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Numero do processo: 13971.916324/2011-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 24 /2 01 1- 97 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916324/201197 Acórdão n.º 9303006.449 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.947, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916324/201197 Acórdão n.º 9303006.449 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916324/201197 Acórdão n.º 9303006.449 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13971.916324/201197 Acórdão n.º 9303006.449 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.000617/2001-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA.
A variação cambial ativa deve ser incluída na receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido de IPI.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. A variação cambial ativa deve ser incluída na receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido de IPI. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. A variação cambial ativa deve ser incluída na receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido de IPI. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 06 17 /2 00 1- 48 Fl. 3164DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.164 2 Votaram pelas conclusões os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 210200.160, proferido pela 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar como receita de exportação a diferença relativa ao câmbio entre a data da emissão da nota e a data do embarque, no cálculo do crédito presumido de IPI. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363 de 1996, e a Portaria MF n° 38/97, no valor de R$ 20.075,41, e do saldo credor de IPI de que trata a Lei n° 9.779, de 1999, no montante de R$ 50.000,00. Apresentou, também, declarações de compensação de tributos. O crédito presumido foi indeferido em sua totalidade e o saldo credor de IPI foi deferido parcialmente, tendo sido reconhecido o direito creditório de R$ 48.073,55, glosa de R$ 1.926,45. Com base no Termo de Contestação Fiscal de fls. 139/156 as glosas foram efetuadas pelos motivos que, em resumo, passo a relatar: CRÉDITO PRESUMIDO 1. Receita de Exportação — Variação Cambial: A empresa incluiu no cálculo da receita de exportação valores de notas fiscais decorrentes de variação cambial, que devem ser consideradas como receitas financeiras; Fl. 3165DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.165 3 2. Glosa de insumos não admitidos pela legislação do IPI: A empresa incluiu no montante dos insumos utilizados no cálculo do crédito presumido itens que não são matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, tais como: GRÁFICO CIRCULAR (utilizado para registrar as temperaturas durante o processo de tratamento térmico); STABREX ST 40 (utilizado no tratamento das águas das torres de resfriamento para inibição do aparecimento de incrustações internas); TRASAR 20230 (utilizado no tratamento das águas das torres de resfriamento para inibição do apdrdtimento de incrustações internas); Gds Carbônico (agente propulsor de injetoras utilizado na movimentação de coque para não entupir a injetora); Argônio (utilizado para misturar o aço na panela e proteger o aço da oxidação atmosférica); THERMOLENE Gds (combustível utilizado no processo de corte de lingotes e barras de aço); Oxigênio Liquido (utilizado no processo de corte e para baixar o teor de carbono do aço, limpar o ago na panela e na válvula gaveta); Querosene (combustível que inicia o aquecimento da rede de alimentação dos fornos de aquecimento de matériaprima); Óleo Combustível 2A(utilizado no sistema de aquecimento de blocos para o processo de forjamento de rodas) 1. Glosa de insumos não admitidos pela legislação do IPI: estabelecimento da empresa efetuou o crédito do IPI proveniente de aquisições que não se referem A. matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, tais como: Papel Heliográfico (utilizado para desenho de projetos industriais), TRASAR (solução para tratamento de água de refrigeração de máquinas e equipamentos , que circula nas tubulações do sistema de resfriamento) e Aditivo para Óleo (utilizado para baixar a viscosidade do oleo BPF e para não causar entupimento da's tubulações e partes internas dos queimadores); 2. Glosa de créditos provenientes de aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES. Como se vê, em nenhum momento a DRJ tratou de energia elétrica. A decisão recorrida restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. É ilegítima, por expressa disposição legal, a compensação de débitos do sujeito passivo, com crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos da judicial que os autoriza. Fl. 3166DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.166 4 Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vale observar que a ementa que consta do acórdão não condiz com o decidido, a Fazenda Nacional, bem como a Contribuinte deveriam ter mais atenção e apreço junto aos autos, um simples embargos resolveria tal equivoco. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, por contrariedade à lei ou à evidência da prova, à CSRF, com base no art. 7º, I, e seu § 1º, da Portaria MF nº 147/2007, apresentado, o qual, em relação a matéria recorrida, considerou como receita de exportação a diferença relativa ao câmbio entre a data da emissão da nota e a data do embarque. Esclareçase que o acórdão recorrido foi proferido antes da vigência do anexo II da Portaria MF nº 256/09, ou seja, antes de 01/07/2009, portanto o recurso deverá seguir o rito previsto no Regimento Interno da CSRF (aprovado pela Portaria MF nº 147/2007), conforme estabelece o art. 4º daquela Portaria. O Presidente da 3º Câmara da 3º Seção de julgamento deu seguimento ao recurso, com fundamento nos arts. 7º e 15 do Regimento Interno da CSRF (aprovado pela Portaria MF nº147/2007). Não conformada com tal decisão, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, suscita divergência em relação a duas matérias: 1) glosa relativa aos materiais intermediários utilizados na industrialização dos produtos exportados, e 2) diz ser legítimo o crédito da ora Recorrente sobre essas aquisições de mercadorias de empresas optantes pelo SIMPLES. Aponta como paradigmas para a primeira matéria, que trata de glosa relativa aos materiais intermediários utilizados na industrialização dos produtos exportados, foram trazidos dois acórdãos da CSRF, de nºs 0201.292 e 0202.705, que tratam de aquisições de produtos intermediários e as respectivas inclusões na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Como o segundo aresto concorda com o decidido no acórdão recorrido, a divergência fica apenas por conta do primeiro acórdão, que tem a seguinte ementa: IPI CRÉDITO PRESUMIDO. ENERGIA ELÉTRICA INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO — podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matériasprimas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classificase como produto intermediário, e como tal, pode ser incluída na base de cálculo do crédito presumido. Recurso Especial Improvido. Embora o acórdão CSRF/0202.705, trate da matéria apontada de maneira convergente com o acórdão recorrido, o acórdão CSRF/0201.292, supra, traz a discussão sobre a matéria de forma parcial, somente com relação a energia elétrica. Assim é que com efeito, o acórdão recorrido como os casos dos paradigmas versam sobre pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI em que há discussão acerca das aquisições de insumos classificados como MP, PI e ME, sendo que as soluções foram divergentes nos julgados analisados. Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.167 5 Em seguida, Presidente da 3º Câmara da 3º Seção de julgamento deu seguimento parcial ao Recurso, apenas em relação à matéria "energia elétrica utilizada na industrialização dos produtos exportados". No essencial, é o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso da Fazenda Nacional foi apresentado no prazo legal, atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Portanto, a matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a quanto a inclusão ou não no percentual para cálculo do crédito presumido das variações cambiais ocorridas antes da data do embarque. Com efeito, quanto a inclusão na receita de exportação da variação cambial, no cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303003.043, de 12/08/2014, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: "CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. A Lei 9363 autoriza a inclusão das variações monetárias na receita de exportação para fins de cálculo do valor do crédito presumido. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO Para efeito de apuração da receita bruta de vendas nas exportações, existe ato normativo específico, disciplinando a matéria. Refirome ao disposto nos Fl. 3168DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.168 6 itens I e II da Portaria MF nº 356, de 05 de dezembro de 1988, a seguir transcritos: I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. (grifos não originais) De acordo, com os referidos comandos normativos, o valor da receita de venda na exportação é determinado com base na taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Somente a variação no preço em moeda nacional decorrente da alteração da taxa câmbio, ocorrida após a referida data e o fechamento do contrato de câmbio, será tratada como variação monetária passiva ou ativa, conforme o caso. Corrobora o asseverado, o disposto no inciso I do art. 6º da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que em complemento ao estabelecido na lei instituidora do incentivo fiscal em destaque, determinou que a relação das notas fiscais relativas às exportações diretas deveria conter, dentre outros dados, a data do embarque da mercadoria para o exterior, a qual, nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex, conforme determinado no inciso I do art. 39 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994. O mesmo entendimento foi manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit), conforme exposto no excerto da Solução de Consulta nº 10, de 17 de junho de 2002, a seguir transcrito: A receita de vendas nas exportações de bens, com o valor expresso em moeda estrangeira, será convertida em reais à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos bens para o exterior. Considerase como data de embarque dos bens para o exterior aquela averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Assim, embora a lei instituidora do incentivo determine que a apuração da receita de exportação seja feita com base na legislação que rege a contribuição para o PIS e a Cofins e, subsidiariamente, com base na legislação do Imposto de Renda e do IPI (art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996), Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.169 7 por ser específica, o disposto no itens I e II da Portaria MF nº 356, de 1988, não conflita com o estabelecido no art. 9º5 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trata das variações monetárias concernentes apenas aos “direitos de crédito e das obrigações do contribuinte”. Como na operação de exportação, os direitos de crédito surgem após o embarque da mercadoria para o exterior, logo, somente após a referida data, eventual variação na taxa de câmbio será tratada como despesa ou receita financeira, respectivamente, de variação monetária passiva ou ativa, itens que integram a receita operacional da pessoa jurídica, segundo a legislação do Imposto de Renda. Logo, para efeito do benefício fiscal em apreço, a receita de exportação é considerada efetivada, no ato da entrega do bem ao comprador, ou seja, na data de embarque da mercadoria, que nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex. Em decorrência, qualquer variação no preço do produto, especialmente, em decorrência da variação na taxa câmbio entre a data de emissão da nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimentos e a data de embarque, deve ser objeto de nota fiscal complementar de preço, conforme expressamente determinado no parágrafo único do art. 19 da Lei nº 4.502, de 1964". Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. A decisão recorrida deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, com os seguintes fundamentos: "Duas controvérsias exsurgem dos autos ora apreciados. A primeira quanto possibilidade de calcularse o crédito presumido sobre aquisições de produtos não "consumidos" diretamente no processo de produção da mercadoria. A segunda quanto ao cômputo na receita de exportação de variação cambial intrínseca aos produtos exportados. Quanto à primeira controvérsia, conquanto não concorde com a posição inclusive jurisprudencial desse Conselho, por ser de opinião de que o crédito sobre o qual discorremos não se tratar de crédito de IPI, mas de crédito presumido de PIS e de COFINS, apenas compensável com o IPI, logo por isso inaplicável a legislação de regência desse tributo, exceto quando Fl. 3170DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.170 8 esgotada a via do Regulamento do Imposto de Renda, tal como previsto pela Lei n° 9.363/96. Outrossim, curvarmeei a jurisprudência desse Conselho, tendo constatado que tais produtos adquiridos cujo crédito é ora glosado são aplicados no processo produtivo, mas não diretamente consumidos no produto final. Além do que aos óleos combustíveis, há vedação expressa por via de súmula do 2° Conselho de Contribuintes. Quanta ao segundo tema, porém, concordo com a pretensão do contribuinte. Isso porque há dois tipos de "variação cambial". E que aqui não se queira, como feito pela douta DRJ, aplicarse a legislação do PIS e da COFINS por sua conveniência, pois foi isso que constatamos do texto do Acórdão recorrido. Quando falamos em consumir o insumos, aplicase o IPI. Quando estamos a falar de variações, cambiais, aplicase a Lei n° 9.718/98. Há a variação cambial "financeira" e a variação cambial "receita de vendas", por assim dizer. A primeira ocorre após data do embarque, que é o momento da conversão da receita de exportação em moeda nacional, por determinação da legislação que rege o curso forçado de nossa moeda. E isso é fartamente amparado pela legislação comercial e pelas normas contábeis. A primeira, classificada em conta de receitas financeiras, é a chamada variação cambial do contas a receber. Após a data do embarque, varia o contas a receber. I A segunda, é forçosamente contabilizada como receita de vendas de mercadorias, pois que a tradição da propriedade ocorre no momento do acertamento do preço ou do compromisso , Iern pagálo. Do contrário os inconterms CIF e FOB inexistiriam. E isso vale quando o resultado é positivo ou negativo. O contrário também ensejará a redução dos percentuais de exportação quando ocorrerem. Por isso, concordo com a pretensão do contribuinte de calcular o crédito presumido do IPI sobre as receitas de exportação acrescidas (ou reduzidas) da variação cambial anterior à data do embarque, inclusive objeto de emissão de nota fiscal complementar, como manda a legislação comercial e inclusive para que tais valores sejam base de cálculo do ICMS, como manda a legislação desse tributo e mais, como manda a legislação do próprio PIS e COFINS, mormente na sua forma "importação", quando estabeleceu o fisco na IN no 436/2004 que "considerase valor das despesas aduaneiras o valor dessas despesas utilizado p4ra o cálculo do ICMS. Na hipótese de não serem conhecidos todos os elementos que compõem o valor das despesas aduaneiras no momento do fato gerador das contribuições, deverá ser utilizado o valor do ICMS calculado com os elementos conhecidos nesse momento. Conhecido o valor do ICMS devido, e sendo este diferente do valor do ICMS calculado nos termos Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.171 9 previstos na IN, o importador deverá ajustar o cálculo e, caso necessário, recolher a diferença das contribuições, sem o pagamento de multa e juros, até a data do desembaraço aduaneiro." Ex vi da IN no 243/2002, adicionalmente. Isso posto, voto no sentido de prover parcialmente a pretensão da recorrente, negando provimento quanto à possibilidade de creditamento sobre produtos não consumidos na industrialização do produto exportado, e dando provimento quanto à inserção no percentual para cálculo do crédito presumido das variações cambiais ocorridas antes da data do embarque, objeto de emissão de notas fiscais complementares". Por outro lado, a divergência aceita no Recurso Especial da Contribuinte diz respeito apenas em relação à matéria sobre "energia elétrica utilizada na industrialização dos produtos exportados". Como se vê, em nenhum momento a decisão recorrida tratou sobre energia elétrica utilizada na industrialização de produtos exportados. Além disso, de uma leitura detida do Recurso, não localizei em nenhum momento na peça recursal o cotejo analítico, apontando qual legislação tributária teria sido interpretada de maneira divergente do que o acórdão recorrido decidiu, entendo que por mais esta razão, o recurso não merece ser conhecido. Quanto ao cotejo analítico, o ex Presidente do CARF, teve o empenho e dedicação de elaborar o MANUAL DE EXAME DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL, disponível no sítio do CARF, o qual merece destaque: 1.2 Demonstração da legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente." ( fls.30). No que tange a divergência do referido acórdão paradigma, além da ementa estar desconectada com a matéria do acórdão recorrido, entendo que não há divergência alguma. Vejamos: Desta forma, não tendo sido esclarecida qual a verdadeira faixa de trabalho do equipamento importado(...)in dubio se resolve pro reu, por força do art. 112 do C.T.N. Fl. 3172DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.172 10 Neste sentido, essas dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Deste modo, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte. Diante de tudo que foi exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, e não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 10860.000617/200148 Acórdão n.º 9303006.678 CSRFT3 Fl. 3.173 11 Fl. 3174DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001633/2005-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA.
A preterição do direito de defesa decorre de despachos eu decisões e não da lavratura de ato ou termo, como no caso do auto de infração.
REABERTURA DE PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO.
Não há que se falar em reabertura do prazo para contestação, quando demonstrado que foram entregues ao sujeito passivo todos os termos lavrados no curso da ação fiscal e que os elementos de prova foram fornecidos pela empresa fiscalizada.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO.
A manutenção no passivo de obrigações cuja origem e a exigibilidade não sejam comprovadas caracteriza a omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para prestar esclarecimentos sobre a regularidade dos lançamentos registrados em seu passivo, já que esta omissão tem conseqüência específica prevista na legislação, que é a autorização para a presunção de omissão de receitas.
AUTOS REFLEXOS.
Aplica-se aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL. o que foi decidido quanto à exigência matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação.
Numero da decisão: 1301-002.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidades, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. A preterição do direito de defesa decorre de despachos eu decisões e não da lavratura de ato ou termo, como no caso do auto de infração. REABERTURA DE PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Não há que se falar em reabertura do prazo para contestação, quando demonstrado que foram entregues ao sujeito passivo todos os termos lavrados no curso da ação fiscal e que os elementos de prova foram fornecidos pela empresa fiscalizada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo de obrigações cuja origem e a exigibilidade não sejam comprovadas caracteriza a omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para prestar esclarecimentos sobre a regularidade dos lançamentos registrados em seu passivo, já que esta omissão tem conseqüência específica prevista na legislação, que é a autorização para a presunção de omissão de receitas. AUTOS REFLEXOS. Aplica-se aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL. o que foi decidido quanto à exigência matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidades, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild.
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PASSIVO FICTÍCIO Recorrente LWS COMÉRCIO E SERVIÇOS EM INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. A preterição do direito de defesa decorre de despachos eu decisões e não da lavratura de ato ou termo, como no caso do auto de infração. REABERTURA DE PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Não há que se falar em reabertura do prazo para contestação, quando demonstrado que foram entregues ao sujeito passivo todos os termos lavrados no curso da ação fiscal e que os elementos de prova foram fornecidos pela empresa fiscalizada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo de obrigações cuja origem e a exigibilidade não sejam comprovadas caracteriza a omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para prestar esclarecimentos sobre a regularidade dos lançamentos registrados em seu passivo, já que esta omissão tem conseqüência específica prevista na legislação, que é a autorização para a presunção de omissão de receitas. AUTOS REFLEXOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 33 /2 00 5- 86 Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.152 2 Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL. o que foi decidido quanto à exigência matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidades, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1610.066, proferido pela 3ª Turma da DRJ/SPO1, que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente feito de autos de infração de 1RPJ c reflexos (fls. 216/231), relativos ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, cuja exigência fiscal totaliza R$ 41.341.986,57, incluindo multa e juros calculados até 29/04/2005. 2 Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (11s. 212/215), a autuação foi motivada pela não comprovação dos valores lançados nas contas passivas 2.1.1.10.2206 Enterasys Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.153 3 Netsvorks do Brasil Ltda e 2.1.1.10.8603 — Redisul Informática Ltda. 3 Para enquadramento legal da irregularidade apontada, foram citadas as seguintes disposições legais: 3.1 IRPJ Fundamento legal: artigos 249, inciso II, 251, caput e parágrafo único, 279, 281, inciso 11, e 288 do RIR/1999, artigo 24 da Lei 9.249/1995 e artigo 40 da Lei 9.430/1996. 3.2 PIS Fundamento legal: artigos 1°c 3° da LC 07/1970, artigo 24, § 2°, da Lei 9.249/1995, artigos 2º, inciso, 8º, inciso I, e 9º da Lei 9.715/1998 e artigos 2°e 3° Lei 9.718/1998. 3.3 COF1NS Fundamento legal: artigo 1° da LC 70/1991, artigo 24, § 2°, da Lei 9.249/1995, artigos 2°, 3° e 8° da Lei 9.718/1998, com alterações da MP 1.807/1999 e suas reedições, com as alterações da MP 1.858/1999 e suas reedições. 3.4 CSLL Fundamento legal: artigo 2°, caput e §§, da Lei 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei 9.249/1995, artigo 1° da Lei 9.316/1996, artigo 28 da Lei 9.430/1996 e artigo 6° da MP 1.858/1999 c rcedições. 4 A interessada tornou ciência dos autos de infração em 01/06/2005 e apresentou defesa em 30/06/2005 (fls. 245/303). alegando em síntese que: • 4.1 A impugnante teve seu direito de defesa cerceado na medida em que os autos do presente processo administrativo não ficaram disponíveis para consulta no prazo aberto para a defesa. Seus representantes compareceram à Receita Federal logo após a autuação para tornar conhecimento dos documentos ou demonstrativos eventualmente juntados pela fiscalização. Todavia, o processo não se encontrava disponível para consulta, 4.2 A não disponibilidade dos autos foi posteriormente evidenciada por meio do encaminhamento de fl. 233, onde o chefe da equipe de fiscalização apõe o seu "de acordo" no dia 06/06/2005, atestando que o processo ainda se encontrava, nesta data, na fiscalização. 4.3 No dia 10/06/2005, esses representantes compareceram à repartição competente, porém foram informados que os autos estavam em trânsito da DEFIC para a DERAT. Nessa ocasião, os advogados foram informados que poderiam ter vista dos autos somente quando o processo chegasse fisicamente à DERAT. De modo a resguardar seu direito e comprovar o alegado, a impugnante obteve o extrato de andamento junto à repartição mencionada (fl. 316). 4.4 O acesso da impugnante aos presentes autos somente foi possível no dia 14/06/2005, o que ocasionou a perda de quase metade do prazo total para a defesa. Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.154 4 4.5 Portanto, a interessada requer a reabertura do prazo para a defesa para tornar viável a impugnação do auto de infração de forma mais completa c ampla possível. 4.6 Pretendeu o fisco, a partir de alguns poucos fatos (no caso, algumas notas fiscais de um fornecedor por ele não aceitas) fazer uso da presunção legal para tributar a totalidade dos fatos desconhecidos (ou seja, a totalidade do saldo da conta de passivo para com este mesmo fornecedor). 4.7 A caracterização da omissão de receita, em casos de presunção legal, depende da certeza da não comprovação do passivo e esta, por sua vez, só pode ser feita caso a caso, e não de forma generalizada, de modo a viabilizar a exclusão das parcelas devidamente comprovadas. 4,8 Os julgados citados em fls. 262/263 comprovam que a análise do fisco dos fatos conhecidos deve ser feita caso a caso, pois do contrario os contribuintes podem ser autuados somente em relação ao passivo não comprovado. 4.9 Não é o que fez a fiscalização. Pela parcela do passivo apurada (fato conhecido) foi imputada a omissão de receita (fato desconhecido) sobre a totalidade do saldo da conta fiscalizada. 4.10 Tal situação não possui qualquer amparo legal, razão pela qual deve ser decretada a nulidade do auto de infração. 4.11 A despeito da discussão de mérito que se sucederá, a interessada se vê obrigada a contestar expressamente este ardiloso artificio, o qual não tem outra função senão iludir os julgadores dos fatos e situações efetivamente ocorridos. Com efeito, o procedimento utilizado (baseado em descrições genéricas) é expediente tendencioso, ainda mais na forma como foi feito que, eivado de ilegalidades, conduz os lançamentos fiscais à nulidade. • 4.12 Percebese que a descrição fiscal não proporciona condições de defesa, posto que emprega vocábulos e expressões vagas, não especificando os documentos, as obrigações, os pagamentos, os descontos e as devoluções, e sua relação. 4.13 A jurisprudência administrativa é pacífica sobre a necessidade de aprofundamento fiscal mínimo para o levantamento de provas sobre as infrações imputadas ao contribuinte, especialmente provas da materialidade dos fatos que geram o uso da presunção, para conferir certeza ao lançamento efetuado. 4.14 A única conclusão possível é que a exigência nos moldes em que foi formulada é nula, vez que baseada em argumentos genéricos, com vistas a encobrir fiscalização técnica duvidosa. 4.15 No mérito, a fiscalização não aceitou as devoluções ocorridas por entender que estas ocorreram muito tempo depois do ingresso das mercadorias na empresa ou porque em muitas Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.155 5 notas fiscais não constavam dados sobre o transportador e/ou preenchimento do canhoto das notas fiscais. 4.16 A fiscalização não aceitou o saldo do passivo da conta Enterasys, que totaliza R$ 40.522.796,29, após auditoria de meras 03 (três) notas fiscais. Em seguida, apurou um total de R$ 11.427.554,24 em devoluções, porem não as excluiu do valor autuado. 4.17 A devolução muito tempo depois do ingresso se justifica pois os produtos são de alta tecnologia (relacionados com rede de computadores) sujeitos à obsolescência, os quais, passados alguns meses no estoque sem a correspondente venda, tinham baixa demanda de mercado, em razão de lançamentos de produtos mais modernos. 4.18 Cabe lembrar que não existe legislação a exigir que a devolução seja feita dentro de um determinado prazo. 4.19 Inaceitável também a segunda alegação da fiscalização para não aceitar as devoluções, qual seja, a de que as notas fiscais não constavam dados sobre o transportador, posto que os produtos em questão são pequenos em tamanho, sendo na maioria transportados por simples remessa por motoboy ou em vans. Além disso, ambas as empresa estão situadas no mesmo bairro. 4.20 No tocante ao preenchimento do canhoto das notas fiscais, a análise das notas fiscais demonstra que a maioria delas possuíam os respectivos canhotos preenchidos, conforme quadro de fls. 277/281. 4.21 Das 194 notas fiscais, apenas 15 não constam do canhoto de recebimento. Dessa forma, temse que foi comprovado em mercadorias devolvidas o montante de R$ 12.330.665,87, que deve ser excluído da base tributável, sob pena de excesso de exação. 4.22 Para provar a lisura de suas operações, que redundaram na autuação por omissão de receita, a defesa apresenta documentos de fs. 318/542. 4.23 No que concerne à REDISUL, a interessada junta cópia das notas fiscais para comprovar a existência do passivo. 4.24 A fiscalização, ao considerar a totalidade da conta Fornecedores em 31/12/2001, como passivo não comprovado, não excluiu da tributação os saldos iniciais constantes da mesma conta em 01/01/2001, acabando por tributar receitas já tributadas no decorrer de 2001. 4.25 A autoridade fiscal agravou a multa de oficio de 75% para 112,5%, por entender que a impugnante não respondeu às intimações lavradas. 4.26 Não obstante, foi ofertada toda a documentação hábil e idônea, não se podendo alegar que a impugnantc não respondeu Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.156 6 às intimações efetuadas, cabendo, portanto, a redução da multa para 75%. 4.27 É de se reconhecer, ainda, a impossibilidade de se exigir juros de mora com base na SELIC, uma vez que a mesma viola diversos dispositivos legais. 5 Por fim, a defesa protesta pela posterior juntada de provas. 6 Em 01/08/2005 (fls. 545/621), solicitou a juntada de novas provas (fls. 622/1239). Alega a defendente que a apresentação da documentação posterior à impugnação deveuse ao seu volume e ao fato de estar em poder de terceiros, visto que consiste notadamente de provas documentais da empresa Enterasys Networks do Brasil Ltda. Invoca, como base legal para a sua admissibilidade, a alínea a do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, com o seguinte ementário: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. A preterição do direito de defesa decorre de despachos eu decisões e não da lavratura de ato ou termo, como no caso do auto de infração. REABERTURA DE PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Não há que se falar em reabertura do prazo para contestação, quando demonstrado que foram entregues ao sujeito passivo todos os termos lavrados no curso da ação fiscal e que os elementos de prova foram fornecidos pela empresa fiscalizada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: PASSIVO FICTICIO. Por não haver comprovação inequívoca da existência dos valores escriturados na conta passiva objeto da autuação, mas sim de que parte do saldo remanescente já se encontrava liquidada na data do encerramento do balanço, mantémse o lançamento. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, com base na taxa SELIC. MULTA AGRAVADA. Correto o agravamento da multa de oficio quando a empresa não atende às intimações efetuadas. AUTOS REFLEXOS. Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLI. o que foi decidido quanto à exigência matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.157 7 Lançamento Procedente Após intimado (fls. 1271), a empresa autuada apresenta, tempestivamente, seu Recurso Voluntário, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Em uma primeira apreciação (fls. 1319/1329), a antiga Quinta Câmara do Conselho de Contribuintes, mediante a Resolução 1051.408, de 13/08/2008, resolveu converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização elaborasse demonstrativo das notas fiscais com vencimento posterior a 31/12/2001, relativas ao passivo não comprovado a que se refere este processo, e intimasse o contribuinte a se manifestar sobre cada uma dessas notas, especialmente sobre a quitação das mesmas, com intuito de coletar informações necessárias ao julgamento do recurso voluntário interposto. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo, São Paulo, carreou ao processo o documento de fls. 2133/2136, concluindo, em apertada síntese, que o contribuinte não apresentou nenhuma nota fiscal emitida no anocalendário de 2001, com vencimento no anocalendário de 2002, relativa ao passivo não comprovado, tampouco qualquer documento hábil e idôneo a comprovar que esse passivo tenha sido pago no ano seguinte. Cientificada do resultado da diligência realizada, a contribuinte aportou ao processo o documento de fls. 2143/2146, por meio do qual contesta a conclusão esposada no relatório da diligência fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Com relação às preliminares argüidas pela recorrente, entendo que elas foram suficientes afastadas quando da Resolução nº 1051.408, sendo seus fundamentos aqui adotados como razões de decidir, nos termos do §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que a seguir transcrevo: O contribuinte argüi nulidade por ter dificuldade de acesso aos autos, o que comprometeria sua defesa. No entanto, verificase que obteve cópia dos termos e do auto de infração e todos os documentos que foram apostados aos autos foram entregues pelo próprio • contribuinte, não havendo comprometimento de sua defesa. Ademais, mesmo os documentos trazidos após a impugnação foram considerados pela decisão recorrida, afastando qualquer prejuízo à defesa. Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.158 8 Quanto à descrição dos fatos no auto de infração e no termo de verificação, também não merece acolhida a argumentação do recurso, pois o termo de fls. 103/105, deixa clara a infração imputada ao recorrente e este dela pode impugnar e recorrer, não podendo se falar em prejuízo á defesa. Quanto ao alegado não conhecimento do documento de fls. 1242, esclareço que se trata de uma relação de documentos (notas fiscais), entregues pelo contribuinte fiscalização e sua localização nos autos, não trazendo qualquer análise de mérito e não tendo corno influir na defesa do contribuinte, exceto para facilitar a localização de documentos nos autos. Diante do exposto, voto no sentido de afastar as nulidades argüidas pela recorrente. Com relação ao mérito, vêse que o presente lançamento de omissão de receitas foi efetuado com base em presunção legal, caracterizada pela manutenção, no passivo contábil da empresa, de obrigações já pagas ou não comprovadas. O passivo fictício é a manutenção na escrituração contábil de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, podendo se concretizar de duas formas: a) a empresa registra em sua contabilidade passivos reais e exigíveis, mas, com o passar do tempo, os quita com recursos não contabilizados e, justamente por esse motivo, deixa de baixálos da sua contabilidade. Portanto, mesmo depois de quitada, a obrigação é mantida nos registros contábeis da empresa, embora não seja mais exigível; ou b) a empresa constitui uma conta no passivo para dar lastro a um ativo não contabilizado. Assim, debita a conta do ativo (que até então estava sem origem) e a contrapartida deste débito é um crédito no passivo, criando uma obrigação inexistente. Assim, a manutenção nos registros contábeis de obrigações já quitadas faz presumir, por imposição legal, que as referidas dívidas foram solvidas com emprego de recursos mantidos à margem da contabilidade. Cabe destacar que, no caso dos autos, não se refere à manutenção de obrigação já paga no passivo, mas à falta de comprovação das obrigações registrada no passivo. Assim, da análise do Auto de Infração é possível identificar que o passivo fictício decorre de passivo inexistente (letra b). De acordo com a fiscalização, o contribuinte foi intimado a preencher demonstrativo de composição do passivo escriturado em duas contas contábeis, com as informações relativas ao saldo de 31/12/2001, além da comprovação da exigibilidade das obrigações registradas no período: Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.159 9 Transcorrido o prazo estabelecido, foi reiterada a intimado por duas vezes. Em resposta a última intimação, o contribuinte se limitou a apresentar notas fiscais de compras de mercadorias emitidas pela empresa ENTERASYS e notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa REDISUL, sem apresentar qualquer documento que constatasse que o pagamento dessas notas foram realizadas após 31/12/2001 ou até essa data as obrigações contraídas perante esses fornecedores estariam exigíveis. Portanto, a recorrente não apresentou as provas solicitadas pela fiscalização, não se desincumbindo, durante a tramitação do presente processo administrativo fiscal, de trazer aos autos as necessárias provas da existência do passivo lançado em sua contabilidade. Enfatizese que as notas fiscais trazidas pelo contribuinte não coincidem com os valores lançados nas referidas contas contábeis, evidenciando que foram mesmo inseridos elementos inexatos na escrituração da empresa, o que evidencia a existência de passivo fictício. Ora, para demonstração do saldo da conta contábil, em 31/12/2001, bastaria o contribuinte relacionar os fornecedores (no caso apenas dois!), e as NFs e/ou duplicatas a eles relacionadas, indicando os valores e as datas de vencimentos das obrigações mantidas, e trazer aos autos os elementos necessários para certificação de que as obrigações lançadas em seu passivo de fato existem. Não se desincumbiu deste ônus, portanto, correta a presunção de omissão de receitas. Por conseguinte, não há que se acolher a alegação do contribuinte de que a autuação embasouse apenas em algumas notas fiscais, pois a fiscalização estabeleceu diversas formas de correlação entre documentos apresentados com os dados contábeis registrados (fls. 55/61, 63/98 e 101/102). O encadeamento dos fatos e a motivação para caracterizar as contas passivas como omissão de receita encontramse consignados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, evidenciando, assim, o acerto da classificação dos fatos narrados, e a conseqüente validação das exigências fiscais formuladas com base na presunção de omissão de receita em face da ausência de comprovação cabal dos valores escriturados. Também não há como acolher os elementos de prova trazidos pelo recorrente para justificar pagamentos das notas fiscais 1292, 1353, 1364, 1369, 1374, 1375, 1377, 1383, 2013, 2014, 2015 e 2016, pois a mera apresentação de cópia de extratos bancários da Enterasys, noticiando transferências para conta bancária desta empresa, não se afigura suficiente para comprovar a quitação da dívida, necessitando, para tanto, averiguar outros elementos que possibilitasse a identificação do depositante e da operação que deu causa. Tampouco servem as provas colacionadas pela defesa, de que determinadas foram devolvidas para seu fornecedor Enterasys muito tempo após seu ingresso, sob a justificativa que essas mercadorias seriam de alta tecnologia e estariam sujeitas à obsolescência. De fato, a documentação trazida aos autos resumiuse à apresentação das notas Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.160 10 fiscais, sem apoio em quaisquer outros elementos de convicção quanto à efetiva restituição dessas mercadorias. Informações a respeito do transporte dessas mercadorias, questionado pela fiscalização, poderiam auxiliar no convencimento da efetividade de tais devoluções, entretanto, a recorrente alega a desnecessidade de contratação de transportadora para entrega dessas mercadorias, posto que esta indicação, por si só, não é prova cabal da movimentação física desses bens. Quanto à conta 2.1.1.10.8603 Redisul Informática Ltda, a interessada apenas juntou cópia das notas fiscais 6994 e 6995 (fls. 541/542), ambas com vencimento em 28/12/2001, porém, mais uma vez, não logra comprovar que o pagamento dessas notas teriam ocorrido após 31/12/2001. Dessa forma, por não haver comprovação inequívoca da existência do saldo das contas objeto da autuação, mantémse o lançamento. Em relação aos lançamentos reflexos, observese que os elementos de comprovação são os mesmos que fundamentaram o lançamento de oficio referente ao IRPJ. Assim, aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL, no que couber, o que foi decidido naquele. Da Multa Agravada Com referência à multa de ofício, conforme relatado, a fiscalização a agravou em 50%, passando de 75% para 112,5%, sob o entendimento de que a recorrente não teria respondido as intimações lavradas em 21/02/2005 e 24/03/2005. A DRJ manteve o agravamento da multa de ofício, respaldado no mesmo entendimento, de que o não atendimento das mencionadas intimações autorizaria o agravamento da multa, nos termos do artigo 44, inciso I, §2º da Lei 9.430/1996. Confirase: 41 Tampouco insubsiste a argüição da impugnante de que foi ofertada toda a documentação hábil e idónea, razão pela entende que deveria ser aplicada a multa de oficio de 75%. 42 Em 21/02/2005, a empresa foi intimada a preencher o demonstrativo da composição das contas passivas em tela e a comprovar os valores escriturados com documentação hábil e idônea (fl..52). 43 Transcorrido o prazo estabelecido para seu atendimento, a interessada não se manifestou. 44 Em vista disso, em 24/03/2005, foi lavrado Termo de Reiteração de Intimação Fiscal (11. 53) que, todavia, também não foi atendida. 45. Após nova intimação (f1. 62), a contribuinte respondeu apenas parcialmente o solicitado, conforme consta do Termo de Verificação e Constatação Fiscal. 46 Diante disso, cabível a multa aplicada, nos termos do artigo 44, inciso 1, § 2° da Lei 9.430/1996. Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.161 11 Penso que, neste ponto, a decisão recorrida merece reparos. Conforme se depreende do trecho do TVF abaixo transcrito, a ausência de comprovação e esclarecimentos sobre a regularidade dos lançamentos registrados em seu passivo também deu causa à presunção de omissão de receitas, não devendo, assim, o mesmo fato ser utilizado também para o agravamento da multa: Em vista de todo o acima exposto, a falta de comprovação com documentação hábil e idônea, de parcela do passivo, autoriza ao fisco a presunção legal de considerar o saldo não satisfatoriamente comprovado, no montante de R$ 40.598.245,10, como passivo não comprovado, motivo pelo qual esse valor será tributado de .oficio, coma lavratura do competente e necessário auto de infração fiscal (...) A impossibilidade de uma mesma conduta servir de base tanto à presunção de omissão quanto à sua penalização encontra paralelo com a situação já pacificada neste CARF, por meio da Súmula 96: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Não é o caso da aplicação da súmula acima transcrita, que trata de situação diversa da presente (arbitramento de lucros), porém, entendo ser possível traçar um paralelo entre as situações, ou seja, da mesma forma que a falta de apresentação de livros e documentos não pode dar causa, por si só, ao arbitramento e ao agravamento da multa, também a falta de apresentação de documentos e esclarecimentos sobre a regularidade dos lançamentos registrados em seu passivo, não pode gerar tanto a presunção de omissão de receitas quanto a multa agravada. É que a falta de explicação quanto à regularidade dos lançamentos registrados no passivo contábil já tem conseqüência específica que é a autorização para a presunção de omissão de receitas. Ademais, o agravamento da multa é hipótese severa que apenas pode ocorrer quando houver prejuízo efetivo à fiscalização, o que não se dá nos casos de presunção de omissão de receitas já que, como hipótese de presunção que é, invertese o ônus da prova, fazendo com que as autoridades fiscais possam tributar com base apenas no fatobase da presunção (o fato auxiliar, o indíciário), dispensandoas de provar o fato presumido. Neste ponto, trago decisão do ilustre Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, nos autos do Processo n. 15563.720068/201333, assim ementada: MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que o contribuinte não tenha apresentado todos os dados solicitados pela fiscalização, devese afastar a multa agravada quando constatado que tal circunstância não obstaculizou nem prejudicou, de forma incisiva, a definição da base de cálculo dos tributos lançados. (G.N) Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 19515.001633/200586 Acórdão n.º 1301002.961 S1C3T1 Fl. 2.162 12 Ora, o contribuinte não obstaculizou nem prejudicou o trabalho desenvolvido, na definição da base de cálculo dos tributos lançados, até mesmo porque o lançamento foi efetuado a partir de informações e documentos contábeis por ele fornecidos. Logo, também por este motivo é inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento das intimações fiscal em questão. Com esses fundamentos, impõese o desagravamento da multa de ofício aplicada. CONCLUSÃO Assim, diante do exposto, rejeito as argüições de nulidades, e no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário da empresa autuada, tão somente para reduzir a multa de ofício para 75%. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 2162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905569/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. Recorrente IJB Câmbio e Turismo LtdaME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A Recorrente transmitiu pedido de ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 55 69 /2 01 2- 31 Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.905569/201231 Acórdão n.º 3301004.541 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de origem emitiu despacho decisório eletrônico no qual indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado, diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Em manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte que entre a data de transmissão do PER até a ciência do despacho decisório transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e do art. 29 da IN SRF nº 600/2005. Logo, requer a homologação tácita do pedido de ressarcimento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, pois entendeu a 1ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão n° 02052.332, que não há previsão legal para o pleito do contribuinte. Inconformada, a Recorrente, tempestivamente, protocolizou o recurso voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.528, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10380.905554/201273, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.528): "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento e não pedido de compensação, logo não há falarse de homologação tácita, por inexistência de previsão legal. Dispõe o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Esse dispositivo legal trata de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10380.905569/201231 Acórdão n.º 3301004.541 S3C3T1 Fl. 4 3 também diversos. Como bem apontado pela DRJ, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação, dado que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Em suma, a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação. Observese que neste processo não houve qualquer vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Assim, inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos, dessa forma, não há como se acolher o requerimento do contribuinte. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12278.720412/2014-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
Numero da decisão: 2001-000.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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score : 1.0
Numero do processo: 10314.011250/2005-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/10/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.638
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 09/10/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2086; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10314.011250/200516 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.638 – 3ª Turma Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria II. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/10/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 12 50 /2 00 5- 16 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10314.011250/200516 Acórdão n.º 9303006.638 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 380200.063, que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição de imposto de importação protocolado pelo Contribuinte. Sustenta que pagou a maior imposto de importação por não haver aplicado o benefício fiscal de 40% previsto na legislação, notadamente na Lei n° 10.182/01. Mediante despacho decisório o pedido de restituição foi indeferido por não atender todas as condições legais no momento de ocorrência do fato gerador do imposto (CTN, art. 179, L. 9.069/95 art. 60, Dec. 4.543/2002, art. 109). Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: habilitouse junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDS (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal); posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei nº 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei nº 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI tratada neste processo foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála; menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente à Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de “drawback”. Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada; Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10314.011250/200516 Acórdão n.º 9303006.638 CSRFT3 Fl. 4 3 na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CND’s (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho; à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: “... III verificação de que o contribuinte , à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)”. Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ e, na sequência, o recurso voluntário apresentado teve o provimento negado pelo colegiado a quo. O Contribuinte interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência quanto à exigência de apresentação da Certidão Negativa de Débito em cada um dos processos de importação que utilizaram benefício tributário. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.633, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10314.010742/200586, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.633): "Da Admissibilidade Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10314.011250/200516 Acórdão n.º 9303006.638 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 234 e 235. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime." (...)1 "Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5692 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio neste processo, uma vez que o entendimento nele expresso restou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303 006.633). 2 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10314.011250/200516 Acórdão n.º 9303006.638 CSRFT3 Fl. 6 5 comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte a recorrente quando se adentra à essência da lide. Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10314.011250/200516 Acórdão n.º 9303006.638 CSRFT3 Fl. 7 6 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de tê lo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10314.011250/200516 Acórdão n.º 9303006.638 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.904244/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.970
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.904244/200872 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.970 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Recorrente LOJA DO PINTOR TINTAS E MATERIAIS PARA CONSTRUCAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 42 44 /2 00 8- 72 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13884.904244/200872 Acórdão n.º 3401004.970 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.652, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13884.904244/200872 Acórdão n.º 3401004.970 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13884.904244/200872 Acórdão n.º 3401004.970 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.904244/200872 Acórdão n.º 3401004.970 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.904244/200872 Acórdão n.º 3401004.970 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.725995/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
IOF. CONTRATO DE MÚTUO. VALOR NÃO DEFINIDO. BASE DE CÁLCULO.
Nos contratos em que não resta definido o valor certo do mútuo, mas apenas o estabelecimento de um valor máximo a ser disponibilizado ao mutuário, segundo suas necessidades, para manutenção da atividade operacional, inclusive com admissão de reutilização do crédito, em verdadeiro sistema de conta-corrente, a apuração do imposto deve levar em conta os saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, consoante art. 7º, I, a do Decreto nº 6.306/2007.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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DE CELULOSE E PAPEL DO PARANÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 IOF. CONTRATO DE MÚTUO. VALOR NÃO DEFINIDO. BASE DE CÁLCULO. Nos contratos em que não resta definido o valor certo do mútuo, mas apenas o estabelecimento de um valor máximo a ser disponibilizado ao mutuário, segundo suas necessidades, para manutenção da atividade operacional, inclusive com admissão de reutilização do crédito, em verdadeiro sistema de contacorrente, a apuração do imposto deve levar em conta os saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, consoante art. 7º, I, “a” do Decreto nº 6.306/2007. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 59 95 /2 01 1- 43Fl. 260DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente o Cons. Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Cuidase de lançamento de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros – IOF, 2007/2009, referente a mútuos firmados entre o autuado e as pessoas jurídicas Empreendimentos Florestais do Paraná Ltda., Arpeco S/A – Artefatos de Papéis, Antonio de Pauli S/A e Compet AgroFlorestal S/A. Em impugnação o contribuinte, nada obstante reconhecer a procedência do lançamento, pela falta de recolhimento do IOF, contesta a base de cálculo adotada pela fiscalização, requerendo a revisão do enquadramento do art. 7º, I “a” do Decreto nº 6.306/2007, para a alínea “b” do mesmo dispositivo, por entender que houve mútuo de valor definido. Na mesma oportunidade, defendeu que o imposto não poderia alcançar os valores liberados antes de janeiro/2007, uma vez já decaídos. A DRJ Curitiba/PR manteve o lançamento em decisão assim ementada: “IOF. CONTRATOS DE MÚTUO. INDEFINIÇÃO DO VALOR DO EMPRÉSTIMO CONTRAÍDO E DO PRAZO DE DURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. SALDOS DEVEDORES DIÁRIOS APURADOS NO ÚLTIMO DIA DE CADA MÊS. A base de cálculo do IOF, relativamente aos contratos de mútuo nos quais o valor do empréstimo contraído e o prazo de duração são indefinidos, são os respectivos saldos devedores diários apurados no último dia útil de cada mês. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Constituído dentro do prazo de cinco anos a partir do marco inicial, o crédito tributário não sofre os efeitos da decadência.” O recurso voluntário, grosso modo, replicou os argumentos da impugnação, à exceção da decadência, não renovada nessa instância. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10980.725995/201143 Acórdão n.º 3401004.481 S3C4T1 Fl. 11 3 A questão a ser deslindada nesta assentada se restringe à correta definição da base de cálculo do imposto, à luz das disposições do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007, não havendo discussão a respeito da incidência do tributo, como esclarece a seguinte passagem do recurso: “Como já trazido na impugnação apresentada, de forma objetiva, a i. agente autuante está correta ao afirmar que, durante a fiscalização, encontrou contratos de mútuos firmados pela ora Recorrente, na qualidade de mutuante, cujos valores liberados não teriam sido objeto de retenção e recolhimento do IOF respectivo. Contudo, o critério utilizado para constituição dos créditos tributários de IOF, notadamente a formação de sua base de cálculo, a qual restou ratificada pela DRJ de Curitiba/PR, através do v. acórdão proferido, merece oposição de contraargumentos, de tal forma que a referida decisão seja revista e reformada para afastálo e, assim, readequar a autuação dos créditos constituídos.” Nesse diapasão, a recorrente sustenta, após discorrer sobre a legislação de regência, que o equívoco do lançamento estaria em considerar que o valor do contrato de mútuo não fora definido, uma vez que os instrumentos firmados trazem expresso o montante a ser liberado, em parcelas, de acordo com as necessidades dos mutuários, o que imporia o levantamento do quantum debeatur a partir do art. 7º, I, “b” do Decreto nº 6.306/2007. Para facilitar a visualização do debate, reproduzo o sobredito art. 7º, na redação vigente à época dos fatos imponíveis: “Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; (...) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; Fl. 262DF CARF MF 4 (...)” O lançamento e a decisão recorrida – principalmente esta última –, por outro lado, entenderam que não houve a definição de um valor, mas sim um limite, um teto, para o mútuo, mesmo porque a liberação obedeceria às necessidades dos mutuários e não haveria estipulação de um prazo de vigência. A solução da testilha perpassa necessariamente o exame dos termos contratuais em que firmados tais empréstimos. Nesse passo, os instrumentos encontramse às efls. 94/105 e são padronizados, destacando de suas cláusulas, como principais obrigações e características que, i) o mutuante se compromete a liberar crédito no valor total de (omissis) para que os mutuários possam utilizar para pagamento e manutenção de suas atividades operacionais; ii) os valores serão liberados de acordo com a necessidade dos mutuários; iii) os valores devem ser liquidados assim que as condições financeiras e o fluxo de caixa das atividades dos mutuários permitirem; iv) não há prazo específico assinalado para sua vigência, cuja extinção se dá com a quitação integral do empréstimo; v) não incidem encargos financeiros sobre o mútuo; vi) o descumprimento das cláusulas não importa em novação ou alteração das condições, mas mera liberalidade do mutuante; vii) o contrato é irrevogável e irretratável; viii) a invalidade, ilegalidade ou inexequibilidade das disposições contratuais não prejudicam a validade, legalidade ou exigibilidade das outras; ix) o ajuste seria obrigatório entre as partes, nos limites de suas responsabilidades; e x) as obrigações assumidas comportariam execução específica, nos termos da legislação processual civil. À primeira leitura, poderseia concordar com o recorrente que o contrato possui um valor principal definido, haja vista que textualmente previsto “um valor total”, todavia, ao integrar suas cláusulas, constatase que, a bem da verdade, esse suposto “valor principal” do mútuo corresponde a um teto de crédito, porquanto sua utilização não é integral, mas vinculada às necessidades financeiras dos respectivos mutuários. A meu sentir, a remissão à expressão “valor principal definido” atrelase ao montante a ser efetivamente entregue ao mutuário, ainda que parcelado, e não àquele potencialmente colocado à sua disposição, segundo suas necessidades. Adotar esse raciocínio levaria à conclusão – errônea, digase – consoante a qual a simples disponiblização de um limite de crédito, ainda que não utilizado e tampouco transferido ao mutuário, pudesse ensejar a incidência do IOF. Não sem razão prevê o art. 13, § 1º da Lei nº 9.779/99 que o fato gerador do IOF considerase ocorrido na data de concessão do crédito. Na mesma linha, o Decreto nº 6.306/2007, ao utilizar a expressão “colocar à disposição” (art. 3º, caput), referencia a entrega do montante pactuado para que fique à disposição do mutuário, não açambarcando as situações em que essa disponibilização é apenas virtual, bastando para se chegar a essa inferência, o exame do aspecto temporal das regras de incidência, tal qual arroladas as hipóteses nos incisos do parágrafo primeiro, do mesmo art. 3º: “§ 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10980.725995/201143 Acórdão n.º 3401004.481 S3C4T1 Fl. 12 5 II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito.” (destacado) No caso vertente, os valores pactuados não foram integralmente entregues ou de outra forma transferidos ao patrimônio dos mutuários, mas apenas potencialmente disponibilizados, na medida de suas necessidades para manutenção das atividades operacionais. A ausência de um cronograma fixo de liberação das parcelas também milita em desfavor do recorrente, a fim de caracterizar ditos mútuos como de valor definido. Outro argumento que pode ser alinhado, como indicador de empréstimo de valor não definido, reside no fato dos valores serem passíveis de reutilização, o que efetivamente aconteceu, como reconhece o próprio recorrente ao descrever, na impugnação, a mecânica dos mútuos (efl. 189), especificamente em um contrato de valor total de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais), verbis: “Como constatou a i. agente autuante, em janeiro/2007 já tinham sido liberados, desse montante, o valor de R$ 17.924.884,93, chegando a um teto de R$ 19.882.619,99 em julho/2007, reduzindose ao valor de R$ 5.700.444,17 em janeiro/2008, o qual permaneceu até dezembro/09, sendo que, em 31.12/2009 um novo valor foi disponibilizado, fechando com um saldo de R$ 15.237.644,17. (...) Tal fato se repete em relação à mutuaria (omissis), bem como em relação às empresas (omissis), haja vista que o saldo do mútuo sempre está em linha ascendente (liberações), mas dentro do limite do principal fixado em contrato, demonstrando que o IOF deveria incidir apenas sobre o valor liberado, não sobre a somatória do saldo Fl. 264DF CARF MF 6 devedor diário, o que reduz consideravelmente a base de cálculo apurada pela fiscalização.” (destacado) Notese que o próprio recorrente utiliza os termos “teto” e “limite do principal”. Como se pode observar do excerto transcrito, não havendo qualquer outro contrato firmado, além dos 04 (quatro) juntados ao processo, a “nova disponibilização” ocorrida em 31/12/2009 significou que o mutuário reutilizou o limite de crédito, quando já havia amortizado cerca de ¾ (três quartos) do valor sacado, o que revela a existência de uma contacorrente com definição de um limite de crédito, implicando reconhecer que o contrato estabelece um valor máximo a ser utilizado e não um valor predefinido de principal. A possibilidade de reutilização de crédito, ainda que não prevista contratualmente, mas admitida na sua execução, concorre para o enquadramento do mútuo como sendo de valor principal indefinido, com a apuração do imposto pelo somatório dos saldos devedores diários verificados no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação, no art. 7º, I, “a” do Decreto nº 6.306/2007, como promovido pela fiscalização. Portanto, o lançamento e a decisão recorrida não merecem qualquer reparo, devendo ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.901456/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 56 /2 01 3- 64 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901456/201364 Acórdão n.º 1402003.024 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: "ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2012 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição [...], transmitida em 27/12/2012, por meio da qual o contribuinte acima identificado solicita restituição de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código 2089) do período de apuração 30/06/2012. Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto indeferiu o Pedido de Restituição em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. " Cientificado do Despacho Decisório por via postal em 14/05/2013, o contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl. 03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não ter retificado suas declarações (DCTF, DACON e DIPJ), porém pleiteia novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ: "Isto tudo foi feito quando constatado que a empresa LC ASSISTÊNCIA MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901456/201364 Acórdão n.º 1402003.024 S1C4T2 Fl. 4 3 sua totalidade, e a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código 1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952." Em seu pedido, requer que se aceite as retificações das declarações, pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901456/201364 Acórdão n.º 1402003.024 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.078, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10850.901450/2013 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.078): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de que, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL na sua totalidade, contudo a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL. Uma vez que a administração tributária tenha iniciado procedimento fiscal para verificar as obrigações tributárias referentes a determinado período e tributo, não mais se pode falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora. Dessa forma, uma vez que a administração tributária emite decisão com base em declaração regularmente entregue, não é lícito que o recorrente retifique a informação que levou àquela decisão e pretenda que seja a nova informação aceita sem passar pelo crivo do Autoridade Fiscal. Sendo assim, deveria o recorrente ter apresentado sua manifestação de inconformidade acompanhada de elementos probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a efetiva ocorrência dos alegados equívocos cometidos em suas declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901456/201364 Acórdão n.º 1402003.024 S1C4T2 Fl. 6 5 Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer documentos (notas fiscais, recibos, comprovante de pagamento) que comprovem que houve a retenção dos referidos valores de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também não houve a demonstração de que os valores retidos seriam suficientes para quitar integralmente os tributos apurados a partir de seus livros comerciais e fiscais. Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo Civil, e não tendo se desincumbido de referido ônus, cumpre indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por falta de comprovação da existência do crédito. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923745/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 26/11/2004
DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO.
Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
Numero da decisão: 3401-005.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 26/11/2004 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 37 45 /2 00 9- 81 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.923745/200981 Acórdão n.º 3401005.046 S3C4T1 Fl. 72 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: " 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio eletrônico (PER/DCOMP n° 10880.923745/200981), na data de 31/05/2005 (página 1 PERDECOMP), pela qual pretende guitar os débitos declarados na página 4 do referido documento, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF de 26/11/2004, no valor de R$ 196.198,98 (código de receita:5960). 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em Sao Paulo (DERAT/SPO) emitiu o Despacho Decisório de fls. 8, datado de 25/03/2009, no qual pronunciouse pela NÃO HOMOLOGAÇÃO por inexistência de crédito. 3. Cientificado em 01/04/2009 da solução dada A declaração de compensação apresentada, conforme informação constante As fls. 9, a Insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 15, tempestivamente, conforme fls. 29, com a juntada de documentos de fls. 16 a 27 (documentos societários e procuração/substabelecimento), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 3.1. A Requerente, após transmitir a DCOMP em apreço, esqueceuse de retificar a respectiva DCTF para reduzir o valor do débito que intenta compensar, medida esta que entende como necessária para evidenciar o direito creditório que pretende exercitar. 3.2. Ademais, sustentando que não lhe foi possível localizar em tempo hábil os documentos que comprovariam a existência de seu crédito, protesta pela juntada posterior de documentos para comprovar o quanto alegado. 3.3. Diante do exposto, articula que no caso de não ser acatada a Manifestação de Inconformidade, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da Manifestante". Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.923745/200981 Acórdão n.º 3401005.046 S3C4T1 Fl. 73 3 2. Em 13/04/2011, a 13ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1630.756 às fls. 35 a 39, de relatoria do AuditorFiscal Nilton Gularte dos Santos, que entendeu, por unanimidade de votos, ser a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito tributário pleiteado, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 26/11/2004 Ementa: DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Intimada via postal em 13/07/2011, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 41, a contribuinte apresentou, em 10/08/2011, recurso voluntário, situado às fls. 42 a 48, em cujas razões reiterou os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 4. Reproduzimos, abaixo, trecho do acórdão a quo objeto de recalcitrância por parte da contribuinte: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.923745/200981 Acórdão n.º 3401005.046 S3C4T1 Fl. 74 4 "(...) 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de PIS Não Cumulativo (Lei n° 10.637/02) e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do pretendido crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. 6.1. 0 ato hostilizado aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado crédito disponível em favor da Manifestante., conforme apontado no próprio Despacho Decisório. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revelam a inexistência do pretenso crédito declarado e utilizado na compensação. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, razão da não homologação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. (...) 8. 0 Contribuinte questiona o Despacho Decisório que não homologou a compensação afirmando possuir crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar tal afirmação apresenta alegação de que teria deixado de corrigir a correspondente DCTF referente ao período de apuração 05/2005, especialmente no que toca à contribuição para o PIS Não Cumulativo (Lei n° 10.637/02), na qual teria declarado valores indevidos. 8.1. Por oportuno, registrese que, conforme predito, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. 8.2. Ademais, é cediço que a DCTF (criada com base no artigo 5° do Decretolei n° 2.124/84) quando regularmente apresentada tem o condão de formalizar o crédito tributário, viabilizando a inscrição em divida ativa do débito do Contribuinte, assim denunciado e não pago, consoante pacifico entendimento das mais altas cortes do pais. 8.3. Nesse sentido, a DCTF encerra instrumento de confissão de divida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que tenha havido provocação do Sujeito Passivo e sem que haja firme respaldado em efetiva comprovação da ocorrência de equívocos, alterar, exofficio, as informações prestadas pelo Contribuinte. 8.4. No caso vertente, é de se observar que o Contribuinte não efetuou as retificações que sustenta pertinentes por meio do Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.923745/200981 Acórdão n.º 3401005.046 S3C4T1 Fl. 75 5 veiculo apropriado para tal fim DCTF retificadora. Ademais, a mera menção da ocorrência de equivoco/esquecimento, neste momento do rito processual, não é suficiente para fazer prova em favor do Insurgente. Conforme predito, revelase absolutamente imprescindível a comprovação documental do quanto articulado, especialmente por meio da apresentação da escrituração contábil pertinente. 8.5. Consequentemente, a conclusão emitida pela Autoridade Administrativa teve como pressupostos os dados e as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal do Brasil, que armazenam as declarações fiscais próprias (DCTF, por exemplo) apresentadas pelos Contribuintes, válidos e aptos a produzirem seus naturais efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. 8.6. Acrescentese que emerge do contido no citado despacho não haver qualquer incongruência entre os débitos declarados por intermédio da DCTF e o valor dos respectivos pagamentos por meio de DARF, vez que os valores arrecadados por meio deste foram integralmente aproveitados para liquidar tributos declarados pelo Contribuinte c devidos. 8.7. Dessa sorte, ratifiquese, inexiste qualquer equivoco no Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada no presente PER/DCOMP, visto que embasado nas próprias declarações apresentadas pelo Manifestante à Secretaria da Receita Federal do Brasil, não tendo o Insurgente comprovado a existência de quaisquer máculas nessas declarações. 8.8. Por fim, conforme previsto no Decreto n° 70.235/72, especialmente em seu art. 16, como regra geral, admitidas tãosomente as exceções legalmente previstas. o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer eventual equivoco consubstanciado em ato da Administração finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. 8.9. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida. 5. De fato, ao refletir sobre a matéria, determina o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução, tendo este colegiado decidido que "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.923745/200981 Acórdão n.º 3401005.046 S3C4T1 Fl. 76 6 qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira). 6. O fundamento para a não homologação da declaração de compensação consistiu no equívoco cometido pela contribuinte, que não retificou a DCTF referente ao alegado pagamento a maior. Transcrevo abaixo as razões do Acórdão CARF nº 3401004.146, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, que passo a adotar: "Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação (...). Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.923745/200981 Acórdão n.º 3401005.046 S3C4T1 Fl. 77 7 processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente" (seleção e grifos nossos). Assim, convençome de que não se trata de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte da contribuinte recorrente. Assim, pelos fundamentos acima expostos, voto por conhecer e negar provimento ao recurso, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela contribuinte recorrente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 77DF CARF MF
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