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Numero do processo: 10835.003652/2004-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2003
RECEITAS FINANCEIRAS. ALUGUÉIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. COFINS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO.
A base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, era o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALUGUÉIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. COFINS. REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. A base de cálculo da contribuição para a Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, era o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 36 52 /2 00 4- 79 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10835.003652/200479 Acórdão n.º 9303003.175 CSRFT3 Fl. 583 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial de divergência fundado no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do acórdão no 340300.231, exarado em 02/02/2010, que, aplicando o disposto no art. 26A, § 6º, I do Decreto nº 70.235/72, afastou a aplicação do conceito de faturamento veiculado no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, bem como, excluiu do conceito de faturamento o fornecimento de utilidades a seus filiados mediante contraprestação pecuniária. A irresignação da Fazenda Nacional se volta apenas contra a aplicação da interpretação levada a cabo pelo STF, com efeito limitado às partes, a quem não ocupou o pólo ativo do processo judicial decidido em sede de controle difuso. Foi dado provimento ao recurso voluntário, sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2003 COFINS. ART. 3o , § I o DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, o que, nos termos do art. 26A, § 6o , I do Decreto n° 70.235/72, permite a este conselho administrativo aplicar tal entendimento. ENTIDADES SINDICAIS. FORNECIMENTO DE UTILIDADES A SEUS FILIADOS. CONTRAPRESTAÇÃO. O fornecimento de serviços específicos aos integrantes do quadro da entidade sindical, a exemplo de cópias reprográficas, ainda que haja cobrança, como ressarcimento da respectiva Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10835.003652/200479 Acórdão n.º 9303003.175 CSRFT3 Fl. 584 3 despesa, não descaracteriza a receita como sendo própria da atividade, para fins de isenção. Recurso Provido. Alberga este processo auto de infração lavrado para exigir diferenças de Cofins atinentes à não inclusão, na base de cálculo da exação, de receitas de aluguéis de imóveis, receitas financeiras, donativos e serviços ("xerox"), compreendidas no período 02/1999 a 31/12/2003. Segundo a autoridade lançadora tais receitas não poderiam ser enquadradas como próprias da atividade do sindicato rural, de modo a ensejar a isenção prevista no art. 14, X da Medida Provisória n° 2.15835/2001. É o relatório. Voto A única matéria a ser discutida por esse colegiado é a inclusão de receitas que foram consideradas faturamento pela fiscalização e foram incluidas na base de cálculo da contribuição na lavratura do respectivo auto de infração. As receitas apuradas pela fiscalização e contestadas pelo contribuinte são receitas financeiras e aluguéis. Tais contas somente seriam faturamento levandose em conta o conceito extensivo usado na Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, §1º, declarado inconstitucional pelo STF, conforme veremos adiante. No período em que o lançamento se refere, assim dispunha quanto à base de cálculo da Cofins: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10835.003652/200479 Acórdão n.º 9303003.175 CSRFT3 Fl. 585 4 Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo (revogado pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001; IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...).” Ora, segundo estes dispositivos legais, a base de cálculo da Cofins é o faturamento mensal da pessoa jurídica correspondente a sua receita bruta, assim entendida o total de suas receitas independentemente de suas naturezas e classificação contábil adotada, deduzidos os valores expressamente discriminados. No entanto, especificamente quanto a outras receitas, ou seja, receitas não operacionais – ampliação da base de cálculo – o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito dos Recursos Extraordinários nºs 357.950 e 358.273, com decisões transitadas em julgado em 5 de setembro de 2006, considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins, promovidas pela Lei nº 9.718, de 27/11/1998, art. 3º, §1º. BASE DE CÁLCULO DA COFINS INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3 º § 1º, DA LEI 8.718/98 O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1' do art. 3° da Lei 9.718198, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência.Leading case: RE 585.235OO, Min. Cezar Peluso. Também, o próprio Poder Executivo, levandose em conta estas decisões, revogou, por meio da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 79, inciso XII (MP nº 449, de 03/12/2008), aquele parágrafo primeiro que determinava a ampliação da base de cálculo dessas contribuições. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10835.003652/200479 Acórdão n.º 9303003.175 CSRFT3 Fl. 586 5 Dessa forma, deve ser afastada a exigência da Cofins sobre outras receitas, mantendoa somente o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto pela PGFN. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10835.003652/200479 Acórdão n.º 9303003.175 CSRFT3 Fl. 587 6 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 11080.928468/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.147
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 19/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa CERAN Companhia Energética Rio das Antas transmitiu, em 20/11/2008, o PER/DCOMP n°. 40558.92295.201108.1.3.043037 (fls. 01 e ss.), pretendendo compensar débitos próprios de tributos administrados pela Receita Federal com crédito de COFINS. A DRF, através de Despacho Decisório (fls. 08), não homologou a compensação sob a fundamentação de inexistência de crédito para realização desta operação. A ciência do despacho decisório deuse em 20/10/2009 (AR às fls. 09). Fl. 298DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 20/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11080.928468/200981 Despacho n.º 330200.147 S3C3T2 Fl. 2 2 Irresignada, a Recorrente apresentou, em 16/11/2009, Manifestação de Inconformidade (fls. 10) contra referida decisão, afirmando, em suma, que faz jus a compensação em questão eis que, com a apresentação, em 10/11/2009, da DCTF retificadora (fls. 16 e ss.), referente ao 2º semestre/2005, o valor do crédito original da PER/DCOMP tornouse disponível para compensação dos débitos informados. O colegiado de primeira instância, por unanimidade de votos, negou provimento a manifestação de inconformidade, mantendo integralmente a decisão prolatada pela unidade de origem, sob o fundamento de que a DCTF retificadora ter sido apresentada em 10/11/2009, após o despacho decisório e visto que, até aquele momento processual, a empresa apenas menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer prova que confirme o novo valor indicado. O acórdão da decisão de primeira instância tem a seguinte ementa: “DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho. Em síntese, sustenta que a decisão de primeiro grau deve ser reformada, declarandose a homologação da compensação em baila, visto que na apreciação da compensação levouse em consideração tão somente o que estava informado na DCTF, sem considerar o informado no DACON retificador (apresentado em 11/08/2008, antes, portanto, da emissão do Despacho Decisório, que ocorreu em 07/10/2009), juntando vasta documentação. Sucessivamente, aduz a necessidade de diligência e, também, a nulidade da decisão de primeira instância por preterição do direito de defesa, visto que não foi determinada a realização de diligência. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Alan Fialho Gandra O presente Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como se verifica do relatório acima o presente processo trata de compensação declarada, cujo crédito utilizado teria sido efetuado a maior no período de apuração 08/2005. Com o Recurso Voluntário vieram aos autos diversos documentos fiscais que podem comprovar a veracidade das afirmações apresentadas pela Recorrente em seu recurso, e Fl. 299DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 20/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11080.928468/200981 Despacho n.º 330200.147 S3C3T2 Fl. 3 3 a partir de uma análise inicial, constatouse que a diferença entre o valor recolhido inicialmente e o valor que se entende devido decorreria de utilização de créditos de aquisição de insumos que não haviam sido considerados inicialmente. Pelo exposto e em respeito ao princípio da Verdade Material, norteador do processo administrativo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade fiscal verifique a veracidade das informações prestadas e dos alegados créditos lançados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, intimando o se necessário, para apresentar informações e documentos complementares. Do resultado desta diligência deve ser o Recorrente intimado para se manifestar. Alan Fialho Gandra – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 300DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 20/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 13603.002869/2003-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
MULTA AGRAVADA. FALTA DE INTIMAÇÃO ESPECÍFICA. INAPLICABILIDADE.
O agravamento da multa independe da qualificação e exige, ao longo dos trabalhos de auditoria, intimação específica à empresa e aos responsáveis solidários. Constatadas a ausência de intimação para prestar esclarecimentos e a falta de provas da recusa não há fundamento para a exação.
REGIMENTO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. INTERPOSIÇÃO. CONHECIMENTO. SÚMULA VINCULANTE DO STF.
As Súmulas Vinculantes do Supremo Tribunal Federal deverão ser aplicadas pelos conselheiros no julgamento dos recursos especiais no âmbito da CSRF, após conhecidos, quando interpostos anteriormente à data de publicação das referidas súmulas.
DECADÊNCIA. PRAZO.
É inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, que trata de decadência. (Súmula Vinculante do STF nº 08/2008).
Numero da decisão: 9101-002.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), os quais davam provimento parcial para manter o agravamento da multa. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Adriana Gomes Rego, em relação ao agravamento da multa.
(documento assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente-Substituto.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente) e HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto).
Nome do relator: Rafael Vidal de Araujo
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Agravamento. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPORIUM EMPREENDIMENTOS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000 MULTA AGRAVADA. FALTA DE INTIMAÇÃO ESPECÍFICA. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa independe da qualificação e exige, ao longo dos trabalhos de auditoria, intimação específica à empresa e aos responsáveis solidários. Constatadas a ausência de intimação para prestar esclarecimentos e a falta de provas da recusa não há fundamento para a exação. REGIMENTO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. INTERPOSIÇÃO. CONHECIMENTO. SÚMULA VINCULANTE DO STF. As Súmulas Vinculantes do Supremo Tribunal Federal deverão ser aplicadas pelos conselheiros no julgamento dos recursos especiais no âmbito da CSRF, após conhecidos, quando interpostos anteriormente à data de publicação das referidas súmulas. DECADÊNCIA. PRAZO. É inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, que trata de decadência. (Súmula Vinculante do STF nº 08/2008). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado) e Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), os quais davam provimento parcial para manter o agravamento da multa. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Adriana Gomes Rego, em relação ao agravamento da multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 28 69 /2 00 3- 01 Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (documento assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES PresidenteSubstituto. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente) e HENRIQUE PINHEIRO TORRES (PresidenteSubstituto). Relatório Tratase de Recurso Especial (fls.1.556/1.561) contra decisão nãounânime de Câmara, por contrariedade à lei, interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em 27/02/2007, com fundamento no art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16/03/1998. 2. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 10708.692, de 16/08/2006, por meio do qual a Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), por unanimidade de votos, REJEITOU as preliminares de nulidade, DEIXOU de conhecer o recurso da empresa Espaço Industrial Comercial Distribuidora Ltda e EXCLUIU as demais pessoas jurídicas responsabilizadas pelos resultados da empresa Emporium Empreendimentos Ltda; e, por maioria de votos, ACOLHEU a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL relativa ao terceiro trimestre de 1998 e REDUZIU a multa de ofício de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) para 150% (cento e cinqüenta por cento). Seja a ementa do acórdão recorrido: "DECADÊNCIA O fato gerador do imposto de renda e das contribuições das empresas que declaram o tributo pelo lucro real trimestral (art. 2º da Lei nº 9.430/96) ocorre no último dia do trimestre de correspondência, contandose daí o prazo decadencial para o fisco exercer o direito de constituir o crédito tributário, salvo quando dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional), em que a contagem se faz a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIGILO BANCÁRIO INFORMAÇÕES COLHIDAS COM FUNDAMENTO NA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, NOVA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 10.174, de 09.01.2001, E DECRETO Nº 3.724, DE 10.01.2001 Em se tratando de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização a sua aplicação é imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artiigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. ARBITRAMENTO DE LUCROS A falta de apresentação ao fisco dos livros comerciais e fiscais, em que se assentar a escrituração justifica o arbitramento de lucros, com base no artigo 530, inciso I do RIR/99. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13603.002869/200301 Acórdão n.º 9101002.124 CSRFT1 Fl. 1.683 3 operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Esse interesse comum inexistia nas empresas que com eles apenas realizavam operações comerciais normais, não se podendo, "ipso facto", responsabilizá las solidariamente pelo crédito tributário da fiscalizada. MULTA AGRAVADA Caracterizado na espécie o evidente intuito de fraude que autoriza o lançamento de multa agravada, como previsto no inciso II, do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, impõese a mantença da multa qualificada. MULTA MAJORADA A majoração da multa de ofício não pode prosperar no arbitramento de lucros justificado na falta de apresentação dos livros e documentos por ter sido exatamente esta a razão da medida extrema. JUROS DE MORA SELIC Os juros de mora são devidos por força de lei, mesmo durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decretolei nº 1.736/79, art. 5º; RIR/94, art. 988, § 2º, e RIR/99, art. 953, § 3º). E, a partir de 1º/04/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por força do disposto nos arts. 13 e 18 da Lei nº 9.065/95, c/c art. 161 do CTN (Sumula sic n° 04, do 1º CC)." (Grifouse) 3. A Recorrente defendeu o cabimento do Recurso Especial por contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/1991, quanto à decadência para a CSLL, e por contrariedade ao art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/1996, relativamente à multa, e apresentou razões para a reforma do acórdão recorrido em relação aos dois temas. Segue o que foi dito em relação a multa: "Para a Câmara, o fato de se arbitrar o lucro impede a aplicação de multa agravada. De acordo com a decisão, é incabível a majoração da multa prevista no §2º do art.44 da Lei nº 9.430/96. Isso porque a razão do arbitramento foi justamente a falta de apresentação dos livros e documentos de escrituração. Essa interpretação é descabida. Arbitramento é forma de apuração do lucro para chegarmos ao imposto de renda devido. Não se trata de penalidade. Já a multa do §2º do art. 44 da lei 9.430 é penalidade. Não se trata da mesma coisa. Tem naturezas jurídicas diversas. São institutos diversos. Ante os fatos expostos, a Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão para que seja aplicado o prazo de decadência de 10 anos da lei nº 8.212 para a CSLL e para que seja mantido o agravamento da multa de ofício." 4. Por meio do Despacho DEF107148917_49 (fls.1565/1566), de 11/04/2008, o Presidente da Sétima Câmara do 1ºCC reconheceu a tempestividade e deu seguimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. 5. Os responsáveis solidários Carlos Otávio Stein Pena e Cláudio Fernando Stein Pena apresentaram Contrarrazões (fls.1.603/1.613) ao REsp da PGFN, onde se encontram tópicos específicos para os seguintes temas: a) Responsabilidade tributária das pessoas jurídicas (fl.1.604); b) Decadência (fls.1.604/1.611); e c) Aplicação de multa de 225% (fls.1.611/1.612). Transcrevo excertos a respeito do tema "c": Exas., mais uma vez equivocase a Fazenda Nacional ao tentar aplicar a multa de 225% ao caso dos autos. Entende a recorrente que arbitramento é forma de apuração do lucro e o agravamento de multa é penalidade. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Ora, Exas., o Recurso Especial em momento algum ataca os fundamentos da decisão recorrida. A recorrente faz apenas uma divagação sobre seu entendimento sem adentrar nas razões que levaram ao desagravamento da multa. Entretanto, a recorrente esquecese de que houve arbitramento do lucro, e todas as pessoas físicas intimadas compareceram perante a fiscalização para prestar seus depoimentos e esclarecimentos. Exas., a decisão recorrida baseouse precipuamente com os fatos e documentos carreados aos autos. O Recurso Especial, por sua vez, não adentra no mérito da decisão recorrida. No caso dos autos, ficou comprovado que todos que foram intimados compareceram à fiscalização para prestar informações. Ademais, a decisão recorrida foi bem clara no sentido de que a falta de apresentação de livros e documentos acarretou o arbitramento do lucro, mas as pessoas físicas intimadas compareceram perante a fiscalização e prestaram os esclarecimentos. As pessoas físicas que também constavam dos quadros sociais da empresa autuada também foram intimadas e compareceram à fiscalização para prestar informações. Com isto, temse que não cabe o agravamento da multa no percentual de 225% pois, além de já ter ocorrido o arbitramento dos lucros, todos aqueles intimados compareceram perante a fiscalização para prestar informações. 6. Em 26/02/2010, Indulac Indústria de Produtos Lácteos Ltda., CNPJ nº 00.792.095/000123, protocolou requerimento de desistência parcial de recurso administrativo, onde requereu, "para efeito do que dispõe a Lei nº 11.941/2009, a desistência em relação à alegação de sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, ficando mantida a discussão referente à redução da multa de 225% para 150% (acolhida pelo Conselho de Contribuintes). Em verdade, a empresa abre mão da exclusão dela do pólo passivo do lançamento e pede que, nesse ponto, prevaleça a decisão da DRJ. Declara, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a defesa quanto ao pedido de exclusão dela da sujeição passiva tributária." (Sublinhei) 7. Em 26/02/2010, os responsáveis solidários já citados protocolaram requerimento de desistência parcial de recurso administrativo, nos seguintes termos: "..., em relação à redução da multa de 225% para 150%, Carlos Otávio Stein Pena (CPF nº 474.292.08649) e Cláudio Fernando Stein Pena (CPF nº 542.976.48687) estão confiantes na manutenção do acórdão do 1º Conselho de Contribuintes, razão pela qual, no ponto, prossegue a discussão. Quanto à parte perdida (e apenas em relação a ela), para efeito do que dispõe a Lei nº 11.941/2009, os contribuintes desistem de apresentar eventuais recursos e renunciam a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam essa parte da defesa." (Negritos no original, sublinhei) 8. Em 25/04/2011, a DRF de Contagem/MG informou (fl.1650) que os créditos tributários não contestados, devido a desistência parcial de recurso para parcelamento, foram apartados destes autos e transferidos para o processo nº 13603.721675/201118. Em razão disso, propôs o retorno a esta Conselho, para prosseguimento do julgamento do recurso especial do Procurador. 9. É o relatório. Voto Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13603.002869/200301 Acórdão n.º 9101002.124 CSRFT1 Fl. 1.684 5 Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Conheço do Recurso Especial (REsp), pois presentes todos os pressupostos de admissibilidade, afastando a discussão quanto responsabilidade tributária das pessoas jurídicas, que não foi objeto do recurso da PGFN (e nem poderia, pois teve provimento unânime; ou seja, não foi por maioria, requisito essencial do Recurso Especial por Contrariedade à Lei). 2.1. Aprecio, ainda, preliminar levantada da tribuna de que os mesmos fatos desse processo já foram objeto de análise por esta Turma da Câmara Superior. O patrono traz essa informação, mas apenas alega, não comprova pela indicação de precedentes. Ora, não é trabalho do Conselheiro pesquisar a jurisprudência para os fatos apreciados em outros julgados desta Turma, isso é trabalho do advogado; portanto, este não o tendo feito, a preliminar não pode ser levada em consideração, devendo ser indeferida. 3. Destaquese, de início, que o presente processo trata da autuação de IRPJ e de CSLL e que, em relação aos mesmos fatos, foram autuados como reflexos PIS e COFINS. Este processo é, portanto, o processo principal e há ainda o processo nº 13603.002870/200327, para o PIS, e o processo nº 13603.002871/200371, para a COFINS. 4. Em sessão realizada em 26 de agosto de 2014, presidi o julgamento do processo relativo ao PIS (nº 13603.002870/200327), que tratava apenas da multa agravada (também como conseqüência de desistência parcial), que restou vazado no Acórdão nº 1201001.072, e que se encontra encerrado, tendo em vista a ausência de recurso especial da PGFN. Segue a ementa do referido acórdão: MULTA AGRAVADA. FALTA DE INTIMAÇÃO ESPECÍFICA. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa independe da qualificação e exige, ao longo dos trabalhos de auditoria, intimação específica à empresa e aos responsáveis solidários. Constatadas a ausência de intimação para prestar esclarecimentos e a falta de provas da recusa não há fundamento para a exação. 5. Tendo em vista que os fatos e provas que ocasionaram as infrações reflexas de PIS foram os mesmos que ocasionaram as infrações principais de IRPJ e de CSLL, sendo inclusive o mesmo Termo de Verificação Fiscal, e que naquela assentada acompanhei o relator (depois até de ter vista àqueles autos), bem como toda a Turma de julgamento, então adoto, com as ponderações dos itens 6 e 7, o voto condutor do Acórdão unânime nº 1201001.072, de 26/08/2014, do ilustre Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida. Como já relatado, a questão a ser enfrentada neste voto está circunscrita ao cabimento da multa agravada de 225%, em razão da desistência parcial protocolizada pelo Contribuinte, como requisito para ingresso no parcelamento previsto na Lei n. 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que a desistência manifestada pelo Contribuinte e pelos seus supostos sócios aproveita a todas as pessoas jurídicas e físicas arroladas nos autos, à luz do que determina o artigo 125 do Código Tributário Nacional: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Restanos, portanto, a análise sobre o agravamento da multa de ofício, de 150% para 225%. Ressaltese que a qualificação, mantida na decisão recorrida, tornou se incontroversa com a desistência dos interessados, de modo que não remanesce qualquer dúvida quanto à prática da conduta definida no artigo 71, II, da Lei n. 4.502/64, conforme imputação formulada no Termo de Verificação Fiscal: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Assim, a discussão ainda em aberto diz respeito à aplicação do § 2o do artigo 44 da Lei n. 9.430/96, de acordo com a redação vigente à época dos fatos: § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. A leitura dos autos nos permite concluir que os trabalhos de auditoria foram bastante diligentes, no sentido de apurar a materialidade dos fatos e construir o conjunto probatório acerca da conduta dos envolvidos e da configuração do grupo econômico. Prova dessa afirmação é o fato de que o Contribuinte desistiu de questionar a autuação, no que tange às infrações tributárias e ao evidente intuito de sonegação. O exposto no longo Termo de Verificação Fiscal, que conta 97 páginas, demonstra como foram os trabalhos empreendidos pelas autoridades fiscais para a definição da base de cálculo dos lançamentos, como se pode depreender do trecho abaixo reproduzido: Provouse, de forma inequívoca, a intenção do contribuinte de impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da identidade dos verdadeiros sócios da empresa EMPORIUM Empreendimentos Ltda., mediante a utilização de interpostas pessoas nos contratos sociais e alterações da referida empresa. Tal ardil tinha como objetivo impedir a responsabilização dos verdadeiros donos da empresa pelo significativo passivo tributário deixado em aberto. Como amplamente demonstrado, o contribuinte nunca teve a pretensão de recolher os impostos e contribuições devidos, sujeitandose, portanto, ao lançamento da multa qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96. Acrescentese, ainda, o fato do contribuinte não ter sido encontrado em seu endereço e uma vez intimado por edital, não atendeu a nossa Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13603.002869/200301 Acórdão n.º 9101002.124 CSRFT1 Fl. 1.685 7 intimação. A falta de apresentação da documentação contábil e fiscal relativa aos anos de 1998, 1999 e 2000 dificultou amplamente os trabalhos de auditagem. Diante da situação apresentada, a fiscalização foi obrigada a efetuar todo o levantamento das bases de cálculo dos tributos lançados através de informações prestadas por terceiros. Conquanto se possa perceber que o trabalho foi bem conduzido e obteve êxito em provar a necessidade de qualificação das infrações, no que tange ao agravamento da multa, entendo, a partir da leitura dos autos, que não houve intimações específicas para que os sócios de fato e os responsáveis prestassem os esclarecimentos exigidos pela lei. É inegável que os sócios de fato e de direito foram ouvidos no curso da fiscalização e que, em seus depoimentos, negaram a imputação fiscal, circunstância que, após a devida comprovação dos fatos, ensejou a qualificação da multa. Ocorre que o agravamento exige fundamento diverso, consubstanciado pela existência de intimações específicas para que os responsáveis prestem esclarecimentos e apresentem os documentos necessários à fiscalização. Nesse sentido, entendo que não deixaram de prestar esclarecimentos, mas sim adotaram, como linha de defesa, a negativa geral dos fatos, o que levou o fisco ao correto arbitramento do lucro. Tratase, portanto, de caso que merece a qualificação da multa, mas que, no meu sentir, não preencheu, de forma inequívoca, os requisitos para o agravamento, posto que não constam do processo intimações específicas para que a empresa ou os sócios prestassem esclarecimentos acerca dos atos típicos da atividade. É o que se depreende do trecho anteriormente transcrito, em que as autoridades fiscais evidenciam a dificuldade dos trabalhos de auditoria, mas não deixam claro como e quando os pedidos de esclarecimento deixaram de ser atendidos. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário na parte em que não houve desistência e, no mérito, DOULHE provimento, para reduzir a multa de 225% para 150%. 6. As infrações deramse nos anoscalendários 1998, 1999 e 2000, e, a esses tempos, o § 2o do art. 44 da Lei nº 9.430/96 já não conservava sua redação original, mas sim a redação dada pela Lei nº 9.532/97. Não obstante, as autoridades fiscais não foram cuidadosas e a acusação fiscal utilizou a redação original deste dispositivo, o que, por si só, já limita o exame dos fatos a respeito da prestação de informações. Examinei cuidadosamente todas as intimações (fls.126 a 133) e não há sequer um pedido de prestação de informações à empresa, o que conduz, no caso concreto, à improcedência do agravamento. 7. Apesar disso, ainda que a acusação fiscal tivesse atualizada, mesmo assim o agravamento não se sustentaria, porque seriam válidas os ensinamentos da declaração de voto do nobre Conselheiro João Carlos de Lima Júnior no Acórdão da CSRF nº 9101001.487, de 25/10/2012, que ora transcrevo: A presente declaração de voto visa a contribuição para o debate jurídico relativamente ao agravamento da multa de ofício. Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 O entendimento por mim adotado segue no sentido de que a majoração, no caso, não deve prevalecer, pois não ficou caracterizada situação de recusa de atendimento à intimação fiscal que motivasse o agravamento da multa. A base legal para a imposição da penalidade foi o § 2°, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela lei 9.532/97, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 2 ° As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991; A partir da redação do artigo transcrito notase que a lei pretendeu restringir os casos para aplicação da penalidade em discussão, elegendo as três hipóteses dispostas nas alíneas "a", "b" e "c", do artigo 44, §2°, da lei 9430/96. Assim, não há previsão legal para sua imposição nos casos de não apresentação de documentação nos termos solicitados pela fiscalização. Para melhor elucidação vale analisar as situações passíveis de agravamento da penalidade trazida pelo artigo 44, conforme segue. Primeiramente, quanto à prestação de esclarecimento prevista na alínea "a" do artigo transcrito, temse que consiste em tornar claro ou compreensível determinado fato. O conhecimento do fato é pressuposto para que sobre ele sejam prestados esclarecimentos. Desse modo, a prestação de esclarecimento não se confunde com a entrega de documentos contábeis, isto porque na primeira situação o fato já é conhecido pela autoridade fiscal e sobre ele são esclarecidas dúvidas específicas e, diferentemente, na segunda situação o fato não é conhecido, razão pela qual é necessária a análise dos livros para constatação de suposta infração. Notase, ainda, que a legislação apresenta rol taxativo de documentos que, se não entregues no prazo estipulado na intimação, autorizam o agravamento. A alínea "b" remete aos artigos 11 a 13 da lei 8.218/91 que tratam da necessidade de manutenção de arquivos magnéticos pelas pessoas jurídicas que utilizarem sistema de processamento eletrônico para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar de livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal. E a alínea "c" remete ao artigo 38 da lei 9.430/96, o qual prevê que "o sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada". Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13603.002869/200301 Acórdão n.º 9101002.124 CSRFT1 Fl. 1.686 9 Nesse ponto, cumpre salientar que não consta nos autos informação acerca da utilização ou não pelo contribuinte do sistema de processamento eletrônico. Ora, se o objetivo da lei fosse abranger a falta de entrega de qualquer documento, sua redação original, a qual era genérica, não seria alterada pela lei 9.532/97, que trouxe nova redação ao artigo, limitando a possibilidade de interpretação a partir das indicações especificas das alíneas "b" e "c". ... ... O artigo 44, §2°, da lei 9430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, é exaustivo e não permite a interpretação extensiva pelo aplicador da lei, já que estabelece uma penalidade. Desse modo, em vista do intuito da legislação, o agravamento é previsto para os casos em que o contribuinte impede ou dificulta o exercício da fiscalização pela autoridade competente, em razão de não atendimento, no prazo marcado, de intimação para (i) prestar esclarecimentos, (ii) apresentar arquivos magnéticos (pessoas jurídicas que utilizarem sistema de processamento eletrônico) de registro de negócios e atividades econômicas ou financeiras, de escrituração de livros ou elaboração de documentos de natureza contábil ou fiscal e (iii) documentação técnica e completa e atualizada do sistema de processamento de dados. No caso dos autos tanto os sócios de direito quanto os sócios de fato deixaram de apresentar os livros contábeis e fiscais. ... ... Por todo o exposto, entendo que no caso dos autos é incorreto o agravamento da multa de ofício. 7.1. Nessa linha de raciocínio, analisando um por um todos os documentos solicitados pela fiscalização, constatase que não houve a solicitação de nenhum arquivo magnético ou documento digital, nem tampouco sistema, mas apenas de escrituração física (em papel); o que, ainda que fosse superada a desatualização do trabalho fiscal, não haveria a tipificação à letra "b" do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 9.532/97. 8. Ademais, existe a súmula CARF nº 96: “Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros.” 8.1. Reconheço que há um elemento subjetivo envolvido na interpretação e aplicação desta súmula, qual seja, a intelecção do que seja “por si só”, o que remete aos fatos do processo. Entendo que, no presente caso, os fatos se enquadram ao que a súmula denomina de por si só, o que implica na sua aplicação. 9. Portanto, nego provimento ao REsp da PGFN na parte que trata da multa de ofício, confirmando o Acórdão nº 10708.692, de 16/08/2006, no sentido de reduzir a multa de ofício de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) para 150% (cento e cinqüenta por cento). 10. Relativamente a parte do REsp da PGFN, de 27/02/3007, que cuida de decadência ao apontar contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91, conheço do recurso nesta Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 parte (tendo em vista a sua data de interposição; o sistema de isolamento dos atos processuais; o princípio tempus regit actum; o modo processual de proceder do CARF nos casos dos repetitivos dos tribunais superiores; a competência do Presidente de Câmara constante no inciso XXI do art. 18 do Anexo II do RICARF; a natureza da segunda instância de revisora do crédito tributário e a informalidade do processo administrativo fiscal/tributário que diferenciam o REsp do CARF do REsp do STJ, etc); aplico a Súmula Vinculante nº 08, de 20/06/2008, do Supremo Tribunal Federal (STF), abaixo transcrita; e também nego provimento. "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." 11. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 12. Esse é o meu voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000929/2005-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por força da técnica legal de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de cervejas, águas e refrigerantes, denominada de tributação monofásica, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da revenda desses produtos, são submetidas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.858
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena. Ausente a Conselheira Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarou-se impedido de votar.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA NÃO- CUMULATIVA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por força da técnica legal de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de cervejas, águas e refrigerantes, denominada de tributação monofásica, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da revenda desses produtos, são submetidas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena. Ausente a Conselheira Nanci Gama. O Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes declarou-se impedido de votar. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento- Relator. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 2 EDITADO EM: 21/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento e Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 08-13.487, de 13 de junho de 2008 (fls. 39/45), proferido pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE (DRJ/FOR), em que, por unidade de votos, indeferiram a solicitação, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de cervejas, águas e refrigerantes, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Solicitação Indeferida Por bem descrever os fatos, transcrevo a seguir o relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata-se de manifestação de inconformidade com a decisão da Delegacia da Receita Federal de São Luís/MA, que indeferiu pedido de restituição de créditos oriundos da aquisição de bebidas referidas no art. 49 da Lei nº 10.833/04, na qualidade de distribuidora e revendedora, tendo em vista a sistemática de incidência não-cumulativa adotada para as contribuições do PIS e COFINS. Entendeu a DRF que a pretensão da requerente encontra óbice na legislação que rege a matéria, conforme conclusão às fls. 16. Inconformada, a requerente impugnou o ato denegatório (fls. 27/37), alegando em síntese o seguinte: Que realmente opera única e exclusivamente com os produtos a que alude o art. 49 da Lei nº 10.833/04 e, por conseguinte, sua receita bruta não está sujeita a recolhimento de PIS e Cofins, em função do disposto no art. 50 da mesma Lei. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000929/2005-92 Acórdão n.º 3102-00.858 S3-C1T2 Fl. 75 3 Por outro lado, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 assegura a manutenção de créditos quando vendas sejam efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS e do PIS, revogando disposições legais que vedavam esse direito. A Instrução Normativa SRF n° 404, de 12/03/2004 não se presta para regulamentar o previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, pois além de ser anterior a mencionada Lei se colide com esta. Discorre sobre as sistemáticas de substituição tributária em suas várias vertentes, para concluir que mesmo em se tratando de incidência monofásica do tributo, como no caso em espécie, não se pode esquecer que referida incidência reflete sobre toda a cadeia produtiva, onerando-a. Assim, para resguardar os interesses do contribuinte que se encontra no final da cadeia produtiva, o legislador permitiu que aquele mantivesse os créditos vinculados a essas operações, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Pugnou pelo deferimento do seu pleito com a conseqüente homologação da compensação declarada. É o relatório. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Autuada, por via postal (fl. 50), em 14/07/2008. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 54/70, protocolado em 13/08/2008 (fl. 53), reapresentado as razões de defesa aduzidas na peça impugnatória e propugnando, ao final, pelo provimento do presente Recurso, reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações. Em cumprimento aos despachos de fls. 72/73, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de agosto do corrente ano, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente controvérsia. Nos presentes autos, informou a Interessada a compensação de parte do valor (R$ 118.550,77) do crédito da contribuição para o PIS/Pasep do 4º trimestre de 2004 (fl. 05), com os débitos tributários discriminados na Declaração de Compensação de fl. 01. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 4 De acordo com o formulário de fl. 03, informou a Interessada que o suposto valor compensado decorria de crédito da contribuição para o PIS/Pasep apurado de acordo com o artigo 17 da Lei 11.033/2004, combinado com o disposto no artigo 50, inciso I, da Lei 10.833/2003. Por meio do Despacho Decisório de fls. 13/17, o titular da Unidade da Receita Federal de origem não homologou as compensações declaradas, com o argumento de que não existia o crédito utilizado na compensação em tela, uma vez que a Interessada exercia o comércio varejista de bebidas, cuja receita de venda estaria submetida ao regime de tributação monofásica, excepcionada do regime da não-cumulatividade e sujeita a alíquota zero, logo, não havia que se cogitar de débito nem crédito das referidas Contribuições. Por sua vez, a Turma julgadora de primeiro grau manteve a não homologação das referidas compensações, também com base no argumento de que, em razão da técnica de tributação concentrada nos fabricantes e importadores das referidas bebidas, as receitas de venda de tais produtos pelos comerciantes atacadistas e varejistas seriam “submetidas à alíquota zero da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens”. Por outro lado, no presente Recurso, sustentou a Interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de cervejas, águas e refrigerantes, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Assim, fica evidenciado que a presente controvérsia diz respeito ao direito de crédito das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, referente à aquisição de cervejas, águas e refrigerantes, produtos revendidos pelas pessoas jurídicas que exercem a atividade de comércio varejista de bebidas, atividade exercida pela Interessada. I – DO MÉRITO No presente Recurso, alegou a Interessada que, por força do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, teria direito ao crédito das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre às aquisições de cerveja, água e refrigerante junto aos fabricantes, apesar de a receita de venda de tais produtos estar sujeita a alíquota zero. Antes de adentrar na análise da presente controvérsia, é oportuno fazer uma rápida digressão sobre as formas de tributação das referidas contribuições. Das formas de tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Até o advento das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, a tributação das pessoas jurídicas de direito privado pelas contribuições para o PIS/Pasep e Cofins era feita segundo a sistemática da cumulatividade e dos regimes especiais de tributação. Após a vigência das referidas Leis, ao lado dos citados regimes, foi instituída a sistemática da não- cumulatividade, para fins de apuração e cobrança das referidas Contribuições. De acordo com a sistemática da cumulatividade, a apuração do valor das referidas Contribuições era feita mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% (Contribuição para o PIS/Pasep) e 3,00% (Cofins) sobre a receita das vendas, sem direito a dedução de qualquer valor a título de crédito. Atualmente, essa modalidade de tributação é reservada, em termos gerais, para as pessoas jurídicas não tributadas pelo lucro real (lucro presumido, Simples Nacional etc). Fl. 81DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000929/2005-92 Acórdão n.º 3102-00.858 S3-C1T2 Fl. 76 5 Por sua vez, no regime da não-cumulatividade, as alíquotas foram majoradas para 1,65% (para a Contribuição para o PIS/Pasep) e 7,60% (Cofins), porém, passou a ser permitida a dedução dos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, discriminados nas respectivas Leis. Segundo essa nova sistemática, do confronto entre os débitos (calculados mediante aplicação das ditas alíquotas sobre as receitas de venda) e os créditos (calculados mediante aplicação das ditas alíquotas sobre valor dos custos, despesas e encargos) que poderá resultar em contribuição a pagar ou saldo credor, a ser transferido para os períodos seguintes. Neste regime, regra geral, estão incluídas as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, com as exceções estabelecidas em dispositivos legais diversos. Paralelamente aos dois regimes gerais, continuou em vigor os denominados regimes especiais de tributação que tem como característica o fato de a incidência dar-se em relação ao tipo de receita de venda de determinados produtos, sendo irrelevante a condição ou a forma tributação pelo Imposto de Renda da pessoas jurídica. Dentre esses regime especiais, pela pertinência ao caso em tela, cabe destacar o intitulado regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou fabricante tem suas alíquotas majoradas, de modo a incorporar os efeitos da incidência das fases posteriores da cadeia de negócios (atacado e varejo). Em contra-partida, os comerciantes atacadistas (ou distribuidores) e varejistas têm as alíquotas das referidas Contribuições reduzidas a zero. Em suma, pode-se dizer que as características principais do regime monofásico são (i) a concentração da cobrança das ditas Contribuições em uma única fase da cadeia de negócios, substituindo as incidências das etapas seguintes, e (ii) as receitas serem decorrentes da venda de determinados produtos, tais como combustíveis, produtos farmacêuticos e bebidas (caso em apreço). Da tributação das receitas de venda de cerveja, água e refrigerante pelas contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Conforme mencionado precedentemente, a partir da vigência dos citados diplomas legais, a cobrança e apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre a receita de venda de cerveja, água e refrigerante passou a ser realizada segundo o regime de incidência monofásica, concentrada na fase primeira da cadeia de venda de tais produtos, ou seja, nos fabricantes (produto nacional) e importadores (produtos estrangeiros). No período de apuração dos créditos em apreço, a matéria estava disciplinada nos arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, in verbis: Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois Fl. 82DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 6 inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). § 1o O disposto neste artigo, relativamente aos produtos classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água, refrigerante e cerveja sem álcool. § 2o A pessoa jurídica produtora por encomenda dos produtos mencionados neste artigo será responsável solidária com a encomendante no pagamento das contribuições devidas conforme o estabelecido neste artigo. Art. 50. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS em relação às receitas auferidas na venda: I - dos produtos relacionados no art. 49, por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 2 o da Lei n o 9.317, de 5 de dezembro de 1996; (...) (grifos não originais) Opcionalmente, as pessoas jurídicas que auferissem os referidos tipos de receita poderiam adotar o regime especial de apuração e de pagamento das referidas Contribuições, com base em valores fixados por unidade de litro do produto (alíquota específica), nos termos do art. 52 1 da Lei nº 10.833, de 2003. De acordo com a referida técnica de tributação especial, a cobrança e apuração das ditas Contribuições, incidentes sobre as receitas de venda dos citados produtos, era realizada em fase única, da seguinte forma: a) nos importadores e fabricantes: os débitos eram calculados mediante a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento), para a Contribuição para o PIS/Pasep, e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento), para a Cofins; b) nos atacadistas e varejistas: não havia débitos, pois as alíquotas foram reduzidas a zero, de outra parte, sendo vedado o direito ao crédito, relativamente à aquisição dos respectivos produtos, nos termos seguir exposto. Da vedação do direito ao crédito nas aquisições de cerveja, água e refrigerante pelos comerciantes atacadistas e varejistas. No que tange aos comerciantes atacadistas e varejistas, há expressa vedação legal ao desconto de crédito relativo às aquisições dos citados produtos. Em relação à 1 “Art. 52. A pessoa jurídica industrial dos produtos referidos no art. 49 poderá optar por regime especial de apuração e pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados por unidade de litro do produto, respectivamente, em: I – água e refrigerantes classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, R$ 0,0212 (duzentos e doze décimos de milésimo do real) e R$ 0,0980 (noventa e oito milésimos do real; II - bebidas classificadas no código 2203 da TIPI, R$ 0,0368 (trezentos e sessenta e oito décimos de milésimos do real) e R$ 0,1700 (dezessete centésimos do real); III - preparações compostas classificadas no código 2106.90.10, ex 02, da TIPI, para elaboração de bebida refrigerante do capítulo 22, R$ 0,1144 (um mil, cento e quarenta e quatro décimos de milésimo do real) e R$ 0,5280 (quinhentos e vinte e oito milésimos do real). (...)”. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000929/2005-92 Acórdão n.º 3102-00.858 S3-C1T2 Fl. 77 7 Contribuição para o PIS/Pasep, tal proibição encontra-se determinada na alínea “b” do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, a seguir transcrita: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (...) (grifos não originais). No que concerne à Cofis, a vedação encontra-se disposta na alínea “b” do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.865, de 2004, que segue reproduzida: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (...) Em consonância com o disposto nos transcritos preceitos legais, a referida modalidade de receita foi excluída da sistemática de tributação não-cumulativa, expressamente determinado nos incisos VIII e IX do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.865, de 2004, e da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, que seguem transcritos: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) VIII - no art. 49 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; IX - no art. 52 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; Fl. 84DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 8 (...) Lei nº 10.833, de 2003: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VIII – no art. 49 desta Lei, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IX - no art. 52 desta Lei, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) (...) Assim, fica cabalmente demonstrado que, por força dos referidos preceitos legais, a receita auferida (pelos atacadistas e varejistas) na revenda dos citados tipos de bebidas está expressamente excluída da sistemática da não-cumulatividade, não estando, por conseguinte, sujeita a incidência de alíquota positiva nem tampouco ao direito a crédito. Corrobora o asseverado, a forma de apuração do crédito das referidas Contribuições, determinada para a pessoa jurídica que obtenha receita sujeita a regimes distintos tributação, nos termos do § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que seguem reproduzidos: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7 o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (...) (grifos não originais) Lei nº 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000929/2005-92 Acórdão n.º 3102-00.858 S3-C1T2 Fl. 78 9 (...) (grifos não originais) De acordo com os mencionados comandos legais, resta claro que apenas a receita sujeita a incidência não-cumulativa gera crédito a ser utilizado no abatimento dos débitos das referidas Contribuições. Do significado e alcance jurídicos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. No presente Recurso, sustentou a Interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de cervejas, águas e refrigerantes, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observa-se de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da não-cumulatividade. Como visto, por força do art. 2º, § 1º, incisos VIII e IX, e do art. 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de bebidas, adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido nos artigos 49 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. Analisando a redação do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, verifica-se que ele utiliza o vocábulo “manutenção” dos créditos. Por outro lado, a alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, veda a utilização de crédito na aquisição de produtos relacionados nos artigos 49 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. Logo, ao invés de manutenção de crédito, como alegado pela Recorrente, o citado comando legal proíbe expressamente aos atacadistas e varejistas o direito de crédito nas aquisições de tais produtos. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não-incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência não-cumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Fl. 86DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 10 Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das sistemáticas de apuração e cobrança das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de tributação, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Corrobora o asseverado, o fato de a Lei nº 11.033, de 2004, não conter cláusula de revogação expressa da alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, conforme exigido no art. 9º 2 da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998. Obviamente, também não se aplica ao caso a figura da revogação tácita, segundo a qual a lei posterior revoga a anterior com ela incompatível, pois, conforme precedentemente demonstrado, inexiste qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004, posto que tais dispositivos tratam de matérias distintas, respectivamente, (i) vedação de concessão de crédito, no âmbito dos regimes especiais de incidência, e (ii) manutenção de créditos relativas aquisições vinculadas às receitas exoneradas de tributação pelas ditas Contribuições, no âmbito do regime da não-cumulatividade. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e aquel’outra estabelecida no inciso I do art. 50 da Lei nº 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegar-se- ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvê-lo em dobro. Além disso, tal procedimento levaria a concessão de um “benefício fiscal” completamente esdrúxulo, que afrontaria toda a lógica e racionalidade da forma de financiamento da seguridade social, baseada na solidariedade de toda a sociedade, conforme disposto no art. 195 da Constituição Federal. O suposto “benefício fiscal” apresentaria contornos ainda mais graves, tendo em conta que ele favoreceria um setor econômica que se caracteriza pelo fornecimento de produtos supérfluos e, na sua maioria, nocivos a saúde da população. Em decorrência, chegar- se-ia ao disparate de as receitas de venda de produtos essenciais, a exemplo dos produtos alimentícios, arcarem com uma incidência normal das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, enquanto que a receita de venda de bebidas passaria a ser desonerada da cobrança de tais Contribuições e ainda contemplada com um “benefício fiscal” adicional, correspondente ao valor recolhido pelo fabricante e importador, a ser suportado pela Fazenda Nacional. 2 "Art. 9º A cláusula de revogação deverá enumerar, expressamente, as leis ou disposições legais revogadas". (Redação dada pela Lei Complementar nº 107, de 26.4.2001) Fl. 87DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000929/2005-92 Acórdão n.º 3102-00.858 S3-C1T2 Fl. 79 11 Ante o exposto, fica amplamente demonstrado que, seja pela prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de cervejas, águas e refrigerantes estão sujeitas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Da natureza jurídica da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004. No presente Recurso, alegou ainda a Interessada que, ao regulamentar a tributação dos produtos relacionados nos arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003, o inciso VI do art. 23 3 da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, criou um novo regime jurídico não previsto na citada Lei. Com a devida vênia, mais uma vez incorre em equívoco a Recorrente. Inicialmente, cabe esclarecer que o art. 23 da citada Instrução Normativa trata das normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a Lei nº 10.833, de 2003, enquanto o disposto nos artigos 49, 50 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003, trata do regime de apuração e cobrança das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins devidas pelas pessoas jurídicas fabricantes e importadoras de cervejas, águas e refrigerantes, a partir da vigência da referida Lei. Por conseguinte, o citado art. 23 não tratou da forma de tributação estabelecida nos referenciados preceitos legais, que se encontravam vigentes no período de apuração dos supostos créditos pleiteados nos presentes autos. Assim, fica esclarecido que a citada Instrução Normativa em destaque, não tratou da regulamentação da forma tributação prevista nos arts. 49, 50 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003, nem tampouco do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Ademais, não criou qualquer novo regime de incidência tributária para as citadas Contribuições. De fato, a dita Instrução Normativa dispôs, exclusivamente, acerca da incidência não-cumulativa da Cofins, na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, sem acrescentar, em relação a esse ponto, qualquer inovação ao conteúdo normativo da referida Lei. Dessa forma, contrariamente ao alegado pela Recorrente, a citada Instrução Normativa nada mais fez do que reproduzir o que já se encontrava expressamente determinado na dita Lei, portanto, nada inovando nem colidindo com qualquer preceito legal, especialmente, com o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Além disso, cabe ressaltar que a referida Instrução Normativa cumpre função meramente interpretativa, com o nítido objetivo de padronizar procedimentos a serem observados no âmbito da Administração tributária. 3 “Art. 23. Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a Lei nº 10.833, de 2003, não se lhes aplicando as disposições desta Instrução Normativa: (...) VI - as receitas de venda dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, de 2000, a Lei nº 10.147, de 2000, a Lei nº 10.485, de 2002, o art. 2º da Lei nº 10.560, de 2002, e os art. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da Cofins; (...)”. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO 12 Não é demais lembrar que a definição da natureza jurídica dos atos normativos administrativos é ditada pela própria lei em função da qual são expedidos. Assim, com exceção das matérias de reserva absoluta de lei, previstas no art. 97 do CTN e no art. 150, inciso I, da Constituição Federal, nos demais casos, a lei pode atribuir às autoridades administrativas a edição de atos normativos com a finalidade de complementar alguns assuntos que, por critério de racionalidade, economicidade e conveniência, são melhor disciplinados na esfera administrativa. Com efeito, se o assunto é de reserva de lei ou se encontra completamente nela disciplinado, qualquer ato administrativo que venha a dispor sobre tal matéria, em decorrência do princípio da hierarquia das normas, terá função meramente interpretativa e eficácia retroativa, ex tunc (art. 106, I, do CTN), tendo por finalidade padronizar os procedimentos que deverão ser executados pelas autoridades administrativas hierarquicamente inferiores, de modo que os atos legais sejam fielmente cumpridos no âmbito da Administração tributária. A título de exemplo dessa condição, por pertinente, cito o disposto no 23 do da Instrução Normativa em destaque, o qual simplesmente reproduz aquilo que está escrito no art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Por outro lado, se a matéria não é de reserva legal e a própria lei remete à autoridade administrativa a incumbência de complementar alguns pontos, é inquestionável que o ato normativo administrativo expedido com base nessa prerrogativa terá força normativa e, no que concerne à matéria delegada e desde que obedecido os parâmetros legais, eficácia imediata e prospectiva, ex nunc (art. 3º da Lei de Introdução do Código Civil). Como exemplo, calha mencionar o disposto no art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, que atribuiu ao Ministro da Fazenda competência para expedir as instruções necessárias ao cumprimento da dita Lei, especialmente, no que tange a definição de receita de exportação, conforme exposto no excerto a seguir transcrito: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. (grifos não originais) Dessa forma, fica exaustivamente demonstrado que o disposto na Instrução Normativa SRF nº 404, de 2003, trata da incidência apenas da Cofins no âmbito do regime da não-culatividade, portanto, não tendo qualquer efeito em relação à apuração e cobrança das contribuições do PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de cerveja, água e refrigerante, submetida ao regime da tributação monofásica ou concentrada, nos termos dos artgos 49, 50 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. II. DA CONCLUSÃO Diante das considerações expostas precedentemente, chego a conclusão de que, no período de apuração dos créditos em apreço, as receitas de vendas de cerveja, água e refrigerante estava submetida ao regime incidência monofásico ou concentrada, em que a cobrança das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, nos termos dos artigos 49 e 50 ou 52 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.865, de 2004, era feita exclusivamente dos Fl. 89DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO Processo nº 10320.000929/2005-92 Acórdão n.º 3102-00.858 S3-C1T2 Fl. 80 13 importadores e fabricantes dos referidos produtos, enquanto que as receitas de venda auferidas nas etapas de atacado e varejo estavam sujeita à alíquota zero. Em consequência, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência não-cumulativa e submetida à alíquota zero, quando auferida pelos comerciantes atacadistas e varejistas (caso em apreço), por conseguinte, nessas etapas, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Assim, comprovado não haver o suposto direito creditório informado pela Recorrente, tenho que o titular da Unidade da Receita Federal de origem decidiu com acerto ao não homologar as compensações declaradas nos presentes autos. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter integralmente o Acórdão recorrido. Sala das Sessões, em 10 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 90DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 21/12/2010 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 27/12/2010 por LUIS MARCELO GU ERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002790/2009-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 12/05/2005 a 15/07/2005
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiro a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele.
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração.
Numero da decisão: 3803-006.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 12/05/2005 a 15/07/2005 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presume-se por conta e ordem de terceiro a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
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(BR TRADING COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. não interpôs recurso voluntário) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 12/05/2005 a 15/07/2005 NULIDADE. FORMALIZAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o auto de infração lavrado em consonância com as regras do Processo Administrativo Fiscal (PAF), bem como assegurado ao recorrente o direito à ampla defesa, inexiste vício que possa inquinar de nulidade o lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/05/2005 a 15/07/2005 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 27 90 /2 00 9- 16 Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.037 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de auto de infração aduaneiro lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 435.735,39 referente à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no § 3° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Como habitualmente se constata neste tipo de processo administrativo, que envolve a discussão de interposição considerada fraudulenta, onde se debate quem efetivamente é a empresa adquirente das mercadorias importadas e também quem é realmente a vendedora de mercadorias exportadas, existem muitas nuances a serem devidamente observadas e muitos elementos a serem cotejados. A decisão a quo captou precisamente todos os detalhes postos neste contencioso, de modo que se faz imprescindível adotar o relatório do acórdão da DRJ como ponto de partida neste momento: Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que foi detectado que a empresa BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda. não é a real adquirente das mercadorias por ela importadas, bem como não é a real vendedora das mercadorias por ela exportadas. [O “Relatório de Ação Fiscal”, parte integrante do auto de infração em apreço, descreve as seguintes constatações, resultantes da auditoria realizada: Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.038 3 (i) Considerando os indícios de irregularidades, a interessada foi submetida ao procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF n° 228/2002. (ii) Exportações e/ou Importações realizadas pela interessada se constatou incompatibilidade entre as contas, assim como incorreções quando confrontados com as alterações de seu Contrato Social. Verificouse assim que, até o primeiro trimestre de 2005, a empresa não possuía capacidade econômica compatível com as operações de comércio exterior. (iii) Os sócios da BR Trading não possuíam situação financeira suficiente para integralizarem o valor correspondente ao aumento de capital de RS 2.900.000,00. (iv) Não havia no passivo nenhuma conta que registrasse a obtenção de empréstimos e a empresa não gerou lucros suficientes para a integralização expressiva de capital. Os depósitos e saques nas contas representativas dos bancos eram em valores quase idênticos e as contas de clientes e devedores muitas vezes possuíam saldos credores. (v) As planilhas apresentadas pela interessada registram notas fiscais de saída referentes a vendas realizadas a vista, todavia não há registro de recebimento de duplicatas. Esse fato indica que a existência da conta clientes tem por finalidade registrar a remessa de recursos monetários feitas pelos reais adquirentes das mercadorias importadas. (vi) Os valores das notas fiscais de entrada e saída apresentam poucas diferenças e, em alguns casos, o valor de saída é menor que o de entrada. Várias notas fiscais de saída foram emitidas em sequência às de entrada. (vii) Os valores de entrada de recursos, registrados no livro Razão, se referiam a depósitos realizados por outras empresas, de acordo com o histórico da operação, ou não possuíam histórico. Os valores de saída se referiam ao fechamento de câmbio, devoluções de valores monetários e pagamentos realizados a empresas..que haviam depositados valores anteriormente. As saídas de recursos ocorriam imediatamente pós a entrada dos recursos. (viii) Os documentos apresentados não comprovaram a origem de recursos depositados em conta da Caixa Econômica Federal da ordem de aproximadamente 2 milhões de reais. (ix) Os documentos apresentados não comprovaram a origem de recursos depositados nos bancos Safra e Bradesco do ordem de aproximadamente 2 milhões e meio de reais. (x) A empresa através dos bancos Safra e Bradesco foram apresentadas planilhas e documentos que não permitiram a identificação dos depositantes. Da análise desses documentos se verifica que a interessada recebeu diversos adiantamentos de recursos de diversas empresas, muitas vezes com a concessão de Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.039 4 descontos e com saldo favorável aos depositantes. Também foram encontradas mensagens eletrônicas nas quais solicita remessa de recursos ás reais adquirentes das mercadorias importadas, com a indicação da conta bancária para os depósitos e a informação de que o desembaraço aduaneiro somente teria início depois do crédito financeiro. (xi) De outro lado também foram encontradas mensagens eletrônicas dos reais adquirentes comunicando sobre as remessas dos numerários. Os documentos também comprovam que foi utilizada a empresa Próspera Trading Importação e Exportação Ltda, que realizava o desembaraço aduaneiro e emitia notas fiscais de importações por conta e ordem para a BR Trading que, por sua vez, emitia notas fiscais de venda para as reais adquirentes. Nesse contexto a empresa Próspera se beneficiou do beneficio fiscal estadual (diferimento do ICMS do Estado de Santa Catarina), e em algumas situações se comprova que era conhecedora de que os recursos monetários eram adiantados pelas reais adquirentes das mercadorias. (xii) O sócio da empresa, Carlos Roberto Russo, apresentou informações inverídicas relativas ao atendimento de intimação; ao número de funcionários da empresa, que segundo ele seria de 25, quando na realidade eram dois, inclusive era o que comprovava a estrutura física da empresa; e ainda relativamente a um alegado crédito de US$ 300.000,00 não comprovado. (xiii) Da mesma forma inverídica a informação de que a empresa possui capacidade financeira e comprovada origem de recursos, pois de 3 milhões de reais, não foi comprovada a capacidade financeira da empresa para a integralização de capital social de 2,9 milhões de reais. (xiv) Apesar de a empresa informar que não usufrui de nenhum tipo de beneficio fiscal, relativamente ao Fundap, em sua página na Internet veicula esses benefícios. O livro de apuração de ICMS demonstra que o beneficio fiscal foi utilizado. Nas importações realizadas no sul do País, há o diferimento do ICMS e a aplicação de alíquotas menores. (xv) A prestadora de serviços e que não é a real adquirente das mercadorias importadas (O próprio livro razão demonstra essa condição de prestadora de serviços). Também demonstram que as condições comerciais são ajustadas pelos 'reais adquirentes das mercadorias com os fornecedores estrangeiros, sem a participação da BR Trading. Os contratos trazem ainda cláusula que determina o adiantamento de recursos financeiros para a liquidação dos pagamentos pertinentes à operação de importação. Há, inclusive, contrato com cláusula para que não fosse mencionado o nome da real adquirente na mercadoria, embalagem, conhecimento de embarque, fatura comercial ou qualquer outro documento. (xvi) Os valores que ingressaram na empresa foram obtidos para simular a integralização do Capital Social no valor de R$ 2.900.000,00, pois foram imediatamente devolvidos (ingressaram Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.040 5 em 28/06/2005 e saíram em 30/06/2005). Assim, não houve a efetiva integralização do Capital Social nesse valor, fato que determina que, em nenhum momento a interessada possuía situação econômica com os valores transacionados no comércio exterior. (xvii) O Demonstrativo de Fluxo Financeiro demonstra que a fiscalizada não dispunha de recursos monetários próprios para liquidar o câmbio referente às diversas importações realizadas, demonstrando, assim, a falta de possibilidade da BR Trading para a realização das operações de comércio exterior evidenciadas. AS Declarações de Imposto de Renda dos sócios demonstram que esses também não possuem situação financeira para cobrir as operações de comércio exterior realizadas pela interessada. A interessada utilizouse de simulação já que em todas as operações de comércio exterior registrou como se fossem próprias e emitiu nota fiscal de saida de vendas. (xviii) Essa simulação provoca danos ao Erário Estadual em razão dos créditos de ICMS. A União também sofre prejuízos, na medida que as notas fiscais de venda são emitidas sem a obtenção de lucros, não havendo assim, recolhimento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o lucro Líquido, conforme se vê das DCTF anexadas. Há ainda prejuízo ao Município que não recebe o Imposto Sobre Serviços. (xix) No âmbito federal há ainda prejuízos em razão de as empresas reais importadoras, ocultadas, deixarem de ser equiparadas a estabelecimento industrial e, portanto, não recolherem Imposto sobre Produtos Industrializados sobre as mercadorias importadas, e devido ao fato de os valores das notas fiscais de entrada e saída serem praticamente os mesmos. Empresas optantes pelo Simples também utilizaram indevidamente a BR Trading para fazer importações o que toma irregular o crédito de IPI da BR Trading para esses casos. (xx) O estabelecimento matriz da BR Trading é localizado em São Paulo, assim como 90% dos reais adquirentes das mercadorias importadas, e todas as mercadorias foram desembaraçadas em recintos alfandegados fora da cidade de Vitório/ES. A interessada nunca possuiu no Espirito Santo galpão para estocagem de mercadorias e sempre esteve localizada em uma minúscula sala onde cabem no máximo dois funcionários. A nomeação da cidade de Vitória/ES para sede da empresa foi mais uma simulação para obter benefícios fiscais proporcionados pela Estado do Espírito Santo. (xxi) Pelas razões expostas, ficou caracterizado que a BR Trading não é a real vendedora das mercadorias exportadas, bem como não é a real adquirente das mercadorias importadas, devendo ser aplicado o disposto no inciso V do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976 com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. No presente processo foi autuada a empresa Lahoud Indústria e Comércio, Importação e Exportação Ltda na condição de Fl. 3040DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.041 6 “devedor solidário” (fls. 01 e O2). A interessada Lahoud Indústria é Comércio, Importação e Exportação Ltda. foi cientificada por via postal (AR fls. 2727v) e apresentou a impugnação tempestiva (v. fls.2482) de folhas 2732 a 2756, com os documentos de folhas 2757 a 2811 e 2814 a 2952 anexados, apresentando as seguintes alegações, resumidamente: (i) O auto de infração é nulo em razão da falta de fundamentação das acusações e do manifesto cerceio do sagrado e amplo direito de defesa mandamental. (ii) É inconstitucional o inciso III do parágrafo único do artigo 32 do Decretolei n° 37/66, com a redação emprestada pelo artigo 77 da Medida Provisória n° 2.15835/01. Portanto, nula a autuação fiscal. (iii) Os pagamentos realizados em prol da contribuinte BR Trading, na aquisição de produtos isentos de IPI, foram efetivados com a emissão de TEDS (Transferência Eletrônica), através de saques de valores, existentes em suas contas bancárias, oriundos do regular exercício de suas atividades sociais e empresariais, regular e devidamente contabilizados. (iv) Não houve intimação formal à impugnante ou sequer pedido de esclarecimento, de exibição de papéis, documentos ou livros que permitisse lhe ser imputada a condição de terceira real adquirente das mercadorias importadas e real vendedora das mercadorias exportadas. Ao longo de toda sua existência nunca sofreu nenhuma exigência ou ação fiscal pela Receita Federal. (v) Assim, não teve nenhuma oportunidade de comprovar que não afrontou os diplomas gizados no Auto de Infração. Há evidente afronta aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. (vi) Diante da pesadíssima acusação de que teria participado de esquema criminoso de lavagem de dinheiro (interposição fraudulenta), como previsto na Lei n° 9.613/1998, sancionada com o objetivo de combater a reciclagem de dinheiro proveniente do narcotráfico, tráfico de armas, contrabando, sequestro, crimes financeiros e afins, e da impugnação oferecida nos autos do processo declarado nulo, com farta e idônea documentação, resta evidente a parcialidade do trabalho fiscal, em relação à impugnante. (vii) A impugnante recolheu todos os impostos federais, bem como os estaduais, não havendo qualquer dano ao Erário como acusado. (viii) Os serviços da empresa BR Trading foram contratados pelo fato de as informações sobre sua idoneidade estarem acima de qualquer suspeita, como se depreende de seu sitio na Intemet, sendo que a impugnante necessitava realizar importação, porém era leiga e não possuía nenhuma experiência nas operações de importação. Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.042 7 (ix) A presunção estabelecida no parágrafo 2° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, é iuris tantum e somente se caracteriza no caso da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, na aquisição dos produtos importados. A presunção em referência é elidida em relação à impugnante, pois a origem dos recursos utilizados nas importações é comprovadamente lícita. (x) “Em virtude das justas ponderações e, especialmente considerando que, com o uso de recursos próprios e contabilizados, a Impugnante promoveu a contratação da BR Trading (mera prestadora de serviços), para realizar a importação, ignorando por completo, em seu aspecto formal e burocrático, qual seria o procedimento por ela idealizado e executado, na formalização de seu pedido haja vista que, previamente entabulada a negociação com os exportadores chineses, permaneceu no aguardo e aporte dos produtos adquiridos, com os recursos provenientes de sua receita contábil. (xi) Ao desembaraço aduaneiro, contando com a assessoria e suporte da BR Trading, arcou com o pagamento dos tributos, contribuições, taxas e outras despesas, incidentes na operação, incluindose, o Imposto de Importação, de ICMS ao Estado de Espírito Santo (17%), Cofins/Pis, etc. conforme hábil documentação, novamente exibida. (xii) A descabida solidariedade deve ser afastada, pois resta plenamente demonstrada sua boafé, lisura e honestidade, não podendo responder por eventuais atos em desacordo com as normas, praticados pela BR Trading. (xiii) Requer seja declarada a improcedência e/ou insubsistência do auto de infração. A interessada BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda foi cientificada por via postal (AR fls. 2729v) e apresentou a impugnação tempestiva (v. fls. 2958) de folhas 2954 a 2956, na qual apresenta as seguintes alegações, resumidamente: (i) No caso vertente, portanto, nada mais dentro da legalidade que a BR Trading realizasse o negócio por ordem e conta da LAHOUD, sendo essa a disponibilizadora dos recursos financeiros. (ii) Por conseguinte, sendo que a relação comercial se efetiva pela trading – ou seja, a BR Trading natural que esta receba as notas de origem e proceda ao fechamento do câmbio com recursos de terceiro nessa hipótese, a LAHOUD. (iii) Logo, cai por terra o frágil argumento do Sr. Fiscal de que a BR Trading não possuía recursos financeiros para realizar tais negócios. Em verdade, ela sequer precisaria, dado o escopo de seu objeto. Ela pode, sim, como trading que é, efetuar negócios com recursos e por conta de terceiros, como de fato fez no caso em tela. Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.043 8 (iv) Haveria, sim, ilegalidade consubstanciadas em simulação, tão evidenciada pelo Sr. Fiscal caso inexistissem emissões de notas fiscais da empresa trading para o terceiro. (v) Fácil notar que isso não ocorre no presente caso. O próprio Sr. Fiscal elenca, ao longo do auto de infração, as notas fiscais emitidas pela BR Trading para a LAHOUD.” (sic) (vi) Houve tentativa malfadada de incriminar o gestor da empresa, com abuso de poder e excesso de exação por parte do autuante. As ações empreendidas pela autuada extrapolam o período decadencial e há invocação; de legislação posterior e gravosa, com ignorância do procedimento usual das empresas de trading. (vii) O “relatório de fiscalização foi realizado em 2006, sendo que o auto de infração e a aplicação da multa são datados de agosto de 2009, o que se toma essa absurda sendo cediço que apenas a lavratura do auto de infração interrompe a decadência.” (sic) (viii) Requer seja desconsiderado o auto de infração.] Até aqui este é o relatório diligentemente elaborado pela DRJ/FNS. Em sede de recurso voluntário, a empresa LAHOUD INDÚSTRIA E COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., na qualidade de responsável solidária, sustenta que (i) a fiscalização insiste em enquadrála como estivesse participando de um esquema criminoso de lavagem de dinheiro, previsto na lei 9.613/98, sem apontar com clareza, precisão e objetividade as razões motivadoras das acusações; (ii) desconsidera as comprovações da origem lícita dos recursos financeiros, oriundos do regular exercícios de suas atividades empresarias; (iii) a nulidade do auto de infração pela ausência de fundamentação e ausência de prévia fiscalização, o que inviabilizou o contraditório; (iv) a inconstitucionalidade da previsão de solidariedade para fins de pagamento de multa, como previsto na Medida Provisória 2.15835, que deu redação ao parágrafo único, inciso III, do art. 32 do DL 37/66; (v) que a solidariedade está em descompasso com os artigos 134 e 135 do CTN, e que sua aplicação no caso concreto deveria decorrer de dispositivo introduzido por lei complementar; (vi) que este auto de infração foi lavrado a partir da ação fiscal que seu ensejo ao processo administrativo nº 12466.002652/200511, do qual não teve qualquer ciência formal da empresa aqui Recorrente; (vii) que no ato da liberação das mercadorias, todos os impostos foram recolhidos, tais como II, PIS e COFINS, ICMS, de modo que ausente qualquer dano ao erário (art. 23 do DL 1455/76); (viii) que é inexperiente no mercado de importação e que apenas contratou a BR Trading e aguardou a chegada das mercadorias, sem qualquer conluio com a autuada; (ix) que a BR Trading está cadastrada no SISCOMEX para atuar em seu segmento de assessoria em comércio exterior, não havendo razões para que a Lahoud Indústria e Comércio Impor. e Expor. Ltda. suspeitasse de irregularidades, não sendo factível imputarlhe a participação em simulação tendente a causar dano ao erário; (x) que eventual agir incorreto deve gerar consequência apenas para a BR Trading; (xi) que a jurisprudência administrativa é firme no sentido de que a interposição fraudulenta de terceiros só resta caracterizada se não comprovada a origem dos recursos financeiros usados na operação de importação, sendo que a Lahoud Indústria e Comércio Impor. e Expor. Ltda. comprovou a licitude dos recursos alocados; que a aplicação da multa em questão deve ser aplicada exclusivamente em relação ao BR Trading, não cabendo a sua extensão a terceiros que não sejam enquadrados como Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.044 9 sucessores; que (xii) desconhecia a legislação no sentido de que deveria constar como a real adquirente das mercadorias objeto da importação e que esta providencia de informar recai sobre a BR Trading. A empresa BR Trading não apresentou recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Defende a recorrente que o auto de infração é nulo por não apresentar fundamentos claros e suficientes a sustentar a presente imputação. Na verdade, a recorrente generaliza o argumento acima posto, que quase se confunde com o mérito. Todavia, importante destacar que o auto de infração constante do volume I deste processo administrativo, em suas fls. 0208, acompanhado do Relatório de extensa ação fiscal, às fls. 2242 e anexos, também insertos no mesmo volume, atendem os requisitos do artigo 10 do Decretolei 70.235/1972. Ademais, destaco o seguinte trecho no corpo da descrição dos fatos: “(...) a qual passa a figurar no pólo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 27 da Lei 10.637/2002.” Não percebo, portanto, vício que possa invalidar o auto de infração em tela. Rejeito a preliminar. A outra preliminar de cerceamento de defesa e demais argumentos de mérito, aqui repisados em sede de recurso voluntário, foram irretocavelmente analisados pela decisão a quo, não vindo qualquer novo argumento capaz de infirmar o acórdão recorrido. Assim, para evitar tautologia, eis que tratase de processo longo em riqueza de detalhes, tenho por producente adotar as bem lançadas razões da DRJ/FNS: A ação fiscal a que se referem os autos teve início com a verificação de indícios de incompatibilidade entre os valores transacionados no comércio exterior e a capacidade financeira Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.045 10 da empresa BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda. À vista desses indícios, a empresa foi incluída nos procedimentos especiais de controle aduaneiro previstos pela Instrução Normativa SRF n° 228/2002. A interessada foi intimada, por diversas vezes, a apresentar documentos e prestar esclarecimentos sobre as operações de comércio exterior que realizou no período. Da análise dessas operações juntamente com os documentos e declarações apresentados, a fiscalização verificou que a interessada não logrou comprovar sua capacidade financeira para realizar as operações de comercio exterior. A integralização do Capital Social da empresa não foi comprovada, ao contrário, se comprovou o cometimento de fraude com o fim de simular referida integralização de capital. As Declarações de Importação foram registradas pela interessada como se operações tivessem sido realizadas por sua própria conta, ou seja, a interessada se declarava como importadora e adquirente das mercadorias. Todavia, foram detectadas diversas 'transferências de recursos financeiros entre as reais adquirentes das mercadorias importadas He a BR Trading, denotando o adiantamento dos recursos empregados nas operações de importação, haja vista terem sido realizados antecipadamente ao pagamento dos custos das importações. A análise da movimentação financeira também permitiu comprovar que os recursos empregados nas importações provierarn das reais adquirentes das mercadorias importadas, notadamente porque os depósitos dos valores eram seguidos de imediatas retiradas para o pagamento das importações. Dessa forma, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias importadas e exportadas, por terse configurada infração considerada dano ao Erário, conforme inciso V do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002, pena prevista no parágrafo 1° do mesmo artigo, in verbis: Art. 23. Consideramse dana ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeita passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.046 11 Considerando que as mercadorias não mais foram localizadas, por terem sido comercializadas, a fiscalização lavrou auto de infração para exigência da multa prevista no § 3° do mesmo art. 23, antes referido, in verbis: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) § 3º A pena prevista no § 1” convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. No presente caso o auto de infração se refere a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio das Declarações de Importação n° 05/04623189, 05/05076955, 05/05312047 e 05/07305153. Consta do pólo passivo da autuação, na condição de “devedor solidário”, a empresa Lahoud Indústria e Comércio, Importação e Exportação Ltda. A impugnante, BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda, defende que as operações que realizou foram isentas de irregularidades, pois se trataram de importações por conta e ordem de terceiro, nos moldes de operações realizadas por empresa trading. Admite que realmente importou as mercadorias para a empresa adquirente, por sua conta e ordem; que os recursos empregados nas 'operações de importação provieram da adquirente das mercadorias; e que a emissão de notas fiscais transferindo as mercadorias comprovam a licitude e correção das operações. Alega que, na condição de empresa trading, não necessitaria de deter capacidade financeira para realizar as importações, pois os recursos empregados proviriam de terceiro, como foi o caso. Os singelos argumentos da impugnante seriam válidos, caso efetivamente as operações houvessem sido declaradas como realizadas por conta e ordem de terceiros. (****) Importação foram registradas como se tanto a importadora como a adquirente das mercadorias fossem a BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda, ou seja, a real adquirente das mercadorias importadas, Lahoud Indústria e Comércio, Importação e Exportação Ltda, ficou oculta nas operações, sendo que, somente com o procedimento de fiscalização a simulação foi detectada. Da mesma forma em relação às notas fiscais emitidas pela BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda. A impugnante quer fazer crer que a emissão dessas notas fiscais comprova a licitude de sua atuação como empresa trading. Ocorre que ditas notas fiscais foram emitidas como se se tratassem de vendas de mercadorias e não como transferências de mercadorias importadas por conta e ordem de terceiro, ou Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.047 12 seja, mais uma tentativa de burlar a fiscalização e que não respalda a tese de defesa. No mesmo sentido se toma improcedente a alegação de que seria desnecessária à importadora deter capacidade financeira para suportar as importações que realizou. Como visto, as operações foram declaradas como importações por conta própria da BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda que, nessa condição, deveria necessariamente possuir capacidade financeira para realizar as importações. com o procedimento de fiscalização é que se constatou que os recursos empregados foram aqueles provenientes dos reais adquirentes das mercadorias, que ficaram ocultos, fato que estabelece a presunção legal de que as operações foram realizadas por conta e ordem de terceiros. Lei nº 10. 637/2002 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por canta e ordem deste, para fins de aplicação o disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Dessa forma, o fato de os recursos empregados nas operações de importação terem provindo de terceiro, oculto nas operações, ao contrário do que defende a impugnante a condena, pois caracteriza a infração da qual é acusada. Cumpre observar que as importações realizadas pela impugnante não se revestiram de nenhuma das formalidades determinadas pela legislação vigente, especialmente aquelas previstas na Instrução Normativa SRF n° 225/2002, que “estabelece requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações procedidas por conta e ordem de terceiros”. A impugnante deixa entender que operou a decadência. Todavia, de se registrar que a ciência do auto de infração, ato que o perfectibiliza, foi realizada dentro do prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 139 do Decretolei n° 37/1966. Portanto, improcedente a alegação. Decretolei n° 37/1966 Art. 138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 01/09/1988) Art. 139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.048 13 A responsável solidária, Lahoud Indústria e Comércio, Importação e Exportação Ltda, alega que teve seu direito à defesa cerceado, pois não foi intimada do procedimento fiscal ao qual foi submetida a empresa BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda. Não cabe razão à impugnante. Como dito, sua inclusão no pólo passivo do auto de infração, se deu na condição de sujeito passivo solidário e decorreu de ampla fiscalização realizada no sujeito passivo BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda. Referido procedimento fiscal, por sua vez, foi regularmente amparado em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), emitido pela autoridade competente. Também não se constata nenhum vício na condução dos procedimentos de fiscalização. O fato de a impugnante não ter sido intimada a se manifestar durante o procedimento de fiscalização não cerceou seu direito de defesa, pois, como se sabe o procedimento de fiscalização é processo investigativo que prescinde da interferência do contribuinte. Destarte, somente a partir de apresentação de impugnação tempestiva ao auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e 0 contribuinte (artigo 14 do Decreto n° 70.235/ 1972), inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida ao autuado oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. Ademais, a própria impugnação apresentada revela que a interessada teve pleno conhecimento dos motivos pelos quais o lançamento foi realizado, pois a defesa trata de todas as irregularidades a ela atribuídas. Da mesma forma não pode ser acatada a alegação de que é inconstitucional o inciso III do parágrafo único do artigo 32 do Decretolei n° 37/66, com a redação emprestada pelo artigo 77 da Medida Provisória n° 2.15835/01. De se informar .que a muito se tem assentado que a apreciação de inconstitucionalidade de normas é matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. No âmbito administrativo, é obrigação dos servidores públicos aplicar a legislação na forma como está vigente, sendolhes defeso afastar norma por ilegalidade ou inconstitucionalidade sem que tenha havido anteriormente decretação formal por parte do Poder Judiciário e determinação de suspensão de execução da lei ou parte da lei, por parte do Senado Federal. O entendimento está consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, conforme ementas transcritas a seguir, in verbis: Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.049 14 CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e tampouco ao juízo de primeira instância, a exame da legalidade das leis e normas administrativas (Ac. 1ª CC 10607.303, de 05/06/95). É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao art. 142, parágrafo único, da Lei n° 5.172/1966, Código Tributário Nacional CTN. De se citar, in verbis: Parágrafo único A atividade administrativa de lançamento e' vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Em verdade, de acordo com o parágrafo único do artigo 142, acima citado, a autoridade fiscal encontrase obrigada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras como as suscitadas na contestação em exame, uma vez que às autoridades julgadoras administrativas cabe simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. Por oportuno, assinalese que tal é o entendimento expresso no Parecer Normativo CST/SRF de n° 329/70, in verbis: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Dessa forma os argumentos baseados em ilegalidade ou inconstitucionalidade não podem ser acatados. Com relação à alegação de que não houve dano ao Erário, pois os tributos foram devidamente pagos, de se relembrar que o dano ao Erário se caracterizou por outra razão, como antes analisado. Como fartamente demonstrado, restou plenamente comprovada a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias ou dos responsáveis, nas operações de importação analisadas. A própria impugnante admite que os recursos empregados nas operações de comércio exterior foram por ela providos por meio de transferência eletrônicas. Desse fato decorreu o dano ao Erário, nos termos do inciso V, do art. 23, do DecretoLei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002, que volto a transcrever por oportuno, in verbis: Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.050 15 Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A impugnante defende ainda que não se caracterizou a interposição fraudulenta, pois a origem dos recursos empregados nas operações provieram de suas atividades sociais e empresariais, lícitas e devidamente contabilizadas. Assim, dispõe o parágrafo 2° do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.63 7/2002, in verbis: Art. 23. Consideramse dano no Erário as infrações relativas às mercadorias: § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Ocorre que, como visto, as Declarações de Importação autuadas foram registradas como se a adquirente das mercadorias fosse a própria BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda. Dessa forma, a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos deveria ter sido por ela realizada. Não foi esse o caso, pois o procedimento fiscal concluiu que a BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda não possuia capacidade financeira para realizar as importações que declarou como próprias e que realizou as operações de importação ocultando a real adquirente das mercadorias. Ademais a própria impugnante, Lahoud Indústria e Comércio, Importação e Exportação Ltda, ampara sua defesa na tese de que a origem dos recursos era lícita pois provieram de suas operações sociais e empresariais, ou seja, os recursos empregados nas operações de importação, efetivamente, não eram da BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda, mas sim, da Lahoud Indústria e Comércio, Importação e Exportação Ltda, que permaneceu oculta. Nesse aspecto não se pode acatar a alegação da impugnante de que agiu de boafé, de forma inocente e ingênua. Ainda que não tivesse familiaridade com a legislação e os procedimentos operacionais e burocráticos referente a importação de mercadorias, não se pode admitir que uma empresa contrate operações do vulto das ora analisadas, sem ao menos formalizar um contrato escrito, o que se depreende do fato de não ter sido apresentado. Ademais, não se pode alegar desconhecimento da legislação para fins de se justificar seu desatendimento. Da mesma forma, não se pode conceber que a empresa tenha contratado outra Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.051 16 para realizar importações por sua conta c ordem e aceite receber as mercadorias amparadas em notas fiscais de venda de mercadoria recebida ou adquirida de terceiro (código CFOP 6102). E ainda, como admitir a boafé da impugnante se os recursos, como admite, eram repassados à importadora por meio de meras transferências eletrônicas? Seria muita ingenuidade repassar recursos de tamanha monta desacompanhados de documentos comprobatórios de seu recebimento e de contrato celebrado com a recebedora desses recursos. Dessa forma, somente resta invocar o caráter objetivo da responsabilidade por infrações tributárias e aduaneiras, qual seja, que independem da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza ou extensão dos efeitos do ato, insculpido nos artigo 136 do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/1966, e no artigo 94, § 2°, do Decretolei n° 37/1966. O afastamento dessa determinação somente pode ser acatado quando expressamente disposto em lei, o que não é o caso dos autos. Assim, verificado o descumprimento das normativas, subsiste a penalidade prevista. Cumpre finalmente verificar o contido no artigo 95 do Decreto lei n° 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472/1988, Medida Provisória n° 2.158 35/2001 e pela Lei n° 11.281/2006, in verbis: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o Proprietário e o consignatário do veículo, quanto a que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Redação dada pela Medida Provisória n" 2.158 35, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei n° 11.281, de 2006) Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.052 17 No caso em trato, a fiscalização incluiu a Lahoud Indústria e Comércio, Importação e Exportação Ltda como solidária pelo crédito tributário decorrente da infração imputada, em razão de se verificar que os recursos utilizados nas operações de importação eram originados daquela empresa. Tal fato determinou o estabelecimento da presunção legal, já referida, de que as operações foram realizadas por sua conta e ordem. Portanto, comprovado que a Lahoud Indústria e Comércio, Importação e Exportação Ltda participou das operações de importação como real adquirente das mercadorias, pois os recursos utilizados nas operações dela provieram, e que permaneceu oculta, a mesma deve responder conjuntamente com a BR Trading Comércio, Importação e Exportação Ltda pelas infrações cometidas.” Como se vê, nestes autos não vieram argumentos capazes de desfazer tal convencimento. Mas importante acrescentar três ligeiras considerações. (i) Como a ora Recorrente insiste muito em debater a constitucionalidade da previsão legal de solidariedade passiva em casos de multa, não há como deixar de invocar, no âmbito do CARF, a Súmula 02, que aponta que este Conselho Administrativo não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (ii) Tendo em vista que a própria Recorrente admite, expressamente, que foi a real adquirente das importações que ensejaram a presente autuação, fica praticamente inviável acolher sua pretensão de afastar a penalidade pela ocultação desta informação ao Fisco, ainda que alegue não ter tido a intenção de fraude. Ora, a legislação parte de critérios objetivos para a caracterização da infração, não servindo posteriores argumentos de que foi vítima de sua inexperiência. Aliás, a própria Recorrente inicia seu recurso voluntário trazendo à tona o preceito legal de que ninguém poderá se beneficiar de sua própria torpeza. (iii) Se a Recorrente entende que foi prejudicada pelo agir irregular de sua parceira comercial, isto deverá, em tese, ser objeto de uma discussão na esfera privada, entre as empresas, não sendo possível, nesta seara, servir como fundamento para deixar de aplicar a legislação tributária inerente. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e de cerceamento de defesa; e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose na íntegra o crédito tributário. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12466.002790/200916 Acórdão n.º 3803006.919 S3TE03 Fl. 3.053 18 Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19515.003737/2003-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
RECEITAS FINANCEIRAS FASE PRÉ´-OPERACIONAL
As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício.
Numero da decisão: 1301-001.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 RECEITAS FINANCEIRAS FASE PRÉ´-OPERACIONAL As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré-operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
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Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 37 /2 00 3- 63 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Relatório Por bem descrever a matéria discutida nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de primeira instância, especificamente no que aponta: MORUMBY HOTEIS LTDA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento fiscal. 2. Durante a realização dos trabalhos de auditoria fiscal, a autoridade fiscal verificou as seguintes irregularidades, no anocalendário de 1999, conforme descrição contida no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 50/52: 2.1.o contribuinte deixou de oferecer à tributação receitas com aplicações financeiras e variações cambiais ativas. 3. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados os seguintes autos de infração, em 14/10/03: 3.1 .Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 56/59): Total do crédito tributário, R$ 1.073.568,37, incluídos o tributo, multa e juros de mora. Fundamento legal citado à fl. 58; 3.2. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 63/66): Total do crédito tributário, R$ 524.798,36, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal citado à fl. 66. 4. O contribuinte apresentou defesa de fls. 70/84, em 12/11/03, alegando em síntese que: 4.1 .no ano de 1999, a empresa estava em fase préoperacional; 4.2.neste período não possuía receitas operacionais. Contraiu recursos que foram aplicados no mercado financeiro; 4.3 .resultados eventuais obtidos com o uso de ativos na fase préoperacional são considerados ativos diferidos; 4.4.segundo o Ibracon o saldo conjunto de receitas e despesas financeiras, das variações monetárias ativas e passivas se credor deve ser diminuído do total das despesas préoperacionais incorridas no exercício, tratando eventual saldo credor como lucro do exercício; 4.5.no ano de 1999, não apurou saldo credor decorrente da diferença entre receitas e despesas financeiras; 4.6.cita Parecer de Orientação CVM n° 17/89; 4.7.igual entendimento deve ser aplicado à CSLL, nos termos do artigo 57 da Lei n° 8.981/95; 4.8.cita pergunta n° 202 do Livro Perguntas e Respostas IRPJ/2000 e IN n 54/88; 4.9.captou recursos em moeda estrangeira aplicados na construção de seu empreendimento. No ano de 1999, devido à valorização do real frente ao dólar apurou variação monetária ativa; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003737/200363 Acórdão n.º 1301001.679 S1C3T1 Fl. 3 3 4.10.a MP 2.15835, artigo 31 instituiu regime de caixa para o reconhecimento de receitas das variações cambiais; 4.11.a penalidade não pode ser aplicada, tendo em vista que agiu de boafé. Apreciando as razões aduzidas pela contribuinte, concluiu a douta DRJ pela Procedência do Lançamento, em acórdão que assim então restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 RECEITAS FINANCEIRAS E VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. As receitas financeiras e as variações cambiais ativas apuradas em fase pré operacional devem ser oferecidas à tributação segundo o regime de competência. CSLL O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente tendo em vista que se originam das mesmas provas. Lançamento Procedente Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu competente Recurso Voluntário, aduzindo, em suas sumárias razões, o seguinte: Que no ano de 1999 a contribuinte encontravase na fase préoperacional, razão porque, para fazer frente aos elevados custos dos recursos captados para fazer frente ao empreendimento, entendeu por bem aplicálos no mercado financeiro, até o momento próprio e específico de sua necessária utilização. Que todas as despesas enfrentadas pela contribuinte naquele período haviam sido registradas na conta de “ativo diferido”, nos termos da legislação comercial; Que de acordo com a legislação comercial (Art. 179, inciso V da Lei das S/A’s) devem ser registradas na conta de ativo diferido toda e qualquer despesa ou receita que forem incorridas/auferidas no período em que antecederem o início das atividades da empresa hoteleira. E foi justamente em cumprimento a essas regras contábeis que a Recorrente efetuou seus registros contábeis no período sob análise; Que, por força disso, os rendimentos advindos dessas aplicações, devem ser consideradas em confronto com as despesas do mesmo período. Observese que nem a fiscalização nem os julgadores de primeira instância discordam de que as referidas receitas teriam sido registradas no “ativo diferido”; Que se deve entender por saldo das despesas e receitas financeiras, o valor obtido da diferença entre as receitas e despesas financeiras. Neste caso, apenas o saldo credor obtido após dedução das despesas financeiras é que comporiam o lucro líquido do exercício; O saldo devedor, por sua vez, encontra autorização legal expressa para ser amortizado após finalizada a fase préoperacional; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Que a IN SRF no 54/88 estaria atualmente revogada. Nada obstante, a recorrente sustenta que é equivocado o entendimento exarado na decisão recorrida de que o referido diploma normativo, quando vigente, regulava apenas a correção monetária do balanço; Que de acordo com o pacifico entendimento da jurisprudência administrativa, deve ser aplicado o princípio da confrontação de receitas e despesas financeiras na fase pré operacional (Cita precedentes deste CARF); Que o procedimento adotado pela contribuinte encontrase expressamente disposto na pergunta no 202 do Livro de Perguntas e Respostas – Pessoa Jurídica/2000; Que a contribuinte, ao contrário do que afirmado na r. decisão de primeira instância, teria sim adotado a sistemática do regime de caixa para a apuração dos resultados em relação às apontadas variações cambiais; Que esse procedimento estaria expressamente autorizado pelas disposições do Art. 31 da MP 2.15835; Por fim, por não se ter verificado qualquer atuação de máfé pela contribuinte, inválida seria a aplicação da penalidade de 75% (multa de ofício); Que, por constar como lançamento decorrente, tudo o que for decidido em relação ao IRPJ deverá, também, ser aplicado em relação à CSLL. Requer, portanto, o provimento do recurso e a desconstituição integral do lançamento. Esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003737/200363 Acórdão n.º 1301001.679 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. A questão central discutida nos autos, conforme aqui se verifica, referese, na verdade, à discussão a respeito da obrigatoriedade, ou não, de submissão à tributação, pela contribuinte (pela sistemática própria do “regime de competência” ou pelo “regime de caixa”) dos rendimentos por ela auferidos em decorrência de realização de aplicações financeiras dos montantes captados, ainda, na fase préoperacional da entidade. A matéria, é bem verdade, não é nova no CARF, havendo, a seu respeito, inúmeros pronunciamentos a seu respeito, reconhecendo, em cada caso, o direito dos contribuintes em admitir, nos registros de seu “ativo diferido”, os montantes de despesas e receitas auferidas na parte préoperacional. Vejamos alguns desses relevantes precedentes: Número do Processo 10768.015971/200214 Contribuinte ACOM COMUNICACOES S.A Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 16/01/2012 Relator(a) MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Nº Acórdão 1103000.596 Tributo / Matéria IRPJ restituição e compensação Decisão ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório da contribuinte nos valores de R$ 2.133,31 em 1998, R$ 16.693,22 em 1999 e R$ 274.920,42 em 2000. Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2002 PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. O prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, diz respeito ao prazo limite para a Fazenda Pública efetuar lançamentos de ofício, não se comunicando este prazo com aquele que ela tem para proceder a prevista homologação da Declaração de Compensação entregue pelo contribuinte, na qual será examinada a certeza e liquidez do crédito pleiteado. HOMOLOGAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Homologase a compensação declarada pelo contribuinte, no limite do direito creditório reconhecido pelo julgador como certo e líquido, com base na sua convicção acerca das provas apresentadas. RECEITAS FINANCEIRAS FASE PRÉOPERACIONAL As pessoas Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. ========================================================================= Número do Processo 10830.003849/0071 Contribuinte FERRONORTE S/A FERROVIAS NORTE BRASIL Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão 28/06/2011 Relator(a) Alberto Pinto Souza Junior Nº Acórdão 9101001.052 Tributo / Matéria IRPJ restituição e compensação Decisão Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Ementa IRPJ. Fase Préoperacional. O saldo líquido negativo decorrente de despesas financeiras superiores às receitas financeiras incorridas durante a fase préoperacional deve ser lançado a débito da conta de ativo diferido, para futuras amortizações. O IRRF incidente sobre tais receitas financeiras absorvidas pelas despesas financeiras durante a fase préoperacional – se constitui em dedução do imposto devido e poderá gerar imposto de renda a restituir ou compensar. ========================================================================= Número do Processo 11080.000418/200341 Contribuinte TELCOM TELECOMUNICACOES DO BRASIL LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 03/11/2010 Relator(a) JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Nº Acórdão 1802000.650 Tributo / Matéria IRPJ restituição e compensação Decisão Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integra o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Alfredo Henrique Rebello Brandão. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003737/200363 Acórdão n.º 1301001.679 S1C3T1 Fl. 5 7 Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 FASE PRÉ OPERACIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras auferidas em fase préoperacional devem ser confrontadas com as despesas financeiras diferidas. Havendo saldo positivo, este é diminuído das demais despesas préoperacionais diferidas, de modo a reduzir o montante destas. Permanecendo ainda saldo positivo, o valor é oferecido à tributação. Do contrário, as retenções na fonte sobre as receitas financeiras passam a corresponder a saldo negativo de IRPJ.SALDO NEGATIVO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITORIO.A comprovação da existência de saldo negativo não depende apenas da efetividade das retenções, mas também da demonstração, pelo Contribuinte, de que as receitas correspondentes foram devidamente consideradas na apuração do tributo. ========================================================================= Número do Processo 10580.002125/200303 Contribuinte ITAPEBI GERACAO DE ENERGIA SA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTÁRIO Data da Sessão 18/05/2010 Relator(a) Não Informado Nº Acórdão 110300.206 Tributo / Matéria IRPJ restituição e compensação Decisão Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos terrnos do relatório e voto que integram o presente julgado,Vencido o conselheiro Mário Sérgio Fernande Barrosos(Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Shigueo Takata. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO DE RENDA — RECEITAS FINANCEIRAS EASE PREOPERACIONAL, As despesas financeiras relativas a financiamentos obtidos para construção de bens do ativo imobilizado devem ser ativadas no imobilizado, para serem reconhecidas como despesa por depreciação desses bens. As receitas financeiras, A guisa de reduzir ou limitar o impacto dos encargos financeiros, são vinculadas ao imobilizado em construção e são registráveis corno redutora do imobilizado. Se não fossem classificáveis como redutora do imobilizado, as receitas seriam classificáveis como redutora do ativo diferido, por serem auferidas durante a fase préoperacional. Tanto as despesas financeiras como as receitas financeiras não são apropriáveis em conta de resultado nos anoscalendário de 2001 e 2002, não havendo lucro real nesses períodos, de construção de bens do imobilizado e de fase pré operacional, de molde que o IRRF sobre as receitas financeiras se convola em saldo negativo de RN de 2001 e 2002. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Com base nesse entendimento, é relevante destacar que caracterizamse como receitas préoperacionais ou préindustriais as receitas financeiras auferidas pela pessoa jurídica anteriormente ao início de suas operações sociais ou posteriormente para expansão da empresa. No caso, as receitas apontadas seriam decorrentes dos recursos captados para o início do empreendimento, que, mantidos em depósito perante as competentes instituições financeiras, geravam resultados positivos. Os recursos aplicados na realização de despesas préoperacionais que contribuiriam para a formação do resultado de mais de um exercício social deveriam ser registrados no ativo diferido, sujeitandose à amortização a partir do início da operação normal ou da sua utilização. A respeito da matéria aqui apontada, relevante destacar o entendimento exarado na Solução de Divergência n° 32, de 21 de julho de 2008, que, sobre o assunto, assim já se manifestou: COORDENAÇÃOGERAL DE TRIBUTAÇÃO SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 32, DE 21 DE JULHO DE 2008: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), arts. 43 e 44, Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, arts. 177, 179, V e 181, Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 4o e 36, II, Lei no 9.430, de 27 de dezembro de1996, arts. 6o, II, Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR), arts. 218, 247, 274 e 325, Instrução Normativa (IN) SRF no 54, de 05 de abril de 1988, e no 79, de 1o de agosto de 2000. OTHONIEL LUCAS DE SOUSA JÚNIOR CoordenadorGeral Substituto Assim, a ativação das despesas parte da suposição de que no período pré operacional não há receita. Mas, havendo receita, ela deve ser utilizada para diminuir a despesa correspondente. Em se tratando de empresa em fase préoperacional, esse confronto será feito no ativo, e na eventualidade de se apurar um saldo credor (receitas maiores que despesas), haverá apuração do imposto. Caso as despesas préoperacionais sejam superiores às receitas auferidas, a empresa não terá lucro tributável pelo IRPJ. Dessa forma, tem razão a recorrente quanto à possibilidade de diminuição do saldo líquido das receitas e despesas financeiras do total das despesas pré operacionais registradas Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.003737/200363 Acórdão n.º 1301001.679 S1C3T1 Fl. 6 9 Em face dessas considerações, na linha da jurisprudência deste Conselho, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto, reconhecendo a regularidade do registro das apontadas receitas financeiras auferidas pela contribuinte na fase préoperacional, como por ela apontado, reconhecendo, assim, a completa inadmissibilidade da exigência tributária perpetrada, determinando, portanto, a desconstituição do lançamento realizado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.922642/2012-55
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA. NOTAS FISCAIS APRESENTADAS, SEM EXPLICAÇÃO DA SUA INFLUÊNCIA NA COMPOSIÇÃO DO DIREITO DO CRÉDITO OU DA PERTINÊNCIA TEMÁTICA AO QUANTUM PLEITEADO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, a juntada de documentação após a decisão de primeira instância somente é cabível se demonstrar de plano a materialidade do crédito alegado. A reunião de centenas de notas fiscais, sem indicação do seu impacto na composição do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator).
.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA. NOTAS FISCAIS APRESENTADAS, SEM EXPLICAÇÃO DA SUA INFLUÊNCIA NA COMPOSIÇÃO DO DIREITO DO CRÉDITO OU DA PERTINÊNCIA TEMÁTICA AO QUANTUM PLEITEADO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, a juntada de documentação após a decisão de primeira instância somente é cabível se demonstrar de plano a materialidade do crédito alegado. A reunião de centenas de notas fiscais, sem indicação do seu impacto na composição do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 26 42 /2 01 2- 55 Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi (Relator). . Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 1.153), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 40910455 emitido eletronicamente em 05/12/12, referente ao PER/DCOMP nº 14554.56638.011008.1.3.042095. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$ 20.507,76, representado por Darf recolhido em 20/12/07 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o que ocorreu foram problemas com as Dacon, DCTF e DIPJ a que se vinculam as compensações glosadas. Que os Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922642/201255 Acórdão n.º 3802004.270 S3TE02 Fl. 1.155 3 documentos foram entregues com erro e alguns deixaram de ser entregues na época própria tendo sido necessária a apresentação das declarações faltantes e retificadoras. Afirma que juntamente com a manifestação de inconformidade juntou todos os documentos possíveis e que poderia apresentar todos os que a autoridade julgar necessários. Invoca o princípio da verdade material, a ampla defesa, o devido processo legal, a segurança jurídica e a oficialidade, discorrendo sobre eles. Que caberia ao julgador diligenciar para descobrir a verdade material. Que direito aos créditos de PIS e COFINS nascem de vendas tributadas à alíquota zero. Cita leis. Afirma que referidos créditos são comprovados pelos documentos pertinentes (demonstrativos de crédito, notas fiscais de aquisição e outros). Diante disso, pede que sejam realizadas diligências e perícias que a autoridade julgar necessárias e que seja reformado o despacho decisório com a homologação das compensações pleiteadas. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 2ª Turma da DRJ/BHE entendeu pela improcedência do pleito do sujeito passivo, mantendo a glosa do crédito requerido e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que, diante da divergência entre os valores de débito constantes na DCTF e no Dacon (formadores do direito creditório), o pleito careceu de materialidade do crédito, mormente ante a ausência de prova nos autos. Afirma a decisão recorrida que: Nesse ponto, cumpre assinalar que as contradições foram evidenciadas entre informações prestadas pelo próprio contribuinte (DCTF original, Dacon e Dacon retificadora), motivo pelo qual o manifestante deveria cuidar de provar efetivamente qual valor (informação) corresponde à realidade dos fatos, a fim de conferir a necessária certeza ao crédito pretendido, não cabendo à autoridade julgadora mandar sanar a insuficiência de prova por meio de realização diligência. Em seu Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, o direito creditório existe, e para tanto acosta diversos documentos aos autos, eminentemente notas fiscais de aquisições e de saídas. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 1.153), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, apurado erroneamente o PIS e a COFINS, mas afirma que o direito de crédito decorre de vendas efetuadas com alíquota zero nos termos do art. 17 da lei 11.033/2004, “bem assim das diversas rubricas previstas no art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que permitem o direito ao crédito das contribuições”. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – centenas de notas fiscais do período envolvido no seu pedido. Acontece que, conforme entendimento sedimentado desta Turma Especial e do próprio CARF, a juntada de provas posteriormente à decisão de primeira instância, somente é cabível caso estas demonstrem de plano a materialidade do crédito. No caso em tela, as notas fiscais não vieram acompanhadas de qualquer esclarecimento sobre a composição do crédito pleiteado. E a rigor, em sede de segunda instância administrativa, é necessário seja suscitada no mínimo a dúvida razoável no julgador – o que não ocorre pela mera juntada de documentos cujo impacto na composição do crédito é desconhecido, seja no montante do direito creditório, seja até mesmo em sua pertinência temática. Caberia ao Recorrente, nesse sentido, esclarecer em que medida tais documentos compõem o direito de crédito que alega possuir em face da Fazenda Pública. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10680.922642/201255 Acórdão n.º 3802004.270 S3TE02 Fl. 1.156 5 Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, pois, nada obstante haver ocorrido a juntada de praticamente um milhar de notas fiscais, o Recorrente não indicou sua influência na composição do direito creditório, o que redunda ausente demonstração cabal da origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 21/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 21/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10530.728130/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2007, 2008, 2009
LANÇAMENTO DECORRENTE. TRIBUTO REFLEXO.
Insubsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram desconstituídos ou descaracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1302-001.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Weiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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SIMULAÇÃO NÃO COMPROVADA. A ação da contribuinte de procurar reduzir a carga tributária, por meio de procedimentos lícitos, legítimos e admitidos por lei revela o planejamento tributário. Para a invalidação dos atos ou negócios jurídicos realizados, cabe a autoridade fiscal comprovar, de maneira cabal, a efetiva ocorrência da conduta fraudulenta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. TRIBUTO REFLEXO. Insubsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram desconstituídos ou descaracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Andrade. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 81 30 /2 01 2- 18 Fl. 4001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Weiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 4002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.728130/201218 Acórdão n.º 1302001.663 S1C3T2 Fl. 4.002 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por NORAUTO VEÍCULOS LTDA, doravante tratada como recorrente, contra o Acórdão no 1534.441, de 22/01/2014, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, (fls. 3.791/3.865). Inicialmente, cuidase o presente Processo Administrativo Fiscal de dois autos de infração juntados a este processo às fls. 03/23 e 24/44, ambos lavrados em 27/12/2012, os quais versam, respectivamente, sobre a cobrança: a) do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 373.287,72 (trezentos e setenta e três mil, duzentos e oitenta e sete reais e setenta e dois centavos), além da multa de ofício de 150% e dos juros de mora, e da Multa Isolada, decorrente da falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada, no valor de R$ 202.666,85 (duzentos e dois mil, seiscentos e sessenta e seis reais e oitenta e cinco centavos); b) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$168.609,26 (cento e sessenta e oito mil, seiscentos e nove reais e vinte e seis centavos), além da multa de ofício de 150% e dos juros de mora, e da Multa Isolada, decorrente da falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimada, no valor de R$ 95.431,84 (noventa e cinco mil, quatrocentos trinta e um reais e oitenta e quatro centavos); Durante o procedimento fiscal, ficou constatado que a empresa Requerente se trata de componente integrante de um grande grupo econômico, o qual é composto especificamente pelas empresas ANIRA VEÍCULOS LTDA., NORAUTO VEÍCULOS LTDA. e MORENA VEÍCULOS LTDA – doravante tratado apenas como “Grupo MC”. Dessa forma, ocorreu que, no transcorrer do procedimento de fiscalização, a autoridade fazendária identificou conjunto de indícios que apontavam para a suposta perpetração de condutas fraudulentas por parte da empresa recorrente as quais, ao bem da clareza e coesão, passo a elencar pontualmente: 1. Após a análise conjunta dos documentos societários da recorrente e da empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, a autoridade fiscal concluiu que ambas as pessoas jurídicas eram administradas pelo mesmo quadro societário, composto pelos senhores MODEZIL FERREIRA DE CERQUEIRA, FLORISBERTO FERREIRA DE CERQUEIRA e JOSÉ SANTANA DE OLIVEIRA; 2. Que a empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, utiliza as dependências físicas da empresa MORENA VEÍCULOS LTDA, bem como presta os mesmos serviços que os funcionários transferidos Fl. 4003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 prestavam na lotação anterior (empresas do grupo econômico), inclusive com mesmos proventos; 3. Que, a partir de uma análise conjunta da documentação contábil e societária, bem como de outros documentos como notas fiscais e folhas de pagamento, concluiu o AFRFB pela ocorrência de simulação quanto às operações de prestação de serviços da MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, a qual, na verdade, servia apenas para desviar valores tributáveis da contabilidade do Grupo MC – que recolhia seu imposto de renda sob a sistemática do lucro real – para a empresa MC ACESSORIA – que recolhia o IR pela metodologia do lucro presumido; 4. Que, pela análise da documentação fiscalizada, restaram indícios de que a própria constituição da empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA se deu com o intuito fraudulento de reduzir a base de cálculo das empresas componentes do Grupo MC, mediante a contabilização de pagamentos referentes a prestações de serviços de gestão que, na verdade, nunca teriam ocorrido, tratandose, pois, de mera simulação; 5. Que as constatação acima são corroboradas pelo fato de a empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA não possuir notas fiscais concernentes às ditas prestações de serviços que efetuava em relação às empresas do Grupo MC, bem como pelo fato de tais serviços terem se dado mediante o pagamento de quantias consideravelmente superiores ao valor de mercado dessa modalidade de serviços; Assim, após ter concluído conforme relacionado acima, a autoridade fiscal lavrou os autos de infração ora em questão, pelo qual glosou a empresa recorrente pela constatação de despesas não comprovada/existente. Nessa esteira, o AFRFB compreendeu, em síntese, que a recorrente teria se valido de atos simulados, consubstanciados na prestação de serviços de gestão pela MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, para reduzir o montante de seu lucro tributável, mediante a transferência fraudulenta de valores à dita empresa de gestão, a título de pagamento. Noutros dizeres, a recorrente teria, no entender do AFRFB, simulado a prestação de serviços de gestão para deslocar apenas contabilmente receitas tributáveis pelo lucro real à empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, tributada pela sistemática do lucro presumido, tendo, assim, praticado conduta de sonegação fiscal. Destarte, a autoridade fazendária adotou entendimento no sentido de que a MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA se trataria, de fato, de uma empresa fictícia, cuja existência deveria ser desconsiderada com o consequente rateio das despesas a ela atribuída entre as empresasmembro do Grupo MC. Outrossim, em virtude da constatação acerca de conduta fraudulenta, o AFRFB ainda fez incidir sobre os valores tributados a multa de ofício prevista em artigo 44 da Lei 9.430 de 1996, na forma qualificada (150%), conforme previsto em inciso II do mesmo artigo, bem como aplicou a multa isolada prevista em artigo 44, II, “b” da Lei 9.430 de 1996 (no montante de 50%). Por fim, o AFRFB ainda lavrou, consoante artigo 135 do CTN, termo de sujeição passiva pessoal dos sócios, Srs. MODEZIL FERREIRA DE CERQUEIRA, FLORISBERTO FERREIRA DE CERQUEIRA e JOSÉ SANTANA DE OLIVEIRA, os quais Fl. 4004DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.728130/201218 Acórdão n.º 1302001.663 S1C3T2 Fl. 4.003 5 figuravam, respectivamente, como Diretor Presidente, Diretor superintendente e Diretor Comercial da NORAUTO VEÍCULOS LTDA. Em seguida, tendo a recorrente apresentado instrumentos de Impugnação presentes às fls. 1.674/1.783, 3.329/3.430, 3.458/3.490 e 3.659/3.768, eis que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador entendeu pela procedência parcial das alegações da ora recorrente, prolatando decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo os autos de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar os lançamentos, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Comprovado que o autuado simulou a prestação de serviços por empresa que, apesar de criada atendendo às formalidades legais, de fato não existe, cabe a responsabilização dos diretores da empresa autuada por infração de lei e do contrato social, restando caracterizada a solidariedade e justificada a reunião da empresa e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. Fl. 4005DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. Aplicase a Multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. Aplicase a Multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento da contribuição social deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no anocalendário correspondente. Ato contínuo, posto que ainda inconformada com a decisão prolatada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário juntado em fls. 3.886/3.894 dos presentes autos, no qual ventila: Fl. 4006DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.728130/201218 Acórdão n.º 1302001.663 S1C3T2 Fl. 4.004 7 (i) Que não pode a autoridade administrativa determinar a desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa, sendo tal competência privativa de órgão jurisdicional; (ii) Que dentro de um procedimento administrativo fiscal concernente a uma determinada empresa, não pode a autoridade administrativa determinar a desconsideração da personalidade jurídica de outra empresa; (iii) Que o entendimento adotado pela autoridade fiscal se revela equivocado, tratandose de uma contradição considerar a empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA como não existente para, em seguida, ratear suas despesas entre as empresas do Grupo MC; (iii) Que a empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA de fato se trata de uma empresa real e operante, constituída com o intuito de atuar como um backoffice das pessoas jurídicas componentes do Grupo MC, mediante a prestação de serviços de contabilidade, compliance fiscal, consultoria em recursos humanos, tecnologia da informação, crédito e cobrança e consultoria financeira e securitária; (iv) Que a empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA é, de fato, prestadora de serviços de gestão à empresa recorrente, os quais foram efetuados mediante a celebração de contratos de prestação de serviços válidos, sendo descabida a alegação do AFRFB sobre qualquer ocorrência de simulação em tais operações; (iv) Que a dedutibilidade das despesas da MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA entre as empresas componentes do grupo econômico não se mostra acertada, posto que colide com a presunção de inexistência da empresa de gestão; (v) Que o AFRFB não apresentou nenhuma matéria probatória que demonstrasse cabalmente a inexistência da MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA ou a invalidade dos serviços por ela prestados às empresas do grupo econômico, atendose a indícios inconclusivos; (vi) Que a multa qualificada de 150% se mostra descabida, posto que carece da comprovação efetiva do dolo como vontade deliberada da recorrente, o que não teria acontecido; (vii) Que, caso seja mantida a desconsideração da pessoa jurídica da MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, devem as despesas por ela apuradas serem consideradas para fins da apuração do lucro tributável; (viii) Que, caso seja mantido o Auto de Infração combatido, deve ser refeito o cálculo dos tributos devidos, posto que a incidência de PIS e Cofins ocasionada pelo auto de infração do processo n. 10530.728130/201262 impacta na base de cálculo do lucro tributável da empresa, posto que consistem em despesas dedutíveis desse mesmo lucro; Fl. 4007DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 (ix) Que, caso seja mantida a desconsideração da pessoa jurídica da MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, devem ser consideradas as quantias referentes ao PIS e à Cofins adimplidas pela empresa de gestão para fins de dedução da base tributável; (x) Que não é devida a multa isolada imposta, posto que a recorrente se trata de empresa contribuinte pelo lucro real, a qual, mesmo após o recolhimento das antecipações mensais, registrou, ao final do exercício, uma base de calculo inferior aos valores mensais das estimativas, não tendo, assim, lucro tributável; É o relatório. Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.728130/201218 Acórdão n.º 1302001.663 S1C3T2 Fl. 4.005 9 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. DA SUPOSTA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA EM SEDE ADMINISTRATIVA FISCAL. No caso em análise, a recorrente trás à baila questionamento sobre a possibilidade e validade de a autoridade administrativa fiscal determinar a desconsideração da sua personalidade jurídica, alegando que tal prerrogativa se restringe à figura de órgãos jurisdicionais, não podendo ocorrer mediante o mero processo administrativo de fiscalização. Entretanto, ao analisarmos atentamente a fundamentação elaborada pelo auditor fiscal em Termo de Verificação Fiscal de fls. 03/79, é possível perceber que não houve a aplicação do instituto civilista da desconsideração da personalidade jurídica da empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, mas sim, a desconsideração do conjunto de atos tidos por simulados perpetrados pela mencionada empresa de gestão. Essa constatação, aliás, fica evidente se tomarmos em conta o seguinte trecho do TVF (fl. 64), onde a autoridade fiscal deixa claro que a glosa efetuada se impõe graças à artificialidade das operações de prestação de serviços entre as empresas em questão: Não se pode olvidar que o contribuinte simulou a prestação dos referidos serviços, cumprindo as formalidades legais, com objetivo claro de redução da carga tributário e maximização da distribuição de lucros e dividendos. Neste caso, observase claramente que substância e forma das operações como foram realizadas não se coadunam. Concluise que o negócio realizado aparentemente, ou, simulado, não subsistirá, ou seja, a prestação dos serviços realizados pela MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, de fato não ocorreu, consequentemente, impondose a glosa das despesas respectivas. Assim, o que se discute nos presentes autos não tem a ver com a desconsideração da personalidade jurídica de nenhuma das empresas em questão, restringindo se unicamente à possibilidade de a autoridade fazendária desconstituir o ato praticado mediante suposta simulação, conforme determinam os artigos 116 e 149 do Código Tributário Nacional, combinados com as disposições do artigo 167, caput, do Código Civil. Nessa esteira, a fim de garantir a clareza da argumentação aqui tecida, importa transcrever o teor dos mencionados dispositivos: Fl. 4009DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Dessa feita, vejase que, pela análise combinada dos dispositivos acima mencionados, em consonância com as constatações descritas no Termo de Verificação Fiscal TVF elaborado pela autoridade fiscalizadora, o auto de infração que se viu lavrar pela autoridade competente teve como ponto central a suposta constatação acerca da ocorrência de simulação nas operações de prestação de serviços da MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, sendo determinado, por consequência, a glosa das despesas incorridas referente aos valores atrelados à simulação constatada. Por esse motivo, penso que se revela descabido o argumento posto pela recorrente, pois não se trata no presente caso de utilização do instituto civilista da desconsideração da personalidade jurídica. Antes, fica evidente que se operou neste expediente administrativo foi a desconsideração dos atos supostamente segundo as constatações do AFRFB. Nessa esteira, aliás, não bastasse a extensa fundamentação legal que determina a desconstituição do ato fraudulento já referida aqui em momento precedente, veja se que é firme a posição deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais quanto à possibilidade de a autoridade fiscalizadora desconsiderar os atos e negócios jurídicos praticados em simulação: FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. [...] (CARF, Acórdão n. 2302003.309, Rel. Arlindo Da Costa e Silva, data da sessão: 13/08/2014). Fl. 4010DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.728130/201218 Acórdão n.º 1302001.663 S1C3T2 Fl. 4.006 11 FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõese a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. (CARF, Acórdão n. 2302003.291, Rel. Arlindo Da Costa e Silva, data da sessão: 12/08/2014). Assim, tendo em vista que, no presente caso, a desconsideração recaiu não sobre a personalidade jurídica de qualquer empresa, mas sim sobre os atos fraudulentos supostamente praticados em conjunto pelas empresas do Grupo MC e a empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, não há como reconhecer as alegações apresentadas pela recorrente, sendo, ao contrário, imperativa a manutenção da decisão prolatada pela DRJ, especificamente quanto a esse tópico. 2. DA FALTA DE COMPROVAÇÃO CABAL QUANTO À OCORRÊNCIA DA SIMULAÇÃO E FRAUDE FISCAL. Já quanto à constatação acerca da suposta ocorrência de simulação, verifica se que o AFRFB concluiu pela existência de indícios que apontam para a ocorrência de conduta fraudulenta arquitetada e operada pelas empresas do Grupo MC em conjunto a empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. Mais especificamente, concluiu o AFRFB no sentido de que a recorrente, sendo tributada mediante a metodologia de apuração pelo lucro real, efetuava a transferência de valores à MC Assessoria, a título de pagamento por serviços de gestão que, em verdade, nunca teriam ocorrido, de forma a reduzir o montante de suas receitas tributáveis. Tal conclusão fica clara ao considerarmos o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal confeccionado pelo AFRFB: Anteriormente a contituição da empresa MC Assessocia em Gestão Empresarial Ltda, a empresa Norauto Veículos Ltda, deduzia do lucro tributável suas despesas com pessoal, entre outras. Posteriormente a constituição daquela foi possível planejar, de forma ilícita, o montante a deduzir do lucro real, cuja consequência é a redução da carga tributária desta, bem como, a elevação da distribuição de dividendos, demiante apuração de altos lucros na empresa recém criada e optante pelo Lucro Presumido (aquela). Fl. 4011DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 No curso deste procedimento fiscal ficou comprovado, consoante conjunto probatório vasto, que a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, presta mesmos serviços outrora prestados pelos funcionários integrantes do grupo econômico, porém com elevado custo para os optantes do lucro real. Ressaltase que o mais importante é que os serviços prestados não foram devidamente comprovados, através de relatórios de atividades, requisito essencial, para dedução das despesas nas empresas optantes pelo lucro real. Outrossim, percebese que a indicação dos serviços prestados no corpo das notas fiscais fora feira de forma genérica. [...] A essência do negócio jurídico ocorrido foi a criação de despesas não comprovadas, através de atos simulados, cujo objetivo maior era a redução da carga tributária, conforme relato. A simulação, tal qual se verifica na esécie, pressupõe que se procure fingir, disfarçar, mostra o irreal como verdadeiro, dissimular a verdade. Dessa forma, segundo entendeu o AFRFB, a empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA não se trataria de empresa real e atuante, sendo, ao contrário, um mero canal pelo qual a recorrente desviava receitas por ela auferidas, com o único propósito de reduzir a incidência da tributação sobre sua renda. Noutros dizeres, o negócio simulado verificado foi a própria criação de uma empresa de assessoria comercial, transferindo para essa, parte do lucro da recorrente, de forma que aquela pudesse tributálo na forma presumida, ou seja, a MC ASSESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA não existiria de fato, o que havia era apenas uma simulação visando “maquiar” outra situação. No entanto, a despeito das informações apresentadas pelo AFRFB, o qual realizou trabalho de análise das documentações angariadas no decorrer do expediente de fiscalização, entendo que não restou cabalmente comprovado nos autos a real ocorrência de simulação nas condutas perpetradas pelas empresas analisadas. Importa rememorar que as constatações do AFRFB se deram a partir da compilação de um conjunto de fatores que, no seu entender, não condiziam com a prática comum de mercado. Pontualmente, a autoridade fiscalizadora expõe no TVF que a suposta ocorrência de simulação teria se evidenciado principalmente em virtude de (i) a empresa MC Assessoria ter sido criada por iniciativa das empresas do grupo econômico, (ii) haver uma flagrante capacidade de gerência dos sócios das empresas do Grupo MC sobre a mencionada empresa de gestão, estando essa, inclusive, instalada dentro das dependências físicas de uma das empresas do grupo econômico e (iii) terse verificado que os valores supostamente cobrados pela empresa MC Assessoria como remuneração dos serviços que essa hipoteticamente prestava se mostravam demasiadamente elevados em relação aos preços praticados no mercado. Todavia, vejase que o AFRFB não tratou de carrear aos autos nenhuma informação mais detalhada capaz de comprovar o real intuito fraudulento da empresa recorrente, sendo que, ao contrário, a autuação lavrada se valeu unicamente de indícios que, aliás, não se tratam de condutas sequer ilícitas dentro do ordenamento jurídico brasileiro. Fl. 4012DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.728130/201218 Acórdão n.º 1302001.663 S1C3T2 Fl. 4.007 13 Tendo em vista que a empresa prestadora de serviços de gestão se originou com a finalidade de dar suporte técnicoadministrativo às empresas componentes do grupo econômico ao qual pertence, fica até possível concluir que sua criação se tratou, na realidade, de uma regularização das atividades que antes eram desempenhadas por funcionários de uma mesma empresa do mencionado grupo. Posto de outro modo, uma vez que as empresas integrantes do grupo econômico em questão se destinam à exploração do ramo de venda de automóveis, a criação da empresa MC ASSESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, com a consequente transferência das competências de gestão e a concentração do corpo de funcionários relacionados a tais competências, representou um passo rumo a maior coesão e harmonização administrativa que é, aliás, inerente à figura dos grupos econômicos e nada atenta contra a normativa tributária nacional. Notese, por exemplo, que embora o AFRFB tenha argumentado que as operações de prestação de serviço registradas pelas empresas envolvidas nunca tenham, de fato, ocorrido, não houve a juntada de qualquer indício robusto que amparasse tal alegação. Ao contrário, vêse que o AFRFB se limitou a apenas apontar que as notas fiscais apresentadas pela recorrente trariam descrição genérica e que, apenas por isso, não se tratariam de documentação hábil a comprovar a real prestação dos serviços em questão. Ademais, no que se refere à suposta discrepância entre os preços praticados pela MC Assessoria e aqueles verificados no mercado, vejase que o AFRFB não tratou de tecer maiores esclarecimentos quanto à magnitude dessa discrepância, não tendo sequer apresentado qualquer elemento probatório que aponte para uma real artificialidade dos ditos preços nem, tampouco, carreando documentos que reflitam os preços de mercado evocados para desqualificar as transações supostamente simuladas. Há que se mencionar, outrossim, que a recorrente trouxe aos autos – em fls. 2.916/3.121 – uma série de documentos a fim de corroborar suas alegações quanto à regularidade e efetiva existência das operações tidas como simuladas pelo AFRFB, juntando, inclusive, contratos que detalham as condições da prestação de serviços de assessoria e gestão que deviam ser desempenhados pela MC Assessoria Ltda. Além disso, a Contribuinte ainda carreou documentos produzidos por outras pessoas jurídicas, tendo apresentado, em fls. 2.928/2.967, laudos de procedimentos de auditoria da empresa MC Assessoria e Gestão Ltda, os quais dão conta de informações sobre a atividade da empresa, seus funcionários e patrimônio. Em tais documentos fica demonstrado que a dita pessoa jurídica não apenas desempenhava funções compatíveis com aquelas previstas nos contratos com as empresas do Grupo MC, como também realizava transações que corroboram a efetividade dessas funções como, por exemplo, a aquição de material e a remuneração de empregados. Ora, devese salientar aqui que, muito embora os atos perpetrados pelo auditor fiscal se recubram da presunção de legitimidade inerente ao seu caráter público, a prática fiscalizatória deve sempre se calçar no levantamento de matéria comprobatória que sustente a exação imposta pelo AFRFB, o qual deve, impreterivelmente, atuar sempre com a máxima diligência quanto à reunião de provas que demonstrem as razões da autuação que venha a ser perpetrada. Fl. 4013DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 Nesse ponto, cabe relembrar o teor do art. 116 do Código Tributário Nacional, o qual, inclusive, serviu como fundamento à lavratura do auto de infração em questão: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. O referido dispositivo, chamado pela doutrina de norma geral antielisiva, possibilitou à autoridade fiscal brasileira desconsiderar certos atos ou negócios jurídicos quando praticados com o intuito de dissimular a ocorrência do fato gerador de um tributo ou até mesmo a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. No entanto, devese destacar que a interpretação de tal dispositivo deve ser feita de forma a não impedir que o contribuinte valhase de direitos que lhe são inerentes como, especialmente, o de se planejar para o pagamento de tributos. Em outras palavras, há de se ter cuidado: [...] para não estender demasiadamente a aplicação do novo preceito, chegando a ponto de julgar dissimulado o negócio jurídico realizado em decorrência de planejamento fiscal. Este último caso, as partes celebram um negócio que, não obstante importe redução ou eliminação da carga tributária, é legal e, portanto, válido, diferentemente dos atos dissimulados, consistentes na ilegal ocultação da ocorrência do fato jurídico tributário. O parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional não veio para impedir o planejamento fiscal; nem poderia fazêlo, já que o contribuinte é livre para escolher o ato que pretende praticar, acarretando, conforme sua escolha, o nascimento ou não de determinada obrigação tributária.1 Com efeito, devese sempre ter em mente que há grande diferença entre a prática do planejamento tributário – que é lícito e saudável a qualquer atividade empreendedora – e as condutas discriminadas como de sonegação. Afinado a esse pensamento, vejase que também este Egrégio Conselho já teve a oportunidade de consignar entendimento segundo o qual a utilização da desconsideração prevista em legislação tributária deve ser usada com cautela, carecendo, para tanto, da efetiva comprovação quanto à perpetração da conduta fraudulenta: 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 310. Fl. 4014DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10530.728130/201218 Acórdão n.º 1302001.663 S1C3T2 Fl. 4.008 15 ELISÃO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. Para que se possa falar de elisão fiscal há de ser obstada a ocorrência do fato gerador do tributo e por meio de ato lícito. Se o ato praticado, ainda que lícito, é concomitante ou posterior à ocorrência da hipótese de incidência, não cabe falar em planejamento tributário e devido é o tributo que se tentou evitar. (Acórdão n° 20402/199) GANHO DE CAPITAL — SIMULAÇÃO PROVA A ação da contribuinte de procurar reduzir a carga tributária, por meio de procedimentos lícitos, legítimos e admitidos por lei revela o planejamento tributário. Para a invalidação dos atos ou negócios jurídicos realizados, cabe a autoridade fiscal provar a ocorrência do fato gerador. Não havendo impedimento legal para a realização das doações, ainda que delas tenha resultado a redução do ganho de capital produzido pela alienação das ações recebidas, não há como qualificar a operação de simulada. A reduzida permanência das ações no patrimônio dos donatários/doadores e doadores/donatários, por si só, não autoriza a conclusão de que os atos e negócios jurídicos foram simulados. No ano calendário de 1997 não havia incidência de imposto sobre o ganho de capital produzido pela diferença entre o custo de aquisição pelo qual o bem foi doado e o valor de mercado atribuído no retorno do mesmo bem. (Acórdão n° 102 47.181) Vejase, pois, que existe uma linha muito tênue entre a efetiva prática ilegal, fraudulenta e a perpetração de condutas que, na verdade, se tratam da utilização de mecanismos legalmente permitidos para a redução da carga tributária incidente sobre as operações de determinada empresa – práticas conhecidas como planejamento fiscal. Por essa razão, tendo em vista que ambas as práticas – uma ilegal e outra legal – se mostram facilmente passíveis de confusão, importa que a utilização do mecanismo de desconsideração de atos simulados, previsto em artigo 116 do CTN, seja utilizado com redobrada cautela pela autoridade fazendária, a qual deve atuar com a máxima diligência na ocasião do procedimento fiscalizatório, a fim de angariar robusta matéria probatória, capaz de demonstrar, de maneira incontestável, a efetiva perpetração de conduta fraudulenta, afastando qualquer hipótese quanto à ocorrência de planejamento fiscal. Dito isso, retorno ao caso em tela para, em arremate, frisar que, a despeito dos esforços desenvolvidos pelo AFRFB, entendo que esse falhou em comprovar a efetiva atuação fraudulenta da recorrente, não trazendo aos autos qualquer demonstração robusta quanto à inexistência dos serviços prestados pela empresa MC Assessoria à Contribuinte recorrente, bem como qualquer elemento que demonstrasse a existência e/ou magnitude da discrepância entre os preços aplicados entre as empresas e aqueles praticados no mercado. Assim, entendo que não há elementos probatórios suficientes carreados aos autos que possibilitem a cabal diferenciação entre a efetiva prática fraudulenta e uma mera prática de planejamento fiscal, sendo, por essa razão, indevido o lançamento realizado pela Fl. 4015DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 autoridade fiscalizadora, o qual deve ser anulado ante a evidente inaplicabilidade do fundamento legal que motivou a lavratura do auto de infração ora em tela. 3. DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para anular o lançamento efetuado e, por consequência, afastar os créditos tributários lançados a título de IRPJ e CSLL, bem como afastar a multa de ofício oriunda dos mesmos, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 4016DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001792/2004-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO
Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace - OAB/SP 182632.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 14/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO CONEXO - DECISÃO ÚNICA PROFERIDA NOS AUTOS DO PROCESSO PRINCIPAL - APLICAÇÃO Um vez que a complexidade da matéria fez com que a turma de julgamento analisasse os casos de forma concomitante e proferisse uma única decisão, adota-se integralmente nos processos conexos a decisão proferida nos autos do processo principal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace - OAB/SP 182632. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. EDITADO EM: 14/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas.
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Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, , por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral: Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP 182632. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 17 92 /2 00 4- 88 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 14/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deraulede, Gileno Gurjão Barreto, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Tratase de processo administrativo de compensação para a qual o contribuinte utilizouse de crédito de IPI decorrente da entrada de insumos isentos. O direito ao crédito foi reconhecido por meio de ação judicial já transitada em julgado. O caso é complexo e envolve muitos processos administrativos e judiciais. Por razão de economia processual e lógica de julgamento, todos os processos administrativos referentes a este assunto, portanto conexos, que estavam em pauta na sessão de 27 de janeiro de 2015, foram julgado concomitantemente, tendo sido proferido uma única e completa decisão nos autos do processo administrativo principal, qual seja: 10735.000001/99 18. Em virtude deste fato, adoto, para os devidos fins de direito, o relatório proferido naqueles autos e lido em sessão. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, este processo foi julgado concomitantemente ao processo administrativo principal no 10735.000001/9918. Nesta oportunidade resumiuse o assunto em discussão da seguinte forma: “O debate em relação ao CRÉDITO abrange os efeitos da alteração da norma que obrigou (i) o trânsito em julgado da ação para fins de compensação (art. 170A do CTN) e os efeitos da Instrução Normativa nº 41/2000, que inseriu uma nova situação ao direito da contribuinte em contraposição à coisa julgada favorável à empresa Nitriflex, proferida nos autos do MS nº 98.00166580 (o qual concedia o direito de crédito no período de Jul/88 a Jul/98 e autorizava a compensação nos moldes da IN 21/97) (ii) a situação específica da Recorrente em face da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança no 2001.51.10.0010250 e, (iii) os efeitos da IN/SRF 517, que a partir de 2005 passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado (iv) quantificação dos créditos. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11516.001792/200488 Acórdão n.º 3302002.824 S3C3T2 Fl. 11 3 Em relação aos DÉBITOS é preciso analisar (i) a homologação tácita das compensações de terceiros e (ii) especificamente em relação aos processos administrativos no 11516.002703/200411, 11610.001259/200367 e 10930.003102/200391 a preliminar de nulidade da decisão proferida pela DRFFlorianópolis/SC, por suposta incompetência para tanto, nos termos da IN/SRF 21/97.” A decisão proferida foi única e completa, tendose analisado, nesta oportunidade, todas as matérias em julgamento. Ante o exposto, é o presente para ADOTAR e REITERAR a decisão proferida nos autos do processo 10735.000001/9918, concluindose pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso ora analisado. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000670/2001-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1998, 1999, 2000
Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM
EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução
indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9101-000.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Claudemir Rodrigues Malaquias
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 • ' Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade .. de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ; Acordam os membros do colegiado, p g r unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do rela .rio e voto que integram o presente julgado. e CARLOS ALBERTO R • - • Pr-sidente. , 4n , CLAUD1 MIR RI DR UES MAL •UIAS - Relator. EDITADO EM: 21 \ 06/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, : ,.; ,‘ , Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffi-nann e Carlos Alberto Freitas .,. Barreto. -.'. , Relatório s- Trata-se de recurso especial interposto pela contribuinte com fundamento no art. 72, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela : Portaria MF n9- 147, de 25 de junho de 2007, em face do Acórdão n' 101-96.253, proferido pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. ..: O auto de infração foi lavrado em 10/04/2001 (fls. 007/016), para lançamento - da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrente da não adição, para efeito da : determinação da base de cálculo, do valor da contribuição ao PIS sub judice deduzido como H:5 despesa nos anos-calendários 1997, 1998 e 1999. :. Intimada do lançamento em 10 de abril de 2001, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 173/192), onde argumentou em sede preliminar, que houve equívoco no ::I.:; período considerado pela autoridade fiscal ao proceder o lançamento. Quanto ao mérito, acerca da dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, asseverou que estes não caracterizam provisões contábeis, mas verdadeiras despesas. :...: A decisão de primeira instância (fls. 259/269), por unanimidade de votos, entendeu ser procedente em parte o lançamento, em decisão assim ementada: .:.:Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997, 1998, 1999 =:1 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS. TRIBUTOS 5 1 COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apresentando nítido caráter de ,provisão. COMPENSAÇÃO DA CSLL. UM TERÇO DA COFINS 1999. Comprovado o recolhimento da COFINS, legítima a compensação de um terço da referida contribuição com a CSLL Lançamento procedente em parte. Sobrevieram, então, o Recurso Voluntário (fls. 272/294) e o Acórdão n2101- 96.253 (fls. 337/347). A antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em 06/07/2007, por unanimidade de votos negou provimento ao recurso, cuja decisão foi assim ,,.ementada: CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou c.)\ ..; contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do ... art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para 2 '. .. .,,:: ' Processo n° 16327.000670/2001-72 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.592 Fl. 455 " efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos interpostos por PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO LTDA. . ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A contribuinte apresentou, então, recurso especial (fls. 354/383), no qual intenta demonstrar divergência jurisprudencial quanto ao período considerado para a glosa da compensação efetuada e quanto à possibilidade de se deduzir da base de cálculo da CSLL tributos com exigibilidade suspensa. Em suas razões de recurso, a recorrente alega que a natureza da conta contábil em que os tributos foram escriturados é de contas a pagar e não de provisão, por entender que o fato das referidas contribuições estarem com a sua exigibilidade suspensa, não significa que o crédito tributário correspondente não era devido, identificável ou mensurável, mas tão somente que o seu efetivo desembolso está postergado para o momento do término da ação judicial e que, portanto, até que não seja proferida decisão na ação judicial, são totalmente devidos. Conforme o Despacho n2 101-074/2008 (fls. 408/410), o recurso especial da contribuinte foi parcialmente admitido, tão somente quanto à matéria relativa à indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa. Ato contínuo, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (fls. 440/448), sustentando os fundamentos do voto condutor e requerendo seja negado provimento ao recurso especial, mantendo-se a decisão a quo. É o relatório. ;. : 3 Voto 7 Conselheiro CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS O recurso especial da contribuinte submete duas matérias para exame deste colegiado. A primeira, diz respeito a suposto erro da autoridade fiscal quanto ao período para a glosa da compensação efetuada. A segunda matéria suscitada no recurso especial diz respeito à possibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa serem deduzidos da base de cálculo da CSLL. O Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, em sede de exame preliminar de admissibilidade (fls. 408/410), deu seguimento parcial ao recurso em razão dos acórdãos apresentados como paradigma comprovarem a alegada divergência somente quanto à segunda matéria (dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa). Após nova análise dos acórdãos oferecidos, constatei que nenhum reparo merece ser feito ao exame prévio de admissibilidade da Presidência Câmara. Assim, tendo em conta que o recurso preenche os demais requisitos processuais, dele tomo conhecimento parcial para apreciar a matéria relativa a dedutibilidade da base de cálculo da CSLL dos tributos com exigibilidade suspensa. Passo ao exame do mérito. Na parte conhecida, os presentes autos referem-se ao lançamento da CSLL decorrente da não adição à base de cálculo de valores correspondentes a contribuições para o PIS, objeto de questionamento judicial e com exigibilidade suspensa. A matéria submetida a este Colegiado cinge-se, portanto, à possibilidade de serem deduzidas da base de cálculo da CSLL as parcelas correspondentes aos tributos cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de questionamento judicial. r‘f. São os seguintes os dispositivos que regem a matéria: Lei n2 8.981/95 (art. 41, caput e sÇ 12) Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. ár 12 O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n 2 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial." (negritado) Lei n2 9.249/95 (art. 13, inciso I) Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n2 4.506, de 30 de novembro de 1964: — de qualquer provisão, exceto as constituídas para o „-.. pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro 4 „ Processo n° 16327.000670/2001-72 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.592 Fl. 456 .‘; salário, a de que trata o art. 43 da Lei n2 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n 2 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável. (negritado) A recorrente alega que a natureza da conta contábil em que os tributos foram escriturados é de contas a pagar e não de provisão. Entende a recorrente que o fato das referidas contribuições estarem com a sua exigibilidade suspensa, não significa que o crédito tributário correspondente não era devido, identificável ou mensurável, mas tão somente que o seu efetivo desembolso está postergado para o momento do télmino da ação judicial e que, portanto, até que não seja proferida decisão na ação judicial, são totalmente devidos. O entendimento que tem se filmado neste Conselho é de que os tributos que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário ....„ Nacional, devem ser provisionados contabilmente, não se confundindo, portanto, com o registro de despesas incorridas. Os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por uma das hipóteses previstas no citado art. 151 devem ser contabilizados pelo regime de caixa, ou seja, considerados como despesa somente por ocasião de seu efetivo pagamento. Enquanto provisão, está vedada a sua dedução na apuração da base de cálculo de qualquer tributo, devendo, portanto, neste caso, serem integralmente adicionadas à base de cálculo da CSLL. Afinal, este é 1 , disciplinamento previsto no art. 41, § 1 2 da Lei n2 8.981/95 e no art. 13, inciso I da Lei n2 9.249/95. : Este posicionamento foi muito bem apresentado no voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortês, a quem peço vênia para sua transcrição: - "(..) Entretanto, ao que pese o argumento despendido pela contribuinte, entendo que ó mesmo não tem como prosperar, até porque, se a mesma entendesse que o crédito tributário questionado judicialmente era devido, não teria se aventurado a uma demanda judicial morosa e infrutzfera. Se o fez, é porque entendia que as leis que instituíram ou majoraram as obrigações questionadas, traziam em seu bojo flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades, e sendo assim, não há o que se falar em contas a pagar, até porque, tal obrigação nasce de modo incondicional, ao passo que as características dos tributos com exigibilidade suspensa, são obrigações fiscais condicionadas à exigência futura e incerta. Portanto, por configurar uma situação de solução indefinida a data do encerramento do ano-calendário a que se refere, dependente de eventos futuros que poderão ou não ocorrer, subsume-se a uma situação de contingência que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, ou seja, à época do balanço, tal ganho ou perda é apenas potencial, não representando, evidentemente, uma obrigação incondicional. (-) C-16? 5 , . Logo, decorre dai a necessidade da formação da provisão para o registro contábil dos tributos com exigibilidade suspensa em função de sua contingência passiva em exercício futuro, cujos, valores, apropriados como despesa' no ano-calendário, devem • ,?I ser adicionados ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real, bem como para a determinação da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95." ,.. Nesta linha de argumentação, deve-se asseverar ainda que não encontra .::.,'...,: guarida no melhor direito a alegação da recorrente (fl.s 369) no sentido de que a . ':.. indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa aplicar-se-ia, exclusivamente, à . ,..: . ::.determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e não à CSLL. Com efeito, pelo disposto no art. 13, inciso I da Lei n2 9.249/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo .; da contribuição social sobre o lucro restou vedada a dedução de quaisquer provisões. Nestas estão incluídas aquelas constituídas em função de tributo com exigibilidade suspensa, excetuando-se apenas as provisões para pagamento de férias e déchno-terceiro salário e as provisões técnicas exigidas pela legislação especial de determinadas instituições. : ,, • Da análise efetuada, conclui-se com o mesmo entendimento do acórdão recorrido que decidiu pela impossibilidade de ser deduzida da base de cálculo da CSLL a parcela relativa às contribuições para o PIS objeto de questionamento judicial e com ., .. exigibilidade suspensa. A dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Assim, diante ao exposto, NEGO provimento ao recurso especial, mantendo- se a decisão recorrida. • . i.. 1 \ \ ,:;.; ,.,.: 11,121N . CLAUDEMIR 4 ioD IGUES • LAQUIAS - Relator,\ ,. . .., . , :.: .: • .-*, -... . .::..! ,..- t ,• ..,; . s. ..:-; 6 ' -,
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