos à esta Turma da CSRF para a análise das matérias em questão. Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.589 4 Quanto ao mérito da matéria admitida, a controvérsia interpretativa não se refere necessariamente à norma dos arts. 113 ou 139 do CTN. No âmbito do CTN, a questão reside mais precisamente na norma que se constrói a partir de seu art. 161. O art. 161 do CTN, cumprindo o papel previsto no art. 146 da Constituição Federal, estabelece norma geral, aplicável a todos os entes da federação, quanto à incidência de juros de mora, no percentual de 1%, sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Expressamente, contudo, o seu § 1° resguarda a cada um dos entes federados a competência para estabelecer regramento próprio. Cada ente federado, por meio de seu respectivo Poder Legislativo, poderá prescrever regramento próprio, com taxa de juros diferente daquela prevista na norma geral (1%) ou, por exemplo, prever a incidência de juros de mora tanto sobre o débito principal quanto sobre as multas ou, ainda, estabelecer que os juros incidam apenas sobre o valor do débito principal, mas não sobre o das multas. A União, no caso, é exemplo de unidade federativa que, de longa data, produz regramentos próprios quanto à incidência de juros de mora sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Assim o fazendo, a União encontra resguardo jurídico no art. 161 do CTN, mas afasta a eficácia da norma geral veiculada neste dispositivo. Portanto, para a solução do caso concreto, a questão não se esgota com a compreensão da norma geral veiculada pelo CTN. É necessário saber qual o tratamento foi atribuído pelo legislador ordinário à materia, o que obriga que se considere o teor da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se pode observar, valendose de sua competência, o legislador ordinário decidiu: prever a incidência de juros de mora sobre multas isoladas pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 43); Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.590 5 prever a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 61); não prever nada quanto à incidência de juros de mora sobre multas de ofício. A evolução legislativa demonstra que não se trata de um silêncio insignificante, mas expressão de decisão consciente do legislador. As leis que se sucederam, em especial, o Decretolei n. 2.232/87, a Lei n. 7.691/88, a Lei n. 7.738/89, a Lei n. 7.799/89, a Lei n. 8.218/91, a Lei n. 8.383/91, a Lei n. 8.981/95, a Lei n. 9.430/96, a Lei n. 10.522/02, demonstram que a decisão do legislador variou no tempo, por vezes determinando a incidência de juros sobre a multa de ofício, por vezes a excluindo. Há uma diferenciação relevante: o dispositivo não estabelece, por si, a incidência de alguma taxa de juros sobre a multa, mas possibilita que leis específicas a estabeleça.1 Essa retrospectiva é relevante para constatar que o legislador competente não agiu ao acaso: tratase de silêncio eloquente do legislador que, ao tutelar a matéria, deixou conscientemente de prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Embora o entendimento ora exposta tenha restado vencido no julgamento do presente caso, este já foi o entendimento adotado por este Tribunal administrativo, inclusive no âmbito da 1ª Turma da CSRF, como se observa dos seguintes exemplos: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. (Processo nº 10680.002472/200723. Acórdão n. 9101000.722. CSRF, 15.12.2010.) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Processo nº 16327.004079/200275. Acórdão n. 10196.008. TO, 01.03.2007) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. (Processo nº 10980.013431/200605. Acórdão nº 10196.607, TO, 06.03.2008) JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. 1 Nesse sentido, vide, por exemplo: FAJERSZTAJN, Bruno. Exigência de juros de mora sobre as multas de ofício no âmbito da Secretaria da Receita Federal, in Revista Dialética de Direito Tributário v. 132. São Paulo : Dialética, 2006, p. 27 e seg. Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.591 6 Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Processo nº 16327.004252/200235. Acórdão nº 20216.397, TO, data da publicação 14.06.2005) (grifo nosso). Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Redatora Designada Em que pese o bem fundamentado voto proferido pelo relator, este colegiado divergiu de sua conclusão quanto à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Em seu voto, o relator entendeu ser ilegal a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de expressa previsão em lei. Sobre o tema, em recente julgado, proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão 9101002.349, de 14/06/2016), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões que reafirmo a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (Grifei) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.592 7 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifei) Ora, dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si, quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifei) Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no artigo 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do artigo 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O artigo 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.593 8 atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária, que evidentemente inclui a multa de ofício proporcional, é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o exConselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o artigo 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o artigo 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.594 9 É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1/9/2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o artigo 161 do CTN em conjunto com os artigos 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o artigo 161 do CTN, ao se referir ao crédito, está tratando de Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.595 10 crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, de 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Grifei) Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." (Grifei) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Portanto, não assiste razão à Recorrente quando afirma que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra respaldo na legislação. Como se viu, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorrem da lei. Conforme o antes transcrito § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável aos débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 10768.019859/9780 Acórdão n.º 9101003.198 CSRFT1 Fl. 1.596 11 de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Concluise, portanto, que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Pelo exposto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, mantendose a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1596DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900087/2011-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.685
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente ENGEFIELDS EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 00 87 /2 01 1- 86 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10480.900087/201186 Acórdão n.º 9303005.685 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.345, de 23/10/2012, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que a apresentação de informações da DIPJ poderiam ser confirmadas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal e que seriam suficientes para comprovar o direito creditório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 110100.517. O recurso foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.684, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10480.906054/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10480.900087/201186 Acórdão n.º 9303005.685 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.684): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não juntou ao processo, que versa sobre a restituição da Cofins cumulada com a compensação de débito próprio, a documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito vindicado, mas apenas as DACON original e retificadora e a ficha 25 da DIPJ, informações que a Câmara baixa considerou insuficientes para a sua comprovação (afirmouse que deveriam ter sido apresentados os Livros Razão e Diário, nos quais estariam os lançamentos que alicerçavam as correções propostas e, portanto, embasariam o pedido). Já no acórdão paradigma, em situação semelhante (tratouse de pedido de restituição de IRPJ, para o qual retificada a DIPJ, mas não retificada a DCTF correspondente), outra Turma da Primeira Seção entendeu que a autoridade administrativa não podia ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na PER/DCOMP, considerandose, especialmente, a apresentação de DIPJ retificadora, na qual constaria não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Como se vê, a divergência é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Todavia, no caso em exame, em vez de acostar aos autos, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição, a Recorrente permaneceu insistindo na mesma tese: a de que bastaria à sua comprovação a retificação da DIPJ e as informações já registradas nos sistemas da RFB. Percebase que aqui não se está afastando a possibilidade de a Recorrente, inaugurado o Contencioso Administrativo, vir a apresentálos, mas apenas ressaltando a sua insistência em não apresentálos, quando não era dela, a Recorrente, a competência para decidir o pedido, mas era dela, sim, a de comprovar o seu direito. Se os tivesse apresentado e estes não fossem considerados na decisão recorrida, a solução aqui poderia ser outra, a depender, evidentemente, do motivo levantado para a desconsideração dos livros e documentos na solução do litígio. Não é caso, porém. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10480.900087/201186 Acórdão n.º 9303005.685 CSRFT3 Fl. 5 4 Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Contribuinte também não juntou aos autos, "na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.006069/2006-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. CONTAGEM PRAZO DECADENCIAL. INTERRUPÇÃO CONTAGEM DO PRAZO. CIÊNCIA SUJEITO PASSIVO DO LANÇAMENTO.
Apenas a notificação do sujeito passivo da constituição do crédito tributário interrompe a contagem do prazo decadencial do direito do fico cobrar o tributo. A notificação do início do procedimento fiscal não tem o condão de interromper a contagem do prazo decadencial.
Numero da decisão: 9101-003.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Flávio Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. CONTAGEM PRAZO DECADENCIAL. INTERRUPÇÃO CONTAGEM DO PRAZO. CIÊNCIA SUJEITO PASSIVO DO LANÇAMENTO. Apenas a notificação do sujeito passivo da constituição do crédito tributário interrompe a contagem do prazo decadencial do direito do fico cobrar o tributo. A notificação do início do procedimento fiscal não tem o condão de interromper a contagem do prazo decadencial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. CONTAGEM PRAZO DECADENCIAL. INTERRUPÇÃO CONTAGEM DO PRAZO. CIÊNCIA SUJEITO PASSIVO DO LANÇAMENTO. Apenas a notificação do sujeito passivo da constituição do crédito tributário interrompe a contagem do prazo decadencial do direito do fico cobrar o tributo. A notificação do início do procedimento fiscal não tem o condão de interromper a contagem do prazo decadencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 69 /2 00 6- 73 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 9101003.304 CSRFT1 Fl. 1.765 2 (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (“PFN” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 110300.504 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 3a Turma Ordinária, 1a Câmara, desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”), que tem como interessado ANDES ARTEFATOS DE PAPEL LTDA. (doravante “contribuinte” ou “recorrida”). O acórdão recorrido decidiu acolher apenas parcialmente a arguição de decadência do contribuinte, quanto ao ao anocalendário de 1999, restando assim ementado (e fls. 220 e seg.): Assunto:Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999,2000 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAÕ. SISTEMÁTICA. DECADÊNCIA. No julgamento havido no Recurso Especial n° 973.733 SC (2007/0176994 0), havido na sistemática da repercussão geral, o STJ decidiu que nos casos de lanca̧mento por homologação o deslocamento (antecipação) do termo inicial de contagem de decadência para a data da ocorrência do fato gerador tributário exige a figura do pagamento. In casu, ante a inexistência de pagamentos, o direito fiscal no lançamento procedido em data de 13 de julho de 2006 afeto a fato gerador ocorrente no anocalendário de 2000 não se encontra contaminado pelo fenômeno extintivo, enquanto o tributo relativo ao anocalendário de 1999, ainda que contado o prazo qüinqüenal de decadência a partir do primeiro dia útil do exercício subseqüente, atraiu aquele. Destacamse os seguintes trechos de decisão recorrida, in verbis: “Todavia, o Superior Tribunal de Justica̧ (STJ) decidiu no Recurso Especial n° 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lanca̧mento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lanca̧mento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Referido julgado operouse na sistemática da repercussão geral a que alude o artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC). Em decorren̂cia, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, e que possui a seguinte diccã̧o: (...) Consoante fartamente relatado na peça fiscal de fl. 12, inexistiram pagamentos de CSLL nos períodos em comento. Assim, é de ser aplicado as disposicõ̧es do artigo 173, inciso I, do CTN, que versa: (...) Portanto, o marco inicial de contagem do prazo decadencial, na dicção do artigo 173, I do CTN, se opera em 1o de janeiro de 2001 e Io de janeiro de 2002, já que os lançamentos poderiam ter sido efetuados nos exercícios de 2000 e 2001, respectivamente, de sorte que o ato administrativo ocorrente em 2006 só se Fl. 281DF CARF MF Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 9101003.304 CSRFT1 Fl. 1.766 3 encontra contaminado pelo fenômeno legal no que tange ao primeiro período de apuração. Com tais razões, voto pelo parcial provimento do recurso para reconhecer a extinca̧õ do crédito tributário da CSLL afeto ao anocalendário de 1999, na forma do artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional.” O recurso interposto pela PFN se volta contra a parte do acórdão a quo que, aplicando a regra do art. 173, I, do CTN, reconheceu a decadência da CSLL quanto período de 1999. Requer a PFN seja adotado cumulativamente a regra do parágrafo único do referido art. 173, de forma que a intimação do contribuinte quanto ao início do procedimento fiscalizatório tivesse o condão de interromper a contagem do prazo decadencial. A PFN argumenta, em síntese (efls. 228 e seg): “No paradigma, a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção do CARF, ao analisar a contagem do prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação, firmou o entendimento de que, na ausen̂cia de recolhimento antecipado, aplicase o art. 173, I do CTN conjugado com o parágrafo único do mesmo artigo. Sob tal perspectiva, o aludido órgão julgador entendeu que a cien̂cia de medida preparatória indispensável ao lanca̧mento, segundo o disposto no parágrafo único do art. 173 do CTN, seria o marco inicial na contagem do lustro decadencial em relação aos fatos geradores nao alcançados pela decaden̂cia nos termos do inciso Ido mesmo dispositivo legal. Verificase claro dissídio entre os acórdãos posto em cotejo. Enquanto o acórdão recorrido aplica simplesmente o art. 173,1do CTN no caso em que não se tem a antecipação de pagamento do tributo sujeito ao regime de lanca̧mento por homologação, o acórdão paradigma aplica não só a aludida norma, como também o parágrafo único do art. 173 do Código Tributário em igual situacã̧o.” O despacho de admissibilidade deu integral seguimento ao recurso especial interposto (efls. 265 e seg.). O contribuinte foi intimado por edital (efls. 275 a 277), com a certificação nos autos da não apresentação de contrarrazões por este (efls. 278). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto quanto ao tema da decadência, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Quanto ao mérito, tratase de matéria recentemente analisada por este Colegiado. Nesse sentido, peço vênia para transcrever os fundamentos adotados no acórdão 9101002.850, de 12.05.2017, da lavra do i. Conselheiro Gerson Guerra e julgado por unanimidade de votos, in verbis: “O lançamento por homologação, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de Fl. 282DF CARF MF Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 9101003.304 CSRFT1 Fl. 1.767 4 posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. A regra da decadência do direito do fisco de lançar o tributo por homologação é regra especial, contida no §4º, do artigo 150 em questão, que estabelece o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Como se pode ver, a regra é muito clara em relação ao termo inicial para que o fisco homologue o lançamento feito por homologação. Não sendo realizada a homologação expressa ou efetuado lançamento nesse prazo, considerase decaído o direito do fisco de o fazer e homologado tacitamente o lançamento. Não há amparo na lei em relação à pretensão da Fazenda Nacional, no sentido de que qualquer pronunciamento fiscal interrompe a contagem do prazo nos moldes do artigo 150, §4º, movimentandoo para o artigo 173, I. Nesse sentido importante trazer a decisão do STJ no Resp 686.834, admitindo que o “Código Tributário Nacional estabelece três fases distintas quanto aos prazos prescricional e decadencial: a primeira estendese até a notificação do auto de infração ou do lançamento ao sujeito passivo – período em que há o decurso do prazo decadencial”, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE E DO PRAZO PRESCRICIONAL. EXECUÇÃO FISCAL. DEMORA NA CITAÇÃO NÃOIMPUTÁVEL À EXEQÜENTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 106/STJ. 1. O Código Tributário Nacional estabelece três fases distintas quanto aos prazos prescricional e decadencial: a primeira estendese até a notificação do auto de infração ou do lançamento ao sujeito passivo – período em que há o decurso do prazo decadencial (art. 173); a segunda flui dessa notificação até a decisão final no processo administrativo – período em que se encontra suspensa a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, III) e, por conseguinte, não há o transcurso do prazo decadencial, nem do prescricional; por fim, na terceira fase, com a decisão final do processo administrativo, constituise definitivamente o crédito, dandose início ao prazo prescricional de Fl. 283DF CARF MF Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 9101003.304 CSRFT1 Fl. 1.768 5 cinco anos para que a Fazenda Pública proceda à devida cobrança (art. 174). Nesse contexto, voto NEGAR provimento ao recurso da União, para manter o quanto decidido pela Turma a quo.” Nesse seguir, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da PFN. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 284DF CARF MF Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 9101003.304 CSRFT1 Fl. 1.769 6 Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.002106/2004-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/12/2002
ALARGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718.
É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.
Numero da decisão: 9303-005.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/12/2002 ALARGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718. É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
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BASE DE CÁLCULO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOTECAL SOCIEDADE TECNICA AGRICOLA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/12/2002 ALARGAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718. É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS previsto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 21 06 /2 00 4- 50 Fl. 632DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 340300.311, de 25/06/2013, proferido pela 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2002, 01/03/2002 a 31/12/2002 BASE DE CALCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 32 da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso Provido. Contra a decisão, a PFN apresentou embargos declaratórios, os quais, todavia, foram rejeitados pelo presidente da 4ª Câmara. Irresignada, apresentou recurso especial, por meio do qual se insurgiu contra a exclusão, da base de cálculo do PIS, das receitas de subvenção para o custeio na produção de borracha, prevista na Lei n° 9.479/97. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 20401911. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 399/400 Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 612/618). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, é de fácil percepção, os acórdãos recorrido e paradigma adotaram entendimentos contrários sobre o mesmo tema: a ampliação da base de cálculo do PIS no regime cumulativo. No mérito, sabese que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu, em decisão submetida à sistemática da repercussão geral, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1999. Confirase: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10580.002106/200450 Acórdão n.º 9303005.975 CSRFT3 Fl. 633 3 REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria,aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, as contribuições sociais devem incidir apenas sobre a receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, não sobre as que a Recorrente pretende ver incluídas nas suas respectivas bases de cálculo (no caso, as receitas de "subvenção para o custeio" – é a natureza que, segundo entende, lhes deve ser atribuída – na produção de borracha, previstas na Lei n° 9.479, de 1997). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 634DF CARF MF 4 Fl. 635DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.003963/2008-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/10/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/10/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 39 63 /2 00 8- 69 Fl. 196DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 3ª Turma Especial da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão n° 2803001.762 que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reformar a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à MP n. 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.212/1991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao contribuinte, comparandose apenas a aplicação desses dispositivos. Em sessão plenária de 04 de novembro de 2014, foi julgado o Recurso Voluntário de folhas 187 a 202, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão n° 2803 003.772 (fls 750 a 756), assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO. DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DOS MOTIVOS JURÍDICOS E APURAÇÃO. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, quando o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo, pois houve a oportunização de defesa e contraditório pleno à parte, não havendo motivo para nulidade. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Recurso Especial da Fazenda é contra a multa, em face da retroatividade benigna, tomando como paradigma o acórdão nº 20601.782 pugnando que: “ seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica, se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, § 5º, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008.” É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 9202006.152 CSRFT2 Fl. 197 3 Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Em litígio aplicação da retroatividade benigna no cálculo de multas de Contribuições Sociais Previdenciárias: A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 198DF CARF MF 4 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 199DF CARF MF Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 9202006.152 CSRFT2 Fl. 198 5 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 200DF CARF MF 6 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 201DF CARF MF Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 9202006.152 CSRFT2 Fl. 199 7 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Fl. 202DF CARF MF 8 Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 203DF CARF MF Processo nº 12269.003963/200869 Acórdão n.º 9202006.152 CSRFT2 Fl. 200 9 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Conclusão Pelo exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 204DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.000532/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 05 32 /2 00 8- 95 Fl. 47DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 16707.000532/200895 Acórdão n.º 2202004.265 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 49DF CARF MF
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