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Numero do processo: 10166.728325/2011-82
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PAF. INTIMAÇÃO. NULIDADE.
A intimação por edital, no processo administrativo tributário, tem caráter subsidiário e somente se legitima quando resultar improfícua uma das formas de intimação previstas no caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, dentre elas a intimação por via postal, que somente se aperfeiçoa com a prova de recebimento no domicílio eleito pelo sujeito passivo.
PAF. RECURSO. ADMISSIBILIDADE.
Não pode o contribuinte ser penalizado, com o não conhecimento de seu recurso voluntário, por conta da demora da Administração Tributária em reconhecer, ou não, o seu direito à reabertura do prazo recursal, mormente quando manifesto o erro cometido pelo Fisco. É inconcebível que o contribuinte tenha de suportar um prejuízo que não deu causa.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Existindo pagamento parcial do tributo até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4).
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Se o próprio acordo prevê que a pensão será paga enquanto durar a menoridade, descabe a dedução após o referido lapso temporal.
Preliminar de Nulidade do Edital de Intimação Acatada
Preliminar de Decadência Rejeitada
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de tempestividade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer pensão alimentícia no valor de R$ 78.486,93. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PAF. INTIMAÇÃO. NULIDADE. A intimação por edital, no processo administrativo tributário, tem caráter subsidiário e somente se legitima quando resultar improfícua uma das formas de intimação previstas no caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, dentre elas a intimação por via postal, que somente se aperfeiçoa com a prova de recebimento no domicílio eleito pelo sujeito passivo. PAF. RECURSO. ADMISSIBILIDADE. Não pode o contribuinte ser penalizado, com o não conhecimento de seu recurso voluntário, por conta da demora da Administração Tributária em reconhecer, ou não, o seu direito à reabertura do prazo recursal, mormente quando manifesto o erro cometido pelo Fisco. É inconcebível que o contribuinte tenha de suportar um prejuízo que não deu causa. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Existindo pagamento parcial do tributo até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Se o próprio acordo prevê que a pensão será paga enquanto durar a menoridade, descabe a dedução após o referido lapso temporal. Preliminar de Nulidade do Edital de Intimação Acatada Preliminar de Decadência Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte
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INTIMAÇÃO. NULIDADE. A intimação por edital, no processo administrativo tributário, tem caráter subsidiário e somente se legitima quando resultar improfícua uma das formas de intimação previstas no caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, dentre elas a intimação por via postal, que somente se aperfeiçoa com a prova de recebimento no domicílio eleito pelo sujeito passivo. PAF. RECURSO. ADMISSIBILIDADE. Não pode o contribuinte ser penalizado, com o não conhecimento de seu recurso voluntário, por conta da demora da Administração Tributária em reconhecer, ou não, o seu direito à reabertura do prazo recursal, mormente quando manifesto o erro cometido pelo Fisco. É inconcebível que o contribuinte tenha de suportar um prejuízo que não deu causa. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Existindo pagamento parcial do tributo até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Se o próprio acordo prevê que a pensão será paga enquanto durar a menoridade, descabe a dedução após o referido lapso temporal. Preliminar de Nulidade do Edital de Intimação Acatada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 83 25 /2 01 1- 82 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 142 2 Preliminar de Decadência Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de tempestividade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer pensão alimentícia no valor de R$ 78.486,93. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 88/90 deste processo digital), reproduzido a seguir: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/BrasíliaDF. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fls. 25/33): Imposto: 30.603,97 Multa Proporcional (Passível de Redução): 22.952,97 Juros de Mora (calculados até 31/10/2011): 14.466,49 Total do Crédito Tributário Apurado: 68.023,43 O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa de R$ 103.300,00, por falta de apresentação da Petição Inicial ou Sentença/Acordo Homologado Judicialmente, onde consta a determinação para o pagamento da pensão. Enquadramento legal nos autos (fl. 28). Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 143 3 Dedução Indevida de Dependente. Glosado o valor, pois o Sr. Diogo apresentou Declaração de Ajuste Anual em separado. Enquadramento legal nos autos (fl. 27). Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosas de R$ 97,00 (Clínica de Ortopedia e Fisiatria), por falta de previsão legal, e de R$ 4.000,00 (CBV), por estar o comprovante em nome de outrem. Enquadramento legal nos autos (fl. 28). Dedução Indevida de Despesa com Instrução. Glosa de R$ 2.373,84, pois a despesa é relativa ao Sr. Diogo, que apresentou Declaração de Ajuste Anual em separado. Enquadramento legal nos autos (fl. 29). O contribuinte apresenta impugnação (fls. 36/40), na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: O impugnante foi comunicado, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 699/2011, a apresentar, entre outros, os seguintes elementos: 1. Petições apresentadas ao juízo que homologou os acordos de Prestação de Alimentos; 2. 2. Comprovante de pagamento da Pensão Alimentícia. Em atendimento à intimação, foram apresentados os Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Física das duas fontes de rendimentos do contribuinte: Tribunal de Contas da União e Tribunal de Contas do Distrito Federal, onde constavam os nomes e os CPFs dos beneficiários dos alimentos: Ricardo Ginicolo Bacelette (CPF 710.086.32104) e Diogo Junqueira Bacelette (CPF 351.984.40876), bem como os respectivos valores. Foram juntados, ainda, ofícios judiciais determinando a dedução das pensões, com indicação dos beneficiários e dos valores a pagar. Registra que os processos, onde foram acordados e homologados os alimentos, correram em órgãos do Judiciário de São Paulo, um dos feitos em 1994 e o outro em 1997, o que dificulta a obtenção dos documentos exigidos. De plano, verificase incoerência entre o termo de intimação fiscal e o auto de infração. No primeiro pediuse somente: "1. Petições apresentadas ao juízo que homologou os acordos de Prestação de Alimentos". Já no auto de infração a autuação foi motivada porque o contribuinte não apresentou petição e sentença. Ora, a sentença não foi pedida no termo de intimação fiscal nº 699/2011 e, assim, o impugnante está sendo autuado, inclusive, por não ter apresentado documento que não foi exigido na intimação fiscal. Assim, se tivesse apresentado exatamente o que foi pedido no termo de intimação fiscal, apenas as petições, também teria sido autuado. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 144 4 Outrossim, os ofícios judiciais, bem como os Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Física, relativos às duas fontes de rendimentos do contribuinte, Tribunal de Contas da União e Tribunal de Contas do Distrito Federal, fazem prova bastante de que os alimentos foram descontados durante o exercício de 2006 por força de determinação judicial. Ofícios do juiz são ordens que devem ser rigorosamente cumpridas pelos destinatários, os responsáveis pelas folhas de pagamento do TCU e do TCDF, sob pena de incidirem no crime de desobediência, previsto no art. 330 do Código Penal. Os ofícios indicavam claramente que eram resultantes de sentenças homologatórias de acordos firmados em juízo, informando os números dos processos onde as decisões foram exaradas. Além disso, o TCU e o TCDF não irão efetivar a dedução e o pagamento de pensões alimentícias sem que seja por ordem judicial. Se o fizerem, os responsáveis estarão sujeitos à devolução dos valores descontados indevidamente e responsabilização pelo crime de prevaricação (Código Penal, art. 319). Em nenhuma das normas mencionadas no Auto de Infração estão especificados os meios de prova cabíveis, o que induz que qualquer prova idônea deve ser aceita. E não há prova mais idônea do que um ofício judicial impondo uma obrigação a servidores públicos. Transcreve a questão 340 sobre o IRPF e a respectiva resposta. Demonstrouse, cabalmente, por meio dos ofícios judiciais que as pensões não foram pagas por mera liberalidade e, portanto, são dedutíveis, não incidindo na vedação da questão 340. Assim, o AFRFB extrapolou a legislação ao pedir documentos não previstos nas normas. Demonstrada a improcedência parcial do lançamento, requer sua revisão, relativamente à dedução de pensão alimentícia no valor de R$103.300,00. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. Somente são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 145 5 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DEDUÇÕES INDEVIDAS DE INSTRUÇÃO, DEPENDENTE E DE DESPESAS MÉDICAS. Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. Cópia da decisão de 1ª instância foi enviada aos Correios juntamente com a intimação de fl. 98. O campo “Unidade de Destino” do Aviso de Recebimento – AR (fl. 101) evidencia que os documentos foram recebidos na agência dos Correios em 21/09/2012. Os demais campos do AR estão em branco. A intimação da decisão de piso se deu, então, por intermédio do edital acostado aos autos em fl. 102, que foi afixado e desafixado na repartição fiscal, respectivamente, em 30/11/2012 e 17/12/2012. Em 05/02/2013 o Interessado apresentou o recurso de fls. 103/108, alegando, em síntese, que: Não consta do AR de fl. 101 qualquer informação de visita para entrega da intimação. No edifício em que reside há porteiro vinte e quatro horas por dia, nos sete dias da semana, como prova declaração da síndica que anexa ao recurso. Em 21/09/2012, data do carimbo no AR, os empregados do Correio estavam em greve, que se estendeu pelo período de 11/09/2012 a 28/09/2012, circunstância que se afigura como causa da ausência de qualquer tentativa de entrega da intimação. Não tendo ocorrido a intimação pessoal do contribuinte, não se pode alegar que a mesma tenha sido frustrada. Ainda assim fezse, indevidamente, a intimação por edital, afixado nos quadros de aviso da DRF/BSB. Precisando de certidão da RFB e da PGFN, o que não logrou obter pela internet, compareceu, em 29/01/2013, à DRF/BSB, quando soube do débito que lhe foi imputado e tomou conhecimento da decisão que julgou improcedente a impugnação. A seguir, obteve cópia dos autos em meio digital. Em decorrência da indevida intimação por edital afixado nos quadros de aviso da DRF/DF, perdeu o prazo para interpor o recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Considerar frustrada a intimação pessoal, que nem foi tentada, e submetêlo à intimação ficta, constitui um autoritário cerceamento ao contraditório e ao direito de defesa. O Direito sempre entendeu que as comunicações fictas dos atos processuais restringem o direito de defesa da parte, admitindoas apenas de forma excepcional, quando o intimado não for localizado ou estiver se ocultando, entendimento que restou consolidado com o surgimento da Lei nº 9.784/1999. O CARF entende que a intimação ficta somente é admitida quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 146 6 A jurisprudência dos tribunais firmouse no sentido de que o contribuinte, com domicílio tributário certo e reconhecido, deve ser intimado pessoalmente. Só pode ser considerado validamente intimado do acórdão recorrido em 29/01/2013, quando compareceu espontaneamente na DRF/BSB e obteve cópia dos autos por meio eletrônico. Ao final, requer a reabertura do prazo para interposição de recurso, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a expedição de certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, para provar os fatos alegados, por todos os meios admitidos em direito, particularmente pelos documentos que anexa, que comprovam a greve dos Correios na época da intimação postal e que há porteiros no edifício em que reside vinte e quatro horas por dia, nos sete dias da semana. Por intermédio da Informação Fiscal de fl. 114 o Interessado foi informado, em 22/05/2013, de que “não há previsão legal para prorrogação do prazo de impugnação previsto no Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Verificase ainda, que a petição apresentada não atende aos requisitos de uma impugnação prevista no art. 16 do próprio decreto. Sendo assim, considerase definitivo o crédito tributário na esfera administrativa”. Na mesma data (22/05/2013), o contribuinte foi intimado a recolher o débito em litígio, pena de encaminhamento do processo à PGFN para cobrança executiva (AR à fl. 118). Em 20/06/2013 o Interessado apresentou a petição de fls. 119/133, por meio da qual reitera os pontos suscitados anteriormente e aduz, em complemento, que: TEMPESTIVIDADE Ofereceu impugnação ao item 003 do Auto de Infração (dedução indevida de pensão judicial) que foi julgada improcedente pelo acórdão recorrido. Para intimálo do acórdão, a DRF/BSB enviou correspondência com AR, cujos campos relativos ao recebedor, à assinatura do carteiro e às tentativas de entrega estão sem preenchimento, o que prova que não houve qualquer tentativa de intimação pessoal do contribuinte. Não tendo ocorrido a intimação pessoal do contribuinte, não se pode alegar que a mesma tenha sido frustrada. Ainda assim fezse, indevidamente, a intimação por edital, afixado nos quadros de aviso da DRF/BSB. Em virtude da ilegalidade da intimação ficta, requereu a reabertura do prazo para interposição de recurso voluntário, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa. O recurso foi indeferido sob o pretexto de inexistência de previsão legal para prorrogação do prazo de impugnação e de que a petição apresentada não atende aos requisitos legais. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 147 7 Não se trata de prorrogação de prazo, mas de ato ilegal que deve ser anulado de ofício pela Autoridade competente (Súmula 473 do STF e art. 53 da Lei nº 9.784/1999). O argumento de que a petição apresentada não atende aos requisitos legais também não é válido, diante dos princípios que regem a Administração Pública. Comunicou detalhadamente a ocorrência da nulidade absoluta da intimação realizada por edital. Bastava a Autoridade reconhecer o próprio erro e reabrir o prazo para o recurso voluntário. Entretanto, preferiu insistir no erro, comunicando ao Recorrente, por AR recebido em 22/05/2013, do indeferimento do pleito e intimandoo da cobrança. DECADÊNCIA A afoiteza com que a Autoridade tributária determinou a citação por edital, sem que tivesse havido a intimação por via postal, devese à iminente decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Isso porque o fato gerador relativo ao IRPF em questão ocorreu em 31/12/2006 e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado corresponde a 01/01/2007. Assim, o término do prazo decadencial de 5 anos ocorreu em 31/12/2012. Como a intimação da constituição do suposto crédito tributário ocorreu definitivamente em 22/05/2013, já havia sido atingido pela decadência. MÉRITO A comprovação de que os alimentos eram devidos por ordem judicial, com fundamento no direito de família, consta dos documentos e ofícios judiciais de fls. 4/8 e das petições, acordo e homologação judicial de fls. 52/77. Os valores das duas pensões foram deduzidos pelas fontes pagadoras e os dois beneficiários os incluíram nas respectivas declarações de ajuste anual. Assim, não seria possível cobrar IRPF do Recorrente sem restituir o imposto que os credores dos alimentos pagaram sobre eles. No que se refere aos descontos da pensão de Diogo Junqueira Bacellete, a despeito de a decisão da DRJ/BSB rejeitar a sólida comprovação, é claro que o valor é de 20% dos proventos de aposentadoria junto ao TCU e de 20% da remuneração junto ao TCDF. Ademais, nascido em 03/01/1993, sua idade era de treze anos em 2006. Os descontos da pensão de Ricardo são devidos nos moldes previstos no art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Embora tivesse, no anobase de 2006, completado a idade de 26 anos, Ricardo não trabalhava, contando para seu sustento com a pensão do pai, conforme decisão judicial e nos termos do art. 1.696 do Código Civil. A jurisprudência afirma que a cessação só pode se dar por ordem judicial, conforme Súmula nº 358 do STJ. Não há, na legislação do imposto de renda, qualquer limite etário à dedutibilidade dos alimentos prestados entre ascendentes e dependentes. Admitir o contrário é desrespeitar o princípio da legalidade estrita dos atos administrativos. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 148 8 O limite de idade para inclusão de filhos como dependentes, previsto no art. 77 do RIR/1999, não se estende ao dever de sustento e ao direito de dedução dos alimentos na declaração de imposto de renda quando a pensão é fixada em juízo. A decisão recorrida inova o disposto em lei. Se a lei é expressa ao permitir o desconto da pensão alimentícia fixada judicialmente sem qualquer restrição de idade, não poderia o Fisco legislar e limitar tal direito. Nesse sentido, destacase a jurisprudência do TRF1 e do CARF. PEDIDO Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso para: I – Preliminarmente Anular a intimação por edital, por não ter sido efetuada qualquer tentativa da intimação postal; Suspender a exigibilidade do crédito tributário para que se expeça certidão conjunta negativa ou positiva com efeitos de negativa; Considerar extinto o crédito tributário, pois o contribuinte foi intimado em 22/05/2013, após decorridos mais de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito, nos termos do art. 173, I, do CTN. II – No mérito Considerar válidas as deduções das pensões alimentícias pagas aos filhos Diogo Junqueira Bacelette e Ricardo Ginicolo Bacelette, por força do art. 78 do RIR/1999, e, por via de consequência, extinguir o crédito tributário. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator TEMPESTIVIDADE Aprecio, de início, a preliminar de nulidade da intimação por edital do acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/BSB. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 149 9 § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. A leitura do trecho transcrito revela que a intimação por edital, no processo administrativo tributário, tem caráter subsidiário e somente se legitima quando resultar improfícua uma das formas de intimação previstas no caput do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, dentre elas a intimação por via postal, que, por sua vez, somente se aperfeiçoa “com a prova de recebimento no domicílio eleito pelo sujeito passivo”. O Aviso de Recebimento AR de fl. 101 deste processo digital demonstra, de forma incontestável, a inexistência de prova do recebimento da intimação postal no domicílio do sujeito passivo, o que implica dizer que não se trata de tentativa de intimação frustrada, mas sim inexistência de qualquer tentativa de intimação do contribuinte. De conseguinte, mostrase ilegítima a intimação editalícia promovida pela DRF de origem, porquanto não comprovado que a intimação postal se mostrou infrutífera. Pelo contrário: o documento dos Correios acostado aos autos evidencia, a todas as luzes, que não houve qualquer tentativa de intimação postal. Nesse cenário, entendo que a intimação por edital da decisão de primeira instância é nula de pleno direito, não produzindo qualquer efeito neste processo administrativo fiscal. Emerge, no entanto, ainda no âmbito da admissibilidade recursal, questão relevante que merece, a meu ver, ser enfrentada por esta Turma de julgamento. É que o Interessado afirma ter comparecido, espontaneamente, à DRF/BSB em 29/01/2013 (terçafeira), quando obteve cópia dos autos. Significa dizer que teve ciência do acórdão recorrido na referida data, fluindo, a partir daí, o prazo de 30 dias para apresentação da insurgência recursal. Ocorre que Interessado, ao invés de apresentar o recurso voluntário, impugnou apenas a intimação ficta, em 05/02/2013, pleiteando a reabertura do prazo para interposição de recurso, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a expedição de certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, sem tecer qualquer consideração acerca do mérito da controvérsia. Somente após ter sido comunicado da impossibilidade de reabertura do prazo, de que o crédito tributário já havia sido constituído definitivamente na esfera administrativa e de ter sido intimado a recolher o débito objeto do presente processo, em 22/05/2013, é que o Interessado apresentou a petição de fls. 119/133, em 20/06/2013, deduzindo todas as suas razões recursais (preliminares e mérito). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 150 10 Eis o dilema que se apresenta a esta Turma de julgamento: ou se julga o recurso apresentado em 20/06/2013, intempestivo se considerado que a intimação ocorreu em 29/01/2013 (data que o contribuinte obteve cópia dos autos), ou se abstém de julgálo, mesmo diante dos erros grosseiros cometidos pela DRF de origem, que podem, inclusive, ter induzido o Interessado ao procedimento acima relatado (impugnação à intimação ficta e, posteriormente, apresentação do recurso). Não é crível supor que a legislação tenha almejado colocar este Colegiado em situação tão embaraçosa, condenandoo a jamais ter como se desincumbir, em casos desse jaez, da missão que lhe foi confiada de julgar os recursos voluntários apresentados pelos contribuintes. Como se equacionar, então, o problema? Não se pode olvidar que o Interessado, ainda dentro do prazo de 30 dias, impugnou a intimação ficta (05/02/2013), pleiteando a reabertura do prazo para interposição de recurso. Por outro lado, a negativa da Administração ocorreu tão somente em 22/05/2013, mas de forma equivocada, haja vista que a intimação da decisão recorrida não se aperfeiçoou, conforme demonstrado acima. Ora, não pode o contribuinte ser penalizado pela demora da Administração Tributária em reconhecer ou não o seu direito à reabertura do prazo, mormente quando manifesto o erro cometido pelo Fisco. É inconcebível que o Recorrente tenha de suportar um prejuízo que não deu causa. Por essas razões, Ilustres Conselheiros, entendo que se deve considerar, como data da intimação da decisão recorrida, a data que o contribuinte foi cientificado, equivocadamente, da impossibilidade de reabertura do prazo recursal (dia 22/05/2013). Em decorrência, o recurso se apresenta como tempestivo, porquanto interposto em 20/06/2013, dentro do prazo de 30 dias previsto na legislação que regula o processo administrativo fiscal, devendo, a meu ver, ser conhecido, posto presente os demais requisitos de admissibilidade. Nada obstante, se dúvida existe sobre o cabimento do recurso, cabe a nossa Presidente colher, por primeiro, os votos de todos os julgadores acerca do cabimento ou não do recurso. Se a maioria repelir o conhecimento, encerrase o julgamento. Se admitir, passo, imediatamente, ao exame do mérito. Conhecido o recurso, passo à análise da preliminar de decadência e do mérito da controvérsia. DECADÊNCIA Conhecido o recurso, passo à análise da preliminar de decadência e do mérito da controvérisa. Já decidiu o STJ, em sede de recurso repetitivo (Resp nº 973.733), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 151 11 recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele me que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso concreto, o débito referese ao imposto de renda, tributo sujeito a lançamento por homologação, e houve recolhimentos durante o anocalendário de 2006 (comprovante de rendimentos à fl. 11). Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do § 4º do art. 150 do CTN, cujo termo a quo é a data da ocorrência do fato gerador (31/12/2006). A folha de rosto do Auto de Infração, à fl. 25 deste processo digital, revela que o mesmo foi lavrado em 24/11/2011 e o Aviso de Recebimento de fl. 34 demonstra que o Interessado foi cientificado do lançamento em 01/12/2011. Assim, descabe falar em decadência, porquanto o lançamento se completou dentro do prazo de cinco anos previsto para constituição do crédito tributário. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA No mérito, versa a controvérsia sobre as deduções das pensões alimentícias pagas aos filhos do Recorrente, Diogo Junqueira Bacelette e Ricardo Ginicolo Bacelette. Às fls. 57/61 deste processo digital foi anexada a petição de acordo em “Ação de Divórcio Judicial” de Luiz Roberto Pereira Bacelette, ora Recorrente, e Iara Ginicolo Bacelette, que foi homologado pelo “Termo de Audiência” de fl. 56, nos seguintes termos: Iniciados os trabalhos, as partes de comum acordo, resolvem transformar a presente ação de divórcio judicial em consensual, o que foi deferido pelo MM. Juiz, fazendoo nos termos da petição de fls. 35/39 que ora juntam aos autos. (...) A seguir, pelo MM. Juiz foi dito que deferia o requerimento e HOMOLOGAVA o acordo a que chegaram as partes. O acordo levado à apreciação do Poder Judiciário estabelecia, no item 5.e (fl. 60), que “a pensão cessará com o casamento ou quando os filhos atingirem 21 anos”. O documento de fl. 85 evidencia que o filho do Interessado, Ricardo Ginicolo Bacelette, contava, em 2006, com 26 anos (nascimento em 16/07/1980), ou seja, no ano calendário de 2006, o Recorrente não mais estava obrigado, por força do acordo homologado judicialmente, a pagar pensão alimentícia ao seu filho, configurando a destinação de parte dos seus rendimentos, a meu ver, mera liberalidade do pai em favor de um de seus filhos, sendo, portanto, indedutíveis tais valores na declaração de ajuste anual. O Recorrente alega que não há, na legislação do imposto de renda, qualquer limite etário à dedutibilidade dos alimentos prestados entre ascendentes e dependentes. No entanto, o inciso II do art. 4º da Lei nº 9.250/1995 é claro ao exigir, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, que a pensão seja paga em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. A lei, quando fez esta exigência, por óbvio que determinou a dedutibilidade nos exatos termos do acordo. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 152 12 Acrescento, por oportuno, apenas para argumentar, que a doutrina brasileira identifica, de maneira uniforme, duas modalidades de obrigações alimentares a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos. A primeira, decorrente do pátrio poder (atualmente poder familiar), sujeita os pais ao dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade. Seu fundamento encontrase no art. 1.566, IV, do atual Código Civil CC/2002, cujo teor é o seguinte: Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: (...) IV – Sustento, guarda e educação dos filhos; Com a maioridade pode surgir obrigação alimentar dos pais em relação aos filhos, porém de natureza diversa, fundada nos arts. 1.694 e 1.695 do CC/2002. Essa obrigação, que deriva da relação de parentesco, diz respeito aos filhos maiores que não estão em condições de prover a sua própria subsistência. Não obstante ambas as modalidades terem título jurídico radicado expressamente no Livro IV do CC/2002, todo ele dedicado ao Direito de Família, não se pode emprestar a simplicidade de uma interpretação literal ao art. 4º, II, da Lei nº 9.250/1995, que autoriza a dedução, da base de cálculo do imposto de renda, das importâncias pagas a título de pensão alimentícia, em face das normas do Direito de Família, para permitir que deduções a esse título se perpetuem ad aeternum. A solução que melhor se coaduna com os princípios informadores do Direito Tributário pode ser extraída de uma interpretação sistemática das normas do Direito Civil e dos arts. 4, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei nº 9.250/1995, assim descritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) Art. 35.Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: (...) III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 153 13 § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Os dispositivos transcritos, em conjunto com as normas do Direito de Família estabelecidas no CC/2002, admitem a interpretação de que as deduções de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda devem se restringir aos valores pagos a esse título durante o período do dever de sustento (até a maioridade), além de casos especialíssimos, como o dos filhos maiores inválidos e dos filhos maiores até 24 anos de idade que estiverem cursando o ensino superior ou escola técnica de segundo grau. É que a invalidez não propicia a exoneração do encargo alimentar pela aquisição da maioridade, eis que a necessidade de recebimento dos alimentos não deriva, neste caso, da faixa etária, mas sim do estado precário de saúde do alimentando. Por outro lado, a dedução de pensão alimentícia paga a filhos estudantes maiores, de até 24 anos de idade, justificase pelo dever de educação dos filhos, imanente ao poder familiar, sem o condão de transmudar o dever de sustento em obrigação alimentar perpétua. Nessa linha de raciocínio, somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Ressalvase, ainda, a hipótese de sentença judicial expressa determinando o pagamento de alimentos após a maioridade, desde que não resultante de acordo celebrado entre interessados. Assim, deve ser mantida a glosa de pensão alimentícia relativa ao filho Ricardo Ginicolo Bacelette, seja porque paga em desarmonia com o acordo homologado judicialmente, seja em face de uma interpretação sistemática das normas do Direito Civil e dos arts. 4, II e 35, III, § 1º, ambos da Lei nº 9.250/1995. Em relação ao filho Diogo, foi apresentado o “Termo de Audiência” de fl. 75, que homologou o acordo de fl. 76, onde se lê: DIOGO JUNQUEIRA BACELLETE, representado por sua mãe CRISTIANE JUNQUEIRA RODRIGUES, e LUIZ ROBERTO PEREIRA BACELETTE, (...) vem (...) noticiar a este MM. Juízo que se compuseram nos seguintes termos: I) O Requerido pagará mensalmente ao Requerente a título de pensão alimentícia o percentual de 20% dos seus vencimentos brutos que recebe mensalmente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, (...) e também o percentual de 20% do benefício que recebe em razão de sua aposentadoria no Tribunal de Contas da União. O “Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” (fl. 10) do Tribunal de Contas da União revela que foi pago a Diogo Junqueira Bacelette, no ano de 2006, a título de pensão alimentícia, o valor de R$ 32.684,69, e o comprovante (fl. 11) do Tribunal de Contas do Distrito Federal aponta o pagamento, no mesmo ano e pelo mesmo título, do valor de R$ 45.802,24. A Certidão de Óbito de fl. 134 evidencia, por seu turno, que o alimentando possuía 13 anos no anocalendário de 2006. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10166.728325/201182 Acórdão n.º 2801003.254 S2TE01 Fl. 154 14 Nesse contexto, sou pelo restabelecimento da glosa de pensão alimentícia paga ao dependente Diogo Junqueira Bacelette. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Recorrente pleiteia a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a expedição de certidão conjunta negativa ou positiva com efeitos de negativa. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorre da própria apresentação do recurso (CTN, art. 151, III), findandose com a constituição definitiva do crédito tributário, que ocorre com a intimação do contribuinte acerca do término do processo administrativo fiscal. A expedição de certidão conjunta negativa ou positiva com efeitos de negativa deve ser requerida à PGFN ou à RFB, que são os órgãos competentes para esse fim. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer pensão alimentícia no valor de R$ 78.486, 93 (R$ 32.684,69 + R$ 45.802,24). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 11030.902155/2012-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 55 /2 01 2- 93 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902155/201293 Acórdão n.º 3803005.251 S3TE03 Fl. 70 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o pedido de restituição formulado, relativo a indébito da Cofins devida em junho de 2002, apurada com base na Lei nº 9.718, de 1998, no montante de R$ 1.540,92. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da Cofins, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de parte do livro Registro de Apuração do ICMS, de planilha de apuração da contribuição por ele elaborada, do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) e do DARF, que, segundo ele, comprovariam a origem do direito creditório pleiteado. A DRJ Porto Alegre/RS não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 7 de agosto de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 5 de setembro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902155/201293 Acórdão n.º 3803005.251 S3TE03 Fl. 71 3 Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1 ADC n° 18/DF Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902155/201293 Acórdão n.º 3803005.251 S3TE03 Fl. 72 4 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 72DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.902155/201293 Acórdão n.º 3803005.251 S3TE03 Fl. 73 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10850.907652/2011-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 65 2/ 20 11 -8 1 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907652/201181 Resolução nº 3803000.381 S3TE03 Fl. 296 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à plena restituição, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; b) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; c) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do DARF, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907652/201181 Resolução nº 3803000.381 S3TE03 Fl. 297 3 Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 22 de abril de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de maio do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907652/201181 Resolução nº 3803000.381 S3TE03 Fl. 298 4 f) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; g) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; h) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; i) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; j) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2000 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907652/201181 Resolução nº 3803000.381 S3TE03 Fl. 299 5 Quanto ao pedido de julgamento em conjunto dos processos identificados na peça recursal, informase que eles foram incluídos na pauta da mesma sessão, encontrandose, portanto, atendido o pedido do Recorrente acerca dessa questão. De início, devese registrar que a decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP encontrase em conformidade com a legislação processual então vigente, uma vez que sua prolação se dera em 28 de março de 2013, data essa anterior à alteração do art. 19, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, promovida pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 2013, cuja vigência se deu a partir de 19 de julho de 2013. Tal alteração legislativa se refere à determinação dirigida às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil de reproduzirem em suas decisões o entendimento adotado em decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral), após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Anteriormente a essa alteração da lei, a disciplina da matéria restringiase ao art. 62A do Regulamento do CARF, aplicável apenas a este órgão colegiado, e ao contido no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, que excetuava a hipótese de inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do STF da vedação dirigida aos órgãos de julgamento administrativos relativa à impossibilidade de afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,. Notese que essa exceção contida no § 6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não obrigava o julgador administrativo a reproduzir o teor da decisão plenária do STF, tratandose de hipótese de permissão autorizada de adoção do entendimento da Corte Constitucional. Feitas essas considerações, passase à análise do fundamento legal do pedido de restituição. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 1, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907652/201181 Resolução nº 3803000.381 S3TE03 Fl. 300 6 De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Desde a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente já havia trazido aos autos cópia de parte do Livro Diário, relativa ao período sob comento, em que se encontram identificadas inúmeras contas, dentre elas algumas relativas a rendimentos de aplicação financeira e de lucros obtidos no mercado de renda variável, que vêm a ser a receita correspondente ao alegado alargamento da base de cálculo da contribuição. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente, em razão da alegação do julgador de piso de que as partes o livro Diário e do Balancete então apresentadas não seriam suficientes à apuração da base de cálculo total da contribuição no período, trouxe aos autos cópia integral do 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907652/201181 Resolução nº 3803000.381 S3TE03 Fl. 301 7 livro Diário e do Balancete correspondentes ao anocalendário sob análise, em que se confirmam as informações que já haviam sido apresentadas na primeira instância. Contudo, conforme já havia destacado o julgador de primeira instância, tendo o contribuinte requerido no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) a devolução de todo o valor da contribuição recolhido no período, a conclusão a que se chega é que toda a receita auferida teria natureza financeira, não tendo havido então a ocorrência de faturamento, conclusão essa que se confirma no Balancete e na planilha trazida aos autos pelo Recorrente. Nesse sentido, não remanescem dúvidas quanto ao auferimento de receitas financeiras no período, tratandose de elemento de prova consistente que robustece a tese defendida pelo Recorrente. Contudo, apenas essa constatação não se mostra suficiente para se decidir, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado pelo Recorrente, pois, nos termos do art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, “[a] escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º)” – grifei. Além disso, o fato de não se constatar do livro Diário e do Balancete a ocorrência de faturamento, mas apenas de receitas financeiras, indica a necessidade de se estender a pesquisa a toda a escrituração contábilfiscal do Recorrente para se esclarecer essa peculiaridade, tendose em conta que o seu objeto social encontrase definido no estatuto como “a) administração de bens móveis por conta própria ou de terceiros; b) representação comercial; c) promoção e publicidade; d) prestação de serviços técnicos; e) participação no capital e proventos de :outras sociedades.” Nesse contexto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período sob análise neste processo, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição operado pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Mostrase relevante verificar se o objeto social da pessoa jurídica não abrange a prestação de serviços de caráter financeiro, situação em que parte ou a totalidade das receitas financeiras auferidas pode se configurar faturamento ou receita bruta, suscetível de tributação com base na Lei nº 9.718, de 1998, mesmo considerando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo já declarada pelo STF. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 374DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907652/201181 Resolução nº 3803000.381 S3TE03 Fl. 302 8 Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11543.004092/2001-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999,2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Os embargos de declaração são cabíveis somente nas hipóteses de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, nos termos do art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
No caso concreto, a suscitada omissão não ocorreu, pretendendo o Embargante, com o manejo dos aclaratórios, um novo julgamento.
Numero da decisão: 1103-000.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar admissibilidade aos embargos, por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e André Mendes de Moura (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999,2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis somente nas hipóteses de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, nos termos do art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a suscitada omissão não ocorreu, pretendendo o Embargante, com o manejo dos aclaratórios, um novo julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar admissibilidade aos embargos, por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e André Mendes de Moura (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
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CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis somente nas hipóteses de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, nos termos do art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. No caso concreto, a suscitada omissão não ocorreu, pretendendo o Embargante, com o manejo dos aclaratórios, um novo julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar admissibilidade aos embargos, por maioria, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e André Mendes de Moura (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 40 92 /2 00 1- 75 Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.796 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Os autos tratam de embargos de declaração (fls. 1724/1729) interpostos pela contribuinte, em face do Acórdão nº 110300.527, de 03 de outubro de 2011 (fls. 1663/1676). O litígio consiste na irresignação da contribuinte quanto à compensação de saldos negativos de IRPJ para compensar débitos de Cofins. Os protestos foram tanto no sentido de contestar a apuração dos créditos, para considerar valores retidos na fonte, quanto dos débitos, que teriam sido alterados mediante envio de declarações retificadoras de DCTF e DCOMP. No Parecer SEORT nº 688/2004, de fls. 870/879, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 01/07/2004, a DRF/Vitória efetuou, para cada um dos anoscalendário em discussão (1996 até 2002), o levantamento dos valores de imposto de renda retidos na fonte, assim como dos pagamentos recolhidos por estimativa, para apurar os saldos negativos de IRPJ. Como resultado, decidiu por homologar parcialmente as compensações dos débitos de Cofins. Foi apresentada manifestação de inconformidade de fls. 892/905, que teve a solicitação indeferida pelo Acórdão DRJ/RJOI nº 8.439, de 19/09/2005, cujo fragmento da decisão é transcrito a seguir: Conforme observado no Parecer Seort n° 688/2004 (fls. 866/875), as retenções na fonte são antecipações do Imposto de Renda a Pagar determinado no final do período de apuração. Assim, para se verificar o direito creditório, devese analisar o saldo de Imposto de Renda a Pagar (Restituir) apresentado na Declaração de Rendimentos de cada período. Em relação ao anobase de 1996, verificase, de acordo com a consulta de fl. 51, que não existe saldo negativo a ser restituído ou compensado. Como visto acima, extinguese em cinco anos o direito de pleitear a retificação da Declaração de Rendimentos, não cabendo, então, a retificação solicitada pelo interessado. Deste modo, deve ser mantido o entendimento do Parecer Seort. Em relação ao anobase de 1997, verificase, de acordo com a consulta DIRF de fl. 65, constar retenção na fonte no valor de R$2.239.377,74. Em face de as instituições financeiras não terem informado as retenções em DIRF, não cabe a retificação solicitada pelo interessado. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.797 3 Não há como se considerar o pedido de retificação de darf, que deve, também, obedecer o prazo de cinco anos. Deste modo, deve ser mantido o entendimento do Parecer Seort. Em relação ao anobase de 1998, verificase, de acordo com a consulta DIRF de fls. 68/69, constar retenção na fonte no valor de R$13.425.289,61 (considerandose todas as retenções, com exceção daquelas com códigos 6147 e 6190, que se referem a órgãos públicos). Em face de as instituições financeiras não terem informado as retenções em DIRF, não cabe a retificação solicitada pelo interessado. Deste modo, deve ser mantido o entendimento do Parecer Seort. Em relação ao anobase de 1999, verificase, de acordo com a consulta DIRF de fls. 73/75, constar retenção na fonte no valor de R$6.131.292,89 (considerandose todas as retenções, com exceção daquelas com códigos 6147 e 6190, que se referem a órgãos públicos). Em face de as instituições financeiras não terem informado as retenções em DIRF, não cabe a retificação solicitada pelo interessado. Deste modo, deve ser mantido o entendimento do Parecer Seort. Em relação ao anobase de 2000, verificase, de acordo com a consulta DIRF de fls. 220/223, constar retenção na fonte no valor de R$2.981.029,57 (considerandose todas as retenções, com exceção daquelas com códigos 6147 e 6190, que se referem a órgãos públicos). Em face de as instituições financeiras não terem informado as retenções em DIRE, não cabe a retificação solicitada pelo interessado. Deste modo, deve ser mantido o entendimento do Parecer Seort. Em relação ao anobase de 2001, verificase, de acordo com a consulta DIRF de fls. 417/420, constar retenção na fonte no valor de R$6.131.292,89 (considerandose todas as retenções, com exceção daquelas com códigos 6147 e 6190, que se referem a órgãos públicos). Em face de as instituições financeiras não terem informado as retenções em DIRF, não cabe a retificação solicitada pelo interessado. Deste modo, deve ser mantido o entendimento do Parecer Seort. Em relação ao anobase de 2002, verificase, de acordo com a consulta DIRF de fls. 582/585, constar retenção na fonte no valor de R$6.837.134,73 (considerandose todas as retenções, com exceção daquelas com códigos 6147 e 6190, que se referem a órgãos públicos). Em face de as instituições financeiras não terem informado as retenções em DIRF, não cabe a retificação solicitada pelo interessado. Deste modo, deve ser mantido o entendimento do Parecer Seort. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.798 4 Cientificada em 15/08/2006, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 1097/1126. Inicialmente, ao analisar o recurso voluntário, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 10102.663, para que fossem considerados os valores retidos na fonte, lastreados por material probatório acostado pela contribuinte, conforme fragmento do despacho: Ou seja, numa visão superficial, mesmo sem considerar a aplicação da selic nos saldos negativos, restaria, em valor histórico, saldo negativo de 2001 e 2002 superior a R$30.000,000,00. Entendo que o processo não se encontra em condições de ser decidido, e voto pela conversão do julgamento em diligência a fim de que se proceda à análise das compensações que podem ser homologadas, considerando as retenções na fonte cujos documentos fornecidos pelas fontes retentoras encontramse nos autos. Por sua vez, a unidade de origem confirmou a existência dos créditos, o que resultou em nova apuração dos saldos negativos pleiteados pela recorrente. O Relatório Fiscal de Diligência Fiscal de fls. 1587/1591 concluiu no seguinte sentido: Ressalto que a diferença de IRRF apurada é entre o IRRF confirmado através de documentos e os valores de IRRF deferidos no Parecer SEORT n° 688/2004 (fls. 866 a 875). De outra banda, o aumento do valor do saldo negativo deve ser considerado na compensação dos débitos deste processo. Para determinar estes reflexos, utilizei o Sistema de Apoio Operacional — SAPO, para compensar os débitos remanescentes apontados no Parecer SEORT n° 688/2004 (fl. 863). Saliento que não considerei o pedido de retificação à folha 1501, em cumprimento ao disposto no artigo 57 da Instrução Normativa SRF n ° 600/2005. Assim, os saldos negativos objeto da nova apuração foram compensados com os débitos de Cofins. Por outro lado, a contribuinte, uma vez cientificada do resultado da diligência, apresentou petição de fls. 1596/1598 no qual manifestou sua discordância quanto aos débitos de Cofins que foram compensados, alegando que teriam sido utilizados aqueles informados nas declarações originais, quando, na realidade, deveriam ter sido considerados os valores encaminhados nas declarações retificadoras, nos seguintes termos: (...) que as informações dos débitos de COFINS controlados no presente processo sejam atualizados junto ao sistema da Receita Federal do Brasil, de modo que sejam excluídos os 18 (dezoito) débitos homologados, mantendose tão somente os 7 (sete) débitos de COFINS constantes da listagem de Débitos Remanescentes' (fl. 1557), atentandose ao fato de que o débito n° 0018 (vencimento em 14.03.2003) remanesce no valor de R$ Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.799 5 311.580,14 (trezentos e onze mil, quinhentos e oitenta reais e quartorze centavos), embora inicialmente fosse de R$ 3.205.172.92. Em seguida, foi interposto o recurso voluntário de fls. 1619/1626, no qual a contribuinte discorreu sobre as seguintes conclusões: 34. Conforme mencionado no item 10 acima, a RECORRENTE manifesta sua concordância com relação aos valores dos créditos de IRRF que foram reconhecidos e confirmados pela D. SEFIS da DRF de Vitória/ES. 35. Assim, a partir das compensações homologadas pelo Relatório de Diligência Fiscal, o máximo que poderia ser exigido da RECORRENTE no presente caso são os sete débitos de COFINS constantes da "Listagem de Débitos Remanescentes" (fl.1557), no valor total histórico de R$ 5.920.246,50. 36. A RECORRENTE entende, no entanto, que dois aspectos fundamentais deixaram de ser considerados na diligência fiscal realizada, quais sejam: (i) a diferença de saldo negativo de IRPJ do ano de 2000 (R$ 4.478.947,40), e (ii) os corretos valores dos débitos de COFINS de dezembro de 2001 a fevereiro de 2003, devidamente retificados pela RECORRENTE, que reduzem o total de débito do período em R$5.388.885,18. 37. A simples consideração dessas diferenças permite aferir que não há qualquer saldo remanescente de COFINS, eis que a soma dos valores históricos dessa diferença (R$ 4.478.947,40 + R$ 5.388.885,18 = R$ 9.867.832,58) é muito superior ao valor histórico do saldo remanescente de COFINS apurado pelo Relatório de Diligência Fiscal (R$ 5.920.246,50), pelo que entende a RECORRENTE que este E. Conselho deve dar provimento ao recurso voluntário, para o fim de cancelar integralmente as exigências de COFINS remanescentes. 38. Caso este E. Tribunal entenda que essas diferenças devem ser apuradas pela D. Fiscalização, requer a RECORRENTE seja determinada nova diligência a D. SEFIS da DRF de VitóriaES, que tome em consideração os dois aspectos acima mencionados, de forma a confirmar a inexistência do saldo remanescente apurado. 39. Ainda nesse sentido, e caso este E. Conselho entenda necessário, protesta a RECORRENTE pela apresentação, durante a realização de diligência, de declarações retificadoras (DIPJ, DCTF e declarações de compensações), que contenham o valor correto dos débitos de COFINS e de IRPJ do período. Os autos retornaram à esta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, que proferiu a decisão de acordo com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.800 6 Ementa: COMPENSAÇÃO — PEDIDOS E DECLARAÇÕES — HOMOLOGAÇÃO PARCIAL Inexiste ofensa à ampla defesa e devido processo legal, considerando a determinação de baixa dos autos em diligência e análise dos documentos apresentados pela Recorrente. O ônus da prova de compensações efetuadas sob a vigência do artigo 74, da Lei n. 9.430/1996, em sua redação original, cabe ao contribuinte. Não obstante isso, em respeito ao principio da verdade material, compete a DRJ proceder á análise de documentos apresentados com manifestação de inconformidade, para avaliação da existência, ou não, de saldo negativo de IR como alegado. Com alteração do artigo 74, pela Lei n. 10.637/2002, o processo de compensação foi alterado, para postergar a comprovação documental dos créditos para a ocasião da apresentação de manifestação de inconformidade. Tendo a Recorrente acostado a manifestação de inconformidade informes de rendimentos, sendo confirmada a existência de créditos identificados nestes informes pela DRF em relatório de diligência, há de ser reconhecida a existência destes créditos, com a homologação de compensações até este limite. Rejeitada alegação da Recorrente sobre diferença quanto ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2000, diante de compensações com débitos de IRRF, por pedido da Recorrente, como consta de decisão da Delegacia da Receita Federal. Outrossim, rejeitada alegação de alteração de débito por meio de DCTF retificadora, por ausência de comprovação nos autos; além da intempestividade de retificação de pedidos e declarações de compensação, à.luz de Instrução Normativa SRF n. 600/2005. Preliminares rejeitadas e provimento parcial ao recurso para homologar em parte as compensações. Cientificada do acórdão em 09/04/2012 (“AR” de fls. 1722), uma segunda feira, a contribuinte interpôs os embargos por intermédio dos seus advogados no dia 17 do mesmo mês (carimbo de recepção às fls. 1724), no qual discorre sobre as seguintes razões: reclama que os débitos confessados nas DCTF originais estariam incorretos, informados a maior; que teria apresentado DCTF retificadoras, devidamente recepcionados pela Receita Federal, para retificar os débitos de Cofins, que foram objeto de nova apuração, em decorrência do Parecer Cosit nº 26, de 2002 (que trata do reconhecimento do direito creditório referente è Recomposição Tarifária Extraordinária – RTE, criada pelo art. 4º da MP nº 14, de 2001); Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.801 7 a petição apresentada, em resposta ao resultado da diligência, veio requerer uma nova diligência para a unidade de origem, para que fosse realizada uma nova apuração dos débitos de Cofins; assim, teria sido omisso o Acórdão do CARF, quanto ao pedido da recorrente para que fosse determinada uma nova baixa nos autos para a unidade de origem; a DRF/Vitória deveria ter considerado os débitos de Cofins informados nas declarações retificadoras. Enfim, requer a contribuinte: (...) sejam acolhidos os presentes embargos de declaração para o fim de ser efetivamente apreciada a questão relativa aos valores dos débitos de COFINS do período de dezembro de 2001 a fevereiro de 2003, determinandose a realização de nova diligência a Delegacia da Receita Federal de Vitória para que realize os cálculos de compensação tendo por base os valores efetivamente devidos de COFINS no referido período, os quais constam da sua base de dados, o que terá o efeito de demonstrar a inexistência de qualquer débito remanescente no presente processo. Foram acostados aos autos os documentos de fls. 1730/1790, dentre os quais constam cópias das DCTF retificadoras. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura. A princípio, cumpre analisar a tempestividade dos embargos interpostos pela contribuinte. O art. 63, § 1º da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que devem ser interpostos no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão da decisão de segunda instância. Conforme relatado, a recorrente tomou ciência do Acórdão nº 110300.527, de 03 de outubro de 2011, em 09/04/2012 (segundafeira), conforme consta no “AR” de fls. 1722. Ocorre os embargos foram interpostos em 17/04/2012 (terçafeira). Contudo, constatase a ocorrência de feriado municipal em VitóriaES, no dia 16/04/2012 (segundafeira), referente à Nossa Senhora da Penha, conforme Decreto Municipal nº 12/12/2011, publicado no DOM de 16/12/2011. Assim, são tempestivos os embargos. Cabe prosseguir com o exame de admissibilidade. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.802 8 O art. 65, caput, do mencionado Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Reclama a embargante que teria havido omissão, vez que não teria sido apreciado, na decisão da turma, o protesto quanto à nova apuração dos débitos de Cofins, determinandose a realização de nova diligência para que fosse realizada nova compensação tomando por base os valores da contribuição social retificados. A princípio, verificase que no acórdão prolatado por esta turma o ponto referente aos débitos de Cofins foi devidamente enfrentado. Vale transcrever fragmento do voto: Em análise dos autos, não constam copias das citadas DCTFs retificadoras. Entretanto, consta manifestação subscrita pelo Sr. André Luis Almeida onde requer a "reapuração do débito consoante aplicação das orientações contidas no Parecer Cosit 26/2002)", formulando tal requerimento em 17 de janeiro de 2008. A ocasião, foi apontado débito principal de R$ 3.408.910,97 e débito retificado de R$ 2.984.659,39. (fls. 1500/1518). O requerimento de retificação, em 2008, relevase intempestivo à luz de Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal. A titulo de exemplo, prevê a IN SRF 600/2005, vigente no momento do citado pedido de retificação: "Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa a data do envio do documento retificador e, no que se refere a Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59." A interpretação do dispositivo autoriza a retificação apenas até a intimação do contribuinte quanto ao julgamento pela Delegacia da Receita Federal; enquanto nestes autos foi acostado pedido de retificação de compensação depois de transcorridos anos desde o julgamento pela DRF e pela DRJ. Como se não bastasse, há o dever da Recorrente de demonstração do quanto alegado, isto é, caberia à Recorrente a comprovação que o débito de COFINS seriam menores que aquele apontado pela RFB. Não se desconhece que, se de um lado caberia à Recorrente a demonstração do débito, notadamente considerando que havia nos autos manifestação da DRF no sentido da existência de débitos em valor superior aos que indica; de outro lado, a DRF tem conhecimento das DCTFs eventualmente apresentadas. Além disso, a Recorrente, em sua manifestação de fls1588/1596, colocase à disposição para juntada de tais documentos. Nos seguintes termos: Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.803 9 "Ainda nesse sentido, e caso este E. Conselho entenda necessário, protesta a RECORRENTE pela apresentação, durante a realização de diligência, de declarações retificadoras (DIPJ, DCTF e declarações de compensações), que contenham o valor correto dos débitos de COFINS e de IRPJ do período." Oportuno ponderar, ainda, que um dos procuradores da Recorrente requereu a reapuração do débito em 17 de janeiro de 2008, indicio da intempestividade de DCTF. Por fim, consta dos memoriais apresentados pela Recorrente que as retificações de DCTF foram finalizadas em 2007. Ainda discorre o voto sobre os efeitos da declaração de compensação apresentada antes da MP nº 135, de 2003, cujos débitos não seriam considerados como confissão de dívida, situação que se adequaria ao caso concreto. Contudo, conclui a relatora no seguinte sentido: Como mencionado anteriormente, nos autos constam compensações apresentados até 14 de fevereiro de 2003, inexistindo a constituição de débitos por meio de tais pedidos e declarações. Por tal razão, superficialmente, parecenos adequada a conduta da Recorrente quando apresentou (se este for realmente o caso) DCTF retificadora, admitindose que esta apresentação foi efetuada dentro da legislação vigente. Ocorre que não há nos autos qualquer comprovação a respeito do momento da apresentação de DCTF retificadora. E há indicio militando em desfavor da Recorrente, consistente em manifestação de um dos seus procuradores solicitando a retificação do débito por meio de petição nestes autos. Enfim, há que se observar que no Recurso Voluntário de fls. 1619/1626, consta, no item “IV – DAS CONCLUSÕES E DO PEDIDO”: 38. Caso este E. Tribunal entenda que essas diferenças devem ser apuradas pela D.Fiscalização, requer a RECORRENTE seja determinada nova diligência a D. SEFIS da DRF de VitóriaES, que tome em consideração os dois aspectos acima mencionados, de forma a confirmar a inexistência do saldo remanescente apurado. 39. Ainda nesse sentido, e caso este E. Conselho entenda necessário, protesta a RECORRENTE pela apresentação, durante a realização de diligência, de declarações retificadoras (DIPJ, DCTF e declarações de compensações), que contenham o valor correto dos débitos de COFINS e de IRPJ do período. De fato, evidenciase que a relatora não se manifestou, expressamente, quanto ao pedido da diligência encaminhado por meio do recurso voluntário. Por outro lado, poderseia considerar que as razões expostas no voto pela relatora foram suficientes para demonstrar a prescindibilidade da diligência, tanto que firmou convicção a turma de que a matéria litigada encontravase devidamente delineada, razão pela qual foi proferida a decisão. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.804 10 Contudo, como restou demonstrada a falta de manifestação expressa no voto embargado sobre o pedido de diligência requerido, reconheço a omissão apontada. Nesse contexto, vale transcrever o disposto no art. 35, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º).(grifei) Assim, há de se avaliar se a diligência requerida pela embargante mostrase efetivamente necessária. Ocorre que, com a interposição dos embargos, foram acostados aos autos as cópias das DCTF retificadoras, recepcionadas pela Receita Federal. Ora, no contexto apresentado, a análise das cópias das declarações mostrase oportuna para decidir a respeito da conveniência de diligência, além de estar em sintonia com o princípio processual administrativo da eficiência. Como resultado do labor empreendido, vale apresentar o quadro a seguir, um resumo das seis (6) DCTF retificadoras acostadas às fls. 1748/1790: N DCTF Data de Recepção P.A. do Débitos Retificados Fls. Dos Autos 1 4º Trimestre de 2001 22/12/2006 Dezembro/2001 1748 Janeiro/2002 Fevereiro/2002 2 1º Trimestre de 2002 7/11/2007 Março/2002 1752 Abril/2002 Maio/2002 3 2º Trimestre de 2002 7/11/2007 Junho/2002 1759 Julho/2002 Agosto/2002 4 3º Trimestre de 2002 20/2/2008 Setembro/2002 1767 Outubro/2002 Novembro/2002 5 4º Trimestre de 2002 20/9/2007 Dezembro/2002 1775 Janeiro/2002 6 1º Trimestre de 2003 22/9/2007 Fevereiro/2002 1784 De plano, cumpre analisar a data de recepção das declarações retificadoras. Observase que, mesmo na situação mais favorável à contribuinte, qual seja, tomando como base a DCTF retificadora encaminhada em 22/12/2006 (recepção mais pretérita), tratase de data posterior ao Despacho Decisório proferido pela DRF/Vitória, cuja Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.805 11 ciência deuse em 01/07/2004 (“AR” fls. 884), e do Acórdão da DRJ, cuja ciência ocorreu em 15/08/2006 (“AR” fls. 1096). No caso em análise, eventual retificação dos débitos declarados na compensação, em razão de retificação das DCTF, apenas pode ser efetuada caso se encontrem pendentes de decisão administrativa, como se pode observar pela redação da IN SRF nº 600/2005, vigente no momento dos pedidos de retificação: Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa a data do envio do documento retificador e, no que se refere a Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. A proibição de qualquer alteração na declaração de compensação, após a ciência do sujeito passivo de decisão administrativa, encontrase em consonância com o princípio da estabilidade da lide, previsto no artigo 264, do Código do Processo Civil. Ou seja, uma vez intimado o contribuinte do despacho decisório, no caso em tela, da decisão administrativa proferida pela DRF/Vitória, não se torna mais possível retificar o pedido de restituição/compensação, sob pena de tornar sem fim o processo administrativo fiscal. Não por acaso, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) reconhece o descabimento da retificação da DCOMP após a decisão administrativa, conforme se pode verificar a seguir: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. É incabível a retificação do Pedido de Restituição/Compensação após a ciência da decisão administrativa prolatada. (1ª Turma Especial da 1º Seção de Julgamento – Ac.180101032 – Sessão de 13/06/2012) DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. (5ª Câmara do 1º CC – Ac.10517130 – Sessão de 13/08/2008) Portanto, não há que se admitir as declarações retificadores da DCTF, razão pela qual o procedimento adotado pela DRF/Vitória, consolidado no Relatório Fiscal de Diligência Fiscal de fls. 1587/1591, ao considerar os valores confessados nas declarações originais, para identificar o débito devido e efetuar as compensações, encontrase correto e não merece reparos, quando, inclusive, esclareceu que não havia admitido as declarações retificadoras em razão do disposto no artigo 57 da Instrução Normativa SRF n ° 600/2005. Tal constatação, por si só, já se mostra suficiente para desconsiderar todas as DCTF retificadoras encaminhadas pela embargante. Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.806 12 Portanto, com fulcro no art. 35, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, entendo que a diligência não é necessária para a apreciação da matéria litigada. Enfim, a título de esclarecimento, cabe esclarecer que as alterações trazidas por meio de DCTF retificadora encaminhada após decisão administrativa, ainda que fossem admitidas, por si só, não se mostram suficientes para comprovar a nova apuração dos débitos nela confessados. A DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5.º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Nesse contexto, eventual retificação dos valores antes nela informados, procedida pelo interessado ou de ofício, deve estar lastreada com a escrita contábil e com documentação idônea e hábil, para demonstrar a devida apuração do débito. Nesse sentido, há que se reconhecer a omissão quanto ao pedido de diligência, que, contudo, mostrouse prescindível. A análise das DCTF retificadoras serviu para ratificar o julgamento desta Colenda 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos de declaração, reconhecendo a omissão quanto ao pedido de diligência e, no mérito, negar provimento. Assinatura Digital André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator Designado. Tratase de análise de análise de Embargos de Declaração (fls.1.695/1.700) interpostos tempestivamente contra o Acórdão nº 110300.527, de 3/10/11 (fls.1.663/1.676). Afirma o Embargante que, após diligência empreendida pela DRF – Vitória (ES), teria demonstrado com provas hábeis impropriedades na compensação efetivada pela fiscalização, pois esta teria utilizado valores incorretos dos débitos de Cofins (dezembro de 2001 a fevereiro de 2003). Por tal razão, requerera nova realização de diligência para que “...recalculasse as compensações dos ‘novos’ devedores de IRPJ com os valores corretos de COFINS, de forma a se comprovar a inexistência de qualquer débito remanescente”. Quanto à apreciação do tema, sustentase que o acórdão recorrido teria sido omisso, “notadamente do pedido da EMBARGANTE de que fosse determinada nova baixa dos autos para a Delegacia da Receita Federal de Vitória para que esta tomasse em consideração os valores corretos dos débitos de COFINS”. De início, notese da leitura do acórdão embargado que a diligência realizada pela DRF – Vitória (ES) foi destacada em item próprio no relatório (“Decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes e Diligência”), assim como as razões do contribuinte contestando o Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.807 13 seu resultado e requerendo nova diligência (“Manifestações da Recorrente”), tudo a atestar que o colegiado conheceu de sua realização, resultado e razões de discordância do Recorrente. Avançando no respectivo voto condutor, entendo inexistir a omissão alegada. Após novamente fazer menção ao resultado da diligência, as razões suscitadas pelo Embargante, que justificariam uma nova diligência, foram devidamente enfrentadas, o que, por óbvio, levou o colegiado a entender não ser necessária. Vejamos: “[...] Passamos, assim, a tratar do suposto débito remanescente, como identificado pela DRF em relatório de diligência (1558/1563). Alega a Recorrente que ‘a inexistência de débitos resulta de dois aspectos fundamentais que não foram considerados na diligência realizada: o primeiro, relativo a diferença de saldo negativo de IRPJ do ano de 2000; e o segundo, relativo aos corretos valores dos débitos de COFINS do período de dezembro de 2001 a fevereiro de 2003, os quais foram retificados pela RECORRENTE em atenção a orientação contida no Parecer COSIT 26/02.’ Inicialmente, analisaremos o primeiro destes aspectos. Para tanto, lembramos planilha constante de recurso voluntário (fls. 1115 destes autos): ..... Especificamente quanto a esta diferença sustenta a Recorrente: ‘Essa diferença, no montante de R$ 4.478.947,40, decorria do fato de a Receita Federal somente ter reconhecido pagamentos por estimativa no valor de R$ 814.619,73, ao passo que a RECORRENTE havia realizado antecipações, por meio de compensação, no importe de R$ 5.293.567,13’ (fls.) Ocorre que consta de decisão da DRF que os valores acima referidos já foram compensados com débitos de IRRF (fls 870), por pedido da Recorrente. Colacionamos, a seguir, trecho desta decisão: ‘3) Pagamentos recolhidos por estimativa. Em pesquisa aos sistemas da Receita Federal, fl.66, não foram encontrados pagamentos recolhidos para este período. No entanto, da análise das DCTF apresentadas, fls.376/377, foram declarados dois valores de IRPJ por estimativa para os meses de julho e setembro de 2000, abaixo discriminados, que seriam compensados com o saldo negativo de IRPJ dos anos anteriores. Neste caso, temos que considerar que também foram compensados outros débitos de IRRF com o saldo negativo de IRPJ, fls.229/375, no valor de R$ 4.429.219,86. Primeiramente, iremos verificar a compensação dos débitos referentes ao IRRF, para os quais o contribuinte é considerado responsável pela retenção. Isto porque, apesar de contrariar o que determina o artigo 163 do Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.808 14 CTIV, que determina que os débitos próprios têm prioridade na compensação, os pagamentos compensados de IRPJ se tornariam saldo negativo do ano base de 2000, como veremos no item 4 a seguir, e que novamente seriam utilizados para compensação. Para tal compensação, foi utilizado como crédito o saldo negativo do ano anterior, 1999, no valor de R$4.804.535,49. Após a imputação, onde os créditos foram corrigidos pela taxa SELIC, cálculos acostados aos autos às fls.378/413, constatamos que todos os débitos de IRRF ficam liquidados por compensação. No entanto, com relação aos valores de IRPJ por estimativa, teremos o resultado abaixo, onde se constata que foi compensado o valor de R$ 814.619,73.’ Com efeito, constam diversas DCTFs nestes autos, onde foram aproveitados os créditos citados pela Recorrente com outros débitos de IRRF. Assim, não há como acolher o pedido da Recorrente nesse ponto. Passamos à análise do segundo aspecto identificado pela Recorrente, relativo a supostos valores de débitos de COFINS, declarados em DCTFs retificadoras, quanto aos períodos de dezembro de 2001 a fevereiro de 2003. Sustenta a Recorrente que: ‘Sucede que sobreveio o Parecer COSIT 26/02, que alterou radicalmente a orientação sobre o tratamento contábil da RTE, determinando que tal valor lido fosse reconhecido integralmente no mês de dezembro de 2001, mas sim nos períodos em que ocorressem o efeito consumo da energia taxada pela sobretarifa. Assim foi que a RECORRENTE foi compelida a retificar a sua escrita fiscal desde dezembro de 2001, de forma a adequarse it orientação do Parecer COSIT 26/02, o que teve o efeito de retificar os valores devidos a titulo de COFINS a partir do referido mês (dez/01)’ (fls. 1593) Em análise dos autos, não constam copias das citadas DCTFs retificadoras. Entretanto, consta manifestação subscrita pelo Sr. André Luis Almeida onde requer a ‘reapuração do débito consoante aplicação das orientações contidas no Parecer Cosit 26/2002)’, formulando tal requerimento em 17 de janeiro de 2008. À ocasião, foi apontado débito principal de R$ 3.408.910,97 e débito retificado de R$ 2.984.659,39. (fls.1500/1518). O requerimento de retificação, em 2008, relevase intempestivo à luz de Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal. A titulo de exemplo, prevê a IN SRF 600/2005, vigente no momento do citado pedido de retificação: ‘Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.809 15 poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa a data do envio do documento retificador e, no que se refere a Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59.’ A interpretação do dispositivo autoriza a retificação apenas até a intimação do contribuinte quanto ao julgamento pela Delegacia da Receita Federal; enquanto nestes autos foi acostado pedido de retificação de compensação depois de transcorridos anos desde o julgamento pela DRF e pela DRJ. Como se não bastasse, há o dever da Recorrente de demonstração do quanto alegado, isto é, caberia à Recorrente a comprovação que o débito de COFINS seriam menores que aquele apontado pela RFB. Não se desconhece que, se de um lado caberia à Recorrente a demonstração do débito, notadamente considerando que havia nos autos manifestação da DRF no sentido da existência de débitos em valor superior aos que indica; de outro lado, a DRF tem conhecimento das DCTFs eventualmente apresentadas. Além disso, a Recorrente, em sua manifestação de fls. 1588/1596, colocase à disposição para juntada de tais documentos. Nos seguintes termos: ‘Ainda nesse sentido, e caso este E. Conselho entenda necessário, protesta a RECORRENTE pela apresentação, durante a realização de diligência, de declarações retificadoras (DIPJ, DCTF e declarações de compensações), que contenham o valor correto dos débitos de COFINS e de IRPJ do período.’ Oportuno ponderar, ainda, que um dos procuradores da Recorrente requereu a reapuração do débito em 17 de janeiro de 2008, indicio da intempestividade de DCTF. Por fim, consta dos memoriais apresentados pela Recorrente que as retificações de DCTF foram finalizadas em 2007. Lembrese que, como nestes autos constam pedidos e declarações de compensação apresentados entre 11 de outubro de 2001 e 14 de fevereiro de 2003, há de se considerar os distintos efeitos produzidos por pedidos e declarações de compensação. Enquanto o pedido de compensação não é confissão de divida; a declaração de compensação, apresentada sob a vigência da Medida Provisória n. 135, há de ser interpretada como confissão de divida. Sobreleva considerar a dicção do §6°, artigo 74, da Lei n. 9.430/1996, com redação conferida pela citada Medida Provisória, posteriormente convertida na Lei n.10.833/2003: Art. 74 (...) § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.810 16 A Medida Provisória n. 135, a esse respeito, produziu efeitos desde sua publicação, por força do artigo 69, III, abaixo reproduzido: Art. 68. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1° a 15 e 23, no primeiro dia do mês seguinte ao em que completar noventa dias da publicação • desta Medida Provisória; II aos arts. 24, 25, 27, 28 e 32 desta Medida Provisória, ao art.1º da Lei no 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e ao inciso I do art. 52 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelos arts. 40 e 41, a partir de 1° de janeiro de 2004; III aos demais artigos, a partir da data da publicação desta Medida Provisória. Assim, a partir de 31 de outubro de 2003, data da publicação da citada Medida Provisória, a declaração de compensação passou a constituir confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Sobre a natureza da confissão de divida, outorgada pela Medida Provisória , n. 135, destaquese decisão do antigo Conselho de Contribuintes: IRF Ano(s): 1999 a 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONFISSÃO DE DÍVIDA LANÇAMENTO Somente as declarações de compensação apresentadas após a vigência da Medida Provisória n° 135, de 2003, se constituem em confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência do débito indevidamente compensado. Nos casos de declaração de compensação apresentada antes da vigência da referida norma ou de pedidos de compensação pendentes de apreciação, cujo débito não tenha sido objeto de lançamento de oficio ou confissão de divida, deve a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio dos correspondentes créditos tributários, que ficarão suspensos até decisão definitiva quanto it compensação. Recurso de oficio parcialmente provido. Pelo voto de qualidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso de oficio para excluir da exigência apenas a multa de oficio. (CC, 4'. Camara, Relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa Acórdão 10422.409, DJ de 31.10.2008) A breve síntese a respeito dos efeitos de declaração de compensação tem por objetivo, nestes autos, clarificar a correção (ou incorreção) da conduta da Recorrente, quando vem aos autos mencionar que apresentou DCTF retificadora e, portanto, inexistiriam débitos apontados pela DRF. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.811 17 Como mencionado anteriormente, nos autos constam compensações apresentados até 14 de fevereiro de 2003, inexistindo a constituição de débitos por meio de tais pedidos e declarações. Por tal razão, superficialmente, parecenos adequada a conduta da Recorrente quando apresentou (se este for realmente o caso) DCTF retificadora, admitindose que esta apresentação foi efetuada dentro da legislação vigente. Ocorre que não há nos autos qualquer comprovação a respeito do momento da apresentação de DCTF retificadora. E há indicio militando em desfavor da Recorrente, consistente em manifestação de um dos seus procuradores solicitando a retificação do débito por meio de petição nestes autos. Desta feita, venho reconhecer que subsiste débito do contribuinte, como apontado pela DRF em relatório de diligência.” Na realidade, com a devida vênia aos I. Conselheiros André Mendes de Mora e Marcos Shigueo Takata, que com propriedade expuseram suas conclusões durante os debates, o que busca o Embargante, na realidade, é uma nova apreciação de provas, um novo julgamento, ainda que a partir da reabertura da discussão justificada por meio de um não pronunciamento expresso acerca do novo pedido de diligência, pedido este que era de conhecimento do colegiado, conforme relatório do acórdão embargado “Por tais razões, pleiteia o cancelamento integral das exigências de COFINS remanescentes. Subsidiariamente, requer nova diligência para que analise os aspectos acima mencionados”. Ora, se o colegiado considerou suficientes os elementos carreados aos autos, pela fiscalização e pelo contribuinte, analisandoos a ponto de não autorizar a baixa dos autos para fins de nova diligência, é porque, logicamente, entendeu desnecessária a sua realização. O extenso arrazoado, acima transcrito, confirma tal conclusão. Acrescentese que a situação sob análise não se assemelha àquela em que um pedido de diligência e respectiva fundamentação são solenemente esquecidos, ignorados, quando do julgamento. Em suma, a pretensão primeira do Embargante de ver conhecidos os embargos não pode ser acolhida nos estritos limites de tal modalidade recursal, como dispõe o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Pelo exposto, voto no sentido de NÃO ADMITIR os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11543.004092/200175 Acórdão n.º 1103000.889 S1C1T3 Fl. 1.812 18 Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Numero do processo: 13706.003026/00-14
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1993
IRPF. PDV. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a denominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 07/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a denominada tese dos “cinco mais cinco”. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 30 26 /0 0- 14 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 07/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Em 23/11/2000, José Carlos Ribeiro por meio dos documentos de fls. 01/16, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de IRPF incidente sobre o pagamento recebido em decorrência de adesão ao Plano de Demissão Voluntário – PDV ocorrida em 12/06/1992. A Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° CSRF/0400.931 que se encontra às fls. 111/115 e cuja ementa é a seguinte: “DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PDV – DECADÊNCIA AFASTADA. O início da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado.” Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13706.003026/0014 Acórdão n.º 9900000.396 CSRFPL Fl. 9 3 Intimada do acórdão em 02/09/2008 (fls. 116) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso extraordinário de fls. 118/127, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 263/08 de 24/09/2008 (fls. 130/132). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões (fls. 133/135). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, em relação ao dies a quo para contagem do prazo para apresentação de pleito de repetição de indébito. O Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, encontrase assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.” O dissídio jurisprudencial resta claro nas ementas e nos registros dos resultados dos acórdãos em confronto: enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da publicação no DOU da Instrução Normativa nº 165, de 1998, no acórdão paradigma é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No passado adotei em diversas oportunidades o entendimento de que o prazo para pleito de restituição do imposto de renda pago ou retido indevidamente sobre verbas pagas a título de incentivo à participação em Programa de Demissão Voluntária (PDV) seria de 5 (cinco) anos contados da data da publicação da Instrução Normativa n. 165/1998. Referido ato normativo reconheceu, no âmbito da administração tributária federal, que não incide imposto de renda sobre verbas pagas a esse título. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, com o advento da decisão acima referida, temse que é irrelevante para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade ou reconhecimento de não incidência com efeitos erga omnes. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13706.003026/0014 Acórdão n.º 9900000.396 CSRFPL Fl. 10 5 Por outro lado, no que diz respeito ao prazo de decadência para restituição de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.002.932, também segundo a sistemática do artigo 543C, do CPC, consolidou o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandoselhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteoricopratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13706.003026/0014 Acórdão n.º 9900000.396 CSRFPL Fl. 11 7 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. Disto resultou o que se convenciou chamar de tese dos “cinco mais cinco”, que por ter sido acolhida pelo STJ em decisão sob a sistemática do recurso repetitivo (art. 543 C do CPC) deve ser reproduzida por este julgador, nos termos do art. 62A do Regime Interno do CARF. No presente caso, o pedido de restituição apresentado em 23/11/2000 se refere a recolhimento relativo ao fato gerador consolidado em 31 de dezembro de 1992 (adesão ao PDV em 12/06/1992), pelo que o pedido foi apresentado dentro do prazo de dez anos consagrado pelo STJ. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923586/2009-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/09/2001
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF em decisão proferida no regime de repercussão geral, previsto no art. 543-B do CPC, a decisão deve ser reproduzida em julgamento de recursos no CARF.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
Afastada a questão preliminar que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-002.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 pelo STF em decisão proferida no regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, a decisão deve ser reproduzida em julgamento de recursos no CARF. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O JULGAMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. Afastada a questão preliminar que prejudicou apreciação de mérito pela instância a quo, a esta devem retornar os autos para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 86 /2 00 9- 96 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923586/200996 Acórdão n.º 3802002.071 S3TE02 Fl. 42 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842574205), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 42806.99039.300506.1.3.040697, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 65,00, pois o pagamento informado de R$ 12.968,99, sob o código 8109, efetuado em 14/09/2001, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 08/2001. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação.” A DRJ/CTA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 14/09/2001 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade.” Fl. 42DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923586/200996 Acórdão n.º 3802002.071 S3TE02 Fl. 43 3 Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alegou que o STF proferiu decisão definitiva de mérito, na sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarando inconstitucional o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, decisão que deveria ser aplicada ao presente caso para afastar a exigência da contribuição ao PIS/Pasep sobre as receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. A questão de direito diz respeito à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre receitas financeiras, ao amparo do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Este parágrafo foi declarado inconstitucional pelo STF, no julgamento de alguns recursos extraordinário, por exemplo o RE 346.084/PR e o RE nº 585.235/MG, em que a decisão foi proferida na sistemática do art. 543B do CPC. Em resumo, o STF afastou a ampliação do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, tal como previsto no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, baseandose em jurisprudência consolidada de que as expressões “receita bruta” e “faturamento” deveriam ser tomadas como sinônimas, significando venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Ressalvo entendimento do Ministro César Peluso segundo o qual incluise na expressão “receita de mercadorias e serviços” “todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresarias típicas”, de modo que “se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receita financeiras, isto não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘renda bruta igual a faturamento’” 1 Aplicase ao caso o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações das Portarias MF nºs. 446, de 27/08/2009, e 586, de 21/12/2010, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos 1 Esclarecimento feito pelo Ministro César Peluso durante o julgamento do RE nº 346.084/PR. Extraído de consulta ao inteiro teor do acórdão deste julgamento no site do STF.. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923586/200996 Acórdão n.º 3802002.071 S3TE02 Fl. 44 4 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Portanto, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF. Tendo em vista que a DRJ/CTA, ao se pronunciar incompetente para afastar a legislação, não apreciou o mérito da existência do direito de crédito, em especial, não apreciou a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado, bem como, restou prejudicada a apreciação da prova, os autos devem retornar para a delegacia de julgamento da RFB, com vistas a decidir sobre a liquidez e certeza do crédito pleiteado, sob pena de supressão de instância. Assim já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10980.923586/200996 Acórdão n.º 3802002.071 S3TE02 Fl. 45 5 na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos a ̀instância a quo, para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 12448.734760/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA QUALIFICADA
Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64.
TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior que davam
provimento integral ao recurso. Os conselheiros vencidos ressaltaram que, vencidos quanto ao principal, também desqualificavam a multa de ofício. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Claudio Gomes Pinto, OAB/SP nº 88704. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior que davam provimento integral ao recurso. Os conselheiros vencidos ressaltaram que, vencidos quanto ao principal, também desqualificavam a multa de ofício. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Claudio Gomes Pinto, OAB/SP nº 88704. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.
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DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencidos os conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior que davam provimento integral ao recurso. Os conselheiros vencidos ressaltaram que, vencidos quanto ao principal, também desqualificavam a multa de ofício. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Claudio Gomes Pinto, OAB/SP nº 88704. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi, Guilherme Barranco de Souza, Antônio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.056 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O recorrente foi intimado, em 16/06/10, a prestar as seguintes informações acerca da alienação de sua participação societária no grupo Pactual, no anocalendário de 2006 (fls. 2628 do eprocesso): a) pessoa física ou jurídica adquirente das participações societárias alienadas referentes às sociedades integrantes do Grupo Pactual; b) valor da operação de venda e número de ações alienadas; c) valor patrimonial, em 31/12/05 e na data da alienação, das ações alienadas no ano calendário de 2006; d) composição e evolução do custo das ações alienadas com a especificação e quantificação das capitalizações dos lucros e reserva ocorridas nas sociedades do grupo Pactual que afetaram o referido custo; e) condições de pagamento, especificando, caso a operação tenha sido realizada a prazo, valor, quantidade e datas de vencimento das parcelas, esclarecendo eventuais condições para diferimento dos valores a receber, bem como especificar o tratamento e as condições do eventual diferimento aplicado ao custo de aquisição das ações alienadas; f) cópia dos comprovantes de pagamento de imposto de renda incidente sobre o ganho de capital; g) valor dos tributos recolhidos incidentes sobre os ganhos de capital; h) todos os valores recebidos a título de distribuição de lucros, dividendos e juros sobre o capital próprio auferidos durante o ano calendário de 2006, especificando as respectivas sociedades que efetuaram as distribuições com a indicação dos percentuais de participação correspondentes, segregando os valores que foram efetivamente recebidos dos que representam créditos contra as sociedades que tenham sido capitalizadas; i) percentuais de participação no capital social de cada uma das sociedades integrantes do Grupo Empresarial Pactual, em 31/12/05 e na data de alienação dos títulos; j) todos os documentos que tenham respaldado a operação supracitada. Os seguintes esclarecimentos foram apresentados pelo recorrente, em 22/06/10 (fls. 2227 do eprocesso): Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 4 a) o valor da alienação foi de R$ 83.897.914,74, com custo de aquisição da participação societária de R$ 42.183.165,85, resultando num ganho de capital de R$ 41.714.748,89. O valor foi recebido em parcelas, sendo uma de R$ 32.607.038,01, em R$ 01/12/06, correspondente a 38,8651% em relação à qual foi recolhido Imposto sobre a Renda de R$ 2.431.874,03. Acerca das demais parcelas, não foram prestadas informações; b) o adquirente das 18.145.241 ações do Banco Pactual S.A. foi a UBS Brasil Participações Ltda., CNPJ nº 08.245.975/000191; c) o custo de aquisição das ações era R$ 42.183.165,85. A evolução do custo de aquisição ocorreu da seguinte forma: 1. em 31/12/05, o recorrente possuía 13.354.397 ações da Pactual Participações S.A, ao custo de R$ 11.520.836,85; 2. transformação da empresa acima referida em empresa de responsabilidade limitada (Ltda.), passando a ser denominada Nova Pactual Participações Ltda. (NPP); 3. integralização de 14.725.004 novas quotas da NPP, com a capitalização de créditos de lucros no valor de R$ 14.725.004,00; 4. a empresa NPP foi incorporada pela Pactual S.A. (PSA) em 2006, com o recorrente recebendo ações da PSA em substituição; 5. integralização de 15.937.405 ações da PSA com a capitalização de créditos de dividendos de R$ 15.937.405,00; 6. cisão parcial da PSA com versão de acervo para a Pactual Capital Partners Participações Ltda., com emissão de novas ações a custo de R$ 80,00, retirados da participação na PSA; 7. incorporação da PSA pelo Banco Pactual S.A., em 2006, com a substituição das ações. d) o ganho de capital oferecida à tributação no anocalendário de 2006 correspondeu à proporção da parcela recebida neste ano (38,8651%), sendo tributado à alíquota de 15%; e) a UBS Aktiengesellschaft (AG), entidade constituída na Suíça, ficou responsável pelo pagamento das demais parcelas que cabiam ao recorrente. f) por último, as participação do recorrente nas sociedades em questão era de 1,9197% da NPP em 31/12/05, e de 1,6% do Banco Pactual S.A. em 01/12/06. O recorrente juntou, ainda, as DARF’s para comprovar o recolhimento do valor apurado e o contrato de compra e venda das ações do Banco Pactual, traduzido por tradutor juramentado (fls. 654776 do eprocesso). Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.057 5 Em 30/08/10, o Fisco intimou o recorrente (fl. 3536 do eprocesso) a apresentar os seguintes esclarecimentos adicionais: a) apresentar cópias dos contratos sociais e comprovar os aumentos de capital efetuados, em 2006, nas empresas PDG Realty S/A Empreendimentos e Participações e Auratus Empreendimentos Imobiliários S/A; b) justificar a não declaração dos lucros recebidos da empresa PDG Realty S/A, e comprovar seu recebimento; c) explicar os itens 10, 11 e 12 de sua Declaração de Bens do ano calendário 2006, declarado na DIRPF 2007, referente às ações das empresas do Grupo Pactual, já que foram declarados os valores de R$ 0,00 para 31/12/05 e para 31/12/06; d) comprovar o depósito referente à sua participação societária na empresa JATG ESCO Limited, situadas nas Ilhas Virgens Britânicas, no valor de US$ 750.000,00; e) apresentar cópia do contrato da empresa citada no item anterior; f) explicar o motivo do cômputo de R$ 6.408.663,47 como custo de aquisição das ações do Banco Pactual, se declarou um custo de R$ 3.918.067,15 em sua declaração de bens na DIRPF 2007/2006; g) comprovar a aplicação de R$ 3.065.107,00 no Fundo de Investimentos FIC FIM PCP BRASIL; h) apresentar os comprovantes de rendimentos declarados em suas DIRPF’s. Em reposta (fl. 3824 do eprocesso), o recorrente explicou que: a) não efetuou qualquer aumento de capital nas empresas PDG Realty S/A e Auratus S/A; b) não recebeu distribuição de lucros da empresa PDG Realty S/A; c) as ações das empresas do grupo Pactual encontramse com seus saldos zerados em 31/12/05 e 31/12/06 pois foram vendidas durante o ano calendário de 2006, e foram obtidas no mesmo ano. Sendo assim, é correto o lançamento de saldo zero para essas ações nas datas referidas; d) o contrato social da JATG Esco e o contrato de câmbio de remessa de dinheiro para as Ilhas Virgens Britânicas foram anexados junto à resposta (fls. 4257 do eprocesso); e) Foi declarado o custo de aquisição de R$ 3.918.067,15 na DIRPF 2006/2007 porquanto este valor corresponde ao saldo de custo de aquisição após a apuração do ganho de capital proporcional ao valor recebido em 2006; Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 6 f) Apresentou informe de rendimentos financeiros do Banco UBS Pactual, nos quais fica comprovada a aplicação de R$ 3.065.107,00 no Fundo de Investimentos FIC FIM PCB BRASIL (fl. 58 do eprocesso); g) Apresentou os informes de rendimentos requisitados em conjunto à resposta (fls. 5961 do eprocesso), ressaltando que um dos valores não confere com o presente em sua DIRPF, nem com o comprovante de rendimentos apresentado. Ainda, em relação aos proventos de aposentadoria, declarou ter incorrido em erro por não têlos declarado, mas que esse equívoco foi consertado no ano de 2009, quando foi recolhido o valor adicional com os devidos acréscimos. Após a reposta do recorrente, o Fisco emitiu nova intimação, recebida em 08/07/10, requisitando todos os comprovantes que respaldassem as operações com ações das empresas do Grupo Pactual (fls. 6263). Em resposta, o recorrente apresentou os documentos solicitados (fls. 65264 do eprocesso). Nova intimação foi recebida pelo recorrente em 23/07/10, requerendo maiores informações acerca das empresas JATG Esco Limited e PDG Realty S/A. Tal intimação foi respondida pelo recorrente em 28/07/10, apresentando tradução juramentada do contrato social da JATG Esco Limited (fls. 267325 do eprocesso), íntegra do contrato de câmbio de venda para o exterior — utilizado para enviar dinheiro para as ilhas canárias com o fim de integralizálo na empresa JATG Esco Limited —, atas de assembleia da PDG Realty S/A (estes documentos não constam nos autos do processo). Outra intimação foi recebida pelo recorrente em 02/09/10, quando foi instado a apresentar cópias do balanço e demonstrativo de resultado da empresa Nova Pactual Participações Ltda, no qual estivesse demonstrado a distribuição de lucro realizada em outubro de 2006. Ainda, justificar a “distribuição aleatória de lucros”, uma vez que diversos sócios com a mesma participação que a do intimado receberam valores diferentes e, por fim. Por último, deveria comprovar a remessa de R$ 1.624.500,00 para as Ilhas Virgens Britânicas e apresentar os extratos bancários das contas no Banco BTG Pactual S/A. Em resposta, o recorrente apresentou as cópias do balanço requerido (fls. 384386), explicou que a distribuição de lucros não foi aleatória, mas sim proporcional à participação de cada sócio quotista na produção dos resultados, e, por último apresentou comprovante bancário da transferência para as Ilhas Virgens Britânicas (não consta nos autos do eprocesso) e da conta no Banco BTG Pactual S/A (fls. 366383 do eprocesso). Em nova intimação, recebida pelo recorrente em 25/09/10, o Fisco solicitou a apresentação de justificativas de o nome do recorrente não constar dentre os associados da JATG Esco Limited, já que a empresa leva seu nome, e embora tenha alegado ter realizado aumento de capital na empresa. Ainda, informar a empresa que distribuiu os dividendos creditados na conta do BTG Pactual, no valor de R$ 90.000,00, em 29/06/06. Por último justificar diversos créditos realizados em sua conta do UNIBANCO. O recorrente explicou que o documento apresentado não contém o nome do acionista, e que o nome lá constante é referente ao representante da empresa. Os nomes dos titulares da empresa aparecem — no caso o único acionista é o próprio recorrente — em documento á parte, que está anexo à resposta (fls. 392394 do eprocesso). Os lucros creditados Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.058 7 em sua conta foram pagos pela Nova Pactual Participações Ltda. Por fim, quanto aos depósitos, explicouos individualmente, requisitando prazo adicional para buscar informações Posteriormente, foi emitida nova intimação, na qual o recorrente foi informado de que o objeto da fiscalização fora estendido para o ano de 2009, e que deveriam ser apresentada memória de cálculo dos valores recolhidos a título de ganho de capital para os períodos de 2006 e 2009. Em reposta o recorrente relatou que recebeu R$ 5.094.842,87 dos R$ 13.109.031,11 em 2006, apurando imposto a pagar de R$ 390.602,75 sobre o ganho de capital apurada proporcionalmente. Outros R$ 5.528,871,71 foram recebidos em 2009, e foram pagos R$ 423.870,95 a título de imposto de renda por ganho de capital na alienação de ações. Outra intimação foi recebida em 06/12/10, perguntando o motivo para que o recorrente não tenha recebido todo o saldo do valor das ações em 2009, e, também, insta o recorrente a comprovar a correção do erro de declaração quanto aos proventos de aposentadoria recebidos em 2006, que teria sido realizada em 2009. O recorrente esclareceu que ainda não havia recebido a última parte do prometido quando da venda das ações, muito embora o Banco UBS Pactual S/A tivesse prometido o pagamento do saldo em quatro parcelas entre março de 2010 e julho de 2011. Por fim, apresentou comprovantes e memória de cálculo da correção do erro de declaração quanto aos rendimentos de aposentadoria (fls. 408410 do eprocesso). Uma última intimação foi expedida, dessa vez intimando o recorrente a comprovar o diferimento do pagamento das parcelas, e as condições de pagamento. Tal intimação foi atendida com a apresentação de “acordo entre sócios”, com cópia do original em inglês e tradução juramentada (fls. 418169), na qual fica firmado o compromisso da UBS de pagar o saldo de R$ 2.485.328,00, não adimplido em 2009, em quatro parcelas semestrais a partir de 18/09/10, sendo a última em 1º/07/11. 2 Auto de Infração Após análise dos documentos societários, contábeis e esclarecimentos apresentados, o Auditor Fiscal entendeu por bem lavrar auto de infração (fls. 14321438 do e processo), constituindo crédito tributário de R$ 1.473.961,91, incluídos imposto, juros de mora e multa de ofício qualificada em 150%. A explicação detalhada dos fatos apurados e critérios utilizados no lançamento estão presentes no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto (fls. 1.386 1.431 do eprocesso). A justificativa para a autuação, de acordo com o TVF foi: [...] as pessoas físicas alienantes das ações do Banco Pactual S/A valeramse da supracitada reorganização societária para desenvolver um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. De plano, registrese que toda a análise teve como fundamento uma evidência que afronta os princípios econômicos e contábeis da formação do custo de aquisição de bens Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 8 alienados, assim como contraria regras e correlações matemáticas elementares. Verificouse UM ACRÉSCIMO NO CUSTO DAS AÇÕES ALIENADAS pertencentes ao acionista GUY PERELMUTER da ordem de 6.408,76% [...], enquanto que o AUMENTO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO BANCO PACTUAL S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, foi de 89%. No decorrer do TVF, foram explicitadas todas as operações de reorganização ocorridas nas empresas do grupo Pactual, desde dezembro de 2004: 2.1 NA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA: a) 28/12/04: mudança do capital social da Pactual Participações Ltda., com aumento do capital social de R$ 125.000.321,05 para 335.000.321,71, mediante capitalização de parte dos lucros (R$ 210.000.000,66) retidos na conta de lucros acumulados da sociedade; b) 31/12/05: mudança do capital social da Pactual Participações Ltda., com aumento do capital social para R$ 465.000.320,61, mediante capitalização de parte dos lucros (R$ 129.999.998,90) detidos na reserva de lucros da sociedade; c) 31/12/05: incorporação da Pactual Participações Ltda. pela Pactual Participações S.A., com acréscimo de R$ 53.828.392,27 ao capital social da incorporadora, que passou a R$ 70.118.786,40; 2.2 NA PACTUAL PARTICIPAÇÕES S.A.: a) 13/01/06: transformação da Pactual Participações S.A., em Nova Pactual Participações Ltda.; b) 13/10/06: mudança do capital social da Nova Pactual Participações Ltda., com aumento de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade; c) 13/10/06: incorporação da Nova Pactual Participações Ltda. pela Pactual S.A., acrescentando R$ 33.593.148,46 ao capital social da incorporadora, que passou a R$ 97.841.295,93; 2.3 NA PACTUAL HOLDINGS S.A.: a) 13/10/06: mudança do capital social da Pactual Holdings S.A., com aumento do capital social em R$ 31.299.033,50, para R$ 233.799.033,50, mediante a capitalização de R$ 202.500.000,00, parte a título de créditos detidos contra a sociedade e parte mediante capitalização da reserva legal da companhia; b) 13/10/06: incorporação da Pactual Holdings S.A. pela Pactual S.A., acrescentando R$ 29.749.957,22 ao capital social da incorporadora, que passou a ser de R$ 64.248.147,47; Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.059 9 2.4 NA PACTUAL S.A.: a) 01/11/06: mudança do capital social da Pactual S.A., com aumento de R$ 3.862.542,92, mediante capitalização dos créditos detidos pelos acionistas Gilberto Sayão da Silva e André Santos Esteves contra a sociedade, passando a R$ 101.698.838,85; b) 01/11/06: cisão parcial da Pactual S.A., com reversão de parcela do capital social para a Capital Partners Participações Ltda., no valor de R$ 5.000,00, em 01/11/06; c) 03/11/06: mudança do capital social da Pactual S.A., com aumento de R$ 996.087.876,00, mediante capitalização dos créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia, passando a ser de R$ 1.097.786,85; c) 01/12/06: incorporação da Pactual S.A. pelo Banco Pactual, acrescentando R$ 1.149.597.660,18 ao capital social da incorporadora, sendo entregues aos acionistas da Pactual S.A. as correspondentes ações do Banco Pactual, que seriam alienadas ao UBS AG. O recorrente fazia parte do quadro societário em 31/12/05, e teve a seguinte variação patrimonial apresentada: Empresas Custo das Ações/Quotas em 31/12/2005 Créditos Capitalizados em 2006 Natureza PACTUAL PARTICIPAÇOES S.A. R$ 132,00 NOVA PACTUAL PARTIC. S.A. R$ 3.918.556,00 Crédito Capitalizado Lucros PACTUAL S.A. R$ 2.490.216,00 Dividendos Capitalizados Cisão Parcial PSA vertendo acervo a Capital Partners Part. Ltda. R$ 12,50 TOTAL R$ 132,00 R$ 6.408.759,95 R$ 6.408.891,50 Após relatar o que foi dito pelo recorrente durante o processo de fiscalização, o Auditor Fiscal passa a retratar as operações ocorridas nas empresas através de um exemplo, no qual utiliza as empresas Alfa e Beta. Com o exemplo, procurou mostrar como o método de equivalência patrimonial geraria lucro distribuível em cascata, e que a operação de capitalização dos lucros distribuíveis em cadeia gerava aumento artificial do custo de aquisição, que, se levado a graus mais elevados de sobreposição empresarial, chegariam à aniquilação total do ganho de capital na venda de ações. O ponto atacado no planejamento foi o fato de os recursos passíveis de distribuição e integralização estarem desde sempre na incorporadora final, motivo pelo qual não poderiam ter sido capitalizados nas empresas controladoras incorporadas que tiveram apenas lucro devido à equivalência patrimonial. Desse modo, para reconstituir o custo de aquisição das ações alienadas, o Auditor Fiscal elabora apurado raciocínio para chegar à conclusão de que o verdadeiro custo de aquisição das ações do Banco Pactual S.A. é representado pelo Patrimônio Líquido da Pactual Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 10 S.A., no montante de 1.149.610.206,41, com o desconto de R$ 290.754.000,06 recebidos pelos alienantes em 22/02/07 a título de dividendos, de acordo com a cláusula 6.13 do contrato de compra e venda das ações do Banco Pactual à UBS AG. Sendo assim, o custo total de aquisição das ações do Banco Pactual corresponde a R$ 858.876.206,35. Em relação ao contribuinte, sua participação societária foi alienada por R$ 13.109.031,11, em duas parcelas, sendo parte em 2006 (38,87%) e o restante em 2009. O custo de aquisição declarado por si foi de R$ 6.408.891,50, o que implicaria um ganho de capital de R$ 6.700.139,61, sobre o qual o recorrente recolheu Imposto sobre a Renda à época da recepção. No entanto, o critério considerado pelo Fisco fixou o custo de aquisição em R$ 2.137.531,05, o que aumentaria o ganho de capital para R$ 10.971.500,06, devendo ser recolhido imposto sobre a diferença entre o ganho de capital apurado pelo Fisco e o apurado e pago pelo recorrente. O Fisco entendeu, por fim, que, por ter informado o valor do custo de aquisição de modo inexato, com o intuito de pagar menos imposto de renda, o recorrente efetuou fraude, tipificada no art. 72, da Lei nº 4.502/64. Nesse contexto, qualificou a multa de ofício, aplicandoa no patamar de 150%. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação ao lançamento, alegando, em suma: a) o auto de infração não indica o dispositivo infringido, se limitando a citar uma variedade de dispositivos genéricos. A falta de indicação do dispositivo infringido é facilmente explicável: não houve infração alguma na reestruturação social ou na apuração de ganho de capital do caso; b) a estrutura de holdings sobrepostas era existente há mais de 10 anos, e servia para facilitar a distribuição dos resultados, bem como preservar o controle por seus principais acionistas; c) a venda poderia ter ocorrido de duas formas: compra das ações pelo UBS AG diretamente dos acionistas, ou da Pactual S.A. Como o contrato envolveu diversas obrigações aos sócios, a UBS AG tinha interesse de que a transação fosse efetuada diretamente pelos sócios pessoas físicas. É importante ressaltar que grande parte dos sócios era gerente de investimento do Banco Pactual, enquanto outros dos sócios eram famosos investidores, e que o interesse da UBS AG era mantêlos operando o fundo de comércio até a consolidação desse, bem como impedilos de competir com a instituição financeira durante certo período de tempo. Ao mesmo tempo, seria interessante aos alienantes receber a quantia pessoal e individualmente, já que desse modo não seriam impactados caso um dos outros alienantes violasse a cláusula de não concorrência, que ensejava redução do valor da alienação; d) ainda, após a venda das ações, as holdings deixariam de ter serventia, motivo pelo qual deveriam ser extintas. O processo de liquidação, contudo, é longo e relativamente complexo, motivo pelo qual a forma mais simples de encerrar as empresas seria através de incorporação; e) no entanto, a incorporação de instituições financeiras é processo extremamente trabalhoso e delicado, devido ao sem número de Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.060 11 regulamentações e restrições impostas ao setor, ainda mais quando a incorporadora não é uma instituição financeira. Por esses motivos, as holdings controladoras é que deveriam ser incorporadas pelo Banco Pactual, e não o inverno, como seria o costumeiro; f) sendo assim, a incorporação era o modo mais eficiente, pelo viés prático, operacional, negocial e fiscal de, ao mesmo tempo, extinguir as sociedades e passar a posse das ações do Banco Pactual aos acionistas das holdings; g) o procedimento de incorporação se dá, via de regra, pelo aumento de capital da empresa incorporadora, que é capitalizado com o patrimônio líquido da incorporada. Nesta operação os sócios da incorporada recebem ações da incorporadora equivalentes a sua participação no aumento do capital. Desse modo, a substituição de ações é feita sem apuração de resultado, e é mantido o custo de aquisição do investimento; h) no entanto, há uma particularidade nas incorporações reversas, como a do caso: como parte do patrimônio da incorporada é formado por ações da incorporadora, e essas ações são canceladas ou mantidas em tesouraria quando da incorporação, o capital social é aumentado e logo sofre redução pelo cancelamento das ações. i) a capitalização dos lucros da incorporada ocorreria de qualquer modo, pois, ao incorporar o patrimônio líquido, também seriam incorporados os lucros a distribuir aos acionistas, e os acionistas da incorporada receberiam ações equivalentes a este valor, sem ganho de capital, mas com aumento do custo de aquisição; j) não procede o argumento da Fiscalização de que as operações tiveram como intuito apenas aumentar o custo de aquisição. Em realidade, a distribuição prévia dos lucros teve como intuito distribuir os lucros de forma desproporcional, de modo a acertar as participações societárias. Caso fosse realizada a incorporação sem a distribuição dos lucros, todos os acionistas teriam o resultado distribuído em forma de ações da empresa incorporadora de modo proporcional a sua participação conforme explicado no ponto acima; k) é errôneo o entendimento da Fiscalização de que os lucros de equivalência patrimonial não podem ser capitalizados. Esta é, inclusive, a justificativa para a tributação do lucro das coligadas e controladas no exterior mesmo antes da distribuição às controladas e coligadas em território nacional: o aumento patrimonial das controladas/coligadas repercute no patrimônio da controladora/coligada; l) ainda, se fosse realizada a extinção das holdings ao invés das incorporações, os acionistas receberiam a restituição da participação no capital social da holding, que é completamente formado pelas ações da empresa controlada. Ainda, os bens são recebidos pelo valor contábil ou de mercado, e o ganho de capital em relação aos bens devolvidos é isento de imposto de renda, por força do art. 29, III, da IN nº 84, de 2001. Ou Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 12 seja, pelo exemplo de Alfa e Beta utilizado no termo de verificação fiscal, a situação acabaria do mesmo jeito. No entanto, conforme já foi exaustivamente dito, a incorporação era o método mais racional, eficiente e veloz de fazer com que as ações chegassem às mãos dos acionistas; m) a legislação fiscal é falha, e possui casos em que o contribuinte sai prejudicado injustamente, assim como outros em que o contribuinte se beneficia da estrutura legal. Um exemplo no qual o contribuinte é prejudicado é quando existem reservas de reavaliação reflexa. Uma empresa com controladoras diretas e indiretas reavaliou um bem de seu ativo. Essa reavaliação gerou um aumento na participação dos controladores. Após esta reavaliação, um dos controladores vendeu a participação na controlada e apurou ganho de capital na venda, pagando imposto de renda. Logo em seguida, a controlada vende o bem do ativo e apura ganho de capital, pagando novamente imposto de renda. Ou seja, assim como uma reavaliação pode gerar duas riquezas tributáveis, uma mesma reavaliação pode gerar duas riquezas isentas, como no caso em liça; n) o critério de apuração do custo de aquisição utilizado pelo Fisco é desprovido de fundamento legal. Ainda, no eventual caso de haver irregularidade na capitalização dos lucros da equivalência, deveria ter sido era desconsiderada a capitalização dos lucros da Pactual S.A., e apenas esta capitalização; o) a reestruturação não foi abuso de direito, nem fraude. Os meios utilizados foram os mais eficientes, práticos e adequados às vontades das partes envolvidas no negócio jurídico, dos vieses negocial, econômico, fiscal e societário. Ademais, todo o negócio foi feito às claras. Conforme defende Marco Aurélio Greco, que é utilizado pelo Fisco como referência em matéria de fraude à lei, nos casos em que há a pretensa “fraude à lei” não deve ser aplicada multa, visto que a atuação se dá de acordo com o Direito vigente. Ou seja, mesmo que, em último caso, se entenda que o tributo é devido, a multa é inaplicável; p) a qualificação da multa também é incabível, vez que em nenhum momento foi configurado o intuito doloso do recorrente, mas tão somente a existência de divergência quando ao critério de apuração do custo de aquisição; q) por último, caso se considere que é devida a multa, sobre ela não devem incidir juros de mora, vez que isto agravaria a penalidade, e não podese falar em mora na exigência de multa. 4 Acórdão de Impugnação A 21ª Turma da DRJ/RJI julgou improcedente a impugnação do recorrente, por unanimidade. Os fundamentos alinhados pelos julgadores foram: a) não é nulo o auto de infração, pois foi lavrado com a fundamentação legal adequada, permitindo a defesa do autuado; Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.061 13 b) o auto de infração não contesta as incorporações, considerandoas legítimas. A discordância do Auditor Fiscal foi em relação à forma de avaliação das participações societárias, que majorou indevidamente o custo de aquisição das participações societárias que foram alienadas à UBS AG; c) na incorporação inversa, a variação patrimonial decorrente de MEP não pode ser incorporada ao capital social da empresa incorporadora, pois é destituída de lógica jurídica ou matemática a existência de direito econômico da incorporadora contra si mesma registrado no capital social; d) admitir que o mesmo lucro possa ser, em razão da aplicação do MEP, capitalizado na empresa investidora e, posteriormente, com a incorporação reversa, novamente capitalizado na empresa incorporadora/investida é o mesmo que afirmar que os sócios da investidora teriam direito a receber nesta os lucros de equivalência patrimonial e, posteriormente, na empresa investida, receber os mesmos lucros. Uma vez embolsado o lucro pelos sócios, não há lucro a receber, seja na investida, seja na investidora; e) não há impedimento legal ou contábil para que os lucros de equivalência patrimonial sejam capitalizados na sociedade investidora. Contudo, obrigatoriamente a capitalização desses lucros deve ter reflexos na contabilidade da sociedade investida, tanto para novas capitalizações, como para retiradas ou constituição de reservas. Considerando que nas incorporações reversas em questão os lucros permaneceram inalterados na sociedade incorporadora, as capitalizações na incorporadora não se restaram efetivas e, portanto, podem ser entendidas como meras “pré capitalizações”; f) o critério de apuração do custo de aquisição de cada acionista utilizado pela Fiscalização foi o da participação no capital social da Pactual S.A., pois, independentemente de quais fossem os valores do capital inicialmente investido pelo sócio no grupo Pactual e dos lucros efetivamente obtidos e retidos no Grupo, a participação do Impugnante no capital social da Pactual S.A. não pode ser diferente da soma destes dois valores; g) deste critério depreendese que o custo de aquisição deve ser reduzido pelos valores recebidos a título de dividendos por usufruto das ações posteriormente à venda, vez que isto reduziu o montante de lucros efetivamente obtidos e reditos na empresa; h) é devida a qualificação da multa, posto que o recorrente majorou indevidamente o custo das ações alienadas, prestando ao Fisco informações falsas quanto a capitalizações de lucros, capitalizações estas que não possuíam suportes econômicos e legais; i) embora por sua pequena participação não se possa dizer que o recorrente é culpado pelo processo de reestruturação, foi sua a opção se aproveitar Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 14 do estratagema contábil ao apurar o ganho de capital da venda de suas ações; j) mesmo que se aceitasse a justificativa do recorrente de que a conduta preservaria a letra da lei, ainda assim, restarseia patente a ofensa ao espírito dela, sendo o ato, portanto, de fraude à lei, envolvendo o abuso de direito; k) a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada é correta, pois existe previsão legal nesse sentido, embora os juros só passem a ser aplicados a partir da data do vencimento da multa, motivo pelo qual não estão presentes no auto de infração. 5 Recurso Voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 09/07/12, o recorrente apresentou recurso voluntário, em 25/07/12, reiterando os argumentos apresentados na impugnação, acrescentando ataque direto aos fundamentos da decisão, com os seguintes argumentos: a) o MEP é obrigatório quando existe participação societária expressiva em coligada, ou no caso de controladas. Este método pode resultar em receita ou despesa de equivalência, que integrará as parcelas que comporão o resultado da empresa que avaliar seus investimentos pelo MEP. Esta receita de equivalência é isenta de Imposto sobre a Renda, exceto no caso de empresas coligadas/controladas no exterior. A receita de MEP, embora represente entrada financeira ainda potencial, constituiu uma receita definitiva da sociedade investidora; b) por outro lado, isto não faz com que o lucro da investida tornese o lucro da investidora, são lucros diferentes, e considerar que seja o mesmo é desconsiderar a existência da sociedade investidora e da autonomia das pessoas jurídicas e patrimônios; c) ainda, a simplificação efetuada pelo lançamento é perigosa, pois deveria ao mesmo tempo impedir a dupla incidência já explicada na impugnação no caso de reavaliação de investimento da investidora decorrente de reavaliação de bem do ativo da investida, com posterior venda das ações da investida e do bem do ativo dessa, com consequente apuração de duplo ganho de capital; d) esta suposta justiça econômica não se coaduna com a norma jurídica, violandoa, inclusive, e trazendo grave insegurança jurídica; e) a tese de que a capitalização dos lucros decorrentes de MEP da investidora bloqueia a distribuição/capitalização pela investida é desprovida de fundamento legal, e consiste em inovação da Fiscalização, respaldada pela decisão da DRJ; f) outro dos acionistas teve seu recurso julgado procedente no CARF, no acórdão nº 210201.938, da 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF, sob o fundamento de que em nenhum momento foi demonstrada na autuação a violação ao art. 135 do RIR/99; Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.062 15 g) o critério de apuração do custo de aquisição dos investimentos no Banco deve ser realizado a partir da evolução do custo dos investimentos adquiridos pelo recorrente, não o de participação no capital social. Nesse contexto, a incorporação desencadeia substituição de ações, operação essa que possui caráter neutro, transportando o custo de aquisição do bem substituído para o bem substituinte; h) quanto à multa, a própria Fazenda não conseguiu ao certo definir qual foi a infração cometida pelos acionistas, tanto que em diversos autos sobre o mesmo caso foram utilizados fundamentos diferentes, em relação aos mesmos fatos. Além disso, se existe alguma falha no raciocínio do recorrente quanto ao cálculo do custo de aquisição, o problema é de interpretação do art. 135, e não intuito de fraude; i) por último, diversas são as decisões do CARF que afastam a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 16 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1 ANÁLISE DA LEGALIDADE DAS AÇÕES DO RECORRENTE O presente processo trata de operação em que uma sociedade controladora (holding) apura resultado decorrente da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP) em face de sua controlada. Isto é, o lucro apurado na sociedade controlada reflete na apuração do resultado positivo da controladora pelo MEP. A partir disso, a sociedade controladora capitaliza o lucro distribuindo as ações/quotas aos sócios que, com base no art. 135 do RIR/99, aumentam o custo de aquisição do seu investimento. Ocorre que, no caso em tela, a operação ocorreu mais de uma vez a partir do lucro existente na sociedade controlada (operacional) e, combinada com incorporação das sociedades controladoras pelas controladas (incorporação às avessas), permitiu ao recorrente o aumento desproporcional do custo de aquisição do investimento. E o resultado do aumento do custo de aquisição do investimento possibilitou aos sócios a diminuição do ganho de capital na venda de suas ações da sociedade operacional (no caso o Banco Pactual S.A., único remanescente após as sucessivas incorporações). O desenho da estrutura societária e das operações ocorridas que envolveram a participação societária do recorrente pode ser assim resumido: 1 – Entrada de Jose Antonio Tornaghi Grabowski na Pactual Participações S.A. (posteriormente convertida em Nova Pactual Participações Ltda), com a compra de 100 ações ao custo de R$ 132,00, em 31/12/05; 2 – Recebimento de R$ 3.918.556,00 a título de lucros distribuídos desproporcionalmente pela Nova Pactual Participações Ltda., seguida da capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 3.918.556,00 novas quotas, em 13/10/06; Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.063 17 3 – Incorporação da Nova Pactual Participações Ltda. pela Pactual S.A, com o cancelamento das quotas da Nova Pactual Ltda. e recebimento de quotas da Pactual S.A., em 13/10/06; 4 – Recebimento de R$ 2.490.216,00, a título de lucros distribuídos pela Pactual S.A., seguida de capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 2.490.216 novas ações da Pactual S.A., em 01/11/06; 5 – Cisão parcial da Pactual S.A., com reversão de parcela do capital social para a Capital Partners Participações Ltda., e recebimento de 125 quotas, no valor de R$ 12,50, em 01/11/06; 6 – Incorporação da Pactual S.A. pelo Banco Pactual S.A., com o cancelamento das ações da Pactual S.A., e recebimento de 2.835.190 ações do Banco Pactual S.A., em 03/12/06. Com razão a fiscalização aponta – fl. 1.418 que “se materialmente válido fosse o artifício idealizado pelos contribuintes nas suas operações de incorporação reversa, os mesmos teriam descoberto um meio de criar patrimônio novo pela simples sucessão de incorporações.” Isto é, a criação de estruturas nos moldes acima transcritos teria, sem dúvida, como efeito o aumento artificial do custo de aquisição das ações, conduta rechaçada pela jurisprudência desse Conselho, conforme se observa: CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito. (CARF. Primeira Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Ac. nº 110300.501. Rel. Conselheiro José Sérgio Gomes. Julg. em 30/06/11). Entendo, entretanto, que o julgamento não deve ficar adstrito ao plano das hipóteses ligadas ao tema de fundo analisado, mas construir um significado concreto ligado às peculiaridades do caso (pragmática). Nesse ponto, acho relevante diferenciar (i) a conduta materializada na criação de uma estrutura societária desprovida de conteúdo econômico, com a finalidade exclusiva de economizar tributos, (ii) da conduta do contribuinte que, diante de uma estrutura previamente existente, opta pela adoção de um caminho que lhe confere menor custo tributário. Essa parece ser a hipótese ora analisada. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 18 Analisandose o caso concreto denotase que, conforme se pode constatar em fls. 608 a 610, a estrutura que possibilitou o aumento do custo de aquisição das ações do recorrente existia, no mínimo, há mais de dois anos da data da venda das ações do Banco Pactual S.A. Mais que isso, consultando o sistema COMPROT se pode constatar a existência de processos administrativos datados de 2002, o que sugere que as empresas existiam, muito antes desta data. Ou seja, não se trata de estrutura criada com a finalidade de reduzir ou eliminar a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre o ganho de capital na venda das ações do Banco Pactual S.A., mas, sim, da adoção, pelo recorrente, do caminho legal mais vantajoso, em termos fiscais, diante da encruzilhada que poderia gerar maior ou menor custo tributário. No caso em tela, o recorrente conseguiu demonstrar não apenas a utilidade da estrutura societária existente como a existência de propósito negocial/econômico (fls. 14601463), o que permite concluir, inclusive, que aconteceria independentemente da redução da carga tributária para os acionistas na venda de sua participação no Banco Pactual S.A. Mas não. O recorrente utilizou a possibilidade de aumento do custo de aquisição do investimento, prevista no art. 135 do RIR/99, para minimizar o impacto tributário na operação de venda de sua participação no Banco Pactual S.A. Se a utilização desse mecanismo gerou distorção entre a evolução do patrimônio líquido do Banco e a evolução do aumento do custo do investimento do recorrente – e isso é um fato, de forma evidente há uma distorção econômica , essa é mais uma, dentre tantas distorções permitidas/previstas na lei, que ora atuam em favor dos contribuintes, ora em desfavor. Como exemplo, podemos citar a limitação da compensação do prejuízo fiscal acumulado pelas empresas no percentual de 30%, restrição legal cujo efeito é a criação artificial de um lucro fiscal que não encontra respaldo na situação patrimonial do contribuinte. Em outros termos, o fato de o lucro obtido no Banco Pactual S.A. gerar reflexos de resultado positivo na sua controladora (Pactual Holding S.A.) e também na empresa que controla essa última (Nova Pactual Ltda.), através do MEP não encontra qualquer óbice legal. Do mesmo modo, não há qualquer impedimento legal nas capitalizações desses resultados aos quotistas da Nova Pactual Ltda. e, posteriormente, aos acionistas da Pactual Holding S.A., ainda que provenientes do lucro existente no Banco Pactual S.A. Pelo contrário, tanto a fiscalização quanto a decisão recorrida admitem que, se houvesse em caixa dinheiro disponível, o lucro obtido com o MEP, tanto numa quanto noutra empresa controladora, poderia ser distribuído aos sócios. Portanto, se o lucro poderia ter sido distribuído aos sócios, por que o resultado positivo auferido através do MEP não poderia ser capitalizado, aumentando o custo de aquisição do investimento do quotista/acionista, nos termos previstos pelo art. 135 do RIR/99? Nesse compasso, a fiscalização busca enquadrar o aumento do custo de aquisição do investimento engendrado pelo recorrente, com base no art. 135 do RIR/99, como abuso de direito. Tal abuso de direito, inclusive, teria caracterizado fraude à legislação tributária (segundo concluiu a decisão recorrida). Abaixo, transcrevese um trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.4271.428) que ilustra o pensamento da fiscalização: O abuso de Direito está intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado, e a distinção entre o direito, e a forma pela qual é este exercitado, revelase de notável importância para a caracterização do abuso do direito, e em consequência, permite o estabelecimento de limites para o planejamento tributário, a partir dos quais a conduta destinada a evitar, ou reduzir o tributo, caracteriza “fraude fiscal”. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.064 19 Como tal, pode ser considerado o uso de fórmulas anômalas, absolutamente inusuais, cuja validade não pode ser razoavelmente sustentada mesmo no âmbito do Direito em que está situada a figura jurídica então deformada. O abuso de direito pode ser definido, portanto, como sendo o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrário ao critério econômico e social do direito em geral. O certo é que no mundo atual, pós era liberal, o abuso de direito é contrário a tendência socializante do direito, na sua vontade de sempre o direto, qualquer que seja, atender à sua função social. Assim com o abuso de forma, o abuso de direito é desdobramento da interpretação econômica do direito tributário. O abuso de direito considera ilícita a conduta do contribuinte que pratica negócios jurídicos visando exclusivamente à economia de imposto, tendo como fundamento o uso imoral do direito. O intérprete aplicaria uma regra moral própria, convertendoa numa regra jurídica a incidir em cada caso. Para cada situação exigirá uma regra moral específica. Seu campo de incidência é o plano da moral, o que rejeita o princípio da legalidade e o valor da segurança jurídica. (Grifamos). A peça fiscal busca sustentação expressa na clássica interpretação econômica do direito tributário, sustentando que nela é papel do intérprete a aplicação de uma regra moral própria em detrimento da legalidade e da segurança jurídica. Cabe lembrar que a Teoria da Interpretação Econômica do Direito, nascida nos idos de 1919 na Alemanha, sob a regência de Enno Becker, permitiu aos entes fiscais ultrapassar a linha tênue que existe entre a legalidade e o arbítrio, pois a legislação fiscal foi simplificada a ponto de os fatos geradores serem regidos pelos efeitos econômicos, e não pela forma jurídica que assumiam. Não se discorda que as operações analisadas acarretaram uma distorção entre os planos tributário e patrimonial. Essa distorção, no entanto, não decorreu num contexto societário/ jurídico artificialmente criado. Exigir que o contribuinte, nesse contexto, não percorra o caminho tributariamente menos oneroso e dele retire seus efeitos tributários implica sacrificar desnecessariamente a legalidade e substituíla pelo “princípio da maior capacidade contributiva” (sic). As distorções existentes entre os efeitos prescritivos previstos pelo ordenamento e sua correspondência patrimonial, no presente caso, possuem foro específico para correção: poder legislativo. Aliás, sob o ponto de vista econômico, o subjetivismo da “criação normativa realizada pelo intérprete”, em prejuízo do regime jurídico genericamente estendido a todos os contribuintes agrega desnecessária incerteza nos agentes econômicos, num claro prejuízo ao crescimento do país, como já havia constatado Adam Smith, em 1776: O tributo que cada indivíduo está obrigado a pagar deve ser certo, e não arbitrário. O tempo do pagamento, o modo de pagamento, a quantidade a ser paga, tudo deve ser claro e evidente ao contribuinte, e a qualquer outra pessoa. Onde isso é Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 20 diferente, cada pessoa sujeita à tributação é posta em maior ou menor grau à mercê do coletor de impostos, que pode tanto agravar o tributo incidente sob cada contribuinte antipático, ou extorquir, pelo temor desta agravação, algum presente ou gratificação para si mesmo. A incerteza da tributação encoraja a insolência e favorece a corrupção de uma categoria de homens que são naturalmente impopulares, mesmo quando não são insolentes ou corruptos. A certeza do que cada indivíduo deve pagar é, na tributação, uma questão de tão grande importância que um considerável grau de desigualdade, parece, eu creio, da experiência de todas as nações, não está próximo de representar um mal tão grande quanto um pequeno grau de incerteza. (Tradução livre de: SMITH. Adam. An inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. Edited by S. M. Soares. MetaLibri Digital Library, 29th May 2007. Book V: “Of the Revenue of the Sovereign or Commonwealth”, chap. II: “Of the Sources of General or Public Revenue of the Society”, part III: “Of Taxes”, par. II. p. 639640.) Desse modo, entendo que o recurso merece provimento, pois não há contexto que autorize a desconsideração dos efeitos tributários estendidos pelo ordenamento ao contribuinte, que acabaram acarretando o aumento do custo de aquisição das ações por ele vendidas e a consequente redução do seu ganho de capital. 2 DOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A Fiscalização tomou como base para o cálculo do custo do investimento do recorrente a sua participação no patrimônio líquido da empresa Pactual Holding S.A., no valor de R$ 2.137.531,05, antes de sua incorporação pelo Banco Pactual S.A. Acredita a Fiscalização que o patrimônio líquido da aludida empresa, por ter sido a última a participar das operações de capitalização de resultados positivos decorrentes do MEP, representaria, perfeitamente, a base para o cálculo do custo da participação de cada um dos sócios. Em outra conta para chegar ao mesmo resultado, a Fiscalização somou o valor do patrimônio líquido de cada sociedade investida/ incorporadora no evento “incorporação às avessas” (além de uma pequena diferença oriunda do resultado da Pactual Holding S.A. nos meses anteriores à sua incorporação pelo Banco Pactual S.A.), e chegou ao mesmo montante: R$ 1.149.610.206,41. Além disso, em razão de o contrato de do Banco Pactual S.A. prever o pagamento de “exdividendos” (apurados após a venda, no valor de R$ 290.754.000,06) aos exacionistas, a fiscalização deduziu da base para cálculo do custo do investimento dos sócios o valor dos dividendos por eles recebidos a posteriori, chegando ao valor final de R$ 858.876.206,35. Por fim, identificada a base de cálculo, bastou à fiscalização aplicar o percentual que cada sócio detinha no patrimônio líquido da Pactual Holding S.A. (no caso do recorrente, 0,25%), para chegar ao alegado valor do custo de aquisição do investimento do recorrente R$ 2.137.531,05. O auto de infração, nesse ponto, adota critério incoerente e desprovido de respaldo legal. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.065 21 O art. 135 do RIR/99, conforme já referido, define que o custo de aquisição do investimento, no caso de quotas ou ações distribuídas em razão da incorporação de lucros, como é o caso dos autos, será igual à parcela do lucro capitalizada, que corresponder ao sócio ou acionista: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). A peça fiscal utiliza como premissa a inviabilidade dos efeitos causados pela dupla capitalização na composição do custo de aquisição do recorrente. A consequência lógica seria a glosa das ações recebidas pelo recorrente na segunda capitalização, caminho, aliás, trilhado noutros autos de infração lavrados contra os demais acionistas. Desse modo, o lançamento manteria sua indispensável coerência intranormativa. Neste mesmo compasso, ao apresentar contrarazões ao recurso voluntário do processo nº 19515.720169/201179, que trata de auto de infração lavrado contra outro acionista do Banco Pactual, com fulcro no mesmo objeto (discordância quanto ao duplo resultado pelo MEP em razão de um só lucro) a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestou concordando com a primeira capitalização do lucro obtido através da aplicação do MEP, ocorrida antes da incorporação de Novo Pactual Ltda., conforme se observa: “Pois bem. Em 13 de outubro de 2006, foi realizada a primeira capitalização, ocorrida na Nova Pactual Participações Ltda. Os sócios aprovaram o aumento do seu capital social em R$ 686 milhões, que passa de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, e cuja integralização foi efetuada mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuíam frente a empresa (conforme balanço relativo a 31.08.2006), provenientes de distribuição de dividendos. É certo que, em razão do que determina o art. 135 do RIR/99, o Contribuinte promoveu o aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no montante de R$ 70.451.635,00. Até aqui, não existe nenhuma irregularidade. [...] Entretanto, o contribuinte se apegou ao art. 135 do RIR/99 e se “esqueceu” do contexto fático que envolveu a alienação das mencionadas ações. Ele tenta fazer prevalecer a tese de que o lucro gerado pelo Banco Pactual, a única operacional do grupo, pode ser utilizado em mais de uma capitalização dentro de um mesmo grupo de empresas. A equivocada interpretação adotada pelo contribuinte teve como resultado prático a utilização sucessivas vezes de um único lucro, mesmo não havendo suporte econômico para tanto.” O critério que deveria ter sido utilizado pela fiscalização para apuração do custo do investimento do recorrente seria, segundo a orientação da própria Procuradoria da Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 22 Fazenda Nacional, efetuar a evolução do custo de aquisição a partir da primeira capitalização ocorrida na empresa Novo Pactual Ltda. Jamais poderia adotar outro método, por absoluta falta de fundamento legal. Entretanto, o crédito tributário foi constituído a partir de um arbitramento realizado em prejuízo do preceito legal cogente e aplicável (RIR, art. 135), e em descompasso com os limites contidos no art. 148, do CTN. Isto porque, o arbitramento somente poderia ter sido utilizado se fossem omissos ou não merecessem fé: i) as declarações ou esclarecimentos prestados pelo recorrente; ou ii) os documentos por ele apresentados, conforme prevê o art. 148, do CTN, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Esses requisitos de cabimento do arbitramento estão consubstanciados na jurisprudência deste Conselho: ARBITRAMENTO DE CUSTO DE CONSTRUÇÃO SINDUSCON/PINI As hipóteses de arbitramento encontram se definidas no art. 148 do CTN e alcançam a ausência de documentação ou documentação imprestável. Na segunda hipótese, cabe ao fisco comprovar que a documentação apresentada pelo contribuinte não é merecedora de fé e somente após proceder ao arbitramento. É improcedente o auto de infração que se utiliza de arbitramento para fixar o custo de construção, que origina o acréscimo patrimonial a descoberto, quando o contribuinte presta os esclarecimentos solicitados e apresenta os documentos probatórios dos fatos arbitrados pela fiscalização. Recurso especial negado. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, AC 40104813. Julg. em 02/12/03) PREVIDENCIÁRIO. HELD. FALTA DE ATENDIMENTO A SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS EFETUADA PELO FISCO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CABIMENTO. Quando o sujeito passivo, regularmente intimado, deixa de apresentar ao fisco documentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal, a legislação autoriza a apuração do crédito por arbitramento, ficando o contribuinte com o encargo comprovar o contrário. (CARF. 2ª Seção. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. nº 2401 00.966. Rel. Kleber Ferreira de Araújo. Julg. em 28/02/10) Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.066 23 Entretanto, não foi o que se verificou no caso em tela, pois, instado a apresentar documentos e prestar esclarecimentos o recorrente sempre atendeu prontamente à fiscalização. A invalidade do arbitramento resulta, outrossim, da incompatibilidade com a distribuição desproporcional do lucro que ocorria em Nova Pactual Participações Ltda. Deste modo, tanto a incoerência intranormativa do lançamento acima apontada, como o expresso comando previsto pelo art. 135 do RIR/99, demonstram a invalidade do critério jurídico utilizado na fixação da base e cálculo, que fulminou o direito subjetivo da Fazenda. 3 DA MULTA APLICADA Ao lavrar o auto de infração, o Fisco entendeu por bem lançar a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, duplicada para 150% de acordo com o §1º desse dispositivo, por fraude à fiscalização tributária, imputando ao recorrente o tipo penal do art. 72, da Lei 4.502/64: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/64 Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Para embasar seu entendimento, o lançamento traz trecho do acórdão DRJ/RJO I nº 9.283, de 28/12/05, do qual extraiu o entendimento de que qualquer conduta destinada a evitar, ou reduzir o tributo, caracteriza “fraude fiscal”. Não vislumbro qualquer traço de fraude na conduta adotada pelo contribuinte, que desde o início agiu com lhaneza, fornecendo todas as informações e documentos necessários à compreensão da sua interpretação dos dispositivos legais aplicados. A eventual manutenção do crédito tributário – que acarretaria a discussão sobre o percentual sancionatório aplicável – decorreria de mera divergência interpretativa que, no caso do contribuinte, foi alicerçada em sólidas convicções. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 24 Essa é, também, a visão desta turma acerca do caso, que, inclusive, serviu para afastar a qualificação da multa nos casos de outros envolvidos na operação, conforme ementa abaixo: MULTA QUALIFICADA Em suposto planejamento tributário , quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. (CARF. Segunda Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. nº 2202002.164. Rel. Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Julg. em 19/02/13) Desse modo, haja vista que todas as operações ocorreram às claras, que todos os documentos foram apresentados à Fiscalização quando requisitados, e que não foi demonstrado dolo penal no presente caso, mas somente divergência quanto aos critérios de apuração do custo de aquisição das participações societárias, fica claro que não é devida a qualificação da multa de ofício por fraude. Sendo assim, caso seja mantido o auto de infração, entendendo que deve ser provido o recurso voluntário, nesse ponto, para que a multa aplicada seja reduzida ao patamar de 75%. 4 DA APLICAÇÃO DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO O recorrente não se conforma, ainda, com a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, matéria regida pelo art. 62, §3º da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O desate do ponto passa pela definição da expressão “débito” grandeza utilizada como referência pelo legislador sobre a qual incidirá a Taxa Selic. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.067 25 O débito tributário é a relação inversa do crédito tributário, direito subjetivo da Fazenda de exigir do sujeito passivo o cumprimento da obrigação tributária. Essa, como bem aponta o Código Tributário Nacional (art. 3º), tem como pressuposto a licitude do fato subsumido à materialidade da regramatriz de incidência. A multa, por sua vez, decorre do descumprimento de ato ilícito e não se confunde com o crédito tributário em sentido estrito. Nesse contexto, o Código Tributário Nacional – norma geral tributária que condiciona a interpretação e a validade da legislação ordinária editada pelas pessoas jurídicas de direito público , prescreve, em seu art. 161 (caput), que “o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Entendo que a ordem dos fatores, no caso, altera o produto. Como se observa, o enunciado prescritivo acima referido estabelece que, sobre o valor devido a título de tributo (débito) incidirão juros moratórios, independentemente da aplicação de quaisquer outras parcelas sancionatórias, incidentes, conjuntamente, sobre o débito. Noutros termos, juros e multa incidem sobre o débito tributário, tal qual ora compreendido. Nesse sentido, peço licença para reproduzir acórdão desse Conselho que traduz minha convicção: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 LUCROS NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃOSOCIETÁRIA. A alienação de participação societária não caracteriza disponibilização de lucros por coligada ou controlada no exterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 A emissão de fixed rate notes com natureza de mútuo. a emissão de frn (fixed rate notes) adquiridas integralmente por uma única pessoa jurídica, ligada à emitente, tem natureza de mútuo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 26 (CARF. 1º Seção. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Acórdão nº 110300.193. Rel. Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. Julg. 18/05/10) É importante frisar que o art. 161, do CTN, versa sobre a atualização da obrigação tributária, sem se pronunciar acerca da atualização das penalidades pecuniárias, tanto para permitir quanto para proibir. Desse modo, ficou em aberto o espaço para que a legislação ordinária dispusesse sobre esta possibilidade. Com esta prerrogativa, o legislador decidiu pela aplicação da correção da multa quando esta é lançada isoladamente, o que restou consignado no art. 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Sendo assim, entendo que somente incidirão juros de mora sobre a multa de ofício quando esta for lançada de modo isolado, vez que o art. 61 da mesma Lei, que trata sobre o lançamento do crédito tributário institui regime diferente para quando estas duas parcelas são exigidas em conjunto. Nesse contexto, peço licença para transcrever o voto da Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que chega à mesma conclusão: A incidência cumulativa da Taxa Selic está prevista apenas nos casos de lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430, de 1996 [...] Concluise, assim, que também na legislação ordinária não existe previsão para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202001.985. Rel. Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Julg. em 18/09/12) Portanto, no caso de ser mantido o auto de infração, entendo que não cabe a incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, devendo ser provido o recurso voluntário, nesse ponto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.068 27 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Inobstante, respeitável entendimento do Conselheiro Relator, divirjo da posição deste. O processo versa fundamentalmente sobre a validade do procedimento adotado pelo recorrente para a apuração do custo de aquisição da ações do Banco Pactual que foram alienadas a UBS Brasil. Da análise do caso concreto, identifico que a operação ainda que revestida de aparente legalidade no que toca as partes isoladas, cria no conjunto uma situação irreal e artificial, que não condiz com o que o nosso sistema tributário almeja. No caso concreto não tenho dúvidas que houve o aumento do custo de aquisição, fundamentado no procedimento adotado, deliberado e intencionalmente, materializado para assegurar o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual. Entendo que no processo de hermenêutica, o operador do direito tributário deve empreender um esforço, para a aplicação da norma tributária mais consistente e rigorosamente compatível com o princípio da certeza do direito, na adequação da verdade material como exige o nosso artigo 145, parágrafo primeiro da Constituição., Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Segundo o recorrente, a validade do método encontra respaldo no artigo 135 do RIR: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 28 Nas operações em cotejo, os lucros apurados decorrem de lucros reconhecidos no Banco Pactual, materializados nos resultados de equivalência patrimonial. O método de Equivalência Patrimonial é assim denominado, pois o seu cálculo se baseia no valor do patrimônio líquido da empresa coligada ou controlada, diferentemente do método do custo, que somente considera o valor efetivamente desembolsado no momento da aquisição. Urge preliminarmente destacar, que inobstante o procedimento contábil adotado, destaquese que para a Contabilidade, os registros contábeis em conjunto devem refletir a essência e a realidade econômica, tal como se destaca da análise da estrutura conceitual da contabilidade que enfatiza a primazia da essência sobre a forma. A equivalência patrimonial não é mais do que uma forma de atualização contínua do valor do investimento, que consiste na avaliação na empresa investidora, dos investimentos pelas variações do patrimônio líquido da empresa investida, mediante reconhecimento direto das variações apuradas, lucros, perdas ou prejuízos, para os fins de determinação do aumento ou da redução do valor investido. Entrementes, a equivalência patrimonial prestase para a determinação do capital aplicado que pertence ao seu titular e suas variações patrimoniais no período, pois há de levar em conta: (i) o patrimônio líquido atual da controlada ou coligada; (ii) o custo de aquisição da participação societária e (iii) o valor do investimento, com os reflexos do resultado da controlada ou coligada. Toda a apuração da equivalência patrimonial, portanto, dependerá da determinação contábil do patrimônio líquido da sociedade investida, conforme exige o art. 248, I, da Lei nº 6.404/76. E a razão é evidente: "os conceitos de patrimônio líquido e de capital próprio representam o mesmo objeto a quotaparte ideal de capital existente no ativo que é de propriedade do titular do patrimônio". Assim, a conta de investimentos da controladora variará segundo a variação do patrimônio líquido na controlada ou coligada, ou ainda pelo percentual da respectiva participação. De modo resumido, a equivalência patrimonial tem a função de atualizar os investimentos relevantes em empresas controladas ou coligadas conforme os resultados forem sendo apurados nestas entidades, independentemente da distribuição dos lucros apurados. E para investimentos que não se qualificarem como relevantes, empregase o método de custo de aquisição (art. 183, III, da Lei nº 6.404/76) . O método de equivalência patrimonial deve refletir sempre fidedignamente, o verdadeiro valor do investimento da controladora, com os ajustes inerentes ao lucro ou prejuízo obtido e seus efeitos fiscais, o que se depreende da interpretação sistemática da legislação fiscal, compreendida à luz dos conceitos contábeis. A patrimonialidade vinculase ao conteúdo econômico, porque está intimamente vinculada ao valor econômico dos bens e direitos. Por isso, no Direito, a patrimonialidade somente tem sentido quando vinculada ao conceito de "direitos" (subjetivos), sobre coisas (reais) ou contra pessoas (pessoais). Daí que, sendo o patrimônio composto não de bens materiais, mas de direitos, qualquer acréscimo patrimonial há de ser de direitos (reais ou pessoais), logo, como uma "disponibilidade jurídica" efetiva, e não apenas artificial. Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.069 29 Para dar destaque a irregularidade do procedimento adotado pelo recorrente cabe apontar aquilo que prescreve ao CPC 18, que versa sobre os procedimentos para a equivalência patrimonial. 26. Muitos dos procedimentos que são apropriados para a aplicação do método da equivalência patrimonial são similares aos procedimentos de consolidação, descritos no Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações Consolidadas. Além disso, os conceitos que fundamentam os procedimentos utilizados para contabilizar a aquisição de controlada devem ser também adotados para contabilizar a aquisição de investimento em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto. 27. A participação de grupo econômico em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto é dada pela soma das participações mantidas pela controladora e suas outras controladas no investimento. As participações mantidas por outras coligadas ou empreendimentos controlados em conjunto do grupo devem ser ignoradas para essa finalidade. Quando a coligada ou empreendimento controlado em conjunto tiver investimentos em controladas, em coligadas ou em empreendimentos controlados em conjunto (joint ventures), o lucro ou prejuízo, os outros resultados abrangentes e os ativos líquidos considerados para aplicação do método da equivalência patrimonial devem ser aqueles reconhecidos nas demonstrações contábeis da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto (incluindo a participação detida pela coligada ou pelo empreendimento controlado em conjunto no lucro ou prejuízo, nos outros resultados abrangentes e nos ativos líquidos de suas coligadas e de seus empreendimentos controlados em conjunto), após a realização dos ajustes necessários para uniformizar as práticas contábeis (ver itens 35 e 36). Esse mesmo procedimento deve ser aplicado à figura da controlada no caso das demonstrações contábeis individuais. 28. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) e descendentes (downstream) entre o investidor (incluindo suas controladas consolidadas) e a coligada ou o empreendimento controlado em conjunto devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis do investidor somente na extensão da participação de outros investidores sobre essa coligada ou empreendimento controlado em conjunto, desde que esses outros investidores sejam partes independentes do grupo econômico a que pertence a investidora. As transações ascendentes são, por exemplo, vendas de ativos da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto para o investidor. As transações descendentes são, por exemplo, vendas de ativos do investidor para a coligada ou para o empreendimento controlado em conjunto. A participação do investidor nos resultados resultantes dessas transações deve ser eliminada. 28A. Os resultados decorrentes de transações descendentes (downstream) entre a controladora e a controlada não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 30 controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao mesmo grupo econômico. O disposto neste item deve ser aplicado inclusive quando a controladora for, por sua vez, controlada de outra entidade do mesmo grupo econômico. 28B. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) entre a controlada e a controladora e de transações entre as controladas do mesmo grupo econômico devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis da vendedora, mas não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao grupo econômico. 28C. O disposto nos itens 28A e 28B deve produzir o mesmo resultado líquido e o mesmo patrimônio líquido para a controladora que são obtidos a partir das demonstrações consolidadas dessa controladora e suas controladas. Devem também, para esses mesmos itens, ser observadas as disposições contidas na Interpretação Técnica ICPC 09 Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método da Equivalência Patrimonial.. Por sua vez, assim define o CPC 36 que versa sobre as demonstrações consolidadas: B86. Demonstrações consolidadas devem: (a) combinar itens similares de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora com os de suas controladas; (b) compensar (eliminar) o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parcela da controladora no patrimônio líquido de cada controlada (o Pronunciamento Técnico CPC 15 explica como contabilizar qualquer ágio correspondente); (c) eliminar integralmente ativos e passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa intragrupo relacionados a transações entre entidades do grupo (resultados decorrentes de transações intragrupo que sejam reconhecidos em ativos, tais como estoques e ativos fixos, são eliminados integralmente). Os prejuízos intragrupo podem indicar uma redução no valor recuperável de ativos, que exige o seu reconhecimento nas demonstrações consolidadas. O Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro se aplica a diferenças temporárias, que surgem da eliminação de lucros e prejuízos resultantes de transações intragrupo. Desse modo, inegavelmente, aumentase o custo do Banco Pactual não através de recursos, mas através de reflexos/imagens de recursos, o que se torna patente ao compararmos o aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual no período de 31/12/2005 a 31/11/2006 ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período, tal como apontado pela fiscalização e pela autoridade recorrida. O custo de aquisição Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.070 31 apontado não representa fidedignamente a realidade econômica, alterando o montante do tributo apurado, e desrespeitando o principio da capacidade contributiva. Outro ponto de destaque no lançamento, apontado pela autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal, é que na operação ficou estabelecido que além do pagamentos descritos que compunham o valor de alienação das ações do Banco Pactual S/A, os contratantes convencionaram que os alienantes das ações receberiam ainda outros valores sob denominação de “Pagamentos especiais: Usufruto” (Clausula 6.13 do Contrato), também denominados dividendos posteriores ao fechamento. De acordo com a referida Clausula 6.13, os adquirentes não poderiam receber dividendos do Banco Pactual, enquanto o usufruto não fosse extinto mediante o total pagamento do valor convencionado. Deste modo, pragmaticamente, quando da venda, os alienantes estariam se desfazendo das ações, entretanto não estariam abrindo mão dos dividendos reconhecidos como usufrutos, decorrente de lucro apurados. Na sistemática adotada pelo recorrente, capitalizar lucros para feito de apuração do custo das ações alienadas, que serão depois distribuídos como dividendos, não se justifica, pois na verdade ao se desfazer de suas ações , o alienante não estaria efetivamente abrindo mão de parte desses lucros, ou seja isto não seria um custo para os mesmos. A situação sui generis em cotejo ganha um destaque maior pois a capitalização dos lucros foi efetuada de modo duplicado para aumento artificial do custo de alienação das ações. Acrescentese, por pertinente, que parte dos lucros capitalizados já estariam reservados para os próprios alienantes como dividendos a serem distribuídos, por força de uma convenção firmada na negociação da venda das ações. Nessa situação não identifico qualquer falha na metodologia adotada pelo fiscalização para aproximarse do valor do custo de alienação. A metodologia é oportuna tendo em vista que a origem primária dos lucros é o Banco Pactual S.A., não percebo vícios ou imperfeições. Não se acolhe o argumento do recorrente de que deveria existir uma única metodologia, prevista em lei, pois o que se almeja com esta é tentar aproximarse do custo de alienação, ou valor que represente mais fidedignamente, o ônus efetivo do recorrente ao se desfazer de suas ações. Não tenho dúvidas que qualquer procedimento/método adotado pode ser questionado por eventuais incoerências, mas não foi o que aconteceu no caso concreto. Existem apenas questionamentos genéricos, sem uma proposição concreta de qual seria a metodologia que asseguraria uma representação mais fidedigna do custo de aquisição, ou qual falha existiria na metodologia empregada que teria efetivamente prejudicado o recorrente. Se insatisfeito está com a metodologia de computo do custo de aquisição, demonstre sua incoerência intrínseca, não comparando esta com outra realizada para outro contribuinte, mas evidenciando por que esta está falha. Esperar que a lei especifique, em minúcia o procedimento a ser adotado, é uma expectativa desproporcional em relação ao legislador. No caso concreto, no meu entender, uma metodologia deve levar em consideração o custo de aquisição, sem incluir capitalização em duplicidade e excluindo aquele lucro sobre o qual já havia se declarado o direito do recorrente aos futuros dividendos. Ainda que não seja o caso concreto, um eventual erro no procedimento de computo do custo de aquisição, que resulte numa subestimação do custo de aquisição, em hipótese alguma poderia permitir o afastamento total do lançamento, sob pena de privilegiar Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO 32 desequilibradamente o recorrente, contra os interesses do sujeito ativo, não tendo respaldo essa posição em nossa legislação. No que toca a base de cálculo e fundamentação, o tributo foi apurado conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual. O procedimento revestese deste modo de legalidade e nenhum vício se identificou, não merecendo prosperar quaisquer dos vícios apontados pelo recorrente. Divergências de opiniões e interpretação distintas do direito são muitas vezes apontadas na Impugnação e Recurso Voluntário com grande eloqüência e garantindo que a razão estaria sempre com o recorrente, entretanto, com a devido respeito, s.m.j., a pratica adotada não encontra respaldo em nosso sistema tributário. Esse é o entendimento que firmo e com base no qual não reconheço a validade do procedimento adotado pelo recorrente. No relativo a qualificação da multa, não consigo identificar a simulação apontada pela fiscalização e pela autoridade recorrida. Entendo que configurase como simulação , o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substancia ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. Não é o caso nos autos tendo em vista que os fatos são transparentes e refletem o que realmente ocorreu, encontrando inclusive possível propósito negocial para a sua realização. No caso concreto, o suposto planejamento tributário realizado é certamente uma matéria controversa, sem precedentes jurisprudenciais contrários à nova qualificação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal. Nesse contexto implica escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie erro de proibição. Tendo o contribuinte informado as operações com absoluta transparência, e assim permitindo ao fisco fiscalização e qualificação do fato, está ausente na espécie o evidente intuito de fraude. Neste contexto, afastase a qualificação da multa de ofício. No que referese ao argumento de que caberia afastarse a multa de ofício completamente, tendo em vista o erro escusável, não concordo com o mesmo. O recorrente não se trata de um mero funcionário da organização que recebe seus informes de rendimentos passivo e que poderia ter deixado se enganar pelo procedimento. Tratase de executivo relevância no contexto do grupo, deste modo não acolho o argumento de erro escusável para afastar toda a multa. A multa de ofício de 75% é oportuna e própria para a conduta envolvida, ainda que não tenha sido realizado com dolo. Finalmente, cabe observar que no que toca a incidência de juros sobre a multa de ofício, diversas decisões judiciais e administrativas reconhecem a legalidade da incidência do juros sobre a multa de ofício. No STJ, a duas turmas já adotaram o posicionamento defendido pela Fazenda. No âmbito do CARF também diversos julgados confirmam esse entendimento. Desse modo, deve ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.734760/201113 Acórdão n.º 2202002.429 S2C2T2 Fl. 1.071 33 Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900177/2010-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
Nulidade Da Decisão. Cerceamento Do Direito De Defesa.
Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 1801-001.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para que se manifeste sobre as demais razões meritórias suscitadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatarse nova decisão suprindo a omissão, observandose o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para que se manifeste sobre as demais razões meritórias suscitadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 01 77 /2 01 0- 17 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa recorre do Acórdão nº 0938.971/12 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 192 a 194, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar em parte as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 25. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito, sob o argumento de que o não foram validados todos os valores declarados de IRRF; A empresa apresenta manifestação de inconformidade às fls. 34/52 na qual alega, em síntese, que em 16/08/2004 houve cisão da empresa cnpj n° 25.759.572/000180, sendo que ela, como uma das sucessoras, recebeu todo o crédito da cindida e na apuração do crédito em questão não foi considerado o IRRF retido em nome daquela; [...] A manifestante informa, e a documentação acostada aos autos comprova, que "em 16/08/2004, a Companhia de Telecomunicações do Brasil Central, inscrita no CNPJ sob o n° 25.759.572/0001/80, sofreu cisão total com versão do patrimônio existente para Algar Telecom S/A, inscrita no CNPJ sob o n° 71.208.516/000174 (Manifestante) e CTBC Celular Participações S/A, inscrita no CNPJ sob o n° 25.631.235/000102. Todo o ativo e passivo foi transferido para a Algar Telecom S/A que, posteriormente, alterou sua denominação para Companhia de Telecomunicações do Brasil Central, tendo sido vertido para a CTBC Celular Participações S/A somente alguns investimentos e débitos com partes relacionadas, conforme atesta o Laudo de Avaliação do Acervo Líquido Contábil a ser Vertido em Contribuição de Capital anexo". A empresa cindida CNPJ n° 25.759.572/0001/80, não apresentou DIPJ relativa ao anocalendário 2006 visto que não mais existia à época, não utilizando portanto as retenções de fonte que foram efetuadas em seu CNPJ. Assim, considerando os termos da cisão, essas retenções devem compor o saldo negativo da empresa Algar Telecom S/A, hoje Companhia de Telecomunicações do Brasil Central CNPJ n° 71.208.516/000174, ora manifestante. Das retenções na fonte comprovadas parcialmente ou não comprovadas no despacho decisório conforme fls. 28/29, foram confirmados nos sistemas de controle da RFB para o anobase de 2006 para o CNPJ n° 25.759.572/0001/80 os valores de IRRF a seguir relacionados, que devem compor o saldo negativo de IRPJ da manifestante no período em questão: CNPJ DECLARANTE TIPO NOME DO DECLARANTE IMP. RETIDO 00.000.000/000191 Retificadora BANCO DO BRASIL S A 727,28 00.360.305/000104 Retificadora CAIXA ECONOMICA FEDERAL 158.376,60 00.394.460/001466 Retificadora GRAMF/MG 534,99 00.659.166/001001 Original IBAMA/MG 297,33 17.186.370/000168 Retificadora CIA DE ARMAZ E SILOS EST MG 1.085,68 73.875.502/000130 Original ESC.AGROT. FED./UBERLANDIA 181,83 TOTAL 161.203,71 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.900177/201017 Acórdão n.º 1801001.836 S1TE01 Fl. 3 3 Pelo exposto, voto pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, pelo reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 3.232.968,21 (R$ 3.071.764,50 reconhecido no Despacho Decisório mais R$ 161.203,71 reconhecido neste Acórdão) e pela homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 205 a 233, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, e requerendo a nulidade do acórdão de primeira instância: a) a empresa sucessora e ora recorrente pode utilizar os créditos de IRRF da sucedida na composição do saldo negativo de IRPJ; b) as retenções sofridas pela empresa sucedida representam o valor de R$ 182.756,44 devidamente comprovado com a apresentação de informes de rendimentos e DIRF, sendo que a RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheceu R$ 19.052,79; c) no acórdão recorrido foi reconhecida a maior parte das retenções sofridas pela sucedida, no importe de R$ 161.203,71, com fulcro nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras e registradas nos sistemas da RFB, mas a turma julgadora não se pronunciou sobre o restante das retenções sofridas pela recorrente devidamente comprovadas; d) há omissão no acórdão proferido, pois somente se manifestou sobre os impostos retidos na sucedida, mas não se pronunciou sobre as retenções sofridas pela sucessora, ora recorrente, restringindose a fazer uma mera consulta nos sistemas da RFB, desprezando o robusto conjunto probatório anexado aos autos; esta omissão em examinar os pontos suscitados pela recorrente na manifestação de inconformidade acarreta a absoluta nulidade do acórdão proferido, nos termos do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72; e) a decisão do julgamento carece, portanto, de suficiente motivação para indeferir as contestações da recorrente ao Despacho Decisório, robustamente alicerçadas em provas; cita acórdãos administrativos concernentes à preterição do direito de defesa e supressão de instância de julgamento; f) não houve o reconhecimento do valor de R$ 63.061,04 pleiteado como crédito pela recorrente, sem haver justificativas da glosa deste valor; g) reprisando as razões de defesa inicial, a recorrente faz jus ao crédito de: IRRF da empresa sucedida ainda no valor remanescente de R$ 2.639,82; IRRF retido pelo Banco do Brasil no valor de R$ 51.645,15 ( foi reconhecido pela RFB apenas R$ 103.217,51, mas a retenção foi da ordem de R$ 154.862,66) e IRRF retidos por outras fontes pagadoras no valor de R$ 8.921,91; h) as provas carreadas aos autos, em sede de manifestação de inconformidade, consistem em informe de rendimentos, notas fiscais/faturas de prestação de serviços, extratos bancários, registros contábeis e planilha de conciliação de recebimentos e compensações; i) cita a legislação pertinente ao reconhecimento dos valores declarados em informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras, posição da corte administrativa a este respeito, bem como rechaça o procedimento da turma julgadora de primeira instância em 1 AR – 02/03/12, efls. 203; Recurso – 02/04/2012, efls. 205 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 não admitir como prova das retenções feitas as notas fiscais/faturas, extratos bancários e registros contábeis (fornecidos em meio magnético); j) defende a realização de diligências para a apuração da verdade material dos fatos. Destarte, a recorrente requer, em preliminar, a nulidade do acórdão de primeira instância e, no mérito, a sua reforma para o deferimento do crédito requerido e conseqüentes compensações, em face à farta documentação fornecida para a comprovação, ou, ainda, a realização de diligências fiscais para exame da sua contabilidade. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. I. Da preliminar – cerceamento de defesa Assiste razão à recorrente. O acórdão atacado foi, com efeito, sintetizado em demasia. A recorrente traz na manifestação de defesa interposta contra o Despacho Decisório de fls. 25 a 31, diversas razões e apresenta documentos e mídia (DVD) com registros contábeis e Notas Fiscais, segundo alega. A única apreciação da Turma Julgadora de primeira instância recaiu sobre os tributos retidos pelas fontes pagadoras na empresa sucedida, não abordando os demais tópicos suscitados na manifestação. Vejase, a exemplo: “[...] 2.2.2 Retenções sofridas pela Manifestante e comprovadas parcialmente por Informes de Rendimentos e parcialmente por Notas fiscais, Extratos Bancários e Registros Contábeis FONTE PAGADORA BANCO DO BRASIL (CNPJ 00.000.000/000191). Quanto às retenções efetuadas pela Fonte Pagadora, Banco do Brasil S/A (CNPJ 00.000.000/000191), foi compensado pela Manifestante o valor de R$ 154.862,66, entretanto foi confirmado pela SRFB apenas o valor de R$ 103.217,51, restando valor de R$ 51.645,15 sem confirmação. [...] A Manifestante comprova o valor de R$ 51.645,15 por meio de documentação contábil,como notas fiscais/faturas de serviços prestados, extratos bancários que atestam o recebimento do valor líquido de cada nota fiscal/fatura, bem como o registro contábil. [...] 2.2.2.1 Retenções sofridas pela Manifestante e comprovadas unicamente por Notas fiscais, Extratos Bancários e Registros Contábeis DEMAIS FONTES Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.900177/201017 Acórdão n.º 1801001.836 S1TE01 Fl. 4 5 PAGADORAS. Ocorre também que ainda restam diversas outras fontes pagadoras, que não enviaram os Comprovantes das Retenções Anuais, bem como não procederam as informações perante a SRFB, conforme tabela abaixo: [...] Nos casos das retenções dos CNPJ's contantes da tabela acima a comprovação se dará pela juntada das notas fiscais/faturas, extratos bancários e registros contábeis, conforme mídia de DVD constante no anexo 7. [...]” Em contraposição, consoante acima relatado, o relatório do acórdão recorrido assim se pronunciou: “A empresa apresenta manifestação de inconformidade às fls. 34/52 na qual alega, em síntese, que em 16/08/2004 houve cisão da empresa cnpj n° 25.759.572/000180, sendo que ela, como uma das sucessoras, recebeu todo o crédito da cindida e na apuração do crédito em questão não foi considerado o IRRF retido em nome daquela; É o breve relatório.” No voto, de igual forma transcrito acima, constatase que nenhuma abordagem foi feita sobre os informes de rendimentos apresentados pela manifestante, fls. 170 a 185, nem sobre os registros contábeis, extratos bancários com valores líquidos expressos nas Notas Fiscais, apresentados em meio digital, ou qualquer pronunciamento sobre o deferimento, ou não, da diligência solicitada. Entendo, pois, que, de fato, a contestação da manifestante não foi apreciada e seus argumentos devidamente refutados, impossibilitando que recorresse do acórdão proferido a esta segunda instância de julgamento. Dispõe o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF. In verbis: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993 E o artigo 59, do mesmo diploma legal, as causas de nulidade processuais, bem como os seus efeitos: Das Nulidades Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Assim, a Turma Julgadora a quo não se manifestou a respeito das razões meritórias aventadas pela recorrente na manifestação de inconformidade, pelo que não devolver os autos a esta configura flagrante supressão de instância de julgamento. Os informes de rendimentos, bem como os extratos bancários juntamente com as Notas Fiscais espelhando os valores líquidos recebidos, substituem as DIRF não entregues pelas fontes pagadoras, que não cumpriram as suas obrigações acessórias tributárias, consoante legislação pertinente e mansa jurisprudência administrativa. Acatada a preliminar suscitada pela recorrente, deixo de me manifestar sobre o mérito do litígio, por incabível. Observo que a referida mídia com a contabilidade, Notas Fiscais, extratos etc citada pela recorrente está arquivada na unidade que lhe jurisdiciona, disponível para análise, consoante informação de fls. 187. Voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para que se manifeste sobre as demais razões meritórias suscitadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912957/2009-99
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 29 57 /2 00 9- 99 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 15/03/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de COFINS, competência dezembro de 2003, com débitos de COFINS referentes a fevereiro de 2006, no valor total de R$ 1.474,16. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2004.11954220 de 13/02/2004 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 25.34.10.65.49. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 64DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.912957/200999 Acórdão n.º 3803004.629 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito liquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 65DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.912957/200999 Acórdão n.º 3803004.629 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10120.010732/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção prevista na Lei da Anistia (Lei nº 10.559/2002) para o imposto de renda não se transfere aos sucessores.
RETENÇÃO NA FONTE. Tendo sido considerado no cálculo do tributo devido o valor integral declarado e pago a título de imposto de renda na fonte (antecipação), não há que se falar em bis in idem.
IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção prevista na Lei da Anistia (Lei nº 10.559/2002) para o imposto de renda não se transfere aos sucessores. RETENÇÃO NA FONTE. Tendo sido considerado no cálculo do tributo devido o valor integral declarado e pago a título de imposto de renda na fonte (antecipação), não há que se falar em bis in idem. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 07 32 /2 00 9- 41 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.010732/200941 Acórdão n.º 2101002.160 S2C1T1 Fl. 105 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 77/88) interposto em 11 de julho de 2012 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 61/67), do qual a Recorrente teve ciência em 13 de junho de 2012 (fls. 74/75), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a notificação de lançamento de fls. 07/10, lavrada em 08 de setembro de 2009, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, verificada no anocalendário de 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. As aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos anistiados políticos, civis ou militares, a partir de 29 de agosto de 2002 são isentos do Imposto de Renda, desde que o beneficiário tenha solicitado, mediante requerimento ao Ministério da Justiça, a sua substituição pelo regime de reparação econômica previsto na Lei nº 10.559/2002. MULTA DE OFÍCIO. ESPONTANEIDADE. Tendo o contribuinte efetuado espontaneamente o recolhimento do imposto apurado, há de ser afastada a aplicação da multa de ofício. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possuem como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 61). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 77/88), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar a parte remanescente do lançamento. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.010732/200941 Acórdão n.º 2101002.160 S2C1T1 Fl. 106 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de discussão acerca do reconhecimento de isenção do IRPF sobre a pensão de 50% que a interessada percebe pelo óbito de seu esposo, exfuncionário da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, o qual foi declarado anistiado político post mortem pela Resolução n° 008/03, de 14 de fevereiro de 2003, da Comissão Especial da Anistia, da Secretaria de Segurança Pública e Justiça do Estado de Goiás, instituída pela Lei n° 14.067, de 26 de dezembro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 5.563, de 8 de março de 2002, conforme Processo n° 140670253. Inicialmente, devese salientar que a DRJ acolheu parcialmente a impugnação da ora Recorrente tendo em vista que “Pesquisas nos sistemas informatizados da RFB (Portal IRPF e Rede Serpro/Guia) mostram que o imposto lançado na presente Notificação foi apurado na declaração ND 01/35.840.012, apresentada em 23/04/2007, cujo recolhimento foi realizado em duas quotas de R$ 2.792,61”, de tal sorte que foi determinado o abatimento dos valores pagos. Assim, o presente recurso abrange apenas o valor residual (fl. 73). Pois bem, a Lei nº 10.559, de 13/11/02, ao regulamentar o art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, estabeleceu o Regime do Anistiado Político, garantindo diversos direitos, dentre estes o direito à reparação econômica de caráter indenizatório: “Art. 1o. O Regime do Anistiado Político compreende os seguintes direitos: (...) II reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ 1o. e 5o. do art. 8o. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias”. Melhor detalhando o referido inciso II do artigo 1º, temos o artigo 3º da referida lei, dispondo genericamente sobre a referida reparação econômica de caráter indenizatório, o artigo 4º tratando da reparação em prestação única e os artigos 5º ao 8º disciplinando a reparação em prestação mensal e continuada. É dentro desse capítulo da lei que se situa o artigo 9º, que prevê a não incidência da contribuição previdenciária e do imposto de renda sobre os valores pagos a título de reparação econômica de caráter indenizatório (prestação única ou mensal e continuada): “Art. 9o. Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.010732/200941 Acórdão n.º 2101002.160 S2C1T1 Fl. 107 4 Parágrafo único. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda.” Assim, verificase que a isenção aplicase exclusivamente aos proventos e pensões excepcionais, recebidos em decorrência do reconhecimento da condição de anistiado político. Realmente, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a Lei n. 10.559/02 estabeleceu, em seu art. 19, o pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela legislação em referência: “Art. 19. O pagamento de aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados políticos, que vem sendo efetuado pelo INSS e demais entidades públicas, bem como por empresas, mediante convênio com o referido instituto, será mantido, sem solução de continuidade, até a sua substituição pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído por esta Lei, obedecido o que determina o art. 11. Parágrafo único. Os recursos necessários ao pagamento das reparações econômicas de caráter indenizatório terão rubrica própria no Orçamento Geral da União e serão determinados pelo Ministério da Justiça, com destinação específica para civis (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) e militares (Ministério da Defesa).” E, nesse sentido, firmou o entendimento de que os anistiados políticos, civis ou militares, anteriores à Lei n.º 10.559/2002 têm direito ao benefício fiscal previsto no art. 9º, parágrafo único da referida lei, em relação ao pagamento de aposentadoria/pensão excepcional, cujo dispositivo fora regulamentado pelo Decreto nº 4.897/2003 (A título exemplificativo, entre outros: STJ, MS 15.461/DF, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010; STJ, MS 10.894/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/04/2010, DJe 20/04/2010). No mesmo sentido, já decidiu este Tribunal Administrativo, consoante se depreende dos seguintes julgados: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. Exercício: 2003. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados no § 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 280101.531, j. em 14/04/2011) * * * Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.010732/200941 Acórdão n.º 2101002.160 S2C1T1 Fl. 108 5 “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. Exercício: 2003. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do art. 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002.” (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Especial, Acórdão 280101.600, j. em 13/05/2011) * * * “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2004. PENSÃO MILITAR. ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. Nos termos do item 1 da Exposição de Motivos n° 197 do Ministério da Justiça, de 08/12/2003, a isenção do IRPF dos anistiados políticos independe da análise do requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica pelo Ministério da Justiça.” (CARF 2a. Seção, 1a. Turma Especial, Acórdão 280101.344, j. em 07/02/2011) Corrobora com este entendimento o parecer da AGU assim ementado: “PARECER Nº AGU/PBB01/2008 PROCESSO: 00400.007148/200828 INTERESSADOS: ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Ministério da Defesa. ASSUNTO: Divergência de interpretação quanto ao alcance da isenção de imposto de renda concedida aos anistiados políticos, nos termos dos artigos 9º e 19, da Lei nº 10.559/2002, regulamentada pelo Decreto n.º 4.897/2003. Ementa: Inteligência dos artigos 9º e 19, da Lei nº 10.559/02, regulamentada pelo Decreto nº 4.897/03. Incidência das isenções do imposto de renda e da contribuição previdenciária nos proventos e pensões excepcionais que vêm sendo pagos aos anistiados políticos da Lei nº 6.683/79 e da EC 26/85, a partir de 29/08/2002.” Todavia, na hipótese dos autos não se trata de discussão acerca da incidência tributária sobre a reparação econômica única ou em prestação mensal e continuada ou, ainda, de pensão de já anistiado político nos termos da Lei n.º 6.683/79 e da EC 26/85. Nos presentes autos pretende a Recorrente o reconhecimento de isenção tributária incidente sobre a aposentadoria por invalidez obtida por seu cônjuge, sem qualquer relação com a condição de anistiado, e que atualmente é recebida pela Recorrente em razão do falecimento daquele. Tal fato pode ser depreendido com nitidez do Parecer da Procuradoria Geral da Assembléia Legislativa de Goiás no qual se afirma que: “No caso especifico ora analisado, o exservidor desta Casa, Haroldo de Brito Guimarães foi anistiado post mortem, e em razão disso foi atribuída à sua sucessora legal, ora Requerente, pela Resolução n° 008/03, uma pensão especial no valor de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.010732/200941 Acórdão n.º 2101002.160 S2C1T1 Fl. 109 6 R$ 6.000,00, e sobre a qual não incide os descontos de imposto de renda e contribuição previdenciária, nos termos das Leis suso referidas. No entanto, recebe ainda, o valor de 50% da pensão referente aos proventos de seu falecido Marido, no valor de RS 7.765,83 (contracheque junto doc. 08), aposentado como servidor público, pois o mesmo era Procurador Jurídico da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás.(...) Seus proventos normais de aposentadoria são de origem estatutária e não se enquadram no conceito de reparação econômica de caráter indenizatório, mas sim de verba remuneratória, e está sujeita à incidência normal de imposto de renda e contribuição previdenciária.” (fl. 22) No mesmo sentido, o próprio recurso voluntário contém afirmação no sentido de que: “A pensão que percebe é por morte, desvinculada de qualquer caráter indenizatório ou reparação econômica, nos termos da lei antiga e da lei nova” (fl. 81). E, em relação à matéria específica, entendo que a Lei da Anistia apenas reconheceu a não tributação, pelo seu caráter indenizatório, dos valores recebidos em razão do reconhecimento da condição de anistiado, ou seja, dos valores recebidos a título de reparação econômica (seja em prestação única seja em prestação mensal e continuada) ou aos já anistiados políticos nos termos das outras Leis de Anistia. Aliás, a esse respeito, cabível até mesmo a discussão se se trataria de isenção concedida por parte do legislador ou se aplicável o fenômeno da não incidência pura e simples. Por outro lado, no tocante às aposentadorias regularmente concedidas e sem qualquer vinculação à condição de anistiado não vislumbro na referida Lei nº 10.559, de 13/11/02 (especialmente nos artigos 1º, II, e 3º a 9º) a previsão legal de que estas aposentadorias seriam, agora sim, isentas. E a despeito de a aposentadoria/pensão excepcional de anistiado se aproximar, no seu regime jurídico, aos benefícios previdenciários, eles não se confundem, pois possuem pressupostos diversos, quais sejam, a perseguição política no primeiro caso e o risco social no segundo. A Constituição da República é expressa ao exigir lei em sentido formal e material para conceder isenção de tributo instituído por lei, in verbis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” Portanto, entendo que a isenção (ou não incidência) que atinge a reparação econômica de natureza indenizatória percebida pelo anistiado político não pode ser estendida à aposentadoria regularmente concedida nos termos do regulamento geral de previdência, sem relação com a condição de anistiado, por ausência de previsão legal para tanto. Ademais, ainda que assim não fosse, percebese que a Lei n.º 10.559/2002 restringiu a isenção aos próprios anistiados que possuem o direito à reparação econômica de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.010732/200941 Acórdão n.º 2101002.160 S2C1T1 Fl. 110 7 caráter indenizatório, ou seja, a isenção somente se aplica aos valores “pagos a anistiados políticos”, não se transferindo o benefício fiscal , portanto, aos seus dependentes "no caso de falecimento do anistiado político". Realmente, apesar de existir o direito à transferência do direito à reparação econômica aos dependentes, verificase que o artigo 13 da Lei n.º 10.559/2002 não prevê a isenção dos valores recebidos por transferência: “Art. 13. No caso de falecimento do anistiado político, o direito à reparação econômica transferese aos seus dependentes, observados os critérios fixados nos regimes jurídicos dos servidores civis e militares da União.” No mesmo sentido, o Decreto n.º 4.897, de 25 de novembro de 2003, que veio regulamentar o parágrafo único do art. 9º da Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, também menciona a isenção somente dos valores pagos “a anistiados políticos”, não mencionando os sucessores: “Art. 1º. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9º da Lei n.º 10.559, de 13 de novembro de 2002. 1º. O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002. 2º Caso seja indeferida a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Art. 2º O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei nº 10.559, de 2002.” Portanto, a isenção fiscal é aplicável tão somente para os valores pagos diretamente ao anistiado político (tendo em vista possuírem nítido caráter indenizatório, em razão dos prejuízos causados à pessoa do anistiado), isenção esta que perde o sentido quando se transfere a reparação econômica aos dependentes. No tocante à alegação de suposto bis in idem em razão dos rendimentos já terem sido tributados na fonte, fato é que a Recorrente em sua declaração efetivamente utilizou o total de R$ 35.835,79, a título de Imposto de Renda na Fonte Antecipação, para reduzir a sua base tributável (fls. 39 e 42 dos autos). E, no cálculo do lançamento tributário, também foi respeitada a dedução integral do referido Imposto Retido na Fonte Antecipação no valor de R$ 35.835,79, não tendo sido, portanto, glosado qualquer valor a título de imposto pago, para o cálculo do imposto devido (fl. 8). Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10120.010732/200941 Acórdão n.º 2101002.160 S2C1T1 Fl. 111 8 Nesse sentido, não se verificou a alegada dupla imposição sobre os rendimentos percebidos pela Recorrente, relembrandose, outrossim, que já foi considerado, na primeira instância, o recolhimento do tributo realizado pela Recorrente. Por fim, alega a Recorrente que a Receita Federal não teria legitimidade para a cobrança do imposto de renda ora discutido, em razão do quanto disposto no artigo 157, I da Constituição. Vejase a redação do referido dispositivo: “Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: I o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem;” Data venia, como cediço, o aludido dispositivo não tem o significado pretendido pela Recorrente, uma vez que a repartição das receitas tributárias não se confunde, em hipótese alguma, com o exercício da competência tributária, sendo essas duas formas distintas utilizadas pelo Constituinte para garantir a autonomia e o recebimento de recursos pelos entes da Federação. Nesse sentido, cumpre salientar que o referido dispositivo está na Seção “DA REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS” exatamente por tratar da necessidade de repartição posterior das receitas arrecadadas pela União com os Estados e o Distrito Federal. E, para que exista referida partilha de receitas, pressupõese, logicamente, que em momento anterior ocorra a arrecadação do imposto por parte desta. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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