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Numero do processo: 19515.002021/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2001
Ementa: PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITA.
Correta a tributação, como receita omitida, do saldo das contas de passivo quando não demonstrada com documentação hábil e idônea a origem dos valores. Em sentido contrário, deve ser excluído da exigência a parcela devidamente comprovada através de documentos trazidos aos autos com as peças de defesa.
GLOSA DE DESPESAS COM DIREITOS AUTORAIS. COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantida a glosa das despesas em relação as quais o sujeito passivo não logrou comprovar, ainda que intimado a fazê-lo.
Por outro lado, é de restabelecer a dedução face aos valores devidamente demonstrados.
DESPESAS COM ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É dedutível a despesa com ágio quando demonstradas nos autos a veracidade da operação e a causa do negócio jurídico, sendo justificável a utilização de “empresa veículo” em face das peculiaridades da operação.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO.
Descabe a imputação da multa qualificada por dedução indevida de ágio, quando não houve questionamento em relação à existência desse ágio bem como pelo fato de que a operação de “transporte” do ágio para a controlada, ainda que inaceitável quanto às conseqüências tributárias da dedutibilidade, teve como escopo justamente aquilo que foi realizado: a transferência do ágio
para redução do resultado tributável. Não ficou demonstrado qualquer objetivo diverso daquele refletido pela operação.
Numero da decisão: 1402-001.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, rejeitar a argüição de preclusão suscitada pelo relator em relação à dedução do PIS e da Cofins na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com ágio (Termo de Verificação nº 2). Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Por unanimidade de votos, acatar a dedução do PIS e Cofins na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, restabelecer a dedução no valor de R$ 1.881.756,09 referentes a direitos autorais (Termo de Verificação nº 5) e cancelar a exigência correspondente à glosa de despesas financeiras (Termo de Verificação nº 6). Designado o Conselheiro Carlos Pelá para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira farão declaração de voto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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OMISSÃO DE RECEITA. Correta a tributação, como receita omitida, do saldo das contas de passivo quando não demonstrada com documentação hábil e idônea a origem dos valores. Em sentido contrário, deve ser excluído da exigência a parcela devidamente comprovada através de documentos trazidos aos autos com as peças de defesa. GLOSA DE DESPESAS COM DIREITOS AUTORAIS. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa das despesas em relação as quais o sujeito passivo não logrou comprovar, ainda que intimado a fazêlo. Por outro lado, é de restabelecer a dedução face aos valores devidamente demonstrados. DESPESAS COM ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É dedutível a despesa com ágio quando demonstradas nos autos a veracidade da operação e a causa do negócio jurídico, sendo justificável a utilização de “empresa veículo” em face das peculiaridades da operação. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, rejeitar a argüição de preclusão suscitada pelo relator em relação à dedução do PIS e da Cofins na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com ágio (Termo de Verificação nº 2). Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Por unanimidade de votos, acatar a dedução do PIS e Cofins na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, restabelecer a dedução no valor de R$ 1.881.756,09 referentes a direitos autorais (Termo de Verificação nº 5) e cancelar a exigência correspondente à glosa de despesas financeiras (Termo de Verificação nº 6). Designado o Conselheiro Carlos Pelá para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira farão declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 10512DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo parcialmente: O interessado apresentou sua DIRPJ do anocalendário de 2001 com base no lucro real anual e foi autuado no IRPJ e seus reflexos em relação a fatos geradores ocorridos nesse mesmo anocalendário, em 01/07/2005, em conformidade com o Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações, tendo o crédito tributário total alcançado RS 13.662.103,03, incluindo imposto e contribuições, multas de 75%, uma multa qualificada de 150% e juros de mora calculados até 31/05/2005, em razão das infrações apuradas adiante discriminadas (fls. 1 a 301), tendo sido lavrada a REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, consubstanciada no processo de n.° 19515.002023/200508, de vols. I a III , apensada a este processo, REPRESENTAÇÃO que se reporta, também, a fatos relatados no processo de n.° 19515.002022/200555, de exigência de IRRF. 2 Os seis Termos de Verificação (TVs) dão conta de que: 2.1 TV n.° 1: omissão de receitas caracterizada por passivo fictício, com base legal nos arts. 249, inciso I I , 251 e § único, 279 e § único, 281, inciso I; e 288, todos do RIR/99, art. 24 da Lei n.° 9.249/95 e art. 40 da Lei n.° 9.430/96, no valor total de R$ 4.828.845,38, assim constituído (fls. 163 a 166): a) R$ 1.212.514,70 de obrigações não comprovadas com fornecedores em 31/12/2001, conforme relações de fls. 230 a 233; b) RS 573.355,37 de juros a pagar não comprovados referentes a empréstimos que teriam sido contraídos na modalidade "VENDOR", escriturados na conta 211.01.09 (fls. 167 e 229); c) R$ 3.042.975,31 correspondente a material de terceiros em poder do contribuinte, também não comprovados, escriturados na conta 211.02.16 (ou 211.02.10, conforme fl. 167); 2.2 TV n.° 2: despesa indedutível com amortização de ágio em investimento, escriturada na conta 421.08.07, no valor de R$ 8.091.339,24, sendo tal ágio "decorrente de aquisição de participação societária, avaliada pelo método da equivalência patrimonial, pelos acionistas (na época quotistas) da Editora Scipione S.A., ou seja, a fiscalizada está deduzindo do resultado a parcela do ágio pago pelos seus acionistas por ocasião da aquisição da própria empresa"; em outras palavras: o ágio originouse na aquisição das quotas do interessado e após sucessivas operações societárias, foi a ele mesmo transferido; base legal: arts. 247, § I o , 249, inciso I, 251 e § único e 299 "caput" e §§ I o e 2o, todos do RIR/99, art. 51 da Lei n.° 7.450/85 e PN CST n.° 46/87, com aplicação de multa qualificada de 150% fundamentada no art. 44, inciso I I , da Lei n.° 9430/96, em vista de a AFRF ter entendido que algumas dessas operações societárias configuraram atos simulados, do que resultou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, em três volumes apensos a este processo e ao IRRF, de n.° 19515.002022/200555 (fls.238 a 249); a) eis a descrição sintética das sucessivas operações societárias: Abril S/A e Havas S/A (esta do grupo francês Vivendi) possuíam quotas da Ed. Ática e da Ed. Fl. 10513DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 4 4 Scipione e aportaram tais quotas como aumento de capital da empresa Serra das Araras, sendo que nesta operação a Serra das Araras recebeu o ágio anteriormente pago pela aquisição da Ed. Scipione, no valor de R$ 54.960.739,99; as quotas recebidas da Serra das Araras foram aportadas como aumento de capital da empresa JVHA (atual Aroeira Educação S/A), de forma que Abril S/A, Havas S/A e JVHA (esta controlada por Abril S/A e Havas S/A) permaneceram durante algum tempo como quotistas da Serra das Araras até sua cisão total com a versão do seu acervo liqüido mediante incorporação na Ed. Ática e na Ed. Scipione; advogados do Escritório Gouvêa Vieira participaram inicialmente da Serra das Araras, que tinha o mesmo endereço do Escritório; um advogado do referido Escritório permaneceu por algum tempo como sócio, junto com a JVHA; uma advogada do mesmo Escritório secretariou AGE da JVHA em seu início, tendo esta empresa o mesmo endereço do citado Escritório; b) eis a conclusão da AFRF (fls. 244 a 246): "Tendo em vista os elementos apresentados pelo contribuinte podemos afirmar: a) Os acionistas controladores da empresa Editora Atica S A, são Abril S A e Havas S/A, desde a aquisição da participação em 1999; b) A empresa Serra das Araras Participações Ltda., foi constituída em 1999 única e exclusivamente para registrar as aquisições das participações societárias das Empresas Atica e Scipione; c) A empresa JVHA Participações S A foi constituída para encobrir a participação direta das empresas Abril S A e Havas, nas empresas Atica e Scipione d) As empresas JVHA e Serra das Araras funcionaram no mesmo endereço do Escritório Gouvêa Vieira, na Cidade do Rio de Janeiro, e posteriormente a JVHA transferiu sua sede para a Cidade de São Paulo, também, onde funciona o Escritório Gouvêa Vieira; e) As operações descritas nos itens anteriores (letras A e B), foram realizadas para no primeiro momento registrar o aporte de ativos (participações societárias na Atiça e Scipione) efetuado pelas empresas Abril e Havas, com a finalidade exclusiva de efetuar a incorporação no ano seguinte e, por conseguinte amortizar o ágio pago pelos acionistas da Atica e Scipione, reduzindo assim o resultado tributável de ambas; f) Os protocolos de justificação nada esclarecem a essência (substancia) dos atos, tratandose apenas de atos societários que abordam apenas os aspectos quanto a forma de realização dos mesmos. Estamos diante de atos simulados com o único intuito de reduzir a base de calculo uma vez que desde a aquisição das participações societárias das empresas Atica e Scipione, os sócios das mesmas continuam sendo Abril S.A e Havas S.A. e, a administração e controle das operações são feitas por funcionários que portam crachás com a logomarca da ABRIL e estão em processo de transferência física para o prédio da EDITORA ABRIL. Em caso semelhante a Secretaria da Receita Federal editou o Parecer Normativo CST n. 46, de 17 de agosto de 1987, cuja ementa transcrevemos a seguir: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA A realização de operações simuladas, com o objetivo de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou Fl. 10514DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 5 5 de gerar maiores vantagens fiscais, não inibe a aplicação de preceitos específicos da legislação de regência, bastando que, pela finalidade do ato ou negócio, sejam obtidos rendimentos ou ganhos de capital submetidos à incidência doimposto de renda, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada." Em sua conclusão o PN n. 46 assim dispõe: "Em face do objetivo do artigo 51 da Lei n° 7.450/85 e de seus próprios termos, a realização de operações simuladas com o fito de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou de gerar maiores vantagens do que as proporcionadas pela lei fiscal, não deve inibir a aplicação de hipóteses de incidência do imposto de renda sobre a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos e ganhos de capital. Essas operações não podem ser aceitas para legitimar conseqüências tributárias, visto que são procedimentos legais apenas no seu aspecto formal, mas ilícitas na medida em que pretendem encobrir ato de natureza jurídica com efeitos tributários mais onerosos para o contribuinte; por isso mesmo, devem prevalecer os efeitos tributários do negócio dissimulado, ao revés daqueles decorrentes do ato jurídico formalizado apenas para gerar conseqüências entre as partes." Diante do exposto, concluímos que o ÁGIO AMORTIZADO contabilizado durante o ano calendário de 2001 como despesa operacional, decorrente da aquisição de investimento, o qual transitou pela empresa SERRA DAS ARARAS com a única finalidade desta ser incorporada no ano seguinte, transferindo o ágio pago pelos acionistas para ser amortizado como despesa operacional das investidas, traduz em DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS. Cabe salientar que as únicas operações realizadas pela empresa SERRA DAS ARARAS, foram o registro dos investimentos efetuados na Atica e na Scipione em 1999 e posteriormente de 2000 e, a cisão total desta e por conseguinte sua extinção no ano de 2000." 2.3 TV n.° 3: receita não contabilizada caracterizada pela diferença de R$ 202.923,57 apurada por meio do confronto entre o valor de R$ 11.660.912,94, escriturado na conta 113.01.03 do interessado, conforme balancete de 31/12/2001, referente a matéria prima própria em poder de terceiros, e o valor de R$ 11.863.836,51, registrado na Ática como obrigação para com o interessado, com base legal nos arts. 249, inciso I I , 251 e § único, 278, 279, 280, 283 e 288, todos do RIR/99 e art. 24 da Lei n.° 9.249/95 (fls. 250 a 252); 2.4 TV n.° 4: glosa de custos decorrente da não comprovação das causas dos lançamentos, no anocalendário de 2001, de dois ajustes de estoques referentes ao anocalendário anterior, na conta 421.07.06, de ORDENS DE PRODUÇÃO CANCELADAS, sendo R$ 971.000,00 debitados na conta em tela a título de gastos indiretos de fabricação e RS 1.653.000,00 debitados na mesma conta a título de mão de obra indireta, totalizando RS 2.624.000,00, com base legal nos arts. 249, inciso I , 251 e § único, 289, 290, inciso I , 292 e 300, todos do RIR/99 (fls. 255 a 267); 2.5 TV n.° 5: despesas indedutíveis com direitos autorais não comprovados, no valor total de RS 5.186.168,54, com base legal nos arts. 247, § I o , 249, inciso I, 251 e § único, 299 "caput" e §§ I o e 2o, todos do RIR/99 (fls. 268 a 270); 2.6 TV n.° 6: glosa de despesas financeiras "face sua desnecessidade para manutenção da fonte produtora", referente à matéria prima própria em poder de terceiros, emprestada "sem a cobrança de encargos financeiros" que foram calculados pela AFRF com base na taxa de juros dos contratos de mútuo entre o interessado e o terceiro (Ed. Ática), utilizando juros simples sobre as médias simples entre os saldos iniciais e finais de cada mês de forma que a soma desses juros, RS 1.548.820,04, corresponde ao "montante dos encargos financeiros não repassados" Fl. 10515DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 6 6 ao terceiro, com base legal nos arts. 251 e § único, 299 e §§ I o e 2o e 374, inciso I ,todos do RIR/99 (fls. 271 a 277). A empresa apresentou impugnações, em 01/08/2001 (IRPJ, às fls. 321 a 395, PIS, às 2.978 a 3.005, COFINS, às fls. 3.960 a 3.989, e CSLL, às fls. 4.966 a 5.047, por meio de seus advogados (fls. 320 e 397 a 417), acompanhada de elementos de prova acostados às fls. 427 a 7.600 (volumes 3 a 38). 9 Eis o resumo da impugnação, no tocante ao I R P J (fls. 321 a 395). A impugnante alega que inexiste a receita não contabilizada (TV n.° 3), caracterizada pela diferença de R$ 202.923,57 apurada por meio do confronto entre o valor de R$ 11.660.912,94, escriturado na conta 113.01.03 do interessado, conforme balancete de 31/12/2001, referente a matéria prima própria em poder de terceiros, e o valor de R$ 11.863.836,51, registrado como obrigação para/6om o interessado na Ática, pois a diferença decorre dos métodos distintos de avaliação e registro dos estoques finais, sendo o custo médio de aquisição o método da interessada ao passo que o da Ática é o preço da última compra, ambos admitidos pela legislação tributária, de forma que a autuação resultaria de presunção humana fundada apenas em lançamentos contábeis, pois as notas fiscais não foram verificadas, como exige o art. 283 do RIR/99, utilizado na capitulação legal. 11 Além disso, como os registros contábeis podem conter erros tanto os do interessado, como os da Ática qual foi o critério adotado para acusar o interessado pela suposta infração de omissão de receita? 12 Ademais, empréstimo de materiais (débito em "matéria prima n/ propriedade em poder de terceiros" e crédito em "materiais", ambas contas de ativo, para o interessado, e débito em "materiais", no ativo e crédito em"materiais de terceiros", no passivo, para a Ática) não produz qualquer efeito nos resultados das empresas envolvidas. Apenas se a devolução fosse de valor superior ao devido é que se poderia falar em ganho do interessado. 13 A impugnante sustenta que inexiste a omissão de receitas caracterizada por passivo fictício não comprovado (TV n.° 1) no valor total de RS 4.828.845,38, pois: 13.1 o valor de RS 1.212.514,70 de obrigações com fornecedores em 31/12/2001 está comprovado pelas notas fiscais e contratos ora apresentados (fls. 427 a 554); 13.2 o valor de RS 573.355,37 de juros a pagar referente a empréstimos contraídos na modalidade "VENDOR", escriturado na conta 211.01.09, está comprovado às fls. 555 a 1.070, por meio de contratos, notas de aquisição das mercadorias relacionadas a estes contratos, planilha demonstrativa dos juros contraídos em razão de cada operação contratada e prova da quitação dessas obrigações após 2001; 13.3 quanto ao valor não comprovado de RS 3.042.975,31, de material de terceiros em poder do contribuinte, escriturado na conta 211.02.16 (ou 211.02.10, conforme fl. 167): a) o lançamento é nulo, pois a base de cálculo adotada, ao contrário dos casos anteriores, foi o saldo da conta de provisão 211.02.16, saldo que equivale apenas à soma algébrica de débitos e créditos efetuados nessa conta ao longo do tempo no caso, 31 anos de forma que, por um lado, o saldo não corresponde a obrigação alguma, não servindo de base de cálculo de receita eventualmente omitida e, por Fl. 10516DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 7 7 outro, o saldo pode trazer créditos efetuados em períodos já alcançados pela decadência, que devem ser excluídos; b) admitindo que a intenção da fiscalização tenha sido tributar os créditos nessa conta em 2001, que correspondem à aquisição, por empréstimo, de materiais da Ed. Ática, a documentação defls. 1.071 a 1.355 comprova a existência dessas obrigações. 14 A impugnante diz que não cabe a glosa de custos (TV n.° 4) decorrente da não comprovação das causas dos lançamentos, no anocalendário de 2001, de dois ajustes de estoques na conta 421.07.06, de ORDENS DE PRODUÇÃO CANCELADAS, que seriam referentes ao anocalendário anterior, sendo RS 971.000,00 debitados na conta em tela a título de gastos indiretos de fabricação e RS 1.653.000,00 debitados na mesma conta a título de mão de obra indireta, totalizando RS 2.624.000,00,/pois se, por um lado, tais gastos "não deveriam jamais ter feito parte da valorização dos estoques no anocalendário de 2000...", por outro, tais ajustes não prejudicaram o Erário, visto que eram despesas operacionais dedutíveis no anocalendário de 2000 e ao serem tais valores alocados em conta de estoque, no ativo, em 2000, não afetaram o resultado, configurando verdadeira postergação de despesas e antecipação do pagamento do imposto em 2000. 15 Apóiase no PN n.° 96/78 para justificar o ajuste efetuado de forma contábil, e não extra contábil, explicando seus procedimentos contábeis e reportandose a diversos elementos de prova: "... apropriou a maior, nos estoques de produtos acabados e em elaboração, em 2000, dispêndios incorridos a título de mão de obra direta e despesas operacionais, quanto ao núcleo denominado Diretoria Editorial. (...) De uma breve análise do razão e da natureza das contas do núcleo Diretoria Editorial como um todo, que não relativas a mãodeobra e encargos sobre a mesma (doe. 1.1., novamente), verificase que não poderiam, jamais, terem sido consideradas como parte integrante do custo dos produtos. DE DESPESAS OPERACIONAIS OBVIAMENTE SE TRATAVAM POSTO QUE AS MESMAS NÃO ESTÃO RELACIONADAS DIRETAMENTE À PRODUÇÃO DOS LIVROS. COMO SE DEPREEENDE DO DOCUMENTO 1.2.2., APENAS OS PROFISSIONAIS IDENTIFICADOS COMO "EDITORIAL DIDÁTICO" É QUE MANTINHAM ENVOLVIMENTO DIRETO COM A PRODUÇÃO DE LIVROS, OS DEMAIS A ISTO NÃO SE DEDICAVAM NÃO PODENDO COMPOR OS DISPÊNDIOS A ELES CORRESPONDENTES O CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS. Uma vez constatando, em 2001, que os procedimentos atinentes ao custo estavam incorretos, posto que o procedimento de registro contábil adotado em 2000 foi rigorosamente idêntico, a Impugnante procedeu ao ajuste ora analisado.(...)" 16 Conclui sustentando que seu procedimento está de acordo com a legislação tributária, inclusive com o PN n.° 06/79, e comercial, bem como está conforme a melhor doutrina contábil ("Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações", da FIPECAFI, 6a ed., Ed. Atlas, 2003, págs. 118, 126 e seguintes, e "Contabilidade para Administradores, de Hélio de Paula Leite, Ed. Atlas, 3a ed., págs. 52, 55, 246 e seguintes). Fl. 10517DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 8 8 17 Os documentos a que se refere a impugnante, de n.°s 1 a 7, encontramse àsfls. 1.356 a 1.724. 18 A impugnante alega, a seguir, que comprova as despesas com direitos autorais (não comprovados, no curso da ação fiscal), valor total de R$ 5.186.168,54 (TV n.° 5), conforme docs. 1 a 10. 19 Diz, todavia, ser impossível comprovar a exatidão dos valores das tabelas que totalizam, por autor e/ou detentor dos direitos autorais, o respectivo valor total de direitos autorais, pois tais direitos são porcentagens da respectiva receita de vendas, e não há como apresentar todas as notas fiscais de venda. 20 Acrescenta que a apresentação de RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo) e de "notas fiscais de todas as contratações" é dispensável, pois "tais documentos não são exigidos por lei...". 21 Caso entendase que a documentação apresentada é insuficiente para comprovar a dedutibilidade das despesas, requer a realização de diligência para a análise de toda a documentação em seu poder. Transcreve, exemplificativamente, dispositivo de contrato em que os direitos autorais são fixados em 8% e traz tabelas, às fls. 356 e 357, com os valores que seriam devidos a título de direitos autorais, lembrando que alguns extratos bancários não coincidem em face de retenção de IRRF (traz dois exemplos, à fl. 357) e que algumas notas fiscais abrangem dois ou mais pagamentos realizados. 22 No tocante ao TV n.° 2, que considera despesa indedutível a amortização de ágio em investimento, no valor de R$ 8.091.339,24, "decorrente de aquisição de participação societária, avaliada pelo método da equivalência patrimonial, pelos acionistas (na época quotistas) da Editora Scipione S.A., ou seja, a fiscalizada está deduzindo do resultado a parcela do ágio pago pelos seus acionistas por ocasião da aquisição da própria empresa", a impugnante assim se manifesta, sinteticamente: 22.1 a Editora Scipione Ltda., antes pertencente a várias pessoas físicas, foi adquirida pelas empresas Havas, Abril e Serra das Araras, cujas quotas eram, à época, detidas por JVHA e Antônio Alberto Gouvêa Vieira, este com 1%, mas antes majoritário, sendo que: a) a aquisição da Scipione não é objeto do lançamento; b) a Havas, como empresa estrangeira, necessita, por lei, ser representada no Brasil por aqui residentes, sendo nomal e usual utilizarse o investidor estrangeiro de advogados, o que é um procedimento legal; c) os controladores da Scipione são Abril S/A e Havas S/A, pois a Serra das Araras passou a pertencer à Abril S/A e Havas S/A, saindo a JVHA. 22.2 essa descrição afasta o argumento ilógico e subjetivo de que a Serra das Araras foi utilizada única e exclusivamente para registrar as aquisições da Ática e Scipione, bem como que a JVHA foi constituída para encobrir a participação; perguntase: encobrir o quê? 22.3 nada impede a utilização de uma empresa para consolidar, no Brasil, a posição dos compradores, especialmente em caso de um investidor estrangeiro e um brasileiro, de grupos diferentes; como operacionalizar um acordo de acionistas se o investidor estrangeiro não tem uma pessoa jurídica aqui no país? Fl. 10518DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 9 9 22.4 após a aquisição da Scipione pela Havas e Abril, ambas transferiram suas quotas para a Serra das Araras, cujo capital passou a ser representado pelas quotas que Havas e Abril possuíam na Scipione e na Ática; portanto: a) nenhuma operação foi feita para encobrir a participação de Havas e Abril pois, após a utilização da JVHA para possibilitar o im^stimento estrangeiro, a Serra das Araras passou a ser detida por Havas e Abril; b) a Serra das Araras foi uma "holding" para possibilitar o investimento de diferentes grupos, sendo um deles estrangeiro; 22.5 a seguir, Havas e Abril transferiram suas quotas na Serra das Araras integralizando o capital da JVHA, passando Havas e Abril a serem suas únicas acionistas e a JVHA passou a deter a Serra das Araras; 22.6 a seguir, Havas e Abril voltam a participar na Serra das Araras, com aporte de recursos financeiros; 22.7 o Termo não aponta que: a) em 29/12/94 (sic) a Abril S/A cedeu e transferiu suas quotas na Serra das Araras para a Editora Abril S/A, conforme fls. 2.797 a 2.803 (entendase: em 29/12/99); b) em 29/12/99, a Ática tornouse sócia da Scipione, com aporte de recursos financeiros; 22.8 em 30/10/2000 aprovouse a cisão total da Serra das Araras com incorporação de partes de seu acervo liqüido pela Ática (cerca de 70,50%), pela Scipione (cerca de 28,50%) e pela JVHA (cerca de 1,00%), conforme fls. 2.831 a 2.854; 22.9 antes da extinção da Serra das Araras, a JVHA (depois JVVA) atuava como "holding" e veículo de investimento, juntamente com a Serra das Araras, no que diz respeito à Scipione; 22.10 a aquisição da Ática pela Havas e Abril não é objeto mediato ou imediato do lançamento impugnado, tratandose de operação absolutamente legal e com evidente intuito e substrato negocial, conforme documentos anexos, na medida em que duas empresas investiram em sociedade efetivamente existente e operante, sendo uma delas, inclusive, uma sociedade estrangeira; 22.11 nenhuma operação foi feita para encobrir a participação das empresas Abril e Havas, tanto assim que estas sempre participaram do quadro societário da "holding" que detinha a Scipione, bem como da gerência dessa "holding", conforme "Doe.9" (não apresentado); 22.12 não há qualquer contestação fiscal quanto à existência do ágio na aquisição do investimento pela Serra das Araras; 22.13 o Termo (item "e") fala em "simulação" pelo fato exclusivo da Serra das Araras ter sido utilizada para consolidar a posição das compradoras, Havas e Abril e apóiase apenas nas letras "a" e "b" do mesmo Termo, sendo que a letra "a" (Os acionistas controladores da empresa Editora Atiça S A, são Abril S A e Havas S A, desde a aquisição da participação em 1999) relata fatos que nada têm de ilegal e que não têm relação de causalidade com o lançamento, ao passo que a letra "b" (A empresa Serra das Araras Participações Ltda., foi constituída em 1999 única e exclusivamente para registrar as aquisições das participações societárias das Empresas Atica e Scipione) menciona uma suposta finalidade única e exclusiva que Fl. 10519DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 10 10 não corresponde à realidade, pois as razões para a utilização da "holding" já foram relatadas, sendo o procedimento absolutamente lícito e legal; 22.14 os investidores, Abril e Havas, poderiam incorporar a Scipione ou serem por ela incorporadas e amortizar o ágio, independentemente da existência de empresa intermediária, cuja criação ocorreu antes do próprio registro do ágio; da mesma forma, a Serra das Araras poderia incorporar a Scipione ou ser por ela incorporada e, independentemente de qualquer ato ou fato, amortizar o ágio; 22.15 foram cumpridos os únicos requisitos para a amortização do ágio, quais sejam,incorporação da investidora pela investida ou viceversa, pois o fundamento para o pagamento do ágio não foi contestado pela fiscalização; 22.16 as operações não foram simuladas e tampouco criadas para gerar maiores vantagens fiscais, pois o ágio existiria com ou sem veículo de investimento entre investidoras e investida; 22.17 não cabe a aplicação do Parecer Normativo CST n.° 46/87, mencionado no Termo de Verificação, senão pelas razões já expostas, também porque não se tratam de operações realizadas freqüentemente entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo; 22.18 em nada acrescenta a fundamentação do lançamento de IRPJ (artigos 247, 249, inciso I , 251 e parágrafo único e 229 do RIR/99), uma vez que as normas legais indicadas tratam da determinação do lucro real, da obrigatoriedade de manutenção da escrituração com observância das leis comerciais e fiscais e da dedutibilidade das despesas pagas ou incorridas; 22.19 portanto, não há motivação no lançamento, a capitulação legal é inadequada, os fatos não se subsumem à norma e faltam provas, de forma que foram feridos os princípios da legalidade estrita, do contraditório e ampla defesa, previsto no artigo 5o , LV, da Constituição; 22.20 inexiste a apontada simulação (falsa aparência jurídica que se manifesta pela criação de ato jurídico que, de fato, não existe, e que corresponde a uma intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada pelas partes), pois todos os atos societários existem e de fato ocorreram, causando os efeitos jurídicos que lhes são próprios e tampouco se verifica a simulação relativa (dissimulação), já que inexiste o propósito disfarçado nas operações em tela; 22.21 a Lei Complementar n° 104/2001, que admitiu a utilização de interpretação econômica para fins de constituição do crédito tributário, é inaplicável até que venha a ser regulamentada; 22.22 também não se subsumem aos eventos a teoria do "abuso de direito" ou a teoria do "propósito negocial", pois: a) a necessidade (propósito comercial e negocial) está demonstrada; b) existindo o ágio pago pelos acionistas, estes poderiam incorporar a investida ou ser por ela incorporados e amortizar o ágio, independentemente de qualquer empresa intermediária; c) não foi demonstrado que o contribuinte se utilizou de formas jurídicas anormais, insólitas ou inadequadas com o único fim de obter vantagem fiscal, o que jamais poderia ter ocorrido, visto que a operação questionada pela fiscalização não é a incorporação, mas a própria utilização de empresa para investimento; Fl. 10520DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 11 11 22.23 não foi questionada a incorporação, de forma que a amortização do ágio é legal, nos termos da Lei n.° 9.532/97, art. 7o, inciso I I I , e art. 8o, alínea "b", e da IN SRF n.° 11/99. 23 No tocante à glosa de despesas financeiras desnecessárias (TV n.° 6) referente à matéria prima própria em poder de terceiros, emprestada "sem a cobrança de encargos financeiros", que foram calculados pela AFRF com base na taxa de juros dos contratos de mútuo entre o interessado e o terceiro (Ed. Ática), utilizando juros simples sobre as médias simples entre os saldos iniciais e finais de cada mês, de forma que a soma desses juros, R$ 1.548.820,04, que correspondem ao "montante dos encargos financeiros não repassados" ao terceiro diz a impugnante que: 23.1 a fiscalização entendeu que ocorreu redução indevida do lucro por não ter sido cobrado da Ática encargo financeiro sobre o empréstimo de matéria prima, de forma que este encargo, por não ter sido repassado à Ática em 2001, implicou na glosa de despesa financeira; 23.2 portanto, a motivação não esclarece efetivamente a causa do lançamento e nem o método de cálculo adotado; 23.3 se o lançamento se refere a encargo financeiro não repassado à Ática: a) por qual razão foi utilizada, sem previsão legal para isso, a média simples dos saldos mensais? b) não há relação entre a causa do lançamento e a capitulação legal adotada. 24 A impugnante diz, também, que apesar dessas deficiências, pois identificar a matéria tributável é requisito básico, percebeu que o lançamento não se refere a encargo financeiro não repassado à Ática, mas, sim, a despesas de juros pagos por ela à Ática, de forma que ausente ou confusa a motivação, somada à falta de causalidade entre o alegado e os valores tributáveis calculados, resta configurado o cerceamento do direito de defesa, o que enseja a declaração de nulidade do lançamento, pois foram feridos o art. 37 e os incisos L IV e LV do art. 5o da Constituição (devido processo legal, contraditório e ampla defesa). 25 Prossegue dizendo que a falta de causalidade entre o motivo do lançamento e a metodologia usada provoca a declaração de nulidade do lançamento, pois não há previsão legal para o método adotado, ainda que o lançamento se referisse a pagamento de juros por empréstimo tomado, caso em que a despesa com os juros considerados desnecessários deveria ter sido glosada. Ou seja: a quantificação do valor tributável está errada, em face do método de cálculo adotado. 26 Embora sem a certeza da motivação do lançamento, mas assumindo a suposição de que este se refere a despesa com os juros considerados desnecessários por ter emprestado à Ática matéria prima sem cobrar juros, a impugnante sustenta que suas despesas são legítimas, pois a regra geral é a de que os juros pagos ou incorridos são dedutíveis e a fiscalização não contestou: 26.1 o efetivo pagamento dos juros; 26.2 a natureza, necessidade e usualidade do empréstimo tomado junto à Ática; 26.3 a necessidade e usualidade do empréstimo de matéria prima à Ática; 26.4 o registro da despesa financeira na escrituração. Fl. 10521DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 12 12 27 A impugnante diz, ainda, que não existe vinculação entre os empréstimos, sendo que o empréstimo de papel é uma prática normal entre ambas as empresas (política administrativa), não existindo obrigação legal/para cobrar juros, ao passo que os empréstimos de recursos financeiros são normalmente acompanhados de juros, cabendo destacar que a fiscalização não examinou se a mutuante era devedora no mercado financeiro. 28 A impugnante conclui esta parte sustentando que não há provas (como datas e valores) da relação de causalidade entre a tomada (de empréstimo de recursos financeiros) e o repasse mutuado (do valor da matéria prima), como mostra o próprio razão anexo aos autos, além de faltar a alegação de existência "de qualquer identificação entre os empréstimos". Portanto, a despesa financeira é dedutível (arts. 299 e 374 do RIR/99), estando contabilizada (art. 251 do RIR/99), e a capitulação legal não suporta o lançamento. 29 A impugnante diz que a indedutibilidade da CSLL, na determinação do lucro real é ilegal e inconstitucional. 30 A impugnante contesta a multa agravada (150%) pois a fiscalização não trouxe elementos que suportassem a alegação de simulação e fraude, autuando por presunção não prevista em lei, sem qualquer indício do "evidente intuito de fraude" que sustentasse a multa agravada e a acusação de crime fiscal (art. 44, I I , da Lei n.° 9.430/96 e arts. 71 a 73 da Lei n.° 4.502/64), sendo certo que o "evidente intuito de fraude" não pode ser presumido e que a operação jamais poderia ser caracterizada como fraude, visto que: 30.1 os atos não foram praticados para adulterar ou mascarar a realidade; 30.2 a constituição e utilização da Serra das Araras sequer foram atos praticados pela impugnante ou por um mesmo grupo controlador. 31 Ainda que o caso fosse de dissimulação, prossegue a impugnante, não há penalidade a ser aplicada pois a Lei Complementar n.° 104/2001 não foi regulamentada e a fraude do art. 72 não é fraude à lei, conforme doutrina de Heleno Torres mencionada em jurisprudência administrativa que exonerou o agravamento da multa. 32 A impugnante contesta a legalidade e constitucionalidade da exigência de juros com base na taxa SELIC, com os argumentos de praxe. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP prolatou o Acórdão 1613.616 acolhendo parcialmente a impugnação em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 NULIDADE. PASSIVO FICTÍCIO. BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade suposto erro na determinação da base de cálculo, no caso, tomar o saldo da conta como base de cálculo, em lançamento de passivo fictício. Preliminar indeferida. Fl. 10522DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 13 13 GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade suposta falta de causalidade entre o motivo do lançamento e o método de cálculo, no caso, calcular a despesa financeira desnecessária tomando como base de cálculo os juros simples sobre as médias simples entre os saldos iniciais e finais de cada mês da matéria prima própria em poder de terceiros, emprestada sem a cobrança de encargos financeiros, sendo a taxa utilizada a dos contratos de mútuo entre o interessado e o terceiro. Preliminar indeferida. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS NÃO NECESSÁRIAS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A própria impugnação demonstra que o interessado compreendeu a infração que lhe foi imputada e como foi apurado o valor tributável. Preliminar indeferida. DILIGÊNCIA PARA JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. GLOSA DE DESPESAS. DIREITOS AUTORAIS. Indeferese o pedido, pois a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo posteriormente, exceto se demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou em razão de fato ou direito superveniente, ou que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A instância administrativa não se manifesta a respeito de suposta inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. PASSIVO FICTÍCIO. BASE DE CÁLCULO. SALDO DA CONTA. OBRIGAÇÕES PROVENIENTES DE PERÍODOS JÁ DECAÍDOS. INOCORRÊNCIA. A presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício tanto no caso de obrigação cuja existência não foi comprovada, como no de irregular manutenção no passivo decorre da lógica contábil de que tais procedimentos têm por objetivo impedir o surgimento de saldo credor de caixa. Portanto, o dever de comprovar a obrigação mantida no passivo em período não decaído permanece, mesmo tendo ela sido registrada em período já decaído, sob pena de não se poder aplicar a presunção legal ao passivo de longo prazo. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I R PJ Fl. 10523DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 14 14 Anocalendário: 2001 RECEITA NÃO CONTABILIZADA. MÚTUO DE MATÉRIA PRIMA. ATIVO DO MUTUANTE INFERIOR AO CORRETO. O saldo da conta "estoque em poder de terceiros" inferior ao correto, na ausência de prova em contrário, autoriza a presunção humana de que tal diferençaresulta de receita não contabilizada. Lançamento procedente. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. FORNECEDORES. Excluise do valor tributável a parcela comprovada por meio de documentos hábeis coincidentes em datas e valores. Lançamento procedente em parte. JUROS A PAGAR. "VENDOR". Excluise do valor tributável a parcela comprovada por meio de documentos hábeis coincidentes em datas e valores. Lançamento procedente em parte MATERIAL DE TERCEIROS. Mantémse o valor tributável, visto que a parcela comprovada de créditos por meio de documentos hábeis coincidentes em datas e valores não foi suficiente para justificar a existência de saldo credor nessa conta. Lançamento procedente. GLOSA DE CUSTOS. ERRO NA APROPRIAÇÃO DE CUSTOS EM 2000. AJUSTES DE ESTOQUES EM 2001. DÉBITO A DESPESA VEDADO PELA L E I DAS S/A. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO NO LALUR. O erro na apropriação de custos no anocalendário de 2000, detectado no ano seguinte que indevidamente onerou os estoques finais do anocalendário de 2000, diminuindo o CPV e aumentando o lucro na mesma proporção no mesmo ano calendário deve ter seus efeitos contábeis (ajustes) registrados pelo crédito ao estoque inicial de 2001, cuja contrapartida é débito à conta de Lucros Acumulados Ajustes de Exercícios Anteriores, nos termos da Lei das S/A, que veda expressamente que a retificação de erros de períodos anteriores transite por conta de resultado. Não há previsão legal para excluir tais ajustes no LALUR, em 2001, pois tais valores referemse ao ano anterior O procedimento tributário apropriado ao fato teria sido retificar a DIPJ do anocalendário de 2000, excluindo tais valores no LALUR e, se fosse o caso, pedir restituição e/ou compensação dos valores pagos a maior. Lançamento procedente. GLOSA DE DESPESAS. DIREITOS AUTORAIS. Excluise do valor tributável a parcela comprovada por meio de documentos hábeis coincidentes em datas e valores. Lançamento procedente em parte. Fl. 10524DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 15 15 GLOSA DE DESPESA NÃO NECESSÁRIA. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ABSORÇÃO DO ÁGIO PAGO NA AQUISIÇÃO DO SEU PRÓPRIO CONTROLE, POR MEIO DE ATOS SOCIETÁRIOS DIVERSOS SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Provada de forma indireta a existência de simulação na transferência do ágio para a própria empresa antes adquirida, por meio de atos societários posteriores sem qualquer propósito negocial, a despesa com a amortização do ágio é indedutível, por desnecessária, mantendose a multa qualificada (150%), em vista da conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade Fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conforme disposto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, configurando o evidente intuito de fraude à lei tributária. Lançamento procedente. GLOSA DE DESPESA FINANCEIRA NÃO NECESSÁRIA. JUROS DE MÚTUO FINANCEIRO OBTIDO DE TERCEIRO. MÚTUO GRACIOSO DE MATÉRIA PRIMA AO TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO. A obtenção de empréstimos financeiros junto a terceiro,obviamente onerosos, ao mesmo tempo em que há concessão de empréstimos de matéria prima a terceiro, graciosamente, evidencia a desnecessidade de parte das despesas financeiras, cuja exata dimensão é o valor dos juros simples contratuais dos mútuos aplicados sobre a média simples dos estoques iniciais e finais de cada mês de matéria prima emprestada ao terceiro. Lançamento procedente. AUTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFLNS. O voto referente ao IRPJ aplicase aos seus reflexos. Lançamento Procedente em Parte Utilizandose como referência os Termos de Verificação, como resultado do julgamento de primeira instância foi dado provimento parcial à exigência referente ao TV1 sendo que em relação aos fornecedores (valor tributável: R$ 1.212.514,70) foi entendido como demonstrado o valor de R$ 575.042,84; em relação ao financiamento (valor tributável: R$ 573.355,37) foi acatado o montante de R$ 93.925,86. No que se refere ao item material de terceiros (valor tributável: R$ 3.042.975,31), a exigência foi integralmente mantida. Também foi dado provimento parcial em relação à exigência mencionada no TV5 (valor tributável: R$ 5.186.168,54), glosa de despesas com direitos autorais, tendo sido considerada demonstrada a parcela de R$ 1.239.592,23. O restante do lançamento foi mantido. No que se refere à parcela exonerada, a primeira instância julgadora interpôs recurso de ofício. Quanto à exigência mantida, a interessada apresentou recurso voluntário suscitando, em preliminar, a nulidade da decisão de primeira instância que teria deixado de analisar provas trazidas aos autos ou não fez a contento. Fl. 10525DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 16 16 De resto, ratifica em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Posteriormente, com vistas a usufruir das condições de pagamento estabelecidas na Lei n° 11.941/2009, a interessada apresentou desistência parcial do recurso. O pedido abrangeu a integralidade da exigência referente aos Termos de Verificação n° 3 e 4; a parcela da exigência relativa ao Termo de Verificação n° 1 que foi mantida pela decisão de primeira instância e uma parte da exigência referente ao Termo de Verificação n° 5. Permanecem na lide a exigência integral contida nos Termos de Verificação n° 2 e 6 (glosa de despesas com ágio e glosa de despesas financeiras),a parcela da exigência relativa aos Termo de Verificação n° 1 e que foi exonerada pela decisão de primeira instância; e a parcela da exigência referente ao Termo de Verificação n° 5 não abrangida pela desistência. É o Relatório. Fl. 10526DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 17 17 Voto Vencido Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Após a decisão de primeira instância e o pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo restou para ser analisado: Em recurso de ofício, a extinção parcial da exigência referente aos Termos de Verificação 1 (saldo da conta fornecedores e financiamento) e 5 (despesas com direitos autorais). Em recurso voluntário, a exigência referente ao Termo de Verificação 2 (glosa de despesas com ágio), 5 (parcela mantida relativa a despesas com direitos autorais) e 6 (despesas financeiras). RECURSO DE OFÍCIO O provimento parcial acolhido pela decisão recorrida referiuse a um juízo de valoração probante sobre a documentação apresentada pelo sujeito passivo para justificar a omissão de receitas e a dedução de custos e despesas que foram glosadas pela autoridade lançadora. Pelo exame dos autos, constatase que a autoridade julgadora de primeira instância efetuou meticulosa e isenta análise dos documentos acostados, aceitando como demonstrados os valores que atenderam aos critérios objetivos por ela estabelecidos. Sob esse prisma, não há qualquer mácula que se possa imputar ao acórdão recorrido na parte em que acolheu as razões de defesa, motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Em questão preliminar, a interessada suscita a nulidade da decisão de primeira instância, que teria deixado de analisar razões de defesa e documentos ou o fez de forma perfunctória. Não posso concordar com tal argumento que se mostra ao nível do absurdo diante do trabalho da autoridade julgadora. Conforme mencionado quando da apreciação do recurso de ofício, a decisão questionada é irretocável em termos formais. O acórdão indica a realização de análise meticulosa das razões de defesa e da documentação trazida aos autos, com explicações claras e planilhas demonstrativas das razões pelas quais os argumentos de defesa foram ou não acatados. Por esse motivo, rejeito a preliminar suscitada. No mérito, seguindo a ordem dos Termos de Verificação temos: Fl. 10527DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 18 18 TV nº 2 Despesas Indedutíveis – amortização de ágio: O ágio considerado indedutível referese à aquisição da participação societária na interessada (Editora Scipione) pelas empresas Abril S/A, Havas S/A e Serra das Araras. A contestação da autoridade lançadora dirigiuse não a essa operação em si, mas às operações posteriores que implicaram na transferência do ágio para a interessada e a conseqüente dedução. São elas: a) o aumento do capital social da SERRA DAS ARARAS, mediante transferência, a seu patrimônio, pela HAVAS e ABRIL, da participação societária adquirida na Editora Scipione, a título de integralização de quotas (nesta subscrição de capital não foi pago qualquer ágio ou ganho, tendo sido as quotas subscritas sem ágio e a participação na Editora Scipione transferida ao preço de aquisição); b) o posterior aumento do capital social da JVHA, pela SERRA DAS ARARAS, mediante transferência, ao patrimônio daquela, da participação societária na Editora Scipione, a título de integralização de ações ( nesta subscrição de capital igualmente não foi pago qualquer ágio ou ganho, tendo sido as ações subscritas sem ágio e a participação na Editora Scipione transferida ao valor recebido da HAVAS e ABRIL); c) a cisão total da SERRA DAS ARARAS, com a versão de parte de seu patrimônio para a JVHA e, a outra parte do patrimônio, para a Editora Scipione, nela inclusa o ágio pago na aquisição de sua própria participação societária pela SERRA DAS ARARAS, ABRIL e HAVAS. No entendimento da Fiscalização, essas operações representaram atos simulados com o objetivo de transferir o ágio para a Editora Scipione para que essa faça a dedução do valor correspondente e reduza o resultado tributável. Em outras palavras, a Serra das Araras representaria o que se denomina “empresaveículo”, formalizada com o único propósito de “transportar” o ágio registrado na Havas e na Abril para a Editora Scipione. Na linha de defesa, a recorrente sustenta a regularidade da operação de aquisição da Editora Scipione (que gerou o ágio), apresentando razões mercadológicas que justificariam o procedimento. Quanto a esse ponto, registrese que a aquisição em si não foi objeto de questionamento pela Fiscalização. O que deve ser objeto de análise é o ágio registrado e a forma como foi transferido. Em relação às operações questionadas, sustenta a recorrente que a empresa Serra das Araras seria uma holding utilizada para possibilitar o investimento de pessoas jurídicas de grupos diferentes, dentre elas uma estrangeira. Nessa questão sou obrigado a concordar com a decisão recorrida no sentido de que a Serra das Araras não tem as características de uma holding. Uma holding ou sociedade gestora de participações sociais é uma empresa criada para gerir outra empresa ou grupo de empresas que geralmente não produz quaisquer bens ou serviços. Tratase de uma concentração de empresas na forma de uma sociedade financeira que tem como missão Fl. 10528DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 19 19 controlar coordenar e orientar todas as atividades porque possui uma parte geralmente significativa do capital social das filiais. A holding define e decide o caminho que o grupo deverá seguir delineando uma estratégia comum para todas empresas. A sua criação é habitualmente determinada por aspectos de racionalização e maior eficiência operacional e financeira. Como gestora do grupo cabelhe efetuar o planejamento financeiro administrativo e jurídico dos investimentos assim como gerir todas as atividades. A Serra das Araras teve existência apenas formal num curto período, onde não exerceu qualquer atividade de gestão ou controle estratégico. No que se refere à necessidade de um veículo de investimento para a empresa estrangeira é argumento que também não merece guarida, tendo em vista que a Editora Scipione já havia sido adquirida pela Havas (e também pela Abril) quando houve a transferência do controle para a Serra das Araras. Do até aqui exposto, não vislumbrei o evidente propósito e substrato negocial suscitado pela recorrente para justificar a utilização da empresa Serra das Araras como veículo de investimento nos termos mencionados na peça de defesa. Quanto à alegação de que a Editora Scipione poderia incorporar a Havas e a Abril, adotando a denominada incorporação às avessas ou reversa, caberia então perguntar à recorrente o porquê de não têlo feito. Considerando que, conforme exposto em momento anterior deste voto, não foi demonstrado o propósito negocial da operação nos termos arguidos pela recorrente, várias podem ser as razões para não ter procedido na forma suscitada. Entendo que a Serra das Araras foi sim utilizada como veículo, mas apenas no transporte do ágio para dentro da investida, permitindo a redução do resultado tributável pela dedução do valor correspondente, sem que tenha sido demonstrada a usualidade ou necessidade dessa operação para fins de dedução. O procedimento permitiu que a Editora Scipione apropriasse uma despesa a qual não deu causa tendo como conseqüência imediata a redução do resultado tributável no período. Em termos mediatos, poderia eventualmente implicar numa redução do ganho de capital quando da alienação da participação societária. Destarte, em resumo do meu voto, entendo que não foi demonstrado qualquer propósito negocial que justificasse as operações sob análise caracterizando um abuso de forma jurídica, motivo pelo qual é inaceitável o impacto tributário daí decorrente qual seja, a dedução pela Editora Scipione do valor referente ao ágio. Em relação à ocorrência de simulação a ausência de propósito negocial na transação sob exame levame à concordar apenas em parte com a da decisão recorrida, no sentido de que a Serra das Araras Participações Ltda era uma sociedade empresária de existência meramente formal, conceituada no Parecer de fls. 8767/8858 como empresa de "prateleira", apresentandose como uma terceira interposta dos controladores efetivos (Abril e Havas). Por outro lado, duas circunstâncias são relevantes para o deslinde da questão. A primeira delas é que a existência e o registro do ágio não foram questionados pela Fiscalização. Penso que a legitimação da operação que gerou o ágio Fl. 10529DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 20 20 enfraquece a acusação fiscal quanto á ocorrência da simulação. Não se pode afirmar que o ágio tenha sido “fabricado”, ou seja, em essência a despesa por ele gerada tem uma justificativa. A segunda circunstância é o fato de que a operação de “transporte” do ágio para a controlada, ainda que inaceitável quanto às conseqüências tributárias da dedutibilidade, teve como escopo justamente aquilo que foi realizado: a transferência do ágio para redução do resultado tributável . Não ficou demonstrado qualquer objetivo diverso daquele refletido pela operação. Pelo exposto, entendo pela inocorrência da simulação motivo pelo qual voto por reduzir a multa ao percentual de 75%. TV nº 5 – Despesas com direitos autorais: O valor tributável referente a esse item foi de R$ 5.186.168,54; sendo R$ 3.960.218,75 relativos a pagamentos feitos a pessoas jurídicas e R$ 1.225.949,79 correspondentes a pagamentos realizados a pessoas físicas. A decisão de primeira instância acatou parte das razões de defesa apresentadas na impugnação e cancelou o valor tributável de R$ 528.408,06 referentes às despesas com pessoas jurídicas e R$ 711.184,17 relativos às pessoas físicas. Esse cancelamento foi objeto de recurso de ofício analisado em momento anterior deste voto. Permaneceu o valor tributável de R$ 3.946.576,31; sendo R$ 3.431.810,69 concernentes às despesas com pessoas jurídicas e R$ 514.765,62 com pessoas físicas. Após o recurso voluntário, a interessada apresentou petição de desistência parcial nos valores que, em relação a esse item, foram identificados na tabela reproduzida no final deste voto. A desistência referente às despesas com pessoas jurídicas corresponde ao montante de R$ 1.763.648,50 ( 46.232,14 + 49.477,72 + 58.677,91 + 67.285,32 + 80.723,10 + 93.693,31 + 60.113,27 + 1.123.006,04 + 46.185,28 + 46.185,28 + 92.069,13). Em relação à despesas com pessoas físicas, a desistência monta a R$ 136.344,38 (47.605,66 + 47.605,67 + 41.133,05). Assim, do valor tributável de R$ 3.946.576,31; fica definitivamente constituída a exigência sobre R$ 1.899.992,88 (1.763.648,50 + 136.344,38). Remanesce o litígio sobre o montante de R$ 2.046.583,43 (sendo R$ 1.668.162,19, relativos a pessoas jurídicas e R$ 378.421,24 referentes a pessoas físicas). Analisando a documentação trazida aos autos com as peças de defesa, sob a ótica dos critérios utilizados pela decisão recorrida entendo como demonstrados os valores referentes às despesas com pessoas jurídicas. Como comprovante de pagamento, foi aceito o borderô de autorização para pagamento acompanhado do extrato bancário com a compensação do cheque no valor informado na escrituração. Também foi acatada a declaração do beneficiário informando o recebimento do valor, em substituição à nota fiscal. Sob esses critérios, entendi como demonstrados todos os valores ainda em litígio (R$ 1.668.162,19) referentes aos pagamentos realizados a pessoas jurídicas. Fl. 10530DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 21 21 No que se refere aos pagamentos a pessoas físicas, mantenho a exigência sobre o valor de: R$ 123.694,29; supostamente pago a Maria Auxiliadora M. dos Santos Schimidt , por não ter encontrado o comprovante de pagamento a ele referente e: R$ 41.133,05; pagos a Armando Coelho de Carvalho Neto, tendo em vista que a Fiscalização informou tratarse de valor referente ao anocalendário anterior, o que não foi contestado pela defesa. Do exposto, em relação ao valor sob discussão (R$ 2.046.583,43), fica excluída da exigência a parcela de R$ 1.881.756,09 ( 1.668.162,19 + 213.583,90) e mantido o lançamento sobre R$ 164.827,34. Em resumo, temse: Valor Tributável após decisão de primeira instância (I).................................R$ 3.946.576,31 Valor Tributável objeto da desistência (II).....................................................R$ 1.899.992,88 Valor Tributável sob discussão no recurso (III) = (I) (II). .......................... R$ 2.046.583,43 Valor acatado neste julgamento (IV)..............................................................R$ 1.881.756,09 Valor tributável remanescente (II) + [(III) – (IV)]..........................................R$ 2.064.820,22 TV nº 6 – Despesas financeiras: O Termo de Verificação descreve a irregularidade da seguinte forma (todos os destaques foram acrescidos): O contribuinte acima identificado repassou mediante empréstimo a Editora Atica S A, matérias primas de seu estoque, as quais foram contabilizados na conta 113.01.03 MATÉRIA PRIMA N/PROPRIEDADE EM PODER DE TERCEIROS, sem a cobrança de encargos financeiros. O entendimento normal da descrição implica em considerar que a fiscalizada dispunha de um crédito junto à Editora Ática decorrente do empréstimo de matérias primas, em relação ao qual o Fisco entendeu que deveriam ser cobrados encargos financeiros. Ainda sob a ótica do entendimento normal da descrição, os mencionados encargos representariam para o detentor do crédito – a interessada – receitas financeiras que não foram contabilizadas. Teríamos assim a ocorrência de omissão de receitas. Em seguida, o Termo de Verificação explica o critério para o cálculo dos encargos não repassados, registrando que utilizou a mesma taxa de cobrança dos encargos referentes ao mútuo entre as duas empresas sendo que, nesse caso, a interessada é a mutuária e os encargos são despesas por ela incorridas: Para fins de determinar o montante dos encargos financeiros não repassados, utilizamos a mesma taxa para cobrança de encargos financeiros do contrato de mutuo mantido entre a Fl. 10531DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 22 22 Editora Scipione e a Editora Atica, os quais, foram calculados pelo método de calculo de juros simples. Os saldos mensais para determinar o montante de encargos são determinados pela media mensal simples, ou seja, somamse os saldos iniciais e finais de cada mês e dividise por 2 Para encerrar a descrição dos fatos, a autoridade lançadora confirma que os encargos em questão são aqueles que deveriam ter sido cobrados da Editora Ática: Em decorrência do narrado acima, ocorreu redução indevida do lucro real e da base de calculo da contribuição social sobre o lucro, por não ter sido cobrado da Editora Atica o encargo financeiro sobre o empréstimo de matéria prima. A conclusão mais lógica que se pode obter da descrição vai no sentido de que a autoridade fiscal sustenta a necessidade de se reconhecer um valor de receita financeira sobre o direito que a interessada tem junto com a Editora Ática, sob os mesmos critérios que contabilizou despesas financeiras relativas ao mútuo (como mutuária) junto a essa mesma empresa. Entretanto, no enquadramento legal a Fiscalização menciona dispositivos referentes à definição de despesas operacionais e às condições de dedutibilidade. Conclui o procedimento afirmando: Pelo exposto, podemos inferir, que os encargos financeiros, não repassados a Editora Atica no ano calendário de 2001, para fins de apuração do lucro real, traduzem em GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS, face sua desnecessidade para manutenção da fonte produtora. Perguntase: O que foi efetivamente tributado? Sobre essa questão, a decisão recorrida assim se manifesta: (........) O Termo dá conta de que a impugnante tomava empréstimos de dinheiro do terceiro a quem emprestava matéria prima, sem nada cobrar por isso e/ou sem deduzir qualquer quantia dos juros a pagar a esse terceiro. Ou seja: a impugnante arcava com um ônus de juros visivelmente desnecessários, por mera liberalidade para com a empresa coirmã. (......) Parece então, a partir do esclarecimento prestado pela autoridade julgadora de primeira instância, que a matéria tributada referese à glosa dos encargos que incidiram sobre o mútuo, ou seja, se a interessada não reconhece a receita financeira que deveria ser cobrada pelo empréstimo de matéria prima è Editora Ática , a despesa financeira sobre o mútuo junto a essa mesma empresa representaria mera liberalidade. Sendo assim, verificase que a descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal não condiz com a matéria tributada o que se constitui em vício insanável do procedimento, seja no aspecto formal pela desobediência ao inciso III, do art. 10, do Decreto nº Fl. 10532DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 23 23 70.235/72; seja pelo grave prejuízo à ampla defesa em função da dificuldade do sujeito passivo em entender aquilo que lhe é exigido. Do exposto, meu voto é por reconhecer a nulidade do procedimento quanto a esse item. Ainda que tal questão fosse superada, em termos meritórios o lançamento não mereceria sorte melhor. A glosa dos encargos sobre o mútuo sob o argumento de se constituir em liberalidade foi decorrência de uma análise indireta, fruto do não reconhecimento de receitas financeiras que deveriam incidir sobre o crédito em matérias primas. Em outras palavras, o contrato de mútuo que gerou a despesa glosada sequer foi objeto de questionamento pelo Fisco quanto ao preenchimento dos requisitos de dedutibilidade. Não houve uma avaliação das características do contrato em si que justificasse a desconsideração dos encargos. Destarte, reitero o posicionamento no sentido de que a autuação não pode prosperar neste item. Outras questões: A solicitação para exclusão do IRPJ da base de cálculo da CSLL não pode prosperar pela ausência de previsão legal. Em relação aos juros de mora, a utilização da taxa SELIC como indexador é questão resolvida e sumulada (Súmula CARF nº 4) neste Colegiado. Quanto à argumentação referente à dedução do PIS e da Cofins da base de cálculo do IRPJ e da CSLL é matéria que não foi suscitada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo neste momento processual. Caso seja vencido quanto à preclusão entendo que assiste razão ao sujeito passivo. TABELA – DESISTÊNCIA REFERENTE ÀS DESPESAS COM DIREITOS AUTORAIS Fl. 10533DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 24 24 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 10534DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 25 25 Voto Vencedor Conselheiro CARLOS PELÁ Durante os debates deste caso, ousei divergir do I. Relator por entender que estavam justificadas as exigências necessárias para a dedução das despesas de amortização de ágio pago na aquisição do investimento. Direito à amortização do ágio pago na aquisição do investimento Contanos o Termo de Verificação Fiscal que a empresa Serra das Araras foi constituída para registrar as aquisições das participações das empresas Editora Ática e Editora Scipione (esta última a Recorrente neste processo). Aponta que as operações foram realizadas para registrar o aporte de ativos (participações societárias na Ática e Scipione), efetuado pelas empresas Abril e Havas, com a finalidade exclusiva de efetuar a incorporação no ano seguinte, e, por conseguinte, amortizar o ágio pago na aquisição da Ática e Scipione, reduzindo assim o resultado tributável de ambas. Não houve qualquer questionamento quanto à efetiva aquisição das empresas Ática e Scipione, que eram detidas por. Da mesma forma, não houve qualquer questionamento no que tange à existência do ágio pago, a grandeza e a natureza desse ágio, bem como a forma de sua amortização na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da Recorrente. Vale dizer, não se contesta que houve uma compra e venda entre partes nãorelacionadas, com pagamento de valor que supera aquele registrado no patrimônio líquido. Também é fato incontroverso que o ágio, cuja natureza apontada é de rentabilidade futura, foi amortizado respeitando a limitação legal de 1/60 avos pela Recorrente após a incorporação da Serra das Araras. Diante dessa situação, entendo que deve ser afastada a existência da alegada simulação ou dissimulação por parte da Recorrente, quer pelo fato de que as operações foram efetivamente praticadas (compra e venda de Ática e Scipione por terceiros e posterior incorporação da empresa que registrou o investimento pelas investidas), quer pelo fato de que o ordenamento jurídico não veda a utilização de empresas veículo, mormente na situação em que se faz necessária, no âmbito societário, ou pelo menos aconselhável, a utilização de holding para agrupar e controlar investimentos de empresas não relacionadas. A utilização de empresa veículo, apesar de não vedada no ordenamento jurídico, enseja, sem sombra de dúvidas, a manutenção do lançamento, quando ela é utilizada para simular uma associação encobrindo uma compra e venda de um negócio, a fim de evitar o pagamento do ganho de capital pelo vendedor. Nada mais óbvio, o ganho deve ser tributado. Assim dispõe a legislação de regência. Totalmente diferente é o efeito causado pelo ganho de capital antes efetivamente apurado. Se o vendedor apura ganho de capital e em contrapartida isso representa ágio para os compradores, esses têm o direito, assegurado por lei, de amortizar esse ágio. Nessa medida, a existência de empresa veículo não muda esse direito. Ainda que existissem diversas empresas veículo, de existência efêmera, o que não é o caso, o direito permaneceria inalterado. E por quê? Porque não se tratam de dois sócios (simulados), em que na verdade um é comprador e outro vendedor, mas sim de um momento posterior à compra e venda, que se deu Fl. 10535DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 26 26 de forma efetiva, entre partes nãorelacionadas. Ou seja, a própria investida pode amortizar o ágio pago na sua aquisição em face do lucro gerado por suas atividades, bastando para tanto a incorporação reversa, prevista em lei. Diferentemente do caso em que se utiliza “empresa veículo” para deixar de tributar o ganho de capital, na amortização do ágio o que importa é que se verifique o ágio e que a sua natureza seja de rentabilidade futura; tenha ocorrido uma alienação efetiva, com mais valia apurada, cuja natureza é de rentabilidade futura e que, no caso da amortização pela própria investida, ela seja de fato a empresa adquirida e amortize o ágio existente à razão de 1/60 avos para efeito do cálculo da tributação de sua atividade. No presente processo, a existência ou não de empresa veículo não influencia em nada o direito à amortização do ágio pago pelas investidoras. O ágio seria amortizável de qualquer forma, considerando o investimento de Abril e Havas por Serra das Araras Quanto ao direito à amortização do ágio, o artigo 386 do RIR/99 dispõe que: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): Fl. 10536DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 27 27 I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 4º). § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 5º). § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no § 2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Como se vê, a legislação pertinente assegura à pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, o direito de amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo 385 do RIR, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração, inclusive quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. No presente caso, verifico que Abril S/A e Havas S/A, por meio da empresa Serra das Araras, adquiriram a empresa Editora Scipione de terceiros, com o pagamento de Fl. 10537DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 28 28 ágio. Houve cisão, com posterior incorporação da investidora pelas suas investidas, consoante admite a legislação de regência. Em tais fatos não verifico nenhum impedimento à dedutibilidade das despesas incorridas com o ágio pago. Por oportuno, é interessante mencionar que a mesma operação (relacionada à Editora Ática) já fora objeto de avaliação por esse Conselho, à época por sua 1ª Câmara, em processo em que se julgou o direito à amortização do ágio pago na aquisição da Editora Ática, em que foi reconhecido o direito a tal amortização. Eis a ementa do aludido julgado, objeto do Acórdão n° 10197027: Ementa: (...) DEDUÇÃO DE ÁGIO INCORPORAÇÃO — Conforme artigo 386 do R1R199, a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo determina do art. 385 do RIR, poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2° do Artigo 385 do RIR, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Assim, se a contribuinte avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e indicar, por meio de documentação hábil, o custo do investimento e o valor do ágio pago, bem como o fundamento econômico, relativo ao valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, fará jus à aludida amortização do ágio. (...) Inúmeros foram os casos de ágio recentemente julgados pelo CARF. Tais julgamentos avaliaram operações diversas, nos mais peculiares aspectos. A Recorrente, em memoriais apresentados por ocasião do julgamento deste caso, apresenta uma interessante relação dos casos julgados e suas semelhanças e diferenças entre eles e este caso. Vários daqueles acórdãos julgaram operações que guardam semelhança com o que discutimos nestes autos. No acórdão 110100.354, ao apreciar a questão, a 1ª Turma Ordinária da lª Câmara da Primeira Seção de Julgamentos do CARF entendeu legítima a dedução do ágio pago na aquisição de investimentos, independentemente da utilização de empresa veículo: “AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO — DEDUTIBILIDADE — A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, absorver patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes h. apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos no máximo, para cada Ines do período de apuração. (arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97).” Fl. 10538DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 29 29 Sobre esse aspecto, peça vênia para transcrever trecho da declaração de voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa: “(...) o ágio pago na aquisição de investimentos que pode ser amortizado. Referese o art. 7° da Lei n° 9.532/97 ao ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e este, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio liquido na época da aquisição. Assim, se houver uma efetiva aquisição, e o patrimônio liquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida, ou viceversa (art. 8°, alínea "h" da Lei n° 9.532/97). (...)” No referido acórdão, considerouse determinante para a amortização do ágio: (i) a efetiva aquisição por terceiros, (ii) a incorporação da investidora pela investida ou vice versa, buscandose apenas a existência do ágio na sua origem, independentemente dos veículos de investimento necessários à aquisição ou organização do investimento, (iii) a fundamentação do ágio em expectativa de rentabilidade futura, e (iv) a amortização do ágio nos limites da Lei. Nesse sentido, peço vênia novamente para citar trechos da declaração de voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, no qual se verifica a preocupação acerca da existência de ágio cuja natureza seja de rentabilidade futura, na origem do negócio, ainda que haja posterior transferência da participação para empresa controlada pelos adquirentes. Até porque, se o ágio existe na origem, e nesse aspecto não há questionamento, o direito à sua amortização pela própria investida, em caso de incorporação reversa, é conseqüência da aplicação da lei. Leiase o citado trecho: “(...) Aqui, porém, a autoridade lançadora entendeu que houve formação de ágio na criação da TBH S/A, cujo capital foi integralizado mediante conferencia das ações (mantidas pelos antigos acionistas) da CRT, o qual não estava devidamente fundamentado em rentabilidade futura, a inviabilizar a dedução parcial dos valores contabilizados pela autuada. No entanto, há evidências de formação de ágio na aquisição original da CRT por aqueles acionistas, aquisição esta que se deu em razão da privatização daquela empresa, cujo Edital estipularia preço inicial fundamentado em rentabilidade futura. Assim, no suposto de que sejam verdadeiras estas alegações contidas em recurso voluntário — até porque sua confirmação não se justifica ante o resultado do julgamento favorável à autuada, pelas razões expostas pelo I. Relator José Ricardo da Fl. 10539DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 30 30 Silva — o ágio transferido até o momento em que se verificou o evento previsto no art. 7° da Lei n° 9.532/97 teria fundamento, sim, em rentabilidade futura, não havendo motivo para acolher o recurso de oficio decorrente da exoneração desta exigência.(...)” Em outro caso, essa própria câmara, no Acórdão nº 140200.802, em que também houve o reconhecimento do direito à amortização do ágio pago na aquisição de investimento, também foram averiguados os requisitos para o reconhecimento do direito à amortização do ágio, tais como: o efetivo pagamento do preço, a aquisição do investimento entre partes não ligadas, a amortização do ágio na pessoa jurídica que produziu os lucros futuros (ágio x lucro) e a fundamentação do ágio na expectativa de rentabilidade futura. Eis a ementa do mencionado Acórdão: “(...) AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO SOCIETÁRIA. PREMISSAS. As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o., inciso III, e 8o. da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nesse contexto não há espaço para a dedutibilidade do chamado “ágio de si mesmo”, cuja amortização é vedada para fins fiscais, sendo que no caso em questão essa prática não ocorreu. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.” Não diverge desse posicionamento o adotado pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, também ao julgar o direito à amortização do ágio, Acórdão nº 1301000.711: “Ementa: SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância Fl. 10540DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 31 31 entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO — ARTIGOS 7º E 8° DA LEI N° 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO — INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto n° 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, mediante a utilização de empresa veiculo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veiculo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. ABUSO DE DIREITO A figura de "abuso de direito" pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio.” Nesse último caso, especificamente, é possível se verificar que houve a apreciação de acusação de simulação por parte do contribuinte nas operações que levaram à amortização do ágio pago. Sobre esse aspecto, assim se pronunciou o relator do caso: “(...) Para que se configure a simulação, é imprescindível, comprovadamente, um descompasso entre a intentio facti e o intentio júris, sem os quais, não se pode falar em simulação, eis que a simulação pressupõe operação que não existe, falseiase a realidade do que efetivamente ocorreu, ou seja, ocorre a desconformidade consciente e querida da declaração com a vontade, mas é preordenada com a parte à qual a declaração se dirige e acordado com ela, a fim de enganar terceiros. In casu, os fatos ocorridos não foram fingidos nem simulados e tampouco dissimularam outro fato. Todas as circunstâncias Micas levantadas no auto de infração realmente aconteceram na realidade negocial e não tiveram o objetivo de encobrir outros fatos. Não se pode deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formadas como negócios simulados, com fraude à lei ou com dolo que causem prejuízo ao Erário Público. Fl. 10541DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 32 32 Bem assim, não pode se negar que os contribuintes utilizam formas simuladas para esconder dolosamente fatos geradores. Contudo, não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legitimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo no ordenamento jurídico vigente e qualificálas como simuladas.” Dessa forma, entendo que neste caso os requisitos para a amortização do ágio foram preenchidos e sequer foram questionados pela autoridade fiscal no momento do lançamento. Se pudermos resumir as razões que levaram o colegiado a decidir pela regularidade da operação, podemos afirmar que: • Não havia dúvida sobre a existência efetiva da operação de compra e venda e do preço pago; • Os detentores da Scipione não eram, de qualquer forma, relacionados com a Serra das Araras, a Abril ou a Havas; • O ágio foi pago em razão de rentabilidade futura; • A fiscalização não contestou que a amortização só se deu após a incorporação da Serra das Araras pela Recorrente na proporção do seu investimento e que observou os limites legais; • A legislação permite a incorporação da empresa que registra o investimento pela investida para fins de amortização do ágio pago; e • há justificativa para a utilização de uma holding. Sobre esse último aspecto, a relator na DRJ colacionou em seu voto diversas matérias veiculadas na imprensa que noticiaram a parceria entre as empresas Havas e Abril para a aquisição das Editoras Ática e Scipione. Diante disso, sempre restou às claras que se tratou de aquisição, em última instância, de duas empresas por duas outras empresas não relacionadas – Abril e Havas (Vivendi), por meio de holding de um novo negócio pertencente a terceiros não relacionados, vendedores das empresas Ática e Scipione. Além disso, comprovou a Recorrente que dentre os antigos sócios da empresa adquirida havia um interdito, de maneira que a constituição de empresa em que Abril e Havas tivessem participação societária igualitária, para controlar as empresas adquiridas, teve também por fim evitar que uma ou outra, em conjunto com o interdito (obviamente por meio de seu representante legal), deliberasse em prejuízo da outra. Nessa esteira, a câmara divergiu do nobre Relator no que tange à glosa de despesas de amortização do ágio em razão da utilização da empresa Serra das Araras e sua posterior incorporação. De mais a mais, a operação que gerou o ágio, apesar de possuir sócio brasileiro e estrangeiro, nãorelacionados, foi toda efetuada no Brasil. Fl. 10542DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 33 33 Os elementos aludidos acima estão evidenciados pelos fatos provados no processo, especialmente aqueles que demonstram que a operação de aquisição de fato existiu, foi pago o preço com ágio, houve o correto registro do ágio e, posteriormente, houve a cisão parcial com incorporação da investidora pela investida. Também restou justificada a utilização de empresa veículo dada a peculiaridade do caso, inclusive em razão da existência de interdito no quadro societário das empresas adquiridas. Por fim, a utilização de empresa veículo em nada alterou o direito à amortização do ágio pago pelos investidores. Com base nesses fundamentos é que o entendimento majoritário da Câmara foi no sentido de entender legítimo o aproveitamento do ágio e, portanto, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento da exigência nesse ponto. Da preclusão do direito à dedutibilidade do PIS e COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL Nesse ponto, o cerne do embate é determinar se houve, ou não, como entendeu o relator, a preclusão do direito de suscitar a dedutibilidade do PIS e COFINS das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Com a devida vênia, entendo que não. Com efeito, inúmeros são os julgados do CARF no sentido de que a avaliação de eventual preclusão do direito de defesa deve ser em relação ao item de autuação e não ao argumento em si. Assim, penso que tendo o contribuinte contestado o item de autuação desde a Impugnação, inclusive quanto ao PIS e COFINS, independentemente da abrangência dos fundamentos de tal contestação, não há que se falar de preclusão. Com a devida vênia, a preclusão se refere ao item do lançamento e não aos fundamentos de defesa, mormente em razão da necessária observância do direito ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, tudo isso aliado à busca da verdade material, peculiar ao processo administrativo. Logo, contestada a infração, a matéria deve ser considerada impugnada e afastados os efeitos da preclusão. Assim já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA IMPUGNADA. A preclusão de que trata o art. 17 do Decreto n. 70.235/72 deve ser aplicada apenas nas hipóteses em que o contribuinte deixa de contestar a própria tributação (ou melhor, infração) em impugnação e pretende fazêlo apenas via recurso ordinário (voluntário). ‘Matéria não impugnada’ significa, em outros termos, ‘exigência/infração não contestada’: e é apenas essa a falta que não inicia o contencioso administrativo. A contrario sensu, impugnada a exigência, iniciado está o contencioso administrativo, no qual devem ser apreciados todos os argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte em quaisquer de suas instâncias, ainda que não tenham sido suscitados originariamente em impugnação. A preclusão em referência não atinge os ‘fundamentos de defesa’, mas sim a ‘defesa’ contra determinada exigência ou infração legislação tributária caso esta não tenha sido feita em primeira instância administrativa, Tratase de aplicação dos princípios da instrumentalidade das formas e do formalismo moderado que Fl. 10543DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 34 34 informam o procedimento administrativo fiscal.” (Acórdão nº 910100.514, sessão de 26/01/2010). A esse respeito, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López (in NEDER, Marcos Vinicius; Martínez López, Maria Teresa. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010., p. 8283) defendem que o instituto da preclusão não deve ser levado às últimas consequências, mormente em detrimento do interesse da própria Administração Pública e de seu dever de controlar a legalidade dos atos administrativos. Reproduzo, novamente, julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. Conforme precedentes desta Corte, o processo administrativo fiscal visa primordialmente ao controle de legalidade dos atos da Administração, pelo que as normas relativas à preclusão devem ser interpretadas com menos rigor, especialmente aquelas relacionadas às fases postulatória e instrutória do procedimento. Nessa linha, não restam preclusas questões jurídicas invocadas pelo contribuinte apenas em sede de recurso voluntário quando este contesta a tributação em sede de impugnação, ainda que por outros fundamentos. Recurso especial provido apenas para determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para apreciação das razões recursais não conhecidas sob o fundamento de preclusão.” (Acórdão nº 910100.525 — sessão de 26 de janeiro de 2010) “NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO Caracterizado nos autos que o contribuinte pleiteou indiretamente a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC em sua peça exordial, incluindoos no demonstrativo de cálculo do valor do ressarcimento, não há que se considerar inovador o pedido na fase recursal. A informalidade moderada é mais adequada ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta a busca da verdade real, que é a base de todo o sistema. Recurso negado.” (Acórdão nº: CSRF/0201.100, sessão de 22 de janeiro de 2002). Ademais, especificamente quanto ao argumento acolhido para exclusão do PIS e COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mister consignar que este foi argüido pela Recorrente em seu Recurso voluntário, ora julgado. Não houve qualquer acolhimento de ofício do referido argumento. Destarte, entendo que deve ser afastada a preclusão suscitada pelo I. Relator quanto ao argumento do direito à dedução do PIS e COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 10544DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 35 35 Posto isso, ouso divergir do posicionamento firmado pelo Ilustríssimo Relator e voto por rejeitar a argüição de preclusão suscitada de ofício em relação à dedução do PIS e da Cofins na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com o aproveitamento do ágio. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 10545DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 19515.002021/200519 Acórdão n.º 1402001.077 S1C4T2 Fl. 36 36 Declaração de Voto Fl. 10546DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 10/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por CARLOS PELA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002830/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITOS. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte, que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 1301-000.862
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2010 SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITOS. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte, que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Verificase que por meio do Ato Declaratório Executivo de folha 15, a recorrente foi excluída do SIMPLES Nacional “em virtude de possuir débitos daquele regime especial, com exigibilidade não suspensa”. Cientificada da exclusão (fl. 22), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01 – 12), alegando em síntese que deseja quitar seus débitos, no entanto, somente pode fazêlo mediante parcelamento ordinário previsto na Lei nº 10.522/2002, defendendo que a vedação ao parcelamento não encontra respaldo legal e não se afigura razoável, pugnando pelo deferimento de prazo razoável para efetivar o parcelamento dos seus débitos. A 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 26 a 29, indeferiu a solicitação da recorrente, observando primeiramente que o presente processo versa apenas a exclusão do SIMPLES levada a efeito contra a ora recorrente por meio do Ato Declaratório Executivo de folha 15, não se cuidando da cobrança de qualquer débito. Assim verificado, destacou a decisão recorrida não ser de competência daquela DRJ manifestarse acerca do pedido de parcelamento, porquanto tal mister competiria à unidade da RFB do domicílio fiscal da recorrente, assentando, a despeito disso, que não haveria previsão legal que permitisse o parcelamento de débito apurado no regime do SIMPLES. No mais, assentou que a exclusão levada a efeito baseouse na existência de débitos sem exigibilidade suspensa, incidindo assim, na vedação contida no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006 e verificando a consulta aos débitos da recorrente, encartada na folha 25, mantevese a citada exclusão. Devidamente cientificada da decisão desfavorável (fl. 31) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 32 – 50), reiterando que deseja quitar seus débitos mediante parcelamento ordinário e novamente pugnando lhe seja oportunizado prazo razoável para aderir ao parcelamento. É o relatório. Voto Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 11543.002830/201031 Acórdão n.º 130100.862 S1C3T1 Fl. 2 3 Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Observase que o inconformismo da recorrente se dirige unicamente ao fato de a decisão recorrida não lhe ter oportunizado o parcelamento dos débitos na forma prevista na Lei nº 10.522/2002. Não houve, portanto, qualquer refutação acerca da constatação da existência do fato impeditivo da opção pelo SIMPLES Nacional. Ausentes quaisquer alegações no sentido de refutar materialmente a situação que redundou em sua exclusão do regime simplificado, e constada a existência dos débitos, prevalece a decisão recorrida na medida em que observou rigorosamente aquilo que disposto no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, dispositivo consagrador que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que tiverem débito, sem exigibilidade suspensa, perante a Receita Federal do Brasil, confirase, in verbis: Artigo 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Por outro lado, andou bem a decisão recorrida ao afirmar que nesta sede, tratandose apenas da exclusão do SIMPLES, não compete apreciação acerca de eventual pedido de parcelamento, motivo pelo qual, constatando a existência dos débitos, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário e manter inalterada a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 16 de março de 2012. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
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Numero do processo: 13609.900252/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano calendário:2003
Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE.
Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade deve-se permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo
na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização.
Numero da decisão: 1401-000.736
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário:2003 Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade deve-se permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização.
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SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900252/200807 Acórdão n.º 1401000.736 S1C4T1 Fl. 118 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, João Carlos de Figueiredo Neto e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900252/200807 Acórdão n.º 1401000.736 S1C4T1 Fl. 119 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0223.051, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteMG. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 757724411 emitido eletronicamente em 24/04/2008 (fl. 10), referente ao PER/DCOMP nº 41563.17987.150404.1.3.048649 (fls. 01/05). DO DESPACHO DECISÓRIO O Despacho Decisório proferido pela DRF Sete Lagoas não homologou a compensação declarada, nos seguintes termos: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 50.100,79. A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida em 15/04/2004 com o objetivo de compensar o débito código receita: 58561 COFINS – Não cumulativa, do mês de março de 2004, vencimento em 15/04/2004, no valor de R$ 54.834,28 (fl. 05), com crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, data de arrecadação 30/01/2004 (fl. 02). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, em 06 de maio de 2008 (fl. 11), protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 13/21, documentação de fls. 22/42 e 55/104, com as argumentações a seguir sintetizadas: apurou crédito relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou ressarcimento. Solicitou à SRF a compensaçaão de tais valores por meio de PER/DCOMP, no valor de R$51.834,28, nos termos da Instrução Normativa nº 414, de 30 de março de 2004. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900252/200807 Acórdão n.º 1401000.736 S1C4T1 Fl. 120 4 Das razões para a Reforma do Despacho Decisório equivocouse a autoridade, uma vez que verificando os documentos anexados (DARFs, PER/DCOMP e a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), percebese que a empresa faz jus à homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por tratar de se saldo negativo de CSLL. ressalta que cometeu erro no preenchimento do PER/DCOMP, ao informar como crédito Pagamento Indevido ou a Maior e o correto era crédito de saldo negativo sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. não pode ser prejudicada na compensação de saldo negativo de tributos por causa de simples erro material no preenchimento do PER/DCOMP. diz que, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes demonstra indubitavelmente que simples erro ao preencher qualquer tipo de obrigação acessória não pode acarretar no ‘perdimento do direito’, transcrevendo ementas neste sentido. erro material não afeta em nada o direito em ter o crédito declarado devidamente homologado, uma vez que o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) – art. 170, autoriza o contribuinte a compensar créditos tributários. ressalta que a legislação aplicável ao caso deve ser aquela que era utilizada na época da realização da Declaração de Compensação. tanto na lei ordinária (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) quanto na Instrução Normativa nº 210, de 2002, que à época disciplinava sobre a restituição e a compensação de tributos federais, não havia regra quanto a não homologação do crédito tributário por simples hipótese de erro material. o PER/DCOMP utilizado foi aprovado pela Instrução Normativa nº 376, de 2003, sendo que a referida instrução pode tãosomente fazer com que seja aplicada corretamente a lei em seu sentido estrito. ilustra o entendimento com texto do professor Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, que diz que as instruções normativas são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam prevista na lei ou no decreto dela decorrente. aos processo tributários administrativos são aplicados inúmeros princípios constitucionais e legais que condicionam toda a atividade estatal, coibindo os procedimentos fiscais que porventura, ao exigir tributos e penalidades, não são desenvolvidos dentro dos limites legais e de acordo com os princípios inerentes do ordenamento jurídico. a Lei nº 9.784, de 1999 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 2º, dispõe sobre a obrigatoriedade de obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, dentre outros. um dos princípios primordiais para melhor decisão da presente lide é o princípio da verdade material. Ressalta que a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900252/200807 Acórdão n.º 1401000.736 S1C4T1 Fl. 121 5 sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Reforça, citando entendimento do Conselho de Contribuintes. Diante de todo o exposto, requer o recebimento e provimento in totum da Manifestação de Inconformidade, para que seja reformado o Despacho Decisório, no sentido de reconhecer integralmente os créditos declarados pelo contribuinte. É o Relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Esta Quarta Câmara baixou o julgamento em diligência para verificar a liquidez e certeza do Crédito. Às fls. 102/103, consta pronunciamento da Fiscalização em sentido quase totalmente favorável à Recorrente. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência concordando parcialmente com o mesmo (fls. 110/114), insurgindose apenas quanto a falta de execução imediata do encontro de contas entre crédito e débitos. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a Recorrente alega que cometera erro material no preenchimento da DCOMP, uma vez que indicou equivocadamente Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL ao invés de saldo negativo de CSLL, do Exercício de 2004, ano calendário2003. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo trecho do voto da DRJ: Ao indicar Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, no processamento do PER/DCOMP nº 41563.17987.150404.1.3.048649 de fls. 01/05, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900252/200807 Acórdão n.º 1401000.736 S1C4T1 Fl. 122 6 objeto do presente processo, fezse eletronicamente, o batimento do DARF (indicado no PER/DCOMP fl. 03) com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls. 55/56). Nesta análise automática de créditos informados em PER/DCOMP, considerase: pagamento a maior, a diferença entre o pagamento efetuado em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o valor alocado, nos sistemas de cobrança, ao respectivo débito confessado pelo sujeito passivo (DCTF). Na DCTF do 4º trimestre de 2003 (fl. 56) foi declarado, um débito de CSLL, para o mês de dezembro, no valor de R$4.597.374,37. Daí, a conclusão do Despacho Decisório nº rastreamento 757724411 emitido eletronicamente em 24/04/2008, que não existia crédito, não homologando a compensação declarada (valor do DARF é exatamente igual ao valor declarado em DCTF como débito de CSLL do mês de dezembro de 2003 – fl. 56). No caso de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, o processamento eletrônico da declaração de compensação, a partir do período de apuração do saldo negativo informado pelo contribuinte no PER/DCOMP, consulta a DIPJ correspondente para confirmação da forma de tributação e de apuração no período, bem como a exatidão do saldo negativo apurado, para sua validação. A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ e pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. As antecipações referentes a retenções na fonte, pagamentos por estimativa ou renda variável e estimativas compensadas são validadas mediante confronto com informações constantes nos sistemas da RFB. Percebese, que a estimativa do mês de fevereiro de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$1.166,05 – fl. 62) e parte por meio de PER/DCOMP nº 09444.54877.040603.1.3.049736 (processo nº 10620.900186/200659), no valor de R$ 120.000,00, não homologada (fl. 63). Uma vez que, não foi indicado corretamente a origem do crédito tributário, no caso saldo negativo de CSLL do Exercício de 2004, não houve a validação e a verificação da exatidão do referido saldo e consequentemente não houve o reconhecimento do direito creditório, competência do Delegado da Receita Federal do Brasil de origem do contribuinte. A DRJ, por seu turno, colocando ênfase no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação nos seguintes termos: Assim, a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação (artigo 56 da IN SRF nº 460 de 18/10/2004, 57 da IN SRF nº 600 de 28/12/2005 e 77 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que admitem a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa). De fato, restou configurado que não existe pagamento a maior das estimativas pagas da CSLL (Cod. 2484), podendo existir porém em tese, saldo negativo da Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900252/200807 Acórdão n.º 1401000.736 S1C4T1 Fl. 123 7 CSLL, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A recorrente se por um lado confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2003. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. É que o campo “Valor Original do Crédito Inicial” no contexto da Ficha de Pagamento Indevido, no valor de R$ 246.025,55 (fl. 02) coincidente com o valor do Saldo Negativo da CSLL também neste mesmo valor revela (fl.61) essa intenção e o conseqüente erro material. Nesse contexto, inclineime pela realização de uma diligência específica para que se transmutasse a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo da CSLL para o anocalendário de 2003, levando a PER/Dcomp a tratamento manual e validasse o saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. Às fls. 103 e 104 do presente processo consta retorno de diligência favorável à Recorrente, nos seguintes termos: Assim, s.m.j., iremos atender em parte aos diversos quesitos uma vez que entendemos não ser possível pelo menos no presente momento, o atendimento em sua totalidade. Desta forma realizamos o nosso trabalho de modo a validar o saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ por meio da análise das parcelas que compõem o crédito informado no PER/DCOMP e verificar a certeza e liquidez do crédito tributário. Por conseguinte, os débitos remanescentes por ventura existentes bem como a transmutação da situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo da CSLL será feita em momento próprio após a decisão administrativo exarada por esse CARF. A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo em DIPJ deve ser feita pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP em confronto com a totalidade das deduções informadas à ficha 17 da DIPJ, que se constituem entre outras, das antecipações referentes a CSLL mensal paga por estimativa e retenções na fonte. No caso concreto, o contribuinte informou na PER/DCOMP n.° 41563.17987.150404.1.3.0486 apenas uma parcela de pagamento da CSLL mensal por estimativa como formadora do saldo negativo da CSLL no valor de R$ 4.597.374,37 (folha 03), correspondente ao mês de dezembro de 2003. Em que pese tal procedimento, o contribuinte informou na DIPJ como única dedução a ser feita da CSLL devida, a parcela de CSLL mensal paga por estimativa no valor total de R$ 7.258.400,09 (folha 61), obtendo com isto como valor de CSLL a pagar, um saldo negativo de R$ 246.025,55. Um detalhe deve ser explanado. Na composição do valor total de R$ 7.258.400,09 o contribuinte declarou como débitos dos meses de janeiro (243.100,71), fevereiro (121.166,05), março (863.150,41), abril (1.433.608,55) e dezembro (4.597.374,37), conforme extrato da DCTF às folhas 94/95, os mesmos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13609.900252/200807 Acórdão n.º 1401000.736 S1C4T1 Fl. 124 8 valores informados em DIPJ às folhas 57/60. No que se refere aos pagamentos, os mesmos foram confirmados nos sistemas da RFB conforme folha 62 acostados aos autos. Quanto ao total que compõe o mês de fevereiro, a parte declarada em DCTF (folha 63) como compensação por meio da DCOMP n.° 09444.54877.040603.1.3.049736 no valor de R$ 120.000,00, está sendo discutida administrativamente (processo de crédito n.° 10620.900186/200659 folha 96/97), sendo que R$ 18.679,67 já foram extintos por pagamento no processo de cobrança n.° 13609.720066/200888 (folhas 99/101), restando ainda um débito de R$ 101.320,33, que está sendo controlado noSIEF por meio do processo de cobrança n.° 13609.720175/200714 (folhas 98/99). Assim, podemos considerar como pago o valor total de R$ 7.258.400,09, ainda que, em tese, falte o pagamento de R$ 101.320,33, que se não foi ainda pago será cobrado, caso haja débito, após a solução da lide no processo n.° 10620.900186/200659. Do acima exposto, consideramos como correto o valor do saldo negativo informado pelo contribuinte na DIPJ do anocalendário de 2003, no valor de R$ 246.025,55. Em relação ao pedido de diligência de que nossa análise seja feita em conjunto com o processo n.° 13609.900580/200803, podemos dizer unicamente que o crédito de saldo negativo d eR$ 246.025,55 na verdade se trata do mesmo crédito. Este é inclusive o valor original do crédito inicial em ambas as declarações de compensação dos respectivos processos (folhas 02 e 101). Após a decisão exarada por esse* CARF e na eventual possibilidade de utilização de tal crédito para compensação do débito declarado na DCOMP deste processo, a compensação será feita e o saldo restante, por ventura existente, poderá ser utilizado na compensação do débito daquele processo ou viceversa. Este mesmo parágrafo consta do processo n.° 13609.900580/200803 com as alterações pertinentes. Como se vê a diligência apenas evidenciou o patente erro de fato cometido pela recorrente ao indicar a situação de pagamento a maior quando na verdade desejava aproveitar o saldo negativo, no caso da CSLL. A insurgência da Recorrente quanto ao procedimento da DRF não tem também razão de ser, pois em primeiro lugar o que ficou faltando é um procedimento apenas de execução por parte da DRF que será feita em momento oportuno após este julgamento e, por último, o presente voto já indicou desde o início a necessidade de se fazer essa “transmutação” e o subseqüente compensação dos débitos. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso para considerar o resultado de diligência que deu como líquido e certo o saldo negativo de CSLL de R$ 246.025,55, bem assim homologar as compensações nos limites dos créditos concedidos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.006096/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que seja demotistrada uma das restritas hipóteses autorizadoras.
SERVIDOR OCUPANTE DE CARGO TEMPORÁRIO. SEGURADO DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL.
De acordo com a disciplina do § 13 do artigo 40 de nossa Carta Magna, incluído pela Emenda Constitucional n° 20 de 15/12/98, ao servidor ocupante de cargo temporário aplica-se o Regime Geral De Previdência Social RGPS.
CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DOS SEGURADOS
Conforme disposto no art. 30, I, "a" e art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91, a Empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração, tomando-se responsável direta pelas contribuições que arrecadou em desacordo com essa lei.
Numero da decisão: 2302-001.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos dos votos que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Vencido, na preliminar de decadência, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicar-se o art. 150, parágrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência nos termos do voto do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que seja demotistrada uma das restritas hipóteses autorizadoras. SERVIDOR OCUPANTE DE CARGO TEMPORÁRIO. SEGURADO DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. De acordo com a disciplina do § 13 do artigo 40 de nossa Carta Magna, incluído pela Emenda Constitucional n° 20 de 15/12/98, ao servidor ocupante de cargo temporário aplica-se o Regime Geral De Previdência Social RGPS. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DOS SEGURADOS Conforme disposto no art. 30, I, "a" e art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91, a Empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração, tomando-se responsável direta pelas contribuições que arrecadou em desacordo com essa lei.
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja demotistrada uma das restritas hipóteses autorizadoras. SERVIDOR OCUPANTE DE CARGO TEMPORÁRIO. SEGURADO DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. De acordo com a disciplina do § 13 do artigo 40 de nossa Carta Magna, incluido pela Emenda Constitucional n° 20 de 15/12/98, ao servidor ocupante de cargo temporário aplicase o Regime Geral De Previdência Social RGPS. CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA DOS SEGURADOS Conforme disposto no art. 30, I, "a" e art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91, a Empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, tomandose responsável direta pelas contribuições que arrecadou em desacordo com essa lei. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos dos votos que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Vencido, na preliminar de decadência, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, parágrafo 4 do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência nos termos do voto do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. (assinado digitalmente) MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Tratase de crédito lançado em ação fiscal contra a Empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fl. 15 a 20, referese às contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da Empresa, bem como as devidas pelos segurados a seu serviço, abrangendo as competências entre o período de janeiro de 2001 a dezembro de 2002, incluindo o 13° salário do período. Conforme o Relatório Fiscal, os fatos geradores foram os pagamentos a serviços prestados por servidores ocupantes de cargos temporários (prestadores de serviço), não vinculados ao regime próprio de previdência do Estado do Piauí, considerados segurados empregados conforme disposto no § 13 do artigo 40 da Constituição Federal, bem como na Lei n° 8212/91, artigo 12, I, 'a', combinado com o artigo 15, I. Os valores levantados foram apurados nos registros contábeis do órgão público auditado, mediante informações fornecidas em meio digital, os quais foram consolidados em demonstrativo de fatos geradores em anexo e lançados no código de levantamento ‘FA2 — FP AVULSAS PREST SER N D GFIP'. Ressaltese que tais fatos geradores não foram declarados em GFIP. Foram lançadas também as contribuições, não descontadas, dos segurados considerados como empregados pela auditoria em virtude de o órgão público haver se tornado diretamente responsável por estes valores, conforme o § 5° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.006096/200791 Acórdão n.º 230201.625 S2C3T2 Fl. 63 3 Considerouse para abater do presente Lançamento os recolhimentos efetuados por meio de Guia da Previdência Social —GPS, conforme Relatório de Documentos Apresentados — RDA e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA. A não declaração de fatos geradores em GFIP configura, em tese, o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária definido no Código Penal Brasileiro em seu artigo 337A, inciso I, motivo que levou à elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais. Os documentos que serviram como base para este lançamento foram as notas de empenho, as folhas de pagamento analíticas (meio digital) e a relação mensal de empenhos emitidos/pagos. O sujeito passivo apresentou impugnação que alegou, em síntese: (i) a tempestividade; (ii) Colacionamse acórdãos no sentido de demonstrar a jurisprudência dominante que sustenta a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8212/91 e, por via de consequência, do artigo 348 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Em assim sendo, impõese a aplicação dos aitigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional — CTN, que prevêem o prazo de cinco anos para constituição dos créditos tributários (iii) Muitos dos servidores indicados na presente NFLD mantinham vínculo previdenciário com o regime próprio de previdência do Estado do Piauí (IAPEP), fato que os exclui desta Notificação. Por tratarse de tarefa exaustiva, não foi possível juntar documentos que individualizassem estes casos, deste modo, requerse prazo para tal juntada; (iv) Equivocouse o Auditor ao atribuir o não recolhimento de contribuições ao INSS dada a não emissão de GFIP, relacionada à Secretaria de Educação, para o período; (v) À época, tais GFIP eram emitidas com o CNPJ da Secretaria da Fazenda do Estado SEFAZ e não com o CNPJ do Órgão fiscalizado. Por ser a SEFAZ, na ocasião, responsável pelos respectivos pagamentos, tal procedimento facilitava o cumprimento das obrigações perante o INSS; (vi) O fato de existirem secretarias com CNPJ distintos não implica na existência de pessoas jurídicas distintas, mas apenas uma divisão para satisfazer as necessidades práticas da administração; (vii) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa a fls. 39/42, julgando procedente a autuação e mantendo o valor do crédito tributário objeto do Auto de Infração em relevo em sua integralidade; (viii) Foi repassada a informação por servidor desta Delegacia Federal que para corrigir tal problema deverseia primeiramente pedir a restituição dos valores pagos á maior pelo Estado do Piauí e, após receber tais valores, Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 efetuarseiam os recolhimentos no CNPJ da Secretaria em questão com a elaboração das respectivas GFIP, o que se considera razoável; e (ix) Exigir que sejam feitos novamente os recolhimentos e as correspondents GFIP em nome da secretaria seria um absurdo. Requereu, ao final, a improcedência do lançamento. Em 29/02/2008, a DRJ em FortalezaCE julgou procedente o lançamento [fls. 391398]. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 407416, reitera os argumentos colacionados na impugnação. Ao fim, requer a reforma da decisão recorrida com o fim de anular o presente Auto de Infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator. 1 DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 09/04/2008. Havendo sido o recurso voluntário postado na agência dos correios em 09 de maio de 2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2 PRELIMINAR – PEDIDO DE PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTO Alega o Recorrrente [fl. 407]: Inicialmente, o Estado do Piauí impugnou a exigência ao fundamento de que havia, entre os servidores indicados pela fiscalização como titulares de cargos temporários, servidores filiados ao regime próprio de previdência do Estado, isto é, ao IAPEP, o que afasta a competência impositiva do INSS/Receita Federal. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.006096/200791 Acórdão n.º 230201.625 S2C3T2 Fl. 64 5 A individuação dós casos, entretanto, era tarefa sobremodo exaustiva, razão pela qual não seria possível a conclusão dos trabalhos de coleta de informações dentro do exíguo prazo aberto à elaboração de defesa. Esta invocação, já naquele momento e ainda despossuída de adminículos probatórios, tinha o fito de evitar preclusão administrativa quanto à argu i..o da matéria. Por tal razão, o Estado requereu prazo para a juntada de documentos que comprovem esta alegação, conforme autorização constante do Decreto n°3.048/99, que regulamenta a Previdência Social a cargo do INSS. Ocorre que o órgão julgador de primeira instância não se manifestou sobre o pedido de concessão de prazo para juntada de documentos, partindo diretamente para o julgamento de improcedência da impugnação, o que impossibilitou a produção de prova pelo notificando, acarretando cerceamento de defesa. Em resposta ao alegado, fazse mister consignar ao presente a argumentação constante do decisum recorrido [fl. 396]: […] Quanto ao pedido de prazo para juntada de prova documental, este não pode ser acatado tendo em vista não se encontrar albergado em nenhuma das hipóteses previstas no § 1° do artigo 7° da Portaria RFI3 n° 10875, de 16 de agosto de 2007: Nesse sentido, afasto a preliminar suscitada. 3 DO MÉRITO Inicialmente, cumpre assentar que não será objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DECADÊNCIA Suscita o Recorrente que deve ser aplicado o prazo decadencial de 05 (cinco) anos insculpido no CTN, ao contrário do que restou decidido no Acórdão recorrido, o qual aplicou o prazo decadencial do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, malferindo o disposto no artigo 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal, na forma reconhecida pela jurisprudência consolidada nos Tribunais Superiores. Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, concluise que o insurgimento da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 propósito do tema, encontrando guarida na farta e mansa jurisprudência administrativa e judicial, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.006096/200791 Acórdão n.º 230201.625 S2C3T2 Fl. 65 7 “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 03/10/2007, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência – até a competência 11/2002 , Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.006096/200791 Acórdão n.º 230201.625 S2C3T2 Fl. 66 9 eis que os fatos geradores ocorreram durante o período de 01/01/2001 a 31/12/2002, 05 (cinco) anos do CTN, com base no artigo 150, § 4º. 3.2 APRESENTAÇÃO IDÔNEA DE GFIPS, NO MOMENTO PRÓPRIO. RECOLHIMENTO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DEVIDOS AO INSS. Por fim, argumenta o Recorrente [fls. 414416]: Equivocouse o ilustre Auditor Fiscal quando sustentou o não recolhimento de contribuições de ao INSS, fiandose na ausência de emissão de GFIPs a cargo da Secretaria da Educação no período de apuração indicado. Em anexo, para fins de comprovação e análise por parte deste Órgão julgador, GFIPs prestadas pelo Estado do Piauí, referentes aos segurados do INSS que, no período de apuração contemplado na NFLD sub censura, exerciam atividades junto à referida Secretaria. Ocorre que, à época, referidas GFIPs eram emitidas por te.a intermédio do CNPJ próprio da Secretaria da Fazenda do Estado, e não no CNPJ do Órgão fiscalizado. Tal se dava em razão de ser a SEFAZ, na ocasião, o órgão encarregado dos respectivos pagamentos, o que fazia da unificação do recolhimento uma medida bastante lógica, porque facilitava a operacionalização das declarações/recolhimentos, isto é, do cumprimento das obrigações acessórias e principais assumidas perante o INSS. Muito embora haja Secretarias com CNPJs distintos, tal não implica na existência de pessoas jurídicas distintas dentro do próprio Estado. Esse fracionamento de CNPJs, ao contrário, da se apenas por imperativos da relativa independência administrativa das Secretarias umas em relação às outras, cada qual celebrando os seus convênios, contratos, realizando pagamentos etc., de maneira isolada com vistas à satisfação de suas específicas necessidades, o ue obriga à adoção da prática. O Estado do Piauí, entretanto, é obviamente um só. Segundo orientações que repassadas por meio de servidor desta Delegacia Federal, o procedimento correto para a correção do "problema" consistiria, primeiramente, na formulação de pedido de restituição dos valores pagos na ocasião, pelo Estado do Piauí ao INSS. A posteriori, e quando o Estado auferisse, em repetição, os valores pagos "por meio do CNPJ inadequado", efetuaria um novo recolhimento, desta feita por meio do CNPJ da Secretaria da Educação quando deveria emitiria novamente as GFIPs correspondentes. Tal orientação, data maxima venha, apartase da razoabilidade e do bomsenso. O Estado do Piauí, conforme dito alhures, possui personalidade jurídica insusceptível de fracionamento, Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 nada obstante a desconcentração administrativa que dá funcionalidade aos órgãos em que se decompõe. Exigirse do Estado e dos respectivos gestores ou exgestores que, novamente, recolham os valores devidos ao INSS e, novamente, recolham os valores devidos ao INSS e, novamente também emitam outras e correspondentes GFIPs, será, analogamente, o mesmo que impor e a um contribuinte que repita o recolhimento de um tributo feito com a mão esquerda, porque a lei exigisse fosse ele realizado com a mão direita […] Não obstante a irresignação recorrente, adoto as minhas razões de decidir os argumentos dispostos no acórdão recorrido [fls. 396/398]: […]Não foi apresentado pela Contestante nenhum meio de prova que corrobore com o argumento de que alguns dos segurados albergados nesta Notificação eram servidores filiados ao IAPEP, ou que os recolhimentos relacionados a este vínculo já haviam sido efetuados ao Regime Geral de Previdência Social. Tal comprovação é condição sine qua non para que se possa excluir a incidência aqui apresentada, não sendo suficientes meras conjecturas genéricas. Em contrapartida, constam às folhas 32, 56, 59, 78, 190, documentos comprobatorios de que o pessoal a que fez menção a Auditoria Fiscal é realmente servidor ocupante de cargo temporário. [...] O presente lançamento foi lavrado em virtude do descumprimento de obrigação principal, ou seja, o não pagamento kldtributo devido. O fato de tais valores não constarem em GFIP é mera obrigação acessória, objeto' de lançamento distinto. Vejase que, ainda que as GFIP houvessem sido elaboradas de maneiricorreta, tal não seria suficiente para desincumbir a Defendente da presente obrigação principal. Em nenhum momento a Secretaria da Educação e Cultura foi considerada pessoa jurídica distinta do Estado do Piauí, tanto que o débito vem com a seguinte identificação: 'ESTADO DO PIAUÍ SECRETARIA DA EDUCAÇÃO E CULTURA', sendo o débito lavrado no CNPJ da Secretaria, como dito pela própria Contestante, apenas para satisfazer as necessidades práticas da Administração, neste caso, a Administração Federal. Salientese que não foi apresentada pela Impugnante qualquer comprovação de que houve recolhimentos efetuados de maneira equivocada, relacionados aos fatos geradores aqui lançados. 4 CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento à exigência fiscal até a competências 11/2002. É como voto. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.006096/200791 Acórdão n.º 230201.625 S2C3T2 Fl. 67 11 Manoel Coelho Arruda Júnior Voto Vencedor Divirjo do entendimento do Conselheiro Relator quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial. A decadência deve ser reconhecida, em parte; mas em função da aplicação do art. 173, inciso I do CTN. O STF, conforme entendimento – Súmula Vinculante de n º 8 –, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. De acordo com o previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Dessa forma, não é mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, e devem ser observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então, o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN (operase a homologação tácita). Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN; deve, assim, ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; há a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não ocorra o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN (decadência). Destacase que, nas hipóteses de ocorrências de dolo, fraude, ou simulação; não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Nesses casos deve ser aplicado necessariamente o previsto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 Para aplicação dos arts. 150, parágrafo 4º, ou 173, inciso I do CTN, há que se analisar o recolhimento rubrica por rubrica, pois na hipótese de o contribuinte não reconhecer determinada parcela como incidente, essa somente conseguiria ser apurada em uma ação fiscal. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Por não ter pago nem ter declarado em Gfip, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN – para efeitos da contagem do prazo decadencial. No presente caso, o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 3 de outubro de 2007, conforme relatado. Assim, os fatos geradores anteriores a novembro de 2001 (inclusive) estarão atingidos pela decadência. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois o vencimento do tributo ocorreu somente em janeiro de 2002; e, assim, o termo de início da contagem seria 1º de janeiro de 2003, o que findaria em 31 de dezembro de 2007. Confirmando essa forma de contagem, o STJ proferiu entendimento nos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial n 674.497, cuja ementa foi publicada, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Reconheço, portanto, a extinção parcial do crédito tributário. Devem ser excluídas as competências anteriores a novembro de 2001, inclusive esta. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 10580.725977/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº
10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da
incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.180
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.725977/200950 Acórdão n.º 210202.180 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra LABEL LEOMAR DA LUZ foi lavrado Auto de Infração, fls.03/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2006, exercícios 2005 a 2007, no valor total de R$ 149.116,54, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: O sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de “Valores Indenizatórios de URV”, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Preceitua a referida Lei Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do Imposto de Renda, de competência da União. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.725977/200950 Acórdão n.º 210202.180 S2C1T2 Fl. 3 3 outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo, em respeito aos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988. As diferenças recebidas pelo sujeito passivo têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo imposto de renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. (...) Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 47/75, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SDR nº 1527.151, de 18/05/2011, fls. 94/99: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.725977/200950 Acórdão n.º 210202.180 S2C1T2 Fl. 4 4 g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo AdvogadoGeral da União perante à PGFN e a RFB. A DRJ Salvador julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 19/07/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 103, o contribuinte apresentou, em 04/08/2011, recurso voluntário, fls. 104/244, onde reitera e reforça os mesmos argumentos trazidos na impugnação. É o Relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.725977/200950 Acórdão n.º 210202.180 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.725977/200950 Acórdão n.º 210202.180 S2C1T2 Fl. 6 6 Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.725977/200950 Acórdão n.º 210202.180 S2C1T2 Fl. 7 7 pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.725977/200950 Acórdão n.º 210202.180 S2C1T2 Fl. 8 8 União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões exaradas no voto acima transcrito, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração. Por fim, vale observar, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça adotou o mesmo entendimento em julgamento realizado em 17/08/2010 (Recurso Especial nº 1.187.109 MA (2010/00570259), cujas ementas e acórdão abaixo se transcrevem: EMENTA TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.725977/200950 Acórdão n.º 210202.180 S2C1T2 Fl. 9 9 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, conheceu em parte do recurso e, nessa parte, negoulhe provimento, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins (Presidente), Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. BrasíliaDF, 17 de agosto de 2010(Data do Julgamento) MINISTRA ELIANA CALMON Relatora Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000722/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Anocalendário:
2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO
FISCAL. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. Questões ligadas ao descumprimento do objetivo do MPF devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tornam nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do artigo 142 do CTN.
PROVA ILÍCITA. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA.
APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA DOS EXTRATOS BANCÁRIOS PELO SUJEITO PASSIVO. A Administração Tributária pode intimar o sujeito passivo a apresentar qualquer documento que entender necessário à
consecução dos seus trabalhos de auditoria. Hipótese em que os extratos bancários utilizados no lançamento decorrem da apresentação espontânea pelo sujeito passivo, sem a expedição de RMF.
PAGAMENTO BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeita-se ao imposto de renda exclusivamente na fonte o pagamento efetuado a beneficiário não identificado, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981, de
1995.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.784
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. Questões ligadas ao descumprimento do objetivo do MPF devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tornam nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do artigo 142 do CTN. PROVA ILÍCITA. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA DOS EXTRATOS BANCÁRIOS PELO SUJEITO PASSIVO. A Administração Tributária pode intimar o sujeito passivo a apresentar qualquer documento que entender necessário à consecução dos seus trabalhos de auditoria. Hipótese em que os extratos bancários utilizados no lançamento decorrem da apresentação espontânea pelo sujeito passivo, sem a expedição de RMF. PAGAMENTO BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeitase ao imposto de renda exclusivamente na fonte o pagamento efetuado a beneficiário não identificado, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1519.542, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 201), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF correspondente a períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2003, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 151.621,17, incluída a multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada falta de recolhimento do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados. O contribuinte deixou de atender à intimação fiscal para que apresentasse cópias de cheques emitidos pela própria empresa que fora lançados a débito de caixa, configurando, assim, pagamento a beneficiário não identificado. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, às fls. 107/137, na qual contestou parcela do crédito tributário decorrente da ação fiscal, mas não se restringiu ao presente auto de infração. No que é pertinente ao IRRF lançado, o impugnante alegou, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é nulo em razão das requisições de informação de movimentação financeira terem sido exaradas sem fundamentação em processo administrativo fiscal em curso; b) a Lei Complementar n° 105, de 2001, é inconstitucional por violar o direito fundamental ao sigilo bancário previsto art 5°, inciso XII, da Constituição Federal; c) após as modificações introduzidas pela Lei n° 11.488, de 2007, nos percentuais da multa prevista na Lei n° 9.430, de 1996, bem como, por não ter ocorrido omissão de receitas, não seria aplicável a multa de ofício, mas sim a multa de mora; d) não pode ser responsabilizado pela falta de atendimento à intimação fiscal, pois solicitou as cópias dos cheques ao Banco do Brasil durante a fiscalização, bem como, após a autuação, mas este não as forneceu, alegando dificuldades na localização dos mesmos. e) caso não seja acolhidas as alegações, requer que seja expedido oficio dirigido aos gerentes do Banco do Brasil S.A. sito à Av. Régis Pacheco, n° 507, Sumaré, Vitória da Conquista — Bahia, CEP45.015310 e Mercantil do Brasil S.A. sito à Praça Barão do Rio Branco, n° 121, Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10540.000722/200795 Acórdão n.º 210101.784 S2C1T1 Fl. 2 3 Centro, Vitória da Conquista — Bahia, CEP 45.100000, visando a obtenção das microfilmagens dos cheques a partir do,â quais se cobra IRRF a fim de identificar os beneficiários dos pagamento. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. É cabível lançamento fiscal para a constituição de crédito tributário relativo IRRF incidente sobe pagamentos a beneficiários não identificados. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF a recorrente, em preliminar, requer a nulidade do ato de quebra do sigilo fiscal e da lavratura do auto de infração, por não haver procedimento administrativo em curso. Entende que as requisições de informações de movimentação financeira, foram exaradas sem fundamento em processo administrativo fiscal em curso, portanto, são atos nulos. De modo que os indícios (ou provas) de ilícitos tributários resultantes desses atos de quebra de sigilo bancário não podem fazer prova contra a Recorrente. Mais grave ainda, a própria lavratura do auto de infração e todos os atos praticados após 31 de julho de 2006 são nulos, por haverem sido praticados sem o manto do procedimento fiscal validamente instaurado. No mérito, argúi a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001. O julgador administrativo deve considerar o quadro constitucional para a interpretação das leis tributárias. Deve considerar a existência jurídica das leis. Por isso, não pode pressupor uma artificiosa legalidade sem consideração à aquela que é Lei Maior. A revisão do lançamento não pode prescindir de confrontálo à ordem constitucional. Argumenta que o sigilo bancário incluise no sigilo de dados explicitado ao inciso XII do art. 50 da Constituição da República de 1988. Violálo, em última análise significa afronta grave à dignidade da pessoa do contribuinte, uma vez que teve violada sua vida privada. Aduz que o sigilo bancário não pode ser excepcionado no bojo de processo administrativo fiscal, em que a Autoridade Fazendária por ato unilateral requisita tais informações, sem submeter a questão ao devido processo legal e à apreciação por autoridade judiciária capaz de garantir contraditório e ampla defesa. Por fim, requer a improcedência do lançamento, pois não poderia ser responsabilizado pela falta de apresentação das cópias dos cheques pelo Banco do Brasil. Entende que os referidos cheques são essenciais para a identificação do beneficiário do pagamento, bem como de sua causa, razão pela qual deve ser reformado o julgado para que sejam deferidas as diligências a fim de obter, junto aos Bancos, a documentação necessária à identificação dos beneficiários dos pagamentos. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, verificase que a ação fiscal foi realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPF) n° 05.1.03.002006 000240, que foi emitido em 03/04/2006, e que vigorou mediante prorrogações até 29/06/2007, conforme demonstrativo, às fls. 05. A recorrente questionou a validade do referido demonstrativo, que não poderia fazer referencia à prorrogações futuras, já que teria sido emitido em 03/04/2006, entretanto, esta não foi a data de emissão do demonstrativo, mas sim a de emissão do MPF inicial. As prorrogações do MPF são efetuadas no site da Receita Federal, sendo certo que a contribuinte recebe uma senha para acompanhar o regular procedimento de fiscalização. O MPF era disciplinado pela Portaria SRF n° 1.265, de 23/11/1999, que foi revogada pela Portaria SRF n° 3.007, de 26/11/2001, com vigência a partir de 01/01/2002, sendo que tal documento prestase unicamente como instrumento de controle criado pela Secretaria da Receita Federal para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte. Penso que eventuais problemas com o MPF não invalidam o trabalho realizado pela autoridade fiscal, nem implicam na imprestabilidade dos documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributários apurados, até por que estes foram obtidos mediante intimações regulares dirigidas ao sujeito passivo, nos termos do artigo 7º do Decreto nº 70.235, de 1972. De se ressaltar, ainda, que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do artigo 142, § único, do Código Tributário Nacional – CTN, de modo que, constatada a ocorrência de situação prevista em lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal, adequadamente instituído em sua função, deixar de efetuar o lançamento. Com efeito, o entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 182.364 (DJU de 26.6.00, p. 207), é que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processual a necessidade que se demonstre, de modo objetivo, os prejuízos conseqüentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da causa. Eventual irregularidade no curso do procedimento administrativo disciplinar, e porque não dizer tributário, sem a prova de influência no indiciamento do servidor público, e por que não dizer na acusação fiscal indicada no lançamento, não tem relevância jurídica. Considerando que o Auditor Fiscal encontravase no exercício de suas funções de acordo com a lei, que lhe outorgou competência para as atividades de fiscalização e lançamento, sob pena de responsabilidade funcional (Decretolei nº 2225/85 e artigo 142 do CTN), e que Portaria da SRF não tem o condão de alterar a competência do fiscal, por sua posição hierarquia de norma complementar e em face da reserva legal sobre a matéria, rejeito a preliminar suscitada. Eventuais falhas decorrente do MPF poderá caracterizar uma irregularidade administrativa, a ensejar apuração de falha funcional do autuante, mas jamais irá macular de nulidade o lançamento, regido estritamente por norma jurídica de base legislativa. Neste diapasão são os reiterados pronunciamentos deste Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Confirase: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10540.000722/200795 Acórdão n.º 210101.784 S2C1T1 Fl. 3 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado. (CSRF, Primeira Turma, Recurso Especial n° 105140.102, Acórdão n° CSRF/0106.085, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, julgado em 11/11/2008) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Mesmo no caso de eventuais falhas nesses procedimentos, estas, por si só, não contaminam o lançamento decorrente da ação fiscal. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso Voluntário n° 159.365, Acórdão n° 10423.400, Relator Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, julgado em 07/08/2008) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 VÍCIO DO MPF. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. O vício do Mandado de Procedimento fiscal não está incluído no art. 59 do Decreto no 70.235/70, além de não gerar qualquer prejuízo à contribuinte. Além disso, o MPF é instrumento de controle interno da Secretaria da Receita Federal, de modo que seu vício não gera nulidade à autuação. Recurso negado. (Segundo Conselho, Terceira Câmara, Recurso Voluntário n° 246.761, Acórdão n° 20313.640, Relator Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, julgado em 02/12/2008) Ementa: MPF – FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR – NULIDADE – INOCORRÊNCIA – O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. (CSRF/0105.189, Sessão de 14/03/2005). Fl. 227DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7º, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. (ACÓRDÃO 20308483, Sessão de 16/10/2002) Ementa: NULIDADE INOCORRÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Acórdão 10808091, Sessão de 01/12/2004). Ementa : recurso "ex officio" – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mão deobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° do Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos artigos 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 10707756, Sessão de12/08/2004) Os entendimentos jurisprudenciais acima colacionados são plenamente aplicáveis ao caso. Devese ressaltar, ainda, sobre as hipóteses de nulidade do lançamento, que o artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 estabelece o seguinte: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em exame, todos os atos e os termos foram lavrados por servidor competente e não houve cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, não foi necessária a emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF) para obtenção dos extratos das contas correntes que Fl. 228DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10540.000722/200795 Acórdão n.º 210101.784 S2C1T1 Fl. 4 7 subsidiaram o lançamento fiscal, às fls. 47/53, pois estes foram apresentados espontaneamente pelo sujeito passivo no curso da fiscalização. Com efeito, rejeito o pedido de nulidade do lançamento pela obtenção de prova ilícita, tendo em vista que os extratos do Banco do Brasil e Banco Mercantil foram apresentados espontaneamente pelo contribuinte, juntamente com o Livro Caixa, consoante protocolo à fl. 39. A Administração Tributária pode requerer do sujeito passivo qualquer documento que entender necessário à consecução dos seus trabalhos de auditoria. Somente foi expedida RMF para a obtenção de extratos junto ao Banco Bradesco (sob farta fundamentação declinada no respectivo instrumento, às fls. 54/56), que não foram utilizados para a exigência tributária objeto do lançamento em exame. Portanto, se fosse o caso de se excluir dos autos estes extratos, nenhuma influência teria na solução do litígio. Os extratos bancários que serviram de base para o lançamento foram solicitados pela Fiscalização diretamente ao sujeito passivo e por este foram apresentados. Tratamse de documentos da própria contribuinte, tornandose inaplicáveis a este caso concreto, portanto, as normas contidas nos artigos 2° e 3° do Decreto n° 3.724/2001. A Requisição aos bancos, conforme dispõe o § 2º do artigo 4º do referido Decreto, será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do Mando de Procedimento Fiscal. Se for necessário requisitar aos bancos, ou seja, realizar a quebra administrativa do sigilo bancário, a auditoria fiscal deve elaborar um relatório dirigido ao Delegado da Receita Federal, no qual conste a motivação da proposta de expedição da RMF. Desta forma, todos os elementos de prova nos autos, com repercussão na constituição do crédito tributário em análise, foram apresentados pela própria contribuinte, em resposta às intimações fiscais, sendo certo que o lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e também porque não ocorreram as hipóteses indicadas no artigo 59, do mesmo diploma legal, a conspurcar de nulidade o Auto de Infração. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal e os Demonstrativos que integram o Auto de Infração descrevem minuciosamente a matéria tributável, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa, sendo evidente a sua discordância quanto às conclusões do trabalho fiscal. De fato, a substanciosa defesa apresentada pelo sujeito passivo evidencia claramente a plena compreensão da infração que lhe foi imputada. Sobre a nulidade, podese ainda verificar os seguintes pronunciamentos deste Conselho: EMENTA: IRPF NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Demonstrado que o contribuinte conhecia perfeitamente as acusações e exerceu plenamente o contraditório, descabida a pretensão de ver declarado nulo o procedimento por cerceamento do direito de defesa. (Acórdão nº 10419451, de 03/07/2003, da 4a. Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a Fl. 229DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. (Acórdão nº 10614450, de 24.02.2005, da 6a. Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). Ademais, a fiscalização deve buscar os esclarecimentos que entender serem necessários à formulação da acusação fiscal. Se estes são insuficientes para comprovar o fato jurídico tributário indicado no lançamento, caberá ao órgão julgador se manifestar nesse sentido, como efetivamente o fez a decisão a quo. Novo prazo de trinta dias foi assegurado ao contribuinte para contraditar, esclarecer e apresentar provas em relação às questões decididas pelo juízo de primeiro grau. Se assim não procedeu é porque carece de elementos probatórios para dar suporte às suas alegações. À guisa de argumentação, em relação a obtenção dos dados relativos à movimentação bancária, cabe ainda esclarecer que o art. 38 da Lei nº 4.595, de 1964, já autorizava a ação fiscal, conforme se depreende de sua leitura: Art. 38. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 5º Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6º O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames serem conservados em sigilo, não podendo ser utilizados se não reservadamente. § 7º A quebra do sigilo de que trata este artigo constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, aplicandose, no que couber, o Código Penal e o Código de Processo Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis. Referida norma enumerava apenas dois requisitos para permitir ao Fisco o exame de documentação bancária: a existência de um processo instaurado e a manifestação da autoridade competente considerandoa indispensável. Não havia a exigência de autorização judicial. Da mesma forma, o artigo 197, inciso II, impõe a obrigação de os bancos e outras instituições financeiras prestarem informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: Art.197 Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10540.000722/200795 Acórdão n.º 210101.784 S2C1T1 Fl. 5 9 (...) Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. No que se refere às investigações fiscais, o art. 8º da Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determina: Art. 8º Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n.º 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único. As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de 10 (dez) dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento deste prazo, a penalidade prevista no § 1º do art. 7º. O cumprimento das normas legais acima transcritas pelas autoridades administrativas, além de correta, era obrigatória, em razão do caráter vinculado de sua função. Com a Lei Complementar nº 105/2001, a fiscalização somente pode requisitar os extratos bancários se houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames fossem considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Ao mesmo tempo em que a Legislação dá ao Fisco esta prerrogativa, ela impõe aos servidores públicos – aos quais vierem a ter conhecimento, por dever de ofício, das informações bancárias e mesmo àquelas protegidas pelo manto do sigilo fiscal – sérias restrições, inclusive com a tipificação penal do ato de revelar fato de que tenha ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo. Ainda sobre possível violação da ordem constitucional pela Lei Complementar nº 105, de 2001, vale ressaltar que o lançamento é ato administrativo de aplicação da norma tributária ao caso concreto. Não caberia, portanto, à fiscalização se posicionar acerca da inconstitucionalidade da lei que o embasou o procedimento fiscal. Presumese, inclusive, que os princípios constitucionais tributários e também os garantidores de direitos fundamentais encontrem na lei sua aplicação imediata. Antes de ser aprovada pelo Congresso Nacional o projeto de lei tramita por várias comissões que aquilatam sua constitucionalidade. Após essa fase, o presidente da República a sanciona. Ao poder Judiciário, cumpre velar pela constitucionalidade das leis, através do controle a posteriori. No âmbito do processo administrativo tributário, os acórdãos proferidos pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais são uníssonos a esse respeito, consoante esclarece a ementa da Súmula nº 02. Confirase: Súmula CARF nº 2: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 10 Não é outro o balizado pronunciamento do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134) sobre a matéria: (...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumprila sujeitase à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratandose de inconstitucionalidade já declarada. Este Colegiado reiteradamente tem se manifestado pela possibilidade de acesso às informações financeiras dos contribuintes, com amparo na Lei Complementar nº 105, de 2001, inclusive em relação aos fatos ocorridos em momento anterior à sua publicação, nos termos do § 1º do artigo 144 do CTN. O acesso aos dados financeiros constitui uma das formas de obtenção de elementos para configurar os fatos econômicos possíveis de subsunção à hipótese de incidência do tributo. Assim, dita norma inserese no campo do Direito Adjetivo ou Direito Processual Tributário, característica que lhe permite ação sobre os fatos pendentes. Existem diversos tipos de informações pessoais que a lei obriga ou permite que sejam comunicadas aos poderes públicos em diversos momentos da vida do cidadão. Por exemplo, o patrimônio individual deve ser informado na declaração de ajuste anual, os rendimentos devem ser informados pelas fontes pagadoras. Em nenhum destes casos está sendo violados princípios constitucionais garantidores de direitos fundamentais. Por outro lado, cabe ressalvar que o nosso ordenamento constitucional, na medida em que prevê a proteção à privacidade, igualmente chancela, no seu art. 145, parágrafo 1º, o direito da administração pública de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. É desnecessário afirmar que sobre a administração tributária também pesa o dever do sigilo. Neste contexto, o jurista Hugo Brito de Machado se pronunciou: “não tivesse a Administração Pública a faculdade de identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, não poderia tributar, a não ser na medida em que os contribuintes, espontaneamente, declarassem ao fisco os fatos tributáveis. O tributo deixaria de ser uma prestação pecuniária e compulsória, para ser uma prestação voluntária, simples colaboração do contribuinte, prestada ao Tesouro Público” (Caderno de Pesquisas Tributárias, vol. 18 – Editora Resenha Tributária – São Paulo/1993). No mesmo diapasão, o ProcuradorGeral Adjunto da Fazenda Nacional Aldemário Araújo Castro, no artigo intitulado “A constitucionalidade da transferência do sigilo bancário para o fisco preconizada pela Lei Complementar nº 105/2001”, disponível na Internet no “site” http://www.aldemario.adv.br, destaca com propriedade que: Importa ainda ressaltar que o conhecimento das operações bancárias pelo Fisco não significa quebra do sigilo bancário. A idéia de quebra está relacionada com a comunicação ou informação prestada a terceiros, de forma ampla, dos dados protegidos. Não há quebra quando as informações são transferidas, por razões juridicamente aceitáveis, com a manutenção do traço sigiloso por parte do novo conhecedor. Assim, quando o Fisco toma conhecimento de informações financeiras dos contribuintes não o faz com o intuito ou com o fim de divulgálas para terceiros. Pelo contrário, todos os Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10540.000722/200795 Acórdão n.º 210101.784 S2C1T1 Fl. 6 11 agentes fiscais estão obrigados a resguardar as informações manuseadas sob pena responsabilidade penal e administrativa. Por fim, a contribuinte requer em seu recurso voluntário que se realize diligência a fim de se obter documento que ela própria deveria ter trazido aos autos. O que pede, em síntese, é a produção de prova documental que ela mesma já deveria ter providenciado, para se contrapor à acusação fiscal. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração (fls. 11/12), o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada falta de recolhimento do IRRF sobre pagamentos efetuados a beneficiários não identificados, com suporte no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995. É induvidoso que o numerário não entrou no caixa da empresa Padrãomil, conforme indica a escrita contábil da autuada, tendo em vista que os cheques foram compensados. Todos sabem que cheque compensado é pagamento de banco para banco. Forçoso concluir, portanto, que os recursos saídos das contas bancárias da autuada não foram sacados e colocados no caixa da mesma empresa. A contribuinte teve mais de seis meses, durante o procedimento de fiscalização, para comprovar os beneficiários dos oito cheques compensados em suas contas correntes do Banco do Brasil e Banco Mercantil, conforme Demonstrativo à fl. 18, no montante de R$122.658,34, e não apresentou qualquer documentação fiscalcontábil que os identifique. Após seis anos da ciência do Auto de Infração ainda permanece inerte. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado no sentido de não deferir pedidos de diligência e perícia, por impertinentes, tal como consta das ementas a seguir transcritas: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender impraticáveis ou prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Em face ao exposto, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, nego provimento ao recurso. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 12 (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000801/2009-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 00 80 1/ 20 09 -2 8 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000801/200928 Resolução nº 3801000.429 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento – PER de créditos da Cofins de incidência nãocumulativa apurados no mercado interno no qaurto trimestre do anocalendário 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis – DRF/FNS proferiu Despacho Decisório no qual indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em vista de que, apesar de reiteradamente intimada, a contribuinte não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF nº 86/2011 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001 passíveis de aproveitamento. Fundamenta a autoridade fiscal que as inconsistências nos arquivos digitais e nos arquivos do SINCO Notas Fiscais, principalmente em relação aos créditos e débitos relativos aos itens das notas fiscais, não permitiram a corroboração dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON, tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Inconformada com o indeferimento do pedido, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade na qual alega que: conforme despacho decisório houve somente alguns arquivos digitais apresentados com supostas inconsistências; em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins nº 15/2001 e seus anexos; os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais – SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; os arquivos digitais abriram de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados e respeitando os parâmetros do ADE nº 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontram atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; Fl. 454DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000801/200928 Resolução nº 3801000.429 S3TE01 Fl. 4 3 o ADE nº 15/01 e a Instrução Normativa nº 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito está constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos. E conclui: Lembrese: todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador. Problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário com as seguintes alegações: a decisão de primeira instância possui grave contradição em suas próprias conclusões; a recorrente apresentou vários arquivos magnéticos em resposta às intimações efetuadas; Fl. 455DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000801/200928 Resolução nº 3801000.429 S3TE01 Fl. 5 4 apenas alguns desses arquivos apresentaram pequenas inconsistências, em grande parte geradas por conflito entre os formatos dos arquivos; se apenas parte dos arquivos não pode ser verificada por apresentar inconsistências (geradas apenas por erros de leitura dos arquivos), seria indispensável a realização de diligência para verificar tais informações; somente em questões pontuais a fiscalização ficou em dúvida; é desproporcional e desarrazoado indeferir a totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitou dúvidas à fiscalização; a escrita fiscal da recorrente está e sempre esteve inteiramente à disposição da fiscalização, e possui todas as informações necessárias a comprovação do crédito requerido; quanto à suposta impossibilidade de análise dos arquivos magnéticos, por estes estarem supostamente em desacordo com a legislação, a decisão de primeira instância deixou de levar em consideração os ditames do próprio art. 65 da IN SRF 900/08; cumpriu rigorosamente o requisito formal estabelecido no art. 65 da IN SRF 900/08, uma vez que todos os arquivos digitais apresentados forma validados através do SVA, e demonstram de forma clara e precisa a origem do crédito requerido; o direito a crédito dos contribuintes, especificamente no caso dos tributos nãocumulativos, é garantido constitucionalmente e legalmente; junta ao presente recurso dois DVDS que contém todas as informações necessárias para a verificação do crédito, nas extensões específicas requeridas pela fiscalização; o indeferimento do Pedido de Restituição não é cabível quando o motivo é a não apresentação de documentos requeridos, ensejando apenas o arquivamento do pedido nos termos do art. 40 da Lei 9.784/99 e no art. 103 do Decreto 7.574/11; o arquivamento do Pedido de Ressarcimento até o cumprimento das exigências fiscais é medida que se impõe a Administração, por força de Lei. Colaciona jurisprudência administrativa. Por fim, requereu que o recurso fosse conhecido e provido para: a) reconhecer o crédito pleiteado no presente pedido de ressarcimento; b) seja determinada a realização de diligência para verificar a existência do crédito. Em complemento as razões do recurso voluntário, a recorrente apresentou petição com os seguintes argumentos: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000801/200928 Resolução nº 3801000.429 S3TE01 Fl. 6 5 os prazos constantes das intimações fiscais para a apresentação dos documentos não permitiram à empresa a conversão de todos os arquivos digitais que comprovam os créditos para o formato exigido pelo agente fiscalizador; a COREC determinou que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012; sendo norma procedimental que beneficia a empresa, deve ser aplicada retroativamente em respeito ao art. 106, II, “b” do CTN; consequentemente, os documentos magnéticos para a comprovação dos créditos poderiam ser apresentados em até 110 dias. Por último, requereu que fosse aplicado o ADE 3/2012 ao presente processo. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000801/200928 Resolução nº 3801000.429 S3TE01 Fl. 7 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tenhase presente que após a Emenda Constitucional 42/2003 a não cumulatividade das contribuições PIS e Cofins foi assegurada constitucionalmente. As Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com as alterações posteriores, disciplinam o regime da nãocumulatividade das contribuições PIS e Cofins, respectivamente. Para o exercício da nãocumulatividade das contribuições essas leis asseguram ao sujeito passivo o direito de descontar créditos sobre custos e despesas enumerados nos respectivos atos legais citados. A Instrução Normativa RFB nº 900, de30 de dezembro de 2008, estabelecia: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) (grifouse) Posto, em tese, o direito do contribuinte, passase ao exame da situação fática probatória. Do exame dos autos administrativos, constatase que por diversas vezes a recorrente foi intimada a comprovar o seu direito creditório. Em atendimento às diversas Fl. 458DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000801/200928 Resolução nº 3801000.429 S3TE01 Fl. 8 7 intimações apresentou uma série de arquivos magnéticos, conforme recibo de entrega de arquivos digitais. Por seu turno, a autoridade fiscal ao examinar os arquivos digitais identificou uma série de inconsistência e/ou formato incompatíveis com o ADE COFIS 15/2001. É fato que a recorrente sempre atendeu as intimações da autoridade fiscal, ainda que de forma deficiente, situação admitida em seu recurso voluntário. O indeferimento do pedido de ressarcimento com a justificativa de inconsistências nos arquivos digitais apresenta se desproporcional ao direito da contribuinte. Convém ressaltar que eventuais erros na apresentação dos arquivos digitais não são elementos suficientes para afastar o direito de ressarcimento/compensação previsto na lei de regência, pois o Estado não deve se enriquecer ilicitamente. A questão relevante é que a recorrente de forma sistemática procurou comprovar o seu direito creditório, inclusive a fiscalização admitiu que parte dos arquivos digitais estavam corretos. Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto da informação fiscal: “Na ocasião foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal, Solicitação de Documentos (fls. 305/306), tendo o interessado disponibilizado a maior parte dos documentos solicitados. (grifouse) Além do mais, apresentou novos arquivos digitais supostamente sem inconsistências, conforme consta em seu recurso voluntário. De sorte que não se compartilha com a tese de indeferimento do ressarcimento por eventuais inconsistências nos arquivos magnéticos, mormente quando ficou comprovado que a recorrente reiteradamente procurou solucionálas. Quanto ao argumento de que o prazo hábil para a apresentação dos arquivos magnéticos deve ser de 110 dias, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 03/2012, publicado no DOU em 15/08/2012, não assiste razão à recorrente. Este ato Declaratório foi emitido para o atendimento de uma situação específica, qual seja, o atendimento de intimações eletrônicas. Assim, este dispositivo legal não produz quaisquer efeitos em relação às intimações das autoridades fiscais, não eletrônicas. Ademais, não se trata de norma procedimental, pois alcança um universo específico de contribuintes, logo não se aplica o princípio da retroatividade benigna disposto no art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Destarte, na solução deste litígio adotase como prazo para a apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por parte da recorrente o disposto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001 (DOU de 23/10/2001, pág. 18), in verbis: Art. 2o As pessoas jurídicas especificadas no art. 1o, quando intimadas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras.(grifouse) Fl. 459DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000801/200928 Resolução nº 3801000.429 S3TE01 Fl. 9 8 Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente, visto que esse litígio administrativo tem como objeto principal o ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep ou da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar os créditos da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15979.000041/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2006
Ementa:
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA.
Não afastada pelo contribuinte a prática de atividade vedada, deve ser mantido o ato de exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1102-000.605
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2006 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. Não afastada pelo contribuinte a prática de atividade vedada, deve ser mantido o ato de exclusão do SIMPLES.
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Recorrida 1ª TURMA DRJ CPS Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. Não afastada pelo contribuinte a prática de atividade vedada, deve ser mantido o ato de exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente da turma), João Carlos Lima Júnior (vicepresidente), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Eduardo de Andrade e Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 15979.000041/200610 Acórdão n.º 110200.605 S1C1T2 Fl. 83 2 Relatório Tratase de sociedade, cujo objeto social (fls. 04/07) descreve como atividades a prestação de serviços de assistência empresarial e serviços administrativos para terceiros afetas a comércio exterior, que foi excluída do SIMPLES através do Ato Declaratório Executivo DRF/STS n.º 61, de 04 de dezembro de 2006 (fl. 33), com base no art. 9º, VIII, da Lei n.º 9.317/06. Cientificada da exclusão, pugnou a Recorrente pela concessão de efeitos prospectivos ao Ato de Exclusão, com base no “princípio geral da ciência dos atos” (fl. 40), sem negar a prática dos atos que ensejaram a medida. A DRJ de Campinas julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 54/56), em razão da expressa vedação da Lei n.º 9.317/96 quanto à prestação de serviços de consultoria. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 61/66), aduzindo, em síntese, que não prestaria serviços de consultoria, apenas “serviços de escritório”, transcrevendo conceitos de consultor e acrescentando que os sócios não teriam qualificação para emitir pareceres ou prestar consultoria. Para comprovar as suas alegações, a Recorrente juntou notas fiscais emitidas no anocalendário de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. De início, registro que a Recorrente, ao apresentar Manifestação de Inconformidade, não infirmou os fatos que ensejaram o ato de exclusão, limitouse a requerer a concessão de efeitos prospectivos, sem juntar qualquer documento ou prova aos autos do processo. Apenas após a decisão da DRJ, defendeu que apenas prestaria serviços de escritório, não caracterizados como de consultoria, colacionando aos autos cópias de notas fiscais emitidas no anocalendário de 2005 (fls. 71/73). Além de não negar na Manifestação de Inconformidade a prática de serviços de consultoria, expressamente descritos na Cláusula Segunda do seu contrato social (“Os serviços executados serão de assessoria e consultoria no âmbito de atividades afetas a comércio exterior”), a Recorrente limitouse a apresentar 3 (três) notas fiscais, com a descrição de prestação de serviços, não se desincumbindo do ônus de comprovar a ausência de prestação de serviços de consultoria. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME Processo nº 15979.000041/200610 Acórdão n.º 110200.605 S1C1T2 Fl. 84 3 SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por JOAO OTAV IO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 13858.000177/2002-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas,
produtos intermediários e materiais de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara
Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-001.900
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido de votar.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Nanci Gama
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Fl. 454DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte em face ao acórdão de nº 20181444, proferido pela Segunda Câmara da Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF, a qual, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário para entender que os valores relativos às aquisições de pessoas físicas e cooperativas não devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI, bem como para entender que os fertilizantes, adubos e defensivos agrícolas não são caracterizados como insumos, não podendo, portanto, serem incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI, conforme ementa a seguir: “CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno. FERTILIZANTES, ADUBOS E DEFENSIVOS AGRÍCOLAS. MATÉRIAPRIMA E PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Somente as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem podem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI. Não se caracterizam como tais os fertilizantes, adubos e defensivos agrícolas, que não são utilizados na fabricação de produtos industrializados. Recurso voluntário negado.” Inconformado, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência suscitando que o acórdão a quo deveria ser reformado no que se refere à parte em que não reconheceu o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, eis que haveria acórdãos paradigmas que teriam entendido que a base de cálculo do crédito presumido de IPI deveria ser determinada considerando o “valor total” das aquisições dos insumos, em consonância ao que dispõe os artigos 1º e 2º da Lei 9.363/96, sendo indiferente se aludidas aquisições foram oriundas de pessoas jurídicas, pessoas físicas ou de cooperativas. Em exame de admissibilidade realizado às fls. 435/436 o i. Presidente da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 439/451 requerendo fosse negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte para que fosse integralmente mantido o acórdão a quo. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13858.000177/200247 Acórdão n.º 930301.900 CSRFT3 Fl. 433 3 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pelo contribuinte é tempestivo e preenche os requistos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual dele conheço. A controvérsia cingese em determinar se as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, ou seja, de não contribuintes do PIS e da Cofins, devem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Na verdade, aludida controvérsia existe por conta da publicação das Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de nos 23/97 e 103/97, as quais limitam os artigos 1º e 2º da Lei 9.363/96, impondo que o direito ao crédito presumido de IPI somente pode ser configurado para aquisições de pessoas jurídicas, sendo excluídas, ainda, as aquisições de cooperativas. Em ambos os casos, o fundamento para essas Instruções Normativas é o mesmo, qual seja, o de que o benefício do crédito presumido de IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e Cofins, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor exportador, houver incidência dessas contribuições sociais. Eis as suas transcrições: IN SRF n° 23/97: “Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.” IN SRF n° 103/97: “Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido.” A matéria já foi objeto de diversos julgados nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo pertinente trazer à tona as conclusões do doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira1, mencionado no voto da nobre conselheira Maria Teresa Martínez López, quando do julgamento do Recurso Especial nº 215.839: “VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM 1 DE OLIVEIRA, Ricardo Mariz in “Crédito Presumido de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS – direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas” Fl. 456DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas Fl. 457DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13858.000177/200247 Acórdão n.º 930301.900 CSRFT3 Fl. 434 5 as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas).” E, como muito bem dito em referido voto proferido pela ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez López, “na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício”. Inclusive, em diversos julgados, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou nesse sentido, a saber: 1)“(...) mesmo quando o produtorexportador adquire matéria prima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física, paga, embutido no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo.(...)” 2 2)“TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS – INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO JULGADO A QUO – ART. 1º DA LEI N. 9.363/96 – RESTRIÇÃO PELA IN 23/97 DA SECRETARA DA RECEITA FEDERAL – ILEGALIDADE. 1. A controvérsia restringese à limitação da incidência do art. 1º da Lei n. 9.363/96, imposta pelo art. 2º, § 2º da IN 23/97, da Secretaria da Receita Federal, que determina que o benefício do 2 REsp 529.758SC, STJ, Ministra Eliana Calmon. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas. 2. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do julgado a quo. 3. Ora, uma norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem a faculdade de limitar o alcance de um texto de lei. A jurisprudência do STJ posicionase no sentido da ilegalidade do art. 2º, §2º da IN 23/97. Recurso especial improvido.” 3 (grifouse) 3)“TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. LEI Nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALEXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. POSSIBILIDADE. DESCABIMENTO DE DISTINÇÃO ENTRE FORNECEDOR DE INSUMOS PESSOA JURÍDICA OU PESSOA FÍSICA. ILEGALIDADE DE IN –SRF 23/97. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃOPROVIDO. 1. O apelo especial da Fazenda Nacional prendese à alegativa de que a utilização do incentivo fiscal do art. 1º da Lei 9.363/96 deve observar as limitações impostas pela IN SRF 23/97, tese rechaçada pelo acórdão recorrido, que negou provimento à apelação movida pelo órgão fazendário. 2. Contudo, o inconformismo não merece acolhida, na medida em que o entendimento aplicado pelo julgado atacado está em sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual, não havendo a Lei 9.363/96 feito distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas (não contribuintes do PIS/PASEP) e fornecedores pessoas jurídicas, não poderia têlo feito a IN SRF 23/97, que é de todo ilegal e descaracteriza o favor fiscal em tela. Nesse sentido o julgado: De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI ” (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram 3 REsp 719.433CE, STJ, Ministro Humberto Martins. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13858.000177/200247 Acórdão n.º 930301.900 CSRFT3 Fl. 435 7 acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. 4. Precedentes: Resp 627.941/CE, DJ 07/03/2007, Rel. Min. João Otávio de Noronha; Resp 644.789/CE, DJ 04/12/2006, Rel. Min. Denise Arruda; Resp 617.733/CE, DJ 24/08/2006, Rel. Min. Teori Albino Zavascki; REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005; Resp 813.280,/SC, DJ 02/05/2006, de minha relatoria; Resp 529.758/SC, DJ 20/02/2006, Rel. Min. Eliana Calmon; Resp 586.392/RN, DJ 06/12/2004, Rel. Min. Eliana Calmon. 5. Recurso especial nãoprovido.”4 (grifouse) Face ao exposto, voto no sentido de conhecer o recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte para, no mérito, darlhe provimento no sentido de reformar o acórdão a quo para reconhecer o direito do contribuinte ao benefício do crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas. Nanci Gama 4 REsp 921.397CE, STJ, Ministro José Delgado. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18471.001049/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO.
Devem ser considerados os créditos devidamente escriturados, nos casos de lançamento de ofício de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-001.323
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Os conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo da Costa Pôssas negam provimento pela perda do objeto.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
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DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser considerados os créditos devidamente escriturados, nos casos de lançamento de ofício de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo da Costa Pôssas negam provimento pela perda do objeto. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fez sustentação oral pela parte recorrente o advogado Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF 13.841. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.001049/200783 Acórdão n.º 3301001.323 S3C3T1 Fl. 734 2 ECISA ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA S/A A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 448/465 contra o acórdão nº 1318.397, de 28/12/2007, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ, DRJ/RJOII, fls. 425/435, que julgou procedente o auto de infração de fls. 81/83, decorrente de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago de Cofins, referente aos períodos de abril de 2005 a dezembro de 2006, cuja ciência ocorreu em 24/08/2007 (fl. 81). Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 79/80, a empresa excluiu indevidamente da base de cálculo receitas de aluguel, as quais não se encontram declaradas em DCTF. Menciona, ainda, a existência da Ação Ordinária nº 2001.51.01.0049462 com antecipação de tutela e posterior sentença, em 02/09/2003, no sentido de declarar a inobrigatoriedade do recolhimento da Cofins com a base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718/98, e sim pela LC nº 70/91. O referido Termo registra, também, que na ocasião fora lavrado auto de infração com exigibilidade suspensa, referente aos períodos de apuração de 31/08/2001 a 31/03/2005, sendo posteriormente o processo desmembrado em dois, um com os fatos geradores alcançados pela Lei nº 9.718/98, no qual foi mantida a suspensão da exigibilidade do crédito para o período de 31/08/2001 a 31/01/2004, e o outro com os fatos geradores alcançados pela Lei nº 10.833/03, para o período de 01/02/2004 a 31/03/2005, para o qual foi efetivada a cobrança correspondente. A DRJ indeferiu a solicitação entendendo que o aproveitamento dos créditos consiste em uma faculdade do contribuinte, descabendo o seu aproveitamento de ofício e, ainda, pela ausência de informação em Dacon. O acórdão consigna a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 COFINS. DISCUSSÃO JUDICIAL. NÃO ABRANGÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. CONSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. CABIMENTO. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICAÇÃO. CABIMENTO. Quando a decisão judicial proferida, ainda que favorável ao contribuinte, não alcança os fatos geradores objeto de lançamento, cabível não somente a constituição da contribuição devida, mas também a dos acréscimos relativos à multa de ofício. COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO EM DACON. O aproveitamento de créditos no regime de incidência não cumulativa da contribuição consiste em faculdade do contribuinte, descabendo o seu aproveitamento ex officio, quando não se comprove documentalmente a sua existência e o próprio autuado não exerce o direito alegado na declaração competente. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.001049/200783 Acórdão n.º 3301001.323 S3C3T1 Fl. 735 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. IMPUGNAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Solicitação Indeferida Tempestivamente, em 07/07/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 448/465, no qual, em apertada síntese, repisa seus argumentos de defesa, os quais encontramse explicitados no pedido que abaixo se transcreve: (i) seja reconhecida a suspensão, por força de decisão judicial, da exigibilidade dos créditos tributários de COFINS supostamente incidentes sobre as receitas de locação da Recorrente (CTN, art. 151, V), e a conseqüente exclusão da multa de ofício (Lei 9.430/96, art. 63); (ii) seja reconhecido à Recorrente o direito de aproveitamento dos créditos de COFINS que lhe eram assegurados pelo art. 3° da Lei 10.833/03, independentemente de têlos feito constar nas DACON's apresentadas à RFB; (iii) sejam os créditos de COFINS apurados com base nos documentos acostados aos autos pelo i. Fiscal (fls. 27/68), os quais, segundo consta do próprio Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fl. 79), serviram para apuração da base de cálculo dos lançamentos fiscais; (iv) subsidiariamente, sejam os créditos de COFINS apurados de acordo com os créditos de PIS discriminados nas DACON's apresentadas pela Recorrente à RFB (fls. 191/421), mediante simples adequação do percentual a ser aplicado no cálculo de aferição; e (v) ainda subsidiariamente, sejam os autos baixados em diligência para que se proceda à perícia nos livros fiscais da Recorrente para apuração dos créditos de COFINS, inclusive aqueles decorrentes de despesas financeiras atreladas a contratos de empréstimo e financiamento que tenham sido celebrados antes da vigencia da Lei 10.865/04. Por meio da Resolução n° 210100.0036, de 04/06/2009 (fls. 473/477), a Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF converteu o julgamento do recurso em diligência para que fosse apurado o crédito pertinente à Cofins exigida no regime de incidência não cumulativa. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.001049/200783 Acórdão n.º 3301001.323 S3C3T1 Fl. 736 4 Em 26/02/2010, por meio do documento de fl. 488, a contribuinte desistiu do recurso, renunciando a todos os argumentos levantados no seu recurso voluntário, exceto em relação à possibilidade de aproveitamento dos créditos de contribuição não cumulativa, cuja apuração encontravase em curso. Visando ao cumprimento da diligência, os autos foram enviados à fiscalização (fl. 511v), dando origem aos documentos anexados às fls. 512/729 e ao Relatório de fls. 730/732, sendo encaminhado a este Conselho, para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Conforme relatado, o presente lançamento decorre de diferença de Cofins não cumulativa, referente aos períodos de abril de 2005 a dezembro de 2006. Por meio de Resolução, este Conselho converteu o julgamento do recurso em diligência para que fosse apurado o crédito pertinente à Cofins exigida no regime de incidência não cumulativa. Na sequência, a interessada desistiu do recurso, exceto em relação à possibilidade de aproveitamento dos referidos créditos apurados por meio da diligência solicitada. A apuração dos créditos pertinentes deuse motivada pela busca da verdade real, de modo a evitar o enriquecimento sem causa pelo fisco, conforme direito reconhecido em situação análoga, acórdão nº 20181526, de 05/11/2008, referente ao direito ao crédito de IPI. Nessa toada, entendo justo o pleito da contribuinte devendo ser abatidos de seus débitos o crédito apurado. Isto posto, dou provimento parcial ao recurso tão somente para que sejam abatidos dos débitos lançados os respectivos créditos apurados pela diligência, conforme fls. 730/732, dos presentes autos. É como voto. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 18471.001049/200783 Acórdão n.º 3301001.323 S3C3T1 Fl. 737 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/ 2012 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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