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Numero do processo: 13005.903260/2008-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de declaração de compensação sem prova do efetivo pagamento resulta na não homologação da compensação pleiteada.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.196
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 713 1 712 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13005.903260/200804 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.196 – 3ª Turma Sessão de 26 de novembro de 2014 Matéria Compensação Recorrente DOUX FRANGOSUL SA AGROAVÍCOLA INDUSTRIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. A apresentação de declaração de compensação sem prova do efetivo pagamento resulta na não homologação da compensação pleiteada. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 32 60 /2 00 8- 04 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. A legislação de regência não permite a retificação de oficio de PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Não existindo o pagamento apontado como sendo a origem do crédito vinculado ao débito, ambos informados em PER/DCOMP, não há como homologarse a compensação pretendida. O contribuinte acima identificado insiste na mesma tese desde a manifestação de inconformidade, que se resume em: • apresentou pedido de compensação através do PER/DCOMP n° 40841.50646.291204.1.3.042191 visando adimplir suas obrigações fiscais de IRRF com créditos decorrentes de pagamento indevido; • em razão de verificar erro na imputação da SELIC acumulada para o crédito apresentado, retificou a mencionada declaração através do PER/DCOMP n° 12818.05094.090205.1.7.040340; • ao verificar a legitimidade do crédito, a RFB analisou as informações constantes do PER/DCOMP e não localizou o crédito em seus sistemas, não homologando a pretendida compensação. Intimou a empresa a efetuar o pagamento do débito, acompanhado dos acréscimos legais; • a empresa revisou as informações prestadas no PER/DCOMP, tendo percebido que tratou o crédito como originário de um DARF, quando, na verdade, é ele decorrente de um pagamento indevido, originário de um anterior processo administrativo de n° 11065.002.256/200536, através do qual restou pago indevidamente o valor de R$ 369.267,52, relativamente à COFINS do mês de agosto de 2004; • impõese que, para fins de apuração da verdade material dos fatos, a RFB, ao invés de analisar apenas o PER/DCOMP, analise também as informações constantes em seu sistema quanto ao processo n° 11065.002256/200536, a partir do qual restou pago indevidamente o valor do crédito da empresa, conforme extrato de processo que anexa; Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13005.903260/200804 Acórdão n.º 9303003.196 CSRFT3 Fl. 714 3 • para que não reste nenhuma dúvida a propósito do crédito da empresa, a mesma apresenta a DACON relativa ao 30 trimestre de 2004, a qual comprova a inexistência do débito pago através do processo nº 11065.002256/200536. É o relatório Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. A única matéria trazida à apreciação deste colegiado a possibilidade de se corrigir de ofício erro em declaração de compensação. Não foi comprovado o pagamento em relação à PER/DCOMP transmitida pelo contribuinte e ele argumenta que houve um equívoco ao informar o crédito compensável. Porém não houve a devida retificação da declaração antes do despacho decisório conforme preceitua a legislação de regência da matéria. Não existe a possibilidade de retificação de ofício de DCOMP, principalmente após a instauração do contencioso, conforme pleiteia o recorrente. Não há dúvidas acerca dessa impossibilidade, tanto que o recurso voluntário foi negado por unanimidade de votos, onde o relator Luciano Pontes de Maya Gomes, explicitou de forma sucinta e exaustiva a matéria ora tratada. Há de se reconhecer, no entanto, que irrelevante ao caso é a discussão acerca de se a situação retratada se qualifica ou não como de erro material, pois ainda que assim o fosse, a respectiva correção haveria de ter ocorrido até a primeira decisão administrativa lançada nos autos, na esteira da IN SRF n° 460, de 2004, vigente à época da transmissão do PER/DCOMP n° 2818.05094.090205.1.7.040340. Atentese para a redação dos dispositivos que tratam da retificação da PER/DCOMP: Art. 55. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, reressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Art. 56. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 57 e 58. Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Da simples leitura dos dispositivos legais expostos acima podemos concluir pela impossibilidade de se prover o presente recurso especial. Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003094/86-40
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 1988
Ementa: IRPJ -/decorrência - agravamento da exigência
no processo matriz - respeito ao duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 103-08.397
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar a volta do processo à repartiçâo de origem a fim de que a decisão de primeira instância guarde a adequação com a nova decisão a ser prolatada no processo matriz
Nome do relator: Franscisco Xavier da Silva Guimarães
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Numero do processo: 10665.000737/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento deste recurso, até que transite em julgado o Acórdão do RE 601.314, que trata da transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte ao fisco, nos termos do artigo 62-A do Anexo II do RICARF.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 22/08/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, NÚBIA MATOS MOURA, RUBENS MAURICIO CARVALHO, ATÍLIO PITARELLI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento deste recurso, até que transite em julgado o Acórdão do RE 601.314, que trata da transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte ao fisco, nos termos do artigo 62-A do Anexo II do RICARF. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 22/08/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, NÚBIA MATOS MOURA, RUBENS MAURICIO CARVALHO, ATÍLIO PITARELLI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento deste recurso, até que transite em julgado o Acórdão do RE 601.314, que trata da transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte ao fisco, nos termos do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 22/08/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, NÚBIA MATOS MOURA, RUBENS MAURICIO CARVALHO, ATÍLIO PITARELLI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI. Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/12 para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos, fundada na existência de depósitos bancários de origem não comprovada, em contas de sua titularidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 73 7/ 20 09 -1 7 Fl. 5790DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000737/200917 Resolução nº 2102000.138 S2C1T2 Fl. 4.720 2 O lançamento abrangeu fatos geradores ocorridos entre os anos de 2004 e 2005, e o contribuinte dele foi cientificado em 04.06.2009, como faz prova o AR de fls. 668v.. Nesta ocasião, apresentou a impugnação de fls. 691/727, acompanhada dos documentos de fls. 728 a 4650. Na análise das razões de Impugnação, os integrantes da 5ª Turma da DRJ em Belo Horizonte decidiram pela integral manutenção do lançamento, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de oficio qualificada no percentual de 150% será aplicada quando, em procedimento fiscal, ficar caracterizada ação dolosa do contribuinte, consubstanciada em conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Impugnação Improcedente Não tendo se conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 4674/4715 no qual requereu: 139 Diante de todo o exposto, pede, preliminarmente, a nulidade do v. acórdão em razão do indeferimento da prova pericial, devendo o presente processo ser ~`~ devolvido a d. Turma julgadora, a fim que determine a realização de prova pericial que demonstrará definitivamente que a origem dos valores creditados nas contas correntes; dentre eles, que os valores recebidos pelo Recorrente e por sua esposa a título de prólabore a título de distribuição de lucro em 31/12/2003, no curso do exercício fiscal de 2004', ' e 2005, são compatíveis com os valores , creditados na conta corrente da CREDICOOP nº T ~ 1.2300, que os valores creditados najcontá .coxrénte.,da CREDICOOP n. 1:2300 são originários das empresas do Recorrente e da Linear Pëdras de Ardósia Ltda., empresa da,, ,Á esposa do Impugnante e que os valores identificadòs na planilha elaborada pelo Recorrente para demonstrar a origem dos créditos depositados nas contas correntes da CREDÌCOOP n. 1.1045 e 5.181 0, identificados como "Recebimento decorrentes da Atividade de “Exploração de Ardósia” coincidem com os verificados nos "romaneios", fichas de clientes "/ y controle diário de pagamentos da empresa e com a relação de cheques fornecida pela CREDICOOP. 1 Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 5791DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000737/200917 Resolução nº 2102000.138 S2C1T2 Fl. 4.721 3 Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 09.08.2010, como atesta o AR de fls. 4.674. O Recurso Voluntário foi postado nos Correios em 08.09.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo Recorrente. Antes, porém, de entrar no mérito das razões suscitadas através do Recurso Voluntário, uma questão prejudicial ao julgamento precisa ser enfrentada. Tratase do disposto no art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, segundo o qual, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta do caput e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em relação à matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria (O procedimento de sobrestamento de que trata o caput [rito do art. 543B do CPC] somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso), pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Fl. 5792DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10665.000737/200917 Resolução nº 2102000.138 S2C1T2 Fl. 4.722 4 Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No caso dos autos, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 15): (...) 4) Com base na falta da apresentação das relações e dos extratos bancários de todas suas contas bancárias movimentadas no período, mesmo após solicitação reiterada para o atendimento da intimação, foram solicitados às instituições financeiras, dados cadastrais e extratos bancários do contribuinte, como mencionado em item seguinte deste Termo. Em 12/12/2008 o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação n° 002 de 09/12/2008, o qual solicitava os seguintes esclarecimentos e apresentação de documentos: (...) A requisição emitida ao banco (RMF) consta as fls. 311 dos autos. Resta claro, assim, que a matéria aqui em discussão se amolda perfeitamente à discussão objeto do Tema 225 acima transcrito. Diante do exposto, VOTO no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, que versa sobre o Tema 225, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 5793DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 22/08/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001759/2004-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR.
A finalidade da norma contida no item 4 da alínea b do § 2º, da Lei nº 9.532, de 1997, foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento mediante conferência para integralização de capital de outras empresas. (Precedentes: Ac. CSRF nº 910100.420, de 03/11/2009, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; Ac. Nº 110200.059, de 29/09/2009, relatora Sandra Maria Faroni).
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9101-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso com retorno à câmara a quo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (Relator), Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
André Mendes Moura - Redator Ad Hoc - Designado para o Voto Vencido
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado
Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea b do § 2º, da Lei nº 9.532, de 1997, foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento mediante conferência para integralização de capital de outras empresas. (Precedentes: Ac. CSRF nº 910100.420, de 03/11/2009, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; Ac. Nº 110200.059, de 29/09/2009, relatora Sandra Maria Faroni). Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso com retorno à câmara a quo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (Relator), Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) André Mendes Moura - Redator Ad Hoc - Designado para o Voto Vencido (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001759/200407 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.977 – 1ª Turma Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria IRPJ, CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO DO VALOR. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea “b” do § 2º, da Lei nº 9.532, de 1997, foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento mediante conferência para integralização de capital de outras empresas. (Precedentes: Ac. CSRF nº 910100.420, de 03/11/2009, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho; Ac. Nº 110200.059, de 29/09/2009, relatora Sandra Maria Faroni). Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso com retorno à câmara a quo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (Relator), Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 59 /2 00 4- 07 Fl. 790DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) André Mendes Moura Redator Ad Hoc Designado para o Voto Vencido (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 527/535) interposto pelo Fazenda Nacional com fundamento no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria MF 256/2009. Insurgiuse o Recorrente contra o acórdão nº 110300.246 proferido pelos membros da Terceira Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, os quais por unanimidade de votos, no mérito, deram provimento ao recurso, para reconhecer que a entrega de participação societária no exterior, pela controladora no Brasil, para aumento de capital de outra controlada sua no Brasil, não é emprego, pela controlada no exterior, de seu lucro em favor da controladora no Brasil. O acórdão, na parte recorrida, foi assim ementado: “APORTE DE CAPITAL DA CONTROLADA NO BRASIL, PELA CONTROLADORA NO BRASIL, MEDIANTE ENTREGA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NA CONTROLADA NO EXTERIOR EMPREGO DE VALOR EM FAVOR DA BENEFICIÁRIA. Emprego do valor, em favor da beneficiária, na forma e no contexto do item "4" da alínea "b" do § 2o do art. I o da Lei 9.532/97, significa: emprego, pela controlada no exterior (investida), ainda que por exercício do poder de controle da controladora no Brasil, do lucro em favor desta. Supor que a entrega do investimento no exterior pela recorrente, em conferência ao capital social de outra controlada da recorrente no Brasil, implique um ato de pagamento pela controlada no exterior significaria além de agredir a dicção legal admitir que a controlada no exterior permanece com a obrigação de pagar (por ato seu) aquilo que já está pago (por ato da controlada no exterior, se pagamento fosse a entrega de investimento). Fl. 791DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 4 3 A entrega de participação societária no exterior, pela controladora no Brasil, para aumento de capital de outra controlada sua no Brasil, não é emprego, pela controlada no exterior, de seu lucro em favor da controladora no Brasil.” Em suas razões recursais sustentou que tendo em vista que, no caso, o acréscimo patrimonial verificado no balanço da empresa controlada no exterior representa um acréscimo, proporcional à participação acionária, do patrimônio da autuada, concluiu que houve emprego de valor, em favor da beneficiária, vez que utilizada para aporte de capital em outra empresa, incidindo em hipótese de disponibilização de lucros, conforme disposto no item 4, alínea b, § 2º, art. 1º da lei 9.532/97. Nesse sentido trouxe como paradigma os acórdãos de nº 10516.766 e 103 23.465, assim ementado: “LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO – LEGISLAÇÃO ANTERIOR Consoante o disposto no art. 1° da Lei n° 9.532, de 1997, para efeito de disponibilização de lucros de coligada/controlada sob a forma de pagamento, considerase como tal o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça. No caso vertente, o emprego está caracterizado pela utilização da participação societária na empresa estrangeira que auferiu os lucros, para aporte de capital em outra."(Acórdão nº 10516.766. Processo 10680.012244/200419) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA. HIPÓTESE DE DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. Na alienação de participação em empresa sediada no exterior há o emprego de lucros da coligada exterior, em favor da coligada no Brasil, o que configura hipótese de disponibilização. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. A tributação da CSLL em bases universais para respeitar em sua plenitude o princípio da irretroatividade da lei só se aplica aos lucros auferidos a partir de 1° de outubro de 1999. É necessário, primeiro, separar o critério material (auferir lucros no exterior) do critério temporal (momento que se considera creditado ou pago). Depois perceber que o critério quantitativo (apuração da base de cálculo e aplicação de alíquota) que está no consequente da regra matriz de incidência, nada mais faz do que reafirmar o critério material (auferir renda). Dessa forma, quando o critério material, o mais importante de todos, é acionado no momento Fl. 792DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 5 4 que se forma a relação jurídicotributária (critério pessoal e critério quantitativo) é necessário que a nova lei colha, para a formação de sua base de cálculo, apenas fatos ocorridos após sua vigência.” (Acórdão nº 10323.465. Processo 16561.000081/200626) Em sede de exame de admissibilidade (fls. 549/551) foi dado seguimento ao Recurso. O contribuinte apresentou contrarrazões, por meio da qual afirmou que a operação praticada não acarretou qualquer disponilidade dele sobre os lucros apurados pela coligada. Argumentou que, como o lucro permaneceu no exterior, a tributação recaiu sobre valor que não foi por ele auferido e sobre o qual este jamais teve disponibilidade. Por fim, afirmou que a tributação dos lucros auferidos no exterior antes de sua disponibilização para a coligada no Brasil implica tributação do que não é renda nem lucro da empresa nacional. Pugnou pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes Moura, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro João Carlos de Lima Junior, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fui designado na condição de Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator Ad Hoc, estritamente transcrevo as razões expostas pelo relator original da decisão. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do Conselheiro João Carlos de Lima Junior na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. Destarte, adoto como base a minuta de acórdão inicialmente apresentada quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em agosto de 2014, para formalizar o voto do relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O cerne da questão, no caso, consiste em definir a correta interpretação e extensão da expressão “emprego de valor” previsto no art. 1º, § 2º, “b”, item 4, da lei 9.532/1997, para fins de tributação. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 6 5 Primeiramente, é importante uma breve exposição da evolução legislativa relativa à tributação do lucro obtido no exterior. A legislação brasileira tinha como base o princípio da territorialidade, ou seja, apenas a parcela do lucro que tivesse fonte de produção em território brasileiro era tributada, a partir de 1996, por força da Lei nº 9.249/95, o Brasil adotou o sistema de tributação da renda da pessoa jurídica universal, ou seja, o lucro gerado no exterior passou a ser tributado. O artigo 25 da Lei n° 9.249/1995 dispõe: "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano." Nesse passo, para dar cumprimento à mencionada lei, a Secretaria da Receita Federal publicou a Instrução Normativa n° 38/1996, que inovou em alguns aspectos. A mencionada Instrução Normativa trouxe, ainda, outras hipóteses que caracterizariam a realização do lucro auferido por sociedade estrangeira controlada, dentre as quais a alienação do patrimônio pela empresa brasileira, senão vejamos a redação dada ao artigo 2º, §9º: “Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do períodobase, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados. §9º Na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil.” Posteriormente, foi publicada a Lei n° 9.532/1997, que revogou disposições da IN 38/96 e, principalmente, não repetiu a hipótese de alienação do patrimônio da empresa controlada como momento para realização dos lucros ainda não distribuídos. Descreveu, ainda, especificamente as hipóteses de disponibilização de lucros por controladas e coligadas no exterior à pessoa jurídica controladora e coligada no Brasil. Nesse ponto, cumpre a transcrição do artigo 1º, §1º, “b” e §2º, da lei 9.532/97: “Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 7 6 § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. (...)” Do exposto, evidenciase que a lei 9532/97 especificou o que representa disponibilização de lucros da controlada ou coligada no exterior e esta ocorrerá por ato praticado pela controlada ou coligada, por meio do crédito ou pagamento do lucro. A alienação da coligada no exterior para pessoa jurídica sócia da autuada no Brasil, com a entrega de seu investimento, não implica qualquer hipótese de pagamento prevista na lei. Ressaltese, ainda, que esta não pode ser interpretada de maneira ampla, de modo a abarcar outras hipóteses não previstas na norma legal, eis que não cabe ao aplicador da lei criar um direito novo. Em todas as hipóteses de disponibilização de lucros por meio de pagamento instituída pelo legislador (alínea “b”, no qual se insere o “emprego de valor” item 4), há saídas de recurso do ativo da controlada ou da coligada. Isso não ocorre na entrega de participação societária no exterior, pela coligada – participante no Brasil. Supor que isto (pagamento pela coligada no exterior) poderia ocorrer com a alienação é dizer que a coligada no exterior permanece com a obrigação de pagar, por ato próprio, aquilo que já está pago por consequência da alienação. É possível concluir, desse modo, que a alienação de participação societária no exterior à pessoa jurídica sócia da autuada no Brasil, não é emprego, pela coligada no exterior de seu lucro em favor da coligada no Brasil. Cumpre destacar que a lei 9.532/97 foi alterada pela lei 9.959/00 e pela Medida Provisória 2.03721 de 28/07/2000, as quais aperfeiçoaram e criaram novas hipóteses de disponibilização do lucro, entretanto, em nenhuma das oportunidades o legislador previu a hipótese em debate, qual seja, alienação de participação societária. Assim, em que pese as diversas oportunidades, o legislador nada fez em relação a materialidade do emprego do valor, em favor da beneficiária, a compreender casos de realização da participação societária em controlada ou coligada no exterior. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 8 7 A referida alienação de participação societária no exterior para outra pessoa, jurídica ou física, no exterior ou mesmo no Brasil, poderia ter sido arrolada pelo legislador, se assim o desejasse, como uma outra hipótese de antecipação do momento da disponibilização. Tal fato (ausência de previsão legal nas inovações legislativas posteriores afasta a conclusão de que a alienação leva a uma disponibilização econômica do lucro auferido no exterior por coligada ou controlada. Quanto ao tema em debate, merece destaque o voto proferido pela Conselheira, sempre esclarecedora, Karem Jureidini Dias nos autos do processo n° 16327.000572/200569, acórdão n°9101001.644 proferido em 15 de maio de 2013: “(...) Nessa medida, o que importa é tratar do emprego do valor como fato gerador para tributação do lucro no exterior. Repito que adotei, desde sempre, o entendimento de que emprego do valor não se confunde, em hipótese alguma, com alienação do patrimônio, e tampouco pode se confundir com cisão seguida de versão de participação societária. O que pode ocorrer é um ganho ou uma perda de capital, caso a transferência da participação tenha sido feita por valor superior ou inferior ao custo de aquisição contábil. Ganho de capital não implica em disponibilização de lucro, o qual permanece intacto na empresa cujas ações foram transferidas. O emprego do valor, por sua vez, é claramente hipótese de disponibilização de lucros de controlada e coligada, porquanto representa, na letra da lei (§ 2º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97), disponibilização de valor, a qualquer título, inclusive para aumento de capital, em favor da beneficiária. Quando há substituição de uma participação por outra, não há disponibilização do valor. Diversamente, quando se verifica pagamento ou uma aquisição por conta da sócia, beneficiária do lucro disponibilizado, há uma disponibilização do valor. Ora, se o ordenamento jurídico deixou de prever, à época, a hipótese de tributação do lucro auferido, para determinar que o fato gerador do Imposto de Renda é tão somente a disponibilização do lucro, somente os lucros pagos ou creditados em favor da coligada ou controlada no exterior são passíveis de tributação. Justamente a hipótese do emprego do valor, que não se confunde com uma substituição de ativos. É por isso, que no período de vigência da Lei nº 9.532/97, essa reproduziu algumas previsões da IN 38/96, mas não reproduziu a hipótese de alienação de participação societária, justamente porque não se coadunaria com aquela novel sistemática. Aquela novel sistemática conferiu ao contribuinte o direito de tributar o lucro auferido no exterior tão somente quando a empresa no exterior decidisse, sponte própria, pela disponibilização dos lucros. A bem da verdade, a partir da edição da Lei nº 9.532/97, com a tributação incidente apenas sobre a disponibilização do lucro auferido no exterior não há como se aceitar por vigente a hipótese antes aventada da IN nº 38/96 no que tange à alienação de participação societária, (que sempre foi tratada em separada Fl. 796DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 9 8 do conceito de emprego do valor) sob a égide da sistemática que determinava a tributação do lucro auferido no exterior. Como já me manifestei anteriormente, uma vez não mais se afigurando como benefício ao contribuinte, a disposição contida no artigo 2°, §9° da Instrução Normativa n° 38/1996 não há de ser aplicável ao caso em tela, porquanto se assim fosse, acabaria por restringir o direito da Recorrente em ter tributados os lucros auferidos por empresa estrangeira apenas no momento determinado pela lei, nunca antes disto. Não bastasse isso, caso fosse possível tomar por fato imponível a versão do patrimônio, sob a égide da Lei nº 9.532/97, ter–seia um grave problema de possibilidade de dupla tributação sobre o mesmo lucro, quando da cisão seguida de versão e quando, por exemplo, de evento que efetivamente caracterizasse emprego do valor. (...)” No caso, a alienação de participação no exterior à pessoa jurídica sócia estabelecia no Brasil não caracteriza emprego de valor seja em razão: (i) da falta de previsão legal, (ii) da ausência de saída de recurso do ativo, (iii) das diversas alterações legislativas que não incluíram a hipótese em debate ou (iv) inexistência de ganho ou perda de capital, o que demonstra que não houve disponibilização de lucros da controlada no exterior. Por todo o exposto, tenho por claro que a alienação de participação societária não caracteriza emprego do valor, prescrito na Lei nº 9.532/97, razão pela qual nego provimento ao recuso. É como voto. (Assinado digitalmente) André Mendes Moura, Redator Ad Hoc Designado Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado ADOTO, por oportuno, o voto do eminente Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, redator designado do acórdão de no. 9101001.768, que transcrevo, a seguir, in verbis: “(...) Tendo sido designado para redigir o voto vencedor, passo a discorrer sobre as razões que me levaram a divergir do i. relator, ora vencido. A matéria em causa versa sobre qual seria o correto significado da expressão emprego do valor, contido no item 4, da alínea “b”, do § 2º, do art. 1º, da Lei nº 9.532/1997, a seguir transcrito, ou seja, se a operação consistente na alienação de participação societária no exterior estaria enquadrada nesse conceito de emprego do valor, para efeito da tributação de lucros no exterior. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 10 9 Lei nº 9.532/1997 Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. (...). (destaque acrescido) Por oportuno, peço vênia para trazer à baila trecho do voto vencido da decisão recorrida (fls. 342 e 343), na parte em que, para fundamentar seu entendimento, o relator, então vencido, se reporta ao voto condutor da decisão proferida quando do julgamento do recurso voluntário nº 168.507, no Acórdão nº 110200.059, sessão de 29/09/2009 (processo nº 16561.000092/200614), da lavra da i. Conselheira Sandra Maria Faroni, que, do alto do seu notável e reconhecido conhecimento técnico, assim se posicionou: (...). As situações tratadas na alínea “a” e nos itens 1, 2 e 3 da alínea “b” do § 2º do artigo são muito claras, não dando margem a discussões. Todas as dúvidas trazidas à discussão no Conselho contêmseno alcance que tem sido dado à expressão “emprego do valor”, referida no item 4. Registro que não estou analisando a constitucionalidade da lei, não só porque foge à competência deste Conselho fazêlo, mas também porque é indubitável que o disposto no item 4 da alínea “b” do § 2º não conflita com o art. 43 do CTN e com o conceito constitucional de renda. O objeto da análise é quanto ao alcance do conceito de “emprego do valor”. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 11 10 A norma determina que os lucros serão considerados disponibilizados na data do pagamento, e que se considera pago o lucro, quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiaria. A presunção legal estabelecida não contém qualquer vinculação com o agente da ação que materializa o emprego. O vocábulo disponibilidade significa a faculdade de dispor dos bens. Dispor é um dos atributos do direito de propriedade. O Proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de revêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. (CC, art. 1.228). Significa o poder que o proprietário tem de se desfazer do bem, inclusive para integrálo ao patrimônio de outra pessoa. Alguém só pode dispor de algo de que seja proprietário, o que implicitamente, significa que num momento anterior adquiriu a disponibilidade desse bem. (A disponibilidade é adquirida mediante transferência da propriedade). Importa verificar se as situações que na prática têm sido enquadradas no referido item 4 traduzem a aquisição da disponibilidade de lucros. Uma quota ou ação representa parcela da propriedade da investidora no patrimônio da investida. Se esse patrimônio contém lucros acumulados, ao alienar o investimento (simplesmente para dele se desfazer, ou para integralizar capital de outra sociedade), a sociedade dispôs de sua participação no patrimônio da investida, incluindo a parcela de lucros nela compreendidos. Não é relevante que o lucro permaneça no PL da investida. Vejase que, contabilmente, o resultado positivo materializou por ocasião da apuração da equivalência patrimonial, tendo afetado o lucro líquido. Assim, o PL da investidora brasileira já se encontra afetado pela valorização do investimento na investida, correspondente aos lucros nela acumulados. Se esse investimento é utilizado para qualquer fim – por exemplo, restituir capital aos sócios da investidora ou para adquirir participação no capital de outras empresas (integralizar capital subscrito) – , é óbvio que a investidora dispôs dos lucros que auferiu através da coligada no exterior (que estão contidos no investimento alienado). Conforme ponderou o ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, em voto condutor do Acórdão 94.747/2005, “o ordenamento jurídico tem suas bases muito mais ligadas a interpretações sistemáticas e finalísticas, a ensejar um conjunto sustentado em certa axiologia, ainda que mutável no tempo, do que a restritivas interpretações literais”. E concluiu o brilhante Conselheiro que a disponibilização de que trata a norma é o uso do valor adicionado pelos lucros auferidos no exterior, para quaisquer fins, ainda que seja para pagamento de dívida. É assim que deve ser interpretada a expressão “emprego do valor, em favor da beneficiária.” Fl. 799DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 12 11 Sabese que a lei não contém palavras inúteis. Perguntase: a não ser o aumento de capital da coligada ou controlada, expressamente previsto na norma, que outra situação se conteria no item 4 que não correspondesse a alienação do investimento? Não identifico nenhuma. Nos debates travados em julgamento pretérito, levantouse, como exemplo, que poderia ser para pagamento de dívida do investidor. Ora, levando em conta que as entidades (investidora e investida) não se confundem, a utilização dos lucros acumulados na investida para esse fim (pagamento de dívida do sócio/acionista) pressupõe um passo anterior (ainda que implícito, oculto) de transferência dos lucros acumulados para conta representativa de passivo exigível da investida, situação prevista na alínea “a” do § 2º do artigo, e uma ordem/autorização da investidora. A finalidade da norma (item 4 da alínea “b” do § 2º) foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo. E a Alienação do investimento, por qualquer forma, entre elas a conferência para integralização de capital de outras empresas, corresponde à sua realização. Ao alienar a participação, cujo valor já está afetado pelos lucros acumulados na investida, a investidora realizou os lucros, devendo incluílos para tributação. O valor pelo qual o investimento foi alienado só tem relevância para a apuração do resultado na alienação (que pode, inclusive, neutralizar a tributação dos lucros, se o valor da venda for inferior ao valor contábil do investimento). Creio que tal explanação seria suficiente para fundamentar o entendimento adotado na decisão abraçada pelo Colegiado nesta assentada, entretanto peço vênia para tecer mais algumas considerações a respeito. Sem medo de errar, assevero que o propósito do legislador foi o de fazer com que todas as possíveis modalidades de usufruto dos ganhos obtidos por pessoas jurídicas no exterior fossem alcançadas pela tributação, não havendo como supor que ele (o legislador) objetivasse criar exceção a essa regra de incidência tributária. Basta ver que a partir do ano de 1995, com a edição da Lei nº 9.249/1995, essa foi a tônica que conduziu à histórica mudança consistente na tributação dos rendimentos nacionais obtidos em atividades internacionais. A partir desse momento, em que se passou a tributar o que antes não era tributado, ocorreram mudanças na legislação de regência apenas quanto a aspectos da incidência, não evidenciando qualquer exceção ou mesmo intenção de se excetuar da mesma alguma modalidade de usufruto. Afinal, ninguém negocia ou disponibiliza o que não tem. Acho que a imposição de tamanho rigor literal à terminologia utilizada para expressar o fim pretendido, a ponto de se contrapor ao entendimento de que a expressão emprego do valor seja aplicável às operações consistentes na alienação de Fl. 800DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001759/200407 Acórdão n.º 9101001.977 CSRFT1 Fl. 13 12 participação societária no exterior, não se constitui na melhor forma de compreensão do seu significado e alcance. Sendo assim, por entender que os bem lançados fundamentos acima transcritos traduzem a correta interpretação que deve ser dada ao dispositivo do item 4, da alínea “b”, do § 2º, do art. 1º, da Lei nº 9.532/1997, é que divergi do i. relator, ora vencido, razão pela qual votei no sentido de dar provimento ao recurso fazendário. (...)” Diante de tão bem fundamentadas razões, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, sendo que este será parcial, em vista de que o relator do acórdão recorrido deixou de apreciar matérias1 que considerou prejudicadas. Deve o processo retornar à Câmara a quo para apreciação destas questões. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes 1 “Após a digressão feita, a conclusão extraivel é a de que não houve concreção da hipótese de emprego de valor, em favor da beneficiária, na forma e no contexto postos pela lei — ainda que se possa discutir eventual lapso do legislador. Ex vï de tudo quanto deduzi, resultam prejudicadas as demais questões, como, por ex., a da exigência da CSL, em relação aos lucros apurados antes de 1 0/10/99, a da incidência de juros de mora sobre multa de oficio, de modo que deixo de apreciálas nesta instância.” (Trecho do voto do relator da decisão recorrida) Fl. 801DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11831.003834/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado.
PESSOA JURÍDICA COLIGADA. COMPROVAÇÃO.
Retenções de IRRF feitas por pessoa jurídica coligada exigem, além da declaração correspondente, a comprovação de que os montantes foram efetivamente recolhidos.
Numero da decisão: 1201-001.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - RELATOR. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado. PESSOA JURÍDICA COLIGADA. COMPROVAÇÃO. Retenções de IRRF feitas por pessoa jurídica coligada exigem, além da declaração correspondente, a comprovação de que os montantes foram efetivamente recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro LUIS FABIANO ALVES PENTEADO RELATOR. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 38 34 /2 00 3- 61 Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 2 LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório A Recorrente foi notificada no dia 08 de maio de 2008, sobre o Despacho Decisório referente ao Pedido de Restituição, número 11831.003834/200361, protocolado em 15 de maio de 2003, onde o contribuinte solicita restituição de tributo, no valor de R$ 3.014.328,79, alegando: "Restituição de Saldo Acumulado de IRRF — Imposto de Renda Retido na Fonte de Terceiros, referente exercícios anteriores conforme declarado na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica Ficha 43 e comprovantes anexos". Através das Declarações de Compensação apensadas nos processos:11831.003909/200312, 11831.003910/200339, 11831.003911/200383, 11831.003912/200328,11831.003913/200372, 11831.003914/200317, 11831.003915/200361, 11831.003916/200314,11831.003917/200351, 11831.003918/200303, 11831.003919/200340, 11831.003920/200374,11831.004396/200359, 11831.004397/200301, 11831.004398/200348, 11831.004399/200392,11831.004400/200389, 11831.004401/200323, 11831.004402/200378, 11831.004403/200312, 11831.004404/200367 e 11831.004405/200310, o contribuinte apresenta compensações dos valores recolhidos a titulo de IRPJ com débitos de diversos tributos, já devidamente cadastrados no sistema Profisc. PROCESSO JUNTADO POR APENSACAO DATA DO PROTOCOLO DA DECLARACAO VALOR DO CREDITO UTILIZADO 11831.003909/2003‐12 15/05/2003 12.922,72 11831.003910/2003‐39 15/05/2003 37.721,92 11831.003911/2003‐83 15/05/2003 16.063,55 11831.003912/2003‐28 15/05/2003 26.659,34 11831.003913/2003‐72 15/05/2003 23.349,62 11831.003914/2003‐17 15/05/2003 20.553,80 11831.003915/2003‐61 15/05/2003 25.629,17 11831.003916/2003‐14 15/05/2003 59.280,58 11831.003917/2003‐51 15/05/2003 708.258,35 11831.003918/2003‐03 15/05/2003 634,97 Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11831.003834/200361 Acórdão n.º 1201001.032 S1C2T1 Fl. 3 3 11831.003919/2003‐40 15/05/2003 593.783,28 11831.003920/2003‐74 15/05/2003 451.625,28 11831.004396/2003‐59 25/06/2003 20.774,48 11831.004397/2003‐01 25/06/2003 88.257,52 11831.004398/2003‐48 25/06/2003 18,39 11831.004399/2003‐92 25/06/2003 7.710,15 11831.004400/2003‐89 25/06/2003 195,82 11831.004401/2003‐23 25/06/2003 643.617,61 11831.004402/2003‐78 25/06/2003 16.920,88 11831.004403/2003‐12 25/06/2003 26.008,06 11831.004404/2003‐67 25/06/2003 196,32 11831.004405/2003‐10 25/ 8.851,59 TOTAL 2.789.033,40 Ao examinar o crédito pleiteado, o auditor fiscal verificou que a contribuinte compensou sucessivamente as estimativas recolhidas a título de IRPJ com saldos negativos de períodos anteriores e, por esse motivo efetuou a análise dos alegados saldos negativos compensados, apurados no período de 1998 a 2001, uma vez que tais compensações eram permitidas à época. Por este motivo, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde alega os seguintes pontos: 1. Primeiramente discorre longamente sobre o princípio da verdade material, para justificar sua reclamação, que deveria ter sido intimada antes de proferido o Despacho Decisório para apresentar a documentação cabível e a comprovação de seu direito, alegando que eventuais erros formais não prejudicaria seu direito, pois o Fisco tinha elementos para reconhecer que em determinados anos, não havia débito que impedisse o aproveitamento do crédito. 2. Cita como exemplo do que alega o anocalendário de 2000, onde havia declarado, no ajuste anual, imposto devido de R$ 806.783,21 que, após compensação de IRRF "... implicou em saldo negativo do imposto" (sic), reclamando que o auditor fiscal ao invés de valerse dessa informação e, sem nenhum motivo, no seu entender, alegou simplesmente que o IRRF utilizado não estava compatível com o valor total do IRRF confirmado e utilizando ainda a DCTF para apurar que havia um debito de R$ 1.171.287,06 e diminuir o valor compensável. 3. A empresa reclama que, se havia dúvida deveria ter sido feita fiscalização no tempo próprio e não simplesmente “...valerse de obrigação acessória para desvirtuar a materialidade". Discorre que a fiscalização deveria ter sida feita no da análise do crédito, alegando ainda ser esses aspectos importantes de se frisar, pois dizem respeito diretamente a materialidade da tributação, e ressalta que é absurdo chegarse aplicação cega de cobrança, baseada no cumprimento simplista de obrigações acessórias. 4. Alega que já decaiu o direito da fiscalização rever o crédito tributário de períodos anteriores a cinco anos para glosar saldos negativos deles oriundos e, por via obliqua, proceder a lançamento de tributos dos anos seguintes. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 4 5. Reclama o seu direito de apresentar manifestação de inconformidade relativa às compensações sem processo efetuadas, apresentando suas razões a respeito 1998. 6. Reclama que a diferença entre o valor reconhecido pela fiscalização e o declarado pela contribuinte, é de R$ 22.796,86, que está declarado à linha 16 da ficha 13 da DIPJ/1999, relativo a março de 1998, sendo esse o valor do saldo negativo do IRPJ do ano de 1997 nesse exato valor. 7. Por outro lado, alega que a própria Fiscalização considerou válido o total de IRRF declarado no valor de R$ 267.805,43, reclamando que se reconheceu esse valor, a fiscalização não poderia se valer do valor menor utilizado pela contribuinte para quitar as estimativas desse ano, pois no seu entender deveria ter considerado o valor total. 8. Alega que apresenta ainda informes de rendimentos desse anocalendário, comprovando o seu direito a R$ 340.798,25 de IRRF. 9. Requer a reforma do Despacho Decisório para manter o direito creditório declarado na DIPJ. 1999 10. Alega que não foram considerados todos os informes de rendimentos e apresenta os informes de rendimentos faltantes, para demonstrar que teria direito a mais R$ 39.281,69, além dos R$ 2.457.919,36, já declarados e dos quais o fisco somente reconheceu R$2.186.589,17. 11. Relativamente aos DARF pagos, relativos ao IRPJ, reclama que o fisco considerou como recolhido apenas o valor suficiente para quitar o débito relativo à competência de dezembro de 1999, ou seja, R$ 1.631.504,21, mas o DARF efetivamente recolhido foi de R$ 1.929.506,28, cuja diferença resulta em R$ 298.002,07, em crédito para a contribuinte. 12. Quanto à compensação com saldo negativo de 1998, a diferença encontrada pelo auditor fiscal é justamente por causa da glosa de R$ 22.796,86 efetuada no ano de 1998. 13. Assim entende ter demonstrado claramente as razoes das divergências de valores e entende ter comprovado seu direito a R$ 642.523,06 de crédito, relativo a esse ano calendário. 2000 14. Alega que não foram incluído IRRF relativo a duas fontes pagadoras cuja soma indica a retenção total de R$ 888.088,72, conforme documentos que apresenta. Esse valor, somado com o reconhecido pelo auditor fiscal (R$ 481.094,55), totalizaria R$ 1.369.183,27 que deve ser reconhecido agora. 15. Alega haver equívoco na informação extraída a partir da DCTF relativamente ao imposto devido na competência de dezembro de 2000, onde a DCTF indica um débito de R$ 1.171.287,06, mas a DIPJ indica saldo negativo de R$ 1.036.741,67, situações diametralmente opostas, que, argumenta, podem ser facilmente demonstrada tanto pelo IRRF já confirmado Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11831.003834/200361 Acórdão n.º 1201001.032 S1C2T1 Fl. 4 5 pelo Fisco, somando a valor do tópico anterior, como pela cópia do próprio LALUR, juntado aos autos. 16. Alega que o valor discrepante da DCTF deve ser desconsiderado e que esta promovendo a retificação da mesma. 17. Desse modo, entende haver comprovado seu direito creditório no valor de R$ 1.036.741,67, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. 2001 18. Alega que o valor de R$ 104.895,81, desconsiderado pelo Despacho Decisório, aparece nos sistemas da RFB como retenções de fonte efetuadas com o CNPJ da própria reclamante, argumentando tratarse de equívoco, pois a retenção foi efetuada por empresa que foi incorporada a reclamante, além de pagamento feito pela própria reclamante por pagamentos efetuados pela empresa Eka chemicals CNPJ 43.818.418/000113, demonstrandose assim seu direito ao crédito de R$ 104.895,81. 19. Alega que não procede a alegação que a manifestante não ofereceu a tributação os rendimentos de SWAP, argumentando que as ofereceu, por engano, a linha 24 da ficha 06 A ao invés de oferecêlas A linha 21 da mesma ficha e que esse engano não prejudica o seu direito ao crédito de IRRF. 20. Alega que em respeito à verdade material e ao que demonstrou seu direito creditório do anocalendário de 2001 é de R$ 3.014.328,79. 21. Por fim, requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo sei direito ao crédito pleiteado bem como homologando as compensações declaradas nos processos administrativos apensos e relativos ao crédito em discussão, cancelandose as exigências feitas e seus acréscimos. Desta feita, a 5° Turma da DRJ/SPOI, se manifestou com os seguintes argumentos no voto ora proferido: 23. Embora o Fisco Federal não possa mais exigir eventuais diferenças ou débitos, relativos a esses anoscalendário, por haver decorrido o prazo legal para tanto, a Autoridade Fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e certeza do crédito pleiteado pela contribuinte e, verificada a inexistência de créditos compensáveis ou ainda a constatação de débitos onde deveria haver crédito, ainda que não possa fazer qualquer correção, nem enviar o processo para a Delegacia de Fiscalização para lançamento desses valores devidos, o Fisco Federal tem o poder e o direito de negar a restituição e de não homologar as compensações efetuadas quando constatada a inexistência do crédito, impedindo a contribuinte de lesar o Erário Público. 24. Em outras palavras, o que a contribuinte eventualmente declarou incorretamente e, por consequência, recolheu de IRPJ a menor, na DIPJ apresentada há mais de cinco anos da data da análise do crédito, não poderia mais ser exigido, mas o crédito pleiteado decorrente de apuração incorreta deve ser negado, pois não há "criação de créditos" por decurso do prazo homologatório, ou seja, os valores declarados continuam na DIPJ, mas constatada a sua inexistência pela Receita Federal, os mesmos não podem ser utilizados pela empresa e, por consequência, as compensações efetuadas não são homologadas, devendo a contribuinte recolher no prazo de trinta dias, os tributos que foram compensados indevidamente. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 6 25. Informase também à contribuinte que embora suas opiniões e sugestões sobre como o Fisco deveria ter procedido na análise do seu crédito possam até ser bem intencionadas, visando o que chama de verdade material, é prerrogativa do auditor fiscal que analisa o crédito, intimar a contribuinte para prestar esclarecimentos somente quando entender não haver elementos suficientes para essa análise, caso contrário a apuração do crédito é feita com os dados constantes na base da RFB, dados esses, em sua maioria, fornecidos pela própria contribuinte. 26. A DCTF, ao contrário do que a reclamante pensa, constitui documento extremamente importante à análise do crédito, pois é um dos documentos de confissão de divida para a RFB, valendo para a remessa a PGFN e inscrição na Divida Pública da Unido — DAU, em caso de débitos não quitados, ao contrário da DIPJ que é meramente informativa. 27. Relativamente às compensações sem processo, declaradas somente nas DCTF, não cabe Manifestação de Inconformidade contra essas compensações, pois a Manifestação de Inconformidade está vinculada exclusivamente à compensações declaradas, passiveis de serem ou não homologadas. Já as compensações sem processo efetuadas pela contribuinte, são convalidadas ou não, quando da análise fiscal. Observese que essa análise é feita tão somente para averiguação de valores de crédito, não servindo para lançamento fiscal, como alega a contribuinte. 28. De fato, o que a empresa entende como lançamento de períodos posteriores, nada mais é do que a legítima cobrança de débitos devidos e confessados pela contribuinte que, ao invés de quitálos, declarou compensálos com créditos que foram demonstrados inexistentes, ou seja, não se está fazendo qualquer novo lançamento e sim se exigindo valores já formalizados e devidos. 29. Por outro lado, o Fisco não está à disposição de particulares para satisfazer demandas particulares que alias, são obrigações da contribuinte fazer, tais como declarar corretamente a DCTF ou, em caso de preenchimento incorreto, promover a sua retificação. Em relação à cada anocalendário em discussão, a decisão da DRJ assim se posicionou: Anocalendário 1998 30. A ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa da DIPJ/1999, ano calendário 1998 (fls. 44), registra na linha 14 da apuração do mês de março, o valor de R$ 22.796,86, como uma compensação de períodos anteriores que a empresa na Manifestação de Inconformidade, alega ser compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997. 31. Ocorre que a DCTF desse período não registra qualquer compensação efetuada pela contribuinte nesse período, ou seja, a suposta compensação reclamada pela empresa não está vinculada a qualquer crédito da empresa, impedindo que essa suposta compensação seja aceita (fls. 528). 32. Também não cabe a reclamação que seria obrigação do Fisco considerar todo o IRRF que a empresa teria direito, relativo ao anocalendário de 1998, mas optou por não utilizálo na DIPJ apresentada. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11831.003834/200361 Acórdão n.º 1201001.032 S1C2T1 Fl. 5 7 33. De fato, na análise fiscal efetuada, são consideradas apenas as informações apresentadas pela contribuinte nas DCTF e DIPJ, não podendo o Fisco incluir valores além do que os constantes nessas declarações. O procedimento limitase a checar se os valores declarados estão corretos e, em caso de irregularidades na apuração de saldo devedor, passível de restituição ou compensação, os valores são corrigidos, como é o caso presente, onde a suposta compensação foi desconsiderada por não haver vinculação formal (através da DCTF) a qualquer crédito. 34. Assim foi considerado somente o IRRF declarado na DIPJ e esse valor foi verificado para certificar se o rendimento correspondente a esse valor declarado de IRRF , foi oferecido a tributação. 35. Desse modo mantémse o decidido no Despacho Decisório para o ano calendário de 1998. Anocalendário 1999 36. A empresa alega que não foram considerados três comprovantes de rendimentos na análise fiscal, que foram juntados ao processo junto com a Manifestação de Inconformidade (fis. 413 a 416). 37. Examinando esses comprovantes observase que dois deles, o da empresa Hoechst Roussel Vet S/A CNPJ 33.017.104/000168 e Eka Chenicals do Brasil S/A já foram considerados pelo auditor fiscal, pois constam no Sistema SIEF/DIRF, conforme fls. 60 e 61. A empresa Proquimio Produtos Químicos Ototerápicos Ltda, não indicou, porém em DIRF a reclamante como beneficiária. 38. Ocorre ainda que a empresa, embora clame seu direito ao crédito desses informes de rendimentos, dos quais dois já haviam sido considerados pelo auditor fiscal, não foi capaz de demonstrar o oferecimento dos rendimentos correspondentes à tributação, pois não há, nos autos do processo, o demonstrativo dos valores que compuseram o valor declarado linha 24 da Ficha 06 A da DIPJ/2000, anocalendário 1999, não havendo prova que esses rendimentos tenham sido oferecidos à tributação. 39. Quanto à diferença faltante na compensação de estimativa com o saldo negativo de 1998, como já visto, não assiste razão a reclamante, impondose manter o valor apurado pelo auditor fiscal. Anocalendário 2000 40. Quanto ao anocalendário de 2000, os rendimentos com retenção de fonte que a empresa reclama não terem sido computados na apuração do IRRF a que teria direito, observasse que as empresas Intervet S/A, CNPJ 33.017.104/000168 e Akzo Nobel Coatings Ltda, CNPJ 43.221.084/000104, não apresentaram DIRF onde a contribuinte constasse como beneficiária. 41. Observase também que as duas empresas eram ligadas a reclamante tendo sido, inclusive, incorporadas pela contribuinte, no mesmo dia, em 02/04/2001, conforme pesquisa nos sistemas CNPJ de fls. 529 a 531 e que os rendimentos supostamente pagos Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 8 com retenção na fonte, tem o código 3426, ou seja, rendimentos de renda fixa. Como as duas empresas não são entidades financeiras, provavelmente se tratava de operações de mútuo. 42. Ocorre que, em empresas ligadas, a simples apresentação de comprovante de rendimentos ou mesmo da DIRF não é suficiente para comprovar a retenção em fonte, devendo também ser apresentada prova do recolhimento aos Cofres Públicos do IRRF correspondente aos valores reclamados pela contribuinte. 43. Como as duas empresas em questão, nem sequer apresentaram DIRF e não há qualquer comprovação do recolhimento ou mesmo compensação do IRRF correspondente aos supostos rendimentos pagos, não há como reconhecer o valor de R$ 888.088,72 como IRRF supostamente retido pelas empresas Intervet e Akzo Nobel Coatings. 44. Relativamente à questão da DCTF, onde a empresa declara ter havido preenchimento incorreto da mesma, que apontou um débito de R$ 1.171.287,06 e que contribuinte alega que o auditor fiscal utilizou esse valor para chegar a conclusão que a empresa não detinha qualquer crédito passível de ser tributado, não assiste razão a empresa. 45. De fato, o auditor fiscal no quadro de fls. 194, apenas utilizou o valor de R$ 1.171.287,06, na parte da tabela, a esquerda, onde coloca os valores informados pela própria empresa, sem, todavia utilizálos para o cálculo do crédito da contribuinte. Se a empresa tivesse examinado cuidadosamente, veria que o auditor fiscal limitouse a utilizar, no quadro do item 50, fls 194, que foi reproduzido aqui no parágrafo 18, os valores constantes na apuração do imposto de renda devido da DIPJ onde, em dezembro foi apurado imposto a pagar no valor de R$ 1.039.394,58 (imposto + adicional) e deduzir desse valor, os valores comprovados de IRRF, recolhidos em DARF e incentivos fiscais, apurando imposto a pagar e não a recolher. 46. Observese que o valor de IRRF de R$ 888.088,72 não foi confirmado e parte da compensação feita com saldo negativo de ano anterior (1999) tampouco pode ser feita na integra, em virtude de não haver saldo credor suficiente em 1999, conforme apurado anteriormente. 47. Desse modo está correto o cálculo efetuado pelo auditor fiscal que, ao contrário do que alega a empresa, não decidiu simplesmente que não havia saldo negativo passível de utilização, pois apresentou detalhadamente o demonstrativo do cálculo do Despacho Decisório, cujos valores reproduzemse aqui, novamente, para maior clareza: ITEM DESCRIÇÃO VALOR DECLARADO 01 A ALÍQUOTA DE 15% R$ 638.036,75 02 A ALÍQUOTA DE 6% R$ ‐ 03 ADICIONAL R$ 401.357,83 05 (‐) PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR R$ 25.521,47 13 (‐) IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE R$ ‐ (‐) IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA R$ 481.094,55 (DIRF) + R$ 80.481,41 (DARF) + R$ 65.822,21 (comp com 1999) Total R$ 627.398,17 17 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR R$ 386.474,94 Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11831.003834/200361 Acórdão n.º 1201001.032 S1C2T1 Fl. 6 9 Desse modo, comprovase que não haver qualquer correção a ser feita nos cálculos efetuados pelo auditor fiscal. Anocalendário 2001 48. Relativamente ao valor de R$ 104.895,81, que não foi confirmado em DIRF, de rendimentos com retenção de IRRF e que consta como CNPJ da empresa retentora, o próprio CNPJ da reclamante, a empresa declara, um tanto confusamente, que "Tratase, por óbvio,de equivoco quando ao fato. As retenções foram sofridas (i) pelo CNPJ 43.221.084/000104, incorporado pela Manifestante, bem como (ii) pelo próprio Manifestante, por pagamentos efetuados pela fonte Eka Chemicals CNPJ 43.818.418/000113. Restabelecese, assim, o valor de R$ 104.895,81 do direito creditório." 49. Esclarecese primeiro à douta contribuinte que retenções sofridas por empresa incorporada não são passiveis de serem aproveitadas pela incorporadora, pois o IRF retido sobre qualquer rendimento constitui mera antecipação do imposto devido, por ocasião do ajuste anual. Somente saldos negativos apurados por ocasião desse ajuste anual são passiveis de serem aproveitados pela empresa sucessora. Cabe lembrar também que essa retenção poderia ter sido utilizada pela empresa incorporada por ocasião da declaração de encerramento da empresa, na incorporação. 50. Quanto à suposta retenção efetuada pela própria reclamante, sobre supostos rendimentos pagos pela empresa Eka Chemicals CNPJ 43.818.418/000113, não foram acostados qualquer comprovação do que alega pois o suposto recolhimento não consta em DIRF e a empresa também não apresentou qualquer evidência que o rendimento seria da empresa Eka pois o simples fato de riscar, à lápis, a ficha 42 da DIPJ (fls. 462) não constitui prova do alega, devendose ser desconsideradas suas alegações. 51. Quanto aos rendimentos de aplicações em contratos de SWAP que a empresa alega ter declarado, por engano, à linha 24 da Ficha 06 A na DIPJ 2002, anocalendário 2001, ao invés de declarálos à linha 21 da mesma ficha, assiste razão a empresa, pois conforme se observa que os rendimentos estão declarados à ficha 43 (fls. 461 a 462), a reclamante apresentou os comprovantes de rendimentos relativos às essas aplicações (fls. 490 a 493, 497 e 499), e os valores oferecidos à linha 24 da ficha 06 A, são compatíveis com os valores dos rendimentos de renda fixa somados com os rendimentos de aplicações de SWAP, devendose aceitar as alegações da contribuinte. 52. Assim é de se reconhecer o valor de R$ 1.673.952,62 como IRRF passível de ser utilizado na DIPJ 2002, anocalendário 2001. 53. Como o auditor fiscal já havia apurado saldo negativo para esse ano calendário, no valor de R$ 183.145,19, ou seja, não havia saldo positivo de IRPJ, o valor do IRRF reconhecido passa a ser o valor do crédito passível de ser compensado pela contribuinte, além dos R$ 183.145,19 já reconhecidos. Com base nos argumentos supra, a decisão da DRJ SP foi proferido de maneira a acolher parcialmente a manifestação de inconformidade, apenas para reconhecer o valor creditório de R$ 1.673.952,62, relativo ao saldo negativo de IRPJ da DIPJ/2002, ano Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 10 calendário de 2001, corrigido pela taxa Selic e homologando as compensações declaradas até o limite desse crédito reconhecido. Contra referido acórdão, o ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual ratifica os termos da Impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e encontrase revestido das formalidade legais, atendendo os pressupostos de admissibilidade, dela se conhecendo. Passo, portanto, ao exame do processo, consoante os argumentos aduzidos na impugnação e no Recurso Voluntário. Da Alegada Decadência A ora Recorrente alega que o Fisco não poderia retroagir a fatos ocorridos há mais de 05 anos para fundamentar a glosa das compensações efetuadas, pois, operada a Decadência. Certamente, falta razão à Recorrente. Isso porque, o prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN, alcança tão somente o direito do Fisco efetuar o lançamento de crédito tributário relacionado ao período decaído. Neste sentido, não há qualquer impedimento legal para que o Fisco analise e, eventualmente, glose, atos praticados pelo Contribuinte há mais de 05 (cinco) anos e que gere efeitos tributários em períodos ainda não alcançados pela Decadência. Não fosse assim, seria aberta uma janela absurda de oportunidade aos Contribuintes que, poderiam apresentar Pedidos de Restituição baseados em períodos próximos de completar 05 anos e, após o efetivo alcance de 05 anos do fato gerador do crédito, efetuar o Pedido de Compensação. Nesta situação, caso seguido o racional apresentado pela ora Recorrente, não restaria outra saída ao Fisco senão de homologar toda e qualquer compensação nesta situação. Assim, tenho firme o entendimento de que, independentemente de quando ocorreu o fato que deu origem ao crédito, o Fisco contará com o prazo de 05 (cinco) anos para homologar ou não a compensação apresentada, conforme disposto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96. Desta sorte, afasto a alegação de decadência. Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11831.003834/200361 Acórdão n.º 1201001.032 S1C2T1 Fl. 7 11 Superada tal questão, devemos avaliar os fatos ocorridos em cada ano calendário, vejamos: 1998 Tratase de compensação de R$ 22.796,86 que fora informada em DIPJ mas que, no entanto, não foi corretamente formalizada na DCTF. Conforme bem destacado pela decisão da DRJ, temos que a Ficha 12 Calculo do Imposto de Renda por Estimativa da DIPJ/1999, indica na apuração do mês de março, o valor de R$ 22.796,86, que a ora Recorrente alega tratarse de compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998. Contudo a correspondente DCTF não aponta qualquer compensação efetuada nesse período. Em outras palavras, a compensação apresentada pela ora Reclamada não se encontra vinculada a qualquer crédito detida por esta, o que dificulta a análise da compensação e impossibilita sua aceitação. De fato, o Fisco considera tão somente as informações apresentadas pela contribuinte na DCTF e na DIPJ, não cabendo ao Fisco incluir por iniciativa própria, valores além daqueles constantes nas mencionadas declarações. O procedimento deve se limitar a verificar se os montantes declarados estão corretos e, em caso de inconsistência de saldo devedor, passível de restituição ou compensação, os valores são corrigidos, como é o caso ora em discussão, onde a pretendida compensação foi desconsiderada por não haver qualquer vinculação formal (através da DCTF ) a qualquer crédito. Assim, em relação a este ponto, a decisão da DRJ deve ser mantida. 1999 Neste ponto, a decisão da DRJ, desfavorável à Reclamada, fundamentase no fato de que a utilização de IRRF na fonte sobre pagamentos recebidos das empresas: Hoechst Roussel Vet S/A CNPJ 33.017.104/000168 e Eka Chenicals do Brasil S/A já foram considerados pelo auditor fiscal, pois constam no Sistema SIEF/DIRF, conforme fls. 60 e 61. A empresa Proquimio Produtos Químicos Opoterápicos Ltda, não indicou, porém em DIRF a reclamante como beneficiária. Além disso, a ora Reclamada, embora clame seu direito ao crédito desses informes de rendimentos, dos quais dois já haviam sido considerados pelo auditor fiscal, não foi capaz de demonstrar o oferecimento dos rendimentos correspondentes à tributação, pois não há, nos autos do processo, o demonstrativo dos valores que compuseram o valor declarado linha 24 da Ficha 06 A da DIPJ/2000, anocalendário 1999, não havendo prova que esses rendimentos tenham sido oferecidos à tributação. A Recorrente não traz qualquer argumento relevante em relação a este ponto, limitandose a ratificar os argumentos apresentados em Impugnação no sentido de que a diferença entre o montante do crédito tributário apurado e informado em DIPJ (AC 99) e o valor apurado pela fiscalização recairia especificamente sobre o valor alocado na linha 16 — Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 12 Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa, da Ficha 13A — Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real. De qualquer forma, os fundamentos da decisão da DRJ não foram combatidas pela Recorrente, que não conseguiu comprovar que os referidos comprovantes das empresas Hoechst Roussel Vet S/A e Eka Chenicals do Brasil S/A não ainda teriam sido considerados pelo Fisco ou mesmo que a empresa Proquimio Produtos Químicos Opoterápicos Ltda teria sido indicado os valore retidos na respectiva DIRF. Desta sorte, não merece qualquer reparo a decisão da DRJ em relação ao presente ponto. 2000 Tratase de IRRF relacionada às empresas Intervet S/A, CNPJ 33.017.104/000168 e Akzo Nobel Coatings Ltda, CNPJ 43.221.084/000104, não reconhecido pela decisão da DRJ, em razão das mencionadas fontes pagadoras não terem apresentado tal IRRF em DIRF onde a ora Reclamada constasse como beneficiária. Segundo a DRJ, como as duas empresas em questão, nem sequer apresentaram DIRF e não há qualquer comprovação do recolhimento ou mesmo compensação do IRRF correspondente aos supostos rendimentos pagos, não há como reconhecer o valor de R$ 888.088,72 como IRRF supostamente retido pelas empresas Intervet e Akzo Nobel Coatings. Neste ponto, merece reparo a decisão da DRJ. Isso porque, não importa se as fontes pagadoras informaram adequadamente os valores de IRRF em DIRF ou, mesmo, tenham comprovado o efetivo recolhimento. Fato é que, segundo o disposto na IN/RFB 119/2000, o Comprovante de Rendimento é o documento necessário e suficiente para a comprovação da retenção pelo beneficiário: Art. 4º O Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica será utilizado para comprovar o imposto de renda retido na fonte a ser deduzido ou compensado pela beneficiária dos rendimentos ou a ela restituído. Neste sentido, recente julgado da 1. Seção (1. Turma Especial): Processo nº 13888.900586/200611 Acórdão nº 1801001.369 – 1ª Turma Especial Sessão de 09 de abril de 2013 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário 2002 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação da cópia da DIPJ não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11831.003834/200361 Acórdão n.º 1201001.032 S1C2T1 Fl. 8 13 O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.Considerando que os respectivos Informes de Rendimentos foram juntados aos autos (fls. 889 e 891), comprovadas estão as retenções e garantido está o direito da ora Recorrente de utilizar o crédito correspondente. Neste ponto, a decisão da DRJ deve ser reformada para que se reconheça o crédito total de IRRF no valor de R$ 888.088,72. 2001 Assim como ocorreu em relação ao IRRF referente ao anobase de 2000, temos que, no ano de 2001, restaram comprovadas as retenções realizadas pela empresa Eka Chemicals, incrita no CNPJ 43.818.418/000113, através do Comprovante de Retenção de fls. 973 no valor de R$ 63.526,41, bem como pela empresa Akzo Nobel Coatings Ltda., no valor de R$ 41.369,82 (fls. 492). Tais comprovantes, como exposto no tópico anterior, são suficientes para comprovar as retenções realizadas no valor total de R$ 104.895,81. . Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e no mérito DOU PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer o valor creditório de R$ 888.088,72 referente ao IRRF retido no anocalendário de 2000 e de R$ 104.895,81, relativo à retenção realizada em 2001, devidamente corrigidos pela taxa Selic e, por conseqüência, homologar as compensações declaradas até o limite dos créditos reconhecidos. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Voto Vencedor Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Designado Em que pese os bem construídos argumentos trazidos pelo Relator, vislumbro solução jurídica distinta para o caso em apreço, somente em relação aos créditos aceitos referentes aos anoscalendário de 2000 e 2001. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 14 Para ambos os casos pareceme que a questão versa sobre o nível de comprovação necessário para o aproveitamento dos créditos. Não há dúvidas de que os créditos pleiteados pelo Contribuinte devem ser líquidos e certos, como determina o artigo 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Entendeu o Relator que a apresentação do Comprovante de Rendimentos, pela interessada, seria condição necessária e suficiente para o cumprimento da exigência legal. Todavia, ouso discordar. Para o anocalendário de 2000, assim se manifestou a decisão recorrida: Quanto ao anocalendário de 2000, os rendimentos com retenção de fonte que a empresa reclama não terem sido computados na apuração do IRRF a que teria direito, observase que as empresas Intervet S/A, CNPJ 33.017.104/000168 e Akzo Nobel Coatings Ltda., CNPJ 43.221.084/000104, não apresentaram DIRF onde a contribuinte constasse como beneficiária. Observase também que as duas empresas eram ligadas à reclamante tendo sido, inclusive, incorporadas pela contribuinte, no mesmo dia, em 02/04/2001, conforme pesquisa nos sistemas CNPJ de fls. 529 a 531 e que os rendimentos supostamente pagos com retenção na fonte, tem o código 3426, ou seja rendimentos de renda fixa. Como as duas empresa não são entidades financeiras, provavelmente se tratava de operações de mútuo. Ocorre que, em empresas ligadas, a simples apresentação de comprovante de rendimentos ou mesmo da DIRF não é suficiente para comprovar a retenção em fonte, devendo também ser apresentada prova do recolhimento aos Cofres Públicos do IRRF correspondente aos valores reclamados pela contribuinte. Como as duas empresas em questão, nem sequer apresentaram DIRF e não há qualquer comprovação do recolhimento ou mesmo compensação do IRRF correspondente aos supostos rendimentos pagos, não há como reconhecer o valor de R$ 888.088,72 como IRRF supostamente retido pelas empresas Intervet e Akzo Nobel Coatings. Entendo que não merece qualquer reparo a decisão e seus fundamentos. A certeza e a liquidez dos créditos pleiteados, como reclama a legislação, devem ser comprovadas por documentos hábeis, notadamente aqueles capazes de demonstrar o efetivo recolhimento dos montantes aos cofres públicos. Sem a comprovação dos recolhimentos não há de se falar em indébito, devendo ser afastada, por insuficiência de provas, a pretensão da Recorrente. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Processo nº 11831.003834/200361 Acórdão n.º 1201001.032 S1C2T1 Fl. 9 15 Ressaltese que em razão da incorporação promovida pela própria interessada, entendo que não haveria grandes dificuldades em colacionar e trazer aos autos os documentos pertinentes. Como não foram apresentados quaisquer documentos junto com o Recurso Voluntário, entendo correta a decisão de 1a instância. Igual circunstância se apresenta para o anocalendário de 2001. De acordo com os fundamentos da decisão recorrida: Relativamente ao valor de R$ 104.895,81, que não foi confirmado em DIRF, de rendimentos com retenção de IRRF e que consta como CNPJ da empresa retentora, o próprio CNPJ da reclamante, a empresa declara, um tanto confusamente, que "Tratase, por óbvio,de equívoco quando ao fato. As retenções foram sofridas (i) pelo CNPJ 43.221.084/000104, incorporado pela Manifestante, bem como (ii) pelo próprio Manifestante, por pagamentos efetuados pela fonte Eka Chemicals CNPJ 43.818.418/000113. Restabelecese, assim, o valor de R$ 104.895,81 do direito creditório." Esclarecese primeiro à douta contribuinte que retenções sofridas por empresa incorporada não são passíveis de serem aproveitadas pela incorporadora, pois o IRF retido sobre qualquer rendimento constitui mera antecipação do imposto devido, por ocasião do ajuste anual. Somente saldos negativos apurados por ocasião desse ajuste anual são passíveis de serem aproveitados pela empresa sucessora. Cabe lembrar também que essa retenção poderia ter sido utilizada pela empresa incorporada por ocasião da declaração de encerramento da empresa, na incorporação. Quanto a suposta retenção efetuada pela própria reclamante, sobre supostos rendimentos pagos pela empresa Eka Chemicals CNPJ 43.818.418/000113, não foram acostados qualquer comprovação do alegado, pois o suposto recolhimento não consta em DIRF e a empresa também não apresentou qualquer evidência que o rendimento seria da empresa Eka pois o simples fato de riscar, à lápis, a ficha 42 da DIPJ (fls. 462) não constitui prova do alegado, devendose ser desconsideradas suas alegações. Neste ponto, na esteira do que já aduzimos, entendo que a mera apresentação do Comprovante de Rendimentos não basta para a demonstração do direito creditório. Como nos tópicos anteriores, inclusive na forma parcialmente reconhecida pelo Relator, carece o processo de provas hábeis para fundamentar a pretensão da Recorrente, razão pela qual a decisão de 1a instância não merece reparos. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO 16 É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida, Relator Designado Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Ass inado digitalmente em 30/06/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.011293/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (proc jud não comprova) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fático-probatório trazido aos autos.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.204
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado REXAM BEVERAGE CAN SOUTH AMERICA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Deve ser cancelado o auto de infração quando a motivação do lançamento (“proc jud não comprova”) não se mostrou verdadeira, notadamente em face do conteúdo fáticoprobatório trazido aos autos. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 12 93 /2 00 2- 11 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial de divergência fundado no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão no 340300.079, de 14/08/2009, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para cancelar auto de infração eletrônico por erro de motivação, consistente na indicação de processo judicial inexistente, posteriormente, em impugnação, comprovado existente. O Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo à Cofins fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna “proc.jud. não comprovado”. lrresignada, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em preliminar, que o auto de infração é nulo por não conter a descrição dos fatos, apoiando o pleito em acórdãos dos Conselhos de Contribuintes. A PGFN argumenta que não houve alteração na motivação do lançamento e, mesmo que houvesse, qualquer novo fundamento suscitado pelo contribuinte não teria o condão de modificar a situação prática verificada no processo administrativo, pois o lançamento é uma imposição legal. Em resumo, nas contrarazões, a empresa repisa seus argumentos do recurso Voluntário, pugnando pela nulidade do lançamento, quer por desatendimento dos requisitos essenciais previstos no art. 10º do Decreto n° 70.235/72. É o relatório Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. Com efeito, no presente caso, houve inovação na matéria que foi objeto de apreciação nos autos. Foi trazida uma matéria jurídica não presente originariamente. Esse fato Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10768.011293/200211 Acórdão n.º 9303003.204 CSRFT3 Fl. 714 3 traz um inaceitável cerceamento ao direito de defesa. O contribuinte se defende dos fatos e não do direito. Assim, se houvesse mera modificação da fundamentação legal, não haveria que se falar em nulidade do lançamento, o que não ocorreu na presente lide. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato ( auto de infração). A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. De fato houve uma afronta à legislação tributária e processual tributária que deve ensejar a anulação do auto de infração nos exatos termos do acórdão recorrido. Examinando situação semelhante a esta, a eminente Conselheira Maria Teresa Martinez López assim se manifestou (Acórdão nº 20217.721, de 25/05/2006): "A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por um vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado no auto de infração, não pode. Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 definida e o vício apurado não seria apenas deforma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, por meio da descrição dos fatos, revelamse os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. Ainda acerca da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento, cabe acrescentar colação os acórdãos abaixo: "Acórdão n° 10320.074 (Rec. 118.581), sessão de 19/8/99. Ementa: É vedado à Autoridade Julgadora o aperfeiçoamento do lançamento em face da previsão legal atribuindo tal atividade à Autoridade Lançadora. Publicado no DOU de 8/10/99 n° 194E. Acórdão n° 10320.754 (Rec. 125.219), sessão de 17/10/01 (DOU de 12/12/01). Ementa: (.) IRPJ Inovação quanto ao Lançamento no Ato Decisório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Impossibilidade. 0 deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe cabendo aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. CSSL Erro na Apuração da Base de cálculo Impossibilidade de Aperfeiçoamento por este órgão Julgador. Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para a fixação da base de cálculo da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido. (.) Recurso conhecido e provido em parte. Acórdão n° 10706.463 (Rec. 127.319), sessão de 7/11/01. Ementa:Processo Administrativo Fiscal Auto de Infração. Não deve subsistir o Auto de Infra cão que não contenha exigências tributárias, nem mesmo relativas à redução no estoque de prejuízos a compensar. Se houve erro em sua lavratura não cabe ao órgão julgador o seu aperfeiçoamento." Do exposto, voto pelo não provimento do presente recurso, mantendose, na íntegra, a decisão do colegiado a quo. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10768.011293/200211 Acórdão n.º 9303003.204 CSRFT3 Fl. 715 5 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001488/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/07/2009
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário com postagem após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2301-003.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/07/2009 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário com postagem após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-04-10T20:59:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-04-10T20:59:04Z; Last-Modified: 2015-04-10T20:59:04Z; dcterms:modified: 2015-04-10T20:59:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-04-10T20:59:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-04-10T20:59:04Z; meta:save-date: 2015-04-10T20:59:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-04-10T20:59:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-04-10T20:59:04Z; created: 2015-04-10T20:59:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2015-04-10T20:59:04Z; pdf:charsPerPage: 1695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-04-10T20:59:04Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. 132 1 131 S2-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.001488/2010-75 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 2301-003.890 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO - ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS Recorrente MUNICÍPIO DE FELIXLÂNDIA - PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/07/2009 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário com postagem após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 10/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Fábio Pallaretti Calcini, Luciana de Souza Espindola Reis, Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Relatório Adoto o relatório de fls. 90/91: “Trata-se de crédito previdenciário lançado pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, apurado no periodoi01/2006 a 12/2008 e 07/2009, cujo montante consolidado em 20/10/2010 é de R$ 70.377,18 (setenta mil, trezentos e setenta e sete reais e dezoito centavos). De acordo com a fiscalização, constatou-se que o sujeito passivo enviou GFIPs - Guias de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social, informando os segurados obrigatórios, suas remunerações, assim como outros dados cadastrais, deixando de informar os prestadores de serviços - pessoas físicas (contribuintes individuais) discriminados no Anexo I (fls. 55/58), parte integrante do relatório Fiscal. O lançamento refere-se As contribuições patronais devidas A Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, que são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social - RGPS. Inclui, ainda, diferença das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho- GILRAT14 incidentes sobre as remunerações dos servidores Contratados e comissionados de recrutamento amplo do Município de Felixlândia, calculadas no período com o percentual de 1% (um por cento), quando a alíquota correta seria 2% (dois por cento), nos termos dos artigos 2° e 5° do Decreto n° 6.042 de 12/12/2007 com redação dada pelo Decreto n° 6.957 de 09/09/2009. Serviram de base para o lançamento , os valores constantes da escrituração contábil da Prefeitura Municipal, relativos ao pagamento/crédito efetuado a prestadores de serviços pessoas físicas pelos serviços de assessoria jurídica, assistência técnica em torre receptora e conserto de máquinas, não declarados em GFIPs. Em observância ao previsto no art. 106, inciso II, "c" do CTN, foi aplicada a multa mais benéfica ao Contribuinte, conforme planilha (ANEXO II) constante às fls. 59/60 do Auto de Infração. O Município de Felixlândia, representado pelo Prefeito Municipal, sr. Marconi Antônio da Silva, apresentou impugnação, consoante fls 66/79, alegando as razões a seguir expostas. Aduz que, ao contrário do que disse a fiscalização, cumpriu com sua obrigação legal: Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13609.001488/2010-75 Acórdão n.º 2301-003.890 S2-C3T1 Fl. 133 3 Em relação ao Sr. Eurico Rubens Brandão Bittencourt, prestador de serviços de assessoria jurídica, o Município absteve-se de fazer o desconto previdenciário devido, uma vez que este apresentou declaração, cuja cópia encontra-se anexa, de que A época contribuía em teto máximo para o INSS, no período 2005/2008, com descontos efetuados em seus honorários na Câmara Municipal de Paraopeba/MG, Prefeitura Municipal de Inimutaba/MG. Em relação ao prestador de serviços de médico plantonista, sr. Denisley Aguiar Rezende, foi efetuada a declaração na GFIP conforme relação de prestador de serviços, com cópia anexa, encaminhada pelo Setor de Contabilidade A Divisão de Pessoal, no período de 01/01/2009 a 31/01/2009. Houve um equivoco da informação repassada pela Contabilidade, que informou o valor de contribuição sobre o teto máximo, em relação nota de empenho n° 200800003653, recolhendo R$ 334,28 (trezentos e trinta e quatro reais e vinte e oito centavos), sem nenhum prejuízo ao INSS, que teve seu recolhimento efetuado no limite legal. Diz que o recolhimento mencionado no Anexo I do presente Auto de Infração não corresponde a nota de empenho n°200800003653. Em relação ao prestador de serviços de assistência e manutenção técnica em torre, Sr. Aldemir Barbosa da Silva, conforme relação de prestadores de serviços com cópia anexa, em relação a nota de empenho 200900002219, o recolhimento foi devidamente efetuado em 09/2009. Assim, contesta integralmente o lançamento do débito e requer o cancelamento do mesmo. Por último, solicita a oitiva do Contador Municipal e do Representante da Divisão de Pessoal do Município, cuja qualificação será oportunamente fornecida, caso a prova documental não seja suficiente para o atendimento do pedido. As fls. 80/81, o autuado foi intimado a apresentar documentos de identificação do signatário da impugnação, tendo sido atendida a intimação conforme documentação de fls. 82/85.” Por meio do acórdão 02-33.309 – 6ª Turma da DRJ/BHE [fls. 89/93], a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por procedente o lançamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/07/2009 ÓRGÃO PÚBLICO. Os órgãos da administração pública direta são considerados empresa, nos termos da legislação previdenciária. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A empresa é legalmente obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Município foi devidamente intimado do acórdão supra que manteve o crédito na data de 29/11/2011, porém, conforme “Histórico do Objeto” – RQ613646151BR (correios), o recorrente postou seu recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF apenas na data de 03/01/2012, portanto, intempestivo. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator Conforme relatado acima, a pessoa jurídica foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 02-33.309 – 6ª Turma da DRJ/BHE [fls. 89/93], de 7 de julho de 2011, em 29/11/2011, conforme o Aviso de Recebimento (AR), e, o recurso voluntário entregue na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte foi postado em 03/01/2012 (objeto RQ613646151BR), conforme despacho expedido pela DRJ/BHE, constante do relatório acima. É certo que, o prazo de trinta dias é contado de acordo com o critério previsto no artigo 210 do CTN e 66 da Lei nº 9.784/99, excluindo-se o dia do recebimento da intimação e incluindo-se o último. Com efeito, o início da contagem do prazo recursal ocorreu em 30/11/2011 (quarta-feira), porém, o recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fora postado somente em 03/01/2012, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo final o dia 29/12/2011 (quinta-feira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto para NÃO CONHECÊ-LO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 13609.001488/2010-75 Acórdão n.º 2301-003.890 S2-C3T1 Fl. 134 5 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Voto
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Numero do processo: 10830.720876/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CONEXÃO. REGRA APLICÁVEL.
O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º).
Numero da decisão: 1103-001.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/2010-53, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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REGRA APLICÁVEL. O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/201053, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 08 76 /2 01 1- 18 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.720876/201118 Acórdão n.º 1103001.021 S1C1T3 Fl. 361 2 Relatório Tratase de PER/Dcomp (fls.02/37), de 13/12/07, 25/2/08, 28/3/08, 8/5/08, 25/6/08, 13/1/09 e 19/4/10, sendo a origem do direito creditório saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/06. Por meio do Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS nº 0483/11, de 6/5/11 (fls.77/79), cientificado ao contribuinte em 19/5/11 (fl.81), as compensações não foram homologadas com base nos seguintes fundamentos, in verbis: “[...] Pelo que encerra o processo em foco, cumpre inicialmente analisar a existência do alegado indébito. ..... Entretanto, analisandose o disposto no Sistema SAPLI, que reproduz os resultados de ações de fiscalização sobre o prejuízo fiscal e as bases de cálculo negativas do IRPJ e da CSLL apurados pelos contribuintes, observase que, por meio do procedimento fiscal constante dos autos do processo administrativo nº 16643.000274/201053, a autoridade administrativa responsável pelo feito adicionou R$99.177.173,93 à rubrica Lucro Real Antes da Compensação (Ficha 09A, Linha 42), passando tal conta a ter o valor de R$133.768.082,40. Em adido, alterou o campo Compensação de Prejuízos Fiscais de P.A. Anteriores – Atividades em Geral P.A. 1996 a 2006 (Ficha 09A, Linha 43) de R$ 10.377.272,53 para R$33.505.654,06. Do Termo de Verificação Fiscal extraído dos autos da aludida peça administrativa, temse que as supracitadas alterações advieram de redução tributária ocasionada por indevidas escriturações de despesas de amortização de ágio nos anos calendário 2005, 2006, 2007 e 2008. Como conseqüência, no que tange ao anocalendário em foco (2006), constatouse que a base de cálculo do IRPJ, apurada na respectiva DIPJ, estava maculada, inferior à real. ..... Dessa forma, o saldo de IRPJ apurado passa de um valor negativo (creditório) de R$ 19.204.685,43, para um positivo (devedor) de R$ 1.590.746,91. Conseqüentemente, concluise inexistir, de fato, saldo negativo de IRPJ para o anocalendário em questão, pelo que não há se falar em crédito compensável e, por conseguinte, em homologação de compensação.” (destaquei) Em primeira instância, a Quarta Turma da DRJ – Campinas (SP) reconheceu valores maiores a título de recolhimentos de estimativas e de IRRF, o que resultou, ainda assim, em IRPJ a pagar no montante de R$ 317.852,03 ao final do anocalendário, conforme acórdão de fls.290/308, que recebeu a seguinte ementa: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.720876/201118 Acórdão n.º 1103001.021 S1C1T3 Fl. 362 3 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. BASE DE CÁLCULO. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de ofício, relativo à base de cálculo do tributo no mesmo período, objeto de julgamento em outro processo. ANTECIPAÇÕES. IRRF. Para utilização do IRPJ retido na fonte como dedução na apuração do imposto ao final do período, faz se necessário que, além da tributação dos correspondentes rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em DIRF, conforme adotado no presente caso, diante da não apresentação de informes. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Não sendo possível verificar a certeza e liquidez do crédito em litígio, condição sine qua non para a homologação das compensações em análise, conforme dicção do art. 170 do Código Tributário Nacional, resta inviável o reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Devidamente cientificado da decisão em 30/8/12 (fl.312), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 28/9/12 (fls.314/331) em que sustenta, em síntese: (a) a necessidade de apensamento do processo nº 16643.000274/201053 ou o sobrestamento da presente análise, “...visando a garantir a prolação de decisões compatíveis e eficazes”; e (b) o reconhecimento de parcela das estimativas mensais. Consta dos autos petição protocolizada em 1º/11/13, em que o Recorrente requereu a distribuição dos autos ao Cons. Valmir Sandri, relator do processo nº 16643.000274/201053, ou o sobrestamento do julgamento (fls.343/347): “[...] Como é possível observar, o presente feito guarda evidente conexão por continência com o processo n" 16643.000274/2010 53, motivo este que faz necessária a análise e o julgamento em conjunto, em clara observância ao principio da eficiência da Administração Pública. ..... Diante do acima exposto, a Recorrente requer que seja o presente processo administrativo distribuído ao Dr. Valmir Sandri da Primeira Turma, da Terceira Câmara, da 1ª Seção Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.720876/201118 Acórdão n.º 1103001.021 S1C1T3 Fl. 363 4 deste E. Conselho para julgamento conjunto com o processo administrativo 16643.000274/201053 (auto de infração), evitandose assim a prolação de decisões administrativas inconsistentes. Caso assim não entenda V.Sa., a Recorrente requer que seja determinado o sobrestamento do julgamento do presente processo apensado até o julgamento final do processo administrativo prejudicial (16643.000274/201053).” Em 17/3/14, o Recorrente reiterou seus pedidos alternativos de redistribuição dos autos ao Cons. Valmir Sandri ou de sobrestamento até o julgamento final do processo administrativo nº 16643.000274/201053 (fls.353/358). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Como relatado, na apuração de 31/12/06 a fiscalização adicionou o montante de R$ 99.177.173,93 à base de cálculo e procedeu a ajustes na compensação de prejuízos fiscais apurados em períodos pretéritos, o que resultou em IRPJ a pagar de R$ 1.590.746,91, em vez do saldo negativo pleiteado. Vêse, portanto, que a presente controvérsia, relacionada às compensações requeridas, não se resolve sem que antes a apuração ao final do anocalendário 2006 esteja integralmente equacionada, o que inclui a apreciação das glosas de despesas, matéria objeto de apreciação no processo nº 16643.000274/201053. Ou seja, a análise do direito creditório pleiteado, a ser empregado nas compensações declaradas, apenas poderá ser realizada após a decisão proferida naquele mencionado processo, especificamente no que concerne às glosas de despesas com amortização de ágio que impactaram exatamente na apuração daquele anocalendário 2006. É possível se entender, na espécie, pela caracterização de conexão por prejudicialidade, no caso homogênea (infração tributária apurada em um determinado ano calendário a influenciar na apreciação de compensações com direito creditório relacionado ao mesmo período de apuração, objeto de outro processo tramitando no mesmo órgão). Conforme consulta ao sistema eprocesso, o processo nº 16643.000274/2010 53 foi distribuído em 7/12/12 ao Cons. Valmir Sandri, bem antes, portanto, do sorteio dos presentes autos. Isto posto, duas soluções apresentamse para o presente caso: ou se aguarda o desfecho daquele processo na Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara para se analisar os efeitos da decisão que vier a ser proferida, o que implicará o sobrestamento quanto às compensações; ou se encaminha os presentes autos para julgamento conjunto, considerando Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.720876/201118 Acórdão n.º 1103001.021 S1C1T3 Fl. 364 5 que o processo nº 16643.000274/201053 foi distribuído antes para aquele colegiado, tendo o respectivo Relator, Cons. Valmir Sandri, conhecido primeiro da matéria. Em que pese a adoção da primeira solução ser defensável, depõe contra a garantia constitucional da razoável duração do processo, pois apenas após o trânsito em julgado do acórdão proferido naquele processo é que se poderá destravar o curso da análise das compensações. A seu turno, a segunda possibilidade permite, por exemplo, que os processos tramitem conjuntamente e que as decisões sejam proferidas pelo mesmo colegiado, sem o risco de serem conflitantes, tudo em prestígio à segurança jurídica. O Regimento Interno do CARF (Anexo II), ao tratar da conexão, dispôs que em tal situação os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio. O processo relativo às compensações deveria, então, ter sido distribuído juntamente com aquele que tratou especificamente das glosas de despesas e do ajuste nos prejuízos fiscais acumulados, a repercutirem diretamente na apuração ao final do anocalendário 2006. Vejamos: “Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. ..... Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.” (destaquei) Pelo exposto, com fulcro no artigos 47 e 49, §7º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, VOTO no sentido de encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/201053. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 364DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 15374.903123/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.143
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 16/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 585DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.903123/200899 Resolução n.º 330200.143 S3TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem retratar a matéria a ser analisada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n°03124.24444.131103.1.3.049994, em 13/11/2003, de crédito no valor de R$ 17.228,64, referente a recolhimento que teria sido efetuado a maior, em 14/03/2003, a titulo de Contribuição para o PIS (0(1.8109), atinente ao período de apuração 02/2003, com débito(s) de Contribuição para o PIS (0(1.6912) referente(s) ao(s) período(s) de apuração 10/2003, no(s) 1 valor(es) de R$ 19.924,92. 2. Por meio do Despacho Decisório n° 757786362, emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da Derat/ Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para guitar outros débitos da Contribuinte. 3 Cientificada, em 05/05/2008 (fl. 07), a Interessada, inconformada, ingressou, em 03/06/2008, com a manifestação de inconformidade de fl. 11, acompanhada da documentação de fls. 12 a 119, na qual alega, em síntese, que: 3.1 0 crédito original informado no PER/DCOMP n° 03124.24444.131103.1.3.049994 no valor de R$ 17.228,64, 6, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado na referida declaração; 3.2 Foi estimado e recolhido o valor da Contribuição para o PIS referente ao mês 02/2003, no montante de R$ 63.255,96; e 3.3 0 valor correto da referida Contribuição corresponde ao informado na DIPJ, no montante de R$ 46.027,32. 4. Em 28/07/08, a Interessada apresenta a petição de fls.120 a 127, dirigida ao Delegado da Derat/RJO, acompanhada da documentação de fls. 128 a 302, na qual: 4.1 Informa sobre a apresentação, em 03/06/2008, de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação informada no PER/DCOMP n° 03124.24444.131103.1.3.049994; 4.2 Ratifica as informações prestadas nessa manifestação de inconformidade, acrescentando que essa suspende a exigibilidade do débito cuja compensação não foi homologada; e 4.3 Requer a suspensão da exigibilidade do referido débito e a determinação para normalização de expedição de certidão, até que seja definitivamente julgada a sua manifestação de inconformidade. A Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro, após analisar os argumentos oferecidos pelo Recorrente, entendeu por bem manter a decisão de não reconhecer o direito creditório pleiteado em decisão que assim ficou ementada: Fl. 586DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.903123/200899 Resolução n.º 330200.143 S3TE03 Fl. 3 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 ONUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente • Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde se reafirma o direito ao crédito pleiteado, fazendo juntar documentos que corroboram seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Como se verifica do relatório produzido pela DRJ o presente processo trata de compensação declarada, cujo crédito utilizado teria sido efetuado a maior no período de apuração 02/2003. Afirma a Recorrente que realizou recolhimento relativo a competência 02/2003, no valor de R$ 63.255,96 e que o valor correto da referida Contribuição seria de R$ 46.027,32, conforme corretamente registrado em sua DIPJ, que fez juntada. A compensação foi indeferida e não houve a homologação da compensação declarada, por despacho decisório emitido eletronicamente, por conta de alegada inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. A DRJ analisou a documentação apresentada e assim se manifestou: Fl. 587DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.903123/200899 Resolução n.º 330200.143 S3TE03 Fl. 4 4 11. Do exame da documentação trazida aos autos pela Interessada (incluindo a apresentada posteriormente A entrega da manifestação de inconformidade) e daquela por mim anexada, verificase que: 11.1 Na última DCTF apresentada A RFB antes de proferido o Despacho Decisório n° 757786362, a Contribuinte informou que o valor da Contribuição para o PIS (cód.8109) referente ao mês 02/2003 seria R$ 63.255,96 (fls. 305/306); 11.2 Na DIpj2004/2003 original, apresentada em 29/06/2004, a Contribuinte informou que o valor da Contribuição para o PIS (cód. 6912) referente ao mês 02/2003 seria R$ 46.027,32 (fls. 44 e 74); 11.3 No Dacon original, apresentado em 31/03/2004, a Contribuinte informou que o valor da Contribuição para o PIS (cód. 6912) referente ao mês 02/2003 seria R$ 56.430,88 (fls. 34 e 42); 11.4 0 Despacho Decisório impugnado foi baseado nas informações fornecidas na DCTF ativa A época em que foi proferido; 11.5 Em 19/07/2008, ou seja, depois de cientificada do Despacho Decisório n° 03124.24444.131103.1.3.049994, a Contribuinte apresentou DCTF e Dacon retificadores nos quais informou, respectivamente, que: 11.5.1 0 valor da Contribuição para o PIS (cód.8109) referente ao mês 02/2003 seria R$ 46.027,32 e que não teria, nesse mês, valor a recolher referente A. Contribuição para o PIS (cód. 6912) (fls. 169 e 211); 11.5.2 0 valor da Contribuição para o PIS (cód. 6912) referente ao mês 02/2003 seria R$ 46.027,32 e que não teria, nesse mês, valor a recolher referente a Contribuição para o PIS (cód.8109) (fls. 258 e 267); 11.6 Ainda há divergência entre as informações fornecidas na DCTF e Dacon retificadores; e 11.7 A documentação contábil de fls. 131 a 157 não comprova as informações contidas na DIPJ, tanto no que se refere às receitas auferidas quanto em relação aos custos e despesas que integram a apuração dos créditos a descontar. Com o Recurso Voluntário vieram aos autos diversos documentos fiscais que podem comprovar a veracidade das afirmações apresentadas pela Recorrente em seu recurso, e a partir de uma análise inicial, contatouse que a diferença entre o valor recolhido inicialmente e o valor que se entende devido decorreria de utilização de créditos de aquisição de insumos que não haviam sido considerados inicialmente. Por este motivo, tendo por norte o principio da Verdade Material que deve nortear o processo administrativo entendo por bem converter o presente julgamento em Fl. 588DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15374.903123/200899 Resolução n.º 330200.143 S3TE03 Fl. 5 5 diligencia, para que a autoridade fiscal verifique a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos lançados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, intimando o se necessário, para apresentar informações e documentos complementares. Do resultado desta diligencia deve ser o Recorrente intimado para se manifestar. Alexandre Gomes Fl. 589DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000827/2009-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/01/2009, 02/03/2009, 09/03/2009, 12/03/2009, 13/03/2009, 17/03/2009, 18/03/2009, 19/03/2009, 24/03/2009, 27/03/2009, 08/05/2009
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/01/2009, 02/03/2009, 09/03/2009, 12/03/2009, 13/03/2009, 17/03/2009, 18/03/2009, 19/03/2009, 24/03/2009, 27/03/2009, 08/05/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 27 /2 00 9- 58 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 504DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ no Recife (PE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/01/2009, 02/03/2009, 09/03/2009, 12/03/2009, 13/03/2009, 17/03/2009, 18/03/2009, 19/03/2009, 24/03/2009, 27/03/2009, 08/05/2009 RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE CONHECIMENTO ELETRÔNICO. Aplicase a multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, para cada deferimento, automático ou não, de retificação extemporânea do manifesto eletrônico, conhecimento Fl. 505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 5 4 eletrônico ou item de carga, mesmo que as cargas tenham sido transportadas em uma mesma embarcação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 517DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000827/200958 Acórdão n.º 3801004.843 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 519DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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